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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distância

Tempo e Aspecto

Xavier Victor Júnior - 708183600

Curso: Licenciatura em Ensino de Português


Disciplina: Linguística Descritiva do Português II
Ano de frequência: 3º Ano

Chimoio, Abril de 2020


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Classificação
Categorias Indicadores Padrões
Nota
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 Capa 0.5
 Índice 0.5
Aspectos  Introdução 0.5
Estrutura organizacionais  Discussão 0.5
 Conclusão 0.5
 Bibliografia 0.5
 Contextualização
(indicação clara do 1.0
problema)
Introdução
 Descrição dos objectivos 1.0

 Metodologia adequada
ao objecto do trabalho 2.0

 Articulação e domínio
Conteúdo do discurso académico
(expressão escrita
Análise e 2.0
cuidada, coerência /
discussão coesão textual)
 Revisão bibliográfica
nacional e internacionais 2.0
relevantes na área de
estudo
 Exploração de dados 2.0
Conclusão  Contributos teóricos
práticos 2.0

Aspectos Paginação, tipo e tamanho


gerais Formatação de letra, parágrafo, 1.0
espaçamento entre linhas
Normas APA
Referências 6ª edição em  Rigor e coerência das
Bibliográficas citações e citações/referências 4.0
bibliografia bibliográficas

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Recomendações de melhoria
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Índice
1. Introdução...............................................................................................................................1
1.1. Objectivos do trabalho.........................................................................................................2
1.1.1. Objectivo geral..................................................................................................................2
1.1.2. Objectivos específicos......................................................................................................2
1.2. Metodologia do trabalho......................................................................................................2
2. Tempo e aspecto.....................................................................................................................3
2.1. O aspecto (tipologia aspectual)............................................................................................4
3. Conclusões..............................................................................................................................6
Referencias Bibliográficas..........................................................................................................7

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1. Introdução

A cadeira de Linguística Descritiva do Português II tem como pano de fundo dotar o


estudante de ferramenta básica de Sintaxe e Semântica, à luz das novas teorias de linguagem,
facto que nos permitirá, como futuros professores, ensinar com correcção a Língua
Portuguesa. Entretanto, o presente trabalho vai abordar acerca das categorias linguísticas
(TEMPO e ASPECTO), estados, eventos (processos) e pontos.

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1.1. Objectivos do trabalho

1.1.1. Objectivo geral

 Adquirir conhecimentos sobre Tempo e Aspecto.

1.1.2. Objectivos específicos

 Estabelecer a distinção entre tempo e aspecto;


 Caracterizar estados e eventos;
 Dar o conceito de Ponto;
 Distinguir eventos dos estados e processos dos pontos.

1.2. Metodologia do trabalho

Para a realização do presente trabalho o proponente fez valer o uso do método da consulta
bibliográfica, baseado em leituras de obras científicas, manuais e outros documentos
relevantes já publicados. E em termos didácticos recorreu ao método de trabalho
independente.

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2. Tempo e aspecto

Tem sido difícil entender, ou melhor, estabelecer claramente a distinção entre tempo e
aspecto, uma vez que ambos parecem referir-se a um mesmo conceito. Na verdade, eles são
bem distintos.

Entretanto, qualquer falante do Português quando ouve ou lê fases como as que se seguem,
interprete-as, obviamente, como descrevendo situações localizadas no passado, no presente e
no futuro:

i. O Presidente visitou a UCM.


ii. O Presidente visita a UCM.
iii. O Presidente visitará a UCM.

Embora a situação descrita por cada uma das frases seja a mesma (a visita do Presidente a
UCM), as frases podem ter valores de verdade diferentes devido à localização temporal da
situação induzida pelo tempo gramatical utilizado. Em i. a situação está localizada num
intervalo de tempo anterior ao ponto da fala ou momento da enunciação. Em ii. A situação
descrita sobrepõe-se ao ponto de fala, uma vez que o intervalo de tempo em que se localiza o
ponto de evento e o ponto da fala têm momentos comuns. Em iii. a situação descrita está
localizada num intervalo de tempo posterior ao ponto da fala.

Ora, reparemos outra situação:

a. Às nove horas, o João comeu uma maçã.


b. Às nove horas, o João comia uma maçã.

Embora as duas situações descritas se encontrem localizadas no passado é diferente o modo


como são apresentadas a sua estrutura interna. Com efeito, em a) a situação descrita ocorre no
intervalo de tempo denotado por Às nove horas localizado no passado. Mas em b) a situação é
descrita globalmente, isto é incluindo o processo preparatório envolvido (a fase inicial da
situação, ponto de culminação, isto é, a mudança de estado, de lugar ou de posse de uma das
entidades envolvidas) e o ponto resultante (neste caso, a maçã estar comida). A descrição
apresentada em b. focaliza apenas o processo preparatório.

Os casos (i, ii, iii) e (a, b) mostram claramente não só as diferenças entre a categoria
linguística, tempo e a categoria aspecto, mas também os pontos comuns entre elas.

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É importante, todavia, perceber que, apesar da diferença entre as duas categorias linguísticas,
elas partilham sempre pontos de contacto, na medida em que podem operar com o mesmo tipo
de conceitos temporais, o de intervalo.
Por outro lado, certos advérbios podem funcionar com valor aspectual ou temporal, o mesmo
acontece com alguns tempos verbais que podem introduzir alterações aspectuais.

