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Ruído

No senso comum, a palavra ruído significa barulho, som ou poluição


sonora não desejada. Na eletrônica o ruído pode ser associado à
percepção acústica, por exemplo de um "chiado" característico (ruído
branco) ou aos "chuviscos" na recepção fraca de um sinal de televisão.
De forma parecida a granulação de uma foto, quando evidente, também
tem o sentido de ruído. No processamento de sinais o ruído pode ser
entendido como um sinal aleatório, sendo importante a relação Sinal/
Ruído na comunicação. Na Teoria da informação o ruído é considerado
como portador de informação.
O ruído faz-se presente nos estudos de Acústica, Cibernética, Biologia,
Eletrônica, Computação e Comunicação.

Classificação

Ruído natural - refere-se a ruídos de causas naturais tais como


a radiação cósmica de fundo em micro-ondas, ruídos atmosféricos,
ruídos inerentes a dispositivos passivos e ativos da eletrônica

Ruído artificial - refere-se a ruídos de causas artificiais, como por


exemplo, ruídos de interferência ou exames de IAS

Ruído exógeno - refere-se às interferências externas ao processo de


comunicação, como outra mensagem.

Ruído endógeno - refere-se às interferências internas do processo de


comunicação, como perda de mensagem durante seu transporte ou má
utilização do código.

Ruído de repertório - refere-se às interferências ocorridas diretamente


na produção ou interpretação da mensagem, provocadas
pelo repertório dos emissores e receptores.
Ruído em eletrônica

A definição de ruído em eletrônica nos diz que este é qualquer corrente


ou tensão indesejada, que observamos na medida de um sinal elétrico
proveniente de um sensor, ou que presente na transmissão de sinal
eletrônico. O ruído diminui a precisão dos resultados, e por este motivo
é inconveniente.
A quantificação do ruído mostrado nos visores dos aparelhos de
medição utilizados em laboratórios, é relevante apenas na medida de
pequenos sinais, ou seja, normalmente os que precisam ser
amplificados. Diversas formas de ruído são intrínsecas aos sensores e
estão sempre presentes, porém devemos dar atenção especial a elas
principalmente quando a amplitude do sinal que estamos medindo tem a
mesma ordem de grandeza da componente indesejada. É fácil
determinar a forma da onda do sinal desejado quando o ruído
representa um por cento da amplitude total da saída do sensor, porém
se esta porcentagem assumir valores altos, pode ser impossível
distinguir os dois tipos de sinais, inviabilizando a medida.
Existem várias fontes de ruído, dentre as quais vale destacar as fontes
interferentes causadas pelo homem e as fontes intrínsecas que são
oriundas da própria existência do dispositivo. As primeiras, podem ser
removidas com técnicas de blindagem, já as segundas podem ser
estudadas através de estatística e teorias da probabilidade.

Fontes de ruído externas ao sistema de medida

O ruído medido em um sistema, pode ser recorrente de uma fonte que


se encontra a muitos metros ou quilômetros de distância, como um
relâmpago por exemplo. Mas o fator mais comum é a própria frequência
de oscilação da rede elétrica (60 Hz). Porém estas não são as únicas
fontes de ruído, qualquer dispositivo próximo do experimento pode
causar problemas. Eles podem ser motores, lâmpadas, cabos,
vibrações na estrutura, variações na temperatura, etc.

Acoplamento eletrostático

Distúrbios eletrostáticos podem se tornar indesejáveis devido as


capacitâncias parasitas que sempre existem entre os componentes.
Estas capacitâncias ocorrem principalmente nos cabos que fazem a
transferência do sinal elétrico de baixa intensidade. Qualquer cabo
utilizado para a alimentação do circuito (contendo alta corrente) terá um
campo elétrico considerável. Este tipo de interferência pode ser
minimizado, colocando a fonte de ruído o mais longe possível do
sistema de medida. Outra maneira viável é cercar o circuito em uma
baixa de metal aterrada.

Acoplamento magnético

Conforme já citado, devido à oscilação da rede elétrica, cria-se um


campo magnético em volta de alguns cabos do circuito. Este campo
magnético pode induzir uma corrente no fio que transmite o sinal do
transdutor, por exemplo, causando ruído. Obviamente, a forma de
reduzi-lo é deixar o sistema de medida o mais longe possível dos fios
com campo magnético. Nem sempre isso é possível e neste caso deve-
se colocar os cabos perpendicularmente (a fim de diminuir o efeito
magnético) ou utilizar cabos blindados. O acoplamento magnético é
máximo quando os cabos estão em paralelo. Outra alternativa cabível é
projetar o sistema com os cabos de conexão os mais curtos possíveis a
fim de minimizar a capacitância parasita.

Ruído de aterramento

Esta forma de ruído está relacionada às ligações indevidas no


aterramento do sistema. Recomendações clássicas nos mandam aterrar
as pontas dos cabos não utilizados (para que estes não captem ruído
eletromagnético do ambiente) e usar sempre o mesmo fio terra para
interligar um conjunto de equipamentos (evitando danos devidos à
diferença de potencial). Outra técnica básica é utilizar cabos com a
menor resistência possível e eliminar circuitos fechados no cabo
condutor do aterramento.

Métodos de eliminação de interferências

Em uma primeira análise, podemos destacar algumas técnicas de


redução dos ruídos citados anteriormente, dentre as quais vale
destacar:

1.Blindagem;
2.Aterramento;
3.Balanceamento;
4.Filtragem;
5.Isolamento;
6.Separação e orientação;
7.Circuito de controle do nível de impedância;
8.Projeto dos cabos;
9.Técnicas de cancelamento de algumas frequências (pode ser feito no
domínio do tempo ou de frequências);

No apêndice B da presente bibliografia, pode-se encontrar uma lista de


checagem de algumas técnicas que são utilizadas na redução de
ruídos.

