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DISCIPLINA: DIREITO PENAL

ASSUNTO: INFRAÇÃO PENAL


AULA: 02
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RETA FINAL - PENAL 02/DEAP-SC

Fala Guerreiro!
É com imenso prazer que estamos aqui tendo a oportunidade de poder contribuir
para a sua aprovação no concurso do DEAP-SC. Nós vamos estudar teoria e
comentar exercícios sobre DIREITO PENAL.

Neste curso vocês receberão todas as informações necessárias para que possam
ter sucesso na prova. Acreditem, vocês não vão se arrepender! O MIRA NO
ALVO CONCURSOS está comprometido com sua aprovação, com sua
vaga, ou seja, com você!
Contamos com uma equipe de profissionais aprovados nos mais diversos
concursos da área Militar. Passamos os últimos dias dissecando a banca FEPESE
para trazer para vocês um material bem focado.

Neste curso estudaremos todo o conteúdo de Direito Penal estimado para o


Edital. Estudaremos teoria de forma simples e direta. Vamos trabalhar também
com exercícios comentados. Pois, acreditamos que essa seja a melhor forma de
você preparar-se para a prova nessas últimas semanas de preparação.

Abaixo segue o plano de aulas do curso todo:

AULA CONTEÚDO DATA

AULA 01 DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL Semana 01

AULA 02 Infração penal: elementos, espécies. Semana 02

AULA 03 Sujeito ativo e sujeito passivo da infração penal. Semana 03

AULA 04 Imputabilidade penal. Semana 04

AULA 05 Crimes contra a Administração Pública. Semana 05

AULA 06 Crimes contra a Administração Pública. Semana 06

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INFRAÇÃO PENAL

Como de costume é muito importante focar muito na lei seca. Se possível


imprima essa parte do conteúdo e leia diversas vezes. Nossa dinâmica nessa
aula vai ser: Lei seca, conteúdo e questões.

Bora lá então.
1. CÓDIGO PENAL
TÍTULO II
DO CRIME
Relação de causalidade
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é
imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a
qual o resultado não teria ocorrido.
Superveniência de causa independente
§ 1º - A superveniência de causa relativamente independente exclui a
imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores,
entretanto, imputam-se a quem os praticou.
Relevância da omissão
§ 2º - A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia
agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem:
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância;
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado.

Art. 14 - Diz-se o crime:


Crime consumado
I - consumado, quando nele se reúnem todos os elementos de sua
definição legal;
Tentativa
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por
circunstâncias alheias à vontade do agente.
Pena de tentativa
Parágrafo único - Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com
a pena correspondente ao crime consumado, diminuída de um a dois terços.

Desistência voluntária e arrependimento eficaz


Art. 15 - O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução
ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

Arrependimento posterior
Art. 16 - Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da
queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.

Crime impossível

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Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio
ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.

Art. 18 - Diz-se o crime:


Crime doloso
I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-
lo;
Crime culposo
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência,
negligência ou imperícia.
Parágrafo único - Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser
punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente.

Agravação pelo resultado


Art. 19 - Pelo resultado que agrava especialmente a pena, só responde o
agente que o houver causado ao menos culposamente.

Erro sobre elementos do tipo


Art. 20 - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o
dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.
Descriminantes putativas
§ 1º - É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas
circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima.
Não há isenção de pena quando o erro deriva de culpa e o fato é punível como
crime culposo.
Erro determinado por terceiro
§ 2º - Responde pelo crime o terceiro que determina o erro.
Erro sobre a pessoa
§ 3º - O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta
de pena. Não se consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima,
senão as da pessoa contra quem o agente queria praticar o crime.

Erro sobre a ilicitude do fato


Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude
do fato, se inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto
a um terço.
Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite
sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas
circunstâncias, ter ou atingir essa consciência.

Coação irresistível e obediência hierárquica


Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita
obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é
punível o autor da coação ou da ordem.

Exclusão de ilicitude
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
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III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de
direito.
Excesso punível
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo,
responderá pelo excesso doloso ou culposo.

Estado de necessidade
Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para
salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro
modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se.
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de
enfrentar o perigo.
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a
pena poderá ser reduzida de um a dois terços.

