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O grupo do jogo, uma

das atividades do atendi-


mento do Lugar de Vida,
A "PRESENÇA-
será abordado neste texto,
do ponto de vista de sua
trajetória dentro da institui-
ção, em sua vertente teóri-
AUSÊNCIA"
ca, privilegiando a questão
da "presença-ausência", em
sua vertente clínica, com a
EM JOGO
apresentação de um caso,
em sua diferença com a
recreação, outra atividade
que compreende os jogos
NAS CRIANÇAS
infantis.
Jogo, Grupo do Jogo,
Recreação (jogos)
PSICÓTICAS
THE
"PRESENCE-ABSENCE"
E AUTISTAS
IN PLAY WITH
PSYCHOTIC
AND AUTHISTIC
CHILDREN

The "play group", one of Marize Lucila Guglielmetti


Lugar de Vida's activity,
will be considered in this
text by its history.
The group and the
"presence-absence" theory
will be discussed by a case V^^) grupo terapêutico foi a célula mater, a
description "Julinho".
origem, a forma inicial d o trabalho n o Lugar de Vida.
The last point in the text
will be to describe and D e l e derivaram as outras atividades. Refletir s o b r e a sua
show the differences trajetória contribui para resgatar o p r o c e s s o , a e v o l u ç ã o ,
between the work in "play- a o r i e n t a ç ã o q u e foram s e n d o construídos, na instituição,
ing group". a o l o n g o d o t e m p o . Pretende-se t a m b é m avaliar o j o g o
The concept of play,
infantil e m suas vertentes teórica e clínica. Na vertente
play group.
teórica, privilegiando a q u e s t ã o da "presença-ausência".
Na vertente clínica, r e c u p e r a n d o a maneira c o m o e l e v e m
s e n d o investigado e trabalhado nos atendimentos em
grupo n o Lugar de Vida.

DO GRUPO TERAPÊUTICO
A O GRUPO DO JOGO

A atividade d o j o g o atravessou três m o m e n t o s dis-


tintos n o Lugar de Vida, n o s quais r e c e b e u os n o m e s de
grupo terapêutico, grupo da conversa e grupo d o jogo.

