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DIREITO

PREVIDENCIÁRIO
Estudo das Normas e Regras Gerais do
Regime Geral de Previdência Social -
Parte II

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Estudo das Normas e Regras Gerais do Regime Geral de Previdência Social - Parte II
Frederico Pereira Martins

Estudo das normas e regras gerais do Regime Geral de Previdência Social (PARTE II). . ...3
1. Espécies de Prestações Previdenciárias.......................................................................3
2. Classificação das Prestações Previdenciárias.. ............................................................3
3. Segurados e Dependentes........................................................................................... 7
3.1. Dependentes da 1ª Classe........................................................................................ 21
3.2. Dependentes da 2ª Classe......................................................................................54
3.3. Dependentes da 3ª Classe..................................................................................... 60
4. Qualidade de Segurado: Manutenção e Perda............................................................63
5. Período de Graça...................................................................................................... 66
6. Descontos Previdenciários e Ressarcimentos. . ......................................................... 82
7. Concessão, Suspensão, Cancelamento, Restabelecimento dos Benefícios............... 109
8. Acumulação de Benefícios....................................................................................... 114
9. Abono Anual............................................................................................................ 119
Resumo....................................................................................................................... 120
Exercícios.................................................................................................................... 144
Gabarito...................................................................................................................... 154
Gabarito Comentado. ................................................................................................... 155
Referências Bibliográficas........................................................................................... 192

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Estudo das Normas e Regras Gerais do Regime Geral de Previdência Social - Parte II
Frederico Pereira Martins

ESTUDO DAS NORMAS E REGRAS GERAIS DO REGIME


GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL (PARTE II)
1. Espécies de Prestações Previdenciárias
Quanto às espécies de prestações previdenciárias, meu amigo, minha amiga, não há mui-
ta dificuldade neste primeiro momento de abordagem. Basta que você saiba que existem
apenas duas espécies de prestações previdenciárias: os benefícios e os serviços.
Lembre-se, sempre, de que qualquer dessas prestações previdenciárias exigirá a prévia
contribuição e a filiação do segurado, conforme as diversas categorias de segurado que já
estudamos no capítulo anterior.
Basicamente, você poderá perceber que os benefícios previdenciários são as espécies de
prestações que veiculam as obrigações de pagamento pelo INSS baseadas em um cálculo
derivado do salário de contribuição e, posteriormente, do salário de benefício do segurado,
gerando uma renda mensal inicial a ser paga mês a mês até a respectiva hipótese de cance-
lamento ou extinção do benefício.
Já o serviço é espécie de prestação previdenciária que disponibiliza ao segurado uma
obrigação a ser prestada pelo INSS. Em geral, por razões óbvias, as prestações previdenciá-
rias são direcionadas aos segurados, que são os principais beneficiários do regime geral de
previdência social, mas há alguns benefícios, ou melhor, apenas dois benefícios, que são dire-
cionados aos dependentes daqueles segurados: pensão por morte e auxílio-reclusão.
Há previsão de um total de 10 benefícios previdenciários, mas veja que apenas dois, como
disse, são direcionados aos dependentes do segurado. Quanto aos serviços previstos para o
RGPS, existem apenas dois também: serviço social e reabilitação profissional.

2. Classificação das Prestações Previdenciárias


Vamos adotar aqui a classificação sugerida na obra de Frederico Amado1. É bem possível
classificar as prestações previdenciárias por diversos critérios. Vamos abordar cada um des-
ses critérios e suas correspondentes classificações.
1
AMADO, Frederico. Curso de Direito e Processo Previdenciário. 11ª edição. Salvador, Editora JusPodvim, 2019.

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a) classificação de acordo com a natureza da prestação


Por esse prisma básico, temos, como dito, os  benefícios previdenciários e os serviços
previdenciários. Aqueles são obrigações de pagar, esses são obrigações de fazer, consubs-
tanciados na prestação de um serviço público relacionado ao serviço social e à reabilitação
profissional.
b) classificação quanto ao tipo de beneficiário
As prestações previdenciárias podem ser, com base nesse critério, prestações dos se-
gurados e prestações dos dependentes. Podemos considerar ainda que existem prestações
mistas dirigidas aos segurados e aos dependentes concomitantemente.
c) classificação quanto à programação da prestação previdenciária
Podemos classificar a prestação previdenciária como sendo programável ou não progra-
mável. As prestações programáveis são aquelas que dependem de um tempo maior de con-
tribuição e carência, relacionando-se a eventos futuros em certos, portanto, previsíveis do se-
gurado. Apontamos, como exemplo, as aposentadorias por tempo de contribuição e por idade.
Já os benefícios não programáveis são as prestações previdenciárias que derivam de um
evento futuro, mas incerto, que ocorre devido a infortúnios ou acidentes não previstos origi-
nariamente pelo segurado. Podemos citar, como exemplo, a prestação de auxílio doença ou
de aposentadoria por invalidez.
d) classificação quanto à temporariedade ou não da prestação previdenciária
Podem as prestações previdenciárias, diante desse critério classificatório, ser vitalícias
ou temporárias.
e) classificação quanto à exigência ou não de carência
Os benefícios que não exigem carência são: auxílio-acidente, salário-família, pensão por
morte, serviço social e reabilitação profissional. Já os benefícios que exigem carências são:
auxílio-reclusão, aposentadoria por tempo de contribuição e, por fim, aposentadoria especial.
Existem, ainda, vale frisar, benefícios cuja exigibilidade de carência pode ser considerada
mista, ou seja, haverá a exigência de carência ou não a depender do evento ou contingência
social geradora do benefício. Isso ocorre no salário-maternidade, no auxílio-doença e na apo-
sentadoria por invalidez.

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É que nesses benefícios, por incapacidade, existe a possibilidade da não exigência de ca-
rência conforme o artigo 151, da Lei n. 8.213/1991, que assim diz:

Art. 151. Até que seja elaborada a lista de doenças mencionada no inciso II do art. 26, independe
de carência a concessão de auxílio-doença e de aposentadoria por invalidez ao segurado que, após
filiar-se ao RGPS, for acometido das seguintes doenças: tuberculose ativa, hanseníase, alienação
mental, esclerose múltipla, hepatopatia grave, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e
incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia
grave, estado avançado da doença de Paget (osteíte deformante), síndrome da deficiência imuno-
lógica adquirida (aids) ou contaminação por radiação, com base em conclusão da medicina espe-
cializada. (Redação dada pela Lei n. 13.135, de 2015)

f) classificação quanto à substitutividade ou não da remuneração


Existem prestações previdenciárias que são substitutivas da remuneração ou do salário
de contribuição. Essa, inclusive, é a regra. Podemos citar as aposentadorias, o auxílio-doen-
ça, o salário-maternidade, a pensão por morte e o auxílio-reclusão. Já como benefício não
substitutivo, podemos citar o salário-família e o auxílio-acidente, de modo que tais benefícios
podem ser pagos abaixo do salário mínimo.
g) classificação quanto à submissão ou não ao teto do regime geral da previdência social
O único benefício que não se vincula ao teto é o salário-maternidade previsto para as se-
guradas empregadas e seguradas trabalhadoras avulsas.
Além disso, podemos citar também a chamada “grande invalidez”, previsto para a aposen-
tadoria por invalidez. Trata-se de um acréscimo ao pagamento das prestações da aposen-
tadoria por incapacidade permanente com o acréscimo de 25% sobre a renda mensal inicial.
É pago esse acréscimo nas hipóteses em que o segurado tenha que depender de uma
terceira pessoa para seus cuidados pessoais. O valor obtido com essa majoração não se sub-
meterá ao teto dos benefícios previstos para o RGPS, tal como previsto no art. 45, parágrafo
único, “a”, da Lei n. 8.213/1991 (grifo nosso):

Art. 45. O valor da aposentadoria por invalidez do segurado que necessitar da assistência perma-
nente de outra pessoa será acrescido de 25% (vinte e cinco por cento).
Parágrafo único. O acréscimo de que trata este artigo:
a) será devido ainda que o valor da aposentadoria atinja o limite máximo legal; [...].
h) classificação quanto à necessidade ou não do afastamento do trabalho para sua concessão

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Os benefícios que exigem o trabalho concomitante para a concessão são a aposentadoria


por idade, a aposentadoria por tempo de contribuição, o auxílio-acidente e o salário-família.
Por outro lado, é  condição para concessão da aposentadoria por incapacidade perma-
nente ou mesmo para o auxílio doença, o afastamento do trabalho, que será permanente ou
temporário, conforme o caso. Perceba, contudo, que esse afastamento deve ser maior do que
15 dias consecutivos, de modo que, a partir do 16º dia, o INSS deve conceder o benefício.
Vejamos:

Art. 59. O auxílio-doença será devido ao segurado que, havendo cumprido, quando for o caso, o pe-
ríodo de carência exigido nesta Lei, ficar incapacitado para o seu trabalho ou para a sua atividade
habitual por mais de 15 (quinze) dias consecutivos.

Há uma peculiaridade a esse respeito: a exigência de afastamento por 15 dias consecu-


tivos apenas vale para o segurado empregado, de modo que, para o empregado doméstico e
para os demais segurados, o auxílio-doença será devido a partir do início da incapacidade,
conforme o disposto no art. 72, do Decreto n. 3.048/1999:

Art. 72. O auxílio-doença consiste numa renda mensal calculada na forma do inciso I do caput do
art. 39 e será devido:
I – A contar do décimo sexto dia do afastamento da atividade para o segurado empregado, exceto
o doméstico;
II  – A contar da data do início da incapacidade, para os demais segurados (Redação dada pelo
Decreto n. 3.265, de 1999).

A Instrução Normativa INSS n. 77/2015 detalha ainda mais a questão da seguinte forma:

Art. 303. A DIB será fixada:


I – No décimo sexto dia do afastamento da atividade para o segurado empregado, exceto o do-
méstico;
II – Na DII, para os demais segurados, quando requerido até o trigésimo dia do afastamento da
atividade ou da cessação das contribuições; ou
III – Na DER, quando requerido após o trigésimo dia do afastamento da atividade ou da cessação
das contribuições para todos os segurados.

O significado de DIB é “Data de Início do Benefício” e DER é “Data da Entrada do Requeri-


mento”. Veja que a instrução normativa vai além da norma legal e cria um termo final para que
o benefício retroaja à data de início da incapacidade em relação a qualquer segurado.

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Obviamente, a  regra extrapola a competência regulamentar, devendo prevalecer o dis-


posto no art. 72, do Decreto n. 3.048/1999, que se escora, por sua vez, no art. 59, da Lei de
Benefícios (Lei n. 8.213/1991).
Assim, não importa se o requerimento ocorreu antes ou depois do trigésimo dia após o
afastamento da atividade ou da cessação das contribuições. Os atrasados reconhecidos ad-
ministrativa ou judicialmente deverão sempre retroagir à DII (Data de Início da Incapacidade),
sendo que, no caso do segurado empregado, o INSS possui a obrigação de pagar apenas a
partir do 16º dia de afastamento.
i) classificação quanto à possibilidade ou não da prestação previdenciária ser objeto de
reiteradas concessões
Existem, de fato, benefícios que podem ser concedidos mais de uma vez pelo INSS, tais
como salário-maternidade, auxílio-reclusão e auxílio-doença.
Cada um desses benefícios exigirá um diferente fato gerador para que seja concedido no
âmbito da autarquia previdenciária ou, ainda, no bojo de um processo judicial.
Já os benefícios que não são possíveis de serem concedidos mais de uma vez são: au-
xílio-acidente, salvo se decorrer de uma nova sequela oriunda de outro lesão incapacitante;
aposentadoria por idade; aposentadoria especial e aposentadoria por tempo de contribuição.
j) classificação quanto à possibilidade de pagamento do benefício ser continuado ou ins-
tantâneo
Os benefícios previdenciários podem ser também pagos por meio de prestações conti-
nuadas ou instantâneas. Os  benefícios cuja prestação é continuada possuem pagamento
mensal, enquanto os benefícios de prestação instantânea são pagos apenas de uma vez.
Essa classificação não possui mais aplicabilidade prática, pois o único benefício de pres-
tação instantânea pago pelo INSS era o extinto pecúlio, outrora previsto no art. 81, da Lei n.
8.213/1991.

3. Segurados e Dependentes
Com relação ao estudo dos segurados, vimos no capítulo anterior as diversas espécies de
filiação ao regime geral de previdência social. Agora, partimos para o estudo relacionado aos
dependentes daqueles segurados.

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Vamos estudar neste capítulo as suas espécies!


Os segurados, vale lembrar, são o empregado, o trabalhador avulso, o segurado especial,
o empregado doméstico e o contribuinte individual (segurados obrigatórios), conforme estu-
dado nas espécies do art. 12, da Lei n. 8.212/1991, artigo 11, da Lei n. 8.213/1991. Existe ain-
da a classe dos segurados facultativos, prevista no art. 14, da Lei n. 8.212/1991 e no art. 13,
da Lei n. 8.213/1991.
Já os dependentes do segurado estão previstos no art. 16, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e
um) anos ou inválido.
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, me-
nor de 21 (vinte e um) anos ou inválido (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995).
I  – O cônjuge, a  companheira, o  companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição,
menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o
torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente (Redação dada pela Lei n.
12.470, de 2011).
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, me-
nor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência
grave (Redação dada pela Lei n. 13.146, de 2015) (Vigência).
II – Os pais.
III – o irmão, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido.
III – O irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido
(Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995).
III – O irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim
declarado judicialmente (Redação dada pela Lei n. 12.470, de 2011).
III – O irmão de qualquer condição menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha defici-
ência intelectual ou mental ou deficiência grave, nos termos do regulamento (Redação dada pela
Lei n. 13.135, de 2015) (Vigência).
III – O irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave (Redação dada pela Lei n. 13.146,
de 2015) (Vigência).
IV – A pessoa designada, menor de 21 (vinte e um) anos ou maior de 60(sessenta) anos ou inválida
(Revogada pela Lei n. 9.032, de 1995).
§ 1º A existência de dependente de qualquer das classes deste artigo exclui do direito às presta-
ções os das classes seguintes.

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§ 2º Equiparam-se a filho, nas condições do inciso I, mediante declaração do segurado: o enteado;
o menor que, por determinação judicial, esteja sob a sua guarda; e o menor que esteja sob sua tu-
tela e não possua condições suficientes para o próprio sustento e educação.
§ 2º O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e desde
que comprovada a dependência econômica na forma estabelecida no Regulamento (Redação dada
pela Lei n. 9.528, de 1997)
§  3º  Considera-se companheira ou companheiro a pessoa que, sem ser casada, mantém união
estável com o segurado ou com a segurada, de acordo com o § 3º do art. 226 da Constituição Federal.
§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve
ser comprovada
§ 5º A prova de união estável e de dependência econômica exigem início de prova material con-
temporânea dos fatos, não admitida a prova exclusivamente testemunhal, exceto na ocorrência de
motivo de força maior e ou caso fortuito, conforme disposto no Regulamento (Incluído pela Medida
Provisória n. 871, de 2019).
§ 5º As provas de união estável e de dependência econômica exigem início de prova material con-
temporânea dos fatos, produzido em período não superior a 24 (vinte e quatro) meses anterior à
data do óbito ou do recolhimento à prisão do segurado, não admitida a prova exclusivamente tes-
temunhal, exceto na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, conforme disposto no
regulamento (Incluído pela Lei n. 13.846, de 2019).
§ 6º Na hipótese da alínea c do inciso V do § 2º do art. 77 desta Lei, a par da exigência do § 5º deste
artigo, deverá ser apresentado, ainda, início de prova material que comprove união estável por pelo
menos 2 (dois) anos antes do óbito do segurado (Incluído pela Lei n. 13.846, de 2019).
§ 7º Será excluído definitivamente da condição de dependente quem tiver sido condenado crimi-
nalmente por sentença com trânsito em julgado, como autor, coautor ou partícipe de homicídio
doloso, ou de tentativa desse crime, cometido contra a pessoa do segurado, ressalvados os abso-
lutamente incapazes e os inimputáveis (Incluído pela Lei n. 13.846, de 2019).

Perceba que optamos, na transcrição acima, por deixar as redações originárias do dispo-
sitivo para acompanharmos juntos as alterações promovidas ao longo do tempo.
Foram muitas alterações, e o rol dos dependentes já passou por algumas mudanças le-
gais significativas desde a edição da Lei n. 8.213/1991 há quase 30 anos.
Em síntese, o rol do art. 16 da lei de benefícios foi objeto de mudança decorrente das se-
guintes leis:
• Lei n. 9.032/1995;
• Lei n. 12.470/2011;
• Lei n. 13.135/2015;
• Lei n. 13.146/2015.

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Além das leis acima, outras também foram editadas alterando os parágrafos do art. 16,
alterando também, por isso, alguns aspectos importantes de cada classe de dependente:
• Lei n. 9.528/1997;
• Medida Provisória n. 871/2019, convertida na Lei n. 13.846/2019.

Acompanharemos a evolução dessas mudanças de acordo com a cronologia de edição de


todas essas leis.
• Alterações promovidas pela Lei n. 9.032/1995

Promoveu uma das maiores mudanças no rol do art. 16, da lei de benefícios, extinguindo
a existência de uma quarta classe de dependentes do segurado.
Essa quarta classe era prevista no inciso IV, do art. 16, da Lei n. 8.213/1991:

IV – A pessoa designada, menor de 21 (vinte e um) anos ou maior de 60 (sessenta) anos ou inválida
(Revogada pela Lei n. 9.032, de 1995).

Até a Lei n. 9.032/1995, portanto, era possível escolher uma pessoa diversa das demais
listadas nas classes I, II e III. Ou seja, era possível designar uma pessoa para figurar como de-
pendente na hipótese de não haver candidatos habilitados às classes anteriores, prioritárias.
Essa pessoa designada, contudo, deveria ter menos de 21 anos ou mais de 60 anos de idade,
ou ainda, poderia ser inválida de qualquer idade.
Entendido?
Agora, por favor, preste atenção: essa classe NÃO existe mais, ok? Não há como designar
uma pessoa além das existentes nas classes I, II e III, únicas existentes desde a edição da Lei
n. 9.032/1995.
E, obviamente, como já estudamos com base no princípio tempus regit actum, não há que
se falar em direito adquirido à existência e à permanência dessa classe, salvo se o óbito ou a
prisão do instituidor tenha ocorrido até a edição da referida lei revogadora.
Inclusive já foi tratado na TNU, por meio de sua jurisprudência cristalizada na edição de
sua Súmula 4, que assim diz:

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Não há direito adquirido à condição de dependente de pessoa designada, quando o falecimento do


segurado se deu após o advento da Lei n. 9.032/1995 (DJ 23/6/2003, p. 555).

O Superior Tribunal de Justiça já vinha, aliás, antes da TNU, naquela época, orientando-se
no sentido de que não haveria que se dar essa espécie de ultratividade da norma revogada, de
modo que somente a data do óbito é que, no caso da pensão por morte, asseguraria a aquisi-
ção do direito então vigente.
Vejamos o julgado do STJ a respeito:

É certo ter se firmada a jurisprudência deste Superior Tribunal no sentido de que é o óbito
do segurado que determina o suporte fático a ser analisado na concessão de benefício
de pensão por morte e que há de se aplicar a lei vigente àquela época.
Assim, constatado o falecimento da avó segurada na vigência da Lei n. 8.213/1991, já
com a redação determinada pela Lei n. 9.032/1995, não faz jus ao benefício seu neto,
pois não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 16 daquele disposi-
tivo, inclusive na de equiparação a filho (§ 2º).
Note-se não haver alusão de que se cuide de menor designado, ressalta-se, também,
que mesmo aquele designado anteriormente à instituição do benefício não tem direito
adquirido a percebê-lo, mas, apenas, mera expectativa.
[...].
Precedentes citados: AgRg no Ag 272.639-RJ, DJ 8/5/2000; AgRg no Ag 375.893- 49 GO,
DJ 4/2/2002; EREsp 190.193-RN, DJ 7/8/2000; REsp 256.699-RN, DJ 4/9/2000, e REsp
263.494-RN, DJ 18/12/2000. REsp 464.760-SC, Rel. originário Min. Hélio Quaglia Bar-
bosa, Rel. para acórdão Min. Hamilton Carvalhido, julgado em 19/4/2005.

Essa foi a única alteração da Lei n. 9.032/1995?

NÃO.
A Lei n. 9.032/1995, além disso, alterou a redação do inciso I, do art. 16, para inserir a exi-
gência de que o filho do segurado, embora menor de 21 anos, fosse “não emancipado”.

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Em outros termos: a partir da Lei n. 9.032/1995, o filho menor de 21 anos NÃO poderia ter
sido emancipado por qualquer das hipóteses previstas na lei civil.
Essa exigência não existia na redação original do art. 16, I, da Lei n. 8.213/1991, sendo
irrelevante do ponto de vista previdenciário, até então, o fato de o filho menor de 21 anos já ter
obtido sua emancipação nos termos da lei civil.
Veja a redação anterior e a redação dada pela Lei n. 9.032/1995 (grifo nosso):

Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e
um) anos ou inválido;
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, me-
nor de 21 (vinte e um) anos ou inválido (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995).

O mesmo ocorreu, ou melhor, foi acrescentado como exigência, no inciso III, do art. 16,
que trata do irmão do segurado, menor de 21 anos. Da mesma forma, até a edição da Lei n.
9.032/1995, era irrelevante o fato de o irmão menor de 21 anos ser emancipado ou não para
fins previdenciários.
Isso mudou com a referida lei (grifo nosso):

III – o irmão, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido;


III – o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido.
(Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995)

• Alterações promovidas pela Lei n. 12.470/2011

Após a Lei n. 9.032/1995, dezesseis anos depois, houve outra alteração legal dada pela
Lei n. 12.470/2011, a qual inseriu algumas mudanças na primeira e na terceira classes, es-
pecificamente no que toca à inclusão do filho ou irmão do segurado que tenha deficiência
intelectual ou mental.
Essa lei incluiu nos incisos I e III, do art. 16, o trecho “ou que tenha deficiência intelectual
ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente”.
Vamos comparar?

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Veja novamente o dispositivo com suas graduais alterações até a Lei n. 12.470/2011 (gri-
fo nosso):

Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e
um) anos ou inválido;
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, me-
nor de 21 (vinte e um) anos ou inválido (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995).
I  – O cônjuge, a  companheira, o  companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição,
menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o
torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente (Redação dada pela Lei n.
12.470, de 2011).
Essa lei incluiu também no inciso III, do art. 16, da Lei n. 8.213/1991, como dependente do segu-
rado, o irmão que tenha deficiência intelectual ou mental, que, assim o torne absoluta ou relativa-
mente incapaz, assim declarado judicialmente.
O acréscimo de exigência feito ao filho menor de 21 anos foi feito também ao irmão menor de 21
anos, ou seja, alterou-se, novamente, tal como feito na Lei n. 9.032/1995, os incisos I e III, do art. 16,
de modo conjunto (grifo nosso).
III – o irmão, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido;
III – o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido
(Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995).
III – o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim
declarado judicialmente (Redação dada pela Lei n. 12.470, de 2011).

A parte grifada é a alteração determinante em ambos os incisos, pois deixou clara a ne-
cessidade de que a deficiência mental ou intelectual deveria implicar o reconhecimento judi-
cial da incapacidade, seja ela relativa seja absoluta. A partir de então, a deficiência por si só
alegada não seria elemento apto a gerar a dependência para os fins previdenciários, por meio
das alterações feitas pela Lei n. 12.470/2011, exigindo-se uma interdição judicial.
Em outros termos, a Justiça Estadual deveria reconhecer a incapacidade relativa ou ab-
soluta do incapaz, nomeando-o, consequentemente, um curador. A ação era disciplinada no
art. 1.177, na época da vigência do CPC-73:

Art. 1.177. A interdição pode ser promovida:


I – Pelo pai, mãe ou tutor;
II – Pelo cônjuge ou algum parente próximo;

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III – Pelo órgão do Ministério Público.


[...].
Art.  1.184. A  sentença de interdição produz efeito desde logo, embora sujeita a apelação. Será
inscrita no Registro de Pessoas Naturais e publicada pela imprensa local e pelo órgão oficial por
três vezes, com intervalo de 10 (dez) dias, constando do edital os nomes do interdito e do curador,
a causa da interdição e os limites da curatela.

Muito se questionou sobre a necessidade ou não de o INSS, a partir dessa vigência nor-
mativa, integrar a ação de interdição judicial, que, a par de se constituir no exercício de jurisdi-
ção voluntária, acabava por gerar um reconhecimento judicial que repercutiria posteriormente
nas obrigações previdenciárias daquela autarquia.
De modo geral, prevalecia o entendimento de que ao INSS não seria oponível à sentença
de interdição, uma vez que a autarquia não teria participado do processo.
Nesse sentido, citamos jurisprudência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região:

PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. INTERDIÇÃO. PROCESSO DA JUSTIÇA ESTA-


DUAL. OFENSA AO CONTRADITÓRIO INOCORRENTE. EMBARGOS DECLARATÓRIOS DES-
PROVIDOS.
[...].
2. Não tem razão a parte embargante. Consta na fundamentação do julgamento: “A
autora nasceu em 25.06.1963 (fl. 15). Quando o pai faleceu, ela tinha cerca de 43 anos
de idade, e somente foi interditada no ano seguinte. O fundamento para a sentença foi
a incapacidade reconhecida por sentença de interdição, proferida pelo mesmo juízo.
A incapacidade decorre de epilepsia leve, conforme foi possível extrair do laudo do INSS.
O INSS tem razão quando argumenta que a prova produzida em outro processo deveria
ter sido submetida ao contraditório, uma vez que ele não fez parte do processo de inter-
dição. É insuficiente, para a prova de incapacidade, a interdição reconhecida em sen-
tença pela Justiça Estadual.
[...].
(EDAC 0031218-80.2010.4.01.9199, JUIZ FEDERAL GRIGÓRIO CARLOS DOS
SANTOS, TRF1 - 2ª CÂMARA REGIONAL PREVIDENCIÁRIA DE MINAS GERAIS, e-DJF1
16/11/2017 PAG.)

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Mas também havia entendimento no sentido de que a sentença de interdição seria sufi-
ciente à satisfação junto ao INSS de que o dependente era efetivamente incapaz ao tempo do
óbito, dispensando-se, por isso, a realização de perícia médica no Juízo Federal.
Abaixo, outro julgado também do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (grifos nossos):

PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. BENEFÍCIO DE AMPARO SOCIAL À PESSOA


PORTADORA DE DEFICIÊNCIA E AO IDOSO. ART. 203, V, CF/88. LEI 8.742/1993. TERMO A
QUO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CUSTAS
PROCESSUAIS. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO.
1. São necessários os seguintes requisitos para concessão do benefício de prestação
continuada: ser a pessoa portadora de deficiência ou idosa; não receber benefício de
espécie alguma e não estar vinculado a nenhum regime de previdência social; ter renda
mensal familiar per capita inferior a ¼ do salário mínimo.
2. No caso concreto: Perícia médica: dispensável, haja vista sentença de interdição judi-
cial. Laudo socioeconômico: comprova miserabilidade da parte autora.
[...].
5. na hipótese de se tratar de curatela/interdição judicial, a  realização de laudo peri-
cial poderá ser dispensada, eis que satisfatoriamente demonstrado o preenchimento do
requisito da invalidez/incapacidade da parte autora (caso dos autos).
[...].
(AC 0067391-06.2010.4.01.9199, DESEMBARGADOR FEDERAL CANDIDO MORAES, TRF1
- SEGUNDA TURMA, e-DJF1 21/01/2016 PAG.)

• Alterações promovidas pela Lei n. 13.135/2015

Sua alteração normativa no rol do art. 16, da Lei de Benefícios, foi feita no inciso III, do
referido artigo, tendo ela retirado a exigência acima de que o irmão fosse “não emancipado”
para ser dependente do segurado. Ou seja, a partir da Lei n. 13.135/2015, voltou a ser indife-
rente a emancipação do irmão menor de 21 anos para fins previdenciários.
Mesmo que ocorresse algum fato que ensejasse a emancipação, a pensão por morte não
seria extinta pela maioridade.

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Houve alguma outra mudança?

SIM. Além disso, foi retirada a parte relativa à exigência da declaração judicial da incapa-
cidade relativa ou absoluta acima referida.
A partir dessa alteração, portanto, da Lei n. 13.135/2015, o irmão inválido ou que tenha
deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave por si só já seria dependente do segura-
do, não necessitando mais de declaração judicial, ou melhor, a interdição judicial, na prática,
que assegurasse a sua incapacidade absoluta ou relativa.
Veja que a parte grifada que antes existia por causa da Lei n. 12.470/2011 passou a não
mais ser exigida na redação do inciso III dada pela Lei n. 13.135, de 17 de junho de 2015
(grifo nosso):

III – o irmão, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido;


III – o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido
(Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995);
III – o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim
declarado judicialmente (Redação dada pela Lei n. 12.470, de 2011);
III – o irmão de qualquer condição menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha defici-
ência intelectual ou mental ou deficiência grave, nos termos do regulamento (Redação dada pela
Lei n. 13.135, de 2015) (Vigência).

A vigência, contudo, da supressão da exigência da declaração judicial ocorreria dois anos


após a publicação da Lei n. 13.135/2015, uma vez que essa foi a determinação de seu art. 6º
(grifos nossos).

Art. 6º Esta Lei entra em vigor em:


[...].
II – 2 (dois) anos para a nova redação:
a) do art. 16, incisos I e III , e do art. 77, § 2º, inciso IV, da Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991 , em
relação às pessoas com deficiência intelectual ou mental.

Assim, apenas a partir de 17 de junho de 2017 é que não seria mais exigível a declaração
judicial do irmão menor de 21 anos “inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental
que o torne absoluta ou relativamente incapaz”.

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Mas, professor, a supressão da exigência de declaração judicial ocorreu somente para o


irmão inválido? E, para o filho inválido, não houve nenhuma disposição revogadora da Lei
n. 13.135/2015 quanto a isso?

SIM, houve, mas ela ocorreu não no art. 16, I, mas no art. 77, §2º, II, da Lei n. 8.213/1991
(grifo nosso):

Art. 77. A pensão por morte, havendo mais de um pensionista, será rateada entre todos em parte
iguais (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995).
[...]
§  2º O direito à percepção de cada cota individual cessará:  (Redação dada pela Lei n. 13.135,
de 2015)
§ 2º O direito à percepção da cota individual cessará: (Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019)
I – Pela morte do pensionista (Incluído pela Lei n. 9.032, de 1995);
II – Para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela emancipação ou ao
completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido (Incluído pela Lei n. 9.032, de 1995);
II – Para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela emancipação ou
ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência intelectual ou
mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente (Redação
dada pela Lei n. 12.470, de 2011);
II – Para filho, pessoa a ele equiparada ou irmão, de ambos os sexos, ao completar 21 (vinte e um)
anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência (Redação dada pela Lei n. 13.135, de 2015);
II – Para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela emancipação ou
ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido ou tiver deficiência intelectual ou
mental ou deficiência grave (Redação dada pela Lei n. 13.146, de 2015) (Vigência).

Percebeu?
A Lei n. 13.135/2015 não mexeu no art. 16, I, por causa do veto mostrado abaixo, mas
mexeu no art. 77, §2º II, suprimindo também a exigência de interdição judicial prévia para o
inválido.
Veja, novamente, no detalhe (grifo nosso):

II – para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela emancipação ou
ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência intelectual ou
mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente  (Redação
dada pela Lei n. 12.470, de 2011);
II – para filho, pessoa a ele equiparada ou irmão, de ambos os sexos, ao completar 21 (vinte e um)
anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência (Redação dada pela Lei n. 13.135, de 2015).

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A redação dada ao inciso II, acima, não foi objeto de veto da Presidente da República. Com
relação ao art. 16, I, da Lei n. 8.213/1991, houve, contudo, veto da Presidência da República,
então exercida por Dilma Rousseff.
As razões do veto, entretanto, não mencionaram nada quanto à supressão da exigência de
declaração judicial do absoluta ou relativamente incapaz. O veto se deu, como se vê no texto
abaixo (grifos nossos), apenas em razão da retirada do trecho “não emancipado” do inciso I,
do art. 16, da Lei n. 8.213/1991.

Senhor Presidente do Senado Federal,


Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1º do art. 66 da Constituição, decidi vetar par-
cialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei de Conversão n. 4, de 2015 (MP
n. 664/14) , que “ Altera as Leis n. 8.213, de 24 de julho de 1991, n. 10.876, de 2 de junho de 2004,
n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990, e n. 10.666, de 8 de maio de 2003, e dá outras providências ”.
Já o Ministério da Fazenda solicitou veto aos dispositivos a seguir transcritos:
Inciso I do art. 16 da Lei n. n. 8.213, de 24 de julho de 1991, alterado pelo art. 1º do projeto de lei
de conversão.
“I - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho de qualquer condição menor de 21 (vinte e
um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave, nos ter-
mos do regulamento;”
Razões do veto
“A medida acabaria por presumir a dependência econômica de filho emancipado, em conflito com
a própria natureza do instituto da emancipação do direito civil. Além disso, o veto não impede que
eventual dependência seja reconhecida, desde que comprovada”.

Não obstante o veto acima, a questão da emancipação como causa para a cessação da
relação de dependência também foi resolvida pelo art. 77, §2º, II, da Lei n. 8.213/1991, que reti-
rou aquela circunstância deste dispositivo legal, conforme comparativo abaixo (grifos nossos):

§ 2º O direito à percepção da cota individual cessará: (Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019)
REDAÇÃO ANTERIOR
II – para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela emancipação ou
ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência intelectual ou
mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente  (Redação
dada pela Lei n. 12.470, de 2011).
REDAÇÃO NOVA SEM A EMANCIPAÇÃO COMO CAUSA DE
II – para filho, pessoa a ele equiparada ou irmão, de ambos os sexos, ao completar 21 (vinte e um)
anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência (Redação dada pela Lei n. 13.135, de 2015).

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Quanto à questão da necessidade ou não de declaração judicial, não fosse a redação dada
ao inciso II, §2º, do art. 77, da Lei n. 8.213/1991, o veto acima, embora não tenha tratado da
questão, implicaria obviamente uma situação de desigualdade na comprovação da invalidez
entre o filho menor de 21 anos e o irmão menor de 21 anos: para aquele continuaria sendo
exigível a declaração judicial de interdição; para este, não mais.
Tal discrepância, contudo, somente permanecia de forma literal e superficial no art. 16,
entre os incisos I e III, da Lei n. 8.213/1991, mas resolvida de certa forma pelo art. 77, §2º, II,
da mesma lei (grifo nosso):

Art. 77.
[...].
§ 2º O direito à percepção da cota individual cessará: (Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019)
I – pela morte do pensionista (Incluído pela Lei n. 9.032, de 1995);
II – para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela emancipação ou ao
completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido (Incluído pela Lei n. 9.032, de 1995);
II – para o filho, a pessoa a ele equiparada ou o irmão, de ambos os sexos, pela emancipação ou
ao completar 21 (vinte e um) anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência intelectual ou
mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente (Redação
dada pela Lei n. 12.470, de 2011);
II – para filho, pessoa a ele equiparada ou irmão, de ambos os sexos, ao completar 21 (vinte e um)
anos de idade, salvo se for inválido ou com deficiência (Redação dada pela Lei n. 13.135, de 2015).

No comparativo acima, a expressão “que o torne absoluta ou relativamente incapaz, as-


sim declarado judicialmente” passou a não mais aparecer no inciso II, do §2º, do art. 77, da
Lei n. 8.213/1991, a partir da Lei n. 13.135/2015.
Assim, com a Lei n. 13.135/2015, tanto o filho inválido quanto o irmão inválido passaram a
ser dispensados da necessidade de obtenção de declaração judicial de suas correspondentes
incapacidades relativas ou absolutas. Ou seja, são dependentes, em tese, pelo simples fato
alegado e provado mediante perícia médica dessa incapacidade, não necessitando de um
processo judicial autônomo e prévio de interdição judicial.
• Alterações promovidas pela Lei n. 13.146/2015

Pouquíssimo tempo depois da edição da Lei n. 13.135/2015, foi aprovada a Lei n. 13.146,
de 06 de julho de 2015. De fato, a publicação da Lei n. 13.146/2015 ocorreu apenas 19 dias
após a publicação da Lei n. 13.135/2015.

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A Lei n. 13.146/2015 instituiu a “Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência


(Estatuto da Pessoa com Deficiência)” e foi, portanto, bastante protetiva ao deficiente espe-
cialmente no que se relaciona ao rol do art. 16, da Lei n. 8.213/1991, pois inseriu mais uma
extensão de deficiência do filho ou irmão do segurado instituidor, acentuando que também
seria ela possível na hipótese de deficiência grave e não apenas no caso de invalidez ou de
deficiência intelectual ou mental.
As circunstâncias geradoras da dependência do filho ou irmão do segurado, em suma,
ficaram da seguinte forma diante da Lei n. 13.146/2015:
• filho ou irmão inválido;
• filho ou irmão com deficiência intelectual;
• filho ou irmão com deficiência mental;
• filho ou irmão com deficiência grave.

São contingências sociais ligeiramente distintas, que se aproximam bastante, mas que,
na prática, por possíveis interpretações duvidosas da autarquia previdenciária, tornavam, por
vezes, inviável a concessão do benefício pretendido ao dependente.
Essa foi uma boa mudança advinda pela Lei n. 13.146/2015.

Mas houve mudança prejudicial em alguma outra questão?

SIM. Perceba que, apesar de a Lei n. 13.146/2015 ter inserido em nosso ordenamento ju-
rídico norma protetiva da pessoa com deficiência, acabou alterando de maneira prejudicial os
incisos I e III, do art. 16, da Lei n. 8.213/1991, pois voltou a exigir que o filho e o irmão inválido
ou deficiente mental intelectual ou, ainda, com deficiência grave, não fossem emancipados no
momento do óbito ou da reclusão do instituidor.
Assim, a partir da Lei n. 13.146/2015, e até hoje, se houver qualquer causa ensejadora de
emancipação, ocorrerá a extinção da relação de dependência para fins previdenciários.
Como se percebe, a lei voltou atrás na proteção social antes ampliada no intento normati-
vo da Lei 13.135/2015, conforme explicamos acima (intento esse que, contudo, jamais entrou

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em vigência, pois a vacatio legis de tal alteração, como vimos acima, era de dois anos e, muito
antes disso, entrou em vigor a Lei n. 13.146/2015).

3.1. Dependentes da 1ª Classe

Os dependentes de classe um ou da 1ª classe são:


• cônjuge;
• companheira;
• companheiro;
• filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos;
• filho inválido;
• filho com deficiência intelectual;
• filho com deficiência mental;
• filho com deficiência grave.

Essa relação de dependentes da classe um foi consolidada normativamente, como vimos


acima, pela Lei n. 13.146/2015.
O primeiro ponto que devemos observar com relação a essa primeira classe de depen-
dentes é que a dependência econômica nesses casos é de presunção absoluta. Existe uma
presunção absoluta de que esses dependentes sobrevivam de modo vinculado à economia
do segurado instituidor.
Veja que o art. 16, § 4º, da Lei n. 8.213/1991, não menciona que se trata de uma presunção
absoluta. A norma menciona apenas que é uma presunção, mas não aponta que essa presun-
ção seja iure et de iure.

Art. 16.
[...].
§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve
ser comprovada.

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Entretanto, a doutrina e a jurisprudência deixam claro que se trata de hipótese na qual


não é necessária a comprovação de dependência econômica em relação ao segurado, sendo
absolutamente presumida a relação de dependência econômica.
Os dependentes da primeira classe são os que naturalmente se relacionam de maneira
mais próxima com o segurado, pelo menos do ponto de vista ordinário das coisas, das bases
tradicionais familiares de nosso país. Observe que existe uma ordem de prioridade na lista-
gem dos dependentes dada pela lei.
Os dependentes da classe um, portanto, são preferenciais em relação aos demais depen-
dentes, e a existência de dependente de qualquer das classes exclui o direito a prestações em
tese possíveis para os das classes seguintes.
Vejamos o que diz a lei sobre isso:

Art. 16.
[...].
§ 1º A existência de dependente de qualquer das classes deste artigo exclui do direito às presta-
ções os das classes seguintes.

Justamente por isso é que quando há extinção de cota de algum dependente da pri-
meira classe, por exemplo, não haverá transferência do direito à pensão por morte para os
dependentes da segunda ou da terceira classes.
Observe que não é o mesmo que readequação do valor da cota por causa da cessação
de pagamento de algum codependente. Nesse caso, se um cônjuge com direito à pensão por
morte vitalícia, por exemplo, recebe, devido ao recebimento concomitante com o filho menor
de 21 anos, apenas metade do valor da pensão por morte deixada pelo cônjuge instituidor,
com o atingimento da idade limite daquele, passará a receber integralmente. Está previsto no
art. 77, §1º, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 77. A pensão por morte, havendo mais de um pensionista, será rateada entre todos em parte
iguais (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995).
§ 1º Reverterá em favor dos demais a parte daquele cujo direito à pensão cessar (Redação dada
pela Lei n. 9.032, de 1995).

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Afora as anotações de cunho geral registradas acima, referentes aos dependentes de


classe um, destacamos abaixo algumas questões importantes a respeito desse 1º escalão
de dependentes.

3.1.1. Quanto ao Cônjuge, ao Companheiro e à Companheira

Gostaria de chamar atenção em relação ao cônjuge no que toca à Súmula 336, do Superior
Tribunal de Justiça, que assim, diz:

SÚMULA N. 336
A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão pre-
videnciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superve-
niente.
Referências: CF/1988, arts. 201, V, e 226, § 3º. Lei n. 8.213/1991, art. 76, §§ 1º e 2º.

Isso quer dizer que o cônjuge que, embora estivesse separado do segurado instituidor ao
tempo do óbito, comprovar que dependia economicamente dele, poderá ter direito à pensão
por morte junto ao INSS.
Cabe anotar que o entendimento fixado na Súmula 336, do Superior Tribunal de Justiça,
não se aplica apenas às situações de separação judicial, mas também se estende aos casos
de divórcio, como naturalmente deveria se concluir, realmente, pois se trata do mesmo fato
gerador de renúncia dos alimentos.
Nesse sentido, observe o seguinte julgado do STJ (conquanto se refira ao regime próprio,
também adotou como fundamento a analogia com a Súmula 336):

ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE


DE SERVIDOR PÚBLICO REQUERIDA POR EX-CÔNJUGE. RENÚNCIA AOS ALIMENTOS
POR OCASIÃO DO DIVÓRCIO NÃO IMPEDE A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. SÚMULA 336/
STJ. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA SUPERVENIENTE DEPENDÊNCIA ECONÔ-
MICA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

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1. Consoante disposto na Súmula 336/STJ: a mulher que renunciou aos alimentos na


separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, compro-
vada a necessidade econômica superveniente.
2. O só fato de a recorrente ter se divorciado do falecido e, à época, dispensado os ali-
mentos, não a proíbe de requerer a pensão por morte, uma vez devidamente compro-
vada a necessidade (REsp. 472.742/RJ, Rel. Min. JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, DJU
31.03.2003).
3. Agravo Regimental desprovido.
(AgRg no REsp 1015252/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, QUINTA
TURMA, julgado em 12/04/2011, DJe 25/04/2011, grifo nosso).

Professor, a Súmula 336, do Superior Tribunal de Justiça, também é aplicável aos casos
de união estável dissolvida?

SIM, também na união estável podemos adotar o entendimento fixado na súmula mencio-
nada, pois se trata do mesmo fato gerador, já que a essência do entendimento jurisprudencial
é proteger a relação de convivência constituída de forma duradoura, pública, com aparência
e afeição marital.
Não haveria mesmo razão para discriminar aqueles que se uniram por meio de uma união
estável, em detrimento da constituição formal do casamento, pois a Constituição Federal de
1988 não faz essa distinção, ao menos para fins previdenciários.
Devemos anotar também que esse entendimento se alarga e vai além para atingir as uni-
ões homoafetivas. Sobre o casamento e a união estável homoafetivos, destacamos o Enun-
ciado 601, da VII Jornada de Direito Civil do CJF/STJ:

É existente e válido o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Já o Supremo Tribunal Federal, embora não tenha tratado especificamente do casamen-


to homoafetivo no Brasil, sacramentou a validade da união estável entre pessoas do mes-
mo sexo, inclusive para fins previdenciários. Isso restou assentado no julgamento conjunto
da ADPF 132 e da ADIn 4277/DF, da Relatoria do ex-ministro Ayres Britto, senão vejamos a
ementa abaixo (grifos nossos):

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ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL (ADPF). PERDA PAR-


CIAL DE OBJETO. RECEBIMENTO, NA PARTE REMANESCENTE, COMO AÇÃO DIRETA DE
INCONSTITUCIONALIDADE. UNIÃO HOMOAFETIVA E SEU RECONHECIMENTO COMO
INSTITUTO JURÍDICO. CONVERGÊNCIA DE OBJETOS ENTRE AÇÕES DE NATUREZA ABS-
TRATA. JULGAMENTO CONJUNTO. Encampação dos fundamentos da ADPF n. 132-RJ
pela ADI n. 4.277-DF, com a finalidade de conferir “interpretação conforme à Constitui-
ção” ao art. 1.723 do Código Civil. Atendimento das condições da ação.
2. PROIBIÇÃO DE DISCRIMINAÇÃO DAS PESSOAS EM RAZÃO DO SEXO, SEJA NO PLANO
DA DICOTOMIA HOMEM/MULHER (GÊNERO), SEJA NO PLANO DA ORIENTAÇÃO SEXUAL
DE CADA QUAL DELES. A  PROIBIÇÃO DO PRECONCEITO COMO CAPÍTULO DO CONS-
TITUCIONALISMO FRATERNAL. HOMENAGEM AO PLURALISMO COMO VALOR SÓCIO-
-POLÍTICO-CULTURAL. LIBERDADE PARA DISPOR DA PRÓPRIA SEXUALIDADE, INSE-
RIDA NA CATEGORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS DO INDIVÍDUO, EXPRESSÃO QUE
É DA AUTONOMIA DE VONTADE. DIREITO À INTIMIDADE E À VIDA PRIVADA. CLÁUSULA
PÉTREA. O sexo das pessoas, salvo disposição constitucional expressa ou implícita em
sentido contrário, não se presta como fator de desigualação jurídica. Proibição de pre-
conceito, à luz do inciso IV do art. 3º da Constituição Federal, por colidir frontalmente
com o objetivo constitucional de “promover o bem de todos”.
Silêncio normativo da Carta Magna a respeito do concreto uso do sexo dos indivíduos
como saque da kelseniana “norma geral negativa”, segundo a qual “o que não estiver
juridicamente proibido, ou obrigado, está juridicamente permitido”.
Reconhecimento do direito à preferência sexual como direta emanação do princípio da
“dignidade da pessoa humana”: direito a autoestima no mais elevado ponto da consci-
ência do indivíduo. Direito à busca da felicidade. Salto normativo da proibição do precon-
ceito para a proclamação do direito à liberdade sexual. O concreto uso da sexualidade
faz parte da autonomia da vontade das pessoas naturais. Empírico uso da sexualidade
nos planos da intimidade e da privacidade constitucionalmente tuteladas. Autonomia da
vontade. Cláusula pétrea.
3. TRATAMENTO CONSTITUCIONAL DA INSTITUIÇÃO DA FAMÍLIA. RECONHECIMENTO
DE QUE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO EMPRESTA AO SUBSTANTIVO “FAMÍLIA”
NENHUM SIGNIFICADO ORTODOXO OU DA PRÓPRIA TÉCNICA JURÍDICA. A  FAMÍLIA

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COMO CATEGORIA SÓCIO-CULTURAL E PRINCÍPIO ESPIRITUAL. DIREITO SUBJETIVO DE


CONSTITUIR FAMÍLIA. INTERPRETAÇÃO NÃO-REDUCIONISTA.
O caput do art. 226 confere à família, base da sociedade, especial proteção do Estado.
Ênfase constitucional à instituição da família. Família em seu coloquial ou proverbial
significado de núcleo doméstico, pouco importando se formal ou informalmente consti-
tuída, ou se integrada por casais heteroafetivos ou por pares homoafetivos.
A Constituição de 1988, ao utilizar-se da expressão “família”, não limita sua formação a
casais heteroafetivos nem a formalidade cartorária, celebração civil ou liturgia religiosa.
Família como instituição privada que, voluntariamente constituída entre pessoas adultas,
mantém com o Estado e a sociedade civil uma necessária relação tricotômica. Núcleo
familiar que é o principal lócus institucional de concreção dos direitos fundamentais que
a própria Constituição designa por “intimidade e vida privada” (inciso X do art. 5º).
Isonomia entre casais heteroafetivos e pares homoafetivos que somente ganha plenitude
de sentido se desembocar no igual direito subjetivo à formação de uma autonomizada
família. Família como figura central ou continente, de que tudo o mais é conteúdo. Impe-
riosidade da interpretação não-reducionista do conceito de família como instituição que
também se forma por vias distintas do casamento civil. Avanço da Constituição Federal
de 1988 no plano dos costumes. Caminhada na direção do pluralismo como categoria
sócio-político-cultural. Competência do Supremo Tribunal Federal para manter, interpre-
tativamente, o Texto Magno na posse do seu fundamental atributo da coerência, o que
passa pela eliminação de preconceito quanto à orientação sexual das pessoas.
4. UNIÃO ESTÁVEL. NORMAÇÃO CONSTITUCIONAL REFERIDA A HOMEM E MULHER,
MAS APENAS PARA ESPECIAL PROTEÇÃO DESTA ÚLTIMA. FOCADO PROPÓSITO CONS-
TITUCIONAL DE ESTABELECER RELAÇÕES JURÍDICAS HORIZONTAIS OU SEM HIERAR-
QUIA ENTRE AS DUAS TIPOLOGIAS DO GÊNERO HUMANO. IDENTIDADE CONSTITUCIO-
NAL DOS CONCEITOS DE “ENTIDADE FAMILIAR” E “FAMÍLIA”. A referência constitucional
à dualidade básica homem/mulher, no §3º do seu art. 226, deve-se ao centrado intuito
de não se perder a menor oportunidade para favorecer relações jurídicas horizontais ou
sem hierarquia no âmbito das sociedades domésticas. Reforço normativo a um mais efi-
ciente combate à renitência patriarcal dos costumes brasileiros. Impossibilidade de uso
da letra da Constituição para ressuscitar o art. 175 da Carta de 1967/1969. Não há como
fazer rolar a cabeça do art. 226 no patíbulo do seu parágrafo terceiro. Dispositivo que,

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ao utilizar da terminologia “entidade familiar”, não pretendeu diferenciá-la da “família”.


