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FÍSICA FRENTE A

Antônio Máximo
Beatriz Alvarenga
Carla Guimarães

MÁQUINAS TÉRMICAS
1 Máquinas térmicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4
A segunda lei da Termodinâmica . . . . . . . . . . . . . . . . . . .4
Informações adicionais. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .12
Entropia: indisponibilidade da energia . . . . . . . . . . . . . .18
Revisão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .27

2126418 (AL)
MÓDULO
Máquinas térmicas

Locomotiva a vapor na Ferrovia Tereza Cristina. No


Brasil, devido à espessa nuvem de fumaça e fuligem ex-
pelida pela chaminé, as locomotivas a vapor receberam
o apelido de “maria-fumaça”.
COLIN GARRATT / ALAMY/LATINSTOCK
REFLETINDO SOBRE A IMAGEM

Estamos rodeados por máquinas térmicas:


pequenas, como os refrigeradores em nossas
casas; imensas, como as usinas geradoras de
eletricidade à base de calor 2 termelétricas e
nucleares 2 e outras, como os meios de trans-
porte que utilizam o motor de explosão movi-
dos a gasolina, álcool, óleo ou gás.
Em meio a tudo isso, algumas questões tor-
nam-se muito importantes: como as máquinas
térmicas funcionam? Por que algumas esfriam
o ambiente e outras aquecem? Como elas se
movimentam e qual a relação delas com a ge-
ração de eletricidade?

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CAPÍTULO

1 Máquinas térmicas

Veja, no Guia do Professor, o quadro de competências e habilidades desenvolvidas neste módulo.

Objetivos:
A SEGUNDA LEI DA TERMODINÂMICA
c Utilizar a segunda lei
da Termodinâmica para O que é uma máquina térmica
interpretar processos Somente no século passado os cientistas conseguiram esta- Vapor
tecnológicos e naturais belecer definitivamente que o calor é uma forma de energia, apesar

AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/ARQUIVO DA EDITORA


relativos às máquinas de sua história ter se iniciado com Heron no século I d.C. Heron
térmicas. construiu a primeira máquina térmica, mostrada na figura 1: o va-
c Identificar etapas
por formado pelo aquecimento da água, ao escapar pelos orifícios
em processos de mostrados na figura, colocava em rotação uma esfera de metal, ou
transformação e seja, transformava calor em trabalho mecânico.
utilização da energia Em linguagem moderna, dizemos que esse aparelho de Heron Água

através das máquinas é uma máquina térmica, isto é, um dispositivo que transforma
Fogo
térmicas. calor em trabalho mecânico. Entretanto, a máquina de Heron não
foi usada com objetivo prático, para produzir grandes quantidades
c Avaliar, em função de energia mecânica. Somente no século XVIII vieram a ser cons-
das propriedades Fig. 1 2 Modelo da primeira
truídas as primeiras máquinas térmicas capazes de realizar trabalho máquina térmica, inventada por
termodinâmicas de um em escala industrial (fig. 2). Heron no século I d.C.
sistema, possibilidades
de uso da energia, A máquina de Watt
considerando suas
As primeiras máquinas térmicas, inventadas no século XVIII, além de precárias, apresentavam
implicações.
rendimentos muito baixos, isto é, consumiam grande quantidade de combustível para produzir um
trabalho relativamente pequeno.
Por volta de 1770, o inventor escocês James Watt apresentou um novo modelo de máquina
térmica (fig. 2) que substituiu, com enormes vantagens, as máquinas então existentes. A figura 3
apresenta o esquema de funcionamento da máquina de Watt.

SCIENCE & SOCIETY PICTURE LIBRAR/RY/GETTY IMAGES


LEIA O LIVRO
Calor: o motor das revoluções, de
Alexandre Custódio Pinto, Cristi-
na Leite e José Alves da Silva. São
Paulo: Editora do Brasil, 2000.

Fig. 2 2 Modelo de máquina a vapor de James Watt. Esse


dispositivo foi um dos primeiros a permitir a transformação,
em escala industrial, de calor em trabalho mecânico.

4 Máquinas térmicas
O vapor formado na caldeira de alta pressão penetra no cilindro através da válvula A, que está

AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/ARQUIVO DA EDITORA


aberta (neste momento, a válvula B está fechada). O pistom é empurrado pelo vapor, colocando Água fria

em rotação uma roda a ele acoplada, como mostra a figura. Quando o pistom se aproxima da ex-
tremidade do cilindro, a válvula A é fechada, e a B é aberta, permitindo que o vapor escape para o A B

condensador, o qual é continuamente resfriado por um jato de água fria.


Assim, o vapor se condensa, ocasionando uma queda de pressão no interior do cilindro, fazendo Vapor
com que o pistom retorne à sua posição inicial. A válvula B é fechada, enquanto A é aberta, permi-
Condensador
tindo nova admissão de vapor no cilindro, repetindo-se o ciclo. Dessa maneira, a roda acoplada ao Caldeira
Vapor
pistom se manterá continuamente em rotação. condensado
Fornalha
A máquina de Watt foi inicialmente empregada para movimentar moinhos e acionar as bombas
que retiravam água de minas subterrâneas e, posteriormente, nas locomotivas e barcos a vapor. Além
disso, a máquina a vapor passou a ser amplamente usada nas fábricas para acionar os mais diversos Fig. 3 2 Esquema de funcionamento da
dispositivos industriais, sendo, por isso, considerada um dos fatores que provocaram a chamada máquina a vapor de Watt.
Revolução Industrial no século XVIII.

Locomotiva a vapor
A máquina térmica de Watt deu origem a novos modelos mais aperfeiçoados. Entre eles, des-
taca-se aquele usado, durante muitos anos, nas antigas locomotivas a vapor.
O vapor proveniente da caldeira entra pela extremidade esquerda do cilindro (fig. 4-A), em-
purrando o pistom para a direita. O vapor que estava à direita do pistom escapa pela saída E. Uma
válvula deslizante desloca-se para a esquerda, fechando a entrada inicial de vapor e abrindo a entrada
da direita. Nesse instante, o pistom, que já se encontrava na extremidade direita do cilindro, recebe
a pressão dessa nova entrada de vapor e se desloca para a esquerda. Outro movimento da válvula
deslizante, agora para a direita, permite novamente a entrada de vapor à esquerda, e o ciclo se repete.
Observe, na locomotiva (fig. 4-B), a localização do cilindro e do pistom analisados na figura 4-A
e procure entender como o movimento de ida e volta do pistom é transmitido às rodas.

A Vapor da caldeira

Válvula deslizante

Pistom

Cilindro

B
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FRENTE A
FÍSICA

Caldeira

Fig. 4 2 Esquema de funcionamento


da locomotiva a vapor.

Máquinas térmicas 5
Turbina a vapor
Os modelos de máquina a vapor que descrevemos são, atualmente, muito pouco usados. A
energia térmica do vapor continua, entretanto, sendo empregada em larga escala nas centrais terme-
létricas para movimentar as turbinas a vapor. Em uma turbina a vapor, um jato de vapor, a altíssima
pressão, é lançado contra um conjunto de lâminas presas a um eixo (rotor), colocando a turbina em
rotação (fig. 5).

AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/ARQUIVO DA EDITORA


Turbina
Caldeira Gerador

Fig. 5 2 O vapor, proveniente da caldeira, coloca a turbina em rotação, e esse


movimento é transmitido ao gerador de energia elétrica.

FOTOARENA/FOLHAPRESS

Fig. 6 2 Usina Euzébio Rocha, em Cubatão, interior de São Paulo. Com a escassez de chuvas, os reservatórios que abastecem as usinas hidrelétricas prejudicam
a geração de energia hidrelétrica. A energia elétrica passa, então, a ser gerada por termelétricas; mas como essas usinas funcionam por meio da queima de
combustíveis fósseis, como petróleo, gás natural ou carvão, a matriz energética do país fica mais “suja” e menos renovável, além de encarecer as tarifas de energia
elétrica que são repassadas aos consumidores.

6 Máquinas térmicas
O motor de explosão
No decorrer do século XX, foram inventados vários outros tipos de máquinas térmicas, des-
tacando-se entre elas os motores de explosão, as turbinas a vapor, os motores a jato, etc. Em parti-
cular, os motores de explosão a gasolina tornaram-se muito conhecidos em virtude de seu uso nos
automóveis.

A V B V
B A B
A

AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/ARQUIVO DA EDITORA


Admissão
C
C

Pistom

C D
V V
A B A
B

Escapamento

Fig. 7 2 Os quatro tempos do funcionamento de um motor de explosão: admissão (A);


compressão (B); explosão (C) e exaustão (D).

Na figura 7, apresentamos um esquema do motor a explosão ou de combustão interna, a gaso-


lina ou a etanol (álcool etílico), a quatro tempos, assim denominado porque seu funcionamento se
faz em quatro etapas, as quais descreveremos a seguir: o cilindro possui uma válvula de admissão (A),
uma de escapamento (B) e uma vela (V), que é um dispositivo destinado a produzir uma centelha
(que provoca a ignição ou explosão) no momento oportuno. A mistura explosiva, constituída de
gasolina ou de etanol e ar, formada no carburador (não representado na figura), chega à câmara de
explosão (C), através da válvula A, que é governada por um sistema de alavancas.
No primeiro tempo, denominado admissão, a válvula A se abre, permitindo a entrada da mistura
explosiva, enquanto o pistom desce no cilindro (fig. 7-A).
No segundo tempo, denominado compressão, a mistura é comprimida na câmara C (o pistom
sobe) e sua temperatura se eleva. Nesse tempo, as válvulas A e B permanecem fechadas (fig. 7-B).
FRENTE A
No terceiro tempo, denominado explosão e expansão, a vela V produz uma centelha elétrica,
causando a ignição da mistura explosiva. Esse é o único tempo no qual há produção de um tra-
balho efetivo, pois os gases quentes da combustão, por sua alta pressão, fazem o pistom descer, Portal
comunicando movimento de rotação a uma roda a ele acoplada (fig. 7-C).
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SESI
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No quarto tempo, denominado exaustão, descarga ou escapamento, a válvula B se abre, permi-
tindo o escape dos gases enquanto o pistom sobe no cilindro (fig. 7-D).
Acesse o portal e veja a animação
Fechando-se a válvula B, uma nova descida do pistom e abertura da válvula A (primeiro tempo) Motor de quatro tempos.
dão início a outro ciclo.

Máquinas térmicas 7
COMO É PRODUZIDO O ETANOL?

A partir de matérias-primas como a cana-de-açúcar, o milho e a beterraba, pode-se produzir biocombustível como o etanol, também
conhecido como álcool ou álcool etílico. No Brasil, utilizamos a cana-de-açúcar como matéria-prima. Ela chega à usina e passa por um pro-
cesso de lavagem (1) para remover a terra. Então, a cana é cortada em pedaços menores (2) e triturada (3). O caldo de cana é armazenado
em tanques para que as impurezas decantem (4), e essa mistura é esterilizada por aquecimento (5). Durante o processo de fermentação
(6), são adicionados fermentos específicos à mistura. As reações químicas da fermentação liberam calor e o resfriamento é feito por meio
de serpentinas (7) com água corrente, que circundam os tanques de fermentação. A nova mistura será destilada (8), produzindo álcool
hidratado (9), que será comercializado nos postos de gasolina, e álcool anidro, utilizado na mistura da gasolina como aditivo. Caminhões-
-tanque irão levar os produtos para a distribuidora (10). Nos postos, o etanol costuma ser mais barato do que a gasolina, entretanto, como
no motor o poder calorífico da gasolina é superior ao do etanol, desde que o desempenho mecânico dos veículos sejam similares, veículos
movidos a etanol consomem mais combustível, em comparação aos que utilizam a gasolina.

