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IBGE

Presidente: lsaac Kerstenetzky


Diretor-Geral: Eurico de And rade Neves Borba
Diretor Técnico: Amaro da Costa Monteiro

Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente - SUPREN


Superintendente: Wanderbilt Duarte de Barros

Sede: Avenida Franklin Roosevelt, 166 - 10.0 andar - Telefone: 222-9911


SUPREN: Rua Visconde de Niteroi, 1 246, Bl. 8, 6.0 andar - Tels.: 234-0979
234-0338
284-6489
Rio de Janeiro, RJ
PLANTAS ORNAMENTAIS
Rizzini, Carlos Toledo.
Plantas ornamentais I Carlos Toledo Rizzini . - Rio de Janeiro:
IBGE, 1977.
70p. : il. . - (Paulo de Assis Ribeiro; 8)
Inclui bibliografia, índice e índice remissivo de nomes genéricos.

1. Plantas ornamentais Brasil. I. IBGE. 11. Série. llf. Ti-


tu lo.

IBGE. Biblioteca Central CDD 635. 9'0981


RJ-1 BGE/78-02 CDU 635.9 (81}
Secretaria de Planejamento da Presidência da República
Fundação Instituto Brasi leiro de Geografia e Estat fstica

S~RIE PAULO DE ASSIS RIBEIRO, 8 DIRETORIA T~CNICA

PLANTAS ORNAMENTAIS

C'ARLOS TOLEDO RIZZINI

SUPERINTENDtNCIA DE RECURSOS NATURAIS E MEIO AMBIENTE


<SUPREN )
Rio de Janeiro - 1977
Esta série ...

. . . recebe a denominação de Paulo de Assis Ribeiro como home-


nagem da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
a um dos mais preocupados estudiosos dos diferentes aspectos -
investigação, ensino, metodologia, legislação, divulgação, sistema-
tização -- inerentes aos recursos naturais e próprios do meio am-
biente. Engenheiro, economista, educador, planejador, consultor,
executor e diretor, Paulo de Assis Ribeiro foi o primeiro titular
da Superintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente
(SVPREN ), Diretoria Técnica do IBGE, tendo tido pleno interesse
na organização de um sistema de levantamento de dados e elabo-
ração de informações quanto à ocorrência, distribuição e freqüên-
cia dos bens essenciais, reconhecidos como renováveis uns, esgo·
táveis outros, e auto-renováveis tantos mais;

... tem o objetivo de promover a difusão de conhecimentos sobre


recursos naturai.~ e meio ambiente e, por conseqüência, abordar
problemas decorrentes do mau uso daqueles e da condição admi-
nistrativa destes:
... visa, ainda, a oferecer contribuições que atendam à demanda
de uma classe da sociedade situada nos limites de formação pré-
acadêmica, servindo contudo e também à faixa universitária:
. . . publicando estudos concisos e breves, claros e concretos,
pretende cobrir eventmris deficiências editoriais, oferecendo, assim,
trabalhos originais, reedições oportunas e traduções adequadas,

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que concorram para a racionalização do pensamento e harmoni.
zação conceitual da con:o;ervação da natureza e de seus recursos;
. . . pretende preencher espaço específico na atividade cultural,
com publicações que obedeçam a um plano de produção de larga
abrangência, variando quanto ao conteúdo em cada edição, da
mesma -forma que não obedecendo a rígido calendário;
... entretanto, não responde, em termos da filosofia da Instituição,
atinentes aos conceitos e opiniões e conclusões expressadas pelos au·
tores, responsáveis exclusivos quanto ao texto, muito embora os
estudos editados integrem a linha de ação setorial a cargo da Supe·
rintendência de Recursos Naturais e Meio Ambiente da D.T. do
IBGE, da qual podem não representar de forma rigorosa seus
pontos de vista;
. . . constitui-se, afinal, em permanente mensagem refletindo a
imagem de uma política de correlação fia f unção humana com os
bens da natureza e com os fatores conformantes do meio ambiente.

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APRESENTAÇÃO

Não se trata de apresentar o Professor Carlos Toledo Rizzini,


que já conta, em sua prestigiosa bibliografia, com importante es-
tudo sobre "Árvores e Madeiras do Brasil", que é o sexto volume
da "Série Paulo de Assis Ribeiro". O autor, por si mesmo, dis·
pensa a indicação de credenciais científicas, porque os trabalhos
que tem divulgado, representando uma existência consagrada aos
estudos de pesquisa pura e de investigação aplicada tto campo da
Fitologia (como tivemos ensejo de salientar naquela publicação)
Jião repositórios de longas e pacientes inquirições sobre a beleza
e mistério da Natureza, sobretudo no domínio vegetal.
É nosso intuito, apenas, mostrar a similitude do trato da maté·
.ria naquele e no presente trabalho, quando vemos o autor,
despreocupado com a retórica acadêmica, entregar-se à tarefa de
um homem simples que conhece intimamente as plantas, não
somente em sua fisiologia e etologia, como ainda sob o ângulo
estético. Efetivamente o "Plantas Ornamentais" é também fruto
de suas potencialidades como criador da pai.~agem, de vez que as
conhecendo tão bem, pode oferecer extraordinária contribuição ao
planejamento decorativo dos ambientes de lazer. Coerente com esta
observação que fazemos, é o introito de seu trabalho, onde afirma,
na linguagem correntia e despretensiosa de quem lida com os ele·
mentos naturais, mas algo misteriosos por sua gênese, de que,
"Como flora tropical, a l)rasileira destaca-se pelo número de vege-
tais produtores de grandes flores coloridas, não raro de formas
exóticas, cujo efeito ornamental seria extraordinário se fosse pos-

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sível ou houvesse interesse em cultivá-los em jardins de qualquer
classe". Aproveitando sua lição, podemos, como ele, lembrar que,
para regosijar a visão, ainda há vasos e canteiros.
A atividade florística que constitui a arte da jardinagem sem
importar seu dimensionamento para que tenha beleza ou encantos
visuais, tem tamhhn o mi>rito de proteger as e!;pi>cies raras ou em
vias de extinção. Toda raridade i> guardada em escrínios 1mra que
se conservem para o prazer do.'> sentidos. Assim. o cultivo de
plantas ornamentai.'> .'>em o abandono de seu ambiente peculiar. mas
susceptível de ser implantado desde que se tomem as medidas acau-
teladoras Jmra sua ambientarão ou adaptação. t·om;titui. sem dúvida.
um processo de t•onservação de recurso natural tão precioso e
belo como as plantas e as flore.~. O Prof. Rizzini ohsen'a que há
numerosas 11lantas indígenas que o homem 1wde apreender para
regosijar a visão.
E.~tudado :wh esse ângulo. o cultivo em tasos ou canteiros.
além do seu signifi<·ado ornamental pode proporcionar compensa-
dom fonte de renda, com;tituindo atil>idade únira ou suhsilliária
de florütas e viveirista.~ que JJrOsJwram à custa de organização
comercialmente hem estruturada. Hoje exportam-se flores e plantas
por via aérea de um continente para outro. bastam/o lembrar que
a Cooperativa Holanhra, de Campina.<;, envia regularmente flores
para o mercado europeu, áJmo da /i/rica e de regii)es mai.~ distantes.
inclusive tio Oriente. também o fazem.
lVo JJresente estudo. o autor focalizo as qualidades do filo·
dendro, da gloxínia, do jocarandtl. das marantáceas. das ONfltÍdeas.
1miueiras, palmeira.~. bromeliáceas. mctáceas. das plantas aquátit·as.
ali>m de muitas outras representantes tle fomilías botânicas. dP
nomes ingi>uuos ou já identificados por sua nobrpza. t'OII.~titui11do
um mundo martll'ilhoso de beleza natural. Será. talz,ez. um roteiro
ou indicador para os t'ultiwtdores de plantas e flore.<;. como as cartas
de rral,'egaçiio constituem guia .'ieguro para os quP demandam os
mare.<> amplos e insondár,eis.
Rio de Janeiro. rwlwmbro de 1977
WANDERBILT Dv.\RTE DE BARROS

Superintt>ndf'n tf'
dt> Recurso!' Naturai~ f' Meio 1\mbit'ntt'

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PLANTAS ORNAMENTAIS

Como flora tropical. a brasileira destaca-se pelo número


tle vegetais produtores de grandes flores coloridas, não raro dt"
formas exótica~. cujo efeito ornamental seria extraordinário l:c'e
fosse pos8ível ou houvesse interes8e em cultivá-los em jardins de
qualquer classe. Plantas maravilhosam€'nte belas, como a Norantea
lJrasiliensis, de flores e-stranhamente conformadas e ricamente san·
güíneas. não podem, de fato, abandonar o meio especializado em
que- vivem; assim. igualnwnte, certas U tricularia, muitas espécies
campestres .,. rupkolas etc. Todavia, mostram-se numerosas as plan·
tas indígenas que o homem pode apreender para regozijnr a visão,
nos seus canteiros e vasos. Vejamos as mais conspícuas.

l. AÇUCENA -- Poucas são as amarilidáceas indígenas atê


hoje conhecidas. Todavia, o gênero Hippeastrum é rico em repre·
sentantel:", quase todos eminentemente ornamentais, graças às gran·
des flores geminadas, no ápice de longo pedúnculo, e vividamente
coloridas -- alcançando I 0-1 S em. O povo denomina-os a~·uce11a
ou lírio. As plantaí'i levam bolhos {cebolas), pelos quais duram
anos. florescendo anualmente; e propagam-8e pelos bolbilhos, que
se originam naquele. A~ ~eguintes são espécies hem conhecidas e
estimadas por toda a parte. H. aulit·um Herh .. de perianto verme·
lho e verde na base; H. psittaâuum Herb .• com flores verdes ris.
eada8 de enearnado e (~armezin~ no~ honlo"; H. elJrtestre Herh ..
eujo tubo floral t; verde e os ~"egmentos rubros; H. reticulatum
Herb .. dotado (le floreí" violáeeo-purpúreas eom listas carmezins;

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")i. reginae Ht•rh.. eom flores totalmente vermclhas; H. rutilum
Ht>rh .. provitfo dt• ;;egmcnto,; periantais verdc" e carmezim; H.
subbarbatum Herh.. intcíramcnte coccíneo. Ocorrem e~pontanf'a·
mente na~ ~erra:;. pedrf'Íra~ c areia~.

2. ALA MANDA Também denominada dedal-de-dama ou


tlt• rainha. t•omprt•cnde nma espécie hotànica {Allamanda catlwr-
tit·a L.), suhtfivitlida eomo >.ÚÍ acontecer eom a~ plant:1,; culti-
vadas t'lll grantlt' t>scala soh cont!içiíc:o; e mf:totlo~ diver:-o~ - em
várias espécie~ horft"HSt'l'. isto é. tio:- jardim•. hoje ditas cultivares.
Pertence à.-; apocináct>as. São gratules trt>padt>iras lcnhosas. cedeu-
tio lãtt"x apús h•são. t•om folha.-; verticilada:-~ t" gr:mdt>s flore~ ama-
rdas; os frutos v~m a st•r cáp:-nlas fortt•mentt> acult•adas. pungt>n·
tt's. A espécie t"lll foco ~~ nativa. Compreende-si:" f~;~cilmt•ntt> :1 alt~;~
estima em que ~ão tida!' tai~ pl~;~nta~ se dt>rmos conta do magnífit•o
t•ft>ito ornamental e:-~tahdt•citlo pt>lo eontraslt' tias magnas. hrilh:m-
tc~ e eopio~as flore:; :muu..la:; t•ontra o funtlo vt•rtle-elienro tia fo-
llmgt"m. O nome catlwrl it·a que a espécie comi uz tlevt·-:-;t" ao efeito
fortl'mente purgativo tia infusão tia ca:o~t•a c tia.-; folhas. Ao <lemai:-~,
é planta tóxit·a. razão por qnt" o eozimcnto ~ empregado em hanho:,;
eontra piolho~ e pulgas. A;; prineipai~ varit•tla1le:-~ hortíeola!;, obst>r·
vada:-~ t>ntrt' nó~. l'lâo as ,;eguinte~:
a) V ar. nobi[i$ Ramo:; novo~ violáceo~; as flores alcan,
çam at~ 12 em no diâmt'lro da ahertura.
h) Var. sdwttii Ramo~ lt"Vt"lllt'nte piloso~; as flores mos-
tram a ('Orola t';;eura por tlentro e li:-;ta1la por fora.
c) V ar. ltemlersouii Corola dotatla tle !l manchas inter·
namente.
d) V ar. grmuliflora Flort's algo menore,.. amarelo-eitrina;;.
Autore;; há que as t'IHtsitleram t•spécie~ tli;;tintas. M ultiplie<llll·
st" facilmt"nlt• por t'Sl:H'as e t•re,.;cem com vigor. Outra ht>la espécie
nativa é Alammula l'iohU'ea Ganiu .. divt"rsa pda eor da corola ex·
prt"t'!\H no t>píteto científieo.
:3. ALECRIM-DE-CAMPINAS ~ Arvore ha:-t~;~ntt• aprt"ci<ul:,
emuo ormtmt•nto nrhauo. 110 E,...tatlo de São Paulo. pri•wipalmeutc
t'lll Campinas. ~ a lt"gumino:-a H olm·alyx glaziol'ii Ta uh. As!'Ulllt'
porte t"lltrc pt"qucno e lllt'tliano. reVt•hnulo-,;t• mimo;;a em faee da

