Você está na página 1de 19

RESUMO

Reflexão significa, literalmente, o estudo dos reflexos e corresponde à escola de


fisiologia objectiva de origem russa que teve, como seus epígonos, Ivan Sechenov
(1829-1905), Vladimir Bekhterev (1857-1927) e Ivan Pavlov (1849-1936). Foi uma
escola que exerceu um profundo efeito sobre a psicologia Behaviorista e as teorias da
aprendizagem.
Em sua “Breve história da psicologia”, Cabral e oliveira consideram Bechterev o
legítimo iniciador da psicologia reflexologia ao publicar, em 1907, o primeiro dos três
volumes de sua “psicologia objectivo” (1907-1910), fundamentada no comportamento
e não na fisiologia nervosa. Por outro lado, não se pode ignorar o impacto da obra
“Reflexos do Cérebro” (1863), de Sechenov, que inaugurou a psicofisiologia russa, e
cujas proposição de investigação resultaram na fundação do primeiro laboratório de
psicofisiologia (por Bechterev em 1863) e no experimento prototípo de Ivan Pavlov
sobre reflexo condicionado, com seu conhecido desdobramento (numa série de
publicações e experimentação posteriores) para estudo da “Actividade nervosa
superior”.
Palavra chave: Reflexologia; psicofisiologia; fisiologia; psicologia russa

Página
1
ABSTRACT
Reflection means, literal, the study with reflex and correspond the school of
physiology objective of origns russia at have, as yours epígonos, Ivan Sechenov (1829-
1905); Vladimir Becheterev (1857-1927); and Ivan Pavlov (1849-1936). Was a school
at exercing a effecting above psychology behaviorist and the theory of learning.
In your “Brief History of Psychology” Cabral and Oliveira reconigzed
Becheterev the legitime initiator of your “psychology objective” Publicated in 1907,
The first with third volume of your “Psichology Objective” (1907-1910); fundamented
in Behavior and not a physiology nervous. In other side; can not by ignorated the
psychophysiology russa, and the proposition of investigated result to foundation the first
laboratory of psychophysiology ( by Becheterev in 1863) and experiment prototype of
Ivan Pavlov above reflex conditioned, with your recognized deployment (in serie of
publishing and posterior) for study of “Activities nervous superior”.
Key-word: Reflexology; psychophysiology; physiology; psichology russa.

Página
2
INTRODUÇÃO
A Rússia foi um país pioneiro no campo de estudo da reflexologia, dentre os
numerosos pesquisadores pode-se destacar a influência de pelo menos três: Ivan
Michajlovic Sechenov(1929-1905); Ivam Petrovich Pavlov (1849-1936) e Vladimir
Michailovitch Bechterev (1857-1927).
Sechenov foi importante agente do estudo dos reflexos condicionado e na sua recusa
das explicações mentalista.
Uma das principais ideias defendidas e estudadas por sechenov era a vida psíquica
não era independente do corpo, mas somente uma função do sistema nervoso central, os
processos psíquicos seriam dessa forma, componentes de um complexo arco.reflexo.
Essa foi uma das primeiras abordagem da vida psicológica em termos de reflexo.
Sechenov lançou as ideias que mais tarde influnciariam a teórica de outros
importantes pesquisadores da reflexologia.

 Objectivo geral:
Apresentar um panorama geral do ponto de introdução a reflexologia e psicológia
Rússia.

 Objectivo Específico:

 Analisar a vida e formação intelectual da psicologia russa segundo IVAN M.


SECHENOV;
 Apresentar a vida e obra e reflexão psicológica russa segundo IVAN P.
PAVLOV

Página
3
ASPECTOS GERAIS
1. HISTÓRIA DA PSICOLOGIA
1.1. Vida e formação intelectual (Ivan M. Sechenov)
Seria um fisiologista russo posterior a Wundt e Darwin, assim como os primeiro
funcionalistas americanos, quem deu um dos passos mais definitivos no sentido do
estabelecimento da psicologia como ciência objectiva e experimental. Este fisiologista
que, paradoxalmente, iria converter-se num dos pais da psicologia científica não é outro
senão Ivan P. Pavlov. A sua obra científica é dificilmente se não considerar o conceito
de transformação adaptativa introduzida por Darwin nas ciência biológicas, mas ainda o
é mais se não for considerado dentro de grande tradição fisiológica europeia,
representada na Rússia por Ivan M. Sechenov, autêntico pai da fisiologia neste pais, e
fundamental para uma correcta compreesão de Pavlov.
O paida fisiologia russa, Ivan M. Sechenov (1829-1905), licenciou-se em medicina
na universidade de Moscovo e, já médico, foi imediatamnet para Berlim, onde esteve
com o grande fisiológico Bois-Reymond, No período entre 1857 e 1859. Sechenov
visitou Lípsia e viena, onde se dedicou ao estudo dos efeitos da intoxicação alocoólica
aguda sobrte o organismo. Em viena entrou em contactos com outros grandes fisiólogos
mundiais, Karl Ludwing. Ainda lhe restou tempo para estudar óptica, em Heidelberga,
com o grande Helmoholtz. Uma vez possuída uma boa formação fisiológica, Sechenov
voltou a Rússia , mas concretamente a Sampetersburgo. Decorria então em 1860, ano
em que começaria a ensinar fisiologia como assistente. Não satisfeito com ensinaros
avanços da fisiologia na Europa Ocidental, decidiu promover ele próprio a ciência,
fundando um importante lanoratório. A sua actividade como docente e como
investigador valeu-lhe, imediatamente, uma grande reputação nos meios intelectuais
russos.
Em 1864 Sechenov empreende um novo périplo na Europa. Vai a Paris, ao
laboratório de Claude Bernard, o grande fisiólogo francês cujas descobertas foram tão
importantes para o conhecimento do «ambiente interno» dos organismos. Depois desta
estada em paris, Sechenov levou a termo as suas importantes descobertas sobre a
inibição central e a actividades reflexas. Mas sobretudo, as suas investigações
convencem-nos irreversivelmente da necessidade de assumir uma prespectiva
mecanicista e determinista na psicologia. Depois de uns anos em Sampetersburgo e
Odessa e nomeado professor de Fisiologia em Sampetersburgo, onde passou a
Moscovo, onde permaneceu até se retirar, o que fez quatro anos antes de morrer.
Ao longo da sua vida sechenov foi uma figura muito controversa e muito atacada
pelo seu materialismo e determinismo. Os filósofos e os representantes eclesiásticos e
sechenov viveu na época czarista, não deixaram de ver nele um perigo constante para a
Fé, a moral e os costumes tradicionais. Prova desta resistência por parte dos
representantes da ideologia tradicional é proibição que recaiu sobre a publicação do seu
livro mais famoso, os Reflexos do Cérebro. Por imperativo da censura teve de sair em
artigo de revistas especializadas, durante o ano de 1863 por fim saiu, como livro, três
anos mais tarde, mas com o titulo modificado.

