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nAS FRENTES DE EME~GENCIA E O MOVIMENTO DOS


S,\QUES: I\TEf'lU/\ÇliO E EXrí<Ess,1;o 00 CONFLITO
NO ~1EIO RURI\L Pr\Ri\IB/\NO"

Ana Maria Quiro~Q F. Neto


M2~tra~~ em Ci~nci~s Soci~is/UFPb
J2~O ressoa. Outubra-1985
I - INTRODUçAo

.-

A presente pesquisa tem como objeto de estudo, as Fren-

tes de Emergência e os Movimentos de Saques. como formas his-

tóricas de ação empreendidas pelo Estado e Dolôs populações r~

ruis nc~destinas pôra f,arantir alimento e trabalho nos perío-

~os de estia~8m. Ainda que este objeto se estenda a rrande paE

to da realidade nordestina. nossa área de estudos se restrinr,e

ao estado da Paraíba onde, como as demais áreas da re~ião, as

frentes de emergência foram implantadas e, comint8nsidad~ecl~

diram movi~entos de saques e invasões de sGdes municipais pri~

cip01mente nos 3 últim8s anos do mais recente período de seca.

Na elôboração da pesquisa. além da revisão de parte da

ampla literatura já existente sobre as secas, foi feito um le-

vantemento do material jornalístico referente aos períodos de

sece ocorridos neste século, com ênfase no noticiário referen-

te ao rro~rama de Emer~ência e aos Movimentos de Invasões ocor

ridos no Estada no portado da s8ca de 1979/1984.

Além disso, foram levantados dados e entrevistas junto

aos principais 5r~ãos responsáveis pelos Programas Governamen-

t~is na rer,ião e no Estado; entrevistas COM os responsáveis l~

cais tanto da 8xecuç~o dos diferentes programas estatais liga-

dos ~ qU8st~o rural como pela administraç~o municipal além de

5rg~os associat1vos e de represGntaç~o de classe.

Somado a 8sses dado~ foram feitas entrevistas com pes-


2

soas que narticiporam tonto do pror,rama de emergência no con-

dição de Fiscais e Administradores, como d8 emer~enciados. Com

r81aç~0 a esses. foram feitas dê entrevistas com ex-emer~enci~

dGS mor~dores em sítios e pequenas propriedades rurais e em

bairros da periferia da cidade de Caja2airas (Pb).

A intenção inicial da pesquisa era a de extendê-la a 3

~unicípios onde o problema da seca assumiu dimens5es mais crí-

tic9s. No entanto, considerando os dados preliminares referen-

tes ao Movimento dos Saques, optou-se por reduzir a

Micro-Região do Sertão de Cajazeiras onde entre seus ~O muni-

cípios, 11 foram cenário de 4? movimentos de invasão e saques

entre os anos de 82/34 sendo que, apenas na cidade de Cajazo!

rBS - centro mais importante da região - ocorreram 10 movimen-

tos. ·nesse mesmo perIodo.

Assim sendo, dos 91 movimentos de invas5es e saques oco~

ridos na Para!ba. nos 3 ~ltimos anos .da s8ca mais recente, 42

se deram na Micro-Região do Sertão de Cajazeiras; 30 na Micro-

RSRião de Depress~o do Alto Piranhas; 4 na Micrb-Regi~o de Ca-

tole do Rocha; 4 na Micro-Re~ião da Serra do Teixeira; 7 no

A3reste da Borborema sendo outros 4 nas demais regi5es do Es-

t~do.

Foram pois esses os motivos pelos quais a pesquisn con-

centrou sua Análise na Micro-Região citada. gendo que o traba-

lho de campo incluindo as entrevistas com responsáveis insti-

tucionais locais e com pessoas "alistadas" nas Früntes. parti-

cipantes ou não de ~ovimentas de Saques. se concentraram no

principal pelo da ReGião - o município de Cajazeiras.

A pesquisa foi realizada entre setembro de 1984 e setem


3

bro de 1955, tendo tido, para sua rea1izaç~o, o apoio do CNPq.

A época da realização da pesquisa - após o encerramento

do período de estiap,em, se ref1etir~ tanto nos oados como con-

sequentemcnte. na própria an~1ise dOS~8S~OS uma vez que, os

próprios entrevistados, nrincipa1~onte os emergenciados, for-

necernm uma visão avaliativa e comparativa do sua experiência de

vida e trabalho no período de S8ca e no atual.

Assim. talvez nossa an~lise se diferir~ daquelas feitas

"no calor da batalha" onde muitas vezes, s~o priorizadas as di

mensões e dramas humanos e as r,randes injustiças sociais que,

no perrodo de seca, afIoram em toda sua ev~dência.


11 - AS FRENTES DE EMERG~NCIA E A GEsrAo

ESTATAL DA FORÇA DE TRABALHO

Ao iniciarmos a pesquisa tinhamos como pressupostos 1ni

ciais de análise os seguintes aspectos:

l-Tanto as Frentes de Emergência como 09 movimentos

de saques constituem~so em ações extremas que visam ~arantir o

alimento e trabalho das populações rurais historicamente já

submetidas a pr8c~rias condiçõe~ de alimento, trabalho e vida.

Tais condições cr5nicas na Re~i~o, se agu~izam nos pe-

rrodos de seca, comprometendo o nível mínimo de sobreviv~ncia

f!sica dos indivrduos e famílias principalmente os segmontos

despossuidos de terra 8 os pequenos produtores: pequenos pro~

priotários, arrendatários, meeiros. parceiros. etc;

2 - Como soluções emer~enciais. as Frentes como os Sa~

°ques, se configuram como ações conjunturais que efetivamente

não atuam sobre as questões estruturais às quais se artioulam

os problemas do trabalho e do alimento no meio rural resional.

3 - Ainda que ambas se orsanizem em momentos ou em fun-

ção de fortes contradições e tensões sociais el~s representam

formas de respostas diametralmente opostas: enquanto os saques

r8pres~ntam formas de denúncia e são fundamentalmento manifes-


5

t3corns de tais tensões, as Frentes representam formas de con-



tr51e e de "abafamento" dessas mesmas contradiç5os 8 tensões.

Esta postura diamotralmento oposta decorre, evidentemen

te, da oposição fundamental entre as basos sociais sobre as

~uais s~o engendradas tais tipos de aç~o, ~ cujos interesses

se articulam.

4 - 00 ponto de vista dos grandes proprietários regio~

nais, os períodos ~e estia~em representam períodos n~o menos

~rivilegiarlos seja pela ampla possibilidade de uma •


mao de obrõ

~ratuitô, seja polas benfeitorias, obr.as e outros programas de

obtenção de recursos aos quais, nesses períodos tem ainda mais

fácil acosso.