Inexistência de hierarquia ou diferença de qualidade jurídica entre as duas formas de
constituição de um novo e autonomizado núcleo doméstico. Emprego do fraseado “enti-
dade familiar” como sinônimo perfeito de família. A Constituição não interdita a forma-
ção de família por pessoas do mesmo sexo. Consagração do juízo de que não se proíbe
nada a ninguém senão em face de um direito ou de proteção de um legítimo interesse de
outrem, ou de toda a sociedade, o que não se dá na hipótese sub judice. Inexistência do
direito dos indivíduos heteroafetivos à sua não-equiparação jurídica com os indivíduos
homoafetivos.
Aplicabilidade do §2º do art. 5º da Constituição Federal, a evidenciar que outros direitos
e garantias, não expressamente listados na Constituição, emergem “do regime e dos
princípios por ela adotados”, verbis: “Os direitos e garantias expressos nesta Constitui-
ção não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos
tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”.
5. DIVERGÊNCIAS LATERAIS QUANTO À FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Anotação de
que os Ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Cezar Peluso convergiram no
particular entendimento da impossibilidade de ortodoxo enquadramento da união homo-
afetiva nas espécies de família constitucionalmente estabelecidas. Sem embargo, reco-
nheceram a união entre parceiros do mesmo sexo como uma nova forma de entidade
familiar. Matéria aberta à conformação legislativa, sem prejuízo do reconhecimento da
imediata autoaplicabilidade da Constituição.
6. INTERPRETAÇÃO DO ART. 1.723 DO CÓDIGO CIVIL EM CONFORMIDADE COM A CONS-
TITUIÇÃO FEDERAL (TÉCNICA DA “INTERPRETAÇÃO CONFORME”). RECONHECIMENTO
DA UNIÃO HOMOAFETIVA COMO FAMÍLIA. PROCEDÊNCIA DAS AÇÕES. Ante a possibi-
lidade de interpretação em sentido preconceituoso ou discriminatório do art.  1.723 do
Código Civil, não resolúvel à luz dele próprio, faz-se necessária a utilização da técnica de
“interpretação conforme à Constituição”. Isso para excluir do dispositivo em causa qual-
quer significado que impeça o reconhecimento da união contínua, pública e duradoura
entre pessoas do mesmo sexo como família. Reconhecimento que é de ser feito segundo
as mesmas regras e com as mesmas consequências da união estável heteroafetiva.
(ADPF 132, Relator(a): Min. AYRES BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em 05/05/2011, DJe-
198 DIVULG 13-10-2011 PUBLIC 14-10-2011 EMENT VOL-02607-01 PP-00001).

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No âmbito do Superior Tribunal de Justiça, a jurisprudência é também nesse sentido, ali-


nhando-se ao que restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal (grifos nossos):

DIREITO DE FAMÍLIA. CASAMENTO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO (HOMO-


AFETIVO). INTERPRETAÇÃO DOS ARTS. 1.514, 1.521, 1.523, 1.535 e 1.565 DO CÓDIGO
CIVIL DE 2002. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO EXPRESSA A QUE SE HABILITEM PARA O
CASAMENTO PESSOAS DO MESMO SEXO. VEDAÇÃO IMPLÍCITA CONSTITUCIONAL-
MENTE INACEITÁVEL. ORIENTAÇÃO PRINCIPIOLÓGICA CONFERIDA PELO STF NO JUL-
GAMENTO DA ADPF N. 132/RJ E DA ADI N. 4.277/DF.
1. Embora criado pela Constituição Federal como guardião do direito infraconstitucional,
no estado atual em que se encontra a evolução do direito privado, vigorante a fase histó-
rica da constitucionalização do direito civil, não é possível ao STJ analisar as celeumas
que lhe aportam “de costas” para a Constituição Federal, sob pena de ser entregue ao
jurisdicionado um direito desatualizado e sem lastro na Lei Maior. Vale dizer, o Superior
Tribunal de Justiça, cumprindo sua missão de uniformizar o direito infraconstitucional,
não pode conferir à lei uma interpretação que não seja constitucionalmente aceita.
2. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto da ADPF n. 132/RJ e da ADI n.
4.277/DF, conferiu ao art. 1.723 do Código Civil de 2002 interpretação conforme à Cons-
tituição para dele excluir todo significado que impeça o reconhecimento da união contí-
nua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar, enten-
dida esta como sinônimo perfeito de família.
3. Inaugura-se com a Constituição Federal de 1988 uma nova fase do direito de família
e, consequentemente, do casamento, baseada na adoção de um explícito poliformismo
familiar em que arranjos multifacetados são igualmente aptos a constituir esse núcleo
doméstico chamado “família”, recebendo todos eles a “especial proteção do Estado”.
Assim, é bem de ver que, em 1988, não houve uma recepção constitucional do conceito
histórico de casamento, sempre considerado como via única para a constituição de famí-
lia e, por vezes, um ambiente de subversão dos ora consagrados princípios da igualdade
e da dignidade da pessoa humana. Agora, a concepção constitucional do casamento -
diferentemente do que ocorria com os diplomas superados - deve ser necessariamente
plural, porque plurais também são as famílias e, ademais, não é ele, o casamento, o des-

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tinatário final da proteção do Estado, mas apenas o intermediário de um propósito maior,


que é a proteção da pessoa humana em sua inalienável dignidade.
4. O pluralismo familiar engendrado pela Constituição - explicitamente reconhecido em
precedentes tanto desta Corte quanto do STF - impede se pretenda afirmar que as famí-
lias formadas por pares homoafetivos sejam menos dignas de proteção do Estado, se
comparadas com aquelas apoiadas na tradição e formadas por casais heteroafetivos.
5. O que importa agora, sob a égide da Carta de 1988, é que essas famílias multiformes
recebam efetivamente a “especial proteção do Estado”, e é tão somente em razão desse
desígnio de especial proteção que a lei deve facilitar a conversão da união estável em
casamento, ciente o constituinte que, pelo casamento, o  Estado melhor protege esse
núcleo doméstico chamado família.
6. Com efeito, se é verdade que o casamento civil é a forma pela qual o Estado melhor
protege a família, e  sendo múltiplos os “arranjos” familiares reconhecidos pela Carta
Magna, não há de ser negada essa via a nenhuma família que por ela optar, independen-
temente de orientação sexual dos partícipes, uma vez que as famílias constituídas por
pares homoafetivos possuem os mesmos núcleos axiológicos daquelas constituídas por
casais heteroafetivos, quais sejam, a dignidade das pessoas de seus membros e o afeto.
[...].
9. Não obstante a omissão legislativa sobre o tema, a  maioria, mediante seus repre-
sentantes eleitos, não poderia mesmo “democraticamente” decretar a perda de direitos
civis da minoria pela qual eventualmente nutre alguma aversão. Nesse cenário, em regra
é o Poder Judiciário - e não o Legislativo - que exerce um papel contramajoritário e pro-
tetivo de especialíssima importância, exatamente por não ser compromissado com as
maiorias votantes, mas apenas com a lei e com a Constituição, sempre em vista a prote-
ção dos direitos humanos fundamentais, sejam eles das minorias, sejam das maiorias.
Dessa forma, ao contrário do que pensam os críticos, a democracia se fortalece, porquanto
esta se reafirma como forma de governo, não das maiorias ocasionais, mas de todos.
10. Enquanto o Congresso Nacional, no caso brasileiro, não assume, explicitamente,
sua coparticipação nesse processo constitucional de defesa e proteção dos socialmente
vulneráveis, não pode o Poder Judiciário demitir-se desse mister, sob pena de aceitação
tácita de um Estado que somente é “democrático” formalmente, sem que tal predicativo
resista a uma mínima investigação acerca da universalização dos direitos civis.

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11. Recurso especial provido.


(REsp 1183378/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
25/10/2011, DJe 01/02/2012, grifos nossos).

Posteriormente, o Conselho Nacional de Justiça normatizou a possibilidade de os Cartó-


rios de Registros Civis de Pessoais Naturais realizarem casamento entre pessoas do mesmo
sexo, indo além, portanto, da decisão proferida na ADPF 132, o qual foi consignado na Reso-
lução 175/2013 do CNJ. Por fim, a questão veio a ser regulada pelo próprio INSS, conforme
art. 130, da Instrução Normativa INSS n. 77/15:

Art. 130. De acordo com a Portaria MPS n. 513, de 9 de dezembro de 2010, publicada no DOU, de 10
de dezembro de 2010, o companheiro ou a companheira do mesmo sexo de segurado inscrito no
RGPS integra o rol dos dependentes e, desde que comprovada a união estável, concorre, para fins
de pensão por morte e de auxílio-reclusão, com os dependentes preferenciais de que trata o inciso
I do art. 16 da Lei n. 8.213, de 1991, para óbito ou reclusão ocorridos a partir de 5 de abril de 1991,
conforme o disposto no art. 145 do mesmo diploma legal, revogado pela MP n. 2.187-13, de 2001.

Assim, embora a companheira ou o companheiro, de qualquer orientação sexual ou qual-


quer cônjuge não necessite, à época do óbito, comprovar a dependência econômica, no mo-
mento que eles renunciam aos alimentos, deverão posteriormente comprovar a superveniente
relação de dependência econômica com o segurado instituidor.
A essência da Súmula 336, STJ, decorre de mera extensão axiológica da percepção de que
os alimentos são fixados sempre de acordo com o binômio possibilidade e necessidade. Possi-
bilidade de quem paga os alimentos e necessidade de quem os recebe. Desse modo, o recebi-
mento da pensão por morte a companheira ou companheiro vai na linha das bases valorativas
que regulam o recebimento da pensão alimentícia, já que que esta, embora seja renunciável na
separação, continua sendo direito indisponível regido pela cláusula rebus sic stantibus.
É importante, nesse sentido, você se questionar de que maneira essa comprovação de
dependência econômica posterior seria possível entre um casal separado ou divorciado. Não
há dificuldades quanto a isso. Primeiramente, porque nem sempre os casais se separam ou
divorciam de maneira conflituosa, remanescendo, não raro, uma relação de amizade e frater-
nidade, que fomenta, eventualmente, uma relação de dependência econômica.

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Não é raro perceber também que, nas relações em que houve filho em comum, ocorra com
frequência ajuda mútua para a manutenção do lar de um dos cônjuges separados ou divor-
ciados em prol dos filhos em comum.
A comprovação, portanto, pode ser por meio da prestação de alimentos in natura ou ainda
de qualquer outro elemento de ajuda ou cooperação persistente em relação ao cônjuge.

E as pessoas que são separadas de fato podem ser consideradas companheiras para fins
previdenciários?

A princípio, o art. 16, §3º, da Lei n. 8.213/1991, daria indicação de que não, pois diz esse
dispositivo que (grifos nossos):

§ 3º Considera-se companheira ou companheiro a pessoa que, sem ser casada, mantém união es-
tável com o segurado ou com a segurada, de acordo com o § 3º do art. 226 da Constituição Federal.

Como vemos, a disposição normativa do referido artigo da lei previdenciária exige que a
pessoa não seja casada, impedindo que pessoas separadas de fato, ou seja, com a constitui-
ção formal do casamento ainda vigente, possam estabelecer união estável.
De outro lado, o artigo 1723 do Código Civil trata a Constituição da união estável de modo
diferente, pois permite expressamente a relação de companheirismo, conquanto que os con-
viventes ainda estejam separados de fato.

Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, confi-
gurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição
de família.
§  1º A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art.  1.521; não se
aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada se achar separada de fato ou
judicialmente.
......................................................................................................
Art. 1.521. Não podem casar:
I – Os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II – Os afins em linha reta;
III – O adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;
IV – Os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
V – O adotado com o filho do adotante;
VI – As pessoas casadas; [...].

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Notamos que a lei civil considera, para fins de constituição de união estável, que a sepa-
ração de fato e a separação judicial não traduzem situação regular de casamento. Por isso,
não se aplica o disposto no inciso VI, do art. 1.521, CC, no caso de a pessoa casada se achar
separada de fato ou judicialmente.
Diante desse aparente conflito de normas, coube ao regulamento expressar melhor a von-
tade do legislador. Cumpre observar que a norma regulamentadora da lei previdenciária tratou
de explicitar que aquele conflito não prevaleceria, de modo que em seu art. 16, §6º, do Decreto
n. 3.048/1999, prescreveu-se que deve ser aplicado o art. 1.723, §1º, do Código Civil. Sendo
assim, como vimos na transcrição da lei civil acima será possível a ocorrência de união es-
tável entre pessoas casadas que já estejam separadas de fato ou judicialmente, perante a
autarquia previdenciária.
Vejamos o referido artigo 16, §§ 5º e 5º, do Decreto n. 3.048/1999 (grifo nosso):

Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
[...]
§ 5º Considera-se companheira ou companheiro a pessoa que mantenha união estável com o se-
gurado ou segurada.
§ 6º Considera-se união estável aquela configurada na convivência pública, contínua e duradou-
ra entre o homem e a mulher, estabelecida com intenção de constituição de família, observado
o § 1º do art. 1.723 do Código Civil, instituído pela Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Redação
dada pelo Decreto n. 6.384, de 2008).

Observemos uma questão recorrente na prática previdenciária, sobretudo nas cidades do


interior e nos rincões do país, cujos costumes são muito diversos dos costumes das grandes
cidades brasileiras, especialmente no que toca à constituição das famílias e das relações de
casamento e união estável. É muito comum, por exemplo, que menores de 16 anos constitu-
am união estável ou se casem, efetivamente, nessas cidades.

É possível o reconhecimento da união estável para menores de 16 anos?

Imediatamente, a resposta administrativa dada pelo INSS é NÃO. Pela postura adminis-
trativa do INSS, não podem estabelecer união estável ou casamento, para fins previdenciá-

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rios, os menores de 16 anos, que está previsto claramente na Instrução Normativa INSS n.
77/2015, conforme alterações dadas pela Instrução Normativa INSS n. 85/2016.
Vejamos, antes, a conceituação de união estável dada pelo INSS nos referidos normativos:

Art. 122. Considera-se por companheira ou companheiro a pessoa que mantém união estável com
o segurado ou a segurada, sendo esta configurada na convivência pública, contínua e duradoura,
estabelecida com intenção de constituição de família, observando que não constituirá união está-
vel a relação entre:
I – Os ascendentes com os descendentes seja o parentesco natural ou civil;
II – Os afins em linha reta;
III – O adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o foi do adotante;
IV – Os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro grau inclusive;
V – O adotado com o filho do adotante;
VI – As pessoas casadas; e
VII – O cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o
seu consorte.
Parágrafo único. Não se aplica a incidência do inciso VI do caput no caso de a pessoa casada se
achar separada de fato, judicial ou extrajudicialmente.

Agora, observemos as alterações normativas proibitivas inseridas pela IN INSS 85/16


(grifos nossos):

§  2º Não é possível o reconhecimento da união estável, bem como dos efeitos previdenciários
correspondentes, quando um ou ambos os pretensos companheiros forem menores de dezes-
seis anos.
§ 3º Em se tratando de companheiro(a) maior de dezesseis e menor de dezoito anos, dada a in-
capacidade relativa, o reconhecimento da união estável está condicionado à apresentação de de-
claração expressa dos pais ou representantes legais, atestando que conheciam e autorizavam a
convivência marital do menor.”

Havia certa dúvida na manutenção de tal entendimento perante o que dispunha o Código
Civil, no que toca à fixação da idade núbil e suas exceções. As disposições do Código Civil
sobre o tema estão insertas no art. 1.517 e seguintes (grifos nossos):

Da Capacidade PARA O CASAMENTO


Art. 1.517. O homem e a mulher com dezesseis anos podem se casar, exigindo-se autorização de
ambos os pais, ou de seus representantes legais, enquanto não atingida a maioridade civil.

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Parágrafo único. Se houver divergência entre os pais, aplica-se o disposto no parágrafo único
do art. 1.631.
Art. 1.518. Até à celebração do casamento podem os pais, tutores ou curadores revogar a autori-
zação.
Art. 1.518. Até a celebração do casamento podem os pais ou tutores revogar a autorização (Reda-
ção dada pela Lei n. 13.146, de 2015) (Vigência).
Art. 1.519. A denegação do consentimento, quando injusta, pode ser suprida pelo juiz.
Art. 1.520. Excepcionalmente, será permitido o casamento de quem ainda não alcançou a idade
núbil (art. 1517 ), para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez.
Art. 1.520. Não será permitido, em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a idade núbil,
observado o disposto no art. 1.517 deste Código (Redação dada pela Lei n. 13.811, de 2019).

Perceba que a idade núbil fixada é de 16 anos, de modo que, para os relativamente incapa-
zes, ou seja, para os nubentes que pretendam se casar entre os dezesseis e os dezoito anos,
deverá haver autorização dos pais ou de seus representantes legais para que isso ocorra.
Em suma:
• casamento sem necessidade de qualquer autorização: a partir dos 18 anos de idade;
• casamento com necessidade de autorização de ambos os pais ou de seus represen-
tantes legais: entre os 16 e os 18 anos de idade;
• casamento vedado, ainda que com autorização: para os menores de 16 anos, sem qual-
quer hipótese de exceção a partir da Lei n. 13.811/2019.

Veja que a Lei n. 13.811/2019 deu nova redação ao art. 1.520/CC, que permitia excepcio-
nalmente o casamento de quem ainda não tinha atingido a idade núbil para evitar imposição
ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez.
Desde a edição da Lei n. 13.811/2019, passa a não ser permitido “em qualquer caso” o
casamento de quem não atingiu a idade núbil.
Se isso ocorrer, o casamento será anulável, nos termos do art. 1.550, inciso I, do Código
Civil:

Art. 1.550. É anulável o casamento:


I – De quem não completou a idade mínima para casar;

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Curioso observar que o art. 1.551, do Código Civil parece ainda dar uma brecha para que
haja uma exceção à invalidade do casamento por quem for menor de 16 anos. É que, con-
quanto o art. 1.520/CC assevere que não será permitido em qualquer caso o casamento por
menores de 16 anos, o art. 1.551/CC (grifos nossos) assinala que NÃO será anulável o casa-
mento se dele resultar gravidez.

Art. 1.551. Não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou gravidez.

A Instrução Normativa 77/2015, com as alterações advindas pela Instrução Normativa


INSS 85/2016, não abordou essa especificidade, ou seja, nada diz em relação ao casamento
do menor de 16 anos de idade se dele resultar gravidez.

Poderíamos, então, considerar a relação de dependente nessas hipóteses?

Essa questão não foi enfrentada de modo vinculante pelos Tribunais Superiores ou pela
TNU ainda, mas penso que em alguns casos, sim. Há que se considerar situações excepcio-
nais, já que, em alguns casos, a norma que estaria visando à proteção dos menores de 16
anos, acabaria, na prática, causando um impacto desproporcional e antiprotetivo. Para qual-
quer categoria de segurado e de dependente, é necessária a comprovação da idade mínima
de 16 anos.
Isso está previsto, inclusive, no art. 18, §2º, do Decreto n. 3.048/1999 (grifo nosso):

Art. 18. Considera-se inscrição de segurado para os efeitos da previdência social o ato pelo qual o
segurado é cadastrado no Regime Geral de Previdência Social, mediante comprovação dos dados
pessoais e de outros elementos necessários e úteis a sua caracterização, observado o disposto no
art. 330 e seu parágrafo único, na seguinte forma: (Redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 1999)
I – O empregado e trabalhador avulso - pelo preenchimento dos documentos que os habilitem ao
exercício da atividade, formalizado pelo contrato de trabalho, no caso de empregado, observado o
disposto no § 2º do art. 20, e pelo cadastramento e registro no sindicato ou órgão gestor de mão-
-de-obra, no caso de trabalhador avulso (Redação dada pelo Decreto n. 6.722, de 2008).
II – Empregado doméstico - pela apresentação de documento que comprove a existência de con-
trato de trabalho.
III – Contribuinte individual - pela apresentação de documento que caracterize a sua condição ou
o exercício de atividade profissional, liberal ou não (Redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 1999).

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IV – Segurado especial - pela apresentação de documento que comprove o exercício de atividade


rural (Redação dada pelo Decreto n. 3.265, de 1999).
V – Facultativo - pela apresentação de documento de identidade e declaração expressa de que não
exerce atividade que o enquadre na categoria de segurado obrigatório (Redação dada pelo Decreto
n. 3.265, de 1999).
§ 1º A inscrição do segurado de que trata o inciso I será efetuada diretamente na empresa, sindi-
cato ou órgão gestor de mão-de-obra e a dos demais no Instituto Nacional do Seguro Social (Re-
dação dada pelo Decreto n. 3.265, de 1999).
§ 2º A inscrição do segurado em qualquer categoria mencionada neste artigo exige a idade mínima
de dezesseis anos.

Há peculiaridades que devem ser observadas na fixação da idade mínima dos 16 anos e,
desta forma, na vedação do recebimento de benefícios quando o segurado ou dependente for
absolutamente incapaz.
Um exemplo é o do salário-maternidade, cuja concessão, embora seja dirigida à gestante,
possui como destinatário final das verbas alimentícias prestadas pela autarquia previdenciá-
ria, essencialmente, o nascituro.

O nascituro, como dependente de uma possível segurada menor de 16 anos, sua genitora,
poderá receber o benefício de salário-maternidade? O INSS poderá negar tal benefício
pelo simples fato do critério etário?

A jurisprudência tem entendido em alguns casos que não.


Um caso peculiar, nesse sentido, é o do salário-maternidade em caso de gravidez antes
dos 16 anos por genitoras indígenas. Trata-se de um excelente exemplo, a meu ver, de que
o princípio pro homine orienta a melhor interpretação da norma de seguridade social, para
ajustá-la à máxima eficácia da proteção social, sendo que, para tanto, não há como ignorar
os costumes locais, as tradições e o modo de viver afetos a determinadas regiões ou culturas.
Aliás, afora o princípio pro homine, nessas hipóteses, poderíamos citar o princípio da unifor-
midade e equivalência de benefícios entre as populações urbanas e rurais.

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O princípio da equivalência e uniformidade dos benefícios e serviços entre as populações


urbanas e rurais é decorrente do princípio geral da seguridade social previsto no art. 194, pa-
rágrafo único, inciso II, CF. Intenta-se, por meio desse pilar principiológico, vedar distinções
não razoáveis entre as populações urbanas e rurais em relação aos benefícios e serviços
oferecidos no RGPS.

O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp n. 1.709.883/RS, já definiu que a


menores de 16 anos indígenas não pode ser negado o benefício de salário-maternidade em
favor de seus filhos, pelo simples critério da idade mínima, conforme abaixo (grifos nossos):

PREVIDENCIÁRIO. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. INDÍGENAS MENORES DE 16 (DEZESSEIS)


ANOS. CONDIÇÃO DE SEGURADAS ESPECIAIS. CONCESSÃO DE SALÁRIO-MATERNI-
DADE. CABIMENTO. PRECEDENTES.
1. Cuida-se, na origem, de Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público Federal
contra o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, em que objetiva que o réu se abste-
nha de indeferir, exclusivamente por motivo de idade, os requerimentos de benefícios de
salário-maternidade formulados pelas seguradas indígenas da cultura Mbyá-Guarani
provenientes de qualquer cidade de competência. A sentença de procedência foi man-
tida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
2. O acórdão impugnado está em consonância com o entendimento do STJ em casos
idênticos aos dos autos.
Por emblemático, transcreve-se trecho do REsp 1.650.697/RS:
“3. O sistema previdenciário protege os indígenas, caso desempenhem trabalho remu-
nerado. A Constituição da República de 1988, a Convenção 129 da Organização Interna-
cional do Trabalho e o Estatuto do Índio são uníssonos ao proteger os direitos indígenas
e garantir à esta população, no tocante ao sistema previdenciário, o mesmo tratamento
conferido aos demais trabalhadores.
4. A limitação etária não tem o condão de afastar a condição de segurada especial das
indígenas menores de 16 (dezesseis) anos, vedando-lhes o acesso ao sistema de pro-

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teção previdenciária estruturado pelo Poder Público. Princípio da primazia da verdade.


as  regras de proteção das crianças e adolescentes não podem ser utilizadas com o
escopo de restringir direitos.
5. Nos casos em que ocorreu, ainda que de forma indevida, a prestação do trabalho pela
menor de 16 (dezesseis) anos, é preciso assegurar a essa criança ou adolescente, ainda
que indígena, a proteção do sistema previdenciário, desde que preenchidos os requisitos
exigidos na lei, devendo ser afastado o óbice etário”.
(REsp 1.650.697/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe
4/5/2017).
No mesmo sentido: AgRg no REsp 1559760/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda
Turma, DJe 14/12/2015; REsp 1440024/RS, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho,
Primeira Turma, DJe 28/08/2015.
3. Recurso Especial não provido.
(REsp 1709883/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em
06/11/2018, DJe 19/11/2018).

Com relação ao concubinato, é possível o reconhecimento da relação de dependência?


Ou seja, o concubinato é aceito para fins previdenciários?

NÃO, não é aceito. Esse é o pensamento da jurisprudência consolidada tanto no Supremo


Tribunal Federal quanto no Superior Tribunal de Justiça.
No Supremo Tribunal Federal, a  questão foi enfrentada em 2009, no julgamento do RE
590.779, decidindo-se no sentido de que a proteção social dada pelo Estado não poderia estar
voltada a legitimar relações de união estável ilegítimas e contrárias ao ordenamento jurídico.
Na ocasião, deixou-se bem clara a distinção entre companheira e concubina:

COMPANHEIRA E CONCUBINA - DISTINÇÃO.


Sendo o Direito uma verdadeira ciência, impossível é confundir institutos, expressões e
vocábulos, sob pena de prevalecer a babel.
UNIÃO ESTÁVEL - PROTEÇÃO DO ESTADO. A proteção do Estado à união estável alcança
apenas as situações legítimas e nestas não está incluído o concubinato.

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PENSÃO - SERVIDOR PÚBLICO - MULHER - CONCUBINA - DIREITO. A  titularidade da


pensão decorrente do falecimento de servidor público pressupõe vínculo agasalhado
pelo ordenamento jurídico, mostrando-se impróprio o implemento de divisão a benefi-
ciar, em detrimento da família, a concubina.
(RE 590779, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/02/2009,
DJe-059 DIVULG 26-03-2009 PUBLIC 27-03-2009 EMENT VOL-02354-05 PP-01058
RTJ VOL-00210-02 PP-00934 RB v. 21, n. 546, 2009, p. 21-23 LEXSTF v. 31, n. 363, 2009,
p. 292-301 RJTJRS v. 46, n. 279, 2011, p. 33-38 RMP n. 42, 2011, p. 213-219)

Nada obstante, a questão pende de julgamento sob o regime da repercussão geral, o que
se espera ser resolvido por meio do julgamento do RE 669.465.
Transcrevo abaixo a ementa do julgado que reconheceu a repercussão geral a respeito do
tema (grifo nosso):

PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. CONCUBINATO IMPURO DE LONGA DURAÇÃO.


EFEITOS PARA FINS DA PROTEÇÃO DO ESTADO À QUE ALUDE O ARTIGO 226, § 3º, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL.
(RE 669465 RG, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 08/03/2012, ACÓRDÃO ELETRÔ-
NICO DJe-202 DIVULG 15-10-2012 PUBLIC 16-10-2012).

Ao que consta, o objeto central do julgado acima será o enfrentamento de eventual discri-
men normativo a ser dado à relação de concubinato de longa duração.
A situação denominada “concubinato de longa duração” assemelha-se ao que não raro
nos defrontamos na prática da judicatura, quando avistamos a disputa da pensão por morte
por efetivamente duas companheiras ou uma viúva e outra companheira, denotando espécie
de bigamia relativamente consentida.
Em resumo, nesses casos, o instituidor da pensão morreu e depois se descobriu que manti-
nha, por longos e longos anos, duas mulheres e, consequentemente, duas famílias efetivamente.
Fato que não é raro, devendo ter tratamento normativo adequado. No âmbito do STF,
aquele RE 669.465 foi baixado, posteriormente, tendo sido substituído pelo RE 883.168/SC,
que remanesceu como representativo do TEMA 526 dos recursos afetados ao regime da re-
percussão geral.

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Ainda se encontra pendente de julgamento, mas é interessante observar desde já o enten-


dimento esposado no parecer apresentado pela Procuradoria-Geral da República no bojo dos
autos (grifos nossos):

DIREITO CONSTITUCIONAL, PREVIDENCIÁRIO E DE FAMÍLIA. RECURSO EXTRAORDINÁ-


RIO. REPERCUSSÃO GERAL. TEMA 526. CONCUBINATO DE LONGA DURAÇÃO. EFEITOS
PREVIDENCIÁRIOS. PENSÃO ESPECIAL DE EX-COMBATENTE. DISTINÇÃO ENTRE UNIÃO
ESTÁVEL E CONCUBINATO. ALCANCE DA PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DAS FAMÍ-
LIAS. NOVAS CONCEPÇÕES DE FAMÍLIA E DE CONJUGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE
CONFERIR TRATAMENTO IGUALITÁRIO A SITUAÇÕES DIFERENCIADAS. COGÊNCIA DOS
DEVERES INERENTES AO MATRIMÔNIO E DOS IMPEDIMENTOS PREVISTOS NA LEGIS-
LAÇÃO. PROVIMENTO DO RECURSO.
1 – Proposta de Tese de Repercussão Geral – Tema 526:
É possível o reconhecimento de efeitos previdenciários ao concubinato, quando pre-
sentes as condições para sua equiparação à união estável, mas não ao concubinato
adulterino.
2 – Recurso extraordinário que discute a possibilidade de o concubinato de longa dura-
ção gerar efeitos previdenciários.
3 – Os impedimentos ao casamento e os deveres matrimoniais estabelecidos no Código
Civil são normas cogentes, de modo que não se deve admitir interpretações extensivas
que as derroguem, tampouco o seu afastamento pela vontade das partes.
4 – A equivalência de reconhecimento entre o casamento e a união estável, como núcleos
familiares que gozam de especial proteção do Estado, acarreta justificadas assimetrias
em relação ao concubinato, porquanto o impedimento listado na legislação, razão precí-
pua da distinção entre concubinato e união estável, é norma cogente.
5 – É compatível com o texto constitucional o tratamento diferenciado dispensado,
para fins de direitos previdenciários, entre a concubina e à companheira ou cônjuge
sobreviventes.
6 – Não é possível fixar em abstrato o conceito de concubinato de longa duração, pois
tal delimitação reclama a referência a dados concretos acerca do vínculo estabelecido.
7 – Parecer pelo provimento do recurso extraordinário, com adoção da tese acima pro-
posta.

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A proposta da tese a ser fixada no TEMA 526, portanto, é de que seja analisada caso a caso
a longa duração do concubinato, vislumbrando seus efeitos previdenciários apenas na hipóte-
se de se aproximar do cumprimento dos requisitos exigíveis em abstrato para a união estável.
Em outras palavras, o parecer do PGR foi no sentido de que, em havendo “duas uniões es-
táveis”, poderia existir, em tese, repercussão do enlace de longa duração no âmbito previden-
ciário, garantindo-se proteção social pela pensão por morte à concubina que, de certo modo,
teria se relacionado como companheira.
Já na Turma Nacional de Uniformização, podemos citar o julgado realizado no bojo do
PEDILEF 2008.72.95.001366-8/ SC, que assinalou a impossibilidade de se conferir qualquer
tratamento previdenciário favorável à concubina, ainda que decorrente do chamado “concu-
binato de longa duração”.

Em revisão
Situação
Tema 15 - Tema 526/ Ramo do direito DIREITO PREVIDENCIÁRIO
do tema
STF
Questão submetida a Saber se pode haver rateio de pensão entre esposa e concubina no regime de
julgamento concubinato impuro.
A pensão por morte não deve ser rateada entre a viúva e a concubina, pois a
Tese firmada
relação extraconjugal paralela ao casamento não configura união estável.
Decisão de Trânsito em
Processo Relator(a) Julgado em Acórdão publicado em
afetação julgado
Juíza Fede-
ral Simone
PEDILEF
dos Santos 11/10/2011 28/10/2011 18/11/2011
2008.72.95.001366-8/ SC
Lemos Fer-
nandes

Não podemos concordar, data venia, com o entendimento acima, que, como dito, mostra
que essa situação não é rara, sendo frequente que entre a real companheira e a concubina de
longa duração haja certo conhecimento e assentimento recíprocos.
De todo modo, perceba que o TEMA 15 dos representativos de controvérsia da TNU, se-
gundo acima colacionado, está assinalado como sendo objeto de possível revisão, à vista da
pendência de julgamento do TEMA 526 no âmbito do Supremo Tribunal Federal.
Você sabe como é feita a prova da união estável?

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Até pouco tempo atrás, a prova da união estável não exigia início de prova material, permi-
tindo, em tese, prova unicamente testemunhal. Recentemente, entretanto, com aprovação da
Medida Provisória n. 871/2019, convertida, posteriormente, na Lei n. 13.846, de 18 de junho de
2019, foi inserida a exigência de que essa comprovação seja feita por meio de início de prova
material, não se admitindo mais prova testemunhal isolada, salvo motivo de força maior ou
caso fortuito, conforme §5º incluído no art. 16, da Lei n. 8.213/1991.

§ 5º As provas de união estável e de dependência econômica exigem início de prova material con-
temporânea dos fatos, produzido em período não superior a 24 (vinte e quatro) meses anterior à
data do óbito ou do recolhimento à prisão do segurado, não admitida a prova exclusivamente tes-
temunhal, exceto na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, conforme disposto no
regulamento (incluído pela Lei n. 13.846, de 2019).

Perceba que a lei estabeleceu um intervalo de tempo relativo ao qual deverá haver a com-
provação da união estável por início de prova material. Assim, o início de prova material deve
ser contemporâneo aos fatos, devendo ter sido produzido, para isso, nos últimos 24 meses
anteriores ao óbito do instituidor.
Tal exigência, de início de prova documental e vedação de prova unicamente testemunhal,
também foi dirigida para a comprovação da dependência econômica nos casos em que a
classe de dependentes exigir. É que os companheiros e companheiras não precisam compro-
var a dependência econômica, mas os dependentes da classe dois e três precisam, conforme
previsto no art. 16, §4º, da Lei n. 8.213/1991:

§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve
ser comprovada.

Assim, em suma, a dependência econômica na relação de união estável é presumida, mas


a relação de união estável em si precisará ser comprovada perante o INSS de modo mais rí-
gido do que a relação de casamento, pois esta demanda somente a apresentação de certidão
de casamento.
Para se comprovar a união estável, serão necessários:
• que haja início de prova material revelando que se tratava de relação pública, notória,
duradoura, estável, ou seja, que apresentava a chamada affectio maritalis;

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• que a comprovação acima seja efetivamente por início de prova material, podendo ser
complementada por prova testemunhal idônea, não sendo possível, porém, que haja
unicamente prova testemunhal;
• que a comprovação acima se escore em início de prova material contemporânea aos
fatos narrados, isto é, nos termos da lei, que tenha sido produzida dentro do intervalo
máximo de 24 meses anteriores ao óbito do segurado instituidor.

É de se perceber, portanto, que a prova da união estável, a partir dessa alteração normativa, passou
a ser feita igualmente ao que se exige na comprovação de tempo de contribuição ou tempo de ser-
viço, conforme já prescrevia a norma previdenciária no art. 55, §3º, da Lei n. 8.213/1991:
Art.  55.  O tempo de serviço será comprovado na forma estabelecida no Regulamento, compre-
endendo, além do correspondente às atividades de qualquer das categorias de segurados de que
trata o art. 11 desta Lei, mesmo que anterior à perda da qualidade de segurado:
[...].
§ 3º A comprovação do tempo de serviço para os fins desta Lei, inclusive mediante justificativa
administrativa ou judicial, observado o disposto no art. 108 desta Lei, só produzirá efeito quando
for baseada em início de prova material contemporânea dos fatos, não admitida a prova exclusi-
vamente testemunhal, exceto na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, na forma
prevista no regulamento (Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019).

Essa sistemática chumbada de comprovação – início de prova material mais prova tes-
temunhal – já era, aliás, exigida nas situações assemelhadas às que abordamos acima, rela-
tivamente à Súmula 336, do STJ, que sempre foi o entendimento do INSS, conforme se pode
observar do art. 373, da Instrução Normativa INSS 77/15:

Art. 373. No caso de requerimento de pensão por morte com declaração de separação de fato em
benefício assistencial anterior, será devido o benefício de pensão por morte, desde que comprova-
do o restabelecimento do vínculo conjugal, na forma do § 3º do art. 22 do RPS.
§  1º A certidão de casamento não poderá ser utilizada como um dos documentos para a com-
provação do restabelecimento do vínculo conjugal, bem como não poderá ser comprovado esse
restabelecimento exclusivamente por meio de prova testemunhal.

De um modo geral, em verdade, já era exigida pelo INSS também na comprovação da


união estável:

Art. 575. O processamento da JA ou Justificação Judicial JJ, para fins de comprovação de tempo


de serviço ou de contribuição, dependência econômica, união estável, identidade e relação de pa-
rentesco, só produzirão efeitos quando baseadas em início de prova material, não sendo admitida
prova exclusivamente testemunhal.

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A sistemática também segue a lógica da comprovação do trabalho prestado em condi-


ções de segurado especial, conforme doutrina e jurisprudência sinalizam, em especial por
meio que restou cristalizado na Súmula 149, do STJ:

SÚMULA N. 149
A prova exclusivamente testemunhal não basta a comprovação da atividade rurícola,
para efeito da obtenção de benefício previdenciário.
Referência: CF/1988, art. 202. Lei Complementar n. 16/1973. Lei n. 8.213/1991, art. 55,
§ 3º. Decreto n. 83.080/1979, art. 57, § 5º.

Diante disso, podemos afirmar que não há mais no sistema de valoração da prova, no que
toca à consideração da união estável, o sistema de livre convencimento motivado, mas o de
prova tarifada.
Entenda, nada obstante essa alteração, que essa regra não pode ser aplicada aos proces-
sos administrativos ou judiciais em curso. Em verdade, a data do óbito - ou, eventualmente,
de outro fato gerador do benefício previdenciário a ser requerido, no qual se fundamenta a
relação de dependência por meio da comprovação de união estável – é que servirá de baliza
para a aplicação ou não dessa mudança. É que se trata de direito material e não de direito
processual. A doutrina de Frederico Amado, contudo, aponta no sentido contrário2:

Vale registrar que se cuida de regra processual inerente à prova da condição de dependente, de
modo que possui aplicação imediata a todos os processos pendentes de decisão para óbitos an-
teriores à vigência da alteração normativa, pois somente regras de direito material não possuem
retroação.

Por fim, cabe destacar que a Lei n. 13.846/2019 acrescentou um requisito temporal para
que a união estável:

§ 6º Na hipótese da alínea c do inciso V do § 2º do art. 77 desta Lei, a par da exigência do § 5º deste
artigo, deverá ser apresentado, ainda, início de prova material que comprove união estável por pelo
menos 2 (dois) anos antes do óbito do segurado (Incluído pela Lei n. 13.846, de 2019).

2
AMADO, Frederico. Curso de Direito e Processo Previdenciário. 11ª edição. Salvador, Editora JusPodvim, 2019, p. 577.

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3.1.2. Quanto aos filhos de qualquer condição, menor de 21 anos ou inváli-


do ou com deficiência intelectual, mental ou grave

Já abordamos algumas questões pertinentes aos regramentos relacionados a cônjuge,


companheiro ou companheira como dependentes do segurado. Agora, ainda no estudo das
espécies de dependentes da classe 1, vamos abordar certos aspectos importantes dos filhos
dos segurados, que são os seguintes:
• filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos;
• filho inválido;
• filho com deficiência intelectual;
• filho com deficiência mental;
• filho com deficiência grave.

Primeiramente, cabe apontar o que significa a expressão “filhos de qualquer condição”.


O significado da expressão normativa objetiva impedir qualquer forma de discriminação de
filhos havidos dentro ou fora do casamento, eventualmente decorrentes de relação extracon-
jugal ou concubinária. A noção exata dada pela norma está prevista no art. 123, da Instrução
Normativa INSS n. 77/2015:

Art.  123. Filhos de qualquer condição são aqueles havidos ou não da relação de casamento, ou
adotados, que possuem os mesmos direitos e qualificações dos demais, proibidas quaisquer desig-
nações discriminatórias relativas à filiação, nos termos do § 6º do art. 227 da Constituição Federal.

Sendo, pois, filho do segurado, biológico ou adotado, havido dentro ou fora do casamento,
haverá sua proteção previdenciária como dependente de 1ª classe, conforme art. 16, I, da Lei
n. 8.213/1991.
O filho, em sadias condições de vida, sem nenhum grau de invalidez ou deficiência mental,
intelectual ou grave, somente será considerado dependente até os 21 anos de idade ou até
eventual causa de emancipação.
Vejamos o que diz o art. 17, do Decreto n. 3.048/99, a respeito (grifo nosso):

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Art. 17. A perda da qualidade de dependente ocorre:


I – Para o cônjuge, pela separação judicial ou divórcio, enquanto não lhe for assegurada a presta-
ção de alimentos, pela anulação do casamento, pelo óbito ou por sentença judicial transitada em
julgado;
II – Para a companheira ou companheiro, pela cessação da união estável com o segurado ou se-
gurada, enquanto não lhe for garantida a prestação de alimentos;
III – Para o filho e o irmão, de qualquer condição, ao completarem vinte e um anos de idade, salvo
se inválidos, desde que a invalidez tenha ocorrido antes:  (Redação dada pelo Decreto n. 6.939,
de 2009)
a) de completarem vinte e um anos de idade; (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
b) do casamento; (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
c) do início do exercício de emprego público efetivo; (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
d) da constituição de estabelecimento civil ou comercial ou da existência de relação de emprego,
desde que, em função deles, o  menor com dezesseis anos completos tenha economia própria;
ou (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
e) da concessão de emancipação, pelos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instru-
mento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o
tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; e (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
IV – Para os dependentes em geral:
a) pela cessação da invalidez;
b) pelo falecimento.

Muito se discutiu sobre a prorrogação da pensão por morte ao maior de 21 anos, já que a
própria Instrução Normativa INSS n. 77/2015 parece apontar que a colação de grau em ensino
superior não implica para o dependente emancipação, mantendo-se, com isso, a qualidade de
dependente.

Art. 128.
§2º É assegurada a qualidade de dependente perante a Previdência Social do filho e irmão invá-
lido maior de 21 (vinte e um) anos, que se emanciparem em decorrência, unicamente, de colação
degrau científico em curso de ensino superior, assim como para o menor de 21 (vinte e um) anos,
durante o período de serviço militar, obrigatório ou voluntário.

Argumentava-se que, no trilho do entendimento aplicável ao Direito de Família, a manu-


tenção da qualidade de dependente do filho deveria se estender até os 25 anos de idade. Mas
a jurisprudência se solidificou no sentido de que isso não é possível na seara previdenciária,
já que a Lei n. 8.213/1991 deixa claro que o dependente é o filho menor de 21 anos, não po-

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dendo haver alargamento dessa hipótese, notadamente por conta do princípio da prévia fonte
de custeio e, bem assim, do equilíbrio financeiro e atuarial do sistema.
Entende-se, pois, que a norma infralegal acima dirige-se apenas a filho ou irmão maior de
21 anos inválido. Desse modo, na hipótese de o filho ou o irmão inválido maior de 21 anos ob-
ter colação de grau em ensino superior, a emancipação civil daí decorrente não deverá surtir
efeitos previdenciários, continuando a ser dependente.
Exatamente nesse sentido é que a TNU julgou o TEMA 7 de seus representativos de con-
trovérsia firmando a seguinte tese:

Situação DIREITO
Tema 7 Julgado Ramo do direito
do tema PREVIDENCIÁRIO
Saber se o filho maior de 21 anos que esteja cursando ensino superior
Questão submetida a julgamento
tem direito à prorrogação de pensão por morte até os 24 anos.
É indevida a prorrogação da pensão por morte ao filho maior de 21 anos,
Tese firmada
ainda que esteja cursando o ensino superior.
Acórdão
Processo Relator (a) Julgado em Trânsito em julgado
publicado em
Juíza Fede-
ral Simone dos
PEDILEF 2005.63.11.006938-1/ SP 06/09/2011 07/10/2011 25/10/2011
Santos Lemos
Fernandes

Visto isso, verificaremos agora algumas questões relacionadas ao filho inválido ou com
deficiência intelectual ou mental ou ainda com deficiência grave.
Existe alguma relevância o fato de o inválido ter se tornado inválido após a maioridade?
Nesse ponto há certa divergência entre o que está previsto na norma escrita e o que vem
sendo entendido nos termos da jurisprudência dos Tribunais.
É que o art. 17, do Decreto n. 3.048/99, como vimos acima, na redação dada pelo Decreto
n. 6.939/2009, citado abaixo (grifos nossos), assevera que, para se enquadrar como depen-
dente do segurado, é indispensável que a invalidez do filho tenha ocorrido antes dos 21 anos
de idade ou, caso tenham ocorrido as hipóteses da lei civil, antes das causas de emancipação.

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Art. 17. A perda da qualidade de dependente ocorre:


I – Para o cônjuge, pela separação judicial ou divórcio, enquanto não lhe for assegurada a presta-
ção de alimentos, pela anulação do casamento, pelo óbito ou por sentença judicial transitada em
julgado;
II – Para a companheira ou companheiro, pela cessação da união estável com o segurado ou se-
gurada, enquanto não lhe for garantida a prestação de alimentos;
III – Para o filho e o irmão, de qualquer condição, ao completarem vinte e um anos de idade, salvo
se inválidos, desde que a invalidez tenha ocorrido antes:  (Redação dada pelo Decreto n. 6.939,
de 2009)
a) de completarem vinte e um anos de idade; (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
b) do casamento; (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
c) do início do exercício de emprego público efetivo; (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
d) da constituição de estabelecimento civil ou comercial ou da existência de relação de emprego,
desde que, em função deles, o  menor com dezesseis anos completos tenha economia própria;
ou (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009)
e) da concessão de emancipação, pelos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instru-
mento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o
tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; e (Incluído pelo Decreto n. 6.939, de 2009).