lO
folhagem fina e egcura. As flore,; são in,;ignificantes f' arruma<la!l
em minuto!" glomérulo". É nativa no citado Estado.
4. ALGODOEIRO-DA-PRAIA-- Hihiscus tiliaceus L.. mal-
vácf'a. é arbusto ou arvorf'ta earacterístico do;;: nos;;o;;: mangues.
Aprf'!'enta volumosas flores puramente amarelas. sf'm dúvida belís·
simas. Encontra-;;:e muito vulgarizado <·omo árvorf' ornanwntaL Ma;;.
neste> caso. as planta;; tlift"rem daquele;; doí-i manguf'zai:", já na
coloração corolina. que ;;f'ndo amarela. exihe a mai:< 5 grandt•s
maneha;;. atro·violáet"a" na hast'. F~ provável qnf' c>~tas. a:-; cultivadas,
não pron•tlam dos uumgtH'"· mas. ante>~. de (';;toques asiáticos. pois
ela é i~nalmc>nte freqii••nte na Asia.
5. BREJO-DE-MlJR() ~-- Diferente~ espécie~ do gênero Pe.
perom ia. da,; pipt•ráceas. ~ão cultivadas como mimos enva~ados;
sendo ervas minú;,;cnla;;. ;;.ucnlenta;;;. <~om folha;;. geralmente cot·di.
formc>s on orhieulart',;, às vc>zes tran;;;lúei<la;;. outra,; veze;;; sarapin-
tadas. que .'iuportam perft·itamente a somhra. de fato n•t•omeruhun-se
eomo enft·ih~;; tlt· varandas e iutt:riore!:'. Sua" flores l"ão ineonspícuas,
nw,... reunidas em magna cópia em t'OiliiHWta~ e"piga~" filiformes,
che~am a apresentar certo valor ornamental. Entre as nativa~. ;;erve
de panuligma Peperomia sandersii DC .. também conheci1la t~omo
P. arifolia Miq. Leva folha" que atingc>m 6 x 10 em, arredondadat',
111::1~ terminando t'lll bico; a varie<la1le ar{{"tTaea Hook. é particular·
mente decorativa por ter faixas alvas entre as nervuras. sendo os
pecíolos vermelho-e:,;euros de l 0-1 5 em. É planta densamente f o.
lhosa. sem caule evoluído. A" e~pi!!a;; ;;:ão bem mail" longas do que
a~ folha:;. Propaga-~t· facilmente colocando pedaços de folha sohre
areia branea. onde surgc>m gemas que enraízam e formam novas
planta:;. É a mai" connun. nativa na floresta atlântica e eultivada
pelo Hlllll{lo afora.
Outras, ('OlllO P. ganlneriana Miq .• ~emelhante à anterior. po·
rém. algo mt•nor e P. rostulatiformis Yunek .. aintla menor. poderiam
,;enit·. Esta última. apre.,entada Il<l Fig. L ilustra o ,;upra-exposto.
6. BEGÔNIAS - Eis outro gênero ( Begonia). úni{·o na;,;
begoniitcea,;. ahanwnte ornamental e muito bem repre,..eutado na
flora nacionaL O seu habitat natural é a mata úmida e ~ombria;
na Serra do,; Óq~;ão,.. foram etu•ontrada;; pelo menos :n e;;pécit'i'.
Contudo. há as que potlem suportar ambientes secos. em número

ll
Flg. 1 - Peperomie roatulatlfotml•. com s aem eapigaa.

pouco expressivo. o~ vegetais. conquanto possam atingir vanos


metros de altura. são usualmente pequeno~ e sempre frágeis, moles.
Elas são logo itlentificadas pela to< folhas: geralmente espessas. em to-
das as espécies mostnuu-se nssimétricas. com reentrância basal ; ade-
mais. quando desabrocham afastam duas estípulas, on pequenas
follws. que protegem o broto terminal. O caule e os ramos exibem
nós hem marcados. As flores, via de regra, mostram-se modestas,
unissexuais, brancas, róseas ou vermelhas, mas agregadas em densas
inflorescências. A beleza das begônias reside antes na folhagem
larga, ou no conjunto dela com as flores, do que nestas propria.
mente. Muitas possuem rizoma. que pode servir à propagação; ou-
tras multiplicam-se por meio das folhas, que brotam quando colo-
cadas em solo úmido. Por fim. as sementes também são prestantes
no caso. A classificação desse difícil grupo, cheio de formas estrei-
tamente relacionadas, foi bastante aclarada pelos trabalhos de
A. C. Brade; numerosas espécies antes desconhecidas foram por
ele delimitadas e descritas.
Begonia semperflorens Link, tão espalhada por todo o orbe
terráqueo, não é das nossas maiz; belas. Lindas são. com efeito:

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B. paleata A. DC., com grandes folhas verdes riscadas de vermelho
pelas nervuras e pecíolo densamente vestido de conspícuas esca·
mas da mesma cor; B. santos-limae Brade, cujas enormes folhas
gordas exibem indumento pardo-claro na face inferior, sendo das
mais curiosas; B. princeps Hobt., ornada de folhas orbiculares
crassas e flores alvas em longo escapo; B. itaguassensis Brade é
semelhante, porém, inteiramente pilosa; B. maculata Raddi con·
duz folhas com pintas brancas como se tivesse sido borrifada com
cal; já B. kuhlmanni Brade exibe folhas novas e ramos rufo-tomen.
tosos. B. gardr1eri A. DC. emite folha s digitado-partidas, verrles,
amplas e macias. Por outro lado, 8. albidula Brade revela folha-
gem com a página inferior alva, ao passo que B. hispida Schou
é toda pilosa e conduz grandes folhas. 8. hugelii ( KJ.) A. DC. é
alta, dotada de enormes folhas ásperas. Já B. luxurians Scheirlw.,
que atinge 2 m de altura, mostra magnas folhas compostas, digita-
das, compostas de 15 folíolos; as suas flores são pequenas, alvas,
mas muito numerosas e densas. B. quadrilocularis Brade tem fo.
lhas compridas, agudas, ásperas, sendo planta subar hustiva. B. hoo·
keriana Gardn., com cerca de 2 m de estatura, apresenta folhas
novas e râmulos pardo-tomentosos. Todavia, 8 . arborescens Raddi
alcança 4-5 m, tendo alongados colmos. E 8. edmuruloi Brade,
plantinha humilde provida de folhas sarapintadas, gera grandes
flores alvas, na submata da Serra dos Órgãos (Rio de Janeiro).

Flg. 2 - Cetherentltus roseus: . à esquerda. var. donlanus; à d ire ita. var. ocellalus.
7. BOA-NOITE ~- Catharanthus roseus I L.) G. Don, mai,
eonheci•la como l..~orhnera rosea (L.) Reichh., é uma erva lenhosa
procedente de Maclagascar, conquanto cultiva(la no mundo inteiro
e suhespontânea em muitos setores elo território nacional. Atribui-
se à família •las apocináceas. Apre;;enta, conforme a variedade,
flores rubras, hrancas ou alvas com centro ;;an~üíneo, respectiva·
mente var. roseu.~, var. allnts e var. ocellatus. No Rio dt> Janeiro,
clescohriu-se há pouco uma nova variedade, que recebeu a desig·
nação ele v ar. doniwws Rizz. ( Fig. 2). Caracteriza-se pelo caule
verde associado a flores fie eorola rosada <'Otn anel central verme-
lho. Estudos levados a eaho pdo autor provaram que é de natu-
reza híbrida, resultantt' (lo cruzamento de ro.~eus com aliJus. Sua
eoloração intermediária e o diâmetro floral mmalmente magno fa.
zem dela um belo enfeitf' Jlara jardins. sejam públicos ou privaflos.
Outros vocálmlos populares são: beijo, maria-sem-vergonha e vinc(t.

8. BRINCO-DE-PRINCESA -~ f'uehsia regia ( Vand.) Munz


da família das enoteráceas f. lwlo arhusto semi-escandente das ma·
tas da Serra do Mar, ondf' potlf' tamhém vivt>r <'omo epífito ( sohre
as árvores) . É (]ifícil de ser eultivado fora <lo hahitat natural, po-
rém pode·st' consegui-lo às vezc·s. Conduz folhas serrulada:< t~om
algumas nervura,; avermdhadas, no entanto. seu encanto provém
flas lindas flores pendentes, cujo cáliet> purpúreo é maior tio que
a corola azul-forte, fato que vamo;; reencontrar somente na touca-
de-viúva. É l;articularmentf• flifundida na Serra do,.. Órgãos.

9. BROMELIACEAS -~ Enorme família .,ul-amerieana. re-


ferta fie formas ornamentais. l.Jma beleza selvagem, crassa, desti-
tuída de suavidade, antes agressiva. Muita~ alcançam grande porte.
mais de 2 m às vezes. As folhas mostram·st' t•ompridas e relativa.
mente estreitas, não raro a(:ulea(las e JHIH~entes. formando dura
roseta. As flores t:olorida,; via •lt> regra sustentam-se em hrácteas.
igualmentt> <•oloridas. freqüenteuwnlP rc•eordando Heli(·onia. É co-
mum, por t>Xemplo, havt>r flores azui,.; t' hráetea;; vt>rmelhas. Prc•-
ferem viver sohre rochas e tronco~< arlH)reos.

O gênero Bromelia forneee haga~" ('OJUe;;tÍveis. t'OIHJUanto for-


temente ácitla,;, e AnmW8 um fruto múltiplo eonheeido (:omo aba-
f·axt. A maioria da,; t>spécít>s ornamentai:-;, porém, gera frutos :-;ecos.

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Fig . 3 - Paepalanthus bromelioides, sobre termlteiro. Serra do Cip6, MG
Especialmente belos são Nidularium, com folhas diversamente ra~
jadas e maculadas e flores pouco aparentes, escondidas na roseta
foliar. Billbergia, dotado de folhas aculeadas e flores, em conjun-
ção com as brácteas, coloridas. Aechmea, provido de panículas
coradas variadamente. Mas, a todos excedem muitos representante!!
do grande gênero Vriesia, comumente avantajados. V. hieroglyphica
(Buli.) Morr. é das mais estima(las; suas folhas, na face inferior
purpúreo-pardacentas, mostram-se em cima riscadas de verde-es·
curo, lembrando muito vagamente escrita dos antigos egípcios. Aí'!
inflorescências são amplas e providal'i de cores vivas. Tillandsia
também encerra muitas formas adequadas para enfeite. A classifi.
cação deste grupo excessivamente uniforme tem sofrido amplas al-
terações e adquirido maior preci"'ão !'oh os cuidados de T_., B. Smith
e R. Reitz.

Algumas eriocauláceas, como Paepalanthus bromelioides Alv.


Silv., mostram-se notavelmente parecidas com bromeliáceas ( Fig.
3) e denotam do mesmo modo grande beleza. Mas, as flores dife.
rem totalmente nos dois grupos.

10. CACTOS - Plantas do Novo Mundo, o leitor logo iden·


tifica as cactáceas pelo aspecto característico que apresentam. Qua·
se todas mostram-!'e destituídas fle folhas, conduzindo caule gro!'!lO,
suculento e verde, comumente espinhoso. As formas são as mais
bizarras e novamente na exoticidade é que reside a beleza, não
obstante as imensas e intensamente coloridas flores (e frutos, por
via de regra ) .

As formas dividem-se em certo número de grupos naturais,


dentro dos quais é infindável a variação. Assim, temos: cactos fila.
mentosos ( Rhipsalis), cactos foliáceos ( Rhipsalis, Epiphyllum),
cactos colunares ( Cereus), cactos laminares ( Opuntia), cactos ar·
bóreos ( Opuntia, Cereus, Pilosocereus), cactos globosos ( M elocac·
tus). cactos escandentes ( Mediocactus, Hylocereus) e uma série
de formas intermediárias. Todas elas podem ser roliças ou prismá-
ticas, quando não achatadas. As flores levam muitas pétalas e
estames, não raro tendo consistência carnosa; algumas são perfuma.
das --- e sempre belas. Frutos comestíveis não são raros; são bagas
polposas. As cactáceas (~onstituem dos mais árduo~ materiais para

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a taxionomiâ. Diversos botânicos intentaram reformar a família
( Schumann, Britton & Rose, Wedermann, Backberg, p. ex.), em.
pregando pontos de vista particulares; das numerosas fusões, sub-
divisões e criações genérico-específicas resultou tremenda e inextri-
cável massa de nomes científicos, que só os iniciados do grau supe•
rior conseguem penetrar com sucesso. Cada planta leva tantos bi.
nômios que vamos, por imperiosa necessidade, cingir-nos aos mais
conhecidos. Contudo, justiça lhes seja feita, com as magnas obras
de Britton & Rose e de Backberg pode-se identificar um cacto
realmente! ( Figs. 4 e 5) .
Pereskia grandifolia Haw., vulgar sob a designação de ora-pro-
nobis, comumente designada como P. aculeata Mill., é pequena ár·
vore dotada de folhas e espinhos; as flores são róseas e olorosas.
Opuntia brasiliensis (Willd.) Haw. gera um tronco cilíndrico que
atinge 1O m de altura; os artículos achatados e aculeados, em forma
de palmatória, compõem a copa, lá na ponta ; as flores amarelas
lembram uma taça; vive perto do mar, na areia e rochas. Seleni-
cereus grandiflorus (L.) Britt. & Rose apresenta caule prismático,
formado de grossos artículos verde~ e com 5-7 arestas, que se apóia
sobre rochedos ou troncos de árvores. Conhecido corno rainha-da-
noite, graças à peregrina beleza e delicado perfume das suas gran·
des flores alvas; exótico, porém, eubespontâneo. Vulgar é o Hylo-
cereus triangularis (Haw.) Br. & Rose, antes denominado Cereua
triangularis Haw., cujo caule trígono é trepador; suas flores alcan-
çam 25 em no comprimento e 20 em no diâmetro superior, mas não
cheiram. O fruto é uma baga édula, medindo 8 x 18 em, donde o
vocábulo cardo-ananás. Semelhante é o Mediocactus coccineus
(DC.) Br. & Rose, com flores igualmente magnas e frutos gostosos.·
Já Melocactus violaceus Pfeiffer (ou Cactus melocactoides Hoffm.),
a bem conhecida coroa-de-frade, forma um globo anguloso com uns
12 em de altura por I O cin de diâmetro; vive nas areias próximas
ao mar, da Paraíba ao Rio de Janeiro.

Universalmente cultivado e apreciado é Epiphyllum truncatum


(Link) Haw., ainda encontrado em estado silvestre nas matas lito-
râneas · como epífito. Floresce em maio, donde o nome de flor-de·
maio. De flores inicialmente pálido-violáceas, os cuidados e opera·
ções culturais fizeram-nas revestir os mais variados tons de verme•

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Flg. 4 - Pllosoc•r•u• affabld... R•etlnga do Rio de JantlfO

Fig. 5 - M•locaclul dtpffuus (quatro eabeçaa). Parafba


lho, róseo, violáceo, branco e até abóbora. A planta é pequena e
própria para vasos, usando-se muito também em enxertos. De um
pequenino tronco partem numerosas ramificações, constituídas de
curtos artículos achatados e verdes. A floração é copiosa e de larga
duração. As flores têm numerosas pétalas recurvadas para baixo
e de aparência delicada, razão pela qual chamam-na ainda de flor·
de-seda. Uma forma relacionáda é Schlunbergera russeliana
( Gardn.) Br. & Rose, das partes altas da Serra dos Órgãos e mais
difícil de cultivar. Difere de E. truncatum pela ramificação dico·
tômica e pelo tubo floral curto.