LUIS MOURA/ARQUIVO DA EDITORA


5 7

6
2

4
3

10

Rendimento de uma máquina térmica


Analisando as máquinas térmicas, verificamos que existem alguns aspectos comuns ao funcio-
AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/
ARQUIVO DA EDITORA

namento de todas elas. De fato, todas operam em ciclo, isto é, retornam periodicamente às condições
Fonte quente
iniciais, e cada ciclo pode ser representado, esquematicamente, da maneira mostrada na figura 8. Essa
Q1 figura indica que a máquina retira certa quantidade de calor Q1 de um corpo aquecido, denominado
fonte quente. A máquina utiliza parte desse calor para realizar um trabalho τ e cede uma quantidade
Máquina τ de calor Q2 para a fonte fria. Na máquina de Watt (fig. 2), por exemplo, a fonte quente é a fornalha
térmica que aquece a água da caldeira, e o calor Q2 é transportado pelo vapor que sai ainda aquecido do
cilindro e é liberado no condensador, o qual representa a fonte fria dessa máquina.
Q2

Fig. 8 2 Representação esquemática de uma máquina térmica qualquer. Na parte superior, temos a fonte quente
Fonte fria Q1; no centro, temos a máquina térmica representada pela esfera; e, na parte inferior, temos a fonte fria Q2. As setas
Q1 e Q2 indicam o sentido do fluxo de calor, e a seta τ representa o sentido do trabalho.

8 Máquinas térmicas
Denomina-se rendimento, R, de uma máquina térmica a razão entre o trabalho, τ, que ela
realiza e o calor, Q1, absorvido da fonte quente, isto é:

R5
τ
Q1

Logo, o rendimento de uma máquina térmica será tanto maior quanto maior for o trabalho que
ela realiza para determinada quantidade de calor absorvido. Assim, se o rendimento de uma máquina
for R 5 0,50 (ou R 5 50%), isso significa que essa máquina transforma em trabalho a metade do
calor que ela recebe da fonte quente. Note que o rendimento de qualquer máquina térmica é sempre
menor do que 100%, pois uma parte é dissipada para a fonte fria.
Na figura 8, vemos pela conservação da energia que Q1 5 τ 1 Q 2 ou τ 5 Q1 2 Q 2. Então, po-
demos expressar o rendimento de uma máquina térmica da seguinte maneira:

R5 τ 5 1
Q 2 Q2
ou
Q1 Q1

Q2
R 5 12
Q1

A segunda lei da Termodinâmica


Da expressão anterior, podemos concluir que, se Q 2 5 0 , isto é, se a máquina térmica, ao

AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/


ARQUIVO DA EDITORA
realizar um ciclo, não cedesse nenhum calor para a fonte fria, seu rendimento seria R 5 1 (ou R 5 Fonte quente
5 100%). Portanto, uma máquina como essa transformaria em trabalho todo o calor absorvido Q1
Máquina
da fonte quente (fig. 9). térmica
Entretanto, os cientistas perceberam que é impossível construir uma máquina como esta
(com R 5 100%). Em outras palavras, qualquer dispositivo existente na natureza, ao efetuar um τ 5 Q1
ciclo, nunca conseguirá transformar integralmente em trabalho todo o calor que ele absorve de
uma fonte quente (o moto-perpétuo). Para completar o ciclo, o dispositivo deverá sempre ceder
parte do calor absorvido para uma fonte fria, isto é, tem-se sempre, em qualquer máquina térmica,
Q2 . 0 . Fig. 9 2 Diagrama de uma máquina
Essa conclusão constitui a segunda lei da Termodinâmica, que foi enunciada por Kelvin, da térmica que contradiz as leis da
seguinte maneira: Termodinâmica com um rendimento de
100%.

Segunda lei da Termodinâmica


É impossível construir uma máquina térmica que, operando em ciclo, transforme em tra-
balho todo o calor a ela fornecido.

Dessa maneira, o rendimento de qualquer máquina térmica é inferior a 100%. Na realidade, os


rendimentos das máquinas térmicas mais comumente usadas estão situados muito abaixo desse
limite. Por exemplo: nas locomotivas a vapor o rendimento é cerca de apenas 10%, nos motores a
gasolina nunca ultrapassa 30% e nos motores a diesel, que estão entre as máquinas mais eficientes, o
FRENTE A
rendimento situa-se em torno de 40%.
A segunda lei da Termodinâmica também foi enunciada por Clausius e diz que “o calor não
pode fluir espontaneamente de um corpo com temperatura menor para um corpo com temperatura
maior”. Nessa outra forma de expressar a segunda lei, o sentido natural do fluxo de calor ocorre da
FÍSICA

fonte quente para a fonte fria e, com isso, a situação contrária só seria possível se existisse um agente
externo que realizasse trabalho sobre o sistema. Discutiremos essa situação mais adiante, quando
estudarmos o refrigerador, máquina que retira calor de uma fonte fria levando-a para uma fonte
quente mediante consumo de energia externa (energia elétrica).

Máquinas térmicas 9
As competências e habilidades do Enem estão indicadas em questões diversas ao longo do módulo. Se necessário, explique aos alunos que a utilidade
deste “selo” é indicar o número da(s) competência(s) e habilidade(s) abordada(s) na questão, cuja área de conhecimento está diferenciada por cores (Lin-
guagens: laranja; Ciências da Natureza: verde; Ciências Humanas: rosa; Matemática: azul). A tabela para consulta da Matriz de Referência do Enem está
disponível no portal.
PARA CONSTRUIR

1 Observe o esquema de uma máquina térmica qualquer, b) rejeita para a fonte fria.
Temos Q2 5 Q1 − τ ∴ Q2 5 2 500 J 2 1 000 J 5 1 500 J
m
Ene-6
mostrado na figura 8. Suponha que, em uma máquina a va-
C 1 1 500
H-2 por com esse esquema, em cada ciclo a fonte quente ceda ou Q2 5
4
, isto é, Q2 5 375 cal

m uma quantidade de calor igual a 100 calorias à máquina e


Ene-5
C 1
H-2 esta realize um trabalho de 84 J. Considerando 1 cal 5 4,2 J,
determine:
a) o rendimento da máquina térmica.
Temos:
Q1 5 100 cal 5 420 J
Então:
R5
τ 5 84 5 0,20 ou R 5 20%
Q1 420

3 Sabe-se que o calor de combustão do óleo diesel é de


m
Ene-5
45 ? 103 J/g, isto é, cada 1 g desse óleo libera 45 ? 103 J de
C 8
H1
- energia térmica, ao ser totalmente queimado. Consideran-
m do essa informação e supondo que o motor a diesel, referido
Ene-6
C 1
H-2 no exercício anterior, consuma 10 g/s de combustível, de-
b) a quantidade de calor que ela rejeita em cada ciclo para a m
termine a potência desenvolvida por esse motor.
Ene-5
fonte fria. C 1
H-2
A massa m 5 10 g, de óleo, libera a seguinte quantidade de energia
Q2 5 Q1 2 τ 5 420 J 2 84 J 5 336 J ou térmica:
336 Q1 5 10 ⋅ 45 ⋅ 103 ou Q1 5 45 ⋅ 104 J
Q2 5 isto é, Q2 5 80 cal
4,2 De R 5
τ , obtemos o trabalho que o motor realiza a partir dessa
Q1
energia Q1. Temos:

τ 5 RQ1 5 0,40 ⋅ 45 ⋅ 104 ou τ 5 1,80 ⋅ 105 J


Esse trabalho foi realizado em um tempo Δt 5 1 s (o motor consome
10 g de combustível em 1 s). Logo, a potência do motor é:
1,8 ⋅ 105 J
P5 5 1,8 ⋅ 105 J/s 5 1,8 ⋅ 105 W
1s

2 Um motor a diesel apresenta um rendimento de 40%, rea-


m
Ene-6
lizando em cada ciclo um trabalho de 1 000 J. Calcule, em
C 1
H-2 calorias, a quantidade de calor que, em cada ciclo, o motor
m (considere 1 cal 5 4 J):
Ene-5
C 1
H-2 a) recebe da fonte quente.
De R 5
τ , com R 5 0,40 e τ 5 1 000 J, vem:
Q1 4 Tendo em vista o que foi dito sobre a segunda lei da Termo-
1 000
5 0,40 ∴ Q1 5 2 500 J m
Ene-6
dinâmica, enuncie essa lei de três maneiras equivalentes.
Q1 C 1
H2
-
É impossível construir uma máquina térmica que, operando em ciclo:
Portanto, tomando 1 cal 5 4 J, temos:
2 500 1o) apresente rendimento igual a 100%;
Q1 5 ou Q1 5 625 cal
4 2o) transforme integralmente em trabalho todo o calor que ela recebe
da fonte quente;
3 ) não rejeite calor para a fonte fria.
o

10 Máquinas térmicas
5 Suponha que uma pessoa lhe informou que construiu uma máquina térmica, a qual, em cada ciclo, recebe 100 cal da fonte quente
m
Ene-6
e realiza um trabalho de 418 J. Sabendo que 1 cal 5 4,18 J, argumente se essa máquina contraria:
C 1
H-2 a) a primeira lei da Termodinâmica.
Temos: Q1 5 100 ? 4,18 ou Q1 5 418 J
Portanto, vemos que τ 5 Q1, isto é, a máquina estaria convertendo em trabalho todo o calor que recebeu da fonte quente. Esse
fato não contraria a primeira lei da Termodinâmica (conservação da energia), pois isso só ocorreria se tivéssemos τ . Q1.

b) a segunda lei da Termodinâmica.


Se τ 5 Q1, a máquina teria um rendimento R 5 100%, e sabemos que isso contraria fundamentalmente a segunda lei da Termodinâmica.

6 (UFPA) Um técnico de manutenção de máquinas pôs para funcionar um motor térmico que executa 20 ciclos por segundo. Consi-
m
Ene-6
derando-se que, em cada ciclo, o motor retira uma quantidade de calor de 1 200 J de uma fonte quente e cede 800 J a uma fonte
C 1
H-2 fria, é correto afirmar que o rendimento de cada ciclo é: c
m
Ene-5
a) 13,3%. b) 23,3%. c) 33,3%. d) 43,3%. e) 53,3%.
C 1 Segundo a equação do rendimento, temos:
H-2
Q
R 5 12 2
Q1
800
R 5 12
1 200
1
R 5 . 0,33 → aproximadamente 33,3%
3

7 (UFRN) Até o século XVIII, pensava-se que uma máquina térmica, operando em uma condição mínima de atrito, poderia converter
m
Ene-5
em trabalho útil praticamente toda a energia térmica a ela fornecida. Porém, Sadi Carnot (1796-1832) mostrou que, em se tratando
C 8
H-1 da energia fornecida a uma máquina térmica, a fração máxima que pode ser convertida em trabalho útil depende da diferença de
m
Ene-6
T 2 T1
C 1 temperatura entre a fonte quente e a fonte fria e é dada por 2 , em que T2 é a temperatura da fonte fria e T1 é a temperatura
H2
- T2
da fonte quente.
Dessas afirmações, pode-se concluir que uma máquina térmica: b
a) pode converter em trabalho útil toda a energia térmica a ela fornecida, mesmo que funcione em condições mínimas de atrito. FRENTE A
b) não pode converter em trabalho útil toda a energia térmica a ela fornecida, mesmo que funcione em condições mínimas de
atrito.
c) pode converter em trabalho útil toda a energia térmica a ela fornecida, desde que a temperatura da fonte fria seja 0 °C.
FÍSICA

d) não pode converter em trabalho útil toda a energia térmica a ela fornecida, a menos que a temperatura da fonte fria seja dife-
rente de 0 °C. Nenhum sistema possui eficiência de 100%, uma vez que parte da energia recebida é usada para manter o sistema funcionando.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 1 a 5 Para aprimorar: 1 a 4

Máquinas térmicas 11
INFORMAÇÕES ADICIONAIS
Diagrama P 3 V para um ciclo
As máquinas térmicas operam sempre em ciclo, isto é, retornam periodicamente às condições
iniciais. Veremos, agora, como as transformações que constituem um ciclo são representadas em
um diagrama P × V.
Consideremos um gás, no estado inicial (i), com volume Vi , expandindo-se até atingir um
estado final (f), no qual ocupa um volume Vf . Suponha que a pressão P do gás tenha variado
durante a transformação, da maneira mostrada na figura 10. Como a transformação não é iso-
bárica, o trabalho τif , realizado pelo gás nessa expansão, não pode ser calculado pela expressão
τif 5 P(Vf 2 Vi). Nesse caso (P variável), o valor do trabalho τif é dado pela área sob a curva do
gráfico P × V, destacada na figura 10.
P
f

τif

Fig. 10 – O trabalho realizado por um gás,


em uma variação de volume, é dado pela
Vi Vf V
área sob o gráfico P × V.