Mas a jurisprudência aponta para outro sentido, afirmando que a relação de dependente do
inválido, deficiente mental ou intelectual, ou ainda deficiente grave, poderá surgir após os 21
anos de idade. Esse é o sólido entendimento do Superior Tribunal de Justiça (grifos nossos):

PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. OFENSA


AO ART. 1.022 DO CPC. INEXISTÊNCIA. PENSÃO POR MORTE. FILHO MAIOR INVÁLIDO.
REQUISITOS. PREENCHIMENTO. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. REVISÃO DE PREMISSAS
FÁTICAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.
1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa
ao art. 1.022 do CPC.
2. Consoante a jurisprudência do STJ, é irrelevante o fato de a invalidez ter sido após a
maioridade do postulante, uma vez que, nos termos do artigo 16, III c/c o parágrafo 4º,
da Lei 8.213/1991, é devida a pensão por morte, comprovada a dependência econômica,
ao filho inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou
relativamente incapaz, assim declarado judicialmente.
3. Alinhado a esse entendimento, há precedentes do STJ no sentido de que, em se tra-
tando de dependente maior inválido, basta a comprovação de que a invalidez é anterior
ao óbito do segurado. Nesse sentido: AgRg no AREsp 551.951/SP, Rel. Minª. Assusete

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Magalhães, Segunda Turma, DJe 24.4.2015; AgRg no Ag 1.427.186/PE, Rel. Min. Napo-
leão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 14.9.2012; REsp 1.618.157/SP, Rel. Min.
Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12.9.2016.
4. Na hipótese dos autos, o  Tribunal de origem afirmou que a parte autora preenche
todos os requisitos para receber o benefício de pensão por morte, sobretudo o que se
refere à dependência econômica do filho maior inválido.
5. Merece transcrição o seguinte excerto da decisão combatida: “[...]. Saliento, ainda,
que a citada condição de enfermo dependente do autor é corroborada pela documenta-
ção trazida aos autos pelo INSS, bem como pelo próprio depoimento das testemunhas”
(fl. 242, e-STJ).
6. Para desconstituir as conclusões abrigadas pelo acórdão quanto à demonstração de
dependência econômica exigida para fins de concessão de pensão por morte, é neces-
sário revolver o acervo fático-probatório dos autos, defeso ao STJ em razão da Súmula
7/STJ.
7. Agravo conhecido para conhecer se parcialmente do Recurso Especial somente com
relação à preliminar de violação do art. 1.022 do CPC e, nessa parte, não provido.
(AREsp 1570257/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em
21/11/2019, DJe 19/12/2019).

A Turma Nacional de Uniformização também já proferiu diversos julgamentos sobre o


tema favoráveis à possibilidade de que o filho maior inválido possa ser dependente para fins
previdenciários desde que a invalidez tenha ocorrido antes do óbito.
Vejamos um exemplo de julgado nessa linha promovido pela TNU (grifo nosso):

PEDIDO NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. PREVIDENCIÁRIO. ALE-


GAÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO POR INSUFICIENTE APRECIAÇÃO DE EMBARGOS
DECLARATÓRIOS. MATÉRIA PROCESSUAL. SÚMULA 43 DA TNU. AUSÊNCIA DE PREJU-
ÍZO. PENSÃO POR MORTE. FILHO MAIOR INVÁLIDO. INVALIDEZ POSTERIOR À MAIO-
RIDADE E ANTERIOR AO ÓBITO. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO.
AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICA ENTRE O ACÓRDÃO RECORRIDO E PARA-
DIGMAS. INCIDENTE NÃO CONHECIDO.
(Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei (Turma) 0005106-15.2014.4.03.6310,
JOSÉ FRANCISCO ANDREOTTI SPIZZIRRI - TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO).

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Assim, não importa se a invalidez ocorreu após a maioridade ou emancipação, de modo


que o surgimento dela antes do óbito é causa suficiente da constituição da relação de de-
pendência, para fins de enquadramento do filho maior no rol do art.  16, inciso I, da Lei n.
8213/1991, conquanto com a ressalva de que a dependência econômica nesses casos deverá
ser devidamente comprovada.
Quanto a esse último aspecto, a TNU já julgou em um de seus representativos de contro-
vérsia exatamente nesse sentido, ou seja, de que o filho maior inválido, cuja invalidez deu-se
após a maioridade, deverá comprovar sua dependência econômica em relação ao instituidor.
Isso foi assinalado no julgamento do PEDILEF 0500518-97.2011.4.05.8300/PE, referente
ao TEMA 114, da TNU:

Situação Ramo do DIREITO PRE-


Tema 114 Julgado
do tema direito VIDENCIÁRIO
Questão submetida a julga- Saber a natureza da dependência econômica do filho maior inválido - se é
mento absoluta ou relativa.
Para fins previdenciários, a presunção de dependência econômica do filho
Tese firmada inválido é relativa, motivo pelo qual fica afastada quando este auferir renda
própria, devendo ela ser comprovada.
Decisão de Acórdão Trânsito em
Processo Relator(a) Julgado em
afetação publicado em julgado
Juiz Federal
PEDILEF 0500518- Gláucio Fer-
21/08/2013 13/11/2013 06/12/2013 13/01/2014
97.2011.4.05.8300/ PE reira Maciel
Gonçalves

Há quem não concorde com esse entendimento, pois consta no rol do art. 16, da Lei n.
8.213/1991 a simples condição de invalidez quanto ao filho, o qual se enquadraria, pois, na
primeira classe dos possíveis dependentes, sendo certo que o §4º está voltado a esses que a
“dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve
ser comprovada”.
Ou seja, a lei fala que quem está figurando na lista do inciso I, do art. 16, possui depen-
dência econômica presumida e não se poderia interpretar desfavoravelmente ao beneficiário.

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Mas, nada obstante tal orientação, prevalece que deva haver a comprovação da depen-
dência econômica nesses casos. Vale transcrever, inclusive, trecho do julgamento do PEDILEF
0009116-29.2014.4.03.6302 (grifo nosso), que elucida muito bem os fundamentos normati-
vos do porquê da exigência de comprovação da dependência econômica em relação ao filho
maior inválido, cuja invalidez sobreveio à maioridade.

atingida a idade limite, com o filho sendo plenamente capaz, cessa a dependência eco-
nômica, havendo, assim, a extinção daquela situação jurídica anterior de dependência.
Isso porque - é da ordem natural das coisas - o filho maior de idade deverá manter o seu
próprio vínculo direto com a previdência, a partir do exercício de atividade remunerada,
constituição de família, necessidade de prover o próprio sustento e o sustento dos seus.
Por esse motivo, a ocorrência da invalidez supervenientemente à maioridade não ense-
jará, por si só, o reconhecimento da dependência em relação aos genitores, na medida
em que, uma vez comprovada a condição de segurado, resultará, sim, na concessão de
benefício próprio, qual seja, o auxílio-doença ou a aposentadoria por invalidez.
Somente na hipótese em que conjugada a invalidez posterior à maioridade com a situa-
ção de dependência econômica é que se pode falar no direito à percepção do benefício
previdenciário.
(Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei (Presidência) 0009116-29.2014.4.03.6302,
MINISTRO RAUL ARAÚJO - TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO, grifo nosso).

Entendemos como razoável tal percepção, pois, de fato, se a condição de inválido se cons-
tituiu somente após a maioridade do dependente, poderíamos supor, em tese, que até o fato
gerador de sua invalidez (um acidente grave de carro, por exemplo) teria uma vida normal.
Poderia, em tese, até então ter acumulado uma fortuna por meio do seu trabalho e, nessa
medida, não seria dependente economicamente de seu pai.

E com relação ao enteado e o menor tutelado, eles são dependentes para fins previdenciá-
rios?

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SIM, isso está previsto no §2º, do art. 16, da Lei n. 8.213/91, mas diferentemente dos filhos
tal como previsto na classe primeira do art. 16, o menor tutelado e o enteado deverão compro-
var a dependência econômica em relação em relação ao segurado instituidor.

§ 2º Equiparam-se a filho, nas condições do inciso I, mediante declaração do segurado: o enteado;
o menor que, por determinação judicial, esteja sob a sua guarda; e o menor que esteja sob sua tu-
tela e não possua condições suficientes para o próprio sustento e educação.
§ 2º O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e desde
que comprovada a dependência econômica na forma estabelecida no Regulamento (Redação dada
pela Lei n. 9.528, de 1997).

Acima, a redação originária do art. 16, §2º, da Lei n. 8.213/1991, antes da alteração pro-
movida pela Lei n. 9.528/1997, para você saber que o enteado e o menor tutelado não preci-
savam comprovar a dependência econômica em relação ao segurado instituidor.

E o menor sob guarda, ele é considerado dependente?

NÃO.
Já foi considerado dependente, mas não é mais, como visto no comparativo da redação
antiga e da redação nova do §2º, do art. 16, acima transcritas.
Era considerado dependente até a edição da medida provisória 1.523/1996, a  qual foi
sucessivamente reeditada e, posteriormente, revogada pela MP n. 1.596/1997 (que tinha o
mesmo texto praticamente), para em seguida ser convertida na Lei n. 9.528/1997, alterando
definitivamente o §2º, do art. 16, da Lei de Benefícios e excluindo o menor sob guarda da pro-
teção previdenciária do RGPS.
Aliás, isso é extraído da própria leitura da Instrução Normativa INSS 77/2015, em seu
art. 132 (grifo nosso):

Art. 132. A partir de 14 de outubro de 1996, data da publicação da MP n. 1.523, de 1996, reeditada e


convertida na Lei n.9.528, de 1997, o menor sob guarda deixa de integrar a relação de dependentes
para os fins previstos no RGPS, inclusive aquele já inscrito, salvo se o óbito do segurado ocorreu
em data anterior.

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E, tal como corretamente assinalado no art.  374 (grifo nosso), da Instrução Normativa
INSS 77/2015, fica, com base no princípio do tempus regit actum, resguardado o direito à
pensão por morte para:

Art. 374.
I – O menor sob guarda, caso o óbito do segurado tenha ocorrido até 13 de outubro de 1996, véspe-
ra da publicação da MP n.1.523, de 1996, reeditada e convertida na Lei n. 9.528, de 10 de dezembro
de 1997, desde que atendidos os requisitos da legislação em vigor à época; [...].

Portanto, atualmente, grave essa informação: exceto o filho de qualquer condição, menor
de 21 anos ou inválido, deficiente mental, intelectual ou com deficiência grave, apenas serão
considerados dependentes do segurado instituidor, de maneira equiparada a filho, os seguintes:
• ENTEADO;
• MENOR TUTELADO.

Mas, para tanto, deverá haver:


• declaração do segurado instituidor nesse sentido;
• comprovação de dependência econômica em relação ao segurado instituidor.

As duas exigências acima, portanto, mostram que o enteado e o menor tutelado são equi-
parados a filho, porém com algumas ressalvas e peculiaridades.
Com relação à comprovação da relação de dependência econômica, embora a jurispru-
dência entenda que se trata de rol não exaustivo, o Decreto n. 3.048/1999, em seu art. 22, §3º,
elenca quais documentos servem a tal propósito perante a autarquia previdenciária.

§  3º Para comprovação do vínculo e da dependência econômica, conforme o caso, devem ser


apresentados no mínimo três dos seguintes documentos: (Redação dada pelo Decreto n. 3.668,
de 2000)
I – Certidão de nascimento de filho havido em comum;
II – Certidão de casamento religioso;
III – Declaração do imposto de renda do segurado, em que conste o interessado como seu depen-
dente;
IV – Disposições testamentárias;
V – Anotação constante na Carteira Profissional e/ou na Carteira de Trabalho e Previdência Social,
feita pelo órgão competente; (Revogado pelo Decreto n. 5.699, de 2006)
VI – Declaração especial feita perante tabelião;

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VII – Prova de mesmo domicílio;


VIII – Prova de encargos domésticos evidentes e existência de sociedade ou comunhão nos atos
da vida civil;
IX – Procuração ou fiança reciprocamente outorgada;
X – Conta bancária conjunta;
XI – Registro em associação de qualquer natureza, onde conste o interessado como dependente
do segurado;
XII – Anotação constante de ficha ou livro de registro de empregados;
XIII – Apólice de seguro da qual conste o segurado como instituidor do seguro e a pessoa interes-
sada como sua beneficiária;
XIV – Ficha de tratamento em instituição de assistência médica, da qual conste o segurado como
responsável;
XV – Escritura de compra e venda de imóvel pelo segurado em nome de dependente;
XVI – Declaração de não emancipação do dependente menor de vinte e um anos; ou
XVII – Quaisquer outros que possam levar à convicção do fato a comprovar.

3.2. Dependentes da 2ª Classe


Na segunda classe prevista no inciso II, do art.  16 da Lei n. 8.213/1991, temos como
dependentes do segurado apenas os pais. Os pais serão os dependentes chamados à habili-
tação dos benefícios de pensão por morte ou auxílio-reclusão na ausência dos dependentes
indicados na primeira classe do referido artigo.
Assim, lembre-se, os dependentes da classe dois só entram na habilitação na ausência
dos dependentes da primeira classe.
Isso está previsto no art.  16, §1º, da Lei n. 8.213/1991 e no art.  16, §2º, do Decreto n.
3.048/1999 (grifos nossos):

Art. 16. [...].
§ 1º A existência de dependente de qualquer das classes deste artigo exclui do direito às presta-
ções os das classes seguintes.
......................................................................................................
Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do
segurado:
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado de qualquer condição, me-
nor de vinte e um anos ou inválido;
II – Os pais; ou
III – O irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou inválido.
§ 1º Os dependentes de uma mesma classe concorrem em igualdade de condições.
§ 2º A existência de dependente de qualquer das classes deste artigo exclui do direito às presta-
ções os das classes seguintes.

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A grande questão em relação aos dependentes da segunda classe é que eles precisam de-
monstrar a dependência econômica em relação ao segurado instituidor. Não basta, portanto,
demonstrar a relação de paternidade ou de maternidade para que seja assegurado o direito
à relação jurídica de dependente para fins previdenciários nesses casos. Necessário ir além,
comprovando uma relação mútua de ajuda financeira persistente e permanente que chegue
ao nível real de dependência econômica.
Não se trata, muito importante frisarmos, de colaboração eventual ou ajuda pontual sobre
alguma contingência financeira dos pais, mas de uma simbiose orçamentária que define uma
indispensável participação orçamentária, seja em dinheiro, seja em pagamento in natura de
determinadas necessidades básicas da vida daqueles. Somente assim haverá dependência
econômica.
A doutrina3 aponta ainda os elementos que caracterizam a dependência econômica para
fins previdenciários: a substancialidade e a habitualidade da participação financeira do segu-
rado instituidor em relação os pais.
No âmbito da própria Administração Pública, tem-se o Enunciado 13, do Conselho de Re-
cursos da Previdência Social, cujo teor aponta que a dependência econômica pode ser até
parcial, mas precisa representar um auxílio “substancial, permanente e necessário, cuja falta
acarretaria desequilíbrio dos meios de subsistência do dependente”4.
Perceba assim que a dependência não precisa ser integral, abarcando todas as necessi-
dades de vida dos pais, mas que, sendo parcial, seja substancial e com o caráter indispensá-
vel da habitualidade. Assim, a indispensabilidade deve ser tal que a parcela coberta pela ajuda
financeira persistente e permanente do filho. Caso não encontre mais os aportes financeiros
deste, provoque considerável abalo orçamentário na manutenção da vida dos pais.
Vamos verificar como se comporta jurisprudência em relação a esse tema? Sobre isso,
citamos o seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça (grifos nossos):

3
Idem, p. 591.
4
Ibidem, p. 587.

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..EMEN: PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. PAIS. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊN-


CIA ECONÔMICA NÃO DEMONSTRADA. REVALORAÇÃO DA PROVA. DESCABIMENTO.
REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ.
1. Para fins de percepção de pensão por morte, a dependência econômica entre os geni-
tores e o segurado falecido deve ser demonstrada, não podendo ser presumida.
2. No caso dos autos, o  acórdão recorrido entendeu “não comprovada a dependência
econômica da mãe em relação ao filho de criação, ante a inexistência de conjunto pro-
batório harmônico e coerente. Ausente a prova dependência econômica, inviável a con-
cessão da pensão por morte”.
[...]
(AAGARESP - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL - 615088 2014.02.78236-3, HERMAN BENJAMIN, STJ - SEGUNDA
TURMA, DJE DATA: 12/08/2015. DTPB:.).

A Turma Nacional de Uniformização, no julgamento do TEMA 147, sacramentou a ne-


cessidade de que a contribuição financeira vertida pelos filhos aos pais deva ser substancial
não podendo se limitar ao mero auxílio pontual, sob pena de não se configurar a dependência
econômica para os fins previdenciários do art. 16, II, da Lei n. 8.213/1991.

Situação DIREITO
Tema 147 Julgado Ramo do direito
do tema PREVIDENCIÁRIO
Saber se deve ser exclusiva a dependência econômica dos genitores em
Questão submetida a julgamento
relação aos filhos.
A dependência econômica dos genitores em relação aos filhos não
precisa ser exclusiva, porém a contribuição financeira destes deve ser
Tese firmada substancial o bastante para a subsistência do núcleo familiar e devida-
mente comprovada, não sendo mero auxílio financeiro o suficiente para
caracterizar tal dependência.
Acórdão Trânsito em
Processo Relator(a) Julgado em
publicado em julgado
Juiz Federal
PEDILEF 5044944-
Douglas Camari- 17/08/2016 26/08/2016 19/09/2016
05.2014.4.04.7100/ RS
nha Gonzales

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Como visto acima, a TNU ainda aponta para o entendimento de que a dependência eco-
nômica dos pais em relação aos filhos não necessariamente será exclusiva, ou seja, integral.
Todavia, é muito importante que esta cooperação contínua do segurado instituidor, no caso,
o filho, seja efetivamente substancial para a manutenção indispensável da subsistência do
núcleo familiar dos dependentes, no caso, os pais.
Interessante observar que há julgados recentes do Superior Tribunal de Justiça no sen-
tido de que haveria uma presunção relativa de dependência econômica em famílias de baixa
renda, de modo que a relação de simbiose financeira entre pais e filhos, então residentes no
mesmo teto e sob o mesmo grupo familiar, deveria ser afastada pelo INSS. Nesses casos,
a situação de baixa renda, por si só, daria a noção necessária dos elementos de substanciali-
dade e habitualidade das contribuições financeiras dos filhos em relação aos pais, delineando
a dependência econômica.

[...].
V – É firme a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de que “é devida
pensão por morte aos pais de família de baixa renda, em decorrência da morte de filho
menor, e não é exigida prova material para comprovação da dependência econômica do
filho, para fins de obtenção do referido benefício” (STJ, AgRg no Ag 1.252.268/SP, Rel.
Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 18/03/2010). Nesse sentido:
STJ, AgInt no AREsp 1.047.018/SC, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS FERREIRA, QUARTA
TURMA, DJe de 29/06/2017; AgRg no AREsp 346.483/PB, Rel. Ministro HERMAN BEN-
JAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/12/2013. VI. Agravo interno improvido...EMEN:
(AINTARESP - AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - 1346126
2018.02.07535-9, ASSUSETE MAGALHÃES, STJ - SEGUNDA TURMA, DJE
DATA:17/12/2018. DTPB:., grifo nosso).

Decerto, não concordamos com tal posicionamento, já que não há nada na lei previdenci-
ária que gere essa presunção, a qual existe apenas para os dependentes da classe primeira,
tal como previsto no art. 16, §4º, da Lei n. 8.213/1991.

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Também no STJ é possível identificar julgados que dispensavam a comprovação da de-


pendência econômica por início de prova material, admitindo-se a prova exclusivamente tes-
temunhal.

..EMEN: PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. PROVA


EXCLUSIVAMENTE TESTEMUNHAL. ADMISSIBILIDADE.
1. Esta Corte Superior possui jurisprudência no sentido de que a prova exclusivamente
testemunhal pode ser utilizada para a comprovação da dependência econômica dos pais
em relação aos filhos, com fins de percepção do benefício de pensão por morte, porquanto
a legislação previdenciária não exige início de prova material para tal comprovação.
2. Agravo conhecido para negar provimento ao recurso especial...EMEN:
(ARESP - AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - 891154 2016.00.79102-9, GURGEL DE
FARIA, STJ - PRIMEIRA TURMA, DJE DATA:23/02/2017..DTPB:.)
......................................................................................................
.EMEN: PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM
RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA DA MÃE EM
RELAÇÃO AO FILHO FALECIDO. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO POR QUALQUER
MEIO DE PROVA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O Tribunal a quo firmou entendimento em sentido diverso ao da jurisprudência do STJ
que se posicionou no sentido de que a dependência econômica dos pais em relação aos
filhos, com o fim de obtenção do benefício pensão por morte, pode ser comprovada por
qualquer meio de prova, não se exigindo início de prova material. Precedentes.
2. Agravo regimental não provido...EMEN:
(AGARESP - AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL - 617725
2014.02.92543-2, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ - SEGUNDA TURMA, DJE
DATA:26/05/2015. DTPB:.)

A dependência econômica pode realmente ser comprovada, nesses casos, apenas por
prova testemunhal?

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NÃO.
Como já afirmamos acima, o  art. 143, do Decreto n. 3.048/1999, exige que, no caso de
dependência econômica, bem como em outros casos de comprovação de relações jurídico-
-previdenciárias, a comprovação somente surtirá efeito se lastreada em apresentação de iní-
cio de prova material idôneo. Não é, portanto, admitida a prova exclusivamente testemunhal,
ressalvados, como já salientamos, os casos fortuitos.
A jurisprudência noticiada acima, contudo, vinha combatendo essa disposição regula-
mentar, fundamentando que ela exorbita de seus poderes regulamentares, indo além do que
a sua base legal permite. Isso porque, até pouco tempo atrás, de fato, o art. 55, §3º, da Lei n.
8.213/1991 (grifos nossos), direcionava a exigência de início de prova material apenas no que
toca à demonstração e à comprovação do tempo de serviço.

Art.  55.  O tempo de serviço será comprovado na forma estabelecida no Regulamento, compre-
endendo, além do correspondente às atividades de qualquer das categorias de segurados de que
trata o art. 11 desta Lei, mesmo que anterior à perda da qualidade de segurado:
[...].
§ 3º A comprovação do tempo de serviço para os fins desta Lei, inclusive mediante justificativa
administrativa ou judicial, observado o disposto no art. 108 desta Lei, só produzirá efeito quando
for baseada em início de prova material contemporânea dos fatos, não admitida a prova exclusi-
vamente testemunhal, exceto na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, na forma
prevista no regulamento. (Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019).

Contudo, essa regra foi expandida para outros casos. É que a lei, recentemente, alterou a
flexibilidade comprobatória quanto à dependência econômica, alargando a exigência da in-
dispensável demonstração de início de prova material para outros casos que não apenas os
de comprovação do tempo de serviço.
Como apontamos em linha supra, a respeito da comprovação da união estável, as recen-
tes alterações legais passaram a exigir que os elementos delineadores da relação de com-
panheirismo fossem comprovados e demonstrados junto à autarquia previdenciária por in-
dispensável início de prova material contemporânea aos fatos, em intervalo não inferior a 24
meses anteriores ao óbito, sendo vedada terminantemente a prova exclusivamente testemu-
nhal. Essa mudança também teve como objeto da comprovação da dependência econômica.

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Vejamos o dispositivo legal, incluído pela Lei n. 13.846/2019, no art. 16, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 16. [...].
§ 5º As provas de união estável e de dependência econômica exigem início de prova material con-
temporânea dos fatos, produzido em período não superior a 24 (vinte e quatro) meses anterior à
data do óbito ou do recolhimento à prisão do segurado, não admitida a prova exclusivamente tes-
temunhal, exceto na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, conforme disposto no
regulamento (incluído pela Lei n. 13.846, de 2019).

Assim, note que não há mais razão legal para existirem as disposições jurisprudenciais da
Súmula 63, da TNU, que assim dizia:

SÚMULA 63
DOU 23/08/2012
A comprovação de união estável para efeito de concessão de pensão por morte prescinde de início
de prova material.

Tal entendimento deve ser desconsiderado após a edição da MP n. 871/2019, converti-


da na Lei. n. 13.846/2019, de modo que, tanto a comprovação da união estável, quanto da
dependência econômica exigem a partir de então a demonstração do início idôneo de prova
material contemporânea aos fatos, não sendo admitida a prova exclusivamente testemunhal,
ressalvados os casos de força maior ou caso fortuito, conforme disposto no regulamento.
Mais uma vez, em relação à forma de comprovação desses conceitos importantíssimos
da relação do dependente com o seu segurado instituidor, devemos apontar que foi abando-
nado o sistema de livre convencimento motivado ou da persuasão racional do juízo em rela-
ção a essas questões. A partir das alterações acima noticiadas, passou a valer para o sistema
da prova tarifada na comprovação da união estável e da dependência econômica, implicando
a lei maior valor para a prova documental contemporânea aos fatos que se pretende provar.

3.3. Dependentes da 3ª Classe


Passamos, agora, ao estudo das espécies de dependentes da classe 3, quais sejam:
• irmão, não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos;
• irmão inválido;

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• irmão com deficiência intelectual;


• irmão com deficiência mental;
• irmão com deficiência grave.

Cabem as mesmas observações feitas no tópico anterior relativas à expressão “irmão de


qualquer condição”, significando que a lei não poderá discriminar o irmão oriundo de relacio-
namento extraconjugal. Mesmo contra a vontade do segurado, um meio-irmão não poderá
ser impedido de ser dependente daquele.
Assim como os dependentes da 2ª classe, os da 3ª classe também precisam demonstrar
e comprovar a dependência econômica em relação ao segurado instituidor. Além disso, so-
mente serão chamados à habilitação na falta de dependentes habilitados das classes I e II, do
art. 16, da Lei n. 8.213/1991.
As principais questões sobre os dependentes da classe 3 já foram abordadas direta ou
indiretamente nos tópicos anteriores, notadamente porque, ressalvada a questão da depen-
dência econômica (que no caso dos irmãos, precisa ser comprovada e não se presume), todas
as demais nuances jurídicas são as mesmas tratadas quanto aos filhos.
Como vimos, também para os irmãos dependentes do segurado foram feitas mudanças
legislativas que alteraram a questão da emancipação e da necessidade ou não de interdição
judicial. Em suma, a evolução legislativa referente a esses aspectos, quanto aos dependentes
da classe 3, foram as seguintes:
a) a Lei n. 9.032/1995 alterou a redação do inciso III, do art. 16, para inserir a exigência de
que o irmão do segurado, embora menor de 21 anos, fosse “não emancipado”. Assim, a partir
da Lei n. 9.032/1995, o irmão menor de 21 anos, saudável (ou seja, não inválido), não poderia
ter incorrido em qualquer causa de emancipação para ser considerado dependente do segu-
rado instituidor do benefício. Essa exigência não existia na redação original do art. 16, III, da
Lei n. 8.213/1991, sendo irrelevante do ponto de vista previdenciário, até então, o fato de o
irmão menor de 21 anos já ter obtido sua emancipação nos termos da lei civil.
b) a Lei n. 12.470/2011 inseriu no inciso III, do art. 16, a expressão “ou que tenha deficiên-
cia intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz, assim declarado ju-

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dicialmente”. Antes, a única expressão relacionada à incapacidade do irmão do segurado era


“inválido”. Essa alteração implicou a necessidade de que a deficiência mental ou intelectual
deveria implicar o reconhecimento judicial da incapacidade, seja relativa seja absoluta. A par-
tir de então, a deficiência por si só alegada não seria elemento apto a gerar a dependência
para os fins previdenciários, por meio das alterações feitas pela Lei n. 12.470/2011, exigindo-
-se uma interdição judicial. A Justiça Estadual deveria reconhecer a incapacidade relativa ou
absoluta do incapaz, nomeando-o, consequentemente, um curador. A ação era disciplinada
no art. 1.177, na época da vigência do CPC-73.
c) a Lei n. 13.135/2015 promoveu nova alteração normativa no rol do art. 16, da Lei de
Benefícios, de modo que no inciso III, do referido artigo, retirou-se a emancipação como causa
da cessação da relação de dependência. Ou seja, a partir da Lei n. 13.135/2015 voltou a ser
indiferente a emancipação do irmão menor de 21 anos para fins previdenciários. Mesmo que
ocorresse algum fato que ensejasse a emancipação, a  pensão por morte não seria extinta
pela maioridade antecipada. Além disso, foi retirada a parte relativa à exigência da decla-
ração judicial da incapacidade relativa ou absoluta acima referida. A partir dessa alteração,
portanto, da Lei 13.135/2015, o irmão inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental
ou deficiência grave por si só já seria dependente do segurado, não necessitando mais de
declaração judicial, ou melhor, a interdição judicial, na prática, que assegurasse a sua inca-
pacidade absoluta ou relativa. A vigência, contudo, da supressão da exigência da declaração
judicial ocorreria dois anos após a publicação da Lei n. 13.135/2015, eis que essa foi a deter-
minação de seu art. 6º. Apenas a partir de 17 de junho de 2017 é que não seria mais exigível
a declaração judicial do irmão menor de 21 anos “inválido ou que tenha deficiência intelectual
ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz”.
d) a Lei n. 13.146/2015 inseriu mais uma extensão de deficiência do filho ou irmão do
segurado instituidor, acentuando que também seria ela possível na hipótese de deficiência
grave, e  não apenas no caso de invalidez ou com deficiência intelectual ou mental. Nada
obstante, apesar de a Lei n. 13.146/2015 ter inserido em nosso ordenamento jurídico norma
protetiva da pessoa com deficiência, acabou alterando de maneira prejudicial os incisos I e III,
do art. 16, da Lei n. 8.213/1991, pois voltou a exigir que o filho e o irmão inválido ou deficiente

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mental intelectual ou, ainda, com deficiência grave, não fossem emancipados no momento do
óbito ou da reclusão do instituidor. Assim, a partir da Lei n. 13.146/2015, e até hoje, se houver
qualquer causa ensejadora de emancipação, ocorrerá a extinção da relação de dependência
para fins previdenciários.
Com isso, as circunstâncias geradoras da dependência do irmão do segurado, ficaram da
seguinte forma diante da Lei n. 13.146/2015, vigentes até hoje:
• irmão não emancipado de qualquer condição, menor de 21 anos;
• irmão inválido;
• irmão com deficiência intelectual;
• irmão com deficiência mental;
• irmão com deficiência grave.

4. Qualidade de Segurado: Manutenção e Perda

Como aprendemos nos capítulos anteriores de nosso curso, a  filiação e a inscrição de


todos os segurados do Regime Geral da Previdência Social, com exceção dos segurados fa-
cultativos, iniciam-se naturalmente por um processo dinâmico e social que se baseia sim-
plesmente no trabalho.
Mas, aprendemos também, que esse processo de filiação e inscrição dependerá inexora-
velmente das contribuições previdenciárias devidamente vertidas aos cofres do INSS.
Sabemos que não há como manter um sistema de proteção social previdenciário, lastrea-
do, portanto, no princípio da contributividade, sem que os segurados recolham, efetivamente,
as suas contribuições aos cofres públicos previdenciários.
De outro lado, o RGPS também se apoia em outro princípio bastante importante já estu-
dado em nosso curso. Refiro-me ao princípio da solidariedade. Já abordamos situações nas
quais o princípio da solidariedade implicou o pagamento da contribuição previdenciária sem
que houvesse uma exata correspondência de prestações previdenciárias disponibilizadas por
parte do INSS.

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Todavia, apesar de hipóteses como aquelas, há outras nas quais é proeminente o viés da
solidariedade como fator jurídico que ocasiona a manutenção individual de cada segurado no
RGPS, na hipótese de suspensão abrupta do pagamento das contribuições previdenciárias.
Não havendo pagamento das contribuições previdenciárias, o princípio da contributividade
exigiria sua imediata expulsão da relação jurídico-previdenciária.
Mas há situações previstas na lei nas quais isso não ocorre. Vamos abordá-las! Para
deixarmos mais didática tal abordagem, vamos nos valer de algumas perguntas e respostas.
Vejamos se você saberia respondê-las em uma prova.

Quanto à qualidade de segurado, ela fica conservada no período de gozo de um benefício


previdenciário?

SIM, a qualidade de segurado é conservada sem limite de prazo, ainda que não haja qual-
quer recolhimento previdenciário durante esse período, e não há realmente, salvo no caso do
salário-maternidade.

E sobre a manutenção da qualidade de segurado nas hipóteses em que o benefício pre-


videnciário foi concedido judicialmente, existe ainda a manutenção da qualidade nestes
casos? Se o segurado recebia auxílio-doença por decisão judicial, concedido em tutela
antecipada a qual, posteriormente, foi revogada, após o seu óbito, haverá a possibilidade
de recebimento de pensão por morte pelo dependente? Em outras palavras, aquele que
recebia benefício previdenciário em decorrência de ordem judicial precária, pode ser con-
siderado segurado instituidor de uma pensão por morte?

SIM, pois, como dito, durante o período de gozo do benefício previdenciário, conserva-se a
qualidade de segurado, independentemente de o benefício ter sido concedido administrativa
ou judicialmente.
A TNU, inclusive, já decidiu nesse exato sentido (grifos nossos):

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Trata-se de pedido de uniformização nacional destinado a reformar acórdão, no qual


examinado direito a benefício previdenciário por incapacidade.
Sustenta-se, em síntese, que a revogação da tutela que concedeu o benefício previden-
ciário afasta qualquer benefício ou vantagem derivados deste, inclusive a qualidade de
segurado durante o período de recebimento.
É o relatório.
O pedido de uniformização não merece prosperar. No PEDILEF n. 5002907-
35.2016.4.04.7215, decidiu-se:
[...]. 7. O artigo 15, I, da Lei n. 8.213/1991 dispõe que, independentemente de contribui-
ções, quem está em gozo de benefício, mantém a qualidade de segurado, sem limite de
prazo. Não há menção à forma de concessão do benefício, tendo em vista que o instituto
da tutela antecipada somente surgiu formalmente no direito processual brasileiro em
1994, a partir da alteração do artigo 273, do Código de Processo Civil de 1973, introdu-
zida pela Lei n. 8.952, de 13/12/1994.
8. O segurado em gozo de benefício previdenciário por incapacidade laborativa, conce-
dido por meio de tutela de urgência, não está obrigado a recolher contribuições previ-
denciárias, uma vez que não consta do rol do artigo 11, da Lei n. 8.213/1991 e não se
enquadra no disposto no artigo 13, da Lei n. 8.213/1991.
9. A desconsideração do período de percepção de benefício previdenciário, por força de
antecipação de tutela, para efeitos de manutenção da qualidade de segurado, é medida
que acarreta situação de difícil solução para o segurado, que estava impedido de verter
contribuições previdenciárias na qualidade de segurado obrigatório ou facultativo.
Embora opere efeitos ex tunc, em obediência ao regramento previsto para a execução
provisória da sentença (arts. 273, §3º, 475-O, incisos I e II, do Código de Processo Civil
de 1973; arts. 279, parágrafo único, 520, incisos I e II, do Código de Processo Civil de
2015), a revogação da tutela antecipada ou da tutela de urgência não impede a utiliza-
ção do período de percepção de benefício previdenciário, concedido por força da tutela
provisória, para efeitos de manutenção da qualidade de segurado.
[...].
(Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei (Presidência) 5000747-
91.2017.4.04.7218, MINISTRO PAULO DE TARSO SANSEVERINO - TURMA NACIONAL DE
UNIFORMIZAÇÃO).

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E com relação ao pagamento do aviso prévio e indenizado: ele conta como sendo incluso
na manutenção da qualidade do segurado?

SIM, isso já foi tratado também na TNU, de modo que o período de graça somente se inicia
após os 30 dias da notificação de saída do trabalhador

O período de aviso prévio que foi indenizado deve ser projetado como de manutenção da
qualidade de segurado empregado, de modo que o período de graça inicie apenas após
o término dessa projeção (PUIL n. 5076345-22.2014.4.04.7100/RS, extraído do Boletim
n. 27, da TNU).

Nada obstante essas hipóteses acima, a lei permite que haja um lapso temporal denomi-
nado período de graça, justamente para permitir, com base na solidariedade, a manutenção
da qualidade do segurado nas hipóteses nas quais houve interrupção ou suspensão do paga-
mento das contribuições previdenciárias.

5. Período de Graça

É no art. 15, da Lei n. 8.213/1991, que podemos verificar como o legislador tratou de dis-
ciplinar o denominado período de graça. Como o próprio nome diz, a finalidade é que o se-
gurado mantenha sua relação jurídico-previdenciária mesmo sem pagar por ela. Em outros
termos, continua sendo segurado do RGPS de graça, sem ter que recolher para isso.
Mas por um tempo apenas, obviamente, por se tratar de situação de liberalidade do siste-
ma, que impõe então limites para serem observados a fim de que todo o equilíbrio financeiro
e atuarial do regime não se perca em meio a inadimplência generalizada de seus segurados.
Abaixo, o dispositivo citado para o seu aprendizado:

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


I  – Sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício, exceto do auxílio-acidente;  (Redação
dada pela Lei n. 13.846, de 2019)

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II  – Até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o  segurado que deixar de exercer
atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem
remuneração;
III – Até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de segrega-
ção compulsória;
IV – Até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado retido ou recluso;
V  – Até 3 (três) meses após o licenciamento, o  segurado incorporado às Forças Armadas para
prestar serviço militar;
VI – Até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
§ 1º O prazo do inciso II será prorrogado para até 24 (vinte e quatro) meses se o segurado já tiver
pagado mais de 120 (cento e vinte) contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda
da qualidade de segurado.
§ 2º Os prazos do inciso II ou do § 1º serão acrescidos de 12 (doze) meses para o segurado de-
sempregado, desde que comprovada essa situação pelo registro no órgão próprio do Ministério do
Trabalho e da Previdência Social.
§ 3º Durante os prazos deste artigo, o segurado conserva todos os seus direitos perante a Previ-
dência Social.
§ 4º A perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte ao do término do prazo fixado no
Plano de Custeio da Seguridade Social para recolhimento da contribuição referente ao mês imedia-
tamente posterior ao do final dos prazos fixados neste artigo e seus parágrafos.

Surgem, a partir das disposições da Lei, portanto, algumas questões a serem enfrentadas.

A primeira pergunta que fazemos é: durante o intervalo de tempo no qual o segurado está
gozando do período de graça, é possível computá-lo como sendo tempo de contribuição?

NÃO. Não é possível computar, evidentemente, o período de graça como tempo de con-
tribuição, especialmente porque desde a EC 20/1998 não há como se considerar qualquer
tempo fictício de contribuição. E não há, assim, mais o tempo de serviço, salvo nas hipóteses
legais expressamente permitidas.
Lembre-se de que, após a EC 20/1998, a norma determinou que as hipóteses de tempo de
serviço seriam disciplinadas pela lei, que regularia a transição das situações anteriores, nas
quais era permitido cômputo do serviço como sendo de contribuição.

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A EC 20 diz em seu art. 4º que

o tempo de serviço considerado pela legislação vigente para efeito de aposentadoria, cumprido até
que a lei discipline a matéria, será contado como tempo de contribuição.
Ou seja, a Emenda condicionou que a lei ordinária é que vai disciplinar o que é tempo de con-
tribuição. O problema é que essa lei até hoje simplesmente não existe. De todo modo, mesmo
diante dessa transição normativa ainda pendente, não seria possível considerar o período de
graça como sendo tempo de serviço/contribuição.

É possível computar o período de graça como sendo um período de carência?

NÃO. Vamos estudar o conceito de carência nos capítulos seguintes do nosso curso, mas,
para adiantar, a carência é o efetivo recolhimento de contribuições previdenciárias em uma
quantidade mínima que assegure, conforme os requisitos específicos do benefício, a conces-
são e o gozo deste. Se não há no período de graça qualquer recolhimento, justamente por se
tratar de um período de graça, não há que se falar em cômputo de carência.
Como vimos na leitura do art. 15, da Lei 8213/1991, os períodos de graça lá discriminados
são dirigidos, a princípio, a todos os segurados do Regime Geral da Previdência Social. Todavia,
há certas hipóteses de período de graça que não se aplicariam em tese a todos os segurados.

Exemplo: com relação ao segurado especial, também valem as regras de prorrogação do perí-
odo de graça previstas nos §§1º e 2º, do art. 15, da Lei 8213/1991? E com relação ao contri-
buinte individual, é possível também a prorrogação?
A doutrina de AMADO5 expressa que não é possível adotar a prorrogação em relação ao segu-
rado especial, salvo se existirem contribuições efetivas que comprovem mais de 120 recolhi-

5
Ibidem, p. 641.

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mentos pagos sobre a receita decorrente da comercialização da sua produção, ou caso tenha
optado em recolher o mesmo regime do contribuinte individual, conforme a previsão dada
pelo art. 25, §1º, da Lei n. 8.212/19916.

Entretanto, é  necessário destacar, que a jurisprudência caminha no sentido contrário à


lição doutrinária citada. A TNU já se posicionou no sentido de que os prazos de prorrogação
previstos em relação ao período de graça do art. 15, da Lei n. 8.213/1991, seriam extensíveis
aos demais segurados obrigatórios.

[...].
Considero que deve prevalecer a interpretação da Turma Regional de Uniformização da
4ª Região.
De fato, os  enunciados constantes dos §1º e 2º do artigo 15 da Lei 8.213/1991 não
podem ser interpretados literalmente.
A aplicação de normas, extraídas de leis ou regulamentos, para a resolução de confli-
tos sociais, tem a vantagem de simplificar o trabalho dos operadores do direito que não
necessitam realizar juízos morais complexos.
Contudo, não é possível aplicar nenhum texto sem a realização de uma atividade de
interpretação que não pode ser uma operação mecânica e meramente cognoscitiva. Por
melhores que sejam os legisladores de um País, jamais será possível abarcar toda a
complexidade da vida social e, além disso, todos os sistemas jurídicos aceitam o critério
interpretativo de que a aplicação de uma norma não pode levar a um resultado irracional,
absurdo ou incompatível com o princípio da isonomia.
No julgamento da Reclamação 4374, cabe recordar que o STF, no voto ministro Gilmar
Mendes, destacou que o legislador deve tratar a matéria de forma sistemática. Isso sig-
nifica dizer que todos os benefícios da seguridade social (assistenciais e previdenciá-
rios) devem compor um sistema consistente e coerente.
Com isso, podem-se evitar incongruências na concessão de benefícios, cuja consequ-
ência mais óbvia é o tratamento antisonômico entre os diversos beneficiários das polí-
ticas governamentais.
6
§ 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir,
facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei (Redação dada pela Lei n. 8.540, de 22.12.92).
Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o res-
pectivo salário-de-contribuição (Redação dada pela Lei n. 9.876, de 1999).

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[...].
De todo o modo, o princípio da uniformidade e equivalência das prestações devidas aos
trabalhadores urbanos e rurais (parágrafo único do art.194 da CF/88) não compactua
com distinções previdenciárias que não estejam amparadas em justificativas razoáveis,
seja do ponto de vista da responsabilidade pelo recolhimento das contribuições ou no
princípio da seletividade.
De efeito, se os trabalhadores verteram o mesmo número de contribuições, ou trabalha-
ram pelo mesmo período (nas situações em que a lei exige apenas a prova do trabalho),
sendo todos segurados obrigatórios, não faz sentido que a manutenção da qualidade de
segurado seja maior para uma categoria e menor para outra.
[...].
Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima indicadas,
a Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos juizados Especiais Federais,
por unanimidade, CONHECEU do incidente de uniformização e, por maioria, DEU-LHE
PARCIAL PROVIMENTO, nos termos do voto do (a) Juiz (a) Federal DANIEL MACHADO DA
ROCHA, que lavra o presente acordão.
(PEDILEF 05009466520144058400, JUIZ FEDERAL DANIEL MACHADO DA ROCHA, TNU,
DOU 03/06/2016 PÁGINAS 79/167, grifos nossos).

Essa orientação já foi também adotada pelo próprio INSS, no Ministério da Previdência
Social, por meio da 21ª Junta de Recursos do Conselho de Recursos da Previdência Social:
processo: 44232.065526/2014-91.
Outro questionamento importante sobre os prazos de prorrogação previstos no art. 15, da
Lei 8213/1991, é referente à hipótese de o segurado conseguir a extensão do período de graça
previsto no §1º, do art. 15, da Lei n. 8.213/1991.
Como se sabe, pela leitura da lei, é possível a prorrogação do período de graça por mais
12 meses após o segurado ter contribuído por mais de 120 meses sem interrupções. Havia
dúvidas a respeito da incorporação definitiva ou não dessa vantagem, ou seja, se o segurado
poderia usar novamente a expansão do período de graça no caso de se defrontar com um
novo período longo sem recolhimentos, ou, ainda se ele poderia usar, quando após a perda de
sua qualidade de segurado, retornasse ao sistema.

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A Turma Nacional de Uniformização já decidiu que sim, ou seja, que aquela prorrogação
uma vez atingida fica incorporada definitivamente no patrimônio jurídico do segurado:

Firmada a tese de que se incorpora definitivamente ao patrimônio jurídico do segura-


do(a) a extensão do período de graça previsto no §1º do art. 15 da Lei n. 8.213/1991
quando houver contribuído por mais de 120 meses sem interrupções que importem a
perda da qualidade de segurado(a)”, conforme PUIL n. 0001377-02.2014.4.03.6303/SP
(extraído do Boletim n. 28, da TNU).

Há alguma outra forma de prorrogação dos 12 meses iniciais do período de graça para o
segurado empregado?

SIM, pode ocorrer uma nova prorrogação de 12 meses do período de graça se houver a
comprovação de desemprego involuntário. De acordo com a lei, a comprovação dessa situa-
ção de desemprego involuntário ocorre por meio da demonstração de que houve o registro da
demissão no órgão próprio do Ministério do Trabalho, ocasionando o pagamento do seguro-
-desemprego.

Existem outras formas de comprovação do desemprego involuntário?

A jurisprudência tem admitido outras formas de comprovação do desemprego involuntá-


rio e não apenas por meio do pagamento do seguro-desemprego. Entretanto, já foi decidido
que a simples ausência de anotação na carteira de trabalho não implica automática compro-
vação de que o segurado estava desempregado.
O art. 137, §4º, da Instrução Normativa INSS n. 77/2015 (grifos nossos), aponta, entre ou-
tras formas, as seguintes maneiras de se comprovar o desemprego involuntário:

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Art. 137. [...].
§ 4º O segurado desempregado do RGPS terá o prazo do inciso II do caput ou do § 1º deste artigo
acrescido de doze meses, desde que comprovada esta situação por registro no órgão próprio do
Ministério do Trabalho e Emprego - MTE, podendo comprovar tal condição, dentre outras formas:
I – Comprovação do recebimento do seguro-desemprego;
ou
II – Inscrição cadastral no Sistema Nacional de Emprego SINE, órgão responsável pela política de
emprego nos Estados da federação.
§ 5º O registro no órgão próprio do MTE ou as anotações relativas ao seguro-desemprego deverão
estar dentro do período de manutenção da qualidade de segurado de doze ou 24 (vinte e quatro)
meses, conforme o caso, relativo ao último vínculo do segurado.
§ 6º A prorrogação do prazo de doze meses, previsto no § 4ºdeste artigo, em razão da situação de
desemprego, dependerá da inexistência de outras informações que venham a descaracterizar tal
condição, ou seja, exercício de atividade remunerada, recebimento de benefícios por incapacidade
e salário maternidade, dentro do período de manutenção de qualidade de segurado.

O segurado desempregado deverá comprovar tal condição, portanto, dentro de seu perí-
odo de graça, de 12 ou 24 meses, conforme o caso, por meio do recebimento do seguro-de-
semprego ou por meio da inscrição cadastral no SINE – Sistema Nacional de Emprego.
Notamos que a referida instrução normativa abre a interpretação de que é perfeitamente
possível comprovar o desemprego por outras formas. Nada obstante, é forçoso concluir que
os meios indicados acima são os mais seguros de se comprovar tal situação, a fim de se evi-
tarem fraudes.
Não seria possível aceitar a comprovação do desemprego unicamente por meio de prova
testemunhal por exemplo. Isso se assemelharia à comprovação que se pretenderia fazer pela
simples ausência de anotação na CTPS.
Sobre isso, aliás, a Súmula 27, da TNU sedimentou o entendimento de que a “ausência
de registro em órgão do Ministério do Trabalho não impede a comprovação do desemprego
por outros meios admitidos em direito”. Essa Súmula poderia dar a interpretação de que, se
a ausência do registro em órgão do Ministério do Trabalho não impediria a comprovação do
desemprego, este, por sua vez, poderia ser demonstrado pela simples ausência de anotação
de novos vínculos na CTPS após o desligamento do emprego. Mas, como veremos adiante,
a própria TNU tratou de expressar a melhor interpretação de sua Súmula 27, de modo a afas-
tar aquela conclusão, alinhando-se ao Superior Tribunal de Justiça a respeito.

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No Superior Tribunal de Justiça, qual o entendimento sobre a comprovação do desempre-


go?