11 . CANAFfSTULA, CASSIA - Sob tais designações conhe-


ce-se uma série de espécies do gênero Cassia, das leguminosas -
intensamente apreciadas entre nós, sobretudo na arborização ur·
bana e rural. Sobressai a C. grandis L., árvore de grande porte e
copa, que nos meses de novembro-dezembro fica literalmente co·
berta de flores róseas - o que a torna lindíssima - ao passo que
a maior parte da folhagem cai. Dotadas de corolas amarelas são
a C. macranthera DC. e a C. multijuga Rich., ambas vulgares tanto
nas matas quanto nas vias e jardins do Rio de Janeiro e de aspecto
deslumbrante pelo vivo da coloração floral, quase dourada; a se-
gunda perfuma patentemente. Outras espécies excelentes são: C.
excelsa Schrad. e C. bicapsularis L., providas de lindas flores lúteo-
douradas, aquela da caatinga e esta da restinga. Merecem registro,
também, C. martiana Benth. ( canafístula}, com folíolos velutinos
em ambas as faces, da caatinga pernambucana, e C. latistipula
Benth., da Serra do Mar, particularmente interessante pelos folíolos
glaucos, ou seja, de cor verde-acinzentado-azulada devida a uma
camada de cera. C. latistipula, arbustiva, emite flores solitárias, sua
beleza provindo antes da peculiar folhagem. C. martiana exibe lin-
dos cachos erectos sobre a copa. C. excelsa mostra amplíssimas pa·
nículas por cima da folhagem. C. bicapsularis enche-se literalmente
de suas lindíssimas flores. Todas são arbustO"S ou arvoretas, nativos
e fáceis de cultivar. (Fig. 6).
Afora a prata da casa, encontram excepcional favor as aliení-
genas Cassia fistula L. (jardins), dita chuva-de-ouro, e C. siamea
Lam. (ruas), ambas asiáticas e d~ flores amarelas. Ademais, popu·
laríssima é a C. javanica Ried., cuja procedência o nome indica,

19
Flg. S - Caule mart/ana; detalhei du lolhu • llorea
gerando flores róseas dispostas em panículas por sobre a copa. Fi-
nalmente, a nossa C. alata L. é freqüente em muitos jardins e quin·
tais, menos por suas belas flores lúteas compactamente ordenadas
do que pelas suas propriedades pseudomedicinais; chamam-na de
fedegoso e é um simples a.r busto.

12 . CAPIM-DOS-PAMPAS - Muitíssimo freqüente em jar-


dins e centros de gramado, esta especiosa gramínea - um dos
poucos ornamentos hortenses que essa família de incalculável va-
lor econômico fornece - forma volumosas touceiras, que alcançam
uns 2 m de altura, repleta de finas folhas com boJ"dos serrilhados.
As inflorescências são imensas panículas de aparência plumosa e
_c or prateada ; como persistem longamente, estão sempre presentes
e a planta parece florir continuamente. Daí a perene beleza que
demonstra. É mais conhecido como Gynerium argenteum Nees~
embora o seu verdadeiro nome botânico seja Cortaderia selloana
(Schlt.) As. & Gr.

13. CASTANHA-DE-MACACO - Couroupita guianensis


Aubl., uma lecitidácea amazônica, vem a ser uma das mais estra·
nhamente belas árvores brasileiras. O seu exótico aspecto recomen.
da-se para enfeitar parques e jardins, sendo já. bastante cultivada.
A árvore alcança até 25 m de altura. Entre outubro e abril, emite
miríades de enormes flores, carnosas e róseas, as quais revestem o
tronco desde quase o solo até as ramificações superiores. Propicia
assim o aspecto de grossa e alta coluna parda ornamentada por mi-
lhares de flores. Depois, vêm os volumosos frutos, chegando perto
de 20 em no diâmetro.

14. CHAPÉU-DE-NAPOLEÃO - Esta apocinácea, assim


denominada em virtude da forma dos frutos, diz-se botanicamente
Thevetia peruviana K. Sch., embora seja- mais conhecida como t.
nerüfolia J uss. Muito plantada no Brasil e não sem razão, pois é
_vegetal de hábito encantador. É uma pequena árvore ou mesmo
arbusto, amplamente copada, contendo miríades de finas e longas
folhas.. As flores são amarelas e vi_stosas, amplas. Os frutos encer-
ram princípios cardioativos e são bastante tóxicos.

21
15. CHUVA-DE-OURO- É o Tecorrw. stam (L.) H. B. K.,
também conhecido como Stenolobium stan& (L.) Seem., arvoreta
bignoniácea ( 3·8 m) amplissimamente dispersa, em cultura h or·
tense, em todas as zonas tropicais do mundo. No Brasil, é uma das
mais comuns em jardins e praças, sendo dada como nativa; assina.
la-se, como outro nome vulgar, guarã-guarã. Leva folhas penadas
com folíolos serrulados. Apresenta constantemente magnas flores
douradas em densos cachos, as quais medem 4-5 em ; o fruto é uma
cápsula linear de uns 15 em, repleta de sementes aladas. Seu cultivo
é fácil e o crescimento veloz. Chuva-de-ouro é, ainda, Ca.ssia fistula
L., arvoreta exótica muito encontradiça; difere pelas flores orde-
nadas em cachos pêndulos.

16. CIPó-DE-SÃO-JOÃO - Trata-se da bem estimada Py-


rostegia venwta (Ker.) Miers, uma linda bignoniácea de flore&
amarelo-avermelhadas, comum quer como planta prostrada quer
como trepadeira em vários Estados, por exemplo, no Rio de J a·
neiro e Minas Gerais. Encontrando suporte, vem a ser grande liana,
muito ornamental não só pela coloração mas, sobretudo, pelo ta.
manho e número das flores. ·Ascende por meio de gavinhas e as
folhas compõem-se de três folíolos. As flores acumulam-se nas pon·
tas dos ramos, fazendo-os pender graças ao peso. Pode reproduzir-
se por sementes e por estacas.

17. CLÚSIAS - Clusia grandiflora Split. e C. fluminensis


Tr. & Pl. são bonitas árvores que se encontram sob cultivo em
pequena escala. Agradam tanto pela folhagem quanto pelas magnas
flores alvas; mesmo os frutos imaturos mostram-se ornamentais. A
primeira é amazônica e caracteriza-se pelas vastas e grossas folhas,
de forma oblonga, emitindo ainda raízes aéreas. A segunda procede
da restinga fluminense e se identifica pelas folhas menores, has-
. tante espessas e de forma ohovada. Cebola-p-ande-da-rrw.ta (em
razão do aspecto do fruto antes de abrir) é a designação vernacular
de C. p-andiflora. Anote-se que o crescimento de ambas se revela
acentuadamente lento. Podem, contudo, ser transplantadas, em es-
tado jovem, do habitat natural para os jardins, sem prejuízo.

18. COELHO-NO-PRATO - Esta trepadeira, Periandra


coccinea (Schr.) Benth. já se encontra, por vezes, em cultura por

22
via das grandes folhas ternadas e das vistosas flores rubras, cuja
corola papilionácea é deveras agradável à visão. O nome vulgar
deriva justamente da aparência da corola; o estandarte (pétala
maior e externa) apresenta uma estrutura que sugere o dorso de
um coelho sentado. Pertence às leguminosas e provém do Piauí e
Bahia. As citadas flores medem 3 a 4 em e estão inseridas em pe-
dúnculos que v.ão a 25 em de comprimento; os legumes são lineares,
medindo 12-15 em.
19. COERANA, CESTRO- Várias espécies do gênero Ces·
trum, das solanáceas, de que o Brasil é rico em espécies, são apre•
ciadas universabnente. Entre nós, contudo, cultiva-se especialmente
C. laevigatum Schl., espontâneo sobretudo no Rio de Janeiro. É
um arbusto que atinge uns 2-3 m, provido de folhas medianas e
pálidas. As flores, numerosíssimas, mostram-se minutas (até
2 em), delgadas, tubulosas e amarelo-citrinas. Os frutos são pe•
quenas bagas brancas e sucosas.
Provavelmente a eoerana é a planta nacional de flores mais
penetrantemente odoríferas, com a particularidade de o serem tão·
somente à noite. Mesmo a longa distância percebe-se o seu cheiro
adocicado. As flores isoladamente não denotam qualquer odor; é
o seu conjunto, a soma de muitos milhares, que emite o perfume
- tão intenso a ponto de muitas pessoas não o poderem suportar.
O nome popular dama-da-noite, que se ouve com freqüência, ori-
gina-se das flores não perfumarem durante o dia. A propagação,
pela via vegetativa, é fácil, bastando retirar adequadas estacas cau-
linares, que enraízam e brotam se regadas convenienten,tente.
Semelhnte à anterior é Acnistus cauliflorus (Jacq.) Schott,
conhecida como marianeira; chega a ser pequena árvore, provida
de flores odoríferas e bagas amarelas, muito difundida no País.
Distingue-se pelas folhas tomentosas na página inferior, além da
coloração do fruto.

20. COMIGO-NINGUÉM-PODE - Aráceas do gênero Dief.


fenbachia, originárias da Amazônia, muitíssimo estimadas, sobre.
tudo para vasos localizados na entrada e interior das habitaçóe!l.
Duas são as espécies em tela: D. piéta (Lodd.) Schott, mais apre·
ciada, e D. seguine (L.) Schott. São plantas herbáceas que levam

23

--
caule parecido com cana-de-açúcar, ornamentais pela bonita folha-
gem, já que as flores passam despercebidas (raramente surgem).
As folhas exibem máculas brancas ou amareladas. D. picta, confor-
me indica o nome, é a mais manchada. Em condições ótimas, podem
alcançar até 3 m, mas, quando envasadas, crescem lentamente. A
propagação faz-se por estacas, pois os vegetais cortados não mur-
cham e enraízam com a maior facilidade. Qualquer fragmento de
caule brota, deita raízes e reconstitui a planta inteira. É tóxica,
não devendo ser levada à boca, consoante já se explicou anterior-
mente.

21. GRÃO-DE-GALO - Cordia superba Cham., boraginá-


cea, cuja beleza já é sugerida pelo nome específico, é algo cultivada.
Trata-se de árvore baixa e um tanto grossa, freqüentemente car·
regada de grandes flores alvas (5 em), delicadas, a corola em
forma de funil; as folhas mostram-se magnas, herbáceas e serreadas.
Ocorre espontaneamente nas matas litorâneas cariocas e se estende
até Minas Gerais. Outras córdias v~rias são semelhantes e poderiam
substituí-la.

22. CORTINA-DE-POBRE - Cissus sycwides Linné vem


a ser uma grande trepadeira das vitáceas, cuja beleza reside, além
do conjunto, nas raízes aéreas e filiformes, vermelho-pardacentas,
que caem por vários metros, compondo uma cortina filamentosa
cujo valor ornamental é digno de nota. As folhas mostram-se pe·
quenas e cordiformes. As flores inconspícuas e alvas constituem
cachinhos axilares. Mais vistosos são os frutos negros ou atroviolá-
ceos, cuja polpa tinge de roxo, os quais lembram pequenas uvas
em racemos. Ascende por meio de gavinhas. As raízes intraterrestres
são tuherosas e aqüíferas. Adverte-se que alcança gigantescas di-
mensões e em prazo relativamente curto; facilmente galga as pa·
redes e instala-se no telhado. Embora seja espécie de ampla dis.
persão, é espontânea no Brasil, onde pode achar-se enfeitando ca·
sebres, mesmo no sertão.

23. CYRTANTHERA - Duas vistosas acantáceas, de quan-


do em quando encontradas nos jardins, são Cyrtanthera carnea
(Lindl.) Brem. e C. pohliana Nees, ervas altas. Emitem amplas
inflorescências terminais, formadas de grande número de compactas

24
brácteas verdes e flores róseas - um conjunto atrativo. São enti·
dades silvícolas, do Rio de Janeiro ao Paraná. Algumas espécies
de Aphelandra, da mesma família, merecem os cuidados do horti·
cultor. Nesta categoria, Ruellia macrantha (Nees) Lindau distin-
gue-as pela magnificência das flores, que alcançam 7 em de com-
primento e exibem· coloração purpúrea; ocorre nas matas cariocas
e· mineiras.

24. ESCOBEDIA CURIALIS (Vell.) Peno. - Ás escrofula·


riáceas pertencem variadas plantas ornamentais, tipicamente extra-
brasileiras. Entre nós, convém consignar a E. curialis (antes deno-
minada E. scabrifolia), pequeno vegetal, de belo aspecto, que emite
flores brancas tão longas até 12 em, em forma de funil. Ocorre
nos campos do Planalto Central.

No referente a flores compridas e belas, é oportuno registrar


o gênero Macrosiphonia, das apocináceas, habitante também dos
campos limpos. Em M. longiflora (Desf.) M. Arg. elas atingem
15 em, sendo brancas. Já em M. martii M. Arg. e M. velame ( St.·
Hil.) M. Arg. atingem até 12 em.

25. ESCOVA-DE-MACACO - O grande cipó das combretá·


ceas, Combretum aubletii DC., é encontradiço nos jardins e não
sem razão em virtude das copiosas espigas coccíneas que emite; elas
levam flores somente na parte superior, com estames longos, de
maneira a lembrar, no conjunto, uma escova de cabelos, realm~nte.

