Você está na página 1de 7

Universidade Eduardo Mondlane

Faculdade de Letras e Ciências Sociais


Departamento de Administração Pública & Ciência Política

Curso de Licenciatura em Administração Pública


4o ano, Laboral
Cadeira de Politicas de Emprego e Rendimento

Trabalho em Grupo

O salário mínimo em Moçambique: génese e papel no mercado de trabalho

Docente: Adelino Jeque Pimpão

Discente:
Lucas Pombal
Pedro Chivambo
Salomão Cânda

Maputo, 2020
Definição de salário mínimo

De acordo com Castel Branco (2004), o salário mínimo é definido como sendo o limite
abaixo do qual nenhum empregador da indústria, serviços e outros sectores de economia
não está legalmente permitido a pagar os seus trabalhadores.

Salário mínimo, é a menor remuneração permitida por lei para trabalhadores de um país
ou ramo de actividade económica. A sua fixação representa uma intervenção do Estado
no mercado de trabalho (Sandroni, 2005).

Salário mínimo, é o nível mínimo de salário, fixado por lei, que deve ser pago aos
trabalhadores (MITRAB-DNPET, 2006).

A lista das definições poderia continuar. Contudo, a partir das definições supra
referenciadas, podemos chegar a duas conclusões, por um lado que o salário mínimo
deve ser o valor mínimo que os trabalhados devem receber numa economia, e por outro
que esse valor deve estar previsto na lei.

Realçar que das definições acima, a que merece maior atenção é a do Ministério de
Trabalho, Direcção Nacional de Planificação e Estatística do Trabalho em Moçambique,
por se tratar de uma entidade nacional. Com isso não queremos dizer que se descarta a
possibilidade de buscar outras interpretações de outros países e da literatura.

Objectivos da fixação de salário mínimo

Para a Organização Internacional de Trabalhadores, o salário mínimo visa:

 Proteger um grupo marginal de trabalhadores com baixo rendimento;


 Garantir o direito de todos trabalhadores à um salário mínimo que seja suficiente
para cobrir as mínimas condições de vida com base no nível de produtividade;
 Fixar um piso abaixo do qual não seja aceite pela força de trabalho; e
 Estabelecer normas para trabalhos iguais tenham a mesma remuneração e tornar
como um instrumento da política macroeconómica, através de estruturação de
salário e determinação da demanda.

Para caso moçambicano, vimos que os objectivos detrás da fixação do salário mínimo
em Moçambique não se diferem dos objectivos da Organização Internacional de
Trabalhadores. Pois, de acordo Mazoio da OTM-CS (em entrevista), o objectivo
essencial da fixação do salário mínimo é assegurar aos trabalhadores a protecção social
necessária no que respeita aos níveis de remuneração mínima que sejam suficientes para
suprir as necessidades básicas das suas condições de vida.

Acrescentou o nosso entrevistado, que o salário mínimo visa ainda garantir aos
trabalhadores com poucas qualificações técnicas-profissionais um salário que cubra suas
necessidades básicas e aumentar o rendimento do trabalhador pobre.

Para Simbine da CONSILMO, a fixação de salário mínimo tem como um dos grandes
objectivos evitar o risco do patronato praticar salários muito abaixo e que não pudesse
cobrir as mínimas condições do trabalhador.

Teorias sobre o salário mínimo

As teorias sobre o salário mínimo congregam várias correntes de pensamento. Mas aqui
destacaremos apenas algumas correntes que julgamos relevantes. Para começar, a teoria
Marxista defende que o salário mínimo visa proteger o trabalhador contra a exploração
capitalista, em virtude da exploração da concorrência pela oferta de trabalho. Para
Escola Keynesiana, o salário mínimo providencia estabilidade e crescimento económico
porque canaliza para circulação o dinheiro que uma parte da população tem maior
probabilidade de gastar. Por sua vez os clássicos, a respeito do salário mínimo,
argumentam que este constitui um entrave para a contratação de mais trabalhadores e
gera desemprego estrutural. Os clássicos, acrescentam ainda que o salário mínimo faz
com que a demanda pela mão-de-obra reduza, ocasionando uma redução do emprego.

