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Matheus Vinicius Abadia Ventura
Lucas da Silva Alves
Maísa Silva Alves

PROJETOS
AGROECOLÓGICOS
E SOCIOAMBIENTAIS

VirtualBooks Editora

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© Copyright 2017, Matheus Vinicius Abadia Ventura, Lucas da


Silva Alves, Maísa Silva Alves

1ª edição

1ª impressão

(publicado em setembro de 2017)

Todos os direitos reservados e protegidos pela lei no 9.610, de


19/02/1998. Nenhuma parte deste livro, sem autorização prévia por
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transmitida sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos,
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

Matheus Vinicius Abadia Ventura


Lucas da Silva Alves
Maísa Silva Alves

PROJETOS AGROECOLÓGICOS E SOCIOAMBIENTAIS.


Matheus Vinicius Abadia Ventura, Lucas da Silva Alves, Maísa
Silva Alves. Pará de Minas, MG: VirtualBooks Editora,
Publicação 2017.14x20 cm. 123p.

ISBN 978-85-434-1157-6

Geografia. Agroecológica. Saneamento Rural. Brasil. Título.

CDD- 900 –

_______________
Livro publicado pela
VIRTUALBOOKS EDITORA E LIVRARIA LTDA.
Rua Porciúncula,118 - São Francisco - Pará de Minas - MG - CEP 35661-177
Tel.: (37) 32316653 - e-mail: capasvb@gmail.com
http://www.virtualbooks.com.br

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SUMÁRIO

SANEAMENTO ECOLÓGICO / 00
SANEAMENTO RURAL / 00
CANTEIRO BIO-SÉPTICO / 00
IMPLANTAÇÃO DO CANTEIRO BIO-SÉPTICO / 00
CÍRCULO DE BANANEIRA / 00
MODO DE FAZER O CÍRCULO DA BANANEIRA / 00
VANTAGENS EM ADERIR AO SANEAMENTO ECOLÓGICO / 00

CERRADO VIVO E EDUCAÇÃO AMBIENTAL / 00


CONHECENDO O BIOMA CERRADO / 00
DESMATAMENTO DO CERRADO / 00
QUEIMADAS / 00
IMPORTÂNCIA, MANUTENÇÃO E USOS DE ÁGUA / 00
DICAS PARA VOCÊ NÃO DESPERDIÇAR ÁGUA/ 00
POLUIÇÃO E FALTA DE ÁGUA/ 00
POLUIÇÃO DA ÁGUA POR PRODUTOS AGROPECUÁRIOS/ 00
BENEFICIOS DA TRÍPICE LAVAGEM/ 00
PRÁTICAS PARA REDUZIR A FALTA D’AGUA NAS
PROPRIEDADES RURAIS/ 00
PRÁTICAS QUE AJUDAM A INFILTRAÇÃO DAS ÁGUAS DA
CHUVA/ 00
PRÁTICAS SIMPLES PARA EVITAR A CONTAMINAÇÃO DAS
NASCENTES/ 00
CONSERVAÇÃO DE MATA CILIAR/ 00
REFLEXOS DA AUSÊNCIA DA MATA CILIAR/ 00

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PAPEL DA VEGETAÇÃO NA MANUTENÇÃO DO SISTEMA
NATURAL/ 00
EFEITOS POSITIVOS DA VEGETAÇÃO NATIVA/ 00
O LIXO NOSSO DE CADA DIA/ 00
CIDADANIA/ 00

PROTEÇÃO DE ÁGUAS/ 00
TERRA, PLANETA ÁGUA/ 00
BERÇO DAS ÁGUAS/ 00
SANEAMENTO BÁSICO/ 00
USO AGRÍCOLA/ 00
ATIVIDADES DE PROTEÇÃO HÍDRICA/ 00
TRATAMENTO DE ÁGUA COM SEMENTES DE MORINGA/ 00
RESPONSABILIDADE NA PRESERVAÇÃO DE ÁGUA/ 00

FIXAÇÃO DE CARBONO/ 00
EFEITO ESTUFA/ 00
FIXAÇÃO DE CARBONO/ 00
ATIVIDADES DE ARMAZENAMENTO DE CARBONO/ 00
PRODUÇÃO AGROECOLÓGICA INTEGRADA E
SUSTENTÁVEL (PAIS)/ 00
SISTEMAS AGROFLORESTAIS (SAF’s)/ 00
SISTEMAS AGROSSILVIPASTORIL (SASP)/ 00
ISOLAMENTO DE FONTES HIDRICAS/ 00
CONSERVAÇÃO DE SOLO/ 00
SANEAMENTO RURAL/ 00
PEGADA ECOLOGICO/ 00

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SISTEMA PARA CAPTAÇÃO DE AGUA DA CHUVA/ 00
A QUESTÃO DA ÁGUA/ 00
FORMAS SIMPLES PARA ECONOMIZAR ÁGUA POTÁVEL/ 00
OBJETIVOS DO APROVEITAMENTO DE ÁGUA DA CHUVA/ 00
O SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA CHUVA/ 00
PARTES DE UM SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA
CHUVA/ 00
A TÉCNICA DO FERROCIMENTO/ 00
MATERIAIS NECESSÁRIOS/ 00
TRAÇO PARA SISTEMA DE CAPTAÇÃO/ 00
CONSTRUÇÃO DO CONTRAPISO/ 00
CONSTRUÇÃO DA PAREDE/ 00
CONSTRUÇÃO DA TAMPA/ 00
REBOCO/ 00
MANUTENÇÃO/ 00

AGROFLORESTA (SAF/ 00
O QUE É MONOCULTURA?/ 00
SISTEMA AGROFLORESTAL/ 00
VANTAGENS/ 00
DESVANTAGENS/ 00
CLASSFICAÇÕES/ 00
ETAPAS PARA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA
AGROFLORETAL/ 00
DIAGNÓSTICO/ 00
SELECIONAR A ÁREA ADEQUADA/ 00
ESCOLHA DAS ESPÉCIES/ 00
DESENHO DO SISTEMA/ 00

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IMPLANTAÇÃO/ 00
MANEJO NO SAF/ 00
CÓDIGO FLORESTAL/ 00
ARVORES EM FAVOR A VIDA/ 00
PONTOS POSITIVOS DA PRESENÇA DAS ÁRVORES/ 00

AGROECOLOGIA E USO SUSTENTÁVEL DA TERRA/ 00


AGROECOLOGIA/ 00
SISTEMAS AGROFLORESTAIS/ 00
TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO/ 00
PAIS – PRODUÇÃO AGROECOLÓGICA INTEGRADA E
SUSTENTÁVEL/ 00
CERRADO, AGRICULTURA ORGÂNICA E CIDADANIA/ 00
PRINCIPAIS PLANTAS DO CERRADO/ 00
O BIOMA CERRADO/ 00
ENTENDENDO SOBRE O DESMATAMENTO/ 00
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO/ 00
QUEIMADAS – NATURAIS E ANTRÓPICAS/ 00
O PERIGO DOS AGROTÓXICOS/ 00
ALTERNATIVAS AO USO DE AGROTÓXICOS (AGRICULTURA
ORGÂNICA)/ 00
O CONTROLE BIOLÓGICO/ 00
O LIXO DE CADA DIA/ 00
EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIDADANIA/ 00

CONSIDERAÇÕES FINAIS/ 00

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS/ 00

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SANEAMENTO ECOLÓGICO
SANEAMENTO RURAL

Segundo Censo Demográfico realizado pelo


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –
IBGE/2010, no Brasil cerca de 29,9 milhões de pessoas
residem em localidades rurais, totalizando
aproximadamente 8,1 milhões de domicílios.
Os serviços de saneamento prestados a esta parcela
da população apresentam pouca cobertura. Conforme
dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios –
PNAD/2012, apenas 33,2% dos domicílios nas áreas rurais
estão ligados a redes de abastecimento de água com ou
sem canalização interna. No restante dos domicílios rurais
(66,8%), a população capta água de poços, diretamente de
cursos de água sem nenhum tratamento ou de outras
nascentes alternativas geralmente inadequadas para
consumo humano.
A situação é mais crítica quando são analisados
dados de esgotamento sanitário: apenas 5,2% dos
domicílios estão ligados à rede de coleta de esgotos e
28,3% utilizam a fossa séptica como solução para o
tratamento dos dejetos. Os demais domicílios (66,5%)
depositam os dejetos em “fossas rudimentares”, lançam em

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cursos d´água ou diretamente no solo a céu aberto
(PNAD/2012).
A situação do saneamento básico no Brasil é
dramática. De todas as mazelas ambientais do país nada se
compara ao descomunal impacto à natureza e ao cidadão
causado pela ausência dos serviços de saneamento básico
em todo o território. Somente 38% do esgoto do país passa
por algum tipo de tratamento antes de ser lançado na
natureza. Significa que 62% do esgoto do país seguem
para nossos rios, lagos, reservatórios, bacias hidrográficas
e aquíferos da forma como sai dos nossos banheiros.
As soluções mais tradicionais para o saneamento
rural ainda são a fossa séptica e a fossa rudimentar. Por
terem custos baixos estas soluções se proliferam no Brasil,
apesar do risco a contaminação ambiental e às pessoas.
As fossas rudimentares, junto com as fossas secas,
são consideradas as formas mais antigas; mais avançadas
apenas do que a disposição a céu aberto que ainda é uma
realidade para 7 milhões de brasileiros segundo a
UNICEF. Essas fossas, por serem em sua maioria apenas
buracos no solo para coletar os excrementos humanos, não
evitam a contaminação das águas, superficiais e
subterrâneas. Já as fossas sépticas são unidades de
tratamento primário de esgoto nas quais são feitas a

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separação e a transformação físico-química da matéria
sólida contida no esgoto. É uma maneira simples e barata
de disposição dos esgotos e indicada, sobretudo, para a
zona rural ou residências isoladas. Se bem cuidada ela
evita a contaminação das águas, apesar de não promover a
reciclagem dos dejetos humanos.
Em resumo, a tendência é que o saneamento rural
caminhe numa velocidade menor do que nas áreas urbanas,
por toda a complexidade do baixo número de pessoas,
tornando inviável a construção das tradicionais redes de
coleta e tratamento. No entanto existe também a tecnologia
social de saneamento ecológico com a bananeira, o
canteiro bio-séptico. Ainda pouco conhecido pelas famílias
rurais do Brasil.

CANTEIRO BIO-SÉPTICO

Conhecida popularmente por “fossa de bananeiras”


é uma técnica de tratamento de efluentes domésticos
desenvolvido para solucionar o problema da poluição e
contaminação, principalmente em áreas rurais de difícil
acesso ao saneamento.
Substituto da fossa séptica, o Canteiro Bio-Séptico
funciona como uma horta, só que é regado de baixo para

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cima, com os efluentes domésticos gerados por uma
família de até 6 pessoas.
O efluente é digerido anaerobicamente pelos micro-
organismos presentes. A medida que o nível aumenta, o
líquido alcança os furos dos tijolos e sai para uma segunda
câmara preenchida com material poroso, como argila
expandida, e propicia a digestão aeróbica da matéria
orgânica e minerais. Nos quinze centímetros superiores da
vala são plantadas bananeiras e outras plantas hidrófilas
que fazem a evaporação do líquido remanescente. Ele é
facilmente construído com materiais prontamente
disponíveis no mercado e de baixo custo.

O MATERIAL NECESSÁRIO

Os materiais necessários são:


 6 latas de brita 0
 350 tijolos de 6 furos
 4 sacos de cimento
 18 latas de areia fina
 9 latas de areia grossa
 1 saco de cal hidratado (obs.: o restante será utilizado
para pintura das bordas do canteiro)
 2 joelhos de 100 mm

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 3 metros de cano 50 mm
 1 barra de cano de 100 mm (obs.: adequar a distância
da casa)

O canteiro bio-séptico é construído com materiais


facilmente disponíveis no mercado e de baixo custo.
Importante destacar que deve ser construído como uma
caixa impermeável, com uma entrada para o esgoto.

IMPLANTAÇÃO DO CANTEIRO BIO-


SÉPTICO

1º Passo: Escolha do local


Não há uma distância exata entre o canteiro e a
propriedade. A média aconselhada é de três metros, mas
este espaço pode variar de acordo com a disposição de
cada terreno. O importante é que o local seja ensolarado,
para o crescimento e sobrevivência da plantação; a
declividade do terreno precisa tolerar que o esgoto
doméstico tombe no canteiro sem problemas, por isso é
essencial que o canteiro não seja construído em um local
mais alto que a casa.
Após a escolha do local ideal para a construção,
com o uso de uma trena tome as medidas do canteiro, deve

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ter 1 metro e meio de largura, 2 metros de comprimento e
1 metro de profundidade.
O ideal é demarcar no chão as laterais da vala e
começar a escavar um buraco. A profundidade deve ser de
1 metro, mas não se esqueça dos 10 cm do contrapiso que
será feito. A vala deve ficar simétrica e bem perfurada.

2º Passo: Construir o Contrapiso


Com o buraco pronto o próximo passo é a
construção do contrapiso, ele deve ter 10 centímetros de
altura. Esta etapa é muito importante, pois é o contrapiso
que vai impermeabilizar o canteiro, não deixará os
resíduos sólidos depositados no fundo chegarem até o
lençol freático. A camada de cimento deve secar de um dia
para o outro antes do início da construção das paredes.
Os materiais necessários nesta etapa são:
Traço do contrapiso:
 2 carrinhos de areia
 1 saco de cimento
 1 carrinho de brita 0

Traço da massa:
 3 carrinhos de areia fina
 1 saco de cimento

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 10 quilos de cal hidratada (metade do saco)

3º Passo: Construir as paredes do canteiro


Com o contrapiso já seco é o momento de levantar
as paredes. É importante deixar um espaço entre os tijolos
e a parede do buraco. Este espaço será preenchido com a
terra retirada da escavação. Os tijolos devem ficar mais
altos que o nível do chão, para que sejam feitas as bordas
do canteiro.

4º Passo: Construção da Pirâmide


Com as paredes levantadas o próximo passo é a
construção da pirâmide. Com o espaço de 20 centímetros
de cada lateral, posiciona-se uma fileira de tijolos.
Importante lembrar que não deve ficar nenhum espaço
entre os tijolos e a parede.
Com a base feita é necessário colocar pequenos
calços, os quais darão a inclinação precisa para a segunda
camada da pirâmide. Os calços e os tijolos devem sener
colocados com massa. Para a camada seguinte, já não são
necessários calços, pois a inclinação já foi atingida. São
colocadas quatro camadas de tijolos de cada lado mais a
base da pirâmide.

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É essencial construir a pirâmide com tijolos
furados, de forma que um espaço seja criado para depositar
o esgoto. A construção deve ser feita de modo que os furos
dos tijolos fiquem desobstruídos, apontando para as
laterais. Com isso, o efluente pode alcançar as raízes das
plantas. Não se preocupe, pois, o sistema não entope,
porque existe uma área de ar permanente dentro a
pirâmide, o que impede o crescimento das raízes e plantas
para dentro do espaço de tratamento anaeróbico.

5º Passo: Instalação do Cano e do Suspiro


Nesse passo é feito a marcação do cano que sai do
banheiro. A distância padrão é de 3 metros da casa, mas
pode variar de acordo com a posição de cada terreno,
como disposto no passo de escolha do local.
É feito um buraco na parede do canteiro onde o
cano é encaixado, com um joelho, dentro da pirâmide. O
cano deve ficar bem encaixado pois os resíduos devem cair
apenas dentro da pirâmide.
Do lado oposto da entrada do cano, é feito um
buraco para o suspiro. Ele é o escape dos gases produzidos
no interior da pirâmide. É aconselhável amarrar um pedaço
de sombrite no topo do suspiro, para evitar a entrada de
insetos.

