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ACTUALIZAÇÃO CURRICULAR

História 5ª classe
História
5ª classe

Mensagem Mensagem
ACTUALIZAÇÃO CURRICULAR

História
5.ª Classe
FICHA TÉCNICA

Título
História – 5.ª Classe
(Actualização Curricular)

Autores
Pedro Nsiangengo (coordenador)
Rebeca Santana
Rebeca Helena
Bento Kianzowa
Vita Couveia

Revisão
Rebeca Santana
Valéria de Gouveia Leite
Bento Kianzowa
Mensagem

Edição
Mensagem
Rua 1.º Congresso do MPLA, 36
Luanda
Tel.: 222 370 990
Fax.: 222 371 020
endereço electrónico: livrariamen-
sagembsnet.co.ao

Impressão e acabamentos
Damer - Gráficas S. A.

Ano de impressão
2018

Tiragem

Revisto e aprovado pelo


Instituto Nacional de Investigação
e Desenvolvimento da Educação
(INIDE) – Ministério da Educação

2018 – 1.° EDIÇÃO


REVISTA E ACTUALIZADA

Direitos Reservados
EDITORIAL

Estimados Alunos, Professores, Gestores da Educação e Parceiros


Sociais

A educação é um fenómeno social complexo e dinâmico, presente em to-


das as eras da civilização humana. É efectivada nas sociedades pela par-
ticipação e colaboração de todos os agentes e agências de socialização.
Como resultado, os membros das sociedades são preparados de forma
integral para garantir a continuidade e o desenvolvimento da civilização
humana, tendo em atenção os diferentes contextos sociais, económicos,
políticos, culturais e históricos.

Actualmente, a educação escolar é praticamente uma obrigação dos Es-


tados que consiste na promoção de políticas que assegurem o ensino,
particularmente para o nível obrigatório e gratuito. No caso particular de
Angola, a promoção de políticas que assegurem o ensino obrigatório gra-
tuito é uma tarefa fundamental atribuída ao Estado Angolano (art. 21° g)
da CRA 1). Esta tarefa está consubstanciada na criação de condições que
garantam um ensino de qualidade, mediante o cumprimento dos princí-
pios gerais de Educação. À luz deste princípio constitucional, na Lei de
Bases do Sistema da Educação e Ensino, a educação é entendida como
um processo planificado e sistematizado de ensino e aprendizagem, visa
a preparação integral do indivíduo para as exigências da vida individual
e colectiva (art. 2, n.° 1, da Lei n° 17/16 de 7 de Outubro). O cumprimen-
to dessa finalidade requer, da parte do Executivo e dos seus parceiros,
acções concretas de intervenção educativa, também enquadradas nas
agendas globais 2030 das Nações Unidas e 2063 da União Africana.

Para a concretização destes pressupostos sociais e humanistas, o Minis-


tério da Educação levou a cabo a revisão curricular efectivada mediante
correcção e actualização dos planos curriculares, programas curriculares,
manuais escolares, documentos de avaliação das aprendizagens e ou-
tros, das quais resultou a produção dos presentes materiais curriculares.
Este acto é de suma importância, pois é recomendado pelas Ciências
da Educação e pelas práticas pedagógicas que os materiais curriculares
tenham um período de vigência, findo o qual deverão ser corrigidos ou
substituídos. Desta maneira, os materiais colocados ao serviço da edu-
cação e do ensino, acompanham e adequam-se à evolução das socieda-
des, dos conhecimentos científicos, técnicos e tecnológicos.

1
CRA: Constituição da República de Angola
Neste sentido, os novos materiais curriculares ora apresentados, são do-
cumentos indispensáveis para a organização e gestão do processo de
ensino-aprendizagem, esperando que estejam em conformidade com os
tempos, os espaços e as lógicas dos quotidianos escolares, as neces-
sidades sociais e educativas, os contextos e a diversidade cultural da
sociedade angolana.

A sua correcta utilização pode diligenciar novas dinâmicas e experiên-


cias, capazes de promover aprendizagens significativas porque activas,
inclusivas e de qualidade, destacando a formação dos cidadãos que re-
flictam sobre a realidade dos seus tempos e espaços de vida, para agir
positivamente com relação ao desenvolvimento sustentável das suas lo-
calidades, das regiões e do país no geral. Com efeito, foram melhorados
os anteriores materiais curriculares em vigor desde 2004, isto é, ao nível
dos objectivos educacionais, dos conteúdos programáticos, dos aspectos
metodológicos, pedagógicos e da avaliação ao serviço da aprendizagem
dos alunos.

Com a apresentação dos materiais curriculares actualizados para o trié-


nio 2019-2021enquanto se trabalha na adequação curricular da qual se
espera a produção de novos currículos, reafirmamos a importância da
educação escolar na vida como elemento preponderante no desenvolvi-
mento sustentável. Em decorrência deste facto, endereçamos aos alunos,
ilustres Docentes e Gestores da Educação envolvidos e comprometidos
com a educação, votos de bom desempenho académico e profissional,
respectivamente. Esperamos que tenham a plena consciência da vossa
responsabilidade na utilização destes materiais curriculares.

Para o efeito, solicitamos veementemente a colaboração das famílias, mí-


dias, sociedade em geral, apresentados na condição de parceiros sociais
na materialização das políticas educativas do Estado Angolano, esperan-
do maior envolvimento no acompanhamento, avaliação e contribuições
de várias naturezas para garantir a oferta de materiais curriculares con-
sentâneos com as práticas universais e assegurar a melhoria da qualida-
de do processo de ensino-aprendizagem.

Desejamos sucessos e êxitos a todos, na missão de educar Angola.

Maria Cândida Pereira Teixeira

Ministra da Educação
ADVERTÊNCIA

O Manual de História 5.a Classe que agora se coloca nas mãos dos nossos alunos
e professores está relacionado com a implementação da Reforma Curricular. Esta
constitui uma inovação do próprio sistema: isto é programas, manuais escola-
res, guias metodológicos, cadernos de actividades, sistema de avaliação, etc. Em
resumo, implica uma rectificação de grande parte dos materiais e documentos
pedagógicos segundo as linhas mestras traçadas e a implementar.
Tendo em vista atingir os objectivos definidos pelo novo sistema de ensino do
nosso país, concretamente no que concerne à disciplina de História - relativa-
mente à qual fomos chamados a participar na elaboração dos materiais pedagó-
gicos -, continuamos assim o projecto de reformulação dos manuais de acordo
com os programas das diferentes classes, desde as iniciais até às terminais.
Porém, como sabemos, para a elaboração de um manual escolar consistente e
bem reflectido não é suficiente um ano - por vezes, esse prazo pode prolongar-se
por vários anos.
Frente às necessidades que a Reforma impõe no nosso país, apresentamos um
novo Manual de História 5.a Classe. No que respeita à metodologia adoptada
para elaboração deste Manual, procedeu-se à recolha e análise de diferentes
textos ao nosso alcance.
Como é obvio, esforçámo-nos por elaborar um Manual didáctico de acordo com
os objectivos educacionais, por um lado, e as características etárias e psicológi-
cas dos alunos angolanos deste nível, por outro lado. Isto justifica a selecção dos
temas essenciais devido à necessidade de aprofundar o conteúdo do programa e
permitir aos alunos uma boa compreensão dos factos históricos.
Tentámos redigir um livro pedagogicamente actualizado, com um estilo afável e
acessível, dotado de ilustrações agradáveis não só para os alunos da 5.a classe
como também para qualquer estudioso e amante da história.
O manual está dividido em 8 temas, de acordo com o novo programa. Por sua vez,
cada um dos temas divide-se em subtemas. As figuras são numeradas em função
de cada tema, como habitual. Assim, por exemplo, da mesma forma como temos
a figura 5 do tema 1, teremos também a figura 5 do tema 5.
O tema 8 proporciona uma panorâmica actualizada sobre a Angola de hoje.
Finalmente, colocámos ao longo de todos os temas pequenos exercícios de ava-
liação formativa que, ao nosso entender, poderão ajudar o aluno a conseguir
uma melhor compreensão e assimilação dos conteúdos.
Os autores
ACTUALIZAÇÃO CURRICULAR

História
5.ª Classe
ÍNDICE

TEMA 1. O TEMPO 14
1.1. O correr do tempo 14
1.2. História e as vida das gerações 16
1.3. Como contamos o tempo 17
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração do aluno e
seus ascendentes mais próximos 18

1.4.1. A geração do aluno 18


1.4.2. A geração dos pais 19
1.4.3. A geração dos avós 20
1.4.4. A geração dos bisavós 23

TEMA 2. A VIDA NO PASSADO E NO PRESENTE 25


2.1. A habitação 26
2.2. A alimentação 18
2.3. O vestuário 30
2.4. As comunicações 32
2.5. Os transportes 33
ÍNDICE

TEMA 3. ASPESCTOS HISTÓRICOS DA NOSSA LOCALIDADE 37

3.1. Os monumentos e sítios 38


3.2. O museu e o arquivo 41
3.3. As vias de comunicação 42
3.4. Aspectos culturas da localidade 45

3.4.1. Origem da população e do nome da localidade 45


3.4.2. As lendas e tradições, as principais línguas,
as actividades 47

TEMA 4. ANGOLA HÁ MUITOS, MUITOS ANOS 51

4.1. Os primeros habitantes do actual territorio angolano 52


• Os Pigmeus
• Os Khoissan
• Os Vátuas e Kuisses

4.1.1. Pricinpais aspectos da vida dos Khoissan 53

4.1.2. Manifestações artísticas 53

4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuas 54


4.2.1. Migrações 54
4.2.2. Grupos etno-linguísticos bantu 55

4.3. Os promeiros reinos 59


4.3.1. Reino do Kongo 59
4.3.2. Reino do Ndongo 64
ÍNDICE

TEMA 5. ANGOLA NA ERA DO TRÁFICO DE ESCRAVOS 69

5.1. A expansão marítima portuguesa 71


5.1.1. A chegada dos Portugueses ao Reino do Kongo 72
5.1.2. As primeiras relações entre Portugueses e Africanos
(Kongo e Ndongo) 74
5.1.3. O início do tráfico de escavros e as suas
consequências 74
5.2. A expansão progressiva dos Portugueses ao longo da costa 78

TEMA 6. A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO 81

6.1. As campanhas de ocupação efectiva 82


6.2. A resistência à ocupação colonial 84
6.2.1. A defesa do território contra a invasão do Sul
de Angola 86
6.2.2. A administração colonial 87
6.2.3. A economia colonial 89
6.3. Manisfestações contra as medidas da administração colonial 96
ÍNDICE

TEMA 7. A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL 99

7.1. O desenvolvimento do nacionalismo 100

7.1.1. O nacionalismo angolano 101

7.2. As primeiras organizações nacionalistas, e mais tarde


movimento de libertação 103
7.3. A luta armada de libertação nacional 104

TEMA 8. AS CONQUISTAS DA INDEPEDÊNCIA 115


8.1. O País 116
8.1.1. O território 116
8.1.2. O governo 118
8.1.3. Os símbolos 120

8.2. Cultura e desporto 126


8.3. Economia 129

8.3.1. Agropecuária 129


8.3.2. Indústria 132
8.3.4. Outros sectores da economia 133

GLOSSÁRIO 100
BIBLIOGRAFIA 108
TEMA 1.

O TEMPO

ESTRUTURA DO TEMA

1.1. O correr do tempo


1.2. A História e a vida das gerações
1.3. Como contamos o tempo
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração do aluno e
seus ascendentes mais próximos

1.4.1. A geração do aluno


1.4.2. A geração dos pais
1.4.3. A geração dos avós
1.4.4. A geração dos bisavós

13
TEMA 1. O TEMPO

Cada dia que passa, notamos muitas modificações nas pessoas, nas coi-
sas e na própria natureza. Por exemplo, quando tu nasceste eras um
bébé, mas agora estás grande. O mesmo acontece com o teu irmãozinho:
a cada dia que passa, está mais bonitinho, mais espertinho e deixou de
ser o “bebezinho” que chorava quando tinha fome ou sede, ou quando es-
tava molhado. Poderíamos dar-te muito mais exemplos. Todos eles com-
provariam que as pessoas, as coisas e a natureza modificam-se à medida
que o tempo vai passando.

ESCLARECER

O que é o tempo?
O tempo é meio indefinido e homogéneo no qual se desenrolam
os acontecimentos sucessivos.

1.1. O correr do tempo

Sabes, portanto, que os dias, os meses e os anos passam, e que durante


esse tempo crescemos e tornamo-nos adultos, os adultos envelhecem e
assim sucessivamente.

Por isso, com o correr do tempo tudo muda, tudo se modifica. Por exemplo,
em Luanda, no lugar onde podes ver hoje o Largo da Independência, es-
tava o aeroporto de Angola há muitos anos atrás. Com o passar do tempo,
foram construídos naquela zona várias edifícios públicos, como escolas,
Ministérios (o da Agricultura, o dos Antigo Combatentes, o da Educação, o
da Cultura, o da Juventude e Desportos e o das Relações Exteriores), as
sedes da Rádio Nacional e da T.P.A. e o quartel dos bombeiros.

Fig. 1 O Largo da Independência no passado. Fig. 2 O Largo da Independência hoje.

14
1. 1. O correr do tempo

Porquê é que esse lugar se chama Largo da Independência?

As pessoas chamam essa zona de Largo da Independência, porque foi


o local onde foi proclamada a independência de Angola na voz do Dr.
Agostinho Neto, primeiro presidente de Angola, às zero horas do dia 11
de Novembro de 1975. Desde então, a cidade de Luanda foi crescendo,
e nessa zona nasceu o bairro Maculusso.

E porque chamam a esse bairro de Maculusso?

Um jornal “Diário de Angola” fala-nos como era a cidade de Luanda nos


anos 1950. Nesse tempo, na cidade de Luanda já viviam muitos colonos
portugueses. Eles já tinham construído muitas ruas e avenidas, arma-
zéns, dois hospitais, casas, o porto e o caminho-de-ferro.

Quando vim morar em Luanda com os meus pais em 1926, eu tinha 5 anos.
Vivíamos nas barrocas da Maianga. Em 1926 não havia ainda ruas feitas,
havia alguns caminhos por onde as pessoas passavam e algumas ruas co-
meçaram a fazer-se. As casas eram todas de zinco e de madeira.

O bairro que hoje se chama Maculusso, era um antigo cemitério dos afri-
canos (angolanos), que os portugueses partiram e construíram o bairro
Maculusso.

Nessa altura não havia carros - o único transporte eram as carroças e as


tipóias. Eram os angolanos que puxavam as carroças onde andavam os co-
lonos portugueses. Os carros só apareceram mais tarde.

Na parte Central e Norte da cidade de Luanda só havia barrocas e lavras,


mas a população era ainda muito escassa. Vi nascer aos poucos a cidade.
Luanda cresceu muito entre 1945 e 1950. Muitas zonas, bairros (como os
bairros da Ingombota e Maculusso) que hoje têm prédios, hospitais, esco- Fig. 3 Um mais velho
las, ruas e avenidas, nasceram a partir de zonas que nào eram habitadas ou contando a história de Luanda
onde habitavam poucas pessoas e havia poucas construções.

? VÊ SE SABES...
1. Porque chamam a esse lugar Largo da Independência?
2. Porque chamam a esse bairro de Maculusso?
3. Como podemos saber como era o bairro Maculusso há alguns anos
atrás?
4. Na tua localidade conheces algum lugar que passou por várias modifi-
cações? Conta-nos.

15
1.2. A história e a vida das gerações

Todos nós temos uma história que pode ser conhecida e contada. Muitas
pessoas viveram factos que hoje te podem contar. Os nossos pais, assim
como todos os nossos familiares mais velhos do que nós, podem contarnos
como era a vida anos atrás, no tempo colonial. Nesse tempo ainda não
tinhas nascido. Era um tempo em que as crianças angolanas não tinham
quase direitos nenhuns: não havia ainda muitas escolas, hospitais e esses
serviços, não eram acessíveis à maior parte das crianças angolanas.

No tempo colonial, as pessoas começavam a trabalhar enquanto mesmo


crianças. A vida nesse tempo era muito difícil. Mas a tua geração é uma
geração muito recente, é formada por todas as crianças da tua idade, umas
mais novas outras mais velhas, mais um ano, menos um ano.

Mas o que é uma geração? Uma geração é um período de 25 anos.

As crianças de uma geração brincam e vestem-se da mesma maneira, fre-


quentam a escola ao mesmo tempo. Formam a geração mais nova, porque
pouco tempo decorreu desde que nasceram. Por isso, cada um de vós tem
uma história ainda pequena, que facilmente poderá recordar observando,
por exemplo, os brinquedos que já não utiliza, a roupa que já não veste, as
fotografias que tirou quando era mais pequeno e quaisquer outros objectos
usados anteriormente.

Na figura à tua direita podes ver uma senhora muito idosa, com muitas
rugas e o cabelo branco. Estas são as marcas do tempo que já viveu. Ela
nasceu antes de ti, dos teus pais, e até dos teus avós. Pode dizer-se que
pertence à geração dos teus bisavós. Mas a essa senhora muito velha da
fotografia, desde que nasceu até agora, aconteceram muitas coisas. Ela
mesma passou por várias modificações. Como ela já viveu muitos anos,
sabe muito sobre o tempo passado. Por isso, poderá contar-te muitas
coisas interessantes sobre a sua vida, a dos teus país e até a dos teus
avós. Esta é a tua história.
Fig. 4 Uma senhora
muito idosa.

Tal como a história da senhora muito velhinha da fotografia os aconteci-


mentos do nosso País também se sucederam no tempo.

Muitas pessoas gostariam de conhecer o passado muito distante, de há


centenas ou milhares de anos, ao longo dos quais se foi desenvolvendo
o progresso que hoje permite aos seres humanos viverem melhor e mais
confortavelmente.

16
1.3. Como contamos o tempo

Durante muitos séculos, o dia, as fases da lua e a repartição das estações


do ano forneceram ao ser humano referências para a contagem do tempo
e situar neste alguns dos factos que ocorriam.

Mas como podemos saber isso?

Para podermos situar os factos no tempo, isto é, sabermos quando


aconteceram, precisamos de medir o tempo.

Como contamos o tempo

Antigamente, os homens contavam o tempo de várias maneiras: obser-


vando o regresso das chuvas, a presença diária do sol, a regularidade
das fases da lua. Todas estas observações permitiam medir o tempo e
dividir o ano em períodos.

O dia, as fases da lua e a repartição das estações do ano permitiram du-


rante muitos séculos situar no tempo alguns dos factos que aconteciam.
Nestas sociedades antigas, cada pessoa calculava o tempo da sua famí-
lia a partir de si próprio. Este cálculo era fácil para a geração dos seus
pais, mas para a geração dos seus avós já era mais difícil.

Todas estas contagens e medições do tempo têm o seu valor, e algumas


ainda são utilizadas nos nossos dias em algumas sociedades.

