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FAMÍLIAS E SUCESSÕES YASMIN PREPICHINI

FAMÍLIAS E SUCESSÕES
Bibliografia Básica
1. Famílias – Paulo Lôbo.
2. Direito de Família – Rolf Madaleno – advogar.
3. Direito das famílias por juristas brasileiras – Ana Carla Harmatiuk Matos; Joyceane
Bezerra de Menezes – pesquisas.

SUSTENTAÇÃO ORAL – BARROSO


1. Princípios e analogia:
a. Princípio da igualdade = respeito e consideração
b. Princípio da dignidade da pessoa humana = pessoas devem ser tratadas como fim
(Kant).
c. Princípio da segurança jurídica
d. Princípio da liberdade
- Analogia  quando há lacuna na jurisdição.
OLHADES SÓCIOJURIDICOS SOBRE A FAMÍLIA BRASILEIRA
Código Civil de 1916
Contexto ainda agrário, com traços escravocratas e sociedade estratificada.
O dogma da família legítima, matrimonializada, hierarquizada, patriarcal e transpessoal.
a. Vínculo matrimonial indissolúvel;
b. Indissociabilidade entre relação conjugal e paterno-filial.
c. Papeis familiares inflexíveis
Sintomas legislados
Art. 6 – São incapazes, relativamente a certos atos ou a maneira de os exercer: II. As
mulheres casadas, enquanto subsistir a sociedade conjugal.
Art. 233 – O marido é o chefe da sociedade conjugal
Art. 368 – Só os maiores de cinquenta anos, sem prole legitima, ou legitimada, podem
adotar.
Art. 377 – Quando o adotante tiver filhos legítimos, legitimados ou reconhecidos, a relação
de adoção não envolve a de sucessão hereditária.
Art. 358 – Filhos incestuosos e adulterinos não podem ser reconhecidos.
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Transformações sociais ao longo do século XX


a. Urbanização
b. Industrialização
c. Movimentos feministas
d. Contraceptivos
Transformações legisladas ao longo do século XX
a. Estatuto da Mulher Casada – Lei 4.121/62
b. Lei do Divórcio – Lei 6.515/77
c. ECA – Lei 8.069/90.
Constituição de 1988
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre
o homem e a
mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em
casamento.
§ 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada
por qualquer dos
pais e seus descendentes.
§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos
igualmente pelo
homem e pela mulher.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
§ 8º - O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos
que a integram,
criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas relações.
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e
ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao
lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à
convivência
familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de
negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS E DIREITO DAS FAMÍLIAS

Princípios fundamentais - estruturantes


a. Dignidade da pessoa humana
- Condutor de todo o ordenamento jurídico, o princípio da dignidade da pessoa humana se
encontra consubstanciado no art. 1, III, da Constituição.
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- Caráter relacional deve ser tido como parâmetro para a análise das relações familiares.
- Destaca-se, deste princípio, a concepção eudemonista da família contemporânea.
- Pessoas são fins em si mesmas (Kant)
- Contraria a transpessoalidade do código de 16.
b. Solidariedade
- Superação do individualismo jurídico, deve ser tomada como parâmetro nas relações
conjugais, bem como nas relações paterno-filiais. Neste sentido o dever de assistência
moral e material. Art. 3, I, da Constituição.
- Bons exemplos codificados: cônjuges devem concorrer, na proporção de seus bens e
rendimentos, ao sustento da família (art. 1.568), dever de prestar alimentos (art. 1.694);
poder familiar em função dos filhos (art. 1.630).
- Maus exemplos codificados: fixação de causas para a separação judicial fundada na culpa
(art. 1.572 e ss.); limitação para que o filho reconhecido por um dos cônjuges resida no lar
conjugal sem o consentimento do outro (art. 1.611).
- Não basta pensar em realização pessoal, ideia é que haja solidariedade familiar nas
relações interpessoais  vínculos entre as pessoas.

Princípios derivados
a. Igualdade
- Igualdade entre cônjuges (art. 226, §5º), igualdade entre filhos (§7º), igualdade entre as
entidades familiares.
- Necessária observância entre o direito à igualdade sem se descurar do direito à diferença.
Neste sentido, exemplificam-se as discussões sobre igualdade e diferença no trato do
casamento e da união estável.
b. Liberdade
- Liberdade a constituir e destituir família, bem como à sua recriação durante a constância
da relação; à administração do patrimônio familiar; ao livre planejamento familiar; à livre
definição dos modelos culturais, educacionais e religiosos; à livre formação dos filhos.
- Balizamentos devem ser oferecidos por uma análise sistemática dos princípios, com o fio
condutor da dignidade humana.
- Bom exemplo codificado: liberdade para o filho maior recusar o reconhecimento
voluntário de paternidade feito por pai biológico (art. 1.614).
- Mau exemplo codificado: regime de separação legal de bens aos maiores de 70 anos (art.
1.641, II).
c. Afetividade
- Rompe com a tradição consanguínea atribuída à família.
- Implícito na Constituição, decorre da dignidade da pessoa humana e da solidariedade,
bem como se entrelaça com os demais princípios.
- Muito ligado a relação de cooperação, responsabilidade mútua, afeto, produzindo
significado relevante sobre o que é ser família.
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- Distinção em relação ao afeto.
- Bons exemplos jurisprudenciais: filiação socioafetiva, abandono afetivo.
- Poliamor pode entrar como exemplo desse princpio
d. Convivência familiar
- Extraído do direito à intimidade ligado à inviolabilidade domiciliar (art. 5, XI, da
Constituição); enunciado dentre os direitos dedicados à criança e ao adolescente (art. 227);
e referindo quanto à comunhão de vida instituída pela família constante no Código Civil
(art. 1.513).
- Bom exemplo: direito de visitação dos avós em relação aos netos.
e. Melhor interesse da criança e do adolescente
- Interesse prioritário no trato pelo Estado, pela sociedade e pela família.
- Histórica transação de objeto a sujeito de direito.
- Transição do pátrio poder ao poder familiar.
- Caráter da doutrina da proteção integral.
f. Responsabilidade
- Promoção de atos positivos que assegurem a melhor realização dos membros e das futura
geração que formam. Gera, ademais, a discussão da possível compensação em função de
atos negativos.
- Responsabilização se liga, além de outros, com o princípio da afetividade.
- De acordo com José Fernando Simão, impera a ideia de que não há poder sem
responsabilidade.

