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Introdução

O trabalho de pesquisa em causa versa sobre a visao de Hannh Arendt que foi uma
filosofa com bastante destaque no seculo XX, a sua visao poder, liberdade e direitos
humanos , dentro deste procurei trazer de forma clara e suscinta, quais eram os
pensamentos da filosofa em torno do factos mencionados a cima, como ela difinia e
tratava essas questoes, dentro disto poderemos entender comon ela acreditava que são e
deveriam ser o poder, a liberdade e direitos humanos, tendo esta uma visao diferente do
abitual sobre estes aspectos em especfico.

Objectivo geral

 Pesquisar o poder, liberdade e direitos humanos em Hannah Arendt

Objctivos especificos

 Pesquisar poder em hannah Arendt

 pesquisar liberdade em hannah Arendt

 pesquisar direitos humanos em hannah Arendt


Hannah Arendt

Hannah Arendt (1906-1975) nasceu no subúrbio de Linden, em Hannover, Alemanha,


no dia 14 de outubro de 1906, foi uma filósofa política alemã de origem judaica, se
tornando um grande marco na filosofia do século XX. Seu pensamento é de grande
importância para uma reflexão sobre as questões do nosso tempo. Ao lançar o convite
para que “pense sobre o que estamos fazendo” Arendt desperta-nos para uma reflexão
sobre nossa própria condição. Segundo a pensadora, “ a fonte imediata da obra de arte é
a capacidade humana de pensar”. O pensamento da Hanna Arendt pode ser agrupado em
três vertentes ou ocupações: o diagnóstico da contemporaneidade , a análise do
totalitarismo e a tentativa de orientação de saídas dos impasses políticos.

Para Arendt nosso tempo é marcado pela crise dos três sustentáculos da Civilização
Ocidental: a religião, a tradição filosófica e a autoridade política. As ideias de Arendt
são bastante originais e instigadoras. Pode-se destacar como as principais ideias da
filósofa:

a) A ideia de que a liberdade não equivale a livre-arbítrio, mas está identificada a esfera
da ação, equivalendo à soberania.

b) Os homens são livres, diferentemente de possuírem o dom da liberdade enquanto


agem. Ser livre e agir é a mesma coisa;

c) Para assegurar as condições da prática da liberdade, os seres humanos devem


preservar o espaço público e renunciar a soberania. O espaço público para ser
preservado requer a manutenção da cidadania e o direito a ter direitos;

d) O poder é gerado na convivência e cooperação. A violência destrói o poder, uma vez


que esta se baseia na exclusão da interação e da cooperação com os outros;

e) O pensamento não produz coisas, mas ele se torna tangível no processo de reificação
ao preço da vida;

f) A liberdade política é sinônimo de ação. É apenas no ato de agir que efetiva o


processo de construção do mundo onde os homens vivem, sendo que ela é a razão pela
qual os homens vivem em comunidades politicamente organizadas;

g) A razão da política é a liberdade e seu domínio de experiência é a ação. Um dos


aspectos mais importantes no pensamento de Hanna Arendt é a separação que ela faz
entre esfera pública e esfera privada. A esfera pública é o espaço das palavra e da ação,
onde ocorre o agir conjunto, a existência do “nós” e a manifestação política.

O poder em Hannah Arendt

O Poder não Violento, é assim que Arendt caraterizou o poder, elaborando uma
definição de poder que foge aos padrões convencionais, tendo como marca distintiva a
não-inclusão da violência como elemento constitutivo e toda a sua obra é um registro da
luta contra o arbítrio do poder violento, destacase as seguntes obras:

 As Origens do Totalitarismo;

 Einchmann em Jerusalém;

 Entre o passado e o futuro

Segundo a filósofa, a convivência pacífica entre os homens leva à ação conjunta como
fonte geradora de poder e, o único fator indispensável para a geração do poder é a
convivência entre homens. Todo aquele que, por algum motivo, se isola e não participa
dessa convivência, renuncia ao poder e torna-se impotente, por maior que seja sua força
e por mais válidas que sejam suas razões, ou seja, o poder corresponde à habilidade
humana não apenas para agir, mas agir em conjunto, ele não possui existência material
para ser possuído, pertence a um grupo de pessoas e se mantém enquanto elas estiverem
unidas, nota-se que a interpretação de poder para Hannah Arendt se distancia da noção
mais comum que o qualifica como a capacidade ou instrumento para a conquista de
algo.