Assim, no jop,o de forças sociais, o Estado aparece co-

mo liGado aos interesses dominantes, ao mesmo tempo como a

única inst~ncia da qual as populações carentes podem esperars~

luções.

Realizada a pesquisa verificamos não tanto a improprie-

dudo de tais pressupostos mas a necessidade de previlegiarmos

outros ãngulos de análise a respeito de nosso objeto de estu-

do.

Do fato, com relação ao Pror,rama de Emergência, como uma

forma histórica de intervenção do Estado na Região nos perlo-

dos de seca, confirma-se e, talvez mais, reafirma-se de manei~

r3 nítida e "deslavada", o reforço da base econ5mica e de po-

dar político dos(grandes) propriet~rios rurais nordestinos. Is

to porque, diferentemente dos programas emerCencia1s de secas

anteriores, a aç~o estatal, nesse ~ltimo período, definiu-o se


6

d8sde o início por uma intarvonção ã nível das propriedades

particularos. Oontro desta perspectiva, a m50 de obra foi re-

tlda 8 utilizada em função de ações que visassem a retomada do

processo produtiva n~s propriedades. Esse por sua vez orien-

tou-se no sentido da implantaç~o de o~ras e benfeitor1as que

garantisseG não apenas o reto~ar produtivo mas a modernização

dae atividades a~rícolas pela melhoria da qualidade dos produ-

tos e aumento de sue produção. Assim, entre outras medidas bus

COU~SG, através da mobilização o utilização de uma mão de obra

grôtuita ou subsidiada, efetivar-s8 a preparação das terras e

a realização do bonfaitorias qua se configuram como· acréscimo

do valor às propriedades, muitas das quais. ampliadas pela com

pra de novas torras de pequenos e m~d1os propriet~rios que não


~
tiveram outra forma de enfrentamento dos 5 anos de neca. senao

pola venda jo todo ou de parte do suas propriedades.

Além disso, deve ser destacado que, de acordo com o

programa de emergCncia implantado no Nordeste, nesse altimo p~

ríodo, foi r8p~ssado aos proprietáriOS rurais o próprio contr~

18 dos recursos hídricos que, nesse período, faram acumulados

nas propriedades ainda que, sob o compromisso de, no caso de


roserv3s h{dricas maiore~ permitir sua utilização por parte

ca população. Evidentemente que, para uma Região semi- árida. o

acesso -
e controle de recursos h ldricos,
~ tem como decorrência

um processo de valorização das terras, incalculável~

Ainda qU8 com confieurações específicas. distintas da

intervenção estatal nas secas anteriores, ~rosso modo, o pro-

grama de emergência do períOdO 79/84 voltou a representar um

r2forço ã manutenção da estrutura econômica e de dominação im-


7.

pl~ntada historicamente na ~rea.

Essa dimons;o entretanto ~ j5 bastante conhecida, e mui

to pouco poderia ser acrescentado, salvo alRumas evid~ncias om

píricõs adicionais que reforçariam as análises realizedas.

Por outro lado, e como dimensão. bastante próxima a 8S-

s~, u buSú política re8ional foi amplamente reforçada pela in-

tervenç~o estatal no período, nomeio do qual foram realizadas

as 8leições majorit5rias de 1982. A vitória governista no Nor-

deste e principalmente, seu caráter incontest~ na Regi;o dos?

seta~ee nordGstinos, foram provas


.
cabai~
.. de que, o uclientelis-

mo~ e a m~quina estatal, indicado nas an~lis8s políticas das

eleiç5es de 82 no Nordeste e na Paraiba (Andrade, 1984) tiveram

como recursos eleitorais n~o apenas os dif8ren~es programas es

tatais normalmente implantados na área mas, especificamente, os

programas da emor8~ncia. Esses n~o apenas beneficiaram ~ropri~

t~rios, "coron~is" tradicionais e novos "coron~is", como atin-

giram atrav8s dos alistamentos nas frentes de emerBsncia. to-

dos os municípios nordestinos atingidos pela seca que, ~o ano

eleitoral. corre&pondia a \ da ~rea regional.

Para nós a dimensão mais importante a ser c o n s d de r e d e

na análise das Frent8s de Emerg~ncia ~ a referente a


-gestão -
es

tatal da força de trabalho e o desvendamento das configurações

que assume o "assalariamento" que fo~ implantaria nas regiões.

atingidas pela seCn, atraves dos programas de Emergência.

Em primeiro lugõr, deve ser destacado - e de fato os 8S

1
tudos sobre a seca de 79/84 jó indicam· - que a intervenção es

tetal ainda que t~nha ~pre58ntado como .resultante final a ma-

nutenç~o e o fortalecimento da estrutura de poder econõm1co"p~


[}

i
IItica dominante nas regiões do semi-~rido. o Pro~rama de Emer

g~ncia teve con~iguraç5es distintas em relaç~o ~s ·intervenç5es

estat~is de perfodos de estiaRem anterioros: aindc que com al-

~uma impropriedade se poderia dizer que nesse Jltimo período.

JUO atuaç~o foi bem mais fiel a suo condição de Est~do Capita-

·list:J.

N50 se trata portanto de uma atuaç~o irracional. nem de

invGstimentos "sem retorno". nem de uma atuação meramente as-

sistencial ô uma população fla~81ada cujo exist~n8ia estaria

absolutamente comrr~metida néo fora o socorro dos recursos pú-

blicos. E~sas. nigamos assim, são apenas as dimen$ões mais ex-

t e-r n ss , 8 mais .publicitárias. da intervenção oet e t e I num p ar f o

do de criso ~gudô como o B8rado pela seeô.

p., cpç â c p e La proteção ãpropriedade a n e t u r a-'


ela terft!1.5,

za das obr~s executadesJ os crit~rios de seleç~o das propried~

d8S~ as orientações de novos processos produtivos, a constru·

ção de silos, armazéns bem como os procedimentos relàtivos


..
8

~estão do força rl9 trabalho no que se refere aos critérios e

formas de recrutamento, seleç~o, Dontrol~ do trabalho e formas

~G pa~3m8nto s;o indicadores rio car8tet modernizador que assu-

8iu ~ intervenção estat~l. Oiriamos at~ que nesse perfodo de

2stia~em, ap8Sôr de profunda crise de produç~o. ~aram dados im

portantes passos na per5pectiva da extens~o do espaço 8conõmi-

co e social de dominação capitalista nas regiões do semi-árido.

