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Universidade Católica de Moçambique

Instituto de Educação à Distancia

Uniões Prematuras em Moçambique.


Trabalho de Campo

Júlia Francisco Malangaze

Código: 708141521

Curso: Licenciatura em Ensino de Geografia


Disciplina:HIV/SIDA
Ano de Frequência: 2º Ano

Gorongosa, Outubro, 2020


Universidade Católica De Moçambique

Centro de Ensino à Distância - Gorongosa

Licenciatura em Ensino de Geografia

Cadeira: Psicologia de Desenvolvimento

Docente: Dr. Elisa Sumane


Dr.Bonito Vasco

Discente: Júlia Francisco Malangaze

Gorongosa, Outubro de 2020


Índice

INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................4
I.BREVE CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA DE MOÇAMBIQUE....................................................5
I.I. Localização geográfica..........................................................................................................................5
I.II. Limites..................................................................................................................................................5
I.III. Zonas...................................................................................................................................................5
I.IV. Demografia.........................................................................................................................................5
I.VI. Situação cultural..................................................................................................................................5
I.VII. Impacto de prácticas culturais............................................................................................................6
II.UNIOES PREMATURAS………………………………………………………………………………………………………………..6
II.I. Conceituando união prematuras…………………………………………………………………..........6
II.II. Situação das Uniões Prematuras em Moçambique……………………………………………………………………………7
II.III. Regiões e Zonas com maior incidência de Uniões Prematuras………………………………………………………..8
II.IV. Causas das Uniões Prematuras……………………………………………………………………………………………………….8
II.V. Consequências da prática das uniões prematuras……………………………………………………………………………..9
II.VI. Situação legislativa vigente em Moçambique sobre as uniões prematuras…………………………………….11
III.ESTRATEGIAS DE COMBATE E PREVENCAO AS UNIOES PREMATURAS………………………….15
CONCLUSÃO………………………………………………………………………………………………………………………………………18
BIBLIOGRAFIA…………………………………………………………………………………………………………………………………..19
INTRODUÇÃO

O presente trabalho, de cunho teórico, tem como tema uniões prematuras em Moçambique. As
uniões prematuras são um fenómeno social que ocorre em todo mundo, decorrente de costumes
ancestrais, dogmas religiosos e pobreza. Actualmente este fenómeno tem tido maior incidência
nos países em vias de desenvolvimento como é o caso de Moçambique.
Nesse contexto, corresponde o objetivo geral deste trabalho: Analisar o fenómeno das uniões
prematuras na perspectiva de violação dos direitos humanos e suas consequências no
desenvolvimento do país. E constituem como objectivos específicos: Apresentar a situação das
uniões prematuras no contexto sociocultural e económico; Elucidar os efeitos resultantes da
prática dos uniões prematuras em moçambique; Analisar a legislação vigente em Moçambique
no combate as uniões prematuras.
E no concernente à metodologia, o presente trabalho, é fruto de uma pesquisa documental, com
embasamento bibliográfico e análise de conteúdos da legislação moçambicana, de produções
científicas e de documentos oficiais relacionados as uniões prematuras.
Assim sendo, este trabalho está estruturado em quatro partes nomeadamente: a introdução, onde
são abordados os aspectos de contextualização do trabalho, objectivos do trabalho, a metodologia
de trabalho a ser usada e, a estrutura do trabalho, de seguida o desenvolvimento, composto por
duas partes a saber: Caracterização geográfica de Moçambique, aqui descreve se a localização
geográfica, limites, zonas e a situação cultural de Moçambique e, a seguida, fala-se das Uniões
prematuras com enfoque para os seguintes pontos: conceito, causas e consequências das uniões
prematuras; regiões e zonas com mais incidência de uniões prematuras; analise da situação do
legislativa vigente em Moçambique sobre as uniões prematuras e, Estratégias de combate e
Prevenção as uniões Prematuras. E por fim a conclusão, aqui é feita uma síntese da discussão de
todo trabalho.

