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Tendo como um dos pilares da educação bancária o papel central do professor na

aprendizagem, sendo ele o detentor do saber que deverá ser reproduzido pelos alunos.
Será trazido o conceito de comunidades escolares na educação de Makarenko para que
se possa levantar reflexões em diferentes interações educacionais que visem uma
formação integral do aluno.
Ao não conceber uma escola separada da comunidade onde está inserida,
Makarenko mostra a educação em uma dimensão muito maior. O aprendizado é
entendido em uma forma mais ampla, ele pode ocorrer através das relações pessoais em
qualquer ambiente, fechar o saber à apenas a unidade escolar é uma redução e
aprisionamento do conhecimento. Um de seus efeitos colaterais é o reducionismo e
fragmentação do conhecimento, pois ele é reduzido e desassociado de seu contexto, e
então é sistematizado para que possa ser transmitido de uma forma padrão por um
professor. Na concepção de Makarenko pode-se aprender matemática e geometria com
um marceneiro, e ainda mais, produzindo o próprio móvel que poderá ser utilizado na
escola. Esse simples exemplo mostra como o aprendiz pode se tornar o centro do
aprendizado, da oportunidade a ele buscar o conhecimento que o interessa associando-o
a sua própria vida.
Quando o aluno sente-se pertencente e producente à escola, muda sua posição e
perspectiva ao ambiente, tornando-se um colaborador, já que o conhecimento que ele
tem é valorizado e compartilhado, trazendo uma nova perspectiva de vida e
comportamento. Tal possibilidade, não mostra-se possível na educação bancária que
transforma o aluno em um sujeito passivo perante sua educação. Esse desenvolvimento
pessoal que acarreta em um sujeito ativo na sociedade, capaz de gerar melhorias em sua
comunidade e assumir lideranças, é um dos objetivos da pedagogia de Makarenko.
Em um modelo assim a relação entre aluno e professor fica muito mais saudável.
No momento atual, onde essa relação anda muito desgastada e conflituosa, o modelo de
Makarenko, vem, também, contribuir nesse aspecto, para que o peso da obrigação de
ficar fechado, por horas, um professor com vários alunos, dentro de uma sala de aula,
vai-se sendo dissolvido na valoração das diferentes relações de aprendizado.
Os acontecimentos relatados no memorial do Luiz Mangabeira somente são
possíveis em um contexto escolar onde impera a educação bancária. O aluno é
“separado” de seu corpo e emoções, o objetivo central é a reprodução de conhecimentos
pré-estipulados. Em uma escola de educação infantil, ser castigado por estar correndo
no recreio é a total alienação ao corpo e as necessidades de uma criança.
Na ideia pedagógica de Makarenko a quadra que era negada as crianças, serviria
como mais um ambiente educacional, como um momento de importantes aprendizagens
incapazes de serem geradas no confinamento de uma sala de aula. A quadra poderia
também ser utilizada como uma forma de interação com a comunidade. Times de fora
poderiam ser convidados para jogar com eles, possibilitando os alunos participarem
também de jogos fora da escola. Um campeonato aberto a toda a comunidade poderia
ser organizado. As possibilidades geradas nessa não separação de escola e comunidade
abre um campo muito maior para que a educação seja desenvolvida, mudando
completamente a relação escola, educação e aluno.

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