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FCT. Ciências Biológicas. 4º Ano, 2020-2021. Ética e Deontologia Profissional.

Consequências Morais da Revolução Biológica Contemporânea

Podemos identificar três revoluções da biologia ao longo da história: 1ª Revolução: Teoria


Celular (todos os seres vivos são constituídos por células) elaborada nos anos de 1838 e 1839;
2ª Revolução: Teoria da Evolução (e seleção natural) de Darwin/Wallace, elaborada em
1858; 3ª Revolução: Descoberta da estrutura da molécula de DNA – Àcido
Desoxirribonucleico (a dupla hélice), em 1953 pelo biólogo J. D. Watson e físico Francis Crick
(e seus colaboradores). BARCHIFONTAINE. Genoma Humano e Bioética in
BARCHIFONTAINE e PESSINI (2001). Bioética. Alguns Desafios, pp. 244-245.

Texto 1: “A revolução biológica não diz respeito apenas aos doentes, mas a todas as sociedades humanas. Dá, ou vai
dar ao homem três domínios: o domínio da reprodução, o domínio da hereditariedade e o domínio do sistema
nervoso. Cada um desses domínios levanta problemas de ética graves e importantes”. in, BERNARD, Jean (1990).
Da Biologia à Ética. Novos poderes da ciência, novos deveres do Homem, trad. de Cristina Alburquerque.
Lisboa: P. Europa-América, Cap. 3 p. 73).

1. Domínio da Reprodução
1. Serão o aborto e a contraceção práticas anti-vida ou visam, acima de tudo, a qualidade de vida?
2. Quem deve ser os sujeitos das vacinações contra a gravidez e porquê?
3. Por que razões se deve ou não, dar à luz a uma criança com defeitos genéticos?
4. Deve-se ou não dar prioridade ao bem-estar da família sobre o bem-estar da criança nos casos de perigo de vida
da mãe, i. e, tem a mãe prioridade sobre a vida do feto que ela transporta?
5. Como agir quando a pré-determinação do sexo se torna uma razão de discriminação social e sexual?
6. Que argumentos podem sustentar a hipótese do embrião/feto ser ou não uma pessoa/um ser humano?
7. Será que a fecundação artificial heteróloga (IAD) um adultério legalizado?
8. Não implica o congelamento de embriões, a violação dos direitos do embrião e dos direitos humanos?
9. Devemos ou não fazer exigências aos dadores do material genético usado nas transferências de embriões?
10. Devemos reduzir a procriação/fecundação ao ato puramente biológico (união de gâmetas sem a união carnal-
espiritual)?
11. Podemos regular a natalidade sem chocarmos com a liberdade dos cidadãos e das famílias?
12. Em que sentido a fecundação artificial altera o sentido tradicional da maternidade/paternidade?
13. Devem ou não os filhos procriados através da inseminação artificial serem informados acerca da sua paternidade?
Se sim, quando, por quem e em que condições?
14. É moralmente admissível fazer crescer os embriões humanos in vitro?
15. É a fecundação fora do ambiente corpóreo (in vitro) menos digna do que a procriação natural (no útero)?
16. O que fazer dos embriões excedentários: congelar; destruir, usar na pesquisa científica, vender...?
17. Que significado antropológico têm as tecnologias de fecundação para o sentido da vida e do homem, em geral?

2. Domínio da Hereditariedade “Desde os primórdios, a evolução dos seres vivos foi governada por dois factos:
1) a seleção natural que condena o fraco e o inadaptado; 2) a obediência passiva dos seres vivos às regras impostas
pelo património hereditário. Esses factos e, na verdade, essas leis fundamentais da vida, não defendem o indivíduo
mas, unicamente, a sobrevivência da espécie. O homem, chegado muito tarde a esta história, segundo a feliz
expressão de Jean Hamburger, entrou em rebelião contra essas leis naturais”. In BERNARD, Jean (1990). Da
Biologia à Ética. Novos poderes da ciência, novos deveres do Homem, Op. Cit., Cap. 3 p.99.

1)Em que medida a engenharia genética pode modificar o homem (i. e, a natureza humana) e os restantes seres vivos?
2)Pode o diagnóstico pré-natal conduzir ao aborto, descriminação sexual, eugenismo...?
3)Devemos deixar a genética desenvolver-se à margem das questões éticas e leis jurídicas, i. e, deve existir uma
“gene-ética”?
4)Deve o património genético humano ser patenteável?
5)Comente a seguinte frase de Jean Hamburger: “a história do homem é, em grande parte, a de uma revolta contra a
seleção natural”?
6)Quais devem ser as reais esperanças da engenharia genética, terapia genética no combate às doenças hereditárias e
para a medicina preditiva?
7)Devem as empresas e as companhias seguradoras dispor de bancos de dados genéticos dos seus trabalhadores?
8)Deve a engenharia genética aceitar a comercialização do corpo e dos seus produtos (órgãos) e a existência de um
mercado internacional oficial que se dedica a este tipo de comércio?