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I.BREVE CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA DE MOÇAMBIQUE

I.I. Localização geográfica

A República de Moçambique localiza-se no sudeste do continente africano na costa leste da


África Austral, entre 10º 27’ e 26º 57’ de Latitudes Sul e 30º 12’ e 40º 51’ de Longitude Este e é
banhada pelo Oceano Índico. O país estende-se por uma superfície de 799.380 Km2, 98% de
terra firme e 2% de águas interiores, Cumbe, (2007:6).

I.II. Limites

O país é limitado, a Leste, pelo Oceano Índico, a Norte, pela Tanzânia, a Noroeste pelo Malawi e
Zâmbia; a Oeste, faz fronteira com o Zimbabwe, África do Sul e Suazilândia; e a Sul, com a
África do Sul.

I.III. Zonas

Segundo Chalucuane, (2017:22) a capital moçambicana é Cidade de Maputo, que é também uma
das onze províncias de Moçambique, sendo as outras dez divididas da seguinte maneira:

Norte Centro Sul


Niassa Zambézia Maputo Província
Cabo Delgado Tete Gaza
Nampula Manica Inhambane
Sofala

I.IV. Demografia

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas, Moçambique, tem uma população de 27.128.530


habitantes, dos quais 8.766.777 formam a população urbana e 18.361.753, a rural, o que
evidencia que 67,7% da população de Moçambique é rural, Chalucuane (2017:22).

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I.VI. Situação cultural
Em termos de situação cultural, Moçambique é um país rico em termos de diversidade cultural,
onde encontramos diferentes práticas culturalmente aceites, como a mutilação genital, a
poligamia e a prática dos ritos de iniciação que, por exemplo, simbolizam a passagem de um
período para o outro, ou seja a transição da fase da infância para fase adulta. Tendo por base os
ritos de iniciação que constituem uma prática tradicional e cultural enraizada nas comunidades
moçambicanas, estes são realizados quando as crianças atingem a adolescência, período em que
ocorrem mudanças biológicas e fisiológicas profundas. WLSA (2013)

I.VII. Impacto de prácticas culturais


De acordo do com a WLSA (2013), a diversidade cultural que Moçambique apresenta, desde
sempre tem enfrentado uma série de violações dos direitos da criança, com particular atenção a
uniões prematuras.

II. UNIÕES PREMATURAS EM MOÇAMBIQUE

Nesta parte, pretende se: conceituar, situação das Uniões Prematuras, apontar as regiões e zonas
com maior incidência de uniões prematuras, apontar as causas e consequências das uniões
prematuras; analisar a situação legislativa vigente em Moçambique sobre as uniões prematuras e
por fim propor algumas estratégias de combate e prevenção as uniões prematuras.

II.I. Conceituando união prematuras


De modo a percebermos o termo: União Prematura, é imperioso entender, primeiro, alguns
termos que vão nortear a sua compreensão.

 União, no contexto em que a palavra é aplicada conclui-se tratar de, “casamento”. Deste
modo, entende-se por Casamento:

Segundo Beviláqua apaud Gonçalves (2009), o casamento é um contrato bilateral e solene, pelo
qual um homem e uma mulher se unem indissoluvelmente, legalizando por ele suas relações

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sexuais, estabelecendo a mais estreita comunhão de vida e de interesses e comprometendo-se a
criar e a educar a prole, que de ambos nascer.

Nos termos do artigo 7 da Lei n º 10/ 2004 de 25 de Agosto, Lei da Família em Moçambique:
“O casamento é a união voluntária e singular entre um homem e uma mulher, com o propósito de
constituir família, mediante comunhão plena de vida.”

“O casamento é uma espécie de união ou a coabitação entre uma mulher e um homem e tem em
conta a idade da primeira coabitação” (IDS, 2011).

Olhando para as definições apresentadas, nota-se que, existe um factor comum entre elas, onde
defende-se que o principal pressuposto para o casamento é o consentimento entre as partes
envolvidas, o que vem estabelecer a voluntariedade no acto, contudo, as definições não
consideram como casamento as uniões que não apresentam como principal princípio a
voluntariedade entre as partes.

 Prematuro, Segundo o Novo Dicionário da Lingual Portuguesa (autor: Texto Editores, 2007),
prematuro é tudo aquilo que amadurece antes do tempo, precoce, antecipado, que se faz ou
ocorre antes do tempo normal, extemporâneo.