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.


§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o
homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua
conversão em casamento.        
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por
qualquer dos pais e seus descendentes.
§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos
igualmente pelo homem e pela mulher.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio.
§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana e da paternidade
responsável, o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao
Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse
direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou
privadas.        
§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que
a integram, criando mecanismos para coibir a violência no âmbito de suas
relações.
 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à
alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade,
ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de
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colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração,
violência, crueldade e opressão.         
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral à saúde da
criança, do adolescente e do jovem, admitida a participação de entidades não
governamentais, mediante políticas específicas e obedecendo aos seguintes
preceitos:         
I - aplicação de percentual dos recursos públicos destinados à saúde na
assistência materno-infantil;
II - criação de programas de prevenção e atendimento especializado para as
pessoas portadoras de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de
integração social do adolescente e do jovem portador de deficiência,
mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do
acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de obstáculos
arquitetônicos e de todas as formas de discriminação.
§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios
de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo, a fim de
garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência.
§ 3º O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos:
I - idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho, observado o
disposto no art. 7º, XXXIII;
II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;
III - garantia de acesso do trabalhador adolescente e jovem à escola;
IV - garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional,
igualdade na relação processual e defesa técnica por profissional habilitado,
segundo dispuser a legislação tutelar específica;
V - obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à
condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, quando da aplicação de
qualquer medida privativa da liberdade;
VI - estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica, incentivos
fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao acolhimento, sob a forma de guarda,
de criança ou adolescente órfão ou abandonado;
VII - programas de prevenção e atendimento especializado à criança, ao
adolescente e ao jovem dependente de entorpecentes e drogas afins.         
§ 4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a exploração sexual da
criança e do adolescente.
§ 5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da lei, que
estabelecerá casos e condições de sua efetivação por parte de estrangeiros.
§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão
os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações
discriminatórias relativas à filiação.
§ 7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente levar-se- á em
consideração o disposto no art. 204.
§ 8º A lei estabelecerá:
I - o estatuto da juventude, destinado a regular os direitos dos jovens;         
II - o plano nacional de juventude, de duração decenal, visando à articulação
das várias esferas do poder público para a execução de políticas públicas.   

COMENTÁRIOS À LEITURA OBRIGATÓRIA: Neste texto, Paulo Lôbo explicita os sentidos aos
princípios constitucionais estruturantes e derivados do Direito das Famílias brasileiro,
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exemplificando cada um deles com um bom e um mau exemplo do Código Civil Brasileiro.
Para acessar uma síntese de cada qual, acompanhe os slides da aula disponíveis no AVA.

ATIVIDADE: Analise os seguintes trechos extraídos de decisões judiciais e obras


doutrinárias. A partir de uma análise sistemática acerca dos princípios constitucionais
aplicáveis ao Direito das Famílias, proceda comentários críticos, em concordância ou em
discordância com o posicionamento apresentado. Para a realização dos exercícios, é
obrigatória a leitura do texto de Paulo Lôbo postado no portal.

Caso 1 – Recurso Extraordinário 898.060 julgado pelo STF em 21 de setembro de 2016.

“No caso concreto trazido à Corte pelo Recurso Extraordinário, inferese da leitura da
sentença prolatada pelo Juízo da 2ª Vara da Família da Comarca de Florianópolis e dos
acórdãos proferidos pelo Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, a autora, F. G.,
ora recorrida, é filha biológica de A. N., como ficou demonstrado, inclusive, pelos exames
de DNA produzidos no decorrer da marcha processual (fls. 346 e 449-450). Ao mesmo
tempo, por ocasião do seu nascimento, em 28/8/1983, a autora foi registrada como filha de
I. G., que cuidou dela como se sua filha biológica fosse por mais de vinte anos. Por isso, é de
rigor o reconhecimento da dupla parentalidade, devendo ser mantido o acórdão de origem
que reconheceu os efeitos jurídicos do vínculo genético relativos ao nome, alimentos e
herança. Ex positis, nego provimento ao Recurso Extraordinário e proponho a fixação da
seguinte tese para aplicação a casos semelhantes: ‘A paternidade socioafetiva, declarada
ou não em registro público, não impede o reconhecimento do vínculo de filiação
concomitante baseado na origem biológica, com todas as suas consequências patrimoniais
e extrapatrimoniais’ (Trecho do voto do Relator Ministro Luiz Fux).

Caso 2 – Recurso Especial 1.159.242 julgado pelo STJ em 24 de abril de 2012.

“Vê-se hoje nas normas constitucionais a máxima amplitude possível e, em paralelo, a


cristalização do entendimento, no âmbito científico, do que já era empiricamente
percebido: o cuidado é fundamental para a formação do menor e do adolescente; ganha o
debate contornos mais técnicos, pois não se discute mais a mensuração do intangível – o
amor – mas, sim, a verificação do cumprimento, descumprimento, ou parcial cumprimento,
de uma obrigação legal: cuidar (...). Alçandose, no entanto, o cuidado à categoria de
obrigação legal supera-se o grande empeço sempre declinado quando se discute o
abandono afetivo – a impossibilidade de se obrigar a amar. Em suma, amar é faculdade,
cuidar é dever (...). Comprovar que a imposição legal de cuidar da prole foi descumprida
implica em se reconhecer a ocorrência de ilicitude civil, sob a forma de omissão. Isso
porque o non facere, que atinge um bem juridicamente tutelado, leia-se, o necessário
dever de criação, educação e companhia – de cuidado – importa em vulneração da
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imposição legal, exsurgindo, daí, a possibilidade de se pleitear compensação por danos
morais por abandono psicológico” (Trecho do voto da Relatora Ministra Nancy Andrighi).

Caso 3 – ROSENVALND, Nelson. A responsabilidade civil por omissão de cuidado inverso.


