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JAIR MESSIAS BOLSONARO BRUNO MALAFAIA GRILLO

Presidente da República DÉBORA SILVA CARVALHO


GRACIEMA RANGEL PINAGÉ
TEREZA CRISTINA CORRÊA DA COSTA DIAS Equipe Técnica
Ministra de Estado da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento ALESSANDRO CÉZAR DE OLIVEIRA MOREIRA
DÊNIS OMAEL SILVA PEREIRA
SERVIÇO FLORESTAL BRASILEIRO DHEBORA JULIANA LINO PIRES DA COSTA
FERNANDA PICCOLO PIERUZZI
VALDIR COLATTO FLÁVIA REGINA RICO TORRES
Diretor-Geral do Serviço Florestal Brasileiro LIDIANE MORETTO
LÚCIA FERNANDES ALVES GARCIA
JAINE ARIÉLY CUBAS DAVET MARIA DE FÁTIMA BRITO LIMA
Diretora de Cadastro e Fomento Florestal ROGÉRIO MARQUES MAGALHÃES
SANDRA REGINA AFONSO
PAULO HENRIQUE MAROSTEGAN E CARNEIRO Autores
Diretor de Concessão Florestal e Monitoramento
AVANTE BRASIL INFORMÁTICA E TREINAMENTO LTDA.
FERNANDO CASTANHEIRA NETO Projeto Gráfico e Ilustração
Coordenador-Geral de Fomento e Inclusão Florestal

VITO ENZO GENESI


Coordenador de Fomento e Inclusão Florestal
SUMÁRIO

1. Biodiversidade florestal brasileira 5


1.1 Apresentação 5
1.2 Biodiversidade 6
1.3 Biodiversidade brasileira 7
1.4 Biomas brasileiros 9
Encerramento do módulo 1 13

2. Óleos essenciais 15
2.1 Apresentação 15
2.2 Métodos de extração de óleos essenciais 18
Encerramento do módulo 2 24

3. Óleos graxos vegetais 26


3.1 Apresentação 26
3.2 Fontes de óleos graxos vegetais 27
3.3 Química dos óleos graxos 28
3.4 Formas de extração de óleos graxos 34
Encerramento do módulo 3 37

4.2 Experiências na produção comercial  40


4.3 Produção de oleaginosos  42
4.4 Comércio 52
Encerramento do módulo 4  61
Referências bibliograficas 62
MÓDULO 1
Biodiversidade florestal
brasileira
1. Biodiversidade florestal brasileira
1.1 Apresentação

Sejam bem-vindos ao curso Óleos e Resinas Florestais!


Para acompanhá-los no decorrer dos estudos, vamos contar com o apoio de uma técnica de
laboratório e um extensionista, além dos representantes da comunidade e de uma empresa de
processamento de produtos florestais.

Vamos conhecer melhor cada um deles?

Meu nome é Altair. Sou técnico extensionista e trouxe


informações importantes sobre as melhores práticas
para trabalhar com óleos e resinas como uma forma de
TÉCNICO

exploração de produtos florestais não-madeireiros, para


gerar renda direta para as comunidades.

Eu sou a Cátia. Trabalho em um laboratório


de beneficiamento de óleos vegetais e quero
compartilhar minhas experiências.

Meu nome é Rita. Sou estudante e quero aprimorar meus


conhecimentos sobre as atividades extrativistas e de
beneficiamento.

Sou Rafael, funcionário de uma empresa que


adquire produtos para a indústria de cosméticos.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 1


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1.2 Biodiversidade

Vamos iniciar com uma abordagem conceitual do termo biodiversidade.


A biodiversidade corresponde ao conjunto de espécies do planeta.
Pode ser estudada em pelo menos três níveis:

─ diversidade genética;
TÉCNICO

─ diversidade de espécies; e
─ diversidade de ecossistemas.

Juntos, estes três níveis criam a complexidade de vida na Terra. Este


conceito diz respeito, também, às diferentes interações entre os
organismos, e está diretamente relacionado à diversidade geográfica
e climática, à qual as diferentes formas de vida estão submetidas.

Somos um país megadiverso, e por esta natureza não é possível afirmar com exatidão a
quantidade de plantas, animais e microrganismos nativos. Estima-se serem mais de 2
milhões de espécies, sendo o Brasil o país com a maior diversidade vegetal do planeta. Já
foram catalogadas mais de 55 mil espécies, podendo chegar a mais de 350 mil espécies
vegetais, e mais da metade destas espécies podem ser encontradas nas florestas tropicais
e equatoriais (NODARI; GUERRA, 2000).

A manutenção de um ambiente biodiverso promove um conjunto de fatores ecologicamente


favoráveis, que chamamos de serviços ambientais ou ecossistêmicos. Entre eles,
destacamos:
→ a absorção de carbono atmosférico pelas plantas;
→ a polinização das flores;
→ a disponibilidade de água por meio da estabilidade das condições climáticas
com moderação das temperaturas, força dos ventos e marés, entre outros.

Estes serviços da natureza são absolutamente necessários para a vida humana, impactando
diretamente a existência das atividades agropecuárias, pesqueiras e florestais. Se fosse
possível mensurar os custos desse serviço, seria o equivalente a 33 trilhões de dólares por
ano (COSTANZA et al., 1997).

Fonte: MMA.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 1


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1.3 Biodiversidade brasileira

Sabemos que o Brasil é um país de proporções continentais: seus 8,5 milhões de km2 ocupam
quase a metade da América do Sul e abarcam várias zonas climáticas – como o trópico úmido,
no Norte; o semiárido, no Nordeste; e as áreas temperadas, no Sul. Com isso, temos uma enorme
diferença climática, com grandes variações ecológicas e formação de diferentes biomas.

Cátia, considerando toda essa diversidade, com


estrutura e funcionalidade peculiares, foram definidos
TÉCNICO

seis biomas no Brasil: a Amazônia, que contém a maior


floresta tropical úmida do mundo; o Pantanal, maior
planície inundável; o Cerrado, de savanas e bosques; a
Caatinga, de florestas semiáridas; o Pampa, com seus
campos e planícies; e a Mata Atlântica, que contém
a área mais rica em espécies do planeta. Além disso,
o Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões de
km2, que inclui ecossistemas como recifes de corais,
dunas, manguezais, lagoas, estuários e pântanos.

E toda essa variedade de biomas reflete a enorme


riqueza da flora e da fauna brasileiras: o Brasil abriga
a maior biodiversidade do planeta. Esta abundante
variedade de vida – que se traduz em mais de 20%
do número total de espécies da Terra – eleva o
Brasil ao posto de principal nação entre os 17 países
megadiversos (ou de maior biodiversidade). TÉCNICO

Isso mesmo, Rita. Devemos destacar, também, que


muitas das espécies brasileiras são endêmicas, ou
seja, exclusivas do Brasil, e diversas espécies de
plantas de importância econômica mundial são
originárias do Brasil – como o abacaxi, o amendoim, a
castanha-do-brasil, a mandioca, o caju e a carnaúba.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 1


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Mas não é só isso! O país abriga, também, uma rica sociobiodiversidade,
representada por mais de 200 povos indígenas e por diversas
comunidades – como quilombolas, caiçaras e seringueiros, para
citar alguns –, que reúnem um inestimável acervo de conhecimentos
tradicionais sobre a conservação da biodiversidade.

Como se sabe, a biodiversidade ocupa lugar importantíssimo na


economia nacional: o setor de agroindústria, sozinho, responde por
cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro (calculado em
866 bilhões de dólares em 1997); o setor florestal, por sua vez, responde
por 4%; e o setor pesqueiro, por 1%. Na agricultura, o Brasil possui
exemplos de repercussão internacional sobre o desenvolvimento de
biotecnologias que geram riquezas por meio do adequado emprego de
componentes da biodiversidade.

As atividades de extrativismo florestal e pesqueiro empregam mais de 3 milhões de pessoas.


