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CRISTO E O NOVO PACTO

O pacto de Deus com o homem é fruto da exclusiva vontade e determinação de Deus. Desde o
primeiro pacto no Jardim do Éden, passando pela Lei Mosaica até a vinda de Cristo, o homem
mostrou-se incapaz de cumprir a lei por sua capacidade própria, porém Deus, conhecendo esta
condição do homem, decidiu, na eternidade, estabelecer um novo pacto através de e em
Cristo, o Verbo encarnado, que pela sua vida de absoluta perfeição moral cumpriu toda a lei e
obediência que Adão fora incapaz de cumprir.

1 Coríntios 15,22: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão
vivificados em Cristo”.

Todos os que são salvos, somente são remidos pela obediência plena e o sacrifício substitutivo
de Jesus Cristo, não existe nenhuma lei, preceito, obra, serviço ou modo de vida que irá
justificar quem quer que seja perante Deus, somente a vida perfeita, o sacrifício vicário e a
ressurreição de Jesus pôde realizar o pacto da graça estabelecido por Deus.

Gálatas 3,13: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em
nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)”.

Confissão de Fé de Westminster: Capítulo VII, Seção IV – O Novo Testamento: Este pacto da


graça é frequentemente apresentado nas Escrituras pelo nome de Novo Testamento, em
referência à morte de Cristo, o testador, à perdurável herança, com tudo que lhe pertence,
legada neste pacto.

Hebreus 9,15: “Por isso mesmo, ele é o Mediador da nova aliança, a fim de que, intervindo a
morte para remissão das transgressões que havia sob a primeira aliança, recebam a promessa
da eterna herança aqueles que têm sido chamados”.

O pacto da graça é representado na bíblia com o nome de Novo Testamento, este pacto foi
realizado por Jesus Cristo, o Verbo encarnado, perfeito homem e perfeito Deus, consumando
todas as profecias e previsões do Velho Testamento.

Da necessidade do Pacto da Graça

Já foram vistos acima, vários aspectos vários aspectos da redenção que há em Cristo, mas
porque a necessidade do Pacto da Graça se Jesus nos diz que não veio para julgar o mundo,
mas para salvá-lo?
João 12,47: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu
não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo”.

A explicação deste fato é bastante simples: O mundo não precisa ser julgado porque já está
condenado, somente os eleitos de Deus, justificados em Cristo, são salvos.

1 João 5,19: “Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno”.

Todos os homens já foram julgados em Adão e todos são pecadores, pois o homem não é
pecador porque peca, mas peca porque é pecador, desta forma todos os homens
descendentes de Adão por geração ordinária são pecadores e continuam pecando, já estão
julgados e debaixo da justa ira de Deus.

1 Coríntios 15,22: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão
vivificados em Cristo”.

Mais perguntas: Porque o Pacto da Graça se Deus mandou o seu Filho ao mundo para que
todo aquele que nele crê seja salvo? Não é suficiente, por este motivo, que basta ao homem
crer em Cristo e ser salvo?

João 3,16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para
que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

A questão que se apresenta agora é a seguinte: O homem caído e pecador, inimigo de Deus,
terá condições por si mesmo para aceitar a Cristo? Vejamos o que diz o apóstolo João na
sequência do seu evangelho.

João 6,37: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo
nenhum o lançarei fora”.

João 6,44: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o
ressuscitarei no último dia”.

João 10,14: “Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim”.
João 8,47: “Quem é de Deus ouve as palavras de Deus; por isso, não me dais ouvidos, porque
não sois de Deus”.

Desta forma, a explicação sobre a necessidade do Pacto da Graça se torna clara: O homem
pecador não consegue jamais, por seus próprios méritos, justificar a si mesmo ou escolher a
própria salvação. Como foi visto acima, o mundo todo jaz no maligno, por este motivo existe
esta necessidade do pacto da graça, pelo qual Deus decidiu, na eternidade, salvar, através de
seu Filho Jesus, alguns homens e mulheres escolhidos dentre a massa caída da humanidade,
porque nem mesmo estes escolhidos de Deus são capazes de justificar a si mesmos, estando
em seu estado natural debaixo da ira e da justiça de Deus.