• Psicanalista, Coordenadora do atendimento do Lugar de


Vida e do Grupo do Jogo.
O GRUPO TERAPÊUTICO

O primeiro deles, o grupo terapêutico, nasceu do modelo clí-


nico tradicional, reunindo a experiência dos consultórios e a prove-
niente .de instituições como o CPPL - Centro de Pesquisa em
Psicanálise e Linguagem, de Recife e a Escola Experimental de
Bonneuil-sur-Marne^. O atendimento, nessa fase, constituiu na psi-
coterapia psicanalítica intensiva de grupo, cujo enquadre com-
preendia um grupo de 5 crianças atendidas por 5 psicanalistas,
durante 3 horas, quatro vezes por semana.
As intervenções eram interpretativas, e a transferência efetiva-
va-se a partir da relação dos pais com uma das psicanalistas, res-
ponsável pelas entrevistas. Era essa transferência que tornava pos-
sível o trabalho com as crianças. Além disso, abria-se espaço para
momentos pontuais, em que se privilegiava o contato individual
entre uma criança e uma psicanalista.
Paralelamente, a partir de um movimento espontâneo dos
pais, na sala de espera, que falavam sobre seus filhos, foi formado
o Grupo de Pais, que transformava em trabalho a fala espontânea^.
De acordo com a orientação teórica da época, trabalhávamos
com a noção de um inconsciente a ser decifrado, traduzido^. Do
ponto de vista da prática clínica, defrontávamo-nos com a questão
"grupo versus articulação da história individual do paciente". Ao
mesmo tempo, ganhou corpo a constatação de que os recursos te-
rapêuticos tradicionais mostravam-se insuficientes, que nos levava
a pensar que os dispositivos do tratamento - interpretação, trans-
ferência - pareciam não ter alcance significativo nos casos que
atendíamos, ou que havia uma lentidão excessiva para a produção
de algum efeito. Foi a nossa reorientação teórica em relação à
noção de inconsciente estruturado como linguagem^, uma instân-
cia passível não mais de decifração de significados, mas a ser escu-
tada através dos significantes do sujeito do inconsciente, que
provocou uma mudança fundamental em todo o trabalho. Toma-
mos então o eixo da "falta" e dele extraímos os operadores alter-
nância, diferença, descontinuidade, presença-ausência, o que im-
plicou a introdução de uma segunda atividade.
Nesse sentido, a primeira tentativa, logo abandonada, foi o
projeto dos "cantos" expressivos, nos quais se ofereciam atividades
ligadas às artes plásticas e música. Numa outra experiência, intro-
duziu-se o momento do lanche, que, embora tivesse um efeito ini-
cial de pausa, calma, provocava, em seguida, uma intensa desor-
ganização. Concluímos que esse voltar-se ao corpo, esse preenchi-
mento da falta em uma dimensão real, ia na direção oposta à do
simbólico, contrariando um dos pilares centrais do trabalho. Por
isso, também abandonamos a atividade.
Foi a dimensão escolar, com a introdução do grupo educa-
cional, que operou a primeira diferenciação efetiva em relação ao
espaço do grupo terapêutico. Tínhamos agora a oposição atividade
estruturada (grupo educacional) versus atendimento compreende o grupo tera-
atividade não-estruturada (grupo tera- pêutico, o grupo educacional e os ate-
pêutico). A especificidade do grupo te- liês^. Aliás, o nome Grupo Terapêutico
rapêutico, enquanto atividade não-es- deixa de ter qualquer sentido e impu-
truturada, é a de que nele se acompa- nha-se uma revisão de sua especifici-
nha o movimento das crianças, de mo- dade.
do equivalente ao que ocorre com a
associação livre. O grupo terapêutico,
dessa maneira, opõe-se ao grupo edu-
GRUPO DA
cacional, que, enquanto atividade estru- CONVERSA
turada, pede uma produção às crianças.
Agora são duas atividades, dois Surge então uma segunda altera-
espaços, duas equipes e dois grupos de ção, proveniente, de certa forma, da re-
crianças. Podemos cogitar sobre as ra- tomada da questão da história clínica
zões que levaram à escolha desta ativi- individual dentro do grupo. A operação
dade e não de outra. Talvez, a primeira ponto a ponto, encarada como os mo-
delas tenha ligação com o registro da mentos pontuais de escuta entre um
demanda por uma escola por parte dos adulto e uma criança no grupo, levou-
pais de uma,das crianças, somada à já nos a questionar o caráter de sobrepo-
mencionada percepção de uma insufi- sição, repetição, excesso destes mo-
ciência dos recursos terapêuticos tradi- mentos no grupo em relação àqueles
cionais. das análises individuais em andamento.
Naqueles primeiros tempos, surgia Havia, além do mais, a questão da divi-
um outro elemento relativo a "grupo de são da transferência. Consideramos
crianças" que nos chamava a atenção. contra-indicada e desnecessária esta ati-
Tratava-se de certos efeitos que se pro- vidade para as crianças, que já tinham o
duziam entre algumas crianças, de uma seu atendimento individual. A partir de
criança sobre a outra, que tinham como agora, participavam deste grupo as cri-
conseqüência uma efetiva mudança de anças que ainda não haviam iniciado as
posição, e que marcaram importantes suas análises. Esta era também a ativi-
avanços clínicos no tratamento de algu- dade que, depois da triagem, recebia e
mas destas crianças. introduzia os novos pacientes na mon-
7

A introdução de outros três ateliês tagem"^ .


