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Mineralogia

Prof.ª Ananda Guarda

2018
Copyright © UNIASSELVI 2018

Elaboração:
Prof.ª Ananda Guarda

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

G914m

Guarda, Ananda

Mineralogia. / Ananda Guarda – Indaial: UNIASSELVI, 2018.

179 p.; il.

ISBN 978-85-515-0200-6

1. Mineralogia – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da


Vinci.

CDD 549
Apresentação
Olá, acadêmico da Licenciatura de Química! Meu nome é Ananda
Fagundes Guarda, sou doutora em Química pela Universidade Federal de
Santa Maria. Acompanharei você durante esta jornada de aprendizado sobre
a mineralogia!

A mineralogia é dedicada ao estudo da composição química e


propriedades físicas e químicas dos minerais. Como futuro químico e
propagador do conhecimento, é necessário que você saiba mais sobre esse
material, que é um dos mais abundantes da natureza.

Para tanto, este livro de estudos foi dividido em três unidades. Na


primeira, conheceremos os conceitos introdutórios sobre minerais, como a
diferença entre mineral e cristal, suas origens, estados físicos, métodos de
análise e as classes em que podem ser classificados.

Já na segunda unidade, iremos abordar a cristalografia químico-


estrutural. Nesta etapa iremos aprender sobre a estrutura cristalina e sua
composição química, a definição e características do retículo cristalino e como
ocorrem as transformações desses minerais, juntamente com a importância
deles na indústria.

Na terceira e última unidade, estudaremos a morfologia dos cristais,


ou seja, o arranjo espacial dos átomos que compõem os cristais. Estudaremos
sua simetria e suas propriedades físicas, como densidade, dureza, clivagem,
brilho, entre muitas outras.

Essa parte da ciência é extremamente interessante, pois nos permite


ampliar o horizonte do nosso conhecimento em relação a um dos mais
abundantes componentes da Terra: os minerais.

Espero que você tenha uma excelente leitura e que possa compreender
de maneira simples e eficiente os fundamentos e a importância dessa tão
bonita ciência.

Prof.ª Ananda Guarda

III
NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto


para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – CONCEITOS INTRODUTÓRIOS............................................................................. 1

TÓPICO 1 – CONCEITOS BÁSICOS................................................................................................... 3


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 3
2 MINERALOGIA: MINERAL E CRISTAL......................................................................................... 3
3 ROCHAS: ORIGEM, CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO QUÍMICA.................................... 6
4 CURIOSIDADE...................................................................................................................................... 15
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 17
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 18

TÓPICO 2 – ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL.......................................................... 19


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 19
2 ESTADOS FÍSICOS............................................................................................................................... 19
3 ANISOTROPIA E ISOTROPIA.......................................................................................................... 20
4 PROPRIEDADES FÍSICAS.................................................................................................................. 21
5 CRISTALOGRAFIA DE RAIOS-X..................................................................................................... 27
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 34
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 36

TÓPICO 3 – CLASSES............................................................................................................................. 37
1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 37
2 CLASSES DOS ELEMENTOS NATIVOS........................................................................................ 37
3 CLASSES DOS SULFETOS E SULFOSSAIS................................................................................... 41
4 CLASSES DOS ÓXIDOS E HIDRÓXIDOS..................................................................................... 42
5 CLASSES DOS CARBONATOS......................................................................................................... 44
6 CLASSES DOS HALOGENETOS...................................................................................................... 46
7 CLASSES DOS FOSFATOS, ARSENIATOS E VANADATOS..................................................... 49
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 52
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 54
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 56

UNIDADE 2 – CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL.................................................... 57

TÓPICO 1 – COMPOSIÇÃO QUÍMICA............................................................................................. 59


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 59
2 FUNDAMENTOS DA ESTRUTURA CRISTALINA E SUA COMPOSIÇÃO QUÍMICA...... 60
3 FORMAÇÃO DOS MINERAIS E OCORRÊNCIA......................................................................... 65
4 FATORES QUE INFLUENCIAM A ESTRUTURA CRISTALINA............................................... 71
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 74
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 76

TÓPICO 2 – RETÍCULO CRISTALINO............................................................................................... 77


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 77
2 PARÂMETROS DE REDE.................................................................................................................... 77
3 REDES FUNDAMENTAIS DE BRAVAIS......................................................................................... 79
VII
4 PRINCIPAIS ESTRUTURAS CRISTALINAS.................................................................................. 84
4.1 CÚBICA SIMPLES (CS)................................................................................................................... 86
4.2 CÚBICA DE CORPO CENTRADO (CCC).................................................................................... 89
4.3 CÚBICA DE FACE CENTRADA (CFC)........................................................................................ 90
4.4 HEXAGONAL SIMPLES (HS)........................................................................................................ 92
5 NÚMERO DE COORDENAÇÃO....................................................................................................... 94
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 97
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 99

TÓPICO 3 – VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS.............................................. 101


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 101
2 ISOMORFISMO E POLIMORFISMO.............................................................................................. 101
3 VARIAÇÃO NA ESTRUTURA E NA COMPOSIÇÃO DOS CRISTAIS: SUBSTITUIÇÃO .......105
4 DEFEITOS ESTRUTURAIS................................................................................................................. 107
5 TRANSFORMAÇÕES MINERAIS E IMPORTÂNCIA ECONÔMICA..................................... 109
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 115
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 117

UNIDADE 3 – CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA.................................................. 119

TÓPICO 1 – CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA......................................................................... 121


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 121
2 POLIEDROS CRISTALINOS: ELEMENTOS GEOMÉTRICOS E LEIS
CRISTALOGRÁFICAS......................................................................................................................... 121
3 ÍNDICE DE MILLER............................................................................................................................. 132
4 CURIOSIDADE – FÁRMACOS E SIMETRIA MOLECULAR..................................................... 135
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 138
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 140

TÓPICO 2 – SIMETRIA DE CRISTAIS................................................................................................ 141


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 141
2 ELEMENTOS E OPERAÇÕES DE SIMETRIA................................................................................ 142
3 TEORIA DO GRUPO............................................................................................................................ 146
4 SIMETRIA EM CRISTAIS................................................................................................................... 150
4.1 SISTEMA CÚBICO........................................................................................................................... 151
4.2 SISTEMA TETRAGONAL............................................................................................................... 151
4.3 ORTORRÔMBICO............................................................................................................................ 152
4.4 MONOCLÍNICO............................................................................................................................... 152
4.5 HEXAGONAL................................................................................................................................... 153
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 154
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 156

TÓPICO 3 – CRISTALOGRAFIA FÍSICA........................................................................................... 157


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 157
2 PROPRIEDADES ESCALARES E VETORIAIS.............................................................................. 157
3 MAGNETISMO DE CRISTAIS.......................................................................................................... 159
4 PROPRIEDADES ÓPTICAS................................................................................................................ 162
5 PROPRIEDADES ELÉTRICAS........................................................................................................... 165
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 169
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 173
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 175
REFERÊNCIAS.......................................................................................................................................... 177

VIII
UNIDADE 1

CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
O estudo desta primeira unidade da disciplina de Mineralogia proporcio-
nará a você, aluno:

• conhecer conceitos básicos da mineralogia;

• aprender as propriedades físico-químicas relacionadas aos minerais;

• identificar estados físicos dos minerais;

• conhecer os métodos analíticos de identificação dos minerais;

• conhecer classes de minerais e suas características peculiares.

PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 1 está subdividida em três tópicos e ao longo de cada um deles
você encontrará figuras, curiosidades, experimentos, dicas, artigos científicos
que ajudarão você a ver o conteúdo sempre de forma mais ampla e aplicada
ao cotidiano. Sempre no final de cada tópico estará disponível o resumo,
juntamente com autoatividades para exercitar o conteúdo aprendido.

TÓPICO 1 – CONCEITOS BÁSICOS

TÓPICO 2 – ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

TÓPICO 3 – CLASSES

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

CONCEITOS BÁSICOS

1 INTRODUÇÃO
Com o surgimento da espécie humana e o seu desenvolvimento como uma
espécie dotada de pensamentos lógicos, o homem busca conhecer as substâncias
que o rodeiam para que elas proporcionem alguma utilidade. Essa busca por
conhecimento e utilização das substâncias que rodeavam o homem primitivo
proporcionou a adequada e rápida evolução tecnológica.

Hoje, a área do conhecimento que estuda a composição física e química


dos minerais e onde eles ocorrem é a mineralogia. Como os minerais podem ser
encontrados sobre toda a superfície terrestre (pois são substâncias formadoras
das rochas e solos), fornecem uma grande quantidade e variedade de matéria-
prima para diferentes indústrias (CANTO, 1997).

Se você parar para pensar, tirando as substâncias orgânicas, tudo o


que sobra de materiais que nos rodeiam possui origem mineral. Com isso, fica
evidente a necessidade de buscar mais informações sobre a constituição dessa
substância, bem como suas propriedades e características.

Afinal, o que é um mineral? Existem diferentes conceitos definidos por


diferentes autores, porém, um dos mais utilizados nas bibliografias sobre o
assunto é o de Klein e Hurlbut (1999): “Um mineral é um sólido, homogêneo,
natural, com composição química definida (mas geralmente não fixa) e um arranjo
atômico altamente ordenado. É geralmente formado por processos inorgânicos”
(KLEIN; HULBURT, 1999).

A partir dessa definição, abordaremos com maior profundidade as


características dos minerais, a diferença entre minerais e cristais, sua origem,
classificação, composição química e propriedades físico-químicas, nos itens a
seguir.

2 MINERALOGIA: MINERAL E CRISTAL


Você saberia dizer qual é a diferença entre um mineral e um cristal? Como
foi classificado anteriormente, um mineral é definido como uma substância
inorgânica homogênea, que surge de forma natural na superfície terrestre e que
possui composição química definida.

3
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Os minerais, normalmente, são naturalmente encontrados no estado


sólido, com exceção da água e o mercúrio, que é um líquido à temperatura
ambiente e que é classificado como mineral por alguns autores.

Já um cristal só é formado em condições especiais, por exemplo, o lento


aquecimento, em que o arranjo dos átomos acontece de forma tão organizada,
que, normalmente, aparecem faces planas em sua geometria. Esse arranjo
estrutural interno é que será o responsável pela geometria externa do cristal
(KLEIN; HULBUT, 1999).

Durante esse processo ocorre também o que chamamos de retículo


cristalino. O retículo cristalino nada mais é do que a repetição de unidades
extremamente organizadas, chamadas de células unitárias. Mais adiante veremos
com mais detalhes como esses retículos são formados e quais as características das
células unitárias. Resumindo: um mineral será considerado um cristal quando
ele tiver composição inorgânica e sua organização de átomos for extremamente
organizada e repetida ao longo de sua estrutura tridimensional.

Podemos definir então que toda formação de um cristal é iniciada por


matéria mineral, mas nem todo mineral será encontrado na forma de cristais.

Os materiais inorgânicos, sólidos, que não possuem tipo de organização


estrutural atômica algum, são classificados como amorfos ou vítreos e não como
minerais (NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008).

Observe a figura a seguir, que apresenta a diferença entre um material


mineral e um sólido amorfo:

FIGURA 1 – DIFERENÇA ENTRE MINERAL E AMORFOS


A B

FONTE: Disponível em: <https://www.cristaisaquarius.com.br/calcita-otica-600> e <http://


rochasmineraisgemasfosseis.blogspot.com.br/2013/02/obsidiana-ou-vidro-vulcanico.
html>. Acesso em: 10 maio 2018.

4
TÓPICO 1 | CONCEITOS BÁSICOS

Vamos analisar a Figura 1? A Figura 1A traz a imagem do cristal calcita,


que é um mineral extremamente organizado e forma retículo cristalino (células
unitárias repetidas).

Já a Figura 1B traz a imagem da obsidiana, um tipo de vidro que não


possui ordenação em sua estrutura tridimensional e, portanto, não é considerado
um mineral.

Cada mineral vai ser diferenciado de outro mineral pela sua composição
química, ou seja, pelo número e pelo tipo de átomos que estão dispostos em sua
estrutura tridimensional. Essa composição química pode ser classificada de duas
maneiras: fixa e variável.

A composição chamada de fixa é quando a composição do mineral (o


número e tipo de átomos) não é alterada para uma espécie e outra. Um exemplo
desse tipo de comportamento é o quartzo incolor (Figura 2A) e quartzo violeta,
mais popularmente conhecido como ametista (Figura 2B). Em ambos os casos
os dois minerais são formados por SiO­2, porém algumas impurezas no meio das
estruturas tornam os minerais de coloração diferente (PERKINS, 2002). Veja a
imagem desse tipo de composição a seguir, na Figura 2:

FIGURA 2 – COMPOSIÇÃO FIXA ENTRE DOIS MINERAIS

A B

FONTE: Disponível em: <https://krystalus.wordpress.com/2011/08/10/drusas-de-quartzo-


branco/> e <http://mensagemdaspedras.blogspot.com.br/2012/02/ametista.html>. Acesso
em: 10 maio 2018.

A composição química variável é observada quando dois minerais


apresentam apenas a diferença na proporção entre os seus átomos de forma
diferente e, com isso, possuem uma aparência bem diferente. Um exemplo
desse comportamento são os minerais classificados como olivinas, que possuem
a composição química de (Fe,Mg)2SiO4. Você pode achar diferente o modo de
representação da estrutura, em que ferro e magnésio aparecem entre parênteses
e separados por vírgula. Isso acontece porque a olivina pode ora apresentar
somente o ferro em sua estrutura ou somente o magnésio (POPP, 2010).

5
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Quando a olivina não possui o magnésio em sua estrutura (Fe2SiO4), ela


é chamada de Faialita e está apresentada na Figura 3A. Quando a olivina não
possui o ferro em sua estrutura (Mg2SiO4), ela é chamada de Forsterina e está
apresentada na Figura 3B a seguir:

FIGURA 3 – COMPOSIÇÃO FIXA ENTRE DOIS MINERAIS

FONTE: Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Faialite> e <http://www.foro-minerales.


com/forum/download.php?id=135496&sid=7daff62e020961cd8bb5f211fa0e4eff>. Acesso
em: 10 maio 2018.

3 ROCHAS: ORIGEM, CLASSIFICAÇÃO E COMPOSIÇÃO


QUÍMICA
Você sabe o que é uma rocha? Provavelmente, pela sua experiência de
vida, a resposta seria algo semelhante a uma pedra. Mas essa não é a definição
mais adequada. Uma rocha é definida como um agregado (união) natural de um
ou mais minerais. O conjunto de rochas existentes em nosso planeta, por sua vez,
formou a crosta terrestre, sob a qual existem os solos, flora e fauna.

Pela sua enorme quantidade e variedade ao nosso redor, este tópico será
aprofundado em como se origina a formação de uma rocha, como podemos
classificar os diferentes tipos de rocha e conhecer sua composição química
(RESENDE, 2005). Seguem os minerais mais comuns encontrados na natureza na
formação das rochas:

1. Quartzo
2. Feldspato
3. Micas
4. Anfibólios
5. Piroxênios
6. Zircão
7. Magnetita
8. Hematita
9. Pirita
10. Turmalina
11. Topázio

6
TÓPICO 1 | CONCEITOS BÁSICOS

12. Calcita
13. Domalita
14. Caolim
15. Clorita
16. Amianto
17. Talco
18. Zeólitas
19. Fluorita

Como uma rocha é formada? Ou seja, como os minerais se unem para


formar uma rocha? Vamos começar do princípio.

No início do desenvolvimento do planeta Terra, havia o magma, onde a


matéria mineral estava em um estado mais pastoso e em elevada temperatura.
Também pode ser visto quando um vulcão está em erupção. Após uma passagem
de tempo, ocorreu o resfriamento do magma, formando o que se chama de rochas
ígneas. Veja esse primeiro processo de formação das rochas (formação de rochas
ígneas a partir do magma) na figura a seguir:

FIGURA 4 – FORMAÇÃO DE ROCHAS ÍGNEAS A PARTIR DO MAGMA

FONTE: Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/


rochas-Igneas.htm>. Acesso em: 10 maio 2018.

Após a formação das rochas ígneas e o resfriamento do planeta, inicia-se o


intemperismo, ou seja, a ação físico-química e biológica do ambiente desta rocha,
levando seus componentes à modificação e à formação do que é chamado de solo
residual (TEIXEIRA, 2009).

Uma vez formado o que chamamos de solo residual, ele sofre ainda mais
com o intemperismo, sofrendo agora fluxo de água (líquida e sólida) sobre sua
estrutura. Esse processo faz com que o impacto da água arraste os componentes
do solo residual, sendo transportado pela superfície do planeta. Esse fenômeno

7
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

de transporte é conhecido como erosão. Uma vez transportado, o grão deste


solo se deposita em regiões mais baixas do planeta, passando a ser chamado de
sedimento.

Este sedimento pode ser transportado e levado até grandes profundidades,


por exemplo, entre placas tectônicas (lembre-se de que estamos falando de um
planeta em formação). Nesse caso, o sedimento recebe altas temperaturas e
pressão, sofrendo o que chamamos de processo de litificação (também encontrado
em alguns livros como diagênese). A litificação nada mais é do que a compactação
do sedimento e o surgimento da rocha sedimentar (TEIXEIRA, 2009; CANTO,
1997).

Veja a seguir a formação da rocha sedimentar com a litificação do


sedimento, na Figura 5.

FIGURA 5 – FORMAÇÃO DE ROCHA SEDIMENTAR

FONTE: Disponível em: <http://www.ufjf.br/nugeo/files/2009/11/Geologia-Cap5.pdf>. Acesso


em: 10 maio 2018.

Toda formação de rocha tem esse princípio de formação, o que vai variar
entre os tipos de rochas é o que acontece depois da erosão, onde ela se deposita e
as condições de temperatura e pressão que esses sedimentos encontram.

Caso essa rocha sedimentar continue sob ação das placas tectônicas, ela
poderá chegar a atingir uma profundidade de cinco a 20 quilômetros, onde, nessa
profundidade, a ação da temperatura e pressão faz com que ocorram mudanças
nos minerais, chamado de metamorfismo. As rochas que passam por esse
processo são chamadas de rochas metamórficas.

Quando continuamos com esse processo (de temperatura e pressão), a


rocha metamórfica pode sofrer tamanha pressão e aumento de temperatura que
seus componentes podem sofrer fusão (passagem do estado sólido para líquido),
voltando a formar o magma (KLEIN; HULBUT, 1999).

Para que você compreenda de maneira mais didática o que acabamos


de ver, a seguir encontra-se uma figura com a sequência lógica temporal dos
acontecimentos.
8
TÓPICO 1 | CONCEITOS BÁSICOS

FIGURA 6 – LÓGICA TEMPORAL DOS ACONTECIMENTOS PARA FORMAÇÃO DE


ROCHAS

FONTE: A autora

Dessa maneira podemos classificar os tipos de rochas em três tipos, de


acordo com sua formação:

• Rochas magmáticas
• Rochas sedimentares
• Rochas metamórficas

Podemos ainda ter subtipos desses tipos de rocha, que podem ser
esquematizados conforme mostra a figura a seguir:

FIGURA 7 – TIPOS E SUBTIPOS DE ROCHAS

FONTE: A autora

9
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

As rochas magmáticas, como visto anteriormente, são formadas de magma


(rocha em estado líquido) na sua forma sólida (após resfriamento), normalmente
pela atividade de um vulcão. É constituída basicamente de silicatos e elementos
mais voláteis, tais como água, halogênios, hidrogênio, entre outros. Podem ser
classificadas em rochas magmáticas intrusivas e rochas magmáticas extrusivas
(POPP, 2010; TEIXEIRA, 2009).

Rochas magmáticas intrusivas são rochas que são formadas em grandes


profundidades, ou seja, são rochas que resfriam muito lentamente. Exemplo:
granito, que é formado por três minerais: feldspato, mica e quartzo. A mistura
dos minerais é possível de ser visualizada a olho nu e está apresentada na figura
a seguir:

FIGURA 8 – QUARTZO

FONTE: Disponível em: <http://www.itamarmores.com.br/


granito.htm>. Acesso em: 11 2018.

Rochas magmáticas extrusivas formam-se na superfície do planeta, onde


seu resfriamento ocorre de forma rápida. Exemplo: basalto, contendo sílica, ferro
e magnésio. Veja a seguir uma imagem desse tipo de rocha.

FIGURA 9 – BASALTO

FONTE: Disponível em <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/


geografia/rochas-Igneas.htm>. Acesso em: 11 maio 2018.

Já as rochas sedimentares são compostas pelos sedimentos que são


carregados pelos ventos e acumulados em áreas mais baixas. Esse tipo de rocha
corresponde a 60% do território brasileiro. Quando há uma grande área de
acúmulo, onde existem várias camadas de sedimentação, esta área é chamada de
bacia de sedimentação ou bacias sedimentares (RESENDE, 2005).

10
TÓPICO 1 | CONCEITOS BÁSICOS

Essas camadas de sedimentação, muitas vezes, podem ser observadas a


olho nu, como mostra a figura a seguir:

FIGURA 10 – BACIAS SEDIMENTARES

FONTE: Disponível em: <https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/


geografia/bacias-sedimentares.htm>. Acesso em: 11 maio 2018.

As rochas desse tipo podem ser subdivididas em três tipos: clásticas,


orgânicas e químicas.

As rochas sedimentares clásticas ou detríticas são formadas a partir de


detritos de rochas antigas. Exemplo: arenito, que é formado por sua maioria do
mineral quartzo, com pequenas quantidades de feldspato, mica e outros tipos de
impurezas (RESENDE, 2005; TEIXEIRA, 2009). Veja a seguir na figura a imagem
deste tipo de rocha.

FIGURA 11 – ARENITO

FONTE: Disponível em: <https://carlosrabello.org/geografia/


geologia/rochas-e-minerais/arenito/>. Acesso em: 11 maio 2018.

11
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

As rochas sedimentares orgânicas são formadas pelo resto de


decomposição de animais e vegetais que se acumulam sobre a superfície de uma
determinada região. Com grande pressão e temperatura, dão origem a rochas
bastante conhecidas, como o calcário, carvão mineral, petróleo, entre outros
(POPP, 2010). O calcário é composto principalmente pelo mineral chamado
dolomita (CaCO3.MgCO3). A imagem deste tipo de rocha pode ser visualizada a
seguir:

FIGURA 12 – CALCÁRIO

FONTE: Disponível em: <https://carlosrabello.org/geografia/geologia/


rochas-e-minerais/arenito/>. Acesso em: 11 maio 2018.

As rochas sedimentares químicas são formadas quando o líquido


(normalmente água) que se encontra no ambiente de sedimentação se satura,
normalmente formando cristais. Exemplos deste tipo de rocha: calcita,
aragonita, estalactites e estalagmites. As mais conhecidas são as estalactites,
que normalmente se formam no interior de cavernas úmidas. Como os minerais
normalmente escorrem pelas paredes, sua formação se dá no teto das cavernas
e podem se formar muito lentamente ou rapidamente (RESENDE, 2005). Veja a
seguir a imagem na Figura 11 de uma estalactite:

FIGURA 13 – ESTALACTITE

FONTE: Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/


estalactites-estalagmites.htm>. Acesso em: 11 maio 2018.

12
TÓPICO 1 | CONCEITOS BÁSICOS

Mas como se forma uma estalactite? Ocorre pela precipitação do carbonato


de cálcio (CaCO3) de forma lenta com a água, porém o carbonato de cálcio tem
baixa solubilidade em água, ou seja, é insolúvel. Como é possível que se forme a
estalactite, então?

Quando esse precipitado entra em contato com meio ácido (H2CO3,


ácido carbônico), proveniente da erosão da terra causada pela água, forma-se o
bicarbonato de cálcio (CaHCO3), que é solúvel em água. Esta água, contendo o
bicarbonato de cálcio, entra pela parte superior da caverna, libera o CO2 dissolvido
(diminuindo a acidez) e tornando o mineral insolúvel outra vez, iniciando o
processo de deposição do mineral no teto da gruta. Com a repetição contínua do
processo, inicia-se a formação de uma forma geométrica parecida com um cone,
que pode atingir desde poucos centímetros, até alguns metros de comprimento.

Podemos ainda usar nosso conhecimento em equilíbrio químico para


entender a formação deste tipo de rocha. Veja a equação a seguir:

CaCO3( s) + CO2( aq ) + H 2O( l ) ƒ Ca(2aq+ ) + 2 HCO3− ( aq )

DICAS

Lembre-se! A mistura de CO2 e H2O resulta no ácido carbônico, H2CO3.

Analisando a equação em equilíbrio químico temos que, quando o meio


está ácido, ou seja, quando se tem mais CO2 e H2O, seria como adicionar um
reagente ao equilíbrio. Dessa forma, o equilíbrio é deslocado no sentido da
formação dos produtos. Isso acarreta na dissolução do carbonato (que antes era
insolúvel), formando Ca2+ e HCO-3, íons livres e solúveis.

Agora, o que acontece quando o CO2 (componente do ácido carbônico)


evapora? É como se retirássemos um reagente da equação, deslocando o equilíbrio
no sentido da formação dos reagentes. Isso faz com que mais carbonato de cálcio
(insolúvel) seja formado, formando a estalactite (ATKINS; JONES, 2012).

As rochas metamórficas se originam na parte mais interior do planeta,


sendo formadas por rochas que tiveram sua composição química e física alterada
pelas elevadas temperaturas e pressão do local onde se encontram. Nesse caso, a
composição química dos minerais pode ser alterada, isso por conta das condições
extremas do interior do planeta. Essa alteração vai depender da intensidade das
condições de temperatura e pressão do ambiente (CANTO, 1997).

Um exemplo disso é o granito, que ao passar por essas condições, forma a


gnaisse, como mostra a figura a seguir:
13
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

FIGURA 14 – ESTALACTITE

- intenso Metamorfismo + intenso

Granito Nesta rocha Gnaisse


Rocha magmática metamórfica, Resultando do
constituída por proveniente do granito, a metamorfismo intenso
quartzo, feldspato e disposição dos minerais do granito, fazendo
mica, visíveis a olho é diferente. com que os minerais
nu e misturados se disponham de forma
aleatoriamente na mais enfileirada.
rocha.
FONTE: Adaptado de: <http://nelsonlirarochas7.yolasite.com/metamorf2.php>. Acesso em: 11
maio 2018.

Após compreendermos a origem, classificação e composição química,


somos capazes de entender a figura a seguir, que mostra o ciclo de transformações
entre os tipos de rocha:

FIGURA 15 – CICLO DAS ROCHAS

FONTE: Disponível em: <http://sofiabloguecn.blogspot.com.br/2009/06/ciclo-das-


rochas.html>. Acesso em: 12 maio 2018.

14
TÓPICO 1 | CONCEITOS BÁSICOS

Como podemos observar, a figura tem um sentido de aumento de pressão


e temperatura (de cima para baixo), indicado por uma seta à esquerda da figura.
Quanto mais para baixo da figura, maior é a temperatura e a pressão, e, portanto,
temos a rocha na forma de magma.

Com o arrefecimento (resfriamento), surgem as rochas magmáticas. Essas


podem ficar de forma mais interna (intrusivas) e resfriar de forma mais lenta, ou
ainda, sair em direção à superfície (extrusiva) e resfriar de forma mais rápida.

Uma vez na parte mais externa (superfície), sofrem com o intemperismo


e erosão e formam os sedimentos. Esses, ao se aglomerarem e compactarem
(diagênese), formam as rochas sedimentares.

Se essas rochas sedimentares sofrerem ação de temperatura e pressão,


formam as rochas metamórficas. Se houver aumento excessivo de temperatura
e pressão sobre a rocha metamórfica, onde acontece em profundidades maiores
do planeta, ela retorna a formar o magma, completando o ciclo (CANTO, 1997;
KLEIN; HULBUT, 1999).

4 CURIOSIDADE
Você sabia que existem minerais extremamente tóxicos? E minerais que
parecem de outro planeta? Vamos conhecer um pouco sobre esses dois tipos de
minerais!

O mineral Cinábrio é composto por sulfeto de mercúrio (II) (HgS), quando


seu nome é muitas vezes relacionado à tradução do persa para “sangue de
dragão”. Ele foi muito utilizado como fonte de mercúrio, utilizado em pigmentos
e tatuagens, equipamentos como termômetro e barômetros.

Contudo, quando oxidado esse mineral forma metil-mercúrio, que pode


causar danos irreversíveis ao corpo humano, principalmente ao sistema nervoso
central. Veja a seguir na figura a imagem deste belo mineral:

15
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

FIGURA 16 – CINÁBRIO

FONTE: Disponível em: <https://www.megacurioso.com.br/


minerais/46796-confira-os-9-minerais-mais-toxicos-do-mundo.htm>.
Acesso em: 13 maio 2018.

O bismuto, quando na sua forma pura, não apresenta diferença alguma


de um outro elemento metálico qualquer. Observe, na figura a seguir, o cubo
de bismuto na parte inferior. Agora, ao misturarmos alguns outros elementos a
essa estrutura e uma mudança no estado de oxidação, temos uma surpreendente
mudança em sua estrutura:

FIGURA 17 – BISMUTO

FONTE: Disponível em: <https://minilua.com/incriveis-minerais-planeta-terra/>. Acesso


em: 13 maio 2018.

16
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste primeiro tópico, você aprendeu:

• A diferença entre um mineral e um cristal: um mineral é definido como uma


substância inorgânica homogênea, que surge de forma natural na superfície
terrestre e que possui composição química definida. Um cristal só é formado
em condições especiais, por exemplo, o lento aquecimento, quando o arranjo
dos átomos acontece de forma tão organizada, que normalmente aparecem
faces planas em sua geometria. Esse arranjo estrutural interno é que será o
responsável pela geometria externa do cristal.

• Cada mineral vai ser diferenciado de outro mineral pela sua composição
química, ou seja, pelo número e pelo tipo de átomo que estão dispostos em sua
estrutura tridimensional.

• A composição química do mineral pode ser fixa ou variável. É chamada de fixa


quando a composição do mineral (o número e tipo de átomos) não é alterada
para uma espécie e outra (exemplo: quartzo violeta e quartzo incolor). A
composição química variável é observada quando dois minerais apresentam
apenas a diferença entre a proporção entre os seus átomos de forma diferente
e, com isso, possuem uma aparência bem diferente.

• Rocha: é definida como um agregado (união) natural de um ou mais minerais.

• Formação das rochas: Magma (resfriamento)  Rochas ígneas (intemperismo)


Solo residual (Erosão)  Sedimento (litificação)  Rocha sedimentar
(metamorfismo)  Rocha metamórfica (mais temperatura e pressão)  Magma.

• Existem três tipos de rochas, que podem ser formadas de acordo com o processo
de agregação dos minerais: rochas magmáticas, sedimentares e metamórficas.

• As rochas magmáticas são formadas de magma (rocha em estado líquido)


na sua forma sólida (após resfriamento), normalmente pela expulsão de um
vulcão. Podem ser classificadas em rochas magmáticas intrusivas (grandes
profundidades, resfriamento lento) e rochas magmáticas extrusivas
(superfície, resfriamento rápido).

• Já as rochas sedimentares são compostas pelos sedimentos que são carregados


pelos ventos e acumulados em áreas mais baixas. As rochas desse tipo podem
ser subdivididas em três tipos: clásticas (rochas antigas), orgânicas (resto de
animais e vegetais) e químicas (precipitação de cristais).

• As rochas metamórficas se originam na parte mais interior do planeta, sendo


formadas por rochas que tiveram sua composição química e física alterada
pelas elevadas temperaturas e pressão do local onde se encontram.
17
AUTOATIVIDADE

1 A partir dos seus conhecimentos sobre minerais e rochas, analise as


afirmativas e posteriormente assinale a alternativa que contém as afirmações
CORRETAS:

I. Rochas são formadas pela quebra na estrutura do mineral.


II. A origem das rochas se dá pelo magma de um vulcão.
III. Rochas são aglomerados de minerais.
IV. Todo mineral é um cristal.

a) ( ) Somente I.
b) ( ) I e IV.
c) ( ) I, II e III.
d) ( ) II e III.
e) ( ) II, III e IV.

2 Sobre minerais, o processo de formação das rochas e ciclo das rochas, assinale
a alternativa correta:

a) ( ) A formação das rochas é pouco influenciada pela mudança de temperatura.


b) ( ) O tipo de rocha formada está diretamente relacionado com as condições
ambientais em que o magma está exposto.
c) ( ) Obrigatoriamente toda rocha volta a formar magma.
d) ( ) Todo mineral é um cristal, mas nem todo cristal é um mineral.
e) ( ) Rochas sedimentares são formadas a partir do aumento de temperatura
extrema no interior do planeta.

3 Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) nas afirmações a seguir:

( ) Rochas sedimentares podem ser classificadas como intrusivas e extrusivas.


( ) As rochas sedimentares orgânicas têm origem de decomposição animal e
vegetal.
( ) As rochas metamórficas não sofrem alteração por temperatura e pressão.
( ) As rochas sedimentarem são provenientes da deposição de sedimentos em
camadas.

18
UNIDADE 1
TÓPICO 2

ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

1 INTRODUÇÃO
Recordando as aulas de química geral, sabemos que ao aplicar
determinados valores de temperatura e pressão, a matéria pode existir em quatro
estados físicos: sólido, líquido, gasoso e plasma. O plasma não ocorre de forma
natural na superfície terrestre, uma vez que necessita de condições extremas de
temperatura e pressão. Um exemplo deste tipo de estado físico é o Sol. Por estas
razões este último estado físico não será estudado neste texto.