Após algumas oscilações jurisprudenciais entre as Turmas do Superior Tribunal de Justi-


ça, sua 3ª Seção proferiu entendimento pacificador admitindo que a prova do desemprego in-
voluntário possa ser feita por outros meios e não exclusivamente por meio do registro do se-
guro-desemprego, permitindo assim o livre convencimento motivado do juízo nesses casos.
Além disso, o Superior Tribunal de Justiça corroborou o posicionamento de que a inexis-
tência de vínculo anotado na carteira de trabalho durante o período de graça não implicará
automática prorrogação dos 12 meses do período de graça.
Veja, contudo, que a TNU, antes desse julgamento mencionado do Superior Tribunal de
Justiça, entendia possível a ausência de anotação na carteira de trabalho como indício de que
haveria desemprego promovendo uma interpretação da norma deveras elástica. Mas, após o
julgamento do Superior Tribunal de Justiça, pacificando definitivamente o tema, a Turma Na-
cional de Uniformização proferiu novo julgamento, com vistas a dar a melhor interpretação da
sua Súmula 27, conforme abaixo (grifos nossos):

PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO NACIONAL. PREVIDENCIÁRIO. QUALIDADE DE SEGURADO.


DESEMPREGO. COMPROVAÇÃO. PET 7.115. SÚMULA/TNU 27. NOVA INTELIGÊNCIA.
ACÓRDÃO EM CONSONÂNCIA COM ATUAL ORIENTAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
1. A  controvérsia quanto à comprovação do desemprego foi solucionada pelo STJ na
PET 7.115. O Colendo Tribunal Superior orientou que “o registro perante o Ministério do
Trabalho e da Previdência Social poderá ser suprido quando for comprovada tal situação
por outras provas constantes dos autos, inclusive a testemunhal”, e que “a ausência de
anotação laboral na CTPS do requerido não é suficiente para comprovar a sua situação
de desemprego, já que não afasta a possibilidade do exercício de atividade remunerada
na informalidade” (STJ, PET 7.115, 3ª Seção, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, j.
10.03.2010, DJ 06.04.2010).
2. A  partir da orientação do STJ, este Colegiado deu nova interpretação à Súmula n.
27, no sentido de que a falta de registro de vínculo empregatício em CTPS ou no CNIS

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não é suficiente à comprovação do desemprego, que pode ser demonstrado por outros
meios de prova admitidos em Direito (precedente: TNU, PU 2004.61.84.391942-0, Rel.
Juíza Federal Jacqueline Michels Bilhalva, j. 12.08.2010, DJ 22.11.2010). Dessa forma,
ao analisar incidentes de uniformização interpostos pelo INSS contra acórdãos que con-
cluíram pelo desemprego com base apenas na falta de anotação em CTPS, determina-
-se a devolução dos autos à origem para possibilitar que a parte autora produza outras
provas (v.g.: TNU, AgRegPU 2008.70.53.000533-6, Rel. Juíza Federal Simone Lemos Fer-
nandes, j. 11.10.2010, DJ 24.05.2010).
3. Esta TNU aceita como prova do desemprego, por exemplo, documentação médica
indicativa da impossibilidade de retorno ao trabalho (v.g.: TNU, PU 2003.61.84.051426-0,
Rel. Juíza Federal Jacqueline Michels Bilhalva, j. 12.08.2010, DJ 22.11.2010) e demons-
tração do recebimento de seguro-desemprego (TNU, PU 2005.63.01.313893-8, Rel. Juíza
Federal Rosana Noya Alves Weibel Kaufmann, j. 05.05.2011).
4. Ao considerar comprovado o desemprego do falecido pela inexistência de novos regis-
tros em CTPS e pela prova testemunhal, a  Turma Recorrida decidiu conforme a atual
orientação do STJ e desta TNU. 5. Pedido de Uniformização Regional não conhecido.
(200771950168803, JUIZ FEDERAL JOSÉ ANTONIO SAVARIS, DOU 22/07/2011 SEÇÃO 1).

Perceba, acima, que a TNU, contrariamente ao posicionamento pessoal exposto acima,


entende que a ausência de registros na CTPS mais a prova testemunhal permitem a conclu-
são do desemprego involuntário.
Outra pergunta bastante frequente é se é possível considerar a prorrogação de 12 meses
do período de graça, com base no desemprego involuntário, a outras espécies de segurados
obrigatórios.
Pela lei, podemos em tese dizer que sim, parcialmente, pois o art. 15, §2º, da Lei de Bene-
fícios, refere-se apenas e tão somente ao segurado desempregado, permitindo-se daí inferir
que seria aplicável apenas ao segurado empregado e ao segurado empregado doméstico, já
que para essas espécies de segurados existe não apenas uma relação de trabalho, mas tam-
bém uma relação de emprego.

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A jurisprudência, contudo, vem permitindo aumentar a aplicabilidade dessa norma, ex-


pandindo-a ao contribuinte individual. A Turma Nacional de Uniformização, por exemplo, já
decidiu assim conforme o julgado abaixo (grifos nossos):

Contribuintes individuais do RGPS podem ter extensão do período de graça nos casos
de privação de trabalho comprovados publicado 22/10/2015 11h13, última modificação
07/10/2016 19h25.
Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais (TNU), em sessão
realizada nesta quarta-feira (21), em Brasília, firmou a tese, nos termos do voto-vista
do juiz federal Daniel Machado da Rocha, de que o período de graça previsto no art. 15,
§ 2º, da Lei n. 8.213/1991, também é aplicável para os contribuintes individuais.
Assim, a qualidade de segurado fica mantida por 24 meses, nos casos de contribuintes
individuais comprovarem que se encontram em uma situação equiparável ao desem-
prego. O  período de graça é aquele em que o contribuinte mantém sua condição de
segurado junto à Previdência Social, mesmo sem contribuições.
Na ocasião, o Colegiado, por maioria, também entendeu que, nesses casos, a ausência
de trabalho pode ser comprovada por diferentes meios e não apenas pelo registro na
Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
[...].
Segundo o magistrado, não se pode ignorar que a Lei de Benefícios é uma versão
“remasterizada” da antiga Lei Orgânica da Previdência Social de 1960 – com a inclusão
dos trabalhadores rurais e permeada por regras de transição – quando se acreditava
que seria possível concentrar as relações de trabalho no formato padronizado do vín-
culo empregatício.
Como não houve a realização de instrução probatória, entendeu que o incidente nacio-
nal de uniformização de jurisprudência formulado pela parte autora deve ser provido,
aplicando-se a Questão de Ordem 20 da TNU, para que a Turma Recursal de origem se
ajuste ao entendimento ora firmado. Diante disso, o colegiado da TNU solicitou o retorno
do processo à primeira instância, a fim de que a parte autora comprove que se encon-
trava em uma situação de privação do trabalho.
Processo n. 0500946-65.2014.4.05.8400.

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No Superior Tribunal de Justiça não temos ainda o enfrentamento direto da questão, não
tendo a Corte se manifestado sobre a orientação acima encampada pela TNU. Há apenas um
julgado no qual se manteve a decisão da instância ordinária, cujos fundamentos entenderam
ser inaplicável ao contribuinte individual a extensão do período de graça prevista no art. 15,
§2º, da Lei n. 8.213/1991.

PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ OU AUXÍLIO-


-DOENÇA. SEGURADA ESPECIAL. QUALIDADE. PRORROGAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7 DO STJ. INCIDÊNCIA.
1. A concessão de aposentadoria por invalidez, ou de auxílio-doença, pressupõe, além
da carência exigida em lei e da incapacidade, a manutenção da qualidade de segurado,
a qual pode ser estendida pelos prazos de prorrogação definidos em lei, que, para o con-
tribuinte individual, é de seis meses (art. 15, VI, da Lei n. 8.213/1991).
2. Caso em que a instância ordinária asseverou que o início da incapacidade se deu após
o término do prazo semestral e que a recorrente possui somente 33 meses de efetiva
contribuição, situação diversa da hipótese de extensão do período de graça definida no
§ 1º do art. 15 da lei previdenciária, que exige mais de 120 contribuições ininterruptas.
3. No tocante ao § 2º do art. 15 da Lei de Benefícios - prova da situação de desemprego
- o período de graça não foi estendido à recorrente pelo Tribunal a quo em razão de ser
considerado inaplicável aos autos, sendo certo que a reforma do aludido entendimento
mostra-se inviável em recurso especial, visto que exigiria revisitar o acervo fático-pro-
batório levado a efeito pela instância ordinária ao concluir a respeito da ausência de
requisito exigido por lei. Incidência da Súmula 7 do STJ.
4. Agravo interno desprovido.
(AgInt no AREsp 883.960/SP, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado
em 19/11/2018, DJe 26/11/2018, grifos nossos).

Assim, somente há julgado vinculante no âmbito dos Juizados Especiais Federais, em


decorrência do julgamento promovido pela TNU no Processo n. 0500946-65.2014.4.05.8400,
tal como destacado em linhas supra.

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Interessante mencionar que alguns julgados permitem que a extensão do período de gra-
ça ocorra também em casos de pedido de demissão. Veja nesse sentido que a doutrina de
AMADO7 cita que

também os segurados empregados domésticos que pedirem demissão terão direito a citada pror-
rogação do período de graça, pois não é possível uma interpretação extensiva da norma para res-
tringir o direito dos segurados.

Não concordamos com o posicionamento e, quanto a isso, destacamos que há julgado


vinculante no âmbito da TNU, que entendeu ser incabível a extensão do período de graça se o
trabalhador pediu demissão, de modo que as disposições benéficas do art. 15, §2º, da Lei n.
8.213/1991, restringem-se ao desemprego involuntário.
Vejamos os fundamentos, portanto, do decidido no PEDILEF 5047353-65.2011.4.04.7000
(grifos nossos):

Desempregado voluntário não pode ser beneficiado por extensão do período de graça
(publicado 19/12/2014 16h10, última modificação 07/10/2016 19h25)
Na sessão realizada nesta quinta-feira, dia 11 de dezembro, a Turma Nacional de Uni-
formização dos Juizados Especiais Federais reafirmou o entendimento de que a prorro-
gação do período de graça – prevista no §2º do artigo 15 da Lei 8.213/1991, e conside-
rada à luz do artigo 201, III, da Constituição Federal – somente se aplica aos casos em
que a ausência de contribuições ao sistema previdenciário é decorrente de desemprego
involuntário.
A decisão foi tomada no julgamento de incidente de uniformização apresentado pelo
INSS contra acórdão proferido pela 1ª Turma Recursal do Paraná que, confirmando sen-
tença, restabeleceu o auxílio-doença da parte autora, com base na tese de que “a legis-
lação previdenciária não faz distinção entre as situações de desemprego voluntário ou
involuntário para efeito de prorrogação do período de graça, sendo irrelevante o fato de
o último vínculo de emprego ter sido rescindido por iniciativa própria”.
Esse entendimento, segundo o relator da matéria da TNU, juiz federal Bruno Carrá,
resume a controvérsia jurídica trazida a exame: a possibilidade ou não de estender o
período de graça por 12 (doze) meses na hipótese de o desligamento do emprego ante-
rior ter sido motivado por deliberação voluntária do desempregado.
7
Ibidem, p. 641.

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E foi exatamente o que aconteceu no caso em julgamento. De acordo com a documenta-


ção apresentada, o último vínculo empregatício da requerente foi rompido por iniciativa
própria, demarcando o início da situação de desemprego.
Em seu pedido, a autora deseja ser beneficiada pela extensão do período de graça pre-
vista no artigo 15, §2º, da Lei 8.213/1991, segundo o qual, mantém-se a qualidade de
segurado, independente de contribuição, por até 24 (vinte e quatro) meses, prorrogáveis
por mais 12 (doze), desde que comprovada situação de desemprego. O que ficou devida-
mente comprovado nos autos. “Não paira dúvida quanto à permanência da situação de
desemprego da autora, uma vez que as instâncias ordinárias determinaram a realização
de diligência específica para a comprovação dessa condição”, destacou o magistrado.
Acontece que, no entendimento do relator, como o artigo 201, III, da Constituição Federal
dispõe que a previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter
contributivo e de filiação obrigatória, e atenderá, nos termos da lei, à proteção ao traba-
lhador em situação de desemprego involuntário, apenas o desempregado involuntário
estaria apto a receber essa proteção especial.
“A norma constitucional em destaque, ao enunciar a expressão ‘nos termos da lei’, exige
naturalmente que a regra complementar subjacente se coadune com seus preceitos valo-
rativos. Em outras palavras, a locução ‘desemprego involuntário’ foi ali colocada como
objeto de destaque, a significar adequação da lei a seus termos”, pontuou o relator.
Com efeito, destacou Bruno Carrá, o fator de risco social eleito pelo legislador para ser
objeto de atenção e proteção especial foi o desemprego involuntário.
“Considerando a nítida feição social do direito previdenciário, cujo escopo maior é alber-
gar as situações de contingência que podem atingir o trabalhador durante sua vida, não
é razoável deferir proteção especial àqueles que voluntariamente se colocam em situa-
ção de desemprego. No desemprego voluntário não há risco social. O risco é individual
e deliberadamente aceito pelo sujeito”, avalia.
Seguindo esse entendimento, o magistrado destacou ainda que a norma do artigo 15,
§2º, da Lei 8.213/1991, que elastece por até 36 (trinta e seis) meses o período de graça,
é regra extraordinária, que deve ser apropriada a situações de contingência, imprevisí-
veis. “Se a situação foi tencionada pela parte, a ela cabe o ônus de sua ação (ou inação),
não ao Estado”, pontua em seu voto.

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“Não se trata de criar restrição ao comando legal. Cuida-se, em verdade, de adequar a


norma legal ao comando constitucional, interpretando-o em conformidade com os prin-
cípios informadores do Direito Previdenciário, dentre eles a proteção ao hipossuficiente
e a seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços”, concluiu o
relator.
Pedilef 5047353-65.2011.4.04.7000.

Qual é o prazo do período de graça específico do segurado facultativo?

O período de graça do segurado facultativo é menor do que para os demais segurados:


até seis meses.
O art. 137, §7º, da Instrução Normativa INSS n. 77/2015, entretanto, define um período de
graça mais benéfico para o segurado facultativo em duas situações:
• 12 meses após a cessação do benefício por incapacidade;
• 12 meses após a cessação do benefício de salário maternidade.

Aplica-se, no caso, o princípio pro misero, sendo que, embora o Decreto n. 3.048/1999 e,
tampouco, a Lei n. 8.213/1991, nada falem de um período de graça de 12 meses para o segu-
rado facultativo, deverá ser aplicada a regra prevista na Instrução Normativa INSS n. 77/2015,
por ser claramente mais favorável ao segurado.

Além da previsão específica do segurado facultativo, há alguma outra norma diferenciada


em relação ao prazo do período de graça?

SIM, existem mais três casos com o período de graça específico, sendo os seguintes:
• 12 meses após a cessação da segregação compulsória decorrente de doença;
• 12 meses após o livramento do preso;
• 03 meses após o licenciamento dos incorporados às forças armadas.

Vejamos:

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Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


[...].
III – Até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de segrega-
ção compulsória;
IV – Até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado retido ou recluso;
V  – Até 3 (três) meses após o licenciamento, o  segurado incorporado às Forças Armadas para
prestar serviço militar;

Como resolveremos diante de um conflito aparente de normas que regula o período de


graça? Se, por exemplo, o segurado facultativo for submetido à segregação compulsória
por doença, qual será o prazo do seu período de graça após a segregação compulsória?

Deverá incidir a norma mais favorável ao caso. No caso do exemplo, deverá ser de 12 me-
ses, pois se trata de regra específica e, além disso, é mais favorável do que o prazo de período
de graça regular o segurado facultativo.

Existem outras normas mais favoráveis previstas na instrução normativa INSS n. 77/2015?

SIM, elas estão dispostas no art. 137 da referida instrução normativa e são os seguintes
casos:
• haverá 12 meses de período de graça após a cessação dos benefícios por incapacida-
de, salário-maternidade;
• haverá 12 meses de período de graça após a cessação do salário-maternidade;
• haverá 12 meses de período de graça ao servidor público oriundo de regime próprio de
previdência social desde que se filie ao RGPS;
− o segurado obrigatório que, durante o gozo de período de graça, 12, 24 ou 36 meses,
conforme o caso, filiar-se ao RGPS na categoria de facultativo, ao deixar de contri-
buir nesta última, terá direito de usufruir o período de graça de sua condição anterior,
se mais vantajoso (aqui, em tese, poderá haver até 38 meses de período de graça,

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pois, se aplicarmos o entendimento de que as prorrogações do período de graça são


incorporadas ao patrimônio jurídico do segurado, esse patrimônio será somado aos
seis meses de período de graça do segurado facultativo);
− o segurado obrigatório que, durante o período de manutenção da qualidade de se-
gurado decorrente de percepção do benefício por incapacidade, salário-maternida-
de ou auxílio-reclusão, filiar-se ao RGPS na categoria de facultativo, terá direito de
usufruir do período de graça decorrente da sua condição anterior, se mais vantajoso.

Existe alguma norma que, de algum modo, pune o segurado com a perda do período de
graça em alguma hipótese?

SIM, essa norma está prevista no art. 139, da Instrução Normativa INSS n. 77/2015:

Art.  139. No caso de fuga do recolhido à prisão, será descontado do prazo de manutenção da
qualidade de segurado a partir da data da fuga, o período de graça já usufruído anteriormente ao
recolhimento.

Há alguma regra específica relacionada à manutenção da qualidade de segurado para


a concessão de aposentadoria por idade, aposentadoria especial ou aposentadoria por
tempo de contribuição?

SIM, essa regra específica está prevista no art. 3º, da Lei n. 10.666/2003, no sentido de
que a perda da qualidade de segurado não será considerada para concessão das aposenta-
dorias por tempo de contribuição especial. Na aposentadoria por idade, vige a mesma regra
desde que haja tempo de contribuição o suficiente ao exigido para efeito de carência na data
do requerimento do benefício.

Uma questão muito importante: para darmos um fechamento a esse tema do período de
graça, qual é o momento exato, ou melhor, o dia exato em que devemos considerar a per-
da da qualidade após a fluência dos prazos de período de graça?

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Estudo das Normas e Regras Gerais do Regime Geral de Previdência Social - Parte II
Frederico Pereira Martins

A resposta está no art. 14, do Decreto n. 3.048/1999, que assim diz:

Art. 14. O reconhecimento da perda da qualidade de segurado no termo final dos prazos fixados
no art. 13 ocorrerá no dia seguinte ao do vencimento da contribuição do contribuinte individual
relativa ao mês imediatamente posterior ao término daqueles prazos (Redação dada pelo Decreto
n. 4.032, de 2001, grifos nossos).

Em outros termos, a perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte, data má-
xima prevista para o recolhimento da contribuição previdenciária relativa ao mês seguinte ao
fim do período de graça.
Lembrando que, conforme a Lei n. 11.933/2009, que alterou a redação do art. 30, inciso I,
“b”, da Lei n. 8.212/1991, é o dia 20 do mês subsequente a data limite para o pagamento de
cada competência.
Vejamos (grifo nosso):

Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à


Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n. 8.620, de 5.1.93)
I – A empresa é obrigada a:
[...].
b) recolher os valores arrecadados na forma da alínea a deste inciso, a contribuição a que se refere
o inciso IV do art. 22 desta Lei, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remu-
nerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhado-
res avulsos e contribuintes individuais a seu serviço até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da
competência; (Redação dada pela Lei n. 11.933, de 2009). (Produção de efeitos).

6. Descontos Previdenciários e Ressarcimentos

A lei previdenciária permite que haja um desconto incidente sobre os benefícios previden-
ciários em alguns casos previamente indicados pela norma tanto em relação aos benefícios
pagos aos segurados quanto aos dependentes.
Por ser norma de exceção, contudo, suas hipóteses não podem ser alargadas pelo intér-
prete, pois os descontos incidem sobre verba alimentar e, além disso, como já estudamos,
os benefícios previdenciários são indisponíveis, impenhoráveis e inalienáveis.

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A indisponibilidade dos benefícios previdenciários decorre de sua natureza de direito funda-


mental, portanto, irrenunciável e indisponível. Outro aspecto da indisponibilidade dos benefí-
cios previdenciários decorre da previsão legal do art. 114, da Lei n. 8.213/1991 (grifo nosso):

Art. 114. Salvo quanto a valor devido à Previdência Social e a desconto autorizado por esta Lei, ou
derivado da obrigação de prestar alimentos reconhecida em sentença judicial, o benefício não pode
ser objeto de penhora, arresto ou sequestro, sendo nula de pleno direito a sua venda ou cessão,
ou a constituição de qualquer ônus sobre ele, bem como a outorga de poderes irrevogáveis ou em
causa própria para o seu recebimento.

O dispositivo acima estabelece a blindagem dos benefícios previdenciários em relação


a ordens de penhora, arresto ou sequestro, bem como anunciando a nulidade absoluta de
qualquer venda ou cessão, ou ainda, a constituição de quaisquer ônus sobre as prestações
previdenciárias.
Mas, fique atento!
Há três exceções, sendo que nessas poderá haver penhora, arresto ou sequestro de parte
do benefício previdenciário pago.
Vejamos quais são as hipóteses:
• se houver algum valor devido à Previdência Social;
• se houver algum desconto autorizado na própria Lei n. 8.213/1991;
• se houver algum desconto derivado de obrigação de prestar alimentos.

Com relação a essa última hipótese (desconto derivado da obrigação de prestar alimen-
tos), o Superior Tribunal de Justiça já enfrentou questão interessante. Na hipótese, preten-
dia-se vincular o INSS a acordo particular feito para pagamento de alimentos. Sobre isso,
ao julgar o caso, o STJ confirmou que é impossível na legislação previdenciária a renúncia de
benefício por dependente em favor de outro.
Mas o entendimento deixou a ressalva de que o ente previdenciário deverá se sujeitar ao
pacto firmado por terceiros, mesmo sem a sua participação, para proceder ao desconto do

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percentual acordado a título de alimentos. Ou seja, o terceiro beneficiado com o acordo não
se transformará em dependente habilitado para a pensão por morte, mas terá garantido o
recebimento direto do crédito previdenciário que lhe foi destinado.
O STJ permitiu que os descontos sejam feitos em benefício previdenciário, embora com
natureza de mero pagamento de alimentos fixados em decisão judicial, o  que não resulta
alterar a titularidade originária da prestação previdenciária. Em suma: o Superior Tribunal
de Justiça no referido julgado afirmou que não pode haver renúncia, confirmando a irrenun-
ciabilidade do direito à previdência, mas possibilitou a disposição de percentual por meio de
acordo judicial. Para melhor fixação e compreensão do tema, segue abaixo o informativo para
você com grifos necessários.

Informativo n. 0618
Publicação: 23 de fevereiro de 2018.
SEGUNDA TURMA
Processo
RMS 45.817-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, por maioria,
julgado em 26/09/2017, DJe 05/02/2018.
Ramo do Direito
DIREITO ADMINISTRATIVO
Tema
Pensão por morte. Acordo efetivado em juízo. Divisão entre companheira do de cujus e
a genitora deste. Efeitos perante terceiros. Alteração da ordem legal de pensionamento.
Impossibilidade.
Destaque
O acordo de partilha de pensão por morte, homologado judicialmente, não altera a ordem
legal do pensionamento, podendo, todavia, impor ao órgão de previdência a obrigação de
depositar parcela do benefício em favor do acordante que não figura como beneficiário
perante a autarquia previdenciária.
Informações do Inteiro Teor

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Na hipótese, foi homologado judicialmente acordo no qual se dividiu em partes iguais


pensão por morte entre companheira do de cujus - beneficiária da pensão de acordo
com as normas municipais - e a genitora do falecido.
Nesse contexto, cinge-se a controvérsia, dentre outros pontos, a  analisar os efeitos
gerados por esse acordo, em especial, em relação à autarquia previdenciária municipal
responsável pelo pagamento do benefício.
De início, consigna-se que o ajuste formulado interpartes, pode produzir efeitos em face
do Instituto de Previdência e Assistência de Servidores Municipais desde que a sua efe-
tivação não acarrete ônus à autarquia, além daquele estritamente relativo à efetivação
dos registros nos assentamentos e eventuais transferências de valores. Dito de outro
modo: desde que se restrinja à mera esfera de interesses particulares dos acordantes.
No entanto, o acordo homologado em juízo não pode alterar a ordem legal quanto aos
beneficiários da pensão por morte.
No caso analisado, a  homologação feita pela autoridade judicial do ajuste formulado
entre as partes “partilhou” o objeto da pensão, mas não pretendeu impor à autarquia
determinação no sentido de implantar a pensão por morte para a genitora do segurado.
Com isso, não tendo o ajuste homologado em juízo o condão – e nem o poderia – de
alterar ordem legal de pensionamento, a conclusão que dele decorre é que houve o con-
sentimento de uma parte, por expressa vontade, de pagar, em favor da outra, determi-
nado valor mensal com natureza jurídica geral de “alimentos”.
Todavia, o desconto em favor da genitora não tem natureza de pensionamento, porque
inexistente suporte legal para tanto, não podendo gerar, para o futuro, qualquer direito
em favor de terceiros dependentes dessa beneficiária, bem como fica condicionado se e
quando persistir a pensão por morte de que é titular a companheira do de cujus.
Por fim, caso dito desconto seja suspenso, excluído ou diminuído, por qualquer motivo –
morte ou revisão total ou parcial do ajuste em juízo –, a parcela respectiva retorna para
a beneficiária titular.
Por seu turno, a autarquia previdenciária tem a obrigação de, tão somente, implantar o
benefício de pensão por morte em nome da dependente legal, mas do valor total a ser
pago mensalmente à pensionista, por força de acordo interpartes, deve ser descontado
o percentual acordado, a ser depositado, pelo Instituto de Previdência e Assistência dos
Servidores Municipais em favor da genitora do falecido.

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Sendo assim, fique atento para o fato de que se deve seguir a estrita taxatividade da nor-
ma previdenciária a fim de que os descontos não sejam dirigidos a outras situações não de-
finidas previamente pelo legislador.
Como visto, o aplicador da norma previdenciária, ao abordar o tópico do desconto previ-
denciário, deverá observar as regras previstas nos artigos 114 e 115, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 114. Salvo quanto a valor devido à Previdência Social e a desconto autorizado por esta Lei, ou
derivado da obrigação de prestar alimentos reconhecida em sentença judicial, o benefício não pode
ser objeto de penhora, arresto ou sequestro, sendo nula de pleno direito a sua venda ou cessão,
ou a constituição de qualquer ônus sobre ele, bem como a outorga de poderes irrevogáveis ou em
causa própria para o seu recebimento.
Art. 115. Podem ser descontados dos benefícios:
I – Contribuições devidas pelo segurado à Previdência Social;
II – pagamento administrativo ou judicial de benefício previdenciário ou assistencial indevido, ou
além do devido, inclusive na hipótese de cessação do benefício pela revogação de decisão judicial,
em valor que não exceda 30% (trinta por cento) da sua importância, nos termos do regulamen-
to; (Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019)
III – Imposto de Renda retido na fonte;
IV – Pensão de alimentos decretada em sentença judicial;
V – Mensalidades de associações e demais entidades de aposentados legalmente reconhecidas,
desde que autorizadas por seus filiados;
VI – Pagamento de empréstimos, financiamentos, cartões de crédito e operações de arrendamen-
to mercantil concedidos por instituições financeiras e sociedades de arrendamento mercantil, ou
por entidades fechadas ou abertas de previdência complementar, públicas e privadas, quando ex-
pressamente autorizado pelo beneficiário, até o limite de 35% (trinta e cinco por cento) do valor do
benefício, sendo 5% (cinco por cento) destinados exclusivamente para: (Redação dada pela Lei n.
13.183, de 2015);
a) amortização de despesas contraídas por meio de cartão de crédito; ou (Redação dada pela Lei
n. 13.183, de 2015)
b) utilização com a finalidade de saque por meio do cartão de crédito. (Redação dada pela Lei n.
13.183, de 2015)
§ 1º Na hipótese do inciso II, o desconto será feito em parcelas, conforme dispuser o regulamento,
salvo má-fé. (Renumerado do Parágrafo único pela Lei n. 10.820, de 17.12.2003)
§ 2º Na hipótese dos incisos II e VI, haverá prevalência do desconto do inciso II. (Incluído pela Lei
n. 10.820, de 17.12.2003)
§ 3º Serão inscritos em dívida ativa pela Procuradoria-Geral Federal os créditos constituídos pelo
INSS em decorrência de benefício previdenciário ou assistencial pago indevidamente ou além do
devido, inclusive na hipótese de cessação do benefício pela revogação de decisão judicial, nos
termos da Lei n. 6.830, de 22 de setembro de 1980, para a execução judicial. (Redação dada pela Lei n.
13.846, de 2019)

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§ 4º Será objeto de inscrição em dívida ativa, para os fins do disposto no § 3º deste artigo, em con-
junto ou separadamente, o terceiro beneficiado que sabia ou deveria saber da origem do benefício
pago indevidamente em razão de fraude, de dolo ou de coação, desde que devidamente identificado
em procedimento administrativo de responsabilização. (Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019)
§ 5º O procedimento de que trata o § 4º deste artigo será disciplinado em regulamento, nos termos
da Lei n. 9.784, de 29 de janeiro de 1999, e no art. 27 do Decreto-Lei n. 4.657, de 4 de setembro de 1942.
(Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019)
§ 6º Na hipótese prevista no inciso V do caput deste artigo, a autorização do desconto deverá ser
revalidada a cada 3 (três) anos, a partir de 31 de dezembro de 2021, nos termos do regulamento.
(Redação dada pela Lei n. 13.846, de 2019)
Art. 116. Será fornecido ao beneficiário demonstrativo minucioso das importâncias pagas, discri-
minando-se o valor da mensalidade, as diferenças eventualmente pagas com o período a que se
referem e os descontos efetuados.

Já na Instrução Normativa INSS n. 77/2015, são o art. 522 e seguintes que estabelecem


as diretrizes relacionadas ao desconto dos benefícios previdenciários.
No plano normativo infralegal, como se pode observar da leitura dos dispositivos abaixo,
o INSS promove os descontos por meio da consignação. A consignação é a forma especial
ou indireta de pagamento de uma obrigação devida pelo beneficiário, junto ao INSS e/ou ter-
ceiros, tais como instituições financeiras, associações de aposentados e pensionistas e/ou
credores de pensão alimentícia.
As consignações, por sua vez, podem ser subdivididas em:
• descontos obrigatórios;
• descontos eletivos;
• descontos por determinação judicial.

Vejamos abaixo (grifos nossos):

Da consignação
Art. 522. Consignação é uma forma especial ou indireta de pagamento, meio pelo qual o devedor,
titular de benefício, possui para extinguir uma obrigação de pagamento junto ao INSS e/ou a ter-
ceiros, comandada por meio de desconto em seu benefício.
§  1º As consignações classificam-se em descontos obrigatórios, eletivos e por determinação
judicial.
§ 2º São considerados descontos obrigatórios aqueles determinados por lei:
I – As contribuições à Previdência Social;
II – Os pagamentos de benefícios indevidos ou além do devido;

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III – O Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF; e


IV – Pensão de alimentos.
§ 3º São considerados descontos eletivos aqueles que dependem de expressa vontade do titular
do benefício, entre outros:
I – Consignação em aposentadoria ou pensão por morte, para pagamento de operações financei-
ras contratadas pelo titular do benefício em favor de instituição financeira, conforme estipulado em
normativos específicos; e
II – As mensalidades de associações e de demais entidades de aposentados legalmente reconhe-
cidas, desde que autorizadas por seus filiados.
§ 4º Os descontos oriundos de determinação judicial deverão ser processados pelo INSS, nos ter-
mos definidos judicialmente, observada a margem consignável disponível no benefício.
§ 5º Não sendo possível a implantação de consignação em decorrência da ausência ou insuficiên-
cia de margem consignável, deverá ser comunicado o fato através de ofício ao respectivo juízo ou
solicitante.
§ 6º O limite para consignação de débitos junto ao benefício, obrigatórios, eletivos ou por determi-
nação judicial, quando acumulados, é de 100% do valor da renda mensal do benefício, devendo ser
observados, para os casos de consignações decorrentes de empréstimos bancários e de valores
recebidos indevidamente, os limites estabelecidos pelos normativos vigentes.
§  7º As consignações de caráter obrigatório prevalecem sobreas de caráter eletivo, sendo que,
entre as obrigatórias, observar-se-á a cronologia da implantação, salvo disposição em contrário.
§ 8º Os pagamentos retroativos, por não versarem obrigações mensais de valor fixo insuscetíveis
de cobrança confiscatória, não se sujeitam a qualquer limite percentual no tocante à quitação de
débitos do beneficiário para com o INSS, podendo ser, para tanto, retidos em sua integralidade.
§ 9º O acréscimo do valor de consignação, decorrente do aumento da margem do benefício, so-
mente ocorrerá mediante anuência expressa do beneficiário.

Subseção I
Dos descontos em benefícios
Art. 523. O INSS pode descontar da renda mensal do benefício:
I – As contribuições devidas pelo segurado à Previdência Social, observado o contido no art. 522;
II – Os pagamentos de benefícios com valores indevidos, observado o disposto nos §§ 2º ao 5º do
art. 154 do RPS, devendo cada parcela corresponder, no máximo, a 30% (trinta por cento) do valor
do benefício em manutenção, podendo o percentual ser reduzido por ato normativo específico,
e ser descontado em número de meses necessários à liquidação do débito;
III – O Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, observando-se que:
a) para cálculo do desconto, aplicam-se a tabela e as disposições vigentes nas normas estabele-
cidas pela Receita Federal do Brasil,
b) para cálculo do desconto, no caso de pagamentos acumulados ou atrasados, aplicam-se as
tabelas e as disposições nas normas vigentes e estabelecidas pela Receita Federal do Brasil, es-
pecíficas para essas situações;
c) na forma da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, são isentos de desconto do IRRF os valores
a serem pagos aos beneficiários que estão em gozo de:

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1. auxílio-doença, auxílio-acidente, aposentadoria por invalidez decorrente de acidente em


serviço; e
2. benefícios concedidos a portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação men-
tal, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapaci-
tante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,
estados avançados da doença de Paget (osteite deformante), contaminação por radiação, Síndro-
me da Imunodeficiência Adquirida, Fibrose cística (mucoviscidose), hepatopatiagrave e Síndrome
de Talidomida;
d) a isenção dos beneficiários portadores das doenças citadas no item 2 da alínea “c” do inciso III
deste artigo, deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
e) de acordo com o disposto no § 1º do Decreto n. 4.897, de 25 de novembro de 2003, também
estão isentas as aposentadorias e pensões de anistiados;
f) o desconto do IRRF não incidirá sobre as importâncias pagas como pecúlio de que trata o art. 724;
g) os benefícios mantidos no âmbito dos Acordos de Previdência Social estão sujeitos a regras do
Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF, por ocasião do efetivo crédito, obedecendo às instruções
expedidas pela Receita Federal do Brasil e aos Acordos Internacionais existentes com cada país,
para evitar a bitributação e evasão fiscal; e
h) o recolhimento de Imposto de Renda dos benefícios vinculados à empresas acordantes será
efetuado pela mesma, excetuando-se aqueles previstos no Acordo. Nestes casos a emissão dos
respectivos comprovantes será de responsabilidade da empresa acordante, que fornecerá ao be-
neficiário a sua declaração anual de rendimentos;
IV – Os alimentos decorrentes de sentença judicial, conforme Subseção II desta Seção;
V  – Consignação em aposentadoria ou pensão por morte, para pagamento de operações finan-
ceiras (empréstimos, financiamentos, operações de arrendamento mercantil etc.) contraídos pelo
titular do benefício em favor de instituição financeira;
VI – As mensalidades de associações e de demais entidades de aposentados legalmente reconhe-
cidas, desde que autorizadas por seus filiados.
§ 1º O beneficiário deverá ser cientificado, por escrito, dos descontos efetuados com base nos in-
cisos I e II do caput devendo constar da comunicação a origem e o valor do débito.
§ 2º Deverão ser compensados no PAB ou na renda mensal de benefício concedido regularmente
e em vigor, ainda que na forma de resíduo, os valores pagos indevidamente pelo INSS, desde que o
recebimento indevido tenha sido pelo mesmo beneficiário titular do benefício objeto da compen-
sação, devendo ser observado o prazo de decadência e de prescrição, referido nos arts. 569 e 573,
respectivamente, quando se tratar de erro administrativo.
[...].

Subseção III
Das operações financeiras autorizadas pelo beneficiário
Art. 527. O titular do benefício de aposentadoria ou pensão por morte poderá autorizar a consigna-
ção em benefício para pagamento de operações financeiras, conforme o estipulado em normativos
específicos e obedecendo aos seguintes critérios:
I – A consignação poderá ser efetivada, desde que:

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[...].
d) o valor do desconto não exceda, no momento da contratação, a 30% (trinta por cento) o valor
disponível do benefício, excluindo Complemento Positivo - CP, PAB, e décimo terceiro salário, cor-
respondente à última competência emitida, constante do Histórico de Créditos - HISCRE - Sistema
de Benefícios;
II – Entende-se por valor disponível do benefício, aquele apurado após as deduções das seguintes
consignações:
a) pagamento de benefício além do devido;
b) Imposto de Renda;
c) pensão alimentícia;
d) mensalidades de associações e demais entidades de aposentados legalmente reconhecidas; e
e) oriundas de decisão judicial;
III – as consignações não se aplicam aos benefícios:
a) concedidos nas regras de Acordos de Previdência
Social, para os segurados residentes no exterior;
b) pagos a título de pensão alimentícia;
c) assistenciais, inclusive os decorrentes de leis específicas;
d) recebidos por meio de representante legal do segurado: dependente tutelado ou curatelado;
e) pagos por intermédio da empresa acordante; e
f) pagos por intermédio de cooperativas de créditos que não possuam contratos para pagamento
e arrecadação de benefícios.
Parágrafo único. O empréstimo poderá ser concedido por qualquer instituição consignatária, inde-
pendentemente de ser ou não responsável pelo pagamento de benefícios.

Perceba que os descontos obrigatórios são relacionados ao pagamento de tributos, entre


eles, as contribuições vertidas à própria previdência social, bem como os valores voltados ao
recolhimento do imposto de renda retido na fonte quando cabível.
Além disso, para se vedar o enriquecimento sem causa, também entra na categoria de
desconto obrigatório o pagamento de benefício indevido como forma de ressarcir o INSS de
valores que não seriam devidos ao segurado ou dependente.
Por fim, é  possível fazer o desconto como obrigatório da pensão alimentícia fixada em
favor de terceiros. Esses descontos obrigatórios não dependem da autorização ou da vontade
manifestada do segurado ou dependente, sendo aplicados por força de lei. Diferentemente,
os  descontos eletivos dependem expressamente da anuência do segurado ou dependente,
respectivo titular do benefício.
São, em síntese, hipóteses relacionadas à aquisição de crédito junto a instituições finan-
ceiras ou ao pagamento de mensalidades de associações ou outras entidades de aposenta-

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dos legalmente reconhecidas, desde que sempre, como dito, autorizadas expressamente por
seus filiados.

Na concomitância de consignações, existe alguma prioridade entre esses tipos de des-


contos?

SIM, serão priorizados os descontos obrigatórios em detrimento dos descontos eletivos,


sendo que entre os obrigatórios será observada a ordem cronológica de suas constituições
de crédito.

E existe um limite para que haja incidência de todos esses descontos?

SIM, mas quando falamos do acúmulo de todos os descontos, sejam eles obrigatórios,
eletivos ou por determinação inicial, a norma prevista na Instrução Normativa INSS n. 77/2015
define que o limite é de 100% do valor da renda mensal do benefício, devendo ser observados,
para os casos de consignações decorrentes de empréstimos bancários de valores recebidos
indevidamente, os respectivos limites estabelecidos pelos normativos vigentes.

A IN 77/15 já fixa de antemão que o desconto obrigatório relativo ao pagamento de benefício


indevido terá como limite o percentual de 30%, bem como o desconto eletivo relativo a em-
préstimos consignados também terá o limite de 30% do benefício.

Assim, além dos descontos decorrentes de pagamentos indevidos, quando falamos em


descontos decorrentes de consignações de empréstimos adquiridos junto a instituições fi-
nanceiras, bem como descontos decorrentes de valores recebidos indevidamente, há outros
limites específicos.
Entretanto, quando forem somados os descontos dessas hipóteses com as demais hi-
póteses eventualmente coincidentes em relação ao segurado ou dependente, é possível que

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haja até 100% do valor da renda mensal descontado, de modo que, na prática, o titular do be-
nefício não chegaria a receber nenhum centavo de sua renda mensal inicial.
Aqui vale uma observação: não seria aceitável que um beneficiário tenha 100% da pres-
tação paga pelo INSS descontada por conta das consignações acima permitidas pela IN
77/2015. Tal medida implicaria, na prática, deixar a pessoa completamente a descoberto da
proteção social prevista na Constituição Federal de 1988, na legislação previdenciária e, bem
assim, no próprio regulamento da previdência social. Compensar todo o benefício previden-
ciário por dívidas tributárias ou particulares ou ainda por dívida junto ao próprio INSS não é,
certamente, a  intenção consubstanciada nas normas de proteção social de nosso ordena-
mento jurídico.

E quanto aos pagamentos retroativos eventualmente devidos ao segurado ou o depen-


dente? É possível que haja também 100% de retenção, na eventualidade de algum des-
conto incidente?

SIM, nesse caso não há nenhum limite para que haja um desconto, inclusive não há tam-
bém o limite referido alhures para as considerações decorrentes de empréstimos bancários
de valores recebidos indevidamente. É que nesses casos, o caráter alimentar, de certa forma,
transmuta-se para uma indenização, e essa não teria, em tese, a imediatidade orçamentária
ínsita aos pagamentos mensais da previdência social, que são dirigidas, portanto, à manu-
tenção diária da vida dos beneficiários.

Existe alguma hipótese de isenção de imposto de renda quanto aos pagamentos de pres-
tações previdenciárias?

SIM, a Lei n. 9.250/1995 muda a Lei n. 8.541/1992 que “altera a legislação do Imposto
de Renda e dá outras providências”, de modo a definir que o pagamento de auxílio-doença
e auxílio-acidente e a aposentadoria por invalidez decorrente de acidente em serviço serão
benefícios os quais estarão isentos da retenção do imposto de renda.
Vejamos (grifos nossos):

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[...].
c) na forma da Lei n. 9.250, de 26 de dezembro de 1995, são isentos de desconto do IRRF os valores
a serem pagos aos beneficiários que estão em gozo de:
1. auxílio-doença, auxílio-acidente, aposentadoria por invalidez decorrente de acidente em serviço; e
2. benefícios concedidos a portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação men-
tal, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapaci-
tante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave,
estados avançados da doença de Paget (osteite deformante), contaminação por radiação, Síndro-
me da Imunodeficiência Adquirida, Fibrose cística (mucoviscidose), hepatopatiagrave e Síndrome
de Talidomida;
d) a isenção dos beneficiários portadores das doenças citadas no item 2 da alínea “c” do inciso III
deste artigo, deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;
e) de acordo com o disposto no § 1º do Decreto n. 4.897, de 25 de novembro de 2003, também
estão isentas as aposentadorias e pensões de anistiados; [...].

Como visto, não haverá também incidência do imposto de renda dos benefícios previ-
denciários concedidos em decorrência das doenças graves previstas no dispositivo acima,
bem como nas aposentadorias e pensões de anistiados concedidas na forma do Decreto n.
4.897/2003, o qual regulamenta o art. 9º, da Lei n. 10.559/2002, que assim diz (grifo nosso):

Art. 9º Os valores pagos por anistia não poderão ser objeto de contribuição ao INSS, a caixas de
assistência ou fundos de pensão ou previdência, nem objeto de ressarcimento por estes de suas
responsabilidades estatutárias.
Parágrafo único. Os  valores pagos a título de indenização a anistiados políticos são isentos do
Imposto de Renda. (Regulamento)
O art. 9º acima regulamenta, por sua vez, o art. 8º, do ADCT, que trata das indenizações e repara-
ções devidas aos que receberam o reconhecimento da anistia prevista conforme o texto que segue
(grifos nossos):
Art.  8º. É  concedida anistia aos que, no período de 18 de setembro de 1946 até a data da pro-
mulgação da Constituição, foram atingidos, em decorrência de motivação exclusivamente política,
por atos de exceção, institucionais ou complementares, aos que foram abrangidos pelo Decreto
Legislativo n. 18, de 15 de dezembro de 1961 , e aos atingidos pelo Decreto-Lei n. 864, de 12 de
setembro de 1969 , asseguradas as promoções, na inatividade, ao cargo, emprego, posto ou gra-
duação a que teriam direito se estivessem em serviço ativo, obedecidos os prazos de permanência
em atividade previstos nas leis e regulamentos vigentes, respeitadas as características e peculiari-
dades das carreiras dos servidores públicos civis e militares e observados os respectivos regimes
jurídicos. (Regulamento)
§ 1º O disposto neste artigo somente gerará efeitos financeiros a partir da promulgação da Cons-
tituição, vedada a remuneração de qualquer espécie em caráter retroativo.

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§ 2º Ficam assegurados os benefícios estabelecidos neste artigo aos trabalhadores do setor priva-
do, dirigentes e representantes sindicais que, por motivos exclusivamente políticos, tenham sido
punidos, demitidos ou compelidos ao afastamento das atividades remuneradas que exerciam, bem
como aos que foram impedidos de exercer atividades profissionais em virtude de pressões osten-
sivas ou expedientes oficiais sigilosos.
§ 3º Aos cidadãos que foram impedidos de exercer, na vida civil, atividade profissional específica,
em decorrência das Portarias Reservadas do Ministério da Aeronáutica n. S-50-GM5, de 19 de ju-
nho de 1964, e n. S-285-GM5 será concedida reparação de natureza econômica, na forma que dis-
puser lei de iniciativa do Congresso Nacional e a entrar em vigor no prazo de doze meses a contar
da promulgação da Constituição.
§ 4º Aos que, por força de atos institucionais, tenham exercido gratuitamente mandato eletivo de
vereador serão computados, para efeito de aposentadoria no serviço público e previdência social,
os respectivos períodos.
§ 5º A anistia concedida nos termos deste artigo aplica-se aos servidores públicos civis e aos em-
pregados em todos os níveis de governo ou em suas fundações, empresas públicas ou empresas
mistas sob controle estatal, exceto nos Ministérios militares, que tenham sido punidos ou demiti-
dos por atividades profissionais interrompidas em virtude de decisão de seus trabalhadores, bem
como em decorrência do Decreto-Lei n. 1.632, de 4 de agosto de 1978 , ou por motivos exclusiva-
mente políticos, assegurada a readmissão dos que foram atingidos a partir de 1979, observado o
disposto no § 1º.

Questão pontual que poderá implicar ou não a realização de descontos no benefício recebido
ou ainda o ressarcimento ao INSS na hipótese de o benefício ter sido cancelado: possibilidade
de implantação de algum benefício previdenciário em decorrência de decisão judicial precária.

Se houver, posteriormente, a revogação ou reforma dessas decisões, existirá a obrigação


de devolução das parcelas recebidas?

O tema é tormentoso e já foi objeto de oscilação na jurisprudência. O Superior Tribunal de


Justiça entendia que, pelo princípio da segurança jurídica e da boa-fé, os valores recebidos
seriam irrepetíveis.
Já a Turma Nacional de Uniformização, no mesmo sentido acima, chegou editar a Súmula 51:

SÚMULA 51
DJ DATA 15/03/2012
PG: 00119

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(CANCELADA EM 30.08.2017)
DJe DATA:20/09/2017
PG:00002
Os valores recebidos por força de antecipação dos efeitos de tutela, posteriormente
revogada em demanda previdenciária, são irrepetíveis em razão da natureza alimentar e
da boa-fé no seu recebimento.

Observe, entretanto, que a referida Súmula foi cancelada em 2017.


Em verdade, já de muito havia sensível divergência no âmbito do STJ, mas julgados como
o abaixo transcrito (grifos nossos) prevaleceram, no sentido de que deveria ser feita, em tais
casos, a restituição ao INSS das parcelas pagas a título de benefício previdenciário decorren-
te de antecipação de tutela posteriormente revogada.

PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS A TÍTULO


DE TUTELA ANTECIPADA POSTERIORMENTE REVOGADA. POSSIBILIDADE. LIMITAÇÃO
DO DESCONTO A 10% SOBRE O VALOR LÍQUIDO DA PRESTAÇÃO DO BENEFÍCIO.
1. A tutela antecipada é provimento jurisdicional de caráter provisório, que, nos termos
do art. 273, § 3º e 475-O do CPC, tem a sua execução realizada por iniciativa, conta e
responsabilidade do exequente, que se obriga, se a decisão for reformada, a reparar os
danos que o executado haja sofrido.
2. De acordo com o art. 115 da Lei 8.213/1991, que disciplina os planos de benefícios da
Previdência Social, havendo pagamento além do devido, como no caso, o ressarcimento
será efetuado por meio de parcelas, nos termos determinados em regulamento, ressal-
vada a ocorrência de má-fé.
3. Tendo em vista a natureza alimentar do benefício previdenciário e a condição de hipos-
suficiência do segurado, reputa-se razoável o desconto de 10% sobre o valor líquido da
prestação do benefício, a fim de restituir os valores pagos a mais, decorrente da tutela
antecipada posteriormente revogada.
4. Embora possibilite a fruição imediata do direito material, a tutela antecipada não perde
a sua característica de provimento provisório e precário, daí porque a sua futura revo-

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gação acarreta a restituição dos valores recebidos em decorrência dela (art. 273, § 3º e
475-O do CPC).
5. Recurso Especial do INSS provido.
(REsp 988.171/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, QUINTA TURMA, jul-
gado em 04/12/2007, DJ 17/12/2007, p. 343).

No julgado acima, podemos notar que, apesar de a decisão ter sido no sentido de de-
volução, houve, ao  menos, a  limitação dos descontos em até 10% do benefício mensal do
beneficiário. De fato, deve-se considerar o caráter alimentar dos benefícios previdenciários,
fazendo sua devida vinculação ao princípio constitucional da dignidade da pessoa humana,
de forma que as imposições normativas que permitem o desconto do benefício por débitos
não poderão comprometer o sustento do segurado. Seria até mesmo um contrassenso, já
que, não possuindo mais renda, poder-se-ia cogitar do recebimento de benefício assistencial
em algumas hipóteses, se idoso com 65 anos ou deficiente sem sustento pela sua própria
família. Ou seja, o Estado retira de um lado para satisfazer um crédito seu, mas assume um
débito ainda maior de outro lado.
Não obstante em outras ocasiões, contudo, o  STJ nada pontuou sobre essa limitação,
determinando unicamente a devolução das parcelas pagas a título de tutela antecipada ou
decisão liminar ante o caráter precário e provisório dessas8:

AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL N. 176.900 - MT (2012/0098530-1)


RELATOR: MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI
AGRAVANTE: INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
ADVOGADO: PROCURADORIA-GERAL FEDERAL - PGF
AGRAVADO: CATARINA BATISTA DIAS
ADVOGADO: ALEXSANDRO MANHAGUANHA
PROCESSUAL CIVIL. PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL.
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. LIMINAR REVOGADA. RESTITUIÇÃO DE VALORES
INDEVIDAMENTE RECEBIDOS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES.
AGRAVO CONHECIDO PARA, DESDE LOGO, DAR PROVIMENTO AO RECURSO
8
Ibidem, p. 1224.

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ESPECIAL.
DECISÃO
1. Trata-se de agravo de decisão que deixou de admitir recurso especial interposto
contra acórdão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que deu provimento à ape-
lação do recorrente para “reformar a sentença recorrida e julgar improcedente o pedido
formulado na inicial, revogada, de imediato, a tutela antecipada concedida, dispensando
a autora da repetição das parcelas recebidas até a cessação dos seus efeitos.” (fl. 128).
No recurso especial, o recorrente aponta, além do dissídio jurisprudencial, violação aos
arts. 273, § 3º e 811, I e II, do CPC, sustentando que (a) “no caso das tutelas antecipadas,
a lei processual impõe, com toda a clareza, a reversibilidade do provimento antecipado
como pré-requisito à sua concessão” (fl. 136) e (b) “é impossível falar-se em boa-fé
quando a parte autora tinha pleno conhecimento de que estava recebendo em razão de
provimento jurisdicional precário.” (fl. 138) 2. Tem razão o recurso. As medidas anteci-
patórias, quando concedidas, o são com a sua natureza própria de precariedade, provi-
soriedade e revogabilidade, se for o caso, sendo que, em caso de revogação, devem as
partes retornar ao status quo ante, cabendo ao requerente repor os danos causados pela
execução da medida revogada. É o que se extrai dos arts. 273, § 4º e 811, I e II, do CPC,
invocados nas razões recursais.
[...].
3. Diante do exposto, conheço do agravo para, desde logo, dar provimento ao recurso
especial. Intime-se.
Brasília (DF), 22 de maio de 2012.
MINISTRO TEORI ALBINO ZAVASCKI
Relator
(Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, 01/06/2012, grifo nosso).

Mas o entendimento da devolução com limitação de 10% do benefício acabou sendo con-
solidado no julgamento do REsp n. 1.384.418/SC, feito pela 1ª Seção do STJ:

PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL.


BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. RECEBIMENTO VIA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA POSTE-

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RIORMENTE REVOGADA. DEVOLUÇÃO. REALINHAMENTO JURISPRUDENCIAL. HIPÓ-


TESE ANÁLOGA. SERVIDOR PÚBLICO. CRITÉRIOS. CARÁTER ALIMENTAR E BOA-FÉ
OBJETIVA. NATUREZA PRECÁRIA DA DECISÃO. RESSARCIMENTO DEVIDO. DESCONTO
EM FOLHA. PARÂMETROS.
1. Trata-se, na hipótese, de constatar se há o dever de o segurado da Previdência Social
devolver valores de benefício previdenciário recebidos por força de antecipação de tutela
(art. 273 do CPC) posteriormente revogada.
2. Historicamente, a jurisprudência do STJ fundamenta-se no princípio da irrepetibili-
dade dos alimentos para isentar os segurados do RGPS de restituir valores obtidos por
antecipação de tutela que posteriormente é revogada.
3. Essa construção derivou da aplicação do citado princípio em Ações Rescisórias julga-
das procedentes para cassar decisão rescindenda que concedeu benefício previdenciá-
rio, que, por conseguinte, adveio da construção pretoriana acerca da prestação alimen-
tícia do direito de família. A propósito: REsp 728.728/RS, Rel. Ministro José Arnaldo da
Fonseca, Quinta Turma, DJ 9.5.2005.
4. Já a jurisprudência que cuida da devolução de valores percebidos indevidamente por
servidores públicos evoluiu para considerar não apenas o caráter alimentar da verba,
mas também a boa-fé objetiva envolvida in casu.
5. O elemento que evidencia a boa-fé objetiva no caso é a “legítima confiança ou justi-
ficada expectativa, que o beneficiário adquire, de que valores recebidos são legais e de
que integraram em definitivo o seu patrimônio” (AgRg no REsp 1.263.480/CE, Rel. Minis-
tro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 9.9.2011, grifei). Na mesma linha quanto à
imposição de devolução de valores relativos a servidor público: AgRg no AREsp 40.007/
SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 16.4.2012; EDcl nos EDcl no
REsp 1.241.909/SC, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 15.9.2011;
AgRg no REsp 1.332.763/CE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe
28.8.2012; AgRg no REsp 639.544/PR, Rel. Ministra Alderita Ramos de Oliveira (Desem-
bargador Convocada do TJ/PE), Sexta Turma, DJe 29.4.2013; AgRg no REsp 1.177.349/
ES, Rel. Ministro Gilson Dipp, Quinta Turma, DJe 1º.8.2012; AgRg no RMS 23.746/SC, Rel.
Ministro Jorge Mussi, Quinta Turma, DJe 14.3.2011.
6. Tal compreensão foi validada pela Primeira Seção em julgado sob o rito do art. 543-C
do CPC, em situação na qual se debateu a devolução de valores pagos por erro adminis-

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trativo: “quando a Administração Pública interpreta erroneamente uma lei, resultando


em pagamento indevido ao servidor, cria-se uma falsa expectativa de que os valores
recebidos são legais e definitivos, impedindo, assim, que ocorra desconto dos mesmos,
ante a boa-fé do servidor público.” (REsp 1.244.182/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçal-
ves, Primeira Seção, DJe 19.10.2012).
7. Não há dúvida de que os provimentos oriundos de antecipação de tutela (art. 273 do
CPC) preenchem o requisito da boa-fé subjetiva, isto é, enquanto o segurado os obteve
existia legitimidade jurídica, apesar de precária.
8. Do ponto de vista objetivo, por sua vez, inviável falar na percepção, pelo segurado, da
definitividade do pagamento recebido via tutela antecipatória, não havendo o titular do
direito precário como pressupor a incorporação irreversível da verba ao seu patrimônio.
9. Segundo o art. 3º da LINDB, “ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a
conhece”, o que induz à premissa de que o caráter precário das decisões judiciais limi-
nares é de conhecimento inescusável (art. 273 do CPC).
10. Dentro de uma escala axiológica, mostra-se desproporcional o Poder Judiciário
desautorizar a reposição do principal ao Erário em situações como a dos autos, enquanto
se permite que o próprio segurado tome empréstimos e consigne descontos em folha
pagando, além do principal, juros remuneratórios a instituições financeiras.
11. À luz do princípio da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, da CF) e considerando
o dever do segurado de devolver os valores obtidos por força de antecipação de tutela
posteriormente revogada, devem ser observados os seguintes parâmetros para o res-
sarcimento:
a) a execução de sentença declaratória do direito deverá ser promovida;
b) liquidado e incontroverso o crédito executado, o  INSS poderá fazer o desconto em
folha de até 10% da remuneração dos benefícios previdenciários em manutenção até a
satisfação do crédito, adotado por simetria com o percentual aplicado aos servidores
públicos (art. 46, § 1º, da Lei 8.213/1991).
12. Recurso Especial provido.
(REsp 1384418/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
12/06/2013, DJe 30/08/2013, grifos nossos).

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Esse foi o entendimento fixado pela 1ª Seção do STJ.


Mas, enquanto isso, a 3ª Seção julgava em sentido diverso, vedando a devolução das par-
celas pagas e recebidas de boa-fé pelo beneficiário ante o caráter alimentar da verba:

PROCESSO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CÓDIGO DE PROCESSO


CIVIL AFASTADA. RESTITUIÇÃO DE PARCELAS PREVIDENCIÁRIAS PAGAS POR FORÇA
DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. VERBA ALIMENTAR RECEBIDA DE BOA FÉ PELA SEGU-
RADA. RECURSO ESPECIAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.
1. A questão da possibilidade da devolução dos valores recebidos por força de antecipa-
ção dos efeitos da tutela foi inequivocamente decidida pela Corte Federal, o que exclui
a alegada violação do artigo 535 do Código de Processo Civil, eis que os embargos de
declaração não se destinam ao prequestionamento explícito.
2. O pagamento realizado a maior, que o INSS pretende ver restituído, foi decorrente de
decisão suficientemente motivada, anterior ao pronunciamento definitivo da Suprema
Corte, que afastou a aplicação da lei previdenciária mais benéfica a benefício concedido
antes da sua vigência. Sendo indiscutível a boa-fé da autora, não é razoável determinar
a sua devolução pela mudança do entendimento jurisprudencial por muito tempo con-
trovertido, devendo-se privilegiar, no caso, o princípio da irrepetibilidade dos alimentos.
3. Negado provimento ao recurso especial.
(REsp 991.030/RS, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO,
julgado em 14/05/2008, DJe 15/10/2008, grifo nosso).

Diante da dissonância de entendimento dentro do próprio Superior Tribunal de Justiça,


a  Corte Especial deste Tribunal definiu a questão, assentando uma posição que ficaria no
meio caminho, digamos, entre os entendimentos firmados pela 1ª e 3ª Seções.
Asseverou-se, assim, que se as decisões judiciais tiverem sido proferidas em sede de
sentença ou em segunda instância, nos Tribunais de 2º grau ou nas Turmas Recursais, deverá
ocorrer a devolução das parcelas pagas a título de antecipação de tutela à previdência social.
Por outro lado, havendo a revogação ou reforma da decisão que concedeu benefício ju-
dicialmente apenas no âmbito das instâncias extraordinárias, ou seja, no Supremo Tribunal

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Federal ou no Superior Tribunal de Justiça, não será necessária a evolução. Isso porque, nes-
ses casos, a superação das instâncias ordinárias já terá criado, em tese, na parte, a confiança
legítima e a expectativa de vitória e confirmação da decisão antecipatória, delineando a sua
boa-fé no recebimento das parcelas previdenciárias, embora posteriormente canceladas.
Vejamos o julgado (grifos nossos):

PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. SENTENÇA


QUE DETERMINA O RESTABELECIMENTO DE PENSÃO POR MORTE. CONFIRMAÇÃO
PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. DECISÃO REFORMADA NO JULGAMENTO DO RECURSO
ESPECIAL. DEVOLUÇÃO DOS VALORES RECEBIDOS DE BOA-FÉ.
IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES DO STJ.
1. A dupla conformidade entre a sentença e o acórdão gera a estabilização da decisão
de primeira instância, de sorte que, de um lado, limita a possibilidade de recurso do
vencido, tornando estável a relação jurídica submetida a julgamento; e, de outro, cria
no vencedor a legítima expectativa de que é titular do direito reconhecido na sentença e
confirmado pelo Tribunal de segunda instância.
2. Essa expectativa legítima de titularidade do direito, advinda de ordem judicial com
força definitiva, é suficiente para caracterizar a boa-fé exigida de quem recebe a verba de
natureza alimentar posteriormente cassada, porque, no mínimo, confia - e, de fato, deve
confiar - no acerto do duplo julgamento.
3. Por meio da edição da súm. 34/AGU, a própria União reconhece a irrepetibilidade da
verba recebida de boa-fé, por servidor público, em virtude de interpretação errônea ou
inadequada da Lei pela Administração. Desse modo, e com maior razão, assim também
deve ser entendido na hipótese em que o restabelecimento do benefício previdenciário
se dá por ordem judicial posteriormente reformada.
4. Na hipótese, impor ao embargado a obrigação de devolver a verba que por anos rece-
beu de boa-fé, em virtude de ordem judicial com força definitiva, não se mostra razoável,
na medida em que, justamente pela natureza alimentar do benefício então restabelecido,
pressupõe-se que os valores correspondentes foram por ele utilizados para a manuten-
ção da própria subsistência e de sua família. Assim, a ordem de restituição de tudo o que
foi recebido, seguida à perda do respectivo benefício, fere a dignidade da pessoa humana
e abala a confiança que se espera haver dos jurisdicionados nas decisões judiciais.

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5. Embargos de divergência no recurso especial conhecidos e desprovidos.


(EREsp 1086154/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado em
20/11/2013, DJe 19/03/2014).

Portanto, até 2013, conforme o julgado acima, o entendimento que chegou a se consolidar,
conquanto fora do regime de recursos repetitivos, foi o de que seria necessária a chamada
“dupla conformidade” para que não houvesse a obrigação de devolução das parcelas pagas a
título de decisão antecipatória posteriormente revogada ou reformada. A dupla conformidade
ocorre quando a sentença de primeiro grau concessiva é confirmada pelo acórdão que julgar
a apelação ou o recurso inominado, no caso dos Juizados Especiais Federais.
Mas a história dessa novela não acaba por aí.
A questão da devolução ou não ainda não havia sido julgada no âmbito do regime dos re-
cursos repetitivos, de modo que, no final do ano de 2015, o STJ voltou a enfrentar o tema por
meio do julgamento do REsp 1.401.560-MT, agora sob a ótica do então art. 543-C, do CPC-73
(hoje art. 1.036, do CPC-15).
Vejamos, sobre isso, o extrato do Informativo 570 (grifos nossos), do STJ, que abordou, por-
tanto, o julgamento do TEMA 692 dos representativos de controvérsia daquela Corte Superior:

DIREITO PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. REPETIÇÃO DE BENEFÍCIOS PRE-


VIDENCIÁRIOS INDEVIDAMENTE RECEBIDOS POR FORÇA DE TUTELA ANTECIPADA.
RECURSO REPETITIVO (ART. 543-C DO CPC E RES. 8/2008-STJ).
TEMA 692.
A reforma da decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefí-
cios previdenciários indevidamente recebidos.
O grande número de ações, e a demora que disso resultou para a prestação jurisdicional,
levou o legislador a prever a antecipação da tutela judicial naqueles casos em que, desde
logo, houvesse, a partir dos fatos conhecidos, uma grande verossimilhança no direito
alegado pelo autor.
Nesse contexto, o pressuposto básico do instituto é a reversibilidade da decisão judicial.
Havendo perigo de irreversibilidade, não há tutela antecipada (art. 273, § 2º, do CPC). Por

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isso, quando o juiz antecipa a tutela, está anunciando que seu decisum não é irreversí-
vel. Sendo assim, se acabou por ser mal sucedida a demanda na qual houvera antecipa-
ção da tutela judicial, o autor da ação responde pelo que recebeu indevidamente.
Além do mais, não prospera o argumento de que o autor não seria obrigado a devolver
benefícios advindos da antecipação por ter confiado no juiz, porquanto esta fundamen-
tação ignora o fato de que a parte, no processo, está representada por advogado, o qual
sabe que a antecipação de tutela tem natureza precária.
Há, ainda, o reforço do direito material.
Um dos princípios gerais do direito é o de que não pode haver enriquecimento sem causa.
Sendo um princípio geral, ele se aplica ao direito público, e com maior razão neste caso
porque o lesado é o patrimônio público.
Ademais, o art. 115, II, da Lei 8.213/1991 é expresso no sentido de que os benefícios
previdenciários pagos indevidamente estão sujeitos à repetição. Uma decisão do STJ
que viesse a desconsiderá-lo estaria, por via transversa, deixando de aplicar norma legal
que, a contrario sensu, o STF declarou constitucional, uma vez que o art. 115, II, da Lei
8.213/1991 exige o que dispensava o art.  130, parágrafo único na redação originária,
declarado inconstitucional na ADI 675 (Tribunal Pleno, DJ 20/6/1997). REsp 1.401.560-
MT, Rel. Min. Sérgio Kukina, Rel. para acórdão Min. Ari Pargendler, Primeira Seção, jul-
gado em 12/2/2014, DJe 13/10/2015.

Diante disso, firmaram-se as teses de que9:


• os valores de benefícios previdenciários recebidos por força de tutela antecipada pos-
teriormente revogada devem ser devolvidos, haja vista a reversibilidade da medida an-
tecipatória, a ausência de boa-fé objetiva do beneficiário e a vedação do enriquecimen-
to sem causa;
• não é necessária, contudo, a devolução de valores concedidos ao segurado por senten-
ça confirmada em 2º grau (dupla conformidade), embora posteriormente reformada em
sede de recurso especial ou extraordinário.

9
Jurisprudência em Teses. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/jt/toc.jsp. Acesso em 06 maio 2020.

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Estudo das Normas e Regras Gerais do Regime Geral de Previdência Social - Parte II
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Por essas razões é que a TNU cancelou sua Súmula 51, no julgamento do PEDILEF n.
0004955-39.2011.4.03.6315 (grifo nosso):

PREVIDENCIÁRIO. DEVOLUÇÃO DOS VALORES DECORRENTES DE TUTELA ANTECIPADA


POSTERIORMENTE REVOGADA. POSSIBILIDADE. ADEQUAÇÃO AO ENTENDIMENTO DO
STJ. PET N. 10.996. RESP 1.401.560/MT (TEMA 692). CANCELAMENTO DA SÚMULA N.
51/TNU NO PEDILEF 0004955-39.2011.4.03.6315. INCIDENTE CONHECIDO E PROVIDO.
(Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei (Turma) 0005019-22.2010.4.03.6303,
CARMEN ELIZANGELA DIAS MOREIRA DE RESENDE - TURMA NACIONAL DE UNIFOR-
MIZAÇÃO).

E como a questão se encontra hoje: o assunto está encerrado?

Pois bem, meu amigo, minha amiga, não está!


Após a fixação da tese no julgamento do TEMA 692, há ainda questões que remanescem
as quais necessitam de enfrentamento definitivo pela Corte Cidadã.
Ainda remanesce a questão da possibilidade de desconto direto no limite de 10% do be-
nefício, mas esse é um aspecto que necessita ser integrado ao TEMA 692, pois há julgado no
STJ que impede o desconto direto e determina que o INSS busque em ação própria o seu res-
sarcimento nos casos de tutela antecipada posteriormente revogada (REsp n. 1.338.912)10.
De todo modo, ao que parece, o entendimento que autoriza o desconto tem prevalecido e,
inclusive, sendo usado como base analógica para permitir também a mesma sistemática de
entendimento em tutelas antecipadas, posteriormente revogadas ou reformadas, no bojo de
ações nas quais se discutem verbas relativas a planos de previdência complementar fechada.
Vejamos o Informativo 584 (grifos nossos), do STJ, que abordou essa analogia como pos-
sível e invocou expressamente o julgamento do TEMA 692 (REsp Repetitivo 1.401.560-MT):

10
Ibidem, p. 1.235.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. DEVOLUÇÃO DE VALORES RECEBIDOS


A TÍTULO DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA POSTERIORMENTE REVOGADA.
Se a antecipação da tutela anteriormente concedida a assistido de plano de previdência
complementar fechada houver sido revogada em decorrência de sentença de improce-
dência do seu pedido, independentemente de culpa ou má-fé, será possível à entidade
previdenciária - administradora do plano de benefícios que tenha suportado os preju-
ízos da tutela antecipada - efetuar descontos mensais no percentual de 10% sobre o
montante total de cada prestação do benefício suplementar que vier a ser recebida pelo
assistido, até que ocorra a integral compensação, com atualização monetária, da verba
que fora antecipada, ainda que não tenha havido prévio pedido ou reconhecimento judi-
cial da restituição.
De fato, a  sistemática adotada pelos dispositivos da legislação processual civil que
visam combater o dano processual - relacionados à tutela antecipada, à tutela cautelar
e à execução provisória - inspira-se, conforme entendimento doutrinário, em princípios
diversos daqueles que norteiam as demais disposições processuais, as quais buscam
reprimir as condutas maliciosas e temerárias das partes no trato com o processo, o cha-
mado improbus litigator.
Cuida-se de responsabilidade processual objetiva, bastando a existência do dano decor-
rente da pretensão deduzida em juízo para que sejam aplicados os arts. 273, § 3º, 475-O,
I e II, e  811 do CPC/1973 (correspondentes aos arts.  297, parágrafo único, 520, I e II,
e  302 do CPC/2015). Desse modo, os  danos causados a partir da execução de tutela
antecipada (assim também a tutela cautelar e a execução provisória) são disciplina-
dos pelo sistema processual vigente à revelia de indagação acerca da culpa da parte
ou de questionamento sobre a existência ou não de má-fé. Nesse contexto, em linha
de princípio, a  obrigação de indenizar o dano causado pela execução de tutela ante-
cipada posteriormente revogada é consequência natural da improcedência do pedido,
decorrência ex lege da sentença. Por isso, independe de pronunciamento judicial, dis-
pensando também, por lógica, pedido da parte interessada. Com mais razão, essa obri-
gação também independe de pedido reconvencional ou de ação própria para o acerta-
mento da responsabilidade da parte acerca do dano causado pela execução da medida.
Aliás, o art. 302, parágrafo único, do CPC/2015 estabelece que, independentemente da
reparação por dano processual, a parte responde pelo prejuízo que a tutela de urgên-

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cia causar à parte adversa, devendo a indenização ser “liquidada nos autos em que a
medida tiver sido concedida, sempre que possível”. Realmente, toda sentença é apta a
produzir efeitos principais (condenar, declarar, constituir, por exemplo), que decorrem da
demanda e da pretensão apresentada pelo autor, e, também, efeitos secundários, que
independem da vontade das partes ou do próprio juízo. Nessa conjuntura, a sentença
de improcedência, quando revoga tutela antecipadamente concedida, constitui, como
efeito secundário, título de certeza da obrigação de o autor indenizar o réu pelos danos
eventualmente experimentados, cujo valor exato será posteriormente apurado em liqui-
dação nos próprios autos.
Com efeito, a responsabilidade objetiva pelo dano processual causado por tutela anteci-
pada posteriormente revogada decorre da inexistência do direito anteriormente acaute-
lado, responsabilidade que independe de reconhecimento judicial prévio ou de pedido do
lesado. Além do mais, o CC positivou princípio de sobredireito regente das relações jurí-
dicas privadas, qual seja, a boa-fé objetiva (art. 422), o qual constitui cláusula geral, diri-
gida precipuamente ao julgador, afigurando-se como instrumentalizadora do sistema,
a emprestar a este um aspecto móbil apto a mitigar a rigidez da norma posta, legalmente
ou contratualmente. Quanto à possibilidade de a entidade previdenciária - administra-
dora do plano de benefícios que tenha suportado os prejuízos da tutela antecipada -
efetuar descontos mensais no percentual de 10% sobre o montante total de cada pres-
tação suplementar, considerando não haver norma que trate especificamente do caso,
deve-se, por analogia, buscar, no ordenamento, uma norma que diga respeito à situa-
ção assemelhada. Embora as previdências privada e pública submetam-se a regimes
jurídicos diversos, com regramentos específicos, tanto de nível constitucional, quanto
infraconstitucional, o regramento da previdência estatutária, eventualmente, pode servir
como instrumento de auxílio à resolução de questões relativas à previdência privada
complementar (REsp 814.465-MS, Quarta Turma, DJe 24/5/2011).
No tocante à previdência oficial, a  Primeira Seção do STJ (REsp 1.384.418-SC, DJe
30/8/2013) entendeu que, conquanto o recebimento de valores por meio de antecipação
dos efeitos da tutela não caracterize, do ponto de vista subjetivo, má-fé por parte do bene-
ficiário da decisão, quanto ao aspecto objetivo, é inviável falar que pode o titular do direito
precário pressupor a incorporação irreversível da verba ao seu patrimônio, cabendo ser
observados os seguintes parâmetros para o ressarcimento: a) a execução de sentença

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declaratória do direito deverá ser promovida; b) liquidado e incontroverso o crédito execu-


tado, o INSS poderá fazer o desconto em folha de até 10% da remuneração dos benefícios
previdenciários em manutenção até a satisfação do crédito, adotado, por simetria, o per-
centual aplicado aos servidores públicos (art. 46, § 1º, da Lei n. 8.112/1990).
Este entendimento, ademais, consolidou-se no julgamento do REsp Repetitivo 1.401.560-
MT (Primeira Seção, DJe 13/10/2015). Dessa forma, a  par de ser solução equitativa,
a evitar o enriquecimento sem causa, cuida-se também, no caso aqui analisado, de apli-
cação de analogia em vista do disposto no art. 46, § 1º, da Lei n. 8.112/1990, aplicável
aos servidores públicos. Além disso, não bastasse a similitude das hipóteses (devolu-
ção dos valores recebidos, a título de antecipação de tutela, por servidor público e/ou
segurado do INSS) - a bem justificar a manifesta conveniência da aplicação da analogia
-, enquanto a previdência oficial é regime que opera com verba do orçamento da União
para garantir sua solvência (a teor do art.  195, caput, da CF, a  seguridade social será
financiada por toda a sociedade) os planos de benefícios de previdência complementar,
por disposições contidas nos arts. 20, 21 e 48 da LC n. 109/2001, podem, até mesmo, vir
a ser liquidados extrajudicialmente, em caso de insolvência, e eventual resultado defici-
tário ou superavitário dos planos é, respectivamente, suportado ou revertido em proveito
dos participantes e assistidos.
Ora, não se pode perder de vista que as entidades fechadas de previdência complemen-
tar, por força de lei, são organizadas sob a forma de fundação ou sociedade civil, sem fins
lucrativos, havendo um claro mutualismo com a coletividade integrante dos planos de
benefícios administrados por essas entidades, de modo que todo eventual excedente é
revertido em favor dos participantes e assistidos do plano. O art. 34, I, da LC n. 109/2001
deixa límpido que as entidades fechadas de previdência privada “apenas” administram
os planos (inclusive, portanto, o fundo formado, que não lhes pertence). Nesse contexto,
o entendimento firmado aqui - de que pode ser observado o aludido percentual de 10%
para a devolução, por assistido de plano de previdência complementar, de valores rece-
bidos a título de antecipação de tutela posteriormente revogada - já foi adotado pela
Terceira Turma do STJ.
(REsp 1.555.853-RS, DJe 16/11/2015). REsp 1.548.749-RS, Rel. Min. Luis Felipe Salo-
mão, julgado em 13/4/2016, DJe 6/6/2016.

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Diante de questões ainda pendentes de apreciação em tópicos paralelos à devolução das


parcelas recebidas a título de antecipação de tutela revogada ou reformada, o TEMA 692 en-
contra-se hoje afetado para possível revisão, conforme abaixo:

Afetado -
Tema/ Situação Possível Órgão
PRIMEIRA SEÇÃO Assuntos
Repetitivo do Tema Revisão Julgador
de Tese
Proposta de Revisão de Entendimento firmado em tese repetitiva firmada pela Primeira
Questão subme-
Seção relativa ao Tema 692/STJ, quanto à devolução dos valores recebidos pelo litigante
tida
beneficiário do Regime Geral da Previdência Social - RGPS em virtude de decisão judicial
a julgamento
precária, que venha a ser posteriormente revogada.
Tese firmada pela Primeira Seção no julgamento do REsp 1.401.560/MT, acórdão publicado
no DJe de 13/10/2015, que se propõe a revisar:
Tese Firmada
A reforma da decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefícios
previdenciários indevidamente recebidos.
Importante

No voto condutor do acórdão de afetação da matéria ao rito dos repetitivos, o Ministro rela-
tor ressalta a necessidade de ampliação do debate das variações a respeito da questão. No
ponto, lista as seguintes situações que, dentre outras, poderão ser analisadas pelo Superior
Tribunal de Justiça na presente afetação:
a) tutela de urgência concedida de ofício e não recorrida; b) tutela de urgência concedida
a pedido e não recorrida; c) tutela de urgência concedida na sentença e não recorrida,
seja por agravo de instrumento, na sistemática processual anterior do CPC/1973, seja por
pedido de suspensão, conforme o CPC/2015; d) tutela de urgência concedida initio litis e
Anota- não recorrida; e) tutela de urgência concedida initio litis, cujo recurso não foi provido pela
ções Nugep segunda instância; f) tutela de urgência concedida em agravo de instrumento pela segunda
instância; g) tutela de urgência concedida em primeiro e segundo graus, cuja revogação
se dá em razão de mudança superveniente da jurisprudência então existente; h) tutela de
urgência concedida e cassada, a seguir, seja em juízo de reconsideração pelo próprio juízo
de primeiro grau, ou pela segunda instância em agravo de instrumento ou mediante pedido
de suspensão; i) tutela de urgência cassada, mesmo nas situações retratadas anterior-
mente, mas com fundamento expresso na decisão de que houve má-fé da parte ou afronta
clara a texto de lei, como no caso das vedações expressas de concessão de medida liminar
ou tutela antecipada.

Vide Controvérsia 51/STJ - Aplicação, revisão ou distinção do Tema n. 692/STJ.

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Há determinação de suspensão do processamento de todos os processos ainda sem


trânsito em julgado, individuais ou coletivos, que versem acerca da questão submetida à
Informações revisão pertinente ao Tema n. 692/STJ e tramitem no território nacional, com a ressalva
Complementa- de incidentes, questões e tutelas, que sejam interpostas a título geral de provimentos de
res urgência nos processos objeto do sobrestamento (acórdão publicado no DJe de 3/12/2018,
questão de ordem nos REsps n. 1.734.627/SP, 1.734.641/SP, 1.734.647/SP, 1.734.656/SP,
1.734.685/SP e 1.734.698/SP).
Repercus- Tema 799/STF - Possibilidade da devolução de valores recebidos em virtude de tutela
são Geral antecipada posteriormente revogada.
Ramo do Direito DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Tribu- Acórdão Embargos
Data de Jul- Trânsito em
Processo nal de RRC Relator Publicado de Decla-
Afetação gado em Julgado
Origem em ração
OG FER-
Pet 12482/DF STJ Não - - - -
NANDES
REsp 1401560/ SÉRGIO
TRF1 Não 03/03/2017
MT KUKINA
Última atualização: 23/03/2020 Processos Suspensos: 2442

Como podemos notar, houve a determinação de suspensão do processamento de todos


os processos ainda sem trânsito em julgado, individuais ou coletivos, que versem acerca da
questão submetida à revisão pertinente ao Tema n. 692/STJ e tramitem no território nacional,
com a ressalva de incidentes, questões e tutelas, que sejam interpostas a título geral de pro-
vimentos de urgência nos processos objeto do sobrestamento.

7. Concessão, Suspensão, Cancelamento, Restabelecimento dos Benefí-


cios

Abordaremos o processo administrativo de análise dos pedidos de concessão de presta-


ções previdenciárias em um capítulo próprio, mas desde apontamos, brevemente, algumas
ocorrências possíveis em relação aos requerimentos promovidos junto à autarquia previden-
ciária pelos beneficiários, segurados e dependentes.
Com relação à concessão dos benefícios previdenciários, trataremos também de maneira
específica dos requisitos de cada um dos tipos de prestações disponibilizados pelo regime
geral de previdência social. Nada obstante, calha registrar neste momento, de maneira geral,

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que será sempre necessária a prévia postulação administrativa por meio de um pedido pró-
prio feito ao INSS e acompanhado dos documentos exigidos.
Feito esse pedido e guardadas as peculiaridades de concessão de cada espécie de pres-
tação previdenciária, observe que será invariável o exame de dois elementos normativos em
um processo administrativo junto ao INSS, bem como em um processo judicial, em caso de
indeferimento do pedido feito àquela autarquia: a qualidade de segurado e a carência.
Essa é a regra. É impossível falar em análise de um pedido administrativo junto ao INSS,
para concessão de um benefício ou serviço previdenciário, sem que seja analisada a filiação e
a inscrição do respectivo segurado (qualidade de segurado) e, no que toca aos dependentes,
a efetiva relação de dependência com o instituidor do benefício do benefício (qualidade de
dependente e a qualidade de segurado do instituidor). Em relação à carência, como veremos
benefício por benefício, cada tipo de prestação previdenciária exigirá um número mínimo de
contribuições vertidas aos cofres do INSS, demonstrando, assim, a carência de permanência
e contribuição correspondente junto ao regime geral de previdência social.
Há, entretanto, algumas hipóteses nas quais se previu a inexigibilidade de carência, hi-
póteses essas que serão abordadas em capítulo próprio. Por ora, basta você saber, generi-
camente, que a regra é que, para a concessão dos benefícios previdenciários, é necessária
a análise da qualidade de segurado e da carência, conforme as exigências de cada tipo de
benefício previdenciário.
Promovido o pedido administrativo, feita a análise pela autarquia previdenciária e, fi-
nalmente, autorizada a concessão do benefício previdenciário, o segurado começa receber
a prestação correspondente com base na sua renda mensal inicial devidamente calculada
pelo INSS.
A concessão pode gerar pagamento vitalício (sem prazo para cessar), temporário (com
prazo para cessar) ou meramente circunstancial (sem prazo para cessar, mas condicionado à
determinação circunstancial médica e/ou econômica).

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Em todas essas hipóteses, contudo, é possível falar em casos de suspensão do pagamen-


to feito pelo INSS, bem como de cancelamento da concessão anteriormente autorizado pela
autarquia previdenciária.
Em síntese, a suspensão decorrerá de detecção da incorrência do próprio segurado em
algum ato incompatível com a manutenção do benefício ou em alguma omissão que resulte
em falta obrigacional junto à autarquia previdenciária. A suspensão não revolve o ato admi-
nistrativo de concessão, mas impinge a esse um determinado efeito obstativo de seus efeitos.
Já o cancelamento, diferentemente da suspensão, implica a anulação total ou parcial do
ato administrativo de concessão do respectivo benefício previdenciário. Trata-se, assim, do
exercício da autotutela administrativa, nada se referindo ou nada decorrendo, portanto, de al-
gum ato posteriormente praticado pelo próprio segurado ou dependente, tal como ocorre nas
hipóteses de suspensão do benefício.
A título de exemplo, podemos falar nas seguintes hipóteses de suspensão do benefício
previdenciário:
• segurado convocado a realizar nova perícia médica e não comparece;
• segurado convocado a comparecer em processo de reabilitação profissional e não
comparece;
• segurado convocado a realizar tratamento dispensado gratuitamente e não compare-
ce. Com relação ao tratamento dispensado gratuitamente, com vistas à recuperação do
quadro de saúde e, consequentemente, superação da incapacidade do segurado, cabe
lembrar que a norma previdenciária ressalva que ele não é obrigado a participar de al-
gum procedimento cirúrgico para o processo de cura ou de recuperação de sua saúde,
bem como não é obrigado a aceitar protocolos terapêuticos que exijam a transfusão
de sangue. Além disso, cabe lembrar que o segurado maior de 60 anos que tenha sido
aposentado por invalidez ou aquele que tem mais de 55 anos e já conta com 15 anos de
recebimento desse tipo de aposentadoria (invalidez), não será obrigado a realizar perí-
cia médica periódica, conforme prescrito no artigo 101, §1º, I e II, da Lei n. 8.213/1991.
Somente será convocado a realizar perícia médica se, de algum modo, o INSS constatar
que ele retomou a sua atividade laboral remunerada. Veja abaixo (grifos nossos):

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Art. 43.
[...].
§ 4º O segurado aposentado por invalidez poderá ser convocado a qualquer momento para avalia-
ção das condições que ensejaram o afastamento ou a aposentadoria, concedida judicial ou admi-
nistrativamente, observado o disposto no art. 101 desta Lei. (Incluído pela Lei n. 13.457, de 2017)
[...].
Art. 101. O segurado em gozo de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e o pensionista invá-
lido estão obrigados, sob pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame médico a cargo
da Previdência Social, processo de reabilitação profissional por ela prescrito e custeado, e trata-
mento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico e a transfusão de sangue, que são facultati-
vos. (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995)
§ 1º O aposentado por invalidez e o pensionista inválido que não tenham retornado à atividade es-
tarão isentos do exame de que trata o caput deste artigo: (Redação dada pela lei n. 13.457, de 2017)
I – Após completarem cinquenta e cinco anos ou mais de idade e quando decorridos quinze anos
da data da concessão da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que a precedeu; ou (In-
cluído pela lei n. 13.457, de 2017) (Vide Medida Provisória n. 871, de 2019)
II – Após completarem sessenta anos de idade. (Incluído pela lei n. 13.457, de 2017)

Outras hipóteses de suspensão do benefício previdenciário:


• caso o segurado retorne à atividade especial, prestada sob a incidência de agentes
nocivos físicos, químicos ou biológicos, que ensejaram sua aposentadoria especial,
haverá a suspensão desse benefício;
• caso o aposentado por invalidez retorne ao trabalho ou à atividade na qual foi gerada a
incapacidade ou ainda aquela que ele exercia no momento da geração da incapacidade,
haverá a suspensão do benefício de aposentadoria por invalidez
• caso o segurado que recebe auxílio-reclusão não apresentar atestado de encarcera-
mento a cada três meses, conforme diz o art. 80, §1º, da Lei n. 8.213 e art. 117, §1º, do
Decreto n. 3.048/1999, de modo que tal benefício será suspenso se não houver a apre-
sentação do referido documento.
• caso o segurado que recebe auxílio-reclusão venha a fugir do estabelecimento prisio-
nal (art. 117, §2º, do Decreto n. 3.048/1999), lembrando que nessa hipótese, também
haverá a previsão de desconto do tempo de folga no período de graça do segurado.
• caso segurado não apresente o atestado de vacinação anual ou frequência escolar,
este a cada seis meses, do filho ou do menor equiparado de 14 anos ou filho inválido de
qualquer idade, haverá a suspensão do pagamento do salário família.

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• caso haja o reaparecimento do segurado presumidamente morto, haverá a suspensão


do pagamento da pensão por morte concedida com base em tal fundamento, conforme
art. 78, §2º, da Lei n. 8.213/1991;
• caso haja a constatação de trabalho remunerado durante o recebimento do salário ma-
ternidade, haverá a suspensão deste benefício, conforme o previsto no art. 71, da Lei n.
8.213/1991.

Acerca do cancelamento, o art. 69, da Lei 8212/1991, de acordo com a medida provisória


número 871/2019, convertida na Lei n. 13.846/2019, manterá um programa permanente de
revisão da concessão e da manutenção dos benefícios previdenciários, como forma de pro-
mover o exercício constante da autotutela administrativa.

Art. 69. O INSS manterá programa permanente de revisão da concessão e da manutenção dos be-
nefícios por ele administrados, a fim de apurar irregularidades ou erros materiais. (Redação dada
pela Lei n. 13.846, de 2019)

Antes disso, em verdade, já havia a previsão dada pelo art. 11, da Lei n. 10.666/2003, que
determina, do mesmo modo, que o INSS execute um programa permanente de revisão da con-
cessão e da manutenção dos benefícios da Previdência Social.

Art. 11. O Ministério da Previdência Social e o INSS manterão programa permanente de revisão da


concessão e da manutenção dos benefícios da Previdência Social, a fim de apurar irregularidades
e falhas existentes.
§ 1º Havendo indício de irregularidade na concessão ou na manutenção de benefício, a Previdência
Social notificará o beneficiário para apresentar defesa, provas ou documentos de que dispuser, no
prazo de dez dias.
§ 2º A notificação a que se refere o § 1º far-se-á por via postal com aviso de recebimento e, não
comparecendo o beneficiário nem apresentando defesa, será suspenso o benefício, com notifica-
ção ao beneficiário.
§ 3º Decorrido o prazo concedido pela notificação postal, sem que tenha havido resposta, ou caso
seja considerada pela Previdência Social como insuficiente ou improcedente a defesa apresentada,
o benefício será cancelado, dando-se conhecimento da decisão ao beneficiário.

Cabe lembrar que, para a revisão e a anulação dos atos administrativos de concessão do
benefício previdenciário, deve haver a observação do prazo decadencial de 10 anos, tal como
previsto no artigo 103-A, da Lei n. 8.213/1991, que assim diz (grifo nosso):

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Art.  103-A. O  direito da Previdência Social de anular os atos administrativos de que decorram
efeitos favoráveis para os seus beneficiários decai em dez anos, contados da data em que foram
praticados, salvo comprovada má-fé. (Incluído pela Lei n. 10.839, de 2004)
§ 1º No caso de efeitos patrimoniais contínuos, o prazo decadencial contar-se-á da percepção do
primeiro pagamento. (Incluído pela Lei n. 10.839, de 2004)

Perceba, contudo, que na eventualidade de ser comprovada má-fé do beneficiário, a re-


visão do ato poderá exceder a esse prazo de 10 anos. Importante lembrar ainda que, para o
cancelamento do benefício, deve ser sempre observado devido processo legal, de acordo com
procedimento administrativo previsto na lei e nos normativos do INSS.
Assim sendo, havendo indícios de irregularidades ou de erros na concessão do benefício,
a autarquia previdenciária poderá notificar o beneficiário para que ele apresente a sua corres-
pondente defesa no prazo de 10 dias. Apresentada a defesa e sendo ela considerada insufi-
ciente ou improcedente pela autarquia previdenciária, o benefício será suspenso, podendo-se,
contudo, oferecer, no prazo de 30 dias, recurso ordinário perante a junta do Conselho de Re-
cursos da Previdência Social.
Se não houver apresentação do recurso no prazo mencionado, o benefício será imedia-
tamente cancelado. Se apresentado, o Conselho Regional de Previdência Social analisará os
fundamentos adotados pela Agência da Previdência Social para manter ou não o cancela-
mento do benefício.

8. Acumulação de Benefícios

A acumulação de benefícios é tratada pelo art.124, da Lei n. 8213/1991 e deverá ser sem-
pre balizada pelo princípio do tempus regit actum.
Aliás, é essa a dicção da lei:

Art. 124. Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto dos seguintes
benefícios da Previdência Social:
I – Aposentadoria e auxílio-doença;
II – Mais de uma aposentadoria; (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995)
III – aposentadoria e abono de permanência em serviço;
IV – Salário-maternidade e auxílio-doença; (Incluído dada pela Lei n. 9.032, de 1995)
V – Mais de um auxílio-acidente; (Incluído dada pela Lei n. 9.032, de 1995)

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VI – Mais de uma pensão deixada por cônjuge ou companheiro, ressalvado o direito de opção pela
mais vantajosa. (Incluído dada pela Lei n. 9.032, de 1995)
Parágrafo único. É vedado o recebimento conjunto do seguro-desemprego com qualquer benefício
de prestação continuada da Previdência Social, exceto pensão por morte ou auxílio-acidente. (In-
cluído dada pela Lei n. 9.032, de 1995)

Como exemplo de preservação do direito adquirido à acumulação, temos a antiga possibi-


lidade de recebimento conjunto do auxílio-acidente com aposentadoria. Isso não mais é pos-
sível. Haverá o cancelamento do auxílio-acidente no momento da concessão da aposentado-
ria, de qualquer espécie, ao segurado, conforme previsto no art. 86, §2º, da Lei n. 8.213/1991,
desde que aquele auxílio acidente tenha sido concedido após a Lei n. 9.528/1997.
Para os auxílios-acidentes concedidos anteriormente a essa lei, portanto, existe direito
adquirido a concomitância e cumulação dos benefícios de auxílio acidente e aposentadoria.
Acerca das previsões proibitivas do art. 124, da Lei de Benefícios, seu regulamento é feito
pelo art. 167, do Decreto n. 3.048/1999:

Art. 167. Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto dos seguintes
benefícios da previdência social, inclusive quando decorrentes de acidente do trabalho:
I – Aposentadoria com auxílio-doença;
II – Mais de uma aposentadoria;
III – Aposentadoria com abono de permanência em serviço;
IV – Salário-maternidade com auxílio-doença;
V – Mais de um auxílio-acidente;
VI – Mais de uma pensão deixada por cônjuge;
VII – Mais de uma pensão deixada por companheiro ou companheira;
VIII – Mais de uma pensão deixada por cônjuge e companheiro ou companheira; e
IX – Auxílio-acidente com qualquer aposentadoria.
§ 1º No caso dos incisos VI, VII e VIII é facultado ao dependente optar pela pensão mais vantajosa.
§ 2º É vedado o recebimento conjunto do seguro-desemprego com qualquer benefício de presta-
ção continuada da previdência social, exceto pensão por morte, auxílio-reclusão, auxílio-acidente,
auxílio-suplementar ou abono de permanência em serviço.
§ 3º É permitida a acumulação dos benefícios previstos neste Regulamento com o benefício de que
trata a Lei n. 7.070, de 20 de dezembro de 1982, que não poderá ser reduzido em razão de eventual
aquisição de capacidade laborativa ou de redução de incapacidade para o trabalho ocorrida após
a sua concessão.
§ 4º O segurado recluso, ainda que contribua na forma do § 6º do art. 116, não faz jus aos bene-
fícios de auxílio-doença e de aposentadoria durante a percepção, pelos dependentes, do auxílio-

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-reclusão, permitida a opção, desde que manifestada, também, pelos dependentes, pelo benefício
mais vantajoso. (Incluído pelo Decreto n. 4.729, de 2003)
Art. 168. Salvo nos casos de aposentadoria por invalidez ou especial, observado quanto a esta o
disposto no parágrafo único do art. 69, o retorno do aposentado à atividade não prejudica o recebi-
mento de sua aposentadoria, que será mantida no seu valor integral. (Redação dada pelo Decreto
n. 4.729, de 2003)

Cabe destacar, contudo, que houve alteração constitucional do regramento de acumu-


lação de benefícios previdenciários, conforme a Emenda Constitucional n. 103/2019 (grifos
nossos):

a) as regras de acumulação previstas no RGPS também valem para os regimes próprios, conforme
o §6º, do art. 40, da CF:
§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Cons-
tituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta de regime próprio de previ-
dência social, aplicando-se outras vedações, regras e condições para a acumulação de benefícios
previdenciários estabelecidas no Regime Geral de Previdência Social. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 103, de 2019)
b) há expressa previsão no art. 201, §15, da CF, no sentido de que será uma lei complementar que
tratará dos casos de acumulação de benefícios previdenciários.
Art. 201. [...].
§ 15. Lei complementar estabelecerá vedações, regras e condições para a acumulação de benefí-
cios previdenciários. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 103, de 2019)

Além disso, o art. 24 (grifos nossos), da própria EC 103/19, trata de disposições constitu-
cionais relativas às mudanças nas regras de acumulação de benefícios previdenciários:

Art. 24. É vedada a acumulação de mais de uma pensão por morte deixada por cônjuge ou compa-
nheiro, no âmbito do mesmo regime de previdência social, ressalvadas as pensões do mesmo insti-
tuidor decorrentes do exercício de cargos acumuláveis na forma do art. 37 da Constituição Federal.
§ 1º Será admitida, nos termos do § 2º, a acumulação de:
I – pensão por morte deixada por cônjuge ou companheiro de um regime de previdência social com
pensão por morte concedida por outro regime de previdência social ou com pensões decorrentes
das atividades militares de que tratam os arts. 42 e 142 da Constituição Federal;
II – pensão por morte deixada por cônjuge ou companheiro de um regime de previdência social
com aposentadoria concedida no âmbito do Regime Geral de Previdência Social ou de regime pró-
prio de previdência social ou com proventos de inatividade decorrentes das atividades militares de
que tratam os arts. 42 e 142 da Constituição Federal; ou

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III – pensões decorrentes das atividades militares de que tratam os arts. 42 e 142 da Constituição
Federal com aposentadoria concedida no âmbito do Regime Geral de Previdência Social ou de re-
gime próprio de previdência social.
§ 2º Nas hipóteses das acumulações previstas no § 1º, é assegurada a percepção do valor integral
do benefício mais vantajoso e de uma parte de cada um dos demais benefícios, apurada cumulati-
vamente de acordo com as seguintes faixas:
I – 60% (sessenta por cento) do valor que exceder 1 (um) salário-mínimo, até o limite de 2 (dois)
salários-mínimos;
II – 40% (quarenta por cento) do valor que exceder 2 (dois) salários-mínimos, até o limite de 3 (três)
salários-mínimos;
III – 20% (vinte por cento) do valor que exceder 3 (três) salários-mínimos, até o limite de 4 (quatro)
salários-mínimos; e
IV – 10% (dez por cento) do valor que exceder 4 (quatro) salários-mínimos.
§ 3º A aplicação do disposto no § 2º poderá ser revista a qualquer tempo, a pedido do interessado,
em razão de alteração de algum dos benefícios.
§ 4º As restrições previstas neste artigo não serão aplicadas se o direito aos benefícios houver sido
adquirido antes da data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional.
§ 5º As regras sobre acumulação previstas neste artigo e na legislação vigente na data de entrada
em vigor desta Emenda Constitucional poderão ser alteradas na forma do § 6º do art. 40 e do § 15
do art. 201 da Constituição Federal.