(música, jogos dramáticos, quotidiano) A base da idéia do grupo da con-
delineia com clareza a mudança do mo- versa tinha como inspiração a reunião
delo clínico inicial para o modelo clíni- quotidiana entre adultos e crianças na
co-institucional. Intensificamos a utiliza- atividade 'La causette", que abria os tra-
ção dos operadores alternância, diferen- balhos do dia em Bonneuil (M.Man-
ça, descontinuidade, presença-ausência noni,1986), embora no nosso caso esta
e também introduzimos a oferta de di- atividade tenha assumido outra forma.
ferentes estruturas de linguagens e ele- Assim, o grupo da conversa era o espa-
mentos da cultura. Além disso, o trata- ço privilegiado da fala (ainda que não
mento, o efeito terapêutico propriamen- fosse sob a forma verbal), centrando-se
te dito, está claramente localizado na nas relações das crianças entre si ou
montagem como um todo, que agora destas em relação aos adultos. Nesse
constitui-se de 3 gmpos de 5 crianças, sentido, o mecanismo consistia em re-
coordenados por uma dupla e com a meter ao grupo todo e qualquer aconte-
presença de um anotador. Assim, o cimento fora da proposta de trabalho
das outras atividades. Por exemplo, ata- elementos básicos contidos nos jogos
ques aos objetos, às pessoas, ao material considerados universais do sujeito in-
etc, que ocorressem em outras ativida- fantil pela psicanálise. É a sua estrutura
des, deviam ser tratados neste espaço. que neles se revela.
A montagem agora tem a estrutura
de discurso e a escuta é redirecionada
aos significantes que surjam da rede for-
JOGO: ALGUNS EIXOS
mada pelos três níveis de fala: do grupo TEÓRICOS
de crianças, do grupo de pais e da
equipe. A história clínica deixa de ser O jogo, atividade por excelência
relevante no dia-a-dia, situando-se ago- da criança, só passou a ser objeto de
ra na retaguarda, nas reuniões clínicas. interesse da filosofia, pedagogia, psi-
Com relação ao espaço de fala das cri- cologia, quando, historicamente, a cri-
anças, o predomínio das formas não- ança deixou de ser vista como um adul-
verbais dirige o nosso olhar para a sua to em miniatura. No final do see. XVIII,
principal atividade, o brincar e/ou o quando a criança tornou-se um ser edu-
jogo. ca vel, objeto de estudo da pedagogia,
com a introdução das noções de desen-
volvimento, amadurecimento e os crité-
GRUPO DO JOGO rios comparativos estatísticos, chegou-
se à idéia de "normal", segundo a qual
Inicialmente, não poderíamos dei- as crianças eram então classificadas.
xar de mencionar que a nossa partici-
A psicanálise introduz, por oposi-
pação no curso "Abordaje Interdiscipli-
ção, a idéia de particularidade, singula-
nario de los Problemas dei Desarrollo
ridade, e com ela a idéia de significante
Infantil"^ realçou ainda mais a impor-
e constituição do sujeito. Freud, em
tância do jogo em nossa clínica. Tendo
1909, nos textos "Teorias da sexualida-
sido destacado como um dos seus cinco
de infantil" e "Análise da fobia de um
eixos centrais^, o jogo foi apresentado
menino de 5 anos", aborda o significa-
como a forma de intervenção clínica em
do inconsciente do jogo (juntamente
que todos os elementos do conheci-
com os sonhos e as fantasias). Em
mento podem ser introduzidos, servin-
"Além do Princípio do Prazer", de 1920,
do, portanto, como instrumento dentro
Freud descreve e analisa o jogo de uma
de atividades diferentes, como por
criança de 18 meses, em que detecta o
exemplo a Psicopedagogia Inicial ou a
Momento Constitutivo da História do
Linguagem.
Sujeito.
Como ponto de partida, tomare-
O jogo será abordado, neste tra-
mos os dois eixos principais desta ativi-
balho, sob o ponto de vista da constitui-
dade, aliás contidos nos dois termos
ção do sujeito, enquanto prática signifi-
que a nomeiam. A nova especificidade
cante, com a propriedade de ser estru-
recai agora, de um lado, sobre esta
turante, conforme a concepção de La-
atividade por excelência da criança,
can e de acordo com a especificidade
considerada estrutural, tomada do pon-
da natureza do sujeito infantil, que é
to de vista do sujeito, da constituição do
diferente do sujeito adulto. O jogo não
sujeito e com o caráter de prática sig-
será considerado como uma atividade a
nificante. De outro, incide sobre as rela-