Portanto, as Uniões Prematuras são casamentos ou uniões precoce, antecipados, isto é, que
ocorrem antes do tempo normal, fora do tempo.

II.II. Situação das Uniões Prematuras em Moçambique

Em Moçambique a idade núbil fixada por lei é de 18 anos, conforme o artigo 30, do número 1,

alínea a), da Lei no 10/ 2004 de 25 de Agosto:

“1- São impedimentos dirimentes, obstando ao casamento entre si das pessoas a

quem respeitam, os impedimentos seguintes:

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a) A idade inferior a dezoito anos.”

Contudo, apesar da presente lei estabelecer a idade mínima de dezoito anos para o casamento, as
unioes prematuras são muito notorias e, uma das piores formas de violência contra os diritos
humanos, principalmente as meninas moçambicanas, assim cmo apontam:

Os dados do Inquérito Demográfico e de Saúde [IDS] realizado no país em 2011 apontam que
48% de mulheres inqueridas da faixa etária entre 20 a 24 anos contraíram matrimônio antes da
idade legal e 14% antes de 15 anos de acordo com os dados da pesquisa de Ministério da Saúde
[MISAU], Instituto Nacional de Estatística de Moçambique [INE] e ICF International, (2013).

Paralelamente, o relatório de 2016 do UNICEF assinala que Moçambique é um dos países com a
maior taxa de casamentos prematuros na região sul do continente africano, ocupando a segunda
posição na região e a décima primeira em âmbito mundial. Estima-se que uma em cada duas
mulheres da faixa etária de 20 a 24 anos de idade se casa antes dos 18 anos, e uma em cada dez
mulheres, antes dos 15 anos (UNICEF, FNUAP, & CECAP, 2015).

Deste modo, Moçambique nível mundial, encontra-se entre os países com maior número de
casos de uniões prematuras, estando na 11ª posição depois do Niger, Chade, República Centro-
Africana, Bangladesh, Guine, Mali, Burkina Faso, Sudão do Sul, Malawi e Madagáscar, que
correspondem a mais da metade das mulheres que se casaram antes dos 18 anos de idade, a nível
do continente se encontra na 10ª posição, a nível da região Austral de África na 2ª posição
(CECAP, 2014).

II.III. Regiões e Zonas com maior incidência de Uniões Prematuras

Em Moçambique existe uma grande discrepância entre as regiões em relação a idade núbil e as
taxas dos índices de uniões prematuras devido a cultura predominante em cada região. Mas,
devido a situações socioculturais e económicos, as regiões com maior incidência de uniões
prematuros são Norte e Centro e um pouco da região Sul. E Quanto ao grau de incidência dos
uniões prematuras em Moçambique, ela é maior nas regiões rurais que na urbanas assim como

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aponta o (IDS 2011), 56% das meninas com as idades compreendidas entre os 20 – 24 anos de
idade se casaram antes de atingir a maioridade, comparativamente a 36% nas regiões urbanas.

II.IV. Causas das Uniões Prematuras

De acordo com UNICEF (2015) os casamentos prematuros em África e em especial em


Moçambique tem a sua origem desde os primórdios, as suas causas sempre foram socioculturais,
económicas, e muitas vezes alicerçadas pela discriminação baseada no género.

 Causas socioculturais

As leis costumeiras, as práticas tradicionais, como os ritos de iniciação estão no topo das razões
das uniões prematuras. Essa prácticas ocorrem muito nas zonas rurais.

 Causas económicas

Moçambique possui cerca de 17% de população activa, dado aos altos índices de desemprego, o
fraco poderio económico das famílias, a escassez de oportunidades e de emprego, aliada a
realidade da necessidade das famílias por ganhos monetários imediatos (o pagamento de lobolo),
fazem com que os tutores legais casem cada vez mais cedo as suas filhas, o que vai aliviar de
certa forma a pressão económica no seio familiar.

