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capítulo IV

A Aula como Unidade


Estrutural e Articulada do
Processo de Ensino

A aula é a forma organizativa básica do ensino, pela da qual o


professor organiza, dirige, impulsiona, mobiliza a atividade cog-
noscitiva de um grupo de alunos; considerando as peculiaridades
destes, utilizando métodos de trabalho que criam, desenvolvem e
transformam as condições propícias e necessárias para que todos os
alunos dominem os fundamentos dos conteúdos, bem como para o
desenvolvimento de suas habilidades cognitivas, a partir de objetivos
previamente estabelecidos.
Na aula, encontramos todos os elementos fundamentais do
processo didático escolar (objetivos, conteúdos, métodos, ensino,
aprendizagem e as condições - meios, recursos, instrumentos, orga-
nização administrativa) em manifestação, conexão e determinação
recíproca. A aula sintetiza, pois, o processo pedagógico escolar como
um processo de mediação onde se conjugam todos os elementos fun-
damentais do processo educativo, bem como a multidimensionalida-
de do processo didático, em seus aspectos filosófico-ideológico-ético,
sociológico, político, psicológico, epistemológico e técnico.
Não se trata aqui da aula como estrutura estática e isolada no
tempo e no espaço escolar, mas como processo em que se manifesta
e se estrutura a aprendizagem de uma unidade didática, que na
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maioria das vezes não se resume a uma aula, mas a um conjunto sistematização e compreensão das funções essenciais, nucleares,
de aulas, isto é, um processo de aulas. Outro aspecto importante a desse processo, e que a manifestação concreta do fenômeno didático
considerar é que o processo didático, que se sintetiza na aula, en- depende também de outros determinantes fundamentais, como os
volve, além dos fatores internos ao professor e alunos, os princípios citados anteriormente.
científicos e metodológicos dos conteúdos e do processo educativo,
e as condições objetivas quanto à sociedade, à política, à cultura, Modelo de Plano de Aulas
isto é, quanto às condições concretas que determinam o processo
de ensino-aprendizagem. Desenvolvido pelo autor deste trabalho com base nos trabalhos
A estrutura da aula segue a estrutura lógica do processo docente, de Gasparin (2002), Klingberg (1978), Libâneo (1990) e Saviani, D.
que por sua vez depende: (2000 e 2003).

a) da relação entre objetivos e conteúdos; 1) Tema:


b) da lógica interna da matéria a ser ensinada (os fatos, os 2) Objetivos:
conceitos fundamentais, as leis, os modelos, as teorias e os 3) Conteúdos (principais tópicos).
métodos próprios de cada área do conhecimento); 4) Técnicas Didáticas:
c) do nível de conhecimentos alcançado pelos alunos; 5) Introdução: a prática social inicial (a visão sincrética inicial).
d) da capacidade de sistematização, organização e criatividade 5.1) Problematização Inicial:
didática do professor; e) das condições organizativas, mate-
• Organização de questões que problematizem o tema
riais, técnicas, administrativas da escola;
central da aula, utilizando uma linguagem acessível
f) das funções didáticas, fases, passos ou momentos metodo- aos alunos, buscando trazer à tona os conhecimentos
lógicos gerais do processo de ensino. que estes já têm sobre o tema, despertar a curiosidade,
motivar os alunos para que se concentrem nos estudos
Será apresentado a seguir um modelo de planos de aula de-
e nos objetivos da aula.
senvolvido com base na proposta metodológica apresentada por
Dermeval Saviani, nas leis e nos princípios didáticos e nos princípios 5.2) Contextualização:

metodológicos expostos anteriormente, que servirão como orien- • Apresentar e iniciar a discussão sobre a importância do
tação e como critério de organização, sistematicidade e efetividade tema no cotidiano dos alunos, para a sociedade e para
para os professores das ciências naturais no planejamento, desen- a ciência.
volvimento e avaliação dos processos de ensino e aprendizagem. É • Levantamento, problematização e discussão dos conhe-
preciso lembrar que os esquemas da estrutura didática do processo cimentos que os alunos têm sobre o tema da aula.
de ensino não devem ser apreendidos como esquemas rígidos para • Situar os conhecimentos da aula na sequência lógica dos
a estruturação de uma unidade didática ou de uma aula, mas como conteúdos já trabalhados.
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• Apresentar os conceitos básicos do tema da aula. 6) Desenvolvimento: O momento analítico-sintético.


