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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 2
UNIDADE 1 – OS MEDIADORES ARTÍSTICOS ........................................................ 6
1.1 O DESENHO ......................................................................................................... 8
1.2 A PINTURA ......................................................................................................... 11
1.3 COLAGEM .......................................................................................................... 16
1.4 MOSAICO ........................................................................................................... 19
1.5 ASSEMBLAGEM ................................................................................................... 21
1.6 MODELAGEM ...................................................................................................... 24
1.7 TECELAGEM ....................................................................................................... 26
1.8 ESCRITA CRIATIVA .............................................................................................. 27
1.9 SUCATA ............................................................................................................. 29
UNIDADE 2 – ARTETERAPIA NO TRABALHO COMUNITÁRIO............................ 31
2.1 TRABALHO COM MULHERES EM ATELIÊ ARTETERAPÊUTICO – RELATO DE EXPERIÊNCIA
............................................................................................................................... 31
2.2 ARTETERAPIA FAMILIAR ....................................................................................... 34
UNIDADE 3 – ARTETERAPIA E O TRABALHO COM SURDOS ............................ 40
UNIDADE 4 – MODELO DE OFICINA...................................................................... 44
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 48

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
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INTRODUÇÃO

A arte tem significado ímpar para o ser humano e em cada época, desde as
civilizações mais primitivas, independente do seu grau de desenvolvimento, elas
estiveram presentes e hoje nos contam muito dos nossos antepassados.
As artes retrataram e retratam a natureza, o imaginário do mundo,
expressões religiosas, o próprio desenvolvimento da estética, das relações
espaciais, das formas, símbolos do nosso inconsciente, identidades pessoais e de
grupos, sentimentos, tais como prazer, alegria, raiva, tristeza, inquietação, entre
outros.
Eis que ela chegou ao universo das práticas terapêuticas, tanto que a
Medicina, hoje em dia, sabe que a Arte, em qualquer uma de suas expressões, é
uma atividade altamente benéfica ao ser humano, desde que surgiu na face da
Terra, há milhares de anos (BOTSARIS, 2010; CARNEIRO, 2015).
A Arteterapia cuida do ser humano na sua essência, integrando as áreas
básicas: neurológica, cognitiva, afetiva e emocional, aprimorando as funções
egóicas como percepção, atenção, memória, pensamento, capacidade de previsão,
exploração, execução, controle da ação, além de sua função social (CIORNAI, 2004
apud VASQUES, 2009).
Como diz Rottenstein (2016), a Arteterapia tem surgido como uma solução
produtiva para a promoção, preservação e recuperação da saúde e do equilíbrio
interno. Ao integrar três áreas de conhecimento – Arte, Saúde e Educação –, ela
possibilita uma ampla transformação dos indivíduos e assim se inscreve no elenco
de processos possíveis que abordam o ser de forma holística, tendência cada vez
mais forte na consciência coletiva do terceiro milênio.
Pois bem, essas justificativas nos levam aos objetivos deste módulo:
trabalhar os materiais, técnicas e oficinas utilizadas pela Arteterapia para tratar o
sofrimento humano.
A Arteterapia utiliza diversas técnicas e linguagens das artes a fim de auxiliar
o cliente a se conhecer. Pintura, escultura, desenho, dramatização e contação de
histórias, são algumas dessas técnicas que o arteterapeuta mergulha junto com o
cliente, num mundo imaginário e, ao mesmo tempo real, conduzindo-o na busca do
autoconhecimento. E, neste processo, o cliente entra em contato com conteúdos
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submersos do inconsciente para reconhecê-los e aprender a viver da melhor


maneira possível, preservando a saúde mental e corporal (FIORINDO, 2014).

Figura 1: O que é a Arteterapia?


Fonte: http://www.centroclinicopiracicaba.com.br/conheca-a-arteterapia/

Desejamos boa leitura e bons estudos, mas antes algumas observações se


fazem necessárias:
1) Ao final do módulo, encontram-se muitas referências utilizadas
efetivamente e outras somente consultadas, principalmente artigos retirados da
World Wide Web (www), conhecida popularmente como Internet, que devido ao
acesso facilitado na atualidade e até mesmo democrático, ajudam sobremaneira
para enriquecimentos, para sanar questionamentos que por ventura surjam ao longo
da leitura e, mais, para manterem-se atualizados.
2) Deixamos bem claro que esta composição não se trata de um artigo
1
original , pelo contrário, é uma compilação do pensamento de vários estudiosos que

1
Trabalho inédito de opinião ou pesquisa que nunca foi publicado em revista, anais de congresso ou
similares.
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têm muito a contribuir para a ampliação dos nossos conhecimentos. Também


reforçamos que existem autores considerados clássicos que não podem ser
deixados de lado, apesar de parecer (pela data da publicação) que seus escritos
estão ultrapassados, afinal de contas, uma obra clássica é aquela capaz de
comunicar-se com o presente, mesmo que seu passado datável esteja separado
pela cronologia que lhe é exterior por milênios de distância.
3) Em se tratando de Jurisprudência, entendida como “Interpretação
reiterada que os tribunais dão à lei, nos casos concretos submetidos ao seu
julgamento” (FERREIRA, 2005)2, ou conjunto de soluções dadas às questões de
direito pelos tribunais superiores, algumas delas poderão constar em nota de rodapé
ou em anexo, a título apenas de exemplo e enriquecimento.
4) Por uma questão ética, a empresa/instituto não defende posições
ideológico-partidária, priorizando o estímulo ao conhecimento e ao pensamento
crítico.
5) Pedimos compreensão por usar a lógica ocidental tradicional que funciona
como uma divisão binária: masculino x feminino, macho x fêmea ou homem x
mulher, mas na medida do possível iremos nos adequando à identidade de gênero,
cientes de que no mundo atual as pessoas tem liberdade de se expressarem de
forma tão diversa e plural e que o respeito à singularidade e a tolerância de cada
indivíduo torna-se fator de extrema importância.
6) Sabemos que a escrita acadêmica tem como premissa ser científica, ou
seja, baseada em normas e padrões da academia, portanto, pedimos licença para
fugir um pouco às regras com o objetivo de nos aproximarmos de vocês e para que
os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos
científicos.
Por fim:
7) Deixaremos em nota de rodapé, sempre que necessário, o link para
consulta de documentos e legislação pertinente ao assunto, visto que esta última
está em constante atualização. Caso esteja com material digital, basta dar um Ctrl +
clique que chegará ao documento original e ali encontrará possíveis leis

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FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário Eletrônico Aurélio. Versão 5.0. Editora
Positivo, 2005.
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complementares e/ou outras informações atualizadas. Caso esteja com material


impresso e tendo acesso à Internet, basta digitar o link e chegará ao mesmo local.

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UNIDADE 1 – OS MEDIADORES ARTÍSTICOS

Vamos tomar como ponto de partida para falar dos mediadores artísticos ou
modalidades expressivas no contexto da Arteterapia, o entendimento de que o
processo arteterapêutico auxilia a proximidade do homem com o universo interior e a
relação com o mundo, ampliando a compreensão da consciência, permitindo ao
mesmo conhecer melhor a si mesmo, ao seu semelhante e tudo que o cerca.
Na Arteterapia, encontramos a produção de uma obra como fonte de
conhecimento do paciente sobre si mesmo, ajudando-o no tratamento, além de ser
uma ponte entre paciente-terapeuta (como artista-espectador). Nesse âmbito, a
criatividade é interpretada como parte de um fenômeno humano universal e não
especial de alguns poucos bem-dotados. Aqui, a obra não interessa pelo seu valor
informativo ou estético: o que importa é seu valor como mediador da expressão
(LEITE; RODRIGUES, 2015).
Como diz Dutra (2013, p. 24),

a arte, pelas suas possibilidades expressivas, contribui para trazer ao


consciente, não só as dores a serem curadas, mas também as
possibilidades adormecidas. Dessa forma, a Arteterapia apresenta-se como
um processo terapêutico dos mais próximos à essência do ser humano,
capaz de promover equilíbrio e harmonia, gerando saúde em todos os
setores da sua vida.

Dentre as suas modalidades, encontramos o desenho, a pintura, a


modelagem, o recorte e colagem, a gravura, a construção, a encenação, a criação
de personagens, o tabuleiro de areia, a escrita poética, a tecelagem, a música, a
dança, a contação de histórias (VICTÓRIO, 2008).
Philippini (2004) ressalta que fica a cargo do arteterapeuta criar um
repertório de informações relativo a cada modalidade, adequando-as às
necessidades do usuário a ser atendido.
Diniz (2010) complementa que a Arteterapia é uma prática terapêutica que
utiliza diferentes recursos expressivos como aliados em uma leitura simbólica do
fazer artístico: artes plásticas e ciência, música, expressão corporal e a leitura, como
contos de fadas, lendas e mitos. Inúmeras são as possibilidades de expressão,

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porém, a objetivação de um conteúdo expressivo faz-se por meio das estratégias


arteterapêuticas e pela organização resultante, denominada de suporte ou forma.
De acordo com Urrutigaray (2011), é pela forma que a intimidade presente
na subjetividade pode ser convertida de elementos fragmentados em possibilidades
factíveis de serem vislumbradas. Através das diversas expressões artísticas, o
indivíduo tem a possibilidade de manifestar seu mundo interior por meio dos
símbolos que serão decodificados, incorporados e/ou transformados.
O emprego do material é muito importante para o processo arteterapêutico,
porque cada um, em particular, conterá propriedades que mobilizarão as emoções e
sentimentos, diferentemente em cada paciente/cliente. É necessário uma análise e
estudo prévio, pois poderão penetrar de maneira mais rápida e eficiente, ou se
utilizado erroneamente, dificultar e agravar os conflitos do paciente/cliente. Como
por exemplo, através da pintura, do uso da tinta, um dos objetivos a alcançar com
este material, é o despertar das emoções e sentimentos, por isso precisa ser
utilizado cuidadosamente (GOUVÊA, 2015).
Outro exemplo, o barro, é um material de fácil construção, ele pode ser
“quebrado” e “reconstruído” várias vezes, propiciando momentos de catarse, por
isso, é também indicado para pessoas com muita agressividade, para descarregar
toda a sua raiva. E não causando no paciente/cliente desconforto por danificar o
material.

