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PROGRAMA DE TREINAMENTOS

OPERADOR ECONÔMICO AUTORIZADO (OEA)

MÓDULO 1

INTRODUTÓRIO AO PROGRAMA OPERADOR


ECONÔMICO AUTORIZADO (OEA)

CAMPINAS (S.P.)
Fevereiro / 2020
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................. 1

HISTÓRICO DO PROGRAMA ......................................................................................... 4


GLOBALIZAÇÃO.....................................................................................................................................4

THE STAIRWAY ......................................................................................................................................4

SAFE FRAMEWORK OF STANDARDS .................................................................................................5

ACORDO DE FACILITAÇÃO DE COMÉRCIO .................................................................................... 11

A EVOLUÇÃO DO PROGRAMA DE OEA NO BRASIL ............................................... 13

OBJETIVOS E PRINCÍPIOS DO PROGRAMA BRASILEIRO DE OEA ....................... 16

INTERVENIENTES CERTIFICÁVEIS NO PROGRAMA OEA ....................................... 17

MODALIDADES DE CERTIFICAÇÃO E BENEFÍCIOS NO PROGRAMA OEA ........... 18

ACORDO DE RECONHECIMENTO MÚTUO ................................................................ 21

DESPACHO SOBRE ÁGUAS NO PROGRAMA OEA .................................................. 22

REQUISITOS E CRITÉRIOS DE CERTIFICAÇÃO OEA ............................................... 25

REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO PROGRAMA OEA ..................................... 25

CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE DO PROGRAMA OEA ............................................ 27


HISTÓRICO DE CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO ......................................................................... 28

GESTÃO DA INFORMAÇÃO ............................................................................................................... 29

SOLVÊNCIA FINANCEIRA .................................................................................................................. 32

POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS .............................................................................................. 32

GERENCIAMENTO DE RISCOS.......................................................................................................... 35

CRITÉRIOS DE SEGURANÇA DO PROGRAMA OEA ................................................ 39


GESTÃO DOS RISCOS ADUANEIROS NO OEA-SEGURANÇA ...................................................... 39

ii
SEGURANÇA DA CARGA ................................................................................................................... 39

CONTROLE DE ACESSO FÍSICO ....................................................................................................... 43

TREINAMENTO E CONSCIENTIZAÇÃO DE AMEAÇAS ................................................................... 46

SEGURANÇA FÍSICA DAS INSTALAÇÕES ....................................................................................... 47

GESTÃO DE PARCEIROS COMERCIAIS ........................................................................................... 49

GESTÃO DAS CADEIAS LOGÍSTICAS INTERNACIONAIS .............................................................. 52

CRITÉRIOS DE CONFORMIDADE DO PROGRAMA OEA .......................................... 52


DESCRIÇÃO DAS MERCADORIAS .................................................................................................... 53

CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS .............................................................................. 53

OPERAÇÕES INDIRETAS ................................................................................................................... 54

BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS ............................................................................................... 57

ORIGEM DAS MERCADORIAS ........................................................................................................... 57

IMUNIDADES, BENEFÍCIOS FISCAIS E SUSPENSÕES ................................................................... 59

CONTROLE CAMBIAL ......................................................................................................................... 60

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL ....................................................................................................... 60

PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO NO PROGRAMA OEA ............................................ 61


REQUERIMENTO DA CERTIFICAÇÃO OEA ...................................................................................... 61

AUTOAVALIAÇÃO ............................................................................................................................... 61

IMPLEMENTAÇÃO ............................................................................................................................... 62

OEA-INTEGRADO ......................................................................................................... 63
PROJETOS-PILOTO ............................................................................................................................ 68

OEA-AGRO ........................................................................................................................................... 68

OEA-EXÉRCITO ................................................................................................................................... 68

OEA-ANAC ........................................................................................................................................... 68

OEA-ANVISA ........................................................................................................................................ 69

OEA-INMETRO ..................................................................................................................................... 69

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 70


iii
INTRODUÇÃO

Segundo o disposto na Instrução Normativa R.F.B. nº 1598/2015, “entende-se por


Operador Econômico Autorizado (OEA) o interveniente em operação de comércio exterior
envolvido na movimentação internacional de mercadorias a qualquer título que, mediante o
cumprimento voluntário dos critérios de segurança aplicados à cadeia logística ou das
obrigações tributárias e aduaneiras, conforme a modalidade de certificação, demonstre
atendimento aos níveis de conformidade e confiabilidade exigidos pelo Programa OEA”.

Simplificadamente, com base no exposto pela Receita Federal do Brasil (2018),


pode-se definir cadeia logística internacional como sendo o conjunto de etapas pelas quais
uma mercadoria percorre, desde o momento em que sai de sua origem (exportador –
vendedor da mercadoria) até a sua chegada ao destino final (importador – comprador da
mercadoria). Durante esse percurso, há a participação de vários intervenientes, tais como:
transportadores, agente de cargas, terminais de despacho, entre outros, os quais tiveram
suas etapas esquematizadas no desenho abaixo. A cadeia logística internacional pode ser
também denominada cadeia de suprimentos, cadeia de abastecimento global, ou outras
formas de caracterização.

Os mercados estão cada vez mais competitivos e as empresas precisam alinhar as


suas estratégias de produção às estratégias competitivas globais, dessa forma, a logística
internacional tem papel fundamental no desenvolvimento da competitividade nas operações
de comércio internacional (ROCHA, 2013; SOUZA, 2012 apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS
e SILVA, 2016).

A logística internacional é um elemento fundamental para que os fluxos dos diversos


tipos de recursos aconteçam da forma mais eficiente possível, o que se torna muito
desafiador quando se considera que existe uma busca laboriosa pela redução de tempo e
custo. Nesse contexto, as empresas brasileiras, ao realizarem as operações de importação
e exportação, buscam agilidade, competitividade em custos, um atendimento diferenciado e
uma logística que atendam às suas mais diversas necessidades (SOUZA; LARA, 2015 apud
SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

A concorrência global, a evolução das economias emergentes, a preocupação com a


utilização sustentável dos recursos não renováveis, o avanço das tecnologias, a redução
1
das barreiras alfandegárias, são fatores que contribuem para a evolução do comércio
internacional nas suas mais variadas formas (SOUZA, 2015 apud SOUZA, LUCIANO,
SANTOS e SILVA, 2016).

O processo de busca da competividade internacional e o aumento da participação


dos produtos importados no mercado interno acontecem cada vez mais, com a contribuição
da efetividade da internacionalização das atividades das empresas, notadamente as
grandes corporações. Neste sentido, elas devem buscar a redução de custos pela escala
comercial, novos mercados consumidores, a diversificação das suas atividades, uma melhor
utilização de recursos naturais, emprego de mão de obra cada vez mais especializada,
melhoria da infraestrutura, entre outros tantos fatores (SOUZA, 2015 apud SOUZA,
LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

O comércio exterior brasileiro evoluiu significativamente nas últimas duas décadas,


no entanto, os últimos anos foram marcados por oscilações elevadas nos volumes de
importações e exportações. Apesar do crescimento que o comércio exterior brasileiro vem
apresentando nas últimas décadas, a infraestrutura logística do país não tem demonstrado
uma evolução no mesmo ritmo que os importadores e exportadores necessitam, gerando
assim custos adicionais aos produtores, que sem opção de escoamento da produção,
acabam se submetendo ao sistema dispendioso (MACHADO et al., 2013 apud SOUZA,
LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

De acordo com Christopher (2013), “estamos entrando na era da ‘concorrência da


cadeia de suprimentos”, sendo complementado por este que a diferença mais evidente entre
o modelo tradicional de concorrência e o modelo contemporâneo é que uma organização já
não pode mais agir como uma entidade isolada e independente em concorrência com outras
organizações “isoladas”. Em vez disso, devem criar sistemas de entregas de valores, mais
sensíveis às demandas mercadológicas constantemente mutáveis, mais consistentes e
confiáveis na entrega de tal valor, exigindo dessa forma, que toda a cadeia de suprimentos
esteja focada na obtenção desses objetivos (SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

Segundo observações de Souza (2011), o êxito na gestão de uma empresa que atua
no mercado internacional é resultado de uma intensa integração funcional entre vendas,
compras, qualidade, produção, suprimentos, transportes e comercio exterior. Portando, para
uma boa gestão logística, no comércio internacional, é fundamental que toda organização
2
esteja atuando de forma horizontal, ágil e rápida para responder às constantes modificações
do mercado. Todavia, vale ressaltar que acelerar os fluxos da cadeia de suprimentos é algo
complexo, sendo preponderante administrá-los e conhecê-los para ser ter a máxima
eficiência em toda a cadeia (SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

O Brasil encontra-se ainda em fase de transição no que diz respeito à logística


integrada. Ainda que seja evidente que em alguns setores já se note a preocupação com a
aplicação dos conceitos de gerenciamento da logística, de modo que algumas empresas
estão começando a reestruturar suas atividades utilizando-se dessa nova perspectiva, no
contexto geral ainda há um longo caminho a ser percorrido para chegar ao desenvolvimento
da logística na indústria nacional e dos transportes (ROCHA, 2013 apud SOUZA, LUCIANO,
SANTOS e SILVA, 2016).

Dentre os setores que se desenvolveram na logística integrada no Brasil, destaca-se


o setor de produção de minérios, principalmente o de ferro destinado à exportação. Também
o setor agrícola merece reconhecimento, considerando que o Brasil tem conseguido
implementar soluções logísticas para driblar os problemas de falta de infraestrutura, da falta
de armazéns especializados e de baixa eficiência nos portos. Em ambos os casos, soluções
que envolvam despachos aduaneiros rápidos e desburocratizados e regimes aduaneiros
que facilitem o fluxo comercial são de suma importância (ROCHA, 2013 apud SOUZA,
LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

Além da ineficiência dos modais transportes, a burocracia no Brasil figura como um


dos principais entraves para o eficaz funcionamento dos trâmites administrativos aduaneiros
e consequentemente reduz a eficiência da logística internacional, causando uma inversão
de parâmetros nos fatores de competitividades, sobretudo no preço dos produtos brasileiros
nos mercados consumidores. De acordo com Lopes e Gama (2013), os custos logísticos no
Brasil podem ser reduzidos em média 50% do que se verifica atualmente, se forem
implementados mecanismos e políticas equivalentes aos adotados por outros países mais
competitivos no mercado internacional, de modo que sejam otimizados os principais
gargalos logísticos do país (SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

Souza, Luciano, Santos e Silva (2016) afirmam que, para melhor competitividade no
mercado internacional, os operadores econômicos precisam analisar, de forma sistêmica e
holística, todo processo logístico e aduaneiro. No Brasil, há um elevado gasto com tributos,
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logística e muita burocracia nos trâmites aduaneiros, o que limita a competitividade das
empresas no comércio internacional.

A gestão dos fluxos logísticos é fundamental para as empresas minimizarem custos


em suas atividades e maximizarem resultados em seus processos, proporcionando mais
competitividade no mercado internacional (SOUZA, 2011 apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS
e SILVA, 2016).

HISTÓRICO DO PROGRAMA

GLOBALIZAÇÃO

A globalização que o mundo experimenta desde o final do século XX vem


provocando um vertiginoso aumento do fluxo de pessoas e mercadorias entre os diversos
países, fato que apesar de trazer muitos benefícios, como o crescimento da economia
mundial, traz também seu lado negativo: o de ser uma porta de entrada, principalmente,
para o terrorismo. Nesse sentido, o crime organizado internacional e as diversas facções
terroristas ao redor do mundo se aproveitam desse volumoso fluxo comercial para circular
mercadorias, ilícitas ou descaminhadas, às margens das fiscalizações aduaneiras,
fomentando dessa forma o tráfico de drogas e armas, contrabando, lavagem de dinheiro,
entre outras atividades criminosas. Desta forma, alguns países iniciaram estudos sobre
como implementar medidas para dinamizar os fluxos de trabalho das Aduanas, tornando-os
mais céleres, com menos retrabalho, sem, no entanto, perder o rigor do controle das cargas
(RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

THE STAIRWAY

Descreve Receita Federal do Brasil (2018) que, no final da década de 90, na Suécia,
Lars Karlsson, então servidor da Aduana Sueca, introduziu o conceito “The Stairway”, que
mais tarde nortearia as diretrizes para o Programa de Operador Econômico Autorizado da
OMA (Organização Mundial da Aduanas), para o padrão C-TPAT (Customs-Trade
Partnership Against Terrorism) dos Estados Unidos e para o Programa AEO da União
Europeia.

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Há de se destacar, entretanto, que os ataques terroristas às “Torres Gêmeas” do
World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, acirraram a
preocupação em relação à segurança da cadeia de abastecimento internacional, pois ficou
evidente que o comércio exterior funciona como uma importante porta de entrada para o
terrorismo global. Nesta ocasião, a Aduana Americana percebeu que não obteria sucesso
em prover uma adequada segurança sem a cooperação do setor privado. Assim, foi criado o
Programa C-TPAT, o qual é voltado, basicamente, à segurança física da carga (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).

SAFE FRAMEWORK OF STANDARDS

Segundo Receita Federal do Brasil (2018), em junho de 2005, o Conselho da


Organização Mundial da Aduanas (OMA) publicou a Estrutura Normativa SAFE (WCO SAFE
Framework of Standards) para incentivar medidas de Segurança e de Facilitação no
Comércio Global, as quais atuariam como elementos de dissuasão ao terrorismo
internacional, de incentivo à arrecadação de receitas seguras e de promoção à facilitação do
comércio mundial. Os principais objetivos da referida estrutura são:
• Estabelecer normas que garantam a segurança da cadeia logística e que
facilitem o comércio em escala mundial;
• Permitir uma gestão integrada da cadeia logística em todas as suas fases;
• Ampliar o papel, as funções e as capacidades das alfândegas de modo
que possam fazer frente aos desafios e aproveitar as oportunidades do
século XXI;
• Reforçar a cooperação entre as administrações aduaneiras a fim de
melhorar o gerenciamento de risco;
• Reforçar a cooperação entre a alfândega e as outras agências de governo
envolvidas no comércio e segurança internacionais;
• Fomentar o comércio internacional por meio de cadeias logísticas
internacionais seguras.

A Estrutura Normativa SAFE sustenta-se sobre três pilares (RECEITA FEDERAL DO


BRASIL, 2018):
• ADUANA-ADUANA: Maior cooperação entre as aduanas dos países, a
fim de otimizar a facilitação e a segurança das cadeias logísticas

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internacionais. Um exemplo disso seria o intercâmbio de informações
entre as aduanas antes da chegada da carga no país de destino, de modo
a possibilitar o gerenciamento do risco e concentração dos esforços nas
cargas com maior nível de risco.
• ADUANA-EMPRESA: Parceria entre a alfândega e o setor privado,
objetivando a construção conjunta de políticas de segurança à cadeia
logística. É dentro deste pilar que aparece a figura do Operador
Econômico Autorizado (OEA).
• ADUANA-OUTRAS AGÊNCIAS DE ESTADO: Parceria entre a Aduana e
outras Agências de Estado envolvidas no comércio internacional de forma
a garantir uma resposta rápida do Estado aos desafios da segurança da
cadeia logística e ao mesmo tempo, evitar duplicidades de requerimentos
e inspeções, simplificar e padronizar os processos de forma a facilitar o
comércio internacional.

Desta forma, de acordo com Receita Federal do Brasil (2018), tem-se no Operador
Econômico Autorizado um parceiro estratégico que, após comprovado o cumprimento dos
requisitos e critérios do Programa OEA será certificado como um operador de baixo risco,
confiável e, por conseguinte, gozará dos benefícios oferecidos pela Aduana, relacionados à
maior agilidade e previsibilidade nos fluxos do comércio internacional.

Andrade, Cassano e Souza (2018) descrevem que, para Gordhan (2007), a


globalização trouxe dupla consequência nas relações entre empresas: por um lado, o fluxo
do comércio foi aumentado e as relações comerciais facilitadas. Por outro, abriu-se mais
espaço para atividades ilícitas e de comércio ilegal.

Leoce e Morini (2011), citados por Andrade, Cassano e Souza (2018), destacaram
que o aumento do comércio internacional impossibilitou a continuidade da conferência física
de todos os embarques e desembarques, tornando-se necessário o desenvolvimento de
alternativas que permitissem maior agilidade às aduanas.

