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Sistema de Aprendizagem

Curso: Técnico/a de Apoio Familiar e de Apoio à Comunidade

UFCD ANIMAÇÃO E OCUPAÇÃO DE


7240
TEMPOS LIVRES ATRAVÉS DA
EXPRESSÃO MUSICAL

Formadora: Ana Vieira


Sistema de Aprendizagem
Curso: Técnico/a de Apoio Familiar e de Apoio à Comunidade

Conteúdos programáticos:
• Objetivos da animação e ocupação de tempos livres através da expressão musical e
corporal, em contexto domiciliário e institucional
o Estratégias de dinamização e motivação de grupos e indivíduos
o Comunicação e interação
o Adequação às necessidades e expectativas
• Técnicas de expressão musical e corporal adequadas ao contexto domiciliário e instituição
• Expressão musical
o Canto
o Instrumentos musicais
• Expressão corporal
o Expressão dramática
o Dança
o Jogos e outras atividades lúdicas

Objetivos:
• Participar em atividades de expressão musical; 2
• Participar em atividades de expressão corporal.

Duração:
25 horas
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Curso: Técnico/a de Apoio Familiar e de Apoio à Comunidade

Índice
Conteúdos programáticos: ...................................................................................................... 2
Objetivos: ................................................................................................................................ 2
Duração: .................................................................................................................................. 2
1. Objetivos da animação e ocupação de tempos livres através da expressão musical e
corporal, em contexto domiciliário e institucional ................................................................. 4
1.1. Estratégias de dinamização e motivação de grupos e indivíduos...................................... 4
1.2. Comunicação e interação ................................................................................................ 5
1.3. Adequação das necessidades e expectativas ..................................................................... 5
2. Técnicas de expressão musical e corporal adequadas ao contexto domiciliário e
instituição ................................................................................................................................ 8
3. Expressão musical ........................................................................................................... 9
3.1. Canto ............................................................................................................................. 9
3.2. Instrumentos musicais .................................................................................................. 13
4. Expressão corporal ........................................................................................................ 14
4.1. Expressão dramática ..................................................................................................... 14
4.2. Dança ........................................................................................................................... 14
4.3. Jogos e outras atividades lúdicas ................................................................................... 15 3
Bibliografia: ........................................................................................................................... 20
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1. Objetivos da animação e ocupação de tempos livres através da expressão


musical e corporal, em contexto domiciliário e institucional
1.1. Estratégias de dinamização e motivação de grupos e indivíduos
A motivação é uma força ou tensão capaz de desencadear ou manter uma ação, canalizando
o comportamento para um fim determinado.
Enquanto um indivíduo se encontra motivado, a sua conduta é dinâmica, ativa, persistente.
Se está motivado para aprender, evidencia grande interesse pelo assunto, presta atenção de forma
contínua, trabalha e participa com vontade e interessa-se pela sua evolução. Aprende melhor e mais
depressa com menos esforço.
O nível de motivação de um indivíduo durante o desenvolvimento de uma atividade, vai
influenciar diretamente o modo como este aceita, desfruta, participa e retira benefício próprio dessa
ação. Cabe ao animador o papel de desencadear um estado de motivação no público com quem está
a trabalhar, de forma a que cada indivíduo atinja os fins pretendidos de forma mais gratificante.
Desta forma e a fim de conseguir atingir o sucesso, o animador, deverá adquirir determinadas
posturas e comportamentos, nomeadamente:
• Tentar conhecer, aproximar-se e criar uma relação de afinidade com as pessoas com quem 4
irá trabalhar;
• Observar e escutar atentamente as intervenções do grupo ou indivíduo;
• Conhecer as caraterísticas físicas, psicológicas e sociais dos elementos, para evitar que
alguém se sinta marginalizado;
• Ter em conta as capacidades dos indivíduos, respeitando os seus ritmos;
• Preparar e desenvolver os planos de animação de forma estimulante;
• Diversificar o estilo de atividades de animação;
• Criar um clima positivo com os indivíduos, estabelecendo uma relação aberta e verdadeira
com os participantes;
• Ser afetuoso e empático.
Empenho Razão
Força de vontade Cativação
Predisposição Autoestima
Descontração MOTIVAÇÃO Autoconfiança
Necessidade Conhecimento
Objetivos Desenvolvimento cognitivo
Concentração Disponibilidade
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1.2. Comunicação e interação


