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Campos Universitário de Viana

Universidade Jean Piaget Angola


(Criada pelo Decreto n.44-A/01 de 6 de Julho de 2001)
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

MONOGRAFIA

FACTORES ASSOCIADOS A FUGA A PATERNIDADE –


UM ESTUDO NO BAIRRO REGEDORIA SANZALA

Autora: Maria Odeth Nacole Avelino


Licenciatura: Sociologia
Orientador: Drº. Luvumbo Sebastião C. Bungo

Viana, Dezembro de 2017


Campos Universitário de Viana
Universidade Jean Piaget Angola
(Criada pelo Decreto n.44-A/01 de 6 de Julho de 2001)
Faculdade de Ciências Sociais e Humanas

MONOGRAFIA

FACTORES ASSOCIADOS A FUGA A PATERNIDADE –


UM ESTUDO NO BAIRRO REGEDORIA SANZALA

Maria Odeth Nacole Avelino


Licenciatura em : Sociologia

Estudo realizado na Universidade de Jean Piaget e no Bairro Regedoria Sanzala em


Viana no Período Compreendido entre Janeiro de 2017 a Junho de 2017.
EPÍGRAFE

“As mudanças nunca ocorrem sem inconvenientes, até mesmo do pior para o
melhor”.

Richard Hooker
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho, primeiramente ao meu esposo que tem me ajudado


incondicionalemente, e me dado todo apoio possível em todos os momentos, e
aos meus filhos.
AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus todo-poderoso, pela vida, pela graça de ter vivido até
aqui e realizar o sonho da licenciatura.

A Universidade Universidade Técnica de Angola (UNTANGA), pelos


maravilhosos quatro (4) anos de formação, onde muito aprendi e me tornei
numa Gestora de Recursos Humanos.

Ao meu orientador, Caro Orientador Nicolau Kindacala Paulo Pereira,


pela sua disponibilidade em orientar-me no sentido da construção de uma
ciência verídica, seu sentido de urgência, capacidade de verificação, com que
orientou-me, muito obrigada.

A minha família, amigos e colegas, aos meus docentes universitáios, os


meus sinceros agradecimentos por todo o vosso empenho em transformar um
diamante bruto em joia rara.

A todos que de forma directa ou indirecta contribuíram para que este


trabalho se tornasse em realidade o meu muito obrigado.
DECLARAÇÃO DE AUTOR

Declaro que este trabalho escrito foi levado a cabo de acordo com os
regulamentos da Universidade Jean Piaget de Angola (Uni Piaget) e em
particular das Normas Orientadoras de Preparação e Elaboração da
Monografia, emanadas pelo Departamento de Altos Estudos e Formação
Avançada (DAEFA). O trabalho é original excepto onde indicado por
referência especial no texto. Quaisquer visões expressas são as do autor e não
representa de modo nenhum as visões da Uni Piaget. Este trabalho, no todo ou
em parte não foi apresentado por avaliação noutras instituições de ensino
Superior nacionais ou estrangeiras. Mas informo que a norma seguida para a
elaboração do trabalho escrito foi a:

Norma ISO 690.......................................

Norma APA (6ª Edição)...........................


Assinatura:__________________________________
Data____/____/_____

RESUMO
A monografia a que nos referimos subordina-se ao tema “Factores
Associados a fuga a Paternidade – um Estudo no Bairro Regedoria Sanzala ”.
Percebesse que A noção de Paternidade compreende diversos aspectos, entre
eles ter autoridade, estabelecer limites, transmitir afecto, ser um modelo de
masculinidade, ser um modelo de relacionamento de casal, mostrar caminhos
para a vida, indicar possibilidades de crescimento, ser um agente de
diferenciação entre mãe e filho, que funcionam como um modelo para relações
saudáveis pela vida. Assim é que devido ao elevado índice fuga a paternidade
que se regista na nossa sociedade, temos por importante levantar está
abordagem no Bairro da Regedoria/Sanzala, de modos ainde que forma
parcial, apresentar os factores associados a fuga a paternidade. Para a presente
monografia, levantou-se o seguinte quisito: Quais são os factores que motivam
a fuga a paternidade no Bairro Regedoria?, Teve como objectivo geral
Apresentar os factores associados a fuga a paternidade no Bairro da Regedoria
/ Sanzala. E como objectivos específicos (1) Construir um referencial teórico
sobre os factores associados a fuga a paternidade no bairro regedoria na
Sanzala; (2) Compreender os factores originadores da fuga a paternidade; (3)
Identificar as causas relevantes da fuga a paternidade; (4) Recolher e tratar os
dados para fundamentar a abordagem empírica. O nosso estudo está
delimitado a fazer uma abordagem sobre os Factores Associados a Fuga a
Paternidade, o estudo será realizado no Bairro Regedoria/ Sanzala – Viana.
Para o presente estudo usaremos o método descritivo. A população alvo a
estudar, são as famílias. A nossa amostra será de 20 famílias. O nosso
instrumento de investigação será o questionário.

Palavra - Chaves: Paternidade; Fuga; Família.

ABSTRACT

The monograph to which we refer is subordinated to the theme "Factors


Associated with Escaping Paternity - a Study in the Regimental Sanzala
Neighborhood". The notion of paternity comprises several aspects, among
them having authority, establishing limits, transmitting affection, being a
model of masculinity, being a model of couple relationship, showing paths to
life, indicating possibilities for growth, being an agent of differentiation
between mother and child, which function as a model for healthy relationships
through life. Thus, due to the high rate of escape from paternity in our society,
it is important to raise this approach in the Bairro da Regedoria / Sanzala, in a
partial way, to present the factors associated with the escape of fatherhood.
For the present monograph, the following question was raised: What are the
factors that motivate the escape of paternity in the Regimental Quarter? Had as
a general objective to present the factors associated with the escape of
paternity in the District of Regimental / Sanzala. And as specific objectives (1)
To construct a theoretical reference on the factors associated with escape from
paternity in the regimental neighborhood in Sanzala; (2) Understand the
factors that lead to the escape of paternity; (3) Identify the relevant causes of
fatherhood flight; (4) Collect and process the data to support the empirical
approach. Our study is delimited to make an approach on the Factors
Associated with Escape from Paternity, the study will be carried out in the
Regimento / Sanzala - Viana neighborhood. For the present study we will use
the descriptive method. The target population to study is the families. Our
sample will be 20 families. Our research instrument will be the questionnaire.

Key Word: Paternity; Escape; Family.

Índice

EPÍGRAFE............................................................................................................................I
DEDICATÓRIA.................................................................................................................II
AGRADECIMENTOS.....................................................................................................III
DECLARAÇÃO DE AUTOR.......................................................................................IV
RESUMO.............................................................................................................................V
ABSTRACT......................................................................................................................VII
INTRODUÇÃO...................................................................................................................1
Identificação do Problema.................................................................................................2
Objectivos do estudo..........................................................................................................2
Objectivo Geral:......................................................................................................2
Objectivos específicos:…………..………………………………………..........……2
Importância do estudo.........................................................................................................2
Delimitação do estudo.........................................................................................................3
Definição dos Conceitos.....................................................................................................3
CAPÍTULO I - FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICO / CIENTÍFICO........................5
1.1.Abordagem Histórica Sobre a Família……………………………………...5
1.1.2.Tipos de Família…………………………………………………………..8
1.1.3.Função da Família………………………………………………………..10
1.2.Factores Associados a Fuga a Paternidade………………………………...12
1.2.1.As Consequências da Ausência do Afecto Paterno-Filial…………………..14
1.2.2.A Fuga a Paternidade em Angola………………………………………………..16
1.2.3.Pai Angolano Sobrecarrega a Mulher, diz Simão Helena…………………..17
1.2.4.Índice de Fuga a Paternidade Segundo o INAC………………………………18
1.2.5.Responsabilidades...................................................................................................20
1.5.Teoria da rotulagem…………………………………………………………………..26
2.1Modo de Investigação………………………………………………………………...31
2.2.Hipóteses.......................................................................................................................31
2.3.Variáveis........................................................................................................................31
2.4.Objecto de Estudo…………………………………………………………………….32
2.5.Instrumentos de Investigação……………………………………………………….32
2.6.Processamento e Tratamento de Informação…………………………………….32
CAPÍTULO III- APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS
RESULTADOS..................................................................................................................33
3.1. Apresentação dos Resultados..................................................................................33
3.1.1. Distribuição da amostra.........................................................................................34
3.1.2. Resultado do questionário....................................................................................37
CONCLUSÃO....................................................................................................................45
RECOMENDAÇÕES.......................................................................................................46
BIBLIOGRAFIA................................................................................................................47
ANEXOS..............................................................................................................................49
INTRODUÇÃO
O presente projecto da monografia serve de requisito parcial para a
elaboração da monografia, que dará acesso a obtenção título de licenciada em
sociologia, subordina-se ao tema “ Factores Associados a fuga a Paternidade
– um Estudo no Bairro Regedoria Sanzala ”.

A noção de Paternidade compreende diversos aspectos, entre eles ter


autoridade, estabelecer limites, transmitir afecto, ser um modelo de
masculinidade, ser um modelo de relacionamento de casal, mostrar caminhos
para a vida, indicar possibilidades de crescimento, ser um agente de
diferenciação entre mãe e filho, que funcionam como um modelo para relações
saudáveis pela vida. Esses são conceitos que se escuta muito e que parecem
pertencer a um “ideal” de pai. Como isto se diferencia de “estar em presença”
e pai. Descobrir infinitas possibilidades de ser pai, todas elas funcionais e
operativas, parece ser desafio suficiente para um trabalho bastante extenso.