A importância de conhecermos os estados físicos da matéria é para que


possamos entender as interações intermoleculares, ou seja, como ocorre a interação
entre as moléculas e como proporcionam as diferenças entre os três principais
estados físicos da matéria: sólido, líquido e gasoso. Dependendo da intensidade
da interação entre as moléculas, elas podem proporcionar diferentes pontos de
fusão e ebulição. Como isso é possível? Cada substância possui uma interação
entre as moléculas da própria composição, sendo algumas mais intensas como a
ligação de hidrogênio e outras mais fracas, como a interação de Van der Waals.

Quando a interação é mais forte, é necessária maior energia (normalmente


na forma de calor) para que essa interação seja rompida e as moléculas mudem
de estado físico. O mesmo raciocínio ocorre para as interações fracas, pois elas
necessitam de menor energia para o rompimento de suas interações, possuindo
valores menores de ponto de fusão ou ebulição (ATKINS; JONES, 2012).

O objetivo deste tópico é abordar os estados físicos naturalmente


encontrados dos minerais, para que a compreensão de como as moléculas estão
arranjadas em sua estrutura ocorra de maneira mais clara.

2 ESTADOS FÍSICOS
A matéria (tudo aquilo que nos rodeia) possui três estados básicos da
matéria: sólido, líquido e gasoso. Para relembrar: Os estados físicos da matéria
se diferenciam pelo estado de agregação das moléculas, ou seja, quão unidas ou
separadas estão essas moléculas (ATKINS; JONES, 2012). Veja a figura a seguir
para relembrar esse conteúdo:

19
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

FIGURA 18 – ESTADO DE AGREGAÇÃO DA MATÉRIA

FONTE: Disponível em: <https://www.infoescola.com/quimica/estados-fisicos-da-


materia/>. Acesso em: 13 maio 2018.

Para os minerais, seu estado físico mais comum é o sólido. Alguns


autores sugerem que a água também seria classificada como mineral. A água,
ao ser congelada, adquire forma cristalina, possuindo propriedade básica de
um mineral. Porém, sabemos que: um MINERAL é toda substância natural,
sólida e inorgânica que possui composição química determinada e apresenta
propriedades morfológicas e físicas características. Ou seja, a água não seria um
mineral, pois em seu estado natural (líquido) não possuiria características de um
mineral (PERKINS, 2002; RESENDE, 2005).

Dessa maneira, um mineral somente será classificado como tal, se seguir


as seguintes condições:

• Ser naturalmente formado.


• Ser sólido.
• Ser de origem inorgânica.
• Composição química específica.
• Estrutura cristalina.

3 ANISOTROPIA E ISOTROPIA
Anisotropia e isotropia são características de uma substância, onde uma
propriedade física varia com a direção. Para compreendermos melhor esse
conceito, vamos analisar os seguintes exemplos: um mineral anisotrópico pelo
índice de refração (propriedade física da mudança da direção do feixe de luz
ao atravessar o meio) significa que ele reflete a luz em diferentes direções com
diferentes intensidades.

Já um mineral isotrópico analisado pelo índice de refração irá refletir a


luz com igualdade de intensidade em todos os pontos. Veja a figura a seguir que
ilustra esse fenômeno:
20
TÓPICO 2 | ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

FIGURA 19 – MINERAL ANISOTRÓPICO E ISOTRÓPICO (índice de refração)

mineral
isótropo

mineral
amisótropo
n = índice de refracción

FONTE: Disponível em: <http://edafologia.ugr.es/optmine/intro/isoanis.htm>. Acesso


em: 13 maio 2018.

A explicação desse fenômeno está relacionada à estrutura atômica dos


elementos dentro do mineral. Uma estrutura mais organizada dá origem ao
mineral isotrópico, enquanto uma estrutura menos regular dá origem ao mineral
anisotrópico. Essa característica física nos ajuda muito a entender a natureza de
um mineral (NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008; POPP, 2010).

4 PROPRIEDADES FÍSICAS
As propriedades físicas de um mineral são resultado direto da sua
composição química e de como esses elementos estão organizados dentro da
estrutura química do mineral. Podemos realizar a análise de um conjunto de
propriedades físicas dos minerais com instrumentos extremamente simples, que
variam desde uma lupa, canivete, um imã, entre outros. Com muita frequência
essas propriedades físicas são utilizadas para a determinação da natureza do
mineral.

Estudaremos as seguintes propriedades dos minerais:

• Hábito
• Cor
• Risca
• Brilho
• Clivagem
• Dureza
• Densidade
• Porosidade
• Permeabilidade
• Tenacidade

21
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

 Hábito

Essa propriedade do mineral se compreende pela forma como ele é


encontrado na natureza, ou seja, que sua estrutura de átomos (o arranjo espacial
dele) é frequentemente encontrada e que reflete diretamente a forma como
enxergamos o mineral a olho nu (POPP, 2010). Na figura a seguir veremos
exemplos desses arranjos.

FIGURA 20 – HÁBITO MINERAL

FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAA3QAC/


apostila-minerais-rochas>. Acesso em: 13 maio 2018.

Podemos descrever alguns termos comumente encontrados na


caracterização do hábito dos minerais, que são:

• Prismático – os minerais que são cristais são normalmente constituídos por


prismas. Esses prismas podem receber adjetivos que nos ajudam a caracterizar
e identificar os mesmos, tais como colunares (prismas mais alongados),
aciculares (muito alongados e finos), fibrosos (mais finos ainda, como um fio de
cabelo), tabulares (achatados), laminares (alongados e achatados), escamoso
(escamas), entre outros.
• Cúbico, octaédrico, dodecaédrico, romboédrico – os minerais apresentam a
forma geométrica citada.
22
TÓPICO 2 | ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

• Micáceo – cristais de forma tubular formados por placas finas, como a mica
(NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008).

 Cor

A cor, apesar de ser uma propriedade fácil de ser identificada, não é


muito adequada quando vamos identificar algum tipo de mineral. Um mesmo
mineral pode apresentar diferentes cores resultantes de elementos (impurezas)
que estão presentes em sua estrutura química. Um exemplo disso é o quartzo,
que apresenta diversas colorações, que podem variar desde o verde, rosa, roxo
e incolor. Quando isso acontece (variar a coloração), o mineral é chamado de
alocromático. Já os minerais que apresentam a mesma coloração são chamados
de idiocromáticos.

A cor deve ser observada em luz natural e em um corte recente do mineral,


para evitar que a coloração que esteja sendo observada seja de variações sofridas
pelo ambiente em que se encontra o mineral (NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008).

 Risca

A risca, ou também conhecida como traço do pó do mineral, nos ajuda


a identificar a coloração, quando a identificação da sua coloração externa não é
possível. Minerais que têm coloração externa idêntica podem possuir coloração
de risca completamente distinta, diferenciando assim os minerais (PERKINS,
2002). Veja um exemplo na figura.

FIGURA 21 – RISCA

FONTE: Disponível em: <http://www.minasjr.com.br/como-identificar-minerais/>.


Acesso em: 12 maio 2018.

 Brilho

O brilho de um mineral pode ser definido como a quantidade e qualidade


da luz que é refletida pela superfície do mineral. Pode ser encontrada a classificação
de dois tipos de brilhos:

23
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Brilho metálico: esse tipo de brilho mostra a aparência de uma superfície


brilhante que normalmente materiais metálicos possuem. São bastante refletoras.

Brilho não metálico: esse tipo de brilho é proveniente de uma substância


do tipo transparente, sem o brilho metálico definido anteriormente (NEVES;
SCHENATO; BACHI, 2008; POPP, 2010).

 Clivagem

É a característica dos minerais se partirem na forma de planos ou já estarem


disponíveis na forma de planos, de acordo com as direções onde a estrutura é
mais fraca (NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008).

FIGURA 22 – CLIVAGEM

FONTE: Disponível em: <http://www.minasjr.com.br/como-identificar-


minerais/>. Acesso em: 12 maio 2018.

Dureza

A dureza é considerada uma propriedade importante dos minerais, uma


vez que seus valores podem ser facilmente determinados. A dureza pode ser
definida como a resistência que o mineral oferece ao ser riscado por outro mineral
ou objeto.

A dureza do mineral irá depender da estrutura em que os átomos estão


ligados e da força dessas ligações químicas. Quanto maior for a força da ligação,
mais duro é o material. Essa propriedade do material é investigada por diferentes
tipos de indústrias que utilizam um determinado tipo de mineral, visto que esse
valor irá proporcionar uma ideia do desgaste deste mineral ao ambiente em que
ele se encontrará (NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008; PERKINS, 2002).

Essa medida de dureza foi desenvolvida por Friedrich Mohs, um


mineralogista alemão, que criou uma escala de dureza baseada na capacidade
que um mineral tem de riscar outro mineral. Essa escala pode ser visualizada no
quadro a seguir:
24
TÓPICO 2 | ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

QUADRO 1 – ESCALA DE MOHS

Dureza Mineral Observações


1 Talco Risca com a unha
2 Gipsita Risca com plástico comum e prego
3 Calcita Risca com prego e canivete de aço
4 Fluorita Risca com lima de aço e vidro de quartzo
5 Apatita Risca com faca de cozinha
6 Ortoclásio Não risca com prego. Dureza do vidro comum
7 Quartzo Não risca com canivete de aço e vidro comum
8 Topázio Não risca com lima de aço e risca o quartzo
9 Coríndon Risca o topázio
10 Diamante Nenhum material testado riscou o diamante
FONTE: Disponível em: <http://www.ufjf.br/nugeo/files/2009/11/Geologia-Cap3.pdf>
e <https://blog.poesie.com.br/pedras-preciosas/propriedades-das-pedras-preciosas-
dureza/>. Acesso em: 12 maio 2018.

Densidade

A densidade indica o número de vezes que o mineral que está sendo


analisado é mais pesado que o mesmo volume de água, a 4ºC. Por exemplo, se
um mineral tem densidade 3, isso significa que ele pesa três vezes mais que o
mesmo volume de água (NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008; POPP, 2010). Veja
o quadro a seguir:

QUADRO 2 – ESCALA DE DENSIDADE

Grupo Densidade Composição química Exemplos


Quartzo, ortoclásio,
Leve < 2,9 Silicatos félsicos
plaioclásio
Pouco pesado 2,9 ~3,4 Silicatos máficos Anfibólios, ortopiroxênio
Óxidos e sulfetos de
Pesado 4,0 ~8,0 Magnetita, pirita
metal
Elementos nativos Ouro, prata e platina
Muito pesado > 8,0
metálicos nativos.
FONTE: Adaptado de: <http://www.ufjf.br/nugeo/files/2009/11/Geologia-Cap3.pdf>. Acesso
em: 12 maio 2018.

Porosidade

Pode ser definida como a característica da rocha em conter espaços vazios


na sua estrutura. A quantidade de espaços vazios vai depender do tipo de rocha.
A rocha sedimentar, por exemplo, possui grandes poros antes da cimentação.

25
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Conforme o acondicionamento das camadas se dá, a porosidade diminui. A


porosidade pode ser classificada em relação à percentagem de espaços vazios
comparados aos preenchidos em sua estrutura. Uma rocha extremamente porosa
tem seu percentual maior ou igual a 50%, uma rocha muito porosa possui um
percentual de 10% a 30%, uma rocha bastante porosa possui de 5% a 10%,
medianamente porosa de 2,5% a 5%, pouco porosa de 1% a 2,5% e muito compacta
menor que 1% (PERKINS, 2002; CANTO, 1997).

Veja o quadro a seguir que apresenta os valores de percentagem de


porosidade para algumas rochas comuns:

QUADRO 3 – POROSIDADE DAS ROCHAS

Rocha Porosidade (%) Classificação


Granito 0,5 a 1,5 Muito compacta
Calcário 5 a 12 Bastante porosa
Arenito 10 a 20 Muito porosa
Argila 45 a 50 Extremamente porosa
FONTE: Adaptado de: <http://www.ufjf.br/nugeo/filezs/2009/11/Geologia-Cap8.
pdf>. Acesso em: 12 maio 2018.

Permeabilidade

Permeabilidade pode ser definida como a facilidade que a água apresenta


de percorrer a estrutura da rocha, através dos seus poros que são conectados
(KLEIN; HULBUT, 1999). A figura a seguir mostra os caminhos que a água pode
percorrer dentro dos poros de uma rocha, caracterizando-a como impermeável
(que não permite a passagem da água ou que permite com muita dificuldade) e
permeável (que permite a passagem da água):

FIGURA 23 – PERMEABILIDADE

FONTE: Disponível em: <http://www.colegiovascodagama.pt/ciencias3c/onze/


geologia3aquiferos.html>. Acesso em: 13 maio 2018.

26
TÓPICO 2 | ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

Tenacidade

A tenacidade está relacionada com a capacidade de o mineral resistir à


quebra, esmagamento, a ser rasgado ou ainda dobrado. Não devemos confundir
essa propriedade física com a dureza. Para separarmos bem essas duas
propriedades é o diamante. Ele possui dureza elevada (risca todos os outros
minerais), mas possui tenacidade relativamente baixa, uma vez que não é muito
resistente à quebra. Podemos encontrar os seguintes termos quando trabalharmos
com tenacidade:

Quebradiço: mineral que se rompe com muita facilidade.


Maleável: mineral pode ser transformado em lâminas.
Séctil: aceita ser cortado por uma lâmina de aço.
Dúctil: pode ser feito na forma de fios.
Flexível: pode ser curvado, sem retornar à forma original depois de cessar a força
aplicada.
Elástico: pode ser curvado, retornando à forma original depois de cessar a força
aplicada.

Ligações metálicas apresentam ductibilidade, sectilidade e maleabilidade


por conta da característica da ligação (Lembre-se: ligação metálica pode ser
caracterizada pelo modelo de mar de elétrons, onde os cátions metálicos estão
rodeados de elétrons livres). Ao ser aplicada uma força sobre essa estrutura,
como há elétrons livres, ocorre o rearranjo da estrutura e a presença da tenacidade
(NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008).

5 CRISTALOGRAFIA DE RAIOS-X
Os estudiosos da área sempre quiseram, além de suas características
físicas e químicas possíveis de serem identificadas a olho nu, conhecer a forma
dos cristais em seu aspecto mais íntimo.

Com o desenvolvimento dos Raios-X no século XX, foi possível utilizar


a técnica para “ver” a estrutura do mineral de forma não destrutiva. Essa
possibilidade marca o início da cristalografia utilizando Raios-X.

Os Raios-X foram descobertos em 1895, por Wilhelm Conrad Roentgen,


e nada mais são que uma onda eletromagnética, com comprimentos de onda
menores que os raios-ultravioleta. Para se ter uma noção da posição dos Raios-X
dentro do espectro eletromagnético, observe a figura a seguir:

27
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

FIGURA 24 – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

FONTE: Disponível em: <http://labcisco.blogspot.com.br/2013/03/o-espectro-eletromagnetico-


na-natureza.html>. Acesso em: 14 maio 2018.

Quando os Raios-X incidem sobre um objeto, os átomos que compõem esse


objeto espalham essa radiação, podendo assim ser revelado por outro material o
ângulo em que essa radiação foi “refletida”.

Em 1992, Bragg, pai e filho, utilizaram os Raio-X para determinar


experimentalmente a estrutura do cristal de NaCl, KBr, KI e KCl.

Mas, afinal, como foi realizada essa análise?

Os cristais possuem sua estrutura extremamente organizada por unidades


repetidas, que mais adiante veremos que se chamam células unitárias. Veja a
seguir o exemplo de um cristal (A) e de um sólido amorfo (B), na figura a seguir:

28
TÓPICO 2 | ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

FIGURA 25 – DIFERENÇA ENTRE ESTRUTURA CRISTALINA E AMORFO

FONTE: Azároff (1978)

Quando os Raios-X encontram uma estrutura organizada como um cristal,


a sequência de imagens reveladas e o cálculo dos ângulos que foram refratados
podem revelar a estrutura tridimensional dos átomos dentro da estrutura do
cristal (AZÁROFF, 1978). A figura a seguir mostra como ocorre essa passagem do
Raio-X pela matéria e sua refração:

FIGURA 26 – REFRAÇÃO DE RAIO-X

FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/slide/359094/> e <http://www.geocities.ws/


fisicattus/raiox.htm>. Acesso em: 14 maio 2018.

Como fica a imagem da revelação de uma análise cristalográfica utilizando


Raios-X? Veja a figura a seguir:

29
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

FIGURA 27 – CRISTALOGRAFIA DE RAIOS-X EM MINERAIS

FONTE: Disponível em: <http://slideplayer.com.br/


slide/359094/>. Acesso em: 14 maio 2018.

Com as informações desse tipo de imagem, não só é possível obter


informações a respeito da estrutura do mineral, mas também de informações
sobre as ligações químicas dentro da estrutura, ao conhecer distâncias e ângulos
entre os átomos.

Basicamente realizamos a análise de cristais através de três passos básicos:

1) Obter um cristal adequado (maior que 0,1 mm em todas as dimensões), sem


imperfeições.
2) O cristal é colocado em frente a um feixe de Raios-X, normalmente contendo
apenas 1 comprimento de onda. A intensidade de cada reflexão é registrada.
3) Os dados obtidos são analisados por computadores com informações que
ajudam a refinar e produzir um modelo de arranjo de átomos do cristal
analisado.

Uma vez bem definida, esta técnica permitiu, na época, muitas publicações
sobre estruturas cristalinas. Uma das grandes surpresas foi a descoberta de que o
vidro é amorfo, sendo atualmente classificado como líquido super-resfriado com
viscosidade tendendo ao infinito. Também foi a técnica que permitiu Watson e
Crick, em 1953, comprovar a estrutura de dupla hélice do DNA (AZÁROFF, 1979;
ATKINS; JONES, 2012).

30
TÓPICO 2 | ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

UNI

CURIOSIDADE - Como é feito um exame de Raio-X?

Normalmente quando alguém sofre algum acidente ou lesão e é encaminhado a serviço


médico, o médico responsável irá pedir um exame de Raio-X. Mas, afinal, como funciona
esse tipo de exame?
Durante este procedimento o paciente é posicionado de tal maneira que o feixe de Raios-X
passe sobre a área de lesão e do outro lado encontre uma lâmina reveladora. Esta, ao final do
procedimento, é revelada e terá como imagem a resposta para a dúvida médica.

Na figura a seguir é representado o esquema do equipamento de Raios-X:

FIGURA 28 – EQUIPAMENTO DE RAIOS-X

FONTE: Disponível em: <http://papofisico.tumblr.com/post/35666207687/como-funciona-uma-


m%C3%A1quina-de-raio-x>. Acesso em: 15 maio 2018.

Como são produzidos os raios-X?

A principal fonte de emissão de raios-X de um equipamento é composta


por um par de eletrodos (cátodo e ânodo), que ficam dentro de um tubo de vidro,
a vácuo. O cátodo recebe energia elétrica, aquece-o e emite radiação fluorescente,
assim como uma lâmpada. Ao receber energia elétrica, esse filamento aquecido
emite elétrons da superfície do material, que são atraídos pelo ânodo do eletrodo,
feito normalmente de tungstênio.

31
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Quando os elétrons se chocam com os átomos de tungstênio do ânodo,


os elétrons da camada mais interna são liberados, e os elétrons da camada mais
externa ocupam imediatamente a posição do anterior, liberando energia na forma
de fóton, formando a radiação do tipo Raio-X.

Todo esse sistema ainda é protegido por um bloco de chumbo, que evita
que a radiação se espalhe em todas as direções, permitindo o foco de saída
somente para o paciente. Veja na figura o esquema de funcionamento da emissão
dessa radiação.

FIGURA 29 – EMISSÃO DE RAIOS-X

FONTE: Disponível em: <http://papofisico.tumblr.com/


post/35666207687/como-funciona-uma-m%C3%A1quina-de-raio-x>.
Acesso em: 15 maio 2018.

Como esse tipo de radiação mostra somente os ossos e não os outros


tecidos na placa reveladora?

Os raios-X são absorvidos por diferentes partes do corpo, em diferentes


quantidades. Os ossos absorvem grande quantidade de radiação e por isso
aparecem como “branco” na imagem, uma vez que houve ausência de radiação
para a placa reveladora. Já tecidos mais moles, como músculos, órgãos e gordura,
permitem que a radiação passe sem grandes dificuldades, não aparecendo na
placa reveladora com grande facilidade.

32
TÓPICO 2 | ESTADOS FÍSICOS DA MATÉRIA MINERAL

A utilização deste tipo de exame fornece resposta rápida (10 a 15 min), de


boa qualidade e mais barata quando comparada a outros exames por imagem.
Não requer preparação do paciente. O operador irá selecionar a quantidade e o
tipo de Raios-X para cada tipo de paciente de acordo com o local a ser analisado.

Esse tipo de radiação somente acarretará riscos (como câncer) se a


exposição a este tipo de radiação for prolongada. Como os benefícios desse tipo
de exame são maiores que os possíveis riscos, a utilização deste exame é bastante
recomendada.

33
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste segundo tópico você aprendeu:

• Estados físicos dos minerais: a maioria das bibliografias considera somente o


estado sólido e natural como estado físico para os minerais.

• Anisotropia: passa a propriedade física com diferentes intensidades em


diferentes direções.

• Isotropia: passa a propriedade física com igual intensidade em diferentes


direções.

• Hábito: forma como o mineral é encontrado na natureza.

• Cor: propriedade fácil de ser identificada, porém não confiável por conta das
impurezas que podem alterar a coloração do mineral.

• Risca: é a coloração do traço do mineral. Ajuda a identificar a cor do mineral


quando a visualização externa é difícil.

• Brilho: quantidade e qualidade da luz que é refletida pela superfície do mineral.


Pode ser classificado como metálico (superfície brilhante) e não metálico
(transparente).

• Clivagem: característica dos minerais se partirem na forma de planos ou já


estarem disponíveis na forma de planos, de acordo com as direções onde a
estrutura é mais fraca.

• Dureza: pode ser definida como a resistência que o mineral oferece ao ser
riscado por outro mineral ou objeto. A dureza do mineral irá depender da
estrutura em que os átomos estão ligados e a força dessas ligações químicas.
Quanto maior for a força da ligação, mais duro é o material. A escala de dureza
foi desenvolvida por Friedrich Mohs, um mineralogista alemão, que criou uma
escala de dureza baseada na capacidade que um mineral tem de riscar outro
mineral (ver Tabela 1).

• Densidade: indica o número de vezes que o mineral que está sendo analisado
é mais pesado que o mesmo volume de água, a 4ºC.

• Porosidade: pode ser definida como a característica da rocha em conter


espaços vazios na sua estrutura. A porosidade pode ser classificada em
relação à percentagem de espaços vazios comparados aos preenchidos em sua
estrutura. Uma rocha extremamente porosa tem seu percentual maior ou igual

34
a 50%, uma rocha muito porosa possui um percentual de 10 a 30%, uma rocha
bastante porosa possui de 5 a 10%, medianamente porosa de 2,5 a 5%, pouco
porosa de 1 a 2,5% e muito compacta menor que 1%.

• Permeabilidade: pode ser definida como a facilidade que a água apresenta de


percorrer a estrutura da rocha, através dos seus poros que são conectados.

• Tenacidade: a tenacidade está relacionada com a capacidade de o mineral


resistir à quebra, esmagamento, a ser rasgado ou ainda dobrado. Não devemos
confundir essa propriedade física com a dureza. Para separarmos bem essas
duas propriedades temos como exemplo o diamante. Ele possui dureza elevada
(risca todos os outros minerais), mas possui tenacidade relativamente baixa,
uma vez que não é muito resistente à quebra.

• Cristalografia de Raios-X: quando os Raios-X encontram uma estrutura


organizada como um cristal, a sequência de imagens reveladas e o cálculo
dos ângulos que foram refratados podem revelar a estrutura tridimensional
dos átomos dentro da estrutura do cristal. Com as informações desse tipo de
imagem, não só é possível obter informações a respeito da estrutura do mineral,
mas também de informações sobre as ligações químicas dentro da estrutura, ao
conhecer distâncias e ângulos entre os átomos.

35
AUTOATIVIDADE

1 Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) nas afirmações a seguir:

( ) A cor é uma boa ferramenta de identificação de minerais.


( ) A risca é a capacidade que o mineral tem de ser riscado.
( ) Brilho de um mineral é a qualidade e quantidade de luz refletida por ele.
( ) Clivagem é a capacidade de partição dos minerais na forma de pequenos
pedaços.
( ) Dureza está relacionada com a estrutura e a força das ligações entre os
átomos do mineral.

2 Sobre cristalografia de Raios-X, assinale a alternativa correta:

a) ( ) É uma técnica de baixa precisão e, portanto, pouco utilizada.


b) ( ) É uma técnica que permite o entendimento da estrutura do cristal, mas
não explica suas ligações químicas.
c) ( ) É uma técnica que permite o entendimento da estrutura do cristal e
explica suas ligações químicas.
d) ( ) Utiliza radiação ultravioleta como fonte principal de emissão.
e) ( ) A técnica é utilizada somente para minerais que não formam cristais.

36
UNIDADE 1
TÓPICO 3

CLASSES

1 INTRODUÇÃO
Até o momento, conhecemos algumas características químicas e físicas dos
minerais e como estes formam as rochas. Além disso, conhecemos a cristalografia
de Raios-X que permite a identificação de estruturas e ligações químicas de
cristais.

Neste tópico iremos classificar os minerais de acordo com a sua composição


química e como essa composição está arranjada tridimensionalmente. Esse tipo
de classificação faz com que seja possível a separação e identificação de um
determinado tipo de minerais. Iremos estudar as seguintes classes:

• Elementos nativos
• Classe dos sulfetos e sulfossais
• Classe dos óxidos e hidróxidos
• Classe dos carbonatos
• Classe dos halogenetos
• Classe dos fosfatos, arseniatos e vanadatos

São conhecidos atualmente mais de 4.000 diferentes tipos de minerais


e todos os dias novos minerais são levados a análise de identificação. Um dos
passos importantes da identificação é a classificação do mineral de acordo com
sua composição química, ou seja, nas classes anteriormente listadas (KLEIN,
DUTROW, 2008).

Neste tópico iremos aprender a classificar os minerais de acordo com


a sua composição química e como os átomos estão arranjados nessa estrutura.
Existem dez classes mineralógicas tradicionais, onde iremos abordar seus
aspectos químicos e estruturais, divisões e subdivisões

2 CLASSES DOS ELEMENTOS NATIVOS


Minerais classificados dessa maneira possuem em sua estrutura arranjos
de átomos de um único elemento químico, ou ainda por soluções sólidas de
elementos afins.

37
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

DICAS

Lembre-se! Soluções podem ser sólidas. Uma solução é composta de um soluto


(menor quantidade) e um solvente (maior quantidade), portanto, se temos uma mistura de
dois elementos afins no estado sólido, temos uma mistura sólida.

As propriedades físicas deste tipo de mineral são semelhantes àquelas


apresentadas pelos elementos químicos na sua forma isolada. Outra característica
semelhante é o tipo de ligação do mineral.

Podemos subdividir esse grupo em: grupo do ouro, grupo da platina e


grupo do ferro.

No grupo do ouro, podemos encontrar Au, Ag e Cu nativos, onde Pb e Hg


também podem aparecer agregados à estrutura do mineral.

As principais características macroscópicas de alguns elementos que


fazem parte desta classe de minerais podem ser encontradas a seguir:

 Ouro (Au):

Propriedades físicas:
Hábito: octaédrico, muito raramente com faces dodecaédricas, cúbicas e
trapezoidais. Facilmente encontrado com cristais arborescentes (dendríticos),
filiformes, reticulados ou esponjosos.
Fratura: irregular.
Maleável, dúctil e séctil
Dureza: baixa (2,5 a 3,0)
Brilho: metálico
Densidade: 19,3
Cor e traço: amarelo-ouro. A tonalidade varia de acordo com a pureza.
Composição: pode ser encontrado puro ou em solução sólida, sendo o nativo
normalmente encontrado com 10 a 15% de Ag. Quando a porcentagem de prata
é maior que 15% recebe o nome de “electro”.
No grupo da platina, os elementos mais comuns nativos são a platina (Pt),
paládio (Pd) e ligas com esses elementos, por exemplo: Platina-Irídio (Pt, Ir) e
Ósmio-irídio (Os, Ir).

 Platina (Pt):

Propriedades físicas:
Hábito: geralmente encontrados como grãos pequenos e na forma de escamas.
Muito raramente são cúbicos.

38
TÓPICO 3 | CLASSES

Maleável e dúctil
Dureza: alta para um metal (4,0 a 4,5)
Brilho: metálico
Densidade: 21,45
Cor e traço: cinza-azulado com brilho metálico
Composição: sua forma nativa contém ferro (até 28%) e pouca quantidade de
irídio, ósmio, ródio e paládio.
No grupo do ferro, os elementos nativos mais importantes são o Ferro (Fe) e suas
ligas encontradas naturalmente, por exemplo: Níquel-Ferro (Ni, Fe), comumente
encontradas em meteoritos.

 Ferro (Fe):

Propriedades físicas:
Hábito: geralmente encontrados como grãos associados a rochas basálticas,
normalmente na forma de ligas metálicas com o níquel. É rara a formação de
cristais.
Maleável
Fratura: irregular
Dureza: alta para um metal (4,5)
Brilho: metálico
Densidade: 7,3 a 7,9
Cor e traço: cinza-aço
Fortemente magnético
Composição: sua forma nativa contém níquel e com bastante frequência pequenas
quantidade de cobalto, cobre, manganês, enxofre e carbono (KLEIN; DUTROW,
2008).

Elementos metálicos, semimetálicos e não metálicos podem fazer parte


deste tipo de classe. Seguem abaixo as características do mineral de acordo com o
tipo de elemento que o constitui:

Elementos nativos metálicos: baixa dureza, alta maleabilidade,


ductibilidade e em alguns casos, sectilidade. Como possuem características
semelhantes aos metais, também possuem boa condução de calor e eletricidade,
baixo ponto de fusão e brilho metálico característico. Essas características
semelhantes são decorrentes das ligações metálicas encontradas neste tipo de
mineral.

Elementos nativos semimetálicos: são compostos de arsênio (As),


antimônio (Sb) e bismuto (Bi), podendo ser agrupados no grupo do arsênio. O tipo
de ligação envolvida nesse tipo de mineral está entre a metálica e a covalente, uma
vez que os elementos que compõem este tipo de mineral também o apresentam
de característica intermediária. Esse tipo de ligação fornece baixa tenacidade,
condutividade elétrica e térmica quando comparado aos metais.

39
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Elementos nativos não metálicos: estão dentro desse grupo minerais


que possuem carbono (na forma de diamante ou grafite) e enxofre (S). A forma
como os átomos estão ligados e o tipo de ligação química envolvida são muito
diferentes, embora possuam a mesma composição química, ou seja, o mesmo
elemento químico formador do mineral. O diamante é composto por uma
rede tridimensional de tetraedros de átomos de carbono, unidos por ligações
transversais muito fortes. Já o grafite é formado por muitos planos paralelos
também compostos somente por carbono, onde há ligação forte no mesmo plano
e interação fraca entre os planos (interações de Van der Walls) (MILOVSKY;
KONONOV, 1985).

FIGURA 30 – DIFERENÇA ESTRUTURAL ENTRE CARBONO GRAFITE E DIAMANTE

FONTE: Disponível em: <https://www.infoescola.com/quimica/alotropia/>. Acesso


em: 16 maio 2018.

UNI

CURIOSIDADE - É por conta desses planos fortemente ligados no plano


e fracamente entre um plano e outro que podemos escrever com lápis! À medida que
escrevemos, vamos deixando no papel esses planos que são retirados facilmente da estrutura
do grafite. O mesmo não é possível de ser feito com o diamante, pois os átomos de carbono
estão fortemente ligados.

40
TÓPICO 3 | CLASSES

3 CLASSES DOS SULFETOS E SULFOSSAIS


A classe denominada “classe dos sulfetos” é muito importante, uma vez
que inclui um grande número de minerais facilmente encontrados na superfície
terrestre. Podemos representar a sua fórmula molecular como XmZn, onde X
representa um elemento metálico e Z o não metálico, e os subíndices m e n a
quantidade respectiva de cada elemento.

Os sulfossais ocorrem quando elementos como arsênio (As), selênio (Se) e


telúrio (Te) ocupam o lugar do enxofre formando um sal duplo, como a energita
(Cu3AsS4).

A diferença de sulfetos para sulfatos é o estado de oxidação do enxofre.


Quando o enxofre é S2- é denominado sulfeto e S6+ é denominado sulfato (SO)42-.

Exemplos de sulfetos:

 Argentita: Ag2S
 Calcopirita: CuFeS2
 Cinábrio: HgS
 Molibdenita: MoS2
 Bornita: Cu5FeS4
 Esfalerita: ZnS
 Pirita: FeS2
 Galena: PbS2
 Calaverita: AuTe­2
 Silvanita: (Au, Ag)Te2

Exemplos de sulfossais (combinação com S e Sb, As ou Bi):

 Pirargirita: Ag3SbS3
 Tetraedrita: (Cu,Fe,Zn,Ag)12Sb4S13
 Proustita: Ag3AsS3
 Enargita: Cu3AsS4

Veja a seguir alguns dados sobre as propriedades físicas de alguns


minerais deste tipo de classe:

 Calcocita (Cu2S):

Propriedades físicas:
Hábito: geralmente encontrados na forma maciça e de granulação fina. Cristais
são muito raros.
Dureza: 2,5 a 3,0
Brilho: metálico
Densidade: 7,3 a 7,9

41
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Cor e traço: cor cinza chumbo brilhante e traço preto acinzentado


Composição: contém cerca de 79% de cobre e 21% de enxofre. Podem ser
encontradas pequenas quantidades de prata e ferro.