26. ESPONJINHA - Diversas espécies de Calliandra, das


leguminosas, são usualmente plantadas como ornamentais. Assu·
mem a forma de arbustos baixos, fortemente lenhosos, bastante
indicados para compor sebes; a beleza das flores, ao contrário do
habitual, reside nos longos, numerosos e vivamente coloridos esta·
mes, sendo as corolas inconspícuas. O seu número é multiplicado
porque as flores agregam-se em glomérulos. Destacam-se C. brevipes
Benth., com estames rosados e folíolos minutos, e C. tweedii Benth.,
cujos estames são rubros e folíolos maiores. Os nossos campos cen·
tro-meridionais enfeitam-se com a magnífica C. macrocephala
Benth. Calliandra surinamensis Benth. é outra espécie já introdu-
zida em jardins; é um arbusto amazônico (até 3 m) com folhagem

25
delicada e flores agrupadas em glomérulos; sua beleza provém dos
estames, que se r.e únem em feixe de até 3 em e são de cor branca
na metade inferior e róseos na superior ; em Manaus chamam-na
de balão-chinês.
27. ESTRELA-DO-NORTE - Randia formosa (Jacq.) K.
Sch., uma rubiác~a paraense, já se encontra em cultivo entre nós,
vez por outra, sendo às vezes chamada rândia. Trata-se de um ar-
busto, dot~do de pequenas folhas e enormes flores, alvas e deli-
ciosamente perfumadas. A corola, que alcança 15 em, leva longo
tubo estreito que se alarga, em cima, num limbo estrelado. Os fru-
tos são indeiscentes e contêm polpa que envolve as sementes, estas
constituindo o meio de reprodução; sua germinação leva de um
mês para cima. Como floresce maciçamente, apresenta aspecto de·
veras atraente.
28. FAVEIRA - Ou farinha-seca (cf. pau-rei}, é Pehopho·
rum dubium (Spr.) Tauh., antes denominado P. vogelianum Benth.,
das leguminosas. Trata-se de linda árvore, dotada de ampla e deli·
cada copa, por sobre a qual ostenta maravilhosos racemos refertos
de flores douradas, cuja permanência é longa. As folhas são fina.
mente recortadas e por si mesmas de apreciável efeito ornamental.
As flores medem 15-20 mm. As cápsulas vão de 4 a 8 em, sendo
comprimidas. Encontra-se comumente como membro da arboriza.
ção urbana. Estende-se espontaneamente desde a Bahia até São
Paulo e Mato Grosso.
29. FILODENDRO - Há alguns anos atrás, meia dúzia de
espécies deste gênero das aráceas eram conhecidas no mundo da
horticultura, do Brasil e países circunvizinhos. Trata-se, sobretudo,
de Philodendron seUoum Koch. e P. bipinnatifidum Schott, ambos
de grande porte, com caule grosso e folhas muito recortadas, real-
mente belos e vistosos. Igualmente avantajado, mas levando amplas
folhas inteiras, é o P. speciosum Schott. Assinala-se, ao demais,
P. imbe Schott.
Tais espécies continuam, entre nós, sendo as mais cultivadas.
Todavia, recentemente profundo interesse têm despertado não só
tal gênero, mas as aráceas em geral, das quais o Brasil é excepcio-
nalmente rico, e notável número de formas vêm sendo trazidas das

26
matas para os jardins. Tais são, por exemplo, o Philodendron
eichleri Engl., dotado de folhas apenas lobadas, e o P. lundii Warm.,
que as leva bipenadas; ambos são de avantajadas proporções e cau-
lescentes. Aqui também o problema da identificação é difícil, pois,
as plantas são variáveis in natura e facilmente modificáveis em
cultura.

Espécies do gênero Anthurium, da mesma família, mostram-


se igualmente muito procuradas. As mais empregadas são exóticas.
Das indígenas, A. regnellianum Engl. exibe folhas de uns 5 x 12-15
em e espata (folha que envolve a espiga) verde-saturada medindo
cerca de 5 em. A. acutum Brown tem folhas triangulares e caudadas,
com 20-25 em; a espata é verde. A. miquelianum Kach, que é escan.
dente, revela folhas elíticas brilhantes de 30-60 em, sendo a espata
lanceolada e verde.

30. FUMO-BRAVO - Nicotiana glauca Grah., solanácea.


não é vegetal nativo nem tão pouco tido na conta de ornamento
hortense. Deve-se notar que não só é encontradiço como ruderal,
mas ainda que suas folhas glaucas aliadas às flores citrinas o reco-
mendam. É arbusto ou arvoreta de apenas uns 3-5 m, que medra
nos piores solos, inclusive entre pedregulhos. As folhas exibem
um indumento ceroso de cor azulada, que promove interessante
efeito ornamental; a corola é tubulosa. Está continuamente florido,
o que contribui para o citado efeito. Apesar de viver nas péssimas
condições assinaladas, o transplante de exemplares jovens depara
com apreciáveis obstáculos, pois murcham logo e recuperam-se pro-
blematicamente.

31. GLOXÍNIA ~ Na família das gesneriáceas existe o gf.·


nero Gloxinia L'Her., com cerca de seis espécies que ocorrem desde
o México até o Brasil; mas, não são plantas ornamentais e, pois,
não se acham em cultivo. O que se denomina geralmente de "glo-
xínia", em horticultura - planta conhecida de quantos apreciam
flores vem a ser uma espécie de outro gênero da mesma família
e exclusivamente brasileiro, contando aproximadamente umas 20
espécies: Sinningia Nees. Daí, a gloxínia dos jardins ser S. speciosa
(Lodd.) Benth & Hook. A eonfusão data de tanto tempo que não
mais poderá ser desfeita.

27
Sinningia speciosa, ou "gloxínia", ainda pode ser encontrada
em estado silvestre nas rochas à beira-mar, exibindo corola de cor
quase uniformemente violácea, ao passo que as formas cultivadas
têm-na variadíssima, não só quanto à coloração (que pode ser até
branca), mas ainda no tangente à forma e dimensões. Poucas fio.
res ultrapassam-na em beleza e exoticidade, donde a enorme pre·
ferência que ela denota possuir. As folhas são largas, espessas,
bem pilosas e recortadas nas margens. As vastas flores acham-se
presas a longos pedicelos. Dentro do solo, a gloxínia tem um tu·
bérculo que durante vários anos emite folhas e flores regularmente.
Pode ser propagada por sementes ou por fragmentos das folha!!
e dos tubérculos. Em geral, as sementes são preferíveis, mas se se
quiser reproduzir exatamente dado exemplar será melhor plantar
um pedaço de folha levando consigo parte do pecíolo.

Outras gesneriáceas brasileiras ornamentais pertencem ao gê-


nero Corytholoma, habitante das serras úmidas e frescas do litoral;
mas não vegetam bem em cativeiro no clima quente da cidade ca-
riOca.

32. GOETHEA Goethea strictiflora Hook. e G. cauliflora


Nees & Mart. são malváceas arbustivas de rara beleza, razão por
que foram introduzidas na Europa há cerca de um século, ainda
que sejam raramente cultivadas. A primeira alcança l m de
altura e leva flores branco-amareladas; a segunda, vai a 2-3 m.
Muitas espécies nativas da mesma família, pela excelência das suas
flores, poderiam ser objeto de cultura para gáudio do senso artístico
humano - tais como, por exemplo, representantes dos gêneros
Pavonia e Abutilon. Contudo, encontra amplo favor o colombiano
e centro-americano Malvaviscus mollis (Ait.) DC., de facílima mul-
tiplicação, rápido crescimento, profusas e bonitas flores encarnadas.
E uns poucos hibiscos arbustivos ( Hibuscus).

33. GRAMADOS Os gramados, no Brasil, eram formados


classicamente com auxílio da grama-americana, Stenotraphrum se-
cundatum ( W alt.) O. Ktze., que se presta otimamente para o plan-
tio, devido a sua rápida propagação através dos estolhos, estreita·
mente acolados ao substrato, que se forma continuamente. De uns
anos para cá, tal espécie vem, cada vez mais, perdendo terreno em

28
favor de Paspalum notatum Flügge, muito macio e denso. Ainda
P. conjugatum Bert. emprega-se no caso. Hoje, todavia, está-se pre-
ferindo crescentemente espécies rasteiras de Arachis, leguminosas,
que dão um lindo gramado denso e resistente, além de macio; se
não for cortado, emite vistosas flores lúteas.

Arachis prostrata Benth. é particularmente útil; leva folíolos


oblongos de 1 x 2-3 em, pilosos, e flores amarelas inseridas no
ápice de longos pedicelos ( 4-7 em) ; vai do Piauí ao Paraná. A.
helodes Mart., com folíolos obovado-orbiculares ( 7-9 x 10-14 mm),
e A. villosa Benth., com folíolos suborhiculares (1 x 1-1,5 em),
servem bem; a primeira vem de Mato Grosso e a segunda do sul
do País e Mato Grosso.

Uma planta estranha para "gramado" é o Solanum violaefo-


lium Schott. É uma erva rasteira cujo caule (genuíno rizoma) corre
sobre o solo, enraizando de espaço a espaço e emitindo regular-
mente folhas sustentadas por compridos pecíolos; tais folhas são
cordiformes e profundamente escavadas na base, formando uma
alfombra macia. As flores vêm a ser pouco aparentes, alvas. É
natural de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

W edelia paludosa DC. é uma composta capaz de crescer em


forma de alfombra, porém, um pouco acima do solo; os seus nume-
rosos e sempre presentes capítulos amarelos destacam-se bem sobre
o fundo verde.

34. GUAPURUVU - É o Schizolobium parahyba (Vell.)


Blake, leguminosa muito cultivada. Toda a árvore é muito atraente,
seja pelo alto e grosso tronco liso e cinzento, seja pela folhagem
delicada e alegre. Atinge apreciável altura e espessura. As folhas
são muito grandes, levando inúmeros folíolos pequeninos. As flores
amarelas, de longe, são pouco aparentes, mas os legumes achatados,
que repletam a árvore, contribuem para o efeito ornamental na
época devida. É oriunda do leste-sul do Brasil. Germinação e cres-
cimento velozes. ( Figs. 7 e 8).

29
Flg. 7 - Schlzoloblum parehyba. Slo Lourenço. MG
c-;,.,
...-~
,,
I'' ...
~
f

Fi g. 8 - Copa do meamo guapuruvu da Flg. 7


35. GUNNERA MANICATA Linden --Esta halorragidácea,
oriunda do sul do País, é, sem dúvida, uma das formas vegetais
mais estranhas aqui existentes. Bela pelo exotismo e deveras apre-
ciada. O caule é curto e grosso. As folhas reniformes, variada-
mente lobadas, de superfície irregular, alcançando quase 2 m no
âmbito parecem que se levantam do solo e se sustentam sobre
pecíolos mais altos do que um homem. A área abrangida pelas
gigantescas folhas anda por vários metros, até lO. As espessas inflo-
rescências (espigas) alcançam 1 m e exibem flores insignificantes,
verdes. É, portanto, um vegetal esquisito, crasso, robustíssimo, que
exige demasiado espaço.

36. HELICÔNIA - As musáceas deste vasto gênero lem-


bram, pelo aspecto, bananeiras, porém, mais delicadas e belas. As
flores são pequenas em relação ao resto do vegetal. mas não as
inflorescências -- constituídas de longos escapos, sobre os quais se
inserem grandes brácteas, vivamente coloridas, côncavas para con-
ter as flores. Tais brácteas conchiformes dispõem-se em zigue-zague
sobre o eixo. De modo que no meio, ou acima, da folhagem verde,
às vezes igualmente colorida, acham-se aqueles longos conjunto:o;
exoticamente conformados e coloridos. Vegetativamente, compor-
tam-se como as bananeiras; possuem um rizoma que se ramifica
bastante, emitindo brotos aéreos após cada floração. No conjunto,
temos touceiras, não raro densas.

As espécies de Heliconia totalizavam aproximadamente 40;


atualmente, graças aos esforços de horti<~ultores interessados, esse
número deve ter sido, pelo menos, dobrado; todavia, tal acréscimo
não representa um melhor conhecimento do gênero em foco, já
que a taxionomia do grupo só aos poucos está sendo deslindada
- tão complexa ela se mostra graças à homogeneidade das formas.
Não podemos. conseqüentemente, denominar senão as mais vulgares
e eminentes. Predominam as brácteas l'angüíneas e róseas, havendo
amarelas e até verdes; já as flores costumam ser brancas, amarela-
das e mesmo esverdeadas. ( Figs. 9 e 1 O).

Heliconia psittacorum L. f. e H. episcopalis Vell. situam-se


entre as mais comuns. H. angustifolia Hook. <~omluz brácteas ver-
melhas e flores alvas. Já H. distans Griggs leva, em cada espiga,

32
Fog. 9 - lnflorescOncia e !olha de Hetrcoma; C representa um bei ja-flor sugando nécrar
Oe H. Barreiros

Fig. 10 - Helíconl• farlno•e Raddo


Foto H. Barreiros
geralmente quatro largas brácteas coccíneas, bem aproximadas. H.
pendula Wawra e H. pulverulenta Lindl. devem sua distinção à
cor argêntea da face inferior das folhas, derivada de indumento
ceroso denso; a primeira é planta de grande porte. Bastante disse-
minada entre nós é a exótica H. bihai Sw., cujas folhas são trans-
versalmente riscadas. Muitas outras entidades foram capturadas
nas nossas matas úmidas, especialmente da Amazônia. O gênero é
também rico de representantes na .Ásia, América Central e Índias
Ocidentais.
37. INDIGOFERA SABULICOLA Benth. - Pequena plan-
ta prostrada, de natureza herbácea, cujos ramos, medindo uns 2 m,
irradiam em torno da raiz central. Apresenta folhas penadas e
flores róseas dispostas em cachos de 4-8 em. Os ramos crescem
sempre acolados ao substrato, ainda que se trate de cimento. Pra-
ticamente o ano todo encontra-se florida; origina também frutos
em magna cópia, cedendo sementes sem dificuldade. Como estas
germinam em curto prazo, a reprodução é fácil; o crescimento é
veloz. Eis aí um vegetal nativo (nas areias do litoral fluminense)
que pode preencher perfeitamente a função de ornamento hortense,
prescrevendo-se para revestir o solo com efeito estético em face
da contínua emissão de flores, muito graciosas, podendo inclusive
subsistir debaixo de outras plantas, erectas. Seu cultivo não en·
contra obstáculos em climas semelhantes ao do Rio de Janeiro.
38. IPÊ A chamada '"árvore nacional'\ da qual existem
muitas espécies botânicas, e que confere um aspecto todo especial
à vegetação em torno, quando floresce. Os ipês são árvores media-
nas, em sua maioria silvestres, do gênero T abebuia, antes dito Te-
coma ( bignoniáceas). É característico deles perder a folhagem quan-
tlo da emissão das flores; e o fazem com tal profusão que os galhos
desfolhados ficam inteiramente revestidos; ao longe, são manchas
vivamente coloridas na paisagem. Deveras, poucas plantas podem
competir, em magnificência, com um ipê florido. Após a floração,
voltam as folhas digitadas a recobrir os ramos, enquanto os frutos
(cápsula) prosseguem no desenvolvimento.
As mais encontradiças sob cultivo são: Tabebuia heptaphylla
(V ell.) Tol., dotado de flores em panicula, roxas, róseas ou lilás;
T. impetiginosa ( .Mart.) Standl., cujas flores em corimbo têm a

34
mesma cor; T. caraiba (Mart.) Bur., oriundo do cerrado, leva
flores amarelas; T. chrysotricha ( Mart.) Standl., conhecido como
ipê-tabaco, ainda com corolas lúteas, mas distinto pela pilosidade
ferrugínea que o reveste; T. vellozoi Tol. (o eminente T. longiflora
( Vell.) Bur. & K. Sch.) também com flores amarelas, porém, má-
ximas e desprovido de pêlos.

