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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 1

ENFERMEIRA / PROFESSORA: SARITA CAMARA

3º ANO – TÉCNICO DE ENFERMAGEM

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 PERSPECTIVA HISTÓRICA

Desde as crenças primitivas aos distúrbios mentais diversas formas foram


assumidas. Alguns achavam que pessoas com doença mental tinham sua alma removida
e só iam ficar curados se a alma voltasse. Outros porém, já acreditavam que os maus
espíritos ou até mesmo aqueles com poderes sobrenaturais haviam penetrado em seu
corpo e a cura só seria possível com ritual de exorcismo, espancamentos brutais ou
outras formas de torturas, pois só assim poderiam retirar as forças indesejáveis e atingir o
seu objetivo, a cura.
A doença mental era também vista como uma forma de pecado contra Deus ou
contra outro indivíduo, sendo necessário um ritual de purificação ou até mesmo de
oferendas. Desde a Antiguidade já existia doença mental, sendo que antigamente o
doente não era incomodado, depois houve a luta contra “o bem e o mal” e acreditava-se
que o doente mental estava possuído por demônios e muitos foram queimados em
fogueiras.
A posição dessas crenças antigas evolui com o aumento do conhecimento a
respeito das doenças mentais, assim como as mudanças nas atitudes culturais,
religiosas e sócio-políticas. Os trabalhos de Hipócrates, por volta de 400 a.C.,
começaram o movimento de afastamento da crença no sobrenatural. Hipócrates
associou a insanidade e a doença mental a uma irregularidade na interação dos
quatro líquidos corporais – sangue, bile negra, bile amarela e fleimão. Ele
designou esses líquidos corporais como humores e associou cada um deles a um
temperamento específico. O desequilíbrio desses quatro humores era considerado
o causador da doença mental e era freqüentemente tratado pela indução de
vômitos e diarréias com potentes drogas catárticas. (Townsend, 2000, p. 13)

Durante a Idade Média (500 a 1.500 d.C) continuava a predominar na população


européia a associação da doença mental com a feitiçaria e o sobrenatural. Justamente
nesta época surgiu uma operação considerada como a origem da expressão “nau dos
insensatos”. A idéia dessa expressão segundo Townsend (2002, p. 13), surgiu neste
período porque muitos indivíduos doentes mentais graves eram postos ao mar em barcos
à vela com pouca orientação, para ir buscar sua racionalidade perdida.
Neste mesmo período, nos países islâmicos do Oriente Médio, começou a haver
uma mudança de atitude, onde deixavam a idéia de que as pessoas estavam possuídas
por poderes sobrenaturais, feitiçaria e sim esses indivíduos estavam efetivamente
doentes.
Segundo Taylor (1992, p. 180): “O transtorno do pensamento conhecido atualmente
como Esquizofrenia, existiu indubitavelmente ao longo de toda a história humana.
Entretanto, o desvio comportamental associado com esse transtorno nem sempre
foi visto de forma negativa. Algumas sociedades primitivas elevavam aqueles que
sofriam de visões e ouviam vozes a uma posição de proeminência, acreditando
que possuíam poderes sobrenaturais.”

Na antigüidade pensava-se que a loucura era provocada por causas naturais e na


Idade Média foi atribuída aos demônios. Foi através da mudança de atitude dos países
islâmicos do Oriente Médio, que os hospitais gerais passaram a dar origem ao
estabelecimento de algumas unidades especiais destinadas aos doentes mentais, assim
como instituições que visavam alojar insanos, do qual podemos considerar como os
primeiros asilos para doentes mentais. Nos séculos XVI e XVII não existiam instituições
para doentes mentais na América do Norte e o cuidado desses indivíduos tornou-se uma
responsabilidade para a família. Aqueles que não tinham recursos ou famílias eram

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responsabilidades da comunidade em que residiam e eram encarcerados em locais em


que não podiam causar danos a si mesmos ou a outras pessoas.
A partir do século XIX, há a produção de uma percepção dirigida pelo olhar científico
sobre o fenômeno da loucura e sua transformação em objeto de conhecimento: a doença
mental. No século XIX cria-se o estabelecimento de um sistema de asilos estaduais, onde
os indivíduos com doença mental eram hospitalizados em hospitais estaduais, pois
proporcionavam um cuidado terapêutico humanitário, sendo que a população de
doentes mentais cresceu muito rápido e as instituições tornaram-se superlotadas,
deficientes em pessoal, e as condições deterioraram. O cuidado terapêutico reverteu ao
cuidado custodial.
Segundo Townsend (2000, p. 13), esses hospitais estaduais constituíram o principal
recurso para os doentes mentais até o início do movimento de saúde mental comunitária
na década de 1960.
Durante a época clássica (séc. XVII e XVIII), o hospício tem uma função
eminentemente de “hospedaria”.

Os hospitais e as Santas Casas de Misericórdia representam espaço de


recolhimento de toda ordem de marginais: leprosos, prostitutas, ladrões, loucos,
vagabundos, todos aqueles que simbolizam ameaça à lei e à ordem social.
(Amarante, 2000, p. 24)

Os doentes mais agressivos viviam trancados em porões nas Santas Casas juntos
com mendigos, marginais, prostitutas, com as piores formas de torturas e os mais
tranqüilos viviam com suas famílias, mas ficavam isolados. O enclausuramento não
possui, durante esse período, uma conotação de medicalização, uma natureza
patológica. O olhar sobre a loucura não é diferenciador das outras categorias marginais,
mas o critério que marca a exclusão destas está referido à figura da desrazão.

Em 1983, Emil Kraepelin (1856-1926), um professor alemão de psiquiatria, publicou


a primeira edição de Psychiatrie, que na tradução para o inglês mudou toda a visão
das classificações das doenças mentais na América. Kraepelin classificou o
comportamento humano com base na sintomatologia e rotulou o que é agora
chamado de esquizofrenia como dementia praecox. Esse rótulo refletia a crença de
Kraepelin de que a deterioração associada com a doença era inevitável,
progressiva e irreversível. Eugen Bleuler (1857-1939), um psiquiatria suíço,
elaborou o conceito de dementia praecox, reconhecendo perturbações subjacentes
nos processos do pensamento e dando um novo nome à síndrome, esquizofrenia,
em 1911. (Taylor, 1992, p. 180)

A Esquizofrenia é um Transtorno de Pensamento, pois o indivíduo apresenta delírios


e alucinações. Palmeira (2009, p. 3) relata que:

“O psiquiatra Eugen Bleuler achava que o termo demência não era adequado e
ainda causava confusão com a demência do idoso descrita por Alois Alzheimer
(Doença de Alzheimer). Bleuler escolheu o termo, que em grego significa “mente
cindida”, pois acreditava que a alteração fundamental da esquizofrenia estava na
incapacidade dos pacientes associarem seus pensamentos e suas emoções, dando
a impressão de uma personalidade fragmentada, contraditória e desestruturada.”

Apesar da loucura ter sido reconhecida desde a época pré-histórica, nem sempre
como doença, mas sempre como “problema”, muito pouco se fez para descobrir suas
origens e suas causas. No Brasil no período colonial e no Primeiro Império, os doentes

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mentais quase não eram tratados. Os mais calmos viviam com suas famílias e os mais
violentos eram recolhidos aos porões da Santa Casa. Com a chegada ao Brasil das idéias
renovadas do médico francês Esquirol que apontavam a necessidade da criação de um
espaço exclusivo para o louco, bem como para as denúncias pelos médicos dos maus
tratos aplicados aos doentes nos porões da Santa Casa, que se encontravam sempre
superlotados, fez com que o provedor tomasse medidas para criar um hospício que foi
inaugurado em 1852 (Hospício dos Alienados na Praia Vermelha), pelo próprio imperador.
(Taylor, 1992)

O surgimento da enfermagem psiquiátrica se deu em 1873, quando Linda Richards


formou-se pelo programa de enfermagem do New England Hospital for Women and
Childrem em Boston, nos EUA. Ela veio a ser conhecida como a primeira
enfermeira psiquiátrica norte-americana. Richards foi fundamental no
estabelecimento de diversos hospitais psiquiátricos durante sua carreira...
(Townsend, 2000, p. 13)

A Enfermagem Psiquiátrica Brasileira surge no hospício com a expulsão das


religiosas sendo um agente situado entre a guarda e o médico. Com a necessidade de
cuidar dos doentes do hospício, chegou ao Brasil em 1890, uma missão de enfermeiras
francesas para substituir as religiosas e treinar o pessoal para atuar na Enfermagem
Psiquiátrica. A assistência de Enfermagem era baseada na higienização, medicalização,
alimentação e vigilância. O ambiente psiquiátrico era sombrio, aonde havia pouco
investimento e despreparo dos profissionais que atuavam na área levando a cronificação
do doente. O Decreto Federal nº 791, de 1890, estabeleceu a criação da Escola de
Enfermeiros e Enfermeiras no Hospício de Alienados, hoje Escola Alfredo Pinto da
Universidade do Rio de Janeiro (UNI-RIO), primeira iniciativa com a finalidade de
sistematizar o ensino de Enfermagem no Brasil. Sendo o louco visto como perigoso a
sociedade, o papel da Enfermeira era então o de vigiar, controlar e reprimir, aonde a
vigilância era a característica básica do hospício, sendo utilizado meios de persuasão
para que ficassem calmos e obedientes, ou seja, a Enfermagem não possuía outra tarefa
senão a de vigiar o paciente, alimentá-lo, higienizá-lo e medicar conforme as ordens
médicas. O hospício com certeza não foi um verdadeiro hospital de tratamento. (Taylor,
1992)
A instituição psiquiátrica manicomial possuía um cenário caracterizado pelo
isolamento, poucos recursos humanos, despreparo da equipe de enfermagem e nenhum
investimento na recuperação do doente. Eram utilizados métodos ineficazes, violentos e
repressivos como eletrochoque, insulinoterapia, etc. O que se encontrava era o total
descaso no trato do doente e a cronificação era o único caminho possível.

Ao longo dos séculos, muitas modalidades foram adotadas para tratar-se pessoas
com transtorno de pensamento com variados graus de sucesso. Por exemplo, em
1933 o Dr. Manfred Sakel desenvolveu a terapia por choque insulínico, um
procedimento onde uma série de choques hipoglicêmicos são induzidos por
injeções de insulina. Esse tratamento, bem como outras terapias somáticas como
a hidroterapia, foi quase que completamente substituído pelo uso de
medicamentos antipsicóticos e outras intervenções baseadas no comportamento.
(Taylor, 1992, p. 180)

Com o passar do tempo, o século XVIII destacou-se pela presença do médico


Philippe Pinel que fundamentou a alienação mental como distúrbio das funções
intelectuais do SNC e preconizava o tratamento moral que visava estudar o
desenvolvimento natural da doença e trabalhar este paciente para o convívio social.
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Philippe Pinel, médico francês, foi um dos primeiros alienistas, pioneiro da psiquiatria
moderna. Reformulou o tratamento dos doentes mentais, tornando-o mais humano.
No século XX houveram significativas transformações no sistema hospitalar público,
novo métodos para o tratamento das pessoas com perturbações mentais foram
implementadas, incluindo o diagnóstico familiar, programas de tratamento a curto prazo e
terapias orientadas para crise. O ambiente era usado como ferramenta terapêutica, o
hospital tinha suas portas abertas, permitindo aos pacientes moverem-se livremente
dentro do hospital e da comunidade. Após a Segunda Guerra Mundial, muitos homens
das forças armadas tornaram-se incapacitados pela doença mental, contribuindo para que
a OMS (Organização Mundial de Saúde) despertasse para a necessidade de profissionais
mais trenados na área da saúde mental levando a uma melhoria no atendimento,
tratamento e maior conhecimento sobre a causa e prevenção da doença mental.
Quando o doente mental está internado em um hospital psiquiátrico encontra-se
muitas vezes destituído de poder, ficando subordinado a relação de poder que é
estabelecida pela equipe e pela instituição. Embora se tenha investido em diminuição dos
índices de internação e novos modelos alternativos de assistência ao doente mental,
como Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), Residências Terapêuticas, dentre outros,
porém os mesmos continuam excluídos, só que de modo mais sutil, não são segregados
ou confinados, mas não são aceitos, sendo colocados algumas vezes à margem da
sociedade. (Taylor, 1992)
A partir dos anos 70, no Brasil, começam a ser formulados alguns questionamentos
sobre a forma de tratar e assistir as pessoas com transtorno mental e cada vez mais,
vem-se ampliando a discussão sobre doença mental por parte das autoridades, dos
profissionais da área de Saúde Mental e da comunidade que se encontram envolvidos
com uma prática assistencial alternativa com o intuito de desenvolver mudanças nos
Serviços de Atenção à Saúde Mental. (Taylor, 1992)

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 PRINCIPAIS EVENTOS QUE MARCARAM A REFORMA PSIQUIÁTRICA

 1978 – Surgem os primeiros movimentos contra os manicômios no mundo. A Itália


aprova uma lei para fechar manicômios e reformar o atendimento psiquiátrico. A
legislação é inspirada nas idéias do psiquiatra italiano Franco Basaglia, líder do
movimento na década de 60.
 1987 – Crescem as denúncias contra a situação dos hospitais psiquiátricos brasileiros.
Durante um congresso do Movimento dos Trabalhadores em Saúde Mental, é definido o
lema da luta antimanicomial no Brasil: “Por uma sociedade sem manicômios”.
 1988 – Com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS) surgem às primeiras
experiências de tratamento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). Começa a
descentralização do atendimento de saúde mental, antes realizado prioritariamente em
hospitais.
 1989 – Um projeto de lei do deputado federal Paulo Delgado propõe a extinção dos
manicômios do país. É a primeira batalha que o movimento contra os hospitais
psiquiátricos leva ao legislativo.
 1992 – Uma portaria define as novas regras para o funcionamento ideal do atendimento
comunitário fora dos hospitais. Os CAPs se popularizam e definem o que seria a base do
atual modelo de atendimento psiquiátrico no Brasil.
 2001 – Depois de 12 anos tramitando no congresso e inúmeras modificações, a lei nº
10.216 é sancionada. O texto aprovado, no entanto, é um substitutivo que não prevê a
extinção dos hospitais psiquiátricos, mas incentiva o tratamento fora dos hospitais.

 LEGISLAÇÕES E PORTARIAS
 LEIS

 Lei nº 9.867, de 10 de novembro de 1999 – permite o desenvolvimento de programas de


suporte psicossocial para clientes psiquiátricos em acompanhamento nos serviços
comunitários. É um valioso instrumento para viabilizar os programas de trabalho assistido
e incluí-los na dinâmica da vida diária, em seus aspectos econômicos e sociais. Há uma
evidente analogia com as chamadas “empresas sociais” da experiência de reforma
psiquiátrica italiana.

 Lei 10.216, de 6 de abril de 2001 – redireciona o modelo da assistência psiquiátrica,


regulamenta cuidado especial com a clientela internada por longos anos e prevê a
possibilidade de punição para a intervenção involuntária arbitrária ou desnecessária.

 Decreto de 28 de maio de 2003 – institui grupos de trabalho interministerial para avaliar e


apresentar propostas para rever, propor e discutir a política do governo federal para a
atenção a usuários de álcool, bem como harmonizar e aperfeiçoar a legislação que
envolva o consumo e a propaganda de bebidas alcoólicas em território nacional.

 Lei nº 10.708, de 31 de julho de 2003 – lei do programa “De Volta Para Casa”. Estabelece
um novo patamar na história do processo de reforma psiquiátrica brasileira,
impulsionando a desinstitucionalização de cliente com longo tempo de permanência em
hospital psiquiátrico, pela concessão de auxílio reabilitação psicossocial e inclusão em
programas extra-hospitalares de atenção em saúde mental.

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 PORTARIAS

 Portaria SNAS nº 189, 19 de novembro de 1991 – evidenciou que o nível central do SUS,
com principal financiador do sistema público, oferecia para os demais gestores a
possibilidade de implantar, no campo de atenção em saúde mental, ações e serviços mais
contemporâneos à incorporação de conhecimentos e de valores éticos, substituindo o
modelo tradicional: ela aprova os procedimentos NAPS/CAPS, oficinas terapêuticas e
atendimento grupal e sinaliza que se seguirá outra norma administrativa regulamentando
todo o sistema.

 Portaria SNAS nº 224, de 29 de janeiro de 1992 – regulamenta o funcionamento de todos


os serviços de saúde mental, tanto os ambulatoriais como os hospitalares. Estabelece
normas, proíbe práticas que eram habituais e define como corresponsável, à Luz da Lei
Orgânica da Saúde, pela fiscalização do cumprimento dos seus conteúdos, os níveis
estatal e municipal do sistema, que são estimulados inclusive a complementá-la. Essa
portaria teve a particularidade de ter sido aprovada pelo conjunto dos coordenadores /
assessores de saúde mental dos estados, para que, entendida como “regra mínima”,
pudesse ser cumprida em todas as regiões do país.

 Portaria SNAS nº 407, de 30 de junho de 1992 – cria o código de procedimento transitório


para hospitais psiquiátricos que ainda não cumpriram integralmente a Portaria SNAS/MS
nº 224/92, definido exigências mínimas e mecanismos para habilitação neste
procedimento.

 Portaria GM nº 106, de 11 de fevereiro de 2000 – cria os Serviços Residenciais


Terapêuticos em Saúde Mental e os define como “moradias ou casas – Pensão
Protegida” destinadas a cuidar dos portadores de transtornos mentais, egressos de
internações psiquiátricas de longa permanência que não possuem suporte social e laços
familiares que facilite a inserção social.

 Portaria GM nº 251, de 31 de janeiro de 2002 – estabelece diretrizes e normas para a


assistência hospitalar em psiquiatria, reclassifica os hospitais psiquiátricos, define as
estruturas, a porta de entrada para as internações psiquiátricas na rede do SUS e dá
outras providências.

 Portaria GM nº 336, de 19 de fevereiro de 2002 – atualiza a portaria nº 224, e todos os


NAPS passam a ser recadastrados como CAPS, estabelece critérios para os CAPS,
denominando-os de I, II e III para tratamento de portadores de transtornos mentais de
acordo com o número de habitantes do município e da forma de funcionamento.
Regulamenta o CAPS-AD para atendimento dos dependentes químicos (álcool e drogas)
e ainda o CAPS i para atendimento de crianças e adolescentes.

 Portaria GM nº 816, de 30 de abril de 2002 – institui regras para o Programa Nacional de


Atenção Comunitária Integrada a usuários de álcool e outras drogas.

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 DOENÇA MENTAL

O termo “doença mental”, ou “transtorno mental”, ou ainda “distúrbio mental” engloba


uma série de condições que afetam a mente, provocando vários sintomas como
desconforto emocional, distúrbio de conduta e da memória. Algumas vezes, doenças em
outras partes do corpo afetam a mente; outras vezes, um desconforto emocional pode
desencadear doenças no corpo ou produzir sintomas somáticos, isto é, que se
manifestam no corpo físico. Diversos fatores podem levar o ser humano a desenvolver
doença mental: estrutura genética, química cerebral, estilo de vida, relacionamentos
conflituosos, entre outros. Ressaltando que a doença mental está relacionada à
multicausalidades (dentre elas destacam-se os fatores biológicos, psicológicos e
ambientais), não podendo atribuir a ela uma única causa. Na maioria das vezes a pessoa
que desenvolve uma doença mental, independente da causa, vivencia sofrimento,
desesperança e se mostra incapaz de levar a vida com toda a sua plenitude (Associação
Brasileira de Psiquiatra, 2005). De acordo com o Código Internacional de Doenças,
existem inúmeras doenças mentais, ao logo desta disciplina iremos abordar diversas
patologias, como distúrbios neuróticos, psicoses, transtornos alimentares, entre outras.

 GLOSSÁRIO

Insanidade – Qualidade de insano; demência; doença mental.


Bile – (ver Bílis): Substância amarga produzida pelo fígado que promove a quebra de gordura no
intestino.
Fleimão – (ou flegmão): Inflamação do tecido conjuntivo.
Catárticas – Purgante, substância que provoca a evacuação dos intestinos.
Indubitavelmente – De que não se pode duvidar.
Proeminência – Condição de saliente; vivacidade excessiva.
Cuidado terapêutico – Está voltado para melhora do paciente, com cuidados e intervenções
adequadas.
Cuidado custodial – Está voltado apenas para guardá-lo.
Leprosos – Aquele que sofre do mal de Hansen ou hanseníase.
Enclausuramento – Afastar (-ser) do convívio social.
Patológica – Mórbido, relacionado com uma doença determinada; qualquer fenômeno que fuja ao
conceito de normal, trazendo conseqüências ao organismo.
Exclusão – Eliminar, afastar.
Desrazão – Fora da razão.
Provedor – Aquele que provê.
Eletrochoque – Também conhecido como Eletroconvulsoterapia (ECT), é um tipo de tratamento
somático no qual uma corrente elétrica é aplicada ao cérebro através de eletrodos colocados
sobre as têmporas. A convulsão de grande mal produz o efeito desejado. Esse tratamento é
utilizado em pacientes gravemente deprimidos, refratários aos medicamentos antidepressivos.
Somáticas – Relativo ao corpo, e às funções vegetativas, em oposição às funções geradoras.
Hidroterapia – Nome dado a todos os meios terapêuticos em que a água é o agente empregado.
Manicômios – Hospital que trata de pessoas com distúrbios mentais.
Antimanicomial – É um conflito corporativo entre os profissionais, usuários e familiares que se
posicionam contra o asilamento e os defensores da psiquiatria tradicional, mais exatamente, os
donos de hospitais psiquiátrico.

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Descentralização – Dar autonomia a (os órgãos públicos, administrativos, tornando-os


desvinculados do poder central).

 BIBLIOGRAFIA

1. Tratado de cuidados de enfermagem, volume 2 / organizadores Nébia Maria Almeida de


Figueiredo, Wiliam César Alves Machado. – São Paulo: Roca, 2012.

2. Mega dicionário de termos técnicos e populares da saúde / organização Eduardo de Almeida


Nogueira. – 1.ed. – Rio de Janeiro: Nogueira Rio, 2007.

3. Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem / organização Genilda


Ferreira Murta. – 7.ed. – São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2012. – (Série curso de
enfermagem)

4. TAYLOR, Cecília Monat. Fundamentos de enfermagem psiquiátrica de mireness. 13. ed. Porto
Alegre; Artes Médicas, 1992.

5. TOWNSEND, Mary C. Enfermagem Psiquiátrica: conceitos de cuidados. 3. ed. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2000.

