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Profecias Incríveis

que Provam que Jesus


é o Salvador

John Ankerberg
e John W eldon

Obra
Missionária

: Chamada da Meia-Noite:
Caixa Postal, 1688 • 90001-970 Porto Alegre-RS • Brasil
Fone: (051) 2 4 1 -5 0 5 0 • FAX: (051) 249-7385
Traduzido do original em inglês:
"The Facts on Jesus The Messiah",

Copyright © 1993 by
The Ankerberg Theological Research Institute

publicado por
Harvest House Publishers
Eugene, Oregon 97402
EUA

Tradução: Neyd Siqueira


Revisão: Ingo Haake
Ingrid Hund Lucas Beitze
Capa e Layout: Reinhold Federolf

Todos os direitos reservados


para os países de língua portuguesa pela
© Obra Missionária
Chamada da Meia-Noite
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Composto e impresso em oficinas próprias

"M a s, à meia-noite, ouviu-se um grito:


Eis o noivo! saí ao seu encontro" (Mt 25.6).
A "Obra Missionária Chamada da Meia-Noite"
é uma missão sem fins lucrativos, que crê em
toda a Bíblia como infalível e eterna Palavra de
Deus (2 Pe 1.21). Sua tarefa é alcançar todo o
mundo com a mensagem de salvação em
Jesus Cristo e aprofundar os cristãos no conhe­
cimento da Palavra de Deus, preparando-os
para a volta do Senhor.
ín d ic e Página
Prefácio........................................................................... 6
Resolvendo um Mistério.................................................. 9
1. Deus prometeu falar sobre o futuro através de
Seus profetas?.......................................................... 11
2. Qual é a definição da palavra Messias? .................... 12
3. Se profecias específicas foram cumpridas pelo
Messias, a ciência das probabilidades considera
isso como “prova” de que Deus existe?...................... 13
4. Quem é a semente (descendente) da mulher, que
esmagaria a cabeça de Satanás? (Gênesis 3.15).... 18
5. Quem é o descendente de Abraão, Isaque e Jacó
que irá finalmente abençoar todas as nações?
(Gênesis 12.2-3; 22.18)............................................. 22
6. Quem é o “profeta semelhante a Moisés” de quem
Deus diz: “A ele ouvirás”?(Deuteronômio 18.15)...... 26
7. Quem é o crucificado? (Salmo 22)............................ 31
8. Quem é o menino que é Deus e terá um reino
eterno? (Isaías 9.6-7).................................................. 37
9. Quem foi traspassado e moído pelas nossas
transgressões para que fôssemos curados pelas
suas pisaduras; sobre quem o Senhor fez cair a
iniqüidade de toda a humanidade? (Isaías 53)......... 40
10. Quem é o Renovo justo, o Rei sábio, que será cha­
mado “Senhor Justiça Nossa”? (Jeremias 23.5-6)..... 52
11. Quem é o “Ungido” que será “morto” depois de
483 anos? (Daniel 9.24-27)......................................... 55
12. Quem é 0 Eterno, que reinará sobre Israel,
nascido em Belém Efrata? (Miquéias 5.2).................. 61
13. Quem é Jeová, aquele “a quem traspassaram”,
por quem Jerusalém e todas as nações de Israel
irão prantear e chorar? (Zacarias 12.10)................... 65
Conclusão: Quem É 0 Messias?....................................... 69
Palavra Pessoal................................................................. 71
Notas................................................................................. 73
P r e Fá c ío
“Então lhes disse Jesus: Ó néscios, e tardos de cora­
ção para crer tudo o que os profetas disseram! Por­
ventura não convinha que o Cristo [Messias] padeces­
se e entrasse na sua glória? E, começando por Moi­
sés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes
o que a seu respeito constava em todas as Escritu­
ras” (Lc 24.25-27).

“Mas Deus assim cumpriu o que dantes anunciara


por boca de todos os profetas que o seu Cristo [Mes­
sias] havia de padecer” (At 3.18).

Se examinarmos as passagens do Antigo Testamento


mencionadas como messiânicas pela antiga sinagoga...
[descobrimos] acima de 456..., e sua aplicação messiâni­
ca é apoiada por mais de 558 referências aos escritos ra-
bínicos mais antigos... Uma pesquisa cuidadosa das cita­
ções das Escrituras feitas por eles mostra que os princi­
pais postulados do Novo Testamento referentes ao
Messias são amplamente apoiados pelas declarações ra-
bínicas (Alfred Edersheim, professor de Lingüística e
Conferencista da Lincoln’s Inn [Oxford], Conferencista de
Grinfield sobre a Septuaginta, The Life and Times of Je­
sus the Messiah (Vida e Época de Jesus, o Messias), Vol.
1, 163-164).

Jesus de Nazaré transformou o mundo. Jamais houve e


jamais haverá alguém como Ele. Ele é o tema de mais
livros, peças, poesias, filmes, e adoração do que qual­
quer outro homem na história da humanidade. Ler as
Suas palavras cuidadosamente - comparando-as com as

6
de Maomé, Buda, e as escrituras hindus, ou as de qual­
quer outro líder religioso - é ficar atônito diante do seu
poder e singularidade. Os que O ouviram, perguntaram
surpresos: “Donde lhe vêm esta sabedoria e poderes
miraculosos?” (Mt 13.54). Observar o que Ele fez é
convencer-se intuitivamente das afirmações básicas da
fé cristã. Conforme mencionou o famoso escritor Mal-
colm Muggeridge: “As palavras dos evangelhos... no
sentido mais verdadeiro e absoluto... podem ser chama­
das de Palavras Santas, e, sem blasfêmia, atribuídas ao
próprio Deus”.1

Qualquer bem que o cristianismo possa ter feito ao


mundo é resultado da influência de Jesus. Mas, quem
era esse homem? O propósito deste livro é mostrar co­
mo as Escrituras hebraicas predisseram com séculos de
antecedência a vinda de um Messias divino para toda a
humanidade, e que Jesus é o cumprimento dessas profe­
cias.

Alguns alegaram que essas declarações foram feitas de­


pois de Jesus ter vivido e não antes. Mas as Escrituras
hebraicas em seu todo foram completadas cerca do ano
400 a. C. e, qualquer que seja a sua opinião sobre elas,
um fato é incontestável: a Septuaginta, a tradução grega
das Escrituras hebraicas completas, foi concluída em
247 a. C.

Portanto, até mesmo os críticos têm que reconhecer que


todas as profecias discutidas neste livro, e muitas ou­
tras, já existiam muito antes de Jesus ter vivido - de fa­
to, pelo menos 250 anos antes dEle ter nascido.

Mostraremos também que o Messias é mencionado em


detalhes tão específicos nas Escrituras hebraicas, que se

7
torna literalmente impossível justificar tais predições a
não ser que a Bíblia seja uma revelação divina de Deus
para a humanidade.

Alguns rejeitam hoje essa conclusão, mas eles se recu­


sam a considerar as profecias imparcialmente e de acor­
do com o seu próprio mérito. Só um preconceito pré-
existente contra a profecia sobrenatural (tal como o da­
queles que defendem uma visão racionalista do mundo)
ou contra essas profecias se referirem à pessoa de Jesus,
pode impedir alguém de aceitar as Escrituras como
messiânicas.

Escrevemos este livro para apresentar uma pequena par­


te da evidência encontrada nas Escrituras hebraicas que
previram a vinda do Messias. Acreditamos que Deus
deu esta evidência, a fim de que aqueles que estiverem
dispostos a permitir que os fatos falem por si mesmos
possam descobrir a verdade.

8
Resolvendo um Mistério
Há evidências na História de que Deus tenha dado in­
formação específica centenas de anos antes sobre uma
pessoa que Ele sabia que iria viver? Que relatos especí­
ficos são feitos e onde podem ser encontrados? As pes­
soas que receberam a informação reconheceram que ela
foi especial? Essas profecias constituem evidência sóli­
da para nós hoje? E possível para nós justificar essa in­
formação em separado do fato dela ter vindo de Deus?
A comunidade judaica antes e depois de Cristo acredita­
va que essas mesmas Escrituras hebraicas apontavam
para um Messias vindouro?

As profecias do Antigo Testamento são como as pis­


tas numa história de mistério. Vamos tentar reunir nes­
te livro um número suficiente de pistas para identifi­
car a pessoa especial mencionada nas Escrituras he­
braicas. Como veremos, as pistas nos levarão a
perguntar:

• Quem é a semente (descendente) da mulher, que es­


magaria a cabeça de Satanás?

• Quem é o descendente de Abraão, Isaque e Jacó,


que irá finalmente abençoar todas as nações?

• Quem é o “profeta semelhante a Moisés” de quem


Deus diz: “A ele ouvirás” ?

• Quem é o crucificado?

• Quem é o menino que é Deus e terá um reino eterno?

9
• Quem foi traspassado e moído pelas nossas trans­
gressões? Sobre quem o Senhor fez cair a iniqüida-
de de toda a humanidade?

• Quem é o Renovo justo, o Rei sábio, que será cha­


mado “Senhor Justiça Nossa”?

• Quem é o “Ungido” que será “morto” depois de 483


anos?

• Quem é o Eterno, que reinará sobre Israel, nascido


em Belém Efrata?

• Quem é Jeová, aquele “a quem traspassaram”, por


quem Jerusalém e todas as nações de Israel irão
prantear e chorar?

Ninguém pode negar que a própria Bíblia afirma ser a


revelação única de Deus: “Toda Escritura é inspirada
por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, pa­
ra a correção, para a educação na justiça, a hm de
que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente
habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.16-17). Se
não concordar, o material discutido neste livro deve in­
teressá-lo, porque a reivindicação de singularidade da
Bíblia e as profecias sobre um Messias futuro andam
juntas. Se as profecias forem verdadeiramente cumpri­
das, então a Bíblia forneceu informações sobre o futuro
que só podiam ter origem em Deus.

Sabemos que algumas pessoas aplicaram interpretações


diferentes a esses versículos proféticos, mas estamos
convencidos de que tais interpretações resultam de mal­
entendidos ou suposições preconceituosas que não per­
mitem que a evidência fale por si mesma.214

10
Antes de examinarmos as profecias propriamente ditas,
queremos, porém, documentar o fato de que Deus pro­
meteu dar informações através dos Seus profetas com
relação ao futuro.

1. Deus prometeu falar sobre o futuro


através de Seus profetas?

Deus prometeu realmente falar através dos Seus profe­


tas. De fato, Ele disse que isso seria uma prova de que
era Deus, o Deus verdadeiro de toda a terra. Ele até de­
safiou todos a fazerem declarações sobre o futuro tão
exatas quanto as dEle:

“Quem há, como eu, feito predições... Que o declare


e exponha perante mim! Esse que anuncie as coisas
futuras, as coisas que hão de vir!... Desde aquele tem­
po não vo-lo fiz ouvir, não vo-lo anunciei?” (Is 44.7,8,
ênfase acrescentada).

“Quem fez ouvir isto desde a antiguidade? quem


desde aquele tempo o anunciou? porventura não
o fiz eu, o Senhor?” (Is 45.21, ênfase acrescenta­
da).

É significativo que na mais messiânica de todas as Es­


crituras hebraicas, Isaías, Deus fale com maior freqüên-
cia da Sua capacidade de prever o futuro. Ele desafia os
falsos deuses (ídolos) e seus profetas a provarem as ale­
gações deles. Por exemplo:

“Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para


que saibamos que sois deuses” (Is 41.22,23, ênfase
acrescentada).

11
“As primeiras coisas desde a antiguidade as anun­
ciei', sim, pronunciou-as a minha boca, e eu as fiz ou­
vir; de repente agi, e elas se cumpriram... Por isso to
anunciei desde aquele tempo, e to dei a conhecer an­
tes que acontecesse, para que não dissesses: O meu
ídolo fez estas coisas” (Is 48.3,5, ênfase acrescentada).

O Novo Testamento também afirma que os profetas he­


breus da antiguidade falaram por inspiração de Deus:
“Sabendo, primeiramente, isto, que nenhuma profe­
cia da Escritura provém de particular elucidação;
porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por
vontade humana, entretanto homens (santos) fa la ­
ram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo”
(2 Pe 1.20,21, ênfase acrescentada).

O Novo Testamento igualmente afirma que os profetas anti­


gos, cujos escritos abrangeram um período de mil anos, es­
tavam todos de acordo com relação a uma Pessoa futura e
específica: “De/e todos os profetas dão testemunho de
que, por meio do seu nome, todo o que nele crê recebe
remissão de pecados” (At 10.43), ênfase acrescentada).
E: “Permaneço até ao dia de hoje, dando testemunho,
tanto a pequeno como a grande, nada dizendo senão o
que os profetas e Moisés disseram haver de acontecer, is­
to é, que o Cristo [Messias] devia padecer, e, sendo o pri­
meiro da ressurreição dos mortos, anunciaria a luz ao
povo e aos gentios” (At 26.22,23, ênfase acrescentada).

2. Qual é a definição da palavra


“Messias”?

A palavra Messias é extraída do Salmo 2.2 e de D a­


niel 9.25,26 onde Mashiyach (hebraico), Christos

12
(grego) significa “Ungido” . O termo tomou o seu
sentido da prática judaica de “ungir” profetas, sacer­
dotes e reis para as suas respectivas funções. Por
exemplo, como termo genérico, ele poderia ser apli­
cado a um rei terreno tal como Davi (2 Sm 19.21)
que foi “ungido” para cumprir o propósito divino do
seu cargo.

Todavia, houve um único indivíduo a quem o termo


Messias se aplicava num sentido especial. Deus falou
sobre um futuro rei de Israel que iria sentar-se no trono
de Davi e introduzir uma era de justiça e paz sem igual.
Ele iria ocupar simultaneamente as três funções: de pro­
feta (proclamação com autoridade), de sacerdote (deve­
res espirituais), e de rei (governante político). Ele seria
a realidade e o cumprimento final, em relação ao qual
todos os outros usos do termo Messias não passariam
de sombras prefiguradas.3

Esse seria aquele que viria e a quem Deus iria identifi­


car especialmente e de antemão. Nas palavras do após­
tolo Pedro: “Mas Deus assim cumpriu o que dantes
anunciara por boca de todos os profetas que o seu
Cristo [Messias] havia de padecer” (At 3.18, ênfase
acrescentada).

3. Se profecias específicas foram


cumpridas peio Messias, a ciência das
probabilidades considera isso como
“prova” de que Deus existe?
Qualquer pessoa pod qfazer predições - isso é fácil. Vê-
las cumpridas é outra história. Quanto mais declarações
você faz sobre o futuro e quanto maiores os detalhes,

13
tanto maiores serão também as possibilidades de estar
errado.

Por exemplo, até que ponto você acha difícil indicar o


tipo exato de morte que um líder religioso novo e des­
conhecido vai ter daqui a mil anos? Você poderia des­
crever e prever um novo método de execução desconhe­
cido até agora - que não será sequer inventado por cen­
tenas de anos? Foi isso que Davi fez em 1000 a. C ,
quando escreveu o Salmo 22.

Mais ainda, se você pensou em 50 profecias sobre al­


gum homem no futuro, a quem nunca encontrará, quão
difícil pensa que seria para esse homem cumprir as 50
profecias preditas? Quão difícil seria para ele se 25 das
predições que você fez tivessem sido sobre o que outras
pessoas fariam a ele e estivessem completamente fora
do seu controle?

