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Edição 8 - JUN/2016

CIÊNCIA
REVISTA
PERIÓDICOS
& NOTÍCIAS:
Uma nova forma de

ESPÍRITA
levar o conhecimento
espirita ao público
interessado em teor
científico.

www.revistacienciaespirita.com

Distribuição
gratuita

PASSES INDIVIDUAIS E COLETIVOS


OS PASSES COLETIVOS SÃO REALMENTE EFICAZES? VEJA UM BREVE RESUMO, BASEADO EM
PESQUISAS, SOBRE O COMPLEXO TEMA

ROUSTAING
QUEM FOI E PORQUE É TÃO ADMIRADO POR UNS E DESPREZÍVEL POR OUTROS. UM BREVE APANHADO
SOBRE SUA VIDA E SUA RELAÇÃO COM A CIÊNCIA ESPIRITA

CHICO XAVIER DE VOLTA?


ARTIGO QUE FEZ ESTUDO EM GRAFISMOS DE UM MÉDIUM E IDENTIFICOU FORTE SEMELHANÇA COM OS DE
CHICO XAVIER

LEITURAS POR ESPIRITOS


RELATÓRIO DA SPR SOBRE EXPERIMENTOS COM MÉDIUM PARA VERIFICAR A CAPACIDADE DE LEITURA
DE ESPÍRITOS
Foto: wallpaper.net

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NESSA EDIÇÃO

CIÊNCIA ESPÍRITA

ESPAÇO DO Divulgue para


EDITOR seus amigos
Pesquisas de impacto (3)


NOTÍCIAS VOCÊ SABIA? CONHEÇA A


Replicação do fenômeno das O processo de comunicação
HISTÓRIA
mesas girantes (4) mediúnica não ocorre por Jean-Baptiste Roustaing.
ondas ou freqüências? Uma influência negativa ao
(5) espiritismo cientifico.
(6-10)

ARTIGO PERIÓDICOS RELATOS DE


Passe Coletivo e passe Investigação da manifestação
PESQUISA
Isolado, entenda um pouco de Chico Xavier. Não deixe Experimento da SPR para
mais sobre cada um de ler o artigo e suas testar visão de espíritos
(11-14) entrelinhas. (35-41)
(15-34)

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REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA MAR/2016

de leitores que já não se satisfazem mais


ESPAÇO DO com os atuais passos que o espiritismo
brasileiro vem dando ao longo do tempo,

EDITOR portanto temos que ir em busca de


desafios para preencher lacunas ainda em
aberto. Temos um desafio maior, que é o
PESQUISAS DE IMPACTO de divulgar dados e fatos que muitas vezes
vão contra algumas das afirmativas
espiritas, ou seja, temos a obrigação de
O amigo e estudioso sobre o publicar dados e conclusões sobre
espiritismo, Eduardo Lima, apresentou no algumas determinadas temáticas que
ano passado no I Simpósio de Ciência contrariam crendices populares ou mitos
CONTRA FATOS Espirita uma notória e fundamental palavra espiritas, mas que o façamos da melhor e
NÃO SE TEM que bem resume o futuro da temática mais justa maneira.
ARGUMENTOS espirita atual: MÉTODO Nessa oitava edição decidimos abortar
Essa palavra vem bem a calhar em temas focados na mediunidade e para isso
O que podemos buscamos a publicação de alguns
todos os sentidos, principalmente porque,
aprender com os novos quando um pesquisador busca investigar resultados que trazem um grande
dados que vem surgindo algo, se este utiliza de um bom e aprendizado ao meio espirita em geral.
adequado método cientifico para fazer as Temos um artigo que retrata a vida de
proveniente de novas
verificações, poucas ou nenhuma critica Roustaing e sua relação com o espiritismo,
pesquisas no campo demonstrando algumas partes históricas
surge sobre sua pessoa.
psíquico e espirita? onde fica evidente a falta de rigor cientifico
Aos poucos, com o tempo, vamos
aprendendo que as ideias propagadas sem dele, mesmo recomendado por Kardec.
verificações testáveis tendem mais a Isso pode parecer pouco, mas por traz de
complicar a cultura e conhecimento espirita uma pessoa referência (para muitos) vem-
do que a ajudar. É comum vermos se toda uma estrutura baseada em fé e
pessoas, médiuns ou espíritos afirmando “modelação” de regras para a publicação
isso ou aquilo, mas sem base alguma de algo de interesse próprio. Os leitores
senão a própria opinião. Bom, para a irão entender um pouco mais sobre a
questão das opiniões, Kardec já relação do atual cenário espirita.
recomendava um bom método, este que Estamos trazendo também um estudo
pretendia verificar se outros espíritos investigativo, onde nos parece que a
diziam a mesma coisa e se um mesmo manifestação discreta de Chico Xavier
espirito dizia a mesma coisa em médiuns parece ser muito evidente. Mais importante
diferentes. Além disso, após as opinões, que a comunicação de um nome de grande
ainda assim somente seria publicado algo referência ao espiritismo, são as
com uma boa análise dos fatos. Assim circunstancias e meios como isso ocorre.
surgiu a Codificação Espirita. Aproveitem para aprender ao máximo com
Na atualidade temos uma enorme gama isso. O “matuto de MG”, como era
de pesquisas quem vem sendo feitas. Hoje chamado, parece continuar a trazer
em dia, é claro, com um rigor bem maior ensinamentos, basta querer vê-los.
que o empregado no passado, pois o Nossa edição está recheada de
tempo fez aprender sobre como alguns informações importantes, então
médiuns fraudavam e como outros publicamos um exemplo de experiência
demonstravam verdade em suas com médium, onde o objetivo era testar os
manifestações. Podemos dizer que hoje limites das capacidades de um espirito ler
todo pesquisador busca primeiramente ou ver algo. Tirem suas conclusões.
eliminar a fraude, para depois somente Os passes fazem parte de um breve
iniciar sua pesquisa para obter maior artigo documental, onde novos fatos e
aprendizado sobre o tema que vai estudar. dados no futuro possam mudar nossa
Desde nossa primeira edição viemos opinião, mas com o que temos hoje, já é
falando sobre as duas grandes “frentes" de possível tirarmos algumas conclusões.
pesquisa, uma voltada para comprovação
do espiritismo e outra voltada para a Uma boa e singela leitura a todos.
compreensão do mesmo. Nossa revista
está focada nessa ultima, voltando-se para Sandro Fontana
um publico específico e exigente, um grupo
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NOTÍCIAS E
INFORMAÇÕES

FENÔMENO DE MESAS GIRANTES É


REPLICADO COM SUCESSO NA
ALEMANHA O pesquisador Stephen Braude pode presenciar e atuar
usando certos controles contra fraude e pode atestar a
Já faz algum tempo que um grupo de médiuns
veracidade do fenômeno.
alegam replicar o fenômeno das mesas girantes
e efeitos de materialização. Embora ainda seja
ouvido mitos no meio espirita de que tais
fenômenos não vem a ocorrer por “não ser mais
necessário”, isso evidentemente é uma boa
desculpa para a ausência de médiuns
predispostos ou desenvolvidos para tal.
O fato é que existe o Grupo Felix que alega
possuir tal poder e isso despertou o interesse da
comunidade cientifica mundial interessada na
fenomenologia. Numa primeira rodada de testes,
envolvendo materializações e ectoplasma, ficou
evidente uma boa qualidade de fraude, ou seja, Foram instaladas câmeras infravermelho que puderam
não havia materialização alguma, senão boas mostrar detalhes não vistos ou percebidos em experiências
técnicas fraudulentas. Isso pegou muito mal para normais, no entanto mais experiências devem ser feitas pois o
grupos espiritas, uma vez que o argumento de fato do médium ter fraudado anteriormente numa experiência
fraude ficou mais evidente. de ectoplasmia, isso ainda o deixa em “check”. Geralmente
O cenário mudou um pouco depois de uma serie médiuns que se negam a experimentos são visto como
de experimentos que envolvia e fenômeno das farsantes pela comunidade cientifica em geral.
mesas girantes. Para se aprofundar, o leitor pode buscar o artigo em:
4 Journal of Scientific Exploration, Vol. 30, No. 1, pp. 27–55, 2016
Você Sabia? RESUMOS
IMPORTANTES

A COMUNICAÇÃO MEDIÚNICA NÃO SE FAZ POR ONDAS OU FREQUÊNCIAS

Se existe uma relação entre terminologias estas são telepatia e comunicação mediúnica. Embora o
foco de pesquisas hoje estejam separados, a fenomenologia é a mesma, isto é, comunicação.
É comum encontrarmos em diversos livros as expressões “ondas mentais”, “manter sintonia”,
“elevar a frequência” entre outros.
Tais expressões são meramente ilustrativas (oriundas da física), ou seja, agem de uma forma
simbólica para demonstrar algo muito complexo, mas que pareça simples ao leigo. Isto é o que
chamamos de MODELO.
Um bom exemplo disso é o Modelo Atômico de Bohr. Com certeza todos aprenderam na escola que
o átomo é como um “planeta” (prótons e nêutrons) que possui “satélites" girando ao seu redor
(elétrons). Isto é uma idealização ou “modelo visual lógico”, mas já se sabe que a verdade não é
bem assim.
Para o espiritismo cientifico o mesmo acontece, sendo assim nenhum pesquisador dedicado poderá
usar conceitos de física para tentar compreender o mundo espiritual. Isso está implícito no O Livro
dos Espíritos e no O Livro dos Médiuns.
Quando Kardec repassou as informações fornecidas pelos espíritos, ficou claro que o espirito “viaja
na velocidade do pensamento” e o seu “eu” está sempre presente nisso. No entanto deixa claro
também que tais aptidões dependem do nível evolutivo de cada um, lembremos então que há
espíritos que precisam ir de aerobus de um lugar para outro, mas outros em nível mais elevado não.
Mas se pensarmos: qual é a velocidade do pensamento?
Podemos dizer hoje, com certeza, que não sabemos. Talvez (apenas talvez) ela seja algo próximo do
que vemos no entrelaçamento quântico, no entanto, o que podemos afirmar é, nem de perto, a
comunicação espiritual (telepática) é igual a uma onda eletromagnética.
A parapsicologia foi uma das ciências que mais evoluiu neste campo, conseguindo demonstrar que a
telepatia ocorre mesmo a grandes distâncias, num tempo extremamente curto e em locais opostos
do planeta.
Essa descoberta converge totalmente com as escritas de Kardec, explicitando que a comunicação
mediúnica não pode, em hipótese alguma, ser algo magnético ou com ondas (e frequências), se
assim o fossem: teriam sua velocidade limitada a velocidade da luz; sofreriam interferência do campo
magnético do planeta; e não transporiam determinados materiais físicos. Sem comentar que
demandariam muita energia para fluir de um lugar a outro, especialmente a longas distâncias.

Para aprender mais, leia Manual de Parapsicologia - Valter da Rosa Borges

5
Grandes
desfavores à
Ciência
Espírita

ROUSTAING
POR: KRAYHER

Jean-­‐Baptiste   Roustaing,   nasceu   em   Bè gles,   no   dia   15   de  


outubro   de   1805,   e   desencarnou   em   Bordeaux,   no   dia   2   de  
janeiro   de   1879.   Bè gles   é   uma   comuna   francesa   na   regiã o  
administrativa   da   Aquitâ nia,   no   departamento   Gironde.  
Atualmente  estende-­‐se  por  uma  á rea  de  9,96  km².     Ao   longo  
de   sua   vida,   foi   advogado   e   jurisconsulto,   ocupou   o   cargo   de  
bastoná rio   da   Ordem   do   Advogados   de   Bordeaux   e   foi   autor   de  
diversos  trabalhos  jurı́dicos.  Declarou-­‐se  Espı́rita,  apó s  o  contato  
com   o   Livro   dos   Espı́ritos   e   o   Livro   dos   Mé diuns.   Em   seguida,  
tomando   uma   missã o   similar   a   de   Kardec,   foi   o   coordenador   da  
obra:   Les   Quatre   EW vangeles   –   Spiritisme   Chré tien   ou   Ré vé lation  
de   la   Ré vé lation   ("Os   Quatro   Evangelhos   ou   Revelaçã o   da  
Revelaçã o"),   obra   psicografada   pela   mé dium   belga   EW milie  
Collignon.    
  Roustaing,   adotou   um   cognome,   St.   Omer,   para   a  
publicaçã o   de   seus   artigos   jurı́dicos,   o   que   era   uma   prá tica  
comum  da  é poca,  poré m,  preservando  seu  nome  de  batismo  para  a  publicaçã o  dos  Quatro  Evangelhos.    
  Era   _ilho   de   François   Roustaing,   comerciante,   e   de   Margueritte   Robert.   Teve   trê s   irmã os:   Joseph,  
Alfred  e  Jeanne.    
Roustaing  teve  uma  infâ ncia  e  juventude  difı́ceis  pela  situaçã o  _inanceira  de  sua  famı́lia,  que  o  obrigaria  
desde  muito  cedo,  a  trabalhar  duro  para  que  pudesse  custear  seus  estudos.  Tinha  també m  uma  saú de  