Página
4
1.2. Origens da orientação científica de sechenov
Nos tempos de sechenov, apesar do facto de a Rússia formar seus próprios
cientistas, não era raro que os pós graduados russos visitassem outros países com
objectivo de completar s suas formação. Foi este o caso de sechenov, que teve a sorte de
ter o posto contacto com as duas principais escolas alemã e a escola francesa. Em geral
a prespectiva alemã era marcadamente mecanicista e materialista e defendia a
fragmentação do organismo vivo a fim de estudar e analisar separadamente um dos seus
elementos ou estrutura em termos dos processos físicos e químicos básicos das suas
funções. Apesar de Johannes Müller não ter sido muito partidário desta orientação, os
seus discípulos Bois-Reymond e Helmoholtz defender um mecanismo e um
materialismo muito radical nas suas investigações sobre os nervos periféricos e os
receptores. O mesmo se pode dizer dos estudos de Ludwing sobre o coração.
No laboratório de Bernard reinava o mesmo ambiente determinista e a Fé em que os
processos vitais seguram leis fixas susceptíveis de serem determinadas mediante
investigações. Via Sechenov estes princípios conseguiram abrir caminho a Rússia e foi
no seu seio que sechenovdesenvolveu suas própias formulações. Na realidade conseguiu
construir um novo conceito bastante rudimentar, uma psicologia objectiva que brotaria
das seguintes raízes: fisiologia sensorial e teoria evolucionista; associacionismo de
tendência materialista; estudo dos reflexos. Vejamos agora as linhas principais da
Psicologia rudimentar de Sechenov.

1.3. Projecto de uma psicologia objectiva e científica


Sechenov conheceu be interessou-se pela nova psicologia que surgiu na Alemanha
nos inícios da segunda metade do século XIX. Tinha em boa conta esta prespectiva, mas
não se pense que se deixou fascinar cegamente por ela. Via que ainda lhe faltava muito
para alcançar um sólido estatuto científico e convenceu-se que poderia fazer algo neste
sentido. Tudo consistia em assenta-la numa base fisiológica. Assim projectou
estabelecer uma psicologia que investigaria os elementos constitutivos dos processos
psíquicos, as suas formas combinatórias e os seus mecanismos subjacentes. Em 1873
(ano em que Wundt publicou o seu ensaio Who must investigate the problems of
psychology and how (quem deve investigar os problemas de psicologia e como). A sua
resposta as duas perguntas é terminante. Quem? O fisiólogo. Como? Pelo estudo da
reflexos. O evolucionismo biológico de Sechenov entrvê-se, também, no seu ensaio: os
animais devem ser utilizados como sujeitos de investigação, uma vez que não existe
diferença fundamental entre eles e o homem. Também é interessante notar que
Sechenov considerou a estatística e as matemáticas como instrumentos cientificamente
válidos, apesar de ele próprio não os ter podido utilizar por não terem ainda um
desenvolvimento metodológico suficiente.
Se nos fosse pedido para resumir a atitude de Sechenov, fá-lo-iamos dizendo que a
sua psicologia se fundamenta nos seguintes princípios:
1. Dentro da sua orientação psicofisiológica Sechenov defende que toda a
actividade psíquica se pode reduzir a movimentos musculares, e que, por muito
elevada que seja esta actividade, ela exprime-se sempre por manifestações
externa. Escreve assim: «Toda a infinita diversidade das manifestações da
actividades do cérebro pode, em última instância, ser considerada um único
fenómeno do movimento muscular. Quer uma criança ria perante os seus
brinquedos, quer Garibaldi sorria ao ser perseguido pelo seu excessivo

Página
5
patriotismo ou que Newton enuncie leis universais e as transcreva para papel
onde quer que seja, a manifestação é movimento muscular.»
Não vale a pena dizer que este princípio formuula uma clara opção em favor do
já citado materialismo.
2. Qualquer reacção do organismo, quer fisicológica quer psíquica, quer
consciente quer inconsciente, são actos reflexos.
Para Sechenov não há, portanto, activividades psíquicas que não seja reflexa,
que não seja resposta a uma estimulação do meio ambiente. Insistimos em que é
qualquer, isto é, incluindo até o pensamento mais subtil ou a actividade inteligente
mais refinada. É conveniente que o leitor fixe bem este ponto, pois trata-se de um
ponto básico para compreender Pavlov e, em geral. Toda a psicologia moderna, a
qual, em definitivo, vai tomar este princípio a Pavlov. Ao dizer-se que toda
actividade psíquica é reflexa não deve o leitor pensar no acto ou resposta
automático, involuntário e isolado que se verifica na perna quando esta é
adequadamente percutida na zona do joelho. Antes do mais e sobretudo deve pensar
é que a conduta humana é sempre resposta ao meio ambiente. Interno e externo. Que
a nossa conduta depende radicalmente do meio ambiente que a estimula, e que a
pura espontaneidade é, por conseguinte, uma quimera. É este e não o outro o
princípio que Sechenov assenta. É este e não outro o princípio básico que Pavlov
introduz na psicologia quando, e consegue-o , condiciona os nossos
comportamentos e condutas manejando adequadamente os estímulos do meio
ambiente.
Por tudo isto, é evidente que a orientação reflexológica que Sechenov imprime a
sua psicologia marca, ao mesmo tempo, um forte ambientalismo.
Dizer que a nossa conduta reflexa é, também dizer que depende do meio
ambiente. Sechenov aceita explicitamente que existem diferenças e peculiaridades
que radicam no sistema nervoso nervoso e que são inatas mas, ao mesmo tempo,
afirma que «999 por 1000 dos cteúdos mentais» dependem da educação.
3. A Psicologia de sechenov é associacionista, isto é, parte do princípio de que a
actividade psíquica, por muito complexa que possa ser, pode decompor-se em
elementos simples de cuja associação surgui. Recordar-se-á o leitor que o
associonismo inglês se tratava de um associacionismo mental. O
associacionismo de Sechenov, e nisto também a psicologia de Pavlov o vai
seguir, é um associacionismo reflexológico, isto é, considera o reflexo o
elemento básico a partir do qual surge a associação. Diz Sechenov que: «Uma
associação é associação é uma série ininterrupta de contactos do final de cada
reflexos precedente com o começo do seguinte. O final de um reflexo é sempre
um movimento; e um movimento é sempre acompanhado de sensações
musculares…»

