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Os Quatro Evangelhos

Livro 4

"O Espírito é que vivifica; a carne de nada
serve; as palavras que vos digo são, espírito
e vida." (JOÃO, VI, v. 64.)

“A letra mata e o espírito vivifica." (PAULO, II
Epíst. aos Coríntios, cap. III, v. 6.)

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 3

Conteúdo
Prefácio 68
CAPÍTULO I Vv. 1-18 89
CAPÍTULO I Vv. 19-28 227
Testemunho que de si e de Jesus dá
João respondendo aos sacerdotes
e aos levitas que, a mandado dos
Judeus, o foram interrogar 227
CAPÍTULO I Vv. 29-34 231
Outro testemunho de João. — Jesus
Cordeiro de Deus 231
CAPÍTULO I Vv. 35-42 235
Dois discípulos de João acompanham
a Jesus. André lhe traz Pedro 235
CAPÍTULO I Vv. 43-51 237
Filipe e Natanael 237
CAPÍTULO II Vv. 1-11 240
Bodas de Caná. — Fato considerado
milagroso 240
CAPÍTULO II Vv. 12-25 252
Vendedores expulsos do templo. —

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 4
Jesus restabelecerá em três dias a
vida no seu corpo, se os Judeus lha
tirarem, conforme ao entender dos
homens. — Conhecimento que ele
por si mesmo tinha de tudo o que
havia no homem 252
CAPÍTULO III Vv. 1-21 257
A lei de renascimento. — A
reencarnação. Perguntas de
Nicodemos a Jesus. Respostas de
Jesus 257
CAPÍTULO III Vv. 22-36 333
João dá testemunho de Jesus 333
CAPÍTULO IV Vv. 1-26 348
Colóquio de Jesus com a Samaritana.
— Água viva que Jesus dá de
beber e que se torna, naquele que
a bebe, uma fonte que jorra até à
vida eterna. — Não mais adorar o
pai nem no monte, nem em
Jerusalém. — Adoração do pai. —
Os verdadeiros adoradores que o
pai quer. — Os adoradores do pai

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em espírito e em verdade. — Jesus
declara à Samaritana ser o
Messias, isto é, o Cristo. —
Sentido, alcance e objetivo destas
palavras de Jesus: Deus é Espírito.
— Explicação que a revelação atual
dá de Deus 348
CAPÍTULO IV Vv. 27-42 390
Narrativa da Samaritana. — Os
Samaritanos vêm ter com Jesus. —
Acreditam nele. — Reconhecem-no
como sendo o Salvador do mundo.
— Palavras de Jesus a seus
discípulos 390
CAPÍTULO IV Vv. 43-54 400
Cura do filho de um oficial em
Cafarnaum 400
CAPÍTULO V Vv. 1-16 403
Piscina de Betesda. — Cura de um
paralítico 403
CAPÍTULO V Vv. 17-30 409
Ação incessante do pai. — Ação
também incessante de Jesus. —

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Palavras deste aos Judeus que o
acusam de se fazer igual a Deus,
porque lhe chama seu pai. — Por
essas palavras Jesus afirma, sob o
véu da letra, sua inferioridade
relativamente a Deus e se declara
mero instrumento e ministro das
vontades do pai. — Sua posição e
seus poderes como Messias. —
Quais os frutos que sua missão há
de produzir 409
CAPÍTULO V Vv. 31-38 440
Jesus tem um testemunho maior do
que o de João. Dele deu
testemunho o pai, que o enviou.
Suas obras é que dão testemunho
dele 440
CAPÍTULO V Vv. 39-47 447
As Escrituras dão testemunho de
Jesus. — Aquele que crê em
Moisés crê em Jesus 447
CAPÍTULO VI Vv. 1-15 468
Multiplicação dos cinco pães e dos dois

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peixes. Jesus, sabendo que dele
querem apoderar-se a fim de o
fazerem rei, se retira para o monte,
sozinho 468
CAPÍTULO VI Vv. 16-24 472
Jesus caminha sobre o mar 472
CAPÍTULO VI Vv. 25-40 474
A moral que Jesus personifica é a fonte
de todo progresso e a senda que
leva à perfeição. Ela conduz à
libertação das encarnações
materiais 474
CAPÍTULO VI Vv. 41-51 485
Murmurações dos Judeus contra o que
Jesus acabava de dizer. —
Palavras veladas de Jesus. —
Nenhum homem jamais viu a Deus,
exceto aquele que nasceu de Deus.
— Ninguém pode vir a Jesus, se
não for atraído pelo pai que o
enviou. — O que nele crê tem a
vida eterna. — Ele é o pão que
desceu do céu. — Ele é o pão vivo

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que desceu cio céu 485
CAPÍTULO VI Vv. 52-59 495
A moral que Jesus personifica é
figuradamente o pão vivo, sua
carne e seu sangue. — Aquele que
a pratica tem a vida eterna, isto é,
chega à perfeição 495
CAPÍTULO Vl Vv. 60-72 501
Murmurações e deserção de alguns
dos discípulos de Jesus, motivadas
pelo que ele acabava de dizer. —
Palavras de Jesus a Pedro. —
Resposta de Pedro. — Palavras de
Jesus referentes a Judas lscariotes 501
CAPÍTULO VII Vv. 1-9 511
Incredulidade dos parentes de Jesus.
— Seu tempo ainda não chegara 511
CAPÍTULO VII Vv. 10-53 514
Jesus vai secretamente à festa dos
Tabernáculos. Lá ensina
publicamente. — Palavras suas e
dos Judeus acerca da sua origem e
da sua missão. — Ninguém lhe põe

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a mão, porque ainda não chegara a
sua hora. — Tentativa infrutífera
dos príncipes dos sacerdotes para
conseguirem fosse Jesus preso
pelos archeiros que eles mandaram
ao templo para esse fim. —
Palavras dos Fariseus aos
archeiros. — Nicodemos toma a
defesa de Jesus 514
CAPÍTULO VIII Vv. 1-11 533
A mulher adúltera 533
CAPÍTULO VIII Vv. 12-24 537
Prédica de Jesus aos Judeus. —
Palavras que só pela nova
revelação haviam de ser
compreendidas segundo o espírito,
em espírito e verdade 537
CAPÍTULO VIII Vv. 25-45 545
Continuação da prédica de Jesus aos
Judeus 545
CAPÍTULO VIII Vv. 46-59 564
Continuação e fim da prédica de Jesus
aos Judeus 564

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CAPÍTULO IX Vv. 1-12 572
Cego de nascença. — Sua cura
operada por Jesus 572
CAPÍTULO IX Vv. 13-34 580
O cego é levado à presença dos
fariseus. — Interrogatório a que o
submetem e a que também
respondem seu pai e sua mãe. —
Sua expulsão depois de injuriado 580
CAPÍTULO IX Vv. 35-41 584
O cego que fora curado, sendo
encontrado por Jesus, crê nele. —
Palavras que Jesus lhe dirige. —
Palavras dos fariseus a Jesus. —
Resposta de Jesus 584
CAPÍTULO X Vv. 1-10 592
Parábola da porta do aprisco das
ovelhas. — Jesus é a porta 592
CAPÍTULO X Vv. 11-21 602
Jesus é o bom pastor. — São suas
ovelhas todos os que praticam a
sua moral pura. — Sua missão
consiste em levar todos os homens

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a praticá-la, a fim de que não haja
mais do que um rebanho e um só
pastor. — Ele tem o poder de
deixar a vida e de a retomar;
ninguém lha tira, nem lha pode tirar 602
CAPÍTULO X Vv. 22-42 614
Jesus, acusado de querer passar por
ser Deus, protesta, sob o véu da
letra, e, também sob o véu da letra,
lembrando aos Judeus o Salmo
LXXXI, vv. 1 e 6, se proclama filho
de Deus, deus como eles, tendo
tido, como essência espiritual, a
mesma origem que todos. —
Proclama ao mesmo tempo, mas
ainda veladamente, sua autoridade,
sua missão terrena e sua missão
espiritual 614
CAPÍTULO XI Vv. 1-45 629
Lázaro "morto", segundo as vistas
humanas e, no entender dos
homens, "ressuscitado" 629
CAPÍTULO XI Vv. 46-57 678

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Informados do que acabava de passar-
se com relação a Lázaro, os
príncipes dos sacerdotes e os
fariseus se reúnem em conselho,
com o fim de descobrirem maneira
de dar morte a Jesus. — Palavras
de Califás 678
CAPÍTULO XII Vv. 1-11 682
Maria perfuma os pés de Jesus. —
Murmuração de Judas. — Os
Judeus deliberam dar morte a
Lázaro 682
CAPÍTULO XII Vv. 12-19 686
Entrada de Jesus em Jerusalém 686
CAPÍTULO XII Vv. 20-26 688
Alguns Gentios querem ver a Jesus. —
Palavras suas nessa ocasião 688
CAPÍTULO XII Vv. 27-36 710
Continuação das palavras de Jesus 710
CAPÍTULO XII Vv. 37-43 718
Incredulidade dos Judeus. — Fé que
alguns tinham, mas que o respeito

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 13
humano, o temor de serem
expulsos da sinagoga abafavam. —
Esses preferiam a glória dos
homens à glória de Deus 718
CAPÍTULO XII Vv. 44-50 722
A moral que Jesus pregou não é sua,
mas de Deus. — Jesus, que é a
luz, veio para salvar o mundo. — O
homem se julga a si mesmo, e sua
consciência é quem pronuncia a
sentença 722
CAPÍTULO XIII Vv. 1-17 726
Jesus lava os pés a seus apóstolos. —
Palavras que lhes dirige 726
CAPÍTULO XIII Vv. 18-30 741
Jesus prediz a traição de Judas 741
CAPÍTULO XIII Vv. 31-38 746
Jesus alude ao sacrifício que se vai
consumar no Gólgota. — Os
discípulos do Cristo devem amar-se
uns aos outros. — Por esse sinal é
que serão reconhecidos. —
Predição da negação de Pedro 746

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CAPÍTULO XIV Vv. 1-12 751
Muitas moradas na casa do pai. —
Jesus vai preparar o lugar para
seus discípulos. Quando voltar, os
atrairá a si, a fim de que estejam
onde ele estiver. — Ele é o
caminho, a verdade, a vida. —
Ninguém vai ao pai senão por ele.
— Suas relações com o pai. —
Aquele que nele crê fará as obras
que ele faz e fará outras ainda
maiores 751
CAPÍTULO XIV Vv. 13-24 772
Jesus promete a seus discípulos que
lhes será concedido o que pedirem
ao pai, a fim de que o pai seja
glorificado no filho. — Promete
conceder-lhes o que eles lhe
pedirem em seu nome. —
Prescreve- -lhes que guardem seus
mandamentos. — Promete-lhes o
Consolador, que é o Espírito Santo,
o Espírito da Verdade. — Declara
que todos os que guardarem seus

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 15
mandamentos, sua palavra, tê-lo-ão
e ao pai consigo 772
CAPÍTULO XIV Vv. 25-31 783
O Consolador, que é o Espírito Santo,
ensina todas as coisas. — Jesus dá
sua paz a seus discípulos. — Seu
pai é maior do que ele 783
CAPÍTULO XV Vv. 1-11 790
Parábola da videira e das varas 790
CAPÍTULO XV Vv. 12-17 797
Amarem-se uns aos outros. — Os
servos, os amigos de Jesus. — Sua
missão 797
CAPÍTULO XV Vv. 18-27 805
Jesus prediz a seus discípulos o ódio e
as perseguições que lhes
acarretará o desempenho da mis-
são de que se acham incumbidos.
Prediz-lhes o futuro advento do
Espírito da Verdade e sua vinda
para eles 805
CAPÍTULO XVI Vv. 1-15 825

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 16
Continuação das predições de Jesus
quanto às perseguições de que
serão vítimas seus discípulos e
quanto ao futuro advento do
Espírito da Verdade e à sua missão 825
CAPÍTULO XVI Vv. 16-22 846
Jesus promete a seus discípulos a
alegria após a tristeza 846
CAPÍTULO XVI Vv. 23-33 849
Promessas de Jesus a seus discípulos.
— Predições que lhes faz. —
Atesta, sob o véu da letra, sua
origem e sua posição espírita. —
Declara que venceu o mundo 849
CAPÍTULO XVII Vv. 1-26 856
Palavras que Jesus dirige ao pai-
diante de seus discípulos — do
ponto de vista da unidade e da
indivisibilidade de Deus, da
natureza e da importância da
missão que lhe foi confiada com
relação ao nosso planeta e à sua
humanidade; do ponto de vista da

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missão dos discípulos e dos
progressos futuros que os
aguardam após o cumprimento fiel
dessa missão e que aguardam a
todos os que lhes caminharem nas
pegadas 856
CAPÍTULO XVIII Vv. 1-14 879
Jesus vai, com seus discípulos, para o
jardim situa- do além da ribeira do
Cedron. — Sua prisão. —
Circunstâncias relativas a essa
prisão. — Palavras que ele dirige
aos que acabavam de deitar-lhe a
mão. — Palavras que dirige a
Pedro, quando este, servindo-se da
sua espada, fere a Malco na orelha
direita. — Jesus é preso e
conduzido a Anás e daí a Caifás 879
CAPÍTULO XVIII Vv. 15-27 882
Pedro em casa de Caifás. — Jesus é
interrogado pelo pontífice. —
Resposta que lhe dá. — Recebe
uma bofetada. — Palavras que
dirige ao que o esbofeteou. —

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Negação de Pedro 882
CAPÍTULO XVIII Vv. 28-40 885
Jesus é levado da casa de Caifás à
presença de Pilatos. — Seu reino
não é deste mundo. — Seu reino
não é agora deste mundo. — Ele é
rei e por isto é que não veio ao
mundo senão para dar testemunho
da verdade. — Pilatos quer livrá-lo,
mas os Judeus se opõem e
preferem a libertação de Barrabás 885
CAPÍTULO XIX Vv. 1-7 893
Flagelação. — Coroa de espinhos. —
Eis o homem. — Pedido de
crucificação por parte dos Judeus 893
CAPÍTULO XIX Vv. 8-15 895
Silêncio de Jesus em face da pergunta
que Pilatos lhe dirige. — Todo
poder vem do Alto. — Os Judeus
persistem em pedir a sua
crucificação 895
CAPÍTULO XIX Vv. 16-22 899
Jesus é entregue aos Judeus. — É

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 19
conduzido ao Calvário. —
Crucificação. — Inscrição feita por
Pilatos e colocada no alto da cruz 899
CAPÍTULO XIX Vv. 23-27 901
As vestes. — A túnica. — A Virgem e
João ao pé da cruz. — Palavras de
Jesus a Maria e a João 901
CAPÍTULO XIX Vv. 28-37 904
Palavras de Jesus. — Jesus morre, no
entender dos homens. — Ossos
não quebrados. — Lado aberto 904
CAPÍTULO XIX Vv. 38-42 919
O corpo de Jesus é depositado no
sepulcro 919
CAPÍTULO XX Vv. 1-18 921
Madalena vai ao sepulcro e comunica o
que viu a Pedro e João e estes
também vão lá. — Aparição dos
anjos e de Jesus a Madalena 921
CAPÍTULO XX Vv. 19-23 924
Aparição de Jesus aos apóstolos 924
CAPÍTULO XX Vv. 24-31 928

— Não te prostrarás diante delas. não as adorarás.B. abstendo-se de dizer o que será feito de João 936 OS MANDAMENTOS Explicados em espírito e verdade 947 DECÁLOGO 947 PRIMEIRO MANDAMENTO — Não terás outros deuses diante da minha face. — Amor de Pedro a Jesus.J. nos céus. porquanto eu sou o Eterno teu . — Jesus lhe confia suas ovelhas e lhe prediz seu martírio. — Pesca chamada "milagrosa". nem as servirás. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 20 Aparição de Jesus a Tomé e aos outros discípulos. sob a terra. 970 SEGUNDO MANDAMENTO — Não farás imagens esculpidas das coisas que estão em cima. sobre a terra. nem embaixo. — Tomé vê e crê 928 CAPÍTULO XXI Vv. 1-25 936 Aparição de Jesus à margem do mar de Tiberíades. nem nas águas.

na sucessão de mil gerações. nem teu hóspede. Não farás obra alguma nesse dia. consagrado ao Eterno. nem teu gado. nem tua serva. nem tua filha. 970 TERCEIRO MANDAMENTO — Não tomarás em vão o nome do Eterno. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 21 Deus. porquanto o Eterno. ao Senhor teu Deus. não terá por inocente aquele que em vão houver tomado o seu nome. o Senhor. do Senhor teu Deus.J. nem tu. com os que me amam e guardam meus mandamentos. o estrangeiro que estiver dentro dos .B. o Deus forte e cioso que puno a iniqüidade dos pais nos filhos na terceira e na quarta gerações dos que me odeiam e que uso de misericórdia. 975 QUARTO MANDAMENTO — Lembra- te do dia de sábado para o santificares. mas o sétimo dia é o dia do descanso. Trabalharás seis dias e farás a tua obra. nem teu servo. nem teu filho.

J. nem seu servo. 984 SEXTO MANDAMENTO — Não matarás. 1006 SÊTIMO MANDAMENTO — Não cometerás adultério. nem seu jumento. 1010 OITAVO MANDAMENTO — Não furtarás. não cobiçarás a mulher do teu próximo. VI. 4-5.) 1024 . de toda a tua alma e de todas as tuas forças. vv. nem sua serva. nem coisa alguma que seja de teu próximo. 977 QUINTO MANDAMENTO — Honra a teu pai e a tua mãe. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 22 muros de tuas cidades.B. 1020 DECIMO MANDAMENTO — Não cobiçarás a casa de teu próximo. nem seu boi." (Deuteronômio. 1022 AMOR DE DEUS E DO PRÓXIMO — "Amarás ao Eterno teu Deus de todo o teu coração. cap. 1019 NONO MANDAMENTO — Não dirás falso testemunho contra o teu próximo.

B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 23 .J.

eu rogara a Deus.J. nem devo publicar aqui essas comunicações .B. com surpresa do médium. patrono que me foi dado por oca- sião do meu nascimento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 68 Prefácio Na véspera do dia 24 de junho de 1861. no sigilo de uma prece fervorosa. Pedira tam- bém a graça da manifestação do Espírito de meu pai e do meu guia protetor. manifestar-se por um médium que se achava então em minha companhia e com o qual me consagrava dia- riamente a trabalhos assíduos. O Espírito do apóstolo Pedro se manifes- tou a 30 de junho. Essas manifestações se produziram es- pontaneamente. de modo inesperado tanto para mim como para o médium. Constituíram para mim uma fonte de alegria imensa. com o me provarem que a minha súplica fora ouvida e que Deus me aceitava por seu servo. a quem eu deixara ignorante da minha prece. que permitisse ao Espírito de Jo- ão Batista. Não posso.

desprendei os vossos pensamentos dessa profunda adoração. obstáculo que lhe era impossível vencer. Esse progresso. Ele quer o progresso moral e intelectual de todos. filho de Zacarias e Isabel. Fui mediunicamente prevenido da época em que poderia e deveria publicá- las. Escutai as vozes dos Espí- ritos do Senhor. que não se cansarão de fazer ouvido este aviso salutar: — os tempos são chegados. Limito-me a transcrever alguns fragmen- tos destacados de uma das três manifesta- ções de João. Começa o reinado da verdade. Deus envia seus Espíritos aos homens para ajudá-los a sair da superstição e da ignorância. "São chegados os tempos em que as profe- cias se hão de cumprir." "Chegaram os tempos.B. estava entravado pelo orgulho e pelo egoísmo. senão mediante lutas . Povos atidos ao culto idólatra da fortuna. porém. Dirigi os olhares para as regiões celestes.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 69 mediúnicas.

sejam o código dos vossos deveres para com as vossas consci- ências." "Chegaram os tempos em que todos de- veis reconhecer vossos erros e faltas. dados a Moisés no Sinai. que vosso pai acaba de colocar nas mãos de alguns apóstolos fervo- rosos.J. por toda parte. espa- lhou entre os homens. pois todos sois membros da mesma família. vai germinar a preciosa semente que o Cristo. arrancando a humanidade toda ao pesado sono que a o- brigava a ter o pensamento e o corpo pendi- dos para a terra.B. o fará avançar com passo rápido para o cume que lhe cumpre atingir." "Que os santos mandamentos de Deus." ." "São chegados os tempos em que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 70 sangrentas e mortíferas. ala- vanca poderosa. Que o santo Evangelho seja a doce filosofia que vos faça resignados. compassi- vos e brandos para com os vossos irmãos. O Espiritismo vos veio ensinar a verdadeira fraternidade e os tempos são chegados. o Espírito da Verdade. O Espiritismo.

a em que ele. do ponto de vista da era nova que começa. porquanto os tem- pos são chegados. cedendo lugar ao amor e à caridade. a fra- ternidade.J. a igualdade perante Deus e os homens. pois que o orgulho e o egoísmo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 71 "Sabeis quais são os copiosos frutos que os verdadeiros espíritas vão colher dessa sementeira bendita? São a liberdade. me dava conselhos.B. bendito sejas tu que tomaste pela mão o meu filho bem-amado e o levas- te. Eles estão sempre convosco e vos assistem. a incredulidade e o materia- lismo vão desaparecer da Terra. O Espiritismo é quem os vai convi- dar a todos para essa abundante messe. através da pobreza. a ter entre os seus irmãos da Terra uma . do estudo e do traba- lho. que os Espíritos do Senhor vos pregam. o fanatismo e a intolerância. lições e avisos: "Meu Deus." Profundamente comovido me senti ao ler AS SEGUINTES PALAVRAS FINAIS de uma das comunicações do Espírito de meu pai.

J. Guardo em meu coração essas palavras. Prosseguia nos meus estudos. que lhe permi- te consagrar o resto da sua vida a te amar e servir. Maior então se tornou a minha humildade. por teres permitido que seu pai terreno." Repetindo essas palavras. filho em quem ele encontrava as sementes da vontade divina. esforçando-me sempre por avançar ao longo dela. por haveres permitido que sua inteligência e seu coração compreendam e pratiquem tua lei de amor. que aí foram postas como um farol a me cla- rear a estrada e para o qual volto constan- temente os olhos. lhe viesse dar estes salutares avisos. nas mi- . minha alma experimentou vivamente a alegria de ser. sê para sempre bendito. teu hu- milde escravo. para meu pai. Meu Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 72 posição livre e independente. tão grande era em mim o temor de não me mostrar sempre digno dos encorajamentos que recebia des- se ente querido e respeitado.B. Sê para sempre bendito.

nos meus trabalhos. Col- lignon sentiu na mão a impressão. Ao cabo de breve conversação sobre ge- neralidades. fui convi- dado a ir a casa de Mme.J. tratei de retirar-me. No momento em que me preparava para sair. Mme. a agita- ção fluídicas bem conhecidas dos médiuns. desenhado mediunicamente. a fim de agradecer àquela Senhora o acolhimento que me dispensara por ocasião da visita que lhe fizera para ver a referida produção medi- única. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 73 nhas pesquisas. que eu não tinha a satisfação de conhecer e a quem teria que ser apresentado. representando um aspecto dos mundos que povoam o espaço. no mês de Dezembro de 1861. como sói acontecer entre pes- soas que mal se conhecem e que ainda não se acham ligadas por quaisquer relações de sociedade. Collignon. impressão e agita- . para apreciar um grande quadro.B. quan- do. indicadoras da presença de um Espírito de- sejoso de se manifestar. Fui e oito dias depois voltei lá.

ela condescendeu em se prestar à manifes- tação mediúnica e.B. Chamados desse modo a executar esta obra da revelação. este grande traba- lho da revelação. metemos ombro à tarefa. a instâncias minhas. cheio. À medida que a revelação avançava. mi- . assinada por MATEUS. ignorante e cego que éramos.) Diante dessa manifestação. no mesmo instante. que certamente de nosso moto-próprio não ousaríamos tentar. Collignon. que me con- citava a empreender. a começar da página 68. fluidicamente impelida. MARCOS. sua mão.J. ao mesmo tempo. escreveu isto: (Segue-se a comunicação que se acha integralmente inserta no primeiro tomo. Então. inca- paz. da alegria e do temor de não sermos capaz nem digno do encargo que nos era deferido. LUCAS e JOÃO. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 74 ção que notei. com o concurso da médium Mme. sentimo-nos tomado de uma surpresa imensa.

o coração das tuas criaturas. Sou teu." Havíamos chegado à explicação da pa- rábola do mancebo rico. espontânea e mediunicamen- te.B. ó soberano Senhor. meu tempo. às mãos de Deus. estávamos no ver- sículo que diz: "e ama o teu próximo como a ti mesmo.J. ó meu Deus. mau gra- do à minha fraqueza. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 75 nha alma se ia encontrando cada vez mais presa de admiração ao descobrir todas a- quelas verdades. eu os consagro daqui por diante ao teu serviço. se. Serei feliz." (MATEUS. 19. inteiramente. dizendo: "Dispõe da tua cria- tura. quando foram escritas. o respeito. minha razão. que te con- quiste o amor. Meu coração. Abandonei-me então. pertenço-te. puder tornar-me nas tuas mãos um instrumento útil. apresentadas até ali aos homens envoltas em tais mistérios que a razão se recusava a crer em tudo o que lhe era ensinado. v. XIX. ESTAS PALAVRAS: "Quando estiveres de posse de todos os .

em que. vv." No mês de maio. LUCAS. 18. VI. 4-5. cap. v. MARCOS. 34- 40. XXII. vv. sem saber onde pou- se. XII. Leví- tico. X. vv. de publicar a obra da revela- ção. cap. trabalho esse que publicarás em seguida ao dos Evangelhos. JOÃO. MATEUS. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 76 materiais acerca dos Evangelhos. filhos dos séculos de barbaria. . in- certa. MARCOS. aviso me foi dado. lutando com o espiritualismo. LUCAS. XX): — "amor de DEUS e do pró- ximo" ("Deuteronômio". TANTO com rela- ção aos Evangelhos. estando reu- nidos todos os materiais. o materia- lismo deixa as almas indecisas. far-te- emos empreender um trabalho especial so- bre os Mandamentos — "Decálogo" ("Êxo- do". 28-31. a fé flutua no ar. XII.B. espontâ- nea e mediunicamente. — MATEUS. assis- tidos pelos apóstolos. coMo com relação aos Mandamentos. NESTES TERMOS: "Chegados a uma época transitória em que. vv.J. de 1865. 25-28 e 29-37). em que. cap. de tornar conhecida dos homens.

é tempo de oferecer-se-lhes uma luz suave. que tem a missão de reacender o fogo do amor universal. a esperança de uma vida eterna. que.J. cansados de mentiras. os dogmas en- velhecidos tremem nas suas bases. se extinguem. do alto da cruz. em que os princípios fundamentais da fé: a crença num Deus. que julgam viver somente pe- la matéria. em que. que lhe cumpre levar ao pai purificadas e santifica- das. "Essa luz vos é dada pelo Espiritismo. que possa clarear esse caos e mostrar aos vacilantes. os homens vão ao extremo de rejeitar as verdades. de cupidez. abafado no fundo do cora- ção humano. de reconduzir aos pés do Se- nhor os ateus. porém fir- me. "Desde alguns anos o nome de Jesus . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 77 de intolerância. aos pesquisadores o cami- nho que eles há tantos séculos perderam. de fazer que os homens sigam com amor a casta e grandiosa figura de Je- sus. à falta de alimento.B. lança de contínuo fraterno olhar a todas as criaturas.

como homem-Deus. suas aparições às mulhe- res e aos discípulos.J. sua vida um problema. operados pelo Mestre antes do sacrifício do Gólgota. seu devotamento uma aberra- ção. era um contra-senso. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 78 provoca muitas dissidências e dá lugar a muitos sofismas. seu sacrifício uma mentira. homem do vos- So planeta. estando chumbada a pedra que lhe fechava a entrada. o desaparecimento de seu corpo do sepulcro. de contos apropria- dos unicamente a embalar a humanidade infante e destinados a ser por ela repelidos com desprezo e zombaria na sua virilidade. como con- seqüência desta.B. Considerado homem carnal. "Ninguém mais podendo crer na sua di- vindade. não passando de mistérios. sua "ressurreição" e. procuraram explicá-lo pela natureza humana propriamente dita. seus atos se tornavam incom- preensíveis. Mas. sua volta às regiões . sua pureza uma conseqüência fatal da sua natureza. ainda aí o homem esbarrou num escolho com que não contara: Jesus. os fatos denominados "milagres".

a cuja formação presidiu.B. porém. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 79 etéreas. "como revestido de um corpo harmônico com a sua natureza espiritual. tal como ele se apresenta aos olhos do pensador esclarecido pela luz espí- rita. a revelação da revelação tem que ser conhecida e publicada. dirigindo- lhe o desenvolvimento. para aí se manifestar por longo tempo e lançar a semente que havia de germinar du- rante mil e oitocentos anos. porquanto a obra que vos fizemos empreender vem explicar Jesus aos homens. sem- pre dedicado à ativação da sua obra. preservada.J. . deixando muitos grãos por pasto ao erro. os progressos. "Agora que o terreno foi lavrado em todos os sentidos pelos trabalhadores do pensa- mento. na época chamada "ascensão". mas também relativamente harmônico com a vossa esfe- ra. a vitalidade dos que começam hoje a desen- volver-se e que em breve cobrirão com seus ramos frondejantes o universo inteiro. isto é: "como protetor e governador do vosso planeta.

porque. atenta a maneira pela qual é disposta e a- propriada. ao que ela pode suportar e compreender. enviado de Deus aos homens para lhes ensinar a viver e a morrer. porque. é a base forte que não pode ser substancial- mente alterada. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 80 "A semente destinada a germinar durante mil e oitocentos anos deixou muitos grãos para alimento do erro. os véus que a cobrem dão lugar a falsas inter- pretações.B. a verdade. A semente que o Mestre espalhou quando surgiu na Terra e por ela passou.J. objetivando o progresso do Espírito (ponto de vista este do qual fez ele todas as . a verdade inteira pode ser desvenda- da à humanidade. em tempo algum. Assim sendo. que têm sua razão de ser com relação à época. que hoje começa a de- senvolver-se e que breve estenderá seus galhos frondejantes por sobre o Universo. "A semente vital. sobretudo quando esta ainda se acha na infância. é a fé na missão do Cristo. que germinou e vos há de abrigar. é sempre relativa ao entendimen- to da mesma humanidade.

que o Mestre predisse e prometeu. único meio de conciliar a justiça divina com a aparente injustiça da sorte. numa camada de mistérios. preparar e realizar o reino da verdade e conduzir-vos ao .B. para isso. fundamental. que é senda de purificação e de progresso. "A obra que vos fizemos empreender vem mostrar aos homens que. vai despojar da letra o espírito e. para lhes mostrar o caminho do "céu" pelo renascimento. só e único criador de tudo. isto é. até ao momento em que o solo se devesse cobrir de frutos. definitiva em um Deus. afastada toda e qualquer idéia de maravilhoso. pela reencarnação. de divinda- de da parte do Cristo. envolven- do-o. a princípio expiatória e por fim gloriosa. para a alma que faliu. É a fé primordial. pela sua obra progressiva e incessante. uma vida eterna. até aos tempos da era nova que começa. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 81 suas obras). se podem explicar e pôr em concordância os livros que tiveram por destino conservar o bom grão.J. a confiança e a certe- za de que há. em que o Espírito da Verdade.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 82 advento de Jesus. porquanto a atual gera- ção humana verá os seus primeiros anos messiânicos. seguidos dos MANDAMENTOS. isto é. E os messias. "Aquele que há de desenvolvê-la e cuja obra também será preparatória não tardará a se dar a conhecer. "Fica sabendo e faze saber a teus irmãos que a obra "que lhes colocas sob as vistas é uma obra preparatória. que vos virá mostrar a verdade sem véu. quanto aos Evangelhos. a que darás o título de — "OS QUATRO EVANGELHOS".B. "Publica esta obra. EXPLICADOS em espírito e verdade. os envia- dos especiais se sucederão até que a luz reine sobre todos.J. que não passa de um prefácio da que sairá das mãos daquele que o Mestre enviará para esclarecer as inteligências e despojar INTEIRAMENTE da letra o espírito. ainda incompleta. uma entrada em matéria. de acordo com os ensi- nos ministrados. PELOS EVANGELISTAS ASSISTIDOS .

um de nós presidiu sempre à inspiração. que prepararam o advento da missão terrena do Mestre. POR MOISÉS E PELOS EVANGELISTAS ASSISTIDOS PELOS A- PÓSTOLOS. A segunda se compo- rá: 1° da refutação das objeções que esta primeira parte sobre oS EvangelhoS e os . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 83 PELOS APÓSTOLOS e. O Espírito que nos anima é o mesmo que anima a to- dos os Espíritos superiores. Se bem que os no- mes nem sempre sejam declinados. quanto aos Man- damentos. pelo progresso do vosso planeta e da sua humanidade. por nosso intermédio. "O trabalho é geral. sejam quais fo- rem. " O que vais publicar será a PRIMEIRA PARTE da obra geral.J. que para ela concor- reram. dirigiu estes trabalhos e dirigirá os que ainda temos que fazer sejam empreendidos. que trabalharam e trabalham pelo desenvolvimento. "Damos nomes para evitarmos nomear aquele que.B. que participaram do cum- primento dessa missão.

em espírito e verdade. a fim de poupares tuas forças. bons trabalhadores. Não fixamos limites. "Coragem. trabalha com a maior presteza possível. chamada Apocalipse. das Epístolas. que Jo- ão recebeu na ilha de Patmos. da revelação. Emprega com critério e medida as horas. de tal sorte que a publicação esteja concluída em agosto de 1866. . 2° da explicação. dos Atos dos Apósto- los. "É chegado o tempo de te colocares na situação de entregar à publicidade esta obra. "A publicação poderá começar no próxi- mo mês de agosto. O Mestre saberá levar em conta a vossa boa-vontade.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 84 Mandamentos provocar. Alguns meses a mais ou a menos nada são no correr dos tempos. porém são muita coisa na economia das forças humanas.B. nas passagens que delas extrairemos para dar autoridade ao presente. Tens diante de ti mais de um ano. mas sem ultrapassar os limites de tuas forças. A partir dessa época.

de abnega- ção e de sentimentos fraternais em Jesus. de protetor da Terra.B. dando à publicidade esta obra. JOÃO. MARCOS. quaisquer que eles se- jam. MATEUS. Maio de 1865. ou o culto exterior que professem. não faço mais do que cumprir um dever executando essa ordem.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 85 MOISÉS. Aos meus irmãos. chamado o Cristo. LUCAS. quaisquer que sejam suas crenças. senão depois de a terem lido integralmente e de terem seriamente meditado. porquanto. Assistidos pelos apóstolos. Ca- . esta obra explicativa dos Evangelhos e dos Man- damentos é indivisível no seu conjunto. que põe em foco a essência de tudo o que há de sublime na bondade e na paternidade de Deus e de tudo o que há de devotamento. Mero instrumento. que tão bem mereceu o titulo de Salvador do mundo. corre o dever de se não pronunciarem sobre ela.

inspirado. tem PRIMEIRO que se chocar com as con- tradições humanas. que É "o caminho. para ser aceita. E a responsabilidade do Espírito está sempre em correlação com os meios postos a seu alcance para que se ins- trua. passa pela prova de receber ou re- pelir a luz que lhe é trazida. referindo-se a Jesus. que É "a luz do mun- do". Muito se pede a quem muito se deu. para triunfar. A verdade.J. sendo todas solidárias entre si. Do ponto de vista dessa prova a que está sujeito o homem e das condições necessá- rias a que a verdade triunfe foi que Simeão. como a luz que iluminará as .B. a vida": "Meus olhos viram o Salvador que nos deste e que destinas a ser exposto à vista de todos os povos. a verdade. O homem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 86 da uma de suas partes apóia as demais. transi- tóriaS e preparatórias do advento do espírito. em todas as idades do nosso planeta. pronunciou estas palavras.

prepara. os corações e as inteligên- cias para apreenderem o que lhes é possível compreender. que tudo governa. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 87 1 nações e a glória de Israel teu povo. a- crescentou: "Este menino vem para ruína e para res- surreição de muitos em Israel e para ser alvo das contradições dos homens. Com esta obra. mediante o cumprimento das promessas do Mestre. têm por fim a felicidade do gênero humano e sua purificação. abençoando a José e a Maria. por isso que prepara o advento da unidade das crenças e da fraternidade humana e. explicando em espírito e verdade os Evangelhos e os Mandamentos." 2 Deus. pois.J. por meios secretos. esperança e ventura. que eles nos fizeram e- xecutar e que damos à publicidade. o advento do reino de Deus na Ter- . Ela é publicada com a inten- ção de glorificar e honrar a Deus e de dar aos homens paz. E que. os minis- tros do Senhor.B.

J. cap. Junho de 1865. para explicação destas pala- vras de Simeão: Evangelhos de MATEUS. págs. 41. ROUSTAING. LUCAS e JOÃO. sob o império da lei de amor e de unida- de." (João.) "A letra mata e o espírito vivifica. n. as palavras que vos digo são espí- rito e vida. VI.J.-B. 6.B. Confiamos que alcançará esse objetivo. a carne de na- da serve. 64. 1 e 2 Ver. 222- 225 do 1º tomo. reunidos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 88 ra. EVANGELHO SEGUNDO JOÃO "O Espírito é que vivifica. III.) . II Epístola aos Coríntios." (PAULO. v. v.

— 3. No principio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. To- das as coisas foram feitas por ele e nada do que há sido feito o foi sem ele. — O Verbo com Deus. Ele estava no princípio com Deus. A luz brilha nas trevas e as trevas não a compreenderam. enviado de Deus. Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens. — O filho único que está no seio do Pai é quem dele deu conhecimento. — Ele veio ao que era seu e os seus o não receberam. para dar testemunho da luz. — O Verbo feito carne habitou entre os homens e estes o viram. Houve um homem.J. — O mun- do não o conheceu. — Missão de João e teste- munho que dá do Verbo V. — 7. Este veio como testemunha. — 4. — 6.B. 1. 1-18 O Verbo. — O Verbo Deus. que se chamava João. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 89 CAPÍTULO I Vv. — 2. — Nenhum homem jamais viu a Deus. a fim de que todos . — 5.

e vimos a sua glória. Ele não era a luz. — 10. — 8. Mas. — 12. porque era antes de mim — 16. — 9. — 13.B. nem da vontade da carne. o mundo foi feito por ele e o mundo o não conheceu. que era a luz verdadeira. Esse estava no mundo. glória como unigênito do Pai. nem da vontade do ho- mem e sim de Deus.J. aos que crêem no seu nome. exclamando: Este é o de quem eu dis- se: Aquele que há de vir depois de mim me foi preferido. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. — 11. deu o poder de se fa- zerem filhos de Deus a todos os que o rece- beram. — 18. E da sua plenitude todos recebemos graça por graça. que alu- mia todo homem que vem a este mundo. mas veio para dar testemunho daquele que era a luz. mas a graça e a verdade vieram por Jesus-Cristo. Ninguém jamais viu . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 90 temunho da luz. Ele veio ao que era seu e os seus o não re- ceberam. Porquanto. — 15. os quais não nasceram do sangue. cheio de graça e verdade. João dá testemunho dele. a lei foi dada por Moisés. — 14. a fim de que todos cressem por meio dele. — 17.

B. para lhe apreen- derem a harmonia. Se comentassem e meditassem seria- . que está no seio do Pai. repararão o seu erro. de prosseguir na sua marcha gradual e ascendente pela estrada da luz e da verdade.J. à proporção que se desenvolve. Estes versículos e especialmente os versículos 1 e 2 hão dado lugar a muitos comentários. porém. mais vastos horizontes vai divisando. N. esse foi quem dele deu conhecimento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 91 a Deus. 1. o motivo e o fim dessas revelações. Os homens. tendo em vista a sucessão e a pro- gressividade das revelações. o motivo e o fim. a necessidade. interpretações e contradições e contribuíram para a proclamação do dogma da divindade atribuída a Jesus-Cristo. como condição e meio de a Hu- manidade progredir. o filho unigênito. para apreende- rem a necessidade. sem examinar os textos em seu conjunto e sem pesquisar o espírito que a este preside. esses não querem compreender que a inteligência. Os que se apegam à letra.

para dar gradual e pro- gressivamente aos homens o que eles pos- sam ir suportando. tudo preparou. que é ele. veriam com quanta previdência Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 92 mente e sem a preocupação de manterem o statu quo. para que os homens fossem gradual e progressiva- mente conduzidos ao conhecimento do Pai. que os evangelistas regis- taram. dispôs e apropriou. preparou e apropriou. como condição e meio de efetivar- se o progresso humano. uma e outra conseqüentes àquela dupla revelação.B. mediante a que o anjo fez a Maria e a José. ele tudo dispôs. para que os homens . Assim. e mediante a obra da missão terrena de Jesus. conseqüên- cia da primeira. Deus tudo preparou. que tem a presciência e a sabedoria infinita.J. através dos séculos. mediante a revelação hebraica. e a da missão dos apóstolos. e do Filho. Veriam com quanta previdência. conforme às suas faculdades e necessidades. para ministrar a cada um o pão cotidiano da inteligência. dispôs e apropriou. que é Jesus-Cristo.

mas apenas entre os iniciados. acima das divindades que as mas- sas adoravam. sob o império da letra. e. Pela época em que começou a era he- braica. que se inicia.B. como complemento e sanção da verdade. pairava dominante. desde o passado até os vossos dias.J. visível para as criaturas também purificadas e transfor- madas. através da era hebraica e da era cristã. da era espírita. que vos conduzirá aos tempos preditos do segundo advento de Jesus. a capa do mistério. do Cristianismo do Cristo. vier em todo o seu fulgor espírita ao vosso planeta purificado e transformado. é certo. o prestígio do mila- gre. daqui por diante. Esse advento se dará quando o mesmo Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 93 fossem levados àquele conhecimento. como Espírito da Verdade. mediante a revelação incessante e sempre progressiva do Espírito da Verdade. sob o império do espírito. através da era nova. do Deus UNO. na qualidade de seu soberano. mostrar a verdade sem véu. nos cultos de todos os povos a idéia da unidade divina. No seio das camadas popula- .

ocul- ta ou patente.J. eterna. como Deus. Os Judeus trouxeram do exílio essas crenças vulgares. porém. sob o pon- . bons e maus.B. que se origi- nara das relações que a comunicação. que é. de acordo com os preconceitos e crenças vul- gares que mais tarde penetraram no Ociden- te. do mundo espiritual com o mundo corporal estabelecera entre os ho- mens e todas as categorias de Espíritos. comunicação que constitui uma das leis da natureza. de cuja vontade todas emanam. gerados estes últimos por virgens que a divindade fecundava. Quando. teve que se abrir a era hebraica. chegara. a Humanidade. segundo a presciência e a sabedoria infinitas de Deus. as honras da apoteose os ele- vavam à categoria dos deuses. Quanto aos povos orientais. admitiam a existência de "deuses" no céu e de "filhos dos deuses" na Terra. nos centros mais civilizados. portanto. esses. Esses filhos dos deuses eram divinizados. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 94 res reinava ainda o politeísmo.

ser- vindo-lhe de intermediário um Espírito supe- rior1 que. nos Mandamentos. A idéia da unidade divina Deus a pôs em foco. Chegara à fase em que. de acordo com o desenvolvi- mento e o progresso das inteligências. segundo o espí- rito e em verdade. fez que os 1 Ver adiante. pela boca de Moisés. mas sem fra- cionar a sua essência. graças a essa revelação e sob o seu império. que cria. pela revelação. no Decálogo que ele outorgou ao mundo no monte Sinai. como ele foi transmitido e promul- gado. a explicação do Decálogo.J. indivisível. por efeito das revelações que progressivamente se sucederiam na marcha dos tempos. o politeísmo tinha que desaparecer gradualmente. que espiriticamente se fez. .B. à fase em que a unidade divina tinha que ser posta em foco para todos os olhares. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 95 to de vista do desenvolvimento intelectual. aos olhares de todos. do Deus uno. na qual se dá a conhecer.

sendo necessário ligar o presen- te ao passado. Teu Deus. que cria. explicar e desenvolver as crenças. o único eterno. Pro- . — "Eu sou aquele que é". não terás outros deuses diante de mim". mas sem fracionar a sua essência. inspirados e guiados por Espíritos superiores. Fez que os homens es- cutassem estas palavras: "Deus tomou lugar na assembléia dos deuses e. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 96 homens ouvissem estas palavras: "Eu sou o Eterno. Único Deus". Depois. julga os deuses". proclamou. — "Eu disse Sois deuses e todos sois filhos do Altíssimo". ser ele o "Deus dos deuses". 1 e 6. a fim de depurar.B. ele se procla- mou uno. o Eterno. indivisível. que fizera fosse proclamado o monoteísmo.J. Ainda pela boca de Moisés. pelo órgão dos profetas de Israel. (Salmo LXXXI.) Falando assim aos homens por intermé- dio de Moisés e dos profetas. vv. sentado no meio deles. Deus. disse ele mais aos homens: "Eu. criador incriado.

tanto no céu como na terra. por ele. para os ho- mens (e muitos séculos teriam que passar antes que chegasse) o tempo de compreen- derem por essa forma. em espírito e verda- de. conseguintemente. sendo. todos provindos do mesmo princípio.B. durante longos séculos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 97 clamou não haver. quando surgisse a era nova do Cristianismo do Cris- to. seus fi- lhos e. sob o véu da letra.J. tendo tido a mesma origem. exceto ele. o prestígio do milagre. e. a capa do mistério. nele. como tais. se houvesse agitado nas faixas da infância e houvesse. Proclamou que todos os Espíritos. atravessado. ainda quando qualificados de "deuses". Esse tempo só che- garia com o advento do espírito. . a era espírita. da adolescência. irmãos entre si. o período da puberda- de. porém. são criaturas. progre- dindo lenta e laboriosamente. dele. pois. e quaisquer que sejam a sua elevação e a sua pureza. depois que a Humanidade. Ainda não chegara. as palavras divinas. senão criatu- ras. e atingido a época pre- cursora da sua virilidade.

se encontram nos degraus inferiores do progresso. sobre o vosso planeta. que todos. que é o criador in- criado. Espíritos criados. exceto ele. como condição e meio de realização do progresso humano. por obra dos sécu- los. são criaturas. às aspirações e necessidades de cada época. ir- mãos entre si. para que. precisa se fazia uma transição. aos quais incumbe a tarefa de impulsionarem o adiantamento dos que. ao estado das inte- ligências. de cada era e. aos preconceitos e tradições. seus filhos e.J. portanto. desaparecesse do pensa- mento das massas populares no seio dos povos civilizados. sob a capa do . o politeísmo antigo se desarraigasse completamente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 98 Entretanto. para alcançar-se esse objeti- vo tão distante então na sucessão dos tem- pos. tinha que ser feita gradualmente. com o au- xílio de revelações sucessivas e progressi- vas.B. para que os homens fossem levados a reconhecer que Deus é uno e indivisível. E esta tinha que ser preparada e executada de ma- neira adequada às crenças vulgares. sob o domínio da letra.

um Espírito de pureza perfeita e imaculada. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 99 mistério. porém. o governador do vos- so planeta. sempre devotado ao prosseguimento dessa obra. como tal. a Jesus. Jesus. Daí a necessi- dade. como já explicamos ao comentarmos os três . não podia e não estava adstrito. o protetor. de os levar à perfeição. a cuja for- mação. o motivo e o fim da revelação hebrai- ca. sendo um puro Espírito. o fundador.J. e da humanidade terrena.B.. que só um enviado de Deus em missão podia executar na Terra a obra de semelhante transição. presidira. que era e é o único encar- regado do desenvolvimento e do progresso dos homens. sob o prestígio do milagre. de lhes dirigir os esforços. diante disso. E essa mis- são superior Deus não a podia confiar senão a Jesus. de acordo com as leis imutáveis da natureza. Claro é. que anunciou o advento do Messias e preparou as bases e os elementos da sua missão terrena. que fora por ele constituído protetor e governador do vosso planeta.