Porém, como esses processos são pouco rigorosos, a maior parte dos
povos têm como ponto de referência o nascimento de Jesus Cristo (os
Árabes têm como ponto de referência a fuga de Maomé de Meca para
Medina em, 622 d.C.). A partir daí, datamos os acontecimentos dizendo
se ocorreram antes de Cristo ou depois de Cristo, e há quantos anos ou
há quantos séculos.

17
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração
do aluno e seus ascendentes mais próximos

1.4.1. A geração do aluno

Dentro da linhagem de ascendentes e de


descendentes de uma pessoa, uma geração
é o conjunto de pessoas da mesma época,
com, mais ou menos, a mesma idade. Por
isso podemos falar, por exemplo, da gera-
ção dos filhos, dos pais ou dos avós.
A tua geração é a mais recente, e é compos-
ta por todas as crianças aproximadamente
da tua idade, umas um pouco mais velhas
ou mais novas que outras.

Se vives numa cidade, podes ob-


servar que circulam automóveis Fig. 5 Crianças da tua geração
e autocarros a todo o instante. O
trânsito é muito intenso, e em al-
guns cruzamentos é regulado por sinais luminosos automáticos, que são
os semáforos. Para irem à escola, as crianças são acompanhadas pelos
pais ou por pessoas mais velhas (irmãos, primos), para poderem atraves-
sar as ruas com segurança.

Algumas pessoas vivem em prédios, alguns com muitos andares. A maior


parte das pessoas têm televisores a preto e branco ou a cores, e acompa-
nham os acontecimentos que se passam tanto no país como no mundo.

A maior parte das pessoas são funcionários públicos, e outros trabalham


nas fábricas e empresas do Estado ou particulares.

Mas se vives numa aldeia ou numa vila podes observar que existe uma
grande diferença entre elas e as grandes cidades. O movimento nas es-
tradas, caso a aldeia ou a vila esteja situada perto de uma, não é tão
intenso. Passam automóveis, camiões, motorizadas e bicicletas. Por todo
lado as pessoas escutam as notícias, a música e os relatos de futebol em
rádios de pilhas.

A maior parte das pessoas trabalha da agricultura, algumas com a ajuda


de tractores ou charruas puxadas por bois, e na criação de gado.

18
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração
do aluno e seus ascendentes mais próximos

1.4.2. A geração dos pais

Quando os teus pais nasceram, há mais ou


menos quarenta anos, a vida era diferente.
Na maior parte das cidades do nosso país
não havia sinais luminosos, não se viam
muitos autocarros, havia muito poucos au-
tomóveis que não eram tão luxuosos, boni-
tos e rápidos como os de hoje. Os prédios
eram poucos, e a maior parte deles tinha
poucos andares.
A agricultura não era tão mecanizada, quer
dizer, não se utilizavam máquinas nem
tractores. Não havia televisão, os aviões
eram de hélice, e as locomotivas dos com-
boios funcionavam a carvão ou a lenha.
Fig. 6 A baía de Luanda nos anos de 1970.

Na época dos teus pais, quando chegava a idade de ir à escola, eram


poucas as crianças angolanas que conseguiam ir à escola aprender a ler
e escrever.

Nas cidades e nas vilas, as escolas eram principalmente para os filhos


dos colonos. Poucos angolanos frequentavam essas escolas. Para eles,
havia escolas para os indígenas.

No tempo colonial, muitos angolanos que conseguiam ir à escola estuda-


ram nas escolas missionárias. Os colonialistas só ensinavam a história de
Portugal e a geografia de Portugal, mas nós sabíamos que éramos an-
golanos, embora a nossa história e a nossa geografia fossem ignoradas.

Fig. 7 Uma escola missionária no Chibuto. Fig.8 Trabalho nas minas de diamantes
(Lunda Norte).

19
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração
do aluno e seus ascendentes mais próximos

1.4.3. A geração dos avós

Há cinquenta ou sessenta anos atrás, no tempo dos teus avós, a forma de


viver era ainda mais diferente da actual.

O tempo dos teus avós, as estradas eram


estreitas e de terra batida, e as pontes fei-
tas de troncos de árvores e de madeira. Foi
por elas que circularam os primeiros auto-
móveis, muito vagarosos e de modelos que
hoje nos fariam rir.

Na era dos teus avós, as populações


deslocavam-se geralmente a pé. Os Fig. 9 Fotografia da geração dos avós.
comboios eram raríssimos. O avião
era um meio de transporte também
raro e muito caro.

Os nossos avós e bisavós eram obri-


gados a trabalhar pelos colonialistas
nas fazendas de café, de sisal e de
algodão. Ninguém podia recusar o tra-
balho nas plantações. Chamava-se tra-
balho forçado. A vida tornou-se muito Fig. 9 Uma plantação de algodão.
difícil e havia muito sofrimento.

O governo colonial mandava recrutar homens e mulheres para trabalharem na cons-


trução de estradas, edifícios, pontes, linhas férreas e nas culturas obrigatórias (algodão,
sisal e outras). Caso as pessoas se recusassem, vinham os cipaios para os prender e
castigá-los. Do pouco dinheiro que ganhavam, ainda descontavam o pagamento do
imposto e a caderneta indígena.

Muitas pessoas perdiam os braços nas máquinas de algodão e de sisal. Regava-se o sisal,
batia-se na máquina e puxava-se. Se não se puxasse com força e rapidez o sisal, o braço
entrava com ele e cortava-se. Todo esse trabalho era feito com muita violência, pois era
vigiado por um capataz que batia muito. As pessoas estavam cansadas destas coisas.
Muita gente fugia para os países vizinhos: para República Democrático do Congo, ex-
Congo Leopoldville, República do Congo, ex-Congo Brazzaville, para a Zâmbia, en-
tãoRodésia do Norte, Zimbabwe, ex-Rodésia do Sul e Namibia, ex- Sudoeste Africano.

20
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração
do aluno e seus ascendentes mais próximos

Nas aldeias, os colonialistas mandavam prender todas as pessoas que se


recusavam ao trabalho forçado. Se fugissem, quando fossem apanhados,
batiam-lhes e metiam-os na prisão.

Fig. 11 Uma fábrica de sacaria.

Os colonialistas pagavam aos trabalhadores 50


angolares por mês. Trabalhava-se desde as seis
da manhã até ao meio-dia, parava-se duas horas
e continuava-se a trabalhar até às seis da tarde.
Muitas vezes, toda a família, filhos e pais, traba-
lhava na mesma companhia. Mas às vezes ia só
o pai, e os filhos e a mulher ficavam para traba-
lhar nas lavras, onde pouco podiam fazer. O pou-
co que eles produziam só dava para comer.
Fig. 12 Caderneta indígena
da era colonial.

50 angolares equivale actualmente a


50 Kwanzas.

Na década de 1940, no tempo das colheitas,


o administrador mandava sacos vazios aos
cipaios, que os entregavam de casa em casa.
Os c;jpaios exigiam a quantidade que cada fa-
mília devia dar. Depois o cipaio levava todo o
Fig. 13 Companhia de cipaios da administra- milho, feijão ou jinguba que produziam.
ção colonial portuguesa.

21
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração
do aluno e seus ascendentes mais próximos

Para quem trabalhava nas fábricas, a vida era também muito difícil. Os
operários angolanos recebiam salários mais baixos do que os operários
portugueses, mesmo quando faziam as mesmas tarefas.

Observa o quadro seguinte, retirado do livro Leitura por Moçambique, es-


crito por Eduardo Mondlane e publicado em 1969:

Operários Salário por dia


Branco sem qualificação 100 000 angolares
Mestiço sem qualificação 70 angolares
Africano sem qualificação 5 angolares

A situação dos trabalhadores


africanos era igual em todas as
outras colónias portuguesas.

Nas cidades e nas povoações,


muitos angolanos trabalhavam
como criados nas casas dos co-
lonos e dos administradores por-
tugueses: eram chamados ser-
ventes.

Durante o tempo colonial, muitos Fig. 14 Casa de fazendeiro, numa fazenda de co-
angolanos foram obrigados a dei- lonos em Angola
xar o país e ir para terras longín-
quas. Isto acontecia aos angola-
nos que cometiam delitos ou que
se recusavam a pagar impostos.

Muitos dos angolanos que eram presos


pelos colonialistas eram enviados para
as Ilhas de São Tomé e Príncipe ou,
dentro do território, para Cabinda, para
trabalhar nas plantações de cacau, de
café e em serrações de madeira. Alguns
Fig. 15 Trabalhadores forçados em São Tomé
deles, depois de cumprir a pena, volta-
vam à sua origem, mas muitos outros
não regressavam nunca mais.

22
1.4. Aspectos comparativos da vida da geração
do aluno e seus ascendentes mais próximos

1.4.4. A geração dos bisavós

Os teus bisavós viveram há mais ou me-


nos setenta ou oitenta anos. A forma de
viver deles era totalmente diferente da
dos teus avós e dos teus pais.

Na época dos teus bisavós, Angola já


era uma colónia de Portugal. Tinha sido
ocupada por estrangeiros há muitos
anos atrás. Os mais velhos lembram-se
de como os colonialistas portugueses os
maltratavam. Contam que quando eram
pequenos, eles e as outras crianças co- Fig. 16 Imagem do tempo dos bisavós.
meçavam a trabalhar muito cedo para
ajudarem os pais no campo e tomar conta do gado e noutras tarefas.

Os angolanos viviam em aldeias (sanzalas) no campo, muito isoladas, e


eram obrigados a trabalhar para os colonialistas sem receber nada em
troca. Os colonialistas maltratavam muito os angolanos. Naquela época,
os angolanos não tinham direito de ter escolas para aprender nem hospi-
tais para se tratarem quando estavam doentes. A vida era extremamente
dura e difícil.

Foi a partir da geração dos teus bisavós que nasceu verdadeiramente o


mundo moderno. As descobertas feitas nesta época, tais como a força a
vapor, o gás para iluminação das casas e das ruas, a invenção do cinema
e da fotografia (há dois séculos atrás), revolucionaram o mundo.

Com o tempo tudo foi melhorando, e muito do conforto com que vivemos
hoje deve-se a todas as maravilhas que a inteligência dos seres humanos
foi criando ao longo dos tempos.

? VÊ SE SABES...

1. Quem tinha ocupado Angola há muitos anos atrás?


2. Nessa época Angola já era um país soberano?
3. Os angolanos já viviam então nas grandes cidades?
4. Eles tinham direito a escolas e hospitais?

23
24
TEMA 2.

A VIDA NO PASSADO E
NO PRESENTE

ESTRUTURA DO TEMA

2.1. A habitação
2.2. A alimentação
2.3. O vestuário
2.4. As comunicações
2.5. Os transportes

25
TEMA 2. A VIDA NO PASSADO E NO PRESENTE

Observa as gravuras seguintes:

TIPO DE HABITAÇÃO NO NOSSO PAÍS

Fig. 1 Casas feitas de paus e cobertas de Fig. 2 Casa de pau-a-pique


capim

2.1. Habitação

Como podes observar nas gravuras acima, existem vários tipos de habi-
tação no nosso país, e os materiais utilizados na sua construção variam
segundo a região e as condições existentes.

Desde os tempos mais remotos, o homem teve sempre a necessidade de


procurar abrigo para se esconder dos perigos, do vento, da chuva, dos
animais ferozes e para descansar.

As primeiras habitações do homem foram


as grutas, as cavernas, os abrigos cava-
dos nas rochas e os troncos de árvores
escavados. Havia até quem passasse as
noites empoleirado nas árvores para se
proteger dos animais ferozes e dormir.
Depois, começaram a ser construídas
cabanas de troncos de árvores e folhas.
Com o tempo, estes abrigos foram me-
lhorados, tornando-se mais perfeitos e
confortáveis. Os materiais de construção
utilizados também passaram a ser mais Fig. 3 Cavernas: As primeiras habita-
resistentes. ções humanas.

26
2.1. A habitação

Fig. 4 Casas de madeira Fig. 5 Casas de blocos e tijolos Fig. 6 Casas de betão e aço

? VÊ SE SABES...

1. Vives na mesma localidade e na mesma casa onde nasceste?


2. Que materiais foram utilizados na construção da tua casa?
3. Além desses materiais existem outros na tua localidade?
4. Que modificações se verificaram na tua localidade nestes
últimos anos?

Repara que não foi só a tua aldeia, bairro ou casa que sofreu alterações,
mas também outras localidades se modificaram no decorrer dos anos.
Pequenas vilas tornaram-se grandes cidades, outras tornaram-se gran-
des centros industriais. Hoje, nas cidades do nosso país (como Luanda,
Benguela, Huambo, Huíla e muitas outras) encontramos grandes prédios
e vivendas confortáveis. Nas zonas rurais ainda existem casas de adobe,
pau-a-pique e capim.

Nas figuras seguintes, podes ver como uma cidade pode mudar muito
com o passar do tempo.

Fig.7 A cidade de Luanda no século XIX. Fig.8 Nova vista da cidade de Luanda.

27
2.1. A habitação

Como vês, no dia-a-dia verificam-se modificações no meio em que vive-


mos. Os homens procuram melhorar cada vez mais as suas condições
de vida através do trabalho.

Hoje nós estamos rodeados de algum conforto graças às maravilhas que


a inteligência dos homens foi criando ao longo dos anos.

2.2. A alimentação

Nos primeiros tempos da existência do homem, ele não produzia alimen-


tação para a sua sobrevivência. Vivia da recolecção, da caça e da pes-
ca, isto é, alimentava-se de frutos silvestres e de carne crua. Os primeiros
humanos eram nómadas, isto é, andavam de lugar em lugar à procura
de alimentos e de melhores condições de vida. Mais tarde tornaram-se
sedentários, começaram a viver em grupos, criando uma melhor organi-
zação através da divisão social do trabalho.

Para caçarem ou para se defenderem dos animais ferozes, os homens


criaram instrumentos que os ajudavam nas suas tarefas.

Os primeiros instrumentos fabricados pelo homem eram de pedra, de


osso ou de madeira. Os objectos de pedra e de osso estavam munidos
de um cabo de madeira, preso por fibras vegetais ou peles de animais .

Fig.9 Exemplos dos primeiros tipos de instrumentos fabricados pelo homem.

Os primeiros homens não conheciam o fogo nem a sua utilidade. Com o


passar do tempo descobriram o fogo e passaram a utilizá-lo para prepa-
rar os alimentos, que até aí eram comidos crus. Com o fogo, afugentavam
também as feras, aqueciam e iluminavam as cavernas e as grutas, e en-
dureciam as pontas de paus para caçar e escavar o solo. O fogo, inicial-

28
2.2. A alimentação

Fig. 11 A utilização do fogo numa caverna

mente produzido pela fricção de duas pedras, era conservado com muito
cuidado para que não se apagasse, pois era muito difícil obtê-lo. Muitas
vezes havia guerras entre tribos ou povos para a obtenção do fogo, pois
foi uma das maiores descobertas dos homens.

A descoberta do fogo e a utilização de


metais, principalmente do ferro, trouxeram
profundas mudanças à vida do homem. Os
homens aprenderam a transformar o miné-
rio em instrumentos para o trabalho (foices,
enxadas, etc.) e para a guerra (arcos, fle-
chas, lanças, etc.).

Estes instrumentos permitiram trabalhar


Fig. 11 Instrumentos em metal
melhor a terra e obter mais produções. O usados pelos homens primitivos.
aumento da produção levou também ao
aumento da população e, consequente-
mente, à procura de novas terras para satis-
fazer as necessidades cada vez mais cres-
centes da população.

Esta situação acabou por provocar grandes


deslocações de populações, que par-
tiam em busca de lugares mais estáveis e
com melhores condições de vida. Foi o que
aconteceu com os povos Bantu, que estu- Fig. 12 Agricultura primitiva.
daremos mais adiante.

29
2.3. O vestuário

Desde tempos muito remotos, o homem começou a utilizar vestuário para


cobrir o seu corpo. No entanto, o vestuário dos primeiros seres humanos
era muito rudimentar. Usavam folhas de árvores, peles de animais selva-
gens e cascas de árvores fibrosas, simplesmente para cobrirem as partes
essenciais do corpo, deixando o resto a descoberto.

Fig. 13 Vestuário primitivo de peles de animais. Fig. 14 Saia de fibras vegetais

Com a passagem do tempo, o homem começou a vestir-se de manei-


ra diferente, mas ainda hoje podemos encontrar em algumas regiões do
nosso país pessoas que se vestem de maneira tradicional e outras de
maneira europeia.

Fig. 15 Trajes de dança tradicional do sul Fig. 16 Traje de origem europeia.

30
2.4. As comunicações

Desde os primeiros tempos da sua existência, o homem sempre sentiu a


necessidade de comunicar com os outros. Mas, nem sempre teve a grande
diversidade de meios de comunicação que hoje estão ao nosso alcance.

No início, e de uma forma natural, só transmitiam mensagens a curta dis-


tância através de gestos e de linguagem.

Por isso, o homem sempre se preocu-


pou com os problemas de comunica-
ção a longa distância. Numa primeira
fase, a transmissão de mensagens a
longa distância era feita através de
batimentos de tambores, instrumentos
de sopro, sinais de fumo, reflexos de
espelhos e tochas acesas em lugares
elevados. Só mais tarde apareceram
os telégrafos e os telefones. Alguns
dos meios de comunicação mais an-
tigos ainda hoje se usam em muitos Fig. 17 Tambor usado como meio comuni-
países de África, da Ásia e da América cação entre diferentes aldeias.
Latina.

Um outro meio utilizado pelo homem para o envio de mensagens foram


os mensageiros (homens de recados), que transmitiam notícias, ordens
e recados deslocando-se a pé, a camelo ou cavalo. Depois da invenção
da escrita, os homens passaram a utilizá-Ia para o envio de mensagens,
o que veio melhorar muito as possibilidades de comunicação entre os
povos.

Actualmente temos meios mais rápidos, mais exactos e sofisticados que


permitem emitir e receber mensagens num curto espaço de tempo. Os
meios de comunicação hoje mais utilizados:

Fig. 18 Escrita egípcia. Fig. 19 Tipografia antiga

31
2.4. As comunicações

Actualmente temos meios mais rápidos, mais exactos e sofisticados que


permitem emitir e receber mensagens num curto espaço de tempo.

Os meios de comunicação hoje mais utilizados:

• Para transmitir a palavra escrita:

Fig. 20 E-mail. Fig. 21 Correio. Fig. 22 Jornal.

• Para transmitir o som:

Fig. 23 Telefone. Fig. 24 Rádio. Fig. 25 Telégrafo/Telex.

• Para transmitir imagens e som:

Fig. 26 Internet. Fig. 27 Televisão. Fig. 28 Cinema.

