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O ANTI-INTELECTUALISMO DAS ESCRITURAS NA IGREJA

MODERNA

Alini Mello Dutra


Prof. Aluisio Anderson da Silveira
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Bacharelado em Teologia (FLX0168) – Seminário Interdisciplinar: Estudo das Escrituras
11/12/2020

RESUMO
Tendo em vista o anti-intelectualismo da igreja quanto as escrituras sagradas, este trabalho
buscou por analisar o comportamento dos pastores e demais cristãos. Através de dados de outros
pesquisadores buscou-se entender como os pastores tem se posicionado em relação ao estudo
bíblico, e também a frequência ê importância que os cristãos em geral têm dado para esta prática,
visto que a igreja moderna tem dado mais lugar as experiências emocionais do que as experiência
do conhecimento intelectual das escrituras.

1. INTRODUÇÃO

Vivemos em um mundo pós-moderno, onde o comportamento anti-intelectualista tem sido


muito influente. É muito comum vermos pessoas se envolvendo em causas ativistas sem ao menos
conhecer seus fundamentos, ou se sua procedência é correta.
No meio eclesial isto tem ocorrido também , é cada vez mais notório a participação dos cristãos
em diversas causas humanitárias, porém, muitos tem desprezado o conhecimento e estudo das
escrituras julgando as experiências emocionais como principal critério de verdade. Isto tem sido
fonte de muitos problemas e contradições no meio cristão, pois sua base de conhecimento não é
sólida o suficiente para justificar as suas ações.
Os cristãos da igreja moderna anseiam por servir a Deus, mas o fazem baseado em seu próprio
entendimento, sem o real conhecimento intelectual das escrituras bíblicas. A consequência desse
comportamento é a falta de conhecimento da vontade de Deus que resulta em igrejas cheias de
emoção e pobres em aprendizado.
Basicamente se abordará o conceito de anti-intelectualismo, a importância das escrituras, o
comportamento da igreja moderna em suas manifestações, a conduta dos cristãos em relação as
escrituras bíblicas e por fim as consequências do anti-intelectualismo dentro das igrejas. Com base
em pesquisas bibliográficas buscou-se obter de forma qualitativa a identificação e analise de como a
igreja tem atuado de forma emocional e baseado em seus próprios conceitos, deixando de ter as
escrituras como principal fundamento para seu conhecimento e ações.

1 Nome dos acadêmicos


2 Nome do Professor tutor externo
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (Código da Turma) – Prática do Módulo I – dd/mm/aa
2

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo Educalingo (2020) “Anti-intelectualismo descreve um sentimento de hostilidade


em relação a, ou suspeição de, intelectuais e seus objetos de pesquisa. Isto pode ser expresso de
várias formas, tais como ataques aos méritos da ciência, educação, arte ou literatura.”
“O anti-intelectualismo é um fenômeno caracterizado pela aversão à intelectualidade, ao
pensamento erudito, às grandes formulações científicas, à presença dos intelectuais e a seu ofício.
Pode derivar de várias esferas do social, mas tem em geral uma raiz: a sensação de que a
intelectualidade atrapalha o andamento do social ou é dispensável.” (NETTO, 2019, grifo do autor)
“A Bíblia é um livro, mas o fato que a torna o Livro dos Livros, ou seja, especial, o
maior e o principal livro da humanidade é o fato de ela ser a Palavra de Deus, revelada e inspirada
pelo próprio Deus”.(LAPA, 2009, p.4).
Tendo em vista a secularização sobre o cristão moderno, Blamires (2005,p.16) diz que:
Não existe mais uma mente cristã. Ainda há, é claro, uma ética cristã, uma prática
cristã e uma espiritualidade cristã. Como seres morais, os cristãos modernos podem
subscrever um código diferente do dos não cristãos. Como membros de igrejas, eles podem
aceitar obrigações e observações ignoradas por não cristãos. Como seres espirituais, em
oração e meditação, eles podem se esforçar para cultivar uma dimensão de vida inexplorada
por não cristãos. Mas como seres pensantes, os cristãos modernos sucumbiram à
secularização.
Eles aceitam religião sua moralidade, sua adoração, sua cultura espiritual; mas eles
rejeitam a perspectiva religiosa da vida, a perspectiva que vê todas as questões terrenas
dentro do contexto do eterno, a visão que relaciona todos os problemas humanos sociais,
políticos, culturais – aos fundamentos doutrinais da Fé Cristã, a perspectiva que vê todas as
coisas aqui embaixo em termos da supremacia de Deus e da transitoriedade da terra, em
termos de céu e inferno.