Isto se jGU nã8 apenas em funç~o das opç~es preferenciais rio

pro~r~ma G8 intervonção estatal assinaladas anteriormente se-

não também pelas exclusões e desmantelamentos.de formas produ-

tivas 8 de sobreviv~ncia n~o tipicamente capitalistas que vi-


9

nham se mantendo na rog1~0. Um exemplo disso pode 'ser apontado

por um dos crit~rios adotados para inclus;o da pronriBrlade no

programa:

"O simples fato de 50 exigir o ce de s t r-erne rrto no IIIJCRt, co

'mo requisito para inscriç~o no Pror,rama. já excl~i de antemão

aquel~s pequenas propriedades que ••• n~o possuem a área mínima

necessária. correspondente às determinações daquele

Eliminou-se assim as pe~uenas parcelas e p~opriedades "inviâ-

veis" e consequentemente. a ~orm~ de subsist~ncia. m~nt1daspor

t~i5 tipos de acesso à terra.

Foram também excluídos como beneficiários db programa

aqueles pequenos proprietáriOS que não puderam apresentar os

documentos comprobatórios de propriedade. Esses tiveram acesso

~o program~ apenas na condição de energenciados.

A impossibilidade de alistamento de mais de umR pessoa

por família, eliminava também aquelas pequenas propriedades cu

jo processo produtivo era gQr~ntido pelo concufso da m~o de 0-

bra f6miliôr.

Assim sendo conjurando·se as opções do program~ estatal

ns suas exclusões. o que se tr3tou foi. de um lado, f<"vorecor

~s propriedades principalmonte, as de dimensões médias 8 gran-

dos, e de outro, radicalizar a inviabilidade das formas de

sobreviv~ncia garantidas pelo acesso a pequenas parcelas da ter

ra o pelo trub~lho familiar, completando assim a sepnração en-

tre trabalhador e meios de produção.

Evidentemente que, se a !38Ca,p e Le r-a du ç â o ou mesmo s u s+

pe n ào
ç GIJS atividades p r-o d u t v e s, j~
í amplia o continr,entre de in

divíduos sem trabalho, as medidas adotadas pela intervonç;o es


10

tata1 contribuira~ para a ômp11ação desse continr,ente de traba

lha~or8s isolados e sem acesso " SGU~ meios de subs1st5ncia. eu

je uxist~ncia 55 r~~erié ser ~crQntida por alguma formA de assa

l~riamento. Não ~ por aca90 que durnnte os ~ primeiros anos do

"s8CQ(79/00) apenas 20% dos trabalhadores alistados eram pro"

rriatárlos (sendo que 60% desses pos~uiam propriedades de até

~o ho). Qunnto aos demais, 75% eram acpieultor8~ não propriet~

rios com áreas m~d~as sob sua ~e5ponsabil1dad8 direta de at5 5

h~. (Assim, 46,5% po~suiem ;reas de a~~ 2 ha e ~7.3% entre 2.1

Nos anos que 50 sucederam o que se vg~1ficou foi o enor

me crescimento de "trabalh~dores urbanos", na verdade, indivf-

duas expropriados que peS5ôram 3 engrossar a~ chamadas "pontas

de rU3~ eu bairros perif~ricos das sedes municipais. O aumento

de tAl ccntinEente serÁ retomado posteriormente, quando enfo-

c~rmo5 a quest~o referente aos movimentos de saques.

S~ o favorecimento 5 expropriaç5o j5 caracteriza outros


• \

programas estatais em per!odos normais, o programa de emerg~n-

cia n~o se limitou apenas a contribuir oara tal processo. Ele

se extende na implantação ce uma nova forma ce gestão da força

de trabalho.

O Estado ao assumir o encargo de manutenç~o da força de

trabalho das regiões atincida5 pela seca. ele o faz, eM priMe!

ro lu~ar. dentro da per~pectiva de eôpantia de manutenção de

um "stock" de mão de obra com vistas à retomada do processo pro

dutivo: Suspensa a produç;o das demais merc~dorias, a mercado-

rie força de trabalho de~e ser mantida, evidenteMente. por in~

tâncias exteriores ao ca~ital privoGo. Assim, a formn de ges-

".
-:
11

tão dn força de tr8balho deve corresponder Q finalidodes capi-

t~listas mas n50 sob o encargo do oapitnl privado. Inst"ure-se

assim n necessidade d~ chumôdo oss1stência pública, que pouca

contribuiç~o traria S8 fosse ostruturoca nas antigas formas de

"cnmpos do concentrD~~o» ou das massivns frentes de serviço,

~nrl9 fundamentalment8 for~m apenÇs garentidas ~ imobilização

~a força de trabalho a sua sobreviv6ncia física. Essas formas

c o r-r-o sp o n de r-ern ã fase de Ln t a r-v an So ç "não p Le n e j e rte " da ação


(4)
estat~l no Nordeste, que assinala Francisco ~e Oliveira •

o que vai c~racterizôr a forma mais atual da B8stão da

força ce trabalho no último períOdO é um processo bem mais com

!llexo.

Em primeiro lu~ar ô sobrevivência física é mantida em

níveis mínimos, atrav5s dos reduzidos Qsnl5rios" .pagos

"EnerfY,ência".