• Introdução, delimitação e orientação didática dos ob- Corresponde às funções didáticas de trabalho com a
jetivos propostos. nova matéria. Envolve um grande número de ações didáticas
• Apresentar resumidamente, de forma esquemática, inter-relacionadas que só podem ser separadas teoricamente
sistematizada e problematizada as dimensões históricas para efeito de sistematização e planejamento. É o momento
(sociais e do desenvolvimento interno da ciência) dos de instrumentalizar e mobilizar os alunos para os procedi-
conceitos básicos a serem assimilados-apropriados. mentos de identificação, classificação, quantificação, genera-
A contextualização e a problematização inicial, não são lização, análise, síntese, proposição de hipóteses, assimilação
estanques, nem fixas nem rigidamente subsequentes, mas vão e interpretação de fenômenos, modelos, teorias, solução de
complementando-se, alternando-se, conforme as necessida- problemas, exercícios didáticos, discussões, debates etc.
des e possibilidades da situação concreta de aprendizagem e Nesta etapa, os princípios gerais da didática e os princípios
deverão ser retomadas, aprimoradas e sobrepostas ao longo metodológicos deverão manifestar -se com toda sua efetividade,
das demais fases do desenvolvimento da aula. oportunidade, exequibilidade e objetividade, como: a responsa-
Um aspecto muito importante dessa fase inicial do pro- bilidade diretiva e mobilizadora do professor; a auto atividade
cesso de ensino e aprendizagem diz respeito à preparação do aluno; a exequibilidade das tarefas; a sistematização lógica
mediata e imediata dos alunos para a aula: como preparação dos conhecimentos; a organização dos procedimentos didá-
mediata, refiro-me às leituras preliminares, e/ou observação ticos; a instrumentalização dos estudos; a problematização
de fenômenos, e/ou entrevistas com profissionais Ou pessoas analítica, crítica e totalizadora dos conteúdos; a dialogicidade;
experientes na área que se vai estudar, e/ou visitas a locais a interdisciplinaridade; a aplicação dos conteúdos; os enfoques:
relacionados ao tema da aula, e/ou coleta de materiais para ambiental, evolutivo e metodológico das ciências naturais; e a
serem utilizados na aula; como preparação imediata, refiro- ênfase em educação para a saúde. Vale alertar que os princípios
me à recapitulação dos conhecimentos já assimilados, ou, didático-metodológicos serão utilizados e aplicados na medida
melhor dizendo, a reativação dos conhecimentos e capa- de sua oportunidade e possibilidade, não necessariamente
cidades que são necessários para compreender a matéria todos estarão presentes numa mesma aula e ao mesmo tem-
nova, a organização da turma para os estudos, a adequada po; a sua aplicação efetiva no trabalho docente e discente vai
apresentação e discussão problematizada dos objetivos da desenvolvendo-se juntamente com o aprimoramento profis-
aula relacionados com os objetivos já alcançados e com os sional do professor e o desenvolvimento dos conhecimentos e
objetivos gerais do processo educativo escolar, uma vez que das habilidades intelectuais dos alunos.
a aprendizagem significativa depende da concatenação das Devemos considerar, também, que, nesta etapa da aula,
ideias, dos conceitos, das habilidades, com os conhecimen- a criatividade e o domínio dos conhecimentos necessários
tos e habilidades já assimilados-apropriados pelos alunos ao professor, a flexibilidade e adequação do planejamento
(Klingberg, 1978, p. 231). à situação concreta da aula, a capacidade de liderança, de