mais, nem como diversão, nem como
ções dentro do grupo. Partindo da ver-
descarga fantasmática, nem como catar-
tente do jogo, tomaremos alguns dos
se, nem como uma atividade regulada
pelas defesas, nem como mais uma for- Referindo-se a este mesmo jogo,
mação do inconsciente. Ricardo Rodulfo destaca que o acento
Não se trata de quaisquer jogos, está colocado principalmente no Fort, o
trata-se de alguns jogos universais, atra- que está sendo construído é a ausência,
vessados por todas as crianças em sua a perda, a separação (isto quando a cri-
estruturação subjetiva. ança já tem o Dá, a presença, a con-
Enquanto prática significante, o tinuidade), e então o enigma para ela
jogo está revestido das mesmas proprie- seria:
dades que o significante propriamente / como pode ter existência algo que
dito. Tomando-se, então, significante não é visível ?
como o elemento do discurso que re- / como pode existir algo que está
presenta e determina o sujeito para ou- ausente ?
tro significante, sua extensibilidade con- Para Jerusalinsky, no par Lá-Aqui,
figura-se na(s) cadeia(s) significante(s). temos os elementos básicos da estrutu-
Evidencia-se na repetição e não tem na- ração da linguagem^ e da constituição
da a ver com uma significação. Ao con- do sujeito^. Então, a descontinuidade,
trário, por poder significar toda e qual- o elemento binário, a oposição, o par
quer coisa, em si não significa nada. presença-ausência em série, todos estes
Alfredo Jerusalinsky, em seu texto elementos são concernentes à inscrição
"La educación, ?es terapêutica? - Acerca do olhar no âmbito da linguagem. Não
de tres juegos constituyentes dei suje- existe o lá sem o aqui, e vice-versa.
to"(1994), trata dos três jogos considera- O segundo jogo estudado por Je-
dos universais, que retomaremos a se- rusalinsky é o denominado " Este é
guir. Assim, o primeiro^ é o chamado outro" ("como se", "faz-de-Conta"). Tra-
Está/Não-Está, Presença-Ausência (co- ta-se dos jogos transicionais, descritos
nhecido como Fort-Dá). Sinteticamente, por Winnicott em 1951, em que um
o clássico Jogo do Carretei ou. Fort-Dá objeto, chamado por ele objeto transi-
trata do jogo observado e analisado por cional (exemplo: cobertorzinho, ursi-
Freud em uma criança de 18 meses em nho, chupeta etc) substitui o objeto de
que, na ausência da mãe, a criança re- desejo original (a figura materna). Este
petidamente lançava um carretei amar- objeto, no início, em geral é fixo, mas,
rado a uma linha e nesse momento emi- com o tempo, variando de criança para
tia um som prolongado ("ô-ô-ô-..., em criança, a gama de substituições deve
alemão significa Fort, em português ampliar-se, flexibilizar-se, estender-se.
quer dizer "Lá". Quando puxava o car- Lacan remeteu esta idéia ao re-
retei emitia outro som prolongado, á-á- gistro do falo (o significante da falta) e
á-..., em alemão eqüivale a Dá, em por- a este objeto enquanto objeto causa do
tuguês corresponde a "aqui"). Segundo desejo (a). Talvez se pudesse pensar
Jerusalinsky, este jogo de início tão pre- que a idéia de objeto transicional como
coce repete-se, desdobra-se, prolonga- dimensão temporal inclinado ao futuro
se na criança e pode ser reconhecido remete aos jogos de representação (co-
por exemplo nos jogos de ocultação (é mo se, ou faz-de-conta) como um des-
o caso do "cadê-achou", no qual a cri- dobramento deste objeto transicional
ança esconde o rosto, ou o adulto enco- inicial.
bre e descobre o próprio rosto) e, pos- O terceiro e último jogo introduzi-
teriormente, nas várias formas de "es- do por Jerusalinsky, o "cai- não cai" ,
conde-esconde" (o esconder objetos, jogos de queda, jogos de borda", é visí-
esconder-se, adivinhações, mentiras). vel sob muitas formas. Exemplo: lançar
um objeto do berço, ou do cadeirão, e variadas, como por exemplo, lambuzei-
esperar que o adulto o devolva, repetir ra, calor, cheiro, vozes, rotina).
incansavelmente até a exaustão do adul- E com os olhos e com a boca, ór-
to. Fazer deslizar um brinquedo ou obje- gãos de incorporação, antes que com as
to até a borda de uma mesa e deixá-lo mãos, que se dá essa extração .
cair; subir nas bordas e beiradas de uma Não se trata de construção do