In: Responsabilidade Civil no Direito de Família. Org. Rolf Madaleno; Eduardo Barbosa.
São Paulo: Atlas, 2015, p. 319.

“Por conseguinte, haverá ato ilícito quando filhos maiores e capazes privem os pais de
companhia, visitação e apoio psicológico. Trata-se de uma responsabilidade parental
mútua”.

Caso 4 – Informativo jurisprudencial relativo ao STJ. Disponível em:


http://www.stj.jus.br/sites/STJ/default/pt_BR/noticias/noticias /Quarta-Turma-
dispensa- ex%E2%80%93companheiro-de-pagaralimentos-definitivos. Acesso em
07.05.2018.

No recurso especial, o ex-companheiro alegou que ‘somente a incapacidade laboral


permanente justifica a fixação de alimentos sem termo final’ e que ‘mesmo que sejam
fixados excepcionalmente sem termo certo, uma vez assegurado ao alimentado tempo
hábil para se inserir no mercado de trabalho, é possível a cessação da pensão pelo decurso
do lapso temporal razoável, sem necessidade de alteração do binômio necessidade-
possibilidade’. O relator, ministro Luis Felipe Salomão, acolheu o argumento de que não há
necessidade permanente de sustento. Ele destacou que a obrigação de pensão alimentar
para ex-cônjuges vem sendo considerada uma excepcionalidade, incidente apenas ‘nas
hipóteses em que o ex- parceiro alimentado não dispõe de reais condições de readquirir
sua autonomia financeira’. Ao levar em consideração as particularidades do caso – tempo
da separação, cerca de seis anos de pagamento da pensão, capacidade física, mental e
técnica (formação em ensino superior e um trabalho de confecção de bolos e doces
caseiros mencionado nos autos) –, Salomão decidiu estabelecer prazo de dois anos para a
exoneração definitiva dos alimentos. O prazo é adequado, segundo o ministro, para que ela
‘procure, enfim, inserir-se no mercado de trabalho de modo a subsidiar seu próprio
sustento’”.

Caso 5 – Apelação Cível 2.002.01.10.038 julgada pelo TJ-RJ em 02 de março de 2004.

“A primeira questão que se coloca relaciona-se à tese de imprescritibilidade, isto é, teria o


Apelado direito a agir quase 14 anos após ter registrado Thiago como seu filho? (...) Se para
o filho a jurisprudência nunca impôs óbice para que investigue a paternidade a qualquer
tempo, então por que não se admitir possa aquele que o registrou fazê-lo quando tem
elementos que amparam suas suspeitas? Por fim, o novo Código Civil, no art. 1.601 dispõe
ser imprescritível a ação do marido que visa contestar a paternidade dos filhos nascidos de
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sua mulher. O que se percebe é que o legislador do Código Civil de 2002 orientando-se no
sentido da jurisprudência, acabou por consagrar a regra da imprescritibilidade, certamente,
avaliando todo um contexto social no qual sempre se defrontou a verdade jurídica com a
verdade real e optou, sem sombra de dúvida, pela última” (Voto vencido do Relator
Desembargador Ricardo Rodrigues Cardozo).