Talvez fosse possível adaptar uma ou duas dessas profe­


cias, mas é virtualmente impossível para qualquer ho­
mem adaptar e cumprir todas essas predições antecipa­
das. Se pudesse ser provado que tais profecias foram
feitas sobre o Messias com uma antecipação de cente­
nas de anos, e que um só homem cumpriu todas elas,
esse homem deveria ser então logicamente o Messias.

Deus fez inúmeras profecias (mais de 400) sobre o


Messias, pelo menos por duas razões. Primeiro, tornar
óbvia a identificação do Messias. E segundo, tornar im­
possível a tarefa de um impostor.

Vamos fazer agora uma pergunta curiosa. Se supuser­


mos que cerca de 456 profecias foram cumpridas em
uma única pessoa, o que a ciência das probabilidades

14
diz sobre isso? Em resumo, ela diz que se predições
exatas tivessem sido feitas sobre um futuro Messias e
cumpridas anos depois por uma pessoa, isso seria uma
prova razoável de que Deus existe.

Eis o porquê: a ciência das probabilidades tenta deter­


minar a possibilidade de que um dado evento irá ocor­
rer. O Professor Emérito de Ciência da Universidade de
Westmont, Peter Stoner, calculou a probabilidade de um
homem cumprir algumas das principais profecias feitas
sobre o Messias. As estimativas foram desenvolvidas
por 12 classes diferentes de 600 estudantes universitá­
rios.

Os estudantes pesaram cuidadosamente todos os fato­


res, discutiram cada profecia extensamente e examina­
ram as várias circunstâncias que poderiam indicar que
homens conspiraram juntos para cumprir uma determi­
nada profecia. As estimativas foram conservadoras o
suficiente para que houvesse um acordo unânime até
entre os estudantes céticos no final.

Mas o Professor Stoner tornou os cálculos deles ainda


mais conservadores. Ele também encorajou outros cé­
ticos ou cientistas a fazerem suas próprias estimativas
para ver se as suas conclusões eram mais que razoá­
veis. No fim de tudo, apresentou seus números a um
Comitê da Sociedade Científica Americana (“American
Scientific Affiliation”) para revisão. Depois de exami­
nados, eles verificaram que os seus cálculos eram con­
fiáveis e exatos com relação ao material científico apre­
sentado.4

Depois de examinar oito profecias diferentes, o Profes­


sor Stoner e seus alunos calcularam conservadoramente

15
que a possibilidade de um homem cumprir as oito pro­
fecias era de uma para 1017.

Stoner deu essa ilustração para mostrar como é grande


o número 1017 (que tem 17 zeros): imagine cobrir o es­
tado do Texas (cuja área é aproximadamente equivalen­
te à do estado de Minas Gerais - N. R.) inteiro com
moedas de dólares de prata até 60 cm de altura. O nú­
mero total de dólares de prata necessários para cobrir
todo o estado seria 1017. Escolha agora uma dessas moe­
das, marque-a e atire a mesma de um avião. A seguir,
misture bem todos os dólares de prata em todo o estado.

Depois disso ser feito, coloque uma venda nos olhos de


um homem e diga-lhe que viaje para onde quiser no es­
tado do Texas. Mas em algum ponto ele deve parar,
abaixar-se sobre os 60 cm de moedas e tentar pegar a
moeda especificamente marcada.

A possibilidade dele encontrar esse dólar de prata no


estado do Texas seria a mesma que os profetas tiveram
para que oito das suas profecias se cumprissem em
qualquer homem no futuro.

O Professor Stoner concluiu: “O cumprimento só des­


sas oito profecias já prova a inspiração das mesmas por
Deus de um modo tão indiscutível que falta apenas uma
chance em 1017para ser absoluto.”5 Outra maneira de di­
zer isso é que qualquer pessoa que minimize ou ignore
a importância dos sinais bíblicos de identificação relati­
vos ao Messias é insensata.

Mas, é claro, há muito mais que oito profecias. Em ou­


tro cálculo, Stoner usou 48 profecias (se bem que pode­
ria ter usado 456) e chegou à estimativa extremamente

16
conservadora de que a probabilidade de 48 profecias se­
rem cumpridas em uma pessoa seria de 10157.

E quão grande é 10 157? Em 10157 anos, uma formiga po­


deria mover todos os átomos em 600.000 trilhões de tri­
lhões de trilhões de trilhões de universos como o nosso
a uma distância de 320.000.000.000.000.000.000.000
de quilômetros. Ela poderia fazer isso, movendo um
átomo de cada vez, movendo cada átomo a uma distân­
cia de 30 bilhões de anos-luz, e viajando apenas à velo­
cidade de 2,54 centímetros a cada 15 bilhões de anos!6

Esse número incrivelmente grande ilustra a impossibili­


dade de alguém ter cumprido todas as profecias messiâ­
nicas por acaso. De fato, uma autoridade de renome so­
bre a teoria das probabilidades, Emile Borel, afirma em
seu livro Probabilities and Life (Probabilidades e Vida)
que uma vez que passemos uma chance em 1050, as pro­
babilidades são tão pequenas que é impossível pensar
que possam vir a ocorrer um dia.7

O que tudo isso significa é que é impossível que essas 48


profecias sejam cumpridas a não ser por predição divina.
Isso é uma prova de que deve haver um Deus que tenha
transmitido sobrenaturalmente essa informação. A pergunta
é: pode ser mostrado que essas profecias de fato existem?

Vamos agora examinar várias passagens proféticas que


nos dão declarações específicas sobre o Messias. Ao lê-
las, faça a si mesmo as seguintes perguntas: essa é real­
mente uma profecia sobre uma pessoa futura? Jesus Cristo
é o único que pode cumpri-la e ninguém mais? Como foi
possível para cada uma dessas profecias encontrar cum­
primento em um homem centenas de anos mais tarde? Em
outras palavras, se cada profecia é admitida como sendo

17
sobre o Messias, e Jesus Cristo cumpre todas as profecias,
isso não é prova de que Jesus é o Messias?

4. Gênesis 3.15:
Quem é a semente (descendente) da
mulher, que esmagaria a cabeça de
Satanás?
Texto Bíblico (1400 a. C.)

“Então o Senhor Deus disse à serpente: Porquanto


fizeste isto... E porei inimizade entre ti e a mulher, e
entre a tua semente e a sua semente: esta te ferirá a
cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3.14,15, Ed.
Revista e Corrigida).

Contexto Dessa Passagem

O contexto dessa passagem é a tentação e queda de


Adão e Eva enganados pela “serpente”. Quem é “a ser­
pente”? Apocalipse 12.9 e 20.2 a identificam como “a
antiga serpente”, “o diabo”, ou “Satanás”.

Para os que aceitam apenas as Escrituras hebraicas co­


mo autoridade, a serpente em Gênesis 3.14 não pode ser
simplesmente um animal. A serpente deve ser uma pes­
soa. A palavra inimizade nas Escrituras hebraicas é um
termo especial que sempre se refere a ódio entre indiví­
duos.8 Ele jamais é usado para descrever inimizade en­
tre um animal e uma pessoa.

Nessa passagem, Satanás já enganou Adão e Eva. Deus


está agora se dirigindo aos três. O que Deus diz é sur­
preendente!

18
Explicação Desse Texto

Ao examinar cuidadosamente esse texto, descobrimos


várias coisas: Deus está falando à serpente, que não é
um animal e é identificada no livro de Apocalipse como
“Satanás” . Deus diz que Ele irá colocar inimizade (ódio
irreconciliável) entre a serpente (Satanás) e a mulher.
Deus diz que essa inimizade irá alastrar-se pela semente
da serpente e pela semente da mulher. A seguir, porém,
Deus fala subitamente de “um” descendente específico
de Eva, “este” *, um descendente masculino. Deus
anuncia que “este” irá algum dia ferir a cabeça da ser­
pente (Satanás) e que Satanás lhe ferirá o calcanhar.

O versículo em questão fala, portanto, de cinco partici­


pantes: (1) Satanás; (2) a mulher; (3) a semente de Sata­
nás; (4) a semente da mulher; e, finalmente, (5) um da
semente da mulher, “este” que um dia feriria a cabeça
da serpente (Satanás), mas teria o calcanhar ferido por
Satanás.

O que significa o descendente masculino da mulher “fe­


rir” a cabeça de Satanás? Os tradutores interpretaram a
palavra hebraica ferir como “esmagar” .9 Isso porque ela
se ajusta melhor ao sentido do termo assim como ao
contexto. A palavra hebraica significa “quebrar ou par­
tir em pedaços, ferir ou machucar gravemente”.10

Embora a mesma palavra hebraica seja usada (tanto a


cabeça como o calcanhar são “esmagados”), vemos que

* Na Edição Revista e Corrigida há um erro de tradução nesta par­


te do versículo. Foi ignorada a terceira pessoa do singular no mas­
culino. Mas a gramática indica claramente “ele” (a Edição Revista e
Atualizada diz corretamente: “Esfete ferirá a cabeça...”).

19
uma das feridas é irreversivelmente fatal e a outra não.
Por quê? A razão é o local do ferimento. Na cabeça ele
é irreparável - trata-se de um órgão vital que não pode
sobreviver ao esmagamento. Mas isso não se aplica ao
calcanhar. Esmagar o calcanhar de alguém é infligir um
ferimento sério, mas não irreparável.

Se alguém pisa na cabeça de uma serpente, ela será ir­


remediavelmente esmagada - a imagem aponta então
para o ferimento da serpente como sendo fatal. Por ou­
tro lado, um calcanhar esmagado pode ser tratado até
recuperar-se. Essa a razão do grande erudito do hebrai­
co Franz Delitzsch ter dito que esse versículo está ensi­
nando “a promessa definitiva da vitória sobre a serpen­
te... porque ela foi mortalmente pisada”.'1 Em resumo,
Deus está dizendo que o descendente da mulher vencerá
Satanás porque ele (a serpente) será ferido mortalmente.

O descendente de Eva nesse versículo se refere à pessoa


de Jesus Cristo? Fica claro que deve referir-se a algum
homem no futuro e, como veremos, o próprio Deus irá
acrescentar outros sinais de identificação para respon­
der a essa pergunta. Jesus se ajusta aos requisitos apon­
tados aqui. O próprio Jesus disse que Ele viera destruir
as obras do diabo (Jo 12.31; 16.11; cf. Hb 2.14; 1 Jo
3.8). Alguém mais em toda a História da humanidade
fez tal afirmação? Quando Jesus morreu na cruz, Ele
providenciou e tornou disponível a salvação para toda a
humanidade (Jo 3.16). Ele quebrou o poder que Satanás
havia exercido sobre os homens e agora oferece vitória
sobre o pecado e o diabo. Por causa da morte de Jesus
na cruz e de Sua ressurreição, Ele infligiu um golpe fa­
tal ao domínio do diabo sobre o homem (At 10.38;
26.15-18; Ef 4.8; Cl 2.15; Tg 4.7). No futuro, na segun­
da vinda de Jesus, Ele irá derrotar permanentemente o

20
diabo, removendo-o da terra e lançando-o para sempre
no inferno (Rm 16.20; Ap 20.10). O texto também fala
da semente (“descendência”) da serpente e da semente
da mulher.

A descendência de Satanás seriam os demônios ou an­


jos caídos que seguiram a Satanás na sua rebelião. Atra­
vés das Escrituras, somos informados de que “a semen­
te de Satanás” tenta destruir a humanidade (Jo 8.44; Ap
12.9; 16.14). A “semente da mulher” obviamente iria
referir-se a todos os seus filhos, a toda a humanidade.*

Deus descreve o alcance do conflito. Ele envolverá to­


das as futuras gerações, “entre a tua (Satanás) descen­
dência e o seu (da mulher) descendente” (1 Pe 5.8; 1
Jo 5.19).

O sucesso de Satanás em enganar Adão e Eva resultou


na separação espiritual deles de Deus (Gn 3.8,21-24). E
Satanás vai continuar enganando e destruindo os des­
cendentes da mulher e toda a humanidade (Ap 12.9;
20.2,3). Todavia, no futuro, Deus promete um descen­
dente da mulher que irá esmagar e derrotar Satanás e a
sua descendência.

Não é essa a mensagem do Evangelho? Jesus não disse


que viera para dar a Sua vida como resgate por muitos e
para destruir as obras de Satanás (Mt 20.28; Jo 12.31;
16.11), proclamar libertação aos cativos, e pôr em liber­
dade os oprimidos (Lc 4.18)? Em outras palavras, esse

* Há também uma referência ao conflito entre os seguidores huma­


nos de Satanás ou de Cristo, que têm um ou outro como líder espi­
ritual (Mt 23.33; Jo 8.44, Gl 3.26-29; Ef 4.15; 1 Jo 3.1,8; 5.19)..

21
texto em Gênesis 3 já está falando de Jesus, o Salvador,
que viria para impedir as obras destrutivas de Satanás
sobre toda a humanidade.

Gênesis 3.15
Foi Reconhecido Pelos Judeus Com o
Messiânico?

A resposta é sim. As próprias palavras forçaram os eru­


ditos judeus a uma interpretação messiânica muito antes
do nascimento de Cristo.12 Por essa razão, o Dr. Charles
Feinberg, Professor de Semítica e do Antigo Testamento
no Seminário Talbot, documentou que: “Jamais houve
uma época, desde a antigüidade até hoje, em que a inter­
pretação messiânica de Gênesis 3.15 não tenha tido seus
hábeis defensores.”13 A comunidade judaica em Alexan­
dria (247 a. C.) e os últimos Targuns14provam isso.15

Na comunidade judaica, o Targum Pseudo-Jônatas so­


bre Gênesis 3.15 é uma prova de que os rabinos antigos
acreditavam que as palavras desse versículo se referiam
aos “dias do Rei, Messias” (71:122). O mesmo pode ser
dito sobre o Targum de Jerusalém.16

Em sua Exposition o f Gene sis (Exposição de Gênesis),


o conhecido erudito do Antigo Testamento H. C. Leu-
pold observa que “a igreja judia, segundo o Targum,
considerava essa passagem como messiânica desde os
primeiros dias”.17

5. Gênesis 12.2-3; 22.18:


Quem é o descendente de Abraão,
Isaque e Jacó que irá finalmente
abençoar todas as nações?
22
Textos Bíblicos (1400 a. C.)

“Ora disse o Senhor a Abrão... De ti farei uma gran­


de nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome.
Sê tu uma bênção... em ti serão benditas todas as fa­
mílias da terra” (Gn 12.1-3).

“E em tua semente serão benditas todas as nações da


terra...” (Gn 22.18, Ed. Revista e Corrigida).

Contexto Dessas Passagens

Em Gênesis 12, Deus ordenou a Abrão que saísse da sua


terra e viajasse para “a terra que te mostrarei” (Gn
12.1). Deus prometeu fazer dele uma “grande nação” e
que toda a terra seria abençoada através dele. Em Gênesis
22, Abrão (que é agora Abraão, porque Deus mudou o seu
nome) foi testado por Deus. Abraão mostrou a Deus estar
disposto a fazer tudo o que o Senhor pedisse. Deus viu is­
so e prometeu a Abraão que todas as famílias da terra se­
riam abençoadas mediante a sua semente.