Estudar a bíblia é importante para todo aquele que quer seguir Jesus, “A primeira razão se
apresentará a todo crente que deseja ver o evangelho proclamado e Jesus Cristo reconhecido no
mundo todo.” (STTOT, 2012, p.5). Jesus fazia menção: “Examinais as Escrituras, porque julgais ter
nelas a vida eterna , e são elas mesmas que testificam a mim. João 5. 39” (BIBLIA, 2009).
Segundo as escrituras em segunda Timóteo não deve-se ter motivos para
envergonhar diante do Senhor, mas sim motivos para ser aprovado, e isso ocorre para aqueles que
possuem manejo da palavra da verdade. (BÍBLIA, 2009)

Mas, se de fato rejeitarmos ou formos negligentes em estudar e conhecer mais a Deus, Ele
mesmo nos rejeitará: “Porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que tu não
sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei
de teus filhos. Oseias 4.6” (BIBLIA, 2009)
3

Vargens (2019) traz um dado muito importante de uma pesquisa realizada pela Abba Press
& Sociedade Bíblica Ibero-Americana Oswaldo Paião, dizendo que 50% dos pastores nunca leram a
Bíblia toda. Além disso inúmeros desses pastores substituíram as escrituras por guias de autoajuda,
cujo objetivo final é a satisfação do cliente, ou seja o cristão. “Pastores foram chamados para
pregarem Cristo e anunciarem todo Conselho de Deus, para tanto, torna-se absolutamente
necessário que estes saibam manejar bem a Palavra da Verdade.” (VARGENS, 2019)
Para Nascimento (2011) “ A maioria dos pastores corre o dia todo para resolver os
problemas práticos e urgentes dos membros de suas igrejas e os pessoais. Outros precisam
complementar a renda familiar e acaba tendo outra atividade, fora a agenda lotada de
compromisso.” Nascimento (2011) traz também o texto de 2Timóteo 2.15 e define como cômico e
lamentável tal analfabetismo bíblico entre o povo cristão. Para ele alegar falta de tempo para leitura
da Bíblia é uma desculpa por demais esfarrapada.
Em sua publicação Chagas (2019) relata um estudo realizado pelo instituto Lifeway
Research de Nashville chamado Discipleship Pathway Assessment. Segundo ele com este estudo
descobriu-se que aqueles que frequentam regularmente igrejas protestantes são inconsistentes em
ler e pensar sobre as Escrituras.
Um terço dos entrevistados que frequentam uma igreja protestante regularmente
(32%) diz que lê a Bíblia pessoalmente todos os dias. Cerca de um quarto (27%) diz que lê
algumas vezes por semana. Poucos dizem que só leem uma vez por semana (12%), algumas
vezes por mês (11%) ou uma vez por mês (5%). Perto de 1 a cada 8 (12%) admitem que
raramente ou nunca leem a Bíblia. (CHAGAS, 2019)

Em uma postagem na página da Faculdade Teológica Sul Americana, Kurle (2020) diz acreditar
que os cristãos protestantes acham mais fácil entender as passagens bíblicas das escrituras nas
pregações e discursos dos pastores do que lendo eles mesmos. Para ele isso gera uma grande
dependência na figura do pastor e faz com que achem que sem o pastor não são capazes de entender
a Bíblia. Ele ressalta que os pastores deveriam explicar e ensinar os seus fieis a como chegarem ao
entendimento daquilo que as escrituras querem revelar.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