CASAMENTO

1. Natureza Jurídica
- Institucional: conteúdo pré-definido, quase contrato de adesão pelos nubentes  Estado
regulamenta as regras do matrimônio.
- Individualista: Contratualista. Mero acordo de vontade entre as partes, com partição entre
contrato (espécie) e negócio jurídico (gênero). Clóvis Bevilacqua considera como contrato,
ao passo que Orlando Gomes, contrato sui generis, e Lamartine e Muniz, negócio jurídico
 ex: pacto pré nupcial.
- Eclética: Na formação, contratual; no conteúdo, institucional. Segundo José Fernando
Simão e Flávio Tartuce, seria a corrente majoritária.  prevalece no Brasil.
2. Características
- Ato pessoal, pois depende exclusivamente da liberdade de escolha e da manifestação de
vontade dos nubentes: Jurisprudência francesa considerou não-escrita cláusula de celibato
imposta às aeromoças da Air France.
- Ato solene, pois a lei exige a observância de uma série de requisitos destinados à
publicidade e à garantia da manifestação do consentimento dos nubentes.
- Não se admite termo ou condição.
3. Capacidade matrimonial
- 16 anos: possível mediante autorização, capacidade plena  a denegação pode ser
suprida judicialmente.
- Discussão sobre a revogação do art. 1.520, CC.
4. Impedimentos
- Casamentos que não podem acontecer
- Irmãos
- Ascendentes e descendentes
- Bigamia
- Casamento é nulo.
Art. 1.521. Não podem casar:
I - os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil;
II - os afins em linha reta;
III - o adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem o
foi do adotante;
IV - os irmãos, unilaterais ou bilaterais, e demais colaterais, até o terceiro
grau inclusive;
V - o adotado com o filho do adotante;
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VI - as pessoas casadas;
VII - o cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de
homicídio contra o seu consorte.
Art. 1.522. Os impedimentos podem ser opostos, até o momento da
celebração do casamento, por qualquer pessoa capaz. Parágrafo único. Se o
juiz, ou o oficial de registro, tiver conhecimento da existência de algum
impedimento, será obrigado a declará-lo.
5. Causas suspensivas
- Pode casar, mas não deveria
- Consequência: obrigar a casar em separação obrigatória de bens.
- Preocupações: turbação de sangue e confusão patrimonial.
Art. 1.523. Não devem casar:
I - o viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer
inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros;
II - a viúva, ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou ter sido
anulado, até dez meses depois do começo da viuvez, ou da dissolução da
sociedade conjugal;
III - o divorciado, enquanto não houver sido homologada ou decidida a
partilha dos bens do casal;
IV - o tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos,
cunhados ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não
cessar a tutela ou curatela, e não estiverem saldadas as respectivas contas.
Parágrafo único. É permitido aos nubentes solicitar ao juiz que não lhes sejam
aplicadas as causas suspensivas previstas nos incisos I, III e IV deste artigo,
provando-se a inexistência de prejuízo, respectivamente, para o herdeiro,
para o ex-cônjuge e para a pessoa tutelada ou curatelada; no caso do inciso II,
a nubente deverá provar nascimento de filho, ou inexistência de gravidez, na
fluência do prazo.
Art. 1.524. As causas suspensivas da celebração do casamento podem ser
argüidas pelos parentes em linha reta de um dos nubentes, sejam
consangüíneos ou afins, e pelos colaterais em segundo grau, sejam também
consangüíneos ou afins.
6. Processo de habitação
a. REQUERIMENTO De punho dos nubentes ou através de procurador.
b. JUNTADA DE DOCUMENTOS Certidão de nascimento; autorização dos
representantes, ou judicial, a quem necessitar; declaração de duas testemunhas;
declaração de estado civil, domicílio e residência dos nubentes e dos pais; certidão de
óbito de cônjuge falecido, sentença declaratória de anulação, nulidade ou do registro
da escritura pública ou da sentença de divórcio – no caso de proferida no
estrangeiro, homologada pelo STJ –; e, aos colaterais que se casam, exame pré-
nupcial.
c. PUBLICIDADE
Art. 1.527. Estando em ordem a documentação, o oficial extrairá o edital, que
se afixará durante quinze dias nas circunscrições do Registro Civil de ambos os
nubentes, e, obrigatoriamente, se publicará na imprensa local, se houver.
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Parágrafo único. A autoridade competente, havendo urgência, poderá
dispensar a publicação.
d. PARECER DO MINISTÉRIO PÚBLICO
e. CERTIFICADO DE APTIDÃO À CELEBRAÇÃO
Art. 1.532. A eficácia da habilitação será de noventa dias, a contar da data em
que foi extraído o certificado.
7. Celebração do casamento
- Requerimento à autoridade competente para designar dia, hora e local da celebração;
- Publicidade do ato nupcial;
- Portas abertas e com duas testemunhas, em regra.
- Presença real e simultânea dos contraentes ou de procurador, nos casos excepcionais; das
testemunhas; do oficial de registro e da autoridade celebrante;
- Declaração dos nubentes de que se casam de livre e espontânea vontade;
- Pronunciamento do celebrante confirmatório do item anterior;
- "De acordo com a vontade que ambos acabais de afirmar perante mim, de vos receberdes
por marido e mulher, eu, em nome da lei, vos declaro casados.”
- Lavratura do assento do matrimônio no livro de registro.
8. Casamento nuncupativo
- Diferente do casamento em caso de moléstia grave (art. 1.539, CC).
- Com os documentos previstos na primeira fase de habilitação em mãos, o oficial de
Registro, mediante despacho de autoridade competente, expede certidão de habilitação
sem proclamas. Caso não seja possível intervir esta última personagem, podem os nubentes
substituí-la, declarando que querem receber-se como esposos, perante seis testemunhas
que com eles não tenham parentesco em linha reta ou na linha colateral em 2° grau.
- Depende de habilitação e de homologação judicial posteriores.
9. Casamento perante autoridade consular
- Quando brasileiros se casam em terras estrangeiras, devem fazê-lo perante nossos
cônsules. Deverão registrar a condição de casados em 180 dias contados da volta de um ou
de ambos ao país no 1° Ofício da Capital do Estado onde passam a residir, caso falte
domicílio conhecido.
- Dois argentinos, por exemplo, residentes no Brasil, podem casar-se perante o cônsul de
seu país. Este casamento feito de acordo com a legislação de seus países de origem valem
no Brasil, como se tivesse sido realizado no exterior.
10. Casamento religioso com efeitos civis
- Para que sejam considerados os efeitos civis do casamento religioso, os nubentes devem
proceder habilitação civil anterior ou posterior à celebração. No primeiro caso, têm 90 dias
para requerer assento no Registro Civil.
- Casamento religioso sem efeitos civis: é prova para união estável.

INVALIDADE DO CASAMENTO
1. Invalidade do Casamento
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Nulidade do casamento
- Não pode ser declarada de ofício. Apenas os legitimados ativos podem promover, que são
aqueles que comprovem interesse legítimo na nulidade e o Ministério Público.
- Só pode ser suscitada em ação direta e originária para decretação judicial. Trata-se de
ação imprescritível.
- Protegem-se terceiros de boa-fé.

Art. 1.548, CC. É nulo o casamento contraído: II. Por infringência de


impedimento.

Anulabilidade do casamento

Art. 1.550. É anulável o casamento: 