191-208. págs. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 100 2 primeiros Evangelhos . 31 e 67. 14. tinha ele que. tomar um corpo compatível com a sua natureza espiritual e em relativa harmonia com o globo terráqueo. a tomar o corpo ma- terial do homem terrestre. 152-168. se lhe assemelhasse na 2 Ver. revestir um corpo. . tal que aos homens desse a ilusão de ser um corpo humano. ns. sem ser de natureza idêntica à do dos habitantes da Terra. cumprindo-lhe. do 1º tomo. para aparecer entre os homens e desempenhar na Terra a sua missão superior. Tinha assim Jesus que revestir um corpo que. e 369-373. para explicações e desenvolvimentos a es- te respeito: Evangelhos de MATEUS. de acordo com as leis imutáveis da natureza. corpo de lama. mediante aplicações e apropria- ções delas. MARCOS e LUCAS reunidos. incompatível com a sua natureza espiritual. No entanto. pois que a vontade inalterável de Deus jamais as derroga.J.B.

vendo nele. preciso que. enquanto duras- se aquela missão. Daí a necessidade. notando quanto seus atos se distinguiam dos de todos os homens. admirá-lo e Segui-lo. durante a sua missão terrena. graças a essa conformidade. diante da sua vida pura. apenas aparente.B. Mais ainda: a fim de que. tocados pelas suas palavras. Preciso era que a sua filiação humana. por ser um homem como os demais. se en- chessem de espanto e admiração e fossem conduzidos a reconhecer nele um enviado de Deus e que o que ensinava também de Deus vinha. todos a conside- rassem real.J. a fim de que. quanto lhes ele era superior e fossem impelidos a amá-lo. sem mancha. aos olhos humanos. reconhecessem. de caridade e de amor. . ter ele tido um pai e uma mãe humanos. um de seus semelhan- tes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 101 forma. os homens se sentissem atraídos para ele. toda de de- votamento. pelos seus ensinos e exemplos. Jesus passasse. em suma. o motivo e o fim de acreditarem os homens. Era.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 102 A obra da missão terrena de Jesus-Cristo é que prepararia e efetuaria a transição des- tinada. pois o Altíssimo é Deus) e. os homens seriam prepara- dos e levados. Assim. a capa do misté- rio. todos provindos do mesmo princípio. aos tempos em que o espírito pudesse ser despojado da letra. todos irmãos entre si. a arrancar do es- pírito das massas o politeísmo antigo. a substituí-lo aí pelo conhecimento do filho e pelo conhecimento do pai. a crer. num Deus. cri- ador incriado. sob o véu da letra.B. mediante os esforços e as lutas do pensamento.J. Espíritos criados. por ele e nele não há senão criaturas. a preparar e levar a Humanidade. tendo tido no ponto inicial a mesma origem. fi- lhos de Deus (o que vem a dar no mesmo. sendo todos filhos do Altíssimo. de modo que dele. indivisível. conseguintemen- te. também. uno. . as interpretações e contradições humanas. mediante uma nova revela- ção feita pelo Espírito da Verdade. recebendo essa crença em toda a sua pure- za e em toda a sua verdade. o prestígio do milagre.

criam que Deus se comunica- 3 Ver: Êxodo. 1-32. no seio das massas populares. no meio dos homens. E era necessário ainda. vv. e alcançar esse objetivo. segundo a presciência e a sabedoria divinas. gerados os primeiros por virgens que a divindade fecundava. adaptar as revelações sucessivas e progressivas às crenças vulgares. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 103 Para efetuar essa transição. os Judeus.J.B. ao estado das inteligências. Em virtude dessa crença vulgar. do Cristo. mesmo de deuses. cap. aos preconceitos e tradi- ções. apropriar a tudo isso a obra da missão superior do Messias. necessário era. como atrás dissemos. con- quanto admitissem o monoteísmo que lhes fora imposto3. em face de tais revelações. Entre os Hebreus era vulgar. às aspira- ções e exigências da época e das gerações que se haviam de seguir. na existên- cia de filhos dos deuses. por eles trazida do exílio. a crença. XXXII. capitulo .

tendo-se em vista o progresso humano e as necessidades e aspirações da época. como explicaremos mais tarde. 1-35. em espírito e verdade. do Cris- to. Era. mas que ainda não fora compreendi- do. se tornou necessário. pelas massas ao tempo do aparecimento do Messias. vv. em face dessas crenças vulgares. obje- tivou destruir. entre o vulgo. a idéia da corporeidade de Deus. sempre segundo a presci- ência e a sabedoria infinitas de Deus. para os homens de então e para as gerações futu- ras. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 104 va diretamente com os homens sob o nome de — Espírito Santo. Assim é que. XXXIII. idéia que Jesus. proferindo estas palavras cujo sentido e alcance vos indicaremos: "Deus é Espírito". vv. 1-23. cap. na Terra. manifestando-se-lhes por um ato qualquer. XXXIV.J. .B. desses pre- conceitos e tradições e em face do monote- ísmo que Moisés e os profetas haviam im- posto.

porque concebido e gerado no seio de uma virgem por obra do Espírito Santo. mas como filho único do pai. igual. Essa deificação resultou naturalmente da obra de sua missão terrena.B. como parte destacada. de suas aparições às mulheres e aos discípu- los. divina. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 105 que no planeta surgisse um homem divino. conseguintemente. sem mancha. a ser dei- ficado pelos homens. de sua ascensão para as regiões eté- . do Deus uno. graças aos véus e imprecisões da letra das revelações hebraica e messiânica. da sublime apoteose que foram o sa- crifício do Gólgota. porque nascido de mulher. Nessas condições. da sua origem misterio- sa. que. ainda que inseparável. dos "milagres" que rea- lizou. um ser que fosse ao mesmo tempo homem e Deus: homem. era considerado o próprio Deus. portanto. a este. sua "morte" e o que os homens chamaram sua "ressurreição". filho de Deus. como dis- semos acima. milagrosa.J. pois que gerado pelo Espírito Santo. ficou ele destinado. Deus. da sua vida pura.

que surgiu como concebi- do e gerado por uma virgem. Aquela maternidade "milagrosa". em vez de uma maternidade e uma paternidade humanas. não po- dia deixar de ser o filho único do pai. desprendendo-se das teias do antigo politeísmo e esforçando-se por encer- rar a pluralidade na unidade. teu Deus.J. que dissera: "Eu sou o Eterno. tinha que ser conside- rada real pelos homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 106 reas. a Terra era a criação toda.B. não terás outros deuses diante de mim". único Deus com ele. Houve que ser assim e assim foi. o único lugar habitado pelas criaturas do Senhor. apenas aparente. como para os Cristãos. . o filho do Eterno. do único eterno. Daí a necessidade. a fim de que os homens fossem levados a depurar suas crenças. para os Hebreus. do Deus uno. Porque. tanto quanto a maternidade e a paternidade humanas. o motivo e o fim de uma maternidade "milagrosa" para o apare- cimento de Jesus. Não esqueçais que.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 107 Tais foram a necessidade. e foram. a tomar. o motivo e o fim de uma maternidade "milagrosa". como sendo uma parte destacada. porque concebido e gerado no seio de uma virgem por obra do Espírito Santo. às vistas dos ho- mens. como tomaram.B. sob a capa do mistério. porque gerado no seio de uma virgem por obra do Espírito Santo. tinham que ser induzidos. o tomas- sem pelo próprio Deus.J. para que o considerassem igual a Deus. Para que. o Messias. em face e por efeito da sua missão terrena e da dos apóstolos. também concor- reu o haverem tomado ao pé da letra e inter- . e filho de Deus. E os homens. pelos seus preconceitos e tradições. o Cristo. ainda que inseparável. considerado ho- mem como os outros. do Deus uno. influenciados pelas suas crenças vulgares. aquele filho de Deus pelo próprio Deus. para que na Terra surgisse. sob o império da letra. pelas contingên- cias e aspirações da época e dos tempos que se seguiram. porque nascido de mulher. sob o prestígio do milagre.

isoladamente. de modo preciso. filho de Deus. primeiro. uma origem hu- mana.J. tendo Maria por mãe e José por pai.B. acerca da sua natureza e da sua origem espirituais. só então. do modo por que se deram seu aparecimento e sua passagem pela Terra. tinha que ser considerado filho da Virgem Maria. como filho do Altís- simo. considerado um homem i- gual aos outros. para "aquele em quem todas as nações da terra serão benditas". Eis porque e com que fim a revelação hebraica anunciou. dizendo que ele sairia da posteridade . Jesus tinha que Ser e foi. durante a sua missão terrena. da natureza humana que lhe atribuíam. da sua natureza extra- humana. sendo ela virgem. Somente depois de cumprida aquela missão. certas palavras veladas do Mestre. fora do conjunto de todas as que ele proferiu. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 108 pretado segundo a letra. da sua posição espírita com relação a Deus e ao vosso planeta. por obra do Espírito Santo. como concebido e gerado no seio desta.

milagro- sa. que seria. divina. depois. Em virtude das interpretações que deram às profecias é que os Hebreus. no Messias. ao verificar- se o aparecimento de Jesus na Terra. um libertador material que havia de sair da raça de Abra- ão. um homem como eles. de um filho que "uma virgem con- ceberia e pariria e a quem dariam o nome de Emmanuel". no Cristo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 109 de Abraão. por influência e inspiração espí- rita. pois. falando "de um filho para a casa de David.J. acrescentando: "isto é. uma origem extra-humana.B. da casa de David. por intermédio dos profetas de Israel. sob a imprecisão e a obscuridade da letra. revelou. Deus conosco" (quod est interpretatum nobiscum Deus). à qual o Senhor mesmo daria um prodígio". espe- ravam. . mas vela- damente. palavra esta cujo verdadeiro sentido permaneceu velado e que o Evange- lista Mateus.

13—14. Eis. segundo a presciência e a sabedoria infinitas de Deus. sob o véu da letra.J. em condições e circunstâncias tais. que houvesse de ficar e ficasse secreta até de- pois de cumprida a missão terrena de Jesus. — MATEUS. e apropriadas à marcha progressiva da Humanidade pela estrada da verdade e da luz. aquela revelação pudesse e devesse ser por eles divulgada. para só se espalhar entre a multidão quan- do. dispostas. porque e para que. vv. I. a capa do misté- 4 ISAÍAS. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 110 4 um "filho de David". com oportunidade e proveito. Daí a necessidade. instruídos secretamente os apóstolos por Maria.B. 21— 23. VII. . vv. debaixo da inspiração dos Espíritos superiores que os assistiam e guiavam no desempenho da missão que lhes tocara. como condição do progresso hu- mano. o motivo e o fim da revelação que o anjo fez a Maria e a José. então.

para. a revelação hebraica. a revelação que o anjo fez a Maria e a José. Foi. desarraigar completamente o antigo politeísmo e fazê-lo desaparecer do seio das massas entre os povos civilizados. obra que os E- vangelhos. registaram. aos quais incumbe. como acima dissemos. o Cristo. a obra da missão terrena dos apóstolos e sobretudo do apóstolo Paulo. sua adolescência. sua puberdade. foram dadas aos homens: 1°) por inter- médio de Moisés e dos profetas de Israel.J. 49) finalmente. o Messias. pela ação dos séculos.B. 2°) como conseqüência dessa. precursores da Sua virilida- de. no vosso globo. para levar os homens a depurarem suas crenças. o prestígio do milagre. a obra da missão terrena de Jesus. se en- contram nos degraus inferiores. 3º) em face dessas du- as revelações. escritos sob a vigilância e a inspi- ração dos Espíritos superiores. que anunciou o advento do Messias e preparou as bases e os ele- mentos da sua missão superior. durante sua infân- cia. até aos vossos dias. impulsionar o progresso dos que. de- . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 111 rio. primeiramente.

os homens. por efeito do monoteísmo. Foi. só há criaturas. Espíritos criados. do pai. exceto ele. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 112 sembaraçando-se das teias do mesmo poli- teísmo e procurando. do filho. por ele e nele. de um lado. por conseguin- te. único Deus — o pai. todos oriundos do mesmo princípio.B. único eterno. sob o prestígio do milagre. do pai. de outro. pela concepção do Eterno. por efeito das idéias politeístas. fração. igual a este — portanto. das crenças vulgares sobre Deus e o Espírito Santo e. no ponto inicial. por esses meios e processos transitórios e preparatórios do advento do espírito. que dele. encerrar a plurali- dade na unidade. indivisível. ainda que inseparável. sob o império da letra. igual a este — também. depois. do Espírito Santo. sob a capa do mistério. sendo todos. ainda que inseparável. Deus. portanto. . igualmente fração. para que. é o criador incriado. a mesma origem. filhos do Altíssimo. fossem levados a saber e reconhecer que Deus é uno.J. Deus. tendo tido todos. que cria mas não fracionan- do a sua essência.

nem uma . irmãos entre si. a cuja formação presidiu. ainda. mine- ral. animal e humano.J. um Espírito de pu- reza perfeita e imaculada. filho único do pai relativamente a eles. Foi também para que chegassem a saber e reconhecer que o Messias. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 113 filhos de Deus. — que o filho. é um puro Espírito. é o fun- dador. Jesus-Cristo. o protetor. não é Deus. filho do Altíssimo. tivera. filho de Deus e irmão deles. o pai.B. para que viessem a saber e a reconhecer: — que não há mais do que um só Deus. é o único encarrega- do do desenvolvimento e do progresso de todas as criaturas do Senhor no planeta ter- reno. cuja perfeição se perde na profundeza da eternidade. origem idêntica à deles. o único encar- regado de conduzir a Humanidade à perfei- ção. no ponto inicial. que Jesus. o Cristo. o governador da Terra. Foi. vegetal. em todos os reinos da natureza. pois que proviera do mesmo princípio que eles. pela sua pureza e pelo seu poder. o criador incriado.

com relação a Deus e à Humanidade. quan- to à vida e à harmonia universais. nem igual a este. vosso protetor e go- vernador. da sua justiça. os quais recebem as inspirações divinas para as transmitir aos homens. executores de seus de- sígnios quanto ao progresso universal. no que respeita ao vosso planeta. bons Espíritos. da sua providência. — que. ministros ou agentes das vontades de Deus. que é o pai de tudo e de todos. nem uma fração. o . ainda que in- separável. ainda mais. Espíritos su- periores. nem igual a este. — que o Espírito Santo também não é Deus.J. Foi. para que os homens vi- essem a saber e reconhecer que Jesus. ainda que inseparável. vosso único doutor e único Mestre. sob a direção de Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 114 fração. trabalhan- do todos. o Espírito Santo é. como delegado e representante de Deus. segundo a ordem hierárquica da elevação espírita. de Deus. da sua bondade e da sua mi- sericórdia infinitas. de Deus. sob essa denominação simbólica. a falange sagrada dos Espíri- tos do Senhor: puros Espíritos.B.

J. corpo in- compatível com a sua natureza espiritual. formando segundo as leis que regem os mundos superiores. compatível com a sua natureza espiritual e relativamente har- mônico com a esfera terrestre. por isso que resultaram de . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 115 Messias. de acordo com as leis imutáveis de geração dos corpos e de reprodução na Terra. um corpo especial fluídico. por ser um puro Espírito. conseguintemente. revestiu. para que che- gassem a saber que a gravidez e o parto de Maria. os quais. revestir o corpo material do homem terreno. se reais houvessem sido.B. mediante a apropriação e a aplicação daquelas leis aos fluidos ambientes que no planeta terreno servem para a formação dos seres humanos que o habitam. foram a- penas aparentes. para fazer a sua aparição na Terra e aí desempenhar a sua missão superior. um Espírito de pureza perfeita e imaculada. teriam exigido o concurso dos dois sexos. apto a longa tangibi- lidade. o Cristo. não podendo nem deven- do. de acordo com as leis imutáveis da natu- reza. Foi.

da nova era do Cristianismo do Cristo. de uma obra do Espírito San- to. puramente espírita. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 116 uma operação. de uma obra. virá de novo à Terra depurada e transformada como seu soberano. Espírito da Verdade. a fim de . tendo a humanidade chegado aos limites da perfei- ção. apenas aparentes. isto é: dos Espíritos do Senhor. considerados reais por Ma- ria. visível às criaturas tam- bém depuradas e transformadas. Foi. da era espírita. ainda. que despontam. portanto. a seu turno. conforme também importava que sucedesse. para que pudessem vir a saber e compreender que a paternidade e a maternidade humanas de José e de Maria.B. mas rea- lizada em condições tais. do mesmo modo. Foi. finalmente. eram. como cumpria que sucedesse. mediante revelações sucessivas e progressivas do Espírito da Verdade. tidas pelos homens como reais enquanto durou a missão terrena de Jesus. Jesus-Cristo.J. pois. os le- vará aos tempos preditos em que. para trazer os homens aos dias. que. que aquela gravi- dez e aquele parto fossem.

do Espírito da Verdade. como já o haviam feito a revelação he- braica e a do anjo a Maria e a José. senão o que fossem capazes de su- portar. mas também atendia ao futuro pelo espírito que vivifica. visando os tempos por ele preditos e designados da revelação. pela letra. porém. aos homens da época e às gerações que se seguiriam até aos dias atuais. enunciando . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 117 lhes mostrar a verdade sem véu. aos moti- vos e aos fins que acabamos de assinalar e tendo em vista a obra de transição que cum- pria fosse aparelhada e executada. Jesus. cujos elementos e meios estabeleceu desde logo. então vindoura. que não podia dar. Dessa vez. atendia ele àquela época e preparava o futuro.B. Desse modo. cujas bases. virá em todo o seu fulgor espírita e será recebido com esta aclamação imensa e unânime: "Bendito o que vem em nome do Senhor! Bendito o rei que vem em nome do Senhor!" Obedecendo às necessidades.J. teve que velar e velou intencional- mente a sua natureza e a sua origem espíri- tas.

terminado o desem- penho dela. um homem-Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 118 proposições que se destinam a ser e são de fato a sanção prévia dessa revelação. ele teve que velar a sua linguagem. aos preconceitos e tradições que.J. quando entrou a desempenhá-la publicamente. su- cessivamente. atribuindo-lhe a divindade: homem. ao estado das inteligências da época. Foram essas crenças que fizeram dele. porque revestido do corpo material do homem da Terra. lhe haviam prepa- rado o advento. apropriando-a. porque nascido de mulher.B. assim como seus atos. um profeta. e Deus. para que sua missão fosse aceita e produzisse frutos. Para ser compreendido e sobretudo a- tendido. Teve que os apropriar tam- bém às aspirações dos homens e ainda. ao objetivo e às exigências das crenças que se desenvolveram durante e após o desempenho da sua missão terrena. um homem como os demais. depois. durante todo o tempo daquela missão. como os outros. mediante as profecias da lei antiga. como condição e meio transitórios de pro- gresso. .

único eterno — Deus. — igual. foi e será imortal desde e por toda a eternidade. de campo para os esforços e lutas do pensa- mento a se agitar nas trevas da letra. Assim é que fizeram do Deus uno um homem sujeito à morte como os que habitam a Terra. para os esforços e lutas das interpretações e con- . a Deus.J. Elas serviram. desde toda a eternidade. do Deus criador in- criado. que só ele possui. como meio transi- tório e preparatório do advento do espírito que vivifica. cuja necessi- dade. Assim é que fizeram o cor- po de um homem. que submeteram à vida e à morte. conter o infinito. imutável. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 119 porque filho de Deus. em substituição da letra que ma- ta. corpo finito. motivo e fim já deixamos indicados. tiveram sua razão de ser. portanto. o Eterno. infinito. circunscrito.B. Tais aspirações e crenças. que é. na marcha dos tempos. eterno. ainda que in- separável do Deus uno. a imortalidade. fração. em um corpo material e perecível como os deles próprios.

vem. ani- quilando o prestígio do milagre. trabalhadas pelos séculos e fazendo progre- dir as inteligências. Foram essas aspirações e crenças que.J. Advertindo-lhes que desconfiassem da letra.B. mostrará a luz e a verdade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 120 tradições humanas. glorificando o Mestre. cujos embates fizeram emergir das profundezas ocultas do espírito luminosas centelhas e prepararam o advento do espírito que vivifica. levantando o véu da letra. pelo Espí- rito da Verdade que desce até vós por von- tade do Pai. à era espírita que diante de vós se abre." (João. despojando da letra o es- pírito. e que. vos trouxeram à era no- va do Cristianismo do Cristo. VI. . as palavras que vos digo são espírito e vida. dizer-vos o que Jesus não podia dizer durante a sua missão terrena e. a carne de nada serve. ensinar-vos a verdade que agora es- tais aptos a receber. E a revelação espírita. tirando a capa ao mistério. v. disse o Cristo: "O Espírito é que vivifi- ca. predita e prometida.

até aos tempos precursores de sua virilidade. de ado- lescência. porque conduz à verdade. por inspiração mediúnica. III.B. o reinado da letra. registar essas palavras do divino modelo. porque conduz ao erro. Mas. transitório e pre- paratório do advento do espírito. de puberdade." (2° Epístola aos Coríntios. disse: "A letra mata e o espírito vivifica. porque a letra é que convém aos povos primitivos. do bem-amado Mestre. E o apóstolo Paulo. cap. à humanidade nas fases de infância. v. aplicando às interpre- tações humanas aquelas mesmas palavras. 6.) A interpretação segundo a letra é a mor- te.J. é e foi pre- viamente necessário. A interpretação segundo o espírito é a vida. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 121 64. dentro do quadro que lhe traçou a influência espírita. só convindo o espírito aos po- vos que hajam chegado a tal grau de desen- .) Foi precisamente o apóstolo João aquele a quem. coube.

a . pelos atos que praticou. por obra da sua missão terrena.J. pelos acontecimentos que formam os pontos cul- minantes do desempenho daquela missão. Jesus. aos povos. de acordo com as suas faculda- des e necessidades. em face e em conseqüência da revelação hebraica. que precisam receber o pão cotidiano da inteligência. Também por isso é que. sob o império e o véu da letra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 122 volvimento. uni- camente produz a dúvida ou a incredulidade. en- fim. aquelas palavras de Jesus e do apóstolo Paulo eram ditas para o futuro.B. que. tudo dispôs e apropriou. e da que o anjo fez a Maria e a José. que queiram compreender o que devem crer. desde então. e- ram palavras que só em séculos ainda muito distantes se haviam de cumprir. aos povos para os quais não mais basta a fé cega. visto lhe faltar a razão de ser. Por isso. do que resulta ficar sem alimento a crença. pelas palavras que proferiu. de maneira a servir à época de então e a preparar o futuro para a era cristã.

J. de uma revelação da revelação. de acordo com o estado das inteligências. chamar primeiramente a atenção dos homens e ser. Jesus proferiu palavras que. especialmente Paulo e Jo- ão. . as necessida- des e aspirações de cada época. inspi- rados pelos Espíritos do Senhor que os as- sistiam e guiavam no desempenho de suas missões. Os apóstolos. sob o império do espírito.B. em face dos atos que ele praticou e da obra da sua missão terrena. e de maneira também a deixar as bases. este na sua narrativa evangélica. caminharam pelas sendas que Jesus traçara. os preconceitos e as tradições. na sucessão dos tempos. que viesse despojar da letra o espírito para a era atual do Cristianismo do Cristo. os elementos. a fim de que o que tinha de ser dito e feito o fosse. a sanção prévia de uma nova revelação. em face da revelação hebraica e da revelação do anjo a Maria e a José. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 123 capa do mistério e o prestígio do milagre. tinham que. para a era espírita.

as que tivessem servido de base às crenças produzidas. destinadas a só despertarem a atenção dos homens. das quais eles próprios não compreendiam o sentido exato. para lhes procurarem o espírito. nem o moti- vo e o fim com que lhes foram inspiradas.B. dentre aquelas palavras. proferiram palavras destinadas tam- bém a fixar primeiramente a atenção dos homens e a ser tomadas segundo a letra e palavras outras. quando pudessem e devessem ser explica- das em espírito e verdade pela nova revela- . considera- das segundo a letra. seguindo os caminhos que Jesus tra- çara. pela infância da humanidade.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 124 como aquelas duas revelações. por uma nova revelação tornada neces- sária e que viria ao mesmo tempo corrigir os erros de todas as interpretações humanas a que houvessem dado lugar. Do mesmo modo. os apóstolos Paulo e João. Pronunciou igualmente palavras destinadas a só prenderem a aten- ção dos homens quando pudessem e de- vessem ser explicadas em espírito e verda- de. segundo a letra.

de elementos. consistia em preparar e abrir os caminhos à era cristã. serviram assim. Nenhuma das palavras de João. sob o império do espírito. da sua po- sição espírita com relação a Deus e ao pla- neta terreno. cada um nos limites da sua missão terrena. segundo as vontades do Senhor. do modo e das condições em que esse corpo se formou. como os outros. proferindo palavras cujo espírito. Aqueles dois apóstolos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 125 ção. à revelação da revelação. da natureza do corpo que ele tomou. A missão das apóstolos. sob o império da letra. no tempo e nas condições que a sábia previdência de Jesus dispusera. como era mister sucedesse. se conservava para eles velado pela letra e destinadas a servirem de base. especialmente a de Paulo.B. para sua aparição e . no meio. como nenhuma das de Paulo.J. acerca da natureza e da origem espirituais de Jesus. de meios e de sanção prévia à revelação futura. àquela época e prepararam o futuro.

em espírito e verdade. portanto. em espírito e verdade. Quanto às palavras de Jesus. de outro. estranhas a . ilu- minadas pela luz do espírito que vivifica. depois. aos Gentios. 14 e 18) precisam não ser isolados das palavras de Jesus regista- das pelos quatro evangelistas e das de Pau- lo dirigidas. Antes de vos explicarmos de maneira es- pecial. 2.J. deve ser rejeitada. o que disse o apósto- lo Paulo. proclamam a sua inferioridade com relação ao pai.B. aos Hebreus e. todas têm que ser entendidas e explicadas segundo o espírito que vivifica e. ex- cluem a divindade que os homens lhe atribu- íram. a natu- reza e a origem extra-humanas. 3. essas. os versículos de João. de um lado. vejamos primeiro o que o próprio Jesus disse e. 1. que ele declara ser o único Deus verdadeiro e do qual se diz servo e enviado. veladas pela letra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 126 passagem pela Terra. Ao contrário. Os versículos de João referentes a esses pontos (vv. mostram.

que ele declara ser o único Deus verdadeiro e do qual se diz servo e enviado. de Messias. . mostram. também veladas pela letra. constantemente em comuni- cação direta com o Pai. único encarregado de a levar à per- feição. Apreciemos primeiramente as que exclu- em a divindade que os homens lhe atribuí- ram e as que proclamam a sua inferioridade com relação ao Pai. Não somen- te nenhuma de suas palavras permite se afirme ou mesmo se pense tal coisa. ao contrário. sua posição espírita de Espírito fundador. Jesus nunca se disse Deus.J. que tra- zia. elas excluem a divindade que os homens lhe atribuíram. por ser ele o único encarregado do desenvolvimento e do pro- gresso desse planeta e da Humanidade que o habita. protetor e governador do planeta terreno. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 127 toda genealogia humana. que ele conservou quando apareceu na Terra a desempenhar entre os homens a missão superior. de Cristo.B. como.

sobrepujá- lo nos atos? Ao mancebo rico. que era bom por excelência. a explicação destas palavras segundo o espírito. em verdade voz digo: Aquele que crê em mim fará as obras que eu faço e fará outras ainda maiores. direito lhe assistia ao qualificativo de bom. vv. 16. ainda que inseparável. cuja bondade o colocava tão acima de todos os homens. Se o fosse. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 128 A seus discípulos disse: "Em verdade." (MATEUS. MARCOS. XIV. 17.) — Ele. XIX. pois que me vou para meu pai"5. quando no meio 5 Ver infra. X. v. ainda menos. LUCAS. conforme explicamos no comentário aos três primeiros Evangelhos.B. não é Deus. que lhe chama "bom Mestre". de Deus. Assim podia ser qualificado ele. como poderia o homem igualá-lo e. Se ele fosse Deus. pois. uma fração. 47 (cap. . v. responde com esta interpelação: "Porque me chamas bom? Bom só Deus o é. 12). XVIII. no n. v. 18-19.J.

196). sabia-o ele. n. os homens lhe haviam de atribuir. é o único eterno. tu amarás o Eterno. teu Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 129 destes. Israel: o Eterno. isto é: que não há SENÃO UM SÓ Deus. que lhe pergunta qual o pri- meiro de todos os mandamentos. Esse é o primeiro mandamento.J.6 Ao escriba. . daquela forma. com todas as tuas forças. Vendo Jesus que era criteriosa a obser- vação do escriba. pág. indireta e velada- mente. MARCOS e LUCAS reunidos (3º vol. teve em mente protestar.. 239. disse: "Não estás longe do 6 Ver: Evangelhos de MATEUS. o que disseste é muito verdade. de todo o teu coração. TEU Deus. pois. responde: "O primeiro de todos os mandamentos é es- te: "Escuta." A essa resposta faz o escriba a seguinte observação: "Mestre.B. de todo o teu espírito. que não há outro além dele". de toda a tua alma. contra a divindade que. Respondendo.

28-29. lhe declara- ram: "Queremos apedrejar-te por causa da 7 Ver 3º vol. 32-34.B. proclama que nenhum outro há além desse. vv. a divindade que.. Por essa for- ma. n.) Citando desse modo o Deuteronômio (cap. tendo ouvido dele es- tas palavras: "Meu pai e eu somos um" e. em nome do monoteísmo hebraico. .J. preparando-se para lapidá-lo. o único eterno. Quando os Judeus. 284. 4-5) e sancionando com a sua aprovação a observação do escriba. XII. como já explicamos no comentário aos três primeiros Evangelhos7. proscreve. 261. vv. sabia lhe viria a ser atribuída pelos homens. VI. por ser o único Deus verdadeiro." (MARCOS. de antemão. o único Deus dos Hebreus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 130 reino de Deus. que é o Deus uno. proclama que o Deus de Israel é o eterno. Jesus. pág. com a presciência que tinha do futuro.

Jesus prepara a transição que se havia de operar sob o véu da letra. e deixando inten- cionalmente obscura uma parte da citação. v. de Deus. se bem que in- separável.B. 31-36. e cuja necessida- de. tu te fazes passar por Deus". Jesus lhes res- ponde: "Não está escrito na vossa lei isto: "Eu disse — Sois deuses?" Ora.) Dizendo isso. como dizeis que blasfemo por ha- ver dito que sou filho de Deus. vv. motivo e fim há pouco explicamos. se ela cha- ma deuses àqueles a quem a palavra de Deus é dirigida e se a Escritura não pode ser anulada.J. citando as palavras do pro- feta do Salmo LXXXI. sob o império da letra. sendo homem. e ao mesmo tempo proscreve. 6. X. para fazer dele uma fração. infirmando des- de logo o sentido que. eu a quem meu pai santificou e enviou ao mundo?" (JOÃO. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 131 tua blasfêmia. a capa do misté- rio. para servir de base àquela divindade. para fazê-lo igual a es- . de antemão. a di- vindade que lhe atribuiriam. PORQUE. seria dado a esta expressão — filho de Deus. o prestígio do milagre.

pois. uno e indivisí- vel. Dessa maneira. porquanto o Altís- simo é Deus. citando o Salmo LXXXI que é "Escritura que não pode ser anulada". julga os deuses". como impor- tava que o fizesse. deus. como todos os ho- mens.J. que o acusavam de blasfemo. sentado no meio deles. Jesus proclama que. reza: "Deus tomou parte na assembléia dos deuses e. o Eterno. o Deus dos deuses"). ele é filho do Altíssimo. o Salmo LXXXI vv. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 132 te. o único eterno. ao único Deus verdadeiro. Ainda mais: repele e condena desde logo o sentido que ao que ele acaba de di- zer: "Meu pai e eu somos um". por serem filhos do Altíssi- mo. porquanto. Fulmina assim. co- mo todos o são. fazer-se igual ao Deus de Isra- el. a acusação que lhe lan- çavam de querer fazer-se Deus. como os Judeus. dão os Ju- .B. como sabeis. que é. embora velando seu pensamento com as palavras. e: "Eu disse: Sois deuses e todos sois filhos do Altíssimo (filhos de Deus. filho de Deus. 1 e 6. do Deus dos deuses. Do mesmo passo confirmava e salientava o que havia dito ao escriba.

mas sem fracionar a sua essência. pai dos homens. Finalmente. isto é. daqueles a quem a palavra divina é dirigida. quer no sentido politeísta. que o Eterno. o Deus uno. Jesus proclama que. indivisível. tivera no seu ponto inicial a mesma origem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 133 deus. ele se faz passar por Deus. em espí- rito e verdade. pretendendo que. como Espírito criado que. oriundo. que é filho do Altís- simo. que cria. dos homens irmãos dele. conforme ele o disse e daqui a pouco lembraremos. o Deus de Israel. que é seu Deus e Deus dos homens. citando aquele Salmo. Em Suma. Jesus proclama que ele é deus como os homens são deuses. segundo o espírito despojado da letra. do mesmo princípio.B. com o dizer isso. é irmão dos homens. citando o Salmo. filho de Deus. do ponto de vista . semelhantemente a to- dos.J. como todos o são. do Deus dos deuses. santificou e enviou ao mundo. que é seu pai e.

igualmente. v. filhos de Deus. todos oriundos. no momento em que vai en- 8 Ver adiante. X. aqui em seguida. visto que todos são deuses.) Após a Ceia. criaturas. que lá é que me verão. vv. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 134 transitório dos Hebreus. 17. 10. filhos do Deus dos deuses. vv. Espíritos cria- dos. a explicação destas palavras de Jesus e do Salmo LXXXI. diz-lhes: "Ide dizer a meus irmãos que vão à Galiléia. Je- sus lhe ordena: "Vai ter com meus irmãos e dize-lhes de minha parte que: subo a MEU pai E VOSSO pai. v. 1 e 6. do Criador incriado. como filhos do Altíssimo.B. a MEU Deus E VOSSO Deus. no n. 1 e 2 do cap. 31-36). XXVIII. quer em espírito e verdade8." (MATEUS. 35 (JOÃO.) Quando aparece a Maria Madalena e às outras mulheres." (JOÃO. e. XX. Quando aparece a Maria Madalena.J. na explicação dos vv. . 1.

Jesus-Cristo proclamou a sua inferioridade com relação ao Pai e. 28. bem como o sentido. das palavras do profeta (Salmo LXXXI. XVII. v. uma parte. solenemente conde- na a divindade que as interpretações huma- nas lhe haviam de atribuir e confirma tudo quanto dissera antes contra essa divindade." (JOÃO. procla- mando a sua inferioridade. 1- 6).) Proclamando que o pai é o único Deus verdadeiro. ó meu pai. indivisível. que tu enviaste. e em conhecer a Jesus- Cristo. ainda que inseparável. declaran- do: "A vida eterna. 3. uma fração. repeliu e conde- nou de antemão a divindade que os homens lhe atribuiriam. que és o único Deus VERDADEIRO. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 135 tregar-se aos homens. que cria mas sem o fracionamento da sua essência. de . vv. em espírito e verdade. Ele disse: "Meu pai é maior do que eu. a existência de um Deus uno. o monoteísmo hebraico.J. v." (JOÃO. XIV.) Se ele fosse Deus.B. consiste em te conhecer a ti.

pela sua elevação espiritual e pelo seu poder sobre o planeta terreno.B.J. como os homens. vv. que são seus irmãos. É filho do Altíssimo. se ele fosse Deus. III. em comum com o Pai. de Deus.) É filho único de Deus (JOÃO. 1-6. X. 40. com relação à vossa humanidade. A Tiago e a João. v. neces- sariamente lhe caberia. igual a Deus. conceder a Tiago e a João o direito de . igual a Deus. que é também o DEUS dos homens. X. isso só é dado àquele para quem meu pai o preparou. pela sua pureza. parte. que é igualmente o PAI dos ho- mens. diante dos outros discípulos: "Pelo que respeita a vos assentardes à minha di- reita ou à minha esquerda. quanto o SEU DEUS. v. 36 e Salmo LXXXI. ainda que inseparável. filho de Deus. (JOÃO. 18). NÃO ESTÁ em mim vo-lo conceder. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 136 Deus. dis- se ele. seria tão grande quanto seu pai.) Ora. filhos de Zebedeu." (MARCOS. v.

Je- sus-Cristo proclama a supremacia de Deus sobre todo e qualquer Espírito criado. só o pai o sabe. Jesus-Cristo. v. ele saberia tanto como Deus. NINGUÉM o SABE.) Se o filho. senão somente Deus. XXIV." (MATEUS.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 137 se sentarem à sua direita ou à sua esquerda.) — Quanto a esse dia e a essa hora. NEM os anjos que estão no céu. de Deus. 36. SENÃO SOMENTE meu pai. fosse Deus. por mais elevado que este seja. de lhes preparar essa situação. disse: "Quanto a esse dia e a essa hora nin- guém os conhece. A seus discípulos." (MARCOS. NEM MESMO os anjos do céu. falando-lhes do fim do mundo. precisamente por não ser Deus. Mas. 32. fra- ção. v. XIII. NEM o filho.B. Também disse: "Minha doutrina NÃO É . sabe quan- do um Espírito é bastante puro para "se sen- tar à direita ou à esquerda do seu enviado". e proclama que ninguém. ainda que inseparável. igual a Deus.

em conseqüência de ser idêntica a criação de todos. portanto. v. nada lhe poderia ter sido en- sinado por aquele que o enviara. VIII.) Se Jesus-Cristo fosse Deus. dizendo: ." (JOÃO. igual a Deus. pois que era Deus.B. irmão dos ho- mens. VIII. como estes. como Espírito criado. em virtude daquela inseparabilidade. como Deus que era.J. é que pro- clamou a sua inferioridade como servo e en- viado de Deus.) — "Não digo no mundo senão o que ele me ensinou. VII. v.) — "NÃO DIGO SENÃO o que meu pai me en- sinou. de Deus. tendo Deus por pai. sendo Deus." (JOÃO. seu Deus e o Deus deles. uma vez que. seu pai e pai deles. 26. 16. precisamente porque não é Deus e sim. 28. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 138 minha. a- inda que inseparável. É daquele que me enviou. parcela. dada essa inseparabilidade. a doutrina daquele que o enviou seria. Mas. v. ele tudo devia saber de toda a eternidade. também sua e ele nada teria tido que aprender de Deus." (JOÃO.

em sentido material. quer das que vamos citar.) — "Sei que seu mandamento é a vida eterna." (JOÃO. X. segundo a letra. 49. é quem. v. quer das que já citamos. pois. consi- deradas. digo-o con- formemente ao que meu pai me ordenou. por SEU MANDAMENTO. me prescreveu o que devo dizer e como devo falar." — (JOÃO. v. v. XII. também toma- das ao pé da letra. tomadas ao pé da letra. 30). o que. di- zendo-as. que me enviou. 50.) Estas palavras. de Jesus-Cristo: "Meu pai e eu somos um" (Jo- ão. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 139 "Meu pai. tinha Jesus em mente inculcar-se como sendo Deus.B. é que serviram de fundamento às interpretações humanas por efeito das quais lhe foi atribuída a divindade. em sentido mate- rial.J. é que serviram aos Judeus de base para a acusação de blasfemo feita a Jesus. puramente figuradas. Criam eles que. consideradas. XII. atribuir a si próprio a di- . isoladas de todas as que ele pronuncia- ra. eu digo. Essas mesmas palavras. segundo a letra.

B. pelas falsas interpretações humanas segundo a letra destas expressões "filho de Deus" e "meu pai". para exprimir a unidade de pensamento que existia. de antemão. entre Deus e o Cristo. figuradamente. compreendida em espírito e verdade. Mas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 140 vindade. tendo em vista a tran- sição que cumpria fosse aparelhada e exe- cutada. que existi- ria entre os discípulos e os outros homens. como acabamos de vos explicar. isto é: entre os discípulos e os Espíritos superiores que des- . conforme ia em breve estabelecer-se entre os discípulos e o Consolador. combinada com o texto integral do Salmo LXXXI. repe- le e condena. o Espírito San- to. é exatamente que. Aquelas palavras: "Meu pai e eu somos um". a divindade que lhe havia de ser e foi atribuída pelos ho- mens. a resposta que ele deu aos Judeus. o Espírito da Verdade. imprecisa e velada de propósito. 1-6. repetimos. vv.J. foram ditas. pela pureza e pelo amor. pela afinidade fluídica.