1.4. Influência histórica de Sechenov


A primeira coisa em que devemos assentar é que Sechenov não é uma figura de
primeiro plano no campo dea fisiologia e muito menos, no da psicologia. Sem
pretendermos diminuir a sua importância, o seu verdadeiro lugar num curso de
psicologia é-lhe dado pela função histórica que desempenha. Talvez se pavlov não
tivesse chegado a ser o que foi, o nome de Sechenov não aparecesse nas histórias da
psicologia.

Página
6
O méritohistórico de Sechenov foi ter introduzido a reflexologia na Rússia, pais
onde, gracas as investigações de pavlov e também de Becheterev, alcançou o seu ponto
culminante. Fora da Rússia , a verdade é que o seu nome mal chegou a ser conhecido:
apenas alguns psicólogos franceses se lhe conferem. Com os seus escritos e asua
docência Sechenov promoveu uma psicologia objectiva que analisa, de um ponto de
vista determinista e reflexológico, aquilo a que actualmente chemamos comportamento.
Oleitor deve ter presente que enquanto Sechenov levava a cabo esta tarefa os psicólogos
ocidentais se ocupavam ainda do estudo da consciência por meio da introspecção. Em
resumo: Sechenov preparou o caminho para a reflexológia de Pavlov e Bechterev e para
a investigação da actividade nervosa superior o comportamento pelos psicólogos e
psicofisiólogos russos.

1.5. Vida e Obra (Ivan Pavlov)


Independentemente do espaço proporcional que dediquemos a este tema, da
capacidade ou brilho com o que o desenvolvamos, da expressão que o leitor receb,
desde já e para sempre queremos deixar bem claro o seguinte: Pavlov é uma figura
impar na história da psicologia, um dos autênticos pais da psicologia científica, e um
dos seus marcos fundamentais.
Ivan P. Pavlov (1849-1936) nasceu em Riazan, filho de um sacerdote ortodoxo de
origem campesina. Recebeu a formação secundária no seminário da sua cidade natal,
onde sentiu, já, um vivo interesse pelas ciências naturais, muito marcadas então pelo
cunho de Sechenov. Empreendeu os seus estudos universitários na faculdade de
Ciências da Univerdidade de Sampetersburgo, cuja a tmosfera se encontra igualmente
carregada pelos ventos Sechenovianos que, sem dúvida nenhuuma deixam vestígios em
Pvlov. A fisiologia animal seria a materia central dos seus estudos.
Doutorou-se em medicina, sem intenções profissionais, mas porque deste modo
poderia aceder a docência universitária da fisiologia. Depois da obtenção dod
doutouramento dedicou-se do doutoramento dedicou-se intensamente a investigação e
conseguiu uma bolsa para ampliar a sua formação no estrangeiro. Durante 1884 e 1886
visitou berlim e estudou com Ludwing em Lípsia e com Heidehain em Breslau. Depois
de voltar a sampetersburgo trabalhou na investigação da digestão, investigação essa
quue o conduziria a conquista do prémio Nobel de fisiologia em 1904, e à descoberta
dos nervos secretores do pâncreas.
Finalmente, em 1890, foi nomeado professor de farmacologia na academia médica
militar de sampetersburgo e, um ano mais tarde, professor de fisiologia, cargo em que
parmeneceu até 1924.
Foi nomeado membro da academia Russa das Ciências em 1907, chegando, pouco
mais tarde, a director do instituto de fisiologia desta academia,até ao ano de 1936,
quando morreu.
Foi durante a suainvestigação sobre a digestão que se deparou com oproblema do
condicionamento, precisamente ao observar que os seus cães experimentais segregavam
saliva antes que se lhes depositasse comida na boca e pelo simples facto de ouvir as
passadas dos ajudantes de laboratório que lhe traziam a comida. No começo do século
abandonou as suas investigações sobre digestão e decidiu dedicar-se ao estudo
experimental desse fenómeno da salivação, do ponto de vista fisiológico.