Podese compreender o pai dentro do contexto de uma determinada


família, o que implica em ter uma visão sistémica. Implica em olhar para os
relacionamentos que se constroem destro deste sistema familiar, não apenas
para os seus indivíduos, com suas demandas pessoais intrapsíquicas. Se
falarmos da paternidade a partir deste referencial, estaremos falando de
fronteiras, limites, relacionamentos, pois um pai só existe em função da
existência do filho. São papéis mutuamente constitutivos. Da mesma forma, o
papel do pai não se constitui sem a existência de uma mãe.

Por outro lado, se pensarmos um pouco no existencialismo de Heidegger


apud Abbagnano (2000,p.45), “com o seu conceito de “sernomundo”
podemos perceber que tudo aquilo que apreendemos, ou como agimos está
sempre relacionado com a presença do ou tro, o que faz com que cada
relação seja única. Para se compreender melhor algumas semelhanças entre
as duas teorias, procurouse observar algumas características da postura
terapêutica em cada abordagem”.
1
Na verdade existem muitos motivos que fazem este alarmante problema
ocorrer e se alastrar na nossa sociedade, como perda de valores, falta de
entendimento entre os casais, violência grave, etc.

Identificação do Problema
Todo e qualquer trabalho científico carece da existência de um problema
para que ao longo do seu desenvolvimento se possa responder. Essa vertente,
porém, acaba atribuindo maior objectividade ao trabalho e por conseguinte
facilita o processo de interpretação e conclusão que se poderá atribuir ao
mesmo.

Em função da explanação acima apresentada, formou-se a seguinte


pergunta de partida:

Quais são os factores que motivam a fuga a paternidade no Bairro


Regedoria?

Objectivos do estudo

Objectivo Geral:
Apresentar os factores associados a fuga a paternidade no Bairro da
Regedoria / Sanzala.

Objectivos específicos:

(1) Construir um referencial teórico sobre os factores associados a fuga a


paternidade no bairro regedoria na Sanzala;

(2) Compreender os factores originadores da fuga a paternidade;

(3) Identificar as causas relevantes da fuga a paternidade;

2
(4) Recolher e tratar os dados para fundamentar a abordagem empírica.

Importância do estudo

Percebe-se desta forma que o tema que agora se apresenta é bastante


actual, uma vez que a fuga a paternidade não constitui uma novidade, pois que
este fenómeno social é também um dos originários das famílias monoparentais
e outras espécies que não sejam a família nuclear.

Falar sobre está temática, é demonstrar o que pude aprender em síntese


durante os 5 anos de formação, e também por ser um fenómeno com o qual
vivo todos os dias no desempenho da minha profissão, pois que como
professora lido com estudantes que estão a vivenciar esta triste realidade.
Sendo assim tomei por importante realizar está abordagem.

Delimitação do estudo

O nosso estudo está delimitado a fazer uma abordagem sobre os Factores


Associados a Fuga a Paternidade, o estudo será realizado no Bairro Regedoria/
Sanzala – Viana.

Definição dos Conceitos

a) Família:

Segundo Minuchin (1985, p. 35), “a família é um complexo sistema de


organização, com crenças, valores e práticas desenvolvidas ligadas
directamente às transformações da sociedade, em busca da melhor adaptação
possível para a sobrevivência de seus membros e da instituição como um
todo”. O sistema familiar muda à medida que a sociedade muda, e todos os
seus membros podem ser afectados por pressões interna e externa, fazendo que
ela se modifique com a finalidade de assegurar a continuidade e o crescimento
psicossocial de seus membros.
3
b) Pai

De acordo Cury (2003, p.35), “Pai: compreende-se aquele que ensina


aos seus filhos a fazer do palco da sua mente um teatro de alegria, e não um
palco de terror”.

c) Paternidade

Segundo Cury (2003, P.36). “A paternidade dá-se pela ancestralidade


biológica (isto é, a partir da fertilização), proveniente do casamento, da
união estável e/ou da relação monoparental como estado de parentesco.
Ainda há também a possibilidade legal de paternidade a partir da adoção ou
técnicas de reprodução assistida.”

d) Fuga

“S.f. Ação ou efeito de fugir. Saída ou retirada feita à pressa, para


escapar a alguém ou a algum perigo; evasão; debandada”. (Dicionário
Online de Português, disponível em: http://www.dicio.com.br/fuga/, acessado
aos 11 de maio de 2016, as 09:54)

4
5
CAPÍTULO I - FUNDAMENTAÇÃO TÉCNICO /
CIENTÍFICO

1.1. Abordagem Histórica Sobre a Família

A família é um termo provindo do Latim que, Blenveniste, (1969, p.45) que


originalmente designa:

O conjunto dos famule, isto é, os servidores vivendo num mesmo


lar, ou o termo Latim fâmulos que significa escravo doméstico, ou
seja, a família era definido como grupo doméstico, criado na Roma
Antiga. Surgiu entre as tribos latinas ao introduzir a agricultura e
escravidão.

O termo foi-se pouco a pouco esvaziando do seu conteúdo inicial para


designar o comunicado do marido e da mulher, a comunidade do senhor e do
escravo. A Responsabilidade da Família na Educação dos filhos estudo de caso em
Famílias Monoparentais. Segundo Morreira (2001, p.34):

No passado a mulher era comandada pelo homem. Elas não tinham


qualquer poder de decidir pelos seus actos, tinham de ser submissas
ao marido. Com a evolução da história familiar, a mulher ganhou a
liberdade em tudo igualmente ao homem. Com as mudanças
democráticas, as mulheres começaram a sair de casa e integrar na
população activa, e a educação dos filhos passou a ser dirigida
pelas escolas.

Portanto na óptica do autor, nos tempos anteriores os homens tinham grande


domínio sobre as mulheres, em que todas as suas vontades ou desejos estavam nas
decisões dos maridos. Agora podemos dizer que devidas as mudanças, houve
alterações. A mulher ganhou a liberdade de escolha igualmente ao homem, ou seja,
já não são os homens que decidem pelas mulheres mas elas têm o direito de fazer as
suas escolhas.

Segundo Giddens (2000, p. 12), “a família nuclear é das famílias mais


antigas. Os agregados familiares pré-modernos eram de um tamanho maior, mas a
diferença não é significativamente grande”. Os grupos de família extensa eram

6
mais importantes na Europa de Leste e na Ásia. Na idade moderna as crianças, a
partir dos sete ou oito anos de idade, trabalhavam habitualmente, ajudando os seus
pais na quinta. Aqueles que não ajudavam na produção doméstica deixavam
frequentemente os lares paternos muito novos para servirem na casa de outros. Só
raramente voltavam a ver os seus pais.

1.1.1. Conceito de Família

O conceito de família não é único uma vez que existem diferentes definições.
Podemos apresentar algumas na perspectiva de alguns autores. Para Maia (2002, p.
161) “ a família costuma designar, geralmente, o conjunto de pessoas que vivem
sob o mesmo tecto ou como o conjunto das sucessivas gerações descendentes dos
mesmos antepassados”. Maia explica a família como um grupo de pessoas que
vivem juntas na mesma casa, da mesma geração ou descendentes de gerações
passadas, mas que convivem cada dia. Podemos dizer que nem sempre a família é o
grupo de pessoas da mesma geração, porque encontramos na nossa sociedade grupo
de pessoas que vive na mesma casa que consideram família mas não são da mesma
geração. Para Maxler e Misler apud Maia (2002, p. 45):

A família define-se como um grupo primário, um grupo de


convivência inter-geracional com relações de parentesco e com
uma experiência de intimidade que se prolonga no tempo. Neste
contexto, a família está ligado ao parentesco quando trata de
membros mais próximo, ou seja, quando os membros da família
ligam pela via de sangue comum, que permite ganhar a
personalidade dos antepassados.

A família é o grupo primário, porque é nela que os filhos começam a


desenvolver o processo corporal, físico e intelectual, bem como a aprender as
primeiras palavras e os primeiros gestos. Ela permite a autoconfiança de um ser
inocente e indecisivo. Faz com que os filhos convivam com os membros do
agregado familiar e sintam que estão aconchegados. Os filhos têm toda a liberdade
de expor as suas ideias, dialogando na busca de conhecimentos para se integrarem
na sociedade.

Burgess (1979, p. 678) define a família como:


7
Uma unidade de pessoas em interacção. O termo unidade reporta-
se a uma realidade que vai para além das individualidades e dos
laços biológico ou legais, pois constitui uma superpersonalidade
crescendo e evoluindo através do tempo, constituindo o contexto
próximo, nem físico nem sociológico mas interactivo, onde o
indivíduo se desenvolve.

O grupo familiar, em muitos casos, está unido para desenvolver mutuamente


e executar as suas tarefas. Quando a família estiver unida consegue controlar e
orientar os seus membros, consegue administrar todos os problemas e dificuldades
familiares. A unidade aqui é a base para o sucesso familiar sem deixar de lado a sua
função de orientador, responsável pela educação dos filhos.

A família é um grupo de pessoas unidas directamente por laços de


parentesco, no qual os adultos assumem a responsabilidade de cuidar das crianças”.
Os laços de parentesco são relações entre indivíduos estabelecidos através do
casamento ou por meio de linhas de descendência que ligam familiares
consanguíneos (mães, pais, filhos e filhas, avós, etc).