Muito j~ S8 falou a respeito da dim8ns~o reduzida de

t~l sa15rio em relaç~o ~s necessidades de consumo do's trabalha

dores alist~dos e de suas fnmílias. Os próprios responsáveis

pelo programa indicam que a definiç~o de seu "Quantum" bem

~~~ixo do sa15rio mínima regional, se. deu pelo fato de que o

~EstadQ n~~ dev2 fazar concorr~ncia com os propriet~rios; se

nossos salários fossem mais ~ltos, os trabalhadores deixariam

05 trabalhos n3S propriedades, oque prejudicaria ainda mais

os proprietórios já muito prejudicados pela crise de produção


"ri
prnnOVl~a pe 1u seca fIes) •

Oro eSS8 niv81amento "por baixo" terá influências


..
nao

lpcnus no períodO de estiagem, mas se prQjetarã posteriormente

quo n dc o "salário da eme rg nc t e '", 8 n:iloo mínimo


â regional, pe;:,
17.


m~n8cerá co~o base das determinaçõos salariais futuras~ pós-

S8C~.

Por outrQ lado, 8 por mais contraditório que poss~ pa-

recer, o "salário da Gmerg~ncia» foi profundamente importante.

0~ tArmos de renda monetária. Se es~o ~v~li~ç;o n;o parece ní-

tida durante o períOdO de estiegem, hoje, encerr~do c prof,ra-

rns , e de v o Lt e flS condições de trabalho regionais, oS-inclivlc1UO·S-

ove I í em ~18-farm3 DC5i.ttv~:- "o pouco que tinham" do -Forma regular.

tacos os mGses. Essa nvaliação é tanto mais evidente entre 09

trab~lhcdores desprovidos do acesso ~ terra, que se localizüm

n~s "pontmsdo'puen 8 nas periferias das sedes municipais. Pa-

r~ 8ls~.»o melhor per!odc foi o da 8m8rg~ncia que a ~ente ti-

nha trabalho 8 sal~rio pouco. mas tinha. Agora n~o se tem 5 na


d3~ •. PcrD eles. os problem~s de emers~ncia S8 situam em outros

níveis. os qu~is 58 relacionam ã5 dimensões assumidas pela fo~

ma de z8stão estatal da força de trabalho no meio rural, no P~

~rodo da Wltima seca.

Consideramos que mais qU8 a inst~uraç;o de uma relaçÉo

salarial, as frentes de em8rg~nci~ instauraram uma socializa-

ção especiaL nos indivfduos nelas inseridos e delas dependen-

te 5.

Essa soeializaçÃo carõcterizôvô-sG pela:

19) Transformaç~o de trabalhadores rurais e produtores

diretos em força de trabalho com ~ua reprOdução individual e

social dependentes de uma r81~ç~o salarial lisada a um proces-

so de trabalho distinto daquele vivenclôdo até ent;o.

Nesse aspecto, o cen~rio vivido nos semi~ãridos nordes-

tinos e Paraibônos especificamente, nos rem~te ao fenômeno ci~


13

t~do por Marx da TRANSFORMAÇAo DE TRABALHADORES NDMAOES (ou mo -


vais) em PROlETARIOS EST~VE1S~

Ora uma das característicos do cham~do ~prolet~r10 n5ma

de" 8St~ no fato dele ter sido Geralmente recrutado no meio ru

rol para o exercício de funç58s ligôdes ~o trabalho em con s-

truções, drenagens, fabric~ção de tijolos, construção de estra

::i~s00 ferro e t c , (MARX. 1969. capo XXV. V. 3). ocupaçõos BS-

s~s que S8 assemelham ao tipo de obras que caracterizou o pro-

~rama de emorr,ência em seus 3 últimos anos (82-84).

Para os indivíduos »alistados» com fortes laços G refe-

rõncias com o trabalho na terra. tratava·se de se impor um es~

quem;) de ocupação totalmente novo. Assim. alªm de vendedores

individuais de sua forçQ de trabalho esses indivíduos deveriam

3Gor~ ser reunificados dentro e por um trabalho coletivo estru

turado por normas distintas. Essas, em alguns casos, chegaram

a incluir a i~obilizaç~o do m~o de obra pela moradia. em "acam

~~m8ntos~ construtdos em alguns locais de abras(6), algo que

também caracterizau historicamente a transformação do praletá-

rio "nôm~de» em prolet~ria est~vel.

29) Além disso, as frentes de emergência marcaram a ins

crição dos indivíduos em um espaço de trabalho marcado por um

trabalho caletivo uniformizada e que os ·u~ifor~iza~~. implica~

do para isso, no aplacamento de suas condiç5es pessoais e de

seus saberes individuais e na aceitação de uma hierarquia de

ordens e fiscalizaç~o que os atingia a todos. Os trabalhadores

insereviam-S8 assim numa relaç~o de submissão geral e n~o pes-

sool. Nno se tratava pois, de uma relação com determinado pro·

priGtário de quem se conhecia o estilo e a personalidade, ou

'1 ." ; ...


14

c o rn que m S Q P U d8 S S e 'n ••g o ci ar -e- f o ~fft 1i-4 . o. r-t t.mo , a 50 mu d a nç a 5 .rJe

~rGbulh~ do acordo ns situações pessoais vivid~s pelo trobaln~

:~cr. /\ r e Le So de trabalho
ç no omergéncia. principalmente' no
'.

-..
r.·;gr~ma de o b r-os que c o r-re sp o n de u à f e se de maior nümero de

Jlistnmentas. era pois Ur.1arelação impesso~liz~da e hiorarqu~

~a~~. Se tal condiç;o representou alga novo para os tr~balhado

r:s hom8ns, paro as mulheres. como segmento mais recente de in

~ivr~uos Gstr~tura~9s em força de trabalho e iniciantss no pr~

c~ss~ do trabalho coletivo, tal característica as~umiu conota-

ç~:?s op r e s s v e s , í

A não consideração de suas características e condições


,
}' 8 S S o ai s (cüf1't-O- ~ r a v i dez. me n s t r ua ç ~o, Óoença s pe 9 S oa i 5 au dos

filhos~ etc}; G fiscalização constante do trabalho por fisco~~

G "apcntadores"; ao lado da "brutalidade" do trabalho ~ onde

deveriam Uqu8br~r e carregar pedras como os homens" - consti-

tuíam dimensões inaceitáveis e traumatizantes do trabalho nas


••
8rnerE8nClas.

39) A terceira carGcter{stica dessa forma de 50eializa~


~ ~
ç~o realizada pelo tr~balho n~~ frentes de emergencia 8 que c~

T',:,cteriza t-omb~m a forma de gest~D da força de trabalho pelo


ri
-- ,L.
.: S "D L. o~ é Q dese~volvim8nto do um conjunto de QUALIFICAÇnES CO

_ETIVAS GERAIS~

Evidentemente que tais qualificeções integram 8 decor-

rem das caractetrsticas anteriormente assinaladâ~. Elas r8pre~

s8nta~ Gntreta~to. dir.1ensBes mais espec!ficas. Trata-se da im-

P~.'3 iÇ~D e a b 50 rç~'o p o r e s se cont i nge nt e de n ov o 5 ou re-cGm-pro-

lettfrios que iniciam sua "entrada no trabalho eoletivo de qua-

lificaç~es gerais de ASSIDUIDADE, PONTUALIDADE, SOBRIêDADE,


15

REsrEITO ~ NORMAS, AOS CHEFES, A AUTORIDADE ete. todas dimen~

sões fundamentais no trôbalho coletivo e ã relação assalaria

Evidentemente que o impssição e inculcução de todas 8S-

_s~s atitudes a práticas soci~is é feita de for~u uutoritãria

~~~tn m~is intensô ~uento se considera -as condiç5es de difu-

S~~ ~ "s~cializaç3o" das mesmas. Assim, as novos práticas de

tr~bulho colstivo foram impostos de forma extensiva - atinf,in-

lj ,) n 'J No r d (3 s t n c o mo um to do, c e r c a de· 3 mil h Õ e s de p e S 5 o o 5 - ;

intencivas~ posto que num curt~ espaço de tempo; e dentro de um

contexto de crise carin~ias profundas e fortes tens5es 80-

c~a~a. lados esses elementos permitem considerar o nível de

~utoritaris~o e forço com que foi revestida a imposiç~o social

20 trab~lho coletivo e assalariado, na regi;o do semi-árido

n~rdGstinc no perrodo de seca.