A biomassa vegetal, incluindo o etanol, da cana-de-açúcar, e a lenha e o carvão, derivados
de florestas nativas e plantadas, respondem por 30% da matriz energética nacional – e,
em determinadas regiões, como o Nordeste, atendem a mais da metade da demanda
energética industrial e residencial. Além disso, grande parte da população brasileira faz uso
de plantas medicinais para tratar seus problemas de saúde.

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1.4 Biomas brasileiros

No Brasil, temos seis biomas: a Amazônia, que contém a maior floresta tropical úmida do
mundo; o Pantanal, maior planície inundável; o Cerrado, de savanas e bosques; a Caatinga,
de florestas semiáridas; o Pampa, com seus campos e planícies; e a Mata Atlântica, que
contém a área mais rica em espécies do planeta.

Vamos conhecer melhor cada um deles?

Amazônia

Ocupando quase 4,2 milhões de km2 do território nacional, é o maior dos biomas brasileiros.
Abriga a maior floresta tropical do mundo, com mais de 2.500 espécies arbóreas e 30 mil
plantas. A Amazônia é considerada a maior reserva de madeiras tropicais do mundo e possui
outras riquezas vegetais, como a borracha, as castanhas e, também, um grande e diferenciado
estoque de óleos e resinas que vêm sendo utilizados tanto in natura quanto para a produção
de fármacos e cosméticos.

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9
Caatinga

Com uma área de aproximadamente 844 mil km2, a Caatinga é o único bioma exclusivamente
brasileiro, ocupando 11% do território do país, e engloba os nove estados do Nordeste e a
região norte de Minas Gerais. A biodiversidade deste bioma ampara as mais diversas atividades,
especialmente nas indústrias farmacêuticas, cosmética, química e de alimentos.

Cerrado

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul. Ocupa cerca de 22% do território
brasileiro (2.036.448 km2) e abriga as nascentes das três maiores bacias hidrográficas
da América do Sul, sendo considerado uma das principais áreas de concentração da
biodiversidade mundial, com mais de 11 mil espécies de plantas nativas já catalogadas. Além
dos aspectos ambientais, o Cerrado possui muitas populações que sobrevivem dos seus
recursos naturais.

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Mata Atlântica

A Mata Atlântica é o bioma com maior biodiversidade já registrada. Estima-se que possua
cerca de 35% das espécies vegetais existentes no país, o que representa aproximadamente
20 mil espécies. Sua biodiversidade vegetal é maior do que a de alguns continentes, como
a América do Norte e a Europa, que possuem cerca de 17 mil e 12,5 mil espécies vegetais,
respectivamente. Este bioma ocupa 1,3 milhão de km2 e se estende por grande parte da costa
litorânea do Brasil. As atividades humanas reduziram essa cobertura vegetal para cerca de
29% da área original.

Pantanal

O Pantanal é considerado uma das maiores


extensões úmidas contínuas do planeta.
Este bioma continental é considerado o
de menor extensão territorial no Brasil;
entretanto, tal dado em nada desmerece a
exuberante riqueza que o Pantanal abriga.
A sua área aproximada é de 150.355 km2,
o que representa 1,76% da área total do
território brasileiro. O bioma, localizado
em uma planície aluvial, ou seja, planície
formada por depósito de sedimentos
transportados pelos rios, é influenciado
pelas águas que drenam a bacia do Alto
Paraguai.

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Pampa

O Pampa é um bioma restrito ao estado do Rio Grande do Sul, onde ocupa uma área de
176.496 km2. Isto corresponde a 63% do território estadual e a 2,07% do território brasileiro.
As paisagens naturais do Pampa são variadas, de serras a planícies, de morros rupestres a
coxilhas. O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade.
As paisagens naturais do Pampa caracterizam-se pelo predomínio dos campos nativos,
com flora e fauna próprias e grande biodiversidade, sobretudo gramíneas. Há, também, a
presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas,
butiazais, banhados, afloramentos rochosos, entre outros. Trata-se de um patrimônio
natural, genético e cultural de importância nacional e global. Também é no Pampa que fica
a maior parte do aquífero do Guarani.

Estes são os seis biomas que integram a biodiversidade do país!

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 1


12
Encerramento do módulo 1

Com toda essa riqueza de espécies presentes no nosso


país, muitos produtos e subprodutos são extraídos
dos biomas, principalmente da flora, com as mais
variadas finalidades. Temos produtos medicinais,
culinários, para construção, artesanato, industria
de borracha e outros. Neste curso vamos conhecer
um pouco mais sobre óleos e resinas. Nos vemos no
próximo módulo.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 1


13
MÓDULO 2
Óleos essenciais
2. Óleos essenciais
2.1 Apresentação

Resinas (óleo-resina) e óleos (graxos e essenciais) têm


sido usados pela humanidade há milhares de anos. Neste
módulo falaremos sobre os óleos essenciais ou voláteis.
Óleos essenciais, ou voláteis, são misturas de compostos
naturais extraídos a partir de diferentes partes de plantas,
como folhas, galhos, flores, raízes, rizoma, casca, madeira,
frutos e sementes. Caracterizam-se pela sua volatilidade1,
pelo aroma intenso, geralmente são líquidos e de aspecto
oleoso à temperatura ambiente; receberam a designação
de óleo, apesar de se diferenciarem dos óleos fixos.

1
Substância capaz de mudar do estado líquido para o estado
de vapor ou gasoso (evaporação), sem aquecimento.

Os óleos essenciais apresentam as seguintes características (SIMÕES; SPITZER, 2000):

Sabor

geralmente ácido e picante;

Cor

normalmente são incolores a ligeiramente amarelados. Alguns óleos podem apresentar


coloração específica; por exemplo, o óleo essencial de camomila, que apresenta tons
azulados;

Cheiro

penetrante e geralmente adocicado;

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


15
Estabilidade

normalmente os óleos essenciais não possuem grande estabilidade, notadamente na


presença de luz, ar, calor, umidade e metais.

A maioria dos óleos essenciais possui índice de refração e é opticamente


ativa, podendo indicar, em muitas situações, um grau de qualidade
(SOUZA et al., 2010; ALMEIDA et al., 2013; SUETH-SANTIAGO et al.,
2015). Suas moléculas são formadas por metabólitos secundários2,
predominantemente fenilpropanoides e terpenoides, que são derivadas
do ácido chiquímico e do isopreno, respectivamente.

2
Metabólitos secundários – São compostos químicos de baixo peso
molecular que permitem que a planta possa se defender de herbivoria,
fungos, bactérias, raios UV, assim como podem, também, atrair animais
dispersores de sementes, polinizadores etc.

Saiba Mais
A denominação terpeno foi dada por Kekulé aos hidrocarbonetos de fórmula C10H6 que
eram encontrados no óleo de terebintina (turpentine oil) (BASER; BUCHBAUER, 2010).
Dentre os terpenos, aqueles constituídos de duas e três unidades de isopreno, ou seja,
os monoterpenos (dez carbonos) e os sesquiterpenos (15 carbonos) predominam nos
óleos essenciais. Pode-se classificar os terpenos em função da existência ou não de ciclos
(acíclicos, monocíclicos, bicíclicos), em função das insaturações (presença de dupla e/ou
tripla ligação entre carbonos em um composto orgânico) e, ainda, pelo grupo funcional
presente em sua estrutura (álcool, cetona, ésteres, ácidos e outras funções orgânicas).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


16
TÉCNICO
Registros da produção de óleos essenciais remontam
a 3500 a.C., quando foi concebido o mais antigo
artefato de destilação de óleos essenciais, que ainda
hoje pode ser visto no museu paquistanês de Texila.

Importante

Na antiguidade, China, Egito e Índia foram os


principais locais de extração de óleos essenciais,
utilizados na produção de fragrâncias, sabores
e medicamentos. Em 1480 a.C., a rainha
Hatshepsut, do Egito, despachou uma expedição
para Punt (Somália), com o intuito de coletar
plantas aromáticas, resinas e óleos para a
preparação de medicamentos, perfumes, bem
como a realização de mumificações. A chegada
dos perfumes na Europa ocorreu durante a Idade Média, provavelmente no período das
Cruzadas, momento de maior contato com os povos produtores.

