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31 de Julho a 02 de Agosto de 2008

ESTUDO DE IMPACTO AMBIENTAL DE


ÁREAS VERDES:UMA PROPOSTA DE
PLANEJAMENTO E MONITORAMENTO

Gustavo Henrique de Oliveira Avelar (CEFET-MG)


echoesgustavo@yahoo.com.br
João Cirilo da Silva Neto (CEFET_MG)
jcirilo@terra.com.br

Resumo
O estudo de impacto ambiental deve servir como um instrumento
metodológico no processo de planejamento e monitoramento ambiental
de áreas verdes. A abordagem dessa problemática nasce a partir das
observações e reflexões sobre as redes de relações sociais e de
conflitos de interesses que constitui a sociedade x meio ambiente. Este
trabalho tem por objetivo discutir e apresentar as metodologias usadas
em estudo de impacto ambiental para planejamento e monitoramento
ambiental em áreas verdes urbanas, como também difundir idéias e
conceitos em relação à gestão e planejamento da paisagem urbana e
ordenação do território.

Abstract
The environmental impact study must be a methodological instrument
to planning and control process environmental of green areas. The
boarding of this problematic borne from the observations and
reflections on the social relations chains and of interests conflicts that
constitutes the society x environment. This work has for goal to discuss
and to introduce the methodologies used in environmental impact study
for planning and control environmental in urban green areas, well as
to shows ideas and concepts about the territory urban landscape and
ordination management and planning.

Palavras-chaves: Estudo de Impacto Ambiental, Gestão Ambiental de


Áreas Verdes, Monitoramento, Ordenação do Território.
IV CONGRESSO NACIONAL DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO
Responsabilidade Socioambiental das Organizações Brasileiras
Niterói, RJ, Brasil, 31 de julho, 01 e 02 de agosto de 2008

1. INTRODUÇÃO

O crescimento acelerado das cidades, os aumentos no número de indústrias nas áreas


urbanas fizeram com que várias pessoas da sociedade, começassem a perceber que, todo este
desenvolvimento era acompanhado por uma grande degradação do ambiente: destruição das
áreas verdes urbanas.
Em muitos casos o lixo se acumula por toda parte, principalmente, nas áreas
desocupadas. Os rios estão secando ou se tornando muito poluídos; as florestas são
desmatadas e a fauna desaparece; o ar a cada dia se torna mais esfumaçado e denso; a
qualidade de vida melhorava para alguns, mas muita gente vivia em lugares insalubres, na
miséria, sujeita a uma série de doenças e carências.
Observando estas modificações, pessoas de diversas partes do mundo começaram a
preocupar com essa situação. Diante disso, vários países, dentre os quais o Brasil,
estabeleceram, políticas e leis para que o desenvolvimento econômico ocorresse respeitando o
bem estar da população e o meio ambiente. Esta nova maneira de desenvolver preservando o
ambiente e a qualidade de vida foi chamada de desenvolvimento sustentável.
Com esta finalidade, no Brasil, em 1981, foi criada a Lei 6.938, estabelecendo a
Política Nacional de Meio Ambiente e definindo a maneira como o ambiente iria ser tratado
no país; que estruturou o Sistema Nacional de Meio Ambiente, definindo todos os órgãos
responsáveis pela tarefa de proteger o ambiente; e que criou uma série de instrumentos para
possibilitar a estes órgãos o cumprimento de suas tarefas. Esta lei representou o marco do
desenvolvimento sustentável no Brasil.
Em, 1988, a Constituição Federal tornou a afirmar essa opção pelo desenvolvimento
sustentável e seu interesse na preservação do meio ambiente e ainda frisou que o dever de
zelar por ele não era apenas do Poder Publico, do Governo, mas também da coletividade.
Como conseqüência da Lei 6.938 e da Constituição, todos os empreendimentos, obras ou
atividades humanas, que pudessem causar impactos na população e no ambiente, passaram a
ser acompanhados atentamente pelos governos federal, estaduais, municipais e pela
coletividade, MINAS GERAIS (2008).

