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REVISTA DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA E CIÊNCIAS DA NATUREZA

Ano 03 - Nº 10 - Junho/2016

Tour pelo Sistema Solar


A Lua, nosso satélite natural

Telescópios Espaciais
A extensão de nossos olhos, fora da Terra

Astrofísica Estelar
O diagrama de Hertzsprung-Russell

Astrobiologia
Novas pistas para entender
ENTENDENDO A ASTRONAVEGAÇÃO
a origem do oxigênio na Terra
EVENTOS DE DIVULGAÇÃO DE ASTRONOMIA:
O 13º EPAST E O 1º ENASTRO

ATIVIDADES NA ESTAÇÃO ESPACIAL INTERNACIONAL

AGENDA DOS LANÇAMENTOS ESPACIAIS


AstroNova . N.10 . 2016

Wilson Guerra sobre classificação estelar,


GCAA
GCAA - Maringá/PR trazendo-nos uma EXPEDIENTE
compreensão do que é o "mapa
do tesouro" dos astrofísicos de Editores:
estrelas: o famoso diagrama de
Maico A. Zorzan
EDITORIAL Hertzprung-Russel.
maicozorzan@outlook.com
Recuperando a astronomia
O fim deste primeiro semestre clássica, Matheus Castanheira Wilson Guerra
de 2016 foi marcado por uma traz um artigo introduzindo- wilsonguerra@gmail.com
boa notícia: eventos de nos à Navegação Astronômica, Redatores:
divulgação de Astronomia esta técnica fascinante que os
parecem estar se tornando antigos desenvolveram e que, Fernando Bortotti
notícia comum em nosso país. na prática, transformaram o fernando_bortotti@hotmail.com
Até então uma área de grande céu em um grande GPS
Matheus Castanheira
carência, passos firmes dos natural. mlcastanheira@hotmail.com
amantes do Cosmos tem O nosso Tour pelo Sistema
mudado aos poucos este Solar trata da Lua, trazendo um Rafael Junior
cenário. Nesta edição da eletrorafa@gmail.com
texto didático e envolvente da
AstroNova trataremos do Nasa sobre o astro que mais Wilson Guerra
EPAST, que contou com sua 13a encanta o céu, principalmente wilsonguerra@gmail.com
edição este ano e já se mostrou agora, neste mês dos
consolidado no estado do Yara Laiz Souza
namorados <3. mandesuapautaprayara@gmail.com
Paraná. E também abordaremos
Para finalizar, nosso
o 1º ENASTRO, evento que Arte e Diagramação:
colaborador Fernando Bortotti
inaugura a divulgação de
discorre um pouco sobre os Wilson Guerra
Astronomia Amadora do Rio
telescópios espaciais, estas wilsonguerra@gmail.com
Grande de Sul, sob coordenação
verdadeiras expansões de
geral de Cristian Westphal. Astrofotos:
nossos olhos fora da Terra.
Nossa amiga Yara Souza traz Armando Rossato
Mas, como sempre, iniciamos Delberson T. Souza
nesta edição uma interessante
com nossa agenda de
descoberta que pode
lançamentos de foguetes e um
literalmente "tirar de debaixo
resumão das principais
do tapete" a origem do oxigênio
atividades da Estação Espacial
molecular na atmosfera
Internacional neste último
terrestre, uma das várias
trimestre.
questões chave no
desenvolvimento atual da Uma boa astro-leitura para Capa
Astrobiologia. todos nós. Aglomerado da Fornalha
Enquanto isso, Rafael Cândido Wilson Guerra/GCAA www.eso.org/public/brazil/news/eso1612

conclui seu artigo anterior


SUMÁRIO
Ano 3 | Edição nº 10 | 2016

Tour pelo Sistema Solar


A Lua, o satélite natural da Terra 08

ASTROBIOLOGIA
Um "tapete" de bactérias por trás do oxigênio da Terra 13

1º ENASTRO
Como foi o Encontro Rio Grandense de Astronomia 18

Telescópios Espaciais
Quais serão (e serãos) nossos olhos fora da Terra 23

Astrofísica Estelar
Entendendo o diagrama de Hertzprung-Russel 27

Astronomia de Posição
Uma introdução à Navegação Astronômica 33

13º EPAST
Como foi mais este Encontro Paranaense de Astronomia 37
ASTRONÁUTICA

Principais Lançamentos do Trimestre

EUROPA/
GUIANA FRANCESA
Foguete: ARIANE 5 (ESA) Foguete: ARIANE 5 (ESA)
Carga: Superbird 8 e GSAT 18 Carga: Intelsat 33e & Intelsat 36
satélite de comunicação satélite de comunicação
Local: Espaçoporto de Kourou Local: Espaçoporto de Kourou
Data: 26/07/2016 Data: 24/08/2016

RÚSSIA

Foguete: SOYUZ (Roscosmos) Foguete: SOYUZ (Roscosmos)


Carga: cargueiro Progress Tripulação da Expedição 47S da
mantimentos à ISS Estação Espacial Internacional
Local: Cosmódromo de Baikonur Local: Cosmódromo de Baikonur
Data: 16/07/2016 Data: 06 ou 07/07/2016

ESTADOS
UNIDOS
Foguete: FALCON 9 (SpaceX) Foguete: Antares (OA-5)
Carga: Eutelsat 117 West B e ABS 2A Carga: cargueiro Cygnus, levando
satélites de comunicação equipamentos para ISS
Local: Base do Cabo Canaveral Local: Wallops Island, Virginia
Data: 14/06/2016 Data: 06/07/2016

CHINA
Foguete: Longa Marcha 3 Foguete: Longa Marcha 7
Carga: Beidou, Carga: teste com nova cápsula
satélite de navegaçao para transporte humano
Local: Xichang Local: Wenchang
Data: 12/06/2016 Data: 26/06/2016
ASTRONÁUTICA
Estação Espacial Internacional (ISS)

Principais atividades (fevereiro a maio)


Tripulação atual - Expedição 47 Próxima Expedição - Soyuz MS-01

Astronauta Tim Peak (ESA) desempacota


dispostivo para experimento que pesquisa
como ocorre troca de fluidos dentro da
cabeça em ambiente de microgravidade.
Módulo inflável BEAM é instalado com
sucesso na Estação. O acoplamento foi feito
Cargueiro Cygnus, da empresa por meio do braço robótico Canadarm.
Orbital Sciences, chega com sucesso
trazendo mantimentos e equipamentos.

CubSat para monitoramento da Terra


é lançado por dispositivo do módulo Kibo.
ESTAVA ESCRITO NAS ESTRELAS

A Equipe da Revista AstroNova deseja um

FELIZ DIA DOS NAMORADOS


aos apaixonados... pelo Universo também!

André e Débora se conheceram no


Encontro Paranaense de Astronomia. Se casaram!
SISTEMA SOLAR

Um Tour pelo Sistema Solar

LUA
O Satélite Natural da Terra
Da Nasa (com adaptações) A presença da Lua estabiliza idade das rochas lunares
a oscilação da Terra. Isso mais antigas, entre as
Os ritmos diários e mensais
permitiu que o planeta amostras coligidas). Quando
que determinam o
desenvolvesse um clima a Lua se formou, suas
comportamento do único
muito mais estável, ao longo camadas externas se
satélite natural terrestre, a
de bilhões de anos de derreteram devido a
Lua, guiaram os registros
evolução, e pode ter afetado temperaturas muito
humanos do tempo por
o curso e o desenvolvimento elevadas e formaram a
milhares de anos. A
da vida na Terra. crosta lunar, possivelmente
influência do satélite sobre
com base em um "oceano de
os ciclos terrestres, Como a Lua surgiu? A
magma" global.
especialmente as marés, principal teoria é a de que
também foi mapeada por um corpo celeste de Da Terra, vemos sempre a
muitas culturas, em eras tamanho semelhante ao de mesma face da Lua, porque
diferentes. Mais de 70 Marte um dia colidiu com a o satélite gira uma vez em
espaçonaves foram enviadas Terra, e os destroços torno de seu eixo mais ou
à Lua; 12 astronautas resultantes (da Terra e do menos no mesmo tempo em
caminharam em sua corpo celeste envolvido na que completa uma rotação
superfície e trouxeram de colisão) se acumularam para em torno da Terra. Esse
volta 382 quilos de rochas e formar a Lua. Os cientistas fenômeno é conhecida como
amostras de solo lunar para acreditam que a Lua se "rotação síncrona". Os
a Terra. tenha formado cerca de 4,5 padrões de luz e de
bilhões de anos atrás (a escuridão na face visível da
08 05
AstroNova . N.10 . 2016

LUA: dados mais relevantes


· Distância média da Terra: 350.000 km
· Raio: 1,7375 x 103 km
· Volume: 2,1960 x 1010 km3
· Massa: 7,358 x 1022 kg
· Gravidade: 1,633 m/s2
· Atmosfera: não tem.

Lua deram origem a lendas Diferente da Terra, a Lua não massa podem ser causadas
como a de São Jorge e o tem vulcões ativos ou placas por camadas de lavas
Dragão. As áreas mais claras tectônicas em movimento. basálticas, mais densas, que
são os altiplanos lunares. As No entanto, sismômetros enchem os mares
faixas mais escuras, instalados pelos astronautas
Em 1988, a equipe de
conhecidas como mares, são das espaçonaves Apollo, nos
controle da espaçonave
bacias de impacto que se anos 70, registraram
Lunar Prospector reportou a
encheram de lava escura pequenos abalos em
descoberta de água
entre quatro bilhões e 2,5 profundidades de algumas
congelada em ambos os
bilhões de anos atrás. centenas de quilômetros. Os
pólos da Lua. Impactos de
abalos provavelmente são
Depois desse período de cometas depositaram água
causados por marés
vulcanismo, a Lua se na superfície do satélite, e
causadas pela atração
resfriou, e desde então parte dela migrou para áreas
gravitacional terrestre.
praticamente não mudou, muito frias e muito escuras
Pequenas erupções de gás
excetuada a constante chuva nos pólos.
em algumas crateras, como
de "ataques" de cometas e
a de Aristarco, também Resta muito a ser descoberto
meteoritos. A superfície da
foram reportadas. Áreas sobre a Lua. Os
Lua é cinza carvão, em
magnéticas locais foram pesquisadores continuam a
termos de cor, e arenosa,
detectadas em torno das estudar as amostras e os
com terra bastante fina. Esse
crateras, mas a Lua não tem dados obtidos nas missões
cobertor poeirento é
um campo magnético do projeto Apollo e outras,
conhecido como regolito
semelhante ao da Terra. bem como os meteoritos
lunar, um termo que
lunares.
descreve camadas de Uma descoberta
detritos produzidas por ação surpreendente na missão da Atualmente o jipe robótico
mecânica em superfícies sonda exploratória Lunar Yutu, da Agência Espacial da
planetárias. O regolito é Orbiter, nos anos 60, foi a China, está operando na
pouco espesso, e varia entre revelação de fortes áreas de superfície da Lua.
dois metros nos mares mais grande aceleração www.nasa.gov
jovens a talvez 20 metros gravitacional localizadas Tradução: Luiz Roberto Mendes
nas superfícies mais antigas, sobre os mares circulares. Gonçalves
localizadas nos altiplanos. Essas concentrações de
09
Notícias sobre ramos da Ciência
e Astronomia
Término das inscrições
24/agosto FÍSICA
ASTRONOMIA (12h)
ASTROBIOLOGIA MEDICINA
ASTROFÍSICA QUÍMICA
BIOLOGIA TECNOLOGIA

Hangout's Promoções Eventos


www.cienciaeastronomia.com
www.facebook.com/cienciaeastronomia
Via Láctea
Astrofotógrafo: Armando Rossato
06/07/2013
Marialva - PR
GEAHK
GRUPO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS
HK
DO COLÉGIO HELENA KOLODY
S A R A N D I - P A R A N Á

Observação Astronômica Amadora, Educação Científica em


Astronomia, Astrofísica, Astronáutica e Astrobiologia.

“O estudo do Universo é uma viagem


de autoconhecimento” CARL SAGAN

www.facebook.com/GEAHKastro
ASTROBIOLOGIA

TAPETE
TAPETE DE
DE
BACTÉRIAS

Yara Laiz Souza debaixo de uma grande desenvolvimento da água


yaralaizsouza@gmail.com placa de gelo na Antártica. A liquida no solo. Visto isso,
Nossa atmosfera é tomada hipótese dos cientistas é que alguns pesquisadores que
por nitrogênio. O oxigênio organismos iguais a esses estavam com trabalhos e
(O2) que respiramos tenham criado oásis de O2 há hipóteses engavetadas
corresponde a míseros um 2,4 milhões de anos. E de aproveitaram a
quinto de toda a atmosfera onde vem tanta certeza? Este oportunidade para trabalhar
terrestre. Dentre as é o primeiro modelo vivo de em suas ideias, mas, em
pesquisas recentes, que microrganismos outubro, antes dos
provaram que os picos de semelhantes aos que resultados de Schieterman, a
oxigênio começaram com o existiam durante a Terra equipe da UCLA já estava
advento da fotossíntese, há primitiva. Uma surpresa da publicando o seu trabalho
um impasse sobre quando Natureza que vai nos ajudar na revista Geology. Os dois
isso realmente aconteceu: a descobrir como era o nosso assuntos casaram, frutos de
alguns defendem que foi há planeta antes. boas pesquisas e curiosidade
2,4 milhões de anos, outros genial.
No final de 2015, uma
afirmam que foi há 2,8 pesquisa de Edward As primeiras descobertas
milhões de anos (durante o Schieterman mostrou que o mostram que a ascensão do
Grande Evento da Oxidação). nitrogênio era o grande O2 aconteceu devido o
Tal impasse nunca havia indicador de vida na Terra e trabalho intenso dos
sido resolvido por falta de que modelos feitos usando primeiros organismos, que
desenvolvimento de dados de telescópios começaram a produzir O2
modelos seguros. Mas, poderiam servir para tentar bentônico. Bentônico refere-
pesquisadores da encontrar vida em outros se a todo organismo que vive
Universidade da Califórnia planetas. A razão para isso é: em águas salgadas em
(UCLA) estudam um tapete o nitrogênio estabiliza a contato com o seu substrato
de micróbios que vive atmosfera e permite o e não tem a capacidade de
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AstroNova . N.10 . 2016

proporcionados pelo aconteceram graças as


aquecimento global e eles já cianobactérias. Elas foram,
evoluíram e mudaram muito provavelmente, as
bastante. primeiras produtoras de O2
A UCLA esteve empenhada na Terra.
em encontrar um modelo Apesar disso, os primeiros
perfeito e encontrou o que microrganismos a
queria em Lake Fryxell na dominarem a Terra tiveram
Antártica. As cianobactérias o desafio de se adaptar a
são organismos muito esse gás venenoso. Houve
parecidos com bactérias, uma evolução para suportar
mas fazem fotossíntese. As o O2 e a descoberta sobre
que estão em Lake Fryxell como usar esse gás para
formam uma camada verde liberar energia. Dawn
no gelo como um tapete. Sumner, uma das
Durante o Verão, esse tapete pesquisadoras do trabalho,
fica mais espesso e nos conta: “O oxigênio é
fornece o primeiro modelo realmente crítico para a
Tapete de micróbios que vive debaixo de de produção de oásis de O2 sobrevivência e evolução
uma grande placa de gelo na Antártica bentônicos, muito animal. O oxigênio fornece
podem responder dúvidas sobre
o Grande Evento da Oxidação. semelhantes aos que grandes quantidades de
existiam na Terra primitiva. energia através da
nadar. Ou seja, o primeiro respiração. Muito do meu
A questão importante sobre O2
tipo de O2 da atmosfera foi trabalho tem sido gasto na
Pesquisas anteriores compreensão do processo de
feito por algas primitivas,
mostraram que o pico nos oxidação da Terra, em parte,
cianobactérias e tudo mais
níveis de oxigênio, que é um para poder entender como
que vivesse nos primeiros
pequeno veneno, e o Grande chegamos até aqui”.
mares fazendo fotossíntese
Evento da Oxidação
sem se mexer. Como a compreensão de
A camada primitiva de
atmosfera era tomada por
nitrogênio que veio,
principalmente, dos
processos vulcânicos. A
atmosfera secundária, que
conta com a presença de O2,
apareceu bem depois.
Estudar sobre isso era um
tanto complicado, visto que
as algas e corais nos mares
estão passando por um
momento delicado, cheio de
consequências altíssimas
Camada verde de cianobactérias no gelo se dispõem como um tapete.
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AstroNova . N.10 . 2016