O século XIX é considerado o início das aplicações dos óleos essenciais na indústria,
embora não se possa precisar a data correta. Houve um grande desenvolvimento da
indústria de óleos essenciais no Brasil em razão da carência desse insumo durante
e logo após a Segunda Guerra Mundial. Estima-se que, em 2008, o Brasil tenha sido o
maior produtor de óleos essenciais, com uma produção de 28,6%, seguido pela Índia
e pelos Estados, com 25,8% e 16,8% da produção mundial, respectivamente (BASER;
BUCHBAUER, 2010).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


17
2.2 Métodos de extração de óleos essenciais

Existem diferentes métodos de extração de


óleos essenciais, que veremos com mais
detalhes a seguir.
TÉCNICO

Altair, antes de falarmos sobre cada método,


quero destacar que os óleos essenciais extraídos
costumam apresentar uma composição diferente
daquela presente originalmente na planta.

É verdade, Rita. Isso acontece porque, dependendo das


condições físico-químicas do meio de extração, podem
ocorrer, dentre outras coisas, rearranjos, oxidações e
hidrólises nas moléculas que compõe o óleo essencial.
Assim, o método de extração deve ser escolhido de forma a
promover uma extração eficiente, com o mínimo possível de
degradação dos óleos (SIMÕES; SPITZER, 2000).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


18
Conheça os métodos de extração
TÉCNICO
dos óleos essenciais.

Enfleurage

O método conhecido como enfleurage é empregado em fontes vegetais que possuem um


baixo teor de óleos essenciais, porém com um alto valor comercial. Foi bastante utilizado por
fabricantes de perfume para a extração de óleos essenciais de flores frescas à temperatura
ambiente e consiste em colocar as pétalas em contato com a gordura de origem animal inodora.

Durante o processo, as flores já esgotadas são substituídas até que a gordura fique saturada
com o óleo essencial. Para a recuperação, a gordura é tratada com álcool, e o óleo essencial
é destilado a baixas temperaturas e pressão. Todo esse processo pode levar dias.

Os óleos essenciais obtidos por essa técnica alcançam um valor comercial mais elevado,
pois tendem a preservar as características químicas dos compostos voláteis presentes no
material botânico.

Figura 2 – Saturação da gordura com óleos essenciais

Fontes: (Neves, 2011) e (https://br.pinterest.com/pin/115264071692199957/)

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


19
Destilação a vapor

A destilação por vapor consiste no rompimento das paredes celulares da planta pelo
aquecimento, seguido da liberação dos óleos essenciais dos tecidos celulares. O óleo
essencial é carreado junto ao vapor e, logo após, é condensado, para, em seguida, ser
separado da água por diferença de densidade. O líquido condensado é deixado em repouso,
geralmente em um vaso separador, para que se possa separar o óleo essencial da parte
aquosa (SILVEIRA et al., 2012).

Em função da temperatura relativamente elevada, é possível ocorrer a degradação de


alguns componentes presentes no óleo essencial. A destilação a vapor é, preferencialmente,
utilizada em plantas frescas (SIMÕES e SPITZER, 2000). Dentro dos processos comerciais de
obtenção de óleos essenciais por destilação a vapor, destacam-se:

A. Destilação com água, na qual o material vegetal está na mesma câmara que a
água em ebulição;
B. Destilação com água e vapor, na qual o material a ser destilado está na mesma
câmara da água, mas separados por uma plataforma perfurada;
C. Destilação direta com vapor, na qual o vapor é gerado em outra câmara (KOKETSU;
GONÇALVES, 1991) .

Figura 3a – Destilação a vapor

Fonte: Adaptada de Koketsu e Gonçalves (1991).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


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Figura 3b – Vasos de separação para óleos essenciais

Fonte: Adaptada de Koketsu e Gonçalves (1991).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


21
Extração por solvente

Na extração por solvente, o material botânico é colocado em contato com um solvente e a


extração poderá ser realizada a frio (com e sem agitação) ou a quente (com agitação, sem
agitação, Soxhlet e extração acelerada por solvente).

Os solventes utilizados são, geralmente, apolares; todavia, além dos óleos essenciais, outros
compostos, como ceras e pigmentos, poderão acabar sendo retirados do material botânico
juntamente ao óleo essencial, dificultando seu isolamento. Em razão disso, os óleos obtidos por
esse método dificilmente alcançam um bom preço de mercado (SILVEIRA et al., 2012; SIMÕES e
SPITZER, 2000). Veja um exemplo de extração por solvente a quente em aparato Soxhlet.

Figura 3c – Extrator Soxhlet

Fonte: (Costa et al., 2017)

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


22
Prensagem a frio ou expressão

O método de prensagem consiste no esmagamento das cascas dos frutos cítricos até que
se forme uma emulsão composta de óleos essenciais e água. Este material é submetido
à decantação, à centrifugação ou à destilação para se separar o óleo da água. No Brasil,
esta técnica é utilizada em grande escala nas fábricas de suco de laranja, especialmente
no estado de São Paulo. Tal prática valoriza uma porção da fruta que seria descartada,
atribuindo valor agregado.

Figura 4 – Processo de extração de óleo por prensagem a frio

Fonte: Azambuja ([s.d.]). https://www.oleosessenciais.org/metodos-de-extracao-de-oleos-essenciais/

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


23
Encerramento do módulo 2

Encerramos mais um módulo


do curso.
TÉCNICO

Foram apresentados conceitos, características


e métodos de extração dos óleos essenciais. No
próximo módulo, vamos estudar os óleos graxos
e vegetais.

Lembre-se de realizar os exercícios


de fixação.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 2


24
MÓDULO 3
Óleos graxos vegetais
3. Óleos graxos vegetais
3.1 Apresentação

Óleos graxos vegetais são uma classe de lipídeos de grande


importância na história, por estarem entre os primeiros
insumos naturais que a humanidade utilizou com fins não
alimentares, como iluminação pública, produção de tintas,
produção de produtos cosméticos, lubrificantes, produção de
combustível, entre outros (RAMALHO; SUAREZ, 2012).
TÉCNICO

Diferentemente dos óleos essenciais, os óleos graxos não


são voláteis à temperatura ambiente. Eles podem ser
denominados como óleos ou gorduras, conforme seu estado
físico a 25 °C; se líquidos, são chamados de óleos; se sólidos
ou pastosos, são chamados de gorduras (ANVISA, 2005).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


26
3.2 Fontes de óleos graxos vegetais

Os óleos graxos vegetais podem ser encontrados em diversas partes de


algumas plantas. Alguns frutos possuem um alto teor de materiais graxos na
sua polpa, como o abacate (Persea americana), o pequi (Caryocar sp.), o açaí
(Euterpe oleracea), o dendê (Elaeis guineenses), a azeitona (Olea europaea),
dentre outros.
TÉCNICO

As sementes oleaginosas, por outro lado, são algumas das fontes mais
abundantes de óleos, além de poderem ser conservadas facilmente por
um longo período. São exemplos: soja (Glycine max), coco (Cocos nucifera),
amendoim (Arachis hypogaea), uva (Vitis sp.), girassol (Helianthus annuus),
gergelim (Sesamum indicum) e cacau (Theobroma cacao) (RAMALHO; SUAREZ,
2012; ANVISA, 2005).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


27
3.3 Química dos óleos graxos

As gorduras e os óleos são misturas complexas de


triacilgliceróis, também conhecidos como triglicerídeos.
A composição de ácidos graxos de um determinado
óleo ou gordura depende do organismo que o produz.
Quimicamente, os óleos graxos são predominantemente
ésteres3, cuja fórmula química é uma combinação
de um triálcool (glicerol) com três ácidos graxos,
recebendo a denominação triacilglicerídeo.