Pelo Pacto da Graça, dirigido aos eleitos de Deus e somente a estes, o pecador é justificado em
um determinado momento de sua vida, nascendo novamente pelo Espírito e recebendo como
dons de Deus a fé em Cristo e o arrependimento para a vida. A salvação é obra do Deus triúno
do princípio ao fim, sem colaboração alguma do homem caído, e, sendo assim realizada é
eterna e jamais será perdida.

João 10,28: “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha
mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode
arrebatar”.

A realização do Pacto da Graça

O Pacto das Obras firmado com Adão foi quebrado, pois o homem sendo criatura finita e
mutável não persistiu na execução do pacto. É preciso ressaltar que a desobediência de Adão e
a queda foram decretadas na eternidade, Deus não foi surpreendido com a atitude do homem,
mas, ao contrário, teve nesta desobediência de Adão a realização de seus Decretos Eternos.
Isso serviu para mostrar que o homem finito, por si mesmo, jamais poderia cooperar em um
pacto que deve ser infinito e eterno.

Depois disso, a fraqueza e a corrupção humana decorrente da queda resultaram na total e


completa incapacidade do homem, separando radicalmente a criatura do Criador.

Romanos 5,12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo
pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram”.

Por todos estes motivos, o Pacto da Graça exclui o homem de sua realização, este pacto foi
realizado pelo próprio Deus, na pessoa do Verbo encarnado: Jesus Cristo, que através da
encarnação tornou-se perfeito homem e perfeito Deus, apto a realizar o pacto onde Adão
havia falhado.

Colossences 1,15: “Este (Jesus) é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação”.

Como a perfeita imagem divina, Jesus revelou Deus aos homens e realizou de forma cabal e
definitiva, uma vez por todas, o plano de salvação de Deus, tornando possível a efetivação do
Pacto da Graça, pois o homem pecador jamais poderia ser salvo sem o cumprimento perfeito
da justiça divina.

Deus é santo e puro, sua misericórdia não pode ser manifesta, jamais, à parte de sua justiça,
por este motivo, os homens nunca seriam objeto do amor de Deus sem o cumprimento
perfeito de sua justiça em Jesus Cristo.

Colossences 1,17-20: “Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do
corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas
ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo
feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as
coisas, quer sobre a terra, quer nos céus.

O pacto da graça realiza em si todos os outros pactos, símbolos e ordenanças do Velho


Testamento, representando em Cristo a consumação de todas estas coisas que eram sempre
figuras do que haveria de ser realizado definitivamente no Pacto da Graça.

1 Timóteo 2,5-6: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo


Jesus, homem, o qual a si mesmo se deu em resgate por todos: testemunho que se deve
prestar em tempos oportunos”.

A unicidade do pacto em Cristo no Velho Testamento

No Antigo Testamento, o Pacto da Graça é revelado com crescente clareza ao longo da


história. Quando Adão e Eva são expulsos do paraíso, neste mesmo ato, Deus repreende a
serpente, Satanás, e promete a vinda do redentor, e assim todos os rituais e símbolos da
antiga aliança apontam inexoravelmente para Cristo.

Gênesis 3,15 (RC): “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua
semente; ele te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.
O dispensacionalismo

Negar a unicidade do pacto diante de tantas evidências parece tolice, ou mesmo contra-senso,
mas a revelação da Escritura é privativa dos eleitos de Deus, e toda crença absurda é possível
para aqueles que o ‘deus deste século’ cegou. A divisão do texto sagrado em diferentes
dispensações, apesar de herética, é bastante comum na igreja evangélica moderna.

Esta prática supõe que Deus estabeleceu sete pactos diferentes com os homens, porque foi
surpreendido com as atitudes humanas inesperadas e foi obrigado a mudar as dispensações do
pacto conforme as épocas da história; da mesma forma Jesus somente se dirigiu aos gentios
quando foi surpreendido pela rejeição dos judeus.

Este sistema afirma também, apesar das negativas categóricas de Jesus na Escritura, o sonho
farisaico do estabelecimento do reino davídico do Messias na terra por mil anos literais antes
do fim. Esta é uma heresia cruel e demoníaca, pois nega a onisciência e onipotência de Deus e
também, direta ou indiretamente a divindade de Cristo e consequentemente a Trindade
divina.

(Estas são observações básicas para conhecimento do dispensacionalismo, existem diferentes


vertentes desta aberração, cujo detalhamento deve ser objeto de estudo definido e não cabe
neste comentário)