Com o aumento do fluxo comercial mundial, o mercado se tornou fortemente


marcado pela concorrência acirrada e busca pela sobrevivência das empresas. Essas, por
sua vez, se veem cada vez mais forçadas a encontrar estratégias que aumentem sua
competitividade, a fim de garantir e fazer a manutenção do seu espaço junto ao cliente ou
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consumidor. O Programa de Operador Econômico Autorizado (OEA) surgiu com a finalidade
de facilitar e tornar mais seguro o comércio mundial por meio da integração e da
padronização entre as aduanas e os agentes governamentais, permitindo melhorar o fluxo
comercial global (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

Closs e McGarrell (2004), observados por Andrade, Cassano e Souza (2018),


afirmaram existir três fatores principais que justificam o aumento da segurança em supply
chain: (i) a globalização do comércio mundial, o que comporta o fluxo livre dos fatores de
produção, como pessoas, mercadorias e informações; (ii) o aumento da demanda, por parte
das empresas, por eficiência em supply chain e (iii) o aumento das ameaças à segurança.
Por supply chain pode-se entender o gerenciamento – por parte das empresas em conjunto
com seus fornecedores e prestadores de serviço – dos elos da cadeia, desde o mais
primário – fontes de matérias-primas – passando pela manufatura e agregação de valor, até
o elo final de entrega aos usuários (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

O advento da globalização, segundo Gordhan (2007), somado à tecnologia da


informação e à combinação logística propiciou a comunicação entre empresas nunca antes
vista e que, por sua vez, aumentou o fluxo do comércio e acarretou benefícios ao comércio
legal e legítimo, gerando vantagens e características de uma economia integrada. Por outro
lado, esse mesmo aumento do fluxo de comércio acabou facilitando, também, a
movimentação do comércio ilegal e ilegítimo sendo, portanto, dentro desse contexto, que
surgiu a figura do Operador Econômico Autorizado (OEA), relacionada ao aspecto de
segurança (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

Andrade, Cassano e Souza (2018) apontam que, segundo Tweedle (2008), como
fruto da Convenção de Kyoto Revisada, surgiu o SAFE Framework (Quadro de Segurança)
que tem como objetivo principal assegurar e facilitar o comércio em nível global por meio do
estabelecimento de arranjos cooperativos entre diferentes aduanas, entre o comércio e
outras agências dos governos, a fim de promover um melhor fluxo de cargas por meio do
comércio internacional seguro. Tweedle (2008) também considerou que o OEA foi
desenvolvido para aumentar a força de supply chain e a segurança na fronteira por meio da
cooperação dos componentes da cadeia: exportadores, importadores, transportadores,
despachantes, agentes de carga e armazéns (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

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De acordo com o documento do SAFE Framework, um OEA é uma parte envolvida
no movimento internacional de cargas, em qualquer função, que tenha sido aprovado por
uma ou em nome de administração aduaneira nacional, a partir do momento em que se
adequou aos quesitos estabelecidos pela Organização Mundial das Aduanas (OMA),
conhecido internacionalmente como World Customs Organization (WCO), podendo se
beneficiar do reconhecimento mútuo de seu status com outras aduanas do mundo
(ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

O aumento dos fluxos comerciais internacionais tornou inviável a conferência física


de todos os embarques e desembarques, surgindo a necessidade e a importância do
desenvolvimento de ferramentas que permitissem maior agilidade às aduanas (LEOCE;
MORINI, 2011 apud ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

A certificação de OEA pode ser adquirida pelo setor industrial e por despachantes,
transportadores, portos, aeroportos, intermediários, consolidadores de carga, distribuidores,
terminais e armazéns, desde que considerados critérios e padrões de compliance
(cumprimento de normas legais e regulamentares), relacionados à solvência financeira,
segurança na cadeia de suprimentos e na documentação (POLNER, 2012 apud ANDRADE,
CASSANO e SOUZA, 2018).

Erceg (2014), segundo considerações de Andrade, Cassano e Souza (2018),


observou que na metade do século XX praticamente todas as cargas foram inspecionadas
por autoridades aduaneiras. Por conta do aumento significante do fluxo de cargas com a
globalização no comércio, as aduanas não conseguem mais controlar tudo o que entra pela
fronteira, constatando que o propósito da gestão de risco é focar em atividades de risco real
e não em declarações de importação selecionadas ao acaso (ANDRADE, CASSANO e
SOUZA, 2018).

Nas últimas décadas, o ambiente do comércio internacional sofreu significativas


transformações no que tange à maneira como as cargas são transportadas e
comercializadas, bem como à rapidez e ao volume dessas transações realizadas em todo o
mundo. Essas mudanças, vistas em conjunto com a pressão do comércio internacional para
minimização da intervenção dos governos, são a causa das autoridades internacionais de
aduana estarem dando ênfase maior na facilitação do comércio (RAZUMEY, 2014 apud
ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).
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Andrade, Cassano e Souza (2018) entendem que Razumey (2014) considerou ainda
que o aumento contínuo do fluxo de comércio é acompanhado do aumento de ameaças à
segurança na cadeia de suprimentos internacional, o que força as administrações das
aduanas a promover proteção ao comércio legítimo.

Observou-se que o início de uma discussão sobre os novos objetivos das aduanas
se deu na Convenção de Kyoto Revisada, a qual estabelece um acordo internacional que
visa à facilitação do comércio e, ao mesmo tempo, que trata dos procedimentos aduaneiros
e do aumento de controle por parte das aduanas. A partir desse novo cenário oriundo da
globalização e, em especial após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, as
aduanas se viram obrigadas a incorporar novas responsabilidades como a maior ênfase em
medidas de segurança que sejam acessíveis e viabilizem o comércio entre os países
(PEREIRA, 2014 apud ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

Adicionalmente, face ao desenvolvimento dos mais importantes princípios


modernistas das aduanas – tratados na Convenção de Kyoto Revisada –, a visão
estratégica da OMA do século XXI contempla o Customs-Business Partnership (CBP) que,
por sua vez, teve uma de suas partes integrais transformada em um instituto: o Operador
Econômico Autorizado, que permite ganho de benefícios mútuos tanto para aduanas quanto
para comercializadores internacionais, cada um visando atingir seus distintos objetivos
(RAZUMEY, 2014 apud ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

Erceg (2014) também verificou que a função da aduana mudou e está agora
direcionada ao uso de métodos modernos de análise de risco e controles subsequentes. E,
de acordo com Razumey (2014), o SAFE Framework provê um modelo para administrações
e governos que desejem desenvolver e melhorar medidas de segurança para facilitar e
assegurar a cadeia de suprimentos global, com quatro elementos-chave (ANDRADE,
CASSANO e SOUZA, 2018):
1) – Harmonização de informações eletrônicas avançadas sobre a carga;
2) – Países participantes do SAFE Framework necessitam de sistema de
gestão de risco e de ameaças à segurança;
3) – País de origem, se solicitada pela aduana do país recebedor, deve fazer
inspeção de containers de alto risco utilizando equipamentos de detecção não
invasivos;
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4) – Benefícios para as empresas que alcançarem o padrão mínimo de
segurança em supply chain e adotarem as melhores práticas a fim de facilitar
o comércio internacional em termos de comércio legítimo e dentro do conceito
do OEA.

Razumey (2014) notou que o conceito de OEA é um elemento-chave do pilar 2, o


qual possibilita a flexibilidade e a customização dos planos de segurança. Além dos quatro
princípios apresentados, sendo que Pereira (2014) observou que o SAFE Framework
recomenda que (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018):
• Sistemas eletrônicos tenham utilidade voltada para agilidade e vigilância
do desembaraço aduaneiro;
• Sejam empregadas técnicas de gerenciamento de risco ao selecionar
bens para inspeção;
• Haja cooperação entre as aduanas de outros países;
• Seja assegurado que as leis e regulações aduaneiras sejam transparentes
e acessíveis ao público.

Descrevem Andrade, Cassano e Souza (2018) que Pereira (2014) constatou ainda
que, por mais que o conceito de OEA tenha surgido anteriormente ao SAFE Framework,
alguns países como a Suécia e os Estados Unidos da América já implementaram medidas
de segurança desse nível em suas cadeias de suprimento, e foi apenas a partir do quadro
desenvolvido na Convenção de Kyoto Revisada que o OEA tomou forma, bem como o
objetivo de ser ferramenta com nível global e integrada por meio da rede de reconhecimento
mútuo entre países e das aduanas com os parceiros de negócios.

Segundo Razumey (2014), o escopo de um OEA engloba todos os stakeholders no


âmbito do comércio internacional, incluindo – além dos membros já apresentados –
consolidadores, intermediários, portos, aeroportos, terminais e distribuidores. Atualmente, o
status de OEA refere-se à ideia de um ator de baixo risco e mais confiável. Se a empresa se
torna reconhecida como um OEA, isso significa que ela é confiável e que possui
procedimentos e operações aduaneiras consideradas seguras, além de procedimentos
aduaneiros simplificados (ERCEG, 2014 apud ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

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A WCO (2015), contrastando o que afirmou Razumey (2014), afirma que o SAFE
Framework possui não somente dois, mas três pilares: além do pilar de “Aduana com
aduana” e de “Aduana com negócios”, é acrescentado o pilar de “Aduana com outras
agências governamentais de cooperação”. A WCO (2015) também afirma que, dentre os
benefícios que um OEA adquire, está o processamento mais ágil das cargas pela aduana,
redução dos índices de conferência de cargas por fiscais e, por conseguinte, redução de
custos e de tempo nos processos (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

De acordo com The World Bank (2014), tendo como base as observações e
interpretações de Andrade, Cassano e Souza (2018), existem seis fatores críticos que
influenciam positivamente ou negativamente a obtenção de vantagem competitiva: (i)
desembaraço aduaneiro (eficiência relacionado a burocracia para liberação de cargas), (ii)
infraestrutura nacional (qualidade das rodovias, ferrovias e hidrovias), (iii) embarque
internacional (preços relacionados a carga tributária), (iv) serviços logísticos internos
(qualidade dos serviços prestados por operadores logísticos, despachantes e
transportadoras), (v) monitoramento e rastreamento (facilidade em rastrear e monitorar
mercadorias) e (vi) pontualidade das operações (prazos de entregas dos prestadores de
serviços).

Por conta da globalização e de constantes avanços tecnológicos presentes no


comércio mundial, um produto ou serviço compete com diversos similares mais baratos no
mundo todo e, por este motivo, a logística vem se tornando um ponto crucial a ser otimizado
para geração de vantagem competitiva às empresas atuantes no mercado internacional. As
empresas buscam, por conta deste cenário, identificar em seus processos logísticos as
atividades que mais agregam valor, que proporcionem redução de custos ou de prazos nas
liberações de suas cargas, e buscam a eliminação daquelas onerosas ou que atrasam o
processo (AKABANE; CHAGAS; MOURA, 2015 apud ANDRADE, CASSANO e SOUZA,
2018).

ACORDO DE FACILITAÇÃO DE COMÉRCIO

O Acordo de Facilitação de Comércio foi adotado na IX Conferência Ministerial da


Organização Mundial do Comércio, realizada em Bali, Indonésia, em dezembro de 2013, e
constitui-se como o primeiro acordo de grande escala estabelecido pelos Estados Membros
da OMC desde a conclusão da Rodada Uruguai, ocorrida há mais de vinte anos. Prevê uma
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série de direitos e obrigações que se espera que possam resultar na reforma de
procedimentos aduaneiros em todo o mundo, contemplando medidas para modernizar a
administração aduaneira e simplificar e agilizar os procedimentos de comércio exterior, além
de possibilitar a cooperação entre os Membros na prevenção e combate a delitos
aduaneiros. Ele contém regras sobre o tempo de despacho e trânsito de mercadorias,
encargos e taxas incidentes no comércio exterior e transparência na publicação de normas.
Tem o propósito, assim, de superar barreiras administrativas ao comércio exterior para
importações, exportações e trânsito de bens. Composto por duas seções: a Seção I, que
aborda medidas e obrigações de facilitação de comércio; e a Seção II, que enfoca
mecanismos de flexibilidade para países de menor desenvolvimento relativo e em
desenvolvimento (também conhecidos como "tratamento especial e diferenciado")
(RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2017).

Então, preliminarmente, conclui-se que a origem do Programa do OEA conclui-se


que foi sueca e surgiu anteriormente à Convenção de Kyoto Revisada, objetivando reduzir a
vulnerabilidade das operações de comércio internacional em termos de ilegalidade, de
comércio ilícito e de terrorismo. Ou seja, sua origem tem conexão direta com aspectos de
segurança das fronteiras e de comércio ilegal. No âmbito do Brasil, o Programa do OEA foi
adotado por pressão do cenário internacional e tem baixa correlação com os aspectos de
segurança. Percebe-se que o intuito brasileiro em adotar o Programa está muito mais
relacionado aos benefícios que as certificações trazem para as empresas e à imagem
positiva que o Brasil, como país, automaticamente ganha no cenário internacional do que
com a proteção das fronteiras a qualquer tipo de ameaça e combate ao comércio ilegal, que
foram as grandes motivações para surgimento do OEA (ANDRADE, CASSANO e SOUZA,
2018).

Para o Brasil atingir os benefícios procurados pelas empresas e a imagem positiva


que, por conseguinte espera, pretende-se com o Programa a redução da burocracia
alfandegária, a seleção consciente de cargas para inspeção e a consequente redução dos
prazos e custos aduaneiros para empresas certificadas. Pretende-se, ademais, facilitar
operações para empresas certificadas, a fim de se adequar aos padrões mundiais de
comércio. Quanto às eventuais motivações que empresas tenham para pleitear a
certificação de OEA, conclui-se que se concentram nos benefícios oriundos da certificação e
consequentes vantagens competitivas que possam obter tanto em custo quanto em
diferenciação, por ser reconhecida como operador seguro e correto, diferenciando-se de
12
concorrentes e tendo imagem internacional positiva, ainda mais com possíveis Acordos de
Reconhecimento Mútuo (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

Concluem Andrade, Cassano e Souza (2018) que os benefícios se mostram


impactantes, em especial, dentro de três das cinco forças de Porter (1998): (i) poder de
barganha dos clientes, (ii) poder de barganha dos fornecedores e (iii) competição entre
concorrentes já existentes. Ademais, percebe-se que estes benefícios impactam três dos
seis fatores críticos levantados pelo The World Bank: (i) desembaraço aduaneiro; (ii)
monitoramento e (iii) rastreabilidade; (iv) pontualidade das operações; (v) fatores
relacionados ao fator tempo e (vi) à consequente confiabilidade dos clientes em termos de
prazo de entrega (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

Sendo assim, respondendo ao problema de pesquisa proposto, os efeitos da


implementação do Programa OEA no Brasil sobre as empresas interessadas em pleitear a
certificação em termos de vantagem competitiva são: a atração pelos benefícios, os quais
chamam a atenção destas empresas, visto que estes podem se mostrar como fortes
vantagens competitivas para elas dentro dos mercados em que atuam – internos e externos
– tanto em termos de custo quanto em termos de diferenciação, atingindo também os
fatores tempo e confiabilidade; a busca voluntária pela conformidade; confiabilidade e
segurança necessárias para receber a certificação, visando uma nova maneira de operar em
termos de comércio internacional (ANDRADE, CASSANO e SOUZA, 2018).