3
Ésteres – Composto orgânico formado por uma reação
química entre um álcool e um ácido carboxílico.

Na ilustração em tela, a parte oriunda do glicerol está


representada em azul e a parte vinda dos ácidos graxos
em vermelho, onde R1, R2 e R3 representam as cadeias
carbônicas, que podem ser iguais ou diferentes entre si.

O
H2C O C R1
O
H2C O C R2
O
H2C O C R3

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


28
Os óleos vegetais, em geral, são mais ricos em ácidos
graxos insaturados4 do que as gorduras animais, o que se
pode deduzir a partir dos baixos pontos de fusão dos óleos.
O número de carbonos do ácido graxo, assim como o
número de insaturações, vai determinar o ponto de fusão
deles e, consequentemente, a característica física dos
óleos e das gorduras.

4
Insaturações – Ligações químicas duplas ou triplas entre
carbonos de um composto orgânico.

A tabela abaixo apresenta o tamanho das cadeias, o número de insaturações e o ponto de fusão de
alguns ácidos graxos.

Número de Ponto de
Nome comum Nome sistemático Símbolo Insaturações
carbonos fusão (°C)
Ácido butírico Ácido butanoico C 4:0 4 0 -5.3

Ácido caproico Ácido hexanoico C 6:0 6 0 -3.2

Ácido caprílico Ácido octanoico C 8:0 8 0 6.5

Ácido cáprico Ácido decanoico C 10:0 10 0 31.6

Ácido láurico Ácido dodecanoico C 12:0 12 0 44.8

Ácido mirístico Ácido tetradecanoico C 14:0 14 0 54.4

Ácido paumitico Ácido hexadecanoico C 16:0 16 0 62.9

Ácido Ácido C 16:1 16 1 -0.5


palmitoleico 9-hexadecenoico

Ácido esteárico Ácido octadecanoico C 18:0 18 0 70.1

Ácido oleico Ácido 9- C 18:1 18 1 16.3


octadecenoico

Ácido linoleico Ácido 6,9,12- C 18:2 18 2 -5.0


octadecadienoico

Ácido linolênico Ácido 9,12- C 18:3 18 3 -11.0


octadecatrienoico

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


29
— CH=CH—CH2 — CH=CH —

A primeira ligação dupla de um ácido graxo insaturado, em geral, ocorre entre os átomos
C9 e C10, contados a partir do grupo carboxílico. Nos ácidos graxos poli-insaturados, as
ligações duplas tendem a ocorrer a cada três átomos de carbono em direção ao grupo metila
terminal da molécula (—CH=CH—CH2—CH=CH—). Ou seja, entre os carbonos insaturados,
há a tendência de ocorrer um carbono com hibridização do tipo sp3. As ligações triplas
raramente ocorrem, seja em ácidos graxos, seja em outros compostos de origem biológica
(VOET; VOET, 2013).

— CH=CH—CH2 — CH=CH —

As ligações duplas nos ácidos graxos quase sempre possuem a configuração cis, causando
uma inclinação rígida de 30° à cadeia de hidrocarbonetos desses ácidos insaturados. Com
isso temos uma interferência na eficiência do seu empilhamento, com a consequente
redução das interações de Van der Waals. Isso faz com que os pontos de fusão dos óleos
sejam inversamente proporcionais ao grau de insaturação encontrado. A viscosidade dos
óleos também é influenciada pelo grau de insaturação encontrado. Assim, óleos vegetais
mais saturados são mais viscosos, e os mais insaturados menos viscosos (VOET; VOET, 2013).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


30
Podemos considerar, resumidamente, alguns aspectos estruturais
que influenciam as condições físicas dos óleos (JORGE, 2009):

Tamanho da cadeia

os ácidos graxos saturados de cadeia curta, com até oito átomos de carbono, têm consistência
líquida, enquanto aqueles com mais de oito átomos de carbonos têm consistência sólida;

Grau de saturação

os ácidos graxos saturados são sólidos à temperatura ambiente, e a existência de duplas


ligações abaixa o ponto de fusão com tendência à consistência líquida;

Isomeria

a presença de duplas ligações na cadeia carbônica possibilita a existência de isômero cis e


trans. O aumento da quantidade de isômero trans tende a um aumento do ponto de fusão.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


31
A estabilidade dos óleos pode ser influenciada pela presença
de diversos fatores, como umidade, luz, enzimas, oxigênio,
metais, tamanho da cadeia, quantidade de insaturações,
TÉCNICO

temperatura, entre outros, causando sua decomposição


(ANTONIASSI, 2001; JORGE, 2009). Esses fatores, assim como
as alterações que eles podem desencadear, são:

1 Ácidos graxos constituintes

A composição química do óleo, a presença de ácidos graxos saturados e insaturados e a


composição dos triacilglicerídeos influenciam a velocidade da reação de decomposição.
Quanto maior o grau de insaturação do óleo e a disponibilidade desses sítios reativos,
maior será a velocidade de oxidação;

2 Quantidade de oxigênio presente

A disponibilidade de oxigênio é diretamente proporcional à velocidade das reações de


oxidação;

3 Temperatura de processo e armazenamento

Temperaturas elevadas aceleram as reações;

4 Exposição à luz

A absorção de energia luminosa ativa os fotossensibilizadores (clorofila, mioglobina,


riboflavina e outros), que aceleram a decomposição do óleo. A radiação também
decompõe os ácidos graxos livres do óleo;

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


32
5 Presença de agentes pró-oxidantes

Óleos e gorduras contêm traços de metais e agentes fotossensibilizadores, que atuam


como catalisadores para as reações de oxidação;

6 Atividade de água

Em baixos teores de atividade de água, a taxa de oxidação é elevada devido ao maior


contato entre substrato e reagentes. Com valores de atividade de água intermediários,
a velocidade de oxidação é mínima decorrente do efeito de diluição. Nos valores de
atividade de água mais elevados, a velocidade de oxidação aumenta novamente graças
ao aumento da atividade dos metais catalisadores;

7 Área de superfície

Aumento da exposição ao oxigênio;

8 Enzimas

São catalisadores orgânicos (lipases e lipoxigenases), naturalmente presentes em


tecidos animais e vegetais. Sob certas condições de temperatura e umidade, as enzimas
catalisam a decomposição hidrolítica e a oxidativa de óleos e gorduras.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


33
3.4 Formas de extração de óleos graxos

Tradicionalmente, são utilizadas duas formas de extração


de óleos graxos: a prensagem mecânica e a extração por
solventes.
TÉCNICO

A prensagem mecânica é uma técnica milenar utilizada


pela humanidade. Na figura em tela, pode-se observar a
forma rudimentar de obtenção de azeite no Marrocos.

Figura 6 – Rudimentar de azeite

Fonte: Ramalho e Suarez (2012).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


34
Atualmente, são utilizadas formas mais modernas para extração de óleos
graxos por meio da prensagem. As prensas mais modernas são do tipo
TÉCNICO contínuas, em que o material vegetal (frutos ou sementes) é colocado
diretamente na prensa para ser esmagado, promovendo a separação do
bagaço ou fibra do óleo bruto.

Figura 7 – Prensa contínua para óleos vegetais

Fonte: Ramalho e Suarez (2012).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


35
A técnica da prensagem é eficiente para produtos oleaginosos que
contenham um teor de óleos acima de 25%. Abaixo desse valor, a
TÉCNICO
forma de extração deve ser via solventes. O bagaço ou torta resultante
contém cerca de 10% a 15% de óleos, devendo esse resíduo ser
submetido à extração via solvente. Após a extração por solvente, o
resíduo resultante recebe o nome de farelo (JORGE, 2009).

Conheça, agora, as vantagens e as desvantagens das extrações por


prensa mecânica e por solvente:

Tabela 2 – Vantagens e desvantagens dos processos de extração de óleos

Tipos de Vantagens Desvantagens Rendimento de


extração óleo (%)
Mecânica Fácil utilização. Necessita de grandes 60-87
quantidades de material.
Não necessita de solvente.
Requer processo de filtração
Baixa manutenção. posterior.