6. PALMEIRA, Leonardo Figueiredo. Entendendo a esquizofrenia: Como a família pode ajudar


no tratamento/. Rio de Janeiro: Interciência, 2009.

7. AMARANTE, P. Loucos pela vida – A trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil. 2. ed. Rio
de Janeiro, Editora Fiocruz, 2000.

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 HISTÓRIA DA SAÚDE MENTAL

Por muito tempo, os portadores de doenças mentais foram considerados alienados, eram
vistos como pessoas que viviam fora da realidade, sem capacidade para entender ou
exercer seus direitos.
Na Grécia antiga, acreditavam que os loucos possuíam poderes divinos, na Idade Média,
eram associados ao demônio, por isso, passavam seus dias acorrentados e expostos ao
frio e à fome ou, em casos extremos, queimados em fogueiras como hereges, esse tipo
de tratamento se estendeu até o século XVIII.
As reformas políticas e sociais, na virada do século XVIII para o século XIX, inspiraram o
francês Philippe Pinel a dar o primeiro passo para mudar a vida dessas pessoas. Tornar a
loucura uma questão médica e passar a vê a doença mental de maneira tratável.
Na constante tentativa de dominar a loucura e defender-se de tudo o que o desconhecido
representava, as instituições psiquiátricas no mundo inteiro se transformaram em locais
de repressão, onde o paciente era isolado da família que desconhecia ou o ignorava.
Com isso surgiram às clínicas, como local de internação, e os estudos sobre psiquiatria.
Com essa nova estrutura, cabe à enfermagem a realizar os cuidados direto aos pacientes
com transtorno mental e a aplicação de disciplinas, para manutenção da ordem no espaço
asilar.

 PHILIPPE PINEL

Sintonizado com as ideias revolucionárias franceses de liberdade,


igualdade e fraternidade, preconizou o tratamento moral para os
alienados e desacorrentou os loucos em Paris. Sua prática
médica exercida durante os anos que chefiou os hospitais em
bicêtre e La Salpêtriére na França, aliada a sua profunda reflexão
sobre a alienação mental, concorreram para inaugurar a Escola
dos Alienistas Franceses.
Em 1801 publicou o “Tratado médico-filosófico sobre a alienação
ou a mania”, no qual descreveu uma nova especialidade médica
que viria a se chamar Psiquiatria (1847).

 ESQUIROL
Precursor da Psiquiatria, integrou juntamente com Auguste Morel
(1809 – 1873) e Édouard Séguin (1812 – 1880) a escola francesa
iniciada por Pinel. Ao penetrar a mente humana, com intuito de
compreender os transtornos do humor e da melancolia como
importantes agentes que conduzem à perda do juízo, elevou pela
primeira vez os alienados à condição de homens.
Reformador de asilos e hospícios franceses, fundou o primeiro
curso para tratamento das enfermidades mentais e lutou pela
aprovação da primeira Lei de Alienados na França. Seu trabalho
influenciou sobremaneira a criação do Hospício de Pedro II,
primeira instituição brasileira de assistência aos doentes mentais.

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 TEIXEIRA BRANDÃO

Em 1883 assumiu a Cátedra de Psiquiatria da Faculdade de


Medicina do Rio de Janeiro, sendo, por essa razão considerado o
primeiro alienista brasileiro. Como diretor do Hospício de Pedro II
(1886), desanexou essa instituição da Santa Casa da
Misericórdia, e em 1890, fundou a primeira Escola de Enfermeiros
e Enfermeiras do Brasil.
Tornou-se deputado federal em 1903 e relatou a Lei de
Assistência aos Alienados, primeiro documento legal específico
sobre a alienação mental, baseado na legislação francesa e
inspirado nos preceitos defendidos por Esquirol, de quem Teixeira
Brandão foi fiel seguidor.
Na qualidade de diretor da Assistência Médico-Legal aos
Alienados, que surgem como alternativas ao modelo adotado na
época.

 EMIL KRAEPELIN

Discípulo de Wilhelm Griesinger (1817 – 1868), integrou a


corrente organicista alemã. Após a descrição acurada de
sintomas clínicos, sua evolução e a análise anatomopatológica,
formulou sua doutrina que, expressa no livro “Psychiatrie”, serviu
de referência a muitas gerações de especialistas em doenças
mentais. Isolou as formas básicas da enfermidade psíquica:
psicose maníaco-depressiva e demência precoce; e promoveu a
separação entre demência senil e paralisia geral.
Dirigiu durante muitos anos a Clínica de Munique, onde buscou
oferecer aos pacientes um ambiente semelhante ao doméstico,
que influenciou a formulação da primeira legislação brasileira de
assistência às doenças mentais.

 JULIANO MOREIRA

Nomeado diretor do Hospital Nacional de Alienados, ocupou o


cargo por mais de 20 anos, acumulando-o com o da Direção
Geral de Assistência a Alienados. Poliglota, tornou-se capaz de
assimilar, de forma abrangente, as influências europeias no
campo da psiquiatria. Suas medidas de impacto, como
incineração de camisas-de-força e a criação de espaços para
diálogo com pacientes, conferiram novos rumos à psiquiatria
brasileira.
Apoiado na primeira lei brasileira que dispõe sobre a assistência a
alienados e em sua experiência na Europa, projetou uma rede de
serviços interligados em saúde mental, nos moldes da Clínica de
Munique, dirigida por seu inspirador, o psiquiatra alemão Emil
Kraepelin.

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Durante sua administração, criou a maior biblioteca de Psiquiatria,


Neurologia e Medicina Legal (1905).
A mudança de denominação de Colônia de Alienados de
Jacarepaguá para Colônia Juliano Moreira vem Homenagear este
psiquiatra e sua contribuição inestimável para a Psiquiatria
brasileira.

 ULYSSES PERNAMBUCANO E LUIZ CERQUEIRA

Incansável em suas lutas, Ulysses Pernambucano empreendedor


de uma Psiquiatria Politicamente engajada, dirigiu o Hospital da
Tamarineira-Pernambuco, em que os pacientes, não mais
contidos nos leitos, ocupavam-se da praxiterapia. Além das
inúmeras contribuições no campo da Psiquiatria e da Psicologia
Social, destacou-se pelos trabalhos no campo das drogas
entorpecentes e alucinogênicas, dos testes psicológicos e nas
pesquisas de laboratório e áreas clínicas e psicopatológicas.
Discípulo de Ulysses Pernambucano, Luis Cerqueira, um pioneiro
da desospitalização psiquiátrica, criou, como Coordenador de
Saúde Mental do Estado de São Paulo, o Centro de Atenção
Diária (1973). Além de docente da Faculdade de Medicina de
Ribeirão Preto e autor de vários livros, dentre os quais “Psicologia
Social”, destacou-se pelo trabalho incansável de levantamentos
sobre as condições da assistência à saúde mental no Brasil e,
sobretudo, pela denúncia dos rumos mercantilistas da atividade
psiquiátrica que qualificou de “Indústria da Loucura”.

 WILSON SIMPLÍCIO E OSWALDO SANTOS

Inovadores da Psiquiatria brasileira, trabalharam no Centro


Psiquiátrico Pedro II, atual Instituto Municipal Nise da Silveira,
durante os anos da ditadura militar
Quando assumiram suas tarefas na instituição, a Psiquiatria
confundia-se com repressão e cárcere; a rotina das enfermarias
era ócio, abandono, insalubridade, eletrochoques; e injeções eram
frequentemente aplicadas.
Com base em experiência já testada na Clínica Pinel em Porto
Alegre, desenvolviam o modelo das Comunidades Terapêuticas,
que tinham como fundamento a descentralização do poder entre
as equipes médicas e os internos. Registradas pelos próprios
pacientes nos livros de ocorrência, as ideias eram valorizadas,
incentivando-se a criatividade e as qualidades de cada um.
Apesar de não questionar a existência dos hospícios, a
experiência constitui um importante marco de liberdade e
democracia no tratamento da saúde mental no Brasil.

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 SIGMUND FREUD

Depois de pesquisar técnicas de hipnose e de uma investigação


rigorosa dos sonhos, verificou a existência de uma atividade
psicológica inconsciente que extrapola a razão e a vontade dos
pacientes.
Criou a psicanálise como método de tratamento das neuroses e
fez com que o ato de ouvir não possa jamais se afastar da prática
cotidiana em saúde mental. Suas idéias popularizam-se em todo o
mundo e se impuseram como marco no campo da saúde mental.
Seu afã de penetrar os espaços recônditos dos ser o levam à
condições de “arqueólogo da psique”.

 NISE DA SILVEIRA

Revolucionária para a época e inconformada com os tratamentos


que considerava desumanos e agressivos, encontrou nas
atividades artísticas o seu principal método terapêutico. Adepta
das ideias do mestre suíço Carl Jung no aprofundamento dos
processos que se desdobram no interior dos indivíduos, tem nos
trabalhos dos seus pacientes uma nova abertura para melhor
compreensão da psicose e dos conteúdos que daí emergem,
revelados por meio das imagens e dos símbolos.
Entre os anos de 1946 e 1974, a psiquiatria alagoana dedicou-se
ao Centro Psiquiátrico Nacional, posteriormente denominado
Centro Psiquiátrico Pedro II, onde fundou e dirigiu a Seção de
Terapêutica Ocupacional e Reabilitação (STOR).
Em 14 de julho de 1975, aos 69 anos, foi aposentada
compulsoriamente. No dia seguinte, representou-se ao Centro
Psiquiátrico dizendo: “sou a nova estagiária”.
Os produtos de seus pacientes, recolhidos dos ateliês de pintura e
modelagem durante anos, integraram, a partir de 1952, o acervo
do Museu de Imagens do Inconsciente, que, segundo Ronald
Laing (1976), “representa uma contribuição de grande importância
para o estado do processo psicótico”.

 FRANCO BASAGLIA

Um dos psiquiatras mais discutidos no mundo, em função dos


trabalhos que desenvolvia na Itália, em 1961 deixou a
Universidade de Pádova para dirigir o Hospital Psiquiátrico de
Gorizia.
Tendo como base a experiência da Comunidade Terapêutica
desenvolvida por Maxwell Jones na Escócia, introduziu uma série
de transformações naquela instituição e no Hospital Psiquiátrico
Regional de Trieste para onde se transferiu em 1971. Acabou com
as medidas institucionais de repressão, criou condições para

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 14

reuniões entre médicos e pacientes e desenvolveu ao doente


mental a dignidade de cidadão. Seu livro “A Instituição Negada” é
considerado uma obra-prima da Psiquiatria contemporânea.
Visitou o Brasil na década de 70, tornando-se uma figura
emblemática na questão da luta antimanicomial brasileira.

 FRANCISCO FRANCO DA ROCHA

 Psicanalista brasileiro nascido na cidade paulista de Amparo.


 Concluiu a graduação na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro
e doutorou-se pela Universidade de São Paulo.
 Iniciou sua carreira de médico preocupando-se com o tratamento
dos doentes mentais. Foi pioneiro na utilização da laboterapia, um
tipo de tratamento que não feria a dignidade dos pacientes, com o
auxílio de trabalhos como a manutenção de hortas e pomares
outras atividades manuais, sendo que para desenvolver esse tipo
de tratamento, ajudou a fundar um Asilo Colônia.
Teve papel decisivo para a introdução da Psicanálise no Brasil.

 BIBLIOGRAFIA

8. Tratado de cuidados de enfermagem, volume 2 / organizadores Nébia Maria Almeida de


Figueiredo, Wiliam César Alves Machado. – São Paulo: Roca, 2012.

9. Mega dicionário de termos técnicos e populares da saúde / organização Eduardo de Almeida


Nogueira. – 1.ed. – Rio de Janeiro: Nogueira Rio, 2007.

10. Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem / organização Genilda
Ferreira Murta. – 7.ed. – São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2012. – (Série curso de
enfermagem)

11. TAYLOR, Cecília Monat. Fundamentos de enfermagem psiquiátrica de mireness. 13. ed.
Porto Alegre; Artes Médicas, 1992.

12. TOWNSEND, Mary C. Enfermagem Psiquiátrica: conceitos de cuidados. 3. ed. Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

13. PALMEIRA, Leonardo Figueiredo. Entendendo a esquizofrenia: Como a família pode ajudar
no tratamento/. Rio de Janeiro: Interciência, 2009.

14. AMARANTE, P. Loucos pela vida – A trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil. 2. ed.
Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2000.

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 15

Histórico e Noções Gerais de Psicologia

A HISTÓRA E O OBJETO DA PSICOLOGIA

SÓCRATES (469-399 a.C) – Sua principal preocupação era com o limite que separa o homem dos
animais. Postulava que a principal característica humana era a “razão”.

PLATÃO (427-347 a.C) – Definiu um lugar para a razão no nosso próprio corpo. É na cabeça que
se encontra a alma do homem. A medula seria o elemento de ligação da alma com o corpo. Platão
concebia a alma separada do corpo. Quando alguém morria, a matéria (o corpo) desaparecia e a
alma ficava livre para ocupar outro corpo.

ARISTÓTELES (384-322 a. C) – Postulava que alma e corpo não podem ser dissociados.

 O berço da psicologia moderna foi a Alemanha no final do século retrasado.


 Wundt, Weber e Fechner (cientistas que criam laboratório experimental), trabalharam juntos na
Universidade de Leipzig.
 Muitos estudiosos dessa nova ciência (o inglês E. B. Titchner e o americano W. James)
seguiram para a Alemanha.
 A psicologia ganha status de ciência, quando se “liberta” da filosofia e atrai novos estudiosos e
pesquisadores, que passam a: definir seu objeto de estudo (o comportamento, a vida psíquica, a
consciência); delimitar seu campo de estudo, diferenciando-o de outras áreas de conhecimento;
formular métodos de estudo deste objeto; formular teorias enquanto um corpo consistente de
conhecimentos na área.
 Os cientistas saem da Alemanha porque o dinheiro estava pouco, então é nos Estados Unidos
que a psicologia encontra campo para um rápido crescimento (EUA na vanguarda do sistema
capitalista), e assim continuam suas pesquisas.

Surgem então as primeiras abordagens ou escolas em psicologia:

1ª FUNCIONALISMO – W. James elege a consciência como centro de suas preocupações e busca a


compreensão do seu funcionamento: “O que fazem os homens” e “Por que o fazem”.

2ª ESTRUTURALISMO – Titchner, seguidor de Wundt irá estudar a consciência em seus aspectos


estruturais (estruturas do sistema nervoso central (SNC). Seu método de observação é o
introspeccionismo (dentro) – (os conhecimentos psicológicos produzidos são experimentais).

3ª ASSOCIACIONISMO – E. L. Thorndike – primeira teoria da aprendizagem na psicologia. „A


aprendizagem se dá por um processo de associação das idéias” – das mais simples às mais
complexas.

Em que consiste a Psicologia?

A Psicologia é derivada de palavras gregas que significam "estudo da mente ou da alma".


Hoje em dia é comumente definida como a ciência que estuda o comportamento humano.
Os psicólogos estudam os mais variados assuntos entre eles: o desenvolvimento, as bases
fisiológicas do comportamento, a aprendizagem, a percepção, a consciência, a memória, o
pensamento, a linguagem, a motivação, a emoção, a inteligência, a personalidade, o ajustamento, o
comportamento anormal, o tratamento do comportamento anormal, as influências sociais, o
comportamento social, etc.

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 16

A psicologia é freqüentemente aplicada na indústria, na educação, na engenharia, na saúde,


em assuntos de consumo e em muitas outras áreas.
Você é um profissional da área da saúde e, portanto, lidará com pessoas e irá se interagir com
o ser humano. O profissional de saúde deve sentir-se bem consigo mesmo se pretende fazer alguém
sentir-se bem. Ele não é um robô, nem tampouco o são as pessoas com quem trabalham: pacientes,
médicos, supervisores, enfermeiras, auxiliares de enfermagem e familiares dos pacientes, cada um é
um ser humano, semelhante e ao mesmo tempo diferente dos demais seres humanos.
Qualquer pessoa que queira ingressar na área da saúde precisa conhecer as pessoas e antes de
tudo, a si próprio. Não está você ingressando nesta carreira porque se interessa pelas pessoas e
deseja auxiliá-las quando estão doentes?

PSICÓLOGOS, PSIQUIATRAS E PSICANALISTAS

Psicólogos clínicos, psiquiatras e psicanalistas muitas vezes ocupam empregos semelhantes.


Todos os três profissionais podem trabalhar em campos ligados à saúde mental, diagnosticando e
tratando de pessoas com problemas psicológicos leves e graves. A grande diferença entre esses
especialistas deriva de sua formação. Os psicólogos clínicos geralmente passam cerca de cinco anos
na faculdade aprendendo sobre comportamento normal e anormal, diagnóstico (inclusive aplicação
de testes) e tratamento.
Os psiquiatras, ao contrário, completam a faculdade de medicina e dela saem com um
diploma de doutor em medicina. Em seguida, para se qualificarem como psiquiatras servem
aproximadamente três anos como residentes em uma instituição de saúde mental, mais comumente
um hospital. Aí recebem treinamento para detectar e tratar de distúrbios emocionais, utilizando
métodos psicológicos, bem como drogas, cirurgia e outros processos médicos.
Em teoria, qualquer pessoa pode tornar-se psicanalista graduando-se por uma instituição
psicanalítica e submetendo-se à psicanálise. Na prática, a maioria das escolas de formação aceita
apenas médicos psiquiatras e psicólogos que irão estudar as teorias da personalidade e métodos de
tratamento introduzidos por Freud.

O PACIENTE COMO SER BIOPSICOSSOCIAL

Uma pessoa não pode ou não deve perder sua dignidade e direitos como pessoa porque está
doente. Para May (1977), em Beland e Joyce, o fundamental da Psicologia humanística é
compreender o homem como um ser, ou seja, atingir o aspecto mais íntimo de cada pessoa. E para
que possamos atingir esse aspecto é preciso considerar a pessoa e seu ambiente como uma unidade
composta de fatores interdependentes; é preciso compreender a maneira de pensar, sentir e fazer
que o próprio homem desenvolveu como parte de seu ambiente e ainda ter consciência de que o
bem-estar só é alcançado quando as necessidade estão sendo supridas satisfatoriamente.
Qualquer doença altera a atuação interpessoal e social do indivíduo e tanto maior será essa
alteração conforme for o valor físico, emocional e intelectual que a doença representa para o
paciente e seus familiares, sem esquecer que o hospital poderá minimizar ou exacerbar tal
alteração.
A base da profissão de um profissional da saúde deve ser a crença no valor da pessoa através
do respeito ao atendimento das necessidades básicas do paciente e, para tanto, é imprescindível
identificar seus problemas tendo amplas e atualizados conhecimentos fisiopatológicos e
psicossociais, sem os quais sua atuação será desnecessária e muitas vezes, prejudicial.

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Relacionamento Interpessoal

EMPATIA – COMPREENDENDO A SI PRÓPRIO E AOS OUTROS

Cultivar a habilidade de compreender as pessoas é uma das tarefas mais difíceis que um
homem jamais poderia se propor. Mesmo fazendo o maior esforço, somente é possível compreender
em parte as necessidades sentidas pelo homem; e, menos ainda, os sentimentos da vida interior. Isto
porque a habilidade de compreender abrange mais do que ser capaz de perceber, entender, identificar
e interpretar as comunicações ou expressões captadas pelos sentidos.
Especificamente no contexto de relacionamento interpessoal, "compreender" é análogo a
"empatizar", termo este que significa:

 a capacidade de identificação com a disposição ou estrutura psicológica de outra pessoa;


 procurar sentir como se estivesse na situação da outra pessoa;
 tentar entender as razões e o significado da comunicação verbal e não-verbal, mais do que a maneira
como esta transparece;
 compartilhar mutuamente desejos e idéias, mesmo que não se concorde com o comportamento
exibido
 ter a habilidade de perceber e acompanhar os sentimentos de outra pessoa, mesmo que sejam
intensos, profundos, destrutivos ou anormais.

O real significado de empatia está em compreender os outros, apesar de não se concordar,


muitas vezes, com o comportamento destes. Procurar ser compreensivo e sentir como a outra pessoa
estaria sentindo não significa que se deva ser sempre permissivo e tolerante frente a certos
comportamentos agressivos e destrutivos. Após analisar tais situações, o técnico deve julgar, muitas
vezes, ser preciso estabelecer limites ou restrições para garantir a segurança do paciente ou das
pessoas adjacentes.
Compreender implica simultaneamente ser capaz de estabelecer limites, quando necessário. O
ato de impor limites poderá gerar ira momentânea no paciente, mas com o tempo o fato será
percebido como uma atitude de ajuda.
Neste pensamento está intrínseco que o cultivo da habilidade de compreender não é obra do acaso. É
a combinação ativa de qualidades e habilidades pessoais de ajustamento emocional, de amor ao
próximo, de possuir senso equilibrado de auto-estima e autocrítica, e de avaliar inteligentemente as
necessidades das outras pessoas.
Entretanto, assim como há fatores que influenciam a disposição para ser mais compreensivo,
por outro lado há outros que dificultam igualmente. Um destes é o egocentrismo ou egoísmo pessoal
do profissional, o excesso de preocupação consigo próprio, ou a dificuldade de discernimento do
conceito de que é "certo " ou "errado" que pode bloquear as tentativas de empatizar-se com os outros.

A COMUNICABILIDADE

A comunicação é o instrumento de expressão de nosso interior; do que pensamos, do que queremos,


do que acreditamos.

Comunicar é colocar algo em comum, é tornar-se comum com alguém.

Comunicação são maneiras de receber e transmitir informações.

Para que a comunicação ocorra, é preciso que haja:

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 18

EMISSOR - MENSAGEM - RECEPTOR

A boa comunicação depende da harmonia destes elementos.

POR QUE FALHAM AS COMUNICAÇÕES?