— Não vos dei- 9 Ver adiante a explicação. o Espírito da Verdade. Após a Ceia. disse a seus discípulos 9: "Pedirei a meu pai e ele vos dará outro con- solador que fique eternamente convosco. e XVII.B. que o mundo não pode receber. 20-23 e vv. estabelecendo-se assim. 16. por intermédio desses Espíritos superiores. vv. É o que ressalta evidente do confron- to daquelas palavras com as que o Mestre proferiu a esse respeito (João. porque ele fícará convosco e estará em vós. a mesma uni- dade de pensamento entre os discípulos e Jesus. 2 e 3). 11. a fim de os inspirar e guiar no desempenho de suas missões terrenas. XIV. porém. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 141 ceriam até eles. em espírito e verdade. das palavras destes versículos. vós. . o conhecereis. as quais são formalmente condenatórias da divindade que os homens lhe atribuíram. 17 e 20. como ides ver. porque não o vê e não o conhece.J. vv. 1.

16-17. a fim de fique todos sejam um. como NÓS. como nós somos um. a fim de que eles sejam consumados NA UNIDADE e o mundo conheça que me envi- aste e que os amaste como me tens ama- do. virei a vós. 18-20. guarda em teu nome aqueles que me deste." — "Meu pai. a fim de que teu filho te glorifique. para que o mundo creia que me enviaste. glorifica a teu filho. nesse dia. XIV. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 142 xarei órfãos.B. a hora é chegada. eles sejam do mesmo modo um em nós." (JOÃO. . vv. assim como lhe deste poder sobre todos os homens.J. a fim de que sejam um.) A seu pai dirige estas palavras: "Pai san- to. conhece- reis que EU ESTOU em meu pai E VÓS em mim E EU em vós. pai." — "Estou neles e tu em mim." — "Dei-lhes a glória que me deste. assim como tu estás em mim e eu em ti. mas tam- bém pelos que hão de crer em mim pelas suas palavras. para que ele dê a vida eterna a to- dos os que lhe deste. a fim de que. Não peço por eles somente. a fim de que eles sejam UM.

11. mostram que ambas eram extra- humanas. da virgem Maria. a vida eterna é conhecer-te a ti que és o único Deus verdadeiro e conhecer a Jesus-Cristo que tu enviaste. depois de concluída aquela missão. motivo e fim deixamos apontados. como cumpria que fos- sem. XVII." (JOÃO. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 143 Ora. 20-23 e vv. como os homens acreditaram. estranhas a toda e qualquer materni- dade milagrosa.J. a bem do pre- paro da transição. veladas pela letra. "Que pensais do Cristo? De quem é ele filho?" perguntou Jesus aos Fariseus e estes . conforme já explicamos. ao mesmo tempo humana e extra-humana.B. 2 e 3. das quais o julga- ram fruto enquanto durou a sua missão ter- rena. ao modo por que um e outra se deram. colocam a sua natureza e a sua origem fora da humanida- de. vv. estranhas à maternidade de Maria e à paternidade de José.) Com relação ao seu aparecimento e à sua passagem pela Terra. cuja necessidade. as palavras de Jesus.

vv.. vv. 41-44. XXII. 295 e 296. MARCOS. respondeu Jesus: "Em verdade. que ele a- 10 Ver a explicação." Diante dessa res- posta. n. Como é o Cristo seu filho. das palavras destes versículos. se ele o chama seu Se- nhor? Desde que ele o chama seu Senhor. pág. 41-45. em verdade vos digo: EU Sou. XII. 57-58. pelo Espírito Santo. 35-37.) .B.) Dirigindo-se a Deus. em espírito e verdade. vv." (JOÃO. 264. antes que Abraão fosse. LUCAS. vv. seu pai. David disse. no Livro dos Salmos: "O Senhor disse a meu Senhor: Senta-te à mi- nha direita até que eu tenha reduzido teus inimigos a te servirem de escabelo. VIII. no comentário sobre os três primeiros Evangelhos. como pode o Cristo ser seu filho?" (MATEUS. (3º vol.J. ele lhes observou: "Ora. XX. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 144 responderam: "De David.) 10 Aos Judeus que lhe observaram: "Ainda não tens cinqüenta anos e dizes que viste Abraão".

porém. mas para fazer a vontade daquele que me enviou. aquele que me segue não caminha nas trevas. 23 e 46. terá. (JOÃO. 38. não sou deste mundo." — Aos Judeus que. v. eu sou do alto.J." (JOÃO. vv.) — "E agora glorifica-me tu." — "Quem me convencerá de pecado?" (JOÃO. diz: "Tu me amaste antes da constituição do mundo. sois deste mundo. ao contrário. não sabeis donde venho nem para on- de vou. Ao que ele retrucou: "SEI donde venho e para onde vou. po- rém. XVII.) — "DESCI DO CÉU. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 145 caba de declarar ser o único Deus verdadei- ro. mas. VIII. 5. VI. a luz da vida"." (JOÃO.B. EU. v. pai. quando ele dis- se: "Não podeis vir onde eu vou". NÃO para fazer a minha vontade. XVII. declara- vam: "Quer dizer que se suicidará". vós. em ti mesmo com a gló- ria que tive em ti antes que o mundo fosse. v. 24. obser- vou: "Vós sois deste mundo.) .) Tendo dito ao povo: "Sou a luz do mun- do. os Fariseus o acusavam de dar um testemunho que não era verdadeiro.

ele estava sempre no céu. morte aparente. debaixo daquele peris- pírito tangível. à sua morte no Gólgota.) Aludindo ao seu aparecimento na Terra e à sua passagem por este planeta." (JO- ÃO. com a aparência do corpo humano. . às suas aparições às mulheres e aos discípulos. X. disse ele: "Deixo a vida para a retomar. aludindo à sua ressurrei- ção. v.) A seus discípulos. ninguém ma tira. a saber: o filho do ho- mem. consideraram real. que está11 no céu. disse- lhe: "Ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu. este MANDAMENTO RECEBI de meu pai. mas que os homens.B. sou eu que a dei- xo por mim mesmo: tenho o poder de a dei- xar e tenho o poder de a retomar. 13. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 146 No seu colóquio com Nicodemos. vv." (JOÃO.J. III. 17-18. como era mister sucedesse. quando entre si mur- muravam por haver ele dito aos Judeus: 11 Sendo sempre Espírito.

como seu governador e pro- tetor. inspirado pelos Es- píritos superiores que o assistiam e guiavam no desempenho da sua missão. e de Jesus.B. plenos poderes. no céu e na terra. apontando-o como Espírito fundador.) Palavras de Jesus e de João. que não a sofria. na qualidade de representante e delegado de Deus. protetor e governador do mundo terrestre. ao planeta que habitais e à humanidade terrena. e pa- ra proclamar a supremacia deste sobre o vosso planeta. João. sobre todos os Espíritos que nesta encarnam: Falando de si. tendo. VI. 62. v. pergunta: "Que será então se virdes o filho do homem subir para onde antes estava?" (JOÃO. também veladas umas e outras inten- cionalmente pela letra. o Precursor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 147 "Desci do céu". o Precur- sor. a cuja formação presidiu.J. diz àqueles de seus discípulos que haviam discutido com os Judeus: "Aquele que veio do alto está . que sofria a encarnação humana. que mostram a posi- ção espírita do primeiro com relação a Deus.

Aquele que veio do céu está acima de todos. não é Deus. 34 e 35. como ministro de Deus. sois deste mundo.J. VIII. porquanto nenhum ho- mem jamais viu a Deus. mas por ser fun- dador da Terra. não porque seja Deus. — Aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus." (JOÃO. mas. materializando-as.) Também. (JOÃO. e não em 12 Ele. (JO- ÃO. porém. quanto a mim. quem és tu?" Ao que ele res- pondeu: "Princípio. aquele que é da terra é da terra e da terra fala.) Assim.B. . eu. 23 e 25. v. 18. não sou deste mundo". respondendo aos Judeus que. I. III. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 148 acima de todos. eu que vos falo" 12. pois que Deus não lhe dá o Espírito por medida. vv. — O pai ama o filho e tudo lhe pôs nas mãos. vv. por tomarem estas palavras — "meu pai" — segundo a letra. 31. pois. os Judeus lhe pergunta- ram: "Então.) Tendo dito aos Judeus: "Quanto a vós. sou do alto. ele é o princípio. sois deste mundo.

a sua entidade são distintas do pai e inferiores ao pai. Porque o pai ama o filho e lhe mostra tudo o que faz e obras ainda maiores do que estas lhe mos- trará. ensinado por Deus. senão apenas o que vir o pai fazer. contra a acu- sação. como era necessário que o fizesse. como parte destacada de Deus. vv. mostrado e. tendo em vista a transição que cumpria fosse. pois." (JOÃO. o acusavam de se fazer igual a Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 149 espírito e verdade. mas que tudo faz no desempenho de um ministério. se assim é com relação ao que tem .) Protestando dessa forma. embora inseparável deste. que lhe lançavam. 19-20. declaran- do que nada faz como poder criador. que vos maravilharão. pois que este só a Deus pertence. sob o véu da letra. E. Jesus proclama que a sua personalidade.B.J. V. conseguintemente. o que. o fizer o filho semelhantemente o faz. aparelhada e executada. diz: "Em verdade vos digo que o filho nada pode fazer de si mesmo. Quer isso dizer que o que faz lhe é inspirado. de querer igualar- se a Deus.

tendo recebi- do de Deus todo o poder sobre os homens.) A seus discípulos diz: "Meu pai tudo me pôs nas mãos". XI. XVII. 2-3. v. ele. vv. (JOÃO. (Mateus. para que ele dê a vida eterna. indivisível. a transição. não é Deus e sim Es- pírito criado por Deus e Espírito protetor e governador do planeta terreno. Ora. Designando a Deus por seu pai e ao mesmo tempo designando-se. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 150 feito. Jesus. referindo-se a si próprio como filho de Deus: "Assim como lhe deste poder sobre todos os homens. assim será com relação às obras ainda maiores que fará. mas sem fracionar a sua essência. diz. que. a . a vida eterna é conhecer-te a ti que és o único Deus verda- deiro e conhecer a Jesus-Cristo que tu envi- aste". como filho.J. tudo em obediência à necessidade de aparelhar e executar. em espírito e ver- dade: que Deus é uno. único que cria. 27. por "teu filho". a todos os que lhe deste. quando de si fala dirigindo-se a Deus. sob o véu da letra.B.) Desse modo proclama.

que foi e é entre estes um enviado de Deus e que aquele po- der lhe foi dado com esse objetivo. (Mateus.) . para dar testemunho da verdade. — é que dis- se também a seus discípulos: "Vós me cha- mais mestre e senhor e dizeis bem. porque eu o sou". (João. (João. voltando à natureza espiri- tual que lhe era própria: "Todo poder me foi dado no céu e na terra". terminada a sua missão terrena.B. XXVIII.) "Sou o cami- nho. 13. 18). v. (João. ia elevar-se. v. quando. 37).J. — é que diz a seus discípulos por ocasião da sua chamada ascensão. a verdade. a vida. v. XVIII. XIII. sou rei. v. ninguém vem ao pai senão por mim". Todo aquele que é da verdade escuta a mi- nha voz". XIV. para as regiões etéreas. 6. diante deles. com esse fim. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 151 fim de os levar à perfeição. Sempre dentro da mesma ordem de idéi- as é que responde a Pilatos: "Tu o dizes. isto é: sobre todos os Espíritos encarnados e errantes do vosso mundo. Para isto nasci e para isto vim ao mundo.

é o que DESCE DO CÉU e dá vida ao mundo. terá.) "Eu sou o pão vivo que desci do céu.) Depois de haver dito (MATEUS. VI. 46. vim ao mundo. o mostram em relação direta com o pai.B. v." (JOÃO. porque faço o que é do seu agrado." (JOÃO. a fim de que todo aquele que em mim crê não permaneça nas trevas. VIII. 12. XII. como sendo o único encarregado do desenvolvimento e do progresso do vos- so planeta e de vos conduzir à perfeição. v. que sou a luz. v.) — "Eu. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 152 Palavras de Jesus que. 27): "Meu pai tudo me pôs nas mãos". aquele que me se- gue não anda em trevas. nem ninguém conhece o pai senão o .) — "O pão de Deus. dis- se ele falando de si.J. XI. a- crescenta: "E ninguém conhece o filho senão o pai. v. 33. a luz da vida. VIII. "Aquele que me enviou ESTÁ comigo e não me deixa só. vv.) — "Sou a luz do mundo. 29. sempre sob o véu da letra. v.) "Eu sou o pão de vida. ao contrário. 41 e 51. v. VI." (JO- ÃO." (JOÃO." (JOÃO. 48. VI." (JOÃO.

exclama: "Meu pai. que só por essa revelação os homens adquiririam esse co- nhecimento e que só ele. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 153 filho e aquele a quem o filho o tenha querido revelar".J. "o filho". glorifica a teu filho. assim como lhe deste poder sobre todos os homens. que ele dê a vida eterna a todos os que lhe deste. tendo dito também: "A vida eterna é conhecer-te a ti que és o ÚNICO DEUS VERDADEIRO e conhecer a Jesus-Cristo que tu enviaste. quem é o "Filho". podia e havia de dar aos homens o conhecimento integral de Deus.) Mostrando assim que. ao chegar o momento em que ia en- tregar-se aos homens. para que se consu- masse o sacrifício do gólgota.B. a vida eterna é conhe- cer-te a ti que és o ÚNICO DEUS VERDADEIRO e conhecer a Jesus-Cristo . 3. Ora." (JOÃO. Jesus. Deus daria a conhecer. v. isto é: de lhes mostrar a verdade sem véu. de os levar à perfeição. é chegada a hora. pela revelação es- pírita. XVII. em espírito e verdade. a fim de que teu filho te glorifique.

em espírito e verda- de. XVII. XVII. VI." (JOÃO.) . que foste tu que me des- te. 26. vv. dessas palavras vela- das e figuradas que." "Eu estou neles e tu estás em mim. 1-2-3. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 154 que tu enviaste.J. 22.B. devem ser entendidas segundo o espírito que vivifica e que são espírito e vida.) — "Quero que onde eu estou estejam comigo aqueles que tu me deste — (e os que hão de crer em mim pela palavra deles) — para ve- rem a minha glória. (JOÃO. 64. porque me amaste antes da criação do mundo. vv. a fim de que sejam um como tu. meu pai (que és o único deus verdadeiro) és em mim e eu em ti. desses diversos versículos.) 13 13 Ver adiante a explicação. 24. como o disse Jesus. para que eles sejam consu- mados na unidade e para que o mundo co- nheça que tu me enviaste e que os amaste como me amaste a mim. v." — "Eu lhes fiz conhecer o teu nome e ainda o farei. para que também eles sejam um em nós. 21. — A fim de que sejam um como nós somos um." (João.

pela da revelação do anjo a Maria e a José e pela das palavras do mestre. de outro lado.B. de um lado. e que se ia efetuar. o prestígio do milagre. de acordo com a presciência e a sabedoria infinitas de Deus. como para todos os outros.J. pela letra da re- velação hebraica. e o disse de maneira que. preparasse e realizasse a transição. e. Paulo disse tudo quanto de- via dizer. Por inspiração dos Espíritos superiores que o assistiam e guiavam no desempenho da sua missão. pela era cristã sob o império e o véu da letra. cuja necessidade. coisas todas essas veladas para aquele apóstolo. a capa do mistério. a fim de que o que tinha de ser se verificasse. da sua posição espírita com relação a deus e ao vosso planeta. da natureza do corpo que ele revestiu para aparecer na terra e desempenhar a sua missão terrena. estabelecesse as . como se fazia mister. servisse àquela época. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 155 Vejamos agora as palavras de Paulo a- cerca da natureza e origem espirituais de Jesus. motivo e fim já vos explicamos.

havia de progressivamente expli- car. . porque aos homens só é dado aquilo que podem suportar e porque só a revelação predita e prometida do Espírito da Verdade deveria. segundo o espírito que vivifica. os elementos e os meios da revela- ção então futura e que. pelo Espírito da Verdade. Paulo ignorava e tinha que ignorar a natureza e a origem espirituais de Jesus. sua posição es- pírita com relação a Deus e ao vosso planeta e a natureza do corpo que revestira para fazer seu aparecimento e sua passagem pela Terra. quando eles se houvessem tornado capazes de a receber. sob a capa do mistério. dar a conhecer o que era secreto. sob o prestígio do milagre. pôr a descoberto o que estava oculto. nos tempos preditos por Jesus.B. tudo o que estivesse oculto e mantido sob o véu da letra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 156 bases.J. Tinha Paulo que ignorar tudo is- so. iniciando-os nos segredos de além- túmulo. Dentro dos limites em que lhe cumpria desempenhar a sua missão terrena.

a ver em Jesus-Cristo um ho- mem tal como os do planeta terrestre. Jesus era um ente excepcional. sob o prestígio do milagre. com o caminhar dos tempos. é que haviam de levar os homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 157 Para aquele apóstolo. em- bora inseparável dele. encarnado no seio de Maria virgem. igual a Deus. as tradições. se desenvolveram. durante e após o desempenho da missão terrena do Mestre. Mas. quan- to ao invólucro corporal. e um Deus. preciso era que se preparassem as . uma parte destacada de Deus. como filho de Deus. uma origem e uma na- tureza. sob o véu da letra. como para todos os outros discípulos e para a multidão. a letra da revelação hebraica e da do anjo a Maria e a José. tendo que ser transitórias essas crenças. As crenças que. sob a capa do mistério. em face e por efeito da obra daquela missão. de acordo com o estado das inteligências. as necessidades e aspirações da época.B. divinas. que a inteligência humana não sabia definir. ao mesmo tempo. que tinha. segundo os pre- conceitos.J. humanas e extra- humanas.

com o fito do progres- so humano. . Jesus era "filho de David". a necessidade. co- mo preparação. o motivo e o fim da obra da missão terrena de Jesus-Cristo e da obra da missão dos apóstolos. mas necessário.B.J. o que sempre se verifica. sob o véu da letra. despojado da letra o espírito. o motivo e o fim de ambas. desde longos séculos. segundo o espírito que vivifica. semelhantemente à reve- lação do anjo a Maria e a José. a dupla revelação hebraica e messiânica. quer relativamente ao que havia de ao mesmo tempo conter as bases. Estando tudo então preparado e previsto. destinada a explicar. os elementos e os meios das revelações progressivas que se seguiriam. quer relativamente ao que havia de ser transitório e circunstan- cial. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 158 bases e os elementos da futura revelação do Espírito da Verdade. sob o império do espírito. tinha. segundo a letra da revela- ção hebraica que. como condição e meio de reali- zação desse progresso. seu sentido oposto. assim como a necessidade.

) — "Que é o homem. pois. como vós.J. que.B. sujeito. consu- . — Porque. o coroou de glória e de honra. à morte. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 159 Essa origem e essa natureza humanas de Jesus. 4 e 5). para quem e por quem todas as coisas são. "segundo a carne. provindo dos patriarcas. VIII. IX. pais dos Israelitas" (Epístola aos Romanos. portanto. e que é o filho do homem. pois que (Deus) se lembra dele. "morto" pelos pecados dos homens e "ressuscitado". eis como o apóstolo Paulo as pro- clama: Dá-o como. (1º Epístola aos Coríntios. tendo o mesmo Deus querido que ele por todos morresse. XV. vv. como "pro- vindo. 34. da vossa humanidade". bem digno era de Deus. Epísto- la aos Romanos. pois que o visita? — Deus o tornou um pouco menor do que os anjos. 3. que- rendo conduzir à glória muitos filhos. 13-16. v. por causa da "morte" que sofres. vv.

igual a Deus. II. a se aperfeiçoar pelo sofrimento e feito um pouco inferior aos anjos!. 9-10." (Epistola aos Hebreus. em tudo. a reco- nhecerem mais tarde que Jesus não era NEM homem do planeta terreno. pela letra. tendo-se em vista o progresso humano. seme- lhante a seus irmãos. NEM DEUS. a preparar e conduzir os homens. 6-7.B. . mortal. destinado a se consumar. Pa- lavras são estas ditas para aquele momento. palavras necessárias. transitó- rias. vv. embora inseparável dele. não o libertador dos anjos.) — "Ele se tornou. necessárias então a uma humanidade que se achava na infância. mas o libertador da raça de Abraão. a homens materiais. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 160 14 masse. que não podiam compreender outros sofrimentos que não os sofrimentos físicos. sujeito à morte humana.. pondo-as debaixo de seus pés. como parte destacada deste. Eis por- que importava que fosse. aperfeiçoasse pelo sofrimento a- quele que havia de ser o chefe e o autor da salvação deles e ao qual Deus sujeitou todas as coisas.J. para ser perante Deus 14 Aquele que seria o próprio Deus. ao espírito que vivifica..

Foram elas que trouxeram a humanidade à era. isto é: o diabo.B. vv.) Essas palavras foram de atualidade para aquela época e. 16-17.J. por isso. ele. foram transi- tórias e preparatórias do advento do espírito. do Cristia- nismo do Cristo. 13-14. pois é das penas e sofrimentos mesmos pe- los quais foi tentado e experimentado que ele tira o poder de socorrer os que também são tentados. tirar o espírito. da letra das reve- lações hebraica e messiânica. a fim de destruir pela morte o principio da morte. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 161 um pontífice misericordioso e fiel no seu mi- nistério." (Epístola aos Hebreus. a fim de expiar os pecados do povo. participou dessa mesma natureza. composta de carne e de sangue. II. pois. em que o Espírito da Verdade vem. que diante de vós se abre. à era espírita. . os filhos que Deus lhe deu são de uma natureza mortal. para as gerações que se seguiriam até aos vossos dias. da obra da missão terrena de Jesus e da dos apóstolos. Como.

aos "milagres" que realizou. sem mancha.J. sendo ela virgem. . O mesmo apóstolo Paulo que.B. da do anjo a Maria e a José e. proclamou a existência de uma natureza e de uma origem humanas em Jesus. finalmente à sua ascen- são para as regiões etéreas. também oportunamente proclamou ter ele uma origem e uma nature- za extra-humanas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 162 Jesus era um ser ao mesmo tempo mis- terioso. aos acontecimentos culminantes da sua missão terrena. à sua vida pura. como filho de Maria e de José. estranhas a quaisquer concepção e nascimento. mas miste- riosas. seja por efeito de uma maternidade "mila- grosa". excepcional. às circunstâncias em que se deram esses fatos. de Maria. em face dessas duas revelações. divino. conforme ainda às palavras do próprio Jesus. à Sua "res- surreição". conforme à letra da revela- ção hebraica. à sua morte. obscuras. Seja meramente humanos. segundo a letra da revelação hebraica. com uma origem e uma natureza extra-humanas. às suas aparições às mulheres e aos discípulos.

B. que não houvera realmente concepção. os quais. Paulo as proclamou também. fosse fornecido aos homens o pão da inteligência. fora simplesmente aparente. conseguintemente. destinados a ser tidos como reais pelos homens. por meio de revelações sucessivas. como já o temos dito. para que. gravidez e parto. E essa origem e natureza extra-humanas de Jesus. de acordo com a letra da revelação hebraica. na Terra. em cada era. foram apenas aparentes. de acordo com suas faculdades e necessidades. Comprovou. em cada época. É que tudo estava preparado e previsto. exa- tamente como fizera com relação à natureza e à origem humanas do mesmo Jesus.J. que o que se formara no seio de Maria. se- gundo a presciência e a sabedoria infinitas de Deus. sua gravidez e seu parto por obra do Espírito Santo. pois. por obra do Espírito Santo. fora obra espíri- ta e não uma realidade. não podem verificar-se sem o concurso dos dois sexos. e para que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 163 Comprovou assim que a concepção e a gestação em Maria e. .

X. Apreciemos as palavras com que Paulo proclamou a origem e a natureza extra- humanas de Jesus. que É sem . rei de Sa- lém. dizendo: "Pois este Melquisedec. e o abençoou e com quem Abraão repartiu o dízimo de tudo." (Epístola aos Hebreus. mas me formaste um corpo. que quer dizer rei de paz. e que se chama.B. é sem pai. rei de justiça.J. depois. por interpretação do seu nome. Foi Deus quem formou para Jesus um corpo. v. sem genealogia. que veio ao encontro de Abraão. quando este voltava da matança dos reis. sem mãe. primeiramente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 164 eles fossem progressivamente conduzidos pelo caminho da luz e da verdade. pro- clama que este. sacerdote do Deus Altíssimo. por essa forma. haver dito que Deus formou um corpo para Jesus. 5. como Melquisedec. rei de Salém. declara-o ele nestes termos: "O filho de Deus ao entrar no mundo diz: "Não qui- seste hóstia nem oblata.) Depois de.

a sua vida e ." (Epístola aos He- breus. quer como obra milagrosa produzida em Maria virgem. se- melhante assim ao filho de Deus. e sim com um corpo formado por Deus. cumpriu a sua missão terrena. que aquele corpo que Jesus tomara. vv. continua sacerdote para sempre. sem mãe. sem genealogia. exigindo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 165 pai. no vosso planeta. gravidez. também sob o véu da le- tra. 1-3. VII. quer como obra humana de Maria e de José. o concurso dos dois sexos. gestação e parto humanos.) Desse modo. Proclama ainda. Paulo declara que Jesus surgiu na Terra e fez sua passagem por esse planeta. que constituía. numa linguagem velada pe- la letra. com um corpo que não se formou mediante concepção. mas diversas das que. nem fim de vida. para esse efeito.J. isto é: de acordo com as leis naturais e imutáveis que Deus instituiu de toda a e- ternidade. regem a formação do corpo huma- no. ao ver dos homens. que não tem começo de seus dias.B.

sem genealogia — uma manifestação espírita. semelhante- mente a Jesus. a gravidez. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 166 que não era idêntico aos corpos humanos da Terra.J. foi apenas aparente. ora visível e tangível ao mesmo tempo. à morte. a gestação e o parto em Maria virgem. não estava sujeito. segundo o espírito oculto pela letra.B. As- sim. destinada a ser pelos homens considerada real. por- quanto. enquanto ele desempenhou a sua mis- são terrena. a maternidade huma- na de Maria e a paternidade humana de Jo- sé. ape- nas aparente foi a sua vida "humana". o seu aparecimento e a sua passagem pela Terra foram o que tinham sido o aparecimen- to e a passagem de Melquisedec. que veio ao encontro de Abraão e que. ora simplesmente visível. igualmente e pela mesma razão. de acordo com as necessidades e as circuns- . a maternidade de Maria. era sem pai. sem mãe. depois do desempenho daquela missão. por o- bra do Espírito Santo. como estes. uma aparição. como apenas apa- rentes foram — a concepção. De sorte que sua morte no Gólgota. virgem.

"não tem NEM começo de seus dias.) Isto por- que. lhe formou um corpo. MAS pelo poder de sua VIDA insolú- vel (que lhe não pode ser tirada. v. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 167 tâncias da missão que viera desempenhar. v. SED secundum virtutem vitae insolubilis. v. 17). VI." Aquelas palavras de Paulo são uma con- . acrescenta. destruída) — "non secundum legem mandati carnalis. sem genealogia". Jesus-Cristo é "sem pai. sem mãe. segundo a or- dem de Melquisedec (Epístola aos Hebreus. antes e depois do sacrifício do Gólgota." (Epístola aos Hebreus. VII. como já ele o dissera. NEM fim de sua vida" e porque "NÃO TENDO Deus QUERIDO sacrifício nem oblata. não segundo a lei de uma sucessão carnal. 16.B. Eis como a tal respeito se expressa a- quele apóstolo: Depois de haver dito que Jesus é pontífi- ce eterno. sempre falando de Jesus: "que ele se fez pontífice eterno.J. 20 e VII. sacerdote eterno.

aludindo ao seu aparecimento e à sua passagem pela Terra. ninguém ma tira. sou eu que a deixo por mim mesmo. segundo a maneira de ver dos homens. sem genealogia. às suas apari- ções sucessivas às mulheres e aos discípu- los. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 168 seqüência e uma aplicação explícita das de Jesus aludindo ao corpo que trazia. que Jesus fez seu aparecimento e sua passagem . tenho o poder de a deixar e tenho o poder de a retomar. corpo que. sem mãe. constituía a sua vida. na época da chamada ascensão: "Deixo a vida PARA a retomar. à sua volta para as regiões etéreas. ao sacrifício do Gólgota." Declarando que Jesus era sem pai. Deus lhe formara um corpo e acres- centando que esse corpo era a imagem da substância de Deus.J. à sua ressurreição. para entrar no mundo. o apóstolo Paulo com- prova e proclama. sob o véu da letra. mas que era apenas instrumento e meio de execução da sua mis- são terrena. e que. MANDAMENTO QUE RECEBI de meu pai.B.

e proclama que Jesus fora sempre Espírito nesse corpo fluídico apto a longa tangibilidade. mas não da mesma natureza. v. semelhante ao do homem terreno. desse modo. 3. entre a criatura e o criador incriado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 169 pela Terra com um corpo fluídico em estado de tangibilidade. assim de ordem espiritual e de ordem material.B. sujeito inteiramente à ação da sua vontade e que era." (Epistola aos Hebreus. fluido universal esse que se acha na culminância de tudo quanto dele provém. a imagem da substância de Deus. que dele emana e o toca de perto. constitui o instrumento e o meio pelos quais ele opera todas as criações. de Deus para quem o fluido universal. Com- prova. portanto. dada a correlação que existe entre o finito e o infinito. pensamento. Eis o que diz Paulo sobre isso: "Jesus é o esplendor da glória de Deus.) — "Nem toda carne é a . de Deus que é Espírito na substância: inteligência.J. como de ordem fluídica. a imagem DA sua substancia. I. fluido.

sobre a natureza do corpo que Jesus tomou fora da humanidade terrena.J. levantar o véu.) Todas essas palavras daquele apóstolo. O primeiro Adão foi feito em alma vivente. que vem despojar da letra o espírito. o celeste. Sob o véu da letra. XV. o terreno. o último Adão em espírito vivifican- te.B. 39-40 e 45-47. portanto como Espírito criado da ." (V Epístola aos Coríntios. Há corpos terrestres e corpos celestes. explicando um e outro como atos naturais. a origem e a natureza espirituais de Jesus. eram ditas para o futuro. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 170 mesma carne. O primeiro homem é o da terra. Paulo também proclama. apresentando-o como irmão dos ho- mens. vv. eram palavras destinadas a só prender a atenção dos homens quando che- gasse o momento de serem explicadas em espírito e verdade pela revelação da revela- ção. o segundo homem é o do céu. pôr a descoberto o "mistério" e o "milagre". executados de acordo com as leis da natureza.

vv. I. oriundo do mesmo princípio que estes: o Pai. apresentando-o também como um puro Espírito. 1 e 6. provindo." (Epistola aos Efésios. que Paulo toma ao Salmo XXI. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 171 mesma forma que estes. de pureza perfeita e imacu- lada. e que não devem ser separadas das do Salmo LXXXI. v. v. v. 21. um Espírito para sempre perfeito. que todos os ou- tros Espíritos. em sua origem.B. que todas as ou- tras essências espirituais. do mesmo ponto inicial que todas as outras criaturas de Deus. 2 e Epístola a Filêmon. 3.J. Eis de que maneira ele o proclama: " Deus: NOSSO pai e Jesus-Cristo: NOSSO Senhor. EIS PORQUE ele (o que santifica) não se vexa de lhes chamar irmãos15. segundo o espírito que vivifica atri- . dizen- 15 Estas palavras.) — "Aquele que santifica (Jesus-Cristo) e os que são santifi- cados (os homens) VÊM todos de um só principio.

INOCENTE.) — "Ele é SANTO. VII. para os Hebreus. seja na terra.) Ainda sob o véu da letra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 172 do: Anunciarei teu nome a meus irmãos e te louvarei no meio da assembléia deles. o protetor e o governador deste. condenando assim toda divindade que se haja atribuído no passado e que se viesse a atribuir então e de futuro a qualquer outra entidade diversa do Pai. 26 e 28. a todos os Espíritos criados uma origem comum e divina como princípio espiritual. Paulo também proclama a unidade indivisível — Pai. vv. sob o véu da letra. 11. seja no céu. SEPARADO dos pecadores — e mais ele- vado do que os céus (parte integrante e a- cessória da terra. vv. Proclama a posição espírita de Jesus com relação a Deus e ao planeta terreno. como sendo o fundador.B. 11-12." (E- pístola aos Hebreus.J. SEM MÁCULA. buem." — Ele é "perfeito para sempre. como sendo o único Deus verdadeiro." (Epístola aos He- breus. .

que habita uma luz inacessível. aquele que nenhum homem jamais viu nem pode ver. vv.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 173 como sendo o único encarregado do desen- volvimento e do progresso dos homens e de os levar à perfeição. pai de todos e que está ACIMA de todos. v. POR ele e nele são todas as coi- sas. segundo uma locução figurada. 17. o pai de glória que vos dê um Espírito de sabedoria e de revelação para o conheci- mento dele.) — . IV. o rei dos reis. o único que possui a imortalidade.) — "Dele. 36. ÚNI- CO poderoso. a quem cabem a honra e o império na eterni- dade." (Epístola aos Romanos. 15-16.) — "O DEUS de Nosso Senhor Jesus-Cristo. 5-6. onde." (1º Epístola a Timóteo. o senhor dos senhores. XI." (Epístola aos Efésios. I.) — Aquele que é SOBERANAMENTE bem-aventurado. VI. v. " vv." (Epístola aos Efésios. que es- tende por todos a sua providência e que ES- TÁ em todos nós. Deus será tudo em todos.B. Eis como se exprime o apóstolo: "Não há mais do que um só Deus.

de quem todas as coisas procedem e em quem existimos. que é Jesus-Cristo.) — "Jesus-Cristo há de rei- nar até que haja posto sob seus pés todos os inimigos.) "Nenhum outro Deus há senão só um. IV. PARA NÓS. a. sendo um só Deus que é o pai.B. nos movemos e somos. Mas." (1º Epístola aos Corín- tios. não há. vivemos. pois. tudo lhe sujeitou. SENÃO um único Senhor. 3. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 174 "Nele.) — "Ele é a cabeça de cada homem e Deus é a ca- beça de Jesus-Cristo. 28. quer na terra." (Atos dos Apóstolos. VIII. 4-6. XVII. Quando. v. porquanto. por quem todas as coisas foram feitas e por quem so- mos o que somos. quer no céu. todavia." (1º Epístola aos Co- ríntios. .) — "Jesus-Cristo é a cabe- ça.J. XI. 15. v. ainda que haja os que são cha- mados deuses. sem dúvida excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. Ora. pois a Escritura diz que Deus tudo lhe pôs sob os pés. v. morte é o inimigo que por último será destruído. quando ela diz que tudo lhe está sujeito. vv." (Epístola aos Efésios.

de acordo com a revelação hebraica. Mas a transição. 25-28. des- . estas palavras que. em espírito e verdade. motivo e fim. ao advento do espírito que vivifica.J. vós o sabeis. pois que já vos explicamos sua necessidade. Foi com o objetivo dessa transição que o apóstolo Paulo. eram palavras que só haviam de prender a atenção dos homens quando che- gasse o momento de lhes serem explicadas pela revelação da revelação. tinha que ser aparelhada e executada pela era cristã sob o império da letra e favo- recida por esta." (1º Epístola aos Coríntios. para que os homens fossem conduzidos à era nova do Cristia- nismo do Cristo. o filho estará então sujeito AQUELE QUE lhe sujeitou todas as coisas. sob a capa do mistério. proferiu. XV. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 175 todas as coisas estiverem sujeitas ao filho. A FIM DE QUE Deus seja tudo EM todos. à era espírita. sob o prestígio do milagre. vv.) Também essas eram palavras ditas para o futuro.B. guia- do pela inspiração.

eu hoje te .J. I.) — "Deus nestes últi- mos dias falou pelo filho.) — "Ele.B." (Epístola aos Ro- manos. 4 e 5. 19. tinham que ser e foram também palavras de atualidade para aquele momento. IX. vv. v. que ele constituiu herdeiro de todas as coisas e por quem criou os séculos. segundo a carne. pais dos Israelitas. v. à direita da majestade — sendo tanto mais elevado do que os anjos quanto mais excelente do que o destes é o nome que recebeu. "Ele é filho de Deus. E Deus acima de tudo. 2. a qual dos anjos disse Deus jamais: Es meu filho. I. descende dos patriarcas." (Epístola aos Hebreus. pois. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 176 tinando-se a ser tomadas ao pé da letra e entendidas segundo a letra. está sentado." (2º Epístola aos Co- ríntios.) — "E como ele é o esplendor da sua glória e a imagem da sua substância e tudo sustenta pela expressão do seu poder. nas maiores alturas.

quando introduz seu primogênito no mundo. 18 Salmo XCVI. E.B. . diz: Que todos os anjos de Deus o adorem18. seus anjos e das chamas ardentes seus ministros19. ó Deus!. diz a Escritura: Deus faz dos Es- píritos seus embaixadores. Senhor. 14. 19 Salmo XCVI. será eterno e o cetro do teu reino um cetro de eqüidade. liv. com um óleo de alegria. Acerca do filho. porém. 17 Os Reis.J. a respeito dos anjos. 7. E diz também: Tu. o teu Deus te sagrou. v. v. ó Deus!. 20 Salmo XLIV. 45 (Ostervald). 6-7 (Lemaistre de Sacy) e v. superior aos que têm parte contigo20. fundaste a terra e os 16 Salmo II. cap. II. vv. 7. amaste a justiça e odiaste a injustiça e por isso. no princípio. v. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 177 16 gerei ? e doutra vez: Ser-lhe-ei pai e ele me será filho17 ? E ainda. ela diz: Teu trono. v. VII. 7.

v. . so- bretudo com as que pronunciou aludindo 21 Salmo CI. a qual dos anjos dis- se jamais o Senhor: Senta-se à minha direita até que eu ponha teus inimigos a te servirem de escabelo para os pés22? Os anjos não são todos eles Espíritos que lhe servem de ministros. 22 Salmo CIX. v. explicadas em espírito e verdade. com todas as que temos citado. 1. po- rém. eles envelhecerão todos como uma veste e tu os mudarás co- mo um manto e eles serão mudados.B. 2-14. 1 e 6. mas tu permanecerás.) Despido da letra o espírito. vv. tu. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 178 céus são obra de tuas mãos. eles perecerão. combinadas com as do Salmo LXXXI. proferidas por Jesus. vv. 25. I. enviados a exercerem seu ministé- rio a favor dos que hão de herdar a salva- ção?" (Epistola aos Hebreus.J. Enfim. serás sempre o mesmo e teus anos não acabarão21.

interpretadas todas segundo o espírito que vivifica. no ponto inicial. como to- dos. combinadas com todas as que Paulo proferiu.J. do único eterno. do Eterno. — filho. segundo o que disse o anjo a Maria. — Espírito de pureza perfei- ta e imaculada. se reconhecerá que entre elas perfeita harmonia existe. tendo tido. serem apontadas como contradi- tórias. — filho do Deus dos deuses. como Deus. ditas pelo apóstolo dos Gentios. do Deus uno. protetor e governa- dor da Terra. indivisível.B. oriundo do mesmo princípio que estes. as pala- vras acima. vosso único Senhor. quando. porque filho do Altíssimo. acima de tudo: de todos os homens. colocado. de todos os anjos ou Espíritos que o cercam e trabalham no desenvolvimento do vosso . porque filho do Deus dos deuses. por uma interpretação segun- do a letra. no sen- tido de ser ele fundador. — irmão dos homens. criador incriado. a quem se pode dar o título de Deus. das quais não devem ser isoladas para. a mesma origem. mostram Jesus como sendo: — filho de Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 179 àquele Salmo.

a fim de clarearem a Terra: . de uma parte complementar — a abóbada da Terra. porém. de servirem de sinal para a marcação dos tempos e das estações. Para eles. ditas para os Hebreus. eram dirigidas a homens que acre- ditavam não existir mais do que um só mun- do — a Terra. de um acessório integrante. de todos os anjos ou Espíritos que junto dele desem- penham as missões de ministros de Deus. aos Espíritos protetores e governadores de mundos. eram simples luminares feitos e suspensos nessa abóbada unicamente para utilidade da Terra. os corpos luminosos. a homens para os quais a Ter- ra era a única criação de Deus. dentro da ordem hierárquica. destinadas também a preparar e executar a transição de que te- mos falado. sol. Aquelas palavras. pelo menos em saber univer- sal. não passan- do o céu. dos dias e dos anos. todos. inferiores. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 180 planeta e da humanidade terrena. o firmamento. lua e estrelas. aquelas palavras. a fim de separarem o dia da noite. de um apêndice ne- cessário.B.J.

. Jesus fez a terra e. Jesus foi instituído por Deus "herdeiro de todas as coisas" e. presidindo. 23 Em face dessas crenças então correntes e às quais. a lua. presidindo ao dia. para ser compreendida e sobre- tudo escutada. Deus criou os "séculos". acessório 23 Gênese. protetor e governador da Terra. por ele. ao dia e à noite. em espírito e verdade. presidindo à noite. I. fez também o céu. com o seu luzir sobre o planeta. vv. para os Hebreus. é que precisam ser entendidas. cap.B. as estrelas. Como fundador.J. fora apropriada a linguagem da revelação hebraica. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 181 o sol. separando da luz as trevas. de acordo com o seu modo de ver. as pala- vras de Paulo tomadas aos Salmos e que não devem ser isoladas das do Salmo LXXXI. 1 e 6. como apêndice necessário.

disse: "que todos os anjos o adorem. filho de Deus e. porque filho do Deus dos deuses. tal qual eles. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 182 integrante. parte complementar da terra. como "deus". acima de todos os anjos ou Espíritos enviados para. deus." Quando investiu a Jesus no mandato de fundador.J.B. para com aquele que estava. era o representante direto da vontade do Altíssimo. como filho do Deus dos deuses. acima de tudo. submissos. respeitosos e cheios de amor para com a- quele que sendo. "Quando Deus introduziu no mundo o seu primogênito. exercerem o ministério que lhes fora confiado em favor dos que haviam de ser os herdeiros da sal- vação: em favor dos homens de boa- . na obra de formação. dirigidos pelo mesmo Jesus. sempre debaixo da sua direção. desenvolvimen- to e progresso desse planeta. protetor e governador da Terra. Deus colocou os anjos ou Espíritos designa- dos para trabalharem. filho do Altís- simo.

B. com relação ao planeta terreno. com relação aos anjos ou Espíritos que Pai trabalham na obra do progresso do vosso planeta e da humanidade terrena. na santidade e na inocência. um Espírito de pureza perfeita e imacu- lada." Quer isso dizer que.J. à direita da majestade. é verdadeiramente filho único do pai pela sua pureza e pelo seu po- der. ele é filho único do pai. sem nunca haver falido. inocente." Está na primeira categoria. sem mácula e Espírito para sempre perfeito. sendo um puro Espí- rito. protetor e governador da Terra. o lugar de honra. conquistou a perfeição e foi por Deus instituído fundador. protetor e governador. "Jesus está assentado nas maiores altu- ras. . que. "Santo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 183 vontade. junto de Deus. Jesus. ocupa o pri- meiro lugar. do qual é fundador. o chefe supremo.

para quem não há pre- sente. promulgou desde toda a eternidade e que presidem à criação de toda essência espiritual. segundo as leis imutáveis que regem a for- mação de tais corpos nos mundos superio- res. Assim é que Deus o gerou como Espírito. o gerou "hoje". para fazer o seu aparecimento na Terra e estar entre os homens. para quem só há a instantaneidade na eternidade. Deus. único eterno. o Eterno.B. um corpo. Assim é que Deus. quanto . de modo que aquele corpo fosse semelhante aos dos habitantes da Terra. assim é que ele foi gerado co- mo filho do Altíssimo. fora da humanidade terrena.J. Jesus. mediante a apropriação delas aos flui- dos ambientes que. Assim é que o gerou. mas não da mesma natureza. ser- vem para a formação dos seres humanos. no vosso planeta. nem futuro. formando- lhe. de acordo com as leis imutáveis que ele mesmo. Assim é que ele. "tanto mais alto está do que os anjos. nem passado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 184 Assim é que Deus é "seu pai" e que ele é "filho único de Deus". filho do Deus dos deu- ses e irmão dos homens.

no seio da humanidade.J. seu trono será eterno. às condições de só ser habitável. de conformidade com as missões superiores que Deus lhe dará. "Amou a justiça e odiou a injustiça. foi sagrado superior aos que com ele têm parte. todos os . ainda com relação ao planeta terreno. quando o instituiu fundador. a- cessível aos puros Espíritos e também com relação. o cetro do seu império será um cetro de eqüidade. a todos os outros planetas que ele houver de proteger e go- vernar. protetor e governador da Terra. até que o haja levado às regiões dos fluidos puros. no infinito e na eternidade. Deus fê-lo sentar-se à sua direita." Tudo isso com relação ao vosso planeta.B. "até que ponha seus inimigos a lhe servirem de escabelo para os pés". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 185 mais excelente do que o destes é o nome que recebeu" e assim é que. com um óleo de alegria. isto é: até que. posteriormente.