I - de quem não completou a idade mínima para casar;
II - do menor em idade núbil, quando não autorizado por seu representante
legal;
III - por vício da vontade, nos termos dos arts. 1.556 a 1.558;
IV - do incapaz de consentir ou manifestar, de modo inequívoco, o
consentimento;
V - realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubesse
da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges;
VI - por incompetência da autoridade celebrante.
§ 1o. Equipara-se à revogação a invalidade do mandato judicialmente
decretada.
§ 2o  A pessoa com deficiência mental ou intelectual em idade núbia poderá
contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por meio de
seu responsável ou curador. 
2. Anulabilidade
Art. 1.551. Não se anulará, por motivo de idade, o casamento de que resultou
gravidez.
Art. 1.552. A anulação do casamento dos menores de dezesseis anos será
requerida:
I - pelo próprio cônjuge menor;
II - por seus representantes legais;
III - por seus ascendentes.
Art. 1.557. Considera-se erro essencial sobre a pessoa do outro cônjuge:
I - o que diz respeito à sua identidade, sua honra e boa fama, sendo esse erro
tal que o seu conhecimento ulterior torne insuportável a vida em comum ao
cônjuge enganado;
II - a ignorância de crime, anterior ao casamento, que, por sua natureza, torne
insuportável a vida conjugal;
III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável que
não caracterize deficiência ou de moléstia grave e transmissível, por contágio
ou por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua
descendência.
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Art. 1.558. É anulável o casamento em virtude de coação, quando o
consentimento de um ou de ambos os cônjuges houver sido captado
mediante fundado temor de mal considerável e iminente para a vida, a saúde
e a honra, sua ou de seus familiares.
Art. 1.559. Somente o cônjuge que incidiu em erro, ou sofreu coação, pode
demandar a anulação do casamento; mas a coabitação, havendo ciência do
vício, valida o ato, ressalvadas as hipóteses dos incisos III e IV do art. 1.557.
Art. 1.553. O menor que não atingiu a idade núbil poderá, depois de
completá-la, confirmar seu casamento, com a autorização de seus
representantes legais, se necessária, ou com suprimento judicial.
Art. 1.554. Subsiste o casamento celebrado por aquele que, sem possuir a
competência exigida na lei, exercer publicamente as funções de juiz de
casamentos e, nessa qualidade, tiver registrado o ato no Registro Civil. Prazo
de 180 dias para anular o casamento do incapaz de consentir ou de
manifestar de modo inequívoco o seu consentimento; de dois anos se
incompetente a autoridade celebrante; de três anos para a hipótese de erro
essencial; e de quatro anos para a hipótese de coação. O padrão é que se
conte a partir da data da celebração do casamento. No caso de revogação de
mandato, contam-se 180 dias a partir da data em que houve ciência da
celebração.
Art. 1.555. O casamento do menor em idade núbil, quando não autorizado
por seu representante legal, só poderá ser anulado se a ação for proposta em
cento e oitenta dias, por iniciativa do incapaz, ao deixar de sê-lo, de seus
representantes legais ou de seus herdeiros necessários.
§ 1o O prazo estabelecido neste artigo será contado do dia em que cessou a
incapacidade, no primeiro caso; a partir do casamento, no segundo; e, no
terceiro, da morte do incapaz.
§ 2o Não se anulará o casamento quando à sua celebração houverem
assistido os representantes legais do incapaz, ou tiverem, por qualquer modo,
manifestado sua aprovação.

Art. 1.561. Embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por


ambos os cônjuges, o casamento, em relação a estes como aos filhos, produz
todos os efeitos até o dia da sentença anulatória. § 1o Se um dos cônjuges
estava de boa-fé ao celebrar o casamento, os seus efeitos civis só a ele e aos
filhos aproveitarão. § 2o Se ambos os cônjuges estavam de má-fé ao celebrar
o casamento, os seus efeitos civis só aos filhos aproveitarão. Art. 1.562. Antes
de mover a ação de nulidade do casamento, a de anulação, a de separação
judicial, a de divórcio direto ou a de dissolução de união estável, poderá
requerer a parte, comprovando sua necessidade, a separação de corpos, que
será concedida pelo juiz com a possível brevidade. Art. 1.563. A sentença que
decretar a nulidade do casamento retroagirá à data da sua celebração, sem
prejudicar a aquisição de direitos, a título oneroso, por terceiros de boa-fé,
nem a resultante de sentença transitada em julgado. Art. 1.564. Quando o
casamento for anulado por culpa de um dos cônjuges, este incorrerá: I - na
perda de todas as vantagens havidas do cônjuge inocente; II - na obrigação de
cumprir as promessas que lhe fez no contrato antenupcial.
FAMÍLIAS E SUCESSÕES YASMIN PREPICHINI

3. Eficácia do casamento
Art. 1.565. Pelo casamento, homem e mulher assumem mutuamente a
condição de consortes, companheiros e responsáveis pelos encargos da
família.
§ 1o Qualquer dos nubentes, querendo, poderá acrescer ao seu o sobrenome
do outro.
§ 2o O planejamento familiar é de livre decisão do casal, competindo ao
Estado propiciar recursos educacionais e financeiros para o exercício desse
direito, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições privadas ou
públicas.
Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges:
I - fidelidade recíproca;
II - vida em comum, no domicílio conjugal;
III - mútua assistência;
IV - sustento, guarda e educação dos filhos;
V - respeito e consideração mútuos.

LEITURA OBRIGATÓRIA: Artigos 1.517 a 1.564 do Código Civil Brasileiro.

COMENTÁRIOS À LEITURA OBRIGATÓRIA: Os contornos para se contrair matrimônio de


modo válido no contexto jurídico contemporâneo constituem o tema dos artigos
selecionados como de leitura obrigatória. Além de estudarmos sobre a capacidade civil para
o matrimônio, averiguaremos modos excepcionais de constituição de entidade familiar
matrimonial, bem como os impedimentos e as causas suspensivas para a realização do
casamento. Para uma síntese, consulte os slides da aula, igualmente postados.

ORIETAÇÕES GERAIS PARA AS ATIVIDADES:

ATIVIDADES:

1. Quando se atinge a capacidade matrimonial? Quais foram os impactos ocasionados


pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência?
2. Descreva os impedimentos matrimoniais elencados pelo artigo 1.521 do CCB.
3. Pesquise as diferenças entre casamento nuncupativo e em caso de moléstia grave,
explicitando-a de modo pormenorizado.
4. Posicione-se, a partir do Código Civil, sobre a eventual invalidade do matrimônio
narrado. Em caso positivo, informe, ainda, o prazo para a alegação da eventual
nulidade ou anulabilidade identificada e quem é legitimada(o) para tanto.
a. (OAB-SP – 2 FASE – 2007 – ADAPTADA) Três meses depois de seu casamento, Maria
descobre que seu marido possui sérios antecedentes criminais em distante Estado da
Federação. Atentado violento ao pudor, roubos e até uma lesão corporal grave cuja
vítima foi uma criança. Tudo isso, evidentemente, fez com que Maria não quisesse
FAMÍLIAS E SUCESSÕES YASMIN PREPICHINI
mais a convivência com seu marido. Maria, religiosa, desejando retornar ao estado
civil anterior ao casamento, consulta você, advogado(a), a fim de buscar a solução
legal mais adequada para o caso.
b. “Uma adolescente de 18 anos namora seu pai, e eles planejam se casar. Ficou
confuso? Não é para menos. A revista The New York Magazine revelou, a história de
uma filha (que optou por não se identificar) que conheceu seu pai biológico aos 17
anos e, desde então, começou a se relacionar romanticamente com ele”. (Notícia
divulgada no Portal Mundo Conectado).
c. (VI Exame de Ordem Unificado – 2011.3 – ADAPTADA) Rejane, solteira, com 16 anos
de idade, órfã de mãe, casa-se com Jarbas, filho de sua tia materna, sendo ele
solteiro e capaz, com 23 anos de idade, sem autorização expressa de seu pai, Caio.
Caio, contudo, compareceu à celebração matrimonial, e custeou festa para o jovem
casal.
d. “Um casamento assim ocorreu em fevereiro no cartório da pequena cidade de Artur
Nogueira (SP) — foi a primeira união oficializada no país graças à nova lei. O
jardineiro José Francisco Dias, de 53 anos, se casou com a dona de casa Rosana de
Lima Dias, de 44 anos. Quem tem deficiência é ela, vítima de uma paralisia cerebral
quando era bebê. Ela fala e caminha com dificuldade. O casal está junto há 20 anos e
tem um filho de 18” (Notícia divulgada no Portal do Senado).
e. (ESTÁGIO JURÍDICO – DEFENSORIA PÚBLICA – 2014 – BA) “Mulher de traficante é
presa em casa em Candeias - Uma jovem de 19 anos foi presa na tarde da quinta-
feira (14) no apartamento onde mora com o marido, procurado por tráfico de drogas,
em Candeias, Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. A Polícia Federal chegou à
residência do casal para cumprir um mandado de busca e apreensão contra o
investigado, mas como ele não estava no local, a jovem acabou sendo presa em
flagrante. Entre as apreensões realizadas no apartamento estão um revólver, mais de
R$ 16 mil e uma pequena quantidade de drogas.” (MULHER de traficante...Dísponivel
em:< http:www.ne10.uol.com.br>. Acesso em: 5 jan 2014). Considere que a jovem
não sabia do envolvimento criminoso do seu marido quando contraiu matrimônio e
contava com 18 (dezoito) anos de idade.
f. Diana e Cássio namorava há dez anos quando resolveram se casar. Às vésperas da
celebração, contudo, Diana decidiu constituir um procurador, Danilo, para
comparecer ao ato, em razão de óbices profissionais que coincidiam com a data do
casamento. Horas antes de embarcar, todavia, resolveu revogar a procuração, por
considerar que seria de mau gosto não comparecer pessoalmente. Cássio e Danilo
não souberam, porém, da revogação, e este contraiu matrimônio representando
Diana. Quando esta retornou, passou a morar com Cássio.
g. “Trata-se de ação de anulação de casamento entre a ré e o falecido irmão dos
autores, ao argumento de vício de consentimento, pois realizado quando o falecido,
ainda vivo, encontrava-se sem capacidade de consentir (...) O falecido tivera um AVC
e, conforme provas periciais, não tinha compreensão do que se passava ao seu
FAMÍLIAS E SUCESSÕES YASMIN PREPICHINI
redor” (STJ. AgInt no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 44.602 – RJ. Rel. Ministra
Maria Isabel Gallotti. Data de Julgamento: 09 de março de 2017).
h. Sofia e Catarina se casam em 12 de dezembro de 2017. Após três meses de
convivência, Catarina descobre que Sofia possui transtorno do espectro autista, e
deseja, em razão disso, invalidar o matrimônio com ela contraído.
i. Demétrio, de 21 anos, casa-se com Raquel, grávida, de 17 anos, que o faz sem
autorização dos pais nem suprimento judicial. Dez dias depois do matrimônio, a mãe
dela requer a anulação em juízo. Posicione-se a este respeito.

UNIÃO ESTÁVEL

- Breve histórico sobre as famílias não fundadas no casamento no contexto nacional.


- O silêncio normativo acerca do tema no Código Civil de 1916.
- Os enfrentamentos na jurisprudência e nos microssistemas.
- Via de regra o Estado só reconhece a união estável quando ela termina.
- A apreensão da sociedade de fato como possibilidade de garantia de efeitos jurídicos
- Súmula 380 do STF (1964) condensando entendimentos da década de 40 a 60:
“Comprovada a existência da sociedade de fato entre os concubinos é cabível a sua
dissolução conjugal, com a partilha do patrimônio adquirido pelo esforço comum”.
- Questão da companheira que se dedicava aos serviços domésticos como óbice ao esforço
comum.
- Construção jurisprudencial acerca da indenização por serviços prestados.
- “Do simples governo doméstico não é lícito depreender-se contributo pecuniário em prol
da mencionada aquisição patrimonial” (TJSP – E.Inf. 139.073-1 – Julgado em 14 de março
de 1993).
- “A autora, durante o período da vida em comum, apenas esteve adstrita a lides do lar,
cujo desempenho foi bastante criticado em termos de operosidade e dedicação” (TJSC –
Ap. 33.334 – Julgado em 18 de dezembro de 1990).
- “O cuidado da casa, a educação dos filhos, são tarefas de relevo e, não se encarregasse
delas a mulher, não teria o homem, provavelmente, condições de formar patrimônio” (STJ
– Resp 1.648 – Julgado em 27 de março de 1990).
- Primeira vez reconhecida na CF.
- Súmula 380, STF  as vezes é resgatada pela jurisprudência e doutrina – falta em união
estável enquanto sociedade de fato – não demanda mais a prova de esforço comum.

1. Legislações Avulsas
- Decreto-Lei 2.681 de 1912: possibilita recebimento, por companheira, de indenização do
companheiro morto em estrada de ferro.
FAMÍLIAS E SUCESSÕES YASMIN PREPICHINI
- Decreto-Lei 7.036 de 1944: possibilita recebimento, por companheira, de indenização do
companheiro morto em acidente de trabalho.
– Lei 4.069 de 1962: possibilita destinar pensão de servidor civil, militar ou autárquico à
“concubina”.
- Lei 6.015 de 1973: “A mulher solteira, desquitada ou viúva, que viva com homem solteiro,
desquitado ou viúvo, excepcionalmente e havendo motivo ponderável, poderá requerer ao
juiz competente que, no registro de nascimento, seja averbado o patronímico de seu
companheiro, sem prejuízo dos apelidos próprios, de família, desde que haja impedimento
legal.