como o O2 chegou na isolamento de outros ajudará na maior


conformidade atual da continentes, por isso, compreensão de como
atmosfera ainda não está olhando para esses lagos chegamos até aqui.
clara, os cientistas podemos olhar para um Os cientistas também
acreditam nos oásis de momento da ecologia da descobriram que a produção
oxigênio: áreas isoladas Terra em que não existia de oxigênio excede
onde o oxigênio era muito animais de grande porte”, sazonalmente o consumo de
abundante antes de se diz Sumner. oxigênio e a perda do gás
tornar comum em todo o Durante um dos mergulhos para o ambiente
mundo. Esse processo, a 10,2 metros de circundante. Os
segundo os resultados, profundidade, os pesquisadores sugerem
começou 400 milhões de pesquisadores encontraram tapetes microbianos
anos antes do Grande Evento o tapete microbiano. Eles espalhados pelo mundo
da Oxidação. tinham um verde brilhante geraram vários oásis de O2. A
Lake Fryxell que se sobressaia totalmente junção de toda essa
chamando atenção. Anne produção teria criado o
Lake Fryxell é um lago
Jungblut, microbióloga do Grande Evento da Oxidação.
coberto de gelo encontrado
Museu de História Natural
pela expedição Discovery, O próximo passo é voltar a
de Londres, identificou os
que aconteceu entre os anos Lake Fryxell e estudar como
organismos como
1901 a 1904. O lago é essas cianobactérias
cianobactérias, que geram
permanentemente coberto conseguem sobreviver ao
camadas finas de O2 de um a
por gelo com camadas que inverno longo e escuro e
dois milímetros de como a sua química muda
tem entre 13 a 16 pés de
espessura. quando o verão chega
espessura. Para explorar o
lago e encontrar o tapete Pesquisas futuras novamente. E quem sabe a
microbiano, Sumner e sua Natureza não nos presenteia
“Essa descoberta não foi de
equipe tiveram que fazer um de novo? Há presentes em
todo uma coisa que
furo de 7 polegadas várias partes do mundo,
estávamos procurando, foi
diâmetro no gelo e, em aguardando paciente para
um achado acidental”,
seguida, colocar um tubo de ajudar na reconstrução da
comenta Sumner. Pesquisas
cobre com anticongelante História da Terra.
nesses locais totalmente
para derreter mais a inesperados, em que Yara Laiz Souza é acadêmica de
entrada. Dessa forma, Ciências Biológicas-UEA. Coordena
extremófilos são a página Ciência em Pauta.
alguns pesquisadores encontrados, sempre abrem
mergulharam para fazer as janelas para a reflexão do
observações. Sugestões de leitura: Antarctic
quanto a vida é capaz de se Microbes Hold Clue to Earth's Oxygen
Eles analisaram o tapete adaptar e se reinventar, se Site Astrobiology Nasa:
microbiano que é, até então, refazer e se colocar a prova http://go.nasa.gov/24FVOXr

o único exemplo do dos mais variados desafios. Antarctic microbial mats: A modern
primeiro oásis de oxigênio. Essas cianobactérias irão analog for Archean lacustrine oxygen
“Animais de grande porte ajudar na construção de um oases. Site Geology http://bit.ly/1ZRUYai
Lara Susan
O papel do nitrogênio na origem da Vida
estão extintos na Antártica modelo ainda mais real da 3 premiações no concurso de
Revista AstroNova - Edição n.9
por causa da glaciação e há o Terra primitiva e nos Astrofotografia do 11º EPAST

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15
Messier 51
Astrofotógrafo: Delberson T. Souza
Junho/2016
Silvânia - GO
www.pb.utfpr.edu.br/geastro

Grupo de Estudo, pesquisa e extensão em Astronomia


DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

1º ENCONTRO RIO GRANDENSE

1o EN Astro DE ASTRONOMIA
30 de abril / Canoas-RS

Ocorreu no último dia 30 de Cosmologia. Ao final


abril, na Universidade La apresentou um pouco sobre
Salle (Unilasalle) em Canoas, suas atividades de
o 1º Encontro Rio Grandense divulgação de Astronomia
de Astronomia (ENASTRO). para crianças.
O Encontro foi organizado O professor Valdir Boesel
pelo projeto Ciência e discorreu sobre buracos
Astronomia, coordenado negros, principalmente
pelo jovem Cristian Reis como eles são formados e
Westphal, estudante de como estas regiões são
Engenharia Química, previstas por equações
divulgador científico e um matemáticas.
dos colaboradores da Revista Depois, uma palestra um
AstroNova. tanto diferente. Subiram ao
O evento iniciou-se com o palco os fundadores da
discurso do Reitor Prof. Dr. SARG, Sociedade
Paulo Fossati saudando o Astronômica Rio Grandense,
público presente. que foi fundada em 1979 e
Logo depois iniciou-se a durante os anos 80 foi uma
apresentação dos das principais entidades de
palestrantes, começando divulgação de Astronomia
com o professor César no Brasil.
Schmitt, da Feevale de Novo No palco estavam Luciano
Hamburgo, falando sobre o Sclovsky, José Francisco Cristian Reis Westphal,
Big Bang e fundamentos de Alves, Carlos Frab, Luís organizador do 1º ENASTRO

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AstroNova . N.10 . 2016

Logo pela manhã o auditório já estava quase completamente lotado.

