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BOAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO NA

EDUCAÇÃO INFANTIL

Kelly Cristina da Cunha Viana


E-mail: Profkellyeducainfantil@gmail.com
Faculdade Casa Branca (FACAB)
Curso: Pós-Graduação lato sensu em Boas práticas pedagógicas para creche e pré-escola
Ano de Conclusão: 2020

RESUMO

O Trabalho traz ao leitor uma visão rápida sobre a história da alfabetização e do letramento e
a trajetória da educação infantil no Brasil. Procura mostrar a complexidade da compreensão
do termo alfabetização e letramento, condizentes aos métodos e conceitos educacionais. Cabe
também ao trabalho explicitar que o processo de inclusão da educação infantil e sua
importância enquanto sistema de desenvolvimento educacional passa por diversas concepções
ao longo do tempo e ainda possui um enaltecimento frágil quando se trata de alfabetização,
mas não de letramento. Isso é possível observar no documento atual norteador da educação
básica ao se referir a alfabetização como conteúdo a ser desenvolvido nos primeiros anos do
ensino fundamental. Pois, embora a BNCC traga conceitos firmados para a educação infantil,
preocupando-se com o desenvolvimento socioemocional e garantindo uma aprendizagem
lúdica através das interações e brincadeiras, ela trata em todos os campos a importância do
letramento mas não deixa explicito se ela concede ou não introduzir a alfabetização na
educação infantil.
Palavras-chave: Alfabetização; Educação infantil; Base Nacional Comum Curricular

GOOD PEDAGOGICAL PRACTICES: LETTERING AND LITERACY IN


CHILDREN'S EDUCATION

ABSTRACT

The Works brings the reader a quick look at the history of literacy and literacy and the
trajectory of early childhood education in Brazil.
It seeks to show the complexity of understanding the term literacy and literacy, consistent
with educational methods and concepts.
It is also up to the work to explain that the process of including early childhood education and
its importance as an educational development system goes through several conceptions over
time and still has a fragile praise when it comes to literacy, but not literacy.
This can be seen in the current document guiding basic education when referring to literacy as
content to be developed in the first years of elementary school.
For, although the BNCC brings established concepts for early childhood education, being
concerned with socio-emotional development and guaranteeing a playful learning through
interactions and games, it treats in all fields the importance of literacy but does not make it
explicit whether it grants or not introduce literacy in early childhood education.
Keywords: Literacy; child education; Common Base National Curriculum

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INTRODUÇÃO

Quando falamos em alfabetização, pensamos logo atividades de pratica incessante de


leitura, escrita e traçados, atividades essas que contrapõe o novo documento normativo BNCC
(Base Nacional Comum Curricular, pois ela traz em seus textos de forma clara e objetiva a
necessidade de um olhar voltado para o educar e o cuidar de maneira integral desenvolvendo
o aluno em todo seu aspecto físico, social, pessoal e emocional, pois um (educar) não se faz
sem o outro (cuidar).
Pensando de maneira integral, a criança deve ser exposta a práticas que desenvolvam
sua autonomia, sua identidade pessoal e coletiva, que seja capaz de construir sentidos sobre a
natureza e a sociedade e produzir cultura; e como meio de interligar todo esse processo a
alfabetização e o letramento tem um papel fundamental.
O presente trabalho tem como objetivo questionar o processo de aprendizagem na
educação infantil, considerando o documento da Base Nacional Comum Curricular, e seus
direitos de aprendizagem: conviver, brincar, participar, explorar, expressar, conhecer-se. A
pergunta que se faz é como inserir o letramento e a alfabetização na educação infantil sem
preceder conteúdos e práticas condizentes com ao ensino fundamental. É possível introduzir a
criança em um meio de letramento e alfabetização respeitando os direito colocados pela
BNCC?
É preciso identificar maneiras de inserir nesse meio lúdico o desenvolvimento da
alfabetização e do letramento sem preceder os conteúdos das séries subsequentes com
atividades lúdicas e com conteúdo específicos para faixa etária.

CONTEXTO HISTÓRICO DA ALFABETIZAÇÃO E DO LETRAMENTO

A alfabetização como uma construção social é instituída por ideologias de base


histórica e práticas de comunicação de acordo com o contexto histórico e social vigente.
(GODINHO; DIAS, 2015, p.196)