 Bornita (Cu5FeS4):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a tetragonal e maciça. Cristais octaédricos e
dodecaédricos são raros.
Dureza: 3,0
Brilho: metálico
Densidade: 5,06 a 5,08
Cor e traço: bronze amarronzado e traço preto acinzentado
Composição: contém cerca de 63% de cobre e 11% de ferro e 25% de enxofre.

 Galena (PbS):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é o cubo, contendo alguns octaédricos. As formas
de dodecaedro e trioctaedro são mais raras.
Dureza: 2,5
Brilho: metálico
Densidade: 5,06 a 5,08
Cor e traço: cinza chumbo
Composição: contém cerca de 86% de chumbo e 13% de enxofre.

 Esfalerita (ZnS):

Propriedades físicas:
Hábito: as formas mais comuns são o tetraedro, dodecaedro e cubos. Os cristais
são extremamente complexos, com má formação.
Dureza: 3,5 a 4,0
Brilho: não metálico
Densidade: 3,9 a 4,1
Cor e traço: incolor na forma pura e verde na quase pura. Pode ser encontrado
com a coloração amarela, marrom, preta, tendendo a ficar mais escuro conforme
aumenta o teor de ferro na estrutura do mineral. Transparente.
Composição: contém cerca de 67% de zinco e 33% de enxofre (MILOVSKY;
KONONOV, 1985; KLEIN; HULBUT, 1999).

4 CLASSES DOS ÓXIDOS E HIDRÓXIDOS


Os óxidos são caracterizados como um grupo de minerais em que os
metais se combinam com o oxigênio. Como características gerais, esta classe tem
relativamente dureza e densidade altas e com várias espécies refratárias, ou seja,
resistência à alta temperatura.

42
TÓPICO 3 | CLASSES

As ligações químicas nesses minerais são normalmente iônicas, de elevada


força.

Encontramos essa classe de minerais em diversas partes da superfície do


planeta, tanto em rochas ígneas, metamórficas e sedimentares. Os metais que
fazem essa ligação com oxigênio são basicamente o ferro, cromo, manganês,
urânio, estanho e enxofre (MILOVSKY; KONONOV, 1985).

Exemplos de minerais desta classe:

 Cuprita: Cu2O
 Zincita: ZnO
 Coríndon: Al2O3
 Hematita: Fe2O3
 Ilmenita: FeTiO3

Veja a seguir alguns dados sobre as propriedades físicas de alguns


minerais deste tipo de classe:

 Cuprita (Cu2O):

Propriedades físicas:
Hábito: as formas mais comuns são o cúbico, o octaédrico ou dodecaédrico. Os
cristais podem ser encontrados na forma de capilar alongado.
Dureza: 3,5 a 4,0
Brilho: metálico
Densidade: 6,1
Cor e traço: tonalidades diferentes de vermelho
Composição: átomos de oxigênio ocupam o centro do vértice de um tetraedro,
enquanto o cobre ocupa posição entre os átomos de oxigênio.

 Coríndon (Al2O3):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a bipiramidal, com forma tabular ou prismático.
Dureza: 9,0
Brilho: metálico
Densidade: 4,02
Cor e traço: variável, podendo ser encontrado na coloração marrom, rosa, azul
ou incolor.
Composição: 53% de alumínio e 47% de oxigênio.

Já os hidróxidos são caracterizados pela presença de grupamentos


hidroxilas (OH-) ou moléculas de água, possuindo ligações químicas muito mais
fracas que os óxidos.

43
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Sua estrutura normalmente pode ser encontrada na forma de folhas, onde


cada camada é unida entre si por ligações fracas.

Veja a seguir alguns exemplos de minerais dessa classe, juntamente com


características físicas dos mesmos:

 Brucita (Mg(OH)2):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a romboédrica, com formação tabular maciça.
Dureza: 2,5
Brilho: não metálico
Densidade: 2,39
Cor e traço: azul esverdeada, podendo ser encontrada em tons de verde e amarelo.
Composição: 69% de MgO, 31% de água, onde Fe2+ e Mn2+ podem substituir o Mg.

 Manganita (MnO(OH)):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a colunar ou fibroso grosseiro.
Dureza: 4,0
Brilho: metálico
Densidade: 4,3
Cor e traço: cinza chumbo a preto e traço marrom escuro
Composição: 62% de manganês e 27% de oxigênio e 10% de água (MILOVSKY;
KONONOV, 1985; KLEIN; HULBUT, 1999).

5 CLASSES DOS CARBONATOS


Os minerais desta classe são compostos da classe inorgânica, com ligações
iônicas entre um metal ou semimetal com o ânion carbonato (CO32-).

Neste ânion, o carbono (elemento do grupo 14 e que, portanto, possui


quatro elétrons na camada de valência) pode realizar até quatro ligações do tipo
covalente para atingir a estabilidade, segundo a regra do octeto. Já o oxigênio,
elemento pertencente ao grupo 16, possui seis elétrons na camada de valência,
podendo realizar até duas ligações covalentes para atingir a estabilidade. Dessa
maneira, uma molécula estável entre esses dois elementos resulta na molécula de
CO2, como mostra a representação de Lewis a seguir.

44
TÓPICO 3 | CLASSES

FIGURA 31 – REPRESENTAÇÃO DE LEWIS DA MOLÉCULA DE CO2

FONTE: Adaptado de: <https://commons.wikimedia.org/wiki/


File:Co2_Lewis_bonds.gif>. Acesso em: 17 maio 2018.

Mas como pode essa molécula ainda aceitar mais um oxigênio em sua
estrutura? O carbono e o oxigênio, por conta de seus respectivos raios iônicos,
podem aceitar a inserção de mais um oxigênio. Essa inserção proporciona uma
mudança em sua geometria, tornando a molécula triangular planar, em que o
carbono realiza uma dupla com um oxigênio e duas simples com os outros dois
oxigênios, como pode ser visto na figura a seguir:

FIGURA 32 – REPRESENTAÇÃO DE LEWIS DA MOLÉCULA DE CO32-

FONTE: Adaptado de: <https://commons.wikimedia.org/wiki/


File:Co2_Lewis_bonds.gif>. Acesso em: 17 maio 2018.

Como pode ser visto, o carbono e um dos oxigênios (que faz a dupla com
o carbono) atingem a estabilidade, enquanto os outros dois oxigênios não. Isso
resulta na carga -1 para cada um dos elementos não estáveis, gerando a carga -2
do íon carbonato.

As ligações químicas do ânion carbonato (entre carbono e oxigênios) são


do tipo covalente. Porém quando este ânion está ligado a um metal ou não metal,
este tipo de ligação é do tipo iônica (KLEIN; HULBUT, 1999).

A ligação do íon carbonato e seu respectivo cátion proporciona


insolubilidade em água, com exceção do carbonato de amônio ((NH4)2CO3) e dos
carbonatos dos metais alcalinos (grupo 1 da tabela periódica).

Os cristais desta classe se arranjam no espaço normalmente na forma


ortorrômbica, romboédrica ou trigonal. Em meio ácido, ocorre facilmente a
liberação de CO2 e a sua consequente dissolução.
45
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Exemplos de minerais dessa classe:

 Calcita (CaCO3)
 Aragonita (CaCO3 ortorrômbico)
 Dolomita (CaMg(CO3)2)
 Siderita (FeCO3)
 Cerussita (PbCO3)
 Azurita (Cu3(CO3)2(OH)2)

Veja a seguir alguns exemplos de minerais dessa classe, juntamente com


características físicas dos mesmos:

 Dolomita (CaCO3):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a romboédrica, podendo também ser encontrada
na forma prismática ou escalenoédrica.
Dureza: 3,0
Brilho: não metálico
Densidade: 2,72
Cor e traço: branco ou incolor, podendo ser encontrada na cor cinza, vermelho,
verde, azul ou amarelo quando estiverem presentes impurezas.
Composição: 53% de CaO e 44% CO2

 Dolomita (CaMg(CO3)2):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a romboédrica
Dureza: 3,0 a 4,0
Brilho: não metálico
Densidade: 2,85
Cor e traço: rosado, podendo ser encontrado nas cores incolor, branco, cinzento,
verde, castanho e preto
Composição: 30% CaO, 22% MgO e 48% CO2 (MILOVSKY; KONONOV, 1985;
KLEIN; HULBUT, 1999).

6 CLASSES DOS HALOGENETOS


Esta classe de minerais possui como um de seus componentes um elemento
do grupo 17 da tabela periódica (halogênios). Esse elemento será o único ânion ou
será o ânion principal da estrutura.

Por apresentarem sete elétrons na camada de valência, necessitam apenas


de mais um elétron para atingir a estabilidade eletrônica. Dessa maneira, formam
ânions de valência -1, facilmente polarizáveis. Este, ao se combinar com um cátion

46
TÓPICO 3 | CLASSES

de raios maiores e de baixa valência, como os metais alcalinos, possui as seguintes


propriedades: Alto grau de simetria, dureza baixa, ponto de fusão relativamente
alto e baixa condutividade térmica e elétrica no estado sólido.

Quando o raio do cátion é menor, e, portanto, mais polarizável, a ligação


adquire um caráter mais covalente, permitindo menor simetria de ligação.

Para a mineralogia, existe uma grande diferença quando um mineral


contém flúor dos demais que possam conter qualquer outro halogênio. A
composição química do mineral (se contém flúor ou outro halogênio) ajuda a
identificar o tipo de rocha em que se encontra o mineral. O flúor é comum de ser
encontrado em rochas ígneas e metamórficas. Já os demais halogênios são mais
comuns em rochas sedimentares.

Podemos classificar os minerais desta classe conforme a proporção do


halogênio em relação ao cátion da estrutura. Por exemplo, a molécula de NaCl.
Temos um cloro para um sódio, ou seja, a proporção é 1:1. Ao obterem essa
estrutura, cada cátion e cada ânion fica rodeado por seis átomos vizinhos (um em
cima, um embaixo, um na frente, dois em cada lateral e um atrás do íon), formando
a configuração octaédrica. Quando isso acontece, chamamos o mineral do tipo
halita. Veja a figura a seguir que apresenta este tipo de geometria. Lembre-se de
que essa estrutura se repete no espaço, como também apresenta a mesma figura.

FIGURA 33 – REPRESENTAÇÃO DA ESTRUTURA DO TIPO HALITA

FONTE: Adaptado de: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Geometria_molecular_


octa%C3%A9drica> e <http://study.zum.com/book/12440>. Acesso em: 17 maio
2018.

Agora, quando essa proporção muda, como no caso do CaF2, onde a


proporção é de dois átomos de flúor para um átomo de cálcio (2:1), o tipo de
mineral recebe o nome de fluorita. Nessa estrutura, os cátions ocupam os cantos
e o centro das faces de uma célula unitária, como mostra a figura a seguir:

47
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

FIGURA 34 – REPRESENTAÇÃO DA ESTRUTURA DO TIPO FLUORITA

FONTE: Disponível em: <https://engenhariadeelite.wordpress.com/tag/


microestrutura/>. Acesso em: 18 maio 2018.

Veja a seguir alguns exemplos de minerais dessa classe, juntamente com


características físicas dos mesmos:

 Halita (NaCl):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a cúbica
Dureza: 2,5
Brilho: não metálico
Densidade: 2,16
Cor e traço: branco ou incolor, impurezas podem torná-lo amarelo, vermelho,
rosa, azul e púrpura.
Composição: 39% de Na e 61% de Cl

 Fluorita (CaF2):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a cúbica. Pode ser maciço, granular ou colunar
Dureza: 4,0
Brilho: não metálico
Densidade: 2,16
Cor e traço: varia muito, podendo ser encontrada na forma mais comum: verde-
claro. Pode ser amarelo, verde azulado ou violeta. Muito raro na cor branca,
marrom, azul ou rosa. Muito frequentemente ocorrem com mistura das cores
supracitadas. Pode apresentar fluorescência.
Composição: 51% de Ca e 49% de F.

 Criolita (Na3AlF6):

Propriedades físicas:
Hábito: a forma mais comum é a pseudocômica. Pode ser maciço
Dureza: 2,5
Brilho: não metálico
Densidade: 2,95 a 3,0

48
TÓPICO 3 | CLASSES

Cor e traço: Incolor a branco


Composição: 33% de Na, 13% de Al e 54% de F (MILOVSKY; KONONOV, 1985;
KLEIN; HULBUT, 1999).

7 CLASSES DOS FOSFATOS, ARSENIATOS E VANADATOS


Os minerais desta classe possuem em sua estrutura o íon fosfato (PO42-)
ou o íon arseniato (AsO43-) ou o íon vanadato (VO43-). Esses íons estão em uma
mesma classe, pois os elementos P, As e V podem se substituir nas estruturas
minerais. Um exemplo dessas substituições é a seguinte série:

Pb5(PO4)3Cl (fosfato)  Pb5(AsO4)3Cl (arseniato)  Pb5(VO4)3Cl (vanadato).

Alguns exemplos dessa classe:

 Trifilita, Li(Fe,Mn)PO4
 Monazita (Ce,La,Y,Th)PO4
 Vanadinita (Pb5(VO4)3Cl)
 Apatita Ca5(PO4)3(F,Cl,OH)

Veja a seguir alguns exemplos de minerais dessa classe, juntamente com


características físicas dos mesmos:

 Trifilita Li(Fe,Mn)PO4:

Propriedades físicas:
Hábito: normalmente ocorre na forma de massas compactas e quebráveis
Dureza: 4,5 a 5,0
Brilho: não metálico
Densidade: 3,42 a 3,56
Cor e traço: Cinza azulado

 Apatita Ca5(PO4)3(F,Cl,OH):

Propriedades físicas:
Hábito: normalmente ocorre na forma de prismas longos ou tubulares. Bipirâmide
hexagonal
Dureza: 5,0
Brilho: não metálico
Densidade: 3,15 a 3,20
Cor e traço: tons de marrom ou verde (MILOVSKY; KONONOV, 1985; KLEIN;
HULBUT, 1999).

49
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

CURIOSIDADE – COMO FUNCIONA UMA MINA DE DIAMANTES

Normalmente, máquinas escavam com a intenção de encontrar pedras


preciosas, depois de separadas do cascalho por suas densidades. Podem ser
identificadas por sistemas mais modernos, como aplicações de Raios-X.

O tipo mais comum de mina é a do tipo “poço aberto”, como mostra a


figura a seguir:

FIGURA 35 – REPRESENTAÇÃO DE MINA POÇO ABERTO

FONTE: Disponível em: <https://mundoestranho.abril.com.br/ambiente/como-


funciona-uma-mina-de-diamantes/>. Acesso em: 22 maio 2018.

A maioria das minas de diamante se localiza na África e o maior comprador


do mineral é a China.

São utilizadas diversas máquinas, explosivos e, atualmente, elevada


tecnologia para procurar estas pedras tão preciosas com elevado rendimento.

1º passo: encontrar evidências da fonte de diamantes. Utilizam-se


explosivos que podem perfurar a rocha até 17m

2º passo: uma vez encontrado, a máquina perfuradora abre os buracos na


rocha para a colocação de explosivos.

3º passo: com o avanço da explosão, e investigação dos cascalhos


provenientes dela, o poço vai ganhando profundidade, podendo chegar até
quilômetros de profundidade. A maior mina registrada ainda em atividade
possui 600 metros de profundidade.

50
TÓPICO 3 | CLASSES

4º passo: o material extraído da mina é levado até o processamento. Essas


rochas são trituradas duas vezes, lavadas e peneiradas. Em seguida, levadas até
um tanque de flotação, onde as mais pesadas vão para o fundo do tanque (possíveis
diamantes) e as mais leves ficam mais na parte superior e são descartadas.

5º passo: após essa pré-seleção, uma máquina de Raios-X verifica a


autenticidade do mineral. O diamante ao passar por este equipamento fica
fluorescente, registrando um sinal no equipamento e indicando a presença
confirmada de diamantes.

Para se ter uma noção, a cada tonelada de rocha extraída em uma mina,
encontram-se aproximadamente 0,2 gramas de diamante (1 quilate), onde cada
quilate pode ser vendido por aproximadamente mil dólares.

51
UNIDADE 1 | CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

LEITURA COMPLEMENTAR

EXPERIMENTO – SÍNTESE DE CRISTAIS

Neste experimento podemos ver a formação de cristais, tanto de forma


macroscópica, quanto microscópica.

MATERIAIS E REAGENTES

• Balança analítica
• Chapa de aquecimento
• Microscópico
• Béquer
• Funil de Buncher
• Bomba a vácuo
• Papel qualitativo de filtração
• Kitassato
• Álcool etílico
• Éter etílico
• Etileno Diaminotetraacético (EDTA)
• Cloreto de amônio (NH4Cl)
• Hidróxido de amônio (NH4OH)
• Cloreto de níquel hexahidratado (NiCl2.6H2O)

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

1. Em primeiro lugar, dissolveu-se cloreto de amônio até atingir a saturação em


2,5 mL de hidróxido de amônio, com ajuste de 5 mL para o volume final. Deixar
descansar por 30 minutos.

2. Em um béquer separado, pesaram-se 2,5g de cloreto de níquel hexahidratado,


adicionando água aos poucos, até a completa dissolução da massa de sal. Nesse
mesmo béquer foram adicionados 12,5 mL de hidróxido de amônio. Resfriou-
se o béquer sob fluxo de água corrente, e em seguida, adicionou-se a solução
preparada em 1. Posteriormente colocou-se a mistura em imersão em banho de
gelo, por 15 minutos.

3. Após, realizou-se filtração em papel analítico qualitativo, com massa conhecida,


por filtração a vácuo. Lavaram-se os cristais formados com 5 mL de hidróxido
de amônio e pequenos volumes de álcool e éter etílico. O vácuo deve ficar
ligado após 30 minutos para a completa secagem dos cristais.

4. Após a secagem, o papel filtro foi pesado para futuro cálculo de rendimento da
formação dos cristais.

52
TÓPICO 3 | CLASSES

5. Em um béquer, adicionou-se 10 mL de água deionizada e solubilizou-se os


cristais obtidos no primeiro ensaio. Adicionaram-se 2 mL de uma solução que
contenha 0,5 g de EDTA. Formou-se uma suspensão, que se colocou em banho-
maria para a evaporação de 5 mL.

6. Posteriormente, colocou-se a solução em um banho de gelo por 15 minutos. Os


cristais formados novamente são filtrados a vácuo até a secura, porém agora
sem a lavagem com hidróxido de sódio.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Esta técnica possibilita a revisão de conceitos sobre geometria de sólidos,


formação de cristais, estruturas e ligações químicas, entre outros.

Após a formação dos cristais, é possível, ao levar ao microscópico, a


avaliação do hábito dos mesmos.

Os produtos formados formam uma estrutura ortorrômbica bipiramidal


de coloração azul. Seu rendimento foi de 50% e sua realização fácil de ser praticada
em qualquer laboratório de química.

FONTE: TAUFER, G., HOEHNE, L. Utilização de práticas de cristalização como proposta de


ensino em mineralogia. Signos, ano 36, n. 1, p. 154-161, 2015. Disponível em: <http://www.
univates.br/revistas/index.php/signos/article/download/788/778>. Acesso em: 21 maio 2018.

53
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico você aprendeu:

• Classe dos elementos nativos: possuem em sua estrutura arranjos de átomos


de um único elemento químico, ou ainda por soluções sólidas de elementos
afins. As propriedades físicas deste tipo de mineral são semelhantes àquelas
apresentadas pelos elementos químicos na sua forma isolada. Podemos
subdividir esse grupo em: grupo do ouro (podemos encontrar Au, Ag e
Cu nativos, onde Pb e Hg também podem aparecer agregados à estrutura
do mineral); Grupo da platina (os elementos mais comuns nativos são a
platina (Pt), paládio (Pd) e ligas com esses elementos), e Grupo do ferro (os
elementos nativos mais importantes são o Ferro (Fe) e suas ligas encontradas
naturalmente).

• Elementos metálicos, semimetálicos e não metálicos podem fazer parte deste


tipo de classe.

• Elementos nativos metálicos: baixa dureza, alta maleabilidade, ductibilidade e


em alguns casos, sectilidade.

• Elementos nativos semimetálicos: são compostos de arsênio (As), antimônio


(Sb) e bismuto (Bi), podendo ser agrupados no grupo do arsênio. O tipo de
ligação envolvida nesse tipo de mineral está entre a metálica e a covalente, uma
vez que os elementos que compõem este mineral também apresentam este tipo
de característica intermediária. Esse tipo de ligação fornece baixa tenacidade,
condutividade elétrica e térmica quando comparado aos metais.

• Elementos nativos não metálicos: estão dentro desse grupo minerais que
possuem carbono (na forma de diamante ou grafite) e enxofre (S). A forma
como os átomos estão ligados e o tipo de ligação química envolvida são muito
diferentes, embora possuam a mesma composição química, ou seja, mesmo
elemento químico formador do mineral.

• Classe dos sulfetos e sulfossais: a classe denominada “classe dos sulfetos”


é muito importante, uma vez que inclui um grande número de minerais
facilmente encontrados na superfície terrestre. Os sulfossais ocorrem quando
elementos como arsênio (As), selênio (Se) e telúrio (Te) ocupam o lugar do
enxofre formando um sal duplo, como a energita (Cu3AsS4).

• Classe dos óxidos e hidróxidos: os óxidos são caracterizados como um


grupo de minerais em que os metais se combinam com o oxigênio. Como
características gerais, esta classe tem relativamente dureza e densidade altas
e com várias espécies refratárias, ou seja, resistência à alta temperatura. Já os

54
hidróxidos são caracterizados pela presença de grupamentos hidroxilas (OH-)
ou moléculas de água, possuindo ligações químicas muito mais fracas que os
óxidos. Sua estrutura normalmente pode ser encontrada na forma de folhas,
onde cada camada é unida entre si por ligações fracas.

• Classe dos carbonatos: os minerais desta classe são compostos da classe


inorgânica, com ligações iônicas entre um metal ou semimetal com o ânion
carbonato (CO32-). As ligações químicas do ânion carbonato (entre carbono
e oxigênios) são do tipo covalente, porém quando este ânion está ligado a
um metal ou não metal, este tipo de ligação é iônica. Os cristais desta classe
se arranjam no espaço normalmente na forma ortorrômbica, romboédrica
ou trigonal. Em meio ácido, ocorre facilmente a liberação de CO2 e a sua
consequente dissolução.

• Classe dos halogenetos: esta classe de minerais possui como um de seus


componentes um elemento do grupo 17 da tabela periódica (halogênios). Esse
elemento será o único ânion ou será o ânion principal da estrutura. Alto grau de
simetria, dureza baixa, ponto de fusão relativamente alto e baixa condutividade
térmica e elétrica no estado sólido.

• Classes dos fosfatos, arseniatos e vanadatos: os minerais desta classe possuem


em sua estrutura o íon fosfato (PO42-) ou o íon arseniato (AsO43-) ou o íon
vanadato (VO43-). Esses íons estão em uma mesma classe, pois os elementos P,
As e V podem se substituir nas estruturas minerais.

55
AUTOATIVIDADE

1 Sobre a classe dos minerais, relacione as colunas a seguir:

1. Classe dos óxidos


2. Classe dos hidróxidos
3. Classe dos elementos nativos
4. Classe dos carbonatos
5. Classe dos halogenetos

( ) Esta classe de minerais possui como um de seus componentes um elemento


do grupo 17 da tabela periódica.
( ) Os minerais desta classe são compostos da classe inorgânica, com ligações
iônicas entre um metal ou semimetal com o ânion carbonato (CO32-).
( ) São caracterizados como um grupo de minerais em que os metais se
combinam com o oxigênio.
( ) São caracterizados pela presença de grupamentos hidroxilas (OH-) ou
moléculas de água.
( ) Possuem em sua estrutura arranjos de átomos de um único elemento
químico, ou ainda por soluções sólidas de elementos afins.

2 Explique com suas palavras por que o diamante e o grafite possuem


estruturas químicas tão parecidas e propriedades físicas tão diferentes?

3 Sobre a classificação dos minerais em classes, assinale a alternativa correta:

a) ( ) A classe dos óxidos é composta por minerais que tenham em sua estrutura
química o grupo hidroxila.
b) ( ) Os halogenetos são uma classe de minerais que apresentam elementos do
grupo 15 da tabela periódica.
c) ( ) A classe dos minerais nativos possui em sua estrutura arranjos de átomos
de um único elemento químico.
d) ( ) Os minerais da classe dos vanadatos são compostos da classe inorgânica,
com ligações iônicas entre um metal ou semimetal com o ânion carbonato
(CO32-).
e) ( ) A classe dos fosfatos é caracterizada como um grupo de minerais em que
os metais se combinam com o oxigênio.

56
UNIDADE 2

CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-
ESTRUTURAL

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
O estudo da Unidade 2 da disciplina de Mineralogia proporcionará a você,
acadêmico:

• conhecer os fundamentos da estrutura cristalina e sua composição química;

• aprender os fatores que influenciam a formação cristalina e como ocorre


sua formação;

• identificar os tipos de retículos cristalinos;

• conhecer o que é isomorfismo, substituição e polimorfismo;

• conhecer como ocorrem as transformações dos minerais;

• avaliar a importância do que aprendemos e sua importância econômica.

PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 2 está subdividida em três tópicos. Ao longo de cada um deles,
você encontrará figuras, curiosidades, experimentos, dicas, artigos científicos
que o ajudarão a ver o conteúdo de forma mais ampla e aplicada ao coti-
diano. No final de cada tópico estará disponível o resumo, juntamente com
questões de autoatividade para exercitar o conteúdo aprendido.

TÓPICO 1 – COMPOSIÇÃO QUÍMICA

TÓPICO 2 – RETÍCULO CRISTALINO

TÓPICO 3 – VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS

57
58
UNIDADE 2
TÓPICO 1

COMPOSIÇÃO QUÍMICA

1 INTRODUÇÃO
A utilização de minerais, desde a antiguidade, deixa clara a importância
deles em culturas como a egípcia, a japonesa e a grega. A utilização mais comum
era a união de metais, que depois de unidos e forjados no fogo, eram moldados
em forma de objetos a serem utilizados no cotidiano. Pedras brilhantes, que de
alguma maneira encantavam os olhos, eram utilizadas para confecção de joias da
nobreza.

Os primeiros estudos relacionados a substâncias cristalinas surgiram na


Grécia, pelo filósofo Theophrastus (372 a.C.), em que há registro de 16 minerais
na forma de cristais. Com o passar do tempo e o início da Inquisição, houve
um declínio dos estudos dos minerais. Somente no ano 1.000 d.C., o médico e
filósofo árabe Avicena publicou o “Tratado das pedras”, quando apresentou ao
meio científico a classificação taxonômica dos minerais que eram conhecidos até
aquela época.

As definições mais atuais nos permitem classificar um mineral como um


sólido homogêneo, de ocorrência natural, com composição química definida e
um arranjo dos átomos que compõem sua estrutura com elevada organização.

Mas você se lembra da definição de um cristal? É também um sólido,


possui uma geometria regular que possibilita superfícies planas que indicam
a organização do arranjo dos átomos no seu interior. É formado em condições
especiais (lento aquecimento) (KLEIN; HULBUT, 1999).

A organização de sua estrutura permite a formação de unidades


extremamente organizadas e repetidas (células unitárias) que juntas formam o
retículo cristalino. A partir dessa definição, abordaremos com maior profundidade
as características dos cristais, sua composição química, como sua formação pode
ser alterada e onde podem ser encontrados.

59
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

2 FUNDAMENTOS DA ESTRUTURA CRISTALINA E SUA


COMPOSIÇÃO QUÍMICA
A cristalografia é a ciência que tem como foco o estudo de como os átomos
estão arranjados dentro da estrutura cristalina. É uma área da ciência que estuda
tanto os cristais naturais quanto os sintetizados pelo homem.

Qual é a importância de se estudar esta área da ciência? A cristalografia se


dedica ao estudo e desenvolvimento de novos materiais, que podem estar muito
presentes no nosso cotidiano, como cartões de memória, na tela da televisão,
em aviões e diferentes tipos de veículos. Os cientistas desta área, chamados de
cristalógrafos, estudam a estrutura natural do cristal e também utilizam seus
conhecimentos prévios para modificar esta estrutura ou até mesmo sintetizar
uma estrutura semelhante que possua uma propriedade desejada. Novos
produtos podem ser utilizados também na indústria alimentícia, automobilística,
farmacêutica, mineração, informática, indústria de cosméticos, entre outras
(MILOVSKY; KONONOV, 1985; KLEIN; HULBUT, 1999).

Os cristais estudados por esta área podem ser classificados como:


cristalinos, semicristalinos ou amorfos.

Sólido cristalino: a palavra cristal vem do grego krustallas, que significa


solidificado por resfriamento. É um sólido que possui uma estrutura extremamente
organizada em um padrão periódico (que se repete) em todas as direções, como
se pode visualizar na Figura 1, a seguir.

FIGURA 1 – SÓLIDO CRISTALINO

FONTE: Disponível em <https://www.uv.es/lahuerta/qies2012b/


tema1/1solidoscristalinos/index.htm>. Acesso em: 10 jun. 2018.

Sólido semicristalino: é um sólido que possui duas regiões distintas, uma


em que apresenta comportamento cristalino (região cristalina = regularidade
de arranjo) e outra em que apresenta comportamento amorfo (região amorfa =
irregularidade de arranjo), como mostra a Figura 2, a seguir.
60
TÓPICO 1 | COMPOSIÇÃO QUÍMICA

FIGURA 2 – SÓLIDO SEMICRISTALINO

FONTE: Disponível em: <https://www.plastico.com.br/18114/2/>. Acesso


em: 10 jun. 2018.

Sólido amorfo: é um sólido que não apresenta regularidade de arranjo de


átomos no interior de sua estrutura, como o vidro. O vidro, como o conhecemos,
possui sua estrutura sem nenhuma ordem de repetição, como pode ser visto na
figura a seguir. Já quando esta estrutura recebe um resfriamento lento e condições
de temperatura e pressão ideais, se forma o cristal de quartzo. O cristal de quartzo
nada mais é do que a estrutura química (mesma composição química, SiO2)
do vidro que possui arranjo de cristal (elevada organização atômica) (NEVES;
SCHENATO; BACHI, 2008; TILLEY, 2014).

FIGURA 3 – DIFERENÇA ENTRE VIDRO E CRISTAL

FONTE: Disponível em: <https://www.saberatualizado.com.br/2016/09/


o-vidro-e-um-liquido-ou-e-um-solido.html>. Acesso em: 10 jun. 2018.

61
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Para compreendermos melhor como o arranjo de forma ordenada


acontece (formação de cristais), precisamos compreender como analisar o padrão
de repetição no espaço.

A pequena parte que se repete dentro da estrutura cristalina é chamada de


célula unitária, ou seja, ela é a menor parte do cristal que mantém as propriedades
originais. A união de inúmeras células unitárias forma uma rede ou retículo
cristalino, que possui um arranjo espacial bem determinado e semelhante a
qualquer outro ponto do retículo (TILLEY, 2014). Observe a figura a seguir que
apresenta uma célula unitária no formato de um paralelepípedo que se repete no
espaço nos três eixos espaciais.

FIGURA 4 – RETÍCULO CRISTALINO DE UMA CÉLULA UNITÁRIA COM FORMATO DE


PARALELEPÍPEDO

FONTE: Disponível em: <https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/17944/1/


EstudoCristalograficoIsobenzofuran.pdf>. Acesso em: 10 jun. 2018.

Para descrevermos uma célula unitária não basta somente o nome da


forma, como paralelepípedo. É necessário utilizarmos seis parâmetros de rede:
três axiais (a, b e c), que correspondem aos comprimentos de cada lado da forma,
que inicia de um dos vértices da figura e termina no próximo, e três angulares
(α, β e γ), que evidenciam o ângulo formado entre os eixos. Cada um desses
parâmetros é evidenciado na figura anterior e na seguinte (PERKINS, 2002;
TILLEY, 2014).

62
TÓPICO 1 | COMPOSIÇÃO QUÍMICA

FIGURA 5 – PARÂMETROS DE REDE

FONTE: Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/


Par%C3%A2metros_de_rede>. Acesso em: 11 jun. 2018.