 Razoes discriminatórias

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No que concerne à discriminação sexual baseada no género, historicamente e culturalmente o
papel sexual e reprodutivo é focalizado nas mulheres, ao passo que ao homem o seu papel é
definido com base na sua autoridade em relação aos seus dependentes e esta relação é formulada
através de uma metáfora do espesso como sendo o chefe. O que faz com que seja dada a mulher
o estatuto de concepção, pois a identidade feminina está intimamente ligada e confinada a sua
função de mãe (Osório & Macuácua, 2013).

 Fraca difusão da legislação e das políticas públicas que protegem as crianças


O governo moçambicano focaliza suas ações de combate aos casamentos prematuros nas áreas
urbanas e, com maior dificuldade, na zona rural, o que pode contribuir para desequilíbrios em
termos de taxas de prevalência nas duas áreas.

Estudos recentes do UNICEF-Moçambique (2016) e Sitoe (2017) comprovam que em


Moçambique se registram mais casamentos precoces nas áreas rurais do que nas urbanas.

Como igualmente ilustra a pesquisa UNICEF, FNUAP e CECAP (2015), 56% das mulheres da
faixa etária entre 20 e 24 anos de áreas rurais casaram-se antes da idade legal (18 anos) e 36% da
mesma faixa etária nas áreas urbanas.

II.V. Consequências da prática das uniões prematuras

Segundo a CECAP (2014), as unioess prematuras são um fenómeno nefasto e devastador para as
sociedades. Em Moçambique as unioes prematuras têm influenciado negativamente na
prossecução dos objectivos planos e estratégias governamentais.

Para UNICEF (2016), os efeitos desta prática recai também sobre a saúde psicológica e bem –
estar da criança, onde as vítimas dos casamentos prematuros podem ser alvo de desrespeito e

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discriminação causando um abalo psicológico na criança podendo até leva-la a uma exclusão
social.

Diversos sectores da sociedade têm apontado algumas consequências como resultado do impacto
das uniões prematuras no desenvolvimento da rapariga e da sociedade, tais com:

 Condiciona o acesso, a permanência da rapariga no sistema educativo;


 Aumento dos índices de analfabetismo;
 Aumenta o número de casos de desistência escolar
 Contribui para propagação e aumento de doenças sexualmente transmissíveis incluindo o
HIV/ SIDA;
 Agravamento de casos de violência baseada no género, sexual, doméstica e psicológica;
 Privação dos direitos a saúde, educação;
 Violação dos direitos da criança em especial da rapariga;
 Aumentam as taxas de mortalidade materna- infantil;
 Elevação dos índices dos casamentos precoces;
 Aumenta os danos emocionais, físicos e mentais feitos a rapariga;
 Afectam negativamente o futuro das raparigas;
 Reduz as oportunidades de empoderamento das raparigas;
 Discrepância e limitações na relação homem/ mulher;
 Problemas de saúde reprodutiva.
 influência de forma directa e negativa na produtividade nacional através da perpetuação da
pobreza nos diversos pontos do país.

Por estas e outras razões que as problemáticas das uniões prematuras em Moçambique tem
ganho estatuto de problema social. Por isso urge a necessidade de combate e prevenção das
mesmas.

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II.VI. Situação legislativa vigente em Moçambique sobre as uniões prematuras
No que concerne ao quadro legislativo, de dizer que Moçambique é um país que subscreveu
quase todas as convenções internacionais, regionais e elaborou, em âmbito nacional,
instrumentos legais suficientes que fazem o Estado moçambicano cumprir os acordos e coibir
todas as formas que constrangem o respeito pela idade mínima de 18 anos para contrair
casamento.

A nivel nacional destaca-se:

 Legislação nacional sobre as unioes prematuras

Para o efeito, o Governo moçambicano lançou e aprovou algumas estratégias e planos como:

 Estratégia Nacional de Prevenção e Combate as unioes prematuras em Moçambique


(2016 – 2019);

Segundo Albasini (2017:33) A Estratégia Nacional de Prevenção e Combate dos casamentos


prematuros advém da necessidade de reduzir a vulnerabilidade das famílias em especial da
rapariga e de erradicar a prevalência das práticas sociais que impedem ou condicionam o pleno
gozo do direito da criança entre elas a violência doméstica, sexual, o casamento prematuro e o
tráfico de menores. Para prossecução dos seus objectivos a estratégia nacional referida, apresenta
os seguintes eixos estratégicos:

i.Empoderamento das crianças do sexo feminino


- Estimular o envolvimento e participação das crianças de ambos os sexos na prevenção e
combate aos casamentos prematuros;
- Dotar as raparigas de informação, habilidades e redes de apoio para aumentar os conhecimentos
sobre si próprias e do mundo que as rodeia.

ii. Comunicação e mobilização social


- Promover a mudança das normas e práticas sociais que favorecem os casamentos prematuros
em crianças de ambos os sexos;

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- Consciencializar os líderes comunitários, professores, mestres de ritos de iniciação e a
comunidade em geral na matéria de protecção da criança e reforçar o seu papel na redução e
combate dos casamentos prematuros;
- Acesso a educação de qualidade e retenção;
- Melhorar a qualidade, a cobertura e o acesso a educação (primária, secundária e tecno-
profissional);
-Reduzir as limitações específicas das crianças do sexo feminino em relação as crianças do sexo
masculino (assédio sexual, violência de género).

iii. Saúde sexual e reprodutiva

- Reforçar a saúde sexual e reprodutiva das crianças, através de intervenções multissectoriais que
permitem mitigar, prevenir e dar resposta ao casamento prematuro;
- Melhorar o acesso a informação e educação em matéria de saúde reprodutiva e sexual aos
jovens e adolescentes;
- Assegurar a mitigação do impacto da gravidez precoce, permitindo o acesso aos cuidados de
saúde adequados.
iv. Mitigação/ resposta e recuperação
- Introduzir um sistema de protecção as crianças de ambos os sexos “casadas” que incorpore
intervenções multissectoriais para lidar com o casamento prematuro;
- Adoptar medidas que permitam e garantam que as crianças do sexo feminino casadas regressem
e permaneçam na escola;
- Oferecer capacidades vocacionais para as crianças do sexo feminino casadas possam
desenvolver um meio ou modelo de vida, negociar e tomar decisões que afectam as suas vidas.

v. Quadro político legal


- Realizar uma reforma jurídica, adoptando abordagens baseada nos direitos humanos;
- Desenvolver um quadro jurídico alinhado com as normas internacionais e regionais de
prevenção contra o casamento prematuro.
- Garantir o acesso a justiça por parte das crianças em risco de violação dos seus riscos.

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 Plano de Acção a Criança 2013- 2019 (PNAC II)

De acordo com Albasini (2017:34) o presente instrumento é uma conjugação de planos e


políticas dos diferentes sectores que promovem o bem-estar das crianças, através de uma
abordagem multissectorial e coordenada envolvendo as famílias, comunidades, sociedade civil e
a própria criança.

Este plano centra-se em quatro áreas prioritárias:


i. Sobrevivência da criança

- Promoção da saúde materna, neonatal, infantil e adolescente, facilitando o acesso aos serviços
de saúde de qualidade.
- Garantir o acesso universal à água potável e saneamento.
ii. Desenvolvimento da criança

- Melhorar o desempenho escolar dos alunos, sobretudo no que tange as competências críticas de
leitura, escrita, cálculo numérico;
- Consolidar o associativismo infanto- juvenil como forma mais efectiva de organização.

iii. Protecção
- Proteger as crianças da violência, abuso, exploração, tráfico e negligência, promovendo leis,
políticas, serviços e mudança de comportamento a todos os níveis, através de divulgação e
realização de campanhas dos direitos e legislação que protege a criança.

iv. Participação da criança

- Assegurar a criança o acesso à informação e participação na tomada de decisão sobre


questões que afectam as suas vidas.

 Programa Quinquenal do Governo (2015 – 2019).


Segundo Albasini (2017:35) diante da necessidade de estabelecer um compromisso de defesa dos
direitos das mulheres e raparigas através de acções que permitem estabelecer dispositivos e

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mecanismos que assegurem a equidade e o acesso das mulheres, o PGQ define como objectivos
estratégicos os seguintes:
- Promover a igualdade e equidade de género nas diversas esferas do desenvolvimento
económico, social, política e cultural, assegurar a protecção e desenvolvimento integral da
criança e garantir a assistência social aos combatentes e as pessoas em situação de pobreza e de
vulnerabilidade.