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A expressão educação “pré-escolar”, utilizada no Brasil até a década de 1980,
expressava o entendimento de que a Educação Infantil era uma etapa anterior,
independente e preparatória para a escolarização, que só teria seu começo no Ensino
Fundamental. Situava-se, portanto, fora da educação formal. Com a Constituição
Federal de 1988, o atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a 6 anos
de idade torna-se dever do Estado. Posteriormente, com a promulgação da LDB, em
1996, a Educação Infantil passa a ser parte integrante da Educação Básica, situando-
se no mesmo patamar que o Ensino Fundamental e o Ensino Médio. E a partir da
modificação introduzida na LDB em 2006, que antecipou o acesso ao Ensino
Fundamental para os 6 anos de idade, a Educação Infantil passa a atender a faixa
etária de zero a 5 anos. Entretanto, embora reconhecida como direito de todas as
crianças e dever do Estado, a Educação Infantil passa a ser obrigatória para as
crianças de 4 e 5 anos apenas com a Emenda Constitucional nº 59/200926, que
determina a obrigatoriedade da Educação Básica dos 4 aos 17 anos. Essa extensão
da obrigatoriedade é incluída na LDB em 2013, consagrando plenamente a
obrigatoriedade de matrícula de todas as crianças de 4 e 5 anos em instituições de
Educação Infantil. Com a inclusão da Educação Infantil na BNCC, mais um
importante passo é dado nesse processo histórico de sua integração ao conjunto da
Educação Básica. (BNCC, 2017)

De acordo com Godinho e Dias (2015) no Brasil a alfabetização carrega em sua


história um alto índice de analfabetismo. Com o surgimento da escola, veio a ideia de se
escolarizar para alfabetizar. Através da história a alfabetização foi se moldando de acordo
com as exigências da era industrial e urbana apresentando novos valores e necessitando
garantir o mínimo de instrução seguida da ideia de que com sucesso escolar há estabilidade
social. Nesse período a alfabetização e a escola seguiam linhas difusas sendo independentes
entre si, a escrita passa a ser valorizada na prática alfabetizadora pois acreditava-se que era
escrevendo que se aprendia a ler, mas o ensino ainda competia aos pais. No séculos XIX os
dois passaram a caminhar simultaneamente mas a escrita passa a ser um trabalho manual e
cresce a valorização da leitura.
Segundo (SOARES,2016, p.25) qualquer que fossem os métodos “privilegiavam a
leitura, limitando a escrita à cópia ou ao ditado; a escrita real, autêntica, isto é a produção de
texto, era considerada como posterior ao domínio da leitura, ou como decorrência natural
desse domínio”.
Surge então a preocupação de como alfabetizar. O método Graser seguia o seguinte
processo; ensinava-se primeiro as letras depois as sílabas e por último as palavras. Scholtz
combinava esse método com o método fónico onde as crianças traçavam as letras dizendo os
sons em vez do seus nomes e assim como no método alemão de Luben e Vogel onde
utilizava-se uma palavra chave com um desenho correspondente a letra a ser ensinada
(Godinho e Dias 2015).
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Segundo Soares (2016, p.17) “esse movimento de alternância metodológica teve início
em nosso país como dito anteriormente, a partir das últimas décadas do século XIX. Antes
disso considerava-se que aprender a ler e escrever dependia fundamentalmente, de aprender as
letras, mais especificamente o nome das letras”. No início do século XX os métodos se
alternaram no ensino de leitura e escrita até os anos 80 que foi quando segundo SOARES
(2016, p.23,24) que os métodos de alfabetização passaram a serem vistos como um fracasso
sempre que houvesse um excesso de reprovação ou evasão escolar, com isso surgia um
método atrás do outro e com o fracasso persistente vinha o desrespeito aos métodos que
oscilavam entre métodos sintéticos e analíticos. Surge o construtivismo, não como método
mas uma nova concepção do processo de aprendizagem inicial da língua escrita, que
contribuiu na solução dos problemas de aprendizagem e procurou evitar a produção em massa
de futuros analfabetos. Mas no início do século XXI mesmo após duas décadas na luta com o
construtivismo o fracasso na alfabetização persiste, segundo não mais avaliações internas mas
externas vindas de avaliações estaduais, nacionais e internacionais. Reaparece então a
discussão sobre os métodos na alfabetização proscrita nas duas décadas anteriores voltada
para a reflexão não só da divergência entre os métodos mas a necessidade dos mesmos. Inicia-
se um movimento em prol da recuperação dos métodos a qual gera conflitos com ideia da
desmetotização, interpretação essa dada pelo construtivismo.
De acordo com SOARES:

“Essa mudança de paradigma, considerada uma “revolução conceitual” na


alfabetização (Ferreiro e Teberosky,1986:21; Ferreiro.1985: 41), altera o movimento
pendula: o pêndulo passa a deslocar-se não mais entre métodos sintéticos, de um
lado, e métodos analíticos, de outro, mas entre ambos qualificados de “tradicionais”,
de um lado, e a “desmetodização” proposta pelo construtivismo, de outro,
entendendo-se por “desmetodização” a desvalorização dos métodos como elemento
essencial e determinante no processo de alfabetização. (SOARES, 2016, p.22)”

Com a concepção construtivista gerou um conceito à prática de alfabetização e ao


letramento. Tfouni e Kleiman foram precursores no uso da terminologia “letramento” que
significa na visão da pesquisadora práticas sociais que usam a escrita e não sinônimo para
alfabetização.