Em Hannah Arendt o poder pode ser analisado de dois modos:

 Como um instrumento de violência e imposição: forma de pensar que, a seu ver,


desnatura o real significado da expressão;
 O poder visto como fim em si mesmo, erigido sobre a ação conjunta das
pessoas.

Para a filósofa o único fator material indispensável para a geração do poder é a


convivência entre os homens, por tal razão o poder corresponde ao agir em concerto,
pois emerge onde quer que as pessoas se unam e ajam em concerto. Isso provoca um
impacto interessante sobre as instituições políticas pois elas são manifestações e
materializações do poder, petrificam-se e decaem tão logo o poder vivo do povo deixa
de sustentá-las. Ação e poder são conceitos trabalhados pela autora. Ambos se localizam
entre as relações humanas. A gramática da ação: a ação é a única faculdade humana que
requer uma pluralidade de homens; a sintaxe do poder: o poder é o único atributo
humano que se aplica exclusivamente ao entremeio mundano onde os homens se
relacionam entre si, unindo-se no ato de fundação em virtude de fazer e manter
promessas, o que, na esfera da política, é provavelmente a faculdade humana suprema.

A geração do poder

o poder surge quando os homens se unem com a finalidade de agir, e desaparece com a
dispersão das pessoas. A existência do poder se mantém pelo prometer e cumprir, unir e
pactuar, atos que despontam para a fundação de uma estrutura terrena estável que
abrigue esse seu poder somado de ação conjunta, ou seja, o poder é uma consequência
da accao conjunta dos homens , que propricia, pelo discurso, a revelação de cada
indivíduo em sua específica singularidade, a ação não violenta é a única forma de ação
que possibilita o encontro dos homens pela palavra, então a não violência como
elemento aglutinador, pois na atividade humana da ação, não se objetiva atingir
determinado fim, mas a descoberta de uma meta comum.

Quando deixa de haver a convivência entre homens, quando as pessoas são meramente
pró ou contra os outros, como nos estados de guerra, nesse sentido o discurso
transforma de fato em mera conversa , meio de alcançar um fim, que para iludir o
inimigo, quer para ofuscar a todos com propaganda.

A violência destrói o poder, mas não o cria ou substitui, pois o poder para ser gerado,
exige a convivência, a violência baseia-se na exclusão da interação ou cooperação com
os outros, governantes e governados frequentemente não resistem à tentação de
substituir o poder que está desaparecendo pela violência, entendese por violência a
capacidade técnica de gerar sofrimento e submissão. A violência sempre pode destruir o
poder; do cano de uma arma emerge o comando mais efetivo, resultando na mais
perfeita e instantânea obediência. O que nunca emergirá daí é poder”.

Onde há sociedade há poder, a ideia de poder acoplada a violência não é


equivalentemente perfeita, e nem mesmo a coincidência histórica pode fazer disso uma
verdade, a associação de poder com violência é uma demonstração do desvirtuamento
conceitual da ideia de poder.“Ceder espaço ao advento da força é negar o princípio da
ação e da busca de consensos por meio de submissão e de abuso da condição humana o
poder corresponde à habilidade humana não apenas para agir, mas para agir em
concerto.

