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Governo do Estado de Minas Gerais

Secretaria de Estado de
Administração Prisional - SEAP-MG

Agente de Segurança Penitenciário

Língua Portuguesa
1. Compreensão e interpretação de textos. ....................................................................................................................1
2. Tipologia textual. .............................................................................................................................................................5
3. Ortografia. ...................................................................................................................................................................... 13
4. Acentuação. ................................................................................................................................................................... 20
5. Morfologia. ..................................................................................................................................................................... 21
6. Uso do sinal de crase. ................................................................................................................................................... 44
7. Sintaxe. ........................................................................................................................................................................... 47
8. Pontuação. ..................................................................................................................................................................... 59
9. Concordância nominal e verbal. ................................................................................................................................ 61

Direitos Humanos
1. Grupos vulneráveis e o sistema prisional. ...................................................................................................................1
2. Regras Mínimas das Nações Unidas para o Tratamento dos Presos.......................................................................5
3. Teoria Geral dos Direitos Humanos. .......................................................................................................................... 16
4. Direitos Humanos na Constituição Federal. ............................................................................................................. 20
5. Declaração Universal dos Direitos Humanos. .......................................................................................................... 26
6. Convenção Americana de Direitos Humanos. .......................................................................................................... 33
7. Protocolo das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e
Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças. .......................................................................... 47
8. Convenção Contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.............. 52

Código de Ética e Estatuto do Servidor Público-MG


1. Lei Estadual nº 869/1952 e suas alterações posteriores (Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado
de Minas Gerais). ..................................................................................................................................................................1
2. Decreto nº 46.644/2014 (Dispõe sobre o Código de Conduta Ética do Agente Público e da Alta Administração
Estadual). ............................................................................................................................................................................ 18
3. Decreto Estadual nº 46.060/2012 (regulamenta a Lei Estadual Complementar nº 116/2011, que dispõe
sobre a prevenção e a punição do assédio moral na Administração Pública Direta e Indireta do Poder Executivo
Estadual). ........................................................................................................................................................................... 23
Conhecimentos Específicos
1. Lei Federal n.º 7.210/1984 (Institui a Lei de Execução Penal) e alterações posteriores. .................................1
2. Lei Federal n.º 9.455/1997 (Lei da Tortura) e alterações posteriores. ............................................................. 23
3. Lei Federal nº 4.898/1965 (Abuso de Autoridade) ............................................................................................... 25
4. Lei Federal nº 10.826/2003 (Estatuto do Desarmamento) ................................................................................. 28
5. Lei Federal nº 12.850/2013 (Organização Criminosa) .......................................................................................................... 35
6. Lei Estadual n.º 11.404/1994 (Contém Normas de Execução Penal) ................................................................. 45
7. Lei Estadual 21.068/2013 (Porte de arma do agente de segurança penitenciário) ........................................ 59
8. Decreto nº 40/1991 (Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou
Degradantes) ..................................................................................................................................................................... 59
9. Decreto nº 98.386/1989 (Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura) .............................. 60
10. Decreto 47.087/2016 (Secretaria de Estado de Administração Prisional) ..................................................... 62
11. Código Penal Brasileiro (Decreto-Lei n° 2.848/40 e suas alterações posteriores: art. 21 a 40) ................. 77
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LÍNGUA PORTUGUESA
APOSTILAS OPÇÃO

procurando estabelecer as possíveis relações entre palavras


que formam a oração e as orações que formam o período e,
finalmente, entre os vários períodos que formam o texto. Um
texto bem trabalhado sintática e semanticamente resulta num
texto coeso.
1. Compreensão e Coerência
interpretação de textos.
A coerência está diretamente ligada à possibilidade de
estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é que faz com
COMPREENSÃO DO TEXTO que o texto tenha sentido para quem lê. Na avaliação da
coerência será levado em conta o tipo de texto. Em um texto
Há duas operações diferentes no entendimento de um texto. dissertativo, será avaliada a capacidade de relacionar os
A primeira é a apreensão, que é a captação das relações que argumentos e de organizá-los de forma a extrair deles
cada parte mantém com as outras no interior do texto. No conclusões apropriadas; num texto narrativo, será avaliada
entanto, ela não é suficiente para entender o sentido integral. sua capacidade de construir personagens e de relacionar ações
Uma pessoa que conhecesse todas as palavras do texto, mas e motivações.
não conhecesse o universo dos discursos, não entenderia o
significado do mesmo. Por isso, é preciso colocar o texto Tipos de Composição
dentro do universo discursivo a que ele pertence e no interior
do qual ganha sentido. Alguns teóricos chamam o universo Descrição: é representar verbalmente um objeto, uma
discursivo de “conhecimento de mundo”, mas chamaremos essa pessoa, um lugar, mediante a indicação de aspectos
operação de compreensão. característicos, de pormenores individualizantes. Requer
E assim teremos: observação cuidadosa, para tornar aquilo que vai ser descrito
um modelo inconfundível. Não se trata de enumerar uma série
Apreensão + Compreensão = Entendimento do texto de elementos, mas de captar os traços capazes de transmitir
uma impressão autêntica. Descrever é mais que apontar, é
Para ler e entender um texto é preciso atingir dois níveis muito mais que fotografar. É pintar, é criar. Por isso, impõe-se
de leitura, sendo a primeira a informativa e a segunda à de o uso de palavras específicas, exatas.
reconhecimento.
A primeira deve ser feita cuidadosamente por ser o Narração: é um relato organizado de acontecimentos reais
primeiro contato com o texto, extraindo-se informações e se ou imaginários. São seus elementos constitutivos:
preparando para a leitura interpretativa. Durante a personagens, circunstâncias, ação; o seu núcleo é o incidente,
interpretação grife palavras-chave, passagens importantes; o episódio, e o que a distingue da descrição é a presença de
tente ligar uma palavra à ideia central de cada parágrafo. personagens atuantes, que estão quase sempre em conflito. A
A última fase de interpretação concentra-se nas perguntas narração envolve:
e opções de respostas. Marque palavras como não, exceto, - Quem? Personagem;
respectivamente, etc., pois fazem diferença na escolha - Quê? Fatos, enredo;
adequada. - Quando? A época em que ocorreram os acontecimentos;
Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. - Onde? O lugar da ocorrência;
Leia a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global - Como? O modo como se desenvolveram os
proposto pelo autor. acontecimentos;
Um texto para ser compreendido deve apresentar ideias - Por quê? A causa dos acontecimentos;
seletas e organizadas, através dos parágrafos que é composto
pela ideia central, argumentação e/ou desenvolvimento e a Dissertação: é apresentar ideias, analisá-las, é estabelecer
conclusão do texto. um ponto de vista baseado em argumentos lógicos; é
A alusão histórica serve para dividir o texto em pontos estabelecer relações de causa e efeito. Aqui não basta expor,
menores, tendo em vista os diversos enfoques. narrar ou descrever, é necessário explanar e explicar. O
Convencionalmente, o parágrafo é indicado através da raciocínio é que deve imperar neste tipo de composição, e
mudança de linha e um espaçamento da margem esquerda. quanto maior a fundamentação argumentativa, mais brilhante
Uma das partes bem distintas do parágrafo é o tópico será o desempenho.
frasal, ou seja, a ideia central extraída de maneira clara e
resumida. Sentidos Próprio e Figurado
Atentando-se para a ideia principal de cada parágrafo,
asseguramos um caminho que nos levará à compreensão do Comumente afirma-se que certas ocorrências de discurso
texto. têm sentido próprio e sentido figurado. Geralmente os
Produzir um texto é semelhante à arte de produzir um exemplos de tais ocorrências são metáforas. Assim, em “Maria
tecido, o fio deve ser trabalhado com muito cuidado para que é uma flor” diz-se que “flor” tem um sentido próprio e um
o trabalho não se perca. Por isso se faz necessária a sentido figurado. O sentido próprio é o mesmo do enunciado:
compressão da coesão e coerência. “parte do vegetal que gera a semente”. O sentido figurado é o
mesmo de “Maria, mulher bela, etc.” O sentido próprio, na
Coesão acepção tradicional não é próprio ao contexto, mas ao termo.
O sentido tradicionalmente dito próprio sempre
É a amarração entre as várias partes do texto. Os principais corresponde ao que definimos aqui como sentido imediato do
elementos de coesão são os conectivos e vocábulos enunciado. Além disso, alguns autores o julgam como sendo o
gramaticais, que estabelecem conexão entre palavras ou sentido preferencial, o que comumente ocorre.
partes de uma frase. O texto deve ser organizado por nexos O sentido dito figurado é o do enunciado que substitui a
adequados, com sequência de ideias encadeadas logicamente, metáfora, e que em leitura imediata leva à mesma mensagem
evitando frases e períodos desconexos. Para perceber a falta que se obtém pela decifração da metáfora.
de coesão, a melhor atitude é ler atentamente o seu texto,

Língua Portuguesa 1
APOSTILAS OPÇÃO

O conceito de sentido próprio nasce do mito da existência Na verdade, não existe o leitor absolutamente ingênuo, que
da leitura ingênua, que ocorre esporadicamente, é verdade, se comporte como uma máquina de ler, o que faz do conceito
mas nunca mais que esporadicamente. de leitura imediata apenas um pressuposto metodológico. O
Não há muito que criticar na adoção dos conceitos de que existe são ocorrências eventuais que se aproximam de
sentido próprio e sentido figurado, pois ela abre um caminho uma leitura imediata, como quando alguém toma o sentido
de abordagem do fenômeno da metáfora. O que é passível de literal pelo figurado, quando não capta uma ironia ou fica
crítica é a atribuição de status diferenciado para cada uma das perplexo diante de um oximoro.
categorias. Tradicionalmente o sentido próprio carrega uma Há quem chame o discurso que admite leitura imediata de
conotação de sentido “natural”, sentido “primeiro”. grau zero da escritura, identificando-a como uma forma mais
Invertendo a perspectiva, com os mesmos argumentos, primitiva de expressão. Esse grau zero não tem realidade, é
poderíamos afirmar que “natural”, “primeiro” é o sentido apenas um pressuposto. Os recursos de Retórica são
figurado, afinal, é o sentido figurado que possibilita a correta anteriores a ele.
interpretação do enunciado e não o sentido próprio. Se o
sentido figurado é o “verdadeiro” para o enunciado, por que Sentido Preferencial
não chamá-lo de “natural”, “primeiro”? Para compreender o sentido preferencial é preciso
Pela lógica da Retórica tradicional, essa inversão de conceber o enunciado descontextualizado ou em contexto de
perspectiva não é possível, pois o sentido figurado está dicionário. Quando um enunciado é realizado em contexto
impregnado de uma conotação desfavorável. O sentido muito rarefeito, como é o contexto em que se encontra uma
figurado é visto como anormal e o sentido próprio, não. Ele palavra no dicionário, dizemos que ela está
carrega uma conotação positiva, logo, é natural, primeiro. descontextualizada. Nesta situação, o sentido preferencial é o
A Retórica tradicional é impregnada de moralismo e que, na média, primeiro se impõe para o enunciado. Óbvio, o
estetização e até a geração de categorias se ressente disso. sentido que primeiro se impõe para um receptor pode não ser
Essa tendência para atribuir status às categorias é uma o mesmo para outro. Por isso a definição tem de considerar o
constante do pensamento antigo, cuja índole era resultado médio, o que não impede que pela necessidade
hierarquizante, sempre buscando uma estrutura piramidal momentânea consideremos o significado preferencial para
para o conhecimento, o que se estende até hoje em algumas dado indivíduo.
teorias modernas. Algumas regularidades podem ser observadas nos
Ainda hoje, apesar da imparcialidade típica e necessária ao significados preferenciais. Por exemplo: o sentido preferencial
conhecimento científico, vemos conotações de valor sendo da palavra porco costuma ser: “animal criado em granja para
atribuídas a categorias retóricas a partir de considerações abate”, e nunca o de “indivíduo sem higiene”. Em outras
totalmente externas a ela. Um exemplo: o retórico que tenha palavras, geralmente o sentido que admite leitura imediata se
para si a convicção de que a qualidade de qualquer discurso se impõe sobre o que teve origem em processos metafóricos,
fundamenta na sua novidade, originalidade, imprevisibilidade, alegóricos, metonímicos. Mas esta regra não é geral. Vejamos
tenderá a descrever os recursos retóricos como “desvios da o seguinte exemplo: “Um caminhão de cimento”. O sentido
normalidade”, pois o que lhe interessa é pôr esses recursos preferencial para a frase dada é o mesmo de “caminhão
retóricos a serviço de sua concepção estética. carregado com cimento” e não o de “caminhão construído com
cimento”. Neste caso o sentido preferencial é o metonímico, o
Sentido Imediato que contrapõe a tese que diz que o sentido “figurado” não é o
“primeiro significado da palavra”. Também é comum o sentido
Sentido imediato é o que resulta de uma leitura imediata mais usado se impor sobre o menos usado.
que, com certa reserva, poderia ser chamada de leitura Para certos termos é difícil estabelecer o sentido
ingênua ou leitura de máquina de ler. preferencial. Um exemplo: Qual o sentido preferencial de
Uma leitura imediata é aquela em que se supõe a existência manga? O de fruto ou de uma parte da roupa?
de uma série de premissas que restringem a decodificação tais
como: Questões
- As frases seguem modelos completos de oração da língua.
- O discurso é lógico. 01. (SEDS/PE - Sargento Polícia Militar -
- Se a forma usada no discurso é a mesma usada para MS/CONCURSOS) O preenchimento adequado da manchete:
estabelecer identidades lógicas ou atribuições, então, tem-se, “Pelé afirma que a seleção está bem, ______Portugal e Espanha
respectivamente, identidade lógica e atribuição. também estão bem preparadas.” faz parte de um recurso de:
- Os significados são os encontrados no dicionário. (A) Adequação vocabular.
- Existe concordância entre termos sintáticos. (B) Falta de coesão.
- Abstrai-se a conotação. (C) Incoerência.
- Supõe-se que não há anomalias linguísticas. (D) Coesão.
- Abstrai-se o gestual, o entoativo e editorial enquanto (E) Coerência.
modificadores do código linguístico.
- Supõe-se pertinência ao contexto. 02. (SEDUC/PI - Professor - NUCEP) O sentido da frase:
- Abstrai-se iconias. Equivale dizer, ainda, que nós somos sujeitos de nossa história
- Abstrai-se alegorias, ironias, paráfrases, trocadilhos, etc. e de nossa realidade, considerando-se a palavra destacada,
- Não se concebe a existência de locuções e frases feitas. continuará inalterado, em:
- Supõe-se que o uso do discurso é comunicativo. Abstrai- (A) Equivale dizer, talvez, que nós somos sujeitos de nossa
se o uso expressivo, cerimonial. história e de nossa realidade.
(B) Equivale dizer, por outro lado, que nós somos sujeitos
Admitindo essas premissas, o discurso será indecifrável, de nossa história e de nossa realidade.
ininteligível ou compreendido parcialmente toda vez que nele (C) Equivale dizer, preferencialmente, que nós somos
surgirem elipses, metáforas, metonímias, oximoros, ironias, sujeitos de nossa história e de nossa realidade.
alegorias, anomalias, etc. Também passam despercebidas as (D) Equivale dizer, novamente, que nós somos sujeitos de
conotações, as iconias, os modificadores gestuais, entoativos, nossa história e de nossa realidade.
editoriais, etc. (E) Equivale dizer, também, que nós somos sujeitos de
nossa história e de nossa realidade.

Língua Portuguesa 2
APOSTILAS OPÇÃO

03. (TJ/SP - Agente de Fiscalização Judiciária - (A) próprio, equivalendo a inspiração.


VUNESP) (B) próprio, equivalendo a conquistador.
(C) figurado, equivalendo a ave de rapina.
No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira (D) figurado, equivalendo a alimento.
que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um (E) figurado, equivalendo a predador.
levantamento em grandes cidades de 31 países para descobrir
como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A Gabarito
conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais 01.D / 02.E / 03.D / 04.E
atrasados - do ponto de vista temporal, bem entendido - do
mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
percorrem determinada distância a pé no centro da cidade, o
número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos A leitura é o meio mais importante para chegarmos ao
correios. Os brasileiros pontuaram muito mal nos dois conhecimento, portanto, precisamos aprender a ler e não
primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o apenas “passar os olhos sobre algum texto”. Ler, na verdade, é
primeiro lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o dar sentido à vida e ao mundo, é dominar a riqueza de
povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking são qualquer texto, seja literário, informativo, persuasivo,
ocupadas por países pobres. narrativo, possibilidades que se misturam e as tornam
O estudo de Robert Levine associa a administração do infinitas. É preciso, para uma boa leitura, exercitar-se na arte
tempo aos traços culturais de um país. "Nos Estados Unidos, de pensar, de captar ideias, de investigar as palavras… Para
por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor isso, devemos entender, primeiro, algumas definições
cultural. Os brasileiros, em comparação, dão mais importância importantes:
às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos", diz
o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por Texto
exemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um O texto (do latim textum: tecido) é uma unidade básica de
convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a organização e transmissão de ideias, conceitos e informações
uma festa de aniversário. Pode-se argumentar que os de modo geral. Em sentido amplo, uma escultura, um quadro,
brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários um símbolo, um sinal de trânsito, uma foto, um filme, uma
porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o novela de televisão também são formas textuais.
trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte
público? Interlocutor
(Veja, 2009.) É a pessoa a quem o texto se dirige.
Há emprego do sentido figurado das palavras em:
Texto-modelo
(A) ... os brasileiros estão entre os povos mais atrasados...
“Não é preciso muito para sentir ciúme. Bastam três – você,
(B) No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar.
uma pessoa amada e uma intrusa. Por isso todo mundo sente.
(C) Os brasileiros ... dão mais importância às relações
Se sua amiga disser que não, está mentindo ou se enganando.
sociais...
Quem agüenta ver o namorado conversando todo animado
(D) Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo...
com outra menina sem sentir uma pontinha de não-sei-o-quê?
(E) ... não se pode confiar no serviço público?
(…)
É normal você querer o máximo de atenção do seu
04. (UNESP - Assistente Administrativo -
namorado, das suas amigas, dos seus pais. Eles são a parte
VUNESP/2016)
mais importante da sua vida.”
(Revista Capricho)
O gavião
Modelo de Perguntas
1) Considerando o texto-modelo, é possível identificar
Gente olhando para o céu: não é mais disco voador. Disco
quem é o seu interlocutor preferencial?
voador perdeu o cartaz com tanto satélite beirando o sol e a
Um leitor jovem.
lua. Olhamos todos para o céu em busca de algo mais
sensacional e comovente – o gavião malvado, que mata
2) Quais são as informações (explícitas ou não) que
pombas.
permitem a você identificar o interlocutor preferencial do
O centro da cidade do Rio de Janeiro retorna assim à
texto?
contemplação de um drama bem antigo, e há o partido das
Do contexto podemos extrair indícios do interlocutor
pombas e o partido do gavião. Os pombistas ou pombeiros
preferencial do texto: uma jovem adolescente, que pode ser
(qualquer palavra é melhor que “columbófilo”) querem matar
acometida pelo ciúme. Observa-se ainda , que a revista
o gavião. Os amigos deste dizem que ele não é malvado tal; na
Capricho tem como público-alvo preferencial: meninas
verdade come a sua pombinha com a mesma inocência com
adolescentes.
que a pomba come seu grão de milho.
A linguagem informal típica dos adolescentes.
Não tomarei partido; admiro a túrgida inocência das
pombas e também o lance magnífico em que o gavião se
09 DICAS PARA MELHORAR A INTERPRETAÇÃO DE
despenca sobre uma delas. Comer pombas é, como diria Saint-
TEXTOS
Exupéry, “a verdade do gavião”, mas matar um gavião no ar
01) Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do
com um belo tiro pode também ser a verdade do caçador.
assunto;
Que o gavião mate a pomba e o homem mate alegremente
02) Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa
o gavião; ao homem, se não houver outro bicho que o mate,
a leitura;
pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em outro
03) Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto
homem.
(Rubem Braga. Ai de ti, Copacabana, 1999)
pelo menos duas vezes;
04) Inferir;
O termo gavião, destacado em sua última ocorrência no 05) Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar;
texto – … pode lhe suceder que ele encontre seu gavião em 06) Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do
outro homem. –, é empregado com sentido: autor;

Língua Portuguesa 3
APOSTILAS OPÇÃO

07) Fragmentar o texto (parágrafos, partes) para melhor pois as bikes não emitem gases nocivos ao ambiente, não
compreensão; consomem petróleo e produzem muito menos sucata de
08) Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada metais, plásticos e borracha; a diminuição dos
questão; congestionamentos por excesso de veículos motorizados, que
09) O autor defende ideias e você deve percebê-las; atingem principalmente as grandes cidades; o favorecimento
Fonte: http://portuguesemfoco.com/09-dicas-para- da saúde, pois pedalar é um exercício físico muito bom; e a
melhorar-a-interpretacao-de-textos-em-provas/ economia no combustível, na manutenção, no seguro e, claro,
nos impostos.
Não saber interpretar corretamente um texto pode gerar No Brasil, está sendo implantado o sistema de
inúmeros problemas, afetando não só o desenvolvimento compartilhamento de bicicletas. Em Porto Alegre, por
profissional, mas também o desenvolvimento pessoal. O exemplo, o BikePOA é um projeto de sustentabilidade da
mundo moderno cobra de nós inúmeras competências, uma Prefeitura, em parceria com o sistema de Bicicletas SAMBA,
delas é a proficiência na língua, e isso não se refere apenas a com quase um ano de operação. Depois de Rio de Janeiro, São
uma boa comunicação verbal, mas também à capacidade de Paulo, Santos, Sorocaba e outras cidades espalhadas pelo país
entender aquilo que está sendo lido. O analfabetismo funcional aderirem a esse sistema, mais duas capitais já estão com o
está relacionado com a dificuldade de decifrar as entrelinhas projeto pronto em 2013: Recife e Goiânia. A ideia do
do código, pois a leitura mecânica é bem diferente da leitura compartilhamento é semelhante em todas as cidades. Em
interpretativa, aquela que fazemos ao estabelecer analogias e Porto Alegre, os usuários devem fazer um cadastro pelo site. O
criar inferências. Para que você não sofra mais com a análise valor do passe mensal é R$ 10 e o do passe diário, R$ 5,
de textos, elaboramos algumas dicas para você seguir e tirar podendo-se utilizar o sistema durante todo o dia, das 6h às
suas dúvidas. 22h, nas duas modalidades. Em todas as cidades que já
Uma interpretação de texto competente depende de aderiram ao projeto, as bicicletas estão espalhadas em pontos
inúmeros fatores, mas nem por isso deixaremos de contemplar estratégicos.
alguns que se fazem essenciais para esse exercício. Muitas A cultura do uso da bicicleta como meio de locomoção não
vezes, apressados, descuidamo-nos das minúcias presentes está consolidada em nossa sociedade. Muitos ainda não sabem
em um texto, achamos que apenas uma leitura já se faz que a bicicleta já é considerada um meio de transporte, ou
suficiente, o que não é verdade. Interpretar demanda paciência desconhecem as leis que abrangem a bike. Na confusão de um
trânsito caótico numa cidade grande, carros, motocicletas,
e, por isso, sempre releia, pois uma segunda leitura pode
ônibus e, agora, bicicletas, misturam-se, causando, muitas
apresentar aspectos surpreendentes que não foram vezes, discussões e acidentes que poderiam ser evitados.
observados anteriormente. Para auxiliar na busca de sentidos Ainda são comuns os acidentes que atingem ciclistas. A
do texto, você pode também retirar dele os tópicos frasais verdade é que, quando expostos nas vias públicas, eles estão
presentes em cada parágrafo, isso certamente auxiliará na totalmente vulneráveis em cima de suas bicicletas. Por isso é
apreensão do conteúdo exposto. Lembre-se de que os tão importante usar capacete e outros itens de segurança. A
parágrafos não estão organizados, pelo menos em um bom maior parte dos motoristas de carros, ônibus, motocicletas e
texto, de maneira aleatória, se estão no lugar que estão, é caminhões desconhece as leis que abrangem os direitos dos
porque ali se fazem necessários, estabelecendo uma relação ciclistas. Mas muitos ciclistas também ignoram seus direitos e
deveres. Alguém que resolve integrar a bike ao seu estilo de
hierárquica do pensamento defendido, retomando ideias
vida e usá-la como meio de locomoção precisa compreender
supracitadas ou apresentando novos conceitos. que deverá gastar com alguns apetrechos necessários para
Para finalizar, concentre-se nas ideias que de fato foram poder trafegar. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro,
explicitadas pelo autor: os textos argumentativos não as bicicletas devem, obrigatoriamente, ser equipadas com
costumam conceder espaço para divagações ou hipóteses, campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e
supostamente contidas nas entrelinhas. Devemos nos ater às nos pedais, além de espelho retrovisor do lado esquerdo.
ideias do autor, isso não quer dizer que você precise ficar preso (Bárbara Moreira, http://www.eusoufamecos.net. Adaptado)
na superfície do texto, mas é fundamental que não criemos, à
revelia do autor, suposições vagas e inespecíficas. Quem lê com 01. De acordo com o texto, o uso da bicicleta como meio de
cuidado certamente incorre menos no risco de tornar-se um locomoção nas metrópoles brasileiras
analfabeto funcional e ler com atenção é um exercício que deve (A) decresce em comparação com Holanda e Inglaterra
ser praticado à exaustão, assim como uma técnica, que fará de devido à falta de regulamentação.
nós leitores proficientes e sagazes. Agora que você já conhece (B) vem se intensificando paulatinamente e tem sido
nossas dicas, desejamos a você uma boa leitura e bons estudos! incentivado em várias cidades.
Fonte: http://portugues.uol.com.br/redacao/dicas-para-uma-boa- (C) tornou-se, rapidamente, um hábito cultivado pela
interpretacao-texto.html maioria dos moradores.
(D) é uma alternativa dispendiosa em comparação com os
Questões demais meios de transporte.
(E) tem sido rejeitado por consistir em uma atividade
O uso da bicicleta no Brasil arriscada e pouco salutar.

A utilização da bicicleta como meio de locomoção no Brasil 02. A partir da leitura, é correto concluir que um dos
ainda conta com poucos adeptos, em comparação com países objetivos centrais do texto é
como Holanda e Inglaterra, por exemplo, nos quais a bicicleta (A) informar o leitor sobre alguns direitos e deveres do
é um dos principais veículos nas ruas. Apesar disso, cada vez ciclista.
mais pessoas começam a acreditar que a bicicleta é, numa (B) convencer o leitor de que circular em uma bicicleta é
comparação entre todos os meios de transporte, um dos que mais seguro do que dirigir um carro.
oferecem mais vantagens. (C) mostrar que não há legislação acerca do uso da bicicleta
A bicicleta já pode ser comparada a carros, motocicletas e no Brasil.
a outros veículos que, por lei, devem andar na via e jamais na (D) explicar de que maneira o uso da bicicleta como meio
calçada. Bicicletas, triciclos e outras variações são todos de locomoção se consolidou no Brasil.
considerados veículos, com direito de circulação pelas ruas e (E) defender que, quando circular na calçada, o ciclista
prioridade sobre os automotores. deve dar prioridade ao pedestre.
Alguns dos motivos pelos quais as pessoas aderem à
bicicleta no dia a dia são: a valorização da sustentabilidade,

Língua Portuguesa 4
APOSTILAS OPÇÃO

03. Considere o cartum de Evandro Alves. antes de passar para a ira de trânsito de fato, levando um
motorista a tomar decisões irracionais.
Afogado no Trânsito Dirigir pode ser uma experiência arriscada e emocionante.
Para muitos de nós, os carros são a extensão de nossa
personalidade e podem ser o bem mais valioso que possuímos.
Dirigir pode ser a expressão de liberdade para alguns, mas
também é uma atividade que tende a aumentar os níveis de
estresse, mesmo que não tenhamos consciência disso no
momento.
Dirigir é também uma atividade comunitária. Uma vez que
entra no trânsito, você se junta a uma comunidade de outros
motoristas, todos com seus objetivos, medos e habilidades ao
volante. Os psicólogos Leon James e Diane Nahl dizem que um
dos fatores da ira de trânsito é a tendência de nos
concentrarmos em nós mesmos, descartando o aspecto
comunitário do ato de dirigir.
(http://iiiconcursodecartumuniversitario.blogspot.com.br) Como perito do Congresso em Psicologia do Trânsito, o Dr.
James acredita que a causa principal da ira de trânsito não são
Considerando a relação entre o título e a imagem, é correto os congestionamentos ou mais motoristas nas ruas, e sim
concluir que um dos temas diretamente explorados no cartum como nossa cultura visualiza a direção agressiva. As crianças
aprendem que as regras normais em relação ao
é
comportamento e à civilidade não se aplicam quando
(A) o aumento da circulação de ciclistas nas vias públicas. dirigimos um carro. Elas podem ver seus pais envolvidos em
(B) a má qualidade da pavimentação em algumas ruas. comportamentos de disputa ao volante, mudando de faixa
(C) a arbitrariedade na definição dos valores das multas. continuamente ou dirigindo em alta velocidade, sempre com
(D) o número excessivo de automóveis nas ruas. pressa para chegar ao destino.
(E) o uso de novas tecnologias no transporte público. Para complicar as coisas, por vários anos psicólogos
sugeriam que o melhor meio para aliviar a raiva era
04. Considere o cartum de Douglas Vieira. descarregar a frustração. Estudos mostram, no entanto, que a
descarga de frustrações não ajuda a aliviar a raiva. Em uma
Televisão situação de ira de trânsito, a descarga de frustrações pode
transformar um incidente em uma violenta briga.
Com isso em mente, não é surpresa que brigas violentas
aconteçam algumas vezes. A maioria das pessoas está
predisposta a apresentar um comportamento irracional
quando dirige. Dr. James vai ainda além e afirma que a maior
parte das pessoas fica emocionalmente incapacitada quando
dirige. O que deve ser feito, dizem os psicólogos, é estar ciente
de seu estado emocional e fazer as escolhas corretas, mesmo
quando estiver tentado a agir só com a emoção.
(Jonathan Strickland. Disponível em: http://carros.hsw.uol.com.br/furia-no-
transito1 .htm. Acesso em: 01.08.2013. Adaptado)

05. Tomando por base as informações contidas no texto, é


(http://iiiconcursodecartumuniversitario.blogspot.com.br. Adaptado) correto afirmar que
(A) os comportamentos de disputa ao volante acontecem à
É correto concluir que, de acordo com o cartum , medida que os motoristas se envolvem em decisões
(A) os tipos de entretenimento disponibilizados pelo livro conscientes.
ou pela TV são equivalentes. (B) segundo psicólogos, as brigas no trânsito são causadas
(B) o livro, em comparação com a TV, leva a uma pela constante preocupação dos motoristas com o aspecto
imaginação mais ativa. comunitário do ato de dirigir.
(C) o indivíduo que prefere ler a assistir televisão é alguém (C) para Dr. James, o grande número de carros nas ruas é o
que não sabe se distrair. principal motivo que provoca, nos motoristas, uma direção
(D) a leitura de um bom livro é tão instrutiva quanto agressiva.
assistir a um programa de televisão. (D) o ato de dirigir um carro envolve uma série de
(E) a televisão e o livro estimulam a imaginação de modo experiências e atividades não só individuais como também
idêntico, embora ler seja mais prazeroso. sociais.
(E) dirigir mal pode estar associado à falta de controle das
Leia o texto para responder às questões: emoções positivas por parte dos motoristas.

Propensão à ira de trânsito Gabarito


1. (B) / 2. (A) / 3. (D) / 4. (B) / 5. (D)
Dirigir um carro é estressante, além de inerentemente
perigoso. Mesmo que o indivíduo seja o motorista mais seguro
do mundo, existem muitas variáveis de risco no trânsito, como
clima, acidentes de trânsito e obras nas ruas. 2. Tipologia textual.
E com relação a todas as outras pessoas nas ruas? Algumas
não são apenas maus motoristas, sem condições de dirigir, mas
também se engajam num comportamento de risco – algumas TIPOS TEXTUAIS
até agem especificamente para irritar o outro motorista ou
impedir que este chegue onde precisa. Para escrever um texto, necessitamos de técnicas que
Essa é a evolução de pensamento que alguém poderá ter implicam no domínio de capacidades linguísticas. Temos dois

Língua Portuguesa 5
APOSTILAS OPÇÃO

momentos: o de formular pensamentos (o que se quer dizer) e 1) “De longe via a aleia onde a tarde era clara e redonda.
o de expressá-los por escrito (o escrever propriamente dito). Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho.
Fazer um texto, seja ele de que tipo for, não significa apenas Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de árvores,
escrever de forma correta, mas sim, organizar ideias sobre pequenas surpresas entre os cipós. Todo o jardim triturado
determinado assunto. pelos instantes já mais apressados da tarde. De onde vinha o
E para expressarmos por escrito, existem alguns modelos meio sonho pelo qual estava rodeada? Como por um zunido de
de expressão escrita: descrição, narração, dissertação e carta: abelhas e aves. Tudo era estranho, suave demais, grande
demais.”
- Descrição (“Amor”, Laços de Família, Clarice Lispector)
Expõe características dos seres ou das coisas,
apresenta uma visão; 2) “Chamava-se Raimundo este pequeno, e era mole,
É um tipo de texto figurativo; aplicado, inteligência tarda. Raimundo gastava duas horas em
Retrato de pessoas, ambientes, objetos; reter aquilo que a outros levava apenas trinta ou cinquenta
Predomínio de atributos; minutos; vencia com o tempo o que não podia fazer logo com
o cérebro. Reunia a isso grande medo ao pai. Era uma criança
Uso de verbos de ligação;
fina, pálida, cara doente; raramente estava alegre. Entrava na
Frequente emprego de metáforas, comparações e
escola depois do pai e retirava-se antes. O mestre era mais
outras figuras de linguagem;
severo com ele do que conosco.”
Tem como resultado a imagem física ou psicológica. (Machado de Assis. “Conto de escola”. Contos. 3ed. São Paulo, Ática, 1974)

- Narração Esse texto traça o perfil de Raimundo, o filho do professor


Expõe um fato, relaciona mudanças de situação, aponta da escola que o escritor frequentava.
antes, durante e depois dos acontecimentos (geralmente); Deve-se notar:
É um tipo de texto sequencial; - Que todas as frases expõem ocorrências simultâneas (ao
Relato de fatos; mesmo tempo que gastava duas horas para reter aquilo que os
Presença de narrador, personagens, enredo, cenário, outros levavam trinta ou cinquenta minutos, Raimundo tinha
tempo; grande medo ao pai);
Apresentação de um conflito; - Por isso, não existe uma ocorrência que possa ser
Uso de verbos de ação; considerada cronologicamente anterior a outra do ponto de
Geralmente, é mesclada de descrições; vista do relato (no nível dos acontecimentos, entrar na escola
O diálogo direto é frequente. é cronologicamente anterior a retirar-se dela; no nível do
relato, porém, a ordem dessas duas ocorrências é indiferente:
- Dissertação o que o escritor quer é explicitar uma característica do menino,
Expõe um tema, explica, avalia, classifica, analisa; e não traçar a cronologia de suas ações);
É um tipo de texto argumentativo; - Ainda que se fale de ações (como entrava, retirava-se),
Defesa de um argumento: apresentação de uma tese que todas elas estão no pretérito imperfeito, que indica
será defendida, desenvolvimento ou argumentação, concomitância em relação a um marco temporal instalado no
fechamento; texto (no caso, o ano de 1840, em que o escritor frequentava a
escola da Rua da Costa) e, portanto, não denota nenhuma
Predomínio da linguagem objetiva;
transformação de estado;
Prevalece a denotação.
- Se invertêssemos a sequência dos enunciados, não
correríamos o risco de alterar nenhuma relação cronológica
- Carta
poderíamos mesmo colocar o último período em primeiro
Esse é um tipo de texto que se caracteriza por envolver lugar e ler o texto do fim para o começo: O mestre era mais
um remetente e um destinatário; severo com ele do que conosco. Entrava na escola depois do
É normalmente escrita em primeira pessoa, e sempre pai e retirava-se antes...
visa um tipo de leitor;
É necessário que se utilize uma linguagem adequada Características
com o tipo de destinatário e que durante a carta não se - Ao fazer a descrição enumeramos características,
perca a visão daquele para quem o texto está sendo escrito. comparações e inúmeros elementos sensoriais;
- As personagens podem ser caracterizadas física e
No entanto abordaremos com mais ênfase os seguintes psicologicamente, ou pelas ações;
elementos: - A descrição pode ser considerada um dos elementos
constitutivos da dissertação e da argumentação;
Descrição - É impossível separar narração de descrição;
- O que se espera não é tanto a riqueza de detalhes, mas sim
É a representação com palavras de um objeto, lugar, a capacidade de observação que deve revelar aquele que a
situação ou coisa, onde procuramos mostrar os traços mais realiza;
particulares ou individuais do que se descreve. É qualquer - Utilizam, preferencialmente, verbos de ligação. Exemplo:
elemento que seja apreendido pelos sentidos e transformado, “(...) Ângela tinha cerca de vinte anos; parecia mais velha pelo
com palavras, em imagens. desenvolvimento das proporções. Grande, carnuda, sanguínea
Sempre que se expõe com detalhes um objeto, uma pessoa e fogosa, era um desses exemplares excessivos do sexo que
ou uma paisagem a alguém, está fazendo uso da descrição. Não parecem conformados expressamente para esposas da
é necessário que seja perfeita, uma vez que o ponto de vista do multidão (...)” (Raul Pompéia – O Ateneu);
observador varia de acordo com seu grau de percepção. Dessa - Como na descrição o que se reproduz é simultâneo, não
forma, o que será importante ser analisado para um, não será existe relação de anterioridade e posterioridade entre seus
para outro. enunciados;
A vivência de quem descreve também influencia na hora de - Devem-se evitar os verbos e, se isso não for possível, que
transmitir a impressão alcançada sobre determinado objeto, se usem então as formas nominais, o presente e o pretérito
pessoa, animal, cena, ambiente, emoção vivida ou sentimento. imperfeito do indicativo, dando-se sempre preferência aos
Exemplos: verbos que indiquem estado ou fenômeno.

Língua Portuguesa 6
APOSTILAS OPÇÃO

- Todavia deve predominar o emprego das comparações, 2) Descrição Subjetiva: quando há maior participação da
dos adjetivos e dos advérbios, que conferem colorido ao texto. emoção, ou seja, quando o objeto, o ser, a cena, a paisagem são
A característica fundamental de um texto descritivo é essa transfigurados pela emoção de quem escreve, podendo opinar
inexistência de progressão temporal. Pode-se apresentar, ou expressar seus sentimentos. Ex.: “Nas ocasiões de aparato é
numa descrição, até mesmo ação ou movimento, desde que que se podia tomar pulso ao homem. Não só as condecorações
eles sejam sempre simultâneos, não indicando progressão de gritavam-lhe no peito como uma couraça de grilos. Ateneu!
uma situação anterior para outra posterior. Tanto é que uma Ateneu! Aristarco todo era um anúncio; os gestos, calmos,
das marcas linguísticas da descrição é o predomínio de verbos soberanos, calmos, eram de um rei...” (“O Ateneu”, Raul Pompéia)
no presente ou no pretérito imperfeito do indicativo: o “(...) Quando conheceu Joca Ramiro, então achou outra
primeiro expressa concomitância em relação ao momento da esperança maior: para ele, Joca Ramiro era único homem, par-
fala; o segundo, em relação a um marco temporal pretérito de-frança, capaz de tomar conta deste sertão nosso, mandando
instalado no texto. por lei, de sobregoverno.”
Para transformar uma descrição numa narração, bastaria (Guimarães Rosa – Grande Sertão: Veredas)
introduzir um enunciado que indicasse a passagem de um
estado anterior para um posterior. No caso do texto 2 inicial, Os efeitos de sentido criados pela disposição dos
para transformá-lo em narração, bastaria dizer: Reunia a isso elementos descritivos:
grande medo do pai. Mais tarde, libertou-se desse medo... Como se disse anteriormente, do ponto de vista da
progressão temporal, a ordem dos enunciados na descrição é
Características Linguísticas indiferente, uma vez que eles indicam propriedades ou
O enunciado narrativo, por ter a representação de um características que ocorrem simultaneamente. No entanto, ela
acontecimento, fazer-transformador, é marcado pela não é indiferente do ponto de vista dos efeitos de sentido:
temporalidade, na relação situação inicial e situação final, descrever de cima para baixo ou vice-versa, do detalhe para o
enquanto que o enunciado descritivo, não tendo todo ou do todo para o detalhe cria efeitos de sentido distintos.
transformação, é atemporal. Observe os dois quartetos do soneto “Retrato Próprio”, de
Na dimensão linguística, destacam-se marcas sintático- Bocage:
semânticas encontradas no texto que vão facilitar a
compreensão: Magro, de olhos azuis, carão moreno,
- Predominância de verbos de estado, situação ou bem servido de pés, meão de altura,
indicadores de propriedades, atitudes, qualidades, usados triste de facha, o mesmo de figura,
principalmente no presente e no imperfeito do indicativo (ser, nariz alto no meio, e não pequeno.
estar, haver, situar-se, existir, ficar);
- Ênfase na adjetivação para melhor caracterizar o que é Incapaz de assistir num só terreno,
descrito; mais propenso ao furor do que à ternura;
- Emprego de figuras (metáforas, metonímias, bebendo em níveas mãos por taça escura
comparações, sinestesias); de zelos infernais letal veneno.
(Obras de Bocage. Porto, Lello & Irmão,1968)
- Uso de advérbios de localização espacial.
O poeta descreve-se das características físicas para as
Recursos
características morais. Se fizesse o inverso, o sentido não seria
- Usar impressões cromáticas (cores) e sensações térmicas.
o mesmo, pois as características físicas perderiam qualquer
Ex.: “O dia transcorria amarelo, frio, ausente do calor alegre do
relevo.
sol.”
O objetivo de um texto descritivo é levar o leitor a
- Usar o vigor e relevo de palavras fortes, próprias, exatas,
visualizar uma cena. É como traçar com palavras o retrato de
concretas. Ex.: “As criaturas humanas transpareciam um céu
um objeto, lugar, pessoa etc., apontando suas características
sereno, uma pureza de cristal.”
exteriores, facilmente identificáveis (descrição objetiva), ou
- As sensações de movimento e cor embelezam o poder da
suas características psicológicas e até emocionais (descrição
natureza e a figura do homem. Ex.: “Era um verde transparente
subjetiva).
que deslumbrava e enlouquecia qualquer um.”
Uma descrição deve privilegiar o uso frequente de
- A frase curta e penetrante dá um sentido de rapidez do
adjetivos, também denominado adjetivação. Para facilitar o
texto. Ex.: “Vida simples. Roupa simples. Tudo simples. O
aprendizado desta técnica, sugere-se que o concursando, após
pessoal, muito crente.”
escrever seu texto, sublinhe todos os substantivos,
acrescentando antes ou depois deste um adjetivo ou uma
Formas para a apresentação da Descrição
locução adjetiva.
1) Descrição Objetiva: quando o objeto, o ser, a cena, a
passagem são apresentadas como realmente são,
3) Descrição de objetos constituídos de uma só parte:
concretamente. Ex.: “Sua altura é 1,85m. Seu peso, 70 kg.
- Introdução: observações de caráter geral referentes à
Aparência atlética, ombros largos, pele bronzeada. Moreno,
procedência ou localização do objeto descrito;
olhos negros, cabelos negros e lisos”.
- Desenvolvimento: detalhes (lª parte) formato
Não se dá qualquer tipo de opinião ou julgamento.
(comparação com figuras geométricas e com objetos
Exemplo: “A casa velha era enorme, toda em largura, com
semelhantes, dimensões, largura, comprimento, altura,
porta central que se alcançava por três degraus de pedra e
diâmetro etc.);
quatro janelas de guilhotina para cada lado. Era feita de pau a
- Desenvolvimento: detalhes (2ª parte) material, peso,
pique barreado, dentro de uma estrutura de cantos e apoios de
cor/brilho, textura;
madeira-de-lei. Telhado de quatro águas. Pintada de roxo-
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua
claro. Devia ser mais velha que Juiz de Fora, provavelmente
utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto
sede de alguma fazenda que tivesse ficado, capricho da sorte,
como um todo.
na linha de passagem da variante do Caminho Novo que veio a
ser a Rua Principal, depois a Rua Direita – sobre a qual ela se
4) Descrição de objetos constituídos por várias partes:
punha um pouco de esguelha e fugindo ligeiramente do
- Introdução: observações de caráter geral referentes à
alinhamento (...).” (Pedro Nava – Baú de Ossos)
procedência ou localização do objeto descrito;

Língua Portuguesa 7
APOSTILAS OPÇÃO

- Desenvolvimento: enumeração e rápidos comentários descrever aparelhos, o seu funcionamento, as peças que os
das partes que compõem o objeto, associados à explicação de compõem, para descrever experiências, processos, etc.
como as partes se agrupam para formar o todo; Ex.: Folheto de propaganda de um carro.
- Desenvolvimento: detalhes do objeto visto como um todo “- Conforto interno: É impossível falar de conforto sem
(externamente) formato, dimensões, material, peso, textura, incluir o espaço interno. Os seus interiores são amplos,
cor e brilho; acomodando tranquilamente passageiros e bagagens. O Passat
- Conclusão: observações de caráter geral referentes a sua e o Passat Variant possuem direção hidráulica e ar
utilidade ou qualquer outro comentário que envolva o objeto condicionado de elevada capacidade, proporcionando a
em sua totalidade. climatização perfeita do ambiente.
- Porta-malas: O compartimento de bagagens possui
5) Descrição de ambientes: capacidade de 465 litros, que pode ser ampliada para até 1500
- Introdução: comentário de caráter geral; litros, com o encosto do banco traseiro rebaixado.
- Desenvolvimento: detalhes referentes à estrutura global Tanque - O tanque de combustível é confeccionado em
do ambiente: paredes, janelas, portas, chão, teto, luminosidade plástico reciclável e posicionado entre as rodas traseiras, para
e aroma (se houver); evitar a deformação em caso de colisão.”
- Desenvolvimento: detalhes específicos em relação a
objetos lá existentes: móveis, eletrodomésticos, quadros, b) Textos descritivos literários: na descrição literária
esculturas ou quaisquer outros objetos; predomina o aspecto subjetivo, com ênfase no conjunto de
- Conclusão: observações sobre a atmosfera que paira no associações conotativas que podem ser exploradas a partir de
ambiente. descrições de pessoas; cenários, paisagens, espaço; ambientes;
situações e coisas. Vale lembrar que textos descritivos também
6) Descrição de paisagens: podem ocorrer tanto em prosa como em verso.
- Introdução: comentário sobre sua localização ou
qualquer outra referência de caráter geral; Narração
- Desenvolvimento: observação do plano de fundo
(explicação do que se vê ao longe); A narração é um tipo de texto que relata uma história real,
- Desenvolvimento: observação dos elementos mais fictícia ou mescla dados reais e imaginários. O texto narrativo
próximos do observador explicação detalhada dos elementos apresenta personagens que atuam em um tempo e em um
que compõem a paisagem, de acordo com determinada ordem; espaço, organizados por uma narração feita por um narrador.
- Conclusão: comentários de caráter geral, concluindo É uma série de fatos situados em um espaço e no tempo,
acerca da impressão que a paisagem causa em quem a tendo mudança de um estado para outro, segundo relações de
contempla. sequencialidade e causalidade, e não simultâneos como na
descrição. Expressa as relações entre os indivíduos, os
7) Descrição de pessoas (A): conflitos e as ligações afetivas entre esses indivíduos e o
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de mundo, utilizando situações que contêm essa vivência.
qualquer aspecto de caráter geral; Todas as vezes que uma história é contada (é narrada), o
- Desenvolvimento: características físicas (altura, peso, cor narrador acaba sempre contando onde, quando, como e com
da pele, idade, cabelos, olhos, nariz, boca, voz, roupas); quem ocorreu o episódio. É por isso que numa narração
- Desenvolvimento: características psicológicas predomina a ação: o texto narrativo é um conjunto de ações;
(personalidade, temperamento, caráter, preferências, assim sendo, a maioria dos verbos que compõem esse tipo de
inclinações, postura, objetivos); texto são os verbos de ação. O conjunto de ações que compõem
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de o texto narrativo, ou seja, a história que é contada nesse tipo
caráter geral. de texto recebe o nome de enredo.
As ações contidas no texto narrativo são praticadas pelas
8) Descrição de pessoas (B): personagens, que são justamente as pessoas envolvidas no
- Introdução: primeira impressão ou abordagem de episódio que está sendo contado. As personagens são
qualquer aspecto de caráter geral; identificadas (nomeadas) no texto narrativo pelos
- Desenvolvimento: análise das características físicas, substantivos próprios.
associadas às características psicológicas (1ª parte); Quando o narrador conta um episódio, às vezes (mesmo
- Desenvolvimento: análise das características físicas, sem querer) ele acaba contando “onde” (em que lugar) as
associadas às características psicológicas (2ª parte); ações do enredo foram realizadas pelas personagens. O lugar
- Conclusão: retomada de qualquer outro aspecto de onde ocorre uma ação ou ações é chamado de espaço,
caráter geral. representado no texto pelos advérbios de lugar.
Além de contar onde, o narrador também pode esclarecer
A descrição, ao contrário da narrativa, não supõe ação. É “quando” ocorreram as ações da história. Esse elemento da
uma estrutura pictórica, em que os aspectos sensoriais narrativa é o tempo, representado no texto narrativo através
predominam. Porque toda técnica descritiva implica dos tempos verbais, mas principalmente pelos advérbios de
contemplação e apreensão de algo objetivo ou subjetivo, o tempo. É o tempo que ordena as ações no texto narrativo: é ele
redator, ao descrever, precisa possuir certo grau de que indica ao leitor “como” o fato narrado aconteceu.
sensibilidade. Assim como o pintor capta o mundo exterior ou A história contada, por isso, passa por uma introdução
interior em suas telas, o autor de uma descrição focaliza cenas (parte inicial da história, também chamada de prólogo), pelo
ou imagens, conforme o permita sua sensibilidade. desenvolvimento do enredo (é a história propriamente dita,
Conforme o objetivo a alcançar, a descrição pode ser não- o meio, o “miolo” da narrativa, também chamada de trama) e
literária ou literária. Na descrição não-literária, há maior termina com a conclusão da história (é o final ou epílogo).
preocupação com a exatidão dos detalhes e a precisão Aquele que conta a história é o narrador, que pode ser
vocabular. Por ser objetiva, há predominância da denotação. pessoal (narra em 1ª pessoa: Eu) ou impessoal (narra em 3ª
pessoa: Ele).
a) Textos descritivos não-literários: a descrição técnica Assim, o texto narrativo é sempre estruturado por verbos
é um tipo de descrição objetiva: ela recria o objeto usando uma de ação, por advérbios de tempo, por advérbios de lugar e
linguagem científica, precisa. Esse tipo de texto é usado para pelos substantivos que nomeiam as personagens, que são os

Língua Portuguesa 8
APOSTILAS OPÇÃO

agentes do texto, ou seja, aquelas pessoas que fazem as ações desempenham no enredo, podem ser apresentados direta ou
expressas pelos verbos, formando uma rede: a própria história indiretamente.
contada. A apresentação direta acontece quando o personagem
Tudo na narrativa depende do narrador, da voz que conta aparece de forma clara no texto, retratando suas
a história. características físicas e/ou psicológicas, já a apresentação
indireta se dá quando os personagens aparecem aos poucos e
1) Elementos Estruturais (A) o leitor vai construindo a sua imagem com o desenrolar do
- Enredo: desenrolar dos acontecimentos; enredo, ou seja, a partir de suas ações, do que ela vai fazendo e
- Personagens: são seres que se movimentam, se do modo como vai fazendo.
relacionam e dão lugar à trama que se estabelece na ação.
Revelam-se por meio de características físicas ou psicológicas. a) Em 1ª pessoa:
Os personagens podem ser lineares (previsíveis), complexos, - Personagem Principal: há um “eu” participante que conta
tipos sociais (trabalhador, estudante, burguês etc.) ou tipos a história e é o protagonista.
humanos (o medroso, o tímido, o avarento etc.), heróis ou anti- - Observador: é como se dissesse, “é verdade, pode
heróis, protagonistas ou antagonistas. acreditar, eu estava lá, eu vi.”
- Narrador: é quem conta a história;
- Espaço: local da ação, pode ser físico ou psicológico; a) Em 3ª pessoa:
- Tempo: época em que se passa a ação, pode ser - Onisciente: não há um eu que conta; é uma terceira
cronológico (o tempo convencional: horas, dias, meses) ou pessoa;
psicológico (o tempo interior, subjetivo). - Narrador Objetivo: não se envolve, conta a história como
sendo vista por uma câmara ou filmadora.
2) Elementos Estruturais (B)
Personagens / Quem? - Protagonista/Antagonista; Tipos de Discurso
Acontecimento o quê? - Fato; - Discurso Direto: o narrador passa a palavra diretamente
Tempo / Quando? - Época em que ocorreu o fato; para o personagem, sem a sua interferência;
Espaço / Onde? - Lugar onde ocorreu o fato; - Discurso Indireto: o narrador conta o que o personagem
Modo / Como? - De que forma ocorreu o fato; diz, sem lhe passar diretamente a palavra;
Causa / Por quê? - Motivo pelo qual ocorreu o fato; - Discurso Indireto-Livre: ocorre uma fusão entre a fala
Resultado - previsível ou imprevisível; do personagem e a fala do narrador. É um recurso
Final - Fechado ou Aberto; relativamente recente. Surgiu com romancistas inovadores do
século XX.
Esses elementos estruturais combinam-se e articulam-se
de tal forma, que não é possível compreendê-los isoladamente, Sequência Narrativa
como simples exemplos de uma narração. Há uma relação de Uma narrativa não tem uma única mudança, mas várias,
implicação mútua entre eles, para garantir coerência e uma coordenasse a outra, uma implica a outra, uma
verossimilhança à história narrada. subordinasse a outra.
Quanto aos elementos da narrativa, esses não estão, A narrativa típica tem quatro mudanças de situação:
obrigatoriamente sempre presentes no discurso, exceto as 1) Uma em que uma personagem passa a ter um querer ou
personagens ou o fato a ser narrado. um dever (um desejo ou uma necessidade de fazer algo);
2) Uma em que ela adquire um saber ou um poder (uma
Tipos de Foco Narrativo competência para fazer algo);
- Narrador-personagem: é aquele que conta a história na 3) Uma em que a personagem executa aquilo que queria ou
qual é participante. Nesse caso ele é narrador e personagem ao devia fazer (é a mudança principal da narrativa);
mesmo tempo, a história é contada em 1ª pessoa. 4) Uma em que se constata que uma transformação se deu
- Narrador-observador: é aquele que conta a história e em que se podem atribuir prêmios ou castigos às
como alguém que observa tudo que acontece e transmite ao personagens (geralmente os prêmios são para os bons, e os
leitor, a história é contada em 3ª pessoa. castigos, para os maus).
- Narrador-onisciente: é o que sabe tudo sobre o enredo
e as personagens, revelando seus pensamentos e sentimentos Toda narrativa tem essas quatro mudanças, pois elas se
íntimos. Narra em 3ª pessoa e sua voz, muitas vezes, aparece pressupõem logicamente. Com efeito, quando se constata a
misturada com pensamentos dos personagens (discurso realização de uma mudança é porque ela se verificou, e ela
indireto livre). efetuasse porque quem a realiza pode, sabe, quer ou deve fazê-
la. Tomemos, por exemplo, o ato de comprar um apartamento:
Estrutura quando se assina a escritura, realiza-se o ato de compra; para
- Apresentação: é a parte do texto em que são isso, é necessário poder (ter dinheiro) e querer ou dever
apresentados alguns personagens e expostas algumas comprar (respectivamente, querer deixar de pagar aluguel ou
circunstâncias da história, como o momento e o lugar onde a ter necessidade de mudar, por ter sido despejado, por
ação se desenvolverá; exemplo).
- Complicação: é a parte do texto em que se inicia Algumas mudanças são necessárias para que outras se
propriamente a ação. Encadeados, os episódios se sucedem, deem. Assim, para apanhar uma fruta, é necessário apanhar
conduzindo ao clímax; um bambu ou outro instrumento para derrubá-la. Para ter um
- Clímax: é o ponto da narrativa em que a ação atinge seu carro, é preciso antes conseguir o dinheiro.
momento crítico, tornando o desfecho inevitável;
- Desfecho: é a solução do conflito produzido pelas ações Narrativa e Narração
dos personagens. Existe alguma diferença entre as duas? Sim. A
narratividade é um componente narrativo que pode existir em
Tipos de Personagens textos que não são narrações. A narrativa é a transformação de
Os personagens têm muita importância na construção de situações. Por exemplo, quando se diz “Depois da abolição,
um texto narrativo, são elementos vitais. Podem ser incentivo use a imigração de europeus”, temos um texto
principais ou secundários, conforme o papel que dissertativo, que, no entanto, apresenta um componente

Língua Portuguesa 9
APOSTILAS OPÇÃO

narrativo, pois contém uma mudança de situação: do não Exemplo - Espaço


incentivo ao incentivo da imigração europeia. Considerarei longamente meu pequeno deserto, a
Se a narrativa está presente em quase todos os tipos de redondeza escura e uniforme dos seixos. Seria o leito seco de
texto, o que é narração? algum rio. Não havia, em todo o caso, como negar-lhe a
A narração é um tipo de narrativa. Tem ela três insipidez.”
características: (Linda, Ieda. As amazonas segundo tio Hermann. Porto Alegre: Movimento,
1981)
- É um conjunto de transformações de situação (o texto de
Manuel Bandeira – “Porquinho-da-índia”, como vimos,
Exemplo - Tempo
preenche essa condição);
“Sete da manhã. Honorato Madeira acorda e lembra-se: a
- É um texto figurativo, isto é, opera com personagens e
mulher lhe pediu que a chamasse cedo.”
fatos concretos (o texto “Porquinho-da-índia preenche (Veríssimo, Érico. Caminhos Cruzados. 1935)
também esse requisito);
- As mudanças relatadas estão organizadas de maneira tal Tipologia da Narrativa Ficcional:
que, entre elas, existe sempre uma relação de anterioridade e - Romance;
posterioridade (no texto “Porquinho-da-índia o fato de ganhar - Conto;
o animal é anterior ao de ele estar debaixo do fogão, que por - Crônica;
sua vez é anterior ao de o menino levá-lo para a sala, que por - Fábula;
seu turno é anterior ao de o porquinho-da-índia voltar ao - Lenda;
fogão). - Parábola;
- Anedota;
Essa relação de anterioridade e posterioridade é sempre - Poema Épico.
pertinente num texto narrativo, mesmo que a sequência linear
da temporalidade apareça alterada. Assim, por exemplo, no Tipologia da Narrativa Não Ficcional:
romance machadiano Memórias póstumas de Brás Cubas, - Memorialismo;
quando o narrador começa contando sua morte para em - Notícias;
seguida relatar sua vida, a sequência temporal foi modificada. - Relatos;
No entanto, o leitor reconstitui, ao longo da leitura, as relações - História da Civilização.
de anterioridade e de posterioridade.
Resumindo: na narração, as três características explicadas Apresentação da Narrativa:
acima (transformação de situações, figuratividade e relações - Visual: texto escrito; legendas + desenhos (história em
de anterioridade e posterioridade entre os episódios quadrinhos) e desenhos;
relatados) devem estar presentes conjuntamente. Um texto - Auditiva: narrativas radiofonizadas; fitas gravadas e
que tenha só uma ou duas dessas características não é uma discos;
narração. - Audiovisual: cinema; teatro e narrativas televisionadas.
Dica: este esquema que pode facilitar a elaboração de seu Dissertação
texto narrativo:
- Introdução: citar o fato, o tempo e o lugar, ou seja, o que A dissertação é uma exposição, discussão ou interpretação
aconteceu, quando e onde; de uma determinada ideia. É, sobretudo, analisar algum tema.
- Desenvolvimento: causa do fato e apresentação dos Pressupõe um exame crítico do assunto, lógica, raciocínio,
personagens; clareza, coerência, objetividade na exposição, um
- Desenvolvimento: detalhes do fato; planejamento de trabalho e uma habilidade de expressão.
- Conclusão: consequências do fato. É em função da capacidade crítica que se questionam
pontos da realidade social, histórica e psicológica do mundo e
Caracterização Formal dos semelhantes. Vemos também, que a dissertação no seu
Em geral, a narrativa se desenvolve na prosa. O aspecto significado diz respeito a um tipo de texto em que a exposição
narrativo apresenta, até certo ponto, alguma subjetividade, de uma ideia, através de argumentos, é feita com a finalidade
porquanto a criação e o colorido do contexto estão em função de desenvolver um conteúdo científico, doutrinário ou
da individualidade e do estilo do narrador. Dependendo do artístico.
enfoque do redator, a narração terá diversas abordagens. Observe-se que:
Assim é de grande importância saber se o relato é feito em - O texto é temático, pois analisa e interpreta a realidade
primeira pessoa ou terceira pessoa. No primeiro caso, há a com conceitos abstratos e genéricos (não se fala de um homem
participação do narrador; segundo, há uma inferência do particular e do que faz para chegar a ser primeiro ministro,
último através da onipresença e onisciência. mas do homem em geral e de todos os métodos para atingir o
Quanto à temporalidade, não há rigor na ordenação dos poder);
acontecimentos: esses podem oscilar no tempo, transgredindo - Existe mudança de situação no texto (por exemplo, a
o aspecto linear e constituindo o que se denomina “flashback”. mudança de atitude dos que clamam contra a corrupção da
O narrador que usa essa técnica (característica comum no corte no momento em que se tornam primeiros ministros);
cinema moderno) demonstra maior criatividade e - A progressão temporal dos enunciados não tem
originalidade, podendo observar as ações ziguezagueando no importância, pois o que importa é a relação de implicação
tempo e no espaço. (clamar contra a corrupção da corte implica ser corrupto
depois da nomeação para primeiro ministro).
Exemplo - Personagens
“Aboletado na varanda, lendo Graciliano Ramos, O Dr. Características
Amâncio não viu a mulher chegar. - Ao contrário do texto narrativo e do descritivo, ele é
Não quer que se carpa o quintal, moço? temático;
Estava um caco: mal vestida, cheirando a fumaça, a face - Como o texto narrativo, ele mostra mudanças de situação;
escalavrada. Mas os olhos... (sempre guardam alguma coisa do - Ao contrário do texto narrativo, nele as relações de
passado, os olhos).” anterioridade e de posterioridade dos enunciados não têm
(Kiefer, Charles. A dentadura postiça. Porto Alegre: Mercado Aberto)
maior importância o que importa são suas relações lógicas:

Língua Portuguesa 10
APOSTILAS OPÇÃO

analogia, pertinência, causalidade, coexistência, ilustração, da causa e da consequência, das definições, dos
correspondência, implicação, etc.; dados estatísticos, da ordenação cronológica, da interrogação
- A estética e a gramática são comuns a todos os tipos de e da citação. No desenvolvimento são usados tantos parágrafos
redação. Já a estrutura, o conteúdo e a estilística possuem quantos forem necessários para a completa exposição da ideia.
características próprias a cada tipo de texto. O desenvolvimento é a parte maior e mais importante do
texto e pode ser desenvolvida de várias formas:
São partes da dissertação: introdução, desenvolvimento e - Trajetória Histórica: cultura geral é o que se prova com
conclusão. este tipo de abordagem.
- Definição: não basta citar, mas é preciso desdobrar a
a) Introdução: contém a ideia principal a ser desenvolvida ideia principal ao máximo, esclarecendo o conceito ou a
(geralmente composta de um ou dois parágrafos). É a abertura definição.
do texto, por isso é fundamental. Deve ser clara e chamar a - Comparação: estabelecer analogias, confrontar
atenção para dois itens básicos: os objetivos do texto e o plano situações distintas.
do desenvolvimento. Contém a proposição do tema, seus - Bilateralidade: quando o tema proposto apresenta
limites, ângulo de análise e a hipótese ou a tese a ser defendida. pontos favoráveis e desfavoráveis.
Tipos: - Ilustração Narrativa ou Descritiva: narrar um fato ou
- Divisão: quando há dois ou mais termos a serem descrever uma cena.
discutidos. Ex.: “Cada criatura humana traz duas almas - Cifras e Dados estatísticos: citar cifras e dados
consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de estatísticos.
fora para dentro...” - Hipótese: antecipa uma previsão, apontando para
- Alusão Histórica: um fato passado que se relaciona a um prováveis resultados.
fato presente. Ex.: “A crise econômica que teve início no - Interrogação: toda sucessão de interrogações deve
começo dos anos 80, com os conhecidos altos índices de apresentar questionamento e reflexão.
inflação que a década colecionou, agravou vários dos - Refutação: questiona-se praticamente tudo (conceitos,
históricos problemas sociais do país. Entre eles, a violência, valores, juízos).
principalmente a urbana, cuja escalada tem sido facilmente - Causa e Consequência: estruturar o texto através dos
identificada pela população brasileira.” porquês de uma determinada situação.
- Proposição: o autor explicita seus objetivos. - Oposição: aborda um assunto de forma dialética.
- Convite: proposta ao leitor para que participe de alguma - Exemplificação: usa-se ao dar exemplos.
coisa apresentada no texto. Ex.: Você quer estar “na sua”? Quer
se sentir seguro, ter o sucesso pretendido? Não entre pelo c) Conclusão: se trata de uma avaliação final do assunto.
cano! Faça parte desse time de vencedores desde a escolha Um fechamento integrado de tudo que se argumentou, no qual
desse momento! se retoma a ideia principal, mas que agora deve aparecer de
- Contestação: contestar uma ideia ou uma situação. Ex.: forma muito mais convincente, uma vez que já foi
“É importante que o cidadão saiba que portar arma de fogo não fundamentada durante o desenvolvimento da dissertação (um
é a solução no combate à insegurança.” parágrafo). Deve, pois, conter de forma sintética, o objetivo
- Características: caracterização de espaços ou aspectos. proposto na instrução, a confirmação da hipótese ou da tese,
- Estatísticas: apresentação de dados estatísticos. Ex.: “Em acrescida da argumentação básica empregada no
1982, eram 15,8 milhões os domicílios brasileiros com desenvolvimento.
televisores. Hoje, são 34 milhões (o sexto maior parque de Tipos:
aparelhos receptores instalados do mundo). Ao todo, existem - Conclusão Fechada: recupera a ideia da tese.
no país 257 emissoras (aquelas capazes de gerar programas) - Conclusão Aberta: levanta uma hipótese, projeta um
e 2.624 repetidoras (que apenas retransmitem sinais pensamento ou faz uma proposta, incentivando a reflexão de
recebidos). (...)” quem lê.
- Declaração Inicial: emitir um conceito sobre um fato.
- Citação: opinião de alguém de destaque sobre o assunto Exemplo:
do texto. Ex.: “A principal característica do déspota encontra- 1º Parágrafo – Introdução
se no fato de ser ele o autor único e exclusivo das normas e das
regras que definem a vida familiar, isto é, o espaço privado. Seu A) Tema: Desemprego no Brasil.
poder, escreve Aristóteles, é arbitrário, pois decorre Contextualização: decorrência de um processo histórico
exclusivamente de sua vontade, de seu prazer e de suas problemático.
necessidades.”
- Definição: desenvolve-se pela explicação dos termos que 2º ao 6º Parágrafo – Desenvolvimento
compõem o texto.
- Interrogação: refere-se a um questionamento. Ex.: “Volta B) Argumento 1: Exploram-se dados da realidade que
e meia se faz a pergunta de praxe: afinal de contas, todo esse remetem a uma análise do tema em questão.
entusiasmo pelo futebol não é uma prova de alienação?” C) Argumento 2: Considerações a respeito de outro dado
- Suspense: alguma informação que faça aumentar a da realidade.
curiosidade do leitor. D) Argumento 3: Coloca-se sob suspeita a sinceridade de
- Comparação: pode ser social ou geográfica. quem propõe soluções.
- Enumeração: utilizada para enumerar as informações. E) Argumento 4: Uso do raciocínio lógico de oposição.
Ex.: “Ação à distância, velocidade, comunicação, linha de
montagem, triunfo das massas, Holocausto: através das 7º Parágrafo: Conclusão
metáforas e das realidades que marcaram esses 100 últimos F) Uma possível solução é apresentada.
anos, aparece a verdadeira doença do século...” G) O texto conclui que desigualdade não se casa com
- Narração: utiliza-se ao narrar um fato. modernidade.

b) Desenvolvimento: se trata da exposição de elementos É bom lembrarmos que é praticamente impossível opinar
que vão fundamentar a ideia principal que pode vir sobre o que não se conhece. A leitura de bons textos é um dos
especificada através da argumentação, de pormenores, da recursos que permite uma segurança maior no momento de

Língua Portuguesa 11
APOSTILAS OPÇÃO

dissertar sobre algum assunto. Debater e pesquisar são 2) Devido à expansão das igrejas evangélicas, é grande o
atitudes que favorecem o senso crítico, essencial no número de emissoras que dedicam parte da sua programação
desenvolvimento de um texto dissertativo. à veiculação de programas religiosos de crenças variadas.
3)
Ainda temos: - A Santa Missa em seu lar.
- Tema: compreende o assunto proposto para discussão, o - Terço Bizantino.
assunto que vai ser abordado; - Despertar da Fé.
- Título: palavra ou expressão que sintetiza o conteúdo - Palavra de Vida.
discutido; - Igreja da Graça no Lar.
- Argumentação: é um conjunto de procedimentos
linguísticos com os quais a pessoa que escreve sustenta suas 4)
opiniões, de forma a torná-las aceitáveis pelo leitor. É fornecer - Inúmeras são as dificuldades com que se defronta o
argumentos, ou seja, razões a favor ou contra uma governo brasileiro diante de tantos desmatamentos,
determinada tese. desequilíbrios sociológicos e poluição.
- Existem várias razões que levam um homem a enveredar
Alguns pontos essenciais desse tipo de texto são: pelos caminhos do crime.
- Toda dissertação é uma demonstração, daí a necessidade - A gravidez na adolescência é um problema seríssimo,
de pleno domínio do assunto e habilidade de argumentação; porque pode trazer muitas consequências indesejáveis.
- Em consequência disso, impõem-se à fidelidade ao tema; - O lazer é uma necessidade do cidadão para a sua
- A coerência é tida como regra de ouro da dissertação; sobrevivência no mundo atual e vários são os tipos de lazer.
- Impõem-se sempre o raciocínio lógico; - O Novo Código Nacional de trânsito divide as faltas em
- A linguagem deve ser objetiva, denotativa; qualquer várias categorias.
ambiguidade pode ser um ponto vulnerável na demonstração
do que se quer expor. Deve ser clara, precisa, natural, original, - Comparação: a frase nuclear pode-se desenvolver
nobre, correta gramaticalmente. O discurso deve ser através da comparação, que confronta ideias, fatos, fenômenos
impessoal (evitar-se o uso da primeira pessoa). e apresenta-lhes a semelhança ou dessemelhança. Exemplo:
“A juventude é uma infatigável aspiração de felicidade; a
O parágrafo é a unidade mínima do texto e deve velhice, pelo contrário, é dominada por um vago e persistente
apresentar: uma frase contendo a ideia principal (frase sentimento de dor, porque já estamos nos convencendo de que
nuclear) e uma ou mais frases que explicitem tal ideia. a felicidade é uma ilusão, que só o sofrimento é real”.
Exemplos: (Arthur Schopenhauer)
- A televisão mostra uma realidade idealizada (ideia
central) porque oculta os problemas sociais realmente graves. - Causa e Consequência: a frase nuclear, muitas vezes,
(ideia secundária). encontra no seu desenvolvimento um segmento causal (fato
Vejamos: motivador) e, em outras situações, um segmento indicando
Ideia central: A poluição atmosférica deve ser combatida consequências (fatos decorrentes).
urgentemente. - Tempo e Espaço: muitos parágrafos dissertativos
marcam temporal e espacialmente a evolução de ideias,
Desenvolvimento - “A poluição atmosférica deve ser processos.
combatida urgentemente, pois a alta concentração de - Explicitação: num parágrafo dissertativo pode-se
elementos tóxicos põe em risco a vida de milhares de pessoas, conceituar, exemplificar e aclarar as ideias para torná-las mais
sobretudo daquelas que sofrem de problemas respiratórios.” compreensíveis. Exemplo:

- A propaganda intensiva de cigarros e bebidas tem levado “Artéria é um vaso que leva sangue proveniente do coração
muita gente ao vício. para irrigar os tecidos. Exceto no cordão umbilical e na ligação
- A televisão é um dos mais eficazes meios de comunicação entre os pulmões e o coração, todas as artérias contêm sangue
criados pelo homem. vermelho-vivo, recém-oxigenado. Na artéria pulmonar,
- A violência tem aumentado assustadoramente nas porém, corre sangue venoso, mais escuro e desoxigenado, que
cidades e hoje parece claro que esse problema não pode ser o coração remete para os pulmões para receber oxigênio e
resolvido apenas pela polícia. liberar gás carbônico”.
- O diálogo entre pais e filhos parece estar em crise
atualmente. Lembre-se: antes de se iniciar a elaboração de uma
- O problema dos sem-terra preocupa cada vez mais a dissertação, deve-se delimitar o tema que será desenvolvido, o
sociedade brasileira. qual pode ser enfocado sob diversos aspectos. Se, por exemplo,
o tema é a questão indígena, ela poderá ser desenvolvida a
O parágrafo pode processar-se de diferentes maneiras: partir das seguintes ideias:
- A violência contra os povos indígenas é uma constante na
- Enumeração: caracteriza-se pela exposição de uma série história do Brasil.
de coisas, uma a uma. Presta-se bem à indicação de - O surgimento de várias entidades de defesa das
características, funções, processos, situações, sempre populações indígenas.
oferecendo o complemento necessário à afirmação - A visão idealizada que o europeu ainda tem do índio
estabelecida na frase nuclear. Pode-se enumerar, seguindo-se brasileiro.
os critérios de importância, preferência, classificação ou - A invasão da Amazônia e a perda da cultura indígena.
aleatoriamente. Exemplos:
1) O adolescente moderno está se tornando obeso por Depois de delimitar o tema que você vai desenvolver, faça
várias causas: alimentação inadequada, falta de exercícios a estruturação do texto com: introdução, desenvolvimento e
sistemáticos e demasiada permanência diante de conclusão. Siga estas dicas e com certeza desenvolverá um
computadores e aparelhos de Televisão. ótimo texto.