janela e andar de um lado para o outro, corpo segundo as noções de volume e
desafiando o equilíbrio, ou balançar-se e de interior, mas sim de superfície.
inclinar uma cadeira até o limite do Exemplos: atividade visível nos bebês,
equilíbrio; olhar pelas frestas, enfiar-se quando querem alimentar-se sozinhos e
em buracos, saltar de uma cadeira, na produzem lambuzeira, lambuzam-se à
piscina, nas almofaclas etc. mesa, a pessoa que estiver próxima etc,
O que está em jogo é a questão do toda essa extensão é ela, é a sua super-
olhar, do desaparecimento, da ausência fície. Nessa etapa, não há distinção en-
(a questão motora e do espaço). Então, tre interior-exterior, corpo/não-corpo,
até que ponto a continuidade se susten- eu-outro.
ta e a partir de que ponto há a ruptura, São mencionados exemplos da pa-
a descontinuidade, a queda se dá. tologia das psicoses onde também há
Ricardo Rodulfo, em seu texto "O produção de lambuzeira e das depres-
Brincar e o Significante", um estudo psi- sões com o tampar-se, cobrir-se en-
canalítico sobre a constituição precoce quanto busca de calor como o mais
(1990), coloca uma questão interessante arcaico envoltório do corpo.
quando interroga sobre o período ante- O segundo, "passagem ao volume,
rior aos 18 meses de idade. Segundo ele, tubo, primeira modalidade de buraco"
já há um processo de constituição do caracteriza-se pelo interesse da criança
sujeito em andamento, com seus ele- nos continentes-conteúdos.
mentos mais primordiais e mais arcai- Temos, por exemplo, o bebê que
cos. Trata-se da constituição libidinal do se dedica a pôr e a tirar objetos de den-
corpo, da corporalidade de seres dese- tro da bolsa da mãe, ou de uma caixa.
jantes, corporalidade libidinal, base de Este jogo é regido pelo princípio
apoio para a subjetividade, demonstra- da reversibilidade, em que o que antes
da nos dois jogos que, em seguida, era continente pode passar a ser con-
retomaremos sinteticamente. teúdo, e vice-versa, não havendo noção
O primeiro "extrair-esburacar", estável de tamanho, grandeza (grande,
produz a construção de superfície, do pequeno, maior, menor). Há ainda o
envoltório, da continuidade. As pri- predomínio da característica do espaço
meiras funções do brincar consistem bi-dimensional do espaço plano sem
deste processo de extração de materiais espessura. A noção de volume também
para fabricação do corpo enquanto su- é reversível, pois, tão logo surge, desva-
perfície (ainda sem a noção de volume, nece. Há a passagem de conteúdo a
de dentro, fora etc). Materiais estes que continente e vice-versa .
são arrancados do corpo do Outro e Há casos na patologia, na psicose,
acrescentados à pele. por exemplo de fantasias de ser devo-
Este Outro pode ser pensado co- rado pelo alimento que ingeriu, ou de
mo tesouro de significantes, mito fami- ser devorado pelo vaso sanitário, ou de
liar etc. ser devorado pelo corpo onde se julga
Estes materiais consistem de signi- incluído.
ficantes (que podem estar sob formas O quotidiano da experiência clíni-
ca infantil constata e reafirma a preciosidade dos elementos men-
cionados acima. A experiência clínica no Lugar de Vida igualmente.
A questão é que o trabalho com os pacientes muito comprometi-
dos como os psicóticos e autistas exige uma articulação da teoria
a novos dispositivos da prática clínica. A experiência acumulada
nesses 10 anos de trabalho nos forçou a ampliar a reflexão sobre
as formas de constituição do sujeito, particularizando-as. Temos
evidências de que a constituição do sujeito via jogo é uma das pos-
sibilidades para algumas crianças; para outras, parece-nos que a via
da alfabetização cumpre esta mesma função^.
Considerando ainda mais que muitas destas crianças não só
não falam, ou olham, mas também não brincam, isolam-se em suas
estereotipias, sem estar permeadas pelo simbólico, há que se bus-
car a operação que possibilite a passagem da estereotipia ao sig-
nificante e dessa maneira possibilitar o acesso ao simbólico.
Constatamos, também, que muitas dessas crianças situam-se
aquém da construção da ausência, numa perspectiva ainda anteri-
or. A propósito, encontramos em Ricardo Rodulfo preciosa con-
tribuição a respeito da constituição significante do corpo enquanto
suporte do sujeito desejante.

