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CENTRO UNIVERSITÁRIO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO

LICENCIATURA EM HISTÓRIA

PLANO DE AULA – “NACIONALISMO”

ITU
2020
CENTRO UNIVERSITÁRIO NOSSA SENHORA DO PATROCÍNIO
LICENCIATURA EM HISTÓRIA

PLANO DE AULA – “NACIONALISMO”

Eli Ericlis de Castro Leão


Matheus Pereira Bandeira
Leonardo Augusto de Oliveira

ITU
2020
1. O TEMA

Público alvo: Ensino Médio

Disciplina: Brasil República (História)

Material Utilizado: Projetor (Para reprodução das imagens das pinturas) e cópias
coloridas em sulfite das pinturas

1.1. Objetivo didático da aula

A elevação do censo crítico é um dos fatores principais para o discernimento


interpretativo e conscientizado dentro da disciplina de história. O indivíduo que está
submetido a toda rede de informação dentro do campo da história também precisa ser um
agente participativo e presente, buscando sempre com intuito de trazê-lo ao debate, para que o
mesmo aflore suas ideias e produza conhecimento dentro do contexto escolhido pelo
professor.

O objetivo didático dessa aula é trazer o aluno para uma nova perspectiva mostrada
pelo professor, sobre o imaginário de ideal nacional, e o que se entende por nacionalismo no
Brasil, sob um filtro específico, a República.

Para facilitar a alusão ao tema proposto, utilizaremos pinturas remetentes a um período


específico do Brasil, de autoria do artista Pedro Américo, as quais serão submetidas à
questionamentos e interpretações abertas dos alunos, o que eles, por meio das pinturas,
percebem sobre a formação do caráter nacional, sempre com auxílio do professor.
1.2. Abordagem sobre a interpretação

A construção do olhar sobre determinados períodos históricos passam por diversas


fontes elucidativas, pelas quais o indivíduo é arremetido profundamente a diversos processos
interpretativos, para ao fim, ter um panorama histórico sobre o período.

Os objetos analisados precisam ser devidamente contextualizados ao período, assim


diversos fatores anteriormente excludentes passam a ganhar novas possibilidades, gerando
novos debates e apresentando novas perspectivas.
1.3. Construindo visão da república sobre o império
Ao longo da fundação da República, se buscou consolidar a identidade nacional com a
república sendo um dos agentes transformadores positivamente na história do Brasil, com
isso, passa a se gerar uma nova necessidade imediata, que serviria tanto a consolidação do
novo poder, tanto para manter quanto um censo unitário em todo território nacional, com
intuito de evitar atritos em diversos segmentos da sociedade. A necessidade por retratar essa
nova visão, e a autoafirmação desse novo sistema político que buscavam demonstrar que seria
principal agente para o progresso nacional, rompendo e estigmatizando o modelo anterior.
Abriu-se um novo precedente, de se retratar um “novo olhar” sobre o Brasil desde a
sua independência, juntamente a redefinição de símbolos nacionais, mártires políticos e
grandes figuras, que centralizariam um “ideal brasileiro”. Novas obras literárias, pinturas e
correntes de pensamento começam a surgir sobre um contexto bem especifico, das quais,
iremos ressaltar e analisar em sala de aula, em conjunto aos demais alunos.
2. O DOCUMENTO

2.1. Apresentações dos documentos


Para formalizar e ilustrar a aula com as temáticas referentes a nacionalismo, é possível
como proposta a de utilizar as produções do pintor, historiador e professor brasileiro Pedro
Américo, com foco nas obras ‘Tiradentes Supliciado’ ou ‘Tiradentes esquartejado’ (1893) ,e
‘Independência ou Morte’ (1888).

2.2. O autor
Pedro Américo de Figueiredo e Melo foi romancista, poeta, cientista, teórico de arte,
ensaísta, filósofo, político e professor, nascido no ano de 1843, no estado da Paraíba. Além de
estudar na Academia Imperial de Belas Artes, Pedro Américo estudou e se formou na França,
onde teve contato com o neoclassicismo, com influência de pintores europeus renomados do
período.
Em consequência de sua influencia durante o período imperial, esteve participativo em
diversos momentos da trajetória de transição do Império a República, e com suas obras sendo
importantes para a criação da identidade nacional e patriota.