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Estas preocupações também são estendidas para planejamento e monitoramento das


áreas verdes urbanas, pois os impactos ambientais dessa urbanização estão relacionados à
forma e intensidade como essas espacializações ocorrem.
Geralmente é condicionante desses impactos a falta de critérios adequados para a
ocupação e uso do solo tanto em área rural quanto urbana, levando a ocupações irregulares
das encostas e áreas de várzea, ao desmatamento de matas ciliares, à produção intensa de lixo
e outras questões de cunho sócio-ambiental.
Por isso, pode-se ressaltar que a maioria dos impactos nas cidades está associada à
falta de planejamento adequado. Sendo assim, os problemas ambientais são visíveis e
complexos, exigindo sempre adaptações, ou seja, novos métodos de análise para discutir a
questão.
Objetivo deste trabalho é discutir e apresentar as metodologias usadas em estudo de
impacto ambiental para servir de instrumento no processo de planejamento e monitoramento
ambiental em áreas verdes urbanas. Também se propõe a difundir idéias e conceitos em
relação à gestão e planejamento da paisagem urbana e ordenação do território.

2. DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

As áreas verdes urbanas tornam-se menores e mais raras à medida que sofrem pressões
antrópicas devido à expansão do meio urbano. O contínuo crescimento da malha urbana vem
provocando o estrangulamento das áreas verdes e das drenagens pertencentes as micro bacias
hidrográficas inseridas nas áreas urbanizadas.
Ao longo da história, no processo de urbanização brasileira, que de início, fez-se de
forma dispersa em todo o território e a partir do segundo quartel do século XX, sob a égide do
modo de produção capitalista, as cidades cresceram desordenadamente.
Esse crescimento ocorreu tanto horizontal quanto verticalmente, sempre em
detrimento dos recursos naturais que colocaram em risco a qualidade do solo, da água, do ar e
dos organismos.
A partir dessa ótica, verifica-se então que a natureza foi vista pelos urbanizadores
tradicionais e orgânicos, de modo bastante diferenciado, determinado por culturas variadas e
por modos de produção que ordenaram o território, segundo suas leis de reprodução. Marcus e

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Detwyler (1972) afirmam que tradicionalmente os fatores econômicos têm decidido o uso da
terra sem levar em consideração os fatores ecológicos.
Para Rocha (1991) o comportamento humano é regido não só por parâmetros éticos e
sociais, mas também por fatores ambientais. Ora, em um ambiente urbano que constitui um
verdadeiro habitat e “nicho” do ser humano, obviamente ele deve ser ou (deveria ser) o ponto
central de referência quando da tomada de qualquer decisão pela autoridade constituída, ou no
nível da própria cidadania.
O planejamento do desenvolvimento das cidades deve considerar os princípios básicos
das necessidades humanas. As questões relativas ao equilíbrio ambiental e a sustentabilidade,
bem como aquelas sobre a oferta de equipamentos urbanos e comunitários, levantadas pelo
Estatuto das Cidades (Brasil, 2001), deveriam ser discutidas no âmbito da Ecologia da
Paisagem.
Esta área se preocupa com o ordenamento da paisagem com ênfase nos aspectos
ecológicos e, mais especificamente, em se tratando da paisagem urbanizada, com a
conservação da natureza e com o ordenamento do verde urbano procurando um ambiente
saudável e viável em longo prazo par o uso humano.
Procura-se, portanto, uma regulamentação do uso dos solos e dos recursos ambientais,
salvaguardando a capacidades dos ecossistemas e o potencial recreativo das paisagens,
retirando-se o máximo proveito do que a vegetação pode fornecer para a melhoria da
qualidade ambiental, segundo Buccher Filho e Nucci (2006).
A valorização das áreas protegidas tem ocorrido mais intensidade atualmente em
função do enfoque mundial que vem sendo dado às mudanças climáticas globais e à
necessidade de trabalhar com tecnologias mais limpas e garantir o seqüestro do gás carbônico
(CO2).
Desde o evento mundial da Eco-92, o tema tem sido discutido pelos técnicos e
diplomatas dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, considerando a preservação e a
ampliação de áreas verdes como a alternativa mais barata e viável para combater a poluição,
até que mudanças tecnológicas permitam o desenvolvimento e o consumo a partir de energia
não poluidora.
A natureza também foi continuamente degradada através dos seus cursos d'água,
confinados, drenados, aterrados e enterrados. Isso, aliado a uma intensa e extensa
urbanização, vem causando enormes impactos ambientais de difícil gestão colocando em