Considere, agora, que o sistema gasoso, a partir do estado final (f), retorne ao estado inicial (i)
por meio de uma transformação diferente da primeira, como está representado na figura 11. Nessa
compressão, o gás realizará um trabalho negativo (um trabalho externo é realizado sobre o sistema)
cujo valor, em módulo, é dado pela área sob a nova curva.

P
Q1 f

Q2
i

Fig. 11 – O trabalho realizado pelo sistema ao percorrer Vi Vf V


o ciclo é fornecido pela área entre as curvas.

O trabalho líquido, τ, realizado pelo sistema ao percorrer o ciclo, será dado pelas diferenças entre
aqueles dois trabalhos realizados na expansão e na compressão, que correspondem ao valor da área
limitada pelas curvas que definem o ciclo (fig. 11).
Deve-se observar que, durante a expansão, o gás absorveu uma quantidade de calor Q1, cedendo
uma quantidade de calor Q2 na compressão. Como o sistema, no ciclo, retorna às condições iniciais, sua
energia interna não sofre variações, isto é, ΔU 5 0. Logo, pela primeira lei da Termodinâmica, tem-se:
Q 2 τ 5 ∆U ∴ ( Q1 2 Q 2 ) 2 τ 5 0 ou τ 5 Q1 2 Q 2

12 Máquinas térmicas
Ciclo de Carnot
O ciclo de Carnot, que foi descrito e analisado por um jovem engenheiro francês, Sadi Carnot,
em 1824, consiste em duas transformações isotérmicas, alternadas com duas transformações adia-
báticas, e está representado na figura 12 para um gás ideal.
P A

Q1

D T1

Q2 C T2 Fig. 12 – Ciclo de Carnot para um gás ideal. O ciclo de


Carnot consiste em duas transformações isotérmicas,
V alternadas com duas transformações adiabáticas.

Na transformação isotérmica AB, o gás absorve o calor Q1 enquanto se expande. Esse calor
é absorvido de uma fonte à temperatura T1. Isolando termicamente o sistema, deixamos que ele
continue a se expandir. O sistema não troca calor com a vizinhança, e sua temperatura cai para o
valor T2. Essa transformação adiabática é representada pela curva BC na figura 12. De C para D, te-
mos uma compressão isotérmica, na qual o gás cede calor para a fonte fria à temperatura T2, e, com
uma compressão adiabática (DA), o gás retorna às condições iniciais. Quando um dispositivo opera
segundo esse ciclo, dizemos que ele é uma máquina de Carnot, ou seja, dizemos que é válido o
teorema de Carnot, que afirma:

Nenhuma máquina térmica que opere entre duas dadas fontes, às temperaturas T1 e T2,
pode ter maior rendimento que uma máquina de Carnot operando entre essas mesmas fontes. SAIBA MAIS

Em 2013, cientistas alemães


Dessa forma, o ciclo de Carnot corresponde ao rendimento máximo que podemos obter com
conseguiram obter pela primei-
duas fontes térmicas, e o rendimento de uma máquina de Carnot pode ser calculado, teoricamente, por: ra vez uma temperatura abaixo
do zero absoluto (alguns bilio-
T2 nésimos de 1 Kelvin abaixo), ao
R 5 12 criar um gás quântico ultrafrio
T1
feito de átomos de potássio,
usando lasers e magnetismo,
em que T2 e T1 são as temperaturas Kelvin da fonte fria e da fonte quente, respectivamente. que imita o comportamento da
Agora, você pode entender por que o zero absoluto representa um limite inferior para a tem- “energia escura” 2 força que faz
com que o Universo se expanda
peratura de um corpo. Se um sistema pudesse atingir naturalmente o zero absoluto, temperatura cada vez mais rápido 2, poden-
que faria com que todas as moléculas parassem de se mover, ele poderia ser usado como a fonte fria do ajudar no estudo da origem
de uma máquina de Carnot. Como T2 5 0, o rendimento da máquina seria R 5 1 5 100%, o que e evolução do Universo.
contraria a segunda lei.

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

1 Considere uma máquina de Carnot que opera entre duas fontes, tais que T1 5 800 K e T2 5 200 K. Qual seria o seu rendimento? FRENTE A

RESOLUÇÃO:

R 5 1 2 200 5 12 00,255 5 0,7


FÍSICA

00,75
,755 ou
ou R 5 75%
800
Note que qualquer máquina térmica, operando entre 800 K e 200 K e funcionando com um ciclo diferente desse, teria rendimento
inferior a 75%.

Máquinas térmicas 13
2 Um inventor afirma que criou uma máquina que extrai 25 · 106 cal de uma fonte à temperatura de 400 K e rejeita 10 · 106 cal para
uma fonte a 200 K, entregando-nos um trabalho de 54 · 106 J. Você investiria dinheiro na fabricação dessa máquina?

RESOLUÇÃO:
Temos:
Q15 2255 ⋅ 1100 6 ccal
Q2 5 1100 ⋅ 1100 6 ccal
τ 5 54 ⋅ 106 J
Logo:
6
τ 5 54 ? 10 call 5 13 13 ? 1100 6 ccal
4,18
Como Q1 2 Q2 5 15 · 106 cal, a máquina não está contrariando a primeira lei da Termodinâmica (não contraria a conservação
da energia), pois não realiza mais trabalho que o calor (total) que absorve. O fato de ela nos entregar apenas 13 · 106 cal, em vez de
15 · 106 cal, é perfeitamente razoável, pois 2 · 106 cal podem representar o trabalho que a máquina deve realizar contra o atrito.
Logo, a máquina apresentada é perfeitamente possível, sob o ponto de vista da primeira lei.
Vejamos, agora, se ela é compatível com a segunda lei da Termodinâmica. O rendimento da máquina é:
Q 10 ? 10 6
R 5 12 2 5 12 5 0, 6 5 60%
Q1 25 ? 10 6
Entretanto, uma máquina de Carnot, operando entre essas mesmas temperaturas, teria um rendimento:
T 200
R 5 12 2 5 12 5 50%
T1 400
A suposta máquina tem um rendimento maior que a máquina de Carnot; logo, você, que acredita nos princípios básicos da Termodinâ-
mica, não seria capaz de acreditar no inventor. Mas, apenas para dissipar dúvidas, você poderia ir verificar o funcionamento da máquina.

Refrigerador
O refrigerador é um aparelho que reduz a temperatura dos materiais colocados no seu interior
e mantém nesse ambiente uma temperatura inferior à de suas vizinhanças. Para isso, o refrigerador
funciona como uma máquina térmica operando em sentido contrário, isto é, o refrigerador retira
calor (Q2) de uma fonte fria, à temperatura T2 , e, a partir do trabalho (τ) realizado sobre ele, cede uma
quantidade de calor (Q1) para o ambiente (fonte quente) a uma temperatura T1 tal que T1 . T2 (fig. 13).
Como o refrigerador cede para o ambiente uma quantidade de calor Q1, maior do que a quantidade
de calor Q2, que ele retira do seu interior (fonte fria), temos que Q1 5 Q 2 1 τ .
AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/ARQUIVO DA EDITORA

T1
Fonte quente

Q1
τ

Q2

T2 Fig. 13 2 Diagrama de fluxo de um


Fonte fria
refrigerador.

O funcionamento de um refrigerador comum está esquematizado na figura 14. Na serpenti-


na (B), o fluido refrigerante que circula no refrigerador está liquefeito sob a pressão produzida pelo
compressor (A). Em geral, o compressor localiza-se na parte inferior dos refrigeradores domésticos e
são acionados por um motor. Nos refrigeradores modernos, o monoclorodifluormetano, conhecido
como fréon R-22, deixou de ser empregado como fluido refrigerante por ter efeitos nocivos ao meio
ambiente, em particular à camada de ozônio, e está sendo substituído pelo tetrafluoretano, ou R-134a.

14 Máquinas térmicas
Esse líquido, passando por um estrangulamento em C, sofre uma expansão ao penetrar na tubu-
lação do refrigerador, onde ele se apresenta como uma mistura de líquido e vapor a uma temperatura
relativamente baixa. Esse resfriamento ocorre em virtude da expansão brusca (mudança de fase) na
qual o gás realiza trabalho utilizando sua própria energia interna. A tubulação, em contato com o
ambiente do congelador (D), absorve calor deste, o que leva o restante do líquido a se evaporar. O
gás passa de D para o compressor, onde é novamente liquefeito pelo trabalho da força de pressão que
o pistom realiza sobre ele. Ao ser liquefeito, o gás libera calor, que é transferido para o ar ambiente na
serpentina (B). É por esse motivo que a parte posterior do refrigerador, onde está situada a serpentina,
deve estar voltada para um local onde haja circulação do ar (fig. 15), a fim de facilitar a transferência de
calor da serpentina para o ambiente.

Fig. 14 2 Esquema
ILUSTRAÇÕES: AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/ARQUIVO DA EDITORA

de funcionamento
C de um refrigerador. D
O gás é liquefeito
no compressor
D (A), seguindo pela
C
serpentina (B), que
libera calor para
o meio ambiente,
até sofrer um
estrangulamento
em (C) e se
vaporizar no
congelador (D) B
A (absorve calor).

B
A Fig. 15 2 Destaque da parte traseira de um
refrigerador, em que é possível observar a
serpentina, onde é liberado o calor que é
retirado do refrigerador.

Em resumo, o refrigerador funciona retirando calor (Q2) do congelador em D, recebendo um


trabalho (τ) no compressor em A e cedendo uma quantidade de calor (Q1) para o ambiente, em B.

Eficiência de um refrigerador
A eficiência de um refrigerador é a razão entre a energia útil (Q2) retirada da fonte fria e consumi-
da na forma de trabalho (τ). Assim, um refrigerador mais eficiente seria aquele que retirasse o máximo
possível de calor, Q2, da fonte fria, exigindo que o mínimo de trabalho, τ, fosse realizado sobre ele.
A eficiência do refrigerador (η) é dada por:
Q
η5 2
τ
Como Q1 5 Q2 1 τ, temos τ 5 Q1 2 Q2, portanto:

Q2
η5
Q1 2 Q 2

Suponha que um sistema percorra o ciclo de Carnot, mostrado na figura 12, em sentido inverso,
isto é, no sentido DCBA. Nesse caso, em cada ciclo, ele retira um calor Q2 da fonte fria (durante a FRENTE A
transformação DC) e rejeita uma quantidade de calor Q1 para a fonte quente (durante a transforma-
ção BA). A área limitada pelo ciclo representa o trabalho, τ, realizado sobre o sistema. Esse sistema
está funcionando como um refrigerador de Carnot, ou seja, um refrigerador de máxima eficiência.
FÍSICA

Essa eficiência máxima é dada por

T2
η5
T1 2 T2

Máquinas térmicas 15
PARA CONSTRUIR

8 Certa máquina térmica absorve, em cada ciclo, uma quanti- c) Quais as quantidades de calor Q1 e Q2 que a máquina ab-
m dade de calor Q1 5 500 cal e realiza um trabalho τ 5 200 cal. sorve e rejeita?
Ene-5
C 8
H-1 De R 5
τ , temos:
a) Determine o rendimento dessa máquina térmica. Q1
m
Ene-6
C 1 De R 5
τ , vem: Q1 5
τ 5
450
ou Q1 5 1 500 J
H-2 Q1 R 0,30
200
R5 ou R 5 0,40 5 40% Assim, de τ 5Q1 2 Q2, obtemos:
500
Q2 5 Q1 2 τ 5 1 500 2 450 ou Q2 5 1 050 J

b) Suponha que a máquina mencionada operasse entre


10 Um dos motores térmicos de maior rendimento já construí-
duas temperaturas constantes, de 27 °C e 227 °C. Essa má-
m
Ene-6
dos trabalha a temperaturas de 2 000 K (fonte quente) e de
quina contraria o teorema de Carnot? Explique. C 1
H-2 700 K (fonte fria), apresentando um rendimento de 40%. Qual
O rendimento de uma máquina de Carnot, entre essas o rendimento que poderia ser alcançado entre aquelas tem-
m
Ene-5
temperaturas (T1 5 500 K e T2 5 300 K), seria: C 1
H-2
peraturas, se considerássemos esse motor como uma máqui-
T
RM 5 1 2 2 5 1 2 0,60 ou RM 5 40% . Como o rendimento da na de Carnot?
T1 O rendimento máximo RM é dado por:
máquina não é superior a RM, concluímos que ela não contraria o T 700
RM 5 1 2 2 5 1 2
teorema de Carnot. T1 2000
ou
RM 5 0,65 5 65%
Vemos, então, que mesmo os motores de mais alta eficiência
apresentam um rendimento bem menor do que o limite teórico
c) Procure identificar o ciclo que essa máquina está descre- determinado pelo ciclo de Carnot.
vendo.
O fato de ser R 5 RM nos diz que a máquina considerada está
operando segundo um ciclo de Carnot, pois apenas uma máquina
que opere segundo esse ciclo possui o rendimento máximo.
11 Um gás contido em um cilindro com pistom é levado de um
m
Ene-5
estado inicial A até um estado final C, seguindo dois proces-
C 7
H1
- sos distintos, AC ou ABC (veja a figura deste problema). No
m
processo AC, o sistema absorve 300 J de calor.
Ene-6
9 Uma máquina de Carnot apresenta um rendimento de 30% e C 1
H-2
P (104 N/m2)
m
Ene-6
a temperatura de sua fonte quente é 400 K. A potência dessa m
C 1 Ene-6 C
H2
- máquina é de 4,5 kW e ela efetua 10 ciclos/s. C 5
H-2
9,0

m
Ene-5
a) Calcule a temperatura da fonte fria dessa máquina.
C 1 T2 6,0
H-2 De R 5 1 2 , temos (com R 5 0,30): B
T1 A