2.3. Tiradentes Supliciado (1893)


A obra foi concebida em 1893 por Pedro Américo, durante seus últimos anos fazendo
parte do congresso nacional na recém-transição para o Estado novo brasileiro.
Segundo o autor Guilherme Simões Gomes Júnior, que escreve em seu artigo VIVER DE
ARTE ENTRE O BRASIL E A EUROPA: ‘’O ESQUEMA PEDRO AMÉRICO’’ (2019), é
levantada a hipótese que a obra fazia parte de uma sequência de criações artísticas que
buscavam fixação da imagem de Tiradentes como herói nacional e juntamente com a
instituição da data de 21 de abril como feriado nacional em sua memória, tais fatores são
reforçados quando a obra é analisada em seu contexto histórico e de criação.
Na obra é possível encontrar durante a análise a busca pela mescla de fatores para
intensificar ainda mais o impacto da obra em sua criação. Tiradentes é ilustrado com barba e
cabelos de forma próxima a encontrada nas retratações de Jesus Cristo, e detalhes de sangue
reforçam os pontos sacros que são referências às vestimentas de Cristo. Ainda é possível
encontrar a formação do mapa nacional do território brasileiro, também demonstrando reforço
da criação da identidade nacional e a criação de herói nacional.
Atualmente a obra se encontra sobre tutoria do Museu Mariano Procópio, na cidade de
Juiz de Fora em Minas Gerais.

2.4. Independência ou Morte (1888)


Independência ou morte, de 1888, concebida aos moldes do movimento
independentista traz elementos de construção e análise pertinentes para maior compreensão do
período histórico.
Seguindo os moldes da criação e busca pela identidade nacional, a concepção da obra
por Pedro Américo é uma das tentativas mais analisadas ao longo da história. A obra traz
como elementos Dom Pedro I trajado sobre seu cavalo as margens do Ipiranga com sua tropa
em 1822, porém mesmo a época o fato não causou impacto e tão pouco é sua totalidade
verossímil.
O autor buscou retratar a cena de uma maneira com base em alguns relatos e levando
uma carga de relevância ao então imperador o ato de independência que na ocasião
significava uma tentativa de autonomia perante a metrópole portuguesa. Uma vez que além de
retratada sessenta anos depois e finalizada quando Pedro Américo estava estabelecido em
Florença na Itália.
Atualmente a obra original está sob os cuidados do Museu Paulista, no Parque da
Independência no Ipiranga na cidade de São Paulo, museu inaugurado em 7 de setembro de
1895, também para representar um marco da independência e da história nacional.
3. O USO DO DOCUMENTO NA AULA DE HISTÓRIA

Pensando num plano de quatro aulas (a carga horária semanal da disciplina de


História) para tratar do tema, tem-se a seguinte sequência:

3.1. Exposição do tema

Dentro do cronograma bimestral, onde serão tratados os assuntos referentes ao período


de transição do Brasil Monárquico para o Brasil República, nas primeiras duas aulas
(considerando aula-dupla) da semana reservadas para o tema sobre o nacionalismo,
primeiramente será retomada a questão do ideal nacional, um breve retrospecto do período da
Independência de 1822, para então fazer uma ponte com o declínio do Império, onde a prática
política foi a de derrubar toda e qualquer simbologia que lembrasse os tempos de governo de
D. Pedro I e D. Pedro II, quando então a imagem de Tiradentes mudou de forma, a fim de
atender aos novos ideais patrióticos. O formato será no de uma aula expositiva, podendo-se
utilizar como base tópicos trabalhados com o livro didático ou retomando trabalhos realizados
anteriormente pelos alunos, do momento em que a independência do Brasil foi estudada.