Legítima defesa
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente
dos meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu
ou de outrem.
TÍTULO III
DA IMPUTABILIDADE PENAL
Inimputáveis
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou
desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
Redução de pena
Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o
agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento
mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o
caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Menores de dezoito anos
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis,
ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial.
Emoção e paixão
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal:
I - a emoção ou a paixão;
Embriaguez
II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de
efeitos análogos.
§ 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa,
proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da
omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento.
§ 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo
da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
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2. TEORIA
Sem dúvidas as definições do crime são as mais complicadas de estudar. De
modo geral para concursos policiais as bancas não exigem um conhecimento
muito aprofundado. Para você acertar a maioria das questões bastar ler muito a
lei seca contextualizando o assunto ao artigo. Deixamos uma teoria não tão
aprofundada para você ter contato com os temas. E depois temos algumas
questões para você perceber que a banca não é nenhum bicho de sete cabeças.
Vamos ver algumas questões da FEPESE antes para você perceber que com um
pouco de estudo você vai estar fechando a prova.

01) Ano: 2013 Banca: FEPESE Órgão: SJC-SC Prova: FEPESE - 2013 - SJC-SC -
Agente Penitenciário.

Em matéria de Direito Penal, ocorre crime doloso quando:


A) quando o agente está embriagado.
B) quando for impossível consumar o crime.
C) quando o agente atua sob domínio de forte emoção.
D) quando o resultado é decorrente de imperícia.
E) o agente assumiu o risco de produzir o ato.

GABARITO: E
Nos termos do Código penal Art. 18:

"Art. 18 - Diz-se o crime Crime doloso


I - doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo"

Demais alternativas:
A) Se a embriaguez for completa e acidental, é causa de inimputabilidade
B) Trata-se do Crime impossível (Art. 17)
C) São causas que não excluem a imputabilidade penal (Art. 28)
D) Imperícia trata-se do crime culposo:

"Art. 18 - Diz-se o crime


Crime culposo
II - culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência
ou imperícia"

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02) Ano: 2013 Banca: FEPESE Órgão: SJC-SC Prova: FEPESE - 2013 - SJC-SC -
Agente Penitenciário
Assinale a alternativa correta em relação à legítima defesa.
A) Exige o uso moderado dos meios.
B) Não admite o seu uso para defesa de direito de terceiro.
C) Pode ser usado como forma de repulsa a ato sofrido no passado.
D) Pode ser utilizada contra servidor público no exercício legal da função
E) Eventual excesso na sua utilização não poderá ser reprovado.

GABARITO: A
A) CERTO: nos termos do Art. 25
B) Pode ser usada em favor de terceiros
C) O dano tem que ser iminente ou atual
D) Se o ato é legal não há o que se falar em Legítima Defesa, caso for praticado a
violência poderá o agressor incorrer em crime de Resistência.
E) O excesso é punível nos termos do Art. 23 §único : "O agente, em qualquer das
hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso doloso ou culposo"

Legítima Defesa
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos
meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem.

03) Ano: 2017 Banca: FEPESE Órgão: PC-SC Prova: FEPESE - 2017 - PC-SC -
Agente de Polícia Civil
É correto afirmar sobre o erro de tipo.
A) O erro sobre o elemento constitutivo do tipo legal exclui o dolo.
B) O crime praticado com erro de tipo será desclassificado para a forma tentada.
C) A prática de crime com erro de tipo somente é possível nos crimes dolosos
contra a vida.
D) Não se admite o erro de tipo nos crimes contra a administração pública.
E) O ato delituoso deverá ser apenado como contravenção quando presente o
erro sobre o elemento constitutivo do tipo legal.

GABARITO: A

Art. 20, CP - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui
o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

Deu para perceber que com a leitura da lei é possível responder a maioria das
questões da FEPESE. Vamos estudar um pouco de teoria para fechar alguma
lacuna e gabaritarmos essa prova.
Bora lá!

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2.1 CRIME

Caro aluno, o Crime pode ser entendido sob três aspectos: Material, legal e
analítico.

Sob o aspecto material, crime é toda ação humana que lesa ou expõe a
perigo um bem jurídico de terceiro, que, por sua relevância, merece a
proteção penal. Esse aspecto valoriza o crime enquanto conteúdo, ou seja,
busca identificar se a conduta é ou não apta a produzir uma lesão a um bem
jurídico penalmente tutelado.
Sob o aspecto legal, ou formal, crime é toda infração penal a que a lei
comina pena de reclusão ou detenção. Nos termos do art. 1° da Lei de
Introdução ao CP:

Art 1º Considera-se crime a infração penal que a lei comina


pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer
alternativa ou cumulativamente com a pena de multa;
contravenção, a infração penal a que a lei comina,
isoladamente, pena de prisão simples ou de multa, ou ambas.
alternativa ou cumulativamente.