A EVOLUÇÃO DO PROGRAMA DE OEA NO BRASIL

O comércio internacional está repleto de oportunidades e também de desafios. O


aumento da concorrência (nacional e/ou internacional), a pressão pela redução de custos, a
busca por novos fornecedores ou por novos clientes, a diminuição das barreiras ao comércio
internacional, as crises econômicas são características do processo evolutivo do comércio
internacional com o advento da globalização. Nesse contexto, o Brasil, que é conhecido
como um país muito fechado para o comércio internacional, lançou em 2015 o Programa
Brasileiro de OEA, desenvolvido com base no programa da aduana dos Estados Unidos,
com o intuito de reduzir as barreiras alfandegárias e fomentar as operações de comércio
exterior do país. O programa OEA é tema mais atual e um dos principais programas criados
pelo governo brasileiro para o comércio exterior nos últimos tempos (SOUZA, LUCIANO,
SANTOS e SILVA, 2016).
13
Para agilizar os trâmites aduaneiros e reduzir os percalços oriundos do excesso de
burocracia diversos mecanismos foram desenvolvidos no Brasil, dentre os quais se destaca
como o mais recente e mais abrangente, o Programa Brasileiro de Operador Econômico
Autorizado (OEA). O programa OEA difere dos tradicionais regimes aduaneiros especiais,
no sentido de que estes existem para propiciar alternativas operacionais eficientes aos
importadores e exportadores e para atender situações atípicas com finalidades específicas
ou proporcionar benefícios tributários, enquanto o OEA, embora proporcione benefícios
semelhantes, é mais abrangente e consiste em uma certificação concedida pelas aduanas a
importadores, exportadores e demais atores da cadeia logística internacional, que confere o
status de empresa segura e confiável em suas operações de comércio exterior (SOUZA,
LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

O Regime especial de Linha Azul, também conhecido como Despacho Aduaneiro


Expresso, teve a sua primeira versão em 1998, inicialmente não era um programa de âmbito
nacional, funcionando apenas no Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas.
Segundo Souza et al. (2015) o regime aduaneiro de Linha Azul foi um programa de âmbito
nacional, pensado como uma forma de reduzir o excesso de burocracia no processo
administrativo aduaneiro e reduzir custos logísticos e seus benefícios se estendiam apenas
importadores e exportadores (SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

As empresas certificadas no Linha Azul tiveram a oportunidade realizar a transição


para o OEA-C Nível 1, com manutenção dos benefícios utilizados como empresa habilitada
à Linha Azul. Porém, as empresas que não requisitaram esta transição deixaram de usufruir
de tais benefícios automaticamente a partir de março de 2016 (RECEITA FEDERAL, 2016
apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

Em caráter de comparação no que tange os benefícios dos dois programas, o OEA


sobressai ao Linha Azul com um conjunto muito mais amplo de benefícios, além de se
estender para diversos atores da cadeia logística, enquanto o Linha Azul era restrito apenas
aos importadores e exportadores de alguns segmentos de mercado. De acordo com Souza
et al. (2015), os principais benefícios do Linha Azul estão relacionados à parametrização das
operações no Sistema Integrado de Comércio Exterior – SISCOMEX ocorrendo
preferencialmente para canal verde – desembaraço automático e à conferência aduaneira
prioritária para cargas selecionadas. No OEA estes benefícios também se aplicam, mas de
14
forma mais abrangente, comtemplando ainda outros benefícios tais como: registro
antecipado da Declaração de Importação, utilização da logo marca “OEA” conferindo o título
de empresa segura para operar no comércio exterior, além de benefícios concedidos pelas
Aduanas Estrangeiras (SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

O OEA brasileiro consiste na certificação dos intervenientes na cadeia logística,


exportadores, importadores, transportadores, agentes de cargas, depositários de mercadoria
sobre controle aduaneiro, operadores portuários ou aeroportuários e despachantes
aduaneiros, que apresentam confiabilidade nas suas operações logísticas e obrigações
aduaneiras. A certificação do programa não é obrigatória, ou seja, os operadores
certificados pelo OEA irão usufruir das vantagens logísticas, aduaneiras e dos benefícios de
futuros Acordos de Reconhecimento Mútuo e os operados não certificados não usufruirão de
tais benefícios (PROCOMEX, 2013 apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

A certificação do programa não é obrigatória, ou seja, os operadores certificados pelo


OEA irão usufruir das vantagens logísticas, aduaneiras e dos benefícios de futuros Acordos
de Reconhecimento Mútuo e os operados não certificados não usufruirão de tais benefícios
(PROCOMEX, 2013 apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

Para os operadores se certificarem no OEA, é necessário que possuam as condições


e requisitos determinados pela Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil nº
1.598/15. É preciso que os operadores atendam aos requisitos de admissibilidade, no qual o
operador torna-se apto a participar do processo de certificação no OEA, os critérios de
elegibilidade que indica a confiabilidade do operador e os critérios específicos por
modalidade e interveniente (RECEITA FEDERAL, 2016 apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS
e SILVA, 2016).

O programa OEA do Brasil está estruturado em modalidades: OEA-S – Operador


Econômico Autorizado Segurança, destinado às empresas exportadoras, agentes de carga,
despachantes aduaneiros, operadores portuários e aeroportuários, depositários,
transportadores; OEA-C – Operador Econômico Autorizado Conformidade, destinado às
empresas importadoras, sendo que dentro dessa modalidade existem dois níveis: OEA-C
nível 1 e OEA-C nível 2, e; OEA-I – Operador Econômico Integrado, visa à integração de
outros órgãos governamentais além da Receita Federal, como ANVISA e VIGIAGRO
(RECEITA FEDERAL, 2015 apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).
15
Com o Programa Brasileiro OEA – projeto que visa à facilitação, padronização,
simplificação, modernização e harmonização no comércio exterior – os trâmites aduaneiros
serão simplificados trazendo benefícios para as empresas que operam na importação e
exportação (ANEFAC, 2016 apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

O Programa Brasileiro OEA baseia-se na desburocratização do processo


administrativo aduaneiro e na redução dos custos logísticos nos processos de exportação e
importação para os operadores certificados. Todos os benefícios demonstrados na tabela 02
refletem na redução do tempo de liberação das cargas submetidas ao despacho aduaneiro
de importação ou de exportação e na facilitação das operações aduaneiras brasileiras e
estrangeiras (RECEITA FEDERAL, 2016 apud SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA,
2016).

Devido à praticidade dos trâmites aduaneiros, os custos logísticos alfandegários


serão reduzidos, e o tempo de envio e recebimento da mercadoria será mais ágil. Os
importadores e exportadores participantes do Programa OEA contarão com uma redução de
custo em armazenamento (nas zonas alfandegárias), agilidade na movimentação de carga
dentro do recinto alfandegado, gestão de estoque (just in time), ganho de agilidade e
eficiência de toda operação logística, redução do custo de inventário e melhores resultados
para a empresa. Por meio das medidas de facilitação e agilização dos procedimentos
aduaneiros, os benefícios concedidos aos operadores certificados como OEA, serão
usufruídos em qualquer alfândega (SOUZA, LUCIANO, SANTOS e SILVA, 2016).

OBJETIVOS E PRINCÍPIOS DO PROGRAMA BRASILEIRO DE OEA

O Programa Brasileiro de OEA é regido pelos seguintes princípios norteadores


(RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
i. Facilitação;
ii. Agilidade;
iii. Simplificação;
iv. Transparência;
v. Confiança;
vi. Voluntariedade;
vii. Parceria público-privada;
16
viii. Gestão de riscos;
ix. Padrões internacionais de segurança;
x. Conformidade aos procedimentos e à legislação; e
xi. Ênfase na comunicação por meio digital.

Em complemento, tem-se como objetivos do Programa OEA (RECEITA FEDERAL


DO BRASIL, 2018):
• Proporcionar maior agilidade e previsibilidade no fluxo do comércio
internacional;
• Buscar a adesão crescente de operadores econômicos, inclusive
pequenas e médias empresas;
• Incrementar a gestão do risco das operações aduaneiras;
• Firmar Acordos de Reconhecimento Mútuo que atendam aos interesses
do Brasil;
• Implementar processos de trabalho que visem à modernização da
Aduana;
• Intensificar a harmonização dos processos de trabalho com outros órgãos
regulatórios do comércio exterior;
• Elevar o nível de confiança no relacionamento entre os operadores
econômicos, a sociedade e a Secretaria da Receita Federal do Brasil
(RFB);
• Priorizar as ações da Aduana com foco nos operadores de comércio
exterior de alto risco ou de risco desconhecido; e
• Considerar a implementação de outros padrões que contribuam com a
segurança da cadeia logística.

INTERVENIENTES CERTIFICÁVEIS NO PROGRAMA OEA

De acordo com Receita Federal do Brasil (2018), a Instrução Normativa R.F.B. nº


1598/2015 traz um rol taxativo de categorias de operadores econômicos certificáveis no
Programa Brasileiro de OEA. Podem ser certificados os seguintes intervenientes da cadeia
logística:
i. Importador;
ii. Exportador;

17
iii. Transportador;
iv. Agente de carga;
v. Depositário de mercadoria sob controle aduaneiro, em recinto
alfandegado;
vi. Operador portuário ou aeroportuário; e
vii. Recinto Especial para Despacho Aduaneiro de Exportação – REDEX.

Desta forma, se a atividade desenvolvida pela empresa não estiver contida dentre as
citadas na normativa indicada acima, não será permitida a sua participação no Programa.
No entanto, abre-se a possibilidade de, ao longo do tempo, serem introduzidas novas
categorias de intervenientes da cadeia logística internacional (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018).

MODALIDADES DE CERTIFICAÇÃO E BENEFÍCIOS NO PROGRAMA OEA

Segundo Receita Federal do Brasil (2018), o Programa Brasileiro de OEA possibilita


a certificação dos intervenientes nas seguintes modalidades:
• OEA-Segurança (OEA-S), com base em critérios de segurança aplicados
à cadeia logística no fluxo das operações de comércio exterior; e
• OEA-Conformidade (OEA-C), com base em critérios de cumprimento das
obrigações tributárias e aduaneiras, e que apresenta níveis diferenciados
quanto aos critérios exigidos e aos benefícios concedidos: OEA-C Nível 1
e OEA-C Nível 2.

Aos operadores certificados no Programa OEA, serão concedidos benefícios que se


relacionam à facilitação dos procedimentos aduaneiros, no país ou no exterior. Estes
benefícios estão divididos em (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Benefícios de caráter geral, extensivos a todas as modalidades de
certificação OEA;
• Benefícios específicos para os operadores certificados como OEA-S;
• Benefícios específicos para os operadores certificados como OEA-C,
níveis 1 e 2; e
• Benefícios específicos para operadores certificados como OEA-C Nível 2.

18
Aponta Receita Federal do Brasil (2018) que são os benefícios comuns a todos os
OEA, de caráter geral, extensivos a todas as modalidades de certificação. São eles:
• Publicidade no Sítio da RFB: divulgação do nome do operador no sítio
da RFB, após a publicação do respectivo ADE, caso o OEA assim o
autorize, no Sistema OEA, quando da formalização do Requerimento de
Certificação;
• Utilização da logomarca “AEO”: fica permitida a utilização da logomarca
do Programa Brasileiro de OEA, em conformidade com o manual
aprovado;
• Ponto de Contato na RFB: Equipe de Gestão de Operador Econômico
Autorizado (EqOEA) designará um servidor como ponto de contato para a
comunicação entre a RFB e o OEA, para esclarecimento de dúvidas
relacionadas ao Programa Brasileiro de OEA e a procedimentos
aduaneiros;
• Prioridade de Análises: a EqOEA dará prioridade na análise do pedido
de certificação de operador que já tenha sido certificado em outra
modalidade ou nível do Programa Brasileiro de OEA;
• Benefícios concedidos pelas Aduanas estrangeiras: será facultado ao
OEA usufruir dos benefícios e vantagens dos Acordos de
Reconhecimento Mútuo que a RFB venha a assinar com as Aduanas de
outros países;
• Participação no Fórum Consultivo: o OEA poderá participar da
formulação de propostas para alteração da legislação e dos
procedimentos aduaneiros que visem ao aperfeiçoamento do Programa
Brasileiro de OEA, por meio do Fórum Consultivo.
• Dispensa de exigências cumpridas: as unidades de despacho
aduaneiro da RFB dispensarão o OEA de exigências formalizadas na
habilitação a regimes aduaneiros especiais ou aplicados em áreas
especiais que tenham sido cumpridas no procedimento de certificação no
Programa Brasileiro de OEA; e
• Participação em seminários e treinamentos: os OEA poderão participar
de seminários e treinamentos organizados conjuntamente com a EqOEA.

19
Os benefícios específicos aos operadores certificados na modalidade OEA-S
(OEA-Segurança) são (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Reduzido percentual de canais na exportação: o percentual das
Declarações Únicas de Exportação (DU-E´s) selecionadas para canais de
conferência será reduzido para exportadores OEA em relação aos demais
exportadores;
• Parametrização imediata das Declarações Únicas de Exportação (DU-
E´s): a parametrização das declarações aduaneiras do exportador OEA
será executada de forma imediata após o envio para despacho da DU-E;
• Prioridade de conferência das Declarações Únicas de Exportação
(DU-E´s): a DU-E do exportador OEA selecionada para conferência será
processada pelas unidades da RFB de forma prioritária, permitido o seu
disciplinamento por meio de ato específico emitido pela COANA;
• Dispensa da garantia no Trânsito Aduaneiro: será dispensada a
apresentação de garantia no trânsito aduaneiro cujo beneficiário seja
transportador OEA;
• Acesso prioritário dos transportadores OEA em recintos aduaneiros.

Segundo Receita Federal do Brasil (2018), os benefícios específicos aos OEA-


Conformidade para importadores / exportadores certificados nas modalidades OEA-C
nos Níveis 1 e 2:
• Resposta à consulta de classificação fiscal em até 40 dias: a consulta
sobre classificação fiscal de mercadorias, desde que atendidos todos os
quesitos, terá solução proferida em até 40 dias, a contar da protocolização
da consulta ou de seu saneamento, quando necessário;
• Dispensa de garantia na Admissão Temporária para utilização
econômica: será dispensada a apresentação de garantia para o
importador OEA na concessão do regime de admissão temporária para
utilização econômica; e
• Carga pátio por 24h de cargas aéreas procedentes diretamente do
exterior: a mercadoria importada por OEA, que proceda diretamente do
exterior, terá tratamento de armazenamento prioritário, permanecendo sob
custódia do depositário até ser submetida a despacho aduaneiro. Além
disso, será permitido o tratamento de "carga não destinada a

20
armazenamento" no Sistema de Gerência do Trânsito, do Manifesto e do
Armazenamento (Mantra), nos termos da norma específica; neste caso,
será recolhida para depósito em armazém ou terminal alfandegado após
decorrido o prazo de 24 horas, contado do momento em que a carga fique
disponível para despacho aduaneiro.

Os benefícios exclusivos aos importadores / exportadores certificados na


modalidade OEA-Conformidade Nível 2 (OEA-C Nível 2) são (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018):
• Redução do Percentual de Canais na Importação: o percentual de
despachos de importação selecionados para conferência será reduzido
para os importadores OEA em relação aos demais operadores;
• Parametrização Imediata das Declarações de Importação (D.I.´s): a
parametrização das declarações aduaneiras do importador OEA será
executada de forma imediata após o registro da Declaração de
Importação (D.I.);
• Prioridade de Conferência das Declarações de Importação (D.I.´s): a
D.I. do importador OEA selecionada para conferência será processada
pelas unidades locais da RFB de forma prioritária, permitido o seu
disciplinamento por meio de ato específico emitido pela COANA;
• Despacho sobre Águas OEA: será permitido ao importador OEA
registrar a D.I. antes da chegada da carga ao território aduaneiro, pelo
modal aquaviário, com aplicação de seleção parametrizada imediata; e
• Canal Verde na Admissão Temporária: a D.I. registrada por importador
OEA para o regime aduaneiro de admissão temporária poderá ser
selecionada para o canal verde de conferência aduaneira, dispensados o
exame documental e a verificação da mercadoria.

ACORDO DE RECONHECIMENTO MÚTUO

Os Acordos de Reconhecimento Mútuo (ARM) são acordos bilaterais celebrados


entre Aduanas de países que possuam Programas de OEA compatíveis entre si. Isso
significa que tanto os critérios adotados, quanto os procedimentos de validação devem ser
iguais ou semelhantes entre si (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

21
Segundo Receita Federal do Brasil (2018) os principais objetivos de um ARM são:
• Reconhecimento das certificações OEA emitidas pela Aduana do outro
país;
• Tratamento prioritário das cargas e consequente redução de custos
associados à armazenagem;
• Comprometimento recíproco da oferta de benefícios comparáveis;
• Previsibilidade das transações;
• Melhora na competitividade das empresas OEA no comércio internacional.

Os ARM são uma meta a ser alcançada no médio ou longo prazo, sendo que, de
acordo com Receita Federal do Brasil (2018), se deve ao fato que, primeiramente, os
Programas de OEA de ambos os países necessitam estar maduros quanto aos
procedimentos de certificação dos operadores adotados e também porque deve haver um
número considerável de operadores certificados e usufruindo dos benefícios.

DESPACHO SOBRE ÁGUAS NO PROGRAMA OEA

Estabelece Receita Federal do Brasil (2018) que o Despacho sobre Águas OEA é
uma modalidade de despacho aduaneiro de importação que permite que a Declaração de
Importação (D.I.) relativa a mercadoria que proceda diretamente do exterior, por meio
aquaviário, possa ser registrada antes da sua descarga na unidade da RFB de despacho.

Somente poderá ser utilizado por pessoa jurídica certificada como Operador
Econômico Autorizado (OEA) certificada na modalidade OEA-Conformidade Nível 2. O
importador certificado pode utilizar o Despacho sobre Águas OEA quando (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• A operação de importação for realizada por via aquaviária;
• A Declaração de Importação (D.I.) for do tipo “Consumo” ou “Admissão na
Zona Franca de Manaus (ZFM)”; e
• O Licenciamento de Importação (L.I.), se houver, estiver deferido no
momento do registro da D.I.

No registro da D.I. devem ser observados alguns pré-requisitos na modalidade


Despacho sobre Águas OEA, segundo aponta Receita Federal do Brasil (2018):

22
• O conhecimento eletrônico (CE-Mercante) deve ser informado pelo
transportador e associado a manifesto de importação com porto de
descarregamento nacional;
• A Unidade Local (UL) de despacho e a UL de entrada no País devem ser
as mesmas; e
• A carga não deve possuir atracação no porto de destino final informado no
CE-Mercante.