Comunicar implica uma troca de ideias, sentimentos e experiências entre pessoas que
conhecem o significado daquilo que se diz e do que se faz.
A comunicação interpessoal é o processo de transmissão de uma mensagem de um
indivíduo para o outro de forma a que ambos entendam.
O processo de comunicação é um processo universal, inerente a todos os seres humanos,
uma vez que, todos os indivíduos comunicam, sendo impossível não comunicar. A comunicação é
um fenómeno que está presente em toda a parte, sendo essencial na vida em sociedade, através das
trocas constantes de compromissos e negociações entre as pessoas. Mesmo quando caminhamos
pela rua reagimos a uma série de sinais que nos pretendem transmitir uma série de mensagens,
desde os sinais de trânsito até à publicidade exposta.
O crescimento e o desenvolvimento de qualquer projeto de animação, depende da
confiança que o individuo ou o grupo deposita, não apenas no projeto em si, mas essencialmente
no animador responsável pelo mesmo. Desta forma, revela-se imprescindível a manutenção deste
clima de confiança que obriga ao estabelecimento continuo e permanente de uma ligação e de
diálogo entre ambas as partes. Qualquer animador que deseje manter uma “imagem” favorável,
junto do seu público, terá de lhe dar conhecimento das suas atividades, do seu trabalho e da sua
organização, assim como garantir a sua motivação, interesse e bem-estar, criando, para o efeito, um
5

sistema permanente de comunicação.

1.3. Adequação das necessidades e expectativas


No decorrer da elaboração de um projeto de animação, revela-se imprescindível a especial
atenção às distintas necessidades e especificidade de cada utilizador, não se podendo aplicar as
mesmas técnicas de animação a todo o tipo de público. Desta forma, é necessário o animador
prestar atenção a alguns fatores, nomeadamente:
• Género (grupo feminino, masculino ou misto);
• Idade;
• Capacidades cognitivas;
• Capacidades físicas;
• Ambiente social e cultural;
• Etc.
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Princípio da homeostase:

NECESSIDADE MOTIVO

(DES)EQUILÍBRIO COMPORTAMENTO

O princípio da homeostase diz respeito aos fenómenos biológicos ou impulsos básicos.


Este modelo trata-se de um sistema de autorregulação, que se carateriza pela tendência para manter
o equilíbrio sempre que este se rompe.
Para restaurar o equilíbrio, a necessidade ativa o motivo e este, por sua vez, desencadeia o
comportamento, visando o retorno à condição de equilíbrio.
Diferentes tipos de motivos:
• Impulsos básicos ou primários;
• Motivos sociais;
• Motivos para estimulação sensorial;
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• Motivos de crescimento;
• Ideias como motivos.
Impulsos básicos ou primários: São motivos que ativam o comportamento. Os impulsos
surgem para satisfazer as necessidades de oxigénio (respirar), água (beber), alimento (comer), sono
(dormir), evitação de dor, etc. O que carateriza estes impulsos é o facto da sua satisfação ser
fundamental para a sobrevivência do indivíduo.
Motivos sociais: Estes motivos só se compreendem e explicam pelo facto de o ser humano
viver em sociedade. Têm por objetivo satisfazer as necessidades que o indivíduo tem de se sentir
amado, respeitado, aprovado, etc. As pessoas rejeitadas pela sociedade ou que se encontram
socialmente isoladas, têm tendência a se sentirem profundamente perturbadas: choram com
frequência, negligenciam o seu asseio pessoal e tornam-se apáticas.
Motivos para estimulação sensorial: As pessoas, tal como muitos animais, necessitam de
estimulação sensorial. Pessoas com uma vida muito rotineira têm tendência para o tédio, para a
depressão e irritabilidade. Existe, nas pessoas, uma atração intrínseca pelo que é novo e
desconhecido e, esta caraterística, desde sempre, esteve ligada à sobrevivência do individuo. A
procura de novas experiências desenvolve a sensibilidade percetiva aumentando a sua competência
em termos de habilidade e de conhecimentos que lhe permitem adaptar-se com mais eficácia às
novas situações.
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Motivos de crescimento: Estes motivos estão relacionados com a necessidade de realização