Podemos sintetizar as alterações da seguinte forma:


a) não pode acumular mais de uma pensão por morte no âmbito do mesmo regime, seja
no RGPS, seja nos RPPSs.
Se houver uma pensão no RGPS e outra em algum RPPS, sim, é possível. Também será
possível acumular no caso de cargos acumuláveis previstos nos termos do art.  37, CF, de
modo que nesses casos poderá haver mais de uma pensão dentro do mesmo regime.
b) será possível acumular:
• Pensão de um regime + pensão de outro regime de previdência social (regime próprio,
regime de previdência complementar fechada, regime de previdência complementar
privada);
• Pensão de um regime qualquer não militar + pensão de um regime militar (Polícias Mi-
litares, Corpo de Bombeiros Militares e Forças Armadas);
• Pensão por morte de um regime qualquer (RGPS/RPPS/Militar/Previdências Comple-
mentares fechadas, abertas, públicas ou privadas) + aposentadoria do RGPS ou de
um RPPS;

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• Pensão por morte de um regime qualquer (RGPS/RPPS/Militar/Previdências Complemen-


tares fechadas, abertas, públicas ou privadas) + proventos de inatividade de militares;
• Pensão militar (Polícias Militares, Corpo de Bombeiros Militares e Forças Armadas) +
aposentadoria do RGPS ou de um RPPS.

Mesmo nas hipóteses de acumulação, não haverá o recebimento integral de ambos os


benefícios acumuláveis. Haverá o recebimento do benefício de maior valor mais uma parte do
outro, que deverá variar conforme a sua correspondência quantitativa em salários mínimos,

da seguinte forma:

§ 2º Nas hipóteses das acumulações previstas no § 1º, é assegurada a percepção do valor integral
do benefício mais vantajoso e de uma parte de cada um dos demais benefícios, apurada cumulati-
vamente de acordo com as seguintes faixas:
I – 60% (sessenta por cento) do valor que exceder 1 (um) salário-mínimo, até o limite de 2 (dois)
salários-mínimos;
II – 40% (quarenta por cento) do valor que exceder 2 (dois) salários-mínimos, até o limite de 3 (três)
salários-mínimos;
III – 20% (vinte por cento) do valor que exceder 3 (três) salários-mínimos, até o limite de 4 (quatro)
salários-mínimos; e
IV – 10% (dez por cento) do valor que exceder 4 (quatro) salários-mínimos.

Essas alterações somente valerão para as hipóteses de acumulação ocorridas após a vi-

gência da EC 103, ou seja, a partir de 13/11/2019, conforme art. 36, III, da referida Emenda, sen-

do assegurados os direitos adquiridos até então, conforme expressa previsão do §4º, do art. 24:

§ 4º As restrições previstas neste artigo não serão aplicadas se o direito aos benefícios houver sido
adquirido antes da data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional.

Finalmente, a EC 103 deixa ressalvado que as regras acima, bem como as que atualmente
se encontram vigentes na legislação previdenciárias, que poderão ser alteradas por meio de
lei complementar, conforme o art. 201, §15, da CF:

§ 5º As regras sobre acumulação previstas neste artigo e na legislação vigente na data de entrada
em vigor desta Emenda Constitucional poderão ser alteradas na forma do § 6º do art. 40 e do § 15
do art. 201 da Constituição Federal

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9. Abono Anual

O abono anual é um corolário obrigacional de todos os benefícios previdenciários pagos


no âmbito do RGPS. Há apenas uma única exceção: o salário-família. É previsto no art. 40, da
Lei n. 8.213/1991, bem como no art. 120, do Decreto n. 3.048/1999.
Define-se como sendo o direito anual ao pagamento de quantia que corresponde ao cál-
culo feito com base na mesma sistemática da gratificação natalina paga aos trabalhadores.
Assim, o abono anual está para os beneficiários da previdência social assim como a gratifica-
ção natalina está para os empregados na atividade.
Vejamos os dispositivos:

Art. 40. É devido abono anual ao segurado e ao dependente da Previdência Social que, durante o
ano, recebeu auxílio-doença, auxílio-acidente ou aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-re-
clusão. (Vide Decreto n. 6.525, de 2008) (Vide Decreto n. 6.927, de 2009) (Vide Decreto n. 7.782, de
2012) (Vide Decreto n. 8.064, de 2013) (Vide Decreto n. 9.447, de 2018)
Parágrafo único. O abono anual será calculado, no que couber, da mesma forma que a Gratificação
de Natal dos trabalhadores, tendo por base o valor da renda mensal do benefício do mês de de-
zembro de cada ano.
......................................................................................................
Art. 120. Será devido abono anual ao segurado e ao dependente que, durante o ano, recebeu auxí-
lio-doença, auxílio-acidente, aposentadoria, salário-maternidade, pensão por morte ou auxílio-re-
clusão. (Redação dada pelo Decreto n. 4.032, de 2001)
§ 1º O abono anual será calculado, no que couber, da mesma forma que a gratificação natalina dos
trabalhadores, tendo por base o valor da renda mensal do benefício do mês de dezembro de cada
ano. (Incluído pelo Decreto n. 4.032, de 2001)
§ 2º O valor do abono anual correspondente ao período de duração do salário-maternidade será
pago, em cada exercício, juntamente com a última parcela do benefício nele devida. (Incluído pelo
Decreto n. 4.032, de 2001)

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RESUMO
• Espécies de prestações previdenciárias. Quanto às espécies de prestações previdenci-
árias, meu amigo, minha amiga, não há muita dificuldade neste primeiro momento de
abordagem. Basta que você saiba que existem apenas duas espécies de prestações
previdenciárias:
− Os benefícios e os serviços. Os benefícios previdenciários são as espécies de pres-
tações que veiculam as obrigações de pagamento pelo INSS baseadas em um cál-
culo derivado do salário de contribuição e, posteriormente, do salário de benefício do
segurado, gerando uma renda mensal inicial a ser paga mês a mês até a respectiva
hipótese de cancelamento ou extinção do benefício. Já os serviços são espécies de
prestações previdenciárias que disponibilizam ao segurado uma “obrigação de fa-
zer” a ser prestada pelo INSS.

Há a previsão de um total de 10 benefícios previdenciários, mas veja que apenas 2, como


disse, são direcionados aos dependentes do segurado. Já quanto aos serviços previstos para
o RGPS, existem apenas 2 também. São eles: serviço social e reabilitação profissional.
• Classificação das prestações previdenciárias
− classificação de acordo com a natureza da prestação: temos, como dito, os benefí-
cios previdenciários e os serviços previdenciários. Aqueles são obrigações de pagar;
esses são obrigações de fazer, consubstanciadas na prestação de um serviço públi-
co relacionado ao serviço social e à reabilitação profissional.
− classificação quanto ao tipo de beneficiário: as prestações previdenciárias podem
ser, com base nesse critério, prestações dos segurados e prestações dos depen-
dentes. Podemos considerar, também, que existem prestações mistas que são as
dirigidas aos segurados e aos dependentes concomitantemente.
− classificação quanto à programação da prestação previdenciária: classificamos a
prestação previdenciária como sendo programável ou não programável.

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− classificação quanto à temporariedade ou não da prestação previdenciária: podem


as prestações previdenciárias, diante desse critério classificatório, ser vitalícias ou
temporárias.
− classificação quanto à exigência ou não de carência: os benefícios que não exigem
carência são auxílio-acidente, salário-família, pensão por morte, serviço social e re-
abilitação profissional. Já os benefícios que exigem carências são: auxílio-reclusão,
aposentadoria por tempo de contribuição e, por fim, aposentadoria especial. Exis-
tem, ainda, vale frisar, benefícios cuja exigibilidade de carência pode ser considerada
mista, ou seja, haverá a exigência de carência ou não a depender do evento ou da
contingência social geradora do benefício. Isso ocorre no salário-maternidade, no
auxílio-doença e na aposentadoria por invalidez.
− classificação quanto à substitutividade ou não da remuneração: existem prestações
previdenciárias que são substitutivas da remuneração ou do salário de contribuição.
Essa, inclusive, é a regra. Como exemplo, podemos citar as aposentadorias, o auxí-
lio-doença, o salário-maternidade, a pensão por morte e o auxílio-reclusão. Já como
benefício não substitutivo, podemos citar o salário-família e o auxílio-acidente, po-
dendo tais benefícios serem pagos abaixo do salário mínimo.
− classificação quanto à submissão ou não ao teto do regime geral da previdência
social: o único benefício que não se vincula ao teto é o salário-maternidade previsto
para as seguradas empregadas e seguradas trabalhadoras avulsas. Além disso, há
também a chamada “grande invalidez”, prevista para a aposentadoria por invalidez.
− classificação quanto à necessidade ou não do afastamento do trabalho para sua
concessão: Os benefícios que exigem o trabalho concomitante para a concessão
são a aposentadoria por idade, a aposentadoria por tempo de contribuição, o auxílio-
-acidente e o salário-família. De outro lado, é condição para concessão da aposen-
tadoria por incapacidade permanente.
− classificação quanto à possibilidade ou não da prestação previdenciária ser objeto
de reiteradas concessões: existem, de fato, benefícios que podem ser concedidos
mais de uma vez pelo INSS, tais como o salário-maternidade, o auxílio-reclusão e o

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auxílio-doença. Já os benefícios que não são possíveis de serem concedidos mais


de uma vez são: auxílio-acidente, salvo se decorrer de uma nova sequela oriunda de
outro lesão incapacitante; a aposentadoria por idade; a aposentadoria especial e a
aposentadoria por tempo de contribuição.
− classificação quanto à possibilidade de o pagamento do benefício ser continuado
ou instantâneo: os benefícios previdenciários podem ser também pagos por meio de
prestações continuadas ou instantâneas.
• Segurados e dependentes
− Os segurados, vale lembrar, são o empregado, o trabalhador avulso, o segurado es-
pecial, o empregado doméstico e o contribuinte individual (segurados obrigatórios),
tal como estudamos as espécies do art.  12, da Lei n. 8.212/1991, bem como no
artigo 11, da Lei n. 8.213/1991. Existe ainda a classe dos segurados facultativos,
prevista no art. 14, da Lei n. 8.212/1991 e no art. 13, da Lei n. 8.213/1991.
− Já os dependentes do segurado estão previstos no art. 16, da Lei n. 8.213/1991.
− Foram muitas alterações e o rol dos dependentes já passou por algumas mudan-
ças legais significativas desde a edição da Lei n. 8.213/1991, há quase 30 anos. Em
síntese, o rol do art. 16 da lei de benefícios foi objeto de mudança decorrente das
seguintes leis:
◦ Lei n. 9.032/1995;
◦ Lei n. 12.470/2011;
◦ Lei n. 13.135/2015;
◦ Lei n. 13.146/2015.
− Além das leis acima, outras também foram editadas alterando os parágrafos do
art. 16, por isso, alguns aspectos importantes de cada classe de dependente. Aque-
las são:
◦ Lei n. 9.528/1997;
◦ Medida Provisória n. 871/2019, convertida na Lei n. 13.846/2019.
• Alterações promovidas pela Lei n. 9.032/1995: Promoveu uma das maiores mudanças,
talvez, no rol do art. 16, da lei de benefícios, extinguindo a existência de uma quarta

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classe de dependentes do segurado. Até a Lei n. 9.032/1995, portanto, era possível


escolher uma pessoa diversa das demais listadas nas classes I, II e III. Ou seja, era
possível designar uma pessoa para figurar como dependente na hipótese de não haver
candidatos habilitados às classes anteriores, prioritárias. Essa pessoa designada, con-
tudo, deveria ter menos de 21 anos ou mais de 60 anos de idade, ou ainda, poderia ser
inválida de qualquer idade. A Lei n. 9.032/1995, além disso, também alterou a redação
do inciso I, do art. 16, para inserir a exigência de que o filho do segurado, embora menor
de 21 anos, fosse “não emancipado”. Essa exigência não existia na redação original do
art. 16, I, da Lei n. 8.213/1991, sendo irrelevante do ponto de vista previdenciário, até
então, o fato de o filho menor de 21 anos já ter obtido sua emancipação nos termos da
lei civil. O mesmo ocorreu, ou melhor, foi acrescentado como exigência, no inciso III, do
art. 16, que trata do irmão do segurado, menor de 21 anos.
• Alterações promovidas pela Lei n. 12.470/2011: inseriu algumas mudanças na primeira
e na terceira classes, especificamente no que toca à inclusão do filho ou irmão do se-
gurado que tenha deficiência intelectual ou mental. Essa lei incluiu nos incisos I e III, do
art. 16, a expressão “ou que tenha deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta
ou relativamente incapaz, assim declarado judicialmente”. Essa lei incluiu também no
inciso III, do art. 16, da Lei n. 8.213/1991, como dependente do segurado, o irmão que
tenha deficiência intelectual ou mental, que, assim o torne absoluta ou relativamente in-
capaz, assim declarado judicialmente. O acréscimo de exigência feito ao filho menor de
21 anos foi feito também ao irmão menor de 21 anos, ou seja, alterou-se, novamente, tal
como feito na Lei n. 9.032/1995, os incisos I e III, do art. 16, de modo conjunto. A partir
de então, a deficiência por si só alegada não seria elemento apto a gerar a dependência
para os fins previdenciários, por meio das alterações feitas pela Lei n. 12.470/2011, exi-
gindo-se uma interdição judicial. Em outros termos, a Justiça Estadual deveria reconhe-
cer a incapacidade relativa ou absoluta do incapaz, nomeando-o, consequentemente,
um curador. A ação era disciplinada no art. 1.177, na época da vigência do CPC-73:
• Alterações promovidas pela Lei n. 13.135/2015: sua alteração normativa no rol do
art. 16, da Lei de Benefícios foi feita no inciso III, do referido artigo, tendo ela retirado a

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exigência acima de que o irmão fosse “não emancipado” para ser dependente do se-
gurado. Ou seja, a partir da Lei n. 13.135/2015 voltou a ser indiferente a emancipação
do irmão menor de 21 anos para fins previdenciários. Mesmo que ocorresse algum fato
que ensejasse a emancipação, a pensão por morte não seria extinta pela maioridade.
Além disso, foi retirada a parte relativa à exigência da declaração judicial da incapaci-
dade relativa ou absoluta acima referida.
• Alterações promovidas pela Lei n. 13.146/2015: pouquíssimo tempo depois da edição
da Lei n. 13.135/2015, foi aprovada a Lei n. 13.146, de 06 de julho de 2015. Em verdade,
a publicação da Lei n. 13.146/2015 ocorreu apenas 19 dias após a publicação da Lei n.
13.135/2015. A Lei n. 13.146/2015 instituiu a “Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com
Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência)” e foi, portanto, bastante protetiva ao
deficiente no que se relaciona ao rol do art. 16, da Lei n. 8.213/1991. É que ela inseriu
mais uma extensão de deficiência do filho ou irmão do segurado instituidor, acentuando
que também seria ela possível na hipótese de deficiência grave e não apenas no caso
de invalidez ou com deficiência intelectual ou mental. Mas houve mudança prejudicial
em alguma outra questão? SIM. Perceba que, apesar de a Lei n. 13.146/2015 ter inseri-
do em nosso ordenamento jurídico norma protetiva da pessoa com deficiência, acabou
alterando de maneira prejudicial os incisos I e III, do art. 16, da Lei n. 8.213/1991, pois
voltou a exigir que o filho e o irmão inválido ou deficiente mental intelectual ou, ainda,
com deficiência grave, não fossem emancipados no momento do óbito ou da reclusão
do instituidor. Assim, a partir da Lei n. 13.146/2015 e até hoje, se houver qualquer cau-
sa ensejadora de emancipação, ocorrerá a extinção da relação de dependência para fins
previdenciários.
• Dependentes da 1ª classe: Os dependentes de classe um ou da 1ª classe são:
− cônjuge;
− companheira;
− companheiro;
− filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos;
− filho inválido;

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− filho com deficiência intelectual;


− filho com deficiência mental;
− filho com deficiência grave.

Essa relação de dependentes da classe um foi consolidada normativamente, como vimos


acima, pela Lei n. 13.146/2015. O primeiro ponto que devemos observar com relação a essa
primeira classe de dependentes é que a dependência econômica nesses casos é de presun-
ção absoluta. Existe uma presunção absoluta de que esses dependentes sobrevivam de modo
vinculado à economia do segurado instituidor. Observe que há uma ordem de prioridade na
listagem dos dependentes dada pela lei. Os dependentes da classe um, portanto, são prefe-
renciais em relação aos demais dependentes, e a existência de dependente de qualquer das
classes exclui o direito a prestações em tese possíveis para os das classes seguintes.
• Quanto ao cônjuge, ao companheiro e à companheira: atente-se em relação ao cônjuge
no que toca à Súmula 336, do Superior Tribunal de Justiça. Significa que o cônjuge que,
embora estivesse separado do segurado instituidor ao tempo do óbito, comprovar que
dependia economicamente dele, poderá ter direito à pensão por morte junto ao INSS.

E com relação ao concubinato, é possível o reconhecimento da relação de dependência?


Ou seja, o concubinato é aceito para fins previdenciários? NÃO, não é aceito. Esse é o pensa-
mento da jurisprudência consolidada tanto no Supremo Tribunal Federal quanto no Superior
Tribunal de Justiça. No Supremo Tribunal Federal, a questão foi enfrentada em 2009, no julga-
mento do RE 590.779, decidindo-se no sentido de que a proteção social dada pelo Estado não
poderia estar voltada a legitimar relações de união estável ilegítimas e contrárias ao ordena-
mento jurídico. Na ocasião, deixou-se bem clara a distinção entre companheira e concubina.
Nada obstante, a questão pende de julgamento sob o regime da repercussão geral, o que se
espera ser resolvido por meio do julgamento do RE 669.465. Ao que consta, o objeto central
do julgado acima será o enfrentamento de eventual discrimen normativo a ser dado à relação
de concubinato de longa duração. A proposta da tese a ser fixada no TEMA 526, portanto, é de
que seja analisada, caso a caso, a longa duração do concubinato, vislumbrando seus efeitos
previdenciários apenas na hipótese de se aproximar do cumprimento dos requisitos exigíveis

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em abstrato para a união estável. O parecer do PGR foi no sentido de que, em havendo “duas
uniões estáveis”, poderia existir, em tese, repercussão do enlace de longa duração no âmbito
previdenciário, garantindo-se proteção social pela pensão por morte à concubina que teria
se relacionado como companheira. Já na Turma Nacional de Uniformização, podemos citar
o julgado realizado no bojo do PEDILEF 2008.72.95.001366-8/ SC, que assinalou a impossi-
bilidade de se conferir qualquer tratamento previdenciário favorável à concubina, ainda que
decorrente do chamado “concubinato de longa duração”. De todo modo, perceba que o TEMA
15 dos representativos de controvérsia da TNU, conforme acima colacionado, está assinalado
como sendo objeto de possível revisão, à vista da pendência de julgamento do TEMA 526, no
âmbito do Supremo Tribunal Federal.
Você sabe como é feita a prova da união estável? Até pouco tempo atrás, a prova da união
estável não exigia início de prova material, permitindo, em tese, prova unicamente testemu-
nhal. Recentemente, entretanto, com aprovação da Medida Provisória n. 871/2019, converti-
da, posteriormente, na Lei n. 13.846, de 18 de junho de 2019, foi inserida a exigência de que
essa comprovação seja feita por meio de início de prova material, não se admitindo mais pro-
va testemunhal isolada, salvo motivo de força maior ou caso fortuito, conforme §5º incluído
no art. 16, da Lei n. 8.213/1991.
• Quanto aos filhos de qualquer condição, menor de 21 anos ou inválido ou com deficiên-
cia intelectual, mental ou grave:
− filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos;
− filho inválido;
− filho com deficiência intelectual;
− filho com deficiência mental;
− filho com deficiência grave.

Cabe apontar o que significa a expressão “filhos de qualquer condição”. O significado da


expressão normativa objetiva impedir qualquer forma de discriminação de filhos havidos den-
tro ou fora do casamento, eventualmente decorrentes de relação extraconjugal ou concubiná-
ria. Muito se discutiu sobre a prorrogação da pensão por morte ao maior de 21 anos, já que a
própria Instrução Normativa INSS n. 77/2015 parece apontar que a colação de grau em ensino

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superior não implica para o dependente emancipação, mantendo-se, com isso, a qualidade
de dependente. Argumentava-se que, no trilho do entendimento aplicável ao Direito de Fa-
mília, a manutenção da qualidade de dependente do filho deveria se estender até os 25 anos
de idade. Mas a jurisprudência se solidificou no sentido de que isso não é possível na seara
previdenciária, já que a Lei n. 8.213/1991 deixa claro que o dependente é o filho menor de 21
anos, não podendo haver alargamento dessa hipótese, notadamente por conta do princípio
da prévia fonte de custeio e, bem assim, do equilíbrio financeiro e atuarial do sistema. Enten-
de-se, pois, que a norma infralegal acima dirige-se apenas ao filho ou irmão maior de 21 anos
inválido. Desse modo, na hipótese de o filho ou irmão inválido maior de 21 anos obter colação
de grau em ensino superior, a emancipação civil daí decorrente não deverá surtir efeitos pre-
videnciários, continuando a ser dependente.
Existe alguma relevância o fato de o inválido ter se tornado inválido após a maioridade?
O art.  17, do Decreto n. 3.048/1999, como vimos acima, na redação dada pelo Decreto n.
6.939/2009, assevera que, para se enquadrar como dependente do segurado, é indispensável
que a invalidez do filho tenha ocorrido antes dos 21 anos de idade ou, caso tenham ocorrido
as hipóteses da lei civil, antes das causas de emancipação. Mas a jurisprudência aponta para
outro sentido, afirmando que a relação de dependente do inválido, deficiente mental ou inte-
lectual, ou ainda deficiente grave, poderá surgir após os 21 anos de idade. A Turma Nacional
de Uniformização já proferiu diversos julgamentos sobre o tema, favoráveis à possibilidade de
que o filho maior inválido pode ser dependente para fins previdenciários, desde que a invalidez
tenha ocorrido antes do óbito. Assim, não importa se a invalidez ocorreu após a maioridade
ou emancipação, de modo que o surgimento dela antes do óbito é causa suficiente da consti-
tuição da relação de dependência, para fins de enquadramento do filho maior no rol do art. 16,
inciso I, da Lei n. 8213/1991, conquanto com a ressalva de que a dependência econômica
nesses casos deverá ser devidamente comprovada. Quanto a esse último aspecto, a TNU já
julgou em um de seus representativos de controvérsia exatamente nesse sentido, ou seja, de
que o filho maior inválido, cuja invalidez deu-se após a maioridade, deverá comprovar sua
dependência econômica em relação ao instituidor.

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E com relação ao enteado e o menor tutelado, eles são dependentes para fins previden-
ciários?

SIM, isso está previsto no §2º, do art. 16, da Lei n. 8.213/1991, mas, diferentemente dos
filhos, tal como previsto na classe primeira do art. 16, o menor tutelado e o enteado deverão
comprovar a dependência econômica em relação em relação ao segurado instituidor.

O menor sob guarda é considerado dependente?

NÃO. Já foi considerado dependente, mas não é mais, como visto no comparativo da reda-
ção antiga e da redação nova do §2º, do art. 16, acima transcritas. Era considerado dependen-
te até a edição da medida provisória 1.523/1996, a qual foi sucessivamente reeditada e, pos-
teriormente revogada pela MP n. 1.596/1997 (que tinha o mesmo texto praticamente), para,
em seguida, ser convertida na Lei n. 9.528/1997, alterando definitivamente o §2º, do art. 16,
da Lei de Benefícios e excluindo o menor sob guarda da proteção previdenciária do RGPS.
Portanto, hoje em dia, grave isso: fora o filho de qualquer condição, menor de 21 anos ou
inválido, deficiente mental, intelectual ou com deficiência grave, apenas serão considerados
dependentes do segurado instituidor, de maneira equiparada a filho, os seguintes: ENTEADO
e MENOR TUTELADO.
• Dependentes da 2ª classe: Na segunda classe prevista no inciso II, do art. 16 da Lei n.
8.213/1991, temos como dependentes do segurado apenas os pais. A grande questão
em relação aos dependentes da segunda classe é que eles precisam demonstrar a de-
pendência econômica em relação ao segurado instituidor. A doutrina11 aponta, ainda,
os elementos que caracterizam a dependência econômica para fins previdenciários: a
substancialidade e a habitualidade da participação financeira do segurado instituidor
em relação os pais. Perceba, assim, que a dependência não precisa ser integral, abar-
cando todas as necessidades de vida dos pais, mas que, mostrando-se parcial, seja
substancial e com o caráter indispensável da habitualidade. Assim, a indispensabili-

11
Idem, p. 591.

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dade deve ser tal que a parcela coberta pela ajuda financeira persistente e permanente
do filho, caso não encontre mais os aportes financeiros deste, provoque considerável
abalo orçamentário na manutenção da vida dos pais.
• Dependentes da 3ª classe: passamos, agora, ao estudo das espécies de dependentes
da classe 3.
− irmão não emancipado de qualquer condição, menor de 21 anos;
− irmão inválido;
− irmão com deficiência intelectual;
− irmão com deficiência mental;
− irmão com deficiência grave.

São feitas aqui as mesmas observações do tópico anterior, relativamente à expressão


“irmão de qualquer condição”, significando que a lei não poderá discriminar o irmão oriundo
de relacionamento extraconjugal. Mesmo contra a vontade do segurado, por exemplo, um
meio-irmão não poderá ser impedido de ser dependente daquele. Assim como os dependen-
tes da 2ª classe, os da 3ª classe também precisam demonstrar e comprovar a dependência
econômica em relação ao segurado instituidor. Além disso, somente serão chamados à habi-
litação na falta de dependentes habilitados das classes I e II, do art. 16, da Lei n. 8.213/1991.
As principais questões sobre os dependentes da classe 3 já foram abordadas direta ou indire-
tamente nos tópicos anteriores, notadamente porque, ressalvada a questão da dependência
econômica (que no caso dos irmãos, precisa ser comprovada e não se presume), todas as
demais nuances jurídicas são as mesmas tratadas quanto aos filhos. Com isso, as circuns-
tâncias geradoras da dependência do irmão do segurado, ficaram da seguinte forma diante da
Lei n. 13.146/0215, vigentes até hoje:
− irmão não emancipado de qualquer condição, menor de 21 anos;
− irmão inválido;
− irmão com deficiência intelectual;
− irmão com deficiência mental;
− irmão com deficiência grave.

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• Qualidade de segurado: manutenção e perda. Sabemos que não há como manter um


sistema de proteção social previdenciário, lastreado, portanto, no princípio da contribu-
tividade, sem que os segurados recolham, efetivamente, a suas contribuições aos cofres
públicos previdenciários. De outro lado, o RGPS também se escora em outro princípio
bastante importante já estudado em nosso curso. Refiro-me ao princípio da solidarie-
dade. Ora, não havendo pagamento das contribuições previdenciárias, o  princípio da
contributividade exigiria sua imediata expulsão da relação jurídico-previdenciária.

Mas há situações previstas na lei nas quais isso não ocorre. Vamos abordá-las! Para dei-
xarmos mais didática essa abordagem, valer-nos-emos de algumas perguntas e respostas.

Quanto à qualidade de segurado, ela fica conservada no período de gozo de um benefício


previdenciário?

SIM, conserva a qualidade de segurado e sem limite de prazo, ainda que não haja qual-
quer recolhimento previdenciário durante esse período, e não há realmente, salvo no caso do
salário-maternidade.

E sobre a manutenção da qualidade de segurado nas hipóteses em que o benefício pre-


videnciário foi concedido judicialmente, existe ainda a manutenção da qualidade nestes
casos? Se o segurado recebia auxílio doença por decisão judicial, concedido em tutela
antecipada a qual, posteriormente, foi revogada, após o seu óbito, haverá a possibilidade
de recebimento de pensão por morte pelo dependente?
Em outras palavras, aquele que recebia benefício previdenciário em decorrência de ordem
judicial precária, pode ser considerado segurado instituidor de uma pensão por morte?

SIM, pois, como dito, durante o período de gozo do benefício previdenciário conserva-se a
qualidade de segurado, independentemente de o benefício ter sido concedido administrativa ou
judicialmente.

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E com relação, professor, ao pagamento do aviso prévio e em desenho indenizado? Ele


conta como sendo incluso na manutenção da qualidade do segurado?

SIM, isso já foi tratado também na TNU, de modo que o período de graça somente os inicia
após os 30 dias da notificação de saída do trabalhador

O período de aviso prévio que foi indenizado deve ser projetado como de manutenção da
qualidade de segurado empregado, de modo que o período de graça inicie apenas após
o término dessa projeção, conforme PUIL n. 5076345-22.2014.4.04.7100/RS, extraído
do Boletim n. 27, da TNU.

• Período de graça: é no art. 15, da Lei n. 8.213/1991, que podemos verificar como o le-
gislador tratou de disciplinar o denominado período de graça, como o próprio nome diz,
para que o segurado mantenha sua relação jurídico-previdenciária mesmo sem pagar
por ela. Em outros termos, continua sendo segurado do RGPS de graça, sem ter que
recolher para isso.

A primeira pergunta que fazemos é: durante o intervalo de tempo no qual o segurado está
gozando do período de graça, é possível computá-lo como sendo tempo de contribuição?

NÃO. Não é possível computar, evidentemente, o período de graça como tempo de con-
tribuição, especialmente porque desde a EC 20/1998 não há como se considerar qualquer
tempo fictício de contribuição. E não há, assim, mais o tempo de serviço, salvo nas hipóteses
legais expressamente permitidas.

Outra pergunta: é possível computar o período de graça como sendo um período de ca-
rência?

NÃO. Vamos estudar o conceito de carência nos capítulos seguintes do nosso curso, mas,
para adiantar, a carência é o efetivo recolhimento de contribuições previdenciárias em uma

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quantidade mínima que assegure, conforme os requisitos específicos do benefício, a conces-


são e o gozo deste. Se não há, no período de graça, qualquer recolhimento, justamente por se
tratar de um período de graça, não há que se falar em cômputo de carência.
Com relação ao segurado especial, também valem as regras de prorrogação do período
de graça previstas nos §§1º e 2º, do art. 15, da Lei 8213/1991? E com relação ao contribuin-
te individual, é possível também a prorrogação? A doutrina de AMADO12 expressa que não é
possível adotar a prorrogação em relação ao segurado especial, salvo se existirem contribui-
ções efetivas que comprovem mais de 120 recolhimentos pagos sobre a receita decorrente
da comercialização da sua produção, ou caso tenha optado em recolher o mesmo regime do
contribuinte individual, conforme a previsão dada pelo art.  25, §1º, da Lei n. 8.212/199113.
Entretanto, é necessário destacar que a jurisprudência caminha no sentido contrário à lição
doutrinária citada. A TNU já se posicionou no sentido de que os prazos de prorrogação pre-
vistos em relação ao período de graça do art. 15, da Lei n. 8.213/1991, seriam extensíveis aos
demais segurados obrigatórios.
Outro questionamento importante sobre os prazos de prorrogação previstos no art. 15, da
Lei 8213/1991 é referente à hipótese de o segurado conseguir a extensão do período de graça
previsto no §1º, do art. 15, da Lei n. 8.213/1991. Como se sabe, pela leitura da lei, é possível a
prorrogação do período de graça por mais 12 meses após o segurado ter contribuído por mais
de 120 meses sem interrupções. Havia dúvidas a respeito da incorporação definitiva ou não
dessa vantagem, de modo que o segurado poderia usar novamente a expansão do período de
graça no caso de se defrontar com um novo período longo sem recolhimentos. Além disso,
uma vez incorporado ao patrimônio jurídico-previdenciário do segurado, ele poderia usar a
prorrogação mesmo que posteriormente viesse a perder sua qualidade de segurado. A Turma
Nacional de Uniformização já decidiu que sim, essa prorrogação uma vez atingida fica incor-
porada definitivamente ao patrimônio jurídico do segurado:

12
Ibidem, p. 641.
13
§ 1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir,
facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei n. 8.540, de 22.12.92)
Art. 21. A alíquota de contribuição dos segurados contribuinte individual e facultativo será de vinte por cento sobre o res-
pectivo salário-de-contribuição. (Redação dada pela Lei n. 9.876, de 1999).

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Firmada a tese de que se incorpora definitivamente ao patrimônio jurídico do segu-


rado(a) a extensão do período de graça previsto no §1º do art.  15 da Lei n. 8.213/91
quando houver contribuído por mais de 120 meses sem interrupções que importem a
perda da qualidade de segurado(a), PUIL n. 0001377-02.2014.4.03.6303/SP (extraído do
Boletim n. 28, da TNU).

Existe alguma outra forma de prorrogação dos 12 meses iniciais do período de graça para
o segurado empregado?

SIM, pode ocorrer uma nova prorrogação de 12 meses do período de graça se houver a
comprovação de desemprego involuntário. De acordo com a lei, a comprovação dessa situa-
ção de desemprego involuntário ocorre por meio da demonstração de que houve o registro da
demissão no órgão próprio do Ministério do Trabalho, ocasionando o pagamento do seguro-
-desemprego.

Há outras formas de comprovação do desemprego involuntário?

A jurisprudência tem admitido outras formas de comprovação do desemprego involuntá-


rio e não apenas por meio do pagamento do seguro-desemprego. Entretanto, já foi decidido
que a simples ausência de anotação na carteira de trabalho não implica automática compro-
vação de que o segurado estava desempregado. O segurado desempregado deverá compro-
var tal condição, portanto, dentro de seu período de graça, de 12 ou 24 meses, conforme o
caso, por meio do recebimento do seguro-desemprego ou por meio da inscrição cadastral no
SINE – Sistema Nacional de Emprego. Sobre isso, aliás, a Súmula 27, da TNU, sedimentou o
entendimento de que a “ausência de registro em órgão do Ministério do Trabalho não impede
a comprovação do desemprego por outros meios admitidos em direito”. Essa Súmula poderia
dar a interpretação de que, se a ausência do registro em órgão do Ministério do Trabalho não
impediria a comprovação do desemprego, este, por sua vez, poderia ser demonstrado pela
simples ausência de anotação de novos vínculos na CTPS após o desligamento do emprego.

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Mas, como visto, a própria TNU tratou de expressar a melhor interpretação de sua Súmula 27,
de modo a afastar aquela conclusão, alinhando-se ao Superior Tribunal de Justiça a respeito.

E no Superior Tribunal de Justiça, qual o entendimento sobre a comprovação do desem-


prego?

Após algumas oscilações jurisprudenciais entre as Turmas do Superior Tribunal de Jus-


tiça, sua 3ª Seção proferiu entendimento pacificador admitindo que a prova do desemprego
involuntário possa ser feita por outros meios, e não exclusivamente por meio do registro do
seguro-desemprego, permitindo assim o livre convencimento motivado do Juízo nesses ca-
sos. Além disso, o Superior Tribunal de Justiça corroborou o posicionamento de que a inexis-
tência de vínculo anotado na carteira de trabalho durante o período de graça não implicará
automática prorrogação dos 12 meses do período de graça. Veja, contudo, que a TNU, antes
desse julgamento mencionado do Superior Tribunal de Justiça, entendia possível a ausência
de anotação na carteira de trabalho como indício de que haveria desemprego, promovendo
uma interpretação da norma deveras elástica. Mas, após o julgamento do Superior Tribunal
de Justiça, pacificando definitivamente o tema, a Turma Nacional de Uniformização proferiu
novo julgamento, com vistas a dar a melhor interpretação da sua Súmula 27. Outra pergunta
bastante frequente é se é possível considerar a prorrogação de 12 meses do período de graça,
com base no desemprego involuntário, a outras espécies de segurados obrigatórios.

Você acha que isso é possível?

Pela lei, podemos em tese dizer que sim, parcialmente, pois o art. 15, §2º, da Lei de Benefí-
cios, refere-se apenas e tão somente ao segurado desempregado, permitindo-se daí inferir que
seria aplicável apenas ao segurado empregado e ao segurado empregado doméstico, já que
para essas espécies de segurados existe não apenas uma relação de trabalho, mas também
uma relação de emprego. A jurisprudência, contudo, vem permitindo aumentar a aplicabilidade
dessa norma, expandindo-a ao contribuinte individual.

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Qual é o prazo do período de graça específico do segurado facultativo? O período de graça


do segurado facultativo é menor do que para os demais segurados, sendo de até seis meses.
O  art.  137, §7º, da Instrução Normativa INSS n. 77/2015, entretanto, define um período de
graça mais benéfico para o segurado facultativo em duas situações:
− 12 meses após a cessação do benefício por incapacidade; ou
− 12 meses após a cessação do benefício de salário maternidade.

Aplica-se, no caso, o princípio pro misero, sendo que, embora o Decreto n. 3.048/1999 e
tampouco a Lei n. 8.213/1991 nada falem de um período de graça de 12 meses para o segu-
rado facultativo, deverá ser aplicada a regra prevista na Instrução Normativa INSS n. 77/2015,
por ser claramente mais favorável ao segurado.

Além da previsão específica do segurado facultativo, há alguma outra norma diferenciada


em relação ao prazo do período de graça?

SIM, existem mais três casos com o período de graça específico, sendo os seguintes:
− 12 meses, após a cessação da segregação compulsória decorrente de doença;
− 12 meses, após o livramento do preso;
− 03 meses, após o licenciamento dos incorporados às forças armadas.
• Descontos previdenciários e ressarcimento: a lei previdenciária permite que haja um
desconto incidente sobre os benefícios previdenciários, em alguns casos previamente
indicados pela norma, tanto em relação aos benefícios pagos aos segurados quanto
aos dependentes. Sendo assim, fique atento para o fato de que se deve seguir a estri-
ta taxatividade da norma previdenciária para que os descontos não sejam dirigidos a
outras situações não definidas previamente pelo legislador. Como visto, o aplicador da
norma previdenciária, ao abordar o tópico do desconto previdenciário, deverá observar
as regras previstas nos artigos 114 e 115, da Lei n. 8.213/1991. O INSS promove os
descontos por meio da “consignação”. A consignação é a forma especial ou indireta
de pagamento de uma obrigação devida pelo beneficiário junto ao INSS e/ou terceiros,

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tais como instituições financeiras, associações de aposentados e pensionistas e/ou


credores de pensão alimentícia. As consignações, por sua vez, podem ser subdivididas
em: descontos obrigatórios; descontos eletivos; descontos por determinação judicial.

Na concomitância de consignações, existe alguma prioridade entre esses tipos de des-


contos?

SIM, serão priorizados os descontos obrigatórios em detrimento dos descontos eletivos,


sendo que entre os obrigatórios será observada a ordem cronológica de suas constituições
de crédito.

E existe um limite para que haja incidência de todos esses descontos?

SIM, mas quando falamos do acúmulo de todos os descontos, sejam eles obrigatórios,
eletivos ou por determinação inicial, a norma prevista na Instrução Normativa INSS n. 77/2015
define que o limite é de 100% do valor da renda mensal do benefício, devendo ser observados
para os casos de consignações decorrentes de empréstimos bancários de valores recebidos
indevidamente os respectivos limites estabelecidos pelos normativos vigentes.

A IN 77/15 já fixa de antemão que o desconto obrigatório relativo ao pagamento de benefício


indevido terá como limite o percentual de 30%, bem como o desconto eletivo relativo a em-
préstimos consignados também terá o limite de 30% do benefício.

E quanto aos pagamentos retroativos eventualmente devidos ao segurado ou ao depen-


dente?
É possível que haja também 100% de retenção na eventualidade de algum desconto inci-
dente?

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SIM, nesse caso não há nenhum limite para que haja um desconto, inclusive não há tam-
bém o limite referido alhures para as considerações decorrentes de empréstimos bancários
de valores recebidos indevidamente. É que, nesses casos, o caráter alimentar, de certa forma,
transmuta-se para uma indenização, e essa não teria, em tese, a imediatidade orçamentária
ínsita aos pagamentos mensais da previdência social, que são dirigidas, portanto, à manu-
tenção diária da vida dos beneficiários.

Existe alguma hipótese de isenção de imposto de renda quanto aos pagamentos de pres-
tações previdenciárias?

SIM, a Lei n. 9.250/1995 define que o pagamento de auxílio-doença, auxílio-acidente, apo-


sentadoria por invalidez decorrente de acidente em serviço, serão benefícios os quais estarão
isentos da retenção do imposto de renda. Agora uma pergunta muito importante que poderá
implicar ou não a realização de descontos no benefício recebido ou, ainda, ressarcimento ao
INSS, na hipótese de o benefício ter sido cancelado. Diz respeito à possibilidade de implanta-
ção de algum benefício previdenciário em decorrência de decisão judicial precária.

Se houver, posteriormente, a revogação ou a reforma dessas decisões, haverá a obriga-


ção de devolução das parcelas recebidas?

A Corte Especial do STJ definiu a questão, assentando uma posição que ficaria no meio do
caminho, digamos, entre os entendimentos firmados pela 1ª e 3ª Seções. Asseverou-se as-
sim que, se as decisões judiciais tiverem sido proferidas em sede de sentença ou em segunda
instância, nos Tribunais de 2º grau ou nas Turmas Recursais, deverá ocorrer a devolução das
parcelas pagas a título de antecipação de tutela à previdência social. Por outro lado, havendo
a revogação ou a reforma da decisão que concedeu benefício judicialmente apenas no âmbito
das instâncias extraordinárias, ou seja, no Supremo Tribunal Federal ou no Superior Tribunal
de Justiça, não haverá necessidade de evolução. Isso porque, nesses casos, a superação das
instâncias ordinárias já terá criado, em tese, na parte, a confiança legítima e a expectativa

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de vitória e de confirmação da decisão antecipatória, delineando a boa-fé no recebimento


das parcelas previdenciárias, embora posteriormente canceladas. A  questão da devolução
ou não ainda não havia sido julgada no âmbito do regime dos recursos repetitivos, de modo
que, no final do ano de 2015, o STJ voltou a enfrentar o tema por meio do julgamento do REsp
1.401.560-MT, agora sob a ótica do então art. 543-C, do CPC-73 (hoje, art. 1.036, do CPC-
15). Definiu-se a questão no julgamento do TEMA 692 dos representativos de controvérsia
daquela Corte Superior. Diante disso, firmaram-se as teses de que14: os valores de benefícios
previdenciários recebidos por força de tutela antecipada posteriormente revogada devem ser
devolvidos, haja vista a reversibilidade da medida antecipatória, a ausência de boa-fé obje-
tiva do beneficiário e a vedação do enriquecimento sem causa; não é necessária, contudo,
a devolução de valores concedidos ao segurado por sentença confirmada em 2º grau (dupla
conformidade), embora posteriormente reformada em sede de recurso especial ou extraordi-
nário. Por essas razões é que a TNU cancelou sua Súmula 51, no julgamento do PEDILEF n.
0004955-39.2011.4.03.6315.

E como a questão se encontra hoje? Você acha que o assunto está encerrado?

Pois bem meu amigo, minha amiga, não está! Após a fixação da tese no julgamento do
TEMA 692, há ainda questões que remanescem as quais necessitam de enfrentamento defi-
nitivo pela Corte Cidadã. Ainda remanesce a questão da possibilidade de desconto direto no
limite de 10% do benefício, mas esse é um aspecto que necessita ser integrado ao TEMA 692,
pois há julgado no STJ que impede o desconto direto e determina que o INSS busque em ação
própria o seu ressarcimento nos casos de tutela antecipada posteriormente revogada (REsp
n. 1.338.912)15. Diante de questões ainda pendentes de apreciação em tópicos paralelos à
devolução das parcelas recebidas a título de antecipação de tutela revogada ou reformada,
o  TEMA 692 encontra-se hoje afetado para possível revisão. Como podemos ver, houve a
determinação de suspensão do processamento de todos os processos ainda sem trânsito
em julgado, individuais ou coletivos, que versem acerca da questão submetida à revisão per-
14
Jurisprudência em Teses. Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/jt/toc.jsp. Acesso em 06 maio 2020.
15
Ibidem, p. 1.235.

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Estudo das Normas e Regras Gerais do Regime Geral de Previdência Social - Parte II
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tinente ao Tema n. 692/STJ e tramitem no território nacional, com a ressalva de incidentes,


questões e tutelas, que sejam interpostas a título geral de provimentos de urgência nos pro-
cessos objeto do sobrestamento. Vejamos:

Afetado -
Tema/ Situação Possível Órgão Julga-
PRIMEIRA SEÇÃO Assuntos
Repetitivo do Tema Revisão dor
de Tese
Proposta de Revisão de Entendimento firmado em tese repetitiva firmada pela Primeira
Questão subme- Seção relativa ao Tema 692/STJ, quanto à devolução dos valores recebidos pelo litigante
tida a julgamento beneficiário do Regime Geral da Previdência Social - RGPS em virtude de decisão judicial
precária, que venha a ser posteriormente revogada.
Tese firmada pela Primeira Seção no julgamento do REsp 1.401.560/MT, acórdão publi-
cado no DJe de 13/10/2015, que se propõe a revisar:
Tese Firmada
A reforma da decisão que antecipa a tutela obriga o autor da ação a devolver os benefí-
cios previdenciários indevidamente recebidos.
Importante

No voto condutor do acórdão de afetação da matéria ao rito dos repetitivos, o Ministro


relator ressalta a necessidade de ampliação do debate das variações a respeito da ques-
tão. No ponto, lista as seguintes situações que, dentre outras, poderão ser analisadas pelo
Superior Tribunal de Justiça na presente afetação:
a) tutela de urgência concedida de ofício e não recorrida; b) tutela de urgência concedida
a pedido e não recorrida; c) tutela de urgência concedida na sentença e não recorrida,
seja por agravo de instrumento, na sistemática processual anterior do CPC/1973, seja
por pedido de suspensão, conforme o CPC/2015; d) tutela de urgência concedida initio
litis e não recorrida; e) tutela de urgência concedida initio litis, cujo recurso não foi pro-
Anotações Nugep
vido pela segunda instância; f) tutela de urgência concedida em agravo de instrumento
pela segunda instância; g) tutela de urgência concedida em primeiro e segundo graus,
cuja revogação se dá em razão de mudança superveniente da jurisprudência então exis-
tente; h) tutela de urgência concedida e cassada, a seguir, seja em juízo de reconside-
ração pelo próprio juízo de primeiro grau, ou pela segunda instância em agravo de ins-
trumento ou mediante pedido de suspensão; i) tutela de urgência cassada, mesmo nas
situações retratadas anteriormente, mas com fundamento expresso na decisão de que
houve má-fé da parte ou afronta clara a texto de lei, como no caso das vedações expres-
sas de concessão de medida liminar ou tutela antecipada.

Vide Controvérsia 51/STJ - Aplicação, revisão ou distinção do Tema n. 692/STJ.