Após o registro da atracação da embarcação no porto de destino final, a importação


não poderá mais seguir o rito previsto ao Despacho sobre Águas OEA. Nos casos em que
há embalagens de madeira sujeita à inspeção do MAPA, caberá ao importador informar ao
depositário para que este, em consonância com a legislação específica desse órgão
anuente, insira a informação no sistema VIGIAGRO. Mercadorias sujeitas à inspeção física
de órgãos anuentes não podem optar pelo Despacho sobre Águas OEA, ainda que o
importador seja certificado como OEA-C2. A modalidade de Despacho sobre Águas OEA
não poderá ser alterada para outra modalidade após o registro da D.I., devendo a
declaração ser cancelada se for necessária a alteração de modalidade (RECEITA FEDERAL
DO BRASIL, 2018).

De acordo com Receita Federal do Brasil (2018), a seleção parametrizada para canal
de conferência aduaneira, no Despacho sobre Águas OEA, ocorre logo após o registro da
D.I., da seguinte forma:
• Canal verde, com o desembaraço automático da D.I.;
• Canal amarelo, com análise documental logo após a vinculação do dossiê
eletrônico à D.I., com os respectivos documentos instrutivos, antes da
chegada da carga.
• Canal vermelho, com análise documental e verificação física:
• a) – Agendada com a prioridade a que faz jus o importador
certificado OEA-C2; e
• b) – Realizada após a descarga da mercadoria e o seu
armazenamento pelo depositário.

23
Nas hipóteses de canais verde e amarelo, caso sejam identificados elementos que
apontem irregularidade na importação, a D.I. poderá ser objeto de análise documental e
verificação física.

O depositário deve manter a carga em área pátio por 48 (quarenta e oito) horas,
considerado somente o tempo decorrido em dias úteis, a partir da sua chegada, quando a
D.I. vinculada à carga estiver desembaraçada no canal verde de conferência aduaneira.
Findas as 48 horas, a carga deverá ser armazenada pelo depositário, caso não tenha sido
retirada pelo importador. O depositário, em caso de chegada de carga desembaraçada e
não retirada em 48 horas, poderá armazená-la, mesmo sem a informação da presença de
carga. A permanência da carga despachada na modalidade Despacho sobre Águas e não
retirada no prazo de 48 horas configura um descumprimento de norma da RFB. A entrega,
ao importador, da carga objeto de DI registrada na modalidade de Despacho sobre Águas
OEA, deverá seguir os procedimentos previstos na Instrução Normativa S.R.F. nº 680, de 2
de outubro de 2006 (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Segundo Receita Federal do Brasil (2018), o sistema não impede o registro de


importações de mercadorias transportadas a granel na modalidade Despacho sobre Águas
OEA. O que ocorre é que, na importação desse tipo de mercadoria, geralmente existe a
necessidade de retificação da Declaração de Importação (D.I.), uma vez que a quantidade
de mercadoria descarregada dificilmente corresponde a que foi informada no registro da D.I.
Na hipótese de descarga da mercadoria a D.I. pode estar desembaraçada, ao realizar a
retificação da quantidade para um valor maior daquele registrado, então será necessário o
recolhimento da diferença dos tributos e demais encargos. Se a quantidade descarregada
for menor do que a já informada na D.I., após a retificação a empresa precisará solicitar
restituição dos tributos.

A modalidade de desembaraço sobre águas pode ser utilizada tanto para


importações de cargas normais, quando todo o conteúdo do contêiner pertence ao
importador (Full Container Load – FCL) e cargas consolidadas, quando o contêiner é
consolidado (Less Container Load – LCL) (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

24
REQUISITOS E CRITÉRIOS DE CERTIFICAÇÃO OEA

REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO PROGRAMA OEA

Receita Federal do Brasil (2018) define objetivamente que são requisitos objetivos
elencados pelo Programa Brasileiro de OEA como sendo de cumprimento obrigatório por
todos os operadores que estejam pleiteando a certificação, e determina que a análise dos
requisitos será feita no prazo de 15 dias da juntada dos documentos elencados na Instrução
Normativa R.F.B. nº 1598/2015.

Os requisitos de admissibilidade que avaliam se o operador está apto a participar


do processo de certificação (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Adesão ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE);
• Adesão à Escrituração Contábil Digital (ECD);
• Comprovação de Regularidade Fiscal, por meio da Certidão Negativa de
Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da
União (CND);
• Inscrição no C.N.P.J. e recolhimento de tributos federais há mais de
24 meses;
• Atuação como interveniente em atividade passível de certificação
como OEA por, no mínimo, 24 meses;
• Autorização para o requerente operar em sua área de atuação, nos
termos estabelecidos pelo órgão de controle específico, quando for o
caso; e
• Inexistência de indeferimento de pedido de certificação ao Programa
OEA nos últimos 6 meses.

Constatado o não atendimento dos requisitos de admissibilidade, o requerente será


intimado a sanear o processo. O não atendimento da exigência para saneamento do
processo, no prazo definido pela RFB, implicará o arquivamento do pedido de certificação
OEA. Porém, o solicitante da certificação poderá, a qualquer tempo, após o arquivamento,
solicitar nova certificação (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Para aderir ao Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), o contribuinte precisa ter a


certificação digital e fazer a opção no Portal e-CAC. A adesão ao DTE permite que sua
25
Caixa Postal no e-CAC também seja considerada seu Domicílio Tributário perante a
Administração Tributária Federal (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Mesmo que eventualmente esteja dispensado da Escrituração Contábil Digital


(ECD), o operador que tiver interesse na certificação OEA deverá estar com o sistema de
ECD em operação para que seu pleito seja admitido à análise do Programa OEA (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).

A prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional é efetuada mediante


apresentação de certidão expedida conjuntamente pela Secretaria da Receita Federal do
Brasil (RFB) e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), referente a todos os
créditos tributários federais e à Dívida Ativa da União (DAU) por elas administrados,
inclusive os créditos tributários relativos às contribuições sociais, às contribuições instituídas
a título de substituição, e às contribuições devidas, por lei, a terceiros. A certidão somente é
emitida para o contribuinte devidamente inscrito no Cadastro Nacional da Pessoa
Jurídica (CNPJ). Ela é emitida para o CNPJ do estabelecimento matriz, tendo validade para
todos os outros estabelecimentos. Certidões positivas de débitos com efeito negativo
(CPEN) não excluem a admissibilidade no Programa OEA (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018).

Segundo Receita Federal do Brasil (2018), a certidão de débitos pode ser emitida
imediatamente pela internet. Para facilitar a regularização de possível pendência
apresentada, o contribuinte poderá obter a pesquisa de situação fiscal no Portal e-CAC.
Após a realização da pesquisa e, se não for possível resolver todas as pendências por meio
da Internet, o contribuinte deverá procurar a unidade da RFB de seu domicílio tributário
munido do Requerimento de Certidão de Débitos, assinado por pessoa legalmente
qualificada, documentação comprobatória da regularização das pendências e com os
demais documentos necessários.

De acordo com Receita Federal do Brasil (2018), a comprovação de atuação de que


o requerente está ativamente na atividade como um interveniente há mais de 24 meses,
para a qual está requerendo a certificação. Desta forma, se o requerente for um exportador /
importador, tais informações serão extraídas dos sistemas da Receita Federal, não
necessitando de comprovação documental. No entanto, para os demais intervenientes,

26
solicitam-se notas fiscais de serviço e/ou documentos que permitam esta aferição para
comprovação da atividade durante o período analisado.

O prazo de 24 meses de inscrição no cadastro C.N.P.J. e de atuação como


interveniente certificável pode ser flexibilizado, e não se aplicará às hipóteses de
requerimentos de certificação apresentados por (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Pessoa jurídica controlada ou coligada de entidade estrangeira certificada
no país de domicílio em programa equivalente ao Programa Brasileiro de
OEA;
• Empresas cujo quadro societário seja composto, majoritariamente, por
pessoas jurídicas certificadas como OEA;
• Importadores ou exportadores que tenham realizado no mínimo 100 (cem)
operações de comércio exterior por mês de existência; ou
• Pessoa jurídica sucessora de uma empresa certificada como OEA,
resultante de processo de fusão, cisão ou incorporação, desde que
permaneça sob o controle administrativo do mesmo grupo controlador da
empresa sucedida.

E, complementarmente, Receita Federal do Brasil (2018) descreve que a


comprovação da autorização para operar em sua área de atuação deverá ser feita
mediante a apresentação de documento emitido pelo órgão de controle específico que
determina a permissão pleiteada.

CRITÉRIOS DE ELEGIBILIDADE DO PROGRAMA OEA

Os critérios de elegibilidade são condições que traduzem o grau de confiabilidade


dos operadores, requerentes da certificação OEA, que são por (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018):
• Histórico do cumprimento da legislação aduaneira: tem por objetivo
evitar reincidência de infração à legislação aduaneira.
• Gestão da informação: objetiva assegurar disponibilidade e exatidão de
registros comerciais relacionados com as operações de comércio exterior.
• Solvência financeira: tem por finalidade manter e aperfeiçoar todos os
controles ligados aos critérios do Programa OEA.

27
• Política de recursos humanos: Visa evitar admissão ou manutenção de
pessoal que represente ameaça à cadeia logística ou à conformidade
aduaneira.
• Gerenciamento de riscos aduaneiros: tem por objetivo exigir dos
pleiteantes da certificação OEA a implantação de gerenciamento de riscos
que estabeleça ações destinadas a identificar, analisar, avaliar, priorizar,
tratar e monitorar eventos com potencial impacto negativo no
cumprimento de requisitos dos critérios compreendidos na respectiva
modalidade de certificação. Devendo ser observado que passou-se a
exigir a entrega por todos os intervenientes da cadeia logística, para todas
as modalidades de certificação OEA: (i) OEA-Segurança; (ii) OEA-
Conformidade Nível 1; e (iii) OEA-Conformidade Nível 2.

HISTÓRICO DE CUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO

De acordo com Receita Federal do Brasil (2018) os objetivos da análise do critério


sobre o histórico de cumprimento da legislação aduaneira é evitar reincidência de
infração à legislação aduaneira. Desta forma, foi determinado que os requerentes da
certificação devem ser adotar medidas destinadas a prevenir a recorrência de infrações
graves ou reiteradas à legislação aduaneira cometidas nos últimos 3 (três) anos. Então,
serão analisados os 3 (três) anos, anteriores da data do envio do requerimento de
certificação para a análise, pelo Sistema OEA. Este período será prorrogado até a data de
sua efetiva análise pela EqOEA.

Receita Federal do Brasil (2018) destaca que será analisado se existem infrações à
legislação aduaneira, graves ou cometidas de forma reiterada. Adicionalmente, serão
verificadas a natureza e a gravidade da infração cometida, bem como os danos que dela
provierem, além das medidas corretivas adotadas para evitar reincidência destas infrações.
No caso em que a requerente seja pessoa jurídica, serão analisadas as infrações cometidas
também por pessoas físicas com poderes de administração. Saliente-se ainda que, para
apuração do histórico de cumprimento da legislação aduaneira, serão consideradas as
exigências fiscais impostas no curso do despacho aduaneiro registradas no Siscomex.

São consideradas infrações graves à legislação aduaneira (RECEITA FEDERAL


DO BRASIL, 2018):
28
• Cometidas deliberadamente, independentemente das consequências;
• Decorrentes de negligência manifesta;
• Que acarretam sanções significativas ou representações fiscais para fins
penais;
• Que constituam grave ameaça à segurança da cadeia logística
internacional.

Nesse sentido, no entendimento de Receita Federal do Brasil (2018), são exemplos


de infrações graves o terrorismo, o tráfico ilícito internacional, o contrabando, o descaminho,
a fraude, a violação a direitos de propriedade industrial ou intelectual. Observando-se
também que infrações não relevantes (consideradas leves) podem se tornar relevantes para
fins de certificação OEA, inclusive dependendo da frequência com que ocorrem, uma vez
que a ocorrência reiterada demonstra o não saneamento, pelo requerente, dos reais fatores
que ocasionaram tais erros (infrações), ou ausência de tomada de medidas corretivas e/ou
preventivas.

GESTÃO DA INFORMAÇÃO

Avalia-se quanto à gestão da informação e tem-se como objetivos deste critério


assegurar disponibilidade e exatidão de registros comerciais relacionados com as operações
de comércio exterior e assegurar exatidão de informações de interesse aduaneiro
declaradas. Desta forma, foram determinadas exigências que os requerentes da certificação
devem atentar relacionadas a quatro requisitos (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Registros das operações;
• Segurança da informação;
• Qualidade documental; e
• Informações declaradas.

Complementarmente, quanto aos registros das operações são exigidos dos


requerentes da certificação OEA:
• Devem ser mantidos registros que permitam auditoria de todas as
operações de comércio exterior; e
• Os registros devem ser tempestivos, legíveis, completos e confiáveis.

29
Agrega-se ao exposto acima que, o operador deve também assegurar o registro das
principais atividades relacionadas com operações de comércio exterior, especialmente:
• Vendas e ordens de venda;
• Compras e ordens de compra;
• Controle de estoque;
• Produção;
• Expedição;
• Declarações aduaneiras;
• Transporte;
• Armazenamento de unidades de carga;
• Financeiros (recebimentos e pagamentos).

Tendo em vista a rastreabilidade das operações, segundo esclarecido por Receita


Federal do Brasil (2018), deve-se também assegurar a integração dos citados registros.
Neste sentido, a avaliação do operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos
executados de forma terceirizada.

Com relação à segurança da informação, são exigidos dos requerentes da


certificação OEA que (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• As informações relacionadas com as operações de comércio exterior
devem ser protegidas contra acesso não autorizado;
• Autorizações de acesso a informações devem ser concedidas para cada
funcionário individualmente;
• A autenticação de acesso a informações deve ocorrer por meio de senha,
com política de renovação definida;
• Deve existir política de segurança da informação, de conhecimento por
parte de toda a organização;
• Medidas devem ser adotadas a fim de identificar violações à política de
segurança da informação da organização;
• Devem ser previstas medidas disciplinares aplicáveis aos casos de
violação à política de segurança da informação da organização; e
• As informações relacionadas com as operações de comércio exterior
devem ser armazenadas de forma que possibilite sua restauração.

30
De acordo com notificado por Receita Federal do Brasil (2018), quanto à qualidade
documental, são exigidos dos requerentes da certificação OEA que:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
assegurar que as informações de interesse aduaneiro nos documentos
sejam legíveis, completas, e confiáveis para identificar as operações a
que se referem;
• O procedimento deve assegurar que as informações constantes nos
documentos correspondam às mercadorias recepcionadas e/ou
expedidas; e
• O procedimento deve assegurar que discrepâncias entre mercadorias e
correspondentes documentos tenham suas causas apuradas e sejam
devidamente tratadas, incluindo comunicação às autoridades
competentes, quando for o caso.

Considera-se informação legível a que tem nitidez e pode ser lida com facilidade nos
documentos. Por sua vez, entende-se como informação completa aquela que possibilita a
plena compreensão do objeto descrito. Por último, é confiável a informação quando há
certeza sobre sua correspondência com o objeto a que se refere (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018).

O subcritério qualidade documental é de extrema importância no processo de


certificação OEA. Por meio dos procedimentos por ele exigidos que será permitida a
obtenção de informações de interesse aduaneiro, tais como as características das
mercadorias, a correta identificação dos responsáveis, e a verificação das discrepâncias,
que porventura possam existir, entre os documentos instrutivos aduaneiros e as informações
declaradas. Desta forma, caso algum questionamento feito por este item tenha uma
resposta negativa do requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos antes da
apresentação do requerimento de certificação OEA, sob pena de ter seu pleito indeferido.
Neste contexto, é exigido dos requerentes da certificação OEA a existência de procedimento
formal (escrito), de aplicação obrigatória, para assegurar que informações de interesse
aduaneiro sejam tempestivamente declaradas e correspondam às constantes nos
documentos que as amparam (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

O procedimento de preenchimento de declarações aduaneiras do requerente da


certificação OEA deve assegurar que as informações prestadas correspondam às
31
constantes nos documentos instrutivos do despacho aduaneiro. Desta forma, se
utilizada internamente, pelo requerente, unidade de medida diversa das constantes nos
documentos de aquisição e venda, as conversões de unidades devem assegurar que as
quantidades resultantes correspondam às constantes nos documentos. Observa-se também
que, se utilizada, em documentos de aquisição e venda, unidade de comercialização diversa
da unidade de medida estatística, as conversões de unidades devem assegurar que, em
declarações aduaneiras, sejam informadas quantidades corretas na unidade de medida
estatística. A avaliação do operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos
executados de forma terceirizada (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

SOLVÊNCIA FINANCEIRA

Quanto à solvência financeira, descreve Receita Federal do Brasil (2018) que o


objetivo desse critério é manter e aperfeiçoar todos os controles ligados aos critérios do
Programa OEA. Desta forma, foram determinados dois requisitos que os requerentes da
certificação devem atentar quanto as suas exigências:
• Falência, recuperação judicial / extrajudicial ou medida cautelar
fiscal: nada constar em nome do operador, como réu, requerido ou
interessado, nos últimos 3 (três) anos, em distribuições de pedidos de
falência, concordatas, recuperações judiciais e extrajudiciais, tampouco
em processos de medidas cautelares fiscais.
• Situação financeira sólida: Deve dispor de capacidade financeira
suficiente para cumprir com compromissos necessários para atendimento
das exigências do Programa OEA.