Na maioria da nossa sociedade, de facto são os membros adultos de uma


família, que assumem as responsabilidades sobre o cuidar dos filhos. Os filhos
precisam desse cuidado para desenvolverem mentalmente e fisicamente. Para
Murdock apud Brandão (1984, p.45), “a família é o grupo caracterizado pela
residência comum e pela cooperação de adultos de ambos os sexos e dos filhos que
lhe geraram ou adoptaram”.

De facto, qualquer família necessita de um lugar para habitar. Os membros


de uma família necessitam de um lar para conviver e executar todas as suas
necessidades pessoais. A família tem por dever ter uma habitação para proteger os
seus membros.

A família é um conjunto de indivíduos aparentados ligados por uma aliança,


casamento, ou por filiação, ou ainda e mais excepcionalmente pela adopção
parentesco, que viveu sob um mesmo facto (coabitação). “Muitos homens e
mulheres unem-se a partir do momento que esses tomam a decisão de se casarem.
Assim facilmente constrói a sua família com um conjunto de pessoas.
8
Para Bourdieu, a família é o conjunto de pessoas casado ou não, com filho ou
sem filho, mas relacionam mutualmente e vive na mesma casa. Segundo o mesmo,
muitos homens e mulheres consideram que a família começa a partir do casamento,
quando o número de pessoas é maior. A família é entendida como corpo
institucionalizado onde, através de relações de cooperação estabelecida, se faz a
socialização dos seus membros".

Pode-se afirmar, a partir do pensamento de Andrade, que a família aparece


como primeiro agente de socialização, porque é ela o primordial da aprendizagem
dos filhos. É na família que os filhos começam a aprender a desenvolver por si só
para relacionar com os membros da sociedade.

De acordo com a ideia de Gomes, (1995,P.55), "sem recusar muitas das


missões e papéis que a evolução social lhe vai atribuindo, a família é, antes de
mais, o lugar de construção da personalidade, o local onde o homem reflecte sobre
a experiência vivida e se reconstrói a si próprio".

Tomando o pensamento de Gomes, consideramos a família como o lugar


onde o indivíduo constrói a sua pessoa no dia-a-dia, modifica a sua personalidade e
ganha qualidades negativos ou positivos e pensa no seu futuro.

Segundo Lamas (1998, P.29), “a família de facto é a escola do mais rico


humanismo, nela criam-se as múltiplas relações pessoais, que constituem a
verdadeira medida do desenvolvimento de uma personalidade.”

De acordo com o pensamento de Lamas a família é vista como uma escola,


porque nela todos têm a oportunidade de aprender as primeiras matérias para o
desenvolvimento pessoal. A família tem o lugar de instrutor na vida do indivíduo,
instruindo-o no caminho que deve prosseguir ao longo do seu desenvolvimento até
a idade em que responde pelos seus actos.

1.1.2. Tipos de Família


Existem diferentes tipos de famílias e de acordo com a situação que o homem
e a mulher vivem juntamente com os filhos, ou nalguns casos sem filhos. Vamos
9
destacar os que mais predominam na sociedade actual.

Família Nuclear: Para Gimeno (2001, p. 43), “família nuclear é um


termo que estabelece limites mais apertados e definidos, onde se incluem
pais e filhos, que convivem no lar familiar sem outros parentes.”

Gimeno aposta na ideia da família nuclear ter limites e viver nela pais e
filhos para conviver. Ele exclui outros tipos de parentelas. Pode-se notar que,
actualmente, existe famílias numerosas, que inclui avós, sobrinhos (as), primos (as),
entre outros agregados não mencionados.

Família Monoparental: Os agregados familiares têm-se tornado cada


vez mais comuns nas últimas três décadas. Todavia muitas das famílias
monoparentais são produzidos por divórcio ou pela separação por parte do
homem.

Esta expressão (família monoparental) está a referir aos lares que não têm
duas pessoas (pai e mãe) a responsabilizar pela família, mas uma só cuidando dos
filhos. Como refere Lefacheur apud Lamas (1998, p.23), “o termo monoparental,
que a sociologia feminista foi buscar Anglo-Secção one parent-family, veio
substituir o termo da família em risco ou famílias marginais”.
Família Alargada ou Extensa: De acordo com o pensamento de
Giddens (2000, p.11),
A família extensa pode ser definida como um grupo de três ou mais
gerações que vive na mesma habitação ou muito próximo umas das
outras. Pode incluir avós, irmãos e as suas mulheres, irmãs e os
seus maridos, tias, tios, sobrinhos e sobrinhas.

Família Reconstruída: A família reconstruída é designada também


como família recomposta. Ela é uma família que compreende um pai sem ou
com os filhos, que surgiu de um matrimónio ou coabitação, que poderá
também ter tido uma união com filhos ou sem filhos. A segunda união pode
decorrer seguida de divórcio ou fim de uma coabitação.

Segundo Segalen apud Giddens (2000, p.23):


10
A família reconstruída ou recomposta designa a situação pós
divórcio. Quando o casal se encontra multiplicado por dois,
dispondo então os filhos de dois lares diferentes, aquele onde
residem com o progenitor dita isolados e aquele onde reside outro
progenitor.

1.1.3. Função da Família


A família desempenha funções de extrema importância na vida do seu
membro. Qualquer família desempenha um conjunto de funções para poder
desenvolver e progredir. Podemos destacar algumas funções das famílias, tais
como:

(1) Proteger e socializar os seus membros, respondendo às suas necessidades;


(2) Tem a responsabilidade de responder as necessidades dos seus membros;
(3) São geradores de afecto entre os membros;
(4) Proporciona segurança e aceitação pessoal, bem como a satisfação e
sentimento de utilidade através de actividade que satisfazem as famílias;
(5) É proporcionadora de relações duradoura entre os familiares;
(6) Impõe a autoridade e sentimento do que é correcto através de normas e
regras;
(7) Tem a função de proteger a saúde dos seus construtores em situação de
doença;
(8) Dar apoio emocional para resolução dos problemas e conflitos;
(9) Tem a função, ainda, de proteger e ensinar a criança.

Segundo o sociólogo americano Parsons apud Giddens (2001, p. 146), as duas


grandes funções desempenhadas pela família são: “a socialização primária e a
estabilização da personalidade.

A socialização primária é o processo através do qual a criança apreende as


normas culturais da sociedade onde nasce.

De acordo Giddens (2001, p.177):

“A estabilização da personalidade entende o papel desempenhado


11
pela família na assistência emocional aos membros adultos da
família. O casamento entre homens e mulheres adultos é o
dispositivo através da qual a personalidade dos adultos é suportada
e mantida a um nível saudável”

Já Rodrigo e Palácios (1998, p. 90) destacam quatro funções que consideram ser
básicas para as famílias:

 Assegurar a sobrevivência dos filhos, seu crescimento e sua socialização nas


condutas básicas de comunicação, diálogo e simbolização.
 Aportar aos seus filhos um clima de afecto e apoio sem os quais o seu
desenvolvimento não seria possível. O clima de apoio remete para o eixo de
que constitui um ponto de referência psicológico das crianças em fase de
crescimento.
 Aportar aos filhos a estimulação que faça deles seres com capacidade para se
relacionar de modo competente com o seu ambiente físico e social, assim
como para responder às demandas e exigências do seu mundo de vivência.
 Tomar decisões com respeito à abertura face a outros contextos educativos
que vão compartilhar com a família a tarefa de educação das crianças.

Segundo Grácio (1995,p.99):

A família, enquanto sistema social, "deve cumprir as suas funções e


atingir metas necessárias de uma organização interna e de uma
distribuição de papéis, de entre os quais surgem, naturalmente, a
liderança. Os sociólogos atribuem a instituição familiar as funções
de, saber procriadora, alimentar, protectora e educativo. Na função
de procriadora, a família tem por obrigação de criar os filhos. Hoje,
os pais pretendem dar aos seus filhos uma preparação superior,
geralmente, aquela que eles próprios receberam ou poderiam ter
recebido.

A função alimentar permite o sustento e garante a satisfação de necessidades


vitais como nutrição, vestuário e abrigo. A função de protectora permite a família a
protecção, sobretudo, das crianças com o abrigo, alimento, saúde e vestuário. A
criança apresenta nos primeiros anos de vida com indefesa, incapaz de sobreviver
sem a protecção do adulto. Por último, a função educativa consiste na
responsabilidade dos pais em ajudar a criança a se desenvolver. As crianças

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recebem a primeira educação dos seus pais.

Baseando em todas essas funções, pode-se verificar que a família tem um


conjunto de papéis perante os filhos para a formação e o desenvolvimento da
personalidade deles, ainda que os membros passem por uma série de grupos socias.

1.2. Factores Associados a Fuga a Paternidade

A função paterna sempre esteve vinculada a ideia de sustento, de autoridade


sobre os demais componentes da família, situação que perdurou até o
reconhecimento da igualdade entre homens e mulheres. Mas, apesar dessa igualdade
é a figura que ainda traduz a sensação de segurança, protecção, e acolhimento. Na
identificação de tais elementos se tem presente a afectividade, consagrada
indispensável para o desenvolvimento saudável dos filhos, desde o início de sua
existência.

Ao assumir a paternidade o pai deve se responsabilizar pela vida do filho


desempenhando seu papel de maneira a transmitir toda a segurança que o filho
requer.