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cheque a urbanização corrente. A natureza ainda que transformada, não pode ser negada na
cidade, mas fazer parte dela.
Nesse sentido, a natureza, em parte representada nas áreas verdes, precisa ser
repensada no sentido da valorização do seu papel no funcionamento/metabolismo da cidade. É
preciso definir o quanto deve ser preservado, conservado, transformado ou reconstruído para a
consecução de ambientes agradáveis e sadios que propiciem uma rica vida de interações
sociais e gestão ambiental equilibrada.
Todos os verdes precisam ser identificados, classificados e catalogados de forma
consoante às necessidades urbanas, desde a provisão de parques públicos, áreas de contenção,
armazenamento de águas pluviais, abastecimento d'água até a produção de alimentos.
Para tanto, são necessários estudos quantitativos e qualitativos para determinar o seu
dimensionamento e as funções de cada área verde. Devem-se adotar abordagens ampliadas e
inovadoras, incluindo áreas verdes privadas e públicas dominicais, bem como áreas loteadas
ainda não ocupadas, por exemplo. Uma contribuição relevante a ser revisitada é a de Jantzen
(1973), conforme a Tabela 1.

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Tabela 1 – Sugestão de índices urbanísticos para espaços livres, Jantzen (1973)

Categoria de Espaços Livres m²/hab. Área Distância Residência Propriedade


Min.
Pequena. Vizinhança

Até 6 anos 0,75 150 m² até 100 m Público ou


Particular
06-10 anos anos 0,75 450 m² até 500 m

10-17 anos anos 0,75 5000 m² 1000 m


Público
Parque de Bairro anos 6,0 10 há 1000 m ou 10 minutos
Parque Distrital ou Setorial 6,0/7,0 100 há 1200 m ou 30 Público
minutos/veículo
Parque Metropolitano s/ref 200 ha/área Público
c/água Qualquer parte
Cemitério 4,5 s/ref s/ref Público ou
particular
Área para Esporte 5,5 3-5 Perto de escolas Público ou
ha/15000 hab. particular
Balneário 1,0/10 2 ha/0,2 Perto de escolas Público ou
há particular
Horta comunitária 12,0 300 m² s/ref Público ou
particular
Verde Viário s/ref s/ref Junto ao Sistema Viário Público
Fonte: CAVALHEIRO, R. & DEL PIC CHIA, P.C.D. (1992). Áreas verdes: Conceitos, Objetivos, diretrizes
para o planejamento. Encontro Nacional sobre Arborização Urbana. 4 Vitória ES de 13 a 18 de set. Anais p 29-
38.

3. GESTÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO NO


PLANEJAMENTO TERRITORIAL URBANO

Desde a década de 1980, os municípios começaram a criar uma estrutura voltada à


gestão ambiental. A criação dos Conselhos Municipais de Defesa do Meio Ambiente
(Codemas) constituiu um núcleo inicial par a criação e implantação das Secretarias
Municipais de Meio Ambiente.
Segundo a Constituição Federal do Brasil (1988), o controle ambiental de áreas
verdes, compreende a flora e a fauna silvestre e também a proteção e a preservação de
espécies exóticas, é uma obrigação legal dos municípios e estados, da União e de todos os
cidadãos.

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A conceituação de termos para o “verde urbano” ou áreas verdes sugerida por


Cavalheiro, Nucci, Guzzo e Rocha (1999) estão relacionadas a um tipo especial de espaços
livres, em que o elemento fundamental de composição é a vegetação. As áreas verdes devem
satisfazer três objetivos principais: ecológico-ambiental estético e de lazer. Vegetação e solo
permeáveis (sem laje) devem ocupar, pelo menos, 70% da área, devem servir à população,
propiciando um uso e serviços à recreação. Canteiros, pequenos jardins de ornamentação,
rotatórias e arborização não podem ser considerados áreas verdes, mas sim “verde de
acompanhamento viário”, que com as calçadas (sem separação total em relação aos veículos)
pertencem à categoria de espaços construídos ou espaços de integração urbana. A Fig. 1
apresenta um fluxograma com base na proposta de Cavalheiro, Nucci, Guzzo e Rocha (1999).
Para Bononi (2004), as áreas verdes urbanas, em geral, são cuidadas ou deveriam ser,
pelas administrações municipais, mas em termos genéricos, os municípios não têm infra-
estrutura suficiente para implementar um controle ambiental de áreas verdes com a qualidade
necessária.
Da mesma forma os Estados e a União também não as têm, em uma situação como
essa, espera-se uma soma de esforços par a proteção e o controle das áreas verdes. Nem
sempre ocorre essa desejável colaboração natural e espontânea entre as três esferas de poder,
cada uma tentando realizar suas tarefas dentro dos recursos disponíveis.
Ainda segundo Bononi (2004), o planejamento ambiental de áreas verdes dos
municípios acaba caindo na legislação na qual se relaciona a criação de APE (área de proteção
especial) ou APP (área de preservação permanente), que no caso seriam outros mecanismos
institucionais para o poder público gerenciar áreas verdes fora das unidades de conservação
instituídas.