Língua Portuguesa 12
APOSTILAS OPÇÃO

Exemplos: engessar (de gesso), massagista (de massagem),


vertiginoso (de vertigem).
3. Ortografia.
Observação - também se emprega com a letra “G” os
seguintes vocábulos: algema, auge, bege, estrangeiro, geada,
ORTOGRAFIA gengiva, gibi, gilete, hegemonia, herege, megera, monge,
rabugento, vagem.
Alfabeto
Emprego do J
O alfabeto da língua portuguesa é formado por 26 letras. A – Para representar o fonema “j’ na forma escrita, a grafia
B–C–D–E–F–G–H–I–J–K–L–M–N–O–P–Q–R–S– considerada correta é aquela que ocorre de acordo com a
T – U – V – W – X – Y – Z. origem da palavra, como por exemplo no caso da na palavra jipe
que origina-se do inglês jeep. Porém também se empregará o “J”
Observação: emprega-se também o “ç”, que representa o nas seguintes situações:
fonema /s/ diante das letras: a, o, e u em determinadas palavras.
1) Em verbos terminados em -jar ou -jear. Exemplos:
Emprego das Letras e Fonemas Arranjar: arranjo, arranje, arranjem
Despejar: despejo, despeje, despejem
Emprego das letras K, W e Y Viajar: viajo, viaje, viajem
Utilizam-se nos seguintes casos:
1) Em antropônimos originários de outras línguas e seus 2) Nas palavras de origem tupi, africana, árabe ou exótica.
derivados. Exemplos: Kant, kantismo; Darwin, darwinismo; Exemplos: biju, jiboia, canjica, pajé, jerico, manjericão, Moji.
Taylor, taylorista.
3) Nas palavras derivadas de outras que já apresentam “J”.
2) Em topônimos originários de outras línguas e seus Exemplos: laranja –laranjeira / loja – lojista / lisonja –
derivados. Exemplos: Kuwait, kuwaitiano. lisonjeador / nojo – nojeira / cereja – cerejeira / varejo –
varejista / rijo – enrijecer / jeito – ajeitar.
3) Em siglas, símbolos, e mesmo em palavras adotadas como
unidades de medida de curso internacional. Exemplos: K Observação - também se emprega com a letra “J” os
(Potássio), W (West), kg (quilograma), km (quilômetro), Watt. seguintes vocábulos: berinjela, cafajeste, jeca, jegue, majestade,
jeito, jejum, laje, traje, pegajento.
Emprego do X
Se empregará o “X” nas seguintes situações: Emprego do S
1) Após ditongos. Utiliza-se “S” nos seguintes casos:
Exemplos: caixa, frouxo, peixe. 1) Palavras derivadas de outras que já apresentam “S” no
Exceção: recauchutar e seus derivados. radical. Exemplos: análise – analisar / catálise – catalisador /
casa – casinha ou casebre / liso – alisar.
2) Após a sílaba inicial “en”.
Exemplos: enxame, enxada, enxaqueca. 2) Nos sufixos -ês e -esa, ao indicarem nacionalidade, título
Exceção: palavras iniciadas por “ch” que recebem o prefixo ou origem. Exemplos: burguês – burguesa / inglês – inglesa /
“en-”. Ex.: encharcar (de charco), enchiqueirar (de chiqueiro), chinês – chinesa / milanês – milanesa.
encher e seus derivados (enchente, enchimento, preencher...)
3) Nos sufixos formadores de adjetivos -ense, -oso e –osa.
3) Após a sílaba inicial “me-”. Exemplos: catarinense / palmeirense / gostoso – gostosa /
Exemplos: mexer, mexerica, mexicano, mexilhão. amoroso – amorosa / gasoso – gasosa / teimoso – teimosa.
Exceção: mecha.
4) Nos sufixos gregos -ese, -isa, -osa.
4) Se empregará o “X” em vocábulos de origem indígena ou Exemplos: catequese, diocese, poetisa, profetisa,
africana e em palavras inglesas aportuguesadas. sacerdotisa, glicose, metamorfose, virose.
Exemplos: abacaxi, xavante, orixá, xará, xerife, xampu,
bexiga, bruxa, coaxar, faxina, graxa, lagartixa, lixa, lixo, puxar, 5) Após ditongos.
rixa, oxalá, praxe, roxo, vexame, xadrez, xarope, xaxim, xícara, Exemplos: coisa, pouso, lousa, náusea.
xale, xingar, etc.
6) Nas formas dos verbos pôr e querer, bem como em seus
Emprego do Ch derivados.
Se empregará o “Ch” nos seguintes vocábulos: bochecha, Exemplos: pus, pôs, pusemos, puseram, pusera, pusesse,
bucha, cachimbo, chalé, charque, chimarrão, chuchu, chute, puséssemos, quis, quisemos, quiseram, quiser, quisera,
cochilo, debochar, fachada, fantoche, ficha, flecha, mochila, quiséssemos, repus, repusera, repusesse, repuséssemos.
pechincha, salsicha, tchau, etc.
7) Em nomes próprios personativos.
Emprego do G Exemplos: Baltasar, Heloísa, Inês, Isabel, Luís, Luísa,
Se empregará o “G” em: Resende, Sousa, Teresa, Teresinha, Tomás.
1) Substantivos terminados em: -agem, -igem, -ugem.
Exemplos: barragem, miragem, viagem, origem, ferrugem. Observação - também se emprega com a letra “S” os
Exceção: pajem. seguintes vocábulos: abuso, asilo, através, aviso, besouro, brasa,
cortesia, decisão, despesa, empresa, freguesia, fusível, maisena,
2) Palavras terminadas em: -ágio, -égio, -ígio, -ógio, -úgio. mesada, paisagem, paraíso, pêsames, presépio, presídio,
Exemplos: estágio, privilégio, prestígio, relógio, refúgio. querosene, raposa, surpresa, tesoura, usura, vaso, vigésimo,
visita, etc.
3) Em palavras derivadas de outras que já apresentam “G”.

Língua Portuguesa 13
APOSTILAS OPÇÃO

Emprego do Z Exemplos: agredir – agressão / demitir – demissão / ceder –


Se empregará o “Z” nos seguintes casos: cessão / discutir – discussão/ progredir – progressão /
1) Palavras derivadas de outras que já apresentam Z no transmitir – transmissão / exceder – excesso / repercutir –
radical. repercussão.
Exemplos: deslize – deslizar / razão – razoável / vazio –
esvaziar / raiz – enraizar /cruz – cruzeiro. 7) Emprega-se o Xc e o Xs: em dígrafos que soam como Ss.
Exemplos: exceção, excêntrico, excedente, excepcional,
2) Nos sufixos -ez, -eza, ao formarem substantivos abstratos exsudar.
a partir de adjetivos.
Exemplos: inválido – invalidez / limpo – limpeza / macio – Atenção - não se esqueça que uso da letra X apresenta
maciez / rígido – rigidez / frio – frieza / nobre – nobreza / pobre algumas variações. Observe:
– pobreza / surdo – surdez. 1) O “X” pode representar os seguintes fonemas:
“ch” - xarope, vexame;
3) Nos sufixos -izar, ao formar verbos e -ização, ao formar “cs” - axila, nexo;
substantivos. “z” - exame, exílio;
Exemplos: civilizar – civilização / hospitalizar – “ss” - máximo, próximo;
hospitalização / colonizar – colonização / realizar – realização. “s” - texto, extenso.

4) Nos derivados em -zal, -zeiro, -zinho, -zinha, -zito, -zita. 2) Não soa nos grupos internos -xce- e -xci-
Exemplos: cafezal, cafezeiro, cafezinho, arvorezinha, cãozito, Exemplos: excelente, excitar.
avezita.
Emprego do E
5) Nos seguintes vocábulos: azar, azeite, azedo, amizade, Se empregará o “E” nas seguintes situações:
buzina, bazar, catequizar, chafariz, cicatriz, coalizão, cuscuz, 1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -oar, -uar
proeza, vizinho, xadrez, verniz, etc. Exemplos: magoar - magoe, magoes / continuar- continue,
continues.
6) Em vocábulos homófonos, estabelecendo distinção no
contraste entre o S e o Z. Exemplos: 2) Em palavras formadas com o prefixo ante- (antes,
Cozer (cozinhar) e coser (costurar); anterior).
Prezar (ter em consideração) e presar (prender); Exemplos: antebraço, antecipar.
Traz (forma do verbo trazer) e trás (parte posterior).
3) Nos seguintes vocábulos: cadeado, confete, disenteria,
Observação: em muitas palavras, a letra X soa como Z. empecilho, irrequieto, mexerico, orquídea, etc.
Como por exemplo: exame, exato, exausto, exemplo, existir,
exótico, inexorável. Emprego do I
Se empregará o “I” nas seguintes situações:
Emprego do Fonema S 1) Em sílabas finais dos verbos terminados em -air, -oer, -uir.
Existem diversas formas para a representação do fonema “S” Exemplos:
no qual podem ser: s, ç, x e dos dígrafos sc, sç, ss, xc, xs. Assim Cair- cai
vajamos algumas situações: Doer- dói
Influir- influi
1) Emprega-se o S: nos substantivos derivados de verbos
terminados em -andir, -ender, -verter e -pelir. 2) Em palavras formadas com o prefixo anti- (contra).
Exemplos: expandir – expansão / pretender – pretensão / Exemplos: anticristo, antitetânico.
verter – versão / expelir – expulsão / estender – extensão /
suspender – suspensão / converter – conversão / repelir – 3) Nos seguintes vocábulos: aborígine, artimanha, chefiar,
repulsão. digladiar, penicilina, privilégio, etc.

2) Emprega-se Ç: nos substantivos derivados dos verbos ter Emprego do O/U


e torcer. A oposição o/u é responsável pela diferença de significado
Exemplos: ater – atenção / torcer – torção / deter – detenção de algumas palavras. Veja os exemplos: comprimento
/ distorcer – distorção / manter – manutenção / contorcer – (extensão) e cumprimento (saudação, realização) soar (emitir
contorção. som) e suar (transpirar).
- Grafam-se com a letra “O”: bolacha, bússola, costume,
3) Emprega-se o X: em casos que a letra X soa como Ss. moleque.
Exemplos: auxílio, expectativa, experto, extroversão, sexta, - Grafam-se com a letra “U”: camundongo, jabuti, Manuel,
sintaxe, texto, trouxe. tábua.

4) Emprega-se Sc: nos termos eruditos. Emprego do H


Exemplos: acréscimo, ascensorista, consciência, descender, Esta letra, em início ou fim de palavras, não tem valor
discente, fascículo, fascínio, imprescindível, miscigenação, fonético. Conservou-se apenas como símbolo, por força da
miscível, plebiscito, rescisão, seiscentos, transcender, etc. etimologia e da tradição escrita. A palavra hoje, por exemplo,
grafa-se desta forma devido a sua origem na forma latina hodie.
5) Emprega-se Sç: na conjugação de alguns verbos. Assim vejamos o seu emprego:
Exemplos: nascer - nasço, nasça / crescer - cresço, cresça /
Descer - desço, desça. 1) Inicial, quando etimológico.
Exemplos: hábito, hesitar, homologar, Horácio.
6) Emprega-se Ss: nos substantivos derivados de verbos
terminados em -gredir, -mitir, -ceder e -cutir. 2) Medial, como integrante dos dígrafos ch, lh, nh.
Exemplos: flecha, telha, companhia.

Língua Portuguesa 14
APOSTILAS OPÇÃO

3) Final e inicial, em certas interjeições. Das opções abaixo, aquela em que um dos vocábulos está
Exemplos: ah!, ih!, eh!, oh!, hem?, hum!, etc. INCORRETAMENTE grafado por não se enquadrar nessa
norma é:
4) Em compostos unidos por hífen, no início do segundo (A) alcoolizado / barbarizar / burocratizar.
elemento, se etimológico. (B) catalizar / abalizado / amenizar.
Exemplos: anti-higiênico, pré-histórico, super-homem, etc. (C) catequizar / cauterizado / climatizar.
(D) contemporizado / corporizar / cretinizar
Observações: (E) esterilizar / estigmatizado / estilizar.
1) No substantivo Bahia, o “h” sobrevive por tradição. Note
que nos substantivos derivados como baiano, baianada ou 02. (Pref. De Biguaçu/SC – Professor III – Inglês/2016)
baianinha ele não é utilizado. De acordo com a Língua Portuguesa culta, assinale a
alternativa cujas palavras seguem as regras de ortografia:
2) Os vocábulos erva, Espanha e inverno não possuem a letra (A) Preciso contratar um eletrecista e um encanador para
“h” na sua composição. No entanto, seus derivados eruditos o final da tarde.
sempre são grafados com h, como por exemplo: herbívoro, (B) O trabalho voluntário continua sendo feito
hispânico, hibernal. prazerosamente pelos alunos.
(C) Ainda não foram atendidas as reinvindicações dos
Questões professores em greve.
(D) Na lista de compras, é preciso descriminar melhor os
01. (FIOCRUZ – Assistente Técnico de Gestão em Saúde produtos em falta.
– FIOCRUZ/2016) (E) Passou bastante desapercebido o caso envolvendo um
juiz federal.
O FUTURO NO PASSADO
03. (PC/PA – Escrivão de Polícia Civil – FUNCAB/2016)
1 Poucas previsões para o futuro feitas no passado se Dificilmente, em uma ciência-arte como a Psicologia-
realizaram. O mundo se mudava do campo para as cidades, e Psiquiatria, há algo que se possa asseverar com 100% de
era natural que o futuro idealizado então fosse o da cidade certeza. Isso porque há áreas bastante interpretativas, sujeitas
perfeita. Mas o helicóptero não substituiu o automóvel a leituras diversas, a depender do observador e do observado.
particular e só recentemente começou-se a experimentar Porém, existe um fato na Psicologia-Psiquiatria forense que é
carros que andam sobre faixas magnéticas nas ruas, liberando 100% de certeza e não está sujeito a interpretação ou a
seus ocupantes para a leitura, o sono ou o amor no banco de dissimulação por parte de quem está a ser examinado. E
trás. As cidades não se transformaram em laboratórios de revela, objetivamente, dados do psiquismo da pessoa ou, em
convívio civilizado, como previam, e sim na maior prova da outras palavras, mostra características comportamentais
impossibilidade da coexistência de desiguais. indissimuláveis, claras e objetivas. O que pode ser tão exato,
2 A ciência trouxe avanços espetaculares nas lides de em matéria de Psicologia-Psiquiatria, que não admite
guerra, como os bombardeios com precisão cirúrgica que não variáveis? Resposta: todos os crimes, sem exceção, são como
poupam civis, mas não trouxe a democratização da fotografias exatas e em cores do comportamento do indivíduo.
prosperidade antevista. Mágicas novas como o cinema E como o psiquismo é responsável pelo modo de agir, por
prometiam ultrapassar os limites da imaginação. conseguinte, tem os em todos os crimes, obrigatoriamente e
Ultrapassaram, mas para o território da banalidade sempre, elementos objetivos da mente de quem os praticou.
espetaculosa. A TV foi prevista, e a energia nuclear intuída, Por exemplo, o delito foi cometido com multiplicidade de
mas a revolução da informática não foi nem sonhada. As golpes, com ferocidade na execução, não houve ocultação de
revoluções na medicina foram notáveis, certo, mas a cadáver, não se verifica cúmplice, premeditação etc. Registre-
prevenção do câncer ainda não foi descoberta. Pensando bem, se que esses dados já aconteceram. Portanto, são insimuláveis,
nem a do resfriado. A comida em pílulas não veio - se bem que 100% objetivos. Basta juntar essas características
a nouvelle cuisine chegou perto. Até a colonização do espaço, comportamentais que teremos algo do psiquismo de quem o
como previam os roteiristas do “Flash Gordon”, está atrasada. praticou. Nesse caso específico, infere-se que a pessoa é
Mal chegamos a Marte, só para descobrir que é um imenso explosiva, impulsiva e sem freios, provável portadora de
terreno baldio. E os profetas da felicidade universal não algum transtorno ligado à disritmia psicocerebral, algum
contavam com uma coisa: o lixo produzido pela sua visão. estreitamento de consciência, no qual o sentimento invadiu o
Nenhuma previsão incluía a poluição e o aquecimento global. pensamento e determinou a conduta.
3 Mas assim como os videntes otimistas falharam, talvez o Em outro exemplo, temos homicídio praticado com um só
pessimismo de hoje divirta nossos bisnetos. Eles certamente golpe, premeditado, com ocultação de cadáver, concurso de
falarão da Aids, por exemplo, como nós hoje falamos da gripe cúmplice etc. Nesse caso, os dados apontam para o lado do
espanhola. A ciência e a técnica ainda nos surpreenderão. criminoso comum, que entendia o que fazia.
Estamos na pré-história da energia magnética e por fusão Claro que não é possível, apenas pela morfologia do crime,
nuclear fria. saber-se tudo do diagnóstico do criminoso. Mas, por outro
4 É verdade que cada salto da ciência corresponderá a um lado, é na maneira como o delito foi praticado que se
passo atrás, rumo ao irracional. Quanto mais perto a ciência encontram características 100% seguras da mente de quem o
chegar das últimas revelações do Universo, mais as pessoas praticou, a evidenciar fatos, tal qual a imagem fotográfica
procurarão respostas no misticismo e refúgio no tribal. E revela-nos exatamente algo, seja muito ou pouco, do momento
quanto mais a ciência avança por caminhos nunca antes em que foi registrada. Em suma, a forma como as coisas foram
sonhados, mais leigo fica o leigo. A volta ao irracional é a birra feitas revela muito da pessoa que as fez.
do leigo. PALOMBA, Guido Arturo. Rev. Psique: n° 100 (ed. comemorativa), p. 82.
(VERÍSSIMO. L. F. O Globo. 24/07/2016, p. 15.)
Tal como ocorre com “interpretaÇÃO ” e “dissimulaÇÃO”,
“e era natural que o futuro IDEALIZADO então fosse o da grafa-se com “ç” o sufixo de ambas as palavras arroladas em:
cidade perfeita.” (1º §) O vocábulo em destaque no trecho (A) apreenção do menor - sanção legal.
acima grafa-se com a letra Z, em conformidade com a norma (B) detenção do infrator - ascenção ao posto.
de emprego do sufixo–izar. (C) presunção de culpa - coerção penal.

Língua Portuguesa 15
APOSTILAS OPÇÃO

(D) interceção do juiz - contenção do distúrbio.


(E) submição à lei - indução ao crime. Observação: esses nomes escrevem-se com inicial
minúscula quando são empregados em sentido geral ou
04. (UFAM – Auxiliar em Administração – COMVEST- indeterminado.
UFAM/2016) Foi na minha última viagem ao Perú que entrei Exemplo: Todos amam sua pátria.
em uma baiúca muito agradável. Apesar de simples, era bem
frequentada. Isso podia ser constatado pelas assinaturas (ou Emprego Facultativo da Letra Maiúscula
simples rúbricas) dispostas em quadros afixados nas paredes 1) No início dos versos que não abrem período, é facultativo
do estabelecimento, algumas delas de pessoas famosas. Insisti o uso da letra maiúscula, como por exemplo:
com o garçom para também colocar a minha assinatura,
registrando ali a minha presença. No final, o ônus foi pesado: a “Aqui, sim, no meu cantinho,
conta veio muito salgada. Tudo seria perfeito se o tempo ali vendo rir-me o candeeiro,
passado, por algum milagre, tivesse sido gratuíto. gozo o bem de estar sozinho
e esquecer o mundo inteiro.”
Assinale a alternativa que apresenta palavra em que a
acentuação está CORRETA, de acordo com a Reforma 2) Nos nomes de logradouros públicos, templos e edifícios.
Ortográfica em vigor: Exemplos: Rua da Liberdade ou rua da Liberdade / Igreja do
(A) gratuíto Rosário ou igreja do Rosário / Edifício Azevedo ou edifício
(B) Perú Azevedo.
(C) ônus
(D) rúbricas Inicial Minúscula
(E) baiúca Utiliza-se inicial minúscula nos seguintes casos:
1) Em todos os vocábulos correntes da língua portuguesa.
05. (Pref. De Quixadá/CE – Agente de Combate às Exemplos: carro, flor, boneca, menino, porta, etc.
Endemias – Serctam/2016) Marque a opção em
que TODOS os vocábulos se completam com a letra “s”: 2) Depois de dois-pontos, não se tratando de citação direta,
(A) pesqui__a, ga__olina, ali__erce. usa-se letra minúscula.
(B) e__ótico, talve__, ala__ão. Exemplo: “Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas:
(C) atrá__, preten__ão, atra__o. ouro, incenso, mirra.” (Manuel Bandeira)
(D) bati__ar, bu__ina, pra__o.
(E) valori__ar, avestru__, Mastru__. 3) Nos nomes de meses, estações do ano e dias da semana.
Exemplos: janeiro, julho, dezembro, etc. / segunda, sexta,
Gabarito domingo, etc. / primavera, verão, outono, inverno.

01.B / 02.B / 03.C / 04.C / 05.C 4) Nos pontos cardeais.


Exemplos: “Percorri o país de norte a sul e de leste a oeste.”
Emprego das Iniciais Maiúsculas e Minúsculas / “Estes são os pontos colaterais: nordeste, noroeste, sudeste,
sudoeste.”
Inicial Maiúscula
Utiliza-se inicial maiúscula nos seguintes casos: Observação: quando empregados em sua forma absoluta,
1) No começo de um período, verso ou citação direta. os pontos cardeais são grafados com letra maiúscula.
Exemplos: Nordeste (região do Brasil) / Ocidente (europeu)
Disse o Padre Antônio Vieira: “Estar com Cristo em qualquer /Oriente (asiático).
lugar, ainda que seja no inferno, é estar no Paraíso.”
Emprego Facultativo da Letra Minúscula
“Auriverde pendão de minha terra, 1) Nos vocábulos que compõem uma citação bibliográfica.
Que a brisa do Brasil beija e balança, Exemplos:
Estandarte que à luz do sol encerra Crime e Castigo ou Crime e castigo
As promessas divinas da Esperança…” Grande Sertão: Veredas ou Grande sertão: veredas
(Castro Alves) Em Busca do Tempo Perdido ou Em busca do tempo perdido

2) Nos antropônimos, reais ou fictícios. 2) Nas formas de tratamento e reverência, bem como em
Exemplos: Pedro Silva, Cinderela, D. Quixote. nomes sagrados e que designam crenças religiosas.
Exemplos:
3) Nos topônimos, reais ou fictícios. Governador Mário Covas ou governador Mário Covas
Exemplos: Rio de Janeiro, Rússia, Macondo. Papa João Paulo II ou papa João Paulo II
Excelentíssimo Senhor Reitor ou excelentíssimo senhor
4) Nos nomes mitológicos. reitor
Exemplos: Dionísio, Netuno. Santa Maria ou santa Maria

5) Nos nomes de festas e festividades. c) Nos nomes que designam domínios de saber, cursos e
Exemplos: Natal, Páscoa, Ramadã. disciplinas.
Exemplos:
6) Em siglas, símbolos ou abreviaturas internacionais. Português ou português
Exemplos: ONU, Sr., V. Ex.ª. Línguas e Literaturas Modernas ou línguas e literaturas
modernas
7) Nos nomes que designam altos conceitos religiosos, História do Brasil ou história do Brasil
políticos ou nacionalistas. Arquitetura ou arquitetura
Exemplos: Igreja (Católica, Apostólica, Romana), Estado,
Nação, Pátria, União, etc.

Língua Portuguesa 16
APOSTILAS OPÇÃO

Questões estranho tomou meu corpo mesmo foi na semana passada. Um


vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o
01. (Câmara de Maringá/PR – Assistente Legislativo engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e
– Instituto) que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a
amizade, mas a inimizade morria ali.
Longe é um lugar que existe? Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de
algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em
Voamos algum tempo em silêncio, até que finalmente ele meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até
disse: "Não entendo muito bem o que você falou, mas o que pessoas distantes. E as próximas?
menos entendo é o fato de estar indo a uma festa." Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem
— Claro que estou indo à festa. — respondi. — O que há de motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que
tão difícil de se compreender nisso? estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um
Enfim, sem nunca atingir o fim, imaginando-se uma número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com
Gaivota sobrevoando o mar, viajar é sentir-se ainda mais acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem
pássaro livre tocado pelas lufadas de vento, contraponto, de transitáveis nas ruas dos Jardins1. Num restaurante caro, o
uma ave mirrada de asas partidas numa gaiola lacrada, maître2, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos
sobrevivendo apenas de alpiste da melhor qualidade e água à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um
filtrada. Ou ainda, pássaros presos na ambivalência homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me
existencial... fadado ao fracasso ou ao sucesso... ao ser livre ou cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca
viver presos em suas próprias armadilhas... na avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal
Fica sob sua escolha e risco, a liberdade para voar os ventos chegou. Os vizinhos de cima silenciam depois das dez da noite.
ascendentes; que pássaro quer ser; que lugares quer [...]
sobrevoar; que viagem ao inusitado mais lhe compraz. Por Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é
mais e mais, qual a serventia dessas asas enormes, herança este? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
genética de seus pais e que lhe confere enorme envergadura? Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
Diga para quê serve? Ao primeiro sinal de perigo, debique e Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco,
pouse na cerca mais próxima. Ora, não venha com desculpas desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em
esfarrapadas e vamos dona Gaivota, espante a preguiça, bata cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de
as asas e saia do ninho! Não tenha medo de voar. Pois, como é entrar na porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam
de conhecimento dos "Mestres dos ares e da Terra", longe é um meus cheques para pagar contas em nome de minha mulher,
lugar que não existe para quem voa rente ao céu e viaja léguas saio mal-humorado do banco, atravesso a avenida arriscando
e mais léguas de distância com a mochila nas costas, olhar no a vida entre bólidos3 , um caminhão joga-me água suja de uma
horizonte e os pés socados em terra firme. poça, o elevador continua preso lá em cima, subo a pé, entro no
Longe é a porta de entrada do lugar que não existe? Não apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a
deve ser, não; pois as Gaivotas sacodem a poeira das asas, sonhar com gentilezas.
limpam os resquícios de alimentos dos bicos e batem o toc-toc
lá. Vocabulário:
<http://www.recantodasletras.com.br/contosdefantasia/6031227> 1 bairro Jardim Paulista, um dos mais requintados de São
Paulo
O uso do termo “Gaivota” sempre com letra maiúscula ao 2 funcionário que coordena agendamentos entre outras
longo do texto se deve ao fato de que coisas nos restaurantes
(A) o autor busca, com isso, fazer uma conexão mais 3 carros muito velozes
próxima entre o leitor e o animal.
(B) o autor quis dar destaque ao termo, apesar de não Em “nas ruas dos Jardins1" (4º§), a palavra em destaque
haver importância da referência ao animal para o texto. foi escrita com letra maiúscula por se tratar de:
(C) há uma mudança no texto, em que, no início, as (A) um erro de grafia.
personagens eram duas pessoas e, a partir do segundo (B) um destaque do autor
parágrafo, é uma gaivota. (C) um substantivo próprio.
(D) o texto faz uma reflexão sobre a ação humana de viajar, (D) um substantivo coletivo.
porém comparando os seres humanos com gaivotas.
(E) o autor utiliza o termo “Gaivota” como símbolo de Gabarito
imponência, o que se relaciona à forma como os seres
humanos são tratados no texto. 01.D / 02.C

02. (MGS – Todos os Cargos de Nível Fundamental Palavras ou Expressões que geram dificuldades
Completo – IBFC/2017)
Algumas palavras ou expressões costumam apresentar
Estranhas Gentilezas dificuldades colocando em maus lençóis quem pretende falar
(Ivan Angelo) ou redigir português culto. Esta é uma oportunidade para você
aperfeiçoar seu desempenho. Preste atenção e tente
Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as incorporar tais palavras certas em situações apropriadas.
pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza.
Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos A anos: Daqui a um ano iremos à Europa. (a indica tempo
ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de futuro)
espera, nos embates familiares, e depois economizam com a Há anos: Não o vejo há meses. (há indica tempo passado)
gente. Atenção: Há muito tempo já indica passado. Não há
Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns necessidade de usar atrás, isto é um pleonasmo.
dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já
captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de Acerca de: Falávamos acerca de uma solução melhor. (a
asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo respeito de)

Língua Portuguesa 17
APOSTILAS OPÇÃO

Há cerca de: Há cerca de dias resolvemos este caso. (faz Discrição: Você foi muito discreto. (reservado)
tempo)
Entrega em domicílio: Fiz a entrega em domicílio. (lugar)
Ao encontro de: Sua atitude vai ao encontro da verdade. Entrega a domicílio: Enviou as compras a domicílio. (com
(estar a favor de) verbos de movimento)
De encontro a: Minhas opiniões vão de encontro às suas.
(oposição, choque) Espectador: Os espectadores se fartaram da apresentação.
(aquele que vê, assiste)
A fim de: Vou a fim de visitá-la. (finalidade) Expectador: O expectador aguardava o momento da
Afim: Somos almas afins. (igual, semelhante) chamada. (que espera alguma coisa)

Ao invés de: Ao invés de falar começou a chorar. (oposição, Estada: A estada dela aqui foi gratificante. (tempo em algum
ao contrário de) lugar)
Em vez de: Em vez de acompanhar-me, ficou só. (no lugar Estadia: A estadia do carro foi prolongada por mais
de) algumas semanas. (prazo concedido para carga e descarga)

A par: Estamos a par das boas notícias. (bem informado, Fosforescente: Este material é fosforescente. (que brilha
ciente) no escuro)
Ao par: O dólar e o euro estão ao par. (de igualdade ou Fluorescente: A luz branca do carro era fluorescente.
equivalência entre valores financeiros – câmbio) (determinado tipo de luminosidade)

Aprender: O menino aprendeu a lição. (tomar Haja: É preciso que não haja descuido. (verbo haver – 1ª
conhecimento de) pessoa singular do presente do subjuntivo)
Apreender: O fiscal apreendeu a carteirinha do menino. Aja: Aja com cuidado, Carlinhos. (verbo agir – 1ª pessoa
(prender) singular do presente do subjuntivo)

Baixar: os preços quando não há objeto direto; os preços Houve: Houve um grande incêndio no centro de São
funcionam como sujeito: Baixaram os preços (sujeito) nos Paulo. (verbo haver - 3ª pessoa do singular do pretérito
supermercados. Vamos comemorar, pessoal! perfeito)
Abaixar: os preços empregado com objeto direto: Os postos Ouve: A mãe disse: ninguém me ouve. (verbo ouvir - 3ª
(sujeito) de combustível abaixaram os preços (objeto direto) pessoa singular do presente do indicativo)
da gasolina.
Mal: Dormi mal. (oposto de bem)
Bebedor: Tornei-me um grande bebedor de vinho. (pessoa Mau: Você é um mau exemplo. (oposto de bom)
que bebe)
Bebedouro: Este bebedouro está funcionando bem. Mas: Telefonei-lhe mas ela não atendeu. (ideia contrária)
(aparelho que fornece água) Mais: Há mais flores perfumadas no campo. (opõe-se a
menos)
Bem-Vindo: Você é sempre bem-vindo aqui, jovem.
(adjetivo composto) Nem um: Nem um filho de Deus apareceu para ajudá-la.
Benvindo: Benvindo é meu colega de classe. (nome (equivale a nem um sequer)
próprio) Nenhum: Nenhum jornal divulgou o resultado do concurso.
(oposto de algum)
Câmara: Ficaram todos reunidos na Câmara Municipal.
(local de trabalho) Onde: Onde fica a farmácia mais próxima? (lugar em que se
Câmera: Comprei uma câmera japonesa. (aparelho que está)
fotografa) Aonde: Aonde vão com tanta pressa? (ideia de movimento)

Champanha/Champanhe (do francês): O Por ora: Por ora chega de trabalhar. (por este momento)
champanha/champanhe está bem gelado. Por hora: Você deve cobrar por hora. (cada sessenta
minutos)
Cessão: Foi confirmada a cessão do terreno. (ato de doar)
Sessão: A sessão do filme durou duas horas. (intervalo de Senão: Não fazia coisa nenhuma senão criticar. (caso
tempo) contrário)
Seção/Secção: Visitei hoje a seção de esportes. (repartição Se não: Se não houver homens honestos, o país não sairá
pública, departamento) desta situação crítica. (se por acaso não)

Demais: Vocês falam demais, caras! (advérbio de Tampouco: Não compareceu, tampouco apresentou
intensidade) qualquer justificativa. (Também não)
Demais: Chamaram mais dez candidatos, os demais devem Tão pouco: Encontramo-nos tão pouco esta semana.
aguardar. (equivale a “os outros”) (intensidade)
De mais: Não vejo nada de mais em sua decisão. (opõe-se a
“de menos”) Trás ou Atrás: O menino estava atrás da árvore. (lugar)
Traz: Ele traz consigo muita felicidade. (verbo trazer)
Descriminar: O réu foi descriminado; pra sorte dele.
(inocentar, absolver de crime) Vultoso: Fizemos um trabalho vultoso aqui. (volumoso)
Discriminar: Era impossível discriminar os caracteres do Vultuoso: Sua face está vultuosa e deformada. (congestão
documento. (diferençar, distinguir, separar) no rosto)
Descrição: A descrição sobre o jogador foi perfeita.
(descrever)

Língua Portuguesa 18
APOSTILAS OPÇÃO

Questão 1. Por que (pergunta);


2. Porque (resposta);
01. (TCM/RJ – Técnico de Controle Externo – 3. Por quê (fim de frase: motivo);
IBFC/2016) Analise as afirmativas abaixo, dê valores 4. O Porquê (substantivo).
Verdadeiro (V) ou Falso (F) quanto ao emprego do acento
circunflexo estabelecido pelo Novo Acordo Ortográfico. Questões
( ) O acento permanece na grafia de 'pôde' (o verbo
conjugado no passado) para diferenciá-la de 'pode' (o verbo 01. (TJ/SP - Escrevente Técnico Judiciário - VUNESP)
conjugado no presente). Que mexer o esqueleto é bom para a saúde já virou até
( ) O acento circunflexo de 'pôr' (verbo) cai e a palavra terá sabedoria popular. Agora, estudo levanta hipóteses sobre
a mesma grafia de 'por' (preposição), diferenciando-se pelo
........................ praticar atividade física..........................benefícios
contexto de uso.
( ) a queda do acento na conjugação da terceira pessoa do para a totalidade do corpo. Os resultados podem levar a novas
plural do presente do indicativo dos verbos crer, dar, ler, ter, terapias para reabilitar músculos contundidos ou mesmo para
vir e seus derivados. .......................... e restaurar a perda muscular que ocorre com o
avanço da idade.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta de (Ciência Hoje, março de 2012)
cima para baixo.
(A) V F F As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e res-
(B) F V F pectivamente, com:
(C) F F V (A) porque … trás … previnir
(D) F V V (B) porque … traz … previnir
(C) porquê … tras … previnir
02. (Detran/CE – Vistoriador – UCE-CEV/2018) Na frase (D) por que … traz … prevenir
“... as penalidades são as previstas pelo bom senso...”, a palavra (E) por quê … tráz … prevenir
destacada é homônima de censo. Assinale a opção em que o
emprego dos homônimos destacados está adequado. 02. Pref. de Salvador/BA - Técnico de Nível Médio II –
(A) O reitor da faculdade solicitou que todos os FGV/2017)
funcionários participassem do censo anual para verificar
quem realmente está na ativa. Por que sentimos calafrios e desconforto ao ouvir certos
(B) Foi pedido para que todos os motoristas respondessem sons agudos – como unhas arranhando um quadro-negro?
ao senso, a fim de se obter o número real de carros no pátio da
universidade. Esta é uma reação instintiva para protegermos nossa
(C) Os infratores são penalizados com a “multa moral” por audição. A cóclea (parte interna do ouvido) tem uma
não demonstrarem censo crítico. membrana que vibra de acordo com as frequências sonoras
(D) Se o infrator tiver censo, saberá o que dizer na hora da que ali chegam. A parte mais próxima ao exterior está ligada à
punição. audição de sons agudos; a região mediana é responsável pela
Gabarito audição de sons de frequência média; e a porção mais final, por
01.A / 02.A sons graves. As células da parte inicial, mais delicadas e frágeis,
são facilmente destruídas – razão por que, ao envelhecermos,
Emprego do Porquê perdemos a capacidade de ouvir sons agudos. Quando
frequências muito agudas chegam a essa parte da membrana,
Orações Interrogativas Exemplo: as células podem ser danificadas, pois, quanto mais alta a
(pode ser substituído Por que devemos nos frequência, mais energia tem seu movimento ondulatório. Isso,
por: por qual motivo, por preocupar com o meio em parte, explica nossa aversão a determinados sons agudos,
qual razão) ambiente? mas não a todos. Afinal, geralmente não sentimos calafrios ou
Por uma sensação ruim ao ouvirmos uma música com notas
Que agudas.
Exemplo:
Equivalendo a “pelo Os motivos por que não Aí podemos acrescentar outro fator. Uma nota de violão
qual” respondeu são tem um número limitado e pequeno de frequências –
desconhecidos. formando um som mais “limpo”. Já no espectro de som
proveniente de unhas arranhando um quadro-negro (ou de
Exemplos: atrito entre isopores ou entre duas bexigas de ar) há um
Você ainda tem coragem de número infinito delas. Assim, as células vibram de acordo com
Por Final de frases e seguidos
perguntar por quê? muitas frequências e aquelas presentes na parte inicial da
Quê de pontuação
Você não vai? Por quê? cóclea, por serem mais frágeis, são lesadas com mais
Não sei por quê! facilidade. Daí a sensação de aversão a esse sons agudos e
Exemplos:
“crus”.
A situação agravou-se porque Ronald Ranvaud, Ciência Hoje, nº 282.
Conjunção que indica
ninguém reclamou.
explicação ou causa Assinale a frase em que a grafia do vocábulo sublinhado
Ninguém mais o espera,
Porque porque ele sempre se atrasa. está equivocada.
(A) Por que sentimos calafrios?
Conjunção de Finalidade Exemplos: (B) A razão porque sentimos calafrios é conhecida.
– equivale a “para que”, Não julgues porque não te (C) Qual o porquê de sentirmos calafrios?
“a fim de que”. julguem. (D) Sentimos calafrios porque precisamos defender nossa
audição.
Exemplos:
Função de substantivo – (E) Sentimos calafrios por quê?
Não é fácil encontrar o
vem acompanhado de
Porquê porquê de toda confusão.
artigo ou pronome Gabarito
Dê-me um porquê de sua
saída. 01.D / 02.B

Língua Portuguesa 19
APOSTILAS OPÇÃO

Regras Fundamentais
4. Acentuação. Palavras oxítonas - acentuam-se todas as oxítonas
terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não do plural(s):
Pará – café(s) – cipó(s) – armazém(s).
ACENTUAÇÃO
Essa regra também é aplicada aos seguintes casos:
Acentuação Tônica
Monossílabos tônicos - terminados em “a”, “e”, “o”,
Implica na intensidade com que são pronunciadas as seguidos ou não de “s”. Ex.: pá – pé – dó – há
sílabas das palavras. Aquela que se dá de forma mais
acentuada, conceitua-se como sílaba tônica. As demais, como Formas verbais - terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
são pronunciadas com menos intensidade, são denominadas seguidas de lo, la, los, las. Ex.: respeitá-lo – percebê-lo – compô-
de átonas. lo
De acordo com a tonicidade, as palavras são classificadas
como oxítona, paroxítona e proparoxítonas, independente de Paroxítonas - acentuam-se as palavras paroxítonas
levar acento gráfico: terminadas em:
- i, is
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre a táxi – lápis – júri
última sílaba. Ex.: café – coração – cajá – atum – caju – papel - us, um, uns
vírus – álbuns – fórum
Paroxítonas – São aquelas em que a sílaba tônica se - l, n, r, x, ps
evidencia na penúltima sílaba. Ex.: útil – tórax – táxi – leque – automóvel – elétron - cadáver – tórax – fórceps
retrato – passível - ã, ãs, ão, ãos
ímã – ímãs – órfão – órgãos
Proparoxítonas - São aquelas em que a sílaba tônica se
evidencia na antepenúltima sílaba. Ex.: lâmpada – câmara – Dica: Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que essa
tímpano – médico – ônibus palavra apresenta as terminações das paroxítonas que são
acentuadas: L, I N, U (aqui inclua UM), R, X, Ã, ÃO. Assim ficará
Como podemos observar, mediante todos os exemplos mais fácil a memorização!
mencionados, os vocábulos possuem mais de uma sílaba, mas
em nossa língua existem aqueles com uma sílaba somente, no - ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não de
qual são os chamados de monossílabos, que quando “s”. Ex.: água – pônei – mágoa – jóquei
pronunciados apresentam certa diferenciação quanto à
intensidade. Regras Especiais
Tal diferenciação só é percebida quando os pronunciamos
em uma dada sequência de palavras. Assim como podemos Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
observar no exemplo a seguir: abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento de
acordo com a nova regra, mas desde que estejam em palavras
“Sei que não vai dar em nada, seus segredos sei de cor.” paroxítonas.
Cuidado: Se os ditongos abertos estiverem em uma
Os monossílabos em destaque classificam-se como palavra oxítona (herói) ou monossílaba (céu) ainda são
tônicos; os demais, como átonos (que, em e de). acentuados. Mas caso não forem ditongos perdem o acento.
Ex.:
Acentos Gráficos Antes Agora
assembléia assembleia
Acento agudo (´) – colocado sobre as letras “a”, “i”, “u” e idéia ideia
sobre o “e” do grupo “em” - indica que estas letras representam jibóia jiboia
as vogais tônicas de palavras como Amapá, caí, público, apóia (verbo apoiar) apoia
parabéns.
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos,
Acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras “a”, “e” acompanhados ou não de “s”, haverá acento. Ex.: saída – faísca
e “o” indica, além da tonicidade, timbre fechado. Ex.: tâmara – – baú – país – Luís
Atlântico – pêssego – supôs
Observação importante: Não serão mais acentuados “i” e
Acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a” com “u” tônicos, formando hiato quando vierem depois de
artigos e pronomes. Ex.: à – às – àquelas – àqueles ditongo. Ex.:
Trema)¨( – de acordo com a nova regra, foi totalmente Antes Agora
abolido das palavras. Há uma exceção: é utilizado em palavras bocaiúva bocaiuva
derivadas de nomes próprios estrangeiros. Ex.: mülleriano (de feiúra feiura
Müller)
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato quando
Til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam vogais seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z: Ra-ul, ru-im, con-
nasais. Ex.: coração – melão – órgão – ímã tri-bu-in-te, sa-ir, ju-iz

Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se estiverem


seguidas do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha.

Língua Portuguesa 20
APOSTILAS OPÇÃO

Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem (C) Tem a antepenúltima sílaba como tônica.
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba (D) Não tem sílaba tônica.

As formas verbais que possuíam o acento tônico na raiz, 02. Indique a alternativa em que todas as palavras devem
com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i” receber acento.
não serão mais acentuadas. Ex.: (A) virus, torax, ma.
(B) caju, paleto, miosotis.
Antes Agora (C) refem, rainha, orgão.
apazigúe (apaziguar) apazigue (D) papeis, ideia, latex.
argúi (arguir) argui (E) lotus, juiz, virus.

O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi abolido. 03. Em “O resultado da experiência foi, literalmente,
Ex.: aterrador.” a palavra destacada encontra-se acentuada pelo
Antes Agora mesmo motivo que:
crêem creem (A) túnel
vôo voo (B) voluntário
(C) até
- Agora memorize a palavra CREDELEVÊ. São os verbos (D) insólito
que, no plural, dobram o “e”, mas que não recebem mais (E) rótulos
acento como antes: CRER, DAR, LER e VER.
04. Analise atentamente a presença ou a ausência de
Repare: acento gráfico nas palavras abaixo e indique a alternativa em
1) O menino crê em você que não há erro:
Os meninos creem em você. (A) ruím - termômetro - táxi – talvez.
2) Elza lê bem! (B) flôres - econômia - biquíni - globo.
Todas leem bem! (C) bambu - através - sozinho - juiz
3) Espero que ele dê o recado à sala. (D) econômico - gíz - juízes - cajú.
Esperamos que os dados deem efeito! (E) portuguêses - princesa - faísca.
4) Rubens vê tudo!
Eles veem tudo! 05. Todas as palavras abaixo são hiatos, EXCETO:
(A) saúde
Cuidado! Há o verbo vir: (B) cooperar
Ele vem à tarde! (C) ruim
Eles vêm à tarde! (D) creem
(E) pouco
Acentuam-se os verbos pertencentes à terceira pessoa do
plural de: Gabarito
ele tem – eles têm 1.B / 2.A / 3.B / 4.C / 5.E
ele vem – eles vêm (verbo vir)

A regra prevalece também para os verbos conter, obter,


reter, deter, abster.
5. Morfologia.
ele contém – eles contêm
ele obtém – eles obtêm
ele retém – eles retêm MORFOLOGIA
ele convém – eles convêm
A Morfologia1 é o estudo a respeito da estrutura, formação
Não se acentuam mais as palavras homógrafas que antes e classificação das palavras. Estudar morfologia significa
eram acentuadas para diferenciá-las de outras semelhantes estudar, isoladamente, as classes das palavras; diferentemente
(regra do acento diferencial). Apenas em algumas exceções, da sintaxe, que trata do estudo das funções das palavras na
como: oração.
Pôde (terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do Podemos dividir o estudo das classes morfológicas da
indicativo). seguinte forma:
Pode (terceira pessoa do singular do presente do
indicativo). Ex.: - Processos de estrutura e formação das palavras;
Ela pode fazer isso agora. - Classe de Palavras: substantivo, adjetivo, artigo, numeral,
Elvis não pôde participar porque sua mãe não deixou. pronome, verbo, advérbio, preposição, conjunção e interjeição.

O mesmo ocorreu com o verbo pôr para diferenciar da ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS
preposição por. Ex.:
Faço isso por você. Observe as seguintes palavras:
Posso pôr (colocar) meus livros aqui? escol-a
escol-ar
Questões escol-arização
escol-arizar
01. “Cadáver” é paroxítona, pois: sub-escol-arização
(A) Tem a última sílaba como tônica.
(B) Tem a penúltima sílaba como tônica.

1 https://portugues.uol.com.br/gramatica/morfologia.html

Língua Portuguesa 21
APOSTILAS OPÇÃO

Percebemos2 que há um elemento comum a todas elas: a cant: radical


forma escol-. Além disso, em todas há elementos destacáveis, cant: radical
responsáveis por algum detalhe de significação. Compare, por -á-: vogal temática
exemplo, escola e escolar: partindo de escola, formou-se -á-: vogal temática
escolar pelo acréscimo do elemento destacável: ar.
Por meio desse trabalho de comparação entre as diversas -va-: desinência modo-temporal(caracteriza o pretérito
palavras que selecionamos, podemos depreender a existência imperfeito do indicativo).
de diferentes elementos formadores. Cada um desses -sse-: desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito
elementos formadores é uma unidade mínima de significação, imperfeito do subjuntivo).
um elemento significativo indecomponível, a que damos o -mos: desinência número-pessoal (caracteriza a primeira
nome de morfema. pessoa do plural).
-is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda
Classificação dos Morfemas pessoa do plural).

Radical: há um morfema comum a todas as palavras que Vogal Temática: observe que, entre o radical cant- e as
estamos analisando: escol-. desinências verbais, surge sempre o morfema– a.
É esse morfema comum - o radical - que faz com que as Esse morfema, que liga o radical às desinências, é chamado
consideremos palavras de uma mesma família de significação. de vogal temática. Sua função é ligar-se ao radical, constituindo
- Nos cognatos o radical é a parte da palavra responsável o chamado tema. É ao tema (radical + vogal temática) que se
por sua significação principal. acrescentam as desinências. Tanto os verbos como os nomes
apresentam vogais temáticas.
Afixos: como vimos, o acréscimo do morfema - ar - cria
uma nova palavra a partir de escola. De maneira semelhante, o Vogais Temáticas Nominais: são -a, -e, e -o, quando
acréscimo dos morfemas sub e arização à forma escol átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola,
criou subescolarização. Esses morfemas recebem o nome de triste, base, combate. Nesses casos, não poderíamos pensar que
afixos. essas terminações são desinências indicadoras de gênero, pois
Quando são colocados antes do radical, como acontece a mesa, a escola, por exemplo, não sofrem esse tipo de flexão.
com sub, os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como É a essas vogais temáticas que se liga a desinência indicadora
arização, surgem depois do radical os afixos são chamados de plural:
de sufixos. mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados em vogais
- Prefixos e Sufixos, além de operar mudança de classe tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por exemplo) não apresentam
gramatical, são capazes de introduzir modificações de vogal temática.
significado no radical a que são acrescentados.
Vogais temáticas verbais: são -a, -e e- i, que caracterizam
Desinências: quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se três grupos de verbos a que se dá o nome de conjugações.
formas como amava, amavas, amava, amávamos, amáveis, Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à primeira
amavam. Essas modificações ocorrem à medida que o verbo conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à
vai sendo flexionado em número (singular e plural) e pessoa segunda conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem
(primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se à terceira conjugação.
modificarmos o tempo e o modo do verbo (amava, amara,
amasse, por exemplo). primeira conj. segunda conj. terceira conj.
Assim, podemos concluir, que existem morfemas que govern-a-va estabelec-e-sse defin-i-ra
indicam as flexões das palavras. Esses morfemas sempre atac-a-va cr-e-ra imped-i-sse
surgem no fim das palavras variáveis e recebem o nome de realiz-a-sse mex-e-rá g-i-mos
desinências, no qual podem ser divididos em:
Vogal ou consoante de ligação: as vogais ou consoantes
a) Desinências nominais: indicam o gênero e o número de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos,
dos nomes. Para a indicação de gênero, o português costuma ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma
opor as desinências -o/-a: garoto/garota; menino/menina. determinada palavra. Temos um exemplo de vogal de ligação
Para a indicação de número, costuma-se utilizar o na palavra escolaridade: o - i - entre os sufixos- ar- e -dade
morfema –s, que indica o plural em oposição à ausência de facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos:
morfema, que indica o singular: garoto/garotos; gasômetro, alvinegro, tecnocracia, paulada, cafeteira, chaleira,
garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas. tricota.
No caso dos nomes terminados em –r e– z, a desinência de
plural assume a forma -es: Processos de Formação de Palavras
mar/mares;
revólver/revólveres; Composição
cruz/cruzes. Haverá composição quando se juntarem dois ou mais
radicais para formar nova palavra. Há dois tipos de
b) Desinências verbais: em nossa língua, as desinências composição: justaposição e aglutinação.
verbais pertencem a dois tipos distintos. Há aqueles que a) Justaposição: ocorre quando os elementos que formam
indicam o modo e o tempo (desinências modo-temporais) e o composto são postos lado a lado, ou seja, justapostos. Por
aquelas que indicam o número e a pessoa dos verbos exemplo: Corre-corre, guarda-roupa, segunda-feira, girassol.
(desinência número-pessoais):
cant-á-va-mos b) Aglutinação: ocorre quando os elementos que formam
cant-á-sse-is o composto se aglutinam e pelo menos um deles perde sua
integridade sonora. Por exemplo: Aguardente (água +

2 http://www.brasilescola.com/gramatica/estrutura-e-formacao-de-palavras-
i.htm

Língua Portuguesa 22
APOSTILAS OPÇÃO

ardente), planalto (plano + alto), pernalta (perna + alta), - Siglas: as siglas são formadas pela combinação das letras
vinagre (vinho + acre) iniciais de uma sequência de palavras que constitui um nome.
Por exemplo: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e
Derivação por Acréscimo de Afixos Estatística); IPTU (Imposto Predial, Territorial e Urbano).
É o processo pelo qual se obtêm palavras novas As siglas escrevem-se com todas as letras maiúsculas, a não
(derivadas) pela anexação de afixos à palavra primitiva. A ser que haja mais de três letras e a sigla seja
derivação pode ser: prefixal, sufixal e parassintética. pronunciável sílaba por sílaba.
Por exemplo: Unicamp, Petrobras.
a) Prefixal (ou prefixação): a palavra nova é obtida por
acréscimo de prefixo. Questões
In------ --feliz des----------leal
Prefixo radical prefixo radical 01. Assinale a opção em que todas as palavras se formam
pelo mesmo processo:
b) Sufixal (ou sufixação): a palavra nova é obtida por A) ajoelhar / antebraço / assinatura
acréscimo de sufixo. B) atraso / embarque / pesca
Feliz---- mente leal------dade C) o jota / o sim / o tropeço
Radical sufixo radical sufixo D) entrega / estupidez / sobreviver
E) antepor / exportação / sanguessuga
c) Parassintética: a palavra nova é obtida pelo acréscimo
simultâneo de prefixo e sufixo (não posso retirar o prefixo nem 02. A palavra “aguardente” formou-se por:
o sufixo que estão ligados ao radical, pois a palavra não A) hibridismo
“existiria”). Por parassíntese formam-se principalmente B) aglutinação
verbos. C) justaposição
En-- -----trist- ----ecer D) parassíntese
Prefixo radical sufixo E) derivação regressiva

en----- ---tard--- --ecer 03. Que item contém somente palavras formadas por
prefixo radical sufixo justaposição?
A) desagradável - complemente
Outros Tipos de Derivação B) vaga-lume - pé-de-cabra
Há dois casos em que a palavra derivada é formada sem C) encruzilhada - estremeceu
que haja a presença de afixos. São eles: a derivação regressiva D) supersticiosa - valiosas
e a derivação imprópria. E) desatarraxou - estremeceu

a) Derivação regressiva: a palavra nova é obtida por 04. “Sarampo” é:


redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo, na formação A) forma primitiva
de substantivos derivados de verbos. B) formado por derivação parassintética
Por exemplo: A pesca está proibida. (pescar). Proibida a C) formado por derivação regressiva
caça. (caçar) D) formado por derivação imprópria
E) formado por onomatopeia
b) Derivação imprópria: a palavra nova (derivada) é
obtida pela mudança de categoria gramatical da palavra 05. As palavras são formadas através de derivação
primitiva. Não ocorre, pois, alteração na forma, mas tão parassintética em
somente na classe gramatical. Por exemplo: A)infelizmente, desleal, boteco, barraco.
Não entendi o porquê da briga. (o substantivo porquê B)ajoelhar, anoitecer, entristecer, entardecer.
deriva da conjunção porque) C)caça, pesca, choro, combate.
Seu olhar me fascina! (o verbo olhar tornou-se, aqui, D)ajoelhar, pesca, choro, entristecer.
substantivo)
Gabarito
Outros processos de formação de palavras 01.B / 02.B / 03.B / 04.C / 05.B
- Hibridismo: é a palavra formada com elementos
oriundos de línguas diferentes. CLASSES DE PALAVRAS
automóvel (auto: grego; móvel: latim)
sociologia (socio: latim; logia: grego) Em Classes de Palavras, estudaremos artigo, substantivo,
sambódromo (samba: dialeto africano; dromo: grego) adjetivo, numeral, pronome, verbo, advérbio, preposição,
interjeição e conjunção. E dentro de cada uma, abordaremos
- Abreviação vocabular: cujo traço peculiar manifesta-se seu emprego e quando houver, sua flexão.
por meio da eliminação de um segmento de uma palavra no
intuito de se obter uma forma mais reduzida, geralmente Artigo
aquelas mais longas. Vejamos alguns exemplos:
metropolitano – metrô É a palavra que acompanha o substantivo, indicando-lhe o
extraordinário – extra gênero e o número, determinando-o ou generalizando-o. Os
otorrinolaringologista – otorrino artigos podem ser:
telefone – fone Definidos: o, a, os, as; determinam os substantivos, trata de
pneumático – pneu um ser já conhecido; denota familiaridade: “A grande reforma
do ensino superior é a reforma do ensino fundamental e do
- Onomatopeia: consiste em criar palavras, tentando médio.”
imitar sons da natureza ou sons repetidos. Por Indefinidos: um, uma, uns, umas; Trata-se de um ser
exemplo: zum-zum, cri-cri, tique-taque, pingue-pongue, blá- desconhecido, dá ao substantivo valor vago: “...foi chegando
blá-blá. um caboclinho magro, com uma taquara na mão.” (A. Lima)

Língua Portuguesa 23
APOSTILAS OPÇÃO

Usa-se o artigo definido: Questões


- com a palavra ambos: falou-nos que ambos os culpados
foram punidos. 01. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão
- com nomes próprios geográficos de estado, país, oceano, Contábil - FGV/2018) A frase abaixo em que o emprego do
montanha, rio, lago: o Brasil, o rio Amazonas, a Argentina, o artigo mostra inadequação é:
oceano Pacífico. Ex.: Conheço o Canadá mas não conheço (A) Todas as coisas que hoje se creem antiquíssimas já
Brasília. foram novas;
- depois de todos/todas + numeral + substantivo: Todos (B) Cuidado com todas as coisas que requeiram roupas
os vinte atletas participarão do campeonato. novas;
- com o superlativo relativo: Mariane escolheu as mais (C) Todos os bons pensamentos estão presentes no
lindas flores da floricultura. mundo, só falta aplicá-los;
- com a palavra outro, com sentido determinado: Marcelo (D) Em toda a separação existe uma imagem da morte;
tem dois amigos: Rui é alto e lindo, o outro é atlético e (E) Alegria de amor dura apenas um instante, mas
simpático. sofrimento de amor dura toda a vida.
- antes dos nomes das quatro estações do ano: Depois da
primavera vem o verão. 02. (IF/AP – Auxiliar em Administração –
- com expressões de peso e medida: O álcool custa um real FUNIVERSA/2016)
o litro. (=cada litro)

Não se usa o artigo definido:


- antes de pronomes de tratamento iniciados por
possessivos: Vossa Excelência, Vossa Senhoria. Ex.: Vossa
Alteza estará presente ao debate?
- antes de nomes de meses: O campeonato aconteceu em
maio de 2002.
- alguns nomes de países, como Espanha, França,
Inglaterra, Itália podem ser construídos sem o artigo,
principalmente quando regidos de preposição. Ex.: “Viveu
muito tempo em Espanha.”
- antes de todos / todas + numeral: Eles são, todos
quatro, amigos de João Luís e Laurinha.
- antes de palavras que designam matéria de estudo,
empregadas com os verbos: aprender, estudar, cursar,
ensinar. Ex.: Estudo Inglês e Cristiane estuda Francês.