-Expandir o acesso e melhorar a qualidade dos serviços de saúde, reduzir a mortalidade materna,
a morbimortalidade por desnutrição crónica, malaria, tuberculose, HIV, doenças não
transmissíveis e doenças evitáveis.

 Legislação nacional existente

Constituição da República de Moçambique (CRM)


Por reconhecer a constante violação dos direitos fundamentais das crianças, o que as coloca
numa situação de vulnerabilidade, a CRM procurou salvaguardar o direito a protecção jurídica e
a promoção do bem- estar tomando em consideração sempre o interesse superior do menor.
Albasini (2017:36)

Com destaque para: a Lei n. 7 (2008) e a Lei n. 10 (2010) da Constituição da República (2004).

O artigo 36 da Constituição da República de Moçambique (2004) estabelece que “o homem e a


mulher sejam iguais perante a lei em todos os domínios da vida política, económica, social e
cultural” (Moçambique, 2004), o que necessariamente precisa incluir as crianças e os
adolescentes do país.

ainda no ambito do aombate as unioes prematuras, o governo de Moçambique tem inserido a


sociedade civil e a mídia jornalística, sobretudo nos, dias comemorativos ou festivos, nas grandes
cidades, locais onde o fato não é tão frequente.( Albasini:2017)

 Código penal

De acordo com CDC considera- se criança toda pessoa menor de dezoito anos de idade. No
âmbito da violação de menores a lei só protege os menores em casos de violação até aos 12 anos
de idade, mesmo que exista um consentimento a relação sexual com menores de 12 anos é

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punida por lei. Todavia, a lei peca por não dar o mesmo tratamento as crianças maiores de 12
anos de idade.Albasini (2017:38)

Código penal, artigo 219°


“ (Violação de menor de doze anos) Aquele que violar menor de doze anos, posto que na se
prove nenhuma das circunstância declaradas no artigo antecedente, será punido com a pena de
vinte a vinte e quatro anos de prisão maior.”

E Segundo a mesma autura, Muitos dos casos de abuso sexual são dados no seio familiar e por
conta disso são muitas vezes encobertados pelos mesmos e se torna muito difícil para própria
vítima poder denunciar. Infelizmente o Código Penal existente, protege os agressores de crimes
de abuso sexual que ocorrem no seio familiar e passo a citar: Código penal, artigo 24°, número 2
“Não são considerados encobridores o cônjuge ou os que vivem como tal, ascendentes,
descendentes, adoptantes, adoptados e os colaterais ou afins do agente do crime até ao terceiro
grau por direito civil.”

Contudo, por se tratar de um fenômeno, sobretudo rural, associado especialmente à pobreza e a


fatores socioculturais, não tem sido tarefa fácil reduzir as taxas de ocorrência. Faltam parcerias
entre entidades governamentais e não governamentais, que precisam, em conjunto, planificar
iniciativas e mecanismos atrativos, que desencorajem essas práticas.

Ainda é notória, no país, a violação sistemática de convenções e a inconsistência no


cumprimento da legislação tanto internacional quanto nacional.

III.ESTRATEGIAS DE COMBATE E PREVENCAO AS UNIOES PREMATURAS

As uniões prematuras são o resultado de acordos familiares, com bases socioculturais que
conferem uma legitimidade e violam alguns princípios fundamentais dos direitos da criança,
aliado a não existência de uma lei específica sobre os casamentos prematuros, contribuindo dessa
forma para o aparecimento de casos de uniões prematuras.

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O combate e a prevenção de casamentos prematuros vêm para dar resposta a uma problemática
de carácter social e económica, como a luta contra discriminação baseada no género, pobreza
noseio das mulheres e a violência doméstica

Contudo, a erradicação dos casamentos prematuros, a busca pela igualdade de género, o respeito
e a preservação dos direitos da criança ainda constituem um desafio no dia- a- dia de muitos
moçambicanos, com especial enfoque as regiões rurais.

Nesse contexto, Albasini (2017:69) avança com algumas estratégias de prevenção e combate as
uniões prematuras, tais como:

 Reforço e reforma do quadro legal adequado a desencorajar a prática das uniões prematuras,
através da tipificação a união prematura como crime de abuso sexual e de violação dos
direitos dos menores;
 Reforçar a consciencialização e envolvimento dos diversos sectores (Governo, ministérios,
organizações da sociedade civil, famílias, crianças, líderes tradicionais, religiosos e
comunitários) nas acções de combate e prevenção as uniões prematuras;
 Implementar de forma efectiva a Estratégia Nacional de Prevenção e Eliminação das uniões
prematuras;
 Palestra sobre sensibilização e desencorajamento das práticas das uniões prematuras e suas
consequências, como forma de prevenção e dotação de ferramentas necessárias para a
identificação dos sinais de violação dos seus direitos sexuais e direitos humanos;
 Criação de encontros que tem como principal missão apoiar os clubes de raparigas
desencorajando o início precoce de relações sexuais, a união prematura e a gravidez precoce;
 Criar condições no terreno e mecanismos de assistência as raparigas adolescentes propensas
ou vítimas as uniões prematuras;
 Promoção e divulgação dos direitos da criança;

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 Fortalecimento da educação da rapariga visando alargar as suas oportunidades;
 Criação de estratégias que permitam o empoderamento feminino o que lhes vai conferir um
rendimento económico;
 Consciencialização de todos actores sociais para uma mudança de atitude com relação ao
papel da criança em especial a rapariga como um sujeito de direitos;
 Adopção de instrumentos internacionais e regionais relativos a eliminação das uniões
prematuras de forma efectiva.

Para dizer que existe uma grande necessidade de reforço e implementação de regras mais rígidas
ao quadro político- legal existente, por forma a permitir a protecção da rapariga contra todas as
formas de violação estejam assentes na nova lei, a qualificação as uniões prematuras como crime
buscando desencorajar a prática, a estipulação de medidas de apoio as vítimas de uniões
prematuras, conjugação dos diversos sectores em prol de mudanças socioculturais e a adopção de
um quadro jurídico alinhado com as normas internacionais e regionais de prevenção contra as
uniões prematuras.

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CONCLUSÃO

Para terminar dizer que a República de Moçambique localiza-se no sudeste do continente


africano na costa leste da África Austral com uma população de 27.128.530 habitantes, dos quais
8.766.777 formam a população urbana e 18.361.753, a rural, o que evidencia que 67,7% da
população é rural. É um país rico em termos de diversidade cultural, onde encontramos
diferentes práticas culturalmente aceites, destas prácticas verifica-se as uniões prematuras.

As unioes prematuras constituem um problema de desenvolvimento social, económico e humano


não só compromete o futuro da menina envolvida, como também constitui um grave problema de
saúde pública. As possíveis implicações são infeções por HIV, abortos espontâneos ou
provocados, anemia, depressão infantil, efístula obstétrica. Em casos piores, o casamento
prematuro tem aumentado sobremaneira a mortalidade materna infantil.

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Em Moçambique, elas tem como causas socioculturais, económicos, discriminatórias e fraca
difusão da legislação e das políticas públicas que protegem as crianças. E as zonas rurais com
elevados índices destas práctica em relação as urbanas, concretamente na região Norte.

No quadro legal, o pais subscreveu varias convenções internacionais e regionais, e no âmbito


nacional, criou-se instrumentos legais com destaque para a Constituição da Republica.

Deste modo, para o combate e prevenção das uniões prematuras, é necessário um grande reforço
e implementação de regras mais rígidas ao quadro político- legal existente, por forma a permitir a
protecção da rapariga contra todas as formas de violação. Também, passam pela redução da
pobreza, reconhecer que, por intermédio do setor de educação, existe a possibilidade de
mudanças nas cidades e nas regiões rurais. O enfrentamento à pobreza extrema e o
fortalecimento da educação formal devem ser uma prioridade do Estado moçambicano.

BIBLIOGRAFIA

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