Figura 2: Frida Kahlo – autorretrato.


Fonte: http://galeriadefotos.universia.com.br/uploads/2012_02_03_15_18_560.jpg

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Um exemplo de como a Arte pode ser uma forma de lidar com um transtorno
ou dor intensa, vem da famosa pintora Frida Kahlo. Frida foi uma mulher que, desde
seu nascimento, teve que lidar com a dor – desde o distanciamento da mãe na
infância, às sequelas da poliomielite aguda que contraiu aos 6 anos, até o acidente
que sofreu aos 18 anos que fraturou sua coluna.
Influenciada pelo pai, começou a manejar sua dor expressando-a em seus
quadros. Quando não podia andar, um espelho que ficava em cima de sua cama
ajudou a manter a mente ocupada ao pintar autorretratos (LEITE; RODRIGUES,
2015).
Freud também se interessou pelo assunto. Analisou vida e obra de artistas e
escritores, à procura de pistas de que aqueles teriam transtornos mentais, convicto
de que encontraria “algumas verdades psicológicas universais” nessas descobertas.
E fazia bastante sentido: Vincent Van Gogh, por exemplo, diagnosticado com
epilepsia, depressão maníaca e psicose grave, foi um dos maiores pintores que já
existiram, sendo estudado até hoje; assim como uma infinidade de artistas que, por
algum motivo, encontraram a melhor forma de lidar com suas dores e problemas
através da arte e construíram, assim, obras maravilhosas.

1.1 O desenho
O desenho é uma forma de comunicação que surge na infância e perpassa
as diferentes fases do desenvolvimento humano, desde que seja fornecida a
oportunidade aos adolescentes, aos jovens, aos adultos e aos idosos, de poderem
expressar o seu momento interior, por meio dos traços e cores utilizados na folha de
papel.
A partir de então, no processo de Arteterapia, o que importa não é o domínio
técnico, mas o simbolismo presente na expressão plástica. O que interessa é o
conteúdo e não a forma, no percurso percorrido pelo cliente enquanto desenha, no
qual ele se colocará, também, através dos gestos e posturas. A intensidade da linha,
o movimento, as texturas, a dimensão das formas utilizadas, em relação ao tamanho
do papel, são dados importantíssimos para analisar o processo do sujeito, pois tais
dados trazem conteúdos da personalidade e da psicodinâmica.

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Dessa maneira, o desenho é um recurso terapêutico poderoso, que traz um


universo de símbolos a serem interpretados. Através da produção
pictográfica, transfere-se a energia psíquica do inconsciente para o ato
criativo, por meio dos símbolos, que são assimilados pela consciência
(FIORINDO, 2014, p. 3).

O desenho envolve precisão, atenção, concentração, coordenação viso-


motora e espacial. De acordo com Valladares e Carvalho (2006), o desenho está
relacionado ao movimento e ao reconhecimento do objeto, tendo a função
ordenadora.
Segundo Philippini (2009, p. 49), “O desenho permite expressar histórias
pessoais com clareza, apenas utilizando a configuração linear da imagem”. A
referida arteterapeuta argumenta, ainda, que o desenho é uma estratégia muito
adequada, porque permite que o conteúdo inconsciente gradualmente vá tomando
uma configuração, passando de uma ideia difusa para uma forma objetiva, que se
tornará o símbolo a ser trabalhado. Prossegue afirmando que o desenho “conta a
história, configura o símbolo e facilita a compreensão no nível da consciência” (p.
50-51).
O desenho relaciona-se às seguintes possibilidades: percepção espacial;
percepção das relações luz-sombra, delimitar e designar; expansão do movimento
gráfico; delinear e configurar; objetividade; percepção de ponto-traço-linha (alfabeto
visual); coordenação psicomotora entre figura e fundo; coordenação viso-motora,
dentre outros.
Em se tratando do universo infantil, Francisquetti (2005) explica que a leitura
dos desenhos sinaliza as palavras que não podem ou não conseguem ser ditas
pelas crianças. Sendo que as aferências de comunicação não verbais se
transformam em processo cognitivo, e são importantes de serem comparadas em
diferentes momentos para perceber as mudanças externas, como também internas
às crianças.
Podemos falar em desenho livre, de cópia ou dirigido. No desenho livre ao
contrário do desenho de cópia, a pessoa está colocando a sua atenção não na
realidade externa e sim, na sua realidade interna. É um trabalho livre ,que vai surgir
a partir da emoção, do que lhe vier à mente. A pessoa acessa a sua realidade
interna, o seu inconsciente, algo que está pronto para emergir naquele exato
momento e com seu processo de vida.
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Nos desenhos dirigidos se propõe um tema. No caso de Arteterapia, o


arteterapeuta direciona com um objetivo específico (ou seja, ligado a alguma
situação específica por que passa aquela pessoa), um tema que mobilize emoções
que possam estar bloqueadas e que precisam vir a tona para serem integradas a
consciência (FASULO, 2010).
O desenho de cópia, por exemplo, enfoca a atenção na realidade exterior e
é indicado para pessoas que fantasiam, sonham, obrigando-as a perceber e
reproduzir a realidade (GOUVÊA, 2015).
Exemplo de uso do desenho:

Técnica: uso do lápis de cera e nanquim ou estilete.


Procedimento: colorir todo o papel com diferentes cores do lápis de cera.
Depois de cobrir todo o desenho com nanquim esperar secar. Desenhar com um
alfinete, ou estilete, riscando ou raspando o nanquim.
Essa atividade produz um fator surpresa durante o processo, já que a
pessoa não sabe o que irá acontecer.
Para alguns é um prazer descobrir que através da raspagem do nanquim,
ele poderá criar formas e linhas coloridas, porém, para outros, gera desconforto,
porque esse desenho não poderá ser apagado nem corrigido.
Material: papel tamanho A4 ou A3, nanquim preto, alfinete.

Destacam-se nessa modalidade, os diversos materiais que facilitam o


desenho (lápis de cor, giz de cera, grafite, carvão, pastel seco, pastel óleo, lápis de
cor aquarelado, hidrocor e lápis grafite), cada qual com sua especificidade no uso,
mas com a finalidade de ordenação dos conteúdos psíquicos por permitir-lhes tomar
uma forma.
No desenho, a coordenação motora fina é trabalhada, portanto, o controle é
essencial, não só o motor, mas principalmente o intelectual. A atenção, a
concentração e o contato com a realidade são explorados.

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1.2 A pintura
Junto com a pintura fluem as emoções e sentimentos e uma vez que estes
materiais despertam facilmente as emoções, eles precisam ser cuidadosamente
utilizados (GOUVÊA, 2015).

Figura 3: Vincent Van Gogh – Autorretrato – 1889 – 65 x 54 cm – óleo em tela.


Fonte: http://noticias.universia.com.br/destaque/noticia/2014/02/17/1082544/pos-impressionismo-
autorretrato-vincent-van-gogh.html

Segundo Oliveira (2017), a técnica da pintura é tão comum à Arteterapia que


pode-se dizer que praticamente se confunde com ela, especialmente pelas
possibilidades expressivas que comporta. A atividade de lançar as tintas sobre
diferentes suportes mobiliza todo o corpo, em especial a respiração e a parte
superior do corpo. E, com a mesma intensidade, mobiliza a fantasia, em função das
cores, luzes, sombras e formas que vão surgindo a partir dos gestos que as mãos
vão fazendo sobre a tela, tecido ou papel.
Enquanto no desenho o traço é “o elemento primordial, na pintura, a cor é o
elemento fundamental. A cor evoca a sensação, a sensibilidade e a emoção” (PAIM,
1996, p. 99 apud DUTRA, 2013, p. 28). A pintura, como estratégia utilizada em
Arteterapia, permite exercitar novas maneiras de olhar a nós mesmos e a tudo o que
nos rodeia.

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Figura 4: Pintura.
Fonte: Painting tubes via Shutterstock.

A variedade de elementos presentes na técnica da pintura: as linhas, as


formas, os volumes, a cor, a tonalidade, a luz, (...) pode funcionar como um
grupo de amigos que nos estimula a desabafar, a aliviar as nossas tensões,
a encontrar soluções diferentes, a ter coragem de tentar novas alternativas,
a mudar o nosso olhar e, consequentemente, o nosso sentir (CHRISTO;
SILVA, 2002, p. 12).

A pintura proporciona intensa mobilização emocional causada pelas


experimentações com a cor e também pelos eventos de natureza física que propicia,
pois a cor como fenômeno físico apresenta ativos correspondentes fisiológicos, uma
vez que as cores quentes são acidificantes e aceleram o metabolismo e a as frias
são alcalizadoras e tendem a tornar o metabolismo mais lento (PHILIPPINI, 2009).
Para Kandinsky3 (1996 apud OLIVEIRA, 2017), tanto as formas como as
cores possuiriam o que ele chama de um “conteúdo intrínseco” próprio, uma
capacidade de agir como estímulo psicológico. Desse modo, um triângulo suscitaria
movimentos “espirituais” diferentes de um círculo. Assim como as formas, as cores
também teriam um conteúdo “semântico” particular. Por fim, o referido conteúdo
semântico de uma forma pode variar segundo a cor a que ela está ligada,
inaugurando um cruzamento de sentidos complementares de cada cor quando
conjugada com uma determinada forma.
Ao se referir ao azul, por exemplo, Kandinsky explica que quanto mais
profundo é o azul, mais ele atrai o homem para o infinito, mais acorda nele a

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Wassily Kandinsky (1866-1944), artista plástico russo, introdutor da abstração no campo das artes
visuais.
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nostalgia da pureza e, enfim, do suprassensorial. É a cor do céu, tal como a


imaginamos ao ouvir o som da palavra céu. O azul é a cor tipicamente celeste
(KANDINSKY, 1996 apud OLIVEIRA, 2017).
Ao se referir ao amarelo, como contraponto, ele explica “O amarelo [...]
inquieta o homem, pica-o, irrita-o e mostra o caráter da força expressa na cor, força
que atua finalmente sobre a alma de uma forma insolente e importuna”
(KANDINSKY, 1996 apud OLIVEIRA, 2017).
Trabalhando com um segundo par de opostos, ele contrapõe o vermelho e o
negro, explicando que “[...] o vermelho é ‘efervescência e ardor, ‘força imensa
consciente do seu objetivo (KANDINSKY, 1996 apud OLIVEIRA, 2017).
Por sua vez “O negro tem um som interior de vazio desprovido de
possibilidades, um vazio morto, como se o Sol fosse extinto” (KANDINSKY, 1996,
apud OLIVEIRA, 2017).
É interessante notar o modo poético e psicológico como o autor propõe o
significado das cores, indicando a partir de traços idiossincráticos da própria cor seu
significado simbólico. Nessa pesquisa poética sobre o espiritual na arte, Kandinsky
nos oferece uma possibilidade de compreensão das cores que abrange diferentes
aspectos de cada uma delas, como o “movimento da cor”, seu “simbolismo”, sua
“temperatura”, seu “som musical”, e possivelmente o mais significativo de todos, seu
“estado de espírito”. Ele atribui tais qualidades às cores, alçando-as quase a uma
condição de sujeitos, especialmente quando especula sobre seu “estado de
espírito”. Vejamos como o autor/pintor aplica esses critérios de análise em relação
ao primeiro par de cores por ele proposto (OLIVEIRA, 2017).

