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ÍDOLOS DA LEITURA

1ª SELECÇÃO / “CASTING”
Descrição da actividade

1 - Todos os alunos podem / devem participar na 1ª selecção, realizada na aula de Língua Portuguesa, na
semana de 22 a 26 de Março.

2 – O/A professor/a de Língua Portuguesa pode fornecer aos alunos uma grelha (anexo 1), para que todos
possam avaliar melhor a “performance” dos colegas.

3 – Depois de ouvidos todos os alunos, proceder-se-á à votação (através de voto secreto) e o/a aluno/a com
mais votos passará à final, que decorrerá no dia 3/3/2010, em local a designar.

4 – Foi feita uma selecção de textos a serem lidos na 1ª selecção (anexo).

NOTA 1: Os textos devem ser do conhecimento prévio dos alunos, que podem ensaiar a sua leitura
expressiva em casa, de modo a que não haja “injustiças”.

NOTA 2: Todos os participantes receberão um diploma de participação.

2ª SELECÇÃO / “CASTING”

1- Os alunos seleccionados de cada turma devem ler os dois textos escolhidos, perante um júri de 5
professores.

2 – O júri terá na sua posse uma grelha com os parâmetros que deverão ter em conta na avaliação (anexo 1).

3 – Depois de todos os alunos do mesmo ano de escolaridade “actuarem”, o júri procederá à atribuição de
pontos.

4 – A pontuação será de 1 a 5 e será norteada pelos critérios gerais de avaliação.

5 – Ficará seleccionado para a finalíssima, o/a aluno/a mais votado/a de cada um dos anos de escolaridade
(5º, 6º, 7º, 8º e 9º anos).

FINALÍSSIMA – SEMANA DA LEITURA

Os “Ídolos da Leitura” (os alunos seleccionados – um por cada ano de escolaridade) lerão um texto à
sua escolha e proceder-se-á à entrega de prémios.
TEXTOS SELECCIONADOS

Trem de ferro
Chamo-me Rui, Café com pão Oô…
Gosto de Rock, Café com pão Quando me prendero
Curto o ritmo Café com pão No canaviá
dos Rolling Stones. Cada pé de cana
Virge Maria, que foi isto, Era um oficiá
O rádio retumba maquinista?
Ritmo de rodar; Oô…
O vizinho resmunga Agora sim Menina bonita
E eu rio a escutar. Café com pão Do vestido verde
Agora sim Me dá tua boca
O rio corre, Voa, fumaça Pra matá minha sede
Rolando pró mar. Corre, cerca
E eu remo no rio Ai seu foguista Oô…
Porque não sei nadar. Bota fogo Vou mimbora vou
Na fornalha mimbora
Eu não sei nadar Que eu preciso Não gosta daqui
E não sei rimar Muita força Nasci no sertão
Que raio de trabalho Muita força Sou de Ouricuri
Eu fui arranjar! Muita força Oô…
Rui Manuel Oô… Vou depressa
Foge, bicho Vou correndo
Foge, povo Vou na toda
Passa ponte Que só levo
Passa poste Pouca gente
Passa pasto Pouca gente
Passa boi Pouca gente…
Passa bioada
Passa galho Manuel Bandeira
De ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
A bailarina Aquela nuvem

Esta menina -É tão bom ser nuvem,


tão pequenina ter um corpo leve,
quer ser bailarina. e passar, passar.

Não conhece nem dó nem ré -Leva-me contigo.


Mas sabe ficar na ponta do pé. Quero ver Granada.
Quero ver o mar.
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá. -Granada é longe,
o mar é distante,
Não conhecer nem lá nem si, não podes voar.
Mas fecha os olhos e sorri.
-Para que te serve
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar ser nuvem, se não
E não fica tonta nem sai do lugar. me podes levar?

Põe no cabelo uma estrela e um véu -Serve para te ver.


E diz que caiu do céu. E passar, passar.

Esta menina Eugénio de Andrade


Tão pequenina
Quer ser bailarina.
-Ao melhor serviço
Mas depois esquece todas as danças, Cabe a melhor paga:
E também quer dormir como as outras Será o meu genro
crianças. Quem quer que ma traga.
Cecília Meireles
Oh que lindo moço
Deu com a donzela!
Conto em verso da princesa Como vem contente
roubada Pelo braço dela!

Não sei outra história Nunca o Paço viu


Senão a que sei: Par tão delicado:
Os ladrões levaram Rosa de jardim
A filha do rei. Com seu cravo ao lado.

-Sela o teu cavalo, Que feliz o Rei


Que hoje há montaria. Que já tem a filha,
-Roubaram-me a filha, Que já tem um genro
Não tenho alegria. Que é uma maravilha!

A ricos e pobres Como lhe sorri,


Faz El-Rei saber: Lhe agradece tudo!...
-Casará com ela
O que ma trouxer. -Mas se fosse um monstro?

-Mas se for um monstro Mas se fosse uma mudo?


Feio e cabeludo? Sebastião da Gama
Mas se for um cego?
Mas se for um mudo?
O relógio
Passa, tempo, tic-tac Encomenda
Tic-tac, passa, hora
Chega Desejo uma fotografia
Logo, tic-tac como esta – o senhor vê? – como esta:
Tic-tac, e vai-te embora em que para sempre me ria
Passa, tempo com um vestido de eterna festa.
Bem depressa
Não atrasa Como tenho a testa sombria,
Não demora derrame luz na minha testa.
Que já estou Deixe esta ruga, que me empresta
Muito cansado um certo ar de sabedoria.
Já perdi
Toda a alegria Não meta fundos de floresta
De fazer nem de arbitrária fantasia…
Meu tic-tac Não… Neste espaço que ainda resta,
Dia e noite ponha uma cadeira vazia.
Noite e dia
Tic-tac Cecília Meireles
Tic-tac
Tic-tac.

Vinicius de Moraes
O Menino Tonecas

(O Tonecas entra na aula em grande choradeira, porque lhe tinham batido.)

Professor – Vamos lá a saber: Quem foi que lhe bateu?...


Tonecas – foi o voticário!
Professor – boticário! Boticário, com B!
Tonecas – não senhor. Com as mão! Já disse que apanhei dois tabefes!
Professor – bem sei. Mas eu quis emendar a sua pronúncia da palavra boticário. É boticário, com b, e
não voticário. Mas, diga-me: que fez o menino ao farmacêutico para o levar a tais extremos?
Tonecas – Não fiz nada…
Professor – Hum… custa-me a acreditar… Ora, vejamos: Que foi o menino fazer à farmácia?
Tonecas – Fui comprar cinco tostões de bicarbonato para a minha mão de sódio.
Professor – Mau! Lá começam as trapalhadas! E depois?
Tonecas – Eu entrei na farmácia, que estava cheia de freguesia, e disse logo, muito alto: Avie-me,
que estou com muita pressa! O farmacêutico olhou-me com mau modo, e respondeu: - Espere a sua
vez, menino! E vai eu, disse-lhe: - Se não me avia imediatamente faço aqui um barulho que os
fregueses vão-se todos embota! E vai ele, perguntou-me: - Então que é que o menino deseja? E vai
eu, respondi: - Dê-me cinco tostões de bicarbonato para cozer mais depressa os feijões de sódio em
dois papéis!
Professor – Que trapalhada!
Tonecas – E vai ele, aviou-me. E, depois, perguntou: - Deseja mais alguma coisa? E vai eu, respondi:
- Desejo, mas não me lembro agora o que é! E vai ele, disse-me: _Pois então avie-se que eu tenho os
outros fregueses à espera! E vai eu, respondi: - Deixe ver se me lembro! E vai ele, disse-me: - Veja
lá: se será mostarda, linhaça, enxofre, magnésio, borato, arnica… E vai eu, respondi: - Não, Senhor,
não é nenhuma dessas coisas. E ele, já muito aborrecido, continuou: - Então, será óleo de rícino,
manteiga de cacau, nitrato de prata, naftalina, glicerina, estriquinina… - Alto! – gritei eu. – Já sei o
que é!... – Ora até que enfim! – disse ele. – Então que deseja o menino? E vai eu, respondi: - Desejo
que me faça o favor de me dizer as horas certas.
Professor – Oh!... E depois?...
Tonecas – E, depois, vai ele pregou-me dois bananos! (Chora)
Professor – Dois quê?...
Tonecas – Bananos! Galhetas! Solhas! Tapa-olhos!
Professor – Basta, menino, basta! Então eu não lhe tenho dito que precisa de tomar cuidado com a
língua?...
Tonecas – pois tem! E foi o que me valeu! Se eu não a encolho tão depressa, tinha-a trincado com os
dentes.
José de Oliveira Cosme, As Lições do Tonecas
Vanessa Vai à Luta