32
2.5. Os transportes

Os transportes terrestres

O homem sempre teve necessidade de se deslocar de um sítio para ou-


tro de uma forma cada vez mais rápida e transportando cargas cada vez
mais pesadas. Tudo isso se tornou mais fácil a partir do momento em que
fez duas descobertas importantes: a domesticação dos animais e a roda.

Antes destas descobertas, o homem tinha de se deslocar a pé, trans-


portando as suas cargas à cabeça, às costas ou aos ombros. Os chefes
eram transportados em tipóias, carregados por escravos ou carregadores
forçados a realizar esse trabalho.

Fig. 29 Transporte de cargas Fig. 30 Transporte dos chefes

Depois da domesticação dos animais, o homem começou a utilizar a força


do boi, do burro, do cavalo ou do camelo para transportar produtos e pes-
soas. Assim surgiu a “zorra”.

Com o passar do tempo, o homem foi melhorando os sistemas de trans-


portes. Em certas regiões, as pessoas começaram a colocar cargas sobre
pranchas de madeira e troncos de árvores. Dessa forma, a deslocação de
produtos era mais rápida.

Foi assim que surgiu a in-


venção da roda, quando
se fez a ligação de dois
pedaços circulares de ma-
deira através de um eixo.
Depois da invenção da
roda, surgiram os carros
puxados por bois, burros
ou cavalos. Fig. 31 Um antogo carro puxado por cavalo

33
2.5. Os Transportes

Mais tarde, aplicou-se uma máquina a vapor ao carro e apareceram os pri-


meiros comboios rolando sobre carris de ferro. Em Angola, o primeiro com-
boio surgiu há cerca de 90 anos.

Finalmente, a invenção do motor de explosão permitiu o fabrico de automó-


veis, camiões, tractores, etc. Os comboios também evoluíram, surgindo as
locomotivas a óleos pesados e as locomotivas eléctricas.

Fig.32 Um comboio antigo. Fig. 33 Tractor e automóvel. Fig.34 Comboios eléctricos.

Como acabámos de ver, os transportes terrestres têm melhorado à medida


que as sociedades evoluem e têm necessidade de resolver os problemas
que surgem, quer para a deslocação de pessoas quer para o escoamento
de produtos.

Os transportes aquáticos

Certamente, um dia o homem primitivo deve ter


reparado que a corrente das águas dos rios arras-
tavam troncos de árvores. Isto trouxe-lhe a ideia
de utilizar um desses troncos para se deslocar rio
abaixo. Assim nasceu a ideia de obter o primeiro Fig.35 Piroga ou canoa.
meio de transporte aquático. Para obter mais es-
tabilidade, ligou vários troncos e construiu a jan-
gada. Depois escavou um tronco mais grosso e
introduziu-se na cavidade. Foi a primeira piroga,
movida por meio de paus ou remos compridos.

No nosso país, ainda hoje se atravessam os rios


e os lagos com estes transportes. Com o passar
do tempo, o homem foi construindo barcos a
Fig.36 Jangada
remo e depois à vela.

34
2.5. Os transportes

Fig.37 Um veleiro do final dos anos 1800. Fig.38 Um moderno barco de passageiros.

O tamanho e feitio dos barcos foram-se modificando, a fim de poderem


transportar confortavelmente grande quantidade de pessoas e mercado-
rias. Nos nossos dias, regra geral, existem navios com motores a óleos
pesados que são mais rápidos e económicos.

Os transportes aéreos

Ao observar as aves voando de um lado para outro,


o homem também criou o desejo de voar bem alto.
Assim inventou o primeiro aparelho voador, que se
chamou “dirigível” (uma espécie de balão grande).
Fig.39 Dirigível. Para o dirigível levantar voo era preciso aquecer os
gases no seu interior. Isto há quase um século.

Mais tarde, aperfeiçoando as tecnologias, inventou


o avião e o helicóptero. Graças a uma série de
outras invenções que permitiram aumentar a rapi-
dez, o conforto e a segurança, já há aviões que são
capazes de se deslocar verticalmente e outros que
transportam centenas de passageiros a velocidades
Fig. 40 Um avião de passageiros. supersónicas, cruzando os ares sobre continentes e
oceanos.

Como consequência do desenvolvimento da avia-


ção, o homem dos nossos dias já vai à lua a bordo
de naves espaciais.

Assim, com a descoberta das novas tecnologias, o


sonho do homem de ir sempre cada vez mais longe
Fig. 41 Nave espacial americana
tornou-se uma realidade.

35
36
TEMA 3.

ASPECTOS HISTÓRICOS DA
NOSSA LOCALIDADE

ESTRUTURA DO TEMA

3.1. Os monumentos e sítios


3.2. O museu e o arquivo
3.3. As vias de comunicação
3.4. Aspectos culturas da localidade
3.4.1. Origem da população e do nome da localidade
3.4.2. As lendas e tradições, as principais línguas,
as actividades

37
TEMA 3. ASPECTOS HISTÓRICOS DA NOSSA LOCALIDADE

3.1. Monumentos e sítios

Quem viaja no nosso país, de Ca-


binda ao Cunene ou do mar ao les-
te, encontrará certamente grandes
construções, umas completas e ou-
tras parcialmente destruídas, mui-
to antigas e que retratam factos da
nossa história. A todos estes ves-
tígios ou restos de obras deixados
pelos nossos antepassados, quando Fig. 1 Ruínas da Igreja de São Salvador do
reconhecidos, chamam-se monu- Kongo, em Mbanza Kongo.
mentos históricos. Cada um destes
monumentos ensina-nos um pouco
da nossa história.

Os monumentos são obras muito an-


tigas feitas pelos homens - por exem-
plo, as igrejas, os antigos palácios, as
antigas fortalezas, estátuas, túmulos,
muros, etc. Tanto podem estar em
bom estado como em ruínas.

No nosso país há muitos monu-


mentos históricos. Por exemplo, em
Mbanza Kongo, na província do Zai-
re, encontram-se as ruínas da Igreja
de São Salvador do Kongo, construí-
da em 1501, assim como o cemitério Fig. 2 A Igreja de Nossa Senhora dos
Remédios, Luanda.
dos antigos reis do Kongo.

Nessa mesma província, pode assi-


nalar-se também o padrão do Soyo,
colocado na foz do rio Zaire pelo na-
vegador português Diogo Cão.

Em Luanda, no Huambo e em Ben-


guela encontram-se muitos monu-
mentos. Estes são mais recentes em
Fig. 3 O Palácio de Ferro, em Luanda.
relação aos citados na província do

38
3.1. Monumentos e sítios

Zaire e estão, em geral, completos.


Como monumentos mais antigos de
Luanda, destacam-se a Igreja de
Nossa Senhora da Nazaré, a Igreja
do Carmo, a Igreja de Nossa Senho-
ra dos Remédios, o Palácio de Dona
Ana Joaquina, o Palácio de Ferro,
construído por Eiffel, e as prisões co-
loniais portuguesas.

Além dos edifícios, as estátuas cons-


tituem monumentos históricos mais
recentes, como a Estátua das He-
Fig. 4 Estátua das Heroínas Angolanas, em roínas, em Luanda, representando
Luanda. Deolinda Rodrigues, Lucrécia Paím e
Irene Cohen, que morreram durante
a Luta de Libertação Nacional (1961-
1975).

Em Luanda, foi recentemente erguida


a estátua do primeiro Presidente de
Angola, Dr. António Agostinho Neto.
É uma estátua gigantesca que se en-
contra no antigo Largo 1º de Maio,
hoje Praça da Independência, local
onde foi proclamada a independência
de Angola a 11 de Novembrode 1975.
Fig. 5 Estátua do Dr, António Agostinho Neto,
em Luanda.
Em todas as províncias de Angola
existem edifícios, ruínas, estátuas,
bustos e cemitérios que são monu-
mentos históricos.

Em Cabinda encontram-se a Igreja


de Lândana e outros monumentos
importantes.

No Huambo há várias estátuas que


retratam o passado recente, entre
Fig. 6 A Igreja de Lândana, em Cabínda. elas a estátua de Norton de Matos,

39
3.1. Monumentos e sítios

antigo Governador Geral da Provín-


cia de Angola e fundador da cidade de
Nova Lisboa,actual cidade do Huambo.

Em Benguela encontram-se monu-


mentos como o Forte da Catumbela
e o Edifício Antigo de Benguela, en-
tre outros.
Fig. 7 Estátua do Dr. Agostinho Neto
no Huambo. No Cuanza-Sul encontra-se o For-
te do Ouicombo, e no Município da
Quibala destacam-se túmulos de
pedra muito antigos, chamados Túmulos da Quibala. Em Angola, além
dos monumentos também abundam sítios históricos - locais onde se
desenrolaram factos ou acontecimentos históricos.

Por exemplo, a Colina da Ulunga, na Província do Uíge, foi onde se travou


a Batalha de Ambuíla em 1665, entre os Portugueses e o Rei do Kongo.

Em Kifangondo, Município de Cacuaco, Província de Luanda, foi o local


onde se travou a batalha entre o MPLA e a FNLA enquanto se proclamava
a Independência a 11 de Novembro de 1975.

Fig. 8 O Forte da Catumbela. Fig. 9 O Forte do Quicombo. Fig. 10 A Batalha de Ambuíla.

Fig. 11 Os Túmulos da Quibala.

40 Fig. 12 Monumento da Batalha de


Quifangondo.
3.2. O museu e o arquivo

Em algumas cidades e vilas do nosso país existem museus e arquivos.

Nos museus conservam-se objec-


tos autênticos, classificados e ver-
dadeiros que nos permitem conhe-
cer aspectos da vida do passado
de Angola, tais como fotografias,
jóias, moedas, armas, utensílios
domésticos ou agrícolas, móveis,
peças de vestuário, objectos de
cerâmica, máscaras, ferramentas,
etc.

Nos arquivos guardam-se docu-


mentos escritos que retratam a
história do nosso passado, como
mapas, livros antigos e modernos,
testamentos, escrituras, revistas e
jornais. Em Angola temos o Arqui-
vo Histórico Nacional em Luanda e
Fig. 13 O Museu da Escravatura, em Luanda.
o Arquivo Provincial de Benguela.

? VÊ SE SABES...

Na localidade onde vives existe algum museu, arquivo ou monu-


mento histórico?

Já o visitaste? O que viste?

Caso não saibas, pergunta a quem te possa informar: o teu


professor ou outra pessoa mais velha.

41
3.3. As vias de comunicação

As vias de comunicação sempre foram importantes na vida dos seres


humanos. Os primeiros homens começaram por se deslocar a pé, percor-
rendo atalhos (picadas) à procura de alimentos para a sua sobrevivência.
Ao caminhar tinham uma orientação que os levava de uma área para a
outra. Foi assim que com a frequência da utilização de alguns atalhos se
foram abrindo as vias de comunicação.

Ainda hoje se encontram mui-


tos atalhos ou picadas há
muito usados pelas popula-
ções das aldeias (sanzalas)
para se deslocarem de um lo-
cal para outro para irem às la-
vras, à caça, ao rio, etc.

Como a deslocação de um
local para o outro foi sempre
uma necessidade que o ho-
mem teve desde tempos re-
Fig. 14 Um atalho, ou picada.
motos, isso levou o homem a
abrir as vias de comunicação
nos lugares onde circulava em
benefício do seu bem-estar.

Além das vias de comunicação


terrestres, o homem também
utilizou as vias de comunica-
ção aquáticas. Fabricavam
canoas ou pirogas e jangadas
com troncos de árvores que
navegavam nos rios e lagoas.
Não se utilizavam as vias aé-
reas, porque naquela época o Fig. 15 Pescador com piroga no rio Kuanza.
avião era muito raro e caro.

Após a ocupação de Angola pelos portugueses, estes começaram a abrir


estradas, que no princípio eram de terra batida. Mais tarde, as estradas
começaram a ser asfaltadas, trabalho esse que era realizado pelos nos-
sos antepassados, que desbravavam as matas e carregavam as pedras.

42
3.3. As vias de comunicação

No período colonial existia um organismo responsável pela construção


das estradas de Angola. Chamava-se Junta Autónoma das Estradas de
Angola (JAEA), criada em 1960. Neste organismo trabalhavam muitos
angolanos como contratados.

Depois da independência, os angolanos continuaram a utilizar todos es-


ses espaços terrestres, fluviais, marítimos e aéreos como vias de comu-
nicação.

Durante o conflito armado, as vias terrestres ficaram muito destruídas.

Para melhorar as ligações


entre as províncias, municí-
pios e comunas, o Governo
de Angola criou em No-
vembro de 1990 o Institu-
to Nacional das Estradas
de Angola (INEA). O INEA
participa na reconstrução e
desenvolvimento nacional
do país e desempenha um
importante papel na cons-
trução das vias de comuni-
Fig. 16 Uma modema estrada asfaltada em Angola. cação terrestres.

Actualmente, o Instituto das Estradas de Angola tem sob seu controlo a


rede das estradas de todo o país. Uma das apostas do Instituto é a me-
lhoria da qualidade dos serviços da construção das estradas.

Fig. 17 Construção de novas estradas

43
3.3. As vias de comunicação

Fig. 18 Rios e suas Fig. 19 O Oceano Atlântico; Fig. 20 Os céus;


margens; espaço fluvial. espaço marítimo. espaço aéreo.
As vias de comunicação existentes em Angola ligam o nosso país aos
países vizinhos: a República Democrática do Congo, a República do
Congo-Brazzaville, a República da Zâmbia e a República da Namíbia.
Deste modo, podemos estar ligados com outros países por via terres-
tre. Para outros países, também podemos usar as vias aéreas e marí-
timas para lá chegarmos.

Em qualquer parte do mundo, as vias de co-


municação sempre tiveram uma grande im-
portância no desenvolvimento do país e de
uma determinada região. A sua instalação
faz surgir centros urbanos, centros indus-
triais e agrícolas, permitindo a ligação dos
diferentes pontos do país. Facilita a deslo-
cação das populações e o escoamento dos
produtos agrícolas e outros.
Fig. 21 Interligação dos núcleos de
maior densidade entre si e o exterior.
Nas vias de comunicação terrestre que mais
contribuem para o desenvolvimento de um
país encontramos as estradas e os caminhos-de-ferro. Em Angola desta-
cam-se o caminho-de-ferro de Luanda a Malange e o caminho-de-ferro de
Benguela, que liga Angola à Zâmbia.

Fig. 22 O Caminho-de-Ferro
de Benguela.

44
3.4. Aspectos culturais da localidade

3.4.1. Origem da população e do nome da localidade

Existe muita diversidade cultural no nosso país. Cada região ou localida-


de de Angola possui um conjunto de tradições, formas de agir e de pen-
sar típico do seu povo, que se foram acumulando ao longo dos tempos e
transmitidos de geração em geração.

Estas tradições têm a sua origem nos antepassados e estão ligadas às


diversas actividades culturais de cada localidade.

A cidade de Benguela é grande e tem muita população. A mesma situa-


ção verifica-se noutras cidades de Angola, como o Huambo, Saurimo,
Luanda, Cabinda, etc. Cada localidade é habitada por pessoas. Tanto
as localidades como as pessoas têm nomes próprios. Por exemplo, a
localidade de Camabatela é habitada por muitos com o nome Mangoxi,
enquanto o Bailundo tem muitos Epalanga, e encontramos no Namibe
com frequência o nome Ananás. Podemos prolongar os nomes das loca-
lidades, bem como dos seus habitantes.

Fig. 23 Placa de sinalização rodoviária

Porém, os nomes próprios (nomes das localidades, dos rios, das flores-
tas, das montanhas, dos sítios históricos e até das pessoas) têm um sig-
nificado por vezes difícil de explicar.

É importante conhecer as causas que deram origem à população e ao


nome de uma determinada localidade. O mesmo pode acontecer com um
bairro ou uma aldeia.

45
3.4. Aspectos culturais da localidade

Com a fuga das populações durante o período da guerra no nosso país,


as pessoas refugiaram-se em Luanda e foram formando bairros com no-
mes das suas províncias de origem. O mesmo aconteceu na era colonial.
Os portugueses que para aqui vinham davam nomes das suas localida-
des de origem aos locais onde se instalavam.

Apresentamos seguidamente um pequeno texto que relata uma situação


real que aconteceu na região norte de Angola.

MAMAROSA é o nome de uma fazenda situada próximo de uma aldeia na província


do Zaire. Foi fundada nos anos 50 pela família de colonos A. da Graça, que lá viveu até
à proclamação da Independência de Angola em 11 de Novembro de 1975. A partir dessa
data, o senhor A. da Graça desapareceu da região.

Todos acreditavam que ele teria morrido durante o período turbulento que se seguiu à
independência do país. Era uma ilusão.

Vinte anos se passaram. Em 1995, na cidade de Aveiro, Portugal, encontrou-se um pré-


dio com as escritas: “Prédio MAMAROSA”. Este nome fez-nos lembrar não só a fazenda
com o mesmo nome em Angola, como também o nome do senhor Amadeu da Graça,
o suposto desaparecido. Encarregou-se alguém para procurar a localidade chamada de
MAMAROSA em Portugal e Amadeu da Graça.

Passados três dias essa pessoa encontrou a freguesia de Mamarosa, e por sorte também
encontrou o senhor Amadeu da Graça, antigo dono da fazenda em Angola, ainda vivo.

Três dias depois o senhor Amadeu convidou essas pessoas para a casa dele e explicou-lhes
a origem do nome de Mamarosa de Angola, que, na verdade, não era de uma SEREIA
como o povo contava, mas o nome da freguesia portuguesa de onde tinham vindo os
fundadores dessa fazenda em Angola.

Fonte: P Nsiangengo

Este exemplo concreto e verdadeiro mostra que os nomes próprios têm


vida, nascem, crescem e podem morrer se não se cuidar deles. Os no-
mes próprios transmitem-se de geração em geração. Eles são dados por
várias razões: origem do fundador, por motivos de um acontecimento, um
antepassado ou mesmo uma moda.

Os nomes das pessoas, tais como Nzinga, Mabiala, Jamba, Epalanga,


Kassinda, Caterça, Futi, Malamba, Lweje, Flora ou Coelho têm os seus

46
3.4. Aspectos culturais da localidade

respectivos significados. Os nomes de sítios ou lugares também têm a


sua explicação e o seu significado. Conversa com os mais velhos para te
explicarem o significado desses nomes.

? VÊ SE SABES...

Agora tenta contar os aspectos culturais da tua localidade orien-


tando-te pelas frases propostas pelos autores. Não te esqueças de
organizar as matérias com o apoio do teu professor e de pessoas
mais velhas e de propor a publicação do teu trabalho na tua escola.
1. O significado e origem do teu nome.
2. O nome da tua localidade e a origem da sua população.
3. O nome de quatro localidades vizinhas e as suas respectivas
histórias.
4. A história das montanhas, grutas e pedras à volta da tua
localidade.
5. A história dos rios, lagoas e florestas da tua localidade.