QUEM FALA (EMISSOR – QUEM ESCUTA (RECEPTOR –
PROFISSIONAL ) PACIENTE)
Dicção falha Falta de atenção
Fala demais Falta de interesse
Usa palavras desconhecidas para Falta de conhecimentos
o interlocutor
Inespecífico Cansaço, ansiedade
Autoritário Estresse
Preconceituoso Ressentimento
Voz monótona Idéias preconcebidas
(estereótipos)
Dificuldade de expressão Medo e insegurança
Timidez ou medo de expressar Preocupação
suas opiniões
Falta de carisma Hostilidade
Escolha inadequada do momento Comportamento defensivo (o
e local para dialogar com a pessoa paciente pode encarar cada fala
como uma acusação ou crítica
pessoal)

REGRAS PARA FACILITAR A COMUNICAÇÃO INTERPESSOAL

1. O tom de voz deve ser moderado, nem muito alto, nem muito baixo.
2. A velocidade da fala deve também ter um bom tempo, ritmo e fluência.
3. Evitar erros de sintaxe, linguagem imprópria, palavras ambíguas, inadequadas ou incorretas.
4. Falar com clareza.
5. Tentar despertar o interesse do paciente.
6. Escutar atenta e ativamente o paciente, lembrando-se que escutar é mais que ouvir. Eis aqui alguns
comportamentos que o profissional de saúde deve desenvolver a fim de escutar o paciente:

 manter o olhar atento enquanto o paciente fala,


 não ficar o tempo todo pensando só no que vai ser respondido,
 mostrar atitude calma e receptiva,
 fazer com que a comunicação (tanto verbal como não verbal) assegure ao outro que se está
acompanhando o que ele diz,

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 19

 tolerar sem ansiedade os silêncios do paciente,


 se o silêncio tornar-se embaraçoso para o paciente, procurar reformular a última frase dita, para que
ele possa retomar a conversa,
 depois de fazer uma pergunta é importante silenciar. Se o paciente não responder de imediato, é
melhor evitar o impulso de preencher o silêncio com comentários. Ele deve ter a oportunidade de
pensar na questão,
 não interromper para retificar o que o outro está dizendo, mesmo que se discorde do que ele diz. É
melhor esperar que termine o enunciado,
 não contradizer o que o outro está dizendo por considerar conhecido, desconhecido ou trivial.

7. Demonstrar respeito e aceitação mesmo que haja grandes diferenças entre você e o seu paciente.

 abster-se de fazer julgamentos numa comunicação ,


 admitir que o paciente tenha crenças, idéias e valores diferentes dos seus,
 criar condições para que o paciente possa expressar suas idéias, seus sentimentos e seus valores. Isso
não significa que se deve concordar com tudo nem impede de dizer que não se compartilha dessa
postura.

8. Quando em equipe multiprofissional, fazer comentários descritivos e não avaliativos, pois os


primeiros geram um comportamento receptivo. Os avaliativos predispõem ao comportamento
defensivo.

 o feedback descritivo explica de maneira específica um fato, uma atividade ou um processo,


 o feedback avaliativo é de natureza crítica e tende a apresentar uma conclusão por parte de quem o
emite,
 os comentários descritivos são mais fáceis de aceitar e descrevem o comportamento sem atacar a
outra pessoa.

Técnicas básicas para um bom atendimento ao paciente:

1. Escolha de vocabulário: escolher palavras condizentes com o momento, evitar gírias ou palavras
evasivas.
2. Facilidade de expressão: emitir as palavras de uma forma correta, demonstrando segurança
naquilo que fala.
3. Compreensão: empatia, saber entender o que muitas vezes não é dito de forma explícita.
4. Cortesia: tato nas relações humanas, ou seja, não ser ofensivo, descortês. Há um ditado popular
que afirma: "A primeira imagem é a que conta" e há grande verdade nisso. Se o primeiro contato for
cordial, alegre, expansivo, este será a imagem que cada um fará do outro. Mas, mesmo isso
sucedendo, se, no futuro, passarmos a adotar um comportamento hostil, grosseiro, mal educado, com
certeza aquela imagem que havíamos construído será destruída.
5. Entusiasmo: irradiar entusiasmo natural, estimulante e contagiante.
6. Imparcialidade: evitar tomar partido, não debater com o paciente, mesmo que certos comentários
não sejam simpáticos a quem quer que seja. Não discutir sexo, política, religião.
7. Paciência: jamais apressar o paciente ou cortá-lo no meio de um desabafo.
8. Humildade: não ser o "dono da verdade". Por mais que soubermos e estudarmos sobre um dado
assunto, qualquer que seja, se vivermos 100 anos, ainda haverá uma enormidade de aspectos que
desconhecemos. Ora, como pode o técnico pensar que ele é o mais competente, capaz e dono da

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 20

verdade, sem reconhecer os outros colegas de trabalho ou mesmo as informações dos pacientes. Cada
dia pode-se aprender com os diferentes pacientes que passarão pelas mãos de vocês.
9. Atualização e Desenvolvimento: buscar sempre se manter com um bom nível de conhecimentos
técnicos em raios-X e outros ramos que você possa aprender. Se valorize enquanto técnico. Se
aprimore também a cada dia mais no relacionamento com os seus pacientes, os familiares dos seus
pacientes e com a equipe multiprofissional a qual irá lidar.

 BIBLIOGRAFIA

15. Tratado de cuidados de enfermagem, volume 2 / organizadores Nébia Maria Almeida de


Figueiredo, Wiliam César Alves Machado. – São Paulo: Roca, 2012.

16. Mega dicionário de termos técnicos e populares da saúde / organização Eduardo de


Almeida Nogueira. – 1.ed. – Rio de Janeiro: Nogueira Rio, 2007.

17. Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem / organização Genilda
Ferreira Murta. – 7.ed. – São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2012. – (Série curso de
enfermagem)

18. TAYLOR, Cecília Monat. Fundamentos de enfermagem psiquiátrica de mireness. 13. ed.
Porto Alegre; Artes Médicas, 1992.

19. TOWNSEND, Mary C. Enfermagem Psiquiátrica: conceitos de cuidados. 3. ed. Rio de


Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

20. PALMEIRA, Leonardo Figueiredo. Entendendo a esquizofrenia: Como a família pode ajudar
no tratamento/. Rio de Janeiro: Interciência, 2009.

21. AMARANTE, P. Loucos pela vida – A trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil. 2. ed.
Rio de Janeiro, Editora Fiocruz, 2000.

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 21

 DISTÚRBIOS NEURÓTICOS

Todos os indivíduos se deparam com a ansiedade no seu dia a dia, podendo esta até
ser um caso de motivação de suas conquistas, onde para muitos é a sua força de
sobrevivência. Para outras pessoas ansiedade e estresse significam a mesma coisa, o que
na verdade é algo bem diferente, pois para se ter o estresse é necessário um fator que leve
a tal reação e a ansiedade é uma resposta a esse fator estressante. As patologias que se
caracterizam como distúrbios neuróticos, são: TOC (Transtorno ou Distúrbios Obsessivo
Compulsivo), Síndrome ou Doença do Pânico, Fobias (Social e Específica), Transtorno ou
Distúrbio de Estresse Pós – Traumático, Distúrbio ou Transtorno de Ansiedade
Generalizada.

1. TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC)

Em primeiro lugar devemos entender que obsessões são idéias, pensamentos ou


imagens que invadem a consciência da pessoa, como exemplo tem as dúvidas que sempre
retornam, como: se fechou a porta, se fechou o gás, fantasia de querer fazer algo que
considera errado, como falar mal, ferir alguém. Já as compulsões são atos repetitivos no
intuito de tentar aliviar a ansiedade trazida pelas obsessões, como realizar vários rituais
como a pessoa pode tomar diversos banhos por dia, de acordo com algum esquema pré-
determinado, lavar várias vezes as mãos por ter tocado em determinado objeto, certificar
inúmeras vezes de que fechou a porta, fazer contas para afastar pensamentos.

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem com este cliente baseiam-se em conversar com ele


tentando diminuir a ansiedade, o medo, interagi-lo com o ambiente social, promover técnicas
de relaxamento, tentar afastar o fator estressor, fazer com que este cliente participe de
oficinas fazendo com que o mesmo afaste essas obsessões e compulsões.

Rocha (2005):

“A enfermagem vai aceitar que ela realize os rituais sem chamar


atenção para isso, não criticando nem apressando a pessoa, pois ela
mesma critica seu comportamento e sofre com ele; além disso, a
execução dos rituais é incontrolável. É importante estimular essas
pessoas a participarem das oficinas, porém, como elas têm
dificuldade em tomar decisões – em parte, os rituais servem para que
se esquivem de tomá-las -, devem ser convidadas, de preferência
para atividades conhecidas, sem que se exija que façam escolhas”.
(pág. 118)

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2. SÍNDROME DO PÂNICO

A sua manifestação central é o ataque de pânico, que são um conjunto de


manifestações de ansiedade cujo início é súbito, com muitos sintomas físicos como:
taquicardia, dispnéia, perda de foco visual, e sua duração é limitada no tempo. Geralmente
as pessoas que são acometidas por essa síndrome evitam sair de casa sozinha, ficar em
meio a multidões, andar de carro, estar dentro de um metrô e assim sua vida acaba ficando
com limitações.

Segundo Townsend (2000):

“Alguns indivíduos podem ter ataques de gravidade moderada uma


vez por semana, enquanto outros podem ter ataques de menor
gravidade ou de sintomas limitados várias vezes por semana. Outros
ainda podem apresentar ataques de pânicos a intervalos de semanas
ou meses. O distúrbio pode durar algumas semanas ou meses ou
vários anos. Por vezes o indivíduo apresenta períodos de remissão e
exacerbação”. (pág. 431)

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados incluem: auxiliar o cliente a reconhecer o início dos sintomas de


ansiedade e ajudar intervindo antes que chegue a síndrome do pânico, conversar com o
cliente de forma calma, tranqüila, usar palavras simples passando uma mensagem breve,
incentivar a participação em oficinas terapêuticas, proporcionar um ambiente calmo e
tranqüilo. Durante a conversa com o cliente quando os sintomas de ansiedade e de pânico
estiverem diminuídos, a equipe de enfermagem deve tentar identificar o fator estressante e
as circunstâncias que podem estar contribuindo para tal fato, tendo como intuito auxiliar o
cliente a minimizar esses sintomas quando estiver em contato com situações que podem
elevar o limiar de estresse.

3. FOBIAS

A fobia é um medo intenso por animais ou objetos, que objetivamente não ofereçam
perigo algum ou tão proporcional a tamanho medo. Existe a fobia simples ou específica e a
fobia social, que serão descritas abaixo.

A fobia específica, como o próprio nome já diz é específica a algo ou a alguma coisa,
como medo de um objeto, de um animal, de ver sangue, agulhas, seringas, de uma
atividade ou uma situação. Esse tipo de fobia caracteriza-se por um medo acentuado,
excessivo e persiste por um bom tempo.

A fobia social caracteriza-se por medo de se expor, de estar em público, em meio


social, em palestrar para várias pessoas e pode ter medo até mesmo de comer em público.
Os sintomas são rubor fácil, taquicardia, pele fria e pegajosa, dispnéia, gagueira, tremor nas
mãos, etc.

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Cuidados de Enfermagem

Os cuidados de enfermagem são baseados nos dados colhidos, de acordo com os


fatores predisponentes. Os cuidados incluem: psicoterapia, onde o profissional irá atuar
junto com o cliente, procurando compreender e tratar o conflito interno deste. A equipe de
enfermagem deve mostrar técnicas que possam vir a controlar o nível de ansiedade, como
por exemplo, usar a técnica de controle de respiração, ajudar este cliente a fazer atividades
em grupo e assim aos poucos ele irá interagir com o grupo de forma natural.

4. DISTÚRBIO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO

Está relacionado a algum tipo de trauma estressante que a pessoa teve, podendo
envolver até mesmo traumas de pensamentos e sentimentos, como por exemplo, estupro,
assalto, experiência em guerra, perda de alguém significativo, acidentes, etc.

Segundo Townsend (2000):

“Esses sintomas não estão relacionados a experiências comuns


como luto não complicado, conflitos conjugais ou uma doença
crônica, mas associam-se a eventos que seriam muito
desconfortáveis para praticamente todas as pessoas. O indivíduo
pode vivenciar um trauma sozinho ou na presença de outras
pessoas”. (pág. 445)

Cuidados de Enfermagem

Os cuidados compreendem as terapias em grupos, as oficinas, as conversas com a


equipe de enfermagem onde se encoraja o cliente, explicando que ele precisa enfrentar as
situações que o levaram a essa síndrome, utilização de técnicas de relaxamento como
músicas, arte. A enfermagem pode incluir os entes queridos na terapia se o cliente assim se
sentir mais confiante.

5. TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)

A ansiedade é o grande sintoma de características psicológicas que mostra a


interseção entre o físico e o psíquico, uma vez que tem claros sintomas físicos como
taquicardia, tremores, sudorese, rigidez muscular, cefaléia, pele fria e pegajosa. A
ansiedade pode surgir repentinamente, como no pânico, ou gradualmente, ao longo do
tempo, podendo variar de minutos ou dias.

Townsend (2000):

“Esse distúrbio se caracteriza por ansiedade e preocupações


crônicas, não realistas e excessivas. Os sintomas estão presentes há
seis meses ou mais e não podem ser atribuídos a fatores orgânicos
específicos, como uma intoxicação por cafeína ou hipertireoidismo”.
(pág 431)

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Cuidados de Enfermagem

O primeiro passo para o cuidado de enfermagem é identificar o que levou a ansiedade e


orientar este cliente a usar a terapia da respiração, onde o mesmo controla a sua ansiedade,
inspirando lentamente até encher o pulmão e em seguida deve expirar e tirar todo o ar do pulmão, de
forma lenta. A nossa respiração tem a capacidade de controlar o nosso corpo e a nossa mente, logo
esta terapia pode ser feita 10, 15 minutos antes de o cliente ter contato com o fator que desencadeia
a ansiedade. Outro cuidado que o profissional de enfermagem deve incluir junto a esse cliente é
orientá-lo a manter seus pensamentos com clareza tendo como finalidade uma desaceleração de sua
mente.

TRANSTORNO DE HUMOR (DEPRESSÃO / BIPOLAR)

1. DEPRESSÃO

Os transtornos (ou distúrbios) depressivos são considerados distúrbios do humor. O humor é uma
emoção sustentada que, quando extrema, colore a visão que a pessoa tem do mundo. Os distúrbios
do humor são caracterizados por distúrbios dos sentimentos, do pensamento e do comportamento.

A depressão vai além da simples tristeza; ela afeta a maneira pela qual a pessoa se sente em
relação ao futuro e pode alterar atitudes básicas sobre si própria. Uma pessoa deprimida pode se
tornar tão desesperada que passa a expressar desesperança. Quando os humores se tornam graves
ou prolongados ou interferem com o funcionamento interpessoal ou ocupacional de uma pessoa, isso
pode sinalizar um distúrbio de humor. A depressão pode ou não ter um motivo aparente.

Fisiopatologia e Etiologia

A causa exata dos distúrbios depressivos não foram estabelecidas. Esses distúrbios parecem
resultar de interações complexas envolvendo vários fatores, como:

Fatores bioquímicos – relacionado aos neurotransmissores


Fatores genéticos – relacionado com parentes de primeiro grau
Fatores médicos - relacionado a medicamentos com efeito colateral de depressão.
Fatores psicossociais - relacionado a perda significativa (perda de objeto) que está associada a raiva
e agressão, que se volta para dentro e leva a sentimentos negativos em relação ao próprio indivíduo.
Os sentimentos negativos sobre si próprio, incluindo vergonha e culpa, então levam à depressão;
Perda de algum membro da família por morte, divórcio ou separação; Falta de apoio social e
problemas de saúde significativos estão associados ao início da depressão.

Manifestações Clínicas

 A depressão é considerada a doença da alma. Sua principal característica: desânimo.


 Isolamento social
 Tentativa de suicídio
 Embotamento afetivo (fixar para dentro de si)
 Humor deprimido
 Anedonia (incapacidade de experimentar prazer)
 Perda ou ganho de peso significativa
 Insônia
 Anergia (fadiga ou perda de energia)

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 Sentimentos de inutilidade ou de culpa


 Diminuição da concentração ou indecisão
 Auto-estima diminuída

Tipos de Depressão

 Depressão Leve – são pessoas que possuem desânimo, só vê o lado ruim das coisas,
são pessimistas, porém conseguem exercer.
 Depressão Moderada – É um período de depressão mais longo, que interfere no seu
cotidiano.
 Depressão Grave – Acontece com o paciente que não interage com as pessoas, com o
meio ambiente, às vezes, entra em mutismo, ou seja, para de falar. Não tem ânimo para
se divertir, se cuidar, etc.

Depressão é diferente de tristeza

A tristeza possui um motivo aparente, como por exemplo a morte de algum ente querido e a
depressão, pode ou não haver um motivo aparente. O paciente pode tentar o suicídio na depressão
moderada ou grave, quando esta não está no quadro muito grave, o suicídio se dá de outra forma
quando ele deixa de se alimentar, sendo intencionalmente ou não.

Indicação de ECT

Normalmente quando os antidepressivos não surtem efeito, que acontece após 15 dias de uso.

O Paciente Suicida

A maioria das pessoas que se suicidam ou tem impulsos suicidas consultam antes seus médicos. Na
grande maioria dos casos, uma intervenção adequada mediante tratamento imediato ou envio a um
psiquiatra para tratamento evitaria a tentativa de suicido. O médico deve ter em mente que o estado
suicida é freqüentemente transitório, e geralmente resultado de um processo de doença com causa
tanto biológica quanto psicológica. Se o suicídio puder ser evitado, a doença subjacente poderá ser
tratada e futuros comportamentos suicidas evitados.

Embora o suicídio envolva muitos eventos precipitantes e forças motivadoras, todas as pessoas com
idéias de suicídio possuem um intenso senso de privação de afeto e amor. A maioria das pessoas
que se suicidam sofrem igualmente de atitudes autodepreciadoras, de profundos sentimentos de
desespero e desamparo e de um senso de rejeição que antecipa o ato. O suicídio e as tentativas de
suicídio são mais freqüentes entre os portadores de depressão.

Comportamento Suicida

O comportamento suicida é dividido em:

 Ameaça de suicídio – ocorre antes da atividade de suicídio, estão presentes algumas


vezes a comunicação verbal.
 Tentativa de suicídio – incluem atos dirigidos contra a própria pessoa que levarão a
morte, se não forem interrompidos. Na avaliação do comportamento suicida, muita
ênfase deve ser dada à letalidade do método utilizado.
 Suicídio consumado – pode ocorrer depois que os sinais de alerta foram ignorados.

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Fatores Predisponentes

Diagnóstico psiquiátrico – existe uma relação entre o suicídio e a doença psiquiátrica. Os transtornos
psiquiátricos que colocam as pessoas em risco de suicídio são: transtorno de humor, abuso de
substâncias, esquizofrenia.

Traços de personalidade – os aspectos da personalidade mais associados ao risco de suicídio são:


hostilidade, impulsividade e depressão.

Ambiente psicossocial – os desencadeamentos do comportamento suicida são, com freqüência


dificuldades no cotidiano, problemas interpessoais, perda de emprego.

História familiar – uma história familiar de suicídio é um fator de risco significativo para o
comportamento autodestrutivo. Os pacientes com uma história familiar de suicídio, alcoolismo ou
doença bipolar tem um risco maior de comportamento suicida.

Tratamento

Internação em hospitais psiquiátricos (direcionado para o tratamento medicamentoso e psicoterapia


de suporte usando o controle do ambiente); Atendimento ambulatorial, em um programa comunitário;
ECT pode ser usada para tratar depressão grave que não é responsiva aos medicamentos
antidepressivos. A terapia com luz ultravioleta pode ser recomendada para depressão que ocorre
durante os meses de outono e de inverno; Uso de suplementos fitoterápicos, principalmente a erva-
de-são-joão, é uma alternativa, porém deve ser discutido com o médico devido ao potencial de
interação medicamentosa.
Uso de psicoterapia.

Cuidados de Enfermagem

A avaliação dos cuidados de enfermagem para o paciente autodestrutivo exige um monitoramento


diário cuidadoso do comportamento do paciente. Facilitar uma nutrição adequada. Fornecer porções
menores ou maiores. Considerar as preferências alimentares do paciente. Ficar com o paciente
durante as refeições; Ajudar com a higiene e cuidado com a aparência pessoal quando necessário;
Avaliar a letalidade do comportamento suicida e implementar precauções apropriadas relativas ao
suicídio; Evitar alegria e simpatia excessivas ou superficialidade; Promover o sono por meio de
atividades e exercícios diários (ex: música); Não forçar conversas, mas encorajar a participação nas
atividades e interações sociais; Administrar antidepressivos conforme prescrito.

2. BIPOLAR

 Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)


 Transtorno de Humor
 Distúrbio de Humor
 Antigamente chamado de Psicose Maníaco Depressiva (PMD)

Os distúrbios de humor incluem um grupo de doenças que envolvem distúrbios emocionais,


comportamentais e cognitivos, esse distúrbio vai da depressão extrema à mania (hiperatividade
extrema). Para a maioria dos psiquiatras, esquizofrenia e transtorno bipolar são as doenças mentais
mais sérias que existem. A bipolaridade é caracterizada por afetos extremados, como depressão e
euforia (alteração de humor).

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Principais características:
- Mania (euforia) – paciente que pode tudo / alta auto estima / superioridade / mania de
grandeza / menti muito.
- Depressão (tristeza) – ansiedade / desânimo / se sente o pior de todos / complexo de
inferioridade / chora muito / anedonia (vai se fechando)

Os distúrbios bipolares, também considerados como distúrbios do humor, incluem a ocorrência de


episódios depressivos e um ou mais episódios de humor exaltado.

Segundo Nettina (2007), um humor exaltado pode incluir uma ampla gama de afeto, desde o humor
normal até hipomania (fase de mania mais leve, com os mesmos sintomas, porém menos intensos e
evidentes) e mania. Na apresentação mais intensa, a pessoa com distúrbio bipolar experimenta
alterações dos processos do pensamento que podem produzir delírios bizarros.

O termo “mania” costuma ser entendido pelos leigos como um comportamento inusitado e repetitivo.
Para profissionais da área da saúde, porém, o termo “mania” representa o pólo eufórico do transtorno
de humor. A euforia pode ser definida como uma alegria excessiva e exagerada que se mantém
independentemente dos acontecimentos externos.

Delírios ou alucinações podem ou não fazer parte do quadro clínico. Durante um episódio maníaco o
humor se mostra elevado, expansivo ou irritável. O TB é traiçoeiro: os sinais e sintomas podem ter
inúmeras manifestações num mesmo paciente e variar muito de uma pessoa para outra. Em geral,
quem sofre do transtorno tem dificuldade em dedicar-se à carreira profissional, manter a
produtividade e o equilíbrio na vida afetiva e cultivar relacionamentos duradouros. Os afetados pelo
distúrbio não têm controle do que pensam ou falam durante os períodos de manifestação da doença.
TB é uma doença crônica, com causas biológicas (genéticas e outras) associadas a fatores
ambientais.