Explicação Desses Textos

Segundo a profecia em Gênesis 12, sabemos pela histó­


ria que ela foi literalmente cumprida porque: (1) Deus
fez de Abraão uma grande nação - a nação judaica; (2)
Deus abençoou Abraão abundante mente; (3) Deus en­
grandeceu o nome dele (ele é honrado por judeus, mu­
çulmanos e cristãos). Sabemos também que todos os
povos da terra foram abençoados através de Abraão,
tanto cultural quanto espiritualmente.

Em assuntos bancários, comerciais e financeiros, o mun­


do tem uma enorme dívida com Israel. Em termos de

23
diplomacia, principalmente diplomacia internacional, o
débito também é grande. Desde a época de Davi até
agora, homens públicos israelitas têm estado no leme,
algumas vezes numa nação e outras vezes em outra.
Na ciência, literatura e música, a dívida é igualmente
grande. Mas bem acima de todas essas coisas, a lite­
ratura dos profetas de Israel foi traduzida em todos os
idiomas. Israel tem sido o canal para comunicar à hu­
manidade o monoteísmo da religião de lavé... Suponha
que façamos uma pausa nesse ponto e perguntemos:
“A promessa foi cumprida? Todas as famílias da terra
foram abençoadas em Abraão e na sua descendência?”
Quem pode responder de outro modo senão afirmativa­
mente?18

Em Gênesis 22.18 (Ed. Revista e Corrigida), Deus pro­


mete a Abraão que todas as nações da terra serão bendi­
tas mediante a sua semente (singular, referindo-se ao
Messias, veja G1 3.16: “Ora, as promessas foram fei­
tas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: E aos
descendentes, como se falando de muitos, porém co­
mo de um só: E ao teu descendente, que é Cristo”). É
provável que Abraão conhecesse a promessa feita por
Deus a Adão e Eva; isto é, que da descendência da mu­
lher viria um descendente que esmagaria a cabeça de
Satanás. Deus estende agora Sua promessa através da
descendência de Abraão. A pergunta é: “Quem é o des­
cendente de Abraão de que Deus está falando e que irá
abençoar todas as nações?”

Nesse ponto, é cedo demais para identificar a pes­


soa específica no futuro que irá abençoar todas as
nações. Mas, quem quer que a pessoa ou descenden­
te específico seja, ele deve descender deste homem,
Abraão.

24
O apóstolo Mateus coloca no início de seu livro esta
importante afirmação: “Livro da genealogia de Jesus
Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mt 1.1). Por
quê? Porque Mateus havia lido as Escrituras hebraicas e
sabia que Deus prometera abençoar todas as nações
através do descendente de Abraão. Para Mateus, Jesus
era aquele que Deus descrevera para Abraão. Os fatos
mostram claramente que homem algum teve tanta in­
fluência espiritual sobre o mundo quanto Jesus Cristo.19
A bênção espiritual de Abraão é também evidente para
o apóstolo Paulo que escreve em Gálatas 3.8-9: “Ora,
tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela
fé (no Messias) os gentios, preanunciou o evangelho a
Abraão: Em ti (descendente de Abraão) serão aben­
çoados todos os povos. De modo que os da fé são
abençoados com o crente Abraão”.

Em vista do limite de espaço, não podemos descrever


em detalhes a genealogia cada vez mais limitada que
Deus revelou. Todavia, um breve esboço das promes­
sas bíblicas revela que a pessoa especial enviada por
Deus só podería vir da seguinte linhagem e circunstân­
cias:

• da descendência da mulher (qualquer homem possí­


vel)

• de Abraão (os descendentes de um homem são esco­


lhidos dentre todos os homens da terra)

• de Isaque (e não de Ismael: metade da linhagem de


Abraão é eliminada - Gênesis 26.2-4)•

• de Jacó (e não de Esaú: metade da linhagem de Isa­


que é agora eliminada - Gênesis 28.13,14)

25
• de Jessé (Isaías 11.1; Lucas 3.23,32)

• de Davi (Jessé tinha pelo menos oito filhos; sete são


agora eliminados - 1 Samuel 16.10-13)

• de Belém (todas as cidades do mundo menos uma


são agora eliminadas - Miquéias 5.2)

6. Deuteronômio 18.15:
Quem é o “profeta semelhante a
Moisés” de quem Deus diz: “A ele
ouvirás”?
Texto Bíblico (1400 a. C.)

“ (Moisés falando:) O Senhor teu Deus te suscitará um


profeta do meio de ti, de teus irmãos, semelhante a
mim: a ele ouvirás... (Deus falando:) Suscitar-lhes-ei
um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti,
em cuja boca porei as minhas palavras, e ele lhes fala­
rá tudo o que eu lhes ordenar. De todo aquele que não
ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome,
disso lhe pedirei contas” (Dt 18.15,18,19) - A Torá.20

Contexto Dessa Passagem

Deus está advertindo Israel, por intermédio de Moisés,


para ficar longe das práticas perversas das nações cana-
néias ao seu redor (Dt 18.9-12). Em sua advertência,
Deus ensina Israel como saber a diferença entre um
“profeta verdadeiro” e um “profeta falso” (Dt 13.1-5;
18.19-22). Qualquer profeta que fale em nome do Se­
nhor e cujas palavras não se cumpram é um “falso pro­
feta”; Deus não falou por intermédio dele. No mesmo

26
contexto, Deus diz a Israel que enviará profetas que irão
falar realmente por Ele. Mais ainda, Israel pode esperar
um dia um profeta que será “semelhante a Moisés”, que
Ele irá levantar e identificar especialmente.

Explicação Desse Texto

Pense um pouco. Um “profeta semelhante a Moisés”


seria um personagem único em Israel? Por que este
“profeta semelhante a Moisés” seria considerado uma
referência ao Messias vindouro? Primeiro, é um fato
que a nação de Israel, através de toda a sua história, não
aplicou a nenhum profeta essas palavras específicas. Is­
so não quer dizer que um ou dois rabinos não tentassem
aplicá-las a um profeta favorito. Mas não pode ser nega­
do que a nação de Israel como um todo jamais reconhe­
ceu qualquer profeta do Antigo Testamento como “se­
melhante a Moisés” .21

Segundo, essa não era uma referência a Josué porque:


(1) não há semelhança entre Moisés e Josué; (2) Jo­
sué jamais é referido como sendo profeta e ele tam­
bém não exerce o cargo de profeta; (3) nos dias de
Josué foi especificamente declarado que “nunca mais
se levantou em Israel profeta algum como Moisés”
(Dt 34.10).

Terceiro, a palavra profeta está no singular, devendo en­


tão referir-se a um profeta individual no futuro.

Quarto, até a vinda de Jesus, ninguém foi superior a


Moisés, pois foi dito apenas de Moisés e de Jesus que
eles conheciam o Senhor e falavam com ele “face a fa­
ce” (Dt 34.10; cf. Nm 12.8; Mt 3.17; Mc 9.7; Jo
11.41,42; 17.1-5).

27
Quinto, até os dias de Cristo, pode ser documentado
que os judeus não criam que “o profeta” já tivesse che­
gado. Assim sendo, os líderes de Israel perguntaram a
João Batista: “És tu o profeta?” (Jo 1.21), o que foi
negado por João. Mas quando o povo viu os milagres de
Jesus, eles disseram: “Este é verdadeiramente o pro­
feta que devia vir ao mundo” e “Achamos aquele de
quem Moisés escreveu” (Jo 6.14; 7.40; 1.45).

Qual foi a evidência que persuadiu o povo nos dias de


Jesus de que Ele era o profeta especial “semelhante a
Moisés”, segundo Deus dissera? Poderia outro senão o
Messias ser digno de consideração como aquele “seme­
lhante a Moisés”? No material que se segue oferecere­
mos paralelos entre Moisés e Jesus, provando que Jesus
era “semelhante a Moisés” . Mas, provaremos também
que Jesus era muito superior a Moisés. Só Jesus cum­
priu completamente e ultrapassou a função profética de
Moisés, sendo Aquele que Deus prometeu que viria.

A. Um grande fundador de religião. Moisés deu a reve­


lação da lei de Deus e fundou a religião de Israel. Mas
Jesus deu a completa revelação da graça e da verdade
de Deus (Jo 1.17), cumpriu toda a lei (Mt 5.17), e tor­
nou-se o fundador e Salvador da religião cristã (1 Tm
2.5,6).

B. Um grande revelador de Deus. Moisés revelou Deus


ao escrever a Torá. Moisés não indicou a si mesmo ao
povo, mas escreveu fielmente sobre Deus e sobre aquele
que viria no futuro, sobre o qual Deus lhe falara. Mas
Jesus afirmou: “Porque se de fato crêsseis em Moisés,
também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a
meu respeito. Se, porém, não credes nos seus escritos,
como crereis nas minhas palavras?” (Jo 5.46,47, ên-

28
fase acrescentada). Todavia, Jesus não falou só a res­
peito de Deus, Ele afirmou que era Deus (Jo 5.18;
10.30).

C. Um grande legislador. Moisés foi o único autorizado


por Deus a fazer leis para Israel. Mas foi Jesus quem
explicou completamente a lei de Deus e deu “novas”
leis a Israel. Jesus citou a lei quando disse: “Ouvistes
que foi dito...”, mas acrescentou o que nenhum outro
profeta ousara dizer: “Eu, porém, vos digo...” (Mt
5.21-22). Foi por essa razão que “quando Jesus aca­
bou de proferir estas palavras, estavam as multidões
maravilhadas da sua doutrina; porque ele as ensina­
va como quem tem autoridade, e não como os escri­
bas” (Mt 7.28-29).

D. Um grande operador de milagres. Moisés operou


grandes milagres (as dez pragas do Egito; a divisão do
Mar Vermelho, etc.) (Êx 7-14; Dt 34.10-12). Mas Jesus
realizou milagres ainda maiores do que os de Moisés.
Ele disse: “Se eu não tivesse feito entre eles tais obras
(Seus milagres), quais nenhum outro fez, pecado não
teriam” (Jo 15.24).

De fato, ninguém podia negar os Seus milagres porque ha­


viam sido testemunhados por literalmente milhares de
pessoas: “Varões israelitas, atendei a estas palavras:
Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de
vós, com milagres, prodígios e sinais, os quais o pró­
prio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como
vós mesmos sabeis...” (At 2.22, ênfase acrescentada). Je­
sus não só deu ordens a tempestades violentas que foram
obedecidas, mas curou instantaneamente milhares de pes­
soas de doenças e deformidades incuráveis, ressuscitou
mortos, deu vista a cegos de nascença, expulsou demô­

29
nios, e até venceu a morte quando foi ressuscitado dentre
os mortos (Mt4.23; 8.3,16,23-27; 9.6,35; 14.14,25; 15.30;
19.2; 21.14; Mc 1.34; 3.10; Lc 4.33-35,40; 7.11-15,21;
8.41-56; Jo 9.1-7; Jo 2.19-22; At 10.38). Foi por isso que
as multidões ficaram “sobremaneira admiradas” (Mc
5.42) e se “admiravam”, dizendo: “Jamais se viu tal
coisa em Israel!” (Mt 9.33).

E. Um grande redentor. Moisés resgatou Israel do cati­


veiro e da escravidão do Egito (Êx 3-4; At 7.20-39).
Mas Cristo resgatou o mundo do cativeiro e da escravi­
dão do pecado (Mt 20.28; Ef 2.1-8; Rm 3.28-4.6).

F. Um grande mediador. Moisés foi mediador entre


Deus e Israel. Mas Jesus é agora Mediador entre Deus e
toda a humanidade. 1 Timóteo 2.5,6 diz: “Porquanto
há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os ho­
mens, Cristo Jesus, homem. O qual a si mesmo se
deu em resgate por todos”.

G. Um grande intercessor. Moisés foi o grande interces­


sor de Israel, impedindo Deus de destruir completamen­
te a nação quando os israelitas adoraram o bezerro de
ouro (Êx 32.7-14; Nm 14.11-20). Mas Jesus é um inter­
cessor maior. Ele intercede agora a favor de toda a hu­
manidade (Jo 3.16; Hb 7.25; note Nm 21.4-9 e Jo 3.14).

H. Um grande profeta, juiz e rei. Moisés foi um grande


profeta, juiz e rei (Êx 18.13; Dt 33.5). Mas Jesus foi um
maior profeta, juiz e rei (Jo 1.19-21,29-34,45; Mt 2.2;
Jo 5.26-29; Hb 7.17).

I. Moisés era semelhante ao Messias. Mas Jesus era o


Messias. Ele disse isso ao povo comum e às autorida­
des, tais como o sumo sacerdote judeu. “Eu sei, res­

30
pondeu a mulher, que há de vir o Messias, chamado
Cristo; quando ele vier nos anunciará todas as cou­
sas. Disse-lhe Jesus: Eu o sou, eu que falo contigo”
(Jo 4.25,26, ênfase acrescentada). O sumo sacerdote
perguntou a Jesus: “Es tu o Cristo, o Filho do Deus
Bendito? Jesus respondeu: Eu sou” (Mc 14.61-62).

Deuteronômio 18.15
Foi Reconhecido Pelos Judeus C om o
Messiânico?

A Mishna, “Sefer ha-Mitzvot”, declara no Mandamento


Negativo (número 13): “O profeta que Deus suscitará
deve ser ‘do meio de ti, de teus irmãos’ (Dt 18.15). Isso
significa também que Ele deve ser levantado na terra de
Israel”.22

O Talmude afirma que 'o Messias deve ser o maior dentre


os profetas futuros, o mais próximo em espírito de nosso
mestre Moisés’. Essa predição (em Dt 18.15) só poderia
ser então cumprida no Messias. Os judeus entendiam
desse modo nos dias do Senhor.23

7. Salmo 22:
Quem é o crucificado?
Texto Bíblico (1000 a. C.)

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?...


Todos os que me vêem zombam de mim; afrouxam
os lábios e meneiam a cabeça: Confiou no Senhor! li­
vre-o ele, salve-o, pois nele tem prazer... Derramei-
me como água, e todos os meus ossos se desconjunta­
ram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se-me

31
dentro de mim. Secou-se o meu vigor, como um caco
de barro, e a língua se me apega ao céu da boca; as­
sim me deitas no pó da morte. Cães me cercam; uma
súcia de malfeitores me rodeia; traspassaram-me as
mãos e os pés. Posso contar todos os meus ossos; eles
estão me olhando e encarando em mim. Repartem
entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica dei­
tam sortes” (SI 22.1,7,8,14-18).

Contexto Dessa Passagem

O Salmo 22 é tanto um grito de angústia como um hino


de louvor a Deus. A Nova Versão Internacional identifi­
ca apropriadamente o contexto dessa passagem como
“oração aflita de Davi, no papel de um sofredor piedo­
so, vítima dos ataques cruéis e prolongados de inimigos
a quem não provocou e dos quais o Senhor (ainda) não
o livrou”.24 O erudito do hebraico Charles Briggs expli­
ca o seguinte sobre o Salmo 22 em seu livro Messianic
Prophecy (Profecia Messiânica)'.