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Há determinação de suspensão do processamento de todos os processos ainda sem


trânsito em julgado, individuais ou coletivos, que versem acerca da questão submetida
à revisão pertinente ao Tema n. 692/STJ e tramitem no território nacional, com a res-
Informações
salva de incidentes, questões e tutelas, que sejam interpostas a título geral de provimen-
Complementares
tos de urgência nos processos objeto do sobrestamento (acórdão publicado no DJe de
3/12/2018, questão de ordem nos REsps n. 1.734.627/SP, 1.734.641/SP, 1.734.647/SP,
1.734.656/SP, 1.734.685/SP e 1.734.698/SP).
Repercus- Tema 799/STF - Possibilidade da devolução de valores recebidos em virtude de tutela
são Geral antecipada posteriormente revogada.
Ramo do Direito DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Tribu- Acórdão Embargos
Data de Trânsito em
Processo nal de RRC Relator Julgado em Publi- de Decla-
Afetação Julgado
Origem cado em ração
OG FER-
Pet 12482/DF STJ Não - - - -
NANDES
REsp 1401560/ SÉRGIO
TRF1 Não 12/02/2014 03/03/2017
MT KUKINA
Última atualização: 23/03/2020 Processos Suspensos: 2442

• Concessão, suspensão, cancelamento, restabelecimento dos benefícios. Com relação


à concessão dos benefícios previdenciários, trataremos também de maneira específica
dos requisitos de cada um dos tipos de prestações disponibilizados pelo regime geral
de previdência social. Nada obstante, calha registrar neste momento, de maneira geral,
que será sempre necessária a prévia postulação administrativa por meio de um pedido
próprio feito ao INSS e acompanhado dos documentos exigidos. Feito esse pedido e
guardadas as peculiaridades de concessão de cada espécie de prestação previdenciá-
ria, observe que será invariável o exame de dois elementos normativos em um processo
administrativo junto ao INSS, bem como em um processo judicial, em caso de indeferi-
mento do pedido feito àquela autarquia: a qualidade de segurado e a carência.

Essa é a regra. Em relação à carência, contudo, há algumas hipóteses nas quais se previu
a inexigibilidade de carência. Por ora, basta você saber, genericamente, que a regra é que, para
a concessão dos benefícios previdenciários, é necessária a análise da qualidade de segurado
e da carência, conforme as exigências de cada tipo de benefício previdenciário. A concessão
pode gerar pagamento vitalício (sem prazo para cessar), temporário (com prazo para cessar)

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ou meramente circunstancial (sem prazo para cessar, mas condicionado à determinação cir-
cunstancial médica e/ou econômica).
Em todas essas hipóteses, contudo, é possível falar em casos de suspensão do pagamen-
to feito pelo INSS, bem como de cancelamento da concessão anteriormente autorizada pela
autarquia previdenciária. Em síntese, a suspensão decorrerá de detecção da incorrência do
próprio segurado em algum ato incompatível com a manutenção do benefício ou em alguma
omissão que resulte em falta obrigacional junto à autarquia previdenciária. A suspensão não
revolve o ato administrativo de concessão, mas impinge a esse um determinado efeito obs-
tativo de seus efeitos.
Já o cancelamento, diferentemente da suspensão, implica a anulação total ou parcial do
ato administrativo de concessão do respectivo benefício previdenciário. Trata-se, assim, do
exercício da autotutela administrativa, nada se referindo ou nada decorrendo, portanto, de
algum ato posteriormente praticado pelo próprio segurado ou dependente, tal como ocorre
nas hipóteses de suspensão do benefício. Cabe lembrar que, para a revisão e a anulação dos
atos administrativos de concessão do benefício previdenciário, deve haver a observação do
prazo decadencial de 10 anos, tal como previsto no artigo 103-A, da Lei n. 8.213/1991. Perce-
ba, contudo, que, na eventualidade de ser comprovada má-fé do beneficiário, a revisão do ato
poderá exceder a esse prazo de 10 anos. Importante lembrar ainda que para o cancelamento
do benefício, deve ser sempre observado devido processo legal, de acordo com procedimento
administrativo previsto na lei e nos normativos do INSS.
• Acumulação de benefícios: a acumulação de benefícios é tratada pelo art. 124, da Lei n.
8213/1991, e deverá ser sempre balizada pelo princípio do tempus regit actum. Como
exemplo de preservação do direito adquirido à acumulação, temos a antiga possibili-
dade de recebimento conjunto do auxílio-acidente com aposentadoria. Isso não mais
é possível. Haverá o cancelamento do auxílio-acidente no momento da concessão da
aposentadoria, de qualquer espécie, ao segurado, conforme previsto no art. 86, §2º, da
Lei n. 8.213/1991, desde que aquele auxílio-acidente tenha sido concedido após a Lei n.
9.528/1997. Para os auxílios-acidentes concedidos anteriormente a essa lei, portanto,
existe direito adquirido à concomitância e à cumulação dos benefícios de auxílio-aci-

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dente e aposentadoria. Cabe destacar, contudo, que houve alteração constitucional do


regramento de acumulação de benefícios previdenciários, conforme a Emenda Consti-
tucional n. 103/2019, senão vejamos:
− as regras de acumulação previstas no RGPS também valem para os regimes pró-
prios, conforme o §6º, do art. 40, da CF;
− há expressa previsão no art. 201, §15, da CF, no sentido de que será uma lei com-
plementar que tratará dos casos de acumulação de benefícios previdenciários. Além
disso, o art. 24, da própria EC 103/2019, trata de disposições constitucionais relati-
vas às mudanças nas regras de acumulação de benefícios previdenciários.

Em síntese, podemos sintetizar as alterações da seguinte forma:


• não pode acumular mais de uma pensão por morte no âmbito do mesmo regime, seja
no RGPS, seja nos RPPSs. Se houver pensão, uma pensão no RGPS e outra em algum
RPPS, sim, é possível. Também será possível acumular no caso de cargos acumuláveis
previstos nos termos do art. 37, CF, de modo que, nesses casos, poderá haver mais de
uma pensão dentro do mesmo regime.
• será possível acumular:
− Pensão de um regime + pensão de outro regime de previdência social (regime pró-
prio, regime de previdência complementar fechada, regime de previdência comple-
mentar privada);
− Pensão de um regime qualquer não militar + pensão de um regime militar (Polícias
Militares, Corpo de Bombeiros Militares e Forças Armadas);
− Pensão por morte de um regime qualquer (RGPS/RPPS/Militar/Previdências Com-
plementares fechadas, abertas, públicas ou privadas) + aposentadoria do RGPS ou
de um RPPS;
− Pensão por morte de um regime qualquer (RGPS/RPPS/Militar/Previdências Comple-
mentares fechadas, abertas, públicas ou privadas) + proventos de inatividade de militares;
− Pensão militar (Polícias Militares, Corpo de Bombeiros Militares e Forças Armadas)
+ aposentadoria do RGPS ou de um RPPS.

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Mas mesmo nas hipóteses de acumulação, não haverá o recebimento integral de ambos
os benefícios acumuláveis. Haverá o recebimento do benefício de maior valor mais uma parte
do outro, que poderá variar conforme a sua correspondência quantitativa em salários míni-
mos. Essas alterações somente valerão para as hipóteses de acumulação ocorridas após a
vigência da EC 103, ou seja, a partir de 13/11/2019, conforme art. 36, III, da referida Emenda,
sendo assegurados os direitos adquiridos até então, conforme expressa previsão do §4º, do
art. 24. Por fim, a EC 103 deixa ressalvado que as regras acima, bem como as que atualmente
se encontram vigentes na legislação previdenciárias, poderão ser alteradas por meio de lei
complementar, conforme o art. 201, §15, da CF.
• Abono anual: O abono anual é um corolário obrigacional de todos os benefícios pre-
videnciários pagos no âmbito do RGPS. Há apenas uma única exceção: o salário-fa-
mília. É  previsto no art.  40, da Lei n. 8.213/1991, bem como no art.  120, do Decreto
n. 3.048/1999. Define-se como sendo o direito anual ao pagamento de quantia que
corresponde ao cálculo feito com base na mesma sistemática da gratificação natalina
paga aos trabalhadores. Assim, o abono anual está para os beneficiários da previdên-
cia social assim como a gratificação natalina está para os empregados na atividade.

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EXERCÍCIOS
Questão 1 (VUNESP/VALIPREV-SP/ANALISTA DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS/2020)
Com relação aos beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de depen-
dentes do segurado, nos termos da Lei n. 8.213/1991, é correto afirmar que:
a) não pode ser considerado como dependente para os fins de obtenção de benefício previ-
denciário o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou
inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave.
b) o enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho e dispensam a comprovação da depen-
dência econômica, bastando, para essa finalidade, a declaração escrita de próprio punho do
segurado.
c) a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, menor de
21 (vinte e um) anos são exemplos de dependentes presumidos, que dispensam prova da
dependência econômica.
d) as provas de união estável e de dependência econômica exigem início de prova mate-
rial contemporânea dos fatos, sendo admitida, porém, a prova exclusivamente testemunhal
quando não houver provas documentais.
e) os pais e os avós são considerados dependentes especiais do segurado e poderão obter o
benefício por meio de simples apresentação do documento que comprove a relação de paren-
tesco, dispensados outros meios de prova.

Questão 2 (CESPE/PREFEITURA DE CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICI-


PAL/2019) Jorge, na qualidade de contribuinte individual, vinha contribuindo até o início do
cumprimento de pena de reclusão pela prática do crime de homicídio qualificado, não tendo
feito mais contribuições. Com referência a essa situação hipotética, julgue o seguinte item.
O reconhecimento da perda da qualidade de segurado de Jorge ocorrerá no dia seguinte ao do
vencimento da contribuição de contribuinte individual relativa ao mês imediatamente poste-
rior ao término do prazo de doze meses após o livramento.

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Questão 3 (CESPE/PREFEITURA DE CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019)


Os irmãos Fátima e Ronaldo, plenamente capazes e sem nenhuma deficiência física, intelectual
ou mental, possuem as seguintes características: ambos se enquadram em famílias de baixa
renda; Fátima tem trinta anos de idade e Ronaldo, trinta e cinco anos de idade; Fátima não tem
renda própria, dedica-se exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência
e contribui para a previdência social na qualidade de segurada facultativa; Ronaldo contribui
como segurado trabalhador avulso. A partir dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.
Fátima e Ronaldo não preenchem os requisitos para serem dependentes previdenciários um
do outro.

Questão 4 (FCC/TRF-3ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO-ADMINISTRATIVO/2019) Conside-


re as afirmações abaixo.
I – Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições até 6 meses
após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
II – Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições até 4 meses
após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas para prestar serviço
militar.
III – Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições, sem limite de
prazo, quem está em gozo de benefício, exceto do auxílio-acidente.
IV – A  perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte ao do término do prazo
fixado no Plano de Custeio da Seguridade Social para recolhimento da contribuição
referente ao mês imediatamente posterior ao do final dos prazos estabelecidos pela
Lei n. 8.213/1991.

Está correto o que consta APENAS de


a) II e IV.
b) I, III e IV.
c) I e IV
d) II, III e IV.
e) I, II e III.

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Questão 5 (QUADRIX/CRF-PR/ADVOGADO/2019) A Lei n.º 8.213/1991, em seu art.  124,


dispõe sobre as vedações de recebimento conjunto de benefícios previdenciários. A aplicabi-
lidade trazida por esse dispositivo restringe-se ao âmbito do RGPS, ou seja, proíbe o recebi-
mento conjunto de certos benefícios no mesmo regime. Contudo, é permitido o recebimento
conjunto dos seguintes benefícios no RGPS:
a) aposentadoria e auxílio-doença.
b) aposentadoria e abono de permanência em serviço.
c) salário-maternidade e auxílio-doença.
d) aposentadoria e pensão por morte.
e) auxílio-acidente.

Questão 6 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


É possível incluir no rol de dependentes do segurado uma pessoa designada, menor de 21
(vinte e um) anos ou maior de 60 (sessenta) anos ou inválida.

Questão 7 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Não há direito adquirido à condição de dependente de pessoa designada, quando o faleci-
mento do segurado se deu após o advento da Lei 9.032/1995.

Questão 8 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Até os dias atuais, e desde a Lei n. 13.135/2015, que alterou o inciso III, do art. 16, da Lei n.
8.213/1991, é possível falar que o irmão menor de 21 anos do segurado será seu dependente
ainda que tenha incorrido em alguma causa de emancipação civil.

Questão 9 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial não tem direito à pensão previ-
denciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente.

Questão 10 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


A súmula 336, do STJ, diz que a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial
tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade eco-

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nômica superveniente, sendo absolutamente certo que esse entendimento pode ser aplicado
também aos casos de divórcio e, bem assim, à companheira ou ao companheiro em iguais
condições, nas hipóteses de união estável.

Questão 11 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


A súmula 336, do STJ, diz que a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial
tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade eco-
nômica superveniente, mas não podemos estender tal entendimento para a união homoafeti-
va, na medida em que não há nada na lei que diz dessa forma e tampouco não haveria prévia
fonte de custeio para o aumento das contingências sociais da pensão por morte.

Questão 12 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


De acordo com o Supremo Tribunal Federal, já se entendeu que a relação de concubinato não
pode gerar efeitos previdenciários, não se podendo considerar a concubina como dependente
para fins de pensão por morte.

Questão 13 (CESPE/SLU-DF/ANALISTA DE GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS – SERVIÇO SO-


CIAL) Antônio, de sessenta e três anos de idade, empregado celetista no cargo de auxiliar de
serviços gerais havia dez anos em uma empresa de limpeza urbana, compareceu ao serviço
de emergência de um hospital público, queixando-se de fortes dores de cabeça. Após pri-
meiro atendimento médico, ele foi encaminhado para internação, sem previsão de alta, para
investigação da causa das dores. Antônio é casado com Maria, de quarenta e cinco anos de
idade, com a qual tem dois filhos menores de idade. Maria está desempregada e nunca con-
tribuiu para a previdência social. Apreensiva pela possibilidade de Antônio não poder retornar
ao trabalho, Maria buscou orientação no serviço social do hospital a respeito dos direitos de
Antônio e dos meios de exercê-los.
A partir dessa situação hipotética, julgue o item subsecutivo, tendo como referência a Lei
Orgânica da Seguridade Social (Lei n.º 8.212/1991), os planos de benefícios da previdência
social (Lei n.º 8.213/1991) e o Estatuto do Idoso (Lei n.º 10.741/2003).
Para fins previdenciários, a dependência econômica de Maria e de seus filhos com Antônio
deve ser comprovada.

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Questão 14 (CESPE/PGE-PE/ANALISTA JUDICIÁRIO DE PROCURADORIA/2019) O item a se-


guir apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, a respeito de
benefícios previdenciários.
Após ter contribuído por vinte e cinco anos como professora do ensino fundamental, Valéria
se aposentou pelo regime geral de previdência social, mas, mesmo após sua aposentadoria,
ela continuou trabalhando na mesma escola, exercendo a mesma função. Devido a um aci-
dente doméstico, Valéria está temporariamente incapacitada para o trabalho. Nessa situação,
Valéria terá direito a receber o benefício do auxílio-doença cumulativamente com a aposenta-
doria por tempo de contribuição.

Questão 15 (TRF - 2ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/2018) Com relação à manuten-


ção da qualidade de segurado, independentemente de contribuições, é correto afirmar:
a) O segurado facultativo mantém a qualidade de segurado por até 6 meses da cessação das
contribuições.
b) O segurado retido ou recluso mantém a qualidade de segurado por até 6 meses do livramento.
c) O segurado que deixa de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social,
ou estiver suspenso ou licenciado mantém a qualidade de segurado por até 24 meses.
d) Enquanto estiver no gozo de benefício o segurado não perde a qualidade de segurado, des-
de que o benefício não se prolongue por mais de 12 meses.
e) Se o segurado já tiver recolhido mais de 120 contribuições sem interrupção que acarrete
a perda da qualidade de segurado, todos os prazos dos incisos do art. 15 da Lei 8.213/1991
são prorrogados em 6 meses.

Questão 16 (TRT - 21ª REGIÃO/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) O Regime Geral de


Previdência Social compreende as seguintes prestações, entre outras, expressas em benefí-
cios e serviços:
a) Aposentadoria por invalidez, seguro-desemprego, salário-família, auxílio-doença e auxílio-
-acidente.
b) Seguro desemprego, auxílio-acidente, salário-maternidade, salário-família e auxílio-doença.
c) Pecúlios, auxílio-doença, salário-família, auxílio-acidente e salário-maternidade.

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d) Seguro-desemprego, auxílio-doença, salário-família, salário-maternidade e aposentadoria


especial.
e) Auxílio-reclusão, auxílio-acidente, auxílio-doença, salário-família e reabilitação profissional.

Questão 17 (FCC/TRT - 15ª REGIÃO-SP/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) As pres-


tações compreendidas pelo Regime Geral de Previdência Social são das seguintes espécies:
a) benefícios, assistência e amparo.
b) benefícios e serviços.
c) assistência e amparo, apenas.
d) benefícios em dinheiro, apenas.
e) benefícios e aposentadoria, apenas.

Questão 18 (TRT - 2ª REGIÃO-SP/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) A Previdência


Social foi organizada sob a forma de regime geral. Segundo a legislação vigente que instituiu
as regras deste regime, beneficia-se do Regime Geral de Previdência Social, na condição de
dependente do segurado, EXCETO:
a) O seu pai com comprovada dependência econômica.
b) O seu irmão inválido, que conta com 25 anos de idade, se comprovada dependência eco-
nômica.
c) O enteado menor que não dependa economicamente do segurado.
d) O companheiro que mantém união estável com o segurado.
e) O seu irmão não emancipado menor de 21 anos com comprovada dependência econômica.

Questão 19 (FCC/TRT - 1ª REGIÃO-RJ/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2014) Diana está


aposentada pelo Regime Geral de Previdência Social e voltou a exercer atividade assalariada,
portanto sujeita a esse regime. Ocorre que, em razão de doença comum que a incapacitou
para o trabalho, afastou-se por cento e vinte dias consecutivos e engravidou. Nessa situação,
não havendo direito adquirido e considerando a legislação previdenciária, Diana
a) poderá acumular os benefícios de aposentadoria e auxílio-doença.
b) não poderá acumular nenhum tipo de benefício previdenciário.

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c) poderá acumular os benefícios de aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.


d) não poderá acumular os benefícios de auxílio-doença e aposentadoria, mas poderá acu-
mular esse último com salário-maternidade.
e) poderá acumular os benefícios de auxílio-doença com salário-maternidade.

Questão 20 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


O companheiro ou a companheira são considerados dependentes para fins previdenciários,
sendo a união estável tratada de modo equiparado ao casamento pela legislação de regência
do tema, sendo possível que sua comprovação seja feita exclusivamente por prova testemu-
nhal quando o requerente não encontrar documentos idôneos que demonstrem a convivência.

Questão 21 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada
abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração, con-
tará com 12 meses de período de graça, sendo que tal período poderá ser prorrogado em mais
12 meses na hipótese de contar com mais de 120 (cento e vinte) meses de recolhimento sem
interrupções que tenham acarretado a perda da qualidade de segurado, sendo que essa pror-
rogação poderá ser considerada como sendo integrante do patrimônio jurídico do segurado.

Questão 22 (INÉDITA) Julgue o item a seguir.


O desemprego é causa idônea, conforme a lei previdenciária, para que o segurado tenha o
direito de ampliar o seu período de graça em mais 12 meses, sendo possível, por isonomia
e, ainda, por conta do princípio da universalidade da cobertura e do atendimento, que aquela
ampliação também ocorra nos casos em que o empregado pede demissão, conforme vem de-
cidindo a jurisprudência da Turma Nacional de Uniformização de jurisprudência dos Juizados
Especiais Federais.

Questão 23 (FCC/TRT - 16ª REGIÃO-MA/ANALISTA JUDICIÁRIO/2014) Airton, filiado ao Re-


gime Geral de Previdência Social, recebeu durante o ano auxílio-reclusão. Dessa forma, a ele
o abono anual

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a) é devido, calculado, no que couber, da mesma forma que o Descanso Semanal Remunera-
do dos trabalhadores, tendo por base o valor médio da renda mensal do benefício do mês de
dezembro do referido ano.
b) não é devido, pois cabe apenas a quem recebeu, durante o ano, auxílio-doença e aposen-
tadoria.
c) é devido, calculado, no que couber, da mesma forma que o Descanso Semanal Remunerado
dos trabalhadores, tendo por base o valor da hora mensal trabalhada.
d) não é devido, pois cabe apenas a quem recebeu, durante o ano, aposentadoria.
e) é devido, calculado, no que couber, da mesma forma que a Gratificação de Natal dos tra-
balhadores, tendo por base o valor da renda mensal do benefício do mês de dezembro do
referido ano.

Questão 24 (CESPE/TRT - 5ª REGIÃO-BA/JUIZ DO TRABALHO/2013) Em relação ao abono


anual a ser pago aos segurados da Previdência Social, é correto afirmar que
a) ele é calculado mediante aplicação do fator previdenciário sobre a última remuneração
recebida pelo trabalhador.
b) ele somente pode ser recebido cumulativamente com o benefício mensal e com a gratifi-
cação de natal.
c) ele é devido no início e no fim do recebimento de uma série de benefícios.
d) seu valor deve ser calculado da mesma forma que a gratificação de natal dos trabalhadores.
e) o valor base para seu cálculo consiste na remuneração do 1º mês do ano em que o traba-
lhador receber qualquer benefício.

Questão 25 (IBADE/IPM-JP/AGENTE PREVIDENCIÁRIO/ASSISTENTE DE SUPORTE DE PRE-


VIDÊNCIA/2018) Sobre os beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição
de dependentes do segurado, assinale a alternativa correta.
a) A dependência econômica do(a) cônjuge ou companheiro (a) deve ser comprovada, as de-
mais são presumidas.
b) O filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 18 (dezoito) anos é beneficiário
do segurado.

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c) O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e


desde que comprovada a dependência econômica.
d) A existência de filhos e pais como dependentes não exclui do direito às prestações os das
classes seguintes.
e) O irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 18 (dezoito) anos, é beneficiário
do segurado.

Questão 26 (FCC/SEGEP-MA/ANALISTA PREVIDENCIÁRIO/2018) De acordo com a Lei n.


8.213/1991, os pais de um Segurado da Previdência Social
a) são considerados dependentes, inclusive se houver cônjuge, companheira, companheiro,
filho não emancipado, de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou inválido ou que
tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave.
b) podem ser considerados dependentes na inexistência de cônjuge, companheira, compa-
nheiro, filho não emancipado, de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave.
c) não são considerados dependentes, em qualquer hipótese, por ausência de disposição le-
gal específica prevendo esta condição.
d) podem ser considerados dependentes somente quando não houver irmão não emancipado,
de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou inválido ou que tenha deficiência intelec-
tual ou mental ou deficiência grave.
e) podem ser considerados dependentes somente quando não houver irmão não emancipado,
de qualquer condição, menor de dezoito anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual
ou mental ou deficiência grave.

Questão 27 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


O benefício previdenciário somente poderá ser objeto de penhora, arresto ou sequestro em
caso de pagamento de pensão alimentícia, não havendo nesses casos limite a ser descontado.

Questão 28 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Embora não seja possível alterar a ordem legal de dependentes do art. 16, da Lei n. 8.213/1991
por acordo, é possível consignar em pacto privado descontos no benefício para algum outro
dependente, por mera liberalidade e a título de alimentos, conforme já decidiu a jurisprudência.

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Questão 29 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


O segurado maior de 65 anos que tenha sido aposentado por invalidez ou aquele que tem
mais de 55 anos e já conta com 15 anos de recebimento desse tipo de aposentadoria (invali-
dez), não será obrigado a realizar perícia médica periódica.

Questão 30 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Para a extensão do período de graça, o desemprego pode ser comprovado por meio de quais-
quer provas, inclusive por meio de prova indireta decorrente da ausência de anotações na
CTPS do segurado.

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GABARITO
1. c 28. C
2. C 29. E
3. C 30. E
4. b
5. d
6. E
7. C
8. E
9. E
10. C
11. E
12. C
13. E
14. E
15. a
16. e
17. b
18. c
19. d
20. E
21. C
22. E
23. e
24. d
25. c
26. b
27. E

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GABARITO COMENTADO
Questão 1 (VUNESP/VALIPREV-SP/ANALISTA DE BENEFÍCIOS PREVIDENCIÁRIOS/2020)
Com relação aos beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de depen-
dentes do segurado, nos termos da Lei n. 8.213/1991, é correto afirmar que:
a) não pode ser considerado como dependente para os fins de obtenção de benefício previ-
denciário o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou
inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave.
b) o enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho e dispensam a comprovação da depen-
dência econômica, bastando, para essa finalidade, a declaração escrita de próprio punho do
segurado.
c) a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, menor de
21 (vinte e um) anos são exemplos de dependentes presumidos, que dispensam prova da
dependência econômica.
d) as provas de união estável e de dependência econômica exigem início de prova mate-
rial contemporânea dos fatos, sendo admitida, porém, a prova exclusivamente testemunhal
quando não houver provas documentais.
e) os pais e os avós são considerados dependentes especiais do segurado e poderão obter o
benefício por meio de simples apresentação do documento que comprove a relação de paren-
tesco, dispensados outros meios de prova.

Letra c.
De acordo com o previsto no art. 16, I e §4º, da Lei n. 8.213/1991:
Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes
do segurado:

I – o cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, me-
nor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência
grave; (Redação dada pela Lei n. 13.146, de 2015) (Vigência)
[...]
§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve
ser comprovada.

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a) Errada. Vai de encontro ao previsto no art. 16, III, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
[...].
III – o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave; (Redação dada pela Lei n. 13.146,
de 2015) (Vigência)
b) Errada. Vai também de encontro ao previsto no art. 16, §2º, da Lei n. 8.213/1991:
§ 2º O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e des-
de que comprovada a dependência econômica na forma estabelecida no Regulamento. (Redação
dada pela Lei n. 9.528, de 1997)

d) Errada. Segundo o previsto no art. 16, §5º, da Lei n. 8.213/1991:

§ 5º As provas de união estável e de dependência econômica exigem início de prova material con-
temporânea dos fatos, produzido em período não superior a 24 (vinte e quatro) meses anterior à
data do óbito ou do recolhimento à prisão do segurado, não admitida a prova exclusivamente tes-
temunhal, exceto na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, conforme disposto no
regulamento. (Incluído pela Lei n. 13.846, de 2019)

e) Errada. Apenas os pais são dependentes do segurado, mas o disposto na alternativa é con-
tra o previsto no art. 16, §4º, da Lei n. 8.213/1991:

§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve
ser comprovada.

Questão 2 (CESPE/PREFEITURA DE CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICI-


PAL/2019) Jorge, na qualidade de contribuinte individual, vinha contribuindo até o início do
cumprimento de pena de reclusão pela prática do crime de homicídio qualificado, não tendo
feito mais contribuições. Com referência a essa situação hipotética, julgue o seguinte item.
O reconhecimento da perda da qualidade de segurado de Jorge ocorrerá no dia seguinte ao do
vencimento da contribuição de contribuinte individual relativa ao mês imediatamente poste-
rior ao término do prazo de doze meses após o livramento.

Certo.

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A assertiva está, de fato, certa, pois seu enunciado está de acordo com o disposto no art. 15,
§4º, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


[...].
§ 4º A perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte ao do término do prazo fixado no
Plano de Custeio da Seguridade Social para recolhimento da contribuição referente ao mês imedia-
tamente posterior ao do final dos prazos fixados neste artigo e seus parágrafos.

Questão 3 (CESPE/PREFEITURA DE CAMPO GRANDE-MS/PROCURADOR MUNICIPAL/2019)


Os irmãos Fátima e Ronaldo, plenamente capazes e sem nenhuma deficiência física, intelectual
ou mental, possuem as seguintes características: ambos se enquadram em famílias de baixa
renda; Fátima tem trinta anos de idade e Ronaldo, trinta e cinco anos de idade; Fátima não tem
renda própria, dedica-se exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência
e contribui para a previdência social na qualidade de segurada facultativa; Ronaldo contribui
como segurado trabalhador avulso. A partir dessa situação hipotética, julgue o item seguinte.
Fátima e Ronaldo não preenchem os requisitos para serem dependentes previdenciários um
do outro.

Certo.
A assertiva está certa, já que os irmãos apenas são dependentes entre si nas situações pre-
vistas no art. 16, III, da Lei n. 8.213/1991, sendo certo que somente poderiam ser considera-
dos dependentes, no caso da questão, se inválidos ou com deficiência mental ou intelectual
ou deficiência grave, pois, nessas hipóteses, a relação de dependência com o segurado vai
além dos 21 anos. No mais, seria necessária a comprovação de dependência econômica,
conforme abaixo:

Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
[...]
III – o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave; (Redação dada pela Lei n. 13.146,
de 2015) (Vigência)
[...]
§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve
ser comprovada.

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Questão 4 (FCC/TRF-3ª REGIÃO/TÉCNICO JUDICIÁRIO-ADMINISTRATIVO/2019) Conside-


re as afirmações abaixo.
I – Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições até 6 meses
após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.
II – Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições até 4 meses
após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas para prestar serviço
militar.
III – Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições, sem limite de
prazo, quem está em gozo de benefício, exceto do auxílio-acidente.
IV – A  perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte ao do término do prazo
fixado no Plano de Custeio da Seguridade Social para recolhimento da contribuição
referente ao mês imediatamente posterior ao do final dos prazos estabelecidos pela
Lei n. 8.213/1991.

Está correto o que consta APENAS de


a) II e IV.
b) I, III e IV.
c) I e IV
d) II, III e IV.
e) I, II e III.

Letra b.
I – Certa. De acordo com o disposto no art. 15, VI, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


[...]
VI – Até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.

II – Errada. Conforme disposto no art. 15, V, da Lei n. 8.213/1991:

V  – Até 3 (três) meses após o licenciamento, o  segurado incorporado às Forças Armadas para
prestar serviço militar;

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III – Certa. Veja o disposto no art. 15, I, da Lei n. 8.213/1991:

I  – Sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício, exceto do auxílio-acidente;  (Redação
dada pela Lei n. 13.846, de 2019)

IV – Certa. Conforme disposto no art. 15, §4º, da Lei n. 8.213/1991:

§ 4º A perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte ao do término do prazo fixado no
Plano de Custeio da Seguridade Social para recolhimento da contribuição referente ao mês imedia-
tamente posterior ao do final dos prazos fixados neste artigo e seus parágrafos.

Questão 5 (QUADRIX/CRF-PR/ADVOGADO/2019) A Lei n.º 8.213/1991, em seu art.  124,


dispõe sobre as vedações de recebimento conjunto de benefícios previdenciários. A aplicabi-
lidade trazida por esse dispositivo restringe-se ao âmbito do RGPS, ou seja, proíbe o recebi-
mento conjunto de certos benefícios no mesmo regime. Contudo, é permitido o recebimento
conjunto dos seguintes benefícios no RGPS:
a) aposentadoria e auxílio-doença.
b) aposentadoria e abono de permanência em serviço.
c) salário-maternidade e auxílio-doença.
d) aposentadoria e pensão por morte.
e) auxílio-acidente.

Letra d.
Mantivemos a questão acima na sua forma original apenas para treinarmos, mas cabe desta-
car que houve alteração de seu teor, de acordo com a EC 103/19, conforme abaixo:
• as regras de acumulação previstas no RGPS também valem para os regimes próprios,
conforme o §6º, do art. 40, da CF:

§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos acumuláveis na forma desta Cons-
tituição, é vedada a percepção de mais de uma aposentadoria à conta de regime próprio de previ-
dência social, aplicando-se outras vedações, regras e condições para a acumulação de benefícios
previdenciários estabelecidas no Regime Geral de Previdência Social. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 103, de 2019)

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• há expressa previsão no art. 201, §15, da CF, no sentido de que é será uma lei comple-
mentar que tratará dos casos de acumulação de benefícios previdenciários.

Art. 201. [...].
§ 15. Lei complementar estabelecerá vedações, regras e condições para a acumulação de benefí-
cios previdenciários. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 103, de 2019, grifos nossos)
Além disso, o  art.  24, da própria EC 103/2019, trata de disposições constitucionais relativas às
mudanças nas regras de acumulação de benefícios previdenciários:
Art. 24. É vedada a acumulação de mais de uma pensão por morte deixada por cônjuge ou com-
panheiro, no âmbito do mesmo regime de previdência social, ressalvadas as pensões do mesmo
instituidor decorrentes do exercício de cargos acumuláveis na forma do  art.  37 da Constituição
Federal.
§ 1º Será admitida, nos termos do § 2º, a acumulação de:
I – pensão por morte deixada por cônjuge ou companheiro de um regime de previdência social com
pensão por morte concedida por outro regime de previdência social ou com pensões decorrentes
das atividades militares de que tratam os arts. 42 e 142 da Constituição Federal;
II – pensão por morte deixada por cônjuge ou companheiro de um regime de previdência social
com aposentadoria concedida no âmbito do Regime Geral de Previdência Social ou de regime pró-
prio de previdência social ou com proventos de inatividade decorrentes das atividades militares de
que tratam os arts. 42 e 142 da Constituição Federal; ou
III – pensões decorrentes das atividades militares de que tratam os arts. 42 e 142 da Constituição
Federal com aposentadoria concedida no âmbito do Regime Geral de Previdência Social ou de re-
gime próprio de previdência social.
§ 2º Nas hipóteses das acumulações previstas no § 1º, é assegurada a percepção do valor integral
do benefício mais vantajoso e de uma parte de cada um dos demais benefícios, apurada cumulati-
vamente de acordo com as seguintes faixas:
I – 60% (sessenta por cento) do valor que exceder 1 (um) salário-mínimo, até o limite de 2 (dois)
salários-mínimos;
II – 40% (quarenta por cento) do valor que exceder 2 (dois) salários-mínimos, até o limite de 3 (três)
salários-mínimos;
III – 20% (vinte por cento) do valor que exceder 3 (três) salários-mínimos, até o limite de 4 (quatro)
salários-mínimos; e
IV – 10% (dez por cento) do valor que exceder 4 (quatro) salários-mínimos.
§ 3º A aplicação do disposto no § 2º poderá ser revista a qualquer tempo, a pedido do interessado,
em razão de alteração de algum dos benefícios.
§ 4º As restrições previstas neste artigo não serão aplicadas se o direito aos benefícios houver sido
adquirido antes da data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional.
§ 5º As regras sobre acumulação previstas neste artigo e na legislação vigente na data de entrada
em vigor desta Emenda Constitucional poderão ser alteradas na forma do § 6º do art. 40 e do § 15
do art. 201 da Constituição Federal.

Em síntese, podemos sintetizar as alterações da seguinte forma:

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• não pode acumular mais de uma pensão por morte no âmbito do mesmo regime, seja
no RGPS, seja nos RPPSs. Se houver pensão, uma pensão no RGPS e outra em algum
RPPS, sim, é possível. Também será possível acumular no caso de cargos acumuláveis
previstos nos termos do art. 37, CF, de modo que nesses casos poderá haver mais de
uma pensão dentro do mesmo regime.
• será possível ainda acumular:
− Pensão de um regime + pensão de outro regime de previdência social (regime pró-
prio, regime de previdência complementar fechada, regime de previdência comple-
mentar privada);
− Pensão de um regime qualquer não militar + pensão de um regime militar (Polícias
Militares, Corpo de Bombeiros Militares e Forças Armadas);
− Pensão por morte de um regime qualquer (RGPS/RPPS/Militar/Previdências Com-
plementares fechadas, abertas, públicas ou privadas) + aposentadoria do RGPS ou
de um RPPS;
− Pensão por morte de um regime qualquer (RGPS/RPPS/Militar/Previdências Com-
plementares fechadas, abertas, públicas ou privadas) + proventos de inatividade de
militares;
− Pensão militar (Polícias Militares, Corpo de Bombeiros Militares e Forças Armadas)
+ aposentadoria do RGPS ou de um RPPS.
Mesmo nas hipóteses de acumulação, não haverá o recebimento integral de ambos os benefí-
cios acumuláveis. Haverá o recebimento do benefício de maior valor, mais uma parte do outro,
que variará conforme a sua correspondência quantitativa em salários mínimos, da seguinte
forma:

§ 2º Nas hipóteses das acumulações previstas no § 1º, é assegurada a percepção do valor integral
do benefício mais vantajoso e de uma parte de cada um dos demais benefícios, apurada cumulati-
vamente de acordo com as seguintes faixas:
I – 60% (sessenta por cento) do valor que exceder 1 (um) salário-mínimo, até o limite de 2 (dois)
salários-mínimos;
II – 40% (quarenta por cento) do valor que exceder 2 (dois) salários-mínimos, até o limite de 3 (três)
salários-mínimos;

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III – 20% (vinte por cento) do valor que exceder 3 (três) salários-mínimos, até o limite de 4 (quatro)
salários-mínimos;
IV – 10% (dez por cento) do valor que exceder 4 (quatro) salários-mínimos.

Essas alterações somente valerão para as hipóteses de acumulação ocorridas após a vigên-
cia da EC 103, ou seja, a partir de 13/11/2019, conforme art. 36, III, da referida Emenda, sendo
assegurados os direitos adquiridos até então, conforme expressa previsão do §4º, do art. 24:

§ 4º As restrições previstas neste artigo não serão aplicadas se o direito aos benefícios houver sido
adquirido antes da data de entrada em vigor desta Emenda Constitucional.

Por fim, a  EC 103 deixa ressalvado que as regras acima, bem como as que atualmente se
encontram vigentes na legislação previdenciárias, poderão ser alteradas por meio de lei com-
plementar, conforme o art. 201, §15, da CF:

§ 5º As regras sobre acumulação previstas neste artigo e na legislação vigente na data de entrada
em vigor desta Emenda Constitucional poderão ser alteradas na forma do § 6º do art. 40 e do § 15
do art. 201 da Constituição Federal.

Assim, a resposta é a letra d), mesmo com as alterações acima, conforme a seguinte possibi-
lidade de cumulação prevista no texto do art. 24, da EC 103/19:
• Pensão por morte de um regime qualquer (RGPS/RPPS/Militar/Previdências Comple-
mentares fechadas, abertas, públicas ou privadas) + aposentadoria do RGPS ou de
um RPPS.
Note, contudo, que deverá haver a aplicação do §2º, do art.  24, da Emenda, de modo que,
apesar da possibilidade de recebimento conjunto, não será possível o recebimento integral de
ambos os benefícios, sendo garantido o valor do maior, acrescido de um percentual do outro
conforme as faixas abaixo previstas:

§ 2º Nas hipóteses das acumulações previstas no § 1º, é assegurada a percepção do valor integral
do benefício mais vantajoso e de uma parte de cada um dos demais benefícios, apurada cumulati-
vamente de acordo com as seguintes faixas:
I – 60% (sessenta por cento) do valor que exceder 1 (um) salário-mínimo, até o limite de 2 (dois)
salários-mínimos;
II – 40% (quarenta por cento) do valor que exceder 2 (dois) salários-mínimos, até o limite de 3 (três)
salários-mínimos;
III – 20% (vinte por cento) do valor que exceder 3 (três) salários-mínimos, até o limite de 4 (quatro)
salários-mínimos; e
IV – 10% (dez por cento) do valor que exceder 4 (quatro) salários-mínimos.

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Quanto às demais opções, cabe salientar que o §5º, do art. 24, da EC 103/2019, assevera que
ainda estão vigentes as hipóteses e os regramentos atualmente previstos na legislação pre-
videnciária até que seja editada uma lei complementar para tratar dos casos de acumulação
de benefícios, suas vedações, regras e condições. Assim, ainda estão vigentes as regras do
art. 124, da Lei n. 8.213/1991, na medida em que não foi editada qualquer lei complementar
naquele sentido.
Com isso, vejamos os casos:

Art. 124. Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto dos seguintes
benefícios da Previdência Social:
I – Aposentadoria e auxílio-doença;
II – Mais de uma aposentadoria; (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995)
III – aposentadoria e abono de permanência em serviço;
IV – Salário-maternidade e auxílio-doença;
(Incluído dada pela Lei n. 9.032, de 1995)
V – Mais de um auxílio-acidente;
(Incluído dada pela Lei n. 9.032, de 1995)
VI – Mais de uma pensão deixada por cônjuge ou companheiro, ressalvado o direito de opção pela
mais vantajosa. (Incluído dada pela Lei n. 9.032, de 1995)

a) Errada, pois vai de encontro ao previsto no art. 124, I, da Lei n. 8.213/1991.


b) Errada, já que contraria o previsto no art. 124, III, da Lei n. 8.213/1991.
c) Errada, pois vai de encontro ao previsto no art. 124, IV, da Lei n. 8.213/1991.
e) Errada, porque não está de acordo com o previsto no art. 124, V, da Lei n. 8.213/1991.

Questão 6 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


É possível incluir no rol de dependentes do segurado uma pessoa designada, menor de 21
(vinte e um) anos ou maior de 60 (sessenta) anos ou inválida.

Errado.
A assertiva está errada, pois não é mais possível incluir pessoa designada no rol de depen-
dentes, desde as alterações promovidas pela Lei n. 9.032/1995. Essa lei promoveu uma das
maiores mudanças, talvez, no rol do art. 16, da lei de benefícios, extinguindo a existência de

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uma quarta classe de dependentes do segurado. A quarta classe era prevista no inciso IV, do
art. 16, da Lei n. 8.213/1991:

IV – A pessoa designada, menor de 21 (vinte e um) anos ou maior de 60 (sessenta) anos ou
inválida.
(Revogada pela Lei n. 9.032, de 1995)

Até a Lei n. 9.032/1995, portanto, era possível escolher uma pessoa diversa das demais lis-
tadas nas classes I, II e III. Ou seja, era possível designar uma pessoa para figurar como de-
pendente na hipótese de não haver candidatos habilitados às classes anteriores, prioritárias.
Essa pessoa designada, contudo, deveria ter menos de 21 anos ou mais de 60 anos de idade
ou ainda poderia ser inválida de qualquer idade.

Questão 7 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Não há direito adquirido à condição de dependente de pessoa designada, quando o faleci-
mento do segurado se deu após o advento da Lei 9.032/1995.

Certo.
A assertiva está certa, sendo a reprodução da Súmula 4, da TNU. Após as alterações da refe-
rida lei passou a não existir mais a figura do dependente designado no rol do art. 16, da Lei n.
8.213/1991. E com base no princípio tempus regit actum, não há que se falar em direito ad-
quirido à existência e à permanência dessa classe, salvo se o óbito ou a prisão do instituidor
tenha ocorrido até a edição da referida lei revogadora. Isso foi tratado na TNU, por meio de sua
jurisprudência cristalizada na edição de sua Súmula 4:

Súmula 4
Não há direito adquirido à condição de dependente de pessoa designada, quando o fale-
cimento do segurado se deu após o advento da Lei 9.032/1995.
(DJ 23/6/2003, p. 555).

O Superior Tribunal de Justiça já vinha, aliás, antes da TNU, naquela época, orientando-se no
sentido de que não haveria que se dar essa espécie de ultratividade da norma revogada, de
modo que somente a data do óbito é que, no caso da pensão por morte, asseguraria a aquisi-
ção do direito então vigente. Vejamos o julgado do STJ a esse respeito:

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É certo ter se firmado a jurisprudência deste Superior Tribunal no sentido de que é o óbito
do segurado que determina o suporte fático a ser analisado na concessão de benefício
de pensão por morte e que há de se aplicar a lei vigente àquela época.
Assim, constatado o falecimento da avó segurada na vigência da Lei n. 8.213/1991, já
com a redação determinada pela Lei n. 9.032/1995, não faz jus ao benefício seu neto,
pois não se enquadra em nenhuma das hipóteses previstas no art. 16 daquele disposi-
tivo, inclusive na de equiparação a filho (§ 2º).
Note-se não haver alusão de que se cuide de menor designado, ressalta-se, também,
que mesmo aquele designado anteriormente à instituição do benefício não tem direito
adquirido a percebê-lo, mas, apenas, mera expectativa.
[...].
Precedentes citados: AgRg no Ag 272.639-RJ, DJ 8/5/2000; AgRg no Ag 375.893- 49 GO,
DJ 4/2/2002; EREsp 190.193-RN, DJ 7/8/2000; REsp 256.699-RN, DJ 4/9/2000, e REsp
263.494-RN, DJ 18/12/2000. REsp 464.760-SC, Rel. originário Min. Hélio Quaglia Bar-
bosa, Rel. para acórdão Min. Hamilton Carvalhido, julgado em 19/4/2005.

Questão 8 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Até os dias atuais, e desde a Lei n. 13.135/2015, que alterou o inciso III, do art. 16, da Lei n.
8.213/1991, é possível falar que o irmão menor de 21 anos do segurado será seu dependente
ainda que tenha incorrido em alguma causa de emancipação civil.

Errado.
A assertiva está errada, pois, a partir da Lei n. 13.135/2015 voltou a ser indiferente a emanci-
pação do irmão menor de 21 anos para fins previdenciários. A alteração normativa no rol do
art. 16, da Lei de Benefícios foi feita no inciso III, do referido artigo, tendo aquela lei retirado a
exigência de que o irmão fosse “não emancipado” para ser dependente do segurado. Ou seja,
mesmo que ocorresse, a partir disso, algum fato que ensejasse a emancipação, a pensão por
morte não seria extinta pela maioridade. A Lei n. 13.146/2015, aprovada 19 dias após a Lei n.
13.135/2015, voltou a exigir que o filho e o irmão inválido ou deficiente mental intelectual ou,
ainda, com deficiência grave, não fossem emancipados no momento do óbito ou da reclusão

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do instituidor. Assim, a partir da Lei n. 13.146/2015, e até hoje, se houver qualquer causa en-
sejadora de emancipação, ocorrerá a extinção da relação de dependência para fins previden-
ciários. Como se vê, a lei voltou atrás na proteção social antes ampliada no intento normativo
da Lei 13.135/2015, conforme explicamos acima (intento esse que, contudo, jamais entrou
em vigência, pois a vacatio legis de tal alteração, como vimos acima, era de 2 anos e, muito
antes disso, entrou em vigor a Lei n. 13.146/2015).

Questão 9 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial não tem direito à pensão previ-
denciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente.

Errado.
A assertiva está errada, já que vai de encontro ao previsto na SÚMULA N. 336, do STJ, que
assim diz:

A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão previ-
denciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente.
Referências: CF/1988, arts. 201, V, e 226, § 3º. Lei n. 8.213/1991, art. 76, §§ 1º e 2º

Isso quer dizer que o cônjuge que, embora estivesse separado do segurado instituidor ao
tempo do óbito, comprovar que dependia economicamente dele, poderá ter direito à pensão
por morte junto ao INSS.

Questão 10 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


A súmula 336, do STJ, diz que a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial
tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade eco-
nômica superveniente, sendo absolutamente certo que esse entendimento pode ser aplicado
também aos casos de divórcio e, bem assim, à companheira ou ao companheiro em iguais
condições, nas hipóteses de união estável.

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Certo.
A assertiva está certa. O entendimento fixado na Súmula 336, do Superior Tribunal de Jus-
tiça, não se aplica apenas às situações de separação judicial, mas também se estende aos
casos de divórcio, como naturalmente deveria se concluir, realmente, pois se trata do mes-
mo fato gerador de renúncia dos alimentos. Nesse sentido, segue o seguinte julgado do STJ
(conquanto se refira ao regime próprio, também adotou como fundamento a analogia com a
Súmula 336):

ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE


DE SERVIDOR PÚBLICO REQUERIDA POR EX-CÔNJUGE. RENÚNCIA AOS ALIMENTOS
POR OCASIÃO DO DIVÓRCIO NÃO IMPEDE A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. SÚMULA 336/
STJ. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA SUPERVENIENTE DEPENDÊNCIA ECONÔ-
MICA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
1. Consoante disposto na Súmula 336/STJ: a mulher que renunciou aos alimentos na
separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, compro-
vada a necessidade econômica superveniente.
2. O só fato de a recorrente ter se divorciado do falecido e, à época, dispensado os ali-
mentos, não a proíbe de requerer a pensão por morte, uma vez devidamente comprovada
a necessidade (REsp.
472.742/RJ, Rel. Min. JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, DJU 31.03.2003).
3. Agravo Regimental desprovido.
(AgRg no REsp 1015252/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, QUINTA
TURMA, julgado em 12/04/2011, DJe 25/04/2011, grifo nosso)

Além disso, não restam dúvidas de que a referida Súmula 336, STJ, também é aplicável aos
casos de união estável dissolvida. Nesses casos, podemos adotar o mesmo entendimento
fixado na súmula mencionada, pois se trata do mesmo fato gerador, pois a essência do enten-
dimento jurisprudencial é proteger a relação de convivência constituída de forma duradoura,
pública, com aparência e afeição marital. Não haveria mesmo razão para discriminar aqueles
que se uniram por meio de uma união estável, em detrimento da constituição formal do ca-
samento, já que a Constituição Federal de 1988 não faz essa distinção, ao menos para fins
previdenciários.