Nesse ponto, Pereira e Silva, (2006) apud Alves (2002) destaca:

É fácil pensar na imagem de um pai conduzindo seu filho à escola, segurando-o


pela mão. O filho, confiante, irradia segurança ao ser conduzido seguramente
pelo pai, certo de que nada de mau lhe poderá acontecer. Fundem-se nessa
imagem e segurança, a direcção e o acompanhamento do pai, para o filho que o
observa no dia-a-dia, referência e exemplo.

Em síntese, importa destacar que o afecto paternal é o maior bem que um filho
pode receber de seu pai, o qual se traduz em compreensão, carinho, respeito, capaz
de propiciar ao filho o direito de conhecer, conviver, amar e ser amado, de ser
cuidado, alimentado, e de aprender no colo do pai, lições de vida, sob as quais
poderá alicerçar o seu futuro.

O afecto, assim praticado pelo pai é capaz de contribuir para o


desenvolvimento do ser humano, o respeitando em sua dignidade. Várias podem ser

13
as demonstrações do afecto paternal, que na maioria das vezes podem estar
representadas por pequenos gestos, mas de significativa importância.

Em apropriada síntese, Giselda (2005, p.16) declara que a questão do afecto é


compreendida em muitas vezes através de letras anónimas que tratam do tema,
assinalando em sua transcrição o texto simploriamente denominado nó de Afecto:

«Em uma reunião de pais numa escola da periferia, a directora ressaltava o


apoio que os pais devem dar aos filhos. Pedia-lhes, também, que se fizessem
presentes o máximo de tempo possível. Ela entendia que, embora a maioria dos
pais e mães daquela comunidade trabalhasse fora, deveria achar um tempinho
para se dedicar e entender as crianças. Mas a directora ficou muito surpresa
quando um pai se levantou e explicou, com seu jeito humilde, que ele não tinha
tempo de falar com o filho, nem de vê-lo durante a semana. Quando ele saía
para trabalhar era muito cedo e o filho ainda estava dormindo. Quando voltava
do serviço era muito tarde e o garoto não estava mais acordado. Explicou,
ainda, que tinha de trabalhar assim para prover o sustento da família. Mas ele
contou, também, que isso o deixava angustiado por não ter tempo para o filho e
que tentava se redimir indo beijá-lo todas as noites quando chegava em casa. E,
para que o filho soubesse da sua presença, ele dava um nó na ponta do lençol
que o cobria».

Isso acontecia religiosamente todas as noites quando ia beijá-lo. Quando o


filho acordava e via o nó, sabia, através dele, que o pai tinha estado ali e o havia
beijado. O nó era o meio de comunicação entre eles. A directora ficou emocionada
com aquela singela história. E ficou surpresa quando constatou que o filho desse pai
era um dos melhores alunos da escola. O facto nos faz reflectir sobre as muitas
maneiras das pessoas se fazerem presentes, de se comunicarem com os outros.
Aquele pai encontrou a sua, que era simples, mas eficiente.

Com efeito, cumpre ressaltar que o afecto paternal tem fundamental


importância nas relações familiares, posto que conforme já dito, com a nova ordem
constitucional o legislador consagrou a família como base da sociedade. Portanto, a
figura paterna ao desempenhar o seu papel tendo como alicerce o princípio da
afectividade no seu relacionamento paterno – filial, estará contribuindo para que se
tenha uma sociedade fortalecida. Tal conclusão advém do facto de que o homem ao
nascer tem seu primeiro contacto com a família, na qual irá desenvolver a sua vida,

14
a sua auto - estima, ocasiões em que será imprescindível a demonstração pelos seus
pais de quanto é amada e querida.

No iniciar da vida humana o filho descobrirá o seu valor a partir do valor que
os outros lhe atribuírem. Se o pai negar afecto àquele que representa a sua própria
continuação, tratando o como um ser insignificante, isso certamente o fará sentir-se
desvalorizado e desmotivado para a vida. Com efeito, a função de pai é algo que
não termina com a geração da vida humana, ao contrário deve se iniciar a partir daí,
com um projecto alicerçado nos laços do afecto. Williams, Aiello, (2005) apud
Feldman e Klein (2003):

Em relação à importância do pai para o desenvolvimento social dos filhos,


Feldman e Klein (2003) estudaram a relação pai/mãe-bebé, no momento em
que as crianças estavam aprendendo a andar [...]. Os objectivos desse estudo
foram os de verificar o grau se segurança que as crianças tinham em ambos os
pais ao apreender a andar, sendo que as informações foram obtidas por meio da
observação de situações entre ambos os pais e a criança. Os resultados
mostram que o pai foi significativamente mais sensível (mais caloroso e
disciplinado) na interacção quando a criança era do sexo feminino e, o pai
oferecia maior liberdade para a criança andar do que a mãe.

As crianças mostraram-se mais seguras e envolvidas mais emocionalmente


com o pai do que com a mãe. Esses pesquisadores concluíram que o pai foi um
importante agente. Destarte, passamos em linhas gerais examinar os danos
consequentes da ausência em razão da ausência do afecto paterno – filial.

1.2.1. As Consequências da Ausência do Afecto


Paterno-Filial

Com o rompimento da estrutura patriarcal, a definição dos papéis dos


membros de uma família, que claramente demarcava os lugares de pai, mãe e filhos,
sofreram profundas mudanças, que culminaram em graves consequências na
formação das famílias actuais.

Dentre essas consequências se destaca a reestruturação da pessoa masculina,


pelo provável declínio em sua vinculação com a paternidade, configurando dessa
maneira, uma crise na relação paterno – filial.
15
Analisando a figura paterna, salienta Rodrigo da Cunha Pereira (1999,p.1):

Sua função básica, estruturadora e estruturante do filho como sujeito, está


passando por um momento histórico de transição, onde os varões não assumem
ou reconhecem para si o direito/dever de participar da formação, convivência
afectiva e desenvolvimento de seus filhos. Por ex: o pai solteiro, ou separado,
que só é pai em fins-de-semana, ou nem isso, mesmo casado, que não tem
tempo para seus filhos; o pai que não paga ou boicota pensão alimentícia e nem
se preocupa ou deseja ocupar-se com isto; o pai que não reconhece seu filho e
não lhe dá o seu sobrenome na certidão de nascimento.

Evidencia-se que a ausência do pai tem ocasionado graves consequências na


estruturação psíquica dos filhos, repercutindo por conseguinte, nas relações sociais,
o que pode ser constatado com o aumento da delinquência infantil, dos menores de
rua, etc.

Cumpre salientar, que o abandono material não é o pior, pois encontra tutela
no Direito que tipifica como crime o abandono material e intelectual, além de
estabelecer prisão para os devedores de pensão alimentícia. Portanto, a situação
mais grave gira em torno do abandono psíquico e afectivo do pai, que com essa
conduta imprópria ao invés de proteger o filho colocando-o a salvo de situações que
lhe possam ser danosas, acabam sendo os próprios causadores desses danos.

De acordo com Cia; Williams; Aiello, (2005. P.67). “Os problemas


comportamentais apresentados na pré-escola, decorrentes da ausência paterna,
podem acarretar em uma variedade de resultados negativos na idade escolar e na
adolescência, incluindo baixo rendimento académico, aumento de ausência nas
aulas, aumento do risco de envolvimento com drogas, pouco relacionamento com
os pares, depressão, ansiedade, labilidade emocional e a externalização de
comportamentos problemas”. Quando não corrigidos esses problemas continuarão
exercendo uma influência negativa na fase adulta.

Do exposto, pode se concluir que a ausência do afecto paternal implica na


desestrutura do próprio Estado, posto que a família quando fortalecida o Estado
prospera, quando fragilizada, ocorre a decadência.

16
1.2.2. A Fuga a Paternidade em Angola

O índice elevado de casos de fuga à paternidade e de violência doméstica que


se regista um pouco por toda província de Luanda tem a ver com a falta de
entendimento dos casais nos lares e não só, afirmou ontem (quinta-feira), em
Luanda, a directora provincial do Ministério da Família e Promoção da Mulher,
Genoveva Lino.

Em declarações à Angop sobre o assunto, a responsável atribuiu a falta de


entendimento e diálogo, bem como questões de carácter social e económicas como
algumas das principais causas que estão na base da situação.

Como disse, estes problemas resumem-se particularmente na falta de


incumprimento de pensão, abandono dos lares por parte dos pais, questionamento
da paternidade dos filhos após nascença, interferência familiar, entre outros
factores.

Adiantou que a nível de Luanda todos os casos notificados pela sua direcção e
que de um certo modo carecem de resolução imediata e em fóruns judiciais
competentes encontram-se já sob alçada dos órgãos policiais e judiciais para
averiguação e posterior resolução.

Segundo Genoveva Lino, a maioria dos casos envolvem recém-nascidos,


crianças do zero aos 16 anos de idade, bem como aquelas com má-formação
congénita e outros males.

A directora fez questão de sublinhar que todos estes casos têm merecido a
atenção e seguimento da instituição que dirige e não só, mas também
reconheceu que outros tantos casos se registam um pouco por toda província
sem o devido conhecimento das instâncias afim, por incapacidade ou
conhecimento das vítimas na sua tramitação devida.

Instado a pronunciar-se sobre o caso recente do suicídio ocorrido no Prédio


Sujo do Marçal, a directora do MINFAMU de Luanda disse não ter dados que a
17
permitam fazer um juízo sobre o assunto, remetendo o caso às instâncias policiais
que já trabalham no assunto.