A liberdade em Hannah Arendt

Por conveniência didática, Hannah Arendt divide o seu estudo em três momentos
históricos diferentes: o da antiguidade grega, o da tradição fundamentada na era cristã e
o período moderno. No período da antiguidade grega, a liberdade era um atributo da
polis, conquistada apenas pelos chefes de família mediante a liberação de suas
necessidades da vida, uma espécie de emancipação das atividades laborais assegurada
pelo domínio e pela utilização da violência contra o próprio lar. No período da tradição
fomentada na era cristã, a construção do ideal de homem livre deixou de coincidir com
o mundo público para ser encontrado no arbítrio e na vontade. No período moderno, as
pessoas deixaram o isolamento de suas casas para lutar tanto pelas liberdades pessoais
como pela liberdade política, que é a participação nos assuntos públicos. Percebe-se,
então, que o pensamento da autora está ligado a um dos valores mais caros da
humanidade, que é a liberdade, protegida nas Constituições do nosso tempo, traduzida
nas liberdades de locomoção, reunião, associação, religiosa, de opinião, dentre outras.
Para ilustrar o período moderno, Arendt estabelece um paralelo entre a Revolução
Americana de 1776 e a Revolução Francesa de 1789, posicionando-se pelo sucesso da
primeira ao fundar um novo corpo político, ainda que um êxito ambivalente pela
prevalência da felicidade particular em detrimento da pública, e pelo fracasso da
segunda, por se manter restrita à satisfação das necessidades imediatas de uma
população extenuada pela miséria. Como se sabe, os revolucionários dos Estados
Unidos da América, em 1776, fundaram um novo Estado comprometido com a
liberdade, ao passo que os revolucionários franceses, de 1789, articularam o discurso
em defesa da tríade liberdade-igualdade-fraternidade, mesmo que, na prática, foi a
liberdade que mais mereceu atenção. Ambas as declarações são tidas como documentos
protetores dos direitos da burguesia.

Dentre as leituras e interpretações de Hannah Arendt sobre a questão da liberdade, há


dois paradoxos que adquirem destaque e bastante significado quando associados aos
elementos históricos e políticos discutidos pela autora. O primeiro deles é a oposição
entre vida privada e vida pública. O campo em que a liberdade se realiza é o da vida
ativa e seu domínio de experiência é a atividade da ação. Isso significa que no
pensamento arendtiano, liberdade e pluralidade são conceitos adjacentes, que a
liberdade não pode ser pensada a partir das atividades do espírito e nem tao pouco na
perspectiva do trabalho e da obra que são condicionados pela vida e pela mundanidade.
Para tanto, é imprescindível a existência de um espaço duradouro em que homens e
mulheres possam agir acerca de interesses públicos a despeito de seus interesses
pessoais. O segundo paradoxo, ainda mais preponderante no decorrer do pensamento
filosófico, é o da liberdade exterior em oposição à liberdade interior. A liberdade
política para Arendt é um fenômeno necessariamente político, ou seja, diz respeito às
pessoas é substantivo no plural, que convivem entre si e não lida com a individualidade
de uma só pessoa ou de uma pessoa só.

Estas duas posições não são apenas distintas mas diametralmente contrárias entre si. O
reino da liberdade política retrata o mundo constituído por pessoas, um mundo
intersubjetivo no qual aparecemos uns aos outros, nos movemos e agimos. O domínio
da liberdade interior é o da vontade, imiscuída com a solidão a partir da saída do mundo
público; tal interpretação da liberdade não possui significação política pela inexistência
de manifestações externas. Sendo a esfera política constituída pelo agir intersubjetivo, o
que dá azo à formação de interesses públicos que unem e constituem o poder, a
liberdade política é definida por Arendt como “o direito de ser participante. Ela é o que
confere sentido à política, pois sem a liberdade para agir não há possibilidade de se
constituir uma esfera em que os assuntos que interessam, que estão entre as pessoas e as
conjuga, possam aparecer. A autora estabelece um limite bastante sutil entre essa
liberdade política que é o substrato da esfera pública e as liberdades civis
constitucionais, oriundas das lutas em face dos governos tirânicos ocorridas nos séculos
XVII, XVIII e XIX. Aliás, a grande causa de todos os tempos da política, dirá a autora,
é a oposição entre liberdade e tirania, forma de governo em que o governante impede a
construção de uma esfera pública por monopolizar para si o direito de ação e a
prerrogativa de tomar decisões em âmbito político, banindo as pessoas para os seus
lares.

A luta contra a tirania objetiva prima face a libertação, não a liberdade. Arendt
estabelece uma precisa distinção entre esses dois termos, apesar de reconhecer a
semelhança de seus significados em razão de as revoluções na era moderna se
inflamarem e se precipitarem em busca de ambos. A libertação significa “estar livre da
opressão”, romper com a restrição do poder de locomoção impostas por um regime. É o
estandarte mais notório da luta por direitos pelas suas implicações sensoriais e
alterações no cotidiano da vida. Esse rol de liberdades negativas oriundas da libertação,
liberdade de locomoção, de expressão, de reunião e associação, entre outros adquiriu
amplo arcabouço normativo nas Constituições contemporâneas.