Extrai o óleo sem ser necessário Design e configuração da


retirar a semente do fruto. máquina específica para cada
tipo de semente.

Solvente Solventes usados são Necessita de grande quantidade 60-99


relativamente baratos e podem de solventes inflamáveis e
ser reciclados. tóxicos.

Viável economicamente
somente em larga escala.

Fonte: Leitão et al. (2017).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


36
Encerramento do módulo 3

Assim, concluímos
o Módulo 3.

TÉCNICO

Aprendemos sobre fontes, Realize os exercícios


química e formas de e, depois, siga para o
extração de óleos graxos. Módulo 4.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 3


37
MÓDULO 4
Potencialidades na cadeia
produtiva de óleos e resinas
florestais
4. Potencialidades na cadeia produtiva de óleos e
resinas florestais
4.1 Apresentação

Neste módulo, serão apresentadas as potencialidades


da cadeia produtiva de óleos e resinas florestais, com
destaque para a experiência na produção comercial.
Assista ao vídeo a seguir e entenda melhor este processo.
TÉCNICO

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


39
4.2 Experiências na produção comercial

Olá!
TÉCNICO
Nesta aula, vamos trazer algumas experiências de
destaque na produção comercial de óleos e resinas
florestais.

Central do Cerrado

A Central do Cerrado, organização de cooperativas sem fins lucrativos, é formada por


35 organizações comunitárias de sete estados brasileiros (Maranhão, Tocantins, Pará,
Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás), que desenvolvem atividades
produtivas a partir do uso sustentável da biodiversidade do Cerrado. A instituição tem
como objetivo promover a inclusão social por meio do fortalecimento das iniciativas
produtivas comunitárias que conciliam a conservação do Cerrado com a geração de renda
e o protagonismo social.

Dentre as cooperativas relacionadas à Central, algumas produzem e comercializam óleos


e resinas extraídos do Cerrado, ou mesmo processam esse óleo na forma de produtos.
Conheça algumas delas:

• Azeite de babaçu: Cooperativa Interestadual das Mulheres Quebradeiras de


Coco de Babaçu (CIMQCB);
• Óleo do babaçu orgânico: Cooperativa dos Pequenos Produtores Agroextrativistas
de Lago do Junco (Coppalj);
• Sabonete de óleo de babaçu: Associação das Mulheres Trabalhadoras Rurais de
Lago do Junco e Lago dos Rodrigues (AMTR);
• Fitocosméticos (sabonete, óleo corporal e loção hidratante) à base de
óleo de gueroba, pequi, indaiá, tingui e rufão: Articulação Pacari – Cerrado
Ecoprodutivo;

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


40
• Óleo de macaúba prensado a frio (castanha e polpa), óleo de pequi, óleo de
coco de macaúba e sabão em barra: Associação de Pequenos Trabalhadores
Rurais de Riacho D’antas e Adjacências – Montes Claros-MG;
• Óleo de pequi: Cooperativa Agroextrativista Grande Sertão; Cooperativa de
Produtores Rurais e Catadores de Pequi de Japonvar (Cooperjap); Cooperativa
Sertão Vereda; Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com base na
Economia Solidária (Copabase).

Saiba Mais
Saiba mais em: http://www.centraldocerrado.org.br/institucional.

Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona)

A Coomflona é uma importante cooperativa autorizada a realizar o manejo florestal


comunitário na Flona Tapajós, localizada na região de Belterra, no estado do Pará, aliando
a conservação da Floresta Amazônica a partir do uso sustentável dos seus produtos.
Além dos produtos madeireiros, maior parte de sua produção, a cooperativa atua na
produção de produtos não madeireiros, a exemplo da extração de látex, de polpa de
frutas e óleos, como o da andiroba e da copaíba, gerando empregos e renda desde 2005.
Seus óleos são vendidos em uma ecoloja na cidade de Santarém-PA.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


41
4.3 Produção de oleaginosos

Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referentes a 2017, os


produtos oleaginosos extraídos da floresta representam cerca de 7% do valor total da produção
não madeireira. Os oleaginosos contabilizados pelo IBGE estão descritos na tabela em tela. Dentre
estes, o óleo de babaçu, produzido em quase sua totalidade na região Nordeste, contribui com
82,66% do valor arrecadado pelos produtos florestais não madeireiros oleaginosos. Este produto
gerou, em 2017, quase R$ 100 milhões, o que significa mais de um quarto do valor da produção
florestal não madeireira no Nordeste, que não atinge R$ 400 milhões.

Tabela 3 – Produção de oleaginosas do ano de 2017

Valor da Produção no Ano de 2017 (Mil Reais) Percentual em


Produtos
relação aos
Oleaginosos Norte Nordeste Sudeste Sul Centro-Oeste Brasil Oleaginosos

Babaçu 913 94.794,00 104 4 95.814,00 82,66%


(Amêndoa)

Copaíba 3.780,00 2 2 18 3.801,00 3,28%


(tronco)

Cumaru 3.623,00 15 3.638,00 3,14%


(amêndoa)

Licuri (côco) 1.358,00 1.359,00 1,17%

Oiticica 7 7 0,01%
(semente)

Pequi 2.024,00 802 1 530 3.357,00 2,90%


(amêndoa)

Tucum 20 1.241,00 1.261,00 1,09%


(amêndoa)

Outros 6.441,00 11 116 115 6.682,00 5,76%

Total 15.888,00 3.421,00 116 667 115.919,00

Fonte: Sidra (IBGE, 2017); Snif (SFB, 2019).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


42
TÉCNICO
Veja, agora, alguns produtos em destaque.

Babaçu

Figura 8 – Babaçu (Attalea speciosa)

Fonte: https://www.cerradoeditora.com.br/cerrado/bem-diverso-embrapa-e-nacoes-unidas-estudam-a-cadeia-do-babacu-no-maranhao/

A espécie florestal oleaginosa de maior destaque no Nordeste é o babaçu (Attalea speciosa). O fruto
fornece manteiga vegetal de sabor agradável e de alto valor nutritivo. As amêndoas podem ser
consumidas in natura, como também produzem um óleo rico em ácido láurico, que é usado na
alimentação humana, na produção de cosméticos, como lubrificante, e pode ser transformado em
biodiesel (BRASIL, 2018).

Espécie de ocorrência na Amazônia e no Cerrado, a Attalea speciosa encontra-se nas regiões Nordeste
(Bahia, Ceará, Maranhão e Piauí), Norte (Acre, Amazonas, Pará, Rondônia e Tocantins), Centro-Oeste
(Goiás, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) e Sudeste (Minas Gerais) (VIANNA; CAMPOS-ROCHA, 2017).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


43
O babaçu fornece uma ampla variedade de produtos úteis, pois toda a planta é aproveitada, embora
o fruto apresente o maior potencial econômico, chegando a produzir mais de 64 subprodutos.

O fruto destaca-se pela grande importância econômica, social, cultural e até mesmo política nas
regiões Norte e Nordeste do país, devido à atuação dos movimentos organizados pela defesa dos
interesses coletivos das quebradeiras de coco babaçu, a exemplo do Movimento Interestadual das
Quebradeiras de Coco Babaçu ( MIQCB), que atua no Maranhão, no Pará, no Piauí e no Tocantins.

A produção brasileira da amêndoa desse fruto, contabilizada pelo IBGE em 2017, foi de cerca de 55
mil toneladas, tendo arrecadado aproximadamente R$ 100 mil, dos quais 93% da produção provêm
do estado do Maranhão.

Se considerarmos os anos de 1998 e de 2017, a produção reduziu-se em 54%, mais da metade. No


ano de 1998, o IBGE contabilizou cerca de 122 mil toneladas; em 2017, registrou-se quase 55 mil
toneladas. No que se refere ao valor arrecadado, o aumento foi de cerca de R$ 40 milhões para
quase R$ 96 milhões, apresentando uma diferença de 97% de 1998 para 2017.