Amarelo
Movimento: o amarelo possui um movimento irradiante e excêntrico (ou seja,
excêntrico, para fora do centro), representando um salto para além de todo limite,
nele vemos a dispersão da força em torno de si mesma.
Simbolismo: uma cor essencialmente material e terrestre, fascinante e extravagante,
explosão de energia, desperdício das forças.
Temperatura: a cor mais quente de todas.
Som musical: associada a sons extremos agudos.

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Estado de Espírito: a cor da loucura e do delírio, uma explosão emocional, um


acesso de fúria. Uma cor que possui uma forte intensidade e atormenta o homem.
Azul
Movimento: o azul possui um movimento de distanciamento do homem físico, possui
um movimento concêntrico, ou seja, em direção ao centro.
Simbolismo: uma cor imaterial, capaz de despertar no ser humano um profundo
desejo de pureza e de contato com o divino.
Temperatura: é considerada a cor mais fria de todas.
Som musical: sons graves.
Estado de Espírito: o azul traz consigo a paz e a calma, mas também detecta um
estado de tristeza à medida que se escurece na direção do preto.

Desse modo, é importante que o arteterapeuta amplie seu repertório para


compreender o significado das cores que aparecem, faltam ou dominam as pinturas
de seus pacientes, escapando de uma tradução simplista que pode ser encontrada
em livros que definem literal e estreitamente o sentido das cores. Na leitura de
Kandinsky, temos um rico caminho para mergulhar nos significados das cores a
partir dos elementos anímicos das próprias cores, e a partir delas, propor um diálogo
com o que provocam na alma do paciente. Evidentemente, esses significados
precisam ser conjugados com a perspectiva cultural do indivíduo, pois as cores,
como sabemos, congregam significados advindos da experiência pessoal e coletiva
(OLIVEIRA, 2017).
Philippini (2009) reforça que a utilização da pintura no processo
arteterapêutico é um recurso de muita efetividade, devido a sua intensa
possibilidade de mobilizar emoções, facilitando a fluência e a expressão de afetos.
Essa qualidade da pintura advém, sobretudo, do fato de permitir a interação e as
experiências com as cores, que possuem, cada uma, campos simbólicos específicos
e alcances vibracionais diversos.
Segue, sistematizado por Philippini (2009), indicações, uso e propriedades
da pintura, tais como:
ativar o fluxo criativo;
facilitar a liberação de conteúdos inconscientes;

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desbloquear;
experimentações sensoriais e lúdicas com a cor;
experimentações com o inusitado (pigmentos líquidos em movimento);
dissolver (através das experiências de diluição com a cor);
facilitador de inícios de processos em Arteterapia;
(expansão) abranger superfícies através da cor;
percepção emocional das cores;
experimentações com texturas e cromatismo;
facilidade operacional, dentre outras.
As tintas geralmente utilizadas são: guache, aquarela, anilina, óleo, acrílica e
nanquim.

Exemplo de técnica - Uso da Aquarela


Material: papel canson, aquarela (bisnagas), pincéis.
Procedimento: diluir a aquarela em potes pequenos, com água. Muita água,
a cor fica mais clara; pouca água, a cor fica mais escura. Aplicar sobre o Canson
utilizando-se movimentos rápidos e precisos, porque depois de seca a água, não se
pode mudar. Essa técnica é uma das mais difíceis de ser trabalhada, porém o efeito
de camada em tonalidades é muito interessante, embora os desenhos fiquem sem
um contorno ou limite bem definido. A aquarela tem a característica da
transparência. As pessoas mais controladoras sentem desconforto com essa
técnica, como também, aqueles que sentem dificuldade em lidar com suas emoções
(GOUVÊA, 2015).

Guarde...
A pintura sobre diferentes tipos e tamanhos de suporte é usada na
Arteterapia como um dos recursos mais fundamentais para o paciente se deparar
com imagens da alma. Elas podem se apresentar mais sombrias ou delineadas,
numa pintura abstrata ou figurativa, mobilizando emoções, ideias e afetos,
especialmente pelas tonalidades de cores usadas na produção.
Martins (2012) deixa algumas dicas interessantes:

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pintar livremente, sem a obrigatoriedade do uso de técnicas, pode trazer ao


indivíduo sentimentos de gratificação, e a percepção da sua capacidade
criativa. Contudo, para pessoas com dificuldade de “criar a partir do nada”, em
que o suporte (tela, papel ou outros) em branco é antigênico, a aplicação de
recursos criativos definidos pode ser tranquilizador. O “decalquemania”, por
exemplo, é uma técnica projetiva, inspirada no processo de diagnóstico
psicológico de Rorschach. Criam-se imagens sobre manchas de tinta de
várias cores. Pode-se fazer de maneira abstrata ou figurativa. Trabalha
aspetos técnicos de equilíbrio, composição, forma e harmonia. Curiosamente,
ao mesmo tempo que oferece segurança, nessa técnica trabalha-se com a
imprevisibilidade da forma;
pinturas de murais, em papel cenário de grandes dimensões são estimulantes
e requerem esforço físico. Leva a pessoa a movimentar-se ao longo do papel,
a dobrar-se, caso o suporte esteja no chão, ou andar de um lado ao outro,
esticar braços e pernas se estiver colado à parede. É um interessante
trabalho em conjunto, feito em grupos de variadas idades e características,
fomentando o sentimento de coesão grupal e cooperação mútua.

1.3 Colagem
Colagem é a composição feita a partir do uso de matérias de diversas
texturas, ou não, superpostas ou colocadas lado a lado, na criação de um motivo ou
imagem. É uma estratégia não muito antiga, criativa e que tem por procedimento
juntar numa mesma imagem outras imagens de origens diferentes (MIRÓ, 1937
apud DUTRA, 2012).
A colagem é uma técnica muito simples que se traduz em recortar e colar.
Pode ser vista como uma técnica “escolar”. Apesar de ter sido aplicada em obras de
grandes artistas modernos, a sua produção é tão fácil quanto a de um trabalho dos
primeiros anos da escola (MARTINS, 2012).
A colagem é uma atividade reestruturante que pode ser realizada com
diversos materiais, recortes de revistas, jornais, papéis diferentes, grãos, serragem e
outros. A colagem de imagens recortadas é de fácil execução.

Todos os direitos são reservados ao Grupo Prominas, de acordo com a convenção internacional de
direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada, seja por meios
eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e
recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas.
17

Especial para as pessoas que têm dificuldade com o desenho e se sentem


inibidas ao desenhar ou pintar. Por isso essa técnica, que já utiliza materiais prontos,
cria um ambiente favorável e seguro à desinibição dos primeiros contatos. Através
da colagem o paciente/cliente está realizando um trabalho interno, escolhendo
imagens que fazem parte da sua vida, do seu interesse, organizando-as no espaço
plástico e no espaço interno (GOUVÊA, 2015).
Segundo Philippini (2009), a colagem propicia um campo simbólico de
infinitas possibilidades de estruturação, integração, organização espacial e
descoberta de novas configurações. É instigante como um mapa do tesouro, pois as
informações estão ali desde o princípio, embora, num primeiro momento, nem
sempre consigamos decifrar os códigos em que estes mapas estão decifrados.
Philippini (2009) também acredita que as colagens deem pistas simbólicas,
não só analisando a natureza das imagens escolhidas, mas, também por meio da
relação estabelecida entre as figuras, pela presença de polaridades cromáticas
(policromia e monocromia), pela posição e forma de ocupação no suporte, pelo
modo como se movimentam e se relacionam entre si.

Figura 5: Colagem.
Fonte: http://arteinfantil-elartes.blogspot.com.br/2010/03/colagem.html

Em resumo:

a colagem propicia composições simbólicas complexas, com pouca


dificuldade operacional, permite várias possibilidades de desdobramento
para o processo arteterapêutico, entre os quais destaca-se a reprodução
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das imagens através de fotocópias coloridas ou em preto-e-branco de


segmentos da colagem para melhor reflexão e contextualização, e o
trabalho com fotos do cliente em cronologias diversas (PHILIPPINI, 2009, p.
25).

Nas sessões de Arteterapia, as colagens costumam ser bem recebidas,


devido à sua facilidade operacional e por abarcar propriedades ordenadoras,
sintéticas e integradoras. Por isso, são indicadas, segundo Philippini (2009), como
facilitadoras do início do processo arteterapêutico.
São variantes da colagem:
Colagem de imagens de revistas e jornais. Colagem de tecidos, plásticos,
papéis de diversos tipos, azulejos, objetos diversos mediante um tema, missangas e
adornos diversos. Colagem em vários suportes, como cartolina, tela, caixas, vidro,
placas de madeira.
São técnicas de colagem:
Composição com imagens; composição com letras e palavras; estruturação
de formas obtidas através da composição por figuras, imagens e texturas; colagem
com papel colorido recortado com as mãos; composição de vitrais com colagem de
celofane; colagem de alimentos como massa, leguminosas, rebuçados; entre outros
(MARTINS, 2012).
Quanto ao seu potencial, a colagem oferece potencialidades simbólicas e
criativas.
Carvalho (2008) coloca que “o rasgar pode simbolicamente representar atos
prévios de destruição subjetiva, podendo tal ser fonte de satisfação ou de angústia”.
A satisfação é obtida pela possibilidade de liberar a agressividade contida, num ato
de liberdade catártica. A ansiedade surge por receios primitivos, pelo medo de
punição por ter destruído algo (por ter sido mal, e ter feito uma coisa não permitida),
por ter justamente colocado a sua agressividade em evidência, simbolicamente
atacado o objeto interno, ou ter demonstrado algum desejo de destruição. Rasgar e
colar podem ser equivalentes e pôr em ação as funções discriminativas e de síntese
do Eu. Dessa maneira, havendo a possibilidade de reparar o que foi destruído.
Transformar e dar novo significado ao que se perdeu ou foi danificado (MARTINS,
2012).