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“O letramento no modelo autônomo, tomado como sinônimo de alfabetização e
amplo domínio da leitura e da escrita de textos, é entendido como a causa do
progresso, da civilização, da tecnologia da liberdade individual e da mobilidade
social. Dessa maneira, sociedade com indivíduos letrados são superiores a mais
avançadas do que aquelas cujos membros se pautam, primordialmente, na
comunicação oral. Além do progresso da sociedade, outra consequência atribuída ao
processo de letramento, na perspectiva do modelo autônomo, é a aquisição de
funções lógicas mais desenvolvidas. Acredita-se que o desenvolvimento da escrita é
o meio mais importante para o desenvolvimento cognitivo, possibilitando o alcance
do pensamento abstrato, a mudança dos signos para os conceitos. (GODINHO;
DIAS, 2015, aput Kleiman, 1995; Tfouni, 1995).”

Para (OLIVEIRA, 2017, p.20) “O modelo autônomo assume a postura de que os gêneros
e as formas correntes de letramento são fixos, universais e dados, quando na verdade foram
construídos historicamente. Nesta vertente, o letramento é resumido a habilidades para leitura
e escrita, e também, que ele, por si próprio terá efeitos nas práticas sociais e cognitivas”.
Já o modelo ideológico é contrário à essa ideia, na sua perspectiva investiga as
características da prática oral e da prática escrita, mas não quer dizer que se refere apenas à
aquisição da habilidade escrita e sim que o letramento se inicia ao nascer e se aprimora com a
escrita. Se por um lado temos a pessoa letrada também favorecida pelo desenvolvimento
social, então não podemos usar nesse contexto do termo iletrado como antítese de letrado.
Pois não existe um grau zero de letramento, apenas definirmos o grau de letramento para mais
ou menos sofisticados, de acordo com as possibilidades ofertadas à pessoa (GODINHO;
DIAS, 2015, p.210).
Para (GODINHO; DIAS, 2015, p.207) os estudos realizados por Emília Ferreiro, Ana
Teberosky, Carraher, Luria e outros “possibilitaram uma profunda reflexão sobre o processo
de alfabetização, colocando o aluno como sujeito da aprendizagem e o professor como
mediador” em suas observações foi possível comprovar de que “a criança inicia seu processo
de alfabetização antes e durante a escolarização, pois a leitura e a escrita não são práticas
exclusivas da escola, mais práticas sociais que vão à escola para que possam ser apreendidas
socialmente com vista à suas funções.
No contexto atual inseridos numa sociedade globalizada e digital onde a informação e
o conhecimento são produzidos incessantemente e a necessidade de leitura e interpretação de
nossa realidade nas relações sociais são constantes, as escolas se põe a serviço da sociedade
para alfabetizar letrando ou seja “ensinar a ler e escrever no contexto das práticas sociais da
leitura e da escrita” (GODINHO; DIAS, 2015, aput SOARES, 1998, p. 47).

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“Alguns estudos recentes sobre a alfabetização destacam a relevância de uma nova
práxis que não se limita a um modelo linear e positivo de desenvolvimento, em que
a criança aprenda a usar e decodificar sinais gráficos saindo de um ponto “x” e
chegando a um ponto “y”. O foco recai em um movimento de aprendizagem que
valoriza as práticas letradas e a relação desta com as atividades sociais e culturais.
Nessa perspectiva, a alfabetização é ligada a um amplo contexto, não se restringindo
às horas-aulas das instituições educacionais e não relegando a um segundo plano a
realidade do alfabetizando. (GODINHO; DIAS, 2015, p. 199)”

Segundo SOARES (2016. p.27) “o termo letramento se associa ao termo alfabetização


para designar uma aprendizagem inicial da língua escrita entendida não apenas como a
aprendizagem do sistema alfabético e suas convenções mas também como, de forma
abrangente, a introdução da criança às práticas sociais da língua escrita”. Se atribui então
pesos diferentes na aprendizagem inicial da língua relacionada à leitura e à escrita -
alfabetização – e na introdução da criança no uso da leitura e da escrita nas práticas sociais –
letramento – apresentam discordância em que ensinar ao ensinar a língua escrita.
Segundo SOARES (2016, aput SOARES, 2005, p. 27), “alfabetização é compreendida
como, restritamente, a aprendizagem do sistema alfabético-ortográfico e das convenções para
seu uso, a aprendizagem do ler e escrever considerados verbos sem complemento”.
Considerando tal conceito a alfabetização é complexa e envolve vários componentes e
necessita desenvolver inúmeras competências. Soares define esses componentes de facetas e
para o processo de alfabetização a autora estabelece basicamente três principais facetas para o
processo inicial da língua escrita. São elas: a faceta linguística da língua escrita, a faceta
interativa da língua escrita e a faceta sociocultural da língua escrita. A linguística representa
de forma visual a cadeia sonora da fala “alfabetização” a interativa serve como veículo de
interação, expressão e compreensão de mensagens entre as pessoas e a sociocultural defini o
uso a função e valores dados à escrita no contexto sociocultural, ambas consideradas como
“letramento”.
De acordo com Soares 2016:

“Dessas três facetas decorrem três objetos de conhecimento diferentes na


composição do processo de aprendizagem inicial da língua escrita, objetos a que
correspondem domínios cognitivos e linguísticos distintos e, consequentemente, três
categorias de competências a serem desenvolvidas: se se põe o foco da faceta
linguística, o objeto de conhecimento é a apropriação do sistema alfabético-
ortográfico e das convenções da escrita, objeto que demanda processos cognitivos e
linguísticos específicos e portanto, desenvolvimento da estratégias especifica de
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aprendizagens e consequentemente de ensino- neste livro a alfabetização. Se se põe
o foco na faceta interativa o objeto são as habilidades de compreensão e produção de
texto, objeto que requer outros e diferentes processos cognitivos e linguísticos e
outras e diferentes estratégias de aprendizagem e de ensino. Finalmente se se põe o
foco na faceta sociocultural, o objeto são os eventos sociais e culturais que
envolvem a escrita, objeto que implica conhecimento, habilidades e atitudes
específicos que promovam inserção adequada nesses evento, isto é em diferentes
situações e contextos de uso da escrita. Essa tricotomia explica a questão – as
controvérsias – entre os métodos, mencionados anteriormente. (SOARES, 2016,
p.29)”

De acordo com Soares, 2016 podemos perceber nas questão dos métodos a separação
no processo de aprendizagem onde a faceta linguística é dominada pelos métodos sintéticos e
analíticos e a faceta interativa é dominada pole construtivismo o mesmo não assumi como
objeto de aprendizagem já que o desenvolvimento das competências vinculadas a ela vem
naturalmente através da inserção da criança no mundo da cultura escrita.
Segundo (SOARES, 2016, p.35) “a aprendizagem inicial da escrita, embora entendida
e tratada como fenômeno multifacetado, deve ser desenvolvido em sua inteireza, como um
todo, porque essa é a natureza real dos atos de ler e escrever”, pois de acordo com a autora é
através das práticas sociais, que ao ler e escrever exercitamos sincronicamente muitas e
diferentes competências. Definido por ela o que tem se chamado de alfabetizar letrando.
Segundo (GODINHO; DIAS, 2015, aput SOARES, 1998, p. 47) “... alfabetizar e letrar
são duas ações distintas, mas não inseparáveis, ao contrário: o ideal seria alfabetizar letrando,
ou seja, ensinar a ler e a escrever no contexto das práticas sociais da leitura e da escrita”.

ALFABETIZAR NA BNCC

De acordo com (THADEU, [2015 a 2020]) “A Base Nacional Comum Curricular


(BNCC) é um documento de referência para a formulação dos currículos escolares de todo o
Brasil. Sua função é definir o que deve ser ensinado nas instituições de Ensino Básico de
modo a garantir o desenvolvimento das aprendizagens essenciais”.
(THADEU, [2015 a 2020]) Ainda diz que o documento “propõe o aprendizado por
meio do desenvolvimento de competências e habilidades. Transversal às competências
puramente cognitivas, estão as competências socioemocionais, que buscam a formação
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integral dos estudantes e controle de suas emoções, preparando-os para a vida em sociedade
do século XXI.”
Toda a elaboração do documento teve a participação e contribuições públicas através
de consultas virtuais e seminários promovidos para discussão. A BNCC para a Educação
Infantil e o Ensino Fundamental foi homologada em dezembro de 2017, enquanto a BNCC do
Ensino Médio foi homologada um ano depois, em dezembro de 2018. (THADEU, [2015 a
2020]).
Através deste documento vejamos o que fica estipulado para a alfabetização.
De acordo com Rico ([s.d.]):

“Com o documento aprovado, essas questões foram apenas parcialmente resolvidas.


O documento mantém os principais pressupostos presentes em diretrizes anteriores,
como os Parâmetros Nacionais Curriculares (PCNs), mas também incorpora
mudanças. Oficialmente, a BNCC não traz direcionamentos sobre as abordagens que
devem ser adotadas, mas existe uma perspectiva que está por trás da elaboração do
texto: nela, o trabalho com algumas relações entre fala e escrita é enfatizado. O
documento justifica essa ênfase como um reconhecimento de que a apropriação do
sistema alfabético de escrita tem especificidades e colocando-a como foco principal
da ação pedagógica nos anos iniciais do Ensino Fundamental.
A BNCC assemelha-se aos PCNs quando assume a perspectiva enunciativo-
discursiva de linguagem, reconhecendo que ela é uma atividade humana e faz parte
de um processo de interação entre os sujeitos. A linguagem materializa-se em
práticas sociais, com objetivo e intenção. Por essa razão, estabelece a centralidade
no texto como unidade de trabalho e indica a necessidade de sempre considerar
a função social dos textos utilizados. Durante a alfabetização, isso sinaliza para a
importância de que os alunos trabalhem com textos reais – e não exclusivamente
criados para o trabalho escolar como “Ivo viu a uva”.
O documento também aponta para uma continuidade do que é feito na Educação
Infantil, deixando mais claro que há uma ponte entre os dois segmentos. É preciso
compreender que ambos estão interligados, portanto, nos anos iniciais do
Fundamental será possível intensificar e estruturar as experiências com a língua oral
e escrita iniciadas na Educação Infantil.
A BNCC reconhece a especificidade da alfabetização e propõe a mescla de duas
linhas de ensino: a primeira indica para a centralidade do texto e para o trabalho com
as práticas sociais de leitura e escrita, a segunda soma a isso o planejamento de
atividades que permitam aos alunos refletirem sobre o sistema de escrita
alfabética (estudar, por exemplo, as relações entre sons e letras e investigar com
quantas e quais letras se escreve uma palavra, e onde elas devem estar posicionadas
ou como se organizam as sílabas).
Ao assumir essa postura, o documento considera as contribuições da perspectiva
construtivista, principalmente os estudos sobre os processos pelos quais as crianças
passam para se apropriar da escrita. Mas, também, aponta ser preciso um trabalho
com a consciência fonológica e com conhecimento das letras para ajudar a criança a
evoluir em suas hipóteses de escrita.
Essa opção pela alfabetização explícita gerou muitas discussões e resistência entre
os especialistas durante a elaboração da BNCC, mas prevaleceu o entendimento de
que as crianças aprendem de diferentes maneiras e esta pode ser uma opção para a
parcela que não tem sido alfabetizada apenas pelas propostas das diretrizes
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anteriores. Indicar a inclusão de atividades específicas sobre notação alfabética não
significa desprezar a imersão no texto e sua função social nem estabelecer uma
ordem de prioridade entre os dois trabalhos. Até porque não basta dominar o sistema
de escrita para estar alfabetizado. É preciso também ser capaz de ler e escrever
textos de diversos gêneros. Um processo que o próprio documento indica ter
continuidade a partir do 3º ano, quando a ênfase é na ortografização.
Vale frisar que, ao contrário dos PCNs, que ofereciam ao professor orientações
didáticas e elementos para avaliação, a Base não trata dessas partes. O documento
concentra-se na proposição das competências e habilidades essenciais que todos os
alunos devem desenvolver a cada ano e etapa da Educação Básica, ou seja, o foco
está em “o que ensinar”. A construção do “como ensinar” virá nos currículos, cuja
revisão está a cargo de redes, escolas e docentes. (Rico, [s.d.])”

E (THADEU, [2015 a 2020]) afirma que: “a alfabetização é destacada no documento


no início do Ensino Fundamental. Ainda que a BNCC atribua a etapa de alfabetização aos
anos iniciais do Ensino Fundamental, alguns preceitos e antecedentes do período alfabetizador
estão presentes na fase da Educação Infantil.” Segundo ele:

“Embora não apareça com o nome de “alfabetização”, muito da ideia de


alfabetização e letramento está presente na Educação Infantil da BNCC. O campo de
experiência nomeado Escuta, fala, pensamento e imaginação constitui um arranjo
curricular de experiências e saberes da criança voltados para a comunicação.
Nesse período de aprendizagem, a BNCC destaca como fundamental o explorar do
falar e do ouvir por meio de situações e exercícios interativos e lúdicos.
Sobre a cultura da escrita na Educação Infantil, o documento traz alguns pontos:
A criança, naturalmente, manifesta curiosidade linguística acerca de textos escritos.
Sozinha, ela constitui sua própria concepção de língua escrita e já é capaz de
reconhecer a multiplicidade dos usos da escrita.
A partir dos conhecimentos e desejos manifestados pelas crianças, a imersão na
cultura da escrita deve ser iniciada.
O contato precoce com a Literatura colabora para o desenvolvimento do gosto pela
leitura e estímulo à criatividade.
A familiaridade com textos escritos faz com que as crianças desenvolvam hipóteses
sobre o escrever. Na maioria das vezes, os pequenos conseguem identificar a escrita
como um sistema de representação da língua.
Por integrar uma das composições da alfabetização, a cultura da escrita e o seu
despertar dos conhecimentos sobre o uso social da escrita pode ser o primeiro sinal
de alfabetização na BNCC.”