Frota, Luiz Machado e Luís Inclusive na época para dar uma palestra na
Araújo. Cada um contou da conseguiram realizar o reabertura da SARG.
alegria e das dificuldades de chamado ESRA, Encontro O período da tarde começou
se divulgar Astronomia nos Sul Riograndense de com a palestra da professora
anos 80, época em que não Astronomia. Daniela Pavani da UFRGS
havia internet, a revista era A SARG estava com as sobre evolução estelar e a
datilografada e fotocopiada, atividades encerradas, mas composição química do
e os contatos para nesta apresentação foi Universo.
observações eram feitos por anunciada a sua volta e foi
telefone ou telegrama. Em seguida, Yara Souza,
feito um convite ao Cristian

Professor César Schmitt e sua palestra sobre o Big Bang. Professor Valdir Boesel explicando sobre buracos negros.
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AstroNova . N.10 . 2016

graduanda em Ciências evolução no conhecimento


Biológicas da Universidade dos exoplanetas, que já
do Estado do Amazonas, somam 2086 novos mundos
integrante do Ciência e identificados em outras
Astronomia e também estrelas e que atualmente a
colaboradora da Revista Astrobiologia é um dos mais
Astronova. desafiantes campos de
Sua palestra foi sobre o estudo da Astronomia.
estudo da Astrobiologia A última palestra foi
como meio de analisar como apresentada por Rafael Bolinhos temáticos de Astronomia,
a vida se adaptaria em Candido, colaborador da enfeitados com estrelinhas de açúcar.
outros locais do Universo. Revista Astronova,
Inclusive foram integrante do Projeto
apresentados seres da Terra Ciência e Astronomia e
que vivem em ambientes doutorando no ITA (Instituto
inóspitos como locais secos, Tecnológico de Aeronáutica).
quentes, frios e até uma O assunto foi as descobertas
bactéria que resiste a altas que a missão Cassini-
doses de radiação. Huygens realizou e como
O professor Jorge Quillfeldt, isso trouxe informações
também um dos fundadores importantes para os estudos
da SARG e professor da de Astrobiologia sobre as
UFRGS, também falou de condições de vida em Titã,
Astrobiologia em sua maior satélite de Saturno. Hora do lanche, pessoal trocando contatos e
palestra “Vida no Sistema os pôsteres de Astronomia ao fundo.
Ao fim do evento, houve a
Solar”. Mas foi muito além, apresentação dos músicos
apresentando também a Adrianne Simioni e Zózimo

Os fundadores da SARG. Ao microfone, Professora Daniela Pavani falando


Luis Frota contando sobre a pasta que continha sobre a origem dos elementos químicos no
os documentos da fundação (chamados núcleo das estrelas.
carinhosamente de Manuscritos do Mar Morto).
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AstroNova . N.10 . 2016

Yara Souza e sua palestra de Professor Jorge Quillfeldt e sua empolgante Professor Rafael Candido, que ao
Astrobiologia. No slide, alguns seres apresentação. No slide, as interações entre final de sua palestra a dedicou à
resistentes a ambientes extremos. campos de estudo da Astronomia. memória de Carl Sagan.

Rech com músicas de cidades distantes e não


inspiradas pela Astronomia. apenas do Rio Grande do
O sucesso do evento mostra Sul, mas também de Santa
que há um grande interesse Catarina.
pelo estudo da Astronomia, A meta é repetir o evento no
seja de forma profissional próximo ano, porém com
ou amadora. Há muita gente três dias de duração, para
curiosa a respeito destes que venham mais
assuntos e é de grande palestrantes e tenha A banda Astronomusic em sua
importância que os atividades como oficinas, apresentação no final do ENASTRO.

divulgadores científicos mini-cursos e observação.


continuem atuando.
No ENASTRO, além de Fotos: Thiago Fantinatti. Página da banda:
pessoas da região da Grande http://www.astronomusic.com
Crédito da foto oficial:
Porto Alegre, vieram pessoas Comunicação Social Unilasalle.

21
Foto oficial do 1º ENASTRO.
Grupo Centauro de Astronomia Amadora
Dois Vizinhos - Maringá (PR)

10 Anos
Divulgando a Beleza do Universo
revelada pela Ciência

www.grupocentauro.org
TECNOLOGIA ESPACIAL

TELESCÓPIOS ESPACIAIS
Por qual razão enviamos telescópios ao espaço? Neste artigo mostraremos
que não é apenas devido à garantia de céu limpo o tempo todo.

Fernando Bortotti chegando à superfície. considerável para a


fernando_bortotti@hotmail.com Astronomia, uma vez que
Mesmo para a luz e o rádio, além de nuvens, há a
No artigo da Revista que chegam na superfície, a fumaça e neblina; que
Astronova da edição nº 06 atmosfera é um problema podem bloquear a
maio/2015 falamos sobre os
diferentes comprimentos de
onda do espectro
eletromagnético e sobre as
informações astronômicas
que obtemos ao analisar os
objetos celestes além da luz
visível.

Algumas dessas partes do


espectro não conseguem
atravessar a atmosfera, o que
é bom para nós (Figura 1).
Seria difícil a vida se
constituir na Terra tendo
raios-x e raios gama Figura 1. Alcance dos diferentes tipos de radiação eletromagnética na atmosfera
atravessando a atmosfera e terrestre. Percebe-se que apenas as ondas de rádio, um pouco das micro-ondas e
a luz visível conseguem chegar ao nível do mar (history.nasa.gov/SP-466/ch2.htm)
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AstroNova . N.10 . 2016

observação de objetos celeste


com intensidade luminosa
abaixo de um determinado
nível. Mesmo em uma noite
de céu muito limpo, longe
da poluição luminosa, há o
bloqueio de grande parte do
espectro da luz visível. Para
o rádio, temos o problema
da absorção de energia pelo
vapor de água das nuvens e
atenuações causadas por
chuvas e neve.

Então, como podemos


atenuar os efeitos
atmosféricos e analisar os
objetos celestes nas
radiações que não Figura 2. Telescópio Espacial Hubble visto da Atlantis na missão STS-125.

conseguem chegar à
superfície?

Para isso são utilizados os


telescópios espaciais, que
são satélites postos em
órbita da Terra ou enviados
para além desta com a
função de captar as
radiações que não
conseguem atravessar a
atmosfera ou que seriam
atenuadas por ela.