T2
0,30 5 1 2 ∴ T2 5 280 K
400

0 2,0 4,0 V (1023 m3)

b) Qual o trabalho que a máquina realiza em cada ciclo? a) Calcule o trabalho realizado pelo sistema nos dois processos.
τ AC 5 9,0 ? 10 1 6,0 ⋅ 10
4 4
A máquina realiza um trabalho de 4,5 · 103 J em cada 1,0 s. Logo, ? 2,0 ? 1023 ∴ τ AC 5 150 J
ela realiza esse trabalho em 10 ciclos e, então, o trabalho em 2
cada ciclo é:
τ ABC 5 6,0 ? 104 ? 2,0 ? 10−3 ∴ τ ABC 5 120 J

τ 5 4,5 ⋅ 10 ou τ 5 450 J
3

10

16 Máquinas térmicas
b) Qual é a variação da energia interna do sistema no processo AC?
ΔUAC 5 QAC 2 τAC 5 300 2 150 [ ΔUAC 5 150 J

c) Uma das leis básicas da Termodinâmica afirma que a variação da energia interna do sistema não depende do processo que o
leva de um estado inicial a um estado final. Tendo em vista essa informação, calcule o calor absorvido pelo gás no processo ABC.
ΔUABC 5 150 J. Então, para o processo ABC, tem-se:
150 5 QABC 2 120 [ QABC 5 270 J

12 (AFA-SP) Uma máquina térmica funciona fazendo com que 5 mols de um gás ideal percorram o ciclo ABCDA representado na figura.
m
Ene-5
P (105 N/m2)
C 7
H-1

m B C
Ene-6 2,0
C 1
H-2

m
Ene-5
C 1 1,0
H2
-
A D
m
Ene-6
C 5
H-2

0,2 0,4 V (m3)

Sabendo-se que a temperatura em A é 227 °C, que os calores específicos molares do gás, a volume constante e a pressão constan-
te, valem, respectivamente, 3 R e 5 R e que R vale aproximadamente 8 J/mol ? K, o rendimento dessa máquina, em porcentagem,
está mais próximo de: c 2 2
a) 12. c) 15.
b) 18. d) 21.

O trabalho realizado no ciclo é dado pela área interna da figura:


τ 5 (0,4 2 0,2) ⋅ (2,0 2 1,0) ⋅ 105 ⇒ τ 5 0,2 ⋅ 105 N ⋅ m ⇒ τ 5 2 ⋅ 104 J
Segundo a lei dos gases perfeitos, temos:
PA VA PV PV PV
5 B B 5 C C 5 D D
TA TB TC TD
PA VA PV 1 ? 105 ? 0,2 2 ? 105 ? 0,2
5 B B ⇒ 5 ⇒ TB 5 1 000 K
TA TB 227 + 273 TB

1 ? 105 ? 0,2 2 ? 105 ? 0,4


5 ⇒ TC 5 2 000 K
227 + 273 TC

1 ? 105 ? 0,2 1 ? 105 ? 0,4


5 ⇒ TD 5 1 000 K
227 + 273 TD
O calor trocado em cada transformação é:
3
QAB 5 nC V (TB − TA ) ⇒ QAB 5 5 ⋅ ⋅ 8 ⋅ (1000 2 500) ⇒ QAB 5 3 ⋅ 104 J
2

5
QBC 5 nCP (TC 2 TB ) ⇒ QBC 5 5 ⋅ ⋅ 8 ⋅ (2 000 2 1000) ⇒ QBC 5 1 ⋅ 105 J
2

QCD5 nC V (TD2 TC ) ⇒ QCD , 0

5
QDA 5 nCP (TA 2 TD ) ⇒ QDA 5 5 ⋅
2
⋅ 8 ⋅ (500 2 1000) ⇒ QDA , 0 FRENTE A

Nos trechos CD e DA, o calor é rejeitado pelo gás, logo, para o rendimento, será dado por:

R5
τ ⇒ R5
2 ? 104

QAB 1 QBC 3 ? 104 1 10 ? 104
FÍSICA

⇒ R 5 0,1538 ⇒ R . 15%

Máquinas térmicas 17
13 (IFSC) Você já se perguntou como funciona a geladeira? De que maneira ela consegue diminuir a temperatura dos alimentos? Pelo
m
Ene-5
menos sabe, do ponto de vista físico, explicar o que acontece? A geladeira é uma máquina térmica fria, que transforma trabalho em
C 8
H-1 calor. Como máquina térmica, ela respeita um ciclo de transformações (duas isobáricas e duas adiabáticas), como mostra a figura
m abaixo.
Ene-6
C 1
H-2 P (Pa) Segundo a equação de Clapeyron, temos: PV 5 nRT ⇔ T 5 PV .
nR
m
Ene-6 Logo, vemos que a temperatura é diretamente proporcional ao
C 4
H2
- produto P × V e será menor no final da transformação III.

II

III I

IV

V (L)

Identifique em qual transformação a temperatura do gás atinge o seu menor valor.


Assinale a alternativa correta. d
a) Transformação IV – expansão isobárica. d) Transformação III – expansão adiabática.
b) Transformação I – compressão adiabática. e) Transformação III – compressão adiabática.
c) Transformação II – compressão isobárica.

TAREFA PARA CASA: Para praticar: 6 a 11 Para aprimorar: 5 a 8

ENTROPIA: INDISPONIBILIDADE DA ENERGIA


Irreversibilidade e desordem em um processo natural
Suponha que certa massa de água quente seja misturada com uma porção de água fria. Esse
sistema resultante da mistura termina por alcançar uma temperatura de equilíbrio, que tem o mesmo
valor em qualquer ponto do sistema.
Observe que, antes de ser efetuada a mistura, teria sido possível fazer uma máquina térmica ope-
rar usando as massas de água mencionadas como fonte quente e fria dessa máquina. Isto é, a energia
que foi transferida da massa quente para a fria poderia ter sido usada para a realização de um trabalho
(energia útil).
Entretanto, quando se mistura a água quente com a água fria e é atingida a uniformidade da tem-
peratura do sistema, embora não haja desaparecimento de energia, não é mais possível convertê-la em
trabalho. Isso significa que uma parte da energia do sistema tornou-se indisponível e não podemos
usá-la de forma útil.
Para que aquela parte de energia continuasse disponível para a realização de trabalho, seria neces-
sário que o sistema (suposto isolado) voltasse espontaneamente às condições iniciais, isto é, a mistura
se separasse nas duas porções quente e fria. De nossa experiência diária, sabemos que isso é altamente
improvável de ocorrer. Em outras palavras, dizemos que o processo que levou à homogeneização da
temperatura é irreversível (o ramo da Física denominado Mecânica Estatística modifica a afirmativa
“nunca ocorre” para “é altamente improvável que ocorra”).
Outra maneira de analisar esse processo consiste em observar que o sistema inicialmente encon-
trava-se em condição mais organizada, isto é, de maior ordem, com as moléculas de maior energia
cinética média (água quente) separadas das moléculas de menor energia cinética (água fria). Depois que
ocorre a mistura, o sistema torna-se mais desordenado, com as moléculas distribuídas aleatoriamente,
havendo uma uniformidade da temperatura.

18 Máquinas térmicas
A figura a seguir mostra um recipiente com bolas pintadas de cores diferentes, mas de mesma
massa e diâmetro. Na sequência dos três quadros, temos um processo em que o frasco foi agitado e
as bolas se misturaram. Caso fosse apresentada uma sequência invertida, na qual as bolas inicialmente
misturadas passassem a ficar separadas depois da agitação, você certamente acharia alguma coisa esqui-
sita. Temos a mesma sensação quando assistimos a um filme rodado ao contrário. Isso ocorre quando
deparamos com processos naturais irreversíveis, que não acontecem na sequência invertida no tempo.
FOTOS: SÉRGIO DOTTA

A B C

Fig. 16 – Quando o recipiente é agitado, as bolas diferentes se misturam. Esse processo conduz a um aumento da desordem do sistema, e a continuidade da
agitação não levaria o sistema de volta às condições iniciais (o processo é irreversível).

Outros exemplos
A irreversibilidade do processo e o aumento da desordem do sistema, que conduzem à indispo-
nibilidade de parte de sua energia, são características de qualquer processo que ocorre na natureza.
Um bloco deslizando sobre uma superfície horizontal com atrito, por exemplo, acaba parando
e sua energia é toda dissipada em forma de energia térmica do próprio bloco e da superfície. Esse
processo é irreversível, pois a energia térmica não poderia, espontaneamente, voltar a aparecer como
energia cinética do bloco como um todo, colocando-o em movimento. Isto significa que a energia
cinética do bloco como um todo (ordenada macroscopicamente) se distribuiu, desorganizando-se,
em energia cinética das partículas que constituem o sistema (energia térmica).
Nesse caso, a energia cinética do bloco que poderia ter sido utilizada para realizar um trabalho
útil, agora, sob a forma de energia térmica, perdeu sua capacidade de realizar trabalho, isto é, perdeu
sua disponibilidade.
De maneira geral, ao analisarmos qualquer processo que ocorra na natureza, vamos chegar às
mesmas conclusões. Assim, enquanto você caminha, estuda, cresce, se alimenta, dorme, acende uma
lâmpada ou passeia de automóvel, certa quantidade de energia estará continuamente tornando-se
indisponível para a realização de trabalho, embora a energia total não tenha sido alterada. Costuma-
-se dizer que a energia se degrada ao se transformar em energia térmica.