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6º Passo: Depósito de Materiais e Finalização

Após a instalação do suspiro e o cano a próxima


etapa é fechar a pirâmide. É importante deixar um ou dois
tijolos sem massa, para um possível manejo do canteiro no
futuro. Com a etapa da construção terminada, é hora de
finalizar o canteiro.
O primeiro material depositado no canteiro deve
ser poroso, para encorajar o desenvolvimento de
microorganismos que farão a digestão do efluente.
Utilizamos entulho de construção. Podem ser pedras ou
cacos de telhas de cerâmica. É importante que seja
material poroso para abrigar a comunidade de
microorganismos que irão realizar a maior parte do
tratamento e da digestão da matéria orgânica.
Em seguida é adicionada uma camada de material
orgânico. Neste caso utilizamos cascas de coco, mas
podem ser utilizadas palhas, serragem, madeira picada ou
bagaço de cana. Esta camada serve de âncora para as
raízes. Finalizando completamos com terra sobreposta ao
material orgânico e plantamos as bananeiras, que podem
variar de 4 a 5 mudas.
O esquema do canteiro bio-séptico tem o suspiro a
2 metros acima do solo, uma camada será composta por

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solo e composto. Abaixo do solo e do composto, terá o
material âncora que pode ser, por exemplo, casca de coco,
bagaço de cana de açúcar, casca de maracujá e outros.
Logo, abaixo do material âncora teremos a pirâmide de
tijolos furados.

CÍRCULO DE BANANEIRA

De fácil construção e manejo, o círculo de


bananeiras é um elemento fundamental na habitação
urbana ou rural por cumprir mais de uma função
importante: tratar a água cinza localmente, compostar
resíduos e produzir alimentos, tudo em um círculo de 2m
de diâmetro.
O círculo de bananeira é usado para tratar os
efluentes da casa (provenientes das pias, tanques e
chuveiros), as chamadas águas cinzas. No caso das
bananeiras percebeu-se que elas, como outras plantas de
folhas largas como o mamoeiro, evaporavam grandes
quantidades de água e estabeleceu-se assim uma relação
com as águas cinzas das residências.
E isso é uma das bases do design na permacultura,
estabelecer relações positivas, sinérgicas entre os
elementos de um sistema vivo.

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O MATERIAL NECESSÁRIO

Os materiais necessários são:


 1 barra de cano de 50 mm
 3 joelhos de 50 mm (obs: adequar com a distância da
casa)

MODO DE FAZER O CÍRCULO DA


BANANEIRA

1. Para fazer o círculo, cava-se um buraco de


aproximadamente 1m de profundidade por 2m de
diâmetro,
2. Cubra o buraco com papel molhado, papelão ou
até mesmo folhas de bananeira.
3. O buraco deve ser preenchido com troncos
curtos e grossos no fundo, completamente com matéria
orgânica. Completa-se com galhos finos e podas até ficar
alto para não entrar luz nem água de chuva.
4. Espalhe um pouco de esterco, cinza, calcário ou
composto orgânico.
5. Marcar a borda externa com pedras ou outro
material.

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6. Plante as mudas de bananeira a cada 60 cm do
lado externo do buraco, do monte de terra, furando a
cobertura de papelão ou folhas de bananeira.
7. Alterne com mamoeiros e preencha os espaços
no topo e no lado de fora da borda com batata doce
(aproximadamente 10 mudas devem ser suficientes para
cobrir o monte).
8. Caso seja necessário pode utilizar também
mamona para criar sombra.
9. No lado de dentro do anel, onde deve haver
sombra, umidade, inhame, gengibre, taioba e o que mais
tiverem em mãos.
10. A água cinza deve ser conduzida por um tubo
até o buraco, com um joelho na ponta para evitar o
entupimento. Não se devem usar valas abertas para a
condução das águas, para evitar a presença de mosquitos e
outros animais indesejados. Assim, os micro-organismos
da compostagem terão um ambiente perfeito para se
desenvolver.

CUIDADOS NECESSÁRIOS

Como todo sistema vivo é importante levar em


conta que a maioria absoluta dos detergentes, sabões em

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pó, sabonetes de banho e produtos de limpeza doméstica
contém uma infindável quantidade de contaminantes
químicos que prejudicam o crescimento, e de fato a vida
de espécies vegetais e animais. Ao optar por usar um
círculo de bananeiras esteja consciente da importância na
mudança de hábito quanto a compra e uso desses produtos,
privilegiando o uso de produtos neutros e simples, como
sabão de coco e de glicerina. Sabão e água resolvem a
maioria absoluta das questões de limpeza doméstica, são
muito mais baratos, e também compatíveis com a vida em
todo seu esplendor.
Esses sistemas já foram instalados em uma
variedade de situações, desde residências convencionais
até restaurantes e feiras, e os resultados são
surpreendentemente positivos: não há efluentes e as
plantas produzem alimento de ótima qualidade.

VANTAGENS EM ADERIR AO
SANEAMENTO ECOLÓGICO

O canteiro bio-séptico e o círculo da bananeira são


soluções para o tratamento e disposição final dos efluentes,
permite o destino adequado dos dejetos humanos sem
poluir as águas, o solo e o ar. É uma tecnologia baseada

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em conhecimentos e experiências técnicas, visando
trabalhar a iniciativa local com materiais de fácil acesso.
Dessa forma, as vantagens são diversas:
 Implantação fácil. As famílias rurais adequam
rapidamente ao saneamento ecológico.
 Há melhoria na qualidade da água e despoluição do
solo;
 Ajuda na diminuição da contaminação do lençol
freático e córregos próximos;
 Elimina o mau cheiro e melhora a estética das casas
que adotam os sistemas;
 Melhoria das condições ambientais da região;
 Conscientizar e incentivar mais agricultores a
implantar os sistemas formando agentes
multiplicadores;
 Incentiva o uso sustentável dos recursos naturais;
 Tratamento de esgoto de forma econômica e
ecológica.

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CERRADO VIVO E
EDUCAÇÃO AMBIENTAL
CONHECENDO O BIOMA CERRADO

No Brasil existe seis grandes biomas. De acordo


com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), o Cerrado ocupa uma área que corresponde a
23,92% do território nacional e seu tamanho é de cerca de
203 milhões de hectares. O Cerrado está inserido em 14
estados (Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do
Sul, Minas Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia,
Paraná, São Paulo, Amapá, Roraima e Amazonas) e no
Distrito Federal.

O Cerrado começou a se formar há 65 milhões de


anos, resultando atualmente numa riquíssima
biodiversidade. Há cerca de 50 anos, porém, iniciou-se um
intenso processo de devastação que vem colocando em
risco toda a riqueza natural que se formou ao longo de
todo esse tempo.

O cerrado está no coração do Brasil e está ligado a


quase todos os biomas nacionais. É nele onde se
encontram as principais nascentes das maiores bacias

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hidrográficas da América do Sul, a Bacia do Paraná, à
Bacia do Araguaia – Tocantins e a Bacia do São Francisco,
sendo por isso considerado o “Berço das Aguas”.

A conservação do Cerrado pode trazer grandes


benefícios as populações, por meio do aproveitamento de
seus recursos, gerando rendas para as famílias na produção
de alimentos, medicamentos, cosméticos, artesanato,
madeiras, corantes, podendo se transformar numa
importante fonte de renda através da utilização de frutos,
sementes, folhas e outros.

No Brasil, os biomas existentes são: Bioma


Amazônico com a área total de 419 694 300 ha, sendo que
somente 82 % de área preservada. No Bioma Cerrado, a
área total é de 419 694 300 ha, com cerca de 52% de área
preservada. No Bioma Caatinga, a área total é de 84 445
300 ha, com cerca de 54% de área preservada. No Bioma
Pantanal, a área total é de 84 44 300 ha, com cerca de 83%
de área preservada. No Bioma Mata Atlântica, a área total
é de 101 018 200 ha, com cerca de 22% de área preservada
e Bioma Pampa, a área total de 17 649 600 ha, com cerca
de 36% de área preservada.

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DESMATAMENTO DO CERRADO

O cerrado tem sido mais desmatado que a


Amazônia. As principais ameaças do Cerrado são a
produção de carvão à partir de árvores nativas, as grandes
plantações de soja, milho e cana-de-açúcar sem manejo
adequado, a erosão do solo, o cultivo de capim
introduzidos (braquiárias, capim-gordura, capim-búfalo,
capim-andropogon, capim-guiné, capim elefante e napier),
para a formação de pastagens par o gado bovino, e as
queimadas.

Quando o Cerrado é desmatado, principalmente


com a retirada da vegetação de topo de morros, do entorno
de nascentes e das margens dos córregos e rios, diminui a
qualidade dos solos, tornando-os desprotegidos; da mesma
forma diminui a quantidade e qualidade de água,
prejudicando a sobrevivência de animais, plantas, rios e
dos próprios seres humanos que dependem de água e
alimentos para sobreviverem.

QUEIMADAS

O Cerrado é um tipo de vegetação que pega fogo


com muita facilidade: a vegetação seca, o ar com pouca

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umidade e os ventos fortes podem alastrar o fogo
rapidamente. A maioria dos incêndios nas regiões de
Cerrado é causada pelo homem, atingindo extensas áreas e
provocando grande destruição.

A maioria das queimadas que são realizadas,


principalmente para limpeza de terreno, é mal planejada e
realizada de modo inadequado, escapando ao controle e
destruindo áreas que não se esperava atingir. Esses
incêndios frequentes ocorrem durante a estação seca,
quando o fogo se alastra de forma mais rápida, destruindo
a vegetação, prejudicando a biodiversidade, matando
diversos animais, aumentando a erosão do solo e seu
empobrecimento, pela eliminação de microrganismos
essenciais para a fertilização.

Além disso, a fumaça é muito prejudicial à saúde e


afeta a qualidade do ar. Os incêndios prejudicam a
qualidade do solo, o futuro dos córregos e rios e a
sobrevivência de muitos seres vivos, principalmente de
animais, que morrem queimados por não conseguirem
fugir do fogo. Existem também riscos para os seres
humanos, pois as queimadas podem atingir suas casas e
plantações.

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As consequências das queimadas são: destruição do
meio ambiente, poluição do ar, incêndios em residências,
problemas respiratórios, acidentes de trabalho e casas e
roupas sujas. Sua colaboração deixa nosso meio ambiente
mais bonito e saudável. Algumas das formas de evitar são:
manter os terrenos limpos, não jogar ponta de cigarro em
qualquer lugar, não coloque fogo em lixos e terrenos, não
soltar balões, colocar o lixo em sacos plásticos em locais
adequados e utilizar os terrenos baldios para fazer hortas
comunitárias e outras.

Cuidados a serem adotados

 Construção de aceiros;
 Buscar a orientação técnica de profissional habilitado;
 Comunicar antecipadamente aos vizinhos sobre a
realização de queimadas planejadas;
 Estar preparado para combater o fogo, caso fuja do
controle;
 Ter a autorização para queimada controlada, que é
concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA).

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IMPORTÂNCIA, MANUTENÇÃO E USOS
DE ÁGUA

A maior parte da superfície da Terra está coberta


por água, mas apenas uma pequena parcela está disponível
para nosso uso. Registra-se que 97% da água é salgada,
uma pequena parte está armazenada em geleiras (2%) e
outra, menor ainda, é de água doce (1%), armazenada em
depósitos subterrâneos, rios e lagos, e pode ser utilizada
pelas pessoas.

As principais causas de falta d’água são o aumento


do consumo, a poluição e a degradação de nascentes,
córregos e rios. É necessário que saibamos utilizar a água
de modo a evitar desperdícios.

DICAS PARA VOCÊ NÃO DESPERDIÇAR


ÁGUA

Confira algumas dicas que podem evitar o


desperdiço de água, dessa forma, uma mudança na sua
rotina que pode ajudar o seu planeta. As dicas estão
listadas abaixo:

 Vaso sanitário: Troque os vasos sanitários de 12 litros


por outros de seis litros ou daqueles com duplo

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acionamento. Numa casa com três pessoas a economia
é, em média, de 36 litros de água por dia.
 Não lave a louça com a torneira aberta: Ensaboe toda
a louça e depois tire o sabão de uma só vez. Ou, se
preferir, faça como os europeus: lave a louça com pia
tampada e cheia de água.
 Deixe as panelas de molho: Principalmente aquelas
sujas de molho, de fritura ou com muita gordura.
Fazendo isso, você se esforça menos e ainda
economiza água na hora de lavá-las.
 Não deixe as crianças brincarem com água: Apesar de
divertida, a brincadeira pode passar a ideia de que a
água é um recurso infinito. Ensine as crianças que a
água é um bem precioso e finito.
 Reutilize água: A água do último enxague de máquina
de lavar e da chuva pode ser usada para lavar o
quintal, regar plantas e até para dar a descarga nos
banheiros.
 Conserte vazamentos: Uma torneira que pinga a cada
cinco segundos libera, ao final de um dia, mais de 20
litros de água. O desperdício ainda faz estrago na
conta mensal.
 Não use o vaso sanitário como lixeira: Cada descarga
acionada em um vaso como válvula utilizada cerca de

28
.,.,.,.,,.,,.,.
15 litros de água. Nos modelos com caixas acopladas,
são seis litros.
 Em hotéis, evite trocar toalhas e lençóis todos os dias:
Ninguém é tão sujinho que não possa trocar a roupa de
cama a cada três dias, por exemplo. É uma maneira de
economizar água e energia elétrica.
 Evite comprar água em garrafinhas plásticas: O ideal é
usar apenas uma garrafa, que deverá ser levada sempre
com você. Ela pode ser reabastecida toda vez que for
necessário.
 Lave o carro a seco: Já existem empresas
especializadas nesse tipo de limpeza. Apesar de custar
um pouco mais caro, gera uma enorme economia de
água.
 Torneiras e chuveiros: Use torneiras e chuveiros com
arejador, um dispositivo que aumenta o volume da
água com bolhas de ar e tem menos vazão. Reduz o
consumo em até 30%.
 Use detergentes biodegradáveis: Custam um pouco
mais que o convencional, mas rendem mais e poluem
menos.

29
.,.,.,.,,.,,.,.
POLUIÇÃO E FALTA DE ÁGUA

Além do aumento do consumo nas últimas décadas,


outro fator que contribui para a poluição e falta de água é
a retirada da vegetação da beira dos rios, causando a
queda de barrancos e assoreamento, deixando os rios
desprotegido. Soma-se a isso a destinação incorreta do
lixo, das fezes e das urinas de animais criados próximos
aos rios, nascentes e córregos, a contaminação por esgotos
domésticos e industriais, o excesso do uso de agrotóxicos
e o descarte de lixo dos rios. Os rios não são depósitos de
lixo. Tudo o que se joga nos rios terá reflexo em outro
lugar.

As principais fontes de poluição das águas são os


esgotos domésticos e os produtos agropecuários, como
adubos e agrotóxicos, que são muitas vezes utilizados de
forma excessiva e incorreta. As águas que recebem
poluição se tornam impróprias para utilização e consumo,
prejudicando as comunidades que dependem dessa água
para viver. Água em abundância e de boa qualidade é
muito importante: as paisagens, os solos, seres vivos, o
clima e as atividades humanas, como agricultura,
pecuária, pesca, turismo, lazer e o uso cotidiano das

30
.,.,.,.,,.,,.,.
pessoas dependem de água limpa. Mas, como uma das
principais características da água é sua capacidade de
transportar óleos, pós, gases, plásticos e todo tipo de
materiais, ela pode ser facilmente poluída.

As fezes podem levar para os cursos d’agua agentes


causadores de doenças, como por exemplo amebas,
bactérias e vírus. Ao beber a água contaminada, usá-la no
preparo de alimentos crus, na irrigação de algumas
plantações ou ainda dar para os animais domésticos
beberem, é possível contrair doenças. Em alguns casos,
transmiti-las as pessoas que consumirem sua carne, leite,
ovos ou outro produto de origem animal.

Ninguém gosta de ficar doente, por isso não beba


água sem ser filtrada, fervida ou com o devido tratamento.
Dê uma volta em sua comunidade, observe os rios e
nascentes, veja a quantidade de lixo que são descartados
nesses locais. Promova uma coleta desses materiais junto
aos amigos e familiares. Faça a sua parte, respeite as
águas, elas são fontes de vida. O ser humano não consegue
viver sem ela. É seu dever protegê-las!