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Quanto à potencialidade criativa, é possível fazer a colagem com figuras


diversas dispostas no suporte, representando determinadas coisas ou situações que
a pessoa queira expressar. Também, existe a técnica de se construir uma imagem
ou cenário através da fixação de pedaços de revistas ou outros meios de papel,
como jornais, brochuras, cartões, para que se possa construir um todo. Isso toma a
colagem diferente do tradicional de se colar imagens soltas que não se conjugam
entre si (MARTINS, 2012).

1.4 Mosaico
O histórico da linguagem expressiva denominada mosaico tem curiosamente
o registro de sua origem de forma fragmentada, assim como a apresentação da
materialidade do próprio mosaico. Essa linguagem surgiu em determinados
períodos, desapareceu por tempos e ressurgiu mais tarde (sec. XX), sendo
reconhecida após um período de agitação cultural, quando foi admitida a
experimentação de novas técnicas artísticas, permanecendo até os dias de hoje,
com suas várias formas de apresentação (DUTRA, 2013).

Figura 6: Mosaico.
Fonte: https://br.pinterest.com/explore/arte-em-mosaico/

A técnica do mosaico foi resgatada no século XX, graças ao interesse de


grandes artistas como Antoni Gaudi (1852-1926), Gustav Klimt (1862 -1918) e Gino
Severini (1883-1966). A definição de mosaico na cultura corrente é trabalho

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intelectual ou manual composto de várias partes distintas ou separadas formando


uma ideia harmoniosa.
O mosaico pode ser feito com azulejos, conchas, botões, papel, E.V.A.,
sucata, miçangas, sementes, entre outros. Sobre uma variedade de suportes, tais
como papel, madeira, pratos de papelão, caixas, entre outros.
Complementando esses olhares, diz Elizardo (2007, p. 91) que

a técnica expressiva do mosaico através dos cacos atuará não só com a


matéria ali manuseada, mas também atuará com a reorganização do caos
que estava fora do controle psíquico e reconstrução de conteúdos internos
reprimidos, resignificando afetos, reencantando o olhar sobre a beleza do
material e sobre si mesmo e transformando emoções, reutilizando,
integrando, unindo, ordenando e caminhando assim para seu equilíbrio
emocional, no enfrentamento para nova etapa da vida a ser com suas
mudanças ocorrentes, trabalhando o desenvolvimento cognitivo e motor.

Como se pode perceber, essa modalidade expressiva tem um poder


aglutinador e reestruturador no processo arteterapêutico. As partes que compõe um
mosaico representam a desconstrução, a busca e a nova construção, ou o
renascimento (DUTRA, 2013).
Também para Ostrower (1996 apud PHILIPPINI, 2009, p. 88),

[...] as experiências com a matéria, suas ordenações, analogamente,


conduzem-nos às ordenações internas. Assim, as experiências com
mosaico nos auxiliam a organizar o mosaico interno de afetos, emoções e
memórias. A atividade de reunir cacos permite partir de um caos e de uma
desconstrução para, passo a passo, ressignificar, reconstruir, atribuir um
novo sentido e descobrir beleza no material quebrado, descartado,
amontoado e confuso.

O mosaico traz a representação da expressão do mundo interno de cada


um. O mesmo material pode resultar em trabalhos inteiramente diferentes,
desenvolvidos em tempos completamente diferentes e todos com excelentes
resultados. É um trabalho que requer persistência e muita paciência. Entretanto, os
resultados podem não vir de pronto, pois não há precisão de tempo nem resoluções
instantâneas para os sintomas (DUTRA, 2013).

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1.5 Assemblagem
O termo assemblage, segundo a enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais,
foi incorporado às artes em 1953, cunhado por Jean Dubuffet (1901-1985), para
fazer referência a trabalhos que segundo ele, vão além das colagens. Em 1925,
começou a realizar a chamado “arte feia” ou “arte bruta” (arte espontânea e inventiva
que se recusa a realizar qualquer efeito de beleza). Dubuffet deseja atrair atenção
do público para a vida cotidiana. É categoricamente contra o que se aprende nas
escolas ou nos museus. Quer demonstrar que aquilo que o homem considera feio
pode esconder maravilhas infinitas. Segundo ele, a arte é feita apenas de
embriaguez e loucura.
Em 1948, fundou uma sociedade para defender uma arte mais espontânea e
não verbal, potente espiritualmente, com qualidades que expressassem
culturalmente o primitivo. A força motriz por trás desses trabalhos foi a técnica,
extraordinariamente nova usada por Dubuffet. Passou a combinar elementos com a
tinta, como cimento, alcatrão, cascalho, folhagem, pó e até mesmo asas de
borboleta (GALLO, 2008).
O princípio que orienta a feitura de assemblagens é a estética da
acumulação. Todo e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra de arte.
O trabalho artístico visa romper definitivamente as fronteiras entre a arte e à vida
cotidiana, ruptura já ensaiada pelo Dadaísmo .
A ideia forte que ancora as assemblagens diz respeito à concepção de que
os objetos díspares reunidos na obra, ainda que produzam um novo conjunto, não
perdem o sentido original. Menos que síntese, trata-se de justaposição de
elementos, em que é possível identificar cada peça no interior do conjunto mais
amplo. A referência de Dubuffet às colagens não é casual. Nas artes visuais, a
prática de articulação de materiais diversos numa só obra leva a esse procedimento
técnico específico que se incorpora à arte do século XX, com o cubismo. Ao abrigar
no espaço do quadro elementos retirados da realidade – pedaços de jornal, papéis
de todo tipo, tecidos, madeiras, objetos, entre outros, a colagem liberta o artista de
certas limitações da superfície. A pintura passa a ser concebida como construção
sobre um suporte o que pode dificultar na assemblage o procedimento definir
fronteiras rígidas entre pintura e escultura (GALLO, 2008).

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22

A assemblagem é baseada no princípio que todo e qualquer material pode


ser incorporado a uma obra de arte, criando um novo conjunto sem que esta perca o
seu sentido original. É uma junção de elementos em um conjunto maior. O princípio
que orienta a feitura de assemblagens, portanto, é a “estética da acumulação”: todo
e qualquer tipo de material pode ser incorporado à obra de arte (DUTRA, 2013).
Como explica Gallo (2008, p. 6),

assemblage faz uso de técnicas mistas na composição de suas obras.


Metaforicamente, parece a trajetória humana, na qual nos utilizamos de
vários artifícios para vivenciar nossas glórias e superar nossas dificuldades,
compondo um grande mosaico de sentimentos, dúvidas e trajetória, o que
faz de cada ser humano, da mesma forma que em obra de arte algo de
único inestimável.

Figura 7: Assemblagem.
Fonte: http://nelyartesemfoco.blogspot.com.br/2013/08/assemblagem.html

Segundo Philippini (2009, p. 84), “As assemblagens trabalham com a ideia


de reunir materiais descartados, reordená-los e ressignificá-los, no entanto, são
objetos maiores que apresentam uma relação com o universo tridimensional”. As
assemblagens têm as propriedades de reunião, ordenação, ressignificação,
percepção espacial, reutilização, integração e reencantamento do olhar (PHILIPPINI,
2009).
A assemblage nos remete a caixa de Pandora, expressão utilizada para
designar qualquer coisa que incita a curiosidade, mas que é preferível não tocar
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(como quando se diz que “a curiosidade matou o gato”). Existem algumas


semelhanças com a história judaico-cristã de Adão e Eva em que a mulher é,
também, responsável pela desgraça do gênero humano.

Figura 8: Caixa de Pandora.


Fonte: http://notivagosodiapelanoite.blogspot.com.br/2016/01/o-misterio-da-caixa-de-pandora.html

A caixa de Pandora como suporte de todas as coisas do mundo,


analogicamente pode ser comparada ao ser humano composto de tantas emoções e
contradições, que se desenrolam de diferentes formas, e que variam de indivíduo
para indivíduo, com suas diferentes assimilações de fatos, reações e interações a
estímulos externos que podem ser positivas ou negativos. No que se refere à
materialidade, é impossível ignorar a coincidência, já que é muito comum, quando
trabalhamos com assemblage em Arteterapia que, os pacientes optem pelo uso da
caixa como suporte, para explicar seus conteúdos, e nela ressignificando seus
objetos. Ainda no que se refere ao mito, da caixa de Pandora, só não sai a
esperança que é um elemento fundamental no processo terapêutico pois, sem
esperança é impossível almejar qualquer melhora física e mental.
A esperança possibilita a crença no recomeço, no renascer, na expectativa
de melhora e tudo mais que serve para impulsionar alguém que passa por

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dificuldades. O uso da assemblagem em Arteterapia, é um caminho expressivo


pleno em possibilidades, ressignificando objetos temos uma trilha infinita de recursos
criativos, é possível trabalhar com qualquer objeto, que pode expressar qualquer
conteúdo que a pessoa deseje comunicar, fazendo deles um grande mosaico de
emoções, construindo assim verdadeiros relicários da memória (GALLO, 2008).

1.6 Modelagem
A modelagem é uma técnica que utiliza materiais pastosos como massa
caseira, argila ou barro, cera de abelha, plasticina, papel machê e massa de
modelar. Ela traz

a possibilidade de fazer emergir algo que está plasmado de modo


bidimensional, traz a criação de um estado de concretização visual distinta e
necessária para a compreensão de significados como, principalmente, nos
casos de trabalhos com clientes muito literais ou atados aos objetos
(URRUTIGARAY, 2011, p. 68).