Entropia
Para expressar quantitativamente essas características dos processos irreversíveis, o físico ale-
FRENTE A
mão Rudolf Clausius, por volta de 1860, introduziu uma nova grandeza, denominada entropia (S).
O valor da entropia varia quando o sistema passa de um estado para outro, e é essa variação, ΔS,
que é importante conhecer, e não o valor S da entropia em cada estado pelo qual o sistema passa
(de maneira semelhante ao que ocorre com a energia potencial, da qual só nos interessa a variação).
FÍSICA

Para um sistema que sofre uma transformação isotérmica, em uma temperatura absoluta T,
absorvendo ou cedendo uma quantidade de calor ΔQ, a variação da entropia do sistema é dada por:
∆Q ∆Q
∆S 5 ou Sf 2 Si 5
T T

Máquinas térmicas 19
Foi convencionado que, quando o sistema recebe calor, temos ΔQ . 0 e consequentemente
temos ΔS . 0, ou seja, a entropia do sistema aumenta. Se o sistema rejeita calor, temos ΔQ , 0 e
ΔS , 0 (a entropia do sistema diminui).
Por exemplo, se um gás sofrer uma expansão isotérmica, na temperatura T 5 300 K, absorvendo
uma quantidade de calor ΔQ 5 900 J, a variação de sua entropia será de:
∆Q 900
∆S 5 5 ou ∆S 5 3,0 J/K
T 300
1
quando o processo não é isotérmico, a deter- isto é, a entropia do gás aumentou de 3,0 J/K. Se aquela quantidade de calor tivesse sido retirada do
minação do valor de ΔS deve ser feita por meio gás, teríamos ΔS 5 23,0 J/K, o que significa que a sua entropia teria diminuído de 3,0 J/K.1
de Cálculo Integral, um ramo da Matemática
que é estudado em cursos superiores.
Princípio de aumento da entropia
Consideremos um sistema que sofra um processo irreversível qualquer. O sistema interage com
a vizinhança e ambos sofrerão variações de entropia. Seja ΔSs a variação da entropia do sistema e ΔSv
a da vizinhança. A variação total de entropia, ΔSt , ocorrida no processo será:
ΔSt 5 ΔSs 1 ΔSv
Observando os fenômenos irreversíveis que ocorrem na natureza, é possível concluir que nesses
processos a entropia total sempre aumenta, isto é, ΔSt . 0. Portanto, a entropia, ao contrário de ou-
tras grandezas, tais como a energia, o momentum, etc., não se caracteriza por uma lei de conservação,
GLOSSÁRIO

Momentum: mas por um princípio de aumento, denominado Princípio de aumento da entropia:


é o momento linear, também deno-
minado quantidade de movimento,
Em todos os processos naturais irreversíveis, a entropia total (do sistema e da vizinhança)
grandeza estudada no módulo 4.
sempre aumenta.

Alguns processos ideais podem ser considerados reversíveis e, nesses processos, a entropia total
não varia, ou seja, ΔSt 5 0.

A “morte térmica” do Universo


Qual seria o significado do aumento de entropia que acompanha todo e qualquer pro-
cesso que ocorre na natureza?
O próprio Clausius já havia mostrado que esse aumento de entropia está relacionado
com o aumento da desordem do sistema e com a perda da oportunidade de converter
energia em trabalho. De fato, é possível mostrar que, quanto maior for o aumento total de
entropia ΔSt , que ocorre em um processo, maior é a quantidade de energia ∆ε que se torna
indisponível para ser convertida em energia útil, embora a energia total envolvida no processo
permaneça constante. Portanto, como havíamos dito, a entropia é uma grandeza apropriada
para caracterizar o grau de desordem e de degradação da energia envolvidos nos processos
irreversíveis e podemos destacar:

A quantidade de energia ∆ε que se torna indisponível em um processo natural é


diretamente proporcional ao aumento total de entropia ΔSt que acompanha o processo.

A tendência de todos os processos naturais 2 como fluxo de calor, mistura, difusão,


entre outros 2 é acarretar uma uniformidade de temperatura, pressão, composição, etc. em
todos os pontos dos sistemas que participam dos processos.
Em cada um desses processos, há um aumento de entropia e um aumento na indispo-
nibilidade da energia. Podemos visualizar um momento, em um futuro distante, no qual todo
o Universo terá atingido um estado de uniformidade absoluta. Se essa situação for alcançada,
ainda que não tenha havido nenhuma alteração no valor da energia total do Universo, todos

20 Máquinas térmicas
os processos físicos, químicos e biológicos terão cessado. Esse fim, para o qual parecemos
caminhar, é comumente conhecido como a morte térmica do Universo.
Essas ideias, que parecem ser uma consequência inevitável do estabelecimento das leis
da Termodinâmica, desde quando foram estabelecidas, têm despertado grande interesse
2 não só nos especialistas, mas em toda a população 2 e já foram usadas como tema em
diversas representações artísticas e literárias, que procuravam descrever possíveis maneiras
pelas quais chegaremos ao fim do mundo.
Mas, assim como a arte se utiliza da ciência como fonte de imaginação, a ciência pode
se utilizar da arte como fonte de informação para estudos científicos.
Pinturas pré-históricas feitas em pedras instigaram o ecologista Justin Yeakel, do Santa
Fe Institute, a traçar uma linha do tempo precisa da extinção de vida animal no Egito. Junto
com sua equipe, ele integrou representações de mamíferos do Egito antigo com evidências
paleontológicas e arqueológicas, para inferir extinções locais e dinâmicas de comunidade em
um período de 6 000 anos.
Não é a primeira vez que uma pintura rupestre foi utilizada para esclarecer um fato cien-
tífico. Em 2010, uma pintura pré-histórica encontrada em uma caverna no norte da Austrália
despertou o interesse de arqueólogos, pois mostrava um pássaro gigante, o qual cientistas
acreditavam ter sido extinto milênios antes do aparecimento do homem no continente.
Com base em: ,http://motherboard.vice.com/read/ancient-paintings-of-animals-help-track-their-extinction..
Acesso em: 29 maio 2015.
REPRODUÇÃO/<HTTPS://WWW.FLICKR.COM/PHOTOS/ISAWNYU/4546286222/>

Fig. 17 – Pinturas no
túmulo de Petosiris,
em Muzawaka,
Egito, 2004. Este
detalhe retrata
várias figuras nuas
e animais, incluindo
um carneiro e
babuínos (que hoje
não se encontram na
região).

PARA CONSTRUIR

14 (UnB-DF) O mundo que nos cerca é caótico, mas podemos namos entropia. A entropia, por sua vez, está relacionada
m tentar limitá-lo no computador. A geometria fractal é uma com a quantidade de informação necessária para caracteri-
Ene-5
C 7
H-1 imagem muito versátil que nos ajuda a lidar com os fenô- zar um sistema. Dessa forma, quanto maior a entropia, mais
menos caóticos e imprevisíveis.  informações são necessárias para descrevermos o sistema.
nem
E -5
C 8
H-1 Benoît Mandelbrot 
A manutenção da vida é um embate constante contra
a entropia. A luta contra a desorganização é travada a cada
m FRENTE A
Ene-6
C 1
O caos e a ordem momento por nós. Desde o momento da nossa concepção,
H2
-
A tendência das coisas de se desordenarem esponta- a partir da fecundação do óvulo pelo espermatozoide, o
neamente é uma característica fundamental da natureza. nosso organismo vai-se desenvolvendo, ficando mais com-
plexo. Partimos de uma única célula e chegamos à fase
FÍSICA

Para que ocorra a organização, é necessária alguma ação


que restabeleça a ordem. Se não houver nenhuma ação nes- adulta com trilhões delas especializadas para determinadas
se sentido, a tendência é que a desorganização prevaleça. funções. Entretanto, com o passar do tempo, o nosso or-
A existência da ordem/desordem está relacionada com ganismo não consegue mais vencer essa batalha. Começa-
uma característica fundamental da natureza que denomi- mos a sentir os efeitos do tempo e a envelhecer. Como a

Máquinas térmicas 21
manutenção da vida é uma luta pela organização, quando a) Calcule a quantidade de calor transferida para a água.
esta cessa, imediatamente o corpo começa a se deteriorar O calor cedido pelo álcool é igual ao recebido pela água:
10 ⋅ 0,6 ⋅ (Tf 2 70) 5 1 ⋅ 106 ⋅ 1 ⋅ (Tf 2 33)
e a perder todas as características que levaram muitos anos
Tf  33 °C
para se estabelecerem.
A quantidade de calor que a gota perde é:
Desde a formação do nosso planeta, a vida somente Qálcool 5 6 (Tf 2 70)
conseguiu desenvolver-se às custas de transformar a ener- Qálcool 5 6 (33 2 70)
gia recebida pelo Sol em uma forma útil, ou seja, uma Qálcool 5 2222 cal
forma capaz de manter a organização. Quando o Sol não
puder mais fornecer essa energia, em 5 bilhões de anos,
não existirá mais vida na Terra. Com certeza, a espécie b) Calcule a variação de entropia do reservatório de água.
humana já terá sido extinta muito antes disso. Sabendo que ΔS > 0, o que se pode concluir da entropia
O Universo também não resistirá ao embate contra o da gota de álcool?
aumento da entropia. Em uma escala inimaginável de tem- A entropia do reservatório é:
∆Ssistema > 0
po de 10100 anos (1 seguido de 100 zeros!), se o Universo
∆Ságua 1 ∆Sálcool > 0
continuar a sua expansão, que já dura 15 bilhões de anos, 222 cal
1 ∆Sálcool > 0
tudo o que conhecemos estará absolutamente disperso. 306 k
A entropia finalmente vencerá ∆Sálcool > 0,725 cal/K
Disponível em: <educacao.aol.com.br>. (Adaptado.)
Considerando o texto, julgue os itens.
a) Em suas várias ocorrências, o termo "entropia" pode ser
substituído por energia sem que se altere o sentido do 16 (UFPB) Todos os anos, diversos pedidos de patentes de novas
texto. m
Ene-5
máquinas são rejeitados por violarem as leis da Termodinâmi-
C 8
b) A entropia mencionada no texto é a que dá aos cientistas a H1
- ca. Em particular, o conceito de entropia é frequentemente o
esperança de criarem motores que funcionem sem com- m ponto central da falha dos projetos dessas máquinas, o que
Ene-6
C 1
bustível, produzindo energia por geração espontânea.   H-2 demonstra a importância da entropia.
c) A energia elétrica que entra em uma residência, registra- Considerando o conceito de entropia, identifique as afirma-
da no medidor em quilowatts-hora (kWh), é transformada
tivas corretas:
em outros tipos de energia: energia luminosa (nas lâmpa-
I. A reversibilidade de um processo termodinâmico é uma
das), energia cinética (no liquidificador), energia térmica
consequência do aumento da entropia.
(no ferro de passar roupas). No entanto, parte dos kWh
II. Alguns processos termodinâmicos, mesmo quando há
cobrados na conta de luz se perde, não se transforma em
conservação da energia, não são possíveis, pois fazem a
energia, sendo essa perda diretamente proporcional ao
consumo. Assim, deve ser feito o esforço para se reduzir entropia do Universo diminuir.
o consumo, pois quem mais consome é quem mais joga III. A entropia é uma medida da desordem do sistema.
fora energia. IV. Quanto maior o número de estados acessíveis a um siste-
ma, maior será a entropia desse sistema.
A afirmativa a está incorreta, pois, se substituirmos energia
V. De acordo com a segunda lei da Termodinâmica, a entro-
por entropia na frase “O Universo também não resistirá ao 
pia de um sistema fechado nunca decresce.
embate contra o aumento da entropia”, haverá violação do
As afirmativas II, III, IV e V estão corretas.
princípio da conservação de energia.
A afirmativa b está incorreta, pois os cientistas  não têm essa 
17 (Uece) Imagine um sistema termicamente isolado, composto
m
Ene-5
por cilindros conectados por uma válvula, inicialmente fe-
esperança por acreditarem no princípio da conservação de energia. C 8
H-1 chada. Um dos cilindros contém um gás perfeito, mantido
A afirmativa c está incorreta devido à frase “na conta de luz se à pressão de 1 atm, e, no outro, tem-se vácuo. Abrindo-se a
m
Ene-6
perde, não se transforma em energia”. A energia não é perdida e, C 1
H2
- válvula: d
sim, transformada. a) o gás se expande e, assim, sua temperatura diminui.
b) a entropia do sistema se mantém constante, pois não há
troca de calor.
15 (UEL-PR) Uma gota de álcool de 10 g, à temperatura de 70 °C, c) a energia interna do gás diminui, porque sua pressão
cai em um reservatório com 1 000 litros de água a 33 °C. diminui.
Dados: calor específico da água: 1,0 cal/g °C; calor específico d) a entropia do sistema aumenta, porque o processo é irre-
do álcool: 0,6 cal/g °C; massa específica da água: 1 000 kg/m3. versível.

16. A afirmativa I está incorreta, pois em to- 17. Quando a válvula é aberta, o gás se expan- TAREFA PARA CASA: Para praticar: 12 a 14
dos os processos naturais irreversíveis de livremente, mas não recebe calor e não
a entropia total sempre aumenta. realiza trabalho, aumentando a entropia do
sistema.
22 Máquinas térmicas
Veja, no Guia do Professor, as respostas da “Tarefa para casa”. As resoluções encontram-se no portal, em Resoluções e Gabaritos.