pessoal e de competências. As pessoas esforçam-se e trabalham no sentido de aumentar o seu nível
de competência e, por isso, realizam tarefas com graus de complexidade cada vez mais elevados.
Ideias como motivos: Todas as pessoas que vivem em sociedade agem em função de
determinados valores, crenças e metas, em suma, de ideias. As ideias podem ser intensamente
motivadoras quando se acredita nelas profundamente.

Teoria motivacional de Maslow:

Necessidades
de
autorregulaçã
o

Necessidades
de
estima
7

Necessidades
sociais

Necessidades
de segurança

Necessidades
de estima

Maslow (1908-1970)
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2. Técnicas de expressão musical e corporal adequadas ao contexto


domiciliário e instituição
A voz, o corpo e os instrumentos musicais são os recursos a desenvolver através de jogos de
exploração. Estes devem partir das vivências sonoro-musicais visando o seu domínio, com forte
acentuação em atividades lúdicas, por forma a evitar situações de puro exercício que afastam os
indivíduos.
O desenvolvimento da musicalidade é um processo gradual, dependente do domínio de
capacidades instrumentais, da linguagem adequada, do gosto pela exploração e da capacidade de
escutar. Os jogos de exploração para cada uma das rubricas indicadas vão assim ganhando
complexidade por forma a responder ao desenvolvimento das capacidades musicais referidas.
Há que atender à singularidade musical de cada pessoa, dando-lhe oportunidade de
desenvolver, à sua maneira, as propostas e projetos próprios e do animador. Voz, corpo e
instrumentos formam um todo, sendo a pessoa solicitada a utilizá-los de forma integrada,
harmoniosa e criativa.
Utilização da voz/expressão musical:
A voz, instrumento primordial, é, no ser humano, um modo natural de se expressar e
comunicar, marcado pela vivência familiar e pela cultura. A entoação, a extensão vocal, o timbre, a
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expressão, a capacidade de inventar e reproduzir melodias, com e sem texto, a aquisição de um
reportório de canções, rimas e lengalengas, são partes constituintes de um modo pessoal de utilizar
a voz.
A dificuldade ou menor interesse do indivíduo por uma ou mais das partes referidas não deve
ser entendida como uma menor musicalidade, devendo o animador procurar ajudar a pessoa a
ultrapassar essas dificuldades ou falta de interesse. As situações musicais vivenciadas pelos
indivíduos, quer em contexto domiciliários, quer em contexto institucional, são a melhor forma de
proporcionar o desenvolvimento dos aspetos essenciais da voz, a par com o seu desenvolvimento
global.
Utilização do corpo/expressão corporal:
Sentir, no corpo em movimento, o som e a música é, no ser humano, uma forma privilegiada e
natural de expressar e comunicar cineticamente o que ouve. Todos os matizes sonoros podem
assim ser vivenciados, sendo, para a maioria das pessoas, a melhor forma de sentir e conhecer a
música. O movimento, a dança, a percussão corporal, são meios de que o animador dispõe para,
com pleno agrado do seu público alvo, desenvolver a sua musicalidade.
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3. Expressão musical
Sabemos que a música é, pela sua natureza, uma das experiências mais expressivas do ser
humano, sendo que a Expressão Musical pretende utilizar esse mesmo potencial para promover o
desenvolvimento global do indivíduo. O carácter lúdico da música transforma-a num recurso
privilegiado para promover múltiplas aprendizagens em áreas específicas do desenvolvimento
humano. Se isto é verdade quando falamos no papel da música no desenvolvimento da pessoa em
geral, também o é quando falamos em pessoas com problemas de desenvolvimento em particular,
tornando-a numa ferramenta valiosa para promover a aquisição de diversas competências. Se
entendermos que um indivíduo com limitações cognitivas, tal como qualquer outro indivíduo,
desenvolve melhor as suas capacidades quando sente prazer nas atividades que lhes são propostas, é
expectável que o lado prazeroso da música tenha um valor acrescentado para a consecução de