Os telescópios espaciais
possuem vantagens e
desvantagens. Dentre os
benefícios, um telescópio
espacial pode observar
ininterruptamente, 24 horas
por dia, e por estar em
órbita, a atmosfera e a
poluição luminosa não
influenciam na qualidade
Figura 3. Observatório Compton de Raios Gama posto em órbita da das imagens obtidas.
Terra pelo ônibus espacial Atlantis na missão STS-37 em abril/1991.
22
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AstroNova . N.10 . 2016

Figura 4. Observatório Chandra de Raios-X na área de


carga do ônibus espacial Columbia.

Porém, dentre as Observatório Compton de


desvantagens, tem-se a Raios Gama. Em 2000, após
dificuldade de levá-los ao uma falha no sistema de
espaço e quando se faz giroscópios, a NASA optou
necessária uma pela sua reentrada na
Figura 5. Telescópio Espacial Spitzer
manutenção, o transporte de atmosfera, caindo no sendo montado no Centro Espacial Kennedy.
pessoas especializadas e Oceano Pacífico. (Figura 3)
peças para a órbita terrestre
é um custo muito alto. - Observatório Chandra de
Raios-X (em inglês, Chandra
Vamos conhecer alguns dos X-ray Observatory, CXO):
telescópios espaciais: Inicialmente seu nome seria
AXAF Advanced X-ray
Grandes Observatórios Astrophysics Facility, porém,
Espaciais (NASA) em homenagem ao
astrofísico indiano
- Telescópio Espacial Hubble Subrahmanyan
(em inglês, Hubble Space Chandrasekhar. Lançado em
Telescope, HST): opera na 1999, continua ativo até
faixa óptica do espectro. Foi hoje. (Figura 4)
lançado em 24 de abril de
1990 e ainda está em pleno - Telescópio Espacial Spitzer
funcionamento. (Figura 2) (em inglês, Spitzer Space
Telescope, SST): Inicialmente
- Observatório de Raios seria denominado Space
Gama (em inglês, Gamma Infrared Telescope Facility
Ray Observatory, GRO): (SIRTF). Foi lançado por um Figura 6. Telescópio Espacial Herschel no
também chamado o foguete Delta II, de Cabo Centro Europeu de Pesquisas e
Tecnologia Espacial (ESTEC).

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AstroNova . N.10 . 2016

Figura 7. Telescópio Espacial James Webb (concepção artística).

Canaveral em agosto de 2009 e 2013 e atualmente (Estados Unidos), ESA


2003. Sua missão é fazer está a 1,5 milhões de (Europa) e CSA (Canadá).
observações em quilômetros da Terra no Terá como função a
infravermelho. (Figura 5) segundo ponto de Lagrange observação em luz visível e
(L2) do Sistema Terra-Sol. infravermelho. Inicialmente
O representante da Europa: (Figura 6) seria denominado Next
Herschel Generation Space Telescope
O primeiro telescópio do futuro: (NGST), porém em 2002 foi
O Telescópio Espacial James Webb renomeado em homenagem
Herschel, construído pela a James Edwin Webb, que foi
Agência Espacial Européia Está previsto para o ano de administrador da NASA
(ESA), cuja função também 2018 o lançamento do durante o Programa Apollo.
era obter dados em Telescópio Espacial James (Figura 7)
infravermelho. Operou entre Webb, construído pela NASA
22
26
ASTROFÍSICA

Classificação das Estrelas

Diagrama de
HERTZSPRUNG-RUSSELL
Rafael Cândido Jr. espessura das linhas Desta forma, ambos
eletrorafa@gmail.com espectrais de cada uma. descobriram que era possível
fazer um gráfico onde uma
Na edição anterior da O astrônomo dinamarquês estrela poderia ser definida
Revista Astronova (nº 09), no Ejnar Hertzsprung (Figura 1) por sua classe espectral
artigo sobre a classificação percebeu que estas (OBAFGKM) no eixo
espectral das estrelas, foi diferenças de espessura das horizontal e por sua
contado um pouco do linhas espectrais estavam magnitude absoluta no eixo
histórico de como foi relacionadas à luminosidade vertical.
realizada esta tarefa. e à magnitude absoluta.
Ao distribuir as estrelas
Dentre as cientistas citadas, Em 1913, o astrônomo usando estas duas variáveis,
tem-se Antonia Maury que americano Henry Norris notou-se que existiam
organizou as estrelas de um Russell (Figura 2) regiões relacionadas às
modo peculiar e que este ato desenvolveu versões do cores, temperaturas da
trouxe atritos com o diagrama incluindo as superfície e tamanhos das
cientista Charles Pickering. estrelas gigantes de Antonia estrelas.
Maury e com as paralaxes e
Esta forma de organização as magnitudes absolutas Verificou-se também que o
consistia em organizar as medidas por Hertzsprung. eixo x poderia ser
estrelas conforme a temperatura, classe

27
AstroNova . N.10 . 2016

espectral ou índice de cor e


o eixo y ser luminosidade ou
magnitude absoluta, sem
necessitar nenhuma
alteração de posição de uma
estrela no gráfico. (Figura 3)

Assim, surgiu o denominado


Diagrama de Hertzsprung-
Russell, ou também,
diagrama H-R.
Posteriormente, além dos
dados apresentados acima, o
diagrama pode apresentar
também dados de tamanho
da estrela em raios solares e
de tempo de vida estelar.
(Figura 4)

Figura 1. Ejnar Hertzsprung (1873-1967) Percebe-se que muitas


Figura 2. Henry Norris Russell (1877-1957)
estrelas ocupam uma região

Figura 3. Distribuição de estrelas com temperaturas, Figura 4. Diagrama H-R contendo a informação do raio e massa
classe espectral e índice de cor B-V como abcissas solares das estrelas e os períodos estimados de vida estelar.
luminosidade e magnitude absoluta como ordenadas.