31
.,.,.,.,,.,,.,.
POLUIÇÃO DA ÁGUA POR PRODUTOS
AGROPECUÁRIOS

O Brasil é o primeiro país do mundo que


regulamentou o tratamento de resíduos líquidos de
agrotóxicos utilizados na pulverização das lavouras. A
Instrução Normativa 02 de 03/01/2008 do MAPA é
exigida para aviação agrícola em todo território nacional,
porém não abrange os tratores de pulverização terrestres,
que devem ser licenciados por cada Estado, e representam
90% da pulverização de agrotóxicos. O Estado do Mato
Grosso instituiu o mesmo modelo de pátio de
descontaminação da aviação agrícola para os tratores
(Decreto 2.283 de 09/12/2009), porém, a alta demanda de
licenciamentos e a falta de fiscalização suspenderam a
exigência do pátio (Oficio 2475/2011do INDEA-MT),
mantendo a antiga prática poluidora de despejo dos
resíduos diretamente no meio ambiente.

O sistema de tratamento é muito simples e


basicamente exige o recolhimento, oxidação e contenção
dos resíduos líquidos dos pesticidas. Na sequência abaixo
são explicadas as etapas que contemplam este tratamento.
A Nota Técnica NT066/2009 do MAPA apresenta os
resultados positivos do sistema.

32
.,.,.,.,,.,,.,.
1. Lavagem dos pulverizadores: Após a pulverização
da lavoura, tanto o avião quanto o trator devem ser
lavados para remover todo agrotóxico dos seus
tanques. Este procedimento deve ser feito sobre um
piso impermeabilizado e com contenção lateral
para evitar contaminação do solo. O resíduo liquido
gerado pela tríplice lavagem das embalagens
também deve ser recolhido e tratado.
2. Recolhimento da calda: Todo resíduo liquido deve
ser direcionado para um fosso de coleta,
devidamente impermeabilizado para evitar
contaminação do solo e lençóis freáticos.
3. Degradação de pesticida: A oxidação da calda deve
ser feita para abatimento do potencial poluidor do
pesticida. Esta etapa reduz o risco de contaminação
ambiental em caso de vazamentos e volatilização
rápida dos pesticidas evitando chuvas com residual
de agrotóxicos, o que vem acontecendo. O ozônio é
o mais indicado nesta operação por ser tecnologia
limpa.
4. Contenção do resíduo liquido: O tanque
evaporativo é o último processo de tratamento onde
a calda tóxica sofre a degradação através da
exposição solar (radiação UV e aquecimento)

33
.,.,.,.,,.,,.,.
A suspensão da exigência da construção do pátio de
descontaminação e o despejo direto dos resíduos de
agrotóxicos no solo, geram um passivo ambiental e
contaminação dos lençóis freáticos. Por se tratar de uma
água pura, não existe capacidade de degradação destes
poluentes, sendo sua remediação quase impossível.

Uma das preocupações é a contaminação por


agrotóxicos do Aquífero Guarani. Em regiões onde há o
afloramento desse lençol deve haver restrições quanto ao
uso de agrotóxicos e mesmo nas maiores profundidades
(1800 m) existe possibilidade de contaminação caso o
despejo de calda tóxica seja feito frequentemente no
mesmo local. Atualmente existem fazendas que chegam a
despejar até 15 mil litros por dia de resíduos líquidos das
lavagens de aeronaves e tratores em sumidouros no solo
sem impermeabilização.

Uma atividade agropecuária, quando não é bem


executada, pode contaminar as águas com produtos
químicos (por exemplo: adubos, agrotóxicos), com fazes e
urina de animais, assim como produtos de limpeza usados
em currais, queijarias e outras instalações.

34
.,.,.,.,,.,,.,.
FIQUE ATENTO!

 Ao uso de agrotóxicos e de produtos de limpeza


(conforme as orientações das fabricantes),
reduzindo ao máximo seu uso. Buque orientação de
profissionais da área e observe o rótulo das
embalagens a quantidade de uso na lavoura e como
utilizar;
 Dê o destino adequado as embalagens de
agrotóxicos e de produtos de limpeza, ou seja,
devolva-os ao revendedor ou fabricante;
 Utilize os dejetos animais na adubação natural (uso
da compostagem, processo que produz adubo
orgânico), ao invés de produtos químicos
venenosos nas plantações.

BENEFICIOS DA TRÍPICE LAVAGEM

 O produtor economizará produto;


 Proteção da saúde de outras pessoas e dos animais
da propriedade;
 Evitará a poluição, ao assegurar o total
aproveitamento do conteúdo das embalagens;

35
.,.,.,.,,.,,.,.
 Redução dos riscos para a saúde das pessoas e dos
animais;
 Diminuição de riscos de contaminação do solo e
da água, além de devolver a embalagem que será
reciclada pelo fabricante;
 As embalagens rígidas laváveis devem ser
mantidas intactas (tampadas adequadamente para
que não vaze o produto);
 As embalagens frágeis que amassam facilmente,
devem ser colocadas em sacos plásticos.
Posteriormente, todas devem ser armazenadas
com suas respectivas tampas e seus rótulos,
preferencialmente acondicionada na caixa de
papelão original, em local coberto e ventilado,
longe de alimentos e outros materiais que podem
ser contaminados, até serem devolvidas.

MAS, COMO FUNCIONA? Primeiro, esgotar todo


o conteúdo da embalagem, em seguida, colocar ¼ de água
do volume total, agitar bem para lavar a embalagem,
depois, despejar a agua da lavagem dentro do pulverizador
e furar o fundo da embalagem para não ser reutilizada,
conservando o rótulo. Mas atenção, não se deve nunca

36
.,.,.,.,,.,,.,.
lavar as embalagens perto de áreas de nascentes, córregos
e rios.

PRÁTICAS PARA REDUZIR A FALTA


D’AGUA NAS PROPRIEDADES RURAIS

Para melhorar a quantidade e qualidade da agua das


nascentes, devemos manter preservada a vegetação natural
ao redor das nascentes, ao longo dos rios, nos cursos de
d’agua e nos morros com declividade acentuada, além de
tomar alguns cuidados no uso e preparo do solo, mantendo
as árvores e o solo coberto.

Dessa forma, diminuindo a velocidade das


enxurradas, aumentando a infiltração de água no solo que
abastece as nascentes. A água deve ficar onde ela cai e não
deve e formar enxurrada. Ao contrário, ele deve ser
armazenado ao máximo nos pontos mais altos de uma
propriedade. Um bom exemplo são as bacias de contenção.

PRÁTICAS QUE AJUDAM A


INFILTRAÇÃO DAS ÁGUAS DA CHUVA

 Plantar em contorno ou em nível – Neste tipo de


plantio, cada linha de plantas forma uma barreira,

37
.,.,.,.,,.,,.,.
diminuindo a velocidade da enxurrada e
armazenando a água nos pontos mais altos.
 Fazer uso dos restos de culturas (palhada): esse
material, também chamado de matéria orgânica,
quando se decompõe, favorece os organismos que
vivem na terra, melhorando as condições de
infiltração e armazenamento de água no solo, além
de diminuir o impacto das gotas de chuva sobre a
superfície.
 Construir terraços – O terraço é uma estrutura
formada por um canal e deve ser construído em
nível, em áreas onde outras práticas de conservação
do solo não são capazes de controlar a erosão,
tendo como função captar as águas que caem na
área de cultivo e conter as enxurradas, permitindo a
infiltração de água no solo e, consequentemente, o
abastecimento do lençol freático.
 Evitar colocar muitos animais na área de uma só
vez – A caminhada constante do gado provoca o
endurecimento da terra, dificultando a infiltração
da água da chuva no terreno. Além desse problema,
o excesso do pastejo diminuí a altura da pastagem,
deixando várias falhas que favorecem a destruição

38
.,.,.,.,,.,,.,.
do solo pela chuva e o vento, dificultando a
infiltração da água.

PRÁTICAS SIMPLES PARA EVITAR A


CONTAMINAÇÃO DAS NASCENTES

 Não construir currais, chiqueiros, galinheiros e


fossas sépticas nas proximidades ou acima das
nascentes;
 Não desmatar a vegetação no entorno das nascentes
ou Áreas de Preservação Permanente – APP;
 Cercar as nascentes, evitando a entrada do gado e
contaminação da água com estrume;
 Utilizar adubos e agrotóxicos só quando necessário
e em quantidade recomendada;
 Não utilizar adubos e agrotóxicos em áreas de
várzea próximas as nascentes, córregos e rios.

CONSERVAÇÃO DE MATA CILIAR

Mata ciliar é aquela que a vegetação que


acompanha as nascentes e margens de córregos e rios,
protegendo-os como os cílios protegem nossos olhos. Pode
ser uma mata, uma capoeira ou mesmo pasto nativo. Por

39
.,.,.,.,,.,,.,.
sua grande importância, a mata ciliar é protegida por lei. O
Código Florestal Brasileiro determina que seja obrigatório
a conservação de uma faixa ciliar, de acordo com a largura
do curso d’agua. Esta faixa é também conhecida como
Área de Preservação Permanente (APP).

Quando a mata ciliar é destruída, as consequências


são muitas: o solo pode sofrer erosão e ficar menos fértil,
os rios podem receber sedimentos e terem seu volume
diminuído (esse processo é chamado de assoreamento).
Animais e plantas são prejudicados, pois perdem abrigo,
alimento e podem não ser mais encontrado na região.

REFLEXOS DA AUSÊNCIA DA MATA


CILIAR

 Diminui a força com que a água da chuva bate no


solo e a quantidade que escorre, conservando o
solo e protegendo os barrancos e as margens dos
cursos d’água;
 Ajuda a observar e armazenar água, contribuindo
para diminuir os efeitos dos períodos de cheia e
seca;

40
.,.,.,.,,.,,.,.
 Serve como local de abrigo, alimento e reprodução
de muitas espécies de animais.

Devido a importância da mata ciliar, além de proibir a


sua retirada, a legislação exige a recuperação da vegetação
nativa quando esta tiver sido removida ou alterada.

PAPEL DA VEGETAÇÃO NA
MANUTENÇÃO DO SISTEMA NATURAL

Com cobertura vegetal, as árvores diminuem força


com que a água chega ao solo, evitando a erosão. Sem
cobertura, a chuva cai direto no solo, provocando
enxurrada, erosão e assoreamento.

EFEITOS POSITIVOS DA VEGETAÇÃO


NATIVA

 As raízes prendem o solo, aumentam a taxa de


infiltração da água e, ao mesmo tempo, aumentam
sua resistência contra a erosão.

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.,.,.,.,,.,,.,.
 Os caules, troncos e folhas retardam a chegada da
parte da água das chuvas no solo e o excesso chega
com menos força. Assim, o solo fica mais
protegido e a perda por erosão diminui.
 A vegetação nativa evita que as margens dos cursos
d’agua desbarranquem, controlando o
assoreamento.
 A vegetação nativa presente na propriedade rural,
normalmente em áreas de Preservação Permanente
(APPs) e de Reserva Legal, pode agir como
corredores ecológicos, onde animais se alimentam,
se abrigam e se encontram para a reprodução.
 A presença de plantas nativas ajuda a controlar
pragas agrícolas, pois elas abrigam inimigos
naturais das pragas, e favorece o aumento da
produção de grãos de cultivo agrícola, já que elas
atraem animais que fazem a polinização das flores.
 No manejo de pastos, uma proporção de 100
árvores por hectare dá conforto aos animais que se
abrigam que se abrigam na sombra, além de
melhorar a fertilidade e a umidade do solo.

42
.,.,.,.,,.,,.,.
O LIXO NOSSO DE CADA DIA

Existem atividades humanas que geram resíduos


que acabam se acumulando no ambiente, causando
problemas no futuro. Isso é o que chamados de lixo. E ele
tem sido cada vez mais produzido nas últimas décadas,
constituindo um dos maiores problemas ambientais atuais.

Os lixões causam poluição visual e os gases


gerados poluem o ar. O liquido que escorre do material de
decomposição polui o solo e as águas, além de fornecem
abrigo e alimento para animais que podem transmitir
doenças. Durante as chuvas, parte do material pode ser
carregado para os rios, causando represamento, inundações
e mais poluição.

A melhor estratégia para colher o lixo é implantar a


coleta seletiva, que permite a separação entre o lixo
orgânico e materiais, como vidro, papel, metais e alguns
tipos de plásticos, impedindo que sejam acumulados em
lixões s sejam aproveitados em outras atividades, por meio
da reciclagem e reaproveitamento, ganhando novo uso. O
material orgânico pode ser transformado em combustível
ou adubo, por exemplo.

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.,.,.,.,,.,,.,.
O lixo orgânico são aqueles restos de materiais
como vegetais, frutos, cascas de ovos, papel, madeira,
ossos e sementes que não comemos, assim como tudo
aquilo que é de origem vegetal. Este tipo de lixo é
reciclado por meio da compostagem, que pode ser no
próprio quintal de casa, o que origina um composto
excelente para flores, ervas e mudas de plantas.

CIDADANIA

A educação ambiental, como formação e exercício


da cidadania, está relacionada como uma nova forma de
encarar a relação do homem com a natureza, baseada numa
nova ética, que pressupõe outros valores morais e uma
forma diferente de ver o mundo e os homens. A educação
ambiental deve ser vista como um processo de permanente
aprendizagem, que valoriza diversas formas de
conhecimento e forma cidadãos com consciência global e
planetária. O grande salto de qualidade tem sido dado
pelas ONGs e organização comunitárias, que tem
desenvolvido ações não-formais centradas principalmente
em ações com a população infantil e juvenil.

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.,.,.,.,,.,,.,.
A educação para a cidadania representa a
possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas, para que
transformem as diversas formas de participação em
potenciais caminhos de dinamização da sociedade e de
concretização de uma proposta de sociabilidade, baseada
na educação para a participação.

O desafio da construção de uma cidadania ativa


considera-se como elemento determinante para constituir e
fortalecer cidadãos que, ao serem portadores de direitos e
deveres, possam assumir a importante missão de abrir
novos espaços de participação. A educação ambiental,
como componente de uma cidadania abrangente, está
relacionada como uma nova forma da relação entre homem
e natureza.

A lista de ações é interminável e essas referências


são indicativas das práticas inovadoras centradas na
preocupação de incrementar a responsabilidade das
pessoas em todas as faixas etárias e grupos sociais quanto
a importância de formar cidadãos cada vez mais
comprometidos com a defesa da vida. Cidadão empenhado
na defesa da vida e do meio ambiente. Nesse contexto, se
faz imprescindível a atuação de professores devidamente
capacitados para trabalhar, além dos conceitos científicos,

45
.,.,.,.,,.,,.,.
temas diretamente relacionados com o social, o ambiental
e o cultural das comunidades envolvidas.

46
.,.,.,.,,.,,.,.

PROTEÇÃO DE ÁGUAS
TERRA, PLANETA ÁGUA

Água é um recurso natural de valor econômico,


estratégico e social, essencial à existência, ao bem-estar do
homem e à manutenção dos ecossistemas, a água é o maior
bem da humanidade. Sem ela a vida se esvai.
Planeta Terra deveria se chamar 'Água', já que tem
70% de sua superfície coberta por oceanos. Isso, sem
mencionar geleiras, que cobrem os polos e áreas próximas,
a água presente na atmosfera, nos reservatórios do subsolo,
além de rios e lagos. O volume total de água na Terra é
estimado em 1,4 bilhões de quilômetros cúbicos. Destes,
97% são de água salgada e apenas 3% são de água doce.
O Brasil é o país mais rico do mundo em recursos
hídricos. Conta com 13,7% da água doce disponível do
planeta, em que 80% da água doce encontra-se na região
amazônica, mas que abastece apenas 5% da população
brasileira. Os 20% restantes estão divididos pelo país, e
abastecem 95% da população. Além disso, o Brasil abriga
enorme biodiversidade como o Pantanal – a maior área
úmida continental do mundo – e a Várzea Amazônica, a
mais extensa floresta alagada da Terra.

47
.,.,.,.,,.,,.,.
Apesar da privilegiada situação quanto à
abundância e qualidade de suas águas, nossos recursos
hídricos não estão sendo utilizados de forma apropriada e
responsável. A alta exploração, a falta de atenção com os
mananciais, má distribuição, poluição, desmatamento e
desperdício são fatores que evidenciam descuido com a
água. O mau uso põe em risco a vida de todos os seres
vivos e afeta diretamente as diversas atividades humanas.