O Salmo 22 descreve o sofredor com o corpo estendido,


febril, e mãos e pés traspassados. Está cercado de inimi­
gos cruéis, que zombam da sua confiança em Deus e di­
videm suas roupas como despojo. Ele é abandonado por
Deus durante algum tempo, até ser deitado no pó da mor­
te. É então livrado e louva seu salvador com sacrifícios.25

Explicação Desse Texto

Nessa passagem que descreve os sentimentos e circunstân­


cias do rei Davi, encontramos paralelos surpreendentes
que se ajustam à futura experiência de Jesus Cristo na
cruz. A pergunta então é: esses paralelos são fictícios, en­
contrando-se apenas na mente dos cristãos, ou são palavras

32
que Davi escreveu mil anos antes de Cristo e que se ajus­
tam e predizem perfeitamente a pessoa de Jesus Cristo?

Baron observou: “Os cristãos estão certos em interpretar


esse Salmo como uma predição de Cristo?... E a única in­
terpretação que concorda com o bom senso”.26 Segue-se
uma explicação das palavras contidas no Salmo e um exa­
me do quadro incrivelmente exato que elas pintam de Je­
sus Cristo durante a Sua crucificação mil anos mais tarde.

1. Davi disse: “Deus meu, Deus meu, po r que me de­


samparaste?” (Salmo 22.1).

Jesus pronunciou exatamente essas palavras quando es­


tava morrendo na cruz (Mt 27.46). Elas expressavam
corretamente Sua tristeza ao carregar a culpa pelos pe­
cados do mundo inteiro (1 Pe 2.24; 1 Jo 2.2). Em outras
palavras, o fato dos pecados de toda a humanidade se­
rem colocados sobre Ele resultou na Sua separação tem­
porária de Deus Pai (G1 3.13-14).

2. Davi disse: “Todos os que me veem zombam de


mim; afrouxam os lábios e meneiam a cabeça” (Sl
22.7). O significado da palavra “meneiam” é “ba­
lançar ou sacudir a cabeça em zombaria”.17 E tam­
bém um gesto de desprezo e inclui o fato dos adver­
sários não só aprovarem o sofrimento da vítima, co­
mo também sentirem prazer em observar suas
adversidades e calamidades.28

Tudo isso aconteceu com Jesus. Ele foi literalmente


desdenhado, desprezado e ridicularizado pelas multi­
dões que O cercavam na cruz. As palavras usadas por
Davi: “Zombam de mim; afrouxam os lábios e me­
neiam a cabeça” se ajustam perfeitamente: (1) às auto-

33
ridades religiosas que ficaram observando (“Também
as autoridades zombavam” [Lc 23.35]); (2) aos solda­
dos (“Igualmente os soldados o escarneciam” [Lc
23.36-38]); e (3) a um dos criminosos crucificados ao
lado dEle (“Um dos malfeitores crucificados blasfe­
mava contra ele, dizendo: Não és tu o Cristo [Mes­
sias]?” [Lc 23.39]). Pouco antes da Sua crucificação,
Herodes e seus soldados escarneceram dEle (“Herodes,
juntamente com os da sua guarda, tratou-o com des­
prezo e, escarnecendo dele...” [Lc 23.11]). Em seus
interrogatórios, os principais sacerdotes e mestres da lei
fizeram o mesmo (“os principais sacerdotes e os es­
cribas ali presentes o acusavam com grande veemên­
cia” [Lc 23.10]). Finalmente, Mateus registra o seguin­
te sobre a multidão: “Os que iam passando, blasfema­
vam dele, meneando a cabeça e dizendo: ...Salva-te a
ti mesmo, se és Filho de Deus! E desce da cruz!” (Mt
27.39,40). Tudo isso se ajusta à profecia do Salmo 22.

3. Davi disse: “Derramei-me como água, e todos os


meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se
como cera, derreteu-se-me dentro de mim. Secou-se
o meu vigor, como um caco de barro” (Sl 22.14-15).

O sangue de Jesus na cruz “derramou-se” do Seu corpo


como água. É também um fato que a crucificação des­
conjunta os ossos e o corpo. Foi isso que aconteceu
com Jesus. Finalmente, o vigor de Jesus secou. Ele teve
sede e depois morreu (Jo 19.28-30).

Quando sangue e água saíram do lado traspassado de


Jesus (Jo 19.34), essa foi uma prova médica de que o
Seu coração havia literalmente arrebentado, cumprindo
as palavras de Davi: “Meu coração fez-se como cera,
derreteu-se-me dentro de mim” (Sl 22.14).

34
4. Davi disse: “Cães me cercam; uma súcia de malfei­
tores me rodeia; traspassaram-me as mãos e os p és”
(Sl 22.16).

Jesus foi também rodeado por pessoas que O odiavam;


zombavam dEle, e se alegravam em vê-10 sofrer e mor­
rer. Conforme disse Davi, traspassaram as mãos e os
pés dEle quando O pregaram na cruz (Jo 19.15-18).

5. Davi disse: “Posso contar todos os meus ossos; eles


me estão olhando e encarando em mim. Repartem
entre si as minhas vestes, e sobre a minha túnica
deitam sortes” (Sl 22.17-18).

Enquanto agonizava na cruz, Jesus olhou para os soldados


que O crucificaram e viu quando tiravam sortes sobre as
suas vestes. Os que afirmam que Jesus e os escritores do
Evangelho planejaram e puseram em prática as profecias
de Davi, devem responder como Jesus motivou e arranjou
para que os soldados fizessem isso. Como ele impediu os
soldados de quebrarem os Seus ossos, uma prática romana
comum? Jesus foi o único dos três crucificados cujas per­
nas não foram quebradas (veja o Sl 34.20). Além do mais,
Ele foi o único a quem traspassaram o lado com uma lan­
ça (cumprindo Zc 12.10), não tendo também nenhum osso
quebrado por ela (Jo 19.31-37).

O Salmo 22
Foi Reconhecido Pelos Judeus Com o
Messiânico?

Poucos rabinos aceitaram essa passagem como messiâ­


nica, em vista de não gostarem da idéia de um Mes­
sias sofredor e crucificado. Mas o escrito rabínico cha­
mado de Pesikta Rabbat (Piska 36.1-2), compilado no

35
século nove d. C. (no máximo), embora usando mate­
rial muito anterior, refere-se a uma parte dessa passa­
gem como referindo-se aos pecados de certas pessoas
que irão colocar o Messias sob um jugo de ferro. Ela
diz então: “O corpo do Messias é curvado” com gran­
de sofrimento.30

Além disso, o grande erudito do hebraico Edersheim


observa que um comentário notável aparece no Yalkut*
sobre Isaías 60, que aplica essa passagem do Salmo 22
ao Messias e usa quase as mesmas palavras dos escrito­
res do Evangelho que descrevem o comportamento
zombeteiro das multidões que cercavam a cruz.31

O falecido professor Charles Briggs, do Union Theolo-


gical Seminary, cujo nome aparece no Hebrew Lexicon
ofthe Hebrew Scriptures (Léxico Hebreu das Escrituras
Hebraicas) oficial,32 declarou:

Esses sofrimentos (do Salmo 22) transcendem os de


qualquer sofredor histórico, com exceção de Jesus Cristo.
Eles encontram sua contraparte exata nos sofrimentos da
cruz... Esse ideal é um ideal messiânico, e só encontra
seu cumprimento histórico em Jesus Cristo.33

Mas a maioria do povo judeu rejeitou a idéia de um Mes­


sias sofredor, apesar dessa passagem e de Isaías 53 (veja
Pergunta n° 9). Por exemplo, David Baron, que teve uma
educação rabínica rigorosa, descartou inicialmente como
absurda a idéia de que o Messias viria a sofrer um dia.

* Yalkut é o nome dado a uma conhecida coleção de muitas inter­


pretações e explicações antigas, de aceitação geral entre os ju ­
deus, do testamento hebraico.

36
Mas ele mudou finalmente de opinião. Um estudo acura­
do das Escrituras hebraicas ensinou-lhe a necessidade ab­
soluta do perdão de pecados34 e levou-o a concluir que as
Escrituras prediziam que o Messias iria sofrer pelos nos­
sos pecados. Isso o levou a aceitar Jesus como o Messias
porque “Jesus de Nazaré é o único indivíduo em (toda) a
história da nação judaica em quem todas essas caracterís­
ticas (proféticas) são encontradas”.35

8. Isaías 9.6-7:
Quem é o menino que é Deus e terá
um reino eterno?
Texto Bíblico (700 a. C.)

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu;


o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome
será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da
Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o
seu governo e venha paz sem fim sobre o trono de
Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o fir­
mar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para
sempre. O zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Is
9.6-7, ênfase acrescentada).

Contexto Dessa Passagem

Israel tinha sido invadido pelo rei assírio Tiglate-Pile-


ser (o primeiro cativeiro judeu) e, como resultado, os
israelitas capturados caíram em desespero e humilha­
ção. Nessa profecia, Deus oferece a eles esperança pa­
ra o futuro. Ele fala de uma luz vindoura que irá ilu­
minar os que estão em aflição e trevas: “O povo que
andava em trevas, viu grande luz, e aos que viviam

37
na região da sombra da morte resplandeceu-lhes a
luz” (Is 9.2).

O profeta Isaías registra que no passado Deus havia hu­


milhado a terra de Zebulom e a de Naftali (Galiléia do
Norte e do Sul). Todavia, no futuro, Deus “tornará
glorioso o caminho do mar... Galiléia” (Is 9.1). Esse
povo, que andava nas trevas, verá “grande luz”.

Deus passa então a descrever o menino que vai nascer,


o filho que vai ser dado. Ele será tanto humano (“um
menino nos nasceu”) como divino (“O seu nome se­
rá... Deus Forte”); assim sendo, ele reinará para sem­
pre no trono de Davi. Esse não pode ser outro senão o
Messias prometido.

Explicação Desse Texto

Essa profecia torna claro o seguinte:

1. Um menino nascerá para o povo judeu.

2. O governo estará sobre os seus ombros - será um rei.

3. Ele é chamado de “Maravilhoso”, “Conselheiro” ,


“Deus Forte”, “Pai da Eternidade”, “Príncipe da
Paz” - como o erudito do Antigo Testamento Dr.
Merrill Unger destaca, a expressão “seu nome” é um
modo de dizer judaico, significando que o menino
não iria usar na verdade esses nomes, mas “merecê-
los, e eles são designações apelativas ou descritivas
de sua pessoa e trabalho” .36

4. Não haveria limites para a extensão do governo do


menino e da paz.

38
5. Ele reinaria sobre o trono de Davi e sobre o seu reino
por toda a eternidade.

6. A passagem coloca especificamente o cumprimento


dessa profecia na Galiléia, visto que Deus diz que
“tornará glorioso o caminho do mar, além do Jor­
dão, Galiléia dos gentios”.

Com respeito a Zebulom e Naftali, o erudito do hebraico


Edward J. Young comenta: “Este... distrito, desprezado
até nos dias do Novo Testamento, foi glorificado quando
Deus o honrou, e o cumprimento da profecia ocorreu
quando Jesus Cristo, o Filho de Deus, habitou em Cafar-
naum (na região de Zebulom e Naftali - Mt 4.13)” .37

Aqui em Isaías 9.6, temos a afirmação mais clara de


que o Messias é tanto Deus como homem: Ele é chama­
do de “Pai da Eternidade” e “Deus Forte” (El Gib-
bor) - o último nome é usado para o próprio Deus em
Isaías 10.21 entre outras passagens. O conhecido erudi­
to do Antigo Testamento E. J. Young mostrou que o uso
de El em Isaías “é usado como uma designação de Deus
e só dele... [Vemos então que] o Senhor, o Santo de Is­
rael - e El Gibbor [o termo usado para o Filho em
Isaías 9.6], são um único e mesmo termo” .38

Alguns eruditos observaram a ligação dessa passagem


com o Salmo 2, que fala não só do Messias do Senhor
(v. 2), mas também incrivelmente fala de Deus como
tendo um Filho: “Beijai o Filho... Bem-aventurados
todos os que nele se refugiam” (SI 2.12). Eles então
notaram: “O Messias logo se tornou conhecido não ape­
nas como o filho de Davi, mas também como o Filho de
Deus. ‘Tu és meu Filho, eu hoje te gerei’ (SI
2.7b).,..”39

39
Isaías 9.6-7
Foi Reconhecido Pelos Judeus Com o
Messiânico?

Não pode haver dúvida de que os rabinos judeus aceita­


ram esses versículos como se aplicando claramente ao
Messias. O Targum de Isaías interpretou a passagem:
“Seu nome foi dado desde a antigüidade, Conselheiro
Maravilhoso, Deus Forte, Aquele que vive para sempre,
o Ungido (ou Messias), em cujos dias a paz aumentará
sobre nós” .40

O teólogo do século dezenove e professor de crítica bí­


blica da Universidade de Aberdeen Paton J. Gloag ob­
servou que “os judeus da antigüidade aplicam essas pa­
lavras apenas ao Messias. ‘O profeta,’ diz o Targum de
Jônatas, ‘fala da casa de Davi, porque uma criança nos
nasceu, um filho se nos deu... seu nome desde tempos
idos é Conselheiro Maravilhoso, Deus Forte, Aquele
que permanece para sempre, o Messias cuja paz será
abundante sobre nós em Seus dias’.”41

9. Isaías 53:
Quem foi traspassado e moído
peias nossas transgressões para que
fôssemos curados pelas suas pisaduras;
sobre quem o Senhor fez cair a iniqüi-
dade de toda a humanidade?

Texto Bíblico (700 a. C.)

“Quem creu em nossa pregação? E a quem foi reve­


lado o braço do Senhor? Porque foi subindo como

40
renovo perante ele, e como raiz duma terra seca;
não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas
nenhuma beleza havia que nos agradasse. Era des­
prezado, e o mais rejeitado entre os homens; homem
de dores e que sabe o que é padecer; e como um de
quem os homens escondem o rosto, era desprezado,
e dele não fizemos caso. Certamente ele tomou sobre
si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou so­
bre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de
Deus, e oprimido. Mas ele foi traspassado pelas nos­
sas transgressões, e moído pelas nossas iniqüidades;
o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas
suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos
desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo
caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüida-
de de nós todos” (Is 53.1-6).

Contexto Dessa Passagem

Essa passagem trata do “Servo do Senhor”. Descobri­


mos que o “Servo do Senhor” é um indivíduo futuro
que Isaías descreve no que é chamado de suas passa­
gens da “Canção do Servo”. A maioria concorda que as
passagens dedicadas à descrição do Servo são Isaías
42.1-7; 49.1-7; 50.4-10; e 52.13-53.12.

Explicação Desse Texto

Nessas quatro passagens descobrimos que “o Servo” é o


Messias.

Os próprios textos provam isso, pois “o Servo” é “o


meu escolhido, em quem a minha alma se compraz”
(Is 42.1); Sua missão é fazer a nação de Israel voltar ao
Senhor (Is 49.5); e Ele deve ser “luz para os gentios” -

41
em outras palavras, para todas as nações da terra (Is
42.1,6). Esse Servo não pode ser Israel como alguns
afirmaram, porque “o Servo” é especificamente descrito
como alguém que não foi rebelde (Is 50.5). Sabemos
pela história israelita que essa descrição não se aplica à
nação.