Este estudo possui propósito descritivo e baseia-se em uma pesquisa, de caráter


bibliográfico, por meio de pesquisa em artigos e publicações. Tomando como ponto de partida o
objetivo de analisar o anti-intelectualismo nas igrejas modernas no que se refere ao estudo das
escrituras. Os conceitos analisados foram a definição de anti-intelectualismo e a frequência do
estudo das escrituras por parte dos pastores e demais cristãos. Com a análise de trabalhos de outros
4

autores foi feita uma observação sobre o atual comportamento dos cristãos e da importância da
leitura das escrituras na igreja moderna.

4. RESULTADOS E DISCUSÕES

Aquele que se define cristão, consequentemente se define seguidor de Cristo e por sua vez
tem as escrituras sagradas como manual fundamental para uma conduta segundo a vontade de Deus.
Porém com o passar dos tempos as ideologias e as interpretações segundo o próprio entendimento
de pastores e demais cristãos foram tomando lugar nas igrejas, deixando assim a leitura bíblica em
segundo plano.
Com isso concluímos que é impossível seguir aquilo que Deus espera de nós como cristãos
sem ter definitivamente conhecimento intelectual das escrituras. Tão importante quanto as
experiências emocionais, também precisa-se do conhecimento racional. Então com base nos dados
relatados em pesquisa e atual manifestação das igrejas acredita-se que estas precisam buscar mais o
aprofundamento das escrituras em sua forma intelectual para que através dele possam viver a
plenitude da vontade de Deus em todos os aspectos que ele preparou para nós.

REFERÊNCIAS

BÍBLIA, N. T. Provérbios. In: BÍBLIA. A Bíblia da Mulher: Leitura Devocional, Estudo. Almeida


Revista e Atualizada. São Paulo: Sociedade Bíblica do Brasil, 2009.

BLAMIRES, Harry. A mente cristã: como um cristão deve pensar?. São Paulo: Shedd Publicações,
2006. 206 p. ISBN 9788588315525.

EDUCALINGO. In: ANTI-INTELECTUALISMO. [S. l.: s. n.], 2020. Disponível em:


https://educalingo.com/pt/dic-pt/anti-intelectualismo. Acesso em: 7 nov. 2020.

KURLE, Stefan. O Cristão não lê mais a Bíblia? De quem é a culpa?. [S. l.]: Faculdade
Teológica Sul América, 2020. Disponível em: https://ftsa.edu.br/home/index.php/reflexao/283-o-
cristao-nao-le-mais-a-biblia-de-quem-e-a-culpa. Acesso em: 28 nov. 2020.

LAPA, Marco Antonio Teixeira. Introdução à Sagrada Escritura e Bibliologia. 4. ed. rev.


Indaial: Uniasselvi, 2009. 177 p. ISBN 978-85-7830-155-2.

NASCIMENTO, Valmir. Uma pesquisa inconveniente sobre pastores e leitura da Bíblia. [S. l.]:
CPAD News, 10 jan. 2011. Disponível em:
5

http://cpadnews.com.br/blog/valmirnascimento/enfoque-cristao/30/------uma-pesquisa-
inconveniente-sobre-pastores-e-leitura-da-biblia.html. Acesso em: 19 nov. 2020.

NETTO, Letícia Rodrigues Ferreira. InfoEscola. In: NETTO, Letícia Rodrigues Ferreira. Anti-


Intelectualismo. [S. l.], 2019. Disponível em: https://www.infoescola.com/sociedade/anti-
intelectualismo/. Acesso em: 7 nov. 2020.

STOTT, John. Crer é Também Pensar. 2. ed. rev. São Paulo: ABU, 2012. 22 p. ISBN 978-85-
7055-080-4.

VARGENS, Renato. 50% dos pastores abandonaram a Bíblia. [S. l.], 2 set. 2019. Disponível em:
https://pleno.news/opiniao/renato-vargens/50-dos-pastores-abandonaram-a-biblia.html. Acesso em:
19 nov. 2020.

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