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In Esp

edição #3 - março de 2018 de e


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ndal
en HQ
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s

CONHEÇA RAYMOND CASTLE O


IMPLACÁVEL E MISTERIOSO XERIFE
DESSA CIDADEZINHA

Eles estão de volta: E AINDA:

Dylan Dog e Martin Mystère


A volta de Tex Gold
Gringo - O Escolhido
Nathan Never
Conversamos com Giuseppe Montanari e Lucio Filippucci
Muitas entrevistas
EDITORIAL
EXPEDIENTE O objetivo de ter criado esta revista foi justamente
poder falar do meu hobby, dar voz aos personagens
que gostamos mas que certa forma nunca tiveram o
Organizador: mesmo destaque que os super-heróis estaduniden-
Thadeu Fayad ses. E então tudo foi crescendo, naturalmente elevan-
do a qualidade e também as exigências para que isso
Colaboradores: fosse alcançado.
Aurélio Miotto
Além das expectativas dos leitores que estão cres-
Joana Rosa
cendo a cada edição. Novos colaboradores vão che-
Luiz Henrique Cecanecchia gando, engrandecendo nossas idéias, arejando nossa
visão, resgatando nossa própria história não as em
Consultoria: quadrinhos e sim com os que ajudaram a criar em nós
José Carlos Francisco mesmos essa grande paixão. Aqueles que com seu
Ricardo Elesbão Alves trabalho nos deram muitas e muitas horas de diver-
Wilson Vieira são e nós nem sabemos quem são ou qual seu legado.

Essa jornada foi aos poucos mostrando o quão


Diagramação:
grande é nosso universo de talentos, de contadores
Thadeu Fayad de boas histórias, de batalhadores e em muitos casos
lutam mais do que seus personagens. Esse desbrava-
mento merece um espaço de destaque, não só nessa
edição mas também nas que vierem depois dessa. O
especial das HQs independentes é apenas um pedaço
ínfimo do nosso vasto “cardápio” de talentos e estará
presente nas próximas edições onde vamos tentar hu-
mildemente ajudar na divulgação desses talentos, se
somando aos nossos já consagrados heróis Italianos.

A divulgação é o item mais importante para qual-


quer trabalho, não só os independentes que sofrem
com verbas menores e precisam da força do boca-a-
-boca para fazer seus talentos aparecerem. Mesmo as
grandes editoras tem pecado nas suas divulgações e
muitas vezes nem sabemos que nosso personagem
favorito voltou ou mesmo se foi. E até quando ele se
vai é preciso entender e reverenciar seu legado, en-
tender quais séries ele já teve e as razões de sua exis-
tência e cancelamento.

fumetti. é uma publicação digital, criada Esse caminho (de mostrar trabalhos independen-
por Thadeu Fayad, com periodicidade mensal, tes) mostrou que precisamos olhar para o futuro, dar
totalmente gratuita, distribuída exclusivamente espaço para quem esta chegando, mas nunca sem
pela Confraria Bonelli. olhar para trás, conhecer ou relembrar quem nos deu
Venda proibida tanta alegria e diversão. E definitivamente lutar para
que possamos perder esse estigma de que temos me-
mória curta.

Boa leitura!
Nesta edição
04 NATHAN NEVER ESTÁ DE VOLTA
06 ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ
Joana Rosa esmiúça em deta-
lhes as diversas coleções já en-
cerradas de TEX.

08 TEX GOLD - SALVAT


De volta às bancas a mais capri-
chada coleção de luxo do Ranger
mais conhecido o Oeste.

09 O MERCADO BRASILEIRO E SUA ORIGEM


ITALIANA
Luiz Henrique, nosso novo colu-
nista faz uma bela homenagem aos
Italianos mais brasileiros dos qua-
drinhos.

10 ESPECIAL HQS INDEPENDENTES


Conheça Saint Alamo, uma linda
HQ nacional ao melhor estilo faro-
este sangrento. Conheça o Gringo,
Nanquim Arretado, duas editoras
independentes e muitas entrevis-
tas, no maior espaço já destinado
para as publicações independentes.

22 A ESTRÉIA DO INSPETOR SILVA


Ô loco meu! Qualquer seme-
lhança não será mera coincidência
nessa divertida e misteriosa histó-
ria.

24 CONHEÇA PAULO JOSÉ

26 A ESPERA ACABOU
Dylan Dog e Martin Mystère
voltam depois de mais de uma
década fora das bancas e para co-
memorar duas super entrevistas
exclusivas!
Nathan Never
O PRIMEIRO TÍTULO DE FICÇÃO CIENTÍFICA DA BONELLI E ESTÁ RETORNANDO ÀS BANCAS
BRASILEIRAS NA INVASÃO BONELLIANA PROMOVIDA PELA EDITORA MYTHOS. É UM DOS
TÍTULOS MAIS VENDIDOS DA SBE (SERGIO BONELLI EDITORE), FICANDO ATRÁS APENAS
DE TEX E DYLAN DOG.

Nathan Never é um homem mel- Edward Reiser o contrata para tra-


ancólico, ligado ao passado (colecio- balhar na Agência Alfa, sua agência
nador de livros, discos e quadrinhos particular de segurança. Nathan aca-
de nosso século) e com uma vida ba aceitando para poder pagar pelo
marcada por acontecimentos doloro- tratamento de saúde de sua filha.
sos.
Nathan, hoje em dia, mora em
Nasceu e cresceu na bonita ci- uma megalópole destruída (provavel-
dade de Gadalas, ficou órfão por obra mente onde estava Nova York), local-
de uma vingança da Yakuza, a máfia izada na costa oriental do que seria
japonesa. Casou-se com Laura Lor- os Estados Unidos. Suas aventuras
ring e pouco tempo depois tiveram acontecem a mais de 150 anos no fu-
sua única filha Ann. Obcecado pelo turo, num mundo cuja geografia foi
trabalho Nathan se torna uma pessoa alterada pelas terríveis catástrofes de
egoísta e isso torna seu casamento 2024. Uma busca frenética dos cien-
bastante conturbado com seguidas tistas por combustíveis alternativos
discussões. Ele acaba se envolven- e que tiveram como resultado des-
do com outra mulher e durante um sas fracassadas tentativas, terremo-
desses encontros que recebe a notí- tos que racharam a crosta terrestre,
cia que o criminoso Ned Mace matou maremotos e exposição de depósitos
sua esposa. Nesse mesmo ataque de lixo atômico, causando milhões de
sua filha é sequestrada. Apesar de ter mortes.
sido encontrada, Ann teve sua mente
completamente abalada pelo trauma, Nathan Never já teve duas en-
se fechando de tal forma que seu es- carnações no Brasil anteriormente,
tado é similar ao de alguém com au- foram dez edições pela Editora Globo
tismo. Por conta disso ela agora vive e outras duas pela Ediouro (na ver-
no sanatório Sinclair Asylum. dade era uma minissérie) e algumas
histórias curtas publicadas pela Glo-
A dor e o sentimento de culpa o bo e pela Editora Mythos. Teve dois
torturaram, deixando seus cabelos encontros com Martin Mystère que
brancos por este trauma. Passou a ainda são inéditos no Brasil, um de-
morar na estação orbital Tersicore, les quase chegou a ser publicado pela
onde se dedica a aprender a arte mar- Mythos, porém problemas de licenci-
cial Jeet Kune Do (estilo criado por amento impediram a publicação.
Bruce Lee), tornando-se um grande
mestre. Tempos depois, o empresário

4 R E V I S T A F U M E T T I .
É um título recheado de referências a filmes e livros de ficção científica e outros tipos de easter-eggs. Natan
Never tem seu visual claramente inspirado em Blade Runner, tanto em seu visual quanto no das cidades e cenári-
os. Logo em sua primeira edição vemos as “Três Leis da Robótica”, criada nos livros de ficção-científica de Isaac
Asimov. Na edição #2, todos estão em busca da última cópia do filme “2001-Uma Odisséia no Espaço”. Na edição
#6 o adamantium é citado (aquele mesmo metal bem conhecido do Universo Marvel).

Em várias edições aparecem outras referências, por exemplo, sua amiga a Agente Legs Weaver é inspirada
na atriz Sigourney Weaver de Alien e tantos outros filmes, temos menções claras a Rollerball – Os Gladiadores do
Futuro, “Jurassic Park”, “Apocalipse Now” e por ai vai. Encontrar essas referências certamente dá ao leitor uma
diversão a mais enquanto vai lendo as aventuras do Agente Especial Alfa.

NATHAN NEVER NO TRAÇO DE CLAUDIO CASTELLINI


O desenhista concebeu o personagem, além de desenhar a primeira edição,
e várias capas das aventuras do herói do futuro

R E V I S T A F U M E T T I . 5
Onde os fracos não tem vez
Parte 1
A história por trás das edições já canceladas
d e Te x P o r J o a n a R o s a R u s s o

Bonellianos brasileiros, sejam bem-vindos a mais uma trataremos de maneira diferenciada o que diz respeito
incrível viagem pelo universo do Ranger mais corajoso do apenas as “coleções” ou séries com mais de um volume
velho-Oeste! Desta vez, o assunto central de nosso artigo publicado das edições especiais ou “volumes únicos”.
são as famosas séries de Tex que foram extintas, que con- Salientamos que não foram incluídos os livros ou livros
tou com a colaboração de grandes pards, como Ivo Alma- ilustrados, mas apenas e tão somente volumes que tem
da, Ezequiel Guimarães e Antonio Carlos da Silva, e ainda ligação direta com os quadrinhos e/ou que trazem as tiras
com a colaboração de Julio Schneider (tradutor oficial das do nosso ranger.
publicações da Bonelli pela Mythos), que prontamente es-
clareceu algumas dúvidas.