Espírito para sempre per- feito. para receber nova missão. "A terra e o céu perecerão. Jesus.J. quer os for- mados. como todos os mundos.B. como tudo o que se lhe acha li- gado. que tem a vida espírita . porém. físicas e inte- lectuais. até que os Espíritos que habitam a Terra ou a circun- dam tenham chegado à perfeição moral hu- mana. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 186 vícios e imperfeições. mas Jesus "permanecerá". "Uma e outro envelhecerão qual veste e Jesus os mudará como um manto e eles serão mudados. morais." A Terra. tenham sido destruídos. estará terminada e em que. quer os que estão por formar-se. portanto. "o filho se a- chará submisso a Deus". perecerão depurando-se e transformando- se. permanecerá sempre o mesmo e seus anos não terão fim. época em que a missão de Jesus. como vosso protetor e governador. tenham galgado a categoria de puros Espíritos. puro Espírito." "Quanto a Jesus.

A Terra e tudo o que se lhe acha ligado envelhecerão qual veste e Jesus os mudará como um manto e serão mudados. "A Terra e todas as criaturas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 187 eterna.B. de- purando-se e transformando-se. envelhecerão todos como uma veste. mineral. se re- produzem por efeito da lei do renascimento. de todos os reinos da natureza. as criaturas. se conservará sempre o mesmo em sua pureza perfeita e assim seus anos não terão fim. para chegarem à pureza. à perfeição. aque- la. depurando-se e transformando- se para passar progressivamente do estado material ao estado fluídico. vegetal. a Terra. sob a inspiração dos Espíritos superiores que o guiavam no desempenho . É assim que a Ter- ra e tudo o que a ela se acha preso "serão mudados" e que Jesus "os mudará como um manto". físico e intelectual. que nela se sucedem. sob a ação da lei do renascimento. que a habitam.J. animal e humano. mediante o progresso moral. Dizendo.

v. ao mesmo tempo dizendo que. teu Deus" — não tiveram por objeto e por fim apresentar Jesus como participe da divinda- de com o pai. 14). com um óleo de alegria.J. se bem que inseparável deste. Paulo não proferiu palavras que tivessem por objeto e por fim atribuir a Jesus a divindade. "segundo a car- ne. te sagrou superior aos que contigo têm parte" As primeiras "Ele é Deus acima de tudo" não tiveram por objeto e por fim atribuir a Jesus a divindade. que é o único Deus verdadeiro. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 188 da sua missão terrena. do mesmo mo- do que não tiveram semelhante objetivo es- tas outras que ele tomou aos Salmos: "O Deus. v. teu Deus. mas sem consciência dessa inspiração. O Deus.. ele descende dos patriarcas. como uma parte destacada de Deus. teu trono será um trono eterno. do mesmo modo que estas outras — "ó Deus. que é o único Deus verdadei- ro. o cetro do teu império será um cetro de eqüidade. pais dos Israelitas" (Idem. aos Rom.B. colocando-o acima do pai. 5). que Jesus "é Deus acima de tudo" (Epíst. IX. como igual a .

teu Deus". que é o pai. esse objetivo. fo- ram ditas pelo profeta e depois por Paulo. vv. por inspiração. como todas as criaturas. Tanto aquelas não tinham. filho de Deus. no seu verdadeiro sentido.J. como todos os Espíritos . que ele também disse: "Não há nenhum outro Deus além do único Deus. quando ditas por Paulo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 189 Deus. no meio em que. o seguinte pensamento: Sendo filho do Altís- simo. das quais não devem ser separadas. aos Salmos. tomadas. julga os deuses. objetivavam ex- primir." Estas palavras figuradas: "é Deus acima de tudo" — "ó Deus" — "ó Deus.B. por inspiração. assim quanto à letra como quanto ao espírito. sen- tado no meio deles." Tais palavras. 1 e 6. como os homens. palavras estas que já citamos e vamos recordar: "Deus to- mou lugar na assembléia dos deuses e." — Eu disse: "Sois deuses e sois todos filhos do Altíssimo. se acham em correlação com as do Salmo LXXXI.

Epístola aos Coríntios. vv. 4. De maneira especial. aquelas palavras. Jesus estava e está acima de tudo com relação aos ho- mens. sob a sua dire- ção. no seu verda- deiro sentido e no meio em que foram ditas. protetor e governador ele é. no sentido de serem a base e a sanção . 2. se referem ao poder que Deus outorgou a Jesus relativamente ao planeta terra. irmãos destes. Elas são da mais alta importância do pon- to de vista da autoridade que dão ao presen- te. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 190 criados. trabalham ou cooperam no desenvolvi- mento e no progresso do vosso planeta e da humanidade terrena. 5 e 6. porque filho do Deus dos deuses. Assim.J. e "deus". portanto. o único Senhor. cujo fundador. era e é o Senhor. chamamos toda a vossa atenção para as palavras de Paulo na 1ª. e rela- tivamente à humanidade terrena. único eterno. VIII. da qual é ele o Senhor. porque filho do Eterno. o único Senhor com relação a eles e superior a todos os Espíritos encarnados ou errantes que.B.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 191 prévia da nova revelação. do "filho" e do "Espírito Santo". como meio transitório e preparatório do advento da verdade acerca do "pai". Elas foram a condenação prévia das in- terpretações que. a condenação do antigo politeísmo e. fizeram do mesmo Jesus um homem do vosso planeta quanto ao invólucro corporal humano e ao mesmo tempo um Deus. para aquela época e para o futuro. o dogma humano das três pessoas.J. para o passado. ao prestígio do milagre. da revelação da revelação. haviam de pro- duzir o dogma humano da divindade atribuí- da pelos homens a Jesus-Cristo.B. isoladas do conjunto das que ele pronunciou. Elas foram. a condenação antecipada das interpretações humanas que. que vos trazemos de Deus. à capa do mistério. tomando ao pé da letra e segunda a letra as revelações hebraica e messiânica e algumas palavras de Jesus. graças ao véu da letra. o . da trindade dos católicos e dos cristãos ou protestantes orto- doxos. tudo materializando sob o reinado da letra.

pro- duziram. era o próprio Deus manifestando-se por um ato qualquer. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 192 próprio Deus. 351 a 353. Elas encerram a condenação das inter- pretações humanas que. tendes a fórmula no que se 24 Vol. ten- taram encerrar a pluralidade na unidade.B. em face do monoteísmo hebraico. reduzido a três entidades. o dogma humano das três pessoas e que. . a pluralidade de deuses na unidade Deus. embora. como parte destacada de Deus. com relação à divindade atribuída a Jesus. Dessa trindade. inseparável dele. sem atentarem no caráter panteísta dessa trinda- de. sob a influência das idéias hebraicas acerca do Espírito San- to que. para os Hebreus. igual a ele. tal como foi instituída e é entendida pelos homens (já tivemos ocasião de vo-lo dizer24. que não podia e não pode despir-se des- se caráter. I. senão para constituir um polite- ísmo restrito. págs.J.

enqua- drada semelhante interpretação nas idéias politeístas e não podendo perder esse as- pecto senão para constituir um politeísmo restrito a três. de quem aquelas duas frações se haviam destacado. a ele voltaram e nele se re- integraram. a fazer que se ouvisse uma voz do céu. destinadas a se separa- rem de novo do grande todo.B. sujeito às necessidades da existência huma- na e às contingências humanas de vida e de morte. debaixo da forma corporal de uma pomba que desceu sobre Jesus-Deus. a voltarem a . em um corpo idêntico aos vossos. se mostraram duas frações de Deus. de- pois de se terem por essa maneira separado do grande todo. fi- cando. Deus. Considerou-se o Deus uno divido em três partes. sendo uma das suas frações Jesus. reconstituindo-se a unidade.J. entretanto. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 193 passou às margens do Jordão onde. Outra fração de Deus foi o Espírito Santo. Em terceiro lugar." As duas primeiras frações de Deus. dizendo: "És meu filho bem-amado em quem pus todas as mi- nhas complacências.

" — "Sabemos que os ídolos . 2. vv. ela se dará por ocasião do seu segundo ad- vento.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 194 ele e a nele se reintegrarem. para as gerações vindouras. quando ele desceu sobre os apóstolos. afetando a forma de "línguas de fogo". As palavras. com oportunidade e proveito. VIII. esse ainda nada sabe como é preciso que o saiba. constantes da 1' Epístola aos Coríntios. foram ditas para o futuro. essa separação se verificaria e se verificou. cap. 4-6. sem lhes compreender o sentido exato. sem que tivesse consciência desta. para só então prenderem a atenção dos ho- mens. Quanto à fração Jesus.J. segundo o dogma. Quanto à fração Espíri- to Santo. recompondo-se outra vez a unidade. para só serem compreendidas e explicadas em espírito e verdade pela nova revelação. que o a- póstolo Paulo proferiu por inspiração. São as seguintes essas palavras: "Se alguém presume que sabe alguma coisa.

por quem todas as coisas fo- ram feitas e por quem somos tudo o que somos.) . VIII. senão um só Deus. conquanto haja os que são chamados deuses. para o passado." — (1' Epístola aos Co- ríntios. acrescenta: "E (sabemos) que nenhum outro Deus há além do único Deus.) Ele começa.B." (1º Epístola aos Coríntios. vv. pois. QUE É Jesus-Cristo. QUER no céu. vv. de quem todas as coisas tiram o ser e QUE nos fez PARA SI. assim. de modo a haver muitos deuses e muitos senhores. 5 e 6. para nós. Fala. senão um só Senhor. VIII. QUER na terra." Em seguida. não há.J. por proscrever todas as falsas divindades engendradas pelo pa- ganismo. todavia. quando diz: "Sabemos que os ídolos nada são no mun- do. 2 e 4. pelo politeísmo antigo. dirigindo-se principalmente à época de então e ao futuro. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 195 nada são no mundo. que é o pai. pois.

J. tendo em vista aquela épo- ca e o futuro. Vai além: proscreve expressamente. que se havia de produzir.. de modo a haver muitos deuses e mui- tos senhores. senão um só Senhor. quer no céu. indivisível. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 196 Conforme se vê. senão um só Deus.. conquanto haja os que são chamados deuses. NÃO HÁ. conquanto haja os que são cha- mados deuses. que Deus é uno. quer na terra" aludem à divindade que havia de ser. que é Jesus-Cristo." Estas palavras: "pois. dos três deu- ses num só. para nós.B. Foi uma . ele não se contenta com proclamar a unidade indivisível do pai. atribuída a Je- sus-Cristo. que cria mas sem fracionar a sua essência. todavia. com proclamar que o pai é o único Deus. como sendo o Deus único. ao dogma humano. que é o pai. QUER no céu. QUER na terra. por dogma humano. "Pois. criador incriado. distintos e impessoais. toda divindade que se atribua a quem quer que não seja o pai. das três pessoas.

do mesmo modo que.B. como na da missão terre- na de Jesus. Paulo fez por inspiração dos Espíritos superiores que o assistiam e guiavam no desempenho da sua missão. a fim de que o que tinha de ocorrer ocorresse. inspi- rado por esses Espíritos. Isso se dava. "Chamados deuses.J. na obra da missão terre- na dos apóstolos. à revelação da revelação que. sem ter dela consciência. para a transição que cumpria fosse preparada e realizada. quer na terra" — pe- . sob o império do espírito. os elementos e os meios necessários à revelação então vindoura do Espírito da Verdade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 197 alusão que. se assentarem as bases. se- gundo o espírito que vivifica. e do futuro para. precisaria ter e achar a sua sanção antecipada nas revela- ções precedentes. de maneiras diversas e opostas. ele falava de uma mesma coisa em diversos sentidos. de acordo coma presciência e a sabedoria infinitas de Deus. contraditórias entre si segundo a letra. mas inconsciente dessa inspiração. de um duplo ponto de vista: do daquele momento.

a inspiração divina. mediata ou imediatamente. em realidade e verdade. Os Espíritos que volvem ao estado espírita. imbuídos de idéi- as politeístas. chamados deu- ses o filho — Jesus e o Espírito Santo que. quer na terra. Daí o serem. por ordem hierárquica. é o conjunto dos Espíritos do Senhor. ou por desprezo. Há também os que eram e ainda são chamados deuses no céu. isto é. quer no céu. ao estado fluídico. aos quais Espíritos ignorantes. seus preconceitos e os conservam por mais ou menos tempo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 198 los homens: "quer no céu". no estado de erraticidade. dão essa designação. isto é. Daí o permanecer neles a idéia da divindade atri- buída pelos homens a Jesus-Cristo. que recebem e transmi- tem. a idéia que fazem do Filho e do Espírito Santo. .B. conforme o grau de elevação dos que empregam aquela maneira de designar. no espaço. Esses eram e são grandes Espíritos.J. por Espíritos pou- co esclarecidos. ou figuradamente. to- mando-os pelo próprio Deus. no espaço. levam consigo suas idéias.

despojado da letra o espírito. conquanto haja os que são chamados deuses. por quem todas as coisas foram feitas e por quem somos tudo o que somos. quer no céu (o filho e o Espírito Santo). 5 e 6. cap. quer na terra. o governador da terra. repetimos. 2. Jesus-Cristo que. Epístola aos Coríntios. palavras que. é este. o Ú- NICO encarregado de nos levar à perfeição. com relação à terra e a . SENÃO UM SÓ Senhor. o ÚNICO encarregado do nosso de- senvolvimento e do nosso progresso. NÃO HÁ SENÃO UM Só Deus que é o pai. vv. em espírito e verdade: "Sabemos que todas as falsas divindades do politeísmo antigo nada são neste mundo — e que não há nenhum outro Deus senão o Deus ÚNICO. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 199 O sentido das palavras de Paulo na 1ª.J. pois. o protetor. VIII. todavia. foram ditas para as futuras gerações. que é Jesus-Cristo. para nós. de manei- ra a haver muitos deuses e muitos senhores.B. de quem todas as coisas TIRAM o ser E QUE nos fez PARA SI —. 4. Jesus-Cristo — o fundador.

que é ao mesmo tempo irmão dos homens.B. que é filho do Altíssimo. é o ÚNICO SENHOR. a mesma origem que todas as criaturas de Deus. INDIVISÍVEL. — Jesus-Cristo. aquele que é soberanamente bem- aventurado. criador incriado. filho de Deus e deus. ante a alvorada. ÚNICO eterno. um Espírito criado. e que teve. Jesus-Cristo. ele próprio. a noite em que vos en- volveram as trevas da letra e as interpreta- ções humanas nascidas do seio dessas tre- vas. oriundo do mesmo princípio. o rei dos reis. porque filho do Deus dos deuses. que surge. Sim. dissipa-se. não há senão um só Deus. do Eterno. por ser o nosso único doutor. nosso único Mestre. das ir- radiações do espírito. primeiro ministro de Deus. nosso rei. UNO. que cria. por efeito da nova revelação. como todas as criaturas. no ponto inicial." Assim. como todas as essências espirituais. que é o pai.J. o . único poderoso. por ser. mas sem fra- cionar a sua essência. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 200 nós.

O filho. os ministros. no cumprimento da sua vontade e na execução de suas obras. dos Espíritos superiores e dos bons Espíritos. como já o temos dito. guar- dada a ordem da hierarquia e da elevação espíritas. com relação ao planeta e à humanidade terrenos. que habita uma luz inacessível. os servidores. único que possui a imortalidade. recebem imediata. não é Deus. o único Senhor. dentro da vida e da harmonia uni- versais. especialmente com relação a vós e ao vosso planeta. ou media- tamente a inspiração divina. É sim.J. que até vós desce a inspiração . composta dos puros Espíritos. ou os agentes de Deus. igualmente. que jamais foi nem pode ser visto por ho- mem algum. O Espírito Santo. pelo Espírito Santo. da sua providência. É por eles. que são. não é Deus. mas também vosso irmão. que.B. pois. na realização do progresso universal. Essa expressão figurada designa a falange sagrada dos Espíritos do Senhor. portanto. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 201 senhor dos senhores.

comuns entre os outros discípulos e o povo. acerca da divindade de Jesus-Cristo. conforme se vos acaba de explicar — apare- lhar e executar a transição que era necessá- rio se operasse e ainda preparar e estabele- .B. como evangelista. a fim de que o que tinha de ser dito e feito o fosse. Mas. na época de- terminada e dentro dos limites que me traça- ram a influência e a ação mediúnicas. da opini- ão. sob a inspiração dos Espíritos superiores que me assistiam e gui- avam no desempenho da minha missão. partilhei pessoalmente da idéia. a nar- ração evangélica que compus. "Eu João Evangelista. fui o que foram Paulo e os demais Apóstolos — instrumento das vontades do Senhor. Assim escrita. teve por objeto e por fim.J. desempenhando cada um a missão que lhe foi confiada. como o tiveram a obra da missão terrena de Jesus e a da de Paulo. conservando-me entretanto inconsci- ente dessa inspiração. quando encarna- do. escrevendo o que escrevi como após- tolo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 202 divina e se faz sentir a ação da divina provi- dência.

"Apreciado em seu conjunto e entendido segundo o espírito que vivifica. Eu mesmo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 203 cer as bases. os elementos e os meios. as palavras que vos digo são espírito e vida. guiado pela inspiração. a letra mata e o espírito vivifica. não compreendia o sentido e o alcance com que essas palavras me eram inspiradas em .B. a sanção prévia. registei estas palavras de Jesus: "O espírito é que vivifica. sobre a origem e a nature- za espirituais do bem-amado Mestre. a carne de nada serve. "Como disse o apóstolo Paulo. da futura revelação do Espíri- to da Verdade. o que escrevi sob véu da letra tinha que estar em luminosa harmonia com o que escreveram os três ou- tros evangelistas sobre a obra da missão terrena de Jesus." "Quando escrevi: "O Verbo era Deus".J. sobre a sua posição espírita com relação a Deus e ao vosso planeta. sobre a natureza extra- humana do corpo que revestiu para fazer sua aparição e sua passagem pela Terra.

B. mostra Jesus tal como vos acaba de ser a- presentado e torna evidentes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 204 obediência à vontade do Senhor. que. luminosa harmonia. co- mo não podia deixar de acontecer. guiado pela inspiração. Não lhes compreendi. tendo acabado de escrever que "o Ver- bo era Deus". entre elas existe. em confirmação do que vos venho de dizer. segundo o espírito que vivifica.pois. de significações opostas. na minha narração evangélica. Notai. portanto. como vos fo- . despojando-se da letra o espírito. escrevi por inspiração superior palavras que. são contraditórias. tomadas ao pé da letra. consideradas segundo o espí- rito que vivifica. que os homens haviam visto o Verbo e que este entre eles habitara." "O que escrevi. como o apóstolo Paulo. escre- vi: "Nenhum homem jamais viu a Deus. interpretadas segundo a letra.. Desconfiai.J. exatamente. em espírito e verdade. da letra. desde que seja compreendido e explicado em espírito e verdade. o sentido e o alcance. compreendidas e explicadas em espírito e verdade. ao passo que. A prova de que assim foi é que.

se encadeava. pela inspira- ção. tudo. o espírito seria despo- . sob o império e o véu da letra. e ainda em face e por efeito da obra da missão terrena de Jesus. os elementos e os meios ne- cessários à revelação futura do Espírito da Verdade. sua posição com relação a Deus e ao vosso planeta. sua origem e natureza extra-humanas. ao tempo da era nova do Cristianismo do Cristo. em face e por efeito. este duplo fim: de um lado. o prestígio do milagre. estabe- lecer a base. a revelação da revelação. assim da revelação hebraica. prepa- rar e realizar a transição. que se verificaria no momento em que os homens pudessem e devessem re- ceber essa nova revelação. a capa do mistério. no tocante ao seu apareci- mento na Terra e à sua passagem por esse mundo.J. da era espírita que se abre diante de vós. de outro lado. objetivando. "Na obra da missão dos Apóstolos e na dos quatro evangelistas. sua origem e sua natureza espirituais.B. preparar. co- mo da do anjo a Maria e a José. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 205 ram patenteadas. pela qual.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 206 jado da letra. Nesse sentido é que o Verbo.B. e o que ainda se tem de dar vai dar-se. estava com Deus desde toda a eternidade. são filhos do Altíssimo. De Deus. como todo Espírito.: V. têm uma mesma origem divina. Também nesse senti- do é que todos os Espíritos criados são deu- ses. Todavia com re- . 1. considerados como principio espiritual. denominação dada a Jesus. segundo as aplicações e apro- priações dessas leis. emana todo princípio espiritual." Ei- la. "Ides agora receber a explicação da mi- nha narração evangélica. era Deus. o que se tinha de dar deu-se como condição e meio de rea- lização do progresso humano. segundo o espírito que vivifica. No principio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. o mistério seria posto a nu e o milagre explicado segundo as leis imutáveis da natureza. em espírito e em verdade. Espírito genérico. Assim. Ë que todos.J.

o que quer dizer: foi tirada da massa dos fluidos. entenda-se a ação por efeito da qual a Terra foi tirada do caos. sem cujo querer nada se produz. pelo po- . guardou sempre a pureza típica da origem divina. para sus- tentação de tudo. em virtude da qual ele se nos apresenta co- mo tendo uma origem excepcional.B. Como "ser". A palavra — Verbo — designa a causa. que é uno. sempre como entidade distinta do ente supremo. se- gundo a expressão bíblica. entenda-se a personificação da vontade de Deus em Jesus. jamais se afastou daquele princípio. criador incriado. o ser.J. Provém essa distinção do fato de não haver ele ja- mais falido. respeito à Terra. Como causa. como órgão direto de Deus. fluídos que continham em si as essências espirituais destinadas a se tornarem criaturas do mes- mo planeta e os elementos formativos deste. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 207 lação a Jesus. indivisível. que Deus preparara e dispusera para serem os materi- ais constitutivos desse planeta. a personificação de Jesus. Assim sendo. há uma distinção a fazer-se.

que atingiram a perfeição sideral. aos Espíritos purificados que. nessa qualidade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 208 der da sua palavra. con- seguintemente. Também podeis. isto é: Espíritos que conservaram a pureza primiti- va. por serem seus enviados. não é o único Verbo de Deus. podendo. porém empregando a ex- pressão na sua acepção geral. enquanto o Mestre desempenhou a sua mis- são terrena. aproximar-se do foco da oni- potência. e. personificação que to- mou forma material para as vistas humanas. já o sabeis. tendo chegado à categoria dos puros Espíritos. no sentido espiritual. Jesus. de- sempenham missões nos planetas confiados à direção dos Espíritos que os fundaram e são os seus governadores e protetores. chamar ver- bos de Deus. . não mais. entretanto. os quais todos são Es- píritos de pureza perfeita e imaculada.B.J. São verbos de Deus todos os fun- dadores de planetas. se fazem mensageiros diretos do Senhor onipotente. sem jamais haverem falido.

os homens vi- ram a Jesus-Cristo e este habitou entre eles. se fos- se igual a Deus. E.J. a centelha divina que o formara. Jesus disse: "Meu pai é maior do que eu". sem que ela houvesse perdido a sua primitiva pureza.). que o queri- . citando aos Judeus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 209 Reportai-vos ao que já vos foi dito (n. 18). protetores e governadores de planetas e lembrai-vos de que ninguém pode nem deve falar do futuro. razão pela qual ainda aqui repetiremos: Como disse Paulo e diz João (v. Desconfiai da letra. O Verbo estava com Deus e era Deus no sentido de que tinha em si. acerca dos Espíri- tos fundadores. 326-330 do 1° vol. se bem que inseparável deste. Se Jesus fosse. Ora. No entanto. nenhum homem jamais viu a Deus.B. como os homens o supuse- ram nas suas interpretações. uma fração de Deus. págs. Contentai-vos com lançar as vistas sobre o espaço que podeis descortinar. Nunca será demais insistamos nisto. 60. seria tão grande quanto Deus. nem o pode ver.

do Deus do monoteísmo hebraico. como estes. em resposta à acusação que lhe lançavam de pretender passar por ser Deus. V. Deus cria os universos e. protetores dos planetas. vv. que é o único eterno. os ma- teriais que eles encerram. fazer-se i- gual a Deus. do Deus além do qual nenhum outro há. o úni- co Deus. 2. As palavras — "no princípio" — se refe- rem aqui à criação do vosso planeta. Os Espíritos pu- ros. por conseguinte. Deus é o Criador. Todas as coisas foram feitas por ele e nada do que há sido feito o foi sem ele. do Deus uno. — 3. irmão dos homens. portanto. indivisível. os Messias . do Senhor onipotente. Declarou-se.J. do Deus dos deuses.B. 1 e 6. Ele estava no principio com Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 210 am apedrejar. que cria mas sem fracionar a sua essência. reúnem esses materiais e formam com eles os mundos em que habitais. do Deus de Israel. ele se declarou um Espírito cri- ado pelo Eterno. visto que criatura. o Salmo LXXXI.

J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 211 são seus primeiros ministros. 4. Eis porque. Jesus. quando da cria- ção do vosso planeta. V. Não atribuais poder criador a Jesus. Quer isso dizer que. apenas exerce um ministério no reinado e- terno do Senhor onipotente. Fazendo o que fez e faz. sem cuja vonta- de nada poderiam. Nele estava a vida e a vida era a luz dos homens.B. pois que obrava por inspiração do Pai e de acordo com a vontade deste. no tocante à formação do planeta terreno. Logo. sob a sua direção. indivisível. tudo foi feito por ele. Deus consente que pres- teis ao seu messias a homenagem que lhe é devida. sendo uno. multiplicareis o vosso Deus. . único. Todas as coisas foram feitas por ele e nada o foi sem ele. pelos Espíritos que trabalhavam naquela obra. Jesus estava com Deus. Dando-lhe tal poder. como todos os que recebem missões semelhantes. tudo foi feito.

para facilitar aos homens a compreensão do destino que os aguarda. A mis- são de Jesus não se limita a encaminhar e guiar corpos de lama. cujo desenvolvimento auxiliava. É ele quem nos esclarece. Ele a exerce princi- palmente sobre o Espírito. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 212 Nele estava o poder de constituir o vosso mundo. A luz brilha nas trevas e as trevas não a compreenderam.J. esclarecer as existências humanas e espiri- tuais. Há aqui uma alusão à ignorância de que eram escravos os homens e que os impedia de compreenderem quais as vias da salva- ção em Deus. Todos nos con- servamos sob o seu bendito império até que nossas luzes nos possam bastar. na conformi- dade do desenvolvimento das inteligências. Essa alusão abrange os resultados de todos os esforços empregados.B. Fora-lhe dado guiar. centro de vida. 5. é o nosso farol e o nosso refúgio. para lhes abrir os . V.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 213 olhos à luz. fei- tos naquele sentido. que aqui se referem especialmente à missão terrena de Jesus. 6. enviado de Deus. V. Houve um homem. do mesmo modo que se produz hoje por intermédio de todos os Espíritos que descem em missão ao vosso mundo. a fim de que todos cressem por meio dele. — 7.J. . Podeis aplicar essas palavras. A missão de João explica essas palavras. Ela se produziu sempre no passado. a todos os esforços em geral. Os Espíritos humanos precisavam ser prepa- rados para o acontecimento que ia mudar a face moral do globo terráqueo. porquanto a revelação de Deus é permanente e progressiva. assim antes como depois daquela missão. que se chamava João.B. Este veio como testemunha. de acordo com as vonta- des de Deus e sob a direção do vosso prote- tor e governador. para dar testemunho da luz.

Nós. trazendo ao mundo o com- plemento e a sanção da verdade. no sentido de que quem os en- tende ou apenas os lê encontra neles a mis- são preparatória do Precursor? Não está ele sempre.B. igualmente.J. Ele não era a luz. V. vos dizemos hoje: Quando ele tornar a descer ao mundo terre- no. Não é exato que ela prossegue nos E- vangelhos. não será a verdade. Jesus não disse: "Ele já veio". mas dará testemu- nho da verdade. a missão propriamente dita de João não se acha concluída. a concitar os ho- mens ao arrependimento? Mas. Suas possantes mãos ainda têm que abrir a senda por onde passará o Espírito da Verdade: Jesus. . 8. mas veio para dar testemunho daquele que era a luz. por esse meio. repetimos. Não é assim ainda agora? A missão de João não está concluí- da.. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 214 O evangelista diz: "a fim de que todos cressem por meio dele". Ele tem ainda que vir.

é ele principal- mente quem vela pelo desenvolvimento de todas as coisas e.J. É uma alusão à missão de Jesus e ao império que ele exerce sobre o vosso plane- ta. em particular. pelo da vossa inteligência. que este "é a luz que alumia todo homem que vem a este mundo". quem escolhe os professores es- clarecidos e adequados ao ensino de cada classe dos filhos que à sua guarda confiou o pai de família. o mundo foi feito por ele e o mundo o não conheceu. 9. Como.B. É ele. V. Neste versículo se vos diz. os homens jamais se tivessem achado aptos a compre- . diretor inteligente e dedicado. desde a origem deste. 10. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 215 V. Do que era a luz verdadeira. Esse estava no mundo. Protetor e ordenador do vosso planeta. que a- lumia todo homem que vem a este mundo. Isto quer dizer: Ele existia antes do mun- do. com relação a Jesus.

J. V. Ele veio ao que era seu e os seus o não receberam. 12. Têm-no conhecido os homens. aos que crêem no seu nome. Não recebe a Jesus aquele que não se conforma com os seus preceitos. nem os benefícios que desta haviam de colher. os quais não nasceram do sangue. depois que ele esteve no mundo? Ainda agora. entre vós. — 13. Esta afirmativa — "e o mundo o não co- nheceu" — alude à disposição de espírito em que se encontravam os homens antes da missão terrena do Mestre e mesmo após. não o conheciam. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 216 ender a tarefa que ele se impusera. quantos podem dizer: Conheço a Je- sus? V. Mas. Para Espíritos materiais se faz mister o que toque e abale a matéria. tanto mais que nunca o tinham visto. deu o poder de se fazerem fi- lhos de Deus a todos os que o receberam.B. 11. nem da vontade .

quer subindo o seu Gólgota. Mas esses não nasceram do sangue.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 217 da carne. pois que confia nas suas promessas.J. seguem os passos de Jesus. E filho de Deus se torna aquele que segue. nada têm de comum com a carne. como vimos de dizer. que carrega a sua cruz. De conformidade com o que vos acaba- mos de dizer. Supondes. sem se desviar. filhos de Deus são os que se- guem seus mandamentos. nem da vontade do homem e sim de Deus. po- rém. Que é o que tem capacidade para se elevar. perdoa a seus inimigos e esvazia a taça de fel sem a derramar sobre os que a encheram. compreender. quer caminhando pelas ridentes margens do Jordão. os caminhos que ele traçou. que creia no seu nome quem vergo- nhosamente transgrida a sua lei? Aquele que crê no seu nome caminha nas suas pegadas. aperfeiçoar-se? O vosso cor- . Os que. esses os que podem tornar-se filhos de Deus.

tanto mais se solta dos laços que o prendem à matéria. Esses foram filhos de Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 218 po ou o vosso Espírito? E este nasce da carne. segundo o declarou o protetor e gover- nador do vosso planeta. se exprime DESTE MODO na sua segunda apologia para os cristãos: Todos os . com doçura. praticando. verdadeiro pai da Igreja do Cristo. a justiça e a caridade com um coração sincero. estão e se contêm "toda a lei e os profetas". por- tanto. 25 25 "Justino. ou origem espiritual? Ora.J. mas mesmo antes dela e sem o saberem. ou do Espírito? Quer dizer: tem ori- gem material. 12 e 13 podem apli- car-se a todos os que receberam a Jesus. sendo espiritual a sua origem. não só durante e após a sua missão terrena. no qual. um dos primeiros cristãos. e que pela Igreja romana foi incluído no rol dos santos. As palavras dos vv. humildade e desinteres- se. quanto mais ele se purifica e eleva. praticando o amor de Deus e do próximo.B.

Tais foram. Foram postos em condições de compreender que nenhuma que hão vivido em conformidade com a razão e o Verbo. são CRISTÃOS. os que viveram e ainda vivem agora segundo a razão e o Verbo são cristãos. Ananias." . e vimos a sua glória. 14. Abraão. foram inimigos de Jesus- Cristo e perseguiram os que viviam uma vida confor- me à razão e ao Verbo. entre os Bárbaros. Azarias. e. se fossem relembrados. Do MESMO MODO. os que entre os antigos viveram antes de Jesus-Cristo e não se conduziram de conformidade com a razão e o Verbo. estão isentos de todos os temores e nada os pertur- ba. O Espírito revestiu um corpo visível para os homens e estes lhe presenciaram os atos e os puderam apreciar. AINDA QUE parecessem não estar ligados a nenhum culto.J. Sócrates e Heráclito. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós. Mas. formariam uma lista demasiado longa. entre os Gregos. cujos nomes e ações. cheio de graça e verdade.B. Misael. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 219 V. Elias e muitos ou- tros. glória como a de unigênito do pai.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 220 criatura igual a eles seria capaz de lhe trilhar as pegadas sem falir. Assim como "há corpos terrestres". uma carne verdadeira. como o disse Paulo (1' Epístola aos Coríntios. então distantes. 39-41. Revestindo um corpo próprio de certos mundos elevados. da nova revelação. Foram obrigados a reconhecer que vinha de Deus aquele que tais atos praticava. XV.B. vv. servindo-se de pala- vras cujo sentido exato não compreendia. tam- bém há corpos celestes.J. palavras apropriadas ao futuro. reportai-vos ao que já vos dissemos a esse respeito comentando os três primeiros E- vangelhos (ns. porquanto "nem toda carne é a mesma carne". 44. Jesus tomava um invólu- cro corpóreo relativamente material. 1° vol. do ponto de vista da aplicação que viriam a ter nos tem- pos. Assim como o homem terreno tem um . 31. 45 e 47). mas relativa. 64-67.). 14. Quanto à natureza do corpo de Jesus.

conforme explica- mos no 1° vol. que cumpria fosse conservada pelos homens até . Era carne verdadeira. Relativamente à essência de Jesus. carne como a de qualquer outro homem. que constitui o envoltório fluídico da alma ou Es- pírito. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 221 corpo animal sujeito à corrupção. por efeito de uma atração fluídica. isento da corrupção. mas se- gundo as leis naturais que regem certos mundos elevados. formado. fluídico por sua natureza. melhor. a incorporação. Do ponto de vista dessa opinião. e um corpo espiritual. ou. o corpo de natureza perispirítica que ele tomou era carne. o que quer di- zer: era relativamente material às vistas hu- manas e à opinião que os homens tinham de formar e conservar.. também o homem celeste tem um corpo celeste. operando-se a encarna- ção. n.J. 14. a que chamais perispírito.B. incorruptível. formado segundo a lei natural de reprodução no pla- neta que ele habita. não mediante o contacto da matéria com a matéria.

cujo sentido exato e. 15.B. 2' Epístola.) V. — 16. 7. em espírito e verdade. porque era antes de mim.J. a aparição do Mestre na Terra. João dá testemunho dele. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 222 quando a nova revelação lhes viesse expli- car. O que tal coisa não confessa é um sedutor e um anticristo. é que João. menos ainda. . como instru- mento inconsciente das vontades do Senhor." (João. das quais en- tretanto não tinha consciência. o objetivo transitório. sujeito à influ- ência e à inspiração espírita. escreveu isto. v. Estes versículos confirmam o que vos temos dito sobre a origem do Cristo e das suas relações com o vosso planeta. Da sua ple- nitude TODOS recebemos graça por graça. ele não compre- endia: "No mundo muitos impostores se levanta- ram que não confessam ter Jesus-Cristo vindo em carne verdadeira. excla- mando: Este é o de quem eu disse: Aquele que há de vir depois de mim me foi preferido.

Para ver a Deus é preciso ter chegado a . Ninguém jamais viu a Deus.J. mas a graça e a verdade vieram por Jesus-Cristo. Trouxe-lhes a verdade. o filho unigênito que está no seio do pai.B. desses dois pontos de vista. Moisés deu aos homens mandamentos. a graça e a verdade. o Eterno sem- pre pronto a perdoar ao culpado que se ar- repende. a lei foi dada por Moi- sés. V. Porquanto. com que de intento cobriu suas palavras. levanta-o agora a nova revelação. 17. Jesus veio explicar aos homens a razão de ser desses mandamentos e lhes trouxe a graça. ordens imperiosas a que tiveram de se sub- meter. mostrando-lhes o pai. O véu. 18. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 223 V. esse é quem dele deu conhecimento. que vos mostra. mostrando- lhes o objetivo de suas existências na Terra e o salário pela conquista do qual trabalham.

ou tomam os grandes Espíritos. que assim falam por ouvir di- zer. Mas. do esplendor das regiões que ele habita. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 224 um grau de pureza tal como o da dos messi- as. Dissemos que usam de uma figura de linguagem. Compreendendo que de esplendores deve estar cercado o Senhor dos universos. dos grandes Espíritos. libertos da matéria. esse versículo de João não encerra pensamento velado. como uma irradiação ou uma personificação do Altíssimo. isto é: no estado de inferioridade moral e intelectual e de en- carnação material em que vos achais.J. vos falam "de Deus". aqueles Espíri- tos se esforçam por incutir em vossas almas . a fim de intensificar o vosso ardor. Os Espíritos que. únicos que dele podem aproximar-se. sentindo esses esplendores.B. dos quais puderam aproximar-se. ou usam de uma figura de linguagem. entre os homens jamais houve manifestação pessoal de Deus. A razão disso encontrá-la-eis no grau de elevação em que estais. Diremos. suas palavras têm o sentido que lhes é próprio. se quiserdes.

através dos diversos graus da escala da pureza. de progredir. até ao nível em que vos encontrais e até a níveis ainda mais baixos. é compreen- der a sua própria essência. para a transmitir.J. a ação da vontade divina. É um modo de indicar as relações existentes entre Deus e o seu men- .B. a fim de se aproximarem do foco de toda a vida. Ver a Deus é aproximar-se sem nenhum véu do centro da onipotência. quer com relação aos Espíritos que. Esta frase: "O filho unigênito que está no seio do pai" é um composto de expressões figuradas. que se haja tornado um puro Espírito. pode ver a Deus. sob a sua direção. Só o Espírito que haja atingido o estado de pureza perfeita. traba- lham pelo vosso desenvolvimento e pelo vosso progresso. sem intermediário. é poder receber diretamente. quer com relação ao vosso planeta e à hu- manidade que o habita. indicativas da elevação de Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 225 o desejo ardente. que eles experimentam.

B.J. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 226 sageiro.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 227 CAPÍTULO I Vv. como disse o profeta Isaías. a mandado dos Judeus. confessou: Eu não sou o Cristo. És profeta? Respondeu: Não. — 22. Tinham vindo da parte dos Fariseus os que o inter- . Eis aqui o testemunho que deu Jo- ão.J. quando os Judeus mandaram a Jerusa- lém sacerdotes e levitas para lhe pergunta- rem: Quem és tu? — 20. Retruca- ram-lhe: Dize-nos então quem tu és. Ele confessou. 19. Disse-lhes ele: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor.B. não negou. Aqueles lhe perguntaram: Quem és en- tão? És Elias? Ele respondeu: Não sou. — 21. para que possamos dar resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo? — 23. — 24. o foram inter- rogar V. 19-28 Testemunho que de si e de Jesus dá João respondendo aos sacerdotes e aos levitas que.

que foi feito antes de mim. O único ponto sobre o qual precisamos deter-nos é o em que João negou que fosse Elias. nem Elias. Segundo. a resposta dada prova que. entre vós está um a quem não conheceis. a pergunta a que ele respondeu com essa negativa prova que os Judeus es- peravam tornar a ver Elias. Já recebestes explicações acerca desta passagem (n. 53. — 27. vivo entre eles. Assim. págs. Isto se passou em Betânia. como sucede à maioria dos homens. onde João batizava. É aquele que há de vir de- pois de mim. mediante uma nova encarnação. Nada temos que acrescentar. deste modo: Se não és o Cristo.B. mas. Respondeu-lhes João: Eu batizo com água. 2.J. interpelaram-no ain- da. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 228 rogavam. 265- 273). nem profeta. além Jordão. — 28.. N. de cujas sandálias não sou digno de desatar as correias. — 25. como é que batizas? — 26. 1° vol. João não tinha lem- . Primeiro.

Nos casos raros e excepcionais em que ela ocorre. Dissemos — como sucede à maioria dos homens — porque. ao despertar. como para os que o escutam e nele crêem. houvera tra- zido complicações prejudiciais ao curso que deviam seguir os acontecimentos.B. ou representa uma provação. que fica. um fim: ou corres- ponde às necessidades da vida atual. em conseqüência. essa lembrança o homem geral- mente a adquire quando seu Espírito se a- cha desprendido durante o sono. essa lembrança se pode verificar. Tem então um motivo. se ele a tivesse. Es- sa lembrança. predisposto a admitir a nova doutrina. em casos raros e excep- cionais. por efeito da in- certeza em que envolve as idéias e das sau- dades ou temores que às vezes infunde. por . Em certos casos pode ser também uma prova evidente. recebendo- a ele então por uma comunicação espírita do seu guia e conservando-a.J. assim para o encarnado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 229 brança de suas encarnações anteriores.

João tinha consciência da sua inferioridade com- parativamente ao Mestre. que ele sabia ser um enviado em missão superior e ocupar junto do Pai uma posição excepcional. ao mesmo tempo. preparando os ca- minhos àquele que havia de vir. derramava água sobre a cabeça de seus discípulos. derrocando o império da matéria. Algumas vezes é obtida no estado de vigília. anunciava a vinda daquele que era esperado e que viria batizar com o Espí- rito. A imersão na água foi considerada em todas as épocas como um ato de purifica- ção. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 230 inspiração do mesmo guia.26) já rece- bestes as devidas explicações nos comentá- rios feitos aos três primeiros evangelhos. como Precursor.J. mediante intuição dada ao encarnado pelos Espíritos que o cercam.B. tendo em vista com esse ato levá-los ao ar- rependimento. Daí vem que João. Mas. Quanto ao batismo d'água (v.

que vinha ter com ele. — 31. 33. . Este é o de quem eu disse: Depois de mim vem um homem que me foi preferido.J. — Jesus Cordei- ro de Deus V. — 30. para que ele se manifeste em Israel. mas vim batizar com água. — 32. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 231 CAPÍTULO I Vv.B. — 34. No dia seguinte viu João a Jesus. mas o que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pairar o Espírito. esse é o que bati- za com o Espírito Santo. E João deu testemunho dele dizendo: Vi o Espírito descer do céu como uma pom- ba e pairar sobre ele. 29. porque era antes que eu fosse. e disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus. Eu vi e dei testemunho de que ele é o filho de Deus. — Eu não o co- nhecia. eis o que tira o pecado do mundo. 29-34 Outro testemunho de João. Eu não o conhecia.

que prepararia a regeneração huma- na e vos conduziria ao advento do Espírito da Verdade? Notai que em tudo há quase sempre o lado material. efetivamente. Como encarnado. de antemão. 3. que haveria um sacrifício solene para "resgate dos homens". a ala- vanca. João se achava imbuído das tra- dições da época. Na suposi- . médium. numa lingua- gem apropriada às inteligências dos que o ouviam. não só vidente e inspirado. 33). Tomava pelo próprio Deus os Espíri- tos superiores que lhe falavam. destinado a ser mais remotamente apreen- dido. Comparando Jesus a um cordeiro. Era. O que me enviou me disse (v.B. próprio a impressio- nar os sentidos humanos. e o lado espiritual. João o fez por influência dos usos hebraicos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 232 N. mas também au- diente. O cordeiro sem mancha era o que se ofere- cia em holocausto de propiciação. vós o sabeis. João a- nunciava assim. o sacrifício do Gólgota não estava destinado a ser o meio.J. E.

a fim de que o que precisava ser dito e feito por ele. Mas. João perdera a lembrança de quem era Jesus. Jesus também era o filho de Deus.B. dentro dos limites da que lhe cabia desempenhar. um instrumento dos Espíritos superiores incumbidos de o inspirarem e guiarem. era. como Precursor. o fosse. João não fazia i- déia exata. Da missão de Jesus. como para todos. Este. muito mais elevado do que ele e desempe- nhando missão muito superior à sua. Quando ele diz: — O que me enviou — deveis entender que João se refere aos Espíritos que o guiavam. pois que. Encarnado. Deus jamais se comunica diretamente com os ho- mens. já o temos dito e repetimos. um homem qual os outros. tinha que ser apenas. conforme cumpria que sucedes- se. elas como tais se produziam. para ele. porém. para ele. quanto à linguagem e aos seus a- tos.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 233 ção em que estavam os homens de que toda manifestação vinha de Deus mesmo. . enviado. porquanto.

já re- cebestes todas a explicações necessárias no comentário aos três primeiros Evangelhos (ns.J. 1° vol. 263-281). 53 e 54. .B. págs. 51.. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 234 Com relação aos outros versículos.