O crime pode ser conceituado, ainda, sob um aspecto analítico, que o


divide em partes, de forma a estruturar seu conceito.

Surgiram os defensores da teoria tripartida do crime, que entendiam que


crime era o fato típico, ilícito e culpável. Essa é a teoria que predomina no
Brasil.

Esse último conceito de crime (sob o aspecto analítico), é o que vai nos fornecer
os subsídios para que possamos estudar os elementos do crime (Fato típico,
ilicitude e culpabilidade).

O fato típico é o primeiro dos elementos do crime, sendo a tipicidade um de seus


pressupostos.

2.2 FATO TÍPICO


O fato típico também se divide em elementos, são eles:
Conduta humana;
Resultado naturalístico;
Nexo de causalidade;
Tipicidade;
A) Conduta:
Três teorias buscam explicar a conduta: Teoria naturalística (ou clássica),
finalista e social.
Para a teoria finalista (A ADOTADA PELO BRASIL), de HANS WELZEL, a
conduta humana é a ação voluntária dirigida a uma determinada finalidade.
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Causas de Exclusão da Conduta: (Formando a palavra C H A)


1. Coação física irresistível -> O coautor utiliza o corpo do coagido com emprego
de força física para com ele praticar o crime.
2. Hipnose e sonambulismo -> São situações em que não há conduta absoluta
ausência da consciência.
3. Ato reflexo -> São os movimentos corporais involuntários. Exemplo: a
convulsão, a epilepsia.

B) Resultado naturalístico
O resultado naturalístico é a modificação do mundo real provocada pela conduta
do agente.

C) Nexo de Causalidade
Nos termos do art. 13 do CP:
Art. 13 - O resultado, de que depende a existência do crime, somente é
imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem
a qual o resultado não teria ocorrido.

Assim, o nexo de causalidade pode ser entendido como o vínculo que une a
conduta do agente ao resultado naturalístico ocorrido no mundo exterior.

D) Tipicidade
A tipicidade nada mais é que a adequação da conduta do agente a uma
previsão típica (norma penal que prevê o fato e lhe descreve como crime).
Assim, o tipo do art. 121 é: “matar alguém”. Portanto, quando Marcio esfaqueia
Luiz e o mata, está cometendo fato típico, pois está praticando uma conduta que
encontra previsão como tipo penal.

2.3 ILICITUDE
Assim, a ilicitude é a condição de contrariedade da conduta perante o
Direito.
Estando presente o primeiro elemento (fato típico), presume-se
presente a ilicitude, devendo o acusado comprovar a existência de uma
causa de exclusão da ilicitude. Percebam, assim, que uma das funções do
fato típico é gerar uma presunção de ilicitude da conduta, que pode ser
desconstituída diante da presença de uma das causas de exclusão da ilicitude.
As causas de exclusão da ilicitude podem ser:
As causas de exclusão da ilicitude são:
a) estado de necessidade;
b) legítima defesa;
c) exercício regular de um direito;
d) estrito cumprimento do dever legal.

A) ESTADO DE NECESSIDADE
Está previsto no art. 24 do Código Penal:
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Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar


de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se.

O Brasil adotou a teoria unitária de estado de necessidade, que estabelece


que o bem jurídico protegido deve ser de valor igual ou superior ao
sacrificado.
No caso de o bem sacrificado ser de valor maior que o bem protegido, o
agente responde pelo crime, mas tem sua pena diminuída. Nos termos do
art. 24, § 2° do CP:
Art. 24 (...)
§ 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena
poderá ser reduzida de um a dois terços.

B) LEGÍTIMA DEFESA
Nos termos do art. 25 do CP:

Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou
de outrem.

O agente deve ter praticado o fato para repelir uma agressão.


Quando uma pessoa é atacada por um animal, em regra não age em
legítima defesa, mas em estado de necessidade, pois os atos dos animais
não podem ser considerados injustos. Entretanto, se o animal estiver sendo
utilizado como instrumento de um crime (dono determina ao cão bravo que
morda a vítima), o agente poderá agir em legítima defesa. Entretanto, a
legítima defesa estará ocorrendo em face do dono (lesão ao seu patrimônio, o
cachorro), e não em face do animal.

C) ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL


Nos termos do art. 23, III do CP:
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
(...)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Age acobertado por esta excludente aquele que pratica fato típico, mas o faz em
cumprimento a um dever previsto em lei.