Mas, e qual a vantagem de ter uma “série” morta se ela


Séries Publicadas
justamente não terá mais conteúdo produzido? Evidente- “Junior”
mente, que como consumidor, qualquer pessoa se sente Tex Segunda Edição
lesada por tal atitude. No entanto, há um segundo lado: as Tex Especial de Férias
coleções encerradas são raras, já que tem títulos reduzi- Tex Especial Colorido (Globo)
dos, além de serem um tipo de coleção fechada. Isso mes- Tex Grandes Clássicos
mo. Embora elas não tenham continuidade elas tiveram
seu valor histórico para o personagem e para a cronologia Tex Minisséries
de publicações em um país. Ou seja, de mero “engodo”, as Tex e os Aventureiros
coleções encerradas viram vedetes de estante. Tex Gigante (Globo)
Tex Gigante Colorido - Edição de Luxo
“E dai?”, pergunta você, meu caro leitor. E daí, que além Tex Gold (Fase de Teste)
de você ter uma coleção completa (mesmo que encerra-
da), o nível de raridade dela aumenta consideravelmente. SuperAlmanaque
Ou seja, como já sinalizamos, o patinho feio vira um lin-
do cisne. Por isso, não despreze conteúdo só porque uma
Edições Especiais
Especial Civitelli
determina série, no caso de Tex, foi “morta”. As razões
Almanaque do Faroeste
comerciais podem ser as mais variadas, é verdade, mas
nem por isso elas devem ser esquecidas. Especial Sergio Bonelli
Tex Especial 60 Anos
Há um segundo ponto que vale lembrar: embora para Fumetti - O melhor dos Quadrinhos Italianos
os veteranos de plantão a notícia de séries encerradas O Ídolo de Cristal - Livro
seja algo batido, a nova geração de leitores não faz ideia Revista Pôster
do que existe ainda por aí. Tex Almanaque (reedição)
Tex Gigante (reedição)
Por isso mesmo, dividimos esse artigo em partes e Especial 50 anos

PORQUE FALAR DE SÉRIES JÁ ENCERRADAS

Porque ex is te toda uma geração de leitores que não faz


ideia do que ainda existe por aí.

6 R E V I S T A F U M E T T I .
“Junior” novos leitores que haviam perdido os números mais baixos
na época de sua publicação original.

Há quem pondere que a existência desta “Segunda Edição”


seria apenas uma força para que os leitores completassem
suas coleções, em decorrência da grande dificuldade de
se conseguir números até o 100 da primeira edição, argu-
mentando que na verdade, a “Segunda Edição” tinha, de
fato, prazo para findar.

Tex Especial de Férias



Com 11 volumes no total, a Tex Es-
pecial de férias foi uma tiragem anual
A série entrou no mercado em 25 de julho de 1950. A pri que reunia, em tese, as melhores histó-
meira aparição de Tex na revistinha foi em seu número 28, rias escolhidas pelos leitores. Embora a
publicada em 25 de fevereiro de 1951. A série teve três for- existência de um almanaque de férias
matos de publicação: talão com uma tira, talão com duas fosse interessante, esta série, no fundo,
tiras, e, a partir do número 264, passou a um formato maior era mais um “repeteco” das histórias
de 13,5 x 17,5 cm, já com outros enredos que não Tex, que que já haviam sido publicadas.
se estenderam até julho de 1957, quando foi efetivamente
encerrada. Por isso, mesmo que prematuramente,
na sua 11ª edição, acabou sendo encerrada, considerando a
Na época, a Editora Globo, responsável pelo jornal O Glo- baixa procura no mercado.
bo, onde as revistinhas eram efetivamente comercializa-
das, aproveitou o filão comercial, explorando bem a forma Tex Especial
de publicação que acompanhava o estrondoso sucesso
hollywoodiano que filmes como Matar ou Morrer (1952) e A dúvida pode aparecer de cara: oras, mas não é a série da
Rastros de Ódio (1956, com John Wayne) estavam causando Mythos em andamento? Não. A Globo, quando possuía os
nas telonas. A tendência faroeste no cinema americano im- direitos de publicação de Tex, teve sua série especial em
pulsionou muito o mercado de HQs desde os idos de 1939, cores com seis números. Embora parecidos os nomes, as
com os primeiros grandes clássicos interpretados pelo mí- séries têm veios distintos.
tico ator John Wayne.
A Tex Especial foi lançada entre os anos de 1990 e 1997,
Assim como, na atualidade, em que o tema “super-heróis” no formato italiano e a cores. Foi a primeira série em co-
gira em torno do clássico eixo comercial Marvel x DC, para res lançada do personagem, o que por si só já despertava
a época, ter publicações acessíveis de grandes roteiros de curiosidade num público até então acostumado ao rotineiro
faroeste era uma oportunidade imperdível, o que fez com p/b das séries regulares. Mas então o que motivaria seu
que o herói italiano disparasse nas bancas brasileiras. fim?

E porque a Junior deixou de existir? Aparentemente, a série teria prazo de validade, ao me-
nos é o que se pode deduzir, embora a época de seu en-
Em parte, pela concorrência, em parte pela falta de ade- cerramento já se avizinhasse a saída de Tex da carteira da
quação da publicação. A frente competitiva que tinha com Editora Globo. Considerando que apenas duas das histó-
Xuxá e Pequeno Xerife, sem contar com outros heróis de rias publicadas nesta coleção já eram conhecidas (O Ídolo
banca, não habilitavam que Junior pudesse continuar por de Cristal, Vecchi, 1980 e Forte Apache, Vecchi, Tex Mensal
si, já que, mesmo passando por algumas reformulações, nº04, 1971), podemos deduzir, de um lado, que a motiva-
não era capaz de emplacar grandes acréscimos ao jornal, ção seria nada mais nada menos do que antecipar parte de
onde era publicada. histórias de boa repercussão e adiantar publicações, como
aconteceu como a “Tex Minisséries”, da Editora Mythos.
Tanto assim o é que em 1958, após grandes reestru-
turações, Junior era retirada de circulação, mais precis-
amente em fevereiro daquele ano. A partir desse jejum
forçado, as histórias de Tex entraram num longo e amargo
hiato de quase 13 anos, que só foi rompido com a promis-
sora publicação realizada pela Editora Vecchi em 1971, que,
pela primeira vez, trouxe as histórias do ranger em formato
italiano e totalmente voltadas ao personagem, iniciando um
ciclo que perdura até hoje.

Tex Segunda Edição


Iniciada em 1977, a republicação dos primeiros volumes
de Tex – edição normal (como é conhecida), durou 10 anos.
Acompanhando o formato da primeira edição, o formatinho
foi mantido assim como a sequência em preto e branco. A
Vecchi, Editora gaúcha procurou promover o interesse de CONTINUA NA PRÓXIMA EDIÇÃO!

R E V I S T A F U M E T T I . 7
Coleção Tex Gold - Salvat
Após um alguns pequenos problemas técnicos a distribuição se
normalizou na segunda quinzena de fevereiro, quando as edições
voltaram a chegar nas bancas de seguindo com a distribuição
setorizada.

Um lançamento que pode ter pego muitas pessoas Para mais informações acesse:
de surpresa, uma vez que a mesma editora já publicava https://www.facebook.com/ColecaoTexSalvat/
outras três séries nesse formato. Na verdade é um mo-
vimento de muita coragem, considerando nosso cenário E se não chegou até sua cidade você pode comprar
não só economico como também o mercado de quadri- diretamente com a Editora:
http://assinesalvat.com.br/colecoes/tex/
nhos no Brasil como um todo, dado pela Editora Salvat ao
lançar a coleção Tex Gold.

São 60 volumes em capa dura, totalmente coloridos,


com uma seleção de histórias especiais de Tex, editados
em volumes de grande formato com mais de 200 páginas
que chegarão às bancas quinzenalmente. O material vem
de coleções especiais (conhecidas na Itália como “Il Texo-
ne”) que geralmente contemplam os mais incríveis dese-
nhistas convidados, como o argentino Enrique Breccia, o
espanhol José Ortiz e o americano Joe Kubert.

Já foram lançadas seis edições (e quatro delas podem


ser encontradas no site da editora), todas as aventuras
foram retiradas de “Tex Gigante” em preto e branco e ne-
nhuma delas havia sido publicada em cores anteriormen-
te. Após um pequeno problema técnico a distribuição se
normalizou na segunda quinzena de fevereiro, quando a
edição #7 com a história “Mercadores de escravos” che-
gou às bancas, seguindo o que já é feito pela distribuição
setorizada.

