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XII SIMPEP - Bauru, SP, Brasil, 07 a 09 de novembro de 2005

Custos decorrentes dos acidentes do trabalho, ferramentas de


análise.

Abilio G. Dos Santos Filho UNESP - abilio@feb.unesp.br


João E. G. Dos Santos UNESP – guarneti@feb.unesp.br
Marcos R. Bórmio UNESP – mbormio@feb.unesp.br
João C. Fernandes UNESP – jcandido@feb.unesp.br
Ricardo Fernandes UNESP – rfermendes@feb.unesp.br

Resumo

Todos os anos no mundo inteiro ocorrem milhões de acidentes do trabalho que resultam em mortes,
ferimentos de gravidade variada, afastamento do funcionário, interrupção do processo produtivo,
prejuízos de ordem física, psicológica e financeira. De modo que este último muitas vezes é
estimado pelas empresas por não se conhecer o custo decorrente de um acidente do trabalho, sendo
uma tarefa árdua sua redução sem um controle efetivo e sistemático dos incidentes e lesões leves.
O objetivo deste trabalho foi evidenciar a metodologia utilizada pelo Ministério do Trabalho para
compor os custos dos acidentes, bem como a determinação destes custos para a empresa através do
monitoramento dos acidentes ocorridos em uma indústria, durante o período de janeiro a junho de
2.004. Levando-se a concluir que o custo médio de um acidente do trabalho é bastante elevado.
Palavras-Chave: Custo, Acidentes, Trabalho.

1. Introdução

A Previdência Social define acidente do trabalho aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a
serviço da empresa, ou ainda pelo exercício do trabalho de segurados especiais, provocando lesão
corporal ou perturbação funcional, permanente ou temporária, que cause a morte, ou a perda, ou
redução da capacidade para o trabalho. Segundo a Previdência Social, consideram-se acidente do
trabalho a doença profissional e a doença do trabalho. Equiparam-se também ao acidente do
trabalho, o acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha sido a causa única, haja contribuído
diretamente para a ocorrência da lesão; certos acidentes sofridos pelo segurado no local e no horário
de trabalho; a doença proveniente de contaminação acidental do empregado no exercício de sua
atividade; e o acidente sofrido a serviço da empresa ou no trajeto entre a residência e o local de
trabalho do segurado e vice-versa. Para a execução deste trabalho foram considerados apenas os
acidentes típicos do trabalho, excluindo-se os acidentes de trajeto e doenças ocupacionais.

2. Material e métodos

Para da pesquisa utilizou-se a metodologia utilizada pelo Ministério do Trabalho, Segundo Flora
(2001), o custo total de um acidente do trabalho pode ser dividido em duas parcelas: o custo direto e
o custo indireto, ou seja:

CT = CD + CI
O custo direto não tem relação com o acidente em si. É o custo do seguro de acidentes do trabalho
que o empregador deve pagar ao Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, conforme
determinado no artigo 26 do decreto 2.173, de 05 de março de 1997. Essa contribuição é calculada a
partir do enquadramento da empresa em três níveis de risco de acidente do trabalho (riscos leve,
médios e graves) e da folha de pagamento de contribuição da empresa, da seguinte forma:I – 1%
(um por cento) para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalha seja
considerado leve; II – 2% (dois por cento) para a empresa em cuja atividade preponderante esse
risco de acidente do trabalho seja considerado médio; III – 3% (três por cento) para a empresa em
cuja atividade preponderante esse risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Essa
porcentagem é calculada em relação a folha de pagamento de contribuição e é recolhida juntamente
com as demais contribuições devidas INSS. A classificação da empresa é feita a partir de tabela
própria, organizada pelo Ministério da Previdência Social. Tendo em vista que o custo direto nada
mais é do que a taxa de seguro de acidentes do trabalho paga pela empresa a Previdência Social,
esse custo também é chamado de “custo segurado” e representa a saída de caixa imediata pelo
empregador. A seguir são citados alguns fatores que influem no aumento do custo indireto do
acidente do trabalho: salário pago ao acidentado no dia do acidente; salários pagos aos colegas do
acidentado, que deixam de produzir para socorrer a vítima, avisar seus superiores e, se necessário,
auxiliar na remoção do acidentado; despesas decorrentes de danos causados ao produto em
processo; gastos para a contratação de um substituto, quando o afastamento for prolongado;
pagamento do salário do acidentado nos primeiros quinze dias de afastamento; pagamento de horas-
extras aos empregados para cobrir o prejuízo causado à produção pela paralisação decorrente do
acidente; gastos extras de energia elétrica e demais facilidades das instalações em decorrência das
horas-extras trabalhadas; pagamento das horas de trabalho despendidas na investigação do acidente;
pagamento das horas de trabalho despendido na assistência médico para os prontos socorros de
urgência; pagamento das horas de trabalho despendidas no transporte do acidentado; pagamento das
horas de trabalho despendidas em providências necessárias para regularizar o local do acidente;
pagamento das horas de trabalho despendidas com assistência jurídica. Pesquisa feita pela
Fundacentro revelou a necessidade de modificar os conceitos tradicionais de custos de acidentes e
propôs uma nova sistemática para a sua elaboração, com enfoque prático denominada Custo Efetivo
dos Acidentes, como descrito a seguir:

Ce = C - i

Ce = Custo efetivo do acidente; C = Custo do acidente; i = Indenizações e ressarcimento recebidos


por meio de seguro ou de terceiros
(valor líquido)

C = C1 + C2 + C3

C1 = Custo correspondente ao tempo de afastamento (até os 15 primeiros dias) em conseqüência de


acidente com lesão; C2 = Custo referente aos reparos e reposições de máquinas, equipamentos e
materiais danificados (acidentes com danos a propriedade); C3 = Custos complementares relativos
as lesões (assistência médica e primeiros socorros) e os danos a propriedade (outros custos
operacionais, como os resultantes de paralisações, manutenções e lucros interrompidos).

3. Resultados e Discussão

Este levantamento foi realizado com dados em uma empresa multinacional de origem americana
com grau de risco 3, instalada na região de Valinhos, interior de São Paulo, no segmento
automobilístico possuindo 3.000 empregados. O período analisado corresponde ao 1º Semestre de
2004.
Tabela 1 – Resumo estatístico dos acidentes de trabalho.

Nº Acidentes Dias pagos Coeficiente


Mês H.H.E.R
C/ Afast. S/Afast. Empresa INSS Freq. Gravidade
Jan 354907 4 1 24 52 11,27 67,62
Fev 340388 7 6 63 29 20,56 270,28
Mar 430915 7 5 75 45 16,24 278,48
Abr 385575 6 4 77 37 15,56 329,38
Mai 414490 11 3 81 35 26,54 279,86
Jun 406275 6 1 58 36 14,77 231,37
Total 2.332.551 41 20 378 234 17,58 245,65

Tabela 2 – Custos dos Acidentes do Trabalho de janeiro a junho de 2.004.


Descrição Valor R$
Seguro contra acidentes 700.066,00
Tempo de Investigação 6.534,00
Custo hora-máquina parada 2.745,00
Gastos com primeiros socorros 9.729,00
Gastos c/ a remoção do acidentado 2.897,00
Salários pagos aos afastados <15 dias 15.744,00
Total 737.715,00

Assim, determinou-se o custo médio dos acidentes do trabalho, durante o período


acima mencionado, fazendo o quociente do total de gastos pelo total de acidentes do mesmo
período.

Custo médio dos acidentes = 737.715


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Obteve-se então o custo médio dos acidentes ocorridos entre janeiro e junho de 2.004 como
sendo o valor de R$ 12.093,68.

4.Conclusões

Obteve-se um custo de R$12.093,68 reais para a realidade da empresa, dentro da metodologia


apresentada.
Este custo é relativo somente ao acidente do trabalho para a configuração da empresa estudada.

5.Referências Bibliográficas
Anuário Estatístico da Previdência Social, seção IV – Acidentes do trabalho. Previdência Social.
Disponível na Internet. http://www.mpas.gov.br em 28 agosto 2004.

Pastore, José. O custo dos acidentes do trabalho. Jornal da Tarde, 2001. Disponível na Internet.
http://www.josepastore.com.br em 28 agosto 2004.

Flora, Aparecido. Custo do acidente. Segurança do Trabalho, 2001. Disponível na Internet.


http://www.geocities.com em 28 agosto 2004.

Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. Fundacentro.


Disponível na Internet. http://www.funcacentro.gov.br em 29 agosto 2004.

Ministério do Trabalho e Emprego. Estatística de Acidentes de Trabalho. Disponível na Internet.


http://www.mte.gov.br em 29 agosto 2004.

Cadernos de Saúde do Trabalhador. Saúde e Trabalho. Disponível na Internet.


http://www.saudeetrabalho.com.br em 29 agosto 2004.

Vilela, A. G. Rodolfo.Cadernos de Saúde do Trabalhador. Instituto Nacional de Saúde no


Trabalho. Acidentes do trabalho com máquinas – identificação de riscos e prevenção, 2002.

Catálogo. Dispositivos de proteção. Maquimp Sinalização e Segurança. Disponível na Internet.


http://www.maquimp.com.br em 29 agosto 2004.

National Safety Council – N.S.C. – Disponível na Internet. http://www.nsc.org em 29 de agosto de


2004.

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