A responsável fez apenas questões de referir que a questão em causa é mais


uma das que acontecem na capital do país, que lamentavelmente envolvem
mulheres socialmente carenciadas e que vêm no suicídio a melhor forma de por fim
a um sofrimento que as vezes não são imputadas apenas a ela, mas a outras pessoas
ou quiçá mesmo à sociedade. (Disponível em:
http://www.angonoticias.com/Artigos/item/19049/fuga-a-paternidade-deve-se-a-
falta-de-entendimento-entre-os-casais, visitado aos 30 de Maio de 2017, às 13:00.)

1.2.3. Pai Angolano Sobrecarrega a Mulher, diz Simão


Helena.

Em alusão ao dia 19 de Março, um dia dedicado a todos os pais. Aos


progenitores e àqueles que, embora não sejam pais biológicos, criam e dão amor e
bases para que a criança cresça e siga um bom caminho. É igualmente um dia
dedicado às mães solteiras, separadas, casadas ou em situação semelhante que
assumem o duplo papel de pai e mãe.

Falando por ocasião a data, o Sociólogo Simão Helena, considera que o pai
angolano é muito ausente e sobrecarrega a mulher, ou seja, a mãe de seus filhos.

“Para dar um exemplo, e porque estamos no mês da mulher, além das


inúmeras tarefas que a mulher tem, isto é, de mãe, funcionária pública ou privada,
esposa, dona de casa... Ainda é ela que acompanha os filhos; que controla se eles
fizeram ou não o dever que o professor mandou, etc. O pai chega a casa, senta-se
diante da televisão, levanta-se para comer, depois contínua em frente à televisão até
à hora de ir para a cama”, disse.

Apelou os pais para que se façam sentir mais presentes e compartilhem as


tarefas em casa, com as esposas.

18
Simão Helena estabeleceu igualmente uma diferença entre pai e progenitor.
Para ele, pai é aquele que cumpre com o seu papel social, ou seja, que depois de
gerar a criança, educa, dá formação, o pão, o leite e a fralda. “Pai é aquele que
acompanha, que é presente”, afirmou.

De acordo com o sociólogo, a ausência de um pai amputa a educação da


criança, na medida em que a mesma deve ser dada em termos equilibrados.

“O afecto, carinho e atenção não devem ser sentidos apenas de um dos lados.
Por natureza, os filhos têm tendência a receber mais carinho e mais atenção das
mães. A ligação com a mãe é sempre mais forte porque a mãe tem um dom, uma
vocação natural para dar carinho e tratar dos filhos”, considerou.

Acrescentou que, por norma, as crianças que crescem num lar sem pai tendem
a uma certa insubordinação, ouvem pouco e não estão habituadas à voz masculina.
“Às vezes tornam-se mimadas. A mãe, por ausência do pai, tende a tornar o filho na
sua pérola. Confunde o mimo, o afecto e o carinho com a educação necessária,
obrigatória e rigorosa. Normalmente o pai é o rígido, o que põe a batina de juiz no
lar. E esse papel é importante para que o menino tenha uma educação equilibrada”.

Na opinião do sociólogo, é necessário que, do ponto de vista jurídico exista


uma norma que responsabilize todos os pais irresponsáveis. “Para que todo o pai
que não se responsabilize pelos seus filhos seja severamente punido.

Porque agora temos muitos pais precoces e irresponsáveis”, sugeriu.


(Disponível em: http://www.angonoticias.com/Artigos/item/17669/pai-angolano-
sobrecarrega-a-mulher-diz-simao-helena. Acessado em 25 de Maio de 2017 às
11:00).

1.2.4. Índice de Fuga a Paternidade Segundo o INAC

A directora do Instituto Nacional da Criança (INAC), Ruth Madalena


Mixinge, disse que a fuga à paternidade está a preocupar a sociedade e é preciso

19
sensibilizar os pais para assumirem as suas responsabilidades enquanto educadores,
informou o Novo Jornal.

Cinquenta por cento dos casos registados pelo Instituto Nacional da Criança
(INAC), em Luanda, em relação à fuga à paternidade, estão relacionados com a
falta de pagamento da pensão de alimentos, revelou a directora provincial da
instituição, Ana Silva.

Mensalmente, o (INAC) regista, em Luanda, uma média de trinta casos de


fuga à paternidade e de pagamento da pensão de alimentos. A título ilustrativo, em
Janeiro deste ano, o INAC registou 35 casos, a maioria dos quais ligados à fuga à
paternidade.

A responsável frisou ainda que este fenómeno pode também ser caracterizado
como violência económica porque implica a herança e outras questões patrimoniais.
A fuga à paternidade tem sido uma constante, não só pela falta de prestação de
alimentos, devido ao abandono das crianças, mas também, por negligência e maus-
tratos esclareceram Ruth Madalena Mixinge.

A responsável do (INAC) apontou as províncias de Luanda, Benguela, Uíge e


Moxico como sendo as que mais casos de violência e violação a menores registam.
Há registo de que a principal causa da fuga à paternidade em Angola prende-se com
acusações de feitiçaria.

Muitas crianças acusadas de feitiçaria não aguentam os maus-tratos dos pais,


abandonam os seus lares e preferem viver nas ruas. “Temos algumas províncias
críticas, onde os números em termos de violação, ou violência, são altos. Falamos
da província de Luanda, que é a mais problemática e onde a população infantil é
maior. Mas também na província de Benguela, Uíge e Moxico”, informou.

“No entanto, são acções que nos levam a aconselhar todos os dias e a apelar à
consciência das pessoas que as crianças não pediram para vir ao mundo. Muitas

20
vieram de forma voluntária e outras, se calhar, não, mas já que estão aqui, são seres
humanos, têm a sua dignidade e direito à vida”, sublinhou.

1.2.5. Responsabilidades

A directora do (INAC) salientou que a legislação consagra que o Estado deve


apoiar as famílias, mas estas também têm a sua responsabilidade que devem assumir
por inteiro. Apontou o desemprego, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e os
conflitos familiares como os principais factores na base dos casos de fuga à
paternidade e o não pagamento da pensão de alimentos. Actos que constituem uma
infracção à Lei Contra a Violência Doméstica.

Ana Silva referiu que o (INAC), como instituição de defesa dos direitos da
criança, procura sempre resolver a situação da melhor maneira, apelando ao bom
senso dos pais. Caso a situação seja de difícil resolução, o processo é encaminhado
para os tribunais.

“Ser pai ou mãe não significa apenas gerar filhos, mas é saber instruir, educar,
garantir saúde, habitação e alimentação aos menores até atingirem, pelo menos, a
maioridade, ou seja os 18 anos”, salientou. Os maus-tratos e a discriminação são os
factores principais que levam muitas crianças de Luanda a abandonarem as suas
casas para viverem em lares de acolhimento. (Disponível em:
http://www.redeangola.info/fuga-a-paternidade-preocupa/, acessado em 01
Novembro de 2014, às 7:00).

1.3. Teoria Funcionalista


A colocação da teoria do funcionalismo na monografia que é apresentada,
deve-se ao facto que o mesmo desenrolo é uma realidade que se dá dentro de uma
sociedade funcional, onde por um lado tem deveres a cumprir e por outro tem
necessidades que precisam ser satisfeitas, e para o nosso estudo a necessidade em
realce é no entanto a maior coesão no seio da família, de modos a se evitar o
fenómeno da fuga a paternidade.

21
De acordo com Durkheim apud Aron (2004,p. 45):
O objecto primordial da Sociologia são os fatos sociais. Estes possuem três
características: coerção, exteriorização dos fatos sociais ao indivíduo e a
generalidade do fato social. A coerção é a força que os fatos sociais exercem
sobre os indivíduos, onde este deve se conformar com as regras que a
sociedade lhe impõe, quando o indivíduo tentar se livrar dessa coerção esta
fica evidente através de sanções que podem ser espontâneas e legais. Em
que sanções legais seriam as leis, pois através delas são estabelecem
infracções e penalidades, espontâneas quando há uma ofensa ao grupo social
e este penaliza o agressor.

Émile Durkheim é apontado como um dos primeiros grandes teóricos da


Sociologia, onde busca definir o objecto, o método e suas aplicações.

De acordo com Aron, (2007.p.67) revela que:


A exteriorização dos factos sociais aos indivíduos ocorre, pois estes existem
e actuam sobre os indivíduos independente de suas vontades e escolhas
conscientes, são os costumes, leis que já estão presentes na sociedade desde
o nascimento do ser sendo impostas através da educação (formal e informal)
ao indivíduo em sociedade.” A generalidade consiste em que todos os factos
sociais é um facto geral, ou seja, que se repetem nos indivíduos como as
questões de moradia, comunicação, sentimentos e a moralidade.

Durkheim acredita na objectividade dos factos sociais, pois o pesquisador ao


analisar uma sociedade em questão deve manter uma certa distância de seu objecto,
ocorrendo com isso a neutralidade científica que expulsa toda e qualquer tipo de
subjectividade dos cientistas social com relação aos fatos que deve ser vistos como
coisas e, a partir disso, mensurar e observar a realidade social em questão. A
sociedade é vista como um organismo em adaptação onde buscava-se encontrar
soluções para a vida social, pois esta apresenta estados normais e patológicos.

Segundo Costa, (1997, p.34):


Um facto social normal é aquele que se encontra generalizado na sociedade
desempenhado papel importante na adaptação e evolução dessa. O crime,
por exemplo, é um fato social tido como normal, pois é encontrado em todas
as sociedades, integrando as pessoas do grupo social através de uma conduta
de valor moral que busca punir o comportamento errado. “Os factos sociais
patológicos são os que estão fora dos limites permitidos pela ordem e pela
moral da sociedade, são doenças que põe em risco a harmonia do grupo e
são vistos como transitórios e passageiros.