CENA II

(A Mãe arrasta a Vanessa por uma imensa loja de brinquedos; a Mãe quer-lhe mostrar as belas
bonecas vestidas de cor-de-rosa e a Vanessa quer que a Mãe lhe compre uma metralhadora para
os anos.)
Mãe – Olha aqui esta, Vanessa! Olha que beleza! Toda vestida de cor-de-rosa, até os brinquinhos
das orelhas são cor-de-rosinha!
Vanessa – (Educada.) – Linda. Mas ó mãe anda ali à secção dos rapazes, que tem coisas bué de
fixes, aqui é só bonecada cor-de-rosa! Isto até mete nojo.
Mãe – Já te disse que não te dou uma metralhadora nos anos.
Vanessa – Mas deste uma ao Rodrigo.
Mãe – Mas o Rodrigo é rapaz.
Vanessa – E o que é que isso tem a ver?
Mãe – Tem a ver, porque há brinquedos para meninas e brinquedos para rapazes.
Mãe - Por que é que não fazem bonecas com metralhadoras?
Vanessa – Escolhe um brinquedo de menina.
Vanessa – Mas os brinquedos de menina são todos uma grande…
Mãe – Olha aqui, que engraçado, uma cozinha parece mesmo a sério.
Vanessa – (Desinteressada.) É, muito gira. Agora, ó Mãe vamos lá… é já aqui ao fundo, não te
cansas nada. Tem uns Action Man… Caixinhas do dragonball… Vais ver o Sangoku…
Mãe – o quem? Inventas cada nome, Vanessa!
Vanessa – Não fui eu que inventei, foram os chineses! O Sangoku casou com a Kika e tiveram um
filho que é o Sangohan e depois, muitos anos depois, tiveram um Sangoten… estás a ouvir?
Mãe – (Distraída com outros brinquedos.) O fogão tem bicos de gás que parecem mesmo a sério,
olha aqui, é incrível as coisas que eles inventam para os miúdos.
Vanessa – E eles passam a vida a combater, a treinar-se para combater e a conquistar outros
planetas para depois…
Mãe – Olha um carrinho de supermercado, não achas engraçado? Não gostas? Não gostavas de ter
um?
Vanessa – Ó Mãe, mas tu és louca, para que é que queria um carrinho de supermercado?
Mãe – Também, não gostas de nada… Havias de ver no meu tempo…
Vanessa – O teu tempo era horrível, já sei. Estás sempre a falar do teu tempo. Não tinhas nada, eras
pobre.
Mãe – Não era por ser pobre, é que não havia brinquedos assim para os meninos. Era bolas e
carrinhos para os rapazes, bonecas e cozinhas de madeira para as meninas… e viva o velho!
Vanessa – Qual velho?! Agora continua a ser bonecas para as meninas, calha bem! Parece que
continuamos no teu tempo…
Mãe - …e não se podia brincar com as bonecas para não estragar.
Vanessa – Ainda por cima! Os teus pais é que não deviam ser bons da nêspera.
Mãe – Não fales assim, Vanessa. Olha aqui, um aspirador, hã, depois ajudavas-me…
Vanessa – Então não era. Foi o que a Mimas ganhou pelo Natal, acreditas, darem um aspirador a
uma pessoa! Eu atirava com o aspirador à cabeça do pai Natal que ele até ia a voar sozinho para o
Pólo Norte!

Luísa Costa Gomes, Vanessa Vai à Luta


Melga de Cima, 14 de Dezembro de 2002

Querido Pai Natal:

Cá estou eu a escrever-te desinteressadamente, como sempre faço, esperando que a vida te


corra bem, pois a minha podia estar melhor.
Bem sei que não cumpri muito do que tinha prometido na última carta: voltei a pregar
partidas aos meus colegas, mesmo daquelas de mau gosto; voltei a andar de bicicleta sem
respeitar o sentido proibido das ruas; não me esforcei muito nos estudos. E, pior do que tudo,
voltei a fazer aquilo que te disse na última carta.
Assim, não tenho coragem de te pedir nada este ano. Mas, como bem sabes, Natal sem
presentes não parece Natal. Não estou a dizer isto para receber ofertas. De qualquer modo, os
meus patins estão velhos e uma bicicleta de montanha dava-me muito jeito. Também estou um
pouco fraco de jogos de computador e não deixei de ser guloso.
Em resumo: não quero nada, mas, para o caso de fazeres questão em dar-me qualquer
coisinha, não sou mal agradecido.
Para não roubar muito do teu precioso tempinho, despeço-me com um abraço

Deste teu sempre fiel amigo


Vítor Carolino