Cybistax antisyphilitica Mart. parece-se com T abebuia e o povo


chama-a de ipê·mandioca; contudo, as suas flores são verdes. Re·
lacionados e muito difundidos são também: Stenolobium stans
( J uss.) Seem., que atualmente se tem atribuído ao gênero ·Tecoma
e cujas flores são amarelas e muito numerosas; e }acaranda acuti-
folia (R. Br.) li. B., conduzindo corolas azuis e delicada folhagem,
comum nas ruas do Rio de Janeiro. (Cf. números 15 e 40).

39. IPOMOEA- São numerosas as espécies deste enorme


gênero das convolvuláceas que se acham integradas nos jardins do
mundo inteiro, diversas provindas do Brasil. Talvez a mais apre.
ciada seja lpomoea purpurea (L.) Roth, uma extensa trepadeira
de flores violáceas, quase azuis, cujas folhas têm forma de coração;
é tão vulgar que foge das culturas e vegeta por conta própria, re·
vestindo-se continuamente de suas grandes e especiosas flores. Tam-
bém bastante comum é a interessante, por ser um arbusto erecto,
I. fistulosa Mart., emitindo magnas corolas pálido-violáceas. Pode
multiplicar-se por estacas. Dizem-na canudo-de-pito.

No capítulo das convolvuláceas ornamentais, não poderia ser


esquecido o Calonyction bona-nox (L.) Choisy, agora denominado
lpomoea alba L. A par do aspecto delicado, suas gigantescas flores
( 15 em) alvas e perfumadas só se abrem no anoitecer e fecham-se
pelo raiar do dia. As folhas são cordiformes. Propaga-se por si
mesmo, enraizando pelos ramos que tocam o solo, já que é escan·
dente; assim, não raro torna-se verdadeira praga nos jardins e f a.
cilmente vegeta subespontaneamente. ( Fig. 11).

40. JACARANDA - Pronuncie-se jacaránda. Duas árvores


extremamente belas, }acaranda acutifolia (R. Br.) Bonpl. e }.
mimosaefolia D. Don, difíceis de distinguir entre si, aparecem fre-
qüentemente em cultivo hortense. São de tamanho reduzido, com

35
Fig. 11 - lt>omoea sobre muro. Ouauo lloru no centro
folhagem delicadamente subdividida e muito elegante; as flores,
que eclodem em magna cópia, mostram-se grandes e de um azul
quase celeste, enfeitando muitíssimo as copas. Emitem largas dp-
sulas achatadas, plenas de sementes aladas. Crescem nativamente
no País. Incluem-se entre as bignoniáceas.

41. JACOBINIA- Um alegre arbusto, freqüentemente atu-


lhado de flores róseo-fortes, vem a ser }acobinia festiva Rizz., das
acantáceas, descoberto em ma tinha de restinga (litoral fluminense)
e submetido a cultivo em jardim, pois é fácil de transplantar, ainda
mesmo quando alcança l-2 m de altura. Floresce abundantemente
várias vezes ao ano. As flores tuhulosas e longas ( 4-5 em), com
2 lábios, ordenam-se compactamente em curtas espigas situadas so·
bre os ramos, assumindo curiosa posição vertical. (Fig. 12).

Também de fácil cultura e ainda mais atraente é Acelica tri-


merocalyx Rizz., oriunda da mesma localidade e parente próximo
da anterior. Trata-se de uma trepadeira de dimensões moderadas,
cujas flores são mais curtas, porém, hem mais largas, e de inte.
ressante coloração violácea. ( Fig. 13). Conquanto frutifiquem sa•
tisfatoriamente em cultura, não se conseguiu a germinação., pelo
que sua reprodução há de ser vegetativa, operação que, conforme
se anotou acima, é simples.

42 . J ARRINHA - Ou mil-homens e papo-de-peru, engloba


numerosas espécies de cipós ou trepadeiras, ornamentais tanto pela
folhagem quanto pela conformação exótica das grandes flores, do
gênero Aristolochia, das aristoloquiáceas. Observe-se, porém, que
não poucas exalam odor desagradável e até fétito, que atrai insetos
para o interior da esquisita corola, donde não mais podem sair.
São fáceis de cultivar, a partir de sementes. As folhas revestem
a forma de coração, sendo comumente amplas. As flores usual-
mente possuem enorme corola dotada de uma ampla ampola basal,
que lembra verdadeiro bócio, sobre a qual se expande o magno
limbo, não raro colorido e bastante variegado, com pintas e riscos;
no centro leva um orifício mais ou menos amplo e é comumente
bilabiado. O nome papo-de-peru procede precisamente dessa dila·
tação basal da flor. Entre a ampola e o limbo fica um colo cilín.
drico ou afunilado. Em Aristolochia grandiflora Sw., o limbo chega

37
Fig. 12 - Jacoóm'a festiva
Fig. 13- Ace 1/ca trímerocatyx
a medir até uns 20 em de diâmetro e, além di,.;so. prolonga-;;e, pelo
ápice, em uma ;;orte de eamla linear e retorcida <le um ] 8-20 em
de comprimento. Em A. proslrata Ducht. qua~;e não exi~te colo.
assentando-se o limbo sobre o bojo e t'endo aquele todo franjado
de apêndices carnosos. O limbo de A. ridicula Brown divide-se em
dois lábios horizontais que. no ápice. se reve~tem de longos pêlo:;
glandulares e rubros, capazes de apresar inseto;; por serem viscosos.
E, assim, é vasta a variedade de detalhes florais que constituem
motivo de exoticidade nestas plantas fora do comtmt.
Os frutos são cápsulas que se abrem em 6 valvas, ai' quais
ficam presas pela~; extremidades em forma <le cesta; as sementes
aladas são múltiplas.

43. MAMINHA - Solanum mammosum L., solanácea, é


erva espinhosa de pequeno porte e com folhas loba das; em flor,
nada a recomenda ou denuncia como ornamental. Mas, quando se
encontra em fruto, assume peculiar aspecto que atrai pela origina-
lidade. Tais frutos são bagas ovóitles, lisas, do tamanho de um
limão grande ou abiu, cuja base apresenta vários prolongamentos
mamilares que bem recordam tetas. O fruto, além <listo, exibe ao
observador a forma de um ubre lúteo e inflado. Procede da Ama·
zônia e às vezes surge em cultura, o que, aliás, os silvícolas já fa.
ziam. Chamam-na ainda de juá-bravo e jurubeba-do-pará. Advirta-
se que o fruto é tido como venenoso.
44. MAMOEIRO-DO-MATO Existem espec1es do (o(ênero
Carica, da família das caricáceas, como o nosso usual mamão das
mesas, utilizadas em jardins em face das bonitas folhas, grandes
e recortadas, e dos pequeninos frutos amarelo-avermelhado,, o"
quais persistem longamente aderidos à planta-mãe. Trata-se de
ervas, de 1-2 m de altura, oriundas do Japão. No Brasil, C a rica
monoica Desf. serviria a idêntica finalidade, sendo, além do mai~,
fácil de cultivar. A planta fica pelo metro de altura e parece-se,
de fato, com o mamoeiro édnlo; quando floresce e frutifica, apre-
sentando os mamõezinhos lúteos. oferece aspecto atraente. As se'
mentes verrucosas germinam bem, dentro do lapso de um mês.
Em estado selvagem ocorre sobretudo nas matas de calcário. de
Minas Gerais e de Goiás. Anote-se que as bagas ( 4-5 x 4-6 cm) são
duras e insípidas, só servindo para fazer doces. ( Fig. 14).

40
Fig. 14 - Carlca monoica
45. MANACÁ - Arbustos altos e copados, grandemente po·
pulares, elegantes quando floridos. As flores vestem um azul-vio·
láceo, mas vão embranquecendo à medida que envelhecem; andan1
por 2-4 em no diâmetro, sendo a corola plana.

Trata-se de solanáceas do gênero Brunfelsia. B. uniflora


(Pohl) Benth., muito conhecida como B. hopenana (Hook.) Benth.,
é a mais vulgar, exibindo flores intensamente perfumadas, que
recordam jasmim. Segue-se B. grandiflora D. Don, datada de flores
semelhantes, porém, inodoras. "Pegam de galho".

Outro manacá interessante é o da restinga, Brunfelsia maritima


Benth., que ocorre nas areias do litoral, entre a vegetação lenhosa ;
habitualmente, é um pequeno arbusto de I m que, contudo, pre·
mido entre outras plantas, pode esticar-se até sair ao sol e alcançar
uns 2 m. Em cultivo isolado, não cresce além de 60-100 em, apre-
sentando flores pálido-violáceas serri odor, muito graciosas. As se·
mentes eclodem dentro de uns 30 dias, sendo lento o crescimento
das plântulas ; tal sucede igualmente com as demais espécies, razão
da preferência pela reprodução mediante estacas caulinares, que
enraízam sem apreciável dificuldade. ( Fig. 15 ).

j
í

f'lg. 15 - Brunlel&le unlflote; ramo procedente de brotaçlo de relz.


1• formando nova planta
46. MARANTÁCEAS -Nas matas úmidas brasileiras, for-
rando o solo humoso, vegeta número avultado tanto de espécies
quanto de indivíduos de plantas herbáceas, de alto valor orna-
mental graças à exuberante folhagem, pertencentes à presente fa-
mília. São grandes folhas, já verdes, já diversamente maculadas,
ora lisas, ora pilosas, e assim por diante. Muitas espécies de vários
gêneros das marantáceas foram trazidas para os nossos jardins, não
sendo poucas as que, ainda, foram introduzidas em países estran-
geiros.

Já fizemos sentir que, aqui, o valor como enfeite não se deve


às flores, pouco aparentes, mas às belas folhas ou, antes, ao !'leu
conjunto. Exigem, para bom desenvolvimento, locais úmidos, som-
brios e frescos. Sendo plantas dotadas de vigorosos rizomas suhter·
râneos, a sua propagação é fácil através de judiciosa fragmentação
dos mesmos, quando reconstituem a planta-mãe; pela mesma razão,
estendem-se grandemente em superfície, à medida que o rizoma
cresce e emite brotos aéreos.

O gênero Calathea domina completamente, exibindo numerosos


representantes nos jardins. C. bicolor Ker. é das mais vulgares,
sendo muito empregada para marginar canteiros. C. cylindrica
( Boiss.) K. Sch. é de vastas dimensões, mas tem as folhas verdes.
C. rufibarba Fenzl. está entre as mais belas; a folhagem não so·
mente é colorida como ainda maciamente aveludada. C. zebrina
situa-se entre as mais freqüentes; leva folhas variegadas. Há outros
gêneros, mas o grupo todo é tão homogêneo que, ao leigo, parece
haver apenas umas poucas espécies num único gênero.

47. MARIA-SEM-VERGONHA Em locais úmidos e som·


brios, rochas e suhmata, hem como margens de estrada à sombra,
pode encontrar-se uma pequena erva aqüífera provida de belas
flores que vão do róseo ao violáeeo. Sua corola, de variada tona·
lidade, exibe limbo plano, em cujo centro estão as diminutas ante·
ras conglutinadas. O cálice é notável por uma sépala prolongada
em pequena espora. Os frutos mostram-se característicos por se-
rem cápsulas que, não obstante sua cor verde e riqueza em água,
detêm deiscência explosiva, lançando as sementes mínimas à dis-
tância. Trata-se da balsaminácea lmpatiens sultani Hook., originá-

43
ria de Zanzihar e hoje suhespontânea nas áreas mais frescas. sohre·
tudo nas serras fluminensPs. O efeito ornamental deriva não apenas
da beleza das flores, que nunca ,;e nmwntam, e do seu incalculável
número . mas principalmente da amplà variação de cores que !'e
observa numa mesma população. As sementes germinam rapida·
mente e o crescimento é dos mais velozes. É parente próximo do
beijo-de-frade, lmpatiens balsamina L.. muito apreciado por sua'l
diversamente coloridas flores dobradas.

48. MERINDIBA A litrácea Lafoensia glyptocarpa


Koehne é também uma hela árvore de enfeite e utilizada na orna·
mentação de ruas. De agosto a s<>temhro cobre-s<> de longas ( ca. 5
em) flores alvas, sendo o cálice quase do tamanho da corola. As
folhas pequenas põem em destaqut> a!' flores. fazendo-a bastante
atraente.