Agora que conhecemos mais sobre a estrutura cristalina, células unitárias


e retículos cristalinos, observe o seguinte quadro das classes dos minerais que
vimos na Unidade 1, com um exemplo de cada classe, juntamente com sua célula
unitária (MILOVSKY; KONONOV, 1985; KLEIN; HULBUT, 1999; TILLEY, 2014):

QUADRO 1 – CLASSE DOS MINERAIS E SUAS CÉLULAS UNITÁRIAS

Fórmula
Classe Nome Célula unitária
química

Elementos
Diamante C
Nativos

Sulfetos e
Pirita FeS2
sulfossais

63
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Óxidos e
Quartzo SiO2
hidróxidos

Carbonatos Calcita CaCO3

Halogenetos Halita NaCl

Fosfatos,
arseniatos e Apatita Ca5(PO4)3
vanadatos

FONTE: Adaptado de: <https://mc2h2o.blogspot.com/2010/10/o-super-c.html>, <https://igws.


indiana.edu/RocksAndMinerals/Pyrite.cfm>, <http://pedraspresiosa.blogspot.com/p/ametista.
html>, <http://aulas.e-agps.info/cmateriaispg/capitulo4.pdf>, <http://www.ebah.com.br/content/
ABAAAhQEMAI/03-estrutura-interna-dos-cristais>, <http://slideplayer.com.br/slide/1609295/>.
Acesso em: 11 jun. 2018.

64
TÓPICO 1 | COMPOSIÇÃO QUÍMICA

3 FORMAÇÃO DOS MINERAIS E OCORRÊNCIA


Para explicarmos a composição estrutural e orientação dos cristais é
necessário compreender os processos de formação dos cristais. Os processos de
formação de qualquer cristal dependem basicamente de três fatores:

FIGURA 6 – FATORES QUE INFLUENCIAM A FORMAÇÃO DE CRISTAIS

FONTE: A autora

Uma vez definidas as três condições básicas de formação, o cristal pode


ser formado a partir de três diferentes maneiras:

• A partir de uma solução.


• A partir de uma substância fundida.
• A partir de um gás.

Ao prepararmos uma solução supersaturada e deixarmos acontecer


uma evaporação lenta e gradual, perceberemos que os cristais são formados
lentamente. Isso acontece pela grande quantidade de soluto e a evaporação do
solvente. Um exemplo clássico desse comportamento é o NaCl. Ao evaporarmos
lentamente uma solução supersaturada do mineral, os íons Cl- e Na+ se atraem
pela diferença de carga, segregando-se da solução (CANTO, 1997).

65
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

DICAS

Lembre-se: uma solução supersaturada é aquela que possui uma grande


quantidade de soluto (maior que o coeficiente de solubilidade) sob aquecimento. Ela é
instável, onde, sob mínima perturbação, o excesso de soluto pode precipitar.

A figura a seguir ilustra este processo de formação de cristais.

FIGURA 7 – FORMAÇÃO DE CRISTAIS DE NaCl A PARTIR DE UMA SOLUÇÃO

FONTE: Disponível em: <http://www.las.inpe.br/~cesar/Infrared/materiais.htm>.


Acesso em: 12 jun. 2018.

Sabemos que o processo de cristalização utilizando soluções está


diretamente relacionado com a solubilidade das substâncias no solvente. Na
maioria dos solventes, ao diminuirmos a temperatura, diminui-se também
a solubilidade do soluto. Então, para este mesmo exemplo, ao diminuirmos a
temperatura também podemos obter o processo de cristalização do NaCl, pela
diminuição da solubilidade do mesmo na água.

Outro fator importante será a pressão. Sabemos que quanto maior a


pressão aplicada no sistema, maior quantidade de sal permanecerá solubilizado.
Ao diminuirmos a pressão da solução, fazemos também com que o cristal possa
ser formado.

Assim, podemos resumir: a formação de cristais a partir de uma solução


pode acontecer a partir da evaporação lenta e gradual do solvente, diminuição
da temperatura (diminuição da solubilidade) e pressão (ATKINS; JONES, 2012).

66
TÓPICO 1 | COMPOSIÇÃO QUÍMICA

A formação de cristais a partir de uma substância fundida é aquela


que envolve sempre uma mudança de estado físico da substância. A água é
um exemplo bem comum ao nosso cotidiano. Ela apresenta três estados físicos
comumente visualizados: sólido, líquido e gasoso. Podemos considerar a água
no estado líquido como uma substância fundida (mudança do estado sólido
para líquido é chamado de fusão). Neste estado líquido as moléculas têm maior
energia que no estado sólido, podendo desta forma possuir maior movimentação
(KLEIN; HULBUT, 1999; KITTEL, 2005).

Ao diminuirmos a temperatura, essa energia diminui, fazendo com que


as moléculas iniciem o processo de agregação e, consequentemente, a formação
de cristais de gelo. E a neve? Também é um cristal? Sabemos que a nuvem nada
mais é do que um agregado de água, na forma de vapor condensado. A condição
climática ideal para que a neve chegue até o chão é o acúmulo de muitas nuvens,
baixa temperatura e muita umidade.

A explicação mais comumente encontrada para a formação dos cristais


de água (neve) é a seguinte: uma partícula de poeira flutua em uma nuvem e
o vapor de água se agrega. A gotícula resultante se transforma em gelo e as
primeiras formas dos cristais iniciam. O crescimento deste cristal varia com a
condição climática e com as ranhuras da superfície do cristal. Normalmente, a
forma geométrica é hexagonal, devido à interação entre as moléculas de água. As
diferentes temperaturas, ventos e pressões levam a diferentes formas de cristais
de gelo, como mostra a figura a seguir:

FIGURA 8 – DIFERENTES FORMATOS DE CRISTAIS DE GELO

FONTE: Disponível em: <https://pt.dreamstime.com/


ilustra%C3%A7%C3%A3o-stock-grupo-do-cristal-de-gelo-
image55842816>. Acesso em: 12 jun. 2018.

67
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

A formação de cristais a partir de um gás é a menos frequente das três


formas, apesar do mecanismo de formação ser semelhante. O fator crucial para
a formação deste tipo de cristal é a diminuição da temperatura lenta, que faz
com que as moléculas do gás possam se unir para iniciar o processo de formação
do sólido cristalino (MILOVSKY; KONONOV, 1985; TILLEY, 2014; KLEIN;
HULBUT, 1999).

O exemplo mais comum é a formação de cristais de enxofre, que se formam


a partir dos gases emitidos por vulcões. Esse resfriamento lento proporciona a
formação de cristais bipiramidal trigonal (ou ortorrômbico, como veremos mais
adiante, Figura 8A) e o resfriamento rápido leva a um agregado compacto (8B),
como mostra a Figura 9, a seguir:

FIGURA 9 – CRISTAIS DE ENXOFRE (A) BIPIRAMIDAL TRIGONAL E (B) FORMA COMPACTA

A B

FONTE: Disponível em: <http://loja.luizmenezes.com.br/enxofre-natvo-080.html> e


<https://pt.wikipedia.org/wiki/Enxofre>. Acesso em: 12 jun. 2018.

A atividade vulcânica é um processo complexo, que leva à liberação para


a superfície terrestre de diferentes tipos de composição de gases, como cobre,
chumbo, zinco, enxofre, entre outros. Essas substâncias podem reagir entre si na
forma gasosa (maior energia), podendo gerar uma substância sólida cristalina.

A reação do cloreto férrico com vapores de água pode resultar na formação


da hematita (Fe2Cl3), como mostra a seguinte equação (CANTO, 1997):

Fe2Cl6 + 3 H 2O → Fe2O3 + 6 HCl

O nosso país possui apenas 1,2% das reservas mundiais naturais de


enxofre. A ocorrência é mostrada na figura a seguir, que apresenta a jazida de
enxofre natural e fabricação de ácido sulfúrico a partir dele.

68
TÓPICO 1 | COMPOSIÇÃO QUÍMICA

FIGURA 10 – LOCALIZAÇÃO DAS JAZIDAS DE ENXOFRE E PRODUÇÃO DE ÁCIDO SULFÚRICO

AL
Santa Luzia do
BA
Norte Caraíba
AS: Roullier AS: Mineração
Caraíba Metais (Cu)
Camaçari
AS: Braskem

Candeias
AS: Proquigel
Luis Eduardo Magalhães
AS: Galvani

MG
Uberaba Araxá
AS: Fosféxtil AS: Bunge
GO Varante e Morro Agudo
Catalão EN: Votorantim Metais Zinco
AS: Copebrás
Juiz de Fora e Três Marias
AS: Votorantim Metais Zinco

Fortaleza de Minas
PR AS: Votorantim Metais Zinco
São Mateus
EN: Petrobrás (Folhelho Betuminoso) Nova Lima
AS: Anglo Gold Ashanti

LEGENDA: SP
Matéria Prima Básica SC Cajati Paulinea
EN: Enxofre Criciúma AS: Bunge AS: Galvani
Matéria Prima Intermediária EN: Carbonífera
AS: Ácido Sulfúrico Cubatão Piaçaguera
Metropolitana
AS: Bunge AS: Fosféxtil
AS: Copebrás

FONTE: Fonseca e Bacic (2009)

O tipo de cristal também varia de acordo com o processo de formação do


cristal. O quadro a seguir apresenta os tipos de cristais de enxofre de acordo com
o processo de formação e o percentual de enxofre em cada tipo de cristal.

QUADRO 2 – FORMAÇÃO DE CRISTAIS DE ENXOFRE

Fórmula
Tipo Formação % de enxofre
química
Precipitação em áreas
Enxofre
vulcânicas; em domos S0 100% S
nativo
salinos
Formado sob condições Pirita (FeS3): 53% de S
Sulfetos anaeróbicas (sem S2-
Pirrotita (FeS): 38% de S
oxigênio) Calcopirita (CuFeS2): 35% de S
Formado sob condições
Gipsita (CaSO4.2H2O): 18,6% de S
Sulfatos anaeróbicas (com SO42-
Anidrita (CaSO4): 23,5% de S
oxigênio)
FONTE: Adaptado de Fonseca e Bacic (2009)

69
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

E as pedras preciosas? Nosso país é conhecido internacionalmente pela


imensa quantia e diversidade de pedras preciosas. Estima-se que o Brasil seja
responsável por 1/3 da extração de pedras preciosas.

Essa extração é realizada, em sua maioria, por pequenas empresas do


ramo de mineração e alguns garimpeiros. A ocorrência de pedras preciosas pode
acontecer em todo o território brasileiro. Mas especialmente nos estados do Rio
Grande do Sul, Pará, Tocantins, Goiás, Minas Gerais, Bahia, que possuem cerva
de 80% das reservas. Em sua maioria, o destino final desses lindos cristais é a
exportação. Veja na figura a seguir o mapa das ocorrências de pedras preciosas no
Brasil (FONSECA; BACIC, 2009).

FIGURA 11 – LOCALIZAÇÃO DAS JAZIDAS DE PEDRAS PRECIOSAS NO BRASIL

FONTE: IBGM (2005)

70
TÓPICO 1 | COMPOSIÇÃO QUÍMICA

4 FATORES QUE INFLUENCIAM A ESTRUTURA CRISTALINA


A influência da formação dos cristais é basicamente definida pela
constituição e condições de temperatura e pressão do ambiente em que o cristal
é formado. A velocidade de resfriamento e as condições de intemperismo do
ambiente (ambiente químico) também contribuem nesta influência.

Os elementos químicos que constituirão o cristal devem estar presentes


em quantidades suficientes. Quando outros elementos estranhos à estrutura
estiverem no mesmo ambiente, eles podem ser inseridos no arranjo atômico e
podem modificar o cristal. A presença dos elementos químicos que farão parte do
arranjo do cristal depende, basicamente, de três fatores (TILLEY, 2014; KITTEL,
2005; KLEIN; HULBUT, 1999):

• Da origem: qual tipo de rocha que contém os elementos químicos está presente.
• Do transporte: os elementos químicos podem sair da estrutura rochosa ou não
para formar o cristal.
• Da concentração: qual o mecanismo (físico, químico, mecânico ou misto) a que
os elementos se agregam em determinada região da rocha.

Sabe-se que a maioria dos minerais é formada à temperatura que varia de


1.200ºC até dezenas de graus negativos. A pressão provável será de 20.000 atm
até a pressão da superfície da Terra. Ao tentarmos reproduzir essas condições
no laboratório com exatidão, não se consegue reproduzir exatamente a natureza
química das substâncias que se tem no ambiente de formação do cristal, que são
fatores cruciais para a formação adequada do cristal (POPP, 2010; TILLEY, 2014).

Algumas medidas podem ser realizadas em laboratório para descobrir


em que condições o cristal foi gerado na natureza. O conjunto dessas medidas
é chamado de termometria geológica. Elas se baseiam na medida de ponto
de fusão e inversão (mudança na estrutura cristalina com a temperatura),
dissociação (liberação de componentes voláteis com a temperatura) e exsudações
(aplicado a soluções sólidas, que com a diminuição da temperatura perdem a
estabilidade, separando os seus constituintes), mudança em propriedades físicas
e recristalização com a temperatura e inclusão fluida (aprisionamento de líquidos
na parte interna do cristal) (TILLEY, 2014).

UNI

CURIOSIDADE – CRISTAIS MAIS RAROS QUE DIAMANTE

A tanzanita é um cristal cerca de 1.000 vezes mais raro que o diamante! Sua ocorrência
é conhecida somente no Monte Kilimanjaro, na Tanzânia, em pequena quantidade. É
considerada uma variação do minério zoisite e pode ser observada (ou também admirada)
na figura a seguir.

71
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

FIGURA 12 – TANZANITA

FONTE: Disponível em: <https://tecnicoemineracao.com.br/10-


minerais-raros-do-planeta/>. Acesso em: 13 jun. 2018.

Em 2005, a painita recebeu pelo Guinness Book o título do cristal mais


raro do mundo. Atualmente, ela não possui mais esse título, pelo descobrimento
de duas jazidas desde 2005, mas ainda assim é um dos cristais mais raros da
Terra. Sua imagem pode ser vista na figura a seguir.

FIGURA 13 – PAINITA

FONTE: Disponível em: <https://tecnicoemineracao.com.br/10-minerais-


raros-do-planeta/>. Acesso em: 13 jun. 2018.

A benitoíte é um cristal que possui coloração azul, pertencente ao grupo


dos ciclosilicatos. Apesar de ter sua composição química conhecida, possui uma
propriedade que ainda não se consegue explicar: fluorescência sobre radiação
ultravioleta. Foi encontrado em algumas áreas dos Estados Unidos e Japão. Sua
bela imagem se encontra na figura a seguir.

72
TÓPICO 1 | COMPOSIÇÃO QUÍMICA

FIGURA 14 – BENITOÍTE

FONTE: Disponível em: <https://tecnicoemineracao.com.br/10-minerais-raros-


do-planeta/>. Acesso em: 13 jun. 2018.

73
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste primeiro tópico, você aprendeu:

• Um mineral é também um sólido, possui uma geometria regular que possibilita


superfícies planas que indicam a organização do arranjo dos átomos no seu
interior. É formado em condições especiais (lento aquecimento).

• A cristalografia é a ciência que tem como foco o estudo de como os átomos


estão arranjados dentro da estrutura cristalina. É uma área da ciência que
estuda tanto os cristais naturais quanto os sintetizados pelo homem.

• Os cristais estudados por esta área podem ser classificados como: cristalinos,
semicristalinos ou amorfos.

• Sólido cristalino: a palavra cristal vem do grego krustallas, que significa


solidificado por resfriamento. É um sólido que possui uma estrutura
extremamente organizada em um padrão periódico (que se repete) em todas
as direções.

• Sólido amorfo: são sólidos que não apresentam regularidade de arranjo de


átomos no interior de sua estrutura, como o vidro.

• Sólido semicristalino: possui regiões cristalinas e amorfas.

• A pequena parte que se repete dentro da estrutura cristalina é chamada de célula


unitária, ou seja, ela é a menor parte do cristal que mantém as propriedades
originais do mesmo. A união de inúmeras células unitárias forma uma rede ou
retículo cristalino.

• Os processos de formação de qualquer cristal dependem basicamente de três


fatores: temperatura, pressão e ambiente químico.

• Uma vez que foram definidos os valores dessas três condições básicas de
formação, o cristal pode ser formado a partir de três diferentes maneiras: a
partir de uma solução, substância fundida e um gás.

• Ao prepararmos uma solução supersaturada e deixarmos acontecer uma


evaporação lenta e gradual, perceberemos que os cristais são formados
lentamente. Na maioria dos solventes, ao diminuirmos a temperatura, diminui-
se também a solubilidade do soluto. Outro fator importante será a pressão. Ao
diminuirmos a pressão da solução, fazemos também com que o cristal possa
ser formado.

74
• A formação de cristais a partir de uma substância fundida é aquela que envolve
sempre uma mudança de estado físico da substância.

• A formação de cristais a partir de um gás é a menos frequente das três formas,


apesar do mecanismo de formação ser semelhante. O fator crucial para a
formação deste tipo de cristal é a diminuição da temperatura lenta, que faz com
que as moléculas do gás possam se unir para iniciar o processo de formação do
sólido cristalino.

75
AUTOATIVIDADE

1 A partir dos seus conhecimentos sobre cristais, analise as afirmativas e


posteriormente assinale a alternativa que contém as afirmações CORRETAS:

I- Qualquer mineral é classificado como cristal.


II- Retículo cristalino é encontrado em uma estrutura cristalina que não
possui padrão de organização.
III- Célula unitária é a unidade de repetição que se propaga em todas as
direções em um cristal.

a) ( ) Somente III.
b) ( ) I e IV.
c) ( ) I, II e III.
d) ( ) II e III.
e) ( ) II, III e IV.

2 Sobre cristais e seu processo de formação, assinale a alternativa correta:

a) ( ) A formação dos cristais é pouco influenciada pela mudança de


temperatura.
b) ( ) O tipo de cristal depende somente da temperatura e pressão do
ambiente.
c) ( ) A partir de qualquer solução pode ocorrer a formação de um cristal.
d) ( ) A formação de cristal a partir de um gás é a forma mais comum de
surgimento natural de cristal.
e) ( ) Soluções supersaturadas, sólidos fundidos e gases são possíveis
formadores de cristais, considerando temperatura e pressão adequadas.

76
UNIDADE 2 TÓPICO 2
RETÍCULO CRISTALINO

1 INTRODUÇÃO
Sabemos que a forma como os átomos estão arranjados, sua proximidade
e a natureza da ligação entre eles irão influenciar diretamente a forma física do
sólido. Vimos que, quando este arranjo possui uma regularidade de formação
por toda sua estrutura, este sólido é definido como cristalino. Cada unidade de
repetição é chamada de célula unitária e o conjunto de repetição é chamado de
retículo cristalino.

Como esta regularidade ocorre em toda sua extensão, não é necessário


representar toda a estrutura, mas somente a célula unitária. Esta pequena
representação tem a propriedade de representar todo o restante da estrutura.

Sólidos cristalinos possuem uma propriedade chamada de


piezoeletricidade, que é a capacidade de gerar corrente elétrica quando ocorre
pressão mecânica sobre o sólido. A ferroeletricidade não está relacionada
com a condução de corrente elétrica, mas sim de produzir polarização. Essas
características fazem com que estes tipos de sólidos sejam muito utilizados na
área de engenharia, como na fabricação de termômetros, balanças, transistores,
entre outros. Neste tópico iremos estudar com mais detalhes as informações
sobre o retículo cristalino (TILLEY, 2014).

2 PARÂMETROS DE REDE
Anteriormente vimos a definição de célula unitária e retículo cristalino.
Neste tópico, iremos abordar com maior profundidade características únicas que
nos ajudam a caracterizar a célula unitária.

Cada célula unitária apresentará uma forma e um tamanho, que será


totalmente dependente do tamanho dos átomos que constituem a célula unitária,
sua valência química e o estado de ionização dos átomos ou moléculas. Além
disso, o ambiente de formação da célula unitária será muito importante, uma
vez que um único elemento, ao receber uma temperatura, pressão e ambiente
químico diferentes, pode vir a formar cristais com células unitárias totalmente
distintas. Este fenômeno é chamado de alotropia, e o exemplo clássico deste
fenômeno é o carbono, que forma muitos compostos, sendo os mais conhecidos o
grafite e o diamante. Substâncias orgânicas, como o DNA, podem cristalizar em
formas complexas devido à sua grande massa molecular e complexibilidade de
estrutura.

77
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Apesar da complexidade do tema, um grande número de cristais possui


células unitárias regulares e facilmente entendidas. Cada célula unitária pode
ser analisada e classificada de acordo com alguns parâmetros, chamados de
parâmetros de rede (KELLY; KNOWLES, 2012).

Vimos anteriormente que existem seis parâmetros de rede: três axiais (a,
b e c), que correspondem aos comprimentos de cada lado da forma, que inicia
de um dos vértices da figura e termina no próximo, e três angulares (α, β e γ),
que evidenciam o ângulo formado entre os eixos. Cada um desses parâmetros é
evidenciado na Figura 5.

Com este pensamento, no quadro a seguir são apresentados sete sistemas


cristalinos mais comuns, ou seja, os sete arranjos dos átomos para formar uma
célula unitária e seus respectivos parâmetros de rede (TILLEY, 2014; KELLY;
KNOWLES, 2012).

QUADRO 3 – PARÂMETROS DE REDE PARA OS SETE SISTEMAS CRISTALINOS

Sistema Parâmetros de Forma de célula


Exemplo de minerais
cristalino rede unitária

a=b=c Granadas, pirita,


Cúbico
α = β = γ = 90º diamante, halita

a=b≠c
Tetragonal Rutilo, zircão, cassiterita
α = β = γ = 90º

a=b≠c
Hexagonal α = β = 90° e γ Berilo, apatita, quartzo β
= 120º

Trigonal ou a=b=c Quartzo α, calcita,


romboédrica α = β = γ ≠ 90º turmalinas, hematita

78
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

a ≠ b≠c Topázio, olivina,


Ortorrômbico
α = β = γ = 90º ortopiroxênios

a ≠ b≠c
Monoclínico α = γ = 90° β ≠ Micas, augita
90º

a ≠ b≠c
Triclínico Microclina
α ≠ β ≠ γ ≠ 90º

FONTE: Adaptado de <http://www.fem.unicamp.br/~caram/capitulo3.pdf>. Acesso em: 15 jun.


2018.

3 REDES FUNDAMENTAIS DE BRAVAIS


Partindo dos conceitos vistos até agora, é possível analisar os sete sistemas
cristalinos e identificarmos 14 tipos diferentes de células unitárias. Esse arranjo
é conhecido como redes fundamentais de Bravais, em homenagem a Auguste
Bravais (1811-1863) e suas importantes contribuições na área de sistemas de
cristalização e identificação de células unitárias.

Sua utilização permite uma importante ferramenta de análise


tridimensional da geometria do cristal e de sua célula unitária. Os 14 tipos
possuem características únicas, o que permite a correta classificação, além de
auxiliar na definição e propriedades pertencentes a um determinado material de
acordo com a rede fundamental de Bravais que ele possui (TILLEY, 2014).

Com essa classificação, que tem como origem os sete sistemas cristalinos,
pode ocorrer a divisão dos 14 arranjos em três grupos, de acordo com suas
características de células unitárias:

Grupo I: Neste grupo estão os cristais com células unitárias cúbicas.

Grupo II: Neste grupo estão os cristais com células unitárias tetragonais,
hexagonais e trigonais.

79
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Grupo III: Neste grupo estão os cristais com células unitárias


ortorrômbicas, monoclínicas e triclínicas (TILLEY, 2014; KELLY; KNOWLES,
2012).

Veja, no quadro a seguir, as 14 redes fundamentais de Bravais e a


classificação destes com o grupo que acabamos de realizar:

QUADRO 4 – REDES FUNDAMENTAIS DE BRAVAIS

Grupo Nome da rede


Parâmetros de rede Geometria
fundamental de Bravais

Cúbico P

Cúbico I a=b=c
I
α = β = γ = 90º

Cúbico F

80
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

a=b≠c
Hexagonal
α = β = 90° e γ = 120º

Tetragonal P

a=b≠c
II
α = β = γ = 90º

Tetragonal I

a=b=c
Trigonal R
α = β = γ ≠ 90º

81
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Ortorrômbico P

Ortorrômbico I

a ≠ b≠c
α = β = γ = 90º

Ortorrômbico C

III Ortorrômbico F

Monoclínico P

a ≠ b≠c
α = γ = 90° β ≠ 90º

Monoclínico C

a ≠ b≠c
Triclínico P
α ≠ β ≠ γ ≠ 90º

FONTE: Adaptado de: <http://www.fem.unicamp.br/~caram/capitulo3.pdf> e <https://


repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/5623/5/Cap%C3%ADtulo%20III%20-%20
Cristalografia.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2018.
82
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

Agora vamos interpretar as figuras inseridas no quadro acima. Você deve


ter percebido que existem as letras P, F, C ou I depois do nome de algumas redes
fundamentais de Bravais. Essas letras indicam como os pontos da célula unitária
(átomos) estão distribuídos na estrutura (KELLY; KNOWLES, 2012). Veja a seguir:

Letra P – Célula primitiva: todos os pontos estão localizados no vértice da


forma geométrica. Veja o exemplo da figura a seguir:

FIGURA 15 – CÚBICO P

FONTE: Disponível em: <https://repositorium.sdum.


uminho.pt/bitstream/1822/5623/5/Cap%C3%ADtulo%20
III%20-%20Cristalografia.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2018.

Letra F – Célula centrada nas faces: apresenta átomos (pontos) no centro


das faces da forma geométrica, além dos pontos nos vértices. Veja o exemplo na
figura a seguir:

FIGURA 16 – CÚBICO F

FONTE: Disponível em: <http://www.fem.unicamp.


br/~caram/capitulo3.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2018.

Letra C – Célula centrada em uma das faces: apresentam pontos nos


vértices e no centro de UMA das faces e de forma oposta. Veja o exemplo na
figura a seguir:

83
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

FIGURA 17 – ORTORRÔMBICO C

FONTE: Disponível em: <http://www.fem.unicamp.


br/~caram/capitulo3.pdf>. Acesso em: 16 jun. 2018.

Letra I – Célula unitária centrada no corpo (centro) da figura geométrica,


além dos pontos nos vértices. Veja o exemplo na figura a seguir:

FIGURA 18 – ORTORRÔMBICO I

FONTE: Disponível em: <http://www.fem.unicamp.


br/~caram/capitulo3.pdf>. Acesso em: 16/06/2018.

4 PRINCIPAIS ESTRUTURAS CRISTALINAS


Neste item abordaremos a maneira como os átomos se organizam
para formar a célula unitária, de modo a entender em mais detalhes como a
aproximação atômica permite este arranjo.

Como sabemos, a estrutura de um cristal normalmente ocorre com


a presença de elementos metálicos. Sabemos também que a ligação entre os
elementos metálicos é uma ligação do tipo não direcional, ou seja, não há direção
preferencial para acontecer e, portanto, não há restrições de quantos átomos
vizinhos cada elemento metálico pode ter. Essa falta de direcionalidade é devido
ao tipo de ligação, que está baseada na teoria do mar de elétrons. Você se lembra
desta teoria? Ela diz que os metais, na forma de cátions, estariam livres ao redor
de muitos elétrons livres, chamados de “mar de elétrons”, como mostra a figura
a seguir (ATKINS; JONES, 2012):

84
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

FIGURA 19 – TEORIA DO MAR DE ELÉTRONS PARA LIGAÇÃO METÁLICA

• elétrons livres Íon +

FONTE: Disponível em: <http://www.rc.unesp.br/showdefisica/99_


Explor_Eletrizacao/paginas%20htmls/Eletrons%20livres.htm>. Acesso
em: 16 jun. 2018.

Essa teoria explica o porquê da condutividade térmica e elétrica, brilho e


ductibilidade dos metais.

Como vimos, esse arranjo permite o que chamamos de alto empacotamento


atômico, ou seja, a estrutura cristalina permite, na maioria das vezes, possuir um
grande número de elementos químicos próximos uns dos outros. Normalmente
são encontrados quatro tipos em células unitárias de metais (TILLEY, 2014):

• Cúbica simples (CS).


• Cúbica de corpo centrado (CCC).
• Cúbica de face centrada (CFC).
• Hexagonal simples (HS).

Antes de conhecermos em detalhes cada uma destas estruturas, vamos


conhecer uma característica que nos ajuda a identificar estes sistemas cristalinos.
É o chamado fator de empacotamento (F.E.). Esse valor nos ajudará a identificar
quanto uma célula unitária está ocupada por átomos. Pode ser calculado da
seguinte forma (KLEIN; HULBUT, 1999; TILEY, 2014):

N. VA
F.E. =
VC

Onde N = Número de átomos que efetivamente ocupam a célula unitária.


VA = Volume do átomo, definido como o volume de uma esfera (4/3.π.R³).
R = Raio do átomo.
VC = Volume da célula unitária.

Agora veremos em detalhes as estruturas das principais células unitárias


e mais detalhes dos cálculos do fator de empacotamento de cada uma.

85
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

4.1 CÚBICA SIMPLES (CS)


Neste arranjo de átomos, cada átomo ocupa um vértice do cubo, como
mostra a figura a seguir:

FIGURA 20 – ESTRUTURA CÚBICA SIMPLES (CS)

FONTE: Disponível em: <http://www.fem.unicamp.br/~caram/capitulo3.pdf>. Acesso em: 18


jun. 2018.

Vimos anteriormente que o parâmetro de rede importante era a aresta da


célula unitária, ou seja, o comprimento de reta que une dois vértices, representado
pela letra a da figura acima. Na mesma figura ainda é possível observar que a
letra a corresponde a duas vezes o valor do raio atômico. Como assim? Observe
a Figura 19, olhando a figura da esquerda. Observe que cada átomo (uma esfera)
ocupa um vértice do cubo, mas somente é mostrada uma parte dessa esfera,
que fica dentro da célula unitária. O raio desse átomo localizado no vértice é
apresentado pela letra r. Portanto, a aresta (a) desse cubo será igual a a = 2.r.

Vamos calcular o fator de empacotamento agora, e para isso necessitamos


saber os valores do número de átomos que efetivamente ocupam a célula (N),
volume do átomo (VA) e o raio do átomo.

Para calcular o N, devemos compreender como os átomos estão dispostos


espacialmente. Imagine uma circunferência. Agora, imagine um corte que divide
esta esfera em duas partes e você terá algo parecido com a figura a seguir:

86
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

FIGURA 21 – CORTE NA ESFERA (2 PARTES)

FONTE: Disponível em <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/


fichaTecnicaAula.html?aula=49976> e modificado pela autora.
Acesso em: 18 jun. 2018.

Agora imagine um segundo corte, perpendicular ao primeiro, dividindo


a esfera em quatro partes, como mostra a figura a seguir:

FIGURA 22 – CORTE NA ESFERA (4 PARTES)

FONTE: Adaptado de: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/


fichaTecnicaAula.html?aula=49976>. Acesso em: 18 jun. 2018.

Agora, imagine um terceiro corte, no mesmo sentido do papel, cortando a


esfera em oito partes iguais, como mostra a figura a seguir:

87
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

FIGURA 23 – CORTE NA ESFERA (8 PARTES)

FONTE: Adaptado de: <https://cienciacosmica.net/astrofisica/>. Acesso em:


18 jun. 2018.

Comparando com a célula unitária cúbica que estamos analisando,


chegamos à conclusão de que 1/8 (8ª parte de 1 esfera inteira) de um átomo
ocupa cada vértice do cubo. Para saber o número de átomos que ocupam a célula
unitária, multiplicamos a parte do átomo de cada vértice (1/8) pelo número de
vértices total (8) do cubo, como mostra a equação a seguir:

1
N
= =x8 1
8

Isso quer dizer que nesta célula unitária temos o total de 1 átomo inteiro
dentro da célula.

Agora o volume atômico (VA):

4
V=
A
. π .r3
3

O volume da célula unitária (VC) é o volume do cubo que é igual ao valor


da aresta ao cubo, VC = a³. Como sabemos que a aresta é duas vezes o raio atômico,
temos que VC = (2r)³ = 8r³. Substituindo todos esses arranjos na fórmula do fator
de empacotamento, temos:

4
N . VA 1. .π.r 3
F.E.
= = 3
Vc 8r 3

Cortando o valor de r³, temos:

4 4
1. .π.r 3 .π
F.E. = 3 = 3 = 4 . π . 1 = 0, 52
8r 3 8 3 8
88
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

O valor de 0,52 quer dizer que apenas 52% da célula é preenchida por
átomos, ou seja, um pouco mais do que a metade. Devido a este baixo valor
de ocupação, a maioria dos metais não apresenta esta configuração de célula
unitária. A exceção do metal que apresenta este tipo de configuração é o polônio
(Po) (TILEY, 2014).

4.2 CÚBICA DE CORPO CENTRADO (CCC)


Neste arranjo, existe um átomo em cada vértice do cubo, assim como
na cúbica simples, porém possui um átomo a mais no centro da figura, como
apresenta a figura a seguir:

FIGURA 24 – CÚBICA DE CORPO CENTRADO (CCC)

FONTE: Disponível em: <http://www.fem.unicamp.br/~caram/capitulo3.pdf>. Acesso


em: 18 jun. 2018.

Comparando com a célula unitária cúbica que estávamos analisando,


chegamos à conclusão de que temos 1/8 (8ª parte de 1 esfera inteira) em cada
vértice somado a um átomo inteiro no seu centro, resultando em:

1
N
= x 8 +=
1 2
8

Isso quer dizer que nesta célula unitária temos o total de dois átomos
inteiros dentro da célula.