Em suma, o tempo e o aspecto são elementos que ajudam a construir um texto ancorado em
pontos de referência temporais e aspectuais. Esse ponto de referência associa-se ao tempo da
enunciação e, assim, poderemos identificar num texto (ou aplicar se formos os autores) os
valores temporais de simultaneidade – se o que escrevemos se situa no mesmo tempo que lhe
serve de ponto de referência –, de anterioridade e de posterioridade – se a situação descrita
não coincide com o tempo da enunciação.

2.1. O aspecto (tipologia aspectual)

Em linguística, o aspecto é uma propriedade dos verbos e circunlóquios verbal, para indicar
se a acção que expressam não foi concluída ou no instante indicado na referência de frase, ou
seja, refere-se aos diferentes estágios de desenvolvimento da acção expresso pelo verbo.
(Campos e Xavier, 1991).

Ou seja, o aspecto fornece informações sobre a forma como é perspectivada ou focalizada a


estrutura temporal interna de uma situação descrita pela frase, em particular, pela sua
predicação.

Contudo, as gramáticas confluem quanto à importância da necessidade da distinção que há a


fazer entre o evento e estado como base para a compreensão da tipologia aspectual.

Em português, assim como em outras línguas, para além da natureza semântica dos
predicados, as informações aspectuais distribuem-se pelos afixos que contêm também
informação temporal, e também através da combinação de vários elementos associados aos
anteriores, como sejam certos adverbiais e a natureza sintáctico-semântica dos sintagmas
nominais, em particular dos que constituem complementos subcategorizados.

De acordo com Campos e Xavier (1991) eventos (chegar, atingir, nascer, morrer, almoçar,
pintar, etc.) são actividades dinâmicas que têm um fim delimitado, que pode ser instantâneo
(«O João chegou cedo») ou prolongado («O João leu o livro em duas horas»).

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Entretanto, os eventos podem ser télicos ou atélicos. Cada tipo pode ter ou não duração. Os
eventos télicos, por seu turno, podem ser chamados processos culminados e culminações.

Por outro lado, Faria (1996) afirma que estados são situações não dinâmicas que não têm
princípio nem fim («O João está doente»; «A Joana gosta de maçãs»).

E por conseguinte, os estados lexicais têm pontos de contactos com os eventos (processos),
mas se distinguem destes por não serem dinâmicos, não admitem pausa (intervalo) no todo
homogéneo. Os estados podem ser: faseáveis e não faseáveis. Os primeiros podem ocorrer em
construções progressivas (estar a + Infinitivo) e os segundos não.

Todavia, segundo Covane (2017, p.53) “os pontos são eventos temporalmente indivisíveis e
que se distinguem das culminações por não admitirem um estado resultante”. Para
compreender melhor, interprete as frases que se seguem.

(i) A Maria escreveu o relatório. (processo culminado)


(ii) A Maria ganhou a corrida. (culminação)
(iii) A Maria espirrou. (ponto)
(iv) A Maria trabalhou. (processo)

Os estados lexicais têm algo em comum com os processos, pois são também atélicos, não
delimitados por natureza e homogéneos. No entanto, distinguem-se dos processos por não
serem dinâmicos. Acresce que os estados não admitem qualquer tipo de pausa (intervalo) no
todo homogéneo, enquanto os processos as admitem.

(i) A Maria trabalhou.


(ii) A Maria está doente.

Repare que enquanto estar doente não admite qualquer pausa, sob pena de deixar de ficar
doente, trabalhar admite pequenos intervalos na actividade sem que isso ponha em causa o
próprio processo.

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3. Conclusões

Tem sido difícil distinguir a categoria linguística tempo da categoria linguística aspecto, visto
que, ambos parecem referir-se a um mesmo conceito. Contudo, eles são bem distintos.
O tempo serve para localizar as situações expressas nas línguas em diferentes tipos de
enunciados, portanto, a forma mais comum de determinar essa localização é feita através de
tempos verbais. Porém, o aspecto transmite informações sobre a forma como é perspectivada
ou focalizada a estrutura temporal interna de uma situação descrita pela frase, em particular,
pela sua definição.
Todavia, é importante perceber que, apesar da diferença entre o tempo e o aspecto partilham
pontos comuns, isto é, podem operar com o mesmo tipo de conceitos temporais (o de
intervalo) e certos advérbios podem funcionar com valor aspectual ou temporal, o mesmo
acontece com alguns tempos verbais que podem introduzir alterações aspectuais.
Os estados lexicais têm pontos comuns com os eventos, entretanto possuem também
diferenças, na medida em que eventos são situações dinâmicas e os estados são situações
estáticas.
Os pontos são eventos temporalmente indivisíveis e que se distinguem dos processos
culminados e culminações por não admitirem um estado resultante.

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Referencias Bibliográficas

 Campos, M.H. & Xavier, M.F. (1991). Sintaxe e Semântica do Português,


Universidade Aberta.
 Covane, L. (2017). Linguística Descritiva do Português II. Beira: UCM-CED;
 Faria, I.H. et.al. (1996). Introdução à Linguística Geral e Portuguesa. Lisboa,
Editorial.