Essas elementos permitem igualmente compreender os mot!

vus pelos qUuis foram convocadas outras instituições estatais

C8 ôtuaçGo supra-estadual, nQ oaso, o ONOCS, e o Exército. A

3st2 foi ontregue o coordenaç~o do Programa deEm8rg~ncia nas

~2gi5GS onde, a quest~o social assumia dimens5es mais críti-

c~s. As Secretarias Estaduais. Emater Estaduais 8 os 5rg~os l~

c-J i s ti" 8 r"Ôm su í) S êltua ç õ e s se c un de r i z a das na 2 e ,' f a 5 e do P r 0-

zram~ de Emerg~ncia, quando foram implantados.os projatos de

~bras ditas "pGblicos".

~ bem verdade que a nível de definiçôQ, as normas do r~

crutamonto e seleção de emergenciados, fiscalização e controle

j~ môo de obr~ no trabalho, sistema de controle de faltas e

Cd ~a8amento foram mais ou menos generalizadas e deveriam, em


16

princípio, ser aplicarias igualmente por todos


.. ..
os or~aos execu-

tor e s .

Na pr~tica entretanto, a aplicaç~o co~creta das mesmas

tuve níveis de rigidez extremamente variados. Nesse aspecto,

v~19rie r3ssaltDr a atuaç~o do braço ~rm~do do Estado, que ch~

~~U a coordenar o trabalho de mais de 600.000 'trabalhadores

entre homens e mulheres. Na Paraíba, o Exército coordenou o

trabôlho em 70 municrpios com um total de alistados em março

j;:; 1 9 8 4 de 14 6 • 9 6 8 t ra b a 1h a d o r e s nas re g i Õ e s s :J C i a 1 m e n tem ais

tensas. Essa parece ter sido também a realidade da atuaçno d05

B3talh~es de Construç5es nos demais Estados nordestinos.

Assim, seja porque o fenômeno da seca se recruclece, se-

ja porque aumenta o contingente de m~o de obra desocupada e

m5vel; seja pelo aumento das mobilizaç5es e press5es sociais

"ue S8 ampliam enormemente a partir do 39 ano de seca; seja

anfim, por todas aquelas dimens5es darelaç~o de trabalho que

se implantam a partir de 1982,. o Estado recrudece também suas

formas de gest50 da força de trabalho, e o Exército - através

~~ seu segmento produtivo - os batalh~es de Engenharia e Cons-o

truçóo - aparece como a única instância do aparelho do estado

c~pôZ de fazer face e conter todo esse potencial de tensóes e

conflitos sociais.

quarta característica fundamental da gestão da

forçô de trabalho veiculada através nas frentes de emergência·

2 a monetarização da relação de trabalho e a possibilidade de

~articipaç~o dos indivíduos a ela integrados. numa economia co

mercial generalizada.

Essa dimensão, inerente que é à relação assalariada,


1
, -/
__ .••• ~~~ •••••••• :.-~ •••• """'~..;.. ~~~ •••••• ~ ,0'0\.=. •••• :.: •• l/II,""'--

17

c0nstitui um d9S elementos fundamentais da sociali7-ação espe-

ciDl vivenciôda no período das secas.

Por menor que tenha sido o salário. ,ele implantou rüla-


u

;C0S murcantis de forma genoralizada, ele possibilitou aos in-

:iivír-Juosa experiência de uma renda monetária. mesmo que


..
nao

suficiente. pelo menos previsível; ele permitiu aos trabalhad~

r~s alistados o acesso a um cr~dito junto ao sistema comercial

10cal, o que iignificou estabelecer relaç5es comerciais distin

t~s aos moldes tradicionais dos "adian~amentos" e dívidas pes~

soais com barracões e bodegas; ele permitiu, finalmente, pela

f~rma de pagamento por cheques bancários. iniciaç5es no siste-

i;)f3 f i na n c e i r o •

t bem verdade que boa parte dessas dimensões mercantis

8 financeiras implantadas pela relação assalariada das emerge~

ciaa se mesclaram e sucumbiram-s8 no contexto das relações tr~

dicionais de dominação vividas no semi-árido. Assim, cheques

foram trocados pessoalmente com descontos ror parte do indiví-

duo que os pagavam; o cr~dito no com~rcio assumiu dimens5es 8X

torsivas; boa parte da renda monet~ria. princip~lmente nos 2

~rimeiros anos das emerg~ncias foram "canalizados para o paga-

men~o de dIvidas de "fornecimento" ou seja, adiantamentos em

bens:alimentares ou sementes feitos pelos propri~t~rios a seus


~ ~
trabalhadores e parceiros nos p8r~odos anteriores a seca e que

de v e r arn ter
í sido p e g o s com as colheitas que, a partir de 1979,

entraram em colapso. Assim, a "nova" releç~o assalariada ainda

58 colocou ã serviço de relaç5es antoriores.

Apesar dessas situaç6es, a relaç~o assalariada vivida

por um n~mero significativo de trabalha~ores das re~i5es atin-



HJ

~i~~s pela seco, seja por sua dimens~o de relaç~o mercantil e

MJnctária, s8ja pelas dimensões de introdução do trabalho cole

tiv~ G suas ~ualificaç5as gerais representou um »ensaio" de


.
umo nova socializaç~o econ6mica ria força de trabalho, e de ex-

t~ns5Q da sociedade mercantil nas rev,iões do semi-árido.

Importante destacar que a implantação dasse processo de

~ssolcriamento durante os 5 anos que perdurou a seca não con-

vorteu definitiva e automaticamente os indivfduos em trabalha-

joros assalariados e o semi-árido em uma região hegemonicamen-

ta dominada por relaç5es assalariadas 8 capitalistas. Os depo!

mentos do ex-emergenciados destacando sua volta à condição de

orolefários potenciais e desempregados, assim o demonstram.

Entretanto n~o se pode ne~ar todo esse processo de mob!

liznç50 produtiva. de constituição de novas formas de trabalho

G re~roduç~o da força de trabalho, de transmissão e aquisiç~o

J~ ~ualificoç5es gerais para o trabalho coletivo e assalaria-

~~, 8 ce manejo de relações mercantis, todas essas dimensões

im~~rt~ntes vividas pelas populaç5es do semi-~rido durante o

0ltima período de estiagem. Esses aspectos, ao lado dos dramas

~uManos e sociais que caracterizam o flaEelo da seca, se refl~

~ir~J e aflorarão nos movimentos sociais que, nesses mesmos P~

rfodos. eeladem em todo o Nordeste brasileiro, mas que no caso

~~ presente pesquisa, foram estudados no Estado da Paraiba.