3.4.2. As lendas e tradições, as principais línguas, as actividades

As principais manifestações culturais do nosso país variam de região para


região e de povo para povo. Elas retratam a maneira de viver de um povo,
a forma como enfrenta os seus problemas do dia-a-dia e como os resolve.

As lendas e tradições

SABIAS QUE...

• As lendas também podem ser entendidas como fábulas e contos.


• As lendas são verdadeiros museus, monumentos e ilustrações
vivas.
• Podem ser narradas ou contadas, e geralmente tetminam com
uma lição moralizadora e educativa.
• Existem em todas as famílias.

As lendas e as tradições de um povo constituem a sua sabedoria popu-


lar, que os mais velhos têm sabido transmitir às novas gerações.

47
3.4. Aspectos culturais da localidade

Em Angola, um mais velho é considerado uma biblioteca porque conser-


va conhecimentos de tudo aquilo que os seus antepassados conheceram
e transmitiram. Estas bibliotecas populares e activas circulam pelas al-
deias e chegam a todos.

A tradição oral foi sempre uma grande riqueza cultural. É uma cultura
verdadeira que abrange todos os aspectos da vida dos angolanos. As
lendas africanas têm uma grande importância cultural.

As principais línguas

As línguas são o meio de comunicação particular utilizado por cada povo


de África. Em Angola existem várias línguas que identificam a origem de
cada um dos seus povos. A utilização da língua através da palavra é tam-
bém o meio que os africanos usam para compor a sua história. É através
da palavra que as tradições dos nossos antepassados são transmitidas
de geração em geração.

As actividades

Já reparaste que cada região tem a sua importância cultural? Isto obser-
va-se através das suas actividades diárias.

Em Angola desenvolvem-se várias actividades que podem ser agríco-


las, pastorícias, pesqueiras, artesanais, artísticas e outras. Todas
elas são importantes para a sobrevivência das populações das diversas
localidades.

Fig. 24 Pescadores. Fig. 25 Criador de gado.

48
3.4. Aspectos culturais da localidade

É comum encontrar-se numa região, sobretudo nas aldeias, adultos que


praticam actividades de pesca ou pastorícia que enquanto crianças her-
daram dos seus pais. Outras actividades que retratam os hábitos e cos-
tumes dos povos de uma determinada localidade são as manifestações
culturais. Estas podem ser festas e danças tradicionais que retratam a
cultura de um povo.

Algumas festas que ainda são conservadas e acontecem em quase todo


o nosso território nacional são as festas da circuncisão, da puberdade, do
casamento e outras. Uma das festas que também é celebrada em todo o
país é o Carnaval.

Em certas regiões, ainda hoje se continuam a fazer utensílios a partir de


modelos antigos, como esteiras, panelas e pratos de barro, pentes, es-
tatuetas de madeira, instrumentos de ferro, máscaras e outros objectos
artesanais.

Todas essas actividades representam algo ligado ao nosso povo e cons-


tituem um conjunto de actividades e tradições transmitidas ao longo das
gerações.

Fig.26 Festa tradicional. Fig. 27 Uma dança Mumuíla.

Fig.28 Cestaria artesanal de Luanda. Fig. 29 Estatuetas de madeira.

49
50
TEMA 4.

ANGOLA HÁ MUITOS, MUITOS ANOS

ESTRUTURA DO TEMA

4.1. Os primeiros habitantes do actual território angolano


• Os Pigmeus
• Os Khoissan
• Os Vátuas e Kuisses

4.1.1. Principais acpectos da vida dos Khoissan


4.1.2. Manifestação artísticas

4.2. A chegada dos Bantu a e oucupação dos territórios actuais


4.2.1. Migrações
4.2.2. Grupos etno-linguísticos bantu

4.3. Os primeiros reinos


4.3.1. Reino do Kongo
4.3.2. Reino do Ndongo

51
TEMA 4. ANGOLA HÁ MUITOS, MUITOS ANOS

4.1. Os primeiros habitantes do actual


território angolano

• Os Pigmeus
• Os Khoissan
• Os Vátuas e Kuisses

SABIAS QUE...

• A população angolana de hoje forma um


só povo e uma só nação, mas isto não foi
sempre assim.

• Houve um tempo em que o território


angolano actual era habitado por vários
povos que muitas vezes eram inimigos Fig. 1 Mulher pigmeu
uns dos outros. angolana

• Algumas partes do actual território Norte e Nordeste de Angola


(Cabinda, Zaire, Uíge e Lunda-Norte) foram habitadas por
Pigmeus.

O povo mais antigo que habitou o território angolano há milhares de anos,


foi o dos Khoissan. Estes, viveram sempre em tribos sob a forma de co-
munidade primitiva na zona de savana.

ESCLARECER...

Os Khoissan apresentam as seguintes


características:

• pele castanha avermelhada ou amarela;


• molares salientes;
• olhos oblíquos;
• nariz chato;
• cabelo grau pimenta
• estrutura média de 1,52 m.

Os Khoissan são um povo de raça negra,


não bantu. Fig.2 Um Khoissan
(Bosquiman).

52
4.1. Os primeiros habitante do actual território angolano

Os outros povos mais antigos foram os


Vátuas (Kwepes e Kuissis), que falam
uma língua do grupo Khoissan.

Hoje, os Khoissan encontram-se na


Província do Namibe, no Sul de Angola
e fazem parte do actual povo angolano.

4.1.1. Principais aspectos da vida


dos Khoissan

Os Khoissan viveram sempre em tribos,


sob a forma de comunidade primitiva.
Fig.3 Mapa de Angola, destacando-se a
verde a província do Namibe.
O seu ambiente natural era a região da
savana, própria à sua subsistência.

Os Khoissan sobrevivem recorrendo à


caça e à recolecção, sendo conhecidos
como grandes caçadores. Muitas vezes
vendiam carne aos seus vizinhos, em
troca de outros alimentos e de utensí-
lios. As suas armas eram pequenos ar-
cos de flechas envenenadas.

4.1.2. Manifestações artísticas

Fig. 4 Khoissan com arco e flecha. Em termos de arte, os Khoissan fa-


zem pinturas e esculturas na rocha,
nas quais retratam cenários de guerra,
caça, dança e cerimónias religiosas.

? VÊ SE SABES...

1. Cita os nomes dos primeiros


habitantes do território
angolano.
2. Qual foi o primeiro povo que
ocupou o territórlo angolano?
3. Em que província podemos
encontrar os Khoissan?
Fig. 5 Pinturas rupestres do
Tshitundo Ulu.

53
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais

4.2.1. Migrações

SABIAS QUE...

• As migrações são grandes deslocações realizadas por povos in-


teiros de um lugar para o outro, à procura de melhores condições
de vida.

• As migrações podem ter como causas alterações climaticas


(desertificação de uma região), lutas internas, fome, procura de
melhores condições de vida, etc. Os povos Bantu começaram
a emigrar para o actual território de Angola antes de 1200, e as
últimas migrações ocorreram nos anos de 1800.

Fig. 6 Mapa de África com o percurso migratório dos povos Bantu.

54
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais

4.2.2. Grupos etno-línguisticos bantu

As populações de origem bantu formaram em Angola nove etnias, ou


povos, que são: Bakongo, Nganguela, Nyaneka-Humbe, Herero, Lunda-
-Kioko (Côkwe) , Ovambo, Ambundo, Umbundu e Xindonga. Cada um
destes povos possui a sua própria língua. É por esse motivo que são
chamados grupos etno-linguísticos. Todos eles já possuíam técnicas de
trabalho com o ferro e praticavam a agricultura.

Fig. 7 As migrações bantu em Angola.

55
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais

A partir dos anos de 1200, o grupo


Bakongo atravessou o rio Zaire (ou rio
Congo) e instalou-se na sua margem
esquerda. Caminhando para sul, este
povo foi-se fixando em áreas já antes
ocupadas pelos Ambundo.

Fig. 8 Deslocações do grupo Bakongo.

A partir dos anos de 1300, alguns


homens do grupo Nganguela des-
locaram-se para oeste e atravessa-
ram o Alto Zambeze até ao Cunene.

Fig. 9 Deslocações do grupo Ngangela.

A partir dos anos de 1400 ou do iní-


cio dos anos de 1500, os Nyanekas (ou
Vanyanekas) povos de pastores, entra-
ram pelo Sul de Angola, atravessaram o
Cunene e instalaram-se no planalto da
Huila. Nesses anos entraram também
os Hereros.

Fig. 10 Deslocações dos grupos dos


Nyanekas e dos Hereros.

56
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais

Entre 1500 e 1600 começaram a chegar


à região da Lunda povos caçadores, os
Côkwe (ou Tchokwe), vindos do pla-
nalto de Luba.

Fig. 11 Deslocações do grupo Lunda.

Entre 1700 e 1800, entraram no território


angolano os Ovambos (ou Ambos). Este
povo deixou o seu território no Baixo-
Cuango e veio instalar-se entre o rio Al-
to-Cubango e o rio Cunene. Os Ovambos
eram grandes mestres a trabalhar o ferro.

Fig. 12 Deslocações do grupo dos Ovambos.

Nesses mesmos anos, os Côkwe aban-


donaram o Katanga, atravessaram o rio
Cassai e vieram instalar-se na Lunda,
no Nordeste angolano. Mas os Lundas
vieram cobrar impostos ao povo re-
cém-chegado, e os Côkwe voltaram a
emigrar, principalmente para o sul.

Fig. 13 Deslocações do grupo dos


Côkwe,depois de abandonarem a Lunda.

57
4.2. A chegada dos Bantu e a ocupação dos territórios actuais

Finalmente, entre 1800 e 1900, apa-


rece o último povo que veio insta-
lar-se em Angola - os Ovo Kwan-
gali (ou Kuangares).

Fig. 14 Deslocações do grupo dos Kwan-


gali, ou Kuangares.

Cada uma das etnias referidas falava a sua língua materna, como
o Kimbundu, o Kikongo, o Nganguela, o Côkwe, o Cuanhama ou o
Oshiwambo.

? VÊ SE SABES ...

• O que entendes por migração?

• Quando se iniciaram as migrações Bantu?

• Localiza no mapa da página 54 o local de onde saiu o povo Bantu.

• Precisamente, de onde veio o povo Bantu?

• Escreve verdadeiro (V) ou Falso (F) nas seguintes afirmações:

a) Os Kwepes, Vatuas e Khoisan são povos Bantu.

b) Os Bakongo, Nganguela, Côkwe e Umbundo


são povos Bantu.

c) Os Zulu, Azande e Nilotico Berbere são povos Bantu.

58
4.3. Os primeiros reinos

À medida que ocorriam as migrações


cada um desses povos bantu que
vieram ocupar uma porção do actual
território de Angola organizou-se até
formar inportantes reinos

Os principais reinos formados antes


da ocupação europeia foram o Rei-
no do Kongo, o Reino do Ndon-
go, o Reino de Kassanje, o Reino
de Matamba, o Reino da Lunda, o
Reino do Bailundo, e o Reino de
Kwanyama.
Fig. 15 Mapa dos primeiros reinos de Angola

Este ano vamos estudar o Reino do


Kongo, e o Reino do Ndongo

SABIAS QUE...

• O primeiros Estado bantu formado na costa ocidental de África foi o


Reino do Kongo
• Este reino foi fundado no periodo entre 1200 e 1300 por Ntinu Wene
Wa Kongo (Nimi-a-Lukeni)
• O Reino do Kongo tinha como capital Mbanza-Kongo

4.3.1. O Reino do Kongo


O Reino do Kongo era muito grande
e tinha como limites:

• a norte, o rio Ogoué no Gabão;


• a sul, o rio Cuanza;
• a leste, o rio Cuango, afluente do
Zaire;
• a oeste, era banhado pelo ocea-
no Atlântico

Fig. 15 Mapa do Reino do Kongo

59
4.3. Os primeiros reinos

O Reino do Kongo era poderoso e bem organizado. Tinha uma economia


muito desenvolvida. Praticavam-se a agricultura, o artesanato, a caça, os
trabalhos de ferro e a exploração de minas.

A agricultura e o artesanato

O antigo povo do Kongo cultivava massango, feijão, massambala, banana,


inhame e outros produtos. O trabalho principal era feito pelas mulheres. Os
artesãos fabricavam armas, cerâmica e outros utensílios. Formavam pe-
quenas indústrias derivadas da caça, da pesca e do artesanato (escultura).

Fig. 17 Uma mulher a cultivar. Fig. 18 Trabalhadores de ferro.

O comércio

Nos mercados locais do rio Zaire e da costa do oceano trocavam-se os


principais produtos: sal, ferro, tecidos de ráfia, peles e produtos alimenta-
res. Este tipo de comércio era conhecido por permuta. Mais tarde, a troca
de produtos era feita com a principal moeda: o nzimbu.

O nzimbu eram conchas apanhadas


ou colhidas na Ilha de Luanda e depois
escolhidas. Eram de vários tamanhos:
grandes, médias e pequenas, tendo
cada uma o seu valor. Era com nzim-
bu que se pagavam todas as despesas
administrativas correntes do Reino do
Kongo, dos soldados e dos funcioná-
rios, entre outras. A Ilha de Luanda era
o “banco” do rei do Kongo, e a sua
exploração pertencia-lhe. Fazia-se Fig. 19 Moeda nzimbu.

60
4.3. Os primeiros reinos

também comércio por terra e eram frequentes as trocas com os reinos


vizinhos.

As classes sociais

Os habitantes do Reino do Kongo


formavam a sociedade Kongue-
sa, constituída por duas grandes
classes: a nobreza e o povo. Por
vezes, estas classes eram inimi-
gas uma da outra.

O povo vivia em comunidades


aldeãs (sanzalas) e defendia a
propriedade das terras, dos rios,
dos palmares e das florestas.

Dentro da nobreza destacavam- Fig.20 Cerimónia tradicional Konguesa.


-se duas camadas: uma formada
pela família real e funcionários
de Estado, e outra pelos chefes
tradicionais das populações
mbundu, dominadas pela pri-
meira (chefes da terra e chefes
religiosos).

Era o chefe da aldeia que distri-


buía a cada família as terras para
o cultivo.

O povo era obrigado a pagar um


tributo sobre as colheitas, reco- Fig. 21 Ilustração de um aristocrata Konguesa.
Ihido pelos funcionários reais (Mani). Os homens podiam ser recrutados
pelos Mani para trabalhos colectivos, tais como a abertura de caminhos,
construção de residências de nobres ou combate nos exércitos.

Os escravos, pouco numerosos, eram usados sobretudo nos serviços


domésticos das famílias nobres, no transporte de mercadorias, na forma-
ção de guardas pessoais da aristocracia e na produção agrícola.

61
4.3. Os primeiros reinos

No Reino do Kongo, como noutros reinos da África Negra, o escravo era


considerado como pessoa e não como objecto, podendo ocupar por ve-
zes funções importantes na família, na aldeia ou na sociedade.

ESCLARECER ...

• O rei do Kongo tinha poder absoluto: podia declarar a guerra


e castigar as pessoas.

• Os aristocratas, chamados Mani, eram os chefes da admi-


nistração das províncias e dos distritos do Reino do Kongo.

• Eram os Manis que ocupavam os lugares de comando militar,


administrativo e religioso, o que lhes dava grande riqueza.

• Os Manis também cobravam impostos, recrutavam gentes


para o exército, para os trabalhos da comunidade e do rei.
Eram ainda os juízes da região, presidindo à justiça.

A organização do Reino do Kongo

O Reino do Kongo estava dividido em seis províncias.

• Mpemba era a província onde se encontrava a capital do reino, Mban-


za Kongo, e residia o rei.

O Reino do Kongo foi um dos mais organizados da África Austral, e por


sinal o primeiro reino africano que enviou um representante a Roma como
embaixador - o filho de Mvemba Nzinga.

• As outras províncias do Reino do Kongo eram Soyo, Mbata, Mbamba,


Nsundi e Mpangu, que eram governaâas pelos seus próprios Manis.
Cada uma destas províncias estava dividida em unidades administra-
tivas, chamadas de vata - aldeia.

Além dessas seis províncias, havia reinos vizinhos tributários que paga-
vam impostos ao rei do Kongo. Os principais eram Ngola e Matamba, a
sul, e os reinos de Loango, Ngoyo e Kakongo, a norte.

62
4.3. Os primeiros reinos

Fig.22 Mapa mostrando a divisão administrativa do Reino do Kongo.

A decadência do Reino do
Kongo começou depois da
Batalha de Ambuíla, em 1665,
altura em que o rei do Kongo,
Vita-a-Nkanga (Mani Mulaza),
conhecido por Dom Antônio I,
foi vencido pelos Portugueses,
já no período colonial.

Fig. 23 Gravura retratando a


Batalha de Ambuíla.

63
4.3. Os primeiros reinos

? VÊ SE SABES ...

1. Por quem e quando foi fundado o Reino do Kongo?


2. Qual foi a capital do Reino do Kongo?
3. Localiza o Reino do Kongo num mapa de África.
4. Quais foram as actividades principais do povo conguense?
5. Qual foi a moeda utilizada no Reino do Kongo?
6. Como foi organizado o Reino do Kongo?
7. Quando se deu o declínio do Reino do Kongo?

4.3.2. O Reino do Ndongo

O Reino do Ndongo tinha como limites:

• a norte, o rio Dande e as terras de Ambuíla;


• a sul, o planalto do Bié;
• a leste, a região de Kassanje;
• a sudoeste, a região de Kissama.
• a oeste, o oceano Atlântico.

Fig.24 Mapa do Reino do Ndongo.

64
4.3. Os primeiros reinos

SABIAS QUE ...

• Os povos Mbundu viviam a sul do Kongo e a oeste do Império


Luba/Lunda.
• O Reino do Ndongo formou-se entre os anos de 1300 e 1400,
depois do Reino do Kongo, e o seu fundador foi Ngola Mbandi,
ou Ngola Inene.
• A primeira capital do Reino do Ndongo foi Ngoleme, que de-
pois do incêndio de 1564 foi transferida para Kabassa (Mban-
za-a-Kabassa), situada perto do actual Dondo, na província do
Cuanza Norte.

O Reino do Ndongo estendeu-se muito nos tempos de Ngola-a-Kiluanje.


O litoral de Benguela era governado por um dos seus filhos.

O Reino de Ngola, ou Ndongo, pagava tributo ao Reino do Kongo até


cerca de 1563.

A agricultura e o artesanato

As actividades principais do Reino do Ndongo eram a agricultura e o


artesanato. Cultivavam-se o feijão, o milho, o inhame e a banana, entre
outros produtos.

O trabalho principal era


feito pelas mulheres.
Eram elas que trabalha-
vam a terra, plantavam,
semeavam e colhiam os
produtos. Os homens de-
dicavam-se sobretudo à
caça, à pesca, ao artesa-
nato e à metalurgia.

Os artesãos fabricavam
armas, cerâmica e outros
utensílios necessários à
vida das comunidades.
Fig. 25 Mulheres realizando trabalhos agrícolas.