Fontes de ruído intrínsecas ao sistema de medida

Mesmo conhecendo e removendo totalmente as formas de ruído


descritas anteriormente, ao realizar uma medida, ainda será possível
encontrar diversas formas de ruído. Vale destacar neste caso que
resistores, transistores, tubos de vácuo, contatos, etc ainda causam
interferências. O ruído gerado por estes dispositivos é randômico e
intrínseco ao sistema, ou seja, não podemos removê-lo, muito menos
predizer quando e com qual amplitude irá ocorrer. O que podemos fazer
é estudar de forma estatística, separando-os em alguns grupos.
Inicialmente desenvolveu-se o estudo do ruído térmico e do ruído de
corrente (shot noise). Atualmente já existem estudos quantitativos de
outras formas de ruído, como o ruído pipoca (popcorn noise) que ocorre
em semicondutores, o ruído de contato (flicker noise) que depende da
frequência e o ruído de tempo de trânsito (transit-time noise) que se
refere ao tempo que um elétron leva para percorrer o caminho do
emissor ao coletor e ao período do sinal a ser amplificado.
A medida de sinais ruidosos randômicos deve levar em consideração
um conceito fundamental, não é possível determinar quando
determinado evento irá ocorrer. Por este motivo, muitas vezes, é mais
recomendado utilizar o espaço de frequências ao invés do espaço de
tempo na descrição do sinal. Neste caso devemos analisar o valor
quadrático médio da tensão gerada pelo ruído, ou em um caso mais
específico o espectro da densidade de potência (quando a potência do
ruído variar com a frequência).

Ruído térmico (Ruído branco)

O ruído térmico é causado devido ao movimento randômico dos


elétrons livres em um condutor. Mesmo sem campo elétrico aplicado,
cada elétron dentro de um condutor encontra-se em movimento devido
à energia térmica. O efeito desse movimento em um condutor é a
geração de uma corrente, que na média possui valor zero devido ao
caráter randômico. Sua forma simplificada nos diz que para uma dada
largura de banda, este pode ser quantificado como:

Onde k é a constante de Boltzmann, T a temperatura absoluta, R a


resistência do resistor e f a frequência de oscilação.

Ruído de corrente (Shot noise)

Ruído de corrente, é o ruído associado à corrente que flui através de


uma barreira de potencial. Isto ocorre devido as flutuações estatísticas
na emissão de elétrons ou buracos. Esta forma de ruído se faz presente
em tubos de vácuo e dispositivos semicondutores. Nos tubos de vácuo
a emissão ocorre no cátodo e nos dispositivos semicondutores o ruído
está ligado à difusão através da base do transistor, que apresenta
geração e recombinação de pares elétron-buraco. O ruído shot pode ser
quantificado através da seguinte fórmula:

Onde q é a carga do elétron em Coulombs, é a corrente média em


Ampères e B é a largura de banda do ruído em Hz. Através desta
equação, fica evidente que o ruído de corrente, assim como o ruído
térmico, também não depende da frequência. Por apresentar uma
amplitude com a forma Gaussiana também pode ser enquadrado no
ruído branco (que possui todas as frequências).

Ruído de contato (Flicker noise)

Ruído de contato é aquele que ocorre devido a diferença na


condutividade elétrica quando existe um contato imperfeito entre dois
materiais. Esta forma de ruído ocorre sempre que dois materiais são
unidos, inclusive em transistores e diodos. Quando em baixas
frequências, este ruído é chamado de ruído “1/f” devido à presença de
frequências características. Quantitativamente, este ruído é diretamente
proporcional ao valor da corrente (), ao valor de uma constante que
depende do material e da geometria (K) e ao valor da largura de banda.
Neste caso:

É importante reparar que a magnitude desta forma ruidosa pode ser


muito grande para pequenas frequências. Algumas teorias explicam que
para baixas frequências a amplitude permanece constante. Em
frequências características, esta é normalmente a forma de ruído
predominante em circuitos de baixa frequência.

Ruído pipoca (Burst noise)

Descoberto em diodos e presente também em circuitos integrados,


possui o som do estouro de pipoca quando amplificado. Este é um
defeito de manufatura do dispositivo e pode ser eliminado melhorando o
processo de fabricação. Este ruído é causado por defeitos nas junções
entre metais impuros ou junções entre semicondutores. Sua taxa de
repetição não é constante, mas o intervalo entre eventos pode variar
desde muitos pulsos por segundo até menos de um pulso por minuto.
Tipicamente, sua amplitude varia de duas a cem vezes a amplitude do
ruído térmico. Como este ruído é um fenômeno relacionado com a
corrente, sua minimização passa por projetar circuitos com alta
impedância, como nas entradas de amplificadores operacionais, por
exemplo.

Ruído intrínseco em um sensor de efeito hall

Um exemplo com aplicação direta da teoria descrita acima é o de um


transdutor de efeito Hall, que possui uma tensão de saída de baixa
intensidade e por este motivo está sujeito ao ruído de maneira
significativa. Para baixos campos magnéticos, a razão sinal/ruído é o
fator determinante, com uma componente dependente do inverso da
frequência (representada por ) e outra componente térmica, (intitulada ).
A soma destas contribuições nos dá o ruído intrínseco do sensor, sendo
que as variáveis presentes na fórmula a seguir, podem ser consultadas
na referência.
É importante mencionar que o ruído dependente da frequência possui
uma constante semi-empírica e outra constante dependente da
construção do dispositivo. Por sua vez o ruído térmico é constituído de
uma constante dependente da construção do dispositivo multiplicada
pela temperatura absoluta.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS