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MÓDULO III:

CURADORIA

Karina Alves Teixeira (12 horas/aula)

O módulo Curadoria tem como área-tema a comunicação


museológica. Dentro deste campo, este curso apresenta
processo de concepção e montagem de exposições, enquanto
uma das ações do processo curatorial em museus. O enfoque
será direcionado à pesquisa e aos processos de comunicação,
propiciando uma visão abrangente do significado de
curadoria, atividade esta, presente em todas as etapas de
tratamento de acervos e coleções, e que envolvem também a
pesquisa e a educação.
Módulo III: Curadoria

Módulo III: Curadoria


C U R S O D E C A PAC I TA Ç Ã O PA R A M U S E U S

I N T RO D U Ç Ã O |

Os termos curador e curadoria ganharam, ao longo do tempo, uma grande valorização,


atribuindo a este profissional e atividade um papel central, e mesmo uma posição de muito
prestígio. O trabalho do curador ganhou grande visibilidade graças ao enfoque direcionado
a este profissional no campo da arte e da crítica de arte, ou ainda, pela atividade
relacionada a criação e coordenação de exposições. Contudo, a curadoria constitui-se em
uma área de atuação mais ampla, especialmente dentro de instituições museológicas, onde o
sentido de curadoria envolve, antes de qualquer coisa, a seleção, pesquisa e compreensão de
um patrimônio cultural preservado visando sua extroversão e fruição à sociedade, comumente
chamada de público.
Preservar e comunicar o patrimônio cultural são as duas principais funções de um museu. O
museu é entendido como o local privilegiado para guarda dos testemunhos materiais e
imateriais, produzidos pelo homem e pela natureza. Para tanto, os museus desenvolvem ações
de preservação, investigação e comunicação dos bens culturais. Isto significa selecionar,
coletar, adquirir, acondicionar e conservar, documentar e comunicar o conhecimento e as
relações sociais que produziram tais bens culturais. A pesquisa ou a investigação permeia
todas as atividades do museu. A comunicação se realiza por meio de exposições, publicações,
ações educativas e culturais. A curadoria faz parte de todas essas etapas, desde a seleção
para aquisição de bens, de modo a formar/integrar o acervo de um museu, passando por
uma complexa cadeia, até chegar a uma das formas de comunicação/extroversão dos bens
culturais em questão.
No seu bojo, todas estas atividades que permeiam a curadoria de acervos e o próprio papel
do museu, trazem uma grande responsabilidade na medida em que envolvem a construção de
conhecimento, de discursos e identidades socioculturais e, portanto, um sentido de ética e
reflexão constante em suas ações diárias.
Este curso tem o objetivo de apresentar as premissas que envolvem a curadoria e os processos
curatoriais dentro da cadeia museológica. Assim, será priorizado o processo de produção de
conhecimento dentro do museu, fundamentado na pesquisa de suas coleções e acervos, como
também, nas diversas atividades do museu, culminando no seu processo de comunicação, com
maior enfoque nas exposições museológicas, já que o processo curatorial tem como seu
principal canal de comunicação as exposições.

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I . A S U B S T Â N C I A P R I N C I PA L D O M U S E U |

homem no mundo e com o mundo.


A necessidade fez o homem trabalhar e, trabalhando, ele foi transformando e,
ao transformar, ele criou a cultura.
Mas o que faz parte da natureza e o que é cultura?
Ah! As roupas que os índios vestem são cultura.
Ora, as penas dos cocares, não são dos pássaros? E os pássaros, não são
da natureza? Enquanto estão nos pássaros, sim.
Mas a partir do momento que o índio caçou o pássaro com seu arco e flecha,
matou e tirou as penas e as transformou em cocar, fez cultura.
E porque continuar com o arco e flecha se posso produzir uma espingarda?
Eu sou um homem criador, transformador, planejador, posso usar a minha
inteligência em proveito próprio, ao contrário do gato, que sempre irá caçar
da mesma maneira, ou seja, por instinto, por sobrevivência.
As possibilidades de transformar a matéria da natureza com o trabalho,
mediante intenção, planejamento, são características exclusivas do ser
humano. E cada um, com suas necessidades, transformam-na de uma
maneira. O homem primitivo, para cozinhar, necessitou de um utensílio. A
partir dessa necessidade, transformou o barro em uma panela. O gaúcho, no
sul do país, tinha frio e transformou o couro dos animais em agasalhos.
São padrões de comportamento que manifestam a cultura de um grupo.
Os Círculos de Cultura trabalhados por Paulo Freire tinham a intenção de que
o analfabeto passasse por este processo de interiorização dos conceitos,
antes do processo de alfabetização. O povo tem que ter consciência da sua
pessoa, do seu poder de transformação e essa consciência se dá por meio
do diálogo, das trocas. Depois se inicia o processo de alfabetização. O
homem, agora, reflete sobre a sua capacidade de pensar, sobre a sua
posição no mundo, sobre o mundo, sobre seu trabalho, sobre seu poder de
transformar o mundo.

Dilneia Ciseski Zanelato


A Cultura sob o Olhar das Artes Plásticas
http://www.veracruz.edu.br/palavradeprofessor/2004/artes1.htm

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I. Cultura, Patrimônio, Memória e Poder


Avançando gradualmente ela afirma que "a museologia é uma disciplina
científica e é uma ciência em construção." O seu objeto específico de estudo, diz ela, "é
uma coisa chamada simplesmente de fato museológico". Em seguida buscando
explicitar o conceito introduzido ela indica que "o fato museológico é uma relação
profunda entre o homem, sujeito que conhece, e o objeto, testemunho da realidade.
Uma realidade da qual o homem também participa e sobre a qual ele tem o poder de
agir, de exercer a sua ação modificadora."(1984, 60)

Travando batalha intelectual com o que denomina de "restos de uma velha


museologia muito pouco científica (...) que faz questão de colocar a museologia como
ciência dos museus", Rússio lança mão de uma argumentação irônica sustentada por M.
Schreiner e A. Gregorová que diz que por esse caminho seríamos levados ao
entendimento de que a medicina é a ciência dos hospitais e a pedagogia é a ciência das
escolas.

O curioso, no entanto, é que depois de ter dado um imenso salto conceitual com
surpreendentes e inovadoras implicações práticas, Rússio parece realizar um recuo
tático: o "fato museológico", diz ela, "se faz num cenário institucionalizado, e esse
cenário é o museu." Esse aparente recuo não impede que ela realize um novo avanço,
já agora em outra direção: a institucionalização passa a implicar menos "um
reconhecimento de quem cria, implanta ou instala um museu" e mais "um
reconhecimento pela comunidade", origem e alvo do museu. Este pensamento
desdobra-se na assertiva: "é tempo de fazer museu com a comunidade e não para a
comunidade." (1984, 60)

O próximo passo de Rússio é discutir a musealização. Em seu entendimento a


recolha de objetos e a musealização, "uma das formas de preservação", estão baseadas
em critérios de testemunhalidade, de documentalidade e de fidelidade. Por essa ótica,
os documentos são considerados testemunhos fidedignos do homem e do meio
ambiente. É assim que autora abre espaço para operar com "o ambiente físico natural",
com o "ambiente físico alterado pelo homem", com as "criações do seu espírito, todo o
seu ideário, seu imaginário", as suas intervenções, atuações e percepções. (1984, 61)
"A paisagem percebida pelo homem - adianta a autora - é para o museólogo também
um dado cultural". Esse pensamento informa o seu conceito de cultura: "Então, resulta
- diz ela - que, para o museólogo, cultura é essencialmente fazer e viver, ou seja,
cultura [é o] resultado do trabalho do homem, seja ele um trabalho intelectual, seja ele
um trabalho intelectual refletido materialmente na construção concreta." (1984, 61)

Essa linha argumentativa esta na base da conceituação de bem cultural e de


patrimônio cultural. O patrimônio cultural para Rússio não se separa do natureza, uma
vez que ela própria é construção humana, e não pode ser descrito apenas como um
conjunto bens culturais. É preciso dizer também que assim como um determinado
conjunto matemático é regido por lei específica, assim também o patrimônio cultural se
constitui a partir da atribuição de valores, funções e significados aos elementos que o
compõem. O reconhecimento de que o patrimônio cultural não é um dado, mas uma
construção que resulta de um processo de atribuição de significados e sentidos, permite
avançar em direção à sua dimensão política, econômica e social; permite compreendê-
lo como espaço de disputa e luta, como campo discursivo sujeito aos mais diferentes
usos e submetido aos mais diferentes interesses.

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Para completar o seu quadro de análise Rússio volta-se para o tema


preservação. A equação que ela arma pode ser assim resumida: trabalho é cultura, "é
ação transformadora do homem sobre a natureza, sobre si próprio e sobre as relações
entre os homens"; o trabalho gera bens a que se atribui valores e significados, esses
bens conformam o patrimônio cultural; o patrimônio pode ser criado, preservado e
destruído. Para Rússio a ação preservacionista no campo dos patrimônios contribui
para a constituição de identidades culturais, o que está articulado com "uma questão
muito séria que é a questão de soberania e de autodeterminação." (1984, 62))

Mário Chagas
Cultura, Patrimônio e Memória)
http://www.revistamuseu.com.br/18demaio/artigos.asp?id=5986

Rodeados por um mundo de coisas, passamos, ao longo da história, a selecionar


algumas delas para lhe dar valor especial, único, afetivo, rememorável,
enquanto evocação de espaço/tempo, um testemunho material de algo a ser
lembrado ou, simplesmente, apreciado.

A forma e conteúdo dos objetos ganharam significado. Na chave desta


operacionalização, saímos de uma prática particular de guardar para
transformar esse habitus em algo público e coletivo. Assim, criamos locais
específicos, institucionalizados para cuidar dessas “coisas” de valor, e mediar
nossa relação com eles. Esses locais têm como representantes máximos os
museus em suas mais diversas tipologias.

O lugar <museu> foi ganhando força e estrutura, conceituações e definições, ao


passo que se firmava como local de representação, e de construção de um
campo científico-profissional específico.

Os dois excertos apresentados no início deste documento remetem a princípios


elementares presentes nas relações do homem com as coisas, ou do homem
com a natureza, ou do homem com o mundo, esteja ela se dando no cotidiano,
em campo aberto, ou em um lugar dedicado a pensar tal relação, papel este
assumido pelos museus.

Estamos falando de coisas que passam pelo processo de patrimonialização.


Patrimonializar ou musealizar prescinde de um entendimento essencial, que lhe
constitui e caracteriza: estamos sempre construindo, transformando e
resignificando, mediados por objetos e as relações sociais que criamos, e neste
processo, criamos cultura.

Mediando então nossas relações de existência por meio das “coisas”, o homem
está constantemente realizando uma ação consciente e ativa em sua realidade,
na medida em que, cria e recria, por meio do trabalho e da interação com a
natureza altera sua realidade, criando domínios exclusivos ao homem o da
História e da Cultura .” (FREIRE, s.d., apud, PADILHA, 2004, p. 197).

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Como um ser criador e recriador que, através do trabalho, vai alterando a


realidade. Com perguntas simples, tais como: quem fez o poço? Por que o
fez? Como o fez? Quando? Que se repetem com relação aos demais
“elementos” da situação, emergem dois conceitos básicos: o de necessidade
e o de trabalho e a cultura se explica num primeiro nível, o de subsistência. O
homem fez o poço porque teve necessidade de água. E o fez na medida em
que, relacionando-se com o mundo, fez dele objeto de seu conhecimento.
Submetendo-o, pelo trabalho, a um processo de transformação. Assim fez a
casa, sua roupa, seus instrumentos de trabalho. A partir daí, discute com o
grupo, em termos evidentemente simples, mas criticamente objetivos, as
relações entre os homens que não podem ser de dominação nem de
transformação, como as anteriores, mas de sujeitos”. (FREIRE, 1980. p.
124).1

Essa é a visão antropológica de cultura utilizada por Paulo Freire no método de


alfabetização dos “Círculos de Cultura”. Na mesma direção, Waldisa Rússio
Guarniere utiliza a visão antropológica de cultura para estabelecer o campo de
atuação da museologia e dos museus, onde os objetos passaram à condição de
artefatos2, e sob eles repousam um universo de informações a serem
preservadas.

Musealizar, para Guarnieri, pressupõe preservar e aproximar pessoas e


objetos/artefatos, visto que “a preservação proporciona a construção de uma
memória que permite o reconhecimento de características próprias, ou seja, a
identificação” (GUARNIERI, 2010a, p. 208). O processo de musealização leva
em conta o valor documental e testemunhal de que se hajam investidos
determinados objetos, proporcionando distinção aos mesmos. Nos termos de
Guarnieri, “quando musealizamos objetos e artefatos com as preocupações
de documentalidade e de fidelidade, procuramos passar informações à
comunidade; ora, a informação pressupõe, conhecimento, registro e memória”
(GUARNIERI, 2010a, p. 205)3

Sendo então os objetos patrimonializados e musealizados, sua substância,


conteúdo e forma, é necessário então que se estebeleça como vamos garantir
que sejam transformados em bem cultural, que deve ser acessível a todos.

1 ZANELATO, Dilneia Ciseski. A cultura sob o olhar das artes plásticas. Palavra de Professor. Dezembro 2004. n.1.
http://www.veracruz.edu.br/palavradeprofessor/2004/artes1.htm
2 “São objetos, enquanto percebidos como elementos da realidade, existentes fora do Homem e a partir de sua

consciência. São artefatos enquanto modificados ou construídos pelo Homem, que lhes dá função, valor e significado
(GUARNIERI, 2010a, p. 205)”. In: OLIVEIRA, Karla Cristina Damasceno; BORGES, Luiz Carlos Borges (UNIRIO/MAST). O
computador caipira, o fato museológico e a identidade marajoara. XIV Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da
Informação (ENANCIB 2013). GT 9 – Museu, Patrimônio e Informação. Comunicação Oral. Disponível em:
file:///C:/Users/ADM/Downloads/4583-6851-2-PB.pdf
3 Idem.

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I I. A QUESTÃ O D O OBJETO E A P RODU Ç Ã O DE


CONHECIMENTO|

Entretenimento Fruição estética Lúdico (a) Devaneio

Sonho lugar de coisa velha Afetivo

Curiosidade Responsabilidades sociais e políticas dos museus

Informação Conteúdo escolar Conhecimento

celebração rememoração evocação exaltação teatro da memória

colecionismo Experiência sensorial

O que o museu e suas exposições nos oferecem?

Coleções: o que fazer com elas?

Qual a função do museu e da exposição museológica?

O conjunto de palavras acima aludem às impressões identificadas com


recorrência por públicos, profissionais e teóricos.

Sob o profissional que está responsável por cuidar, e criar formas de extroversão
dos patrimônios, recai a tarefa de dar sentido a um universo de objetos que
formam as coleções, em outras palavras, de explorar essas coleções. Ele deve
responder a efetivação do papel do museu enquanto instituição cultural,
educacional, científico-documental. Coleções e seus objetos são suportes de
múltiplas funções e significados. Correspondem a cultura material - o universo
material apropriado e pelo homem e sua produção sócio-cultural - também
chamados neste contexto de artefatos. Os objetos deslocados de suas funções
originais, passa a exercer outras funções, cuja principal é ser receptáculo
testemunhal de algo. Passa a ser um representante material do imaterial, de
memórias e outros elementos simbólicos tais como traços de identidade de
determinados grupos sociais, além dos afetivos ou históricos.

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Mas sobre o que fala um objeto? Como identificar a “verdade” sobre sua origem,
história, usos, percursos até chegar ao museu? E como essa sua história pode
ser contada no presente?

O objeto, nessa condição de documento histórico, deve ser tratado como fonte
primária e, assim como faz o historiador, o arqueólogo e outros estudiosos das
ciências humanas, lançar mão da pesquisa para extrair as várias camadas de
informação contidas no objeto. O objeto não fala sozinho por si só. Somos nós,
homens e mulheres que lhes atribuímos interpretações mediante uma série de
elementos, incluindo o nosso próprio contexto histórico e nossas visões de
mundo.

“ No entanto, qualquer objeto pode funcionar como documento e mesmo o


documento de nascença pode fornecer informações jamais previstas em sua
programação. Se, ao invés de usar uma caneta para escrever, lhe são colocadas
questões sobre o que seus atributos informam
Relativamente à sua matéria prima e respectivo processamento, à tecnologia e
Condições sociais de fabricação, forma, função, significação, etc.- este objeto
utilitário está sendo empregado como documento. (Observe-se, pois, que o
Documento sempre se define em relação a um terceiro, externo a seu contexto
original). O que faz de um objeto documento não é, pois, uma carga latente,
definida, de informação que ele encerre, pronta para ser extraída, como o
sumo de um limão. O documento não tem em si sua própria identidade,
provisoriamente indisponível, até que o ósculo metodológico do historiador
resgate a Bela Adormecida de seu sono programático. E, pois, a questão de
conhecimento que cria o sistema documental. O historiador não faz o
documento falar: é o historiador quem fala e a explicitação de seus critérios e
procedimentos é fundamental para definir o alcance de sua fala.. Toda
operação com documentos, portanto, é de natureza retórica. Não há porque o
museu deva escapar destas trilhas, que caracterizam qualquer pesquisa
histórica.” (MENESES,1994,p.13)

As coleções de museus têm sido significadas e resignificadas ao longo do tempo.


Cada vez mais problematizadas, elas são tomadas como testemunhos históricos.
Aí, é preciso observar com cuidado qual versão da história está sendo contada,
a quem ela contempla. Tal como na História, a história oficial, de vencedores
versus vencidos tem sido questionada e revista nas questões relacionadas aos
patrimônios. Sobretudo nos museus históricos, esse papel de representação de
identidades é muito forte e a abordagem crítica necessita ser uma prerrogativa
para encarar as dicotomias, litígios, dialéticas, ideologias incutidas nos discursos
apresentados por meio das coleções materiais ou imateriais. Portanto, a visão
crítica é obrigatória no trabalho dos museus, pois têm relações diretas com
questões identitárias, alteridades e lutas pelo monopólio da verdade. (Menezes,
1993, p.207). As coleções e seus objetos falam de povos e suas culturas. O

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problema das identidades culturais coloca o museu em papel de


responsabilidade frente às questões de seu tempo, assim como frente à
transformação social. Um exemplo muito claro do que acabamos de falar são as
representações de negros e indígenas nos vários museus do mundo e no Brasil,
e das várias minorias que foram subjugadas e excluídas ao longo da história. As
exposições, neste contexto, devem ser problematizadoras, plurais, dialógicas e
instigadoras de novas ideias, reflexões e visões.

Assim a questão do conhecimento é crucial para eliminar questões subjetivas ou


tendenciosas sobre este ou aquele grupo, a ricos ou pobres, maioria ou minoria.
È necessário passar de uma verdade única em direção às várias experiências
sociais e culturais que formam as experiências vividas, sua multiplicidade de
atores e visões. Estas reflexões perpassam o ato de seleção, aquisição e,
posteriormente, todo tratamento que os bem culturais terão em um museu,
esteja ele em criação, ou nos museus e coleções existentes.

Por outro lado, é a “função documental do museu (por via de um acervo,


completado por bancos de dados) que garante não só a democratização da
experiência e do conhecimento humano e da fruição diferencial de bens, como,
ainda, a possibilidade de fazer com que a mudança - atributo capital de toda
realidade humana – deixe de ser um salto do escuro para o vazio e passe a ser
inteligível.” (Meneses, 1994, p.12)

Precisamos ter muito claro que a contextualização museológica, suas exposições


e instalações, são discursos narrativos e cognitivos, a serem criticamente
pensadas e analisadas, pois a mensagem nelas transmitidas têm implicações,
causam mobilizações, e são disparadores de sentidos de grande potencial.

Tido como o lugar primordial do patrimônio, os museus e a museologia se


debruçam na busca constante de fundamentos teóricos e metodológicos para
lidar com o patrimônio. Dentro da teoria museológica existem diversas
correntes. Entre as mais adotadas, inclusive no Brasil, estão as abordagens que
entendem a Museologia na chave de uma relação entre homem (sociedade) e
sua realidade, ou natureza, ou objeto, visando, ao mesmo tempo, documentar
seu desenvolvimento (história), e lhe dar fins educativos, culturais, científicos.

No Brasil, a pioneira nesta formulação foi a museóloga Waldisa Rússio que


postulou o conceito de fato museológico4. Porém antes dele, ela elaborou uma
linha de pensamento utilizando conceitos da história, da antropologia (visão
antropológica de cultura) e da sociologia (fato social), definindo o conceito de
objeto no museu:

4 “Fato museológico ‘é a relação profunda entre o Homem, sujeito que conhece, e o Objeto, parte da realidade à qual o
Homem também pertence e sobre a qual tem poder de agir’ − relação esta que se processa num cenário institucionalizado
chamado museu. (RUSSIO, 1990, p. 7)

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"A relação homem/objeto é uma relação aberta, dinâmica, dialética,


na qual o homem se conhece e se reconhece" (Waldisia Russio
:45).

O objeto museal é o conceito que estamos denominando no


contexto museológico, que significa a produção cultural (material e
imaterial) do homem, os sistemas de valores, símbolos e
significados, as relações estabelecidas entre os homens, entre o
homem e a natureza, que através da modificação da natureza, cria
objetos no decurso da sua realização histórica. São os objetos
elaborados e existentes fora do homem, mas que refletem as
complexas teias de relações entre os homens no processo
histórico. No processo de musealização, segundo Guarnieri (1990)
(7), deve-se ter a preocupação com a informação trazida pelos
objetos (lato sensu) em termos de DOCUMENTALIDADE,
TESTEMUNHALIDADE e FIDELIDADE. Ao definir esses conceitos,
a autora coloca que:
... convém lembrar que as palavras Documentalidade e
Testemunhalidade, têm aqui toda a força de sua origem.
Assim, DOCUMENTALIDADE pressupõe "documento", cuja
raiz é a mesma de DOCERE = ensinar. Daí que o
"documento" não apenas DIZ, mas ENSINA algo de alguém
ou alguma coisa; e quem ensina, ensina alguma coisa a
alguém. TESTEMUNHALIDADE pressupõe "testemunho",
cuja origem é "TESTIMONIUM", ou seja, testificar, atestar
algo de alguém, fato, coisa. Da mesma maneira que o
documento, o testemunho testifica algo de
alguém a OUTREM.(...) FIDELIDADE, em Museologia, não
pressupõe necessariamente AUTENTICIDADE no sentido
tradicional e restrito, mas a VERACIDADE, a
FIDEDIGNIDADE do documento ou testemunho. Quando
musealizamos objetos e artefatos (aqui incluídos os
caminhos, as casa e as cidades, entre outros e a paisagem
com a qual o Homem se relaciona) com as preocupações de
documentalidade e de fidelidade, procuramos passar
informações à comunidade; ora a informação pressupõe
conhecimento (emoção/razão), registro (sensação, imagem,
idéia) e memória (sistematização de idéias e imagens e
estabelecimento de ligações).5

Podemos dizer que esta ideia de objeto enquanto suporte de informação, um


documento (fonte primária) e, portanto, um testemunho é a visão que prevalece
nos museus. Quais informações estão depositadas nos objetos? E como as
encontramos? Este é o trabalho dos profissionais dentro do museu: estudar,
pesquisar, investigar, aprofundar e rever todas as informações contidas e
geradas pelos objetos. Em outras palavras, significa empreender a Produção

5 NASCIMENTO, Rosana. O OBJETO MUSEAL COMO OBJETO DE CONHECIMENTO. CADERNOS DE MUSEOLOGIA Nº 3,


1994, p. 10-11. Disponível em
http://recil.grupolusofona.pt/bitstream/handle/10437/3519/O%20OBJETO%20MUSEAL%20.pdf?sequence=3

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do conhecimento. A questão que se coloca na sequência é como este


conhecimento será apresentado na exposição museológica. Deve ela
apresentar objetos ou conceitos? Ideias ou experiência estética? “Resgatar”
informações do objeto ou resignificá-lo diante dos problemas do presente?

Dentro deste sistema de produção de conhecimento a pesquisa nos museus é


um motor primordial, não somente em torno do estudo das suas coleções, mas
também, da histórica institucional, das pesquisas teóricas e metodológicas da
museologia, e todas as suas áreas operacionais (ou da cadeia museológica), da
gestão museológica e, finalmente, do estudo dos públicos e nas avaliações
museológicas, que permitem reelaborar a prática, e transforma o próprio museu
e seu modus operandi em objeto de estudo.

III.COMUNICAR O CONHECIMENTO|

Selecionar referências culturais que passam a ser preservadas é o primeiro


passo. O segundo é produzir conhecimento a partir destas referências. Mas não
basta guardar, cuidar, estudar os bens culturais. Eles precisam ser
comunicados, ou dito de outra forma, precisam ser difundidos. Assim, o museu
engloba ações ligadas a área da comunicação e, mais precisamente, da
comunicação museológica, ramo específico dentro da museologia.

Produzir conhecimento e comunicá-lo são duas ações que caminham juntas em


um museu, simbioticamente e simultaneamente. Esta comunicação pode ocorrer
de diversas formas, mas seu veículo principal são as exposições, como principal
forma de o museu apresentar os bens culturais que salvaguarda.

No momento em que se dá o contato entre exposição e público, museu e


público, inicia-se uma nova dinâmica de apropriação e recriação do que é
apresentado na exposição, que não pode ser mera transmissora de conteúdos
ou informações, mas deve propiciar a experiência, na maneira em que
contextualiza e apresenta os objetos dentro de um espaço físico que contém e
delimita essa experiência.

Dentro da comunicação museológica aliam-se o conhecimento de outras áreas


da comunicação e da avaliação, para aperfeiçoar e desenvolvê-la. As
abordagens mais contemporâneas privilegiam o estudo do público. Os estudos
de recepção vêm sendo empregados e discutidos para desenvolver a relação
público e museu, e compreender a partir da ótica dele (público) seu cotidiano,
expectativas e referências culturais. Nas novas tendências, o público é colocado
como sujeito do processo de emissão e recepção estabelecido na exposição,
enquanto canal de comunicação. Interessa, nesse sentido, lançar foco sob as
mediações culturais e não apenas dos meios (ferramentas de comunicação).
(Cury, 2008, p.270)

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Módulo III: Curadoria

Todos os níveis da cadeia museológica são à priori, forma de efetuar a educação


patrimonial, e não se deve perder de vista isto que constitui uma premissa. Esta
educação não é restrita ao ambiente do museu e deve ir além da formulação e
ações/atividades educativas. A educação patrimonial é o campo maior de
mediação entre os bens culturais e as pessoas. Cabe sempre a visão crítico-
reflexiva sob tal processo. Pois, a forma de executá-lo implica em todo
entendimento, ao acesso e democratização de tais bens culturais. A educação
patrimonial deve ser uma premissa conceitual e prática para um museu desde
sua criação, e permear todas as etapas de seu funcionamento. Ela não pode
passar despercebida ou ser vista somente como a ponta final do processo, no
momento do contato e recepção dos vários públicos dentro da instituição. É
antes, elemento constitutivo de todo processo de preservação e extroversão dos
patrimônios, em todas as suas formas (tipologias), contextos e lugares.

Isto significa dizer que a ação educativa é um fator estruturante na relação


patrimônio cultural, museu e sociedade. É importante que o museu não se
restrinja às atividades e projetos educativos intra-muros, mas entenda que ele
deve promover a educação patrimonial em todo o processo museológico, e que
este deve se aproximar das comunidades, vislumbrando estratégias e
metodologias participativas, colaborativas e compartilhadas com a(s)
comunidade(s) para as quais trabalha. Ações que tornem a comunidade ator-
protagonista da preservação. A abordagem de educação patrimonial é capaz de
alcançar o potencial que os bens culturais preservados oferecem como recursos
educacionais, desenvolvendo as habilidades de observação, atribuição de
sentidos, contextualização e construção do conhecimento em sua multiplicidade,
visando ampliar a capacidade crítica e o exercício da cidadania com plenitude.

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I V. A C U R A D O R I A : S I G N I F I C A D O S E P R O C E D I M E N T O S |

O sentido de curador e curadoria possuem diferentes definições conforme a


prática realizada em determinado tempo e lugar. Hoje, fala-se em curadoria
informacional ou curador(ia) de conteúdos, voltada ao atendimento
personalizado e ao universo digital, cuja matéria-prima é a informação, sendo o
Curador de Conteúdo aquele que elabora conteúdos a partir da coleta,
divulgação, análise e monitoramento de uma vasta quantidade de informação,
presente sobretudo na internet, definindo qual informação é realmente relevante
aos usuários/leitores.

Ainda que no contexto da Era da Informação, o princípio da atividade segue


semelhante ao que prevaleceu por grande tempo. Ligada aos museus e coleções
particulares, a atribuição do termo curador foi depositada aos profissionais
encarregados pelas coleções em todas as suas tarefas (coleta sistemática,
documentação, estudo, comunicação). No trabalho dos conservadores dentro
dos museus, foi comum o acúmulo da função de conservar e estudar os acervos,
atribuindo-se à ele o papel de “cura”, (do latim, zelar, cuidar) com os acervos.

Assim explicam as autoras Marmo e Lamas(2012;2013):

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A atividade de curadoria tem origem institucional, tendo surgido no século XIX da


necessidade de se pensar um acervo a partir de suas especificidades. A princípio,
cabia ao curador estudar, preencher lacunas e pensar formas diferentes de mostrar
determinada coleção, o que acabava resultando em exposições de longa duração,
montadas depois de um grande período de estudo e pesquisa. Nos anos 1960, com o
advento da experimentação na arte, aliado à consolidação de espaços alternativos,
tais como a Kunsthalle (1918), na Suíça, e o Museu de Arte Temporária (1974), nos
Estados Unidos, começaram a surgir exposições temporárias que evidenciaram uma
mudança na atuação do curador, que passou o sugerir temas e propor projetos aos
artistas e se tornou independente de museus. Muito se fala hoje a respeito da ação
curatorial, que, em muitos casos, vem ocupando o lugar que antes era do artista e, não
poucas vezes, se sobressai à atuação deste. Existem diversas razões que podem não
justificar, mas contribuir para o entendimento de tal fato, como por exemplo: a
mudança comportamental da arte, que se reflete diretamente na atuação dos antes
chamados “diretores de exposições”; o surgimento de espaços alternativos de arte,
específicos para mostras temporárias e sem acervo; e a inclusão de espaços próprios
para exposições temporárias dentro dos museus. Entretanto, talvez a mudança mais
significativa e que melhor explique o deslocamento central da figura do artista dando
espaço para a exaltação do curador tenha acontecido a partir da década de 1960,
quando o curador passa a não mais lidar somente com a obra de arte, mas
diretamente com o artista.

No século XX, as autoras pontuam a crescente valorização da figura do curador,


e a ampliação do seu campo de atuação. Entre as atribuições desse profissional
estavam:

- a seleção dos trabalhos;

- desenho e coordenação da montagem de uma exposição;

- pensar e escrever criticamente sobre a arte que está sendo exposta (crítica de
arte);

Neste contexto, eles podem receber várias denominações tais como: curador de
museu, curador independente, curador autor, artista curador, entre outros,
termos esses atribuídos de acordo com a atuação específica que está exercendo
(Marmo e Lamas, 2013). A mistura de funções é uma tônica constante, dentre
as quais, nos papéis de artistas e curadores, onde o artista torna-se curador ao
fazer a curadoria de trabalhos de outros artistas ou do seu próprio. O curador,
por sua vez, incorporou atividades do campo da arte (produção de crítica de
arte, criação e produção de sentidos), daí falar-se em “curador artista” e
“artista-curador”.

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Módulo III: Curadoria

Quanto a noção de curadoria referindo-se a organização de exposições, ela está


diretamente ligada às práticas do colecionismo, antiquários e gabinetes de
curiosidades, que geraram os primeiros museus e os profissionais que zelavam
por essas coleções. Com o desenvolvimento da investigação destes objetos, que
tomaram a posição de provas, testemunhos ou obras-primas originais,
produzidas pelo homem ou pela natureza, desenvolveu-se conjuntamente as
tarefas que comporiam as áreas da museologia: “seleção, estudo, salvaguarda e
comunicação das coleções e acervos” (BRUNO, 2008, p. 16-17). Há ainda o
termo “curadoria de acervos”, voltada tanto para o gerenciamento de coleções
quanto ao processo completo de atividades do museu, ora focado no objetos,
ora focado no público (BARBOSA, 2013, p. 4, apud Granato e Santos,2008, p.
214).

Dentro do trabalho do museu a o processo curatorial faz parte da museografia e


da gestão museológica, fornecendo suporte e desenvolvendo os processos
museais, conforme explica Marília Xavier Cury:

A museografia a abrange toda a práxis da instituição museu,


compreendendo administração, avaliação e parte do processo curatorial
(aquisição, salvaguarda e comunicação). A gestão museológica organiza a
práxis formando o cotidiano institucional que opera no tempo. A gestão
museológica faz as ações museográficas atuarem em sinergia, como um
sistema que opera com atividades meio e fim. A administração é atividade
meio que dá suporte ao processo curatorial, ações fim em torno do objeto
museológico. O museu como um sistema é o conjunto de procedimentos
metodológicos, infra-estrutura, recursos humanos e materiais, técnicas,
tecnologias, políticas, informações, procedimentos e experiências
necessários para o desenvolvimento de processos museais. (CURY, 2008,
p.273)

Curadoria ou processo curatorial é uma das formas de se entender o


trabalho do museu, agora a partir da cadeia operatória em torno do objeto.
A partir desta concepção o papel do curador se amplia, ou seja, são
curadores todos aqueles que participam do processo curatorial. Em
síntese, esse processo é constituído pelas ações integradas (realizadas
por distintos profissionais) por que passam os objetos em um museu,
denominados objetos museológicos ou museália, conforme definido por
Stránský em 1969. As ações do processo curatorial são: Formação de
acervo, pesquisa, salvaguarda (conservação e documentação
museológica), comunicação (exposição e educação). Apesar de ser
cadeia operatória, não deve ser entendido como sequência linear, o que o
caracterizaria como estrutura estática, mecânica e artificial. Ao contrário,
uma visão cíclica seria a melhor representação do processo, visto a
interdependência de todos os fatores entre si e a sinergia que os agrega e
que agrega valor dinâmico à curadoria. Se um museu deve ser dinâmico,
igualmente deve ser o processo curatorial. O processo curatorial organiza

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Módulo III: Curadoria

o cotidiano em torno do objeto museológico, mas traz à luz do processo


um outro elemento constitutivo do que entendemos ser o museu: o
público. O público é o receptor dos museus e do patrimônio cultural
musealizado e traz consigo, como sujeito ativo, uma participação no
processo curatorial. (CURY, 2008, p.274)

Em última instância o trabalho curatorial deve atentar para garantir em todo


museu, um tipo de mediação onde “Ela é a iniciativa que consiste em
estabelecer e facilitar um diálogo sensível entre, de uma parte, uma pessoa ou
um grupo que visita o museu ou participa de uma de suas atividades e, de outra
parte, um objeto, uma paisagem ou um bem imaterial, ou seja, a cultura viva e
os saberes de um e os conteúdos culturais e científicos do outro” (VARINE,
2008).

Curadoria: Procedimentos Práticos

Todo projeto exige o planejamento que inclui a definição de objetivos, o perfil da


equipe adequada ao desenvolvimento do projeto, delimitação de cronograma e
orçamento. Após as delimitações conceituais e temáticas para uma exposição,
definindo seu conteúdo, é chegado o momento de dar forma às
ideias/informações no formato de uma exposição. Este trabalho técnico envolve
um intenso esforço de coordenação de etapas e equipes necessários ao
desenvolvimento do trabalho.

Nesse ínterim, a figura do curador é estabelecer a ponte entre a crítica – ou


seja, a reflexão intelectual sobre uma produção artística, cultural, histórica – e o
público, sobretudo no sentido mais amplo de circulação social dos bens
culturais. Hoje, uma visão mais ampla do papel do curador, indica que o curador
deve assumir a condição de um mediador cultural, pautando-se na função social
de seu trabalho6.

A curadoria tem a função de estabelecer um recorte em uma coleção, tema, ou


obra de um artista, e ainda elaborar reestruturações museológicas, eventos e
ações culturais.

6 Aqui enfocamos as atividades de curadoria ligadas ao campo da cultura, em especial, dos museus, mas as atividades
que utilizam o termo curadoria abrangem um campo muito extenso, tanto nos planos cultural e artístico, quanto no
comercial, e nesta última, os usos da curadoria estão em grande expansão, devido as novas necessidades e tendências
ligadas a Era da Informação e a Era Digital. Recomenda-se recentes publicações que tratam do tema: Reprograme.
Comunicação, Branding e Cultura numa Nova Era de Museus. Luis Marcelo Mendes(org.), 2012, 1ª edição.
http://www.reprograme.com.br/#dois; e Cortella, Mario Sergio; Dimenstein, Gilberto. A Era da Curadoria - o Que
Importa É Saber o Que Importa! São Paulo: Papirus 7 Mares. Agosto, 2015. 128p.

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Módulo III: Curadoria

No caso das exposições, curador e curadoria, ficam responsáveis por elaborar


sua estrutura, identidade visual, estratégia de divulgação na mídia, articulação
com os demais setores produtores de cultura no país e no exterior. Dentro disso,
a curadoria seleciona autores/artistas/temas e as respectivas obras que os
representarão, assim como, pensa a forma de distribuir conteúdos e acervos nos
espaços de uma exposição, determinando que obras serão expostas e de que
maneira.

O curador está presente em todas as etapas da montagem de uma exposição:


na seleção e edição de bens culturais e informações, na escolha da luz e da cor
das paredes, na museografia e na produção do texto curatorial. Para tanto ele
forma uma equipe para desenvolver tal trabalho. Esta equipe é composta pelos
diversos profissionais da instituição, e pode contar com consultores e outros
profissionais externos à instituição. Entre tais profissionais, estão o:

museógrafo ou arquiteto, responsável pela execução do desenho que será


implantado na exposição, compreendendo a disposição das obras e das paredes,
mobiliário, circulação de público, medidas de segurança e conforto (acervo e
pessoas) etc;

o designer, responsável pelo projeto gráfico do projeto para elaborar a


identidade visual, a sinalização do espaço, para a composição do texto e para a
coloração das paredes; além disso, ele também propõe o material a ser utilizado
nas fichas técnicas, produz o folder e indica tipologias e tamanhos de corpo
adequados;

O profissional de iluminação, responsável por estabelecer a temperatura-


ambiente, fundamental para a criação da atmosfera;

e, as demais áreas técnicas do museu, incluindo o diretor da instituição,


conselhos consultivo, que participam da conceituação e desenvolvimento, e
outras decisões como por exemplo onde a mostra será realizada.

Tudo isto exigem um planejamento geral, prevendo todas as etapas, da


elaboração às fases técnicas. Para resumir e clarificar o processo, adaptamos e
apresentamos a seguir, a partir do Roteiro Prático de Exposições, concebido por
Museums and Galleries Commissions(2001), os principais passos para
elaboração de exposições, onde se insere o trabalho curatorial. Um guia geral, a
ser sempre consultado para idealização de exposições.

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Módulo III: Curadoria

PLATAFORMA BÁSICA PARA EXPOSIÇÕES


Museums and Galleries Commission: Planejamento de Exposições,
2001

Primeiros Passos
Traçar intenções e objetivos a alcançar com as exposições
Basear-se na missão, e em seus parâmetros em relação
natureza do acervo, à pesquisa, gerenciamento de
Definir a função das exposições acervo, educação e acesso público O papel das
no seu museu exposições deve ser explicitado plano diretor do museu
Registrar ideias e decisões sobre exposições no
papel.Recomenda-se a discussão e decisão de uma
política de exposições.
Definir por escrito a plataforma Submeter a política e planejamento anual de decisões ao
para exposições Conselho do museu
Pensar e registrar um plano de
ação para exposições com Plano de ação a partir da plataforma para exposições
objetivos de curta e longa Definição de metas, cronogramas e recursos para o
duração programa de exposições a curto e longo prazos
Basear-se, tanto quanto possível, em conhecimento
especializado, obtido dentro do próprio museu ou fora
dele. Especialistas na salvaguarda do acervo, na
curadoria, no “design” de exposições, na educação, no
“marketing” e na segurança darão uma contribuição
valiosa para a estrutura e o plano de ação, assim como
Contar com “expertises” nas para os projetos das exposições. Quando não houver
diversas na organização de especialistas disponíveis, você terá que se basear no que
exposições lhe parecer ser a opinião provável de um especialista.

