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A seguridade social na perspectiva ampliada e a atuação

profissional do Assistente Social

Maria Lucia Lopes da Silva


Florianópolis, 09 de maio de 2013.
Roteiro
1. Características, determinantes, funções e possibilidades da política social (e da
seguridade social) na sociedade capitalista

2. Significado e modelo de seguridade social instituídos pela Constituição Federal


de 1988 no Brasil e a sua incompletude (ou desconstrução?)

3. Uma visão ampliada de seguridade social: defendida pelo conjunto


CFESS/CRESS ( assumida pela categoria?)

4 Requisições no tempo presente para o exercício profissional na perspectiva de


fortalecimento do projeto ético político profissional a partir da atuação
profissional no âmbito das políticas sociais.

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1. Características, determinantes, funções e possibilidades da política
social (e da seguridade social) na sociedade capitalista

 As políticas sociais são contraditórias, atendem aos interesses do capital e do


trabalho, por meio das diferentes funções que desempenham (exemplificar).
São determinadas, sobretudo:
Pela luta de classes - refletem a correlação de forças estabelecidas na sociedade em
dado momento.
Pela condição estrutural do capitalismo – os ciclos de expansão e estagnação
repercutem em sua estruturação
 Resultam de pactos sociais estabelecidos entre o capital e trabalho com a mediação
do Estado
 Para serem públicas pressupõe: primazia de responsabilidade do Estado em sua
condução, financiamento regular, regulamentação formal, atender em aos interesses
da coletividade.

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Possibilidades...
- Reduzir a pobreza e as desigualdades sociais
- Aprofundar a democracia e a liberdade
- Ser via de acesso para uma nova forma de sociabilidade
Para isso tem-se como pressuposto que...
- possuam todos os requisitos como políticas públicas
- sejam de fato instrumentos de realização de direitos
- sejam universais, equânimes e reconheçam a diversidade humana
- não se limitem à igualdade de oportunidades
- possibilitem avançar na igualdade de condições
Limites...
Não são capazes de eliminar as causas estruturais da pobreza e das desigualdades sociais
Estrutura de classes da sociedade capitalista

Ainda assim, no marco do capitalismo são essenciais , por isso


são, por natureza, arena de luta entre o capital e o trabalho...

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As multideterminações da seguridade social
Premissas Básicas:

 A formação social, econômica e política repercutiu no modelo de


proteção social que se estruturou em cada país;

 As políticas de seguridade social compuseram a espinha dorsal dos


sistemas de proteção social reconhecidos nos países do capitalismo
avançado;

 As políticas de seguridade social originam-se (Gough, 1978):

a) Como resultado da luta dos trabalhadores por melhores condições


de vida, trabalho e proteção social diante das inseguranças
decorrentes do trabalho assalariado como o enfrentamento da velhice
e das enfermidades diante do desemprego e da ausência de renda;

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b) para dar curso à expansão da acumulação capitalista
pela via da industrialização, favorecendo a disciplina do
trabalhador na fabrica, ou seja, para atender as
necessidade de controle do capital sobre o trabalho e/ou

c) para preservação das das relações capitalistas em


contexto históricos específicos em que estas estavam
ameaçadas;

Assim atendem, fundamentalmente, às necessidades de


reprodução da força de trabalho, acumulação do capital e
legitimação/reprodução do sistema capitalista.

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 O termo seguridade social foi usado pela primeira vez em 1935, nos Estados
Unidos, pelo governo Roosevelt no “Social Segurity Act”, medida componente
do New deal (1932-1935) ( SILVA, 2012);

 Porém, o uso generalizado da expressão associada a uma definição


consistente ocorreu a partir de sua utilização no plano Beveridge de seguridade
social, na Inglaterra, em 1942 ( SILVA, 2012);

 A ampliação das políticas de seguridade social ocorreu a partir do II pós-


guerra, quando são inscritas como direitos sociais e meios de prover a proteção
social ao conjunto dos trabalhadores;

 Seu significado, desde então, vincula-se à noção de ações e serviços sociais


que visam a proteção social da população, especialmente a trabalhadora,
com maior ou menor possibilidade de proteção a depender de seus
determinantes fundamentais;

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 Assim, a análise do surgimento e desenvolvimento e alcance da seguridade
social no Brasil e no mundo pressupõe a consideração de matizes e
particularidades de seus determinantes mais fundamentais – o que não é objeto
deste debate. Aqui nos ateremos ao seu significado.