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REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA JUN/2016

muito   frá gil.   As   vicissitudes   fı́ s icas,   e   as   Adversá ires",   Publicado   e   distribuı́ d o   em  
di_iculdades   _inanceiras   o   acompanharam   até   a   Bordeaux  e  Paris  em  1882.    
vida   adulta,   situaçã o   que   de   modo   geral   era     Roustaing   foi   um   "homem   de   coraçã o  
comum  à  é poca.   simples   e   de   espı́rito   humilde".   Uma   parte   deste  
  C o n c l u i u   o s   e s t u d o s   p r i m á r i o s   e   artigo   pode   ser   encontrado   na   Revue   Spirite   de  
secundá rios  no  Collè ge  Royal  de  Bordeaux,  tendo   1883,  Ediçã o  de  Julho,  pá gina  307  em  diante.  
seguido   para   Toulouse   com   o   intuito   de   cursar  
Direito,   sendo   ele   mesmo   o   _iador,   levando   em   CONTATO  COM  O  ESPIRITISMO    
consideraçã o  os  escassos  recursos  da  famı́lia.    
  Lecionou   literatura,   ciê ncias,   _iloso_ia   e     De  1858  à  1861,  perı́odo  em  que  sofria  de  
matemá ticas   especiais,   em   Toulon,   onde   residiu   graves   enfermidades,   possivelmente   sob  
de   1823   a   1826.   e   desse   modo   conquistou   seu   profundas   re_lexõ es   existenciais,   Roustaing   se  
diploma  em  Direito.     interessou   pelo   fenô meno   das   mesas   girantes   e  
  Estagiou  em  Paris,  de  1826  a  1829,  vindo  a   das   supostas   comunicaçõ es   com   o   mundo  
ingressar   na   advocacia   por   volta   de   1830,   espiritual,  que  alcançavam  grande  publicidade  na  
(conforme   registrou   o   presidente   da   Ordem   dos   Europa  e  na  Amé rica.  Muito  similar  a  maioria  dos  
Advogados   de   Bordeaux,   o   Dr.   R.   Brouillaud,   em   homens   de   pensamento   crı́tico   e   antagô nico,  
1871).     encontrou   grande   resistê ncia   em   aceitar   as  
  Em  janeiro  de  1847,  vinte  anos  mais  tarde,   explicaçõ es   dadas   à quela   fenomenologia,  
retornou  para  Bordeaux.     mostrou   forte   ceticismo,   mas   inclinou-­‐se   para   o  
  Em   3   de   agosto   de   1847,   inscreveu-­‐se   na   seu  estudo  e  aná lise.    
Ordem  dos  Advogados  de  Bordeaux,     Relatou   suas   primeiras   impressõ es   na  
  Em   11   de   agosto   de   1848,   para   o   ano   obra  Os  Quatro  Evangelhos:  
judiciá rio  de  1848-­‐1849,  devido  ao  seu  prestı́gio      
e   seu   ê xito   pro_issional,   foi   eleito   bastoná rio   "Minha   primeira   impressão   foi   a   de  
desta   mesma   ordem.   Este   tı́tulo   é   conferido   ao   incredulidade   devida   à   ignorância,   mas   eu  
advogado   de   maior   saber   jurı́ d ico   e   de   bem   sabia   que   uma   impressão   não   é   uma  
reconhecida   probidade   pessoal   e   pro_issional.   opinião   e   não   pode   servir   de   base   ao  
Sua   cultura   e   saber,   també m,   alçaram-­‐no   julgamento;   que,   para   isso,   é   necessário,  
jurisconsulto.     antes  de  tudo,  nos  coloquemos  em  situação  
  Em   1852-­‐1853,   foi   indicado   secretá rio   do   de  falar  com  pleno  conhecimento  de  causa.  
Conselho.     (…)  Sabia  e  sei  ainda  ser  ato  de  insensatez  
  Em   24   de   agosto   de   1850   casou   com   sua   aprovar   ou   repudiar,   aGirmar   ou   negar   o  
prima   e   viú va,   sem   _ilhos   do   primeiro   que   se   não   conhece   em   absoluto,   ou   o   que  
matrimô nio,  Elisabeth  Roustaing.     se   não   conhece   bastante,   o   que   se   não  
  Em  2  de  agosto  de  1855,  deixou  as  funçõ es   examinou   suGicientemente   e   aprofundou  
administrativas  da  Ordem.     sob   o   duplo   ponto   de   vista   teórico   e  
  Em   1858,   foi   acometido   de   grave   experimental,   na   medida   das   faculdades  
enfermidade,   apó s   30   anos   de   labor,   como   próprias,   sem   prevenções,   sem   ideias  
consequê ncia   foi   obrigado   a   se   afastar   das   preconcebidas."  (Os  Quatro  Evangelhos  (5ª  
atividades   pro_issionais.   Permanecendo   como   ed.,   vol.   I).   Rio   de   Janeiro,   FEB,   1971.   p.  
advogado  consultor.     58.)    
Em   1861,   restabelecido   em   sua   saú de,   retornou  
aos  trabalhos  de  advogado.     E  continuou:    
  Roustaing   també m   se   dedicou   à s   açõ es  
bene_icentes,   de   modo   especial   em   Bordeaux   e   "Com  a  minha  vida  inteira  irresistivelmente  
no  distrito  de  Targon,  regiã o  de  Entre-­‐deux-­‐Mers,   presa   à   pesquisa   da   verdade,   na   ordem  
onde   possuı́ a   na   comuna   rural   de   Arbis,   Gísica,   moral   e   intelectual,   deliberei  
propriedade   adquirida   em   1855.   Conforme   seus   informar-­‐me  cientiGicamente,  primeiro  pelo  
discı́ p ulos   e   amigos   registraram   em   nota   estudo   e   pelo   exame,   depois   pela  
publicada   sob   o   tı́tulo:   "Les   Quatre   EW vangiles   de   observação   e   pela   experimentação,   do   que  
J.-­‐B.  Roustaing.  Ré ponses  à  ses  Critiques  et  à  ses   haveria  de  possível,  de  verdade  ou  de  falso  
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n e s s a   c o m u n i c a ç ã o   d o   m u n d o     EW milie  Collignon  seria  a  mé dium  que  viria  a  


espiritual  com  o  mundo  corpóreo,  nessa   psicografar   a   obra   Os   Quatro   Evangelhos   ou  
doutrina  e  ciência  espíritas."  (op.  cit.  p. Revelaçã o  da  Revelaçã o.    
59)     Enviando   carta   a   Allan   Kardec,   Roustaing  
declarava  abertamente  seu  posicionamento:    
Apó s   leitura   de   O  
Livro   dos   Espı́ritos   e   do   "Depois   de   ter   estudado   e  
Livro  dos  Mé diuns,  ambos   compreendido,  eu  conhecia  
publicados   por   Allan   o   mundo   invisível   como  
Kardec,   sob   a   é gide   do   conhece   Paris   quem   a  
C U E E .   R o u s t a i n g   estudou  sobre  o  mapa.  Pela  
d e c l a ro u -­‐ s e   E s p ı ́ r i t a ,   experiência,   trabalho   e  
chegando   até   a   enviar   observação   continuada,  
carta   ao   Codi_icador,   conheci  o  mundo  invisível  e  
dando   testemunho   da   seus   habitantes   como  
transformaçã o   que   havia   quem   a   percorreu,   mas  
s e   o p e r a d o   e m   s u a   sem   ter   ainda   penetrado  
maneira  de  ser.  Debruçou-­‐ em  todos  os  recantos  desta  
se   sobre   a   Histó ria   da   v a s t a   c a p i t a l .   N ã o  
Humanidade,   e   vasculhou   obstante,   desde   o   começo  
todos  os  pontos  de  coesã o   do   mês   de   abril,   graças   ao  
das   verdades   reveladas   conhecimento   que   me  
naquelas   duas   obras   com   p r o p o r c i o n a s t e s ,   d o  
os   textos   antigos   e   ditos   excelente   sr.   Sabò   e   de   sua  
sagrados,   concluiu   para   a   família   patriarcal,   todos  
veracidade  incontestá vel  e   b o n s   e   v e r d a d e i r o s  
racional   da   realidade   espíritas,   pude   trabalhar   e  
e s p i r i t u a l   e   d a   trabalhei   constantemente  
c o m u n i c a ç a ̃ o   d o s   todos   os   dias   com   eles   ou  
Espı́ritos  para  os  homens.     em   minha   casa,   e   na  
  Apó s   a   leitura   de   O   presença  e  com  o  concurso  
Livro  dos  Espı́ritos,  escreveu:   de   adeptos   de   nossa   cidade,   que   estão  
convictos   da   verdade   do   Espiritismo,  
"(…)   uma   moral   pura,   uma   doutrina   embora   nem   todos   sejam   ainda,   de   fato   e  
racional,   de   harmonia   com   o   espírito   e   praticamente,   espiritas."   (Carta   de  
p r o g r e s s o   d o s   t e m p o s   m o d e r n o s ,   Roustaing  a  Kardec.  Revista  Espı́rita,  Junho  
consoladora   para   a   razão   humana;   a   de  1861)    
explicação   lógica   e   transcendente   da   lei  
divina   ou   natural,   das   leis   de   adoração,   de     Em  dezembro  de  1861,  quando  do  segundo  
trabalho,   de   reprodução,   de   destruição,   de   encontro   com   a   Sra.   Collignon,   Roustaing   recebe  
sociedade,   de   progresso,   de   igualdade,   de   uma   mensagem   psicografada   pela   mé dium.  
liberdade,  de  justiça,  de  amor  e  de  caridade,   Semelhante   ao   que   ocorrera   com   o   Prof.   Rivail,  
do   aperfeiçoamento   moral,   dos   sofrimentos   quando   alcançou   grande   progresso   em   seus  
e  gozos  futuros."  (op.  cit.,  p.  58.)     estudos   e   aná lises   sobre   as   comunicaçõ es   e  
f e n ô m e n o s   m e d i ú n i c o s ;   Ro u s t a i n g   e ra  
  Para   conhecer   intimamente   os   fenô menos,   supostamente   recrutado   pela   espiritualidade   a  
participou   do   grupo   familiar   de   EW mile   A.   Sabò ,   uma  tarefa  missioná ria.    
que  viria  a  se  tornar  secretá rio  pessoal  de  Kardec     Dessa   forma   Jean-­‐Baptiste   Roustaing   deu  
em  1865.     inicio   a   uma   missã o   de   coordenador,   de   todo   o  
  Neste   grupo   familiar   em   Junho   de   1861,   material   que   seria   psicografado   sobre   os  
seis  meses  mais  tarde,  iria  conhecer  o  casal  Emilie   Evangelhos,  os  Dez  Mandamentos  e  Jesus,  atravé s  
e  Charles  Collignon.     da  mediunidade  de  EW milie  Collignon.    
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REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA JUN/2016

Em   maio   de   1865,   já   com   todo   o   material   ser   interpretadas   de   diversas   maneiras;  
preparado,   recebe   instruçã o   dos   espı́ritos   que   o   a s s i m ,   ja m a i s   fo ra m   a s s u n to   p a ra  
assistiam,   para   a   publicaçã o   da   obra.   O   trabalho   controvérsias   religiosas.   Por   esta   razão   é  
recebe  o  tı́tulo  sugerido  pelos  espı́ritos:  Os  Quatro   que   por   aí   começamos,   a   Gim   de   ser   aceito  
Evangelhos  –  Espiritismo  Cristã o.     sem  contestação...    
  A_irmam   alguns   bió grafos   que   Roustaing                          “O  autor  (Roustaing)  desta  nova  obra  
adicionou,  sem  consultar  os  espı́ritos,  o  subtı́tulo:     (“Os   Quatro   Evangelhos”),   julgou   dever  
“ou   Revelaçã o   da   Revelaçã o”,   mas   nã o   seguir   um   outro   caminho.   Em   vez   de  
encontramos   referê ncias   para   a   con_irmaçã o   proceder  por  gradação,  quis  atingir  o  Gim  de  
desta   a_irmativa.   O   que   poderia   de   certa   forma   um   salto.   Assim   tratou   certas   questões   que  
levantar  a  hipó tese  _lagrante  de  fascı́nio.     não   tínhamos   julgado   oportuno   abordar  
  A   elaboraçã o   da   obra   estendeu-­‐se   de   ainda,   e   das   quais,   por   consequência,   lhe  
dezembro   de   1861   a   maio   de   1865   (3   anos   e   5   deixamos   a   responsabilidade,   como   aos  
meses).   O   lançamento   foi   nos   dias   5   de   abril   (2   Espíritos   que   as   comentaram   (...)   Convém,  
volumes)   e   5   de   maio   (ú ltimo   volume)   de   1866,   pois,  considerar  as  explicações  apresentadas  
conforme   anú ncios   feitos   por   Auguste   Bez   em   como   opiniões   pessoais   (dele,   Roustaing   e  
L'Union   Spirite   Bordelaise   (imagem   pá gina   dos  Espíritos  que  as  formularam...)    
anterior).                            “...  por  exemplo,  Roustaing  dá  ao  
Cristo,  em  vez  de  um  corpo  carnal,  um  corpo  
  M u i t a   c o n f u s ã o ,   d e s e n c o n t r o s   e   Gluídico   concretizado,   com   todas   as  
dissidê ncias  viriam  a  acontecer  apó s  a  publicaçã o   aparências   da   materialidade,   e,   de   fato,   um  
destas   obras.   O   pró prio   Codi_icador   da   Doutrina   agênere.   Aos   olhos   dos   homens   (...)   Jesus  
Espı́ r ita,   ao   ler   tais   obras,   emitiu   opiniã o   deve   ter   passado   em   aparência,   expressão  
destacando   seus   pontos   negativos   e   positivos,   incessantemente  repetida  no  curso  de  toda  a  
sem  concluir  a  favor  ou  contra.  Evidenciando  seu   obra,   para   todas   as   vicissitudes   da  
cará ter   diplomá tico   e   uni_icador,   Kardec   limitou-­‐ humanidade.   Assim   seria   explicado   o  
se   a   dizer   que   a   realidade   sobre   os   pontos   mistério  de  seu  nascimento  (...)    
polê micos   tratados   na   obra,   deveriam   ser                          “Sem  nos  pronunciarmos  pró  ou  
sancionados   pelo   tempo   e   o   porvir.   No   entanto,   contra   essa   teoria,   diremos   que   ela   é,   pelo  
nã o   podia   esconder   seu   desapontamento   em   menos,   hipotética   (...)   Sem   prejulgar   a   obra  
veri_icar   que   o   mé todo   de   composiçã o   destas   de   Roustaing,   diremos   que   já   foram   feitas  
obras   nã o   obedecia   o   sancionamento   da   objeções   sérias   a   essa   teoria   (do   corpo  
universalidade   como   a   doutrina   espı́ r ita   Gluídico  de  Jesus);  em  nossa  opinião  os  fatos  
determinava.   Nã o   houve   aferiçã o   universal,   e   a   podem   perfeitamente   ser   explicados   sem  
revelaçã o  fora  dada  unicamente  por  uma  mé dium.   sair   das   condições   da   humanidade  
As  obras  exploravam  o  cará ter  religioso  e  mı́stico   corporal...”.  (...)  até  nova  ordem  não  daremos  
de  Jesus,  alimentando  o  fascı́nio  e  o  maravilhoso,   às  suas  teorias  (de  Roustaing  e  dos  Espíritos  
extrapolando   as   bordas   da   reencarnaçã o,   que   re v el a d o res ) ,   n e m   a p rov a çã o ,   n e m  
mais   se   parecia   com   a   ideia   apresentada   pelo   desaprovação,   deixando   ao   tempo   o  
Hinduismo,   e   a   ordem   de   progressã o   dos   trabalho  de  as  sancionar  ou  contraditar...”  E  
espı́ritos.   fez  questão  de  dizer  que,  “ao  lado  de  coisas  
Assim,  escreveu  Kardec:     duvidosas”   a   obra   de   Roustaing   “encerrava  
o u t ra s ,   i n co n t e s t a v e l m e n t e   b o a s   e  
“Esta   obra   compreende   a   explicação   e   a   verdadeiras.   (...)   Convém,   pois,   considerar  
interpretação   dos   Evangelhos   (de   Jesus),   essas   explicações   como   opiniões   pessoais,  
a r t i g o   p o r   a r t i g o .   ( . . . )   A s   p a r t e s  
que   podem   ser   justas   ou   falsas,   e   que,   em  
correspondentes   às   que   tratamos   no   todo   caso,   necessitam   do   controle   universal  
Evangelho   segundo   o   Espiritismo   o   são   em   (...)  da  concordância  universal,  corroborada  
sentido   análogo   (...)   como   nos   limitamos   às   por  uma  rigorosa  lógica…”  
máximas   morais   que,   com   raras   exceções,  
são   claras,   estas   (máximas)   não   poderiam   Roustaing  por  sua  vez,  respondeu  à s  criticas  sem  