O uso do artigo é facultativo:


- antes do pronome possessivo: Sua / A sua incompetência
é irritante.
Internet: <http://educacaoepraxis.blogspot.com.br>.
- antes de nomes próprios de pessoas: Você já visitou
Luciana / a Luciana?
No segundo quadrinho, correspondem, respectivamente, a
- “Daqui para a frente, tudo vai ser diferente.” (Para a
substantivo, pronome, artigo e advérbio:
frente: exige a preposição)
(A) “guerra”, “o”, “a” e “por que”.
(B) “mundo”, “a”, “o” e “lá”.
Formas combinadas do artigo definido: Preposição + o = ao
(C) “quando”, “por que”, “e” e “lá”.
/ de + o, a = do, da / em + o, a = no, na / por + o, a = pelo, pela.
(D) “por que”, “não”, “a” e “quando”.
(E) “guerra”, “quando”, “a” e “não”.
Usa-se o artigo indefinido:
- para indicar aproximação numérica: Nicole devia ter uns
03. (SESAP/RN - Técnico em Enfermagem -
oito anos.
COMPERVE/2018)
- antes dos nomes de partes do corpo ou de objetos em
pares: Usava umas calças largas e umas botas longas.
Nas décadas subsequentes, vários estudos
- em linguagem coloquial, com valor intensivo: Rafaela é
correlacionaram os hábitos dos pacientes como fatores de
uma meiguice só.
risco para doenças cardiovasculares. Sedentarismo,
- para comparar alguém com um personagem célebre: Luís
tabagismo, obesidade, entre outros, aumentam drasticamente
August é um Rui Barbosa.
as chances de enfarte.
O artigo indefinido não é usado:
Com relação à quantidade de artigos no trecho, há
- em expressões de quantidade: pessoa, porção, parte,
(A) cinco.
gente, quantidade. Ex.: Reservou para todos boa parte do lucro.
(B) três.
- com adjetivos como: escasso, excessivo, suficiente. Ex.:
(C) quatro.
Não há suficiente espaço para todos.
(D) dois.
- com substantivo que denota espécie. Ex.: Cão que ladra
não morde.
04. (Prefeitura Tanguá/RJ - Técnico de Enfermagem -
MS Concursos/2017) Considere as afirmações sobre artigo e
Formas combinadas do artigo indefinido: Preposição de e
numeral e assinale a alternativa correta:
em + um, uma = num, numa, dum, duma.
I - Algumas palavras que atendem o substantivo, como um,
em “um dia”, podem modificar-lhe o sentido. Podemos
O artigo (o, a, um, uma) anteposto a qualquer palavra
entender a expressão como “um dia qualquer” e também como
transforma-a em substantivo. O ato literário é o conjunto do
“um único dia.” Na primeira situação, a palavra um é artigo; na
ler e do escrever.
segunda, um é numeral.

Língua Portuguesa 24
APOSTILAS OPÇÃO

II - Artigo é a palavra que antecede o substantivo, Gênero (masculino/feminino)


definindo-o ou indefinindo-o. Numeral é a palavra que Na língua portuguesa há dois gêneros: masculino e
expressa quantidade exata de pessoas ou coisas, ou lugar que feminino. A regra para a flexão do gênero é a troca de o por a,
elas ocupam numa determinada sequência. ou o acréscimo da vogal a, no final da palavra: mestre, mestra.
III - Os numerais classificam-se em: cardinais (designam
uma quantidade de seres); ordinais (indicam série, ordem, Formação do Feminino
posição); multiplicativos (expressam aumento proporcional a O feminino se realiza de três modos:
um múltiplo da unidade); fracionários (denotam diminuição - Flexionando-se o substantivo masculino: filho, filha /
proporcional a divisões, frações da unidade). mestre, mestra / leão, leoa;
IV - O numeral pode referir-se a um substantivo ou - Acrescentando-se ao masculino a desinência “a” ou um
substituí-lo; no primeiro caso, é numeral substantivo; no sufixo feminino: autor, autora / deus, deusa / cônsul,
segundo, numeral adjetivo. consulesa / cantor, cantora / reitor, reitora.
- Utilizando-se uma palavra feminina com radical
(A) Apenas II, III e IV estão corretas. diferente: pai, mãe / homem, mulher / boi, vaca / carneiro,
(B) Apenas I, III e IV estão corretas. ovelha / cavalo, égua.
(C) Apenas I, II e III estão corretas.
(D) Apenas I, II e IV estão corretas. Substantivos Uniformes
- Epicenos: designam certos animais e têm um só gênero,
Gabarito quer se refiram ao macho ou à fêmea. – jacaré macho ou fêmea
/ a cobra macho ou fêmea.
01.D / 02.E / 03.C / 04.C - Comuns de dois gêneros: apenas uma forma e designam
indivíduos dos dois sexos. São masculinos ou femininos. A
Substantivo indicação do sexo é feita com uso do artigo masculino ou
feminino: o, a intérprete / o, a colega / o, a médium / o, a
É a palavra que dá nomes aos seres. Inclui os nomes de pianista.
pessoas, de lugares, coisas, entes de natureza espiritual ou - Sobrecomuns: designam pessoas e têm um só gênero
mitológica: vegetação, sereia, cidade, anjo, árvore, respeito, para homem ou a mulher: a criança (menino, menina) / a
criança. testemunha (homem, mulher) / o cônjuge (marido, mulher).

Classificação Alguns substantivos que mudam de sentido, quando se


- Comuns: nomeiam os seres da mesma espécie. Ex.: troca o gênero:
menina, piano, estrela, rio, animal, árvore. o lotação (veículo) - a lotação (efeito de lotar);
- Próprios: referem-se a um ser em particular. Ex.: Brasil, o capital (dinheiro) - a capital (cidade);
América do Norte, Deus, Paulo, Lucélia. o cabeça (chefe, líder) - a cabeça (parte do corpo);
- Concretos: são aqueles que têm existência própria; são o guia (acompanhante) - a guia (documentação).
independentes; reais ou imaginários. Ex.: mãe, mar, água, anjo,
alma, Deus, vento, saci. São masculinos: o eclipse, o dó, o dengue (manha), o
- Abstrato: são os que não têm existência própria; depende champanha, o soprano, o clã, o alvará, o sanduíche, o clarinete,
sempre de um ser para existir. Designam qualidades, o Hosana, o espécime, o guaraná, o diabete ou diabetes, o tapa,
sentimentos, ações, estados dos seres: dor, doença, amor, fé, o lança-perfume, o praça (soldado raso), o pernoite, o
beijo, abraço, juventude, covardia. Ex.: É necessário alguém ser formicida, o herpes, o sósia, o telefonema, o saca-rolha, o
ou estar triste para a tristeza manifestar-se. plasma, o estigma.

Formação São femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a aluvião, a


- Simples: são aqueles formados por apenas um radical: análise, a cal, a gênese, a entorse, a faringe, a cólera (doença),
chuva, tempo, sol, guarda. a cataplasma, a pane, a mascote, a libido (desejo sexual), a rês,
- Compostos: são os que são formados por mais de dois a sentinela, a sucuri, a usucapião, a omelete, a hortelã, a fama,
radicais: guarda-chuva, girassol, água-de-colônia. a Xerox, a aguardente.
- Primitivos: são os que não derivam de outras palavras;
vieram primeiro, deram origem a outras palavras. Ex.: ferro, Número (plural/singular)
Pedro, mês, queijo. Acrescentam-se:
- Derivados: são formados de outra palavra já existente; - S – aos substantivos terminados em vogal ou ditongo:
vieram depois. Ex.: ferradura, pedreiro, mesada, requeijão. povo, povos / feira, feiras / série, séries.
- Coletivos: os substantivos comuns que, mesmo no - S – aos substantivos terminados em N: líquen, liquens /
singular, designam um conjunto de seres de uma mesma abdômen, abdomens / hífen, hífens. Também: líquenes,
espécie. Ex.: abdômenes, hífenes.
- ES – aos substantivos terminados em R, S, Z: cartaz,
Álbum de fotografias Colmeia de abelhas cartazes / motor, motores / mês, meses. Alguns terminados em
de bispos em R mudam sua sílaba tônica, no plural: júnior, juniores / caráter,
Alcateia de lobos Concílio
assembleia caracteres / sênior, seniores.
de textos - IS – aos substantivos terminados em al, el, ol, ul: jornal,
Antologia Conclave de cardeais
escolhidos
jornais / sol, sóis / túnel, túneis / mel, meles, méis. Exceções:
Arquipélago ilhas Cordilheira de montanhas
mal, males / cônsul, cônsules / real, réis.
- ÃO – aos substantivos terminados em ão, acrescenta S:
Reflexão do Substantivo cidadão, cidadãos / irmão, irmãos / mão, mãos.
Os substantivos apresentam variações ou flexões de gênero
(masculino/feminino), de número (plural/singular) e de grau
Trocam-se:
(aumentativo/diminutivo).
- ão por ões: botão, botões / limão, limões / portão, portões
/ mamão, mamões.

Língua Portuguesa 25
APOSTILAS OPÇÃO

- ão por ãe: pão, pães / charlatão, charlatães / alemão, Somente o primeiro elemento vai para o plural:
alemães / cão, cães.
- il por is (oxítonas): funil, funis / fuzil, fuzis / canil, canis / - substantivo + preposição + substantivo: água de colônia
pernil, pernis. = águas-de-colônia / mula-sem-cabeça = mulas-sem-cabeça /
- por eis (paroxítonas): fóssil, fósseis / réptil, répteis / pão-de-ló = pães-de-ló / sinal-da-cruz = sinais-da-cruz.
projétil, projéteis. - quando o segundo elemento limita o primeiro ou dá
- m por ns: nuvem, nuvens / som, sons / vintém, vinténs / ideia de tipo, finalidade: samba-enredo = sambas-enredo /
atum, atuns. pombo-correio = pombos-correio / salário-família = salários-
- zito, zinho - 1º coloca-se o substantivo no plural: balão, família / banana-maçã = bananas-maçã / vale-refeição = vales-
balões. 2º elimina-se o S + zinhos. refeição (vale = ter valor de, substantivo+especificador)
Balão – balões – balões + zinhos: balõezinhos.
Papel – papéis – papel + zinhos: papeizinhos. Os dois elementos ficam invariáveis quando houver:
Cão – cães - cãe + zitos: Cãezitos.
- verbo + advérbio: o ganha-pouco = os ganha-pouco / o
Alguns substantivos terminados em X são invariáveis cola-tudo = os cola-tudo / o bota-fora = os bota-fora
(valor fonético = cs): os tórax, os tórax / o ônix, os ônix / a fênix, - os compostos de verbos de sentido oposto: o entra-e-sai
as fênix / uma Xerox, duas Xerox / um fax, dois fax. = os entra-e-sai / o leva-e-traz = os leva-e-traz / o vai-e-volta
= os vai-e-volta.
Substantivos terminados em ÃO com mais de uma forma
no plural: Os dois elementos, vão para o plural:
aldeão, aldeões, aldeãos;
verão, verões, verãos; - substantivo + substantivo: decreto-lei = decretos-leis /
anão, anões, anãos; abelha-mestra = abelhas-mestras / tia-avó = tias-avós /
guardião, guardiões, guardiães; tenente-coronel = tenentes-coronéis / redator-chefe =
corrimão, corrimãos, corrimões; redatores-chefes.
ancião, anciões, anciães, anciãos; - substantivo + adjetivo: amor-perfeito = amores-
ermitão, ermitões, ermitães, ermitãos. perfeitos / capitão-mor = capitães-mores / carro-forte =
carros-fortes / obra-prima = obras-primas / cachorro-quente
Metafonia - apresentam o “o” tônico fechado no singular e = cachorros-quentes.
aberto no plural: caroço (ô), caroços (ó) / imposto (ô), - adjetivo + substantivo: boa-vida = boas-vidas / curta-
impostos (ó). metragem = curtas-metragens / má-língua = más-línguas /
- numeral ordinal + substantivo: segunda-feira =
Substantivos que mudam de sentido quando usados no segundas-feiras / quinta-feira = quintas-feiras.
plural: Fez bem a todos (alegria); Houve separação de bens.
(Patrimônio); Conferiu a féria do dia. (Salário); As férias foram Composto com a palavra guarda só vai para o plural se
maravilhosas. (Descanso). for pessoa: guarda-noturno = guardas-noturnos / guarda-
florestal = guardas-florestais / guarda-civil = guardas-civis /
Substantivos empregados somente no plural: Arredores, guarda-marinha = guardas-marinha.
belas-artes, bodas (ô), condolências, cócegas, costas, exéquias,
férias, olheiras, fezes, núpcias, óculos, parabéns, pêsames, Plural dos nomes próprios personalizados: os Almeidas
viveres, idos, afazeres, algemas. / os Oliveiras / os Picassos / os Mozarts / os Kennedys / os
Silvas.
Plural dos Substantivos Compostos
Plural das siglas, acrescenta-se um s minúsculo: CDs /
Somente o segundo (ou último) elemento vai para o plural: DVDs / ONGs / PMs / Ufirs.

- palavra unida sem hífen: pontapé = pontapés / girassol Grau (aumentativo/diminutivo)


= girassóis / autopeça = autopeças. Os substantivos podem ser modificados a fim de exprimir
- verbo + substantivo: saca-rolha = saca-rolhas / arranha- intensidade, exagero ou diminuição. A essas modificações é
céu = arranha-céus / bate-bola = bate-bolas / guarda-roupa = que damos o nome de grau do substantivo. Os graus
guarda-roupas / guarda-sol = guarda-sóis / vale-refeição = aumentativos e diminutivos são formados por dois processos:
vale-refeições.
- elemento invariável + palavra variável: sempre-viva = - Sintético: com o acréscimo de um sufixo aumentativo ou
sempre-vivas / abaixo-assinado = abaixo-assinados / recém- diminutivo: peixe – peixão; peixe-peixinho; sufixo inho ou
nascido = recém-nascidos / ex-marido = ex-maridos / auto- isinho.
escola = auto-escolas.
- palavras repetidas: o reco-reco = os reco-recos / o tico- - Analítico: formado com palavras de aumento: grande,
tico = os tico-ticos / o corre-corre = os corre-corres. enorme, imensa, gigantesca (obra imensa / lucro enorme /
- substantivo composto de três ou mais elementos não carro grande / prédio gigantesco); e formado com as palavras
ligados por preposição: o bem-me-quer = os bem-me-queres / de diminuição (diminuto, pequeno, minúscula, casa pequena,
o bem-te-vi = os bem-te-vis / o sem-terra = os sem-terra / o peça minúscula, saia diminuta).
fora-da-lei = os fora-da-lei / o João-ninguém = os joões-ninguém
/ o ponto-e-vírgula = os ponto e vírgulas / o bumba meu boi = - Sem falar em aumentativo e diminutivo alguns
os bumba meu bois. substantivos exprimem também desprezo, crítica, indiferença
- quando o primeiro elemento for: grão, grã (grande), bel: em relação a certas pessoas e objetos: gentalha, mulherengo,
grão-duque = grão-duques / grã-cruz = grã-cruzes / bel-prazer narigão, gentinha, coisinha, povinho, livreco.
= bel-prazeres. - Já alguns diminutivos dão ideia de afetividade: filhinho,
Toninho, mãezinha.
- Em consequência do dinamismo da língua, alguns
substantivos no grau diminutivo e aumentativo adquiriram

Língua Portuguesa 26
APOSTILAS OPÇÃO

um significado novo: portão, cartão, fogão, cartilha, folhinha estado, ou modo de ser: laranjeira florida; céu azul; mau tempo.
(calendário). Os adjetivos classificam-se em:
- As palavras proparoxítonas e as palavras terminadas em - simples: apresentam um único radical, uma única palavra
sílabas nasal, ditongo, hiato ou vogal tônica recebem o sufixo em sua estrutura: alegre, medroso, simpático.
zinho(a): lâmpada (proparoxítona) = lampadazinha; irmão - compostos: apresentam mais de um radical, mais de duas
(sílaba nasal) = irmãozinho; herói (ditongo) = heroizinho; baú palavras em sua estrutura: estrelas azul-claras; sapatos
(hiato) = bauzinho; café (voga tônica) = cafezinho. marrom-escuros.
- As palavras terminadas em s ou z, ou em uma dessas - primitivos: são os que vieram primeiro; dão origem a
consoantes seguidas de vogal recebem o sufixo inho: país = outras palavras: atual, livre, triste, amarelo, brando.
paisinho; rapaz = rapazinho; rosa = rosinha; beleza = - derivados: são aqueles formados por derivação, vieram
belezinha. depois dos primitivos: amarelado, ilegal, infeliz,
- Há ainda aumentativos e diminutivos formados por desconfortável.
prefixação: minissaia, maxissaia, supermercado, - pátrios: indicam procedência ou nacionalidade, referem-
minicalculadora. se a cidades, estados, países. Amapá: amapaense; Amazonas:
amazonense ou baré; Anápolis: anapolino; Angra dos Reis:
Questões angrense; Aracajú: aracajuano ou aracajuense; Bahia: baiano.

01. Assinale o par de vocábulos que fazem o plural da Pode-se utilizar os adjetivos pátrios compostos, como:
mesma forma que “balão” e “caneta-tinteiro”: afro-brasileiro; Anglo-americano, franco-italiano, sino-
(A) vulcão, abaixo-assinado; japonês (China e Japão); Américo-francês; luso-brasileira;
(B) irmão, salário-família; nipo-argentina (Japão e Argentina); teuto-argentinos
(C) questão, manga-rosa; (alemão).
(D) bênção, papel-moeda;
(E) razão, guarda-chuva. Locução Adjetiva: é a expressão que tem o mesmo valor
de um adjetivo. É formada por preposição + um substantivo.
02. Assinale a alternativa em que está correta a formação Vejamos algumas locuções adjetivas:
do plural:
(A) cadáver – cadáveis; Angelical de anjo Etário de idade
(B) gavião – gaviães; Abdominal de abdômen Fabril de fábrica
(C) fuzil – fuzíveis; Apícola de abelha Filatélico de selos
(D) mal – maus; Aquilino de águia Urbano da cidade
(E) atlas – os atlas.
Flexões do Adjetivo
03. A palavra livro é um substantivo Como palavra variável, sofre flexões de gênero, número e
(A) próprio, concreto, primitivo e simples. grau:
(B) comum, abstrato, derivado e composto.
(C) comum, abstrato, primitivo e simples. Gênero
(D) comum, concreto, primitivo e simples.
- uniformes: têm forma única para o masculino e o
04. Assinale a alternativa em que todos os substantivos são feminino. Funcionário incompetente = funcionária
masculinos: incompetente.
(A) enigma – idioma – cal; - biformes: troca-se a vogal “o” pela vogal “a” ou com o
(B) pianista – presidente – planta; acréscimo da vogal “a” no final da palavra: ator famoso = atriz
(C) champanha – dó(pena) – telefonema; famosa / jogador brasileiro = jogadora brasileira.
(D) estudante – cal – alface;
(E) edema – diabete – alface. Os adjetivos compostos recebem a flexão feminina apenas
no segundo elemento: sociedade luso-brasileira / festa cívico-
05. Sabendo-se que há substantivos que no masculino têm religiosa / são – sã.
um significado; e no feminino têm outro, diferente. Marque a Às vezes, os adjetivos são empregados como substantivos
alternativa em que há um substantivo que não corresponde ao ou como advérbios: Agia como um ingênuo. (adjetivo como
seu significado: substantivo: acompanha um artigo). A cerveja que desce
(A) O capital = dinheiro; redondo. (adjetivo como advérbio: redondamente).
A capital = cidade principal;
(B) O grama = unidade de medida; Número
A grama = vegetação rasteira;
(C) O rádio = aparelho transmissor; O plural dos adjetivos simples flexiona de acordo com o
A rádio = estação geradora; substantivo a que se referem: menino chorão = meninos
(D) O cabeça = o chefe; chorões / garota sensível = garotas sensíveis.
A cabeça = parte do corpo;
(E) A cura = o médico. - quando os dois elementos formadores são adjetivos, só o
O cura = ato de curar. segundo vai para o plural: questões político-partidárias, olhos
castanho-claros, senadores democrata-cristãos.
Gabarito - composto formado de adjetivo + substantivo referindo-se
a cores, o adjetivo cor e o substantivo permanecem invariáveis,
01.C / 02.E / 03.D / 04.C / 05.E não vão para o plural: terno azul-petróleo = ternos azul-
petróleo (adjetivo azul, substantivo petróleo); saia amarelo-
Adjetivo canário = saias amarelo-canário (adjetivo, amarelo;
substantivo canário).
É a palavra variável em gênero, número e grau que
modifica um substantivo, atribuindo-lhe uma qualidade,

Língua Portuguesa 27
APOSTILAS OPÇÃO

- as locuções adjetivas formadas de cor + de + substantivo, - Relativo: ressalta a qualidade de um ser entre muitos,
ficam invariáveis: papel cor-de-rosa = papéis cor-de-rosa / com a mesma qualidade. Pode ser:
olho cor-de-mel = olhos cor-de-mel. De Superioridade: Wilma é a mais prendada de todas as
- são invariáveis os adjetivos raios ultravioleta / alegrias suas amigas. (Ela é a mais de todas)
sem-par, piadas sem-sal. De Inferioridade: Paulo César é o menos tímido dos filhos.

Grau Questões

O grau do adjetivo exprime a intensidade das qualidades 01. (COMPESA - Analista de Gestão - Advogado -
dos seres. O adjetivo apresenta duas variações de grau: FGV/2016) A substituição da oração adjetiva por um adjetivo
comparativo e superlativo. de valor equivalente está feita de forma inadequada em:
O grau comparativo é usado para comparar uma (A) “Quando você elimina o impossível, o que sobra, por
qualidade entre dois ou mais seres, ou duas ou mais mais improvável que pareça, só pode ser a verdade”. / restante
qualidades de um mesmo ser. Pode ser de igualdade, de (B) “Sábio é aquele que conhece os limites da própria
superioridade e de inferioridade: ignorância”. / consciente dos limites da própria ignorância.
(C) “A única coisa que vem sem esforço é a idade”. /
- de igualdade: iguala duas coisas ou duas pessoas: Sou indiferente
tão alto quão / quanto / como você. (As duas pessoas têm a (D) “Adoro a humanidade. O que não suporto são as
mesma altura) pessoas”. / insuportável
- de superioridade: iguala duas pessoas / coisas sendo que (E) “Com o tempo não vamos ficando sozinhos apenas
uma é mais do que a outra: Minha amiga Manu é mais pelos que se foram: vamos ficando sozinhos uns dos outros”. /
elegante do que / que eu. (Das duas, a Manu é mais) Podem falecidos
ser:
Analítico: mais bom / mais mau / mais grande / mais 02. (SEPOG/RO - Técnico em Tecnologia da Informação
pequeno: O salário é mais pequeno do que / que justo (salário e Comunicação - FGV/2018) Temos uma notícia triste: o
pequeno e justo). Quando comparamos duas qualidades de um coração não é o órgão do amor! Ao contrário do que dizem, não
mesmo ser, podemos usar as formas: mais grande, mais mau, é ali que moram os sentimentos. Puxa, para que serve ele,
mais bom, mais pequeno. afinal? Calma, não jogue o coração para escanteio, ele é
Sintético: bom, melhor / mau, pior / grande, maior / superimportante. “É um órgão vital. É dele a função de
pequeno, menor: Esta sala é melhor do que / que aquela. bombear sangue para todas as células de nosso corpo”, explica
Sérgio Jardim, cardiologista do Hospital do Coração.
- de inferioridade: um elemento é menor do que outro: O coração é um músculo oco, por onde passa o sangue, e
Somos menos passivos do que / que tolerantes. tem dois sistemas de bombeamento independentes. Com essas
“bombas” ele recebe o sangue das veias e lança para as
O grau superlativo apresenta característica intensificada. artérias. Para isso contrai e relaxa, diminuindo e aumentando
Pode ser absoluto ou relativo: de tamanho. E o que tem a ver com o amor? “Ele realmente
bate mais rápido quando uma pessoa está apaixonada. O corpo
- Absoluto: atribuída a um só ser; de forma absoluta. Pode libera adrenalina, aumentando os batimentos cardíacos e a
ser: pressão arterial”.
Analítico: advérbio de intensidade muito, intensamente, (O Estado de São Paulo, 09/06/2012, caderno suplementar, p. 6)
bastante, extremamente, excepcionalmente + adjetivo (Nicola é
extremamente simpático). Nas frases “ele é superimportante” e “Ele realmente bate
Sintético: adjetivo + issimo, imo, ílimo, érrimo (Minha mais rápido quando uma pessoa está apaixonada”, há dois
comadre Mariinha é agradabilíssima). exemplos de variação de grau.

- o sufixo -érrimo é restrito aos adjetivos latinos Sobre essas variações, assinale a afirmativa correta.
terminados em r; pauper (pobre) = paupérrimo; macer (A) Apenas na primeira frase há uma variação de grau de
(magro) = macérrimo; adjetivo.
- forma popular: radical do adjetivo português + íssimo (B) Nas duas ocorrências ocorre o superlativo de adjetivos.
(pobríssimo); (C) Apenas na segunda ocorrência ocorre o grau
- adjetivos terminados em vel + bilíssimo: amável = comparativo do adjetivo.
amabilíssimo; (D) Na primeira ocorrência, a variação de grau ocorre por
- adjetivos terminados em eio formam o superlativo meio de um sufixo.
apenas com i: feio = feíssimo / cheio = cheíssimo. (E) Apenas na primeira frase há variação de grau.
- os adjetivos terminados em io forma o superlativo em
iíssimo: sério = seriíssimo / necessário = necessariíssimo / 03. (Banestes - Técnico Bancário - FGV/2018) O
frio = friíssimo. adjetivo ilimitado corresponde à locução “sem limites”; a
locução com igual estrutura que NÃO corresponde ao adjetivo
Usa-se também, no superlativo: abaixo destacado é:
(A) Os turistas ficaram inertes durante a ação policial /
- prefixos: maxinflação / hipermercado / sem ação;
ultrassonografia / supersimpática. (B) O turista incauto ficou assustado com a ação policial /
- expressões: suja à beça / pra lá de sério / duro que nem sem cautela;
sola / podre de rico / linda de morrer / magro de dar pena. (C) O vocalista da banda saiu ileso do acidente / sem
- adjetivos repetidos: fofinho, fofinho (=fofíssimo) / ferimento;
linda, linda (=lindíssima). (D) O presidente da Coreia passou incógnito pela França /
- diminutivo ou aumentativo: cheinha / pequenininha / sem ser percebido;
grandalhão / gostosão / bonitão. (E) O novo livro do autor estava ainda inédito / sem editor.
- linguagem informal, sufixo érrimo, em vez de íssimo:
chiquérrimo, chiquetérrimo, elegantérrimo.

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APOSTILAS OPÇÃO

04. (Banestes - Analista Econômico Financeiro - Gestão SEMESTRE: período de seis meses
Contábil - FGV/2018) Na escrita, pode-se optar TRIÊNIO: período de três anos
frequentemente entre uma construção de substantivo + TRINCA: conjunto de três coisas
locução adjetiva ou substantivo + adjetivo (esportes da água =
esportes aquáticos). Algarismos
Arábicos e Romanos, respectivamente: 1-I, 2-II, 3-III, 4-IV,
O termo abaixo sublinhado que NÃO pode ser substituído 5-V, 6-VI, 7-VII, 8-VIII, 9-IX, 10-X, 11-XI, 12-XII, 13-XIII, 14-XIV,
por um adjetivo é: 15-XV, 16-XVI, 17-XVII, 18-XVIII, 19-XIX, 20-XX, 30-XXX, 40-
(A) A indústria causou a poluição do rio; XL, 50-L, 60-LX, 70-LXX, 80-LXXX, 90-XC, 100-C, 200-CC, 300-
(B) As águas do rio ficaram poluídas; CCC, 400-CD, 500-D, 600-DC, 700-DCC, 800-DCCC, 900-CM,
(C) As margens do rio estão cheias de lama; 1.000-M.
(D) Os turistas se encantam com a imagem do rio;
(E) Os peixes do rio são bem saborosos. Flexão dos Numerais
Gênero
05. (Pref. Paulínia/SP - Engenheiro Agrônomo - - os numerais cardinais um, dois e as centenas a partir de
FGV/2016) “O povo, ingênuo e sem fé das verdades, quer ao duzentos apresentam flexão de gênero: Um menino e uma
menos crer na fábula, e pouco apreço dá às demonstrações menina foram os vencedores. / Comprei duzentos gramas de
científicas.” (Machado de Assis) presunto e duzentas rosquinhas.
- os numerais ordinais variam em gênero: Marcela foi a
No fragmento acima, os dois adjetivos sublinhados nona colocada no vestibular.
possuem, respectivamente, os valores de - os numerais multiplicativos, quando usados com o valor
(A) qualidade e estado. de substantivos, são variáveis: A minha nota é o triplo da sua.
(B) estado e relação. (Triplo – valor de substantivo)
(C) relação e característica. - quando usados com valor de adjetivo, apresentam flexão
(D) característica e qualidade. de gênero: Eu fiz duas apostas triplas na loto fácil. (Triplas
(E) qualidade e relação. valor de adjetivo)
- os numerais fracionários concordam com os cardinais
Gabarito que indicam o número das partes: Dois terços dos alunos foram
contemplados.
01.C / 02.A / 03.E / 04.A / 05.E - o fracionário meio concorda em gênero e número com o
substantivo no qual se refere: O início do concurso será meio-
Numeral dia e meia. (Hora) / Usou apenas meias palavras.

Os numerais exprimem quantidade, posição em uma série, Número


multiplicação e divisão. Daí a sua classificação, - os numerais cardinais milhão, bilhão, trilhão, e outros,
respectivamente, em: variam em número: Venderam um milhão de ingressos para a
festa do peão. / Somos 180 milhões de brasileiros.
- Cardinal - indica número, quantidade: um, dois, três, - os numerais ordinais variam em número: As segundas
quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez, onze, doze, treze, colocadas disputarão o campeonato.
catorze ou quatorze, quinze, dezesseis, vinte..., trinta..., cem..., - os numerais multiplicativos são invariáveis quando
duzentos..., oitocentos..., novecentos..., mil. usados com valor de substantivo: Minha dívida é o dobro da
sua. (Valor de substantivo – invariável)
- Ordinal - indica ordem ou posição: primeiro, segundo, - os numerais multiplicativos variam quando usados como
terceiro, quarto, quinto, sexto, sétimo, oitavo, nono, décimo, adjetivos: Fizemos duas apostas triplas. (Valor de adjetivo –
décimo primeiro, vigésimo..., trigésimo..., quingentésimo..., variável)
sexcentésimo..., septingentésimo..., octingentésimo..., - os numerais fracionários variam em número,
nongentésimo..., milésimo. concordando com os cardinais que indicam números das
partes.
- Fracionário - indica uma fração ou divisão: meia, metade, - Um quarto de litro equivale a 250 ml; três quartos
terço, quarto, décimo, onze avos, doze avos, vinte avos..., trinta equivalem a 750 ml.
avos..., centésimo..., ducentésimo..., trecentésimo..., milésimo.
Grau
- Multiplicativo - indica a multiplicação de um número: Na linguagem coloquial é comum a flexão de grau dos
dobro, triplo, quádruplo, quíntuplo, sêxtuplo, sétuplo, óctuplo, numerais: Já lhe disse isso mil vezes. / Aquele quarentão é um
nônuplo, décuplo, undécuplo, duodécuplo, cêntuplo. “gato”! / Morri com cincão para a “vaquinha”, lá da escola.

Os numerais que indicam conjunto de elementos de Emprego dos Numerais


quantidade exata são os coletivos: - para designar séculos, reis, papas, capítulos, cantos (na
poesia épica), empregam-se: os ordinais até décimo: João Paulo
BIMESTRE: período de dois meses II (segundo), Canto X (décimo), Luís IX (nono); os cardinais
CENTENÁRIO: período de cem anos para os demais: Papa Bento XVI (dezesseis), Século XXI (vinte
DECÁLOGO: conjunto de dez leis e um).
DECÚRIA: período de dez anos - se o numeral vier antes do substantivo, usa-se o ordinal.
DEZENA: conjunto de dez coisas O XX século foi de descobertas científicas. (vigésimo século)
LUSTRO: período de cinco anos - com referência ao primeiro dia do mês, usa-se o numeral
MILÊNIO: período de mil anos ordinal: O pagamento do pessoal será sempre no dia primeiro.
MILHAR: conjunto de mil coisas - na enumeração de leis, decretos, artigos, circulares,
NOVENA: período de nove dias portarias e outros textos oficiais, emprega-se o numeral
QUARENTENA: período de quarenta dias ordinal até o nono: O diretor leu pausadamente a portaria 8ª
QUINQUÊNIO: período de cinco anos
RESMA: quinhentas folhas de papel

Língua Portuguesa 29
APOSTILAS OPÇÃO

(portaria oitava); emprega-se o numeral cardinal, a partir de (B) octogésimo quinto aniversário.
dez: O artigo 16 não foi justificado. (artigo dezesseis) (C) octingentésimo quinto aniversário.
- enumeração de casa, páginas, folhas, textos, (D) otogésimo quinto aniversário.
apartamentos, quartos, poltronas, emprega-se o numeral (E) oitavo quinto aniversário.
cardinal: Reservei a poltrona vinte e oito. / O texto quatro está
na página sessenta e cinco. Gabarito
- se o numeral vier antes do substantivo, emprega-se o
ordinal. Paulo César é adepto da 7ª Arte. (sétima) 01.A / 02.B / 03.A / 04.C / 05.B
- não se usa o numeral um antes de mil: Mil e duzentos
reais é muito para mim. Pronome
- o artigo e o numeral, antes dos substantivos milhão,
milhar e bilhão, devem concordar no masculino: É a palavra que acompanha ou substitui o nome,
- emprega-se, na escrita das horas, o símbolo de cada relacionando-o a uma das três pessoas do discurso. As três
unidade após o numeral que a indica, sem espaço ou ponto: pessoas do discurso são:
10h20min – dez horas, vinte minutos. 1ª pessoa: eu (singular) nós (plural): aquela que fala ou
emissor;
Questões 2ª pessoa: tu (singular) vós (plural): aquela com quem se
fala ou receptor;
01. Marque o emprego incorreto do numeral: 3ª pessoa: ele, ela (singular) eles, elas (plural): aquela de
(A) século III (três) quem se fala ou referente.
(B) página 102 (cento e dois)
(C) 80º (octogésimo) Os pronomes são classificados em: pessoais, de tratamento,
(D) capítulo XI (onze) possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e
(E) X tomo (décimo) relativos.

02. Indique o item em que os numerais estão corretamente Pronomes Pessoais


empregados: Os pronomes pessoais dividem-se em:
(A) Ao Papa Paulo seis sucedeu João Paulo primeiro. - Retos - exercem a função de sujeito da oração.
(B) após o parágrafo nono, virá o parágrafo dez. - Oblíquos - exercem a função de complemento do verbo
(C) depois do capítulo sexto, li o capítulo décimo primeiro. (objeto direto / objeto indireto). São: tônicos com preposição
(D) antes do artigo décimo vem o artigo nono. ou átonos sem preposição.
(E) o artigo vigésimo segundo foi revogado.
Pessoas do Retos Oblíquos
03. (Pref. Chapecó/SC - Procurador Municipal - Discurso Átonos Tônicos
IOBV/2016) Quanto à classificação dos numerais, os que Singular 1ª pessoa eu me mim,
indicam o aumento proporcional de quantidade, podendo ter 2ª pessoa tu te comigo
valor de adjetivo ou substantivo são os numerais: 3ª pessoa ele/ela se, o, a, ti, contigo
lhe si, ele,
(A) Multiplicativos. consigo
(B) Ordinais. Plural 1ª pessoa nós nos nós,
(C) Cardinais. 2ª pessoa vós vos conosco
(D) Fracionários. 3ª pessoa eles/elas se, os, as, vós,
lhes convosco
04. (Pref. Barra de Guabiraba/PE - IDHTEC/2016) si, eles,
Assinale a alternativa em que o numeral está escrito por consigo
extenso corretamente, de acordo com a sua aplicação na frase:
(A) Os moradores do bairro Matão, em Sumaré (SP), - Colocados antes do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª
temem que suas casas desabem após uma cratera se abrir na pessoa, apresentam sempre a forma: o, a, os, as: Eu os vi saindo
Avenida Papa Pio X. (décima) do teatro.
(B) O acidente ocorreu nessa terça-feira, na BR-401 - As palavras “só” e “todos” sempre acompanham os
(quatrocentas e uma) pronomes pessoais do caso reto: Eu vi só ele ontem.
(C) A 22ª edição do Guia impresso traz uma matéria e teve - Colocados depois do verbo, os pronomes oblíquos da 3ª
a sua página Classitêxtil reformulada. (vigésima segunda) pessoa apresentam as formas:
(D) Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem o, a, os, as: se o verbo terminar em vogal ou ditongo oral:
ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em Encontrei-a sozinha. Vejo-os diariamente.
erro, mediante artifício, ardil. (centésimo setésimo primeiro) o, a, os, as, precedidos de verbos terminados em: R/S/Z,
(E) A Semana de Arte Moderna aconteceu no início do assumem as formas: lo, Ia, los, las, perdendo,
século XX. (século ducentésimo) consequentemente, as terminações R, S, Z. Preciso pagar ao
verdureiro. (= pagá-lo); Fiz os exercícios a lápis. (= Fi-los a
05. (MPE/SP - Oficial de Promotoria I - VUNESP/2016) lápis)
lo, la, los, las: se vierem depois de: eis / nos / vos - Eis a
O SBT fará uma homenagem digna da história de seu prova do suborno. (= Ei-la); O tempo nos dirá. (= no-lo dirá).
proprietário e principal apresentador: no próximo dia 12 (eis, nos, vos perdem o S)
[12.12.2015] colocará no ar um especial com 2h30 de duração no, na, nos, nas: se o verbo terminar em ditongo nasal: m,
em homenagem a Silvio Santos. É o dia de seu aniversário de ão, õe: Deram-na como vencedora; Põe-nos sobre a mesa.
85 anos. lhe, lhes colocados depois do verbo na 1ª pessoa do plural,
(http://tvefamosos.uol.com.br/noticias) terminado em S não modificado: Nós entregamoS-lhe a cópia
do contrato. (o S permanece)
As informações textuais permitem afirmar que, em nos: colocado depois do verbo na 1ª pessoa do plural,
12.12.2015, Sílvio Santos completou seu perde o S: Sentamo-nos à mesa para um café rápido.
(A) octogenário quinquagésimo aniversário.

Língua Portuguesa 30
APOSTILAS OPÇÃO

me, te, lhe, nos, vos: quando colocado com verbos Nas comunicações oficiais devem ser utilizados somente
transitivos diretos (TD), têm sentido possessivo, equivalendo dois fechos:
a meu, teu, seu, dele, nosso, vosso: Os anos roubaram-lhe a Respeitosamente: para autoridades superiores, inclusive
esperança. (sua, dele, dela possessivo) para o presidente da República.
Atenciosamente: para autoridades de mesma hierarquia
Os pronomes pessoais oblíquos nos, vos, e se recebem o ou de hierarquia inferior.
nome de pronomes recíprocos quando expressam uma ação
mútua ou recíproca: Nós nos encontramos emocionados. - A forma Vossa (Senhoria, Excelência) é empregada
(pronome recíproco, nós mesmos). Nunca diga: Eu se apavorei. quando se fala com a própria pessoa: Vossa Senhoria não
/ Eu jà se arrumei; Eu me apavorei. / Eu me arrumei. (certos) compareceu à reunião dos sem-terra? (falando com a pessoa)
- Os pronomes pessoais retos eu e tu serão substituidos - A forma Sua (Senhoria, Excelência ) é empregada quando
por mim e ti após preposição: O segredo ficará somente entre se fala sobre a pessoa: Sua Eminência, o cardeal, viajou para
mim e ti. um congresso. (falando a respeito do cardeal)
- É obrigatório o emprego dos pronomes pessoais eu e tu, - Os pronomes de tratamento com a forma Vossa (Senhoria,
quando funcionarem como sujeito: Todos pediram para eu Excelência, Eminência, Majestade), embora indiquem a 2ª
relatar os fatos cuidadosamente. (pronome reto + verbo no pessoa (com quem se fala), exigem que outros pronomes e o
infinitivo). Lembre-se de que mim não fala, não escreve, não verbo sejam usados na 3ª pessoa. Vossa Excelência sabe que
compra, não anda. seus ministros o apoiarão.
- As formas oblíquas o, a, os, as são sempre empregadas
como complemento de verbos transitivos diretos ao passo Pronomes Possessivos
que as formas lhe, lhes são empregadas como complementos São os pronomes que indicam posse em relação às pessoas
de verbos transitivos indiretos: Dona Cecília, querida amiga, da fala.
chamou-a. (verbo transitivo direto, VTD); Minha saudosa
comadre, Nircléia, obedeceu-lhe. (verbo transitivo Masculino Feminino
indireto,VTI) Singular Plural Singular Plural
meu meus minha minhas
- É comum, na linguagem coloquial, usar o brasileiríssimo teu teus tua tuas
a gente, substituindo o pronome pessoal nós: A gente deve seu seus sua suas
fazer caridade com os mais necessitados. nosso nossos nossa nossas
vosso vossos vossa vossas
- Chamam-se pronomes pessoais reflexivos os pronomes
seu seus sua suas
que se referem ao sujeito: Eu me feri com o canivete. (eu- 1ª
pessoa- sujeito / me- pronome pessoal reflexivo)
Emprego dos Pronomes Possessivos
- Os pronomes pessoais oblíquos se, si e consigo devem ser
empregados somente como pronomes pessoais reflexivos e
- O uso do pronome possessivo da 3ª pessoa pode
funcionam como complementos de um verbo na 3ª pessoa,
provocar, às vezes, a ambiguidade da frase. Ex.: João Luís disse
cujo sujeito é também da 3ª pessoa: Nicole levantou-se com
que Laurinha estava trabalhando em seu consultório. O
elegância e levou consigo (com ela própria) todos os olhares.
pronome seu toma o sentido ambíguo, pois pode referir-se
(Nicole- sujeito, 3ª pessoa / levantou- verbo, 3ª pessoa /
tanto ao consultório de João Luís como ao de Laurinha. No
se- complemento, 3ª pessoa / levou- verbo, 3ª pessoa /
caso, usa-se o pronome dele, dela para desfazer a ambiguidade.
consigo- complemento, 3ª pessoa).
- Os possessivos, às vezes, podem indicar aproximações
- Os pronomes oblíquos me, te, lhe, nos, vos, lhes (formas de
numéricas e não posse: Cláudia e Haroldo devem ter seus
Objeto Indireto) juntam-se a o, a, os, as (formas de Objeto
trinta anos.
Direto), assim:
- Na linguagem popular, o tratamento seu como em: Seu
me+o (mo). Ex.: Recebi a carta e agradeci ao jovem, que ma
Ricardo, pode entrar!, não tem valor possessivo, pois é uma
trouxe.
alteração fonética da palavra senhor.
nos+o (no-lo). Ex.: Venderíamos a casa, se no-la exigissem.
- Referindo-se a mais de um substantivo, o possessivo
te+o: (to). Ex.: Dei-te os meus melhores dias. Dei-tos.
concorda com o mais próximo. Ex.: Trouxe-me seus livros e
lhe+o: (lho). Ex.: Ofereci-lhe flores. Ofereci-lhas.
anotações.
vos+o: (vo-lo). E.: Pedi-vos conselho. Pedi vo-lo.
- Usam-se elegantemente certos pronomes oblíquos: me,
te, lhe, nos, vos, com o valor de possessivos. Vou seguir-lhe os
No Brasil, quase não se usam essas combinações (mo, to,
passos. (os seus passos)
lho, no-lo, vo-lo), são usadas somente em escritores mais
- Deve-se observar as correlações entre os pronomes
sofisticados.
pessoais e possessivos. “Sendo hoje o dia do teu aniversário,
apresso-me em apresentar-te os meus sinceros parabéns;
Pronomes de Tratamento
Peço a Deus pela tua felicidade; Abraça-te o teu amigo que te
São usados no trato com as pessoas. Dependendo da
preza.”
pessoa a quem nos dirigimos, do seu cargo, idade, título, o
- Não se emprega o pronome possessivo (seu, sua) quando
tratamento será familiar ou cerimonioso.
se trata de parte do corpo. Ex.: Um cavaleiro todo vestido de
negro, com um falcão em seu ombro esquerdo e uma espada
Vossa Alteza - V.A. - príncipes, duques;
em sua, mão. (usa-se: no ombro; na mão)
Vossa Eminência - V.Ema - cardeais;
Vossa Excelência - V.Ex.a - altas autoridades, presidente,
Pronomes Demonstrativos
oficiais;
Indicam a posição dos seres designados em relação às
Vossa Magnificência - V.Mag.a - reitores de universidades;
pessoas do discurso, situando-os no espaço ou no tempo.
Vossa Majestade - V.M. - reis, imperadores;
Apresentam-se em formas variáveis e invariáveis.
Vossa Santidade - V.S. - Papa;
Vossa Senhoria -V.Sa - tratamento cerimonioso.
este, esta, isto, estes, estas
- São também pronomes de tratamento: o senhor, a
Ex.:
senhora, a senhorita, dona, você. Não gostei deste livro aqui.
- Doutor não é forma de tratamento, e sim título acadêmico. Neste ano, tenho realizado bons negócios.

Língua Portuguesa 31
APOSTILAS OPÇÃO

Esta afirmação me deixou surpresa: gostava de química. pronome relativo que, substitui na 2ª oração, o carro, por isso
O homem e a mulher são massacrados pela cultura atual, a palavra que é um pronome relativo. Dica: substituir que por
mas esta é mais oprimida. o, a, os, as, qual / quais.
esse, essa, esses, essas Os pronomes relativos estão divididos em variáveis e
Ex.:
invariáveis.
Não gostei desse livro que está em tuas mãos.
Nesse último ano, realizei bons negócios.
Variáveis: o qual, os quais, a qual, as quais, cujo, cujos, cuja,
Gostava de química. Essa afirmação me deixou surpresa. cujas, quanto, quantos;
aquele, aquela, aquilo, aqueles, aquelas Invariáveis: que, quem, quando, como, onde.
Ex.:
Não gostei daquele livro que a Roberta trouxe. Emprego dos Pronomes Relativos
Tenho boas recordações de 1960, pois naquele ano realizei
bons negócios. - O relativo que, por ser o mais usado, é chamado de
O homem e a mulher são massacrados pela cultura atual, relativo universal. Ele pode ser empregado com referência à
mas esta é mais oprimida que aquele.
pessoa ou coisa, no plural ou no singular. Ex.: Este é o CD novo
que acabei de comprar; João Adolfo é o cara que pedi a Deus.
- para retomar elementos já enunciados, usamos aquele (e - O relativo que pode ter por seu antecedente o pronome
variações) para o elemento que foi referido em 1º Iugar e este demonstrativo o, a, os, as. Ex.: Não entendi o que você quis
(e variações) para o que foi referido em último lugar. Ex.: Pais dizer. (o que = aquilo que).
e mães vieram à festa de encerramento; aqueles, sérios e - O relativo quem refere se a pessoa e vem sempre
orgulhosos, estas, elegantes e risonhas. precedido de preposição. Ex.: Marco Aurélio é o advogado a
- dependendo do contexto os demonstrativos também quem eu me referi.
servem como palavras de função intensificadora ou - O relativo cujo e suas flexões equivalem a de que, do qual,
depreciativa. Ex.: Júlia fez o exercício com aquela calma! de quem e estabelecem relação de posse entre o antecedente e
(=expressão intensificadora). Não se preocupe; aquilo é uma o termo seguinte. (cujo, vem sempre entre dois substantivos)
tranqueira! (=expressão depreciativa) - O pronome relativo pode vir sem antecedente claro,
- as formas nisso e nisto podem ser usadas com valor de explícito; é classificado, portanto, como relativo indefinido, e
então ou nesse momento. Ex.: A festa estava desanimada; nisso, não vem precedido de preposição. Ex.: Quem casa quer casa;
a orquestra tocou um samba e todos caíram na dança. Feliz o homem cujo objetivo é a honestidade; Estas são as
- os demonstrativos esse, essa, são usados para destacar um pessoas de cujos nomes nunca vou me esquecer.
elemento anteriormente expresso. Ex.: Ninguém ligou para o - Só se usa o relativo cujo quando o consequente é
incidente, mas os pais, esses resolveram tirar tudo a limpo. diferente do antecedente. Ex.: O escritor cujo livro te falei é
paulista.
Pronomes Indefinidos - O pronome cujo não admite artigo nem antes nem depois
São aqueles que se referem à 3ª pessoa do discurso de de si.
modo vago indefinido, impreciso: Alguém disse que Paulo - O relativo onde é usado para indicar lugar e equivale a:
César seria o vencedor. Alguns desses pronomes são variáveis em que, no qual. Ex.: Desconheço o lugar onde vende tudo
em gênero e número; outros são invariáveis. mais barato. (= lugar em que)
Variáveis: algum, nenhum, todo, outro, muito, pouco, - Quanto, quantos e quantas são relativos quando usados
certo, vários, tanto, quanto, um, bastante, qualquer. depois de tudo, todos, tanto. Ex.: Naquele momento, a querida
Invariáveis: alguém, ninguém, tudo, outrem, algo, quem, comadre Naldete, falou tudo quanto sabia.
nada, cada, mais, menos, demais.
Pronomes Interrogativos
Emprego dos Pronomes Indefinidos São os pronomes em frases interrogativas diretas ou
indiretas. Os principais interrogativos são: que, quem, qual,
- O indefinido cada deve sempre vir acompanhado de um quanto:
substantivo ou numeral, nunca sozinho: Ganharam cem - Afinal, quem foram os prefeitos desta cidade?
dólares cada um. (inadequado: Ganharam cem dólares cada.) (interrogativa direta, COM o ponto de interrogação)
- Certo, certa, certos, certas, vários, várias, são indefinidos - Gostaria de saber quem foram os prefeitos desta cidade.
quando colocados antes dos substantivos, e adjetivos quando (interrogativa indireta, SEM a interrogação)
colocados depois do substantivo: Certo dia perdi o controle da
situação. (antes do substantivo= indefinido); Eles voltarão no Questões
dia certo. (depois do substantivo=adjetivo).
- Todo, toda (somente no singular) sem artigo, equivale a 01. (CRP 2º Região/PE - Psicólogo Orientador - Fiscal -
qualquer: Todo ser nasce chorando. (=qualquer ser; Quadrix/2018)
indetermina, generaliza).
- Outrem significa outra pessoa. Ex.: Nunca se sabe o
pensamento de outrem.
- Qualquer, plural quaisquer. Ex.: Fazemos quaisquer
negócios.

Locuções Pronominais Indefinidas: são locuções


pronominais indefinidas duas ou mais palavras que equivalem
ao pronome indefinido: cada qual / cada um / quem quer que
seja / seja quem for / qualquer um / todo aquele que / um ou
outro / tal qual (=certo).

Pronomes Relativos
São aqueles que representam, numa 2ª oração, alguma
palavra que já apareceu na oração anterior. Essa palavra da
oração anterior chama-se antecedente: Comprei um carro que
é movido a álcool e à gasolina. É Flex Power. Percebe-se que o

Língua Portuguesa 32
APOSTILAS OPÇÃO

Em "Mas ele não tinha muitas chances", as palavras 04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo -
classificam-se, morfologicamente, na ordem em que aparecem, IDHTEC/2016)
como
(A) preposição, pronome, advérbio, ação, nome e adjetivo.
(B) conjunção, pronome, advérbio, verbo, pronome e
substantivo.
(C) interjeição, pronome, nome, verbo, artigo e adjetivo.
(D) conector, nome, adjetivo, verbo, pronome e nome.
(E) conjunção, substantivo, advérbio, verbo, advérbio e
adjetivo.

02. (IF/PA - Auxiliar em Administração -


FUNRIO/2016) O emprego do pronome relativo está de
acordo com as normas da língua-padrão em:
(A) Finalmente aprovaram o decreto que lutamos tanto
por ele.
O emprego do pronome “aquela” na charge:
(B) Nas próximas férias, minha meta é fazer tudo que tenho
(A) Dá uma conotação irônica à frase.
direito.
(B) Representa uma forma indireta de se dirigir ao casal.
(C) Eu aprovaria o texto daquele parecer que o relator
(C) Permite situar no espaço aquilo a que se refere.
apresentou ontem.
(D) Indica posse do falante.
(D) Existe um escritor brasileiro que todos os brasileiros
(E) Evita a repetição do verbo.
nos orgulhamos.
(E) Na política, às vezes acontecem traições onde mostram
05. (Pref. Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala -
muita sordidez.
FEPESE/2016) Analise a frase abaixo:
03. (Eletrobras/Eletrosul - Técnico de Segurança do
“O professor discutiu............mesmos a respeito da
Trabalho - FCC/2016)
desavença entre .........e ........ .
Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a
Assinale a alternativa que completa corretamente as
energia solar
lacunas do texto.
(A) com nós - eu - ti
Bem no meio do deserto, há um lugar onde o calor é extremo.
(B) conosco - eu - tu
Sessenta e três graus ou até mais no verão. E foi exatamente por
(C) conosco - mim - ti
causa da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das
(D) conosco - mim - tu
maiores usinas de energia solar do mundo.
(E) com nós - mim - ti
Os Emirados Árabes estão investindo em fontes energéticas
renováveis. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra
Gabarito
por mais 100 anos pelo menos. O que pretendem é diversificar e
poluir menos. Uma aposta no futuro.
01.B / 02.C / 03.B / 04.C / 05.E
A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do
papel a cidade sustentável de Masdar. Dez por cento do
Verbo
planejado está pronto. Um traçado urbanístico ousado, que
deixa os carros de fora. Lá só se anda a pé ou de bicicleta. As ruas
É a palavra que indica ação, movimento, fenômenos da
são bem estreitas para que um prédio faça sombra no outro. É
natureza, estado, mudança de estado. Flexiona-se em:
perfeito para o deserto. Os revestimentos das paredes isolam o
- número (singular e plural);
calor. E a direção dos ventos foi estudada para criar corredores
- pessoa (primeira, segunda e terceira);
de brisa.
(Adaptado de: “Abu Dhabi constrói cidade do futuro, com tudo movido a - modo (indicativo, subjuntivo e imperativo, formas
energia solar”. Disponível nominais: gerúndio, infinitivo e particípio);
em:http://g1.globo.com/globoreporter/noticia/2016/04/abu-dhabi-constroi- - tempo (presente, passado e futuro);
cidade-do-futuro-com-tudo-movido-energia-solar.html)
- e apresenta voz (ativa, passiva, reflexiva).
Considere as seguintes passagens do texto: De acordo com a vogal temática, os verbos estão agrupados
I. E foi exatamente por causa da temperatura que foi em três conjugações:
construída em Abu Dhabi uma das maiores usinas de energia 1ª conjugação – ar: cantar, dançar, pular.
solar do mundo. (1º parágrafo) 2ª conjugação – er: beber, correr, entreter.
II. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra por 3ª conjugação – ir: partir, rir, abrir.
mais 100 anos pelo menos. (2º parágrafo)
III. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de O verbo pôr e seus derivados (repor, depor, dispor,
fora. (3º parágrafo) compor, impor) pertencem a 2ª conjugação devido à sua
IV. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça origem latina poer.
sombra no outro. (3º parágrafo)
Elementos Estruturais do Verbo
O termo “que” é pronome e pode ser substituído por “o As formas verbais apresentam três elementos em sua
qual” APENAS em estrutura: radical, vogal temática e tema.
(A) I e II. Radical: elemento mórfico (morfema) que concentra o
(B) II e III. significado essencial do verbo. Observe as formas verbais da
(C) I, II e IV. 1ª conjugação: contar, esperar, brincar. Flexionando esses
(D) I e IV. verbos, nota-se que há uma parte que não muda, e que nela
(E) III e IV. está o significado real do verbo.
cont é o radical do verbo contar;

Língua Portuguesa 33
APOSTILAS OPÇÃO

esper é o radical do verbo esperar; ocorre com frequência. Ex.: Eu almoço todos os dias na casa de
brinc é o radical do verbo brincar. minha mãe. Na indicação de ações ou estados permanentes,
verdades universais. Ex.: A água é incolor, inodora, insípida.
Se tirarmos as terminações ar, er, ir do infinitivo dos - Pretérito Imperfeito: para expressar um fato passado,
verbos, teremos o radical desses verbos. Também podemos não concluído. Ex.: Nós comíamos pastel na feira; Eu cantava
antepor prefixos ao radical: desnutrir / reconduzir. muito bem.
- Pretérito Perfeito: é usado na indicação de um fato
Vogal Temática: é o elemento mórfico que designa a qual passado concluído. Ex.: Cantei, dancei, pulei, chorei, dormi...
conjugação pertence o verbo. Há três vogais temáticas: 1ª - Pretérito Mais-Que-Perfeito: expressa um fato passado
conjugação: a; 2ª conjugação: e; 3ª conjugação: i. anterior a outro acontecimento passado. Ex.: Nós cantáramos
no congresso de música.
Tema: é o elemento constituído pelo radical mais a vogal - Futuro do Presente: na indicação de um fato realizado
temática. Ex.: contar - cont (radical) + a (vogal temática) = num instante posterior ao que se fala. Ex.: Cantarei domingo
tema. Se não houver a vogal temática, o tema será apenas o no coro da igreja matriz.
radical (contei = cont ei). - Futuro do Pretérito: para expressar um acontecimento
posterior a um outro acontecimento passado. Ex.: Compraria
Desinências: são elementos que se juntam ao radical, ou um carro se tivesse dinheiro
ao tema, para indicar as flexões de modo e tempo, desinências
modo temporais e desinências número pessoais. 1ª Conjugação: -AR
Presente: danço, danças, dança, dançamos, dançais,
Contávamos dançam.
Cont = radical Pretérito Perfeito: dancei, dançaste, dançou, dançamos,
a = vogal temática dançastes, dançaram.
va = desinência modo temporal Pretérito Imperfeito: dançava, dançavas, dançava,
mos = desinência número pessoal dançávamos, dançáveis, dançavam.
Pretérito Mais-Que-Perfeito: dançara, dançaras, dançara,
Flexões Verbais dançáramos, dançáreis, dançaram.
Flexão de número e de pessoa: o verbo varia para indicar Futuro do Presente: dançarei, dançarás, dançará,
o número e a pessoa. dançaremos, dançareis, dançarão.
- eu estudo – 1ª pessoa do singular; Futuro do Pretérito: dançaria, dançarias, dançaria,
- nós estudamos – 1ª pessoa do plural; dançaríamos, dançaríeis, dançariam.
- tu estudas – 2ª pessoa do singular;
- vós estudais – 2ª pessoa do plural; 2ª Conjugação: -ER
- ele estuda – 3ª pessoa do singular;
Presente: como, comes, come, comemos, comeis, comem.
- eles estudam – 3ª pessoa do plural.
Pretérito Perfeito: comi, comeste, comeu, comemos,
comestes, comeram.
- Algumas regiões do Brasil, usam o pronome tu de forma
Pretérito Imperfeito: comia, comias, comia, comíamos,
diferente da fala culta, exigida pela gramática oficial, ou seja,
comíeis, comiam.
tu foi, tu pega, tu tem, em vez de: tu fostes, tu pegas, tu tens.
- O pronome vós aparece somente em textos literários ou Pretérito Mais-Que-Perfeito: comera, comeras, comera,
bíblicos. comêramos, comêreis, comeram.
- Os pronomes: você, vocês, que levam o verbo na 3ª Futuro do Presente: comerei, comerás, comerá,
pessoa, é o mais usado no Brasil. comeremos, comereis, comerão.
Futuro do Pretérito: comeria, comerias, comeria,
Flexão de tempo e de modo: os tempos situam o fato ou a comeríamos, comeríeis, comeriam.
ação verbal dentro de determinado momento; pode estar em
plena ocorrência, pode já ter ocorrido ou não. Essas três 3ª Conjugação: -IR
possibilidades básicas, mas não únicas, são: presente, Presente: parto, partes, parte, partimos, partis, partem.
pretérito e futuro. Pretérito Perfeito: parti, partiste, partiu, partimos,
partistes, partiram.
O modo indica as diversas atitudes do falante com relação Pretérito Imperfeito: partia, partias, partia, partíamos,
ao fato que enuncia. São três os modos: partíeis, partiam.
- Modo Indicativo: a atitude do falante é de certeza, Pretérito Mais-Que-Perfeito: partira, partiras, partira,
precisão. O fato é ou foi uma realidade. Apresenta presente, partíramos, partíreis, partiram.
pretérito perfeito, imperfeito e mais que perfeito, futuro do Futuro do Presente: partirei, partirás, partirá, partiremos,
presente e futuro do pretérito. partireis, partirão.
- Modo Subjuntivo: a atitude do falante é de incerteza, de Futuro do Pretérito: partiria, partirias, partiria,
dúvida, exprime uma possibilidade. O subjuntivo expressa partiríamos, partiríeis, partiriam.
uma incerteza, dúvida, possibilidade, hipótese. Apresenta
presente, pretérito imperfeito e futuro. Ex: Tenha paciência, Emprego dos Tempos do Subjuntivo
Lourdes; Se tivesse dinheiro compraria um carro zero; - Presente: é empregado para indicar um fato incerto ou
Quando o vir, dê lembranças minhas. duvidoso, muitas vezes ligados ao desejo, à suposição. Ex.:
- Modo Imperativo: a atitude do falante é de ordem, um Duvido de que apurem os fatos; Que surjam novos e honestos
desejo, uma vontade, uma solicitação. Indica uma ordem, um políticos.
pedido, uma súplica. Apresenta imperativo afirmativo e - Pretérito Imperfeito: é empregado para indicar uma
imperativo negativo. condição ou hipótese. Ex.: Se recebesse o prêmio, voltaria à
universidade.
Emprego dos Tempos do Indicativo - Futuro: é empregado para indicar um fato hipotético,
- Presente do Indicativo: para enunciar um fato pode ou não acontecer. Quando você fizer o trabalho, será
momentâneo. Ex.: Estou feliz hoje. Para expressar um fato que generosamente gratificado.

Língua Portuguesa 34
APOSTILAS OPÇÃO

Podendo ter valor e função de substantivo. Ex.: Viver é


1ª Conjugação –AR lutar. (= vida é luta); É indispensável combater a corrupção. (=
Presente: que eu dance, que tu dances, que ele dance, que combate à)
nós dancemos, que vós danceis, que eles dancem. O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente
Pretérito Imperfeito: se eu dançasse, se tu dançasses, se (forma simples) ou no passado (forma composta). Ex.: É
ele dançasse, se nós dançássemos, se vós dançásseis, se eles preciso ler este livro; Era preciso ter lido este livro.
dançassem. Observe que, embora não haja desinências para a 1ª e 3ª
Futuro: quando eu dançar, quando tu dançares, quando ele pessoas do singular (cujas formas são iguais às do infinitivo
dançar, quando nós dançarmos, quando vós dançardes, impessoal), elas não deixam de referir-se às respectivas
quando eles dançarem. pessoas do discurso (o que será esclarecido apenas pelo
contexto da frase). Ex.: Para ler melhor, eu uso estes óculos.
2ª Conjugação -ER (1ª pessoa); Para ler melhor, ela usa estes óculos. (3ª pessoa)
Presente: que eu coma, que tu comas, que ele coma, que
nós comamos, que vós comais, que eles comam. O infinitivo impessoal é usado:
Pretérito Imperfeito: se eu comesse, se tu comesses, se ele
comesse, se nós comêssemos, se vós comêsseis, se eles - Quando apresenta uma ideia vaga, genérica, sem se
comessem. referir a um sujeito determinado. Ex. Querer é poder.
Futuro: quando eu comer, quando tu comeres, quando ele Fumar prejudica a saúde. É proibido colar cartazes neste
comer, quando nós comermos, quando vós comerdes, muro.
quando eles comerem. - Quando tem valor de Imperativo. Ex. Soldados,
marchar! (= Marchai!) Esquerda, volver!
- Quando é regido de preposição (geralmente
3ª conjugação – IR
precedido da preposição “de”) e funciona como
Presente: que eu parta, que tu partas, que ele parta, que
complemento de um substantivo, adjetivo ou verbo da
nós partamos, que vós partais, que eles partam.
oração anterior. Ex.: Eles não têm o direito de gritar assim.
Pretérito Imperfeito: se eu partisse, se tu partisses, se ele As meninas foram impedidas de participar do jogo. Eu os
partisse, se nós partíssemos, se vós partísseis, se eles convenci a aceitar.
partissem.
Futuro: quando eu partir, quando tu partires, quando ele No entanto, na voz passiva dos verbos "contentar",
partir, quando nós partirmos, quando vós partirdes, "tomar" e "ouvir", por exemplo, o Infinitivo (verbo auxiliar)
quando eles partirem. deve ser flexionado. Exs.:
Eram pessoas difíceis de serem contentadas.
Emprego do Imperativo Aqueles remédios são ruins de serem tomados.
Imperativo Afirmativo Os jogos que você me emprestou são agradáveis de serem
- Não apresenta a primeira pessoa do singular. jogados.
- É formado pelo presente do indicativo e pelo presente do
subjuntivo. - Nas locuções verbais. Ex.: Queremos acordar bem cedo
- O Tu e o Vós saem do presente do indicativo sem o “s”. amanhã. Eles não podiam reclamar do colégio. Vamos pensar
- O restante é cópia fiel do presente do subjuntivo. no seu caso.
- Quando o sujeito do infinitivo é o mesmo do verbo da
Presente do Indicativo: eu amo, tu amas, ele ama, nós oração anterior. Ex. Eles foram condenados a pagar pesadas
amamos, vós amais, eles amam. multas. Devemos sorrir ao invés de chorar. Tenho ainda alguns
Presente do subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele livros por (para) publicar.
ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem.
Imperativo afirmativo: (X), ama tu, ame você, amemos Observação: quando o infinitivo preposicionado, ou não,
nós, amai vós, amem vocês. preceder ou estiver distante do verbo da oração principal
(verbo regente), pode ser flexionado para melhor clareza do
Imperativo Negativo período e também para se enfatizar o sujeito (agente) da ação
- É formado através do presente do subjuntivo sem a verbal. Exs.:
primeira pessoa do singular. Na esperança de sermos atendidos, muito lhe
- Não retira os “s” do tu e do vós. agradecemos.
Foram dois amigos à casa de outro, a fim de jogarem
Presente do Subjuntivo: que eu ame, que tu ames, que ele futebol.
ame, que nós amemos, que vós ameis, que eles amem. Para estudarmos, estaremos sempre dispostos.
Imperativo negativo: (X), não ames tu, não ame você, não Antes de nascerem, já estão condenadas à fome muitas
amemos nós, não ameis vós, não amem vocês. crianças.

