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Transcrição da aula do dia 02/11/2020 – Professor: Douglas Nassif Cardoso

Teologia 4
Módulo: História dos Cristianismos Modernos e Pneumatologia
Tema: História dos Cristianismos Modernos II – As Reformas do Século XVI

BLOCO 01
Fala do Professor Douglas: Sejam bem-vindos à nossa teleaula! Hoje estaremos em
nosso segundo encontro do Módulo de História dos Cristianismos Modernos e
Pneumatologia. Sou o Professor Douglas Nassif Cardoso e estarei conversando com
vocês sobre o nosso tema: “As Reformas do Século XVI”.
Fala do Professor Douglas: Os objetivos que temos para a aula de hoje são: 1)
Elaborar um quadro geral das principais correntes e tendências de reforma da igreja
atuantes no Século XVI; 2) Distinguir suas características e ênfases peculiares, bem
como reconhecer os aspectos que partilham em comum.
Fala do Professor Douglas: Podemos classificar as Reformas do Século XVI em seis
pontos, são eles: Projeto Humanista; Tradição Reformada; Reforma Inglesa; Reforma
Luterana; Reforma Radical; Reforma Católica.
Fala do Professor Douglas: O Projeto Humanista não é uma reforma, pois não gera
uma igreja. Mas, talvez seja, dentre os diversos projetos de reforma, o mais interessante
no sentido de municiar, de abastecer os outros projetos.
Fala do Professor Douglas: A Reforma Luterana, que é um marco referencial, é o
primeiro tópico que nos chama atenção na tradição reformada.
Fala do Professor Douglas: Depois, temos a Tradição Reformada propriamente, que
são as reformas efetuadas na Suíça.
Fala do Professor Douglas: Depois, tivemos a Reforma Radical, que de certa maneira
os “Ana Batistas” possuem uma ligação muito grande com a Tradição Reformada, pois
eles surgem na Tradição de Zurique, na Suíça.
Fala do Professor Douglas: Tivemos a Reforma Inglesa, totalmente diferenciada das
outras, pois foi uma reforma que surgiu dentro de uma dinastia.
Fala do Professor Douglas: E tivemos também a Reforma Católica, também chamada
de “Contra Reforma”...
Fala do Professor Douglas: Na nossa proposta de aula, iremos colocar dois temas em
cada parte de nossa teleaula. Neste primeiro bloco, iremos trabalhar com os “Projetos de
Reforma Humanista e de Reforma Luterana”. Vejamos:
Fala do Professor Douglas: “Projeto Humanista” – O Humanismo surgiu na
Renascença, entre os Séculos XIV e XVII, quando ressurgem ideias e valores da
Antiguidade clássica e modifica-se a cosmovisão medieval. Seu maior expoente foi
Erasmo de Roterdã (1469-1536). Quando a gente vê essa palavra “Renascença”,
podemos falar que é um “renascimento” de elementos antigos. Os Séculos XIV e XV,
foram séculos de muitas mutações... Na aula passada, nós falamos que desde o Século
12, existe manifestações claras em prol de uma reforma que não estava condicionada
somente ao movimento religioso, pois havia o elemento político, econômico, havia o
elemento social e cultural e dentro do cultural, havia o elemento religioso... Vimos os
elementos anti-eclesiásticos, movimentos de pobreza apostólica, e por fim, vimos o
movimento das universidades... De certa maneira, esses movimentos apesar do longo
tempo que eles surgem, eles vão sobrepondo ideias e deixando o ideal da reforma mais
visível no Século XVI... O ideal da cultura era o da antiguidade clássica e com isso
conseguiram abrir a cosmovisão que havia na Idade Média com novas propostas. O
maior expoente do Projeto Humanista, como dito acima, era Erasmo de Roterdã.