 Mas, é preciso ressaltar a seguridade social e suas políticas constitutivas são


multideterminadas e assumiram e características e significados
diferenciados no tempo e no espaço de acordo com as particularidades de
seus principais determinantes:

- o padrão de acumulação hegemônico;


- o nível de organização, mobilização e capacidade de pressão dos
trabalhadores;
- a situação estrutural do trabalho e da economia, e
- as características das funções primordiais do Estado.

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A estratégia usada para amortecer os efeitos da crise do capital, com ápice entre
1929 e 1932, contribuiu para explicitar a relação entre o padrão de acumulação
do capital, a organização do trabalho e a proteção social;

 O pacto social sob o padrão fordista /keynesiano entre empresários, trabalhadores e


o Estado teve como sustentação o estímulo ao consumo, a busca do pleno
emprego e a estruturação de sistemas de proteção social;

 Sob este pacto, entre 1940 e 1970, o Estado social consolidou-se em vários
países do capitalismo avançado e o trabalho assalariado formal fortaleceu-se
como meio de acesso à proteção social o que se justifica pela centralidade que
ocupa na estruturação do capitalismo e na sociabilidade humana, como fundante
das relações sociais (SILVA, 2012)

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 O Brasil não viveu a experiência de generalização do emprego nem de Estado
social. Porém, a partir da década de 1920 nasce no país um sistema de proteção
aos empregados, o qual se expandiu conforme a estruturação do mercado de
trabalho, com forte dependência do trabalho assalariado formal. Mas, só
passa a ter uma base mais sólida para a estruturação de um sistema de proteção
mais amplo na década de 1980.

 Em 1988, a seguridade social orientou a organização de um sistema menos


dependente do trabalho assalariado*. Mas, o contexto configurado, após sua
instituição, marcado pelo viés neoliberal, sob o qual se ficou a estratégia de
amortecimento da crise que se manifestou a partir dos anos 1970 e se estende até
os tempos atuais, composta pela reestruturação da produção, redefinição das
funções do Estado e financeirização da economia, inibiu sua plena efetivação.

 Todavia, o significado e modelo configurado na Constituição Federal de 1988


representaram avanços para os trabalhadores.

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2. Significado e modelo de seguridade social instituídos pela Constituição
Federal de 1988 no Brasil e a sua incompletude (ou desconstrução?)

• O significado da seguridade social na Constituição Federal de 1988 é


expressão da correlação de forças que se estabeleceu naquele contexto
singular e histórico do Brasil.

• Para compreender esse significado, tomemos como ponto de partida a


definições de seguridade social e os elementos de unificação destas políticas
constitutivas nos termos da Constituição aprovada em 5 outubro de 1988.

De acordo com a Constituição Federal de 1988:

“a seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de


iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade destinadas a assegurar os
direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social” (Brasil
[CF/1988], 2005, art. 194).

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Os pontos de sustentação e de ligação entre as políticas que a compõem são os
objetivos que orientam a sua organização e o orçamento único para financiá-la.
Compete ao Poder Público organizar a seguridade social visando aos objetivos:

- universalidade da cobertura e do atendimento;


- uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às pop. urbanas e rurais;
- seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
- irredutibilidade do valor dos benefícios;
- eqüidade de participação no custeio;
- diversidade da base de financiamento;
- caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite,
com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos
órgãos colegiados.