Além dos três modos citados (Indicativo, Subjuntivo e - Com os verbos causativos "deixar", "mandar" e
Imperativo), os verbos apresentam ainda as formas nominais: "fazer" e seus sinônimos que não formam locução verbal
infinitivo – impessoal e pessoal, gerúndio e particípio. com o infinitivo que os segue. Ex.: Deixei-os sair cedo hoje.
- Com os verbos sensitivos "ver", "ouvir", "sentir" e
Infinitivo Impessoal3 sinônimos, deve-se também deixar o infinitivo sem flexão.
Quando se diz que um verbo está no infinitivo impessoal, Ex.: Vi-os entrar atrasados. Ouvi-as dizer que não iriam à
isso significa que ele apresenta sentido genérico ou indefinido, festa.
não relacionado a nenhuma pessoa, e sua forma é invariável.
Assim, considera-se apenas o processo verbal. Ex.: Amar é Infinitivo Pessoal
sofrer. É o infinitivo relacionado às três pessoas do discurso. Na
1ª e 3ª pessoas do singular, não apresenta desinências,

3 https://www.soportugues.com.br/secoes/morf/morf69.php

Língua Portuguesa 35
APOSTILAS OPÇÃO

assumindo a mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona- 2ª Conjugação –ER


se da seguinte maneira: Infinitivo Impessoal: comer.
2ª pessoa do singular: radical + ES. Ex.: teres (tu) Infinitivo pessoal: comer eu, comeres tu, comer ele,
1ª pessoa do plural: radical + mos. Ex.: termos (nós) comermos nós, comerdes vós, comerem eles.
2ª pessoa do plural: radical + dês. Ex.: terdes (vós) Gerúndio: comendo.
3ª pessoa do plural: radical + em. Ex.: terem (eles) Particípio: comido.

Por exemplo: Foste elogiado por teres alcançado uma boa 3ª Conjugação –IR
colocação. Infinitivo Impessoal: partir.
Infinitivo pessoal: partir eu, partires tu, partir ele,
Quando se diz que um verbo está no infinitivo pessoal, isso
partirmos nós, partirdes vós, partirem eles.
significa que ele atribui um agente ao processo verbal,
Gerúndio: partindo.
flexionando-se.
Particípio: partido.
O infinitivo deve ser flexionado nos seguintes casos:
Questões
- Quando o sujeito da oração estiver claramente
expresso. Exs.:
01. (UNEMAT - Psicólogo - 2018)
Se tu não perceberes isto...
Convém vocês irem primeiro.
O bom é sempre lembrarmos (sujeito desinencial, sujeito
implícito = nós) desta regra.

- Quando tiver sujeito diferente daquele da oração


principal. Exs.:
O professor deu um prazo de cinco dias para os alunos
estudarem bastante para a prova. Disponível
https://www.facebook.com/tirasamandinho/photos/a.488361671209144.11396
Perdoo-te por me traíres. 3.
O hotel preparou tudo para os turistas ficarem à vontade. 488356901209621/1568398126538821/?type=3&theater.
O guarda fez sinal para os motoristas pararem. Acesso em: fev.2018.

- Quando se quiser indeterminar o sujeito (utilizado na Na tirinha, Fê conversa com Camilo sobre o que ela
terceira pessoa do plural). Exs.: considera ser machismo na cerimônia de casamento, enquanto
Faço isso para não me acharem inútil. Pudim diz a Armandinho que tudo aquilo que a garota
Temos de agir assim para nos promoverem. questiona é algo natural.
Ela não sai sozinha à noite a fim de não falarem mal da sua Nas falas atribuídas à menina, o verbo ter aparece em Tem
conduta. casamentos [...] (quadro 1) e em [...] essas coisas têm
significados! (quadro 2).
- Quando apresentar reciprocidade ou reflexibilidade
de ação. Exs.: Em relação a esses empregos do verbo ter, assinale a
Vi os alunos abraçarem-se alegremente. alternativa correta.
Fizemos os adversários cumprimentarem-se com (A) Em ambos, o verbo é impessoal.
gentileza. (B) Ambos estão na terceira pessoa do plural do presente
Mandei as meninas olharem-se no espelho. do modo indicativo.
(C) Ambos estão na terceira pessoa do singular do presente
Gerúndio do modo indicativo.
Pode funcionar como adjetivo ou advérbio. Ex.: Saindo de (D) Ambos estão no presente do modo indicativo, embora
casa, encontrei alguns amigos. (Função de advérbio); Nas ruas, o primeiro esteja na terceira pessoa do singular e o segundo na
havia crianças vendendo doces. (Função adjetivo) terceira pessoa do plural.
Na forma simples, o gerúndio expressa uma ação em curso; (E) Ambos estão no presente do modo subjuntivo, embora
na forma composta, uma ação concluída. Ex.: Trabalhando, o primeiro esteja na terceira pessoa do singular e o segundo na
aprenderás o valor do dinheiro; Tendo trabalhado, aprendeu o terceira pessoa do plural.
valor do dinheiro.
02. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018)
Particípio
Quando não é empregado na formação dos tempos O drama dos viciados em dívidas
compostos, o particípio indica geralmente o resultado de uma
ação terminada, flexionando-se em gênero, número e grau. Ex.: Apesar dos sinais de recuperação da economia, o número
Terminados os exames, os candidatos saíram. Quando o de brasileiros endividados chegou a 61,7 milhões em fevereiro
particípio exprime somente estado, sem nenhuma relação passado – o equivalente a 40% da população adulta. O número
temporal, assume verdadeiramente a função de adjetivo é alto porque o hábito de manter as contas em dia não é apenas
(adjetivo verbal). Ex.: Ela foi a aluna escolhida para uma questão financeira decorrente do estado geral da
representar a escola. economia – pode ser uma questão comportamental. Por isso,
há grupos especializados que promovem reuniões semanais
1ª Conjugação –AR com devedores, com a finalidade de trocar experiências sobre
Infinitivo Impessoal: dançar. consumo impulsivo e propensão a viver no vermelho. Uma
Infinitivo Pessoal: dançar eu, dançares tu; dançar ele, dessas organizações é o Devedores Anônimos (DA), que
dançarmos nós, dançardes vós, dançarem eles. funciona nos mesmos moldes do Alcoólicos Anônimos (AA).
Gerúndio: dançando. Pertencer a uma classe social mais alta não livra ninguém
Particípio: dançado. do problema. As pessoas de maior renda são justamente as que
têm maior resistência em admitir a compulsão. Pior. É comum

Língua Portuguesa 36
APOSTILAS OPÇÃO

que, diante dos apuros, como a perda do emprego, algumas (C) A capacidade de os adolescentes virem a falar em
tentem manter o mesmo padrão de vida em lugar de cortar público, teria dependido dos bons ensinamentos da escola.
gastos para se encaixar na nova realidade. Pedir um (D) Quem vier a comparar a fala dos jovens de hoje com os
empréstimo para quitar outra dívida é um comportamento da geração passada, haveria de concluir que os jovens de hoje
recorrente entre os endividados. leem muito menos.
Para sair do vermelho, aceitar o vício é o primeiro passo. (E) O contato visual também é importante ao falar em
Uma vez que o devedor reconhece o problema, a próxima público. Passa empatia e envolveria o outro.
etapa é se planejar.
(Felipe Machado e Tatiana Babadobulos, Veja, 04.04.2018. Adaptado) Gabarito

Assinale a alternativa em que os verbos estão conjugados 01.D / 02.C / 03.A / 04.E / 05.B
de acordo com a norma-padrão, em substituição aos trechos
destacados na passagem – É comum que, diante dos apuros, Locução Verbal
como a perda do emprego, algumas tentem manter o mesmo
padrão de vida. Uma locução verbal4 é a combinação de um verbo
(A) Poderia acontecer que ... mantêm auxiliar e um verbo principal. Esses dois verbos, aparecendo
(B) Pôde acontecer que ... mantessem juntos na oração, transmitem apenas uma ação verbal,
(C) Podia acontecer que ... mantivessem desempenhando o papel de um único verbo. Exemplo:
(D) Pôde acontecer que ... manteram - estive pensando
(E) Podia acontecer que ... mantiveram - quero sair
- pode ocorrer
03. (PC/SP - Escrivão de Polícia - VUNESP/2018) A vida - tem investigado
de Dorinha Duval foi, ____ . O processo ainda não havia ido a - tinha decidido
Júri quando a tese da defesa foi mudada. Não seria mais
violenta emoção, mas legítima defesa. Ela não teria atirado no Função dos verbos auxiliares nas locuções verbais
marido por ter sido ___ e chamada de velha, mas ______ o marido Apenas o verbo auxiliar é flexionado. Verbo auxiliar é o
passou a agredi-la. De fato, o exame pericial de corpo de delito que perdendo significado próprio, é utilizado para auxiliar na
realizado em Dorinha constatou a existência de _______ em seu conjugação de outro, o verbo principal. Assim, o tempo, o
corpo. A versão da legítima defesa era ______ . modo, o número, a pessoa e o aspecto da ação verbal são
(Luiza Nagib Eluf, A paixão no banco dos réus. Adaptado) indicados pelo verbo auxiliar.

As expressões verbais empregadas em tempo que exprime


a ideia de hipótese são:
(A) seria e teria.
(B) foi e seria. Os auxiliares mais comuns são: “Ter, Haver, Ser e Estar”.
(C) teria e ter sido. Contudo, outros verbos também atuam como verbos auxiliares
(D) foi e constatou. nas locuções verbais, como os verbos poder, dever, querer,
(E) ter sido e passou. começar a, deixar de, voltar a, continuar a, entre outros.

04. (Pref. Itaquitinga/PE - Assistente Administrativo - Função dos verbos principais nas locuções verbais
IDHTEC/2016) Morto em 2015, o pai afirma que Jules Bianchi Nas locuções verbais o verbo auxiliar aparece conjugado e
não __________culpa pelo acidente. Em entrevista, Philippe o principal numa das formas nominais: no gerúndio, no
Bianchi afirma que a verdade nunca vai aparecer, pois os infinitivo ou no particípio.
pilotos __________ medo de falar. "Um piloto não vai dizer nada
se existir uma câmera, mas quando não existem câmeras, Locução verbal com verbo principal no gerúndio
todos __________ até mim e me dizem. Jules Bianchi bateu com Ex.: Estou escrevendo
seu carro em um trator durante um GP, aquaplanou e não verbo auxiliar flexionado: estou
conseguiu __________para evitar o choque. verbo principal no gerúndio: escrevendo
(http://espn.uol.com.br/noticia/603278_pai-diz-que-pilotos-da-f-1-
temmedo-de-falar-a-verdade-sobre-o-acidente-fatal-de-bianchi)
Locução verbal com verbo principal no infinitivo
Ex.: Quero sair
Complete com a sequência de verbos que está no tempo,
verbo auxiliar flexionado: quero
modo e pessoa corretos:
verbo principal no infinitivo: sair
(A) Tem – tem – vem - freiar
(B) Tem – tiveram – vieram - frear
Locução verbal com verbo principal no particípio
(C) Teve – tinham – vinham – frenar
Ex.: Tinha decidido
(D) Teve – tem – veem – freiar
verbo auxiliar flexionado: tinha
(E) Teve – têm – vêm – frear
verbo principal no particípio: decidido
05. (Prefeitura Florianópolis/SC - Auxiliar de Sala -
Em todos os exemplos a ideia central é expressa pelo verbo
FEPESE/2016) Assinale a alternativa em que está correta a
principal, os verbos auxiliares apenas indicam flexões de
correlação entre os tempos e os modos verbais nas frases
tempo, modo, pessoa, número e voz. Sem os verbos principais,
abaixo.
os auxiliares não teriam sentido algum.
(A) A entonação correta ao falarmos colabora com o
entendimento que o outro tem do assunto tratado e reforçaria
a nossa persuasão.
(B) Para falar bem em público, organize as ideias de acordo
com o tempo que você terá e, antes de falar, ensaie sua
apresentação.

4 https://www.conjugacao.com.br/locucao-verbal/

Língua Portuguesa 37
APOSTILAS OPÇÃO

Questões Gabarito

01. (CISSUL/MG - Condutor Socorrista - IBGP/2017) 01.C / 02.A / 03.C

Advérbio

É a palavra invariável que modifica um verbo (Chegou


cedo), um outro advérbio (Falou muito bem), um adjetivo
(Estava muito bonita).

De acordo com a circunstância que exprime, o advérbio


pode ser de:
Tempo: ainda, agora, antigamente, antes, amiúde
(=sempre), amanhã, breve, brevemente, cedo, diariamente,
depois, depressa, hoje, imediatamente, já, lentamente, logo,
novamente, outrora.
Assinale a alternativa que contém uma locução verbal
Lugar: aqui, acolá, atrás, acima, adiante, ali, abaixo, além,
extraída do cartum.
algures (=em algum lugar), aquém, alhures (= em outro lugar),
(A) Não terão.
dentro, defronte, fora, longe, perto.
(B) Como andar.
Modo: assim, bem, depressa, aliás (= de outro modo ),
(C) Vai chegar.
devagar, mal, melhor, pior, e a maior parte dos advérbios que
(D) Todos terão.
termina em mente: calmamente, suavemente, rapidamente,
tristemente.
02. (CRQ 4ª REGIÃO/SP - Fiscal - QUADRIX)
Afirmação: certamente, decerto, deveras, efetivamente,
realmente, sim, seguramente.
Negação: absolutamente, de modo algum, de jeito
nenhum, nem, não, tampouco (=também não).
Intensidade: apenas, assaz, bastante, bem, demais, mais,
meio, menos, muito, quase, quanto, tão, tanto, pouco.
Dúvida: acaso, eventuamente, por ventura, quiçá,
possivelmente, talvez.

Locuçoes Adverbiais: são duas ou mais palavras que têm


o valor de advérbio: às cegas, às claras, às toa, às pressas, às
escondidas, à noite, à tarde, às vezes, ao acaso, de repente, de
chofre, de cor, de improviso, de propósito, de viva voz, de
medo, com certeza, por perto, por um triz, de vez em quando,
sem dúvida, de forma alguma, em vão, por certo, à esquerda, à
direta, a pé, a esmo, por ali, a distância.
- De repente o dia se fez noite.
- Por um triz eu não me denunciei.
- Sem dúvida você é o melhor.

Graus dos Advérbios: o advérbio não vai para o plural, são


palavras invariáveis, mas alguns admitem a flexão de grau:
comparativo e superlativo.

Comparativo de:
Qual forma verbal substituiria, sem causar alteração de
Igualdade - tão + advérbio + quanto, como: Sou tão feliz
sentido, a locução verbal "vou ter", que aparece no primeiro
quanto / como você.
quadrinho?
Superioridade - Analítico: mais do que. Ex.: Raquel é mais
(A) "terei".
elegante do que eu.
(B) "teria".
- Sintético: melhor, pior que. Ex.:
(C) "tivera".
Amanhã será melhor do que hoje.
(D) "tenha".
Inferioridade - menos do que: Falei menos do que devia.
(E) "tinha".
Superlativo Absoluto:
03. (Pref. João Pessoa/PB - Professor Língua
Analítico - mais, muito, pouco,menos: O candidato
Portuguesa - FGV) Uma locução verbal é o conjunto formado
defendeu-se muito mal.
por um verbo auxiliar + um verbo principal, este último
Sintético - íssimo, érrimo: Localizei-o rapídíssimo.
sempre em forma nominal. Nas frases a seguir as formas
verbais sublinhadas constituem uma locução verbal, à exceção
Emprego do Advérbio
de uma. Assinale‐a.
- Na linguagem coloquial, familiar, é comum o emprego do
(A) Todos podem entrar assim que chegarem.
sufixo diminutivo dando aos advérbios o valor de superlativo
(B) Se os grevistas querem trabalhar menos, não vou
sintético: agorinha, cedinho, pertinho, devagarinho,
atendê‐los.
depressinha, rapidinho (bem rápido). Exs.: Rapidinho chegou
(C) Deixem entrar todos os atrasados.
a casa; Moro pertinho da universidade.
(D) Elas não sabem cozinhar como antigamente.
- Frequentemente empregamos adjetivos com valor de
(E) A plantação foi‐se expandindo para os lados
advérbio: A cerveja que desce redondo. (redondamente)

Língua Portuguesa 38
APOSTILAS OPÇÃO

- Bastante - antes de adjetivo, é advérbio, portanto, não vai (D) concessão


para o plural; equivale a muito / a: Aquelas jovens são bastante (E) fim
simpáticas e gentis.
- Bastante - antes de substantivo, é adjetivo, portanto vai 05. (PC/SP - Investigador de Polícia - VUNESP/2018)
para o plural, equivale a muitos / as: Contei bastantes estrelas Nos EUA, a psicanálise lembra um pouco certas seitas – as
no céu. ideias do fundador são institucionalizadas e defendidas por
- Não confunda mal (advérbio, oposto de bem) com mau discípulos ferrenhos, mas suas instituições parecem não
(adjetivo, oposto de bom): Mal cheguei a casa, encontrei-a de responder às necessidades atuais da sociedade. Talvez porque
mau humor. o autor das ideias não esteja mais aqui para atualizá-las.
- Antes de verbo no particípio, diz-se mais bem, mais mal: Freud era um neurologista, e queria encontrar na Biologia
Ficamos mais bem informados depois do noticiário notumo. as bases do comportamento. Como a tecnologia de então não
- Em frase negativa o advérbio já equivale a mais: Já não se lhe permitia avançar, passou a elaborar uma teoria, criando a
fazem professores como antigamente. (=não se fazem mais) psicanálise. Cientista que era, contudo, nunca se apaixonou por
- Na locução adverbial a olhos vistos (=claramente), o suas ideias, revisando sua obra ao longo da vida. Ele chegou a
particípio permanece no masculino plural: Minha irmã Zuleide afirmar: “A Biologia é realmente um campo de possibilidades
emagrecia a olhos vistos. ilimitadas do qual podemos esperar as elucidações mais
- Dois ou mais advérbios terminados em mente, apenas no surpreendentes. Portanto, não podemos imaginar que
último permanece mente: Educada e pacientemente, falei a respostas ela dará, em poucos decêndios, aos problemas que
todos. formulamos. Talvez essas respostas venham a ser tais que
- A repetição de um mesmo advérbio assume o valor farão o edifício de nossas hipóteses colapsar”. Provavelmente,
superlativo: Levantei cedo, cedo. é sua frase menos citada. Por razões óbvias.
(Galileu, novembro de 2017. Adaptado)
Palavras e Locuções Denotativas: São palavras
semelhantes a advérbios e que não possuem classificação Nos trechos – … Talvez porque o autor das ideias não esteja
especial. Não se enquadram em nenhuma das dez classes de mais aqui… – ; – … nunca se apaixonou por suas ideias… – ; – A
palavras. São chamadas de denotativas e exprimem: Biologia é realmente um campo de possibilidades ilimitadas…
Afetividade: felizmente, infelizmente, ainda bem. Ex.: Ainda – e – Provavelmente, é sua frase menos citada. –, os advérbios
bem que você veio. destacados expressam, correta e respectivamente,
Designação, Indicação: eis. Ex.: Eis aqui o herói da turma. circunstância de:
Exclusão: exclusive, menos, exceto, fora, salvo, senão, (A) lugar; tempo; modo; afirmação.
sequer: Ex.: Não me disse sequer uma palavra de amor. (B) lugar; tempo; afirmação; dúvida.
Inclusão: inclusive, também, mesmo, ainda, até, além disso, (C) lugar; negação; modo; intensidade.
de mais a mais. Ex.: Também há flores no céu. (D) afirmação; negação; afirmação; afirmação.
Limitação: só, apenas, somente, unicamente. Ex.: Só Deus é (E) afirmação; negação; modo; dúvida.
perfeito.
Realce: cá, lá, é que, sobretudo, mesmo. Ex.: Sei lá o que ele Gabarito
quis dizer!
Retificação: aliás, ou melhor, isto é, ou antes. Ex.: Irei à 01.B / 02.C / 03.D / 04.B / 05.B
Bahia na próxima semana, ou melhor, no próximo mês.
Explicação: por exemplo, a saber. Ex.: Você, por exemplo, Preposição
tem bom caráter.
É a palavra invariável que liga um termo dependente a um
Questões termo principal, estabelecendo uma relação entre ambos. As
preposições podem ser: essenciais ou acidentais.
01. Assinale a frase em que meio funciona como advérbio:
(A) Só quero meio quilo. As preposições essenciais atuam exclusivamente como
(B) Achei-o meio triste. preposições. São: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em,
(C) Descobri o meio de acertar. entre, para, perante, por, sem, sob, sobre, trás. Exs.: Não dê
(D) Parou no meio da rua. atenção a fofocas; Perante todos disse, sim.
(E) Comprou um metro e meio.
As preposições acidentais são palavras de outras classes
02. Só não há advérbio em: que atuam eventualmente como preposições. São: como (=na
(A) Não o quero. qualidade de), conforme (=de acordo com), consoante, exceto,
(B) Ali está o material. mediante, salvo, visto, segundo, senão, tirante. Ex.: Agia
(C) Tudo está correto. conforme sua vontade. (= de acordo com)
(D) Talvez ele fale.
(E) Já cheguei. - O artigo definido a que vem sempre acompanhado de um
substantivo, é flexionado: a casa, as casas, a árvore, as árvores,
03. Qual das frases abaixo possui advérbio de modo? a estrela, as estrelas. A preposição a nunca vai para o plural e
(A) Realmente ela errou. não estabelece concordância com o substantivo. Ex.: Fiz todo o
(B) Antigamente era mais pacato o mundo. percurso a pé. (não há concordância com o substantivo
(C) Lá está teu primo. masculino pé)
(D) Ela fala bem. - As preposições essenciais são sempre seguidas dos
(E) Estava bem cansado. pronomes pessoais oblíquos: Despediu-se de mim
rapidamente. Não vá sem mim.
04. Classifique a locução adverbial que aparece em
"Machucou-se com a lâmina". Locuções Prepositivas: é o conjunto de duas ou mais
(A) modo palavras que têm o valor de uma preposição. A última palavra
(B) instrumento é sempre uma preposição. Veja quais são: abaixo de, acerca de,
(C) causa acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, dentro de,

Língua Portuguesa 39
APOSTILAS OPÇÃO

embaixo de, em cima de, em frente a, em redor de, graças a, De (origem): Descendi de pais trabalhadores e honestos.
junto a, junto de, perto de, por causa de, por cima de, por trás Lugar: Os corruptos vieram da capital.
de, a fim de, além de, antes de, a par de, a partir de, apesar de, Causa: O bebê chorava de fome.
através de, defronte de, em favor de, em lugar de, em vez de, Posse: Dizem que o dinheiro do povo sumiu.
(=no lugar de), ao invés de (=ao contrário de), para com, até a. Assunto: Falávamos do casamento da Mariele.
- Não confunda locução prepositiva com locução adverbial. Matéria: Era uma casa de sapé.
Na locução adverbial, nunca há uma preposição no final, e sim A preposição de não deve contrair-se com o artigo, que
no começo: Vimos de perto o fenômeno do “tsunami”. precede o sujeito de um verbo. É tempo de os alunos
(locução adverbial); O acidente ocorreu perto de meu atelier. estudarem. (e não: dos alunos estudarem)
(locução prepositiva)
- Uma preposição ou locução prepositiva pode vir com Desde
outra preposição: Abola passou por entre as pernas do (afastamento de um ponto no espaço): Essa neblina vem
goleiro. Mas é inadequado dizer: Proibido para menores de até desde São Paulo.
18 anos; Financiamento em até 24 meses. Tempo: Desde o ano passado quero mudar de casa.

Combinações e Contrações Em
Combinação: ocorre quando não há perda de fonemas: (lugar): Moramos em Lucélia há alguns anos.
a+o, os= ao, aos / a+onde = aonde. Matéria: As queridas amigas Nilceia e Nadélgia moram em
Contração: ocorre quando a preposição perde fonemas: Curitiba.
de+a, o, as, os, esta, este, isto = da, do, das, dos, desta, deste, Especialidade: Minha amiga Cidinha formou-se em Letras.
disto. Tempo: Tudo aconteceu em doze horas.
- em+ um, uma, uns, umas, isto, isso, aquilo, aquele, aquela,
aqueles, aquelas = num, numa, nuns, numas, nisto, nisso, Entre (posição entre dois limites): Convém colocar o vidro
naquilo, naquele, naquela, naqueles. entre dois suportes.
- de+ entre, aquele, aquela, aquilo = dentre, daquele,
daquela, daquilo. Para
- para+ a = pra. Direção: Não lhe interessava mais ir para a Europa.
A contração da preposição a com os artigos ou pronomes Tempo: Pretendo vê-lo lá para o final da semana.
demonstrativos a, as, aquele, aquela, aquilo recebe o nome de Finalidade: Lute sempre para viver com dignidade.
crase e é assinalada na escrita pelo acento grave ficando assim: A preposição para indica permanência definitiva. Vou
à, às, àquele, àquela, àquilo. para o litoral. (ideia de morar)

Valores das Preposições Perante (posição anterior): Permaneceu calado perante


todos.
A
(movimento=direção): Foram a Lucélia comemorar os Por (percurso, espaço, lugar): Caminhava por ruas
Anos Dourados. desconhecidas.
Modo: Partiu às pressas. Causa: Por ser muito caro, não compramos um pendrive
Tempo: Iremos nos ver ao entardecer. novo.
Apreposição a indica deslocamento rápido: Vamos à praia. Espaço: Por cima dela havia um raio de luz.
(ideia de passear)
Sem (ausência): Eu vou sem lenço sem documento.
Ante
(diante de): Parou ante mim sem dizer nada, tanta era a Sob (debaixo de / situação): Prefiro cavalgar sob o luar.
emoção. Viveu, sob pressão dos pais.
Tempo (substituída por antes de): Preciso chegar ao
encontro antes das quatro horas. Sobre
(em cima de, com contato): Colocou as taças de cristal
Após (depois de): Após alguns momentos desabou num sobre a toalha rendada.
choro arrependido. Assunto: Conversávamos sobre política financeira.

Até Trás (situação posterior; é preposição fora de uso. É


(aproximação): Correu até mim. substituída por atrás de, depois de): Por trás desta carinha
Tempo: Certamente teremos o resultado do exame até a vê-se muita falsidade.
semana que vem.
Atenção: Se a preposição até equivaler a inclusive, será Questões
palavra de inclusão e não preposição. Os sonhadores amam
até quem os despreza. (inclusive) 01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018)

Com (companhia): Rir de alguém é falta de caridade;


deve-se rir com alguém.
Causa: A cidade foi destruída com o temporal.
Instrumento: Feriu-se com as próprias armas.
Modo: Marfinha, minha comadre, veste-se sempre com
elegância.

Contra
(oposição, hostilidade): Revoltou-se contra a decisão do
tribunal.
Direção a um limite: Bateu contra o muro e caiu.

Língua Portuguesa 40
APOSTILAS OPÇÃO

1. “troca-troca de figurinhas”;
2. “roubo de figurinha”;
3. “mensagens de celular”.

Sobre o emprego dessa preposição nesses casos, é correto


afirmar que:
(A) os termos precedidos da preposição DE indicam
pacientes dos vocábulos anteriores;
(B) os termos precedidos da preposição DE indicam
agentes dos termos anteriores;
(C) os termos “de figurinha” e “de celular” são
complementos dos termos anteriores;
No 3º quadrinho, nas três ocorrências, o sentido da (D) os termos “de figurinhas” e “de celular” são adjuntos
preposição “sem” e o das expressões que ela forma são, dos vocábulos precedentes;
respectivamente, de (E) os termos “de figurinhas” e “de figurinha” são
(A) negação e causa. complementos dos vocábulos precedentes.
(B) adição e condição.
(C) ausência e modo. 04. Assinale a alternativa em que a preposição destacada
(D) falta e consequência. estabeleça o mesmo tipo de relação que na frase matriz:
(E) exceção e intensidade. Criaram-se a pão e água.
(A) Desejo todo o bem a você.
02. (Pref. Itaquitinga/PE - Técnico em Enfermagem - (B) A julgar por esses dados, tudo está perdido.
IDHTEC/2016) (C) Feriram-me a pauladas.
(D) Andou a colher alguns frutos do mar.
MAMÃ NEGRA (Canto de esperança) (E) Ao entardecer, estarei aí.
Tua presença, minha Mãe - drama vivo duma Raça, Drama 05. (TJ/AL - Técnico Judiciário - FGV/2018)
de carne e sangue Que a Vida escreveu com a pena dos séculos!
Pelo teu regaço, minha Mãe, Outras gentes embaladas à voz da Ressentimento e Covardia
ternura ninadas do teu leite alimentadas de bondade e poesia
de música ritmo e graça... santos poetas e sábios... Outras Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os
gentes... não teus filhos, que estes nascendo alimárias usos da internet, que se ressente ainda da falta de uma
semoventes, coisas várias, mais são filhos da desgraça: a legislação específica que coíba não somente os usos mas os
enxada é o seu brinquedo trabalho escravo - folguedo... Pelos abusos deste importante e eficaz veículo de comunicação. A
teus olhos, minha Mãe Vejo oceanos de dor Claridades de sol- maioria dos abusos, se praticados em outros meios, seriam
posto, paisagens Roxas paisagens Mas vejo (Oh! se vejo!...) mas crimes já especificados em lei, como a da imprensa, que pune
vejo também que a luz roubada aos teus [olhos, ora esplende injúrias, difamações e calúnias, bem como a violação dos
demoniacamente tentadora - como a Certeza... cintilantemente direitos autorais, os plágios e outros recursos de apropriação
firme - como a Esperança... em nós outros, teus filhos, gerando, indébita.
formando, anunciando -o dia da humanidade. No fundo, é um problema técnico que os avanços da
(Viriato da Cruz. Poemas, 1961, Lisboa, Casa dos Estudantes do Império)
informática mais cedo ou mais tarde colocarão à disposição
dos usuários e das autoridades. Como digo repetidas vezes, me
Em qual das alternativas o acento grave foi mal
valendo do óbvio, a comunicação virtual está em sua pré-
empregado, pois não houve crase?
história.
(A) “Milena Nogueira foi pela primeira vez à quadra da
Atualmente, apesar dos abusos e crimes cometidos na
escola de samba Império Serrano, na Zona Norte do Rio.”
internet, no que diz respeito aos cronistas, articulistas e
(B) "Os relatos dos casos mostram repetidas violações dos
escritores em geral, os mais comuns são os textos atribuídos
direitos à moradia, a um trabalho digno, à integridade cultural,
ou deformados que circulam por aí e que não podem ser
a vida e ao território."
desmentidos ou esclarecidos caso por caso. Um jornal ou
(C) “O corpo de Lucilene foi encontrado próximo à ponte
revista é processado se publicar sem autorização do autor um
do Moa no dia 11 de maio.”
texto qualquer, ainda que em citação longa e sem aspas. Em
(D) “Fifa afirma que Blatter e Valcke enriqueceram às
caso de injúria, calúnia ou difamação, também. E em caso de
custas da entidade.”
falsear a verdade propositadamente, é obrigado pela justiça a
(E) “Doriva saiu e Milton Cruz fez às vezes de técnico até a
desmentir e dar espaço ao contraditório.
chegada de Edgardo Bauza no fim do ano passado.”
Nada disso, por ora, acontece na internet. Prevalece a lei do
cão em nome da liberdade de expressão, que é mais expressão
03. (TJ/AL - Analista Judiciário - Oficial de Justiça
de ressentidos e covardes do que de liberdade, da verdadeira
Avaliador - FGV/2018)
liberdade. (Carlos Heitor Cony, Folha de São Paulo, 16/05/2006 – adaptado)
Além do celular e da carteira, cuidado com as figurinhas
O segmento do texto em que o emprego da preposição EM
da Copa
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018 indica valor semântico diferente dos demais é:
(A) “Tenho comentado aqui na Folha em diversas
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo crônicas”;
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais afoitos (B) A maioria dos abusos, se praticados em outros meios”;
pelos cromos possam até roubá-los, muitos jornaleiros estão (C) “... seriam crimes já especificados em lei”;
levando seus estoques para casa quando termina o expediente. (D) “...a comunicação virtual está em sua pré-história”;
Pode parecer piada, mas há até boatos sobre quadrilhas de (E) “...ainda que em citação longa e sem aspas”.
roubo de figurinha espalhados por mensagens de celular.
Gabarito
No texto aparecem três ocorrências da preposição DE. 01.C / 02.E / 03.E / 04.C / 05.D

Língua Portuguesa 41
APOSTILAS OPÇÃO

Interjeição (A) “Comprei móveis e objetos diversos que entrei a


utilizar com receio.”
É a palavra invariável que exprime emoções, sensações, (B) “Azevedo Gondim compôs sobre ela dois artigos.”
estados de espírito ou apelos. (C) “Pediu-me com voz baixa cinquenta mil réis.”
(D) “Expliquei em resumo a prensa, o dínamo, as serras...”
Locução Interjetiva: é o conjunto de duas ou mais (E) “Resolvi abrir o olho para que vizinhos sem
palavras com valor de uma interjeição: Muito bem! Que pena! escrúpulos não se apoderassem do que era delas.”
Quem me dera! Puxa, que legal!
05. O "que" está com função de preposição na alternativa:
Classificaçao das Interjeições e Locuções Interjetivas (A) Veja que lindo está o cabelo da nossa amiga!
(B) Diz-me com quem andas, que eu te direi quem és.
As intejeições e as locuções interjetivas são classificadas de (C) João não estudou mais que José, mas entrou na
acordo com o sentido que elas expressam em determinado Faculdade.
contexto. Assim, uma mesma palavra ou expressão pode (D) O Fiscal teve que acompanhar o candidato ao banheiro.
exprimir emoções variadas. (E) Não chore que eu já volto.
Admiração ou Espanto: Oh!, Caramba!, Oba!, Nossa!, Meu
Deus!, Céus! Gabarito
Advertência: Cuidado!, Atenção!, Alerta!, Calma!, Alto!,
Olha lá! 01.E / 02.A / 03.C / 04.E / 05.D
Alegria: Viva!, Oba!, Que bom!, Oh!, Ah!;
Ânimo: Avante!, Ânimo!, Vamos!, Força!, Eia!, Toca! Conjunções
Aplauso: Bravo!, Parabéns!, Muito bem!
Chamamento: Olá!, Alô!, Psiu!, Psit! Exercem a função de conectar as palavras dentro de uma
Aversão: Droga!, Raios!, Xi!, Essa não!, lh! oração. Desta forma, elas estabelecem uma relação de
Medo: Cruzes!, Credo!, Ui!, Jesus!, Uh! Uai! coordenação ou subordinação e são classificadas em:
Pedido de Silêncio: Quieto!, Bico fechado!, Silêncio!, Conjunções Coordenativas e Conjunções Subordinativas.
Chega!, Basta!
Saudação: Oi!, Olá!, Adeus!, Tchau! Conjunções Coordenativas
Concordância: Claro!, Certo!, Sim!, Sem dúvida!
Desejo: Oxalá!, Tomara!, Pudera!, Queira Deus! Quem me 1. Aditivas (Adição)
dera! E
Nem
Observe na relação acima, que as interjeições muitas vezes Não só... Mas também
são formadas por palavras de outras classes gramaticais: Mas ainda
Cuidado! Não beba ao dirigir! (cuidado é substantivo). Senão

Questões Exemplos:
Viajamos e descansamos.
01. Assinale o par de frases em que as palavras destacadas Eu não só estudo, mas também trabalho.
são substantivo e pronome, respectivamente:
(A) A imigração tornou-se necessária. / É dever cristão 2. Adversativas (posição contrária)
praticar o bem.
(B) A Inglaterra é responsável por sua economia. / Havia Mas
muito movimento na praça. Porém
(C) Fale sobre tudo o que for preciso. / O consumo de Todavia
drogas é condenável.
Entretanto
(D) Pessoas inconformadas lutaram pela abolição. /
No entanto
Pesca-se muito em Angra dos Reis.
(E) Os prejudicados não tinham o direito de reclamar. /
Exemplos:
Não entendi o que você disse.
Ela era explorada, mas não se queixava.
Os alunos estudaram, no entanto não conseguiram as
02. Assinale o item que só contenha preposições:
notas necessárias.
(A) durante, entre, sobre
(B) com, sob, depois
3. Alternativas (alternância)
(C) para, atrás, por
(D) em, caso, após
(E) após, sobre, acima Ou, ou
Ora, ora
03. Observe as palavras grifadas da seguinte frase: Quer, quer
“Encaminhamos a V. Senhoria cópia autêntica do Edital nº Já, já
19/82.” Elas são, respectivamente:
(A) verbo, substantivo, substantivo Exemplos:
(B) verbo, substantivo, advérbio Ou você vem agora, ou não haverá mais ingressos.
(C) verbo, substantivo, adjetivo Ora chovia, ora fazia sol.
(D) pronome, adjetivo, substantivo
(E) pronome, adjetivo, adjetivo 4. Conclusivas (conclusão)
Logo
04. Assinale a opção em que a locução grifada tem valor Portanto
adjetivo: Por conseguinte
Pois (após o verbo)

Língua Portuguesa 42
APOSTILAS OPÇÃO

Exemplos: 10. Concessivas (Concessão) – Embora / Conquanto /


O caminho é perigoso; vá, pois, com cuidado! Ainda que / Mesmo que / Por mais que
Estamos nos esforçando, logo seremos recompensados. Exemplos:
Todos gostaram, embora estivesse mal feito.
5. Explicativas (explicação) Por mais que gritasse, ninguém o socorreu.
Que
Porque Questões
Porquanto
Pois (antes do verbo) 01. (PC/SP - Papiloscopista Policial - VUNESP/2018)

Exemplos:
Não leia no escuro, que faz mal à vista.
Compre estas mercadorias, pois já estamos ficando sem.

Conjunções Subordinativas

Ligam uma oração principal a uma oração subordinativa,


com verbo flexionado.

1. Integrantes: iniciam a oração subordinada substantiva


– Que / Se / Como

Exemplos:
Todos perceberam que você estava atrasado.
Aposto como você estava nervosa.

2. Temporais (Tempo) – Quando / Enquanto / Logo que /


Assim que / Desde que
Exemplos: Na fala do personagem no segundo quadrinho “Apesar da
Logo que chegaram, a festa acabou. aparência, sou um homem ultramoderno!”, a expressão
Quando eu disse a verdade, ninguém acreditou. destacada estabelece entre as informações relação de sentido
de
3. Finais (Finalidade) – Para que / A fim de que (A) comparação.
Exemplo: (B) finalidade.
Foi embora logo, a fim de que ninguém o perturbasse. (C) consequência.
(D) conclusão.
4. Proporcionais (Proporcionalidade) – À proporção que (E) concessão.
/ À medida que / Quanto mais ... mais / Quanto menos... menos
Exemplos: 02. (Prefeitura Trindade/GO - Auxiliar Administrativo
À medida que se vive, mais se aprende. - FUNRIO/2016)
Quanto mais se preocupa, mais se aborrece.
OMS recomenda ingerir menos de cinco gramas de sal
5. Causais (Causa) – Porque / Como / Visto que / Uma vez por dia
que
Exemplo: Como estivesse doente, não pôde sair. Se você tem o hábito de pegar no saleiro e polvilhar a
comida com umas pitadas de sal, é melhor pensar duas vezes.
6. Condicionais (Condição) – Se / Caso / Desde que A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou esta
Exemplos: quinta-feira que um adulto consuma por dia menos de dois
Comprarei o livro, desde que esteja disponível. gramas de sódio – ou seja, menos de cinco gramas de sal – para
Se chover, não poderemos ir. reduzir os níveis de pressão arterial e as doenças
cardiovasculares.
7. Comparativas (Comparação) – Como / Que / Do que / Pela primeira vez, a OMS faz recomendações também para
Quanto / Que nem as crianças com mais de dois anos de idade, para que as
Exemplos: doenças relacionadas com a alimentação não se tornem
Os filhos comeram como leões. crônicas na idade adulta. Neste caso, a OMS diz que os valores
A luz é mais veloz do que o som. devem ainda ser mais baixos do que os dois gramas de sódio,
devendo ser adaptados tendo em conta o tamanho, a idade e
8. Conformativas (Conformidade) – Como / Conforme / as necessidades energéticas.
Teresa Firmino Adaptado de publico.pt/ciencia
Segundo
Exemplos: Em para reduzir os níveis de pressão arterial e as doenças
As coisas não são como parecem. cardiovasculares, a palavra para expressa o seguinte
Farei tudo, conforme foi pedido. significado:
9. Consecutivas (Consequência) – Que (precedido dos (A) oposição
termos: tal, tão, tanto...) / De forma que (B) finalidade
Exemplos: (C) causalidade
A menina chorou tanto, que não conseguiu ir para a escola. (D) comparação
Ontem estive viajando, de forma que não consegui (E) temporalidade
participar da reunião.

Língua Portuguesa 43
APOSTILAS OPÇÃO

03. (SEDUC/PA - Professor Classe I - Português - (D) uma relação de explicação.


CONSULPLAN/2018) (E) uma relação de consequência.

Coisas & Pessoas 05. (COPASA - Analista de Saneamento - Administrador


- FUMARC/2018)
Desde pequeno, tive tendência para personificar as coisas.
Tia Tula, que achava que mormaço fazia mal, sempre gritava: Se você não corresponde ao figurino neoliberal é porque
“Vem pra dentro, menino, olha o mormaço!”. Mas eu ouvia o sofre de algum transtorno. As doenças estão em moda.
mormaço com M maiúsculo. Mormaço, para mim, era um velho Respiramos a cultura da medicalização. Não nos perguntamos
que pegava crianças! Ia pra dentro logo. E ainda hoje, quando por que há tantas enfermidades e enfermos. Esta indagação
leio que alguém se viu perseguido pelo clamor público, vejo não convém à indústria farmacêutica nem ao sistema cujo
com estes olhos o Sr. Clamor Público, magro, arquejante, de objetivo primordial é a apropriação privada da riqueza.
preto, brandindo um guarda-chuva, com um gogó
protuberante que se abaixa e levanta no excitamento da Sobre os itens lexicais destacados no fragmento, estão
perseguição. E já estava devidamente grandezinho, pois devia corretas as afirmativas, EXCETO:
contar uns trinta anos, quando me fui, com um grupo de (A) A conjunção “nem” liga dois itens (indústria / sistema)
colegas, a ver o lançamento da pedra fundamental da ponte indicando oposição entre eles.
Uruguaiana-Libres, ocasião de grandes solenidades, com os (B) A conjunção “porque” introduz uma relação de
presidentes Justo e Getúlio, e gente muita, tanto assim que causalidade entre as partes do período de que faz a ligação.
fomos alojados os do meu grupo num casarão que creio fosse (C) O conectivo “se” poderia ser substituído por “caso” e
a Prefeitura, com os demais jornalistas do Brasil e Argentina. indica condicionalidade.
Era como um alojamento de quartel, com breve espaço entre (D) O pronome “algum” transfere sua indefinitude ao
as camas e todas as portas e janelas abertas, tudo com os substantivo que acompanha, “transtorno”.
alegres incômodos e duvidosos encantos, um vulto junto à
minha cama, senti-me estremunhado e olhei atônito para um Gabarito
tipo de chiru, ali parado, de bigodes caídos, pala pendente e
chapéu descido sobre os olhos. Diante da minha muda 01.E / 02.B / 03.D / 04.B / 05.A
interrogação, ele resolveu explicar-se, com a devida calma:
– Pois é! Não vê que eu sou o sereno…
E eis que, por milésimo de segundo, ou talvez mais, julguei
que se tratasse do sereno noturno em pessoa. [...]
6. Uso do sinal de crase.
(Mário Quintana. Caderno H. 5. ed. São Paulo: Globo, 1989, p. 153-154.)

Após a leitura do texto e considerando seu conteúdo, pode- CRASE


se afirmar quanto ao emprego da conjunção em relação à
titulação do texto que o sentido produzido indica É de grande importância a crase da preposição “a” com o
(A) compensação de um elemento em relação ao outro. artigo feminino “a” (s), com o “a” inicial dos pronomes
(B) acrescentamento de um elemento em relação ao outro. aquele(s), aquela (s), aquilo e com o “a” do relativo a qual (as
(C) sobreposição do último elemento em detrimento do quais).
primeiro. Na escrita, utilizamos o acento grave ( ` ) para indicar a
(D) estabelecimento de uma relação de um elemento para crase. O uso apropriado do acento grave depende da
com o outro. compreensão da fusão das duas vogais. É fundamental
também, para o entendimento da crase, dominar a regência
04. (IF/PE - Técnico em Enfermagem - 2016) dos verbos e nomes que exigem a preposição “a”.
Crônica da cidade do Rio de Janeiro Aprender a usar a crase, portanto, consiste em aprender a
verificar a ocorrência simultânea de uma preposição e um
No alto da noite do Rio de Janeiro, luminoso, generoso, o artigo ou pronome.5 Observe:
Cristo Redentor estende os braços. Debaixo desses braços os Vou a + a igreja.
netos dos escravos encontram amparo. Vou à igreja.
Uma mulher descalça olha o Cristo, lá de baixo, e
apontando seu fulgor, diz, muito tristemente: No exemplo acima, temos a ocorrência da preposição “a”,
- Daqui a pouco não estará mais aí. Ouvi dizer que vão tirar exigida pelo verbo ir (ir a algum lugar) e a ocorrência do artigo
Ele daí. “a” que está determinando o substantivo feminino igreja.
- Não se preocupe – tranquiliza uma vizinha. – Não se Quando ocorre esse encontro das duas vogais e elas se unem,
preocupe: Ele volta. a união delas é indicada pelo acento grave. Observe outros
A polícia mata muitos, e mais ainda mata a economia. Na exemplos:
cidade violenta soam tiros e também tambores: os atabaques, Conheço a aluna.
ansiosos de consolo e de vingança, chamam os deuses Refiro-me à aluna.
africanos. Cristo sozinho não basta.
(GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Porto Alegre: L&PM Pocket,
2009.) No primeiro exemplo, o verbo é transitivo direto (conhecer
algo ou alguém), logo não exige preposição e a crase não pode
Na construção “A polícia mata muitos, e mais ainda mata a ocorrer. No segundo exemplo, o verbo é transitivo indireto
economia”, a conjunção em destaque estabelece, entre as (referir-se a algo ou a alguém) e exige a preposição “a”.
orações, Portanto, a crase é possível, desde que o termo seguinte seja
(A) uma relação de adição. feminino e admita o artigo feminino “a” ou um dos pronomes
(B) uma relação de oposição. já especificados.
(C) uma relação de conclusão.

5 www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint76.php

Língua Portuguesa 44
APOSTILAS OPÇÃO

Casos em que a crase NÃO ocorre Crase diante de Nomes de Lugar

1) Diante de substantivos masculinos: Alguns nomes de lugar não admitem a anteposição do


Andamos a cavalo. artigo “a”. Outros, entretanto, admitem o artigo de modo que
Fomos a pé. diante deles haverá crase, desde que o termo regente exija a
preposição “a”. Para saber se um nome de lugar admite ou não
2) Diante de verbos no infinitivo: a anteposição do artigo feminino “a”, deve-se substituir o
A criança começou a falar. termo regente por um verbo que peça a preposição “de” ou
Ela não tem nada a dizer. “em”. A ocorrência da contração “da” ou “na” prova que esse
nome de lugar aceita o artigo e, por isso, haverá crase. Por
Obs.: como os verbos não admitem artigos, o “a” dos exemplo:
exemplos acima é apenas preposição, logo não ocorrerá crase.
Vou à França. (Vim da[ de+a] França. Estou na[ em+a]
3) Diante da maioria dos pronomes e das expressões de França.)
tratamento, com exceção das formas senhora, senhorita e Cheguei à Grécia. (Vim da Grécia. Estou na Grécia.)
dona: Retornarei à Itália. (Vim da Itália. Estou na Itália)
Diga a ela que não estarei em casa amanhã. Vou a Porto Alegre. (Vim de Porto Alegre. Estou em Porto
Entreguei a todos os documentos necessários. Alegre.)
Ele fez referência a Vossa Excelência no discurso de ontem.
- Minha dica: use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ; vou
Os poucos casos em que ocorre crase diante dos pronomes A volto DE, crase PRA QUÊ?”
podem ser identificados pelo método: troque a palavra Ex.: Vou a Campinas. = Volto de Campinas.
feminina por uma masculina, caso na nova construção surgir a Vou à praia. = Volto da praia.
forma ao, ocorrerá crase. Por exemplo:
Refiro-me à mesma pessoa. - ATENÇÃO: quando o nome de lugar estiver especificado,
(Refiro-me ao mesmo indivíduo.) ocorrerá crase. Veja:
Informei o ocorrido à senhora. Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo que,
(Informei o ocorrido ao senhor.) pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”.
Peça à própria Cláudia para sair mais cedo.
(Peça ao próprio Cláudio para sair mais cedo.) Crase diante dos Pronomes Demonstrativos (Aquele (s),
Aquela (s), Aquilo)
4) Diante de numerais cardinais: Haverá crase diante desses pronomes sempre que o termo
Chegou a duzentos o número de feridos regente exigir a preposição “a”. Por exemplo:
Daqui a uma semana começa o campeonato.
Refiro-me a + aquele atentado.
Casos em que a crase SEMPRE ocorre
Preposição Pronome
1) Diante de palavras femininas:
Amanhã iremos à festa de aniversário de minha colega.
Sempre vamos à praia no verão. Refiro-me àquele atentado.
Ela disse à irmã o que havia escutado pelos corredores.

2) Diante da palavra “moda”, com o sentido de “à moda de” O termo regente do exemplo acima é o verbo transitivo
(mesmo que a expressão moda de fique subentendida: indireto referir (referir-se a algo ou alguém) e exige
O jogador fez um gol à (moda de) Pelé. preposição, portanto, ocorre a crase.
Usava sapatos à (moda de) Luís XV.
O menino resolveu vestir-se à (moda de) Fidel Castro. Observe este outro exemplo:
Aluguei aquela casa.
3) Na indicação de horas: O verbo “alugar” é transitivo direto (alugar algo) e não
exige preposição. Logo, a crase não ocorre nesse caso.
Acordei às sete horas da manhã.
Elas chegaram às dez horas.
Foram dormir à meia-noite. Crase com os Pronomes Relativos (A Qual, As Quais)
A ocorrência da crase com os pronomes relativos a qual e
4) Em locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas de as quais depende do verbo. Se o verbo que rege esses
pronomes exigir a preposição a, haverá crase.
que participam palavras femininas. Por exemplo:
É possível detectar a ocorrência da crase nesses casos
utilizando a substituição do termo regido feminino por um
à tarde às ocultas às pressas à medida que termo regido masculino. Por exemplo:
à noite às claras às escondidas à força
A igreja à qual me refiro fica no centro da cidade.
à vontade à beça à larga à escuta O monumento ao qual me refiro fica no centro da cidade

às avessas à revelia à exceção de à imitação de Caso surja a forma ao com a troca do termo, ocorrerá a
crase. Veja outros exemplos:
à esquerda às turras às vezes à chave
São normas às quais todos os alunos devem obedecer.
à direita à procura à deriva à toa Esta foi a conclusão à qual ele chegou.

à luz à sombra de à frente de à proporção que

à semelhança de às ordens à beira de

Língua Portuguesa 45
APOSTILAS OPÇÃO

Crase com o Pronome Demonstrativo (a) reintegração desses____ vida. Quantos de nós sabemos o nome
A ocorrência da crase com o pronome demonstrativo “a” de um médico ou clínica ____quem tentar encaminhar um
também pode ser detectada através da substituição do termo drogado da nossa própria família?
regente feminino por um termo regido masculino. Veja: (Ruy Castro, Da nossa própria família. Folha de S.Paulo, 2012)
Minha revolta é ligada à do meu país.
Meu luto é ligado ao do meu país. As lacunas do texto devem ser preenchidas, correta e
As orações são semelhantes às de antes. respectivamente, com:
Os exemplos são semelhantes aos de antes. (A) aos … à … a … a
(B) aos … a … à … a
Crase com a Palavra Distância (C) a … a … à … à
- Se a palavra distância estiver especificada ou (D) à … à … à … à
determinada, a crase deve ocorrer. Por exemplo: (E) a … a … a … a
Sua casa fica à distância de 100 Km daqui. (A palavra está
determinada) 02. Leia o texto a seguir.
Todos devem ficar à distância de 50 metros do palco. (A Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu
palavra está especificada.) ______ cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do
procedimento de Camilo. Vimos que ______ cartomante restituiu-
- Se a palavra distância não estiver especificada, a crase lhe ______ confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o
não pode ocorrer. Por exemplo: que fez.
(Machado de Assis. A cartomante. In: Várias histórias. Rio de Janeiro: Globo,
Os militares ficaram a distância. 1997,)
Gostava de fotografar a distância.
Ensinou a distância. Preenchem corretamente as lacunas da frase acima, na
ordem dada:
Observação: por motivo de clareza, para evitar (A) à – a – a
ambiguidade, pode-se usar a crase. Veja: (B) a – a – à
Gostava de fotografar à distância. (C) à – a – à
Ensinou à distância. (D) à – à – a
Dizem que aquele médico cura à distância. (E) a – à – à
Casos em que a ocorrência da crase é FACULTATIVA 03 “Nesta oportunidade, volto ___ referir-me ___ problemas
já expostos ___ V. Sª ___ alguns dias”.
1) Diante de nomes próprios femininos: é facultativo o uso (A) à - àqueles - a - há
da crase porque é facultativo o uso do artigo. Observe: (B) a - àqueles - a - há
Paula é muito bonita; ou A Paula é muito bonita. (C) a - aqueles - à - a
Laura é minha amiga; ou A Laura é minha amiga. (D) à - àqueles - a - a
(E) a - aqueles - à - há
Como podemos constatar, é facultativo o uso do artigo
feminino diante de nomes próprios femininos, então podemos 04. Leia o texto a seguir.
escrever as frases abaixo das seguintes formas:
Entreguei o cartão a Paula; ou Entreguei o cartão à Paula. Comunicação
Entreguei o cartão a Roberto; ou Entreguei o cartão ao
Roberto. O público ledor (existe mesmo!) é sensorial: quer ter um
autor ao vivo, em carne e osso. Quando este morre, há uma
2) Diante de pronome possessivo feminino: é facultativo o queda de popularidade em termos de venda. Ou, quando
uso da crase porque é facultativo o uso do artigo. Observe: teatrólogo, em termos de espetáculo. Um exemplo: G. B. Shaw.
Minha avó tem setenta anos; ou A minha avó tem setenta E, entre nós, o suave fantasma de Cecília Meireles recém está
anos. se materializando, tantos anos depois.
Minha irmã está esperando por você; ou A minha irmã está Isto apenas vem provar que a leitura é um remédio para a
esperando por você. solidão em que vive cada um de nós neste formigueiro. Claro
que não me estou referindo a essa vulgar comunicação festiva
Sendo facultativo o uso do artigo feminino diante de e efervescente.
pronomes possessivos femininos, então podemos escrever as Porque o autor escreve, antes de tudo, para expressar-se.
frases abaixo das seguintes formas: Sua comunicação com o leitor decorre unicamente daí. Por
Cedi o lugar a minha avó; ou Cedi o lugar à minha avó. afinidades. É como, na vida, se faz um amigo.
Cedi o lugar a meu avô; ou Cedi o lugar ao meu avô. E o sonho do escritor, do poeta, é individualizar cada
formiga num formigueiro, cada ovelha num rebanho - para que
3) Depois da preposição até: sejamos humanos e não uma infinidade de xerox infinitamente
Fui até a praia; ou Fui até à praia. reproduzidos uns dos outros.
Acompanhe-o até a porta; ou Acompanhe-o até à porta. Mas acontece que há também autores xerox, que nos
A palestra vai até as cinco horas da tarde; ou A palestra vai invadem com aqueles seus best-sellers...
até às cinco horas da tarde. Será tudo isto uma causa ou um efeito?
Tristes interrogações para se fazerem num mundo que já
Questões foi civilizado.
01. No Brasil, as discussões sobre drogas parecem limitar- (Mário Quintana. Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1. ed.,
se ______aspectos jurídicos ou policiais. É como se suas únicas 2005.)
consequências estivessem em legalismos, tecnicalidades e
estatísticas criminais. Raro ler ____respeito envolvendo Claro que não me estou referindo a essa vulgar comunicação
questões de saúde pública como programas de esclarecimento festiva e efervescente.
e prevenção, de tratamento para dependentes e de

Língua Portuguesa 46
APOSTILAS OPÇÃO

O vocábulo a deverá receber o sinal indicativo de crase se ANÁLISE SINTÁTICA


o segmento grifado for substituído por:
(A) leitura apressada e sem profundidade. A Análise Sintática examina a estrutura do período, divide
(B) cada um de nós neste formigueiro. e classifica as orações que o constituem e reconhece a função
(C) exemplo de obras publicadas recentemente. sintática dos termos de cada oração.
(D) uma comunicação festiva e virtual.
(E) respeito de autores reconhecidos pelo público. Frase

05. O Instituto Nacional de Administração Prisional (INAP) É todo enunciado suficiente por si mesmo para estabelecer
também desenvolve atividades lúdicas de apoio______ comunicação. Pode expressar um juízo, indicar uma ação,
ressocialização do indivíduo preso, com o objetivo de prepará- estado ou fenômeno, transmitir um apelo, uma ordem ou
lo para o retorno______ sociedade. Dessa forma, quando em exteriorizar emoções8. São exemplos de frases9:
liberdade, ele estará capacitado______ ter uma profissão e uma
vida digna. “Por favor!”
(www.metropolitana.com.br. 2012) “Bom dia, tudo bem com você?”

Assinale a alternativa que preenche, correta e Os sinais de pontuação são as pausas especiais nas frases,
respectivamente, as lacunas do texto, de acordo com a norma- e quando ocorre a inversão do sujeito + predicado, a sua
padrão da língua portuguesa. compreensão depende do contexto.
(A) à … à … à
(B) a … a … à Chamam-se frases nominais as que se apresentam sem o
(C) a … à … à verbo ou seja frases constituídas apenas por nomes,
(D) à … à ... a substantivo, adjetivo e pronome.
(E) a … à … a Exemplo: Cada louco com sua mania.

Gabarito Tipos de Frases


1.B / 2.A / 3.B / 4.A / 5.D Declarativas: anuncia algo de forma afirmativa ou
negativa, ou juízo acerca de alguma coisa ou alguém:
Pedro estuda muito. (afirmativa)
7. Sintaxe. Jamais comprarei aquele carro. (negativa)

Interrogativas: pergunta alguma coisa (com ponto de


interrogação) ou de forma indireta (sem o ponto de
SINTAXE interrogação).
Por que quebraste o vidro?
Sintaxe6 é a parte da gramática que estuda a disposição das Gostaria de comprar uma casa.
palavras nos períodos, bem como a relação lógica entre elas.
De maneira geral, podemos dizer que a sintaxe é o conjunto Imperativas: expressa uma ordem, pedido, pode ser
das regras que determinam as diferentes possibilidades de afirmativa ou negativa.
associação entre as palavras da língua para a formação de “Silêncio! Respeite o professor.” (afirmativa)
enunciados verbais. Não faça loucuras. (negativa)
Para que a comunicação/interação verbal ocorra de
maneira eficiente e organizada entre os falantes, as línguas Exclamativas: expressa uma admiração, surpresa,
possuem não somente um léxico composto por milhares de arrependimento e etc.
palavras, mas também algumas regras que determinam o Como ela é inteligente!
modo como as palavras podem combinar-se para formar os Não acertaram mais!
enunciados a partir de uma relação lógica. Essas regras são
aquilo que definem a sintaxe das línguas. Optativas: exprimir um desejo.
Deus te acompanhe!
Funções e Relações Sintáticas Que você consiga passar no concurso.

O enunciado7 se encaixa em uma Imprecativas: uma imprecação (lançar uma praga,


organização/estruturação específica prevista na língua. Essa maldição).
organização é sempre regulada pela sintaxe, a qual define as Não conseguindo atingir seu intento, dirigiu maldições
sequências possíveis no interior dessas estruturas. contra seu desafeto.
Maldito seja quem encontrar você.
Funções Sintáticas
Consiste na função específica de cada elemento na Atenção: Algumas frases só podem ser entendidas quando
sentença ao se relacionar com outros elementos que também compreendemos o contexto em que são empregadas, como por
compõem o enunciado. exemplo em frases que contém ironia, sarcasmo, deboche e
escárnio. Pois estas as vezes acabam expressando o contrário
Relações Sintáticas do que aparentemente se diz.
Consiste nas relações estabelecidas entre as palavras que
definem as estruturas possíveis na sintaxe das línguas. Questões
Quando falamos em sintaxe, devemos estudar os seguintes
assuntos dentro da gramática: 01. Marque apenas as frases nominais:
- Análise Sintática; (A) Que voz estranha!

6 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/sintaxe.htm 8 OTHON, Garcia, Comunicação em Prosa Moderna. FGV.2011.


7 https://portugues.uol.com.br/gramatica/sintaxe.html

Língua Portuguesa 47
APOSTILAS OPÇÃO

(B) A lanterna produzia boa claridade. as unidades sintáticas da oração. Cada termo da oração
(C) As risadas não eram normais. desempenha uma função sintática.
(D) Luisinho, não!
Os termos da oração na língua portuguesa são classificados
02. Classifique as frases em declarativa, interrogativa, em três grandes níveis:
exclamativa, optativa ou imperativa. - Termos Essenciais da Oração: Sujeito e Predicado.
(A) Você está bem? - Termos Integrantes da Oração: Complemento Nominal e
(B) Não olhe; não olhe, Luisinho! Complementos Verbais (Objeto Direto, Objeto indireto e
(C) Que alívio! Agente da Passiva).
(D) Tomara que Luisinho não fique impressionado! - Termos Acessórios da Oração: Adjunto Adnominal,
(E) Você se machucou? Adjunto Adverbial, Aposto e Vocativo.
(F) A luz jorrou na caverna.
(G) Agora suma, seu monstro! Termos Essenciais da Oração
(H) O túnel ficava cada vez mais escuro. Dois termos fundamentais da oração: sujeito e predicado.

03. Transforme a frase declarativa em imperativa. Siga o Sujeito Predicado


modelo:
Felicidade é estar satisfeito.
Luisinho ficou pra trás. (declarativa)
Os jovens compraram os doces.
Lusinho, fique para trás. (imperativa)
Um carro forte tombou nas ruas.
(A) Eugênio e Marcelo caminhavam juntos.
(B) Luisinho procurou os fósforos no bolso. Sujeito: é equivocado dizer que o sujeito é aquele que
(C) Os meninos olharam à sua volta. pratica uma ação ou é aquele (ou aquilo) do qual se diz alguma
coisa. Ao fazer tal afirmação estamos considerando o aspecto
04. Sabemos que frases verbais são aquelas que têm semântico do sujeito (agente de uma ação) ou o seu aspecto
verbos. Assinale, pois, as frases verbais: estilístico (o tópico da sentença).
(A) Deus te guarde! Já que o sujeito é depreendido de uma análise sintática,
(B) As risadas não eram normais. vamos restringir a definição apenas ao seu papel sintático na
(C) Que ideia absurda! sentença: aquele que estabelece concordância com o núcleo do
(D) O fósforo quebrou – se em três pedacinhos. predicado.
(E) Tão preta como o túnel! Quando se trata de predicado verbal, o núcleo é sempre um
(F) Quem bom! verbo; sendo um predicado nominal, o núcleo é sempre um
(G) As ovelhas são mansas e pacientes. nome. 10Tendo assim por características básicas:
(H) Que espírito irônico e livre! - Estabelecer concordância com o núcleo do predicado;
- Apresentar-se como elemento determinante em relação
Respostas ao predicado;
- Constituir-se de um substantivo, ou pronome substantivo
01. “a” e “d” ou, ainda, qualquer palavra substantivada. Exemplo:

02. a) interrogativa; b) imperativa; c) exclamativa; d) O banco está interditado hoje.


optativa; e) interrogativa; f) declarativa; g) imperativa; h) está interditado hoje: predicado nominal.
declarativa interditado: nome adjetivo = núcleo do predicado.
O banco: sujeito.
03. a) Eugênio e Marcelo, caminhem juntos!; b) Luisinho, Banco: núcleo do sujeito - nome masculino singular.
procure os fósforos no bolso!; c) Meninos, olhem à sua volta!
No interior de uma sentença, o sujeito é o termo
04. a = guarde / b = eram / d = quebrou / g = são determinante, ao passo que o predicado é o termo
determinado. Essa posição de determinante do sujeito em
Oração relação ao predicado adquire sentido com o fato de ser
possível, na língua portuguesa, uma sentença sem sujeito, mas
É todo enunciado linguístico dotado de sentido, porém há, nunca uma sentença sem predicado. Exemplos:
necessariamente, a presença do verbo. A oração encerra uma
frase (ou segmento de frase), várias frases ou um período, As formigas invadiram minha casa.
completando um pensamento e concluindo o enunciado as formigas: sujeito = termo determinante.
através de ponto final, interrogação, exclamação e, em alguns invadiram minha casa: predicado = termo determinado.
casos, através de reticências.
Em toda oração há um verbo ou locução verbal (às vezes Há formigas na minha casa.
elípticos - ocultos). há formigas na minha casa: predicado = termo
Não têm estrutura sintática, portanto não são orações, determinado.
assim não podem ser analisadas sintaticamente frases como: sujeito: inexistente.