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REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA JUN/2016

esconder   sua   profunda   Bezerra   de   Menezes,   deu  


decepçã o   pela   indiferença   asas   as   dissidê ncias   desde  
de  Allan  Kardec.  A  resposta   m u i t o   c e d o .   C o m o  
de   Roustaing   pode   ser   c o n s e q u ê n c i a   d e s t a  
encontrada  em  sua  obra.  (J.   associaçã o   imprudente,  
B.   Roustaing,   em   “Os   colocou   em   xeque   sua  
Quatro   Evangelhos”   –   c r e d i b i l i d a d e   c o m o  
ediçã o  da  FEB  –  Ano  1920,   r e p r e s e n t a n t e   d o  
pá gs.  50  a  52).     Espiritismo.   EW   por   este  
  Kardec,   nã o   mais   motivo   alvo   de   durı́ssimas  
tratou   do   assunto,   e   pouco   c r ı ́ t i c a s ,   d o s   m u i t o s  
d e p o i s   r e t o r n a v a   à   adeptos   defensores   da  
espiritualidade   em   1869.   p u re z a   d o u t r i n á r i a   e  
Antes   no   entanto,   ambos   estudiosos   da   Doutrina  
seguiram  adiante  com  suas   Espı́rita   sob   o   paradigma  
o c u p a ç õ e s .   Ro u s t a i n g   de   Kardec.   O   resultado   foi  
c o n s e g u i u   a t ra i r   u m a   desastroso,   e   pode   ser  
quantidade   considerá vel   ve r i _ i c a d o   p e l o   a t u a l  
de   adeptos   a   favor   de   sua   movimento   espı́rita,   que  
c a u s a ,   m a s   i s s o   n ã o   aceita   sem   ressalvas   tudo  
impediu   que   as   _ileiras   do   aquilo   que   tem   o   carimbo  
espiritismo   segundo   o   paradigma   de   Kardec,   da  FEB,  na  maioria  das  vezes  desconhecendo  seus  
engrossassem   consideravelmente.   As   assinaturas   mé todos   de   aferiçã o   para   publicaçã o   de   obras  
da   Revista   Espı́rita   e   seu   nú mero   de   adeptos   com  o  subtı́tulo  de  Espı́ritas.    
continuava  a  crescer.     Aos  leitores  que  desejarem  compreender  o  
  Jean-­‐Baptiste   Roustaing   desencarnou   no   motivo   de   tantas   confusõ es,   disputas,   brigas   e  
dia  2  de  janeiro  de  1879,  tendo  seu  sepultamento   d i s s i d ê n c i a s ,   r e c o m e n d a m o s   o   e s t u d o  
ocorrido   no   cemité rio   da   Chatreuse,   no   jazigo   comparativo  que  vem  sendo  realizado  por  alguns  
Gautier.   Nã o   deixou   descendentes.   Diante   do   grupos   espı́ritas,   com   o   intuito   de   demonstrar   a  
jazigo,   usou   da   palavra   o   sr.   Battar   (discurso   evidente   solidez   do   ensino   baseado   no   C.U.E.E  
registrado   no   Journal   de   Bordeaux,   do   dia   06   de   pelo   Espiritismo   contra   os   Quatro   Evangelhos,  
janeiro  de  1879),  entã o  bastoná rio  da  Ordem  dos   organizados   por   Roustaing.   Veja:   https://
Advogados   de   Bordeaux,   que   fez   extenso   elogio   w w w. f a c e b o o k . c o m / m e d i a / s e t / ? s e t = a .
do   colega,   ressaltando-­‐lhe   as   qualidades   de   201103626895016.1073741830.201057866899
excepcional   advogado   e   de   conhecido   benfeitor   592&type=3  
no   campo   da   caridade   prestada   aos   pobres   e  
doentes.     Referê ncias  consultadas:  
  Kardec   jamais   se   declarou   inimigo   de  
Roustaing,   como   pretendem   apontar   alguns   1 . .   h t t p s : / / p t . w i k i p e d i a . o r g / w i k i / J e a n -­‐
espı́ritas   exaltados.   E   a   verdade   é   que   Kardec   Baptiste_Roustaing  
jamais   se   declarou   inimigo   de   quem   quer   que   2.   http://oblogdosespiritas.blogspot.com.br/
fosse.   E   apesar   de   nã o   as   ter   aceitado   (obras   de   2010/02/allan-­‐kardec-­‐x-­‐roustaing-­‐hora-­‐da.html  
Roustaing),   nã o   encontramos   registros   de   que   3.   http://dossieespirita.blogspot.com.br/
tenha   declarado   abertamente   ou   na   SPEE,   que   a   2014/08/chico-­‐xavier-­‐e-­‐wantuil-­‐de-­‐freitas.html  
obra   nã o   era   espı́rita,   deixando   este   julgamento   4 .   h t t p : / / w w w. o f ra n c o p a l a d i n o . p r o . b r /
ao  crité rio  dos  adeptos  do  espiritismo  e  do  futuro   mat158.htm  
que  reservaria  tal  distinçã o.  
  No   Brasil,   Bezerra   de   Menezes   foi   quem  
introduziu   as   hipó teses   roustanguistas   no   meio  
espı́ r ita,   e   as   apresentou   como   ensino  
doutriná rio,   algo   que   nã o   ocorreu   na   França   ou  
no  resto  do  mundo.    A  FEB  muito  in_luenciada  por  
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PASSES COLETIVOS OU
INDIVIDUAIS? O QUE OS
ESTUDOS MAIS RECENTES
SUGEREM SOBRE ISSO?
QUAIS SÃO OS FATOS OU MITOS QUE CERCAM
ESSA INCÓGNITA SOBRE ESTE TEMA?

Por Sandro Fontana

Uma   conversa   num   grupo   fechado   sobre   o   energia   emanada   pelas   mãos   de   um   médium   ou  
espiritismo   me   levou   a   buscar   algumas   agente  possuidor  de  tais  poderes.  
respostas   frente   a   um   tema   muito   interessante   Estudos   recentes   sobre   esse   tema,  
que  envolve  a  prá tica  atual  do  passe  nos  Centros   abordados  em  nossa  primeira  ediçã o  da  Revista  
Espiritas:  Passe  coletivo  funciona?   Ciê ncia   Espı́ r ita   (nessa   mesma   sessã o)  
Depois   de   algumas   trocas   de   mensagens   e   demonstram   que   tal   energia   está   relacionada  
aná lise   de   argumentos,   pró s   e   contras,   _icou   com   a   emissã o   de   fó tons   e   atua   diretamente   no  
nı́tida   a   necessidade   de,   primeiramente,   se   sistema   imunoló gico   dos   receptores   (JOINES,  
de_inir  o  que  é  o  passe.   2013  e  OLIVEIRA  MONEZI,  2003).    
Em   termos   histó ricos,   envolvendo   sua   Num  estudo  posterior  de  Monezi  (2013),  um  
origem   no   meio   espirita,   ela   vem   da   prá tica   e   efeito  notó rio  veio  a  ser  percebido  em  pacientes  
estudos   de   Franz   Anton   Mesmer   (1777),   um   sob   a   condiçã o   de   estresse,   evidenciando   mais  
mé dico   que   dedicou   boa   parte   de   sua   vida   ao   uma  vez  que  a  imposiçã o  das  mã os  surtia  algum  
estudo   da   possibilidade   de   existir   uma   “energia   efeito   sobre   o   ser   humano.   Vale   ressaltar   que  
magné tica”   capaz   de   sair   de   uma   pessoa   Monezi,   para   manter   um   rigor   cienti_ico,   usou  
(agente)   e   nutrir   um   doente   (receptor).   Tal   grupo   de   controle   placebo,   onde   pessoas   nã o  
hipó tese   veio   ser   aceita   posteriormente   por   possuidoras   da   energia   do   passe,   aplicaram  
Kardec   e   devido   a   isso   o   termo   “passe   dentro   do   mesmo   rito   (Reiki),   as   mã os   sobre  
magné tico”  vem  sendo  usado  até   os  dias  de  hoje   pacientes  idosos  e  o  mesmo  resultado  nã o  veio  a  
no  espiritismo.  Uma  grande  contribuiçã o  para  o   ocorrer.  
meio   espirita   cienti_ico   se   deu   atravé s   das   Com   esses   trê s   estudos   recentes,   somados  
experiê ncias   do   pesquisador   Albert   De   Rochas   aos   estudos   do   passado   parece   _icar   evidente  
(1899),   onde   _icou   evidente   que   algum   tipo   de   que  existe  uma  energia  que  emana  das  mã os  de  
energia   (sutil)   surgia   das   mã os   de   certas   certas   pessoas,   e   estas   nã o   precisam   ser  
pessoas.  De  Rochas  pode  veri_icar  isso  com  o  uso   mé diuns   efetivamente,   uma   vez   que   o   nome  
de   mé diuns   videntes,   onde   esses   declaravam   “passe   magné tico”   é   apenas   um   termo   usado  
inclusive  perceberem  variaçõ es  de  cores.   dentro   do   espiritismo   para   descrever   uma  
Com   base   nesses   fatos   histó ricos,   _ica   energia   de   conhecimento   antiga   da   parte  
evidente  que  o  passe  se  trata  de  alguma  forma  de   oriental   de   nosso   planeta,   també m   chamado   de  
energia  Ki  (Japã o)  ou  Chi  (China).  
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Em   um   estudo   mais   recente,   publicado   em   obrigou   a   eleger   um   desses   trabalhos   e   tecer  


nossa   revista   (ediçã o   6   -­‐   DEZ/2015),   Moreira   uma   aná lise   mais   detalhada   nos   argumentos  
Freire   &   Silva,   analisando   essa   mesma   para  tal  hipó tese.  
energizaçã o   (ki),   poré m   na   á gua,   com   o   auxilio   Selecionamos   um   artigo   publicado   no   site  
de   uma   mé dium,   puderam   replicar   alguns   dos   Correio   Espirita   [1],   onde   o   autor,   Jacob   Melo,  
experimentos  de  De  Rochas,  evidenciando  que  a   defende   a   hipó tese   de   que   o   efeito   do   passe  
á gua  se  _luidi_ica  e  que  dependendo  do  receptor,   coletivo   possui   mesmo   efeito   que   um   passe  
essa   energia   muda   de   cor.   Os   pesquisadores   individual.   Salientamos   que   nossa   breve   aná lise  
sugerem  mais  estudos  para  tentarmos  descobrir   apenas   confronta   ideias   e   entendimentos   e,   de  
qual   cor   se   relaciona   a   algum   tratamento   em   forma  alguma  o  autor,  até  por  nã o  sabermos  se  o    
especı́_ico.   mesmo   ainda   possui   a   mesma   opiniã o   sobre   a  
temá tica.  
PASSE,  PRECISA  SER  MEW DIUM  OU  NAx O?   E m   u m   p r i m e i r o   m o m e n t o ,   n ã o  
encontramos   argumentos,   de   Melo,   oriundos   de  
Pelos   resultados   obtidos,   e   a   grande   experimentos   ou   testes,   nem   mesmo   de   alguma  
abordagem   cultural   e   religiosa   dos   envolvidos,   bibliogra_ia  sobre  o  tema,  ao  exemplo  do  livro  de  
parece   _icar   claro   que   a   transmissã o   do   passe   De   Rochas,   onde   efetuou   muitos   testes   e   expô s  
nã o   precisa   de   alguma   mediunidade   em   os  resultados.  
especı́_ico,   ou   seja,   a   fonte   geradora   da   energia   No   inicio   do   artigo,   Melo   expõ e   bem   suas  
“magné tica”   ou   “Ki”,   independe   da   necessidade   de_iniçõ es,  onde  ele  diz:  
da   açã o   de   espı́ritos   para   que   ela   ocorra.   Por  
outro   lado   a   reciproca   també m   é   verdadeira,   Para  o  entendimento  acerca  do  que  proponho  tratar  
onde,  essa  energia  sutil  sendo  produzida  por  um   neste  artigo  gostaria  de  deixar  claro  o  que  deGino  
como  passe  coletivo:  trata-­‐se  daquela  aplicação  de  
agente  requer  um  estado  de  concentraçã o,  nada   Gluidos  em  que  um  ou  mais  passistas  se  posicionam  
impede   que   exista   um   controle   por   parte   do   de  frente  ou  lateralmente  a  várias  pessoas,  num  
mundo   espiritual,   onde   este   atuaria   de   forma   ambiente  único,  e  direcionam  ou  emitem  Gluidos  
complementar   e   auxiliar.   Isso   parece   _icar   bem   para,  com  o  auxílio  da  Espiritualidade,  envolver  a  
todos  num  mesmo  “clima  Gluídico”,  de  uma  só  vez.  Por  
demonstrado   com   o   uso   da   mediunidade   de   outro  lado,  o  passe  individual  é  aquele  em  que  um  
vidê ncia   na   veri_icaçã o   da   variaçã o   de   cores,   passista  assiste  diretamente  a  um  paciente  por  vez,  
demonstrando   que   a   energia   nã o   é   transmitida   ainda  que  numa  cabine  coletiva.  
de  uma  ú nica  forma.  
Vale   comentar   que   os   experimentos   de   Encontramos   um   problema   aqui   no   que   se  
JOINES   (2013)   usaram   100   pessoas   e   dentre   os   refere   a   “clima   _luı́dico”,   isto   porque,   embora  
emissores   haviam   meditadores,   curandeiros   e   s a i b a m o s   q u e   a l g u n s   e x p e r i m e n t o s  
pessoas  normais.  Houve  um  caso  de  pessoa  dita   demonstraram   que   isso   é   possı́vel,   _icou   muito  
normal   (sem   crença   ou   aptidã o)   que   veio   a   evidente   que   essa   “força”   seria   extremamente  
demonstrar   a   mesma   emissã o   de   fó tons   bem   “fraca”  (Schwartz,  2011  -­‐  Radin,  XXXX),  me  re_iro  
acima  do  normal.   a  isso  pois  nã o  temos  conhecimento  adequado    e  
su_iciente   para   garantirmos   que   esse   “clima”    
O  PASSE  COLETIVO  FUNCIONA?   poderia   conter   a   mesma   e_icá cia   que   um   passe  
ou   “atingir”   efetivamente   todas   as   pessoas   num  
A   resposta   para   essa   pergunta   nã o   é   mesmo   ambiente   _isico.   Em   outro   trecho,   Melo  
simples  e  nem  de_initiva,  mas  nos  cabe  aqui  dar   cita  a  questã o  da  fé :  
um   parecer   frente   aos   dados   coletados   por  
estudos   dentro   dos   padrõ es   cientı́_icos   que   Todos  sabemos  que  a  fé  é  um  elemento  valioso  num  
processo  terapêutico  qualquer;  no  passe  não  seria  
possuı́mos.   diferente.  Portanto,  considerando-­‐se  que  o  paciente  
Na   conversa   com   colegas   espiritas   sobre   o   já  parte  do  princípio  da  desconGiança  e  do  descrédito  
tema,   veio   a   surgir   uma   das   inú meras   fontes   de   ao  passe  em  análise,  essa  insegurança  gerará  um  
estudos  (ou  opiniã o)  que  defende  a  idé ia  de  que   grande  potencial  de  bloqueios,  contrário  ao  que  se  
esperaria  de  uma  atitude  de  crédito  e  conGiança.  
o   passe   coletivo   funciona   de   fato.   Isso   nos  