65
4.3. Os primeiros reinos

As colheitas eram abundantes no


Reino do Ndongo e realizavam-se
mercados para venda ou troca dos
excedentes da produção com os
reinos vizinhos. A moeda que cir-
culava neste reino era o sal-gema,
chamado njimbo, que era trazido
das minas da Quissama.

O crescimento deste reino esteve


intimamente ligado ao início das ac-
tividades económicas dos Europeus
e à abertura do comércio atlântico
de escravos. Fig.26 Moeda: sal-gema.

A organização do Reino do Ndongo

A organização do Reino do Ndongo era muito semelhante à do Reino


do Kongo, mas a propriedade comunitária tinha mais força no Reino do
Ndongo do que no Reino do Kongo.

O Reino do Ndongo foi conquistado definitivamente em 1683 pelos Por-


tugueses.

? VÊ SE SABES ...

• Por quem e quando foi fundado o Reino do Ndongo?


• Localiza num mapa de Angola o Reino do Ndongo.
• Quais foram as capitais do Reino do Ndongo?
• Como se chama a moeda que foi usada no
Reino do Ndongo?

66
67
68
TEMA 5.

ANGOLA NA ERA DO TRÁFICO


DE ESCRAVOS

ESTRUTURA DO TEMA

5.1. A expansão marítima portuguesa


5.1.1. A chegada dos Portugueses ao Reino do Kongo
5.1.2. As primeiras relações entre Portugueses e Africanos
(Kongo e Ndongo)
5.1.3. O início do tráfico de escavros e as suas
consequências
5.2. A expansão progressiva dos Portugueses ao longo da costa
5.2.1. A fundação da capitania

69
TEMA 5. ANGOLA NA ERA DO TRÁFICO ESCRAVOS

A procura de mais terras para a agricultura e de mais ouro e prata


para gerar riquezas levou os Europeus a virem a África por mar pro-
curar esses produtos. Foi o início da expansão marítima europeia.

Fig. 1 Mapa do mundo com as principais rotas comerciais do período entre 1600-1700.

Fig. 2 Os Europeus chegavam a África em busca de produtos valiosos.

70
5.1. A expansão marítima portuguesa

SABIAS QUE ...

• Os Portugueses decidiram navegar pelo oceano Atlântico


à procura de produtos preciosos, em direcção à índia.

• A falta de metais preciosos (ouro e prata) para cunhar


moeda prejudicava o comércio, e alguns reinos europeus
desejavam o ouro existente em África.

Fig. 3 O porto de Lisboa nos anos de 1500.

Depois da crise demográfica e económico-social que assolou a Europa e


Portugal em particular entre 1300 e 1400, as relações comerciais com o
Oriente passaram a beneficiar em grande parte os comerciantes árabes,
que transportavam muitos produtos orientais, tais como especiarias (pi-
menta, canela, noz-moscada e cravinho).

Ao mesmo tempo, as grandes rotas comerciais dominadas pelos merca-


dores italianos entre a Europa, Ásia e África do Norte foram impedidas
com o avanço dos Turcos, que obtiveram um forte domínio na região.

Essa situação obrigou a Europa a encontrar uma solução de modo a obter


os produtos orientais mais baratos na sua origem.

71
5.1. A expansão marítima portuguesa

O desenvolvimento das novas técnicas náuticas conhecidas através


dos árabes facilitaram a descoberta de soluções para a expansão maríti-
ma portuguesa, em particular, e a europeia em geral.

Assim, Portugal, depois de ter adquirido conhecimentos sobre as técnicas


e instrumentos náuticos, lançou-se à expansão, começando por contor-
nar a costa africana atlântica com a intenção de chegar até à índia, local
onde eram adquiridas as mercadorias de alto valor comercial.

Destas viagens resultaram os primeiros contactos dos antigos povos do


actual território angolano com os Portugueses.

5.1.1. A chegada dos Portugueses ao Reino do Kongo

SABIAS QUE ...

• O capitão Diogo Cão foi o chefe dos marinheiros portugue-


ses que chegaram pela primeira vez ao Reino do Kongo.

• Os primeiros contactos entre os Portugueses e Kongue-


ses foram de natureza comercial e de boa amizade.

• O rei que recebeu os primeiros portugueses foi Nzinga


Nkuwu.

Os primeiros contactos entre


os portugueses e o Reino do
Kongo, que constitui uma das
partes do actual território de
Angola, tiveram lugar em 1482,
quando Diogo Cão chegou à
foz do rio Zaire ou Congo.

Fig. 4 Padrão de Diogo Cão, no Soyo.

72
5.1. A expansão marítima portuguesa

Em 1484, durante o reinado de Nzinga Nkuwu, houve notícia em Mbanza


Kongo de que homens brancos tinham desembarcado e entrado em con-
tacto com os habitantes da província do Soyo e com o próprio mani Soyo.
O Rei Nzinga Nkuwu acabou por receber mais tarde os primeiros portu-
gueses e com eles estabeleceu relações de amizade.

Fig. 5 Ilustração representando o primeiro contacto entre os Portugueses e o Reino do Kongo.

A partir desse encontro, sucederam-se trocas de ofertas entre os repre-


sentantes do rei de Portugal e o rei do Kongo, bem como trocas de em-
baixadas entre si. Procedeu-se também ao baptismo dos membros da
família real e de alguns manis pela Igreja Católica.

Em 1489, foi enviada a Lisboa a primeira embaixada konguense.

Contudo, as relações mais intensas entre Portugal e o Reino do Kongo


iniciaram-se em 1507, ano em que subiu ao poder o rei Mvemba Nzinga
(Dom Afonso I).

73
5.1. A expansão marítima portuguesa

5.1.2. As primeiras relações entre Portugueses e Africanos


(Kongo e Ndongo)

As primeiras relações entre os Portugueses e os Africanos foram relações


de amizade, baseadas nas trocas comerciais.

5.1.3. O início do tráfico de escravos e as suas consequências

SABIAS QUE ...

• O tráfico de escravos iniciou quando os escravos da Ilha


de Luanda e do Porto de Mpinda começaram a ser expor-
tados para São Tomé.
• A mão-de-obra necessária para o cultivo da cana-de-açú-
car foi na sua maioria extraída no antigo Reino do Kongo.
• Foi a partir do povoamento da Ilha de São Tomé que os
portugueses conseguiram manter contactos permanentes
com a costa africana.

No território que constitui hoje Angola existia a escravatura. Muitos dos


grandes trabalhos públicos ou domésticos eram executados por escra-
vos. Esses escravos, em geral provenientes das guerras internas ou vio-
lação de leis, eram membros da comunidade. No entanto, com a chegada
dos Portugueses, o tratamento dos escravos tomou outras dimensões.

Sobretudo depois da descoberta do continente americano, os Portugue-


ses e outros europeus (Holandeses, Franceses, Espanhóis, Ingleses).

Fig. 6 Gravura do interior de um barco negreiro, no qual eram transportados os escravos para a América.

74
5.1. A expansão marítima portuguesa

precisavam de mão-de-obra para trabalhar nas minas e nas grandes


plantações que tinham na América. Os povos índios locais da América
não aguentavam esses trabalhos - uns morriam e outros fugiam.

Nestas circunstâncias, os traficantes recorreram aos escravos africanos,


mais expedientes na agricultura das regiões quentes. Foi assim o início
do comércio triangular (podes ver o esquema na página seguinte).

Fig.7
Escravos
africanos
trabalhando
num engenho
de açúcar
nas Antilhas
Francesas, em
meados dos
anos de 1600.

Os Portugueses possuíam uma grande colónia na América do Sul (o


Brasil), onde se cultivava a cana-de-açúcar, e decidiram transportar os
Angolanos capturados através das guerras de “kuata-kuata”, especial-
mente dos reinos do Kongo, Ndongo e de outras regiões do actual ter-
ritório angolano.

Fig.8
Mapa de 1640,
mostrando a
capitania de
Pemambuco
(Brasil) e os
escravos de
uma plantação
de açúcar.

75
5.1. A expansão marítima portuguesa

ESCLARECER

• “Guerras de Kuata-Kuata” eram guerras em que alguns


escravos eram apanhados por grupos de portugueses ar-
mados, que assaltavam de surpresa as aldeias, por vezes
com a ajuda de alguns chefes africanos.
• “Comércio triangular” era o comércio efectuado entre os
três continentes: África, América e Europa.

Fig. 9 Mapa mostrando como se desenrolava o comércio triangular entre a África, a América e a
Europa.

76
5.1. A expansão marítima portuguesa

As consequências do tráfico de escravos

O tráfico de escravos em Angola teve consequências desastrosas, de


entre as quais devemos destacar algumas:

• Consequências políticas

1. Enfraquecimento dos reinos e perda da autoridade dos chefes


tradicionais africanos.
2. Desorganização das sociedades africanas.
3. Debilidade dos exércitos nos diferentes reinos

• Consequências económicas

1. Enfraquecimento da economia, provocado por guerras internas


2. Regressão das forças produtivas

• Consequências sociais

1. Diminuição da população produtora e reprodutora


2. Enfraquecimento do artesanato e de outras expressões artísticas
3. Debilidade cultural

? ESCLARECER

1. O que provocou a expansão marítima dos Europeus para os


outros continentes, particularmente para África?
2. Quando se deram os primeiros contactos entre os Portugueses
e o Reino do Kongo?
3. Como se chamavam os governadores das províncias do Reino
do Kongo?
4. Cita algumas consequências do tráfico de escravos.
5. Explica os seguintes conceitos:
• guerra de “kuata-kuata”
• “comércio triangular”

77
5.2. A expansão progressiva dos portuguesa ao longo da costa

SABIAS QUE ...

• A colónia de Angola foi criada depois de ter sido fundada a


capitania de Luanda em 1575, por Paulo Dias de Novais.
• Na colónia iniciou-se imediatamente a construção de um
forte, e em 1578 começaram a chegar a Luanda reforços
de homens e munições.

Fig. 10 Uma gravura da cidade de Luanda nos anos de 1600.

Depois de se terem instalado em Luanda, os Portugueses começaram com


as preparações da guerra que viriam a prosseguir com o processo de pe-
netração para o interior.De seguida, Paulo Dias de Novais iniciou a guerra.

Na primeira batalha, o exército de Ngola Kiluanji derrotou os Portugue-


ses, mas os Portugueses acabaram por vencer.

A pilhagem e o saque prosse-


guiram nas vizinhanças da capi-
tania, obrigando os respectivos
sobas a entregar como tributo
um certo número de escravos,
panos de ráfia, sal e víveres.

A colónia de Angola desenvol-


veu-se graças às guerras que
se faziam com os Estados do
interior, onde os Portugueses
recolhiam produtos comerciais,
como ouro, marfim e escravos. Fig. 10 Caravana de escravos

78
5.2. A expansão progressiva dos portuguesa ao longo da costa

Fig. 12 Navios de mercadorias na baía de Luanda, em 1656.

Durante este período, a actividade principal dos Portugueses foi a cap-


tura dos escravos. Com o passar dos anos, os reinos do Kongo e do
Ndongo acabaram por ser destruídos, enquanto o comércio português de
escravos era continuamente alimentado por uma sucessão de acordos
de paz seguidos de novas agressões. Para o transporte desses escravos
utilizavam-se muitas rotas - uma delas era o rio Kwanza.

A baía de Luanda funcionava como principal porto de recepção de navios que


transportavam mercadorias, e a cidade de Luanda era habitada por cerca de
400 famílias portuguesas e um maior número de população africana.

À medida que a conquista ia avançando ao longo do rio Kwanza, os Por-


tugueses foram construindo fortes em Calumbo, Muxima, Massanga-
no, Cambambe, Ambaca e
Mpungu-a-Ndongo.

Fig. 13 A progressão militar portuguesa


ao longo do rio Cuanza, em direcção ao
Planalto Central (1579-1671).

79
80
TEMA 6.

A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO

ESTRUTURA DO TEMA

6.1. As campanhas de ocupação efectiva

6.2. A resistência à ocupação colonial

6.2.1. A defesa do território contra a invasão do Sul de Angola

6.2.2. A administração colonial

6.2.3. A economia colonial

6.3. Manisfestações contra as medidas da administração colonial

81
TEMA 6. A OCUPAÇÃO DO TERRITÓRIO

SABIAS QUE ...

• A falta de sucesso no estabelecimento de relações pacíficas


entre os povos africanos e os portugueses levou o rei de Portu-
gal a criar um sistema de capitanias que entrou em vigor com a
fundação da capitania de Luanda em 1575.
• A partir de 1575, os portugueses, comandados por Paulo Dias
de Novais, iniciaram a conquista e a ocupação do reino do
Ndongo.
• Durante a ocupação os portugueses construiram fortes para se
abrigarem.

6.1. As campanhas de ocupação efectiva

A ocupação do território em 1575 não foi fácil, pois o povo do Ndongo


sempre resistiu à presença e à ocupação estrangeira. Quando, em 1565,
Paulo Dias de Novais foi libertado pelo rei Ngola Kilwanje e regressou a
Portugal, propôs ao rei de Portugal o uso da força para a colonização do
reino do Ndongo.

Em consequência desta decisão, foram enviados para Angola cerca de


400 soldados e 100 famílias portuguesas.

O avanço para o interior intensificou-se através de conflitos armados que


culminaram com a ocupação portuguesa ao longo da costa marítima e ao
longo do rio Kwanza.

A capitania de Luanda estava protegida por um forte. As relações entre


a população africana e os habitantes da capitania variavam da simples
troca de produtos e escravos, aos assaltos e conflitos armados.

À medida que os Portugueses iam conquistando terras, foram construin-


do diversos fortes, tanto ao longo do curso do rio Kwanza - Calumbo,
Muxima, Massangano, Cambambe, Ambaca e Mpungo-a-Ndongo -,
como em direcção ao Planalto Central - Hanha e Caconda.

Foi através desses fortes que os portugueses criaram uma linha ofensiva
e defensiva para as guerras de kuata-kuata e para o tráfico de escravos.
Portanto, o poder colonial exercia-se a partir dos presídios e dos fortes,
mas de uma forma instável, conforme os avanços e recuos da resistência.

82
6.1. As campanhas de ocupação efectiva

No século XVII, as fronteiras da coló-


nia eram as seguintes:

• a norte, o rio Dande;


• a leste, o rio Lucala, que fazia a de-
limitação com o Reino de Matamba;
• e a sul, o rio Kwanza.

Contudo, depois de 1617, os Portu-


gueses tentaram dominar a popula-
ção africana a sul do rio Kwanza a
partir de Benguela-a-Nova até Ca-
conda, onde em 1769 construíram o
Fig. 1 Mapa francês mostrando as fronteiras da colónia de
Angola por volta de 1754 primeiro forte.

Após dessa data, a pressão sobre os ovos do planalto intensificou-se de-


vido à fixação de pombeiros e de forças militares em alguns presídios
e aldeias criados por interesse da estratégia colonial.

Entre 1845 e 1848, os Portugueses já tinham fixado as fronteiras dos ter-


ritórios que estavam sob o seu controlo:

• a norte, até ao rio Mbridje, este limite estava oficialmente fixado pelos
Portugueses, embora algumas baías, como as de Ambriz e Ambrizete, e
a zona dos Dembos ainda não estivessem ocupadas pelas autoridades
portuguesas.
• a sul, o limite estava próximo do Tômbua (ex-Porto Alexandre).
• as fronteiras do Reino de Benguela iam desde o Planalto Central até
onde começava o estado de Kassanje e aos confins do Reino de Humbe.

SABIAS QUE ...

• Os pombeiros eram negociantes europeus (portugueses) que


atravessavam regiões do interior para negociarem com os indí-
genas (africanos).
• Presídio era um lugar de socorro e de defesa onde se abriga-
vam as forças militares coloniais.

83
6.1. As campanhas de ocupação efectiva

A partir dos anos de 1800, a extensão da colónia foi aumentando e ane-


xando o Reino da Matamba e o presídio do Duque de Bragança.

Além das agressões militares, os Portugueses aproveitavam-se das cri-


ses de sucessão dos reinos, auxiliando um dos grandes pretendentes ao
trono. Os Portugueses sabiam que o candidato ajudado, uma vez no tro-
no, reconheceria a ajuda recebida ao protectorado dos Portugueses. As-
sim, iam alargando as fronteiras da colónia de Angola.

No entanto, a ocupação efectiva do território que hoje constitui a Repú-


blica de Angola só foi terminada pelos Portugueses em 1917, com a con-
quista do Reino do Kwanyama.

6.2. A resistência à ocupação colonial

Até ao início dos anos de 1900, Portugal não tinha conseguido ainda ocu-
par efectivamente algumas regiões de Angola, em virtude da resistência
que as sociedades tradicionais ofereciam aos colonialistas.

Esta resistência caracterizou-se principalmente sob o ponto de vista cul-


tural e guerreiro.

Quanto à resistência cultural, esta verificou-se porque os Africanos não


quiseram aceitar a religião cristã, a religião adoptada pelos colonialistas.
Um bom exemplo de tal facto foi a Revolta da Casa dos Ídolos, no Reino
do Kongo.

Vejamos alguns exemplos mais detalhados: o Kongo foi o primeiro reino


com o qual os Portugueses estabeleceram contactos. A partir daí, come-
çaram a surgir conflitos que foram aumentando gradualmente devido aos
abusos dos Portugueses.

Da resistência armada, temos os exemplos de Ngola Kiluanje, Bula Ma-


tadi, Njinga Mbandi, Ekuikui II, Mutu-ya-Kevela, Mandume e tantos
outros que pegaram em armas para lutarem contra os Portugueses para
que os seus territórios ocupados por estrangeiros fossem libertos.

Assim, surgiram várias revoltas para a expulsão dos traficantes portugue-


ses, sendo a mais violenta a referida Revolta da Casa dos Ídolos. Esta
revolta teve como causa a proibição do culto animista, devido à qual

84
6.2. A resistência à ocupação colonial

Fig. 2 Ilustração sobre a Revolta da Casa dos Ídolos.

tinham sido queimados todos os objectos relacionados com o culto dos


antepassados. A revolta foi dominada com a ajuda dos Portugueses.

Além de intervirem na religião, os portugueses também procuravam in-


terferir na sucessão dos monarcas, pois destituíam uns para colocarem
outros a quem pudessem impor as suas ordens.

A resistência que os portugueses encontraram na tentativa de conquistar


o Ndongo parece ter sido a esperada. A razão principal foi porque comba-
tiam contra um poder estabelecido pelo Ngola e os seus chefes locais, re-
forçados por vezes pela aliança com alguns grupos, como os Imbangala.

Na margem sul do Kwanza, os Imbangala eram muito numerosos, e chefes


como Cafuxe dificultavam seriamente as comunicações ao longo do rio.