2. Análise Civil Constitucional


Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. §
3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o
homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua
conversão em casamento.

3. Lei 8.971/95
- Contempla alimentos, sucessão e meação entre os companheiros.
Art. 1°. A companheira comprovada de homem solteiro, separado
judicialmente, divorciado ou viúvo, que com ele viva há mais de 05 (cinco)
anos, ou dele tenha prole (...).
- Limita a meação, contudo, à possibilidade morte do companheiro cumulada ao critério da
colaboração.

4. Lei 9.278/96
- Mantém rompida a concepção do concubinato.
- Não limita a lapso temporal nem a advento de descendentes a caracterização da união
estável.
- Presumem-se serem de ambos os conviventes os bens adquiridos no vigor da união
estável. - Regulamenta a conversão da união estável em casamento.

Art. 1.723. É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o


homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura
e estabelecida com o objetivo de constituição de família.
§ 1o A união estável não se constituirá se ocorrerem os impedimentos do art.
1.521; não se aplicando a incidência do inciso VI no caso de a pessoa casada
se achar separada de fato ou judicialmente.
§ 2o As causas suspensivas do art. 1.523 não impedirão a caracterização da
união estável.

5. Requisitos extraídos do Código Civil:


a. affectio maritalis  objetivo de constituição de família. Ex: critério de coabitação,
existência de filhos.
FAMÍLIAS E SUCESSÕES YASMIN PREPICHINI
b. convivência duradoura;
c. convivência contínua;
d. convivência pública;
e. desimpedimento dos companheiros para que seja reconhecida a relação.
- Diversidade dos sexos costumava ser apontada como critério na doutrina anterior à
decisão do Supremo Tribunal Federal (ADI 4.277 e ADPF 132).

Art. 1.724. As relações pessoais entre os companheiros obedecerão aos


deveres de lealdade, respeito e assistência, e de guarda, sustento e educação
dos filhos. Art. 1.725. Na união estável, salvo contrato escrito entre os
companheiros, aplica-se às relações patrimoniais, no que couber, o regime da
comunhão parcial de bens.
Art. 1.726. A união estável poderá converter-se em casamento, mediante
pedido dos companheiros ao juiz e assento no Registro Civil.
Art. 1.727. As relações não eventuais entre o homem e a mulher, impedidos
de casar, constituem concubinato.

6. Contrato de União Estável


- Apenas prova a união estável.
- O contrato de convivência pode ser estabelecido entre as partes antes, durante e mesmo
depois de dissolvida a união. Os efeitos retroagem à data do início da união estável. Em
geral, feito através de escritura pública.
- Trata-se de forte indício de que ocorreu a união estável, embora não seja constitutivo.
- Versa sobre questões patrimoniais e existenciais.
- Problemática a análise da retroatividade do pacto de união estável quando já consumada
certa situação patrimonial.

NOVAS FAMÍLIAS PARA O DIREITO BRASILEIRO

1. Família simultânea
- Também chamadas de famílias paralelas.
- 2 ou mais vínculos familiares ao mesmo tempo.
- Em um dos casos o TJRS reconheceu porque tinha os mesmos pressupostos de União
Estável, por mais que ainda estivesse casado.
- Depende do caso concreto.
- TJPR considerou a boa fé para dar efeito jurídico a relação  é criticado pois levam para
uma analise contratual algo que é sobre relacionamentos.
- Oscila na jurisprudência.
2. Poliamor
- Não se confunde com família paralela e solidária.
3. Família recomposta
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- A Lei nº 11.924/09, chamada “Lei Clodovil” que agregou o § 8º ao art. 57 da Lei dos
Registros Públicos.
- Permite que filhos adotem sobrenomes dos padrastos e madrastas.
- Aquelas que há madrastas e padrastos.
4. Família Solidária
- Formada por personagens vulneráveis, as quais não são familiares.
- Exemplo: idosos juntos (não é asilo).
- Efeitos jurídicos e sucessórios são válidos? Dúvida geral.
- É necessário que exista o critério de vulnerabilidade.
5. Perspectivas de Direitos Humanos
- A este propósito, impõe-se a questão da violência doméstica, que vitimou 71,8% das 43
mil mulheres assassinadas no Brasil na última década, sendo nosso país o 7º no ranking de
feminicídios. Escancarando sua posição de sujeito de direito vulnerável na relação familiar.
- De acordo com o levantamento nacional de crianças e adolescentes em serviços de
acolhimento, produzido pela fundação Oswaldo cruz com dados colhidos entre setembro
de 2009 e novembro de 2010, havia, nesse período, cerca de 37 mil crianças e adolescentes
vivendo em abrigos em todo o país. Necessita-se a um só tempo superam-se os óbices
jurídicos da adoção e solidificarem-se políticas para os “inadotáveis”
6. Exercício

“Antigamente era fácil visualizar a família: pai, mãe e filhos. A mãe ficava em casa cuidando
dos filhos e o pai trabalhava fora para sustentar o lar. Hoje há um novo conceito de família
se materializando, e vários fatores explicam essa mudança de rumo. A começar pelo direito
de descasar: a cada quatro casamentos, um termina em divórcio no Brasil.(...) Com a
mulher dona do seu próprio nariz, a liberdade para se divorciar e, consequentemente, ter
outros casamentos, um novo organograma das famílias está em franco crescimento. Agora
é comum ouvir o marido da mãe;, a mulher do pai; os filhos do marido; os filhos da mulher
do pai; o irmão por parte de mãe; e por aí vai.”

a. Discorra sobre a pluralidade das entidades familiares no Direito das Famílias


contemporâneo, considerando o modelo protegido pelo Código Civil de 1916 e os
modelos enfrentados pela doutrina e pela jurisprudência atualmente.
b. Apresente premissas e consequências do direito civil constitucional aplicadas ao
Direito das Famílias. Para tanto, explique ao menos três princípios aplicáveis à
disciplina.
c. Diferencie o sistema clássico (família transpessoal) e o sistema contemporâneo
(família eudemonista) do Direito das Famílias. d. Identifique a nova modalidade
familiar a que a notícia se refere
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REGIME DE BENS

1. Regime de bens
- A Lei do Divórcio de 1977 substituiu o regime legal da comunhão universal pelo da
comunhão parcial, o que se refletiu nas regras sucessórias do Código Civil de 2002.
- Regime supletivo: comunhão parcial de bens, se não escolherem ou a legislação não
impor, será esse regime.
- Há grande liberdade aos nubentes de constituir regime de bens, por pacto antenupcial.
Basta que não disponham sobre direito sucessório, sobre alimentos e contra norma de
ordem pública.
- É a separação fática que dá fim ao regime de bens.
- Livros, instrumentos da profissão, proventos pessoais do trabalho e pensões dos cônjuges
não se comunicam.