Socorro! O sujeito sempre se manifesta em termos de sintagma


Com licença! nominal, isto é, seu núcleo é sempre um nome. Quando esse
Que rapaz impertinente! nome se refere a objetos da primeira e segunda pessoa, o
sujeito é representado por um pronome pessoal do caso reto
Na oração as palavras estão relacionadas entre si, como (eu, tu, ele, etc.).
partes de um conjunto harmônico: elas formam os termos ou Se o sujeito se refere a um objeto da terceira pessoa, sua
representação pode ser feita através de um substantivo, de um

10 www.portalsaofrancisco.com.br/portugues/sujeito

Língua Portuguesa 48
APOSTILAS OPÇÃO

pronome substantivo ou de qualquer conjunto de palavras, Observações:


cujo núcleo funcione, na sentença, como um substantivo. - Não confunda sujeito indeterminado com sujeito oculto.
Exemplos: - Sujeito formado por pronome indefinido não é
indeterminado, mas expresso: Ninguém lhe telefonou.
Eu acompanho você até o guichê. - Assinala-se a indeterminação do sujeito usando-se o
eu: sujeito = pronome pessoal de primeira pessoa. verbo na 3ª pessoa do plural, sem referência a qualquer agente
já expresso nas orações anteriores: Na rua olhavam-no com
Vocês disseram alguma coisa? admiração. “De qualquer modo, foi uma judiação matarem a
vocês: sujeito = pronome pessoal de segunda pessoa (tu) moça”.
- Assinala-se a indeterminação do sujeito com um verbo
Marcos tem um fã-clube no seu bairro. ativo na 3ª pessoa do singular, acompanhado do pronome se.
Marcos: sujeito = substantivo próprio. O pronome se, neste caso, é índice de indeterminação do
sujeito. Pode ser omitido junto de infinitivos. Exemplos:
Ninguém entra na sala agora. Aqui paga-se bem.
ninguém: sujeito = pronome substantivo. Devagar se vai ao longe.
Quando se é jovem, a vida é vigorosa.
O andar deve ser uma atividade diária.
o andar: sujeito = núcleo: verbo substantivado nessa - O verbo no infinitivo impessoal, ocorre a indeterminação
oração. do sujeito. Exemplo: É legal assistir a estes filmes clássicos.

Além dessas formas, o sujeito também pode se constituir Normalmente, o sujeito antecede o predicado; todavia, a
de uma oração inteira. Nesse caso, a oração recebe o nome de posposição do sujeito ao verbo é fato corriqueiro em nossa
oração substantiva subjetiva: língua. Exemplo: Da casa próxima apareceu aquela moça. / É
difícil esta situação.
É difícil optar por esse ou aquele doce...
É difícil: oração principal. Sem Sujeito - são enunciados através do predicado, o
optar por esse ou aquele doce: oração substantiva verbo não é atribuído a nenhum sujeito. Construídas com
subjetiva. verbos impessoais na 3ª pessoa do singular: Havia gatos na
sala. / Choveu durante a festa.
O sujeito é constituído por um substantivo ou pronome, ou
por uma palavra ou expressão substantivada. Exemplos: São verbos impessoais: Haver (nos sentidos de existir,
acontecer, realizar-se, decorrer).
O sino era grande. Fazer, passar, ser e estar, com referência ao tempo.
Ela tem uma educação fina. Chover, ventar, nevar, gear, relampejar, amanhecer,
Vossa Excelência agiu com imparcialidade. anoitecer e outros que exprimem fenômenos meteorológicos.

O núcleo (isto é, a palavra base) do sujeito é, pois, um Predicado - é a soma de todos os termos da oração, exceto
substantivo ou pronome. Em torno do núcleo podem aparecer o sujeito e o vocativo. É tudo o que se declara na oração
palavras secundárias (artigos, adjetivos, locuções adjetivas, referindo-se ao sujeito (quando há sujeito). Sempre apresenta
etc.). Exemplo: “Todos os ligeiros rumores da mata tinham um verbo.12 Exemplo:
uma voz para a selvagem filha do sertão.” (José de Alencar)
Victor conhece os amigos do rei.
Classificação dos Sujeitos sujeito: Victor = termo determinante.
Simples - tem um só núcleo, no singular ou plural: O predicado: conhece os amigos do rei = termo determinado.
cachorro tem uma casinha linda.
Composto - apresenta mais de um núcleo: O garoto e a No predicado o núcleo pode ser de dois tipos: um nome,
menina brincavam alegremente. quase sempre um atributo que se refere ao sujeito da oração,
Expresso - está explícito, enunciado: Eu trabalharei ou um verbo (ou locução verbal).
amanhã. Predicado nominal - (seu núcleo significativo é um nome,
Oculto (ou elíptico) - está implícito, não está expresso, substantivo, adjetivo, pronome, ligado ao sujeito por um verbo
funciona como algo que não está claro, porém, no texto está o de ligação).
significado dele: Trabalharei amanhã. (se deduz “eu” a partir Predicado verbal - (seu núcleo é um verbo, seguido, ou
da desinência do verbo). não, de complemento(s) ou termos acessórios). Quando, num
Agente - ação expressa pelo verbo da voz ativa: O garoto mesmo segmento o nome e o verbo são de igual importância,
chutou a bola. ambos constituem o núcleo do predicado e resultam no tipo de
Paciente - recebe os efeitos da ação expressa pelo verbo predicado verbo-nominal (tem dois núcleos significativos:
passivo: A bola é chutada pelo menino. Construíram-se um verbo e um nome). Exemplos:
açudes. (= Açudes foram construídos.)
Agente e Paciente - quando o sujeito realiza a ação Victor era jogador.
expressa por um verbo reflexivo e ele mesmo sofre ou recebe predicado: era jogador.
os efeitos dessa ação: O operário feriu-se durante o trabalho; núcleo do predicado: jogador = atributo do sujeito.
Regina trancou-se no quarto. tipo de predicado: nominal.
Indeterminado - quando não se indica o agente da ação
verbal: Atropelaram uma senhora na esquina. (Quem Predicativo do sujeito - é o nome dado ao núcleo do
atropelou a senhora? Não se diz, não se sabe quem a predicado nominal, é atribuído uma qualidade ou
atropelou.); Come-se bem naquele restaurante (quem come).11 característica ao sujeito. Os verbos de ligação (ser, estar,
parecer, etc.) são a ligação entre o sujeito e o predicado.
Exemplo:

11 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004. 12 PESTANA, Fernando. Gramática para concursos. Elsevier.2011.

Língua Portuguesa 49
APOSTILAS OPÇÃO

Fui cedo; Passeamos pela cidade; Cheguei atrasado;


A prefeitura comprou várias coisas na licitação. Entrei em casa aborrecido.
predicado: comprou várias coisas na licitação.
núcleo do predicado: comprou = nova informação sobre o As orações formadas com verbos intransitivos não podem
sujeito “transitar” (= passar) para a voz passiva. 13
tipo de predicado: verbal Verbos intransitivos passam, ocasionalmente, a transitivos
quando construídos com o objeto direto ou indireto. Exemplo:
Os meninos jogavam bola contentes.
predicado: jogavam bola contentes. “Inutilmente a minha alma o chora!” (Cabral do
núcleos do predicado: jogavam = nova informação sobre o Nascimento)
sujeito; contentes = atributo do sujeito. “Depois me deitei e dormi um sono pesado.” (Luís
tipo de predicado: verbo-nominal. Jardim)
“Morrerás morte vil da mão de um forte.” (Gonçalves
Nos predicados verbais e verbo-nominais o verbo é Dias)
responsável também por definir os tipos de elementos que “Inútil tentativa de viajar o passado, penetrar no mundo
aparecerão no segmento. Em alguns casos o verbo sozinho que já morreu...” (Ciro dos Anjos)
basta para compor o predicado (verbo intransitivo).
Em outros casos é necessário um complemento que, Alguns verbos essencialmente intransitivos: anoitecer,
juntamente com o verbo, constituem a nova informação sobre crescer, brilhar, ir, agir, sair, nascer, latir, rir, tremer, brincar,
o sujeito. De qualquer forma, esses complementos do verbo chegar, vir, mentir, suar, adoecer, etc.
não interferem na tipologia do predicado.
Entretanto, é muito comum a elipse (ou omissão) do verbo, Transitivos Diretos: pedem um objeto direto, ou seja,
quando este puder ser facilmente subentendido, em geral por sempre um complemento sem preposição. Alguns verbos
estar expresso ou implícito na oração anterior. Exemplos: deste grupo: julgar, chamar, nomear, eleger, proclamar,
designar, considerar, declarar, adotar, ter, fazer, etc. Exemplos:
“A fraqueza de Pilatos é enorme, a ferocidade dos algozes Comprei um terreno e construí a casa.
inexcedível.” (Machado de Assis) (Está subentendido o verbo “Trabalho honesto produz riqueza honrada.” (Marquês de
é depois de algozes) Maricá)
“Mas o sal está no Norte, o peixe, no Sul” (Paulo Moreira da
Silva) (Subentende-se o verbo está depois de peixe) Dentre os verbos transitivos diretos merecem destaque os
que formam o predicado verbo nominal e se constrói com o
Predicação verbal - tem como núcleo um verbo que complemento acompanhado de predicativo. Exemplos:
transmite ideia de ação, pode ser uma locução verbal (dois Consideramos a situação difícil.
verbos). Alguns verbos, por natureza, têm sentido completo, Fernando trazia os documentos.
podendo, por si mesmos, constituir o predicado: são os verbos Em geral, os verbos transitivos diretos são usados na voz
de predicação completa denominados intransitivos. passiva.
Exemplos: A planta nasceu. / Os meninos correm. Podem receber como objeto direto, os pronomes o, a, os,
as: convido-o, encontro-os, incomodo-a, conheço-as.
Outros verbos, que tem predicação incompleta (sentido Podem ser construídos acidentalmente com preposição, a
incompleto) conhecido como transitivos (precisam de qual lhes acrescenta novo sentido: arrancar da espada; puxar
complemento) Exemplos: Paulo comprou cinco pães. / A casa da faca; pegar de uma ferramenta; tomar do lápis; cumprir
pertence ao Júlio. com o dever;
Alguns verbos transitivos diretos: abençoar, achar, colher,
Observe que, sem os seus complementos, os verbos avisar, abraçar, comprar, castigar, contrariar, convidar,
“comprou” e “pertence” não transmitiriam informações desculpar, dizer, estimar, elogiar, entristecer, encontrar, ferir,
completas, pois ainda fica a dúvida: Comprou o quê? Pertence imitar, levar, perseguir, prejudicar, receber, saldar, socorrer,
a quem? ter, unir, ver, etc.

Os verbos de predicação completa denominam-se de Transitivos Indiretos: são os que reclamam um


intransitivos e os de predicação incompleta de transitivos. complemento regido de preposição, chamado objeto indireto.
Os verbos transitivos subdividem-se em: transitivos Exemplos:
diretos, transitivos indiretos e transitivos diretos e “Ninguém perdoa ao quarentão que se apaixona por uma
indiretos (bitransitivos). adolescente.” (Ciro dos Anjos)
“Populares assistiam à cena aparentemente apáticos e
Além dos verbos transitivos e intransitivos, que encerram neutros.” (Érico Veríssimo)
uma noção definida ou conteúdo significativo, ainda existem
os de ligação, verbos que entram na formação do predicado Observações: Entre os verbos transitivos indiretos
nominal, relacionando o predicativo com o sujeito. importa distinguir os que se constroem com os pronomes
objetivos lhe, lhes. Em geral são verbos que exigem a
Quanto à predicação classificam-se, pois os verbos em: preposição a: agradar-lhe, agradeço-lhe, apraz-lhe, bate-lhe,
Intransitivos: são os que não precisam de complemento, desagrada-lhe, desobedecem-lhe, etc.
pois têm sentido completo. Exemplo: “Três contos bastavam, Entre os verbos transitivos indiretos importa distinguir os
insistiu ele.” (Machado de Assis) que não admitem para objeto indireto as formas oblíquas lhe,
lhes, construindo-se com os pronomes retos precedidos de
Observações: Os verbos intransitivos podem vir preposição: aludir a ele, anuir a ele, assistir a ela, atentar nele,
acompanhados de um adjunto adverbial e mesmo de um depender dele, investir contra ele, não ligar para ele, etc.
predicativo (qualidade, características). Exemplos:

13 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.

Língua Portuguesa 50
APOSTILAS OPÇÃO

Em princípio, verbos transitivos indiretos não comportam


a forma passiva. Excetuam-se pagar, perdoar, obedecer, e O predicativo subjetivo pode estar preposicionado; E pode
pouco mais, usados também como transitivos diretos. o predicativo ser antes do sujeito e do verbo. Exemplo:
Exemplos: São horríveis essas coisas!
João paga (perdoa, obedece) o médico. Que linda estava Amélia!
O médico é pago (perdoado, obedecido) por João. Completamente feliz ninguém é.

Há verbos transitivos indiretos, como atirar, investir, Predicativo do Objeto: é o termo que se refere ao objeto
contentar-se, etc., que admitem mais de uma preposição, sem de um verbo transitivo. Exemplos:
mudança de sentido. Outros mudam de sentido com a troca da As paixões tornam os homens felizes.
preposição. Exemplos: Nós julgamos o fato estranho.
Trate de sua vida. (tratar=cuidar).
É desagradável tratar com gente grosseira. (tratar=lidar). Observações: O predicativo objetivo, pode estar regido de
preposição. É facultativo, as vezes. E o predicativo objetivo em
Verbos como aspirar, assistir, dispor, servir, etc., variam de geral se refere ao objeto direto. Em casos especiais, pode
significação conforme sejam usados como transitivos diretos referir-se ao objeto indireto do verbo chamar. Exemplo:
ou indiretos. Chamavam-lhe poeta.
Podemos também antepor o predicativo a seu objeto como
Transitivos Diretos e Indiretos: utilizam com dois por exemplo: O advogado considerava indiscutíveis os
objetos: um direto, outro indireto, ao mesmo tempo. direitos da herdeira. / Julgo inoportuna essa viagem. / “E até
Exemplos: embriagado o vi muitas vezes.” / “Tinha estendida a seus pés
A jornalista fornece informações para os concorrentes. uma planta rústica da cidade.” / “Sentia ainda muito abertos
Oferecemos rosas a nossa amiga. os ferimentos que aquele choque com o mundo me causara.”
Ceda o carro para sua mãe.
Termos Integrantes da Oração
De Ligação: ligam ao sujeito o predicativo, uma palavra. Complementam o sentido de certos verbos e nomes para
Esses verbos, formam o predicado nominal. Exemplos: que a oração fique completa, são chamados de:
A casa é feia.
A carroça está torta. - Complemento Verbais (Objeto Direto e Objeto Indireto);
A menina anda (=está) alegre. - Complemento Nominal;
A vizinha parecia uma mulher virtuosa. - Agente da Passiva.

Observações: os verbos de ligação não servem apenas de Objeto Direto: complementa o sentido de um verbo
anexo, mas exprimem ainda os diversos aspectos sob os quais transitivo direto, não regido por preposição. Dica: faça as
se considera a qualidade atribuída ao sujeito. O verbo ser, por perguntas “o quê?” ou “quem?”. Exemplos:
exemplo, traduz aspecto permanente e o verbo estar, aspecto O menino matou o passarinho. (o menino matou quem ?)
transitório. Exemplos: Geraldo ama Andressa. (Geraldo ama o quê?)
Ele é doente. (aspecto permanente)
Ele está doente. (aspecto transitório). Características do objeto direto:
Muito desses verbos passam à categoria dos intransitivos - Completa a significação dos verbos transitivos diretos;
em frases como por exemplo: Era = existia) uma vez uma - Normalmente, não vem regido de preposição;
princesa.; - Traduz o ser sobre o qual recai a ação expressa por um
Eu não estava em casa. / Fiquei à sombra. / Anda com verbo ativo. Ex. Caim matou Abel.
dificuldades. / Parece que vai chover.14 - Torna-se sujeito da oração na voz passiva. Ex. Abel foi
morto por Caim.
Os verbos, relativamente à predicação, não fixos. Variam
conforme apresentado na frase, a sua regência e sentido O objeto direto pode ser constituído:
podem pertencer a outro grupo. Exemplos: - Por um substantivo ou expressão substantivada: O
O homem anda. (intransitivo) lavrador cultiva a terra; Unimos o útil ao agradável.
O homem anda triste. (de ligação) - Pelos pronomes oblíquos o, a, os, as, me, te, se, nos, vos:
Espero-o na estação; Estimo-os muito; Sílvia olhou-se ao
O cego não vê. (intransitivo) espelho; Não me convidas?; Ela nos chama.; Avisamo-lo a
O cego não vê o obstáculo. (transitivo direto) tempo.; Procuram-na em toda parte.; Meu Deus, eu vos amo.;
“Marchei resolutamente para a maluca e intimei-a a ficar
Predicativo: expressa estado, qualidade ou condição do quieta.”; “Vós haveis de crescer, perder-vos-ei de vista.”
ser ao qual se refere, ou seja, é um atributo. Dois predicativos - Por qualquer pronome substantivo: Não vi ninguém na
são apontados. loja; A árvore que plantei floresceu. (que: objeto direto de
plantei); Onde foi que você achou isso? Quando vira as folhas
Predicativo do Sujeito: exprime um atributo, estado ou do livro, ela o faz com cuidado; “Que teria o homem percebido
modo de ser do sujeito, aparece como verbo de ligação, no nos meus escritos?”
predicado nominal. Exemplos:
O aluno é estudioso e exemplar. Frequentemente transitivam-se verbos intransitivos,
A casa era toda feita de pedras raras. dando-se-lhes por objeto direto uma palavra cognata ou da
mesma esfera semântica. Exemlos:
Outro tipo de predicativo, aparece no predicado verbo- “Viveu José Joaquim Alves vida tranquila e patriarcal.”
nominal. Exemplos: (Vivaldo Coaraci)
José chegou cansado. “Pela primeira vez chorou o choro da tristeza.” (Aníbal
Os meninos chegaram cansados. Machado)

14 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.

Língua Portuguesa 51
APOSTILAS OPÇÃO

“Nenhum de nós pelejou a batalha de Salamina.” Objeto Direto Pleonástico: aquele que se repete na
(Machado de Assis) sequência da frase. Quando queremos dar destaque ou ênfase
Em tais construções é de rigor que o objeto venha à ideia contida no objeto direto, colocamo-lo no início da frase
acompanhado de um adjunto.15 e depois o repetimos ou reforçamos por meio do pronome
oblíquo. A esse objeto repetido sob forma pronominal chama-
Objeto Direto Preposicionado: antecipado por preposição se pleonástico, enfático ou redundante. Exemplos:
não obrigatória. Exemplos: O pão, Paulo o trazia dentro da sacola.
Identifiquei a vocês todos naquela foto (quem identifica, Seus cachorros, ele os cuidava em amor.
identifica a algo, o verbo não pede preposição).
Objeto Indireto: por meio de uma preposição obrigatória,
Em certos casos, o objeto direto, vem precedido de completa o sentido de um verbo transitivo indireto. Dica: faça
preposição, e ocorrerá: às perguntas “para quê, em quê, de quê, ou preposição mais
- Quando o objeto direto é um pronome pessoal tônico: quem?”
Deste modo, prejudicas a ti e a ela; “Mas dona Carolina amava Exemplos:Meu irmão cuidava de toda a sua casa. (cuidava
mais a ele do que aos outros filhos.”; “Pareceu-me que Roberto de quê ?) João gosta de goiaba. (gosta do quê ?)
hostilizava antes a mim do que à ideia.”; “Ricardina lastimava
o seu amigo como a si própria.”; “Amava-a tanto como a nós”. - Transitivos Indiretos: Assisti ao filme; Assistimos à
- Quando o objeto é o pronome relativo quem: “Pedro festa e à folia; Aludiu ao fato; Aspiro a uma casa boa.
Severiano tinha um filho a quem idolatrava.”; “Abraçou a
todos; deu um beijo em Adelaide, a quem felicitou pelo - Transitivos Diretos e Indiretos (na voz ativa ou
desenvolvimento das suas graças.”; “Agora sabia que podia passiva): Dou graças a Deus; Dedicou sua vida aos doentes e
manobrar com ele, com aquele homem a quem na realidade aos pobres; Disse-lhe a verdade. (Disse a verdade ao moço.)
também temia, como todos ali”.
- Quando precisamos assegurar a clareza da frase, evitando O objeto indireto pode ainda acompanhar verbos de outras
que o objeto direto seja tomado como sujeito, impedindo categorias, os quais, no caso, são considerados acidentalmente
construções ambíguas: Convence, enfim, ao pai o filho amado; transitivos indiretos: A bom entendedor meia palavra basta;
“Vence o mal ao remédio.”; “Tratava-me sem cerimônia, como Sobram-lhe qualidades e recursos. (lhe=a ele); Isto não lhe
a um irmão.”; A qual delas iria homenagear o cavaleiro? convém; A proposta pareceu-lhe aceitável.
- Em expressões de reciprocidade, para garantir a clareza
e a eufonia da frase: “Os tigres despedaçam-se uns aos Observações: Há verbos que podem construir-se com dois
outros.”; “As companheiras convidavam-se umas às outras.”; objetos indiretos, regidos de preposições diferentes: Rogue a
“Era o abraço de duas criaturas que só tinham uma à outra”. Deus por nós; Ela queixou-se de mim a seu pai.; Pedirei para
- Com nomes próprios ou comuns, referentes a pessoas, ti a meu senhor um rico presente; Não confundir o objeto
principalmente na expressão dos sentimentos ou por amor da direto com o complemento nominal nem com o adjunto
eufonia da frase: Judas traiu a Cristo; Amemos a Deus sobre adverbial; Em frases como “Para mim tudo eram alegrias”,
todas as coisas. “Provavelmente, enganavam é a Pedro.”; “O “Para ele nada é impossível”, os pronomes em destaque
estrangeiro foi quem ofendeu a Tupã”. podem ser considerados adjuntos adverbiais.
- Em construções enfáticas, nas quais antecipamos o objeto
direto para dar-lhe realce: A você é que não enganam!; Ao O objeto indireto é sempre regido de preposição, expressa
médico, confessor e letrado nunca enganes.; “A este ou implícita. A preposição está implícita nos pronomes
confrade conheço desde os seus mais tenros anos”. objetivos indiretos (átonos) me, te, se, lhe, nos, vos, lhes.
- Sendo objeto direto o numeral ambos(as): “O aguaceiro Exemplos: Obedece-me. (=Obedece a mim.); Isto te pertence.
caiu, molhou a ambos.”; “Se eu previsse que os matava a (=Isto pertence a ti.); Rogo-lhe que fique. (=Rogo a você...);
ambos...”. Peço-vos isto. (=Peço isto a vós.). Nos demais casos a
- Com certos pronomes indefinidos, sobretudo referentes preposição é expressa, como característica do objeto indireto:
a pessoas: Se todos são teus irmãos, por que amas a uns e Recorro a Deus; Dê isto a (ou para) ele.; Contenta-se com
odeias a outros?; Aumente a sua felicidade, tornando felizes pouco.; Ele só pensa em si.; Esperei por ti.; Falou contra nós.;
também aos outros.; A quantos a vida ilude!. Conto com você.; Não preciso disto.; O filme a que assisti
- Em certas construções enfáticas, como puxar (ou agradou ao público.; Assisti ao desenrolar da luta.; A coisa de
arrancar) da espada, pegar da pena, cumprir com o dever, que mais gosto é pescar.; A pessoa a quem me refiro você a
atirar com os livros sobre a mesa, etc.: “Arrancam das espadas conhece.; Os obstáculos contra os quais luto são muitos.; As
de aço fino...”; “Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da pessoas com quem conto são poucas.
agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha e entrou a
coser.”; “Imagina-se a consternação de Itaguaí, quando soube Como atestam os exemplos acima, o objeto indireto é
do caso.” representado pelos substantivos (ou expressões substantivas)
ou pelos pronomes. As preposições que o ligam ao verbo são:
Observações: Nos quatro primeiros casos estudados a a, com, contra, de, em, para e por.
preposição é de rigor, nos cinco outros, facultativo; A
substituição do objeto direto preposicionado pelo pronome Objeto Indireto Pleonástico: sempre representado por um
oblíquo átono, quando possível, se faz com as formas o(s), a(s) pronome oblíquo átono para dar ênfase a um objeto indireto
e não lhe, lhes: amar a Deus (amá-lo); convencer ao amigo que já tem na frase. Exemplos:
(convencê-lo); O objeto direto preposicionado, é obvio, só A mim o que me deu foi pena.”; “Que me importa a mim o
ocorre com verbo transitivo direto; Podem resumir-se em três destino de uma mulher tísica...? “E, aos brigões, incapazes de
as razões ou finalidades do emprego do objeto direto se moverem, basta-lhes xingarem-se a distância.”
preposicionado: a clareza da frase; a harmonia da frase; a
ênfase ou a força da expressão. Complemento Nominal: completa o sentido de um (nome)
substantivo, de um adjetivo e um advérbio, sempre regido por
preposição. Exemplos: A defesa da pátria; “O ódio ao mal é

15 PESTANA, Fernando. Gramática para concursos. Elsevier.2011.

Língua Portuguesa 52
APOSTILAS OPÇÃO

amor do bem, e a ira contra o mal, entusiasmo divino.”; “Ah, - livro do mestre, as mãos dele: posse, pertença
não fosse ele surdo à minha voz!” - água da fonte, filho de fazendeiros: origem
- fio de aço, casa de madeira: matéria
Observações: O complemento nominal representa o - casa de ensino, aulas de inglês: fim, especialidade
recebedor, o paciente, o alvo da declaração expressa por um
nome: amor a Deus, a condenação da violência, o medo de Observações: Não confundir o adjunto adnominal
assaltos, a remessa de cartas, útil ao homem, compositor de formado por locução adjetiva com complemento nominal. Este
músicas, etc. É regido pelas mesmas preposições usadas no representa o alvo da ação expressa por um nome transitivo: a
objeto indireto. Difere deste apenas porque, em vez de eleição do presidente, aviso de perigo, declaração de guerra,
complementar verbos, complementa nomes (substantivos, empréstimo de dinheiro, plantio de árvores, colheita de
adjetivos) e alguns advérbios em –mente. Os nomes que trigo, destruidor de matas, descoberta de petróleo, amor ao
requerem complemento nominal correspondem, geralmente, próximo, etc. O adjunto adnominal formado por locução
a verbos de mesmo radical: amor ao próximo, amar o adjetiva representa o agente da ação, ou a origem, pertença,
próximo ;perdão das injúrias, perdoar as injúrias; obediente qualidade de alguém ou de alguma coisa: o discurso do
aos pais, obedecer aos pais; regresso à pátria, regressar à presidente, aviso de amigo, declaração do ministro,
pátria; etc.16 empréstimo do banco, a casa do fazendeiro, folhas de
árvores, farinha de trigo, beleza das matas, cheiro de
Agente da Passiva: complementa um verbo na voz petróleo, amor de mãe.18
passiva. Sempre representa quem pratica a ação expressa pelo
verbo passivo. Vem regido na maioria das vezes pela Adjunto adverbial: termo que exprime uma circunstância
preposição por, e menos frequentemente pela preposição de: (de tempo, lugar, modo, etc.) ou, em outras palavras, que
O vencedor foi escolhido pelos jurados. modifica o sentido de um verbo, adjetivo ou advérbio.
O menino estava cercado pelo seu pai e mãe. Exemplo: “Meninas numa tarde brincavam de roda na
praça”. O adjunto adverbial é expresso: Pelos advérbios:
O agente da passiva pode ser expresso pelos substantivos Cheguei tarde; Maria é mais alta; Não durma na cabana; Ele
ou pelos pronomes: fala bem, fala corretamente; Talvez esteja enganado.; Pelas
O cão foi atropelado pelo carro. locuções ou expressões adverbiais: Compreendo sem
Este caderno foi rabiscado por mim. esforço.; Saí com meu pai.; Paulo reside em São Paulo.;
Escureceu de repente.
O agente da passiva corresponde ao sujeito da oração na
voz ativa: Observações: Pode ocorrer a elipse da preposição antes
A menina foi penteada pela mãe. (voz passiva) de adjuntos adverbiais de tempo e modo: Aquela noite, não
A mãe penteou a menina. (voz ativa) dormi. (=Naquela noite...); Domingo que vem não sairei. (=No
Ele será acompanhado por ti. (voz passiva) domingo...); Ouvidos atentos, aproximei-me da porta. (=De
ouvidos atentos...); Os adjuntos adverbiais classificam-se de
Observações: Frase de forma passiva analítica sem acordo com as circunstâncias que exprimem: adjunto
complemento agente expresso, ao passar para a ativa, terá adverbial de lugar, modo, tempo, intensidade, causa,
sujeito indeterminado e o verbo na 3ª pessoa do plural: Ele foi companhia, meio, assunto, negação, etc. É importante saber
expulso da cidade. (Expulsaram-no da cidade.); As florestas distinguir adjunto adverbial de adjunto adnominal, de objeto
são devastadas. (Devastam as florestas.); Na passiva indireto e de complemento nominal: sair do mar (ad. adv.);
pronominal não se declara o agente: Nas ruas assobiavam-se água do mar (adj. adn.); gosta do mar (obj. indir.); ter medo
as canções dele pelos pedestres. (errado); Nas ruas eram do mar (compl. nom.).
assobiadas as canções dele pelos pedestres. (certo);
Assobiavam-se as canções dele nas ruas. (certo) Aposto: um termo ou expressão que associa a um nome
anterior, e explica ou esclarece o sentido desse nome.
Termos Acessórios da Oração Geralmente, separado dos outros termos da oração por dois
São os que desempenham na oração uma função pontos, travessão e vírgula.
secundária, qual seja a de caracterizar um ser, determinar os Exemplos:
substantivos, exprimir alguma circunstância. São três os Ontem, segunda-feira, passei o dia com dor de estômago.
termos acessórios da oração: adjunto adnominal, adjunto “Nicanor, ascensorista, expôs-me seu caso de consciência.”
adverbial e aposto. (Carlos Drummond de Andrade)

Adjunto adnominal: é o termo (expressão) que se junta a O núcleo do aposto pode ser expresso por um substantivo
um nome para melhor função especificar, detalhar ou ou por um pronome substantivo. Exemplo:
caracterizar o sentido desse nome (substantivos).17 Exemplo: Os responsáveis pelo projeto, tu e a arquiteta, não podem
Meu irmão veste roupas vistosas. (Meu determina o se ausentar.
substantivo irmão: é um adjunto adnominal – vistosas
caracteriza o substantivo roupas: é também adjunto O aposto não pode ser formado por adjetivos. Nas frases
adnominal). seguintes, por exemplo, não há aposto, mas predicativo do
O adjunto adnominal pode ser expresso: Pelos adjetivos: sujeito. Ex.
água fresca, animal feroz; Pelos artigos: o mundo, as ruas; Audaciosos, os dois surfistas atiraram-se às ondas.
Pelos pronomes adjetivos: nosso tio, este lugar, pouco sal, As borboletas, leves e graciosas, esvoaçavam num balé de
muitas rãs ,país cuja história conheço, que rua? Pelos cores.
numerais: dois pés ,quinto ano; Pelas locuções ou expressões
adjetivas que exprimem qualidade, posse, origem, fim ou outra Os apostos, em geral, têm pausas, indicadas, na escrita, por
especificação: vírgulas, dois pontos ou travessões. Não havendo pausa, não
- presente de rei (=régio): qualidade haverá vírgula, como nestes exemplos:

16 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004. 18 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.
17 AMARAL, Emília. Novas Palavras. Editora FTD.2016.

Língua Portuguesa 53
APOSTILAS OPÇÃO

O romance Tróia; o rio Amazonas; a Rua Osvaldo Cruz; o 02. Assinale a alternativa correta: “para todos os males, há
Colégio Tiradentes, etc. dois remédios: o tempo e o silêncio”, os termos grifados são
“Onde estariam os descendentes de Amaro vaqueiro?” respectivamente:
(Graciliano Ramos) (A) sujeito – objeto direto;
(B) sujeito – aposto;
O aposto pode preceder o termo a que se refere, o qual, às (C) objeto direto – aposto;
vezes, está elíptico. Exemplos: (D) objeto direto – objeto direto;
Rapaz impulsivo, Mário não se conteve. (E) objeto direto – complemento nominal.
Mensageira da ideia, a palavra é a mais bela expressão da
alma humana. 03. Assinale a alternativa em que o termo destacado é
objeto indireto.
O aposto, às vezes, refere-se a toda uma oração. Exemplos: (A) “Quem faz um poema abre uma janela.” (Mário
Nuvens escuras borravam os espaços silenciosos, sinal de Quintana)
tempestade iminente. (B) “Toda gente que eu conheço e que fala comigo / Nunca
O espaço é incomensurável, fato que me deixa atônito. teve um ato ridículo / Nunca sofreu enxovalho (...)”
(Fernando Pessoa)
Um aposto refere a outro aposto, às vezes: (C) “Quando Ismália enlouqueceu / Pôs-se na torre a
“Serafim Gonçalves casou-se com Lígia Tavares, filha do sonhar / Viu uma lua no céu, / Viu uma lua no mar.”
velho coronel Tavares, senhor de engenho.” (Ledo Ivo) (Alphonsus de Guimarães)
(D) “Mas, quando responderam a Nhô Augusto: ‘– É a
O aposto pode vir antecedido das expressões explicativas, jagunçada de seu Joãozinho Bem-Bem, que está descendo para
ou da preposição acidental como: a Bahia.’ – ele, de alegre, não se pôde conter.” (Guimarães
Rosa)
Dois países sul-americanos, isto é, a Colômbia e o Chile,
não são banhados pelo mar. 04. “Recebeu o prêmio o jogador que fez o gol”. Nessa frase
o sujeito de “fez”?
O aposto que se refere a objeto indireto, complemento (A) o prêmio;
nominal ou adjunto adverbial vem precedido de preposição: (B) o jogador;
O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado. (C) que;
“Acho que adoeci disso, de beleza, da intensidade das (D) o gol;
coisas.” (Raquel Jardim) (E) recebeu.

Vocativo: termo que exprime um nome, título, apelido, 05. Assinale a alternativa correspondente ao período onde
usado para chamar o interlocutor. há predicativo do sujeito:
(A) como o povo anda tristonho!
“Elesbão? Ó Elesbão! Venha ajudar-nos, por favor!” (Maria (B) agradou ao chefe o novo funcionário;
de Lourdes Teixeira) (C) ele nos garantiu que viria;
“A ordem, meus amigos, é a base do governo.” (Machado (D) no Rio não faltam diversões;
de Assis) (E) o aluno ficou sabendo hoje cedo de sua aprovação.
“Correi, correi, ó lágrimas saudosas!” (Fagundes Varela)
Gabarito
Observação: Profere-se o vocativo com entoação 01.D \ 02.C \ 03.D \ 04.C \ 05.A
exclamativa. Na escrita é separado por vírgula(s). No exemplo
inicial, os pontos interrogativo e exclamativo indicam um Período
chamado alto e prolongado. O vocativo se refere sempre à 2ª
pessoa do discurso, que pode ser uma pessoa, um animal, uma Toda frase com uma ou mais orações constitui um período,
coisa real ou entidade abstrata personificada. Podemos que se encerra com ponto de exclamação, interrogação ou
antepor-lhe uma interjeição de apelo (ó, olá, eh!): reticências.
O período de uma oração pode ser: simples quando só traz
“Tem compaixão de nós, ó Cristo!” (Alexandre Herculano) uma oração, também conhecida como oração absoluta; ou
“Ó Dr. Nogueira, mande-me cá o Padilha, amanhã!” composto quando traz mais de uma oração. Exemplo:
(Graciliano Ramos) Pegou fogo no prédio. (Período simples, oração absoluta.)
“Esconde-te, ó sol de maio ,ó alegria do mundo!” (Camilo Quero que você aprenda. (Período composto.)
Castelo Branco)
O vocativo é um tempo à parte. Não pertence à estrutura Existe uma maneira prática de saber quantas orações há
da oração, por isso não se anexa ao sujeito nem ao predicado.19 num período, e para isso basta contar os verbos ou locuções
verbais. Num período haverá tantas orações quantos forem os
Questões verbos ou as locuções verbais neles existentes. Exemplos:

01. O termo em destaque é adjunto adverbial de Pegou fogo no prédio. (um verbo, uma oração)
intensidade em: Quero que você aprenda. (dois verbos, duas orações)
(A) pode aprender e assimilar MUITA coisa Está pegando fogo no prédio. (uma locução verbal, uma
(B) enfrentamos MUITAS novidades oração)
(C) precisa de um parceiro com MUITO caráter Deves estudar para poderes vencer na vida. (duas
(D) não gostam de mulheres MUITO inteligentes locuções verbais, duas orações)
(E) assumimos MUITO conflito e confusão

19 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.

Língua Portuguesa 54
APOSTILAS OPÇÃO

Há três tipos de período composto: por coordenação, por O aluno é estudioso, porém, suas notas são baixas.
subordinação e por coordenação e subordinação ao mesmo “É dura a vida, mas aceitam-na.” (Cecília Meireles)
tempo (também chamada de período misto).
- Orações coordenadas sindéticas conclusivas: portanto,
Período Composto por Coordenação – Orações por isso, pois, logo.
Coordenadas
Ele me ajudou muito, / portanto merece minha gratidão.
Considere, por exemplo, este período composto: OCA OCS Conclusiva
Passeamos pela praia, / brincamos, / recordamos os
tempos de infância. Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma
1ª oração: Passeamos pela praia conjunção que expressa ideia de conclusão de um fato
2ª oração: brincamos enunciado na oração anterior, ou seja, por uma conjunção
3ª oração: recordamos os tempos de infância coordenativa conclusiva.
As três orações que compõem esse período têm sentido
próprio e não mantêm entre si nenhuma dependência Vives mentindo; logo, não mereces fé.
sintática: elas são independentes. Há entre elas, é claro, uma Não tenho dinheiro, portanto não posso pagar.
relação de sentido, mas, como já dissemos, uma não depende
da outra sintaticamente. - Orações coordenadas sindéticas alternativas: ou... ou,
As orações independentes de um período são chamadas de ora... ora, seja... seja, quer... quer.
orações coordenadas (OC), e o período formado só de
orações coordenadas é chamado de período composto por Seja mais educado / ou retire-se da reunião!
coordenação. OCA OCS Alternativa

As orações coordenadas são classificadas em assindéticas Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma
e sindéticas. conjunção que estabelece uma relação de alternância ou
- As orações coordenadas são assindéticas (OCA) quando escolha com referência à oração anterior, ou seja, por uma
não vêm introduzidas por conjunção. Exemplo: conjunção coordenativa alternativa.
Os torcedores gritaram, / sofreram, / vibraram.
OCA OCA OCA Cale-se agora ou nunca mais fale.
Ora colocava a luca, ora a retirava.
“Inclinei-me, apanhei o embrulho e segui.” (Machado de
Assis) - Orações coordenadas sindéticas explicativas: que,
“A noite avança, há uma paz profunda na casa deserta.” porque, pois, porquanto.
(Antônio Olavo Pereira) Vamos andar depressa / que estamos atrasados.
“O ferro mata apenas; o ouro infama, avilta, desonra.” OCA OCS Explicativa
(Coelho Neto) Observe que a 2ª oração é introduzida por uma conjunção
que expressa ideia de explicação, de justificativa em relação à
- As orações coordenadas são sindéticas (OCS) quando oração anterior, ou seja, por uma conjunção coordenativa
vêm introduzidas por conjunção coordenativa. Exemplo: explicativa.
O homem saiu do carro / e entrou na casa.
OCA OCS Não comprei o carro, porque estava muito caro.
Cumprimente-a, pois hoje é o seu aniversário.
As orações coordenadas sindéticas são classificadas de
acordo com o sentido expresso pelas conjunções Questões
coordenativas que as introduzem. E podem ser:
01. Relacione as orações coordenadas por meio de
- Orações coordenadas sindéticas aditivas: e, nem, não conjunções:
só... mas também, não só... mas ainda. (A) Ouviu-se o som da bateria. Os primeiros foliões
Saí da escola / e fui à lanchonete. surgiram.
OCA OCS Aditiva (B) Não durma sem cobertor. A noite está fria.
(C) Quero desculpar-me. Não consigo encontrá-los.
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma
conjunção que expressa ideia de acréscimo ou adição com 02. Em: “... ouviam-se amplos bocejos, fortes como o
referência à oração anterior, ou seja, por uma conjunção marulhar das ondas...” a partícula como expressa uma ideia de:
coordenativa aditiva. (A) causa
(B) explicação
O menino comprou pães e um leite. (C) conclusão
As crianças não gritavam e nem choravam. (D) proporção
Os celulares não somente instruem mas também (E) comparação
divertem.
03. “Entrando na faculdade, procurarei emprego”, oração
- Orações coordenadas sindéticas adversativas: mas, sublinhada pode indicar uma ideia de:
porém, todavia, contudo, entretanto, no entanto. (A) concessão
(B) oposição
Estudei bastante / mas não passei no teste. (C) condição
OCA OCS Adversativa (D) lugar
(E) consequência
Observe que a 2ª oração vem introduzida por uma
conjunção que expressa ideia de oposição à oração anterior, ou
seja, por uma conjunção coordenativa adversativa.

Língua Portuguesa 55
APOSTILAS OPÇÃO

04. Assinale a sequência de conjunções que estabelecem,


entre as orações de cada item, uma correta relação de sentido. O tambor soa porque é oco.
1. Correu demais, ... caiu. Como não me atendessem, repreendi-os severamente.
2. Dormiu mal, ... os sonhos não o deixaram em paz. Como ele estava armado, ninguém ousou reagir.
3. A matéria perece, ... a alma é imortal. “Faltou à reunião, visto que esteve doente.” (Arlindo de
4. Leu o livro, ... é capaz de descrever as personagens com Sousa)
detalhes.
5. Guarde seus pertences, ... podem servir mais tarde. - Condicionais: expressam hipóteses ou condição para a
ocorrência do que foi enunciado na principal. Conjunções: se,
(A) porque, todavia, portanto, logo, entretanto contanto que, a menos que, a não ser que, desde que.
(B) por isso, porque, mas, portanto, que Irei à sua casa / se não chover.
(C) logo, porém, pois, porque, mas OP OSA Condicional
(D) porém, pois, logo, todavia, porque
(E) entretanto, que, porque, pois, portanto Deus só nos perdoará se perdoarmos aos nossos
ofensores.
05. Reúna as três orações em um período composto por Se o conhecesses, não o condenarias.
coordenação, usando conjunções adequadas. “Que diria o pai se soubesse disso?” (Carlos Drummond
de Andrade)
Os dias já eram quentes. A cápsula do satélite será recuperada, caso a experiência
A água do mar ainda estava fria. tenha êxito.
As praias permaneciam desertas.
- Concessivas: expressam ideia ou fato contrário ao da
Respostas oração principal, sem, no entanto, impedir sua realização.
Conjunções: embora, ainda que, apesar de, se bem que, por mais
01. Ouviu-se o som da bateria e os primeiros foliões que, mesmo que.
surgiram. Ela saiu à noite / embora estivesse doente.
Não durma sem cobertor, pois a noite está fria. OP OSA Concessiva
Quero desculpar-me, mas consigo encontrá-los. Admirava-o muito, embora (ou conquanto ou posto que
ou se bem que) não o conhecesse pessoalmente.
02. E\03. C\04. B Embora não possuísse informações seguras, ainda
assim arriscou uma opinião.
05. Os dias já eram quentes, mas a água do mar ainda Cumpriremos nosso dever, ainda que (ou mesmo
estava fria, por isso as praias permaneciam desertas. quando ou ainda quando ou mesmo que) todos nos
critiquem.
Período Composto por Subordinação Por mais que gritasse, não me ouviram.
Observe os termos destacados em cada uma destas
orações: - Conformativas: expressam a conformidade de um fato
Vi uma cena triste. (adjunto adnominal) com outro. Conjunções: conforme, como (=conforme), segundo.
Todos querem sua participação. (objeto direto) O trabalho foi feito / conforme havíamos planejado.
Não pude sair por causa da chuva. (adjunto adverbial de OP OSA Conformativa
causa)
O homem age conforme pensa.
Veja, agora, como podemos transformar esses termos em Relatei os fatos como (ou conforme) os ouvi.
orações com a mesma função sintática: Como diz o povo, tristezas não pagam dívidas.
Vi uma cena / que me entristeceu. (oração subordinada O jornal, como sabemos, é um grande veículo de
com função de adjunto adnominal) informação.
Todos querem / que você participe. (oração subordinada
com função de objeto direto) - Temporais: acrescentam uma circunstância de tempo ao
Não pude sair / porque estava chovendo. (oração que foi expresso na oração principal. Conjunções: quando,
subordinada com função de adjunto adverbial de causa) assim que, logo que, enquanto, sempre que, depois que, mal
(=assim que).
Em todos esses períodos, a segunda oração exerce uma Ele saiu da sala / assim que eu cheguei.
certa função sintática em relação à primeira, sendo, portanto, OP OSA Temporal
subordinada a ela. Quando um período é constituído de pelo
menos um conjunto de duas orações em que uma delas (a Formiga, quando quer se perder, cria asas.
subordinada) depende sintaticamente da outra (principal), ele “Lá pelas sete da noite, quando escurecia, as casas se
é classificado como período composto por subordinação. esvaziam.” (Carlos Povina Cavalcânti)
As orações subordinadas são classificadas de acordo com a “Quando os tiranos caem, os povos se levantam.”
função que exercem: adverbiais, substantivas e adjetivas. (Marquês de Maricá)
Enquanto foi rico, todos o procuravam.
Orações Subordinadas Adverbiais (OSA)
São aquelas que exercem a função de adjunto adverbial da - Finais: expressam a finalidade ou o objetivo do que foi
oração principal (OP). São classificadas de acordo com a enunciado na oração principal. Conjunções: para que, a fim de
conjunção subordinativa que as introduz: que, porque (=para que), que.
Abri a porta do salão / para que todos pudessem entrar.
- Causais: expressam a causa do fato enunciado na oração OP OSA Final
principal. Conjunções: porque, que, como (= porque), pois que,
visto que. “O futuro se nos oculta para que nós o imaginemos.”
Não fui à escola / porque fiquei doente. (Marquês de Maricá)
OP OSA Causal Aproximei-me dele a fim de que me ouvisse melhor.

Língua Portuguesa 56
APOSTILAS OPÇÃO

“Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis) (que = oração principal. Observe: Necessito de sua ajuda. (objeto
para que) indireto)
“Instara muito comigo não deixasse de frequentar as Necessito / de que você me ajude.
recepções da mulher.” (Machado de Assis) (não deixasse = OP OSS Objetiva Indireta
para que não deixasse)
Não me oponho a que você viaje. (= Não me oponho à sua
- Consecutivas: expressam a consequência do que foi viagem.)
enunciado na oração principal. Conjunções: porque, que, como Aconselha-o a que trabalhe mais.
(= porque), pois que, visto que. Daremos o prêmio a quem o merecer.
A chuva foi tão forte / que inundou a cidade. Lembre-se de que a vida é breve.
OP OSA Consecutiva
- Oração Subordinada Substantiva Subjetiva: é aquela
Fazia tanto frio que meus dedos estavam endurecidos. que exerce a função de sujeito do verbo da oração principal.
“A fumaça era tanta que eu mal podia abrir os olhos.” Observe :É importante sua colaboração. (sujeito)
(José J. Veiga) É importante / que você colabore.
De tal sorte a cidade crescera que não a reconhecia mais. OP OSS Subjetiva
As notícias de casa eram boas, de maneira que pude
prolongar minha viagem. A oração subjetiva geralmente vem:
- Depois de um verbo de ligação + predicativo, em
- Comparativas: expressam ideia de comparação com construções do tipo é bom ,é útil ,é certo ,é conveniente, etc.
referência à oração principal. Conjunções: como, assim como, Ex.: É certo que ele voltará amanhã.
tal como, (tão)... como, tanto como, tal qual, que (combinado - Depois de expressões na voz passiva, como sabe-se, conta-
com menos ou mais). se, diz-se, etc. Ex.: Sabe-se que ele saiu da cidade.
Ela é bonita / como a mãe. - Depois de verbos como convir, cumprir, constar, urgir,
OP OSA Comparativa ocorrer, quando empregados na 3ª pessoa do singular e
seguidos das conjunções que ou se. Ex.: Convém que todos
A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o participem da reunião.
ferro.” (Marquês de Maricá)
Ela o atraía irresistivelmente, como o imã atrai o ferro. É necessário que você colabore. (= Sua colaboração é
Os retirantes deixaram a cidade tão pobres como vieram. necessária.)
Como a flor se abre ao Sol, assim minha alma se abriu à Parece que a situação melhorou.
luz daquele olhar. Aconteceu que não o encontrei em casa.
Importa que saibas isso bem.
Obs.: As orações comparativas nem sempre apresentam
claramente o verbo, como no exemplo acima, em que está - Oração Subordinada Substantiva Completiva
subentendido o verbo ser (como a mãe é). Nominal: É aquela que exerce a função de complemento
nominal de um termo da oração principal. Observe: Estou
- Proporcionais: expressam uma ideia que se relaciona convencido de sua inocência. (complemento nominal)
proporcionalmente ao que foi enunciado na principal. Estou convencido / de que ele é inocente.
Conjunções: à medida que, à proporção que, ao passo que, OP OSS Completiva Nominal
quanto mais, quanto menos.
Quanto mais reclamava / menos atenção recebia. Sou favorável a que o prendam. (= Sou favorável à prisão
OSA Proporcional OP dele.)
Estava ansioso por que voltasses.
À medida que se vive, mais se aprende. Sê grato a quem te ensina.
À proporção que avançávamos, as casas iam rareando. “Fabiano tinha a certeza de que não se acabaria tão
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai cedo.” (Graciliano Ramos)
diminuindo.
- Oração Subordinada Substantiva Predicativa: é
Orações Subordinadas Substantivas aquela que exerce a função de predicativo do sujeito da oração
As orações subordinadas substantivas (OSS) são principal, vindo sempre depois do verbo ser. Observe: O
aquelas que, num período, exercem funções sintáticas importante é sua felicidade. (predicativo)
próprias de substantivos, geralmente são introduzidas pelas O importante é / que você seja feliz.
conjunções integrantes que e se. Elas podem ser: OP OSS Predicativa
Seu receio era que chovesse. (Seu receio era a chuva.)
- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Direta: é Minha esperança era que ele desistisse.
aquela que exerce a função de objeto direto do verbo da oração Meu maior desejo agora é que me deixem em paz.
principal. Observe: O grupo quer a sua ajuda. (objeto direto) Não sou quem você pensa.
O grupo quer / que você ajude.
OP OSS Objetiva Direta - Oração Subordinada Substantiva Apositiva: É aquela
que exerce a função de aposto de um termo da oração
O mestre exigia que todos estivessem presentes. (= O principal. Observe: Ele tinha um sonho a união de todos em
mestre exigia a presença de todos.) benefício do país. (aposto)
Mariana esperou que o marido voltasse. Ele tinha um sonho / que todos se unissem em benefício
Ninguém pode dizer: Desta água não beberei. do país.
O fiscal verificou se tudo estava em ordem. OP OSS Apositiva

- Oração Subordinada Substantiva Objetiva Indireta: é Só desejo uma coisa: que vivam felizes. (Só desejo uma
aquela que exerce a função de objeto indireto do verbo da coisa: a sua felicidade)
Só lhe peço isto: honre o nosso nome.

Língua Portuguesa 57
APOSTILAS OPÇÃO

“Talvez o que eu houvesse sentido fosse o presságio disto: outras que se apresentam com o verbo numa das formas
de que virias a morrer...” (Osmã Lins) nominais (infinitivo, gerúndio e particípio). Exemplos:
“Mas diga-me uma cousa, essa proposta traz algum
motivo oculto?” (Machado de Assis) Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês.
As orações apositivas vêm geralmente antecedidas de (infinitivo)
dois-pontos. Podem vir, também, entre vírgulas, intercaladas à Precisando de ajuda, telefone-me. (gerúndio)
oração principal. Exemplo: Seu desejo, que o filho Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário.
recuperasse a saúde, tornou-se realidade. (particípio)

Observação: Além das conjunções integrantes que e se, as As orações subordinadas que apresentam o verbo numa
orações substantivas podem ser introduzidas por outros das formas nominais são chamadas de reduzidas.
conectivos, tais como quando, como, quanto, etc. Exemplos: Para classificar a oração que está sob a forma reduzida,
Não sei quando ele chegou. devemos procurar desenvolvê-la do seguinte modo:
Diga-me como resolver esse problema. colocamos a conjunção ou o pronome relativo adequado ao
sentido e passamos o verbo para uma forma do indicativo ou
Orações Subordinadas Adjetivas subjuntivo, conforme o caso. A oração reduzida terá a mesma
As orações subordinadas Adjetivas (OSA) exercem a classificação da oração desenvolvida.
função de adjunto adnominal de algum termo da oração
principal. Observe como podemos transformar um adjunto Ao entrar na escola, encontrei o professor de inglês.
adnominal em oração subordinada adjetiva: Quando entrei na escola, / encontrei o professor de
Desejamos uma paz duradoura. (adjunto adnominal) inglês.
Desejamos uma paz / que dure. (oração subordinada OSA Temporal
adjetiva) Ao entrar na escola: oração subordinada adverbial
temporal, reduzida de infinitivo.
As orações subordinadas adjetivas são sempre
introduzidas por um pronome relativo (que , qual, cujo, quem, Precisando de ajuda, telefone-me.
etc.) e podem ser classificadas em: Se precisar de ajuda, / telefone-me.
OSA Condicional
- Subordinadas Adjetivas Restritivas: são restritivas Precisando de ajuda: oração subordinada adverbial
quando restringem ou especificam o sentido da palavra a que condicional, reduzida de gerúndio.
se referem. Exemplo:
O público aplaudiu o cantor / que ganhou o 1º lugar. Acabado o treino, os jogadores foram para o vestiário.
OP OSA Restritiva Assim que acabou o treino, / os jogadores foram para o
vestiário.
Nesse exemplo, a oração que ganhou o 1º lugar especifica OSA Temporal
o sentido do substantivo cantor, indicando que o público não Acabado o treino: oração subordinada adverbial temporal,
aplaudiu qualquer cantor mas sim aquele que ganhou o 1º reduzida de particípio.
lugar. Exemplo:
Observações:
Pedra que rola não cria limo. - Há orações reduzidas que permitem mais de um tipo de
Os animais que se alimentam de carne chamam-se desenvolvimento. Há casos também de orações reduzidas
carnívoros. fixas, isto é, orações reduzidas que não são passíveis de
Rubem Braga é um dos cronistas que mais belas páginas desenvolvimento. Exemplo: Tenho vontade de visitar essa
escreveram. cidade.
“Há saudades que a gente nunca esquece.” (Olegário - O infinitivo, o gerúndio e o particípio não constituem
Mariano) orações reduzidas quando fazem parte de uma locução verbal.
Exemplos:
- Subordinadas Adjetivas Explicativas: são explicativas Preciso terminar este exercício.
quando apenas acrescentam uma qualidade à palavra a que se Ele está jantando na sala.
referem, esclarecendo um pouco mais seu sentido, mas sem Essa casa foi construída por meu pai.
restringi-lo ou especificá-lo. Exemplo: - Uma oração coordenada também pode vir sob a forma
O escritor Jorge Amado, / que mora na Bahia, / lançou um reduzida. Exemplo:
novo livro. O homem fechou a porta, saindo depressa de casa.
OP OSA Explicativa OP O homem fechou a porta e saiu depressa de casa. (oração
coordenada sindética aditiva)
Deus, que é nosso pai, nos salvará. Saindo depressa de casa: oração coordenada reduzida de
Valério, que nasceu rico, acabou na miséria. gerúndio.
Ele tem amor às plantas, que cultiva com carinho. Qual é a diferença entre as orações coordenadas
Alguém, que passe por ali à noite, poderá ser assaltado. explicativas e as orações subordinadas causais, já que ambas
Observação: As explicativas são isoladas por pausas, que podem ser iniciadas por que e porquê? Às vezes não é fácil
na escrita se indicam por vírgulas.20 estabelecer a diferença entre explicativas e causais, mas como
o próprio nome indica, as causais sempre trazem a causa de
Orações Reduzidas algo que se revela na oração principal, que traz o efeito.
Observe que as orações subordinadas eram sempre Note-se também que há pausa (vírgula, na escrita) entre a
introduzidas por uma conjunção ou pronome relativo e oração explicativa e a precedente e que esta é, muitas vezes,
apresentavam o verbo na forma do indicativo ou do imperativa, o que não acontece com a oração adverbial causal.
subjuntivo. Além desse tipo de orações subordinadas há Essa noção de causa e efeito não existe no período
composto por coordenação. Exemplo:

20 CEGALLA, Paschoal. Minigramática Língua Portuguesa. Nacional. 2004.

Língua Portuguesa 58
APOSTILAS OPÇÃO

Rosa chorou porque levou uma surra. Está claro que a


oração iniciada pela conjunção é causal, visto que a surra foi
sem dúvida a causa do choro, que é efeito.
8. Pontuação.
Rosa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. O
período agora é composto por coordenação, pois a oração
iniciada pela conjunção traz a explicação daquilo que se PONTUAÇÃO
revelou na coordena anterior. Não existe aí relação de causa e
efeito: o fato de os olhos de Elisa estarem vermelhos não é Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem
causa de ela ter chorado. para compor a coesão e a coerência textual além de ressaltar
especificidades semânticas e pragmáticas. Vejamos as
Ela fala / como falaria / se entendesse do assunto. principais funções dos sinais de pontuação conhecidos pelo
OP OSA Comparativa OSA Condicional uso da língua portuguesa.21

Questões Ponto

01. Na frase: “Maria do Carmo tinha a certeza de que 1) Indica o término do discurso ou de parte dele.
estava para ser mãe”, a oração destacada é: Ex.: Façamos o que for preciso para tirá-la da situação em
(A) subordinada substantiva objetiva indireta que se encontra. / Gostaria de comprar pão, queijo, manteiga
(B) subordinada substantiva completiva nominal e leite.
(C) subordinada substantiva predicativa
(D) coordenada sindética conclusiva 2) Usa-se nas abreviações.
(E) coordenada sindética explicativa Ex.: V.Exª (Vossa Exelencia) , Sr. (Senhor), S.A (Sociedade
Anonima).
02. “Na ‘Partida Monção’, não há uma atitude inventada. Há
reconstituição de uma cena como ela devia ter sido na Ponto e Vírgula
realidade.” A oração sublinhada é:
1) Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
(A) adverbial conformativa importância.
(B) adjetiva Ex.: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os ricos dão pelo
(C) adverbial consecutiva pão a fazenda; os de espíritos generosos dão pelo pão a vida;
(D) adverbial proporcional os de nenhum espírito dão pelo pão a alma...”
(E) adverbial causal (Vieira)
2) Separa partes de frases que já estão separadas por
03. “Esses produtos podem ser encontrados nos vírgulas.
supermercados com rótulos como ‘sênior’ e com Ex.: Alguns quiseram verão, praia e calor; outros
características adaptadas às dificuldades para mastigar e para montanhas, frio e cobertor.
engolir dos mais velhos, e preparados para se encaixar em seus
hábitos de consumo”. O segmento “para se encaixar” pode ter 3) Separa itens de uma enumeração, exposição de motivos,
sua forma verbal reduzida adequadamente desenvolvida em decreto de lei, etc. Ex.:
(A) para se encaixarem. - Ir ao supermercado;
(B) para seu encaixotamento. - Pegar as crianças na escola;
(C) para que se encaixassem. - Caminhada na praia;
(D) para que se encaixem. - Reunião com amigos.
(E) para que se encaixariam.
Dois Pontos
04. A palavra “se” é conjunção integrante (por introduzir
oração subordinada substantiva objetiva direta) em qual das 1) Antes de uma citação.
orações seguintes? Ex.: Vejamos como Afrânio Coutinho trata este assunto:...

(A) Ele se mordia de ciúmes pelo patrão. 2) Antes de um aposto.


(B) A Federação arroga-se o direito de cancelar o jogo. Ex.: Três coisas não me agradam: chuva pela manhã, frio à
(C) O aluno fez-se passar por doutor. tarde e calor à noite.
(D) Precisa-se de operários.
(E) Não sei se o vinho está bom. 3) Antes de uma explicação ou esclarecimento.
Ex.: Lá estava a deplorável família: triste, cabisbaixa,
05. “Lembro-me de que ele só usava camisas brancas.” A vivendo a rotina de sempre.
oração sublinhada é:
4) Em frases de estilo direto. Ex.:
(A) subordinada substantiva completiva nominal Maria perguntou:
(B) subordinada substantiva objetiva indireta - Por que você não toma uma decisão?
(C) subordinada substantiva predicativa
(D) subordinada substantiva subjetiva Ponto de Exclamação
(E) subordinada substantiva objetiva direta
1) Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, susto,
Respostas súplica, etc.
Ex.: - Sim! Claro que eu quero me casar com você!
01.B \ 02.A \ 03.D \ 04.E \ 05.B

21 http://tudodeconcursosevestibulares.blogspot.com/2013/04/pontuacao-

resumo-com-questoes.html

Língua Portuguesa 59
APOSTILAS OPÇÃO

2) Depois de interjeições ou vocativos. 5) Para isolar:


Ex.: - João! Há quanto tempo! a) O aposto: São Paulo, considerada a metrópole brasileira,
possui um trânsito caótico.
Ponto de Interrogação b) O vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.

Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres. Questões


“Então? Que é isso? Desertaram ambos?”
(Artur Azevedo) 01. Assinale a alternativa em que a pontuação está
corretamente empregada, de acordo com a norma-padrão da
Reticências língua portuguesa.
(A) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
1) Indica que palavras foram suprimidas. embora, experimentasse, a sensação de violar uma intimidade,
Ex.: Comprei lápis, canetas, cadernos... procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
2) Indica interrupção violenta da frase. (B) Diante, da testemunha o homem abriu a bolsa e,
Ex.: Não... quero dizer... é verdade... Ah! embora experimentasse a sensação, de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
3) Indica interrupções de hesitação ou dúvida que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
Ex.: Este mal... pega doutor? (C) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
4) Indica que o sentido vai além do que foi dito procurou a esmo entre as coisinhas, tentando encontrar algo
Ex.: Deixa, depois, o coração falar... que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
(D) Diante da testemunha, o homem, abriu a bolsa e,
Vírgula embora experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo
Não se usa Vírgula que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
Separando termos que, do ponto de vista sintático, ligam- (E) Diante da testemunha, o homem abriu a bolsa e,
se diretamente entre si: embora, experimentasse a sensação de violar uma intimidade,
procurou a esmo entre as coisinhas, tentando, encontrar algo
1) Entre sujeito e predicado. que pudesse ajudar a revelar quem era a sua dona.
Todos os alunos da sala foram advertidos.
sujeito predicado 02. Assinale a opção em que está corretamente indicada a
ordem dos sinais de pontuação que devem preencher as
2) Entre o verbo e seus objetos. lacunas da frase abaixo:
O trabalho custou sacrifício aos realizadores. “Quando se trata de trabalho científico ___ duas coisas
V.T.D.I .O.D .O.I. devem ser consideradas ____ uma é a contribuição teórica que o
trabalho oferece ___ a outra é o valor prático que possa ter.
3) Entre nome e complemento nominal; entre nome e (A) dois pontos, ponto e vírgula, ponto e vírgula
adjunto adnominal. (B) dois pontos, vírgula, ponto e vírgula;
A surpreendente reação do governo contra os sonegadores (C) vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
despertou reações entre os empresários. (D) pontos vírgula, dois pontos, ponto e vírgula;
adj. adnominal nome adj. adn. Compl. nominal (E) ponto e vírgula, vírgula, vírgula.

Usa-se a Vírgula 03. Os sinais de pontuação estão empregados


1) Para marcar intercalação: corretamente em:
a) Do adjunto adverbial: O café, em razão da sua (A) Duas explicações, do treinamento para consultores
abundância, vem caindo de preço. iniciantes receberam destaque, o conceito de PPD e a
b) Da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão construção de tabelas Price; mas por outro lado, faltou falar
produzindo, todavia, altas quantidades de alimentos. das metas de vendas associadas aos dois temas.
c) Das expressões explicativas ou corretivas: As indústrias (B) Duas explicações do treinamento para consultores
não querem abrir mão de suas vantagens, isto é, não querem iniciantes receberam destaque: o conceito de PPD e a
abrir mão dos lucros altos. construção de tabelas Price; mas, por outro lado, faltou falar
das metas de vendas associadas aos dois temas.
2) Para marcar inversão: (C) Duas explicações do treinamento para consultores
a) Do adjunto adverbial (colocado no início da oração): iniciantes receberam destaque; o conceito de PPD e a
Depois das sete horas, todo o comércio está de portas fechadas. construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar
b) Dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos das metas de vendas associadas aos dois temas.
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma. (D) Duas explicações do treinamento para consultores
c) Do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de maio iniciantes, receberam destaque: o conceito de PPD e a
de 1982. construção de tabelas Price, mas, por outro lado, faltou falar
das metas de vendas associadas aos dois temas.
3) Para separar entre si elementos coordenados (dispostos (E) Duas explicações, do treinamento para consultores
em enumeração): Era um garoto de 15 anos, alto, magro. / A iniciantes, receberam destaque; o conceito de PPD e a
ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e animais. construção de tabelas Price, mas por outro lado, faltou falar
das metas, de vendas associadas aos dois temas.
4) Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós queremos
comer pizza; e vocês, churrasco. 04. Assinale a alternativa em que o período, adaptado da
revista Pesquisa Fapesp de junho de 2012, está correto quanto
à regência nominal e à pontuação.