Um dos dois que tinham ouvido o que João dissera e que seguiram a Jesus era André. — 37. — 38. — 40. e. — 41. João lá estava ainda com dois de seus discípulos. Era então por volta da hora décima. Os dois foram e viram onde Jesus assistia e ficaram aquele dia com ele. seguiram a Jesus. vendo a Jesus que passava.B. Os dois discípulos. Ao outro dia. ouvin- do-o dizer isso. André lhe traz Pedro V. — 36. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 235 CAPÍTULO I Vv. André. Voltando-se este e notando que eles o se- guiam.J. perguntou-lhes: Que buscais? Eles responderam: Rabi (o que quer dizer Mes- tre). Disse-lhes Jesus: Vinde e vede. lhe disse: . irmão de Simão Pedro. disse: Eis ali o Cordei- ro de Deus. encon- trando-se primeiro com Simão. onde assistes? — 39. 35. 35-42 Dois discípulos de João acompanham a Je- sus.

N. isto é: que o apelido de Cefas.J. 425-436.B. . filho de Jona: "Chamar-te-ás Cefas. E o levou a Jesus. que quer dizer Pedro. São compreensíveis. 4. indicando que ele havia de ser a pe- dra angular da Igreja do Cristo (n.). sig- nificando Pedro. Estes versículos não precisam de explicações. — 42. págs. dado a Simão. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 236 Encontramos o Messias (que quer dizer — o Cristo). 163. dirigidas a Simão. 2° vol. Cha- mar-te-ás Cefas. que quer dizer — Pedro". limitar-nos-emos a lembrar-vos o que dissemos no 2° volume. 184. pág. Jesus o fitou e disse: És Simão. dizia respeito à sua missão terrena e es- piritual. filho de Jo- na. filho de Jona. Com rela- ção a estas palavras de Jesus.

43. Natanael lhe perguntou: Donde me conheces? Respondeu Jesus: Antes que Filipe te chamasse. em que não há dolo. filho de José. eu te vi quan- do estavas debaixo da figueira. encontrando Filipe. donde também eram André e Pe- dro. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 237 CAPÍTULO I Vv. disse-lhe Filipe: Achamos aquele acerca de quem Moisés escreveu na lei e os profetas fala- ram. . — 44. — 46. 43-51 Filipe e Natanael V. referindo-se a este: Eis aqui um verdadeiro Israelita. quis Jesus ir à Galiléia e. vendo aproxi- mar-se Natanael. Encontrando Natanael. Perguntou-lhe Natanael: De Nazaré pode sair coisa que boa seja? Respondeu-lhe Fili- pe: Vem e vê. — 47. tu és o filho de Deus. Nata- nael exclamou: Mestre. — 45.B. No dia seguinte.J. disse: Segue- me. disse. Jesus. — 49. — 48. Filipe era natural da cidade de Betsaida. Jesus de Nazaré.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 238 tu és o rei de Israel. Observou-lhe Je- sus: Crês. que não sofria a encarnação humana. Natanael creu por o ter visto Jesus numa ocasião em que ele se achava fora do alcance dos olhares humanos. para ver. qual- quer encarnado. E acrescentou: Em verdade.B. colocando-o sob a influên- cia de uma magnetização espiritual. mas que desen- volve as faculdades. via a distância. N. conquanto pare- . — 50. Pois verás maiores coisas do que esta.J. via o que quer que estivesse fora do alcance dos olhares huma- nos. tem necessidade de ser assistido. Embora do- tado do que se chama segunda vista. Jesus. que nem sempre produz o sono. Superior a todos os Espíritos que o cer- cavam. — 51. 5. em verdade vos digo que vereis aberto o céu e os anjos de Deus a subirem e descerem so- bre o filho do homem. porque disse que te vi debaixo da figueira. revestido apenas de um corpo de natureza perispirítica. É que. Preciso se faz que seus guias o auxiliem.

os perigos a que escapou de maneira que os homens tinham por "milagrosa". Aliás.J. haviam de fazer crer na intervenção dos anjos a seu favor. a inde- pendência da sua natureza e de suas facul- dades espirituais. Sabeis que Jesus se achava cons- tantemente cercado de Espíritos superiores. era sempre Espírito. sua vida excepcional." Indubitavelmente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 239 cesse aos homens achar-se encarnado. em verdade vos digo que vereis aberto o céu e os anjos de Deus a subirem e descerem sobre o filho do ho- mem. mas para. a vista espiritual. essa intervenção foi real. prontos sempre a cumprir suas ordens. lhe prestarem o devido concurso. . sob a aparência de um homem. portanto.B. quan- do disse: "EM VERDADE. Conservava. obedien- tes à sua vontade. a consciência exata da sua origem. não para o fim de protegê-lo. Usou de uma linguagem figurada.

B. a mãe de Jesus lhe disse: Eles não têm mais vinho. — 2. havia ali seis talhas de pedra destinadas às purificações que eram de uso entre os Judeus. 1-11 Bodas de Caná. — 5. Disse sua mãe aos que serviam: Fazei tudo o que ele vos disser. Como viesse a faltar vinho. com seus discípulos. Três dias depois. também foi convidado para as bodas. a que es- teve presente a mãe de Jesus. — 3. 1.J. — Fato considerado mila- groso V. Ora. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 240 CAPÍTULO II Vv. Este. — 4. Respondeu-lhe Jesus: Que há de comum entre mim e ti. mulher? Ainda não é chegada a minha hora. celebraram-se umas bodas em Caná da Galiléia. — 6. cada uma com a capacidade de duas ou três metre- .

de modo ge- 26 Medida que tinha a capacidade de 27 litros. Encheram-nas até à borda.J. chamou o noivo. Tanto que provou da água mudada em vinho.B. ao contrário. Com este. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 241 26 tas . — 10. só de- pois que os convidados têm bebido bastante. tu. N. 27 Mordomo. Assim fizeram. deu Jesus começo aos seus mila- gres. — 8. disse ele: Agora. — 7. Já conheceis bastante. Disse-lhes Jesus: Enchei de á- gua as talhas. o arquitriclino. . — 11. lhes apresenta o inferior. tirai do que está nelas e levai ao arquitriclino27. Feito isso. que haviam tirado das talhas a á- gua). manifestou a sua glória e seus discípu- los creram nele. conservaste guardado até agora o vinho bom. não sa- bendo donde este viera (o que sabiam os criados. 6. realizado em Caná de Galiléia. e disse: Todo homem serve primeiro o bom vinho. — 9.

B. o sabor do vinho. que se espalhou. Não vos admireis de que. assim magneti- zada. o que houve ali foi o resultado de uma ação magnética exer- cida por ele. apresentando o sabor de vinho. de que a água fora mudada em vinho. de que um "milagre" ali se operara. a á- gua tenha sido tomada por vinho legítimo e que o fato.J. A água não se transformou em vinho. para o paladar dos convivas. Não igno- rais que Jesus dispunha de grande poder sobre os fluidos. haja dado lugar à crença. o sabor que Jesus lhe impôs. Quando a Jesus foi ob- servado que não havia mais vinho o festim estava a terminar e já o dia declinara bastan- te. Pois bem. Os vasos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 242 ral. a água tomou. para compreen- derdes a perfeita naturalidade desse fato que foi considerado um "milagre". com que os que serviam tira- . como o supôs e espalhou o vulgo ig- norante das causas do fenômeno produzido. como conseqüência da ignorân- cia em que todos estavam das causas e dos meios pelos quais se produzira. os efeitos magnéticos. Por efeito daquela ação magnética.

por meio de uma ação magnética. tenha exercido ação mag- nética sobre todos os convivas. o que é uma su- posição gratuitamente falsa. eram uma espécie de ânforas de barro. basta refli- tais em que um forte magnetizador humano pode. ope- rando a distância. não tivesse o poder de atuar por si sobre todos os convivas. Ora. Foi de uma delas que o arquitriclino. Já não é do vosso conhe- cimento o efeito do magnetismo. que o líquido circulou entre os convivas. porém. Jesus im- pôs a estes a sua vontade. Quando mes- mo. os Espíritos su- periores que o cercavam. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 243 vam das talhas o líquido. provou o líquido que lhe apresentaram e foi em vasos mais ou menos idênticos a esses. quer espiritual. a grande distância relativamente aos homens. sobre o homem? Para compreenderdes que Jesus. Jesus possuía no máximo grau a faculdade magnética.B. em número. incalculável e sempre prontos a lhe o- . quanto à forma e à matéria de que eram fabricados. ou mordomo. para vós. quer huma- no. atuar sobre um paciente apropriado a essa ação.J.

como era preciso que acontecesse.J. O ban- quete estava a terminar. Isso. sob o fundamen- to de que ele assim acoroçoara a orgia. embo- . No caso de que tratamos. houve. é preciso se desco- nheça completamente a sobriedade de que os Orientais sempre deram provas. entretanto. teriam reforçado o valor magnético de que ele dispusesse e teriam atuado por seu lado. de sorte a prepa- rar os pacientes para experimentarem a in- fluência do Mestre.B. o ato de Jesus. como hão ou- sado fazer. quando um médium adormece. for- necendo-lhe alimento. É o que sob as vossas vistas muitas ve- zes ocorre. uma inspiração que os preparou a sentirem na água o sabor do vinho. por meio do magnetismo espiritual. Os convivas. ação sobre o pensamento dos convivas. Para tachar-se de imoral. des- de que à água foi dado o sabor do vinho. era des- necessário. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 244 bedecerem às vontades. sem que dele se haja aproximado magneti- zador algum.

tinham apenas tornado alegre o festim. o evangelista. João. repro- duzi a narrativa corrente do fato. Jesus ainda não começara o de- . ignorante das causas. os criados tiraram das talhas e apresentaram ao mordomo para provar. conside- rando-o também um "milagre". no dizer do mordomo. falando da água que. Se na minha narração. por ordem de Jesus. com relação a esse caso. priva- do da inspiração mediúnica. foi porque. disse "que ela se transformara em vinho".J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 245 ra houvessem bebido muito. entregue às mi- nhas impressões pessoais. Quando o fato a que nos vimos referindo se deu. como o vulgo. Cumprindo que guardasse silêncio a tal res- peito. E não busquei. sem que absolutamente tivessem chegado à licença. como ainda porque não podia nem tinha que a dar. Os que censuram devem raciocinar e sobretudo refletir antes de falar. nem à embriaguez. sem lhe bus- car a explicação. eu. não só por- que era inútil que eu a desse. fiquei.B.

visto que ainda não chegara para ele o momento de começar a desem- penhar publicamente a sua missão. mas sem ter consciência de uma nem de outra. dizendo a Jesus: "Eles não têm mais vinho". falava por inspiração. mulher? Ainda não é chegada a minha ho- ra. . Aquelas palavras não foram dirigidas pessoalmente a Maria e sim a todos os que o rodeavam. Jesus lembrava a Maria que lhe não devera ter pedido fizesse um naquela circunstância. como prepa- ratória das sendas que se iam abrir e como de molde a pôr em destaque a pessoa de Jesus. ela se achava sob a influência espírita. E porque foi inspirada no sentido de pedir o que pediu? Porque aquela manifestação era conveniente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 246 sempenho ativo da sua missão.B. e aos cri- ados: "Fazei tudo o que ele vos disser".J. Consideremos as palavras que ele dirigiu a Maria: "Que há de comum entre mim e ti. porquanto ao pedir o "milagre"." Não tendo até então operado nenhum "milagre".

deduzir que Jesus trouxe aos homens a bebida perfeita. Houve quem dissesse: Jesus. conservas-te guardado até agora o vinho bom". ao contrário. das palavras do mordo- mo ao noivo. Tendo sido o fato em questão uma obra preparatória que o Mestre achou convenien- te executar. mandou que enchessem dágua seis . viesse a faltar vinho. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 247 Quanto ao mordomo. só depois que os convidados têm bebido bastante. Jesus.J. diz o evange- lista. podeis. dizendo ao esposo (vv. depois de provar da água que. N.B. destinada a subs- tituir o grosseiro licor que até então lhes ma- tara a sede. apenas pôs em con- fronto com o caso ocorrente os costumes da época. lhes apresenta o inferi- or. 9 e 10). Como. tu. no entender de todos os presentes. 7. estando já os convivas embriagados. quase ao terminar o festim. sua mãe e seus discípulos foram convidados para umas bodas. "se mu- dara em vinho": "Todo homem serve primei- ro o bom vinho.

19). a utilidade. mais natural fora que transformasse o vinho em água. cada uma com a capacidade de duas ou três metretas. ou uma significação moral. v. Em geral. pois que assim daria àque- les convivas intemperantes uma lição de so- briedade. o que quer dizer uma quantidade de vinho suficiente para embebedar toda a cidade de Caná. A resposta está nas explicações que a- cabamos de dar-vos. a ter de fazer um milagre. porém. Conseguintemente. os milagres de Jesus têm um fim útil. voraz et potator vini (MATEUS. Onde. Dessas reflexões se .B. Calculou-se que essas dezoito metretas equivaliam a oito ou dez hectolitros. a moralidade des- sa transformação da água em vinho para ser tomada por pessoas que já haviam bebido demais? Muito embora Jesus nos informe de que os Judeus lhe chamavam comilão e beber- raz.J. e transformou essa água em vinho. sabemos que ele era modelo de temperan- ça. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 248 talhas. I. AQUI.

B. deu Jesus começo a seus milagres. O fato ocorrido nas bodas de Caná foi um . que deu à água o sabor do vinho. manifestou a sua glória e seus dis- cípulos creram nele. segundo a significação que esse vocábulo tem. já o sabeis. Fez que a fé despontasse nos discípulos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 249 teriam abstido os que as fazem. Quanto ao lado moral do fato. sem lhe comu- nicar o princípio alcoólico. como dissemos acima. "Com esse. nunca derroga as leis naturais que a sua vontade imutável estabeleceu desde toda a eternidade. isto é: no sentido de derroga- ção das leis da natureza. que começavam a grupar-se em torno de Jesus e que com ele estavam pre- sentes ao festim. realizado em Caná de Galiléia. se se hou- vessem reportado à ação magnética. Deus. atente-se em que este foi um fato preparatório." "Milagre" realmente não houve.J. e que funda impressão causou nos Espíritos exatamente por haver tocado os sentidos materiais dos que o ob- servaram.

Quanto ao sabor do vinho. Ele a exami- nou e reconheceu que se encontrava no seu estado natural. le- vou os homens a qualificarem-no de milagre. haja deixado de examinar a água que restara nas talhas. Quanto ao que concerne às seis grandes talhas. Somente a ignorância das cau- sas que o produziram é que. só a água que foi tirada das talhas para ser levada ao mordomo e servida aos convivas o adquiriu.B. Não se vos diz que o mordomo. crentes de que aquilo não pas- sava de uma mistificação. . repetimos. tendo Jesus dito: "Enchei dágua as talhas". supondo que efetivamente a água se trans- formara em vinho.J. por mofa. até à borda. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 250 fato natural. termina- da a festa e depois que os convivas se ti- nham ido embora. por efeito da vontade de Jesus e da ação magnética que ele exerceu. Só nessa porção dágua era necessário que se sentisse tal sabor. Despejaram-nas e ninguém mais pensou nisso. os criados as encheram.

B. tão fortemente lhes tocara os sen- tidos materiais. Diante do fato. A ignorância que. Tudo estava preparado e previsto para o desempenho da missão do Mestre. se o hou- vessem divulgado. um "milagre" a mais se contaria: — o da transformação do vinho em água. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 251 Esse outro fato. que não podi- am negar. entre os que não sa- bem explicar o caso ocorrido.J. entre os convivas de Caná. eles se viram constrangidos a considerá-lo um "milagre". que continuava a mesma. depois de ter sido a água mudada em vinho. dada a ignorância das causas. à crença numa transformação da á- gua em vinho. e que não achavam meio de explicar nem de compreender. deu lugar. . produz a in- credulidade.

seus irmãos e seus dis- cípulos.B. ele desceu a Cafar- naum com sua mãe.J. 12. se os Judeus lha tirarem. 12-25 Vendedores expulsos do templo. — Jesus restabelecerá em três dias a vida no seu corpo. — 16. Depois disso. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 252 CAPÍTULO II Vv. — 14. ovelhas e pombas e de cam- bistas sentados às suas bancas. Aos que vendiam pombas disse: Tirai tudo . Aí achou o templo cheio dos que vendiam bois. conforme ao entender dos homens. — 15. Estando próxima a Páscoa dos Judeus. Jesus subiu logo para Jerusa- lém. derribando-lhes as bancas. — 13. Ele então fez de cordas um azorrague e os ex- pulsou a todos do templo com as ovelhas e os bois e atirou ao chão o dinheiro dos cam- bistas. mas não permaneceram ali muito tempo. — Conhecimento que ele por si mesmo tinha de tudo o que havia no homem V.

acreditaram em seu nome. pois. . conhecia o que havia no homem. — 17. Interpela- ram-no os Judeus assim: Por que milagre nos mostrarás que tens o direito de fazer o que fazes? — 19. — 23. Respondeu-lhes Jesus: Destruí este templo e eu o restabelecerei em três dias.B. Quando. — 22. pois que ele. Ele. porque os conhe- cia a todos. — 18. por si mesmo. vendo os milagres que fazi- a. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 253 isto daqui. Lembraram-se en- tão seus discípulos de que está escrito: De- vora-me o zelo da tua casa. — 24. ressuscitou dentre os mortos. porém. Mas Jesus não confiava neles. — 25. não façais da casa de meu pai casa de comércio. Retrucaram-lhe os Judeus: Quarenta e seis anos foram gastos em edifi- car este templo e tu o restabelecerás em três dias?! — 21. falava do templo de seu corpo. — 20. seus discípulos se lembra- ram de que dissera isso e creram na Escritu- ra e no que Jesus havia dito. Enquan- to ele esteve em Jerusalém pela festa da Páscoa. muitos. Não precisava que al- guém lhe desse testemunho de homem al- gum.J.

Os evangelistas.J. apenas um conjunto de fatos ocorridos. Quanto ao dos mercadores expulsos do templo. Limitaram-se a registar o que viram ou lhes fora contado. de um lado. O Evangelho de João se liga. porquanto se. de certo modo. cita alguns a respeito dos quais os ou- tros guardaram silêncio. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 254 N. 8. Diversos fatos foram reunidos em um mes- mo ponto e dispostos por maneira a estabe- lecer-se entre eles uma ligação. os versículos de João acima transcritos não se referem a um único fato.B. Notai o que disse Jesus acerca do templo . já recebestes as explicações conve- nientes no comentário aos três primeiros Evangelhos (n. não obedeceram à ordem cronológica deles. ao narrarem os fa- tos. aos três outros. completando-se reci- procamente os quatro. ele omite fatos de que os outros trata- ram. 247. 3° tomo). mas não por ordem cronológica. Assim.

É mandamento que recebi de meu pai. ao desaparecimen- to do seu corpo de dentro do sepulcro. sempre que se ocultava aos olhares huma- nos: "Deixo a vida para a retomar. — sou eu que a deixo por mim mesmo. e o que diz João. X. conhecia o que havia no homem. às suas desaparições duran- te o desempenho da sua missão pública. pois que. à sua "ressurreição"." Confrontai aquelas palavras com estas outras do Mestre. 17 e 18. vv. es- tando selada a pedra que o fechava. como ex- pressão dos fatos de que ele. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 255 de seu corpo: "Destruí-o e eu o restabelece- rei em três dias". aludindo desse modo à sua ressurreição. os apóstolos e os discípulos tinham sido testemunhas: "Não precisava que alguém lhe desse testemunho de homem algum. — tenho o poder de a deixar e te- nho o poder de a retomar.) Confrontai-as também com estas outras: ." (João. por si mesmo.J. — nin- guém ma tira. aludindo ao mesmo tempo ao sacrifício do Gólgota.B.

porém. — desci do céu. v. com a aparência do corpo humano. conhecia o que havia no homem"." — Ninguém nunca subiu ao céu. não para fazer a minha vontade. foi meramente aparente e assim é que. v. 38. sois deste mundo. senão aquele que desceu do céu. pois que. tangível. Jesus lia por si mesmo o pensamento dos homens. eu. Sendo sempre Espírito debaixo daquele envoltório fluídico. que os homens con- sideraram real. III. assinalam a origem extra-humana de Jesus. Sendo sem- pre Espírito. VIII. de João: "Não precisava que alguém lhe desse testemunho de homem algum. pelo seu reaparecimento cha- mado "ressurreição". sois deste mundo e eu não sou deste mundo. VI. .J. sou do alto.B. 23. (João. retomou aquele corpo de natureza perispirítica. o filho do homem que está no céu". por si mesmo. penetrando-lhes as intenções. v. 13.) Fazei esse confronto e vereis que estas. mas para fazer a vontade daquele que me enviou. sua morte. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 256 "Vós.

Havia na classe dos Fariseus um homem chamado Nicodemos. Respon- deu-lhe Jesus: Em verdade. — A reencarnação. Pergun- tou-lhe Nicodemos: Como pode renascer um homem que já seja velho? Pode.B. Esse uma noite veio ter com Jesus e lhe disse: Mestre. Perguntas de Nicodemos a Jesus. porventura. 1. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade. — 3. — 2. magnate entre os Judeus. Respostas de Jesus V. — 4. pois ninguém pode fazer os milagres que fazes se Deus não estiver com ele. entrar de novo no ventre de sua mãe e nas- cer outra vez? — 5. sabemos que como Mestre vieste da parte de Deus.J. 1-21 A lei de renascimento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 257 CAPÍTULO III Vv. em verdade te digo que não pode entrar no reino de Deus aquele que . em verdade te digo que ninguém pode entrar no reino de Deus se não nascer de novo.

B. — 6. mas não sabes donde ele vem nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do espírito. — 9. O espírito sopra onde quer. ao . do mesmo modo importa que o filho do homem seja alçado. Assim como Moisés alçou no deserto a serpente. tu lhe ouves a voz. O que é nascido da carne é carne. Não te admires de haver eu dito: É necessário que torneis a nascer. — 14. para que todo o que nele crê não pereça e tenha. quando vos fale das celestiais? — 13. que está no céu. . Nicodemos lhe replicou: Como pode isso fazer-se? — 10. Também ninguém subiu ao céu. não re- cebeis o nosso testemunho. Se não me credes quando vos falo das coisas terre- nas. senão aquele que desceu do céu. em verdade te digo que dizemos o que sabemos e damos testemu- nho do que temos visto. — 7. Em verdade. entretanto.J. a sa- ber: o filho do homem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 258 não renascer pela água e pelo espírito. o que é nascido do espírito é espírito.15. — 8. — 12. como me crereis. Observou-lhe Jesus: És mestre em Israel e ignoras estas coisas? — 11.

Deus não enviou seu filho ao mundo para julgar o mundo. Por- que. a fim de que todo o que nele crê não pereça. mas para que o mundo seja salvo por ele. . a fim de que sejam manifestas suas obras. — 18. — 20. mas o que não crê já está con- denado. aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se aproxima da luz. por serem más suas obras.B. O motivo desta condenação é que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais às trevas do que à luz. a reencarnação. a vida eterna. tenha a vida eterna. — 17. visto que são feitas em Deus. Por- quanto. Mas. pois que não crê no nome do filho unigênito de Deus. Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu filho unigênito. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 259 contrário.J. aque- le que pratica a verdade se chega para a luz. N. como sabeis. para a qual o Mestre chama- va constantemente a atenção dos homens. — 16. — 19. a fim de que suas obras não sejam argüidas. Porque. Quem nele crê não é condenado. 9. A pergunta de Nicodemos e a res- posta de Jesus confirmam. — 21.

não entrará no reino de Deus. em verdade te . uma noite. — 3. pois ninguém pode fazer os milagres que fazes. se Deus não estiver com ele. isto é: numa existência pura e luminosa que constitui a verdadeira vida do Espírito. que é a perfeição. 1.J. — 2.B. veio ter com Jesus e lhe disse: Mestre. sabemos que como Mestre vieste da parte de Deus. os quais já vos explicamos em espírito e em verdade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 260 tanto assim que a encontrastes indicada sob o véu da letra em muitos daqueles de seus ensinamentos que os três outros Evangelhos registaram. V. Esse. A síntese das palavras de Jesus a Nico- demos é esta: se o homem não recomeçar sua vida até que atinja o limite que lhe está assinado. Havia na classe dos fariseus um homem chamado Nicodemos. Respon- deu-lhe Jesus: Em verdade. Tomai pensamento por pensamento e vos daremos as explicações necessárias. magnate entre os Judeus.

devia ser o enviado prometido desde tantos séculos. .B. foi que Jesus disse ser preciso que o homem renasça. O ridículo lá estava para lhe to- lher os passos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 261 digo que ninguém pode entrar no reino de Deus se não nascer de novo.J. Os chefes da sinagoga também a tinham. Mas. a operar milagres que só a mão de Deus poderia rea- lizar. temia muito o — que se dirá? Ja- mais. Porque lhe lia o pensamento. mas o orgulho e os interesses pes- soais os levavam a fazer então o que tantas vezes haviam feito com relação aos profetas. do ponto de vista das interpretações hebraicas. Nicodemos tinha consciência da missão de Jesus. portanto. dadas às profecias referentes ao advento do Messias. que aquele homem simples e humilde. ousaria entrar desassombra- damente em a morada humílima do "filho do carpinteiro". dominado pelo respeito humano. A instrução teológica o pusera em condi- ções de compreender.

aquelas palavras signi- ficavam: É preciso que o homem se despoje desse corpo de que usa. seus pensamentos. de egoísmo. Para Nicodemos. É preciso que seja simples diante de Deus. embora sintam que umas e outros são honrosos e santos.B. como é santa a criancinha consagrada a Deus. para renascer livre. É preciso que seja santo. É preciso que seja puro. como simples é aos olhos de sua mãe a criança que nasce. declarando: "Em verdade.J. como a criança que os pais apresen- tam no templo. a obrigação de reviver na carne. apto a progredir. . Je- sus tinha em mente afirmar a realidade da lei natural e imutável do renascimento. composto de pre- conceitos. puro. Entretanto. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 262 Essa resposta o Mestre a deu em particu- lar a Nicodemos e em geral a todos os que não ousam externar suas opiniões. de vis paixões. em verdade te digo que ninguém pode entrar no reino de Deus se não nascer de novo". de ignorância. da reen- carnação.

de modo exato e completo. Aquele que não se despoja do homem velho. as vestes de finíssimo linho. suas aplicações. essa lei natural e imutá- vel do renascimento. . da reencarnação. em es- pírito e verdade. ao tempo da revelação predita e prometida: a revelação espírita. no reino dos céus. para envergar a roupagem branca e pura do levita.J. assim. que não despe a túnica da impostura e de iniqüidade que o cobre. pois que só com os trajes nupciais se pode lá entrar. seu objetivo e suas conse- qüências.B. não entrará no reino dos céus. pondo-a claramente diante dos olhos de todos. Mas. de chegar à perfeição. de entrar. que vem explicar. mos- trando o princípio de justiça a que obedece. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 263 como sendo. esse pensamento do Mestre só ha- via de ser compreendido. para o Espírito. o único meio de se depurar e de progredir. pelas gerações então futuras. Esse o sentido figurado da- quelas palavras.

despir a veste de carne não é tudo. elas significam: Se o Espírito não despir a veste de carne com a qual se maculou. para que desapareçam todos os vícios e imperfei- ções a que esse corpo serviu? Não. lá não chegará. que mais não é do que um instrumento passivo que o Espírito aciona. à matéria. restituí-lo à terra. O Espírito dirige o instrumento de que se .B. o fardo que trazia ao tomá-lo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 264 Pelo que toca à realidade. ao abandonar o corpo. Dar-se-á porventura que lhe basta despojar- se do corpo carnal. Pois que os vícios e imperfeições não nascem do corpo. princípios que encontram no corpo um agente apropriado a auxiliá-lo nas suas ma- nifestações. o Espírito encerra consigo nele os princípios bons ou maus que consigo traz. Mas. também o Espírito não deixa. se não ati- rar para longe de si essa matéria imunda e infecta.J. Revestindo-o. a fim de comparecer perante seu juiz.

Cumpre-lhe servir-se bem dele. toma outro. porque o trabalho tem que ser feito. o corpo não passa de um amálgama de podridões. Fa- liste: observa-te. Pede-as àquele que o manejava. o instrumento de que se utilizou. o amo do obreiro não é ao instru- mento que pede contas da obra a ser execu- tada. estuda.B. em sendo este mau. guiá- lo bem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 265 serve. a ferrugem e os vermes o corro- em. abandonan- do-o definitivamente. vê por ti mesmo o que te arrastou à queda. o que te falseou o golpe de vista e a mão. O instrumento que te servia está inutilizado pelo uso. Atira para longe de ti tudo o que tenha sido causa do teu transvi- amento e. Ora. quando me mostrares acabada a . É preci- so que a obra se conclua e seja perfeita. inca- paz do menor movimento.J. Quando o obreiro atira fora. Abandonado pelo Espírito. diz ao obreiro: Recomeça. Inda- ga do trabalho feito e. Toma-o e trata de manejá-lo melhor.

não apresentando mais do que uma única via de expiação — a dos seus suplícios. não é este um pensamento consolador. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 266 tua obra. ainda um dos mundos inferiores. mias que já fez a sua épo- ca. vago. reconfor- tante? Este dogma da natureza não é mais consolador. qual a Igreja o formulou. dogma que. dogma cuja monstruosida- de só é igualada pela sua falsidade. que só ela abre as portas do rei- no dos céus? .J. como dissemos noutro ponto. ó bem-amado.B. caricioso. não ofere- cendo ao Espírito culpado que sai da Terra. mais caricioso. não produzindo hoje senão a increduli- dade? do que o de um purgatório. pelos quais seja levado progressivamente à perfeição moral e intelectual. teve a sua razão de ser. receberás o salário prometido ao obreiro. mais reconfor- tante do que os dogmas humanos da Igreja? do que o da eternidade das penas para o Espírito culpado. de purificação. obscuro e falso. Dizei-nos. meios de reparação.

tomado de angústia. as- sim o ladrão.J. sem fé. perguntando. da faculdade de re- começar a tarefa mal cumprida? Para o coração do homem que tem a a- nimá-lo uma idéia generosa e nobre. com o progresso da humanidade. que sonha com o progresso de seus irmãos. ou que. Para aquele que viveu vida condenável. como o homicida. que. que poderá haver de mais animador e reconfortante do que a idéia da reencarnação.B. co- meter um crime mais ou um crime menos? Não lhe inspiravam confiança a miseri- córdia dos juízes. espera o ani- quilamento no nada. nem as promessas dos homens de armas. chegar o mo- mento da partida. Não podia ser de outro modo. que sente grandes coisas germinando no seu íntimo e . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 267 Quando a pena de morte alcançava. por única resposta vê um gládio prestes a vará-lo. continuava a falir. Falira. empolgado pelas recordações da infância. que importa- va àquele que já se sentia condenado. que vê. se há um Deus.

não será gratíssimo pensar que a obra incompleta pode ser acabada? Oh! para aquele que só lobriga. após a morte. passando . além- túmulo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 268 que se vê atingido por essa impiedosa cega que é a morte. mas. uma vida eterna contemplativa. em sua misericórdia infinitas. pode a si mesmo dizer: "Fali.B. nas suas provas. meu pai. da reencarnação não é a mais con- soladora. a mais grata em face da morte? O que faliu na sua obra. na erraticidade. separada do seu invólucro. que não compreende as lutas do passado. Torna-se coisa abstrata. a morte do corpo acarreta a paralisia da alma. o meu Deus onipotente. em sua justiça. a marcha do progresso. a idéia do renas- cimento. Para aquele que sabe. a menos que algumas transgressões "às leis da Igreja" a condenem aos suplícios do "purgatório". eu as expia- rei. que nada mais espera do futu- ro.J. não é mais um ser. me permitirá recomeçar a obra mal feita. em sua bondade. Meus crimes ou minhas faltas. Esta.

Mas. do meu gênio. inacabada a obra que empreendera. pro- vado no fogo moral da expiação. E. de nascer de novo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 269 por torturas ou sofrimentos morais que lhes sejam proporcionados e apropriados e cujo aguilhão sinto já nos remorsos e dores que. me concederá essa graça. E Deus. pode a si mesmo dizer: "Sem dúvida. pela reencarnação. cheio do desejo ardente de reparar e de progredir. pedirei a Deus a graça de reviver.B. visando a felicidade de seus irmãos. a hu- manidade teria aproveitado da minha obra. mediante novas provas. têm sua fonte de origem na consciência culpada. . Arrependido e submisso. meu pai. para recomeçar a obra mal feita. depois de ter visto o que me arrastou à queda." O que deixou incompleta. o que me falseou o olhar e a mão. recomeça- rei a tarefa. das minhas inspirações. cujos tesouros de misericórdia são ines- gotáveis. o progresso da humanidade.J. como aqueles mesmos sofrimentos e tortu- ras.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 270 quem sabe? Talvez que nos meus projetos se haja infiltrado algum fermento de humano orgulho. aperfeiçoar o que sei. previdente e bondoso. Ó morte. Respondeu-lhe Jesus: Em verdade. a força. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode renascer um homem que já seja velho? Pode.B. pergun- tamos? V. mais instruído. as empresas que deseja- va fundar. Talvez os projetos por mim formados. mais jovem de corpo. que meu pai. sê bem-vinda! Vais restituir-me a juventude. Voltarei mais forte. mais inteligente.J. quis extinguir desde logo. porventura. a bon- dade. Vou então para junto do Mestre indulgente e infa- lível estudar o que ignoro. a ciência!" Essa idéia de recomeçar a tarefa não é mais suave do que qualquer outra. em verdade te digo que não poderá entrar no reino de Deus aquele que não renascer pela . acabar o que empreendera. 4. entrar de novo no ventre de sua mãe e nascer outra vez? — 5. precisassem de aperfeiçoamentos que eu era ainda incapaz de lhes dar.

como vós o sois das da vossa. a reafirmar o que dissera. "Em verdade. Por isso mesmo é que o Cristo se limitou." Efetivamente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 271 Deus aquele que não renascer pela água e pelo Espírito. dizendo — "se não renas- cer da água e do espírito" — outra coisa não teve o Mestre em mente senão reafirmar o . apenas fez um jogo de palavras. pois que a consci- ência o fizera compreender o sentido que Jesus dava ao que havia dito. Nicodemos. con- quanto inteligente e desejoso de instruir-se. não se achava em estado de compreender o alcance das palavras de Jesus. ao formular a sua observação.B. Entre- tanto. que tinham de permanecer veladas. Não ousava crer abertamente e a sua falta de iniciativa lhe obscurecia a inteligência. em verdade te digo que não poderá entrar no reino de Deus aquele que não renascer da água e do espírito. na sua se- gunda resposta. Imbuído das idéias de sua época. Como tantos dentre vós. ele temia o ridículo e o sarcasmo.J.

do qual lhe cumpre servir-se bem e que constitui para o homem. traz em si mes- mo "o reino de Deus".” Aquelas palavras. visto que no exercício de suas faculdades é que ele encontrará meio de lá chegar e lá só chegará lentamen- . 21. da reencarnação. em espírito e verdade: "se não renascer". O ho- mem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 272 que acabara de dizer: “se não renascer de novo. por efeito do renascimento. significam. que o levará a uma existência pura e luminosa. o meio úni- co de entrar "no reino de Deus". se não recomeçar sua vida segundo a lei de reprodução.J. se não reco- meçar. a qual constitui a verdadei- ra vida do Espírito. isto é: de enveredar pelo caminho da reparação e do progresso. já o temos explicado.) Está no meio de vós e não sabeis descobri-lo. v. "pela água". como vos vamos mos- trar." (Lucas. XVII. Disse o Cristo: "O reino de Deus está dentro de vós. "pelo espírito".B. vindo sua alma habitar esse corpo. tomando um novo corpo.

como os homens imaginaram. no cadinho das vidas sucessivas e progressivas. É a união das almas purificadas. às suas tradições. É a perfeição moral humana. de ascensão em ascensão. É a imensidade na virtude." De modo geral. a princípio expiatórias e. Em cada época se fala a linguagem a- propriada às suas idéias. Assim é que Jesus apropriou à época em que falava a linguagem de que usou nesta resposta a Nicodemos: "Não poderá entrar no reino de Deus aquele que não renascer da água e do Espírito. pelo renascimento. Aquele reino não é um lugar circunscrito. segundo as interpreta- ções científicas.J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 273 te. às suas interpreta- ções científicas. uma mansão feliz onde lhes será dado penetrar. por fim. À pluralidade das existências corresponde a pluralidade dos mundos ao longo da trajetória ascensional do progresso. indo de progresso em progresso. gloriosas. e em especial para os He- . que condu- zem à perfeição sideral.

4. em espírito e verdade. Portanto. "renascer do Espíri- to" era vir o Espírito animar esse corpo. empregando 28 Cap. 9. que refletiam as interpretações científicas. I. 2. II. resposta pela qual. do corpo do homem. De sorte que o renascimento.B. Tais são. fonte originária do corpo dos ani- mais vivos. que se supunha produzidos por ela. elemento ge- nésico dos reinos orgânicos e inorgânicos. vv. a reencar- nação eram uma realidade e não uma alego- ria. era considerada um princípio primitivo. 11 e 20. segundo as tradições do Gênese28. o senti- do e a explicação das palavras de que se serviu Jesus na sua segunda resposta a Ni- codemos. 10. um princípio gerador. 5. or- ganizador de todas as coisas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 274 breus. naquela época. 1. a água. 7. 6 e 7. 6. .J. "renascer da água" era nascer de novo com um corpo. cap. habi- tá-lo. vv. princípio.

cap. Na imagem. 8): "Há três que dão teste- munho na Terra: o Espírito. gerador. re- petimos. quando escrevi (Epís- tola 1°. v. esses três são um. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 275 termos que tinham sua significação determi- nada no livro sagrado dos Hebreus. assim o compreenderam.B. organizador do corpo ." Estas palavras se referem ao homem. a água representa o princí- pio primitivo. O Espírito dá testemunho ao Espírito: ao pai. isto é. apenas reafirmou o que antes dis- sera. nesse sentido é que entendia e apliquei o termo água. como princípio primitivo. João evangelista. Alguns. gerador e organiza- dor do corpo humano. mas não estava generalizada. a água e o sangue dão testemunho da exis- tência da matéria unida ao Espírito. a água e o san- gue. ele. V. nos primeiros tempos. Dizemos — alguns — por- que a crença no renascimento era partilhada por muitos.J. Eu. E os três são um: o "homem".

mas um corpo vivo. ou seja. mas com a água e com o sangue. não somente com a água. V. porém. e sim com a água e o sangue. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 276 do homem e o sangue figura como elemento da vida. se- gundo o espírito e em verdade. como encarnado. do princípio orgânico. não da mesma nature- za. comprovar que ele viera realmente entre os homens. eu. porque habitado pelo seu Espírito. corpo em tudo semelhante ao dos homens. quis dizer que viera com um corpo. entretanto. derivado daquele princípio. sob a influência espírita e sob a inspiração mediú- nica. 6) que Jesus "viera com a água e o sangue". o . Dizendo que viera não somente com a água. V. das quais. do ponto de vista da água. e do sangue. isto é: com um corpo. não tinha consciência.B.J. porquanto nem toda carne é a mesma carne e há corpos terrestres e cor- pos celestes. do elemento da vida. 6. v. João evangelista. disse (mesma Epísto- la 1ª cap. Assim é que. para. O que é nascido da carne é carne.