49. METTERNICKIA PRINCIPIS Mikan Pequena árvo·


re das solanáceas, dotada de amplas flort>s alva;; ( 7 em), em forma
de funil. Indígena das matas cariocas. porém. fácil de cultivar.
50. MULUNGU, ERITRINA De grandes flores ruhro•
sangüíneas são várias espécies altamente ornamentais do gênero
Erythrina, das leguminosas. Perdem anualmente. algumas delas. a
vasta folhagem. ficando somentt> a copa constituída das flores t>n·
carnadas. E. cristagelli L. é arvoreta comum em cultivo. E. velutina
é avantajada e ocorre espontaneamente na caatinga hahiana ( Fig.
16). E. speciosa Andr., antes denominada f:. reticulata PresL é
arvorezinha fortemente acult>a(la que vive no litoral e se encontra
introduzida nos jardins paulista;,; e carioeas. O fruto é vagem como
a do feijoeiro; as semenle8 germinam hem t> pro()uzem um tul,ér-
culo inicial que assegura grande re8Ístêneia noíi transplantt>~ e con-
tra condiçõe" aérea~ desfavoráveis.
51. NEOMARICA COERULEA (Gawl.) Sprag. O Bral'il
é pobre em iridáceas. mo,.trando-se psea~sa;,; êb espécies que. aliál'5.
são pouco dignas de nota. Daí valer a pena mencionar t>sta. (la
Serra dos Órgãos e loealidades semelhante;;. Possui flores gran(le~
e otimamente coloridas cm azuL com estriação pardo-amarelada
na base. Contudo, mesmo em estado vegetativo t>la é atraente. em

44
virtude das compridas folhas em forma de espada. Propaga-se fa.
cilmente pelos bolbilhos que emite, os quais "pegam" sem di fi·
culdade. Podia-se mencionar ainda Alophia e Cypella. com grandes
flores de variada coloração.
Por último, seja referido o gênero Trimezia, de hábito idêntico
ao de Neomurica. As flores, conquanto semelhantes pela conforma·
ção, englobam cores predominantemente amarelas e pardo-amare·
ladas. Cultiva-se facilmente sob o nome de junquilho-do-campo ( ou
do mato).
52. OITIZEIRO - Esta crisobalanácea oriunda do Nordeste,
Licanio tornentosa (Benth.) Fr., foi, em tempos idos, deveras apre.
ciada na ornamentação urbana, no Rio; hoje, que é pouco plan.
tada, encontram-se com grande freqüência indivíduos anosos. A
preferência por ela deve-se, certamente, à notória resistência ao
calor, poeira, fumaça e, não raramente, sombra projetada pelos
altos edifícios modernos. As flores são inconspícuas. Mas, não os
frutos - ditos oiti. Produzidos abundantemente e dotados de polpa
mole, contribuem também para sujar a cidade. Todavia, as crianças
apreciam ingerir a carne olorosa e de sabor próprio, levando boa

Fíg. 16 - Tronco de Eryrhrina ~e/urina, na caatinga baiana


Ffg. 17 - N&omarlca coerulee, folha• em upada; ao fundo, eaplgae alvaa de Mimou caesa/plniaelolie
proporção de óleo. Têm cor amarela e alcançam uns 6-8 em de
comprimento.
53. ORQUÍDEAS É bem notória a riqueza do Brasil em
orquidáceas ~ que o digam os orquidófilos do mundo inteiro.
Seria escassamente proveitoso tentar relacionar o que há de mais
expressivo neste setor, pois não saberíamos escolher -- entre as
mais belas, exoticamente conformadas e vividamente coloridas
as espécies de l,aelia, Cattleya, Oncidiwn, Cyrtopodium. Sobralia,
Epidendrum, Catasetwn, Brassavola, Stanhopea e uma infinidade
de outros gêneros. Tal lista não teria fim, razão por que remetemos
o leitor interessado aos trabalhos de Hoehne, citados na literatura.
54. P AINEIRA ~ Chorisia speciosa St.-Hil. e C. crispiflora
H. B. K. são duas excelsas bombacáceas muito et"~timadas como orna·
mento, pela peregrina beleza das enormes flores, de coloração rósea
sob várias tona1idades. São espécies muito próximas. Árvores pro·
vidas de grossos e pungentes acúleos. Quando da floração à
semelhança dos ipês ~ despem-se inteiramente de folhas e vestem·
se de conspícuas flores, que atingem 15-18 em no diâmetro. Os
grandes frutos abrem-í'e quando maduros, libertando as sementes
que estão envolvidas em fibra semelhante ao algodão I paina ou
kapok). Outra bombacácea comum como árvore de arborização
urbana é Pachyra aquatica Auhl., cujas flores carnosas chegam a
30 em de comprimento, mas sem denotar beleza acentuada.
55. P AINEIRINH ,\ -- Ou IJaÍna-de-seda, é Gomphocarpus
brasiliensis Fourn., asclepiadácea nativa e ruderal em São Paulo e
Rio de Janeiro, porém também plantada em jardins, em razão dos
curiosos frutos. Trata-se de uma erva que me(le 1-2 m, com folhas
lanceola(las eRtreitas, flores quase brancas pendendo de um pedún-
culo e folículos ventricosos, em forma de pequeno balão verde a
mole, revestido de longos apêndice!' macios e cheio de ar; as se·
mentes têm longos pelos brilhantes.
56. PALMEIRAS - É de notar-se, sendo esta a terra das
palmeiras ou Pindorama, que prevalece o gosto pelas Palmae alie-
nígenas, tais como: Phoenix, Chrysalidocarpus, Ro.ystonea, Sabal.
etc. Contudo, as nossas matas !'stão repletas de graciosas espécies
de Geonoma e de Syagrus, algumas cultivadas menos aqui do que
no estrangeiro.

47
Flg. 18 - Grupo de palmeiras, no Jardim Botênlco do Alo de Janeiro, de alio valor ornamental.
Foto R. Machado
,
A famosa palmeirinha-de-petrópolis, provida de folhagem de-
licadíssima, não encontra rival em matéria de beleza; é pequenina
e difícil de cultivar fora da sombra, umidade e frescura. Chama-se
Lithocaryum weddellianum (Wend.) Tol., antes Syagrus weddel-
liana ( Wend.) Becc. É natural da submata da floresta úmida de
Petrópolis e Teresópolis, sendo hoje já difícil de encontrar. Enti·
dades nativas costumeiramente plantadas são as seguintes, talvez
menos pela beleza inerente do que pelos frutos: Cocos nucifera L.,
hoje comum nas avenidas litorâneas; embora admitidamente exÓ·
tica, comporta-se como nativa; Acrocomia scleroearpa Mart .. dita
coco-de-caturro, comum nas regiões interiores; Arecastrum romun·
zoffianum Becc., própria da orla marítima, conhecida como baba.
de-boi. Outras, só esporadicamente. (Fig. 18).

57. PAU-DE-ROSAS -- Uma pequena árvore. particular-


mente bela por cobrir-se inteiramente de flores róseo-violáceas na
ausência das folhas, é Physocalymma scaberrimum Pohl, das li-
tráceas. Não passa dos 6-8 m. As flores ordenam-se em cachos que,
a seu turno, se congregam em panículas. Ocorre naturalmente em
Goiás, mas já se cultiva em alguns pontos do País. Quando em
plena floração, e estando deRpida da folhagem, recorda um pe!õse.
gueiro em flor.

58. PAU-FERRO- Outra leguminosa nativa de magna be-


leza é a grande árvore Caesalpinia ferrea Mart., muito plantada
nas vias públicas e praças. O próprio tronco já é ornamental em
virtude das vastas manchas, não raro quase brancas, que possui.
Depois, a delicadeza da copa, em face dos folíolos minutos. As
flores amarelas pouco influem, mas os frutos fazem-se notar pela
dureza e odor peculiar e agradável.

59. PAU-LIXA- Arbusto ou arvoreta de longos ramos sar-


mentoRos e folhas ovado-oblongas. serreadas e ásperas ao tato. Cul.
tiva-se pelas flores pequeninas. porém, densamente agrupadas em
cachos alvos e suaveolente,.. Reahut"nte, o aroma é dos mais agra-
dáveis e chega a embalsamar o ar t>m torno do vegetaL Provém do
sul do Brasil e países circunvizinhos. Cit"ntificamente. chama-se
Aloysia virgata (R. & P.) J uss., porém, o nome botânico habitual
i> Lippia urticoides ( Cham.) Steud. Inclni·se entre as verbem'íceas,

49
Flg. 19 - Eapigaa brancas de A/oysia vfrgata; em baixo, Pl/osocereus arrabidae, caclo espinhoso

que possuem inúmeras outras entidades perfumadas e belas. Re-


produz-se com a maior facilidade. seja de sementes, seja tle estaeas,
e transplanta-se lllt>l'lHO com a raiz nua sem perigo. ( Fig. 19).
60. PAU-MULA TO - Curiosíssima, e hoje bastante espa-
lhada, árvore amazônica, que também é produtora de madeira útil.
É a rubiácea Calycophyllum spruceanum. Hook. Distingue-se pelo

50
Flg. 20 - Cetycophyllum apruceenum. o pau-mulato. Rio de Janeiro, Jardim Botanlco
tronco muito comprido, fino e sempre revestido de casca absolu-
tamente lisa, brilhante e de cor parda, a qual se renova anualmente.
A pequena copa fica hem no alto, pois a árvore é pouco ramificada
e só no ápice. Fornece, por conseguinte, excelente impressão de ele-
gância. Flores e frutos insignificantes, em nada contribuindo para
a excelsa beleza deste vegetal. ( Fig. 20).

61. PAU-REI Magnífica árvore, de grande porte, provida


de vastas raíze~ tahulares na ba:,;e do tronco, que é retilíneo e só
ramificado no ápice. As folhas cordiformes alcançam 30 em. As
flore;; são inaparentes, mas não assim os frutos, grandes cápsulas
ferrugíneo-tomentosas que ><e abrem mediante uma única fenda.
Botanicamente diz-se Basiloxylon brasiliense (F r. Ali.) K. Sch.,
da família das tiliáceas~ o primeiro nome sendo uma versão gregà
literal do vernáculo pau-rei; outras designações desta origem são:
maperoá e farinha-seca. Ocorre espontaneamente do Nordeste ao
Rio de Janeiro, nas matas costeiras, e encontra-se hoje bastante
cultivada, sobretudo na arborização urbana.

62. P AV-SANTO Das 34 espécies de Kielmeyera (família


das gutíferas) que ocorrem no Brasil (só uma existe fora deste
País), todas provida, de folha:s e flores de raro efeito ornamental,
algumas são arvoretas e poderiam ser cultivadas. Servem de exem·
plo: K. coriacea ( Spr.) Mart., K. speciosa St.-Hil., K. petiolaris
( Spr.) Mart., K. rizziniana Saddi e K. excelsa Camb. as duas
primeiras, do ~errado, a terceira deste e da mata, a quarta do
litoral baiano e a quinta das matas cariocas. As flores podem ser
róseas e alva:,;, com diâmetro de 5-10 em; ab grandes pétalas e os
numerosos estames coloridos fazem delas legítimas glórias da na-
tureza. As folhas não deixam de ser particulares: grandes, espest'as,
duras e riscadas por vasto número de nervuras filiformes. As cáp-
sulas lenhosas, sempre bastante alongadas e trivalvares, possuem
sementes aladas. Deve atentar-se, todavia, para o fato (le qu~ o
seu cre8cimento é moroso. Folha-santa e boizinho são outras deno·
minações populares. O nome atual da família é bonetiácea~>, ainda
não difundido suficientemente.

63. PINHÃO-ROXO ~-- V árias espécies de ]atropha, vindas


de outras terras ou nativas, são ornamentais. J. podagriea Hook.,

52
da América Central. com suas inflorescências coralinas e folhas
lohaflas, é de fato limla. J. gossypiifolia L., de larga dispersão pelas
regiões quentes do novo mtmdo, além de subespontânea e ruderal
em certos pontos do País. é cultivada por ser um curioso arbusto
( 2-3 m) todo roxo-avermelhado-escuro; suas folhas mostram-se lo-
ba das e marginadas de pêlos glandulosos; as flores rubras são pou-
co aparentes. As sementes fornecem óleo drástico. J, curcas L. é
semelhante à presentemente considerada, porém, maior e verde
(pinhão-brabo).

64. PLANTAS AQUÁTICAS -· Temos a consignar um certo


número de vegetais especialmente indicados para cultivo em lagos
e tanques. Pistia stratiotes L., o alface-d'água, não precisa ser re-
ferido, visto ser cosmopolita. Vulgaríssimo é o aguapé, Eichhomia
crassipes Solms., pontederiácea, uma bonita erva natante, tanto
pelas folhas como pelas flores delicadamente violáceas; o pecíolo
possui uma dilatação glohosa, cheia de ar, que faz a planta flutuar.
Facilmente se torna uma praga, porquanto multiplica-se por sim-
ples fragmentação do caule e não raro obstrui os rios, impe(lindo
a navegação. Comum, também, é E. azurea Kunth, destituída de
dilatação peciolar. Ainda as espécies de Pontederia são objeto de
cultivo, nas mesmas condições.

lU yriophyllum brasiliense Camb., halorragidácea, é muito de-


licado e parece-se exatamente com um pinbeirinho (donde: pinhei·
rinho-d' água) ; as pontas, numerosíssimas, saem fora d'água, for-
mando como um tapete que oculta a água subjacente. Ainda en·
contradiço é Cyperus giganteus Vahl, uma ciperácea semelhante ao
papiro e que pode substituí-lo nesta latitude; chega a 2 m de
altura, ao passo que o papiro é algo mais alto. Lindíssima e original
planta natante, que bem merecia habitar os nossos jardins, é a
}ussiaea sedoides H. & B .. fartamente dispersa por vários Estados.
Suas folhas acumulam-se na extremidade dos ramos, ficando todas
no mesmo plano de modo a revestir a superfície aquosa uniforme·
mente. Além de serem as folhas belas por si, há sempre miríades
de flores amarelas, com cerca de 2 em de comprimento. A mais,
ocorrem diversas marantáceas, alismatáceas e butomáceas, entre
outras, dotadas de agradável folhagem, em nossas coleções líquidas.

53
65. QUARESMA - Um encantador espetáculo para o via-
jantt:' que se dirigi:' dt:' fevereiro a abril para as nossas serras,
é a visão de inúmeras manchas amarelas f" roxas contra o fundo
verde-escuro da vegetação que reveste as encostas. É que nessa oca-
sião florescem, e com magna abundância, ,;Ímultaneamente duas
plantas aí representadas em grande cópia. O amarelo promana das
já comentadas Cassia multijuga e C. macranthera. E o violáceo
provém de Tibouchina granulosa (Desr.) Cogn., melastomatácea,
aqui e ali substituída por espécies afins (sobretudo T. estrellensis
(Raddi) Cogn. no Estado do Rio de Janeiro e T. pulchra (Cham.)
Cogn. na Serra de Santos, SP).