22
Durkheim acreditava que apesar de existir uma consciência individual que dá
a forma aos indivíduos pensarem e interpretarem a vida, dentro dos grupos sociais o
que prevalece é a consciência colectiva, ou seja, o conjunto de crenças e
sentimentos de uma mesma sociedade, sendo a forma da moral em vigência, com
isso, em sociedade define-se o que criminoso, imoral e reprovável, através da
consciência colectiva, por exemplo.

Aron, (2007, p.36) revela que:

Durkheim como homem de seu tempo, movido por ideias evolucionistas


entende a sociedade como um todo harmónico, em que não deveria haver
contradições, onde as transformações aconteceriam de forma linear (indo de
formas inferiores à superiores) acompanhando a adaptação e evolução das
sociedades, já que qualquer forma de ruptura era vista como um estado
doente ou patológico dos fatos sociais, buscou a neutralidade cientifica,
contudo criticas devem ser feitas as suas análises pois devemos entender de
por serem históricas as sociedades são diferentes pela constituição de seus
processos históricos específicos.

Não existem sociedades ou culturas superiores e inferiores apenas diferentes,


além de não haver neutralidade cientifica, pois o homem não consegue se dissociar
de sua subjectividade e por ultimo em acreditar que os fatos sociais são exteriores
aos indivíduos deixando estes apenas em estado contemplativo e passivo no viver
em sociedade, tirando com isso, seu carácter de sujeito histórico que condiciona e é
condicionado pelos fatos intervindo em seu processo cotidiano de viver, sendo com
isso transformador e transformado pelos fatos sociais.

1.4. Abordagem do Interaccionismo Simbólico

As relações humanas são feitas por meio da interacção, que é representada


pelas características e representações pelas quais os homens se utilizam, é neste
sentido que vimos ser de extrema importância relacionar esta teoria com o
desenrolo do trabalho.

Costa, (1997, p.34) afirma que:


O interaccionismo simbólico é uma abordagem sociológica das relações
humanas que considera de suma importância a influência, na interacção
23
social, dos significados bem particulares trazidos pelo indivíduo à
interacção, assim como os significados bastante particulares que ele obtém a
partir dessa interacção sob sua interpretação pessoal. Originada na Escola de
Chicago, essa abordagem é especialmente relevante
na microssociologia e psicologia social.

O interaccionismo simbólico não se limita a essa interpretação.


Segundo a proposição de Hegel, por exemplo, e de outros filósofos que
escreveram sobre a linguagem, o mundo simbólico só se constrói por meio
da interacção entre duas ou mais pessoas e, portanto, o simbolismo não é
resultado de interacção do sujeito consigo ou mesmo de sua interacção com
um simples objecto.

Farr, (2008, p. 567) revela que: “apesar de ser um sentido individual e uma
base para todos e quaisquer sentidos que cada um dá às suas próprias acções, ela
é fundada nas interacções do indivíduo, ou naquilo que o “eu” faz sendo regulado
pelo que "nós" construímos socialmente”. Essa escola se originou
no pragmatismo americano e particularmente no trabalho de George Herbert Mead,
que demonstrou que os egos (self) das pessoas são produtos sociais, sem deixar de
ser propositados e criativos. Outros pioneiros na área foram Herbert
Blumer e Charles Cooley. Blumer, um estudioso e intérprete de Mead, e criador do
termo "interaccionismo simbólico", pôs em evidência as principais perspectivas
dessa abordagem: as pessoas agem em relação às coisas baseando-se no significado
que essas coisas tenham para elas; e esses significados são resultantes da sua
interacção social e modificados por sua interpretação.

Farr, (2008, p. 568) revela que:

Sociólogos que trabalham nessa linha pesquisaram uma extensiva gama de


tópicos utilizando uma variedade de métodos de investigação. Entretanto, a
maioria das pesquisas de integracionistas utiliza métodos de pesquisa
qualitativa, como observação participante, para estudar aspectos da
interacção social e/ou self (individualidade).

24
As áreas da sociologia que foram mais influenciadas pelo interaccionismo
simbólico incluem a sociologia das emoções, comportamento desviante /
criminologia, comportamento colectivo / movimentos sociais.

Premissas Básicas: Blumer (1969, p.56) “seleccionou três premissas


básicas dessa perspectiva que ampliam a compreensão usual do é a motivação, a
tradição e suas transformações” (re-significações):
 Os seres humanos agem em relação às coisas com base nos significados que
eles atribuem a essas coisas;
 O significado de tais coisas é derivado de, ou é anterior à, interacção social
que uns têm com outros e com a sociedade;
 Esses significados são controlados em, e modificados por, um processo
interpretativo usado pelas pessoas interagindo entre si e com as coisas que
elas encontram (em função do consenso que, no mínimo, torna a
comunicação possível).

Segundo Blumer (1969, p.56): “a proposição de que as pessoas interagem umas


com as outras por meio de interpretação mútua das acções e definição um do
outro, em vez de somente reagir às acções um do outro”. As suas respostas não são
dadas directamente às acções um do outro, mas baseadas no significado que eles
atribuem a tais acções. Assim, interacção humana é mediada pelo uso
de símbolos e significados, através de interpretação, ou determinação do significado
das acções um do outro. Blumer comparou esse processo, que ele designou
"interacção simbólica", com as explicações behavioristas do comportamento
humano que não consideram a interpretação entre estímulo e resposta.

Jung, (1964, p.56) apontou que:

O interaccionismo simbólico também vê além de simples indivíduos


espalhados em actividades de comércio e fast-food. Na realidade, muitas das
redes de fast-food, como McDonald's, Burger King e outras do género,
utilizam interaccionismo simbólico. Com efeito, o que elas têm em comum
é o uso das cores primárias vermelho e amarelo nos anúncios das suas casas
comerciais. Estudiosos do interaccionismo simbólico investigam como as
pessoas criam significados durante interacção social, como eles se
25
apresentam e constroem o próprio ego (ou" identidade"), e como são
definidas as situações de co-participação com outros.

Dizer que uma das ideias centrais dessa perspectiva teórica é que as
pessoas agem como elas agem por causa do modo como definem tais
situações. Uma das aplicações de tais estudos é a sociologia da saúde –
doença.

Crítica / contribuições: Embora conceitos do interaccionismo simbólico


tenham ganho um difundido uso entre sociólogos e influenciado especialistas em
psicologia social, tal perspectiva foi criticada, particularmente durante os anos
setenta quando os métodos quantitativos eram dominantes na sociologia. Segundo
Giddens, (2004, p. 45):
As críticas metodológicas, se somam críticas ao interaccionismo
simbólico por sua limitação teórica para lidar com questões mais
amplas relacionadas com o poder e a estrutura social (um conceito
sociológico fundamental) entre outros aspectos macro sociológico.

Apesar de vários teóricos do interaccionismo simbólico dirigiram-se a estes


temas sem contudo conseguirem reconhecimento ou influenciara os trabalhos que
focalizam esse nível de interacção.

De acordo com Berger, (2004, p.35):


Essa teoria se insere na teoria das ciências sociais que estudam as
representações sociais e etnometodologias. Destacam-se como
continuadores Becker e Goffman ambos com importantes contribuições ao
estudo do desvio, saúde mental e criminologia. Os participantes da Teoria
das representações colectivas ou sociais iniciadas na sociologia e
antropologia com as contribuições de Durkheim e Lévy-Bruhl  (teoria da
magia, das religiões e do pensamento mítico). Destacam-se ainda Peter
Berger importante teórico da Sociologia do conhecimento autor do livro A
construção social da realidade em co autoria com Thomas Luckmann, da
Universidade de Frankfurt; Berger e Luckmann situam Durkheim, Marx, e
Weber entre seus antecessores onde quanto aos aspectos sócio -
psicológicos, especialmente importantes para análise da interiorização da
realidade social, como destacam se dizendo influenciados por Mead e a
escola simbólico interacionista, também criticando esta por não ter criado
um conceito de estrutura social o que os impediu de relacionar suas
perspectivas com uma teoria macro - sociológica.

26
Além de opor esta às contribuições de Freud identificando uma
incompatibilidade entre Freud e Marx especialmente quanto aos fundamentos
antropológicos do Marxismo ao contrário da teoria de Mead que também propõe
uma relação dialética entre a sociedade e o indivíduo. Jovchelovitch (1998, p. 67)
revelou que:
No âmbito da psicologia considera-se que sobretudo Mead e Blumer
representam a principal corrente das denominadas formas sociológicas da
psicologia social. A teoria das representações sociais por sua vez
influenciou os trabalhos de Vigotsky  (desenvolvimento cultural) e Piaget 
(teoria das representações infantis) além de Winnicott.

1.5. Teoria da rotulagem

Existem diferentes teorias que explicam o comportamento desviante através de


factores biológicos, psíquicos, ou no contexto sócio cultural. Mas a teoria da
rotulagem (labellling theory), dá uma outra explicação para o processo desviante,
onde o núcleo explicativo deve ser encontrado não nesses factores, mas nas normas
que definem dado comportamento como desviante.

É uma das teorias mais importantes para entender os problemas da


delinquência, e tem como principal sociólogo associado Howard Becker. Para o
autor nenhum comportamento é desviante, mas torna-se desviante a partir do
momento, em que ele é assim definido.

Da análise do desvio, emergem as relações do poder na sociedade, e é esta que


tem o poder de impor a definição de uma norma rotulando de Outsiders quem não
se ajusta.