19

111 - OS MOVIMENTOS DE INVASOES

Sob diferentes formas de manlfest~ç~o, o meio rural nor


~estino tom sido cen~rio do diferentes movimentos sociais. eon
sideran~o-se especificamente os períodos de secas, tais movi-
mentJs se intensificam e atingindo diferentes setores da reali
C~C8 nordestina. senDO os s~ques e invasões de sedes munici-
p~is, manifestações de ação mais diretas e violentas por parte
.ie s carnudas pauperizarlas da população. ~ importante entretanto
.... ~ i
r e s se I t ar que essas nao s e o as un cas f
ermas d ....• (7~
8mobl.lizaçaO-'.;'- 9

';UG apesar do sua o c o r-r n c a no s diferentes


â í períodos de estia-
•• ( 8) ••
~~m deste seculo nao tem sido objeto de estudo mais aprofu~

Aponas ap6s a ocorr~noia dos movimentos de desempenha-


dos , "quebra-quebras e saques", realizadas nas grandes cidades
brasileiras, por trabalhadores desempregados e subempre~ados ,
03 tradicionais' movimentos de invasão ocorridos no meio rural
nor08stino passaram a ser objeto de an~lises específicas.
Prec~dida pela ação direta ds ~rupos armados e, bandos
da in~ivrduos buscando "fazer justiça com as pr5prias m~os~ co
r.v o s h st r t c o s ce ng e ce r-os , os movimentos
í ô í de saques, prlncl.
~~lnsnte ap5s a seca de 1932 são fruto, n~Q mais de grupos es-
-ec{-Ficos, mas da açóé) coletiva de trabalhadores rurais que i~
di
.j ~ ~'~ ã s se de s dos m uni c í p io s das r eg i õ s s a ti n 5 i das p e 1a s se-
c~s exif:indo trabnlho e alimento.
Tais movimentos, por terem sido considerados espontâ-
ne ~ s I f u n d u dos n a a ç ã o dir eta, e f ê m e ro s( p c st o que e sg o t a n do - se
~5~ imediatamente quanto seu surBimento, sem uma base organi-
z~cional estabelecida. sem programa ou direcionamento políti-
C~, foram igualmente considerados da pouca significaç~o te6ri-
política.
ª
(:1 G

Nossa pretenç~o n~o a de ,tentar dar ~m arcabouço que


j~stifique te6rica o politicamente tais movimentos mas alguns
3lG~8ntos que permitam uma maior compreens~o dos mesmos. Assim
20

sendo, ~ir!amos que considerando as ccndiç6es a q~8 s~o subme


tidas, amplos camadas da populaç~o da semi-~rido, essas formas
~u lut~ pelo aç50 direta de invas5es 5s cidades com apropria-
Ç;;Cl nu não 8e bens constituem, as únicas formas eficazes de se
fazerem presentes, de manifestarem seu querer coletivo, de a-
~rG5entorem suas reivindicaç5es, de se contraporem ~s formas
do g8st~O estatal de seus destinos e de, no extremo, tentarem
sobreviver face 5 crise. Isto porque trata-se prinCipalmente
do uma camada da pDpulaç~o do meio rural e das periferias das
cidades sertanejas, que ~não disp5e de qualquer conduto pr5-
pria de reivindicações e pressões através do qual pudessem agir
coletivamente a respeito de suas condiç5es de trabalho e vida"
(DINIZ, 1985).
Além disso, sob a roupagem dos tradicionais movimentos
de saques, esses movimentos ocorridos no Gltimo período de es-
tià~em assumiram diferentes significações que merecertam ser
considerados por aqueles que se interessam pelos movimentos e
trajet5rias de classe trabalhadora, ar incluindo, evidentemen-
te, os próprios sindicatos e organizações de classe dos tra-
balhadores.
Assim sendo, consideramos que os saques e ameaças
..
nao
foram apenas manifestações de "massas desesperadas'" ou de ~fla
g c Le d o s
tangidos pela fome e desemprego", dimensões p r o r-Lz e> ã

ne c i e r- i'o .j o r n e 1"lS t·lCO


i s p e 1o no ti'" · so b r-e os ev e n t+- o s (9) • S em n e. +

~ar que essas sejam dimens5es reais. os dado~ e os depoimentos


com ~8ssoas entrevistadas sejam elas participantes ou não dos
movimentas, indicam que os mesmos não SÓ integram diferentes
camodas da população incluindo-se aí trabalhadores residentes
no campo e nas periferias das cidades sertap,ejas, como aprese~
tam reivindicações e exercem pressoes não circunscritas ã pro-
blemôtica ea falta de alimentos.
No que so refere ao primeiro aspecto. a composiç~o de
base social do movimento, diríamos que a presença dos trabalh~
,jr;resresidentes n e s zonas rurais é reduzida. ainda que consi-
derada importante pelos participantesCIOJ•
Estes davam maior legitimidade ao movimento por - eerem
considerados as "vítimas" mais radicais da estiagem.
21

No entanto, do ponto de vista numérico, o amov Irnerrt.o s f0ram


tlrnan~jo-sogrer'at vernent s urbano s, obviamente nos tormos 'em que
í se apr~_
s(:n t a o u r ba n o (rn u i t o 1ig ô d o a o r u r a 1) das ci da d e s int eri ora -
nas do Estado. ~ evidente, que tais moradores que, garantiram
o avolumar dos movimentos nosaitimos meses de 83 e infcio de
198,(11)
~ -
sao ind i vlduos
~ sobre "í
os quals o per odo da seca, radi
calizou se~s prOC8SSOS do expropriaç~o. Suas presenças nas pe-
riferias eram já indicadores de sua expulsão do campo, grande
~art8 d3S queis realizada nos primeiros anos desse perfodo de
estiagem.
Sem alternativas de empreg~ esses indivíduos constitu
í~m~s8 ifualmente num segmonto cuja condição se subsistência
estava absolutamente comprometida, ,constituindo-se assim em
a~entes potenciais (e reais) dos movimentos de ação direta. Es
tes se orfoanizaréJm - ou tiveram como "ostopim" desencadeador
da mobilizaç~o - n~o apenas as tradicionais situaç6es de dese~
pero e fome mas outras situaç6es basicamente ligadas ~s FORMAS'
ESTATAIS DE GESTÃO DA FORÇA DE ·TRABALHO tanto no que se refere
00 emprego de mão de obra, como às políticas de' distribuição
de recursos. basicamente os alimentos.
Os Movimentos de invasão exerceram pois pressoes
.. e apr~
sentôrôm reivindicações no sentido do:-aumento do número e mo-
dificações na composição da mão de obra possível de ser alista
da no trabalho das Frentes aí incluindo tanto o aumento do nu-
mero do alistamentos como a inclus~o de novos segmentos da po-
pulaç~o. basicamente as mulheres - at~ ent~o excluídas do pro~
grama -"
d 8 Emergencla ........"f" uBS perl
8 os morauores erlas ur b anas. (12)
- Protestos e pressões em relação a atrasos nos pagamen-
tos do trabalho nas frentes. mudanças nas formas de tratamento
em serviço aí incluindo-se a fiscalização do comportamento dos
emergenciados. fiscalizaç~o da produç;o. relacionamento entre
fiscais. "e p c n t e c o r e s " e trabalharlores.
- Descontos de atrasos. faltas ao trabalho e exigências
d~ documentos formais (atestados m~dicos) para justific~-los.
Na verdade, grande parte desses elementos. alguns dos
quais constituíram-s8 no motivo imediato desencadeador dos mo-
vimentos. integram "as características do trabalho e de rela-
ç=o salarial impostas na região pelos programas estatais de
22