Todavia, a intenção de libertar, comenta a filósofa, não é idêntica ao desejo de


liberdade, as rebeliões e em certa medida as revoltas também possuem um conteúdo de
libertação e é evidente que a participação nos assuntos públicos depende de todos esses
direitos civis conquistados pelo ímpeto da libertação. A revolução moderna avança, no
entanto, além da libertação pelo seu pathos de novidade, de fundar uma esfera política
na qual a liberdade pudesse ser alcançada, de consolidar um novo paradigma político
que vai além da conquista de direitos. Todas essas liberdades, às quais poderíamos
acrescentar nossas exigências de estarmos livres do medo e da fome, são, é claro,
essencialmente negativas; resultam da libertação, mas não constituem de maneira
nenhuma o conteúdo concreto da liberdade que, como veremos adiante, é a participação
nos assuntos públicos ou a admissão na esfera pública. Se a revolução visasse apenas à
garantia dos direitos civis, estaria visando não à liberdade, e sim à libertação de
governos que haviam abusado de seus poderes e violado direitos sólidos e consagrados.
Liberdade no pensamento de Hannah Arendt significa um exercício e não uma garantia.
O objetivo inicial das sublevações revolucionárias é a libertação, mas o seu apogeu
consiste na consolidação de um espaço efetivo para a liberdade a partir da fundação de
uma nova lei e de um novo corpo político. O ato de fundação cercado de toda a
incerteza que irrompe os inícios, em termos modernos, significa a promulgação de uma
Constituição, um documento normativo que marca o surgimento do Estado e de uma
nova esfera política e jurídica, ela não apenas limita o poder e distribui competências
entre as funções estatais, mas o estabelece, o possibilita.

Direitos humanos em Hannah Arendt

O livro Origens do Totalitarismo reúne três grandes estudos feitos por Arendt no final
da década de 1940 sobre o antissemitismo, o imperialismo e o totalitarismo. No ensaio
que diz respeito ao imperialismo, Arendt escreve no capítulo cinco um pequeno ensaio
intitulado “O declínio do Estado-nação e o fim dos Direitos do Homem”. São nestes
capítulos que estão presentes suas críticas aos direitos humanos, que mesmo depois de
60 anos da publicação de sua obra, ainda soam muito atuais. A crítica de Hannah Arendt
aos direitos humanos tem como foco central a questão do seu caráter universalista, que é
uma controvérsia até hoje entre os estudiosos do tema. É importante destacar que
Arendt não utiliza o tema dos direitos humanos, em nenhuma de suas obras, como foco
principal de suas pesquisas, e que não existe nos livros da autora um desenvolvimento
sistemático no que diz respeito às questões dos direitos humanos. Contudo, ela irá
aproximar-se do tema sempre para denunciar as violações que os Estados, em especial
os Estados totalitários, cometem contra alguns indivíduos e grupos de indivíduos,
alegando que sem a disposição do Estado para garantir tais direitos eles não passariam
de uma retórica vazia; pois, sabemos o que esses direitos garantem, porém, quando
ficamos em situação de exceção perderíamos, por assim dizer, o nosso direito a ter
direitos e com eles perdemos também a nossa garantia aos direitos humanos. Outro fato
que merece ser mencionado é o de que a filósofa escreveu sobre os direitos humanos
quando estava em situação de apátrida, como judia alemã que havia perdido a sua
cidadania desde 1935, ela tinha consciência de que sua vida estava constantemente
ameaçada e sabia o grau de vulnerabilidade a que estava exposta.