BERÇO DAS ÁGUAS

O Cerrado, com sua extensão e heterogeneidade de


ecossistemas, abriga em torno de 5% da biodiversidade do
Planeta e ocupa 22% do território nacional. Sendo assim, é
um bioma bastante representativo em relação aos demais
domínios brasileiros na quantidade de recursos hídricos,
pois dele partem três das maiores bacias da América do
Sul: as bacias do São Francisco, do Tocantins-Araguaia e
do Paraná. Não por acaso o Cerrado por vezes é referido
como “Berço das Águas”, ou “Caixa d'Água do Brasil”.
As águas do Cerrado são importantes também para
o abastecimento de aquíferos, principalmente o Aquífero
guarani, que possui uma vasta área na América do Sul e
com boa parte situada na área do domínio morfoclimátjco

48
.,.,.,.,,.,,.,.
em questão. Por isso, a manutenção dessa importante
reserva hídrica subterrânea depende da sustentabilidade
desse bioma. Além disso, é válido mencionar que as águas
do Pantanal também são altamente dependentes do
Cerrado.
Segundo a WWF Brasil, nove em cada dez
brasileiros consomem eletricidade gerada por águas do
Cerrado, ressaltando que até a hidrelétrica de Itaipu não
existiria sem as nascentes existentes na região do Planalto
Central. Assim, mais do que um importante conjunto de
recursos hídricos, esse domínio também garante boa parte
do potencial hidrelétrico do país.
A aparente abundância de água no Cerrado, por sua
vez, vem sofrendo várias ameaças. As águas superficiais,
em termos de drenagem, não são abundantes e estão
parcialmente comprometidas; em função disso, procura-se
água subterrânea para suprir a demanda. Contudo, devido a
características região, caracterizada pelo predomínio de
rochas metamórficas com fissuras estreitas, o volume de
água armazenado é pouco significativo para um
aproveitamento sistemático desses aquíferos.

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.,.,.,.,,.,,.,.
Consumo e Uso da Água
Os recursos hídricos no mundo são assim
empregados: 70% para a agricultura; 22% para indústria;
8% para residências.

SANEAMENTO BÁSICO

Um grave problema para a qualidade da água é a


descarga, sem nenhum tratamento, de esgoto domiciliar
em rios e represas que abastecem nossas cidades e irrigam
as plantações.
No Brasil, segundo o Ministério das Cidades, cerca
de 60 milhões de brasileiros (9,6 milhões de domicílios
urbanos) não são atendidos pela rede de coleta de esgoto e,
destes, aproximadamente 15 milhões (3,4 milhões de
domicílios) não têm disponibilidade à água encanada.
Ainda mais alarmante é a informação de que, quando
coletado, apenas 25% do esgoto é tratado, sendo o restante
despejado “in natura”, ou seja, sem nenhum tipo de
tratamento, nos rios ou no mar.
O esgoto, assim como os detergentes, contém
nutriente como o fósforo, que em excesso provocam
eutrofização dos corpos d'água e consequente proliferação

50
.,.,.,.,,.,,.,.
de algas, que pode provocar mau cheiro e gosto ruim na
água, mesmo após o tratamento.
A solução para o problema é a diminuição da
quantidade de nutrientes despejada nos rios, por meio do
tratamento do esgoto. Outra solução, principalmente para
áreas rurais, é agregar a sistemas agroecológicos
alternativos de saneamento básico, como canteiros bio-
sépticos e círculos de bananeiras.

USO AGRÍCOLA

As chuvas nem sempre são suficientes para suprir a


necessidade da produção agrícola. A alternativa para os
produtores é a irrigação, uma atividade que consome mais
de dois terços da água doce utilizada no planeta. Além do
alto consumo, também provocado pelo mau
aproveitamento, que leva ao desperdício, a agricultura
também afeta drasticamente a qualidade dos solos e dos
recursos hídricos. Os agrotóxicos e fertilizantes
empregados na agricultura podem ser carregados para os
corpos d'água, causando a contaminação, tanto da água
superficial, quanto subterrânea.
Para reduzir a poluição decorrente das atividades
agrícolas:

51
.,.,.,.,,.,,.,.
 Reduzir o uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos
na agricultura;
 Implantar medidas de controle de erosão de solos e de
redução dos processos de assoreamento de corpos de
água, tanto em nível urbano como rural.

ATIVIDADES DE PROTEÇÃO HÍDRICA

As estimativas para o uso da água na agricultura


não incluem o uso da água da chuva. De fato, mais
alimentos são produzidos através do uso de água da chuva
do que água irrigada.
A água necessária para a agricultura é de
aproximadamente 1000-3000 m3 por tonelada de grãos
colhidos, isto é, são necessários 1-3 toneladas de água para
cultivar 1 quilo de arroz. De acordo com a Embrapa
(Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), um bom
manejo do solo pode reduzir a quantidade necessária de
água para produzir uma tonelada de grãos.
O conhecimento cientifico gerado nas últimas
décadas comprova ser possível utilizar água na agricultura
com racionalidade e sem desperdício. Diante da crise
hídrica em regiões importantes do Brasil, é fundamental
que a sociedade tenha acesso a este conhecimento.

52
.,.,.,.,,.,,.,.
É necessário implanta técnicas conservacionistas
do solo e água, além de sistemas agroecológicos e
saneamento rural, que colaboram na proteção das águas do
cerrado.

Instalação de Pluviômetros
O pluviômetro é um aparelho de meteorologia
usado para recolher e medir, em milímetros lineares, a
quantidade de líquidos ou sólidos (chuva, neve, granizo)
precipitados durante um determinado tempo e local. Com
o objetivo de monitorar o índice pluviométrico nas
propriedades.

Terraceamento e Bacias de Contenção


Os terraços melhoraram a infiltração da água no
solo, diminuindo o escoamento superficial e consequência
arraste de partículas do solo para as regiões mais baixas do
terreno, diminuindo o processo erosivo. As bacias de
contenção também contribuem para reforçar as reservas do
lençol freático, aumentando a disponibilidade de água no
meio rural.

53
.,.,.,.,,.,,.,.
Isolamento da Área
Realizar a recuperação e conservação dos recursos
hídricos através do isolamento e plantio de nativas em
nascentes, córregos e ribeirão. As atividades de reflorestar
e isolar corpos hídricos são essenciais para a recuperação
de áreas naturais, fertilidade do solo, aumento da água no
lençol freático e maior vazão nas nascentes e córregos da
região, estimulando o plantio e a produção na área, antes
degastada.
As atividades de reflorestar e isolar corpos hídricos
são essenciais para a recuperação de áreas naturais,
fertilidade do solo, aumento da água no lençol freático e
maior vazão nas nascentes e córregos da região,
estimulando o plantio e a produção na área, antes
desgastada.

Sistemas de Captação de Água da Chuva


Esses sistemas estimulam um melhor
aproveitamento da água no período da seca, além de
contribuir para o abastecimento humano e animal.
O sistema de captação de água da chuva é
composto pela superfície de coleta da chuva, filtro e canais
de transporte entre a superfície de coleta e o tanque de

54
.,.,.,.,,.,,.,.
armazenamento e cisternas ou tanques de armazenamento:
onde a água coletada é armazenada.
O aproveitamento da água da chuva incentiva a
população a preservar os recursos hídricos e minimiza o
escoamento de alto volume de água nas redes pluviais
durante as chuvas fortes.

Canteiro Bio-Séptico
Substituto da fossa séptica, o Canteiro Bio-Séptico
funciona como uma horta, só que é regado de baixo para
cima, com os efluentes das “águas negras” (do vaso
sanitário) domésticos gerados por uma família de até 6
pessoas. O efluente é digerido anaerobicamente pelos
micro-organismos presentes.
O Canteiro Bio-séptico viabiliza o tratamento de
efluentes, impedindo a poluição do solo e dos mananciais.
No caso das bananeiras percebeu-se que elas, como outras
plantas de folhas largas como o mamoeiro, evaporavam
grandes quantidades de água.

Círculo de Bananeiras
O círculo de bananeiras é um elemento
fundamental na habitação urbana ou rural por cumprir
mais de uma função importante: tratar a água cinza

55
.,.,.,.,,.,,.,.
localmente, compostar resíduos e produzir alimentos, tudo
em um círculo de 2 m de diâmetro.
O círculo de bananeira é usado para tratar os
efluentes da casa (provenientes das pias, tanques e
chuveiros), as chamadas águas cinzas.
Estas atividades, além de contribuir para a
preservação dos recursos hídricos, possibilita ás famílias
acesso à água de melhor qualidade e um solo fértil.

TRATAMENTO DE ÁGUA COM


SEMENTES DE MORINGA

O acesso a água potável deve ser considerado como


um direito fundamental do Homem. Porém embora a água
natural apareça superficialmente como um recurso livre, a
água tratada é de fato um bem econômico cuja produção e
distribuição estão sujeitas a interligações e interações entre
a escala de produção, o custo, o preço e o consumidor.
A utilização de produtos naturais no tratamento de
águas demonstra ser uma forma pouco prejudicial ao
ambiente e aos consumidores. Ao envolver baixos custos
de produção, podem ser usados por toda a população.
A Moringa oleífera é uma árvore de caule grosso e
alto, de até 10 metros; suas folhas são de comprimento de

56
.,.,.,.,,.,,.,.
até 3 cm, suas folhas e frutos são comestíveis e as raízes
abortivas.
A plantação dessa espécie pode ser usada ainda
para recuperação de áreas degradadas, além de poder ser
associada à prática da apicultura uma vez que suas flores
são muito procuradas por abelhas.
As descobertas recentes do uso de sementes
trituradas de Moringa oleífera para o tratamento de água a
um custo de apenas uma fração do tratamento químico
convencional, constituem uma alternativa da mais alta
importância.
Em recentes pesquisas realizadas, afirmam que as
sementes de Moringa oleífera contêm proteínas com baixo
peso molecular e quando seu pó é dissolvido em água
adquirem carga positivas que atraem partículas
negativamente carregadas tais como, argilas e siltes
(sujeiras), formando flocos densos que sedimentam. Os
autores afirmam ainda, que o coagulante à base de
sementes de moringa, por ser de origem natural, possui
significativa vantagem, quando comparado ao coagulante
químico, sulfato de alumínio, principalmente para
pequenas comunidades uma vez que pode ser preparado no
próprio local. Com isso, a Moringa oleífera provou ser

57
.,.,.,.,,.,,.,.
eficiente na filtração lenta e sedimentação na remoção de
partículas sólidas em suspensão da água.

Processo de filtração
1. Lave bem as mãos, limpando com cuidado as
unhas, para evitar a transmissão de bactérias;
2. Separe três sementes de moringa para cada litro
de água que você deseja purificar; retire as cascas das
sementes, uma por uma, e coloque o miolo em um pilão e
amasse todas (é importante que o miolo das sementes seja
bem amassado); para obter a solução coagulante, retiram-
se as sementes das vagens e as mesmas são descascadas e
piladas, obtendo um pó que é adicionado a água.
3. Jogue o conteúdo do pilão na água que você quer
purificar e mexa lentamente o liquido durante 5 minutos;
4. Cubra a lata ou garrafa e espere durante duas
horas, até que água fique bem limpa e todo o barro e a
sujeira vão para o fundo;
5. Bem devagar retire com um caneco a água limpa
que fica submersa e coloque em um pote ou jarra.

A Moringa oleífera é eficiente para a redução tanto


de turbidez quanto de cor aparente em média de 95%
quando empregada na filtração lenta.

58
.,.,.,.,,.,,.,.
A eficiência da redução de turbidez e cor aparente
está relacionada com o aumento da concentração da
solução coagulante, ou seja, quanto mais concentrada a
solução coagulante de sementes de moringa melhor será a
remoção.
Coagulação: A coagulação é o mecanismo que tem
como objetivo desestabilizar as partículas em suspensão,
facilitando a sua aglomeração.
Floculação: promove a colisão entre as partículas
desestabilizadas, favorecendo a sua agregação em flocos
de grande dimensão que sedimentam mais facilmente por
gravidade. Para isso, a mistura deve ser lenta, porém
intensa, de forma a ser capaz de favorecer o contato entre
as partículas e consequentemente a sua aglomeração em
flocos de maiores dimensões.

CHEGA DE DESPERDICIO, COMO ECONOMIZAR

 Não desmatar;
 Denunciar desmatamentos, comércio ilegal de madeira
e animais;
 Jogar lixo no lixo - a poluição, por menor que seja,
pode contaminar fontes hídricas e entupir bueiros.

59
.,.,.,.,,.,,.,.
 Economizar água na rotina - com o banho, na hora de
escovar os dentes, ao lavar o carro, no momento de
lavar louças, roupas, calçadas, entre outros.
 Buscar por tecnologias que promovem a redução do
consumo de água – como por exemplo vasos
sanitários com volumes de descarga reduzidos e
chuveiros acoplados a um registro, que reduz a vasão
de água.

RESPONSABILIDADE NA PRESERVAÇÃO
DE ÁGUA

Precisamos rever nossa crença de que a água é


abundante e que estará sempre disponível porque isto
depende estritamente de como utilizamos e preservamos
este recurso.
Para reduzir a poluição das águas:
 Apoiar iniciativas que visem a implantação de
sistemas de tratamento de esgotos, como forma de
reduzir a contaminação da água;
 Exigir que o município faça o tratamento adequado
dos resíduos. Propor, por exemplo, a instalação de
sistemas de coleta seletiva e reciclagem de resíduos
sólidos; aterros sanitários, estações de recebimento de

60
.,.,.,.,,.,,.,.
produtos tóxicos agrícolas e domiciliares, tais como
restos de tinta, solventes, petróleo, embalagem de
agrotóxicos, entre outros;
 Organizar-se. Os consumidores organizados podem
pressionar as empresas para que produzam
detergentes, produtos de limpeza, embalagens etc. que
produzam menores impactos ambientais.
 Sendo assim, a educação ambiental é o melhor
caminho para entender a complexidade da relação
homem-natureza na realidade local. Essa compreensão
na escola, por meio da formação de professores e dos
alunos, poderá fazer a diferença na formação de
indivíduos críticos, participativos, preparados a
enfrentar os problemas ambientais e uma possível
crise dos recursos naturais disponíveis, dentre eles a
água.

61
.,.,.,.,,.,,.,.

FIXAÇÃO DE CARBONO
EFEITO ESTUFA

Todos os dias o Sol inunda a terra com energia em


forma de calor. Essa energia é responsável pela
manutenção da vida no planeta. Sem ela a terra seria um
local inóspito e inabitável, coberta de gelo e a vida não
teria condições de se desenvolver. O Efeito Estufa é a
forma que a Terra tem para manter sua temperatura
constante.
A atmosfera é altamente transparente à luz solar,
cerca de 35% da energia que recebemos vai ser refletida de
novo para o espaço, ficando os outros 65% retidos na
Terra. Este equilíbrio delicado é o responsável pela
temperatura agradável que nos dá condições de viver,
trabalhar e produzir alimentos. Uma pequena molécula
invisível aos olhos é a responsável por este balanceamento:
o gás carbônico, também conhecido como dióxido de
carbono.
Sem este gás presente na atmosfera a vida não teria
condições de se desenvolver, as temperaturas seriam muito
baixas e a terra viveria em uma eterna era do gelo.
Mas se esse gás é responsável pelas condições
ideais de vida, porque dizem tanto que ele é prejudicial? O

62
.,.,.,.,,.,,.,.
problema são os extremos. Quando o gás carbônico está
presente em baixas concentrações, a temperatura cai, mas
quando ele está presente em altas concentrações a
temperatura sobe.
Este gás possui uma propriedade interessante, ele
tem o poder de armazenar energia em forma de calor.
Todo o calor do sol seria facilmente refletido para o espaço
se não fosse o gás carbônico. O problema é seu excesso,
quanto mais concentrado, mais a atmosfera armazena
calor.
Este aumento de temperatura atinge diretamente
todos os seres vivos do planeta, animais, plantas e até seres
microscópicos como bactérias e fungos, além de também
pode mudar correntes marítimas e de ar, mudando o clima
no mundo inteiro, levando tempestades, seca e
alagamentos para regiões que nunca antes presenciaram
estes fenômenos, além de acelerar o descongelamento das
calotas polares.
O aumento de temperatura pode atingir um patamar
irreversível, pois quanto mais quente é a temperatura, mais
gás carbônico passa a ser emitido na atmosfera, e assim,
mais calor será armazenado, iniciando este ciclo
catastrófico.