Página
7
Em 1903 realizou-se, em madrid, o Congresso internacional de medicina, no qual
esteve presente Pavlov, que trazia uma importante exposição: « A psicologia e a
psicopatologia» Experimentais nos Animais.» Seria a primeira comunicação pública
sobre o grande tema pavloviano, isto, é, sobre os reflexos condicionados, ou
condicionamento. A partir desta altura Pavlov não abandonaria este trabalho até ao fim
dos seus dias. O seu trabalho seria um modelo de precisão experimental, de método
objectivo, de manipulação conscienciosa e sistemática de todo o tipo de variáveis.
Talvez seja o aspecto metodológico aplicado pela primeira vez com este rigor ao
comportamento, à «actividade nervosa superior», por muito simples que seja o
comportamento de salivar que mais tenha influênciado a posterioridade.
Para além deste aspecto, é de salientar o esforço contínuo em definir e afeiçoar com
precisão uma série de conceitos; reforços; extinções; recuperação espontânea;
generalização; descriminação; etc. todos esses conceitos que constituem o
condicionamento e que, considerados no seu conjunto, constituem um legado teórico e
metodológico incomparável.
Pavlov foi um trabalhador e um escritor, e também um conferencista incansável,
mas a suas idéias não cristalizaram numa grande obra sistemática. Para as conhecer
temos de recorrer ás suas conferências e aos artigos. Felizmente, tanto durante a sua
vida quanto depois da sua morte, complicações e antologias não faltaram na maior
partedas línguas ocidentais. Perante a variedade destas complicações e a diversidade de
critérios seguidos na sua confecção, e dada a importância transcendental de Pvlov na
História da psicologia, decidimos fazer algo que não tinhamos feito até agora: dar uma
conferência sobre as principais publicações de Pavlov e sobre Pavlov (em línguas
castelhana, como toda a bibliografia citada em todos os temas; no final da publicação
será inserida uma bibliografia das publicações existentes em português). Os artigos ou
conferências de Pavlov, em castelhano, serão encontrados nas seguintes obras:
 Actividade nervosa superior. Barcelona, 1973.
 Fisiologia e psicologia. Madrid, 1968.
 Psicologia e psiquiatria. Madrid, 1967.
Sobre a obra de Pavlov pode socorrer-se dos seguintes textos:
 H. CUNY: Ivan P. Pavlov e os reflexos condicionados. Madrid, 1963.
 Y. P. FROLOV: A actividade cerebral. Buenos Aires, 1964.
 A. COLODRON: Amedicina córtico-visceral. Madrid, 1969.
Depois desta panorâmaica da vida e das investigações de Pavlov estamos em
condições de lhe oferecer uma breve síntese do seu sistema e do seu método, que, como
facilmente se compreenderá constará com os temas de Psicologia Geral dedicados ao
condicionamentoe à aprendizagem em geral.

1.6. O condicionamento
Qualquer estudante ou pessoa interessada na psicologia conhece o facto básico do
qual partiu o estudo do condicionamento de Pavlov. Um cão segrega saliva se se lhe põe
comida na boca.
Se antes de apresentar a comida ou simultaneamente fizermos soar um som e
repetirmos esta operação várias vezes, chegará um momento em que o simples ruído

Página
8
será capaz de provocar salivação. Um estímulo ao qual era indiferente o organismo no
que diz respeito à resposta considerada (a salivação), converter-se-à em estímulo eficaz
pelo facto de ter sido apresentado contiguamente com estímulo incondicional (a
comida). Esse estímulo o som converteu-se num estímulo condicional.
A salivação segregada antes a apresentação do som converteu-se numa resposta
condicionada. Portanto, um estímulo associado previamente à alimentação do animal
(da mesma forma que escolhemos o som poderíamos ter escolhido a aproximação do
ajudante de laboratório, a cor da sua bata; o prato de comida ou uma luz) vai, em certa
altura, provocar uma resposta: A salivação.
Por outras palavras: baseado na experiência de situação anteriores o cão aprendeu,
foi condicionado, a esperar a comida antes que ela esteja presente: aprendeu, foi
condicionado, a emitir resposta antecipatórias precursoras à chegada efectiva da comida.
Estimulo visuais e auditivos, ou do outro tipo, converteram-se, assim em sinais da
comida, e Pavlov notou rapidamente que estes sinais preparativos deviam desempenhar
uma função importante na tarefa adptativa do animal ao seu meio ambiente.
O leitor dirá que, na realidade, o facto de um cão salivar nestas condições nada têm
de novidade e é mesmo tão velho quanto a vida. Efectivamente corresponde a
experiência universal de «sentir água na boca.» Têm o leitor toda a razão. Então qual é a
novidade dos estudos de Pavlov? Na realidade são duas coisas:
1. Ter dado ao facto a devida importância. Isto significa que Pavlov reconheceu,
com grande profundidade, que as respostas inatas de um organismo a que Pavlov
chamou incondicionais ou Reflexos incondicionais, como, por exemplo, salivar
quando as mucosas bucais entram em contacto com a comida, retirar a mão
quando nos queimamos, etc. são insuficientes na tarefa adaptativa deste
organismo; que esta tarefa exige a aquisição por condicionamento de outras
respostas aos estímulos variáveis e novos do meio ambiente. Pavlov reconheceu
ao mesmo tempo que a capacidade de aquisição de resposta condicionadas era
tanto maior quanto mais complexo era o organismo, sendo, evidentemente, que o
homem é o organismo com maior capacidade de condicionamento porque o seu
repertório de resposta inatas é, entre os de todos os outros animais, o mais
insuficiente de todos.
Deste modo, ao centrar-se no estudo do condicionamento como são correctamente
designados, afirmarem de uma vez por todas que o objectivo da psicologia não é a
consciência, mas sim a conduta ou comportamento, não terão mais que voltar a cara
para Pavlov. Nele se encontra aquilo que mais necessário é para que um conhecimento
se torne ciência, um método objectivo e experimental, aplicado ao estudo dos reflexos
condicionados ou condicionamento.

1.7. Psicologia e Fisiologia


Um dos factos mais paradoxais da história da psicologia é que tenha sido um
fisioólogo um dos seus grandes pais e criadores. Porque ainda que seja verdade que
Pavlov se entregou comum entusiasmo sem limites ao estudo dos reflexos
condicionados, os quais, factos de comportamento que são, pertencem a Psicologia, não
é menos certo que sempre o fez com intenções e propósitos fisiolígicos. O que,
verdadeiramente, interessava a Pavlov era a ainvestigação do sistema nervoso central
ou, como ele próprio dizia, da actividade nervosa superior.