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equilibrar autoridade, responsabilidade, liberdade, amizade, matéria, dos conceitos básicos em estudo e das habilidades
empatia; entrarão em seu momento máximo de tensão, e o a serem desenvolvidas.
movimento do processo didático-pedagógico de forma en- 6.3) Síntese.a catarse
riquecedora da personalidade, de forma reflexiva, prazerosa, Nesta fase, o aluno relaciona os dados, tira conclusões,
concentrada e ao mesmo tempo descontraída e harmoniosa, responde às questões, relaciona sua experiência com o novo
deverá ser a tônica do desenvolvimento da aula. E essas conhecimento, relaciona as partes analisadas entre si e com o
características do processo didático não são naturais ou todo do tema estudado, suas estruturas e funções: apresenta
gratuitas, são frutos do trabalho, da concentração, da busca para os colegas e para o professor as hipóteses e as conclusões
de aprimoramento do professor e dos alunos como sujeitos a que chegou, aplica os conhecimentos através de exercícios
do processo educativo escolar. ou práticas, relaciona o novo conhecimento com a realidade
Apenas para feito didático, podemos subdividir esta social, supera o conhecimento sincrético e, a partir da aná-
etapa em três momentos nucleares, que se relacionam, se lise e da reflexão totalizadora, desenvolve o conhecimento
sobrepõem e se impulsionam reciprocamente. sintético (de síntese). "Trata-se da efetiva incorporação dos
6.1) Instrumentalização instrumentos culturais, transformados agora em elementos
Utilização dos recursos materiais (laboratórios, ins- ativos de transformação social" (Saviani, D., 2003, p. 72).
trumentos, coleções de zoologia e de botânica, materiais 7) Conclusão: a prática social final do conteúdo, transformada
coletados etc.) e dos recursos teóricos (roteiro de questões, e transforrnadora como finalidade.
livros, textos, exposição de ideias, apresentação de problemas, As principais perguntas que o professor deverá fazer para
cartazes, painéis, vídeos etc.), para o aprofundamento do os alunos nesta fase, e responder junto com eles, são: O que
conhecimento sobre o tema da aula. foi aprendido com esta aula? Os objetivos propostos foram
6.2) Análise atingidos? Vamos fazer um resumo do conteúdo estudado?
A partir de um roteiro de questões mais detalhadas, ela- Que conceitos gerais, teorias e/ou princípios podem servir
boradas pelo professor a partir dos tópicos específicos e dos de referência para uma visão de totalidade do conteúdo es-
conceitos fundamentais a serem desenvolvidos ao longo da tudado, para sua aplicabilidade social, e para a continuidade
aula, o aluno faz: observação, registro, sistematização, iden- dos estudos?
tificação, classificação, quantificação, relaciona fenômenos, Uma marca distintiva desta etapa é trazer à tona, à cons-
conceitos, teorias, levanta e testa hipóteses, debate, participa ciência e ao debate, as várias dimensões dos conteúdos edu-
da discussão e reflexão sobre os materiais que lhe são apre- cacionais, como: a dimensão filosófica, a dimensão social, a
sentados, acompanha e assimila as exposições apresentadas dimensão econômica, a dimensão política ete. Nas fases ante-
pelo professor, realiza apresentação escrita ou oral; desen- riores, essas dimensões estão presentes, mas são as dimensões
volvendo uma problematização detalhada, analítica, crítica, epistemológica, psicológica e lógica que se manifestam com
totalizadora do tema, dos tópicos em que está dividida a maior evidência e mais conscientemente. Na conclusão da
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aula todas as dimensões do processo educativo deverão vir nas práticas sociais, deverão ser acionadas: para contribuir na