O preço estimado por tonelada em 1998 era de, aproximadamente, R$ 330, e, em 2017, subiu para
R$ 1.760, valor mais de cinco vezes maior. Isso demonstra a valorização do produto, que, embora
tenha a sua oferta reduzida, conta com um percentual de aumento de preço muito superior. A linha
de tendência demonstra um aumento no valor da produção no período analisado.

Gráfico 1 – Série histórica, de 1998 a 2017, referente à quantidade produzida, ao valor de


produção e ao preço por tonelada da amêndoa do babaçu

Fonte: Sidra (IBGE, 2017); Snif (SFB, 2019).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


44
A amêndoa do babaçu é comercializada durante todo o ano, tendo seu pico de safra no período de
setembro a novembro. Entre 2018 e 2019, o patamar de preços dela apresentou tendência de queda
em todos os estados onde há pesquisa de preços pela Companhia Nacional de Abastecimento
(Conab).

Na comparação entre os 12 meses analisados, temos os quatro principais produtores de amêndoa


de babaçu do país com preços variando de R$ 1,50/kg a R$ 3,20/kg.

Gráfico 2 – Preços pagos ao produtor de amêndoa de babaçu (R$/kg)

Fonte: Siagro (CONAB, 2019).

No Tocantins, cada quilo foi vendido a R$ 1,50, em média. Neste estado, a produção concentra-se na
região conhecida como Bico do Papagaio, no extremo norte. O baixo volume de produção e o quase
monopólio da produção de óleo na região, com custos elevados, impedem o insumo (amêndoa) de
alcançar maiores patamares.

O Maranhão é o maior produtor de amêndoa de babaçu, detentor de mais de 90% da produção


nacional, e, também, da maior parte das unidades beneficiadoras de amêndoa. Houve queda
de preços no período mencionado devido à baixa demanda e ao redirecionamento das próprias
produtoras, quebradeiras de coco, em beneficiar o azeite, agregando valor e melhorando sua
rentabilidade.

No Piauí, ocorreram maiores oscilações no período analisado, isso devido à inconstância da oferta
no estado, associada à escassez do produto em períodos não propícios para a coleta (como em
épocas de chuvas), quando diminui a quantidade de forma significativa, aumentando os preços. Há,
também, momentos em que as quebradeiras de coco intensificam a produção individual de azeite,
e, assim, deixam de comercializar a amêndoa, aumentando o preço desta.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


45
Por fim, o Ceará tem apresentado maior patamar de preços devido aos inconstantes e baixos níveis
de produção, o que gera oscilações fortes quando a demanda supera a oferta em determinados
períodos do ano. Neste estado, o coco inteiro, por vezes, é mais ofertado do que a amêndoa.

Os dados da produção do Babaçu apresentados aqui, podem


ser integramente encontrados na publicação Bioeconomia
do Cerrado, produzida pelo Serviço Florestal Brasileiro – SFB
TÉCNICO

e pela Companhia Nacional de Abastecimento – CONAB, no


endereço eletrônico http://www.florestal.gov.br/documentos/
publicacoes/4229-bioeconomia-da-floresta/file

Fonte: http://www.florestal.gov.br/documentos/publicacoes/4229-bioeconomia-da-floresta/file

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


46
Pequi

Figura 14 – Pequi (Caryocar brasiliense)

Fonte: Óleo... ([s.d.]). https://www.ecycle.com.br/component/content/article/13-consuma-consciencia/3978-oleo-vegetal-de-fruto-pequi-propriedades-beneficios-ca-


belos-cozinha-medicinal-hidratacao-antioxidante-vitamina.html

O pequi é um fruto típico do Cerrado, com forte influência na culinária local. A espécie mais
comum do pequizeiro é a Caryocar brasiliense, de hábito arbóreo, sendo protegida de corte devido
à importância de seus frutos não apenas para a fauna local, mas também pelo importante papel
para o sustento de várias comunidades no Cerrado, que consomem e comercializam tanto o fruto
quanto os produtos extraídos dele. Estima-se que, apenas em 2017, m ais de 21 mil toneladas do
fruto foram obtidas via extrativismo (SFB, 2019).

Os principais produtos do pequi são a polpa, rica em gorduras e proteínas, e o óleo, extraído desta.
Além da relevância para a segurança alimentar, o óleo do pequi, composto de 65,1% de ácidos
graxos insaturados (ROUSSET, 2008), é bastante importante na geração de renda das comunidades
locais, utilizado para a culinária, a indústria cosmética e com fins medicinais (AFONSO, 2008;
OLIVEIRA et al., 2008).

Para a produção do óleo, que, geralmente, é realizada de forma artesanal nas propriedades rurais,
ou por meio de equipamentos de extração nas pequenas indústrias, o pequi é descascado e cozido.
A polpa é, então, transferida para outro recipiente e mantida em cozimento; a água fria deve ser
adicionada aos poucos, de forma a separar a fase oleosa da mistura, que é retirada. A esta fração é dado
o nome de nata, que, já separada, é aquecida novamente, e, em seguida envazada (AFONSO, 2012).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


47
Macaúba

Figura 15 – Macaúba (Acrocomia aculeata)

Fonte: Os 20... (2018). http://www.portalmacauba.com.br/2018/02/os-20-beneficios-da-macauba-para-saude.html

A macaúba, também conhecida como bocaiúva, macaiba ou coco-baboso, é uma palmeira nativa
brasileira da espécie Acrocomia aculeata, com ocorrência na Mata Atlântica e no Cerrado, sobretudo
no Norte, no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sudeste (VIANNA; CAMPOS-ROCHA, 2017).

O coco da macaúba produz um óleo que vem sendo apresentado como alternativo ao óleo de
palma, a partir de cultivos sustentáveis em parceria com agricultores familiares do Cerrado. Além
da indústria alimentícia, o óleo da macaúba também pode ser utilizado na fabricação de cosméticos
e combustíveis (BRASIL, 2020).

O óleo da macaúba pode ser extraído da polpa ou da semente, com auxílio de solventes como
isopropanol ou hexano em Soxhlet, ou, ainda, por prensagem após a secagem dos cocos.
Independentemente da técnica, em ambos, o óleo precisa ser concentrado em rotaevaporador a
vácuo após a extração (FIGUEIREDO et al., 2016).

O óleo da polpa é constituído, principalmente, de ácidos graxos insaturados (62,7% a 80,8%), além
de carotenoides e vitamina A. O óleo da semente apresenta um alto teor de ácidos graxos saturados
(71,2% a 84,6%), com predomínio de ácido láurico (C12) (SILVEIRA, 2014). A polpa e a amêndoa
também apresentam, em sua composição, a presença de compostos fenólicos e tocoferóis, que são
compostos que agem como agentes antioxidantes (COIMBRA; JORGE, 2012).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


48
Baru

O baruzeiro (Dipteryx alata Vogel) é uma espécie arbustiva do bioma Cerrado, com ocorrência nos
estados de Rondônia, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, do Maranhão, de Minas Gerais (RATTER
et al., 2000; OLIVEIRA e SIGRIST, 2008), de Goiás (CARVALHO et al., 2008) e do Tocantins (BRITO et al.,
2006). A amêndoa presente no fruto é bastante utilizada na alimentação humana, principalmente
após sofrer processo de torrefação, que desativa um inibidor da tripsina (CACERES et al., 2008).
O teor proteico da amêndoa do baru é superior ao da avelã, do amendoim, da castanha-de-caju e
da castanha-do-pará, conforme a Tabela 4.