Página
9
Pavlov pensava ser o estudo dos reflexos condicionados um excelente meio para
aceder ao funcionamento dos hemisfério cerebrais, e, mais concretamente, ao seu córtex
cerebral. Sabia que os reflexos incondicionais e que os condicionantes dependiam do
córtex cerebral e a partir daqui em preendeu a tarefa de atingir o conhecimento dos
conhecimento dos mecanismo do córtex, por via do conhecimento das leis que regem a
aquisição e o funcionamento dos reflexos condicionais. Ou seja, em vez de recorrer aos
métodos anatómicos, químicos, de extirpação, electrónicos, etc, para o estudo do córtex
em grande parte porque no seu tempo ainda não estavam muito desenvolvidos optou por
caminho indirecto de acesso ao córtex: O caminho dos Reflexos.
Ou, por outras palavras: Pavlov estudou o funcionamento do córtex mas fê-lo
indirectamente.
Encontrou as leis que regfem a formação dos reflexos, a sua extinção, a sua
generalização, a sua descriminação, a sua recuperação espontânea, etc, o que é algo
directamente comportamental e, por conseguinte, psicológico e a partir daqui inferia
algo que, claro, não observava directamente: O modo como funcionam os hemisférios
cerebrais.
Consequentemente, se o leitor ler Pavlov encontrar-se-à, sem o saber, como dois
tipos de conceitos: Um de carácter psicológico comportamental e outro de carácter
fisiológico. Entre os primeiros encontram-se os já citados: Reflexos condicionados,
extinção, recuperação espontaêa, generalização, reforço, etc. Entre os segundos:
Excitação, inibição, indução, conexão, erradicação, concetração, etc. Então temos que o
que Pavlov observa directamente é a forma como um cão adquire uma resposta
incondicinada ao serem-lhe apresentados, em determinada ordem, os estiímuloslos
correspondentes. Ao fazer isto, Pavlov situa-se em terreno estritamente comportamental.
No enquanto, ele não se conformou com observar a aquisição dos reflexos. Quer ir mais
além. Quer saber quais são os mecanismo que regem o funcionamento do córtex
cerebral. Entã, em vez de os observar directamente, o que regemo funcionamentodo
córtex cerebral. Então, em vez de os observar directamente, o que vai fazer é interferir,
a partir do modo de formação das respostas condicionadas, o modo de funcionamento
do córtex cerebral. Neste caso concreto Pavlov dirá: A formação dos reflexos
condicionados supõe que no córtex não só se dêem mecanismo de condução mas
também de conexão. Deve ter-se bem presente que, quando se mencina a conexão,
estamos a mover-nos em outro nível e que é o que mais interessava a Pavlov: O nível
psicofisiológico. Coisas semelhantes poderíamos dizer dos outros conceitos
mencionados.
Por exemplo ele observou quando e em que condições se extingue uma resposta
condicionada, encontramos-nos no plano comportamental que concerne a psicologia. A
partir daqui Pavlov infere que no córtex teve de se desenvolver um processo de inibição;
encontramo-nos já no plano psicofisiológico.
O que é paradoxal é que Pavlov é umautor ultrapassado naquilo que
verdadeiramente o interessava, o psicofisiológico. Isto porque actualmente os cientistas
dispõe de métodos de observação directa do córtex, muito mais exactos e objectivos que
as inferências pavlovianas. O facto de a psicofisiologia contar actualmente com métodos
de observação muito apurados (Químicos, extirpatórios, electrónicos, etc.) e que não
tenha de se apoiar exclusivamente na análise do comportamento, como ocorria com
Pavlov, reflecte-se, por outro lado, no facto de se ter a Psicofisiologia tornado um ramo
da ciência com a sua própria autonomia.

Página
10
No entanto, naquilo em que Pavlov é realmente, um marco histórico e, neste
sentido, possui um valor permanente, é no que concerne o seu estudo do
condicionamento.
E isto tanto por ter sido o criador de um problema do condicionamento a quando
das suas investigações sobre a digestão, ao observar a salivação dos cães.
A sua primeira comunicação sobre «Psicologia e psicopatologia experimentais
nos animais» foi apresentada em Madrid em 1903.
As características principais dos seus trabalhos são o rigor e a objectividade,
juntamente com o manejo sistemático de todo o tipo de variáveis.
Depois de longos trabalhos, Pavlov concluiu que os reflexos incondicionais são
insuficientes para a adaptação do organismo ao meio, pelo que o organismo necessita de
outras respostas adquiridas por condicionamento.
Além disso estabeleceu que a capacidade de aquisição de resposta condicionadas
é maior quanto mais complexo é o organismo.
Ao centrar-se no tema dos condicionamentos, Pavlov abre uma das áreas mais
importantes da Psicologia, a da aprendizagem. A aprendizagem implica que o
comportamento do organismo dependedo meio ambiente e para controlar o
comportamento é necessário controlar o meio.
Pavlov rejeitou o método introspeccionista da consciência por considerar que ele
era pouco científico e optou pelo controlo absoluto dos estímulos e pela meditação
rigorosa das resposta, sendo disto boa amostra as suas experiências em que chegou a
medir salivações de um décimo de gota de saliva.
O estudo dos reflexos não foi uma meta para Pavlov, mas sim um meio de
investigação fisiológica sobre o funcionamentodo cortéx cerebral. Pavlov foi, antes do
mais, um fisiólogo.
Realizou trabalhos importantíssimos sobre os analisadores ou mecanismo
nervosos entre o aparelho sensorial e o cérebro, que tanto contribuíram para o
desenvolvimento da medicina psicossomática.
Chegou a um nível considerável no estudo dos processos fisiológicos próprios das
neuroses e das psicoses e interessou-se pela linguagem, embora não tenha chegado a
investigar seriamente este assunto.

1.8. A reflexologia mecanicista de Vladimir M. Bechterev


Embora um pouco ensombrecida pela figura de Pavlov, não carece de relevo
histórico a obra do psicólogo russo, contemporâneo daquele, V. M. Bechterev (1857-
1927). Seja como for, a sua perspectiva da psicologia ajudou muito a que oreflexo
condicionado se tornesse, durante algum tempo, o elemento central e básico da
psicologia, sobretudo devido ao influxo que a reflexologia de Bechterev viria a exercer
no behaviorismo (condutismo) americano nascente, e, mais particularmente, sobre
Watson. Por outro lado, não é necessário insistir no facto de a obra de Becheterev partrir
de raízes semelhantes ás de Pavlov, isto é, da fisiologia de Sechenov e do espírito
materialista e reflexológico dela derivado. No entanto, apesar deste traços comuns, há
uma diferença que marca claramente a separação entre os sistemas de Pavlov foram,