Pra quem nunca leu histórias do Ranger mais famo-


so dos quadrinhos é uma ótima forma de entrar nesse
mundo, que é publicado aqui no Brasil desde 1971 de
forma ininterrupta. E é um prato cheio pra quem já
colecionava as mais variadas edições do Herói e
sentia falta de publicações com esse nível de qua-
lidade.
Mercado brasileiro de quadrinhos
e sua desconhecida origem italiana
Por Luiz Henrique Cecanecchia

A clássica luta entre gibis de super-heróis retocando quadrinhos (fazendo pequenas


americanos e mangás asiáticos é a imagem modificações no material estrangeiro para se
que surge com frequência quando se comenta adequarem no famoso formatinho), na editora
sobre mercado de quadrinhos no Brasil, sem RGE e, posteriormente, acabou produzindo his-
dúvidas. Mas outra camada desse cenário é tórias de faroeste para editora.
totalmente permeada de produções nacionais
com alta influência da Itália, terra Natal de Essas adaptações em que Primagio traba-
Tex, Zagor, Júlia e outros heróis cujo estilo dão lhava tinham fundamento: a divergência entre
nome a esta revista (Fumetti, plural de fumetto, o gosto brasileiro e o Norte-americano, era
o termo italiano para histórias em quadrinhos). notório, tanto que, uma publicação que lá por
ventura, encerrasse, ainda tinha uma alta de-
Nossa primeira produção nacional re- manda em solo brasileiro. Assim, as editoras
monta à época do genial Ângelo de Agostini, nacionais viram uma excelente oportunidade
chargista italiano naturalizado Brasileiro que, de lucrar com esses encerramento: pagar para
durante o Segundo Reinado e da República artistas nacionais criarem novas histórias. E
Velha, além de produzir diversas charges po- assim se sucedeu com os gêneros de terror,
líticas, criou as primeiras tiras registradas no velho oeste e super-heróis, para citar alguns.
Brasil: Nho Quim e Zé Caipora.
Mas a influência de Primagio não se res-
Ambas as publicações seguem a linha da tringiu a essa inovação. Ele ingressou na edi-
comédia, mas, com uma pitada de aventura. tora Abril e participou da fundação da Escoli-
As tiras por ele produzida, pelo fato de conte- nha Disney, o famoso núcleo para formação de
rem um personagem serializado, ou seja, com quadrinistas (desenhista-escritores), usando
conexão histórica entre as publicações, é con- como referência para a for-
siderada uma das mais antigas do mundo, o mação dos participantes, os
que confere ao ícone não só a paternidade dos filmes
quadrinhos brasileiros, mas também o título de
um dos pioneiros mundiais na referência em Muitos leitores desconhe-
quadrinhos, cuja presença é sentida até hoje. cem, mas, metade dos quadri-
nhos Disney que compramos
Dia 30 de janeiro é comemorado o Dia do atualmente são de origem
Quadrinho Nacional, justamente por ter sido nacional e só existem graças
nessa data (no ano de 1869), o início da publica- a essa Escolinha! Tudo docu-
ção de “As aventuras de nho Quim”. mentado no livro ”Roteiros e
Nessa mesma data, em 1984 a As- criação de Personagens”, do
sociação de Desenhistas e Carica- próprio Primaggio.
turistas de São Paulo, cria o prêmio
Ângelo Agostini, o verdadeiro Oscar Toda essa mistura de descobertas e esti-
dos quadrinhos publicados no Brasil, los, resultou nos diversos grupos de artistas
nacionais ou não, com diversas cate- nacionais que temos atualmente, muitos tra-
gorias, que estimula continuamente balhando pra grandes Editoras, mas também
novos autores e empresas investi- publicando conteúdo próprio. Aliás, inclusive o
rem na área. Apesar de sua massiva próprio Primaggio tem sua linha autoral com o
importância, somente agora foi re- quadrinho “Palhaço Sacarrolha”.
publicado, pela Editora Criativo, seu
SketchBook, que reúne as melhores produçõesUm mundo inteiro de artistas e descober-
de Ângelo. tas que, graças a tecnologia e uma nova leva
de produtores culturais, está a um clique de
Mas não só de Ângelo viveu a histó- distância.
ria: prosseguindo, temos Primagio Man-
tovi. Também ítalo-brasileiro, começou
sua carreira nos quadrinhos em 1964,
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HQtes
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E de
In
Um faroeste de fazer
inveja a Tarantino
Me apaixonei por Saint Alamo enquanto fazia pes- E nesse aspecto Jonathan Nunes nada de braçadas no
quisas sobre quadrinhos independentes brasileiros para roteiro. Uma mistura divertidíssima de fábulas, paródias
esta edição da revista. E então me deparei com a página e referências desde filmes até videogames (acredito que
do financiamento coletivo no Catarse já encerrado. Rapi- qualquer HQ de faroeste bebe da fonte de Tex, o grande
damente procurei pelos criadores da HQ buscando uma herói do genero).
forma de comprar a revista e claro, divulgá-la por aqui.
Aliás o capítulo que mostra todos os easter-eggs é fan-
Produzida pelos incríveis Jonathan Nunes e Rafael tástico! Um presentaço que em conjunto com os outros
Conte, a HQ é uma grata surpresas e pra mim a melhor extras só favorece a revista e o trabalho. Muitos de nossos
leitura que fiz em 2018 (sim ela é de 2017, mas infelizmen- personagens de desenhos animados de quando éramos
te eu só a conheci em janeiro de 2018). HQs de faroeste mais jovens estão por ali, por exemplo, Ligeirinho e o meu
nunca me atraíram muito, uma ou outra edição especial preferido: Coragem, o Cão Covarde.
ou algum grande artista “diferente” fazendo uma aventura,
mas Saint Alamo foge completamente do que lugar co- Produzida em preto e branco valoriza o trabalho de Ra-
mum das histórias de Western. fael Conte, com seu traço limpo e suas linhas muito arro-
jadas. Nos entregando um Castle arisco, uma raposa sexy
A começar por seus personagens que não são hu- e vários bichinhos fofos prontos para sofrerem. Além de
manos e sim “bichinhos” antropomórficos que longe de reforçar o elo de ligação com tantos outros heróis e anti-
serem “fofinhos” ou cordiais, sofrem com seguidos feri- -heróis das HQs tradicionais de western.
mentos de balas pelo corpo, mutilações e até explosões.
Tudo isso com uma dose altíssima de sadismo, o que faria Além do mais a ausência de cores reforça seus perso-
com que Garth Ennis e Tarantino parecessem roteiristas nagens e o ambiente pesado e sombrio que cerca nosso
de histórias da Turma da Mônica! xerife. Um elenco digno de um ótimo spaghetti western.

A trama, que é ambientada no auge do Velho Oeste, É o “Gato de Botas” versão Justiceiro (o herói da Marvel
conta a história do xerife Raymond Castle, figura máxima e que teve sua melhor fase justamente com Garth Ennis
da Lei na cidade de Saint Alamo. O xerife Castle esconde no comando) que toda criança realmente esperou pra ver,
um grande segredo, ele foi um assassino e ladrão perigo- ou você acha mesmo que o nome de ambos ser “Castle” é
so conhecido como Claw, sair dessa vida lhe custou um apenas coincidência?
olho inclusive. Tudo caminhava muito bem até a chegada
de um velho conhecido, que pode trazer o passado som- Saint Alamo – Balas não sentem Culpa – Parte 1 tem
brio do xerife de volta, destruindo tudo o que Castle reali- formato em 16 x 27 cm, 88 páginas, capa cartonada e pre-
zou em sua “nova vida”. ço a partir de R$25,00. Você pode adquirir o exemplar no
site oficial: http://alamocomics.com. Eu garanti a minha
A história se divide em duas linhas temporais, passa- cópia com direito a dedicatória.
do e presente. Vai alternando flashbacks, mostrando sua
vida de fora-da-lei. Bebendo da fonte do que a maioria das
séries de TV executa atualmente, quebrando o tradicional
estilo de uma HQ de faroeste e atualizando a narrativa
para o que estamos acostumados a ver em outras mídias.

RAFAEL E JONATHAN
Durante evento de divulgação de Saint Alamo

1 0 R E V I S T A F U M E T T I .
Raymond Castle é o violento e misterioso xe-
rife da pequena cidade de Saint Alamo, no ve-
lho oeste americano. Mas ele nem sempre foi
um homem da lei. Castle esconde em segredo
absoluto seu passado criminoso, onde era um
assassino e ladrão conhecido apenas pela al-
cunha de “Claw”.

Quando o xerife finalmente acredita ter deixa-


do o passado para trás, um forasteiro chega
à cidade obrigando-o a se preparar para uma
guerra contra um velho conhecido, que amea-
ça não apenas acabar com sua integridade físi-
ca como revelar os seus segredos, destruindo
tudo o que ele construiu. Uma trama repleta de
ação, drama, comédia e uma boa dose de san-
gue.

Uma homenagem ao western

Um dos motivos da escolha da temática é o fato


de que ambos autores são grandes fãs do gêne-
ro western (faroeste). A história de Saint Alamo
tem como inspiração várias obras clássicas e
contemporâneas que envolvem a lenda e o fas-
cínio pelo velho oeste, como filmes, histórias em
quadrinhos, músicas, contos e games sobre a
época, o que também oportunidade para várias
referências e easter eggs que os fãs vão poder
descobrir.