A comprovação da solvência financeira será mediante a verificação da integralização


do Capital Social, da análise do Balanço Patrimonial Inicial, conferência dos extratos
bancários, entre outros métodos disponíveis.

POLÍTICA DE RECURSOS HUMANOS

Quanto à política de recursos humanos, o objetivo desse critério é evitar admissão


ou manutenção de pessoal que represente ameaça à cadeia logística ou à conformidade
aduaneira. Desta forma, foram determinados quatro requisitos que os requerentes da

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certificação devem atentar quanto as suas exigências (RECEITA FEDERAL DO BRASIL,
2018):
• Identificação de cargos sensíveis;
• Seleção de pessoal para cargos sensíveis;
• Acompanhamento de ocupantes de cargos sensíveis; e
• Desligamento de pessoal.

São considerados sensíveis cargos com atribuições cujo desempenho possa afetar o
atendimento aos níveis de conformidade e confiabilidade exigidos pelo Programa OEA, em
termos de segurança da cadeia logística ou de cumprimento de obrigações tributárias e
aduaneiras. E, relacionado à identificação de cargos sensíveis, é exigido dos requerentes
da certificação OEA que a descrição de cada cargo da organização deve indicar se o cargo
é sensível no tocante à segurança da cadeia logística ou à conformidade das obrigações
tributárias e aduaneiras (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Para Receita Federal do Brasil (2018) é de suma importância para o Programa OEA
que as empresas indiquem nas descrições dos cargos quais deles se trata de cargos
sensíveis no tocante à segurança da cadeia logística ou à conformidade das obrigações
tributárias e aduaneira. Caso o requerente não adote essa política, determina-se que seja
adaptado o plano de cargos para a inserção da indicação dos cargos sensíveis antes de
apresentar o requerimento de certificação OEA.

Quanto ao processo de seleção de pessoal aos cargos sensíveis, são exigidos


dos requerentes da certificação OEA (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
seleção de pessoal;
• O procedimento deve estabelecer que informações fornecidas - tais como
referências profissionais ou pessoais - sejam validadas antes da
contratação; e
• O procedimento deve contemplar, previamente à seleção, análise de
histórico - para candidatos com experiência profissional - dentro dos
limites legais.

33
O processo de seleção dos candidatos aos cargos aos cargos sensíveis deve
ser um procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, que preveja a validação
prévia das referências profissionais ou pessoais fornecidas e o histórico pelos candidatos,
dentro dos limites legais. O mesmo procedimento deve ser exigido das empresas de RH,
prestadoras de serviços de recrutamento, para esses cargos sensíveis. Caso o requerente
não adote essa política, determina-se que seja adaptado o procedimento de contratação dos
cargos sensíveis antes de apresentar o requerimento de certificação OEA (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Receita Federal do Brasil (2018) afirma que é obrigatório ter um procedimento formal
(escrito) para acompanhamento dos ocupantes dos cargos sensíveis, cuja finalidade é
de prevenir condutas ilícitas, dissonantes das políticas da organização ou que constituam
ameaça à segurança da cadeia logística internacional ou ao cumprimento de obrigações
tributárias ou aduaneiras. A manutenção de registros das ações empreendidas - preventivas
e corretivas - além de evidenciar sua realização, constitui parte importante do histórico
funcional. O mesmo procedimento deve ser adotado, caso seja executado de forma
terceirizada. Caso o requerente não adote essa política, determina-se que seja adaptado o
procedimento de acompanhamento dos cargos sensíveis antes de apresentar o
requerimento de certificação OEA (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Com relação ao processo de desligamento de pessoal, segundo Receita Federal do


Brasil (2018), são exigidos dos requerentes da certificação OEA quanto ao desligamento
de pessoal:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, de
desligamento de pessoal;
• O procedimento deve estabelecer que a área competente seja notificada
do desligamento para que proceda à respectiva revogação de acesso às
instalações físicas do operador;
• O procedimento deve estabelecer que a área competente seja notificada
do desligamento para que proceda à respectiva revogação de acesso
lógico ao ambiente informatizado do operador;
• O procedimento deve estabelecer que a área competente seja notificada
do desligamento para que proceda à respectiva revogação de

34
representações porventura existentes, evitando assim que pessoal
desligado represente o operador perante a Aduana; e
• O procedimento deve estabelecer a devolução de quaisquer utensílios e
vestuário porventura em posse da pessoa ora desligada.

GERENCIAMENTO DE RISCOS

O critério gerenciamento de riscos aduaneiros tem como objetivo identificar,


analisar, avaliar, priorizar, tratar e monitorar eventos capazes de afetar os objetivos
relacionados com os critérios do Programa OEA. Desta forma, foi determinado um requisito
que os requerentes da certificação devem atentar quanto as suas exigências. Portanto,
nota-se que, no gerenciamento de riscos aduaneiros, deve existir processo de
gerenciamento de riscos que estabeleça ações destinadas a identificar, analisar, avaliar,
priorizar, tratar e monitorar eventos com potencial impacto negativo no cumprimento de
requisitos dos critérios compreendidos na respectiva modalidade de certificação. É exigido
de todos os operadores solicitantes das modalidades: (i) OEA-Segurança; (ii) OEA-
Conformidade Nível 1; e (iii) OEA-Conformidade Nível 2 (RECEITA FEDERAL DO BRASIL,
2018).

O gerenciamento de riscos é de extrema importância no processo de certificação


OEA. E, caso algum questionamento feito por este item tenha uma resposta negativa do
requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos antes da apresentação do
requerimento de certificação OEA. Passou a ser um critério de elegibilidade pois tem a
finalidade de demonstrar a confiabilidade dos operadores no comércio exterior. Desta forma,
se a empresa não tem implementado o gerenciamento de risco e deseja ser um operador
certificado como OEA, deverá implementar um Processo de Gerenciamento de Risco, sob
pena de ter o requerimento indeferido. O Programa OEA é um programa de parceria
público-privada, e, diante disso, as empresas devem adotar os procedimentos que garantam
a redução do risco e a RFB garantir a fruição dos benefícios do Programa, com intuito de
fornecer maior agilidade das cargas (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Receita Federal do Brasil (2018) destaca que a implementação de um processo de


gerenciamento de risco na empresa exige diversas atividades internas, como reuniões de
brainstorm com equipes técnicas (executoras dos processos de trabalho) para levantamento
dos eventos de risco, identificação de suas causas e efeitos, mensuração de suas
35
probabilidades e consequências, avaliação dos procedimentos que estão implementados
(tratamentos), definição de controles de eficácia desses processos (monitoramentos
periódicos), além da propositura de tratamento e monitoramentos que possam ser
implantados para diminuir o nível de risco futuro. E, indica que, desta forma, o requisito do
programa OEA é a existência de um Processo de Gerenciamento de Risco, assim
entendido como um modelo sistemático que permita identificar, analisar, avaliar, priorizar,
tratar e monitorar eventos com potencial impacto nos demais critérios do Programa.

O mapa de risco, nos moldes da ISO 31000, não é o requisito. O mapa de risco é
uma evidência de implementação, ou seja, uma representação gráfica para ilustrar a adoção
do processo de gerenciamento de risco. Tem a finalidade de permitir, de forma sucinta, que
a equipe de análise da RFB entenda e verifique a existência do processo de gerenciamento
de risco. Outros documentos como auditorias de controle interno dos processos
relacionados aos critérios de conformidade corroboram na evidenciação de que o
gerenciamento de risco está operante. Apenas atentando que esta auditoria de controle
interno deve ser periódica (a cada 6 meses, anual, ou a critério da empresa) e não deve
ocorrer apenas como forma de comprovação do requerimento de solicitação da certificação
OEA (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Segundo dispõe Receita Federal do Brasil (2018), cada operador deverá, em acordo
com a norma ABNT NBR ISO 31000:2009, montar seu próprio mapa de risco. Para fins do
gerenciamento de riscos aduaneiros, o requerente da certificação deverá apresentar, para
cada objetivo relacionado com o critério específico do Programa OEA, as seguintes
informações:
• Critério específico;
• Objetivo relacionado;
• Evento de risco, suas causas e seus efeitos;
• Para a determinação do risco inerente: as avaliações de
probabilidades, consequências e nível de risco;
• Para a determinação do risco residual: descrição dos tratamentos e
monitoramentos existentes e as avaliações de probabilidades,
consequências e nível de risco;
• Ponto de controle: diferença entre os níveis de risco inerente e residual.
Expressa a efetividade dos controles implantados;

36
• Para determinação do risco futuro: descrição dos tratamentos e
monitoramentos propostos e as avaliações de probabilidades,
consequências e nível de risco previstos, caso os referidos tratamentos e
monitoramento sejam implementados.

Complementarmente ao exposto acima, a avaliação do risco consiste e abrange


identificar, analisar e avaliar os riscos:
• Identificação de riscos: consiste na detecção de eventos internos e
externos com potencial impacto, negativo ou positivo, nos objetivos do
que está sob avaliação. A cada risco identificado, devem ser associadas
causas e efeitos possíveis, caso ocorra. A finalidade desta etapa é gerar
uma ampla lista de riscos baseada nos eventos, pois um risco não
identificado nesse momento, não será incluído em análises posteriores.
Logo, devem ser incluídos até mesmo riscos com fontes fora do controle
da organização ou com causas incertas.
• Análise de riscos: nesta etapa, causas e efeitos dos riscos são
apreciados, sendo definidas suas probabilidades de ocorrência e suas
consequências; denomina-se nível de risco o produto desses fatores.
Ainda, são verificados os controles existentes e sua efetividade.
• Avaliação de riscos: esta etapa consiste em comparar o nível de risco
apurado na etapa de análise de riscos com os critérios definidos na etapa
de estabelecimento do contexto como base para avaliação da
significância dos riscos. A finalidade é auxiliar na tomada de decisão.

A escolha do método é influenciada por fatores como contexto, objetivos e recursos


disponíveis. Os métodos de análise de riscos podem ser (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018):
• Quantitativo: análise numérica da probabilidade e da consequência;
• Qualitativo: o nível de risco é expresso por descrições, em vez de meios
numéricos; ou
• Semiquantitativo: são atribuídos valores ou intervalos de valores a
escalas qualitativas.

37
Para Receita Federal do Brasil (2018), o objetivo desta etapa é modificar níveis de
risco apurados, por meio de controles novos ou aperfeiçoamento de controles existentes.
São resultados possíveis do tratamento de riscos:
• Remoção da fonte de risco;
• Alteração da probabilidade de ocorrência;
• Alteração da consequência;
• Ação de evitar o risco (não iniciar ou descontinuar atividade que origina o
risco);
• Ação de aumentar o risco (positivos), visando a aproveitar oportunidade.

Deve ser definida a ordem de prioridade de cada tratamento, incluindo também as


opções de monitoramento, que permite aferir a eficácia das medidas propostas e a alteração
do nível de risco. Um plano de ação para tratamento de riscos inclui, entre outras medidas,
identificar as razões que orientaram a escolha dos controles a serem implementados, os
benefícios esperados, os responsáveis, as ações propostas, os recursos necessários
(RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Destaca Receita Federal do Brasil (2018) que o monitoramento consiste em


atividades permanentes, por meio das quais se acompanha a evolução dos níveis de risco,
com o objetivo de conhecer, em intervalos apropriados, o sucesso ou não das medidas
implementadas. Complementa que, por meio de revisões e atualizações periódicas ou
específicas de riscos envolvidos, deve-se buscar o aprimoramento contínuo dos processos
de trabalho. Diante disso é verificado se as recomendações são executadas corretamente e
se houve alteração em fatores que acarrete adequação ou reavaliação das opções de
controle.

Durante todo o processo de gerenciamento de riscos, os responsáveis pela atividade


devem manter fluxo regular e constante de comunicação com as áreas técnicas
envolvidas, consultando-as sobre informações relativas a cada fase do processo. A
troca de informação é fundamental e deve levar em conta o nível de informação que as
partes interessadas possuem ou necessitam para administrar e adotar providências relativas
ao processo de trabalho submetido ao gerenciamento de riscos. Consequentemente, as
atividades de gerenciamento de riscos devem ser registradas e documentadas, uma vez
que fornecem os fundamentos para a melhoria dos métodos e ferramentas do próprio

38
processo. De acordo com a ABNT NBR ISO 31000:2009, as decisões relativas à criação de
registros devem levar em conta a necessidade de aprendizado contínuo da organização,
custos e esforços envolvidos na criação e na manutenção de registros, meios de
armazenamento e de acesso, facilidade de recuperação, entre outros fatores (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).

CRITÉRIOS DE SEGURANÇA DO PROGRAMA OEA

GESTÃO DOS RISCOS ADUANEIROS NO OEA-SEGURANÇA

Os critérios de segurança são aplicados à cadeia logística no fluxo das operações


de comércio exterior. Segundo Receita Federal do Brasil (2018) são:
• Segurança da carga: os objetivos desse critério são evitar utilização de
unidade de carga ou compartimento de carga adulterados e evitar
violação de unidades de carga e de veículos de carga;
• Controle de acesso físico: esse critério visa evitar acesso não
autorizado a áreas ou setores do estabelecimento;
• Treinamento e conscientização de ameaças: tem por finalidade
sensibilizar os funcionários acerca da segurança da cadeia logística;
• Segurança física das instalações: esse critério objetiva evitar acesso
não autorizado a áreas ou setores do estabelecimento; e
• Gestão de parceiros comerciais: a finalidade do critério é evitar
parcerias que comprometam a segurança da cadeia logística
internacional.

SEGURANÇA DA CARGA

É verificado e tem-se com objetivos no critério segurança da carga evitar utilização


de unidade de carga ou compartimento de carga adulterados e violação de unidades de
carga e de veículos de carga. Desta forma, foram determinados cinco requisitos que os
requerentes da certificação devem atentar quanto as suas exigências (RECEITA FEDERAL
DO BRASIL, 2018):
• Inspeção das unidades de carga e veículos;
• Emprego de dispositivos de segurança;
• Verificação da integridade da unidade de carga;
39
• Transporte da carga; e
• Armazenamento de unidades de carga.

Quanto à inspeção das unidades de carga e veículos são exigidos dos


requerentes da certificação OEA, quanto à inspeção das unidades de carga e veículos:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
inspeção prévia de unidades de carga e veículos;
• Contêineres devem ser submetidos a inspeções de sete pontos; e
• Veículos de carga devem ser submetidos a inspeções de dezessete
pontos.

Receita Federal do Brasil (2018) indica que a inspeção prévia ao carregamento é


essencial para verificação da integridade da unidade de carga e mitigação do risco de
transporte simultâneo, não autorizado, de outros produtos. Permite detecção, por exemplo,
de paredes falsas em contêineres ou carrocerias. A avaliação do operador deve abranger,
quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada. A inspeção de sete
pontos para contêineres compreende:
1) – Chassi
2) – Porta
3) – Lateral direita
4) – Lateral esquerda
5) – Parede frontal
6) – Teto
7) – Piso

Em complemento destaca também que a inspeção prévia ao carregamento é


essencial para verificação da integridade da unidade de carga e mitigação do risco de
transporte simultâneo, não autorizado, de outros produtos. Permite detecção, por exemplo,
de paredes falsas em contêineres ou carrocerias. A avaliação do operador deve abranger,
quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada. A inspeção de
dezessete pontos para veículos de carga compreende:
1) – Para-choque
2) – Motor
3) – Pneus

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4) – Piso da unidade tratora
5) – Tanques de combustível
6) – Cabine
7) – Reservatório de ar
8) – Eixo de transmissão
9) – Quinta roda
10) – Sistema de exaustão
11) – Chassi
12) – Portas
13) – Lateral direita
14) – Lateral esquerda
15) – Parede frontal
16) – Teto
17) – Piso do compartimento de carga

No emprego de dispositivos de segurança são exigidos dos requerentes da


certificação OEA (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
utilização de lacres de alta segurança e demais dispositivos de segurança
(sinetes, cintas e/ou marcações);
• O procedimento deve indicar as normas que os dispositivos empregados
devem atender;
• O procedimento deve conter regras de aquisição, guarda, distribuição e
afixação dos lacres de alta segurança e dos demais dispositivos; e
• Sempre que aplicável, devem ser utilizados lacres de alta segurança em
todas as unidades de cargas.

Estabelece-se também, em complemento, recomendações quanto aos lacres, os


quais devem atender ou exceder norma ISO de referência, e, da mesma forma, os demais
dispositivos de segurança. Consideram-se aplicáveis lacres de alta segurança sempre que a
unidade de carga utilizada permitir sua aplicação. A avaliação do operador deve abranger,
quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada.