12 [1] http://www.correioespirita.org.br/categoria-de-materias/mediunidade-espiritismo/1560-os-passes-coletivos-e-os-individuais
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Nessa   questã o   há ,   a   nosso   entender,   uma   largamente  empregados  e  seus  alcances  melhor  
grande   falha   cientı́_ica,   pois   para   se   ter   certeza   explicados  e  explicitados.  
de  um  elemento  energé tico,  precisamos  eliminar  
o  sentimento  de  fé .  Quando  o  autor  se  refere  a  fé   Nã o  podemos  concordar  com  tal  a_irmaçã o  
"ser  um  elemento  valioso  no  processo  terapêutico”   pois  nã o  vemos  embasamento  cienti_ico  para  tal.  
é   porque   ele   vai   mais   alé m   do   que   a   questã o   Nã o   há   evidê ncia   alguma   de   que   o   _luido   do  
envolvida,   ou   seja,   nas   pesquisas   de   medicina   passe   venha   a   _icar   no   ambiente   (gerando   algo  
sabe-­‐se  que  a  fé  está  ligada  diretamente  ao  efeito   e_icaz),  caso  assim  o  fosse,  nos  experimentos  de  
placebo,   onde   este   pode   alterar   resultados,   mas   JOINES   (2013),   os   sensores   captariam   os  
nã o  pela  açã o  do  agente  envolvido,  no  caso  uma   residuais,  fato  que  nã o  ocorreu  e,  pelo  contrá rio,  
medicaçã o.   EW   de   amplo   conhecimento   que   a   fé   veio   a   ser   detectado   somente   quando   o   agente  
está  ligada  també m  a  auto-­‐sugestã o,  e  isso  num   (ou   mé dium)   se   concentrava   na   imposiçã o   das  
contexto   espirita,   estaria   mais   vinculado   à   mã os,   nem   antes   e   nem   depois.   Fosse   assim  
“sintonia"   ou   mentalizaçã o   de   algo   do   que   també m,   nos   estudos   de   MONEZI   (2003),   todos  
propriamente   dito   a   uma   resposta   à   existê ncia   os   camundongos   demonstrariam   alteraçã o   do  
ou   nã o   de   algum   _luı́ d ico.   No   entanto   sistema   imunoló gico,   pois   se   encontravam   em  
concordamos   com   o   autor   que   o   receptor   mesmo  ambiente.  Por  outro  lado,  tal  fato  parece  
necessita  estar  predisposto  a  receber  tal  energia,   nã o   ter   mesmo   efeito   na   á gua,   onde   essa  
demonstra   reter   essa   energia,   mas   ainda  

Imagem retirada de http://revistagalileu.globo.com/Revista/Galileu2/foto/0,,42673444,00.jpg

poré m  a  reciproca  nã o  garante  que  por  se  ter  fé   precisamos   saber   por   quanto   tempo   isso  
irá   receber   algo   que   nã o   está   no   ambiente.   Isso   permanece,  fato  ainda  a  ser  investigado.  
seria   mais   facilmente   explicado   pelo   fato   da   Em  outro  momento,  Melo  relata:  
“sintonia   mental”,   ou   seja,   um   meditador   pode  
melhorar   seu   estado   _isico   meditando   apenas,   No  passe  coletivo,  os  Gluidos  em  operação  não  
“sintonizando”  um  ambiente  mais  propicio  onde   precisam  passar  necessariamente  pelos  braços  e  
mãos  dos  passistas,  já  que,  nesse  caso,  o  mais  comum  
seu   pró prio   organismo   se   adequaria   melhor   e   é  a  circulação  dos  Gluidos  partir  diretamente  dos  
com   isso   teria   a   sensaçã o   ou   percepçã o   de   centros  vitais  dos  doares,  além  dos  Gluidos  dos  
melhoria.   espíritos  aí  envolvidos.  
Em  outro  momento  Melo  a_irma:  
De  onde  parte  o  pressuposto  de  nã o  haver  a  
Ao  contrário  de  só  vir  a  ser  acionado  quando   necessidade  da  imposiçã o  das  mã os  uma  vez  que    
“impedimentos”  nos  passes  individuais  se   “o   mais   comum”   seria   a   circulaçã o   dos   _luidos  
impuserem,  os  passes  coletivos  deveriam  ser  mais   pelos  centros  vitais?  E  de  onde  viriam  os  _luidos  

13
REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA JUN/2016

dos  espı́ritos?   pela   internet.   O   espiritismo   se   fez   por   Kardec  


Nã o  podemos  concordar  com  tal  a_irmativa   para   buscar   a   fé   racional,   embasada   em   muitos  
pois   ela   nã o   parece   ter   embasamento   teó rico   testes  para  que  se  possa  realmente  concluir  com  
nem   cienti_ico.   Sabidamente   os   espı́ r itos   mais  exatidã o  sobre  algum  tema.  
manipulam   os   _luidos   no   mundo   encarnado,  
tanto   é   verdade   que   precisam   dos   mé diuns.   Há   BIBLIOGRAFIA  
evidê ncias   de   que   residuais   de   _luidos  
permaneçam   em   determinados   locais,   podendo   DE  ROCHAS,  ALBERT  -­‐  Tı́tulo  original  em  Francê s  L’  
serem   manipulados,   mas   ainda   há   que   se   Exteriorisation  de  la  Sensibilité  -­‐  1899    
estudar   muito   sobre   isso.   Na   primeira  
RICARDO  MONEZI  JULIÃO  DE  OLIVEIRA.  -­‐-­‐  Sã o  Paulo,  
a_irmativa,   desta   citaçã o,   nã o   vemos   razã o   2013.  Tese  de  Doutorado:  Efeitos  da  prática  do  Reiki  
alguma   para   se   defender   a   ideia   da   nã o   sobre  aspectos  psicoEisiológicos  e  de  qualidade  de  
imposiçã o   das   mã os,   haja   visto   que   nos   vida  de  idosos  com  sintomas  de  estresse:  estudo  
experimentos   de   Monezi   com   camundongos,   placebo  e  randomizado.  
estes   que   receberam   a   imposiçã o   das   mã os   e  
RICARDO  MONEZI  JULIÃO  DE  OLIVEIRA.  -­‐-­‐  Sã o  Paulo,  
demonstraram   tal   efeito   (na   aná lise   sanguı́nea),  
2003  -­‐  Dissertaçã o  de  Mestrado:  Avaliação  de  efeitos  da  
o   mesmo   nã o   veio   a   ocorrer   com   o   grupo   prática  de  impostação  de  mãos  sobre  os  sistemas  
placebo   e   o   grupo   controle   que   estavam   no   hematológico  e  imunológico  de  camundongos  
mesmo   ambiente.   Vale   salientar   ainda   que   há   machos  
relatos   de   mé diuns   videntes   que   percebem   a  
emanaçã o  das  energias  sendo  transmitidas  pelas   WILLIAM  T.  JOINES,  STEPHEN  B.  BAUMANN  
(DECEASED),  AND  JOHN  G.  KRUTH  -­‐  The  Journal  of  
mã os  dos  mé diuns  e  nã o  por  centros  vitais.  
Parapsychology  Issue  76  -­‐  FEB/2013  -­‐  Pags.  275-­‐294    
Outra  citaçã o:  
SCHWARTZ,  GARY  -­‐  EXPLORE  March/April  2011,  Vol.  7,  
A  grande  importância  a  ser  destacada  no  passe   No.  2    
coletivo  é  a  posição  mental,  tanto  do  passista  como  
do  paciente.  Esperança,  fé,  oração,  conGiança  e   RADIN,  DEAN  -­‐  xxxxxxxxxx  
humildade  são  ideais  para  uma  boa  sintonia  nos  
passes  em  geral,  sendo  nos  coletivos,  entretanto,  de  
indispensável  efetivação  para  que  os  beneGícios  sejam  
alcançados  em  sua  maior  força.  

Reforçamos  que  a  “posiçã o  mental”,  embora  


valiosa  por  de_inir  uma  receptividade,  nã o  pode  
garantir  a  recepçã o  dos  referidos  “_luidos”.  Toda  
essa  “sintonizaçã o”  pode  gerar  uma  sensaçã o  de  
bem   estar   por   si   só ,   como   um   placebo   ou  
sintonia  com  um  “estado  mais  elevado”,  mas  nã o  
garante   receber   uma   energia   que   nã o   estaria  
presente,  onde  o  resultado  aparentemente  seria  
o  mesmo.  
Melo  traz  em  seu  artigo  mais  detalhes,  que  
deixamos   aos   leitores   mais   interessados   em   se  
aprofundar   no   tema,   busquem   por   mais  
informaçõ es.  
Para   nó s,   no   presente   momento   e   com   os  
dados  obtidos  por  experiê ncias,  nã o  poderı́amos  
“certi_icar”  o  passe  coletivo  como  algo  realmente  
e_iciente,  nem  mesmo  certos  de  algum  bene_icio  
em  especi_ico.  
Sugerimos   aos   leitores   que   poderem   com  
um   senso   critico   todas   as   informaçõ es   que  
veiculam  no  meio  espirita,  tanto  em  livros  como  
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PERIÓDICO DA EDIÇÃO
VERIFICAÇÃO DE ESPIRITO CONTROLE SOBRE MÉDIUM EM PSICOGRAFIA

Estudo  Investigativo  de  Manifestação  do  Espirito  de    


Chico  Xavier  através  de  um  Médium  de  Umbanda  

Sandro Fontana

INSTITUTO DE PESQUISAS PSICOBIOFÍSICAS DE PORTO ALEGRE

Resumo:   O   presente   estudo   surgiu   apó s   uma   constataçã o,   nã o   planejada,   da   observaçã o   de   semelhança   de   escritas   em   cartas  
psicografadas  com  o  gra_ismo  original  do  mé dium  falecido  Francisco  Xavier  em  um  mé dium  umbandista.  Apó s  veri_icaçã o  detalhada  
se  constatou  forte  semelhança  com  o  gra_ismo  original  do  mé dium  falecido,  diferenciando-­‐se  drasticamente  do  gra_ismo  original  do  
mé dium  atuante  NIS  (nome  _ictı́cio  do  mé dium).  A  investigaçã o  contou  com  amostras  originais  de  um  dos  mentores  declarados  do  
mé dium,   este   que   viveu   no   Brasil   em   sua   ultima   encarnaçã o,   constatando-­‐se   nã o   haver   semelhança   alguma   com   as   amostras   das  
cartas  psicografadas.  
Com   os   dados   coletados   foi   possı́vel   concluir   que   o   plano   espiritual   nã o   escolhe   crenças   ou   ideologias   para   se   comunicar,   sendo  
essas  (crenças  e  religiõ es)  algo  limitado  à  ignorâ ncia  terrena,  onde  muitos  difundem  preconceitos  e  separaçõ es  em  vez  de  uniõ es  
para  um  bem  comum.  

PEER REVIEW Aprovado Aprovado com ressalva

INTRODUÇAx O   a   demonstrar   manifestaçã o   genuı́na   do   espirito  


de  Chico  Xavier.  
O   famoso   medium   Chico   Xavier,   apó s   seu   Pelo  fato  de  estarmos  em  constante  estudo,  onde  
falecimento,   deixou   muitas   dú vidas   sobre   o   fato   o  tema  principal  sã o  cartas  psicografadas,  chegou  
da   possibilidade   de   que   ele   voltaria   a   se   até   nó s   uma   amostra   que   despertou   certo  
comunicar.   Frente   a   essa   dú vida   há   grupos   que   interesse.   Numa   carta   de   uma   jovem   falecida,  
a_irmam   que   ele   havia   deixado   uma   espé cie   de   dirigida   a   seu   namorado,   alé m   de   todas   as  
senha   para   que   soubessem   que   ele   realmente   informaçõ es,  e  nomes  contidos  na  mesma,  serem  
voltaria  a  fornecer  mensagens.  Por  outro  lado,  um   precisamente  condizentes,  observamos  uma  forte  
grupo   que   també m   conheceu   o   mé dium,   a_irma   semelhança   no   gra_ismo   da   carta   com   amostras  
qua   tal   atitude   nã o   se   parecia   com   o   estilo   de   originais  do  mé dium  Francisco  Câ ndido  Xavier.  A  
Chico   Xavier,   portanto   essa   possibilidade   de   partir   de   entã o   iniciamos   uma   investigaçã o   onde  
senha   seria   algo   para   se   evitar   que   muitos   se  pretendeu  eliminar  supostas  semelhanças  com  
mé diuns  pudessem  vir  a  alegar  estarem  trazendo   o   gra_ismo   do   mé dium   NIS   e   de   seu   mentor  
mensagens  do  grande  lı́der  espirita  brasileiro.   Afonso   (nome   _ictı́ c io),   posteriormente  
Como  é   de  amplo  conhecimento  no  meio  espirita   comparando   as   amostras   das   cartas   com  
(Kardec,  1860  —  Aksakof  1890  —  Bozzano,  1940   amostras  originais  de  Chico  Xavier.  
—  Fontana,  2012),  como  fator  presente  em  todos   Ao   longo   dos   anos,   observou-­‐se   empiricamente  
os   mé diuns,   o   animismo   e   personismo   podem   que   algum   espirito   (mentor   ou   nã o)   pode   atuar  
in_luenciar   inú meras   pessoas   a   acreditarem   como   um   intermediá rio   entre   o   espirito  
estarem   intermediando   o   mé dium   falecido   de   comunicante   e   o   mé dium,   sugerindo   que   este  
Uberaba,   para   se   evitar   isso,   sendo   verdade   ou   “espirito   comunicante”,   també m   chamado   de  
nã o,   existindo   senha   ou   nã o,   o   fato   é   que,   em   “controle”   por   muitos   pesquisadores,   atue   como  
exceçã o   ao   falecido   mé dium   Celso   de   Almeida,   um   manipulador   do   mé dium   por   possuir   algum  
nenhum   outro   mé dium   conhecido   até   entã o   veio   tipo   de   sincronia/a_inidade/habilidade   com   o  
mesmo  (Stead,  1921  -­‐  Fontana,  2014),          por      esse
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motivo   é   possı́vel   que   crianças   em   tenra   idade   nã o   justi_icando   um   suposto   preconceito  
viessem   a   ditar   cartas,   tanto   por   telepatia   como   institucionalizado   dentro   de   muitas   casas  
de   forma   intermediá ria   diretamente   com   o   espiritas   federadas   e   confederadas,   onde   muitos  
mé dium.   consideram   os   espı́ritos   manifestantes   como  
Atualmente,   dentre   os   estudiosos   da   ciê ncia   “inferiores"   ou   de   pouca   evoluçã o.   Um   estudo  
espirita,   é   de   comum   acordo,   devido   alguns   mais   amplo   sobre   este   tema   é   recomendado   e  
estudos   (Perandrea,   1991   —   Rosher,   1961   —   necessá rio.  
Fontana,  2012)  que  cartas  psicografadas  possuem  
um   hibridismo   na   escrita,   ou   seja,   que   durante   o   MATERIAIS  E  MEW TODO  
momento   mediú nico,   em   psicogra_ia   mecâ nica   e  
semimecâ nica,   ocorra   uma   mesclagem   entre   a   Atuamos  em  vá rias  fases  para  podermos  chegar  a  
letra   do   mé dium   (em   predominâ ncia)   e   do   um  denominador  comum:    
espirito   que   está   utilizando-­‐se   do   mé dium.  
Seguindo  a  mesma  ló gica,  tais  informaçõ es  devem   A)   Na   primeira   fase   foi   coletado   material   grá _ico  
surgir   nas   amostras   veri_icadas,   fato   que   veio   a   original  do  mé dium  (_ig.  1  e  2).    
ser   percebido   e   con_irma   o   que   tais   estudos  
demonstraram  no  passado.     B)   Numa   segunda   fase,   apó s   investigaçã o,   foi  
obtido   amostra   de   gra_ismo   (em   imagem)   do  
ESPIRITISMO  VS  UMBANDA   mentor  do  mé dium  NIS  (_ig.  3).  