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1 2 R E V I S T A F U M E T T I .
Como vocês resolveram entrar para o mundo das HQ’s? criando coisas novas e, é claro, incentivando novos Não Sentem Culpa, mas nossa ideia é que esse universo
Jonathan e Rafael: Como todo artista, antes de qualquer artistas a trilhar esse mesmo caminho. consiga funcionar muito bem mesmo se contarmos ou-
coisa somos grandes fãs do meio no qual hoje trabalhamos. tras histórias. Temos planos para em um futuro, após
Consumimos quadrinhos desde pequenos e nossa paixão E o que falta para o artista independente ser a conclusão desse volume, voltamos a trabalhar nesse
sempre foi gigantesca por essa mídia. Nossa decisão não valorizado? mundo, e talvez termos a história focada em outros per-
foi necessariamente a de entrar para o mundo dos autores, Jonathan e Rafael: Na maioria das vezes, cre- sonagens dessa pequena cidadezinha. Por isso cada um
mas sim de criar uma HQ nossa. Após muitas conversas mos que faltam oportunidades. Os leitores em sua dos demais cidadãos da cidade foi pensado de maneira
percebemos que tínhamos uma história e decidíamos que grande maioria não compram algo que eles não a ter uma personalidade bastante própria, podendo ter,
devíamos coloca-la no papel, para que ainda mais pesso- conhecem, que não ouviram falar bem sobre e, na quem sabe, seu momento de protagonismo em um fu-
as pudessem conhecê-la. No momento que decidimos que verdade, não há como culpa-los por isso, afinal é turo.
embarcaríamos nessa jornada, nossa única opção foi nos assim que as coisas funcionam. Ainda existe um
jogar de cabeça, e até o momento não temos previsão de certo receio para com o quadrinho brasileiro, mas Não vou estragar a leitura, mas ter uma “aparição”
parar. felizmente isso está mudando. Então, cremos que do Coragem o Cão covarde foi sensacional! De onde
o artista tem que fazer o máximo para apresentar surgiu a ideia de misturar elementos tão diversos?
De onde veio a ideia de misturar animais com esse fa- sempre o seu melhor, com muita informação sobre Rafael: Eu sempre curto uns easter-eggs, e quando
roeste estilo Tarantino? Vocês tiveram inspiração em Tex ou o trabalho para dar a certeza de que vale a pena vejo algum sempre abro um sorriso. Ao meu ver, essa
outro quadrinho? investir nele. Uma maneira interessante é tentar é uma pequena homenagem aquele personagem que
Jonathan e Rafael: A ideia surgiu do Rafael, numa con- divulgar nas redes sociais, pois é ali que a maio- tanto curtimos, e é isso que fazemos em Saint Alamo,
versa onde ele disse que o tema parecia bacana. A princípio ria do público está. Apesar disso, o alcance nes- colocamos várias referências de filmes, games, séries
o Jonathan não colocou tanta fé, mas quando vimos, no dia sas redes não costuma ser como se espera, então e é claro, desenhos animados. Quando tivemos a ideia
seguinte ele já havia escrito um roteiro para uma história o truque é ter bastante paciência e perseverança. de usar personagens antropomórficos, tudo ficou mais
curta sobre Castle e Saint Alamo. Percebemos então que divertido e homenagear esses personagens tão queri-
havia muito mais que poderíamos explorar nesse universo Como está a receptividade do mercado com a dos ficou ainda mais fácil, uma vez que o estilo que sigo
e começamos a expandi-lo, até a ideia ganhar finalmente revista? é um pouco parecido.
um corpo e clima que achamos digno. A princípio, a ideia Jonathan e Rafael: Até o momento recebemos Não defino antes qual easter-egg usarei nos qua-
era que tal universo fosse um pouco mais infantil e caricato, críticas bastante positivas e empolgadas, além de dros, isso vem do momento e preciso ver se ele encai-
mas as influências de personagens como Tex e Jonah Hex, observações pontuais e deveras interessantes so- xaria bem ali. Você mencionou o Coragem, pois bem, na
nos jogaram em outro rumo, que hoje julgamos bem mais bre a obra, algo que nos dá ainda mais ânimo para cena os cidadãos estão passando por uma situação um
interessante. continuar o trabalho. Por se tratar de uma HQ in- tanto assustadora, então a ideia de colocar o Coragem
dependente, quase toda a venda é feita através do ali no meio surgiu automaticamente. hahaha.
Qual dos dois teve a ideia inicial e como foi dividi-la? nosso site ou em eventos, porém, apesar dessas
Jonathan e Rafael: Sobre a ideia inicial, acabamos respon- limitações, estamos tendo um retorno de público Para fecharmos deixo aqui meu agradecimen-
dendo na pergunta anterior. A ideia de dividir a história em bem animador. to especial por aceitarem nosso convite e nos dar a
dois volumes veio por necessidade mesmo. Adoraríamos oportunidade de divulgar um trabalho MUITO legal.
publicar toda a história num volume único, mas além de ser Nesse aspecto a divulgação através das redes A fumetti. está de portas abertas pra vocês e pra
um trabalho hercúleo demais para dois iniciantes, também sociais, sites e blogs funcionam bem? Melhor que não quebrar o protocolo, mandem um recado para
seria necessário um investimento que não tínhamos condi- uma venda em banca por exemplo? os leitores.
ções de arcar. Sendo assim, dividi-la em duas partes foi a Jonathan e Rafael: São poucas as bancas que Jonathan e Rafael: Primeiramente agradece-
melhor solução tem Saint Alamo a venda, e as que tem estão quase mos pela atenção da fumetti e por este espaço para
inteiramente localizadas aqui no nosso estado, Rio divulgarmos a nossa obra. Aos leitores deixamos
Como vocês enxergam a importância do artista inde- Grande do Sul, por isso fica complicado falar sobre nosso convite para que conheçam Saint Alamo
pendente? esse tema. A divulgação online ajuda bastante, mas através da página no facebook (Alamo Comics), ou
Jonathan e Rafael: Acreditamos que a importância está só ela não garante as vendas da HQ. Algo que tem do nosso site onde podem adquirir a revista (ala-
na criação, onde existe toda aquela liberdade da qual uma nos dado um bom retorno é os eventos que temos mocomics.com). Lembrando que estamos sempre
editora provavelmente não proverá. Assim, ao pegar o tra- participado, por isso pretendemos expandir nosso abertos aos diálogos e feedbacks dos leitores, pois
balho de um artista independente você estará com um ma- alcance esse ano, visitando eventos fora do estado e é só através dessas conversas bem fundamenta-
terial inteiramente autoral em mãos. Outro ponto importante da região sul. Afinal, acreditamos que nada substitui das que poderemos lapidar ainda mais o nosso
é a diversidade que isso promove, onde você pode ter vários o olho no olho com o público que irá ler a obra. trabalho. Muito obrigado, e forte abraço.
temas abordados e com visões e opiniões bem diferentes.
Também é muito importante o incentivo do leitor, seja adqui- O foco da história é sobre Castle, o protagonis-
rindo o material ou simplesmente compartilhando com ou- ta. O que podemos dizer dos outros personagens?
tros leitores, pois isso faz com que os artistas fiquem ainda Jonathan e Rafael: Castle é sim a peça prin-
mais motivados com seus trabalhos, sempre melhorando e cipal nesse primeiro volume de Saint Alamo, Balas

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Q s s
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cia den
pe en
Esdep
In Gringo - O Escolhido
A HQumGringo - lançado
O Esco- A arteconcebeu
fica poroconta de Aloísio de Castro, se
lhido, título Wilson personagem, Aloísio foi quem
em 2006, ema história am- tornou real suasgrande
feiçõesdestaque
e trejeitos. Seus dese-
bientada 1865 traz um nhos merecem (e particular-
solitário mestiço, filho de mente me parecem inspirados nos do do italiano
mãe sueca e pai mexicano, Sergio Toppi). Além do desafio de trazer Gringo
que sobreviveu a Guerra afrio,vida,passou
Aloísio trabalhou para a Revista Cala-
da Secessão e tenta levar pela Editora Abril e nos anos 1990
sua vida adiante. Carre- trabalho como co-roteirista do filme Cassiopéia
ga consigo onde um passado (de Clóvis Vieira),
sangrento, apren- totalmente feito poro primeiro
animaçãodesenho
gráfica. animado
deu a matar sem piedade
para
tepodeo não morrer. Aainda
mor- E são
são fundamentais
os excelentes traços de Aloísio de Cas-
rejeitou. Mas tro para que os leitores en-
levá-lo, sejacasal
por in- trem no clima de Velho Oeste da HQ.
termédio de um de
vigaristas que vende um Duas curiosidades: esse trabalho levou mais
“elixir milagroso”, de um de 20 anos para ser publicado! Eloyr Pacheco foi
xerife obstinado, de um prisioneiro espertalhão quem garimpou todo esse material “engavetado”
ou de um grupo de violentos comancheros. pelos autores e levou opublicar
trabalhoessaà Nomad Edi-
tora. Seu empenho em história fez
Tiroteios, umacontra
explosiva fuga da prisãogigante
e uma com que a editora se interessasse pela HQ e fi-
luta de Gringo um verdadeiro nalmente a publicasse.
estão entre essa
os ingredientes que Vieira juntou
para contar aventura no melhor estilo “fa- Etrailer
Clóvis Vieira preparou comalgo
ajudararíssimo
de Aloísio,
roeste italiano”. um animado do álbum, em
nosso mercado de quadrinhos. Assista ele aqui:
Todosárida
os envolvidos estão encravados numa https://goo.gl/okY1hT
terra e adversa, lutando por um alforge
recheado deOdólares quenãopodesabemmudar suasGringo,
vidas A arte daporcapaRenato
é outro ponto(Superman,
de grandeOmac, des-
miseráveis. que eles é que taque, feita Guedes
oqualquer
verdadeiro coisadono
para desse tesouro,suastambém fará Papa Capim).
não perder economias. A edição é recheada de “extras”, PrefácioWil- de
O roteiro é do um
criador doexclusivo
personagem Wilson Eloyr Pacheco, uma matéria onde o próprio
Vieira (batemos papo com ele na son Vieira conta como foiinéditas
a GuerradeCivil Ame-
edição #2 da fumetti. ) que começou sua carreira ricana, várias ilustrações Aloísio de
como desenhista e aos poucos foi migrando para Castro, galeria de pin-ups produzidas por vários
osenhou
roteiro. Fez diversos trabalhos na Itália, de- artistas, biografias dos autores e Posfácio de
Diabolik, depois trabalhou na SBE (Sergio Wilson Vieira.
Bonelli Editore) eentre outras. Seu traçoVoltou
ainda
hoje é lembrado reverenciado no país. Gringo -tempo,
O Escolhido é uma obraouque não so-
ao Brasilé euma
trouxe consigoema relação
idéia desta história. freu com o seja o de criação o de lança-
Wilson sumidade a Guerra Ci- mento. Ainda é uma excelente opção de leitura
vil norte-americana (1861-1865) e ao período em para os fãs de um bom Faroeste. E principalmen-
que ela acontece, diga-se de passagem. tedo estereótipo
para quem gosta deo personagens quediz:fogem
NÃO ESCREVO, PARA CRIAR HERÓIS!” “EU
comum, próprio Wilson