Assim, o Policial tem o dever legal de manter a ordem pública. Se alguém comete
crime, eventuais lesões corporais praticadas pelo policial (quando da
perseguição) não são consideradas ilícitas, pois embora tenha sido provocada
lesão corporal (prevista no art. 129 do CP), o policial agiu no estrito
cumprimento do seu dever legal.

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Se um terceiro colabora com aquele que age no estrito cumprimento do dever
legal, a ele também se estende essa causa de exclusão da ilicitude. Diz-se que
há comunicabilidade.

D) EXERCÍCIO REGULAR DE UM DIREITO


O Código Penal prevê essa excludente da ilicitude também no art. 23, III:
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
(...)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

Dessa forma, quem age no legítimo exercício de um direito seu, não


poderá estar cometendo crime, pois a ordem jurídica deve ser harmônica, de
forma que uma conduta que é considerada um direito da pessoa, não pode ser
considerada crime, por questões lógicas. Trata-se de preservar a coerência do
sistema.

2.4 CULPABILIDADE

A culpabilidade nada mais é que o juízo de reprovabilidade acerca da


conduta do agente, considerando-se suas circunstâncias pessoais.
Diferentemente do que ocorre nos dois primeiros elementos (fato típico e
ilicitude), onde se analisa o fato, na culpabilidade o objeto de estudo não é
o fato, mas o agente.

1. IMPUTABILIDADE PENAL
Código Penal não define o que seria imputabilidade penal, apenas descreve as
hipóteses em que ela não está presente.
A imputabilidade penal pode ser conceituada como a capacidade mental de
entender o caráter ilícito da conduta e de comportar-se conforme o Direito.

Biopsicológico – Deve haver uma doença mental (critério biológico, legal,


objetivo), mas o Juiz deve analisar no caso concreto se o agente era ou não
capaz de entender o caráter ilícito da conduta e de se comportar conforme o
Direito (critério psicológico). Essa foi a teoria adotada como REGRA pelo nosso
Código Penal.

As causas de inimputabilidade estão previstas nos arts. 26, 27 e 28 do CP:

2) POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE


A potencial consciência da ilicitude é a possibilidade de o agente, de acordo com
suas características, conhecer o caráter ilícito do fato. Não se trata do parâmetro
do homem médio, mas de uma análise da pessoa de agente. Assim, aquele
que é formado em Direito, em tese, tem maior potencial consciência da
ilicitude que aquele que nunca saiu de uma aldeia de pescadores e tem
pouca instrução. É claro que isso varia de pessoa para pessoa e,
principalmente, de crime para crime, pois alguns são do conhecimento geral
(homicídio, roubo), e outros nem todos conhecem (bigamia, por exemplo).
Quando o agente age acreditando que sua conduta não é ilícita, comete erro de
proibição (art. 21 do CP).
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3. EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA

Não basta que o agente seja imputável, que tenha potencial conhecimento da
ilicitude do fato, é necessário, ainda, que o agente pudesse agir de outro modo.

EXEMPLO: imagine a situação de uma mãe que vê seu filho clamar por comida
e, diante disso, rouba um cesto de pães. Nesse caso, a mãe era maior de idade,
sabia que a conduta era ilícita, mas não se podia exigir que, naquelas
circunstâncias, agisse de outro modo. Dessa forma, nesse caso, sua
culpabilidade estaria excluída (isso sem comentar o princípio da bagatela, que
excluiria a própria tipicidade, por ausência de lesão tutelável).
Esse elemento da culpabilidade fundamenta duas causas de exclusão da
culpabilidade:
Coação MORAL irresistível
Obediência hierárquica

4. ERRO
A) ERRO DE TIPO
Sabemos que o crime, em seu conceito analítico, é formado basicamente por
três elementos: Fato típico (para alguns, tipicidade, mas a nomenclatura aqui é
irrelevante), ilicitude e culpabilidade.
O erro de tipo é a representação errônea da realidade, na qual o agente
acredita não se verificar a presença de um dos elementos essenciais que
compõem o tipo penal.