Isaías 52.13-53.12 é a mais longa das quatro passagens


do Servo. Significativamente, a passagem é citada e
aplicada com mais freqüência a Jesus Cristo no Novo
Testamento do que qualquer outra passagem das Escri­
turas hebraicas.

No texto propriamente dito, o Senhor Deus chama esse


indivíduo de “meu Servo” (Is 52.13), e declara que o
Seu Servo vencerá no final: “Eis que o meu Servo...
será exaltado e elevado, e será mui sublime” (Is
52.13) . No hebraico, essas palavras são significativa-
mente as mesmas usadas por Isaías para descrever o Se­
nhor (o Senhor dos Exércitos) em Isaías 6.1,3.

Veja, porém, os versículos 14 e 15. É importante notar


que não parece que o Servo vai ser realmente bem-suce­
dido. Na primeira aparição do Servo, Deus nos informa
que muitos ficarão pasmos com sua aparência desfigu­
rada, marcada, e quase além da semelhança humana (Is
52.14) . Mas, a seguir, o quadro muda misteriosa e rapi­
damente. O texto diz: “Como pasmaram muitos à vista
dele (a primeira descrição)... causará admiração às na­
ções, e os reis fecharão as suas bocas por causa de­
le”, quando o virem da próxima vez (Is 52.14,15, ênfase
acrescentada).

E lógico concluir que o versículo 14 está se referindo à


primeira vinda de Jesus Cristo, quando Ele é moído, fe­

42
rido e espancado? E que o versículo 15 se refere à Sua
segunda vinda, quando Ele voltará como o Messias
triunfante que reinará sobre a terra em poder?

O Dr. Walter Kaiser, Professor do Antigo Testamento


e de línguas semíticas na Trinity Evangelical Divinity
School em Deerfield, Illinois, salientou corretamente
que, segundo o texto, “os homens iriam rejeitar a men­
sagem do Servo” (53.1), Sua pessoa (v. 2), e Sua mis­
são (v. 3). Mas Seu sofrimento substitutivo iria efetuar
uma reconciliação entre Deus e o homem (vv. 4-6); e,
embora Ele se submetesse ao sofrimento (v. 7), morte
(v. 8), e sepultamento (v. 9), seria subseqüentemente
ressuscitado, exaltado e ricamente recompensado (vv.
10 12)”.42
-

Quem seria o Servo de Isaías? Quem mais além de Je­


sus: (1) afirmou ser o Messias (Mt 26.63-65; Jo 4.25-
26); (2) afirmou que Seu sangue foi derramado a favor
de muitos para remissão de pecados (Mt 26.28; cf. Is
53.12); e (3) como profetizou, foi levantado da sepultu­
ra (Mt 17.22-23; Lc 24.45-46; cf. Is 53.10-11) para vali­
dar as Suas declarações?

Alguns argumentaram que o Servo que sofre em Isaías


52 e 53 é na verdade o próprio profeta Isaías. Eles di­
zem que Isaías está usando linguagem figurada, da mes­
ma forma que Jeremias ao descrever seus sofrimentos
como profeta quando disse: “Eu era como manso cor­
deiro, que é levado ao matadouro” (Jr 11.19).

Uma segunda interpretação é que o Servo sofredor re­


presenta a nação de Israel. Israel sofreu terrivelmente
através de toda a sua história e Isaías fala talvez fi­
guradamente da nação como o cordeiro expiatório pa­

43
ra a humanidade. Alguns julgam que Isaías está di­
zendo que Deus colocou sobre Israel todo o impacto
dos pecados da humanidade, a fim de que esta pudes­
se sobreviver.43

Existem, no entanto, razões sólidas para que essas duas


interpretações sejam rejeitadas. Primeiro, o texto bíbli­
co em si nos ensina que o Servo sofredor não podia ser
Isaías nem a nação de Israel. A razão para isso é encon­
trada em Isaías 53.9, onde lemos que o Servo “nunca
fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua bo­
ca”. Isso não poderia aplicar-se a Isaías, nem à nação
de Israel. O próprio Isaías afirma claramente: “Som ho­
mem de lábios impuros, habito no meio dum povo de
impuros lábios” (Is 6.5, ênfase acrescentada).

Em outro lugar, Isaías confessa: “Porque as nossas


transgressões se multiplicam perante ti, e os nossos pe­
cados testificam contra nós” (Is 59.12). O próprio texto
bíblico confirma então que nem Isaías nem Israel se ajus­
tam à descrição do Servo sofredor que “nunca fez injus­
tiça, nem dolo algum se achou em sua boca” (Is 53.9).

Existe outra razão que faz com que essa passagem seja
uma descrição do Messias vindouro e não uma referên­
cia a Isaías ou à nação de Israel. Essa razão é encontra­
da no versículo 10 de Isaías 53. Aprendemos nele que o
Servo sofredor dá a sua vida como “oferta pelo peca­
do”, como “oferta pela culpa”.

Segundo as Escrituras hebraicas, a oferta pela culpa de­


ve ser um carneiro sem defeito; ele deve ser perfeito (Lv
6.6-7). A vida dada em expiação por outros deve ser
perfeita. O profeta Isaías admite novamente aqui que
nem ele nem a nação de Israel são qualificados.

44
Finalmente, uma prova de que Isaías está falando do
Messias vindouro e não da nação de Israel é encontrada
em Isaías 53.8, onde o texto declara: “Por causa da
transgressão do meu povo foi ele ferido”. Quem é o
“meu povo” a quem ele se refere? Tem que ser Israel.
Mas se o “Servo” é ferido pelas transgressões do “meu
povo”, então o Servo não pode ser Israel. Tem que ser o
Messias que vai passar pelo sofrimento.

Finalmente, através dessa passagem, o Servo é descrito


como um indivíduo. Ela fala do que ele fez, como ele
foi desprezado, como ele foi rejeitado, e como o Senhor
colocou sobre ele a iniqüidade de todos nós. Tudo isso
o Servo fez em benefício do “meu povo”.

Esse Texto Está Falando de Jesus Cristo?

No material abaixo, apresentamos dez paralelos entre o


que Isaías diz que vai acontecer ao Messias e o que os
relatos históricos dos Evangelhos dizem que aconteceu
com Jesus. Lembre-se, Isaías está escrevendo essas pa­
lavras sete séculos antes de Cristo nascer.

1. “Mas ele fo i traspassado pelas nossas transgres­


sões” (Is 53.5).

“Quando chegaram ao lugar chamado Calvário,


ali o crucificaram” (Lc 23.33; cf. Jo 19.34).

2. “E moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que


nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisadu­
ras fom os sarados” (Is 53.5).

“Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o


madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos

45
aos pecados, vivamos para a justiça; por suas cha­
gas fostes sarados” (1 Pe 2.24).

3. “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas;


cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor
fe z cair sobre ele a iniqüidade de nós todos” (Is
53.6).

“Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o


mundo, não imputando aos homens as suas trans­
gressões” (2 Co 5.19).

Pedro disse sobre a morte de Cristo na cruz: “Pois


também Cristo morreu, uma única vez, pelos pe­
cados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a
Deus” (1 Pe 3.18); “Porque estáveis desgarrados
como ovelhas” (1 Pe 2.25).

4. “Ele fo i oprimido e humilhado, mas não abriu a bo­


ca; como cordeiro fo i levado ao matadouro; e, como
ovelha, muda perante os seus tosquiadores, ele não
abriu a sua boca” (Is 53.7).

“E, sendo acusado pelos principais sacerdotes e


pelos anciãos, nada respondeu. Então lhe pergun­
tou Pilatos: Não ouves quantas acusações te fa­
zem? Jesus não respondeu nem uma palavra, vin­
do com isto a admirar-se grandemente o governa­
dor” (Mt 27.12-14).

5. “Por juízo opressor fo i arrebatado ” (Is 53.8).

“Disse-lhes Jesus: Saístes com espadas e cacetes


para prender-me, como a um salteador? Todos
os dias eu estava convosco no templo, ensinan­

46
do, e não me prendestes; contudo, é para que se
cumpram as Escrituras. Então, deixando-o, todos
fugiram... E os principais sacerdotes e todo o Si­
nédrio procuravam algum testemunho contra Je­
sus para o condenar à morte, e não achavam.
Pois muitos testemunhavam falsamente contra Je­
sus, mas os depoimentos não eram coerentes... E
todos o julgaram réu de morte. Puseram-se al­
guns a cuspir nele, a cobrir-lhe o rosto, a dar-
lhe murros e a dizer-lhe: Profetiza! E os guar­
das o tomaram a bofetadas” (Mc 14.48-
50,55,56,64,65).

6. “Porquanto fo i cortado da terra dos viventes; por


causa da transgressão do meu povo fo i ele ferido”
(Is 53.8).

“Vós, porém, negastes o Santo e o Justo, e... Des-


sarte matastes o Autor da vida... Tendo Deus res­
suscitado ao seu Servo, enviou-o primeiramente a
vós outros” (At 3.14,15,26).

“Porque Cristo, quando nós ainda éramos fracos,


morreu a seu tempo pelos ímpios... Mas Deus pro­
va o seu próprio amor para conosco, pelo fato de
ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda peca­
dores” (Rm 5.6,8).

7. “Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas


com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez
injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca”
(Is 53.9).

“E foram crucificados com ele dois ladrões” (Mt


27.38).

47
“Mas Pilatos admirou-se de que ele já tivesse mor­
rido. E, tendo chamado o centurião, perguntou-
lhe se havia muito que morrera. Após certificar-
se, pela informação do comandante, cedeu o corpo
a José. Este, baixando o corpo da cruz, envolveu-o
em um lençol que comprara, e o depositou em um
túmulo que tinha sido aberto numa rocha; e rolou
uma pedra para a entrada do túmulo” (Mc 15.44-
46).

8. “Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o en­


fermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo
pecado” (Is 53.10).

“Mas Deus assim cumpriu o que dantes anunciara


por boca de todos os profetas que o seu Cristo ha­
via de padecer” (At 3.18).

“Ora, tudo provém de Deus... Deus estava em


Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Co
5.18,19).

9. “Ele verá o fru to do penoso trabalho de sua al­


ma, e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo,
com o seu conhecimento, justificará a muitos,
porque as iniqüidades deles levará sobre si” (Is
53.11).

“Antes de tudo vos entreguei o que também rece­


bi; que Cristo morreu pelos nossos pecados, se­
gundo as Escrituras, e que foi sepultado, e ressus­
citou ao terceiro dia, segundo as Escrituras. E
apareceu a Cefas, e, depois, aos doze. Depois foi
visto por mais de quinhentos irmãos de uma só
vez” (1 Co 15.3-6).

48
“...sendo justificados gratuitamente, por sua gra­
ça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus”
(Rm 3.24).

10. “...porquanto derramou a sua alma na morte; fo i


contado com os transgressores, contudo levou so­
bre si o pecado de muitos, e pelos transgressores
intercedeu” (Is 53.12).

“E foram crucificados com ele dois ladrões, um à


sua direita e outro à sua esquerda” (Mt 27.38).

“Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fa­


zem” (Lc 23.34).

“O qual foi entregue por causa das nossas trans­


gressões, e ressuscitou por causa da nossa justifi­
cação” (Rm 4.25).

“É Cristo Jesus quem morreu, ou antes, quem


ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e tam­
bém intercede por nós” (Rm 8.34).

“Por isso também pode salvar totalmente os que


por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para
interceder por eles” (Hb 7.25).

Os paralelos acima são difíceis de explicar em uma ba­


se puramente racional? O exegeta e teólogo escocês Pa-
ton J. Gloag, ex-professor de crítica bíblica da Universi­
dade de Aberdeen, argumentou:

Não conseguimos entender como alguém pode ler essa no­


tável profecia sem ser atingido pela sua marcante seme­
lhança com o caráter, sofrimentos e morte do Senhor Jesus.

49
O retrato é completo: a semelhança é surpreendente e in­
discutível. De fato, parece mais uma história do passado do
que uma predição do futuro... Em nenhum ponto da Escritu­
ra, mesmo nas partes mais evangélicas do Novo Testamen­
to, a doutrina da expiação, essa grande característica do
cristianismo, é tão claramente afirmada... Todavia nada é
mais incontestável do que o fato dessas frases terem sido
pronunciadas séculos antes do Senhor vir a este mundo.44

Isaías 52.13-53.12
Foi Reconhecido Pelos Judeus Com o
Messiânico?

Uma prova de que essa passagem foi há muito reconhe­


cida como messiânica pode ser vista no fato dos primei­
ros rabinos terem concebido a idéia de dois Messias por
causa dela. Embora eles não pudessem reconciliar as
declarações que falavam tão claramente de um Messias
sofredor e agonizante com os versículos em outras pas­
sagens que falavam de um Messias etemamente triun­
fante e vitorioso, é importante notar que os primeiros
rabinos reconheceram que ambas as descrições se apli­
cavam de alguma forma ao Messias. Mas, em vez de
verem um Messias em dois papéis diferentes, eles vi­
ram dois Messias - o Messias sofredor e agonizante,
chamado de “Messias ben Joseph” (Messias filho de Jo­
sé), e um Messias vitorioso e conquistador, chamado de
“Messias ben David” (Messias filho de Davi).

Muitos judeus ortodoxos aguardam ainda hoje por esse


Messias político, o Messias ben David, que irá conquis­
tar e reinar para sempre. É interessante que, ao mesmo
tempo, existam alguns que aceitam Jesus como o “ou­
tro” Messias, o Messias ben Joseph, embora neguem a
Sua divindade.45

50
O Dr. Raphael Patai, ex-professor da Universidade de
Jerusalém, que escreveu 20 livros sobre assuntos relati­
vos às crenças religiosas dos judeus, observou o seguin­
te: “Quando a morte do Messias se tornou um princípio
estabelecido nos dias talmúdicos, isso era considerado
como irreconciliável com a crença no Messias como o
Redentor que iria introduzir o abençoado milênio da era
messiânica. O dilema foi resolvido dividindo a pessoa
do Messias em duas...”46 Assim sendo, com base em
Isaías 53, o Talmude Babilónico prediz audaciosamen­
te: “o Messias ben Joseph será morto...”47

Os diferentes conceitos que os rabinos ortodoxos deram


a essa passagem através da história podem ser encontra­
dos na obra Rays o f Messiah’s Glory (Raios da Glória
Messiânica). Gostaríamos de ressaltar que rabinos co­
mo o grande Maimônides e o rabino Crispin julgavam
errado aplicar Isaías 53 à nação de Israel. Pelo contrá­
rio, eles eram de opinião de que essa passagem descre­
via claramente o Messias de Deus:

...o peso da autoridade judia prepondera a favor da inter­


pretação messiânica desse capítulo... Que até recente­
mente essa profecia tem sido quase universalmente acei­
ta pelos judeus como referindo-se ao Messias fica evi­
dente pelo Targum de [Jjônatas, que apresenta o Messias
pelo nome no capítulo LII.13; pelo Talmude (‘Sanhedrin’,
foi. 98,b); e pelo Zohar... De fato, até o Rashi [rabino So­
lomon Izaaki (1040-1105), considerado o fundador da
moderna escola de interpretação judaica], que aplicou-o
à nação judia, a interpretação messiânica desse capítulo
era quase universalmente aceita pelos judeus...48

O “pai” do hebraico moderno, Wilhelm Gesenius, tam­


bém escreveu: “Foram só os judeus tardios que abando­

51
naram essa interpretação (messiânica) (de Isaías 53),
sem dúvida como resultado de suas controvérsias com
os cristãos” .49

Num debate com o Dr. Walter Kaiser no “John An-


kerberg Show”, o Dr. Pinchas Lapide, um dos quatro
eruditos judeus ortodoxos no mundo que é também
um estudioso do Novo Testamento, afirmou: “Concor­
do plenamente com o Dr. Kaiser que Isaías 53 tem
muitas e espantosas semelhanças com a vida, carrei­
ra e morte de Jesus de Nazaré...”50 De modo surpreen­
dente, o Dr. Lapide chega a crer que Jesus realmen­
te ressurgiu fisicamente dentre os mortos depois de
ter sido crucificado, por causa dos inúmeros fatos his­
tóricos convincentes a seu favor.51 Todavia, o Dr. La­
pide conclui que Jesus é o Messias para os gentios e
não para os judeus.