A sensação de estar em contato com a argila ou barro, por exemplo, pode


ser muito gratificante ou não.
Urrutigaray (2011, p. 68) fala que

a argila é o material mais próximo de um sentido visceral. Devido a seu


aspecto, traz em si uma modalidade de ênfase ao trabalho com as mãos
propulsoras de imagens de experiências mais fortes, mais viscerais, que
usualmente encontram-se dificultadas na sua expressão, verbalização, em
virtude da interferência da consciência do ego.

Nesse sentido, a argila age como transformadora, de um estado de


desencontro para um estado de equilíbrio, podendo trazer à tona conflitos internos
indesejáveis. Por ser facilmente moldável, integra o ser com o mundo exterior,
mostrando que pode adaptar-se às situações. Sendo fluida, recebe projeções do
inconsciente favorecendo ao manipulador a libertação das tensões, fadigas e
depressões. Como o trabalho pode ser feito e refeito, a argila também promove o
desenvolvimento da autoconfiança a quem pratica (URRUTIGARAY, 2011).
Philippini (2009) elenca outras propriedades da argila: uso e indicação de ser
relaxante e liberadora de tensão; da percepção de tridimensionalidade; do
desenvolvimento de coordenação motora; propicia a consciência de volume, peso e
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temperatura; estimula a percepção tátil; a percepção e ativa a agilidade e


flexibilidade manual e coordenação motora e, por isso, se constitui em um suporte
terapêutico capaz de promover transformações intensas.

Figura 9: Argila.
Fonte: http://priscilamorari21.blogspot.com.br/2014/05/maos-na-argila-para-ampliar-perspectivas.html

A autora citada acima chama a atenção para o fato de que:

[...] a modelagem em Arteterapia só deve ser utilizada depois de algumas


experiências no plano bidimensional, salvo em situações em que o cliente já
inicie o processo trazendo experiências anteriores com modelagem. Esta
preocupação deve-se ao fato que esta linguagem plástica oferece algumas
dificuldades operacionais e inaugura experiências no plano da
tridimensionalidade, envolvendo desafios de organização espacial e
capacidade de formar estruturas, mantê-las em equilíbrio, além de
intensificar experiência com o tato, envolvendo sensações com texturas e
relevos (PHILIPPINI, 2009, p. 72).

Na promoção da catarse, o contato corporal com a matéria favorece o alívio


de tensões acumuladas internamente que necessitam de um canal de descarga. A
criação pela modelagem do barro produz uma imagem cheia de vivacidade sugerida
pela tridimensionalidade da forma que alimenta a fantasia tornando-a mais próxima
e real. A imagem do sentimento é sentida nas próprias mãos.
Segundo Gouvêa (1989, p. 84), a imagem gerada pelo barro revela e
esconde: “Do encontro com o barro despontará um ego concreto que será, antes de
tudo, fruto de um desejo liberado do indivíduo”.
A argila pode ser aplicada a várias populações: crianças, pacientes
psicóticos, famílias e idosos. Em crianças com perturbações da aprendizagem e
perturbações do comportamento é particularmente indicada. Para jovens

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marginalizados, ou idosos institucionalizados, a execução de coisas “úteis” significa


reconhecimento de capacidades pessoais. A produção de cerâmica pode fornecer-
lhes competências artísticas. Em grupos ou individualmente, com abordagem
diretiva e temática, favorece a participação ativa do(s) paciente(s) integrando
conceitos cognitivo-comportamentais. Da Educação Artística e de Psicopedagogia
(MARTINS, 2012).
A motricidade fina pode ser estimulada com a modelagem do barro,
entretanto, não é aconselhado para pessoas com essa capacidade extremamente
comprometida.
Enfim: a criação através do barro pode integrar vários outros recursos
técnicos: pintura, desenho, colagens, jogos dramáticos, marionetes, tabuleiros de
areia, expressão corporal, música, escrita livre, histórias, entre outros. A integração
deixa o trabalho com o barro, bem como o processo de elaboração terapêutica, mais
rico, principalmente com pacientes com dificuldades iniciais na modelagem. A
expressão elaborada da criação pode acabar por ser desenvolvida através de outro
recurso, e a peça “mal feita” é valorizada sendo integrada a outro mediador
(MARTINS, 2012).

1.7 Tecelagem
O conceito de tecelagem no mundo comum é o ato de tecer, através do
entrelaçamento de fios de trama (transversais) com fios de teia. Em Arteterapia, a
tecelagem é uma estratégia que pode propiciar as percepções que a pessoa tem do
mundo. Possui as propriedades de reunir; tramar; estruturar. A tecelagem favorece a
concentração, a organização e o desenvolvimento psicomotor, desde que os teares
e as técnicas sejam simples (DUTRA, 2013).
Philippini (2009, p. 60) esclarece que

[...] a origem do ato de tecer perde-se na noite dos tempos da memória


humana. Surgiu da necessidade de cobrir e proteger o corpo das
intempéries. A criatividade inerente ao ser humano cuidou de transformar a
necessidade de sobrevivência em necessidade de expressão artística.
Assim foram surgindo os tecidos mais elaborados [...] no contexto
arteterapêutico, a produtividade da tecelagem é grande: tecer, tramar, urdir,
[...] dominar o fio e com ele formar estruturas. No imaginário coletivo, as
analogias são claras: ‘- perder o fio da meada - estar todo enrolado - e
tricotando (com as amigas faladeiras) - achar o fio da meada - deu um nó

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(quando a situação fica complexa) - a linha da vida (passagem cronológica


do tempo)’.

Figura 10: Tecelagem.


Fonte: https://portalfloresnoar.com/floresnoar/oficina-de-tecelagem-artesanal-na-arteterapia-dia-12-
de-setembro/

O tecido é composto por fios, que, por sua vez, são compostos por fibras.
Das propriedades dos fios depende a qualidade do tecido. Os fios podem ser
naturais, derivados de plantas e animais, ou criados pelo homem. As fibras usadas
são o algodão, o linho, a lã e a seda. Atualmente, temos inúmeras fibras sintéticas,
próprias para serem tecidas, mas podemos utilizar as mais diferentes fibras:
cânhamo, ráfia, rami ou outro material que possa ser tecido. A utilização de
materiais recicláveis como tiras de sacolas plásticas de supermercado e também
tiras de restos de tecidos utilizados na confecção de vestuários integra a tradicional
técnica da tecelagem manual numa visão ecológica. Esses materiais proporcionam
também uma experiência de ressignificação daquilo que era uma coisa em sua
essência, e que pôde ser transformado em algo que não era sua propriedade
primordial, tal como em alguns momentos de nossas vidas (DUTRA, 2013).

1.8 Escrita criativa


A escrita criativa refere-se à forma de utilizar a palavra através de processos
de desbloqueio criativo, levando quem experimenta a uma condição propiciatória
para que suas palavras sejam geradoras de outras, sendo este caminho propício
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para a produção e criação de textos e escritas diversas sobre si, sobre as coisas e
sobre o mundo (DUTRA, 2013).

A escrita criativa em Arteterapia não tem como finalidade o exercício de


gramática e ortografia, mas, apenas, um produtivo recurso para ativação do
processo criador por possibilitar a emergência de símbolos inconscientes e,
com isso, novas informações, muitas vezes sombrias e desconhecidas,
poderão ser trazidas à consciência, favorecendo o desbloqueio do potencial
criativo. Como modalidade terapêutica a escrita criativa tem uma importante
função: possibilitar que o indivíduo escreva para compreender a si mesmo,
pois, as palavras guardam em sua essência imagens diversas, que podem
surgir em associações livres, produtos da singularidade e da subjetividade
de cada um. Uma forma habitual de se utilizar a palavra no processo
arteterapêutico é através de processos de desbloqueio criativo, levando
quem experimenta a uma condição propiciatória para que suas palavras
gerem mais palavras. Sendo este caminho propício para a produção e a
criação de textos e escritas diversas (PHILIPPINI, 2009, p.108).

Philippini (2009) ainda destaca que nesse processo, uma sucessão de


palavras, tendo ou não significados reconhecidos através de uma cadeia de
associações livres, poderá gerar grupos de imagens, que por sua vez, gerarão
outras novas imagens. Outras estratégias abrangidas pela escrita criativa são: o
exercício de livre associação sobre imagens plásticas produzidas, e sua posterior
codificação pela escrita, a catalogação de imagens através de títulos e a criação de
textos a partir destes escritos iniciais.
A escrita criativa possui:
indicações e propriedades de ordenação de temas;
interação entre o campo simbólico de imagens e palavras;
fluência de comunicação;
diálogo silencioso entre fragmentos de si mesmo;
escrita como geradora de imagens plásticas;
documentários de afetos;
simplicidade operacional;
escrever para compreender;
acesso gradual a conteúdos do inconsciente; escrita como desenho de sons
internos ou externos;
desbloqueios criativos”; e outros. (PHILIPPINI, 2009).

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1.9 Sucata
O trabalho com sucata estimula a reconstrução, a criatividade, as
percepções, a atenção, a construção, a transformação, o concreto e a mudança. É
um material transformador. O que antes poderia ser lixo, agora é reaproveitado.
Pode-se utilizar qualquer material reaproveitável.
Material: diversos, plásticos, vidros, papéis, madeira, entre outros.
Procedimento: livre.
Por poder ser aplicado à pintura, à colagem e à modelagem, é uma atividade
complexa, que mobiliza o conteúdo interno, e transforma-o, reaproveitando-o de
forma benéfica. O terapeuta precisa estar atento porque é uma atividade de muita
sutileza (GOUVÊA, 2015).