EW   comum,   mesmo   no   meio   espı́rita,   encontrar   C)  Numa  terceira  fase  foram  obtidas  amostras  de  
preconceitos   ou   entendimentos   por   muitos   escritas   (em   imagem)   do   mé dium   Chico   Xavier  
seguidores   e   lideres   frente   aos   umbandistas   (_ig.  4  a  9)  
(Franco,   2008),   chegando   a   caracteriza-­‐los   como  
“espiritualistas"   para   evitar   uma   possı́ v el   D)  A  quarta  fase  consistiu  em  obter  amostras  (em  
confusã o   de   doutrina,   excluindo-­‐os   do   segmento   imagem)  de  3  casos  de  cartas  psicografadas  -­‐  tipo  
criado   por   Kardec,   onde   este   atuou   na   tentativa   “consoladoras”   -­‐   para   familiares   (omitidas   na  
de   organizar   uma   estrutura   frente   ao   impasse   integra   para   preservar   a   identidade   do   mé dium),  
histó rico   no   sé culo   XIX   (Carvalho,   2015).   EW   de   duas   alé m   do   primeiro   caso   onde   se   observou   o  
opiniã o   de   muitos   estudiosos   que   Kardec   gra_ismo  semelhante.  A  _inalidade  foi  compara-­‐las  
organizou   um   subgrupo   de   espiritualistas,   sendo   e  isolar  as  escritas  hı́bridas,  onde,  em  meio  a  uma  
estes   os   que   acreditam   na   reencarnaçã o,   palavra   e   outra,   surgem   letras   divergentes   e  
comunicaçã o   com   os   mortos   e   sobrevivê ncia   da   convergentes.   As   cartas   foram   psicografadas   sem  
alma   (Kardec,   1859   —   Kardec,   1860),   assim   informaçõ es   pré vias   das   pessoas   requerentes  
chamados   de   espíritas.   Um   estudo   de   Herivelto   nem   do   espirito,   sendo   todas   as   trê s,   solicitantes  
Carvalho     (2015)   demonstra   que   Kardec   de  outras  cidades  que  nã o  a  do  mé dium.  
reconhecia  varias  escolas  espı́ritas,  cada  uma  com  
sua   interpretaçã o   (doutrina)   para   determinados   E)   A   quinta   e   ú ltima   fase   faz   uma   aná lise   dos  
fatos.  Em  termos  de  ciê ncia  e  histó ria,  isso  passa  a   g ra _ i s m o s   c o nve r g e n t e s ,   d ive r g e n t e s   e  
ser   facilmente   compreendido,   no   entanto   no   semelhantes.  
Brasil,   o   espiritismo   rumou   para   um   lado   mais  
religioso   onde   a   crença   e   a   fé   destoaram   Na   pá gina   seguinte,   constam   duas   amostras  
fortemente   dos   princı́pios   bá sicos   kardequianos,   originais  do  mé dium  em  estado  consciente  e  fora  
portanto   se   institucionalizou   o   nome   espiritismo   do  transe  mediú nico.  Esta  amostragem  foi  obtida  
exclusivamente  ao  segmento  da  escola  kardecista   por   um   ditado   do   pesquisador   ao   mesmo,   onde  
(doutrina),   mesmo   que   o   atual   espiritismo   tentou-­‐se   incorporar   algumas   palavras   que  
brasileiro   possua   forte   in_luê ncia   da   escola   poderiam   ser   confrontadas   no   experimento   e  
Rousteniana  em  seu  todo.   tentou  analisar  as  possı́veis  variaçõ es  de  escrita  e  
Embora   a   umbanda   siga   uma   linha   cultural   e   velocidade:
espiritual   aparentemente   diferente,   os   princı́pios  
de   crenças   sã o   os   mesmos   aderidos   por   Kardec,  
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Abaixo,  amostra  em  imagem  do  gra_ismo  original  


do   espirito   Afonso   (nome   _ictı́cio   do   mentor   de  
NIS).  Estas  imagens  foram  obtidas  de  um  arquivo  
digitalizado  na  cidade  onde  Afonso  morou.  Foram  
cortados   (omitidos)   cabeçalhos   para   preservar   a  
identidade  do  mesmo.  

Fig.  1

Fig.  3  

A   seguir,   amostras   originais   (em   imagem)   do  


mé dium   Francisco   Câ ndido   Xavier.   As  
amostras  foram  obtidas  pela  internet  em  sites  
pú blicos  e  documentos  diversos.  

Fig.  2 Fig.  4
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Fig.  5

Fig.  6

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Fig.  7

19
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Fig.  8

20 Fig.  9
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Abaixo,   amostras   parciais   das   cartas  


psicografadas   pelo   mé dium   NIS.   Todas  
escritas   em   folhas   A4,   onde   nã o   estã o   sendo  
reproduzidas   na   integra   para   preservar   a  
identidade   do   mé dium.   Notem   que   em  
algumas   delas,   há   a   escrita   do   medium  
em”semi-­‐transe”  para  ajudar  na  leitura:  

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ANAW LISE  DE  SEMELHANÇAS,  DIVERGE• NCIAS  E   um   punho   escritor   diferente   que   nã o   o   do  
CONVERGE• NCIAS   mé dium.  
Abaixo   algumas   imagens   com   o   gra_ismo   do  
Para   melhor   apreciaçã o,   foi   criada   uma   tabela   mé dium  em  transe  e  fora  do  transe.  
amostra   (pá ginas   seguintes)   com   exemplos   de   Neste  ponto,  algumas  caracterı́sticas  já  se  tornam  
gra_ismos   das   4   personalidades   envolvidas   na   visı́veis,  uma  delas  a  forte  tendê ncia  de  inclinaçã o  
pesquisa,   onde,   para   facilitar,   maior   exibiçã o   de   para  o  lado  oposto  (esquerdo-­‐direito).  
imagens  constarã o  a_im  de  colaborar  no  estudo.  

Num   primeiro   momento   se   constatou   grande  


divergê ncia  entre  os  gra_ismos  do  mé dium  em  seu  
estado   de   transe,   comparado   com   o   estado  
consciente.   Embora   o   fato   da   escrita   ser   rá pida,  
durante   a   psicogra_ia,   observou-­‐se   alteraçõ es   na  
gê nese   grá _ica,   caracterizando   a   possibilidade   de  

Amostra  em  estado  consciente.  Texto  ditado  pelo  pesquisador.  

Amostras  em  estado  de  transe.  Texto  psicografado  pelo  mé dium

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Frente   as   amostras   das   cartas   psicografadas,  


comparada   ao   gra_ismo   do   declarado   mentor  
Afonso,   constatou-­‐se   que   o   estilo   grá _ico   nã o  
sugere   semelhanças,   nem   em   estilo   nem   em  
gé nese  grá _ica  para  a  maioria  das  imagens.  

Amostra  do  gra_ismo  original  do  mentor  do  mé dium  

Amostra  em  estado  de  transe.  Texto  psicografado  pelo  mé dium  
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TABELA  AMOSTRA  

Palavra Médium fora do Médium em transe Mentor Amostras de Chico


transe Xavier

N/C

"para"

“até”
* Fragmentos
* Letra "al"

N/C

“esperava(mos)”

“que"

A   tabela   acima   faz   um   comparativo   frente   as   ANAW LISE  COM  APONTAMENTOS  DE  
quatro   personalidades   envolvidas   no   estudo,   SEMELHANÇAS  
evidenciando   e   sugerindo   similaridade   entre   o  
gra_ismo   do   mé dium   em   transe   com   o   gra_ismo   Para   melhor   demonstrar   a   observaçã o,  
original  de  Chico  Xavier.   separou-­‐se   algumas   palavras   das   cartas  
psicografadas   e   comparou-­‐se   as   mesmas   com  
A   seguir,   uma   aná lise   mais   detalhada   para  
as  grafadas  em  vida  por  Chico  Xavier.  As  setas  
convergê ncia  de  algumas  letras.    
vermelhas   indicam   os   pontos   bá sicos   de  
Observou-­‐se   nas   amostras,   gê nese   grá _ica   do   convergê ncias.   Para   colaborar   com   o   estudo,  
mé dium   de   forma   distorcida,   supondo-­‐se,   dentro   acrescemos  palavras  escritas  pelo  mé dium  em  
do   paradigma   espirita,   se   tratar   do   animismo/ estado   consciente,   sinalizando   com   seta   azul  
personismo  inconsciente  do  mé dium.   algumas  diferenças  bá sicas.  
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Palavra   “esperava",   psicografada   por   NIS.   Abaixo   desta   a   mesma   palavra   escrita   fora   do   transe  
mediú nico:  

Palavra  “esperamos”,  grifada  por  Chico  Xavier:  

Palavra  “espirituais”,  escrita  por  Chico  Xavier:  

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Palavra  “que”,  psicografada  por  NIS:  

Palavras  “que”,  escrita  por  NIS  sem  transe  mediú nico:  

Palavras  “que”,  grafadas  por  Chico  Xavier:  

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Similaridade  do  caracter  “g”.  

Amostra  de  carta  psicografada  por  NIS,  palavra  “segue"  e  “agora":  

Palavras  com  caracter  “g”,    escritas  pelo  mé dium,  sem  transe  mediú nico:  

Amostras  com  o  “g"  no  gra_ismo  de  Chico  Xavier:  

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Junçõ es  de  “es”  com  “t”.  

Amostras  retirada  das  cartas  psicografadas  por  NIS:  

Amostras  dos  originais  do  mé dium.  A  primeira  em  estado  de  semi-­‐transe:  

Amostras  originais  de  Chico  Xavier:  

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Veri_icaçã o  da  palavra  “preciso”.  

Amostras  da  palavra  “preciso”  retiradas  de  psicogra_ias:  

Amostras  com  as  palavras  “preciso”  e  “precioso",  originais  do  mé dium,  sem  transe  mediú nico:  

Amostra  grá _ica  de  Chico  Xavier:  

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Palavra  “até ”  e  junçõ es  entre  “at"  e  “al”.  

Palavra  “até ”  psicografada  pelo  mé dium  NIS:  

Palavra  “até "  escrita  pelo  mé dium  fora  do  transe  mediú nico:  

Amostras  do  gra_ismo  com  junçã o  de  “a”  com  “l”  em  açã o  de  subida,  de  Chico  Xavier:  

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Sequê ncia   de   sobreposiçã o   do   gra_ismo   psicografado   pelo   mé dium   com   gra_ismo   original   de   Chico  
Xavier:  

Observa-­‐se   a   junçã o   perfeita   entre   traçados   entre   amostra   do   mé dium   e   amostra   original   de   Chico  
Xavier.  
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Outra  semi-­‐sobreposiçã o,  onde  se  observa  perfeita  “sincronia"  da  letra  “a”  com  o  grama  que  forma  o  
laço  de  subida,  uma  para  a  letra  “t”  do  mé dium  e  para  letra  “b"  de  Chico  Xavier:  

CONCLUSAx O  SOBRE  A  ANAW LISE  GRAFOTEW CNICA   DISCUSSAx O  

Embora   o   autor   do   presente   trabalho   nã o   seja   Acreditamos   que   este   trabalho   possa   interessar  
perito   em   grafoscopia,   as   amostras   parecem   a   muitos   espiritas.   Com   certeza   muitos   terã o   a  
evidenciarem   que   se   trata   do   mesmo   gra_ismo,   curiosidade   da   referida   pessoa   (mé dium),   no  
ora   observado   em   suas   semelhanças,   haja   visto   entanto   para   nó s   pesquisadores   o   foco   está   nos  
tendo-­‐se   isolado   outros   gra_ismos   considerados   fatos   e   nas   evidê ncias,   estas   que   podem   nos  
inoportunos   devido   ao   hibridismo   esperado   trazer  e  garantir  oportuno  aprendizado.  
(Perandrea,  1991).   Para   o   referido   caso   há   algumas   possibilidades,  
Alé m  das  semelhanças  apontadas  neste  trabalho,   mas   dentre   elas   um   fator   é   evidente:   A   “mã o"  
encontramos   outras   convergentes,   omitidas   por   que   escreve   as   cartas   durante   o   transe  
considerarmos   que   a   atual   amostragem   seja   mediú nico  nã o  é  somente  do  mé dium.  
su_iciente  para  exprimir  conclusã o  sobre  grande   EW   perceptı́vel   uma   mesma   gé nese   grá _ica   em  
possibilidade   da   manifestaçã o   do   espirito   de   muitas  das  amostras,  devidamente  alinhado  com  
Chico  Xavier  junto  ao  referido  mé dium.   suas   caracterı́sticas   de   escrita   (mé dium),   como  
EW   importante   salientar   que   utilizamos   apenas   velocidade   e   posiçã o,   mas   há   a   evidente  
trê s  amostras  de  cartas.  Numa  busca  mais  ampla   mudança   de   gra_ismo   em   alguns   momentos,  
percebemos   que   nem   sempre   tal   manifestaçã o   condizendo  com  estudos  anteriores.  
ocorre,   ou   seja,   há   amostras   de   cartas   onde   o   Se,   na   hipó tese   de   nã o   ser   o   gra_ismo   de   Chico  
gra_ismo   evidente   do   falecido   mé dium   de   Xavier,  a  semelhança  entre  o  autor  das  mesmas  é  
Uberaba  nã o  está  presente.   patente,   haja   visto   a   variaçã o   de   gra_ismos  
coincidentes   ser   muito   ampla.   Contudo   as  
amostras    divergem      totalmente      do                referido  