O erro de tipo pode ser:


Escusável – Quando o agente não poderia conhecer, de fato, a presença do
elemento do tipo. Exemplo: “A” entra numa loja e ao sair, verifica que esqueceu
sua bolsa. Ao voltar, A encontra uma bolsa idêntica à sua, e a leva embora.
Entretanto, “A” não sabia que essa bolsa era de “B”, que estava olhando revistas
distraído, tendo sua bolsa sido levada por outra pessoa no momento em que
saiu da loja pela primeira vez. Nesse caso, “A” não tinha como imaginar que
alguém, em tão pouco tempo, haveria roubado sua bolsa e que outra pessoa
deixaria no mesmo lugar uma bolsa idêntica. Nesse caso, a incorreu em erro de
tipo escusável, pois não poderia, com um exercício mental razoável, saber que
aquela não era sua bolsa;

Inescusável – Ocorre quando o agente incorre em erro sobre elemento


essencial do tipo, mas poderia, mediante um esforço mental razoável, não ter
agido desta forma. Exemplo: Imaginemos que Marcelo esteja numa repartição
pública e acabe por desacatar funcionário público que lá estava.
Marcelo não sabia que se tratava de funcionário público, mas mediante esforço
mental mínimo poderia ter chegado a esta conclusão, analisando a postura da
pessoa com quem falava e o que a pessoa fazia no local. Assim, Marcelo incorreu
em erro de tipo inescusável, e responderia por crime culposo, caso houvesse
previsão de desacato culposo (não há);

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B) ERRO DE PROIBIÇÃO
A culpabilidade (terceiro elemento do conceito analítico de crime) é formada por
alguns elementos, dentre eles, a POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE.
A POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE é a possibilidade de o agente,
de acordo com suas características, conhecer o caráter ilícito do fato. Não se
trata do parâmetro do homem médio, MAS DE UMA ANÁLISE DA PESSOA DO
AGENTE.

Quando o agente age acreditando que sua conduta não é ilícita, comete ERRO
DE PROIBIÇÃO (art. 21 do CP).
O erro de proibição pode ser:
Escusável – Nesse caso, era impossível àquele agente, naquele caso concreto,
saber que sua conduta era contrária ao Direito. Nesse caso, exclui-se a
culpabilidade e o agente é isento de pena;
Inescusável – Nesse caso, o erro do agente quanto à proibição da conduta não
é tão perdoável, pois era possível, mediante algum esforço, entender que se
tratava de conduta ilícita. Assim, permanece a culpabilidade, respondendo pelo
crime, com pena diminuída de um sexto a um terço (conforme o grau de
possibilidade de conhecimento da ilicitude).

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RESUMÃO MIRA NO ALVO:
Caro aluno, leu e não entendeu muita coisa? Se esse é seu primeiro contato com
a matéria acaba sendo um pouco difícil mesmo.
Mas não desista!
As bancas vão tentar te confundir então sempre lembre dessas situações:

Crime pode ser entendido sob três aspectos: Material, legal e analítico.
Teoria Tripartida do crime predomina no Brasil.

Os elementos do crime são: Fato típico, ilícito e culpável.

FATO TÍPICO
O fato típico também se divide em elementos, são eles:
Conduta humana;
Resultado naturalístico;
Nexo de causalidade;
Tipicidade;

Causas de Exclusão da Conduta: (Formando a palavra C H A)


1. Coação física irresistível -> O coautor utiliza o corpo do coagido com emprego
de força física para com ele praticar o crime.
2. Hipnose e sonambulismo -> São situações em que não há conduta absoluta
ausência da consciência.
3. Ato reflexo

ILICITUDE
As causas de exclusão da ilicitude são:
a) estado de necessidade;
b) legítima defesa;
c) exercício regular de um direito;
d) estrito cumprimento do dever legal.

CULPABILIDADE
IMPUTABILIDADE PENAL
- Os doentes mentais ou os que possuem o desenvolvimento mental
incompleto ou retardado, e que no momento do delito, se encontravam em
estado incapaz de compreender a ilicitude do ato.
- Os menores de 18 anos.
- Os que cometeram crime em estado de embriaguez completa, desde que seja
proveniente de caso fortuito ou força maior.
POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE

EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA


Coação MORAL irresistível
Obediência hierárquica

ERRO
Erro de tipo
Erro de Proibição
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QUESTÕE RETA FINAL

01. Assinale a alternativa que NÃO contempla uma excludente de ilicitude.


A) Menoridade.
B) Exercício regular de direito.
C) Legítima defesa.
D) Estado de necessidade.
E) Estrito cumprimento de dever legal.

GABARITO: A

A menoridade exclui a culpabilidade.


Exclusão de ilicitude
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade; letra D
II - em legítima defesa; letra C
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. letras B e D
Excesso punível
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo excesso
doloso ou culposo.

02. De acordo com o Código Penal, o erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável:
A) isenta o agente de pena.
B) exclui a ilicitude do fato.
C) é punível como crime culposo.
D) é punível apenas com pena de detenção.
A) desclassifica o crime para forma tentada.