Página
11
sempre, fundamentalmente psicofisiológicos e neurais, enquanto os de Bechterev foram,
antes de mais nada, psicológicos e ecomportamentais, mesmo sendo o seu sistema
materialista e mecanicista.
Bechterev formou-se em medicina em 1881 e depois de, em 1882, publicar As
correntes nervosas no cérebro e na medula espinal, viajou dois anos mais tarde a Europa
Ocidental para visitar o psiquiatra Charcot e o fisiólogo Bois-Reymond.
Não menos importante é o tempo que passou em Lípsia (1885-1886), com Wundt,
que influiu consideravelmente no psicólogo russo. Quando, precisamente, se encontrava
em Líspia, recebeu a nomeação para professor de psiquiatria na Universidade de Cazã.
Aí estabeleceu o primeiro laboratório russo de psicofisiologia e uma clínica psiquiátrica.
Em 1893 começou a desempenhar a sua a tarefa de docente investigador em
Sampetersburgo, onde organizou um segundo laboratório e fundou uma revista de
psiquiatria, neuropatologia e psicologia experimental. Seria a primeira revista, no seu
país, a usar, entre os seus títulos, o termo Psicologia Experimental.
Devemos dizer que, em sentido estrito, Bechterev foi o pioneiro da psicologia
experimental na Rússia. Trouxe a psicologia Wundtiana para este país, embora
começasse, imediatamente, a criticar os seus princípios por a considerar pouco objectiva
e científica. Consequentemente retirou imediatamente dos seus programas tudo o que
implicasse a introspecção. Substituiu-a pelo Reflexo associativo que é a mesma coisa
que Pavlov designa por reflexo condicionado como factor básico e fundamental do que
ele pensava que teria de ser uma psicologia objectiva.
Distantes de Pavlov, que trabalhou sobre tudo com as glândulas salivares, Bechterev
levou a termo grande quantidade de experiências com o objectivo de apresentar o
reflexo associativo.
Esta esperiências desenvolcviam-se em muitas áreas, especialmente na área motora.
Precisamente por isto, Watson e os comportamentalistas (behaviorista) fixaram-se, no
princípio, mais em Bechterev do que em Pavlov, uma vez que aquele se interessava
mais pelo aspecto muscular do que pelo glandular. Uma experiência típica de Bechterev
consistia em aplicar uma carga eléctrica na pele. Este estimulo provoca, evidentemente,
uma resposta negativa de defesa. Ora, se juntamente com o estímulo neutro, chegará um
momento em que o estímulo neutro provocará, ele próprio, uma resposta de defesa, de
retirar a parte do organismo afectada inicialmente pelo estimulo eléctrico.
Como o leitor pode constatar, trata-se de um reflexo condicionado, na terminologia
de Pavlov, mas aplicado a outros âmbitos ou áreas.
O que destingue Bechterev é o seu afã especulativo e os seus constantes intentos de
criar um sistema psicológico completo, a chamada psicologia objectiva,
verdadeiramente materialista, não só no aspecto de evitar qualquer tipo de interpretação
subjectivista ou introspeccionista, mas também no de defrontar a debatida questão das
relações entre a alma e o corpo de uma maneira absolutamente radical, coisas que
Pavlov nunca fez. A solução que deu ao problema o qual é, além de psicológico,
filosófico e especulativo foi de tipo monista-materialista, reduzindo tudo o que fosse
manifestação psíquica a um simples processo de energia física, único tipo de realidade
último aceite por Bechterev. Matéria e corpo, psiquismo e alma, são, para ele, em última
análise, manifestações da mesma energia física, de carácter mecânico.

Página
12
1.9. Panorama Geral Da Psicologia Na Rússia
1.9.1. Psicologia Tradicional e tendências Pós-revolucionárias.
Ao mesmo tempo que Pavlov e Bechterev cada um na sua óptica cultivavam
uma psicologia objectiva baseada nos reflexos, não faltavam na Rússia alguns
psicólogos fiéis à linha que imperrava no resto da psicologia continental, que não
era outra senão a de wundt. A cintar alguns nomes, mencionaríamos Nechaev,
Spielrein, Uznadne e, sobretudo, G. I. Chelpanov (1862-1936), o maior expoente da
psicologia de wundt e Titchener, os quais visitou na Alemanha e nos Estados
Unidos, respectivamente. Publicou um texto de psicologia experimental e fundou
uma revista de psicologia. No entanto a orientação de Chelpanov não estava isenta
de um certo cunho filosófico tradicional.
Em geral pode dizer-se que a Psicologia mais ou menos tradicional, com o seu
tom experimentalista wundtiano se desenvolvia sobretudo nas universidades,
enquanto a psicologia experimental prática e aplicada o fazia nas clínicas
psiquiátricas como as de Bechterev, Korsakov ou Rossolimo. Esta situação não
tardou em desembocar num importante conflito: Chelpanov e outros defendiam os
laboratórios e coarctavam a psicologia prática desenvolvida nos laboratórios
psiquiátricos; os psiquiatras, com Korsakov á cabeça, ressaltavam os seus êxitos
experimentais e negavam-se a aceitar aquela coarctação pelo simples facto de os
seus laboratórios não estarem adscritos ás Faculdades de de Filosofia. Na verdade o
que estava em causa era o futuro da psicologia como ciência natural. A Psicologia
defendida por Chelpanov e pelos seus colegas, apesar da sua perspectiva wundtiana,
encontra-se ainda dentra de esquemas filosóficos. Pela contrário, os seus opositores,
de formação médica e naturalista, representavam uma concepção da psicologia
como autêntica ciência natural. A verdade é que a discussão acabou em 1917 com a
Revolução, mas não é menos verdade que a maior estatura científica de Bechtterev,
korsakov, Lazursky, etc., todos eles excelentes naturalistas, contribuiu muito para o
estabelecimento da psicologia como ciência natural na Rússia já antes de 1917.
Depois da Revolução a Russia viveu passe a redundância –uma autêntica
revolução ideológica: condenaram-se todos os tipos de idealismo e passou a cre-se
numa ideologia materialista. Tudo isto implicou uma ampla discussão acerca do
alcance da Filosofia marxista paea a psicologia marxista, para a psicologia, que
terminou no projecto de uma nova psicologia marxista, a cargo de alguns psicólogos
ressos que tentavam acomodar o seu pensamento ao pensamento introduzido pela
Revolução. Chelpanov ainda tentou salvar a psicologia tradicional wundtiana,
argumentando que não era incompatível com os princípios do materialismo
dialéctico. No entanto os seus esforços foram infrutíferos, e a sua psicologia foi
denunciada como sendo «idealista» e « metafísica». Bechterev aproveitou o
momento para atacar mais uma vez a referida psicologia e para tentar substituí-la
pela sua reflexologia mecanicista. Entretanto Pavlov, ideólogo e militante,
permanecia fiel ás suas investigações sem muitas procupações em agradar aos
ideólogo revolucionários, quenão tinham lá muita confiança nele.
Apesar de tudo, não se deve pensar que as coisas estiveram, no princípio, muito
claras. Sabia-se, desde logo, quue a nova psicologia tinha de estar de acordo com o
materialismo dialéctico mas pouco mais. Não era fácil traçar uma concepção da
psicologia neste sentido. Na altura, a única coisa que estava assente era que a
psicologia devia substituir oestudo da consciência pela investigação materialista do