28
AstroNova . N.10 . 2016

do diagrama ao longo de principal, são estrelas velhas temperatura da superfície a


uma linha denominada que tinham até luminosidade relativa
sequência principal (em aproximadamente a massa (considerando a
inglês, main sequence). Uma do Sol. E ainda mais acima luminosidade do Sol como 1)
estrela nesta região está tem-se as supergigantes, as e classe espectral; sendo
fundindo hidrogênio em seu estrelas mais massivas e uma importante ferramenta
núcleo e encontra-se no mais luminosas que existem. de obtenção de dados sobre
início e no meio de sua vida. uma estrela e de sua
Abaixo da sequência catalogação.
Acima da sequência principal, tem-se as anãs
principal, tem-se as estrelas brancas, com centésimos da Segue abaixo um diagrama
gigantes, que fundem hélio massa solar. São a etapa H-R extraído do artigo The
em seus núcleos e final da vida de uma estrela periodic table of the Cosmos, do
hidrogênio numa camada com aproximadamente a autor Ken Croswell,
em torno do núcleo. Esta massa solar. publicado na Scientific
região recebe o nome de American de julho/2011.
ramo horizontal e aqui O diagrama H-R fornece
dados que caracterizam uma Rafael Cândido Jr. é graduado e
encontram-se estrelas que já mestre em Engenharia Química pela
saíram da sequência estrela desde sua cor e USP e doutorando em Engenharia
Aeroespacial pelo ITA

Diagrama H-R, do artigo de Ken Croswell, publicado na Scientific American de julho/2011.

29
A alvorada da Astronomia Amadora
no estado do Espírito Santo

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DIVULGAÇÃO E ORIENTAÇÃO À
PESQUISA DE CIÊNCIAS E CAMPOS AFINS

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Referência em Astronomia Amadora
no Norte do Paraná

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ASTRONOMIA DE POSIÇÃO

NAVEGAÇÃO ASTRONÔMICA
Aprendendo a navegar com os céus

Matheus Castanheira Entretanto, antes de no observador, onde a


mlcastanheira@hotmail.com começarmos a expor estes coordenada é expressa em
métodos, precisamos função de dois ângulos:
Neste artigo, vamos conhecer um tipo de sistema
conhecer dois métodos de de coordenadas usado em - ângulo de altura ou
localização dos pontos Astronomia. elevação (h), que varia de 0°
cardeais, um para ser usado (linha do horizonte) a 90°
durante o dia (experimental) Sistema de Coordenadas (ponto acima da cabeça do
e outro à noite no observador, também
Horizontal
hemisfério Sul denominado zênite).
(observacional). É um sistema local, centrado Ângulos negativos indicam

33
AstroNova . N.10 . 2016

Assim, não se pode definir


estes pontos cardeais
unicamente pelo nascer ou
pelo pôr do Sol.

Para este método,


precisamos encontrar um
local nivelado que receba
diretamente a luz solar das
10:00 às 15:00 e que
possibilite introduzir uma
haste denominada gnômon.

Com a haste fincada ao


chão, observamos a sua
sombra às 10:00 e marcamos
o ponto no extremo desta
sombra denominando-o
ponto A. Verificando a
Figura 1. Coordenadas do Sistema Horizontal. distância entre o ponto
que o astro está abaixo do
horizonte num determinado
instante.

- azimute, do árabe al-sumut


(caminho, direção), varia de
0° a 360°, sendo que o 0° é o
ponto cardeal norte e a
medida do ângulo é feita no
sentido horário até o círculo
vertical do astro observado.

A figura 1 apresenta as Figura 2. Fazendo o círculo A, a partir do raio R1 obtido do comprimento da sombra.
coordenadas deste sistema.

Método diurno

Ao contrário do senso
comum, o Sol não nasce
exatamente no ponto
cardeal leste e se põe
exatamente no ponto
cardeal oeste. O que ocorre é
que o Sol nasce no lado leste
e se põe no lado oeste.
Figura 3. Fazendo o círculo B, a partir do raio R2 obtido do comprimento da sombra.

12
34
AstroNova . N.10 . 2016

menos 1 hora e marca-se


novamente a extremidade
da sombra, denominando-se
este ponto como B. A
distância desse ponto ao
gnômon é denominada R2 e
então traçamos um círculo
com centro no gnômon com
raio R2 e o denominamos de
círculo B. A figura 3
demonstra esta operação.
Figura 4. Sombras nos pontos C e D.
Ao verificar a sombra após o
meio-dia, veremos a sombra
se movimentando e ela toca
o círculo B em um ponto e o
círculo A, um tempo depois,
em outro ponto. Vamos
chamá-los respectivamente
de pontos C e D, como
mostra a figura 4.

Agora, traçamos duas retas


ligando os pontos A e D e
outra ligando os pontos B e
C, após isso marcamos o
ponto médio de cada reta e
os denominamos pontos R e
S.
Figura 5. Determinação da direção norte-sul.

marcado e o gnômon,
denominamos esta distância
de R1 e então traçamos um
círculo com centro no
gnômon com raio R1 e o
denominamos de círculo A.
Para isso, usa-se um
barbante preso no gnômon
sempre tomando muito
cuidado para não o
desalinhar. A figura 2
demonstra esta operação.

Após isso, espera-se mais ou Figura 6. Constelação do Cruzeiro do Sul e as estrelas e do Centauro.

35
AstroNova . N.10 . 2016

celeste (Figura 7), que é o


ponto onde o
prolongamento do eixo de
rotação da Terra intercepta a
esfera celeste.