à tona e ser objeto consciente do debate; aquilo que ficou construção de uma síntese totalizadora nos pontos em que
latente, nas entrelinhas, agora deverá ser problematizado e os alunos não conseguiram desenvolver sozinhos ao longo
retomado, na busca de uma contextualização mais aprofun- da aula, como forma de garantir e ampliar a apropriação de
dada, crítica, totalizadora e concreta, tornando-se consciente conhecimentos e habilidades por todos os alunos.
que o conhecimento, que se desenvolve a partir da realidade Serão mostradas, a seguir, algumas sugestões de proce-
e das práticas sociais, é síntese de múltiplas determinações e dimentos que podem contribuir para a conclusão da aula,
para estas mesmas práticas sociais deverá estar voltado. lembrando que nada, nenhum método ou critério meto-
Como processo de conhecimento, o processo educativo dológico, pode substituir a importância da criatividade
escolar pode ocorrer no âmbito de uma prática muito pró- do professor, sua capacidade de inovar, sua capacidade de
xima do formalismo: pode "naufragar" e perder-se, ainda sistematização e de síntese, com isso não estou defendendo
que parcialmente, no mar da dimensão epistemológica uma atitude espontaneísta e improvisadora. Defendo sim,
lógico-formal do conhecimento científico (dos conceitos e com ela procuro contribuir por meio deste trabalho, uma
e teorias em si, por si e para si), numa lógica internalista e atitude organizada, sistemática, planejada do professor, no
reducionista dos conceitos e teorias científicas, isto é, numa processo de ensino, mas isto não pode significar um enrije-
lógica isolada do seu conteúdo concreto que é composto por cimento, uma cristalização metodológica, como se houvesse
diversas dimensões: como visão de mundo, como instrumen- uma "receita de bolo" para a prática de ensino, pois, ainda
to de poder, como manifestação e determinação das relações que houvesse, essa receita não seria adequada às diversas
sociais em sentido geral e das relações sociais de produção em situações concretas da realidade educacional:
sentido estrito. E, neste sentido, novamente chamo a atenção • Fazer (e/ou estimular os alunos a fazer e debater) um
para a responsabilidade diretiva e mobilizadora do professor: resumo da matéria estudada, buscando uma visão de
sua síntese, sua visão de totalidade, sua concepção crítica, totalidade sobre o conteúdo estudado, relacionando-o
concreta, dos conteúdos e das práticas sociais, entrarão agora com as práticas sociais.
no seu momento de máxima tensão; na sua relação com o • Responder e/ou pôr em discussão todas as questões
objeto de estudos e na sua relação com os alunos e com os levantadas ao longo da aula: aquelas que foram res-
objetivos do processo educativo (a formação e o desenvol- pondidas, aquelas que não foram respondidas, e novas
vimento intelectual crítico, criativo, independente, ativo, perguntas que surgirem pela iniciativa dos alunos.
fundamentado cientificamente, problematizador, totalizador • Retomar, aprofundar e debater a importância daquele
dos alunos). Portanto, na conclusão da aula, a experiência do conteúdo para a vida dos alunos e para o desenvolvi-
professor, sua visão de totalidade, sua capacidade de reunir as mento da ciência.
diversas contribuições e sínteses parciais realizadas pelos alu- • Anunciar a sequência da matéria para a próxima aula,
nos e sua capacidade de relacionar e de aplicar os conteúdos fazendo uma introdução à problematização inicial da
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próxima aula, para motivar os alunos a continuar os estu- 9) Recursos