(THADEU, [2015 a 2020] aput Emília Ferreiro) diz em sua obra Alfabetização em
Processo o seguinte: “O desenvolvimento da alfabetização ocorre, sem dúvida, em um
ambiente social. Mas as práticas sociais assim como as informações sociais, não são recebidas
passivamente pelas crianças”. Contudo podemos observar que a alfabetização de fato segundo

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a BNCC deve ocorrer nos anos iniciais do ensino fundamental, sobre isso (THADEU, [2015 a
2020]) ressalta:

“A Base insere a alfabetização propriamente dita na Área de Linguagens, sobretudo


como etapa primária do Ensino Fundamental – Anos Iniciais, principalmente em
seus dois primeiros anos.
De acordo com o documento, a ênfase da ação pedagógica no início dos anos
iniciais deve estar na apropriação do sistema de escrita alfabético e desenvolvimento
de habilidades envolvidas na leitura e escrita. A justificativa para esse foco inicial é
a ampliação de possibilidades provocada pelo aprender a ler e escrever, que envolve
a construção de conhecimentos por meio da inserção na cultura letrada.
Nos primeiros anos do Ensino Fundamental, as experiências iniciadas na Educação
Infantil ganham teor mais profundo. A alfabetização e suas práticas aparecem
em quatro eixos:
Oralidade, que envolve o conhecimento da língua oral e estratégias de fala e escuta;
Análise Linguística/Semiótica, que sistematiza, de fato, a alfabetização e seu período
de 5 anos (2 para a inserção e 3 para o desenvolvimento);
Leitura/Escuta, que dá devido destaque ao letramento através de uma progressiva
adequação às estratégias de leitura em variados tipos de texto;
Produção de texto, que também, progressivamente, incorpora estratégias de escrita
de diferentes gêneros textuais.
Válido destacar que, segundo a Base, “cantar cantigas e recitar parlendas e
quadrinhas, ouvir e recontar contos, seguir regras de jogos e receitas, jogar games,
relatar experiências e experimentos, serão progressivamente intensificadas e
complexificadas, na direção de gêneros secundários com textos mais complexos”.
O aprendizado do alfabeto e de sua utilidade como código de comunicação, assim
como a apropriação do sistema de escrita e de mecanismos de leitura, é parte
fundamental para integração na sociedade. A Base Nacional Comum Curricular
define a alfabetização como ação pedagógica principal no começo do Ensino
Fundamental – Anos Iniciais, uma vez que o documento prevê que, ao final do 2º
ano, as crianças já devem possuir habilidades relacionadas a leitura e escrita”.
(THADEU, [2015 a 2020])”

EDUCAÇÃO INFANTIL DE ACORDO COM A BNCC

De acordo com (BNCC, 2017) “Nas últimas décadas, vem se consolidando, na


Educação Infantil, a concepção que vincula educar e cuidar, entendendo o cuidado como algo
indissociável do processo educativo.” Portanto a base assegura que as crianças devem através
das creches e pré-escolas, serem acolhidas e ter suas vivências e conhecimentos construídos a
partir do ambiente da família e no contexto de sua comunidade, moldando-as em suas
propostas pedagógicas, com o objetivo de ampliar o universo de experiências, conhecimentos

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e habilidades dessas crianças, diversificando e consolidando novas aprendizagens, atuando de
maneira complementar à educação familiar”.
A base ainda estipula que todo o desenvolvimento da criança se dê através das
interações e das brincadeiras, pois “A interação durante o brincar caracteriza o cotidiano da
infância, trazendo consigo muitas aprendizagens e potenciais para o desenvolvimento integral
das crianças.” (BNCC, 2017)
A (BNCC, 2017) traz seis direitos de aprendizagem para a educação infantil que
asseguram as condições para que as crianças possam aprender em situações propícias a suas
necessidades.

DIREITOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO NA EDUCAÇÃO


INFANTIL
• Conviver com outras crianças e adultos, em pequenos e grandes grupos, utilizando
diferentes linguagens, ampliando o conhecimento de si e do outro, o respeito em
relação à cultura e às diferenças entre as pessoas.
• Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com
diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a
produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas
experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e
relacionais.
• Participar ativamente, com adultos e outras crianças, tanto do planejamento da
gestão da escola e das atividades propostas pelo educador quanto da realização das
atividades da vida cotidiana, tais como a escolha das brincadeiras, dos materiais e
dos ambientes, desenvolvendo diferentes linguagens e elaborando conhecimentos,
decidindo e se posicionando.
• Explorar movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções,
transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza, na
escola e fora dela, ampliando seus saberes sobre a cultura, em suas diversas
modalidades: as artes, a escrita, a ciência e a tecnologia.
• Expressar, como sujeito dialógico, criativo e sensível, suas necessidades, emoções,
sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos, por meio
de diferentes linguagens.
• Conhecer-se e construir sua identidade pessoal, social e cultural, constituindo uma
imagem positiva de si e de seus grupos de pertencimento, nas diversas experiências
de cuidados, interações, brincadeiras e linguagens vivenciadas na instituição escolar
e em seu contexto familiar e comunitário. (BNCC,2017)