Segundo Welch(1976) apud Kulemedzana (2008) remata que os trabalhadores dos dois
sectores, coberto(sector formal) e não coberto(sector informal), um aumento de salário
mínimo levará a uma redução do emprego no sector coberto. É com base nesse prisma,
que Foguel (1998) apud Kulemedzana (2008) chega a conclusão de que os trabalhadores
demitidos no sector formal podem buscar emprego no sector informal ou ficar a espera
de uma nova oportunidade de emprego no sector formal. O autor em alusão vai além,
dizendo, que parte deles migram para o sector informal, onde haverá um aumento do
nível de emprego que impulsionará na redução de salários neste sector.

O Impacto de Salário Mínimo no Emprego


o estabelecimento do salário mínimo causa repercussões nas decisões sobre
investimento e na criação de emprego. A fixação do salário minimo constitui uma
política de aliviamento da pobreza, pois não elimina-a, mas minimiza os seus efeitos
perversos. Para Castel Branco et al (2004) apesar de o salário mínimo ter sido
originalmente fixado com base numa cesta de consumo familiar, ele não se confunde
com a renda familiar, pois salários são auferidos individualmente. O aumento de salário
mínimo pode induzir a demissão dos trabalhadores, por constituir um custo para o
produtor. Este aumento de salário mínimo leva a um aumento de precarização das
relações de trabalho e muitos membros da família correm risco de perder os seus postos
de trabalho.

Contextualização do salário mínimo

As leis modernas de salário foram primeiramente introduzidas na Austrália e na Nova


Zelândia, mas suas origens remontam à Europa medieval, em um decreto do século
XIV do rei Eduardo III de Inglaterra, que estabelecia um salário máximo que os
trabalhadores podiam cobrar por seus serviços e fixava o preço de mercadorias, a fim de
reestabelecer os níveis de preço àqueles anteriores à então recente peste negra. Com o
passar dos anos, junto a algumas leis que fixavam um salário máximo passou a ser
estipulado também um salário mínimo, como nos decretos de Jaime VI da Escócia.

A secularização das leis de salário mínimo, veio com a decisão de Hery Bournes
Higgins, presidente da corte de Nova Zelândia, em 1907, que entendia que as empresas
deveriam pagar uma quantia mínima aos seus empregados. Essa decisão rapidamente se
proliferou em outros estados, como Reino Unido, Austrália e Estados Unidos, entre os
anos 1909 à 1911.

Em Moçambique

Até 1975, ano da independência, Moçambique foi colónia portuguesa por quase 500
anos. E assim sendo, a economia moçambicana estava virada para a realização dos
interesses de Portugal. Como consequência, Portugal criou uma forte dependência do
estrangeiro, em particular da África de sul, o que fazia de Moçambique, uma economia
com nível de desenvolvimento baixo, pouca tecnologia e fortemente virada para
agricultura.
De 1975 a 1984, após independência, a economia seguiu a orientação política
económica socialista. Este sistema é caracterizado por uma forte intervenção do Estado
na economia e limitação da intervenção dos agentes privados. Dentro desse mesmo
período a economia moçambicana viu-se mergulhada numa grande crise, resultante de
vários factores, secas, guerra civil, falta de capital humano qualificado, falta de fundos
para financiar investimento e cheias.

Para fazer face a crise, em 1987 a economia moçambicana começa um período de


mudança, marcado pela viragem da política, isto é, passagem de uma economia
centralmente planificada, para uma economia de mercado. Esta transformação foi
acompanhada pela introdução de PRE (Programa de Reabilitação Económica) e mais
tarde o PRES (Programa de Reabilitação Económica e Social). Estes programas foram
inspirados nas políticas de governação das instituições de Bretton Woods, Fundo
Monetário Internacional e Banco Mundial.

No novo sistema, o Estado de Moçambique começa a reduzir a sua intervenção na


economia, reservando-se ao papel de regulador. Essa nova era, abriu espaço para
intervenção de agentes privados na economia. Assim sendo, novas empresas privadas
entraram no mercado.

Um dos resultados da liberalização económica, foi a definição pelo Estado de um salário


mínimo, através da comissão de preços e salários do Ministério do Trabalho, em 1987.
Este foi fixado no sistema de taxa única nacional, distinguindo três categorias:
operários, agro-pecuários, operários e empregados. Em 1991, as duas ultimas categorias
passaram a auferir o mesmo salário mínimo, tendo deste modo, restado duas categorias.
O salário mínimo definido por esta comissão nessa altura, não era objecto de negociação
entre as partes intervenientes no processo ou no mercado de trabalho.