Foi em Angoleme-ia-Kitambo que os portugueses enfrentaram um exér-


cito de coligação de vários povos - Umbundu, Imbangala e Bakongo -
chefiados por Ngola Kiluanji. Através desta coligação, Ngola Kiluanji e os
seus aliados conseguiram limitar as posições portuguesas aos fortes de
Muxima, Massangano e Luanda.

As revoltas mais conhecidas foram as dos sobados da Quissama e a dos


Dembos, que protegiam grupos de escravos fugidos, as do Ndongo, as da
Matamba, as do Kongo, as da Quissama (coligação de 1590-1600 e coli-
gação de 1625-1656), as dos Cuvales e as do Planalto Central de Angola.

85
6.2. A resistência à ocupação colonial

6.2.1. A defesa do território contra a invasão do Sul de Angola

No início dos anos de 1900, os colonialistas portugueses e alemães dis-


putavam o Sul de Angola, pois nessa altura eram verdadeiros rivais. As
principais razões desta disputa eram o território e o gado, que constituíam
grandes fontes de riqueza dos povos do Sul de Angola. Os Alemães nun-
ca tinham perdido a esperança de conquistar os territórios da parte sul de
Angola. Com a eclosão da I Guerra Mundial (1914), os Alemães vende-
ram armas aos Kwanyamas.

Aproveitando essa rivalidade, Mandume,


rei dos Kwanyamas, garantiu aos Ale-
mães que as suas armas serviriam para
lutar contra os Portugueses.

Temendo que os Alemães ocupassem


o território, os Portugueses capturaram
Ondjiva de surpresa, antes que a defesa
estivesse totalmente preparada. Mandu-
me começou então a percorrer o território
Ambo, tentando unir todas as tribos para
a luta.

Os Kwanyamas, grandes guerrilheiros


muito bem organizados e comandados
Fig. 3 Fotografia de Mandulme, herói
por um chefe corajoso, venceram os
da resístêncía à ocupação colooial.
Portugueses numa série de batalhas.

Devido às vitórias dos Kwanyamas, os colonialistas tiveram de mandar vir


reforços. Desesperados, os Portugueses utilizaram a traição, corrompen-
do alguns elementos Kwanyamas.

Dessa forma, os Kwanyamas foram vencidos nas batalhas de Môngua


e de Mufilo. Perante esta situação, e devido ao grande poder militar do
inimigo, assim como à traição de alguns sobas, Mandume acabou por
se suicidar em 1917, preferindo a morte a ter de sujeitar-se a viver sob a
dominação estrangeira.

Foi a partir da morte deste rei que os Portugueses conseguiram ocupar o


reino definitivamente.

86
6.2. A resistência à ocupação colonial

6.2.2. A administração colonial

A instalação do sistema de dominação colonial

o sistema colonial português foi concebido em Angola com o objectivo de


fornecer à Europa matérias-primas a baixo preço em troca das merca-
dorias que a Europa manufacturava.

Com o passar do tempo, os capitalistas da Europa e dos EUA verificaram


que empregando o seu capital nas colónias obteriam muito mais lucros
do que investindo nos seus próprios países, por causa da mão-de-obra
barata local.

Enquanto se desenvolvia a produção capitalista operava-se a passagem


do capitalismo para o imperialismo. Esta passagem, aumentou o interes-
se dos países europeus na ocupação das colónias em África.

A partir de 1876, alguns paí-


ses da Europa e da América,
tais como a Alemanha, os
EUA e outros, começaram a
instalar colónias em África.
Este facto deu origem à par-
tilha do continente africano,
com a realização da Confe-
rência de Berlim (1884-85).

Fig. 4 Mapa inglês mostrando as


fronteiras das colónias africanas por
volta de 1895.

A partir desta data, Angola ficou sob o jugo colonial português até 11 de
Novembro de 1975, altura em que foi proclamada a independência.

87
6.2. A resistência à ocupação colonial

Os órgãos da administração colonial

As formas de administração colonial em África variavam de potência para


potência. Em Angola, os Portugueses utilizaram a administração direc-
ta. Isto significa que, através dessa administração, os territórios eram go-
vernados directamente pelo aparelho de Estado estrangeiro, ou seja, era
a Metrópole colonial a instalar os seus representantes administrativos na
colónia, aos quais ficava sujeita a população.

Por esse motivo as antigas leis que governavam as comunidades e os


chefes tradicionais não tinham qualquer valor e só eram utilizadas segun-
do a conveniência do aparelho da administração colonial.

Em Angola, o representante da autoridade administrativa portuguesa na


colónia chamava-se capitão ou governador. Contudo, ele era em pri-
meiro lugar um chefe militar, e tinha como função conquistar, saquear e
receber os tributos extorquidos à população.

A princípio, as leis em vigor na colónia


dependiam do governo de Portugal.
Mais tarde, as instruções gerais eram
entregues ao governador no início do
mandato através de um regime ordena-
do pelo governo de Portugal.

Havia também um Conselho do Go-


verno, de que faziam parte os milita-
res, comerciantes, funcionários, mis-
sionários e moradores mais influentes
da cidade, que eram designados para
aconselhar o governador.

Havia ainda outros responsáveis que


organizavam os tribunais e que contro-
lavam o trafico de escravos e os impos- Fig. 5 Norton de Matos,
tos destinados aos cofres da adminis- Govemador-Geral da Província de An-
tração colonial. gola entre 1912 e 1915.

Conforme as necessidades, os governadores foram elaborando novas


leis relativas ao comércio, aos impostos, à justiça e às heranças.

88
6.2. A resistência à ocupação colonial

Assim, lentamente, foram criados órgãos de administração que permitiam


ao governador e aos colonos assegurar os seus interesses e intensificar
a opressão e exploração africanas.

6.2.3. A economia colonial

SABIAS QUE ...

• Em 1834, a Inglaterra dava liberdade a todos os escravos do


seu império.
• No passado, os angolanos eram enviados para a ilha de São-
Tomé para trabalharem nas roças de café e cacau, como con-
tratados.

A abolição do tráfico de escravos em Angola

O trafico de escravos praticado pelos europeus desde o século XV seria


condenado mais tarde por alguns homens. Na Inglaterra, o despertar de
várias correntes religiosas, como o Metodismo e outras, levou à conde-
nação da escravatura. A atitude dessas correntes religiosas influenciou a
opinião internacional para se pôr fim ao tráfico de escravos e à escravatura.

Os factores económicos estiveram na base das razões que provocaram


o término da escravatura. A Inglaterra foi o primeiro país europeu a inventar
máquinas para a fabricação de produtos. Com essas máquinas começou
a produzir mais e tinha um excedente de produtos. Então começou a
procurar mercados regulares e seguros para poder escoar esses produtos .

Fig. 6 Pintura de Philip James


de Loutherbourg datada de 1801,
retratando as fábricas de
Coalbrookdale, cidade inglesa
considerada o berço da
Revolução Industrial.

89
6.2. A resistência à ocupação colonial

O aperfeiçoamento das máquinas usadas nas


industrias exigia cada vez mais matérias pri-
mas, sendo as suas fontes as colónias afri-
canas, utilizando desta forma a mão-de-obra
livre em vez de escravos. As colónias ficaram
muito prejudicadas com tal situação por cau-
sa da abertura de novas minas de ferro, de
cobre, de ouro, de diamante e outras. Tudo
isto exigia mão-de-obra barata, e quanto mais
barata fosse maiores seriam os lucros.

A partir de 1772 a Inglaterra proibia a escrava-


tura no seu território. Trinta e cinco anos mais
tarde, proibia também o tráfico de escravos Fig. 7 Uma máquina de fiar usa-

nas suas colónias. da pelas fábricas Inglesas.

Pouco a pouco, a abolição da escravatura foi-se alargando a todos os


países europeus que possuíam colónias. Mas todos eles permitiram aos
governadores das colónias e aos colonos assegurarem os seus intereses
e intensificarem a exploração da população africana, substituindo a es-
cravatura pelo trabalho forçado sob forma de contrato.

A principio, Portugal tinha-se recusado a abolir o trafico de escravos e a


escravatura nas suas colónias, mas devido às pressões da Inglaterra foi
obrigado a decretar a abolição da escravatura nas suas colónias em 1836.

Fig. 8 Plantação de cana-de-açúcar em Angola, nos anos de 1900.

90
6.2. A resistência à ocupação colonial

Fig. 9 Um grupo de trabalhadores forçados na ilha de S. Tomé.

O trabalho forçado e o contrato

Já vimos que devido ao avanço da tecnologia e à abertura de novos mer-


cados, as indústrias europeias precisavam cada vez mais de matérias
-primas, cuja fonte eram as colónias.

As colónias foram profundamente afectadas por esta situação, em virtude


da abertura de novas minas de cobre, diamantes, ferro, ouro e outras.
Para tal, os colonialistas empregaram a força - e esta utilizada de forma
directa ou indirecta:

• Directa - através de prisões, a fim de obrigar os povos


colonizados a trabalhar nas minas, nas plantações de
cana-de-açúcar, de café, sisal e algodão.
• Indirecta - por meio de pagamento de impostos.

Como os africanos não tinham dinheiro, eram obrigados a vender a sua


força de trabalho.

Este “modelo de exploração” era, no fundo, o mesmo que a escravatura.

Os africanos eram obrigados a trabalhar cada vez mais para os Europeus


e cada vez menos para si próprios. Deste modo a Europa e a América
enriqueceram e a África empobreceu.

91
6.2. A resistência à ocupação colonial

Fig. 10 A Fábrica de Tabacos Ultramarina, construída nos primeiros anos de 1900, em Luanda.

O sistema colonial apoiava-se cada vez mais na ideia de que os africanos


eram incapazes de se governarem a si próprios, e empregaram também a
“ideia da inferioridade da raça” para melhor subjugarem e dominarem os
africanos.

Este período de reforço da exploração colonial foi caracterizado por uma


longa preparação e ensaios.

Os colonialistas prepararam tudo para que se começassem a instalar nas


regiões que dominavam as suas empresas (exploração directa). Para isso
era necessário encontrar uma mão-de-obra que assegurasse o trabalho
na agricultura e nas indústrias.

Para assegurarem a estabilidade nas regiões colonizadas e tornarem a


mão-de-obra mais obediente, os colonialistas tiveram de dominar com-
pletamente os povos africanos. Uma das práticas utilizadas foi desfazer a
unidade de cada povo, provocando a sua dispersão em alguns lugares .

Como a escravatura, principal fonte de mão-de-obra barata, tinha sido


abolida foi inicialmente substituída pelo “trabalho correctivo”, isto é, tra-
balho forçado por castigo.

Foi criada uma taxa, ou imposto de trabalho, que servia para dar dinheiro
ao governo colonial, dificultando cada vez mais a vida dos camponeses e

92
6.2. A resistência à ocupação colonial

dos homens livres, que desta forma eram


obrigados a assalariar-se. Por vezes essa
taxa era paga com produtos: algodão, café
e outros.

O trabalho de contrato era um trabalho


temporário e muito mal pago. Mais tarde,
o angolar foi substituido pelo escudo.

Depois da implantação do governo fascista


em Portugal (1926), o angolar, foi substituí-
do em Angola pelo escudo, fazendo com
que os salários sofressem o chamado des- Fig. 11 Nota de angolar e moeda de
escudo de Angola
conto de valorização.

Devido à mão-de-obra barata começam a aparecer as grandes fazendas, ou


plantações, de algodão, cana-de-açúcar, café e sisal, assim como as em-
presas de exploração mineira. Isto mostra como os produtos de grande
rendimento estavam nas mãos das grandes companhias coloniais e
não nas mãos dos africanos, servindo para alimentar não a mão-de-obra,
mas a exportação. Para o escoamento desses produtos, foi necessário
começar a abrir várias vias de comunicação.

Fig. 12 Operários africanos trabalhando na construção do caminho-de-ferro de Benguela.

93
6.2. A resistência à ocupação colonial

Fig. 13 Mina da Diamang na Lunda.

A utilização das máquinas começa a propagar-se, aparecendo também


algumas fábricas. As grandes fazendas capitalistas espalham-se por todo
o território e constroem-se estradas. Para reforçar essa transformação,
as grandes companhias inglesas, belgas e outras, iniciam a construção
dos principais caminhos-de-ferro.

Analisando a acção dos colonialistas, podemos concluir o seguinte:

• O seu objectivo principal era consolidar o domínio sobre os povos afri-


canos e integrar esses povos nas estruturas coloniais.

• A razão da integração dos povos africanos nas estruturas coloniais


tinha como finalidade a perda da sua unidade política, onde ainda
existia, e quebrar a sua capacidade de resistência ao domínio e explo-
ração coloniais.

A exploração dos recursos e as companhias nonopollstas

Portugal, embora fosse um país colonizador, era também uma dependên-


cia da Inglaterra. Por esse motivo, a economia tinha características de um
país subdesenvolvido. Não possuindo meios para desenvolver a sua
indústria, Portugal permitiu que o capital financeiro de outras potências
fosse investido em Angola.

94
6.2. A resistência à ocupação colonial

Fig. 14 Transporte de minérios no Lobito

A exploração do homem estava bem patente nas empresas, fábricas, mi-


nas, caminhos-de-ferro, enfim, em todos os sectores de produção.

Deste modo, as grandes companhias estrangeiras, sob a forma de


monopólios, como a Cotonang, a Diamang, o Caminho-de-Ferro de
Benguela, a Cabinda Gulf Oil e outras, desenvolveram bastante a sua
actividade, e a produção de matérias-primas como algodão, o café, os
diamantes, o ferro, o cobre, o manganês ou o petróleo assegurava enor-
mes lucros, sobretudo devido à utilização de mão-de-obra quase gratuita,
da qual o Estado colonial Português recebia uma percentagem.

Angola tornou-se uma fonte de matérias-primas baratas para os países


imperialistas, e foi esta a época de maior exploração das riquezas de An-
gola e do seu próprio povo.

Revoltas contra as medidas da administração colonial


(impostos, expropriação de terras e trabalho forçado)

Além das coligações, os povos angolanos e africanos procuraram resistir


contra a ocupação e a dominação estrangeira de todas as formas: através
de revoltas, lutas, fugas de escravos, incêndios e assaltos de postos
comerciais. No entanto, apesar de tudo, viram-se obrigados a estar su-
jeitos à dominação e exploração colonial portuguesa.

95
6.3. Manifestações contra as medidas da administração colonial

Quais foram as razões do insucesso da resistência?

A razão principal foi sobretudo a falta de unidade, que deu origem à di-
visão das forças de resistência e, consequentemente, à dominação total
dos povos destes reinos e das sociedades tradicionais, que ficaram sob o
jugo e a exploração estrangeira. Porém, as experiências dos seus ante-
passados e de outros povos permitiram-lhes o emprego de novas tácticas
que conduziram à libertação da sua terra do jugo colonial.

Observa o esquema abaixo:

Datas Revoltas Chefes Objectivos


1901-1902 Ovimbundo Mutu-ya-Kevela Contra o trabalho forçado

1908 Dembos Kazuangongo Contra o trabalho forçado

1913 Bakongo Tulante Buta Contra a exportação de contratados


para S. Tomé
1917-24 Amboim Contra a expropriação de terras, os
impostos e o trabalho forçado
1925 Ambriz Contra a captura clandestina de escravos, os
impostos e o trabalho forçado
1940-48 Cubal Contra a expropriação de gado e outras
formas de exploração

Outra das razões do insucesso da resistência foi a utilização de armas de


fogo pelos colonialistas durante a guerra. Isto teve como consequência a
vitória dos Portugueses contra os movimentos de resistência, em geral
fracamente armados.

A terceira razão foi a ambição pelo poder. Alguns dirigentes africanos, de-
sejosos de manter o poder, não se importaram de servir de intermediários
das intrigas fomentadas pelos Portugueses, uma vez que estes os ajuda-
riam a manter-se ou a conquistar o trono.

96
6.3. Manifestações contra as medidas da administração colonial

? VÊ SE SABES ...

1. Menciona alguns dos fortes construídos pelos colonialis-


tas portugueses depois de se terem fixado no território
angolano.
2. Qual era o papel desses fortes?
3. Como era chamado o representante da autoridade admi-
nistrativa portuguesa na colónia.
4. O que entendes por trabalho forçado?
5. Quem foi Mandume?

97
98
TEMA 7.

A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

ESTRUTURA DO TEMA

7.1. O desenvolvimento do nacionalismo

7.1.1. O nacionalismo angolano

7.2. As primeiras organizações nacionalistas e, mais tarde,

movimentos de libertação
7.3. A luta de libertação nacional

99
TEMA 7. A LUTA DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

Perante a insistência do regime colonial em não querer libertar o povo


angolano, os nacionalistas viram-se obrigados a organizarem-se em
movimentos reivindicativos, primeiro de forma clandestina e, mais tar-
de, de luta armada contra o colonialismo português.

Fig. 1 Fotografia de um grupo de guerrilheiros angolanos na mata.

Fig. 2 Uma sessão de esclarecimento Fig. 3 Destacamento Bomboko


nas zonas libertadas.

Fig.4 Uma picada cortada durante os ata-


ques da UPA em 15 de Março de 1961.

100
7.1 O desenvolvimento do nacionalismo

SABIAS QUE ...

• As raízes do nacionalismo manifestam-se nas lutas dos povos


colonizados em defesa de tudo que lhe é próprio (religião, cul-
tura, língua e outros) contra o colonizador ou opressor.
• A história do mundo conhece várias manifestações do naciona-
lismo, tais como o nacionalismo africano, o nacionalismo Zam-
biano ou o nacionalismo congolês, entre muitos outros, mas
este ano vamos estudar o nacionalismo angolano.

7.1.1. O Nacionalismo angolano

As associações culturais

Como sabes, Angola era no passado um conjunto de nações, isto é, um


território constituído por vários povos livres: os do Kongo, do Ndongo, da
Matamba, da Lunda, e outros.

As primeiras manifestações da tomada de consciência da necessidade de


lutar pela liberdade (nacionalismo) datam de 1575 data em que Ngola
Kiluanje travou a campanha de ocupação conduzida pelo português Pau-
lo Dias de Novais na colónia de Angola. No entanto, são numerosas as
manifestações do nacionalismo na história de Angola.

Desde essa data até a Proclamação da Independência em 1975, as


lutas sucederam-se umas atrás das outras, tornando-se cada vez mais
perfeitas - pois os Angolanos foram ganhando experiência na luta contra
o invasor (no Norte, no Planalto Central e no Leste e Sul de Angola).

Ekuikui II, do Bailundo tentou criar bases económicas para assegurar a


independência do seu povo. Mandume soube explorar as contradições
entre as potências coloniais e proceder a uma mobilização popular sem
igual. O povo Umbi aprendeu, por exemplo, a conhecer as mentiras do
colonialista e soube vencer a fraqueza dos seus dirigentes acabando por
impôr no reino uma política claramente anti-colonialista. Por outro lado,
Mutu ya Kevela, do Bailundo, Tulante Buta e Mbianda Ngunga, estes
dois do Kongo, foram também chefes que promoveram uma grande rno-
bilização popular e souberam combater todas as formas de opressão das
massas, mesmo quando elas eram disfarçadas.