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Em relação à verificação da integridade da unidade de carga, de acordo com
Receita Federal do Brasil (2018), são exigidos dos requerentes da certificação OEA:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
verificação da integridade da unidade de carga ao longo da cadeia
logística; e
• O procedimento deve estabelecer que suspeitas de violações de
integridade dos lacres ou da unidade de carga sejam reportadas e
tratadas internamente e, quando for o caso, comunicadas às autoridades
competentes.

Todo interveniente com acesso, além de verificar a integridade da unidade de carga,


deve também verificar a integridade dos dispositivos de segurança. Um método eficaz deve
conter pelo menos quatro ações (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
1) – Visualização do mecanismo, conforme o caso (trancas, transpassadores
de cabo e outros);
2) – Verificação do lacre (numeração fidedigna, correspondência documental e
outros);
3) – Verificação da afixação do lacre (puxar para conferir o acerto da
afixação);
4) – Movimentação do lacre (movimento de desenroscar, girar, visando conferir
se pino não foi rosqueado a fim de possibilitar abertura e fechamento sem
vestígios).

Obviamente, em completo ao indicado acima, as suspeitas de violação incluem


adulteração de lacres e de unidades de carga. A avaliação do operador deve abranger,
quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada.

Para Receita Federal do Brasil (2018), quanto ao transporte da carga, são exigidos
dos requerentes da certificação OEA:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, que
disponha sobre controle do transporte da carga ao longo da cadeia
logística;
• As rotas utilizadas para transporte da carga devem ser previamente
conhecidas; e

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• O procedimento deve conter regras de parada do veículo transportador da
carga.

Complementa ainda que, no armazenamento das unidades da carga, são exigidos


dos requerentes da certificação OEA:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, que
discipline o armazenamento de unidades de carga;
• O local indicado para armazenamento das unidades de carga deve inibir a
manipulação indesejada e estar submetido a controle de acesso; e
• O procedimento deve conter regras de tratamento de ocorrências
relacionadas com acesso não autorizado a unidades de carga, incluindo
reportá-las à área competente.

E, nos procedimentos de manutenção das unidades de carga, inclusive tendo


abrangido na avaliação do operador, quando for o caso, procedimentos executados de
forma terceirizada, também descreve que devem incluir, ao menos:
• Responsável pela gestão dos procedimentos de manutenção;
Estabelecimento de manutenção preventiva, com periodicidade
determinada;
• Lista de verificações a realizar;
• Em casos de manutenção corretiva, confrontar resultados com condições
originais de segurança da unidade de carga.

CONTROLE DE ACESSO FÍSICO

É importante analisar no controle do acesso físico tem-se como objetivo desse


critério é evitar acesso não autorizado a áreas ou setores do estabelecimento. Desta forma,
foram determinados cinco requisitos que os requerentes da certificação devem atentar
quanto as suas exigências (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Controle de acesso de pessoas;
• Identificação visual de pessoas;
• Detecção e remoção de pessoas não autorizadas;
• Controle de acesso de veículos; e
• Controle de chaves e dispositivos de acesso.

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Complementarmente, quanto ao controle de acesso de pessoas, são exigidos dos
requerentes da certificação OEA:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
controle de acesso de pessoas às instalações do operador;
• O procedimento deve disciplinar o acesso a áreas ou setores internos,
estabelecendo que se dê conforme funções desempenhadas; e
• O controle de acesso deve ser baseado em documento pessoal com foto.

Destaca Receita Federal do Brasil (2018) que é importante saber que o controle de
acesso de pessoas deve abranger quaisquer meios potencialmente capazes de transportar
pessoas - veículos, máquinas e outros. Além disso, o acesso a áreas ou setores internos
corresponde à circulação interna de funcionários, prestadores de serviços, visitantes entre
outros. Áreas consideradas sensíveis do ponto de vista da cadeia logística devem ter
destaque no procedimento de controle de acesso. Sua ilustração ou indicação em plantas,
croquis e outras. e juntada ao requerimento de certificação como OEA auxilia e agiliza o
processo de análise. O histórico de tentativas de acessos não autorizados constitui
importante fonte de informações. A avaliação do operador deve abranger, quando for o
caso, procedimentos executados de forma terceirizada.

Observa e destaca também que, quanto à identificação visual de pessoas são


exigidos dos requerentes da certificação OEA:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória,
estabelecendo os meios de identificação visual de pessoas - como
crachás, uniformes, credenciais e outras; e
• O procedimento deve conter regras de entrega e de devolução dos meios
de identificação.

Indica e destaca ainda que, são exigidos dos requerentes da certificação OEA,
quanto à detecção e remoção de pessoas não autorizadas:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
detecção de pessoas não autorizadas ou não identificadas; e
• O procedimento deve conter regras de abordagem e ações cabíveis.

44
O procedimento de detecção e remoção de pessoas não autorizadas deve disciplinar
as ações cabíveis, como condução forçada, acionamento do órgão policial etc., bem como a
quem competem em cada caso - equipe de segurança, funcionários em geral e outros.
Ocorrências registradas, e posteriormente analisadas, contribuem com o aperfeiçoamento
contínuo dos controles de acesso físico. A avaliação do operador deve abranger, quando for
o caso, procedimentos executados de forma terceirizada (RECEITA FEDERAL DO BRASIL,
2018).

As exigências aos requerentes da certificação OEA quanto ao controle de acesso


de veículos, segundo Receita Federal do Brasil (2018), são:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
controle de acesso de veículos às instalações do operador; e
• Todos os pontos de acesso devem ser monitorados.

Em complemento dispõe também que, é importante saber sobre o controle de


acesso de veículos, diante dos registros de acesso armazenados que devem conter
informações úteis à apuração e elucidação de ameaças à segurança da cadeia logística
porventura ocorridas. Um controle de acesso de veículos eficaz não se limita a registrar
dados dos veículos, condutores e passageiros, mas inclui inspeção física de seu interior, na
medida possível. Recomenda-se minimizar a quantidade de pontos de acesso do
estabelecimento (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Indica-se também como exigências aos requerentes da certificação OEA quanto ao


controle de chaves e dispositivos de acesso:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
controle de chaves e dispositivos de acesso;
• O procedimento deve estabelecer controle de entrega e de devolução de
chaves e dispositivos de acesso; e
• Registros de entrega e devolução devem ser preservados em histórico por
tempo determinado.

Considera-se importante saber informações úteis à apuração e elucidação de


ameaças à segurança da cadeia logística porventura ocorridas. Nesse sentido, o registro de
solicitações negadas, na medida do possível, também pode contribuir para a finalidade

45
apontada. A avaliação do operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos
executados de forma terceirizada (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

TREINAMENTO E CONSCIENTIZAÇÃO DE AMEAÇAS

De acordo com Receita Federal do Brasil (2018), o critério treinamento e


conscientização de ameaças tem como objetivo sensibilizar os funcionários acerca da
segurança da cadeia logística. Desta forma, foram determinados três requisitos que os
requerentes da certificação devem atentar quanto as suas exigências:
• Conscientização de ameaças e identificação de vulnerabilidades;
• Treinamento em segurança da cadeia logística; e
• Incentivo à participação em treinamentos.

Acrescenta também que, dos requerentes da certificação OEA, são exigências


quanto à conscientização de ameaças e identificação de vulnerabilidade:
• Deve existir programa permanente de conscientização de ameaças à
cadeia logística, visando à prevenção, à identificação e à ação; e
• Todos os funcionários devem ser conscientizados.

A importância de ter um programa permanente de conscientização de ameaças e


identificação de vulnerabilidade é consolidar uma cultura organizacional consciente dos
riscos relacionados com a cadeia logística internacional, propiciando assim ações
tempestivas e eficazes frente às ameaças. Sem prejuízo de outras ameaças, recomenda-se
que contrabando, terrorismo e tráfico internacional de armas e de drogas sejam enfatizados
no programa. A avaliação do operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos
executados de forma terceirizada (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Receita Federal do Brasil (2018) descreve que são exigidos dos requerentes da
certificação OEA, quanto ao treinamento em segurança da cadeia logística:
• Treinamento específico deve ser oferecido para capacitar os funcionários
a manter a integridade da carga, reconhecer conspirações internas e
assegurar o controle de acesso; e

46
• Responsáveis pela área de comércio exterior devem estar
constantemente atualizados sobre a legislação que dispõe sobre o
Programa OEA.

Diante do exposto acima, em complemento também menciona que, em um contexto


de permanente conscientização, é importante que os treinamentos sejam mantidos
atualizados e as pessoas periodicamente recicladas. Recomenda-se ainda que o pessoal
das áreas de expedição e de recepção, incluindo recepção de correspondências e
encomendas, receba treinamento complementar. Na medida possível, os funcionários
devem ser incentivados a participar de programas de conscientização de ameaças e
de treinamentos em segurança da cadeia logística. A avaliação do operador deve
abranger, quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada.

SEGURANÇA FÍSICA DAS INSTALAÇÕES

O objetivo do critério relacionado à segurança física das instalações é evitar


acesso não autorizado a áreas ou setores do estabelecimento. Desta forma, foram
determinados cinco requisitos que os requerentes da certificação devem atentar quanto as
suas exigências (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Segurança perimetral e estruturas de separação;
• Monitoramento das instalações;
• Estacionamentos internos;
• Iluminação das instalações; e
• Estrutura das instalações e dispositivos de travamento.

Na segurança perimetral e estruturas de separação são exigidos dos requerentes


da certificação OEA:
• O perímetro do estabelecimento deve ser delimitado por barreiras físicas;
• Áreas de manuseio e de armazenamento de carga, mercadorias e
equipamentos utilizados na cadeia logística internacional devem ser
segregadas do restante, por meio de barreiras físicas (naturais, muros,
portões, cercas, paredes e outras); e
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
inspeção periódica das barreiras físicas.

47
Complementa Receita Federal do Brasil (2018) que muros, cercas, paredes, portões,
barreiras naturais são exemplos de barreiras físicas empregadas para delimitar perímetro e
áreas de manuseio e de armazenamento de carga ou mercadorias. A avaliação do operador
deve abranger, quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada.

É exigido dos requerentes da certificação OEA que as instalações sejam


monitoradas, visando a inibir e coibir acessos não autorizados às áreas de manuseio e de
armazenamento de carga ou mercadorias. Além de sistemas de monitoramento apoiados
em alarmes ou em circuito fechado de televisão, rondas ostensivas realizadas nas áreas de
interesse são exemplo de ação de monitoramento. Havendo armazenamento de imagens,
para assegurar que cumpram com sua finalidade (apuração e elucidação de ameaças à
segurança da cadeia logística), destacam-se dois atributos fundamentais: qualidade de
imagem e período de armazenamento. A avaliação do operador deve abranger, quando for
o caso, procedimentos executados de forma terceirizada (RECEITA FEDERAL DO BRASIL,
2018).

Os estacionamentos internos de veículos, segundo Receita Federal do Brasil


(2018), não devem ser próximos às áreas de manuseio e de armazenamento de carga. Se
imprescindível, procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, deve disciplinar seu
funcionamento. Entende-se que estacionamento de veículos no interior do estabelecimento,
sobretudo próximo a áreas de manuseio ou de armazenamento de carga ou mercadorias,
favorece a violação da cadeia logística internacional para inserção ou remoção de produto
não autorizado. A avaliação do operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos
executados de forma terceirizada.

Agrega-se a todo exposto acima que, quanto à iluminação das instalações, deve
haver iluminação adequada do estabelecimento especialmente nas áreas de:
• Manuseio de carga ou mercadorias;
• Armazenamento de carga ou mercadorias;
• Recepção;
• Expedição;
• Estacionamentos;
• Pontos de acesso; e

48
• Perímetro.

Propõe-se que fonte alternativa de energia possibilita assegurar a iluminação do


estabelecimento mesmo em casos de falha do fornecedor regular. A avaliação do operador
deve abranger, quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada.

Quanto à estrutura das instalações e dispositivos de travamento, para Receita


Federal do Brasil (2018) são exigidos:
• A estrutura das instalações deve resistir a tentativas de acesso não
autorizado;
• Todas as portas e janelas, bem como demais aberturas, devem contar
com dispositivos de travamento; e
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
inspeção periódica da estrutura das instalações e dos dispositivos de
travamento.

Destaca também que o emprego de técnicas e materiais adequados na construção


do estabelecimento contribui com a segurança das instalações e, consequentemente, da
cadeia logística internacional. A avaliação do operador deve abranger, quando for o caso,
procedimentos executados de forma terceirizada.

GESTÃO DE PARCEIROS COMERCIAIS

O objetivo do critério de gestão de parceiros comerciais, conforme dispõe Receita


Federal do Brasil (2018), é evitar parcerias que comprometam a segurança da cadeia
logística internacional. Desta forma, foram determinados três requisitos que os requerentes
da certificação devem atentar quanto as suas exigências:
• Seleção de parceiros comerciais;
• Monitoramento de parceiros comerciais; e
• Gestão das cadeias logísticas.

Na sequência, também destaca-se são exigidos dos requerentes da certificação OEA


(RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):

49
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
seleção de parceiros comerciais;
• O procedimento deve contemplar, previamente à seleção, análise de
riscos relacionados com a segurança da cadeia logística;
• O procedimento deve priorizar contratação de parceiros comerciais
certificados como OEA no Brasil e, complementarmente, certificados em
segurança por entidades públicas ou privadas, comprovados por meio de
documentação idônea; e
• O procedimento deve estabelecer que parceiros comerciais não
certificados como OEA demonstrem atendimento aos níveis de
segurança, conformidade e confiabilidade exigidos pelo Programa OEA,
de acordo com sua função na cadeia logística.

Importante salientar que todos os operadores com participação na cadeia logística


internacional, situados entre o exportador ou fabricante e o importador ou comprador, são
considerados parceiros comerciais entre si. A seleção de parceiros comerciais é de extrema
importância no processo de certificação OEA. Desta forma, caso algum questionamento
feito por este item tenha uma resposta negativa do requerente, será dever deste adaptar
seus procedimentos antes da apresentação do requerimento de certificação OEA, sob pena
de ter o pleito indeferido (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Para Receita Federal do Brasil (2018) são consideradas boas práticas relacionadas à
seleção de parceiros comerciais as seguintes medidas, dentre outras:
1) – Preferência pela contratação de parceiros comerciais com:
• Menor número/percentual de ocorrências de irregularidades em
operações de comércio exterior; e
• Maior tempo de atuação e melhor qualificação do seu quadro de
profissionais relacionados ao objeto do contrato, inclusive para
aqueles situados no exterior;

2) – Exigência de que parceiros comerciais:


• Adotem medidas preventivas e corretivas contra falhas e
irregularidades que possam comprometer a segurança da cadeia
logística; e

50
• Comuniquem irregularidades e incidentes relacionados às
operações prestadas.

3) – A demonstração de que parceiros comerciais não certificados como


OEA atendem aos níveis de conformidade e confiabilidade exigidos pelo
Programa OEA pode se dar mediante apresentação de:
• Declaração por escrito, desses parceiros;
• Checklist de segurança e conformidade;
• Certificado expedido por administração aduaneira estrangeira no
âmbito de programa OEA reconhecido pela Organização Mundial
das Aduanas.

Agrega-se a todo o exposto acima que, a avaliação do operador deve abranger,


quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada.

No monitoramento de parceiros comerciais exige-se que:


• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
monitoramento periódico de parceiros comerciais;
• O procedimento deve induzir parceiros comerciais a adotar processos e
procedimentos que assegurem a integridade da cadeia logística e o
cumprimento da legislação aduaneira; e
• O procedimento deve assegurar a revogação de representações
porventura existentes, evitando assim que ex-parceiros representem o
operador perante a Aduana.

Os procedimentos de monitoramento periódico de parceiros comerciais devem incluir


medidas saneadoras, quando necessário. Consideram-se boas práticas visitas inopinadas,
baseadas em critérios de risco, a instalações de parceiros comerciais e prestadores de
serviços para fins de monitoramento. A avaliação do operador também deve abranger,
quando for o caso, procedimentos executados de forma terceirizada. O monitoramento de
parceiros comerciais é de extrema importância no processo de certificação OEA. Desta
forma, caso algum questionamento feito por este item tenha uma resposta negativa do
requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos antes da apresentação do

51
requerimento de certificação OEA, sob pena de ter seu pleito indeferido (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).