novas aprendizagens.
As experiências com ensino e aprendizagem musical constituem uma alternativa educacional
para o isolamento social do idoso, para a integração, crescimento e aprendizagem das crianças,
assim como, para o convívio e proximidade da população em geral.
A música nacional e internacional permite alegrar a vida de qualquer pessoa, incentivando a
interação grupal, a confraternização e o enriquecimento da cultura de cada pessoa.
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Através da música e do canto, fomenta-se a participação ativa, divulgando assim parte da realidade
cultural de cada um. Esta atividade pode ser realizada através da prática de ouvir música e organizar
grupos de canto. A dança é outra forma de animação que também pode ser desenvolvida, uma vez
que, por exemplo no caso dos idosos, esta poderá estar associada a memórias e experiências
importantes na sua vida. Existem várias atividades musicais possíveis de se elaborar, como a
organização de festas, bailes, karaoke ou tardes de dança.
3.1. Canto
Atividades a desenvolver:
• Cantar rimas e lengalengas;
• Cantar canções populares, infantis, em voga, etc.;
• Reproduzir pequenas melodias;
• Experimentar sons vocais;
• Imitar sons ritmados;
• Cantar ao desafio;
• Criar um coro ou grupo musical;
• Realizar um concurso de karaoke;
• Cantar ao desafio;
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• Etc.
Sendo os jogos de exploração a base do desenvolvimento das capacidades musicais, devem ser
gradualmente complementados por propostas visando o domínio de aspetos essenciais à vivência
musical do indivíduo, quer em contexto domiciliário como institucional:
➢ Desenvolvimento auditivo;
➢ Expressão e criação musical;
➢ Representação do som.
Aprender a escutar, dar nome ao que se ouve, relacionar e organizar sons e experiências
realizadas, são capacidades essenciais à formação musical do indivíduo. Os jogos de exploração e
vivências musicais são pontos de partida para a aquisição de conceitos que enriquecem a linguagem
e pensamento musical.
Atividades de desenvolvimento auditivo:
• Identificar sons isolados:
o Do meio próximo;
o Da natureza;
• Identificar ambientes/texturas sonoras:
o Do meio próximo;
o Da natureza;
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• Identificar e marcar a pulsação e/ou ritmo de:
o Lengalengas, canções, melodias e danças, utilizando percussão corporal,
instrumentos;
o Voz, movimento;
• Reconhecer ritmos e ciclos:
o Da vida (pulsação, respiração…);
o Da natureza (noite-dia, estações do ano…);
o De máquinas e objetos;
o De formas musicais (AA, AB, ABA…);
• Reproduzir com a voz ou com instrumentos:
o Sons isolados, motivos, frases, escalas, agregados sonoros, canções e melodias
(cantadas ou tocadas, ao vivo ou de gravação)
• Organizar, relacionar e classificar conjuntos de sons segundo:
o Timbre;
o Duração;
o Intensidade;
o Altura;
o Localização;
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• Dialogar sobre:
o Meio ambiente sonoro;
o Audições musicais;
o Produções próprias e do grupo;
o Encontros com músicos;
o Sonoplastia nos meios de comunicação com que tem contacto (rádio, televisão,
cinema, teatro…)
As atividades musicais a desenvolver devem atender à necessidade da pessoa em participar
em projetos que façam apelo às suas capacidades expressivas e criativas. Pretende-se também que o
indivíduo seja capaz, por si só ou em grupo, de desenvolver projetos próprios, contando com a
ajuda do animador na escolha e domínio dos meios utilizados.
Atividades de expressão e criação musical:
• Utilizar diferentes maneiras de produzir sons:
o Com a voz;
o Com percussão corporal;
o Com objetos;
o Com instrumentos musicais;
o Com aparelhos eletroacústicos;
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• Inventar texturas/ambientes sonoros;
• Utilizar texturas/ambientes sonoros em:
o Canções;
o Danças;
o Histórias;
o Dramatizações;
o gravações;
• Adaptar:
o Textos para melodias;
o Melodia para textos;
o Textos para canções;
• Utilizar o gravador para registar produções próprias e do grupo;