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Município Cobertura vegetal

Zona Rural Zona Urbana Zona de Expansão Urbana

Sistemas de Espaços Sistemas de Espaços Construídos Sistemas de Espaços de


Livres Integração

Parque de Vizinhança
Verde Viário
Cemitérios
Áreas para Esporte
Parques Balneários
Horta Comunitária
Outros...

Públicos Potencialmente Coletivos Privados

1. A vegetação é o elemento fundamental da composição?


2. Cumpre funções: ecológicas, estéticas e de lazer?
3. Área de 70% de cobertura vegetal em solo permeável (sem laje)?
4. Serve a população?
5. Propicia condições para recreação?

SIM NÃO

ÁREA VERDE Espaço Livre

Figura 1. Organograma de classificação do verde urbano

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No caso da gestão de áreas verdes, no qual o objetivo é a sua preservação ou utilização


sustentável, pode-se genericamente diferenciar a gestão destas áreas pelo poder público em
duas linhas de atuação. A primeira dentro das unidades de conservação em terras de domínio
público. A segunda linha incide sobre as áreas privadas, sendo que nessas áreas o poder
público administra as áreas verdes a partir da legislação genérica e utiliza como instrumento
de gestão o licenciamento, a fiscalização e o monitoramento.
Na maior parte dos casos, as áreas verdes protegidas representam fragmentos do que
restaram de ecossistemas, não existindo relação entre os seus objetivos e as funções que
desempenham para a vida humana. O quadro 1 relaciona os serviços e suas influências nos
ecossistemas e ainda fornece exemplos para auxiliar a compreensão dos serviços.

Quadro 1 – Serviços e funções de áreas naturais


SERVIÇOS FUNÇÕES DO EXEMPLOS
ECOSSISTEMA
Balanço de gás
Melhoria da qualidade do ar Regulação da composição carbônico/oxigênio, ozônio
química do ar para proteção contra níveis
elevados de UV e SOX
Influência em processos
Controle climático climáticos como temperatura Efeito estufa e produção de
e precipitação global ou a vapor d’água
nível local

Equilíbrio de distúrbios do Capacidade de ecossistemas Proteção contra tempestades,


meio íntegros de responder a enchentes e secas pela
flutuações do meio estrutura da vegetação

Controle de erosão e retenção Retenção de solo no Proteção contra a perda de


de sedimentos ecossistema solo pelo vento, erosão e
acúmulo de resíduos em
lagos e áreas úmidas

Formação de solo Processo de formação de solo Desgaste de rochas e


acúmulo de material orgânico

Ciclagem de nutrientes Acúmulo, reciclagem, Fixação de nitrogênio (N),


processamento e aquisição de fósforo e outros elementos
nutrientes

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Tratamento de resíduos Recuperação de nutrientes Tratamento de resíduos,


móveis ou remoção do controle de poluição
excesso de nutrientes e
outros compostos
SERVIÇOS FUNÇÕES DO EXEMPLOS
ECOSSISTEMA

Polinização Movimento dos gametas Prover polinizadores para a


florais reprodução das populações
vegetais

Controle biológico Controle trófico dinâmico de Controle de predadores e


populações redução de hebívoros

Refúgio da fauna Hábitat para populações Viveiros, hábitat para


residentes e transitórias espécies migratórias ou
locais para atravessar o
inverno