GESTÃO DAS CADEIAS LOGÍSTICAS INTERNACIONAIS

Dos requerentes da certificação OEA é exigido a existência de processo de gestão


das cadeias logísticas internacionais em que atua o operador, com revisão anual ou em
período anterior, caso necessário. A partir da identificação de todos os operadores
econômicos com atuação ao longo da cadeia logística, desde a origem até o destino da
mercadoria, busca-se avaliá-los de acordo com seu risco para a cadeia logística, a fim evitar
parcerias com operadores que representem ameaça à cadeia logística internacional. A
avaliação do operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos executados de
forma terceirizada. Este critério é de extrema importância no processo de certificação OEA.
Desta forma, caso algum questionamento feito por este item tenha uma resposta negativa
do requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos antes da apresentação do
requerimento, sob pena de ter o pleito indeferido (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

CRITÉRIOS DE CONFORMIDADE DO PROGRAMA OEA

Os critérios de conformidade em relação às obrigações tributárias e aduaneiras, a


serem cumpridos para fins de certificação como OEA-Conformidade, Níveis 1 e 2 são
(RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Descrição das mercadorias: o objetivo desse critério é assegurar correta
identificação das mercadorias descritas nas declarações aduaneiras.
• Classificação fiscal das mercadorias: o objetivo desse critério é
assegurar registro de declarações aduaneiras com mercadorias
corretamente enquadradas na NCM.
• Operações indiretas: visa assegurar correta identificação do sujeito
passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação de
comércio exterior nas declarações aduaneiras.
• Base de cálculo dos tributos: objetiva declarar corretamente a base de
cálculo dos tributos.
• Origem de mercadorias: tem por finalidade solicitar tratamento tarifário
preferencial ou não preferencial em conformidade com a legislação
aplicável.
52
• Imunidades, benefícios fiscais e suspensões: tem por objetivo
assegurar que imunidades, benefícios fiscais e suspensões sejam
corretamente solicitados, usufruídos e extintos.
• Qualificação profissional: a finalidade é assegurar correta elaboração e
execução das atividades relacionadas com o cumprimento da legislação
aduaneira.
• Controle cambial: objetiva assegurar o controle cambial das operações
de comércio exterior.

DESCRIÇÃO DAS MERCADORIAS

Tem-se como objetivo neste critério assegurar correta identificação das


mercadorias descritas nas declarações aduaneiras, sendo exigido dos requerentes da
certificação OEA quanto à gestão das cadeias logísticas internacionais (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
descrição das mercadorias nas declarações aduaneiras; e
• Deve existir controle formal e periódico sobre o procedimento, o qual
assegure que as mercadorias sejam descritas com todas as informações
necessárias à sua identificação comercial e classificação fiscal, incluindo
seu enquadramento nos desdobramentos da Nomenclatura Comum do
Mercosul (NCM).

Destaca ainda que a descrição das mercadorias deve, em conformidade com a


legislação aplicável, possibilitar identificação e caracterização das mercadorias, com a
precisão necessária. A avaliação do operador deve abranger, quando for o caso,
procedimentos e controles executados de forma terceirizada. É de extrema importância no
processo de certificação OEA. Desta forma, caso algum questionamento feito por este item
tenha uma resposta negativa do requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos
antes da apresentação do requerimento, sob pena de ter o pleito indeferido.

CLASSIFICAÇÃO FISCAL DAS MERCADORIAS

Segundo definido por Receita Federal do Brasil (2018) os procedimentos e critérios


que são exigidos quanto à classificação fiscal das mercadorias tem o objetivo de
53
assegurar registro de declarações aduaneiras com mercadorias corretamente enquadradas
na NCM.
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
classificação fiscal das mercadorias nas declarações aduaneiras;
• Deve existir controle formal e periódico sobre o procedimento que
assegure que mercadorias sejam enquadradas no código NCM correto; e
• Referido controle deve assegurar o correto tratamento tributário e
administrativo decorrente da classificação fiscal.

Derivam do procedimento de classificação fiscal das mercadorias o tratamento


tributário e administrativo a que se sujeita determinada mercadoria submetida a despacho
aduaneiro abrange, a partir de sua classificação fiscal: Nomenclatura de Valor Aduaneiro e
Estatística (NVE), determinação das alíquotas dos tributos incidentes, controles porventura
necessários, como requisitos, restrições ou proibições, bem como indicação de órgãos ou
entidades da administração pública responsáveis por referidos controles. Na observância
das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de
Codificação de Mercadorias, bem como das Regras Gerais Complementares da
Nomenclatura Comum do Mercosul, informações técnicas a respeito das mercadorias a
classificar são fundamentais em um processo de classificação, merecendo, portanto,
atenção sua forma de obtenção. Nestes aspectos complementa-se que, a avaliação do
operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos e controles executados de forma
terceirizada. O critério classificação fiscal das mercadorias nas declarações aduaneiras é de
extrema importância no processo de certificação OEA. Desta forma, caso algum
questionamento feito por este item tenha uma resposta negativa do requerente, será dever
deste adaptar seus procedimentos antes da apresentação do requerimento, sob pena de ter
seu pleito indeferido (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

OPERAÇÕES INDIRETAS

Os aspectos serem cumpridos quanto às operações indiretas tem como objetivo


nesse critério assegurar correta identificação do sujeito passivo, real vendedor, comprador
ou responsável pela operação de comércio exterior nas declarações aduaneiras. Desta
forma, de acordo como Receita Federal do Brasil (2018), foram determinados três
requisitos que os requerentes da certificação devem atentar quanto as suas exigências:
• Operações no mercado interno;
54
• Importações por encomenda ou por conta e ordem; e
• Exportações por conta e ordem.

Nas exigências relacionadas ao critério de operações no mercado interno busca-se


assegurar que compras de mercadorias de origem estrangeira no mercado interno, pelo
requerente, não o caracterizem como encomendante predeterminado ou adquirente em
operações de importação realizadas por intermédio de terceiros. Da mesma forma, nas
vendas de mercadorias de origem estrangeira no mercado interno, pelo requerente, busca-
se assegurar a regularidade da operação, por meio da observância da legislação aplicável à
correspondente importação. Assim, são exigidos dos requerentes da certificação OEA
quanto às operações no mercado interno (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
aquisição de mercadorias de origem estrangeira no mercado interno;
• Deve existir controle formal e periódico sobre o procedimento, o qual
assegure que a aquisição de mercadorias de origem estrangeira no
mercado interno não configure, na realidade, importação por encomenda
ou por conta e ordem;
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
venda, no mercado interno, de mercadorias importadas; e
• Deve existir controle formal e periódico sobre o procedimento, o qual
assegure que a venda, no mercado interno, de mercadorias importadas,
não configure importação por encomenda ou por conta e ordem.

Em complemento dispõe também que o critério que envolve as operações no


mercado interno é de extrema importância no processo de certificação OEA. Caso algum
questionamento feito por este item tenha uma resposta negativa do requerente, será dever
deste adaptar seus procedimentos antes da apresentação do requerimento, sob pena de ter
o pleito indeferido.

Nas importações por encomenda ou por conta e ordem é livre a escolha entre
importar mercadoria estrangeira por conta própria ou por meio de intermediário para esse
fim contratado. Expõe Receita Federal do Brasil (2018) que, para a segunda hipótese, há
duas formas de terceirização regulamentadas, a importação por conta e ordem e a
importação por encomenda, cada qual com seus efeitos e obrigações tributárias. Assim, são

55
exigidos dos requerentes da certificação OEA quanto às importações por encomenda ou por
conta e ordem:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
operações de importação por encomenda ou por conta e ordem; e
• Deve existir controle formal e periódico sobre o procedimento, o qual
assegure o cumprimento da legislação aplicável em operações de
importação por encomenda ou por conta e ordem, conforme a atuação.

Destaca ainda que a avaliação do operador deve abranger, quando for o caso,
procedimentos e controles executados de forma terceirizada. O critério relacionado às
importações por encomenda ou por conta e ordem é de extrema importância no processo de
certificação OEA. Desta forma, caso algum questionamento feito por este item tenha uma
resposta negativa do requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos antes da
apresentação do requerimento, sob pena de ter o pleito indeferido.

Nas exigências relacionadas às exportações por conta e ordem busca-se


assegurar que operações de exportação por conta e ordem de terceiros em que seja parte o
requerente - como contratante ou contratado - ocorram em conformidade com a legislação
aplicável. Assim exige-se dos requerentes que:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
operações de exportação por conta e ordem; e
• Deve existir controle formal e periódico sobre o procedimento, o qual
assegure o cumprimento da legislação aplicável em operações de
exportação por conta e ordem.

A avaliação do operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos e


controles executados de forma terceirizada. O critério de exportações por conta e ordem é
de extrema importância no processo de certificação OEA. Desta forma, caso algum
questionamento feito por este item tenha uma resposta negativa do requerente, será dever
deste adaptar seus procedimentos antes da apresentação do requerimento, sob pena de ter
o pleito indeferido (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

56
BASE DE CÁLCULO DOS TRIBUTOS

Os pontos a considerar quanto à base de cálculo dos tributos, segundo Receita


Federal do Brasil (2018), tem o objetivo de declará-los corretamente. A base de cálculo do
Imposto de Importação, de acordo com o Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759, de 5
de fevereiro de 2009), é o valor aduaneiro da mercadoria, apurado segundo as regras do
Acordo de Valoração Aduaneira (Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo
Geral sobre Tarifas e Comércio - GATT 1994). Na exportação, base de cálculo do Imposto
de Exportação é o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da
exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional,
nos termos do Decreto-lei nº 1.578, de 11 de outubro de 1977. Assim, são exigidos dos
requerentes da certificação OEA quanto à base de cálculo dos tributos:
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
determinação da base de cálculo dos tributos informada nas declarações
aduaneiras; e
• Deve existir controle formal e periódico sobre o procedimento, o qual
assegure a correta determinação da base de cálculo dos tributos
informada nas declarações aduaneiras.

Complementa-se o exposto acima destacando que a avaliação do operador deve


abranger, quando for o caso, procedimentos e controles executados de forma terceirizada.
O critério que trata sobre a base de cálculo dos tributos é de extrema importância no
processo de certificação OEA. Desta forma, caso algum questionamento feito por este item
tenha uma resposta negativa do requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos
antes da apresentação do requerimento, sob pena de ter o pleito indeferido.

ORIGEM DAS MERCADORIAS

O objetivo do critério origem de mercadorias é solicitar tratamento tarifário


preferencial ou não preferencial em conformidade com a legislação aplicável. Desta forma,
foram determinados dois requisitos que os requerentes da certificação devem atentar quanto
as suas exigências (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Regras de origem; e
• Certificados de origem.

57
As exigências quanto às regras de origem sujeitam-se ao controle e à verificação de
origem as mercadorias submetidas a despacho aduaneiro de importação com solicitação de
tratamento tarifário preferencial, ou seja, redução ou eliminação do Imposto de Importação
em razão de acordo comercial internacional. Em matéria de defesa comercial, compete à
Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços
aplicar direitos antidumping e compensatórios frente a práticas desleais de comércio -
dumping e subsídios, respectivamente - bem como medidas de salvaguarda, frente a
prejuízo grave ou ameaça de prejuízo grave à indústria doméstica. Assim, são exigidos dos
requerentes da certificação OEA quanto às regras de origem (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018):
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
assegurar a correta aplicação de tratamentos tarifários preferenciais e
medidas de defesa comercial vigentes, em conformidade com a legislação
aplicável; e
• Deve existir controle formal e periódico sobre o referido procedimento.

Para Receita Federal do Brasil (2018), a avaliação do operador deve abranger,


quando for o caso, procedimentos e controles executados de forma terceirizada. O critério
regras de origem é de extrema importância no processo de certificação OEA. Desta forma,
caso algum questionamento feito por este item tenha uma resposta negativa do requerente,
será dever deste adaptar seus procedimentos antes da apresentação do requerimento, sob
pena de ter o pleito indeferido.

Sem prejuízo de outros documentos comprobatórios da origem da mercadoria,


porventura previstos no acordo comercial que ampara a operação, destina-se a essa
comprovação o certificado de origem emitido em conformidade com o disposto em citado
acordo, o qual terá seus aspectos de autenticidade e veracidade verificados no âmbito do
controle de origem exercido pela RFB. Assim, são exigidos dos requerentes da certificação
OEA quanto aos certificados de origem (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
assegurar a correta utilização de certificados de origem de mercadorias
importadas, em conformidade com a legislação aplicável;
• Deve existir controle formal e periódico sobre o referido procedimento;

58
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
certificação de origem, de mercadorias a exportar, em conformidade com
a legislação aplicável; e
• Deve existir controle formal e periódico sobre o referido procedimento.

A avaliação do operador deve abranger, quando for o caso, procedimentos e


controles executados de forma terceirizada. De acordo com Receita Federal do Brasil
(2018), o critério certificado de origem é de extrema importância no processo de certificação
OEA. Desta forma, caso algum questionamento feito por este item tenha uma resposta
negativa do requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos antes da
apresentação do requerimento, sob pena de ter o pleito indeferido.

IMUNIDADES, BENEFÍCIOS FISCAIS E SUSPENSÕES

Destaca Receita Federal do Brasil (2018) que o objetivo do critério imunidades,


benefícios fiscais e suspensões é assegurar que sejam corretamente solicitados,
usufruídos e extintos. Por meio deste critério, busca-se assegurar o cumprimento da
legislação aplicável às hipóteses de imunidades, benefícios fiscais e suspensões de
obrigações fiscais, desde o atendimento a requisitos prévios, quando exigidos, até a
extinção de um regime aduaneiro suspensivo. Assim, são exigidos dos requerentes da
certificação OEA quanto a imunidades, benefícios fiscais e suspensões:
• Devem existir procedimentos formais (escritos), de aplicação obrigatória,
para a assegurar fruição regular de imunidades, benefícios fiscais e
suspensões; e
• Devem existir controles formais e periódicos sobre os procedimentos, os
quais assegurem que imunidades, benefícios fiscais e suspensões sejam
requeridos, usufruídos e extintos em conformidade com a legislação
aplicável.

Acrescenta ao exposto que, a avaliação do operador deve abranger, quando for o


caso, procedimentos e controles executados de forma terceirizada. O critério imunidade,
benefícios fiscais e suspensões é de extrema importância no processo de certificação OEA.
Desta forma, caso algum questionamento feito por este item tenha uma resposta negativa
do requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos antes da apresentação do
requerimento, sob pena de ter o pleito indeferido.
59
CONTROLE CAMBIAL

O ingresso e a saída de moeda estrangeira correspondente ao recebimento das


exportações e ao pagamento das importações devem ser efetuados mediante celebração e
liquidação de contrato de câmbio em banco autorizado a operar no mercado de câmbio. O
objetivo é assegurar o controle cambial das operações de comércio exterior. Assim, neste
critério, são exigidos dos requerentes da certificação OEA (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018):
• Deve existir procedimento formal (escrito), de aplicação obrigatória, para
recebimento das exportações e pagamento das importações; e
• Deve existir controle formal e periódico sobre o procedimento, o qual
assegure o controle cambial das operações de comércio exterior.

QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

O objetivo do critério qualificação profissional é assegurar correta elaboração e


execução das atividades relacionadas com o cumprimento da legislação aduaneira. Para
fins do disposto neste aspecto, interprete-se qualificação profissional como capacidade que
habilita uma pessoa a desempenhar o conjunto de atribuições do cargo que ocupa ou da
função que exerce. Por sua vez, capacitação deve ser entendida como um processo ou
meio para atingir determinada qualificação. Diante disso, segundo Receita Federal do Brasil
(2018), são exigidos dos requerentes da certificação OEA quanto à qualificação profissional
em matéria aduaneira:
• Deve existir política de qualificação de pessoal ligado a atividades
relacionadas com o cumprimento da legislação aduaneira; e
• Deve existir controle formal e periódico que assegure a observância da
política de qualificação de pessoal ligado a atividades relacionadas com o
cumprimento da legislação aduaneira.

Descreve também que a avaliação do operador deve abranger, quando for o caso,
procedimentos e controles executados de forma terceirizada. O critério qualificação
profissional em matéria aduaneira é de extrema importância no processo de certificação
OEA. Desta forma, caso algum questionamento feito por este item tenha uma resposta

60
negativa do requerente, será dever deste adaptar seus procedimentos antes da
apresentação do requerimento, sob pena de ter o pleito indeferido.

PROCESSO DE CERTIFICAÇÃO NO PROGRAMA OEA

REQUERIMENTO DA CERTIFICAÇÃO OEA

O processo de certificação no Programa OEA consiste na avaliação do processo de


gestão adotado pelo requerente para minimizar os riscos existentes em suas operações de
comércio exterior. O requerimento da certificação OEA deve ser feito por meio do Sistema
OEA, com acesso pela Internet, pela página do Portal Único Siscomex, mediante (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018):
• Formalização do requerimento de certificação como OEA;
• Atendimento aos requisitos de admissibilidade; e
• Preenchimento do Questionário de Autoavaliação (QAA).