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mentor   do   mé dium,   este   com   gra_ismo   de   estilo   nã o   há   preconceitos   dos   seres   mais   nobres   e  
totalmente  diferente  das  amostras  coletadas.   espiritualizados   com   outras   crenças   ou   culturas,  
Para   o   caso   de   veracidade   da   hipó tese   central,   ao   contrario   do   que   vem   ocorrendo   num   meio  
onde   o   gra_ismo   refere-­‐se   a   manifestaçã o   onde   o   nı́vel   compreensı́vel   sobre   essa   temá tica  
oportuna  e  discreta  do  falecido  mé dium,  nada  de   parece   ser   inerente   em   sua   base   cultural,   moral,  
novo  haveria  com  ele,  uma  vez  que  passou  a  vida   religiosa  e  cienti_ica:  o  espiritismo.  
em   plena   humildade   e   ajudando   pessoas   que  
perderam  seus  entes  queridos  a  superar  essa  fase  
transiente   da   maté ria.   Nada   mais   esperado   que   BIBLIOGRAFIA  
mantivesse   sua   discriçã o,   ajudando   agora   os   “do  
lado   de   lá ”   a   falar   com   os   encarnados,   agindo   KARDEC.  ALLAN  (1859)  -­‐  O  Que  é  o  Espiritismo?    -­‐  ebook  
como  um  escritor  para  os  espı́ritos,  só  que  agora  
KARDEC.  ALLAN  (1860)  -­‐  O  Livro  dos  Espı́ritos  -­‐  ebook  
transpondo   dimensõ es,   estando   do   lado   “oposto  
do  vé u”.   AKSAKOF,  ALEXANDRE  (1890)  -­‐  Animismo  e  Espiritismo  -­‐  
Ainda   em   se   tratando   dessa   hipó tese,   o   ebook  
aprendizado   pode   ir   mais   longe,   pois   a  
demonstraçã o   do   espirito   de   Chico   Xavier   STEAD,   WILLIAM   (1921)   -­‐   Comunicaçõ es   com   o   Outro  
manifestando-­‐se   em   um   mé dium   de   umbanda,   Mundo  -­‐  ebook  
mesmo   que   para   fazer   trabalhos   de   uma   “linha  
BOZZANO,  ERNESTO  (1940)  -­‐  Animismo  ou  Espiritismo?  -­‐  
kardequiana”,  só  vem  a  nos  trazer  a  informaçã o  de  
que   realmente   o   espirito   em   estado   encarnado,   Ed.  FEB    
fadado   a   perdurar   temporariamente   com   ROSHER,  GRACE  (1961)  -­‐  Beyond  The  Horizon  -­‐  ebook  
restriçã o   de   suas   faculdades,   passa   a   ser   uma  
_igura   ignorante   frente   ao   mundo   espiritual,   PERANDREA,   CARLOS   AUGUSTO   (1991)   -­‐   A   Psicogra_ia   à  
dedicando-­‐se  a  crenças  de  religiõ es  como  se  cada   Luz   da   Grafoscopia   -­‐   Revista   Cienti_ica   Semina,   10   (Ed.  
uma   possui-­‐se   o   verdadeiro   conhecimento   e   a  
Especial):  59-­‐71,  1991    
verdade.  
Os   fatos   parecem   evidenciarem   que   o   mundo   ROSA  BORGES  (1992)  -­‐  Manual  de  Parapsicologia  -­‐  Ediçã o  
espiritual   pouco   se   importa   com   as   religiõ es   ou   do  Instituto  Pernambucano  de  Pesquisas  Psicobiofı́sicas  
com  o  discernimento  limitado  do  Homem,  agindo  
de  forma  idê ntica  com  o  passar  dos  anos,  mesmo   GOMIDE  &  FERREIRA  (2005)  –  Manual  de  Grafoscopia  –  2a  
que  a  humanidade  lhes  deem  nomes  diferentes  ou   Ediçã o  –  Ed.  Liv  e  Ed.  Universitá ria  de  Direito.  
lhes  atribuam  caracterı́sticas.  
JOSEW  BOSCO  (2005)  -­‐  A  Ciê ncia  da  Escrita  -­‐  MADRAS  
Ao   que   vemos   e   identi_icamos,   nos   parece   que   o  
mundo   espiritual   age   realmente   por   interesses   FALAT  &  REBELLO  (2012)  –  Entendendo  o  Laudo  Pericial  
que   lhes   sã o   pró prios,   nã o   se   importando   com   Grafoté cnico  e  a  Grafoscopia  –  1a  Ediçã o  –  6a  reimpressã o  –  
crenças  ou  disputas  terrenas.  
Editora  Juruá  –  Curitiba-­‐PR  
O   referido   estudo   nã o   encerra   o   tema,   sugerindo  
mais   estudos   ao   longo   do   tempo,   onde   poderiam   FONTANA,  SANDRO  (2012)  -­‐  Mediunidade  Mensurá vel  -­‐  
ser   abordados   aprofundamentos   sobre   os   limites   https://www.scribd.com/doc/94859105/Mediunidade-­‐
e   idealizaçõ es   das   religiõ es   e   o   preconceito   Mensuravel  
gerado  entre  elas.  
Recomendamos  aná lise  grafoscó pica  futura  sobre   FONTANA,  SANDRO  (2014)  -­‐  Identi_icaçã o  Da  Necessidade  
De  Destreza  De  Espı́ritos  Em  Casos  Mediú nicos  -­‐  Revista  
os  gra_ismos,  a_im  de  conferir  a  aná lise  do  autor.   Ciê ncia  Espirita  -­‐  Ediçã o  JUN/2014  

CARVALHO,  HERIVELTO  (2015)  -­‐  O  Espiritualismo  


CONCLUSAx O   Moderno  como  uma  Escola  do  Espiritismo    -­‐  Revista  
Ciê ncia  Espirita  -­‐  Ediçã o  OUT/2015  
Entendemos   como   evidente   a   manifestaçã o  
discreta   do   falecido   mé dium,   demonstrando   que   FRANCO,  Divaldo  (2008)  -­‐  Palestra  publicada  na  internet  -­‐  
https://www.youtube.com/watch?v=jiSlMMCtSlE

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REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA JUN/2016

RELATÓRIO DE PESQUISA
PROCEDIMENTOS  DA  SOCIEDADE  DE  PESQUISAS  PSÍQUICAS    
DO  ORIGINAL    

Proceedings  of  the  Society  for  Psychical  Research  -­‐  Parte  LXXXI  -­‐  Abril  de  1921  

por  Henry  Sidgwick  

Resumo

O   presente   relató rio   cita   a   introduçã o   de   um   dos   procedimentos   da   SPR   e   traz   uma   demonstraçã o   de   como   eram  
elaborados   experimentos   mediú nicos   controlados   para   testes   de   leitura   de   livros   com   uso   de   mé diuns   no   inicio   do  
sé culo   XX.   Neste   referido   trabalho   o   relator   detalha   alguns   dos   casos   pesquisados   na   é poca   com   a   mé dium   Gladys  
Osborn   Leonard   e   sua   mentora   Feda.   O   autor   analisa,   entre   as   hipó teses   variantes,   para   veri_icar   se   a   comunicaçã o  
poderia   ser   oriunda   de   espı́ritos   ou   de   algum   fenô meno   paranormal.   Este   estudo   traz   a   tona   algumas   informaçõ es  
importantes   ao   meio   espirita,   onde   _ica   evidente   que   nem   todos   os   espı́ritos   conseguem   efetuar   determinadas   açõ es  
simples,  tais  como  veri_icar  ou  ler  uma  pá gina  de  um  livro,  estando  no  mundo  espiritual.  O  trabalho  parece  evidenciar  a  
dissociaçã o  da  “tridimensionalizaçã o”  com  a  percepçã o  da  “visã o”  em  outra  dimensã o,  isto  é ,  demonstrando  que  a  visã o  
nã o  passa  de  uma  espé cie  de  percepçã o,  onde  sugere  estar  associada  a  vá rios  fatores.  Um  destes  é   o  “efeito  memó ria”    
també m  conhecido  por  telemetria.    

PEER REVIEW Aprovado Aprovado

INTRODUÇÃO   lembrar  conscientemente  qual  livro  ocupa  o  local  


exato   indicado,   e   mesmo   que   ele   tenha   lido   o  
Os   assim   chamados   testes   de   livros   que   nó s   livro,   o   que   ele   frequentemente   nã o   fez,   é  
temos   que   examinar   sã o   tentativas   feitas   pelo   praticamente  certo  que  ele  nã o  sabe  o  que  está  na  
controle   Feda   da   Sra.   Leonard   de   indicar   o   pá gina  especi_icada.    
conteú do   de   uma   certa   pá gina   de   um   livro   em   Um   bom   teste   de   livro,   portanto,   excluiria   a  
particular   o   qual   a   Sra.   Leonard   nã o   tenha   visto   telepatia   ordiná ria   do   assistente   enquanto  
com   os   seus   olhos   terrenos,   e   que   nã o   era,   no   explicaçã o,  e  faria  extremamente  difı́cil  supor  que  
momento   da   sessã o,   do   conhecimento   do   Feda   extrai   sua   informaçã o   de   qualquer   ser  
assistente.   Por   exemplo,   Feda   pode   dizer   ao   humano  vivo.  Assim  pareceria  que  ou  ela  é   capaz  
assistente   que   o   comunicador   quer   que   ele   vá   à   de   exercer   clarividê ncia   pura   —   isso   é ,   obter  
estante  de  livros  entre  a  lareira  e  a  janela  em  seu   conhecimento   de   aparê ncias   fı́sicas   que   estã o  
estú dio,  e  na  terceira  prateleira  de  baixo  pegue  o   alé m  do  alcance  dos  sentidos  de  algué m;  [1]  ou  de  
sé timo   livro   da   esquerda   para   a   direita   e   abra-­‐o   que  ela  está  em  comunicaçã o  com  algum  espı́rito,  
na   pá gina   48,   onde   na   terça   parte   _inal   ele   encarnado  ou  desencarnado,  que  tem  este  poder.  
encontrará   uma   passagem   que   pode   ser   vista   EW   de   forma   a   excluir   telepatia   do   assistente   que  
c o m o   u m a   m e n s a g e m   a p r o p r i a d a   d o   Feda   professa   interesse   nos   testes   de   livros.   Ela  
comunicador   para   ele.   Nos   casos   mais   tı́picos   o   dirá  ao  assistente  que  nã o  passou  por  isso  antes:  
interior   da   residê ncia   do   assistente,   e   mesmo   o   “Ele   [o   comunicador]   deseja   lhe   passar   um   dos  
nome   do   assistente,   sã o   desconhecidos   à   Sra.   testes   de   livros...   testes   que   impedem   as   pessoas  
Leonard.  O  pró prio  assistente  é   imprová vel  de  se   de   pensarem   em   telepatia”,   ou   “este   teste   é   para  

[1] O termo clarividência é algumas vezes usado para expressar a visão externalizada ou semi-externalizada de “espíritos” tais como a Sra. Leonard (ou
Feda) parece ter. Entretanto, eu me acostumei a usá-lo no sentido definido acima, embora sem uma implicação de uma analogia no sentido da vista. Isso é
35 chamado por Myers em Human Pernonality de telestesia.
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excluir   qualquer   idé ia   que   [você ]   possa   ter   de   é   assim   que   elas   se   chamam   em   seu   pró prio  
telepatia”.  Perceba-­‐se  que  os  testes  de  livros  nesta   artigo   mencionado   acima)   o   comunicador   é  
coleçã o   sã o   sempre   fornecidos   atravé s   de   Feda   sempre   A.   V.   B.,   embora   ocasionalmente   A.   W.   V.  
c o m o   u m a   i n t e r m e d i á r i a .   M e s m o   o s   ou   outra   pessoa   é   dita   estar   presente  
c o m u n i c a d o r e s   q u e   p o r   s i   m e s m o s   participando.   Similarmente   naqueles   recebidos  
ocasionalmente  controlam  diretamente,  tais  como   pela  Sra.  Salter,  A.  W.  V.  é   sempre  o  comunicador,  
A.   V.   B.,   sã o   representados   como   ditando   seus   embora   algumas   vezes   acompanhado   pela   Sra.  
testes   de   livros   a   Feda.   Feda,   entretanto,   nã o   é   Verrall   ou   por   A.   V.   B.   O   comunicador   da   Sra.  
geralmente   representada   como   ela   pró pria   Beadon   é   sempre   o   seu   marido,   e   assim   por  
percebendo   o   interior   do   livro   fechado.   Essa   é   a   diante.  
funçã o  do  comunicador.     Percebe-­‐se   pela   descriçã o   geral   que   eu   forneci  
A   origem   dos   testes   de   livros   nã o   nos   é   de  um  teste  de  livro  tı́pico  que  o  plano  de  referir  o  
exatamente  conhecida,  e  provavelmente  nã o  pode   assistente   para   uma   certa   pá gina   para   uma  
ser   determinada;   pois   o   conhecimento   desperto   “mensagem”   fornece   uma   grande   oportunidade  
da  Sra.  Leonard  enquanto  ela  está  em  transe  é   na   para   validaçã o   subjetiva.   E   de   fato   em   alguns  
maior   parte   das   vezes   muito   imperfeito,   e   casos   nenhuma   indicaçã o   de   qualquer   tipo   é  
naturalmente   nó s   nã o   estamos   em   contato   com   fornecida  da  natureza  da  mensagem,  e  em  alguns  
todos  aqueles  que  realizaram  sessõ es  com  ela.  Nó   casos   a   descriçã o   é   muito   super_icial.   Raramente  
temos,   entretanto,   uma   grande   coleçã o   de   testes   acontece   de   o   assistente   dizer   antes   pela  
de  livros  dados  em  1917,  1918  e  janeiro  de  1919.   descriçã o   de   Feda   exatamente   o   que   ele   espera  
E   eu   penso   ser   prová vel   que,   se   eles   ocorreram   encontrar.   A   coisa   toda   é   frequentemente  
antes   de   1917,   eles   eram   bem   infreqü entes,   ou   apresentada   a   ele   como   um   enigma,   como   se   o  
nó s   terı́amos   ouvidos   falar   mais   a   respeito   deles.   comunicador   dissesse:   “Veja   se   você   consegue  
Nossa   coleçã o   é   heterogê nea.   Ela   conté m   adivinhar   o   que   eu   quero   dizer   quando   eu   digo  
primeiro  muitos  —  cerca  de  63  —  recebidos  pela   que   há   uma   mensagem   para   você   em   tal   e   tal  
Srta.   Radcliffe   Hall   e   (Una)   Lady   Troubridge   (ou   pá gina”.   Seria   um   erro,   entretanto,   supor   que  
juntas  ou  apenas  uma  delas)  como  assistentes  [2],   quase  em  qualquer  pá gina  de  qualquer  livro  algo  
e   muito   cuidadosamente   escritos   e   anotados   por   que   possa   passar   como   uma   mensagem   seja  
elas.  Esses  eu  chamo  os  testes  de  livros  A.  V.  B.,  o   encontrado;   e   há   claro   ainda   menos   chances   de  
comunicador  sendo  o  mesmo  A.  V.  B.  que  exerceu   quando   as   indicaçõ es,   mesmo   vagas,   da   natureza  
um   papel   importante   nas   sessõ es   de   Leonard   da   mensagem   sã o   dadas,   a   mensagem   quando  
relatadas   pela   Srta.   Radcliffe   Hall   e   Lady   encontrada   se   adequará   a   elas   [3]   A   di_iculdade  
Troubridge   em   seu   artigo   recentemente   está   em   decidir   o   que   pode   ser   legitimamente  
publicado  nos  Proceedings  S.  P.  R.,  Vol.  XXX.     esperado   em   termos   de   coincidê ncias   acidentais;  
Entã o   nó s   temos   12   recebidos   pela   Sra.   Salter,   e   esta   di_iculdade   está   presente   em   muitos   dos  
supostamente  vindos  de  seu  pai,  Dr.  A.  W.  Verrall,   casos   a   serem   considerados.   Isso   é   obviamente  
cujo  nome  é   familiar  aos  leitores  dos  Proceedings   uma   questã o   sobre   quais   pessoas   sã o   prová veis  
como  o  comunicador  nos  casos  “Statius”  e  “Orelha   de   formar   julgamentos   diferentes   em   alguma  
de  Dionı́sio”.  Estes  eu  chamarei  de  testes  de  livros   extensã o,   e   que   tipo   de   vieses   podem   entrar   em  
A.   W.   V.   E   ainda   nó s   temos   os   testes   de   livros   cena.  Por  esta  razã o  eu,  como  uma  pessoa  externa  
recebidos  por  cerca  de  37  outros  assistentes,  um   aos   experimentos,   fui   pedida   a   dar   meu   parecer  
ou   mais   de   cada   —   o   Rev.   C.   Drayton   Thomas   sobre  a  evidê ncia  coletada.  Eu  nada  tive  a  ver  com  
enviou  19  —  e  examinados  tanto  quanto  possı́vel   a   tarefa   de   coletá -­‐la,   e   nenhum   teste   de   livro   de  
por  Lady  Troubridge  ou  pela  Sra.  Saltar.     sucesso   para   contribuir,   entã o   talvez   seja   mais  
EW  perceptı́vel  atravé s  desta  coleçã o  de  testes  de   fá cil   para   mim   abordar   todos   os   casos   de   um  
livros   que   cada   assistente   tem   seu   comunicador   ponto   de   vista   igualmente   externo,   que   pode   ser,  
especial.  Assim  nos  testes  de  livros  recebidos  pela   e.g.,   para   Lady   Troubridge   ou   Sra.   Salter,   que  
Srta.   Radclyffe   Hall   ou   Lady   Troubridge   (a   quem   podem  possivelmente  ser  pensadas  em  perigo  de  
para  abreviar  chamarei  de  M.  R.  H.  e  U.  V.  T,  já  que   julgar   seus   pró prios   casos   diferentemente   dos  