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.,.,.,.,,.,,.,.
A ação humana tem sido responsável pelo aumento
da concentração deste gás. Desde a invenção do motor, a
mais de 100 anos, o homem passou a queimar
combustíveis para produção em larga escala.
Com o surgimento das grandes cidades, aumento
no número de automóveis, queimadas para expansão da
área agrícola e desmatamento de grandes florestas.
Estamos envenenando nosso planeta, que antes vivia em
um equilíbrio perfeito.
E agora, existe solução para este problema?
Felizmente existe uma maneira de reverter este processo e
pegar de volta todo esse carbono que está provocando o
efeito estufa.

FIXAÇÃO DE CARBONO

Todo este carbono que está provocando o efeito


estufa na atmosfera, antes estava armazenado em outros
locais. Quando o carbono está armazenado, ou fixado, ele
não possui este poder de aumentar a temperatura. Existem
vários locais onde ele pode ser armazenado, e a forma
mais eficiente é nas plantas e seres vivos. Cerca de 90%
das plantas são compostas de carbono.

64
.,.,.,.,,.,,.,.
O petróleo queimado na forma de combustíveis, um
dia foi carbono armazenado em plantas. Estas plantas
foram soterradas a milhares de anos, e pela ação do tempo,
o carbono armazenado nelas foi transformado em petróleo.
O efeito estufa acontece quando há mais carbono
sendo liberado do que fixado. Para corrigir este problema
devemos inverter esta equação. Devemos armazenar mais
carbono do que emitir na atmosfera.
Toda prática que consome combustíveis e recursos
vegetais emite carbono na atmosfera. Nos últimos anos, o
homem tem mais emitido carbono, do que fixado. A
agricultura tem sido responsável por grande parte das
emissões de gás carbônico, porém ela é uma das únicas
práticas que possui poder de inverter esta situação.
Toda prática agrícola tem que ser guiada e
planejada para manter o carbono nas plantas, e há mais
carbono do que se imagina estocado nos campos. Toda
massa vegetal viva e morta é um estoque em potencial de
carbono. Quanto mais vegetada for uma área, mais
carbono ela tem armazenado. Em áreas bem preservadas,
até 20% do peso do solo é composto de carbono fixado.
Assim, a fixação do carbono ou assimilação do
carbono são processos biológicos, que visa o
armazenamento do dióxido de carbono gasoso sob a forma

65
.,.,.,.,,.,,.,.
de compostos orgânicos presente em todos os seres vivos
por meio da fotossíntese.
Num sentido mais amplo, pode também designar o
uso de dióxido de carbono em processos em que não há
uma posterior redução do carbono, tal como nos processos
de calcificação, que ocorre na formação de ossos ou as
conchas dos organismos marítimos.
E todo este carbono vai para atmosfera se estas
áreas não forem bem manejadas. Vamos supor que uma
área é queimada para a expansão e produção. Em um
primeiro momento todo o carbono, antes preso nas árvores
e plantas, vai para a atmosfera, após isso, o solo estará
desprotegido, e o calor do sol incidira diretamente sobre
ele. Nestes casos, sem a proteção das plantas, o solo pode
chegar até temperaturas de 60°C. Esta temperatura elevada
provoca a queima dos estoques de carbono do solo que
também vão para a atmosfera.
Após perder os estoques de carbono no solo, é a
vez dos organismos que ali vivem sofrerem com isso. Sem
alimento, estes pequenos animais morrem e também viram
carbono que vai ser liberado na atmosfera. Logo a chave
para resolver esta questão é preservar.
Mas é possível produzir alimentos e preservar o
carbono nas plantas ao mesmo tempo? É possível.

66
.,.,.,.,,.,,.,.
Pesquisas comprovam que se pode produzir mantendo o
estoque de carbono igual ao de ecossistemas sem
influência do homem. Evitando queimadas, revolvimento
do solo, buscando biodiversidade, mantendo a cobertura
natural no solo.
Após o tratado de Kyoto, em que países
industrializados se comprometeram a diminuírem as
emissões de CO², ainda é possível extrair uma renda extra
com a venda de créditos de carbono. Funcionam da
seguinte maneira, países e indústrias que não conseguem
diminuir suas emissões pagam para outros países
diminuírem por eles. Logo, além de extrair renda das
atividades agrícolas, o produtor pode obter renda deixando
de emitir carbono e preservando a natureza.
E como eu faço para saber quanto carbono está
fixando na minha área? Existem alguns métodos que
podem quantificar a quantidade de carbono fixado.

ATIVIDADES DE ARMAZENAMENTO DE
CARBONO

O objetivo é a fixação de carbono e emissões


evitadas, com base na reconversão produtiva de áreas;

67
.,.,.,.,,.,,.,.
recuperação de áreas degradadas, conservação de florestas
e áreas naturais.
A utilização de sistemas agroflorestais tem sido,
nas últimas décadas, bastante difundida como alternativa
para recuperação de áreas degradadas, atribuindo-se à
combinação de espécies arbóreas com culturas agrícolas e,
ou, animais a melhoria nas propriedades físico-químicas de
solos degradados, bem como na atividade de
microrganismos, considerando a possibilidade de um
grande número de fontes de matéria orgânica.
Os serviços de reflorestamento contribuem para a
diminuição do efeito estufa, por meio do armazenamento
de gás carbônico e também restabelecem diversos serviços
ambientais, econômicos e sociais de grande importância
para a sociedade.
Entretanto, nem sempre é possível o retorno de um
ecossistema degradado à sua condição original, devido,
entre outras causas, ao estado de degradação a que foi
submetido.
Os sistemas agroflorestais, embora não restaurem
aspectos importantes, como estrutura e biodiversidade, se
estes forem bem manejados, podem aproximar-se
ecologicamente das comunidades florestais recuperando

68
.,.,.,.,,.,,.,.
funções como ciclagem de nutrientes, além de trazer
retorno econômico ao produtor.

PRODUÇÃO AGROECOLÓGICA
INTEGRADA E SUSTENTÁVEL (PAIS)

O Sistema é composto por mandalas (canteiros


circulares), que contam com um galinheiro no centro,
corredor e piquetes de manejo das aves. Funciona com um
sistema de irrigação por gotejamento, casa para produção
de mudas e, ainda, um pomar (quintal agroecológico). Sua
estrutura permite o reaproveitamento das hortaliças
descartadas, que se transformam em alimento para as
galinhas, as quais atuam no controle das pragas,
eliminando os insetos.

SISTEMAS AGROFLORESTAIS (SAF’s)

São sistemas sustentáveis de cultivo da terra que


combinam, de maneira simultânea ou sequencial, espécies
agrícolas de ciclo curto com espécies arbóreas perenes.
São formas de cultivo milenares, que recentemente
receberam o nome de Sistemas Agroflorestais ou SAF's.

69
.,.,.,.,,.,,.,.
Esse sistema permite, ainda, o melhor
aproveitamento da mão-de obra e aumenta a oferta de
empregos, bem como diversos benefícios ambientais,
dentre eles, o melhoramento dos solos e aumento da
biodiversidade local.

SISTEMAS AGROSSILVIPASTORIL (SASP)

O Sistema Agrossilvipastoril (SASP) é um método


de produção agroecológica que consiste na associação de
pastagem, floresta, agricultura e criação animal em uma
mesma área, de maneira simultânea ou escalonada no
tempo.
Esta atividade promove uma maior conservação
dos recursos naturais e o aumento da produtividade e da
diversidade de produção agropecuária, se comparado ao
modelo convencional.
Segundo estudiosos o consórcio de gramíneas e
leguminosas, juntamente com a instalação de espécies
arbóreas nativas e exóticas promove melhores condições
para o desenvolvimento da diversidade da microbiota do
solo, como o SASP.

70
.,.,.,.,,.,,.,.
ISOLAMENTO DE FONTES HIDRICAS

A gestão de recursos hídricos é essencial para


controlar, proteger e recuperar rios, nascentes e
mananciais. O isolamento de nascentes, deve ser executada
de maneira totalmente participativa.

CONSERVAÇÃO DE SOLO

O cerrado goiano possui muitas áreas que passam


pelo problema da erosão, por conta disso, é necessário a
implantação de ações para impedir o desgaste do solo com
atividades conservacionistas.
Bacia de Contenção: A bacia de contenção
funciona como uma prática complementar de preservação
do solo, eficiente na retenção de água, e ao baixo custo de
implementação.
Terraceamento: Útil para evitar erosões hídricas,
ampliar a área de cultivo e para aproveitamento de água.
Essa técnica é aplicada ao parcelar uma área inclinada em
várias rampas. Dessa forma, as águas das chuvas, ao
fluírem superficialmente, perdem sua força, extraindo
menos sedimentos do solo e ocasionando menos impactos
sobre ele.

71
.,.,.,.,,.,,.,.
SANEAMENTO RURAL

A situação do saneamento básico no Brasil é


dramática. De todas as mazelas ambientais do país nada se
compara ao descomunal impacto à natureza e ao cidadão
causado pela ausência dos serviços de saneamento básico
em todo o território.
Contudo, atualmente existem tecnologias sociais de
saneamento ecológico com a bananeira, o canteiro bio-
séptico e o círculo da bananeira, muito eficientes e não
poluentes.
Canteiro Bio-Séptico - é uma técnica de tratamento
de efluentes domésticos “águas negras” (do vaso
sanitário).
Círculo da Bananeira - tem a função de tratar a
água cinza (provenientes das pias, tanques e chuveiros).

QUANTIFICAÇÃO DA FIXAÇÃO DE
CARBONO

O carbono é fixado em diferentes estoques em um


ecossistema. No solo, na matéria vegetal viva e na matéria
vegetal morta.

72
.,.,.,.,,.,,.,.
O carbono fixado em matéria vegetal viva, também
conhecido como Carbono de Matéria Verde Fresca, é o
carbono que compõe a estrutura de árvores, arbustos,
pastagens e raízes de plantas, ou seja, toda planta viva
estoca carbono.
O carbono fixado em matéria vegetal morta,
também conhecido como carbono de serapilheira, ou
carbono de camada liteira, é aquele que está preso nos
estoques de palhada, galhos, folhas secas, árvores mortas e
todo resto vegetal sem vida. Este estoque é muito
importante, pois é a principal fonte de nutrientes naturais
dos ecossistemas.
O carbono fixado na matéria orgânica do solo,
também conhecido como carbono do solo, é aquele
oriundo da decomposição da matéria vegetal morta e é o
principal estoque de nutrientes dos ecossistemas.

PEGADA ECOLOGICA

A pegada ecológica é atualmente usada ao redor do


mundo como um indicador de sustentabilidade ambiental.
Pode ser usado para medir e gerenciar o uso de recursos
através da economia.

73
.,.,.,.,,.,,.,.
Você já parou para pensar que a forma como
vivemos deixa marcas no meio ambiente? É isso mesmo,
nossa caminhada pela Terra deixa “rastros”, “pegadas”,
que podem ser maiores ou menores, dependendo de como
caminhamos.
A Pegada Ecológica é uma metodologia de
contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo
das populações humanas sobre os recursos naturais.
Expressada em hectares globais (gha), permite comparar
diferentes padrões de consumo e verificar se estão dentro
da capacidade ecológica do planeta. Um hectare global
significa um hectare de produtividade média mundial para
terras e águas produtivas em um ano.
Já a biocapacidade, representa a capacidade dos
ecossistemas em produzir recursos úteis e absorver os
resíduos gerados pelo ser humano.
Sendo assim, a Pegada Ecológica contabiliza os
recursos naturais biológicos renováveis (grãos e vegetais,
carne, peixes, madeira e fibras, energia renovável etc.),
segmentados em Agricultura, Pastagens, Florestas, Pesca,
Área Construída e Energia e Absorção de Dióxido de
Carbono (CO2).

SEU ESTILO DE VIDA

74
.,.,.,.,,.,,.,.

Água
Todos os dias você escova os dentes, toma banho,
lava as mãos, faz comida, lava a louça e a roupa, utiliza a
descarga. Você já pensou o quanto tudo isso consome de
água por dia?

Energia elétrica
No Brasil a maior parte da energia elétrica
consumida é produzida por hidroelétricas, que exigem,
para seu funcionamento, a construção de grandes
barragens. Assim, com o aumento de consumo e a
decorrente necessidade de produzir cada vez mais energia
elétrica, torna-se necessário represar mais rios e inundar
mais áreas, reduzindo as florestas, impactando a vida de
milhares de outros seres vivos, retirando comunidades de
suas terras e alterando os climas locais e regionais como
aumento das superfícies de evaporação.

Consumo e descarte
Quanto mais consumimos, mais lixo produzimos.
Os resíduos naturais, ou matéria orgânica, podem ser
inteiramente absorvidos e reutilizados pela Natureza, mas
o tipo de resíduos que nossa civilização produz nos dias de

75
.,.,.,.,,.,,.,.
hoje, especialmente os plásticos, não podem ser
eliminados da mesma forma.

Transporte
Quanto você se desloca por dia? De que forma:
carro, ônibus, trem, metrô, a pé ou de bicicleta? A maioria
dos meios de transporte que utilizamos em nosso cotidiano
utilizam combustíveis fósseis, ou seja, não renováveis.
Esta fonte energética que vem do petróleo, do carvão e do
gás natural polui o ar, principalmente nos grandes centros
urbanos, devido à enorme quantidade de automóveis.

76
.,.,.,.,,.,,.,.

SISTEMA PARA CAPTAÇÃO


DE AGUA DA CHUVA
A QUESTÃO DA ÁGUA

O Planeta Terra é composto por 70% de água. Essa


água tem um ciclo natural, que se inicia com sua
evaporação e a formação das nuvens que depois vão
retornar para a terra através das chuvas. De toda água
existente no planeta, 97,5% estão nos oceanos e dos 2,5%
restantes, 1,5% estão nos polos (geleiras e icebergs),
restando apenas 1% disponível para o consumo humano,
sendo que a maior parte está em leitos subterrâneos,
atmosfera, plantas e animais. A água utilizada por nós é de
origem de nascentes, lagos, rios e extrações de leitos
subterrâneos, os aquíferos.

FORMAS SIMPLES PARA ECONOMIZAR


ÁGUA POTÁVEL

 Fechar a torneira enquanto escovar os dentes, fazer


a barba, ensaboar a louça, etc.;
 Não usar mangueira para lavar pisos, calçadas,
automóveis, etc.;

77
.,.,.,.,,.,,.,.
 Trocar as válvulas hidro-assistidas de descargas por
caixas acopladas ao vaso sanitário com limitador
(es) de volume (s) por descarga;
 Diminuir o tempo no banho, e ajustar o fluxo de
água;
 Procurar usar a máquina de lavar roupas apenas
quando tiver uma quantidade de roupas (sujas)
suficiente para usar o volume máximo da máquina;
 Se tiver que lavar mais de uma leva de roupas, e se
a máquina permitir, antes da máquina jogar fora a
água do enxágue, dê uma pausa, tire a roupa limpa,
coloque a segunda leva de roupas sujas e reinicie o
trabalho da máquina. Depois quando a máquina for
centrifugar, dê uma pausa e junte as roupas da
primeira leva para centrifugar tudo junto. Assim
você economizar um tanque de água;
 Reduzir a vazão de água do seu chuveiro ou ducha
(um chuveiro normal gasta em média 3,5 litros por
minuto);
 Reduzir ou eliminar o consumo de carne (segundo
o conceito de água virtual que leva em
consideração toda a água usada para fabricar um
produto industrial ou um alimento, uma dieta
básica com carne consome cerca de 4.000 litros de

78
.,.,.,.,,.,,.,.
água virtual do dia, enquanto a dieta vegetariana
requer em torno de 1.500 litros).