Só temos uma pergunta: se não é Jesus Cristo o Servo so­


fredor de Deus encontrado em Isaías 53, quem é ele então?

10. Jeremias 23.5-6:


Quem é o Renovo justo, o Rei sábio,
que será chamado “Senhor Justiça
Nossa?”
Texto Bíblico (600 a. C.)

“Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que levantarei a


Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá
sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra.
Nos seus dias Judá será salvo, e Israel habitará segu­
ro; será este o seu nome, com que será chamado: Se­
nhor Justiça Nossa” (Jr 23.5-6).

52
Contexto Dessa Passagem

Em Jeremias 23, Deus pronunciou juízo sobre os falsos


líderes e profetas de Israel responsáveis por dispersar o
povo e afastá-lo de Deus (Jr 23.1-2; 23.9-27). Sabemos
pela História e pela Escritura que esse juízo divino foi o
cativeiro e exílio na Babilônia. Deus agora declara que
vai reunir o remanescente do Seu rebanho de todas as
terras e levá-lo de volta, onde o povo irá frutificar e au­
mentar de número (Jr 23.3,4).

É nesse ponto que Deus pronuncia as surpreendentes pa­


lavras sobre o futuro encontradas nos versículos 5 e 6.

Explicação Desse Texto

Uma prova de que essa passagem fala sobre o Messias


pode ser vista com base no seguinte:

1. Pelo menos quatro outras passagens bíblicas se refe­


rem a um “Renovo”, reconhecido por muitos rabinos
judeus como sendo o Messias (Jr 33.15; Is 4.2; Zc
3.8; 6.12,13). Muitos concordaram que “esse termo
(o Renovo) é um dos nomes próprios do Messias” .52

2. Esta pessoa, o “Renovo”, é literalmente chamada de


“Senhor Justiça Nossa”. Isso indica que, de alguma
maneira, o Messias é Deus (Jeová). O Messias é, por­
tanto, declarado como sendo “nossa justiça”. Vamos
ver o significado disso a seguir.

Mas, primeiro, quem ousaria afirmar que era “o Reno­


vo”? Quem ousaria dizer que era “o Senhor”? Quem te­
ria a pretensão de ser “nossa justiça” ? Só uma pessoa na
História afirmou isso - Jesus Cristo.

53
O que essa passagem indica quando diz que este “Reno­
vo” de Davi será o “Senhor Justiça Nossa”? Concorda­
mos com o erudito luterano Dr. Theodore Laestch que,
em seu comentário sobre Jeremias, comparou outras
promessas messiânicas e concluiu:

É aquela justiça que o Descendente de Davi, que é o Des­


cendente da Mulher de Gênesis 3.15, busca para a huma­
nidade ferindo a cabeça de Satanás. Como o Servo do
Senhor, ele carregou os pecados do homem (Isaías
53.11), os quais o Senhor colocou sobre ele (v. 6) que não
cometera injustiça (v. 9) e que sofreu todos os castigos
que o homem merecia (vv. 5-6). Pelo seu cumprimento vi­
cário, substitutivo, de todas as exigências da justiça obri­
gatória e punitiva de Deus, ele se tornou “justiça nossa” ,
estabelecendo essa justiça como a norma a ser seguida
no seu reino. Desde que essa justiça foi obtida e estabele­
cida por ele, a quem Deus chama de “Senhor Justiça Nos­
sa”, trata-se de uma justiça não só prometida no Antigo
Testamento, mas, como justiça obtida por Deus, ela é tão
eterna quanto o Senhor, retroativa (Hb 9.15)...53

Vamos perguntar: tudo isso poderia ser verdade com re­


lação a alguém senão a Jesus Cristo? Em toda a história
judaica só Jesus Cristo afirmou que iria justificar gra­
ciosamente os pecadores diante de Deus, concedendo-
lhes assim o privilégio da vida eterna (Mt 20.28; Jo
3.16; 4.13-14; 5.21-29; 6.47). Além disso, em Romanos
3.21-26 descobrimos que Jesus é aquele que se tornou
“justiça nossa” de acordo com o plano de Deus: “Mas
agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus teste­
munhada pela lei e pelos profetas', justiça de Deus
mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre
todos] os que creem” (Rm 3.21-22, ênfase acrescen­
tada; veja Fp 3.9).

54
Jeremias 23.5-6
Foi Reconhecido Pelos Judeus Com o
Messiânico?

O Targum de Isaías diz: “Levantarei de Davi um Messias


justo, um rei que reinará sabiamente”, provando que os ra­
binos consideravam essa passagem como messiânica.54
Outros especialistas messiânicos afirmaram: “Raras são as
opiniões contrárias entre os judeus antigos e também mo­
dernos de que essa é uma profecia messiânica”.55

O renomado rabino David Kimchi (1160-1235) foi um


erudito tão conceituado das Escrituras hebraicas que os
judeus disseram o seguinte a seu respeito: “Sem Kimchi
não é possível compreender as Escrituras”.56 Com rela­
ção a esse versículo, o rabino Kimchi escreveu: “O Re­
novo Justo significa o Messias” .57 Além disso, os que
escreveram o Targum Jônatas também concordaram
com Kimchi; eles apresentaram o Messias pelo nome
nessa passagem.58

Em conclusão, essa passagem é claramente messiânica.


Ela ensina que o Messias será o “Senhor Justiça Nossa”
e, em toda a história de Israel, só Jesus Cristo pode cor­
responder logicamente a essa descrição.

11. Daniel 9.24-27:


Quem é o “Ungido” que será “morto”
depois de 483 anos?
Texto Bíblico (500 a. C.)

“Setenta semanas estão determinadas sobre o teu


povo, e sobre a tua santa cidade para fazer cessar

55
a transgressão, para dar fim aos pecados, para ex­
piar a iniqüidade, para trazer a justiça eterna, pa­
ra selar a visão e a profecia, e para ungir o San­
to dos Santos. Sabe, e entende: desde a saída da
ordem para restaurar e para edificar Jerusalém,
até ao Ungido, ao Príncipe, sete semanas e sessen­
ta e duas semanas: as praças e as circunvalações
se reedificarão, mas em tempos angustiosos. Depois
das sessenta e duas semanas será morto o Ungido,
e já não estará; e o povo de um príncipe, que há
de vir, destruirá a cidade e o santuário” (Dn 9.24-
26a).

Contexto Dessa Passagem

Daniel viveu durante o cativeiro na Babilônia. Ele nos


conta que escreveu essa passagem no primeiro ano do
reinado do Rei Dario, filho de Assuero (Dn 9.1). Sabe­
mos, através da História, que o reinado do rei Dario co­
meçou no ano 538/537 a. C.

Daniel nos informa que ele estava lendo as Escrituras


que prediziam tanto o cativeiro babilónico quanto a vol­
ta dos israelitas cativos à sua terra. Assim sendo, ele
diz: “Eu, Daniel, entendi, pelos livros, que o número
de anos, de que falara o Senhor ao profeta Jeremias,
em que haviam de durar as assolações de Jerusalém,
era de setenta anos” (Dn 9.2).

Jeremias também afirmou: “Toda esta terra virá a ser


um deserto e um espanto; estas nações servirão ao
rei de Babilônia setenta anos” (Jr 25.11). No fim des­
se tempo, o Senhor disse: “Logo que se cumprirem
para Babilônia setenta anos atentarei para vós ou­
tros e cumprirei para convosco a minha boa pala­

56
vra, tornando a trazer-vos para este lugar” (Jr
29.10).

Daniel fizera parte da primeira deportação para a Babi­


lônia em 605 a. C. quando Nabucodonosor, filho de Na-
bopolassar, rei da Babilônia, invadira a Palestina. Ago­
ra, em 538 a. C. (67 anos mais tarde), Daniel compreen­
deu através da profecia de Jeremias que os setenta anos
de cativeiro estavam chegando ao fim.

Explicação Desse Texto

Como sabemos que a mensagem de Gabriel para Daniel


nessa profecia fala do Messias? Porque o termo hebrai­
co usado é Mashiach, que deve ser traduzido “Messias”
ou “o Ungido”.59 Como afirma o grande erudito de Prin-
ceton, Professor R. D. Wilson (que falava fluentemente
45 idiomas e dialetos): “Daniel 9.25-26 é uma das duas
passagens (hebraicas) onde o esperado Salvador de Is­
rael é chamado Messias”.60

Todavia, alguns rejeitaram essa opinião, afirmando que


em vez de falar do “Messias”, do “Ungido”, Daniel está
se referindo a Ciro, rei da Pérsia. Mas isso não pode ser
aplicado a Ciro, porque, como veremos, os versículos
25 e 26 declaram que o “Messias” não virá até cerca de
400 anos depois de Ciro ter vivido. Do mesmo modo,
não pode ser aplicado ao rei sírio Antíoco Epifânio,
pois ele morreu em 164 a. C. Como vamos ver, a profe­
cia fala sobre o “Messias” chegando vivo a Jerusalém
quase 200 anos depois disso. Portanto, este que é cha­
mado de Mashiach Nagid - Messias, o Príncipe - não
pode ser Ciro nem Antíoco Epifânio. Nas palavras do
Professor E. J. Young, “a interpretação não-messiânica
é absolutamente inadequada”.61

57
Quem é então o Messias que virá? Quem quer que Ele
seja, irá aparecer em cena depois da reconstrução de Je­
rusalém (Daniel 9.25-26) e será morto antes de Jerusa­
lém e o templo serem novamente destruídos.

Nos versículos 25 e 26, o texto afirma que uma vez ex­


pedido o decreto para restaurar e reconstruir Jerusalém,
o Messias virá depois de 69 “semanas”. E então será
“morto, e já não estará”. O verbo traduzido como “mor­
to” significa “destruir, golpear, esmagar, punir com a
morte”.62 Leupold declara corretamente: “O verbo usa­
do aqui (karath)... refere-se freqüentemente a uma for­
ma de morte violenta”.63

Qual é o significado do termo “semanas”? Para nós ho­


je, o termo “semana” fica restrito a um período de sete
dias. Mas a palavra hebraica não é tão limitada e repre­
senta “unidades de setes” . O termo hebraico usado aqui
é shabuim, plural da palavra shabua, traduzida como
“setes” na Nova Versão Internacional e como “sema­
nas” na Edição Revista e Atualizada. Como veremos, o
contexto deve determinar de que “unidades de setes” se
está falando - se ele se refere a unidades de sete dias,
semanas, anos, etc.

O contexto, Daniel 9.23-27, exige que o plural sha­


buim se refira a unidades de sete anos. Assim sendo,
Daniel estaria falando de 70 unidades, ou períodos de
sete anos, para um total de 490 anos. (Em nosso li­
vro, The Case fo r Jesus the Messiah (A Questão de
Jesus, o Messias), citamos cinco motivos para essa
conclusão).

De acordo com esses fatos, Harold W. Hoehner, autor


da obra Chronological Aspects ofthe Life o f Christ (As­

58
pectos Cronológicos da Vida de Cristo), concorda que
“o termo shabuim em Daniel 9 se refere com razão a
uma unidade de sete anos. Não seria sensato pensar de
outra forma”.64

Segundo essa profecia, o Messias vai aparecer no final


das 69 semanas (as sete semanas [49 anos], mais 62 se­
manas [434 anos]), ou num total de 483 anos. Depois
das 69 semanas (483 anos), ocorrerá a destruição da ci­
dade e do templo. (Sabemos, pela História, que isso
aconteceu em 70 d. C., quando da invasão de Tito e
suas legiões romanas que destruíram Jerusalém.)

Mas, de que ano e de que decreto (o decreto “para res­


taurar e reedificar Jerusalém”) devemos começar a con­
tar o número de anos até o Messias?

A profecia não pode referir-se ao decreto de Ciro (539


a. C.), de Tatenai (519/18 a. C ), ou de Artaxerxes (457
a. C.) porque todos eles se referem apenas à reconstru­
ção do templo e não da cidade de Jerusalém, o que é
exigido pela profecia. Só o decreto dado por Artaxerxes
a Neemias em 444 a. C. envolve um decreto para re­
construir Jerusalém (Ne 2.1-8; cf. Hoehner, 126-128).

Estamos agora prontos para determinar a data do decre­


to de Artaxerxes (444 a. C.) até depois da 69a semana
(483 anos mais tarde), quando Gabriel anunciou que o
Messias seria morto em Jerusalém. Usando o calendário
lunar anual aprovado de 360 dias, o ano será então 33 d.
C , exatamente a época em que Jesus Cristo viveu e foi
crucificado em Jerusalém.

O ponto importante nessa passagem profética é este:


o Messias viera claramente no final da 69a semana -

59
483 anos depois da expedição do decreto. Enfatiza­
mos novamente que o intervalo de tempo entre o de­
creto autorizando a reconstrução de Jerusalém (v. 25
- 444 a. C.) e a vinda do Messias deveria ser de 69
“setes” ou 483 anos (7 + 62 unidades = 69 x 7 anos).
Essa foi a época exata em que Jesus Cristo estava vi­
vendo e ministrando. Desde que a profecia restringe
a aparição do Messias a esse período de tempo, sim­
plesmente não existe outro candidato lógico para o
Messias. Essa profecia prova também que Jesus Cris­
to é o único candidato possível para ser o Messias ju ­
deu.

Daniel 9.24-27
Foi Reconhecido Pelos Judeus Com o
Messiânico?

Visto que esse texto fala explicitamente do Messias, se­


ria difícil para qualquer rabino judeu negá-lo. Entretan­
to, em vista dessa profecia ter predito que o Messias se­
ria “morto” , alguns negaram que se referisse ao Mes­
sias.66

Para seu crédito, porém, muitos rabinos afirmaram co­


rajosamente que essa passagem prediz com tanta exa­
tidão a época específica da aparição do Messias, que
não pode ser refutada. Por exemplo, o rabino Nehu-
mias, que viveu 50 anos antes de Cristo, é citado por
Grotius como dizendo que a época fixada por Daniel
para o aparecimento do Messias não poderia ultrapas­
sar os 50 anos seguintes.67 Isso nos leva a concluir que
se Cristo não era o Messias, então Israel não teve um
Messias. Se o Messias, no entanto, deveria vir, tinha de
ser exatamente no período de tempo em que Cristo vi­
veu.