Agora o volume atômico (VA):

4
V=
A
. π .r3
3

89
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

O volume da célula unitária (VC) é o volume do cubo que é igual ao valor


da aresta ao cubo, VC = a³. Mas como calculamos a aresta em função do raio, se
neste caso (observe novamente a figura acima) o raio dos elementos somados não
totaliza o valor da aresta, uma vez que eles não se tocam como na cúbica simples,
por conta do átomo central? A única maneira que podemos relacionar a aresta
com o raio é analisando a diagonal do cubo. A diagonal de um cubo é calculada
por:

d=a . 3

A diagonal do cubo, como pode ser observado na figura acima,


corresponde a quatro vezes o valor do raio atômico, ficando a fórmula:

4. r
d a. 3 → 4.=
= r a. 3 →=a
3

Agora o volume da célula unitária (VC):


3
 4.r  64.r 3
3
Vc
= a=  =
 3  3. 3

O fator de empacotamento (F.E.), fazendo as devidas substituições:

4 8
N . VA 2 . .π.r 3 . π .r3
3 3 8 3. 3
F.E. == == . π .r3 . 0,68
=
Vc 64.r 3
64.r 3
3 64 . r 3
3. 3 3. 3

Isso quer dizer que 68% da célula unitária está ocupada por átomos.
Exemplos desse tipo de arranjo: Ferro, Cromo e Tungstênio (TILEY, 2014; KELLY;
KNOWLES, 2012).

4.3 CÚBICA DE FACE CENTRADA (CFC)


Neste arranjo, existe um átomo em cada vértice do cubo, assim como na
cúbica simples, porém possui um átomo em cada face do cubo, como apresenta
a figura a seguir:

90
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

FIGURA 25 – CÚBICA DE FACE CENTRADA (CFC)

1/8 de átomo

1/2 de átomo

FONTE: Adaptado de: <https://slideplayer.com.br/slide/84686/>. Acesso em: 18


jun. 2018.

Comparando com a célula unitária cúbica que estávamos analisando,


chegamos à conclusão de que temos 1/8 (8ª parte de 1 esfera inteira) em cada
vértice somado a meio átomo em cada face (são seis faces), totalizando:

1
N
= x 8 +=
3 4
8

Isso quer dizer que nesta célula unitária temos o total de quatro átomos
inteiros dentro da célula.

Agora o volume atômico (VA):

4
V=
A
. π .r3
3

O volume da célula unitária (VC) é o volume do cubo que é igual ao valor


da aresta ao cubo, VC = a³. A única maneira que podemos relacionar a aresta com
o raio é analisando a diagonal da face do cubo. A diagonal da face de um cubo é
calculada por:

d = a. 2

A diagonal da face de um cubo, como pode ser observada na figura acima,


corresponde a quatro vezes o valor do raio atômico, ficando a fórmula:

4. r
d a. 2 → 4.=
= r a. 2 →=a
2

91
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Agora o volume da célula unitária (VC):

3
 4.r  64 .r 3 64 .r 3 . 2 64 .r 3 . 2
3
Vc= a=  = = = = 16 .r 3 . 2
 2 2. 2 2. 2 . 2 4

O fator de empacotamento (F.E.), fazendo as devidas substituições:

4 16 16
N . VA 4 . .π.r 3 . π .r3 . 2 . π .r3 . 2
F.E. =
= =3 3 = 3 = 0,74
Vc 16 .r . 2 16 .r 3 . 2 . 2
3
32 .r 3

Isso quer dizer que 74% da célula unitária está ocupada por átomos.
Exemplos desse tipo de arranjo: alumínio, cálcio, níquel, cobre, prata, ouro,
platina, entre outros (TILEY, 2014; KELLY; KNOWLES, 2012).

4.4 HEXAGONAL SIMPLES (HS)


As estruturas hexagonais, junto com as cúbicas, formam as duas principais
formas de células unitárias encontradas na natureza. Aproximadamente 52% dos
cristais são encontrados na forma de cubos e 28% na forma hexagonal. O restante
é encontrado em outras formas. Devido a esta importância, iniciaremos os estudos
da forma hexagonal, iniciando pela hexagonal simples (HS).

Este arranjo é formado por dois hexágonos sobrepostos, onde em cada


vértice dos hexágonos existe um átomo. Além disso, outro átomo pode ser
encontrado no centro do hexágono, como pode ser visto na figura a seguir:

FIGURA 26 – HEXÁGONO SIMPLES (HS)

FONTE: Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAAgntoAJ/


trabalho-ciencias-dos-materiais> e <http://tecnologiaselectividad.blogspot.
com/2009/08/red-hexagonal-compacta-hcp.html>. Acesso em: 18 jun. 2018.

92
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

Comparando com a célula unitária cúbica que estávamos analisando,


chegamos à conclusão de que temos 1/6 em cada vértice somado ao átomo central,
totalizando:

1
N
= x 12=
+1 3
6

Isso quer dizer que nesta célula unitária temos o total de três átomos
inteiros dentro da célula.

Agora o volume atômico (VA):

4
V=
A
. π .r3
3

O volume da célula unitária (VC) é o volume do hexágono, que é calculado


pela área da base do hexágono e posteriormente multiplicado pela altura da
figura. A área da base pode ser calculada como mostra a figura a seguir:

FIGURA 27 – ÁREA DA BASE DO HEXÁGONO

FONTE: Disponível em <https://slideplayer.com.br/


slide/334095/>. Acesso em: 18 jun. 2018.

Onde cada L da figura representa duas vezes o valor do raio (L = 2.r),


ficando:

3. ( 2.r ) . 3
2

=A = 6. r 2 . 3
2

93
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Como a altura do hexágono corresponde a 2.r, o volume da célula unitária


corresponde:

=Vc área da base


= r 2 . 3 x 2 12. r 3 . 3
x altura 6.=

O fator de empacotamento (F.E.), fazendo as devidas substituições:

4 12 12
N . VA 3 . .π.r 3 . π .r3 . 3 . π .r3 . 3
F.E. =
= =3 3 = 3 = 0,60
Vc 12 .r . 3 12 .r 3 . 3 . 3
3
36 .r 3

Isso quer dizer que 60% da célula unitária está ocupada por átomos.
Exemplos desse tipo de arranjo: selênio e telúrio (TILEY, 2014; KELLY; KNOWLES,
2012).

5 NÚMERO DE COORDENAÇÃO
Ao formar-se uma estrutura cristalina, as células unitárias são empilhadas
em todas as direções do plano. O número de coordenação (N.C.) é o número de
átomos que um determinado átomo está ligado. Isso também nos ajuda a entender
e classificar as estruturas cristalinas. Este número de coordenação é controlado
pelas interações entre os átomos, ou seja, quanto maior afinidade eles possuem,
mais próximos permanecem e maior é o número de coordenação (TILEY, 2014).

Para as estruturas cristalinas que estudamos, os números de coordenação são:

• Cúbica simples (CS)  N.C.: 6

Cada átomo está rodeado de quatro átomos no mesmo plano, um em cima


e outro embaixo, totalizando seis átomos, como mostra a figura a seguir.

FIGURA 28 – NÚMERO DE COORDENAÇÃO PARA


CÚBICA SIMPLES

FONTE: Disponível em <https://goo.gl/BNK86v>. Acesso


em: 18 jun. 2018.
94
TÓPICO 2 | RETÍCULO CRISTALINO

• Cúbica de corpo centrado (CCC)  N.C.: 8

Imagine o átomo central. Ele está rodeado de 1/8 de átomos em cada


vértice (numerados na Figura 18 de 1 a 8, sendo o último visualizado para trás
do átomo central). Como são oito vértices, o número de coordenação é igual a 8,
como podemos observar na Figura 29:

FIGURA 29 – NÚMERO DE COORDENAÇÃO PARA CÚBICA


DE CORPO CENTRADO

FONTE: Adaptado de: <https://pt.slideshare.net/laufersil/11-


cincias-dos-materiais>. Acesso em: 20 jun. 2018.

• Cúbica de face centrada (CFC)  N.C.: 12

Observe o átomo que está em uma das faces na Figura 30, a seguir. Ele está
rodeado de quatro átomos, um em cada vértice daquela face (numerados de 1 a
4 na figura a seguir). Mais quatro átomos na parte frontal (numerados de 5 a 8) e
mais quatro na de trás (não mostrados), totalizando 12 átomos.

FIGURA 30 – NÚMERO DE COORDENAÇÃO PARA CÚBICA DE FACE


CENTRADA

FONTE: Adaptado de: <https://www.blogdoprofessorcarlao.com.


br/2010/11/estrutura-cristalina-cubica-de-face.html>. Acesso em: 20
jun. 2018.

95
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

• Hexagonal simples (HS)  N.C.: 8

Visualize o átomo central da face desta figura, apresentado na figura a


seguir. Ele está rodeado de seis átomos (numerados de 1 a 6), mais o do plano da
frente (número 7) e o de trás (número 8), totalizando oito (TILEY, 2014; KELLY;
KNOWLES, 2012).

FIGURA 31 – NÚMERO DE COORDENAÇÃO PARA


HEXAGONAL SIMPLES

FONTE: Disponível em: <http://www.fem.unicamp.br/~caram/


estrutura.pdf>. Acesso em: 20 jun. 2018.

96
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste segundo tópico, você aprendeu:

• Cada célula unitária pode ser analisada e classificada de acordo com alguns
parâmetros, chamados de parâmetros de rede.

• Existem seis parâmetros de rede: três axiais (a, b e c), que correspondem aos
comprimentos de cada lado da forma, que inicia de um dos vértices da figura
e termina no próximo; e três angulares (α, β e γ), que evidenciam o ângulo
formado entre os eixos. Existem sete sistemas cristalinos:

• Cúbico: a = b = c e α = β = γ = 90º
• Tetragonal: a = b ≠ c e α = β = γ = 90º
• Hexagonal: a = b ≠ c e α = β = 90° γ = 120º
• Trigonal ou romboédrica: a = b = c e α = β = γ ≠ 90°
• Ortorrômbico: a ≠ b ≠ c e α = β = γ = 90º
• Monoclínico: a ≠ b ≠ c e α = γ = 90° β ≠ 90º
• Triclínico: a ≠ b ≠ c e α ≠ β ≠ γ ≠ 90º

• Partindo dos conceitos vistos até agora, é possível analisar os sete sistemas
cristalinos e identificarmos 14 tipos diferentes de células unitárias. Esse arranjo
é conhecido como redes fundamentais de Bravais.

• Redes fundamentais de Bravais: Cúbico P, Cúbico I, Cúbico F, Hexagonal,


Tetragonal P, Tetragonal I, Trigonal R, Ortorrômbico P, Ortorrômbico I,
Ortorrômbico C, Ortorrômbico F, Monoclínico P, Monoclínico C e Triclínico P.

• Letra P – Célula primitiva: todos os pontos estão localizados no vértice da


forma geométrica.

• Letra F – Célula centrada nas faces: apresenta átomos (pontos) no centro das
faces da forma geométrica, além dos pontos nos vértices.

• Letra C – Célula centrada em uma das faces: apresentam pontos nos vértices e
no centro de UMA das faces e de forma oposta.

• Letra I – Célula unitária centrada no corpo (centro) da figura geométrica, além


dos pontos nos vértices.

• O arranjo de átomos permite o que chamamos de alto empacotamento atômico,


ou seja, a estrutura cristalina permite, na maioria das vezes, possuir um grande
número de elementos químicos próximos uns dos outros. Normalmente são
encontrados quatro tipos em células unitárias em metais:

97
• Cúbica simples (CS): Neste arranjo de átomos, cada átomo ocupa um vértice do
cubo. Fator de empacotamento: 0,52, número de coordenação: 6.

• Cúbica de corpo centrado (CCC): Neste arranjo existe um átomo em cada


vértice do cubo, assim como na cúbica simples, porém possui um átomo a mais
no centro da figura. Fator de empacotamento: 0,68, número de coordenação: 8.

• Cúbica de face centrada (CFC): Neste arranjo existe um átomo em cada vértice
do cubo, assim como na cúbica simples, porém possui um átomo em cada face
do cubo. Fator de empacotamento: 0,74, número de coordenação: 12.

• Hexagonal simples (HS): Este arranjo é formado por dois hexágonos sobrepostos,
onde em cada vértice dos hexágonos existe um átomo. Além disso, outro átomo
pode ser encontrado no centro do hexágono. Fator de empacotamento: 0,60,
número de coordenação: 8.

98
AUTOATIVIDADE

1 Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) nas afirmações a seguir:

( ) Células unitárias são pequenos grupos de átomos que se repetem ao longo


da estrutura cristalina.
( ) Existem três sistemas cristalinos: cúbico, hexagonal e tetragonal.
( ) Parâmetro de rede da célula unitária é a combinação entre os comprimentos
das três arestas a, b e c e os três ângulos entre os eixos alfa, beta e gama.
( ) Número de coordenação se refere ao número de átomos de contato, ou seja, é
o número de átomos vizinhos mais próximos. Depende do tipo de interação
e de ligação entre os átomos covalentes que o átomo pode compartilhar e do
fator de empacotamento.

2 Sobre estrutura cristalina, assinale a alternativa correta:

a) ( ) Existem sete redes fundamentais de Bravais.


b) ( ) O sistema cúbico simples apresenta ½ átomo em cada vértice do cubo.
c) ( ) O sistema cúbico de face centrada apresenta número de coordenação
igual a 12.
d) ( ) O sistema cúbico de corpo centrado possui um átomo em cada face do
cubo.
e) ( ) As redes fundamentais de Bravais são pouco utilizadas na cristalografia,
por apresentarem somente cristais raros.

99
100
UNIDADE 2 TÓPICO 3

VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS

1 INTRODUÇÃO
O mineralogista francês R. J. Hauy acreditava que qualquer substância
tivesse uma única forma cristalina, ou seja, um determinado arranjo atômico
dentro do cristal só poderia existir dentro daquele formato. Com o avanço da
descoberta da composição química dos cristais foi possível verificar que esta
afirmação já não era verdadeira. Em 1788, M. H. Klaproth descobriu que tanto
o cristal de aragonita como a calcita possuíam a mesma composição química
(CaCO­3). Mas como isso era possível?

Atualmente, sabe-se que a mesma composição química, ao sofrer condições


de temperatura, pressão e ambiente químico diferentes, possibilita a mudança
na estrutura, ainda que possua a mesma constituição química. Sabemos também
que essas características podem ser conhecidas pela cristalografia de Raios-X, que
permite a identificação da composição química e de como essa composição está
estruturada tridimensionalmente.

Neste tópico iremos conhecer as variações nas estruturas e composições


dos cristais, seus defeitos estruturais e, ainda, como estes cristais são extraídos do
solo (transformação) e seus respectivos valores econômicos e A importância para
nossa sociedade (NEVES; SCHENATO; BACHI, 2008).

2 ISOMORFISMO E POLIMORFISMO
O termo polimorfismo foi introduzido pelo químico francês J. S. Dumas
em uma tentativa de explicar o fenômeno de uma substância (mesma composição
química) ocorrer em cristais de classes diferentes ou sistemas cristalinos distintos.
Este mesmo cientista tentou também explicar a existência da mesma substância,
possuindo a mesma classe com relações fundamentais distintas.

Quando uma determinada substância se apresenta na natureza sob duas


formas (também chamada de fases), o fenômeno é classificado como dimorfismo.
Já em três formas chama-se trimorfismo, e quando ocorre em mais de três o
mesmo é chamado de polimorfismo.

101
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

A palavra polimorfismo (vem do grego, poli = muitas e morphos =


formas) refere-se aos minerais que possuem a mesma composição química,
ou seja, a mesma molécula na sua composição, mas suas estruturas cristalinas
tridimensionais são diferentes. O exemplo que foi dado na introdução sobre o
Carbonato de Cálcio (CaCO3) é um exemplo clássico deste comportamento. Esta
molécula pode cristalizar-se sob a forma trigonal originando o mineral chamado
calcita ou ainda sob a forma ortorrômbica, originando o mineral aragonita. É
possível dizer então que os minerais calcita e aragonita são classificados como
polimorfos da molécula de CaCO3. Suas formas físicas são bem distintas, como
é possível visualizar na figura a seguir (TILEY, 2014; KELLY; KNOWLES, 2012).

FIGURA 32 – MINERAIS CALCITA (A) E ARAGONITA (B)

FONTE: Disponível em: <https://www.cristaisaquarius.com.br/blog/calcita/ e <https://www.


cristaisdecurvelo.com.br/pages/ARAGONITA-Aprenda-Mais-Sobre-Este-Mineral.html>. Acesso
em: 21 jun. 2018.

Outro exemplo de polimorfismo ocorre com o grafite e o diamante.


Ambas as estruturas possuem o carbono como elemento formador da estrutura,
porém o grafite possui a forma hexagonal e em camadas separadas, enquanto o
diamante é isométrico. Como o grafite possui camadas hexagonais que não são
ligadas entre si, ele é facilmente “descamado”, deixando as camadas de carbono
sobre o papel. Já o diamante não possui camadas “livres” de átomos de carbono,
possuindo a dureza como uma das principais características do mineral. Essas
estruturas podem ser vistas na figura a seguir (TILEY, 2014).

102
TÓPICO 3 | VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS

FIGURA 33 – CARBONO GRAFITE E DIAMANTE

FONTE: Disponível em: <http://qnint.sbq.org.br/qni/popup_visualizarMolecula.


php?id=Y9BcZR6XvwLTUe9J4kNn5ztslV8VobFRq1uocoDzP-
VllQWOUbpIOmd0rh2LxRMlGmumqN_MgLvdzIxzvsgpvg==>. Acesso em: 21
jun. 2018.

Outro exemplo de polimorfismo é com minerais à base de ferro e enxofre,


com composição FeS­2. A pirita (FeS­2) possui estrutura isométrica, enquanto
a marcassita (FeS­2) é ortorrômbica. Suas estruturas e aparência podem ser
visualizadas na figura a seguir:

FIGURA 34 – CARBONO PIRITA E MARCASSITA

FONTE: Adaptado de: <https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/7361/7361_4.PDF e <https://www.


mariahelena.pt/pt/pages/cristal-pirita> e <https://pt.wikipedia.org/wiki/Marcassita>. Acesso em:
21 jun. 2018.
103
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

O isomorfismo, que também deriva do grego iso = igual e morphos =


forma, é o fenômeno onde substâncias diferentes (composição química diferente)
possuem formas cristalinas semelhantes (TILEY, 2014).

Exemplo desse fenômeno é a fluorita (CaF2) e a uraninita (UO2), que são


isomorfos. A fluorita possui o cátion Ca2+ que coordena seis ânions F-. Já para
a uraninita o cátion U4+ coordena
­
seis ânions O2-. Este arranjo pode ser melhor
compreendido através de sua visualização, na Figura 35, a seguir:

FIGURA 35 – FLUORITA E URANINITA

FONTE: Disponível em: <https://slideplayer.com.br/slide/344307/> e <https://en.wikipedia.org/


wiki/Uranium_dioxide> e modificado pela autora. Acesso em: 21 jun. 2018.

A maior parte dos minerais apresenta sua composição química na


forma variável, dentro de certos limites. Se analisarmos corretamente, minerais
extremamente puros são considerados como uma exceção e não uma regra.
Como na natureza ocorre sempre a exposição do mineral a diferentes ambientes,
é comum encontrar minerais com mais de uma molécula em sua composição.

Como temos uma mistura de substâncias sólidas na forma homogênea,


podemos classificar esta mistura como uma solução sólida. Para que a compreensão
ocorra de forma melhor, imagine um sólido sendo fundido (sólido virando
líquido), sendo misturado com outro sólido fundido. Ao resfriar, a mistura
dos dois sólidos originais forma um novo sólido, de aparência homogênea e de
composição intermediária aos dois sólidos iniciais.

Um conjunto de diferentes composições e percentuais de composições é


chamado de série de solução sólida ou série isomórfica (TILEY, 2014; KELLY;
KNOWLES, 2012).

104
TÓPICO 3 | VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS

3 VARIAÇÃO NA ESTRUTURA E NA COMPOSIÇÃO DOS


CRISTAIS: SUBSTITUIÇÃO
Podemos encontrar variações na estrutura de alguns minerais. A
substituição é um fenômeno comum e acontece com a substituição de átomos
ou íons pertencentes à estrutura cristalina do mineral. Este tipo de fenômeno
acontece em muitos minerais, principalmente com aqueles que fazem parte da
série das soluções sólidas, por exemplo, a série das olivinas.

Neste caso ocorre uma mudança contínua e recíproca na substituição de


um ou mais pares de elementos da composição química. Normalmente existe a
substituição de elementos maiores, como Al3+ por Si4+ em altas temperaturas, Fe2+
por Mg2+, Fe3+, Al3+ e Cr3+ entre si a qualquer temperatura (TILEY, 2014; KELLY;
KNOWLES, 2012).

Essa substituição é favorecida pelos seguintes fatores:

• Semelhança entre raios dos elementos, para que o tamanho não interfira na
estrutura do cristal. Se a diferença entre o íon que está na estrutura e o que
vai entrar na estrutura for menor que 15%, a substituição pode acontecer em
qualquer proporção, incluindo a substituição total dos átomos. Se a diferença
for de 15% a 30%, a substituição é considerada limitada ou rara, e com diferença
superior a 30% é bem pouco provável que a substituição ocorra.
• Cargas semelhantes para que se mantenha a carga total da estrutura. Por
exemplo, a troca de Mg2+ por Fe2+, a estrutura permanecerá eletronicamente
neutra, pois as cargas são iguais. Quando isto não ocorre, como no caso do
Al3+ e Si4+, normalmente ocorre uma outra substituição na estrutura a fim de
manter a neutralidade da estrutura cristalina. Normalmente, cargas com maior
diferença do que uma unidade não são substituídas.
• Temperatura, uma vez que fornece energia para os átomos e torna possível um
maior movimento ao sistema, favorecendo algumas substituições. Além disso,
a maior temperatura favorece maior dilatação térmica, favorecendo também
maior área de interação e, portanto, maior possiblidade de substituição. Dessa
maneira, quanto maior a temperatura em que ocorre a substituição, espera-se
maior variabilidade e percentual de substituição dentro da estrutura cristalina
(KELLY; KNOWLES, 2012).

Observe a figura a seguir, que apresenta a substituição para o caso das


olivinas, que substituem o Ferro pelo Magnésio:

105
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

FIGURA 36 – SUBSTITUIÇÃO DE FERRO POR MAGNÉSIO NA OLIVINA

FONTE: Adaptado de: <http://geomuseu.ist.utl.pt/MINGEO2011/Aulas%20teoricas/Tema%20


01%20Mineralogia%20T1/Mineralogiabasico.pdf>. Acesso em: 21 jun. 2018.

Como é possível observar na figura acima, as olivinas são um grupo de


minerais cujos membros podem ser silicatos e cátions como magnésio e ferro
(Mg,Fe)2SiO4, formando uma solução sólida, onde a quantidade de ferro e
magnésio pode variar. Como dito anteriormente, colocamos entre parênteses os
elementos que podem ser encontrados na estrutura, podendo um ser substituído
pelo outro. Na fórmula da olivina a vírgula entre os elementos indica que a
substituição ocorre no mesmo ponto do retículo cristalino do cátion e, portanto,
não produz um novo mineral.

Nos extremos, quando temos somente magnésio (Mg2SiO4) temos a


forsterite e quando temos o outro extremo, onde temos somente ferro (Fe2SiO4)
temos a faialite. Na maioria das vezes, temos uma mistura contendo diferentes
proporções dos dois metais.

Na solução sólida intersticial os átomos que fazem a substituição não


entram no lugar de átomos ou íons pertencentes à estrutura e sim nos interstícios
(espaços vazios) do retículo cristalino. Um exemplo deste tipo de substituição
é o Be3Al2Si6O10, onde sua estrutura é organizada em camadas, permitindo que
orifícios sejam formados e íons e moléculas como Na+, Cs+, H2O, CO2 e CH4
possam se alojar com bastante frequência.

Por sua vez, a solução sólida por vacância é formada a partir de defeitos
na estrutura do cristal, permitindo que algum dos pontos estruturais fique vago.
Um exemplo deste tipo de substituição é o mineral pirrotita, à base de sulfeto
de ferro, que estequiometricamente não possui quantidades suficientes de Fe2+
para combinar-se perfeitamente com o enxofre disponível, formando FeS (TILEY,
2014; KELLY; KNOWLES, 2012).

106
TÓPICO 3 | VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS

4 DEFEITOS ESTRUTURAIS
Defeitos em uma estrutura cristalina correspondem a uma formação de
forma equivocada dentro do arranjo periódico do retículo cristalino. Na verdade,
os cristais sempre possuem algum tipo de defeito ou imperfeição, que pode
afetar muitas de suas propriedades físicas e mecânicas, como a plasticidade,
condutividade, cor e luminescência.

Os defeitos são considerados importantes, pois mesmo em pequenas


quantidades podem proporcionar mudanças significativas nas propriedades
do material. Por exemplo, sem a presença dos defeitos os metais seriam mais
resistentes, os materiais cerâmicos seriam mais tenazes (mais resistentes), os
cristais não apresentariam coloração (TILEY, 2014; KELLY; KNOWLES, 2012).

Os tipos de imperfeições encontradas em estruturas cristalinas podem ser


classificados conforme sua geometria e forma. Podem ser definidos como:

• Defeitos pontuais: defeitos que acontecem somente sobre alguns átomos,


podendo causar lacunas substitucionais ou intersticiais. Observe este fenômeno
na figura a seguir:

FIGURA 37 – DEFEITOS PONTUAIS


Lacuna Intersticial

FONTE: Disponível em: <http://www.foz.unioeste.br/~lamat/downmateriais/materiaiscap7.pdf>.


Acesso em: 22 jun. 2018.

Estas lacunas podem ter origem durante o processo de solidificação do


cristal, que podem sofrer perturbações locais durante o processo de crescimento
do cristal, ou podem surgir pelo rearranjo dos átomos, devido à alta mobilidade
atômica durante o processo de formação do cristal.

A presença de um átomo em uma posição fora da ordem da estrutura


cristalina ocasiona a ocupação de um interstício da estrutura, tornando a estrutura
mais rígida.

107
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

• Defeitos lineares: defeitos que acontecem através de uma fileira de átomos em


uma única dimensão. Este defeito proporciona uma distorção da rede ao redor
de uma linha, tendo sua origem também durante o processo de solidificação. A
figura a seguir apresenta um exemplo deste tipo de defeito estrutural.

FIGURA 38 – DEFEITOS LINEARES

Linha da
deslocação cunha

FONTE: Disponível em: <http://www.foz.unioeste.br/~lamat/


downmateriais/materiaiscap7.pdf>. Acesso em: 22 jun. 2018.

• Defeitos planares: defeitos que se estendem através de um plano de átomos,


podendo apresentar-se como contorno entre desalinhamentos estruturais,
como pode ser observado na figura a seguir:

FIGURA 39 – DEFEITOS PLANARES

FONTE: Disponível em: <http://www.foz.unioeste.br/~lamat/


downmateriais/materiaiscap7.pdf>. Acesso em: 22 jun. 2018.

Defeitos volumétricos: defeitos que se apresentam macroscópicos e


tridimensionais, se estendendo sobre todo o conjunto de átomos. Exemplos são a
formação de poros, fendas, precipitados ou inclusões (KELLY; KNOWLES, 2012),
como mostra a figura a seguir:

108
TÓPICO 3 | VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS

FIGURA 40 – DEFEITOS VOLUMÉTRICOS

FONTE: Disponível em <https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/178912/mod_


resource/content/1/Aula%205%20Defeitos%20em%20Materiais.pdf>. Acesso em: 22
jun. 2018.

Além desta classificação, os defeitos podem ser classificados em categorias:

• Intrínsecos: provenientes de processos físicos de sua formação.

Extrínsecos: Provenientes devido ao ambiente externo em que se encontra


o cristal durante a sua formação. Em sua maioria os defeitos são classificados
como extrínsecos (TILEY, 2014).

5 TRANSFORMAÇÕES MINERAIS E IMPORTÂNCIA


ECONÔMICA
A cadeia de produção de minerais para fins comerciais pode ser explicada
em alguns passos: extração, transporte, processamento, transformação e
comercialização. Este processo pode ser ilustrado pela figura a seguir, que mostra
o ciclo produtivo do vidro a partir de minerais não ferrosos (FONSECA; BACIC,
2009):

FIGURA 41 – CICLO PRODUTIVO DO VIDRO

Construção civil
Construtoras | Vidraçarias

Indústria
automotiva

Indústria
moveleira
Extração de Fabricação Transformação
minerais não de vidros de vidros Indústria de
ferrosos (usinas de base) linha branca

FONTE: Disponível em: <http://abravidro.org.br/mercado/como-funciona/cadeiaprodutiva/>.


Acesso em: 22 jun. 2018.

109
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Como pode ser visto na figura anterior, existe uma etapa de transformação,
também podendo ser chamada de tratamento ou beneficiamento. Esta etapa
consiste em diferentes processos aplicados aos minerais visando a sua modificação,
seja de granulometria, concentração de alguma espécie presente sem modificar a
identidade química ou física do mineral.

Alguns autores defendem que a transformação pode incluir tratamentos


mais rígidos, como elevada temperatura ou pressão, e que os minérios podem
sofrer modificações químicas.

Os minérios são classificados como matéria mineral ou agregados de


minerais que contêm um ou mais minerais valiosos, que são aproveitados
economicamente. O mineral ou conjunto de substâncias minerais que não são
aproveitadas são denominados gangas.

As operações de concentração (separação de minerais de interesse)


baseiam-se nas diferenças de propriedades entre os minerais desejados e os
minerais de ganga. Por exemplo: densidade, magnetismo, condutividade elétrica,
cor, radioatividade, forma, entre outras.

Para a liberação do mineral de interesse dos minerais da ganga,


normalmente o mineral é reduzido de tamanho, por um processo chamado de
britagem ou moagem, variando o tamanho de alguns centímetros até micrômetros
(CANTO, 1997).

Uma vez triturados, os minerais de interesse podem ser submetidos aos


processos de separação dos minerais da ganga. Ao ser separado, dificilmente o
mineral estará pronto para ser comercializado. A situação ideal é que o produto
extraído do mineral seja 100% aproveitado, sem gerar nenhum rejeito. Quando
o rejeito apresenta algum percentual do mineral de interesse, significa que o
processo de beneficiamento não está otimizado e possui baixa recuperação. Dessa
maneira, quando o beneficiamento de minerais é realizado de forma eficiente,
visa à diminuição de rejeitos e diminuição de impactos ambientais.

As técnicas utilizadas no beneficiamento, quando feitas de maneira errada,


podem ser fontes poluidoras de todo o meio ambiente em que se encontra. São
exemplos: utilização de mercúrio para amálgama com o ouro, efluentes lançados
em rios contendo amônia, sulfetos, metais pesados, entre outros, e partículas
finas lançadas ao ar (FONSECA; BACIC, 2009).

Veja a seguir alguns beneficiamentos de minerais importantes


economicamente:

110
TÓPICO 3 | VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS

Feldspatos

As rochas utilizadas para este beneficiamento são rochas silicáticas,


compostas de feldspatos e quartzo. Na primeira etapa do beneficiamento ocorre
a britagem, moagem, peneiramento e classificação granulométrica. Na segunda
etapa, ocorre a separação magnética. Na terceira etapa ocorre a flotação, onde se
separa a mica, e os minerais de ferro são encaminhados ao rejeito. Estes minerais
beneficiados são utilizados em diferentes setores cerâmicos.

Em setores que exigem um mineral mais refinado, a mistura, após filtrada


e seca, passa por uma segunda separação magnética mais intensa, a fim de retirar
ainda mais alguns minerais ferrosos. Os minerais beneficiados são submetidos a
processos de caracterização que ocorre por difração de raios-x, análises químicas
e ensaios físicos.

Quartzo

A partir do feldspato triturado, o minério é levado para flotação e separação


dos óxidos de ferro e, posteriormente, em um segundo tanque de flotação, para
separar o quartzo do feldspato. A produção de quartzo está relacionada com
a utilização do mineral em indústrias de alta tecnologia e até mesmo para fins
ornamentais.

Mica

Mica é o termo genérico utilizado aos minerais que possuem alumínio-


silicato, possuindo estrutura lamelar e diferentes composições químicas e
propriedades físicas. A extração do mineral depende da ocorrência e do tipo de
minério. Na maioria das vezes utiliza-se a extração a céu aberto com métodos
convencionais, como trator e retroescavadeira. Em rochas mais duras, usa-se
explosivos.

A moscovita origina-se de rochas pegmatíticas. Este mineral é rico em


mica e possui diferentes aplicações industriais, como na indústria de tintas,
cosméticos e plásticos.

O beneficiamento tem início na redução das partículas através de britagem


e moagem, com posterior concentração gravítica em mesa vibratória. O processo
de concentração gravítica se baseia na separação através da gravidade, por meio
de um fluido (água ou ar) que auxilia no processo de separação. Posteriormente,
processos químicos são utilizados para diminuir o teor de ferro utilizando ensaios
de lixiviação com ácido sulfúrico em diferentes concentrações. (CAVALCANTE;
BALTAR; SAMPAIO, 2005).

111
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

Caulim

O termo caulim é utilizado para denominar tanto a rocha que contém


caulinita como seu principal componente, quanto para o seu produto final. Caulim
é uma rocha de granulometria fina, constituída de material argiloso, normalmente
encontrada com baixos teores de ferro, na coloração branca ou quase branca.