O nascimento do homem não depende senão da carne. por um corpo e um Espírito que o venha animar. De maneira que. nascer de novo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 277 que é nascido do Espírito é Espírito . as- sim como. habitando ne- le. O Espírito apenas anima a matéria perecível. A matéria deriva da matéria. nenhuma afinidade tendo com a maté- ria. isto é: pela matéria unida ao Espírito.B. habitar. quis Jesus pôr em evidência. o mesmo Espírito toma um novo corpo e o a- nima e habita.J. consistindo nisso o renasci- . isto é. emanado da inteligência suprema que rege todas as coi- sas. o Espírito independe dela. para nascer um homem. so- brelevar o pensamento que acabara de ex- primir quanto ao renascimento pela água e pelo Espírito. também para renascer. um Espí- rito toma um corpo e o anima. como o Espírito genérico do qual emana. Fazendo aquela distinção entre o corpo e o Espírito. Nascido do Espírito. preexiste ao corpo e lhe sobrevive. pois que é imortal.

seja. " o inferno eterno". a realidade do renascimento. como ainda não admite. na inação. após a morte. como destino para o homem. As palavras realmente pronunciadas por .J. senão uma única vida corporal. a Igreja também não admitiu o sentido próprio. tomando por base de suas in- terpretações o nascimento pela água e pelo Espírito. a Terra. igualmente lugar circuns- crito e determinado. pura e simplesmente. ou ainda "o paraíso". a existência senão de um único mundo habitável. ou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 278 mento. A Igreja. teve que procurar um senti- do figurado. ou "o purgatório". lugares um e outro circunscritos e determinados. uma vez que não admitiu o sentido próprio. assinando. o emblema da purificação pelo batismo e da inspiração pelo Espírito Santo. Desde que não admitia. e. de acordo com suas leis e seus dogmas. para o Espírito.B. fez dele. destinado a uma eterna vida contemplativa na inércia. a reencarnação. E. da reencarnação.

não será por meio do batismo. o sentido e o alcance destas pala- vras: "Se não renascer da água e do Espírito Santo"." A Igreja diz." Se vos colocardes no ponto de vista des- sa tradução inexata e do sentido emprestado ao vocábulo "água" para o fazer significar o emblema da purificação pelo batismo de á- gua. o sentido necessário de uma reali- dade. e não de uma alegoria. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 279 Jesus e que constam na tradução rigorosa- mente fiel do texto original são estas: "Em verdade te digo que aquele que não renas- cer pela água e pelo Espírito não poderá entrar no reino de Deus. Mas. mas diversas das que ele proferiu. ainda quando se queira explicar e compreender do ponto de vista do batismo dágua. a reencarnação. o renascimento. que se conse- . alterando as palavras do Mestre e do texto original: "não renascer da água e do Espírito Santo. descobrireis sempre. qual aprouve à Igreja imaginá-lo. nas palavras atri- buídas a Jesus.B.J.

no fundo não. Ele só derrama- va a água batismal sobre a cabeça dos que já estavam aptos a compreender a importân- cia do ato que praticavam. O batismo que João empregava era uma purifi- cação emblemática do corpo. a criança que nascia era levada ao tem- plo e aí passava por uma ablução para ser purificada. unicamente. sim. ape- nas a ocasião fora mudada. sem ter o batizando idéia nem consciência da cerimônia em que é par- te. Sê-lo-á na forma. tal qual o batismo da Igreja. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 280 guirá. Será. . que se empregava. No batismo que João dava.B.J. Não suponhais que o batismo dágua. enquanto que a purificação judaica. seja uma cri- ação sua. de uma formalidade. considerando o batismo que existia e era praticado ao tempo em que Jesus falava a Nicodemos. que João administrava a seus discípulos e que a Igreja continuou a administrar. como se emprega hoje. não passava de um simulacro. Segundo o uso judai- co. praticada co- mo preparatória da purificação do Espírito pelo arrependimento.

também segundo a Igre- ja.J. quer do ponto de vista da queda. fazendo-o herdeiro de uma falta toda pessoal. esse um dogma que o pro- gresso repeliu por absurdo. 56 e seguin- tes do 1° volume). para o corpo em que está habitando.B. Surge assim a criança trazendo. muito embora tenha sido a alma daquele novo ente humano cria- da expressamente. culpa de que só o batismo a livra. a seus caminhos. quer . se encontra a explica- ção do que a Igreja chama pecado original. seus fins e destinos. encarnação material humana. a culpa. No que vos revelamos (ns. visto que das mãos do Criador nada pode sair com mancha. a responsabilidade de um ato praticado por outrem. o que implicaria a pureza dessa alma. de que re- sulta a. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 281 No batismo de água que a Igreja adminis- tra. à sua queda. com relação à origem do Espírito. por ele Adão co- metida. o que constitui uma criação sua é o sen- tido emblemático que lhe ela empresta: o de apagar no recém-nascido um pecado original que Adão lhe transmitiu. se- gundo a Igreja.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 282 do da reincidência. ele significava . do da significação que ela atribui ao termo "água". que consistia na ablução do corpo para o purificar (todo corpo que vinha ao mundo era lavado para se expungir de suas impurezas materiais). nas palavras de Jesus a Nicodemos. preparatório do batismo do Espírito.B. como preparatória da purifica- ção do Espírito. que leva à reencarnação. ou na purificação judaica. Do ponto de vista humano. pela ablu- ção do corpo. Sendo o batismo de água que João mi- nistrava a seus discípulos a purificação do corpo pela ablução e sendo. ou no batismo que João administrava sob um aspecto emble- mático: o da purificação da carne.J. do "Espírito Santo". buscando-se essa razão e esse objetivo. pretendendo que signifique um renascimento por meio do ba- tismo dágua — o sentido daquelas palavras não pode ser determinado senão pela razão e pelo objetivo desse batismo. como batismo de penitência. que é o em que a Igreja se coloca.

a reencarnação. para renascer pela água ou da água. Quer dizer: era preciso que o Espírito tomasse. isto é. o renascimento. é purificar-se de cor- po e de inteligência. como preciso é hoje que se renove.B. nascer da água e do Espíri- to. preciso era que o corpo se renovasse. . pois.J. quer quando era João quem batizava. para a ablução de um novo corpo. Assim. para se purificar novamente de corpo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 283 — purificar-se o homem de corpo e de inteli- gência. como não recebe hoje da Igreja senão um só batismo. De sorte que. é preciso que tome um novo corpo para de novo receber aquele símbolo material de purificação. do "Espírito Santo". mesmo quando vos coloqueis no ponto de vista das traduções inexatas e no ponto de vista das palavras que a Igreja atribuiu a Jesus. o corpo não rece- bia mais que um único batismo dágua. Ora. quer quando a criança era levada ao templo para a purificação judaica. se apresentam sempre como realidade e não como alegoria. Portanto.

o batismo dágua lem- brava e ainda lembra ao homem. proveniente da sua feitura. portanto de uma falta. . que ele recebeu um corpo novo isento de impurezas e que lhe cumpre preservá-lo de todas as máculas. a fim de não escorrer pelo vaso. que nasce de novo e o recebe.J. que renas- ce. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 284 Nessas condições. inconsciente. A matéria deriva da matéria e o batismo dágua apenas se destina a simbolizar a purificação dessa ma- téria. Importa que esse Espírito não fermente. para lembrar ao homem que o corpo. incapaz de um ato qualquer. É um vaso novo que foi lavado pa- ra que ficasse em estado de conter o Espíri- to que nele se encerrou. Só o Espírito anima essa matéria perecí- vel. nenhuma impure- za traz. Privada do Espírito.B. repetimos. nada sendo por si mesmo. O nascimento do homem não depende senão da carne. a carne é inerte. deixando neste marcas que inte- ressariam à sua própria pureza.

B. que repelem a lei de renascimento. que não admitem tenha o Espírito mais de uma existência na Terra. o que vale por dizer — esclarecido de inteli- gência. não pode ser batizado senão com o Espírito. também o repetimos. que tomam por alegoria e não por uma reali- dade as palavras de Jesus a Nicodemos. que nenhuma afinidade tem com a matéria. expliquem e tornem compre- ensíveis as seguintes palavras do Mestre a seus discípulos. que é nascido do Espírito. ou se- ja. uma como emanação da divindade. À Igreja e a seus doutores em teologia. falando-lhes do fim do mun- do. isto é.J. da inte- ligência suprema que rege todas as coisas. de reencarnação. dos sucessos que o assinalarão: "Em verdade vos digo que esta geração não pas- sará antes que todas essas coisas hajam ocorrido". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 285 O Espírito. pedi que. pelos bons Espíritos que o cercam e que constituem. sem esta. palavras pelas quais ele procla- . para ele. que emana. pois que são os submissos instrumentos desta. auxiliado pelo Espírito Santo.

com a maior sinceridade e em 29 Ver a explicação. ainda que. haja pos- to em prática. E tal homem. considera excluído de todas as vias de sal- vação o homem que. . deixando ela por isso de o acolher em seu seio como sua mãe. à pág. alguns estariam vivos na Terra pela época do fim do mundo. não o quis.B. dessas palavras. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 286 mava que. devendo e tendo podi- do receber. devia receber o batismo e o não recebeu. ela o repudia em absoluto. que rejeita a reencarnação e cu- jos erros todos provêm de haver tomado por alegoria o que era realidade e vice-versa. dentre os daquela geração a quem se dirigia. praticando todas as virtudes e cumprindo todos os seus deveres. simples- mente porque. segundo o dogma da Igreja. 347 do 3° tomo. por considerá-lo um ato material inútil.J. não recebeu o batismo dágua. se absteve disso. sem o ba- tismo. ele. em espírito e verdade. sabendo que. 29 A Igreja.

que não su- porta exame. preciso fora admitir que o Cristo. Verdade é que ela admite a possibilidade de salvação para o homem que segue a lei natural. dirigindo-se a todos os homens (Judeus e Gentios). Que dizeis a isso? É uma pretensão humana. Competir-lhe-á lugar idêntico ao de um dos pais da Igreja? . tipo de bondade. de justiça e de a- mor. sem distinção de cultos nem de nacionalidades. se salvem. declarou encerrar toda a lei e os profetas. assim com relação ao passado. o amor a Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo.J. Mas.B. como com relação à- quela época e ao futuro. Para se admitir que só os que renasçam da água e do Espírito. que vem a ser essa lei? Quais os seus limites? O antropófago segue a lei natural. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 287 toda a extensão. como a Igreja o en- tende. houvesse excluído da paz do Senhor todos os que não recebam o batismo dágua que a Igreja administra. duplo amor que o Cristo.

que vive de carne humana. descer pa- ra criaturas tão abjetas? Que responde ela? Não entraremos aqui em minudências a propósito da Igreja. à sua bondade. ao seu amor pa- ra com todas as criaturas: a lei da Igreja. te- nham ou não tenham virtudes e fé. contanto que se hajam submetido a seus dogmas. de seus preconceitos e de suas exigências. por que há de ter o Senhor absoluto do universo lançado o infeliz. tão longe da Igreja. Limitar-nos-emos a per- guntar a todo homem que pensa: "Que é que está mais conforme à justiça do Senhor. iguais títulos para alcançarem a meta. das suas pias batismais. que não se preocupa com os atos senão quando . nas regiões selva- gens onde habita.J.B. dos dons do "Espírito Santo"? Pode este. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 288 Se não lhe é dado atingir o mesmo grau de felicidade. que não admite como seus filhos senão os que ela arrebanhou para a sua comunhão. ou a lei natural do renascimento. na realidade. que a todas as criaturas do Senhor concede direitos iguais.

Que é a absolvição que o sacerdote dá . toda a fé se encontra encerrada na observação de seus dogmas. pois que.J. que não separa a caridade da fé. como o declarou João o Precursor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 289 se acham em relação com a consciência e que não admite boas consciências sem bons atos. po- rém. considerando-os unicamente do ponto de vista em que ele se coloca. Efeti- vamente.B. pecar contra os dogmas da Igreja. para os que a repre- sentam. Se. por- quanto aquele que crê ama e aquele que ama com sinceridade necessariamente há de crer e esperar. se declarar que se arrepende. dizendo: a esperança é irmã da fé e ambas são filhas da caridade e do amor?" Acabamos de falar da Igreja e de seus dogmas. a absolvição estará sempre pron- ta a lhe abrir as portas do "paraíso". Quem a estes se submeta ostensivamente poderá pecar contra Deus. ela se mostrará severa. para a Igreja. por ve- zes inexorável. não obstante admitir esta que eles são obra se- mi-humana.

nos colocamos. senão apenas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 290 ao moribundo? Um dogma de criação e insti- tuição humanas. Há quem tenha perguntado por que moti- vo e com que fim Jesus deixou de dar à per- gunta de Nicodemos (v. ou irrefletido. 4) a resposta clara. dão hoje aos homens por meio da Nova Revelação. ignorante. resposta esta que teria poupado ao Cristia- . órgão do Espírito da Verdade. Entretanto. estritamente no ponto de vista da Igreja. precisa e completa que os Espíritos do Se- nhor.J. negligente. como às vezes sucede. e lhe recusará a sepultura eclesiástica? E quando. será unica- mente o respeito humano o que a contém? Será o temor da opinião pública? Não es- queçais que.B. mesmo no tocante à forma da linguagem. em tudo o que vimos de dizer. o que é quase sempre o caso. repelirá a Igreja esse filho insubmisso. se o enfermo se es- quecer de pedir que lhe chamem um sacer- dote para assisti-lo nos seus últimos momen- tos. ela abre mão dessas particularidades formalísticas. pois que Jesus de tal coisa não falou.

ainda assim. Por que motivo e com que fim deixou Jesus de responder a Nicodemos: "Não. depurando-se no cadinho da repara- ção. o homem que envelheceu não pode tornar a entrar no ventre de sua mãe. Tendo-se tornado bom e tendo transposto. Tem que RENASCER desse modo tantas vezes quantas forem necessárias. física. do progresso.B. nas entranhas de outra mãe. até que haja atingido a per- feição sideral e se tenha tornado puro Espíri- . isto é: depois de haver morrido. o Espírito.J. os mundos inferiores. moral e intelectualmente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 291 nismo e à Igreja o erro em que ela incorreu de negar a reencarnação. seu Espírito tem que tomar. a fim de reviver novamente. um novo corpo. de expiação e de provação. mas pode e tem que RENASCER. conseguin- temente. pode e deve renascer sucessi- va e progressivamente em mundos cada vez mais elevados e superiores. para se tornar. é apenas um lugar de exílio. demorando o pro- gresso social e humano. um bom Espírito e mere- cer não mais voltar a este mundo que. para os vossos Espíritos.

em explicações mais amplas do que as que podiam ser da- das e os homens podiam suportar. esquecem que as palavras de Jesus a Nicodemos não podiam e não deviam ser claras e positivas para todas as inteligências.J. Para dar maiores esclarecimentos a Nicodemos. aten- tas as condições em que se opera. Já dissemos que a reencarnação e as re- lações entre o mundo invisível e a humani- dade tinham que permanecer veladas para a maioria dos homens. se o sabem. pluralidade dos mundos e da sua habitabilidade. bem como da. como não o foram estas: "Há muitas mora- das na casa de meu pai". o pro- gresso da humanidade e os meios pelos quais se realiza. nem oportuno. Era uma necessidade. O progresso da vossa raça . acerca da reencarna- ção. fora mister que Jesus entrasse. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 292 to?" Os que formulam semelhante questão e usam de tal linguagem não sabem ou. compreendei-o. Isso não era então conveniente.B.

Deixai. que a sabedoria do Senhor dirija o vosso planeta.J. portanto. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 293 nada sofreu com isso. sempre do seu ponto de vista alegórico. V. Em nome da Igreja. os que a represen- tam. época própria para o seu desenvolvimento.B. A cada idade o grau de ciência que lhe seja possível comportar. como nada sofre a árvore que é podada na primavera. a fim de que Nicodemos voltasse a atenção para o princípio do renascimento do homem. Desse modo insistia Jesus no que disse- ra antes. explicam esse versículo da seguinte manei- ra: "Quem conheça bem o coração humano . medi- ante a reencarnação do Espírito. Secundai os esforços que hão sido feitos para vos tirar das faixas in- fantis e preparar os tempos precursores da virilidade do gênero humano e não esque- çais que a criança não pode e não deve ser tratada como o homem. Não te admires de haver eu dito: É necessário que TORNEIS a nascer. mediante nova encarnação. 7.

suas inspirações. de que lhe seja necessário novo espírito. quer do selvagem da Oceania. em todas as ocasi- ões. novo coração. seu Espírito. santo dos santos. como principio da nova vida. negar direi- tos iguais a todas as suas criaturas. que lhe dá o direito de pedir. todo espiritual. sempre santas. segundo a expressão do apóstolo Paulo. como. de pedir a Jesus. Mas.J. a justiça e a misericórdia infinitas do Senhor. quer do habitante da Europa civilizada. novo principio de vida e de ação." E é numa única existência que a Igreja pretende seja o homem transformado assim em um novo homem. sem desconhecer a bondade. de homem animal em homem espiritual. É esse renascimento. porque a Igreja não pode. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 294 não se admirará de que seja preciso que o homem se transforme num homem novo. Sim. iguais títulos a todas para alcançarem a meta. quer do Neo-Zelandês. is- . segundo ela própria o diz. o espírito novo. quer se trate do antropó- fago. sempre espirituais.B.

do que o próprio Deus. servindo de base à sentença a natureza da infração de seus dogmas. segundo a Igreja. o Espírito culpado se a- charia eternamente sujeito a torturas inces- santes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 295 so nem sempre é possível. por só muito tarde as ter encon- trado. materiais na opinião de alguns dos seus representantes. mais poderoso. Haveria assim ovelhas desgarradas que o meigo e bom pastor se veria impossibilitado de carregar ao ombro para levá-las de novo ao aprisco. por só muito tarde se terem lembrado .B. do diabo. verdadeiro rival de Deus na eternida- de. morais na de outros. Esses dois lugares são: um inferno eter- no e um purgatório. O inferno eterno é o reino de Satanás. não se transformou em no- vo homem. para um dos quais manda o Espírito que. imaginou dois lugares circunscritos e determinados.J. Haveria assim filhos pródigos aos quais estaria interdita a entrada na casa pa- terna. naquela única existência. Nesse inferno eterno é que. de certa forma.

dentro da sua única vida corporal. poderem reclamar e receber o salário prometido ao trabalhador. para esse efeito. uma vez que bem a executassem. o qual. Inutilmente es- ses filhos pródigos clamariam por Deus. inclinando-se diante . é o "PARAÍSO". para. sempre segundo a Igreja. Não deveria a Igreja. pai deles. Deus se conservaria impotente ou surdo ao clamor de tais filhos arrependidos e à súplica que lhe dirigissem para expiar e reparar suas faltas. se ele "não re- nascer da água e do Espírito Santo". isto é. pois que. um renascimento que o mude em homem novo. não poderá entrar no reino de Deus. para re- começar a obra mal feita. embora o pai de família estivesse sempre a esperá-los à porta.B. ela lhe concede. se não conseguir como homem durante a única e- xistência terrena que. segundo a Igreja. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 296 de voltar. O purgatório seria uma estância de suplí- cios temporários não definidos e que não levariam ao "paraíso" o Espírito culpado. para progredir.J.

o purgatório. precedida ca- da uma de sofrimentos ou torturas morais. compreender que. nas reencarnações múltiplas. dizen- do: Não te admires de haver eu dito: "É ne- cessário que TORNEIS a nascer". a expiação. ao desejo de reparar suas culpas e de progredir para o bem? Não deveria a I- greja ver em tais palavras a indicação dos caminhos e dos meios pelos quais. a fim de chamar a atenção de Nicodemos para o principio do renascimento do homem.B. a reparação. mediante uma no- va encarnação. da reencarnação. graças à . na erraticidade. uma reencarnação do Espíri- to? Não deveria ver nessas palavras e nas que antes Jesus proferira a indicação da lei natural do renascimento. o progresso nas sucessivas fases espíritas que se seguem a cada existência terrena. a obrigação de reviver? Não deveria ver o in- ferno.J. Jesus in- sistia no que já dissera. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 297 da nova revelação. proporcionados e apropria- dos aos crimes ou faltas cometidos pelo Es- pírito e que levam o culpado ao arrependi- mento.

é chamado inelutavelmente a transformar-se em novo homem. .B. como o homem da Europa civilizada.J. assim o selvagem da Oceânia. que o conduz a Deus? Certamente. são a alta escada que o homem tem de subir e que. II. seja qual for o uso que tenha feito do seu livre-arbítrio. o homem. depois gloriosas nos mundos superiores. o 30 Ver 1ª Epístola de Paulo a Timóteo. ele se eleva progressivamente até atingir a perfei- ção moral humana. a princípio expiatórias nos mundos inferiores. sejam quais forem os seus transviamentos ou atrasos na jornada? Não deveria reconhecer que as reencar- nações sucessivas. 3-4. criado perfectível. tanto o Neo-Zelandês. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 298 onipotência de Deus. vv. subindo-a. de acordo com a lei natural e imutável da expiação e do progres- so. Deus quer que todos os seus filhos se salvem30 e que partilhem to- dos do conhecimento da verdade. cap.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 299 Lapônio. para a humanidade. como é perfeito vosso pai que está nos céus". Ele quer que todos cheguem à "casa pater- na". qual a sua essência. nascido do Espírito. Quão poucos.B. como ao tempo de Nicodemos. Do corpo procede o corpo. o Esquimó. a inteligência? Será um corpo palpável. Jesus era nascido do Espírito. sensí- . como Jesus. mas não sabes donde ele vem. os que podem dizer donde vem e para onde vai o Espírito. Todos conhe- cem a fonte donde ele provém e a matéria que o compõe. 8. em cumprimento desta sentença de Je- sus: "Sede perfeitos. são hoje. mas em sua inteligência. que não vive em seu corpo. Todo ho- mem. V. nem para onde vai: assim é todo aquele que é nascido do Espírito . tu lhe ouves a voz. porém.J. como o "pai da Igreja". O Espírito sopra onde quer. em que mo- mento anima o vaso de argila que lhe serve de envoltório! Que é. pode dizer-se.

A matéria corporal é o agente de que fazem a sua principal divin- dade. amigos.J. Compreendei. pou- cos se acham em estado de viver pelo Espírito. mas simples pela humildade do coração e do Espírito. o entendem. acerca da escala dos seres e dos mundos. das al- mas simples. por ignorância ou incapacidade intelectual. da profunde- za dos conhecimentos. Entre os homens. muito ao contrário. Precisamos explicar e desenvolver o nosso pensamento. ah! bem pouco valem na sua maioria. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 300 vel? Pode fixar-se o momento da sua pre- sença ou da sua ausência? Sabe-se donde o Espírito vem e para onde vai? Só o pode saber aquele que nasceu do Espírito. Sob o ponto de vista do saber. por "homens notáveis". do infinito. dos mistérios que os envol- vem. Falamos. diante do que ignoram e não cuidam de compreender. que não fa- lamos dos que entre vós são tidos por "inte- ligências de escol". tanto quanto lhes permite a sua condição de .B. diante da eternida- de. mesmo na Terra. dessas almas que. simples não como os homens.

mas em sua inteligência. compreendei que fala- mos do homem que não vive em seu corpo. que isto dizemos. nascido do Espírito". não com relação às necessidades. pode dizer-se.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 301 homens. Somente os que compreendem a sua o- rigem divina e se esforçam por aproximar-se cada vez mais do divino modelo sabem que nasceram do Espírito. porém co- mo se dela não fizessem parte. mas em sua inteligência esclarecida pelo facho espírita que os Espíritos do Senhor empunham. . compreendei-o bem. inspirando-lhe ou revelando-lhe a verdade. sabem que o Espírito sopra onde quer e lhe ouvem a voz. sabem donde vêm e para onde vão. sejam estas quais forem. Está claro.B. do animal e sim com relação às necessidades do Espírito e da inteligência. Assim. quando vos dizemos: "Todo ho- mem que não vive em seu corpo. para sobre ela projetarem a luz. escapam aos entraves da carne e vivem realmente a vida humana. sabem donde ele vem e para onde vai. como Jesus.

as necessidades da vida. e- xemplificando todas as virtudes. tendes que cumprir todos os deveres atinentes ao vosso pro- gresso pessoal e ao progresso coletivo. eles se esforçam por aproximar- se cada vez mais do divino modelo. de acordo com a lei de amor. Todavia. as leis da sociedade. exercendo seus Espíritos domínio sobre a matéria. as o- brigações materiais. para com a qual. por des- culpar-vos. Não basta que o ho- mem receba a revelação. muitos há que continuam surdos. da . muitos há que continuam cegos. entre aqueles a quem é concedida a faculdade de ouvir. Ah! quão poucos ainda se hão libertado da es- cravidão da matéria! Não invoqueis. pela prática da justiça.B. entre os que recebem a luz. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 302 Só é nascido do Espírito aquele que se encontra em condições de compreender os mistérios que vos desvendamos. Cumpre-lhe viver como vivem os que nasceram do Espírito. que saiba donde vem e para onde vai.J. membros que sois da grande família humana. no sen- tido de que.

Se assim fizerdes. porquanto aquele que assim faz se afasta do ponto de . por entre as ne- cessidades factícias.B. Nada disso é in- compatível com a vida espiritual. Em meio do turbilhão da existência terre- na. De nada serve sa- ber-se de onde se vem e para onde se vai. passa- reis sem vos manchardes por entre todas as baixezas da humanidade. a pisá-los para vos elevardes. que vos levam a esmagar todos os que se vos antepõem. não. um desejo inso- pitável. da fraternidade. para cuja satisfação ides a todos os excessos. a todos os crimes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 303 caridade. podeis sempre volver os olhos para o farol que mantemos aceso por cima das vossas cabeças. desde que se continua a viver como se não a tivesse recebido. que fazem de uma necessi- dade qualquer um objetivo.J. avaros e duros. Não. por entre todas essas aberrações da animalidade. que vos tornam cúpi- dos. por entre as ambições do orgulho. desde que se mude de caminho. De nada serve ouvir a revela- ção.

em suma. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 304 partida e não mais pode. senão com grandes dificuldades. (Intencionalmente emprega- mos este qualificativo). Tocado pelas palavras de Jesus. atingir o ponto de chegada. salientando-lhe a ignorân- cia e fazendo-o reportar-se ao passado.J.B. desejou uma explicação que o esclarecesse. 10. 9. para lhe tornar com- preensível que. Nicodemos lhe replicou: Como pode isso fazer-se? Nicodemos tinha do renascimento uma idéia confusa. V. Observou-lhe Jesus: Pois quê! És mestre em Israel e ignoras estas coisas! Essa resposta de Jesus equivale ao se- . como ides ver. estava a sanção de uma realidade. Ele o considerava como uma superstição dos antigos tempos. e espalhada no seio das massas populares. pelos eruditos. foi apenas. A res- posta que obteve. de uma verdade já entrevista pelos sacerdotes e pelos escri- bas. no que Jesus dissera. V.

como mestre em Israel." Assim. que não apresentava uma simples alegoria destinada a servir de base às futuras interpretações humanas da Igreja. bem apreen- dido o sentido destas palavras: "Não te ad- mires de que eu haja dito ser necessário que torneis a nascer". que ele não compunha ape- nas a forma alegórica de uma idéia ou de uma noção nova. vê-se que Jesus se referia a uma coisa que no domínio do passado já era realidade.J. pois que muitos o disseram e ensinaram antes que eu destas coisas falasse. livros em que os levitas hauriam toda a sua ciência. mas dele ali se falava como de um fato ordinário. devias estar a par de tudo isso. Nos livros antigos do templo. sobre a obrigação de renascer. e da inspiração do Espírito San- to. .B. Não é que constituísse um ponto de fé. o renascimento se encontrava assinalado. que ela administra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 305 guinte: "Ignoras o que te digo sobre o renas- cimento. de reviver! Entretanto. relativas a um renascimento puramente espi- ritual por efeito do batismo dágua.

a lei natural. mas de modo menos desenvolvido do que vo-lo traz a nova revelação. da Caldéia. era. como sabeis . de iniciados. tinham conhecimento da reencarna- ção. que eram mé- diuns. 19 tomo. Citamos apenas alguns nomes. pág. dos Latinos. das Gálias. universal. que. MARCOS e LUCAS reunidos. Quando Jesus apareceu na Terra.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 306 31 Os magos. 31 Ver os Evangelhos de MATEUS. formando um amálgama de erros e verdades. n. mas essa crença es- tava espalhada por toda a parte. do renascimento. do Egito. a idéia do renascimento. 43. es- pecialmente a da Índia. repeti- mos. . 228. se comu- nicavam com os Espíritos. Todos os povos antigos conheceram. constituía apanágio de reduzido número de eruditos.J. Consul- tai a história antiga da Ásia e da Europa. da Grécia. universal. an- tes do aparecimento de Jesus na Terra.

Por toda parte encontrareis traços dessa crença. essa consciência da ori- gem. veladamente. Jesus lembrou o princípio do renascimento em muitos de seus ensinos. Mas esse legado das passadas eras. coberta de superstições que a tornavam quase incom- preensível. mas velada. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 307 No seio das massas populares ainda ti- nha voga. Sempre.B. das histórias de lobisomens e fantasmas. Era um gérmen destinado a substituir sempre até chegarem os tempos em que houvesse de produzir rebentos fortes e vigorosos. foi que o proclamou ainda no seu colóquio com Nicodemos. filho de Zacarias e de Isabel. Entre uns. vê-la-eis incluída no rol dos contos da carochinha. esparsos. como vos mostramos. foi que o proclamou como fato verificado na pessoa de João. imprecisa. ela se vos mostrará posi- tiva. porém. pelos três primeiros Evangelhos. entre outros. varou as crenças populares. Foi pa- ra que esse gérmen se mantivesse vivo que.J. o fez deixando à revelação que ele predisse e prometeu e que seria tra- .

suas aplicações e conseqüên- cias. . Assim. de alcançar este a perfeição moral. isto é: de desenvolver e ex- plicar. MARCOS e LUCAS. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 308 zida ao mundo pelos Espíritos do Senhor. 498). essa tão grave questão tinha que permanecer na sombra. em 32 Evangelhos de MATEUS.B. as relações de além-túmulo. reunidos (29 tomo. em espírito e verdade a lei natural e universal do renascimento. o encargo de fazer brotar daquele germe os rebentos for- tes e vigorosos. como via e meio de depuração do Espírito. mostrando-a como pedra angular do edifício do progresso humano. órgãos do Espírito da Verdade. Mas. entre a humanidade terrena e o mundo invisível e isso era uma arma que o homem ainda não estava em condições de manejar. em seu princípio fundamental. É que a reen- carnação implica forçosamente as relações espíritas. pág. conforme dissemos em explicações anteriores32.J.

Mas. Pensa sempre ter ascendido ao fastígio da ciência.B. por vezes. Também. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 309 vez de ser de utilidade para aquela época e de preparar o futuro. deriva deste. traba- lhado enfim por instruir-se. teria prejudicado a obra de regeneração. por ver que há outros mais ignoran- tes do que ele. teme descer ao fundo de certos conhecimentos. teriam sabido aquelas coisas. a igno- rância é filha do orgulho. como as devera saber Nicodemos. com o desejo de instruir os outros e não com o propósito de se servirem da luz como de arma contra o vulgo. quantos "doutores de Israel" . receando encontrar lá a sua própria conde- nação. e o orgulhoso se julga sempre bastante sábio.J. a marcha do progresso. Entre vós. A quantos dos atuais pastores se podem dirigir estas palavras que Jesus dirigiu a Ni- codemos: Pois quê! és mestre em Israel e ignoras estas coisas! Se os "doutores de Israel" houvessem estudado. esquadrinhado os arquivos.

como a sua companhei- ra — a ignorância. 11. são mais uma prova da sua origem extra-humana. Ora. com que Jesus declarou que não dava testemunho (relativamente à reen- carnação) senão do que vira. que se podem apli- car a todos os homens. Para quê? O que temos basta. entretanto.B. em todas as épocas. Para que procurar outra coisa? As palavras. não recebeis o nosso testemunho. Não se dá sequer ao trabalho de estudar a questão que lhe é proposta e que sem mais exame repele. Em verdade. é também filha do orgu- lho.J. Aquele que se julga sábio não aceita o que diz o humilde. o pequeno. Profe- rindo-as. esse conheci- . A incredulidade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 310 vivem! V. ele declara ter conhecimento e lembrança do que vira. como ele o considera. Palavras proféticas. em verdade te digo que dizemos o que sabemos e damos tes- temunho do que temos visto.

como me crereis. precisamente porque era sem- pre Espírito.J. as seitas cristãs dissidentes e os ou- tros homens diretores das massas populares haviam. não recebeis o nosso teste- munho. pela nova revelação. 12. suas aplicações e suas conseqüências. Se não me credes quando vos falo das coisas terrenas. Estas palavras eram especialmente proféticas. se estivesse sofrendo a en- carnação humana como a sofreis. de rejeitar. em espírito e verdade. Profetizavam que os Judeus. a Igreja. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 311 mento e essa lembrança não os pudera ele ter e não teria. tangível. quan- do vos fale das celestiais? . Entretanto. como Nicodemos. de lhe interpretar mal as palavras ou de não as compreender. a reencarnação que. Só na condição de Espírito livre os podia ter. portanto. V. como de fato tinha. apenas revestido de um corpo de natureza perispirítica. seria posta em foco para todas as vistas. só pela revelação espíri- ta. conseguintemente. quanto a seu princípio fundamental.B.

faziam que ignorassem ou fossem tidos por ignorantes de um fato que deviam conhecer. isto é: os segredos da inteli- gência. Despojado da letra o espírito.J. Porém. aquelas pa- lavras significam: "Se.B. elevar-vos ao ponto de compreen- der o que se passa numa região donde tão afastados estais? Como compreenderíeis as coisas do céu. quando vos falo do renascimento do Espírito em um corpo novo. como poderíeis. pois que se passa sob os vossos olhos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 312 Nicodemos e os magnates da Igreja de- viam conhecer os mistérios da reencarnação tal como o passado lhes punha diante dos olhos. da criação inteira. da natureza. levando-os a conservar oculto o que sabiam. inteligências limitadas e rebeldes que sois. não me credes. se não podeis compreender o ato material que se efetua debaixo das vossas vistas?" . a ignorância de uns (ignorân- cia que provinha do nenhum desejo de se instruírem e não da falta de elementos para isso) e o interesse de outros. coisa que deveríeis saber. dos astros.

Estuda. queres elevar-te às regiões em que habita o Espírito. mas enfunado de orgulho.J. Só eu. essência diferente da vossa. que ESTA no céu. essência de todos os princípios. vivendo entre vós. porque só eu desci ao meio de vós. ninguém subiu ao céu senão aquele que desceu do céu. conser- vando a lembrança da pátria donde vim e da qual não estou separado. homem ignorante. posso. Também. 13. para desempe- nhar uma grande e santa missão. e tens tão obscureci- da a vista. que não logras ver o que se pas- sa a teus pés! Queres conhecer a origem do Espírito e nada conheces das transforma- ções do corpo.B. a saber: o filho do homem. Só eu. viver igualmente entre meus ir- . eleva-te e po- derás compreender! V. Estas palavras queriam dizer: "Só eu posso saber o que se passa no céu. na Terra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 313 Oh! homem baldo de inteligência. posso voltar para junto de meu pai.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 314 mãos e repousar a cabeça no regaço de meu pai. atin- gira a perfeição sideral. afirma a sua posição espírita e a sua natureza extra-humana. referindo-se. Afirma. trabalham pelo desenvolvimento e progresso da huma- nidade terrena. ausen- tando-me dela para vos visitar. que só ele. vivendo entre os homens a quem fala. posso saber o que se passa na casa paterna. que está no céu"." Despojai aquelas palavras do caráter fi- gurado que apresentam e. como sempre. aos encarnados que o habitam e aos Es- píritos que. afirma que só ele. tendo descido do céu. o filho do homem". . e está ao mesmo tempo no céu. ao vosso plane- ta. não a deixei e não tardarei a de novo entrar nela. pois que. livre no espaço. Dizendo que "ninguém subiu ao céu senão ele.B. sob a sua direção. desse modo. Dizendo que "nin- guém descera do céu senão ele. dentre vós. portanto. Só eu.J. está na terra. filho do homem. não estava sujeito a um corpo material de carne como os vossos. entre os homens. vereis que Jesus. afirma que só ele. é sempre Espírito.

que. que sabe o que se passa na i- mensidade. mas tangível. Afirma que está constantemente em relação com o Pai. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 315 não lhe sofria o jugo. por conseguinte. naquele corpo de natureza perispirítica. do mesmo modo importa que o filho do homem seja alçado.B. salvo quando atendia às exigências da sua missão terrena. ocupava seu lugar na falange celeste. Alusão à morte aparente que havia de sofrer e que serviria de símbolo de aliança para todos os que queriam e viessem a que- rer seguir-lhe as pegadas. Afirma. . V. Assim como Moisés alçou no de- serto a serpente. que se achava revesti- do de um corpo que lhe deixava ao Espírito toda a liberdade e toda a independência pa- ra aparecer entre os homens ou desaparecer no espaço. Essa morte e as circunstâncias em que ocorreu serviram para tocar as inteligências e para atrair sobre ele todos os olhares.J. sua ori- gem e sua natureza extra-humanas. 14.

qualquer que seja o vosso culto. caminhando nas suas pegadas. humilhando-se. Todo aquele que se voltava com fé para a serpente de bronze que Moisés alçou no deserto. elevar-vos na cruz de miséria e de humilha- ção. por mais humilde que seja a vossa condição. para alcançardes o "reino dos céus": a perfeição moral humana. ficava curado de seus males físicos. que lhes mostra a . Jesus. se elevou aos olhos da humanidade e compreendei que. pensai na- quele que. quem quer que sejais. alçado na Cruz do Calvário.B.J. porquanto aprenderão a supor- tá-los com coragem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 316 Homens. atrai os olhares dos que sofrem moralmente e os que se voltarem para ele com esperança e fé acharão a cura de seus sofrimentos. resignação e mesmo reconhecimento. Moisés tratava materialmente um povo material. volvei com confiança os olhos para a cruz. todo aquele que elevava para esse emblema os olhos. podeis. Qual- quer que seja a nação a que pertençais. sobretudo se forem ilumi- nados pela luz espírita.

ou que lhe foram traça- das e abertas pela sabedoria e pela previ- dência paternais do Senhor e por intermédio de seus mensageiros. guiavam-no as influên- cias ocultas e benfazejas que o cercavam. para o Espí- rito. como sabeis. Aquele que sabe so- frer e sabe porque sofre já não sente o seu mal. conseguintemente. Como se operava a cura dos males físi- cos quando Moisés alçou a serpente de bronze no deserto? Pelo concurso dos Espíritos protetores. era um Espírito em missão.B. pois que . A serpente não era mais do que um meio ma- terial de prender a atenção dos Hebreus. sempre inconstantes e revoltados. o único meio de se purificar e progredir. passando pelas provas que escolheu. cami- nhando pelas sendas da expiação e da repa- ração que se impôs. pelos seus iguais e mesmo pelos seus superiores.J. Poderoso médium. assistido. Moisés. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 317 existência humana como sendo. e de lhes fazer compreender o poder da fé.

ao contrário. seja fluídica. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 318 só a fé operava a cura. V. aplicando à cura dos mesmos corpos os flui- dos necessários. gal- gando orbes cada vez mais elevados. se expur- guem do fermento do homem velho e pos- sam elevar-se de seus calvários para a mo- rada celeste. os quais. nas regiões dos flui- dos puros.J. dá acesso à vida eterna. Quer dizer: Para que todos os que lhe seguirem os passos se depurem. Para que todo o que nele crê não pereça e tenha. chegar aos mundos superiores e.B. atingir a perfeição sideral que. transpostos os mundos inferiores de provações e expia- ções. à vida dos puros Espíritos. Os Espíritos do Se- nhor atuavam sobre os corpos materiais hu- manos. por meio do magnetismo espiritual. possam. isto é. seja material. não estão mais su- jeitos a encarnação ou incorporação alguma. libertos de to- da influência da matéria. 15. a vida eterna. Crer em Jesus é pôr em prática a sublime .

de vos conduzir à perfeição. vos enviou um modelo a ser por vós imitado. pois que ele empunha o archote que brilha no "reino de Deus". Deus amou tanto o mundo que lhe deu o seu filho unigênito. 17. para vos auxiliar na vossa salva- ção. Deus não enviou seu fi- lho ao mundo para julgar o mundo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 319 moral que ele personifica pelos seus ensi- namentos e exemplos. V. Porque. Enviou-vos um guia que vos ensinasse o caminho. 16. pela sua pu- reza e pelo seu poder. Deus.J. Porquanto. e por ser o único en- carregado do desenvolvimento e do progres- so do vosso planeta e da humanidade terre- na. V. a fim de que todo o que nele crê não pereça. Ele é o filho único do Pai. mas para que o mundo seja salvo por ele.B. para ativar entre vós a obra do arrependimento. Segui-o confiantes. . mas tenha a vida eterna. com relação aos homens.

com apa- rentes mostras de reconhecimento. Mas. mas um guia. pondo toda a esperança em Deus. mere- cedores da grande prova de amor que assim vos deu. Tornai-vos. brando.B. pela estrada que está aberta. confiante. seguir a Jesus não é somente invocar o nome do Cristo. Seguir a Je- sus é caminhar humilde. 18. pela vossa confiança. afetando uma prerrogativa de salvação. resignado. Que a vossa submissão e o vosso reconhecimento ao Pai lhe provem que o que ele fez por seus filhos produziu frutos. submisso. mas o que não crê já está condenado. Quem nele crê não é condenado. Aquele que não crê em Jesus não cuida de lhe seguir os passos e só os que cami- nham nas suas pegadas podem esperar chegar ao fim.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 320 Não. casto. um amigo. o Senhor não enviou aos homens um juiz. V. aplicando a inteligência em viver san- . pois que não crê no nome do filho unigênito de Deus. um prote- tor.

portanto. Seja qual for o culto que professe. sede do . Quem não comete delito não tem que temer julgamento. Aquele que se esforça por acompanhar os passos do modelo que vos foi dado está precatado contra toda falta e. que é o único eterno. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 321 tamente sob as inspirações da própria cons- ciência. a vós. do pai eterno e onipotente.B. visto que a sentença quem a profere é a sua própria consciência. Quem nele crê não é condenado. Jesus preside aos ensinamentos desse sa- cerdote e o que por ele se deixa guiar segue as trilhas do filho do homem. do filho único do pai. com relação. o homem tem um sumo-sacerdote que o guia e ensina a honrar a Deus por atos. no sentido de que o homem se condena a si mesmo pela falta que comete. repetimos. que não por palavras: a consciência. Que a escute. não tem que temer julgamento. o único poderoso e o único Deus verdadeiro.J. pois deveis tomar o termo julgamento como sinônimo de condenação.

Preferem andar pelas bordas floridas dos precipícios e neles caem. Os que se afastam das sendas de Jesus só o fazem por lhes pare- cerem estas muito difíceis de ser perlustra- das. conside- radas ao pé da letra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 322 tribunal de Deus. se- gundo a nova revelação. por conseqüên- cia. Esse que não crê faliu e. . segundo a Igreja. poder-se-ia concluir que aquele que não crê em Jesus. isto é. na sua missão terrestre. como o faz a Igreja ro- mana.J. condenado por toda a e- ternidade? Poder-se-ia igualmente concluir que aquele que não crê na origem e na posi- ção espíritas de Jesus como Espírito puro.B. pois que não crê no nome do filho unigênito de Deus. Destas palavras: "Pois que não crê no nome do filho unigênito de Deus". já está condenado. já está condenado. na sua divindade. Mas o que não crê já está condenado. está condenado. protetor e governador do nosso planeta.

apesar da sua incredulidade no nome do filho único de Deus. pois que tudo tem a sua razão de ser na marcha dos tempos. submetido à expiação na erraticidade e depois à reencarnação na Terra ou em outros mundos inferiores? Não fora falsear a interpretação das palavras de Jesus admitir que pudesse ser assim. porque tinha ne- cessidade de os conservar no círculo estreito que ela lhes traçara. que dá o verdadeiro sentido da letra. com simplicidade de cora- ção e humildade de Espírito. mesmo quando. a caridade.B. isto é. construído para si um pedestal de boas o- bras. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 323 isto é. de con- . segun- do a nova revelação. praticando. houvesse. fosse qual fosse a boa-fé do homem.J. a justiça e a fraternidade? A Igreja romana afastou os homens da interpretação segundo o espírito. um reformador. o trabalho. o amor. tecido um manto de caridade. durante a sua existência terrena. não vendo em Je- sus mais do que um homem como os outros. na divindade que a Igreja lhe atribui ou na sua posição verdadeira. ele. um filósofo ilustre. como o Samaritano.

as homenagens que lhe são devidas. quer os atribuais a um enviado do Senhor. se- gui os preceitos de Jesus. segui-lhe a moral e sereis "cristão". por palavras. não por orgulho. segui-lhe os mandamentos. quer ainda os considereis de uma criatura tal como vós. por ignorância ou por efeito de falsas e mentirosas interpre- . mas por ignorância. que lhe rendais. espírita. Já o temos dito e repetimos: os atos são o que há de principal na existência humana.B. segundo o erro dogmático da Igreja. se- gundo o erro dos que se mostram incrédu- los. Que importa à grandeza divi- na. Seja como for. A fé em Deus é a base dos atos.J. brandos e humildes de coração. obrai por amor dele. dotada de inteligência mais elevada do que a de seus irmãos. Crede no vosso Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 324 formidade com as fases. Deixai que a vaidade humana se apegue à glória das palavras. as condições e os meios de progresso do espírito humano. sede cari- dosos. segundo a verdade evangélica. quer os imputeis ao próprio Deus. à luminosidade do facho da verdade. ou que.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 325 tações. avançai pela estrada que Jesus vos abriu. esse deixa de ser "cris- . se praticados por egoísmo. por sentimentos munda- nos. pois que mesmo os atos não passam de obras mortas. segui as pegadas que ele aí deixou. o que importa é que não haja se- não ignorância e boa-fé e que o erro ou a incredulidade não sejam companheiros do orgulho. Aquele que vê a luz. quer a marca dos passos do homem. que a nega. como também não passam de obras mortas. se praticados uni- camente por orgulho ou respeito humano. mas que a repele. a rebaixeis até a vossa estatura? Avançai. nem fruto de um sentimento por este inspirado? Certamente. quer vejais nelas a luz do facho divino. que sente no cora- ção os efeitos de seu calor vivificante.J. ou por orgulho. impelido por inte- resses materiais.B. Assim. Ide sempre para diante e no termo da jornada o encon- trareis. pronto a vos receber e mostrar a ver- dadeira luz.

por serem más as suas obras. 19. Aqui só falamos dos homens de boa-fé. V. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 326 tão" de fato. Por "cris- tã" entenda-se — atinente à época de Jesus . que não crêem porque não compreenderam.J. ou porque os que os escla- receram tão mal o fizeram que a cegueira foi a conseqüência. que vivem na ignorância. que não aceitam a verdade. O motivo desta condenação é que a luz veio ao mundo e os homens amaram mais às trevas do que à luz.B. Repetimos: Falamos dos homens simples e conscienciosos e não dos fanfarrões da incredulidade ou dos hipócritas da fé. ainda pouco desenvolvi- das. não estão maduras para a colheita. já não segue o modelo. porque ninguém os veio esclarecer. Dupla explicação se faz aqui necessária: uma — "cristã". já não está no caminho. outra — "espírita". senão porque suas inteligências.