Qualquer leitor que leia Origens do Totalitarismo com atenção perceberá a importância
da crítica da filósofa aos direitos humanos, no que concerne às violações cometidas
tanto pelos estados totalitários quanto pelas democracias. Os exemplos utilizados por
Arendt para personificar a fragilidade daqueles que argumentam que os direitos
humanos seriam universais é justamente o exemplo dos apátridas e refugiados, daqueles
que em sua época seriam os grupos de indivíduos mais vulneráveis a sofrer violações,
pois, a própria condição em que se encontravam já era por excelência uma violação aos
direitos humanos. No fundo, o que Arendt afirma em todo o seu histórico de crítica aos
direitos humanos é que o fundamental para se ter acesso a tais direitos é ter a posse de
uma cidadania, sem ela nós perderíamos o nosso “direito a ter direitos” e por
conseguinte o nosso acesso aos direitos humanos.

O que nos remete a uma antinomia que é a da proclamação de direitos humanos


universais e a cidadania como condição indispensável para se ter acesso a esses direitos.
A questão então seria a da cidadania versus humanidade. Como os direitos humanos são
considerados desde a sua fundação como direitos universais a única coisa necessária
para a garantia de tais direitos deveria ser a condição de sermos humanos. Contudo, o
que Arendt alegou há mais de sessenta anos atrás, diante do contexto do pós-guerra foi
que os direitos “universais” não passavam de uma pilhéria ou de uma “retórica vazia”
ante o que estava acontecendo com os judeus, as minorias étnicas e o grande número de
refugiados, que em busca de um novo lugar para reconstruir as suas vidas, sentiam-se
sem lar e julgavam ter perdido o seu lugar no mundo, pois, não pertenciam mais a lugar
algum.

Longe de ser destrutiva, a crítica de Hannah Arendt aos direitos humanos possui um
caráter de reconstrução. Em busca não dos fundamentos, mas, da garantia efetiva de que
todas as pessoas humanas deveriam ter preservadas a sua integridade física e política
sendo portadores, deste modo, de uma dignidade humana, Arendt, associa a noção de
dignidade, herdada do pensamento kantiano, à do que ela chama de direito a ter direitos.
Se fosse preciso postular um fundamento para os direitos humanos, este fundamento
seria o de que todos os seres humanos devem ter a sua dignidade respeitada e
preservada. E era justamente isso que os regimes totalitários retiravam de suas vítimas,
o direito a ter direitos, com a cidadania retirada, os judeus e todos os outros grupos
perseguidos pelo nazismo ficavam diante de uma situação de desproteção total. Perder a
cidadania é ficar a mercê de uma vida desprotegida, onde o direito não tem mais poder
sobre o indivíduo, ficar em situação apátrida, sem cidadania e sem nenhum
ordenamento jurídico a que possa reclamar; consiste então na perda da própria
dignidade humana e com ela vai-se junto o direito a ter direitos. O conceito de
dignidade humana em Arendt aponta para o conceito de juízo. Porém, diferente das
tradições Modernas a capacidade de julgar, segundo a autora, não deve ser colocada nas
mãos de um ser soberano (Deus), o julgar arendtiano está diretamente relacionado com
a nossa capacidade de linguagem que, segundo ela, é a nossa fonte de sustentação no
mundo comum e é o que deveria nos inserir em uma comunidade. A dignidade humana
estaria, portanto, relacionada com a nossa capacidade de agir em conjunto. Desta
maneira, ao nos depararmos com situações de inexistência de um mundo comum, o que
deveria nos proteger seria a existência dos direitos humanos que seria o responsável
pela garantia do nosso direito a ter direitos, entretanto, como já falamos anteriormente, o
acesso ao direito a ter direitos, em Arendt, só se dá mediante ao acesso a cidadania.

Diante da diversidade de culturas, era praticamente impossível chegar a um acordo no