Um dos seus usos é no processo de branqueamento de materiais, e para tal,


faz-se necessária a remoção de qualquer interferente que possa causar cor. Para
solucionar este problema, o mineral pode sofrer o processo de branqueamento
com a adição (e futuros rejeitos) de produtos químicos. Para a redução de ferro
utiliza-se zinco metálico para a redução do Fe3+ para Fe2+, tornando-o solúvel.
A presença de ferro (na forma +3) proporciona a coloração avermelhada. As
principais aplicações econômicas são em tintas, papéis, inseticidas, adubos
químicos, entre outros.

Talco

O talco é matéria-prima mineral de amplo uso na indústria moderna.


Sua composição química e textura conferem diversas aplicações na área de
cosméticos, tintas, papéis, farmacêutica, cerâmica ou até mesmo como carga
inerte na fabricação de tintas, borrachas, inseticidas, fertilizantes, entre outros.

O beneficiamento ocorre após a extração da rocha que contém o minério,


com seleção manual. Sofre uma posterior lavagem com água em tambores
giratórios. Seguido de britagem, moagem, classificação de tamanho, eliminação
de bactérias, embalagem e comercialização. Pode ser empregada também a
técnica de flotação.

Ouro

O beneficiamento inicia-se na seleção das rochas a serem analisadas, após a


extração do ambiente. Este primeiro processo normalmente é feito manualmente.

O beneficiamento do ouro pode acontecer de forma a iniciar-se pela


britagem, a separação de tamanhos de grãos (granulometria) por peneiramento
(peneiras vibratórias), com posterior moagem. Posteriormente ocorre a
separação por densidade entre o ouro e outros minerais da ganga. Ainda no
processo de beneficiamento ocorre a concentração do mineral pela amalgamação
específica com o mercúrio, aumentando seriamente o risco de contaminação dos
profissionais que trabalham no garimpo, quanto do ambiente em que a extração
ocorre (PERKINS, 2002).

112
TÓPICO 3 | VARIAÇÕES E TRANSFORMAÇÃO DE MINERAIS

EXPERIMENTO – CRISTAIS COMESTÍVEIS

Neste experimento podemos ver a formação de cristais e ao final podemos


comer os cristais formados, proporcionando uma tarefa interativa.

MATERIAIS E REAGENTES

• Açúcar refinado
• Água
• Copo médio
• Corante alimentício
• Barbante de algodão
• Pote de vidro

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

1. Em primeiro lugar, dissolveu-se duas medidas e meia de açúcar para uma


medida de água quente. Você pode usar essa medida como um copo médio.
Para tal, primeiramente aqueça a medida de água e aos poucos adicione as
duas medidas e meia de açúcar.

2. Ao levantar fervura, desligue o fogo e, com muito cuidado, coloque o conteúdo


aquecido dentro do pote de vidro. Se quiser, pode adicionar algumas gotas do
corante para que os cristais fiquem coloridos.

3. Deixar a mistura descansando por aproximadamente duas horas. É importante


que a mistura de água e açúcar esteja fria para que a formação de cristais ocorra.

4. Enquanto a mistura esfria, pegue o barbante e meça um tamanho de barbante


que ultrapasse o tamanho do pote de vidro mais uns três dedos de medida.

5. Com a solução fria, mergulhe o barbante até que a ponta quase encoste no
fundo do pote de vidro.

6. Retire o barbante molhado e passe o mesmo no açúcar refinado, de modo que


os cristais do açúcar seco grudem ao redor do barbante.

7. Com o dedo, retire o excesso de açúcar que possa ter ficado no barbante.
Novamente, insira o barbante no pote de vidro de forma que ele não encoste
no fundo nem caia dentro do pote. Sugere-se que se coloque um prendedor de
roupa na ponta externa do barbante para que o mesmo sirva de apoio para o
barbante.

8. Deixe descansando por uma semana. Para que não entrem sujeiras ou insetos,
proteja o sistema com algum pano.

9. Após uma semana, retire o fio e observe os lindos cristais formados!

113
UNIDADE 2 | CRISTALOGRAFIA QUÍMICO-ESTRUTURAL

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Quando dissolvemos o açúcar em água quente, aumentamos a quantidade


de açúcar que o solvente (a água) consegue solubilizar. Ao resfriar a solução, o
excesso de açúcar tende a voltar a ser cristal, se depositando sobre os cristais
depositados no fio (THENÓRIO, 2013).

DICAS

DICAS DE LEITURA

Para que seus conhecimentos sobre esta unidade se consolidem de forma adequada, seguem
dicas de leitura que podem ser utilizadas:
ATENCIO, D., AZZI, A. A. Sistemas cristalinos: nomenclatura e convenções, Terræ Didática,
v. 13, n. 3, p. 279-285, 2017. Disponível em: <https://www.ige.unicamp.br/terraedidatica/v13_3/
PDF13_3/Td-13-3-212-9.pdf>.
SCHNEEGANS, S. Cristalografia e aplicações: no íntimo da matéria! Publicado pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Place de Fontenoy,
75352, Paris 07 SP, França, 2014. Disponível em: <https://www.iycr2014.org/__data/assets/
pdf_file/0011/98309/Cristalografia-e-aplicaoes_no-intimo-da-materia_final-2.pdf>.
TEIXEIRA, C. Os cristais no ensino e divulgação da química. 2000. Disponível em: <https://
fenix.tecnico.ulisboa.pt/downloadFile/3779571913685/25-2.pdf>.
PINA, C. M. Los fundamentos de la cristalografía: una reseña histórica. In: Anales de la
Real Sociedad Española de Química. Real Sociedad Española de Química, p. 294-302, 2014.
Disponível em: <https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6072502>.

114
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste terceiro tópico, você aprendeu:

• A palavra polimorfismo (vem do grego, poli = muitas e morphos = formas) refere-


se aos minerais que possuem a mesma composição química, ou seja, a mesma
molécula na sua composição, mas suas estruturas cristalinas tridimensionais
são diferentes. Elementos metálicos, semimetálicos e não metálicos podem
fazer parte deste tipo de classe. Exemplo clássico: carbono grafite e carbono
diamante.

• O isomorfismo, que também deriva do grego iso = igual e morphos = forma,


é o fenômeno onde substâncias diferentes (composição química diferente)
possuem formas cristalinas semelhantes.

• A substituição é um fenômeno comum e acontece com a substituição de átomos


ou íons pertencentes à estrutura cristalina do mineral. Este tipo de fenômeno
acontece em muitos minerais, principalmente com aqueles que fazem parte da
série das soluções sólidas, por exemplo, a série das olivinas.

• A substituição é favorecida por:

• Semelhança entre raios dos elementos, para que o tamanho não interfira na
estrutura do cristal. Se a diferença entre o íon que está na estrutura e o que
vai entrar na estrutura for menor que 15%, a substituição pode acontecer em
qualquer proporção, incluindo a substituição total dos átomos. Se a diferença
for de 15% a 30%, a substituição é considerada limitada ou rara, e com diferença
superior a 30% é bem pouco provável que a substituição ocorra.

• Cargas semelhantes para que se mantenha a carga total da estrutura. Por


exemplo, a troca de Mg2+ por Fe2+, a estrutura permanecerá eletronicamente
neutra, pois as cargas são iguais. Quando isto não ocorre, como no caso do
Al3+ e Si4+, normalmente ocorre uma outra substituição na estrutura a fim de
manter a neutralidade da estrutura cristalina. Normalmente cargas com maior
diferença do que uma unidade não são substituídas.

• Temperatura, uma vez que fornece energia para os átomos e torna possível um
maior movimento ao sistema, favorecendo algumas substituições. Além disso,
a maior temperatura favorece maior dilatação térmica, favorecendo também
maior área de interação e, portanto, maior possiblidade de substituição. Dessa
maneira, quanto maior a temperatura em que ocorre a substituição, espera-se
maior variabilidade e percentual de substituição dentro da estrutura cristalina.

115
• Na solução sólida intersticial os átomos que fazem a substituição não entram
no lugar de átomos ou íons pertencentes à estrutura e sim nos interstícios
(espaços vazios) do retículo cristalino.

• A solução sólida por vacância é formada a partir de defeitos na estrutura do


cristal, permitindo que algum dos pontos estruturais fique vago.

• Defeitos em uma estrutura cristalina correspondem a uma formação de forma


equivocada dentro do arranjo periódico do retículo cristalino. Na verdade,
os cristais sempre possuem algum tipo de defeito ou imperfeição, que pode
afetar muitas de suas propriedades físicas e mecânicas, como a plasticidade,
condutividade, cor e luminescência.

• Defeitos pontuais: defeitos que acontecem somente sobre alguns átomos,


podendo causar lacunas substitucionais ou intersticiais.

• Defeitos lineares: defeitos que acontecem através de uma fileira de átomos em


uma única dimensão. Este defeito proporciona uma distorção da rede ao redor
de uma linha, tendo sua origem também durante.

• Defeitos planares: defeitos que se estendem através de um plano de átomos,


podendo apresentar-se como contorno entre desalinhamentos estruturais.

• Defeitos volumétricos: defeitos que se apresentam macroscópicos e


tridimensionais, se estendendo sobre todo o conjunto de átomos.

• A cadeia de produção de minerais para fins comerciais pode ser explicada


em alguns passos: extração, transporte, processamento, transformação e
comercialização.

• A etapa de transformação também pode ser chamada de tratamento ou


beneficiamento. Esta etapa consiste em diferentes processos aplicados aos
minerais visando sua modificação, seja de granulometria, concentração de
alguma espécie presente sem modificar a identidade química ou física do
mineral.

• As operações de concentração (separação de minerais de interesse) baseiam-se


nas diferenças de propriedades entre os minerais desejados e os minerais de
ganga (indesejados).

116
AUTOATIVIDADE

1 (UFPR/2014) O diamante e a grafita apresentam a mesma composição


química, ou seja, são compostos apenas por carbono (C), porém se cristalizam
em sistemas cristalinos diferentes, a esse fenômeno se dá o nome de:

a) ( ) Recristalização.
b) ( ) Polimorfismo.
c) ( ) Pseudomorfismo.
d) ( ) Isomorfismo.
e) ( ) Diferenciação magmática.

2 Considere as seguintes afirmações:

I- O isomorfismo mineral apresenta a mesma estrutura cristalina e


composição química diferente, como a calcita e a dolomita. Já no
polimorfismo o mineral apresenta a mesma fórmula química, porém
estruturas cristalinas diferentes, como o diamante e o grafite.
II- A maioria dos cristais não apresenta impurezas e, portanto, pouquíssimos
casos de defeitos estruturais são encontrados.
III- A substituição de alguns elementos dentro da estrutura cristalina depende
unicamente da temperatura aplicada ao mineral.
IV- A substituição é um fenômeno comum e acontece com a substituição de
átomos ou íons pertencentes à estrutura cristalina do mineral.

Sobre as afirmações anteriores, estão corretas somente:


a) ( ) Somente I.
b) ( ) I e II.
c) ( ) II e IV.
d) ( ) I e IV.
e) ( ) Somente IV.

117
118
UNIDADE 3

CRISTALOGRAFIA
MORFOLÓGICA E FÍSICA

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
O estudo da terceira unidade da disciplina de Mineralogia proporcionará
a você, acadêmico:

• conhecer com maior profundidade a morfologia dos cristais;

• identificar as coordenadas cristalográficas e índices de Miller;

• avaliar a simetria de cristais;

• conhecer o que é a cristalografia física e suas propriedades escalares e ve-


toriais;

• compreender as propriedades óptica, elétrica e magnética dos cristais.

PLANO DE ESTUDOS
A Unidade 3 está dividida em três tópicos. Ao longo de cada um deles, você
encontrará figuras, curiosidades, experimentos, dicas, indicação de artigos
científicos que ajudarão a ver o conteúdo de forma ampla e aplicada ao coti-
diano. No final de cada tópico estarão disponíveis o resumo e as autoativida-
des para exercitar o conteúdo aprendido.

TÓPICO 1 – CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

TÓPICO 2 – SIMETRIA DE CRISTAIS

TÓPICO 3 – CRISTALOGRAFIA FÍSICA

119
120
UNIDADE 3
TÓPICO 1
CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

1 INTRODUÇÃO
A morfologia é o estudo da forma como um determinado material,
substância ou tecido se apresenta. No caso da cristalografia morfológica é o
estudo de como os cristais se apresentam externamente, ou seja, como é a sua
forma.

Devemos salientar que o termo “forma” em mineralogia tem um sentido


distinto daquele que estamos acostumados a utilizar. Quando falamos “forma”
estamos nos referindo às faces dos cristais, dos elementos químicos que os
compõem, seus ângulos e simetrias. Quando falamos da aparência externa do
cristal devemos nos referir à palavra hábito (KLEIN; HULBUT, 2012).

A morfologia dos cristais depende basicamente de dois fatores: fatores


internos (composição química e arranjo espacial dos átomos) e externos
(temperatura, pressão, movimento e contaminantes). O fator interno está
relacionado à forma física do cristal, uma vez que o tipo de ligação, as interações
entre as moléculas e os ângulos formados pela célula unitária irão caracterizar a
rede cristalina e, portanto, a forma como este cristal se apresenta externamente.
O fator externo pode alterar o fator interno, modificando também a forma como
ele se apresenta visualmente (PERKINS, 2002).

Neste tópico, nós iremos abordar aspectos químicos da estrutura dos


diferentes tipos de cristais e como estão relacionados com a forma física como os
cristais se apresentam na natureza.

2 POLIEDROS CRISTALINOS: ELEMENTOS GEOMÉTRICOS E


LEIS CRISTALOGRÁFICAS
Antes de iniciarmos os estudos sobre a morfologia dos cristais, você
saberia dizer o que é um poliedro? A palavra poliedro é derivada do grego, polys
significa vários e hédrai significa faces. Dessa maneira, podemos definir o poliedro
como um sólido geométrico cuja superfície é formada de um número finito de
faces (cada face é chamada de polígono). Possui vértices (encontro de duas ou
mais arestas) e arestas (segmentos de retas que delimitam a face). A Figura 1
ilustra cada um desses parâmetros.

121
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

FIGURA 1 – COMPOSIÇÃO DO POLIEDRO

FACE

ARESTA
VÉRTICE

FONTE: Disponível em: <https://brasilescola.uol.com.br/matematica/


poliedros.htm>. Acesso em: 10 jul. 2018.

O polígono (face que forma o poliedro) pode apresentar diferentes formas,


como mostra o quadro a seguir:

QUADRO 1 – POLÍGONOS
Informações Nome do polígono Forma

3 lados iguais
Triângulo
3 vértices

4 lados iguais
Quadrilátero
4 vértices

5 lados iguais
Pentágono
5 vértices

6 lados iguais
Hexágono
6 vértices

122
TÓPICO 1 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

7 lados iguais
Heptágono
7 vértices

8 lados iguais
Octógono
8 vértices

9 lados iguais
Eneágono
9 vértices

10 lados iguais
Decágono
10 vértices

11 lados iguais
Undecágono
11 vértices

123
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

12 lados iguais
Dodecágono
12 vértices

FONTE: Adaptado de: <http://reforcandomatematica.blogspot.com/2013/06/triangulos.html>;


<https://br.vexels.com/png-svg/previsualizar/139344/cone-quadrado-quadrado-quadrado>;
<http://www.ultracoloringpages.com/pt/p/pent%C3%A1gono-desenho-para-colorir/9b5
ad452980ea35d4b5a11ef29dbb230>; <https://pt.wiktionary.org/wiki/hex%C3%A1gono>;
<http://www.tudodesenhos.com/d/heptagono>; <http://www.ultracoloringpages.com/pt/p/
oct%C3%B3gono-desenho-para-colorir/94f0e2dd2c2eb8a94e879f0aeea2589b>; <https://
pt.wikipedia.org/wiki/Ene%C3%A1gono>; <https://decagono.com/>; <https://pt.wikipedia.org/
wiki/Hendec%C3%A1gono> e <https://pt.wikipedia.org/wiki/Dodec%C3%A1gono>. Acesso em:
10 jul. 2018.

O número mínimo de faces para formar um poliedro é igual a quatro.


Dependendo do número de faces (arranjos espaciais), os poliedros recebem
diferentes nomes. O polímero que possui quatro faces recebe o nome de
tetraedro, o de cinco faces é o pentaedro, o de seis faces é hexaedro, o de sete
faces é heptaedro, o de oito faces é o octaedro, e assim por diante (LEITE, 2014).
No quadro a seguir é possível ver a forma e nome de alguns poliedros comuns.

124
TÓPICO 1 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

QUADRO 2 – POLIEDROS

Nome do poliedro Características Forma tridimensional

Tetraedro 4 faces

Pentaedro 5 faces

Hexaedro 6 faces

Heptaedro 7 faces

Octaedro 8 faces

Eneaedro 9 faces

Decaedro 10 faces

125
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

Undecaedro 11 faces

Dodecaedro 12 faces

Icosaedro 20 faces

FONTE: Adaptado de: <https://gl.wikipedia.org/wiki/Tetraedro>; <https://educacao.uol.


com.br/matematica/poliedro.jhtm>; <https://www.researchgate.net/figure/Figura-38-
Hexaedro-Eksaedru_fig8_313577800>; <https://alunosonline.uol.com.br/matematica/
relacao-euler.html>; <https://pt.clipartlogo.com/image/octahedron_204294.
html>; <https://eu.wikipedia.org/wiki/Eneaedro>; <http://www.aulete.com.br/
decaedro>; <http://www.archimedes-lab.org/monthly_puzzles_72.html>; <http://
aramismatematica.blogspot.com/2011/08/um-dodecaedro-possui-12-faces-30.html>;
<https://es.vexels.com/png-svg/vista-previa/138647/geometra-sagrada-3d>. Acesso
em: 10 jul. 2018.

Observe no Quadro 2 que nem todas as faces que compõem o poliedro


são iguais. Por exemplo, o heptaedro. Possui sete faces, sendo duas pentagonais e
cinco quadriláteras. Os polígonos que possuem todas as faces iguais são chamados
de regulares e aqueles que não possuem todas as faces iguais são chamados de
irregulares (LEITE, 2014).

Agora que conhecemos os conceitos e exemplos de poliedros, fica mais


fácil o entendimento do conteúdo que veremos a seguir: elementos geométricos
e leis cristalográficas (EVANGELISTA, 2002).

Os elementos geométricos de um cristal são basicamente os mesmos de


um poliedro:

• Faces: planos que limitam o cristal.


• Arestas: segmentos de retas que formam as intersecções (encontro) entre faces.
• Vértices: Ponto de encontro de duas ou mais arestas. O encontro de arestas
acontece com o surgimento de um ângulo característico. Observe a Figura 2, a
seguir, que exemplifica o ângulo formado entre duas arestas:
126
TÓPICO 1 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

FIGURA 2 – ÂNGULO ENTRE ARESTAS

FONTE: Disponível em: <http://www.alfaconnection.pro.br/


matematica/geometria/triangulos/triangulo-isosceles/>. Acesso em:
11 jul. 2018.

• Ângulos planos: ângulo formado por duas arestas.


• Ângulos diedros: ângulo formado por duas faces.

Observe a Figura 3 que mostra a diferença entre ângulos planos (entre


duas arestas, ou seja, segmentos de reta) e ângulos diedros (ângulos entre duas
faces) (LEITE, 2014):

FIGURA 3 – DIFERENÇA ENTRE ÂNGULO PLANO (A) E DIEDRO (B)


A B

FONTE: Disponível em: <https://www.vivendoentresimbolos.com/2012/07/os-angulos.


html> e <http://calculo.cc/temas/temas_geometria/cuerpos_geometricos/teoria/angulo_
diedro.html>. Acesso em: 11 jul. 2018.

Vimos até agora os elementos geométricos dos cristais. A partir deste


momento veremos em detalhes as leis cristalográficas.

Os cristais que possuem a mesma composição química, ou seja, são


formados pela mesma substância, nem sempre apresentam a mesma forma
externa. Dessa maneira, surgem as leis cristalográficas, que nos ajudam a
identificar e explicar a existência dos diferentes tipos de cristal, de acordo com
sua aparência externa (KLEIN; HULBUT, 2012; TILLEY, 2014). São elas:

127
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

• Lei da constância dos ângulos diedros.


• Lei da racionalidade ou lei dos parâmetros.
• Lei da simetria.

Lei da constância dos ângulos diedros

Também conhecida como Lei de Steno. Esta lei diz que as faces de
diferentes cristais que possuem a mesma composição química (mesma
substância), independente da forma externa que se apresente, quando submetidas
a temperatura constante, apresentam ângulos diedros iguais (ângulos entre as
faces).

Assim, esta lei define que uma forma cristalográfica pode ser caracterizada
pelos ângulos de sua face e não pela sua forma geométrica da face ou do cristal
como um todo (TILLEY, 2014).

Considere a Figura 4, que mostra dois cristais de quartzo (hexagonais),


com diferentes formas externas, ou seja, com diferentes tamanhos de arestas.

FIGURA 4 – LEI DA CONSTÂNCIA DOS DIEDROS

FONTE: Disponível em: <https://www.slideshare.net/leodolcevita/5-c-2009-


minerali-2537109> e <http://augite.wdfiles.com/local--files/wiki:laboratori/
Mineralogia_SG_2018_%28Lab02%29_Cristallografia%20morfologica.pdf>.
Acesso em: 11 jul. 2018.

128
TÓPICO 1 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

Como é possível observar, apesar de tamanhos de arestas e até mesmo


formas externas distintas, esses cristais apresentam o mesmo ângulo diedro,
caracterizando a mesma composição química.

Lei da racionalidade ou lei dos parâmetros

Esta outra lei também pode ser chamada de Lei de Haüy (1784) e define
que todos os cristais são formados por unidades estruturais minúsculas, que
definem um eixo de coordenadas.

A posição no espaço em que cada uma das faces do cristal será posicionada
sob o eixo cartesiano, que agora não é mais x, y e z que estamos acostumados
e, sim, letras minúsculas como a, b e c, como evidencia a Figura 5. Cada letra
minúscula corresponderá a um número inteiro e poderá ser acompanhada de sinal
positivo ou negativo, dependendo de sua posição espacial. Assim, as unidades
que compõem o cristal recebem diferentes valores de a, b e c, podendo diferenciar
um cristal de outro (PERKINS, 2002; TYLEY, 2014). Mas como fazemos isso?

Colocamos cada elemento que compõe a unidade estrutural (representados


na Figura 5 a seguir pelas letras maiúsculas A, B e C), preferencialmente, sobre
os eixos cartesianos. Ao fazermos isso, esses eixos recebem o nome de eixos
cristalográficos. A distância entre o centro dos eixos (representado pela letra
maiúscula O) até os vértices (A, B e C) é representada pelas letras minúsculas
a, b, e c. Pode ser que o vértice se posicione também na parte negativa do eixo,
recebendo assim o adequado sinal matemático para diferenciar suas posições
(EVANGELISTA, 2002). Tente encontrar essas informações na Figura 5.

FIGURA 5 – EIXOS CRISTALOGRÁFICOS

FONTE: Disponível em <http://www.uel.br/projetos/geocienciasnaweb/notacao.


pdf> e <http://mineralogiaequimicadosolo.blogspot.com/2014/05/eixos-
cristalograficos-parametros-e.html>. Acesso em: 11 jul. 2018.

Se pudéssemos medir as distâncias entre os vértices do cristal de enxofre,


teríamos as seguintes medidas, informadas pelo quadro a seguir.

129
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

QUADRO 3 – INFORMAÇÕES SOBRE OS CRISTAIS DE ENXOFRE

Medida sobre o eixo cristalográfico Distância em Å


a 10,48
b 12,92
c 24,55
FONTE: Adaptado de: <http://www.uel.br/projetos/geocienciasnaweb/notacao.
pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018.

Como cada cristal possui um valor de a, b e c distintos, escolhemos a letra


b para padronizar como possuindo o valor um (1 cm) e os valores de a e c são
proporcionais a essa mudança. Assim podemos observar os novos valores no
Quadro 4 a seguir:

QUADRO 4 – INFORMAÇÕES SOBRE OS CRISTAIS DE ENXOFRE

Medida sobre o eixo cristalográfico Distância em cm


A 0,81
B 1,0
C 1,90
FONTE: Adaptado de: <http://www.uel.br/projetos/geocienciasnaweb/notacao.pdf>.
Acesso em: 11 jul. 2018.

Dessa maneira, temos os valores de a e b em centímetros e de forma


relativa ao eixo b.

Lei da simetria

Sabemos que os cristais se diferenciam dos demais sólidos pela existência


de uma ordem (célula unitária), que se repete ao longo de sua estrutura
tridimensional (rede cristalina). A maneira como a repetição ocorre é chamada
de simetria.

Todos os minerais apresentam, através do arranjo de suas faces, algum


tipo de simetria definida. Essa característica permite agrupar os diferentes tipos
de cristais em classes diferentes (MIESSLER; FISCHER; TARR, 2014). A análise de
simetria pode ocorrer através de:

• Rotação em torno de um eixo.


• Reflexão sobre um plano.
• Rotação em torno de um eixo com inversão.

Quando realizamos rotação em torno de um eixo, inserimos um eixo


imaginário no seu centro e rotacionamos suas extremidades. A Figura 6 apresenta
um exemplo deste fenômeno:

130
TÓPICO 1 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

FIGURA 6 – ROTAÇÃO EM TORNO DE UM EIXO

FONTE: Disponível em: <http://www.biocristalografia.df.ibilce.unesp.br/valmir/cursos/


slides/aula7.o.pdf> e <https://pt.slideshare.net/Professorcarlosassfisica/simetria-
molecular-e-grupo-de-ponto1>. Acesso em: 11 jul. 2018.

A reflexão sobre um plano é uma operação de simetria que não modifica


a molécula após sua realização. É necessária a imaginação de um plano sobre a
molécula, chamado de plano de simetria, onde de um lado do plano permanece
uma parte da molécula que é idêntica à outra parte, que fica do outro lado do
plano imaginário. Podemos comparar a uma imagem refletida em um espelho
(MIESSLER; FISCHER; TARR, 2014; PERKINS, 2002). Observe a Figura 7 a seguir.

FIGURA 7 – REFLEXÃO SOBRE UM PLANO

FONTE: Disponível em: <http://www.quimicaorganica.org/es/foro/117-cuestiones-


varias.html>. Acesso em: 11 jul. 2018.

Já a rotação em torno de um eixo com inversão é uma combinação das


duas operações comentadas anteriormente, onde fazemos o processo de rotação,
seguido da análise de reflexão. A Figura 8 ilustra o mecanismo.

131
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

FIGURA 8 – ROTAÇÃO EM TORNO DE EIXO SEGUIDA DE INVERSÃO

FONTE: Disponível em: <http://www.biocristalografia.df.ibilce.unesp.


br/valmir/cursos/slides/aula7.o.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018.

A partir dos conhecimentos adquiridos, podemos classificar os cristais de


acordo com o número de vezes que podemos rotacionar um eixo de simetria,
sem alterar a aparência ou formato da molécula. Quando podemos fazer isso
apenas uma vez, o sistema é chamado de unitário. Duas vezes, binário; três vezes,
ternário; quatro vezes, quaternário, e assim por diante (TILLEY, 2014).

3 ÍNDICE DE MILLER
Vimos anteriormente que a Lei de Haüy (1784) define que os cristais são
formados por unidades menores (células unitárias), e que cada vértice desta
unidade fica sob o eixo de coordenadas. A posição no espaço em que cada uma
das faces desta unidade minúscula estrutural receberá um número inteiro e será
representada por x, y e z, correspondendo aos eixos cartesianos. Colocamos a
letra y como um valor unitário e as letras x e z como valores relativos a este
(POPP, 2010; TILLEY, 2014).

O índice de Miller nos auxilia a entender como esta relação acontece. Para
entender como isso ocorre, observe a Figura 9 a seguir.

132
TÓPICO 1 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

FIGURA 9 – ÍNDICE DE MILLER

FONTE: Disponível em: <http://www.uel.br/projetos/geocienciasnaweb/


notacao.pdf>. Acesso em: 11 jul. 2018.

Observe que há três triângulos na figura anterior. O mais externo tem os


vértices A, B e C. O segundo tem os vértices E, B e C e o último E, B e D. O ponto
O é o centro dos três eixos (X, Y e Z). Os segmentos de reta são aquelas retas entre
um vértice e outro. Por exemplo, a reta entre o ponto O e o A é representada por:
OA.

Os índices de Miller são números inteiros que são encontrados a partir


dos valores da Lei de Haüy. Normalmente são encontrados nas referências como
letras, separadas por: (dois pontos) e dentro de parênteses (m:n:p) (PERKINS,
2002; TILLEY, 2014).

Para encontrá-los precisamos fazer duas operações matemáticas. Imagine


que encontremos os valores de: (1,5: 2 : 3), ou seja, valores de proporção entre
os segmentos de reta. Para transformarmos estes valores em índices de Miller,
devemos fazer duas operações matemáticas: inversão de fração e multiplicação.
Quando invertemos uma fração, seu denominador (parte de baixo da fração)
passa a ser numerador (parte superior) e o numerador passa a ser denominador.
Após a inversão das frações devemos multiplicar todos os números de tal maneira
que proporcione um número inteiro.

Vamos observar o exemplo anterior: (1,5: 2 : 3). Sabemos que 1,5 é igual
a 3/2. Assim como todo número inteiro pode ser escrito sob forma de fração,
como é o caso do 2 que pode ser escrito como 2/1 e como é o caso do 3 que pode
ser escrito como 3/1, pois todo número dividido por uma unidade é igual a ele
mesmo (TILLEY, 2014).

Dessa maneira, podemos reescrever o conjunto como (3/2 : 2/1 : 3/1).


Agora invertemos as frações (numerador passa a denominador e denominador
passa a numerador), obtendo: (2/3 : 1/2 : 1/3). Agora, devemos multiplicar os três
valores por um número que transforme todas as frações em números inteiros,
sendo este valor o número 6. Multiplicando todas as frações por 6 chegamos aos
valores de (4 : 3 : 2). Esses valores são conhecidos como índices de Miller. Mas o

133
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

que isso significa? Significa uma relação de tamanho e direção do plano. Ou seja,
o segmento de reta representado por m é menor que o n (3 é menor que 4) e o n é
menor que p (4 é menor que 6), ou seja, apresenta as proporções entre as arestas
das figuras espaciais dos cristais.

Podemos também inferir os índices de Miller a partir de uma face


considerada unitária, ou seja, uma face em que as três arestas são consideradas
iguais a 1. Observe novamente a Figura 9 e considere o plano entre os vértices A,
B e C.

Como calculo o índice de Miller para a face que possui os vértices BED?
Consideramos a face ABC unitária. A aresta OE é a metade da aresta OA. A aresta
OB é igual para ambas as faces e a aresta OD é 1/3 da aresta OC. Isso quer dizer
que temos:

1
OE = OA
2

OB = OB

1
OD = OC
3

Sendo assim, os índices de Miller para a face BED são (1/2 : 1 : 1/3). Ao
invertermos as frações temos: (2/1 : 1/1 : 3/1). Como todos os denominadores são
iguais a 1, não há necessidade de multiplicação, uma vez que todos são números
inteiros, resultando em: (2 : 1 : 3).

Analisando a mesma figura, siga a face do plano BCE. Assim temos que:

1
OE = OA
2

OB = OB

OC = OC

Sendo assim, os índices de Miller para a face BCE são (1/2 : 1 : 1). Ao
invertermos as frações temos: (2/1 : 1/1 : 1/1). Como todos os denominadores são
iguais a 1, não há necessidade de multiplicação, uma vez que todos são números
inteiros, resultando em: (2 : 1 : 1).

Agora vamos considerar outra referência, onde a face BED tem valores
unitários em suas arestas. Como fica o cálculo do índice de Miller para o plano
ABC?
134
TÓPICO 1 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

OA = 2 X OE

OB = OB

OC = 3 xOD

Assim, os índices de Miller para a face ABC são (2 : 1 : 3). Ao invertermos


as frações, temos: (1/2 : 1/1 : 1/3). Multiplicamos todos os valores por 6, resultando
em: (3 : 6 : 2), sendo estes os valores de índice de Miller para esta face.

E para a face BCE? Temos que:

OE = OE

OB = OB

OC = 3 xOD

Assim, os índices de Miller para a face BCE são (1 : 1 : 3). Ao invertermos


as frações, temos: (1/1 : 1/1 : 1/3). Multiplicamos todos os valores por 3, resultando
em: (3 : 3 : 1), sendo estes os valores de índice de Miller para esta face (PERKINS,
2002; TILLEY, 2014).

4 CURIOSIDADE – FÁRMACOS E SIMETRIA MOLECULAR


A química de medicamentos é uma área extremamente buscada pelos
estudantes de Química ou Farmácia, tanto pela sua elevada aplicabilidade ao
cotidiano, quanto pelo interesse em descobrir como um determinado medicamento
pode ter ação sobre um organismo.

Alguns medicamentos possuem características especiais em sua molécula


que permitem a esta estrutura possuir atividade biológica. Quando mudamos
algum aspecto desta estrutura, modificamos (aumentamos ou diminuímos) sua
eficiência como fármaco. Além dessa modificação, o fármaco modificado também
pode apresentar efeitos tóxicos ao organismo.

A quiralidade é um aspecto da molécula que deve ser levado em


consideração, pois moléculas quirais podem apresentar resultado positivo em
alguns testes analíticos enquanto sua forma molecular está alterada, podendo
causar danos a quem é consumidor do medicamento.