101
7.1 O desenvolvimento do nacionalismo

As relações entre exploradores e explorados também se foram transfor-


mando ao longo do tempo: os exploradores eram cada vez mais ganan-
ciosos, e a situação dos explorados piorava sempre.

Por esse motivo, podemos compreender o nacionalismo angolano como a


consequência final de todas as transformações e experiências acumuladas
durante várias etapas de tomada de consciência do povo de Angola.

O Nacionalismo angolano também encontra as suas origens em algumas


camadas da burguesia angolana dos fins dos anos de 1800.

A criação de associações em Angola durante esse período deu origem,


em 1929, ao movimento de reivindicação popular que veio a ser chamado
Liga Nacional Africana e ao Grémio Africano, mais tarde transformado
em Associação dos Naturais de Angola.

Estas associações permitiram aos angolanos mais conscientes desen-


volver um trabalho de organização e consciencialização das massas.
Contudo, nem sempre havia muita unidade nas organizações.

As associações eram dirigidas por elementos da burguesia africana,


enquanto os elementos representantes das massas constituíam apenas
uma parte dos indivíduos inscritos.

102
7.2. As primeiras organizações nacionalistas,
e mais tarde movimentos de libertação

A partir dos anos de 1950 começaram a surgir as primeiras organizações


nacionalistas angolanas, tais como o Partido de Luta Unida por Ango-
la (PLUA, em 1953) e a União das Populações do Norte de Angola
(UPNA, em 1954, e transformada na União das Populações de Angola,
UPA, em 1958), que eram movimentos com ideais independentistas.

Fig. 5 Holden Roberto (de casaco claro) e outros dirigentes da UPA, em 1961.

As medidas da administração colonial eram muito duras e severas (im-


postos, trabalhos forçados, contratos, etc.) e obrigavam alguns angolanos
a abandonar o território nacional para se fixarem nos países vizinhos:
Congo Belga (actual República Democrática do Congo), Congo Fran-
cês (actual República do Congo-Brazzaville), e a Zâmbia.

A UPA exercia as suas acções clandestinas no Congo Belga, mas tanto


os Belgas como os Portugueses realizavam acções de “caça ao homem”
para impedir as actividades armadas.

Luanda era um dos locais mais propícios para o nascimento de organi-


zações nacionalistas, pois era o centro das atenções administrativas das
medidas coloniais.

103
7.2. As primeiras organizações nacionalistas,
e mais tarde movimentos de libertação

Fig. 6 Dr. Agostinho Neto, numa fotografia de arquivo da PIOE, a polícia


política portuguesa na época colonial.

O governo colonial português sofreu um grave golpe com o surgimento


das primeiras organizações nacionalistas em Angola. Por essa razão, a
Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE), a polícia política dos
colonialistas, desencadeou acções de perseguição aos nacionalistas -
entre outros, Viriato da Cruz e lIídio Machado.

Nos finais dos anos de 1950, as organizações nacionalistas, tais como o


Partido de Luta Unida por Angola (PLUA), o Movimento pela Indepen-
dência de Angola (MIA), o Movimento para a Independência Nacional
de Angola (MINA), fundem-se e formam o Movimento Popular de Li-
bertação de Angola (MPLA).

O Manifesto.

O primeiro marco da história do MPLA, data do seu nascimento, é assi-


nalado a 10 de Dezembro de 1956, altura em que foi tornado público o
chamado “Manifesto”.

O Manifesto é um denso documento dactilografado em oito páginas, da


autoria dos fundadores do MPLA, como Mário Pinto
de Andrade, Viriato da Cruz, Ilídio Machado, António
Jacinto e Mário Jacinto de Oliveira, entre outros.

Fig. 7 Mário Pinto


de Andrade

104
7.3. A luta armada de libertação nacional

Fig.8 Os líderes dos três principais Movimentos de Libertação Nacional de Angola (da esquerda
para a direita): Agostinho Neto (MPLA), Holden Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA).

SABIAS QUE ...

• A prática demonstrou que as greves, as reivindicações e as ma-


nifestações culturais não iriam mudar a atitude do colonialismo.
• Os dirigentes e militantes dos movimentos de libertação com-
preenderam que o colonialismo não cairia sem a luta armada.

Antecedentes

As manifestações de descontentamento contra o regime colonial portu-


guês agudizaram-se a partir de 1960. Na altura, muitos países de África
ascenderam à independência, incluindo os países vizinhos de Angola: o
Congo-Kinshasa, o Congo-Brazzaville e a Zâmbia. A independência
dos países vizinhos despertou nos nacionalistas angolanos o sentimento
de liberdade de um povo ainda sob o domínio colonial português.

Assim, o ano de 1961 constituiu um marco na história do nosso país,


tendo sido despoletados vários acontecimentos que culminaram com a
independência nacional. Entre esses acontecimentos, destacam-se o
Massacre da Baixa de Kassanje, a Revolta de 4 de Fevereiro e o Le-
vantamento de 15 de Março.

Baixa de Kassanje

Um dos eventos fundamentais que antecedeu o início da luta de liberta-


ção foi o da Baixa de Kassanje. Tratou-se de um levantamento popular

105
7.3. A luta armada de libertação nacional

rigoroso que teve lugar no dia 4 de Janeiro de 1961 contra as medíocres


condições de vida dos trabalhadores da região algodoeira da Baixa de
Kassanje. Essa contestação ao sistema colonial foi duramente reprimida
pelas autoridades coloniais. Houve destruição e mortes nunca vistas. A
reacção do regime colonial ficou conhecida como Massacre da Baixa de
Kassanje - um evento que foi considerado como a mais expressiva mani-
festação do nacionalismo angolano dos tempos modernos.

4 de Fevereiro de 1961

As manifestações nacionalistas iniciadas na Baixa de Kassanje assumi-


ram uma dimensão nacional e internacional.

Assim, no dia 4 de Fevereiro de 1961, jovens e trabalhadores da capital


lançaram um ataque às cadeias para libertar os detidos políticos que se
encontravam na prisão de São Paulo em Luanda.

O 4 de Fevereiro já não teve o carácter do 4 de Janeiro, pois foi fruto da


aturada conspiração e organização política e militar orientada pelo Movi-
mento Popular de Libertação de Angola (MPLA).

Fig. 9 Fotografia do 4 de Fevereiro de 1961 .

106
7.3. A luta armada de libertação nacional

Os nacionalistas, para iniciarem a luta de libertação nacional contra a


opressão colonial, tiveram a colaboração e a participação de várias per-
sonalidades. Entre elas destaca-se o cónego Manuel das Neves, além de
outros combatentes que posteriormente seriam identificados com uma ou
outra formação política.

Considera-se o 4 de Fevereiro de 1961 como sendo a data do início


da Luta Armada de Libertação Nacional.

Holden Roberto, líder da UPA (União dos Povos de Angola), dirigiu as


suas acções a partir da República Democrática do Congo, onde se tinha
estabelecido.

No dia 15 de Março de 1961, no Norte de Angola, a UPA ataca as fazen-


das dos colonos. Este movimento político desenvolveu também as suas
acções de guerrilha com maior agressividade no Norte do País.

Fig. 10 Fotografia de uma acção de membros da UPA contra as fazendas dos


colonos do Norte do país, em 15 de Março de 1961 .

A organização das primeiras unidades de guerrilha após o 4 de Feverei-


ro e o 15 de Março de 1961, assim como o alastramento das revoltas
nas áreas rurais do norte do País, fizeram com que muitos patriotas aban-
donassem as cidades e concentrassem as suas actividades nas matas
a norte da capital, enquanto outros se viram forçados a refugiar-se nos

107
7.3. A luta armada de libertação nacional

países vizinhos, em especial no então Congo-Leopoldville, onde desde


tempos mais remotos existia já uma comunidade angolana considerável.

Nos primeiros tempos, constituíam-se grupos de guerrilheiros que ataca-


vam em certos períodos as cidades e depois regressavam aos matos. O
apoio popular teve um papel muito importante durante a guerrilha, visto
que nas suas deslocações, os grupos de combatentes eram acolhidos e
alimentados nas aldeias por onde passavam.

Nas regiões sob controlo dos guer-


rilheíros, e sempre que havia con-
dições, estabeleciam-se postos
sanitários e escolas. As mulheres,
homens idosos e crianças cultiva-
vam a terra para se alimentarem e
para alimentarem também os guer-
rilheiros que davam o seu sangue,
isto é, as suas vidas, pela inde-
pendência da Pátria. Também se
realizavam actividades culturais e
recreativas que animavam os guer- Fig. 11 Mulheres trabalhando numa aldeia,
rilheiros a prosseguir o combate. nos anos de 1960.

Os tempos de simples contestação ao sistema colonial pertenciam ao


passado: a fase era agora de luta armada - a única linguagem que o sis-
tema colonial poderia entender.

É neste contexto que Tomás Ferreira, coadjuvado por vários jovens che-
gados a Leopoldville, entre eles o destacado José Mendes de Carvalho
(Hoji-ya-Henda), iniciam clandestinamente a formação de um pequeno
grupo com o objectivo de darem continuidade à luta armada iniciada a 4
de Fevereiro. O MPLA envia grupos de militantes para Marrocos, Argé-
lia, Ghana e Checoslováquia, onde receberam formação militar. No seu
regresso, o MPLA opta pela constituição da orqanlzação militar que se
designou como Exército Popular de Libertação de Angola (EPLA).

Ao mesmo tempo, a União dos Povos de Angola (UPA),transformada mais


tarde na Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), tinha formado
a partir do Congo-Kinshasa um exército denominado Exército de Liberta-
ção Nacional de Angola (ELNA), que instalou o seu quartel-general em

108
7.3. A luta armada de libertação nacional

Kinkuzu, na República Democrá-


tica do Congo.

No ano de 1966, um grupo de dis-


sidentes da FNLA encabeçados
por Jonas Malheiro Savimbi, for-
maram no interior de Angola um
novo movimento de libertação na-
cional, denominado União para a
Independência Total de Angola
(UNITA), com o seu braço armado
- as Forças Armadas de Liberta-
Fig. 12 Holden Roberto.
ção de Angola (FALA).
A repressão colonial

Em resposta às actividades clandestinas das organizações políticas


MINA, MIA, PLUA e UPA e às revoltas de 1961, as autoridades colo-
niais reforçaram o poder policial e a segurança interna, iniciando-se deste
modo um período de repressão que conduziu à detenção, julgamento e
deportação de grande número dos mais influentes nacionalistas.

De entre estes, destaca-se a figura do


médico António Agostinho Neto. Pre-
so e deportado por duas vezes e eleito
à presidência de honra do MPLA, per-
maneceu nesta situação até meados
de 1962, ano em que assume a presi-
dência do Movimento.

Insere-se tambem neste confron-


to aquele que ficou conhecido como
“Processo dos 50”, tornado célebre
quer pelo número de patriotas nele en-
volvido quer pelo carácter de atrope-
lamento das mais elementares regras
de justiça que caracterizam a repres-
são colonial.
Fig.13 Fotografia dos envolvidos no
“Processo dos 50”.

109
7.3. A luta armada de libertação nacional

Entretanto, Holden Roberto que era o líder da UPA, estava a dirigir as


suas acções a partir da República Democrática do Congo, onde já se
tinha estabelecido antes do início da Luta Armada de Libertação.

O 25 de Abril de 1974

A guerra que alastrava nas antigas colónias portuguesas, designadamen-


te em Angola, Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau, levava a que
morressem muitos militares portugueses nessas colónias.

Por outro lado, a guerra provocava muitas despesas, isto é, muitos gastos
de dinheiro. Além disso, a guerra criava um mal-estar geral em Portugal,
cujos filhos morriam em Angola e cuja economia estava a suportar os es-
forços de guerra, criando sérias dificuldades ao povo.

Porém, o regime fascista português, além de oprimir os povos das coló-


nias, também oprimia o próprio povo português e perseguia os mais pro-
gressistas, ou seja, os que não apoiavam o regime colonial. Estes eram
enviados para as colónias para sustentar a guerra.

Este clima de guerra e de intensificação dos serviços secretos do regime


português de Salazar e Caetano (a PIDE/DGS) aumentou o descontenta-
mento do povo português, que culminou com o golpe de Estado (tomada
do poder) militar em 25 de Abril de 1974.

Fig. 14 Fotografia do golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, em Lisboa.

110
7.3. A luta armada de libertação nacional

Fig. 15 Os líderes dos principais movimentos de libertação de Angola na altura da


assinatura dos acordos de Alvor, em 1975.

O 11 de Novembro de 1975

Após o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974, em Portugal, foram re-


conhecidos os três movimentos de libertação, que lutaram pela indepen-
dência de Angola, o MPLA, a FNLA e a UNITA. Esses movimentos come-
çaram a fazer campanhas de sensibilização, preparando o povo para a
independência.

No entanto, surgiram divergências entre os três movimentos, e o nosso


país viu-se envolvido numa guerra longa e desgastante.

Apesar da guerra, a independência de Angola foi proclamada às zero ho-


ras do dia 11 de Novembro de 1975 pelo presidente do MPLA, o cama-
rada António Agostinho Neto, que passou a ser o primeiro Presidente
da República Popular de Angola.

Para que fosse possível tão importante marco, muitos sacrifícios tiveram
que ser consentidos por milhares de filhos de Angola, que de Cabinda ao
Cunene e do Leste ao mar souberam interpretar os anseios mais profun-
dos e legítimos de todo um povo na luta pela dignidade e reconquista da
sua identidade cultural e política.

111
7.3. A luta armada de libertação nacional

Por isso, a luta de todo o povo angolano foi coroada por essa vitória de
elevado significado histórico, obtida a 11 de Novembro de 1975 com o
hastear da Bandeira Nacional no actual Largo da Independência, em
Luanda, perante a emoção e alegria de milhares de homens, mulheres
e crianças e o respeito e admiração das forças democráticas de todo
o mundo.

Fig. 16 A Bandeira Nacional a ser hasteada no Fig. 17 Dr. António Agostinho Neto, o primeiro
Largo da Independência. em 1975. Presidente da República de Angola.

Agostinho Neto, o primeiro Presidente da nova República, morreu em


10 de Setembro de 1979, ano em que foi substituído por José Eduardo
dos Santos, que se tornou assim o segundo Presidente da República de
Angola.

112
7.3. A luta armada de libertação nacional

? VÊ SE SABES ...

1. Cita uma das várias manifestações do nacionalismo na


história de Angola
2. Quais foram os principais movimentos de libertação de
Angola?
3. O que entendes por “Processo dos 50”?
4. Localiza geograficamente a Baixa de Kassanje.
5. Em algumas linhas, descreve a importância das seguin-
tes datas históricas do nosso País:
• 4 de Fevereiro de 1961;
• 15 de Março de 1961.
6. Como descreves os acontecimentos ocorridos em 25 de
Abril de 1974?

113
114
Monumento ao Dr. António Agostinho Neto, na Praça da Independência - Luanda
TEMA 8.

AS CONQUISTA DA
INDEPENDÊNCIA

ESTRUTURA DO TEMA

8.1. O País

8.1.1. O território
8.1.2. O governo
8.1.3. Os símbolos

8.2. Cultura e desporto


8.3. Economia

8.3.1. Agropecuária
8.3.2. Indústria
8.3.3. Outros sectores da economia

115
TEMA 8. AS CONQUISTAS DA INDEPENDÊNCIA

• SABIAS QUE ...

• Angola é um país africano situado na África Central.


• Angola tornou-se um país independente a 11 de Novembro de
1975.
• O primeiro Presidente de Angola foi o Dr. António Agostinho Neto.

8.1. O País

8.1.1. O território

Situada geograficamente num imenso território de África, Angola faz


fronteira a norte com a República Democrática do Congo (R.D.C.)e
a República do Congo-Brazzaville; a nordeste com a República De-
mocrática do Congo; a leste com a República da Zâmbia; a sul com a
República da Namíbia; e a oeste com o oceano Atlântico.

Fig. 1 Mapa de Angola e os seus limites.

116
8.1. O País

Angola possui uma superfície de 1 246 700 km2. A extensão da sua fron-
teira terrestre é de 2500 km, e a linha costeira com o oceano Atlântico é
de 1600 km. O território está dividido administrativamente em 18 provín-
cias, que são:

• a norte: Bengo, Cabinda, Cuanza-Norte, Luanda, Malanje, Uíge e Zaire;

• a nordeste: Lunda Norte e Lunda Sul;

• ao centro: Benguela, Bié, Cuanza-Sul e Huambo;

• a leste: Moxico e Cuando Cubango;

a sul: Cunene, Huila e Namibe.

Fig.2 Divisão administrativa de Angola.

117
8.1. O País

• SABIAS QUE ...

• Os Angolanos lutaram durante 14 anos para conseguir a


independência, derrubando o governo colonial português.

• A independência de Angola foi proclamada pelo Dr. An-


tónio Agostinho Neto a 11 de Novembro de 1975, no
Largo da Independência, em Luanda.

8.1.2. O governo

Proclamada a independência, era necessário preparar uma Constituição.


A Constituição determina as normas e as Leis que conduzem o Estado. O
Estado Angolano é constituido pelo seguintes poderes e orgãos:

Poder legislativo - Exercido pela Assembleia Nacional


Poder executivo - Exercido pelo Governo, designado Executivo
Poder judicial - Exercido pelos tribunais

O Executivo tem 3 Ministros de Estado e 28 Ministérios:

• Ministro de Estado do Desenvolvimento Economico e Social;


• Ministro de Estado e Chefe da Casa de Segurança do Presi-
dente da República;
• Ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da
República.

1 Ministério da Defesa Nacional

2 Ministério do Interior

3 Ministério das Relações Exteriores

4 Ministério da Justiça e Direitos Humanos

5 Ministério das Finanças

6 Ministério da Administração do Território e Reforma do Estado

7 Ministério da Administração Pública Trabalho e Segurança Social

118
8.1. O País

8 Ministério da Agricultura e Florestas

9 Ministério da Indústria

10 Ministério da Energia e Águas

11 Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos

12 Ministério dos Transportes

13 Ministério da Construção e Obras Públicas

14 Ministério das Pescas e do Mar

15 Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação

16 Ministério do Ordenamento do Território e Habitação

17 Ministério da Economia e Planeamento

18 Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação

19 Ministério da Educação

20 Ministério da Saúde

21 Ministério da Hotelaria e Turismo

22 Ministério da Acção Social, Família e Promoção da Mulher

23 Ministério da Cultura

24 Ministério da Juventude e Desportos

24 Ministério da Comunicação Social

26 Ministério dos Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria

27 Ministério do Comércio

28 Ministério do Ambiente

119
8.1. O País

8.1.3. Os símbolos

Os Símbolos do país são: a bandeira, a insígnia, o hino nacional e a moeda.