Produção de alimentos Resultado do metabolismo Produção de peixes, caça,


primário usados como cereais, nozes, frutos
alimento

Produção de matéria-prima Resultado do metabolismo Produção de madeira,


primário usados como combustível
matéria-prima

Recursos genéticos Fontes técnicas de material Remédios, genes resistentes e


biológico e produtos fitopatógenos

Recreação Proporcionando oportunidade Ecoturismo, pesca esportiva


de atividade de recreação e outras atividades externas
recreativas

Cultural Promove oportunidade para Valores estéticos, artísticos,


usos não comerciais educacionais, espirituais e
científicos dos ecossistemas

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4. AVALIAÇÃO DE IMPACTO AMBIENTAL E MONITORAMENTO


EM ÁREAS VERDES URBANAS

A Avaliação de Impacto Ambiental revela-se como instrumento de maior importância


na gestão ambiental, pois o que se define a partir dela produzem efeitos diretos sobre o meio
ambiente em exata correspondência ao Princípio da Prevenção e da Precaução. Segundo
Cendrero (1982), essa avaliação funciona como sistemas de monitoramento e de controle,
além de permitir análise continuadas de parâmetros fundamentais que possam servir de
indicadores de impacto e que facilitem o controle e a gestão das atividades.
A avaliação de impacto ambiental aparece, então, na literatura, como um instrumento
do planejamento ambiental, sobretudo no nível pontual e é nesse nível que os estudos de
impacto ambiental têm sido empregados.
Ribeiro (1994) aponta que diferentes metodologias, desde o início dos anos 1970,
foram desenvolvidas para se determinar os impactos ambientais. Dentre elas podem ser
mencionadas, por seu maior emprego e com possíveis adaptações, as seguintes metodologias
de avaliação de impactos em gestão de áreas verdes urbanas, a seguir.
Método ad hoc – consiste em declarações feitas por especialistas sobre o tipo e
a intensidade de um impacto;
Listas de controle – constituem uma variação do método ad hoc, mas que
garantem que uma lista de parâmetros predefinidos seja examinada durante a
avaliação;
Matrizes – são quadros bidimensionais que facilitam a determinação dos
impactos decorrentes da interação entre as atividades do projeto e os elementos
específicos do meio ambiente;
Matriz de Leopold – foi colocada em prática em 1971 pelo Us Geological
Survey , representando uma abordagem pioneira nas avaliações de impacto. Ela
apresenta cem atividades num dos eixos da matriz e 88 características e
condições do meio biofísico e socioeconômico. Permite integrar dados
qualitativos e quantitativos. Para cada interseção marcada, estabelece-se uma
estimativa da magnitude do impacto, numa escala de 0 a 10;
Redes de interação – são ampliações das matrizes que permitem indicar
impactos diretos (de primeira ordem) e indiretos (decorrentes daqueles de

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primeira ordem). A complexidade dos efeitos é mais bem percebida


visualmente;
Sobreposição de cartas – constitui na elaboração de diferentes cartas temáticas
sobre os fatores ambientais e sobre os diferentes impactos ambientais para
depois sobrepô-las, obtendo uma caracterização composta e complexa do
ambiente regional. O Sistema de Informações Geográficas (SIG) baseia-se na
mesma metodologia, mas o termo se refere a um sistema informatizado de
armazenagem de dados que podem ser recuperados e apresentados de forma
especializada, gerando cartas temáticas e cartas de integração.
Sistema Battelle – é uma lista de controle sofisticada com quatro categorias ou
quesitos: ecologia da paisagem, físico-químico do solo, água e ar, estética,
interesse humano e social. Cada categoria é subdividida em vários elementos
ambientais com um índice de qualidade que varia de 0 a 10.

Weitzenfeld (1996) ressalta ainda que qualquer que seja a metodologia adotada, a
identificação dos impactos deve ser feita para todos os fatores ou componentes do meio
ambiente, que incluem os recursos naturais, estéticos, históricos, culturais, econômicos,
sociais e de saúde pública. O quadro 2 adaptado de Weitzenfeld indicam algumas
classificações mais comumente empregadas.

Quadro 2 – Classificação de impactos potencias e suas características

CLASSIFICAÇÃO TIPO

Benéficos ou prejudiciais (positivos ou


negativos)
Em relação aos impactos Planejados ou acidentais
Diretos ou indiretos
Cumulativos ou simples
Reversíveis ou irreversíveis
Em relação ao tempo de duração Curto ou longo prazo
Temporários ou contínuos

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Local
Regional
Em relação à área de abrangência Nacional
Internacional (regional ou global)

Em relação ao potencial de mitigação Mitigáveis ou não mitigáveis

Gravidade
Em relação a acidentes Probabilidade

Erickson (1994) acrescenta outros elementos como a magnitude (estimativa


quantitativa ou qualitativa do tamanho ou extensão do impacto), a pertinência às ordens legais
nacionais ou internacionais, a distribuição social dos ricos e benefícios (se os riscos e
benefícios do projeto estão distribuídos de forma eqüitativa).
A existência e relevância de impactos diretos, ou de primeira ordem, e de impactos
indiretos, de segunda, terceira e até quarta ordem, seria outro ponto a ressaltar e como pode
ser visualizado no exemplo apresentado no quadro 3 a seguir.