3.2. Reflexão e crítica

Nas duas últimas aulas da semana, após a abordagem inicial feita nas duas aulas
anteriores sobre o assunto, as duas pinturas de Pedro Américo serão entregues à sala (dividida
em grupos de quatro alunos), em cópias coloridas, podendo quatro grupos ficar com
“Tiradentes supliciado” e os outros quatro com “Independência ou Morte”.

Inicialmente, o professor contará um pouco da vida e da obra do pintor Pedro


Américo. Em seguida, ele entregará as cópias das pinturas para os grupos.

Cada grupo ficará responsável por fazer uma análise crítica dos elementos encontrados
nas duas pinturas, que remetam a ideia de nacionalismo, com o intuito de que os alunos
consigam identificar as intenções do pintor, para procurar entender o seu ponto de vista
daqueles dois momentos históricos já estudados pela sala.

Cada grupo discutirá as questões, podendo sintetizar as principais conclusões por


escrito, e, ao final, o professor fará um apanhado de todas as opiniões. O objetivo aqui é fazer
com que os alunos compreendam o trabalho de um historiador, que só pode contar com os
vestígios de um passado que não volta mais, e que, portanto, só pode construir hipóteses em
cima daquilo que de fato restou, mostrando que o documento histórico (neste caso, as duas
pinturas) não encerra em si mesmo uma verdade absoluta. Porém, é passível de muitas e
diferentes interpretações, as quais podem levar ao mais próximo do que realmente aconteceu.
O principal dessa atividade é despertar nos alunos a noção de que, para se poder
compreender o passado, é preciso antes entender quais seriam as formas de pensamento das
pessoas daquele determinado tempo, separando da forma atual de se pensar, no caso, no ideal
nacional. Em 1822, o pensamento era um; em 1889, era outro; e, em 2020, o tempo presente
em que os alunos se encontram, há uma nova forma de se pensar sobre o mesmo tema.
4. RELATÓRIOS

4.1. Relatório Eli Leão

A formulação da pesquisa sobre a temática nacionalismo, em convergência ao período


da fundação do modelo republicano no Brasil, com ajuda da matéria da grade comum,
História do Brasil república, fora um dos pontos importantes que incentivou e facilitou
elaborar tal conteúdo, o modelo de identidade nacional que a republica queria consolidar,
tentando deixar amarras do modelo governamental anterior, buscando o deixar através das
narrativas como “obsoleto” e “retrógrado”, e a busca por autoafirmação de ser o modelo ideal
e próspero, foi um dos fatores decisivos por trilhar esse escolha, por se remeter a um ideal
coletivo e nacional.
A opção de utilizar obras de Pedro Américo, foram escolhidas de mostrar pelo fato
que já está no imaginário coletivo das pessoas, ou em boa parte delas, como os quadros
famosos da independência do Brasil e a morte de Tiradentes, facilitando a relação do contexto
apresentado.
Trazer tal temática sob o formato de plano de aula, precisava ser de modo elucidativo,
para que os alunos impostos a tal questionamento, observasse algo mais factível e objetivo,
como por exemplo as pinturas, pois, além de ser mais compreensível possui uma determinada
facilidade interpretativa com auxílio do professor.
Seguindo a elaboração da aula, com auxílio da matéria Metodologia e Prática do
Ensino de História, a familiaridade com o artigo apresentado a nós, escrito por Marli André,
“PEDAGOGIA DAS DIFERENÇAS NA SALA DE AULA” foi de grande ajuda para
elaboração do conteúdo com enfoque em uma didática acessível e de fácil discernimento
dentro da sala de aula.