1 4 R E V I S T A F U M E T T I .
Nanquim Arretado
Nanquimde Arretado é qua-
uma dasSer Policial ajuda na criação Comopara
vocêessa
vê odivulgação
papel de sites
coletânea histórias em histórias? eartista
blogs do
drinhos doprojeto
desenhista Aurélio Em como
certoPM ponto sim, meuastra- independente?
Filho. O independente balho me coloca ve- Muito bom, temquemuita gen-
traz as mais variadas historias zes em situações que facilmente tedivulgação
aí da internet ajuda na
em quadrinhos a cada edição (já poderia ser transformada em dos independentes,
são 3 até agora) e que misturam quadrinhos. destaco nesse meio a que
Michelle
realidade com casos,
ficção,problemas
abordan- Ramos do Zine Brasil sem-
do em alguns Comodovocê enxerga a impor- pre apoio meu trabalho e ago-
sociais
da secacomo drogas e o flagelo tância artista independen- ra você que está me dando essa
no Nordeste. te?Vejo pela importância da fo- oportunidade na qual agradeço
muito
Natural deem Campina Grande mentação das histórias em qua-
(mas mora Patos), Aurélio drinhos, e também da interação
Filho é Policial Militar, dese- de desenhistas e roteiristas, o
nha desde os 17 anos e na déca- quadrinho independente só vem
da de 80decriou em sua cidade um somar no que sedessa refere aoPena
en-
clube quadrinhos chamado grandecimento arte.
Watson Portela, Pernambuca-
em homena- que não temos muito apoio.
gem ao desenhista
no. Também Arteeditou
Final.e desenhou o E o que faltaserpara o artista
Fanzine independente valorizado?
Apoio do consumidor de in-
HQ
Batemos um papo com elemer-
so- na aquisição das publicações
bre seu trabalho e o atual dependentes, valorizando assimo
cado de quadrinhos nacionais: nosso trabalho, infelizmente
público dasmais
HQs espero
independentes
éo tempo
restrito,isso possa mudar.que com
Pra quem nãopraconhece seu
trabalho, conta gente um Como anda a produção de
pouco de como começou o nan- quadrinhos em sua cidade?
quim arretado? Estacionada, na verdade o
O Nanquim Arretado sur- Nanquim Arretado deu um
giu da ideia de reunir alguns novo ânimodeaquelas pessoas
trabalhos meus deem80quadrinhos, que gostam desenhar e fa-e
desde a década tinha esse zer quadrinhos aqui em Patos,
sonho de um dia poder publicar com isso também vez surgir no-
algo independente que pudesse vos adeptos.
divulgar meu trabalho.
seusComo você vê o futuro dos
O que podemos encontrar Na quadrinhos?
revista? Vejo umas futuro mais promis-
Vaivárias
encontrar um quadrinho sor, com pessoas que gostam
com temáticas, foco mui- do quadrinho e do meu traba-
tosociais,
a realidade dos problemas lho valorizando e apoiando meu
Droga, Aborto, Secae in-
no esforço.
nordeste, Suicídio, enfim,
cluo também alguns trabalhos
de terror e ficção.

R E V I S T A F U M E T T I . 1 5
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UCMComics, um selo pioneiro


E de
In

Produzindo HQs online gratuitamente desde 1990, o UCMComics


se destaca pela qualidade e riqueza de seu universo ficcional.
Conheça um pouco mais dessa belissíma iniciativa nas palavras
de seus criadores.

A UCMComics começou com dois fanáticos por qua- para aqueles dois pretensos quadrinistas que queriam
drinhos desenhando em seus quartos histórias e perso- mostrar seus trabalhos ao mundo de qualquer manei-
nagens com o intuito de fazer uma revista, que pudesse ra. Foi assim que ambos os Marcelos, Castilho e Oliveira,
ser lido também por outras pessoas que não apenas seus projetaram o que seria o primeiro site de quadrinhos para
familiares e amigos. Esses dois fanáticos por quadrinhos download de graça, isso os anos 2000 apenas começando,
e na época decenautas de plantão, são Marcelo de Olivei- lado a lado com outro site expoente, o Nona Arte.
ra e Marcelo Castilho. Claro que ainda não havia a sigla
UCMComics, mas eles já aspiravam em um dia criar um A repercussão foi grande. Pelas estatísticas mensais
selo que viesse a demonstrar que poderiam produzir suas mais de 200 usuários baixavam os quadrinhos da UCMCo-
próprias revistas. Ainda nos anos 1980, mais próximos de mics e o provedor ficava a todo momento pedindo espaço.
1988, fanzines eram produzidos aos borbotões e muitas De lá para cá muitas águas rolaram e assim, muitos pro-
ainda eram de bandas de rock, bandas punks, bandas de jetos de layouts foram ao ar e muitos projetos de quadri-
rockabilly e cinema. Havia fanzines que falavam sobre nhos também foram colocados à prova. A UCMComics não
quadrinhos, claro, mas os Marcelos queriam mostrar que se transformou apenas num selo de quadrinhos indepen-
também faziam quadrinhos e foi assim que surgiram dois dentes para downloads dentro de um site qualquer. Não.
títulos que iniciaram a carreira desses dois quadrinistas
e o surgimento do selo UCMComics (Universo Cultural de O Estúdio se transformou num fomentador de quadri-
Mídias & Comics): O Portal e Conexão Zine. nhos independentes, além de promover cursos, oficinas,
workshops e exposições por toda a cidade e imediações,
E onde estaria o principal alvo para lançar esses dois o Estúdio UCMComics também vem promovendo o acesso
títulos? A Gibiteca de Curitiba e os primeiros encontros a outras mídias. Um Canal no Youtube falando de quadri-
de fanzineiros, onde se trocava de tudo, fanzines de cul- nhos pelo mundo, um podcast com discussões sobre to-
tura diversas por fanzines de rock; fanzines dos os temas que o entretenimento pode abarcar, além de
de quadrinhos por fanzines de fãs do Black Storytelling’s e vídeos diversos sobre o quadrinhos.
Sabbath e por aí vai. Era um divertimento só.
A Gibiteca sempre foi um ponto de en- O Estúdio UCMComics já promoveu um evento de en-
contro e foi lá que fizeram amigos, trevistas junto a Biblioteca Pública do Paraná onde trouxe
participaram de cursos e mensalmente figuras importantes do quadrinho parana-
também foram professo- ense para debater com o público seus trabalhos; o Estúdio
res. Difícil imaginar já se antecipou e revigorou a Gibiteca da Biblioteca Pública
que um dia o do Paraná, onde catalogaram todo o acervo; separaram as
advento da obras raras para serem conservadas e outras obras para
Internet serem restauradas; estantes novas foram compradas
seria para que o acervo estivesse locado por ordem de gêne-
t ã o ros e títulos, ou seja, um respiro delicioso que a Biblioteca
be- teve e que seus usuários aplaudiram.
né-
fico Hoje, o UCMComics continua trilhando seu caminho
com o mesmo propósito, fazer quadrinhos independen-
tes; distribuir seus quadrinhos, seja digital ou impresso
e principalmente estar fomentando o quadrinho nacional
como uma bandeira a ser hasteada dia após dia. Esta é
a meta do Estúdio UCMComics que a mais de 25 anos
está entre os mais conhecidos estúdios de quadrinhos
do Brasil.

1 6 R E V I S T A F U M E T T I .
Uma das muitas séries disponíveis para download
no UCMComics - http://ucmcomics.com/

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HQtes
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E de
In Gringo, agora em livros
Migrar um personagem de HQ para um livro possibilita que a
imaginação de cada leitor produz, tiram dos personagens as
amarras e o desenvolvimento raso, dando a eles a profundidade
que muitas vezes uma HQ não permite.

Experimentamos atualmente um movimento generoso Serão 4 livros pela Editora Red Dragon Publisher,
onde muitos heróis dos quadrinhos migram para outras mostrando um GRINGO como você nunca viu, ele é
plataformas, televisão, cinema e principalmente um am- um cavaleiro solitário, que está bem distante de ser
biente onde eles não precisam sofrer com as limitações um dos tradicionais heróis do West, sempre prontos
de poucas páginas ou mesmo os traços de seu desenhis- a enfrentarem seus inimigos, respeitando as regras de
tas, os livros de prosa. Lá nesse ambiente a interpretação um jogo leal. GRINGO não. Ele não é esse tipo de herói
visual que a imaginação de cada leitor produz, tiram dos idealizado; absolutamente.
personagens as amarras e o desenvolvimento raso, dan-
do a eles a profundidade que muitas vezes uma HQ não E para celebrar esse lançamento, batemos um papo
permite. com Alex Magnos, da Red Dragon Publisher, sobre o
Gringo, Mercado, as outras HQs da Red Dragon... Confira
Em outros países da Europa e nos Estados Unidos, os à seguir:
contos e romances estrelados por super-heróis dos gibis
são uma realidade consolidada, são vários lançamentos
de livros por uma gama ainda maior de editoras e que
virou uma indústria altamente lucrativa.