OBJETIVOS DO APROVEITAMENTO DE
ÁGUA DA CHUVA

 Incentivar a população a fazer o aproveitamento


correto da água de chuva;
 Minimizar o escoamento do alto volume de água
nas redes pluviais durante as chuvas fortes;
 Usar a água para irrigações nos jardins e lavagens
de pisos externos. Assim, essa água vai infiltrar na
terra e ir para o lençol freático, preservando o seu
ciclo natural;
 Usar a água para lavagens de pisos, carros,
máquinas e nas descargas no vaso sanitário.

O SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUA DA


CHUVA

O Sistema de Captação de Água da Chuva é uma


tecnologia social e sustentável para a captação e
aproveitamento da água da chuva a partir da cobertura

79
.,.,.,.,,.,,.,.
(telhados ou lajes) de qualquer tipo de edificação, como
casas, prédios residenciais e comerciais, indústrias, etc.
O sistema consiste em recolher, filtrar, armazenar e
disponibilizar a água da chuva, deixando-a própria para o
uso das famílias em áreas internas e externas.
A técnica utilizada na construção do Sistema de
Captação de Agua da Chuva é o ferrocimento, composta
de uma armação de ferro e tela de arame subdividida e
distribuída em meio a massa forte de cimento e areia,
permitindo a construção rápida e econômica dos
reservatórios de armazenamento da água coletada.

PARTES DE UM SISTEMA DE CAPTAÇÃO


DE ÁGUA DA CHUVA

 Área de captação: superfície de coleta da


precipitação pluviométrica e calhas de
recolhimento da água;
 Tubulações: filtro e canais de transporte entre a
superfície de coleta e o tanque de armazenamento;
 Cisternas ou tanques de armazenamento: onde a
água coletada é armazenada.

80
.,.,.,.,,.,,.,.
A TÉCNICA DO FERROCIMENTO

A técnica do ferrocimento é uma técnica muito


econômica para utilização do cimento e permite a
construção rápida de reservatórios de pequeno porte. O
custo final chega a ser 20% do valor de reservatórios de
ferro, sendo que estes se não galvanizados oxidam em
menos de cindo anos.
Tanques de ferrocimento são muito resistentes e de
fácil reparo. Utiliza-se uma malha de ferro (tela de reforço)
de armação e telinha para sustentação e uma camada de 2
cm de espessura de massa de cimento forte. Depois de
pronta a caixa deve permanecer cheia por duas semanas
para curar o cimento.
Para armazenamento de água potável, a cisterna
deve ser vedada a luz solar e protegida com tela para
insetos. Posicione o registro de saída a 10 cm do fundo e o
dreno de limpeza no fundo da caixa. Direcione a saída de
excesso (ladrão) para um canal de infiltração. A ligação da
calha a caixa deve ser direta, sem uso de sifão.

MATERIAIS NECESSÁRIOS

 3,5 m de areia lavada

81
.,.,.,.,,.,,.,.
 21 sacos de cimento
 12 m de tela 1,5
 12 m de tela 1,0
 10 m de tela para mosquito 1,5
 12 m de tubo PVC 100 mm
 2 joelhos PVC 90º 100 mm
 1 peça CAP 150 mm
 1 pote de cola 175 g
 4 m de tubo soldável 50 mm
 1 registro soldável 50 mm
 4 joelhos soldáveis 50 mm
 3 m de tubo PVC 150 mm
 1 T PVC 100 mm
 1 torneira simples 1/2
 1 luva LXR
 1 tampão de ferro fundido T33
 1 redução 150x100
 4 malhas pop. Ref. Painel 2x5 15x15 6 metros
 5 calhas galvanizadas 0,43 galv. 043 c. 300 3
metros
 2 kg de arame reduzido recozido nº18
 1 barra de ferro 1/8 x 3/4 6 metros

82
.,.,.,.,,.,,.,.
 5 barras de ferro redondo ca50 3/8 10 mm 12
metros
 15 barras de ferro redondo 1/4
 2 latas de impermeabilizante (uso interno após
acabamento e secagem da caixa)
 12 sacos de 20 kg de cal hidratada
 5 peças de zinco de 50 x 12

TRAÇO PARA SISTEMA DE CAPTAÇÃO

1º Massa do fundo: 3 cm
 2 carrinhos de areia lavada + 1 saco de cimento +
10 kg de cal hidratada

2º Massa do fundo: 7 cm
 3 carrinhos de areia lavada + 2 sacos de cimento +
10 kg de cal hidratada

Massa lateral:
 3 carrinhos de areia lavada + 2 sacos de cimento +
10 kg de cal hidratada
 2 malhas pop para a circunferência
 2 malhas pop para a tampa (recortar em quadrado
de acordo com o tamanho da tampa)

83
.,.,.,.,,.,,.,.
 24 barras de ferro:
 2,10 metros de 1/4
 12 barras de ferro:
 5 metros de 3/8
 Amarrar a barra de 45 cm

Ferro 1/4: Espaçamento de 40 cm (formando 3 círculos)

CONSTRUÇÃO DO SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE


ÁGUA DA CHUVA

O primeiro passo é definir o local em que será


construído o Sistema de Captação, considerando o telhado
que fará a coleta da água e que o terreno permita formar
uma base plana e sem pedras.
Para calcular o volume do seu Sistema de
Captação, é necessário achar a área da base e multiplicar
pela altura. A área da base é igual a 3,14 multiplicando
pelo raio (em metros) ao quadrado, ou seja:

Volume: 3,14 x R2 x H
Exemplo:
3,14 x 1,7 m2 x 2,2 m = volume da cisterna é de 19,919 l.

84
.,.,.,.,,.,,.,.
Colocar a massa da base, instalamos o cano e o
joelho de pvc, que servirão para esgotar a água da cisterna.
Para instalá-los, abrimos uma “valeta” a partir do
ponto central da caixa, onde fica posicionado o joelho, até
um dos lados. Esta será a saída de água do Sistema de
Captação. Este cano deverá ser coberto com cimento,
deixando a base nivelada.

CONSTRUÇÃO DO CONTRAPISO

A seguir, é colocada a massa na base. O contrapiso


deve ter 3cm de espessura. O traço utilizado é dois
carrinhos de areia lavada peneirada (em peneira fina), um
saco de cimento e 10kg de cal hidratada.
Para fazer a malha da base, trabalharemos com aros
feitos com barras de ferro de 1/4 e utilizaremos amarras
feitas com arame recozido. O tamanho do primeiro aro é
calculado a partir área do joelho posicionado no centro,
com um raio de 24 cm.
Os aros serão posicionados na base e devem seguir
o espaçamento de 24 cm entre si, formando 7 unidades até
chegar a linha externa do círculo da base. Após a
confecção dos aros, posicionaremos os 24 recortes de 2m

85
.,.,.,.,,.,,.,.
de barras de ferro de 1/4, que serão dobrados, da seguinte
forma, na horizontal, 1,6 m e na vertical, 0,4 m.
As barras, após dobrados, devem ser amarradas
com arame recozido, uma a uma, aos aros anteriormente
posicionados.

CONSTRUÇÃO DA PAREDE

Para a parede, utilizaremos duas peças de Malha


Pop, entrelaçado e amarrando, na maior quantidade de
pontos possíveis, uma a outra até fechar a circunferência.
Com a Malha Pop afixada e bem amarrada, é horas de
colocar a Tela Pinteiro. A tela deve ser bem amarrada e
cobrir toda a parte externa da parede.

CONSTRUÇÃO DA TAMPA

Para a confecção da tampa, utilizaremos barras de


ferro de 5 metros de 3/8 dobradas. Após dobradas, as
barras serão amarradas a estrutura com arame recozido,
tanto na parte central, onde as peças se encontram, quanto
a parede, onde seguem um espaçamento de 45 em 45 cm,
totalizando doze barras.

86
.,.,.,.,,.,,.,.
É importante ressaltar que a amarração deve ser
feita a medida que as barras são posicionadas na estrutura,
para que não se soltem durante o processo. Com as barras
amarradas, montamos 3 círculos com barras de ferro de 1/4
em volta da estrutura da tampa. Os círculos são montados
em cima da estrutura e devem ser amarrados com arame
recozido a todas as barras de ferro.
Com esta estrutura montada, fixamos a Malha Pop,
recobrindo toda a tampa. A malha deve ser amarrada na
maior quantidade de pontos possível e as sobras devem ser
recortadas. O passo final da armação da tampa é a
colocação da tela de mosquito de 1,5. A tela é colocada na
parte interna da tampa e deve ser amarrada com arame
recozido e ficar bem estirada, pois é ela quem vai segurar o
peso da massa, colocada na parte externa.
Ao terminar a colocação da tela devemos fazer a
abertura na tampa, onde, no momento do reboco,
instalaremos um tampão de ferro t33. A base do tampão
deve ser fixada com a massa e assim teremos acesso ao
interior do Sistema de Captação de Água da Chuva para a
limpeza e manejo.

87
.,.,.,.,,.,,.,.
REBOCO

A etapa final da construção é o reboco. O traço de


massa é 3 carrinhos de areia lavada peneirada bem fina, 2
sacos de cimentos e 10 kg de cal hidratada.
O reboco é feito com a ajuda de placas de zinco. As
placas são inseridas pela abertura feita na tampa e
posicionados no interior da caixa, recobrindo toda a parede
interna. As placas também são amaradas com arame
recozido, em diversos pontos, garantindo sua boa fixação.
São essas placas que são segurar o reboco, então sua
colocação deve ser feita com muito cuidado.
Após a fixação das placas, o reboco é iniciado nas
laterais e na tampa. O reboco não pode ser interrompido.
Após a cobertura total do Sistema com reboco, o mesmo
deve ser alisado com uma esponja ou espuma umedecida,
para evitar falhas e possíveis vazamentos. Esperamos o
reboco secar de um dia para o outro e então retiramos as
placas de zinco e fazemos o reboco interno com o mesmo
traço e o mesmo acabamento.
Com o reboco externo e interno do Sistema
prontos, passamos neste momento para o contrapiso
interno, com 7 cm de altura. O traço da massa é 3
carrinhos de areia lavada peneirada bem fina, 2 sacos de

88
.,.,.,.,,.,,.,.
cimentos e 10 kg de cal hidratada. O sistema de captação
está pronto para receber as calhas. Utilizaremos calhas
comuns conectadas a canos que levarão a água do telhado
até o tanque.
Para que a água do seu sistema de captação fique
limpa e própria para o consumo, é importante que
descartemos a água que cai durante os vinte primeiros
minutos de chuva. Para isso, instalaremos um filtro, feito
basicamente com uma câmara e uma bola flutuante. A bola
sobe e veda o desvio da água, que nesse momento começa
a encher o tanque.
Com a colocação das calhas, filtro, torneira e
ladrão, o sistema de Captação da Água da Chuva está
pronto. Depois de totalmente seco, devemos fazer o
processo de cura, que evitará rachaduras e fortalecerá o
sistema. O enchemos com água e, de tempos em tempos,
molhamos a parte externa com uma mangueira. Após 15
dias, devemos esvaziá-los e pronto! Esperamos a chuva
para utilizar a água captada.

MANUTENÇÃO

 Remova a sujeira do telhado e da calha antes do


início do período chuvoso.

89
.,.,.,.,,.,,.,.
 Use tela nas partes não vedadas para manter
afastados mosquitos, pássaros e pequenos animais
 Não deixe a caixa de captação vazia por muito
tempo, ela pode trincar ou rachar.
 Antes da época de chuva, limpe a parte interna com
água e água sanitária, escovando as paredes e o
piso.

90
.,.,.,.,,.,,.,.

AGROFLORESTA (SAF)
O QUE É MONOCULTURA?

Monocultura é uma forma de plantio, onde uma


única planta é plantada em uma grande área. Esta
característica faz com que o monocultivos destrua a terra,
pois quando se planta em uma área só, as plantas absorvem
todos os nutrientes do solo que não podem ser substituídos,
causando um desequilíbrio no ambiente, o que gera
mudanças climáticas e na composição do solo.
No Brasil, os agricultores plantam uma grande
quantidade de açúcar, café e soja usando monocultura, por
ser mais barato. Porém, com o tempo de cultivo o produtor
começa a perder mais do que ganha, pois a grande escala
acaba com os minerais do solo, arruinando a produção e o
espaço. Dessa forma, os agricultores usam cada vez mais
fertilizantes para suprir a falta de nutrientes, o que volta a
agredir o solo e, pior, o lençol freático.
A solução para a monocultura está no cultivo de
plantas diversificadas. Essa técnica, conhecida como
Agrofloresta, parte do princípio de utilizar características
de cada planta, desde grandes árvores até trepadeiras e
hortaliças, para a criação de um ecossistema completo,

91
.,.,.,.,,.,,.,.
aumentando muito a produtividade de cada metro cúbico
de terra.

SISTEMA AGROFLORESTAL

São sistemas sustentáveis de cultivo de terra que


combinam, de maneira simultânea ou sequencial, espécies
agrícolas de ciclo curto com espécies arbóreas perenes.
São formas de cultivo milenares, que recentemente
receberam o nome de Sistemas Agroflorestais ou SAF’s.

VANTAGENS

1. Melhorar o uso do solo, pois combinam espécies de


raízes profundas com espécies de raízes mais
superficiais.
2. Protegem os solos contra erosão e aumentam sua
fertilidade, porque produzem matéria orgânica com
a queda de folhas e galhos.
3. Contribuem para aumentar a diversidade dos
sistemas de cultivo, combinando espécies de
interesse ecológico, animais e espécies ameaçadas,
com as de interesse econômico.

92
.,.,.,.,,.,,.,.
4. Aumentam o potencial de retorno econômico ao
longo do tempo, porque combinam espécies de
crescimento rápido com outras de crescimento mais
lento.
5. Quando as espécies a serem cultivadas são bem
escolhidas, geram rendimentos econômicos mais
favoráveis.
6. Ajudam a recuperar áreas de preservação
permanente, nascentes, e margens de igarapés e
lagos, mantendo a produção econômica. Ajudam a
restaurar e manter os serviços ambientais das
florestas, como a manutenção de estoques de
carbono, sem queima, e uma maior diversidade
biológica de animais polinizadores, dispersores de
sementes, de compositores de matéria orgânica,
entre outros.

DESVANTAGENS

1. Os conhecimentos dos técnicos e agricultores para


a implantação do SAF ainda é muito limitado,
como por exemplo, com relação ao espaçamento de
cada espécie, qualidade e periodicidade do manejo.

93
.,.,.,.,,.,,.,.
2. O retorno do capital pode ser mais lento. O manejo
incorreto pode diminuir o rendimento dos cultivos.
3. Ausência de pesquisas atuais para os cultivos
consorciados, é uma desvantagem pela falta de
aprimoração do Sistema.

CLASSFICAÇÕES

Os sistemas agroflorestais têm sido classificados de


diferentes maneiras: de acordo com sua estrutura espacial,
desenho no tempo, importância relativa e a função dos
diferentes componentes, objetivos da produção e
características socioeconômicas predominantes.
Os sistemas são classificados em um primeiro nível
simplesmente como sequencias, simultâneos ou
complementares, como se seguem:
a) Sistemas agroflorestais sequenciais: os cultivos
agrícolas anuais e as plantações de árvores se
sucedem no tempo. Nesta categoria se incluem os
sistemas de agricultura migratória com intervenção
e manejo de capoeiras; sistema silvagrícola rotativo
(capoeiras melhoradas com espécies arbóreas de
rápido crescimento);

94
.,.,.,.,,.,,.,.
b) Sistemas agroflorestais simultâneos; integração
simultânea e continua de cultivos anuais e perenes,
árvores madeiráveis ou de uso múltiplo e/ou
pecuária. Incluem: associações de árvores com
cultivos anuais ou perenes; hortos caseiros mistos e
sistemas agrossilvipastoris.
c) Sistemas complementares: cercas vivas e cortinas
quebra-vento: fileiras de árvores para delimitar
uma propriedade ou gleba ou servir de proteção
para outros componentes e outros sistemas. São
considerados complementares as outras duas
categorias, pois podem estar associados e sistemas
sequenciais ou simultâneos.