135
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

Mas, afinal, o que é quiralidade? É a característica de duas moléculas


possuírem a mesma fórmula molecular e estrutural, mas apresentarem diferença
na forma espacial. Olhe as suas duas mãos. Elas não parecem idênticas? Mas elas
não são. Tente sobrepor as duas, ou seja, coloque uma sobre a outra. Ao tentar
você verá que os dedões sempre ficam em direções opostas do plano, ao passo
que se as duas mãos fossem iguais, elas se sobreporiam. Elas são imagens uma
da outra, ou seja, ao colocarmos uma na frente da outra irá parecer que estamos
olhando a imagem em um espelho. Mas ao sobrepor elas não são iguais. Observe
a Figura 10 a seguir que exemplifica esse comportamento:

FIGURA 10 – QUIRALIDADE

FONTE: Coelho (2001)

Observe a Figura 11 que apresenta a molécula do ácido lático e mostra


que ela é uma molécula quiral, ou seja, não pode ser sobreponível à sua imagem.

FIGURA 11 – QUIRALIDADE DO ÁCIDO LÁTICO

FONTE: Coelho (2001)

136
TÓPICO 1 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA

O medicamento talidomida é um sedativo considerado leve e era muito


utilizado para tratamento de náuseas para gestantes. Quando foi desenvolvido
e lançado ao mercado, em sua constituição havia uma mistura de moléculas, ou
seja, mistura de moléculas do princípio ativo que eram quirais. No entanto, na
época se desconhecia que uma destas moléculas apresenta efeitos malignos ao
feto em formação, sendo causador de má formação dos membros superiores e
inferiores. Milhares de mulheres tiveram seus filhos com má formação devido ao
consumo deste medicamento. Observe a Figura 12 que apresenta a estrutura da
molécula do princípio ativo deste medicamento.

FIGURA 12 – QUIRALIDADE DA TALIDOMIDA

FONTE: Disponível em: <http://www.petquimica.ufc.br/2018/02/um-


pouco-sobre-a-talidomida/>. Acesso em: 13 jun. 2018.

Mas como a identificação dessas moléculas ocorre no corpo humano?


Uma molécula com atividade farmacológica exerce sua função dentro do
corpo humano de diferentes maneiras. Uma dessas maneiras é a interação da
molécula presente no medicamento com receptores presentes na parede da
célula. Estes receptores são extremamente seletivos e atuam como identificadores
das substâncias. Uma vez conectados, eles podem produzir o efeito benéfico
esperado pelo medicamento ou não. Para ilustrar esse mecanismo, observe a
Figura 13, que ilustra o mecanismo de interação específico do fármaco com a
célula, comparando-o ao encaixe de uma luva com as mãos.

FIGURA 13 – ANALOGIA AO MECANISMO DE INTERAÇÃO FARMACOLÓGICA

FONTE: Coelho (2001)


137
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste primeiro tópico, você aprendeu:

• A morfologia é o estudo da forma como um determinado material, substância


ou tecido se apresenta. No caso da cristalografia morfológica é o estudo de
como os cristais se apresentam externamente, ou seja, como é a sua forma.
Devemos salientar que o termo “forma” em mineralogia tem um sentido
distinto daquele que estamos acostumados a utilizar. Quando falamos “forma”
estamos nos referindo às faces dos cristais, dos elementos químicos que o
compõem, seus ângulos e simetrias. Quando falamos da aparência externa do
cristal devemos nos referir à palavra hábito.

• A definição da palavra poliedro é derivada do grego, onde polys significa


vários e hédrai significa faces. Dessa maneira, podemos definir o poliedro como
um sólido geométrico cuja superfície é formada de um número finito de faces
(cada face é chamada de polígono). Possui vértices (encontro de duas ou mais
arestas) e arestas (segmentos de retas que delimitam a face).

• Faces: planos que limitam o cristal.

• Arestas: segmentos de retas que formam as intersecções (encontro) entre faces.

• Vértices: ponto de encontro de duas ou mais arestas. O encontro de arestas


acontece com o surgimento de um ângulo característico.

• Ângulos planos: ângulo formado por duas arestas.

• Ângulos diedros: ângulo formado por duas faces.

• Os cristais que possuem a mesma composição química, ou seja, são formados


pela mesma substância, nem sempre apresentam a mesma forma externa.
Dessa maneira, surgem as leis cristalográficas, que nos ajudam a identificar e
explicar a existência dos diferentes tipos de cristal, de acordo com sua aparência
externa.

• Lei da constância dos ângulos diedros: também conhecida como Lei de Steno
(1969), esta lei diz que as faces de diferentes cristais que possuem a mesma
composição química (mesma substância), independentemente da forma
externa como se apresentem, quando submetidas a temperatura constante,
apresentam ângulos diedros iguais (ângulos entre as faces).

138
• Lei da racionalidade ou lei dos parâmetros: esta outra lei também pode ser
referenciada como Lei de Haüy (1784) e define que todos os cristais são formados
por unidades estruturais minúsculas, que definem um eixo de coordenadas. A
posição no espaço em que cada uma das faces do cristal será posicionada sob
o eixo cartesiano, que agora não é mais x, y e z que estamos acostumados e,
sim, letras minúsculas como a, b e c, como evidencia a Figura 5. Cada letra
minúscula corresponderá a um número inteiro e poderá ser acompanhada
de sinal positivo ou negativo, dependendo de sua posição espacial. Assim, as
unidades que compõem o cristal recebem diferentes valores de a, b e c, podendo
diferenciar um cristal de outro (PERKINS, 2002; TYLEY, 2014).
• Lei da simetria: sabemos que os cristais se diferenciam dos demais sólidos
pela existência de uma ordem (célula unitária) que se repete ao longo de sua
estrutura tridimensional (rede cristalina). A maneira como a repetição ocorre é
chamada de simetria.

• Os índices de Miller são números inteiros que são encontrados a partir dos
valores da Lei de Haüy. Normalmente são encontrados nas referências como
letras, separadas por: (dois pontos) e dentro de parênteses (m:n:p). Porém,
para encontrá-los precisamos fazer duas operações matemáticas. Imagine que
encontremos os valores de: (1,5: 2 : 3), ou seja, valores da Lei de Haüy.

• Para transformarmos os valores em índices de Miller, devemos fazer duas


operações matemáticas: inversão de fração e multiplicação. Quando invertemos
uma fração, seu denominador (parte de baixo da fração) passa a ser numerador
(parte superior) e o numerador passa a ser denominador. Após a inversão das
frações, devemos multiplicar todos os números de tal maneira que proporcione
um número inteiro nos três valores da Lei de Haüy.

139
AUTOATIVIDADE

1 A partir dos seus conhecimentos sobre a morfologia dos cristais, analise as


afirmativas e posteriormente assinale a alternativa que contém as afirmações
CORRETAS:

I. A morfologia de cristais não se preocupa com a composição química,


levando em consideração somente a aparência externa do cristal.
II. A forma do cristal depende exclusivamente da temperatura existente na
formação do cristal.
III. Os elementos geométricos de um cristal são as faces, arestas e vértices.

a) ( ) I e III.
b) ( ) I e IV.
c) ( ) I, II e III.
d) ( ) Somente a III.
e) ( ) II, III e IV.

2 Sobre as leis cristalográficas, assinale a alternativa correta:

a) ( ) Os cristais que possuem a mesma composição química, obrigatoriamente,


possuem a mesma forma externa.
b) ( ) A lei da constância dos ângulos diedros diz que as faces de diferentes
cristais que possuem a mesma composição química apresentam ângulos
diedros iguais.
c) ( ) A lei da racionalidade ou lei dos parâmetros define que os cristais são
formados por uma única e imensa unidade.
d) ( ) A lei da simetria diz que os cristais se diferenciam pela desordem
apresentada pelo retículo cristalino.
e) ( ) O índice de Miller utiliza a Lei Haüy como base e apenas multiplica os
valores da mesma pelo número de arestas da face do cristal.

140
UNIDADE 3
TÓPICO 2
SIMETRIA DE CRISTAIS

1 INTRODUÇÃO
A palavra simetria tem origem grega e significa justa proporção. Já a
definição física de simetria é a seguinte: um determinado sistema físico possuirá
simetria se ao realizarmos uma determinada mudança, o sistema permanece
inalterado (MIESSLER; FISCHER; TARR, 2014).

Na natureza existem inúmeros registros da presença de simetria,


incluindo nosso corpo humano, flores, frutos, flocos de neve, animais, entre
tantos outros, como pode ser observado na Figura 14:

FIGURA 14 – SIMETRIA NA NATUREZA

FONTE: Disponível em: <http://matematicao.mat.ufrgs.br/assessorias/2006/iv2_062/


dezembro/simetria.htm>; <http://fabianaeaarte.blogspot.com/2012/01/simetria-e-assimetria.
html> e <https://thepursuitofbeautyblog.wordpress.com/2015/10/20/a-simetria-na-natureza/>.
Acesso em: 15 jul. 2018.

Na química este tipo de conceito se torna importante, uma vez que o


seu conhecimento permite prever e compreender estruturas químicas e suas
propriedades. Neste tópico abordaremos com mais detalhes as propriedades e
operações de simetria em cristais.

141
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

2 ELEMENTOS E OPERAÇÕES DE SIMETRIA


Todas as moléculas podem ser descritas de acordo com sua simetria,
ainda que em alguns casos esta descrição seja para informar que a molécula não
possui simetria. Para identificarmos a simetria em uma molécula de um cristal,
devemos identificar seus elementos e operações de simetria.

Os elementos de simetria podem ser encontrados ou definidos quando


realizamos uma operação de simetria. Isso quer dizer que sempre, elementos
e operações devem ser conhecidos de forma conjunta (MIESSLER; FISCHER;
TARR, 2014). Observe o quadro a seguir que mostra os elementos e as respectivas
operações de simetria que iremos conhecer.

QUADRO 5 – ELEMENTOS E OPERAÇÕES DE SIMETRIA

Elementos de simetria Operações de simetria


Eixo de rotação (Cn) Rotação (Cn)
Eixo de simetria (s ou σ) Reflexão (s ou σ)
Centro de simetria ou centro de inversão (i) Inversão (i)
Eixo rotação-reflexão (Sn) Rotação-reflexão (Sn)
FONTE: Miessler, Fischer e Tarr (2014)

Para que uma molécula contenha uma determinada operação de


simetria, após a realização, ela deve ter exatamente a mesma aparência que tinha
anteriormente à operação. Isso quer dizer que a imagem da molécula antes e
depois da operação não seria distinguível. Quando a operação de simetria não
possui esta característica, ela não pode ser chamada de operação de simetria
(KLEIN; HULBUT, 2012; MIESSLER; FISCHER; TARR, 2014).

A operação de simetria chamada de rotação (Cn) pode ser encontrada


em algumas bibliografias com o nome de rotação própria. Esta operação é o giro
da molécula em 360º em torno de um eixo de rotação. Por questões didáticas,
usaremos o sentido horário como sentido positivo e anti-horário como negativo.

O valor de n que se encontra ao lado da letra C (Cn) se chama ordem


de rotação. Onde o valor de n é igual a 360° dividido pelo ângulo de rotação
da molécula. Observe a Figura 15, que apresenta alguns valores de Cn para
compreendermos melhor esse cálculo.

142
TÓPICO 2 | SIMETRIA DE CRISTAIS

FIGURA 15 – OPERAÇÃO DE ROTAÇÃO PARA A MOLÉCULA


DA ÁGUA (C2)

FONTE: Disponível em: <https://pt.slideshare.net/


Professorcarlosassfisica/simetria-molecular-e-grupo-de-
ponto1>. Acesso em: 15 jul. 2018.

Vamos entender melhor a Figura 15? Ela mostra uma molécula genérica,
que para efeitos de ilustração pode ser a molécula da água. A distância de giro
entre um átomo de hidrogênio ao outro é de 180º, e ao realizarmos esse giro, a
molécula apresenta a mesma aparência original. Ao realizarmos mais um giro de
180º, os átomos de hidrogênio retornam à sua posição original. Dessa maneira é
possível realizar dois giros até que a molécula retorne à posição original.

Para que possamos compreender este tipo de operação, observe o quadro


a seguir, que apresenta os valores de Cn para algumas moléculas.

QUADRO 6 – ROTAÇÃO (Cn)


Ângulo de rotação Valor de Cn Exemplos

60° C6

120° C3

143
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

180° C2

Molécula sem simetria

360° C6

FONTE: Disponível em: <https://slideplayer.com.br/slide/359035/>; <http://www.


ebah.com.br/content/ABAAAeoT4AH/forma-molecula>; <http://corinto.pucp.edu.pe/
quimicageneral/contenido/344-geometria-molecular-teoria-rpecv.html>; <https://
mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/o-que-um-carbono-assimetrico-ou-quiral.
htm>. Acesso em: 15 jul. 2018.

A segunda operação de simetria é a reflexão (s ou σ). Nesta operação,


inserimos um plano no centro da molécula, que funciona como um espelho. Isso
quer dizer que os átomos que ficam na frente deste espelho devem ser igualmente
encontrados na parte posterior desse plano. Observe a Figura 15 a seguir que
apresenta alguns exemplos desta operação (MIESSLER; FISCHER; TARR, 2014).

FIGURA 16 – OPERAÇÃO DE REFLEXÃO

FONTE: Disponível em: <https://pt.slideshare.net/Professorcarlosassfisica/simetria-


molecular-e-grupo-de-ponto1> e <https://pt.slideshare.net/Professorcarlosassfisica/
simetria-molecular-e-grupo-de-ponto1>. Acesso em: 15 jul. 2018.

144
TÓPICO 2 | SIMETRIA DE CRISTAIS

Como pode ser visto na Figura 16, cada plano que possibilita a imagem
especular da molécula no sentido vertical é chamado de σv. Na molécula da água
(Figura 16, à esquerda), existem dois planos especulares verticais ao redor do eixo
central, enquanto na molécula de NH3 (Figura 16, à direita) existem três planos
verticais.

A operação de inversão (i) projeta cada átomo da molécula através de um


ponto imaginário, localizado normalmente no centro da molécula. Através deste
centro, chamado centro de inversão, invertemos os átomos de posição. Observe
a Figura 17 para compreender como essa operação ocorre (MIESSLER; FISCHER;
TARR, 2014; TILLEY, 2014).

FIGURA 17 – OPERAÇÃO DE INVERSÃO

FONTE: Disponível em: <http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/frxavier/


materiais/Aula_2___Simetria_Molecular_e_Teoria_de_Grupo.pdf> e modificado pela
autora. Acesso em: 15 jul. 2018.

Como podemos visualizar na Figura 17, os átomos 1 e 6 estão em lados


opostos do centro de inversão, e, por isso, são trocados (invertidos) de posição.
O mesmo ocorre com os pares 2 e 4 e com 3 e 5. Como todos os átomos são
iguais nesse exemplo, a molécula resultante é igual à original, resultando em uma
operação de inversão completa.

A operação de rotação-reflexão (Sn) é uma das operações mais complexas.


Em moléculas que apresentam este tipo de simetria, ao realizarmos a inversão da
molécula, ela resulta novamente em uma estrutura indistinguível da molécula
inicial (MIESSLER; FISCHER; TARR, 2014). Para realizarmos esta operação,
precisamos observar os seguintes passos:

• Rotação de 360°/n no eixo de simetria.


• Reflexão para um plano perpendicular ao de simetria.

Complicado? Iremos descomplicar agora! Observe a Figura 18:

145
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

FIGURA 18 – OPERAÇÃO DE ROTAÇÃO-REFLEXÃO PARA C2H2Cl2

A B C
FONTE: Disponível em: <http://coral.ufsm.br/quimica_organica/images/simetriatutor.pdf>.
Acesso em: 15 jul. 2018.

Na Figura 18, letra A, temos a molécula original, onde a distância de giro


entre o átomo de cloro e o de hidrogênio é de 180°. Quando giramos 180°, ou seja,
o átomo de H troca de lugar com o cloro na parte mais esquerda da molécula A
(indicado pela seta), enquanto a parte mais à direita da molécula ocorre a troca do
Cl pelo H. Isso se deve ao giro de 180º que realizamos, obtendo-se a molécula B.
Inserimos um plano de simetria no centro da molécula, e realizamos a inversão,
que nada mais é do que a projeção dos elementos para o plano posterior ao
espelho, conforme indicam as setas, obtendo-se a molécula C.

Observe, na Figura 19, outro exemplo desta operação de simetria e tente


encontrar os passos descritos anteriormente.

FIGURA 19 – OPERAÇÃO DE ROTAÇÃO-INVERSÃO PARA CH4

FONTE: Disponível em: <http://coral.ufsm.br/quimica_organica/images/simetriatutor.pdf>.


Acesso em: 15 jul. 2018.

3 TEORIA DO GRUPO
Agora que conhecemos as operações de simetria de uma molécula que
compõem um cristal, iremos agrupá-las de acordo com a simetria que elas
possuem. Moléculas que possuem uma simetria similar são agrupadas em um
mesmo grupo pontual.

146
TÓPICO 2 | SIMETRIA DE CRISTAIS

Um grupo pontual possui um grupo de moléculas que possuem os


mesmos elementos de simetria. Lembrando que uma molécula irá possuir
determinado elemento de simetria, se após a operação ela adquire forma
indistinguível da molécula original (MIESSLER; FISCHER; TARR, 2014).

Para separarmos as moléculas nestes grupos, elas são primeiramente


separadas em baixa simetria e alta simetria. As moléculas pertencentes ao grupo
de baixa simetria são aquelas que possuem poucos eixos simétricos, enquanto
aquelas pertencentes à alta simetria possuem muitos eixos simétricos. Outros
aspectos também são utilizados para separar as moléculas, veremos em detalhes
a seguir. Para iniciarmos, observe o fluxograma presente na Figura 20 a seguir, e
analisaremos posteriormente item por item do mesmo.

FIGURA 20 – FLUXOGRAMA DA TEORIA DO GRUPO

FONTE: Adaptado de: Miessler, Fischer e Tarr (2014)

147
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

Em um primeiro momento, precisamos classificar a molécula em alta ou


baixa simetria. Moléculas de baixa simetria possuem poucas operações possíveis
de simetria, como mostra o quadro a seguir.

QUADRO 7 – MOLÉCULAS DE BAIXA SIMETRIA

Simetria Grupo Exemplos Estrutura

Nenhuma C1 CHFClBr

Somente plano especular Cs C2H2ClBr

Somente um centro de inversão Ci C2H2Cl2Br2

FONTE: Adaptado de: Miessler, Fischer e Tarr (2014)

Moléculas deste tipo, se você retornar ao fluxograma, verá que podem ser
classificadas em C1, Cs e Ci, conforme o tipo de simetria que apresentarem.

Agora, se a molécula possuir muitas operações de simetria, ela é


classificada como alta simetria. Moléculas pertencentes a este grupo possuem
algumas características que as distinguem em subgrupos diferentes, como C∞V,
D∞h, Td (tetraédrica), Oh (octaédrica) e Ih (icosaédrica). Essas características
podem ser a sua geometria, como no caso do grupo Td, Oh e Ih e para moléculas
lineares, a ausência (C∞V) ou presença (D∞h) de inversão (MIESSLER;
FISCHER; TARR, 2014; TYLEI, 2014). Exemplos e mais informações sobre este
tipo de moléculas podem ser visualizados no quadro a seguir.

148
TÓPICO 2 | SIMETRIA DE CRISTAIS

QUADRO 8 – MOLÉCULAS DE ALTA SIMETRIA

Simetria Grupo Exemplos Estrutura


Moléculas lineares apresentam
grupo infinito de simetrias,
C∞V HCl
eixos de rotação e reflexão. Não
possuem centro de inversão.
Moléculas lineares apresentam
grupo infinito de simetrias,
eixos de rotação e reflexão.
Não possuem centro de D∞h CO2
inversão. Possuem eixos C2
perpendiculares, um plano de
reflexão e um centro de inversão.
A maioria das moléculas deste
grupo tem geometria tetraédrica.
Td CH4
Possuem quatro eixos C3, três
eixos C2 e seis planos σd.
Moléculas com geometria
octaédrica. Entre as suas 48
operações de simetria, existem Oh SF6
quatro rotações C3, três rotações
C4 e uma inversão.

Moléculas icosaédricas. Possuem


seis eixos C5, bem como outras Ih B12H12
120 operações de simetria.

FONTE: Adaptado de: Miessler, Fischer e Tarr (2014)

Moléculas de simetrias intermediárias passam para o passo 2 do


fluxograma, onde devemos encontrar o eixo de simetria de maior valor de n, ou
seja, de maior ordem e, em seguida, para o passo 3. Verificamos a existência de
um eixo C2 perpendicular (90°) do eixo de maior ordem. Caso a resposta seja
positiva, a molécula pertence ao grupo D. Caso negativo, a molécula pertence
ao grupo C ou S2n (PERKINS, 2002; TILLEY, 2014). Veja a Figura 21 a seguir que
mostra um exemplo de cada grupo.

149
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

FIGURA 21 – MOLÉCULAS DO GRUPO D (A) E DO GRUPO C OU S2n (B)

A B

FONTE: Adaptado de: Miessler, Fischer e Tarr (2014)

Imaginamos que estamos trabalhando com uma molécula do grupo D


(que não possui eixo perpendicular C2). Devemos agora responder à pergunta
4, ou seja, se existe algum plano especular na forma horizontal (σh) na estrutura
da molécula. Caso a resposta seja positiva, a molécula pertence ao grupo Dnh e
caso a resposta seja negativa, deve-se avaliar a presença de um plano especular na
forma diagonal (σd). Caso seja positiva a resposta, a molécula pertence ao grupo
Dnd, e caso negativo, a molécula pertence ao grupo Dn.

Agora terminamos de classificar as moléculas do grupo D (aquelas que


apresentam eixos C2 perpendiculares ao eixo de maior ordem, pergunta número
3). Quando a resposta para esta pergunta é não, temos a presença do grupo C
ou S2n. Devemos analisar ainda nas moléculas deste grupo se elas possuem
algum plano especular na forma horizontal (σh) na estrutura da molécula. Caso
a resposta seja positiva, a molécula pertence ao grupo Cnh, e caso negativo,
devemos analisar a presença de um plano especular na forma vertical (σv). Caso
seja positiva a resposta, a molécula pertence ao grupo Cnh, e caso negativo,
avaliamos a presença de um plano S2n. Caso positivo, a molécula pertence
ao grupo S2n, e caso negativo, a molécula pertence ao grupo Cn (MIESSLER,
FISCHER, TARR, 2014).

4 SIMETRIA EM CRISTAIS
Até o momento, estudamos a simetria de moléculas que compõem
a estrutura do cristal, ou seja, a simetria interna. A partir deste momento,
estudaremos a simetria externa da estrutura cristalina.

Agora que conhecemos em mais detalhes as operações de simetria,


analisaremos com mais detalhes algumas formas cristalinas de acordo com sua
simetria.

150
TÓPICO 2 | SIMETRIA DE CRISTAIS

4.1 SISTEMA CÚBICO


Apresenta três eixos de simetria de ordem 2 perpendiculares entre si
(linha a, b, e c) e quatro eixos de ordem 3, como apresenta a Figura 22 a seguir:

FIGURA 22 – SIMETRIA SISTEMA CÚBICO

FONTE: Disponível em: <https://materialesavanzados.wordpress.


com/2015/01/30/simetria-puntual-en-cristales-%E2%80%A8y-
proyeccion-estereografica/> . Acesso em: 15 jul. 2018.

4.2 SISTEMA TETRAGONAL


Neste grupo temos um eixo de ordem 4, como mostra a Figura 23 a seguir:

FIGURA 23 – SIMETRIA SISTEMA TETRAÉDRICO

FONTE: Disponível em: <https://materialesavanzados.


wordpress.com/2015/01/30/simetria-puntual-en-cristales-
%E2%80%A8y-proyeccion-estereografica/>. Acesso em: 15
jul. 2018.

151
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

4.3 ORTORRÔMBICO
Este sistema apresenta três eixos perpendiculares entre si, apresentando
dois eixos C2, perpendiculares. Essas informações são ilustradas na Figura 24 a
seguir.

FIGURA 24 – SIMETRIA SISTEMA ORTORRÔMBICO

FONTE: Disponível em: <https://materialesavanzados.wordpress.


com/2015/01/30/simetria-puntual-en-cristales-%E2%80%A8y-proyeccion-
estereografica/>. Acesso em: 15 jul. 2018.

4.4 MONOCLÍNICO
Este grupo apresenta somente uma direção de simetria, contendo apenas
um eixo de ordem 2, como apresenta a Figura 25:

FIGURA 25 – SIMETRIA SISTEMA MONOCLÍNICO

FONTE: Disponível em: <http://cristal.iqsc.usp.br/files/Cap-4-Eixos-


e-Sistemas.pdf>. Acesso em: 18 jul. 2018.

152
TÓPICO 2 | SIMETRIA DE CRISTAIS

4.5 HEXAGONAL
Possui um eixo de ordem 6 e três eixos de ordem 3, conforme ilustra a
Figura 26 a seguir (MIESSLER; FISCHER; TARR, 2014):

FIGURA 26 – SIMETRIA SISTEMA HEXAGONAL

FONTE: Adaptado de: <http://cristal.iqsc.usp.br/files/Cap-4-Eixos-e-


Sistemas.pdf>. Acesso em: 15 jul. 2018.

153
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste segundo tópico, você aprendeu:

• Um determinado sistema físico possuirá simetria se ao realizarmos uma


determinada mudança, e após dela, o sistema permanece inalterado.

• Os elementos de simetria podem ser encontrados ou definidos quando


realizamos uma operação de simetria. Isso quer dizer que sempre, elementos
e operações, devem ser conhecidos de forma conjunta.

• Elementos de simetria: eixo de rotação, eixo de simetria, centro de simetria,


eixo rotação-reflexão.

• Operações de simetria: Rotação (Cn), reflexão (s ou σ), inversão (i) e Rotação-


reflexão (Sn).

• A operação de simetria, chamada de rotação (Cn), pode ser encontrada em


algumas bibliografias com o nome de rotação própria. Esta operação é o giro
da molécula em 360º em torno de um eixo de rotação. O valor de n que se
encontra ao lado da letra C (Cn), se chama ordem de rotação. Onde o valor de
n é igual a 360° dividido pelo ângulo de rotação da molécula.

• A segunda operação de simetria é a reflexão (s ou σ). Nesta operação, inserimos


um plano no centro da molécula, que funciona como um espelho. Isso quer
dizer que os átomos que ficam na frente deste espelho devem ser igualmente
encontrados na parte posterior deste plano.

• A operação de inversão (i) projeta cada átomo da molécula através de um


ponto imaginário, localizado normalmente no centro da molécula. Através
deste centro, chamado centro de inversão, invertemos os átomos de posição.

• A operação de rotação-reflexão (Sn) é uma das operações mais complexas. Em


moléculas que apresentam este tipo de simetria, ao realizarmos a inversão da
molécula, ela resulta novamente em uma estrutura indistinguível da molécula
inicial.

• Moléculas que possuem uma simetria similar são agrupadas em um mesmo


grupo pontual. Um grupo pontual possui um grupo de moléculas que
possuem os mesmos elementos de simetria. Lembrando que uma molécula
possuirá determinado elemento de simetria se, após a operação, ela adquire
forma indistinguível da molécula original.

154
• Iniciamos a classificação dos grupos pontuais separando as moléculas de
baixa e alta simetria. Posteriormente, de acordo com o fluxograma da Figura
19, separamos as moléculas de acordo com alguns detalhes de sua simetria e
estrutura molecular.

• Até o momento do estudo deste tópico, estava sendo avaliada a simetria das
moléculas químicas que compõem o cristal, também chamada de simetria
interna. Iniciou-se então o estudo da simetria externa do cristal.

• Sistema cúbico: apresenta três eixos de simetria de ordem 2 perpendiculares


entre si (linha a, b, e c) e quatro eixos de ordem 3.

• Sistema tetragonal: um eixo de ordem 4.

• Sistema ortorrômbico: este sistema apresenta três eixos perpendiculares entre


si, apresentando dois eixos C2, perpendiculares.

• Sistema monoclínico: este sistema apresenta somente uma direção de simetria,


contendo somente um eixo de ordem 2.

• Sistema hexagonal: possui um eixo de ordem 6 e três eixos de ordem 3.

155
AUTOATIVIDADE

1 Assinale verdadeiro (V) ou falso (F) nas afirmações a seguir:

( ) Um determinado sistema físico possuirá simetria se, ao realizarmos uma


determinada mudança, o sistema permanece inalterado.
( ) Elemento e operação de simetria não são analisados em conjunto.
( ) As operações de simetria são: rotação (Cn), translação (t), divisão (d) e
rotação-reflexão (Sn).

2 Sobre a teoria do grupo, assinale a alternativa correta:

a) ( ) Moléculas com simetria distinta são agrupadas em um mesmo grupo


pontual.
b) ( ) A separação em baixa e alta simetria não é necessária para a classificação
em grupos pontuais.
c) ( ) A geometria não é levada em consideração nesta teoria, somente a
simetria.
d) ( ) A teoria do grupo utiliza de características das moléculas, como
reatividade e energia de ionização.
e) ( ) Moléculas com simetrias semelhantes são agrupadas em um mesmo
grupo pontual, onde a simetria e a geometria são levadas em consideração.

156
UNIDADE 3
TÓPICO 3
CRISTALOGRAFIA FÍSICA

1 INTRODUÇÃO
Sabemos que a mineralogia é uma ciência que se dedica ao estudo dos
minerais, suas características, propriedades, formação e onde ocorrem. Uma vez
que este tipo de material está presente em grande abundância sobre a superfície
terrestre e em diversos materiais do nosso cotidiano, é de fundamental importância
o conhecimento mais aprofundado sobre o assunto por um estudante de Química.

Dentro da mineralogia, a cristalografia é a parte desta ciência que se dedica


ao estudo de minerais que são cristais. O estudo das propriedades físicas dos
cristais é chamado de cristalografia física, que pode ser desde a simples análise de
sua aparência, até propriedades magnéticas, ópticas e elétricas. A cristalografia
física é bastante utilizada para caracterização macroscópica, ou seja, identificação
e classificação dos cristais através de propriedades visíveis a olho nu. Outras
caraterísticas, como magnetismo, polarização da luz e condução da corrente
elétrica, não são tão óbvias (PERKINS, 2002).

Neste tópico iremos revisar algumas propriedades físicas já vistas nesta


unidade, bem como informações importantes sobre a análise óptica, elétrica e
magnética dos cristais.

2 PROPRIEDADES ESCALARES E VETORIAIS


Para entendermos como analisaremos as propriedades físicas dos cristais,
precisamos compreender o conceito de propriedade escalar e vetorial, que muitas
vezes é utilizado.

Uma propriedade chamada de escalar é aquela que pode ser definida


como a que é definida por um único número, sem a necessidade de nenhuma
outra informação, como direção. A massa é uma grandeza escalar, uma vez que
ao dizer que um objeto tem 3 kg de massa, não existe a necessidade de dizer
em que direção está essa massa. Esta propriedade para cristais são os valores de
temperatura de fusão, ebulição, densidade, massa, entre outras.

Já a propriedade vetorial é aquela que necessita de uma informação de


direção, como a velocidade. Ao dizermos que um determinado carro está andando
a 20 km.h-1 devemos dizer se ele está indo para frente ou para trás (sentido) e
em que direção, para cima ou para baixo, por exemplo (RAMALHO; NICOLAU;
TOLEDO, 1997).
157
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

Exemplos de propriedades vetoriais em cristais, ou seja, propriedades


que requerem além do valor da intensidade, informações sobre direção e sentido:
propriedade magnética, elétrica, óptica e mecânica (como hábito, clivagem, entre
outras).

Como você deve lembrar, algumas propriedades físicas dos minerais já


foram estudadas neste livro, de forma que iremos revisar os conhecimentos vistos
na primeira unidade. Neste momento estudamos as seguintes propriedades
físicas:

• Hábito: a forma como o mineral aparece na natureza, ou seja, que sua estrutura
de átomos (o arranjo espacial deles) é frequentemente encontrada e que reflete
diretamente a forma como enxergamos o mineral a olho nu.
• Cor: a cor deve ser observada em luz natural e em um corte recente do mineral,
para evitar que a coloração que esteja sendo observada seja de variações
sofridas pelo ambiente em que se encontra o mineral.
• Risca: a risca, ou também conhecida como traço do pó do mineral, nos ajuda
a identificar a coloração do mesmo, quando a identificação da sua coloração
externa não é possível.
• Brilho: o brilho de um mineral pode ser definido com a quantidade e qualidade
da luz que é refletida pela superfície do mineral.
• Clivagem: é a característica dos minerais se partirem na forma de planos ou
já estarem disponíveis na forma de planos, de acordo com as direções onde a
estrutura é mais fraca.
• Dureza: a dureza pode ser definida como a resistência que o mineral oferece ao
ser riscado por outro mineral ou objeto.
• Densidade: a densidade indica o número de vezes que o mineral que está
sendo analisado é mais pesado que o mesmo volume de água, a 4ºC.
• Porosidade: pode ser definida como a característica da rocha em conter espaços
vazios na sua estrutura.
• Permeabilidade: permeabilidade pode ser definida como facilidade que a
água apresenta de percorrer a estrutura da rocha, através dos seus poros que
são conectados.
• Tenacidade: a tenacidade está relacionada com a capacidade de o mineral
resistir a quebra, esmagamento, a ser rasgado ou ainda dobrado (PERKINS,
2002).