Língua Portuguesa 60
APOSTILAS OPÇÃO

(A) Não há dúvida que as mulheres ampliam, rapidamente, 3- Adjetivo funciona como predicativo: vai
seu espaço na carreira científica ainda que o avanço seja mais obrigatoriamente para o plural.
notável em alguns países, o Brasil é um exemplo, do que em O homem e o menino estavam perdidos. / O homem e sua
outros. esposa estiveram hospedados aqui.
(B) Não há dúvida de que, as mulheres, ampliam
rapidamente seu espaço na carreira científica; ainda que o b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos
avanço seja mais notável, em alguns países, o Brasil é um 1- Adjetivo anteposto normalmente concorda com o mais
exemplo!, do que em outros. próximo.
(C) Não há dúvida de que as mulheres, ampliam Comi delicioso almoço e sobremesa. / Provei deliciosa fruta
rapidamente seu espaço, na carreira científica, ainda que o e suco.
avanço seja mais notável, em alguns países: o Brasil é um 2- Adjetivo anteposto funcionando como predicativo:
exemplo, do que em outros. concorda com o mais próximo ou vai para o plural.
(D) Não há dúvida de que as mulheres ampliam Estavam feridos o pai e os filhos. / Estava ferido o pai e os
rapidamente seu espaço na carreira científica, ainda que o filhos.
avanço seja mais notável em alguns países - o Brasil é um
exemplo - do que em outros. c) Um substantivo e mais de um adjetivo
(E) Não há dúvida que as mulheres ampliam rapidamente, 1- antecede todos os adjetivos com um artigo. Falava
seu espaço na carreira científica, ainda que, o avanço seja mais fluentemente a língua inglesa e a espanhola.
notável em alguns países (o Brasil é um exemplo) do que em 2- coloca o substantivo no plural. Falava fluentemente as
outros. línguas inglesa e espanhola.

05. Assinale a alternativa em que a frase mantém-se d) Pronomes de tratamento


correta após o acréscimo das vírgulas. Sempre concordam com a 3ª pessoa. Vossa Santidade
(A) Se a criança se perder, quem encontrá-la, verá na esteve no Brasil.
pulseira instruções para que envie, uma mensagem eletrônica
ao grupo ou acione o código na internet. e) Anexo, incluso, próprio, obrigado
(B) Um geolocalizador também, avisará, os pais de onde o Concordam com o substantivo a que se referem.
código foi acionado. As cartas estão anexas. / A bebida está inclusa.
(C) Assim que o código é digitado, familiares cadastrados,
recebem automaticamente, uma mensagem dizendo que a f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a)
criança foi encontrada. Após essas expressões o substantivo fica sempre no
(D) De fabricação chinesa, a nova pulseirinha, chega singular e o adjetivo no plural.
primeiro às, areias do Guarujá. Renato advogou um e outro caso fáceis. / Pusemos numa e
(E) O sistema permite, ainda, cadastrar o nome e o telefone noutra bandeja rasas o peixe.
de quem a encontrou e informar um ponto de referência
g) É bom, é necessario, é proibido
Respostas Essas expressões não variam se o sujeito não vier
1.C / 2.C / 3.B / 4.D / 5.E precedido de artigo ou outro determinante.
É necessário sua presença. / É necessária a sua presença.
É proibido entrada de pessoas não autorizadas. / A entrada
9. Concordância nominal e é proibida.
verbal.
h) Muito, pouco, caro
1- Como adjetivos: seguem a regra geral.
CONCORDÂNCIA NOMINAL Comi muitas frutas durante a viagem. / Pouco arroz é
suficiente para mim.
Concordância nominal é que o ajuste que fazemos aos
demais termos da oração para que concordem em gênero e 2- Como advérbios: são invariáveis.
número com o substantivo. Teremos que alterar, portanto, o Comi muito durante a viagem. / Pouco lutei, por isso perdi
artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome. Além disso, temos a batalha.
também o verbo, que se flexionará à sua maneira.
i) Mesmo, bastante
Regra geral: o artigo, o adjetivo, o numeral e o pronome 1- Como advérbios: invariáveis
concordam em gênero e número com o substantivo. Preciso mesmo da sua ajuda.
A pequena criança é uma gracinha. / O garoto que encontrei Fiquei bastante contente com a proposta de emprego.
era muito gentil e simpático.
2- Como pronomes: seguem a regra geral.
Casos especiais: veremos alguns casos que fogem à regra Seus argumentos foram bastantes para me convencer.
geral mostrada acima. Os mesmos argumentos que eu usei, você copiou.

a) Um adjetivo após vários substantivos j) Menos, alerta


1- Substantivos de mesmo gênero: adjetivo vai para o Em todas as ocasiões são invariáveis.
plural ou concorda com o substantivo mais próximo. Preciso de menos comida para perder peso. / Estamos alerta
Irmão e primo recém-chegado estiveram aqui. / Irmão para com suas chamadas.
e primo recém-chegados estiveram aqui.
k) Tal Qual
2- Substantivos de gêneros diferentes: vai para o “Tal” concorda com o antecedente, “qual” concorda com o
plural masculino ou concorda com o substantivo mais consequente.
próximo. As garotas são vaidosas tais qual a tia. / Os pais vieram
Ela tem pai e mãe louros. / Ela tem pai e mãe loura. fantasiados tais quais os filhos.

Língua Portuguesa 61
APOSTILAS OPÇÃO

l) Possível 05. Quanto à concordância nominal, verifica-se ERRO em:


Quando vem acompanhado de “mais”, “menos”, “melhor” ou (A) O texto fala de uma época e de um assunto polêmicos.
“pior”, acompanha o artigo que precede as expressões. (B) Tornou-se clara para o leitor a posição do autor sobre
A mais possível das alternativas é a que você expôs. o assunto.
Os melhores cargos possíveis estão neste setor da empresa. (C) Constata-se hoje a existência de homem, mulher e
As piores situações possíveis são encontradas nas favelas da criança viciadas.
cidade. (D) Não será permitido visita de amigos, apenas a de
parentes.
m) Meio
1- Como advérbio: invariável. Respostas
Estou meio (um pouco) insegura. 01.D / 02.D / 03.B / 04. a) necessária b) alerta c)
bastantes d) vazia e) meio / 05. C
2- Como numeral: segue a regra geral.
Comi meia (metade) laranja pela manhã. CONCORDÂNCIA VERBAL

n) Só Ao falarmos sobre a concordância verbal, estamos nos


1- apenas, somente (advérbio): invariável. referindo à relação de dependência estabelecida entre um
Só consegui comprar uma passagem. termo e outro mediante um contexto oracional.

2- sozinho (adjetivo): variável. Casos Referentes a Sujeito Simples


Estiveram sós durante horas. 1) Sujeito simples, o verbo concorda com o núcleo em
número e pessoa: O aluno chegou atrasado.
Questões
2) O verbo concorda no singular com o sujeito coletivo do
01. Indique o uso INCORRETO da concordância verbal ou singular, o verbo permanece na terceira pessoa do
nominal: singular: A multidão, apavorada, saiu aos gritos.
(A) Será descontada em folha sua contribuição sindical. Observação: no caso de o coletivo aparecer seguido de
(B) Na última reunião, ficou acordado que se realizariam adjunto adnominal no plural, o verbo permanecerá no singular
encontros semanais com os diversos interessados no assunto. ou poderá ir para o plural: Uma multidão de pessoas saiu aos
(C) Alguma solução é necessária, e logo! gritos. / Uma multidão de pessoas saíram aos gritos.
(D) Embora tenha ficado demonstrado cabalmente a
ocorrência de simulação na transferência do imóvel, o pedido 3) Quando o sujeito é representado por expressões
não pode prosperar. partitivas, representadas por “a maioria de, a maior parte de, a
(E) A liberdade comercial da colônia, somada ao fato de D. metade de, uma porção de, entre outras”, o verbo tanto pode
João VI ter também elevado sua colônia americana à condição concordar com o núcleo dessas expressões quanto com o
de Reino Unido a Portugal e Algarves, possibilitou ao Brasil substantivo que a segue: A maioria dos alunos resolveu ficar.
obter certa autonomia econômica. / A maioria dos alunos resolveram ficar.

02. Aponte a alternativa em que NÃO ocorre silepse (de 4) No caso de o sujeito ser representado por expressões
gênero, número ou pessoa): aproximativas, representadas por “cerca de, perto de”, o verbo
(A) “A gente é feito daquele tipo de talento capaz de fazer concorda com o substantivo determinado por elas: Cerca de
a diferença.” vinte candidatos se inscreveram no concurso de piadas.
(B) Todos sabemos que a solução não é fácil.
(C) Essa gente trabalhadora merecia mais, pois acordam às 5) Em casos em que o sujeito é representado pela
cinco horas para chegar ao trabalho às oito da manhã. expressão “mais de um”, o verbo permanece no singular: Mais
(D) Todos os brasileiros sabem que esse problema vem de de um candidato se inscreveu no concurso de piadas.
longe... Observação: no caso da referida expressão aparecer
(E) Senhor diretor, espero que Vossa Senhoria seja mais repetida ou associada a um verbo que exprime reciprocidade,
compreensivo. o verbo, necessariamente, deverá permanecer no plural: Mais
de um aluno, mais de um professor contribuíram na campanha
03. A concordância nominal está INCORRETA em: de doação de alimentos. / Mais de um formando se
(A) A mídia julgou desnecessária a campanha e o abraçaram durante as solenidades de formatura.
envolvimento da empresa.
(B) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa 6) O sujeito for composto da expressão “um dos que”, o
desnecessária. verbo permanecerá no plural: Paulo é um dos que mais
(C) A mídia julgou desnecessário o envolvimento da trabalhar.
empresa e a campanha.
(D) A mídia julgou a campanha e a atuação da empresa 7) Quanto aos relativos à concordância com locuções
desnecessárias. pronominais, representadas por “algum de nós, qual de vós,
quais de vós, alguns de nós”, entre outras, faz-se necessário
04. Complete os espaços com um dos nomes colocados nos nos atermos a duas questões básicas:
parênteses. - No caso de o primeiro pronome estar expresso no plural,
(A) Será que é ____ essa confusão toda? (necessário/ o verbo poderá com ele concordar, como poderá também
necessária) concordar com o pronome pessoal: Alguns
(B) Quero que todos fiquem ____. (alerta/ alertas) de nós o receberemos. / Alguns de nós o receberão.
(C) Houve ____ razões para eu não voltar lá. (bastante/ - Quando o primeiro pronome da locução estiver expresso
bastantes) no singular, o verbo também permanecerá no singular: Algum
(D) Encontrei ____ a sala e os quartos. (vazia/vazios) de nós o receberá.
(E) A dona do imóvel ficou ____ desiludida com o inquilino.
(meio/ meia)

Língua Portuguesa 62
APOSTILAS OPÇÃO

8) No caso de o sujeito aparecer representado pelo 5) Casos relativos a sujeito composto de palavras
pronome “quem”, o verbo permanecerá na terceira pessoa do sinônimas ou ordenado por elementos em gradação, o verbo
singular ou poderá concordar com o antecedente desse poderá permanecer no singular ou ir para o plural: Minha
pronome: Fomos nós quem contou toda a verdade para ela. / vitória, minha conquista, minha premiação são frutos de meu
Fomos nós quem contamos toda a verdade para ela. esforço. / Minha vitória, minha conquista, minha premiação é
fruto de meu esforço.
9) Em casos nos quais o sujeito aparece realçado pela
palavra “que”, o verbo deverá concordar com o termo que Questões
antecede essa palavra: Nesta empresa somos nós
que tomamos as decisões. / Em casa sou eu que decido tudo. 01. A concordância realizou-se adequadamente em qual
alternativa?
10) No caso de o sujeito aparecer representado por (A) Os Estados Unidos é considerado, hoje, a maior
expressões que indicam porcentagens, o verbo concordará potência econômica do planeta, mas há quem aposte que a
com o numeral ou com o substantivo a que se refere essa China, em breve, o ultrapassará.
porcentagem: 50% dos funcionários aprovaram a decisão da (B) Em razão das fortes chuvas haverão muitos candidatos
diretoria. / 50% do eleitorado apoiou a decisão. que chegarão atrasados, tenho certeza disso.
Observações: (C) Naquela barraca vendem-se tapiocas fresquinhas, pode
- Caso o verbo aparecer anteposto à expressão de comê-las sem receio!
porcentagem, esse deverá concordar com o numeral: (D) A multidão gritaram quando a cantora apareceu na
Aprovaram a decisão da diretoria 50% dos funcionários. janela do hotel!
- Em casos relativos a 1%, o verbo permanecerá no
singular: 1% dos funcionários não aprovou a decisão da 02. Uma pergunta
diretoria.
- Em casos em que o numeral estiver acompanhado de Frequentemente cabe aos detentores de cargos de
determinantes no plural, o verbo permanecerá no plural: Os responsabilidade tomar decisões difíceis, de graves
50% dos funcionários apoiaram a decisão da diretoria. consequências. Haveria algum critério básico, essencial, para
amparar tais escolhas? Antonio Gramsci, notável pensador e
11) Quando o sujeito estiver representado por pronomes político italiano, propôs que se pergunte, antes de tomar a
de tratamento, o verbo deverá ser empregado na terceira decisão: - Quem sofrerá?
pessoa do singular ou do plural: Vossas Para um humanista, a dor humana é sempre prioridade a
Majestades gostaram das homenagens. Vossas Excelência agiu se considerar.
com inteligência. (Salvador Nicola, inédito)

12) Casos relativos a sujeito representado por substantivo O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no
próprio no plural se encontram relacionados a alguns aspectos singular para preencher adequadamente a lacuna da frase:
que os determinam: (A) A nenhuma de nossas escolhas ...... (poder) deixar de
- Diante de nomes de obras no plural, seguidos do verbo corresponder nossos valores éticos mais rigorosos.
ser, este permanece no singular, contanto que o predicativo (B) Não se ...... (poupar) os que governam de refletir sobre
também esteja no singular: Memórias póstumas de Brás o peso de suas mais graves decisões.
Cubas é uma criação de Machado de Assis. (C) Aos governantes mais responsáveis não ...... (ocorrer)
- Nos casos de artigo expresso no plural, o verbo também tomar decisões sem medir suas consequências.
permanece no plural: Os Estados Unidos são uma potência (D) A toda decisão tomada precipitadamente ......
mundial. (costumar) sobrevir consequências imprevistas e injustas.
- Casos em que o artigo figura no singular ou em que ele (E) Diante de uma escolha, ...... (ganhar) prioridade,
nem aparece, o verbo permanece no singular: Estados Unidos recomenda Gramsci, os critérios que levam em conta a dor
é uma potência mundial. humana.

Casos Referentes a Sujeito Composto 03. Em um belo artigo, o físico Marcelo Gleiser, analisando
1) Nos casos relativos a sujeito composto de pessoas a constatação do satélite Kepler de que existem muitos
gramaticais diferentes, o verbo deverá ir para o plural, estando planetas com características físicas semelhantes ao nosso,
relacionado a dois pressupostos básicos: reafirmou sua fé na hipótese da Terra rara, isto é, a tese de que
- Quando houver a 1ª pessoa, esta prevalecerá sobre as a vida complexa (animal) é um fenômeno não tão comum no
demais: Eu, tu e ele faremos um lindo passeio. Universo.
- Quando houver a 2ª pessoa, o verbo poderá flexionar na Gleiser retoma as ideias de Peter Ward expostas de modo
2ª ou na 3ª pessoa: Tu e ele sois primos. / Tu e ele são primos. persuasivo em “Terra Rara”. Ali, o autor sugere que a vida
microbiana deve ser um fenômeno trivial, podendo pipocar até
2) Nos casos em que o sujeito composto aparecer em mundos inóspitos; já o surgimento de vida multicelular na
anteposto (antes) ao verbo, este permanecerá no plural: O pai Terra dependeu de muitas outras variáveis físicas e históricas,
e seus dois filhos compareceram ao evento. o que, se não permite estimar o número de civilizações extra
terráqueas, ao menos faz com que reduzamos nossas
3) No caso em que o sujeito aparecer posposto (depois) ao expectativas.
verbo, este poderá concordar com o núcleo mais próximo ou Uma questão análoga só arranhada por Ward é a da
permanecer no plural: Compareceram ao evento o pai e seus inexorabilidade da inteligência. A evolução de organismos
dois filhos. Compareceu ao evento o pai e seus dois filhos. complexos leva necessariamente à consciência e à
inteligência?
4) Nos casos relacionados a sujeito simples, porém com Robert Wright diz que sim, mas seu argumento é mais
mais de um núcleo, o verbo deverá permanecer no singular: matemático do que biológico: complexidade engendra
Meu esposo e grande companheiro merece toda a felicidade do complexidade, levando a uma corrida armamentista entre
mundo. espécies cujo subproduto é a inteligência.

Língua Portuguesa 63
APOSTILAS OPÇÃO

Stephen J. Gould e Steven Pinker apostam que não. Para


eles, é apenas devido a uma sucessão de pré-adaptações e
coincidências que alguns animais transformaram a capacidade
de resolver problemas em estratégia de sobrevivência. Se
rebobinássemos o filme da evolução e reencenássemos o
processo mudando alguns detalhes do início, seriam grandes
as chances de não chegarmos a nada parecido com a
inteligência.
(Hélio Schwartsman. Folha de S. Paulo, 2012.)

A frase em que as regras de concordância estão


plenamente respeitadas é:
(A) Podem haver estudos que comprovem que, no passado,
as formas mais complexas de vida - cujo habitat eram oceanos
ricos em nutrientes - se alimentavam por osmose.
(B) Cada um dos organismos simples que vivem na
natureza sobrevivem de forma quase automática, sem se
valerem de criatividade e planejamento.
(C) Desde que observe cuidados básicos, como obter
energia por meio de alimentos, os organismos simples podem
preservar a vida ao longo do tempo com relativa facilidade.
(D) Alguns animais tem de se adaptar a um ambiente cheio
de dificuldades para obter a energia necessária a sua
sobrevivência e nesse processo expõe- se a inúmeras ameaças.
(E) A maioria dos organismos mais complexos possui um
sistema nervoso muito desenvolvido, capaz de se adaptar a
mudanças ambientais, como alterações na temperatura.

04. De acordo com a norma-padrão da língua portuguesa,


a concordância verbal está correta em:
(A) Ela não pode usar o celular e chamar um taxista, pois
acabou os créditos.
(B) Esta empresa mantêm contato com uma rede de táxis
que executa diversos serviços para os clientes.
(C) À porta do aeroporto, havia muitos táxis disponíveis
para os passageiros que chegavam à cidade.
(D) Passou anos, mas a atriz não se esqueceu das calorosas
lembranças que seu tio lhe deixou.
(E) Deve existir passageiros que aproveitam a corrida de
táxi para bater um papo com o motorista.

Respostas
01.C / 02.C / 03.E / 04.C

Anotações

Língua Portuguesa 64
DIREITOS HUMANOS
APOSTILAS OPÇÃO

igualdade de tratamento na lei e perante a lei, aplicando-se


esta na forma do pensamento externado por ARISTÓTELES,
para quem méritos iguais devem ser tratados igualmente, mas
situações desiguais devem ser tratadas desigualmente.
O princípio da igualdade tem um duplo objetivo: de
propiciar garantias individuais contra perseguições e de tolher
favoritismos; só haverá uma agressão à igualdade se o fator
escolhido para diferenciar os que serão atingidos pela “regra”
1. Grupos vulneráveis e o não impor nenhuma relação de “pertinência lógica” incluindo
sistema prisional. ou excluindo o benefício deferido, com a “inserção ou
arredamento” do ônus imposto.
A igualdade pode ser entendida sobre um aspecto formal e
material, que podem ser dividas em três vertentes:
GRUPOS VULNERÁVEIS a) a igualdade formal, reduzida à fórmula ‘todos são iguais
perante a lei’ (que ao seu tempo, foi crucial para abolição de
Os direitos humanos são considerados universais, isto é, privilégios);
inerentes a todos os seres humanos independentemente de b) a igualdade material, correspondente ao ideal de justiça
cor, sexo, raça, etnia, religião, tenha nacionalidade ou não social e distributiva (igualdade orientada pelo critério
(apátrida). São interdependentes, inter-relacionados e socioeconômico); e
indivisíveis.1 c) a igualdade material, correspondente ao ideal de justiça
Por assim ser, a fim de resguardar a isonomia entre os enquanto reconhecimento de identidades (igualdade
seres humanos, respeitando, contudo, o direito à diferença, orientada pelos critérios de gênero, orientação sexual, idade,
mas em uma perspectiva de vislumbrar as peculiaridades de raça, etnia e outros).
alguns grupos de indivíduos, é que se criou um sistema Pode-se assim observar que a igualdade formal é aquela
especial de protecionismo. que se deseja e é estabelecida em texto legal e a igualdade
material é a da realidade – a perseguida por questões
Sistema especial de direitos humanos socioeconômicas ou por critérios identitários. Essa é uma
visão trazida pelo pós-positivismo, tais conceitos do princípio
O sistema especial de direitos humanos consiste em uma da igualdade, quando do positivismo, não permitiam
série de convenções internacionais elaboradas em prol de privilégios para pessoas que possuíssem alguma espécie de
grupos de indivíduos que, por peculiaridades específicas, se necessidade mais especial em relação às outras.
encontram em estado de vulnerabilidade, seja ele provisório Há que se pesar, que só se pode falar em igualdade quando
ou permanente. se tem o critério de relação. A comparação de uma situação ou
O estado de vulnerabilidade é medido de acordo com as pessoa existe em relação a uma outra. Quem é igual é igual ou
circunstâncias em que este grupo se encontre, como desigual em relação a outro. Não se pode afirmar que possa
discriminação de cor, raça e etnia, alcançadas por construções existir uma igualdade de maioria, e sim uma padronização de
históricas; discriminação e vulnerabilidade em razão de situações em que se encontram as pessoas.
condições físicas, como a mulher, os deficientes, os idosos, as Desta feita, a atual leitura do princípio da igualdade revela
crianças; estado de vulnerabilidade em razão de situação que o tratamento isonômico almejado pela lei não se atém a
premente de tortura, como os presos; entre outros. um tratamento uniforme a todos, dada a necessidade de se
observar as singularidades de cada pessoa diante das
O princípio da igualdade desigualdades concretas, dando passagem ao direito à
diferença.
Teoricamente a igualdade foi discutida por diversos
filósofos, sociólogos, antropólogos. Na verdade, a base de O direito à diferença
estudo é a origem da desigualdade entre os homens ou a
discussão entre a igualdade teórica e a prática. Pelo princípio da igualdade, as diferenças servem como
Segundo Rousseau, existem dois tipos de desigualdades na parâmetro para busca de mecanismos de proteção que
espécie humana: uma chamada de natural ou física, pretendem inserir alguns grupos em um patamar equiparado
estabelecida pelas leis naturais, que remonta às diferenças de àqueles que não necessitam do mesmo protecionismo. Certos
idade, saúde, forças do corpo, e a outra, que é a desigualdade setores, particularmente consideradas vulneráveis, merecem
moral ou política, posto que dependente da convenção e tutela especial.
autorização pelo consentimento dos homens (ou seja, O direito de ser igual se dá quando as diferenças existentes
desigualdades formadas pelos próprios homens que detém o inferiorizam as pessoas, e o direito à diferença se dá quando a
poder). igualdade existente as descaracterizam. Portanto, há uma
A desigualdade é uma realidade certa pelos critérios de necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças
análise natural, moral ou política. No entanto, a busca pelos entre os seres humanos (adotando assim medidas que
bens da vida ou por oportunidades que tornem os seres estabeleçam igualdade pelos bens da vida) e também de uma
humanos mais próximos é uma constante batalha vivida. diferença que não instigue desigualdades.
Não se pode falar em igualdade absoluta entre os homens, Por uma consequência lógica da observação do princípio
pois esta nunca será alcançada. Por isso, o princípio da da igualdade, à luz das novas perspectivas interpretativas, o
igualdade, em sua visão contemporânea, aborda essa ser humano tem direito à diferença, contudo com a garantia de
igualdade sobreposta por meio das leis, a fim de que sejam viver uma vida digna por meio de ações que os protejam.
analisadas as situações e as pessoas que as envolvem, para que O princípio da igualdade é um direito fundamental, não
se possa determinar a forma de tratamento. podendo ser abolido de qualquer pessoa, fazendo-se
O princípio da igualdade não afirma que todos os homens necessário uma justificativa do tratamento desigual, sendo
são iguais em sua essência. Pretende realmente expressar a

1 PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS PARA RESGUARDAR CERTOS http://www.webartigos.com/artigos/a-protecao-dos-direitos-humanos-


GRUPOS DE INDIVÍDUOS EM ESTADO DE VULNERABILIDADE Paula Regina para-resguardar-certos-grupos-de-individuos-em-estado-de-
Pereira dos Santos Marques Dias e Zilmar Timoteo Soares. vulnerabilidade/119014/.

Direitos Humanos 1
APOSTILAS OPÇÃO

certo que este traduza garantia de sobrevivência e convivência internacional especial de proteção, porque necessitam de um
digna. tratamento diferenciado para adquirir os bens da vida
A essência dos direitos humanos é integrada pelo direito à necessários a existir com dignidade.
igualdade material, o direito à diferença e ao reconhecimento
de identidades em uma “dupla vocação” pela dignidade da Grupos vulneráveis: conceitos
pessoa humana e prevenção do seu sofrimento.
Cabe ressalvar que o direito à diferença não pode ser Primeiramente, há que se conceituar o que são e quem
analisado dissociado com a nova interpretação ao princípio da fazem parte dos grupos vulneráveis. Existe divergência
igualdade, sendo a sua origem um reflexo desta. interpretativa deste com o conceito de minorias, para alguns
O respeito à diferença pressupõe reconhecimento da doutrinadores uma minoria pode ser vulnerável, mas nem
diversidade, ou seja, pressupõe tratar diferente os desiguais, sempre o inverso é recíproco. A temática não é pacífica.
mesmo que para tanto necessário se faça o uso do mecanismo O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos
de discriminações positivas, buscando, por meio de medidas estabelece em seu art. 27 que:
afirmativas ou compensatórias, atenuar e diminuir o processo No caso em que haja minorias étnicas, religiosas ou
de exclusão decorrente de segregações sofridas pelas minorias linguísticas, as pessoas pertencentes a essas minorias não
no curso da história da humanidade. poderão ser privadas do direito de ter, conjuntamente com
O reconhecimento da diversidade deve ocorrer de forma a outras membros de seu grupo, sua própria vida cultural, de
respeitar o direito à diferença. No entanto, deve ser constante professar e praticar sua própria religião e usar sua própria
e incessante a caminhada por uma igualdade de oportunidades língua.
que foi negligenciada dentro de um processo histórico da De acordo com o Pacto de Direitos Civis e Políticos as
humanidade. minorias são étnicas, religiosas ou linguísticas. Ocorre que
Essa isonomia (igualdade perseguida pela lei) não impõe para alguns doutrinadores as minorias deveriam ser aquelas
uma igualdade absoluta entre todos os indivíduos, retirando o com o critério numérico, da não dominância, da cidadania e da
direito à diferença daqueles que se encontram em situação solidariedade entre seus membros. Logo, esses grupos são
diferentes. Busca, sim, por meio de uma interpretação privados de conviverem com a prática de sua cultura ou
extensiva do princípio da igualdade (atualmente) a realização religião por conta do preconceito formulado pela maioria
de uma tentativa de isonomia de oportunidades na sociedade. (dominante).
Já os grupos vulneráveis distinguem-se das minorias pelos
AÇÕES AFIRMATIVAS E CONVENÇÕES INTERNACIONAIS critérios de se apresentarem, por vezes, em um grande
DE PROTEÇÃO ESPECIAL A GRUPOS VULNERÁVEIS contingente, como exemplo, as mulheres, crianças e idosos;
são também destituídos de poder, mas mantém sua cidadania.
As ações afirmativas, também conhecidas como A pior situação é que não tem consciência de que estão sendo
discriminação positiva por alguns doutrinadores, é forma de vítimas de discriminação e desrespeito, por desconhecerem
discriminação para igualização de situações e pessoas, ou pelo seus direitos.
menos a tentativa desta. É utilizada como método de aplicação O critério quantitativo não se coaduna com o conceito,
interpretativa do princípio da igualdade em uma nova tendo em vista que minoria que aqui se afirma seria baseado
perspectiva. no poder político, na quantidade de direitos efetivamente
A discriminação positiva significa tratar assegurados aos grupos, incluindo negros, mulheres, como
deliberadamente os candidatos de forma desigual, minorias:
favorecendo pessoas de grupos que tenham sido vítimas Não se toma a expressão minoria no sentido quantitativo,
habituais de discriminação. O objetivo de tratar as pessoas senão que no de qualificação jurídica dos grupos
desta forma desigual é acelerar o processo de tornar a contemplados ou aceitos com um cabedal menor de direitos,
sociedade mais igualitária, acabando não apenas com efetivamente assegurados, que outros, que detém o poder. Na
desequilíbrios existentes em certas profissões, mas verdade, minoria, no Direito democraticamente concebido e
proporcionando também modelos que possam ser seguidos e praticado, teria que representar o número menor de pessoas,
respeitados pelos jovens dos grupos tradicionalmente menos vez que a maioria é a base de cidadãos que compreenda o
privilegiados. maior número tomado da totalidade dos membros da
As ações afirmativas, portanto, favorecem parte da sociedade política. Todavia, a maioria é determinada por
sociedade que por situações diversas não consegue ter o aquele que detém o poder político, econômico e inclusive
mesmo ponto de partida para competir pelos “bens da vida” social em determinada base de pesquisa. Ora, ao contrário do
(sejam eles minorias ou vulneráveis). Objetiva que os que se apura, por exemplo, no regime da representação
membros sociedade estejam em condições de igualdade, ou democrática nas instituições governamentais, em que o
seja, possam competir de forma igualitária pela obtenção dos número é que determina a maioria (cada cidadão faz-se
bens da vida e para satisfazer suas necessidades. Assim, deve- representar por um voto, que é o seu, e da soma dos votos é
se considerar como necessário o favorecimento de uns em que se contam os representados e os representantes para se
detrimento dos outros, analisando justamente estas situações conhecer a maioria), em termos de direitos efetivamente
diversas. havidos e respeitados numa sociedade, a minoria, na prática
No entanto, para que essas pessoas consigam satisfazer dos direitos, nem sempre significa o menor número de
suas necessidades deverão ser beneficiadas, o que causa uma pessoas. Antes, nesse caso, uma minoria pode bem
discriminação em relação às outras que “não necessitam” compreender um contingente que supera em número (mas
desse auxílio, portanto, recebendo as benesses da não na prática, no respeito etc.) o que é tido por maioria. Assim
discriminação positiva: o caso de negros e mulheres no Brasil, que são tidos como
Desta forma, materializam-se constantes discriminações minorias, mas que representam maior número de pessoas da
com finalidade justificada, assim consideradas como globalidade dos que compõem a sociedade brasileira.
discriminações positivas e talvez o mais importante O importante a se ressaltar é que não importa se as pessoas
desdobramento do princípio constitucional da igualdade, por que necessitam de um tratamento diferenciado estão inseridas
meio das quais se pretende reduzir as diferenças sociais hoje nos grupos vulneráveis e/ou nas minorias, pois serão
não inferiores a épocas passadas. amparadas pelo sistema especial de proteção dos direitos
Dentro desta seara, os grupos vulneráveis (neles incluídos humanos.
algumas minorias) se encontram dentro de um sistema

Direitos Humanos 2
APOSTILAS OPÇÃO

Aspectos gerais das ações afirmativas contidas nas acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de 1951
convenções internacionais de proteção especial: sistema (fazendo uma ponte histórica à II Grande Guerra).
global e regional A proibição da repatriação forçada dos refugiados é
chamada de non-refoulement (‘não devolução’), e constitui-se
O sistema especial de proteção aos direitos humanos no princípio fundamental do direito internacional dos
possui, entre outras, as seguintes convenções internacionais refugiados.”
ratificadas pelo Brasil: a) de sistema global (a nível da É no art. 33 da Convenção relativa ao Estatuto dos
Organização das Nações Unidas – ONU e entidades ligadas): Refugiados que contém a proibição de expulsão ou devolução
Convenção para a prevenção e repressão do crime de dos refugiados para as fronteiras dos territórios que sua vida
genocídio; Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados; ou liberdade se encontra ameaçada (por motivos de raça,
Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as religião, nacionalidade, grupo social a que pertença ou suas
Formas de Discriminação Racial; Convenção sobre a opiniões políticas). Além disso, convém observar que os
Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a refugiados em consonância com essa Convenção são
Mulher; Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou especificamente aqueles ligados aos motivos já relatados, não
Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes; Convenção sobre os se vislumbrando à época a possibilidade de abertura para
Direitos da Criança; Convenção Internacional sobre os Direitos outras espécies de refugiados.
das Pessoas com Deficiência; b) de sistema regional (a nível da Ocorre que com as condições climáticas atualmente
Organização dos Estados Americanos – OEA): Convenção enfrentadas, existem grupos de pessoas que não conseguem
Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura; Convenção sobreviver em seu habitat (país) por conta dessas situações, e
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência muitas vezes fogem para outros territórios a fim de buscar
contra a Mulher – Convenção Belém do Pará; Convenção uma sobrevivência: são os chamados refugiados ambientais.
Interamericana sobre Tráfico Internacional de Menores; Apesar da tentativa de regulamentar um tema tão
Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as importante no cenário atual, infelizmente não se produziu um
Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de tratado internacional capaz de gerar nos países a
Deficiência. responsabilidade e, mais ainda, o dever de defender os
Logo, verifica-se que a preocupação das Organizações interesses dos vitimados pelo clima, proporcionando-lhes a
Internacionais e dos próprios Estados que as compõem é de qualidade de vida própria e a dignidade humana que todos
proteger o ser humano em toda sua extensão, garantindo-lhes merecem.
o princípio fundamento da dignidade da pessoa humana. A Convenção Internacional sobre a Eliminação de todas as
O sistema especial de proteção realça o processo de Formas de Discriminação Racial prevê em seu art. 1º, §4º, a
especificação do sujeito de direito, em que o sujeito de direito possibilidade da discriminação positiva quando estabelece
é visto em sua especificidade e concretude. Isto é, as que:
Convenções que integram esse sistema são endereçadas a Não serão consideradas discriminações racial as medidas
determinando sujeito de direito, ou seja, buscam responder a especiais tomadas como o único objetivo de assegurar
uma específica violação de direito. Atente-se que, no âmbito do progresso adequado de certos grupos raciais ou étnicos ou
sistema geral de proteção, como ocorre com a Internacional indivíduos que necessitem da proteção que possa ser
Bill of Rigths, o endereçado é toda e qualquer pessoa, necessária para proporcionar a tais grupos ou indivíduos igual
genericamente concebida. No âmbito do sistema geral, o gozo ou exercício de direitos humanos e liberdades
sujeito de direito é visto em sua abstração e generalidade. fundamentais, contanto que, tais medidas não conduzam, em
Na Convenção Internacional para a Prevenção e Repressão consequência , à manutenção de direitos separados para
do Crime de Genocídio, o que se quer proteger são os grupos diferentes grupos raciais e não prossigam após terem sidos
nacionais, étnicos, raciais ou religiosos, tendo em vista que o alcançados os seus objetivos.
bem a ser protegido aqui é a continuidade da existência destes E ainda, no art. 2º, §2º:
grupos, conforme se depreende no conceito extraído do art. 2º Os Estados Parte tomarão, se as circunstâncias o exigirem,
e alíneas: nos campos social, econômico, cultural e outros, as medidas
Art. II - Na presente Convenção, entende-se por genocídio especiais e concretos para assegurar como convier o
qualquer dos seguintes atos, cometidos com a intenção de desenvolvimento ou a proteção de certos grupos raciais de
destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, indivíduos pertencentes a estes grupos com o objetivo de
racial ou religioso, tal como: garantir-lhes, em condições de igualdade, o pleno exercício dos
a) assassinato de membros do grupo; direitos do homem e das liberdades fundamentais. Essas
b) dano grave à integridade física ou mental de membros medidas não deverão, em caso algum, ter a finalidade de
do grupo; manter direitos desiguais ou distintos para os diversos grupos
c) submissão intencional do grupo a condições de raciais, depois de alcançados os objetivos em razão dos quais
existência que lhe ocasionem a destruição física total ou foram tomadas.
parcial; Na Convenção sobre a Eliminação de todas as formas de
d) medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio Discriminação contra a Mulher, em seus art. 4º, §§1º e 2º,
do grupo; estatuem que:
e) transferência forçada de menores do grupo para outro Artigo 4º - 1. A adoção pelos Estados-partes de medidas
grupo. especiais de caráter temporário destinadas a acelerar a
Contudo, a punição que a Convenção prevê não diz respeito igualdade de fato entre o homem e a mulher não se
somente a prática do genocídio, mas também do conluio para considerará discriminação na forma definida nesta Convenção,
cometê-lo, da incitação direta e pública, da tentativa e da mas de nenhuma maneira implicará, como consequência, a
cumplicidade no genocídio. (art. 3º) manutenção de normas desiguais ou separadas; essas medidas
Na Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados, há que cessarão quando os objetivos de igualdade de oportunidade e
se ressaltar primeiramente quem é a pessoa do refugiado, tratamento houverem sido alcançados.
sendo aquelas “forçadas a fugirem de seus países, 2. A adoção pelos Estados-partes de medidas especiais,
individualmente ou parte de evasão em massa, devido a inclusive as contidas na presente Convenção, destinadas a
questões políticas, religiosas, militares ou quaisquer outros proteger a maternidade, não se considerará discriminatória.
problemas”. Lembrando que a definição é fixada para os Na Convenção contra a Tortura e outros Tratamentos ou
Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, além da proibição

Direitos Humanos 3
APOSTILAS OPÇÃO

de prática de tortura por funcionários públicos, ou outra inovou na situação de além de tratar da discriminação, aborda
pessoa no exercício dessas funções, ou por ele instigado, o assunto da violência); Convenção Interamericana sobre
dentro do país signatário, a fim de obter dela ou de terceira Tráfico Internacional de Menores (também com menção no
pessoa confissões, ou lhe infligir castigo por algo que seja contexto da Convenção sobre os Direitos da Criança) e a
suspeita, proíbe também o Estado-parte de extraditar, Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as
expulsar ou devolver pessoa a seu país de origem que saiba Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de
que ali poderá ser submetido a tortura, conforme reza o art. 3º, Deficiência (que inclusive é anterior à Convenção de Nova
§§1º e 2º. York).
Já a Convenção sobre os Direitos da Criança traz um maior Estes são os principais instrumentos do sistema especial
protecionismo em relação a faixa etária do qual se considera de proteção aos direitos humanos, que trazem em seu
criança aqueles menores de 18 anos, salvo se idade inferior for arcabouço histórico de construção o resultado das lutas
imposta no ordenamento do Estado-parte. travadas em prol de uma humanidade mais justa (nos critérios
O art. 4º institui que: da igualdade material distributiva e com reconhecimento das
Os Estados Partes adotarão todas as medidas identidades) e solidária.
administrativas, legislativas e de outra índole com vistas à
implementação dos direitos reconhecidos na presente SISTEMA PRISIONAL2
Convenção. Com relação aos direitos econômicos, sociais e
culturais, os Estados Partes adotarão essas medidas utilizando A realidade no sistema prisional brasileiro há muito tempo
ao máximo os recursos disponíveis e, quando necessário, vem mostrando sinais de sua falência, com um cenário
dentro de um quadro de cooperação internacional. precário e desumano, passando longe da ideia de
Entre outros direitos a criança não poderá sofrer nenhuma ressocialização e do cumprimento dos direitos do preso, que
espécie de discriminação (por raça, cor, sexo, língua, religião, deveriam ser praticados nos presídios do país, pois são
opinião política ou outra da criança, de seus pais ou regulamentados pela Constituição Federal e pela Lei de
representantes legais, ou da sua origem nacional, étnica ou Execução Penal, mas que na realidade é negligenciado pelo
social, fortuna, incapacidade, nascimento ou de qualquer outra Poder Público e por parte da administração dos presídios e de
situação); tem direitos à vida, a uma nacionalidade e nome, certa forma pela sociedade que age com indiferença à situação
proteção de sua identidade, e direito de conviver com seus pais degradante em que se encontram as penitenciárias brasileiras
(mesmo que estes sejam separados); tem o direito de expor e as consequências são os elevados índices de violência que
livremente sua opinião e se manifestar; liberdade de ocorrem nestes presídios.
pensamento, consciência e religião; direito à informação O encarceramento executado no Brasil é ineficiente para
apropriada e a proteção contra maus tratos e negligência. proporcionar a reintegração social do preso, assim como não
Tem-se, porém, uma atenção especial às crianças refugiadas e promove a diminuição do cenário da violência e a sensação de
deficientes. insegurança por parte da população, buscando como medida
E inovando, a Convenção Internacional sobre os Direitos de resolução para a diminuição da violência apenas a
das Pessoas com Deficiência, também conhecida como segregação dessas pessoas e pôr fim a anulação do convívio
Convenção de Nova York. com a sociedade. Esse problema não está só dentro dos
Em seu art. 1º, a Convenção já instituiu os propósitos e traz presídios, mas também na comunidade, pois nas atuais
o conceito de deficiente: condições o cárcere passa a ser uma escola para o crime,
Art. 1º. O propósito da presente Convenção é promover, devolvendo o preso para sociedade com maiores
proteger e assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os possibilidades de cometer mais crimes.
direitos humanos e liberdades fundamentais por todas as O direito do preso deve ser respeitado segundo a Lei de
pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua Execução Penal para que possa ser cumprida a definição de
dignidade inerente. ressocialização imposta pela Constituição Federal,
Pessoas com deficiência são aquelas que têm respeitando o princípio da dignidade humana e direitos
impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, fundamentais. A garantia mínima destes direitos será um
intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas avanço para se conseguir a humanização e cidadania destes
barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na presidiários.
sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. Entretanto na realidade o que acontece é a omissão do
O art. 5º, §§3º e 4º abordam que com a finalidade de Estado ao não cumprir com suas obrigações básicas, pois falha
promover a igualdade e eliminar a discriminação, os Estados- em dois aspectos: com o indivíduo que vive à margem da
partes deverão adotar todas as medidas apropriadas para sociedade, que muitas vezes tem como causa a ausência do
garantir que a adaptação razoável seja oferecida, e ainda, as Estado, e segundo ao não lhe proporcionar o mínimo de
medidas específicas que forem necessárias para acelerar ou dignidade, aplicando-lhe apenas o encarceramento, com
alcançar a efetiva igualdade das pessoas com deficiência não poucos investimentos em sua ressocialização.
serão consideradas discriminatórias.
Os artigos 6º e 7º, sobre a temática, fazem uma alusão às Questões
múltiplas discriminações conjuntas que sofrem as mulheres e
meninas, bem como as crianças que são deficientes, 01. Julgue o item a seguir:
determinando aos Estados-partes que adotem as medidas “A proteção do ser humano, pautado no princípio da
apropriadas para assegurar o pleno desenvolvimento, o dignidade da pessoa humano, não é uma preocupação das
avanço e o empoderamento das mulheres, e que o superior Organizações Internacionais.
interesse da criança receberá consideração primordial. ( ) Certo ( ) Errado
Nos mesmos padrões do sistema global especial de
proteção dos direitos humanos, o sistema regional tem a 02 Julgue o item a seguir:
Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura; A discriminação positiva significa tratar deliberadamente
Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a os candidatos de forma desigual, favorecendo pessoas de
Violência contra a Mulher – Convenção Belém do Pará (que grupos que tenham sido vítimas habituais de discriminação.

2 https://jus.com.br/artigos/66886/o-sistema-prisional-brasileiro-e-a-
responsabilidade-do-estado

Direitos Humanos 4
APOSTILAS OPÇÃO

( ) Certo ( ) Errado § 2º. Serão asseguradas condições para que a presa possa
permanecer com seus filhos durante o período de
Gabarito amamentação dos mesmos.

01.Errado / 02.Certo CAPÍTULO IV


DOS LOCAIS DESTINADOS AOS PRESOS

2. Regras Mínimas das Art. 8º. Salvo razões especiais, os presos deverão ser
alojados individualmente.
Nações Unidas para o § 1º. Quando da utilização de dormitórios coletivos, estes
Tratamento dos Presos. deverão ser ocupados por presos cuidadosamente
selecionados e reconhecidos como aptos a serem alojados
nessas condições.
§ 2º. O preso disporá de cama individual provida de
RESOLUÇÃO Nº 14, DE 11 DE NOVEMBRO DE 1994
roupas, mantidas e mudadas correta e regularmente, a fim de
assegurar condições básicas de limpeza e conforto.
Resolve fixar as Regras Mínimas para o Tratamento do Preso
no Brasil.
Art. 9º. Os locais destinados aos presos deverão satisfazer
as exigências de higiene, de acordo com o clima,
TÍTULO I
particularmente no que ser refere à superfície mínima, volume
REGRAS DE APLICAÇÃO GERAL
de ar, calefação e ventilação.
CAPÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 10º O local onde os presos desenvolvam suas
atividades deverá apresentar:
Art. 1º. As normas que se seguem obedecem aos princípios
I – janelas amplas, dispostas de maneira a possibilitar
da Declaração Universal dos Direitos do Homem e daqueles
circulação de ar fresco, haja ou não ventilação artificial, para
inseridos nos Tratados, Convenções e regras internacionais de
que o preso possa ler e trabalhar com luz natural;
que o Brasil é signatário devendo ser aplicadas sem distinção
II – quando necessário, luz artificial suficiente, para que o
de natureza racial, social, sexual, política, idiomática ou de
preso possa trabalhar sem prejuízo da sua visão;
qualquer outra ordem.
III – instalações sanitárias adequadas, para que o preso
possa satisfazer suas necessidades naturais de forma higiênica
Art. 2º. Impõe-se o respeito às crenças religiosas, aos cultos
e decente, preservada a sua privacidade.
e aos preceitos morais do preso.
IV – instalações condizentes, para que o preso possa tomar
banho à temperatura adequada ao clima e com a frequência
Art. 3º. É assegurado ao preso o respeito à sua
que exigem os princípios básicos de higiene.
individualidade, integridade física e dignidade pessoal.
Art. 11. Aos menores de 0 a 6 anos, filhos de preso, será
Art. 4º. O preso terá o direito de ser chamado por seu
garantido o atendimento em creches e em pré-escola.
nome.
Art. 12. As roupas fornecidas pelos estabelecimentos
CAPÍTULO II
prisionais devem ser apropriadas às condições climáticas.
DO REGISTRO
§ 1º. As roupas não deverão afetar a dignidade do preso.
§ 2º. Todas as roupas deverão estar limpas e mantidas em
Art. 5º. Ninguém poderá ser admitido em estabelecimento
bom estado.
prisional sem ordem legal de prisão.
§ 3º. Em circunstâncias especiais, quando o preso se
Parágrafo Único. No local onde houver preso deverá existir
afastar do estabelecimento para fins autorizados, ser-lhe-á
registro em que constem os seguintes dados:
permitido usar suas próprias roupas.
I – identificação;
II – motivo da prisão;
CAPÍTULO V
III – nome da autoridade que a determinou;
DA ALIMENTAÇÃO
IV – antecedentes penais e penitenciários;
V – dia e hora do ingresso e da saída.
Art. 13. A administração do estabelecimento fornecerá
água potável e alimentação aos presos.
Art. 6º. Os dados referidos no artigo anterior deverão ser
Parágrafo Único – A alimentação será preparada de acordo
imediatamente comunicados ao programa de Informatização
com as normas de higiene e de dieta, controlada por
do Sistema Penitenciário Nacional – INFOPEN, assegurando-se
nutricionista, devendo apresentar valor nutritivo suficiente
ao preso e à sua família o acesso a essas informações.
para manutenção da saúde e do vigor físico do preso.
CAPÍTULO III
CAPÍTULO VI
DA SELEÇÃO E SEPARAÇÃO DOS PRESOS
DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS
Art. 7º. Presos pertencentes a categorias diversas devem
Art. 14. O preso que não se ocupar de tarefa ao ar livre
ser alojados em diferentes estabelecimentos prisionais ou em
deverá dispor de, pelo menos, uma hora ao dia para realização
suas seções, observadas características pessoais tais como:
de exercícios físicos adequados ao banho de sol.
sexo, idade, situação judicial e legal, quantidade de pena a que
foi condenado, regime de execução, natureza da prisão e o
tratamento específico que lhe corresponda, atendendo ao
princípio da individualização da pena.
§ 1º. As mulheres cumprirão pena em estabelecimentos
próprios.

Direitos Humanos 5
APOSTILAS OPÇÃO

CAPÍTULO VII Art. 24. São proibidos, como sanções disciplinares, os


DOS SERVIÇOS DE SAÚDE E ASSISTÊNCIA SANITÁRIA castigos corporais, clausura em cela escura, sanções coletivas,
bem como toda punição cruel, desumana, degradante e
Art. 15. A assistência à saúde do preso, de caráter qualquer forma de tortura.
preventivo curativo, compreenderá atendimento médico,
psicológico, farmacêutico e odontológico. Art. 25. Não serão utilizados como instrumento de
punição: correntes, algemas e camisas-de-força.
Art. 16. Para assistência à saúde do preso, os
estabelecimentos prisionais serão dotados de: Art. 26. A norma regulamentar ditada por autoridade
I – enfermaria com cama, material clínico, instrumental competente determinará em cada caso:
adequado a produtos farmacêuticos indispensáveis para I – a conduta que constitui infração disciplinar;
internação médica ou odontológica de urgência; II – o caráter e a duração das sanções disciplinares;
II – dependência para observação psiquiátrica e cuidados III - A autoridade que deverá aplicar as sanções.
toxicômanos;
III – unidade de isolamento para doenças Art. 27. Nenhum preso será punido sem haver sido
infectocontagiosas. informado da infração que lhe será atribuída e sem que lhe
Parágrafo Único - Caso o estabelecimento prisional não haja assegurado o direito de defesa.
esteja suficientemente aparelhado para prover assistência
médica necessária ao doente, poderá ele ser transferido para Art. 28. As medidas coercitivas serão aplicadas,
unidade hospitalar apropriada. exclusivamente, para o restabelecimento da normalidade e
cessarão, de imediato, após atingida a sua finalidade.
Art. 17. O estabelecimento prisional destinado a mulheres
disporá de dependência dotada de material obstétrico. Para CAPÍTULO IX
atender à grávida, à parturiente e à convalescente, sem DOS MEIOS DE COERÇÃO
condições de ser transferida a unidade hospitalar para
tratamento apropriado, em caso de emergência. Art. 29. Os meios de coerção, tais como algemas, e camisas-
de-força, só poderão ser utilizados nos seguintes casos:
Art 18. O médico, obrigatoriamente, examinará o preso, I – como medida de precaução contra fuga, durante o
quando do seu ingresso no estabelecimento e, posteriormente, deslocamento do preso, devendo ser retirados quando do
se necessário, para : comparecimento em audiência perante autoridade judiciária
I – determinar a existência de enfermidade física ou ou administrativa;
mental, para isso, as medidas necessárias; II – por motivo de saúde, segundo recomendação médica;
II – assegurar o isolamento de presos suspeitos de III – em circunstâncias excepcionais, quando for
sofrerem doença infectocontagiosa; indispensável utiliza-los em razão de perigo eminente para a
III – determinar a capacidade física de cada preso para o vida do preso, de servidor, ou de terceiros.
trabalho;
IV – assinalar as deficiências físicas e mentais que possam Art. 30. É proibido o transporte de preso em condições ou
constituir um obstáculo para sua reinserção social. situações que lhe importam sofrimentos físicos
Parágrafo Único – No deslocamento de mulher presa a
Art. 19. Ao médico cumpre velar pela saúde física e mental escolta será integrada, pelo menos, por uma policial ou
do preso, devendo realizar visitas diárias àqueles que servidor pública.
necessitem.
CAPÍTULO X
Art. 20. O médico informará ao diretor do estabelecimento DA INFORMAÇÃO E DO DIREITO DE QUEIXA DOS PRESOS
se a saúde física ou mental do preso foi ou poderá vir a ser
afetada pelas condições do regime prisional. Art. 31. Quando do ingresso no estabelecimento prisional,
Parágrafo Único – Deve-se garantir a liberdade de o preso receberá informações escritas sobre normas que
contratar médico de confiança pessoal do preso ou de seus orientarão seu tratamento, as imposições de caratê disciplinar
familiares, a fim de orientar e acompanhar seu tratamento. bem como sobre os seus direitos e deveres.
Parágrafo Único – Ao preso analfabeto, essas informações
CAPÍTULO VIII serão prestadas verbalmente.
DA ORDEM E DA DISCIPLINA
Art. 32. O preso terá sempre a oportunidade de apresentar
Art. 21. A ordem e a disciplina deverão ser mantidas, sem pedidos ou formular queixas ao diretor do estabelecimento, à
se impor restrições além das necessárias para a segurança e a autoridade judiciária ou outra competente.
boa organização da vida em comum.
CAPÍTULO XI
Art. 22. Nenhum preso deverá desempenhar função ou DO CONTATO COM O MUNDO EXTERIOR
tarefa disciplinar no estabelecimento prisional.
Parágrafo Único – Este dispositivo não se aplica aos Art. 33. O preso estará autorizado a comunicar-se
sistemas baseados na autodisciplina e nem deve ser obstáculo periodicamente, sob vigilância, com sua família, parentes,
para a atribuição de tarefas, atividades ou responsabilidade de amigos ou instituições idôneas, por correspondência ou por
ordem social, educativa ou desportiva. meio de visitas.
§ 1º. A correspondência do preso analfabeto pode ser, a seu
Art. 23 . Não haverá falta ou sanção disciplinar sem pedido, lida e escrita por servidor ou alguém opor ele indicado;
expressa e anterior previsão legal ou regulamentar. § 2º. O uso dos serviços de telecomunicações poderá ser
Parágrafo Único – As sanções não poderão colocar em autorizado pelo diretor do estabelecimento prisional.
perigo a integridade física e a dignidade pessoal do preso.
Art. 34. Em caso de perigo para a ordem ou para segurança
do estabelecimento prisional, a autoridade competente poderá

Direitos Humanos 6
APOSTILAS OPÇÃO

restringir a correspondência dos presos, respeitados seus § 1º. Todos os objetos serão inventariados e tomadas
direitos. medidas necessárias para sua conservação;
Parágrafo Único – A restrição referida no "caput" deste § 2º. Tais bens serão devolvidos ao preso no momento de
artigo cessará imediatamente, restabelecida a normalidade. sua transferência ou liberação.

Art. 35. O preso terá acesso a informações periódicas CAPÍTULO XVI


através dos meios de comunicação social, autorizado pela DAS NOTIFICAÇÕES
administração do estabelecimento.
Art. 46. Em casos de falecimento, de doença, acidente grave
Art. 36. A visita ao preso do cônjuge, companheiro, família, ou de transferência do preso para outro estabelecimento, o
parentes e amigos, deverá observar a fixação dos dias e diretor informará imediatamente ao cônjuge, se for o ocaso, a
horários próprios. parente próximo ou a pessoa previamente designada.
Parágrafo Único - Deverá existir instalação destinada a § 1º. O preso será informado, imediatamente, do
estágio de estudantes universitários. falecimento ou de doença grave de cônjuge, companheiro,
ascendente, descendente ou irmão, devendo ser permitida a
Art. 37. Deve-se estimular a manutenção e o visita a estes sob custódia.
melhoramento das relações entre o preso e sua família. § 2º. O preso terá direito de comunicar, imediatamente, à
sua família, sua prisão ou sua transferência para outro
CAPÍTULO XII estabelecimento.
DAS INSTRUÇÕES E ASSISTÊNCIA EDUCACIONAL
CAPÍTULO XVII
Art. 38. A assistência educacional compreenderá a DA PRESERVAÇÃO DA VIDA PRIVADA E DA IMAGEM
instrução escolar e a formação profissional do preso.
Art. 47. O preso não será constrangido a participar, ativa
Art. 39. O ensino profissional será ministrado em nível de ou passivamente, de ato de divulgação de informações aos
iniciação e de aperfeiçoamento técnico. meios de comunicação social, especialmente no que tange à
sua exposição compulsória à fotografia ou filmagem
Art. 40. A instrução primária será obrigatoriamente Parágrafo Único – A autoridade responsável pela custódia
ofertada a todos os presos que não a possuam. do preso providenciará, tanto quanto consinta a lei, para que
Parágrafo Único – Cursos de alfabetização serão informações sobre a vida privada e a intimidade do preso
obrigatórios para os analfabetos. sejam mantidas em sigilo, especialmente aquelas que não
tenham relação com sua prisão.
Art. 41. Os estabelecimentos prisionais contarão com
biblioteca organizada com livros de conteúdo informativo, Art. 48. Em caso de deslocamento do preso, por qualquer
educativo e recreativo, adequados à formação cultural, motivo, deve-se evitar sua exposição ao público, assim como
profissional e espiritual do preso. resguardá-lo de insultos e da curiosidade geral.

Art. 42. Deverá ser permitido ao preso participar de curso CAPÍTULO XVIII
por correspondência, rádio ou televisão, sem prejuízo da DO PESSOAL PENITENCIÁRIO
disciplina e da segurança do estabelecimento.
Art. 49. A seleção do pessoal administrativo, técnico, de
CAPÍTULO XIII vigilância e custódia, atenderá à vocação, à preparação
DA ASSISTÊNCIA RELIGIOSA E MORAL profissional e à formação profissional dos candidatos através
de escolas penitenciárias.
Art. 43. A Assistência religiosa, com liberdade de culto, será
permitida ao preso bem como a participação nos serviços Art. 50. O servidor penitenciário deverá cumprir suas
organizado no estabelecimento prisional. funções, de maneira que inspire respeito e exerça influência
Parágrafo Único – Deverá ser facilitada, nos benéfica ao preso.
estabelecimentos prisionais, a presença de representante
religioso, com autorização para organizar serviços litúrgicos e Art. 51. Recomenda-se que o diretor do estabelecimento
fazer visita pastoral a adeptos de sua religião. prisional seja devidamente qualificado para a função pelo seu
caráter, integridade moral, capacidade administrativa e
CAPÍTULO XIV formação profissional adequada.
DA ASSISTÊNCIA JURÍDICA
Art. 52. No estabelecimento prisional para a mulher, o
Art. 44. Todo preso tem direito a ser assistido por responsável pela vigilância e custódia será do sexo feminino.
advogado.
§ 1º. As visitas de advogado serão em local reservado TÍTULO II
respeitado o direito à sua privacidade; REGRAS APLICÁVEIS A CATEGORIAS ESPECIAIS
§ 2º. Ao preso pobre o Estado deverá proporcionar CAPÍTULO XIX
assistência gratuita e permanente. DOS CONDENADOS

CAPÍTULO XV Art. 53. A classificação tem por finalidade:


DOS DEPÓSITOS DE OBJETOS PESSOAIS I – separar os presos que, em razão de sua conduta e
antecedentes penais e penitenciários, possam exercer
Art. 45. Quando do ingresso do preso no estabelecimento influência nociva sobre os demais.
prisional, serão guardados, em lugar escuro, o dinheiro, os II – dividir os presos em grupos para orientar sua
objetos de valor, roupas e outras peças de uso que lhe reinserção social;
pertençam e que o regulamento não autorize a ter consigo.

Direitos Humanos 7
APOSTILAS OPÇÃO

Art. 54. Tão logo o condenado ingresse no estabelecimento Art. 60. Serão tomadas providências, para que o egresso
prisional, deverá ser realizado exame de sua personalidade, continue tratamento psiquiátrico, quando necessário.
estabelecendo-se programa de tratamento específico, com o
propósito de promover a individualização da pena. CAPÍTULO XXIV
DO PRESO PROVISÓRIO
CAPÍTULO XX
DAS RECOMPENSAS Art. 61. Ao preso provisório será assegurado regime
especial em que se observará:
Art. 55. Em cada estabelecimento prisional será instituído I – separação dos presos condenados;
um sistema de recompensas, conforme os diferentes grupos de II – cela individual, preferencialmente;
presos e os diferentes métodos de tratamento, a fim de III – opção por alimentar-se às suas expensas;
motivar a boa conduta, desenvolver o sentido de IV – utilização de pertences pessoais;
responsabilidade, promover o interesse e a cooperação dos V – uso da própria roupa ou, quando for o caso, de
presos. uniforme diferenciado daquele utilizado por preso condenado;
VI – oferecimento de oportunidade de trabalho;
CAPÍTULO XXI VII – visita e atendimento do seu médico ou dentista.
DO TRABALHO
CAPÍTULO XXV
Art. 56. Quanto ao trabalho: DO PRESO POR PRISÃO CIVIL
I - o trabalho não deverá ter caráter aflitivo;
II – ao condenado será garantido trabalho remunerado Art. 62. Nos casos de prisão de natureza civil, o preso
conforme sua aptidão e condição pessoal, respeitada a deverá permanecer em recinto separado dos demais,
determinação médica; aplicando-se, no que couber. As normas destinadas aos presos
III – será proporcionado ao condenado trabalho educativo provisórios.
e produtivo;
IV – devem ser consideradas as necessidades futuras do CAPÍTULO XXVI
condenado, bem como, as oportunidades oferecidas pelo DOS DIREITOS POLÍTICOS
mercado de trabalho;
V – nos estabelecimentos prisionais devem ser tomadas as Art. 63. São assegurados os direitos políticos ao preso que
mesmas precauções prescritas para proteger a segurança e a não está sujeito aos efeitos da condenação criminal transitada
saúde dois trabalhadores livres; em julgado.
VI – serão tomadas medidas para indenizar os presos por
acidentes de trabalho e doenças profissionais, em condições CAPÍTULO XXVII
semelhantes às que a lei dispõe para os trabalhadores livres; DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
VII – a lei ou regulamento fixará a jornada de trabalho
diária e semanal para os condenados, observada a destinação Art. 64. O Conselho Nacional de Política Criminal e
de tempo para lazer, descanso. Educação e outras atividades Penitenciária adotará as providências essenciais ou
que se exigem como parte do tratamento e com vistas a complementares para cumprimento das regras Mínimas
reinserção social; estabelecidas nesta resolução, em todas as Unidades
VIII – a remuneração aos condenados deverá possibilitar a Federativas.
indenização pelos danos causados pelo crime, aquisição de
objetos de uso pessoal, ajuda à família, constituição de pecúlio Art. 65. Esta resolução entra em vigor na data de sua
que lhe será entregue quando colocado em liberdade. publicação.

CAPÍTULO XXII
DAS RELAÇÕES SOCIAIS E AJUDA PÓS-PENITENCIÁRIA REGRAS MÍNIMAS PARA O TRATAMENTO DE
PRISIONEIROS DA ONU
Art. 57. O futuro do preso, após o cumprimento da pena,
será sempre levado em conta. Deve-se anima-lo no sentido de Adotadas pelo 1º Congresso das Nações Unidas sobre
manter ou estabelecer relações com pessoas ou órgãos Prevenção do Crime e Tratamento de Delinquentes, realizado
externos que possam favorecer os interesses de sua família, em Genebra, em 1955, e aprovadas pelo Conselho Econômico e
assim como sua própria readaptação social. Social da ONU através da sua resolução 663 C I (XXIV), de 31 de
julho de 1957, aditada pela resolução 2076 (LXII) de 13 de maio
Art. 58. Os órgãos oficiais, ou não, de apoio ao egresso de 1977. Em 25 de maio de 1984, através da resolução 1984/47,
devem: o Conselho Econômico e Social aprovou treze procedimentos
I – proporcionar-lhe os documentos necessários, bem para a aplicação efetiva das Regras Mínimas (anexo).
como, alimentação, vestuário e alojamento no período
imediato à sua liberação, fornecendo-lhe, inclusive, ajuda de Observações preliminares
custo para transporte local;
II – ajuda-lo a reintegrar-se à vida em liberdade, em 1. O objetivo das presentes regras não é descrever
especial, contribuindo para sua colocação no mercado de detalhadamente um sistema penitenciário modelo, mas
trabalho. apenas estabelecer - inspirando-se em conceitos geralmente
admitidos em nossos tempos e nos elementos essenciais dos
CAPÍTULO XXIII sistemas contemporâneos mais adequados - os princípios e as
DO DOENTE MENTAL regras de uma boa organização penitenciária e da prática
relativa ao tratamento de prisioneiros.
Art. 59. O doente mental deverá ser custodiado em
estabelecimento apropriado, não devendo permanecer em 2. É evidente que devido a grande variedade de condições
estabelecimento prisional além do tempo necessário para sua jurídicas, sociais, econômicas e geográficas existentes no
transferência. mundo, todas estas regras não podem ser aplicadas

Direitos Humanos 8
APOSTILAS OPÇÃO

indistintamente em todas as partes e a todo tempo. Devem, Separação de categorias


contudo, servir para estimular o esforço constante com vistas
à superação das dificuldades práticas que se opõem a sua 8. As diferentes categorias de presos deverão ser mantidas
aplicação, na certeza de que representam, em seu conjunto, as em estabelecimentos prisionais separados ou em diferentes
condições mínimas admitidas pelas Nações Unidas. zonas de um mesmo estabelecimento prisional, levando-se em
consideração seu sexo e idade, seus antecedentes, as razões da
3. Por outro lado, os critérios que se aplicam às matérias detenção e o tratamento que lhes deve ser aplicado. Assim é
referidas nestas regras evoluem constantemente e, portanto, que:
não tendem a excluir a possibilidade de experiências e a. Quando for possível, homens e mulheres deverão ficar
práticas, sempre que as mesmas se ajustem aos princípios e detidos em estabelecimentos separados; em estabelecimentos
propósitos que emanam do texto das regras. De acordo com que recebam homens e mulheres, o conjunto dos locais
esse espírito, a administração penitenciária central sempre destinados às mulheres deverá estar completamente
poderá autorizar qualquer exceção às regras. separado;
b. As pessoas presas preventivamente deverão ser
4. mantidas separadas dos presos condenados;
1.A primeira parte das regras trata das matérias relativas c. Pessoas presas por dívidas ou por outras questões de
à administração geral dos estabelecimentos penitenciários e é natureza civil deverão ser mantidas separadas das pessoas
aplicável a todas as categorias de prisioneiros, criminais ou presas por infração penal;
civis, em regime de prisão preventiva ou já condenados, d. Os presos jovens deverão ser mantidos separados dos
incluindo aqueles que tenham sido objeto de medida de presos adultos.
segurança ou de medida de reeducação ordenada por um juiz.
2.A segunda parte contém as regras que são aplicáveis Locais destinados aos presos
somente às categorias de prisioneiros a que se refere cada
seção. Entretanto, as regras da seção A, aplicáveis aos presos 9.
condenados, serão igualmente aplicáveis às categorias de 1.As celas ou quartos destinados ao isolamento noturno
presos a que se referem as seções B, C e D, sempre que não não deverão ser ocupadas por mais de um preso. Se, por razões
sejam contraditórias com as regras específicas dessas seções e especiais, tais como excesso temporário da população
sob a condição de que sejam proveitosas para tais prisioneiros. carcerária, for indispensável que a administração
penitenciária central faça exceções a esta regra, deverá evitar-
5. se que dois reclusos sejam alojados numa mesma cela ou
1.Estas regras não estão destinadas a determinar a quarto individual.
organização dos estabelecimentos para delinquentes juvenis 2.Quando se recorra à utilização de dormitórios, estes
(estabelecimentos Borstal, instituições de reeducação etc.). deverão ser ocupados por presos cuidadosamente escolhidos
Todavia, de um modo geral, pode-se considerar que a primeira e reconhecidos como sendo capazes de serem alojados nessas
parte destas regras mínimas também é aplicável a esses condições. Durante a noite, deverão estar sujeitos a uma
estabelecimentos. vigilância regular, adaptada ao tipo de estabelecimento
2.A categoria de prisioneiros juvenis deve compreender, prisional em que se encontram detidos.
em qualquer caso, os menores sujeitos à jurisdição de
menores. Como norma geral, os delinquentes juvenis não 10. Todas os locais destinados aos presos, especialmente
deveriam ser condenados a penas de prisão. aqueles que se destinam ao alojamento dos presos durante a
noite, deverão satisfazer as exigências da higiene, levando-se
PARTE I em conta o clima, especialmente no que concerne ao volume
Regras de aplicação geral de ar, espaço mínimo, iluminação, aquecimento e ventilação.