Uma boa surpresa para os fãs de literatura e qua-


drinhos aconteceu quando a Mythos trouxe ao Brasil Gringo em grande arte de
duas obras estreladas pelos heróis mais famosos Marcos Martins
da Sergio Bonelli Editore: Tex – A história da mi-
nha vida, escrita por Mauro Boselli (e com ma-
téria na edição #1 da fumetti.), e Zagor – Os
muros de Jericho, de Moreno Burattini.

Com o Gringo não poderia ser dife-


rente! Esse mestiço que foi criado no
início dos anos 1980 e depois de vinte
anos teve sua primeira HQ lançada,
acabou tendo seu desenvolvimento
limitado graças ao formato que uma
revista tem, obrigando o leitor a ficar
com aquela impressão curta sobre
sua complexa personalidade. Gringo é
um exemplo de que bons personagens
ficam a vontade durante essa “migra-
ção de ambiente”.

Esse Mestiço Saído das cinzas de uma guerra


civil, leva consigo as marcas de um passado sangren-
to. A morte o rejeitou, mas ainda pode levá-lo a qualquer
momento. E isso significa enfrentar a crueldade, o ódio, a
vingança e os fantasmas da mente. Porém não procura
desforras ou redenção.
Conta um pouco do seu trabalho diário e como conhe- Como fazer com que nosso mercado de quadrinhos
ceu o Gringo (e claro o Wilson)? ou mesmo de livros independentes baseados em qua-
Bem, em primeiro lugar, a formalidade dos agradeci- drinhos (uma vez que o Gringo surgiu numa HQ) seja
mentos! Então, muitíssimo obrigado por essa oportunidade bem sucedido se, às vezes, nós mesmos não colabo-
de falar um pouco do meu trabalho para essa revista que já ramos?
começou bem e que me conquistou como leitor. Sou prati- Falando em quadrinhos, no Brasil, apesar das
camente um neófito no mundo de Tex, mas o futuro parece small press, como a Red Dragon conseguiria expor mudanças que vêm ocorrendo nas últimas décadas,
promissor. à venda suas publicações de livros e HQs em países ainda há uma grande desvalorização quanto ao que é
Quanto ao trabalho, rapaz, o desejo tanto de contar his- como EUA, UK, Alemanha, Itália, França, etc, sem feito de quadrinhos por aqui. Falo de uma forma geral.
tórias, criar quadrinhos ou fumetti, como chamam nossos ter que desembolsar uma nota preta que, falando a As pessoas ainda dão mais valor a algo quando é feito
irmão além mar, bem como editar e publicar, vem desde a verdade, não temos? Meu lema é reclamar menos, lá fora e depois vem para cá. Por outro lado, o que é
infância. Eu já fazia fanzine nos anos 80. Portanto, eu soube agir mais, usando as ferramentas que tenho. No produzido aqui precisa melhorar, não falo em qualidade
que isso era algo que eu iria fazer a vida inteira, e como outro lado dessa moeda está o leitor, o consumidor. gráfica, mas em conteúdo mesmo, falo de roteiro, pois
vivemos no Brasil, onde o mar de rosas não é para todos, Muitos ainda hoje vivem limitados pela comodidade desenhistas bons existem às centenas; falos de bons
essa é a terceira tentativa de embarcar seriamente nesse do “quando vai chegar à minha cidade”, “à banca x”, criadores de histórias. Nesse quesito, a qualidade das
mundo editorial, fazendo o que gosto que é, também, editar “à livraria x”, digo desde já que esse bem pode não HQs produzidas no Brasil ainda deixa muito a desejar.
e publicar. Felizmente, nessa terceira vez, as coisas estão ser o público da Red Dragon. Eu costumo dizer que Existem ótimos roteiristas sim, mas dois ou três não são
dando certo, tudo está caminhando pela vereda certa. Creio tudo que faço ou publico na Red Dragon eu faço e suficientes se falamos em um mercado. Acredito que,
que as tentativas anteriores me ensinaram a tomar as deci- publico para mim mesmo, quem tiver um gosto (um com bons roteiristas, bons desenhistas, boas HQs, o
sões, as escolhas certas, então, vamos em frente! bom gosto, melhor dizendo) semelhante ao meu, irá resultado é um crescimento do sonhado “mercado na-
Já conhecia o nome Wilson, afinal, quem não conhe- consequentemente conhecer, consumir essas pu- cional” motivado pela própria produção nacional.
ce, certo! Mas nosso primeiro contato direto foi, se não me blicações. Exemplo: sou leitor de quadrinhos desde
engano, em 2009, quando então eu estava à frente da re- os anos 80, lembro-me de ir à banca comprar meus Você me contou que já editou outras HQs do Wilson,
vista Quadrix Comics. Trocamos alguns emails, quando tive gibis todos os meses até os fins dos anos 90, mas quais foram? E como foi esse trabalho?
o prazer de editar umas HQs dele de horror e western. Foi hoje não faço mais isso. Hoje 100% das minhas aqui- Na sequência foram: Kwi-Uktena (western-hor-
nesse tempo que Wilson me falou sobre Gringo pela primei- sições de HQs, livros, outras coisas, são feitas on- ror), Evolution (ficção-científica), Censurado (terror, já
ra vez, mas infelizmente, devido a algumas decisões equi- line, em lojas virtuais. Esse para mim é um serviço publicada na antiga Calafrio em 85, e desenhada pelo
vocadas quanto a pessoas que estavam ao meu redor, tive fundamental que além de economizar o meu tempo, mesmo artista da HQ Gringo: O Escolhido) e O Ceifeiro
que dar um tempo e esperar um momento mais apropriado também me oferece ótimas oportunidades de com- (outra de western-horror). Teve uma outra, Coulrofobia
para retomar as rédeas das coisas, o que é justamente esse pras. Por isso que o público alvo da Red Dragon, se (terror), que fiz as letras, a diagramação, etc, mas com
momento em que estamos. Assim, nada mais justo que é que podemos dizer assim, é aquele que tem uma o fim da Quadrix Comics, não foi publicada. Eu gosto das
Gringo retorne por aqui. visão semelhante a essa, aquele que reconhece a histórias criadas pelo Wilson porque ele fala de coisas
importância da internet, tanto para quem produz que tenho interesse, além de experimentar em assuntos
Como surgiu a Red Dragon, tem planos para ter HQs como para quem consome esses tipos de produtos. que parecem distantes, mas que casam perfeitamente,
através dela ou somente livros? como é o caso das HQs de western-terror. Outra coisa
Então, a Red Dragon surgiu da minha necessidade de houve um amadurecimento do mercado, ou que acho fantástico no talento do Wilson é a capacidade
publicar minhas próprias HQs, os livros vieram depois. De- vivemos apenas as famigeradas bolhas de cresci- dele criar ótimas histórias em HQs extremamente cur-
pois de cessei os trabalhos como editor da Quadrix em 2012, mento isolados e desarticulados? tas. Acho que isso vem do fato do Wilson ter uma maior
não consegui realmente ficar muito tempo longe, é algo que Houve sim, um crescimento, e ao meu ver, foi influência da versatilidade da BD europeia mais que dos
realmente amo fazer. Então retornei em 2015, dez vez, diga- considerável, isso se deu justamente por conta da “american comics”. Isso é algo que estou buscando
mos, um pouco mais sábio, ou “mais calejado” como dizem expansão da internet e, obviamente, do avanço e para minhas próprias criações.
por aí! Com esse retorno, comecei publicando minhas HQs facilidades das tecnologias de informática voltadas
e livros em inglês nos EUA e Europa em forma de ebook para a área gráfica. Lembro-me que nos ano 80, os E as suas Hqs? Sobre o que elas são? Que person-
pela Amazon, hoje já publico em formato impresso também, recursos que dispunhamos para autopublicação agens podemos destacar, o que podemos esperar delas
tendo ótimos resultados. Foi só em dezembro de 2017, que eram máquina de datilografia, tesoura, cola, cor- e claro, quando elas sairão?
comecei a publicar meus livros e HQs aqui no Brasil, fazen- reios e muita vontade para fazer. Hoje temos vários Rapaz, eu escrevo praticamente sobre tudo. Lógico
do um teste para ver no que daria e para minha surpresa, softwares para edição e editoração de imagens e que tenho preferência por fantasia medieval, mas ten-
também tive bons resultados até o momento. textos, diversas plataformas online para publicar e ho escrito roteiros para HQs de terror, fantasia heroica,
distribuir tanto livros quanto HQs, além disso temos mitologia, ficção científica, fantasia espacial, region-
Quais são os desafios que você enfrenta como editor recursos como serviços de financiamento coletivo, alismo / cangaço (com forte influência do Spaghetti),
independente? E claro conta o lado bom também. além disso temos o surgimento da impressão por suspense e sobre seres poderosos, mas não chamaria
Como diria o saudoso Raul Seixas, “o homem é o exer- demanda trouxe que uma enorme facilidade para de super-heróis. No momento, estou produzindo duas
cício que faz”, eu penso que os desafios estão lá para nos todos os sonhadores que acreditam em si mesmos séries de fantasia heroica medieval, uma com base
auxiliar, nos ajudar a vencer, melhorar a nós mesmos e e querem deixar o mundo de Hipnos e arriscar em em elementos de mitologia / cultura celta é Lochlann:
aquilo que estamos fazendo. Afinal, a vida em si mesmo é suas próprias capacidades. Acredito que, no mo- Guerreiro do Crepúsculo Negro, a outra, com base em
uma constante de desafios, sem os quais tudo seria bem mento em que vivemos, não é mais concebível es- elementos de mitologia / cultura nórdica, que é Crôni-
monótono, mesmo no mundo de hoje. Nesse meio indepen- perar por oportunidades, pois temos à mão todas as cas de Ghowndangard. As duas já vem sendo publica-
dente ainda vejo pessoas reclamando sobre distribuição, ferramentas para que possamos revelar nós mesmo das nos EUA e Europa desde o ano passado. Para este
reclamando dos altos valores praticados por empresas ao mundo. Além disso, penso o seguinte, com todos ano continuarei com novos capítulos para essas duas
especializadas, quando temos à nossa mão a maior fer- os recursos que temos disponíveis, se você não ar- séries, mas também estou desenvolvendo outras 4 HQs
ramenta para distribuição e divulgação de nossa produção risca investir em si mesmo, por que outra pessoa com histórias fechadas, todas de terror ou medieval.
- a internet. Todo o foco da Red Dragon está voltado para a o faria? Interessados em saber mais e acompanhar sobre o
internet. De que outra forma uma pequena empresa, uma desenvolvimento dessas e outras HQs, basta visitar o
site da Red Dragon.
R E V I S T A F U M E T T I . 1 9
Qs s
H te
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p
i
ecend
Esdep
Comemoração em
In dose dupla
Red Dragon Publisher é uma edi-
tora que foi criada por Alex Magnos,
inicialmente atuando como presta-
dora de serviços gráficos, graphic
design, promoção de eventos, comu-
nicação visual e outras mídias. Com
o passar dos anos Alex sentiu neces-
sidade de um meio para publicação
de sua produção tanto de História em
Quadrinhos como de livros.