TAREFA PARA CASA

envolve experimentos com plasma, o quarto estado da


PARA
PARA PRATICAR
PRATICAR matéria e que está presente no processo de ignição. A
interação da faísca emitida pela vela de ignição com as
1 (PUC-RS) Em uma turbina, o vapor de água é admitido a 800 K moléculas de combustível gera o plasma que provoca a
m
Ene-6
e é expulso a 400 K. Se o rendimento real dessa turbina é de explosão liberadora de energia que, por sua vez, faz o
C 1
H-2 80% do seu rendimento ideal ou limite, fornecendo-se 100 kJ de motor funcionar.
m calor à turbina, ela poderá realizar um trabalho igual a:
Ene-5 Disponível em: <www.inovacaotecnologia.com.br>.
C 1
H2
- a) 80 kJ. Acesso em: 22 jul. 2010. Adaptado.
b) 60 kJ. No entanto, a busca da eficiência referenciada no texto apre-
c) 40 kJ. senta como fator limitante:
d) 20 kJ. a) o tipo de combustível, fóssil, que utilizam. Sendo um
e) 10 kJ. insumo não renovável, em algum momento estará es-
gotado.
2 Observando o esquema da máquina de Watt, apresentado b) um dos princípios da Termodinâmica, segundo o qual
m
Ene-6
na figura 3 (página 5), responda: o rendimento de uma máquina térmica nunca atinge o
C 1
H-2 a) Enquanto o pistom está subindo, a válvula A está aberta ideal.
ou fechada? E a válvula B? Explique. c) o funcionamento cíclico de todos os motores. A repetição
b) Explique por que, após atingir a parte mais alta do cilindro, contínua dos movimentos exige que parte da energia seja
o pistom desce, retornando à posição inicial. transferida ao próximo ciclo.
c) Durante a descida do pistom, qual das válvulas está aber- d) as forças de atrito inevitável entre as peças. Tais forças
ta e qual está fechada? provocam desgastes contínuos que com o tempo levam
qualquer material à fadiga e à ruptura.
3 (Fuvest-SP) O desenvolvimento de teorias científicas, geralmen-
e) a temperatura em que eles trabalham. Para atingir o plas-
te, tem forte relação com contextos políticos, econômicos, so-
ma, é necessária uma temperatura maior que a de fusão
ciais e culturais mais amplos. A evolução dos conceitos básicos
do aço com que fazem os motores.
da Termodinâmica ocorre, principalmente, no contexto:
a) da Idade Média. 6 (UEM-PR) O diagrama pressão × volume a seguir ilustra a
b) das Grandes Navegações. m
Ene-5
transformação cíclica que 1,0 mol de gás ideal sofre. Anali-
C 7
c) da Revolução Industrial. H-1 sando o gráfico, dê a soma da(s) proposição(ões) correta(s).
d) do período entre as duas grandes guerras mundiais. m
Ene-6
e) da Segunda Guerra Mundial. C 1
H-2
P (Pa)

4 (UFC-CE) A eficiência de uma máquina de Carnot que opera m


Ene-6
C 5
H-2
m
Ene-5
entre a fonte de temperatura alta (T1) e a fonte de temperatu- A B
C 7 P2
H1
- ra baixa (T2) é dada pela expressão:
m
Ene-6 T2 2 ? 105 T1
C 1
H-2
η 5 12 D C
T1 T2
m
Ene-5 T3
C 1
H-2
em que T1 e T2 são medidas na escala absoluta ou de Kelvin.
Suponha que você dispõe de uma máquina dessas com uma
eficiência h 5 30%. Se você dobrar o valor da temperatura da 1 3 V (m3)
fonte quente, a eficiência da máquina passará a ser igual a:
a) 40%. (01) O gás sofre as transformações termodinâmicas, seguin-
FRENTE A
b) 45%. do o ciclo de Carnot.
c) 50%. (02) A variação da energia interna do gás, quando passa do
d) 60%. estado A para o estado C seguindo o caminho ABC, é
e) 65%. maior do que quando segue o caminho ADC, em um
FÍSICA

processo inverso.
5 (Enem) Aumentar a eficiência na queima de combustí- (04) A pressão em B é 6 · 105 Pa.
m
Ene-5
vel dos motores de combustão e reduzir suas emissões (08) O trabalho realizado no ciclo fechado é 8 · 105 J.
C 8
H-1de poluentes são a meta de qualquer fabricante de mo- (16) A variação da energia interna para ir de D para A se deve
nem
tores. É também o foco de uma pesquisa brasileira que à variação da quantidade de calor.
E -6
C 1
H-2

Máquinas térmicas 23
7 (UENP-PR) Os trens que começaram a cortar todo o terri- 11 (UFSM-RS) Na primeira fase da Revolução Industrial, o proces-
m
Ene-5
tório da Inglaterra a partir da segunda década do século m
Ene-5
so de exploração do carvão, na Inglaterra, foi melhorado com
C 8 C 7
H-1 XIX eram exemplos práticos das máquinas a vapor surgi- H-1 a utilização de máquinas a vapor, para retirar a água acumula-
das com a Revolução Industrial do fim do séc. XVIII. Sobre m da nas minas. Considere uma máquina a vapor representada
m
Ene-6 Ene-5
C 1
H-2 as máquinas térmicas, que convertem calor de uma fonte C 8
H-1 pelo esquema seguinte:
quente e rejeitam energia para a fonte fria, são feitas as m

AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/ARQUIVO DA EDITORA


Ene-6
seguintes afirmações: C 1
H-2 Reservatório térmico T1
I. Um refrigerador é um exemplo de máquina térmica, cuja
Q1
operação tem sentido contrário ao referido no enunciado.
II. Se ocorrer uma transformação isobárica, com expansão τ
volumétrica, o gás realizará um trabalho.
III. Uma máquina térmica recebe 1 000 J de energia na fonte
quente e rejeita 600 J para a fonte fria, então o seu rendi- Q2

mento é de 40%.
IV. O trabalho realizado por um gás, quando submetido a Reservatório térmico T2
uma pressão constante de 2 · 105 N/m2 e com aumento
de 2 m3, vale 4 · 105 J. Q1 é a energia retirada do reservatório de maior temperatu-
Está(ão) correta(s): ra (T1) a cada ciclo. Q2 é a energia cedida ao reservatório de
a) somente I e III. menor temperatura (T2). τ é a energia associada ao trabalho
b) somente II. da máquina sobre a vizinhança. Então, analise as afirmativas:
c) somente III e IV. I. Pela primeira lei da Termodinâmica, em valores absolutos,
d) somente II, III e IV. Q1 1 Q2 5 τ.
e) todas. II. Se o esquema representa uma máquina operando no ci-
clo de Carnot, o ciclo termodinâmico realizado pela subs-
8 Um sistema sofre uma transformação I, representada na figu-
tância de trabalho é formado por duas isotermas e duas
m
Ene-6
ra deste exercício, passando de um estado inicial (i) para um
C 1 adiabáticas.
H-2 estado final (f ).
III. Como o reservatório de temperatura mais alta perde
m P (N/m2)
Ene-6 energia e o reservatório de temperatura mais baixa ganha
C 5
H-2
6,0 ? 105 f energia, T1 diminui e T2 aumenta, por isso, o rendimento
m
Ene-6
C 6 I
diminui com o tempo.
H2
- 4,0 ? 105 II
Está(ão) correta(s):
i
2,0 ? 105 a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas III.
0,10 0,20 0,30 V (m3)
d) apenas I e II.
a) O trabalho, τif , realizado pelo sistema nessa transformação e) apenas II e III.
poderia ser calculado usando a expressãoτif 5 Pi (Vf 2 Vi)?
Por quê? 12 (ITA-SP) Calcule a variação de entropia quando, em um pro-
b) Calcule o valor de τif . m
Ene-6
cesso à pressão constante de 1,0 atm, transforma-se integral-
C 1
H-2 mente em vapor 3,0 kg de água que se encontram inicialmen-
9 No exercício anterior, suponha que o sistema retorne de f te no estado líquido, à temperatura de 100 °C.
m
Ene-5
para i seguindo a transformação II, mostrada na figura. Dado: L Vágua 5 5,4 · 105 cal/kg.
C 1
H-2 a) Calcule o trabalho do sistema nessa transformação.
13 As máquinas a vapor foram um dos motores da Revolução
b) Qual foi o trabalho realizado pelo sistema no ciclo que ele
m
Ene-5
Industrial, que se iniciou na Inglaterra no século XVIII e que
percorreu? C 8
H-1 produziu impactos profundos, em nível mundial, nos meios
c) Indique, na figura, a área que corresponde ao trabalho no
m produtivos, na economia e no modo de vida da sociedade. O
ciclo. Ene-6
C 1
H-2 estudo dessas máquinas, em particular de seu rendimento,
10 Suponha que o gráfico referente ao exercício 8 represente deu sustentação à formulação da segunda lei da Termodinâ-
m o ciclo de uma máquina térmica que retira da fonte quente mica, enunciada por diversos cientistas, de formas pratica-
Ene-5
C 1
H-2 uma quantidade de calor Q1 5 8,0 · 104 J. Determine: mente equivalentes, no século XIX.
a) o rendimento dessa máquina. Com base na segunda lei da Termodinâmica, dê a soma da(s)
b) a quantidade de calor que ela rejeita para a fonte fria. proposição(ões) correta(s).

24 Máquinas térmicas
(01) A maioria dos processos naturais é reversível. Para cada uma das situações seguintes, diga se ela corres-
(02) A energia tende a se transformar em formas menos úteis ponde a um dos tempos de funcionamento do motor e, em
para gerar trabalho. caso afirmativo, qual é o nome dado a esse tempo.
(04) As máquinas térmicas que operam no ciclo de Carnot a) O pistom está se deslocando de N para M, e as válvulas A
podem obter rendimento de 100%. e B estão fechadas.
(08) A expressão "morte do calor do Universo" refere-se a um b) O pistom está se deslocando de M para N, e apenas a vál-
suposto estado em que as reservas de carvão, de gás e vula A está aberta.
de petróleo teriam se esgotado. c) O pistom está se deslocando de N para M e as duas válvu-
(16) O calor não transita naturalmente dos corpos com tem- las estão abertas.
peratura menor para os corpos com temperatura maior.
(32) O princípio de funcionamento de uma geladeira viola a 4 (AFA-SP) Com relação às máquinas térmicas e a segunda lei
segunda lei da Termodinâmica. m
Ene-5
da Termodinâmica, analise as proposições a seguir.
C 8
(64) A entropia de um sistema isolado tende sempre a au- H-1 I. Máquinas térmicas são dispositivos usados para converter
mentar. m energia mecânica em energia térmica com consequente
Ene-6
C 1
14 Uma certa massa de gelo a 0 °C, ao se fundir, transforma-se em H-2 realização de trabalho.
m água, também a 0 °C (a transformação é isotérmica). Nesse pro- II. O enunciado da segunda lei da Termodinâmica, proposto
Ene-6
C 1
H-2 cesso, o gelo absorve uma quantidade de calor igual a 80 cal/g. por Clausius, afirma que o calor não passa espontanea-
a) Calcule a variação de entropia de um sistema constituído mente de um corpo frio para um corpo mais quente, a
por 20 g de gelo a 0 °C, ao se transformar em água, tam- não ser forçado por um agente externo, como é o caso do
bém a 0 °C. Essa variação é positiva ou negativa? refrigerador.
b) A entropia da vizinhança do sistema aumentou, diminuiu III. É possível construir uma máquina térmica que, operan-
ou não variou? do em transformações cíclicas, tenha como único efeito
transformar completamente em trabalho a energia térmi-
PARA
PARA APRIMORAR
PRATICAR ca de uma fonte quente.
IV. Nenhuma máquina térmica operando entre duas tempera-
1 Um motor a gasolina consome 10 L de combustível por hora. turas fixadas pode ter rendimento maior que a máquina ideal
m
Ene-6
Sabe-se que o calor de combustão da gasolina (calor libera- de Carnot, operando entre essas mesmas temperaturas.
C 1
H-2 do quando ela se queima) é de 11 kcal/g e que sua densida- São corretas apenas:
m de é 0,68 g/cm3. a) I e II
Ene-5
C 1
H-2 a) Qual a quantidade de calor liberado pela gasolina durante b) II e III
2,0 h? c) I, III e IV
b) Sabendo-se que o motor desenvolve uma potência de d) II e IV
20 kW, qual é o seu rendimento? (1 cal 5 4,2 J)
5 (UPE) Uma máquina térmica opera de acordo com o ciclo
2 (Escola Naval-RJ) Uma máquina térmica, funcionando entre m
Ene-5
dado pela figura a seguir, onde possui duas curvas adiabáti-
C 7
m
Ene-6
as temperaturas de 300 K e 600 K, fornece uma potência útil, H-1 cas, AB e CD. De B para C, o calor é absorvido da fonte quente.
C 1
H-2 Pu, a partir de uma potência recebida, Pr. O rendimento dessa m Considerando que o gás utilizado pela máquina é ideal, assina-
Ene-6
máquina corresponde a 4 do rendimento máximo previsto le a alternativa que mostra o rendimento dessa máquina.
C 1
m H-2
Ene-5
C 1
H-2
5
pela máquina de Carnot. Sabendo que a potência recebida é m
Ene-5
P
C 1
H-2
de 1 200 W, a potência útil, em watt, é:
m B C
a) 300. c) 500. e) 960. Ene-6
C 5
P1
H-2
b) 480. d) 600.
3 Na figura deste exercício, reproduzimos o esquema de um
D
m
Ene-5
motor de explosão onde A é a válvula de admissão e B a de
C 8
FRENTE A
H1
- escapamento. Nesta figura, M representa a posição mais alta
A
m do pistom e N sua posição mais baixa.
Ene-6 0
C 1 VB VC V0 V
H-2
AVITS ESTÚDIO GRÁFICO/
ARQUIVO DA EDITORA