Tabela 4 – Composição centesimal aproximada e valor energético de nozes verdadeiras e de


sementes comestíveis

g/100 g da noz1
Noz/semente
Valor
comestível
Lipídios Proteína Carboidratos2 Fibras3 energético
em 100 g4

Amêndoa 45,93 21,41 20,67 - 581,69

Amendoim 44,57 24,03 12,01 11,30 545,29

Avelã 63,18 14,77 02,57 12,88 637,98

Amêndoa de
41,04 26,22 10,95 13,90 518,04
baru

Castanha 02,52 06,60 34,75 - 188,08

Castanha-de-
42,06 18,81 32,08 - 582,10
caju

Castanha-do-
64,94 14,11 06,27 8,02 665,98
pará

Macadâmia 66,16 08,40 22,18 - 717,76

Noz 65,07 13,81 15,23 - 701,79

Pecã 62,14 07,50 21,08 - 673,58

Pistache 45,83 19,80 25,42 - 593,35

Fonte: FREITAS e NAVES (2010).

1
Valores referem-se à média de dados da literatura (número de observações corresponde ao número de referências).
2
Valores calculados por diferença. Nos casos em que não há dados de fibra alimentar, os valores correspondem aos carboidratos totais.
3
Fibra alimentar total (solúvel e insolúvel).
4
Valor energético em kcal calculado considerando-se os fatores de conversão de Atwater de 4, 4 e 9 para proteína, carboidrato e lipídeo, respec-
tivamente.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


49
A amêndoa do baru também é rica em aminoácidos essenciais (que o corpo não sintetiza) e não
essenciais (que o corpo sintetiza a partir dos alimentos). O teor de aminoácidos desta amêndoa revelou
um conteúdo que corresponde, em média, a 92% das necessidades dos sulfurados (não essenciais),
similar ao de outras nozes e sementes comestíveis e superior ao de feijões. O consumo dessas nozes
e sementes contribui para suprir as necessidades de aminoácidos essenciais, e pode auxiliar na
recuperação da saúde de indivíduos com complicações nutricionais (FREITAS e Naves, 2010).

Da amêndoa é extraído um óleo com alto grau de insaturação (81,2%) e que apresenta ácidos
graxos, tais como os ácidos oleico e linoleico (28%), sendo este último considerado essencial, o que
favorece seu uso para fins alimentícios (TAKEMOTO et al., 2001), pois ajuda a controlar o colesterol,
diminuir a inflamação e combater o envelhecimento por sua característica antioxidante. Esses
ácidos contribuem para a redução das frações de lipoproteína de baixa densidade (LDL) e de muito
baixa densidade (VLDL), responsáveis pelo aumento do colesterol no sangue (FREITAS e Naves,
2010). Tem um significativo conteúdo de tocoferóis totais (vitamina E) (SIQUEIRA et al., 2016).

O índice de acidez do óleo de baru, mesmo cru, tem se apresentado baixo e próximo aos valores
observados em óleos comerciais refinados e processados (tabela em tela), o que constitui um
parâmetro significante da sua alta qualidade (SIQUEIRA et al., 2016).

Tabela 5 – Perfil dos ácidos graxos e características físico-químicas do óleo de baru, do óleo
de soja e do óleo de oliva extravirgem (EV)

Óleos vegetais
Ácidos graxos
Baru Oliva EV Soja comercial

Palmítico 6.4 ± 0.14 10.8 11.0

Esteárico 3.9 ± 0.14 3.8 4.0

Oleico 49.2 ± 0.005 69.5 23.4

Linoleico 27.3 ± 1.20 14.9 53.2

Linolênico 4.2 ± 0.07 0.6 7.8

Índice de acidez (mg KOH/g óleo) 0.28 ± 0.05 a 0.22 ± 0.05 a 0.04 ± 0.01 b

Índice de peróxido (meq O2/kg


1.61 ± 0.05 c 6.39 ± 0.34 a 2.19 ± 0.14 b
óleo)

Índice de iodo (g I2/100g óleo) 72.9 ± 2.2 b 71.4 ± 2.9 b 83.1 ± 12.4 a

Fonte: Siqueira et al. (2016) para baru; USDA (2005) para oliva EV; e Fuentes (2011) para soja comercial.
Obs.: a, b, c = as mesmas letras na mesma linha não diferem significativamente pelo teste de Turkey em 5% de probabilidade.

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


50
O óleo pode ser extraído por prensagem mecânica a frio, pelo método de uso de solventes ou
combinado. De maneira geral, materiais oleaginosos com alto teor de óleo são submetidos à
prensagem mecânica, enquanto a extração por solventes é indicada para materiais oleaginosos
com baixo teor de óleo (cerca de 20%) (WAKELYN; WAN, 2005). A extração a frio dá-se a partir das
castanhas sem torrefação, com controle de temperatura, não excedendo 60 °C. O produto obtido é
o óleo bruto, sem refinação (ARACAVA, 2018). Nesse processo, os ácidos graxos não oxidam e têm
coloração similar à de outros óleos estudados (SIQUEIRA et al., 2016).

Na extração combinada, o material oleaginoso é prensado para a retirada parcial do óleo, originando o
material sólido denominado de torta parcialmente desengordurada. Em seguida, como a torta resultante
ainda contém parte oleosa, pode-se extrair o óleo residual utilizando um solvente apropriado (ARACAVA, 2018).

O principal solvente utilizado na extração industrial de óleos vegetais é um solvente derivado do processo
de destilação do petróleo, também denominado na prática industrial de hexano (SETH et al., 2010;
GANDHI et al., 2003). No entanto, por ser altamente tóxico, altamente inflamável, altamente explosivo e
ter origem não renovável (fóssil), a pesquisa vem buscando intensamente solventes substitutos.

Os álcoois de cadeia curta (álcoois etílico e isopropílico) mostram-se como os substitutos mais
promissores, apresentando capacidade de extração de óleo para diferentes matérias-primas, com
rendimentos expressivos em comparação ao hexano, além de extraírem compostos minoritários
de interesse, melhorando as características nutricionais do óleo, com potencial de aumento da
estabilidade oxidativa (ARACAVA, 2018).

O desenvolvimento de um método de extração do óleo de baru e a identificação de um solvente que


esteja ao alcance das comunidades que exploram a castanha desse fruto se constituirá em iniciativa
de grande valor para a exploração sustentável dessa espécie do Cerrado.

Figura 16 – Baru (Dipterix alata Vogel)

Fonte: Brasil (2019)

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


51
4.4 Comércio

Os óleos vegetais de origem florestal exportados pelo Brasil


apresentam relevante contribuição no cenário econômico
nacional. De acordo com repositório de dados do Sistema
TÉCNICO

Nacional de Informações Florestais (Snif), do Serviço Florestal


Brasileiro (SFB), apenas em 2016, mais de US$ 11 milhões
foram arrecadados na exportação de óleos. Destacaram-se
o comércio dos óleos de babaçu, cabreúva, cedro, eucalipto,
jojoba, pau santo e pau rosa (BRASIL, 2019a).

Gráfico 5 – Quantidade e valor de exportação dos principais produtos florestais não


madeireiros, por ano e segmento

Fonte: Brasil (2019a).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


52
Os mesmos tipos de óleos vegetais exportados também são
os principais importados pelo Brasil. Entretanto, o Brasil
TÉCNICO

exporta mais do que importa. O total importado no período


mais recente da série histórica, em 2016, somou US$ 5
milhões (BRASIL, 2019b).

Gráfico 6 – Quantidade e valor de importação dos principais produtos florestais não


madeireiros, por ano e segmento

Fonte: Brasil (2019b).

ÓLEOS E RESINAS FLORESTAIS MÓDULO 4


53
Óleo-resina de Copaíba

O gênero Copaifera é composto por formas arbustivas e arbóreas, com mais de 70 espécies, cujo
crescimento é lento, e podem alcançar, nas formas arbóreas, 40 metros de altura e 400 anos de
idade, estando distribuídas entre a África Ocidental e as Américas, desde o México até o Norte da
Argentina (VEIGA JR. et al., 2002; JBRJ).

Figura 9 – Distribuição da ocorrência de espécies do gênero Copaifera pelo mundo (destacada


em vermelho no mapa)

Fonte: Baseada em VEIGA JR. et al.(2002).