GABARITO: A

Código Penal

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se


inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

03. A legítima defesa é causa de exclusão da:


A) conduta.
B) imputabilidade.
C) tipicidade.
D) antijuridicidade.
E) culpabilidade.

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GABARITO: D
Por expressa previsão legal, a Legitima Defesa é causa de exclusão da ILICITUDE, ou
ANTIJURIDICIDADE:

Exclusão de ilicitude: Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:


I - em estado de necessidade
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal;
IV - exercício regular de direito.

04. É correto afirmar sobre o erro de tipo.


A) O erro sobre o elemento constitutivo do tipo legal exclui o dolo.
B) O crime praticado com erro de tipo será desclassificado para a forma tentada.
C) A prática de crime com erro de tipo somente é possível nos crimes dolosos contra a vida.
D) Não se admite o erro de tipo nos crimes contra a administração pública.
E) O ato delituoso deverá ser apenado como contravenção quando presente o erro sobre o
elemento constitutivo do tipo legal.

Gabarito: A

Art. 20, CP - O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo,
mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei.

05. NÃO há crime quando o agente pratica o fato:


A) em decorrência da paixão.
B) sob violenta emoção.
C) em estado de embriaguez involuntária.
D) em estado de necessidade.
E) por erro sobre a ilicitude

GABARITO: D
Exclusão de ilicitude
CP, Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

06. Bruna é atacada a tiros desferidos por arma de fogo por Otávio, que não logra acertar os
dois primeiros tiros. Antes de desfechar o terceiro tiro, Bruna saca de arma que carrega em sua
bolsa com autorização legal e vem a atingir Otávio, que veio a óbito. Nesse caso, pode ser
assentado que ficou caracterizado, nos termos do Código Penal, por parte de Bruna:
A) exercício regular de direito
B) estado de necessidade
C) arrependimento eficaz
D) legitima defesa
E) Paixão

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GABARITO: D
Art. 25 - Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos meios
necessários, repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem.

A única que "poderia" confundir é a B- Estado de Necessidade

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de


perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo
evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável
exigir-se.

07. A estrita obediência a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico é causa
excludente de:
A) antijuridicidade.
B) culpabilidade.
C) tipicidade.
D) ilicitude.
E) detração.

GABARITO: B
EXCLUDENTES DE CULPABILIDADE
Menoridade;
Embriaguez;
Doença mental;
Erro de proibição;
Coação moral (a física exclui a tipicidade);
Obediência hierárquica.

08. A tentativa
A) é impunível nos casos de ineficácia absoluta do meio e de relativa impropriedade do objeto.
B) não prescinde da realização de atos de execução, ainda que se trate de contravenção penal.
C) dispensa o exaurimento da infração, necessário apenas para que se reconheça a consumação
nos crimes formais.
D) constitui causa geral de diminuição da pena, devendo o respectivo redutor corresponder à
culpabilidade do agente, segundo pacifico entendimento jurisprudencial.
E) exige comportamento doloso do agente.

GABARITO: E
Elementos da Tentativa:
1. Início da execução do crime.
2. Não consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente.
3. Dolo de consumação: o dolo do crime tentado é o mesmo dolo do crime
consumado.

09. É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto
ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. A isenção de pena, in
casu, é reconhecida em virtude da:
A) Ausência de conduta penalmente relevante.
B) Existência de uma causa justificante.
C) Existência de uma escusa absolutória.
D) Ausência de culpabilidade.

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E) Ausência de tipicidade.

GABARITO: D
EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE:
por ausência de imputabilidade:
•menoridade;
•doença mental ou desenvolvimento mental retardado;
•embriaguez completa por caso fortuito ou força maior;

por ausência de potencial conhecimento da ilicitude:


•erro de proibição inevitável (erro de ilicitude)

por ausência de inexigibilidade de conduta diversa:


•coação moral irresistível
• obediência hierárquica

10. O erro de proibição é aquele que

A) recai sobre elemento constitutivo do tipo penal.


B) incide sobre a ilicitude do fato.
C) incide sobre as elementares do tipo penal.
D) diz respeito às excludentes de ilicitude.
E) exclui a imputabilidade do agente.

GABARITO: B
O erro de proibição também é conhecido como ERRO SOBRE A ILICITUDE DO FATO,
observe como versa o código penal:
Erro sobre a ilicitude do fato

Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se


inevitável, isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.

Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a


consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir
essa consciência.

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