Princípio Fundamental 11. Em todos os locais onde os presos devam viver ou


6. trabalhar:
1.As regras que se seguem deverão ser aplicadas a. As janelas deverão ser suficientemente grandes para que
imparcialmente. Não haverá discriminação alguma baseada os presos possam ler e trabalhar com luz natural, e deverão
em raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou qualquer estar dispostas de modo a permitir a entrada de ar fresco, haja
outra opinião, origem nacional ou social, fortuna, nascimento ou não ventilação artificial.
ou em qualquer outra situação. b. A luz artificial deverá ser suficiente para os presos
2.Ao contrário, é necessário respeitar as crenças religiosas poderem ler ou trabalhar sem prejudicar a visão.
e os preceitos morais do grupo a que pertença o preso.
12. As instalações sanitárias deverão ser adequadas para
Registro que os presos possam satisfazer suas necessidades naturais no
7. momento oportuno, de um modo limpo e decente.
1.Em todos os lugares em que haja pessoas detidas, deverá
existir um livro oficial de registro, atualizado, contendo 13. As instalações de banho deverão ser adequadas para
páginas numeradas, no qual serão anotados, relativamente a que cada preso possa tomar banho a uma temperatura
cada preso: adaptada ao clima, tão frequentemente quanto necessário à
a. A informação referente a sua identidade; higiene geral, de acordo com a estação do ano e a região
b. As razões da sua detenção e a autoridade competente geográfica, mas pelo menos uma vez por semana em um clima
que a ordenou; temperado.
c. O dia e a hora da sua entrada e da sua saída.
14. Todos os locais de um estabelecimento penitenciário
2.Nenhuma pessoa deverá ser admitida em um frequentados regularmente pelos presos deverão ser
estabelecimento prisional sem uma ordem de detenção válida, mantidos e conservados escrupulosamente limpos.
cujos dados serão previamente lançados no livro de registro.

Direitos Humanos 9
APOSTILAS OPÇÃO

Higiene pessoal especializados ou para hospitais civis. Quando existam


facilidades hospitalares em um estabelecimento prisional, o
15. Será exigido que todos os presos mantenham-se respectivo equipamento, mobiliário e produtos farmacêuticos
limpos; para este fim, ser-lhes-ão fornecidos água e os artigos serão adequados para o tratamento médico dos presos
de higiene necessários à sua saúde e limpeza. doentes, e deverá haver pessoal devidamente qualificado.
3.Cada preso poderá servir-se dos trabalhos de um
16. Serão postos à disposição dos presos meios para dentista qualificado.
cuidarem do cabelo e da barba, a fim de que possam se
apresentar corretamente e conservem o respeito por si 23.
mesmos; os homens deverão poder barbear-se com 1.Nos estabelecimentos prisionais para mulheres devem
regularidade. existir instalações especiais para o tratamento de presas
grávidas, das que tenham acabado de dar à luz e das
Roupas de vestir, camas e roupas de cama convalescentes. Desde que seja possível, deverão ser tomadas
medidas para que o parto ocorra em um hospital civil. Se a
17. criança nascer num estabelecimento prisional, tal fato não
1.Todo preso a quem não seja permitido vestir suas deverá constar no seu registro de nascimento.
próprias roupas, deverá receber as apropriadas ao clima e em 2.Quando for permitido às mães presas conservar as
quantidade suficiente para manter-se em boa saúde. Ditas respectivas crianças, deverão ser tomadas medidas para
roupas não poderão ser, de forma alguma, degradantes ou organizar uma creche, dotada de pessoal qualificado, onde as
humilhantes. crianças possam permanecer quando não estejam ao cuidado
2.Todas as roupas deverão estar limpas e mantidas em das mães.
bom estado. A roupa de baixo será trocada e lavada com a
frequência necessária à manutenção da higiene. 24. O médico deverá ver e examinar cada preso o mais
3. Em circunstâncias excepcionais, quando o preso depressa possível após a sua admissão no estabelecimento
necessitar afastar-se do estabelecimento penitenciário para prisional e depois, quando necessário, com o objetivo de
fins autorizados, ele poderá usar suas próprias roupas, que detectar doenças físicas ou mentais e de tomar todas as
não chamem atenção sobre si. medidas necessárias para o respectivo tratamento; de separar
presos suspeitos de doenças infecciosas ou contagiosas; de
18. Quando um preso for autorizado a vestir suas próprias anotar deformidades físicas ou mentais que possam constituir
roupas, deverão ser tomadas medidas para se assegurar que, obstáculos à reabilitação dos presos, e de determinar a
quando do seu ingresso no estabelecimento penitenciário, as capacidade de trabalho de cada preso.
mesmas estão limpas e são utilizáveis.
25.
19. Cada preso disporá, de acordo com os costumes locais 1.O médico deverá tratar da saúde física e mental dos
ou nacionais, de uma cama individual e de roupa de cama presos e deverá diariamente observar todos os presos doentes
suficiente e própria, mantida em bom estado de conservação e e os que se queixam de dores ou mal-estar, e qualquer preso
trocada com uma frequência capaz de garantir sua limpeza. para o qual a sua atenção for chamada.
2.O médico deverá informar o diretor quando considerar
Alimentação que a saúde física ou mental de um preso tenha sido ou venha
20. a ser seriamente afetada pelo prolongamento da situação de
1.A administração fornecerá a cada preso, em horas detenção ou por qualquer condição específica dessa situação
determinadas, uma alimentação de boa qualidade, bem de detenção.
preparada e servida, cujo valor nutritivo seja suficiente para a
manutenção da sua saúde e das suas forças. 26.
2.Todo preso deverá ter a possibilidade de dispor de água 1.O médico deverá regularmente inspecionar e aconselhar
potável quando dela necessitar. o diretor sobre:
a. A quantidade, qualidade, preparação e serviço da
Exercícios físicos alimentação;
21. b. A higiene e limpeza do estabelecimento prisional e dos
1.O preso que não trabalhar ao ar livre deverá ter, se o presos;
tempo permitir, pelo menos uma hora por dia para fazer c. As condições sanitárias, aquecimento, iluminação e
exercícios apropriados ao ar livre. ventilação do estabelecimento prisional;
2.Os presos jovens e outros cuja idade e condição física o d. A adequação e limpeza da roupa de vestir e de cama dos
permitam, receberão durante o período reservado ao exercício presos;
uma educação física e recreativa. Para este fim, serão e. A observância das regras concernentes à educação física
colocados à disposição dos presos o espaço, as instalações e os e aos desportos, quando não houver pessoal técnico
equipamentos necessários. encarregado destas atividades.
2.O diretor levará em consideração os relatórios e os
Serviços médicos pareceres que o médico lhe apresentar, de acordo com as
22. regras 25(2) e 26, e no caso de concordar com as
1.Cada estabelecimento penitenciário terá à sua disposição recomendações apresentadas tomará imediatamente medidas
os serviços de pelo menos um médico qualificado, que deverá no sentido de pôr em prática essas recomendações; se as
ter certos conhecimentos de psiquiatria. Os serviços médicos mesmas não estiverem no âmbito da sua competência, ou caso
deverão ser organizados em estreita ligação com a não concorde com elas, deverá imediatamente enviar o seu
administração geral de saúde da comunidade ou nação. próprio relatório e o parecer do médico a uma autoridade
Deverão incluir um serviço de psiquiatria para o diagnóstico, e superior.
em casos específicos, para o tratamento de estados de
anomalia.
2.Os presos doentes que necessitem tratamento
especializado deverão ser transferidos para estabelecimentos

Direitos Humanos 10
APOSTILAS OPÇÃO

Disciplina e sanções Tais instrumentos não devem ser impostos senão pelo
tempo estritamente necessário.
27. A disciplina e a ordem serão mantidas com firmeza,
mas sem impor mais restrições do que as necessárias à Informação e direito de queixa dos presos
manutenção da segurança e da boa organização da vida
comunitária. 35.
1.Quando for admitido, cada preso receberá informação
28. escrita sobre o regime prisional para a sua categoria, sobre os
1.Nenhum preso pode ser utilizado em serviços que lhe regulamentos disciplinares do estabelecimento e os métodos
sejam atribuídos em consequência de medidas disciplinares. autorizados para obter informações e para formular queixas;
2.Esta regra, contudo, não impedirá o conveniente e qualquer outra informação necessária para conhecer os seus
funcionamento de sistemas baseados na autogestão, nos quais direitos e obrigações, e para se adaptar à vida do
atividades ou responsabilidades sociais, educacionais ou estabelecimento.
esportivas específicas podem ser confiadas, sob adequada 2.Se o preso for analfabeto, tais informações ser-lhe-ão
supervisão, a presos reunidos em grupos com objetivos comunicadas oralmente.
terapêuticos.
36.
29. A lei ou regulamentação emanada da autoridade 1.Todo preso terá, em cada dia de trabalho, a oportunidade
administrativa competente determinará, para cada caso: de apresentar pedidos ou queixas ao diretor do
a. O comportamento que constitua falta disciplinar; estabelecimento ou ao funcionário autorizado a representá-lo.
b. Os tipos e a duração da punição a aplicar; 2.As petições ou queixas poderão ser apresentadas ao
c. A autoridade competente para impor tal punição. inspetor de prisões durante sua inspeção. O preso poderá falar
com o inspetor ou com qualquer outro funcionário
30. encarregado da inspeção sem que o diretor ou qualquer outro
1.Nenhum preso será punido senão de acordo com a lei ou membro do estabelecimento se faça presente.
regulamento, e nunca duas vezes pelo mesmo crime. 3.Todo preso deve ter autorização para encaminhar, pelas
2.Nenhum preso será punido a não ser que tenha sido vias prescritas, sem censura quanto às questões de mérito mas
informado do crime de que é acusado e lhe seja dada uma na devida forma, uma petição ou queixa à administração
oportunidade adequada para apresentar defesa. A autoridade penitenciária central, à autoridade judicial ou a qualquer outra
competente examinará o caso exaustivamente. autoridade competente.
3. Quando necessário e possível, o preso será autorizado a 4.A menos que uma solicitação ou queixa seja
defender-se por meio de um intérprete. evidentemente temerária ou desprovida de fundamento, a
mesma deverá ser examinada sem demora, dando-se uma
31. Serão absolutamente proibidos como punições por resposta ao preso no seu devido tempo.
faltas disciplinares os castigos corporais, a detenção em cela
escura e todas as penas cruéis, desumanas ou degradantes. Contatos com o mundo exterior

32. 37. Os presos serão autorizados, sob a necessária


a. As penas de isolamento e de redução de alimentação não supervisão, a comunicar-se periodicamente com as suas
deverão nunca ser aplicadas, a menos que o médico tenha famílias e com amigos de boa reputação, quer por
examinado o preso e certificado por escrito que ele está apto correspondência quer através de visitas.
para as suportar.
b. O mesmo se aplicará a qualquer outra punição que possa 38.
ser prejudicial à saúde física ou mental de um preso. Em 1.Aos presos de nacionalidade estrangeira, serão
nenhum caso deverá tal punição contrariar ou divergir do concedidas facilidades razoáveis para se comunicarem com os
princípio estabelecido na regra 31. representantes diplomáticos e consulares do Estado a que
c. O médico visitará diariamente os presos sujeitos a tais pertencem.
punições e aconselhará o diretor caso considere necessário 2.A presos de nacionalidade de Estados sem representação
terminar ou alterar a punição por razões de saúde física ou diplomática ou consular no país, e a refugiados ou apátridas,
mental. serão concedidas facilidades semelhantes para comunicarem-
se com os representantes diplomáticos do Estado encarregado
Instrumentos de coação de zelar pelos seus interesses ou com qualquer entidade
nacional ou internacional que tenha como tarefa a proteção de
33. A sujeição a instrumentos tais como algemas, tais indivíduos.
correntes, ferros e coletes de força nunca deve ser aplicada
como punição. Correntes e ferros também não serão usados 39. Os presos serão mantidos regularmente informados
como instrumentos de coação. Quaisquer outros instrumentos das notícias mais importantes através da leitura de jornais,
de coação não serão usados, exceto nas seguintes periódicos ou publicações especiais do estabelecimento
circunstâncias: prisional, através de transmissões de rádio, conferências ou
a. Como precaução contra fuga durante uma transferência, quaisquer outros meios semelhantes, autorizados ou
desde que sejam retirados quando o preso comparecer controlados pela administração.
perante uma autoridade judicial ou administrativa;
b. Por razões médicas e sob a supervisão do médico; Biblioteca
c. Por ordem do diretor, se outros métodos de controle
falharem, a fim de evitar que o preso se moleste a si mesmo, a 40. Cada estabelecimento prisional terá uma biblioteca
outros ou cause estragos materiais; nestas circunstâncias, o para o uso de todas as categorias de presos, devidamente
diretor consultará imediatamente o médico e informará à provida com livros de recreio e de instrução, e os presos serão
autoridade administrativa superior. estimulados a utilizá-la.
34. As normas e o modo de utilização dos instrumentos de
coação serão decididos pela administração prisional central.

Direitos Humanos 11
APOSTILAS OPÇÃO

Religião 2.Será proibido o traslado de presos em transportes com


41. ventiliação ou iluminação deficientes, ou que de qualquer
1.Se o estabelecimento reunir um número suficiente de outro modo possam submetê-los a sacrifícios desnecessários.
presos da mesma religião, um representante qualificado dessa 3.O transporte de presos será efetuado às expensas da
religião será nomeado ou admitido. Se o número de presos o administração, em condições iguais para todos eles.
justificar e as condições o permitirem, tal serviço será na base
de tempo completo. Pessoal penitenciário
2.Um representante qualificado, nomeado ou admitido nos 46.
termos do parágrafo 1, será autorizado a celebrar serviços 1.A administração penitenciária escolherá
religiosos regulares e a fazer visitas pastorais particulares a cuidadosamente o pessoal de todas as categorias, posto que,
presos da sua religião, em ocasiões apropriadas. da integridade, humanidade, aptidão pessoal e capacidade
3.Não será recusado o acesso de qualquer preso a um profissional desse pessoal, dependerá a boa direção dos
representante qualificado de qualquer religião. Por outro lado, estabelecimentos penitenciários.
se qualquer preso levantar objeções à visita de qualquer 2.A administração penitenciária esforçar-se-á
representante religioso, sua posição será inteiramente constantemente por despertar e manter no espírito do pessoal
respeitada. e na opinião pública a convicção de que a função penitenciária
constitui um serviço social de grande importância e, sendo
42. Tanto quanto possível, cada preso será autorizado a assim, utilizará todos os meios apropriados para ilustrar o
satisfazer as necessidades de sua vida religiosa, assistindo aos público.
serviços ministrados no estabelecimento ou tendo em sua 3.Para lograr tais fins, será necessário que os membros
posse livros de rito e prática religiosa da sua crença. trabalhem com exclusividade como funcionários
penitenciários profissionais, tenham a condição de
Depósitos de objetos pertencentes aos presos funcionários públicos e, portanto, a segurança de que a
43. estabilidade em seu emprego dependerá unicamente da sua
1.Quando o preso ingressa no estabelecimento prisional, o boa conduta, da eficácia do seu trabalho e de sua aptidão física.
dinheiro, os objetos de valor, roupas e outros bens que lhe A remuneração do pessoal deverá ser adequada, a fim de se
pertençam, mas que não possam permanecer em seu poder obter e conservar os serviços de homens e mulheres capazes.
por força do regulamento, serão guardados em um lugar Determinar-se-á os benefícios da carreira e as condições do
seguro, levantando-se um inventário de todos eles, que deverá serviço tendo em conta o caráter penoso de suas funções.
ser assinado pelo preso. Serão tomadas as medidas
necessárias para que tais objetos se conservem em bom 47.
estado. 1.Os membros do pessoal deverão possuir um nível
2.Os objetos e o dinheiro pertencentes ao preso ser-lhe-ão intelectual satisfatório.
devolvidos quando da sua liberação, com exceção do dinheiro 2.Os membros do pessoal deverão fazer, antes de
que ele foi autorizado a gastar, dos objetos que tenham sido ingressarem no serviço, um curso de formação geral e especial,
remetidos para o exterior do estabelecimento, com a devida e passar satisfatoriamente pelas provas teóricas e práticas.
autorização, e das roupas cuja destruição haja sido decidida 3.Após seu ingresso no serviço e durante a carreira, os
por questões higiênicas. O preso assinará um recibo dos membros do pessoal deverão manter e melhorar seus
objetos e do dinheiro que lhe forem restituídos. conhecimentos e sua capacidade profissionais fazendo cursos
3.Os valores e objetos enviados ao preso do exterior do de aperfeiçoamento, que se organizarão periodicamente.
estabelecimento prisional serão submetidos às mesmas
regras. 48. Todos os membros do pessoal deverão conduzir-se e
4.Se o preso estiver na posse de medicamentos ou de cumprir suas funções, em qualquer circunstância, de modo a
entorpecentes no momento do seu ingresso no que seu exemplo inspire respeito e exerça uma influência
estabelecimento prisional, o médico decidirá que uso será benéfica sobre os presos.
dado a eles.
49.
1.Na medida do possível dever-se-á agregar ao pessoal um
Notificação de morte, doenças e transferências número suficiente de especialistas, tais como psiquiatras,
44. psicólogos, assistentes sociais, professores e instrutores
1.No caso de morte, doença ou acidente grave, ou da técnicos.
transferência do preso para um estabelecimento para doentes 2.Os serviços dos assistentes sociais, dos professores e
mentais, o diretor informará imediatamente o cônjuge, se o instrutores técnicos deverão ser mantidos permanentemente,
preso for casado, ou o parente mais próximo, e informará, em sem que isto exclua os serviços de auxiliares a tempo parcial
qualquer caso, a pessoa previamente designada pelo preso. ou voluntários.
2.Um preso será informado imediatamente da morte ou
doença grave de qualquer parente próximo. No caso de doença 50.
grave de um parente próximo, o preso será autorizado, quando 1.O diretor do estabelecimento prisional deverá estar
as circunstâncias o permitirem, a visitá-lo, escoltado ou não. devidamente qualificado para sua função por seu caráter, sua
3.Cada preso terá o direito de informar imediatamente à capacidade administrativa, uma formação adequada e por sua
sua família sobre sua prisão ou transferência para outro experiência na matéria.
estabelecimento prisional. 2.O diretor deverá consagrar todo o seu tempo à sua
função oficial, que não poderá ser desempenhada com
Transferência de presos restrição de horário.
45. 3.O diretor deverá residir no estabelecimento prisional ou
1.Quando os presos estiverem sendo transferidos para perto dele.
outro estabelecimento prisional, deverão ser vistos o menos 4.Quando dois ou mais estabelecimentos estejam sob a
possível pelo público, e medidas apropriadas serão adotadas autoridade de um único diretor, este os visitará com
para protegê-los contra qualquer forma de insultos, frequência. Cada um desses estabelecimentos estará dirigido
curiosidade e publicidade. por um funcionário responsável residente no local.

Direitos Humanos 12
APOSTILAS OPÇÃO

51. 57. A prisão e outras medidas cujo efeito é separar um


1.O diretor, o subdiretor e a maioria do pessoal do delinquente do mundo exterior são dolorosas pelo próprio
estabelecimento prisional deverão falar a língua da maior fato de retirarem do indivíduo o direito à autodeterminação,
parte dos reclusos ou uma língua compreendida pela maior privando-o da sua liberdade. Logo, o sistema prisional não
parte deles. deverá, exceto por razões justificáveis de segregação ou para a
2.Recorrer-se-á aos serviços de um intérprete toda vez que manutenção da disciplina, agravar o sofrimento inerente a tal
seja necessário. situação.

52. 58. O fim e a justificação de uma pena de prisão ou de


1.Nos estabelecimentos prisionais cuja importância exija o qualquer medida privativa de liberdade é, em última instância,
serviço contínuo de um ou vários médicos, pelo menos um proteger a sociedade contra o crime. Este fim somente pode
deles residirá no estabelecimento ou nas suas proximidades. ser atingido se o tempo de prisão for aproveitado para
2.Nos demais estabelecimentos, o médico visitará assegurar, tanto quanto possível, que depois do seu regresso à
diariamente os presos e residirá próximo o bastante do sociedade o delinquente não apenas queira respeitar a lei e se
estabelecimento para acudir sem demora toda vez que se auto-sustentar, mas também que seja capaz de fazê-lo.
apresente um caso urgente.
59. Para alcançar esse propósito, o sistema penitenciário
53. deve empregar, tratando de aplicá-los conforme as
1.Nos estabelecimentos mistos, a seção das mulheres necessidades do tratamento individual dos delinquentes,
estará sob a direção de um funcionário responsável do sexo todos os meios curativos, educativos, morais, espirituais e de
feminino, a qual manterá sob sua guarda todas as chaves de tal outra natureza, e todas as formas de assistência de que pode
seção. dispor.
2.Nenhum funcionário do sexo masculino ingressará na
seção feminina desacompanhado de um membro feminino do 60.
pessoal. 1.O regime do estabelecimento prisional deve tentar
3.A vigilância das presas será exercida exclusivamente por reduzir as diferenças existentes entre a vida na prisão e a vida
funcionários do sexo feminino. Contudo, isto não excluirá que livre quando tais diferenças contribuírem para debilitar o
funcionários do sexo masculino, especialmente os médicos e o sentido de responsabilidade do preso ou o respeito à
pessoal de ensino, desempenhem suas funções profissionais dignidade da sua pessoa.
em estabelecimentos ou seções reservadas às mulheres. 2.É conveniente que, antes do término do cumprimento de
uma pena ou medida, sejam tomadas as providências
54. necessárias para assegurar ao preso um retorno progressivo à
1.Os funcionários dos estabelecimentos prisionais não vida em sociedade. Este propósito pode ser alcançado, de
usarão, nas suas relações com os presos, de força, exceto em acordo com o caso, com a adoção de um regime preparatório
legítima defesa ou em casos de tentativa de fuga, ou de para a liberação, organizado dentro do mesmo
resistência física ativa ou passiva a uma ordem fundamentada estabelecimento prisional ou em outra instituição apropriada,
na lei ou nos regulamentos. Os funcionários que tenham que ou mediante libertação condicional sob vigilância não confiada
recorrer à força, não devem usar senão a estritamente à polícia, compreendendo uma assistência social eficaz.
necessária, e devem informar imediatamente o incidente ao
diretor do estabelecimento prisional. 61. No tratamento, não deverá ser enfatizada a exclusão
2.Será dado aos guardas da prisão treinamento físico dos presos da sociedade, mas, ao contrário, o fato de que
especial, a fim de habilitá-los a dominarem presos agressivos. continuam a fazer parte dela. Com esse objetivo deve-se
3.Exceto em circunstâncias especiais, os funcionários, no recorrer, na medida ao possível, à cooperação de organismos
cumprimento de funções que impliquem contato direto com os comunitários que ajudem o pessoal do estabelecimento
presos, não deverão andar armados. Além disso, não será prisional na sua tarefa de reabilitar socialmente os presos.
fornecida arma a nenhum funcionário sem que o mesmo tenha Cada estabelecimento penitenciário deverá contar com a
sido previamente adestrado no seu manejo. colaboração de assistentes sociais encarregados de manter e
melhorar as relações dos presos com suas famílias e com os
Inspeção organismos sociais que possam lhes ser úteis. Também
deverão ser feitas gestões visando proteger, desde que
55. Haverá uma inspeção regular dos estabelecimentos e compatível com a lei e com a pena imposta, os direitos
serviços prisionais por inspetores qualificados e experientes, relativos aos interesses civis, os benefícios dos direitos da
nomeados por uma autoridade competente. É seu dever previdência social e outros benefícios sociais dos presos.
assegurar que estes estabelecimentos estão sendo
administrados de acordo com as leis e regulamentos vigentes, 62. Os serviços médicos do estabelecimento prisional se
para prosseguimento dos objetivos dos serviços prisionais e esforçarão para descobrir e deverão tratar todas as
correcionais. deficiências ou enfermidades físicas ou mentais que
constituam um obstáculo à readaptação do preso. Com vistas
PARTE II a esse fim, deverá ser realizado todo tratamento médico,
Regras aplicáveis a categorias especiais cirúrgico e psiquiátrico que for julgado necessário.
A. Presos condenados
Princípios mestres 63.
1.Estes princípios exigem a individualização do tratamento
56. Os princípios mestres enumerados a seguir têm por que, por sua vez, requer um sistema flexível de classificação
objetivo definir o espírito segundo o qual devem ser dos presos em grupos. Portanto, convém que os grupos sejam
administrados os sistemas penitenciários e os objetivos a distribuídos em estabelecimentos distintos, onde cada um
serem buscados, de acordo com a declaração constante no deles possa receber o tratamento necessário.
item 1 das Observações preliminares das presentes regras. 2.Ditos estabelecimentos não devem adotar as mesmas
medidas de segurança com relação a todos os grupos. É
conveniente estabelecer diversos graus de segurança

Direitos Humanos 13
APOSTILAS OPÇÃO

conforme a que seja necessária para cada um dos diferentes 69. Tão logo uma pessoa condenada a uma pena ou medida
grupos. Os estabelecimentos abertos - nos quais inexistem de certa duração ingresse em um estabelecimento prisional, e
meios de segurança física contra a fuga e se confia na depois de um estudo da sua personalidade, será criado um
autodisciplina dos presos - proporcionam, a presos programa de tratamento individual, tendo em vista os dados
cuidadosamente escolhidos, as condições mais favoráveis para obtidos sobre suas necessidades individuais, sua capacidade e
a sua readaptação. suas inclinações.
3.É conveniente evitar que nos estabelecimentos fechados
o número de presos seja tão elevado que constitua um Privilégios
obstáculo à individualização do tratamento. Em alguns países,
estima-se que o número de presos em tais estabelecimentos 70. Em cada estabelecimento prisional será instituído um
não deve passar de quinhentos. Nos estabelecimentos abertos, sistema de privilégios adaptado aos diferentes grupos de
o número de presos deve ser o mais reduzido possível. presos e aos diferentes métodos de tratamento, a fim de
4. Ao contrário, também não convém manter estimular a boa conduta, desenvolver o sentido de
estabelecimentos demasiadamente pequenos para que se responsabilidade e promover o interesse e a cooperação dos
possa organizar neles um regime apropriado. presos no que diz respeito ao seu tratamento.

64. O dever da sociedade não termina com a libertação do Trabalho


preso. Deve-se dispor, por conseguinte, dos serviços de
organismos governamentais ou privados capazes de prestar à 71.
pessoa solta uma ajuda pós-penitenciária eficaz, que tenda a 1.O trabalho na prisão não deve ser penoso.
diminuir os preconceitos para com ela e permitam sua 2.Todos os presos condenados deverão trabalhar, em
readaptação à comunidade. conformidade com as suas aptidões física e mental, de acordo
com a determinação do médico.
Tratamento 3.Trabalho suficiente de natureza útil será dado aos presos
de modo a conservá-los ativos durante um dia normal de
65. O tratamento dos condenados a uma punição ou trabalho.
medida privativa de liberdade deve ter por objetivo, enquanto 4.Tanto quanto possível, o trabalho proporcionado será de
a duração da pena o permitir, inspirar-lhes a vontade de viver natureza que mantenha ou aumente as capacidades dos presos
conforme a lei, manter-se com o produto do seu trabalho e para ganharem honestamente a vida depois de libertados.
criar neles a aptidão para fazê-lo. Tal tratamento estará 5.Será proporcionado treinamento profissional em
direcionado a fomentar-lhes o respeito por si mesmos e a profissões úteis aos presos que dele tirarem proveito,
desenvolver seu senso de responsabilidade. especialmente aos presos jovens.
6.Dentros dos limites compatíveis com uma seleção
66. profissional apropriada e com as exigências da administração
1.Para lograr tal fim, deverá se recorrer, em particular, à e disciplina prisionais, os presos poderão escolher o tipo de
assistência religiosa, nos países em que ela seja possível, à trabalho que querem fazer.
instrução, à orientação e à formação profissionais, aos
métodos de assistência social individual, ao assessoramento 72.
relativo ao emprego, ao desenvolvimento físico e à educação 1.A organização e os métodos de trabalho penitenciário
do caráter moral, em conformidade com as necessidades deverão se assemelhar o mais possível aos que se aplicam a um
individuais de cada preso. Deverá ser levado em conta seu trabalho similar fora do estabelecimento prisional, a fim de
passado social e criminal, sua capacidade e aptidão físicas e que os presos sejam preparados para as condições normais de
mentais, suas disposições pessoais, a duração de sua trabalho livre.
condenação e as perspectivas depois da sua libertação. 2.Contudo, o interesse dos presos e de sua formação
2.Em relação a cada preso condenado a uma pena ou profissional não deverão ficar subordinados ao desejo de se
medida de certa duração, que ingresse no estabelecimento auferir benefícios pecuniários de uma indústria penitenciária.
prisional, será remetida ao diretor, o quanto antes, um informe
completo relativo aos aspectos mencionados no parágrafo 73.
anterior. Este informe será acompanhado por o de um médico, 1.As indústrias e granjas penitenciárias deverão ser
se possível especializado em psiquiatria, sobre o estado físico dirigidas preferencialmente pela administração e não por
e mental do preso. empreiteiros privados.
3.Os informes e demais documentos pertinentes formarão 2.Os presos que se empregarem em algum trabalho não
um arquivo individual. Estes arquivos serão mantidos fiscalizado pela administração estarão sempre sob a vigilância
atualizados e serão classificados de modo que o pessoal do pessoal penitenciário. A menos que o trabalho seja feito
responsável possa consultá-los sempre que seja necessário. para outros setores do governo, as pessoas por ele
beneficiadas pagarão à administração o salário normalmente
Classificação e individualização exigido para tal trabalho, levando-se em conta o rendimento
do preso.
67. Os objetivos da classificação deverão ser:
a. Separar os presos que, por seu passado criminal ou sua 74.
má disposição, exerceriam uma influência nociva sobre os 1.Nos estabelecimentos penitenciários, serão tomadas as
companheiros de detenção; mesmas precauções prescritas para a proteção, segurança e
b. Repartir os presos em grupos, a fim de facilitar o saúde dos trabalhadores livres.
tratamento destinado à sua readaptação social. 2.Serão tomadas medidas visando indenizar os presos que
sofrerem acidentes de trabalho e enfermidades profissionais
68. Haverá, se possível, estabelecimentos prisionais em condições similares às que a lei dispõe para os
separados ou seções separadas dentro dos estabelecimentos trabalhadores livres.
para os distintos grupos de presos.

Direitos Humanos 14
APOSTILAS OPÇÃO

75. B. Presos dementes e mentalmente enfermos


1.As horas diárias e semanais máximas de trabalho dos
presos serão fixadas por lei ou por regulamento 82.
administrativo, tendo em consideração regras ou costumes 1.Os presos considerados dementes não deverão ficar
locais concernentes ao trabalho das pessoas livres. detidos em prisões. Devem ser tomadas medidas para
2.As horas serão fixadas de modo a deixar um dia de transferi-los, o mais rapidamente possível, para instituições
descanso semanal e tempo suficiente para a educação e para destinadas a enfermos mentais.
outras atividades necessárias ao tratamento e reabilitação dos 2.Os presos que sofrem de outras doenças ou anomalias
presos. mentais deverão ser examinados e tratados em instituições
especializadas sob vigilância médica.
76. 3.Durante sua estada na prisão, tais presos deverão ser
1.O trabalho dos reclusos deverá ser remunerado de uma postos sob a supervisão especial de um médico.
maneira equitativa. 4.O serviço médico ou psiquiátrico dos estabelecimentos
2.O regulamento permitirá aos reclusos que utilizem pelo prisionais proporcionará tratamento psiquiátrico a todos os
menos uma parte da sua remuneração para adquirir objetos presos que necessitam de tal tratamento.
destinados a seu uso pessoal e que enviem a outra parte à sua
família. 83. Será conveniente a adoção de disposições, de acordo
3.O regulamento deverá, igualmente, prever que a com os organismos competentes, para que, caso necessário, o
administração reservará uma parte da remuneração para a tratamento psiquiátrico prossiga depois da libertação do
constituição de um fundo, que será entregue ao preso quando preso, assegurando-se uma assistência social pós-
ele for posto em liberdade. penitenciária de caráter psiquiátrico.

Educação e recreio C. Pessoas detidas ou em prisão preventiva


77.
1.Serão tomadas medidas para melhorar a educação de 84.
todos os presos em condições de aproveitá-la, incluindo 1.As pessoas detidas ou presas em virtude de acusações
instrução religiosa nos países em que isso for possível. A criminais pendentes, que estejam sob custódia policial ou em
educação de analfabetos e presos jovens será obrigatória, uma prisão, mas que ainda não foram submetidas a julgamento
prestando-lhe a administração especial atenção. e condenadas, serão designados por "presos não julgados"
2.Tanto quanto possível, a educação dos presos estará nestas regras.
integrada ao sistema educacional do país, para que depois da 2.Os presos não julgados presumem-se inocentes e como
sua libertação possam continuar, sem dificuldades, a sua tal devem ser tratados.
educação. 3.Sem prejuízo das normas legais sobre a proteção da
liberdade individual ou que prescrevem os trâmites a serem
78. Atividades de recreio e culturais serão proporcionadas observados em relação a presos não julgados, estes deverão
em todos os estabelecimentos prisionais em benefício da ser beneficiados por um regime especial, delineado na regra
saúde física e mental dos presos. que se segue apenas nos seus requisitos essenciais.

Relações sociais e assistência pós-prisional 85.


1.Os presos não julgados serão mantidos separados dos
79. Será prestada especial atenção à manutenção e presos condenados.
melhora das relações entre o preso e sua família, que se 2.Os presos jovens não julgados serão mantidos separados
mostrem de maior vantagem para ambos. dos adultos e deverão estar, a princípio, detidos em
estabelecimentos prisionais separados.
80. Desde o início do cumprimento da pena de um preso,
ter-se-á em conta o seu futuro depois de libertado, devendo ser 86. Os presos não julgados dormirão sós, em quartos
estimulado e auxiliado a manter ou estabelecer relações com separados.
pessoas ou organizações externas, aptas a promover os
melhores interesses da sua família e da sua própria 87. Dentro dos limites compatíveis com a boa ordem do
reabilitação social. estabelecimento prisional, os presos não julgados podem, se
assim o desejarem, mandar vir alimentação do exterior às
81. expensas próprias, quer através da administração, quer
1. Serviços ou organizações, governamentais ou não, que através da sua família ou amigos. Caso contrário, a
prestam assistência a presos libertados, ajudando-os a administração fornecer-lhes-á alimentação.
reingressarem na sociedade, assegurarão, na medida do
possível e do necessário, que sejam fornecidos aos presos 88.
libertados documentos de identificação apropriados, casas 1.O preso não julgado será autorizado a usar a sua própria
adequadas e trabalho, que estejam conveniente e roupa de vestir, se estiver limpa e for adequada.
adequadamente vestidos, tendo em conta o clima e a estação 2.Se usar roupa da prisão, esta será diferente da fornecida
do ano, e que tenham meios materiais suficientes para chegar aos presos condenados.
ao seu destino e para se manter no período imediatamente
seguinte ao da sua libertação. 89. Será sempre dada ao preso não julgado oportunidade
2. Os representantes oficiais dessas organizações terão para trabalhar, mas não lhe será exigido trabalhar. Se optar
todo o acesso necessário ao estabelecimento prisional e aos por trabalhar, será pago.
presos, sendo consultados sobre o futuro do preso desde o
início do cumprimento da pena. 90. O preso não julgado será autorizado a adquirir, às
3. É recomendável que as atividades dessas organizações expensas próprias ou às expensas de terceiros, livros, jornais,
estejam centralizadas ou sejam coordenadas, tanto quanto material para escrever e outros meios de ocupação
possível, a fim de garantir a melhor utilização dos seus compatíveis com os interesses da administração da justiça e a
esforços. segurança e a boa ordem do estabelecimento prisional.

Direitos Humanos 15
APOSTILAS OPÇÃO

91. O preso não julgado será autorizado a receber a visita Universal de Direitos Humanos, pouco tempo depois das
e ser tratado por seu médico ou dentista pessoal, desde que crueldades cometidas pelos nazistas na Segunda Guerra
haja motivo razoável para tal pedido e que ele possa suportar Mundial. Referida declaração foi ratificada pela Declaração dos
os gastos daí decorrentes. Direitos Humanos de Viena, em 1993, onde os direitos
humanos e as liberdades fundamentais foram declarados
92. O preso não julgado será autorizado a informar direitos naturais de todos os seres humanos, bem como definiu
imediatamente à sua família sobre sua detenção, e ser-lhe-ão que a proteção e promoção dos direitos humanos são
dadas todas as facilidades razoáveis para comunicar-se com responsabilidades primordiais dos Governos.
sua família e amigos e para receber as visitas deles, sujeito Além disso, os direitos humanos são universais e
apenas às restrições e supervisão necessárias aos interesses indivisíveis, visando proteger os direitos a vida, a liberdade,
da administração da justiça e à segurança e boa ordem do igualdade e segurança pessoal, o que leva ao respeito integral
estabelecimento prisional. a dignidade humana.

93. O preso não julgado será autorizado a requerer Os direitos humanos se orientam pelas seguintes
assistência legal gratuita, onde tal assistência exista, e a expressões:
receber visitas do seu advogado para tratar da sua defesa, - Direitos do homem: empregada aos direitos conexos ao
preparando e entregando-lhe instruções confidenciais. Para natural, direito a vida.
esse fim ser-lhe-á fornecido, se ele assim o desejar, material - Direitos humanos em sentido estrito: direitos conexos
para escrever. As conferências entre o preso não julgado e o positivados em tratados e convenções internacionais
seu advogado podem ser vigiadas visualmente por um policial - Direitos fundamentais: quando os tratados dos direitos
ou por um funcionário do estabelecimento prisional, mas a humanos foram incorporados no ordenamento jurídico do
conversação entre eles não poderá ser ouvida. Estado.

D. Pessoas condenadas por dívidas ou à prisão civil A doutrina aponta certa distinção entre direitos humanos
e direitos fundamentais, sustentando que direitos
94. Nos países em que a legislação prevê a possibilidade de fundamentais são os direitos reconhecidos positivamente pela
prisão por dívidas ou outras formas de prisão civil, as pessoas ordem constitucional.
assim condenadas não serão submetidas a maiores restrições Direitos Humanos são a concretização das exigências de
nem a tratamentos mais severos que os necessários à liberdade, igualdade e dignidade humana, as quais devem ser
segurança e à manutenção da ordem. O tratamento dado a elas reconhecidas nos ordenamentos jurídicos nacionais e
não será, em nenhum caso, mais rígido do que aquele internacionais, em cada momento histórico.
reservado às pessoas acusadas, ressalvada, contudo, a Desta forma, é possível notar que os direitos fundamentais
eventual obrigação de trabalhar. são direitos humanos positivados no ordenamento jurídico.
Para que os direitos humanos sejam concretizados é
E. Pessoas presas, detidas ou encarceradas sem acusação necessário que o Estado cumpra seu dever de respeitar a
liberdade e autonomia do homem e, por outro lado,
95. Sem prejuízo das regras contidas no artigo 9 do Pacto implementar ações aptas a proporcionar a dignidade humana.
de Direitos Civis e Políticos, será dada às pessoas detidas ou
presas sem acusação a mesma proteção concedida nos termos Em linhas gerais, direitos humanos são aqueles que
da Parte I e da seção C da Parte II. As regras da seção A da Parte pertencem à pessoa humana, independentemente de leis,
II serão do mesmo modo aplicáveis sempre que beneficiarem sendo considerados os principais: a vida, a liberdade, a
este grupo especial de indivíduos sob detenção; todavia, igualdade e a segurança pessoal. São direitos universais e
medida alguma será tomada se considerado que a reeducação indivisíveis.
ou a reabilitação são, por qualquer forma, inapropriadas a
indivíduos não condenados por qualquer crime.
Terminologia

Os direitos essenciais do indivíduo contam com ampla


3. Teoria Geral dos Direitos diversidade de termos e designações: direitos humanos,
Humanos. direitos fundamentais, direitos naturais, liberdades públicas,
direitos do homem, direitos individuais, direitos públicos
subjetivos, liberdades fundamentais. A terminologia varia
Conceito tanto na doutrina quanto nos diplomas nacionais e
internacionais.
O homem ao longo da história percorreu um longo
caminho marcado por lutas, principalmente causadas pelo O ilustre doutrinador José Afonso da Silva explica que a
desejo de lucro e poder, visto que traz a herança da ampliação e transformação dos direitos fundamentais do
personalidade humana desde os primórdios dos tempos, de homem são as grandes responsáveis pela dificuldade para se
extinto animal. Para eliminar, ou pelo menos diminuir essa obter um conceito sintético e preciso a respeito desta espécie,
personalidade “não social” é indispensável a educação para até porque os direitos humanos fundamentais, em sua
“retirar o homem dos resquícios de sua condição primitiva”. concepção atualmente conhecida, surgiram como produto da
Os direitos humanos surgiram como um dos fatores mais fusão de várias fontes, desde a conjugação de pensamentos
importantes para a convivência do homem em sociedade, filosófico-jurídicos até as ideias surgidas com o cristianismo e
refinando seu comportamento. com o direito natural.
A expressão direitos humanos representa o conjunto das Todavia, a melhor doutrina vem apontando para o fim da
atividades realizadas de maneira consciente, com o objetivo de heterogeneidade, ambiguidade e ausência de consenso no
assegurar ao homem a dignidade e evitar que passe por tocante à esfera conceitual e terminológica, rechaçando a
sofrimentos. utilização, ao menos como termos genéricos, das expressões:
A concepção contemporânea de direitos humanos, foi liberdades públicas, direitos individuais e direitos subjetivos
estabelecida internacionalmente nem 1948, pela Declaração públicos.

Direitos Humanos 16
APOSTILAS OPÇÃO

A expressão “direitos individuais”, por exemplo, mostra- Estrutura normativa


se insuficiente para figurar como gênero dos direitos, pois,
limita-se ao rol das liberdades e direitos civis. De igual modo, 1. Sistema Global de Proteção dos Direitos Humanos:
a expressão “direitos subjetivos públicos” denota o exercício instrumentos de alcance geral e especial
do direito de acordo com a vontade do titular, o que fere as O sistema global de proteção dos direitos humanos, da
características de inalienabilidade e irrenunciabilidade típicas ONU, contém normas de alcance geral e de alcance especial. As
destes direitos. normas de alcance geral e destinadas a todos os indivíduos,
Contudo, ainda que estas expressões não sejam adequadas genérica e abstratamente, são os Pactos Internacionais de
para abarcar todas as dimensões dos direitos objetos deste Direitos Civis e Políticos e o de Direitos Econômicos, Sociais e
estudo, elas não se excluem e também não são incompatíveis, Culturais.
apenas se distinguem por suas esferas de alcance, positivação As normas de alcance especial são destinadas a indivíduos
e consequências práticas. ou grupos específicos, tais como: mulheres, refugiados,
De fato, os “direitos humanos” exprimem certa crianças entre outros. Dentre as normas especiais do sistema
consciência ética universal, e por isso estão acima do global da ONU, destacam-se a Convenção contra a Tortura e
ordenamento jurídico de cada Estado, sendo a expressão outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos e
preferida nos documentos internacionais. Degradantes, a Convenção para a Eliminação da Discriminação
Já os direitos fundamentais são compreendidos como contra a Mulher, a Convenção para a Eliminação de todas as
princípios que resumem a concepção do mundo e informam a formas de Discriminação Racial e a Convenção sobre os
ideologia política de cada ordenamento jurídico, no sentido de Direitos da Criança.
consagrar o respeito à dignidade humana, garantir a limitação Nos sistema global da ONU, o Brasil ratificou a maior parte
do poder e visar o pleno desenvolvimento da personalidade dos instrumentos internacionais de proteção aos direitos
humana no âmbito nacional. humanos, tais como o Pacto Internacional de Direitos Civis e
José Joaquim Gomes Canotilho, que utiliza a expressão Políticos, em 24/01/92; o Pacto de Direitos Econômicos,
direitos do homem em lugar da expressão direitos humanos, Sociais e Culturais, 24/01/92; a Convenção para a Eliminação
explica: “As expressões direitos do homem e direitos de toda a Discriminação contra a Mulher, em 01/02/84; a
fundamentais são frequentemente utilizadas como sinônimas. Convenção para a Eliminação de todas as formas de
Segundo a sua origem e significado poderíamos distingui-las Discriminação Racial, em 27/03/68; e a Convenção sobre os
da seguinte maneira: direitos do homem são direitos válidos Direitos da Criança, em 24/09/90. Porém, o Brasil ainda não
para todos os povos e em todos os tempos (dimensão reconhece a competência dos seus órgãos de supervisão e
jusnaturalista-universalista); direitos fundamentais são os monitoramento, os respectivos Comitê de Direitos Humanos, o
direitos do homem, jurídico-institucionalmente garantidos e Comitê contra a Discriminação Racial, o Comitê contra a
limitados espacio-temporalmente. Os direitos do homem Tortura, no que tange à apreciação de denúncias de casos
arrancariam da própria natureza humana e daí o seu carácter individuais de violação dos direitos humanos.
inviolável, intemporal e universal; os direitos fundamentais Assim, o Brasil aderiu aos mencionados tratados
seriam os direitos objetivamente vigentes numa ordem internacionais, porém, ainda não reconhece a competências de
jurídica concreta”. seus órgãos de supervisão, impede a fiscalização de suas
A teoria positivista considera essa indagação como despida obrigações internacionais por parte daqueles órgãos. Na
de sentido, pois, parte da premissa de que não há direito fora prática, tal fato representa a impossibilidade de tais órgãos
da organização política estatal, fora do direito posto, escrito. receberem denúncias individuais de casos de violações de
Mas essa concepção, notavelmente, demonstra-se direitos humanos ocorridos no país, através do sistema de
incompatível com o reconhecimento da existência de direitos petições ou denúncias individuais. A possibilidade de acionar
humanos, pois a característica de tais direitos consiste, como outros órgãos internacionais de supervisão, além da Comissão
proclamaram os revolucionários americanos e franceses no Interamericana de Direitos Humanos da OEA, seria uma
século XVIII, no fato de valerem contra o Estado. garantia a mais da proteção dos direitos humanos no Brasil.
Seja como for, eventual conflito entre normas Assim, no sistema global, além do sistema de denúncias
internacionais e internas, em matéria de direitos humanos, individuais, há também o sistema de investigações e o de
invoca a aplicação da norma mais favorável ao ser humano, relatórios. Ao ratificar os tratados internacionais
pois a proteção da dignidade da pessoa é a finalidade última e mencionados, o Brasil assumiu a obrigação de enviar
a razão de ser de todo o sistema jurídico. relatórios periódicos para os Comitês e de sujeitar-se a uma
Quanto ao âmbito da discussão em torno da melhor eventual investigação sobre a situação dos direitos humanos
terminologia a ser adotada, temos que a utilização da no seu território. Uma forma de participação e de intervenção
expressão direitos humanos fundamentais possui o condão das organizações de direitos humanos no sistema da ONU é o
de reforçar a unidade essencial e indissolúvel entre os direitos encaminhamento de relatórios próprios aos respectivos
humanos e os direitos fundamentais e, por essa razão, torna- Comitês, para que sejam analisados juntamente com os
se a mais adequada a este estudo, porque, além de referir-se a relatórios enviados pelos Estados.
princípios que resumem a concepção do mundo, também O sistema da ONU possui dois tipos de procedimento: os
informa a ideologia política de nosso ordenamento jurídico. convencionais e os não convencionais.
No qualificativo fundamentais, como bem explica José O procedimento convencional requer a sua previsão
Afonso da Silva, acha-se a indicação de que se trata de expressa em tratados, pactos e convenções internacionais, e é
situações jurídicas sem as quais a pessoa humana não se supervisionado pelos órgãos internacionais de supervisão, os
realiza, não convive e, às vezes, nem mesmo sobrevive, Comitês (através do sistema de denúncias, relatórios e
interpretação perfeitamente compatível com os demais investigações).
direitos.
Trata-se, então de ênfase e valorização da condição Os procedimentos não convencionais são mecanismos
humana como atributo para o exercício desses direitos. Com não previstos em tratados que contribuem para a maior
isso, o adjetivo “humanos” significa que tais direitos são eficácia do sistema internacional de proteção. Os mecanismos
atribuídos a qualquer indivíduo, sendo assim considerados não convencionais são bastante específicos e são acionados em
“direitos de todos”. caso de não assinatura dos tratados internacionais pelos
países violadores de direitos humanos num caso específico,
como por exemplo, o sistema de ações urgentes. Nestes casos,

Direitos Humanos 17
APOSTILAS OPÇÃO

a ONU analisará as violações com base em requisitos como a “Art. 62-1. Todo Estado-parte pode, no momento do depósito
persistência, a sistematicidade, a gravidade e a prevenção, de seu instrumento de ratificação desta Convenção ou de adesão
para decidir se intervirá através de um dos seus órgãos, a ela, ou em qualquer momento posterior, declarar que
tomando providências concretas. reconhece como obrigatória, de pleno direito e sem convenção
especial, a competência da Corte em todos os casos relativos à
2. Sistema Regional Interamericano de Proteção aos interpretação ou aplicação desta Convenção.”
Direitos Humanos: instrumentos de alcance geral e especial
O sistema interamericano de proteção aos direitos No caso do Brasil, em 07 de setembro de 1998, o
humanos, do qual participam os estados membros da OEA, Presidente da República aceitou a competência da Corte, após
integra o sistema regional de proteção juntamente com os decorridos seis anos de ratificação da Convenção Americana
sistema europeu e a sistema africano. pelo Brasil (25/09/92).
O sistema interamericano de promoção dos direitos A Corte possui duas funções principais: a função
humanos teve início formal com a aprovação da Declaração contenciosa, que é a análise dos casos individuais de violações
Americana de Direitos e Deveres do Homem em 1948 na de direitos humanos encaminhados pela Comissão ou pelos
Colômbia. A Declaração Americana é um instrumento de Estados-parte; e a função consultiva. A sua função consultiva
alcance geral que integra o sistema interamericano, destinada refere-se a sua capacidade para interpretar a Convenção e
a indivíduos genéricos e abstratos, estabelecendo os direitos outros instrumentos internacionais de direitos humanos.
essenciais da pessoa independente de ser nacional de Qualquer dos Estados partes da OEA podem solicitar à Corte
determinado Estado, tendo como fundamento os atributos da uma opinião consultiva, mesmo os que não são partes na
pessoa humana. Além da Declaração Americana, há outros Convenção Americana ou outros órgãos enumerados no
instrumentos de alcance geral que fazem parte do sistema Capítulo X da Carta da Organização, conforme o artigo 64 da
interamericano, como a Convenção Americana sobre os Convenção Americana.
Direitos Humanos ou “Pacto de San José” (1969), ratificada A função consultiva da Corte foi usada com mais frequência
pelo Brasil em 25/09/92. nos seus primeiros anos de funcionamento, e as Opiniões
Além dos instrumentos de alcance geral, os sistema Consultivas versaram sobre temas como: os limites de sua
interamericano também é integrado por instrumentos de autoridade; os limites das ações dos Estados; discriminação;
alcance especial, tais como: a Comissão Interamericana de habeas corpus; garantias judiciais; pena de morte;
Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos responsabilidade do Estado, entre outros temas cruciais para
Humanos. Ao ratificar a Convenção Americana, o Brasil aceitou a efetiva proteção dos direitos humanos.
compulsoriamente a competência da Comissão para receber
denúncias de casos individuais de violações de direitos 3. A Conjugação dos Sistemas Global e regional e a
humanos. prevalência da norma mais benéfica
Assim, no caso do Brasil, até o presente, o único órgão Não existe hierarquia entre o sistema global e o sistema
internacional que têm competência para aceitar denúncias de regional (interamericano) de proteção dos direitos humanos.
casos individuais; e a Comissão Interamericana conforme A lógica do sistema internacional é de somar e proteger de
estabelece a Convenção Americana no seu artigo 44: “Qualquer forma mais integral possível os direitos da pessoas humana.
pessoa ou grupo de pessoas, ou entidade não-governamental Neste sentido, o critério adotado para evitar conflitos entre os
legalmente reconhecida em um ou mais Estados-membros da vários instrumentos internacionais é da prevalência da norma
Organização, pode apresentar à Comissão petições que mais benéfica para a vítima de violações de direitos humanos.
contenham denúncias ou queixas de violação desta Convenção Tal critério contribui para minimizar os conflitos e possibilitar
por um Estado-parte”. uma maior coordenação entre os instrumentos de proteção.
Além do recebimento de denúncias, a Comissão tem duas Além disso, igualmente não existe hierarquia entre o
funções: promover e estimular em termos gerais os direitos sistema internacional, seja global ou interamericano, e o
humanos através da elaboração de relatórios gerais; elaborar sistema jurídico dos países. A tendência e o propósito da
estudos e relatórios sobre a situação dos direitos humanos nos coexistência de distintos instrumentos jurídicos que garantem
países membros da OEA; realizar visitas in loco aos países os mesmos direitos é no sentido de ampliar e fortalecer a
membros e, apresentar um Relatório Anual na qual são proteção dos direitos humanos, importando em última análise
reproduzidos relatórios finais dos casos concretos, nos quais o grau de eficácia da proteção. Assim será aplicada ao caso
já houve uma decisão sobre a responsabilidade internacional concreto a norma que melhor proteger a vítima seja ela de
dos países denunciados. A publicação de um relatório final no direito internacional ou de direito interno.
Relatório Anual da Comissão divulgado para os Estados
membros da Assembleia Geral da OEA é a sanção mais forte a Fundamentação
que pode estar submetido um Estado, que ainda não tenha
reconhecido a competência da jurisdição da corte Em relação à fundamentação para os direitos humanos é
Interamericana, proveniente do sistema interamericano. possível notar que correntes filosóficas buscam explicar em
A Corte Interamericana, diferentemente da Comissão, é um que momento, qual a origem dos direitos humanos.
órgão de caráter jurisdicional, que foi criado pela Convenção A primeira corrente que deve ser lembrada numa prova, é
Americana sobre Direitos Humanos com o objetivo de a corrente jus filosófico, também chamado de corrente ético
supervisionar o seu cumprimento, como função jurídico. Essa corrente idealizada pelo filosofo Perelman,
complementar a função conferida pela mesma a Comissão. entende que os direitos humanos surgem em decorrência da
Assim, a legitimidade processual para o envio de casos consciência moral do povo.
para a Corte é somente concedida para a Comissão os Estado- A segunda corrente, que também deve ser lembrada no
parte, não sendo permitido o envio de casos pelas próprias momento de se fazer uma prova é a corrente jus naturalista.
vítimas de violações, seus representantes, familiares ou pelas Para esta corrente os direitos humanos são inatos, ínsitos ao
organizações não-governamentais. Para que os casos não ser humano, vale dizer, não se trata de criação humana, mas
sejam encaminhados à Corte primeiramente terão que passar sim valores que precedem a criação humana e existem desde o
pelo exame da Comissão, esgotando o seu procedimento: momento em que o ser humano nasce na sociedade.
Para esta corrente que é extremamente relevante e que
“Art. 61-1. Somente os Estados-parte e a Comissão têm será retomada quando tratarmos das características dos
direito de submeter um caso à decisão da Corte”. direitos humanos, os direitos humanos antecedem a criação do

Direitos Humanos 18
APOSTILAS OPÇÃO

Estado e também das normas, prestando-se a limitação e ao existem em função de uma concepção de dignidade humana.
direcionamento do Estado na execução de políticas que Entretanto, o significado do conceito ‘dignidade humana’ não
conduzam a melhoria das condições de vida do homem. é o mesmo para estas teorias, obviamente. As teorias
Terceira corrente, também deve ser lembrada, é a corrente tradicionais se valeram de um idealismo na construção da
positivista. Para essa corrente que também exprime o ideia de dignidade humana, utilizando, sobretudo, a máxima
momento em que surgem os direitos humanos, na realidade kantiana (KANT, 2008, [s.p]) de que aquilo a que não se pode
eles surgiriam quando advém uma criação normativa, e que ser atribuído um valor, tem dignidade. Em contrapartida, a
refletem aspirações e manifestações presentes na sociedade. teoria crítica propõe construir a dignidade a partir de uma
Para esta corrente, na realidade, somente surgem esses perspectiva material com relação aos processo de lutas pela
direitos no momento em que advém uma alteração normativa implementação de melhores condições de vida. Nesse sentido,
ou uma criação de uma norma que revela, na realidade, o a dignidade, segundo propõe Herrera Flores, deve se
pensamento vigente na sociedade. estruturar sob dois conceitos, quais sejam, atitudes e aptidões
O jurista Alexandre de Morais, de toda sorte, realiza um para lutar pelos processos de implementação de melhores
trabalho de complementação destas correntes o que inclusive condições de vida. Para compreender melhore esta ideia,
se conhece como acertado, o doutrinador aponta que na vejamos o que diz o próprio autor:
realidade os direitos humanos eles se complementam em [...] reafirmamos o que as lutas da humanidade contra as
relação a essas correntes, e por que isso acontece? injustiças e opressões aportaram a tradição ocidental
Porque os direitos humanos surgem a partir da consciência antagonista. Assim fazemos apelando ao sufixo latino tudine,
moral do povo e revelam valores de ordem superior presentes que significa “o que faz algo”. Por exemplo, multidão: o que faz
e inatos a todos os serem humanos, que passam a ser muitos, o que nos une a outros. Então, das nossas lutas
reconhecidos pelo ordenamento jurídico vigente na sociedade. antagonistas, propomos uma idéia de dignidade baseada em
Portanto, em que pesem as distinções das correntes aqui dois conceitos que compartilham tal sufixo latino: a atitude, ou
apresentadas, é possível identificar um complemento entre consecução de disposições para fazer algo, e a aptidão, ou
elas, e em uma prova, seria importante concluir o raciocínio aquisição do suficiente poder e capacidade para realizar o que
mencionando que todas elas possuem esse caráter estamos dispostos previamente a fazer. Se os direitos
complementar a fim de demonstrar que os direitos humanos, humanos, como produtos culturais ocidentais, facilitam e
eles acabam permeando vários momentos da vida em generalizam a todas e a todos ‘atitudes’ e “aptidões” para fazer,
sociedade. estamos diante da possibilidade de criar ‘caminhos de
dignidade’ que possam ser trilhados não somente por nós, mas
Teoria crítica dos Direitos Humanos. por todos aqueles que não se conformem com as ordens
hegemônicas e queiram enfrentar as “falácias ideológicas” que
Segundo resenha de Nildo Inácio,3 para a reflexão teórica bloqueiam a nossa capacidade cultural de propor alternativas
dominante, os direitos “são” os direitos; quer dizer, os direitos (Herrera flores, 2009, p. 116).
humanos se satisfazem tendo direitos. Os direitos, então, não A teoria proposta por Herrera Flores, além de redefinir ou
seriam mais que uma plataforma para se obter mais direitos. reconceitualizar os direitos humanos como processos de lutas
Nessa perspectiva tradicional, a ideia do “que” são os direitos sociais por dignidade, que adquire sentido, sobretudo, no
se reduz à extensão e à generalização dos direitos. A ideia que contexto de expansão, ao nível global, da ideologia neoliberal
inunda todo o discurso tradicional reside na seguinte fórmula: e suas consequências, situa o objetivo desta teoria que é buscar
o conteúdo básico dos direitos é o “direito a ter direitos”. incluir todas e todos aqueles que foram excluídos dos
Quantos direitos! E os bens que tais direitos devem garantir? processos hierárquicos de acessos aos bens, com uma visão
E as condições materiais para exigi-los ou colocá-los em dos direitos humanos em uma perspectiva que tenha como
prática? E as lutas sociais que devem ser colocadas em prática elemento fundamental a realidade material na qual vivem as
para poder garantir um acesso mais justo a uma vida digna? pessoas, considerando o direito como um instrumento de
Em comparação entre a perspectiva tradicional e a implementação da dignidade, e não um fim em si mesmo.
perspectiva crítica dos direitos humanos, fundamental
diferença existe entre uma teoria e outra em relação a questão Teoria das gerações dos direitos
da neutralidade. A teoria tradicional dos direitos humanos,
aqui considerada aquela que assume as bases de um modelo 1ª geração ou dimensão: direitos civis e políticos:
juspositivista do fenômeno jurídico internacional da dignidade direito à vida, à liberdade, à propriedade, à segurança e à
da pessoa humana, pretende uma teoria pura do direito, ou igualdade, voltados à tutela das liberdades públicas.
seja, afastar ou, no mínimo, neutralizar o comprometimento Expressam poderes de agir, reconhecidos e protegidos pela
ideológico do plano jurídico. É preciso retirar do fenômeno ordem jurídica a todos os seres humanos, independentemente
jurídico tudo aquilo que não seja propriamente jurídico, ou da ingerência do estado, correspondendo ao status negativo
seja, retirar da produção da teoria do direito as questões (negativus ou libertatis) da Teoria de Jellinek, em que ao
políticas e sociais (KELSEN, 2003, p. 1). O que é indivíduo é reconhecida uma esfera individual de liberdade
diametralmente oposto da teoria crítica dos direitos humanos, imune à intervenção estatal;
ou seja, esta é uma teoria comprometida com os anseios 2ª geração ou dimensão: direitos sociais, econômicos e
sociais (HERRERA FLORES, 2001, p. 85 a 91), onde “o desafio culturais: direitos de cunho positivo, que exigem prestações
consiste em nos defender da avalanche ideológica provocada positivas do Estado para a realização da justiça social e do
por um neoliberalismo agressivo e destruidor das conquistas bem-estar social, além das liberdades sociais: liberdade de
sociais” (HERRERAFLORS, 2001, p. 72) Ressalta-se que o sindicalização, direito de greve e direitos trabalhistas. São
fundamento da ‘impureza’ da teoria crítica reside justamente pretensões do indivíduo ou do grupo ante o Estado, exigindo a
na alienação do real, do vivido, pela teoria tradicional sua intervenção para atendimento das necessidades do
(HERRERA FLORES, 2009, p. 86). indivíduo, correspondendo ao status positivo (positivus ou
Não seria engano dizer que em um aspecto ambas as civitatis) da Teoria de Jellinek: ao indivíduo é possível exigir do
perspectivas aqui discutidas dos direitos humanos Estado determinadas prestações positivas;
concordam. Trata-se da afirmação de que os direitos humanos

3Os direitos humanos a partir da perspectiva crítica de Joaquim Herrera Flores.


http://www.oab-sc.org.br/artigos/os-direitos-humanos-partir-perspectiva-
critica-joaquim-herrera-flores/176