B. Do ponto de vista espírita. esclarecido pela nova revelação. porque não queriam introduzir no seu proceder as reformas necessárias. que rejeitam a luz. sem as quais não caminhariam na via da salvação.J. dada ao mundo para confirmar todos os fa- tos do Cristianismo. a morte te a- panhará. mas por não impor a si mesmo um jugo que lhe parece excessivamente pesado? não por escrúpulo de consciência. mas porque não quer ser forçado a escutar de contínuo a voz que em vão há tanto tempo lhe brada: "Ca- minhas por uma estrada coberta de flores. porque não se querem reformar. julgados e condenados são os que rejeitam a reforma. mas que exalam sutil veneno. não por incredulidade. recusa entrar no cami- nho que lhe ela abre. porque esta os . Supon- des que o Senhor tenha por inocente o ho- mem que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 327 feito "homem". Os que viam fecharam os olhos. são as mes- mas a interpretação e a explicação. antes que hajas chegado ao fim da tua caminhada"? Sim.

todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se aproxima da luz. Eles são os juizes de si mesmos e a si mesmos infligirão as penas. nos seus transviamentos. esses são condenados. sofrê-ia-á.J. porque a seus ouvidos ressoa a mentira e eles prefe- rem suas vozes melodiosas às ásperas cen- suras da consciência. V. Aquele que se compraz nas suas iniqüida- des. aquilo mesmo que era motivo de suas alegrias ou de sua vaidade. Feita assim a sua escolha. que rejeitam a palavra de verdade. as trevas à luz. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 328 esclarece e eles preferem as trevas. Porque. 20. É o resumo do que acabamos de dizer. . com vergonha e asco. Sim. Prefere. Escolheu a sua pena. a si mesmo se tem condenado. o silêncio às vozes ami- gas da consciência e do dever.B. ele se tem julgado a si mesmo. a fim de que suas obras não sejam argüidas. recusa aceitar a lei que o força a rejeitar. portan- to.

teus Espíritos àqueles que ainda se acham afastados da verdade. para mostrá-la. orai por esses po- bres pecadores endurecidos. aos que dela desviam a vista. esses repilam para longe de si. que ela brilhe igualmente para todos. para nos reanimar as inteligências e para despertar os nossos sentimentos entorpeci- dos.J. Faze. com horror. que todos. que nada que- rem ouvir. permitiste que a tua luz desces- se até nós para nos aquecer os corações. ó Deus. e dizei conosco: Senhor. seduzidos pelos seus encantos. em toda a sua beleza. Se- nhor. permite que as nossas fracas vozes possam fazer ressoar aos ouvidos de nossos irmãos . participemos dos benefícios dessa luz regeneradora. sem exceção. Que eles ras- guem o véu que a oculta. os ídolos vãos que ainda incensam. pai de misericórdia. Envia. ó Deus de misericórdia. Faze. Deus de bondade. ó bem-amados. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 329 "Orai.B. se afer- rem à verdade e a sigam com amor. Que.

a confiança inabalável. Dá-nos as pro- priedades do ímã. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 330 palavras persuasivas. Dá-nos a persuasão.J. como braçada de flores escolhidas. num impulso de amor. negam." JUDAS ISCARIOTES. a fé forte que transporta mon- tanhas. apertando-os de encontro ao coração cheio de amor. atraindo a nós todos os que temem. possamos carregá-los nos braços e. os dos nossos irmãos que se acham distanciados. 392-393.) . sofrem. Deus de bondade. a fim de que.B. esten- dendo-se por sobre todas as tuas criaturas. 33 33 Ver. cujo per- fume subirá ao teu trono. depô-los a teus pés. o amor que nos aproxima de ti. a doçura. a perseverança. Concede que os nos- sos corações regenerados possam enlaçar. secunda os nossos esforços. Senhor. o amor. Se- nhor. a manifestação precedente do Espírito de Ju- das Iscarlotes. se transviam. (39 tomo. págs. no comentário dos três primeiros Evange- lhos.

foi e será. filhos que educamos com amor. o que se esforça. tal como Jesus a proclamou. vinde receber os eflúvios dessa luz deslumbrante. que irradia de todos os lados. Mas. aquele que pratica a verdade se chega para a luz. a toda a parte . pois que só esta o pode guiar e ele a busca. sem remorsos.B. em todos os tempos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 331 V. nem vergonhas. que carregamos em nossos braços. Ó bem-amados nossos! sede do número dos que buscam a luz. decla- rando encerrar ela toda a lei e os profetas. porquanto nada tem em si de vergonhoso. esforçou e esforçará por submeter seu pensamento. Aquele que procede de acordo com a verdade é. que ela possa pôr em evi- dência. Esse ama a luz. 21.J. Sede do número dos que podem mostrar-se nus aos ardores do sol divino. a fim de que sejam ma- nifestas suas obras. Vinde. seus atos à lei divina. visto que são feitas em Deus.

B. vos possais aproximar dela cada vez mais e ferti- lizar as vossas almas sob a ação de seus raios benfazejos.J. vossos membros inteiriçados. com o nosso amparo. . Vinde a- quecer vossos corações transidos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 332 levando a seiva e a fecundidade. vos carregaremos como crianci- nhas. Vinde. nós vos sus- tentaremos. para que.

— 25. porque havia lá muitas águas. . 22-36 João dá testemunho de Jesus V. — 28. perto de Salim. 22. esse que estava conti- go além Jordão e de quem deste testemu- nho. indo ter com João. e muitos lá iam e eram batizados. — 24.B. Uma questão surgiu entre os discípulos de João e os Judeus acerca do batismo.J. João ainda não tinha sido metido no cárcere. eis que também batiza e todos vão a ele. João também batizava em Enon. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 333 CAPÍTULO III Vv. se do céu não lhe foi dada. — 27. lhe disseram: Mestre. Porque. — 23. — 26. Vós mesmos me sois testemunhas de que eu disse: Não sou o Cristo. Aqueles. sou apenas um enviado adiante dele. Depois disso veio Jesus com seus discípulos para a terra da Judéia e ali se demorou com eles a batizar. João lhes respondeu: Não pode o homem receber coisa alguma. a esse tempo.

aquele que tira da terra sua origem é da terra e da terra são suas palavras. O que crê no filho tem a vida eterna.J. (V. 22. eis aqui o sen- tido exato e real: Jesus batizava por inter- . — 36. Pois este gozo eu agora o experimento. O que recebe o seu testemunho ates- ta que Deus é verdadeiro.) Destas palavras: "e ali se demorou com eles a batizar". O que veio do céu está acima de todos. É preciso que ele cresça e que eu diminua. Aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus. porém. O pai ama o filho e tudo lhe pôs nas mãos. muito se regozija por escutar a voz do esposo. N. O a quem pertence a esposa é o es- poso. — 31. — 35. Dá testemunho do que viu e ouviu e ninguém recebe o seu testemunho. pois Deus não lhe dá seu Espírito por medida. que com ele está e o ouve. 10. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 334 — 29. — 33. — 32. — 30. — 34. não crê no filho não verá a vida e a cólera de Deus permanece sobre ele.B. mas o amigo do esposo. o que. Aquele que VEIO do alto está acima de todos.

IV de João. porque no caso os dois termos são sinônimos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 335 médio de seus discípulos. (V. sobretudo. ou da purificação.) Quanto à questão que surgiu en- tre os discípulos de João e os Judeus. sem o sujeitar às suas errôneas interpreta- ções dogmáticas.J. a ação estava toda sujei- ta à sua personalidade." É o que se encontra expressamente declarado nos vv. Do mesmo modo é que dizeis: "Recebeu o batismo do Cristo. 1 e 2 do cap. Jesus mandava que seus discípulos ad- ministrassem o batismo d’água. ela se originou de não reconhecerem os Judeus a Jesus o direito de fazer o que João fazia. É o que a Igreja pudera e devera ter compreendido. que João o Precursor já administrava. não por suas pró- prias mãos. Ela devera ter continuado a praticá-lo. acer- ca do batismo. Mas. sem lhe alterar o objeto e o fim. 25. . e.B. como os discípulos obra- vam em seu nome. que lhe desnaturaram e falsearam o sentido e o alcance. para lhe conser- var o caráter simbólico e material.

Refleti nisso e lembrai-vos de que espera- vam um chefe temporal. que usurpava o respeito devido a João. porém. à falta de faculdade e de ação mediúnica. era tido geralmente por um im- postor. (V. não obstante o que tinham ouvido de João. não tinham visto.B. aque- le que estava contigo além Jordão e de quem deste testemunho. que viria restabele- cer o reino de Israel. E.) Não vos admireis de que.J. Jesus. em conseqüência dessa questão. que desvia- va do Mestre a multidão. eis que também batiza e todos vão a ele. pois. João já era considerado como um profeta enviado à casa de Israel. Esses mesmos. 26. nem ouvido. em virtude da discussão com os Judeus e por . Para eles. ou por um discípulo infiel." Somente alguns deles haviam assistido ao que se passara entre João e Jesus às margens do Jordão. quando Jesus deu co- meço à sua missão. as manifestações espíritas. os discípulos de João lhe tenham ido dizer: "Mestre. o Messi- as tinha que se anunciar com mais brilho. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 336 Não esqueçais que.

dá testemunho de Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 337 efeito das interpretações dadas às profecias da lei antiga. sua missão consistia em preparar os caminhos ao enviado divino. realizaria coisas mais espan- tosas do que o ato do batismo. se achavam influenciados pela idéia de que o Messias anunciado. Rende.J. ou purifica- ção. na resposta a seus discípulos. Temos que. 27. despojando da letra o espíri- to. se humilha diante deste. V. pois. Não pode o homem receber coisa . ao fazer a sua aparição. executado pelo Precursor. afirmando a natureza celeste da sua missão. o sentido e o alcance da resposta de João a seus discípulos. Como ele próprio o declara. João. debaixo da influência espírita e por inspiração mediúnica. Assistido constantemente pelos Espíritos superiores que o guiavam no desempenho da sua missão.B. vos explicar. homenagem àquele que acima dele está. em espírito e verdade.

muito se regozija por escutar a voz do esposo. se ele não fosse realmente o Cristo. "o amigo do es- poso" — eram tomadas às idéias. se do céu não lhe foi dada. acrescenta João (vv. Depois de lembrar a seus discípulos que já declarara não ser o Cristo. que com ele está e o ouve. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 338 alguma. Estas palavras se referem ao ato que Je- sus praticava por intermédio de seus discí- pulos." Já tivemos ocasião de vos dizer que es- tas locuções — "o esposo". 29 e 30): "O a quem pertence a esposa é o espo- so. 28). este gozo eu agora o experimento. pois.J. mas apenas um enviado adiante deste (v. aos costumes hebraicos. Elas significam: Se Jesus não tivesse o direito de purificar os pecadores.B. mas o amigo do esposo. João empre- . e o próprio João não lho teria consentido. às tradi- ções. é preciso que ele cresça e que eu diminua. não se teria arrogado esse direito.

que ele governa como Espírito protetor do planeta terreno e que lhe pertence no sentido de que só ele se acha encarregado do seu desen- volvimento e do seu progresso. se designa a humanidade. que descera do céu para desempenhar na Terra a sua missão. era apresentado como o mancebo puro que.J. pela razão de que o amigo do esposo é o que deste mais se aproxima e mais caro lhe é.B. Falando do "amigo do esposo que com . também ele. depõe a sua coroa nupcial. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 339 gava figuradamente a expressão "o esposo" para designar a Jesus. A expressão — "o amigo do esposo" — também João a empregava figuradamente. para designar-se a si mesmo. só ele tem a missão superior de lhe falar quando desce ao seio dela. a fim de tomar e governar a família que para si constituiu. tendo em vista a hon- ra que se prestava entre os Hebreus àquele que se casava. Pela "esposa" que pertence ao "esposo". a Jesus. Jesus.

29-30. João. jubiloso por tê-la ouvido. que era preparatória. é o único que tem a missão superior de lhe falar.J. pois. Quer isso dizer: ele expe- rimenta o gozo de ver começada a missão de Jesus. como precursor de Jesus. João "experimenta o gozo de escutar a voz do esposo. pelas palavras figuradas dos vv. foi: "Jesus é aquele a quem. o que João disse a seus discípu- los. por ter visto começada a missão terrena do Mestre. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 340 ele está e o ouve e muito se regozija por es- cutar a voz do esposo". é preciso que Jesus cresça e que ele diminua". Eu. despojado da letra o espírito. Assim. como governador do vosso planeta. pertence a humanidade terrena. quando desce ao seio dela. isto é. seu devotado auxiliar. cheio de respeito e de amor para com ele e obedecendo-lhe à voz. é preciso que esta se desenvolva e que a sua.B. que apenas sou o seu precursor. se apague e termine. João ainda se de- signa a si mesmo. cheio de amor e de respeito para . seu auxiliar de- votado.

que falava por inspiração. Aquele que veio do alto está acima de todos. cujo sentido exato não compreendia. Ela o está e é preciso que se desenvolva e que a minha. se apa- gue e termine. à sua origem. as circunstâncias e as necessidades da sua missão. mas também inspirado. lhe obedeço à voz e me sinto jubi- loso por ver começada a sua missão. à humanidade terrena e a todos os Espíri- tos que. sem ter destas consciência. como sabeis. João. era médium. não só vidente e audiente. conforme os casos. aquele que da terra tira sua origem . à sua posição e a seus poderes. debai- xo da influência espírita e da ação mediúni- ca. simplesmente preparatória. Essas pala- vras são as seguintes: V. trabalham ou concorrem para o desenvolvimento e para o progresso planetário e humano. 31. profere." Em seguida. com relação ao vosso plane- ta.B. afirma- tivas da missão de Jesus. que. sob a sua direção. referentes à sua natureza.J. palavras. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 341 com ele.

mas considerado . não é da terra. — 33. João estabelece uma com- paração entre ai próprio e Jesus. é um homem terreno. Dizendo isso. Dá testemunho do que viu e ouviu e nin- guém recebe o seu testemunho. veio do céu. — 32. não tira da terra a sua origem. Ele. não "homem terre- no". quando diz: ele veio do alto. para olhos humanos. Aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus. revestido de um corpo ce- leste. Segundo o espírito que vivifica. O pai ama o filho e tudo lhe pôs nas mãos. ema- nam do homem terrestre. isto é. — 34. João. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 342 é da terra e da terra são suas palavras. é. revestido de um corpo terrestre. portanto.J. fluídico por sua natureza e visí- vel.B. mas "homem celeste". sob a aparência humana. O que recebe o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. O que veio do céu está acima de todos. sofre a encarnação humana e suas palavras são da terra. pela tangibilidade. — 35. afirma a origem extra-humana de Jesus. pois Deus não lhe dá seu Espírito por medida.

como Espíri- to protetor e governador da Terra. quer os que se achem em missão. essa supremacia. que Jesus exerce.J. dá testemunho do que viu e ouviu. com os poderes ilimitados que recebeu do pai. Não tendo tido origem na terra. não sendo homem . não sendo da terra. encarnados ou errantes. assistindo a Jesus e trabalhando sob a sua direção pelo progresso do vosso planeta e da humanidade terrena. Dizendo: "Ele está acima de todos". quer os que se achem na Terra passando por provações e expiações para se desenvolve- rem e progredirem. dizendo que. de- clarando: "O pai o ama (tem confiança nele) e tudo lhe pôs nas mãos". Afirma ainda essa superioridade. quando ele fala. e que aquele que recebe o seu testemunho atesta que Deus é verdadeiro. Afirma que Jesus está em relação direta com o Pai e que não fala senão como órgão direto do Senhor oni- potente. João afirma a superioridade de Jesus sobre todos os Espíritos.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 343 material pelos homens.

O que crê no filho tem a vida eter- na. V. que só caminhando pelas suas sendas. que só ele conhece e que transmite.J. Estando apto a compreender as vontades celestes e a contemplar o brilho da luz. não profere senão as pala- vras de Deus. o que. porque Deus não lhe dá seu espírito por medida. acompa- . confiando a cada um tarefa proporcionada às suas forças. não é necessário que Deus lhas vele.B. em relação direta com o pai. 36. Sendo homem celeste. suas palavras não procedem da terra. o encarre- gado do vosso desenvolvimento e do vosso progresso e de vos conduzir à perfeição. Por estas palavras João afirma que Je- sus é vosso modelo. porém. cumprindo as vontades deste. Não diz senão palavras de Deus. Quer isto dizer: porque ele co- nhece os mistérios da vontade divina e a verdade. não crê no filho não verá a vida e a cólera de Deus permanece sobre ele. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 344 terrestre. vosso guia.

E a cólera de Deus permanece sobre ele: a justiça do Se- nhor o conservará submetido à expiação. sobre os vv. o v. Nas explicações que já vos foram dadas em o n. Não verá a vida. Mas. aquele que não crê se afasta. Explicando. 17 e 18." Acrescentaremos: Jesus personificava a moral.B. que ele declarou ser toda a lei e os profetas. católico ou pro- testante. 9. que é anterior ao seu aparecimento na Terra. Aquele que.J. Aquele que crê — ama. Judeu ou Gentio. ten- des o sentido e o alcance destas palavras. 9. 15. seja quem for. também já explicamos o que deveis entender. em espí- rito e verdade. podeis chegar ao fim que vos cumpre atingir. 18. delinqüe e atrai sobre si o julgamento. segundo o espírito. permanecerá nas vias tenebro- sas da encarnação material. 16. obedece e merece. Muito fácil é compreen- dê-las. no n. sejam quais forem . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 345 nhando-lhe os passos. cristão ou muçulmano. seja qual for a nação a que pertença. por estas palavras: "Aquele que crê no filho.

amanhã. quem sa- be. v.J." Essas palavras de João eram de atuali- dade para seus discípulos. não re- cebeis o meu testemunho. Quanto a estas palavras de João: "E nin- guém recebe o seu testemunho". aos Espíritos encarnados no momento e sim aos que acabam de o estar e aos que o estarão de futuro. como as de Jesus. judeu. se- gundo a letra. Não esqueçais que aquele que hoje é. As pala- vras de João. no seu sentido próprio. 11). suas crenças.B. se aplicam aos Espíritos em via de reencarnar. dirigidas por Jesus a Nicodemos: "E. o mesmo sentido das que já explicamos (n. esse "crê no filho". o conhece. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 346 seu culto. têm. Não se aplicam. 9. que não reco- . entretanto. por exemplo. talvez tenha sido ontem um missionário da fé cristã e será. do amor e da caridade. do ponto de vista geral. segue com simplici- dade de coração e humildade de espírito a linha da justiça. isto é. um de seus mártires. Tende sempre em mente a reencarnação.

J. de atualidade e ditas para o futuro com relação aos Judeus e aos outros homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 347 nheciam a missão de Jesus. que viriam a desconhe- cer aquela missão.B. a não caminhar nas suas sendas. a não lhe seguir os passos. . a cerrar ouvidos à pala- vra do Mestre.

J. — 2. E. isto é. uma fonte que jorra até à vida eterna. — Expli- cação que a revelação atual dá de Deus V. — Água viva que Jesus dá de beber e que se torna. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 348 CAPÍTULO IV Vv. alcance e objetivo destas palavras de Jesus: Deus é Espírito. — Adoração do pai. Quando Jesus soube que os Fari- seus tinham ouvido dizer que ele fazia mais discípulos e batizava mais pessoas do que João. — 3. naquele que a bebe. — Os adoradores do pai em espírito e em verdade. se bem Jesus mesmo não bati- zasse e sim seus discípulos. como precisasse atravessar a Samaria. foi ter . — Sentido. deixou a Judéia e voltou para a Galiléia. — Não mais adorar o pai nem no monte. — Jesus de- clara à Samaritana ser o Messias. — Os verdadeiros adora- dores que o pai quer. o Cristo.B. — 5. — 4. 1-26 Colóquio de Jesus com a Samaritana. nem em Jerusalém. 1.

aquela mulher samaritana lhe dis- se: Como é que. Jesus se sentou à borda do poço para repousar.) — 9. És porventura maior do que nosso pai Jacob. — 7. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 349 a uma cidade de Samaria. Havia ali um poço que se chamava a fonte de Jacob.B. — 8. Era por volta da hora sexta (meio-dia). — 6. — 11. — 10. donde haverias então a água viva? — 12. sendo tu Judeu. próxima à herdade que Jacob dera a seu filho José. que sou Samaritana? Por- que. talvez lhe houves- ses tu pedido e ele te teria dado da água viva. as- sim como seus filhos e seus rebanhos? — . (Seus discípu- los tinham ido à cidade comprar alimentos. chamada Sicar. que nos deu este poço. Jesus lhe respondeu: Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que diz: Dá-me de beber. Uma mulher de Samaria veio então tirar água ao poço e Jesus lhe disse: Dá-me de beber. Mas. que dele bebeu. não tens com que a tires e o poço é fundo.J. Cansado da ca- minhada. os Judeus não se comunicam com os Samaritanos. me pedes de beber a mim. Observou-lhe a mulher: Senhor.

Disse-lhe Jesus: Vai. — 23. dá-me dessa água. Vós adorais o que não conheceis. Respondeu-lhe a mulher: Não tenho marido. . a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte que jorrará até à vida eterna. pois dos Judeus é que vem a salvação. Ao contrário. o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. — 17. — 21. para que eu não tenha mais sede. porém. nós. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 350 13. Nossos pais adoraram neste monte e vós outros dizeis que em Je- rusalém é o lugar onde se deve adorar. nisto falaste ver- dade. — 22. porque cinco maridos tiveste e o que a- gora tens não é teu marido. chama teu marido e volta aqui. Disse a mulher: Senhor. — 14.B. Disse a mulher: Senhor. mas. — 20. crê-me. dizendo que não tens marido.J. — 16. Jesus lhe disse: Mulher. adoramos o que conhecemos. vejo que és profeta. Jesus respondeu: Todo aquele que bebe desta água tornará a ter sede. nem venha aqui tirá-la. virá tempo em que não será nem neste monte nem em Jerusalém que adorareis o Pai. — 18. — 19. Replicou-lhe Jesus: Dis- seste bem. — 15.

Deus é Espírito e os que o ado- ram em espírito e verdade é que o devem adorar. — 26. do da compreensão das palavras do Mestre. (Vv. no n.J. . esses os adoradores que o Pai quer. temos que vos dar. de acordo com o que agora podeis suportar. chamado Cristo. eu que te falo. quando ele vier nos anunciará todas as coisas. como órgãos do Espírito da Verdade. as explicações necessárias. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 351 Mas virá o tempo e já veio em que os verda- deiros adoradores adorarão o Pai em espíri- to e verdade. A mulher lhe retrucou: Sei que virá o Messias. já recebestes. — 24. N. segundo o espírito. de um du- plo ponto de vista. Quanto ao colóquio com a Samaritana. 1-2.) Com relação ao batismo que. 11. daquilo que temos para vos dizer. Jesus lhe disse: Eu o sou. Je- sus administrava. — 25. esse é da mais alta importância. Reportai-vos a es- sas explicações. e do das explicações que dessas palavras.B. 10. por intermédio de seus discípulos.

do mesmo modo que só lhe pediu de beber para entabular a conversa- ção. Jesus. o lugar. naquele momento.B. como este. Notai que não se vos diz que a Samari- tana lhe deu de beber. por estar fatigado da caminhada. Tudo. portanto. Isto reflete a apreciação humana dos narradores do fato. porque previa a vinda da Samaritana. às necessidades. era um homem igual aos outros. Ele ali se sentou. de acordo com os preconceitos e as tradições . consideravam Jesus do ponto de vista humano. às contingências da existência humana. como para todos.J. Je- sus. para a Samaritana. O colóquio se trava imediatamente e Jesus o dirige de maneira que o ensinamento decor- re dele. tudo. revestido do corpo material do homem pla- netário. Porque. sujeito. como da rocha a água viva. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 352 Ao que refere a narração evangélica. não o es- queçais. se sentou à borda do poço para repousar. a pessoa e o ato que esta vinha executar. nem que ele bebeu. dos quais o evangelista foi eco fiel e que.

e o que Jesus lhe responde: Eu o sou. de ele- mento e de meio para o diálogo e para os ensinamentos que dele haviam de derivar. fazer compreender aos homens o seguinte: que. para as gerações vindouras. claros. sobretu- do. aos olhos do pai. mas tão-somente fi- lhos mais ou menos ternos. ensinamentos destinados a só se tornarem evidentes. ele nos anunciará todas as coisas. que teriam de receber a nova revelação. su- as crenças. tinha que servir de base. O primeiro ensino de Jesus está nos vv. mais ou menos submissos. Tendo-se em vista as últimas palavras da Samaritana: Sei que virá o Messias. para aquelas. verifica-se que as respostas do Mestre às diversas perguntas da mulher tiveram por fim ensinar. cha- mado Cristo. eu que te falo.B. nem ortodoxos. perante Deus. contanto que seus corações os . não há heré- ticos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 353 da época. quando vier. de conformidade com as necessidades de então e do futuro. aos quais ele transmite suas ins- truções. a revelação da revelação.J. 9-15. sejam quais forem suas pátrias.

e os encaminham para a perfei- ção. vosso Messias. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 354 encaminhem para ele e que se mostrem prontos a receber os ensinos. crenças. Eles. que o Cristo. dá a todos os homens de boa-vontade. Eram os ortodoxos. que abrem ao Espírito as sendas do progresso. quaisquer que se- jam seus cultos. Essa a razão por que. estas palavras: "Dá-me de beber". se conside- ravam os únicos filhos do Senhor. sendo tu Judeu. aqueles benefícios. . que os perseguiam com seu ódio e seu desprezo. de ordem física. os benefícios que ele lhes manda. sejam eles o que forem. os Judeus. que lhos peçam. de ordem moral e de ordem intelectual. os únicos com direito a herdar o reino de Deus.B. os Samaritanos eram heréticos. Espírito protetor e governador do vosso planeta. a Samaritana lhe observa: "Como é que. ao lhe dirigir Je- sus. nacionalidades. com o fito de travar o colóquio. Para os Judeus.J. aqueles ensinos. seu envia- do celeste.

para com ele. como ex- pressão suprema do ódio. que dele bebeu. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 355 me pedes de beber a mim. que sou Samari- tana. continuando." Suas palavras eram "espírito e vida".J. a ortodoxia e que era tratado de Samaritano pelos Judeus.B. responde. as- sim como seus filhos e seus rebanhos?" Jesus. que nos deu este poço. Tomando-as. a Samaritana lhe pondera: "Senhor. da injúria e do desprezo que lhe votavam. pois que os Judeus não se comunicam com os Samaritanos?" Jesus que. que usavam. desse tratamento. porém. não tens com que a tires e o poço é fundo. lhe responde: "Todo aquele que bebe desta água tornará a ter . representa. para a Samaritana. donde haverias então essa água viva? És porventura maior do que nosso pai Jacob. tal- vez lhe houvesses pedido e ele te teria dado da água viva. como Judeu. sendo o Messias: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é o que te diz: "Dá-me de beber. no sentido literal e material.

B. a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte que jorrará até à vida eterna. O dom de Deus é a assistência. talvez lhe houvesse pedido dessa água viva e. a inspiração. se a tivesse pedi- do. o concurso dos bons . Jesus. coi- sas que Deus concede a todo homem cujo coração o encaminha para ele e que se mos- tra pronto a receber seus ensinos.J. vosso Messias. Se a Samaritana conhecesse o dom de Deus e se o conhecesse a ele. o concurso dos bons Espíritos. isto é. seus be- nefícios. a todos os homens." Assim. Para os Hebreus. de quem é o enviado. que conheça o dom de Deus e o conheça a ele. Ao contrário. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 356 sede. dá de be- ber da água viva a todo aquele. a inspiração. o dom de Deus era o dom do Espírito Santo. mas o que beber da água que eu lhe der jamais terá sede. sejam quais forem suas pátrias e suas crenças. Judeu ou Samaritano. em nome do Pai de quem é ele o representante direto perante vós. o amparo. o amparo. Jesus lha houvera dado.

B. Conhecer o Messias. isto é. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 357 Espíritos. à inteligência e ao coração as sen- das do progresso e o encaminham para a perfeição. a inspiração. que o homem recebe consciente ou inconscientemente e que lhe abrem ao Espírito. o amparo. é "o dom de Deus". o con- curso dos bons Espíritos podem ser dados por Deus ao homem. atribui ex- clusivamente a si mesmo. o Cristo. na sua ignorância e no seu orgulho. O que chamais a inspiração. é conhecer a moral que ele personifica. o gênio da ciência e da caridade. escrita na consciência de todas as criaturas e deposta no fundo de todos os corações. que declarou ser toda a lei e os profetas.J. e que o homem. que veio sancionar na Terra e que é a lei divina. Conhecer o "dom de Deus" é saber que a assistência. A água do poço de Jacob era o símbolo . eterna e imutável como Deus.

que Jesus teria dado à Samaritana se. conhecen- do-o. Judeus ou Gentios. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 358 da matéria que alimenta o corpo. a inspira- ção. ela lha houvesse pedido. o Messias. a resposta de Jesus à Samaritana exprime o seguinte: "Pedindo-te de beber. do progresso moral. quaisquer que sejam suas pátrias e suas crenças. sou enviado a todos os homens. provei que eu. o Cristo. e que dá a todo aquele que o conheça e conheça o dom de Deus. se conhecesses o objeto e o fim dessa . despojado da letra o espírito. Assim. que asseguram a predominância do espírito sobre a matéria. que. Deus nenhuma exceção faz de pessoas. A água viva. sejam eles Samari- tanos. Se soubesses que Deus po- de dar ao homem a assistência. o auxílio e o concurso dos bons Espíri- tos. é o símbolo das verdades eternas. que alimentam a alma e a elevam. de tal maneira que aquele nunca mais se tornará escravo desta. que todos os homens são seus filhos. portanto. conhecendo "o dom de Deus" e.J. isto é.B. que ele é o pai de todos. pois.

dessa inspiração. tirada por mim à fonte das verdades eternas. Ao contrário. abrindo à inteligência e ao coração do ho- mem as sendas de todo progresso. aquele que beber da água que eu lhe der. nunca mais terá sede das coisas da matéria. que dessedentar a alma com a água es- piritual que lhe eu der. Ainda mais: a água que lhe eu der se tornará nele . que emana da fonte das verdades eternas e que dessedenta a alma.B. aquele que a saciar. ins- pirada. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 359 assistência. isto é.J. com o concurso deles. pedido de beber e eu te teria dado da água viva. e. da “água espiritual"." “Tornará a ter sede quem quer que beba água idêntica à do poço de Jacob. sob o império da matéria. terá sempre sede das coisas da matéria. talvez me houvesses pedido de beber. desse auxílio e desse concurso. auxiliada pelos Espíritos do Senhor ter-me-ias. Aquele que vive pelo corpo e para o corpo. se fosses assistida. se conhecesses a moral que eu personifico. praticando a moral que personifico.

B. por assim dizer. apoio mútuo na senda da. isto é: será nele uma fonte de progresso moral. condenando-os às torturas. aos . lhe pediu: "Senhor. não tendo compreendido. lhes pedissem "a água viva" e em vez de darem dessa água aos que lha houveram pedido. o sentido e o alcance das respostas de Jesus." A Samaritana. usa- ram de intolerância. dá-me dessa água. os perseguiram moral e fisicamente. que jorrará até à perfeição. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 360 uma como fonte que jorrará até à vida eter- na.J. perfeição. a fim de que o Espírito a esta chegue. segundo o espírito que vivifica. para que eu não tenha mais sede. aos quais deviam amar. pois que todos os progressos são inseparáveis e soli- dários. para com esses irmãos. eles. a quem chamavam heréticos." Quão poucos dos que se dizem repre- sentantes do Cristo na Terra compreende- ram aquelas respostas do divino Mestre! Em vez de esperarem que os irmãos. se prestam. nem volte a tirá-la a- qui.

o divino Mestre. a Samaritana recebera por efeito das respostas de Jesus às suas perguntas. à morte! Ainda hoje. quão poucos. que a nova questão por ela formulada provocaria e que lhe abriria ensejo para os ensinamentos que ele queria e tinha de dar aos homens. dentre os vos- sos sacerdotes. do seu ponto de vista e de acordo com a sua inteligência.B. à fogueira. dando desde logo uma prova de suas faculdades extra-humanas à mulher.J. Diante das impressões que. prepara a continuação do diálogo. que nos deu este poço". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 361 suplícios. segundo o espírito que vivifi- ca. pertencia a uma família . A mulher. conforme se deduz da sua lin- guagem quando diz: "nosso pai Jacob. aquelas respostas do Mestre e praticam o ensino que delas decorre! Os versículos 19-26 encerram muitos en- sinamentos que vos devem ser explicados de modo distinto e especial. levitas e "doutores da lei". compreendem.

qual ela o con- siderava. ela o consi- derou desde logo um "inspirado por Deus". nisto falaste verdade. chama teu marido e volta aqui. entrasse "em relações com os Samaritanos". tanto que lhe disse: "Senhor.B. em resposta ao pedido que ela lhe faz da água viva. Assim sendo e tendo em vista a autoridade do ma- rido sobre a mulher entre os Israelitas. diante de tal prova. vejo que és um profeta." Diz-lhe então Jesus: "Disseste bem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 362 de Israelitas.J. porque cinco maridos tiveste e o que agora tens não é teu marido." Muito espantada de que Jesus. originários da Caldéia." Deu-lhe desse modo o Mestre uma de- monstração de suas faculdades extra- humanas e. lhe ordena: "Vai. a mulher lhe dirige esta ob- servação. Je- sus. dizendo que não tens marido. ainda mais. sendo Judeu e. que dá lugar a que ele lhe declare . profeta." Ao que ela responde: "Não te- nho marido. para não mais voltar a tirar da do poço. que se associara ao culto dos Samaritanos.

Jesus prediz a cessação. praticados "nos templos construídos pelos homens" em qualquer parte. em tempos ainda para vós futuros.J. nem em Je- rusalém que adorareis o pai. ser o Cristo em pessoa que lhe falava: "Nossos pais adoravam neste monte e vós outros dizeis que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar. "virá tempo em que não será nem neste monte. em espírito e verdade. fosse "no monte. o desa- parecimento de todos os cultos externos.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 363 ser o Messias. diz ele. isto é. que haviam de surgir e de separá-los nos tempos que se seguiriam. como fruto e conseqüência da nova revelação. pelas gerações vindouras. Prediz a ado- ração do pai." Referindo-se tanto àquela época como ao futuro. crê-me"." As respostas do Mestre a essa observa- ção foram de natureza a só serem compre- endidas e sobretudo praticadas. que já então dividiam e separavam os ho- mens. "Mulher. fosse em . abstraindo de todos os cultos que existiam e existiriam.

mediante a celebração de ceri- mônias materiais. que é o culto interior da alma. único e verdadeiro culto que os homens prestarão ao pai. . servin- do-lhe de santuário a consciência e consis- tindo a adoração na homenagem a ele pres- tada pelo pensamento e pelos atos de justi- ça. quando puros. consistindo tam- bém na prece espiritual.J. elevando-se por essa forma até ele. Prediz a adoração do pai no íntimo dos corações que. de amor e de caridade praticados com sinceridade e humildade. As palavras de Jesus eram ditas para o futuro e ainda o são para muitos dentre vós.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 364 Jerusalém". são o seu único e verdadeiro templo. Não continuam os homens a adorar a Deus "no monte e em Jerusalém?" Não continuam divididos e separados pe- los diversos cultos externos ainda existen- tes? Não há ainda "Judeus e Samaritanos". em espírito e em verda- de.

dos heréticos? Apropriando-se do privi- légio de ortodoxia que os Judeus se arroga- vam. afastando-se da linha que os apóstolos traçaram ao pre- pararem os caminhos para a Igreja. como os exemplos do Mestre. não perseguiu. a suas inter- pretações humanas? Não afirma que somente os que lhe per- tencem à grei são filhos do Senhor. una. não declarou heréticos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 365 heréticos e ortodoxos? Desprezando. como tais. assim os ensinamentos. todos os que professavam crenças contrá- rias a seus dogmas humanos. não atirou os Judeus para a categoria dos Samarita- nos.J. subordinada a esses preconceitos e pretensões. u- niversal. que só esses hão de herdar o reino de Deus? Não adora "em Jerusalém" e não repele todos os que adoram "no monte"? . não condenou mesmo à morte. não continuou a Igreja a manter os preconceitos e as pretensões dos Judeus e dos chefes da sinagoga? E.B.

"no monte".J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 366 Homens. reunidos sob uma bandeira úni- ca que tem por exergo — "Amor e Caridade" — adorareis o pai em todos os lugares onde vos encontreis. estas palavras tinham um sentido especial com relação à Samaritana e se aplicavam . " Aproxima-se o tempo do desaparecimen- to e da cessação de todos os cultos externos que vos dividem e separam. por Jesus e com Jesus vos di- zemos: "Crede-nos. disse Jesus. NÓS. adoramos o que conhecemos. De acordo com o pensamento do Mestre. pois dos Judeus é que vem a salvação. o tempo em que. PORÉM. como em "Jeru- salém. aproxima-se o tempo em que não será mais nem no monte nem em Jeru- salém que adorareis o pai. o que não co- nheceis." Vós adorais.B. reunidos pela tolerância e pela fraterni- dade. em nome do que constitui toda a lei e os profetas.

porque entre eles o pensamento de Deus não se conser- vara puro. Proferindo a frase citada. Mas. e se estendiam ao futuro. Je- sus aludia às encarnações de messias de ordem inferior. ainda de acordo com o seu pensamento. a fim de manter puro o pensamento de Deus e preparar o advento do Verbo. relativamente a ele. "Nós. os Judeus.B. desse duplo ponto de vista. esses todos "ado- ravam o que não conheciam". que se verificaram de contínuo em a nação judia. segundo o espírito que vivifica. Quanto à Samaritana e a todos os ho- mens entre os quais o pensamento puro de Deus se alterara por efeito de erros grossei- ros. porém. ou de culto idolátrico.J. tinham um sentido geral. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 367 àquela época. por isso que entre os filhos da Judéia os profetas mantiveram puro o pensamento de Deus. como ensinamento dado aos homens. . adora- mos o que conhecemos". A última frase — "pois dos Judeus é que vem a salvação" leva à compreensão delas.

J. se afastaram da idéia pura de Deus. não obstante ha- ver Jesus. adoram. tentando encerrar na unidade a pluralidade. conservada pelos profetas entre os Judeus. pois que não sabeis quem . ain- da hoje. quando disse. Elas se aplicam à Igreja romana. De- vendo adorar unicamente a Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 368 Essas palavras de Jesus se dirigem. como a todas as seitas cristãs dissidentes. proclamado a unidade e a indivisi- bilidade do Deus de Israel. o pai. a todos os que. mas também "o filho" e o "Espírito Santo". depois da sua mis- são terrena. dirigindo-se ao pai: "A vida eterna consiste em te conhecer a ti. o pai. ado- rais o que não conheceis. adorando o filho e o Espírito Santo. que és o único Deus verdadeiro e em conhecer a Jesus-Cristo que tu enviaste. que. por meio do dogma humano das três pessoas. e multiplicaram a divindade.B. não somente o pai." "Vós adorais o que não conheceis". o Deus uno. como o haviam feito Moisés e os profetas. indivisível.

dos Espíritos superiores e dos bons Espíritos. em sua origem. porquan- to. vosso protetor. filho bem-amado do pai. momen- to esse que se oculta na noite das eternida- des. relativamente ao planeta terreno. seu filho único pela sua superioridade. que é uma criatura de Deus. à perfeição. Adorais o filho. dos pu- ros Espíritos. vosso Messias. mes- mo até mais abaixo — aos planetas inferio- . nem quem é "o Espírito Santo". encarregados de executar as vontades do pai. o conjunto dos Espíritos do Senhor.B. de transmitir até vós.J. e que a ela chegou sem jamais haver falido. Adorais o filho. Adorais o "Espírito Santo". para chegar onde ha- veis de chegar. que é um Espírito de pureza perfeita e imaculada. pela sua pureza e pelo poder que o pai lhe outorgou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 369 é "o filho". porque superior a todos. partiu do mesmo ponto inicial que vós outros. como se fora uma individualidade. mas também vosso irmão. quando essa expressão figurada designa um conjunto de criaturas de Deus. isto é. nas quais a vontade divina se reflete.

veio com ele. e todos os outros enviados ou missionários. primeiros ministros do pai. esses são os ado- radores que o pai quer. Depois deles. O tempo.B. a inspiração divina. presta ao filho? "Mas." Estas foram palavras de atualidade. . seus ministros ou agentes. para aquela época. dentro da ordem hierárquica que lhes assina a elevação espírita. os protetores e governa- dores de planetas.J. compreen- dendo-se também naquela designação sim- bólica os messias. de que falava Jesus. a Igreja. fazendo do filho o objeto ex- clusivo de seu culto de adoração? E o culto prestado a Maria já não ameaça substituir o que ela. virá o tempo. e já veio. e palavras ditas para o futuro. porquanto seus discípulos adoravam o pai em espírito e verdade. como Jesus. A Igreja romana não relegou para segun- do plano o pai. em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai EM ESPÍRITO E VERDADE. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 370 res ao vosso.

preservai- vos de cair no exclusivismo da Igreja roma- na. Os verdadeiros adoradores que o pai re- clama. que é uma das fases da revelação perma- nente e progressiva de Deus — uma seita. de fazer do Espiritismo. cada vez mais se generalizará no seio da humanidade e acabará por predominar. ado- ram. único agradável a Deus.B. que abrange todo o vosso planeta e toda a humanidade. Espíritos mais esclarecidos do que os outros que. sem de nenhum modo acredita- rem nas manifestações de além-túmulo. seus adoradores em espírito e verda- de. entretanto. do coração e dos atos. são todos aqueles que. re- pelindo a materialização do culto. Muitos homens há que. cultuavam o Senhor redendo-lhe as homenagens do pensamento. de fazer do grande progresso espiritua- lista. sem usarem o título de espíritas. o Senhor em espírito e ver- dade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 371 sempre houve.J. entre os homens. seja qual for o . Apóstolos da nova revelação. Esse culto.

não reco- nhecendo.B. nem outro Santuário que não a consciência do homem. por não fazer aos outros. empregando sérios e porfiados esforços por praticar o amor a Deus acima de tudo e o amor ao próximo como a si mesmos. o que não quereriam que lhes fizessem e se esforçam igualmente por fazer aos outros. prestando-lhe as homenagens do pensamento. São todos os que se esforçam sempre. São todos os que. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 372 rito que a encarnação os tenha levado a pra- ticar. têm fé em Deus e praticam a caridade sob todas as formas. senão o coração do homem. seja por atos.J. como no terreno moral e no intelectual. vendo nos ou- tros homens irmãos seus. repelem a materialização do culto. seja por pala- vras. do que é justo. fazendo-os nascer em tal ou tal meio. com sinceridade. do ponto de vista do bem. tudo o que desejari- am que lhes fosse feito. São todos os que se elevam para o pai. segundo a lei do amor. do coração e dos atos. no terreno físico. como templo único do pai. verdadeiro e bom. seja por palavras. seja por atos.