2. Comunhão parcial
Bens excluídos
- Bens anteriores ao casamento; bens havidos por doação ou sucessão; bens sub-rogados
em seus lugares; obrigações anteriores ao casamento; obrigações provenientes de atos
ilícitos; bens de uso pessoal, livros e instrumentos profissionais; proventos de trabalho
pessoal; e bens cuja causa de aquisição é anterior ao casamento.

Bens incluídos
- Bens adquiridos onerosamente na constância do casamento; bens adquiridos por fato
eventual; bens transferidos a ambos os cônjuges; benfeitorias em bens particulares; e
frutos.

3. Comunhão universal de bens


Bens excluídos
- Bens transferidos com cláusula de incomunicabilidade e os sub-rogados em seu lugar;
bens gravados com fideicomisso; dívidas anteriores ao casamento; bens de uso pessoal,
livros e instrumentos profissionais e proventos de trabalho e pensões.
- A lei veda que cônjuges casados sob regime de comunhão universal sejam sócios entre si,
o que demonstra a importância da previsão de alteração do regime de bens. Isso deve ser
feito judicialmente e exige a concordância de ambos.

4. Separação convencional de bens


- Opção dos cônjuges no pacto antenupcial.
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- Os bens são incomunicáveis e é possível que cada um disponha livremente deles sem o
consentimento do outro cônjuge.

5. Separação obrigatória de bens


- Casamentos que violem causas suspensivas; casamento de pessoa maior de 70 anos; e,
casamento de pessoa que dependa de suprimento judicial. Ver arts. 1.641 e 1.523, CC.

- Súmula 377 do STF: “No regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos
na constância do casamento”.

6. Participação final nos aquestos


- Regime que se assemelha à separação convencional durante o casamento. No fim do
casamento, apuram-se os haveres, à semelhança de uma sociedade empresária.
- Deve-se comparar o que cada cônjuge ganhou durante a constância da união.
- Diferentemente da regra da comunhão parcial, quem pagou dívida deve comprovar que o
fez em favor da família para comunicar.

7. Exercício
Ane e Carlos constituíram uma união estável em julho de 2003 e não celebraram contrato
para regular as relações patrimoniais decorrentes da aludida entidade familiar. Em março
de 2005, Jane recebeu R$ 100.000,00 (cem mil reais) a título de doação de seu tio Túlio.
Com os R$ 100.000,00 (cem mil reais), Jane adquiriu em maio de 2005 um imóvel na Barra
da Tijuca. Em 2010, Jane e Carlos se separaram. Carlos procura um advogado, indagando se
tem direito a partilhar o imóvel adquirido por Jane na Barra da Tijuca em maio de 2005.
Proceda a orientação correta como se advogasse por Carlos.

Diana de Souza (31 anos) e Luiz Menezes (32 anos) se conheceram em 25 de dezembro de
2003. Em 01 de janeiro 2007, resolveram morar juntos em apartamento adquirido por Luiz
Menezes em 10 de abril de 2003, que atualmente está avaliado em R$ 80.000,00. Neste
mesmo ano de 2007, casaram-se, sem realizar pacto antenupcial, reunindo parentes e
amigos em uma grande recepção. Desta relação, nasceram ainda dois filhos, Fábio de Souza
e Menezes, em 09 de setembro de 2008, e Fátima de Souza e Menezes, em 29 de abril de
2010. Em 2008, Luiz comprou um carro em nome próprio no valor de R$ 35.000,00, sendo
que Diana colaborou com o valor de R$ 5.000,00 para a aquisição. Neste mesmo ano, Diana
adquiriu, em nome próprio, um terreno em praia onde pretendiam passar as férias, no
valor de R$ 12.000,00. Em 2010, Carlos de Souza, pai de Diana, falece, e, por herança, esta
recebe imóvel avaliado em R$ 50.000,00. No início de 2011, Luiz Menezes passa a ter em
seu nome outro automóvel, um Mercedes-Benz que ganhou em sorteio de Natal em um
dos shoppings da capital paranaense. Além disso, Luiz Menezes tem, em poupança na qual
deposita uma parcela mensal de seu salário desde 2004, aproximadamente R$ 12.000,00.
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Em 04 de março de 2013, você, advogada(o) atuante na mesma cidade de Diana e Luiz,
Curitiba (PR), recebe-os em seu escritório. A cliente relata que se separaram em dezembro
de 2012, porque ambos se apaixonaram por outras pessoas e, inclusive, já têm convivido
em união estável com elas. Detalhando o relacionamento anterior, Diana informou que
desde que ela e Luiz passaram a morar juntos sequer cogitaram se separar. Todavia, ao final
de 2012, decidiram que não deveriam mais ficar juntos. Hoje, inclusive, Diana reside em
Curitiba e Luiz reside em Araucária. Diante do término da união, pretendem resolver a
divisão de bens do casal, nos exatos termos determinados pelo Direito de Família.

8. Comentários ao texto
Um dos aspectos mais polêmicos dentre as previsões de regime de bens é a disciplina da
separação obrigatória entre os patrimônios dos nubentes quando algum deles tem mais de
70 anos. Contudo, a Súmula 377 do Supremo Tribunal flexibiliza os efeitos desta previsão,
aproximando aquele regime da comunhão parcial de bens. Neste sentido, cabe questionar
sobre a possibilidade de pacto antenupcial para casos como tais.