V
a)  V  γ V  
γ b)  V  γ γ
V  
FÍSICA

M
B A  C  2  B    C  2  B  
V   V0   V   V0  
1 2 1  0  1 2 γ  0
γ V C V VC V 
N  2 B   2 B 
 V0 V0   V0 V0 

Máquinas térmicas 25
c)   d)   e) γ
VC V VC V 12
 2 B   2 B   VC 
γ
 VB 
γ
V0 V0 V0 V0
1 2 1  
γ  1 2 γ  
γ 
 V  2  V 
γ  V γ    
γ
 
 C 2 VB 
0 0
 VC 2 VB 
  V0   V  
0    V0   V  
0 

6 (ITA-SP) Três processos compõem o ciclo termodinâmico ABCA mostrado no diagrama P · V da figura. O processo AB ocorre à
m
Ene-5
temperatura constante. O processo BC ocorre a volume constante com decréscimo de 40 J de energia interna e, no processo CA,
C 7
H-1 adiabático, um trabalho de 40 J é efetuado sobre o sistema.
m
Ene-6 P
C 1 A
H2
-

m
Ene-5
C 1
H-2

m
Ene-6
C 5
H-2

Sabendo também que, em um ciclo completo, o trabalho total realizado pelo sistema é de 30 J, calcule a quantidade de calor
trocado durante o processo AB.

7 Um refrigerador rejeita para o ambiente uma quantidade de calor Q1 5 800 cal, durante certo intervalo de tempo.
a) Nesse intervalo, a quantidade de calor Q2 que ele retira do seu interior é maior, menor ou igual a 800 cal?
b) Supondo que o refrigerador apresente uma eficiência η 5 3,0, calcule o valor de Q2.

8 Tendo em vista as respostas do exercício anterior, responda à seguinte questão: uma pessoa desejava esfriar uma sala na qual
existia uma geladeira em funcionamento. Para isso, fechou as portas e janelas da sala e abriu a porta da geladeira. Com esse pro-
cedimento a pessoa alcançou seu objetivo? Explique.

ANOTAÇÕES

26 Máquinas térmicas
Veja, no Guia do Professor, as respostas da “Revisão”. As resoluções encontram-se no portal, em Resoluções
e Gabaritos.

REVISÃO
1 A Petrobras é uma empresa que nasceu 100% nacional, 2 (AFA-SP) Um gás ideal monoatômico sofre as transforma-
m
Ene-5 em 1953, como resultado da campanha popular que co- ções AB e BC representadas no gráfico P × V a seguir.
C 7
H-1
meçou em 1946 com o histórico slogan “O petróleo é nos- P
m B
Ene-5
C 8
so”. Ao longo desses sessenta anos, a Petrobras superou 2P
H-1
vários desafios e desenvolveu novas tecnologias relacio-
m
n e
E -6
C 1
nadas à extração de petróleo, assim como produtos de
H-2 A C
altíssima qualidade, desde óleos lubrificantes até gasolina P
m
Ene-6
C 5
para a Fórmula 1. Em 1973, a crise do petróleo obrigou
H-2
a Petrobras a tomar algumas medidas econômicas, entre
elas, investir em um álcool carburante como combustí- V 2V V
vel automotivo, o etanol, através do programa Pró-Álcool.
Analisando o gráfico, pode-se afirmar que na transformação
Sendo assim, além do diesel, da gasolina comum, da ga-
a) AB o gás recebe calor do meio externo.
solina aditivada e da gasolina de alta octanagem, a Petro- b) BC a energia interna do gás aumenta.
bras oferece o etanol como combustível automotivo. c) AB o gás perde calor para o meio externo.
Os automóveis atuais no Brasil são praticamente todos d) BC a energia interna do gás diminui.
flex, ou seja, funcionam tanto com gasolina quanto com
3 (Unicamp-SP) Com a instalação do gasoduto Brasil-Bolí-
etanol. Claro que o desempenho do automóvel muda
m
Ene-6
via, a quota de participação do gás natural na geração de
dependendo do combustível utilizado. A tabela abaixo C 1
H-2 energia elétrica no Brasil será significativamente amplia-
apresenta as principais propriedades da gasolina e do da. Ao se queimar 1,0 kg de gás natural, obtêm-se 5,0 ·
m
etanol e explica, em parte, a diferença de desempenho Ene-5
C 1
H-2
· 107 J de calor, parte do qual pode ser convertido em
entre os combustíveis. trabalho em uma usina termoelétrica. Considere uma
usina queimando 7 200 quilogramas de gás natural por
Gasolina Etanol
hora, à temperatura de 1 227 °C. O calor não aproveitado
Poder calorífico (MJ/L) 35,0 24,0 na produção de trabalho é cedido para um rio de vazão
5 000 L/s, cujas águas estão inicialmente a 27 °C. A maior
Calor latente de vaporização (kJ/kg) 376 , 502 903 eficiência teórica da conversão de calor em trabalho é
T
Temperatura de ignição (°C) 220 420 dada por η 5 12 mín. , sendoTmín. e Tmáx. as temperaturas
Tmáx.
Razão estequiométrica ar/ absolutas das fontes quente e fria, respectivamente, am-
14,5 9
combustível bas expressas em kelvin. Considere o calor específico da
Fonte: Goldemberg & Macedo. (Adaptado.) J
água c 5 44000 .
Independentemente do projeto do motor 4 tempos, al- kg °C
guns parâmetros são iguais. Por exemplo, a temperatura a) Determine a potência gerada por uma usina cuja efi-
média da câmara de combustão é de 280 °C (fonte quen- ciência é metade da máxima teórica.
te) e a temperatura média do sistema de arrefecimento é b) Determine o aumento de temperatura da água do rio
de 80 °C (fonte fria). ao passar pela usina.
a) Apresente de maneira esquemática o fluxo de ener- 4 (Enem)
gia (calor) de um motor 4 tempos, que é considerado m Um motor só poderá realizar trabalho se receber
Ene-5
C 8
uma máquina térmica quente.
FRENTE A
H1
- uma quantidade de energia de outro sistema. No caso,
b) Considere o motor 4 tempos como ideal. Com base m a energia armazenada no combustível é, em parte, libe-
Ene-6
nos dados do enunciado, determine qual seria o seu C 1
H-2
rada durante a combustão para que o aparelho possa
rendimento, apresentando todos os cálculos. funcionar. Quando o motor funciona, parte da energia
convertida ou transformada na combustão não pode
FÍSICA

c) Com base no rendimento de 20% de um motor 4


ser utilizada para a realização de trabalho. Isso significa
tempos, determine a quantidade de etanol necessária
dizer que há vazamento da energia em outra forma.
para obter a mesma quantidade de energia útil que CARVALHO, A. X. Z. Física Térmica.
cada litro de gasolina disponibiliza. Belo Horizonte: Pax, 2009. (Adaptado).

Máquinas térmicas 27
De acordo com o texto, as transformações de energia que luz, com temperaturas caindo em direção à sombra e
ocorrem durante o funcionamento do motor são decor- subindo em direção à luz. A temperatura média varia
rentes da: entre 231 °C e 212 °C, mas as temperaturas reais po-
a) liberação de calor dentro do motor ser impossível. dem ser muito maiores na região de frente para a estrela
b) realização de trabalho pelo motor ser incontrolável. (até 70 °C) e muito menores na região contrária (até
c) conversão integral de calor em trabalho ser impos- 240 °C). A gravidade no Gliese 581g é semelhante à da
sível. Terra, o que significa que um ser humano conseguiria
d) transformação de energia térmica em cinética ser im- andar sem dificuldades. Os cientistas acreditam que o
possível. número de exoplanetas potencialmente habitáveis na Via
e) utilização de energia potencial do combustível ser in- Láctea pode chegar a 20%, dada a facilidade com que
controlável. Gliese 581g foi descoberto. Se fossem raros, dizem os
astrônomos, eles não teriam encontrado um tão rápido
5 (Ufal) A cada ciclo de funcionamento, o motor de um e tão próximo. No entanto, ainda vai demorar muito até
m
Ene-6 certo automóvel retira 40 kJ do compartimento da fonte que o homem consiga sair da Terra e comece a colonizar
C 1
H-2 quente, onde se dá a queima do combustível, e realiza outros planetas fora do sistema solar.
m
Ene-5
10 kJ de trabalho. Sabendo que parte do calor retirado da Revista VEJA,
C 1
2 fonte quente é dispensado para o ambiente (fonte fria) a 2 185. Ed., ano 43, n. 40. 6 out. 2010.
H-
uma temperatura de 27 °C, qual seria a temperatura no Suponha que uma máquina de Carnot seja construída uti-
compartimento da fonte quente se esse motor operasse lizando como fonte fria o lado do planeta Gliese 581g que
segundo o ciclo de Carnot? nunca recebe luz e como fonte quente o lado que sempre
Dado: considere que as temperaturas em graus centí- recebe luz. A temperatura da fonte fria Tf 5 240 °C e da
grados, TC, e Kelvin, T, relacionam-se através da expres- fonte quente Tq 5 70 °C. A cada ciclo a máquina retira da
são TC 5 T − 273. fonte quente 1 000 J de calor. Considerando que a máqui-
a) 127 °C c) 227 °C e) 377 °C na trabalha com um gás ideal, leia os itens abaixo:
b) 177 °C d) 277 °C I. A máquina pode ser representada por um ciclo com
duas transformações adiabáticas reversíveis e duas
6 (Mack-SP) Um gás, contido em um recipiente dotado de transformações isotérmicas reversíveis.
m
Ene-6 um êmbolo que pode se mover, sofre uma transforma- II. Se o ciclo dessa máquina consiste de uma expansão
C 1
H-2 ção. Nessa transformação, fornecemos 800 cal ao gás, e isotérmica, uma expansão adiabática, uma compres-
Ene-5
m ele realiza o trabalho de 209 J. Sendo 1 cal 5 4,18 J, o são isotérmica e uma compressão adiabática, respec-
C 1
H -2 aumento da energia interna desse gás foi de: tivamente, então, ocorre transformação de calor em
a) 209 J. c) 3 344 J. e) 3 762 J. trabalho útil.
b) 3 135 J. d) 3 553 J. III. O rendimento da máquina é maior do que 40%.
IV. A cada ciclo uma quantidade de calor maior que 700 J
7 (UFT-TO) Leia o texto para responder à questão: é rejeitada para a fonte fria.
m
Ene-5 Equipe de cientistas descobre o primeiro exoplane- Marque a opção correta:
C 7
H-1 ta habitável a) I e III são verdadeiras. d) III e IV são verdadeiras.
m
Ene-5
O primeiro exoplaneta habitável foi encontrado de- b) I e II são verdadeiras. e) II e IV são verdadeiras.
C 8
H-1 pois de observações que duraram 11 anos, utilizando c) I e IV são verdadeiras.
m
Ene-6
uma mistura de técnicas avançadas e telescópios conven-
C 1
H-2 cionais. A equipe descobriu mais dois exoplanetas orbi- 8 (UFPB) Uma máquina térmica opera usando um gás ideal
m tando em volta da estrela Gliese 581. O mais interessan- m monoatômico, de acordo com o ciclo representado na
Ene-5 Ene-5
C 1
H-2 te dos dois exoplanetas descobertos é o Gliese 581g, C 7
H-1 figura abaixo.
com uma massa três vezes superior à da Terra e um pe- m
Ene-5 P (105 N/m2)
ríodo orbital (tempo que o planeta leva para dar uma C 8
H-1
volta completa em torno de sua estrela) inferior a 37 A B
m
dias. O raio da órbita do Gliese 581g é igual à 20% do Ene-6 4
C 1
H-2
raio da órbita da Terra, enquanto sua velocidade orbital
m
é 50% maior que a velocidade orbital da Terra. O Gliese Ene-6
C 4
H2
- 2
581g está “preso” à estrela, o que significa que um lado D C
do planeta recebe luz constantemente, enquanto o outro
é de perpétua escuridão. A zona mais habitável na su-
perfície do exoplaneta seria a linha entre a sombra e a 3 5 V (m3)