ETAPAS PARA IMPLANTAÇÃO DO


SISTEMA AGROFLORETAL

DIAGNÓSTICO

O principal objetivo do diagnóstico é a


caracterização e a descrição do meio físico, biótico e
socioeconômico da área, em um nível de detalhamento que
possibilite a planificação de uma ou mais alternativas
agroflorestais mais apropriadas a realidade local. Para a

95
.,.,.,.,,.,,.,.
realização do diagnóstico é necessário empregar métodos e
ferramentas da metodologia.
É importante que o diagnóstico seja feito de forma
participativa, buscando-se interagir o saber ecológico
acumulado dos agricultores com o saber institucional dos
técnicos, de forma a gerar um ambiente necessário para o
desenvolvimento agroflorestal bem-sucedido.
Com o diagnóstico buscar-se zonear as áreas para o
plantio e seus critérios, desde a paisagem até a
propriedade, elaborar uma lista de espécies vegetais
conhecidas pelos agricultores para plantio, propor os
desenhos ou arranjos agroflorestais e definir as etapas de
implantação, manejo e monitoramento.

SELECIONAR A ÁREA ADEQUADA

Normalmente, deve-se implantar um sistema


agroflorestal a partir de uma área que a família já trabalha,
aproveitando o que já está feito, ou usando uma área que
foi abandonada (capoeira). No roçado, onde já se planta
culturas anuais como milho, feijão, mandioca e arroz,
pode-se iniciar a implantação de um SAF.

96
.,.,.,.,,.,,.,.
ESCOLHA DAS ESPÉCIES

Na escolha das espécies que irão compor os


sistemas agroflorestais o agricultor deve priorizar as
espécies nativas adaptadas ao ambiente local, as que
garantirão a subsistência e a segurança alimentar da
família e, também, as produções com melhor saída no
mercado local.
Normalmente, as espécies componentes de um SAF
podem ter, entre si, relação complementar, competitiva ou
antagônica. Tais relações entre componentes ocorrem em
função do tipo de arranjo e de manejo utilizado.
A integração das espécies deve levar em
consideração as características das plantas tanto no que diz
respeito ao melhor aproveitamento da luz, da água e dos
nutrientes, quanto aos aspectos relacionados com a época
de produção de frutos. O que pode ajudar é realizar um
calendário de frutificação anual, abrangendo espécies
frutíferas de potencial econômico.
Dentre as espécies temos: nim, açaí, mogno,
banana, mandioca, copaíba, milho, pupunha, andiroba,
mamão, café e abacaxi.

97
.,.,.,.,,.,,.,.
DESENHO DO SISTEMA

No desenho do sistema agroflorestal é preciso levar


em considerações a distância entre as plantas e, também, a
altura de cada uma, porque plantas crescendo lado a lado
podem ocupar alturas diferentes nesses sistemas.
Utilizando-se uma comparação com a construção de um
prédio, as plantas vão ocupar diferentes “andares” no
sistema, e esses andares serão ocupados por diferentes
espécies ao longo do tempo, da mesma forma que em uma
floreta natural.

IMPLANTAÇÃO

O princípio de agrofloresta é fazer com que a


produção seja a mais diversificada possível, e que o solo
seja produtivo durante o ano todo. Para se chegar a uma
agrofloresta diversificada e produtiva, deve seguir
gradativamente, ano após ano.
Um sistema agroflorestal pode ser implantado todo
ao mesmo tempo, começando por espécies anuais
(hortaliças, cereais), espécies semi-perenes (banana,
maracujá, mamão, etc.), onde se incluem desde arbustos de
ciclo curto até árvores de ciclo longo; ou de forma
progressiva: a partir de roçados ocupados com cultivos de

98
.,.,.,.,,.,,.,.
ciclo curto (arroz, milho, feijão, mandioca/macaxeira)
associados a criação de pequenos animais domésticos.
Na fase de implantação do SAF, esses componentes
cumprem um papel importante na segurança alimentar da
família.
Uma forma recomendada para a construção do
sistema em uma propriedade rural é por meio do mutirão,
onde o agricultor convida os conhecidos da comunidade,
da associação, ou do assentamento para um dia de
trabalho. Essa é uma forma de apoio mútuo que deve ser
estimulada entre os assentados, já que a mão-de-obra na
área rural é insuficiente.

MANEJO NO SAF

Para permitir o bom desenvolvimento e produção


das plantas é preciso realizar algumas práticas de manejo
no SAF.
a) Podas: Nos sistemas agroflorestais, normalmente
empregam-se três tipos de podas que são
executadas de acordo com a planta e o objetivo do
cultivo. São elas: Poda de formação, feita no início
da vida das plantas; Poda de limpeza, é uma poda
leve, que deve ser feita regularmente, eliminando

99
.,.,.,.,,.,,.,.
os galhos ou ramos mortos, secos, ou que
apresentem má formação; Poda drástica, consiste
no corte total da copa, feita em leguminosas na
eliminação de plantas envelhecidas.
b) Capina seletiva: trata-se de arrancar pela raiz todos
os capins e as plantas invasoras em floração. Essa
prática é muito importante, pois evita que haja a
concorrência daquelas ervas com as culturas que
serão implantadas após a poda. A medida que o
sistema agroflorestal se desenvolve, ocorre o
sombreamento progressivo das plantas cultivadas e
o mato que nasce no solo é muito pouco, tornando
a capina seletiva um trabalho cada vez mais leve.
c) Adubação: As espécies implantadas nos sistemas
agroflorestais podem ser adubadas em cobertura
com biofertilizantes líquidos e farelados
produzidos no próprio sitio. Essa prática reduz os
custos e facilita o trabalho para o agricultor. A
adubação de espécies no SAF também pode ser
feita incorporando-se “espécies adubadoras” no
sistema, como é o caso das plantas que
posteriormente poderão ser podadas para a
produção de matéria orgânica.

100
.,.,.,.,,.,,.,.
*Possíveis correções: Nos Sistemas Agroflorestais as
plantas podem ser substituídas, de acordo com a sua
disponibilidade, adequando-se seu porte, necessidade de
nutrientes e luz.

CÓDIGO FLORESTAL

Os instrumentos legais na área ambiental não foram


elaborados para regulamentar formas de produção do
Sistema Agroflorestal. Entretanto, como resultado do
aumento constante da visibilidade da importância das
agroflorestas, desenvolvidas por agricultores familiares
para a conservação ambiental, existe possibilidade de
alguma associação entre o manejo desse sistema também
nos textos legais.
No Código Florestal está estabelecido que a
intervenção ou a supressão de vegetação nativa em Áreas
de Preservação Permanente (APP) somente ocorrerá nas
hipóteses de utilidade pública, de interesse social ou de
baixo impacto ambiental prevista nesta lei. Entre as
atividades de baixo impacto possível está a “exploração
agroflorestal e manejo florestal sustentável, comunitário e
familiar, incluindo a extração de produtos florestais não

101
.,.,.,.,,.,,.,.
madeireiros, desde que não descaracterizem a cobertura
vegetal nativa existente”.
Assim, a implementação dos Sistemas
Agroflorestais é considerada de interesse social e de baixo
impacto ambiental, sendo, assim, possível de ser cultivada
legalmente em APP’s. Dessa forma, para realizar a
regulamentação da prática agroflorestal em APP’s, ou em
Reserva Legal, os agricultores e comunidades necessitam
realizar uma simples declaração ao órgão ambiental, como
o imóvel devidamente inscrito no chamado Cadastro
Ambiental Rural (CAR).

ARVORES EM FAVOR A VIDA

Os benefícios que as árvores trazem para os seres


vivos são diversos. Sua importância está associada a vida.
Por isso é essencial manter o equilíbrio das florestas, com
a preservação das matas nativas e dos mananciais.
As árvores nos beneficiam diretamente com o
fornecimento dos alimentos, materiais (madeira, papel),
combustível (lenha, carvão), substâncias medicinais,
corantes, óleos essenciais, entre outros. Além disso, as
florestas colaboram na regulação do clima, proteção do
solo e das águas, redução do risco de enchentes, ajudam a

102
.,.,.,.,,.,,.,.
evitar erosão com suas raízes, reduzem a poluição do ar,
entre outros.
Infelizmente esses benefícios são pouco percebidos
pelas pessoas e ficam mais evidentes somente quando se
tornam escassos e as consequências indesejáveis
aparecem.
Dessa forma, a educação ambiental nas escolas é
importante na disseminação e desenvolvimento de jovens
com consciência crítica a respeito da proteção das árvores
e da natureza.

PONTOS POSITIVOS DA PRESENÇA DAS


ÁRVORES

 As árvores colaboram por estabilizar o solo e


reduzir a erosão.
 Os estrumes produzidos pelos animais são
usados pelos cultivos e árvores.
 Árvores fornecem forragem para os animais.
 As folhas das árvores enriquecem o solo e
ajudam a mantê-lo úmido.
 Árvores absorvem dióxido de carbono do ar.
 Árvores fornecem lenha, madeira e possuem
propriedades medicinais.

103
.,.,.,.,,.,,.,.
 O agricultor consegue obter leite, frutos e
outros alimentos da terra.
 O nitrogênio fixado pelas árvores beneficia as
espécies vegetais.

104
.,.,.,.,,.,,.,.

AGROECOLOGIA E USO
SUSTENTÁVEL DA TERRA
AGROECOLOGIA

A Agroecologia e as tecnologias sociais


sustentáveis são soluções tecnológicas que amenizam os
impactos negativos das atividades agropecuárias. São
práticas que mantêm os atributos físicos, químicos e
biológicos do solo e possibilitam a manutenção de água
limpa e abundante. Permite ainda que sejam desenvolvidas
atividades agropecuárias mais produtivas, sem a
necessidade de expansão para novas áreas ou de
degradação de recursos naturais.
A Agroecologia oferece metodologias necessárias
para desenvolver uma agricultura que seja, por um lado,
ambientalmente adequada e, por outro, altamente
produtiva, socialmente equitativa e economicamente
viável. Através da aplicação de princípios agroecológicos,
poderão ser superados os desafios básicos na construção de
agriculturas sustentáveis, ou seja: fazer um melhor uso dos
recursos internos; minimizar o uso de insumos externos;
reciclar e gerar recursos e insumos no interior dos
agroecossistemas; usar com mais eficiências as estratégias

105
.,.,.,.,,.,,.,.
de diversificação que aumentam o sinergismo entre os
componentes de cada agroecossistema.

SISTEMAS AGROFLORESTAIS

Agroflorestas são florestas plantadas para fins


específicos, com toda a biodiversidade, dinâmica e
estrutura de uma floresta natural. Combinam espécies
arbóreas (frutíferas e/ou madeireiras) com cultivos
agrícolas e/ou criação de animais, de forma simultânea ou
em sequência temporal e que promovem benefícios
econômicos e ecológicos. Apresentam como principais
vantagens, frente a agricultura convencional, a fácil
recuperação da fertilidade dos solos, o fornecimento de
adubos verdes e o controle de ervas daninhas. Na maioria
das vezes, as árvores podem servir como fonte de renda,
uma vez que a madeira e, por vezes, os frutos das mesmas
podem ser explorados e vendidos.
Os Sistemas Agroflorestais fazem ainda o papel de
reconversão e, além de recuperar áreas degradadas,
garantem a segurança alimentar das famílias através do
consórcio de espécies agricultáveis.

106
.,.,.,.,,.,,.,.
TÉCNICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO

Dentre os princípios fundamentais do planejamento


de uso da terra, destaca-se um maior aproveitamento da
água da chuva, evitando-se perdas excessivas por
escoamento superficial. Os terraços e bacias de contenção,
além de garantir o suprimento de água para as culturas,
criações e comunidades, previnem a erosão, evita
inundações e assoreamento dos rios, assim como
abastecem os lençóis freáticos que alimentam os cursos de
água.
Os terraços são construídos para evitar a formação
de erosões, promovem a recarga do lençol freático,
proporcionando a elevação do nível de água no interior do
solo, favorecendo a manutenção de nascentes e a
revitalização de mananciais com água de boa qualidade, e
ainda favorecem a manutenção de pastagens e o
desenvolvimento de culturas.
As bacias de contenção têm o objetivo de reter o
excesso de água e contribuir para o controle do processo
erosivo, além de gerar reservas do lençol freático,
aumentando a disponibilidade de água no meio rural. Esta
técnica também propicia melhorias na economia local e no
desenvolvimento das atividades agrárias.

107
.,.,.,.,,.,,.,.

PAIS – PRODUÇÃO AGROECOLÓGICA


INTEGRADA E SUSTENTÁVEL

Possibilita o cultivo de alimentos mais saudáveis


tanto para garantir a segurança alimentar da família
enquanto para a comercialização do excedente de
produção.
A produção é agroecológica porque dispensa o uso
o emprego de agrotóxicos, queimadas e desmatamentos. É
integrada porque alia a criação de animais com a produção
vegetal e ainda utiliza insumos da propriedade em todo o
processo produtivo. É sustentável porque preserva a
qualidade do solo e das fontes de água incentiva a
associação de produtores e aponta novos canais de
comercialização dos produtos, permitindo boas colheitas.
É denominado o nome de Produção Agroecológica,
Integrada e Sustentável porque gera renda e alimentos em
curto, médio e longo prazo sem agredir a natureza, além de
necessitar de pouca estrutura para seu funcionamento.
Os produtores rurais que aderirem à Tecnologia
Social PAIS precisam desenvolver também
comportamentos empreendedores para assegurar bons
negócios. Devem criar canais de comercialização por meio

108
.,.,.,.,,.,,.,.
de contatos com as prefeituras, os órgãos públicos
estaduais e federais e o comércio local. Organizados em
entidades, a exemplo de associações e cooperativas, os
agricultores familiares reúnem condições para participar de
compras governamentais como fornecedores de alimentos.
Durante o plantio, uma das principais iniciativas
que devem ser tomadas pelos agricultores é a escolha das
espécies a serem cultivadas na propriedade e isso ter que
ser feito com auxílio de um técnico que dará informações a
respeito das decisões a serem tomadas. Devem ser
escolhidas espécies que ofereçam melhores condições de
produção e comercialização. Vale destacar também a
importância da diversidade das espécies, que facilita a
comercialização dos alimentos. Também podem verificar
com comerciantes e outros agricultores da região quais as
espécies que está no mercado garantido ou que possam
conquistar novos consumidores.

109
.,.,.,.,,.,,.,.

CERRADO, AGRICULTURA
ORGÂNICA E CIDADANIA
PRINCIPAIS PLANTAS DO CERRADO

 Baru (Dipteryx alata)


A árvore, de até 25 metros de altura com tronco
podendo atingir 70 cm de diâmetro, possui copa densa
e arredondada. Sua madeira é resistente. Folhas
compostas por 6 a 12 folíolos, glabras, de coloração
verde intensa. O fruto (baru) é um legume lenhoso,
castanho com uma única amêndoa comestível, que
amadurece de setembro a outubro.

 Jatobá do cerrado: (Hymenaea stigonocarpa)


O jatobá é uma arvore grande, que pode chegar
facilmente aos 30 metros de altura. Seu fruto tem
cheiro e sabor fortes, porém muito doces. Sua casca é
muito dura, protegendo sua polpa por muito tempo,
mesmo depois de maduro. Sua polpa é bastante
adocicada. Possui uso medicinal.

 Pequi (Caryocar brasiliensis)


Árvore médio porte, é um símbolo do Cerrado. Seus
frutos são preparados com arroz e muito apreciados,

110
.,.,.,.,,.,,.,.
apesar da dificuldade devido aos espinhos dentro da
polpa. Faz-se também licor. É uma espécie de
crescimento lento.

 Cajuzinho-do-cerrado (Anacardium húmile)


O cajuzinho-do-cerrado, Anacardium húmile, é uma
miniatura do caju comum. O sabor é idêntico. A
planta pode chegar aos 60 cm de altura. Gosta de
lugares bem ensolarados.

 Bouganville
Natural da Mata Atlântida, o bouganville adora sol,
calor e tolera bem mudanças bruscas de temperatura e
o tempo seco, o que faz com que se adapte bem ao
clima do Cerrado. Na planta o que julgamos serem
suas coloridas flores são, na verdade, folhas
modificadas, chamadas brácteas, que servem para
chamar atenção dos polinizadores para suas
inflorescências.