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O significado de seguridade social na CF em vigor, apesar de algumas corrosões
devido a ofensiva neoliberal, afina-se com a visão Beveridgiana e da OIT e reflete a
correlação de forças naquele momento singular do país:
Compreende um sistema amplo e coeso de proteção social,
organizado pelo Poder Público, que assegure direitos relativos à
saúde, previdência e assistência social, voltados para objetivos
voltados para uma nova cidadania pautada na redução da pobreza
das desigualdades sociais. Um sistema com fontes de
financiamento de base diversificada, que realize seus gastos em
fins que lhe são próprios, respaldado em um orçamento único,
elaborado pelos órgãos que o compõem. Um sistema universal,
gerido democraticamente.
Mas, esse significado e orientação não foram seguidos pelo Poder Público.
Não há no Brasil, um sistema coeso e consistente de seguridade instalado.
A desconstrução desse significado constitui uma reativa conservadora do capital
às conquistas dos trabalhadores no Processo da Constituinte.
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a incompletude (ou desconstrução?)da seguridade social

A expressão seguridade social implica uma visão sistêmica da política social e com
este sentido foi inscrita na Constituição Brasileira de 1988. Ao adotá-la, a Carta
consignou o entendimento da política social como conjunto integrado de ações,
como dever do Estado e como direito do cidadão [...significa] a ideia de superação
do conceito de seguro social no que diz respeito à garantia de segurança das
pessoas em situações adversas. Significa que a sociedade se solidariza com o
indivíduo quando o mercado o coloca em dificuldades. Ou seja, significa que
o risco a que qualquer um, em princípio, está sujeito – de não conseguir
prover seu próprio sustento e cair na miséria-, deixa de ser problema individual
e passa a constituir uma responsabilidade social, pública. (VIANNA, 2007. p.173,)

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O contexto internacional e suas repercussões sobre o cenário
brasileiro e as escolhas feitas por sucessivos governos nacionais em
termos de políticas macroeconômicas têm incidido negativamente
sobre a seguridade social no país. (exemplificar)

Tem havido um processo permanente de despolitização como base para


a desconstrução do significado e não completude do modelo seguridade
social desenhados na CF/1988, pautado em diversos aspectos, como:
“A cultura da da crise” ( MOTA, 1995) “mitos” tecnicista, maniqueísta e
naturalista (Viana, 2007)

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São exemplos da desconstrução da seguridade social, entre outros:

- o abandonos e/ou negação de alguns objetivos gerais da seguridade social;


- a resistência à implementação plena do financiamento e orçamento único*;

- a organização e gestão própria das políticas que a compõem;

-as frequentes contrarreformas da previdência social(de 1998, 2003,2012/2013);

- a dispersão orçamentária e financeira (gestão em fundos específicos);

- a extinção do Conselho Nacional de Seguridade Social;

-a destinação de recursos do OSS para fins diferentes da seguridade social * *

-__________

* Sem excluir a DRU, desde 2001, o superávit da seguridade tem sido superior a R$ 30 bilhões (ANFIP, jul. 2010)
* *A média anual do desvio do OSS, entre 2000 e 2008, pela incidência da DRU foi de R$ 26,4 bilhões, (ANFIP, 2009, p.50)

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-a crescente mercantilização da saúde e da previdência e a expansão e centralidade da
assistência social, com base em programas assistencialistas, que visam favorecer o
consumo, a manutenção das relações de poder constituídas ;
-a reduzida cobertura do BPC, no curso de 16 anos de implementação, atualmente são
cobertos apenas 1,9 milhão PCD e 1,7 milhão Idoso;
- alto percentual de indeferimento de benefícios previdenciários e assistenciais,
comparativamente aos requeridos. Ex. BPC/PCD ( 2004 a 2009 – média 70%);

Neste contexto, afloram as disputas de visões e modelos de seguridade social,


capitaneadas pelo capital e pelo trabalho, de forma que sua configuração
como uma construção política, como esfera de lutas, torna-se mais evidente.
Destaco duas, para além do modelo constitucional:
Visão ajustada aos interesses do capital, como fomentadora da poupança interna, do
consumo e de uma proteção mínima “ pobre” para pobres.
Visão ampliada de seguridade, para além da saúde, previdência e assistência social