Fala do Professor Douglas: Erasmo de Roterdã – Nasceu em 27 de outubro de 1469,
em Roterdã. Recebeu aprimorada educação até a morte dos pais, em 1483. A seguir, sua
educação ficou a cargo de mosteiros até que ingressou em um convento agostiniano. Ele
declinou da vocação sacerdotal, optando pela docência. Tornou-se escritor de renome.
Retornando da Inglaterra, publica, em 1500, os Adágios, coleção de citações latinas e
provérbios comentados, que obteve grande aceitação. Em 1502, Erasmo de Roterdã
publicou o “Manual do Militante Cristão”, contra as cerimônias vazias da religião. Em
1509, editou sua obra principal: “Elogio da Loucura”, onde propõe reformas e costumes
da igreja, atacando suas superstições e excessos. Em 1516, Erasmo de Roterdã editou os
estudos de São Jerônimo sobre o Antigo e o Novo Testamento. No mesmo ano,
publicou o texto grego do Novo Testamento. Em 1524, editou “De Libero Arbítrio” (Do
Livre Arbítrio), ponto de ruptura com Lutero. Entre 1522 e 1530 publicou obras
patrísticas. Erasmo de Roterdã morreu na Basiléia, Suíça, em 12 de julho de 1536.
Fala do Professor Douglas: O segundo nome que iremos ver é Martinho Lutero... Ele
nasceu em 10 de novembro de 1483, na cidade de Eisleben, na Alemanha. Aos 18 anos
começou a frequentar o curso de Direito na Universidade de Erfurt. Em 1505, ingressou
no convento agostiniano. Lutero completou seus estudos em 1512 e foi enviado para
Wittenberg. Em 1517, desafiou, com as 95 teses, a prática de vendas de indulgências,
promovida por Johann Tetzel, representante do papa Leão X. Com a fixação das 95
teses, inicia-se o processo de ruptura com a igreja oficial. Em 1518, Frederico, eleitor da
Saxônia, apoiou Lutero. Em 1519, Lutero participou de debate em Leipzig. Em 10 de
dezembro de 1520, ele queima a bula de ameaça de excomunhão. Lutero foi convocado
a Worms, no início de 1521, onde apresentou a defesa perante o imperador Carlos V.
Nesta ocasião se dá a ruptura entre Lutero e a Igreja Oficial. Em Worms, no dia 18 de
abril de 1521, Lutero disse: “[...] A não ser que alguém me convença pelo testemunho
da escritura sagrada ou com razões decisivas, não posso retratar-me, pois não creio nem
na infalibilidade do papa, nem na dos concílios, porque é manifesto que frequentemente
se tem equivocado e contradito. [...] Fui vencido pelos argumentos bíblicos que acabo
de citar e minha consciência está presa na palavra de deus. Não posso e não quero
revogar, porque é perigoso e não é certo agir contra sua própria consciência. Que deus
me ajude”.
Fala do Professor Douglas: Pessoal... Vamos para um breve intervalo e daqui a pouco
voltamos para o nosso segundo bloco da aula de hoje, até já.
BLOCO 02
Fala do Professor Douglas: Voltamos pessoal... Neste segundo bloco de nossa aula de
hoje, iremos falar um pouco sobre os “Projetos da Tradição Reformada e da Reforma
Radical”, vejamos...
Fala do Professor Douglas: Como falamos na abertura de nossa aula, esses projetos de
Tradição Reformada, abrange as reformas do Norte e do Sul da Suíça e também a
Reforma Radical...
Fala do Professor Douglas: Tradição Reformada – Ulrich Zwínglio: Nasceu em
Wildhaus, na Suíça, em 1 de janeiro de 1484. Com 16 anos ingressou na Universidade
de Viena. Em 1504 recebeu o título de bacharel e, em 1506, recebeu o título de Mestre
em artes na Universidade da Basiléia. Zwínglio foi ordenado sacerdote na cidade de
Glarus, em 1506. Tornou-se contra o sistema de penitências e relíquias. Em 1519,
assumiu o sacerdócio da Catedral de Zurich, iniciando a reforma. Em 1520, Zwínglio
renúncia o recebimento da probenda (salário) da igreja. Em 1522, ele lança três livros:
“Liberdade do Jejum” (contra o jejum da quaresma); “Súplica” (contra o celibato
clerical) e “Archeletes” (contra a subordinação ao papa). Aqui, está se formando um
material teológico diferente da igreja oficial... Em 1523, Zwínglio lança 67 teses e
promove a Primeira e Segunda Disputa de Zurich. As reformas foram estabelecidas.