 Ipê-do-cerrado (Tabebuia ochracea)


Altura de 6 a 14 m. Tronco tortuoso com até 50 cm de
diâmetro. Floresce de julho a setembro. As levíssimas

111
.,.,.,.,,.,,.,.
sementes aladas da espécie não precisam de quebra de
dormência. O desenvolvimento da planta é rápido.

 Ingá (Inga spp.)


A árvore pode chegar a uma altura de 15 metros, é
muito utilizada para sombreamento dos cafezais. A
planta prefere solos arenosos perto dos rios. Com
flores de coloração branco-esverdeada, a ingazeira
frutifica praticamente em todo o ano.

 Buriti (Mauritia vínifera)


Uma palmeira muito alta. Consumido
tradicionalmente ao natural, o fruto do buriti também
pode ser transformado em doces, sucos, picolé, licor,
vinho, sobremesas de paladar peculiar e ração de
animais. O óleo extraído da fruta é rico em caroteno e
tem valor medicinal. O buriti é de grande importância
na manutenção de nascentes.

O BIOMA CERRADO

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do


Sul, tomando uma área de 2.036.448 km quadrados, cerca
de 22% do território nacional. A sua área incide sobre os

112
.,.,.,.,,.,,.,.
estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso
do Sul, Minais Gerais, Bahia, Maranhão, Piauí, Rondônia,
Paraná, São Paulo e Distrito Federal, além dos encraves no
Amapá, Roraima e Amazonas.

 Bacias Hidrográficas
No espaço territorial do Cerrado encontram-se
nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América
do Sul, que são a Amazônica, Tocantins, São Francisco e
Prata, o que deriva em um alto potencial aquífero, o que
favorece a biodiversidade do bioma.

 Fauna e Flora
O Cerrado apresenta extrema abundância de
espécies, sendo que mais de 220 espécies nativas têm uso
medicinal e mais de 416 podem ser usadas na recuperação
de solos degradados, como barreiras contra o vento,
proteção contra a erosão, ou para criar habitat de
predadores naturais de pragas. Mais de 10 tipos de frutos
comestíveis são regularmente consumidos pela população
local e vendidos nos centros urbanos, como os frutos do
Pequi (Caryocar brasiliense), Buriti (Mauritia flexuosa),
Cagaita (Eugenia dysenterica), Bacupari (Salacia
crassifolia), Cajuzinho do cerrado (Anacardium humile),

113
.,.,.,.,,.,,.,.
Araticum (Annona crassifolia) e as sementes do Baru
(Dipteryx alata).
Contudo, inúmeras espécies de plantas e animais
correm de risco de extinção. Estima-se que pelo menos
137 espécies de animais que ocorrem no Cerrado estão
ameaçadas de extinção. Depois de Mata Atlântica, o
Cerrado é o bioma brasileiro que mais sofreu alterações
com a ocupação humana.

ENTENDENDO SOBRE O
DESMATAMENTO

Com a crescente pressão para a abertura de novas


áreas, visando incrementar a produção de carne e grãos
para exportação em Goiás, tem havido um progresso
esgotamento dos recursos naturais da região. Nas três
últimas décadas, o Cerrado vem sendo degradado pela
expansão da fronteira agrícola brasileira. Além disso, é
campo de uma exploração extremamente predatória de seu
material lenhoso para produção de carvão. Estima-se que,
todos os dias, aproximadamente 1000 caminhões de carvão
sejam abastecidos para serem vendidos para o resto do
país.

114
.,.,.,.,,.,,.,.
O fator que contribui para tamanha preferência
pelas árvores do cerrado é o valor. Elas são muito mais
baratas que outras de ecossistemas diferentes. O ipê é uma
espécie muito explorada para ser transformada em carvão,
pois não queima muito rápido, uma madeira dura e de
baixo preço.
Dessa forma, apesar do reconhecimento de sua
importância, o Cerrado é o que possui a menor
porcentagem de áreas sobre proteção. O Bioma apresenta
8,21% de seu território legalmente protegido por unidades
de conservação; desse total, 2,85% são unidades de
conservação de proteção integral e 5,36% de unidades de
conservação de uso sustentável.

UNIDADES DE CONSERVAÇÃO

Para a criação de unidades de conservação o


primeiro passo é olhar o estado em áreas que não tem
destinação e áreas devolutas, que são terras que não
possuem um dono. Depois fazem uma identificação do
potencial natural, consultas públicas dos municípios em
voltas das unidades.

115
.,.,.,.,,.,,.,.
As áreas naturais sempre existiram, mas para se
tornaram um espaço de conservação precisa de um ato
legal, que ajuda a proteger e conservar.
A criação de unidades de conservação é necessária
para a preservação dos recursos naturais e todas as suas
implicações, influenciando todas as populações. Dessa
forma, atualmente existem 768 unidades de conservação
em todo o país. Porém, o Cerrado goiano possui apenas
3% de sua área total protegida. Expandir essa área
conservada é fundamental para garantir a manutenção da
biodiversidade e dos serviços ambientais prestados pela
natureza.

QUEIMADAS – NATURAIS E ANTRÓPICAS

O Cerrado Brasileiro lidera o ranking de biomas


com maior número de focos de incêndios registrados de
janeiro a julho no ano de 2014. Foram mapeados mais de
22 mil focos em 2014.
A grande maioria das queimadas são realizadas
principalmente para limpeza do terreno, são feitas sem
planejamento e de modo inadequado, o que resulta na falta
de controle, destruindo áreas que não se esperava atingir.

116
.,.,.,.,,.,,.,.
Outra forma de queimadas nesse bioma são os
tocos de cigarro jogados na mata – temperaturas elevadas,
o tempo seco e baixa umidade relativa do ar contribuem
para a propagação do fogo.
Porém, o fogo no cerrado pode iniciar por fatores
naturais, isso acontece através do acúmulo de biomassa
seca, de palha, baixa umidade e alta temperatura, que
acabam criando condições favoráveis para as “queimadas
naturais”, as quais podem ser benéficas para o bioma, pois
contribuem para a germinação de sementes. A rápida
elevação da temperatura causa fissuras na semente,
favorecendo a penetração de água e iniciando o processo
de germinação.
O cerrado apresenta um rápido poder de
recuperação, com cascas grossas que servem como
proteção as queimadas, além em um curto período e atrair
diversos animais herbívoros em busca de forragem nova.
No entanto, a intensificação das queimadas pelo homem,
sem o manejo adequado, tem ocasionado degradação do
ambiente, esgotamento das terras, erosão, perda de
biodiversidade do cerrado, entre outros fatores negativos.

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O PERIGO DOS AGROTÓXICOS

Uma atividade agropecuária, quando não é bem


executada, pode contaminar águas com produtos químicos
(adubos e agrotóxicos), com fezes e urinas de animais,
assim como produtos de limpeza usados em currais.
Além disso, a exposição a agrotóxicos pode
provocar uma variedade de doenças que dependem dos
produtos usados, do tempo de uso e da quantidade que
penetrou no corpo.

Recomendações Importantes:
 Nunca compre produto só porque é mais barato.
Existem agrotóxicos específicos para cada cultura,
para cada momento e para cada praga.
 Não compre produtos contrabandeados. Eles são,
geralmente, muito piores a saúde, a lavoura e o meio
ambiente. Nossos médios vão ter dificuldade para
tratar a intoxicação que eles causarão.
 Peça também explicações sobre a melhor maneira de
manipular os agrotóxicos e sobre os Equipamentos de
Proteção Individual (EPI) que você deverá utilizar.
Lembre-se que estes equipamentos são muito

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importantes para evitar a contaminação durante a
preparação da calda e a aplicação dos produtos.
 Aproveite a visita do especialista para tirar todas as
dúvidas que encontrar no rótulo e bula de produtos.
Não deixe para trás nenhuma dúvida.

ALTERNATIVAS AO USO DE
AGROTÓXICOS (AGRICULTURA
ORGÂNICA)

A agricultura orgânica é o sistema de produção que


não usa fertilizantes, agrotóxicos e reguladores de
crescimento para a alimentação animal. O manejo dessa
agricultura aprecia o uso eficiente dos recursos naturais
não renováveis, com o aproveitamento biológicos
alinhados a biodiversidade, desenvolvimento econômico e
a qualidade de vida.
Esta prática agrícola preocupa-se com a saúde dos
seres humanos, dos animais e das plantas.
O ranking de alimentos que apresentam mais
irregularidades no uso de agrotóxicos são: em 1º lugar, o
pimentão com 91,8%; em 2º lugar, o morango com 63,4%;
em 3º lugar, o pepino com 57,4%; em 4º lugar, a alface
com 54,2%; em 5º lugar, a cenoura com 49,6%; em 6º
lugar, o abacaxi com 32,8%; em 7º lugar, a beterraba com

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32,6%; em 8º lugar, a couve com 31,9%; em 9º lugar, o
mamão com 30,4% e em 10º lugar, o tomate com 16,3%.
As técnicas utilizadas são:
 Respeito à natureza: reconhecimento da dependência
de recursos naturais não renováveis;
 A diversificação de culturas: leva ao desenvolvimento
de inimigos naturais, sendo item chave para a
obtenção de sustentabilidade;
 O solo é um organismo vivo: o manejo do solo
propicia oferta constante de matéria orgânica (adubos
verdes, cobertura morta e composto orgânico),
resultando em fertilidade de solo;
 Independência dos sistemas de produção: ao substituir
insumos tecnológicos e agroindustriais.

O CONTROLE BIOLÓGICO
Visto como alternativa, consiste no emprego de um
organismo (predador, parasita ou patógeno) que ataca
outro que esteja causando danos econômicos as lavouras.
Trata-se de uma estratégia que pode ser utilizada em
sistemas agroecológicos e na agricultura convencional.

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O LIXO DE CADA DIA

A poluição, as substâncias tóxicas, o lançamento de


resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, detritos, óleos ou
substâncias oleosas receberam tratamento exemplar na lei
de crimes ambientais, ou seja, “aquele que causar poluição
de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou
possam resultar em danos à saúde humana, ou que
provoquem a mortandade de animais ou a destruição da
floresta, serão punidos”.
Entretanto, mesmo com uma das legislações
ambientais mais avançadas do mundo, o Brasil é o pais dos
plásticos, o que já justificou muitas mudanças na cultura
dos brasileiros.
O lixo é um problema que deve ser solucionado. A
falta de conscientização ambiental, produção industrial de
embalagens de difícil degradação, o não comprometimento
pelo lixo gerado pelas grandes empresas e a falta de
planejamento urbano são as principais causas do atual
problema lixo.
É importante que a sociedade compreenda que o
lixo representa má qualidade de vida de que fundamental
importância o separar (coleta seletiva em lixeiras
públicas). Também é interessante a informação de que o

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lixo gera trabalho e renda para o país. A população deve
ter um comportamento diretamente ecológico, como por
exemplo, dar preferência a produtos cujas embalagens não
agridam a natureza, exigir que seus condomínios ou
residências façam a coleta seletiva.
A “guimba” ou “bituca” de cigarro é encontrada
nas ruas e nas praias das cidades. No entanto, talvez,
poucos saibam que gera um grave problema ambiental,
pois é revestida em uma espécie de resina que dificulta sua
decomposição.
Com isso, a solução para o lixo gira em torno dos
quatro R’s:
 Reduzir (o uso de matérias-primas e energia, a
quantidade de material a ser descartado);
 Reutilizar (os produtos usados, dando a eles novas
funções);
 Reciclar (retornar o que foi utilizado no ciclo de
produção);
 Repensar a real necessidade do consumo.

EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIDADANIA

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Estudos mostram que desde o final dos anos 70 a
demanda da população mundial por recursos naturais é
maior do que a capacidade do planeta em renová-los.
Dados mais recentes demonstram que estamos
utilizando cerca de 25% a mais do o que temos disponível
em recursos naturais, ou seja, precisamos de um planeta e
um mais um quarto dele para sustentar nosso estilo de
vida atual.
Esta situação não pode perdurar, pois, desta forma,
enfrentaremos em breve uma profunda crise
socioambiental e uma disputa de recursos.
O problema é que muitas vezes esquecemos que
nós somos parte da natureza. Por mais que tenhamos
propriedades que nos diferenciam dos outros seres vivos
que compõe o meio ambiente, isso não nos dá o direito de
usá-lo de forma arbitrária, como bem entendemos.
A melhor orientação é consumir conscientemente.
Devemos saber diferenciar o que realmente necessitamos
do que é puro consumismo. Não podemos nos deixar
hipnotizar pela propaganda. Além disso, devemos
observar se o produto a ser comprado respeita as normas
ambientais e/ou faz ações sociais. Uma maneira de
fomentar o consumo consciente é por meio da educação.

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A educação para a cidadania representa a
possibilidade de motivar e sensibilizar as pessoas, para
que transformem as diversas formas de participação em
potenciais caminhos de dinamização da sociedade e de
concretização de uma proposta de sociabilidade, baseada
na educação para a participação.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

O objetivo central visa a reconversão de áreas


degradadas, com o uso de sistemas alternativos de uso do
solo e da água, integrando a tecnologias sociais e
permaculturais, além disso, promover a recuperação e
conservação de área de nascentes, córregos, ribeirões,
plantio de mudas nativas do bioma Cerrado e implantação
de técnicas conservacionistas do solo e água.
Promover a implantação de práticas agroecológicas
e sociais; por meio da implantação do PAIS (Produção
Agroecologia Integrada e Sustentável), unidades
produtivas do Sistema Agroflorestal (SAF) e unidades
produtivas do Sistema Agrossilvipastoril.
Para propiciar o saneamento ecológico, utiliza-se
por meio de técnicas permaculturais, Sistemas de Captação
da Água da Chuva, Canteiros Bio-sépticos e Círculos da
Bananeira. O saneamento visa proteger a salubridade
ambiental, utilizando recursos naturais de forma
sustentável, sem comprometer os mananciais de
abastecimentos e a saúde de famílias. Promove
reflorestamento da área, contribuindo para a reconversão
das matas ciliares, conservação e proteção do lençol
freático.

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A educação ambiental, como o objetivo de
desenvolver multiplicadores comunitários, voltadas as
práticas agroecológicas, produtivas, saneamento ecológico
e preservação do Cerrado. Assim, as atividades podem
obter resultados positivos em longo prazo.
Além disso, contribuir para a proteção e
recuperação de Áreas de Preservação Permanente e
Reserva Legal. Suas ações são voltadas a conservação dos
recursos hídricos e do solo da comunidade e a proteção de
sua fauna e flora.
Incentivar os trabalhadores do campo quanto ao
uso de novas tecnologias, mostrando a importância das
técnicas conservacionistas para o incremento de renda e na
preservação do solo para as gerações futuras, através de
resultados como melhoria da fertilidade do solo, qualidade
das sementes, diminuição da ocorrência de pragas, doenças
e ervas invasoras e melhoria da renda familiar e na
qualidade de vida de beneficiários.
Destaca-se três projetos: Projeto Águas do Cerrado,
Projeto Cerrado Vivo e Projeto Verde Vida executados na
região do Vale do São Patrício nos assentamentos Novo
Oriente, Presente de Deus e Assentamento Vitória, pela
Associação Gente do Cerrado que contou com o patrocínio
da Petrobras pelo programa Petrobras Socioambiental.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PROJETO ÁGUAS DO CERRADO. Agroecologia e Uso


Sustentável da Terra. Ceres – GO. Associação Gente do
Cerrado.

PROJETO CERRADO VIVO. Agrofloresta (SAF). Ceres


– GO. Associação Gente do Cerrado.

PROJETO CERRADO VIVO. Educação Ambiental.


Ceres – GO. Associação Gente do Cerrado.

PROJETO CERRADO VIVO. Sistema de Captação de


água da chuva. Ceres – GO. Associação Gente do
Cerrado.

PROJETO VERDE VIDA. Cartilha de Educação


Ambiental. Ceres – GO. Associação Gente do Cerrado.

PROJETO VERDE VIDA. Cartilha de Proteção de


Águas. Ceres – GO. Associação Gente do Cerrado.

PROJETO VERDE VIDA. Fixação de Carbono (CO2).


Ceres – GO. Associação Gente do Cerrado e Faculdade
Evangélica de Goianésia (FACEG).

PROJETO VERDE VIDA. Saneamento Ecológico. Ceres


– GO. Associação Gente do Cerrado.

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