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3. visão ampliada de seguridade social: defendida pelo conjunto CFESS/CRESS
(assumida pela categoria?)
Carta de Maceió elaborada pelos participantes do XXIX Encontro Nacional CFESS/CRESS,
entre os dias 3 e 6 de setembro de 2000, concebe a seguridade social como:

- “ um padrão de proteção social de qualidade, com cobertura universal para as situações de


risco, vulnerabilidade ou danos dos cidadãos brasileiros” ( Id, p. 1) para além da saúde,
previdência e assistência social;
- um campo de luta e formação de consciência crítica em relação às desigualdades sociais
no Brasil e de organização dos trabalhadores;
- um campo de embate que requer competência teórica, técnica e política;

- um campo de luta que exige rigorosa análise crítica da correlação de forças entre as
classes e força a construção de proposições que se contraponham às reações das elites político-
econômicas do país que difundem a responsabilização dos pobres pela sua condição –
ideologia que expressa uma verdadeira indisposição de abrir mão de suas taxas de lucro, de
juros, de sua renda da terra ( CFESS, Carta de Maceió, 2000).

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O XXIX Encontro Nacional CFESS/CRESS, por meio da Carta de Maceió orienta a defesa
da seguridade social, balizada no projeto ético político, como parte de uma agenda
estratégica da luta democrática e popular por um país justo e igualitário, pelas razões:

O conceito de seguridade social expresso na Constituição de 1988 foi um dos grandes


avanços no processo de redemocratização da sociedade brasileira desencadeado em fins
dos anos 1970, que culminou na constituinte, ainda que tenha se mantido restrito à
previdência, saúde e assistência social.

 Com ele, deu-se passos no sentido de uma maior socialização da política, por
meio dos mecanismos de gestão e controle social com participação popular –
Conselhos e Conferências nos três níveis de governo.

 Assim, a implementação cotidiana das políticas de seguridade politizou-se


mais, tornando-se um ambiente relevante de disputa de projetos societários.

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Com a instituição da seguridade social apontou-se também para uma alocação
mais democrática dos recursos públicos, a partir do orçamento da seguridade social,
na perspectiva de uma ampliação da cobertura, tendo em vista a idéia da universalidade do
acesso a direitos sociais legalmente definidos.

 Portanto, a seguridade social é um espaço de disputa de recursos – uma disputa


política que expressa projetos societários, onde se movem os interesses das
maiorias, mas estão presentes as marcas históricas da cultura política autoritária
no Brasil, que se expressa pela pouca distinção entre público e privado, pelo clientelismo
e pelo patrimonialismo.

 O resultado desse embate tem forte impacto sobre uma parcela enorme da
população que conta com as políticas de seguridade para sua sobrevivência.

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Os assistentes sociais, pela sua inserção profissional histórica nas políticas sociais,
realizaram a crítica do assistencialismo, do clientelismo e da ausência de
mecanismos democráticos de controle social.

 Participaram da luta na constituinte, na definição da legislação complementar das


políticas de seguridade, com destaque para a assistência social.

 Constituíram uma referência política para os demais segmentos dos trabalhadores


e outros movimentos sociais nesse campo.

 No contexto de recrudescimento das tendências mais perversas da formação social e


política do Brasil, acirrado pelas políticas neoliberais, os assistentes sociais tem sido um
pólo crítico, propositivo e combativo, na resistência à verdadeira inviabilização da
seguridade social pública preconizada pelo governo Fernando Henrique Cardoso.

 O Conjunto CFESS/CRESS teve e tem um papel indiscutível nesse processo.