Página
13
comportamento, o qual, dentro de todo o contexto russo que já conhecemos, e que
parte Sachenov, preeupunha ao mesmo tempo o desaparecimento das fronteiras
entre a psicologia e a psicofisiologia.

1.9.2. A reactologia de Kornilov


O primeiro sistema formal de psicologia dialéctico-materialista foi apresentada
durante os anos 20 por Konstantin N. Kornilov (1879-1967), psicólogo experimental
e teórico que tratou de acabar, definitivamente, com a psicologia de Chelpanov e
com a reflexologia de Bechterev.
Kornilov chamou ao seu sistema «reactologia», uma vez que, depois de afirmar
que o marxismo não reduzia os processos psíquicos à fisiologia como propriedade
da matéria mais organizada, apresentou uma psicologia como estudo e teoria da
reacções do psíquicos no mundo material. Partindo da interacção do individuo com
o seu ambiente, a psicologia deveria investigar a conduto do organismo concreto nas
suas condições sociais concretas. A psicologia era considerada mais como ciência
social do que como ciência natural. Sem descurar o aspecto das reacções
fisiológicas, Kornilov, por fim, defendia que as reacções são determinadas
biologicamente, na sua forma, mas o seu conteúdo é social e económico, tal como o
homem é uma função da classe económica.
Em grande parte, o panorama da psicologia russa dos anos 20 é denominado pela
obra de Kornilov, de quem são discípulos Leo Vigostky (1896-1934) e Alexander R.
Luria (1902-…), sendo o primeiro famoso pelos seus trabalhos sobre linguagem e
pensamento, e o segundo talvez o psicólogo soviético mais importante dos nossos
dias e autor de importantíssimos livros sobre Neuropsicologia.
Não se pense, no entanto, que neste período a psicologia russa evoluiu
isoladamente. A psicologia ocidentale, concretamente, o jovem condutismo
americano fazem-se sentir claramente na ênfase dada a psicologia aplicada, tanto
industrial quanto educativa. A tendência condutista nota-se, igualmente, no
estabelecimento da pedologia, uma ciência em crescimentoda criança que integra as
descoberta e técnicas da psicologia clínica, da pedagogia, da fisiologia e da
sociologia infantil.
Os citados Vigostky e Luria, além de Leontiev (1903-…), trabalharam nesta área
e as suas obras sobre o desenvolvimento cultural da criança foram mais tarde citadas
como «as tendênciasprogressivas» na psicologia soviética dos anos 20. Por seu
turno, o próprio Kornilov, apesar do seu espírito teórico, favoreceu muito a
psicologia industrial e educativa.
A reactologia teve uma vida curta. Em 1931, e de acordo com publicações
recentes de Lenine, foi declarada não dialéctica e insuficientemente marxsta-
leninista. A fundamental razão alegada é a de que o homem é algo mais do que um
ser que reage. É um activo, a sua consciência desempenha um papel decisivo na
transformação de sí próprio e do seu ambiente. Esta declaração iria provocar uma
nova mudança, desta vez mais controlada pelo partido Comunista, cuja acção não
tinha, até então, sido asfixiante.

Página
14
1.9.3. Os anos 30 e 40
A teoria de Lenine, exposta em (1929-1930), sobre a vida psíquica como reflexo
da realidade, teve um influxo decisivo no desenvolvimento posterior da psicologia
russa. Embora tenha estimulado o estudo da sesação e da percepçãoe, em geral, do
tema da consciência, o facto é que, a partir de então, o partido comunista dificultou
grandemente o desenvolvimento da psicologia. O combate a reactologia e ao
condutismo são apenas uma amostra dessa actitude. A única coisa importante era a
«sovietização» da psicologia e a sua instrumentalização ao serviço da sovietização.
Assim, na área industrial, todo o esforço se concentrou, de acordo com as directrizes
económicas, no treino dos trabalhadores para aumentar o seu rendimento, na
educativa, uma coisa interessava sobre todas as outras: A criação de cidadão
soviéticos. No inicio dos anos 40 grande guerra mundial, os interesses foram,
sobretudo, militares (de resto não se pense que a instrumentalização ideológica e
política da ciência é exclusiva da Rússia): investigação sobre a vista e o ouvido,
treinamento de aviadores, etc. Também se cultivou a terapia pelo trabalho, as tarefas
de reabilitação.
Durante estes anos a figura dominantes foi S.L. Rubistein (1889-1960), cujos
textos foram os correntes até 1947. Os seus esforçoas teóricos dirigiram-se ao
perfeiçoamento da síntese teoria da consciência como reflexo da realidade com a
teoria marxista da consciência como manifestação das formas elevadas da matéria.
Pouco a pouco, depois do fim da guerra mundial, foi surgindo desejogeneralizado,
nos psicologia. Este desejo exprimiu-se em ataques à teoria de Rubistein, a qual era
considerada demasiado ocidentalizada, demasiado sofisticada para as massas, e
demasiado abstracta para o estudo concreto dos cidadãos russos na escola e no
trabalho.