Zurich se tornou o primeiro estado protestante. Zwinglio morreu em campo de batalha,
em 11 de outubro de 1531. A produção teológica de Zwinglio não pode ser comparada
com a produção teológica de Lutero, pois Lutero morre em 1546. Mesmo assim,
Zwinglio nos deixou importantes contribuições teológicas.
Fala do Professor Douglas: O segundo nome que temos na Tradição Reformada é João
Calvino. Ele nasceu em 10 de junho de 1509, na cidade de Noyon, França. Filho de um
administrador da igreja de Noyon, Calvino recebeu, aos 12 anos, um benefício
eclesiástico para estudar, seguindo para Paris. Desde criança Calvino recebe a melhor
educação dada no seu tempo, principalmente pelo cargo que seu pai exercia na igreja.
Calvino formou-se bacharel e posteriormente concluiu doutorado em Direito, na cidade
de Orleans. Em 1535, fugiu da França, por convicções protestantes. Foi constrangido
por Farel a ficar em Genebra em 1536. De 1536 a 1538, Calvino iniciou a reforma
protestante em Genebra. Dado ao rigor das propostas, os dois reformadores franceses
foram expulsos da cidade. Calvino ficou em Estrasburgo por três anos. Retornou a
Genebra em 1541. A obra principal de Calvino foi “As Institutas da Religião Cristã”,
publicada em 1536. Ele se destacou como um reformador internacional, o único teólogo
sistemático, além de estabelecer interessante sistema de governo em Genebra. A missão
huguenote no Brasil, em 1557, foi enviada por Calvino. Em 1559, ele fundou a
Academia de Genebra, polo de formação e divulgação das doutrinas reformadas.
Calvino morreu em Genebra, no ano de 1564.
Fala do Professor Douglas: “A Reforma Radical” - Um terceiro grupo que está
colocado aqui na Tradição Reformada, é o grupo dos “AnaBatistas”. Os Anabatistas
fazem parte da Reforma Radical, pois rejeitavam a Igreja estatal e o batismo infantil.
Foram perseguidos por todas as tradições cristãs, pela igreja oficial e pelos movimentos
de reforma. Foram denominados de anabatistas, não havendo uma origem definida. Os
AnaBatistas surgem em Zurich, no tempo da reforma de Zwinglio (1523). Em 1525,
Conrado Grebel e Jorge Blaurock foram rebatizados em Zurich, iniciando perseguição e
confrontos. Os racionalistas rejeitavam doutrinas principais – a Trindade, a Cristologia e
a Soteriologia – rompendo com a tradição cristã aprovada nos quatro primeiros
concílios ecumênicos.
Fala do Professor Douglas: Dentro do movimento “AnaBatista”, os escatológicos ou
espiritualistas enfatizavam uma iluminação especial, mais importante que a revelação
bíblica. De 1532 a 1536, estabeleceram a Nova Jerusalém, na cidade de Munster.
Fala do Professor Douglas: O terceiro grupo dos radicais, denominados evangélicos,
enfatizavam a autoridade das escrituras e o discipulado. Em 1536, Menno Simons
organizou parte deste grupo a partir da Holanda, daí a designação menonitas.
Fala do Professor Douglas: Pessoal... Vamos para mais um breve intervalo e daqui a
pouco voltamos para o nosso terceiro e último bloco da aula de hoje, até já.

BLOCO 03
Fala do Professor Douglas: Vamos retornando para o nosso terceiro e último bloco da
teleaula de hoje... Neste último bloco, iremos falar um pouco sobre “A Reforma Inglesa
e a Reforma Católica”, vejamos...