60
O Talmude informa: “Em Daniel ficamos sabendo o fim
do Messias, [isto é, ‘a época da sua aparição e morte’ -
rabino Jarchi].”68 Essa profecia era tão poderosa que o
Talmude registra que cerca da época de Tito (70 d. C.)
acreditava-se que o Messias já viera! Mas a idéia era
que a aparição do Messias fora ocultada dos judeus até
que eles passassem a ser mais dignos dela.69

12. Miquéias 5.2:


Quem é o Eterno, que reinará sobre
Israel, nascido em Belém Efrata?
Texto Bíblico (700 a. C.)

“E tu, Belém Efrata, pequena demais para figurar


como grupo de milhares de Judá, de ti me sairá o
que há de reinar em Israel, e cujas origens são desde
os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq
5.2).

Contexto Dessa Passagem

Miquéias começa com uma declaração de juízo, falan­


do sobre um cerco contra Israel e seu rei. A ela se­
gue-se imediatamente uma declaração de esperança,
profetizando a respeito de um rei futuro de Israel, um
“Ele” que trará segurança duradoura para Israel e cu­
ja influência se estenderá “até aos confins da terra”
(v. 4).70 Note que a profecia é específica. Ela identifi­
ca Belém como “Efrata” (o nome antigo de Belém -
Gn 35.16,19; 48.7; Rt 1.2; 4.11), que distingue essa
Belém de outras cidades do mesmo nome, como a de
Zebulom (Js 19.15). O uso do termo “Efrata” também
identifica Belém como a cidade em que Davi nasceu

61
(1 Sm 17.12), estabelecendo novamente a ligação mes­
siânica entre o Messias e o trono do rei Davi.71

Explicação Desse Texto

Gramaticalmente, a expressão tem pos antigos deve ser


aplicada àquele que é rei desde os dias da eternidade.72
As ações desse rei foram proclamadas desde o passado
remoto, no entanto sua vinda está ainda no futuro.

Literalmente, a expressão “ tem pos antigos” significa


“outrora, anteriormente”. Significativamente, a palavra
(qedem) é também usada para referir-se ao próprio
Deus no Antigo Testamento (por exemplo, Dt 33.27; Hc
1.12). As palavras desde os dias da eternidade (mee
mai-oulom) significam literalmente “tempos antigos ou
eternos”. Assim sendo, a palavra antigo e, em algumas
traduções, a expressão tempos antigos são ambas desig­
nações apropriadas da eternidade. Por exemplo, o termo
hebraico para “tempos antigos” é também usado em
Miquéias 4.7, onde lemos: “ e o Senhor rein ará sobre
eles... para sempre”.

O fato desses termos serem usados com relação a um


rei futuro indica que Miquéias esperava uma figura so­
brenatural. Isso está em harmonia com a expectativa de
Isaías sobre o Messias, em Isaías 9.6, onde o futuro Rei
Messiânico é chamado “eterno” e “Deus” (El), nova­
mente uma palavra que Isaías só usa para Deus.73 Em
seu Commentary on the Minor Prophets (Comentário
sobre os Profetas Menores), Homer Hailey salienta que
as palavras desde os tempos antigos “indicam mais do
que a Sua descendência de uma linhagem antiga; elas o
associam ao Deus Eterno. Seu reino se reporta à eterni­
dade”.74

62
O significado desse versículo gira em torno de dois
pontos-chave:

1. Como o seu antepassado, o rei Davi, este futuro rei


de Israel nascerá na insignificante Belém.

2. Mas, de alguma forma, suas origens, suas atividades


se estendem desde a eternidade.

Aqui, o renomado erudito luterano E. W. Hengsten-


berg revela o que Miquéias está dizendo, pois o pro­
feta escreve sete séculos antes de Cristo: “Primeiro, a
existência do Messias antes do seu nascimento no tem­
po, em Belém, é indicada de forma geral; e depois,
em contraste com toda a idéia de tempo, ela é reivin­
dicada para a eternidade. Isso não poderia deixar de
dar grande consolo a Israel. Aquele que dali por dian­
te, em manifestação visível, deveria livrá-los da sua
miséria já existia - durante, antes, e através de toda
a eternidade”.75

Desse modo, aquele a quem enfatizamos neste livro,


aquele que cumpriu literalmente as dez profecias ante­
riores, Jesus Cristo, nasceu em Belém exatamente 700
anos mais tarde.

Seu reinado sobre Israel está ainda no futuro, na Sua


volta, como Ele mesmo profetizou: “Em verdade vos
digo que vós os que me seguistes, quando, na regene­
ração, o Filho do homem se assentar no trono da sua
glória, também vos assentareis em doze tronos para
julgar as doze tribos de Israel” (Mt 19.28); e:
“Quando vier o Filho do homem na sua majestade e
todos os anjos com ele, então se assentará no trono
da sua glória; e todas as nações serão reunidas em

63
sua presença, e ele separará uns dos outros, como o
pastor separa dos cabritos as ovelhas” (Mt 25.31,32;
cf. Lc 19.11-15,27).

Miquéias 5.2
Foi Reconhecido Pelos Judeus Com o
Messiânico?

O livro de Miquéias foi há muito reconhecido como


messiânico:

Todos os intérpretes judeus antigos aceitaram o significa­


do messiânico... O testemunho dos Targuns também fa­
vorece a interpretação messiânica da profecia. O Targum
de Jônatas diz então: “E tu, Belém Efrata, pequena de­
mais para figurar como grupo de milhares de Judá; de ti
sairá em minha presença o Messias para reinar sobre Is­
rael; cujo nome foi chamado desde a eternidade, desde
os dias eternos”. “És pequena”, observa o rabino Jarchi,
“mas de ti me sairá o Rei Messias”.76

Edersheim declara que, entre os rabinos, “a conhecida


passagem de Miquéias 5.2 é admitidamente messiâni­
ca. Assim também no Targum... e por rabinos poste­
riores”.77

Que os judeus reconheceram essa como uma profecia


messiânica é também evidente pelo fato de que os sa­
cerdotes e escribas dos dias de Herodes sabiam que o
Messias iria nascer em Belém, com base nessa profecia
(Mt 2.5-6). Assim, a crença judia comum nos dias de
Cristo era de que eles “consideravam unanimemente es­
sa passagem como contendo uma profecia sobre o nas­
cimento do Messias em Belém”.78 Isso é provado não só
por Mateus 2.5-6, mas também por João 7.42.

64
13. Zacarias 12.10:
Quem é Jeová, aquele “a quem
traspassaram”, por quem Jerusalém e
todas as nações de Israel irão prantear
e chorar?

Texto Bíblico (500 a. C.)

“ E sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de


Jerusalém, derramarei o espírito de graça e de sú­
plicas; olharão para mim, a quem traspassaram;
pranteá-lo-ão como quem pranteia por um unigéni­
to, e chorarão por ele, como se chora amargamen­
te pelo primogênito” (Zc 12.10, ênfase acrescenta­
da).

Contexto Dessa Passagem

Esse texto diz que em algum dia futuro Deus irá derra­
mar o Seu Espírito sobre Israel e levar a nação a com­
preender e lamentar um evento crucial ocorrido no pas­
sado. O que irão compreender? Esta é uma das declara­
ções mais surpreendentes feitas por Deus nas
Escrituras. Ele diz: “Olharão para mim, a quem tras­
passaram, e chorarão por ele, como se chora amar­
gamente pelo primogênito...” (ênfase acrescentada).
A pergunta é: quem é este a quem Israel vai olhar e, por
causa do que virem, começarão a chorar?

Explicação Desse Texto

Zacarias é um livro-chave messiânico, oferecendo evi­


dência adicional de que o Messias judeu não era apenas
um homem, mas a encarnação do próprio Deus. “Talvez

65
em nenhum outro livro das escrituras do Antigo Testa­
mento a divindade do Messias seja tão claramente ensi­
nada como em Zacarias.”79 Em Zacarias 2.10, o profeta
já enfatizou a surpreendente revelação de que Deus iria
viver entre o povo judeu: “Canta e exulta, ó filha de
Sião, porque eis que venho, e habitarei no meio de ti,
diz o Senhor” (ênfase acrescentada).

Zacarias relata aqui as palavras de Deus Jeová, que diz:


“Olharão para mim, a quem traspassaram”. O pró­
prio Jeová afirma ser aquele a quem Israel traspassou.
Mas, quando Israel traspassou Jeová?

Note que no meio da declaração: “Olharão para mim,


a quem traspassaram, e chorarão por Ele ” , os prono­
mes são significativamente mudados. Eles se referem a
pessoas diferentes. O que era a princípio uma referência
a Jeová torna-se agora uma referência a um “Ele” não
identificado, por quem toda a nação de Israel irá chorar.
Novamente, duas pessoas específicas são mencionadas:
(1) o Senhor que é traspassado e (2) um Ele desconheci­
do que será pranteado como Filho unigénito. Delitzsch
e Gloag comentam:

Alguns tentam escapar da aplicação messiânica da predi­


ção, supondo que a palavra “traspassado” deva ser consi­
derada em um sentido metafórico... Mas é duvidoso que
possa ser tomada nesse... sentido; ela significa “atraves­
sar”, “perfurar como com uma lança” . Além disso, o pran­
to aqui é aquele expresso pelos mortos: “como quem
pranteia por um unigénito, e chorarão por ele, como
se chora amargamente pelo primogênito.”80

Essa passagem faz certamente surgir perguntas impor­


tantes. Se o termo hebraico para “traspassar” é “atraves­

66
sar, matar”,81 então quando Israel matou Jeová? E como
o Criador do céu e da terra podería ser morto por ho­
mens? Ao que parece, essa passagem, como Isaías 9.6,
Miquéias 5.2, e outras, só pode ser explicada mediante
a encarnação do próprio Deus: o Messias seria tanto
Deus como homem.

Zacarias diz então que Israel irá algum dia compreender


que mataram na verdade o seu Deus Jeová e a nação co­
meçará a chorar amargamente por Ele, assim como uma
família iria chorar a morte de seu único filho muito
amado.

Essa profecia só se ajusta a Jesus Cristo. Por quê? Jesus


Cristo é o único em toda a história israelita que (1) afir­
mou ser Deus, (2) afirmou ser o Messias, e (3) foi real­
mente crucificado e morto pelos habitantes de Jerusa­
lém.

Assim sendo, os judeus do Novo Testamento reconhe­


ceram que só Jesus cumpre as palavras dessa profecia.
O apóstolo João escreveu: “No princípio era o Verbo,
e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o
Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de gra­
ça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do
unigénito do Pai” (Jo 1.1,14). Jesus Cristo era a pró­
pria encarnação de Deus.

O apóstolo Paulo cria que Jesus era Deus e que Ele se


propôs a morrer pelos nossos pecados. Paulo ensinou
que Jesus era aquele que “subsistindo em forma de
Deus... a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma
de servo, tornando-se em semelhança de homens... a
si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a
morte, e morte de cruz” (Fp 2.6-8).

67
Finalmente, a profecia diz que toda a nação irá prantear
e chorar amargamente pela morte deste que foi traspas­
sado, “como se chora amargamente pelo primogêni­
to”. O povo judeu iria chorar por Ele como pela morte
de um filho único se Ele não fosse realmente um de
seus filhos judeus - como Jesus Cristo era?

E se o povo judeu viesse a reconhecer algum dia que Je­


sus era na verdade o seu Messias? E se eles compreen­
dessem quem Ele realmente é? E se olhassem algum dia
para Ele como Deus, “aquele a quem traspassaram” ?
A profecia de Zacarias não seria então cumprida? Não
haveria terrível choro em Jerusalém?

Lembre-se, Deus derrama o Seu Espírito sobre o Seu


povo, a fim de que as pessoas venham a conhecer o Seu
verdadeiro Messias, que as amou tanto que deu a Sua
vida (traspassada) por elas. Nas palavras de Isaías: “o
Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos”
(Is 53.6).

Zacarias 12.10
Foi Reconhecido Pelos Judeus C om o
Messiânico?

O fato dessa profecia se referir ao Messias foi admitido


pelos rabinos.82 Por exemplo, essa profecia, “...como
também o versículo 12, foi aplicada ao Messias Filho
de José, no Talmude (Sukk. 52a)...”83 Vemos aqui que
alguns intérpretes, procurando evitar a clara implicação
das palavras, tentaram aplicar essa passagem ao “outro”
Messias que iria sofrer, o Messias Ben Joseph.

...os intérpretes posteriores aplicaram-na ao Messias Ben


Joseph, ou ao Messias sofredor, a quem inventaram para

68
satisfazer as passagens da Escritura que falam tão clara­
mente dessa característica do Redentor prometido. Mas,
como criam que esse Messias, filho de José, era um sim­
ples homem, viram-se frente à dificuldade de Jeová ter
declarado “olharão para MIM, a quem traspassaram”;
portanto, se ela se refere ao Messias, ele não pode ser
um simples homem, mas deve ser divino.84

Apesar disso, enfatizamos novamente que quando Jeová


diz: “olharão para mim, a quem traspassaram”, essa
profecia se ajusta singularmente apenas a Jesus Cristo
em toda a História humana.

Conclusão:
Quem E o Messias?
Depois de examinar cuidadosamente várias profecias,
vemos que Jesus Cristo cumpriu todas elas. Ninguém
mais em toda a história humana fez isso.

E examinamos apenas algumas das profecias relativas


ao Messias. Se tivéssemos espaço, dezenas de outras
tão específicas quanto essas poderiam ter sido discuti­
das. Por exemplo:

1. Ele nasceria de uma virgem (Is 7.14; veja Mt 1.23).

2. Ele viveria em Nazaré da Galiléia (Is 9.1-2; veja Mt


2.23; 4.15-16).

3. Seu nascimento daria ocasião ao massacre das crian­


ças de Belém (Jr 31.15; veja Mt 2.18).

69
4. Sua missão incluiria os gentios (Is 42.1-3,6; veja Mt
12.18-21).

5. Seu ministério incluiria libertação física (Is 61.1-2;


vejaL c 4.16-21).

6. Ele seria o Pastor golpeado com a espada, resultando


na dispersão das ovelhas (Zc 13.7; veja Mt
26.31,56; Mc 14.27,49-50).

7. Ele seria traído por um amigo por 30 moedas de pra­


ta (Zc 11.12,13; veja Mt 27.9,10).

8. Dariam a ele fel e vinagre para beber (SI 69.21; veja


Mt 27.34).

9. Foi-lhe dado domínio sobre todos os povos, nações,


e homens de todas as línguas (Dn 7.13,14; veja Ap
11.15).

10. Ele seria odiado sem motivo (SI 69.4; Is 49.7; veja
Jo 15.25).

11. Ele seria rejeitado pelas autoridades da época (SI


118.22; veja Mt 21.42; Jo 7.48).

A questão deveria ser óbvia. Quem foi a única pessoa


que cumpriu todas essas profecias e outras mais? Só Je­
sus Cristo. Não há simplesmente meios de evitar esse
fato.