Após esta revisão e com base em todos os conhecimentos adquiridos


ao longo das três unidades de mineralogia, iremos estudar o magnetismo,
propriedades ópticas e elétricas dos cristais.

158
TÓPICO 3 | CRISTALOGRAFIA FÍSICA

3 MAGNETISMO DE CRISTAIS
O magnetismo é capaz de encantar qualquer pessoa, uma vez que este
poderoso fenômeno pode movimentar algumas substâncias sem qualquer força
aparente estar envolvida. Na descoberta da presença de magnetismo em algumas
substâncias foi atribuído o sentido de “alma” ou “vida” à substância, sendo
relacionado, na época, à intervenção divina sobre a substância.

Com o avanço do conhecimento científico, utilizou-se esse tipo de


substância para a confecção de bússolas. Esta ferramenta foi essencial em épocas
de navegação e descobrimentos de novos territórios.

Em 1600 ocorreu o primeiro tratado, escrito por Gilbert, chamado de “De


Magnete”. Neste tratado ocorre o primeiro registro de que a Terra seria um grande
ímã. Mais tarde, Descartes evidencia linhas magnéticas “enroscadas”, indo de um
polo a outro (vem daí a ideia de polo magnético).

Com o crescente desenvolvimento da área científica, no final do século


XIX, Faraday é o primeiro a utilizar a palavra campo magnético, e estabelece a lei
da indução. Mais tarde, Maxwell fez as formulações matemáticas das observações
de Faraday (KLEIN; HULBUT, 2012).

O magnetismo das substâncias pode ser explicado pelo magnetismo


encontrado nos átomos das moléculas, que tem origem:

• Magnetismo dos núcleos: como o núcleo é muito pequeno, este tipo de


magnetismo se torna desprezível.
• Magnetismo dos orbitais.
• Magnetismo dos elétrons (spins): explicam a maioria das propriedades
magnéticas de uma determinada substância.

De acordo com esses elétrons (spins), a substância pode ser classificada como:

• Diamagnetismo: são minerais que não apresentam magnetismo. Nesse tipo de


substância as camadas eletrônicas dos átomos estão completas. Um exemplo
deste tipo de substância é o quartzo (SiO2).

• Paramagnetismo: ocorre em minerais que possuem momentos magnéticos


devido a momentos orbitais e de spin, ou seja, de camadas eletrônicas
incompletas. Esse tipo de substância apresenta magnetismo ao ser exposto a
um campo magnético externo. Um exemplo disso é o mineral ilmenita (FeTiO3).

• Ferromagnéticas: este tipo de propriedade irá acontecer quando o arranjo


tridimensional dos átomos permite a presença de campo magnético, mesmo
na ausência de um campo magnético externo. Dessa maneira, são classificados
como ímãs permanentes. Na natureza podemos encontrar três elementos com

159
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

essas características: ferro, cobalto e níquel. A quantidade de cristais capazes


de realizar tal fenômeno é bastante pequeno, por exemplo, a magnetita (Fe3O4)
e a pirrotita (FeS).

Como vimos anteriormente, as rochas são formadas por um agregado de


minerais, onde sua composição em grande parte é de minerais diamagnéticos e
paramagnéticos. Os principais fatores que influenciam a presença de magnetismo
em uma rocha são: o tipo de substância, o tamanho do grão que forma a rocha
e sua anisotropia. A seguir estudaremos alguns minerais que possuem essas
características (TILLEY, 2014).

a. Óxido de ferro e titânio

Os minerais mais importantes para a indústria são à base de óxidos de


ferro e titânio. Suas estruturas cristalinas consistem em uma rede de íons de
oxigênio, cujos espaços vazios são preenchidos por íons ferrosos (Fe2+), férrico
(Fe3+) e titânio (Ti4-). A presença destes íons e sua proporção determinam a
presença ou ausência de ferromagnetismo.

Somente algumas substâncias apresentam as propriedades ferromagnéticas


à temperatura ambiente, podendo ser classificadas em duas séries: a série das
titamagnetitas (Fe3-xTixO4), onde x representa a quantidade de titânio, e a série
das titanohematitas (Fe2+yFe3+2-2yTi4+yO2-3), onde y é a quantidade de titânio.

Estas duas séries de compostos, ao serem expostas a elevadas temperaturas,


formam uma solução sólida para qualquer valor de titânio presente. Quando o
resfriamento é lento, ocorre o processo chamado de exsolução, que proporciona
o intercrescimento de uma fase rica em titânio (ilmenita) e outra rica em ferro
(magnetita ou hematita) (KLEIN; HULBUT, 2012).

b. Magnetita

A magnetita é um material com propriedades ferromagnéticas mais


importantes encontradas na natureza. Está presente em rochas ígneas,
sedimentares e metamórficas. Sua fórmula química é Fe3O4, onde ocorre a
presença de um íon Fe2+ e dois Fe3+. A magnetita apresenta uma estrutura cúbica
de face centrada, onde a célula unitária é formada por quatro unidades (TILLEY,
2014), como é mostrado a seguir na Figura 27.

160
TÓPICO 3 | CRISTALOGRAFIA FÍSICA

FIGURA 27 – ESTRUTURA DA CÉLULA UNITÁRIA DA MAGNETITA

FONTE: Adaptado de: <http://www.iag.usp.br/~eder/minerais_magneticos.pdf>. Acesso em:


20 jul. 2018.

Na Figura 27 (a) é possível ver uma célula unitária composta por sítios
tetraédricos (A), localizados à direita da célula unitária, e octaédricos (B),
localizados à esquerda. Nos sítios A encontramos oito íons Fe3+ (representado
na figura pelo ponto pequeno e preto), onde cada um faz ligação com quatro
íons oxigênio na forma de tetraedros (representado na figura pelo círculo maior
e aberto), evidenciado na forma (d) da Figura 27. No sítio B são encontrados 16
íons de ferro (8 íons Fe2+ e 8 Fe3+), onde cada íon faz seis ligações com o oxigênio,
formando um octaedro, evidenciado na letra (b) da figura 27. Cada íon de ferro
é representado pelo círculo pequeno e preto (Fe2+) e o pequeno com listras (Fe3+).

O ferro terá preferência de se ligar ao oxigênio, fazendo com que esta


ligação ocorra em ângulos diferentes, como mostra o restante da Figura 27.
Observe a letra (c) da Figura 27, a ligação entre um Fe3+-oxigênio-Fe3+ ocorre a
90°, enquanto Fe2+-oxigênio-Fe3+ ocorre a 125,2° (KLEIN; HULBUT, 2012).

161
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

4 PROPRIEDADES ÓPTICAS
Um determinado mineral, ao receber um feixe de luz, pode mostrar
determinadas propriedades deste material. Essas propriedades são os objetivos
deste tópico. Mas qual é a importância destas propriedades? A importância
normalmente está relacionada à aplicação deste tipo de material à tecnologia,
como a passagem total de luz (transparência) de alguns materiais, até mesmo
materiais que produzem corrente elétrica a partir da interação do material com
a luz.
Para compreendermos melhor como esta propriedade funciona, devemos
conhecer um pouco mais sobre a luz, ou mais cientificamente correto, radiação.
A radiação existe na forma visível, aquela que conseguimos enxergar, e ainda
existe aquela que não enxergamos. Estas radiações podem ser separadas em
pequenas partes, onde cada parte é chamada de comprimento de onda. Cada
comprimento representa a distância entre dois máximos de onda. O somatório
dos comprimentos de onda das radiações mais comuns é chamado de espectro
eletromagnético (ATKINS; JONES, 2012).

A radiação visível é uma pequena parte de toda a radiação existente, como


mostra a Figura 28.

FIGURA 28 – ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

FONTE: Disponível em: <https://www.todamateria.com.br/espectro-


eletromagnetico/>. Acesso em: 21 jul. 2018.

162
TÓPICO 3 | CRISTALOGRAFIA FÍSICA

A Figura 28 é bastante esclarecedora e repleta de detalhes e, por isso,


a analisaremos com mais detalhes. Como é possível observar, a radiação do
espectro eletromagnético é composta por raios gama, raios-X, ultravioleta (UV),
visível, micro-ondas e ondas de rádio.

Podemos ver que os raios gama apresentam a menor distância entre os


máximos de onda, ou seja, na Figura 28, as ondas estão mais próximas umas das
outras. Enquanto a de onda de rádio apresenta maior distância entre os máximos,
tomando o formato da parte superior da figura.

Os comprimentos de onda podem ser representados em qualquer


unidade, mas a mais comum e formalmente indicada é a de nanômetro (nm). Por
exemplo, a faixa de comprimentos de onda da luz que enxergamos (visível) vai
de aproximadamente 400 a 700 nm, evidenciado na parte inferior da figura.

Devemos ter em mente que cada tipo de radiação mostrado na Figura 28


apresenta uma determinada energia e, portanto, uma interação diferente com a
matéria. Neste tópico iremos estudar como a radiação visível pode interagir com
a matéria mineral.

Ao interagir com a matéria, a radiação incidente (aquela que incide sobre


a matéria) pode ser refletida, absorvida ou espalhada, como mostra a Figura 29
a seguir:

FIGURA 29 – REFLEXÃO, ABSORÇÃO E ESPALHAMENTO DE


RADIAÇÃO

FONTE: Adaptado de: <http://chracustica.zip.net/arch2008-08-


24_2008-08-30.html>. Acesso em: 21 jul. 2018.

A radiação refletida é aquela que sofre interação negativa com a matéria,


ou seja, é 100% alterada em outra direção. A radiação transmitida é aquela que
consegue atravessar o material sem interagir com ele, e a radiação absorvida é
aquela que interage de forma positiva com o material, tornando-se parte dele
(ATKINS; JONES, 2012; TILLEY, 2014).

163
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

Opticamente, podemos dividir as substâncias transparentes em


isotrópicas e anisotrópicas. Na substância isotrópica, a luz se move em todas as
direções com a mesma velocidade; por conta disso, o prefixo “iso”, que indica
igualdade. Fazem parte dessa classificação as substâncias não cristalinas, como
gases, líquidos, vidros e cristais do sistema cúbico (MACHADO; NARDY, 2016).

Nas substâncias anisotrópicas, que incluem todos os cristais, com exceção


do sistema cúbico, a velocidade da propagação da luz variará de acordo com a
estrutura do sistema cristalino.

Os cristais anisotrópicos podem ainda ser divididos em: minerais


monoaxiais (possuem um eixo óptico com dois índices de refração) e biaxiais
(possuem dois eixos ópticos com três índices de refração).

DICAS

Afinal, o que é índice de refração? Quando uma determinada radiação atravessa


um material, a velocidade desta muda de acordo com a estrutura química encontrada. No
vácuo, a luz possui uma velocidade de 3 x 1017 nm por segundo. Em um material mais denso,
por exemplo, a luz se propaga com velocidade menor por conta do meio que modificou.
O índice de refração (n) será menor, quanto menos denso for o meio em que a radiação se
encontra (ATKINS; JONES, 2012).

Veja a seguir no quadro os valores de índice de refração para alguns


minerais.

QUADRO 9 – ÍNDICE DE REFRAÇÃO PARA ALGUNS MINERAIS

Nome do cristal Fórmula química Sistema Índice de refração (n)


Atacamite Cu2(OH)3Cl Romboédrica 1,831
Arsenolite As2O3 Cúbica 1,755
Aragonite CaCO3 Ortorrômbica 1,531
Bromyrite AgBr Cúbica 2,253
Brochantite Cu4(SO4)(OH)6 Monoclínica 1,728
Brucite Mg(OH)2 Hexagonal 1,575
Corundum Al2O3 Hexagonal 1,761
Hercynite Fe(AlO2)2 Cúbica 1,835
Kaliophylite KAlSIO4 Hexagonal 1,532
Matlockite PbClF Tetragonal 2,006
FONTE: Adaptado de: Lide (2009)

164
TÓPICO 3 | CRISTALOGRAFIA FÍSICA

5 PROPRIEDADES ELÉTRICAS
Dizemos que um determinado mineral ou cristal possui a propriedade
elétrica quando ele é capaz de conduzir corrente elétrica. Quando um
determinado material possui uma propriedade destas, ele pode ter inúmeras
aplicações na indústria eletrônica, como a fabricação de peças de computadores,
eletrodomésticos, automóveis, entre tantos outros itens do nosso cotidiano que
utilizam a corrente elétrica. Agora, quando o mineral não consegue conduzir a
corrente elétrica, ele pode ser usado em materiais que atuam como isolantes de
corrente elétrica. Dessa maneira, fica clara a importância desta propriedade nos
minerais e cristais.

A condução de corrente elétrica em cristais ou a ausência dela é comandada


pelo tipo de ligação química. Dessa maneira, podemos resumir:

• Minerais condutores: formados por ligações metálicas, por exemplo, metais


nativos como Au, Cu, Ag, entre outros.

• Minerais semicondutores: Formados por ligações parcialmente metálicas, por


exemplo, os sulfetos, como a pirita (FeS2).

• Minerais isolantes: formados por ligações covalentes ou iônicas, como a


maioria dos minerais.

Os minerais não condutores podem apresentar duas características que


podem ter grande importância na indústria eletrônica, sendo elas:

• Piezoeletricidade: ocorre a produção de eletricidade quando há o surgimento


de cargas positivas e negativas ao longo do eixo do cristal, após a aplicação
de pressão sob o mineral. Este efeito somente é verificado em cristais com
ausência de simetria. Exemplos de minerais que apresentam esta propriedade:
turmalina e quartzo. Veja a Figura 30, que ilustra esse processo.

FIGURA 30 – PIEZOELETRICIDADE

FONTE: Disponível em: <http://www.joinville.udesc.br/portal/professores/karine/


materiais/Aula_09_Metodologia_no_Estudo_dos_Minerais.pdfl>. Acesso em: 22 jul.
2018.

165
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

Um exemplo da aplicação desta propriedade é a aplicação deste tipo


de mineral sob o piso de uma boate na Inglaterra. Ao dançar, as pessoas estão
realizando pressão sobre o piso, que consegue transformar esta em energia
elétrica, tornando a atividade mais sustentável. Segundo alguns estudos, cerca
de cada passo de um adulto de 60 kg neste tipo de piso pode gerar em média 0,1
watts de energia. Esta tecnologia vem sendo implantada em pisos de shoppings,
aeroportos, garagens e outros tipos de ambientes. A Figura 31 ilustra o mecanismo
de funcionamento deste tipo de aplicação.

FIGURA 31 – APLICAÇÃO DE PIEZOELETRICIDADE

FONTE: Disponível em: <http://www.coletivoverde.com.br/


pessoas-geram-energia-na-balada/>. Acesso em: 22 jul. 2018.

• Piroeletricidade: ocorre a produção de corrente elétrica pela variação de


temperatura. Também ocorre em minerais que não possuem centro de
simetria, chamada de piroeletricidade verdadeira. A chamada piroeletricidade
secundária ocorre em minerais que se expandem quando aquecidos de forma
desigual. Esta deformação do retículo gera uma pressão localizada, podendo
gerar piezoeletricidade. Exemplos deste tipo de material são o topázio e a
turmalina (KLEIN; HULBUT, 2012).

DICAS

Todos os cristais piroelétricos (aquecimento) são piezoelétricos (pressão), mas


o contrário não é verdadeiro.

166
TÓPICO 3 | CRISTALOGRAFIA FÍSICA

A quantidade de eletricidade gerada a partir desta propriedade geralmente


não é suficiente para servir de fonte alimentadora para outros dispositivos. Assim,
ela é pouco utilizada como geração de energia elétrica, porém, seu pequeno sinal
é útil na fabricação e desenvolvimento de sensores e aparelhos eletrônicos. Outra
aplicação é a geração de corrente elétrica quando ocorre mudança de temperatura
do sistema, possuindo grande aplicação no monitoramento de temperatura ou
incêndios.

Ao contrário dos detectores de incêndio comuns, um sensor piroelétrico é


capaz de detectar fontes de calor, mesmo quando uma chama não está presente.
É bastante utilizado em aquecedores de gás. Também pode ser utilizado na
investigação de fontes de calor, utilizados em câmeras térmicas, usadas por
militares (TILLEY, 2014).

EXPERIMENTO – FERROFLUIDO

Neste experimento podemos ver as propriedades magnéticas de maneira


mais visual. Espero que gostem do resultado desta prática.

MATERIAIS E REAGENTES

• Palha de aço (também chamada de esponja de aço)


• Óleo vegetal
• Ímã
• Panela velha ou lata velha
• Peneira
• Fósforo ou acendedor de fogão
• Embalagem metálica (pode ser uma tampa ou uma lata de sardinha)
• Garfo

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

1. Em primeiro lugar, devemos realizar a queima da esponja de aço. Para tal,


abra a esponja (para aumentar a superfície de contato) e coloque dentro de
uma panela velha e acenda. Cuidado com o fogo, faça de preferência fora do
ambiente residencial, sem assoprar.

2. Após a queima, espere esfriar. Após o resfriamento, chacoalhe a esponja de


aço queimada para que caia na panela um pó da esponja. Este pó é que será
utilizado.

3. Passe o pó pela peneira.

4. Coloque o pó sob a embalagem metálica. Adicione óleo vegetal aos poucos


e misture com o garfo até formar uma massa consistente (não adicione óleo
demais).

167
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

5. Por último, passe o ímã abaixo da superfície metálica da embalagem, com cerca
de um dedo de distância (entre o ímã e a embalagem). Passe muitas vezes, até
os espinhos começarem a se formar.

6. Após formados, brinque com a posição do ímã. Você pode ainda adicionar o
ferrofluido em água.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A esponja de aço possui partículas ferromagnéticas, que interagem com


ímãs. Como é misturada com óleo, ela adquire também a fluidez dos líquidos,
podendo assim serem visualizadas as direções dos campos magnéticos.

FONTE: Disponível em: <http://www.manualdomundo.com.br/2012/10/como-fazer-ferrofluido-


caseiro/>. Acesso em: 23 jul. 2018.

UNI

DICAS DE LEITURA – Para que seus conhecimentos sobre esta unidade se


consolidem de forma adequada, segue um artigo que pode ser utilizado. Disponível em:
DIAS, A. G., SOARES, R. O. Quiralidade em moléculas e cristais, Quim. Nova, v. 32, n. 8, p.
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vol32n8/40-ED09009.pdf>

168
TÓPICO 3 | CRISTALOGRAFIA FÍSICA

LEITURA COMPLEMENTAR

EIXO QUINÁRIO: UM ELEMENTO DE SIMETRIA PRESENTE EM


MOLÉCULAS E QUASI-CRISTAIS – UM EXPERIMENTO DIDÁTICO EM
CRISTALOGRAFIA

Paulo Cesar Pereira das Neves


Darcson Vieira de Freitas
Luis Andre Baptista

INTRODUÇÃO

O termo simetria é proveniente do Grego: συµµετρíα = [sin (com) + métron


(medida)]. Refere-se ao conjunto de propriedades que se relacionam com a forma
de determinado objeto e que descrevem a sua aparência, sendo considerado um
dos princípios basilares das ciências naturais. Por definição é a propriedade pela
qual um ente exibe partes correspondentes ou congruentes quando submetido
a uma determinada operação, mantendo a sua forma sem variação.1,2 A rede
cristalina de um cristal é tratada pela simetria translacional (simetria aberta),
originando os grupos espaciais de cristais, cuja notação é feita pela simbologia
de Hermann-Mauguin. Já as moléculas livres são tratadas pela simetria pontual
(simetria fechada), originando os grupos pontuais de moléculas, cuja notação é
feita pela simbologia de Schoenflies.2

Os elementos de simetria considerados nos estudos cristalográficos são


planos, centro de inversão e eixos. Planos de simetria de um cristal são planos
imaginários que dividem o sólido em duas porções equivalentes, em que uma é a
imagem especular da outra (espelhamento ou reflexão). Centro de inversão é um
ponto imaginário no interior dos cristais, segundo o qual a iguais distâncias se
encontram elementos geométricos equivalentes na superfície. Eixos de simetria
são linhas imaginárias no interior dos cristais, segundo as quais os mesmos,
girando 360°, repetirão “n” posições equivalentes no espaço, sendo “n” a ordem
do eixo em questão. Os eixos de simetria se manifestam nas operações de rotação
(simetria cíclica ou rotatória e helicoidal) e por roto-inversão.

A notação taquigráfica para planos, centro e eixos de simetria, utilizada


pela escola cristalográfica norte americana, é feita pelas letras P (plane), C (center)
e A (axis).3,4

Nos sólidos cristalinos naturais foram definidos, até o momento,


os seguintes eixos de simetria: unitário (n=1), binário (n=2), ternário (n=3),
quaternário (n=4), e senário (n=6). Estes eixos se repetem nas operações de
simetria respectivamente a 360°, 180°, 120°, 90° e 60° a partir da origem. Nos
eixos quinários (n=5), a operação de simetria se faz pela rotação do sólido em
72º. Recentemente, aventou-se a possibilidade da ocorrência de tais eixos em
quasi-cristais de uma liga metálica natural, encontrada na Rússia.5 Em modelos

169
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

cristalográficos de pentágono-dodecaedros regulares, que representam fulerenos,


construídos nas aulas de cristalografia geométrica do curso de Química Industrial
da ULBRA, a partir dos modelos planificados pelo MEC,6 eixos quinários (n = 5)
se fazem presentes.

Os fulerenos são moléculas de carbono sintetizadas em 1985 pelos


químicos W. H. Kroto (Universidade de Sussex, Inglaterra), R. F. Curl e R. F.
Smalley (Universidade de Rice, Estados Unidos da América), que ganharam
o Prêmio Nobel de Química de 1996 pela síntese.7 Quando na forma do
buckminsterfulereno (C60), uma forma combinada pelas 12 faces de um
pentágono-dodecaedro regular, com as 20 faces de um icosaedro regular, essas
moléculas cristalizam na forma da fulerita,8 a quinta forma polimórfica estável
do carbono, após o diamante, a grafita, a lonsdaleíta e a chaoíta. 9-13

Esses compostos também se estruturam em outras formas moleculares,


como no fulereno (C20), que apresenta a forma de um pentágono-dodecaedro
regular.

Este trabalho tem por objetivo demonstrar a presença do eixo quinário


(n=5) em modelos didáticos do pentágono-dodecaedro regular e sua não existência
nos modelos do pentágono-dodecaedro irregular. Um problema conceitual
geralmente presente em aulas de cristalo odecaedro regular 1978 das Neves et
al. Quim. Nova grafia geométrica é a confusão do modelo regular com o modelo
do piritoedro, forma em que cristaliza o mineral pirita. Isto decorre de o fato
da literatura cristalográfica trazer, por vezes, a informação de ser o pentágono-
dodecaedro regular sinonímia do piritoedro ou dar margem para dúvidas.4,14

PARTE EXPERIMENTAL

Foi produzido em material acrílico, para o Laboratório de Geologia e


Mineralogia da Universidade Luterana do Brasil, a estrutura de um pentágono-
dodecaedro regular, baseando-se nos modelos planificados de Gonçalves.6 Esta
forma e a de um piritoedro foram projetadas clinograficamente no software Corel
Draw X4®15, para posterior demonstração de suas respectivas operações de
simetria, pelos discentes em aulas práticas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

O pentágono-dodecaedro regular, forma da molécula de fulereno


(C20), consiste em uma forma geométrica composta por 12 faces em formato de
pentágonos regulares idênticos entre si, dispostos em grupos de quatro faces,
segundo três eixos cartesianos. Esta molécula apresenta em sua notação de
simetria: 15 eixos binários (C2), que unem o centro de arestas opostas; 10 eixos
ternários (C3), que unem os vértices opostos e 6 eixos quinários (C5), que unem
o centro das faces opostas. Perpendicularmente aos eixos binários dispõem-se 15
planos especulares (σ), sendo que onde todos os eixos se cruzam se tem o centro
inversão da molécula.

170
TÓPICO 3 | CRISTALOGRAFIA FÍSICA

O piritoedro, forma cristalográfica na qual cristaliza a pirita, corresponde


a um pentágono-dodecaedro irregular. Geometricamente, apresenta 12 faces em
forma de pentágonos irregulares idênticas entre si e simetricamente dispostas em
conjuntos de quatro faces, segundo cada um dos eixos cristalográficos do cristal
(x, y, z). Cada face apresenta quatro arestas iguais entre si e uma quinta diferente.
As 30 arestas que compõem o sólido se dispõem segundo duas classes (6 longas
e iguais entre si e 24 curtas e também iguais entre si). Comporta ainda 20 vértices
triédricos, também distribuídos em duas classes, 8 formados por arestas curtas e
12 por uma aresta longa e duas curtas.16

Em relação à simetria, o modelo cristalino do piritoedro apresenta


apenas três eixos binários (unindo o centro das arestas opostas, segundo os eixos
cristalográficos “x, y, z”) e quatro eixos ternários (unindo os vértices triédricos
opostos). Em posição de perpendicularidade aos três eixos binários têm-se três
planos de simetria, com o centro de inversão ocupando a posição referente ao
cruzamento de todos os eixos do cristal. Nesta forma cristalina, portanto não há a
presença de eixos de simetria de ordem 5.

A notação de simetria taquigráfica do piritoedro é 3A2 4A3 C3P, que


corresponde a 2/m– 3, na notação de Hermann-Mauguin.

Algumas moléculas, além dos fulerenos, apresentam eixos de simetria


quinários, tais como o IF7 e o ReF7 (bipirâmides pentagonais), nido-B5 H5
(pirâmide pentagonal) e closo-[B12H12]2- (icosaedro regular), bem como íons
complexos, como [ZrF7 ] 3- e [HfF7 ] 3- (quando os contraíons forem átomos
de sódio), [V(CN)7 ]2- e [UO2 (OH2 )5 ]2+ (bipirâmides pentagonais). Porém,
este elemento de simetria não ocorre nos seus respectivos cristais.17-19 Nos
quasi-cristais, descobertos em 1984 por D. Schechtman, em uma liga sintética de
alumínio e manganês,20 o eixo de simetria 5 se fez presente, sendo que os mesmos
são considerados cristais desde 1992, de acordo com a International Union of
Crystallography.20

De fato, o eixo quinário, com rotação de 72º (notação C5 de Schoenflies), não


foi observado na simetria cristalina dos minerais até o momento determinados.13
Porém, já existem indícios da ocorrência desse elemento de simetria em quasi-
cristais de uma liga metálica, cuja fórmula ideal é Al63Cu24Fe13, ainda não
nominados nem validados pela International Mineralogical Association (IMA),
associados a khatyrkita ((Cu,Zn)Al2 ) e cupalita ((Cu,Zn)Al), em depósitos
metálicos da região das montanhas Koryak, na Rússia.5 Havendo a confirmação
desta liga como uma espécie mineral válida, será aberto um novo cenário nos
estudos de simetria cristalina, com a inserção do conceito de eixo quinário em
cristais naturais.

CONCLUSÕES

Foram demonstrados os eixos de simetria quinários no fulereno (C20),


cujas moléculas são representadas pela forma simples de um pentágono-
dodecaedro regular.
171
UNIDADE 3 | CRISTALOGRAFIA MORFOLÓGICA E FÍSICA

Em termos didáticos, abordaram-se dúvidas com relação às simetrias


das estruturas do piritoedro e do pentágono-dodecaedro regular, bem como as
diferenças entre simetria molecular e cristalina.

O piritoedro, forma na qual cristaliza a pirita, tem fórmula de simetria


2/m– 3, pela notação de Hermann-Mauguin.

O pentágono-dodecaedro regular, forma da molécula do fulereno (C20),


tem notação de simetria C2hS10S6, segundo Schonflies. Erros conceituais nestas
definições são agravados quando ocorre, nos cursos de química e de geologia,
indução de ministrar-se cristalografia pensando-se apenas nos minerais, e não
nos compostos químicos como um todo.

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Mineralogical Record: Tucson, 2008.
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15. Corel Draw X4; Corel Corporation, Otawa, Canadá, 2008.
16. Muedra, V.; Melendez, B.; Manual de Cristalografía Elemental, Paraninfo:
Madrid, 1957.
17. Neves, P. C. P. das; Freitas, D. V. de; Pereira, V. P.; Fundamentos de
Cristalografia, ULBRA: Canoas, 2009.
18. Lee, J. D.; Química Inorgânica Não Tão Concisa, Edgard Blücher: São Paulo,
1999.
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2003.
20. Kuo, O. H.; Acta Crystallogr., Sect. A (1992), doi: 10.1107/
S0108767301018633.

172
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste terceiro tópico, você aprendeu:

• A cristalografia física é bastante utilizada para caracterização macroscópica,


ou seja, identificação e classificação dos cristais através de propriedades
visíveis a olho nu. Outras caraterísticas, como magnetismo, polarização da luz
e condução da corrente elétrica, não são tão óbvias.

• Uma propriedade chamada de escalar é aquela que pode ser definida por
um único número, sem a necessidade de nenhuma outra informação, como
direção.

• Já a propriedade vetorial é aquela que necessita de uma informação de direção,


como a velocidade.

• Magnetismo: capacidade de o material ser atraído por um ímã.

• Tipos de magnetismo:

• Magnetismo dos núcleos: como o núcleo é muito pequeno, este tipo de


magnetismo se torna desprezível.
• Magnetismo dos orbitais.
• Magnetismo dos elétrons (spins): explicam a grande maioria das propriedades
magnéticas de uma determinada substância.

• Diamagnetismo: são minerais que não apresentam magnetismo. Nesse tipo de


substância as camadas eletrônicas dos átomos estão completas. Um exemplo
deste tipo de substância é o quartzo (SiO2).

• Paramagnetismo: ocorre em minerais que possuem momentos magnéticos


devido a momentos orbitais e de spin, ou seja, de camadas eletrônicas
incompletas. Esse tipo de substância apresenta magnetismo ao ser exposto a
um campo magnético externo. Um exemplo disso é o mineral ilmenita (FeTiO3).

• Ferromagnéticas: este tipo de propriedade acontecerá quando o arranjo


tridimensional dos átomos permite a presença de campo magnético, mesmo
na ausência de um campo magnético externo. Dessa maneira, são classificados
como ímãs permanentes. Na natureza podemos encontrar três elementos com
essas características: ferro, cobalto e níquel. A quantidade de cristais capazes
de realizar tal fenômeno é bastante pequena, por exemplo, a magnetita (Fe3O4)
e a pirrotita (FeS).

173
• Propriedade óptica: um determinado mineral, ao receber um feixe de luz, pode
mostrar determinadas propriedades deste material.

• Opticamente, podemos dividir as substâncias transparentes em isotrópicas e


anisotrópicas. Na substância isotrópica, a luz se move em todas as direções
com a mesma velocidade. Por conta disso, o prefixo “iso”, que indica igualdade.
Fazem parte desta classificação as substâncias não cristalinas, como gases,
líquidos, vidros e cristais do sistema cúbico.

• Nas substâncias anisotrópicas, que incluem todos os cristais, com exceção do


sistema cúbico, a velocidade da propagação da luz irá variar de acordo com a
estrutura do sistema cristalino.

• Dizemos que um determinado mineral ou cristal possui a propriedade elétrica


quando ele é capaz de conduzir corrente elétrica.

• Minerais condutores: formados por ligações metálicas, por exemplo, metais


nativos como Au, Cu, Ag, entre outros.

• Minerais semicondutores: formados por ligações parcialmente metálicas,


por exemplo, os sulfetos, como a pirita (FeS2).

• Minerais isolantes: formados por ligações covalentes ou iônicas, como a


maioria dos minerais.

• Piezoeletricidade: ocorre a produção de eletricidade quando há o surgimento


de cargas positivas e negativas ao longo do eixo do cristal, após a aplicação de
pressão sobre o mineral.

• Piroeletricidade: ocorre a produção de corrente elétrica pela variação de


temperatura. Também ocorre em minerais que não possuem centro de
simetria, chamada de piroeletricidade verdadeira. A chamada piroeletricidade
secundária ocorre em minerais que se expandem quando aquecidos de forma
desigual. Esta deformação do retículo gera uma pressão localizada, podendo
gerar piezoeletricidade. Exemplos deste tipo de material são o topázio e a
turmalina.

174
AUTOATIVIDADE

1 Alguns materiais estão sendo utilizados como geradores de corrente elétrica


por possuírem uma propriedade especial. Esta propriedade do material faz
com que a pressão do passo de qualquer pessoa gere corrente elétrica. O
nome desta propriedade é:

a) ( ) Magnetismo.
b) ( ) Polimorfismo.
c) ( ) Piezoeletricidade.
d) ( ) Piroeletricidade.
e) ( ) Hábito.

2 Considere as seguintes afirmações:

I. A radiação, ao interagir com um mineral, ela pode ser refletida ou


absorvida, somente.
II. Substâncias transparentes podem ser isotrópicas ou anisotrópicas.
III. Todo cristal conduz corrente elétrica.
IV. A piezoeletricidade está relacionada à geração de corrente elétrica a
partir da pressão de um mineral. Pode ser utilizada como grande fonte de
sustentabilidade energética em locais públicos.

Sobre as afirmações anteriores, estão corretas somente:


a) ( ) Somente I.
b) ( ) I e II.
c) ( ) II e IV.
d) ( ) I e IV.
e) ( ) Somente IV.

175
176
REFERÊNCIAS
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