Guarde...
Valladares (2001) lembra que o indivíduo deve ser instrumentalizado de
forma adequada, ou seja, deve receber material apropriado para executar sua
criação que dessa forma surge espontaneamente, agilizando-se a expressão da
pessoa, pois não havendo preocupação de domínio da técnica, ocorre o fluir natural
de sua subjetividade. As modalidades expressivas mais utilizadas em Arteterapia
são:
a) desenho – objetiva a forma, a concentração, a coordenação viso-motora e
tem função ordenadora;
b) pintura – a fluidez da tinta induz o movimento de soltura, atuando sobre os
mecanismos defensivos de controle;
c) colagem/recorte – favorece a organização de estruturas pela junção de
formas prontas;
d) gravura – possibilita a reprodução em série e tem função multiplicadora;
e) tecelagem – trabalha a coordenação viso-motora, a disciplina e o ritmo;
f) modelagem – atividade sensorial, trabalha o toque das mãos;
g) escultura – possui função estruturadora, libera a criatividade exercitando o
desapego;
h) construção – trabalha a estruturação e a organização tridimensional, exigindo
mais elaboração;

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i) teatro – possibilita a experimentação de novos papéis, a criação de histórias e


personagens;
j) tabuleiro de areia – permite a criação de cenários e cenas tridimensionais,
numa caixa de tamanho específico, utilizando areia, água e miniaturas
realistas;
k) escrita criativa – escrever livremente, sem a utilização de pontuação ou uso
de borracha, sobre determinado trabalho artístico executado anteriormente ou
sonho, contando ainda com a possibilidade de erros gramaticais e de
ortografia, possibilitando que os conteúdos inconsciente aflorem facilmente
para a consciência.

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UNIDADE 2 – ARTETERAPIA NO TRABALHO


COMUNITÁRIO

2.1 Trabalho com mulheres em ateliê arteterapêutico – relato de experiência


Para Barcellos (2004), a opção por trabalhar em grupo decorre da troca
entre os integrantes ser extremamente rica, pois um indica ao outro novas
possibilidades de ser e de viver. Além do mais, cada um dá suporte ao outro em
momentos de intensa emoção. Para ela, é muito significativo poder constatar quanto
cada um cresce ao trabalhar e elaborar seus conflitos, compartilhando seu trabalho
individual com os demais em um espaço comum.
A importância do trabalho arteterapêutico em grupo também reside no fato
de haver uma estreita relação entre a integração do grupo e a criatividade
alcançada. Quando cada integrante do grupo consegue expressar-se com maior
liberdade e aceitação, construindo e produzindo um trabalho artístico que revela seu
potencial criativo, ele adquire maior confiança em si. Pode, então, interagir mais
facilmente com o outro, favorecendo oportunidades que o ajudam a descobrir-se e
revelar-se. É um pouco o que Carl Rogers denomina “tornar-se pessoa”.
A evolução dos grupos é um processo que passa por três fases:
individuação, identificação e integração. A autora acima exemplifica as etapas do
trabalho arteterapêutico com mulheres.
Em um grupo de mulheres com o qual trabalha, a autora percebe como
figura o aspecto da individuação da mulher madura que, aos quarenta anos,
percebe-se cristalizada em uma situação de vida muitas vezes resultante de
circunstâncias e papéis repetidamente assumidos e introjetados. Nesse processo
cultural e coletivo, ela quase se perde. No entanto, no decorrer do trabalho, a
necessidade de individuação e a figura de cada uma vai despontando no grupo,
pois, independentemente da natureza dos trabalhos e da organização formal do
coletivo, cada integrante tende a querer se afirmar e a se fazer aceitar como
indivíduo.
A aceitação na diferenciação, necessidade fundamental de cada uma, vai se
delineando pouco a pouco, em um processo que inclui até intensas confrontações e
demarcações de espaço em trabalhos coletivos. Surgem divergências de
personalidade e de pensamento, que interrompem, em alguns momentos, o
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processo de integração. Emergem, com frequência, os paradigmas que todos temos


de certo e errado, de bonito e feio, de bom e ruim, de estético e antiestético, entre
outros, de “eu” e “tu”.
Contudo, atitudes aparentemente negativas, como monólogos, o prazer em
“detalhar suas biografias” (centro no “eu”) ou até as interferências no trabalho do
outro (centro no “tu”), trazem para o momento do encontro ocasiões privilegiadas
para que o arteterapeuta perceba que a primeira tarefa a ser desenvolvida com o
grupo é o cuidado na aceitação de si mesmo e na aceitação do outro, por parte de
cada integrante do grupo.
Na segunda etapa, o grupo passa à fase de identificação. À medida que
prossegue o processo arteterapêutico, com o entrelaçamento de atividades
individuais e trabalhos coletivos na dinâmica do grupo, cada um vai se identificando
com o espaço e com os demais. Já se fala e se ouve; comparam-se os trabalhos (o
meu e o do outro) com observação das diferenças e sem tantos vínculos com o certo
ou o errado: percebe-se a autoidentificação e a identificação do outro, é o caminho
de superação do monólogo. O foco, seja no “eu”, seja no “tu”, se desestrutura e
reestrutura... Essa fase será mais longa quanto mais heterogêneo for o grupo.
Quando cada um se sente plenamente aceito, quando seus trabalhos,
muitas vezes apresentados timidamente, começam a ser percebidos e admirados
pelo grupo, acontece a integração. O indivíduo sente-se à vontade e até sua
capacidade verbal é enriquecida. Cada um já consegue visualizar outros modelos e
possibilidades para sua dinâmica de vida. Cada um se dispõe, mais tranquilamente,
a perceber e analisar seus processos, revendo suas atitudes na relação consigo e
com o outro. O grupo está, então, vivendo a terceira fase.
Verdade seja dita, a mulher vive em constante busca/luta pelo seu espaço
na sociedade e mesmo no seu mundo interno. Essa busca de individuação esbarra
nas diferenças entre o masculino e o feminino, que aparece com menor ou maior
força, mas quase sempre ocorre nos domínios inconscientes. Muitas vezes,
mergulhada em seu mundo interno, ocupada com as descobertas sobre si, sente-se
só. Contudo, a solidão pode ser enriquecedora, se orientada para a autoanálise das
próprias realizações e barreiras vencidas.

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A mulher, nessa fase, terá de dar ouvidos aos sinais emergentes em seu
interior, perceber e levar em conta suas sensações, intuições e ideias. Reencontrar
o próprio traço, escolher livremente cores e texturas, são passos usados por essa
mulher no encontro conciliatório consigo mesma. A individuação do “eu” vai pintando
suas cores, preenchendo espaços. No papel, nas tintas, na tela, na modelagem, vai
se modelando essa mulher. Ela descobre que a outra metade da vida constitui um
novo quebra-cabeças, bem como as novas percepções dão novo significado à sua
vida e recuperam sua autoexpressão – talvez um dia não aceita, não valorizada.
Toda mulher possui uma vida secreta, pensamentos e sentimentos ocultos
e, por mais que estes estejam enfraquecidos, quer descobrir-se inspiradora, intuitiva
e criadora. Um anseio que brota quando percebe quão pouco tempo dedica ao
desejo de sondar sua vida criativa.
O arteterapeuta deve investigar a origem da conduta de cada mulher na
expectativa de vê-la e conhecê-la melhor. Por exemplo: se em sua história, ela
ocupou seu espaço primeiro com o cuidar do casamento, do companheiro e dos
filhos, deixando suas oportunidades criativas adormecidas e, muitas vezes, inibidas
pelo olhar crítico da sociedade e por padrões rígidos socialmente impostos. Por
outro lado, há nessas mulheres necessidade de buscar um caminho para chegar a
um eu mais profundo. E a atividade artística é um caminho maravilhoso para isso.
Se o silêncio da autoexpressão na vida tem de ser rompido, o grito de seu
potencial pode ser expresso em formas e cores. A linguagem artística, capaz de dar
lastro ao olhar e ao sentir, opera mudanças em seu ser, capacitando-a a preencher
um espaço mais íntegro na sociedade. Integração essa que se faz somando o “eu” e
o “tu”.
Com certeza, como diz Barcellos, é um objetivo ambicioso do trabalho
arteterapêutico oferecer a este ser a oportunidade de expressar-se como mulher,
buscando a forma criada e criadora.
É preciso, em cada encontro, em cada sessão, trabalhar o nível sensório-
motor, explorando o ver, o sentir, o tocar, o pensar e o transmitir, utilizando uma
sequência de ideias e técnicas que, em um crescendo, de certo modo vão
conduzindo ao autoconhecimento. Uma variada gama de temas e materiais é

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proposta em uma sequência intencional que favorece a consciência do eu e do


mundo.
Textos sobre geometria, pintura e poesia, entre outros, têm sido utilizados
como elementos desencadeadores de reflexões que, em muito, enriquecem esse
caminho de autoanálise a partir do que as mãos estão criando. Favorecem também
a compreensão e a expressão desse trajeto.
No exercício da análise formal, a autora procura estabelecer relações de
significado entre o traçado de linhas, cores e formas, aproveitando a riqueza do
simbolismo desses elementos geométricos que, em sua dinâmica, espelham o modo
de ser de cada uma.
Em suma, a arte convida-a a perceber o objeto. Toda a riqueza da obra se
revela e toma forma aos poucos, diversificando o fundo, revelando figuras que
emergem, assegurando um suporte para novos acontecimentos.
Reconhecendo as próprias autoconfigurações, a mulher pode, usando
diferentes materiais, ir velando uma cor e realçando outra com movimentos do
pincel, diluindo pontos de tensão e figuras cristalizadas. A criatividade é construída
no dia-a-dia. A autotransformação vai sendo modelada na busca da individuação, à
medida que se conquista equilíbrio e criam-se novas formas.
Cada ordenação leva a um produto diferente, pois as possibilidades são
múltiplas no caminho da arte, e mediante intervenções mais dirigidas, essa mulher
pode fechar gradualmente o ciclo de perguntas e respostas das situações que se
apresentam durante sua trajetória.
Figuras formam-se e “desformam-se”, abrindo-se para outras novas figuras
porque, como diz Fischer (1987, p. 18), “a função da arte é refundir esse homem,
torná-lo de novo são e incitá-lo à permanente escalada de si mesmo”. Dinamismo da
arte que, na sua expressão plena, busca a plenitude no dinamismo da vida.