De acordo com (BNCC, 2017) “a organização curricular da Educação Infantil na


BNCC está estruturada em cinco campos de experiências, no âmbito dos quais são definidos
os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento”. São eles: O eu o outro e o nós; Corpo,
gestos e movimento; Traços sons cores e formas Espaços; Tempos, quantidades, relações e
transformações; Escuta, fala, pensamento e imaginação. E ainda estabelece em cada campo,
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objetivos de aprendizagem no qual ao reconhecer “as especificidades dos diferentes grupos
etários que constituem a etapa da Educação Infantil, os objetivos de aprendizagem e
desenvolvimento estão sequencialmente organizados em três grupos por faixa etária, que
correspondem, aproximadamente, às possibilidades de aprendizagem e às características do
desenvolvimento das crianças”.
No que se trata o trabalho vejamos na íntegra o campo que mais se relaciona com a
alfabetização e o letramento já que nesta etapa todos os campos são interdisciplinares.
De acordo com (BNCC, 2017) o campo abaixo diz que:

Escuta, fala, pensamento e imaginação – Desde o nascimento, as crianças


participam de situações comunicativas cotidianas com as pessoas com as quais
interagem. As primeiras formas de interação do bebê são os movimentos do seu
corpo, o olhar, a postura corporal, o sorriso, o choro e outros recursos vocais, que
ganham sentido com a interpretação do outro. Progressivamente, as crianças vão
ampliando e enriquecendo seu vocabulário e demais recursos de expressão e de
compreensão, apropriando-se da língua materna – que se torna, pouco a pouco, seu
veículo privilegiado de interação. Na Educação Infantil, é importante promover
experiências nas quais as crianças possam falar e ouvir, potencializando sua
participação na cultura oral, pois é na escuta de histórias, na participação em
conversas, nas descrições, nas narrativas elaboradas individualmente ou em grupo e
nas implicações com as múltiplas linguagens que a criança se constitui ativamente
como sujeito singular e pertencente a um grupo social. Desde cedo, a criança
manifesta curiosidade com relação à cultura escrita: ao ouvir e acompanhar a leitura
de textos, ao observar os muitos textos que circulam no contexto familiar,
comunitário e escolar, ela vai construindo sua concepção de língua escrita,
reconhecendo diferentes usos sociais da escrita, dos gêneros, suportes e portadores.
Na Educação Infantil, a imersão na cultura escrita deve partir do que as crianças
conhecem e das curiosidades que deixam transparecer. As experiências com a
literatura infantil, propostas pelo educador, mediador entre os textos e as crianças,
contribuem para o desenvolvimento do gosto pela leitura, do estímulo à imaginação
e da ampliação do conhecimento de mundo. Além disso, o contato com histórias,
contos, fábulas, poemas, cordéis etc. propicia a familiaridade com livros, com
diferentes gêneros literários, a diferenciação entre ilustrações e escrita, a
aprendizagem da direção da escrita e as formas corretas de manipulação de livros.
Nesse convívio com textos escritos, as crianças vão construindo hipóteses sobre a
escrita que se revelam, inicialmente, em rabiscos e garatujas e, à medida que vão
conhecendo letras, em escritas espontâneas, não convencionais, mas já indicativas
da compreensão da escrita como sistema de representação da língua.

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TEMPO DE ALFABETIZAR E DE LETRAR

No documento a BNCC deixa claro que a alfabetização se inicia no ensino


fundamental, embora de forma sutil fala que a mesma pode ser de maneira introdutória
prevista no trabalho pedagógico da educação infantil. Com relação a isso Soares (2016, p341)
acredita que estipular um tempo ou uma idade própria para se iniciar a alfabetização é
equivocada, segundo ela de acordo com Emília Ferreiro já nos anos 80 afirmava que “a
polémica sobre a idade ótima para o acesso a língua escrita é uma polémica mal colocada,
porque tem por pressuposto serem os adultos que decidem quando essa aprendizagem
[aprender a ler e escrever] deverá ser iniciada”. Polémica essa mal colocado de acordo com
Soares porque a aprendizagem da língua escrita “é um processo continuo de desenvolvimento
cognitivo e linguístico que não tem momento definível quer de início quer de termino” ...
“inicia-se no nascimento e termina na morte”.
Em uma entrevista publicada na página do youtube da Nova Escola, Magda Soares
deixa claro sua opinião sobre essa questão de tempo definido como essa ou aquela etapa da
educação, para ela isso ocorre de acordo com cada cultura, a criança já está inserida no mundo
letrado ao observar a sua volta e seus familiares utilizando de materiais de uso gráfico
diariamente quando leem um jornal ou se escreve um bilhete ou produzem uma lista de
compras, cabe a instituição educacional dar continuidade a esse processo de forma metódica e
planejada. A divisão desse processo apesar de necessário para organizar o sistema de ensino,
se torna arbitrário na prática, pois não há fundamentação nem na psicologia do
desenvolvimento, na psicologia cognitiva ou no desenvolvimento linguístico que se
estabelece um corte no desenvolvimento nem na aprendizagem da criança. A autora define a
educação infantil como um ciclo de introdução à alfabetização e o letramento. Percebe-se um
incentivo no letramento quando se trata de educação infantil, mas uma resistência voltada aos
processos que envolvam a alfabetização. (Alfaletrar, 2017)
Segundo a autora:

“Na educação infantil tem feito essa separação; a criança pode-se desenvolver no
letramento, mas não deve continuar seu processo na conceitualização da escrita, no
conceito que ela vai formando sobre escrita. Não é preciso esperar os seis anos nem

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os sete anos e cortar o desenvolvimento da criança, é injusto com a criança, você
impedir que ela continue num processo que já começou. (Alfaletrar, 2017).”