GRUPO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES


Julgamos relevante registrar, a título introdutório, os parâme-
tros que delineiam este campo para nosso grupo, e também des-
tacar um elemento que muito tem chamado nossa atenção quanto
a certos efeitos que ocorrem na dimensão do imprevisto e do
improviso, produto da particular forma de relação das crianças entre
si, que se dão em certos momentos e que nos parecem poderosos
por sua eficiência, justificando a utilização do dispositivo grupo.
Não se trata de abordar o grupo enquanto coletivo tal como
acontece em outras perspectivas teóricas, mas de fazê-lo como dis-
curso coletivo no plano simbólico tomado da teoria lacaniana, que
supõe os três elementos - sujeito, outro, Grande Outro. Como
escreve a psicanalista Oliveira (1997) em seu trabalho sobre pais:
"Se o grupo é suposto como estrutura discursiva, o que está em
jogo é a relação de fala e não a relação entre as pessoas. Nessa
medida, trabalhar com grupos nos remete à questão da linguagem,
ao simbólico, à lei e portanto à castração" (pg. 35).
Mas isto quando se tem o Outro constituído. No caso dos
pacientes psicóticos e autistas, cabe perguntar qual o lugar que o
Outro ocupa. A partir de evidências clínicas talvez pudéssemos
qualificar este lugar como o do que perturba, invade, ameaça,
divide, exclui, falta e t c , tornando insuportável manter o laço com
o Outro e muitas vezes levando à desconexão, à ruptura deste laço,
o que vai implicar a ausência da troca simbólica.
Deixando no momento de examinar a questão da ruptura pro-
priamente dita, ocorre-nos perguntar se efeitos de discurso,"(...) dei atravesa-
seria possível recuperar o laço com o miento dei discurso, de la misma ma-
Outro via grupo. E mais: quando o nera que el discurso dei Otro, constitu-
Outro não está constituído como Outro tivo dei inconsciente, nos determina co-
barrado, seria viável tentar instituí-lo^? mo sujetos."(pg. 34)
Segundo Mercedes Baudes de Talvez pudéssemos pensar numa
Moresco (1992), "(...) en el caso dei rede de discursos que se entrecruzam e
grupo de psicóticos graves, establecer acionam certos giros que produzem
un lazo terapêutico, una psicoterapia, mudanças de posição, de forma que
basada en la imagen especular, la iden- algumas vezes fica estabelecido um an-
tificación, la recomposición del yo, e t c , tes e um depois no tratamento e, talvez,
tal vez seria lo que exitosamente po- na vida destes pacientes.
dríamos llamar un logro, ya que de psi- Um recorte clínico, a esta altura,
cosis se trata.Producir lazo" social y cier- pode ser ilustrativo dos elementos teóri-
tos vínculos (...)" (pg.142). cos apresentados em relação à consti-
Encontramos também no trabalho tuição do sujeito via jogo e também da
"O lugar da psicanálise nas instituições" importante incidência do dispositivo
(1998) uma referência que, nos parece, grupo através da intervenção de uma
também concorda com os benefícios do outra criança. Trata-se de um menino
dispositivo grupai: "(...) o dispositivo que chega ao Lugar de Vida em No-
grupai reabilita o sujeito (...) para a vembro de 1991, com 5 anos de idade,
conexão com o Outro, desfrutando, por e é atendido até o final de 1995.
assim dizer, simbolicamente da ação
sobre si da intersubjetividade imaginária
do grupo. Assim, o "ritual" da sessão
opera uma certa forçagem que aponta a
CASOJULINHO-UM
reinscrição do sujeito no campo do RECORTE CLÍNICO DO
Outro, a reencontrar um lugar simbóli-
co (...)"(pg.263).
GRUPO DO JOGO
Como já afirmamos, o dia-a-dia em Julinho nos é encaminhado por
nossa clínica no Lugar de Vida tem evi- uma psicóloga, amiga da família, que
denciado certos efeitos de uma criança formulou a hipótese diagnostica de
sobre outra que provocam mudanças autismo. O primeiro dado que ressalta é
de posição e que implicam avanços que há dificuldades de separação entre
importantes no tratamento de algumas mãe e filho; então, a princípio, há um
destas crianças. Cabe-nos investigar. De atendimento conjunto mãe e filho.
que se trata? A queixa da mãe é de que o meni-
Ainda segundo "O lugar da psi- no fala pouco, é muito nervoso, grita
canálise nas instituições" (1998), a ação muito e não suporta barulhos. Quando
do pequeno grupo não é terapêutica quer uma coisa e por algum motivo não
por si só e o essencial é a direção do pode tê-la, joga-se no chão, faz escân-
tratamento buscando operar no sentido dalos e sempre consegue o que quer
de produzir a emergência da particulari- dos adultos. Isto geralmente acontece
dade subjetiva . Trata-se, portanto, da com a mãe, a irmã mais velha e o cu-
posição do analista, de sua ação na di- nhado, que o mimam muito. Segundo a
reção do tratamento (e não na direção mãe, o menino não é muito ligado no
do grupo), através de sua escuta e apos- pai. "É como se o pai não existisse para
ta. Para Moresco (1992), tratar-se-ia de ele", resume ela.
A mãe buscou ajuda médica quan- no do grupo aproxima-se, provoca-o,
do Julinho tinha três anos de idade por- tira objetos das mãos dele, insiste, per-
que ele ainda não falava e usava fral- segue-o.