dos e estimular uma busca da construção de uma visão de
10) Cronograma
continuidade e de totalidade concreta dos conteúdos.
11) Bibliografia'
o Sugerir as "tarefas para casa", em parte para a consolida-
ção do que foi aprendido e em parte para a preparação
para a próxima aula e a continuidade dos estudos. Exemplo de um Plano de Aula
8) Avaliação
1) Tema: Introdução ao estudo da água.
A avaliação diagnóstica e formativa deve ser um processo
dinâmico que qualifique, mobilize e subsidie a transformação 2) Objetivos:
e adequação das ações didáticas para o desenvolvimento do o Levantar informações sobre o nível de consciência dos
processo educativo escolar na situação didática concreta. alunos em relação às questões da utilização e da con-
Para que sejam efetivos e atendam às suas funções, os servação da água em nosso planeta e em nossa região,
instrumentos da avaliação diagnóstica deverão: o Desenvolver conhecimentos sobre a água como recurso
natural.
Medir resultados de aprendizagem claramente definidos
o Desenvolver a consciência crítica dos jovens sobre as
a partir dos objetivos didático-pedagógicos;
questões do uso e da conservação das águas, como di-
Medir uma amostra adequada dos resultados de apren-
reitos e obrigações de todos,
dizagem e o conteúdo da matéria de ensino;
o Estimular a mobilização dos jovens quanto às ações
Conter os tipos de itens que são mais adequados para
necessárias para a utilização sustentável da água,
medir os resultados de aprendizagem desejados;
o Iniciar o estudo do Rio Cuiabá como fonte de vida para
• Ser planejados para se ajustar aos usos possíveis e, em
as populações de nossa região.
consequência, ser interpretados com cautela;
Ser utilizados para melhorar a aprendizagem dos estu-
3) Conteúdos:
dantes e do sistema de ensino o A origem da água na Terra.
(LUCKESl, 1999, p. 83). o Distribuição da água no planeta: a formação dos ocea-
O professor deverá lançar mão de diversos meios e nos, rios, lençóis subterrâneos, geleiras, nuvens.
instrumentos de avaliação ao longo de todo o processo de o A utilização das águas pelas populações.
ensino: observação e registro do comportamento dos alunos, . A importância das águas para os seres vivos.
questões dissertativas, questões objetivas, apresentação oral, 4) Técnicas didáticas:
debates, questionamentos, reflexões, participação ativa do o Leitura e análise do livro didático e de um texto com-
aluno na problematização, nas atividades de aplicação teórica plementar.
e prática dos conteúdos, nas tarefas para fazer em casa etc. • Visita ao Aquário Municipal.
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• Exposição oral do professor a Terra primitiva. A água, na forma gasosa, subia pela atmosfera
• Utilização de cartazes, fotos, mapas, filme e discutir as formando as nuvens primitivas. Quando essas nuvens atingiam as
questões levantadas na problernatização e na contex- regiões frias da atmosfera, formavam-se as chuvas primitivas, e a
tualização da aula. água voltava à Terra na forma líquida. Ao entrar em contato com as
• Resolução de questões sobre o tema da aula, em grupos rochas quentes que formavam a superfície da Terra, ela evaporava
ou individualmente. novamente, formando novas nuvens e novas chuvas; ao longo do
• Elaboração pelos alunos de cartazes e textos (escritos tempo, esse ciclo de evaporação da água e chuvas foi resfriando a
e orais) para serem apresentados e discutidos com os superfície da Terra, formando as rochas e solos da crosta terrestre
colegas. como conhecemos hoje.
Ao longo de milhões de anos, essas chuvas primitivas, as diferentes
5) Introdução:
formas de relevo, os diferentes tipos de rochas, de solos e de climas,
5.1) Problematização inicial:
formaram as águas da crosta terrestre, nas diferentes formas em
a) Como as águas se formaram em nosso planeta? que podemos encontrá-Ia: os oceanos, os rios, os lagos, os lençóis
b) Quais os tipos de reservatórios de água no ambiente subterrâneos, as geleiras, as nuvens, o vapor de água existente na
natural? atmosfera, e que possibilitaram o surgimento e o desenvolvimento
c) Qual a importância da água para os seres vivos? dos diferentes tipos de seres vivos na Terra.
Aproximadamente 97% da água que existe na crosta da Terra é
d) Todos os homens têm acesso igual para a utilização das
água salgada, dos 3% restantes de água que não é salgada, aproxi-
águas?
madamente 2% formam as geleiras polares, assim, apenas 1% da
e) Você sabe como é feito o tratamento das águas para a água existente na superfície da Terra é potável, isto é, própria para
utilização humana? a utilização pelo homem. Algumas regiões têm grande quantidade