Manifestações Clínicas

A principal característica da doença é a instabilidade de várias funções cerebrais, que são


percebidas na alteração do humor, variando da tristeza profunda à alegria excessiva, transparecendo
na ansiedade e irritabilidade que em pouco tempo podem se converter em apatia; Depressão ou ficar
excessivamente agressivo; Gastar enormes quantias sem nenhum planejamento, a ponto de contrair
dívidas para adquirir produtos dos quais não necessita ou, ao receber uma notícia desagradável,
ficar de cama;
Variação do pessimismo exagerado ao otimismo incontrolável;
A velocidade do pensamento pode aumentar ou diminuir;
Mudanças no sono e no apetite, tanto para excesso como para falta;
O paciente troca o dia pela noite;
Diminuição ou aumento excessivo de energia. O mesmo ocorre em relação à capacidade de sentir
prazer.
O mais curioso é que a mudança pode se dar em poucas horas, ou em poucos dias – e às vezes
durar semanas, meses ou até anos.
A pessoa acorda vários dias seguidos desanimada;
As impressões a seu próprio respeito se tornam mais negativas e críticas;
Alterações nos ritmos biológicos;
Alterações no controle dos movimentos corporais (com predomínio de agitação ou lentidão do corpo);
Alterações das funções de memória e de concentração mental, impulsividade e dos desejos e das
vontades;
Autoestima repentinamente elevada; Fala excessiva; Hiperatividade;
Quando há mistura de agitação e pensamentos de morte associados a grande impulsividade, o risco
de suicídio é enorme. O TB seria mais bem compreendido como a doença das instabilidades, sendo
a do humor a mais perceptível.

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Diagnóstico

Não parece haver exames laboratoriais que distinguem episódios depressivos; Exame
psicofisiológico completo.

Tratamento

Psicoterapia; Fármacos antidepressivos e / ou ECT; Grupos de apoio e auto-ajuda; Terapia de


família; Em casos de comportamento suicida – hospitalização psiquiátrica / intervenções em crises /
tratamento dos distúrbios associados (isto é, depressão, dependência a drogas etc.)

Cuidados de Enfermagem

A equipe de enfermagem no desenvolvimento de suas atividades deve sempre chamar esse paciente
pelo nome, compreender seus direitos e nunca se afastar desse paciente, devido ao seu diagnóstico.
Avaliar diariamente o paciente quanto à perda ou ganho de peso, ansiedade, humor, períodos de
sentimentos exacerbados, ou seja, ora muito depressivo, ora muito eufórico.

Nettina (2007) acrescenta:

Avaliar o humor quanto à estabilidade, amplitude do afeto, desde exaltação a irritabilidade e agitação
intensa, etc;
Avaliar o comportamento para atividade constante, começando muitos projetos e terminando poucos,
gastando enormes somas de dinheiro, etc;
Avaliar os processos do pensamento para fuga de idéias, fala opressiva, muitas vezes com conteúdo
sexualmente explícito, etc;

A equipe de enfermagem deve ainda, estimular o paciente a expressar seus sentimentos,


compreendendo o significado de seus atos e que o paciente se comporta dessa maneira, devido a
seu quadro clínico. A enfermagem deve ter em mente uma atitude não crítica, ou seja, de forma
alguma julgar o comportamento do paciente, nem condená-lo e nem mesmo aceitar totalmente o seu
comportamento; o modo de agir da equipe de enfermagem precisa ser o mesmo, devem agir com
firmeza e coerência para que o paciente possa se sentir seguro.
Como o paciente com depressão apresenta humor depressivo, irritabilidade, desânimo, cansaço fácil,
sentimentos de medo, insônia, entre outros, então os cuidados de enfermagem precisam ser
voltados para suas características, como: acompanhar o repouso e o sono, observar se os
antidepressivos estão sendo ingeridos, não deve demonstrar piedade em relação ao paciente, além
de verificar seus sinais vitais, sua alimentação, controlar peso diário, pois pode haver uma perda
ponderal importante.

Rocha (2005):

“Devem ser observados quaisquer sinais de infecção ou lesão no corpo do usuário, já que ele pode
não mencioná-la por considerá-los uma justa punição. É necessário verificar se ele está aquecido,
principalmente nas extremidades, pois sua circulação se torna mais lenta... Também é importante
que alguém permaneça a seu lado, conversando, pois nos momentos de insônia as idéias de suicídio
podem surgir com mais força”. (pág. 121)

Já nos casos de euforia, que são pessoas hiperativas, apresentam irritabilidade, impaciência,
pensamento acelerado, sua energia está aumentada, inclusive a sexual, gastos excessivos, insônia,
idéia de grandeza, entre outros, a equipe de enfermagem deve estar atenta quando o paciente
apresentar esses sinais e sintomas, não deve ridicularizá-lo e nem chamá-lo de mentiroso, pois o
mesmo não controla suas associações de idéias. A equipe deve atentar quanto a alimentação,

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verificando se este paciente está alimentando-se e ingerindo líquidos, verificar peso semanalmente,
impor limites sem ser de forma autoritária, apenas conversar de forma firme.

Rocha (2005):

“A esse usuário, que acorda às cinco horas da manhã cheio de energia, a enfermagem vai mostrar
que é preciso respeitar o sono dos colegas, mas também vai ajudá-lo a usar essa energia,
encaminhando-o ao pátio, para que corra, faça ginástica etc”. (pág. 123)

 BIBLIOGRAFIA

1. AMARANTE, P. Loucos pela vida – A trajetória da Reforma Psiquiátrica no Brasil. 2. ed. Rio
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12. REVISTA CÉREBRO E MENTE – DOENÇAS DO CÉREBRO; (Fonte:


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13. ROCHA, Ruth Mylius. Enfermagem em saúde mental. 2. ed., atual. e. ampl. Rio de
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de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000.

21. Tratado de cuidados de enfermagem, volume 2 / organizadores Nébia Maria Almeida de


Figueiredo, Wiliam César Alves Machado. – São Paulo: Roca, 2012.

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TRANSTORNO DE PENSAMENTO

1. PSICOSE

Transtornos psicóticos são muito graves, havendo necessidade de hospitalização. Os pacientes


perdem contato com a realidade e são incapazes de controlar seu pensamento e seu
comportamento. São exemplos a esquizofrenia e os distúrbios paranóides. (Anthikad, 2005, p. 123)

Sintomas: alucinações e delírios, pensamento desorganizado, fala e risos imotivados, idéias


delirantes, alucinações visuais e auditivas, pensamento foge do controle, etc.

2. ESQUIZOFRENIA

Transtorno de Pensamento - delírios e alucinações, perda de associação de idéias, riso imotivado ou


inapropriado, entre outros. Fatores biológicos, ambientais, emocionais e pré-disposição podem
desenvolver a doença.

A intervenção no primeiro episódio do transtorno oferece uma oportunidade única no tratamento da


esquizofrenia, influenciando no curso da doença. (Giacon e Galera, 2006)

O termo “esquizofrenia” foi criado em 1911 pelo psiquiatra suíço Eugem Bleuler, para substituir o
termo demência precoce e ter como significado de mente dividida.

MENTE DIVIDIDA? - Bleuler quis ressaltar a dissociação que às vezes o paciente percebia entre si
mesmo e a pessoa que ocupa seu corpo.

 Início Agudo - sintomas aparecem de forma abrupta, podendo piorar cada vez mais se
não forem tratados.
 Início Insidioso – sintomas aparecem de forma mais branda, levando o emocional e o
intelectual a amplas irregularidades.

A causa exata da esquizofrenia ainda não é esclarecida. Acredita-se que se deve a uma série de
combinações de uma predisposição genética, disfunções bioquímicas, outros distúrbios fisiológicos e
estresse psicossocial.

Uma das hipóteses mais conhecidas relacionando os neurotransmissores à doença mental é a


hipótese dopaminérgica, devido a hiperatividade da dopamina no SNC.

Sexo masculino ocorre entre 15 e 25 anos - Sexo feminino entre 25 e 35 anos. O surgimento antes
dos 10 e após os 50 anos de idade, é algo muito raro.

 Sintomas Positivos - fase aguda e são as perturbações mentais (alucinação, delírio,


distúrbio de pensamento, ansiedade)

 Sintomas Negativos - perda ou diminuição das capacidades mentais, sendo incapaz de


distinguir o que é real do imaginário (falta de motivação e apatia, embotamento afetivo,
isolamento social)

3. Tipos de Esquizofrenia

Hebefrênica ou Desorganizada: as alterações afetivas são dominantes. O paciente se desliga da


realidade interna e assume comportamento imprevisível.

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Catatônica: marcada por alterações motoras, alterações da vontade, como impulsividade. Podendo
apresentar postura inapropriada, rigidez, obediência automática, etc.
Indiferenciada: comportamento é claramente psicótico, onde há evidências de delírios, incoerência,
etc. Quando o paciente não pode ser classificado em nenhum dos grupos mencionados.

Pós-Esquizofrênica: Bueno e Nardi (2000, p. 177), é um episódio depressivo que pode ser
prolongado, surgindo após o início do transtorno esquizofrênico.

Residual :refere-se a uma esquizofrenia que já tem muitos anos e com muitas seqüelas. Isaacs
(1998), diz que a característica essencial é a ausência de sintomas agudos no momento, mas
história de episódios anteriores.

Simples: Geralmente aparece na adolescência, com irregularidades nas emoções, isolamento social,
ocorre perda de amigos, modificação de caráter, chegando assim ao quadro depressivo.

Esquizoafetivo: manifestada por comportamentos esquizofrênicos, com um fortíssimo elemento de


sintomas causadores de doenças, associada aos distúrbios afetivos, quer depressão, quer mania.

4. ESQUIZOFRENIA PARANÓIDE

Esse tipo de esquizofrenia é a mais comum e também o que responde melhor ao tratamento.

Segundo Bueno e Nardi (2000, p. 176), neste tipo de esquizofrenia, predomina os sintomas positivos,
onde os delírios são relativamente estáveis, usualmente acompanhados por alucinações, sobretudo
auditivas, além de outras alterações perceptivas.

Delirante: forma bem clara ruptura com a realidade de tal modo que não conseguimos remover este
conteúdo do pensamento dele, mesmo com qualquer tipo de argumentação.

Alucinações ou falsas percepções sensoriais: resposta a estímulos que provocam a ansiedade. As


alucinações quando não associadas a estímulos externos reais, podem envolver qualquer um dos
cinco sentidos.

Ballone e Ortolani (2009), o paciente pode tomar medidas extremas para evitar que o companheiro
(a) proporcione a infidelidade imaginada, como por exemplo, exigindo uma permanência no lar de
forma tirana ou obrigando que nunca saia de casa desacompanhada.

O ciúme patológico é acompanhado do medo de perder o relacionamento e o parceiro; é composto


de diversas emoções e pensamentos irracionais. O maior desejo é de controlar os sentimentos e os
comportamentos do (a) parceiro (a) completamente. Caracteriza-se por pensamentos intrusivos e
excessivos acerca da infidelidade do outro. (Marinho, 2009, p. 38)

Segundo Marinho (2009), o ciúmes delirante, é aquele no qual a pessoa acredita firmemente que
está sendo traído. Mesmo que evidências mostrem ao contrário, não consegue enxergá-las ou
aceitá-las: continua convicta de que foi traída.

Na fase de romances realistas de Machado de Assis, temos um clássico do ciúme, que é a obra Dom
Casmurro, onde declara de forma transparente o ciúme patológico de Bentinho por Capitu. No
capítulo CXXIII – Olhos de ressaca, têm um exemplo de uma infidelidade imaginária, onde o delírio
do ciúme fica bem exacerbado.

Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis


despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a
todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só

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Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma.


Consolava a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No
Meio dela, Capitu olhou alguns instantes para ver o cadáver tão fixa,
tão apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas
lágrimas poucas e caladas...
As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as dela; Capitu enxugou-as
depressa, olhando a furto para a gente que estava na sala.
Redobrou as carícias para a amiga, e quis levá-la; mas o cadáver
parece que a retinha também. Momento houve em que os olhos de
Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto nem as
palavras desta, mas grande e abertos, como a vaga do mar lá fora,
como se quisesse tragar também o nadador da manhã. (2006, p.
153-54)

Wright (1994), comenta um caso de uma paciente portadora de ciúme patológico que marcava o
pênis do marido assinando-o no início do dia com uma caneta e verificava a marca desse sinal no
final do dia.
Outra situação ainda ridícula é a história de outro paciente, com ciúme obsessivo (ciúme delirante),
que chegava a examinar as fezes da namorada, procurando possíveis restos de bilhetes engolidos
(Torres, 1999).

Esse relacionamento se torna a coisa mais importante na vida deste esquizofrênico paranóico, que
acredita que está sendo traído, quando ele tenta parar de sentir ciúme e controlar o comportamento,
nesse momento, ele chega a pensar que tudo isso foi apenas fruto de uma imaginação. Por outro
lado os ciumentos estão sempre em busca de confissões e fatos ou atos que comprovem de que a
idéia dele, de que estava sendo traído, seja verdade.

Diagnóstico

É baseado no quadro clínico e na evolução (história). O diagnóstico depende exclusivamente do


conhecimento e da experiência do médico, e é feito pelo conjunto de sintomas que o paciente
apresenta e a história como esses sintomas foram surgindo e se desenvolvendo.

É uma patologia psiquiátrica de diagnóstico difícil e é muito importante identificar o subtipo em que o
paciente se encontra. Infelizmente não existe nenhum exame laboratorial que dê um diagnóstico da
patologia, geralmente os psiquiatras solicitam exames laboratoriais apenas para excluir outras
patologias, com sintomas semelhantes à Esquizofrenia.

Tratamento

O tratamento correto para os pacientes esquizofrênicos é se unir farmacoterapia e estratégias


psicossociais, incluindo as diferentes formas de psicoterapia. Os tratamentos são apenas
complementares, na tentativa de melhorar o quadro sintomatológico, de aliviar tensões existentes e
fortalecer a parte saudável do paciente.

O paciente esquizofrênico ciumento pode ter uma relação saudável, onde as chances de reincidência
são altas, logo ele tem que aprender a lidar com o ciúme, só que de forma moderada e sadia, pois na
medida certa, faz bem ao relacionamento. A hospitalização para fim de tratamento, hoje em dia é
algo raro, devendo ocorrer somente em períodos de crise.

A reabilitação psicossocial é de fato uma estratégia muito importante, onde envolve atividades
sociais e ocupacionais, aumentando as chances de reinserção social do esquizofrênico na
sociedade, em outras palavras podemos dizer que é um conjunto de programas serviços que se
desenvolvem para facilitar a vida das pessoas com problemas severos e constantes. O tratamento

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medicamento (antipsicóticos) oferece alguns benefícios, dos quais são: eliminação das vozes, visão,
o falar consigo mesmo, ajuda a se comportar de forma mais apropriada, diminui a tensão e agitação,
a obsessão em controlar o relacionamento.

A Terapia Eletroconvulsiva (ECT), era utilizada quando não existia muitas opções de tratamento
farmacológico. A ECT causa uma convulsão generalizada no sistema nervoso central por meio de
corrente elétrica. No filme “O bicho de sete cabeças” a terapia eletroconvulsiva era utilizada de forma
punitiva aos pacientes, aqueles que não se comportavam bem ou não tomavam a medicação eram
punidos com choques. Essa atitude vai de contra a real utilização do ECT, pois ele só é indicado em
casos terapêuticos como foi evidenciado no filme “Uma mente brilhante”.

O papel da família durante o tratamento é de grande importância, pois além de ajudarem em


situações como proporcionar apoio emocional, certeza de que o paciente está recebendo as
medicações, meio de transporte para as consultas, conseguem impor limites para o portador de
doença mental (comportamentos perturbadores, como fumar, troca da noite pelo dia, a falta de
higiene e/ou limpeza adequada) proporcionar aos profissionais da saúde mental um quadro preciso
do funcionamento e da resposta do paciente ao tratamento.

Assistência de Enfermagem

A assistência de enfermagem inclui as atividades de higiene, alimentação, administração de


medicamentos, aferição de sinais vitais, repouso, recreação e cuidados quanto a possíveis riscos. A
equipe de enfermagem deve dirigir suas atividades, para contribuir na recuperação do paciente. Ao
implementar essa terapia, a enfermagem deve observar o paciente buscando sua aceitação, respeito
e compreensão.

A assistência deve estar voltada em aprender a lidar com os problemas de humor e interpretação da
realidade do paciente psiquiátrico, de modo a explorar os pensamentos que o perturbam e geram
conflito. O paciente esquizofrênico geralmente vive constantemente em crise, ou seja, o seu
funcionamento geral é gravemente prejudicado e o indivíduo se torna incapaz de assumir
responsabilidades pessoais. Os paciente que apresentam uma crise têm uma necessidade urgente
de assistência, pois como dito anteriormente, o paciente não é capaz de resolver problemas,
necessitando assim de assistência e apoio de uma outra pessoa. Para atingir o objetivo de prestar
uma assistência de enfermagem adequada, é necessário principalmente aceitar a outra pessoa como
ela é, ou seja, como ela se apresenta em sua singularidade, demonstrando que ela é aceita através
de uma aproximação, livre de preconceito e baseada no respeito.

O profissional de enfermagem tem um papel essencial ao prestar assistência, pois assume a posição
de um profissional de referência, já que o mesmo ouve e presencia com freqüência as manifestações
positivas e negativas do paciente, e para que isso aconteça, ele precisa conhecer a fundo o
comportamento psiquiátrico para assistir de forma holística o paciente. Com o cuidado humanizado,
a enfermagem ajuda o paciente a aceitar a sua patologia, o tratamento, incentiva a participação em
terapias e oficinas, fazendo assim um meio de ultrapassar obstáculos referentes ao preconceito, a
exclusão social e a questão de rótulos como loucos, insanos, malucos.

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 BIBLIOGRAFIA

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Figueiredo, Wiliam César Alves Machado. – São Paulo: Roca, 2012.

36
CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 37

TRANSTORNOS ALIMENTARES:

Anorexia / Bulimia Nervosa / Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica

Ambos aparecem com maior freqüência na adolescência e início da idade adulta e afetam
principalmente as mulheres.
A anorexia nervosa é caracterizada por extrema perda de peso, medo intenso de engordar e
imagem corporal distorcida. O indivíduo anorético raramente sofre perda do apetite antes de atingir
um estágio muito avançado da doença.
A pessoa com anorexia nervosa geralmente chega aos cuidados do Sistema de Saúde após
uma redução drástica de peso. O indivíduo reduz drasticamente sua ingestão total de alimentos,
principalmente os carboidratos. Observam-se hábitos alimentares bizarros, tais como esconder e
armazenar comida e recusar-se a comer com a família ou em público. Apresenta sintomas de
depressão tais como perturbações no sono, crises de choro e idéias de suicídio. Muitas vezes essas
mulheres apresentam amenorréia e perda do interesse na atividade sexual. Os sinais físicos incluem
hipotermia, bradicardia, desidratação e hipotensão.
A bulimia nervosa caracteriza-se por um consumo fora de hora, descontrolado e rápido de
alimentos em curto período de tempo, chegando o indivíduo a ficar com dores abdominais, provoca
vômitos e afasta-se do convívio social. A pessoa bulímica faz repetidas tentativas de perder peso
com dietas severas, jejuns e abuso de laxantes.
A pessoa com bulimia nervosa sempre aparece mais saudável do que aquela com anorexia
nervosa. Na maioria das vezes tem peso corporal normal ou levemente acima daquele esperado. A
pessoa com anorexia nervosa geralmente mostra-se tímida ou retraída, porém, o indivíduo com
bulimia nervosa mostra-se extrovertido, mas apresenta em geral baixa auto-estima e
autodepreciação, sintomas de depressão e medo de perder o controle. Ás vezes estão presentes
outros comportamentos autodestrutivos tais como tentativas de suicídio, cleptomania (impulso
patológico ao roubo) e promiscuidade sexual. As pessoas com comportamento bulímico são
descritas como perfeccionistas, tendo alto nível acadêmico e profissional e dependente da aprovação
dos outros para a manutenção da auto-estima. Os sinais físicos incluem irregularidades cardíacas,
edema e desidratação.

 TRANSTORNO DE COMPULSÃO ALIMENTAR PERIÓDICA

O Transtorno de Compulsão Alimentar Periódica (TCAP) foi descrito pela primeira vez em 1959
por Stunkard, contudo sua elevação à categoria diagnóstica apenas ocorreu em 1994, sob a forma
de transtorno que necessita de maiores estudos para melhor caracterização. Assim, desde então
ocorreu um maior interesse em pesquisas nesta área, diferenciando um sub-grupo de pacientes
obesos com características alimentares específicas.
Os Transtornos Alimentares são enfermidades psiquiátricas caracterizadas por alterações
graves no comportamento alimentar.
Além da Anorexia e da Bulimia Nervosa, um terceiro tipo de transtorno alimentar tem sido
proposto por alguns pesquisadores. Esta 3ª categoria diagnóstica é chamada de Transtorno de
Comer Compulsivo (TCC). Sua característica central é, também, o episódio de compulsão alimentar,
sendo que o paciente não se engaja em comportamentos compensatórios para controle de peso, o
que diferencia do paciente com Bulimia Nervosa. O paciente então apresenta uma tendência a ganho
de peso. O TCC pode ser considerado como uma outra modalidade de transtorno de comportamento
alimentar situada entre a Bulimia Nervosa e a obesidade.
O comer compulsivo é um quadro próximo à Bulimia Nervosa, mas dela se diferencia pela
ausência dos vômitos e purgações auto-induzidas e por marcante sentimento de culpa ou
desconforto após haver comido uma quantidade muito exagerada de alimentos num curto período de
tempo.

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 38

O comportamento alimentar, apesar de sua aparente banalidade na vida cotidiana, é um


fenômeno humano complexo e de grande importância. Nem todos os pacientes com um Transtorno
de Compulsão Periódica são obesos.
É essencial que os pacientes com respostas desadaptadas de regulagem alimentar sejam
submetidos a uma avaliação de Enfermagem completa, incluindo exames biológicos, psicológicos e
socioculturais completos. Um exame físico completo deve ser feito, com especial atenção para os
sinais vitais, peso, altura, pele e evidências de abuso de laxantes ou diuréticos e vômitos. Uma
história psiquiátrica, história de uso de substâncias e avaliação familiar também são necessárias.
Também é útil explorar a compreensão do paciente sobre como a doença se desenvolveu e seu
impacto nos relacionamentos sociais, na escola e no trabalho, de modo a obter uma visão holística
do mundo do paciente.