[2]    Quando  a  Srta.  Radcliffe  Hall  e  Lady  Troubridge  sentavam  juntas  com  a  Sra.  Leonard,  como  elas  normalmente  faziam,  uma  delas  agia  como  tomadora  de  notas.  
36 [3]    No  Apê ndice  A  serã o  encontrados  alguns  experimentos  de  correspondê ncia  aleató ria.  
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testes   de   livros   recebidos   pelos   outros.   Essas   conhecimento  foi,  ou  pode  ter  sido,  possuı́do  pelo  
damas   portanto   me   pediram   para   encarregar-­‐me   assistente,   e,   portanto,   obtido   telepaticamente  
do  Relató rio.       dele?   A   descriçã o   precisa   da   estante   de   livros   e  
Antes  de  prosseguir  com  ele  é   melhor  eu  dizer   dos   seus   arredores   e   para   alé m   dos   limites   do  
que  eu  nã o  tive  participaçã o  alguma  em  veri_icar   teste   de   livro,   ou   dos   livros   pró ximos   a   ele,   é  
os   testes,   tendo   simplesmente   aceitado   os   normalmente  deste  tipo,  já  que  a  estante  de  livros  
registros   como   eles   me   foram   entregues,   tanto   a   na  casa  do  assistente  deve  como  regra  assumir-­‐se  
respeito   do   que   foi   dito   nas   sessõ es   quando   em   ser  do  conhecimento  dele,  e  a  aparê ncia  e  tı́tulos  
sua   subsequente   veri_icaçã o.   Essa   veri_icaçã o   foi,   dos   livros   nela   sã o   prová veis   de   terem   passado  
t a n t o   q u a n t o   e u   p o s s o   j u l g a r,   m u i t o   pelos   seus   olhos.   Alguns   experimentos   foram  
cuidadosamente  realizada  em  cada  momento  que   tentados,   entretanto,   em   que   precauçõ es  
eu  _iz  uso.  Aqui  e  ali  eu  _iz  perguntas  para  deixar   especiais   foram   tomadas   para   excluir   o  
certos  pontos  claros,  mas  isso  é   tudo.  Ao  citar  os   conhecimento   por   parte   dos   assistentes   de   quais  
registros   das   observaçõ es   de   Feda,   para   deixar   a   livros  _icavam  em  locais  particulares.    
leitura  mais  fá cil,  eu  alterei  o  seu  linguajar  infantil   Uma   segunda   pergunta   é ,   o   conhecimento   foi  
—  omitindo  o  ceceio  do  l  pelo  r  e  alguns  de  seus   possuı́do   por   qualquer   ser   humano   que   possa  
erros   de   pronú ncia.   Eu   també m   ocasionalmente   assumir-­‐se   em   contato   com   a   mé dium   ou   o  
troquei   pontos   _inais   por   vı́rgulas   ao   citar   os   assistente?  Existem  3  casos  em  nossa  coleçã o  em  
registros,  mas  nunca  de  forma  que  o  sentido  fosse   que   os   livros   estã o   localizados   em   uma   casa  
alterado.     desconhecida  ao  assistente,  mas  bem  conhecida  a  
Deve-­‐se   entender   desde   o   inı́cio   que   muitos   um   assistente   anterior.   Esses,   entretanto,   nã o  
testes   de   livros   e   itens   deles   sã o   fracassos   foram  bem  sucedidos  como  testes  de  livros.    
completos,  e  que  a  aparente  precisã o  e  riqueza  de   Uma   terceira   questã o   é ,   o   conhecimento   foi  
detalhes   no   que   o   comunicador   diz,   e   que   a   adquirido   pelo   comunicador   antes   de   sua   morte,  
con_iança   expressa   por   ele   de   que   o   teste   seria   de  forma  que  a  sua  memó ria  pudesse  ser  a  fonte  
bom,   nã o   sã o   garantia   de   sucesso.   Eu   portanto   da  qual  foi  extraı́do?  Na  ausê ncia  da  primeira  e  da  
busquei  tabular  o  nú mero  de  sucessos  e  fracassos   segunda   possibilidades,   a   terceira   iria,  
dos  casos  diante  de  nó s.  Grosseiramente  falando,   naturalmente,   caso   a   clarividê ncia   possa   ser  
de   cerca   de   532   itens,   pouco   mais   de   um   terço   excluı́da,  dar-­‐nos  evidê ncia  de  sobrevivê ncia.      
foram   completamente   ou   aproximadamente   bem    Se  todas  essas  3  perguntas  foram  respondidas  
sucedidos![4]  Mas  eu  nã o  acho  que  isso  realmente   na   negativa,   mas   somente   entã o,   nó s   parecemos  
nos   diga   muita   coisa;   primeiro,   porque   a   levados   a   assumir   pura   clarividê ncia   —   um  
classi_icaçã o   é   difı́cil   e   imprecisa;   e   segundo,   conhecimento   de   aparê ncias   fı́sicas   nã o   obtido  
porque   a   importâ ncia   evidencial   dos   casos   bem   atravé s   dos   sentidos   de   algué m[6].   A   evidê ncia  
sucedidos,   embora   imprová veis   de   ocorrer   pelo   para   isso   é   bom   lembrar   ser   no   momento   muito  
acaso,  varia  enormemente.     escassa   [7],   seja   supondo   a   mente   perceptiva  
Assumindo  que  o  sucesso  de  qualquer  teste  de   encarnada   ou   desencarnada,   entã o   seria   muito  
livro   sob   exame   está   alé m   do   que   pode   ser   interessante   se   isso   pudesse   ser   estabelecido  
atribuı́do   pelo   acaso,   nó s   temos   que   fazer   trê s   atravé s  dos  testes  de  livros.  De  acordo  com  Feda,  
perguntas   sobre   o   conhecimento   supranormal   é   geralmente   clarividê ncia   exercida   pelo  
exibido   —   signi_icando   por   conhecimento   comunicador   que   é   a   fonte   do   conhecimento  
supranormal   aquele   nã o   possuı́do   por   meios   mostrado.   Observar-­‐se-­‐á   que   as   trê s   fontes   de  
normais   pela   Sra.   Leonard.   Primeiro,   esse   conhecimento   supranormal   mencionadas   acima  

 [4]  A  seguir  estã o  maiores  detalhes.  Existem  34  assistentes  cujos  testes  de  livros  foram  veri_icados  (2  outros  falharam  em  nos  enviar  suas  notas,  e  3  outros  foram  
incapazes  de  identi_icar  a  estante  de  livros  em  que  o  livro  era  dito  estar).  Esses  assistentes  tiveram  entre  eles  146  sessõ es  em  que  os  testes  de  livros  foram  fornecidos,  
e  nessas  sessõ es  cerca  de  532  itens  separados  de  testes  de  livros  ocorreram,  nã o  incluindo  declaraçõ es  sobre  tı́tulos  e  outras  coisas  externas.  O  nú mero  de  itens  em  
uma  sessã o  variou  de  1  a  15.  Desses  532  itens  92  podem  ser  classi_icados  como  bem  sucedidos;  100  aproximadamente  bem  sucedidos;  204  fracassos  completos;  40  
fracassos  quase  completos;  96  dú bios.  Tomando  as  duas  primeiras  classes  juntas  podemos  dizer  que  cerca  de  36  por  cento  das  tentativas  foram  aproximadamente  
bem  sucedidas.    

[5]    Eles  sã o  referidos  concernentes  a  outros  assuntos  nas  pá ginas  372-­‐374.    

[6]    Nesta  lista  de  possı́veis  fontes  de  informaçã o  eu  ignorei  uma  sugerida  por  Feda  porque  eu  nã o  posso  dizer  que  a  compreendo.  EW  a  de  que  leitores  anteriores  dos  
livros  deixaram  traços  psı́quicos  reconhecı́veis  nele.  Como  ela  coloca  em  uma  ocasiã o  (veja  abaixo,  pá g.  357):  “Ao  ler  um  livro  eles  de  certo  modo  o  psicometrizaram  e  
deixaram  um  pensamento.”  Isso  aprece,  de  certo  modo,  envolver  algum  tipo  de  clarividê ncia  qualquer  que  seja  a  interpretaçã o  que  demos  a  isso.  
37
REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA JUN/2016

—  o  assistente,  outras  pessoas  vivas,  e  a  memó ria   F.   Ela   diz   que   é   o   19º   livro   a   partir   da  
do   comunicador   —   podem   trabalhar   juntas,   ou   janela.    
quaisquer   duas   delas   podem,   e   quando   elas   o   A.  Em  que  prateleira?  
fazem  podem  talvez  fortalecer  uma  à  outra.  Seria   F.  Essa.  (Aqui  Feda  indica  a  altura  com  sua  
interessante   descobrir,   se   pudé ssemos,   se   o   mã o).  
conhecimento   possuı́do   tanto   pelo   assistente   A.   Eu   gostaria   de   ter   essa   altura   correta.  
quanto   pelo   comunicador   é   mais   prová vel   de   Eu   vou   _icar   de   pé   e   você   vai   me   tocar  
chegar   ao   controle   Feda   do   que   aquele   possuı́do   exatamente   onde   você   acredita   que   essa  
apenas  pelo  assistente.     prateleira   encostaria   em   meu   corpo.   (Feda  
De  forma  que  o  leitor  passa  saber  algo  sobre  o   toca   a   saia   da   assistente   apenas   um   pouco  
que   ele   está   embarcando   eu   irei   concluir   esta   abaixo  da  parte  de  cima  de  um  bolso  lateral  
sessã o  introdutó ria  com  um  teste  de  livro  tı́pico  o   da  saia).    
qual,   penso   que   concordarã o,   é   decididamente   F.  Ela  diz  que  é   o  19º  livro  e  a  pá gina  52,  e  
bom,   embora   nã o   tã o   completo   quanto   está   perto   do   topo   da   pá gina,   mas   nã o   é   a  
gostarı́amos.  Ele  é   acompanhado  por  uma  notá vel   primeira  frase.    
exibiçã o   de   conhecimento   de   coisas   externas   A.  EW  sobre  o  quê ?  
pró ximas   ao   livro,   o   que   deve   aparentemente   ter   F.   Feda   nã o   pode   fazer   isso.   Oh   O   que   ela  
tido  uma  origem  supranormal.     quer   dizer?   Isso   é   engraçado!   (Feda   começa  
O  teste  de  livro  em  questã o  foi  com  A.  V.  B.  em   a   puxar   [um   ornamento   usado   pela  
12  de  setembro  de  1917.  M.  R.  H.  e  U.  V.  T.  estavam   assistente]).   Ela   diz   que   de   um   certo   modo  
ambas   presentes,   uma   delas,   como   era   seu   tem  relaçã o  com  isso.    
costume,   anotando.   Feda,   que   tem   seus   apelidos   A.   Você   quer   dizer   esse   [ornamento]   que  
para   a   maioria   dos   assistentes   e   comunicadores,   você  está  tocando?  
chama  A.  V.  B.  de  Ladye  —  um  apelido  usado  pelos  
amigos   de   A.   V.   B.   durante   a   sua   vida   (veja  
Proceedings  XXX.,  pá g.  344).  

F.   [8]   Agora,   para   hoje   ela   [A.   V.   B.]   quer  


fornecer   outro   [i.e.   teste   de   livro].   Ela   está  
voltando   para   os   pró prios   livros   [de   M.   R.  
H.],  sã o  os  livros  que  partem  da  janela.    
[Este  conjunto  especı́_ico  de  prateleiras  foi  
identi_icado   com   o   teste   de   livros   anterior;  
entã o  sua  mençã o  aqui  nã o  é  evidencial;  mas  
em  vista  do  que  se  segue  deve  ser  lembrado  
que   nessa   é poca   M.   R.   H.   e   U.   V.   T.   estavam  
anô nimas  à  Sra.  Leonard.  Acredita-­‐se  que  ela  
nã o   conhecia   os   seus   nomes,   e   é   quase  
impossı́vel  achar  que  ela  alguma  vez  tivesse  
estado  no  apartamento  de  M.  R.  H.]  
F.  (s.v.  Mas  lá  nã o  poderia  haver  19  livros,  
Ladye!)  
Poderia  haver  19  livros  em  uma  _ileira?  
A.  Sim.   LE  CANAPEW  BLEU  

[7] O trabalho mais importante que já foi feito sobre o assunto com algum sucesso foi uma série de experimentos conduzidos pelo Prof. Charles Richet, cujo
relatório foi publicado nos Proceedings da S.P.R. , Vol. V., em um artigo chamado “Relation de Diverses Experiénces sur la transmission mentale, la Lucidité,
et autres Phenomènes non explicables par lês Donnés Scientifiques actuelles.” Para clarividência, ou como o Prof. Richet a chama, Lucidité, veja as páginas
77-116 daquele artigo. Os experimentos foram feitos com diferentes sujeitos hipnotizados, que tentaram descrever ou reproduzir desenhos em envelopes
fechados mantidos próximos a eles, ninguém sabendo o conteúdo do envelope particular. O que pode ser visto como sucesso foi obtido em cerca de 10 por
cento dos experimentos, o que é cerca de três vezes acima do que o acaso produziu em um experimento paralelo.