f) Existem leis para a utilização das águas? de água doce, como o Pantanal e a Amazônia, outras têm muito
5.2) Contextualização (texto didático de referência para a pouca água potável disponível, como, as regiões desérticas e os
introdução da aula): semiáridos.
Será que todos nós temos acesso igual aos recursos hídricos? Por
que vemos nos noticiários que os bairros onde moram as populações
Como se formaram os oceanos, rios e lagos na crosta da
mais pobres, em nossas cidades, têm o fornecimento de água cortado
Terra?
constantemente, enquanto nos bairros onde mora a população mais
A água existente atualmente na crosta terrestre surgiu e acu- rica raramente sevê a mesma reclamação? Como se poluem as águas?
mulou-se ao longo das transformações ocorridas desde os tempos Quem polui as águas? Quais as consequências da má utilização das
remotos da formação do nosso planeta, expelida na forma de vapor águas? Qual a importância da água no nosso dia a dia? Na higiene,
de água a partir das rochas incandescentes do magma que formava na alimentação, no lazer, na agricultura, na indústria?
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Vamos estudar todas essas questões! Vamos estudar, também, o das águas, de seus diferentes tipos de reservatórios, de sua
Rio Cuiabá e seus afluentes, que são a maior fonte de água de nossa distribuição pelo planeta, de sua distribuição em nosso
região, por onde começou a colonização portuguesa e a formação de país e em nossa região e de sua importância para a vida na
nossas cidades. Qual a sua importância para nossa população? Estamos Terra; buscando desvelar a realidade daqueles que detêm o
poluindo as águas do Rio Cuiabá? Como? Quais as consequências? poder sobre as águas, daqueles que a utilizam como forma
6) Desenvolvimento: de sobrevivência, e daqueles que a utilizam de forma abu-
siva, desperdiçando e contaminando as águas. Mobilizando
a) Instrumentalização: Utilização do livro didático e de um
os alunos para participarem ativamente do debate final,
texto complementar desenvolvido para contextualizar
aplicando e demonstrando os conhecimentos e reflexões
o conteúdo sobre águas, utilizando o Rio Cuiabá como
aprendidos e desenvolvidos ao longo da aula.
tema de problernatização; preparação de uma visita ao
Aquário Municipal, para observação das espécies de 8) Avaliação:
peixes existentes no Rio Cuiabá. A avaliação será feita pela observação e registro das ações,
questões, respostas, iniciativas, participação dos alunos du-
b) Análise: estudo de textos sobre a formação, a distribui-
rante a aula, e pela elaboração individual de um pequeno e
ção' a utilização e a poluição das águas na sociedade
resumido texto sobre o tema da aula e as principais questões
contemporânea; utilizar cartazes, fotos, mapas, filmes,
levantadas, para ser feito em casa e entregue na aula seguinte,
para servir de referência para os alunos discutirem as
e que servirá de contextualização inicial para esta próxima
principais questões levantadas na problernatização e na
aula.
contextualização da aula; resolução de questões sobre o
tema da aula, em grupos ou individualmente. 9) Recursos: texto didático, cartazes, transparências, retro-
projetor, DVD, mapas.
c) Síntese: elaboração de cartazes e textos (escritos e orais)
para serem apresentados e discutidos com os colegas, 10) Cronograma: 3 horas/aula.
demonstrando o ciclo das águas, a distribuição das águas 11) Bibliografia da aula:
na forma de bacias hidrográficas; discussão sobre os di-
BARROS,Carlos. Ciências: o meio ambiente. São Paulo, Ãtica, 2004.
ferentes tipos de águas, sua evolução nos diferentes am-
BRANCO,S. M. Agua: origem, usos e preservação. 7. ed. São Paulo,
bientes, sua relação com os seres vivos e a interferência Moderna, 1993, 7lp. (Coleção polêmica)
humana utilizando os recursos hídricos; apresentação BRITSKI,H. A. et alo Manual de peixes do Pantanal. Brasilia, Embrapa,
e discussão das respostas da questões resolvidas pelos 2000, 184p.
alunos na forma de exercícios didáticos. COSTA,M. L. M. Vivendo ciências. São Paulo, FTD, 1999.
GEWANDZNAjDER, F. Ciências: o planeta terra. São Paulo, Ãtica (2002:
7) Conclusão:
75).
Possibilitar aos alunos uma visão totalizadora da im- MlRANDA,L. & Amorim, L. Mato Grosso: atlas geográfico. Cuiabá,
portância do reconhecimento do processo de formação Entrelinhas, 2000.
166 I ANTONIO CARlOS HIDAlGO GERALDO

SILVAIúnior, c. Ciências: entendendo a natureza. São Paulo, Saraiva,


1999 (5. série).
SIQUElRA, E. M. História de Mato Grosso. Cuiabá, Entrelinhas,
2002.

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