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Considerando essa perspectiva estratégica, a Carta de Maceió aponta orientações gerais
para tornar a Seguridade Social pública possível no Brasil, que são absolutamente atuais.
São elas:

 Manter uma posição firme contra a perspectiva da focalização, denunciando


publicamente propostas restritivas do acesso aos direitos constituídos;

 Denunciar o desvio de recursos da seguridade social para a sustentação da


política macroeconômica regressiva do governo federal, e do pagamento das
dívidas interna e externa, que cresceram exponencialmente para subsidiar os
especuladores - os grandes beneficiários deste Estado máximo para o capital e
mínimo para os trabalhadores, enunciado pelo neoliberalismo;

 Interferir na definição dos orçamentos, junto aos demais atores da sociedade


civil com compromissos democráticos, no sentido de assegurar recursos para a
seguridade social e que tais recursos sejam de uso exclusivo da mesma;

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Superar a fragmentação setorial engendrada à revelia do princípio constitucional da
seguridade social, a partir de sua tematização por meio dos eixos da gestão, controle
social e financiamento e de propostas no sentido da articulação das três políticas;

 Apontar para um conceito mais amplo de seguridade social, que incorpore outras
políticas sociais, constituindo um verdadeiro padrão de proteção social no Brasil;

 Manter a inserção nos espaços de controle social, com vistas a assegurar os


princípios da universalidade, da cidadania, da democracia e da justiça social, obter
informações relevantes para a luta social e promover a articulação política no âmbito da
sociedade civil.

 Desenvolver um trabalho profissional que fortaleça junto aos usuários a noção de


direito social, e a possibilidade da ação coletiva dos mesmos em sua defesa.

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Superar a fragmentação setorial engendrada à revelia do princípio constitucional da
seguridade social, a partir de sua tematização por meio dos eixos da gestão, controle social e
financiamento e de propostas no sentido da articulação das três políticas;

 Apontar para um conceito mais amplo de seguridade social, que incorpore outras
políticas sociais, constituindo um verdadeiro padrão de proteção social no Brasil;

 Manter a inserção nos espaços de controle social, com vistas a assegurar os princípios
da universalidade, da cidadania, da democracia e da justiça social, obter informações
relevantes para a luta social e promover a articulação política no âmbito da sociedade civil.

 Desenvolver um trabalho profissional que fortaleça junto aos usuários a noção de


direito social, e a possibilidade da ação coletiva dos mesmos em sua defesa.

A seguridade social nessa perspectiva constitui um dos pontos de aproximação desse


debate com o PEP – A carta de Maceio é um instrumento que marca esta aproximação, a
partir dos anos 2000. Sua defesa fortalece o PEP.
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4. Requisições no tempo presente para o exercício profissional na
perspectiva de fortalecimento do projeto ético político profissional, a partir
da atuação profissional no âmbito das políticas sociais

Em um contexto de aprofundamento da crise do capital e de uma


conjuntura marcada pelo avanço do conservadorismo, pela
criminalização da pobreza e dos movimentos sociais, pelo
redirecionamento do fundo público para os interesses do capital,
pela regressividade dos direitos sociais e mercantilização da vida,
pela desestruturação do trabalho protegido e “naturalização”
do desemprego, renovam-se as requisições para o exercício
profissional, em três dimensões:

 Conhecimento teórico-metodológico, que propicie aos profissionais ampla


compreensão da realidade social e a identificação das demandas e das
possibilidades de ação profissional que esta realidade apresenta. Isso inclui,
entre outras as seguintes requisições:

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 Compreender a crise contemporânea como crise estrutural (não periódica - conjuntural)
suas causas, características e consequências para o trabalho, para o capital, para as
políticas sociais e implicações na redefinição das funções do Estado;

 Localizar o avanço do conservadorismo, da criminalização da pobreza e dos


movimentos sociais, o redirecionamento do fundo público para os interesses do
capital, a regressividade dos direitos, desmantelamento das políticas sociais em
construção (a exemplo da seguridade social) e responsabilização do indivíduo pela
sua própria proteção mediante alargamento de suas capacidades e obrigações no
mercado, a desestruturação do trabalho protegido e “naturalização” do
desemprego, entre outros elementos da conjuntura, como componentes da
estratégia econômica, política e ideológica da classe dominante, com apoio do
Estado, para amortecer os efeitos da crise – estratégia consubstanciada no que se
tem chamado “neodesenvolvimentismo”;