28 Máquinas térmicas
Sabendo que a temperatura de operação da máquina no Está correto apenas o que se afirma em:
ponto B é de 500 K, classifique cada afirmação a seguir Dados: o gás deve ser tratado como ideal; a transforma-
como verdadeira (V) ou falsa (F): ção B → C é isotérmica.
I. O trabalho realizado pela máquina térmica em um ci- a) I.
clo é de 4 · 105 J. b) II.
II. A eficiência dessa máquina é igual à eficiência de uma c) III.
máquina operando segundo o ciclo de Carnot. d) I e II.
III. A menor temperatura atingida durante o ciclo de ope- e) II e III.
ração da máquina é de 100 K.
IV. Para uma máquina térmica ideal que trabalhe entre as 11 (UPE) Com base nas leis da Termodinâmica, analise as afir-
temperaturas de operação do ciclo representado na mativas a seguir:
m
Ene-5
C 8
figura, a maior eficiência possível é de 0,7. I. Existem algumas máquinas térmicas que, operando
H-1

V. A variação de energia interna em um ciclo completo é


m
Ene-6
em ciclos, retiram energia, na forma de calor, de uma
C 1
nula. H-2 fonte, transformando-a integralmente em trabalho.
II. Não existe transferência de calor de forma espontânea
9 (Cefet-MG) Um motor de avião com funcionamento a de um corpo de temperatura menor para outro de
m
Ene-6 querosene apresenta o seguinte diagrama por ciclo. temperatura maior.
C 1
H-2 III. Refrigeradores são dispositivos que transferem ener-
m
Ene-5
gia na forma de calor de um sistema de menor tem-
C 1
H-2 peratura para outro de maior temperatura.
Está(ão) correta(s):
MOTOR 4 000 J a) apenas I.
b) apenas II.
c) apenas I e III.
d) apenas II e III.
8 000 J e) I, II e III.
A energia, que faz a máquina funcionar, provém da quei-
12 (ITA-SP) Considerando um buraco negro como um sis-
ma do combustível e possui um valor igual a 6,0 · 104 J/kg. m
Ene-5 tema termodinâmico, sua energia interna U varia com
A quantidade de querosene consumida em cada ciclo, em C 1
H-2 a sua massa M de acordo com a famosa relação de
kg, é:
m
Ene-6
Einstein: ΔU 5 ΔM · c2. Stephen Hawking propôs que
a) 0,070. d) 7,5. C 1
H-2 a entropia S de um buraco negro depende apenas de
b) 0,20. e) 15.
sua massa e de algumas constantes fundamentais
c) 5,0.
da natureza. Dessa forma, sabe-se que uma variação de
10 (Fuvest-SP) Certa quantidade de gás sofre três transfor- massa acarreta uma variação de entropia dada por:
m
Ene-5
mações sucessivas, A → B, B → C e C → A, conforme o ∆S 5 8pG GMkB . Supondo que não haja realização de
C 7
H-1 diagrama P × V apresentado na figura abaixo. ∆M hc
m P
trabalho com a variação de massa, assinale a alternati-
Ene-6 C
C 1
H-2
va que melhor representa a temperatura absoluta T do
m
buraco negro.
Ene-6
C 5
H-2 hc 3
a) T 5
GMkB
A B Mc 2
b) T 5 8pM
kB
V FRENTE A
Mc 2
c) T 5
A respeito dessas transformações, afirmou-se o seguinte: 8pkkB
I. O trabalho total realizado no ciclo ABCA é nulo.
d) T 5 hc 3
II. A energia interna do gás no estado C é maior que no
FÍSICA

8pG
GMkB
estado A.
III. Durante a transformação A → B, o gás recebe calor e hc 3
e) T 5 8ph
realiza trabalho. GMkB

Máquinas térmicas 29
13 (UFSM-RS) Uma das maneiras de se obter sal de cozinha é a sua extração a partir de sítios subterrâneos. Para a realização
m
Ene-5 de muitas das tarefas de mineração, são utilizadas máquinas térmicas, que podem funcionar, por exemplo, como motores
C 8
H-1 para locomotivas, bombas de água e ar e refrigeradores. A respeito das propriedades termodinâmicas das máquinas tér-
e m
En -6
micas, qual das alternativas é INCORRETA?
C 1
H-2 a) O rendimento de uma máquina térmica funcionando como motor será máximo quando a maior parte da energia retirada
da fonte quente for rejeitada, transferindo-se para a fonte fria.
b) Uma máquina térmica funcionando como refrigerador transfere energia de uma fonte fria para uma fonte quente
mediante realização de trabalho.
c) Máquinas térmicas necessitam de duas fontes térmicas com temperaturas diferentes para operar.
d) Dentre as consequências da segunda lei da Termodinâmica, está a impossibilidade de se construir uma máquina
térmica com rendimento de 100%.
e) Todas as etapas de uma máquina térmica operando no ciclo de Carnot são reversíveis.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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ALVES, R. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. São Paulo: Loyola, 2000.
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TIPLER, P. A. Física. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1978.

30 Máquinas térmicas
MAIS ENEM
Ciências Humanas e suas Tecnologias
Ciências da Natureza e suas Tecnologias
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias
Matemática e suas Tecnologias

No dia 18 de maio de 2013, um abalo sísmico, com magnitude de 5,9 graus na escala Richter, atingiu a Fukushima, no Japão. Dessa vez,
não houve danos, nem vítimas e nem tsunami provocados pelo tremor. Diferente do que ocorreu em 2011, quando no dia 11 de março, às
14:46 h (2:46 h no horário de Brasília), um terremoto, com magnitude 8,9 graus na escala Richter, atingiu o Japão. O epicentro do terremoto foi
no Oceano Pacífico, a 24 km de profundidade, distante cerca de 130 km da costa japonesa, próximo a cidade de Sendai, que tinha cerca de 1
milhão de habitantes na época. Aproximadamente 1 hora depois do primeiro abalo sísmico, a central nuclear de Fukushima foi atingida por
um tsunami, com ondas maiores do que 10 metros de altura, que ultrapassaram o dique da usina, desativando os geradores de emergência, os
quais mantinham as bombas de água funcionando para resfriar o reator nuclear. Esse foi o maior terremoto já registrado pelo governo japonês,
que contabilizou mais de 20 mil mortos ou desaparecidos.
LUIS MOURA/ARQUIVO DA EDIORA

Vaso de contenção

Reator
Pressurizador Vapor
(75 atm, 285 °C)

Turbinas
Transmissão de eletricidade
Barras de
controle
Torre de
Gerador elétrico resfriamento

Combustível Água (. 25 °C)


nuclear
Água (. 35 °C)

Condensador

Fig. 1 – Diagrama de funcionamento do reator BWR – reator a água fervente.

1 A Central Nuclear de Fukushima-Daiichi é composta por seis reatores de água fervente (BWR – Boil Water Reactor) em prédios separa-
dos, cujo diagrama de funcionamento está representado na figura 1, que foram projetados pela empresa General Electric (GE) e atual-
mente são mantidos pela Tokyo Electric Power Company (TEPCO). Considerando a central nuclear de Fukushima como uma máquina
térmica, que transforma energia térmica em trabalho mecânico, assinale a alternativa correta: c
a) O calor removido do vaso de pressão do reator sob a forma de vapor é utilizado integralmente para produzir trabalho nas turbinas.
b) A usina nuclear pode ser considerada um motor a combustão, uma vez que o calor vem de reações químicas que ocorrem no vaso de
pressão, onde os núcleos radioativos liberam energia térmica.
c) O reservatório quente da máquina térmica é identificado como sendo o reator, que gera um circuito de vapor responsável por acionar
as turbinas, que acionarão outro circuito gerador de energia elétrica.
d) O vapor de água produzido no sistema secundário é, então, transformado em água através de um sistema de condensação, o que faz
com que a central nuclear tenha eficiência máxima (100%) devido ao circuito ser fechado, o que evita trocas de calor com o meio am-
biente.
e) Para condensar o vapor, utiliza-se uma fonte fria, que é a água vinda do oceano, que será previamente filtrada para retirada do sal antes
de ser misturada ao circuito primário.

31
QUADRO DE IDEIAS

Máquinas
térmicas
Direção de conteúdo e inovação pedagógica:
Mário Ghio Júnior
Direção: Carlos Roberto Piatto
Direção editorial: Lidiane Vivaldini Olo
A máquina A 2a lei da Diagrama Refrigerador Entropia Conselho editorial: Bárbara Muneratti de Souza Alves,
de Watt Termodinâmica P×V Carlos Roberto Piatto, Daniel Augusto Ferraz Leite,
Eduardo dos Santos, Eliane Vilela, Helena Serebrinic,
Lidiane Vivaldini Olo, Luís Ricardo Arruda de Andrade,
Marcelo Mirabelli, Marcus Bruno Moura Fahel,
Locomotiva Ciclo de Marisa Sodero Cardoso, Ricardo Leite,
Rendimento Ricardo de Gan Braga, Tania Fontolan
a vapor Carnot Eficiência
Gerência editorial: Bárbara Muneratti de Souza Alves
Coordenação editorial: Adriana Gabriel Cerello
Edição: Tatiana Leite Nunes (coord.), Pietro Ferrari
Turbina a Assistência editorial: Rodolfo Correia Marinho
vapor Revisão: Hélia de Jesus Gonsaga (ger.),
Danielle Modesto, Edilson Moura, Letícia Pieroni,
Marília Lima, Tayra Alfonso, Vanessa Lucena
Coordenação de produção:
O motor a Fabiana Manna da Silva (coord.);
explosão Adjane Oliveira, Dandara Bessa
Supervisão de arte e produção: Ricardo de Gan Braga
Edição de arte: Daniela Amaral
Diagramação: Antonio Cesar Decarli,
Claudio Alves dos Santos, Fernando Afonso do Carmo,
Flávio Gomes Duarte, Kleber de Messas
Iconografia: Sílvio Kligin (supervisão),
Marcella Doratioto; colaboração: Fábio Matsuura,
Fernanda Siwiec, Fernando Vivaldini
Licenças e autorizações: Edson Carnevale
Capa: Daniel Hisashi Aoki
Foto de capa: D. Usher/Alamy/Latinstock
Projeto gráfico de miolo: Daniel Hisashi Aoki
Editoração eletrônica: Casa de Tipos

Todos os direitos reservados por SOMOS Educação S.A.


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Pinheiros – São Paulo – SP
CEP: 05425-902
(0xx11) 4383-8000
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Sistema de ensino ser : ensino médio, caderno 8 :


exatas, biológicas : aluno. -- 1. ed. --
São Paulo : Ática, 2015.
Vários autores.
1. Álgebra (Ensino médio) 2. Biologia (Ensino
médio) 3. Física (Ensino médio) 4. Geometria (Ensino
médio) 5. Química (Ensino médio).

15-06728 CDD-373.19

Índices para catálogo sistemático:


1. Ensino integrado : Livros-texto : Ensino médio 373.19
2015
ISBN 978 85 08 17565-9 (AL)
ISBN 978 85 08 17570-3 (PR)
1ª edição
1ª impressão

Impressão e acabamento

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