[8] Nos diálogos citados neste artigo F quer dizer Feda e A significa assistente. Feda tem um modo de entremear suas conversas com apartes, geralmente se
referindo ao comunicador mas algumas vezes aparentemente a si mesma. Estes apartes são colocados entre parênteses e precedidos pelas letras s.v.
38 significando sotto voice (em voz baixa).
REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA JUN/2016

F.   Sim.   Bem,   ela   diz,   se   voltar   sua   mente   F.   Feda   achou   que   era   da   Srta.   Una   [U.   V.  
para   isso,   aquilo   que   você   encontrará   na   T.],  mas  Feda  nã o  tem  certeza  porque  Ladye  
pá gina   52   te   levará   de   volta   a   algo   ligado   a   pode   frequentemente   dar   coisas   atravé s   de  
isso.   (Aqui   Feda   toca   [o   ornamento]   você   [de   uma   para   a   outra]   assim   Feda   nã o  
novamente).   Ela   está   rindo,   ela   diz   que   sabe  dizer  qual.  Feda  nã o  vai  pular  dela  para  
apesar   de   se   lido   de   um   modo   está   ligado   isso  ainda.      
com   aquele   [ornamento],   ainda   assim   de   A.   Você   pode   ver   se   a   _igura   está   sentada  
outro  modo  vai  _icar  em  linha  com  as  outras   ou  deitada?  
mensagens.   Isso   pode   ser   lido   de   dois   F.   Nã o   está   deitada,   está   sentada,   porque  
modos.   Ela   diz,   uma   pessoa   lendo   isso   que   Ladye   pode   fazer   Feda   fazer   isso   nessa  
nã o  soubesse  a   conexã o   com   o   [ornamento]   cadeira.  Há  algo  que  parece  a  Feda  bastante  
lê -­‐lo-­‐ia   como   apropriado   para   as   outras   redondo.  
mensagens.       A.   Ela   fornece   esse   quadro   apó s  
[Isso  signi_ica  como  se  referindo  de  algum   mencionar  os  livros?  
modo   à   pesquisa   psı́quica   cujas   mensagens   F.   Sim,   enquanto   fornecia   os   testes   sobre  
de  testes  de  livros  anteriores  a  M.  R.  H.  e  U.  V.   os   livros,   repentinamente   aquele   quadro  
T.  estiveram  sendo  interpretadas  fazer].     apareceu   rapidamente.   Feda   vê   que   ela   nã o  
F.   [continuando].   Agora   o   que   ela   está   tem  muitas  roupas,  a  mulher  nã o  tem.  Ladye  
fazendo?   Feda   nã o   sabe   o   que   esse   pedaço   diz   que   você   deve   colocar   isso   em   um  
quer   dizer,   mas   ela   está   mostrando   a   Feda   linguajar   mais   artı́stico   do   que   Feda.   Sabe,  
um   quadro.   Ela   apenas   piscou-­‐o   diante   de   ela   está   mostrando   o   quadro   para   Feda   de  
Feda.     um  modo  divertido,  uma  aparê ncia  de  preto  
  [Feda   prossegue   descrevendo   o   quadro,   e  branco,  o  quadro  parece  retratar  luz  contra  
rapidamente   identi_icado   pelos   assistentes   escuridã o;   mas   Feda   nã o   consegue   ver  
como   uma   pequena   pintura   chamada   “Le   qualquer   cor.   [As   cores   reais   do   quadro   sã o  
Canapé   Bleu”,   que   estava   pendurado   muito  sombrias  e  neutras,  a  _igura  branca  se  
pró ximo  à  estante  de  livros  em  questã o,  uma   destacando   em   um   fundo   preto.   O   cabelo  
fotogravura  dele  é  dada  na  pá gina  anterior].     â mbar-­‐negro   da   mulher   realçando   o   efeito  
F.   Algué m   está   sentado   sem   usar   muitas   preto   e   branco   parece   ter   sido   captado   por  
roupas.   [Isso   foi   dito   em   um   tom   muito   Feda].  Ela  diz  algo  sobre  alguma  coisa  com  4  
chocado   sugerindo   desaprovaçã o   pela   linhas   descendo.   Feda   acha   que   isso   tem   a  
ausê ncia   das   roupas].   Eles   estã o   inclinados   ver   com   o   que   a   _igura   está   sentando   em  
assim.   (Feda   assume   uma   posiçã o,   ela   se   cima.  Ela  está  rindo.    
inclina   para   a   frente   a   partir   da   cintura,   A.   Nã o   há   engano   agora   onde   os   livros  
estende   seu   braço   direito   e   deixa   sua   face   estã o.  
cair  em  cima  do  braço  estendido).     F.   Ela   diz,   nã o,   ela   acha   agora   que   ela   os  
A.  O  que  mais  você  consegue  ver?   conhece   pelo   coraçã o.   EW   uma   posiçã o  
F.  Bem,  uma  perna  parece  estar  um  pouco   engraçada   naquele   quadro.   Feda   acha   que   é  
sobre   a   outra,   assim.   (Feda   assume   uma   boba,  porque  você   nã o  consegue  ver  o  rosto.  
posiçã o  com  suas  pernas  tã o  bem  quanto  ela   Oh!  Feda  vê   que  os  dedos  nã o  estã o  bastante  
pode   fazer   sob   uma   saia;   ela   eleva   sua   coxa   retos,   Feda   vê   que   trê s   deles   estã o   curvos,  
direita   até   quase   tocar   seu   corpo,   deixando   mas   o   dedo   indicador   se   estende   reto,   mais  
cair   ao   mesmo   tempo   a   perna   esquerda   até   ou  menos  assim;  (Feda  assume  uma  posiçã o  
que  o  joelho  quase  toque  o  chã o).  Você   pode   com   sua   mã o   direita   mostrando   o   segundo,  
ver   somente   uma   perna   claramente,   a   outra   terceiro   e   o   quarto   dedos   curvados   para  
parece   estar   embaixo.   [Este   nã o   é ,   dentro,   mas   o   indicador   estendido,   quase  
naturalmente,   um   trecho   preciso   da   reto)  Ladye  está  mostrando  Feda  que  o  pulso  
descriçã o].  Feda  acha  que  é  alguma  coisa  que   e  a  mã o  fazem  um  contorno  bastante  suave,  
você s  tê m.   nã o  mostrando  demais  os  ossos  ou  as  juntas,  
A.  Qual  de  nó s?   como  você  vê  algumas  vezes.  
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Isso  termina  toda  a  porçã o  da  sessã o  ligada  ao   Infelizmente   isso   produziu   nesse   momento  
teste   de   livro.   O   quadro   tã o   minuciosa   e   tã o   outra   ambigü idade.   Deveriam   os   conspı́cuos   e  
a p r o x i m a d a m e n t e   d e s c r i t o   p e r t e n c e ,   cuidadosamente   marcados   espaços   vazios  
naturalmente,   à   classe   de   coisas   externas   —   pertencentes   aos   livros   temporariamente  
aquelas   sabidas   aos   assistentes   e   possivelmente   ausentes   serem   contados   como   livros   até   se  
telepaticamente   apreendidas   deles.   Mas   deve   ser   chegar  ao  19º,  ou  nã o?  Sem  olhar  para  o  interior  
lembrado   que   a   descriçã o   nã o   está   inteiramente   dos  livros,  foi  decidido  que  o  19º  volume  a  partir  
de   acordo   com   a   sua   lembrança   consciente   do   da  janela,  na  prateleira  como  deveria  estar,  nã o  na  
quadro.  Eles  pensaram  à  é poca  que  a  descriçã o  da   prateleira  como  estava  no  momento,  seria  aquele  
posiçã o  e  a  aparê ncia  da  mã o  direita,  que  eram  de   referido.   Esse   revelou-­‐se   ser   Orval,   or   the   Fool   of  
fato  realmente  precisas,  estavam  erradas.  Nó s  nã o   Time,   por   Owen   Meredith.   O   livro   tinha  
podemos,   entretanto,   assumir   que   eles   nã o   pertencido   ao   comunicador,   e   tinha   de   fato   sido  
r e t i n h a m   u m a   i m p r e s s a ̃ o   c o r r e t a   dado   de   presente   a   ela   pelo   autor   em   1878.   Nã o  
subliminarmente.   tinha   sido,   no   melhor   de   sua   boa   fé ,   sequer   sido  
Outro   ponto   importante   a   observar   é   que   o   lido   ou   mesmo   aberto   por   M.   R.   H.   ou   U.   V.   T.   O  
quadro  tinha  sido  bem  conhecido  ao  comunicador   poema   está   numa   forma   dramá tica,   e   a   linha  
quando   vivo,   assim   sua   memó ria   pode   ter   sido   a   indicada  —  a  saber,  uma  perto  do  topo  da  pá gina  
fonte   de   informaçã o.   Ela   pode   tê -­‐lo   “piscado   52,   mas   nã o   a   primeira   frase   —   de   fato   a   linha  
diante  de  Feda”  a  partir  de  sua  pró pria  mente.  Ele   seguinte  ao  primeiro  ponto  _inal  é :  
foi  comprado  apó s  ter  sido  visto  em  uma  exibiçã o  
por   A.   V.   B.   e   M.   R.   H.   juntos,   tendo   sido   depois   Hoje—amanhã—ontem—para  sempre!  
pendurado   na   casa   delas.   O   aposento   em   que   o  
quarto   _icava   pendurado   no   momento   da   sessã o   Essa   linha   deve,   acredito,   ser   vista   como  
nã o  foi  conhecido  a  A.  V.  B.  quando  viva  [9],  nem,   con_irmando   em   algum   grau   as   duas   coisas   ditas  
portanto,  a  proximidade  do  quadro  com  a  estante   por   Feda   sobre   a   passagem   perto   do   topo   da  
de   livros.   Itens   do   mobiliá rio   ou   outros   objetos   pá gina   52.   Feda   disse   que   essa   frase   seria  
que   pertenceram   ou   eram   familiares   a   A.   V.   B.   apropriada   ao   ornamento   que   ela   tocou,   e  
estavam   no   aposento,   e   alguns   destes   foram   em   també m   de   algum   modo   à   pesquisa   psı́quica.   O  
ocasiõ es  posteriores  bem  descritos  por  Feda  (veja   ornamento   tinha   uma   histó ria   que   o   levava   a   ser  
Apê ndice  B).   visto  em  um  nı́vel  acentuado  com  um  sentimento  
Eu   agora   me   volto   à   veri_icaçã o   da   parte   que   pode   ser   resumido   nas   palavras   da   linha;   e  
constituindo   o   teste   de   livro   em   si.   A   prateleira   quanto   à   pesquisa   psı́quica,   era   a   esperança   de  
cuja  altura  tinha  sido  indicada  provou-­‐se  ser  uma   provar   a   continuaçã o   da   vida   do   indivı́duo   alé m  
na   qual   os   livros   de   dois   testes   de   livros   tú mulo,   ou,   como   à s   vezes   expressamos,   viver  
anteriores   tinham   sido   selecionados.   Esses   dois   “para   sempre”,   que   levou   M.   R.   H.   e   U.   V.   T.   a  
vo l u m e s   t i n h a m   s i d o   t e m p o ra r i a m e n t e   devotar   tanto   tempo   e   energia   à   pesquisa  
removidos   para   propó sitos   de   veri_icaçã o   e   psı́quica.   Eu   acho,   portanto,   que   se   deve   admitir  
anotaçã o   [10],   e   isso   introduziu   uma   di_iculdade.   que  encontramos  sem  qualquer  esforço  excessivo  
Devido  o  fato  de  que  as  personalidades  de  transe   um   certo   ponto   com   a   dupla   adequaçã o  
a_irmavam   que   os   testes   de   livros   eram,   necessá ria.   Isso   é   su_iciente   para   excluir   a  
geralmente   falando,   preparados   de   antemã o   em   coincidê ncia   acidental?   Nossa   decisã o   depende,  
um  tempo  inde_inido  —  nã o  selecionado  e  lido  na   ao  menos  parcialmente,  do  acú mulo  de  evidê ncia  
é poca   da   comunicaçã o   —   Feda   tinha   sido   similar   encontrada   em   outros   casos.   Mas   talvez  
assegurada   anteriormente   de   que   os   livros   nã o   nó s  possamos  expressar  um  desejo  natural  de  que  
seriam  movidos.  Esperava-­‐se  assim  evitar  dú vidas   a   descriçã o   aqui   e   em   outras   partes   fosse   um  
quanto  a  qual  era  a  ordem  dos  livros  no  momento   pouco   mais   de_inida   —   que   nó s   tivé ssemos,   por  
da  seleçã o.     exemplo,   uma   correspondê ncia   tã o   inequı́voca   e  
completa  quanto  a  do  quadro  que  Feda  descreveu.  

[9] Rigorosamente falando, A. V. B. conheceu o apartamento de M. R. H. sem a mobília, mas ela morreu antes que fosse mobiliado e ocupado.

40 [10]  A  Srta.  Radclyffe  Hall  e  Lady  Troubridge  tinham  a  prá tica  de  incluir  em  seus  registros  uma  có pia  completa  da  pá gina  inteira  em  que  uma  mensagem  era  a_irmada  
estar.  
REVISTA CIÊNCIA ESPÍRITA MAR/2016

Teria  sido  mais  satisfató rio  se  a  linha  tivesse  sido  


citada,  ou  se  nó s  tivé ssemos  sido  avisados  de  que  
as   palavras   “ontem”   e   “para   sempre”   ocorriam  
nela,  ou  que  a  linha  implica  a  continuaçã o  atravé s  
da  vida  e  apó s  a  morte.    
Com   relaçã o   à   questã o   da   memó ria   do  
comunicador  aqui  como  a  fonte  de  conhecimento,  
nó s   podemos   sem   dú vida   assumir   de   que   ela  
tinha  lido  o  poema,  e  lido  neste  volume  particular.  
Mas   é ,   acredito,   muito   imprová vel   que,   se   ela  
lembrou   a   linha,   ela   associasse   nesta   vida   de  
algum  modo  com  o  nú mero  da  pá gina  em  que  ela  
ocorre.   Esta   é   uma   associaçã o   a   qual   nó s   nã o  
fazemos   ao   ler,   a   menos   que   haja   uma   razã o  
especial  para  ela.    

______________________  

Este  texto  foi  traduzido  por  Vitor  Moura.  

Nós  da  RCE  apresentamos  o  referido  artigo  para  


demonstrar   e   homenagear   a   SPR   (e   agradecer)   a  
contribuição   que   esta   Sociedade   tem   feito   pelo  
espiritismo  cientiGico  mundial.  

Para   se   obter   maiores   informações,   visite   o   site  


da  Society  for  Psychical  Research,  acessando:  

http://www.spr.ac.uk  

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Caros leitores
Chegamos ao final da nossa edição.
Acreditamos que poderemos fazer mais, por isso é importante
a participação de todos os espíritas pesquisadores e
interessados em fazer pesquisa espírita.

Meus sinceros agradecimentos a todos os que participaram


dessa edição, direta ou indiretamente:

Felipe Fagundes Suely Raimundo Rafaela Respeita Victor Machado


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