• Organizar sequências de movimentos (coreografias elementares) para sequências sonoras;
• Organizar sequências sonoras para sequências de movimentos;
• Participar em danças de roda, de fila, tradicionais, infantis;
• Participar em danças do reportório regional e popularizadas.
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A representação gráfica do som faz parte de um percurso que se inicia pelo registo do gesto
livre, ganha gradualmente concisão e poder comunicativo, organizando-se em conjuntos de sinais e
símbolos. A utilização de símbolos de leitura e escrita musical e o domínio de gestos adequados,
decorrentes da prática musical contemporânea deve, quando possível, ser integrada.
Atividades de representação do som:
• Inventar/utilizar gestos, sinais e palavras para expressar/comunicar:
o Timbre;
o Intensidade;
o Duração;
o Altura;
o Pulsação;
o Andamento;
o Dinâmica;
• Inventar/utilizar códigos para representar o som da voz, corpo e instrumentos;
• Inventar/utilizar códigos para representar sequências e texturas sonoras;
• Utilizar vocabulário adequado a situações sonoro/musicais vivenciadas;
• Identificar e utilizar gradualmente/dois símbolos de leitura e escrita musical;
• Contactar com várias formas de representação sonoro/musical: 12
o Em partituras adequadas ao seu nível etário;
o Em publicações musicais;
o Nos encontros com músicos.
O animador pode conciliar as atividades de canto com a expressão corporal, com o intuito
de enriquecer e aprimorar os seus projetos de animação e, consequentemente, motivar e cativar
ainda mais o público alvo.
Atividades de expressão corporal:
• Experimentar percussão corporal, batimentos, palmas, etc.;
• Acompanhar canções com gestos e percussão corporal;
• Movimentar-se livremente a partir de:
o Sons vocais e instrumentos;
o Melodias e canções;
o Gravações;
• Associar movimentos a:
o Pulsação, andamento, dinâmica;
o Acentuação, divisão binária/ternária, dinâmica;
• Fazer variações bruscas de andamento (rápido, lento) e intensidade (forte, fraco);
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• Fazer variações graduais de andamento («acelerando», «retardando») e de intensidade
(aumentar, diminuir);
• Participar em coreografias elementares inventando e produzindo gestos, movimentos e
passos;
• Etc.
3.2. Instrumentos musicais
As qualidades sonoras de materiais e objetos são ponto de partida para jogos de exploração
em que o indivíduo seleciona, experimenta e utiliza o som. Ao juntar diferentes elementos,
introduzindo-lhes modificações, inicia a construção de fontes sonoras elementares, de sua iniciativa
ou por sugestão do animador. Os brinquedos musicais regionais da tradição popular portuguesa
merecem especial referência por poderem ser integrados nos instrumentos musicais elementares. O
recurso a artífices, a fabricantes de instrumentos e brinquedos musicais da região, são uma preciosa
ajuda para o animador. Assim como, os instrumentos musicais não construídos pelos próprios
indivíduos, como é exemplo, os instrumentos musicais didáticos. Casos haverá em que as pessoas
possuem ou têm acesso a instrumentos musicais, que podem trazer e tocar no local onde decorrerá
a animação.
Atividades a desenvolver com instrumentos musicais:
• Experimentar as potencialidades sonoras de materiais e objetos distintos;
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• Construir fontes sonoras elementares introduzindo modificações em materiais e objetos;
• Construir elementos musicais elementares seguindo indicações ordenadas de construção;
• Utilizar instrumentos musicais;
• Etc.
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4. Expressão corporal
4.1. Expressão dramática
A expressão dramática e corporal favorece o conhecimento do corpo, a prática de
exercícios de relacionamento interpessoal bem como a representação espontânea, estética e
simbólica de um objeto, de uma personagem ou de um lugar que são fundamentais neste percurso
de formação.
As improvisações a realizar levam à descoberta de múltiplas possibilidades de intervenção,
permitindo ao indivíduo passar com estimulação flexibilidade de um campo de perceção para o