Os eruditos Delitzsch e Gloag concluíram com acerto:

Até onde podemos determinar, essas profecias se refe­


rem ao Messias apenas, e não podem ser atribuídas a

70
outro. Os judeus da antigüidade admitem o caráter mes­
siânico da maioria deias; embora os judeus modernos,
em vista da sua controvérsia com os cristãos, tenham
tentado justificá-las mediante aplicações que devem pa­
recer artificiais a todo leitor sincero... essas e outras pre­
dições foram cumpridas em Jesus de Nazaré... A combi­
nação das profecias é suficiente para provar que Jesus é
o Messias...85

Uma Palavra Pessoal


A evidência nas Escrituras hebraicas prova que Jesus é
o Messias. Deus deu essa evidência com centenas de
anos de antecipação, a fim de podermos identificar o
Seu Messias. As Escrituras ensinam que o Messias deu
a Sua vida pagando o preço que a justiça divina exigia
pelos nossos pecados. Jesus, o Messias, disse: “Porque
Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu
Filho unigénito, para que todo o que nele crê não pe­
reça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Para receber
Jesus como seu Messias, seu Senhor e Salvador neste
momento, você pode orar nestes termos:

Deus amado, peço que Jesus, o Seu Messias, entre em


minha vida e seja meu Senhor e Salvador. Reconheço
que o Senhor já cuidou dos meus pecados quando Jesus
morreu na cruz. Reconheço o meu pecado e peço que
me perdoe. A partir deste instante, creio que Jesus é o
Messias, e que Ele morreu na cruz por mim. Creio que
Ele ressuscitou dentre os mortos e está vivo agora, e
coloco toda a minha fé e confiança nEle, para que seja
meu Salvador e Senhor e me dê a Sua vida eterna. Aju-
71
de-me a confiar no Senhor, viver para o Senhor, e cres­
cer em meu relacionamento com o Senhor. Amém.

Receber a Cristo é um compromisso sério. Entre em


contato com uma igreja local onde Jesus Cristo seja
honrado, ou com esta editora para obter informação útil
sobre como viver a vida cristã.

72
Notas
1. Malcolm Muggeridge, Je su s the M a n W ho L ive s (Nova Iorque:
Harper & Row, 1978), 7.
2. E. g., Pinchas Lapide e Ulrich Luz, J e s u s in Two P ersp e ctive s:
A Je w ish /C h ristia n D ia lo g u e (Minneapolis: Augsburg, 1985);
Hugh J. Schonfeld, The P a s s o v e r P lo t (Nova Iorque: Bantam,
1969); Gerald Sigal, The J e w a n d the C hristian M issio n a ry: A
J e w is h R e sp o nse to M issio n a ry C h ris tia n ity (Nova Iorque:
KTAV Press, 1981).
3. Franz Delitzsch e Paton Gloag, The M e ssia h sh ip o f C hrist
(Minneapolis, MN: K lo cka n d Klock, 1983), Livro 2, 50-53.
4. Peter W. Stoner, S cie n ce S p e a ks: S cie n tific P ro o f o f the A c c u ­
ra c y o f P ro p h e cy in the B ib le (Chicago: Moody Press, 1969),
4.
5. Ibid., 107.
6. Ibid., 109.
7. Emile Borel, P ro b a b ilitie s a n d Life (Nova Iorque: Dover, 1962),
Capítulos 1-3.
8. H. C. Leupold, E xp o sitio n o f G enesis (Grand Rapids, Ml: Ba­
ker, 1978), 164; ct. W illiam Wilson, W ilson's O ld T e sta m e n t
W ord S tu d ie s (McLean, VA: McDonald Publishing, n. d.), 145;
W alter C. Kaiser, Jr., The O ld T e sta m e n t in C o n te m p o ra ry
P re a ch ing (Grand Rapids, Ml: Baker, 1973), 39.
9. Leupold, Exposition, 166.
10. Wilson, W ord S tudies, 57.
11. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 1,2 6 .
12. Kaiser, Jr., The O ld Testam ent, 42; Leupold, Exposition, 170.
Veja nota 14.
13. Charles Lee Feinberg, Is the Virgin B irth in the O ld T esta­
m e n t? (W hittier, CA: Emeth Publications, 1967), 22.
14. Os Targum im (pi.) são paráfrases aramaicas antigas da Bíblia
hebraica. Os mais conhecidos são o Targum O nkelos (3- sécu­
lo d. C., sobre a Torah, os cinco primeiros livros de Moisés), o
Targum Jônatas (49 século d. C., sobre os Profetas), o Targum
P seudo-Jônatas (650 d. C., sobre a Torah) e o Targum de Je ru ­
salém (700 d. C. sobre a Torah). Embora os Targuns sejam da­
tados d. C., Ellison faz uma importante observação em seu livro
The C entrality o f the M essianic Idea fo r the O ld Testam ent. “A
interpretação rabínica messiânica primitiva merece ser reexa­
minada. Grande parte da sua interpretação da profecia messiâ­
nica, admitindo a diferença criada pela rejeição ou aceitação de
Jesus como Messias, é a mesma que a do Novo Testamento e
da igreja primitiva... Em vista da influência da propaganda he­

73
braico-cristã, que se fez sem dúvida sentir pelo menos durante
dois séculos após a ressurreição, ter sido subestimada pela
maioria dos eruditos modernos, deixamos de compreender co­
mo seria impossível para os rabinos adotarem as interpreta­
ções cristãs da profecia, a não s e r que elas tivessem estado de
fato ali todo o tempo... Em meados do terceiro século, o cristia­
nismo hebreu perdera o seu poder dinâmico e estava se tor­
nando rapidamente uma seita desprezada pelos cristãos judeus
e gentios. Foi possível, portanto, permitir que as interpretações
tradicionais da escritura profética fossem novamente ensina­
das. (H. L. Ellison, The C entra lity o f the M essianic Idea fo r the
O ld Testam ent [Tyndale, 1953], 15).
15. Kaiser, Jr., The O ld Testam ent, 42.
16. Alfred Edersheim, The Life a n d Tim es o f J e su s the M essiah,
edição de urn volume (Grand Rapids, Ml: Eerdmans,
1972),711; Feinberg, Virgin Birth, 22-23.
17. Leupold, Exposition, 170.
18. Willis Judson Beecher, The P ro p h e ts a n d the P rom ise (Grand
Rapids, MLBaker, 1970), 412-413.
19. E. G., A rthur W. Kac, The M e ssia h sh ip o f Je su s: W hat Je w s
a n d C hristians Say (Chicago: Moody Press, 1980), 40-48.
20. W. Gunther Plaut, et al., The T orah - A M o d e rn C o m m e n ta ry
(Nova Iorque: Union of American Hebrew Congregations,
1981), 1466.
21. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 2, 135-136.
22. Plaut, et al., The Torah, 1472, 1766.
23. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 2, 114.
24. Kenneth Barker, editor geral, The N IV S tu d y B ib le (Grand Ra­
pids, Ml: Zondervan, 1985), 7- edição, 805.
25. Charles Briggs, M e ssia n ic P ro p h e cy (Nova Iorque: Scribners,
1889), 323.
26. David Baron, R ays o f M e s s ia h ’s G lory: C h rist in the O ld T esta­
m e n t (Grand Rapids, Ml: Zondervan, n. d.), 263.
27. Francis Brown, S. R. Driver, Charles Briggs, A H e b re w a n d
E nglish Lexicon o f the O ld T e sta m e n t (Londres: Oxford Uni­
versity Press, 1968), 631.
28. Wilson, W o rd S tudies, 385, 386.
29. Josh McDowell, E vid e n ce th a t D e m a n d s a V erdict: H isto rica l
E vid e n ce fo r the C hristian F a ith (San Bernardino, CA: Here’s
Life Publishers, rev. 1979); Pierre Barbet, A D o c to r a t C alvary:
The P a ssio n o f O u r L o rd J e s u s C h rist as D e s c rib e d b y a S u r­
g e o n (Garden City, NY: Doubleday/lmage, 1963), 129-147; cf.
C. Truman Davis, M. D., “The Crucifixion of Jesus” , N e w W ine
M a g a zin e (agosto 1971).

74
30. Em Y 'shua: The J e w is h W ay to S a y J e s u s de Moishe Rosen
(Chicago: Moody Press, 1982), 74.
31. Edersheim, The Life a n d Times, 718.
32. Brown, Driver, Briggs, A H e b re w a n d E n g lish Lexicon.
33. Briggs, M e ssia n ic P rophecy, 326-327.
34. Jacob Gartenhaus, F a m o u s H e b re w C h ristia n s (Grand Ra­
pids: Ml: Baker, 1979), 38-39.
35. Baron, R ays, 265.
36. Merrill Unger, U n g e r’s C o m m e n ta ry on the O ld T e sta m e n t
(Chicago: Moody Press, 1981), 1167-1168.
37. Edward J. Young, T he B o o k o f Isaiah, Vol. I (Grand Rapids,
Ml: Eerdmans, 1972), 323-324.
38. Ibid., 336.
39. Ibid., 330.
40. J. F. Stenning, ed., The T argum o f Isaiah (Londres: Oxford
Press, 1949), 32.
41. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 2, 115, ênfase
acrescentada; cf. Edersheim, The Life a n d Times, 723.
42. Walter C. Kaiser, Jr., T o w a rd an O ld T e sta m e n t T h e o lo g y
(Grand Rapids, Ml: Zondervan, 1978), 217.
43. Transcrição do programa de televisão, D o the M e s s ia n ic P ro ­
p h e c ie s o f the O ld T e sta m e n t P o in t to Je su s o r S o m e o n e E l­
se ? Dr. W alter Kaiser, Jr. e Pinchas Lapide (Chattanooga, TN:
The Ankerberg Theological Research Institute, 1985), 22.
44. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 2, 286-287.
45. Ben Blisheim, “ Messianic Judaism - An Alternative" (publica­
ção particular), 6.
46. Raphael Patai, T he M e ssia h Texts (Nova Iorque: Avin, 1979),
166.
47. Ibid., 167.
48. Baron, Rays, 225-229.
49. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 2, 295, ênfase
acrescentada.
50. Transcrição, D o the M e ssia n ic P rophecies, 21.
51. Pinchas Lapide, The R e su rre ctio n o f Je su s: A J e w is h P e rs ­
p e ctive (Minneapolis: Augsburg, 1983), 7,126-131,137-150.
52. Baron, R ays, 78; cf. 90,107,116; cf. Theodore Laetsch, B ible
C om m entary: J e re m ia h (St. Louis: Concordia, 1965), 190.
53. Laetsch, Jere m ia h , 191-192.
54. Barker, N IV S tu d y Bible, 1160.

75
55. Baron, R ays, 78.
56. Ibid., 19.
57. Ibid., 78.
58. Ibid.
59. E. W. Hengstenberg, C h risto lo g y o f the O ld T e sta m e n t (Mac-
Dill Air Force Base, FL: McDonald Publishing, n. d.), 833.
60. Robert Dick Wilson, S tudies in the B o o k o f D aniel, Vol. 2
(Grand Rapids, Ml: Baker, 1979), 138.
61. E. J. Young, The P ro p h e cy o f D aniel: A C o m m e n ta ry (Grand
Rapids, Ml: Eerdmans, 1978), 193.
62. Wilson, B o o k o f D aniel, 106.
63. H. C. Leupold, E xp o sitio n o f D a n ie l (Grand Rapids, Ml: Baker,
1981), 427.
64. Harold W. Hoehner, C h ro n o lo g ica l A sp e cts o f the L ife o f C h rist
(Grand Rapids, Ml: Zondervan, 1977), 118.
65. Para uma análise mais detalhada, veja nosso livro The C ase
fo r J e s u s th e M e ssia h (Eugene, OR: Harvest House, 1989),
Apêndice Dois e Sir Robert Anderson, The C o m in g P rince:
The M a rve lo u s P ro p h e c y o f D a n ie l’s 70 W eeks C o n ce rn in g
the A n tic h ris t (Grand Rapids, Ml: Kregel, 1977).
66. Cf. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 2, 223.
67. Em Ibid., 226.
68. Ibid.
69. Ibid.
70. Thomas Edward McComiskey, The E x p o s ito r’s B ib le C o m ­
m entary, Vol. 7: D a n ie l - The M in o r P rophets, Frank Gaebe-
lein, ed. (Grand Rapids, Ml: Zondervan, 1985), 427.
71. Ibid.
72. Ibid.
73. Ibid.
74. Homer Hailey, A C o m m e n ta ry on the M in o r P ro p h e ts (Grand
Rapids, Ml: Baker, 1976), 209.
75. Hengstenberg, C hristology, 358-359.
76. Delitzsch e Gloag, The M e ssiahship, Livro 2, 118-119.
77. Edersheim, The Life a n d Tim es, 735.
78. C. F. Keil e F. Delitzsch, C o m m e n ta ry on the O ld T e sta m e n t in
Ten Volum es, Vol. 10: M in o r Prophets, Jam es Martin, trans.
(Grand Rapids, Ml: Eerdmans, 1978), 481.
79. Baron, R ays, 77.
80. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 2, 121.

76
81. Keil e Delitzsch, The M in o r P rophets, 388.
82. T. V. Moore, (Z echariah, H a g g a i a n d M a la c h i (Carlisle, PA:
Banner of Truth Trust, 1974), 199.
83. Edersheim, The L ife a n d Tim es, 737.
84. Moore, Z ech a ria h, 199-200.
85. Delitzsch e Gloag, The M essiahship, Livro 2,123-124.

77
A série “Os Fatos Sobre” é uma fonte de recursos extremamente
valiosa para a compreensão e o testemunho eficaz do cristão
num mundo cada vez mais voltado ao paganismo. Recomendo
muito a sua leitura. _ D ave H u nt I
Nenhum outro homem causou tanto impacto sobre o mundo co­
mo Jesus de Nazaré. Quem era ele? Quem afirmava ser? Seria o
Messias prometido mencionado nas Escrituras hebraicas? Descu- |
bra respostas para perguntas importantes sobre a profecia e a vi- j
da de Jesus:

• A p r o f e c ia b íb lic a é u m a p r o v a d a
e x is tê n c ia d e D e u s ?

• Q u a l a p r o b a b ilid a d e d e t o d a s a s p r o fe c ia s
r e la t iv a s a o M e s s ia s t e r e m s id o c u m p r id a s
n a v id a d e u m a ú n ic a p e s s o a ?

• Q u e p r o fe c ia s m e s s iâ n ic a s e s p e c if ic a s
f o r a m c u m p r id a s p o r J e s u s ?

• Q u e d if e r e n ç a f a z s e J e s u s f o r o M e s s ia s
p r o m e tid o ?

O s F a t o s s o b r e J e s u s , o M e s s i a s é um instrumento:...
de valor incalculável no que se refere a esclarecer as dúvidas apre- ■
sentadas pelos cristãos e também pelos céticos.

J o h n A n k e rb e rgé apresentador do premia­


do programa 'The John Ankerberg Show" em rede
nacional nos EUA. Ele é orador internacional e di­
plomou-se em teologia, história da igreja e pensa­
mento cristão.

John W e l d o n é autor e co-autor de 30 livros


sobre seitas, ocultismo e questões sociais. Formou-
se em sociologia, apologética cristã e religiões
comparadas.

O b r a A A is s i o n ã r ia
Chamada do AAeia-IMofte
C a ix a P o s t a l, 1 6 8 8
9 0 0 0 1 -9 7 0 P O R T O A L E G R E R S /B r a s ü