Direitos Humanos 19
APOSTILAS OPÇÃO

3ª geração ou dimensão: direitos de solidariedade ou orientará pela observância desse princípio ao se relacionar
de fraternidade: direito ao meio-ambiente ecologicamente com os demais países da ordem internacional, é porque
equilibrado, à segurança, à paz, à solidariedade universal, ao assume que os direitos humanos são um tema global, de
desenvolvimento, à comunicação e à autodeterminação dos legítimo interesse da comunidade internacional.
povos. Não têm por finalidade a liberdade ou igualdade A partir do momento em que o Brasil se propõe a
individual, mas preservar a própria existência do grupo. fundamentar suas relações com base na prevalência dos
Destinam-se à proteção do homem em coletividade social, direitos humanos, está ao mesmo tempo reconhecendo a
sendo de titularidade difusa ou coletiva; existência de limites e condicionamentos à noção de soberania
4ª geração ou dimensão: direitos de globalização e estatal. Isto é, a soberania do Estado brasileiro fica submetida
universalização: direito à democracia direta, ao pluralismo, à a regras jurídicas, tendo como parâmetro obrigatório a
informação e os direitos relacionados à biotecnologia. prevalência dos direitos humanos. Rompe-se com a concepção
Constituem a base de legitimação de uma possível globalização tradicional de soberania estatal absoluta, reforçando o
política e concretização da sociedade universal e aberta do processo de sua flexibilização e relativização em prol da
futuro. proteção dos direitos humanos. Esse processo é condizente
José Adércio Leite Sampaio, com reservas no sentido de com as exigências do Estado Democrático de Direito
que, em função do multiplicado mundo das necessidades, constitucionalmente pretendido.
encontramos as quatro gerações, de alguma forma, presentes, Ao lado do princípio da prevalência dos direitos humanos,
e atentos a uma mescla de tempo de surgimento com a a ênfase na proteção desses direitos vem reforçada a partir de
estrutura dos direitos, admite a classificação dos direitos valores inovadores a guiar o Brasil no contexto internacional,
fundamentais em gerações: a dos direitos civis e políticos – como o princípio do repúdio ao terrorismo e ao racismo, a
respondem a necessidades de liberdade e participação concessão de asilo político e a cooperação entre os povos para
máximas com igualdade e solidariedade mínimas, projetadas o progresso da humanidade (vide o art. 4º, incs. VIII, IX, X).
em direitos mais nacionais que internacionais; a dos direitos Além das inovações introduzidas pelo artigo 4º, ao
sociais, econômicos e culturais, como projeções de igualdade consagrar princípios inovadores a reger o Brasil no cenário
máxima, participação, liberdade e solidariedade mínimas, internacional, um outro dispositivo merece destaque, qual seja
promovidos tanto no plano interno quanto internacional; a dos o artigo 5º, § 2º. Ao fim da extensa Declaração de Direitos
direitos de fraternidade pressupõem máximas solidariedade, enunciada pelo artigo 5º, a Carta de 1988 estabelece que os
igualdade, liberdade e participação. São os direitos de síntese: direitos e garantias expressos na Constituição "não excluem
paz, desenvolvimento, meio ambiente ecologicamente outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados,
equilibrado, biodireitos, direitos virtuais e comunicacionais, as ou dos tratados internacionais em que a República Federativa
minorias, a mulher, a criança, o idoso e os portadores de do Brasil seja parte". Ademais, observa que os tratados e
necessidades especiais. convenções internacionais sobre direitos humanos que forem
5ª geração ou dimensão: direito à paz. Trata-se de aprovados, em cada Casa do Congresso Nacional, em dois
concepção intelectual defendida por Paulo Bonavides, após os turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros,
atentados de 11 de setembro. Há quem defenda, no entanto serão equivalentes às emendas constitucionais.
que essa dimensão dos direitos humanos se referiria aos A Constituição de 1988 inova, assim, ao incluir, dentre os
direitos virtuais, cibernéticos etc. direitos constitucionalmente protegidos, os direitos
enunciados nos tratados internacionais de que o Brasil seja
signatário. Ao efetuar tal incorporação, a Carta está a atribuir
aos direitos internacionais uma hierarquia especial e
4. Direitos Humanos na diferenciada: a hierarquia de norma constitucional.
Constituição Federal. Conjugando os artigos 1º, III, 4º e 5º, § 2º, outra conclusão
não resta senão a aceitação pelo texto constitucional do
alcance universal dos direitos humanos.
Quanto ao caráter indivisível, interdependente e inter-
A Constituição Federal de 1988 assegura a proteção dos relacionado dos direitos humanos, ressalte-se que a Carta de
direitos humanos, a partir das noções de universalidade e 1988 é a primeira Constituição que integra ao elenco dos
indivisibilidade destes direitos. direitos fundamentais, os direitos sociais, que nas Cartas
Com relação à universalidade dos direitos humanos, anteriores restavam pulverizados no capítulo pertinente à
atenta-se que a Constituição de 1988, ao eleger o valor da ordem econômica e social. A opção da Carta é clara ao afirmar
dignidade humana como princípio fundamental da ordem que os direitos sociais são direitos fundamentais, sendo pois
constitucional, compartilha da visão de que a dignidade é inconcebível separar os valores liberdade (direitos civis e
inerente à condição de pessoa, ficando proibida qualquer políticos) e igualdade (direitos sociais, econômicos e
discriminação. O texto enfatiza que todos são essencialmente culturais).
iguais e assegura a inviolabilidade dos direitos e garantias Logo, a Constituição Brasileira de 1988 acolhe a concepção
fundamentais. contemporânea de direitos humanos, ao reforçar a
Além de afirmar o alcance universal dos direitos humanos, universalidade e a indivisibilidade desses direitos.4
o texto constitucional ainda reforça essa concepção, na medida
em que realça que os direitos humanos são tema do legítimo Dispositivos Constitucionais
interesse da comunidade internacional, transcendendo, por
sua universalidade, as fronteiras do Estado. Os direitos humanos da Constituição Federal de 1988, são
Essa concepção está embasada na interpretação de dois os que tomaram por base os reconhecidos no âmbito
dispositivos inéditos na história constitucional brasileira: o internacional e foram positivados como “Direitos e garantias
artigo 4º, II e o artigo 5º, parágrafo 2º, da Constituição de 1988. fundamentais”.
À luz da Carta de 1988, dentre os princípios a reger o Brasil A Constituição de 1988, em seu Título II, classifica o gênero
nas relações internacionais, destaca-se ineditamente o “direito e garantias fundamentais” em cinco espécies:
princípio da prevalência dos direitos humanos. Se o Brasil se 1. Direitos individuais;

4 A PROTEÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS NO SISTEMA CONSTITUCIONAL

BRASILEIRO. Flávia Piovesan. Disponível em:


http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/revistaspge/revista5/5rev4.htm

Direitos Humanos 20
APOSTILAS OPÇÃO

2. Direitos coletivos; decorreria dos avanços no campo da engenharia genética, ao


3. Direitos sociais; colocarem em risco a própria existência humana, por meio da
4. Direitos à nacionalidade; manipulação genética.
5. Direitos políticos. Por outro lado, o Professor Paulo Bonavides, afirma que
em razão do processo de globalização econômica, com
Evolução Histórica dos Direitos Fundamentais consequente afrouxamento da soberania do Estado Nacional,
existe uma tendência de globalização dos direitos
Alguns autores apontam como marco inicial dos direitos fundamentais, de forma a universalizá-los
fundamentais a Magna Carta Inglesa (1215). Os direitos ali institucionalmente, sendo a única que realmente interessaria
estabelecidos, entretanto, não visavam a garantir uma esfera aos povos da periferia, citando como exemplos: o direito à
irredutível de liberdades aos indivíduos em geral, mas, sim, democracia, à informação e ao pluralismo.
essencialmente, a assegurar poder político aos barões
mediante a limitação dos poderes do rei. (Marcelo Alexandrino 5) Direitos da quinta geração: Em que pese
e Vicente Paulo) doutrinadores enquadrarem os direitos humanos de quinta
A positivação dos direitos fundamentais deu-se a partir da geração como sendo os que envolvam a cibernética e a
Revolução Francesa, com a Declaração dos Direitos do Homem informática. Paulo Bonavides, vê na quinta geração o espaço
(em 1789), e das declarações de direitos formuladas pelos para o direito à paz, chegando a afirmar que a paz é axioma
Estados Americanos, ao firmarem sua independência em da democracia participativa, ou ainda, supremo direito da
relação à Inglaterra (Virgínia Bill of Rights, em 1776). humanidade.
Originam-se, assim, as Constituições liberais dos Estados Vale observar que ainda que se fale em gerações, não existe
ocidentais dos séculos XVIII e XIX. qualquer relação de hierarquia entre estes direitos, mesmo
Os primeiros direitos fundamentais têm o seu surgimento porque todos interagem entre si, de nada servindo um sem a
ligado à necessidade de se imporem limites e controles aos existência dos outros. Esta nomenclatura adveio apenas em
atos praticados pelo Estado e suas autoridades constituídas. decorrência do tempo de surgimento, na eterna e constante
Nasceram, pois, como uma proteção à liberdade do indivíduo busca do homem por mais proteção e mais garantias, com o
frente à ingerência abusiva do Estado. Por esse motivo – por objetivo de alcançar uma sociedade mais justa, igualitária e
exigirem uma abstenção, um não-fazer do Estado em respeito fraterna.
à liberdade individual – são denominados direitos negativos,
liberdades negativas, ou direitos de defesa. Diferença entre Direitos e Garantias

Evolução dos Direitos Fundamentais No ordenamento jurídico pode ser feita uma distinção
entre normas declaratórias, que estabelecem direitos, e
Os direitos fundamentais foram sendo reconhecidos pelos normas assecuratórias, as garantias, que asseguram o
textos constitucionais e pelo ordenamento jurídico dos países exercício desses direitos. Assim, os direitos são bens e
de forma gradativa e histórica, aos poucos, os autores vantagens prescritos na norma constitucional, enquanto as
começaram a reconhecer as gerações destes, podendo ser garantias são os instrumentos através dos quais se assegura o
sintetizadas da seguinte forma: exercício dos aludidos direitos (preventivamente) ou
prontamente os repara, caso violados.
1) Direitos de primeira geração: Surgidos no século XVII, Convém ressaltar que as garantias de direito fundamental
eles cuidam da proteção das liberdades públicas, ou seja, os não se confundem com os remédios constitucionais. As
direitos individuais, compreendidos como aqueles inerentes garantias constitucionais são de conteúdo mais abrangente,
ao homem e que devem ser respeitados por todos os Estados, incluindo todas as disposições assecuratórias de direitos
como o direito à liberdade, à vida, à propriedade, à previstas na Constituição. Vejamos dois exemplos:
manifestação, à expressão, ao voto, entre outros. São limites - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo
impostos à atuação do Estado. assegurado o livre-exercício dos cultos religiosos – art. 5º, VI
(direito) -, garantindo-se na forma da lei a proteção aos locais
2) Direitos de segunda geração: Correspondem aos de culto e suas liturgias (garantia).
direitos de igualdade, significa um fazer do Estado em prol dos - direito ao juízo natural (direito) – art. 5º, XXXVII, veda a
menos favorecidos pela ordem social e econômica. Passou-se instituição de juízo ou tribunal de exceção (garantia).
a exigir do Estado sua intervenção para que a liberdade do Os direitos e garantias previstos no art. 5.º da CF têm como
homem fosse protegida totalmente (o direito à saúde, ao destinatários as pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou
trabalho, à educação, o direito de greve, entre outros). Veio estrangeiras, públicas ou privadas ou mesmo entes
atrelado ao Estado Social da primeira metade do século despersonalizados nacionais (massa falida, espólio, etc.),
passado. A natureza do comportamento perante o Estado estrangeiros residentes ou estrangeiros de passagem pelo
serviu de critério distintivo entre as gerações, eis que os de território nacional.
primeira geração exigiam do Estado abstenções (prestações
negativas), enquanto os de segunda exigem uma prestação Abrangência: Rol Exemplificativo
positiva.
Trata-se de um rol exemplificativo e não um rol taxativo
3) Direitos de terceira geração: Os chamados de na medida em que os direitos e garantias expressos na
solidariedade ou fraternidade, voltados para a proteção da Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos
coletividade. As Constituições passam a tratar da preocupação princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em
com o meio ambiente, da conservação do patrimônio histórico que a República Federativa do Brasil seja parte (art. 5º, § 2º).
e cultural, etc. A partir destas, vários outros autores passam a - Os direitos fundamentais formalmente constitucionais
identificar outras gerações, ainda que não reconhecidas pela são aqueles expressamente previstos na Constituição, em
unanimidade de todos os doutrinadores. qualquer dispositivo de seu texto.
- Os direitos fundamentais materialmente
4) Direitos de quarta geração: Segundo orientação de constitucionais são aqueles que não estão previstos no texto
Norberto Bobbio, a quarta geração de direitos humanos está da Constituição Federal de 1988, mas sim em outras normas
ligada à questão do biodireito. Referida geração de direitos jurídicas. Esses direitos fundamentais materialmente

Direitos Humanos 21
APOSTILAS OPÇÃO

constitucionais não possuem hierarquia constitucional, exceto - Estrangeiros residentes e apátridas. A expressão
se previstos em tratados e convenções internacionais sobre “residentes no Brasil” deve ser interpretada no sentido de que
direitos humanos aprovados na forma do art. 5º, § 32, da a carta federal só pode assegurar a validade e gozo dos direitos
Constituição Federal. fundamentais dentro do território brasileiro, não excluindo,
- Os direitos fundamentais catalogados são aqueles pois, o estrangeiro em trânsito pelo território nacional, que
enumerados no catálogo próprio dos direitos fundamentais, possui igualmente acesso às ações.
no Título II da Constituição Federal (arts. 5º ao 17). Assim sendo, temos os direitos e garantias previstos no art.
- Os direitos fundamentais fora do catálogo são todos os 5.º da CF têm como destinatários as pessoas físicas ou
previstos fora do catálogo dos direitos fundamentais, em jurídicas, nacionais ou estrangeiras, públicas ou privadas ou
outros artigos da Constituição. O direito ao meio ambiente, por mesmo entes despersonalizados nacionais (massa falida,
exemplo, é um direito fundamental de terceira geração, espólio, etc.).
previsto no art. 225 do Texto Maior (não catalogado,
portanto). DIREITO À VIDA:

Aplicabilidade O direito à vida, previsto de forma genérica no art. 5º,


caput, abrange tanto o direito de não ser morto, privado de
Nos termos do art. 5º, § 1º dispõe que as normas vida, portanto, o direito de continuar vivo, como também o
definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm direito de ter uma vida digna.
aplicação imediata. Esse comando constitucional, embora
inserto no art. 5º da Constituição, não tem sua aplicação 1) Direito de Não Ser Morto:
restrita aos direitos e garantias fundamentais individuais e a) Proibição da pena de morte: (art. 5.º, XLVII, “a”)
coletivos arrolados nos incisos deste mesmo artigo. A CF assegura o direito de não ser morto quando proíbe a
Sua incidência alcança as diferentes classes de direitos e pena de morte. A aplicação da pena de morte só é permitida
garantias fundamentais de nossa Carta Magna, ainda que em caso de guerra externa declarada. Não é possível a
indicados fora do catálogo próprio, a eles destinado (arts. 5º introdução da pena de morte por Emenda Constitucional, visto
ao 17). que o direito à vida é direito individual e o art. 60, § 4.º, dispõe
Contudo, essa regra de aplicação imediata, não é absoluta. que os direitos individuais não poderão ser modificados por
Embora a regra seja a eficácia e a aplicabilidade imediata dos emenda (cláusula pétrea, imutável).
direitos fundamentais, o fato é que existem direitos Também não seria possível um plebiscito para a
fundamentais que consubstanciam normas de eficácia introdução da pena de morte, tendo em vista que a própria CF
limitada, dependentes de regulamentação por lei para a estabelece suas formas de alteração e o plebiscito não está
produção de seus efeitos essenciais. incluído nessas formas. A única maneira de se introduzir a
pena de morte no Brasil seria a confecção de uma nova
Características Constituição pelo poder originário.

Segundo o Professor José Afonso da Silva; direitos e b) Proibição do aborto: O legislador infraconstitucional
garantias fundamentais são aquelas prerrogativas e pode criar o crime de aborto ou descaracterizá-lo, tendo em
instituições que o Direito Positivo concretiza em garantias de vista que a CF não se referiu ao aborto expressamente,
uma convivência digna, livre e igual de todas as pessoas, são simplesmente garantiu a vida. Assim, o Código Penal (CP), na
considerados indispensáveis. parte que trata do aborto, foi recepcionado pela Constituição
Vejamos as seguintes características: Federal.
- Historicidade: são produtos da evolução histórica. O CP prevê o aborto legal em caso de estupro e em caso de
- Inalienabilidade: Não é possível a transferência de risco de morte da mãe. A jurisprudência admite, no entanto, o
direitos fundamentais, a qualquer título ou forma (ainda que aborto eugênico baseado no direito à vida da mãe, visto que
gratuita); nesse caso existe risco de integridade física e psicológica desta.
- Irrenunciabilidade: Não está sequer à disposição do seu Aborto eugênico é aquele concedido mediante autorização
titular, abrir mão de sua existência. Pode até não usá-los judicial nas hipóteses de comprovação científica de
adequadamente, mas não pode renunciar à possibilidade de impossibilidade de sobrevivência extrauterina. Para que o
exercê-los. aborto seja legalizado no Brasil, basta somente à vontade do
- Imprescritibilidade: Não se perdem com o decurso do legislador infraconstitucional, tendo em vista que a CF não
tempo; proibiu nem permitiu esse procedimento.
- Relatividade ou Limitabilidade: Não há nenhuma O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em
hipótese de direito humano absoluto, eis que todos podem ser julgamento realizado no dia 11 de abril de 2012, por maioria
ponderados com os demais. Como esclarece à perfeição André de votos, “julgou procedente o pedido contido na Arguição de
Ramos Tavares, ao afirmar: “não existe nenhum direito humano Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 54,
consagrado pelas constituições que se possa considerar ajuizada na Corte pela Confederação Nacional dos
absoluto, no sentido de sempre valer como máxima a ser Trabalhadores na Saúde (CNTS), para declarar a
aplicada nos casos concretos, independentemente da inconstitucionalidade de interpretação segundo a qual a
consideração de outras circunstâncias ou valores interrupção da gravidez de feto anencefálico é conduta
constitucionais”. Nesse sentido, é correto afirmar que os tipificada nos artigos 124, 126 e 128, incisos I e II, todos do
direitos fundamentais não são absolutos. Código Penal. O ministro Marco Aurélio de Mello, afirmou que
- Universalidade: São reconhecidos em todo o mundo. dogmas religiosos não podem guiar decisões estatais e fetos
Todos os seres humanos têm direitos fundamentais que com ausência parcial ou total de cérebro não têm vida, e por
devem ser devidamente respeitados. isso dava total procedência à ação, no que foi acompanhado
pelos Ministros Rosa Maria Weber, Joaquim Barbosa, Luiz Fux,
Titularidade dos Direitos Individuais e Coletivos Carmem Lúcia, Ayres Britto, Gilmar Mendes e Celso de Mello.
Os ministros entenderam ser também essencial que o
- Brasileiros natos e naturalizados e as pessoas jurídicas Ministério da Saúde crie normas para o aborto de
que sejam constituídas no Brasil de acordo com as leis anencefálicos para garantir a segurança da mulher.
brasileiras.

Direitos Humanos 22
APOSTILAS OPÇÃO

Ademais, em decisão proferida pela 1ª Turma do Supremo que a expressão das atividades intelectual, artística, científica
Tribunal Federal (STF), em 29.11.2016, no julgamento do HC e de comunicação é livre, não se admitindo a censura prévia. É
124.306-RJ, foi afastada a prisão preventiva dos acusados da uma liberdade, no entanto, com responsabilidade, ou seja, se
prática de aborto com o consentimento da gestante. houver algum dano moral ou material a outrem, haverá
Entendendo o ministro relator que é preciso dar interpretação responsabilidade por indenização. O direito do prejudicado se
conforme a Constituição aos artigos 124 a 126 do Código Penal limita à indenização por danos, não se podendo proibir a
– que tipificam o crime de aborto – para excluir do seu âmbito circulação da obra. Apesar de não haver previsão na CF/88
de incidência a interrupção voluntária da gestação efetivada quanto à proibição de circulação de obras, o Judiciário está
no primeiro trimestre. Argumenta que o bem jurídico concedendo liminares, fundamentando-se no fato de que deve
protegido (a vida potencial do feto) é “evidentemente haver uma prevenção para que não ocorra o prejuízo e não
relevante”, mas a criminalização do aborto antes de concluído somente a indenização por isso. Os meios de comunicação são
o primeiro trimestre de gestação viola diversos direitos públicos, sendo concedidos a terceiros. Caso a emissora
fundamentais da mulher, além de não observar apresente programas que atinjam o bem público, ela poderá
suficientemente o princípio da proporcionalidade. sofrer sanções, inclusive a não renovação da concessão.
Veda-se a censura de natureza política, ideológica, artística
c) Proibição da eutanásia: O médico que praticar a (art. 220, § 2º), porém, apesar da liberdade de expressão acima
eutanásia, ainda que com autorização do paciente ou da garantida, lei federal deverá regular as diversões e os
família, estará cometendo crime de homicídio. A eutanásia se espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar
configura quando um médico tira a vida de alguém que teria sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se
condições de vida autônoma. No caso de desligar os aparelhos recomendem, locais e horários em que sua apresentação se
de pessoa que só sobreviveria por meio deles, não configura a mostre inadequada.
eutanásia.
4) Liberdade de Trabalho, Ofício ou Profissão (art. 5.º,
d) Garantia da legítima defesa: O direito de a pessoa não XIII): É assegurada a liberdade de escolher qual a atividade
ser morta legitima que se tire a vida de outra pessoa que que se exercerá. Essa é uma norma de eficácia contida porque
atentar contra a sua própria. tem uma aplicabilidade imediata, no entanto traz a
possibilidade de ter o seu campo de incidência contido por
DIREITO À LIBERDADE meio de requisitos exigidos por lei. A lei exige que certos
requisitos de capacitação técnica sejam preenchidos para que
1) Liberdade de Pensamento (art. 5.º, IV e V): É se possa exercer a profissão (Exemplo: O advogado deve ser
importante que o Estado assegure a liberdade das pessoas de bacharel em direito e obter a carteira da OAB por meio de um
manifestarem o seu pensamento. Foi vedado o anonimato para exame; O engenheiro deve ter curso superior de engenharia;
que a pessoa assuma aquilo que está manifestando caso haja etc.).
danos materiais, morais ou à imagem. O limite na manifestação
do pensamento se encontra no respeito à imagem e à moral 5) Liberdade de Locomoção (art. 5.º, XV): É a liberdade
das outras pessoas. física de ir, vir, ficar ou permanecer. Essa liberdade é
Caso ocorram danos, o ofendido poderá se valer de dois considerada pela CF como a mais fundamental, visto que é
direitos: requisito essencial para que se exerça o direito das demais
a) Indenização por dano material, moral ou à imagem: liberdades. Todas as garantias penais e processuais penais
“São cumuláveis as indenizações por dano material e dano previstas no art. 5.º são normas que tratam da proteção da
moral oriundos do mesmo fato – Súmula n. 37 do STJ”; liberdade de locomoção. Por exemplo, o habeas corpus é
b) Direito de resposta, consiste essencialmente no poder, voltado especificamente para a liberdade de locomoção. Essa
que assiste a todo aquele que seja pessoalmente afetado por norma também é de eficácia contida, principalmente no que
notícia, comentário ou referência saída num órgão de diz respeito à liberdade de sair, entrar e permanecer em
comunicação social, de fazer publicar ou transmitir nesse território nacional. A lei pode estabelecer exigências para sair,
mesmo órgão, gratuitamente, um texto seu desmentido, entrar ou permanecer no país, visando a proteção da soberania
retificação ou apresentando defesa a esta informação. Este nacional.
instrumento deve realmente ser usado para defesa e não para
ataque ao ofensor. Se o direito de resposta for negado pelo 6) Liberdade de Reunião (art. 5.º, XVI): É a permissão
veículo de comunicação, caberá medida judicial. constitucional para um agrupamento transitório de pessoas
com o objetivo de trocar ideias para o alcance de um fim
2) Liberdade de Consciência, de Crença e de Culto (art. comum. O direito de reunião pode ser analisado sob dois
5.º, VI, VII e VIII): A liberdade de consciência refere-se à visão enfoques: De um lado a liberdade de se reunir para decidir um
que o indivíduo tem do mundo, ou seja, são as tendências interesse comum e de outro lado à liberdade de não se reunir,
ideológicas, filosóficas, políticas, etc. de cada indivíduo. A ou seja, ninguém poderá ser obrigado a reunir-se. Para a
liberdade de crença tem um significado de cunho religioso, ou caracterização desse direito, devem ser observados alguns
seja, as pessoas têm a liberdade de cultuar o que elas requisitos a fim de que não se confunda com o direito de
acreditam. A CF proíbe qualquer distinção ou privilégio entre associação. São eles:
as igrejas e o Estado. O que se prevê é que o Estado poderá a) Pluralidade de participantes: Trata-se de uma ação
prestar auxílio a qualquer igreja quando se tratar de coletiva, ou seja, deve haver várias pessoas para que possa
assistência à saúde, à educação, etc. Seja qual for à crença, o haver uma reunião. A diferença é que, na reunião, não existe
indivíduo tem direito a praticar o culto. A CF/88 assegura, um vínculo jurídico entre as pessoas reunidas, diferentemente
também, imunidade tributária aos templos quando se tratar de da associação, em que as pessoas estão vinculadas
qualquer valor auferido em razão de realização do culto. juridicamente.
Ainda, a CF assegura o atendimento religioso às pessoas que se b) Tempo: A reunião tem duração limitada, enquanto na
encontrem em estabelecimentos de internação coletiva, como associação, a duração é ilimitada.
manicômios, cadeias, quartéis militares, etc. c) Finalidade: A reunião pressupõe uma organização com
o propósito determinado de atingir certo fim. É a finalidade
3) Liberdade de Atividade Intelectual, Artística, que vai distinguir a reunião do agrupamento de pessoas. Essa
Científica e de Comunicação (art. 5.º, IX): A CF estabelece finalidade deve ter determinadas características, ou seja, a

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APOSTILAS OPÇÃO

reunião deve ter uma finalidade lícita, pacífica e não deve do mesmo sexo. Com base no mesmo entendimento, a
haver armamento. Suprema Corte, deu interpretação conforme ao art. 1.723 do
d) Lugar: Deve ser predeterminado para a realização da Código Civil, para assegurar o reconhecimento da união entre
reunião. Não é necessária a autorização prévia para que se pessoas do mesmo sexo de forma contínua, pública e
realize a reunião, no entanto, o Poder Público deve ser avisado duradoura como entidade familiar.
com antecedência para que não se permita que haja reunião de
grupos rivais em mesmo local e horário. O objetivo do aviso ao DIREITO À SEGURANÇA
Poder Público também é garantir que o direito de reunião
possa ser exercitado com segurança. A CF, no caput do art. 5.º, quando fala de segurança, está se
O direito de reunião tem algumas restrições, quais sejam: referindo à segurança jurídica. Refere-se à segurança de que as
- Não pode ser uma reunião que tenha por objetivo fins agressões a um direito não ocorrerão e, se ocorrerem, existirá
ilícitos; uma eventual reparação pelo dano que a pessoa tenha. O
- Não pode haver reunião que não seja pacífica e não deve Estado deve atuar no sentido de preservar as prerrogativas
haver utilização de armas (art. 5.º, XLIV). A presença de dispostas nas normas jurídicas. Não basta ao Estado criar e
pessoas armadas em uma reunião não significa, no entanto, reconhecer direitos ao indivíduo; tem o dever de zelar por eles,
que a reunião deva ser dissolvida. Nesse caso, a polícia deve assegurando a todos o exercício, com a devida tranquilidade,
agir no sentido de desarmar a pessoa, mas sem dissolver a do direito a vida, integridade física, liberdade, propriedade etc.
reunião. Em caso de passeata, não poderá haver nenhuma
restrição quanto ao lugar em que ela será realizada; 1) Acesso ao Poder Judiciário (art. 5.º, XXXV): A
- Durante o Estado de Defesa (art. 136, § 1.º, I, “a”) e o competência para dar segurança jurídica é do Poder Judiciário.
Estado de Sítio (art. 139, IV), poderá ser restringido o direito É por meio do acesso ao Poder Judiciário que as pessoas
de reunião. conseguem a segurança jurídica. Diante de uma agressão ou de
- Este direito poderá ser exercido independentemente de ameaça de agressão a um direito, a pessoa poderá ir ao
prévia autorização do Poder Público, desde que não frustre Judiciário e assegurá-lo. Para que o Judiciário tenha o dever de
outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, conceder a segurança jurídica, não é necessário comprovar a
sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. efetiva lesão, ou seja, pode-se, preventivamente, buscar essa
Esse prévio aviso é fundamental para que a autoridade segurança para impossibilitar a lesão ao direito. Esse acesso
administrativa tome as providências necessárias relacionadas tem uma exceção no art. 217, §1.º, da CF/88, que prevê que,
ao trânsito, organização etc. em casos relativos aos esportes, deve antes haver uma decisão
da Justiça Desportiva para que se possa recorrer ao Judiciário.
7) Liberdade de Associação (art. 5.º, XVII a XXI): Também na lei que regulamenta o habeas data, existe a
Normalmente, a liberdade de associação se manifesta por meio disposição de que se devem esgotar os meios administrativos
de uma reunião. Logo, existe uma relação muito estreita entre para que se possa, então, recorrer ao Judiciário.
a liberdade de reunião e a liberdade de associação. A reunião é
importante para que se exerça a associação, visto que 2) Direito à petição (art. 5.º, XXXIV, “a”): O inc. XXXIV
normalmente a associação começa com uma reunião. É o do art. 5.º da CF estabelece que, independentemente do
direito de coligação voluntária de algumas ou muitas pessoas pagamento de taxas, a todos são assegurados:
físicas, por tempo indeterminado, com o objetivo de atingir um a) O direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de
fim lícito sob direção unificante. A associação, assim como a direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder. Pode a petição
reunião, é uma união de pessoas que se distingue pelo tempo, ser dirigida a qualquer autoridade do Executivo, do Legislativo
visto que o objetivo que se quer alcançar não poderá ser ou do Judiciário e a autoridade a quem é dirigida deve apreciá-
atingido em um único momento na associação, enquanto na la, motivadamente, mesmo que apenas para rejeitá-la, pois o
reunião, o objetivo se exaure em tempo determinado. silêncio pode caracterizar o abuso de autoridade por omissão.
b) O direito de petição, classificado como direito de
DIREITO À IGUALDADE participação política, pode ser exercido por pessoa física ou
jurídica e não precisa observar forma rígida. Não se exige
O inciso I do art. 5º traz, em seu bojo, um dos princípios interesse processual, pois a manifestação está fundada no
mais importantes existentes no ordenamento jurídico interesse geral de cumprimento da ordem jurídica.
brasileiro, qual seja, o princípio da isonomia ou da igualdade. c) O direito de petição não se confunde como direito de
Tal princípio igualou os direitos e obrigações dos homens e ação, já que, por este último, busca-se uma tutela de índole
mulheres, todavia, permitindo as diferenciações realizadas jurisdicional e não administrativa.
nos termos da Constituição.
Quando falamos em igualdade, podemos fazer a distinção 3) Assistência jurídica (art. 5.º, LXXIV): Para se pedir em
entre igualdade material e igualdade formal. A igualdade juízo, a CF exige que o pedido seja formulado por um
material é aquela efetiva, onde realmente é possível perceber advogado. Às vezes, também é necessária a produção de
que há aplicabilidade da máxima que “os iguais serão tratados provas. Para garantir que aqueles que não possuem condições
igualmente e os desiguais desigualmente, na medida de suas financeiras possam ter acesso ao Poder Judiciário, portanto, o
desigualdades”. Já, a igualdade formal é aquela explicitada pela Estado tomou para si o dever de fornecer a assistência jurídica.
lei, que nem sempre é vista na realidade de modo efetivo. Desta
maneira, é importante salientar que nem sempre a igualdade 4) Devido Processo Legal (art. 5.º, LIV): A prestação
formal corresponde à igualdade material. jurisdicional deve respeitar o devido processo legal. Quando se
Tal princípio vem sendo muito discutido ultimamente, trata dessa questão, observa-se um duplo acesso. Por um lado,
principalmente no que diz respeito às cotas raciais utilizadas dispõe que o Estado, sempre que for impor qualquer tipo de
pelos negros com a finalidade de ingressarem em faculdades restrição ao patrimônio ou à liberdade de alguém, deverá
públicas. seguir a lei. Por outro lado, significa que todos têm direito à
De acordo com entendimento firmado pelo Supremo jurisdição prestada nos termos da lei, ou seja, a prestação
Tribunal Federal, de forma vinculante, ninguém pode ser jurisdicional deve seguir o que está previsto em lei. O respeito
privado de direitos, nem sofrer quaisquer restrições de ordem à forma é uma maneira de garantir a segurança.
jurídica, em razão de sua orientação sexual, como, por
exemplo, a percepção de benefício pela morte de companheiro

Direitos Humanos 24
APOSTILAS OPÇÃO

5) Juiz natural (art. 5.º, LIII): A decisão de um caso determinados campos, entretanto, a CF tem o cuidado de
concreto deve ser feita pelo Juiz natural que é o Juiz ou o reforçá-lo, aplicando-o especificamente a cada área. Esse é,
Tribunal investido de poder pela lei para dizer o direito no então, o princípio da estrita legalidade. Para que o
caso concreto, ou seja, é o Juiz ou Tribunal que tem a comportamento seja punido pelo Estado, se o crime estiver
competência, previamente expressa, para julgar determinado descrito em lei e se essa lei for anterior ao comportamento
caso concreto. Discute-se, hoje, a existência ou não do ilícito, somente poderá ser aplicada a pena que a lei
princípio do Promotor Natural, que seria extraído da locução; estabelecer.
processar, prevista no inc. LIII do art. 5.º da CF. Conforme
leciona Nelson Nery; no âmbito interno do Ministério Público, b) Princípio da irretroatividade (exceção, art. 5.º, XL): Há
o princípio do Promotor Natural incide para restringir os um reforço nessa ideia quando se trata de matéria penal. O
poderes do Procurador-Geral de Justiça de efetuar próprio Direito Penal, entretanto, excepciona esse princípio,
substituições, designações e delegações, que devem ou seja, há a possibilidade de retroatividade da lei no tempo
circunscrever-se aos casos taxativamente enumerados na lei, para beneficiar o réu.
sendo vedado ao chefe do parquet (promotor), em qualquer
hipótese, a avocação do caso afeto ao Promotor Natural. Existem algumas outras garantias previstas na CF/88,
6) Vedação a Juízes e Tribunais de exceção (art. 5.º, quais sejam:
XXXVII): A nossa ordem jurídica não admite que sejam criados
Tribunais ou designados Juízes especialmente para decidir um - Princípio da incomunicabilidade da pena: A pena não
caso concreto (Juízes ou Tribunais de exceção). Qualquer tipo pode passar da pessoa do criminoso. A CF prevê somente uma
de Tribunal de exceção significa um atentado à imparcialidade hipótese de comunicabilidade da pena, que é o caso de
da Justiça, comprometendo a segurança jurídica. indenização, quando os sucessores respondem por ela até o
quinhão da herança (inc. XLV);
7) Contraditório e ampla defesa (art. 5.º, LV): Deve-se
respeitar o contraditório e a ampla defesa como requisitos - Garantia de que determinado tipo de pena não será
para que o devido processo legal seja respeitado. O aplicada: Há limitação à própria atividade do Estado. Existem
contraditório é a possibilidade que deve ser assegurada, a penas que o legislador não poderá cominar, quais sejam: pena
quem sofrer uma imputação em juízo, de contraditar essa de morte, pena de caráter perpétuo, pena de trabalho forçado,
imputação, ou seja, de apresentar a sua versão dos fatos. A pena de banimento e penas cruéis. A pena será cumprida em
ampla defesa significa que as partes devem ter a possibilidade estabelecimentos distintos, assegurando a divisão por sexo,
de produzir todas as provas que entendam necessárias ao idade e gravidade do delito;
esclarecimento dos fatos e ao convencimento do Juiz.
Excepcionam-se apenas as provas obtidas por meio ilícito. Há - Princípio do Juiz natural: Ninguém poderá ser
também a garantia do duplo grau de jurisdição, ou seja, a sentenciado nem preso senão pela autoridade competente;
pessoa vencida e inconformada com a decisão tem o direito a
uma revisão dessa decisão, que será sempre feita por um juízo - Princípio da presunção de inocência: Todos são inocentes
colegiado. até que se prove o contrário. Ninguém será considerado
culpado até o trânsito em julgado da sentença. Somente
8) Isonomia: Deve haver um tratamento isonômico. A poderá ser preso aquele que for pego em flagrante ou tiver
isonomia entre as partes decorre de um princípio disposto na ordem escrita fundamentada pela autoridade judiciária
CF. Todos os órgãos públicos deverão dar tratamento competente.
isonômico para as partes (Exemplo: Se o Juiz dá o direito a uma
das partes de apresentar uma outra prova, ele deverá, - Proibição da prisão civil por dívidas, salvo no caso de
obrigatoriamente, dar o mesmo direito à outra parte). devedor de pensão alimentícia (inc. LXVII): A prisão civil é
medida privativa de liberdade, sem caráter de pena, com a
9) Motivação das decisões: Toda a decisão judicial deverá finalidade de compelir o devedor a satisfazer uma obrigação.
ser motivada, visto que uma decisão sem motivação Nos termos da Constituição Federal a prisão civil será cabível
desobedece ao devido processo legal e será considerada em duas situações, no caso de inadimplemento voluntário e
inválida. inescusável de obrigação alimentícia e no caso do depositário
infiel. Porém, o Pacto de San José da Costa Rica, ratificado pelo
10) Publicidade: O Juiz deve dar publicidade de todas as Brasil (recepcionado de forma equivalente a norma
decisões que ele proferir e todos os atos serão públicos. constitucional), autoriza a prisão somente em razão de dívida
alimentar. Desta forma, não se admite, por manifesta
11) Segurança em Matéria Penal: Quando se trata de inconstitucionalidade, a prisão civil por dívida no Brasil, quer
segurança em matéria penal, a CF tomou mais cuidado, tendo do alienante fiduciário, quer do depositário infiel. O Supremo
em vista a competência punitiva do Estado. Essa competência Tribunal Federal firmou o entendimento de que só é possível
punitiva tem, entretanto, limites, visto que a aplicação da pena a prisão civil do responsável pelo inadimplemento voluntário
vai restringir a liberdade física de locomoção e que os demais e inescusável de obrigação alimentícia. Nesse sentido, foi
direitos têm ligação estreita com o direito à liberdade de editada a Súmula Vinculante nº 25: “É ilícita a prisão civil de
locomoção. A pena somente poderá ser aplicada se estiver depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do
prevista anteriormente em lei e na forma prevista em lei, depósito”.
seguindo um procedimento específico também previsto em lei.
A aplicação da pena, portanto, está vinculada à disposição DIREITO A PROPRIEDADE
legal.
O inc. XXIII do art. 5.º da Constituição Federal dispõe que a
12) Princípios processuais gerais: Os princípios propriedade atenderá à sua função social, demonstrando que
processuais gerais estão presentes na matéria penal, ou seja, o conceito constitucional de propriedade é mais amplo que o
deverão sempre ser aplicados. conceito definido pelo Direito privado. O Direito Civil trata das
relações civis e individuais pertinentes à propriedade, a
a) Princípio da estrita legalidade penal (art. 5.º, XXXIX): A exemplo da faculdade de usar, gozar e dispor de bens em
CF dispõe sobre o princípio genérico da legalidade. Em caráter pleno e exclusivo, direito esse oponível contra todos,

Direitos Humanos 25
APOSTILAS OPÇÃO

enquanto a Constituição Federal sujeita a propriedade às colisão com outros direitos fundamentais, individuais ou
limitações exigidas pelo bem comum. Impõe à propriedade um sociais.
interesse social que pode até mesmo não coincidir com o III - No âmbito das relações de submissão, os direitos
interesse do proprietário. fundamentais acabam submetidos por outros direitos
O direito de propriedade importa em duas garantias peculiares a tais relações.
sucessivas: de conservação e compensação. IV - Viola o princípio da igualdade toda e qualquer ação
discriminatória, mesmo de caráter afirmativo, produzida pelo
- Garantia de conservação: Ninguém pode ser privado de legislador ou, mesmo, por meio de políticas públicas.
seus bens fora das hipóteses previstas na Constituição. (A) Todas as alternativas são verdadeiras.
(B) Todas as alternativas são falsas.
- Garantia de compensação: Caso privado de seus bens, o (C) Apenas a alternativa I está correta.
proprietário tem o direito de receber a devida indenização, (D) Apenas as alternativas II e III estão corretas.
equivalente aos prejuízos sofridos.
03. (TJ/SE - Técnico Judiciário - Área Judiciária -
Desapropriação é o ato pelo qual o Estado toma para si ou CESPE) Acerca dos direitos fundamentais e do conceito e da
transfere para terceiros bens de particulares, mediante o classificação das constituições, julgue os itens a seguir.
pagamento de justa e prévia indenização. Trata-se de forma Os direitos fundamentais têm o condão de restringir a
originária de aquisição de propriedade. A desapropriação é a atuação estatal e impõem um dever de abstenção, mas não de
forma mais drástica do poder de intervenção do Estado na prestação.
economia, só sendo admissível nas hipóteses especialmente ( ) Certo ( ) Errado
previstas na Constituição. São estas as hipóteses de
desapropriação: 04. (DPE/GO - Defensor Público - UFG) A Constituição
Federal de 1988 é conhecida como a “Constituição Cidadã” em
a) por necessidade pública; função de seu vasto rol de direitos e garantias fundamentais.
b) por utilidade pública; e Nesse sentido,
c) interesse social. (A) o direito à vida é considerado inviolável, razão pela
qual não comporta exceções, sendo inconstitucionais as regras
A indenização paga pelo Poder Público no processo de fixadas no art. 128, incisos i e ii, do código penal, que preveem
desapropriação, para ser juridicamente válida precisa atender aborto necessário e sentimental.
a determinadas exigências constitucionais. Deve ser: (B) os direitos fundamentais diferenciam-se das garantias
fundamentais na medida em que os direitos se declaram,
a) justa (deve ser feita de forma integral, reparando todo o enquanto as garantias têm um conteúdo assecuratório
prejuízo sofrido pelo particular); daqueles
b) prévia (o pagamento deve ser feito antes do ingresso na (C) a característica principal dos direitos fundamentais é a
titularidade do bem); e indivisibilidade, o que significa reconhecer que os direitos
c) em dinheiro (o pagamento deve ser feito em moeda fundamentais não comportam divisão no tempo, sendo,
corrente e não em títulos para pagamento futuro e de liquidez portanto, imprescritíveis.
incerta). (D) a igualdade de todos perante a lei repele qualquer
prática discriminatória ainda que empreendida com propósito
Em linhas gerais, vislumbra-se que a Constituição de 1988 afirmativo.
foi a primeira a estabelecer direitos não só de indivíduos, mas (E) os direitos fundamentais são de titularidade exclusiva
também de grupos sociais, os denominados direitos coletivos. das pessoas naturais, dado que decorrentes do princípio da
Assim, as pessoas passaram a ser coletivamente dignidade da pessoa humana.
consideradas. Por outro lado, pela primeira vez, junto com
direitos foram estabelecidos expressamente deveres Gabarito
fundamentais. Tanto os agentes públicos como os indivíduos
têm obrigações específicas, inclusive a de respeitar os direitos 01.D / 02.B / 03.E / 04.B
das demais pessoas que vivem na ordem social.

5. Declaração Universal dos


Questões
Direitos Humanos.
01. (TJ/MG - Juiz - FUNDEP) Sobre a classificação dos
direitos e garantias fundamentais, assinale a alternativa
CORRETA. A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH)
(A) Direitos individuais e coletivos. foi aprovada pela Resolução nº 217 da Assembleia Geral da
(B) Direitos sociais e políticos. Organização das Nações Unidas (ONU), no dia 10 de dezembro
(C) Direitos de nacionalidade, políticos e partidos políticos. de 1948. O documento é a base da luta universal contra a
(D) Direitos individuais, coletivos, sociais, de opressão e a discriminação, defende a igualdade e a dignidade
nacionalidade, políticos e de partidos políticos. das pessoas e reconhece que os direitos humanos e as
liberdades fundamentais devem ser aplicados a cada cidadão
02. (PGE/AC - Procurador – FMP/RS) Analise as do planeta.
afirmativas abaixo. Os direitos humanos são os direitos essenciais a todos os
I - Somente quando expressamente autorizado pela seres humanos, sem que haja discriminação por raça, cor,
Constituição, o legislador pode restringir ou regular algum gênero, idioma, nacionalidade ou por qualquer outro motivo
direito fundamental. (como religião e opinião política). Eles podem ser civis ou
II - De acordo com a jurisprudência do STF, a liberdade de políticos, como o direito à vida, à igualdade perante a lei e à
expressão ocupa uma posição superior no sistema liberdade de expressão. Podem também ser econômicos,
constitucional brasileiro, prevalecendo sempre em caso de sociais e culturais, como o direito ao trabalho e à educação e
coletivos, como o direito ao desenvolvimento. A garantia dos

Direitos Humanos 26
APOSTILAS OPÇÃO

direitos humanos universais é feita por lei, na forma de da igualdade. Este artigo também faz reconhecimento
tratados e de leis internacionais, por exemplo. explícito sobre a razão e consciência como fundamentos
Deste modo, o objetivo da Declaração Universal dos essenciais à pessoa humana e estabelece a necessidade de
Direitos Humanos é proteger os direitos de todas as pessoas, reciprocidade no tratamento, ou seja, espírito de fraternidade.
sem distinção. De uma maneira geral, seus 30 artigos falam Cabe ressaltar, que nenhuma liberdade individual é
sobre o direito ao trabalho, à saúde, à alimentação, à educação; absoluta, e não deve ser interpretada como justificativa de
direitos sociais, econômicos e culturais, bem como o direito à intervenção ou interferência nos direitos alheios.
vida, a segurança social, à liberdade, direito de ir e vir, Debater o conceito de igualdade não é tarefa simples.
liberdade de expressão e pensamento e, por fim, direitos Diversos filósofos já se enveredaram por esse caminho, no
políticos. entanto, não se tem entre eles um consenso. Contudo, vê-se
que os elementos trazidos pelo pensador grego Aristóteles
Declaração Universal dos Direitos Humanos5 quando trata de igualdade ainda estão presentes no discurso
(Resolução nº 217 – Assembleia Geral da ONU) moderno.
José Afonso da Silva reduz o raciocínio aristotélico a tal
Aprovada pela Res. nº 217, durante a 3ª Sessão Ordinária da colocação: "Aristóteles vinculou a ideia de igualdade à ideia de
Assembleia Geral da ONU, em Paris, França, em 10-12-1948. justiça, mas, nele, trata-se de igualdade de justiça relativa que
dá a cada um o que é seu". Assim, seu pensamento é sintetizado
Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente na célebre epígrafe: “Deve-se tratar os iguais de maneira igual
a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e os desiguais de maneira desigual”. Esse modelo de justiça
e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz pressuporia uma relação de subordinação. O Estado
no mundo, distribuiria as benesses aos cidadãos baseado nos seus
Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos critérios distintivos, os escalonando, benesses semelhantes
humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a entre os semelhantes e benesses díspares entre cidadãos
consciência da humanidade e que o advento de um mundo em dessemelhantes.6
que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da O assunto também foi tratado no art. 5º, caput, da
liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem
proclamado como a mais alta aspiração do homem comum, distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e
Considerando essencial que os direitos humanos sejam aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à
protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” (...).
compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a
opressão, Artigo 2º
Considerando essencial promover o desenvolvimento de Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as
relações amistosas entre as nações, liberdades estabelecidas nesta Declaração, sem distinção
Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião,
na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou
dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover Não será tampouco feita qualquer distinção fundada na
o progresso social e melhores condições de vida em uma condição política, jurídica ou internacional do país ou
liberdade mais ampla, território a que pertença uma pessoa, quer se trate de um
Considerando que os Estados-Membros se comprometeram território independente, sob tutela, sem governo próprio,
a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito quer sujeito a qualquer outra limitação de soberania.
universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais da
pessoa e a observância desses direitos e liberdades, O texto declaratório está focado na igualdade, sob uma
Considerando que uma compreensão comum desses direitos perspectiva de condenar a distinção, mas deixa a desejar pois
e liberdades é da mais alta importância para o pleno não menciona mecanismos visando abolir ou reduzir algumas
cumprimento desse compromisso, formas de distinção, o que coube à pactos e convenções
específicas.
A Assembleia Geral proclama: Proclamar esse primeiro, inviolável, direito, mãe de todos
os direitos humanos, abre-nos a uma perspectiva da
A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos humanidade como verdadeira fraternidade. Já alguém
como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as recordou oportuna mente que os direitos humanos são muito
nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da mais que uma realidade jurídica, enquanto refletem um ‘dever
sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, ser’, uma desafiadora prospectiva que a humanidade se impõe
através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses para respeitar sua própria dignidade; para ser uma
direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de humanidade não apenas hominizada, mas plenamente
caráter nacional e internacional, por assegurar o seu humanizada.7
reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto Por sua vez, a Constituição Federal abriga a mesma
entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os veemente condenação, colocando homens e mulheres iguais
povos dos territórios sob sua jurisdição. em direitos e obrigações, garantindo a liberdade religiosa, a
convicção filosófica ou política, punindo severamente as
Artigo 1º práticas de racismo.
Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e
direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir Artigo 3º
em relação umas às outras com espírito de fraternidade. Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à
Como fundamento inicial, a DUDH, traz o reconhecimento segurança pessoal.
das dimensões que se referem aos princípios da liberdade e

5 Disponível em: 7 Dom Pedro Casaldáliga. Direitos Humanos: Conquistas e Desafios, Disponível

http://www.dhnet.org.br/direitos/deconu/textos/integra.htm em: http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/2.html


6 Direitos Humanos e Cidadania, Disponível em:
http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/c1.html

Direitos Humanos 27
APOSTILAS OPÇÃO

Sem sombras de dúvida a vida é o bem mais precioso da condições nas penitenciárias e nas cadeias públicas do país são
pessoa humana, e assim sendo, recebeu lugar de destaque abomináveis.
entre os direitos à serem protegidos, tanto na DUDH, como em O conceito específico de tortura vem tratado na Convenção
todas as leis ao redor do mundo. Internacional contra a tortura e outros tratamentos ou penas
Nas palavras de José Afonso da Silva8, o direito à existência cruéis, desumanas ou degradantes, e no âmbito interno, está
consiste no direito de estar vivo, de lutar peio viver, de regulamentado na Lei nº 9.455/1997, faz sua própria
defender a própria vida, de permanecer vivo. É o direito de não conceituação, baseada na convenção citada.
ter interrompido o processo vital senão pela morte
espontânea e inevitável. Existir é o movimento espontâneo Artigo 6º
contrário ao estado morte. Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares,
A vida humana não é apenas um conjunto de elementos reconhecida como pessoa perante a lei.
materiais. Integram-na, outrossim, valores imateriais, como os
morais. A Constituição, mais que as outras, realçou o valor da O presente dispositivo traz como premissa reconhecer que
moral individual, tornando-a mesmo um bem indenizável (art. toda pessoa, todos os indivíduos, sem qualquer tipo de
5º - V e X). A moral individual sintetiza a honra da pessoa, o distinção, devem ser tratados como pessoa humana, o que
bom nome, a boa fama, a reputação que integram a vida significa existir uma consideração implícita no sentido de que
humana como dimensão imaterial. todos, se refere à todas as pessoas.
A liberdade aparece em conjunto com o direito à vida, por Pode-se afirmar que ser considerado como pessoa é um
se tratar de pressuposto básico para que haja pressuposto no qual se amparam os legisladores e que é a base
desenvolvimento intelectual e material. Esta liberdade não para todos os outros direitos afirmados aqui.
pode ser vista como atributo da igualdade, mas trata-se de um Todo ser dotado de vida é indivíduo, isto é: algo que não se
direito essencial do indivíduo, formando o trio de direitos pode dividir, sob pena de deixar de ser. O homem é um
pessoais essenciais do indivíduo: vida, liberdade e segurança indivíduo, mas é mais que isto, é uma pessoa. (...) Por isso é que
pessoal, direitos estes que visam proporcionar à pessoa as ela constitui a fonte primária de todos os outros bens
condições mínimas de sobrevivência. jurídicos12.
Nossa Constituição Federal reproduz de forma
extremamente fiel esses três preceitos declaratórios, Artigo 7º
principalmente reproduzidos no Art. 5º. Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem
qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm
Artigo 4º direito a igual proteção contra qualquer discriminação que
Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento
escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas a tal discriminação.
as suas formas.
Aqui nota-se que a princípio da igualdade foi novamente
O combate à escravidão tem como preceitos a liberdade e abordado, reafirmando-o, contudo em caráter mais específico,
a legalidade, o que busca impedir que alguém seja tolhido de visando a proteção legal, tanto em face da própria
seus direitos básicos em nome de uma pretensa superioridade, discriminação, quanto em face à proteção contra qualquer tipo
seja ela física, racial ou mesmo econômica. de incitamento à qualquer discriminação.
A escravidão é o estado ou a condição a que é submetido
um ser humano, para utilização de sua força, em proveito Artigo 8º
econômico de outrem.9 Toda pessoa tem direito a receber dos tribunais
Conforme ensina René Ariel Dotti10, em senso comum, a nacionais competentes recurso efetivo para os atos que
servidão implica numa relação de dependência de uma pessoa violem os direitos fundamentais que lhe sejam
sobre outra que é o servo ou escravo. Sociologicamente, o reconhecidos pela constituição ou pela lei.
vocábulo é empregado para traduzir a relação de dependência
entre um grupo ou camada social sobre outra como ocorre na A características fundamental do presente dispositivo é a
aristocracia e que é submetida ao pagamento de tributos e a busca para efetivar a prestação judicial, ou a aplicação da
obrigação de prestar serviços. justiça, em qualquer situação, principalmente quando houver
a ameaça a direito. A Constituição Federal abriga o presente
Artigo 5º dispositivo e ainda reconhece, de forma subsidiaria, princípios
Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento que visam garantir seu efetivo cumprimento.
ou castigo cruel, desumano ou degradante. Importante ressaltar que a Constituição Federal, em seu
Art. 5º, assegura a todos o direito de obter a tutela
A proibição quanto à tortura, já vinha estabelecida no jurisdicional, trazendo mesmo uma proteção da justiça, e
Código de Hamurabi, em seu Art. 19: Desde já, ficam abolidos manifesta-se no sentido de que não se pode excluir da
ao açoites, a tortura, a marca de ferro quente e todas as mais apreciação do judiciário qualquer assunto, simples ou
penas cruéis. complexo, que a pessoa tenha necessidade de apreciação.
Em seu livro Direitos Humanos – Conquistas e Desafios11,
o rabino Henry Sobel afirma que a tortura, um crime Artigo 9º
inafiançável de acordo com a Constituição brasileira, continua Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
a ser praticada pelos agentes do Estado, aviltando toda a
polícia. O espancamento, o choque elétrico e o pau-de-arara Novamente o dispositivo declaratório invoca o princípio
são técnicas usadas rotineiramente para esclarecer crimes. O da legalidade, enquanto instrumento abstrato de garantia, a
tratamento nas prisões é cruel, desumano e degradante. As fim de que qualquer comando jurídico que venha a impor um

8 SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo, Disponível em: 11 SOLBEL, Henry. Direitos Humanos – Conquistas e Desafios, Disponível em:

http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/3.html http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/5.html
9 Direitos Humanos e Cidadania, Disponível em: 12 SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo, Disponível em:

http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/4.html http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/6.html,
10 DOTTI, René Ariel, Disponível em: Acesso em 02/07/2015
http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/4.html

Direitos Humanos 28
APOSTILAS OPÇÃO

comportamento forçado deve se originar de regra geral, o que A segunda parte deste dispositivo consagra o princípio da
significa uma irrestrita submissão e respeito à lei. reserva legal e o princípio da anterioridade em matéria penal,
O princípio da reserva legal decorre deste dispositivo, o que significa dizer que fixam a obrigatoriedade da existência
tendo natureza concreta, circunscrevendo um comportamento prévia de lei restritiva, sendo que só assim será possível
pessoal que deve se pautar em cada um dos limites impostos considerar uma conduta como delituosa, e esta somente
pela lei formal. poderá ser punida se houver estipulação prévia da punição
Aqui verifica-se que a intangibilidade física e a cabível.
incolumidade moral das pessoal está sujeita à custódia do
Estado, garantidas pelo presente dispositivo e reafirmadas Artigo 12
internamente pelo inciso XLIX, do Art. 5º da Constituição Ninguém será sujeito a interferências na sua vida
Federal. privada, na de sua família, no seu lar ou na sua
correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação.
Artigo 10 Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais
Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma interferências ou ataques.
audiência justa e pública por parte de um tribunal inde-
pendente e imparcial, para decidir de seus direitos e Este artigo abriga o direito à inviolabilidade da vida
deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal privada de cada indivíduo, o que inclui sua intimidade, a honra,
contra ela. a reputação, sendo que este direito se estende à casa e à
família, incluindo também o direito à proteção da lei contra
Mais uma vez a DUDH invoca o princípio da igualdade, atos que possam, de alguma forma, violar essa garantia.
agora combinado com a independência e à imparcialidade José Afonso da Silva15 ensina que a vida privada, em última
perante à Justiça, visando garantir que decisões sejam análise, integra a esfera íntima da pessoa, porque é repositório
emanadas por um tribunal, visando também impedir a de segredos e particularidades do foro moral e íntimo do
existência de tribunal de exceção. indivíduo. A tutela constitucional visa proteger as pessoas de
Este dispositivo reconhece a instituição do júri para dois atentados particulares:
julgamento dos crimes dolosos contra a vida, onde é possível (a) ao segredo da vida privada; e
assegurar a plena defesa, o sigilo das votações e a soberania (b) à liberdade da vida privada
dos veredictos.
A Declaração é expressa: assegura a qualquer pessoa Artigo 13
direito de audiência junto ao poder judiciário, que é § 1º Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção
independente e imparcial, não só por torça da investidura de e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
seus membros, na carreira, por concurso de títulos e provas, § 2º Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país,
mas também por pertencer a um poder que, pela Constituição, inclusive o próprio, e a este regressar.
não é subordinado a nenhum outro. A independência do juiz é
absoluta e mesmo na hierarquia judiciária ele não deve Aqui trata-se do direito à liberdade de locomoção, ou o tão
obediência a magistrados superiores. O seu julgamento deve proclamado direito ou liberdade de ir e vir, preceito este que
seguir exclusivamente o seu entendimento, de acordo com a afasta qualquer restrição à plena liberdade material da pessoa
sua consciência13. humana.
Neste direito estão compreendidos o direito de acesso, de
Artigo 11 ingresso e de trânsito em todo o território nacional, incluindo
§ 1º Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o também o direito de permanência e saída do país, cabendo a
direito de ser presumida inocente até que a sua escolha apenas à conveniência pessoal.
culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em É bastante claro que se trata de um preceito que deriva do
julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas princípio da liberdade, tratando de confirmar a natureza
todas as garantias necessárias à sua defesa. humana de movimentar-se ou deslocar-se de um lugar à outro,
§ 2º Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou garantindo assim, a permanência pelo tempo que desejar,
omissão que, no momento, não constituam delito perante o podendo estabelecer residência conforme sua vontade.
direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta
pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, Artigo 14
era aplicável ao ato delituoso. § 1º Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito
de procurar e de gozar asilo em outros países.
Em um primeiro momento, este artigo da DUDH aborda o § 2º Este direito não pode ser invocado em caso de
princípio da presunção de não culpabilidade, situação em que perseguição legitimamente motivada por crimes de direito
o Estado deve comprovar a culpa do indivíduo, produzindo as comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios
provas necessárias para tal. das Nações Unidas.
Conforme ensina Dotti14, a presunção de inocência é um
dos princípios relativos à prova e que incide no sistema de Os preceitos aqui descritos podem ser conferidos, de forma
processo penal, salvo as exceções determinadas na lei (prisão genérica, no § 2º, do Art. 5º da Constituição Federal e
provisória, busca e apreensão, violação do sigilo da complementadas pelo Art. 4º, X, também da Constituição
correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e Federal.
das comunicações telefônicas etc.). A intensão do legislador foi garantir o trânsito entre os
Diante deste dispositivo, percebe-se que o Estado países, voltado para aqueles que se encontram em situação
Democrático de Direito pressupõe a existência de interligação precária, dada a perseguição, seja ela política, militar ou
entre o princípio aqui estabelecido e os princípios do devido mesmo social.
processo legal, da ampla defesa e do contraditório. O próprio dispositivo traz a exceção no sentido de que não
será considerado como perseguido aquele que cometeu crime,

13 Direitos Humanos e Cidadania, Disponível em: 15 SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo, Disponível em:

http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/10.html, http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/12.html
14 DOTTI, René Ariel, Disponível em:
http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/br/sc/scdh/parte2/xxx/11.html

Direitos Humanos 29
APOSTILAS OPÇÃO

seja ele elencado na legislação comum ou crime contra os religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e
Direitos Humanos, sendo que nesses casos, o autor do crime pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou
deverá responder por eles. em particular.
Artigo 15
§ 1º Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade. Trata-se de mais um princípio que reforça a liberdade, em
§ 2º Ninguém será arbitrariamente privado de sua termos gerais, e que a concretiza em termos específicos ao
nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade. determinar que cada indivíduo terá liberdade de pensamento,
e como consequência, também tem liberdade de consciência e
O presente dispositivo tem como finalidade garantir que de religião.
todas as pessoas possam ter os direitos conferidos ao cidadão Por liberdade de pensamento, entende-se como o direito
de cada Estado, impedindo a existência dos chamados de exprimir, por qualquer forma, o que se pense em ciência,
apátridas, o que significa dizer que todas as pessoas tem religião, arte, ou o que for’. Trata-se de liberdade de conteúdo
direito a estar oficialmente vinculadas à um Estado ou país, o intelectual e supõe o contato do indivíduo com seus
que vai lhe garantir que possa gozar dos direitos e garantias semelhantes, pela qual ‘o homem tenda, por exemplo, a
constituídas por aquele. participar a outros suas crenças, seus conhecimentos, sua
Este dispositivo está plenamente formalizado na concepção do mundo, suas opiniões políticas ou religiosas,
Constituição Federal, em seu Art. 12, I e II, garantindo também seus trabalhos científicos16.
o direito à nacionalidade. No direito pátrio, a Constituição Federal não traz
explicitamente o direito à liberdade de pensamento, mas o
Artigo 16 utiliza como pressuposto para garantir a sua manifestação,
§ 1º Os homens e mulheres de maior idade, sem que está expressamente garantida na Carta Maior. Como
qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm decorrência lógica, tem-se ainda a liberdade de expressão, que
o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. também é garantida.
Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua
duração e sua dissolução. Artigo 19
§ 2º O casamento não será válido senão com o livre e Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e
pleno consentimento dos nubentes. expressão; este direito inclui a liberdade de, sem
§ 3º A família é o núcleo natural e fundamental da interferência, ter opiniões e de procurar, receber e
sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Esta- transmitir informações e ideias por quaisquer meios e
do. independentemente de fronteiras.

Aqui nota-se a reafirmação da proscrição à discriminação, Este dispositivo é decorrência do dispositivo anterior, ou
bem como a garantia da liberdade de expressão e a soberania seja, a garantia da liberdade de pensamento é que assegura a
da manifestação da vontade, sendo que o direito ao casamento liberdade de opinião e de expressão. Trata-se de preservar um
e à constituição de família deve ser plenamente garantido pelo dos direitos fundamentais para o homem, no que tange a sua
Estado. vida social.
No direito pátrio, tais garantias estão estabelecidas no Art. A liberdade de expressão, ou de manifestação do
226 da Constituição Federal. pensamento, é um dos aspectos externos da liberdade de
opinião. Desta forma, nota-se que há uma correlação entre a
Artigo 17 liberdade de opinião e a liberdade de recepção de informações
§ 1º Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em e ideias, o que também dá sustentação ao direito de expressão
sociedade com outros. e visam garantir a plenitude do princípio da liberdade.
§ 2º Ninguém será arbitrariamente privado de sua Para Alexandre de Moraes17, o direito de receber
propriedade. informações verdadeiras é um direito de liberdade e
caracteriza-se essencialmente por estar dirigido a todos os
O mundo ocidental sempre buscou mecanismos de cidadãos, independentemente de raça, credo ou convicção
proteger a propriedade, sendo esta bastante enaltecida pelas político-filosófica, com a finalidade de fornecimento de
sociedades capitalistas, mas também foi objeto de regramento subsídios para a formação de convicções relativas a assuntos
em sociedades africanas e asiáticas. Desta forma, considerou- públicos.
se a propriedade como um princípio essencial para o
desenvolvimento da atividade humana, como resultado de seu Artigo 20
trabalho e de sua capacidade. § 1º Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e
Em um primeiro momento, a propriedade era tratada associação pacíficas.
como bem absoluto, permitindo que seu senhor praticasse § 2º Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma
quaisquer tipos de atos. Conforme a evolução e a necessidade associação.
de proteção surgiram, passou-se a dar maior limitação à
propriedade. Atualmente o direito à propriedade, bem como o O dispositivo busca a garantia da liberdade, tanto de
direito de uso da mesma, está restringido principalmente pelo reunião como de associação, uma vez que se tratam de coisas
princípio da função social, sendo que ao proprietário cabe o distintas. Para Alexandre de Moraes18, o direito de reunião é
uso e gozo de seu bem desde que de maneira que não cause uma manifestação coletiva da liberdade de expressão,
distúrbios à coletividade. exercitada por meio de uma associação transitória de pessoas
e tendo por finalidade o intercâmbio de ideias, a defesa de
Artigo 18 interesses, a publicidade de problemas e de determinadas
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, reivindicações. O direito de reunião apresenta-se, ao mesmo
consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mu- tempo, como um direito individual em relação a cada um de
dar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa

16 SILVA, José Afonso. Curso de Direito Constitucional Positivo, Disponível em: 18 MORAES, Alexandre. Direitos Humanos Fundamentais, Disponível em:

http://www.dhnet.org.br/dados/cursos/dh/