1.9.4. A psicologia soviética a partir dos anos 50


Os novos ares desejados procediam de Pavlov. A volta de Pavlov é talvez, a
característica mais importante da psicologia soviética contemporânea. Uma vez que
depois do fim da guerra, Estaline ordenará a reorganização da ciência e da cultura
em todo país, a academia soviética de ciência médicas, reunidas conjuntamente de
28 de Junho a 4 de Julho de 1950, mostraram o rumo a seguir: a fisiologia, a
psicologia e a medicina deviam reconstituir-se segundo as linhas assinaladas por
Pavlov. Isto supunha, ao mesmo tempo, a adição de Pavlov á lista das grandes
autoridades: Marx; Engels e Lenine, com cujas teorias foram inter-relacionadas e
correlacionadas as de Pavlov supôs uma verdadeira revitalização da psicologia na
URSS, e, sobretudo, da sua psicofisiologia. Os russos ocupam, actualmente um
lugar importantes em áreas tais como neurologia da aprendizagem, actividade
nervosa superior, linguagem, psicopatologia, interacção sensorial, etc. Neste sentido,
o esforço realizado nos últimos vinte cinco anos é notável. As revistas
especializadas russas apresentam progressos contínuos e os psicólogos soviéticos
têm sempre algo a dizer nos grandes congressos.
Por fim, se tivéssemos de indicar os grandes princípios da psicologia soviética
contemporânea, assinalaríamos os seguintes: Compressão dos fenómenos psíquicos
como processos cerebrais; determinação dos processos mentais pela interacção da
actividade nervosa superior com ambiente externo; a consciência como reflexo
subjectivo da realidade objectiva ou externa; a consciência do homem constitui uma
unidade com a sua actividade; a consciência hmana desenvolveu-se no processo

Página
15
histórico do desenvolvimento social humano; a psicologia, uma vez que a teoria e a
prática não se podem separar, deve contribuir para a constituição do estado
socialista através da educação, da melhoria das condições de trabalho e produção e
da protecção de saúde do cidadão.

Página
16
CONCLUSÃO
Vladimiro M. Bechterev, contemporâneo de Palov, partiu, como esta, da
fisilogia de Sechenov. Influiu notavelmente no condutismo americano, especialmente
atraveés de Watson.
Enquanto Pavlov foi fundamentalmente um fisiologista, Bechterev foi um
psicólogo que se interessou pela conduta na Rússia, aonde difundiu as doutrinas de
Wundt, que logo condenou, por serem pouco científicas.
Considerou como factor basico de uma psicologia cientifica o reflexo
associativo, que é o mesmo que o reflxo condicionado de Pavlov. Os seus trabalhos na
área motora atrairam a atenção dos condutistas americanos.
Bechterev distingue-se sobretudo pelo seu afã especulativo e os seus
incenssantes intentos de cria uma Psicologia objectivas levaram-no a levatar, de novos,
a questão das relações entre o corpo e a alma, questão que resolveu reduzir a simples
processo de energia fisica todas as manifestações psiquicas.
A psicologia tradicional na linha de wundt foi cultivada por homens insignes,
contemporâneos de Pavlov e Beachterev, o maximo representante Chelpanov, cujos
trabalhos apresentam o cunho filosófico tradicional.
A psicologia tradicional na linha de Wundt foi cultivada por homens insignes,
contemporâneos de Pavlov e Bechterev, sendo o máximo representante Chelpanov cujo
trabalhos apresentam o cunho filosófico tradicional.
A psicologia tradicional desenvolvia-se, sobretudo, nas universidades russas,
enquanto as psicologias experimental, prática e aplicada se desenvolviam em clínicas,
psiquiatricas, chegando a haver sérios conflitos entre ambas as escolas. Por volta de
1917, homens como Bechterev, Korsakov e Lazursky tinham conseguido o
estabelecimento da psicologia como ciência natural. Depois da Revolução crio-se uma
psicologia materialista e, acto contínuo, depois de muitas discussos, uma psicologia
marxista, sendo a psicologia de Chelpanov declarada idealista e metafísica.
Pavlov, mais cientifico, prosseguia, entretanto,as investigaçções se preucupar em
agradar os ideologos revolucionarios.
Na decada de 20,kornilov acabou com a pscologia de chelpanov e com a
reflexologia de Becherev mediante a sua reactologia, ou Estudo ou estudo das reações
do psquismo ao Mundo matérial.
Defendia que as reações estão determinadas biologicamnete na sua forma, mas o
seu coteudo seria social Economico..
Dos seus disciplos destaca-se Leo Vigosky pelos seus trabalhos sobre o
pensamento e a linguagem e também alexander R.Loria, autor de importatissimos livros
sobre Neuropscologia ambos trabalharam na área da pedologi e o seu mestre favoreceu
o desenvolvimento da pscologia industrial e da pscologia da educação.
Em 1931 reactologia foi declarada insuficietemente marchita em virttudes de
certas publicações de Lenine.
Ao tratar de instrumentralizar a pscologia, o partido comunista entravou o seu
desenvolvimento.

Página
17
A figura cimeira dos anos 40 foi S. R. Rubinstein, que se esforçou por seguir a
sintesi da teoria da conciêcia como reflexo da realidade com a teoria da conciêcia como
manisfetação de formas elevadas da matéria. O seu intento foi considerado
ocidentalista, sufisticado e anapto para o cidadão Russo na escola e no Trabalho.
Até 1950 iniciou-se a revitalização da pscologia com retorno a Pavlov que
incluido na lista das autoridades, como Marx,Engels, Lenine,etc.
São importantes os trabalhos levados a cabo na URSS sobre neuropscologia da
apredizagem, actividade nervosa, superior, línguagem, pscopatologia,
interação,sensorial,etc. As revistas especializadas no Mundo inteiro fazem eco dos
sucessos obtidos.

Página
18
REFERENCIA / Bibliográfia consultada

Profª Bernardo, Arminda - Manual de apoio de “história da psicologia”


2018

Página
19