T. granulosa é pequena árvore, mas de rápido crescimento,


própria para jardins. Cobre-se, na época indicada, de incalculável
número de amplas flores (5-6 em de diâmetro), fortemente coradas
em roxo, de aspecto delicado. Há uma variedade rosea, dotada de
alegres flores róseas, menos freqüentt> e mais bonita. Os ramos
quadrangulares e ala<los denunciam-na imediatamentt:'. T. pulrhra
merece especial registro porque as flort:'s ( 7-8 em de diâmetro)
mostram-se níveas pela manhã e purpúreas à tarde, o que faz dela
uma espécies muito desejável como enfeite hortense. Do enornw
gênero Tibouchina, além das citadas, apenas T. holosericea ( Sw.)
Baill. e T. grandifolia Cogn. acham-se introduzidas nos hortos do-
mésticos; são arbustos com grande" folhas l>rilhantes em razão do
denso revestimento de pêlos íierícem; e avantajadas flores lilases
ou azuis.

66. RABO-DE-ARARA No Brasil, é altamente apreciada


a mexicana Euphorbia pulcherrima Willd., um arbusto aqui deno-
minado asa-de-papagaio. O efeito ornamental desta planta procede
das compridas brácteas, de um vermelho vivíssimo, que se inserem
em torno das insignificantes inflorescências, estas localizadas nas
pontas dos ramos.

A nossa flora, todavia, possui algo semelhante, mas de outra


natureza, nas rubiáceas. Aqui é uma das sépalas das pequeninas
flores que se alonga enormemente e assume a mesma coloração
gerando quase o mesmo efeito. Das diversas rubiáceas onde tal
fenômeno sucede, destaca-se Warszenwiczz:a coccinea (Vali.) Klotz.,

54
fig. 21 - Warszenwtczia coccinea, cálice mostrando a sépala gigante e miniata

o rabo-de-arara; nela. a sé pala alongada alcança uns 1 O em e, em·


hora isso não aconteça a todas as flores, ainda assim imita bem
E. pulcherrima. t Fig. 21).

67. RABO-DE-CUTIA - Múltiplas são as compostas orna-


mentais. Entre as nativas. destaca-se Stifftia chrysantha Mikan, que
se estende na8 matas desde a Bahia até São Paulo e que se cultiva
bem, embora denote cre:;cimento lento. f~ um arbusto de uns 2-3
m de altura, bem copado, com folhas coriáceas e nítidas. Está
sempre carregado de grandes capítulos semelhantes a esponjas glo·
bosas, isolados nas axilas foliares, de cor amarelo-forte e mais
ou menos áureos, os quais levam umas 30-40 flores tubulosas e
muitos filamentos; na base, há um invólucro de brácteas imbrica-
das. Essas cabeças lúteas podem ser colhidas e usadas em arranjos
diversos, em razão de sua natureza seca. Outras designações popu·
lares são: esponja-de-ouro e pincel.

68. SABIÁ- Da mesma subfamília anterior, mimosóideas,


são Mimosa caesalpiniaefola Benth. e 1ltl. laticifera Rizz. & MatL
leguminosas arbóreas, leitosas e espinhosas, ambas levando lenhos
de boa qualidade. A primeira é conhecida como sabiá, mas pouco
difere da outra, segundo todas as aparências. São arvoretas fáceis
de cultivar, com densa e ampla folhagem e flores alvas; além da
sombra e do rápido crescimento, são boas para cercas vivas. (Figs.
17 e 22).

55
Fig. 22 - Mimosa lallcilera, folha e lloru
69. SANGUE-DE-ADÃO Embora o Brasil seja rico em
espécies de Sal via (labia das), não poucas belíssimas, tão-somente
S. splendens Ker. é vulgar nos jardins. Trata-se de uma erva capaz
de produzir grande quantidade de compridas flores vivamente ver·
melhas - donde o nome vernacular. Não raro, foge dos canteiros
e vegeta subespontaneamente em quaisquer sítios citadinos. Re.
produz-se por sementes com a maior facilidade. S. uliginosa Benth.,
do sul do País e circunvizinhanças, com flores azuis e às vezes al-
vas, embora objeto de cultura, não aparece com freqüência.

70. SAPUCAIA - A indicação da árvore Lecythis pisonis


Camb., lecitidácea, para arborização é útil e interessante, conquan-
to perigosa. É de grande porte, tronco espesso, casca grossa e gre-
tada, folhas pequenas e serruladas. As flores são especiosas, car-
nosas, de conformação estranha por apresentarem um andróforo
cheio de anteras e dobrado sobre o centro da flor, tal como se
encontra também na castanha-de-macaco ( q. v.) ; sua cor geral é
palidamente violácea. A folha nova tem coloração rosada mais ou
menos pardacenta. O perigo supra-assinalado provém dos enormes
frutos capsulares, verdadeiras urnas grossas e pesadas e cujo im-
pacto sobre a cabeça será bastante doloroso; tal órgão chega a
medir 20 x 25 em e possui numerosas sementes, oleaginosas e de
sabor delicioso esta sendo a utilidade acima mencionada. É na·
tiva do Ceará ao Rio de Janeiro e encontra-se em cultivo (em Pe-
trópolis, por exemplo, há vetustas árvores nas margens do rio Pia-
banha). Outros nomes populares são: marmita-de-macaco e cum-
buca-de-macaco.

71. SESBANIA PUNICEA Benth.- Leguminosa arbustiva,


com 2-3 m, folíolos pequenos e oblongos e flores vermelho-claras
( ca. 2 em) dispostas em cachos de 5-7 em, muito atraentes; os
legumes são lenhosos, quadriangulares, dotados de quatro asas lon·
gitudinais e medem 5-10 em. É nativa no sul do Brasil e países
fronteiriços. Fácil de cultivar e manter.

72. SOMBREIRO - Clitoria racemosa Benth., leguminosa-


fabóidea, é hoje árvore muitíssimo empregada na arborização ur-
bana, principalmente no Rio, e, em menor escala, noutros Estados.
Alcança tamanho médio, produzindo boa sombra, além de enfeitar

57
o ambiente em virtude da~ ~uas honitas e magnas flores roxo-azu-
lado-claras; estas, por outro lado. ~ão emitidas t"lll tal quantidade
qut> as ruas acabam por ficarem l'ujas. apc)s as pisaduras dos tran-
seuntt>s. Provém do Amazonas. onde a del'Ígnam como faveira ou
palheteira. É facilmente propagáve) peJas l't"mt"ntes, qut> germinam
otimamt>nlt", t" de crescimt>nto bastante rápido.

73. TACHIZEIRO Triplaris surinamensis Cham. é ár-


vore bastante cultivada, originária da Amazônia. Atinge apreciável
altura; suas folhas são grandt>~. indo até um 40 em de compri-
mento. As flores, conquanto pequenina!', tornam·st" vistosas não
só pelo intenso colorido t>ncarnado. mas também pelo grande nú-
mero que se congrega em apertadas espigas. Ao iniciar-se a fruti-
ficação. o cálice das flores femininas amplia-se notavelmente. che-
gando a 4, em, ocasião em que a heleza da planta sofre incremento
de maneira sensível. O fruto, contudo, não pm;;sa de insignificante
núcula, oculta no vasto cálice acrescente. É uma poligonácea. típica
pelo fato de a base foliar emitir uma prega que abraça o ramo.
que é fistuloso. Por Í8to, os ramos podem abrigar formigas em
seu interior, em estado silvestre.

7 4. THUNBERGIA ALAT A Bojer - Esta minuta e grácil


trepadeira das acantáceas é de origem africana. porém. encontra-se
amplamente difundida entre nós como planta subespontânea e ru-
dera1, logo integrada na flora pátria. Muito disseminada como planta
ornamental temos a gigantesca T. grandiflora Roxb .. cujas enormes
flores azuladas estão presentes o ano inteiro, originária da Ásia.
T. alata não é considerada espécie hortícola, embora suas vistosas
flores amarelas nunca faltem. Contudo, encontra-se, de quando em
quando, uma forma dotada de corolas alvas, cuja beleza é pere-
grina, que é muito mais rara. Ambas as variedades podem ser trans-
plantadas com facilidade e suas sementes geram novos espécimes
natural e copiosamente. Vt>rifica-se que elas podem ser submetidas
a tratos culturais em jardins, oferect'ndo vegetais permanentemente
floridos e de aspecto bastante agradável, com a não desprezível van·
tagem de ocupar espaço relativamente modesto. As corolas, sejam
lúteas, sejam brancas, revelam mancha central escura que as em-
belezam notavelmente.

58
75. TIPA, TIPU, TIPUANA - Botanicamente Tipuana
speciosa Benth., esta leguminosa é árvore comum nas ruas de não
poucas cidades hrasileiras, por exemplo, Rio de Janeiro e São
Paulo. Procede do sul do País e terras circunjacentes. As folhas
são compostas de folíolos pequenos. As flores lúteas, não maiores
que 1 em, dispõem-se em curtas panículas axilares e não se desta-
cam especialmente. Os frutos são sâmaras duras, com longa asa
coriácea. Não é particularmente bela, mas cresce depressa, fornece
boa sombra e resiste bem ao ar poluído das cidades I tal como o
oitizeiro), além de não sujar as vias públicas.

76. TOUCA-DE-VIÚVA - Bastante apreciada entre nós,


trata-se de Petraea racemosa Nees & Mart., uma verbenácea pro-
cedente das silvas fluminenses. Trepadeira lenhosa, ampla, emi-
tindo generosamente grande!iõ cachos da flores roxas (donde o nome
vulgar). Aqui o cálice é maior do que a corola e persiste além
dela; tendo quase a mesma cor. constitui a parte mais ornamental.

77. TRÊS-MARIAS - O nome prende-se ao fato de ocorre-


rem três flores unidas em grupo. São grandes cipós que ascendem
muito alto, se o suporte permiti-lo, ou se enovelam, havendo, além
disso, formas arbustivas semi-erectas. A quantidade de flores emi-
tida, de quase todas as cores, é tão grande que praticamente a
planta fica reduzida, ao de longe, a uma colorida mancha no fundo
da paisagem. Importa notar que as flores propriamente ditas 8ão
inaparentes, pequeninas; a beleza das "flores" deve-se, na verdade,
à cor das amplas e delicadas bractéola8 que as encobrem. O efeito
ornamental da três-marias é dos mais apreciados, tanto nos jardins
públicos quanto nos particulares. Os nomes primavera, sempre·
lustrosa e maravilha são-lhe comumente aplicados pelo povo.

Bougainvillea spectabilis Willd. sobressai por todos os títulos:


dimensões, vigor, floração, etc. Conduz acúleos pungentes nos ra-
mos. Além dela, existe a B. glabra Choisy, também aculeada, mas
distinta pelas folhas lanceoladas e sem pêlos. Ambas deram origem,
sob intenso cultivo, a numerosas variedades, nem sempre facil-
mente atribuíveis às espécies das quais procederam; este fato dá
conta da multiplicidade de formas e coloridos que se observam por
toda parte. Raramente produzem sementes e, por isso, a propagação

59
faz-se por estacas, o que é fácil, contanto que haja sol à vontade.
Pertencem às nictagináceas e são nativas no litoral austro-oriental.

78. TURCO Muitas são as leguminosas arbóreas, algumas


Ja tratadas, utilizadas como ornamentos hortenses, sendo imprati-
dvel pretender relacioná-las todas. Convém incluir a Parkinsonia
aculeata L., leguminosa de ampla dispersão neotropical (México à
Argentina) e difundida na caatinga. No Nordeste, plantam-na em
ruas com certa freqüência, por exemplo, em Teresina e em várias
cidades do interior piauiense. E com razão: é pequena árvore de
aspecto muito peculiar, porquanto os folíolos diminutos e numerosos
fazem-na parecer uma avenca de vários metros. Os ramos, arro-
xeados na ponta, conduzem acúleos e as flores amarelas são visto-
sas. As raízes revelam-se sensíveis aos traumatismos durante os
transplantes; é melhor abrir o fundo das latas e enterrá-las com as
mudas. Folhagem e vagem são procuradas pelo gado. ( Fig. 23).

79. UNHA-DE- VACA Diversas espécies do gênero Rauhi-


nia, das leguminosas, são t"stimadas como ornamentos hortenses por
via das folhas inteiras ou parti(las pelo meio, cujas nervuras se
mostram arcuais, e das flores vistosas, alvas ou coccíneas. São ar-
bustos ou pequenas árvores. Algumas são alienígenas, outras autóc-
tones. M ororú ou mirorú é designação vernacular que se lhes aplica
comumente. Os frutos são vagens lenhosas e compridas, deiscentes
por duas fendas. Crescem rapidamente, sem problemas.

80. URUCUM --- Bixa orellana L. é mais cultivada para


obtenção das sementes, de cuja polpa se prepara o condimento dito
colorau. Por outro lado, as vistosas flores róseas e os magnífico~
frutos coccíneos, cobertos de longas pontas quebradiças, fazem da
arvorezinha ou arbusto ( 2-4 m) um bom espécime ornamental.
Além disso, cresce o líeu valor, nesta categoria, pelo fato de estar
sempre vestida de flores e frutos, simultaneamente. As cápsulas
agregam-se em cacho!í, ampliando sua heleza. F: nativa na região
amazônica. Pertence à família das bixáct>as.