 COMPORTAMENTO DO INDIVÍDUO COM COMPULSÃO PERIÓDICA

A Compulsão Periódica envolve a rápida ingestão de grandes quantidades de alimentos em um


período de tempo circunscrito, embora não exista um consenso acerca do número exato de calorias
a ser considerado com um episódio e compulsão periódica. Uma variedade de comportamentos
purgativos pode ser usada por pessoas com respostas desadaptadas de regulagem alimentar para
evitar o ganho de peso. Esses comportamentos incluem exercícios excessivos, diuréticos sem
prescrição e prescritos, pílulas para emagrecer, laxantes. O exercício para esses pacientes, com
frequência torna-se um assunto de extrema importância.

FOTOS DE ANOREXIA

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FOTOS DE BULIMIA

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 41

FOTOS TCC

 BIBLIOGRAFIA
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Alves Machado. – São Paulo: Roca, 2012.

41
CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 42

5. TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE:

BODERLINE / HISTRIÔNICA / ANTI-SOCIAL / PSICOPATA

Personalidade é definida pela totalidade dos traços emocionais e de comportamento de um indivíduo


(caráter). Pode-se dizer que é o "jeitão" de ser da pessoa, o modo de sentir as emoções ou o "jeitão"
de agir. Um transtorno de personalidade aparece quando esses traços são muito inflexíveis e mal-
ajustados, ou seja, prejudicam a adaptação do indivíduo às situações que enfrenta, causando a ele
próprio, ou mais comumente aos que lhe estão próximos, sofrimento e incomodação. Geralmente
esses indivíduos são pouco motivados para tratamento, uma vez que os traços de caráter pouco
geram sofrimentos para si mesmos, mas perturbam suas relações com outras pessoas, fazendo com
que amigos e familiares aconselhem o tratamento. Geralmente aparecem no início da idade adulta e
são cronificantes (permanecem pela vida toda) se não tratados.
As causas destes transtornos geralmente são múltiplas, mas relacionadas com as vivências infantis e
as da adolescência do indivíduo. O tratamento desses transtornos é bastante difícil e igualmente
demorado, pois em se tratando de mudanças de caráter, o indivíduo terá de mudar o seu próprio
"jeito de ser" para que o tratamento seja efetivo.

 BORDELINE

Indivíduos instáveis em suas emoções e muito impulsivos, com


esforços incríveis para evitar abandono (até tentativas de
suicídio). Têm rompantes de raiva inadequada. As pessoas a
sua volta são consideradas ótimas, mas frente a recusas
tornam-se péssimas rapidamente, sendo desconsideradas as
qualidades anteriormente valorizadas. Costumam apresentar
uma hiper reatividade afetiva, em que as situações boas são
ótimas ou excelentes, e as ruins ou desfavoráveis são
péssimas ou catastróficas.
O transtorno de personalidade Borderline ocorre mais frequentemente em mulheres
(aproximadamente 75% dos casos). Ele é caracterizado pela instabilidade emocional, impulsividade,
manifestações inadequadas de raiva, baixa autoestima, comportamento autodestrutivo, tendência ao
suicídio, insegurança, hipersensibilidade às críticas, incapacidade em aceitar as regras e a rotina,
expectativa de conseguir recompensas desproporcionais, intolerância à frustração e solidão, e medo
de abandono – na maioria das vezes, irreal. As pessoas acometidas tendem a ter relacionamentos
intensos, mas confusos e desorganizados: uma pessoa que, para o Borderline, é excepcional, em
pouco tempo pode ser, sob sua ótica, a pior pessoa do mundo – basta não corresponder à sua
idealização ou rejeitá-la sob a sua concepção, nem sempre verdadeira. Além disso, tais pessoas
podem explorar e manipular os outros, algumas vezes de forma inconsciente; e, em alguns casos,
também podem manifestar sintomas psicóticos.
Apesar de ter algumas características semelhantes ao transtorno afetivo bipolar, no transtorno
Borderline, as oscilações de humor ocorrem com maior frequência, às vezes até em questão de
minutos ou horas. Além disso, os traços depressivos do Borderline se caracterizam por sentimento
de vazio e solidão; e raramente se manifestam juntamente com sentimento de culpa, autoacusação
e/ou remorso.
Suas causas não são bem elucidadas, mas percebe-se que existe uma forte influência genética,
associada a vivências traumáticas, sejam elas reais ou imaginárias, durante a infância; e stress
ambiental, geralmente relacionado às relações familiares ou no trabalho.
As manifestações dos sintomas se iniciam, geralmente, na adolescência, e não regridem, a não ser
que seja feito o tratamento, e de forma correta.

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 43

Quanto a ele, na maioria dos casos é necessário o uso de medicamentos, associado à psicoterapia.
Essa última é imprescindível, mas exige paciência, persistência e disciplina; e deve ser feita por bons
profissionais, já acostumados com esse tipo de transtorno, uma vez que não é fácil lidar com as
mudanças repentinas de humor, cobranças, acusações e atos depreciativos que os mesmos podem
dirigir àqueles com que se relacionam – inclusive o terapeuta.
Um bom acompanhamento médico permite que a pessoa tenha uma melhor qualidade de vida e, em
muitos casos, desempenhe suas tarefas normalmente e tenha bons relacionamentos. O
acompanhamento psicológico dos cuidadores também é importante, uma vez que os mesmos podem
sucumbir frente à instabilidade emocional e exigências da pessoa acometida.

 HISTRIÔNICA (antiga Personalidade Histérica)

Indivíduos facilmente emocionáveis, sempre em busca de atenção, sentindo-se mal quando não são
o centro das atenções. São sedutores, com mudanças rápidas das emoções. Tentam impressionar
aos outros, fazendo uso de dramatizações, e tendem a interpretar os relacionamentos como mais
íntimos do que realmente são. A característica essencial do Transtorno da Personalidade
Histriônica consiste de um padrão invasivo de emocionalidade excessiva e comportamento de busca
de atenção, que começa no início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos.
Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica sentem-se desconfortáveis ou
desconsiderados quando não é o centro das atenções. Frequentemente animados e dramáticos,
tendem a chamar a atenção sobre si mesma e podem, de início, encantar as pessoas com quem
travam conhecimento por seu entusiasmo, aparente franqueza ou capacidade de sedução. Tais
qualidades, contudo, perdem sua força à medida que esses indivíduos continuamente exigem ser o
centro das atenções. Eles requisitam o papel de "dono da festa". Quando não são o centro das
atenções, podem fazer algo dramático (por ex., inventar estórias, fazer uma cena) para chamar a
atenção. Esta necessidade frequentemente se manifesta em seu comportamento diante do clínico
(por ex., adular, trazer presentes, oferecer descrições dramáticas de sintomas físicos e psicológicos
que a cada consulta são substituídos por sintomas novos). A aparência e o comportamento dos
indivíduos com este transtorno com frequência são, de maneira inadequada, sexualmente
provocante ou sedutores. Este comportamento é dirigido não apenas às pessoas pelas quais o
indivíduo demonstra um interesse sexual ou romântico, mas ocorre em uma ampla variedade de
relacionamentos sociais, ocupacionais e profissionais, além do que seria adequado para o contexto
social. A expressão emocional pode ser superficial e apresentar rápidas mudanças. Os indivíduos
com este transtorno usam consistentemente sua aparência física para chamar a atenção.
Eles empenham-se excessivamente em impressionar os outros com sua aparência e despendem
tempo, energia e dinheiro excessivos para se vestir e se arrumar. Eles podem "caçar elogios" pela
sua aparência e se aborrecer com facilidade e em demasia por algum comentário crítico acerca de
como estão ou por uma fotografia na qual, em sua opinião, não saíram bem.
Esses indivíduos têm um estilo de discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes.
Fortes convicções em geral são expressas com talento dramático, porém com um embasamento
vago e difuso, sem fatos e detalhes corroborantes. Por exemplo, um indivíduo com Transtorno da
Personalidade Histriônica pode comentar que determinado indivíduo é uma pessoa maravilhosa,
porém ser incapaz de oferecer quaisquer exemplos específicos de boas qualidades que confirmem
sua opinião. Os indivíduos com este transtorno caracterizam-se por autodramatização, teatralidade e
expressão emocional exagerada. Eles podem embaraçar amigos e conhecidos por uma excessiva
exibição pública de emoções (por ex., abraçar conhecidos casuais com um ardor exagerado, soluçar
incontrolavelmente em ocasiões sentimentais de pouca importância, ou ter ataques de fúria).
Entretanto, suas emoções com frequência dão a impressão de serem ligadas e desligadas com
demasiada rapidez para serem profundamente sentidas, o que pode levar a acusações de que estão
fingindo. Os indivíduos com Transtorno da Personalidade Histriônica têm um alto grau de
sugestionabilidade. Suas opiniões e sentimentos são facilmente influenciados pelos outros e por
tendências do momento. Eles podem ser confiantes demais, especialmente em relação a fortes
figuras de autoridade, a quem veem como capazes de oferecer soluções mágicas para seus
problemas. Eles apresentam uma tendência a curvar-se a intuições ou adotar convicções

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 44

prontamente. Os indivíduos com este transtorno muitas vezes consideram os relacionamentos mais
íntimos do que são de fato, descrevendo praticamente qualquer pessoa recém conhecida como "meu
querido, meu amigo" ou chamando um médico visto apenas uma ou duas vezes sob circunstâncias
profissionais por seu prenome. Devaneios românticos são comuns. Os indivíduos com Transtorno da
Personalidade Histriônica podem ter dificuldade em adquirirem intimidade emocional em
relacionamentos românticos ou sexuais. Eles com frequência representam um papel (por ex., "vítima"
ou "princesa") em seus relacionamentos, sem se dar conta disto. Eles podem, em um nível, tentar
controlar seu parceiro através da manipulação emocional ou sedução, enquanto exibem acentuada
dependência em outro nível. Os indivíduos com este transtorno muitas vezes têm relacionamentos
deficientes com amigos do mesmo sexo, porque seu estilo interpessoal sexualmente provocante
pode parecer uma ameaça aos relacionamentos dos amigos. Esses indivíduos também podem
afastar os amigos com suas exigências de constante atenção. Eles frequentemente ficam deprimidos
e aborrecidos quando não são o centro das atenções. Eles podem ser ávidos por novidades,
estimulação e excitação e ter uma tendência a entediar-se com sua rotina habitual. Estes indivíduos
em geral manifestam intolerância ou frustração por situações que envolvem um adiamento da
gratificação, sendo que suas ações frequentemente são voltadas à obtenção de satisfação imediata.
Embora muitas vezes iniciem um trabalho ou projeto com grande entusiasmo, seu interesse pode
desaparecer rapidamente. Os relacionamentos em longo prazo podem ser deixados de lado para dar
lugar a relacionamentos novos e excitantes. O risco real de suicídio é desconhecido, mas a
experiência clínica sugere que os indivíduos com o transtorno estão em maior risco para gestos ou
ameaças de suicídio para chamar a atenção e coagir os outros a um maior envolvimento.
Embora o Transtorno da Personalidade Borderline também possa caracterizar-se por busca de
atenção, comportamento manipulador e rápidas oscilações emocionais, ele se distingue por um
comportamento autodestrutivo, rompimentos coléricos de relacionamentos íntimos e sentimentos
crônicos de profundo vazio e perturbação da identidade. Os indivíduos com Transtorno da
Personalidade Anti-Social e Transtorno da Personalidade Histriônica compartilham uma tendência à
impulsividade, superficialidade, busca de excitação, imprudência, sedução e manipulação, porém
no Transtorno da Personalidade Histriônica existe uma maior tendência ao exagero das emoções e a
não se envolver, caracteristicamente, em comportamentos anti-sociais. Os indivíduos
com Transtorno da Personalidade Histriônica são manipuladores para obter afeto, ao passo que
no Transtorno da Personalidade Anti-Social a manipulação ocorre para obter vantagens financeiras,
poder ou alguma outra forma de gratificação material. Embora os indivíduos com Transtorno da
Personalidade Narcisista também sejam ávidos pela atenção dos outros, eles comumente desejam
obter louvores por sua "superioridade", ao passo que o indivíduo com Transtorno da Personalidade
Histriônica presta-se a ser visto como frágil ou dependente, se isto for de utilidade para obter
atenção. Um padrão invasivo de excessiva emocionalidade e busca de atenção, que começa no
início da idade adulta e está presente em uma variedade de contextos, como indicado por cinco (ou
mais) dos seguintes critérios:

- sente desconforto em situações nas quais não é o centro das atenções; - a interação com os outros
frequentemente se caracteriza por um comportamento inadequado, sexualmente provocante ou
sedutor; - exibe mudança rápida e superficialidade na expressão das emoções; - usa
consistentemente a aparência física para chamar a atenção sobre si próprio; - tem um estilo de
discurso excessivamente impressionista e carente de detalhes; - exibe autodramatização,
teatralidade e expressão emocional exagerada; - é sugestionável, ou seja, é facilmente influenciado
pelos outros ou pelas circunstâncias; - considera os relacionamentos mais íntimos do que realmente
são.

 ANTI-SOCIAL

O Transtorno de Personalidade Anti-Social, vulgarmente chamado Sociopatia, é um transtorno de


personalidade, caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por
normas sociais, e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros. A psicopatia, bastante próxima
do transtorno de personalidade anti-social, em geral, é mais severa que este. Na Classificação

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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 45

Internacional de Doenças, este transtorno é chamado de Transtorno de Personalidade


Dissocial (Código: F60.2). Indivíduos com este diagnóstico são usualmente chamados de sociopatas.
É uma psicopatia generalizada: aversão de tudo e a todos.
Critérios diagnósticos
A. Um padrão pervasivo de desrespeito e violação aos direitos dos outros, que ocorre
desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
1. Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais,
indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;
2. Tendência para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou
ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer;
3. Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;
4. Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões
físicas;
5. Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
6. Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um
comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
7. Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido,
maltratado ou roubado outra pessoa.

Como se caracteriza?
Caracteriza-se pelo padrão social de comportamento irresponsável, explorador e insensível
constatado pela ausência de remorsos. Essas pessoas não se ajustam às leis do Estado
simplesmente por não quererem, riem-se delas, freqüentemente têm problemas legais e criminais por
isso. Mesmo assim não se ajustam. Freqüentemente manipulam os outros em proveito próprio,
dificilmente mantêm um emprego ou um casamento por muito tempo.

Aspectos essenciais
Insensibilidade aos sentimentos alheios

 Atitude aberta de desrespeito por normas, regras e obrigações sociais de forma


persistente.
 Estabelece relacionamentos com facilidade, principalmente quando é do seu
interesse, mas dificilmente é capaz de mantê-los.
 Baixa tolerância à frustração e facilmente explode em atitudes agressivas e
violentas.
 Incapacidade de assumir a culpa do que fez de errado, ou de aprender com as
punições.
 Tendência a culpar os outros ou defender-se com raciocínios lógicos, porém
improváveis.
 Têm consciência moral alterada; mentiras, trapaças, possível comportamento
criminoso (podendo se tornar criminosos perigosos).
 Comportam-se de maneira manipuladora e controladora.
 Também conhecido vulgarmente como sociopatia.

Indivíduos que desrespeitam e violam os direitos dos outros, não se conformando com normas.
Mentirosos, enganadores e impulsivos, sempre procurando obter vantagens sobre os outros. São
irritados, irresponsáveis e com total ausência de remorsos, mesmo que digam que têm, mais uma
vez tentando levar vantagens. Podem estabelecer relacionamentos afetivos superficiais, mas não
são capazes de manter vínculos mais profundos e duradouros.

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 PSICOPATA

Psicopata, a rigor designa toda pessoa que sofre de doença mental seja neurose ou psicose ou tem
personalidade psicopática, que em especial, dá o nome ao grupo conhecido como sociopatas. Estes
por sua vez, na perspectiva psicanalítica são os portadores de neuroses de caráter ou perversões
sexuais.
Segundo a teoria pela qual uma pessoa psicopata é uma pessoa perversa, supõe-se que nesta
classe de doença, o doente é um sujeito que se mantém a par da realidade, mas que carece
de Superego. Isto faz com que a pessoa psicopata possa cometer atos criminosos sem sentir culpa.
A psicopatia, que é bastante próxima do transtorno de personalidade anti-social, em geral, é bem
mais severa que este. A psicopatia, também conhecida como sociopatia tem sido associada ao
protótipo de assassino em série (como no filme), porém nem todo assassino em série é psicopata e
nem todo psicopata chega a ser assassino. Se fosse desta forma, todo o assassino seria um doente
psiquiátrico e nem sempre á assim, não podemos psiquiatrizar a criminologia. Mas certamente o
assassino em série possui um transtorno de personalidade, geralmente o transtorno de
personalidade anti-social (sociopata). O psicopata, pode se tornar um serial Killer, assassino em
série.

Assassino em série

Uma personalidade psicopata não se restringe ao assassino em série. Um psicopata pode ser uma
pessoa simpática e de expressões sensatas que, não obstante, não vacila ao cometer
um crime quando lhe convém e, tal como explicado acima, fá-lo sem sentir culpa pela sua ação.
O contexto social em que é interpretado o ato agressivo forma o criminoso ou o justiceiro social, o
policial autorizado a cometer crimes (soldado mandado). Contudo na agressividade psicopatológica
dos denominados sociopatas há sempre de se identificar as pulsões sádicas que caracterizam o
instinto de morte da espécie humana.

O que caracteriza um serial Killer?

O que caracteriza um Serial Killer é o tipo de ato ilícito que ele pratica. Podemos dizer que
seus atos são produto de um pensamento obsessivo sobre atos sexuais ou atos homicidas enquanto
equivalentes incestuosos, que estão dissociados de sua qualidade emocional apropriada. O Serial
Killer tem um comportamento sádico e comete os crimes de forma ritualizada, existindo uma
organização e esquemas que o levam a uma rigidez em seus atos. Cada Serial Killer tem o seu tipo
de crime, seria a sua identidade criminal. Por exemplo, se quiséssemos organizar os Serial killers
quanto aos meios empregados em seus atos inflacionais, poderíamos observar que eles podem
cometer estupros (Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque), canibalismo (Alfred Parker,
Albert Fish), necrophilia (Ed Gein, Odair José Batista), homicídios (Unabomber, Jack o Estripador).
Este ato pode ser realizado por qualquer pessoa, independente de seu grau sociocultural, por
exemplo, médicos (Harold Shipman, josef Menguele), etc. Um assassino em série (as vezes
conhecido pelo nome em inglês serial killer) é um tipo de criminoso de perfil psicopatológico que
comete crimes com uma certa frequência, geralmente seguindo um modus operandi e às vezes
deixando sua "assinatura", como por exemplo coleta da pele das vítimas - no caso de Ed Gein.
Muitos dos que foram capturados pareciam cidadãos respeitados - atraentes, bem sucedidos,
membros ativos da comunidade - até que seus crimes foram descobertos. Geralmente os seriais
killers demonstram três comportamentos durante a infância, conhecidos como a tríade McDonald:
fazem xixi na cama, causam incêndios, e são cruéis com animais. Os seriais killers, diferentemente
de outros assassinos, preferem matar com as mãos ou através de outros métodos que não as armas
de fogo. A melhor definição de assassinato serial foi publicada pelo Instituto Nacional de Justiça em
1988: “Uma série de dois ou mais assassinatos cometidos como eventos separados, normalmente,
mas nem sempre, por um infrator atuando isolado. Os crimes podem ocorrer durante um período de
tempo que varia desde horas até anos. Quase sempre o motivo é psicológico, e o comportamento do
infrator e a evidência física observada nas cenas dos crimes refletiram nuanças sádicas e sexuais”
Existem basicamente dois tipos de serial killer: os do "tipo organizado", sujeitos que normalmente

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exibem inteligência normal e conseguem se inserir bem à sociedade, são muito mais difíceis de
serem pegos, visto que planejam seus crimes, não costumam deixar provas e podem ter uma vida
aparentemente normal com esposa, filhos e emprego, muitas vezes de alto nível, podem chegar
mesmo a concluir nível superior. Já os “tipos desorganizados", são impulsivos, não planejam seus
atos, costumam usar objetos que encontram no local do crime e muitas vezes os deixam para trás
deixando muitas provas.

Assassinos em série no Brasil

 João Acácio Pereira da Costa, conhecido como "Bandido da Luz Vermelha" -


Assassino notável pela crueldade e frieza.
 Francisco Costa Rocha, conhecido como "Chico Picadinho" - Esquartejava os
corpos das vítimas.
 Francisco de Assis Pereira, conhecido como "Maníaco do Parque" - Estuprava
e asfixiava as mulheres que seduzia.
 Marcelo de Andrade - Estuprou e matou onze meninos, no Rio de Janeiro,
após o que bebeu seu sangue e comeu parte de suas carnes.
 "Maníaco da Cruz" - Aos dezesseis anos foi preso depois de ter matado pelo
menos 3 vítimas em Rio Brilhante. O assassino disse que é um fã de Francisco
de Assis Pereira, o tal Maníaco do Parque. Depois de matar, deixava as
vítimas nuas , com as pernas fechadas e os braços abertos em sinal da cruz.
 Virgulino Ferreira da Silva - Marcado pela morte de sua família por policiais na
sua infância. Cria uma insaciável sede de vingança o tornando um dos maiores
matadores em série do brasil.
 Maníaco do Arco Íris - responsável pelo assassinato de 13 homossexuais,
cometidos entre julho de 2007 e agosto de 2008 no Parque dos Paturis,
em São Paulo

Indivíduos que se julgam grandiosos, com necessidade de admiração e que desprezam os outros,
acreditando serem especiais e explorando os outros em suas relações sociais, tornando-se
arrogantes. Gostam de falar de si mesmos, ressaltando sempre suas qualidades e por vezes
contando vantagens de situações. Não se importam com o sofrimento que causam nas outras
pessoas e muitas vezes precisam rebaixar e humilhar os outros para que se sintam melhor.