AUTOAVALIAÇÃO

O processo de autoavaliação, denominado Questionário de Autoavaliação (QAA),


requerido das empresas pleiteantes da certificação OEA se tornou muito mais claro e
objetivo, devendo os requerentes se ater às exigências contidas na legislação com relação a
cada critério de elegibilidade, segurança e conformidade. Cada item do QAA no Sistema
OEA permitirá uma breve resposta dissertativa e a anexação de evidências da execução do
processo de trabalho. Para auxiliar na compreensão do teor do item, o QAA ainda traz
exemplos de evidências a serem anexadas e notas explicativas mediante (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).
O Questionário de Autoavaliação (QAA) tem a função de promover a análise, por
parte do interessado, sobre a adequação de sua empresa aos requisitos e critérios exigidos
pelo Programa Brasileiro de OEA, bem como de servir de ferramenta à Receita Federal do
Brasil para a análise dos pleitos de certificação no Centro OEA. Por este motivo, é essencial
que essa análise seja realizada de forma crítica, completa e efetiva, com respostas realistas
e fundamentadas, que impliquem uma verdadeira autoavaliação. A autoavaliação tem como
objetivo a identificação das vulnerabilidades quanto à manutenção da segurança da cadeia
logística internacional e das não conformidades em relação ao cumprimento das obrigações
tributárias e aduaneiras. Desta forma, após a detecção destes pontos o operador deverá
61
realizar os ajustes necessários, antes da apresentação do requerimento da certificação OEA
à Receita Federal mediante (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

A análise do requerimento de certificação pelo Centro OEA será realizada mediante


gestão de risco e respeitará a proporcionalidade dos critérios de acordo com o tipo de
certificação requerida e a área de atuação do requerente na cadeia logística. Todos os itens
devem ser devidamente respondidos e justificados mediante anexação de documentos ou
evidências que comprovem a implementação de medidas/procedimentos informados. Caso
algum item não se aplique a sua realidade é necessário justificar. Para auxiliar nas
confecção das respostas do QAA, acesse o documento “Notas Explicativas do QAA" no
Portal AEO, no sítio da Receita Federal mediante (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Basicamente, na estrutura do Questionário de Autoavaliação (QAA), observa-se a


seguinte correlação com os requisitos e critérios do Programa OEA:
• Requisitos de Admissibilidade (Informações Gerais) no Bloco 1:
contendo 5 itens que descrevem o perfil do requerente à certificação OEA.
• Critérios de Elegibilidade no Bloco 2: contendo 39 itens que
demonstram a confiabilidade do requerente à certificação OEA.
• Critérios de Segurança no Bloco 3: contendo 74 itens que fazem
avaliação sobre os procedimentos de segurança praticados pelo
requerente à certificação OEA.
• Critérios de Conformidade no Bloco 4: contendo 39 itens que fazem
avaliação sobre cumprimento voluntário de determinações legais
relacionada às obrigações tributárias e aduaneiras.

IMPLEMENTAÇÃO

A implementação do processo para certificação OEA segue, basicamente, as


seguintes etapas:
1) – Revisão da aderência dos controles atuais;
2) – Atualização e regularização dos controles para respostas do
Questionário de Autoavaliação (QAA);
3) – Estruturação e primeiro ciclo do processo de gestão de riscos;
4) – Entrega e acompanhamento do requerimento de certificação;

62
5) – Monitoramento contínuo da gestão de riscos.

E, basicamente, a seguintes fases na cronologia de implementação da certificação


OEA:
Fase 1) – Planejamento (prazo estimado de 2 a 3 meses):
• Definição de escopo, contexto e critérios da gestão de riscos
aduaneiros e demais detalhes do projeto de certificação; e
• Revisão da aderência dos controles atuais.
Fase 2) – Execução e Monitoramento (prazo estimado de 7 a 10 meses):
• Revisão da aderência dos controles internos;
• Adaptação dos pontos sensíveis;
• Aferição dos níveis de risco; e
• Aplicação de tratamentos.
Fase 3) – Análise Crítica (contínuo / sistemático):
• Ciclos de acompanhamento do registro e relato até fase de
planejamento de nova análise de riscos.

OEA-INTEGRADO

Segundo Receita Federal do Brasil (2018), a Portaria RFB nº 2.384, de 13 de julho


de 2017, estabeleceu as diretrizes sobre a participação de órgãos ou entidades da
administração pública que exercem controle sobre operações de comércio exterior no
Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado. O OEA-Integrado permite a
certificação de intervenientes da cadeia logística que representem baixo grau de risco em
suas operações de comércio exterior, relativamente aos controles exercidos pelos órgãos ou
entidades da Administração Pública que demonstrarem interesse em integrar o programa.

De acordo com o previsto na Portaria RFB nº 2.384/2017, o OEA-Integrado é


composto de um módulo de certificação principal da RFB, com base nas modalidades OEA-
Segurança e OEA-Conformidade, e de módulos complementares de cada órgão ou entidade
da Administração Pública participante. Assim, cada órgão interessado em participar dessa
iniciativa deverá estabelecer um programa próprio de certificação de intervenientes da
cadeia logística com vistas a facilitar o fluxo de mercadorias em operações de comércio
exterior. Para isso, deverão ser definidos requisitos e critérios específicos a serem exigidos

63
dos intervenientes da cadeia logística, seguindo o modelo estabelecido pela RFB (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).

O órgão ou entidade da Administração Pública deve definir os benefícios ou as


medidas de facilitação que serão outorgados aos operadores certificados como OEA-
Integrado. Importante destacar que podem ser estabelecidos níveis diferenciados de
benefícios em relação ao grau de segurança ou conformidade demonstrado (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Os benefícios ou as medidas de facilitação relacionadas às operações de comércio


exterior, conforme destacado por Receita Federal do Brasil (2018), devem estar alinhados
aos princípios do Programa Brasileiro de OEA e ao Acordo sobre a Facilitação de Comércio
(AFC) da Organização Mundial do Comércio (OMC), os quais preveem, entre outras, as
medidas de:
• Simplificação e racionalidade na exigência de documentos e informações;
• Simplificação e racionalidade na realização de inspeções e exames
físicos;
• Agilização na liberação de mercadorias;
• Pagamento diferido de taxas;
• Utilização de garantias globais ou garantias reduzidas;
• Requerimento único de anuência para todas as operações realizadas em
um determinado período; e
• Inspeções físicas nas instalações do operador autorizado ou em outro
lugar previamente estabelecido.

Despertado o interesse pela implantação do módulo complementar do OEA-


Integrado, é recomendado que os administradores dos órgãos e das entidades da
Administração Pública tenham contato com a equipe do Programa OEA para realização de
palestra técnica com intuito de apresentar o programa e repassar orientações sobre o
desenvolvimento conjunto do OEA-Integrado demonstrado (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018).

A partir do conhecimento dos pontos fundamentais, os administradores poderão


decidir sobre a implantação do módulo complementar do OEA-Integrado junto ao Programa

64
OEA da RFB. Caso a decisão seja por integrar o Programa, é necessária a indicação de, no
mínimo, dois servidores, em tempo integral, para trabalhar junto à equipe da RFB no
desenvolvimento do módulo complementar. Sendo relevante que os servidores tenham
conhecimento técnico e operacional na área de atuação do órgão / entidade para que
possam definir os riscos envolvidos nas operações de comércio exterior que por estes sejam
controladas e, a partir disso, buscar formas de sistematizar esses riscos em requisitos e
critérios do futuro módulo complementar e identificar os benefícios ou as medidas de
facilitação comercial que serão oferecidos aos operadores demonstrado (RECEITA
FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Aponta Receita Federal do Brasil (2018) que, definidos os servidores do órgão que
serão responsáveis pelo detalhamento técnico e operacional do módulo OEA-Integrado, o
passo seguinte é a assinatura de uma Portaria Conjunta com a RFB, autorizando
formalmente o início dos trabalhos. O órgão ou a entidade da Administração Pública deve
firmar compromisso com a RFB para planejar e realizar um projeto-piloto no âmbito do
módulo OEA-Integrado do Programa Brasileiro de OEA.

A Coordenação-Geral de Administração Aduaneira (COANA) da RFB e a


coordenação técnico-operacional do órgão ou entidade da Administração Pública serão os
responsáveis pela definição e pela execução das atividades relativas ao projeto-piloto. Os
coordenadores envolvidos terão 30 (trinta) dias a partir da data de publicação da Portaria
para constituir a equipe para conduzir os trabalhos e designar os membros titulares e
substitutos. Por fim, tal Portaria autoriza os coordenadores da RFB e do órgão ou entidade
participante a editar normas conjuntas necessárias ao cumprimento da execução do projeto-
piloto demonstrado (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

Para o estabelecimento do processo de trabalho a ser integrado ao módulo


complementar, segundo expõe Receita Federal do Brasil (2018), o órgão ou entidade da
Administração Pública deve, entre todos os processos de trabalho desempenhados relativos
aos fluxos de importação e exportação, escolher um para trabalhar com o conceito do OEA-
Integrado. A ideia é que, nesse processo escolhido, os operadores possam ser avaliados
em função do risco que representam. Para a análise do risco do operador, o órgão ou
entidade da Administração Pública poderá exigir dos intervenientes solicitantes da
certificação o cumprimento de requisitos e critérios próprios, definidos em função de suas

65
necessidades de segurança e controle, bem como em função dos princípios da Estrutura
Normativa SAFE da OMA e do Acordo de Facilitação do Comércio (AFC).

Além do exposto acima, deve-se levar em conta que, para ser OEA-Integrado, é
preciso ter a certificação prévia em modalidade do módulo principal do Programa OEA. Com
isso, é imperativo que o órgão ou a entidade da Administração Pública alinhe as exigências
definidas no seu programa de certificação àquelas do Programa OEA da RFB, a fim de
evitar exigências ou pedido de informações em duplicidade. A partir daí, deve estabelecer
um programa próprio de certificação de operadores da cadeia logística por meio do qual
será aferido o atendimento aos níveis de segurança e conformidade, com vistas a facilitar o
fluxo de mercadorias em operações de comércio exterior demonstrado (RECEITA FEDERAL
DO BRASIL, 2018).

Segundo Receita Federal do Brasil (2018), os órgãos e entidades participantes


poderão estabelecer diferentes modalidades de certificação em seu módulo complementar
OEA-Integrado, com determinação de benefícios e medidas de facilitação de caráter geral e
específicos para cada uma delas. Os benefícios e as medidas de facilitação deverão ser
mantidos pelo órgão ou entidade da Administração Pública enquanto participar do Programa
OEA por intermédio do módulo complementar do OEA-Integrado.

Recomenda-se que, por motivos logísticos, as unidades certificadoras e de


monitoramento estejam localizadas em áreas de maior concentração dos operadores a
serem certificados. Contudo, para o sucesso do OEA-Integrado, é importante manter uma
equipe nacional, responsável por definir diretrizes e procedimentos iguais para todos os
Centros Regionais, estabelecendo uma maneira única de trabalhar o OEA em todo o Brasil
demonstrado (RECEITA FEDERAL DO BRASIL, 2018).

De acordo com Receita Federal do Brasil (2018), após a elaboração dos materiais de
apoio e dos roteiros de certificação e tendo selecionado a equipe operacional, é importante
realizar um projeto-piloto para testar, na prática, o modelo criado junto aos operadores do
comércio exterior candidatos à certificação OEA-Integrado. Dessa forma, serão avaliados:
• Entendimento dos questionamentos feitos pelos itens do QAA;
• Entendimento das notas explicativas de cada item do QAA;
• Avaliação do roteiro de certificação por meio de acréscimo ou exclusão de
atividades; e
66
• Verificação do tempo dispendido no processo de certificação pela equipe
operacional.

Recomenda-se escolher, para o projeto-piloto, no máximo, 2 ou 3 operadores


interessados em trabalhar junto com o órgão ou a entidade da Administração Pública, para
executar, passo a passo, todas as atividades do processo de certificação. Na seleção
desses operadores, é importante deixar claro que será preciso designar uma equipe
específica para trabalhar diretamente com o órgão ou entidade da Administração, durante
um período de tempo pré-determinado. A escolha de um grande número de operadores
nesta fase pode resultar em atrasos no projeto demonstrado (RECEITA FEDERAL DO
BRASIL, 2018).

Destaca Receita Federal do Brasil (2018) que, após concluído o projeto-piloto e


realizados os ajustes necessários nos materiais de apoio e no roteiro de certificação, o
órgão ou a entidade da Administração Pública deverá editar uma norma interna, respeitando
as diretrizes contidas na Portaria RFB nº 2.384/2017, disciplinando sua participação no
Programa Brasileiro de OEA, por intermédio do módulo complementar OEA-Integrado.
Sugere-se que a norma interna siga os moldes da Instrução Normativa RFB nº 1.598/2015,
e trate, minimamente, sobre os seguintes temas:
• Princípios e objetivos;
• Intervenientes que podem participar;
• Modalidades de certificação;
• Benefícios;
• Requisitos de admissibilidade e critérios de elegibilidade e específicos;
• Prazos de análise;
• Forma como se dará a autorização da certificação;
• Condições de permanência no OEA-Integrado;
• Revisão da certificação; e
• Sanções administrativas.

E, finalmente, para dar início ao funcionamento do OEA-Integrado, é necessária a


assinatura de nova Portaria Conjunta entre RFB e o órgão / entidade, contendo todas as
condições para seu pleno funcionamento.

67
PROJETOS-PILOTO

OEA-AGRO

No dia 31 de outubro de 2018, houve a publicação da Instrução Normativa (IN) nº 45,


da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA) e, em 29 de novembro deste mesmo ano, a Portaria Conjunta RFB /
SDA nº 1.849. Importante destacar que o MAPA, por meio da SDA, foi o primeiro órgão,
antes mesmo da publicação da Portaria do OEA-Integrado da RFB, a formalizar sua vontade
de participar do Programa, por meio da publicação da Portaria Conjunta RFB / SDA nº
1.700/2016, a qual autoriza a realização de projeto-piloto de integração de atividades
desenvolvidas pela RFB e pela SDA.

OEA-EXÉRCITO

A Receita Federal e Exército Brasileiro assinaram em 14 de março de 2018 Portaria


Conjunta firmando parceria para, juntos, trabalharem na facilitação da importação de
produtos controlados pelo Exército, como armas, munições e produtos químicos.

O OEA-Integrado RFB e Exército Brasileiro é iniciativa para facilitar, com segurança


e controle, os procedimentos de importação no país, reduzir os custos operacionais das
empresas e otimizar a gestão de recursos humanos estabelecido pela Portaria Conjunta
RFB / Exército nº 384/2018, que autoriza formalmente o início dos trabalhos entre esses
dois órgãos.

OEA-ANAC

Em 13 de junho de 2018 a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) e a Receita


Federal firmaram parceria, através da Portaria Conjunta RFB / ANAC nº 862 que autoriza
formalmente o início dos trabalhos entre os dois órgãos, para implementar ações de
facilitação do transporte de mercadorias por via aérea e aprimorar a segurança da aviação
civil contra atos de interferência ilícita.

Em negociação prévia, foi verificado que a certificação OEA-Segurança da Receita


Federal contém várias exigências compatíveis com as especificações dos Anexos 09 e 17
68
da Convenção de Chicago, da qual o Brasil é signatário, convenção esta que estabelece,
entre outros temas, definições e regras acerca da segurança de voo para o transporte aéreo
internacional. Nesse sentido, a integração de um programa de segurança da carga
buscando proteger a aviação civil com o Programa Operador Econômico Autorizado (OEA)
encontra alinhamento com as melhores práticas mundiais, bem como com o Projeto Portal
Único do governo federal brasileiro.

OEA-ANVISA

Em 17 de maio de 2019 foi publicada a Portaria Conjunta ANVISA / RFB nº 1 que


autoriza o planejamento e a execução do projeto-piloto OEA-Integrado-Anvisa no âmbito do
Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (OEA), com o objetivo de
desenvolver e testar o módulo complementar para a melhoria do processo de importação de
produtos que passam pela vigilância sanitária.

O projeto contempla a potencialização de recursos e a redução de prazos para


anuência em processos de importação feitos pela Agência. O OEA-Anvisa permitirá facilitar,
com segurança e controle, os procedimentos de importação dos produtos controlados pela
Anvisa, como medicamentos, agrotóxicos, alimentos e cosméticos, além de reduzir os
custos operacionais das empresas importadoras, devido à maior previsibilidade de suas
operações e otimizar a gestão de recursos humanos nos órgãos e entidades participantes.

OEA-INMETRO

Em 26 de setembro de 2019 foi publicada a Portaria Conjunta RFB / INMETRO nº


1.596 que autoriza o planejamento e a execução do projeto-piloto OEA-Integrado-Inmetro no
âmbito do Programa Brasileiro de Operador Econômico Autorizado (OEA).

A adesão do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) ao


programa está totalmente em linha com o seu novo modelo regulatório, em construção a
partir de três premissas – desburocratizar os processos e desoneração das empresas a
partir da simplificação dos controles; ampliar a responsabilização das empresas por manter
suas certificações e benefícios; e agregar inteligência a todos os processos, uma vez que o
Inmetro passará a usar as ferramentas de gerenciamento de risco nos licenciamentos, no
monitoramento e na fiscalização.
69
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