GmerB~ncias. Neste sentido pois, as invas5es e saques assumi-



r~m uma dimensão de protosto e reôção por parte da população
omerBenciado em relaçGo 0S características inerentes ao traba-
lho assalarindo en8ennradn pal~s frentes ce emerp,cncia. e mais
a relação salarial e o tipo de t~abalho coletivo 01 incluído as
su~irQm o dimensão de uma relação política e de um modo de
~~r8ss5o orquestra~cr pelo Estado. N~0 ~ por acaso que alguns
d~s movimentos foram or~~nizados nas ~r5prias frentes de emer-
sênci~. Um segundo si~nificado que emerp,e-nos depoimentos dos
particip~ntes é o de reação aos critérios e siste~ática5 de
distribuição de ôlimentos por parte dos órgãos estatais. Os ali
mentos a ser8~ distribuí~os através de diferentes progra-
mas (Merenda Escolar, ?rogrôma de Gestantes e Nutrizes do INAM,
cestas de alimentos da COBALl etc, tinham crit~rios e cronogr~
mas técnicos para suo distribuição.
Os movimentos de invasão impuseram a reversao dos cri-
tórios técnicos pelo critério ~as necessidades e os alimentos
distribu!dos imediatamente pela população presente sem nenhum
outro critªrio a n~o ser o de "dispersar as massas, e reduzir
as t s n sô o s , ev t e n c o+s e males
í maiores". Além disso, alguns ca-
sos rie corrupção e desvio de alimentos identificados pela pop~
laç5~, constituíram-se tamb6m em "estopins" de movimentos. Nes
s8 ~entirlo~ dontro dos limites em que lhes foi possível identi
ficar e atuar, os movimentos de saques exerceram um papel regu
Zador da ação do Estado no que se refere às formas de gestão
da força de trabalho nas áreas atingidas pelas secas tanto na
perspectiva das formas de emprego e utilização da mão de obra,
como na de sua manutenção física, pela distribUição de alimen-
tns. Ainda em relaç~o ao Estado 8, contrariamente ao quo se
deu classicamente com os saques no meio rural nordestino que
se dirigiam a feiras livres, armazéns e ao comércio das sedes
municipais, os movimentos desse ~ltimd perrod~, se dirigiam
prioritariamente às organizações estatais. Assim entre 100 en~
ti d a d e s "s a que a das" o u am ee ça d {1 s de s a que nos 9 1 eventos o c o r r i
rlcs no~ anos 82 a 84 na Paraíba, apenas 24 se dirigiam ~s fei-
ras livres e ao comércio local. Os demeis tiveram como àlvo:
Cabol" (21 eventos). Merenda Escolar (12), INAM (19), Cd d e g r o -
Companhia de Desenvolvimento Agropecuário da Paraíba (9), C1-
BRAZEM (4), além de outr~s instituiç5es como a FEBEMA, lBA,
Gtc, alvos de um menor nú~ero de movimentos.
Uma primeirQ razão, simples e real, está no fato de que
tais entidades eram as responsáveis concretas pelo armazenamen
t~ de gêneros alimentícics, portanto elas se constituíam em 10
cais certos de obtenção dos alimentos busc8dos.
Essa entret~ntD ~a raz~o mais apArente e sintom~tica.
Subjacente a isso está a função do Estado como agente fundamen
tal. de u~ processo de expans~o capitalista realizado atrav~s
de toda uma s~rie de propramas e ag~ncias estatais presentes
em tojos os municípios da regiãn. Além disso, no~ períodos de
estia~em o Estado radicaliza seu papel de ar,enciar.or do proce~
s~ produtivo, quando, ao lado de todo o reforço da estrutura
econômica e política regional, pela-s transferências de r e cur «

50S públicos embutidos nos programas especiais para a seca, o


Estado assume a responsabilidade da imobilização ~ manutenç~c
j2 própria força de trabalho. O Estado estabelece assim uma
rGlaçã~ direta com as populaç5ris atingidas pela seca. Este fa-
to faz e~ergir dimens5es reatiVas inerentes a uma relaç50 dire
ta,. vista como necess~ria, mas tamb~m opressiva:
Somado a isso, emerge igualment~ e os discursos o reve-
lam, n~ç5~s de direitos que os indivfduos t~m perante os recur
sos e bens retidos pelo Estado.
"O que a gente pe~ou era nosso, era dos emer~enciados".
"Os legumes da Cobal eram para distribuir com o povo.
Eles n~o distribuía, n6~ pegamos".
"Os governantes prendiam os alimentos que eram nossos,
os trabalhadores invadiram".
"As coisas n~a eram de ningu§m, eram do Governo, era
dos cidad~os. N5s tava no nosso direito".
Esses, cama uma série de outros fragmentos de discurso,
revelam que os movimentos de saques não agiam apenas em função
da preservação de um direito fundamental - e naturnl ã vida,
mêS ~eivindicavom direitns sociais de acesso a recursos (no ca
se' os alimentos) que a eles pertenciam, posto que acumulados e
retidos pelo Estado.
Dentro ainda do universo do significação dos indiví-
duos, os saques e invasões tem todo um quadro ético de funda-
\.