PLANEJAMENTO DA EXPOSIÇÃO
O ideal será você organizar uma equipe para o projeto
que inclua uma diversidade de especialistas da casa e de
fora. Se isto não for possível, você deverá se esforçar
para obter o aconselhamento de um número razoável de
especialistas e examinar cuidadosamente os diferentes
pontos de vista. É muito importante organizar a equipe
logo no estágio inicial da concepção do projeto. Será
preciso ter um coordenador geral para o projeto, de
qualquer área de especialização e com autoridade para
encontrar o equilíbrio entre exigências conflitantes.
Você decidiu quem vai estar Membros da equipe podem necessitar de
envolvido com o planejamento treinamento ou outros tipos de apoio para desempenhar
da exposição? suas funções.

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Módulo III: Curadoria

Sua plataforma para exposições, os acervos disponíveis


(do próprio museu ou emprestados), as medidas de
conservação e segurança, os possíveis métodos
interpretativos e as oportunidades de aprendizagem irão
Você já decidiu qual será o influenciar suas decisões. É também aconselhável
tema e a finalidade da consultar membros do público-alvo (veja abaixo) e se
exposição? basear em outras pesquisas de público
Isto o ajudará a adaptar a exposição às necessidades, aos
interesses e às preferências do visitante. Você terá que
conhecer o perfil do seu visitante habitual, assim como a
enorme variedade de visitantes em potencial. O público-
Você já definiu seu público- alvo poderá incluir uma grande variedade de idades,
alvo? aptidões e diferenças culturais.
Discutir estas questões no início do projeto poderá
ajudá-lo a determinar sua extensão. Haverá necessidade
de se fazer um orçamento em linhas gerais, relacionando
todos os custos com funcionamento, manutenção e
reformas, indicando a origem de fundos para cada item.
Você deverá controlar regularmente o orçamento. Ao
Você sabe quais os recursos avaliar o espaço disponível, você terá que levar em
financeiros, humanos e de consideração as necessidades de conservação, segurança
espaço físico disponíveis? e circulação do visitante.
Você deverá considerar cuidadosamente os vários
estágios do projeto e os fatores que poderão afetar o seu
progresso. É importante fixar um prazo para cada estágio
e monitorar o progresso sistematicamente. As datas de
abertura da exposição e o horário de funcionamento
devem refletir as necessidades do
público-alvo, considerando também eventos externos
que possam interferir na visitação. A duração proposta
Você fixou um cronograma para a exposição afetará decisões sobre o seu conteúdo,
apropriado e realista? seu “design” e sua montagem.
É importante ter em mente o público-alvo ao tomar
Você planejou o conteúdo e o decisões práticas sobre as exposições, inclusive os
“design” da exposição tendo objetos a serem usados, o roteiro, o estilo e o tamanho
em vista o público ao qual é do texto, os métodos de interpretação, o “design” e a
dirigida? distribuição das peças no espaço físico.
Você poderá garantir uma compreensão maior do que
está a realizar, ao produzir, em conjunto com todos os
envolvidos na exposição, um documento ou resumo e
distribuí-lo a todos. Deve abranger todas as áreas acima
Você redigiu seu projeto de mencionadas, bem como os pontos que serão discutidos
exposição ? em seguida.

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Módulo III: Curadoria

NECESSIDADES E RECOMENDAÇÕES

garantir a segurança dos objetos


garantir a segurança dos visitantes
garantir que as informações sobre a exposição sejam precisas e levem em conta diferentes

pontos de vista


maximizar o acesso à exposição


maximizar as oportunidades de aprendizado

 promover a exposição
como


monitorar a exposição

 a exposição
avaliar

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____. O pesadelo da amnésia coletiva: um estudo sobre os conceitos de memória, tradição e traços
do passado. RCBS, n. 23, p.71-84, out. 1993.
SEGALL, Maurício. Controvérsias e dissonâncias. São Paulo: Edusp/Boitempo, 2001.
TIRADO SEGURA, Felipe. Contribuciones de la evaluación al desarrollo de la museología.In:
ENCONTRO DE PROFISSIONAIS DE MUSEUS. A comunicação em questão: exposição e educação,
propostas e compromissos. São Paulo; Brasília: MAE, USP: STJ,2003. p. 19-42.
VARINE, Hugues. Museus e desenvolvimento Social: balanço crítico. In: BRUNO, Maria Cristina Oliveira;
NEVES, Kátia Regina Felipini, Revista RETC – Edição 13ª, outubro de 2013.

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Módulo III: Curadoria

Currículo
Karina Alves Teixeira

Bacharel e Licenciada em História pela USP(2004). Mestre em Museologia pelo


Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia. Universidade de São
Paulo (2014). Possui Master 1 em Histoire de l'Art et Patrimoine, pela Université Michel
de Montaigne, Bordeaux3, França (2009/2010), e Especialização em Museologia
(Universidade de São Paulo,2006). Atua nas áreas de Educação Patrimonial, Patrimônio
Imaterial E Material, como profissional de Museologia e História, com subsídios da
Antropologia. Reúne larga experiência em História Oral, participação comunitária e
processos participativos de gestão e conteúdo. Enfoque em Pesquisa E Documentação
de Acervos. Faz parte da Rede Paulista de Educação Patrimonial (Repep), onde
participa de processos de Educação Patrimonial nos bairros Bixiga/Bela Vista,
Brasilândia e em Paranapiacaba/SP.

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