Sabendo que os pólos sul


geográfico e celeste estão
alinhados no mesmo
azimute; então, conforme as
coordenas celestes
horizontais, seus azimutes
serão de 180°. Sendo o pólo
Figura 7. Pólo sul celeste.
celeste sul um
prolongamento do eixo de
rotação da Terra, temos o
movimento aparente do céu,
como se ele girasse em torno
deste ponto. As estrelas são
fixas na esfera celeste, ou
seja, a distância do pólo
celeste para o Cruzeiro
sempre é constante.

Se denominarmos a
distância de uma estrela a
outra do braço maior do
Figura 8. Encontrando os pólos celeste e geográfico sul. Cruzeiro de X, o
prolongamento até o
Se o experimento tiver sido geográfico sul. azimute do pólo celeste será
feito de modo correto, as 4X. Ou seja, devemos olhar
retas que ligam R ao Devemos localizar a
para o Cruzeiro e prolongar
gnômon e S ao gnômon constelação do Cruzeiro do
seu eixo maior em 4 vezes e
estão sobrepostas e dão a Sul e uma maneira fácil de
assim encontraremos o pólo
direção norte-sul como encontrá-la é localizando 2
celeste sul. Após isso,
vemos na figura 5. estrelas bem brilhantes
descemos uma linha
próximas a ela, são a alfa e
perpendicular e
Método noturno beta do Centauro, como
encontramos o pólo
vemos na figura 6.
Este método é puramente geográfico sul. (Figura 8)
observacional e consiste em Localizado o Cruzeiro, vê-se Matheus Leal Castanheira é
observar o céu noturno e pela figura 6 que ele não graduando em Física (UFPR).
através das constelações aponta para o pólo sul
Figuras obtidas utilizando os
encontrar o pólo celeste sul geográfico (representado seguintes softwares: GeoGebra
e a localização do pólo pela letra S no horizonte), (método diurno) e Stellarium (método
mas aponta para o pólo sul noturno).

12
36
DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA

AS ESTRELAS VOLTARAM A BRILHAR

Palestra do prof. Maurício Kaczmarech


NO PARANÁ

Mais um EPAST entra para a história da astronomia paranaense


Maico Zorzan estado, e também de estados anseios não são únicos,
maicozorzan@outlook.com vizinhos, o evento decorreu podendo compartilhar
da apresentação de conhecimento com outros
Após alguns meses, com palestras, minicursos, apaixonados pelo universo.
entusiasmo de quem vai lançamento de foguetes,
rever amigos, e de quem observação e bons bate Da edição 2016 do evento,
retorna para casa, lá vamos papos entre amigos. temos que destacar a
nós para mais uma edição maravilhosa estrutura física
do Encontro paranaense de Como sempre ocorre nos disponibilizada pela UTFPR,
astronomia, o EPAST. Essa Epasts, talvez um dos o tato da equipe do GEPA
era a sensação presente no eventos de astronomia mais com a organização do
olhar dos participantes ao peculiares do país, onde seu evento, a qualidade dos
chegar para a 13° edição do formato permite uma conteúdos apresentados e o
evento. interação estreita de laços amor do Michel Batista Corsi
entre a comunidade de pela educação cientifica.
Dessa vez, sediado em apaixonados pela Fatores fundamentais que
Campo Mourão, e a cargo astronomia, meio possibilitaram a realização
dos amigos do GEPA, o acadêmico, estudantes e de um excelente evento.
evento aconteceu no feriado sociedade local, podemos
de Tiradentes, dentro do perceber muitos rostos O Epast, que nasceu da ideia
Campus da UTFPR. novos, gente que tem de realizar uma união entre
Contando com participantes fascínio pelo cosmos, e que os grupos e praticantes da
de todas as regiões do nesse local sente que seus astronomia amadora no

37
AstroNova . N.10 . 2016

Prof. Michel Corci, organizador do 13º EPAST. Foto após lançamento de foguete movido
a combusível sólido.
Paraná, faz de forma muito casamento já surgiu de
eficiente seu papel, também amizades epastanas.
sendo uma fonte de
compartilhamento de Em 2017 é a cidade de Pato
conhecimento. Voltado ao Branco entrar na órbita do
iniciante, e abordando evento, sendo sede da 14°
temas de forma clara e edição. O evento será
didática, e evento leva para realizado no campus da
as cidades e regiões onde já UTFPR de Pato Branco, com
passou, uma experiência organização do grupo
didática, elos de amizade, e GEAstro. Mini-cursos e Oficinas
um trabalho importante de
aproximação da Desejamos aos novos
comunidade local com a anfitriões, que possam
ciência. Grupos e realizar um fantástico
astrônomos amadores já evento, e aos participantes,
surgiram no evento, e que aproveitem essa
muitos desses hoje fazem do oportunidade.
nosso estado um dos mais
Nos vemos em 2017 na
ativos na astronomia
cidade de Pato Branco.
amadora nacional. Até Observação astronômica

Os editores da revista AstroNova recebem Plenária e votação do EPAST 2017 Estandarte do EPAST é passado para a
homenagem da organização do 13º EPAST representante da próxima edição do evento,
profa. Tina Andreolla (UTFPR - Pato Branco)
12
38
PELA PRODUÇÃO E DIFUSÃO CIENTÍFICA

CEARÁ - BRASIL
REVISTA DE DIVULGAÇÃO
DE ASTRONOMIA
E CIÊNCIAS DA NATUREZA

AstroNova é uma colaboração de estudantes,


professores, astrônomos amadores e profissionais
para a divulgação de Astronomia e Ciências da
Natureza. Tem lançamento trimestral, é totalmente
pública, gratuita e de direitos livres.

Disponível em:
www.caeh.com.br
www.grupocentauro.org/astronova