que diz respeito aos fundamentos dos direitos humanos; porém, depois da segunda
guerra mundial, fazia-se necessário de que todos os países entrassem em acordo com
relação à garantia de direitos básicos que tomavam como base o conceito de dignidade
humana de Kant. Portanto, em 1948 um grupo de filósofos, sociólogos, diplomatas,
intelectuais e juristas, escreveram a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para
tornar-se membro da ONU todos os países devem assinar a declaração comprometendo-
se a incorporá-la as suas próprias legislações. No Brasil, a constituição de 1988, feita
após os 21 anos de ditadura militar, não só incorporou praticamente toda a declaração
de direitos humanos, como instituiu o conceito da dignidade da pessoa humana como
princípio constitucional. A diversidade cultural, apontada como uma barreira para que
se acordasse um fundamento para os direitos humanos é também utilizada para justificar
sua possível universalidade. Respeitando as diferentes culturas existentes, percebemos
que após os horrores dos campos de concentração, onde milhões de pessoas foram
assassinadas, alguns direitos deveriam ser resguardados a todos os povos. Os direitos
humanos serviriam para que fosse possível garantir o nosso direito a ter direitos, tão
solicitado por Arendt. A universalidade dos direitos humanos pode ser encontrada hoje
no que cerne a garantias de direitos àqueles cidadãos que se sentem vulneráveis dentro
de suas próprias culturas. Como podemos observar diante dos exemplos de mulheres
que são condenadas à morte por apedrejamento em países de cultura árabe, tais como o
Afeganistão, Irã, Nigéria e Sudão; nestes países a pena de morte por apedrejamento está
diretamente relacionada aos crimes de adultério e de homossexualismo. O fato de que
hoje a situação dessas mulheres consegue chegar até outros países, aonde elas irão
possivelmente conseguir o direito humano ao asilo por perseguição, bem como o
também direito humano de não serem submetidas a tratamento cruel ou degradante, já
demonstra que mesmo diante de culturas tradicionais é possível a indignação diante de
certas práticas e que todos aqueles cidadãos que pertencem a essas culturas e se sintam
prejudicados ou perseguidos por elas devem ter os seus direitos resguardados. Porém, o
direito de asilo nem sempre é respeitado, pois ele depende de que outro país esteja
disposto a conceder esse direito, e o que pode parecer simples em casos individuais
pode transformar-se num verdadeiro tormento quando grupos de milhões de pessoas
precisam retirar-se de sua terra natal em busca de refúgio em outros países. A autora
acredita que não há como obrigar os Estados a aceitarem refugiados em seus territórios
sem que com isso fira a sua soberania estatal, bem como também não podemos deixar
esses grupos de pessoas, apátridas e refugiados, sem nenhuma proteção e abandonados a
própria sorte migrando de um país para o outro. Ficamos, portanto, diante de uma
dicotomia onde hora pode ferir o direito de soberania estatal e hora podemos ferir os
direitos humanos de grupos inteiros. Ainda sobre a dicotomia que envolve soberania
estatal e direitos humanos, Guilherme Assis de Almeida diz que a abordagem da
proteção dos direitos humanos como tema global e transfronteiriço, e não como assunto
interno dos Estados soberanos, coloca em cheque a lógica de funcionamento do Estado
soberano. A situação de apátridas e refugiados colocados à margem da sociedade
representou para Arendt uma fonte de inquietação filosófica. As pessoas que
simplesmente perdiam sua cidadania ou eram obrigadas a refugiar-se em outro país, sem
ser, desse modo, assimiladas nesse novo território e sem poder voltar param o seu
território de origem, de onde já haviam fugido por serem indesejados. Assim, elas
sentiam-se constantemente ameaçadas por não possuírem mais um lugar onde pudessem
se sentir em casa no mundo. Eis uma das constantes do século XX que diante de duas
guerras mundiais, além das muitas guerras civis, colocou milhões de pessoas na situação
de refugiados e muitas outras na situação de apátridas. Mas, como podemos dizer que
esses apátridas e refugiados eram uma constante apenas no século passado, se todos os
dias, ainda hoje, pessoas continuam fugindo de seus países para refugiar-se em outro
lugar? Ora, mesmo após o término da Segunda Guerra, as guerras civis continuaram a
existir no mundo. Neste caso, faz-se necessária uma distinção entre apátridas e
refugiados. Os apátridas, termo frequentemente utilizado para identificar os judeus do
período do Terceiro Reich, são aqueles indivíduos que perderam a sua cidadania, ou a
sua naturalização, ou seja, eles não pertencem mais a nenhum Estado-Nação e, portanto,
ninguém tinha jurisdição sobre eles. Já os refugiados são aqueles que fugiram para outro
país, ou então foram expulsos do seu país de origem, sendo obrigados a buscar abrigo
em outro território. É muito comum, ainda hoje, encontrarmos refugiados seja por
motivos políticos ou por conta das guerras civis7 A crítica de Arendt aos direitos
humanos consiste em afirmar que os tais “direitos inalienáveis” nunca foram eficazes na
proteção nem de apátridas, nem de refugiados. Com efeito, os direitos que defendemos
como inalienáveis em nossa sociedade, demonstram não passar de uma retórica vazia
em outras sociedades.