Seguindo com o crescimento e


procurando manter viva a ideia de es-
tabelecer uma atmosfera ideal para
profissionais criativos independentes,
hoje a editora oferece aos autores e
quadrinistas independentes os servi-
ços gráficos de diagramação, edito-
ração, publicação e impressão para
livros, brochuras, revistas em quadri-
nhos e graphic novels com pequenas
tiragens ou sob demanda.

E justamente duas HQs da editora


terão edições especiais de aniversá-
rio neste ano, Bravo Jan: O Retorno de
um Cangaceiro comemora 16 anos de
seu lançamento e Haken Kreuz feste-
ja 8 anos de publicação.

Bravo Jan
Inspirado no cangaço mesclado
com a arte do grande Will Eisner.

Originalmente publicada em 2002,


em um fanzine apenas chamado
Bravo Jan e mais tarde republicada
na revista Quadrix Comics: Aventura
e Ficção # 1, em novembro de 2009.
Esta história de Bravo Jan é verda-
deiramente um conto em quadrinhos
leve e engraçado. Em 2000, escrevi
um roteiro sobre uma história em Até agora, aquele meu roteiro nunca teve oportunidade de vir à luz, mas
quadrinhos chamada simplesmente deu inspiração a um jovem artista, e poucos dias depois ele criou essas
“Cangaceiros”, os famosos ou infa- mesmas páginas que você tem agora em suas mãos. Eu devo dizer, essa
mes fora da lei e pistoleiros da cul- não é realmente minha história, mas uma outra, e sim, essa é exatamente
tura popular brasileira durante o final a primeira aventura de Bravo Jan que agora está comemorando seu 16º
do século 19 e a primeira metade do aniversário.
século 20 - um período da História do
Brasil que realmente gosto.
Haken Kreuz
Esta edição de Haken Kreuz traz
a primeira versão da história do per-
sonagem homônimo, que é um ser
superpoderoso, fruto de experiências
genéticas nazista realizadas em solo
Brasileiro após a queda no Reich. Em-
bora o personagem Haken Kreuz seja
um ser com poderes sobre-humano,
ele não é um super-herói, mas um
anti-herói, o que fica bem claro com
a leitura dessa primeira aventura do
personagem. A história apresentada
nessa edição é um esboço do perso-
nagem e seu universo.

O universo de Haken Kreuz é bem


amplo e não só envolve o Nazismo do
Terceiro Reich, como elementos de
mitologia nórdica e suméria, tendo o
Brasil como palco para conectar to-
das as aventuras, mas isso ocorrerá
somente na nova saga que está em
desenvolvimento, trazendo uma ver-
são bem mais elaborada do persona-
gem e seu universo.
2 2 R E V I S T A F U M E T T I .
R E V I S T A F U M E T T I . Continua na 2 3
próxima edição
Conheça Paulo José: Responsável
por muitas horas de diversão da
sua infância
Posso garantir que você já leu ou assistiu bastante material
produzido por ele.

Talvez você tenha achado que o Inspetor Silva te lem- Ainda nos anos 80 criou o personagem e a marca
brou alguém e não sabe de onde? Ô Loco meu, ele é a cara Sapo Xulé, baseado na cantiga de roda “O Sapo não lava
do Faustão! Pra entender um pouco essa história vamos o pé”. Tornou-se sucesso em forma de brinquedos, ga-
conhecer melhor os trabalhos de seu criador: Paulo José mes (produzidos pela TecToy), revistas em quadrinhos e
da Silva, Desenhista, Publicitário, Jornalista, Diretor e ani- passatempo. E que brevemente retornará em campanha
mador! colaborativa para a a publicação de uma Graphic Novel.

Sua carreira começou ainda na década de Fundou a editora Bingo onde criou e produziu
1970, com desenho animado, junto com o jornal Kidnews distribuído nas escolas de São
o animador Guy Lebrun, trabalhou em Paulo, patrocinado por empresas que entra-
inúmeros estúdios de animação. vam com seus produtos em forma de HQ
ou passatempo. Uma inovação na época,
Na Editora Abril ilustrou as capas pois ainda não se falava em novas for-
das HQs Disney e foi um dos principais mas de conteúdo. Com este conceito em
roteiristas das s A TURMA DO PERERÊ mãos criou personagens, revistas e outras
(de Ziraldo) em 1978 e HERÓIS DA TV ações para diferentes produtos e empre-
(da Hanna & Barbera) durante o ano sas como Karo, Nestlé, Johnson&John-
de 1978. Em 1979, após animar um son, Mercedes Benz, Melhoramentos e
comercial com os personagens “Os muitas outras.
Flintstones” foi convidado pelo vice-pre-
sidente da Hanna & Barbera - Art Scott para Atualmente além de desenvolver projetos
trabalhar como animador em seus estúdios próprios, continua criando conteúdo infantil
em Burbank, Califórnia. para empresas, com personagens, roteiros
para HQ ou animação, ilustrando para agencias
Depois disso foi responsável pela mon- de publicidade. Também colabora como ilustra-
tagem do estúdio de animação Maurício de dor de livros infantis e didáticos para as editoras;
Souza - Black & White, onde animou e dirigiu os primeiros Editora Moderna, FTD, Editora do Brasil e Richmond Pu-
curtas e longas metragens da Turma da Mônica na década blishing.
de 1980, onde passou sete anos trabalhando.

Em meados dos anos 80 junto com o animador ameri-


cano Hack Fick, fundou a Thalia Filmes, o primeiro estúdio
de desenhos animados do Brasil a produzir para estúdios
americanos. Produzindo e dirigindo episódios das séries:
THE SNORKS (ou os Snorkels) - para Hanna & Barbera e
LITTLE CLOWNS OF HAPPY TOWN - para a Marvel Comi-
cs.

Sua passagem pelas Editoras Abril, Globo e Manchete


produziu algumas revistas em quadrinhos clássicas dos
anos 1980 e 1990, desenvolvendo personagens, roteiros e
arte final. Podemos destacar REVISTA DO FAUSTÃO (Ed.
Abril, 1991) e foi aqui que surgiu a idéia do Inspetor Sil-
va, REVISTA DA XUXA (Ed. Globo produzida entre 1988 e
1990), REVISTA DA ANGÉLICA (Ed. Manchete em 1990),
MENINO MALUQUINHO (Ed. Globo 2004 a 2005).

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R E V I S T A F U M E T T I . 2 5
Dylan Dog e Martin Mystère
de volta às bancas brasileiras
Para celebrar esse retorno depois de mais de uma década ausentes, apresentamos
d u a s e n t r e v i s t a s e x c l u s i v a s c o m d o i s d o s m a i s c o n c e i t u a d o s d e s e n h i s t a s d e s s e s p e r-
sonagens: Giuseppe Montanari de Dyland Dog e Lucio Filippucci, de Martin Mystère