2.2 Arteterapia familiar


Se fôssemos começar nosso tópico pelo conceito de família, teríamos
algumas dificuldades de imediato, afinal de contas, as mudanças foram muitas nos
últimos tempos, mas concordamos com Correa (2000), quando diz que a despeito
dessas mudanças, entende-se ser possível afirmar a presença, na família, de laços

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de aliança, filiação e fraternidade, cujas relações são influenciadas pelo fenômeno


da transmissão psíquica geracional.
O fenômeno da transmissão psíquica geracional é entendido como o
processo de transmitir conteúdos psíquicos de uma geração à outra, por vezes de
forma consciente e passível de elaboração, quando é intitulada como transmissão
intergeracional. Outras vezes ocorre por uma via inconsciente, usualmente quando
se trata de conteúdos traumáticos, transmitidos de forma bruta, sem elaboração,
razão pela qual é denominada como transmissão transgeracional (SCORSOLINI-
COMIN; SANTOS, 2016 apud FRANCO; ALMEIDA, SEI, 2016).
Mas como podemos utilizar a Arteterapia para as “interações” familiares?
Sendo um sistema aberto e com capacidade de transformação, a família
está sempre na busca de novas soluções para situações diversas, uma vez que
vivencia padrões recorrentes e previsíveis que refletem as tensões, filiações,
hierarquias, que possuem um significado para os comportamentos e
relacionamentos estabelecidos.
A família é um sistema no qual ocorrem alianças, organizam-se hierarquias,
definem-se caminhos e tomadas de decisões.
Em se tratando da terapia familiar esta pode:
melhorar a comunicação;
desenvolver a autonomia;
desenvolver a individualização;
descentralizar e flexibilizar;
reduzir conflitos interpessoais;
melhorar o desempenho individual.

Observa-se que a terapia familiar se apresenta como um tipo de intervenção


complexo, haja vista a presença de indivíduos de variadas idades na sessão
(MANICOM; BORONSKA, 2003 apud FRANCO; ALMEIDA, SEI, 2016),
configurando-se como um grupo, cuja formação transcende o setting terapêutico
(KWIATKOWSKA, 2001 apud FRANCO; ALMEIDA, SEI, 2016), com uma dinâmica
própria de comunicação (SEI, 2003).

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De acordo com Scharff (2006 apud SEI, 2009), no setting terapêutico devem
estar presentes crianças, adolescentes e adultos, visto que esta composição
colabora para uma melhor compreensão da família ao tornar visíveis problemas mais
profundos, fato que facilita uma intervenção mais precoce. Visto que cada familiar
possui uma maneira singular de falar, sentir e agir, deve-se empregar diferentes
estratégias para facilitar a comunicação e o desenvolvimento dos integrantes do
grupo familiar.
Quando se inclui a criança, é pertinente a abertura de um espaço para o
lúdico, pois o brincar mostra-se como o meio de comunicação da criança, que deve
ser valorizado pelo terapeuta e com a mesma importância da comunicação dos
demais participantes. Assim, é possível notar as comunicações inconscientes tanto
por meio de palavras, silêncios e gestos, como também através da linguagem lúdica
característica da criança.
Diante desse panorama, acredita-se que há benefícios na utilização de
recursos artístico-expressivos no contexto terapêutico (SEI, 2011).
Segundo Riley (1998), a Arteterapia familiar contribuirá para que a família
construa uma “visão criativa e inovadora” de seus processos, quando entendemos
que o objetivo principal da Terapia e da Arte, é mudar uma percepção básica, de
modo que a pessoa veja de forma diferente. Com a introdução do novo ou do
inesperado, é quebrado um quadro de referência e a estrutura da realidade é
harmonizada.
Ainda, segundo a autora, quanto mais elementos ou dimensões – visual,
auditiva, sinestésica – forem atendidas ou compuser a intervenção, mais
efetivamente ela possibilitará mudanças.
Dentro do método arteterapêutico, Riley (1998) elenca os seguintes
aspectos a serem considerados:
ver a família como um sistema;
usar conotação positiva;
prescrever o sintoma;
utilizar metáforas;
entender o ritual familiar;
entender o duplo vínculo terapêutico;

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usar intervenções paradoxais;


manter propriedades homeostáticas;
terminar o tratamento.

Para Franco; Almeida e Sei (2016), os recursos artístico-expressivos podem


colaborar para melhor investigar a composição familiar, as histórias e segredos
partilhados, os papéis assumidos por cada membro, assim como o material
inconsciente que subjaz à dinâmica da família, promovendo a reestruturação ou o
equilíbrio dos vínculos. Tais recursos ainda podem ser empregados no contexto da
avaliação da demanda familiar, nas entrevistas preliminares (MACHADO; FÉRES-
CARNEIRO; MAGALHÃES, 2011).
Pode ser também, durante o processo terapêutico, com o objetivo de
favorecer a comunicação no setting terapêutico e promover a elaboração de
conteúdos concernentes às relações estabelecidas e às questões trazidas pelos
familiares (ZANETTI, 2013).
Na Arteterapia com famílias deve-se privilegiar atividades mais espontâneas
de autoexpressão, apesar de procedimentos mais padronizados terem sido
desenvolvidos para os momentos de avaliação da família, tais como a oferta de uma
mesma variedade de meios expressivos em sequência. Uma estratégia que pode
ser utilizada é o jogo do rabisco coletivo, que encoraja os participantes a realizarem
uma tarefa em conjunto e contribui para a expressão da família, de maneira que
reconheçam e aceitem sentimentos de ordem mais inconsciente (KWIATKOWSKA,
2001 apud SEI, 2009). Os membros da família passam a perceber os demais de
uma maneira diferente, menos estereotipada, com aceitação da real percepção
deles mesmos.
A Arteterapia é uma via de expressão que valoriza desde os rabiscos da
criança pequena até produções mais elaboradas. Além disso, os desenhos, pinturas
e demais expressões configuram-se como algo concreto que pode ser
posteriormente analisado e revisto tanto pelo terapeuta quanto pelos próprios
participantes da sessão, algo que diferencia a Arteterapia das terapias pautadas
estritamente na linguagem verbal (LIEBMANN, 2000).

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A Arteterapia pode ter a função de retrabalhar emoções e eventos do


passado dos membros de uma família, frequentemente inconscientes, que podem
estar na gênese das dificuldades vivenciadas por eles, além das problemáticas
conscientes e passíveis de apresentação pela via verbal (SEI; ZANETTI, 2016).
Esses conteúdos podem ser trazidos para o concreto por meio de recortes
ou colagens que os representem e/ou desenhos que os simbolizem, ilustrando as
crises e os sucessos e, por vezes, colaborando para a melhora na comunicação e
compreensão do outro (FRANCO; ALMEIDA, SEI, 2016).
O produto expressivo que resulta dos esforços do grupo familiar dá ao
arteterapeuta caminhos adicionais para apreciar as mensagens subjacentes e as
alianças ocultas dentro do sistema.
Segundo Pain (2009, p. 12), na Arteterapia “[...] a atividade artística
transforma-se assim em representação dramática da intenção criativa do sujeito. É
nessa duplicidade que encontramos a eficácia terapêutica desta modalidade clínica”.
A produção artística é um bom local para encontramos o drama familiar e a
partir dele, trabalhar as tensões, frustrações, os desequilíbrios familiares, mesmo
porque, quando um grupo familiar chega ao setting arteterapêutico muitas vezes se
encontra no limite da desintegração no qual imperam as fantasias de culpa, perda,
incompreensão e desrespeito.
Cabe ao terapeuta criar um campo relaxado para que os integrantes possam
jogar e no jogo – seja ele através de atividades artísticas de movimento,
dramatização ou mesmo de criação visual – vivenciar o drama familiar de forma mais
suportável.
Ao criar a disponibilidade para o jogo, para o lúdico, aos poucos é possível
construir a aliança terapêutica, e sem dúvida, a Arte é um caminho para a
construção deste campo, devido ao seu aspecto lúdico. Por outro lado, este mesmo
aspecto lúdico pode funcionar como algo ameaçador, principalmente quando nos
deparamos com sistemas rígidos.
Mais uma vez a Arte pode ser um caminho interessante, ao criar um espaço
de metáforas, dando a possibilidade ao grupo de se expor através da contemplação
e produção artística, reconhecendo habilidades e preferências estéticas de cada
integrante.

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E no ato da apreciação, seja dos grandes nomes da arte, ou da produção de


cada integrante que pode ser inserida a intervenção que propõe ressignificar o
dilema paradoxal.
Através da Arteterapia, é possível ressignificar o funcionamento do sistema,
através do ato criativo, oferecendo novos olhares sobres as questões conflituosas,
como na construção de um mosaico ou de um caleidoscópio (JÚDICE, 2017).

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UNIDADE 3 – ARTETERAPIA E O TRABALHO COM


SURDOS

Vamos trabalhar com um público muito especial: os surdos! Quando não se


convive com eles, passam até mesmo despercebidos, mas quando chegam ao
nosso meio cria-se um susto, é verdade. Mas nós também nos assustamos quando
chegamos numa “roda” onde eles se comunicam à sua maneira. Nós é quem
ficamos perdidos, não é verdade?
Esse sujeito cidadão pode apresentar surdez leve, média, severa ou
profunda e usará com muita força sua visão e os demais sentidos para entender o
mundo que o cerca, para se comunicar, interagir. Terá dificuldades para utilizar a
linguagem oral e nós sabemos que a comunicação é inerente ao ser humano.
Segundo os dados da Federação Nacional de Educação e Integração dos
Surdos – FENEIS (2005) – e com base no decreto nº 3.2984, de 20 de dezembro de
1999, e no Artigo 4º, é considerada pessoa portadora de deficiência aquela que
enquadrar nas seguintes categorias:
Parágrafo II – deficiência auditiva – perda bilateral, parcial ou total, de
quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas frequências de
500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz; (Redação dada pelo Decreto nº 5.296, de
2004).
Várias são as causas da deficiência auditiva, sendo que a maior ou a menor
incidência varia em função das condições socioeconômicas, culturais e ambientais
da população.
Dependendo do contexto em que vive, das possibilidades de acesso aos
serviços de saúde e educação, este cidadão poderá usar a língua de sinais ou no
nosso caso, a língua portuguesa como segunda língua.
De acordo com vários estudos, faz-se necessário ao surdo conhecer e
aprender a língua oral do seu País, para conhecer a sociedade em que vive, e a
cultura oral do ouvinte. Mas, para o seu desenvolvimento intelectual, identidade,

4 Regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política Nacional para a
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as normas de proteção, e dá outras
providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3298.htm
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identificação, o surdo desde pequeno precisa utilizar a sua própria língua, a sua
primeira Língua, a Língua de Sinais (GOUVEA, 2015).