A grande questão filosófica que está por trás da crítica de Hannah Arendt aos Direitos
Humanos é a de que com o deslocamento dos direitos do cidadão para os direitos do
homem, poder-se-ia, contraditoriamente, admitir direitos humanos universais e
promulgar leis contra estrangeiros. Desde a proclamação dos Direitos do homem e do
cidadão, durante a Revolução Francesa, acreditou-se que os tais direitos possuiriam um
caráter universalista e que, portanto, serviriam para a proteção de todos aqueles que
eram humanos e cidadãos. A particularidade que ocorreu na primeira metade do século
XX, foi a de grupos inteiros de indivíduos que sim, eram seres humanos, mas, que não
eram cidadãos de nenhum Estado. Essa situação que vem desde antes da Primeira
Guerra Mundial possibilitou, e tem possibilitado, que levando em consideração a
soberania dos países, nem mesmo os direitos humanos universais podem interferir nos
ordenamentos jurídicos de cada país. Mesmo hoje, com a criação da ONU, não há quem
possa interferir diretamente nas violações de um país aos direitos humanos. A ONU
possui o caráter consultivo e como tal ela pode enviar tropas aos países que julgue estar
desrespeitando os direitos humanos. De modo que, com a criação da ONU, criou-se
também um novo tipo de guerra, as chamadas guerras humanitárias. A situação a que
apátridas e grupos minoritários foram submetidos durante o século XX levou Arendt a
se questionar acerca de direitos humanos, realmente, inalienáveis. Pois a condição dos
apátridas não era coberta por nenhum ordenamento jurídico, nem mesmo pelo direito de
asilo. A única coisa que restava a esses indivíduos era o fato de que ainda eram
humanos. Porém, os chamados direitos humanos só se revelaram eficazes para aqueles
indivíduos que já possuíam algum direito. O paradoxo dos direitos humanos consistia,
justamente, no fato de indivíduos que não possuíam direito algum. Portanto, o que os
apátridas, refugiados e as minorias perdiam, na maioria das vezes, era o direito a ter
direitos, que se firmou quando milhões de pessoas, ao perderem sua cidadania,
perderam também o direito a recorrer a qualquer proteção ou ordenamento jurídico.
Hoje, mesmo com todas as limitações, existe o Alto Comissariado das Nações Unidas
para Refugiados (ACNUR) que visa dar proteção e ajuda humanitária, a todos àqueles
que encontram-se em tal situação. Tal órgão não existia no período em que Arendt e
milhões de pessoas ficaram em situação apátrida, tendo surgido apenas em 1951, após
as Convenções de Genebra.

Podemos perceber que a crítica que Arendt faz aos direitos humanos ainda goza de
atualidade, pois os refugiados de guerra permanecem isolados em campos de
internamento, com os seus direitos reduzidos e sem ter uma pátria que reclame os seus
direitos. Portanto, podemos afirmar que tanto a Declaração dos Direitos do Homem e do
Cidadão, do século XVIII, quanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de
1948, são eficazes, na maior parte dos casos, na garantia de direitos de quem já possui
direitos mínimos, e possuindo um aspecto bastante limitado para aqueles indivíduos que
se encontram em situação de apátrida ou refugiados.
Conclusão

Findo o trabalho de pesquisa pude notar que em Hannah Arendt tinha uma visão
diferente, do poder onde nela exaltava a sua existência sem a necessidade de violência e
que a mesma se constituía a partir a reunião das pessoas sendo esta uma conceção
diferente das que temos hoje em dia, quanto a liberdade em Hannah Arendt ela era vista
sobre duas perspetivas a perspetiva de vida publica e privada e quanto aos direitos
humanos ela entendia que estes deveriam ser concedidos a todos visto por simplesmente
serem humanos.
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