outro.
Desta forma, a do imaginário, desviando o objeto da sua função primária, ajuda a criar
produtos e ideias originais, aprendendo a construir ações, a dramatizar e a encenar e, dando a
possibilidade desenvolver e construir projetos.
A arte em geral e o teatro, em particular, têm a particularidade de favorecer:
• O desenvolvimento global da personalidade de quem a pratica e de quem a frui;
• O desabrochar e o fortalecimento de uma consciência exigente e ativa relativamente ao
meio, físico social e cultural que começa na nossa rua, no nosso bairro, na nossa cidade,
para dar a volta ao mundo.
Nas atividades dramáticas e performativas, é clara a intenção de comunicação, de construção e
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interpretação de sentidos como forma de comunicar com o mundo interior e com o mundo em que
se vive.
No processo dramático, os participantes permutam de lugar; ora são intérpretes (atores), ora
são espectadores; interpretam conteúdos sociais e íntimos, negociando e refletindo sobre os
sentidos que produzem.
Este processo fornece, ainda, um contexto favorável para falar e ouvir (dialogar) que é central
no trabalho teatral. Por outro lado, ao criar desafios que promovem a criatividade na resolução de
problemas contribui, através da superação dos constrangimentos presentes neste processo criativo,
para um sentimento de realização que promove a autoestima e a autoconfiança.
4.2. Dança
Atividades a desenvolver:
• Concurso de danças tradicionais portuguesas;
• Danças típicas de outros países;
• Teatro “dançante”;
• Realização de coreografias;
• Dança de salão;
• Yoga dance;
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• Etc.
4.3. Jogos e outras atividades lúdicas
As atividades de exploração do corpo, da voz, do espaço, de objetos, são momentos de
enriquecimento das experiências que os indivíduos, espontaneamente, fazem nas suas atividades. A
exploração de situações imaginárias, a partir de temas sugeridos pelos próprios indivíduos ou
propostos pelo animador, dará oportunidade a que a pessoa, pela vivência de diferentes papéis, se
reconheça melhor e entenda melhor o outro.
Os jogos dramáticos permitirão que os indivíduos desenvolvam progressivamente as
possibilidades expressivas do corpo — unindo a intencionalidade do gesto e/ou a palavra, à
expressão, de um sentimento, ideia ou emoção. Nos jogos dramáticos o ser humano desenvolve
ações ligadas a uma história ou a uma personagem que o coloca perante problemas a resolver:
problemas de observação, de equilíbrio, de controlo emocional, de afirmação individual, de
integração no grupo, de desenvolvimento de uma ideia, de progressão na ação.
Será de evitar a memorização de textos desajustados ao nível etário das pessoas a quem será
aplicado o projeto de animação, a excessiva repetição e ensaio em função de representações ou o
desenvolvimento de gestos e posturas estereotipadas. Pretende-se, fundamentalmente, que os
indivíduos experimentem, através de diferentes meios, expressar a sua sensibilidade e desenvolver o
seu imaginário.
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Todas as pessoas, em especial as crianças, utilizam naturalmente a linguagem dramática nos
seus jogos espontâneos. As atividades de exploração irão permitir que desenvolvam, de forma
pessoal, as suas possibilidades expressivas utilizando o corpo, a voz e o espaço e os objetos.
Desta forma, as propostas do animador, partindo de temas ligados a vivências infantis, não
deverão ter o carácter de exercícios, mas o de atividades lúdicas que visem enriquecer a capacidade
do indivíduo de se expressar e comunicar. As atividades propostas devem ser, preferencialmente,
para exploração individual. No entanto, as crianças, embora sejam solicitadas a experimentar, de
uma forma mais específica, diferentes possibilidades de utilizar o corpo, a voz e o espaço, irão
realizá-las de forma global e integrada.
A variedade e a riqueza de sugestões, a nível do imaginário, devem ser características das
situações propostas para explorar as possibilidades expressivas do corpo. Através de jogos de