das. Fez EEG, tomografia computado- Julinho tem uma crise, parece-nos
rizada e nenhum problema foi detecta- com a tal cena descrita pela mãe. O fato
do. Julinho começou a falar aos 3 anos é que, ajudado pela terapeuta que o
e 6 meses, mas continuava muito ner- acompanha, Julinho consegue suportar
voso. Isto fez com que a mãe fosse a travessia deste momento. Após o
buscar ajuda psicológica. episódio, ocorrem alterações significati-
Depois de um trabalho inicial de vas. Abriu-se o contato com as outras
atendimento conjunto mãe e filho, a crianças e a produção de Julinho enri-
entrada no grupo do jogo sem a mãe é quece, apesar de ainda conter estereo-
intermediada pela mesma terapeuta que tipias, visíveis em seu interesse pelos
fez o atendimento anterior. De início, objetos eletrônicos, propondo-se a brin-
há isolamento, automatismos, movi- car de "franguinho no prato giratório"
mentos mecanizados. Contato única e (microondas) e fazer a contagem re-
exclusivamente com a terapeuta que o gressiva do mostrador do relógio digi-
acompanha. Julinho ou isola-se, de- tal. Junto com estes, surgem dois blocos
monstrando fascinação pelos reflexos de dois jogos muito importantes.
de luz, ou dedica-se a arrumar objetos e No primeiro bloco, temos os jogos
medir com as mãos a superfície da que denominaremos "bom-dia, boa-
mesa. Anda pela sala e emite sons agu- noite" e "corrida". O primeiro consistia
dos e a terapeuta o imita, o que ele pa- em dizer "bom-dia, boa noite" sincro-
rece ignorar a princípio, mas depois nizado com o acender e apagar da luz,
passa a interessar-se. A terapeuta intro- com o abrir e fechar dos olhos, com o
duz uma primeira modificação, emitin- dormir e acordar. No segundo, a pro-
do sons diferentes dos dele, introduzin- posta era realizar uma corrida incluindo
do assim a primeira descontinuidade. a sinalização espacial do lugar da "lar-
Ultrapassada a surpresa inicial, estabe- gada" e da "chegada" (palavras escritas
lece-se um jogo com sons entre eles. no chão) e a sinalização temporal do
Julinho diverte-se com isso. momento da "largada" (exibição de um
Uma outra modificação, produzi- círculo verde) ou da "espera" (exibição
da por Julinho, é que este jogo agora de um círcuio vermelho).
prossegue com o brinquedo "bate-esta- Cabe salientar que, neste momen-
cas", em que além dos gritos há o som to, o jogo inclui os outros (adultos e cri-
do martelo nos pinos. Surge outra brin- anças); com isto há a introdução da di-
cadeira: saltar do beirai da janela para o ferença de ritmos, desejos, etc.
colo da terapeuta. Uma menina do Em ambos os jogos estão pre-
grupo interessa-se pelo jogo e, acom- sentes a descontinuidade, a oposição, o
panhada de outra terapeuta, passa a elemento binário do par simbólico, ele-
brincar ao lado de Julinho. Depois de mentos essenciais à constituição da lin-
algum tempo, como um manejo, pro- guagem, que só surgem a partir da per-
põe-se trocar as parcerias entre as tera- da do objeto.
peutas, o que Julinho não aceita. Diante Do segundo bloco fazem parte
do "não", Julinho isola-se, retorna à ar- dois jogos, que chamaremos "dar trom-
rumação das pecinhas. bada, cair" e "jogo do carro batido". No
A primeira grande alteração neste primeiro, a partir de um arrastar de ca-
circuito ocorre quando um outro meni- deiras vazio e sem implicação, surge o
jogo de "dar trombada", "cair", que pro- O fato de propormos um novo dis-
voca o riso e é nomeado por Julinho positivo para tentar oferecer um trata-
"Ponte do rio que cai" (parafraseando o mento com alcance suficiente nos qua-
título do quadro de um programa de dros graves impõe-nos o rigor da vigi-
TV). Este jogo evolui para outro que se lância e da reflexão sobre a diferencia-
repete por longo tempo, no qual Ju- ção e a especificidade das modalidades
linho insiste até o final do atendimento, de atendimento. Então, tomaremos o
e que nos obriga a perguntar o que está Grupo do Jogo e a Recreação, que é a
em jogo nele. No segundo, a seqüência atividade da montagem institucional
consiste em duas cadeiras que se cho- que se ocupa dos jogos. A atividade de
cam, cair, dizer que machucou, que- recreação pode ser entendida em três
brou, chamar a ambulância, ir para o sentidos: do recreio, dos jogos da cul-
hospital do câncer, consertar, costurar, tura, de inventar brincadeiras.
nomear as várias partes do corpo, Sua especificidade consiste na
inclusive "bilú,bijú" (referindo-se ao oferta da "infância" e com ela a oportu-
pênis) . nidade de pertencer à cultura dos ho-
Em relação a este último jogo, ca- mens e de exercer o laço social, através
beria comentar em primeiro lugar que a das produções culturais humanas. No
insistência denuncia a sua importância, sentido de recreio, reproduz o que na
possivelmente com a emergência do cultura seria o tempo do descanso, da
significante. Em relação a esse jogo de atividade livre, entre períodos de traba-
representação, poderíamos especular a lho.
respeito de seu significado: trata-se da Enquanto jogos da cultura, man-
construção do corpo, da emergência do tém viva a cadeia da tradição, atraves-