A moeda nacional é o Kwanza.

Fig. 3 A bandeira nacional.

A bandeira nacional tem duas cores dispostas em duas faixas horizon-


tais. A faixa superior é de cor vermelho-rubro e a inferior de cor preta.
Estas cores representam:

• vermelho-rubro: o sangue derramado pelos Angolanos durante a


opressão colonial, a luta de libertação nacional e a defesa da Pátria.

• preto: o continente africano.

No centro da bandeira nacional figura uma composição constituída pelos


seguintes elementos:

• uma secção de uma roda dentada: símbolo dos trabalhadores e da


produção industrial;

• uma catana: símbolo dos camponeses, da produção agrícola e da


luta armada;

• uma estrela: símbolo da solidariedade internacional.

A roda dentada, a catana e a estrela presentes na bandeira nacional são


de cor amarela, representando as riquezas do país.

120
8.1. O País

Fig. 4 Insígnia da República de Angola.

A insígnia da República de Angola é formada por uma secção de uma


roda dentada e por uma ramagem de milho, café e algodão, repre-
sentando, respectivamente, os trabalhadores e a produção industrial, os
camponeses e a produção agrícola.

Na base do conjunto podem ver-se um livro aberto, símbolo da educa-


ção e cultura, e o sol nascente, significando o novo país.

Ao centro estão colocadas uma catana e uma enxada cruzadas, simboli-


zando o trabalho e o início da luta armada. No cimo figura uma estrela,
símbolo da solidariedade internacional e do progresso. Na parte infe-
rior do emblema encontra-se uma faixa dourada com os dizeres “Repú-
blica de Angola”.

121
8.1. O País

O Hino Nacional de Angola tem o título de “Angola Avante”.

Angola Avante

1 - Oh Pátria, nunca mais esqueceremos


Os heróis do 4 de Fevereiro
Oh Pátria, nós saudamos os teus filhos
Tombados pela nossa independência.
Honramos o passado e a nossa história,
Construímos no trabalho o homem novo,

Honramos o passado e a nossa história,


Construímos no trabalho o homem novo,

Angola, avante
Revolução, pelo poder popular
Pátria unida, liberdade,
Um só povo, uma nação

2 - Levantemos nossas vozes libertadas


Para glória dos povos africanos.
Marchemos, combatentes angolanos,
Solidários com os povos oprimidos.
OrgoIhosos lutaremos pela paz
Com as forças progressistas do mundo.

Orgulhosos lutaremos pela paz


Com as forças progressistas do mundo.

Angola, avante
Revolução, pelo poder popular
Pátria unida, liberdade,
Um só povo, uma só nação.
Angola, avante
Revolução, pelo poder popular
Pátria unida, liberdade,
Um só povo, uma só nação.

ESCREVER
Escreve e canta o Hino Nacional de Angola

122
8.1. O País

O valor patriótico de cada cidadão passa também por reconhecer


os símbolos do seu país.

? VÊ SE SABES ...

Define os seguintes conceitos:


• Bandeira, insígnia, hino
• Pais, território, governo

? VÊ SE SABES ...

• Angola é um país muito fértil desde tempos antigos.


• As tradições culturais são muito variadas em Angola.
• Na época anterior à independência, Angola conquistou os
1.°, 2.º e 3.° lugares nas culturas de café, algodão e ex-
tracção de diamantes.

123
8.1. O País

A moeda nacional de Angola chama-se Kwanza, que é o nome do maior


rio que nasce e desagua em Angola. A abreviatura do Kwanza é Kz. Exis-
tem notas e moedas com diversos valores faciais:1 Kz, 5 Kz, 10 Kz, 50
Kz, 100 Kz, 200 Kz, 500 Kz, 1000 Kz, 2000 Kz e 5000 Kz.

Moeda de 1 Kwanza (Frente e verso).

Nota de 5 Kwanzas (frente e verso).


Moeda de 5 Kwanzas (frente e verso).

Moeda de 10 Kwanzas (frente e verso).

Nota de 10 Kwanzas (frente e verso).

Moeda de 20 Kwanzas (frente e verso).

Moeda de 50 Kwanzas (frente e verso).

Nota de 50 Kwanzas (frente e verso).

Moeda de 100 Kwanzas (frente e verso).

124
8.1. O País

Nota de 100 Kwanzas (frente e verso). Nota de 200 Kwanzas (frente e verso).

Nota de 100 Kwanzas (frente e verso). Nota de 1000 Kwanzas (frente e verso).

Nota de 5000 Kwanzas (frente e verso).


Nota de 2000 Kwanzas (frente e verso).

125
8.2. Cultura e desporto

A conquista da independência permitiu que


os Angolanos divulgassem os seus valores
culturais através da participação em even-
tos regionais, continentais e mundiais. A li-
berdade nas manifestações culturais é um
elemento de identificação de cada angolano
e mostra os diferentes hábitos, costumes
e crenças.

Em Angola os padrões culturais são diversi-


ficados, mas existe um elemento comum na
maioria da população que comprova uma
mesma origem cultural.

A riqueza e os diferentes valores da cultura


angolana conduziram nas últimas décadas
a notáveis alcances culturais e desportivos.

A dança, representada em várias formas de


manifestação, como a cabetula, a massem-
ba, a kazukuta e outras, levou à distinção de
um dos valorosos grupos angolanos a nível
internacional, os Kilandukilu, que granjea- Fig. 13 o pensador, símbolo
ram qualificações meritórias em numerosos da cultura angolana.
concursos culturais.

Fig. 14 Uma exibição do grupo Kilandukilu.

126
8.2. Cultura e desporto

Na área da literatura, os escritores angolanos tam-


bém foram agraciados com diversos prémios inter-
nacionais que distinguiram as suas obras, desta-
cando-se Agostinho Neto com o seu livro Sagrada
Esperança.

A língua portuguesa que hoje constitui a comuni-


cação oficial dos Angolanos é uma herança do co-
lonialismo português, embora os Angolanos tenham Fig. 15 Capa do livro
as suas próprias línguas nacionais: na zona norte Sagrada Esperança,
encontramos uma área onde se falam as línguas fio- de Agostinho Neto.
te, kikongo e kimbundu; no nordeste, falam-se o
côkwe e o nganguela; e no sul, o umbundo, o kimbundu, o kwanyama
e o nyanka.

O prato típico dos angolanos no Norte, Este e Sul é o funge, que pode ser
de fuba de bombó ou de milho.

127
8.2. Cultura e desporto

Fog. 16 Imagens da actuação da selecção angolana de Basketebol.

No domínio desportivo, os Angolanos participaram em competições afri-


canas e mundiais, levando os símbolos do nosso País para além-fron-
teiras através das vitórias obtidas. Foi assim que Angola se tornou nove
vezes campeã africana de basquetebol masculino e feminino e campeã
africana de andebol.

No atletismo paralímpico, Angola liderou as competições mundiais em


2005 com José Sayovo. No entanto, a maior alegria dos Angolanos foi,
também nesse mesmo ano, o apuramento para o Campeonato Mundial
de Futebol de 2006, que se realizou na Alemanha.

O êxito de todas estas


conquistas está ligado
à unidade de todos os
Angolanos e ao respei-
to pelas suas diferen-
ças.

Fig. 17 Treino dos Palancas


Negras antes do jogo com o
Zimbabwe, em 2006.

128
8.3. Economia

Antes da independência, Angola era uma importante produtora de ma-


térias-primas. Nas províncias de Cabinda, Zaire e Luanda extraía-se o
“minério preto” - o petróleo; em Malanje e Lunda, diamantes; no Huam-
bo, Cuanza-Norte e Huíla extraíam-se ferro, cobre, manganês, fosfatos
e mármores, e ainda águas minero-medicinais. Todos estes produtos
destinavam-se ao desenvolvimento das indústrias estrangeiras.

Fig. 18 Fotografia de uma das indústrias mineiras de diamantes de Angola.

Nas províncias de Cabinda, Uíge, Zaire, Bengo, Moxico, Cuanza-Norte,


Cuando-Cubango e Bié desenvolviam-se as explorações florestais.

8.3.1. Agropecuária

Angola é um país com muitas oportunidades na agricultura e na pecuária.


Quase todo o território possui terras fertilizadas pelas chuvas, e os rios
abundantes permitem uma agricultura saudável. Em todas as províncias
desenvolve-se actividade agrícola, e em algumas actividade pecuária.

Na época colonial, a exploração agrícola estava ligada a produção de café,


tabaco, algodão, sisal e palmares. A pesca e a pecuária também eram fon-
tes de lucros para a economia colonial. O processo da venda em nada

129
8.3. Economia

Fig. 19 Cultura de café em Angola

beneficiava o desenvolvimento económico da colónia de Angola, mas sim


de Portugal, país colonizador.

Após a proclamação da independência, o governo de Angola priorizou o


sector da agricultura e pecuária como actividade básica para a manu-
tenção da segurança alimentar da população, mas devido ao período de
longa instabilidade pela qual o pais passou, a agricultura teve muito pou-
co desenvolvimento. A partir de 2002, com a conquista da paz, o sector
agrícola voltou a desenvolver-se bastante.

As populações continuam a praticar a sua agricultura, valorizando os co-


nhecimentos dos seus antepassados.

O Ministério da Agricultura e Florestas tem feito muitos esforços na


preparação de terras para alargar as áreas de cultivo, fornecendo equipa-
mentos agrícolas como, enxadas, catanas, charruas e assistência técnica
e semetes aos camponeses e demais produtores agrícolas.

Hoje encontram-se cooperativas agrícolas em quase todas as províncias


de Angola. Elas revestem-se de grande importância no campo económico
e social. Constituem uma forma de organização, reúnem pessoas, esti-
mulam o trabalho comum e procuram formas de resolver os problemas
que afectam uma determinada comunidade.

130
8.3. Economia

Fig. 20 Uma lavra tradicional Fig. 21 Modema agricultura mecanizada.

Angola é um país de clima tropical e apresenta um grande potencial de


produção de gado. Em várias regiões do nosso país, sobretudo na parte
sul, muitos dos habitantes têm como actividade principal a criação de
gado bovino, mas noutras regiões também se faz a criação do gado capri-
no e suíno. Outra actividade desenvolvida em Angola é a criação de aves.

A população camponesa continua a fazer a criação tradicional para sua


auto-subsistência. Em algumas províncias também fazem a produção lei-
teira no seio familiar.

Fig. 22 Criação pecuária na província de Benguela.

Hoje, os cuidados da pecuária merecem maior atenção com o emprego


de novas tecnologias. Existem áreas controladas pelo Ministério da Agri-
cultura e Florestas que trabalham na produção de carne e leite para o
consumo da população. Essas áreas localizam-se em algumas províncias
do nosso país, como é o caso da província do Cuanza-Sul.

131
8.3. Economia

8.3.2. Indústria

A colónia de Angola tinha uma indústria débil, embora existissem alguns


centros industriais em Luanda (Viana), Benguela (Lobito), Huambo e
Lubango nas áreas da agro-pecuária, bebidas e materiais de construção.

Indústria extractiva

Actualmente, nas províncias das Lundas Norte e Sul, Malange e Bié ex-
ploram-se os diamantes. Na Huila e no Namibe, o granito preto e cin-
zento, mármore e outras rochas de embelezamento. Em Cabinda, Luan-
da e Zaire explora-se o petróleo. Também existem algumas pedreiras
em Luanda,Bengo, Benguela, Cabinda e Huila. Todas estas indústrias
contribuem para o desenvolvimento do país.

Fig. 23 Uma plataforma de exploração petrolífera.

Indústria transformadora

Durante a guerra civil que assolou o país, muitas indústrias decaíram.

O pais vivia apenas de exportações de matérias-primas.

Com a conquista da paz, Angola tem conhecido um notável desenvolvi-


mento industrial em todos os ramos:

132
8.3. Economia

• indústria alimentar;
• indústria têxtil e de confecções;
• indústria de bebidas;
• indústria de tabaco;
• indústria química;
• indústria de mobiliário metálico e
em madeira;
• indústria de materiais de cons-
trução e de instrumentos de trabalho
agrícola;
• indústria de montagem de meios
de transporte;
• indústria de construção civil e
naval
Fig.24 Fábrica da Cimangola, uma empresa de-
dicada à produção de cimento.

8.3.3. Outros sectores da economia

Para garantir o fornecimento de energia às indústrias, o governo colonial


mandou construir centrais hidroeléctricas (Cambambe, Biópio, Lomaum,
Mabubas, Luachimo, Matala) e algumas centrais termoeléctricas.

A abertura de vias de comunicação destinava-se a assegurar o escoa-


mento dos produtos, tendo sido desenvolvida uma rede de estradas, ca-
minhos-de-ferro e portos marítimos.
A obtenção de moeda estrangeira era um dos principais objectivos da
actividade económica colonial, por isso foram abertos bancos nas princi-
pais cidades.

Depois da independência, devido o decorrer da guerra civil, muitas acti-


vidades económicas decairam. A agricultura mecanizada desapareceu
e a de subsistência ficou reduzida. As vias de comunicação terrestre (ro-
doviárias, urbanas e ferroviárias) foram interrompidas e o comércio ficou
extremamente debilitado.

Nos últimos anos, com o fim da guerra civil, a política do Governo tem
estado ligada a projectos de desenvolvimento económico, como a

133
8.3. Economia

indústria, entre outros. A indústria dos minérios tem-se desenvolvido


cada vez mais. No domínio das indústrias extractivas têm-se descoberto
e explorado mais poços minerais.

Fig.26 Banco de Desenvolvimento de Angola. Fig.27 Sede da Sonangol.

Devido ao êxodo da população para as cidades, o Governo tem ampliado


os serviços de comunicação, com a abertura de novas vias de comunica-
ção e o aumento da frota de transportadores de pessoas e mercadorias.

Com a conquista da paz a 4 de Abril de 2004, o país encetou um ambicio-


so programa de infra-estruturação do país em todos os dominós da vida
económica e social, potenciando assim o desenvolvimento da economia
o bem estar social e sua inserção económica regional.

Fig. 28 Avião das Linhas Aéreas de Angola.

134
8.3. Economia

ANGOLA HOJE
V
Localização geográfica: África Austral
Área: 1 246 700 km 2
População: 25 000 000 habitantes
Capital: Luanda
Língua oficial: Portuguesa
Religião: Várias

VÊ SE SABES

Com a ajuda do teu professor (a), define os seguintes


conceitos:
• País, território, governo.

Fig. 29 Vista aérea da moderna cidade de Luanda.

Fig. 30 A Marginal de Luanda.

135
136
GLOSSÁRIO
BIBLIOGRAFIA

137
GLOSSÁRIO

Angariador
Recrutador; pessoa que adquire algo.

Bandeira
Emblema que serve de distintivo a uma nação.
Bantu
Plural de “muntu”, que significa “homem”.

Causa
Motivo, razão, origem.

Colónia
Território ocupado e povoado por uma nação, situado geralmente
noutro continente.

Colonização
Estabelecer colónias; dominar ou subjugar outro povo.

Comércio triangular
Comércio marítimo que se fazia entre os três continentes: África,
América e Europa, assim designado por tomar num mapa a forma
de um triângulo.

Conferência
Reunião organizada para se tratar de assuntos particulares ou
públicos.

Consequência
Resultado natural, provável ou forçoso de um facto; efeito.

Cultura
Conjunto de costumes e tradições de um povo.

Desenvolvimento
Acto ou efeito de desenvolver; progresso; cultura intelectual.

Desporto
Exercício fisico regulado por normas mais ou menos definidas,
praticado individualmente ou em grupo.

138
Divisão Administrativa
Repartição de administração de um governo.

Escravatura
Comércio de escravos; escravidão.

Escravo
Pessoa que está sob a dependência absoluta de um senhor,
servo, cativo.

Expansão
Acto ou efeito de se expandir, alargamento, difusão.

Forte
Obra de fortificação; fortaleza; castelo.

Golpe de Estado
Acto de força pelo qual um governo é derrubado e substituído.

Governo
Acto ou efeito de governar; poder executivo, administração,
regime.

Hino Nacional
Canto de louvor a uma pátria.

Independência
Liberdade; autonomia.

Insígnia
Sinal distintivo de dignidade de função ou de nobreza, emblema,
medalha.

Instalação
Estabelecer-se, alojar-se, ir morar para. •

Instituição
Estabelecimento de utilidade pública; organização, fundação.

139
Invasão
Acto ou efeito de invadir; ocupar por meio de força;
entrar hostilmente.

Libertação Nacional
Tornar livre um determinado território; autonomizar.

Manifesto
Declaração pública em que se expõem os motivos que levaram à
prática de certos actos que interessam a uma colectividade.

MIA
Movimento pela Independência de Angola (1957).

Migração
Deslocação de um grupo ou grande multidão de um país
para outro.

MINA
Movimento para a Independência Nacional de Angola (1953).

Nação
Conjunto de indivíduos unidos por uma consciência
histórica, linguística e cultural comum.

Nacionalismo
Patriotismo; doutrina política que faz da nação um absoluto.

Nobreza
Fidalguia herdada ou doada pelo soberano; classe dos nobres.

Ocupação
Acta ou efeito de ocupar, posse.

Opressão cultural
Oprimir os hábitos e costumes que contribuem para a herança
social de um determinado povo, de uma comunidade.

140
País
Território, Estado, Nação.

Penetração
Chegar ao interior, entrar, introduzir-se, ter ingerência.

PLUA
Partido de Luta Unida de Angola (1956).

Pombeiro
Aquele que atravessa os sertões negociando com os nativos.

Pré-colonial
Anterior à colonização.

Presídio
Guarnição de uma praça de guerra; prisão militar, reclusão
de criminosos.

Racismo
Doutrina que afirma a superioridade de determinadas raças e
assenta na alegada superioridade e direito de dominar ou
suprimir as outras.

Reino
Estado que tem um rei como soberano.

Repressão
Suster a acção; violentar, oprimir, castigar.

Resistência
Força com que um povo reage contra a acção do outro; reacção,
oposição, defesa.

Revolta
Rebelião contra a autoridade estabelecida; sublevação;
insurreição; levantamento; motim; sentimento de indignação.

141
Símbolo
Sinal representativo; emblema; imagem ou objecto material que
representa uma realidade visível.

Sistema político
Forma de um governo.

Território
Grande extensão de terra; área correspondente a uma
determinada jurisdição.

Tráfico
Troca de mercadorias, comércio, negócio.

Tumbu
Conjunto de aldeias (sanzalas).

Verme
Animal invertebrado, mole, geralmente formado por anéis e
semelhante a uma minhoca.

142
BIBLIOGRAFIA
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AGUIAM, BALTAZAR DE - A Revolta do Bailundo e os Conselhos de


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MINADER - Boletim Informativo da Direcção Nacional de Agricultura,


Pecuária e Florestas, ano I, n.º 3, Abr.-Set. 2007.

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