imaginação, todos do agrado dos indivíduos participantes, deverão ser vivenciadas diferentes
formas e atitudes corporais assim como maneiras pessoais de desenvolver um movimento.
Atividades de exploração do corpo:
• Movimentar-se de forma livre e pessoal:
o Sozinho;
o Aos pares;
• Explorar as atitudes de:
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o Imobilidade-mobilidade;
o Contração-descontração;
o Tensão-relaxamento;
• Explorar a respiração torácica e abdominal;
• Explorar o movimento global do seu corpo da menor à maior amplitude;
• Explorar os movimentos segmentares do corpo;
• Explorar as diferentes possibilidades expressivas, imaginando-se com outras
características corporais:
o Diferentes atitudes corporais;
o Diferentes ritmos corporais;
o Diferentes formas;
o Diferentes fatores de movimento (firme/suave; súbito/sustentado;
direto/flexível; controlado/livre).
Explorar as diferentes possibilidades da voz, fazendo variar a emissão sonora e,
progressivamente, ir aliando ao som gestos e movimentos, é desenvolver fatores sempre presentes
num jogo dramático. Os temas propostos deverão estar adequados à idade e experiência dos
indivíduos. de modo a adquirirem maior confiança e acuidade na utilização da voz como
instrumento essencial à expressão e comunicação.
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Atividades de exploração da voz:
• Experimentar maneiras diferentes de produzir sons;
• Explorar sons orgânicos ligados a ações quotidianas;
• Reproduzir sons do meio ambiente;
• Aliar a emissão sonora a gestos/movimentos;
• Explorar a emissão sonora fazendo variar:
o A forma de respirar;
o A altura do som;
o O volume da voz;
o A velocidade;
o A entoação;
• Explorar diferentes maneiras de dizer vocábulos (dicção);
• Explorar os efeitos de alternância, silêncio-emissão sonora.
Para adquirir, progressivamente, o domínio do espaço, o indivíduo precisa de utilizar, adaptar e
recriar. A partir de uma história ou de uma personagem, os jogos de orientação no espaço,
utilizando diferentes níveis e direções, permitem explorar diferentes maneiras de se deslocar e
utilizar o espaço circundante.
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Atividades de exploração do espaço:
• Explorar o espaço circundante;
• Adaptar a diferentes espaços os movimentos e a voz;
• Explorar deslocações simples seguindo trajetos diversos:
• Explorar diferentes formas de se deslocar:
o De diferentes seres (reais ou imaginados);
o Em locais com diferentes características;
• Orientar-se no espaço a partir de referências visuais, auditivas, tácteis;
• Deslocar-se em coordenação com um par;
• Explorar diferentes níveis (baixo, médio, alto);
• Explorar mudanças de nível:
o Individualmente;
o Aos pares;
o Em pequenos grupos;
A utilização e a transformação imaginária de um objeto são estímulos à capacidade de
recriar ou inventar personagens e de desenvolver situações. Na sala de aula deve existir material
diversificado para as crianças utilizarem livremente nas histórias que vão inventando.
Atividades de exploração de objetos: 17
• Explorar as qualidades físicas dos objetos;
• Explorar as relações possíveis do corpo com os objetos;
• Deslocar-se com o apoio de um objeto:
o Individualmente;
o Em coordenação com um par;
• Explorar as transformações de objetos:
o Imaginando-os com outras características;
o Utilizando-os em ações;
• Utilizar objetos dando-lhes atributos imaginados em situações de interação:
• A dois;
o Em pequeno grupo;
• Utilizar máscaras, fantoches;
• Inventar e utilizar máscaras, fantoches, marionetas.
Os jogos de exploração devem ser progressivamente complementados por propostas que
contribuam para o desenvolvimento da capacidade de relação e comunicação com os outros. No
desenrolar das propostas ou projetos desenvolvidos em pequenos grupos, deve haver espaço para a
improvisação.
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A existência de uma caixa de adereços, a manipulação de objetos e de fantoches e a utilização
de máscaras estimulam a caracterização de personagens e enriquecem as histórias que as pessoas