Quadro 3 – Exemplos de impactos diretos e indiretos

IMPACTOS IMPACTOS INDIRETOS


DIRETOS
Redução da fauna silvestre
Desmatamento Perda de biodiversidade Aumento de pragas
Modificação no regime de
Aumento da temperatura vento e de chuvas

Turbidez da água
Aumento da erosão Diminuição da fotossíntese
Redução da ictiofauna
Perda de renda

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5. COSIDERAÇÕES FINAIS

O conhecimento e a pesquisa científica como base para a gestão de áreas verdes seria o
viés que daria o suporte ao controle e gestão destas áreas. De acordo com o capítulo 35 da
Agenda 21, destaca-se o papel da ciência para o desenvolvimento sustentável onde
conhecimento científico fornece apoio ao manejo prudente do meio ambiente, garantindo a
sobrevivência diária e o desenvolvimento futuro da humanidade.
Não é possível controlar ou gerenciar a flora e a fauna das áreas verdes urbanas sem
conhecer a biologia das espécies, a relação entre elas e a relação com os demais componentes
dos ecossistemas. Bononi (2004) afirma que qualquer projeto de gestão, avaliação,
monitoramento ou recuperação passa necessariamente pelo levantamento das espécies, suas
freqüências, a diversidade inter e intra-específicas e as interações com o meio físico.
Levantamentos da ecologia da paisagem são indispensáveis para as tomadas de decisões.
Diante das ameaças de danos ambientais irreversíveis, a falta de conhecimentos
científicos não pode ser desculpa para adiar medidas de proteção ao meio ambiente. Em uma
análise mais ampla e genérica deduz-se que pela falta de conhecimento, muitas vezes, é usual
assumir que protegendo a vegetação está se resguardando todos os seres vivos que aí vivem,
toda a sua vida ou pelo menos parte dela.
Essa é a posição possível com o conhecimento disponível, mas ela não garante o
sucesso do controle e da gestão de áreas verdes. Com a evolução do conhecimento será
permitido um controle mais seguro com bases cientificas e monitoramento mais adequado. Os
impactos podem ser classificados em diversas categorias e, como no caso das metodologias,
geralmente, cada equipe deve adotar a sua classificação.
A dificuldade em se usar avaliações quantitativas e testes estatísticos para as alterações
previstas, faz com que venha prevalecendo uma perspectiva social e qualitativa para analisar
os riscos sobre os elementos do meio ambiente. Entretanto, vem crescendo a utilização de
modelos matemáticos para dar mais confiabilidade às previsões e monitoramento.
Os modelos e simulações têm sido úteis para quantificar parâmetros físicos, químicos
ou biológicos do meio ambiente, além de permitirem o estabelecimento de diferentes cenários
para os fatores demográficos, econômicos e sociais.
Os itens para os quais as modelagens matemáticas têm sido empregadas com maior
sucesso são: hidrologia das águas superficiais; qualidade das águas dispersão de poluentes;

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lençol freático e áreas de recarga; erosão do solo; dispersão de contaminantes nos solos;
acústica e vibração; qualidade do ar e dispersão de poluentes, inclusive odor; transferência de
contaminantes nos ecossistemas; e dinâmica demográfica.
Philippi Jr (2004) ressalta que políticas públicas dentro dos caminhos ambientalmente
corretos devem ser focadas e privilegiadas por intermédio de ferramentas indutoras de
processos.
O zoneamento, o parcelamento e uso do solo e os códigos de postura podem
acrescentar diversas características positivas ambientalmente dentro do planejamento urbano.
O zoneamento adequado com uma fiscalização efetiva pode preservar áreas de mananciais,
conservando um recurso vital para o desenvolvimento das cidades, ou seja, a água.
Finalmente, como as cidades passaram a ter um papel cada vez mais significativo no
planeta, tanto em termos quantitativos como qualitativos, ressalta-se, a necessidade de novas
estruturas e formas urbanas para fazer face aos problemas que vêm se acumulando
dramaticamente. É preciso repensar as cidades, sob a ótica da justiça social, da qualidade de
vida urbana, da gestão ambiental e da governabilidade, refazendo novas práticas de
construção da cidade em substituição à urbanização tradicional. Neste contexto, inclui-se a
questão das áreas verdes urbanas, Carvalho (2008).

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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IV CNEG 17

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