Durante a entrevista autora ainda ressalta que esse processo deve ser
fundamentalmente lúdico, com brincadeiras assim como tudo na educação infantil partindo do
nível da criança mas com metas bem definidas e entendendo bem em que ponto do
desenvolvimento a criança está, para não forçar a criança a ir mais depressa do que é possível
para ela mais ao mesmo tempo sem retardar o processo de desenvolvimento e aprendizagem
dela. O que a educação infantil deve fazer é acompanhar a criança nesse processo, é estimular
e ajudar a criança nas hipóteses que ela faz e não funciona, nos avanços que ela faz para ir se
reestruturando na escrita, isso deve ocorrer na educação infantil, não se pode travar o
desenvolvimento da criança (Alfaletrar, 2017).
Segundo SOARES:

“É curioso observar a vinculação que em geral se faz de início de processo de


alfabetização com a organização do sistema formal de ensino, no pressuposto de que
é nele, só nele e pela ação dele que a criança se alfabetiza – é a luz dessa vinculação
que se tem polemizado sobre a definição do início e também do termino, desse
processo. No entanto demonstra a fragilidade dessa vinculação o fato de que a
divisão do sistema de ensino em segmentos, a idade de entrada nele e o tempo
determinado para que nele se inicie e se complete a alfabetização modificam-se ao
longo do tempo, basicamente em função de possibilidades econômicas e
consequentes políticas educacionais, não propriamente em função dos processos
cognitivos e linguísticos de desenvolvimento e aprendizagem da língua escrita pela
criança” (SOARES, 2016, p.343)

Para SOARES (2016), o fato de a entrada das crianças com idade anterior a do ensino
fundamental ter sido historicamente introduzida como obrigatória tardiamente, definiu-se
sempre a alfabetização como responsabilidade do ensino fundamental. Isso talvez explique a
polémica sobre a educação infantil poder ou não dar prosseguimento ao desenvolvimento da
criança na compreensão do sistema alfabético de escrita.
Contudo SOARES (2016) enfatiza que só a alfabetização, não assegura a entrada da
criança no mundo da cultura escrita. Pois “a alfabetização é uma das três facetas da
aprendizagem inicial da língua escrita, necessária, mas não suficiente, porque esta, só se

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completa se integrada com as facetas interativas e sociocultural, estas duas constituindo o
letramento”.

CONCLUSÃO

A educação infantil adquiriu seu lugar e sua valorização muito recentemente. A


história mostra que essa etapa demorou para ser vista como parte importante no
desenvolvimento da criança. Com a BNCC damos um enorme passo educacional ao ver que a
educação infantil tenha adquirido seu lugar de destaque e importância. É preciso ressaltar que
o documento deixa claro sua preocupação com o processo a ser desenvolvido nas escolas para
essa etapa, onde baseia o mesmo em interações e brincadeiras por meio da ludicidade
essencial para as crianças. Também define em suas competências, direitos e objetivos um
trabalho voltado para o desenvolvimento socioemocional da crianças. Na parte direcionada
para o desenvolvimento da alfabetização e letramento, o documento aborda a ideia de
continuidade de uma etapa para outra e cita que no ensino fundamental é que se dará
aprofundamento no desenvolvimento da aprendizagem do sistema de escrita.
Contudo nota-se que apesar dos esforços a educação infantil ainda perde seu valor
quando por exemplo passam a inserir a criança no ensino fundamental aos seis anos, idade
antes pertencente a educação infantil. Se a educação infantil tem como objetivo introduzir a
criança no mundo letrado de forma sistêmica, organizada e planejada, processo esse que
subsequência a bagagem que ela traz do período ante a escolarização, e deve o ensino
fundamental dar continuidade a esse processo, ter alterado e incluído a criança de seis anos no
ensino fundamental mostra que essa valorização ainda é superficial. Pois Com relação a
alfabetização e o letramento especificamente ainda se faz um corte de uma etapa para a outra,
não só de forma sistemática e no papel mas na forma como lidam em seus conceitos e
proibições destinados à educação infantil.

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BIBLIOGRAFIA

ALFALETRAR - Educação Infantil: parte de um processo. [S. l.]: Nova Escola, 2017.
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MEC/CONSED/UNDIME, 2017. Disponível em:
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https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/8175/2/FABIANO_BATISTA_OLIVEIRA.pdf. Acesso em: 26
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