4.2. Relatório Matheus Bandeira

Para a construção da seção referente a apresentação dos documentos, a escolha da


metodologia e argumentação foram seguindo o tema de pesquisa e escolha de artigos sobre o
tema previamente publicados.
Por se tratar do tema de nacionalismos, o grupo propôs a escolha da obra de Pedro
Américo, em especifico suas obras onde retratam dois momentos, e figuras importantes dentro
da temática. Desta forma, localizamos na linha temporal e informativa para o contexto.
Por se tratar de obras do mesmo autor, porém com temáticas e personagens diferentes,
a escolha partiu-se pela obra onde Pedro Américo retrata Tiradentes, personagem relevante do
movimento de inconfidência e uma figura que faz parte da tentativa da construção de ídolos
nacionais. Outro ponto importante fora citar os pontos notáveis da obra, como o formato
criado a partir do corpo de Tiradentes esquartejado, e as referencias a jesus cristo nos entalhes
sobre o personagem, e a partir disso deixar os pontos de ligação para o período e público alvo
da época.
Para concluir, citando a obra referente a independência brasileira onde o autor busca
novamente a criação do marco nacional ao retratar o episodio algumas décadas adiante e com
base em pesquisas posteriores.
Desta forma, ao apresentar o autor e as obras seguindo o tema fora constituído a
apresentação dos documentos selecionados dentro da temática determinada e antecipar a
possível abordagem do conteúdo em formato de aula com uma proposta lúdica e seguindo os
moldes previamente estabelecidos.

4.3. Relatório Leonardo Oliveira

Em seu texto “A memória evanescente”, os autores Leandro Karnal e Flavia Tatsch


falam que o documento “é um link que estabelecemos com o passado”. (PINKSY & LUCA,
2009, p. 13) (grifo dos autores)
Desta forma, utilizar as duas pinturas de Pedro Américo em sala de aula é mais do que
fazer com que os alunos tenham contato com obras de arte. Eles também têm contato com o
ofício de historiador, tendo que se valer de uma fonte primária para se chegar a um tipo de
ideal defendido num passado já bastante longínquo.
Com base nisso é que optamos por dividir as aulas em duas partes, sendo a primeira
expositiva, mais tradicional, e outra prática, deixando que os alunos pudessem trabalhar e
descobrir por si próprios, alicerçados em seus conhecimentos adquiridos até então, porém não
sozinhos, tendo a figura do professor sempre como um orientador.
REFERÊNCIAS

ANDRÉ, Marli (Org.). Pedagogia das diferenças na sala de aula. São Paulo: Papirus Editora,
1999.

BASTOS, Lucia. Nem as margens ouviram. In Revista de História da Biblioteca Nacional.


16/09/2009. Disponível em: <
https://web.archive.org/web/20150315082322/http://revistadehistoria.com.br/secao/capa/nem-
as-margens-ouviram > Acesso em 25 abr. 2020

BRASIL. Independência ou morte (Grito do Ipiranga) – Estudo. Disponível em: <


http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/diplomacia-cultural-mre/20793-independencia-ou-morte-
grito-do-ipiranga-estudo > Acesso em 25 abr. 2020

CERRI, L. F. Direto à fonte. In: Revista ”Nossa História", 2004.

GOMES JUNIOR, Guilherme Simões. VIVER DE ARTE ENTRE O BRASIL E A


EUROPA: O “ESQUEMA PEDRO AMÉRICO”. Rev. bras. Ci. Soc., São Paulo, v. 34, n.
100, e3410009, 2019 . Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0102-69092019000200506&lng=en&nrm=iso >. Acesso em 25 abr.
2020.

KARNAL, Leandro; TATSCH, Flavia Galli. A memória evanescente (documento e história).


In: PINSKY, Carla B.; LUCA, Tânia Regina de; O Historiador e suas fontes. São Paulo:
Contexto, 2009.

LITZ, V.G. O uso de imagem no Ensino de História. Universidade Federal do Paraná,


Caderno Temático do Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paraná –
PDE. Curitiba, PR. 2009. Disponível em: <
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1402-8.pdf > Acesso em 23 abr.
2020

MUSEU PAULISTA. Museu do Ipiranga (histórico). Disponível em: <


http://www.mp.usp.br/museu-do-ipiranga > Acesso em 25 abr. 2020
SAMARA, E. M; TUPY, S. História & documento e metodologia de pesquisa. Belo
Horizonte: Autêntica, 2010.
ANEXOS

Independência ou morte, por Pedro Américo, óleo sobre tela, 1888. Exposta no Museu
Paulista.

Tiradentes supliciado, por Pedro Américo, óleo sobre tela, 1893. Exposto no Museu Mariano
Procópio, Juiz de Fora – MG.