vão construindo.
Regra geral, os indivíduos, especialmente as crianças e os idosos, gostam de apresentar as suas
criações aos companheiros e familiares. Estes momentos de partilha são, também, um
enriquecimento da experiência pessoal e do grupo, desde que mantenham o carácter de atividade de
animação e não se transformem em representações estereotipadas.
Num jogo dramático estão sempre presentes os sinais exteriores do corpo no espaço, através da
mímica, dos gestos, das atitudes, dos movimentos e da utilização de objetos. Os indivíduos, em
interação, irão explorar a dimensão não-verbal em improvisações que poderão partir de histórias,
contos ou situações dramatizadas.
Atividades dramáticas de linguagem não-verbal:
• Utilizar espontaneamente, atitudes, gestos, movimentos;
• Reagir espontaneamente, por gestos/ /movimentos a:
o Sons;
o Palavras;
o Ilustrações;
o Atitudes;
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o Gestos;
• Reproduzir movimentos:
o Em espelho;
o Por contraste;
• Improvisar individualmente atitudes, gestos, movimentos a partir de diferentes estímulos:
o Sonoros ou verbais;
o Um objeto real ou imaginado;
o Um tema;
• Mimar, a dois ou em pequenos grupos, atitudes, gestos, movimentos ligados a:
o Uma ação isolada;
o Uma sequência de atos (situações recriadas ou imaginadas).
Em atividades coletivas ou de pequeno grupo, as pessoas vão-se sensibilizando à utilização
de sons, de silêncios e de palavras. Os animadores, juntamente com os indivíduos, poderão propor
improvisações a partir de palavras, imagens, objetos ou de um tema.
Atividades dramáticas de linguagem verbal:
• Participar na elaboração oral de uma história;
• Improvisar um diálogo ou uma pequena história:
o A dois;
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o Em pequeno grupo;
o A partir de:
▪ Uma ilustração;
▪ Uma série de imagens;
▪ Um som;
▪ Uma sequência sonora;
▪ Um objeto;
▪ Um tema;
• Participar em jogos de associação de palavras por:
o Afinidades sonoras;
o finidades semânticas;
• Experimentar diferentes maneiras de dizer um texto:
o Lendo;
o Recitando;
• Inventar novas linguagens sonoras ou onomatopaicas
A utilização simultânea da dimensão verbal e gestual ganha, aqui, o seu pleno significado. Em
interação, os elementos irão desenvolvendo pequenas improvisações explorando, globalmente, as
suas possibilidades expressivas e utilizando-as para comunicar.
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Atividades dramáticas de linguagem verbal e gestual:
• Improvisar palavras, sons, atitudes, gestos e movimentos ligados a uma ação precisa:
o Em interação com o outro;
o Em pequeno grupo;
• Improvisar palavras, sons, atitudes, gestos e movimentos, constituindo sequências de ações
— situações recriadas ou imaginadas, a partir de:
o Objetos;
o Um local;
o Uma ação;
o Personagens;
o Um tema;
• Improvisar situações usando diferentes tipos de máscaras;
• Utilizar diversos tipos de sombras (chinesas…);
• Inventar, construir e utilizar adereços e cenários;
• Elaborar, previamente, em grupo, os vários momentos do desenvolvimento de uma
situação.
Sistema de Aprendizagem
Curso: Técnico/a de Apoio Familiar e de Apoio à Comunidade

Bibliografia:

• Alvin, J. (1967). Musicoterapia. Barcelona: Paidós Ibérica, S.A.


• Bréscia, V. (2003). Educação Musical: bases psicológicas e ação preventiva. São Paulo:
Átomo.
• Cardoso, S., & Sabbatini, R. (2000). Aprendizagem e mudanças no cérebro. Cérebro e
Mente, 11.
• Fonseca, V. (1998). Aprender a aprender: A educabilidade cognitiva. Lisboa: Editorial
Notícias.
• Ilari, B. (2003). A música e o cérebro: algumas implicações do neuro desenvolvimento para
a Educação Musical. Revista da Abem, 9, 7-16.
• Pederiva, P. L. M., & Tristão, R. M. (2006). Música e cognição. Ciência e Cognição, 9, 83-
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• Sousa, A. (2003). Educação pelas Artes e Artes na Educação (3º Vol.). Lisboa: Instituto
Piaget.
• Sousa, A. (2005). Psicoterapias Activas (Arte-Terapias). Lisboa: Livros Horizonte.

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