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HARMO

NIZAÇÃO
churrasco
por Didu Russo
Uma coisa que aprendi no mundo do vinho e que me
cativou definitivamente, é o fato de que o vinho é
feito por uma pessoa para o prazer de outra.
É o trabalho de toda uma família que está dentro
IN daquela garrafa esperando nos satisfazer e nos dar um
momento de alegria. Eles acompanham e interagem com
TRO a natureza um ano inteiro torcendo para que ela siga
seu curso desejado e sem surpresas, para que tenham
DU uma boa colheita e possam produzir um bom vinho.

ÇÃO Um brinde!
IN É importante lembrar que o vinho está dentro da
TRO garrafa, evoluindo lentamente, enquanto a história
está passando do lado de fora. E no momento em
DU que desarrolhamos ele, esse vinho entrega sua vida para
ser apreciado. É uma paixão, e não um produto qualquer.
ÇÃO
Descobri nesses anos todos que harmonizar
não é apenas combinar. É algo superior. Como
se dois e dois somassem cinco, pois eles juntos
ficam muito melhor do que sozinhos, entende!?

IN Mas falando da harmonização ideal para o churrasco,

TRO é preciso lembrar, primeiro, que estamos falando de


carne malpassada. Afinal, todo mundo sabe

DU que churrasco se come assim. E isso faz toda a


diferença, e você vai logo entender o porquê.

ÇÃO
Via de regra,
TANNAT o vinho da uva
Tannat fica
“SAN perfeito com
uma carne
GUINÁ sangrando.

RIO”
Isso porque os taninos expressivos do vinho

TANNAT se encaixam perfeitamente com as proteínas


presentes na carne malpassada resultando em

“SAN uma excelente harmonização. Se você provar um


Tannat sem comida, perceberá que seca a boca. E essa

GUINÁ sensação acontece em razão da quantidade de tanino


dessa casta, que não por acaso se chama tannat...

RIO”
O que acontece é que as moléculas de tanino precisam
de proteína para se dissolverem, e sem comida na boca,
elas destroem as proteínas de nossa saliva,

POR QUE dando a sensação de boca seca. Experimente.


Eu fiquei bastante surpreso quando aprendi isso.

TANNAT
SECA
NA
BOCA?
Então, além do Tannat para as carnes malpassadas em
geral, eu gostaria de lhe sugerir que surpreenda mais ainda
seus amigos! Inclua um espumante rosé seco para as
costelinhas de porco e para as linguicinhas apimentadas
da entrada, que farão muito sucesso refrescando a boca
muito mais que uma cerveja (e com classe)... E leve
SUR também um Merlot para a carne de cordeiro que é uma
carne um tanto adocicada, e gelatinosa e não é qualquer
PREEN vinho que harmoniza com ela. Tenha certeza de que o aspecto
aveludado dessa casta fará desse encontro o “dois e dois são
DA NO cinco”, como eu comentei no começo desse e-book. Saúde!

CHUR
RASCO!
Falando do espumante, dê preferência aos brasileiros,
pois eles têm, hoje grande qualidade e costumam custar
menos que os importados, uma questão até de aptidão
de nosso terroir. Você encontrará boas alternativas de
Merlot e, certamente, de Tannat a mesma coisa.
ONDE Em importadoras você também não terá problema em achar
E COMO esses vinhos: hoje todos têm um bom Tannat urugaio
e um bom Merlot – que pode ter várias procedências,
COM inclusive brasileiras, e não apenas francesas.

PRAR
No restaurante, procure a ajuda do sommelier.
Ele está lá para isso e vai gostar de atender
alguém que saiba o que procura e que lhe
indique faixa de preço que pretende gastar.
ONDE Nos rodízios, eu costumo pedir em taça, já que
oferece uma variedade enorme de carnes. Faça essa
E COMO experiência – uma taça de espumante, uma de
Merlot e uma de Tannat. Você vai dar um show.
COM
PRAR
Mas, afinal, o que significa beber bem? Tomar rótulos consagrados?
Conseguir comprar vinhos caros? Vencedores de concursos?
Determinado país ou casta? Notas altas em avaliações técnicas?

“Podemos até Talvez. Arrisco dizer que, para a maioria das pessoas, sim.

ficar sem beber, Mas quando olho para minha jornada de 20 anos no mundo
mas beber mal, do vinho, fica claro o tempo que perdi por ter usado o critério dos

jamais.” outros para determinar qual era o meu gosto. Ou seja, eu não
bebia o que queria, mas o que me diziam para beber.
Eu sou o Didu e estou aqui pra dividir minha paixão com você. A mesma
que me levou a visitar 357 vinhedos, fazer mais de 32 mil provas técnicas,
escrever 2 livros, editar 1 site e ter realizado 243 palestras até hoje.
Tudo isso para descobrir uma coisa bem simples: escolher um bom
vinho é conhecer o seu paladar, entender as suas preferências e
perceber como a sua história de vida também faz parte disso.

Quer saber um pouco mais do que penso sobre o mundo do vinho?


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