eu, da perda, da castração? sando, atualizando e transmitindo os jo-
Não sabemos, posto que não tra- gos que passam de geração em geração
balhamos com as "significações". O em cada povo, lugar, época, porque tra-
nosso enquadre, diga-se de passagem, tam de algo que é primordial e univer-
não é a análise individual de Julinho, sal para as crianças, em termos de de-
mas acompanha, busca as operações safios, regras, prazer etc.
que acionem os elementos que permi- Como inventar brincadeiras, é a
tam que este sujeito se constitua. produção de versões singulares apro-
A partir de então, os progressos priando-se do lúdico e também acres-
evidenciam-se tanto nos jogos, que ago- centando à cadeia da tradição, renovan-
ra sempre incluem o outro (exemplo: do-a e enriquecendo-a, com novos ele-
cenas de chanchadas, vídeo-cassetadas, mentos que representem um tempo
carrinhos no túnel, telefonemas, cartas presente.
no correio), quanto no grafismo, pois os O Grupo do Jogo compreende o
desenhos, agora não mais estereotipa- brincar no sentido da estrutura de uma
dos, representam cenas (exemplo: com- criança, e aborda aqueles jogos univer-
posições com casa, sol, nuvens) que sais a serem atravessados por todas os
contêm deslocamentos onde o mesmo seres humanos em sua constituição sub-
objeto pode ter diferentes represen- jetiva .
tações (exemplo: um círculo pode dar Nele predomina, então, a vertente
origem a uma pizza, a uma roda de um do estrutural, do universal, que inde-
carro, ou ainda a um par de óculos). pende da época, do lugar ou da cultura,
enquanto na recreação predomina a
FRONTEIRAS vertente do cultural.
Finalmente, não seria possível criança psicótica", da psicanalista Lina G. M.
concluir sem dar voz aos pacientes do de Oliveira, que desde o princípio coordenou
grupo do jogo, que através da palavra esta atividade na instituição.
ou do ato produziram as suas marcas
4 Este não era um ponto homogêneo dentro
nesta atividade. Houve um dos meninos
do grupo, pois havia diferentes estágios de
que, brincando com as palavras, inter-
formação em relação à teoria lacaniana.
rogou-nos certo dia pelo "JOGO DO
GRUPO". Um outro, no momento da Onde se supõem lugares, funções, relações
interrupção da atividade, talvez queren- entre os termos.
do reassegurar-se da continuidade futu-
ra, dirigiu-nos a pergunta: "TEM MUITO ^ Algumas alterações na montagem foram
JOGO?" ocorrendo ao longo do tempo. A partir desta,
Têm sido muitos os momentos em por exemplo, houve mudanças nas atividades
que compõem os ateliês e também houve um
que alguns deles põem-se literalmente a
desdobramento dela para um outro conjunto
"JOGAR" objetos, fazendo-nos pensar
de atividades proposto para o grupo de ado-
na dificuldade de trabalho com o sim-
lescentes em tratamento na instituição.
bólico.
Como já ressaltamos, estamos in- 7 Pois consideramos indicada a entrada gra-
teressados na constituição do sujeito, e dual, começando por uma atividade, com uma
seria descabido ignorar tais produções. dose mínima de demanda no que diz respeito
As reações das crianças nos alertam pa- à exposição a um número menor de pessoas,
ra os vários sentidos que nela podem a um tempo de permanência mais curto, à
desdobrar-se. Cabe-nos "apostar no não-alternância e com uma atividade em que,
jogo" e poder deixar-nos surpreender por suas características, especialmente não
demandará uma produção específica.
com as mil faces do jogo em sua "pre-
sença-ausência". •
" Oferecido pela F.E.P.I. - Fundación para el
Estúdio de los Problemas de la Infância, du-
rante o mês de julho de 1995, em Buenos
Aires.
NOTAS
9 A saber: constituição do sujeito, transferên-
1 Que nos chegou através das psicanalistas Lia cia, jogo, interdisciplina, direção da cura.
B. F. Grillo Daniel (que na época fazia parte
da nossa equipe e anteriormente havia inte- 10 o elemento ausência, perda do objeto, é
grado a equipe do CPPL) e Paulina Rocha, básico à possibilidade de surgimento da re-
via leitura do seu texto: "Um modelo de insti- presentação. Só é possível ter-se represen-
tuição para tratamento de crianças psicóticas" tação quando não se tem o objeto. Neste sen-
(1983). tido, uma criança só pode falar quando o
objeto desaparece.
2 Inicialmente, através da leitura de vários dos
textos de M. Mannoni, especialmente os dois 11 A dimensão do ser humano que só tem
voltados para Bonneuil ("LJm lugar para viver" existência na linguagem.
e "Bonneuil, seize ans après") e, posterior-
mente, também do estágio realizado e m Bon- 12 A este respeito, consultar o texto de
neuil pela coordenadora do Lugar de Vida, M.CM.Kupfer, Educação Terapêutica: o que a
Maria Cristina M. Kupfer, e m 1992. psicanálise deve pedir à educação.

3 Os detalhes referentes ao inicio desta ativi- 1^ Aqui não nos referimos ao autismo porque
dade estão relatados na pg. 34 do texto "O tra- julgamos que o dispositivo grupo não é indi-
balho com pais no tratamento instituição da cado para tais casos.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS

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