81. VELOZIÁCEAS - Esta família, hem aparenta(la (~om


as duas anteriormente citadas. substitui-nas na flora brasileira.
V ellozia e Barbacenia são os gêneros que emhelezam deveras as
nossas serras e campos limpos, sobretudo onde bá pedregulho. E

60
Fio. 23 - Perklnsonia acu/eal8, árvore que parece avence
isto já simplesmente pelo hábito 1las plantas, já pelas lindíssimas
flores alvas, lilases, azuis ou vermelhas. Mas sua cultura, embora
possível, não é acessível a todos. V. candida Mikan e V. compacta
Mart. mostram-se das mais comuns e atraentes. Pelo interior do
País costumam ser chamadas de canela-de-ema.
82. VITÓRIA-RÉGIA ~ E~ta notável e belíssima planta,
universalmente admirada, procede de águas rasas 1la região ama-
zônica, nas quais as folhaíi flutuam, porém presas pelos pecíolos
ao rizoma mergulhado na lama do fundo. As folhas, imensos 1liscos
dotados 1le acúleos nas margens, alcançam até 1,80 m no diâmetro
e diz-se po1lerem suportar uma criança em cima, pois os bordos
são rebatidos para eima de modo a formar uma espécie de bacia
rasa. As flores alvas e perfumada~' chegam a medir 40 em no diâ-
metro, usualmente menos. mas. ainda assim, as maiore;;; do reino
vegetal em plagas brasileira!' e as segumlas no mundo ( exce1lidas
apenas pelas 1le Rafflesia amoldi, que vão a l m). O granJe e
complexo fruto amaduréce enterrado no loJo. No fundo deste,
encontra-se o caule - um rizoma tuberoso e erecto, inserido in
loco por inúmeras raízes esponjosas; tal úrgão po1le atingir 50 em
no comprimento e 15 em na largura. notando-l'e que apo1lrece por
baixo à rneJida que cresce para cima.
Victoria regia Lindl., 1las ninfeáceas, nome tradicional hoje
substituído por V. amazonica ( Poepp.) Sower., que detém prio-
riJade sobre aquele, é conhecida no Amazonas sob a denominação
vernacular hem notória de uapé, de jaçanã e outros nomes; ali
OR indígenas comem o rizoma e as sementes assa1las, as quais for-
necem fécula apreciáveL As especiosas flores, não raro com centro
rosado, abrem-se à noite. As sementes, em secando a lama. per-
manecem viáveis e germinam ao voltar <la água. Uma ~egunda
espécie, menos conhecida. vive no rio Paraná (Paraguai). É a
Victoria cruziana D'Orh., da qual Malme encontrou uma forma
Jistinta em Corumbá, Mato Grosso, dita f. mattogrossensis Malme.
A vit<'iria-régia é planta anual cultivada no mundo inteiro, para
tanto construindo-se, nos dimas mais frios. e~tufas ou lagos aque-
cidos. As culturas tomam romo ponto de partida a" sementes. que
germinam sem dificul1lade. Da mesma família. tarnhém na água,
ocorrem várias espécies <le Nymphaea, gênero eonhecido no mundo
todo por sua excelsa beleza. ( Fig. 24).

62
Flg. 24 - Victor/a BmBZonics (regia), lago do Jardim Bo!Anlco, Rio de Janeiro

83. ZEBRINA - Ou erva-de-san.ta.- luzia, é a comelinácea


Zebrina pendrLla Schniz., muito comum em jardins e vasos, além
de ser subespontânea em algumas margens e interiores de matas
próximas das cidades. É considerada indígena. Trata-se de uma
erva prostrada. que se faz conspícua, não pelas flores pequeninas
e róseo-intensas. mas antes pelas folha s ovadas, carnósulas e de
coloração especiosa: purpúreas na página inferior; prateadas, es·
branquiçadas e com faixas avermelhadas na face superior. Culti.
va-se bem em locais pouco ensolarados. Em vasos pendentes, deixa
descer longos ramos de apreciável efeito ornamental. Onde haja
pouco sol, pode forrar o chão formando bela alfombra. Outras
comelináceas poderiam substituí-la, mas não seriam tão elegantes e
atraentes.

63
REPARO FINAL

É manifesto que não esgotamos o assunto. A flora do Brasil permanece repleta


de possibilidades. neste e noutros setores. Quisemos tão-somente propiciar uma idéia
do que se pode utilizar no momento. Daí não termos incluído: Andira, Dichorismulra.
Diodeu. Euterpe, Lm•oisiera. 1-upínus, Microlicia, Mucuna. Mandevilla, Dipladenia,
l'u ..síflura, Peltophorum. Phyllocarpu.,, H,·menolobium, l'lntycyamus, l'odocarpu.,, Se·
neciu. 1'abebuifl, { Itricularia. r· och)·sitl. e tanta, outra>. Também nada dis,emos a
respeito do,; nossos belí~simos feto>. sejam herbáceos. sejam arborest'ellles I t•Íaleát·eas),
que em·antam o viajante procedente dos dimas temperado• pela fina tessitura da
ampla folha~:em.

64
BIBLIOGRAFIA

A expos1çao sobre plantas ornamentai!' foi redigida ('om ba~e no ronhedmento


direto do. vegetais e no exame das •·olet;Ões vivas do Jardim Botânieo; assim, não
bá proprinmente literatura ron~ultada. Todavia, algumas obras espeeiais podem dtar-se.
para instruir o leitor avam;ado.

L Backberg. C. Die Cactaceae. 5 v. Jena. G. Fischer. 19511-61.

2. Bailey, L. H. Standard cyclopedia of hortículture, 3 v. London. MacMillan, 191i.

3. Ded;.er. J, S. Aspectos biológicos da flora brasileira. Porto Alegre, Rotermund.


1937. 530 p.

4. Gra(, A. B. 1959. Exotica. Pictorial cyclopedia of indoor pl(mt.~. 2 v. New York.


Roehrs. í 7. 600 fotograrias i.

5. Hoehne, F. C. Iconografia de orchidáceas do Brasil. São Paulo. Secretaria dl'


Agri<·ultura. 1949. i Com mais de 400 rigurasl.

6. Hoehne, .F. C. Flora llrasilica, 11 fast'Ículos. São Paulo, Depto. de Botânica,


1940-55.

7. Martins, C. F. P. von. Flora llrasiliensis, 15 , ... 40 tomos Leipzig, F. Fleischer,


1840-1906.

8. Ministério da Agricultura. Album florístico I. árvores ornamentais I Rio de Ja.


neiro. Serviço Florestal. 1945.

9. Britton, N. L & Rose, J. N. The Cactaceae, 4 v. Washington. Carnegie lnsti·


titution. 1919-23.

10. J'io Corrêa, M. Dicionúrio das plantas úteis do Hrasil e das exottcas cultivadas,
6 "' Terminado por L. de A. Penna. Rio de Janeiro, M. da Agricultura e
IBDF, 1926-74.

11. Prire, G. T. & Silva, M. F. da. Árvores de Manaus. Manaus, INPA, 1975.
312 p.

65
tNDICE
lVonzP.tt conJun~

Estando a;; l'lantas num~n1das. no t~xto. o número aposto a .-ada nome ,·ernat'ular.
na relat:âo a s~~uir. remete o leitor ao lugar dele no .-orpo do trabalho.

Aba.-axi 9 Escova-de-macaco 25
Acelira 41 Esponja-de-ouro 67
Amistus 19 Esponjinha 26
Açu.-ena 1 Estrela-do-norte 27
Aguapé 64
Alamanda 2 Farinha-seca 28 e 61
Alei'rim-de-rampinao 3 Faveir~ 28 e 72
Alfa.-e·d'água M Fedegoso lJ
Algodoeiro-da-praia 4 Filodendro 29
As:J·de-papagaio 66 Flor-de-maio 10
Flor-de-seda 1O
Baba-de-boi 5ú F olha-santa (12
Balão·!"!Jinês 26 Fumo-bravo 30
Begônia,- h
Beijo 7 Gloxínia .11
Beijo-de-frade 47 Goethea 32
Boa-noite 7 Grama-americana .13
Boizinho 62 Gramados 33
Brejo-de-muro 5 Grão-de-galo 21
Brinro·de-prin•·esa 8 Guapuruvu .34
Bromeliáceas 9 Guarã-guarã 15
Gmmera manicata 3:'i
Carlos 10
Canafístula 11 Helicônia 36
Canela-de-ema 81
Canudo-de-pito 39 Hibiscos 32
Capim-dos-pampas 12
Indigofera sabulicola 37
Cardo-ananás 10
lpê 38
Cássia 11
Castanha-de-macaco 1.~ lpê-mandioea 38
Cebola-grande-da-mata 17 I pé-tabaco 38
Cestro 19 Ipomoeo 39
Chapéu-de-napoleão 14
Jaçanã 82
Chuva-de-ouro 11 e 15
Jacaranda 40
Cipó-de-são-joão 16
Jacobinia 41
Clúsias 17
Jarrinha 42
Coco-de-catarro 56
Juá-bravo 43
Coelho-no-prato 18 Junquilho-do-campo 51
Coerana 19 Jurubeba-do-pará 43
Comigo-ninguém-pode 20
Coroa-de-frade 10 Li rio
Cordia superba 21
Cortina-de-pobre 22 Maminha 43
Cumbuca-de-macaco 70 Mamoeiro-do-mato 44
Cyrtanthera 23 Manacá 45
Dama-da-noite 19 Maperoá 61
Dedal-de-dama 2 Marantáceas 46
Maravilha 77
Eritrina 50 Marianeira 19
Erva-de-santa-luzia 83 Maria-sem-vergonha 7 e 47
Escobedia <'Urialís 24 Marmita-de-macaco 70

67
Merindiba 48 QuareRma ó5
Metternirkia principis 49
Mil.homem• 42 Raho.de·arara 1>1>
Miroró 79 Rabo·de·rutia 1>7
Mulungu 50 Raínha·da-noite 10
Rândia 27
Neomaricn coerulea 51
Sahiá ó8
Oiti 52 Sangue·de·adão ()9
Oitizeiro 52 Sapuraia i(}
Ora·pro·nobh 10 Sempre.Justrosa , ,
Orquídea' .13 Se.<banin tnmicen 71
Sombreiro 72
l'aina-de-seda 55
Paineira 54 Ta..llizeiro i.1
Paineirinha .).) Thwzber!{Ía alatn 74
l'alheteira 72 Tipa i5
Palmeiras 56 Tipu ,,,
Palmeirinha-de·petrópolis .'ill Tipuana ,,,
Papo-de-peru 42 Touo:a-de-viúva 8 e 76
Pau-de-rosas 57 Três~ntaria~
Pau·ft'ITO 58 Turo:o iR
Pau-lixa 59
Pau-mulato 60 rapé 82
Pau-rei 61 C nha·de-va<"a 79
Pau-santo IJ2 llnu·um 80
Pineel IJI
Pinh;io-brabo b3 \'eloziáceas 111
Pinhão-roxo 63 \' im·a
Pinheirinlw·d'á!ma M Vitória-régia 82
Planta> aq u:iti<·a• 64
Printavt>ra 77 Zehrina 83

68
Nome.• 11enérico.•
Devem ser igualmente procuradog pelos número;; da• planta;; no texto.
A bmilon 32 Euphorbia 66
Acelíca 41 Escobedia 2·l
Acnistus 19
Acrocomia 56 Fuchsia 8
Aechmea 9 Geonoma 56
Allamanda 2 Gloxinia 31
.4loJJhia 51 Goethea 32
Aloysio 59 Gomplwcarpu.~ 55
Anana.~ 9 Gunnera 35
Anthurium 29 Gynerium . . 12
A JJhelandra 23
Arachi.< 33 Heliconia 9 e 36
Arecastrum 56 Hibiscus 4. 32
AriMolochia 42 llippeastrum l
Holocal~·x 3
Barbacenia 81 H)1ocereus lO
Basilo.tvlon 61
Bauhinfa 79 lmpatiens 47
Begonia 6 lndigofera 37
Bíll bergia 9 lpomoea 39
Bi.m 80
}acaranda 38 e 40
Bougaínl'illea 77 ]acobinia n
Bromelia 9 ]atropha 63
Brun/elsia 45 ]ussiaea 64
Caclu.< 10
CaesaltJinia 58 Kielmeyera 62
Calathen 46 Lafoensia 48
Calliandra 26 tecythis 70
Cal~·cophyllum 60 Ucanía 52
Carica ·l-+ UtJpÍa 59
Ca.<.<ia 1L 15 e 65 Uthocanum 56
Catharanthus 7 1-ochner~ 7
Cereus lO
CeMrum 19 Macrosiphonia 2·l
Chori.<ía 54 Mahal'iscus 32
Chrysalidocarpus 56 Mediocactus lO
Cissus 22 l'rtelocaclus lO
Clitoria 7l Mettemírkia 49
Clusin li Mimosa 67
Cocos 56 Myriophyllum 64
Combretwn 25 !\'eomarica 51
Cordia 21 N irotimza 30
Cortaderia 12 Nidularium 9
Corytholoma 31
Coz;roupita 13 N pn phaea 82
Cybistax 38 Opuntia lO
Cypella 51
Cyperu.< 64 Pachyra s.t
Cyrtanthera 23 Paepalantlws 9
Parl.-insonia 78
Dieffenbachia 20 Paspalum 33
Eichhornia M Pat·orzia 32
Epiph)-llum lO Peltophorum 28
Erythrino 50 Peperomia 5

69
Pereskia lO Stenolobium l:'i e 3!l
Periandra 18 Stenotaphrum ~~
l'etraea 76 Stifftia (Ji
Philodendron 29 s~·awus .16
Phoerrix 56
Phnoca/ymma 57 Tabebuia 3fl
Pilosoce;eu.< 10 Tecoma 15 e ~8
Pistia 64 Theeetia H
Pontederia 6-i ThunbPrgia 71
P,·ro.<tegia 16 Tibouchina 6.)
Tillandsia 9
Randia 27 Tipumw 75
Rhipsalis 10 Trimezia 51
Ro)·stonea 56 Triplari.< í~
Tluellia 23
Sabal 56
r 'ellozia 80
J'ictoria 82
Salda 69
r·riP.<ia 9
Schizolobium H
Schlunbergera lO
Selenicereu., 10 rr arszemdczia 66
Se.<bnnia il rT' edelin n
Sinningin 31
Solanum 33 e 43 Zebrinn 83

70
Composto e impresso no
Centro de Serviços Gráficos
do IBGE, Rio de Janeiro RJ.
SÉRIE PAULO DE ASSIS RIBEIRO

1. Paulo de Assis Ribeiro


Os Recursos Naturais e o Planejamento

2. W anderbilt Duarte de Barros


Explotação de Produtos Florestais na Amazônia

3. Harold Strang
Conservação do Meio Ambiente

4. R. F. Dasmann
Ambiente Propício à Vida Humana

5. Tom Gill
O Ambiente e a Sobrevivência Humana

6. Carlos Toledo Rizzini


Árvores e Madeiras do Brasil

7. Orlando V alverde
Recursos Naturais e o Equilíbrio das Estruturas Regionais

8. Carlos Toledo Rizzini


Plantas Ornamentais

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