Evolução do salário mínimo

Com as reformas económicas e transformações estruturais em Moçambique veio a


introdução do primeiro salário mínimo, que entrou em vigor em 1987. Este foi fixado
no sistema de taxa única nacional e distinguindo três categorias: operários agro-
pecuários, operários e empregados. Em 1991, as duas ultimas categorias, passaram a
auferir o mesmo salário mínimo. Tendo deste modo, restando duas categoriais.
O primeiro salário mínimo, na indústria, em Moçambique tinha valor nominal de
5.000,00MT (actualmente 5 MT), e entrou em vigor em Janeiro de 1987, este foi
definido com base em um cabaz composto por produtos considerados como necessidade
básica da época. Todos os outros salários mínimos que surgiram, até hoje, têm o cabaz
de 1987 como base. E apesar dos sindicatos alegarem que os reajustes salariais
deveriam ser feitos com base na evolução das necessidades básicas dos consumidores, o
cabaz base mantem-se (Ercília Nhampossa, 2006).

O processo de determinação do salário mínimo nunca foi pacífico e nem sempre reuniu
consenso de parceiros sociais, (sindicatos e empregadores) envolvidos nas negociações.
Numa primeira fase, o Governo na qualidade de mediador, não está directamente
envolvido no processo de negociações, limitando-se a desempenhar o papel facilitador
entre as partes, cabendo a si, em ultima instancia, proceder à aprovação da proposta
consensual alcançada pelos parceiros sociais ou renegociar com eles a sua decisão final.

Com vista à fixação do salário mínimo, o Governo criou através do Decreto no7/94, de 9
de Março, Comissão Consultiva de Trabalho (CCT), composta por representantes do
Governo, Sindicatos e Empregadores, com a missão de proceder a avaliação da situação
económica do país respeitante ao exercício económico do ano anterior e de produzir
anualmente, uma proposta de salário mínimo a ser submetida à aprovação
Governamental.

Para Ercília Nhampossa (2006), em 1994 entra em vigor o Decreto n o 7/94, de Março,
que aprova a constituição da Comissão Consultiva de Trabalho (CCT). Este decreto
veio a ditar que o salário mínimo deve ser determinado por meio de negociações
colectivas através da Comissão Consultiva de Trabalho, este órgão é tutelado pelo
Ministério de Trabalho. Tendo como seu presidente o ministro de trabalho em exercício.
A Comissão Consultiva de Trabalho é uma comissão tripartida, denominada de
parceiros sociais, constituída pelos sindicatos dos trabalhadores, representados pelo
OTM-CS e pelos CSLI, sindicato dos empregadores representados pelo CTA e pelos
representantes do Governo.

Este decreto veio institucionalizar o mês de Abril como mês de entrada em vigor do
novo salário mínimo, deste modo as negociações do ajustamento ocorrem, normalmente
entre os meses de Fevereiro e Março de cada ano. Com efeito, no caso de as
negociações do CTA findarem após o mês de Abril o salário mínimo é pago com efeitos
retroactivos a partir de 1 de Abril.

Facto importante de se notar nesta Comissão é que a estratégia de negociação dos


trabalhadores parece centrar-se em duas vertentes, nomeadamente: a protecção do poder
de compra do salário mínimo e uma melhoria substancial do salário mínimo ao longo
dos anos, na esperança que este contribua para elevação do rendimento nos escalões
acima de mínimo.

Mercado de trabalho

Mercado de trabalho é onde há compradores (empregadores) e vendedores da força de


trabalho (empregados) sindicalizada ou que não esteja sindicalizada (Kulemedzana,
2008 apud Ehrenberg & Smith, 2000).

Onde o trabalho é uma mercadoria trocada entre as pessoas dispostas a oferecerem a sua
força de trabalho em troca de uma compensação salarial ou material e as organizações
que precisam das pessoas para realizarem as actividades económicas e socialmente
rentáveis, com a finalidade de atingirem os seus objectivos organizacionais e cumprirem
com a sua missão na sociedade (Amstrong,1996)

A abordagem da gestão de recursos humanos defende

Você também pode gostar