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Questão 11 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


A súmula 336, do STJ, diz que a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial
tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade eco-
nômica superveniente, mas não podemos estender tal entendimento para a união homoafeti-
va, na medida em que não há nada na lei que diz dessa forma e tampouco não haveria prévia
fonte de custeio para o aumento das contingências sociais da pensão por morte.

Errado.
O enunciado está errado. A orientação dada pela Súmula 336, do STJ, vai além para atingir as
uniões homoafetivas, sem nenhuma possibilidade de dar tratamento discriminatório nesses
casos. Sobre o casamento e a união estável homoafetivos, destacamos o Enunciado 601, da
VII Jornada de Direito Civil do CJF/STJ:

É existente e válido o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A validade da união homoafetiva já foi tratada no Supremo Tribunal Federal. Embora não tenha
tratado especificamente do casamento homoafetivo no Brasil, a Suprema Corte sacramentou
a validade da união estável entre pessoas do mesmo sexo, inclusive para fins previdenciários.
Isso restou assentado no julgamento conjunto da ADPF 132 e da ADIn 4277/DF, da Relatoria
do ex-ministro Ayres Britto. No âmbito do Superior Tribunal de Justiça, a  jurisprudência é
também nesse sentido, alinhando-se ao que restou decidido pelo Supremo Tribunal Federal,
senão vejamos (grifos nossos):

DIREITO DE FAMÍLIA. CASAMENTO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO (HOMO-


AFETIVO). INTERPRETAÇÃO DOS ARTS. 1.514, 1.521, 1.523, 1.535 e 1.565 DO CÓDIGO
CIVIL DE 2002. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO EXPRESSA A QUE SE HABILITEM PARA O
CASAMENTO PESSOAS DO MESMO SEXO. VEDAÇÃO IMPLÍCITA CONSTITUCIONAL-
MENTE INACEITÁVEL. ORIENTAÇÃO PRINCIPIOLÓGICA CONFERIDA PELO STF NO JUL-
GAMENTO DA ADPF N. 132/RJ E DA ADI N. 4.277/DF.
1. Embora criado pela Constituição Federal como guardião do direito infraconstitucional,
no estado atual em que se encontra a evolução do direito privado, vigorante a fase histó-
rica da constitucionalização do direito civil, não é possível ao STJ analisar as celeumas

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que lhe aportam “de costas” para a Constituição Federal, sob pena de ser entregue ao
jurisdicionado um direito desatualizado e sem lastro na Lei Maior. Vale dizer, o Superior
Tribunal de Justiça, cumprindo sua missão de uniformizar o direito infraconstitucional,
não pode conferir à lei uma interpretação que não seja constitucionalmente aceita.
2. O  Supremo Tribunal Federal, no julgamento conjunto da ADPF n. 132/RJ e da ADI
n. 4.277/DF, conferiu ao art.  1.723 do Código Civil de 2002 interpretação conforme à
Constituição para dele excluir todo significado que impeça o reconhecimento da união
contínua, pública e duradoura entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar,
entendida esta como sinônimo perfeito de família.
[...].
5. O que importa agora, sob a égide da Carta de 1988, é que essas famílias multiformes
recebam efetivamente a “especial proteção do Estado”, e é tão somente em razão desse
desígnio de especial proteção que a lei deve facilitar a conversão da união estável em
casamento, ciente o constituinte que, pelo casamento, o  Estado melhor protege esse
núcleo doméstico chamado família.
[...].
11. Recurso especial provido.
(REsp 1183378/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
25/10/2011, DJe 01/02/2012)

Cabe registrar que, posteriormente, o Conselho Nacional de Justiça normatizou a possibilida-


de dos Cartórios de Registros Civis de Pessoais Naturais realizarem casamento entre pesso-
as do mesmo sexo, indo além, portanto, da decisão proferida na ADPF 132. Isso foi consigna-
do na Resolução 175/2013 do CNJ. Por fim, a questão veio a ser regulada pelo próprio INSS,
conforme art. 130, da Instrução Normativa INSS n. 77/2015:

Art. 130. De acordo com a Portaria MPS n. 513, de 9 de dezembro de 2010, publicada no DOU, de
10 de dezembro de 2010, o companheiro ou a companheira do mesmo sexo de segurado inscrito no
RGPS integra o rol dos dependentes e, desde que comprovada a união estável, concorre, para fins
de pensão por morte e de auxílio-reclusão, com os dependentes preferenciais de que trata o inciso
I do art. 16 da Lei n. 8.213, de 1991, para óbito ou reclusão ocorridos a partir de 5 de abril de 1991,
conforme o disposto no art. 145 do mesmo diploma legal, revogado pela MP n. 2.187-13, de 2001.

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Questão 12 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


De acordo com o Supremo Tribunal Federal, já se entendeu que a relação de concubinato não
pode gerar efeitos previdenciários, não se podendo considerar a concubina como dependente
para fins de pensão por morte.

Certo.
A assertiva está certa, pois, de fato, atualmente, não é possível o reconhecimento da rela-
ção de dependência em relação ao concubinato, não sendo ele aceito para fins previdenci-
ários. No Supremo Tribunal Federal, a questão foi enfrentada em 2009, no julgamento do RE
590.779, decidindo-se no sentido de que a proteção social dada pelo Estado não poderia estar
voltada a legitimar relações de união estável ilegítimas e contrárias ao ordenamento jurídico.
Na ocasião, deixou-se bem clara a distinção entre companheira e concubina. Nada obstante,
a questão pende de julgamento sob o regime da repercussão geral, o que se espera ser resol-
vido por meio do julgamento do RE 669.465. Ao que consta, o objeto central do julgado acima
será o enfrentamento de eventual discrimen normativo a ser dado à relação de concubinato
de longa duração. Em verdade, a situação denominada como “concubinato de longa duração”
assemelha-se ao que não raro nos defrontamos na prática da judicatura, quando avistamos a
disputa da pensão por morte por efetivamente duas companheiras ou uma viúva e outra com-
panheira, denotando espécie de bigamia relativamente consentida. Em resumo, nesses casos,
o instituidor da pensão morreu e depois se descobriu que mantinha, por longos e longos anos,
duas mulheres e, consequentemente, duas famílias efetivamente. Isso não é raro, devendo ter
tratamento normativo adequado. No âmbito do STF, aquele RE 669.465 foi baixado, posterior-
mente, tendo sido substituído pelo RE 883.168/SC, que remanesceu como representativo do
TEMA 526 dos recursos afetados ao regime da repercussão geral.

Questão 13 (CESPE/SLU-DF/ANALISTA DE GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS – SERVIÇO SO-


CIAL) Antônio, de sessenta e três anos de idade, empregado celetista no cargo de auxiliar de
serviços gerais havia dez anos em uma empresa de limpeza urbana, compareceu ao serviço

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de emergência de um hospital público, queixando-se de fortes dores de cabeça. Após pri-


meiro atendimento médico, ele foi encaminhado para internação, sem previsão de alta, para
investigação da causa das dores. Antônio é casado com Maria, de quarenta e cinco anos de
idade, com a qual tem dois filhos menores de idade. Maria está desempregada e nunca con-
tribuiu para a previdência social. Apreensiva pela possibilidade de Antônio não poder retornar
ao trabalho, Maria buscou orientação no serviço social do hospital a respeito dos direitos de
Antônio e dos meios de exercê-los.
A partir dessa situação hipotética, julgue o item subsecutivo, tendo como referência a Lei
Orgânica da Seguridade Social (Lei n.º 8.212/1991), os planos de benefícios da previdência
social (Lei n.º 8.213/1991) e o Estatuto do Idoso (Lei n.º 10.741/2003).
Para fins previdenciários, a dependência econômica de Maria e de seus filhos com Antônio
deve ser comprovada.

Errado.
O enunciado está errado ao afirmar que Maria e seus filhos com Antônio deverão comprovar a
dependência econômica para que sejam considerados dependentes para fins previdenciários.
Essa assertiva vai de encontro com o disposto no art. 16, I, §4º, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
I – O cônjuge, a companheira, o companheiro e o filho não emancipado, de qualquer condição, me-
nor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência
grave; (Redação dada pela Lei n. 13.146, de 2015) (Vigência)
[...].
§ 4º A dependência econômica das pessoas indicadas no inciso I é presumida e a das demais deve
ser comprovada.

Questão 14 (CESPE/PGE-PE/ANALISTA JUDICIÁRIO DE PROCURADORIA/2019) O item a se-


guir apresenta uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada, a respeito de
benefícios previdenciários.
Após ter contribuído por vinte e cinco anos como professora do ensino fundamental, Valéria
se aposentou pelo regime geral de previdência social, mas, mesmo após sua aposentadoria,
ela continuou trabalhando na mesma escola, exercendo a mesma função. Devido a um aci-

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dente doméstico, Valéria está temporariamente incapacitada para o trabalho. Nessa situação,
Valéria terá direito a receber o benefício do auxílio-doença cumulativamente com a aposenta-
doria por tempo de contribuição.

Errado.
A assertiva está errada, já que vai de encontro com o disposto no art. 124, da Lei n. 8.213/1991,
que assim diz:

Salvo no caso de direito adquirido, não é permitido o recebimento conjunto dos seguintes benefí-
cios da Previdência Social:
I – Aposentadoria e auxílio-doença;

Além disso, o aposentado que retorna à atividade tem direito apenas ao salário-família, à re-
abilitação profissional e, no caso da segurada empregada, ao salário-maternidade, conforme
os dispositivos abaixo (grifos nossos):

Art. 103. A segurada aposentada que retornar à atividade fará jus ao pagamento do salário-mater-
nidade, de acordo com o disposto no art. 93.
......................................................................................................
Art. 65. O salário-família será devido, mensalmente, ao segurado empregado, inclusive o domésti-
co, e ao segurado trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados
nos termos do § 2º do art. 16 desta Lei, observado o disposto no art.66.
Parágrafo único. O aposentado por invalidez ou por idade e os demais aposentados com sessenta
cinco anos ou mais de idade, se do sexo masculino, ou sessenta anos ou mais, se do feminino,
terão direito ao salário-família, pago juntamente com a aposentadoria.

Questão 15 (TRF - 2ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO/2018) Com relação à manuten-


ção da qualidade de segurado, independentemente de contribuições, é correto afirmar:
a) O segurado facultativo mantém a qualidade de segurado por até 6 meses da cessação das
contribuições.
b) O segurado retido ou recluso mantém a qualidade de segurado por até 6 meses do livra-
mento.
c) O segurado que deixa de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social,
ou estiver suspenso ou licenciado mantém a qualidade de segurado por até 24 meses.

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d) Enquanto estiver no gozo de benefício o segurado não perde a qualidade de segurado, des-
de que o benefício não se prolongue por mais de 12 meses.
e) Se o segurado já tiver recolhido mais de 120 contribuições sem interrupção que acarrete
a perda da qualidade de segurado, todos os prazos dos incisos do art. 15 da Lei 8.213/1991
são prorrogados em 6 meses.

Letra a.
É o que diz o art. 15, VI, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


[...].
VI – Até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo.

b) Errada, pois colide com o disposto no art. 15, IV, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


[...].
IV – Até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado retido ou recluso.

c) Errada, já que contraria o disposto no art. 15, I, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


[...].
II  – Até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o  segurado que deixar de exercer
atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem
remuneração.

d) Errada, segundo o disposto no art. 15, §1º, II, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


I – sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício, exceto do auxílio-acidente; (Redação dada
pela Lei n. 13.846, de 2019)

e) Errada, pois colide com o disposto no art. 15, §1º, da Lei n. 8.213/1991 (grifo nosso):

Art. 15. Mantém a qualidade de segurado, independentemente de contribuições:


[...].
§ 1º O prazo do inciso II será prorrogado para até 24 (vinte e quatro) meses se o segurado já tiver
pagado mais de 120 (cento e vinte) contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda
da qualidade de segurado.

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Questão 16 (TRT - 21ª REGIÃO/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) O Regime Geral de


Previdência Social compreende as seguintes prestações, entre outras, expressas em benefí-
cios e serviços:
a) Aposentadoria por invalidez, seguro-desemprego, salário-família, auxílio-doença e auxílio-
-acidente.
b) Seguro desemprego, auxílio-acidente, salário-maternidade, salário-família e auxílio-doença.
c) Pecúlios, auxílio-doença, salário-família, auxílio-acidente e salário-maternidade.
d) Seguro-desemprego, auxílio-doença, salário-família, salário-maternidade e aposentadoria
especial.
e) Auxílio-reclusão, auxílio-acidente, auxílio-doença, salário-família e reabilitação profissional.

Letra e.
É a alternativa certa pois inclui uma hipótese de serviço prestado pelo RGPS, no caso, a rea-
bilitação profissional.
As letras a), b), c) e d) estão em desacordo com o disposto no art. 18, da Lei n. 8.213/1991,
que assim diz:

Art. 18. O Regime Geral de Previdência Social compreende as seguintes prestações, devidas inclu-
sive em razão de eventos decorrentes de acidente do trabalho, expressas em benefícios e serviços:
I – Quanto ao segurado:
a) aposentadoria por invalidez;
b) aposentadoria por idade;
c) aposentadoria por tempo de contribuição; (Redação dada pela Lei Complementar n. 123, de 2006)
d) aposentadoria especial;
e) auxílio-doença;
f) salário-família;
g) salário-maternidade;
h) auxílio-acidente;
II – Quanto ao dependente:
a) pensão por morte;
b) auxílio-reclusão;
III – Quanto ao segurado e dependente:
b) serviço social;
c) reabilitação profissional.

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DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Estudo das Normas e Regras Gerais do Regime Geral de Previdência Social - Parte II
Frederico Pereira Martins

Note que não há mais a previsão do pagamento do pecúlio, bem como não há que se falar em
pagamento do seguro-desemprego no âmbito do RGPS.

Questão 17 (FCC/TRT - 15ª REGIÃO-SP/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) As pres-


tações compreendidas pelo Regime Geral de Previdência Social são das seguintes espécies:
a) benefícios, assistência e amparo.
b) benefícios e serviços.
c) assistência e amparo, apenas.
d) benefícios em dinheiro, apenas.
e) benefícios e aposentadoria, apenas.

Letra b.
As letras a), c), d) e e) estão em desacordo com o disposto no art. 18, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 18. O Regime Geral de Previdência Social compreende as seguintes prestações, devidas inclu-
sive em razão de eventos decorrentes de acidente do trabalho, expressas em benefícios e serviços:
I – Quanto ao segurado:
a) aposentadoria por invalidez;
b) aposentadoria por idade;
c) aposentadoria por tempo de contribuição; (Redação dada pela Lei Complementar n. 123, de 2006)
d) aposentadoria especial;
e) auxílio-doença;
f) salário-família;
g) salário-maternidade;
h) auxílio-acidente.
II – Quanto ao dependente:
a) pensão por morte;
b) auxílio-reclusão.
III – Quanto ao segurado e dependente:
b) serviço social;
c) reabilitação profissional.

Quanto às espécies de prestações previdenciárias existem apenas duas: os benefícios e os


serviços. Lembre-se, sempre, de que qualquer dessas prestações previdenciárias exigirá a
prévia contribuição e, bem assim, a filiação do segurado, conforme as diversas categorias de
segurado que já estudamos no capítulo anterior. Basicamente, você poderá perceber que os

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benefícios previdenciários são as espécies de prestações que veiculam as obrigações de pa-


gamento pelo INSS baseadas em um cálculo derivado do salário de contribuição e, posterior-
mente, do salário de benefício do segurado, gerando uma renda mensal inicial a ser paga mês
a mês até a respectiva hipótese de cancelamento ou extinção do benefício. Já os serviços
são espécies de prestações previdenciárias que disponibilizam ao segurado uma obrigação
de fazer a ser prestada pelo INSS. Em geral, por óbvio, as prestações previdenciárias são di-
recionadas aos segurados, que são os principais beneficiários do regime geral de previdência
social, mas há alguns benefícios, ou melhor, apenas dois benefícios, que são direcionados aos
dependentes daqueles segurados: pensão por morte e auxílio-reclusão. Temos a previsão de
um total de 10 benefícios previdenciários, mas veja que apenas 2, como disse, são direciona-
dos aos dependentes do segurado. Já os quanto aos serviços previstos para o RGPS, existem
apenas 2 também. São eles: serviço social e reabilitação profissional.

Questão 18 (TRT - 2ª REGIÃO-SP/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2015) A Previdência


Social foi organizada sob a forma de regime geral. Segundo a legislação vigente que instituiu
as regras deste regime, beneficia-se do Regime Geral de Previdência Social, na condição de
dependente do segurado, EXCETO:
a) O seu pai com comprovada dependência econômica.
b) O seu irmão inválido, que conta com 25 anos de idade, se comprovada dependência eco-
nômica.
c) O enteado menor que não dependa economicamente do segurado.
d) O companheiro que mantém união estável com o segurado.
e) O seu irmão não emancipado menor de 21 anos com comprovada dependência econômica.

Letra c.
Pois o enteado menor pode ser considerado dependente do segurado, desde que comprove
dependência e econômica, bem como mediante declaração expressa do segurado, tal como
previsto no art. 16, §3º, da Lei n. 8.213/1991:

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Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
[...]
§ 2º O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e des-
de que comprovada a dependência econômica na forma estabelecida no Regulamento. (Redação
dada pela Lei n. 9.528, de 1997)

a) Certa, uma vez que os pais, como dependentes de 2ª classe do segurado, necessitam, de
fato, comprovar a dependência econômica para fins previdenciários, tal como disposto no
art. 16, II, §4º, da Lei n. 8.213/1991.
b) Certa, pois o irmão inválido, ainda que conte com mais de 21 anos, terá direito ao reconhe-
cimento de sua relação de dependência com o segurado, no caso seu irmão, desde que com-
prove a dependência econômica, conforme previsto no art. 16, III, §4º, da Lei n. 8.213/1991.
d) Certa, pois o companheiro do segurado é dependente, conforme o art. 16, I, §4º, da Lei n.
8.213/1991.
e) Certa, uma vez que o irmão menor de 21 anos, não emancipado, desde que comprove a
dependência econômica, será considerado dependente nos termos do art. 16, III, §4º, da Lei
n. 8.213/1991.

Questão 19 (FCC/TRT - 1ª REGIÃO-RJ/JUIZ DO TRABALHO SUBSTITUTO/2014) Diana está


aposentada pelo Regime Geral de Previdência Social e voltou a exercer atividade assalariada,
portanto sujeita a esse regime. Ocorre que, em razão de doença comum que a incapacitou
para o trabalho, afastou-se por cento e vinte dias consecutivos e engravidou. Nessa situação,
não havendo direito adquirido e considerando a legislação previdenciária, Diana
a) poderá acumular os benefícios de aposentadoria e auxílio-doença.
b) não poderá acumular nenhum tipo de benefício previdenciário.
c) poderá acumular os benefícios de aposentadoria, auxílio-doença e salário-maternidade.
d) não poderá acumular os benefícios de auxílio-doença e aposentadoria, mas poderá acu-
mular esse último com salário-maternidade.
e) poderá acumular os benefícios de auxílio-doença com salário-maternidade.

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Letra d.
As demais alternativas estão em desacordo com o regramento previdenciário relacionado ao
aposentado que retorna ao trabalho, uma vez que, embora tenha que obrigatoriamente voltar
a contribuir, não fará jus a todos os benefícios e serviços do RGPS, mas apenas ao salário-
-família (benefício) e à reabilitação profissional (serviço). Além disso, no caso da segurada,
haverá direito ainda à concessão de salário-maternidade. Vejamos os dispositivos pertinen-
tes (grifos nossos):

Art. 103. A segurada aposentada que retornar à atividade fará jus ao pagamento do salário-mater-
nidade, de acordo com o disposto no art. 93.
......................................................................................................
Art. 65. O salário-família será devido, mensalmente, ao segurado empregado, inclusive o domésti-
co, e ao segurado trabalhador avulso, na proporção do respectivo número de filhos ou equiparados
nos termos do § 2º do art. 16 desta Lei, observado o disposto no art.66.
Parágrafo único. O aposentado por invalidez ou por idade e os demais aposentados com sessenta
cinco anos ou mais de idade, se do sexo masculino, ou sessenta anos ou mais, se do feminino,
terão direito ao salário-família, pago juntamente com a aposentadoria.

Questão 20 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


O companheiro ou a companheira são considerados dependentes para fins previdenciários,
sendo a união estável tratada de modo equiparado ao casamento pela legislação de regência
do tema, sendo possível que sua comprovação seja feita exclusivamente por prova testemu-
nhal quando o requerente não encontrar documentos idôneos que demonstrem a convivência.

Errado.
A assertiva está errada. Até pouco tempo atrás, a prova da união estável não exigia início de
prova material, permitindo, em tese, prova unicamente testemunhal. Recentemente, entretan-
to, com aprovação da Medida Provisória n. 871/2019, convertida, posteriormente, na Lei n.
13.846, de 18 de junho de 2019, foi inserida a exigência de que essa comprovação seja feita
por meio de início de prova material, não se admitindo mais prova testemunhal isolada, salvo
motivo de força maior ou caso fortuito, conforme §5º incluído no art. 16, da Lei n. 8.213/1991.
Vejamos (grifos nossos):

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§ 5º As provas de união estável e de dependência econômica exigem início de prova material con-
temporânea dos fatos, produzido em período não superior a 24 (vinte e quatro) meses anterior à
data do óbito ou do recolhimento à prisão do segurado, não admitida a prova exclusivamente tes-
temunhal, exceto na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito, conforme disposto no
regulamento. (Incluído pela Lei n. 13.846, de 2019)

Perceba que a lei estabeleceu um intervalo de tempo relativo ao qual deverá haver a com-
provação da união estável por início de prova material. Assim, o início de prova material deve
ser contemporâneo aos fatos, devendo ter sido produzido, para isso, nos últimos 24 meses
anteriores ao óbito do instituidor. Lembre-se de que a dependência econômica na relação de
união estável é presumida, mas a relação de união estável em si precisará ser comprovada
perante o INSS de modo mais rígido do que a relação de casamento, já que esta demanda tão
somente a apresentação de certidão de casamento. Para se comprovar a união estável, serão
necessários: que haja início de prova material revelando que se tratava de relação pública,
notória, duradoura, estável, ou seja, que apresentava a chamada affectio maritalis; que a com-
provação acima seja efetivamente por início de prova material, podendo ser complementada
por prova testemunhal idônea, não sendo possível, porém, que haja unicamente prova teste-
munhal; que a comprovação acima se escore em início de prova material contemporâneo aos
fatos narrados, isto é, nos termos da lei, que tenha sido produzido dentro do intervalo máximo
de 24 meses anteriores ao óbito do segurado instituidor.
Assim, a  assertiva está errada na medida em que a ausência de documento não pode ser
considerada força maior ou caso fortuito, de modo que não se admitirá, na hipótese, a prova
unicamente testemunhal.

Questão 21 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada
abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração, con-
tará com 12 meses de período de graça, sendo que tal período poderá ser prorrogado em mais
12 meses na hipótese de contar com mais de 120 (cento e vinte) meses de recolhimento sem
interrupções que tenham acarretado a perda da qualidade de segurado, sendo que essa pror-
rogação poderá ser considerada como sendo integrante do patrimônio jurídico do segurado.

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Certo.
A assertiva está correta. Na hipótese do art. 15, II, da Lei n. 8.213/1991, é possível a prorroga-
ção do período de graça por mais 12 meses após o segurado ter contribuído por mais de 120
meses sem interrupções. Isso está previsto no art. 15, §1º, da Lei n. 8.213/1991. Havia dúvi-
das a respeito da incorporação definitiva ou não dessa vantagem, ou seja, se o segurado po-
deria usar novamente a expansão do período de graça no caso de se defrontar com um novo
período longo sem recolhimentos ou ainda se ele poderia usar quando, após a perda de sua
qualidade de segurado, retornasse ao sistema. A Turma Nacional de Uniformização já decidiu
que sim, ou seja, que aquela prorrogação uma vez atingida fica incorporada definitivamente
no patrimônio jurídico do segurado:

Firmada a tese de que se incorpora definitivamente ao patrimônio jurídico do segura-


do(a) a extensão do período de graça previsto no §1º do art. 15 da Lei n. 8.213/1991
quando houver contribuído por mais de 120 meses sem interrupções que importem a
perda da qualidade de segurado(a), conforme PUIL n. 0001377-02.2014.4.03.6303/SP
(extraído do Boletim n. 28, da TNU).

Questão 22 (INÉDITA) Julgue o item a seguir.


O desemprego é causa idônea, conforme a lei previdenciária, para que o segurado tenha o
direito de ampliar o seu período de graça em mais 12 meses, sendo possível, por isonomia
e, ainda, por conta do princípio da universalidade da cobertura e do atendimento, que aquela
ampliação também ocorra nos casos em que o empregado pede demissão, conforme vem de-
cidindo a jurisprudência da Turma Nacional de Uniformização de jurisprudência dos Juizados
Especiais Federais.

Errado.
A assertiva está errada. Há certa divergência na doutrina e na jurisprudência sobre o tema.
A lei previdenciária não diz expressamente que a extensão do período de graça, nesses casos,

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somente ocorrerá na hipótese de demissão por decisão do empregado. Tampouco diz que
poderá ocorrer em pedidos de demissão feitos pelo próprio empregado.

Art. 15.
[...].
2º Os prazos do inciso II ou do § 1º serão acrescidos de 12 (doze) meses para o segurado desem-
pregado, desde que comprovada essa situação pelo registro no órgão próprio do Ministério do
Trabalho e da Previdência Social).

Interessante mencionar que alguns julgados permitem que a extensão do período de graça
ocorra também em casos de pedido de demissão. Veja por exemplo, nesse sentido, que a
doutrina de AMADO (2019, p. 641) menciona que

também os segurados empregados domésticos que pedirem demissão terão direito a citada pror-
rogação do período de graça, pois não é possível uma interpretação extensiva da norma para res-
tringir o direito dos segurados.

De outro lado, há julgado vinculante no âmbito da TNU, que entendeu ser incabível a extensão
do período de graça se o trabalhador pediu demissão, de modo que as disposições benéficas
do art. 15, §2º, da Lei n. 8.213/1991, restringem-se ao desemprego involuntário. Vejamos os
fundamentos, portanto, do decidido no PEDILEF 5047353-65.2011.4.04.7000 (grifos nossos):

Desempregado voluntário não pode ser beneficiado por extensão do período de graça
(publicado 19/12/2014 16h10, última modificação 07/10/2016 19h25)
Na sessão realizada nesta quinta-feira, dia 11 de dezembro, a Turma Nacional de Unifor-
mização dos Juizados Especiais Federais reafirmou o entendimento de que a prorrogação
do período de graça – prevista no §2º do artigo 15 da Lei 8.213/1991, e considerada à luz
do artigo 201, III, da Constituição Federal – somente se aplica aos casos em que a ausên-
cia de contribuições ao sistema previdenciário é decorrente de desemprego involuntário.
A decisão foi tomada no julgamento de incidente de uniformização apresentado pelo
INSS contra acórdão proferido pela 1ª Turma Recursal do Paraná que, confirmando sen-
tença, restabeleceu o auxílio-doença da parte autora, com base na tese de que “a legis-
lação previdenciária não faz distinção entre as situações de desemprego voluntário ou
involuntário para efeito de prorrogação do período de graça, sendo irrelevante o fato de
o último vínculo de emprego ter sido rescindido por iniciativa própria”.

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Esse entendimento, segundo o relator da matéria da TNU, juiz federal Bruno Carrá,
resume a controvérsia jurídica trazida a exame: a possibilidade ou não de estender o
período de graça por 12 (doze) meses na hipótese de o desligamento do emprego ante-
rior ter sido motivado por deliberação voluntária do desempregado.
E foi exatamente o que aconteceu no caso em julgamento. De acordo com a documenta-
ção apresentada, o último vínculo empregatício da requerente foi rompido por iniciativa
própria, demarcando o início da situação de desemprego.
Em seu pedido, a autora deseja ser beneficiada pela extensão do período de graça pre-
vista no artigo 15, §2º, da Lei 8.213/1991, segundo o qual, mantém-se a qualidade de
segurado, independente de contribuição, por até 24 (vinte e quatro) meses, prorrogáveis
por mais 12 (doze), desde que comprovada situação de desemprego. O que ficou devida-
mente comprovado nos autos. “Não paira dúvida quanto à permanência da situação de
desemprego da autora, uma vez que as instâncias ordinárias determinaram a realização
de diligência específica para a comprovação dessa condição”, destacou o magistrado.
Acontece que, no entendimento do relator, como o artigo 201, III, da Constituição Federal
dispõe que a previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter
contributivo e de filiação obrigatória, e atenderá, nos termos da lei, à proteção ao traba-
lhador em situação de desemprego involuntário, apenas o desempregado involuntário
estaria apto a receber essa proteção especial.
“A norma constitucional em destaque, ao enunciar a expressão ‘nos termos da lei’, exige
naturalmente que a regra complementar subjacente se coadune com seus preceitos valo-
rativos. Em outras palavras, a locução ‘desemprego involuntário’ foi ali colocada como
objeto de destaque, a significar adequação da lei a seus termos”, pontuou o relator.
Com efeito, destacou Bruno Carrá, o fator de risco social eleito pelo legislador para ser
objeto de atenção e proteção especial foi o desemprego involuntário.
“Considerando a nítida feição social do direito previdenciário, cujo escopo maior é alber-
gar as situações de contingência que podem atingir o trabalhador durante sua vida, não
é razoável deferir proteção especial àqueles que voluntariamente se colocam em situa-
ção de desemprego. No desemprego voluntário não há risco social. O risco é individual
e deliberadamente aceito pelo sujeito”, avalia.
Seguindo esse entendimento, o magistrado destacou ainda que a norma do artigo 15,
§2º, da Lei 8.213/1991, que elastece por até 36 (trinta e seis) meses o período de graça,

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é regra extraordinária, que deve ser apropriada a situações de contingência, imprevisí-


veis. “Se a situação foi tencionada pela parte, a ela cabe o ônus de sua ação (ou inação),
não ao Estado”, pontua em seu voto.
“Não se trata de criar restrição ao comando legal. Cuida-se, em verdade, de adequar a
norma legal ao comando constitucional, interpretando-o em conformidade com os princí-
pios informadores do Direito Previdenciário, dentre eles a proteção ao hipossuficiente e a
seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços”, concluiu o relator.
Pedilef 5047353-65.2011.4.04.7000.

Questão 23 (FCC/TRT - 16ª REGIÃO-MA/ANALISTA JUDICIÁRIO/2014) Airton, filiado ao Re-


gime Geral de Previdência Social, recebeu durante o ano auxílio-reclusão. Dessa forma, a ele
o abono anual
a) é devido, calculado, no que couber, da mesma forma que o Descanso Semanal Remunera-
do dos trabalhadores, tendo por base o valor médio da renda mensal do benefício do mês de
dezembro do referido ano.
b) não é devido, pois cabe apenas a quem recebeu, durante o ano, auxílio-doença e aposen-
tadoria.
c) é devido, calculado, no que couber, da mesma forma que o Descanso Semanal Remunerado
dos trabalhadores, tendo por base o valor da hora mensal trabalhada.
d) não é devido, pois cabe apenas a quem recebeu, durante o ano, aposentadoria.
e) é devido, calculado, no que couber, da mesma forma que a Gratificação de Natal dos tra-
balhadores, tendo por base o valor da renda mensal do benefício do mês de dezembro do
referido ano.

Letra e.
Está certa na medida em que a assertiva vai ao perfeito encontro do disposto no art. 40, da
Lei n. 8.213/1991:

Art. 40. É devido abono anual ao segurado e ao dependente da Previdência Social que, durante o
ano, recebeu auxílio-doença, auxílio-acidente ou aposentadoria, pensão por morte ou auxílio-re-
clusão. (Vide Decreto n. 6.525, de 2008) (Vide Decreto n. 6.927, de 2009) (Vide Decreto n. 7.782, de
2012) (Vide Decreto n. 8.064, de 2013) (Vide Decreto n. 9.447, de 2018)

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Parágrafo único. O abono anual será calculado, no que couber, da mesma forma que a Gratificação
de Natal dos trabalhadores, tendo por base o valor da renda mensal do benefício do mês de de-
zembro de cada ano.

a) Errada, já que o abono anual não é calculado na forma do descanso semanal remunerado,
mas conforme a gratificação natalina.
b) Errada, uma vez que é devido o abono anual a quem recebe o auxílio-reclusão, conforme o
disposto no art. 40, caput, da Lei n. 8.213/1991.
c) Errada, já que, como dito, não é com base no descanso semanal remunerado que se calcula
o abono anual.
d) Errada, pois o abono anual é, no caso, devido.

Questão 24 (CESPE/TRT - 5ª REGIÃO-BA/JUIZ DO TRABALHO/2013) Em relação ao abono


anual a ser pago aos segurados da Previdência Social, é correto afirmar que
a) ele é calculado mediante aplicação do fator previdenciário sobre a última remuneração
recebida pelo trabalhador.
b) ele somente pode ser recebido cumulativamente com o benefício mensal e com a gratifi-
cação de natal.
c) ele é devido no início e no fim do recebimento de uma série de benefícios.
d) seu valor deve ser calculado da mesma forma que a gratificação de natal dos trabalhadores.
e) o valor base para seu cálculo consiste na remuneração do 1º mês do ano em que o traba-
lhador receber qualquer benefício.

Letra d.
Pois seu valor é calculado, realmente, na forma da gratificação natalina, conforme o art. 40,
parágrafo único, da Lei n. 8.213/1991:

Parágrafo único. O abono anual será calculado, no que couber, da mesma forma que a Gratificação
de Natal dos trabalhadores, tendo por base o valor da renda mensal do benefício do mês de de-
zembro de cada ano.

a) Errada, pois o abono anual não é calculado com base no fator previdenciário.
b) Errada, uma vez que o abono anual não é recebido acumuladamente com o benefício men-
sal, mas apenas uma vez, em dezembro ou, ainda, no mês de alta ou da cessação do benefício,

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podendo também ser pago de maneira parcelada, conforme o art. 397, da Instrução Normati-
va INSS n. 77/2015:

Art.  397. Autorizado o pagamento parcelado do abono anual, o  parcelamento será realizado da
seguinte forma:
I – Para os benefícios permanentes:
a) 50% (cinquenta por cento) do valor devido até a competência dezembro ou da cessação do be-
nefício, caso prevista, na competência agosto; e
b) 100% (cem por cento) do valor devido até a competência dezembro, na competência novembro,
descontado o valor da parcela paga anteriormente no ano;
II – Para os benefícios temporários:
a) 50% (cinquenta por cento) do valor devido até a competência agosto ou da cessação do bene-
fício, caso prevista, na competência agosto, descontados os valores pagos anteriormente no ano
decorrentes de cessação de benefício posteriormente restabelecido; e
b) 100% (cem por cento) do valor devido até a competência dezembro ou da cessação do benefício,
caso prevista, na competência novembro, descontado o valor das parcelas pagas anteriormente no ano.

c) Errada, pois o seu pagamento não é feito de modo vinculado ao início e ao fim do recebi-
mento de benefícios, sendo devido no mês de dezembro ou no mês da alta ou da cessação do
benefício, conforme dispõe o art. 396, da Instrução Normativa INSS n. 77/2015:

Art. 396. O abono anual, conhecido como décimo terceiro salário ou gratificação natalina, corres-
ponde ao valor da renda mensal do benefício no mês de dezembro ou no mês da alta ou da cessação
do benefício, para o segurado que recebeu auxílio-doença, auxílio-acidente, aposentadoria, salá-
rio-maternidade, pensão por morte ou auxílio-reclusão, na forma do que dispõe o art. 120 do RPS.

e) Errada, uma vez que o abono anual não terá por base a 1ª remuneração do ano em que o
trabalhador receber qualquer benefício, mas sim o valor pago no mês dezembro de cada ano,
ou, conforme apontado acima, no mês de alta programada ou da cessação do benefício.

Questão 25 (IBADE/IPM-JP/AGENTE PREVIDENCIÁRIO – ASSISTENTE DE SUPORTE DE


PREVIDÊNCIA/2018) Sobre os beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condi-
ção de dependentes do segurado, assinale a alternativa correta.
a) A dependência econômica do(a) cônjuge ou companheiro (a) deve ser comprovada, as de-
mais são presumidas.
b) O filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 18 (dezoito) anos, é beneficiário
do segurado.

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c) O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e


desde que comprovada a dependência econômica.
d) A existência de filhos e pais como dependentes não exclui do direito às prestações os das
classes seguintes.
e) O irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 18 (dezoito) anos, é beneficiário
do segurado.

Letra c.
A alternativa vai ao encontro perfeito do disposto no art. 16, §2º, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 16. São beneficiários do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependentes do


segurado:
[...].
§ 2º O enteado e o menor tutelado equiparam-se a filho mediante declaração do segurado e des-
de que comprovada a dependência econômica na forma estabelecida no Regulamento. (Redação
dada pela Lei n. 9.528, de 1997)

a) Errada, sendo que vai de encontro com o previsto no art. 16, I, §4º, da Lei n. 8.213/1991.
b) Errada, colidindo com o disposto no art. 16, I, da Lei n. 8.213/1991, na medida em que não
é o “menor de 18 anos”, mas o “menor de 21 anos”.
d) Errada, já que vai de encontro com o disposto no art. 16, §1º, da Lei n. 8.213/1991:

§ 1º A existência de dependente de qualquer das classes deste artigo exclui do direito às presta-
ções os das classes seguintes.

e) Errada, pois o correto é o irmão menor de 21 anos e não “menor de 18 anos”.

Questão 26 (FCC/SEGEP-MA/ANALISTA PREVIDENCIÁRIO/2018) De acordo com a Lei n.


8.213/1991, os pais de um Segurado da Previdência Social
a) são considerados dependentes, inclusive se houver cônjuge, companheira, companheiro,
filho não emancipado, de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou inválido ou que
tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave.
b) podem ser considerados dependentes na inexistência de cônjuge, companheira, compa-
nheiro, filho não emancipado, de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou inválido ou
que tenha deficiência intelectual ou mental ou deficiência grave.

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c) não são considerados dependentes, em qualquer hipótese, por ausência de disposição le-
gal específica prevendo esta condição.
d) podem ser considerados dependentes somente quando não houver irmão não emancipado,
de qualquer condição, menor de vinte e um anos ou inválido ou que tenha deficiência intelec-
tual ou mental ou deficiência grave.
e) podem ser considerados dependentes somente quando não houver irmão não emancipado,
de qualquer condição, menor de dezoito anos ou inválido ou que tenha deficiência intelectual
ou mental ou deficiência grave.

Letra b.
A alternativa está certa, pois os pais podem ser dependentes se não houver dependentes ha-
bilitados da classe um, bem como se comprovarem dependência econômica com o segurado
instituidor.
a) Errada, uma vez que os pais não concorrem com os dependentes da 1ª classe, sendo que
somente podem ser dependentes na hipótese de não existirem os dependentes da 1ª classe.
c) Errada, pois exclui os pais de maneira peremptória como dependentes do segurado, o que
não condiz com o art. 16, II, da Lei n. 8.213/1991.
d) Errada, porque os pais, como dependentes da classe dois, preferem em relação aos irmãos,
que são dependentes de 3ª classe.
e) Errada, pelo mesmo erro assinalado na alternativa d), de modo que em relação aos irmãos
do segurado, os pais possuem preferência na habilitação, conforme ordem legal dada pelo
art. 16, da Lei n. 8.213/1991.

Questão 27 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


O benefício previdenciário somente poderá ser objeto de penhora, arresto ou sequestro em
caso de pagamento de pensão alimentícia, não havendo nesses casos limite a ser descontado.

Errado.

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A assertiva está errada, porque vai de encontro com o disposto no art. 114, da Lei n. 8.213/1991
que admite a penhora, arresto ou sequestro não apenas para satisfazer obrigação de pres-
tar alimentos reconhecida judicialmente, mas também para descontar valores eventualmente
devidos à Previdência e para descontar valores autorizados por lei. No mais, quanto aos des-
contos de obrigação alimentícia, de fato, não há limite expresso na lei previdenciária, de modo
que o parâmetro de desconto a ser feito nas consignações do benefício será extraído pelo
INSS com base na decisão judicial ou no termo de acordo, conforme art. 524, da Instrução
Normativa INSS n. 77/2015:

Art. 524. A pensão alimentícia será implantada, em cumprimento de decisão judicial em ação de


alimentos ou dos termos constantes da escritura, mediante ofício ou apresentação da escritura
pública expedida de acordo com o art. 1.124-A do Código de Processo Civil, devendo o parâmetro
ser consignado no benefício de origem.

De todo modo, parece que não seria possível que as consignações ultrapassassem o limite de
50% do benefício mensal e, mesmo assim, quando considerado eventual atrasado, sendo isso
o que se extrai do disposto no art. 529, §3º, do CPC-15:

§  3º Sem prejuízo do pagamento dos alimentos vincendos, o  débito objeto de execução pode
ser descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de forma parcelada, nos termos
do caput deste artigo, contanto que, somado à parcela devida, não ultrapasse cinquenta por cento
de seus ganhos líquidos.

Questão 28 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Embora não seja possível alterar a ordem legal de dependentes do art. 16, da Lei n. 8.213/1991
por acordo, é possível consignar em pacto privado descontos no benefício para algum outro
dependente, por mera liberalidade e a título de alimentos, conforme já decidiu a jurisprudência.

Certo.
A indisponibilidade dos benefícios previdenciários decorre de sua natureza de direito funda-
mental, portanto, irrenunciável e indisponível. Há, contudo, previsão legal para que, em três
hipóteses, haja o desconto de parcela do benefício recebido pelo segurado ou dependente.
Vejamos quais são as hipóteses: se houver algum valor devido à Previdência Social; se houver

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algum desconto autorizado na própria Lei n. 8.213/1991; se houver algum desconto derivado
de obrigação de prestar alimentos. Com relação a essa última hipótese (desconto derivado da
obrigação de prestar alimentos), o Superior Tribunal de Justiça já enfrentou questão interes-
sante. Na hipótese, pretendia-se vincular o INSS a acordo particular feito para pagamento de
alimentos. Sobre isso, ao julgar o caso, o STJ confirmou que é impossível na legislação previ-
denciária a renúncia de benefício por dependente em favor de outro. Mas o entendimento dei-
xou a ressalva de que o ente previdenciário deverá se sujeitar ao pacto firmado por terceiros,
mesmo sem a sua participação, para proceder ao desconto do percentual acordado a título de
alimentos. Ou seja, o terceiro beneficiado com o acordo não se transformará em dependente
habilitado para a pensão por morte, mas terá garantido o recebimento direto do crédito previ-
denciário que lhe foi destinado. Para melhor fixação e compreensão do tema, transcrevemos
o informativo para você, com grifos necessários.

Informativo n. 0618
Publicação: 23 de fevereiro de 2018.
SEGUNDA TURMA
Processo
RMS 45.817-RJ, Rel. Min. Humberto Martins, Rel. Acd. Min. Og Fernandes, por maioria,
julgado em 26/09/2017, DJe 05/02/2018.
Ramo do Direito
DIREITO ADMINISTRATIVO
Tema
Pensão por morte. Acordo efetivado em juízo. Divisão entre companheira do de cujus e
a genitora deste. Efeitos perante terceiros. Alteração da ordem legal de pensionamento.
Impossibilidade.
Destaque
O acordo de partilha de pensão por morte, homologado judicialmente, não altera a ordem
legal do pensionamento, podendo, todavia, impor ao órgão de previdência a obrigação de
depositar parcela do benefício em favor do acordante que não figura como beneficiário
perante a autarquia previdenciária.
Informações do Inteiro Teor

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Na hipótese, foi homologado judicialmente acordo no qual se dividiu em partes iguais


pensão por morte entre companheira do de cujus - beneficiária da pensão de acordo
com as normas municipais - e a genitora do falecido.
Nesse contexto, cinge-se a controvérsia, dentre outros pontos, a  analisar os efeitos
gerados por esse acordo, em especial, em relação à autarquia previdenciária municipal
responsável pelo pagamento do benefício.
De início, consigna-se que o ajuste formulado inter partes, pode produzir efeitos em face
do Instituto de Previdência e Assistência de Servidores Municipais desde que a sua efe-
tivação não acarrete ônus à autarquia, além daquele estritamente relativo à efetivação
dos registros nos assentamentos e eventuais transferências de valores. Dito de outro
modo: desde que se restrinja à mera esfera de interesses particulares dos acordantes.
No entanto, o acordo homologado em juízo não pode alterar a ordem legal quanto aos
beneficiários da pensão por morte.
No caso analisado, a  homologação feita pela autoridade judicial do ajuste formulado
entre as partes “partilhou” o objeto da pensão, mas não pretendeu impor à autarquia
determinação no sentido de implantar a pensão por morte para a genitora do segurado.
Com isso, não tendo o ajuste homologado em juízo o condão – e nem o poderia – de
alterar ordem legal de pensionamento, a conclusão que dele decorre é que houve o con-
sentimento de uma parte, por expressa vontade, de pagar, em favor da outra, determi-
nado valor mensal com natureza jurídica geral de “alimentos”.
Todavia, o desconto em favor da genitora não tem natureza de pensionamento, porque
inexistente suporte legal para tanto, não podendo gerar, para o futuro, qualquer direito
em favor de terceiros dependentes dessa beneficiária, bem como fica condicionado se e
quando persistir a pensão por morte de que é titular a companheira do de cujus.
Por fim, caso dito desconto seja suspenso, excluído ou diminuído, por qualquer motivo –
morte ou revisão total ou parcial do ajuste em juízo -, a parcela respectiva retorna para
a beneficiária titular.
Por seu turno, a autarquia previdenciária tem a obrigação de, tão somente, implantar o
benefício de pensão por morte em nome da dependente legal, mas do valor total a ser
pago mensalmente à pensionista, por força de acordo inter partes, deve ser descontado
o percentual acordado, a ser depositado, pelo Instituto de Previdência e Assistência dos
Servidores Municipais em favor da genitora do falecido.

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Questão 29 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


O segurado maior de 65 anos que tenha sido aposentado por invalidez ou aquele que tem
mais de 55 anos e já conta com 15 anos de recebimento desse tipo de aposentadoria (invali-
dez), não será obrigado a realizar perícia médica periódica.

Errado.
A assertiva está errada tão somente no que toca à idade a partir da qual não haverá mais a
obrigatoriedade do segurado aposentado por invalidez se submeter-se à perícia médica, sen-
do isso possível a partir de 60 anos e não de 65 anos como asseverou a questão. Vejamos o
artigo 101, §1º, I e II, da Lei n. 8.213/1991:

Art. 101. O segurado em gozo de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e o pensionista invá-


lido estão obrigados, sob pena de suspensão do benefício, a submeter-se a exame médico a cargo
da Previdência Social, processo de reabilitação profissional por ela prescrito e custeado, e trata-
mento dispensado gratuitamente, exceto o cirúrgico e a transfusão de sangue, que são facultati-
vos. (Redação dada pela Lei n. 9.032, de 1995)
§ 1º O aposentado por invalidez e o pensionista inválido que não tenham retornado à atividade es-
tarão isentos do exame de que trata o caput deste artigo: (Redação dada pela lei n. 13.457, de 2017)
I – após completarem cinquenta e cinco anos ou mais de idade e quando decorridos quinze anos
da data da concessão da aposentadoria por invalidez ou do auxílio-doença que a precedeu; ou
(Incluído pela lei n. 13.457, de 2017) (Vide Medida Provisória n. 871, de 2019)
II – Após completarem sessenta anos de idade. (Incluído pela lei n. 13.457, de 2017)

Questão 30 (INÉDITA/2020) Julgue o item a seguir.


Para a extensão do período de graça, o desemprego pode ser comprovado por meio de quais-
quer provas, inclusive por meio de prova indireta decorrente da ausência de anotações na
CTPS do segurado.

Errado.
A assertiva está errada, pois a jurisprudência tem admitido outras formas de comprovação
do desemprego involuntário e não apenas por meio do pagamento do seguro-desemprego.
Entretanto, já foi decidido que a simples ausência de anotação na carteira de trabalho não
implica automática comprovação de que o segurado estava desempregado.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMADO, Frederico. Curso de Direito e Processo Previdenciário. 11ª edição. Salvador, Editora
JusPodvim, 2019.

CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de Direito Previdenciário.
São Paulo, Forense, data. Kindle.

SANTOS, Marisa Ferreira dos. Direito previdenciário esquematizado. 6ª edição. São Paulo,
editora, 2016.

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www.grancursosonline.com. 193 de 195
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