 O tratamento desses transtornos baseia-se na Psicoterapia (de orientação analítica ou


comportamental na maioria dos casos) e Psicanálise. Algumas vezes deve-se também tratar
outros transtornos que se desenvolvem juntamente com esses, e na maioria das vezes, por
causa desses. Aparece comumente depressão e ansiedade associados a esses transtornos. A
procura pelo atendimento é geralmente estimulada pelos amigos e familiares, que são muito
mais incomodados pelo transtorno que o próprio indivíduo. Não se pode esquecer que muitas
dessas características fazem parte dos traços normais de muitos indivíduos, e somente quando
esses traços são muito rígidos e não adaptativos é que constituem um transtorno.

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6. TRANSTORNOS INVASIVOS DO DESENVOLVIMENTO:

RETARDO MENTAL / SÍNDROME DE ASPERGER / AUTISMO / TDAH

O interesse pela prevenção e tratamento dos transtornos emocionais de crianças e adolescentes não
começou a desenvolver-se senão recentemente. Anteriormente, acreditava-se que a doença mental
estava limitada aos adultos. Vários fatores levaram a um aumento no interesse sobre a infância e
adolescência como estágio de desenvolvimento distinto da idade adulta. A industrialização e a
tecnologia em expansão exigiram uma educação e treinamento constantes que preparassem para
uma vida adulta produtiva, o estágio da adolescência era delineado por um período de transição
entre a infância e a idade adulta durante o qual deveria ocorrer esse treinamento especializado.

 RETARDO MENTAL (RETARDO DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO)

O termo retardo mental é usado para descrever-se uma condição na qual há um atraso geral no
desenvolvimento intelectual e social da pessoa, durante seus primeiros anos de vida. O diagnóstico
do retardo mental é feito após uma avaliação multifacetada do indivíduo. Isso inclui um estudo de sua
capacidade física, social, cultural, educacional e emocional. Entretanto a determinação de retardo
mental baseia-se maciçamente sobre os resultados de uma bateria de testes psicométricos da qual
se extrai um escore definitivo. Embora a causa do retardo mental seja desconhecida, em
aproximadamente 75% dos indivíduos, sabe-se que certos fatores hereditários e perinatais resultam
em um prejuízo na capacidade intelectual. Quando adultas, a maioria das pessoas com retardo
mental é capaz de viver na comunidade, independente ou em situações de grupo onde é oferecida
uma supervisão apropriada.

 SÍNDROME DE ASPERGER

O distúrbio de Asperger é caracterizado por relações precárias com outros do mesmo nível de
desenvolvimento, falta de empatia e tendência de se superconcentrar em certos tópicos. Essas
crianças não procurarão interações espontâneas com as pessoas. Caracteristicamente, elas tem
uma inteligência situada na média ou acima da média e desenvolveram habilidades de linguagem
normais em termos de vocabulário e gramática. Não há retardo significativo nas áreas de
desenvolvimento cognitivo, desenvolvimento de habilidades de auto-ajuda apropriadas para a idade,
comportamento adaptativo e curiosidades acerca do ambiente. Comportamentos comuns associados
ao distúrbio de Asperger incluem variação limitada de interesse, aderência estrita a rotinas e rituais e
movimentos ou sequencia motoras repetitivas. O distúrbio de Asperger é uma das diversas
incapacidades do desenvolvimento associadas à inteligência normal. O subdesenvolvimento
acadêmico e funcional na criança em idade pré-escolar e da criança em idade escolar com
inteligência normal constitui o quadro comum. O diagnóstico correto utilizando um esforço em equipe
multiprofissional é imperativo para desenvolver um plano terapêutico individualizado. A etiologia é
desconhecida. O distúrbio de Asperger geralmente não é diagnosticado até a idade escolar. Ocorre
mais em homens que mulheres.

 AUTISMO

O transtorno autista normalmente é identificado ao final do primeiro ano de vida e geralmente até os
três anos de idade e pode ser confundido com retardo mental. As crianças com esse transtorno
parecem estar vivendo em um mundo próprio e mostram pouca ou nenhuma capacidade para
relacionar-se com outros seres humanos, incluindo a mãe, e muitas vezes parecem não diferenciá-la
de outras pessoas. Não se comunicam de modo significativo e embora possam usar palavras,
somente os membros da família conseguem compreender. Muitas dessas crianças apegam-se a

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algum objeto inanimado, com o qual podem brincar por horas. Tendem a ficar muito perturbadas e ter
ataques de raiva se o ambiente sofrer qualquer alteração. Algumas assumem comportamentos
motores autodestrutivos. A causa do transtorno autista não é conhecida, embora as pesquisas
indiquem que uma disfunção cerebral provavelmente seja um fator que ocasione isso. O distúrbio é
relativamente raro e sua ocorrência é de quatro a cinco vezes mais frequente em meninos que em
meninas.

 TDAH ( Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)

Também chamado de Distúrbio de Déficit de Atenção e Hiperatividade (DDAH), tem como


característica essencial, um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, que
é mais frequente e mais grave do que observado tipicamente em indivíduos a um nível comparável
de desenvolvimento. Essas crianças tem grande distraibilidade e são incapazes de conter os
estímulos. A atividade motora é excessiva e os movimentos são ao acaso e impulsivos. É difícil
diagnosticar-se o início do distúrbio em crianças com menos de 4 anos de idade, porque seu
comportamento característico é muito mais variável que aquele de crianças maiores. Com frequência
o distúrbio só é reconhecido depois que a criança entra para a escola. O distúrbio é quatro a nove
vezes mais frequente em meninos que em meninas e pode ocorrer em até 3 a 5% das crianças em
idade escolar.

7. BULLYING

Bullying - É exercido por um ou mais indivíduos, causando


dor e angústia, com o objetivo de intimidar ou agredir outra
pessoa.

Bullying é um termo da língua inglesa (bully = “valentão”) que se refere a todas as formas de
atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação
evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de
intimidar ou agredir outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo
realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder. O bullying se divide em duas
categorias: a) bullying direto, que é a forma mais comum entre os agressores masculinos e
b) bullying indireto, sendo essa a forma mais comum entre mulheres e crianças, tendo como
característica o isolamento social da vítima. Em geral, a vítima teme o(a) agressor(a) em razão das
ameaças ou mesmo a concretização da violência, física ou sexual, ou a perda dos meios de
subsistência. O bullying é um problema mundial, podendo ocorrer em praticamente qualquer contexto
no qual as pessoas interajam, tais como escola, faculdade/universidade, família, mas pode ocorrer
também no local de trabalho e entre vizinhos. Há uma tendência de as escolas não admitirem a
ocorrência do bullying entre seus alunos; ou desconhecem o problema ou se negam a enfrentá-lo.
Esse tipo de agressão geralmente ocorre em áreas onde a presença ou supervisão de pessoas
adultas é mínima ou inexistente. Estão inclusos no bullying os apelidos pejorativos criados para
humilhar os colegas. As pessoas que testemunham o bullying, na grande maioria, alunos, convivem
com a violência e se silenciam em razão de temerem se tornar as “próximas vítimas” do agressor. No
espaço escolar, quando não ocorre uma efetiva intervenção contra o bullying, o ambiente fica
contaminado e os alunos, sem exceção, são afetados negativamente, experimentando sentimentos
de medo e ansiedade. As crianças ou adolescentes que sofrem bullying podem se tornar adultos com
sentimentos negativos e baixa autoestima. Tendem a adquirir sérios problemas de relacionamento,
podendo, inclusive, contrair comportamento agressivo. Em casos extremos, a vítima poderá tentar ou
cometer suicídio. O(s) autor(es) das agressões geralmente são pessoas que têm pouca empatia,

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pertencentes à famílias desestruturadas, em que o relacionamento afetivo entre seus membros tende
a ser escasso ou precário. Por outro lado, o alvo dos agressores geralmente são pessoas pouco
sociáveis, com baixa capacidade de reação ou de fazer cessar os atos prejudiciais contra si e
possuem forte sentimento de insegurança, o que os impede de solicitar ajuda. No Brasil, uma
pesquisa realizada em 2010 com alunos de escolas públicas e particulares revelou que as
humilhações típicas do bullying são comuns em alunos da 5ª e 6ª séries. As três cidades brasileiras
com maior incidência dessa prática são: Brasília, Belo Horizonte e Curitiba. Os atos de bullying ferem
princípios constitucionais – respeito à dignidade da pessoa humana – e ferem o Código Civil, que
determina que todo ato ilícito que cause dano a outrem gera o dever de indenizar. O responsável
pelo ato de bullying pode também ser enquadrado no Código de Defesa do Consumidor, tendo em
vista que as escolas prestam serviço aos consumidores e são responsáveis por atos de bullying que
ocorram dentro do estabelecimento de ensino/trabalho.

 BIBLIOGRAFIA

13. Site – www.abcdasaude.com.br

14. Site - www.brasilescola.com

15. Site - www.psiqweb.med.br

2. NETTINA, Sandra M. Prática de Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 3v,:il.;

3. Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem / organização Genilda Ferreira
Murta. – 7.ed. – São Caetano do Sul, SP: Difusão Editora, 2012. – (Série curso de enfermagem)

4. SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G.. Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgica. 10ª ed,
Vol 2. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004. 2022p.

5. TOWNSEND, Mary C. Enfermagem Psiquiátrica: conceitos de cuidados. 3. ed. Rio de Janeiro:


Guanabara Koogan, 2000.

6. Tratado de cuidados de enfermagem, volume 2 / organizadores Nébia Maria Almeida de


Figueiredo, Wiliam César Alves Machado. – São Paulo: Roca, 2012

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1.SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS

O uso abusivo de substâncias psicoativas, ou drogas, tornou-se na atualidade um dos maiores


problemas na área da saúde. As substâncias psicoativas são comumente chamadas de drogas.
Em todas as épocas, em todas as civilizações do mundo, o uso de drogas sempre ocorreu,
ocorre e possivelmente continuará ocorrendo; o que varia é a motivação para esse uso.
Tem-se notícia de que o álcool é utilizado desde o período neolítico. Gregos e romanos o
consumiam em larga escala, tendo mesmo um deus relacionado ao vinho: Dionísio, para os gregos,
ou Baco, para os romanos. No ano 5000 a.C. os sumérios tratavam doenças com infusões à base de
papoula (planta da qual se extrai o ópio); assírios e babilônicos faziam remédios com o sumo dessa
planta e chineses e egípcios também a consumiam; consta que Hipócrates a receitava para várias
doenças. A maconha era usada na China, em 3000 a.C., e também em cerimônias religiosas na
Índia, sendo levada posteriormente para a África. Entre os incas, o consumo da coca era privilégio da
corte; os maias já conheciam o tabaco – que fumavam em longos cachimbos, nos rituais -, enquanto
o cogumelo amanita muscaria (alucinógeno) era usado na América Central e o cactus mescal, o
peiote (também alucinógeno), nas práticas religiosas astecas.
As plantas com propriedades alucinógenas – ou seja, que produzem estados alterados da
percepção, ou “expansão da mente” – tinham um papel importante nas cerimônias religiosas,
levando ao êxtase, à comunhão com os deuses e à intuição de profecias. Nações indígenas, na
Amazônia, utilizam o ayahuasca possivelmente há vários séculos; atualmente, esse alucinógeno é
usado em rituais religiosos do Santo Daime e da União Vegetal.
Um ponto muito importante dessa questão refere-se aos aspectos culturais e antropológicos.
Nos países de origem, essas drogas se inserem em rituais religiosos e práticas sociais; seu uso não
é abusivo nem produz toxicomanias. Quando são exportadas, no entanto, perdendo o sentido
simbólico, histórico, da cultura, é que se associam à busca desenfreada do prazer e podem se tornar
mortais. Exportam-se as drogas, mas não o seu sentido, diz Birman; é nessa trajetória que as coisas
mudam.
Hoje, as drogas são encontradas em quase todo o mundo e contam com a adesão de todas as
camadas socioeconômicas, culturais e intelectuais. Cada período, cada sociedade tem suas
características; nós vivemos numa época em que se usa e se abusa das drogas, para buscar o
prazer ou afastar o desconforto, o mal-estar, o sofrimento. As pessoas tomam drogas para dormir, ou
para se manter acordadas, aliviar o estresse, se estimular, vencer as inibições, aumentar ou diminuir
o apetite, assim como usam pílulas para controlar a criação da vida. As drogas são usadas,
atualmente, ao menor sinal de dor, seja física ou psíquica; às vezes, antes mesmo do aparecimento
da dor (por exemplo, quando se dá um tranqüilizante a alguém antes de lhe anunciar algo muito
desagradável), impedindo-se assim a vivência e a expressão dos sentimentos.
É curioso perceber, como aponta Birman, que, de certa forma, a ciência contribuiu para essa
escalada das drogas, na medida em que os avanços da bioquímica e da farmacologia, na
investigação do sistema nervoso, ampliaram os conhecimentos nesse campo. Assim, a partir da
descoberta dos psicofármacos, nos anos 50, passou-se a compreender melhor o funcionamento do
cérebro e dispor de mais informações e instrumentos científicos para o desenvolvimento das drogas.
Além disso, essa descoberta provocou uma grande mudança na maneira como os indivíduos se
relacionam com suas dores psíquicas: com a ampla utilização dessas substâncias, baixou o limiar
para suportá-las. Quando os médicos clínicos passaram a prescrever psicofármacos para diminuir a
angústia, a tristeza e o desconforto de seus clientes, o uso desses medicamentos ampliou-se
enormemente.
Outro aspecto a ser considerado é a velocidade dos dias de hoje: com extrema rapidez,
qualquer descoberta é divulgada internacionalmente, qualquer nova droga e transportada para o
mundo todo. Além disso, vivemos num momento em que, na nossa sociedade, os valores mudaram
e o que importa é o tempo presente, o sucesso, a visibilidade (a cultura da celebridade), é vencer a
qualquer preço, sendo a intimidade, a inferioridade, a reflexão, a palavra e a escuta relegadas a
segundo plano. Os que não se adaptam a esses padrões – os tímidos, os inseguros, os fracassados
– não são considerados cidadãos completos. Mas... podem ser transformados em pessoas aptas: a
psicofarmacologia – ou as drogas – fornece os meios para que elas fiquem “legais”. Pode-se dizer,
assim, que a psicofarmacologia e as drogas caminham na mesma direção: evitar o sofrimento.

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A classificação de uma droga como lícita – legalmente permitida, vendida em bares ou


farmácias – ou ilícitas – legalmente proibida, sendo seu uso passível de punição – é uma questão
que não depende do efeito da droga em si, mas de vários outros fatores sociais, culturais e
econômicos. Assim, o que é permitido numa cultura – álcool no mundo ocidental, por exemplo – pode
ser proibido em outra – álcool nos países de religião muçulmana.
É evidente que a proibição de uma droga não significa que ela deixará de ser usada. Um
exemplo bastante conhecido é o da Lei Seca nos Estados Unidos (e Brasil). Em 1919, considerando
os efeitos destruidores do álcool, o Congresso americano aprovou a Lei Seca, proibindo seu uso. O
resultado foi que, na clandestinidade, o comércio de bebidas alcoólicas se intensificou, assim como
os crimes e a corrupção, tendo sido aquela a época áurea da Máfia.
Isso não quer dizer, por outro lado, que simplesmente liberar as drogas seja a solução.
Proibidas ou liberadas, o importante é que haja uma ação permanente de conscientização das
pessoas sobre os efeitos, os riscos e os danos provocados pelas drogas. É o que vem sendo feito
em relação ao cigarro, com visíveis resultados satisfatórios. No entanto, é importante que as
campanhas não invistam na coação, no medo, e sim na valorização da qualidade de vida.
Álcool e tabaco são as substâncias mais usadas na maior parte do mundo. Seguem-se, em
proporção muito menor, a maconha, a cocaína e o crack.
As drogas, sobretudo as ilícitas, incorporam, atualmente, a imagem do mal. No entanto,
existem três elementos a serem considerados em conjunto nessa questão: a substância, o indivíduo
que a utiliza e o contexto social e cultural no qual essa droga está inserida. Qualquer abordagem ou
qualquer ação em relação às drogas têm de levar em conta esses três elementos.
Um drinque após o trabalho para dar uma “relaxada” ou um jantar regado a vinho não
constituem problema para a maioria das pessoas. Algumas, porém, não conseguem permanecer no
“uso”, passando ao “abuso”. Muitos jovens iniciam o uso da droga por curiosidade, para “não ficar por
fora”, ou então por rebeldia (pode ser uma maneira de chamar a atenção dos pais, desafiando-os
quando eles não impõem limites). Eles, que geralmente usam maconha cocaína ou, socialmente, o
álcool, não necessitam da droga. Mas para alguns – seja por predisposição genética, ou por
dificuldades psicológicas – esse uso facilmente se transforma em dependência. Algumas pessoas
não tiveram um desenvolvimento da personalidade que lhes permita lidar razoavelmente bem com os
fatores estressantes da vida (ambientais ou intrapsíquicos). Essas pessoas recorrem, então, ao uso
de substâncias como álcool, maconha, que lhes possibilita um distanciamento desses fatores.
Outras pessoas tiveram experiências de vida que as levaram a perceber o mundo como
ameaçador, não protetor. O uso de substâncias estimulantes como a cocaína e o crack permite então
que elas se sintam fortes, potentes, em face desse mundo hostil. Indivíduos que em sua trajetória de
vida desenvolveram temores de aniquilamento, de isolamento, ao usar alucinógenos ou maconha,
podem ter uma experiência de “unidade cósmica”. Uma fase extremamente sensível a essa questão
é a da adolescência. O adolescente quer ampliar suas experiências, suas sensações prazerosas,
ultrapassar seus limites. Na adolescência, a transgressão é comum. E entre as diversas formas de
transgressão, uma das mais freqüentes é o uso de drogas. O início do uso dessas substâncias tem
se dado aos 12, 13 anos, e tem se antecipado cada vez mais, o que é altamente preocupante.
Pais muito repressores, agressivos, ou famílias desestruturadas vão favorecer a necessidade
de transgredir do jovem. No entanto, famílias muito permissivas causarão o mesmo efeito, já que
nesse caso ele não terá a experiência do limite. A tolerância à frustração desse adolescente é baixa,
pois ele se acostumou a tudo receber de imediato; ele entende que deve ser sempre assim e se
revolta contra tudo o que venha a limitá-lo. Esse adolescente, então, utiliza a droga pela primeira vez
e tem uma enorme sensação de prazer. O problema é que, ao repetir a experiência, a sensação já
não será a mesma; vai se estabelecendo aí a tolerância, e serão então necessárias doses cada vez
maiores da droga para que ele obtenha o mesmo efeito.
Muitos fatores se somam para aumentar ou diminuir as possibilidades de uso de drogas por um
determinado indivíduo; existem, assim, fatores de proteção e fatores de risco.
Família integrada, apoio social, boa autoestima, percepção dos riscos, controle da situações e
capacidade de resolução de dificuldades são fatores de proteção em relação ao uso de drogas. Da
mesma forma, escolas, ambientes de trabalho, igrejas, centro comunitários com atividades culturais e
esportivas nos quais sejam estimuladas relações de solidariedade. Muitas vezes, nessas condições,

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um jovem usa uma droga para experimentar, por curiosidade, e possivelmente não dará continuidade
ao uso.
Por outro lado, pobreza, desigualdade, exclusão social, desrespeito, violência familiar e social,
problemas de ruptura familiar, fraco desempenho escolar, desemprego, clima de competição,
disponibilidade de drogas no ambiente, depressão e comportamento suicida, além de predisposição
genética, são fatores de risco não só drogadição, mas também de entrada no tráfico. Para os jovens,
especialmente, a atual falta de perspectiva de trabalho, que os impede de estabelecer um projeto de
vida, tem um peso significativo no caminho da drogadição.

Antes de tratar da classificação e dos efeitos das drogas, é importante definir alguns termos.

 Substâncias psicoativas – são substâncias químicas, naturais, refinadas ou sintéticas, capazes


de alterar o funcionamento do sistema nervoso e o estado psíquico do indivíduo. Elas afetam
os processos cerebrais da senso-percepção, das emoções e da motivação. Como o cérebro
coordena os pensamentos e o comportamento, seus transtornos podem provocar variadas
alterações nos mesmos.

 Hábito – é o uso costumeiro da droga, a partir do principal efeito provocado: alívio da tensão e
do desconforto.

 Abuso – é o uso excessivo da droga, persistente ou esporádico, com prejuízo significativo.

 Adição – é o uso intenso (compulsivo) da droga, sendo alta a tendência à recidiva quando ele é
interrompido.

 Dependência – é o estado de neuroadaptação a partir do repetido uso da droga, caracterizado


por uma compulsão a repetir esse uso a fim de experimentar novamente seus efeitos, ou
evitar o desconforto de sua ausência (pois a descontinuidade do uso causa a síndrome de
abstinência).

 Tolerância – é o declínio do efeito de uma droga (com a mesma dose) após seu uso repetido;
assim, torna-se necessário aumentar a dose para tentar obter o efeito inicial.

 Abstinência – são reações fisiológicas e psicológicas adversas, quando ocorre a interrupção


abrupta da droga que produziu a dependência.

 Desintoxicação – é a redução lenta e gradual da droga que produziu a dependência.

Quanto à freqüência de utilização, os usuários de drogas podem ser assim classificados:

 Usuários passageiros – usam ou usaram a droga por curiosidade, por pressão do grupo, sem
dar continuidade.

 Usuários causais ou ocasionais – utilizam a droga somente quando ela está disponível (em
festas, por exemplo).

 Usuários regulares – usam a droga regularmente, pelo prazer, sem ser dependentes.

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 Usuários compulsivos – usam droga com freqüência elevada, vivendo sob dependência; ela
não é mais usada pelo prazer, mas pela necessidade; é difícil interromper seu uso, por causa
da síndrome de abstinência.