Fala do Professor Douglas: “A Reforma Inglesa” – Dinastia Tudor: Algumas causas
da Reforma na Inglaterra: Influência dos Lolardos; Monarquia Tudor (Estado forte,
abertura à burguesia); Riqueza da Igreja Medieval; Influência do Humanismo e
Influência dos escritos de Lutero.
Fala do Professor Douglas: Podemos dividir a Reforma Inglesa em quatro etapas, são
elas: Reforma Política (Henrique VIII); Reforma Protestante (Eduardo VI); Reforma
Católica (Maria Tudor) e Reforma Anglicana (Elisabete I).
Fala do Professor Douglas: Reforma Política – De 1529 a 1536, com o Parlamento da
Reforma, acabou com o controle papal. Neste período, foram decretados os 10 artigos,
de inspiração protestante. Em 1539, com os Seis Artigos, retornando à doutrina católica.
Fala do Professor Douglas: Reforma Protestante – O Parlamento anula os Seis Artigos
e adota o cálice. Assim, o culto passa a ser em inglês, estabelecendo o “Livro de Oração
Comum” e os 42 artigos.
Fala do Professor Douglas: Reforma Católica – Maria Tudor desfez todos os atos de
Eduardo VI, só não conseguiu retornar as propriedades à Igreja Católica. Ela promoveu
perseguição aos líderes protestantes. Nesta época, formou-se uma igreja inglesa no
exílio.
Fala do Professor Douglas: Reforma Anglicana – Elisabete I priorizou uma igreja para
os ingleses, saindo da disputa entre protestantes e católicos. Ela mandou revisar a
confissão de fé, passando de 42 para 39 artigos. Elisabete I proclamou, em 1562, o Ato
de Uniformidade. Elisabete I tem um grande reinado, ficando de 1558 até 1603,
totalizando 45 anos de reinado. Até o final de seu governo, a igreja anglicana já está
estabelecida.
Fala do Professor Douglas: “A Reforma Católica” – Concílio de Trento: Também
chamada de Contra-Reforma, era aspiração antiga da Igreja, inclusive dos pré-
reformadores e reformadores protestantes.
Fala do Professor Douglas: A “Reforma Católica” foi motivada pelo abandono no zelo
pastoral, a excessiva secularização imposta pela Renascença e pela ignorância e
relaxamento moral do baixo clero. Objetivava tratar a questão protestante, e, se possível,
promover uma reaproximação dos dissidentes.
Fala do Professor Douglas: O Concílio de Trento foi realizado em três etapas – De
1545 a 1549; de 1551 a 1552 e de 1562 a 1563 – este concílio promoveu reformas
doutrinárias e disciplinares.
Fala do Professor Douglas: As Reformas Doutrinárias realizadas no Concílio de
Trento, reafirma o valor das escrituras e da tradição eclesiástica, da justificação pela fé e
pelas obras, dos sete sacramentos, em especial do sacerdócio, eucaristia e da confissão.
Fala do Professor Douglas: As Reformas Disciplinares do Concílio de Trento, foram
responsáveis pela renovação do ensino, dos seminários, da vida prática e da
obrigatoriedade da residência dos bispos nas dioceses.
Fala do Professor Douglas: Em resposta à proibição do uso de imagens pelo
protestantismo, a Igreja Católica incentivou o ensino através dos ícones. Esta prática
didática, junto com a crescente manifestação de piedade popular originou o estilo
barroco, que se contrapunha aos elementos mitológicos da Renascença, temas que
exaltavam profetas, santos e mártires.
Fala do Professor Douglas: Nesta aula de hoje, nós não entramos muito em detalhes
sobre as doutrinas, pois passamos por vários movimentos porque eu queria passar para
vocês essa perspectiva geral.
Fala do Professor Douglas: Tenham uma boa semana de estudos e ficamos por aqui.
Um abraço a todos!

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