Giuseppe Montanari Você trabalha em par com o Ernesto Gras-


sani desde meados da década de 1970. Como
Montanari: É uma ideia que nasceu na própria
redação, frente ao fato de que em dois produzimos
vocês fazem a divisão do trabalho? E como um muito. Felizmente, o experimento funcionou.
Por Aurélio Miotto complementa ao outro na hora de desenhar?
Montanari: Grassani foi um dos desenhis- Depois de um longo período sem trabalhar
Nascido em 26 de novembro de 1936 na província tas que compuseram meu “grupo de trabalho”. na série regular, vocês retornaram em “Graphic
de Bolonha, Giuseppe Montanari – que desenha em Ernesto Grassani e Claudio Piccoli sempre fo- Horror Novel” – que recebeu muitos elogios por
parceria com Ernesto Grassani – é um dos maiores ram os que melhor se integraram ao meu estilo parte dos leitores italianos. O quê esta edição tem
desenhistas da história da Bonelli. Responsável por de desenho. de especial?
histórias clássicas como “As noites de lua cheia”, “A A divisão do trabalho ocorre desta manei- Montanari: É um “experimento”… Não sei se
zona do crepúsculo”, “Uma voz vinda do nada” e tan- ra: recebo o roteiro e o leio várias vezes para o “experimento” acabou nessa edição… Vamos
tas outras, a caraterística de seu traço (também de escolher os quadros mais adequados ao traba- ver o que acontece.
Grassani) está gravada na retina dos fãs de Dylan Dog. lho de Grassani (cerca de setenta quadros por
Nesta entrevista, ele fala sobre o início do personagem edição). Ele, por sua vez, os desenhará a lápis, Você, particularmente, também trabalhou em
na Itália e sobre como é trabalhar em parceria com reservando para mim as partes em que Dylan Martin Mystère. Como é trabalhar com Alfredo
outro desenhista. aparece mais (permitindo que o rosto de Dylan Castelli? E quais as semelhanças (e diferenças)
mantenha as mesmas características ao longo entre ele e Sclavi?
Você começou a trabalhar com o personagem da edição). A finalização da arte é feita exclu- Montanari: Alfredo é um amigo. Não consigo
ainda recém-nascido, o viu crescer, se tornar um fe- sivamente por mim, permitindo que o desenho fazer uma comparação entre os dois… Eles tem
nômeno editorial e posteriormente se consolidar como final possa ser totalmente uniforme. em comum o imenso talento e a pouca eloquência.
um fumetti icônico. O quê Dylan Dog significa para Também cabe a mim a tarefa de preparar
você? E o quê ele significou para a sua carreira como as “model sheets” dos personagens que com- Que outros projetos você desenvolve além de
desenhista? põem a história. Dylan Dog?
Montanari: Como já se é sabido, eu era um de- Montanari: Para um pessoa na minha tenra
senhista com uma carreira extensa e conhecido pela Você e Ernesto desenharam quase uma idade, Dylan Dog já basta e sobra!
quantidade de trabalhos realizados para variados centena de histórias para Dylan Dog (89, até
editores. Dylan Dog é o meu “estandarte”: a “jóia da onde pesquisei). Você tem preferência por al-
coroa” de uma carreira. guma delas?
Montanari: É difícil fazer uma classificação
Você que viveu aquela época pode explicar um entre as “minhas criaturas”… Posso indicar
pouco melhor: como foram os primeiros meses de “A dama de negro” e “O castelo do medo” (nºs
Dylan Dog nas bancas? Como Sclavi se portou frente 13 e 12 da Mythos), “La regina delle tenebre”
ao “encalhe” das primeiras edições? (inédita no Brasil) e “Fear” (inédita no Brasil)…
Montanari: Os primeiros meses – e em particular
a primeira edição – criaram grandes preocupações na Qual a diferença entre os roteiros de Sclavi
redação, visto que os números de venda não eram dos e os outros roteiros? O que ele tinha de “es-
mais encorajadores. Felizmente, a partir do número 3 pecial”?
em diante, a situação melhorou consideravelmente. Montanari: Pergunta difícil… Eu deveria
Quanto à “reação” de Tiziano após o “fracasso” dizer que a diferença é “abissal”, mas não gos-
inicial: nenhuma. Ele não se abalou nem um pouco em taria de desmerecer o trabalho de nenhum dos
nenhum momento (quem o conhece pode entender o outros roteiristas.
que digo!).
Desde 1998 até 2010, apenas você e Ernes-
Quem foi o responsável por trazer vocês ao staff to desenharam para Maxi Dylan Dog. Como se
de Dylan Dog? deu a decisão da Bonelli em lançar esta série
Montanari: Fui convidado por Sergio Bonelli e De- contando exclusivamente com os desenhos de
cio Canzio, que já conheciam meu trabalho. vocês?

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Lucio Filippucci isso e então fui desenhando um pouco de tudo.
sempre para Barbieri, para Corriere della Sera
Hoje, o quadrinho já não tem o mesmo suces-
so de vendas do que de 20-30 anos atrás. Como
(Corrier Boy) e dedicando-me a ilustração para você analisa essa situação?
Por Thadeu Fayad livros infantis e depois figurinhas para Panini A crise de vendas dos quadrinhos segue a
e até o final dos anos oitenta quando conheci crise de todo o setor de papel (livros revistas). Eu
Lucio Filippucci nasceu em 1955, em Bolonha, Castelli. atribuo essa mudança ao advento do digital. Hoje,
aos vinte anos, graças à editora “Edifumetto” de Renzo Por um tempo, você foi o desenhista que os jovens já não lêem nada exceto alguns livros
Barbieri estreou nos quadrinhos, em 1979, substitui o acompanhou o Detetive do impossível nas escolares, mas apenas porque são obrigados. O
lendário Milo Manara na série “Chris Lean” na revista páginas de muitas das iniciativas em que ele digital em todos os níveis da sociedade está nos
“Corrier Boy”, onde também desenhou várias histórias foi chamado de porta-voz: foi casual? E como afetando. Eu prevejo que essa tão voraz revolução
curtas. você avaliaria este engajamento uso “fora do industrial levará a população mundial a médio
padrão” do personagem? prazo a um estado de ignorância comparável à re-
Sua estréia em Martin Mystère foi na edição #148 Castelli confiou-me principalmente uma volução pré-industrial. e, claro, a publicação será
de julho de 1994 e ao todo desenhou 9 edições da série longa história chamada “Il segreto dei teutoni”, a primeira a ser sacrificada.
regular (incluíndo edições comemorativas de número mas eu quebrei-o frequentemente para que
200 e 300 - onde dividiu os desenhos com outros ar- fizesse os quadrinhos de MM como um por- Você tem ótima avaliação entre os leitores
tistas icônicos), 5 edições do “Almanacco del Mistero” ta-voz. Eu acho que foi porque ele gostou de “mysteriosi” (assim são chamados os leitores de
e 3 edições de Martin Mystère As novas aventuras em como eu projetei e pensei que evitei um esti- MM na Itália), mas, após a experiência do Texo-
Cores (onde é feita uma releitura do personagem - lo versátil (fiz muita publicidade no passado), ne, você ainda está trabalhando com Tex na série
saiba mais aqui). Todo esse material ainda é inédito adequado para interpretar as mais diversas regular. Você abandonou a BVTM (bom e velho tio
no Brasil. necessidades. Lembro-me de produções para Martin) permanentemente?
o município de Milão, mas também para jornais Sim, agora estou em Tex em tempo integral e
No “Almanacco del Mistero” (algo como Alma- e campanhas de caridade. Foi um momento fe- também tenho que fazer muitas páginas. Com MM,
naque do Mistério em tradução livre) trabalhou nas liz porque não conhecemos o tédio. Devo dizer no entanto, mantenho um excelente relaciona-
aventuras do “Docteur Mystere” com roteiros de Al- que um mecanismo como este, muito fragmen- mento emocional e confesso que é o único qua-
fredo Castelli, publicado em 1998 e que foi reimpresso tado como tempos e situações, sim. Ele estava drinho que ainda leio com prazer. Agora é Tex, mas
recentemente em edições ampliadas e em cores, lan- perfeitamente sintonizado porque sempre es- o futuro é sempre Mysterioso!
çada em 7 países europeus. capei da rotina como a praga.

Você conheceu Mystère como leitor e depois che- Para um desenhista de Tex, quanto espaço
gou à revista como desenhista: o que mudou em sua existe para iniciativa pessoal: a tradição dos
“visão” do personagem? Você pode dizer: “agora eu grandes nomes (Aurelio Galleppini) é uma ins-
desenho ele como gosto, como imagino”? piração ou um vínculo?
Eu conheci (e amei), do Martyn Mystere pri- Devo dizer que, com Tex, a mudança foi
meiro como leitor. Sempre fiquei fascinado com radical, tanto no estilo do roteiro quanto
as atmosferas fantásticas da arqueologia es- na do design (MM é mais elegante,
pacial em Peter Kolosimo desde a infância Tex. Mais sujo e empoeirado)
e M.M. correspondia e deu substância que na rotina precisamen-
às minhas fantasias. Foi uma grande te. mas, como em todas as
alegria se tornar um dos seus coisas, existem os prós
desenhistas. Na execução do e os contras. Eu tive
personagem que eu queria que sacrificar um
respeitar suas características pouco de liberdade
desde o início, então estudei em troca de uma
cuidadosamente o M.M. feito colaboração certa-
por Alessandrini tentando mo- men- te de prestígio, sendo
dificá-lo o mínimo possível. com o tempo cheguei Tex hoje um dos quadrinhos mais
ao meu Martin que sempre foi fiel aos cânones do lidos no mundo. mas não pos-
personagem.. so desistir de outras coisas. da
ilustração dos livros botânicos, um
Desenhar sua primeira história de Mystère tam- pouco de Martin Mystere, meu antigo e
bém foi seu primeiro trabalho de um grande número insuperável amor literário. para o que
de páginas: o que você sentiu, como foi o impacto, diz respeito ao estilo. sem restrições.
como você lidou com isso e como se saiu? Estudei no início o Tex de Ticci, que
Na verdade, cheguei a Bonelli e Martin Mystere penso ser o melhor desenhista de
depois de uma longa jornada no campo de quadrinhos western, então desenvolvi com o tem-
e ilustração. meu primeiro longa-metragem, e tam- po o “meu” Tex. A iniciativa pessoal, portanto,
bém meu primeiro livro de quadrinhos que acabou é uma parte essencial do nosso trabalho. De-
de sair da escola de arte de Bolonha em 1975, foi um vemos pensar, paralelamente com o cinema,
Biancaneve pelo editor de Barbieri. eram 100 páginas como os diretores de um filme. Nós somos os
difíceis, onde, além disso, era uma tira cômica eróti- que definimos as vinhetas e determinamos sua
ca, eu fui testado com a anatomia e o corpo em mo- direção. máxima criatividade (e responsabili-
vimento. coisas mortais para um iniciante. Mas eu fiz dade).

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