mantos que justificam suas aç5es nos movim~ntos. E riesse aspe~


tJ comparecem não apenas as justificativas advindas da própria
24

situaçDo de crise aguda gerada pela seca, como inúmeras situa-


çõos e "injustiç<:ls" vividas nus frentes, além de uma nftidéJ
ijcntidade em relaç~o ~ outros tipos de aç~o possíveis de se-
r arn realizadas.
E aqui comparecem de forma nítida, distinções por eles
estcbelecidas entre SAQUES e ROUBO. Com relação ao saque, ele
ó motivado pela necessidade; é fe í t o abertamente . "às cla-
ras"~ busca um bsnafício coletivo; voltado para obtenç~o de
"coisas" que 1hes pertence; não deve ser punido e. muito menos
juleado e processado juridicamente.
O roubo, ao contrário é motivado pelo ganãncia, é feito
3ãs escondidas", busca um benefIcio individual. voltado para a
otitenç~o de "coisas" que nertsncem a outro, devendo, portanto
ser punido e julgado.
Subjacente a esse quadro de distinções está, evidente-
mente, todo um universo cultural dominante que dá suporte a
tais representações. Entretanto 0ão se pode negar que como
conjunto, esses elemento~ ao lado das carências materiais abso
lutéJ~ componham para os indivíduos, um quadro de justificaç5es
que dão sentido às suas ações num movimento social. t importa~
te destacar ainda que existe toda uma memória coletiva que re-
teve pelo menos. a consciência da força e da eficácia dessas
formas coletivas de ação direta. Tal consciência se estende
tanto aos participantes do movimento quanto ~s classes dominan
tes locais. Tanto é assim que das 91 invasões ã sedes munici-
pais, 55 se limitaram a "ameaças". O com~rcio fechava suas por
tas. os alistamentos foram ampliados, crit~rios de controle fo
ram afrouxados, alimentos foram distribuídos apenas frente a
massa de trabalhadores, mulheres e crianças que se aglomeravam
frente as prefeituras municipais ou outros ór8ãos estatais,
ameaçando invadir.
Excessão deve ser indicada em relação ~s organizações
sin~i~ais quel reconhecendo a situação da população participan-
te dos movimontos, repudiam entretanto tais formas de luta.
Sem entrarmos nos méritos de tal atitude apenas assina-
lemos que faltou aos sindicatos dos trabalhadoros rurais a pe~
cepção das diferentes dimensões que assumiram os movimentos de
invasão como instâncias de manifestação e éo reação dos indiví
duos constituídos em força de trabalho contra a imposição e
~.
25

,as condiçõos de um trabalho coletivo e de uma relação sala-


rial opressiva e aviltante n~o apenas enquanto relaç50 mercan-
til ffiQS também enquanto relação social e política.
Faltou a eles a visão de que, para além da roupagem tra
dicionol de um movimento dito ffpré-político". havia elementos
politizáveis. Que alem da luta pela vida. havia uma luta por
trabalho que quando obtido, mesmo que ~~mporário. engendrava
novas lutos contra as condições que o mesmo lhes impunha.
Finalmente, destacaríamos que o conflito constitui, na
verdade, uma matriz fundamental para a compreensão do que oco~
re no meio rural nordestino nos períodos de estiagem. Atribuin
do inicialmente, ~s Frentes de Emerg~ncia, a atenuação do con-
flito, e ao movimento de saques, sua expressão, hoje concluí-
mos que é err5nea 8 falaciosa tal distinção. As Frentes de Emer
gência ainda que voltadas como política social, para a atenua-
çãoe abafamento dos conflitos e tensões sociais no campo, de-
sencadeiam e acirram contradições.
Por seu lado, os movimentos I dos seques ainda que
uma forma por excel§ncia de expressão de conflitos, os atenuam
enquanto canalizam o querer coletivo e obtém reivindicações que,
se não modificam substancialmente suas condições de existên·
cia l ôtenuam temporariamente as crises mais agudas. Os movimen
tos de invasões e saques, a cada novo per{odo de seca, reatua-
lizam para as camadas pauperizadas do meio rural nordestino,
a tenue experiência de força coletiva e de inter-
venção no processo social.
26 i

NOTAS

Sobre esse aspecto obs.: - "A seca nor~estina de 1979-80~


vaI. l~ visão Geral. Funrlação Joaquim Nabuco, Recife,
1983. Aguiat, Gelfa M. Costa - "O E.stado e a seca - inter
venç~o estatal no Nordeste do Brasil - 79-83". Monogra-
fias FIPLAN. 1 - João Pessoa. 1985.
(2) "A Seca nordestina de 1979-80". Op. cit •• p. 117.
(3) Dados fornecidos por Clovis Cavalcanti "O flagelo das se-
cas nordestinas: condições sócio-econômicas observadas em
1979" in Carvalho. Inai~ e Haguette Tereza F. "Trabalho e
condições de vida no Nordeste Brasileiro. Hucitec/CNPq.
são Paulo, Bras{lia, 1984, p. 201-204.
(4) Oliveira. Francisco. "Elegia para uma re(li)giáo)". Paz e
T8rra. Rio de Janeiro, 1977.
(5) Texto de entrevista com o responsável pela execuçao
.. do
programa de emergência pela Secretaria de Agricultura e
Abôstecimento-PB. auto 1983.
(6) Sobre a imobilizaç5o de m;o de obra pela moradia, org.Le!
te Lopes. Jos~ S~r~io "Fábrica e vila operária: considera
ções sobre uma forma de servidão bur~uesa" in A mudança
SDcial no Nordeste: a reproduç5o da subordinação. Paz e
Terra. Rio de Janeiro. 1979. o. 41 e se g t s ,
(7) Sobre a mobilização das organizações assoc1ativas e sindi'
cais no perrodo de estiagem no Estado do Ceará. ver "A se
ca do Nordeste e mobilização camponesa" - Rejane Vasconcel
Ilo s Carvalho. Fortaleza, 1983 Lrn m eo L,
í

(8) Li~ado à mesma pesquisa mas enfocando mais.especificamen-


te 3 ocorrência histórica de movimentos de invasões e sa-
ques nas secas de 1877 a 1958. ver "Movimentos sociais no
semi-~rido. a quest~o dos saques" - Ariosvaldo da Silva Di
niz. Mestraco em Ciências Sociais-UFPb. Set./1985.
(9) A análise dessas dimens5es veiculadas pelo notici~rio jo~-
nalrstico foi feita pelo 19 Relat6rio da pesquisa "As
frentes de emerg~ncia e o movimento dos saques: o dilema
do alimento e trabalho no meio rural paraibano". Ana Msu
ria Quiro~a Fausto Neto et alli. Textos de Debates nQ 2.
Mestrado em Ciências Sociais~UFPb. J. Pessoa, set./1984.
27

(10) No dizer dos participantes: N6s-sempre esperava pelo pes-


soal dos sítios" ou ~n6s dava força pro pessoal dos sr~
tios qUG nno era muita gonte porque ficava longe".
(11) No notici~rio sobre os 66 movimentos ocorridos na Paraíba
entro setembro de 83 e marçõ de 84, 13 não especificavam
o número de pessoas participantes. Entre os demais 53, 24
(45%) tiveram mais de 900 pessoas, sondo ~ue 10 deles co~
taram com mais de 2.000 participantes. Apesar da possível
imprecisão dos jornalísticos, esses totais são impressi~
nantes considerando-s8 o tamanho das cidades sertanejas.
(12) Apenas um reduzidfssimo número de mulheres tradicionalm8n
te integravam as Frentes de Serviço na condição de "barra
lueiras". Ap6s os movimentos de 1983 sua inclus~o aumen-
tou sensivelmente, chegando a atinr,ir % da mão de obra
coordenada pelo ONOCS e % da mão de obra coordenada p~
10 Exército nos municípios paraibanos. Além disso o pró-
prio número de alistamentos no Estado subiu de outubro/83
para março/84 períOdO que corresponde ao acirramento dos
movimentos de saques em todo o Nordeste e na Paraíbô es-
pecificamente.
28

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