 ÁLCOOL

O álcool é um depressor do sistema nervoso central. Em pequenas doses, tem efeito


estimulante, provocando euforia e loquacidade (hábito de falar muito); as inibições diminuem e o
indivíduo tende a dizer e fazer coisas que não faria se estivesse sóbrio. Com doses crescentes, pode
haver intoxicação aguda; aparecem sintomas como falta de coordenação motora, fala sem clareza,
vômitos e agitação (podendo resultar em violência); em graus mais elevados, ocorre a diminuição do
nível de consciência, podendo levar ao coma e à morte. Nos casos mais graves, há necessidade de
internação, para desintoxicação, usando-se os recursos do cuidado intensivo.
O alcoolismo é responsável por grande parte das situações de violência familiar, acidentes de
trânsito, assim como acidentes de trabalho e absenteísmo no trabalho.
Como já se viu, existem diferentes maneiras de uso da droga. Assim, há indivíduos que utilizam
o álcool esporadicamente, em festas; outros o utilizam periodicamente, bebendo em excesso em
alguns períodos e nada em outros; outros fazem uso crônico, pela repetida ingestão de bebidas.
Neste último caso, vai ocorrendo lentamente a deterioração física e mental.
A retirada do álcool após o uso repetido e prolongado pode provocar um conjunto de sintomas
que caracterizam o estado de abstinência. Ocorre ansiedade, insônia, confusão, náuseas e vômitos,
tremores e sudorese intensa. Graus leves e moderados de abstinência em geral podem ser
controlados sem hospitalização e sem medicação.
O estado de abstinência mais grave é o delirium tremens. O cliente começa apresentando
inquietação, insônia e perda do apetite. Leves ruídos o assustam. Depois ocorre obnubilação
(entorpecimento mental, onde o indivíduo sente-se como que envolvido em uma nuvem, não associa
bem as idéias e percebe mal os objetos) da consciência e ele fica aterrorizado com as alucinações,
nas quais vê insetos caminhando sobre seu corpo, o que o torna conseqüentemente agitado. Ele faz
movimentos de espanar e catar, retirando fios imaginários dos lençóis. Há um sério desequilíbrio
fisiológico, tornando-se necessária a internação no hospital geral. O cliente apresenta sudorese,
taquicardia, febre e tremores da língua e dos lábios.
Além de proporcionar cuidados em relação à higiene, à alimentação, à hidratação, à medicação
e ao controle dos sinais vitais, a enfermagem deve manter esse cliente sob constante observação.
Ele pode, por exemplo, sair correndo e se jogar pela janela em virtude da sua confusão e da intensa
ansiedade. O uso da contenção, nesse caso, deve ser bem avaliado: contido, o usuário estará mais
protegido, mas possivelmente ficará mais ansioso por se sentir indefeso, à mercê dos bichinhos que,
mesmo sendo uma alucinação, para ele são reais. Se ele for contido, devem ser observados os
cuidados em relação a essa conduta (ataduras acolchoadas, trocadas a cada seis horas, procurando
não colocá-las exatamente no mesmo lugar, e lubrificação do local); se não for contido, é muito
importante manter a vigilância em razão da possibilidade de acidentes.
Um sério problema decorrente do uso do álcool é a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). É
importante saber disso, pois há uma crença popular de que cerveja preta faz bem à mulher grávida.
Lima mostra que o uso de álcool durante a gravidez, atuando sobre o cérebro em formação
embrionária, pode causar microcefalia (excessiva pequenez da cabeça), retardo mental, assim como
má-formação cardíaca, baixo peso e baixa estatura. Muitas vezes, porém, os danos provocados pela
SAF não são identificados, na medida em que a criança nasce com características normais e
somente mais tarde, na fase escolar, vão aparecer os problemas: hiperatividade, distúrbios de
comportamento, baixo rendimento escolar, dificuldade de aprendizagem, déficit de atenção e maior
facilidade de adesão às drogas.
É difícil tratar o alcoolismo enquanto a pessoa argumenta que bebe pouco ou que pode parar
no momento em que desejar. O tratamento só é efetivo quando ela assume que bebe, que é
dependente do álcool e que precisa de ajuda, entendendo que sozinha não conseguirá parar. Um
tipo de tratamento utilizado é a psicoterapia; outro é o proporcionado pelos grupos de Alcoólicos
Anônimos (AA), que aceitam como membros somente as pessoas que desejam parar de beber

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(abstinência); seu funcionamento é baseado na troca de experiências e na ajuda mútua. Também


existem grupos para os familiares de alcoolistas.

 ÓPIO

O ópio passou a ser mais usado entre nós com o início das plantações na Colômbia.
Atualmente é pouco encontrado e a morfina (seu derivado) está mais restrita aos hospitais (havendo,
lamentavelmente, uso e abuso da mesma por parte de alguns profissionais de saúde).
Sua forma mais consumida é a heroína – que é mais potente do que o ópio, gerando portanto
maiores problemas -, sobretudo nos países do Primeiro Mundo e nos países asiáticos. Provoca uma
sensação de bem-estar, tranqüilidade e sedação.
É usada por via intravenosa (IV) ou subcutânea (SC) – (o pó é aquecido com água e a mistura,
ainda quente, é injetada). Para produzir o efeito de bem-estar, são necessárias doses cada vez
maiores. Trata-se de uma droga muito perigosa, uma vez que duas ou três doses são suficientes
para criar dependência, sendo extremamente dolorosa sua abstinência. Assim, a tendência é não
interromper o uso. Os sintomas de abstinência são: lágrimas, fungadas, coriza, bocejos, grande
irritabilidade e inquietação. Em 24 horas surgem cólicas abdominais, vômito e diarréia, cefaléia,
suores, dores nos músculos e nas articulações das extremidades inferiores. No terceiro dia, a
irritabilidade é intensa e o indivíduo destrói os objetos que estão ao seu alcance. É uma situação
muito difícil, que costuma exigir internação, pois somente depois de uma semana essas reações
desaparecem.

 INALANTES

Os solventes (substâncias que dissolvem) ou inalantes são voláteis, sendo facilmente inalados;
encontram-se em esmaltes, colas, removedores, tintas. Alguns deles foram muito populares, sendo
usados no carnaval, como o lança-perfume, atualmente proibido. De fácil aquisição e baratos, seu
uso predomina na população pobre e excluída, relacionado a fatores como fome, miséria e
abandono. E entre meninos de rua, por exemplo, é grande o uso da cola de sapateiro.
Semelhantemente ao álcool, essas substâncias provocam uma fase de excitação, seguida de outra
de depressão, que depois se torna mais profunda. O efeito é rápido e dura de 15 a 40 minutos;
assim, a aspiração é repetida, utilizando-se, por exemplo, um saco plástico. Podem provocar
acidentes graves por perturbação do ritmo cardíaco e respiratório. A tolerância manifesta-se em um a
dois meses, sendo bem menos difícil de tratar do que a de outras drogas.

 ANFETAMINAS

As anfetaminas foram introduzidas na prática clínica no início do século XX. Atualmente são
muito usadas, sobretudo por mulheres, em virtude do seu efeito anorético, pois inibem o centro
cerebral do apetite. Geralmente são usadas por via oral, mas podem também ser cheiradas ou
injetadas. Elas provocam sensação de euforia, insônia, inapetência e hiperexcitabilidade (a pessoa
fica “ligada”), por isso são muito usadas por atletas ou estudantes e caminhoneiros que precisam
permanecer acordados. Têm efeito semelhante à cocaína, porém com ação mais prolongada e
provocando menos adição.

 COCAÍNICOS

Os cocaínicos são derivados da coca, uma planta dos Andes. Sua folha é mascada pela
população para ajudar a suportar a fome e a fadiga, bem como para enfrentar temperaturas baixas e

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respirar melhor na cordilheira. As folhas são misturadas a porções de tabaco, lima e carvão vegetal
ou cinzas, sendo essa mistura mascada por 40 a 60 minutos; a coca mascada não produz euforia.
Quando cheirada, injetada ou fumada, é a droga da euforia, da força, do poder, e também
afrodisíaca; o usuário se sente autoconfiante, tem a fala fluente e torna-se agitado. Com o
surgimento das anfetaminas, que são mais baratas, seu uso decresceu. Nos anos 70, no entanto, os
efeitos nocivos das anfetaminas trouxeram novamente à tona a cocaína. O pó passou a ser cheirado,
cada vez mais, por pessoas angustiadas nesta sociedade competitiva.
O abuso da cocaína provoca irritabilidade, insônia, falta de apetite, idéias de perseguição. O
uso prolongado pode corroer as mucosas nasais, causar lesões cerebrais, alucinações, idéias
persecutórias; podem ocorrer crises convulsivas.
A variante que é fumada, o crack, faz efeito em menos de dez segundos e vicia com apenas
três ou quatro doses. Seu efeito dura de um a dois minutos. Mais barata do que a cocaína, essa
droga está se alastrando rapidamente no país. O uso continuado vai provocando desleixo com o
corpo, isolamento social, atos antissociais e paranóia. Por ser uma droga mais grosseira, irrita os
brônquios, podendo produzir pneumonia e até câncer.
O crack é um dos maiores problemas, atualmente, no mundo, na questão da drogadição.

 ECSTASY

O ecstasy foi sintetizado no início do século XX e usado como moderador do apetite. Mas, por
causa das alucinações que provocava, foi abandonado. Voltou no final do século, tornando-se a
droga da moda, nas festas raves (festas que duram muitas horas) americanas e européias, em razão
do seu efeito estimulante e alucinógeno. É apresentado em papelotes de pó ou cápsulas de gelatina.
Provoca elevação do humor, desinibição, euforia, loquacidade, diminuição do sono e do apetite,
procura de intimidade, desejo de tocar-se; qualquer toque no corpo, sob efeito do ecstasy, provoca
uma sensação multiplicada.
Seu maior efeito em meia hora, declinando em duas horas. Pode provocar também crises de
pânico e de depressão, aumento da freqüência cardíaca, da tensão arterial, sudorese intensa e
febre, que pode chegar a 42º. Por via endovenosa, possui alto grau de letalidade.

 CAFEÍNA

O uso da cafeína (presente em café, chá, chocolate, mate, guaraná) é extremamente comum –
em todo lugar se oferece um cafezinho – e, muitas vezes, as pessoas não se dão conta de seu efeito
prejudicial. Sua concentração máxima no organismo ocorre em 30 a 60 minutos, durando de três a
dez horas.
A ingestão de mais de três xícaras por dia oferece risco de apresentar problema, pois pode
causar alterações cardiovasculares, ansiedade e irritação. Sua abstinência provoca cefaléia, fadiga e
ansiedade.

 CANABINOIDES

A maconha veio da Ásia Central, passou para a África e foi trazida para o Brasil pelos
escravos. Era utilizada em curas xamanísticas; a ela eram atribuídas qualidades calmantes, sendo
recomendada para acessos de asma, coqueluche, nevralgias dentárias, entre outros problemas. É
um preparado da planta cannabis sativa, que depois de seca, é enrolada em papel e fumada como
cigarro.
O haxixe, que é preparado raspando-se a resina da planta, é muito mais potente que a
maconha (de cinco a dez vezes) e quase não é consumido no Brasil. Atualmente, a maconha é
cultivada em todos os continentes, sendo a droga ilícita mais usada no mundo.

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O usuário entra num estado agradável, de euforia e bem-estar, em que a sensibilidade torna-se
aumentada. Alguns a consomem buscando um estado de redução da ansiedade, da impulsividade e
da agressividade, que proporcione uma sensação de calma. No entanto, o usuário geralmente se
desorienta em relação ao tempo e ao espaço, perdendo parte do contato com o mundo real. Com a
continuidade, verifica-se diminuição das funções cognitivas, especialmente da memória, da atenção,
da crítica e do julgamento. Um problema que tem preocupado muitos pais de usuários é o fato de a
maconha provocar ainda queda de produtividade e motivação, gerando perda do interesse pelos
estudos ou pelo trabalho.
O efeito da maconha é mais potente do que o do álcool quanto à redução da atenção; portanto,
os riscos são bem maiores para quem vai dirigir veículos.
Não há evidência de que o uso de maconha propicie atos antissociais ou criminosos, mas ela
libera inibições. Assim, uma pessoa que já apresente tendência a comportamentos antissociais vai
realizá-los mais facilmente.

 NICOTINA

O tabaco surgiu na América e foi levado para a Europa no século XVI, quando foi receitado
pelos médicos por seu efeito relaxante. É extraído de folhas de muitas espécies de nicotina (alcalóide
derivado da planta), que é estimulante do SNC (sistema nervoso central); aumenta a vivacidade e
reduz a ansiedade, produzindo um efeito relaxante.
O fumo contém mais de quatro mil substâncias, todas nocivas; a principal delas é a nicotina.
Após a tragada, a nicotina atinge o cérebro em sete segundos. Como cada cigarro é tragado em
torno de dez vezes e as pessoas fumam vários por dia, pode-se concluir que é uma droga que age
com muita intensidade. A longo prazo, a pessoa não sente mais seus efeitos, porém sofre com a falta
da nicotina, que causa dependência física.
É uma droga perigosa, pelas conseqüências de seu uso: o alcatrão se acumula nos pulmões e
pode provocar asma, bronquite e enfisema. É conhecida a alta incidência de câncer – não só de
pulmão – provocado pelo cigarro. A abstinência é difícil: o usuário apresenta ansiedade, fadiga,
perturbações do sono, dificuldade de concentração, começa a ganhar peso, além de sofrer com a
intensa vontade de fumar. Esses sintomas só desaparecem dentro de semanas ou meses. Existem
alternativas para ajudar as pessoas nessa fase – adesivos, chicletes, medicação específica -, além, é
claro, da presença e da solidariedade da família e dos amigos.

 ALUCINÓGENOS

Os alucinógenos são drogas que atuam nas áreas da percepção e do humor; provocam
ampliação da percepção, distorções da percepção corporal, despersonalização; os pensamentos são
ilusórios e freqüentemente interpretados com sentido místico. Essas substâncias agem nas áreas
responsáveis pelos sentidos.
O LSD é uma substância sintetizada a partir de um fungo existente no centeio; uma pequena
dose permite de quatro a dez horas de alucinação. Ele não provoca dependência, mas resíduos da
droga podem permanecer por meses no cérebro, voltando a provocar efeitos. Por vezes, pessoas
que fazem “más viagens” tentam suicídio ou entram em surto psicótico.
A questão da prevenção do uso de drogas é complexa. Um dos aspectos importantes, nesse
sentido, é a difícil tarefa de desconstruir a imagem da droga como encarnação do mal, condição para
que possam diminuir o preconceito e a discriminação em relação a seus usuários.
Esquematicamente, a prevenção consistiria em intensificar os fatores de proteção, de forma que o
indivíduo possa resistir aos fatores de risco. A família e a escola têm aí papel fundamental, na
criação de uma rede de proteção, no resgate dos valores, na aceitação das diferenças, no estímulo à
solidariedade, à tolerância à frustração.

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Ao prestar cuidado a esses usuários, é necessário que se compreenda que se trata de um


transtorno, não de falta de caráter ou de força de vontade. A psicoterapia é um aspecto importante
do processo terapêutico.
A enfermagem deverá estar atenta, ajudando o cliente, se necessário, nos cuidados pessoais,
estimulando a alimentação e a ingestão de líquidos, pois geralmente esses cuidados são
abandonados pelos usuários, que muitas vezes apresentam desnutrição e desidratação, além de
outros problemas de saúde. Assim, ao ser acolhido em um CAPS, a enfermagem poderá oferecer-lhe
a possibilidade de um banho (com sabonete, toalha, pente, escova e dentifrício), bem como um
lanche. É servida uma refeição, no CAPS, para os usuários que o freqüentam em dois turnos, sendo
essa uma oportunidade para a enfermagem acompanhá-los.
É importante que se detecte também a existência de infecções cutâneas, pois as drogas de
aplicação endovenosa (EV) podem ocasionar infecções locais ou sistêmicas, devendo-se, nesses
casos, aplicar as medicações prescritas. A verificação dos sinais vitais e do peso também é cuidado
necessário, sobretudo se o usuário estiver utilizando o leito de repouso, assim como a observação de
seu aspecto geral: olhos injetados (efeito da maconha), hálito alcoólico, fala ininteligível (rápida com
o uso da cocaína, lenta com o uso da maconha, lenta e sem clareza com o uso do álcool), perda do
equilíbrio (efeito do álcool), excesso de confiança (efeito da cocaína e de anfetaminas).
A conduta desses usuários também deve ser observada: eles podem apresentar ansiedade e
também ser impulsivos, provocadores, sob o efeito de determinadas drogas ou em crise de
abstinência. Afastando-se da antiga prática de controle, a enfermagem deve exercer uma função
terapêutica, acolhendo e valorizando a pessoa – lembrando que, nessas situações, a autoestima
costuma estar baixa – e ajudando também o cliente, de forma não repressiva, a se responsabilizar
por suas atitudes, quando ele apresentar certas condutas (por exemplo, falar muito alto,
agressivamente). Nesse aspecto, é extremamente importante a coerência da equipe, o que vai
depender do nível de comunicação existente entre seus integrantes.
Consideramos haver uma dimensão do atendimento que é própria da enfermagem, da mesma
forma que é da competência do médico prescrever a medicação. No entanto, em sua maioria, as
atividades que o cuidado envolve – o acolhimento, a escuta, os atendimentos individuais ou em
grupo, as visitas domiciliares – são da competência de toda a equipe.
É importante lembrar que, freqüentemente, os usuários necessitam de atendimento
multidisciplinar, pois seus problemas abrangem a saúde, a profissionalização / trabalho (emprego,
questões trabalhistas), a família, a habitação e, por vezes, a Justiça, entre outros aspectos.
Não há rotinas estabelecidas a seguir nem caminhos previamente traçados nesse trabalho; há
que se ter criatividade ao ajudar alguém a aumentar o autoconhecimento, a autoestima e a viver com
mais prazer sem a droga. Isso pode representar uma situação difícil para alguns profissionais, pela
falta de diretrizes mais objetivas e, para outros, uma oportunidade ímpar de desenvolver sua
criatividade, tendo sempre como referência a equipe, o trabalho conjunto e o compartilhamento de
erros e acertos. Atualmente, sabe-se que é impossível eliminar a droga do mundo.

2. INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM NOS ESTADOS DE CRISE

 CRISE

O que tem maior influência não é o evento estressor e sim como o indivíduo encara momentos
de crise e que são importantes para seu desenvolvimento. A intervenção na crise é de
responsabilidade de todos os profissionais da Área de Saúde. Quando o cliente consegue lidar com
suas emoções, será capaz de tomar decisões apropriadas com relação ao comportamento
necessário para a resolução dos problemas que envolvem os estados de crise. Os Enfermeiros
geralmente possuem uma habilidade particular para compreenderem e lidarem com os problemas
emocionais. O termo crise é usado para descrever uma situação ou um estado emocional. As
autoridades de Saúde Mental definem crise como um estado de desequilíbrio resultando da interação
de um evento com os mecanismos de manejo do indivíduo ou da família, que são inadequados para
atender as demandas da situação, combinado com a percepção da família ou do indivíduo sobre o
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CAEL - SAÚDE MENTAL – Profª / Enfª: Sarita Camara 59

significado do evento. Uma crise refere-se a um processo interacional entre estas três variáveis, que
são refletidas no estado emocional do indivíduo ou da família. A emoção não é o elemento singular à
crise, nem o evento, e sim o significado do evento para o indivíduo ou sua família e sua incapacidade
para lidar com ele, que produz a crise.
Nem todas as pessoas ansiosas ou deprimidas estão em crise, nem um evento traumático produz,
necessariamente uma crise naqueles a quem afeta. No passado, em razão do estigma social
associado com a Doença Mental, a procura ao Serviço de Saúde Mental era baseado apenas se a
pessoa estivesse seriamente perturbada e exibindo sintomas bizarros, tais como alucinações ou
delírios. Embora ainda exista estigma associado com a Doença Mental do que com a Doença Física,
a sociedade está gradualmente aceitando o valor do tratamento para a Saúde Mental de forma que
um grande número de pessoas busca auxílio para problemas menos graves, como crises individuais
ou familiares.

 TIPOS DE CRISE

CRISE DO DESENVOLVIMENTO – são aquelas situações que ocorrem naturalmente durante a vida
de um indivíduo e de sua família. Todos os indivíduos passam ao longo da vida. Exemplos:
adolescência, menopausa, nascimento de um filho, velhice.

CRISE SITUACIONAL – são aqueles eventos, que não ocorrem com todos os indivíduos ou famílias,
e, portanto, são inesperados. Alguns indivíduos passam e outros não. Exemplos: acidente
automobilístico, perda de um imóvel, crise econômica, perda de um filho, término de casamento.

 CARACTERÍSTICAS DE UM ESTADO DE CRISE

Um estado de crise não é uma doença, mas um transtorno no estado de equilíbrio do sistema e
não afeta somente o indivíduo, mas também as pessoas significativas no sistema de apoio social do
indivíduo. Durante a crise, o indivíduo, possui grande quantidade de ansiedade. Esta ansiedade, não
pode ser mantida pelo ser humano, sem sérios danos à organização da personalidade. O indivíduo
busca reorganizar sua personalidade de forma a livrar-se dessa emoção.

 FASES DE UM ESTADO DE CRISE

NEGAÇÃO – é um mecanismo de defesa que a mente usa inconscientemente para proteger-se da


ansiedade. O indivíduo nega o problema.

AUMENTO DA TENSÃO – a pessoa envolvida faz um grande esforço para continuar suas atividades
de vida diária, mas o faz enquanto tenta lidar com uma ansiedade sempre constante. Durante esta
fase, o indivíduo ou família permanece funcional, embora aqueles que o conhecem percebem
facilmente indicações de tensão aumentada na forma de hiperatividade ou retardo psicomotor. O
indivíduo fica mais agitado ou apático, todos que estão ao redor do problema percebem a alteração
do seu comportamento, menos ele, estuda ou trabalha com dificuldade.

DESORGANIZAÇÃO – nesta fase o indivíduo pode abandonar suas atividades cotidianas e tornar-se
obsessivamente preocupado com um evento. A pessoa é conscientemente tomada por muita
ansiedade e teme “desmoronar”. É neste período que a maioria das pessoas busca auxílio
profissional. O indivíduo não consegue trabalhar e procura assistência médica.

TENTATIVA DE REORGANIZAÇÃO – o indivíduo ou a família tenta fazer à situação os mecanismos


de manejo usados anteriormente para lidar com a ocorrência atual. As pessoas gradualmente
reassumem suas atividades habituais, tornando-se ansiosas ou deprimidas apenas quando estímulos

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específicos estão presentes para lembra-los da situação de crise. O indivíduo começa a melhorar o
seu quadro clínico, só quando entra em crise, quando lembra o evento estressor que gerou a crise.

REORGANIZAÇÃO GERAL – o indivíduo consegue voltar as suas atividades.

 INTERVENÇÃO NA CRISE

O objetivo da intervenção na crise é ajudar o indivíduo a buscar mecanismos adaptativos dentro


do contexto de seu grupo social. Assim, as pessoas envolvidas reorganizam suas personalidades
individuais e seu sistema social. Se este objetivo é atingido, estas pessoas são mais capazes de lidar
eficazmente com futuros eventos situacionais, que inevitavelmente ocorrerão em suas vidas. Um
aspecto importante da intervenção na crise é ajudar os clientes a lidarem com seus sentimentos.
Visa ajudar pessoas que estão em um estado de desequilíbrio.