Esse gênero pertence à família das Fabaceae (Leguminosae), subfamília Caesalpinioideae, e tem
como característica a presença de cavidades e canais secretores, responsáveis pela síntese e pelo
acúmulo de óleo-resina, que tem a função de proteção da planta, o que pode ser responsável pelo
sucesso na propagação em diversos ambientes (RODRIGUES et al., 2011).

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Figura 10 – Cortes longitudinais de órgãos vegetativos do tronco de Copaifera langsdorffii
Desf

Fonte: Rodrigues et al. (2011).


Legenda: (A) cavidades arredondadas no córtex; (B) canais alongados no caule.

Extração do óleo-resina de copaíba

No gênero Copaifera, o óleo-resina está estocado no seu tronco e nos seus galhos em
células tubulares, interconectados; contudo, sua localização espacial, no que se refere ao
tronco, é imprecisa, podendo-se encontrar o óleo-resina em algum ou mais pontos, desde
o centro até as extremidades dele, quando estes são talhados e/ou perfurados (RIOS et al.,
2011; PINTO et al., 2010).

Diversos métodos podem ser utilizados para a retirada de óleo-resina de copaíba. Os


autores Veiga Jr. e Pinto (2002), em revisão sobre o gênero Copaifera, levantaram os
métodos utilizados para a retirada deste produto, que consistem, na sua grande maioria,
em meios inadequados e muito prejudiciais às árvores submetidas a tais práticas, que iam
desde cortes com machados no tronco, incisões em “V” (como na retirada de látex das
seringueiras), retirada do óleo por meio de bombeamento mecânico e estrangulamento
da árvore com cipós; todas estas práticas descritas são altamente prejudiciais à sanidade
da árvore, podendo levar à morte da planta (VEIGA JR. et al., 2002).

O método que atualmente está cada vez mais difundido e é indicado como o menos
danoso à planta consiste na perfuração do tronco por meio de uma broca manual,
também conhecida como trado, em que uma incisão é realizada a cerca de 1 metro de

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altura do tronco com uma broca de aproximadamente 3/4 de polegada (~ 2 cm), onde a
perfuração deve ser realizada em indivíduos com um diâmetro de tronco de pelo menos
40 cm. A retirada do óleo por esse orifício pode ser feita com a incisão de um dreno
tubular em que o óleo-resina é coletado em um recipiente. Após a retirada do óleo,
que pode levar alguns dias, o orifício é fechado, conforme ilustrado na figura em tela
(Vasconcelos e Godinho, 2002; Veiga Jr. e Pinto, 2002; Pieri et al., 2009; Rios et al., 2011;
Pinto et al., 2010; Barbosa et al., 2009ª; Barbosa et al., 2009b)

Figura 11 – Coleta de óleo-resina de copaíba

Foto: Alessandro Moreira.


Legenda: (A) perfuração do tronco com trado; (B) dreno e coletor instalados na incisão; (C) orifício ainda aberto circundado em vermelho; (D)
orifício já lacrado e cicatrizado circundado em vermelho.

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Produção oficial de óleo de copaíba no Brasil

No gênero Copaifera, o óleo-resina está estocado no seu tronco e nos seus galhos em
células tubulares, interconectados; contudo, sua localização espacial, no que se refere ao
tronco, é imprecisa, podendo-se encontrar o óleo-resina em algum ou mais pontos, desde
o centro até as extremidades dele, quando estes são talhados e/ou perfurados (RIOS et al.,
2011; PINTO et al., 2010).

Segundo dados do IBGE apresentados no Grafico 3, a produção de óleo-resina de copaíba


no Brasil para o período de 1986 a 2010 mostrou um aumento de mais de 1240%, embora
a valorização do quilograma do produto em dólares americanos (US$) no mesmo período
tenha sido um pouco acima de 500%. No entanto, a produção de 2010 a 2016 apresentou
uma queda de mais de 70%, contrastando com a valorização do produto que foi superior
a 35% para o mesmo período (IBGE, 2016), indicando um aumento na procura deste óleo.

Gráfico 3 – Produção brasileira e preço do óleo de copaíba de 1986 a 2016

Fonte: IBGE (2016).

Há registros de exportação de óleo de copaíba para o continente europeu desde o final


do século XVIII. Nas últimas décadas do século XX, a Alemanha, a França, a Inglaterra e os
Estados Unidos foram os principais importadores desta matéria-prima do Brasil (VEIGA
JR. e PINTO, 2002).

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Composição do óleo-resina de copaíba

Existem, no Brasil, várias espécies de Copaiferas produtoras de óleo-resina, tais como:


C. officinalis L., C. multijuga Hayne, C. reticulata Ducke, C. langsdorffii Desf, dentre outras,
(VEIGA JR. et al., 2002), em que a composição do óleo varia entre espécies e entre indivíduos
da mesma espécie (TAPPIN et al., 2004; BARBOSA et al., 2013; VEIGA JR.e PINTO, 2002;
VEIGA JR. et al., 1997).

Esse óleo-resina é composto basicamente de uma parte resinosa, que corresponde


aos diterpenos, estando estes dissolvidos em óleos com predominância de compostos
sesquiterpênicos (VEIGA JR. e PINTO, 2002; VEIGA JR. et al., 1997; RIGAMONTE-AZEVEDO et
al., 2004; SOUSA et al., 2011; BARBOSA et al., 2012; LAMA et al., 2014). Veiga Jr. et al. (1997),
em estudo envolvendo amostras autênticas e comerciais de óleo-resina de copaíba por
meio de cromatografia gasosa de alta resolução acoplada à espectrometria de massas,
identificaram duas regiões de eluição distintas nos cromatogramas analisados, uma com
menor tempo de retenção, na qual foram detectados os sesquiterpenos, e outra de maior
tempo de retenção, na qual se localizavam os diterpenos, conforme ilustra o gráfico.

Gráfico 4 – Cromatograma de óleo-resina de Copaifera langsdorffii Desf

Fonte: Alessandro Moreira.

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Vários autores identificaram diversos compostos sesquiterpênicos e diterpênicos em
diferentes tipos de óleo de copaíba (VEIGA JR. et al., 1997; WERF et al., 2000; BARBOSA et
al., 2013; CASCON et al., 2000; VEIGA JR. et al., 2007), cujas estruturas dos sesquiterpenos
e dos diterpenos podem ser observadas nas figuras.

Figura 12 – Estruturas dos sesquiterpenos predominantes identificados nas


referências Werf et al. (2000), Veiga Jr. et al. (1997), Barbosa et al. (2013), Cascon
et al. (2000) e Veiga Jr. et al. (2007)

Fonte: Alessandro Moreira (conforme fontes indicadas no título da figura)

Figura 13 – Estruturas dos diterpenos predominantes identificados nas referências


Vasconcelos e Godinho (2002), Veiga JR. e Pinto (2002), Biavatti et al. (2006), Cascon
et al. (2000), Veiga Jr. et al. (2007

Fonte: Alessandro Moreira (conforme fontes indicadas no título da figura)

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As quantidades de sesquiterpenos e de diterpenos certamente não se limitam apenas
às relacionadas nas figuras apresentadas. Essa afirmação pode ser ratificada em outros
estudos de caracterização e revisão que se dedicam à elucidação da composição dos mais
diversos tipos de óleos de copaíba (VEIGA JR. et al., 1997; TAPPIN et al., 2004; VEIGA JR. e
PINTO, 2005;VEIGA JR. e PINTO, 2002; BIAVATTI et al., 2006; PIERI et al., 2009; BARRETO JR.
et al., 2005). Desta forma, a quantidade de sesquiterpenos já identificados em óleos de
copaíba das diversas espécies existentes já ultrapassa as sete dezenas, e os diterpenos
excedem as duas dezenas, comprovando a complexidade deste produto de origem natural.

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Encerramento do módulo 4

TÉCNICO

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