Becker no seu livro Outsiders, fala-nos na teoria da etiquetagem, explicando


que o desvio, tem sempre por detrás um processo de interacção, é um
comportamento socialmente marcado, tem a ver com a natureza do comportamento
do actor e em parte com o que os outros fazem. “O autor tentou demonstrar como
as entidades desviantes são produto da rotulagem e não de motivações ou

27
comportamentos desviantes. Para o autor “(…) comportamento desviante é aquele
que as pessoas rotulam como desviante”, (Giddens 2004, P. 212).

Tenta compreender porque é que determinados comportamentos, são


considerados desviantes, e como a aplicação do conceito desvio, varia conforme o
contexto, no interior da mesma sociedade, rotulam o desvio não como sendo um
conjunto de características de um indivíduo ou grupos, mas como um processo de
interacção entre eles que se desviam e os que não o fazem.

Para o autor, existem dois tipos de «empreendedores da moral», aqueles que


criam as normas, e os que as fazem aplicar. Os criadores das normas, são os que
pretendem mudança e reforma de costumes, por considerarem as leis existentes não
satisfatórias. Neste tipo de pessoas, podemos colocar por exemplo, os movimentos
anti alcoolismo, e do outro lado o corpo policial para as fazer cumprir.

Podemos assim dizer, que o desvio existe relativamente a uma norma, mas
para Becker é mais do que isso. “ O desvio não é uma qualidade do acto que a
pessoa comete mas sim uma consequência da aplicação, por parte dos outros, de
regras e sanções a um ofensor. O comportamento desviante é o comportamento que
as pessoas rotulam como tal” (Moore, 2002, p. 251)

Estes “Empreendedores da moral” são os actores decisivos na implantação de


leis/normas, juntam-se com apoios de peritos e de cientistas, para lutar em
campanhas como por exemplo, a interrupção voluntária da gravidez, o consumo de
drogas ou de alcoolismo. “ As pessoas que representam a força da lei e da ordem,
ou que são capazes de impor definições de moralidade convencional a outros,
constituem os principais agentes de rotulagem” (Giddens, 2004, p. 212.).

Quando a campanha leva a promulgação de uma nova lei, é aí que o sucesso


deles é atingido.

Vejamos o exemplo de um jovem “toxicodependente” que tem um conflito


familiar, é logo rotulado de que esse comportamento conflituoso é devido ao facto

28
de ser toxicodepente. Uma vez rotulado de toxicodependente é muito difícil retirar
esse rótulo, ele trás a proveniência do sujeito em causa.

O facto de alguém respeitável cometer um pequeno roubo, nada acontecerá,


mas se a origem desse jovem, for de classe baixa, que vive num bairro sem
condições, ou que por exemplo seja negro, o seu acto será considerado como a
confirmação de uma tendência para delinquência.

Podemos então dizer que o processo de rotulagem, e as consequências que daí


resultam variam segundo a classe social, a origem étnica, a idade e o sexo da pessoa
visada, daí que a resposta ao comportamento por parte dos outros, é problemática. O
facto de uma regra ser quebrada, segundo Becker, não significa que os outros o
venham a rotular de desviante, as regras são normalmente aplicadas por aqueles que
vêm a beneficiar directa ou indirectamente da sua aplicação, ou seja depende das
circunstâncias.

Um outro caso é quando as respostas dos outros põem em causa os indivíduos


ou grupos inicialmente rotulados de desviantes, neste caso a teoria da rotulagem
refere, que para além de afectar a forma como os outros nos vêm, “um indivíduo
uma vez etiquetado como delinquente, será considerado e tratado como tal”
(Demartis, 2006, p, 106), (desvio primário), também influencia a própria identidade,
a ideia que o indivíduo tem de si. Lemert (1972), cit in Giddens refere, que o
indivíduo acaba por aceitar o rótulo de desviante que lhe é colocado, vendo-se a si
próprio como desviante, ou seja, perceciona-se como tal (desvio secundário).

Esta situação conduz à centralização do rótulo na identidade da pessoa,


podendo conduzir à continuidade ou intensificação do comportamento desviante.

A perspectiva de Giddens, é que ao ser colocado o ênfase no processo activo


de rotulagem, a teoria deixa de lado os processos que são de facto definidos como
desviantes, pois os diferentes processos de socialização, oportunidades, e atitudes,
têm influência nos comportamentos passíveis de ser considerados desviantes.

29
De acordo com Lemert, cit, in. Demartis, (2006, p, 107), “a rotulagem produz
comportamentos desviantes, o comportamento desviante tende a aumentar não
tanto como resultado da rotulagem, mas pelo facto de após a condenação penal,
existir uma maior interacção com outros desviantes, e de conhecer outras formas
ainda mais gravosas de delitos, sofrendo como já referimos um processo de (re)
socialização excludente, daqui emerge uma crítica às instituições, que têm por
função controlar o comportamento desviante, tais como casas de correção, prisões,
que promovem a passagem de desvio primário, a secundário, através de processos
de (re) socialização”. Daí que não é o desvio que suscita o controlo social, mas é o
controlo social que gera o desvio.

1.6. Teoria Fenomenológica

A fenomenologia é o acabamento da tentativa de Descartes de fundamentar


todo o conhecimento na certeza reflexiva do ego cogito e de suas cogitationes. A
reflexão fenomenológica parte da correlação de cada cogito com seu cogitatum, que
nunca é um objeto isolado, mas desde logo deve ser concebido como objeto em seu
mundo. Nas Conferências de Paris, Husserl afirma que tudo que é mundano, tudo
que é espácio-temporal é para mim, na medida em que o vivencio, percebo, lembro,
penso, julgo, valorizo, desejo, etc.

“Tudo isso Descartes designa com o cogito. O mundo não é outra coisa para
mim que o consciente em tais cogitationes”, (Husserl, 1992).

O eu penso cartesiano apresenta aquele caráter a priori necessário e absoluto,


sem o qual a filosofia é impossível, porque ver-se-ia lançada na contingência das
coisas empíricas e jamais poderia pensá-las como apodíticas. O cogito permanece
idêntico sob a multiplicidade das vivências.

Afirma que a atitude natural, não-fenomenológica, faz o homem olhar o


mundo de maneira ingênua como mundo dos objetos. A fenomenologia, ao
contrário, busca uma fundamentação totalmente nova, não só da filosofia,
mas também das ciências singulares. Enquanto as ciências positivas

30
consideram os objetos como independentes do observador, a fenomenologia
tematiza o sujeito, o eu transcendental, que coloca os objectos.

(Husserl, E. 2002,p.34).

O primeiro passo do método fenomenológico consiste em abster-se da atitude


natural, colocando o mundo entre parênteses (epoqué). Isso não significa negar sua
existência, mas metodicamente renunciar ao seu uso. Ao analisar, após essa redução
fenomenológica, a corrente de vivências puras que permanecem, constata que a
consciência é consciência de algo. Essa algo chama de fenômeno.

Husserl usou o termo fenomenologia, pela primeira vez, nas Investigações


Lógicas (1901,p.34), “em lugar da expressão Psicologia Descritiva, que usara até
então. A consciência funda sentido como compreensão de algo que é (sentido do
ser), através da intencionalidade, ou seja, através de sua orientação intencional
para encher o vazio”. O conceito de intencionalidade da consciência, por isso, é
fundamental e constitutivo na fenomenologia de Husserl. Nela constituem-se os
cogitata do cogito, os objetos da consciência. A intencionalidade constitui síntese ou
unidade, uma constituição ativa e passiva. Esse conceito de síntese distingue-se do
tradicional, pois não se limita à síntese no juízo.

Para entender essas funções até sua dimensão de profundidade em sua


abrangência, necessita-se do método da redução fenomenológica. A redução
fenomenológica, conceito fundamental na fenomenologia de Husserl, tem o sentido
de tematizar a consciência pura. Começa com a colocação entre parênteses do
mundo. Prossegue na redução eidética, termo usado para o procedimento metódico
que leva à visão da essência. A meta da redução eidética é a compreensão do a
priori como eidos (essência). O pressuposto é que a já existente oposição entre
sujeito e objeto é superada para voltar-se à análise dos dados constituintes na
consciência que é consciência de..., pondo-se o mundo com seus objetos ao eu
(consciência). A consciência é intencionalidade significa: dirige-se para, visa
alguma coisa. Toda consciência é consciência de.

31
CAPÍTULO II – OPÇÕES METODOLÓGICAS DO
ESTUDO
2.1 Modo de Investigação
Para o presente estudo usaremos o método descritivo que tem como
características observar, registar, analisar e descrever factos ou fenómenos sem
manipula-los. E o método hipotético-dedutivo, sendo assim nosso paradigma de
investigação é do tipo qualitativo.

2.2 Hipóteses
Segundo Vaz - Freixo (2011, p.165), “hipótese é uma sugestão de resposta
para o problema, devendo apresentar um conjunto de características mais
aliciantes, más assumirá a condição de uma predição numa ou mais resposta
plausível para o problema e que orientará a investigação.”

Em função da problemática apresentada, elegemos as seguintes hipóteses


como possíveis respostas.

H0: os factores socioeconómicos não influenciam a fuga a paternidade no


Bairro Sanzala.

H2: os factores socioeconómicos influenciam a fuga a paternidade no bairro


sanzala.