3. TIPOS DE INTERNAÇÃO

 Internação involuntária

Quando o paciente não tem noção de sua morbidade (doença) e a família ou o médico decidem por
sua internação.

 Internação voluntária

Quando o paciente tem noção de sua morbidade (doença) e pede para ser internado, com medo de
ferir alguém. Assina um termo.

 Internação sob júdice ou judicial

Quando o juiz solicita esta internação, pois o paciente pode estar correndo risco de vida ou está
respondendo a um processo.

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Figueiredo, Wiliam César Alves Machado. – São Paulo: Roca, 2012.

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8. FORMAS DE TRATAMENTO DE TRANSTORNOS MENTAIS

É preciso saber também que existem tratamentos adequados para cada tipo de transtorno, o que não
é só feito através de medicamentos. Na verdade, o tratamento medicamentoso é um valioso
instrumento da psiquiatria para o controle dos sintomas e, com o avanço das pesquisas nesse
campo, muito se tem conseguido em melhora da qualidade de vida da pessoa com transtorno
mental. No entanto, cada vez podemos ter maior certeza de que uma abordagem mais ampla, onde
se ofereçam outras possibilidades terapêuticas, mostra ser mais adequada e eficaz, afinal apenas o
controle não ensina o paciente a lidar com seus problemas cotidianos e emocionais. A cada dia
surgem novas abordagens no lidar com o paciente de Saúde Mental. A criatividade e dedicação dos
profissionais neste campo permite conhecer e perceber a cada momento diferentes facetas da mente
humana, o que resulta em novas nuanças no tratamento.

1.1 Terapia Medicamentosa

A prescrição de medicamentos para pacientes portadores de transtorno mental é a forma de


tratamento mais conhecida, porém uma das mais criticadas. É comum ouvir-se dizer: “Eu não vou a
médico coisa nenhuma. Para ele me mandar tomar remédio de maluco?” Muitas vezes chega-se a
crer que se pode “ficar maluco usando esses remédios”. Outro ponto importante nessa questão é o
fato de, ao iniciarem o uso da medicação, receosos de suas “reações”, muitos pacientes a utilizam
em dose inadequada ou interrompem o uso assim que “melhoram”. Ora, de uma forma geral, os
medicamentos promovem o controle, não a cura do transtorno. Assim que interrompem a medicação,
os sintomas voltam a aparecer, o que muitas vezes interfere de forma desfavorável no ânimo do
indivíduo que passa a sentir-se “incapaz”, “dependente”, e “viciado”, “condenado a usar esses
remédios por toda a vida”.

1.2 Psicofármacos

Os psicofármacos ou psicotrópicos são substâncias capazes de agir no sistema nervoso central


(SNC), modificando o comportamento e o psiquismo (emoções, humor, raciocínio lógico), podendo
também produzir efeitos sobre as funções motoras, reflexos e outras funções do organismo. Os
medicamentos sujeitos a receita de controle especial são prescritos em duas vias de cor branca,
sendo que a primeira fica retida no ato da dispensação/comercialização e a segunda fica com o
usuário. Geralmente, são antidepressivos e drogas com menor chance de provocar dependência;
sua embalagem tem tarja vermelha. Já os medicamentos sujeitos a notificação de receita B são
prescritos em uma receita branca e uma receita azul, sendo que esta fica retida no ato na
dispensação/comercialização e aquela (branca) permanece com o usuário. Assim se padronizam os
ansiolíticos e hipnóticos, os quais tem maior potencial de criar dependência física e psicológica; sua
embalagem tem tarja preta.

A seguir estão listados os quatro grandes grupos de psicofármacos:

 Ansiolíticos ou hipnóticos;
 Antipsicóticos ou neurolépticos;
 Antidepressivos;
 Estabilizadores do humor.

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1.3 Terapias Psicossociais

Dentro desse conceito se agrupam vários tipos de atendimento terapêutico e nem sempre fica muito
claro para o paciente, sua família e até para os outros profissionais como são e para que servem
esses atendimentos. É importante que isso fique esclarecido a fim de que não tenham um caráter
“burocrático” – fazer porque tem que fazer ou “porque o doutor mandou”. Muitas vezes é para o
auxiliar de enfermagem que o paciente vai expor suas dúvidas. Por isso, é importante que ele saiba
do que se tratam os atendimentos, para que possa tranquilizar o paciente, aconselhando-o sempre a
discutir suas dúvidas com o profissional que o atende. Podemos dividir as terapias psicossociais em
dois grupos: as psicoterapias e as terapias pela atividade. O tratamento psicoterápico é, na maior
parte das vezes, realizado pelo psicólogo (às vezes também pode ser feito pelo psiquiatra) e seu
objetivo é variável de acordo com o caso, mas, em linhas gerais, visa ajudar o indivíduo a retomar
um estado de equilíbrio pessoal. O atendimento psicoterápico pode ser feito de forma individual em
que o paciente fica sozinho com o terapeuta; em grupo em que estes são relativamente pequenos,
onde são tratadas não apenas as dificuldades de cada um, mas também o relacionamento do grupo
como um todo; em família, onde o atendimento é feito com o paciente e sua família e voltado para o
reestabelecimento do equilíbrio familiar, essencial, muitas vezes, à melhora do paciente; conjugal,
sendo semelhante ao anterior, só que apenas o paciente e seu cônjuge são atendidos. Cada
psicoterapeuta pode ter uma forma diferente de lidar com o paciente, seja por seu jeito pessoal (se é
mais fechado ou mais expansivo), seja pela sua abordagem de tratamento. As abordagens mais
comuns são:

 Terapia cognitivo-comportamental – Aborda os pensamentos e comportamentos atuais.

 Psicanálise – Aborda as razões inconscientes dos problemas atuais.

 Psicodrama – Atua com dramatizações de situações.

 Terapias interpessoais – Abordam os relacionamentos atuais.

 Terapias pela Atividade - Sob esse título, agrupamos as atividades terapêuticas que usam a
atividade do paciente como ponto principal. Podemos classificá-las como ocupacionais e
recreativas.

 Terapia ocupacional – Constitui importante modalidade de atendimento, indispensável nos casos


mais graves, como a esquizofrenia, que oferece ao paciente diferentes possibilidades de atividade

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laborativa (de trabalho), geralmente em forma de “oficinas terapêuticas”, isto é, grupos de


pacientes que se reúnem para realizar um trabalho em comum. As oficinas terapêuticas têm o
objetivo de oferecer ao indivíduo com transtorno mental diferentes possibilidades de se expressar
no mundo, estabelecendo com ele um canal de comunicação mais saudável; por se dar em grupo,
estimula o relacionamento interpessoal, ajuda o paciente a lidar com conquistas e frustrações e a
desenvolver maior independência, retomando aos poucos a responsabilidade por seus atos.
Alguns tipos de oficinas terapêuticas que podemos citar são: de poesia, de teatro, de música e
canto, de radiofonia, de marcenaria, pintura, artesanato, informática, jardinagem, do corpo (tai chi
chuan, dança, capoeira) e outras. Os pacientes geralmente escolhem aquelas das quais desejam
participar com a ajuda do terapeuta ocupacional e outros profissionais, e pacientes habilitados
podem atuar como monitores. As oficinas terapêuticas constituem importante instrumento de
ligação, inclusive com a sociedade como um todo, se forem articuladas atividades reunindo outros
segmentos da sociedade – por exemplo, a exposição dos trabalhos realizados pelos pacientes.

 Terapia recreativa – Tem objetivos parecidos com os da terapia ocupacional, mas as atividades
desenvolvidas têm um cunho recreativo, tais como os jogos, atividades esportivas, festas e
comemorações. Os pacientes também podem ser envolvidos nas tarefas de rotina de acordo com
suas condições e desejo de participar, sem, no entanto, serem obrigados a isso ou substituírem os
profissionais em suas funções.

a. Eletroconvulsoterapia ou Eletrochoque (ECT)

A terapia eletroconvulsivante (ECT) às vezes é prescrita para pacientes com depressão que
não melhoram após uma aplicação adequada de medicamentos antidepressivos. Também pode ser
usada para os indivíduos com tendência ao suicídio. E para os quais nenhuma outra intervenção foi
eficaz. Embora saibamos pouco sobre como a ECT atinge seus resultados, supõe-se que ela
interrompe o processo psicótico e torna o indivíduo mais acessível às intervenções interpessoais.
A administração de ECT é razoavelmente simples. Consiste em aplicar uma corrente elétrica
controlada nos lobos frontais do indivíduo através de eletrodos posicionados em suas têmporas,
levando a perda de consciência. Não existe nenhum preparo específico para a realização desse
procedimento.

 Tipos de Eletroconvulsoterapia

SIMPLES – é o tratamento rápido / ECT sem medicação.

SOBRE NARCOSE – é a mais humana. É administrado por via endovenosa no paciente um


sedativo, antes da realização do procedimento / ECT com medicação.

 Cuidados de Enfermagem

ANTES DA ELETROCONVULSOTERAPIA – o paciente deverá estar em jejum (de 2h a 4h); a


cabeça não deverá ser molhada; orientar o cliente sobre a possibilidade de ocorrer eliminações,
devido ao relaxamento de esfíncter; paciente ou família assina o termo de autorização do
procedimento; comunicar a realização do procedimento ao paciente; orientar o paciente, na medida
do possível, e seus familiares sobre o procedimento que será realizado, minimizando seus medos,
dúvidas e anseios; deverá ser realizado a retirada de grampos, próteses, metais ou qualquer coisa
que possa ser danificada no momento da contração; realizar o preparo do ambiente.

DURANTE A ELETROCONVULSOTERAPIA – proteger as articulações: mandíbula, escápula-


umeral, coxofemoral, joelhos; auxiliar na oxigenação; observar a frequência respiratória do paciente;

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observar a presença de cianose; colocar-se a cânula de Guedel; lateralizar o paciente devido a


sialorréia; cama com grade.

APÓS A ELETROCONVULSOTERAPIA – transportar o paciente, em decúbito lateral, para o seu


leito em maca; observar o paciente até a recuperação do seu nível de consciência; o paciente deve
permanecer em repouso em uma cama com grades; observar quanto ao aparecimento de cefaleia e
vômitos; realizar controle dos sinais vitais, a princípio de 15 em 15 minutos (na primeira hora), depois
de 30 em 30 minutos (na segunda hora) e de hora em hora à partir da terceira hora; registrar
procedimento; providenciar alimentação para o paciente, assim que possível; anotar no prontuário do
paciente todo o procedimento realizado e como o paciente respondeu ao mesmo.

 Procurando amenizar os efeitos e evitar complicações fisiológicas e legais do uso do


eletrochoque, é importante que antes do procedimento o técnico de enfermagem tome alguns
cuidados.

Neste ponto, o psiquiatria realizará o eletrochoque.

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Setores de atendimento em Saúde Mental


A criatividade é marca registrada da rede terapêutica que envolve a Saúde Mental. A partir da
Reforma Psiquiátrica dos fins dos anos 1980 - 1990, que abre as portas dos asilos e manicômios,
passa-se a enxergar o portador de transtorno mental como alguém que está “vivo” e, portanto,
“reabilitável”. Diante das três áreas de atuação (primária, secundária e terciária) começam a surgir
a cada dia novas e revolucionárias alternativas e estratégias que permitem levar a cabo o
tratamento de transtornos psíquicos, sejam agudos, crônicos ou de reabilitação. Gradualmente, o
hospital psiquiátrico deixa de ser uma instituição fechada para se tornar palco de uma assistência
de portas abertas, integrada numa rede de saúde regional. Se dissermos gradualmente, é porque
não se pode romper de repente com pensamentos, preconceitos e medos, mantidos há séculos,
principalmente em um país onde as condições de amparo social ainda encontram-se deficientes. O
investimento no tratamento ambulatorial passou a inovar formas mais eficazes de atender e de
reinserir na sociedade os portadores crônicos de transtornos mentais.

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Desta forma, para que não houvesse um rompimento abrupto entre a unidade de internação e o
atendimento ambulatorial, surgiram estruturas intermediárias entre a hospitalização psiquiátrica e a
integração do paciente à sociedade, que receberam nomes como hospitais-dia, lares abrigados,
CAPS, com atuações diferentes descritas a seguir:

Os hospitais-dia são locais onde o paciente passa um período limitado (algumas horas durante o
dia) sem se afastar de seu meio social, familiar, de trabalho ou acadêmico, prevenindo assim a
reclusão e a marginalização do paciente, ao mesmo tempo em que proporciona a sua reabilitação e
reinserção social. Dispõe de um programa terapêutico que dá ênfase a manifestações clínicas e
terapêuticas. Num hospital-dia, trabalha-se com terapias individuais, com intervenções familiares,
mas, sobretudo, trabalha-se em grupos, assim denominados: grupo de pacientes, grupo terapêutico
(equipe terapêutica e paciente) e equipe terapêutica (equipe multiprofissional e interdisciplinar). De
forma direta ou indireta, toda a equipe terapêutica participa nas diferentes atividades assistenciais,
fazendo com que haja uma tomada de decisões de forma conjunta, trocam de informações entre os
diferentes profissionais, planejamento e estabelecimento conjunto do conteúdo das atividades
assistenciais e, definição por todos dos papéis e tarefas de cada membro da equipe em cada uma
delas. As atividades terapêuticas de um hospital-dia podem se resumir em:

- Reuniões matinais - Como o nome indica, acontece na primeira hora da manhã, como uma forma
de acolhimento entre a equipe terapêutica e os pacientes. Permite à equipe prever a demanda de
trabalho que o grupo de pacientes vai solicitar, possibilitando novas estratégias, caso haja
necessidade.
- Sessões de expressão corporal, musicoterapia e dramatização, mobilização corporal e
psicomotricidade - Pode participar qualquer membro da equipe, além dos pacientes e o monitor ou
terapeuta correspondente.
- Assembleia de grupo terapêutico - Participa todo o grupo terapêutico (equipe e pacientes).
- Psicoterapia de grupo - Participam pacientes, com um psicólogo e outro membro da equipe.
- Psicodrama - Necessita de um psicodramatista e outros membros da equipe, além do grupo de
pacientes.
- Dinâmica de grupos ou grupos de discussão - Necessita do grupo terapêutico completo.
- Atividades de animação sociocultural - Pode participar toda a equipe terapêutica com o grupo de
pacientes.
- Oficinas de expressão plástica - Terapeuta ocupacional, a enfermagem e o grupo de pacientes.
- Psicoterapia individual - Psicólogo e paciente.
- Intervenções familiares - Realizadas entre psicólogo ou psiquiatra, paciente e família.
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- Tratamento psicofarmacológico - Realizado pelo psiquiatra, enfermeiro, técnico ou técnico de


enfermagem e paciente.

As atividades do técnico de enfermagem serão definidas como as dos demais membros da equipe
multiprofissional, através de reuniões onde se levanta as necessidades. Porém o registro de suas
observações é indispensável. É muito importante que você registre tudo o que observar nos
pacientes, desde aspectos físicos, conduta até a participação nas atividades.

Os Lares Abrigados são locais onde podem viver ou morar um grupo de portadores de transtornos
mentais num clima familiar, sob tutela de uma equipe assistencial, por um período mais ou menos
longo. É totalmente integrado à comunidade e permite uma vida autônoma. Não raro, devido à
ausência da família, alguns lares tornam-se uma residência definitiva. A equipe que trabalha com
lares abrigados apresenta um programa estruturado cujos objetivos são o desenvolvimento da
autonomia da pessoa e do grupo e a ressocialização. Para detectar se estes objetivos foram
atingidos, são necessárias reuniões periódicas entre os profissionais da equipe. Essas reuniões
servem para os levantamentos de problemas e conflitos que surgem nas relações e nas tarefas
cotidianas para ajudar a superá-los. A equipe de enfermagem assume aqui uma importância vital.
Ela é quem mais está presente em visitas e as suas orientações de educação em saúde e higiene
são indispensáveis. Nestes lares, a detecção precoce de agravos à saúde assume tal relevância
que pode por o trabalho a perder caso falhe. Também está a cargo da equipe de enfermagem a
supervisão e, em alguns casos, até a administração medicamentosa, assim como a detecção de
possíveis efeitos colaterais.

O CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) é uma forma de assistência do SUS para problemas
de Saúde Mental individual ou coletiva que se distingue principalmente pelo acesso local. É um
exercício de democracia, pois atua com uma sensível redução da hierarquia assistente/assistido.
Essa parece ser, na verdade, a maior diferença entre os CAPSs e os hospitais-dia, pois o CAPS
questiona os papéis da equipe na família e na comunidade. Atua através de Oficinas onde se
realizam trabalhos manuais e artísticos que proporcionam ao usuário via de acesso à expressão de
seus sentimentos, emoções, criatividade. Mas quando necessário pode ser feito o atendimento
individual. Deste trabalho surgiram as Associações, formadas a partir de grupos de egressos dos
hospitais psiquiátricos, que se organizaram e incorporaram familiares e profissionais de diversas
áreas, em busca dos direitos dos usuários do serviço de saúde mental na defesa de sua cidadania.
Não negam a marca que os faz singulares, porém lembram que são iguais a todos os cidadãos,
com direito a saúde, lazer, amor, segurança e, sobretudo RESPEITO. Estas associações deram
origem à articulação Nacional da Luta Antimanicomial. Com a organização e o trabalho desses
usuários do serviço, que descobrem suas próprias e ilimitadas capacidade, surgem as
cooperativas. Seu funcionamento não se distingue em muito das demais cooperativas, a não ser
pela disposição dos pacientes que nela atuam e que há muito não se percebiam como seres
capazes. Embora funcione nas dependências do CAPS, seu lucro é revertido para a própria
cooperativa. De acordo com a realidade local, o CAPS assume táticas diferentes para enfrentar os
problemas decorrentes das diversas formas de viver. Assim você jamais encontrará um CAPS igual
ao outro. Porém, eles trazem como ponto comum a luta pela desospitalização, a realização das
oficinas terapêuticas e a atuação de uma equipe multiprofissional. Pode atuar em associação com
uma emergência psiquiátrica, e o paciente que sai deste setor será avaliado imediatamente para
ser inserido em atividades do CAPS, sem que haja necessidade de internação. Em todos os níveis
de atuação, a conduta do técnico de enfermagem é sempre um ponto muito importante da ação em
saúde. “Dizem que a primeira impressão é a que fica”. Esta frase popular bem pode estar
expressando uma realidade quando pensamos em assistência em saúde. No setor de Saúde
Mental, ela assume uma conotação especial, pois a sensação que o paciente ex- perimenta quando
chega ao setor não é somente relevante; assume um papel essencial no seu tratamento. A maneira
como é recebido, a expressão das pessoas que lhe atendem ou mesmo o tom de voz com que
falam, são capazes de gerar sentimentos que tanto podem determinar o tratamento como afastar o
indivíduo. Não é raro o paciente sair de um setor de atendimento jurando que não volta mais
porque foi maltratado pelo profissional que o atendeu ou porque não “foi com a cara” daquele

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profissional. Não cabe discutirmos aqui se ele volta ou não ao setor, mas sim no tempo em que ele
adiará o tratamento. A recepção do paciente é o primeiro item quando nos referimos ao ambiente
terapêutico. E embora o técnico de enfermagem seja o profissional que, normalmente, recepciona
uma pessoa que procura um setor de saúde, não é o único responsável pela manutenção deste
ambiente. Um ambiente terapêutico é aquele em que o indivíduo consegue se sentir bem e seguro,
física e psicologicamente, e que ao mesmo tempo estimule a recuperação da saúde. Alguns fatores
são indispensáveis para que se promova um ambiente terapêutico. E por mais incrível que pareça
promover um ambiente não é muito diferente do que preparar a sua casa para uma festa.

- Planta física - O ambiente deve ser arejado e de preferência amplo e bem iluminado, de modo a
transmitir sensação de segurança e bem-estar. O profissional deve preocupar-se em tornar o
ambiente o mais belo e agradável possível, simples, porém aconchegante.

- Higiene ambiental - Ninguém pode sentir-se bem num ambiente sujo. Muitas vezes devido ao fato
de que os transtornos mentais não são transmissíveis, os profissionais de saúde tendem a relaxar
com a manutenção da higiene. No entanto, é importante que ela mantenha-se não somente pela
questão do bem-estar, mas também para evitar surtos de doenças infecto-parasitárias e
infestações.

- Arrumação e decoração - O excesso de mobília ou o mobiliário mal disposto, além de tumultuar o


ambiente, podem atrapalhar o atendimento num caso de emergência. Também se devem evitar
objetos e adornos que possam por em risco a segurança, assim como objetos ou imagens
religiosas ou ritualistas. Isso faz parte do respeito ao que cada um acredita. É importante a
participação de todos nesta questão, inclusive dos pacientes.

- Som ambiente - Não obstante os avanços da musicoterapia, a utilização de aparelhos sonoros


nem sempre favorece a formação de um ambiente terapêutico. Ao contrário, uma escolha
inadequada pode causar irritação e até mesmo desencadear crises. Por isso, a escolha de
músicas, bem como o momento de utilizá-las, deve sempre ser orientada por um profissional
competente (se possível um musico terapeuta). Vale ressaltar ainda o emprego frequente de
músicas religiosas, que também são contraindicadas, pois é muito importante respeitar a religião de
todos.

- Atividades - Num ambiente terapêutico, o paciente não vegeta pelos corredores e salas em uma
atitude passiva. Neste ambiente, embora tenha tempo para repousar ou refletir, ele mantém-se em
atividades como reunião de grupo, exercício físicos, trabalhos manuais e outros.

A equipe terapêutica é formada por vários profissionais, dependendo de cada programa terapêutico
que o tratamento englobe. Na equipe básica encontram-se o enfermeiro, psicólogo, psiquiatra,
assistente social, técnico de enfermagem. Pode contar ainda com terapeuta ocupacional,
nutricionista, professores de Educação Física, musico terapeuta, fisioterapeuta, fonoaudiólogo,
animador sociocultural, artista plástico etc. A chave de um ambiente terapêutico está no
estabelecimento de uma relação de confiança entre a equipe terapêutica e os pacientes.

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 BIBLIOGRAFIA

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11. Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de enfermagem / organização Genilda Ferreira
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