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 Compreender os determinantes, a natureza e funções contraditórias da política social e
da seguridade social como manifestações de seu significado como um campo de luta e
resistência, negociação, formação de consciência crítica em relação à
desigualdades sociais e organização dos trabalhadores na sociedade capitalista;

 Localizar a conjugação entre o projeto profissional, trabalho assalariado e a defesa da


visão ampliação de seguridade como eixos irradiadores dos desafios atuais para a atuação
profissional no âmbito da seguridade social na perspectiva do PEP;

 Na dimensão ética-política as requisições fundamentais são a observância dos


princípios éticos e realização dos compromissos políticos estabelecidos pelo
Código de Ética dos Assistentes Sociais, fundado na liberdade como valor central,
na democracia, na igualdade e na defesa dos direitos humanos como estratégia na
direção de uma ordem social libertária, sem exploração, opressão e alienação, em que as
necessidades de todos e cada um sejam satisfeitas e o pleno desenvolvimento de todos e
cada um seja assegurado, mediante o afloramento das diferenças.

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 Capacitação técnico-operacional contínua que propicie segurança na intervenção
profissional e a definição de estratégias para a consolidação e um projeto profissional
compromissado com os interesses da classe trabalhadora e necessidades dos
usuários, com a defesa dos direitos sociais, com a ampliação da esfera pública e
com a construção de uma nova cidadania social, capaz de realizar e impulsionar
novos direitos, mediante o fortalecimento da consciência de classe e do fortalecimento
da organização política dos trabalhadores. Isso inclui apropriação das tecnologias
avançadas utilizadas nos espaços ocupacionais como forma de tentar (re)dimensionar
sua utilização em favor dos trabalhadores.

Estas requisições apresentam-se como essenciais em qualquer campo de atuação


profissional no tempo presente, especialmente na seguridade social como principal
campo de atuação profissional dos/as assistentes sociais.

Assumi-las como desafio profissional constitui um ponto de partida para o


fortalecimento do PEP e defesa dos interesses imediatos e históricos da
classe trabalhadora rumo a uma sociabilidade libertária.
Espero que esta seja a marca que este encontro deixe nos assistentes sociais
de Santa Catarina nesta comemoração do dia dos assistentes sociais...
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Minha posição é polêmica. Coloco-me, porém, do lado que me
parece guardar a verdade, como militante do pensamento
socialista. FLORESTAN FERNANDES.*

* FERNANDES, Florestan. A ditadura em questão. São Paulo: T.A. Queiroz, 1982, p.4.
Contato: lucia-lopes@uol.com.br fone: 61 8116 2860

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Referências Bibliográficas:
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL (CFESS). Carta de Maceió. SEGURIDADE
SOCIAL PÚBLICA: É POSSÍVEL! In : XXIX ENCONTRO NACIONAL CFESS/CRES.
Maceió. Set. 2000. http://www.cfess.org.br/arquivos/encontronacional_cartas_maceio.pdf. Acesso
em 01 de out.2012

GOUGH, Ian. Economia politica del Estado del bienestar. Traducção de Gerório Rodriguez Cabrero. Madri: H.
Blume Ediciones, 1978.

MOTA, Ana Elizabete. Cultura da crise e seguridade social. São Paulo: Cortez, 1995.

SILVA, Maria Lucia Lopes da. Previdência Social no Brasil:(des)estruturação do trabalho e condições para sua
universalização. São Paulo: Cortez, 2012.

VIANNA, M.L.W. O Silencioso Desmonte da Seguridade Social no Brasil. In: BRAVO, M.I.S e
PEREIRA, P.A (orgs). Política Social e Democracia. São Paulo: Cortez; Rio: UERJ, 2007. p.173-195.

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