2.3 Variáveis
De acordo com Pinela apud. Averanga (2012, p.33) “uma variável é uma
entidade que adquire distintos valores, refere-se a uma qualidade, propriedade ou
características de pessoas ou coisas em estudo e varia de um sujeito a outro em um
mesmo sujeito em diferentes momentos.”

Variáveis dependentes: Fuga a Paternidade

Variáveis sociodemográficas: Género; idade, nível de escolaridade.

32
2.4 Objecto de Estudo
A população alvo a estudar, são as famílias. A nossa amostra será de 20
famílias.

2.5 Instrumentos de Investigação


O nosso instrumento de investigação será o questionário.

2.6 Processamento e Tratamento de Informação


Para o presente estudo utilizaremos no processamento e tratamento de dados
recurso ao programa do Microsoft office word e Excel.

33
CAPÍTULO III- APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E
DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.1. Apresentação dos Resultados

Esta investigação foi realizada no Município de Viana precisamente no


Bairro da Regedoria Sanzala. Em termos urbanístico é considerado como sendo um
bairro suburbano, com pessoas predominantemente de renda baixa, onde residem
indivíduos de várias etnias do nosso pais, e nalguns casos irmãos da República
Democrática do Congo.
No que diz respeito a ocupação destas famílias, na maior parte dos casos
são funcionários do mercado da Sanzala.
A família alvo deste estudo, são as famílias que sofreram problemas de fuga
a paternidade.
3.1.1. Distribuição da amostra

Tabela nº 01 distribuição da amostra segundo género.

Género F. Absoluta F. Relativa


Masculino 01 5%
Feminino 19 95%
Total 20 100%
Fonte: Ficha de Inquéritos dirigidos às famílias do bairro da regedoria Sanzala.

Gráfico nº 01 Distribuição da amostra segundo género.

5%

Masculino
Feminino

95%

A tabela e o gráfico acima revelam um predomínio do género feminino com


95 % e somente 5 % representam género masculino dos inqueridos neste processo

Tabela n º 02 – Distribuição da amostra segundo a idade


Faixa etária F. Absoluta F. Relativa
17 a 22 anos de idade 6 30%
23 a 28 anos de idade 5 25%
29 a 35 anos de idade 9 45%
Total 20 100%
Fonte: Ficha de Inquéritos dirigidos às famílias do bairro da regedoria Sanzala.

Gráfico n º 02 – Distribuição da amostra segundo a idade

30%

45%
17 a 22 anos de idade
23 a 28 anos de idade
29 a 35 anos de idade

25%

A tabela e o gráfico acima revelam no que diz respeito a idade dos


participantes ao presente estudo que 45% têm idades compreendidas entre os 29 aos
35 anos de idade. 30% dos mesmos têm idades compreendidas entre os 17 aos 22
anos; 25% encontram-se no intervalo de idade dos 23 aos 28 anos.

Tabela nº 03 – Distribuição da amostra segundo o nível de escolaridade.

Nível de escolaridade F. Absoluta F. Relativa


Alfabetização 3 15%
Ensino Primário 2 10%
Iº Ciclo 8 40%
IIº Ciclo 7 35%
T. Superior 0 00
Licenciado 0 00
Total 20 100%
Fonte: Ficha de Inquéritos dirigidos às famílias do bairro da regedoria Sanzala.

Gráfico nº 03 – Distribuição da amostra segundo o nível de escolaridade.

15%
35%
10%
Alfabetização
Ensino Primário
Iº Ciclo
IIº Ciclo
T. Superior
Licenciado
40%

Em relação a informação forjada na tabela e no gráfico, verifica-se um nível


de escolaridade nos participantes na pesquisa, consideravelmente baixo, ou seja,
40% dos intervenientes estão a fazer o I ciclo; 35% no entanto estão no segundo
ciclo; 15% encontram-se em aulas de alfabetização; ao passo que 10% estão agora a
realizar o ensino primário; para esta pesquisa não constam nenhum licenciado nem
técnico superior. Pensa-se que poderá ser um dos factores originadores da fuga a
paternidade.

3.1.2. Resultado do questionário

1. O pai ausente presta atenção aos seus filhos?

F. Absoluta F. Relactiva
Sim 15 75%
Não 05 25%
Total 20 100%
Gráfico 1. O pai ausente presta atenção aos seus filhos

Sim
19%

Não
81%

Em relação a está questão, das 20 famílias participantes no estudo 25%


delas colaboram da opinião de que o pai ausente presta atenção aos seus filhos;
porém 75% que representa a maioria das famílias para esta pergunta, disseram que o
pai ausente não presta atenção aos filhos, pensamos que seja pelo facto de o mesmo
estar ausente, e assim não poder apreciar o real panorama e sobre ele dominar.

2. Pai ausente dá sustento nos seus filhos?

F. Absoluta F. Relactiva
Sim 03 15%
Não 17 85%
Total 20 100%
Gráfico 2. Pai ausente dá sustento nos seus filhos

Sim
15%

Não
85%

Quando questionados se o pai ausente dá sustento aos seus filhos, as 20


famílias do Bairro da Regedoria - Sanzala participantes no estudo, tiveram um
apreciação positiva em relação a matéria do sustento dado aos filhos pelo pai
ausente, ou seja, 85% delas disseram que o pai ausente dá sustento aos seus filhos;
somente 3% disseram que fruto da sua experiência o pai ausente não dá sustento aos
seus filhos.
Gráfico 3. Ajuda nos problemas de saúde dos filhos

Sim
35%

Não
65%

3. Ajuda nos problemas de saúde dos filhos?

F. Absoluta F. Relactiva
Sim 07 35%
Não 13 65%
Total 20 100%

Nestas famílias, foi possível perceber que 35% dos pais ausentes cuidam da
saúde de seus filhos, mas a maioria, ou seja, 65% deles não ajudam nos problemas
de saúde dos seus filhos.

4. Os seus filhos são colocados nas escolas?


F. Absoluta F. Relactiva
Sim 10 50%
Não 10 50%
Total 20 100%

Gráfico 4. Os seus filhos são colocados nas escolas

Não Sim
50% 50%

Quando questionados se os seus filhos são colocados na escola, ouve um


empate de opiniões, ao se verificar que 50% dos pais ausentes do Bairro Regedoria
Sanzala colocam seus filhos na escola, e outros 50% não colocam seus filhos na
escola.

5. O pai ausente tem tempo de conviver com seus filhos?


F. Absoluta F. Relactiva
Sim 03 15%
Não 17 85%
Total 20 100%
Gráfico 5. O pai ausente tem tempo de conviver com seus filhos
Sim
4%

Não
96%

Ficou claro nesta pergunta se termos em conta o que o gráfico nos


apresenta, que a maioria dos pais ausentes nesta localidade, não têm tempo para
conviver com seus filhos, num percentual de 85% dos pais, e somente 15% deles
têm tempo para conviver com seus filhos.

6. Uma família com pai ausente tem boa comunicação entre os seus
membros?

F. Absoluta F. Relactiva
Sim 09 45%
Não 11 55%
Total 20 100%
Gráfico 6. Uma família com pai ausente tem boa comunicação entre os seus membros

Sim
45%

Não
55%

As opiniões em relação a está pergunta, foram bastantes divergentes, se


atentarmos para o gráfico, sendo que que por um diferencial percentual de 5% não
se deram por igual. É possível verificar que 55% dos pais ausentes não têm
comunicação com os seus filhos, e somente 45% deles têm comunicação com os
seus filhos.

7. Os números de mulheres é factor do pai se ausentar dos filhos?

F. Absoluta F. Relactiva
Sim 02 10%
Não 18 90%
Total 20 100%
Gráfico 7. Os números de mulheres é factor do pai se ausentar dos filhos

Sim
10%

Não
90%

Para a realidade das mulheres do bairro Regedoria – Sanzala, o número de


mulheres não representa causa evidente para que o pai se ausente dos filhos, 90%
das famílias afirmaram isso, somente 10% disseram que o número de mulheres
representa um factor para o pai se ausentar dos filhos.

8. Uma família com pai ausente será possível pôr as suas funções
devidamente exequíveis?

F. Absoluta F. Relactiva
Sim 04 20%
Não 16 80%
Total 20 100%
Gráfico 8. Uma família com pai ausente será possível pôr as suas funções devidamente exequíveis

Sim
20%

Não
80%

Ficou claro que uma família com pai ausente não consegue pôr as suas funções
exequiveis devidamente, com base a opinião de 80% das famílias participantes no presente
estudo; somente 20% das famílias participantes no estudo disseram que o pai ausente
consegue colocar de forma exequivel todas as funções familiares a funcionarem
devidamente.
CONCLUSÃO
RECOMENDAÇÕES
BIBLIOGRAFIA
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editora
Weber, M (2008). Etapas do Pensamento Sociológico.
ANEXOS

Questionário

Para o presente estudo foram formuladas algumas questões devidamente


selecionadas com o objectivo de extrair o máximo de informação que dessem o
devido carácter prático ao trabalho, estas questões são descritas abaixo. As respostas
estiveram normalmente baseadas em:

 Sim.
 Não.
 Abstenho-me.

9. O pai ausente presta atenção aos seus filhos?


10. Pai ausente dá sustento nos seus filhos?
11. Ajuda nos problemas de saúde dos filhos?
12. Os seus filhos são colocados nas escolas?
13. O pai ausente tem tempo de conviver com seus filhos?
14. Uma família com pai ausente tem boa comunicação entre os seus
membros?
15. Os números de mulheres é factor do pai se ausentar dos filhos?
16. Uma família com pai ausente será possível pôr as suas funções
devidamente exequíveis?