Figura 11: Artistas terapeutas.


Fonte: http://desculpenaoouvi.laklobato.com/arteterapia-para-surdos-oralizados/

Eis que a Arteterapia, como o próprio nome indica, é uma modalidade


psicoterapêutica essencialmente prática, não verbal, que propõe a estimulação da
criatividade e o fazer artístico a fim de promover o desenvolvimento da
personalidade, saúde, harmonia e bem-estar da pessoa consigo própria e também
com seu meio social.
A livre expressão artística da pessoa, a ação sobre os materiais, a
contemplação das imagens que resultam desse processo, ao serem compartilhados
com o terapeuta, tornam-se um meio eficaz para o contato com o seu profundo
universo interior (LOBATO, 2013).
Se observarmos com atenção o modo como os surdos se comportam para
compreender e interagir com o mundo, veremos que há uma suavidade e uma
beleza no sistema de comunicação gestual.
É evidente que as representações corporais acompanham o cotidiano de um
sujeito surdo desde a mais tenra infância. A criança surda descobre, desde muito
cedo, a necessidade de comunicação gestual. Durante muito tempo, os gestos são
idiossincrásicos (LEBEDEFF, 2004) e, mesmo quando se apropria da língua de
sinais, o corpo todo é envolvido no ato da comunicação.

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Para Rosa (2003), da mesma maneira que um ouvinte transmite suas


emoções por meio de ruídos, melodia e imposição de voz, o surdo materializa no
corpo.
Pois bem, são muitos os objetivos e benefícios para a saúde possíveis de
serem alcançados através da Arteterapia, como o relaxamento de tensões, a
eliminação de estresse, assim como a elaboração de conflitos emocionais
inconscientes, mais segurança e autoestima.
Benefícios cognitivos também são esperados, como o fortalecimento da
capacidade de atenção, percepção, concentração, memória, criatividade e raciocínio
(LOBATO, 2013).
De acordo com Gouvêa (2015), realizar atividades ou processos de
Arteterapia em turmas de surdos, é realizar atividades grupais. As turmas devem ser
pequenas, no máximo 12 alunos.
É importante salientar que para se trabalhar Arteterapia em grupo, Liebmann
(2000), destaca algumas vantagens e desvantagens .
1. Vantagens:
o aprendizado social é feito em grupos;
pessoas com necessidades semelhantes podem encontrar soluções para
problemas comuns e se apoiam mutuamente;
há um constante “feedback”, que ajudarão na construção do sujeito;
na interação, as pessoas podem ter oportunidade de vivenciar outros papéis;
os grupos podem ser democráticos;
os grupos podem ser econômicos, permitindo ao especialista auxiliar várias
pessoas ao mesmo tempo.

2. Desvantagens:
os participantes recebem menos atenção individual;
é mais difícil manter sigilo;
podem ser difíceis de organizar;
um grupo pode ser “rotulado”.

Guarde...

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Qualquer que seja o grupo, o espaço arteterapêutico é um espaço gerador


de possibilidades de criatividade e expressividade [...] o arteterapeuta é, em
vários sentidos, o administrador desse espaço em que acontecem as
atividades grupais, assim, é necessário providenciar o espaço adequado,
escolher as atividades pertinentes ao grupo atendido e providenciar
materiais mais estimuladores para cada contexto observado (PHILIPPINI,
2011, p.18).

A respeito da atuação do arteterapeuta, Tavares (2006) assevera que esse


profissional integra as pessoas em seu cotidiano, conduzindo espaços coletivos, dos
quais as pessoas podem ser conscientizadas dos cuidados essenciais, facilita que
através da arte, os preconceitos sejam rompidos, evitando que experiências sejam
interrompidas, abortadas, permitindo que o indivíduo vá descobrindo que seu
potencial é latente, não é passado, é presente.

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UNIDADE 4 – MODELO DE OFICINA

Uma oficina de Arteterapia constitui um instrumento facilitador no processo


terapêutico conjugado a um trabalho verbal cujos resultados possuem um alcance
ilimitado.

1. Objetivos:
promover a prevenção e a saúde psíquica e física;
facilitar o contato e o desenvolvimento de potenciais da personalidade, a
inteligência emocional, a criatividade, a motivação, a autoestima, a
capacidade relacional tendo como meta a qualidade de vida na vida pessoal e
profissional.

2. Público-alvo:
Não tem contraindicação. Pode ser praticada por pessoas de todas as
idades ou necessidades. As técnicas e atividades são selecionadas e adequadas ao
perfil do grupo e objetivos do trabalho.

3. Definição da Arteterapia:
A Arteterapia é um processo desenvolvido através da expressão artística
(materiais gráficos, plásticos e cênicos) representando um instrumento facilitador do
trabalho terapêutico e social, tendo em vista alcançar a maturidade psíquica
(individuação), a integridade da personalidade através do contato com a experiência
emocional, como se a arte tivesse, por ela mesma, propriedades curativas.

4. Definição das oficinas de Arteterapia:


Atividades em grupo ou individual conjugadas a um trabalho verbal, tendo
como finalidade criar um espaço para a expressão criativa, a comunicação, o
contato com potenciais da personalidade em seus aspectos cognitivo, emocional e
sensório através dos órgãos do sentido (visão, audição, tato, olfato, paladar),
favorecendo a integração de conteúdos emocionais, despotencializando assim a
atuação autônoma/negativa desses conteúdos na personalidade trazendo maior
harmonia, saúde física e emocional para a realização de metas construtivas.
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5. Campo de atuação das oficinas de Arteterapia:


5.1 Na saúde:
a) para pacientes em geral, em encontros individuais e/ou grupos
semiabertos;
b) como triagem, avaliação e encaminhamentos de pacientes;
c) familiares e amigos dos participantes;
d) profissionais que atuam nos atendimentos com objetivo do suporte no
trabalho inter e multidisciplinar;
e) grupo misto;
f) workshops vivenciais abertos ao público ou funcionários de instituições,
com intuito terapêutico e preventivo.

5.2 Na educação:
a) didáticas, como complemento cognitivo em palestras e programas
empresariais e educacionais;
b) orientação vocacional e capacitação profissional para adultos ou
adolescentes através da abordagem clínica vivencial.

5.3 Em RH:
a) para dinamizar equipes e potenciais da personalidade, a capacidade
relacional e a realização de metas;
b) realizar avaliações, encaminhamentos, desenvolvimento de projetos,
redirecionamento profissional (proporcionar motivação para a empregabilidade).

6. Metodologia:
Música, relaxamento, imaginação ativa, técnicas com a utilização de
materiais gráficos, plásticos e cênicos, trabalhos corporais e verbais.
6.1 Utilização de materiais:
gráficos (desenho, gravura, pintura);
plásticos (escultura e modelagem com: barro, sucata, papel machê, entre
outros);
cênicos (expressão corporal, psicodrama, teatro, música, poesia).

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6.2 Classificação dos materiais:


duros (lápis em geral, canetas esferográficas, lápis de cera);
de transição (giz de cera seco, lápis aquarela);
fluídos (tintas em geral, cola colorida);
de regeneração (escultura e modelagem);
de vínculos (gravura, colagens, expressão corporal, contos).
6.3) Segundo a tipologia junguiana e as funções reguladoras da consciência,
os materiais como elementos alquímicos são classificados como:
intuição (fogo) – lápis de cera quente, contos, argila, caixa de areia;
pensamento (ar) – lápis e lápis de cera em geral, corte-colagem, leitura-
escrita;
sentimento (água) – tinta, poesia, música, cores;
sensação (terra) – argila, colagem, texturas, sucata, tecidos, grãos, comida,
trabalhos corporais.

Guarde...
A técnicas corporais, o teatro e a argila são indicados para o trabalho com
pacientes psiquiátricos por estimular o contato com o corpo e a função sensação
através dos órgãos dos sentidos, facilitando o fortalecimento da identidade, a
integração de conteúdos inconscientes e a delimitação mundo interno e externo.
Contudo, essas técnicas são favoráveis para todos; o teatro estimula a livre-
expressão e a capacidade relacional, a argila é o material mais completo por conter
os 4 elementos: terra, água, ar, fogo; ao ser manuseada, esquenta, dando forma as
sensações e emoções.

6.4 Exemplos de alguns temas que podem ser desenvolvidos nas oficinas:
- Os órgãos do sentido e a estimulação sensoperceptiva;
- Vínculos e identificações através do corte e colagem e trabalho corporal;
- Construção e reconstrução através da modelagem;
- Trabalhando o sentimento e o feminino na pintura e poesia;
- Cuidando do corpo através dos sentidos, alimentos e expressão corporal;
- Imagem do corpo e identidade – trabalhando com máscaras;

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- A respiração, o sentimento e a autoestima – trabalhando com as mãos e o


corpo;
- A alquimia dos sons e das cores;
- Expressão, comunicação e criatividade através do teatro;
- O dar e o receber – trabalhando vínculos.
- O velho sábio e a sabedoria interior.
- O grande herói, coragem e força no caminho do Ser e na construção de
metas;
- Trabalhando os sonhos oníricos;
- Os quatro elementos da natureza – a lapidação da alma;
- O casamento do sol e da lua – trabalhando o masculino e o feminino na
personalidade;
- O mito de “Eros e Psiqué” – o casamento da alma e do amor;
- As Deusas interiores – trabalhando e tecendo aspectos do feminino;
- A Criança interior – trabalhando os aspectos lúdicos da personalidade;
- Trabalhando a autoestima através do conto “bruxas e como desfazê-las”
(medo, raiva, crítica, inveja);
- Alquimia da Terra – nascer, florescer e frutificar. Realizar sonhos;
- Trabalho e Prazer – conhecendo potenciais e habilidades na construção de
objetivos.
Obs.: outros temas/atividades podem ser inseridos como: dinâmica de
grupo, vivências situacionais, debates temáticos, entre outros5.

5
Ver no site: http://hpm.com.br/oficinas.html
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