B. Todos sois chamados a crer no pai. espíritas. se o fordes. Homens! todos vós. preciso é que ele as aceite livremente. fal- seando a missão que o Espírito da Verdade vem desempenhar no vosso mundo. A aceitação dessas verdades tem que ser e é de fato obra do tempo e dos progres- sos do espírito humano. com o correr dos tempos e mediante a reencarnação. quer se trate de civilizados. As verdades eternas. pois que. que sucessiva e progressivamente são reveladas ao homem. espiritualistas! não sejais dogmáticos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 373 Apóstolos da nova revelação. quer de selvagens. falireis na tarefa que vos está confiada. da liberdade da razão e da li- berdade de exame.J. vos tornareis sectaristas. por efeito da liberdade de consciência. quem quer que se- jais. qualquer que seja o lugar ou a situação que ocupeis nas raças humanas. que . todos sois chamados a aceitar. essas verdades eternas.

os cultos exteriores que professeis. Uni-vos pe- la lei do amor. Mas.J. da fraternidade. em espírito e verdade é que o devem adorar. Deus uno. . Ela é que vos conduzirá à unidade. sede adoradores do pai em espírito e verdade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 374 é Deus. os que o adoram. no filho. vosso Messias. quaisquer que sejam vossas crenças. único e indivisível. do mesmo modo. foram palavras ditas para aquele momento e para o futuro. Uni-vos. sob a di- reção do Mestre. porquanto da prática dessa lei é que decorrerá o reinado da solidariedade. como dos da humanidade terrena e de a levar à perfeição. no Espírito Santo. da liberdade e da igualdade. quaisquer que sejam. que são os Espíritos do Senhor. que é Jesus. Deus é Espírito e. Espí- ritos que trabalham ou concorrem. Estas. den- tre os que ainda vos dividem e separam. úni- co encarregado do seu desenvolvimento e do seu progresso. para esse desenvolvimento e esse progresso.B. Espírito protetor e governador do vosso planeta.

Deus era "Espírito". quis Jesus desli- gar o homem da crença na materialização de Deus. para os Judeus. Não há limites. Esta idéia. tão ampla que a vossa inteligência. porém. o Eterno. estava por demais acima da dos homens a quem Jesus falava. Falou assim com vistas principalmente aos Gentios.B. conquanto mais desenvolvida do que há dois mil anos. ainda não a compreende. no seio das massas populares. porquanto. Ser.J. no espíri- . único eterno. era viver quase como eles viviam. Ele é. usando desta expres- são de imenso alcance na sua simplicidade: "Eu. Deus é. o universo infinito é a sua mora- da. Daí a existência. eu sou aquele que é". era viver. Sua essência enche o espa- ço ilimitado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 375 Dizendo-as para aquela época e referin- do-se também ao passado. igualmente existia e era necessário extirpar a crença na materialização de Deus. se bem que entre eles. As palavras do divino Mestre guardavam relação com a inteligência dos que o ouviam. para eles. nem medidas que o pos- sam explicar. Moisés definira Deus.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 376 to da maioria (referimo-nos ao vulgo). cada vez mais. por efeito da compreensão que ele cada vez teria melhor do que é o Espírito e por efeito ainda da dis- tinção que seria levado a fazer e a compre- ender entre o infinito e o finito. por conseguinte não tem corpo que o circuns- creva. no sentido de que se destina- vam a preparar. em espírito é que o devem adorar. dizendo: "Deus é Espírito e. Deus é fluido e é. Deus é pensamento e o pensamento não pode ser tocado. entre o que é sem limite e o que é circunscrito.J. . o conhecimento do pai. os que o adoram.B. portanto. O ensino era apropriado aos que o rece- biam. ao mesmo tempo. para o ho- mem. infinito. Aquelas palavras Jesus as disse também para o futuro." Quis com isto dizer: Deus é inteligência e a inteligência não tem forma palpável. entre o criador incriado e a criatura. da idéia de corporeidade material em Deus. i- déia que Jesus combateu.

como eternas e imutáveis são a sua inteligência. Deus é o universal princípio inteligente que. se operam de acordo com as leis naturais. o seu pen- samento. Se a linguagem humana pudesse expri- mir o pensamento divino. que. imutáveis e eternas que ele mesmo estabeleceu. no sentido de que todo princípio inteligente emana da suprema inte- ligência. com ele confinando. tentaríamos con- seguir que compreendêsseis Deus.B. no infinito e na eternidade. indicando estas palavras humanas a superioridade de ser. Deus é inteligência. é o instrumento e o meio de todas as criações. essência de toda vida. Deus é o Espírito dos Espíritos. por ato da sua própria vontade. que dele parte. Essas leis são imutáveis e eternas. Sob esse duplo aspecto é que ele é criador incriado.J. pensamento e. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 377 Deus é Espírito. criador incriado. atua . É fluido e o fluido uni- versal. como tal.

todas as transforma- ções. por ser o criador incriado. Esse universal princípio inteligente é que produz a criação universal. segundo a lei imutável do progresso e da harmonia.ordem material. no infi- nito e na eternidade? Deus. e é que tudo leva. assim na ordem espiritual. 5).J. de quem todas as coisas tiram o ser. por vós chamada — a natureza. é o pai. de tudo o que se move. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 378 sobre o fluido universal. VIII. Não é Deus o motor de tudo o que é? Não é ele o eixo principal em que se apóia toda a máquina? a roda fundamental de to- das as engrenagens? Sem ele. como na or- dem fluídica e na. operando neste to- das as combinações. de tudo o que vive. E ele nos fez para si. v. o Espírito seria alguma coisa? Não é ele o princípio originário de tudo. de tudo o que é.B. como o disse o apóstolo Paulo (1' Epístola aos Coríntios. do infinitamente pequeno ao infinitamente gran- de. de conformidade com aquelas leis imu- táveis e eternas. no .

com o objetivo da vida universal. não é um corpo limitado como . cria com o seu sopro a inteligência. Seu calor se derrama por sobre todos os mundos e os fecunda. em todos os reinos e em todas as criações. E. Inteligência suprema. da harmonia universal. no entanto. a fonte inesgotável de to- das as vidas.J. sob a impulsão da sua vontade superior. que nos forçam a restringir a imensidade de Deus. Deus. têm que atuar sobre a natureza.B. no entanto (oh! quão nua é a vossa linguagem. luz cintilante que só a águia da pureza pode contemplar face a face. do progresso universal. sujeitando-o a comparações mate- riais). Seu olhar cria a vida. e. quão indigente a vossa inteligên- cia. o princípio de to- dos os princípios. imaginai-o qual sol do uni- verso infinito. Todavia. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 379 sentido de que todas as suas criaturas. Muito limitados são ainda as vossas inte- ligências e os vossos meios de comunicação para compreenderdes Deus em sua essên- cia e na sua maneira de obrar como criador incriado. segundo suas leis i- mutáveis e eternas.

o apóstolo Paulo proferiu . Essa causa primária. Deus é a causa de todas as causas. que se abai- xou até ao vosso nível. fertilidade de tudo o que produz. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 380 os homens o figuram. se acha tão acima de qualquer inteligência. Já o dissemos e repetimos: Deus é o princípio exclusivo e único de tudo o que é. luz de tudo o que vê.J. que só os que dela estão próximos a podem compreender. a sentir.B. a viver nele. Não haveis adorado a materialização de Deus? O Espírito. puro e santo. procurando compre- endê-lo. debaixo da influência e da ins- piração espíritas. não é a mais frisante imagem que Deus vos há podido dar de si mesmo? Tudo o que acabamos de dizer acerca de Deus vos prepara a compreenderdes estas palavras que. inefável. para vos ensinar a amar. que inutilmente os vossos sentidos grosseiros buscam apreender. mas sem ter consciência de uma e outra e sem conhecer o sentido exato do que dizia.

XVII.B. em espírito e verdade: 34 Atos dos Apóstolos. só a nova revelação tornaria com- preensíveis aos homens. o apóstolo João es- creveu. o movimento e o ser: IN IPSO VIVIMUS ET MOVEMUR ET SUMUS. 28. tudo É por ele e tudo É ne- le: ex ipso ET per ipsum ET in ipso SUNT omnia. 36. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 381 palavras cujo alcance integral ainda não po- deis apanhar: NELE temos a vida. segundo o espírito que vivifica. mas sem ter disto consciência e sem compreender o sen- tido exato do que dizia.35 Temos agora que vos explicar as seguin- tes palavras que. . v. v. palavras essas que. XI. também debaixo da influ- ência e da inspiração espíritas.J. 35 Epistola aos Romanos. de utilidade pa- ra aquele momento e destinadas a preparar o futuro.34 Tudo É dele.

interpre- tando-as ao pé da letra. . É um dos erros de que se emendará."36 Influenciada. Sim. ao mesmo tempo. v. e esses três são um.B.J. o Verbo e o Espírito Santo. po- rém distintos. pelas i- déias hebraicas acerca do "Espírito Santo". a Igreja se ape- gou a essas palavras de João para. uma parte de Deus. formular o seu dog- ma humano dos três deuses em um só. que era considerado o próprio Deus obrando junto dos homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 382 "Três são os que dão testemunho no céu: o Pai. e tendo em vista a divindade que era atribuída a Jesus. há três que dão testemunho no céu. dogma a que ela chamou — "Santíssima Trindade". embora impessoais. 36 JOÃO. e pelas interpretações humanas de que resultou fazer-se do "Espí- rito Santo" uma personalidade do próprio Deus. 1ª Epístola. 7. V. se bem que inse- parável dele.

também vossos irmãos. criador. seu e vosso Deus. a inspi- ração. dos Espíritos do Senhor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 383 Há. de Deus seu pai e vosso pai. o mesmo para todos. causa única de tudo. primeiro. o Espírito Santo. como vós. em seguida. que estende por sobre todos a sua providência e que é. porque é. o Espírito Santo. pai de todos. aquele que é. vos- so Deus e Deus deles.B. o Verbo. criaturas de Deus. Há. que . depois.J. uma criatura de Deus. como vós. o Verbo. portanto. Deus. Espírito puro e santo. o pai. protetor e governador do planeta terreno e vosso irmão. que é igualmente vosso pai e pai deles. que está acima de todos. no sentido de ser um reflexo da von- tade divina. porque são. que só vos chega e é comunica- da por intermédio dos enviados celestes. que é o vosso Messias. manifestação palpá- vel e visível da ação do criador sobre vós. Há. do criador sob cujo vigilante olhar estais cons- tantemente e que vos envia âncoras de sal- vação a que podeis e deveis agarrar-vos.

Os três são um.J. os frutos não dependem da árvore que os faz nascer? São um. no infinito e na criação universal. particular. de modo geral. os agentes da von- tade divina. Espíritos superiores e bons Espíritos. dar defini- . e. os Espíritos do Se- nhor. Os ramos. na vossa lingua- gem humana. com relação ao planeta e à humanidade ter- renos. os quais. porque o Verbo e o Espírito Santo. a personificação. como o vosso corpo é um. Não materia- lizeis. É impos- sível. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 384 são os Espíritos do Senhor. como intermediários entre vós e o pai. embora composto de membros que o- bedecem aos ditames da cabeça. no tocante ao progresso univer- sal. como intermediários entre o pai e vós. as folhas. com a linguagem humana. se acham na dependência dessa causa ine- fável a que chamais Deus. são.B. de modo especial. porque o mesmo pensamento os anima. "E os três são um. isto é. à vida e à harmonia universais. São um. puros Espíritos." Estas palavras com- põem uma linguagem figurada.

Sendo ilimitado o progresso em ciência universal. a sua individualidade. por maior que seja a sua superioridade no saber. como antes. que constitui uma ingenuidade pretender-se que o criador incriado seja pessoal e distinto da natureza. Os três não se confundem como indivi- dualidade. eternamente. Ingenuidade grande é a desses Espíritos . de tudo o que É na ordem da cria- ção. a perfei- ção sideral.B. o Espírito criado jamais pode igualar a Deus.J. Ficai sabendo: ainda depois de haver ad- quirido a perfeição moral humana. mas se confundem como pensa- mento. que se dizem filósofos e que acreditam haver penetrado o segredo do principio de todas as coisas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 385 ção exata do que pertence totalmente aos domínios espirituais. por mais que se adiante. sustentam e ensinam que Deus É o todo universal. o Espírito conserva. Homens.

que o expliquem sem Deus.B. e terão. Deus. Que respondam. comanda . Eles chamam todo universal — à causa primária de todas as coisas. Deus é. o instrumento e o meio de criação de todas as coisas. inteligência. no sentido de princípio criador de toda a geração em todos os rei- nos. pensamento. sem Deus. fluido. criador incriado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 386 "profundos". Que troquem os termos e encontrarão Deus. "a causa genérica de todas as causas primárias". Perguntai a esses sábios. Sim. Di- zemos — genérica. que não pas- sam de pobres cegos a disputar sobre cores. no todo universal. como instrumento e meio de todas as criações. nada pode ser sem uma causa pri- mária. de ordem fluídica. e terão. de quem parte e com quem confina o fluido universal. como causa primária. que. aos vossos olhos. qual a nascente desse todo universal. donde eles tiram todas as coisas.J. de ordem material. de ordem espiritual. um efei- to sob a ação da potência criadora. criador incriado.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 387 tudo o que de Deus deriva. imutáveis. a causa primária. . como imutável é a vonta- de daquele de quem elas emanam. Eles dirão: natureza.B. é pessoal e distin- to da criação. meras palavras com que disfarçam o pensamento profundo que só o termo Deus pode traduzir? Deus. onde o encontrarão? A natureza. a apropriação e o funcionamen- to. que o homem ainda não pode nem deve tentar analisá-lo. mediante leis eternas. mediante a aplicação. como fonte primitiva e geratriz. na boca desses ho- mens orgulhosos e impotentes para compre- ender e explicar. o acaso. Deus é uma es- sência tão acima de toda e qualquer imagi- nação. como a causa é pessoal e dis- tinta do efeito. a causa. o tronco. se bem que este decorra dela e lhe permaneça ligado. aca- so. Mas. que participam da essência mesma de Deus. leis universais. Deixai que divaguem. criador incriado.J. sob a ação espírita universal. a harmonia uni- versal não são apenas. dessas leis.

no universo. para poderdes suportar o brilho desse astro luminoso! Dizemos — astro luminoso. por se nos . Por enquanto. dada a vossa natureza. desde e por toda a eternidade. pobres cri- ancinhas. que ainda não abristes os olhos à luz. o nosso Deus é o ser que é e se- rá. é o sobe- rano indulgente e benigno que reina sobre todas as coisas. não vos podemos dizer mais do que isto: "Deus. Quanto tendes que progredir.B. temerariamente estendem a mão para pegá-la. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 388 Não façais como as crianças de colo que. Aguardai que vos tenhais purificado. vendo brilhar uma chama. inteligência suprema que dirige tudo o que é. Para procurardes compreender o que. A dor é a conseqüência imediata da imprudência. no infinito". vos é agora incompreensí- vel. esperai que tenhais saído das faixas infantis que ainda vos envolvem.J. para poderdes compreender. na imensi- dade.

B. . Caminhai para diante e não esqueçais que. não sendo a luz feita para cegos. os que lhe quiserem pôr olhares indiscretos possivelmente ficarão atacados de cegueira.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 389 não depararem na linguagem humana ter- mos que possamos empregar para exprimir tão elevado quão grande pensamento! Deixai que todos os pensadores deva- neiem à vontade.

Vinde ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. A mulher. — Acreditam nele. Nesse ínterim. — Os Samaritanos vêm ter com Jesus. 27-42 Narrativa da Samaritana. largou o cântaro. seus dis- cípulos lhe rogavam que tomasse algum ali- mento. porém. nenhum. Muitos então saíram da cidade e foram ter com ele. — 31. Não será o Cristo? — 30. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 390 CAPÍTULO IV Vv. — 32. — 29. lhe perguntou: Que é o que lhe perguntas? ou: Porque lhe falas? — 28. Disse- . dizendo: Mestre. come. foi à cidade e se pôs a dizer a toda a gente. — Pala- vras de Jesus a seus discípulos V. 27. entretanto.J. Nisto chegaram seus discípulos e se admiraram de estar ele falando com uma mulher.B. — Reco- nhecem-no como sendo o Salvador do mundo.

afirmando ter ele dito tudo quanto ela havia feito. Outros trabalharam e vós entrastes nos seus trabalhos. Os Samaritanos que foram ter com Jesus lhe pediram ficasse na com- . — 40. — 36. é e- xecutar a sua obra. pelo que lhes referira a mu- lher. Porque. juntamente se regozijem. vos digo: Levantai os olhos e observai os campos já branqueando. porém. nisto é verdadeiro o ditado: Um é o que semeia. Ouvindo isso.B. Muitos foram os Samaritanos daquela cidade que creram nele. assim o que semeia. para comer. — 39.J. tenho um manjar que vós não conheceis. os discípulos se puseram a inquirir uns dos outros: Ter-lhe-ia alguém trazido de comer? — 34. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 391 lhes ele: Eu. — 35. outro o que colhe. — 38. — 37. prontos para a ceifa. a fim de que. como o que sega. — 33. Eu vos enviei a segar aquilo que não é fruto do vosso trabalho. Aquele que sega recebe recompensa e acumula frutos para a vida eterna. Jesus lhes disse: Meu alimento é fa- zer a vontade daquele que me enviou. Não dizeis que ainda há quatro meses daqui até à ceifa? Eu.

" Isso não bastara para convencê-la. N. Com relação à Samaritana (v. Muito menos a havia impres- sionado a afirmação do Mestre quando lhe declarara ser o Messias. outros a Jesus e aos dis- cípulos. 12. tereis dificulda- de em compreender a dúvida daquela mu- lher? . isto é. 28). Estes versículos encerram duas ordens de idéias e de fatos perfeitamente distintos: uns dizem respeito à Samaritana e aos Samaritanos.B. eu que te falo. Raça de incrédulos. ela continuara a duvidar. — 41. — 42. mas pelo que nós mesmos temos ouvido dele é que sabemos ser este verdadeira- mente o Salvador do mundo. Assim é que diziam à mulher: Já não é pelo que nos disseste que cremos.J. o que a impressionara fora o testemunho que Je- sus lhe dera das faculdades extra-humanas que possuía. di- zendo: "Eu o sou. o Cristo. E muitos outros creram nele pelo que dele ou- viram. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 392 panhia deles e ele lá ficou dois dias.

simples e pura." Com os homens de hoje se dá e se dará ainda mais o que se deu com os Samarita- nos. os que deveriam ser os pri- meiros a crer são os que se curvam diante da verdade? Não. a luz me deslumbrou. São os "réprobos" os que primeiro se re- únem ao derredor do Mestre. nos dias que correm. para lhe dize- rem: "Senhor. nada mais pedem nem procuram para se tornarem crentes? Dentre vós. Os primeiros a crer são os repelidos pelos que julgam ter o privilégio da fé. 39. Muitos há que crêem e muitos virão a crer na revelação espírita pelo que tenham .B. para crerem. necessitam do testemunho de fatos a que chamais "adi- vinhação". muitos "Samaritanos" que. será preciso vos explique- mos o que com eles se passou? Não vedes ainda hoje. 30.J. a tua palavra penetrou em meu coração. 41 e 42). eu crei- o. enquanto que outros. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 393 Com relação aos Samaritanos (vv. tocados pela moral suave. 40.

mas. mostrar-lhes que era mister continuassem a tarefa que lhes cumpria desempenhar. .J. porque os ou- vimos e sabemos que eles são verdadeira- mente os órgãos do Espírito da Verdade. nas manifestações mediúnicas inteli- gentes. Muitos acreditarão. Esses dizem ou dirão: "Já não é pelo que nos fora narrado. atrair o espírito dos discípulos para as coisas do céu.B. então. que acreditamos neles. tiverem ouvido falar os Espíritos do Senhor. porque hajam pessoal- mente observado essas manifestações e fatos mediúnicos. pelo que vimos. mos- trar-lhes a recompensa reservada a seus esforços. ou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 394 dito ou disseram pessoas que lhes mereçam crédito. mos- trar-lhes a obra do progresso humano já e- xecutada pelos que os haviam precedido. que atestam necessária- mente uma ação extra-humana. depois que. oculta ou patente. 31-38. como sempre. foram ditas com o objetivo de mais uma vez. constantes dos vv." Quanto às palavras de Jesus. relatando manifestações físicas ou fatos mediúnicos.

Dai-vos. 65. sua natureza extra-humana. pois. 362-363. pressa em receber esse alimento divino. 1° tomo). dizendo: "Mestre. que sacia e nutre o Espírito que busca a vida e a verda- de. acima de toda necessidade. veladamente. portanto. 32 e 34. (Vv. come". lhe pediam que se alimen- tasse. não estar sujeito às necessidades e contingências ma- teriais da humanidade. essa resposta mos- tra que Jesus não fazia realmente refeições. porquanto a pureza é o que o coloca acima de tudo o que é humano. um pen- samento — prosseguir na obra de regenera- ção que empreendera.J. .B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 395 Aquelas palavras o Mestre as disse so- bretudo com o propósito de provar aos discí- pulos que ele só tinha um objetivo. Afirma. Jesus afirma. 31. Ele se nutre com um alimento de que ninguém mais senão ele dispõe.) Na resposta que deu a seus discípulos. Confirmando o que dissemos no comen- tário dos três primeiros Evangelhos (n. velada- mente. págs. quando estes.

37 e 38. ou para lhes dar um ensinamen- to. Dando aquela resposta.) Os campos. de perdão. a seus discípulos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 396 como os homens o supunham. a se lhes grupar e a segui-lo a ele.B.J. (Vv. a ouvir e guardar a palavra de verdade. 36. ou para convencê-los de que de fato ti- nha a natureza humana que lhe atribuíam e na qual era preciso que acreditassem. a fim de que a sua missão fosse aceita e produ- zisse frutos. um único pensamento — prosseguir na obra de regeneração que empreendera. quando era necessá- rio. que só as fazia aparentemente. os discípulos . de amor. de que fala Jesus a seus discípulos. representam os países aonde ele os mandava adiante de si e nos quais se encontravam homens preparados a receber a boa nova. convidando-os a contemplá-los. que um só objetivo tinha. já alvejantes e prontos para a sega. Jesus era "o que semeia". um exemplo de caridade. repetimos. o Mestre tam- bém obedeceu ao propósito. 35. de provar.

exprime um duplo pen- samento. antes dos discípulos. Trabalhando pelo pro- gresso de seus irmãos.J. trabalha- ram. eram recompensa- dos pelo progresso pessoal que realizavam. à influência espírita que. prepararam o advento do . a segar aquilo que não é fruto do vosso trabalho. Eu vos enviei. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 397 eram "o que colhe". Neste progresso estavam os frutos que co- lhiam e que lhes aparelhavam o caminho para a perfeição.B. Segundo o espírito que vivifica. por sua ação oculta sobre os homens e sem que estes tivessem dela consciência. Outros trabalharam e vós entrastes nos seus trabalhos. ou encarnados em missão. Alude também aos Espíritos que. ou er- rantes. Os Espíritos preparavam "os campos" onde Jesus man- dava que seus discípulos "segassem". primeiramente. os preparava a escutar e rece- ber a palavra dos discípulos. Jesus. por essas palavras. pelo progresso do espírito humano. disse-lhes Jesus. Alude.

Ele é ainda agora o que semeia. que é o Espírito da Verdade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 398 Verbo. "Os campos que já branqueiam e se mostram prontos para a ceifa" são todos os homens que. Alcançava o futuro. escutando as palavras de ver- dade. Fá-lo por intermédio dos Espíritos do Senhor. ao virdes que surgem as espigas da próxima colheita. a era espírita que se inicia. que vos esforçais por difundir a fé e reconduzir ao aprisco as ovelhas tresmalhadas. E es- .J. os tempos da era nova do Cristianismo do Cristo. Mais longe ia ainda o pensamento de Je- sus. executando obra que aos mesmos discípulos tocava continuar. Apóstolos da nova revelação. porque sois "o que sega" e parti- lhais da alegria do Mestre.B. ór- gãos do Espírito da Verdade. as pesam e comentam e volvem à fé pura e adoram em espírito e verdade. todos vós semeais com Jesus. vós todos que caminhais nas pegadas do Mestre.

diante do pai de família é que experimentareis arroubos de ventura e de reconhecimento.J. Essa a bênção que vos envi- am os que velam por vós. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 399 ses. não se rejubilam e vós não partilhais da sua alegria.B. . JOÃO. louvores ao Senhor. sobretudo. não rejubi- lais com os que colhem essa alegria? Sim. se tornam "o que se- meia com Jesus e sega. ó bem-amados. Que assim seja com relação a vós. a quem tal acontece." Mas. por sua vez. vendo ali agrupados os que semeiam e os que colhem. estreitamente unidos. que eles. a entoarem.

os Galileus o rece- beram alegremente. por ocasião da festa.B. porquanto tinham visto o que fizera em Jerusalém. Voltou então a Caná da Galiléia. para lhe curar o filho que se a- chava à morte. à qual também eles estiveram presen- tes. ele próprio deu testemunho de que ne- nhum profeta é honrado em sua pátria. foi ter com ele e lhe rogou que descesse a Cafarnaum. Passados aqueles dois dias. se não vedes milagres e prodígios. — 45. Disse-lhe Jesus: Vós outros. Por- que. 43. Esse oficial.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 400 CAPÍTULO IV Vv. — 44. lá se encon- trava um oficial do rei. ao sa- ber que Jesus viera da Judéia para a Galiléi- a. cujo filho estava doen- te em Cafarnaum. onde da água fizera vinho. Retrucou-lhe o oficial: . — 49. não credes. — 46. — 47. Chegando à Galiléia. Ora. Jesus dali partiu e foi para a Galiléia. 43-54 Cura do filho de um oficial em Cafarnaum V. — 48.

Esse foi o segundo mila- gre que Jesus fez. 110. págs. Quando já ele ia descendo. n. n. 2° tomo: n. especialmente a- cerca das curas materiais. — 51. 81. Relativamente a estes versículos. 121. disse-lhe Jesus. — 52. n. pois. n. 388-390. já recebestes as explicações necessárias. N. de todos os pontos de vista. 426- 427. págs. Verificou logo o pai que aquela fora a hora em que Jesus lhe dissera: Teu filho es- tá curado. a febre o deixou. — 53. nos comentários feitos aos três primeiros Evangelhos. O homem acreditou no que Jesus lhe disse e se retirou. depois que viera da Ju- déia para a Galiléia. páginas . (1° to- mo: n. 115.B. Responderam-lhe os ser- vos: Ontem. Perguntou-lhes então o oficial a que horas se sentira melhor. pág.J. 93-95. antes que meu filho morra. — 54. 72-74. à hora sétima. págs. 109. 76. teu filho está curado. págs. 13. seus ser-vos lhe vieram ao en- contro e disseram: Teu filho está bom. 74. desce. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 401 Senhor. Vai. — 50. creu e bem assim toda a sua família. Ele.

231-232. n. 265-267. págs. . n. páginas 401-404. n. 3° tomo. 157. págs. n. 177.J.) Fora inútil repeti-las aqui. 252. número 246. págs. 125. 183. n. 416- 423. págs. 147-151. n. pá- ginas 152-155. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 402 131-132.B. págs. 261-262. 124.

— Cura de um paralítico V. — 6. e que tinha cinco alpendres. em certas épocas. havia trinta e oito anos. 1-16 Piscina de Betesda. — 2. e aquele que pri- meiro entrava na piscina. Respondeu-lhe o enfermo: . es- tava enfermo. um anjo do Senhor descia à piscina e agitava a água. — 3. chamada em hebreu Betesda. Um homem lá se achava. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 403 CAPÍTULO V Vv. esperando todos que a água se movesse. como chegasse o dia da festa dos Judeus. ficava curado de qualquer en- fermidade que tivesse.J. Nestes jazia uma multidão de enfermos. havia em Jerusalém a piscina das ovelhas. lhe perguntou: Queres ficar são? — 7. após ter sido agi- tada a água.B. de coxos. 1. ao saber que ele desde tanto tempo se a- chava assim doente. — 5. É que. que. de paralíticos. de cegos. Jesus. Depois disto. Vendo-o deitado. Ora. — 4. Jesus subiu a Jerusa- lém.

Por isso perseguiam os Ju- deus a Jesus. — 16. Disse-lhe Jesus: Levanta-te. — 15. para que te não suceda coisa pior. não tornes a pecar. No mesmo instante o ho- mem ficou são. Jesus o encontrou no templo e lhe disse: Eis que estás são. tomou do leito e se pôs a andar. — 11. Disse- ram então os Judeus ao que fora curado: Hoje é sábado e. Depois. outro desce antes de mim. — 14. O homem foi comunicar aos Judeus ter sido Jesus quem o curara. porquanto Jesus logo se retirara do meio da multidão ali reunida. Mas o que fora curado não sabia quem era aquele ho- mem. — 12. — 10. Era sábado aquele dia. — 9. . por fazer dessas coisas em dia de sábado. enquanto para lá me dirijo. Perguntaram-lhe os Ju- deus: Quem é esse homem que te disse: Toma o teu leito e anda? — 13.J. não tenho quem me meta na piscina quando a água é movimentada. pois. não te é licito levares o teu leito. toma o teu leito e anda. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 404 Senhor. — 8.B. Respondeu-lhes o homem: Aquele que me curou me disse: Toma o teu leito e anda.

que a invadiam por ocasião das erupções subterrâneas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 405 N. eram apropriadas à cura de certas moléstias.B. Suas águas. exprime e resume as crenças vulgares de que ele próprio partilha- va. Desconhecendo a causa do fenômeno. ficava cu- . nada tinham de regulares. Quanto às épocas em que o fenômeno se produzia. A narrativa de João. depois de ter sido fortemente movimentada a água. Havia exagero da opinião pública. tornadas tépidas por um efeito térmico. Abalos vulcânicos por vezes agitavam aquela fonte.J. 14. os homens de então o atribuíam a uma ação "milagrosa". no tocante à piscina de Betesda. A aproximação delas era pressentida por um ligeiro movimento na superfície da água. diz a narração evangélica. É que pequenos abalos a encrespavam algum tempo antes que fosse agitada pelas maté- rias calcáreas. Aquele que primeiro entrava na piscina.

de- duziram desse fato que. Como nem sempre a cura fosse obtida. Os que se achavam atacados de moléstias para as quais aquelas águas ti- nham aplicação curavam-se. Aqueles para cujas enfermidades elas nenhuma eficácia apre- sentavam eram curados direta e unicamente por efeito desse magnetismo. De fato. cheio de confiança.B. servindo- se de fluidos apropriados à natureza da mo- léstia de que se tratava e desse modo pro- duziam a cura. para que ela se o- perasse. mais que tudo. de reconhecimento e. de submissão aos decretos da Provi- . auxiliados pelo magnetismo espiritual. Curavam-se os que mergulhavam com fé na piscina. Sabeis o que a fé pode alcançar.J. a ação magnética. aquele que mergulhava na água. os Espíritos do Senhor exerciam sobre eles. Atraídos pela fé ardente com que esses enfermos ali iam. invisivelmente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 406 rado de qualquer doença de que sofresse. eram necessárias determinadas condições.

não conseguirem muitos doentes cu- rar-se. por terem mo- . Daí. Por seu lado. De modo que. ainda mais talvez do que atualmente. Porém. cada um julgando ser o "primeiro".B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 407 dência. portanto. dominados pelo ego- ísmo.J. a cumprir uma mera formalidade. se aproveitaram daquela suposição e fizeram crer que só obtinha a cura o que primeiro entrava. era pela razão de que. o que deu lugar à crença de que a cura dependia de uma condição especial. que mui- tos mergulhavam ao mesmo tempo. donde a reputação que as águas de Betesda conservaram. a acompanhar a corrente. os que buscavam a piscina se limitavam. na sua maioria. podia contar com a sua cura. que não permitia se elevassem os Es- píritos e rendessem graças àquele que é o autor de todos os dons perfeitos. havendo sempre doentes apressados e sucedendo. se alguns se cura- vam. os anciães e os doutores para evitarem a confusão e o tumulto que resulta- vam de quererem todos os doentes entrar na piscina.

também não tendes mais do que vos reportardes ao que ficou dito nos comentários aos três primeiros Evangelhos. n. embora pare- cendo ter mergulhado ao mesmo tempo. Quanto ao sábado e às curas que nesse dia Jesus operava. pág. 157. 264. 76. 121. 110. como o diz a narração evangélica. isso não podia provir se- não de que os não curados. 131.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 408 lhado seus corpos no mesmo instante. e n. era paralítico. só o haviam feito sucessivamente. pág. . Se a cura não se dava. todos esses tinham sido cada um o primeiro. n. Quanto à cura do homem que se achava enfermo havia trinta e oito anos e que. Para vos inteirardes da maneira por que se deu esse fato qualificado de "mi- lagre". já recebestes sobre isso todas as explicações necessárias. pág. não tendes mais do que vos reportar- des ao que foi explicado com relação a ca- sos análogos ou idênticos em o 2° tomo.B. sem que tivessem sido cada um o primeiro.

— Quais os frutos que sua missão há de produzir V. como dizia que Deus era seu pai. Em verdade. Jesus então lhes disse: Meu Pai até agora não cessa de obrar e eu também obro incessantemente. porquanto ele não só viola- va o sábado. 17-30 Ação incessante do pai. — Palavras deste aos Judeus que o acusam de se fazer igual a Deus. — Sua posição e seus po- deres como Messias. — 18. — Por es- sas palavras Jesus afirma. porque lhe chama seu pai.B. 17. fazendo-se assim igual a Deus. — Ação também incessante de Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 409 CAPÍTULO V Vv. A vista disso Jesus lhes disse: — 19. sob o véu da le- tra. Isso fez que os Judeus procurassem ainda com mais ânsia dar-lhe a morte.J. sua inferioridade relativamente a Deus e se declara mero instrumento e ministro das vontades do pai. em verdade vos digo que o filho nada pode .

também o filho dá vida aos que quer. pois que tudo o que faz o Pai o filho também o faz semelhantemente. assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida. a fim de que todos honrem o filho como honram o Pai. Pois.J. porque é . — 22. o Pai ama o filho e lhe mostra tudo o que faz e lhe mostrará obras ainda maiores do que estas e que vos maravilharão. ao contrário. — 26. o Pai a ninguém julga. E lhe deu o poder de julgar. em verdade vos digo que o que ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou. — 20. também deu ao filho ter a vida em si mesmo. e já veio. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 410 fazer de si mesmo e não faz senão o que vê o Pai fazer. esse tem a vida eterna e não incorre na condenação. aquele que não honra o filho não honra o Pai que o enviou. — 27. Porque. — 21. — 25. Em verdade. Pois. em verda- de vos digo que vem a hora. — 24. Em verdade. — 23. já passou da morte à vida. mas deu ao filho todo o poder de julgar. as- sim como o Pai tem a vida em si mesmo. em que os mortos ouvirão a voz do filho de Deus e os que a ouvirem viverão. Pois.B.

Je- sus aqui. porquanto vem o tempo em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do filho de Deus. porque não busco fazer a minha vontade. ressuscitando para a vida. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 411 o filho do homem. Tudo prevendo e dispondo sempre com o objetivo do progresso do Espírito. de ser compreendidas. o que era condição e meio de realização do progresso da humani- dade. os que obraram mal sairão. como em tantas outras ocasiões. porém. — 30. Eu de mim mesmo nada posso fazer. portanto. pelas gerações vindouras. ressuscitando para a condenação. 15. julgo. N. E os que tiverem feito boas ações dali sairão. — 28. tinham de servir para aquele momento e de preparar o futuro. — 29. velou o seu pensamento. em espírito e verdade. por ele proferidas. Essas palavras. mas sempre a vontade daquele que me en- viou. às quais a nova .J. Só haviam. e o meu julgamento é jus- to. Não vos admireis disto.B. usando de uma linguagem figurada. assim como ouço.

" Dizendo isso. quanto a ele. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 412 revelação. (V. quis fazer-lhes com- preender que não há dia de repouso para a prática do bem. Mas não é tudo.B.) Aos Judeus que o perseguiam com seu ódio por fazer ele curas em dia de sábado. como ele. que a ação de Deus. diz Jesus: "Meu pai até agora não cessa de obrar e eu também obro incessan- temente.. Sob o véu da letra. pai de quem todas as coisas tiram o ser. o seu poder é o de um ministro. é que obra. que ele. é incessante no infinito e na eterni- dade. fundadores. que só este. 17. que obra como ministro no . Espíritos puros como ele e. do Deus uno. que. à semelhança de todos os outros messias. tem e exerce o poder de criar. proclamou.J. as explicaria segun- do o espírito que vivifica. por essas palavras. criador incriado. a exemplo do pai. quando chegados fossem os tempos em que os homens se mostrassem capazes de suportá-la. indivisível. por- que é o Deus único. protetores e governa- dores de planetas. que. no exercício de um minis- tério. também obra incessan- temente.

tornada ma- nifesta com o seu aparecimento na Terra e que continua a ser desempenhada com o escopo de vos levar à perfeição. em prol do progresso universal. ainda de mais ódio a Jesus se encheram os Judeus e com mais furor entraram a persegui-lo. a atividade incessante e eterna do Espírito.J. A ação provém de Deus e se transmite dele aos puros Espíri- tos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 413 desempenho da sua missão. acu- . por toda parte. da vida e da harmonia universais.B. no espaço. conformemente ao grau que ocu- pe na escala da criação. além da atividade incessante e eterna de Deus. ditas com relação a Deus. que a comunicam aos Espíritos superio- res e estes aos bons Espíritos. porquanto todo Espírito criado i- gualmente obra. de grau de pureza.) Ouvindo-lhe as palavras "meu pai". (V. 18. na erraticidade e nos mundos. sob o véu da letra. Proclamou também. começada com a formação do planeta terreno. segundo a ordem hierárquica de elevação espírita.

estabeleceram a divindade de Jesus. que imputavam a Jesus. em sentido exclusivo. pessoal e pri- vativo. os Ju- deus atribuíram a Jesus aquela pretensão. o Mestre tudo previa e dispunha. por sua vez. os cristãos. num sentido exclusivo. objetivando o progresso do Espírito. com que tanto se escandaliza- ram os filhos de Abraão. As palavras que dirigiu aos Ju- deus tinham que servir para aquele momen- to e que preparar o futuro. Por uma outra interpretação humana. Por uma interpretação falsa. Ainda aqui. assim.B. que os cristãos se apoiaram para estabelecerem a divindade de Jesus.J. como sempre. igual- mente falsa. às . igual a Deus. de se atribuir a si mesmo a divindade. E foi precisamente nes- sas palavras. Tomando aquelas palavras "meu pai" ao pé da letra. das palavras — "meu pai" — e "filho de Deus". tomando-as. Eram destinadas a só ser compreendidas segundo o espírito que vivifica pelas gerações vindouras. eles se irritavam com a pretensão. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 414 sando-o de se fazer. pessoal e privativo.

dependente deste. as expli- caria em espírito e verdade. Jesus. afirma. pro- nunciando essas palavras. às inteligências e às aspirações de cada época. que aquela mis- são se cumprisse por maneira a produzir os frutos que produziu no decurso da era cristã. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 415 quais a nova revelação. numa lin- guagem velada e figurada. Preciso era que. tudo fosse apropriado aos tempos.J. ao prestígio do milagre. quando fossem chegados os tempos em que os homens se mostrassem capazes de suportá-la. a sua posição inferior relativamente a Deus. e a produzir os que "o Espírito da Verdade" vem fazê-la dar nes- te período preparatório do segundo advento do Cristo.B. . ao mesmo tempo que evidencia sua posição e seus poderes de Messias. pela missão terrena de Jesus. à capa do mistério. graças ao véu da letra. referindo-se a este: "meu pai". Ao passo que os Judeus o acusam de querer fazer-se igual a Deus. de en- viado de Deus. por haver dito.

Foi esta a resposta à acusação dos Ju- deus. um alcance maior. essas palavras têm um sentido mais dilatado. V. O filho nada pode fazer de si mesmo. protetor e governador do planeta terrestre. tratando do v. no qual de novo se lêem estas outras palavras ditas pelo Mestre: "Eu nada posso fazer de mim mesmo. por essa forma. Segundo o espírito que vivifica. Em geral. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 416 O espírito vem iluminar a letra e mostrar que o Mestre proclamou veladamente a sua condição de Espírito fundador. de encarre- gado do seu desenvolvimento e do seu pro- gresso.B. . o Espírito não tem sentidos.J. Jesus. como vos explicaremos dentro em pouco. se declarou inferior ao pai e dependente dele. do progresso e do desenvolvimento da humanidade terrena. 30. de encarregado de a levar à perfeição. 19." Ele só faz aquilo que VÊ o pai fazer.

ele seja a luz que lhe ilumina a inteligência por meio de uma corrente fluídica pura que parte . Eis porque Jesus diz que não faz senão o que vê o pai fazer. como a todos os grandes Espíritos que se eleva- ram a essas puras regiões. tanto mais luminoso se lhe torna o pensamento. um corpo visível e palpável. para os grandes Es- píritos. Queremos significar a existência de uma luz que lhe ilumina a inteligência. Quando dizemos vê. a vontade divina é visível. Este é. Não vos equivoqueis acerca do termo ver. Para o Espírito. Quer dizer que ele nada faz que não seja da vontade do Senhor. no sentido de ser conduzido e transmitido por uma corrente fluídica. para o puro Espírito.B. o pensamento é luz. Deveis agora compreender que. não pretendemos indicar que Jesus tenha uma simples intui- ção. Para o Espírito elevado. Ora. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 417 como os do corpo. para o Espírito. o pensamento é um corpo visível e palpável e quanto mais puro é o Espírito.J. vontade que ele vê logo que ela é. que se acham próximos do foco de toda vida e da onipotência.

em todos os seus estados de combinação e de transformação. é. cria os flui- dos que de todos os lados o cercam e nos quais se contêm as essências espirituais e os germens donde saem os mundos e todos os reinos da natureza. segundo leis imutáveis e eternas. conforme já dissemos nos comentários aos três primeiros Evangelhos. por analogia de natureza. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 418 de Deus. o filho também o faz semelhantemente. Alusão à formação dos planetas. pela ação da sua vontade. explicando a ori- . para serem levados. Não sabeis já que o fluido universal. obra essa a que presidem os Espíritos puros. na imensidade. constituindo o veículo do pensa- mento divino. do infini- tamente pequeno ao infinitamente grande. entre os Espíritos. o veículo do pensamento. ou de espécie? Tudo o que faz o pai.B. Deus. sob a influência atrativa dos fluidos mediante os quais se estabelecem as relações.J.

19. Nesse sentido e de acordo com o que acabamos de dizer a propósito do v.B. é que: tudo o que o pai faz o filho também o faz semelhantemente. O pai tem confiança no filho.J. donde há de sair a formação dos ditos planetas. chegou à perfeição si- deral e adquiriu o saber e a pureza que o . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 419 gem do Espírito. suas fases e seus destinos (1° tomo. Porque es- te. é que tais fluidos se aglomeram por obra dos Espíritos prepostos que assistem os fundadores de planetas e trabalham. Os Messias criam os mundos que se formam desses fluidos. ns. no sentido de que. pelas suas obras. V. 56 e seguintes). para que se efetue aquela aglomeração. 20. sob a vigilância e em obediência à vontade deles. de- baixo da direção deles. nada fazendo de si mesmo e só fazendo o que vê o pai fazer. O pai ama o filho e lhe mostra tudo o que faz.

deixando que ele veja e compreenda. Assim é que lhe comu- nica a previsão dos acontecimentos e dos progressos que se hão de realizar. lhe mostra todos os atos que pratica como criador. ou no estado de erraticidade. planetá- rios e humanos. e o pai. nas épocas em que . mas principal- mente depois dela. alude Jesus aos acon- tecimentos e progressos que o pai lhe mos- trará. Testemunhá-los-iam. isto é: que se realizarão por vontade do pai e por intermédio do filho.J. se achassem ainda pre- sos ao globo terráqueo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 420 colocaram em condições de ver e de com- preender. a geração que então vivia se maravilhariam.B. porque de tais acontecimen- tos seriam testemunhas todos aqueles Espí- ritos. den- tre esses Espíritos. E os homens a quem o Mestre falava. ou reencarnados. não só du- rante a sua missão terrena. E lhe mostrará obras ainda maiores do que estas e que vos maravilharão. Quando isso diz. os que.

ou da posição em que se a- chassem como Espíritos em missão na Ter- ra. também tinham por fim evidenciar-lhe a posição inferior e dependente com relação a Deus. Quanto aos que. nes- sas épocas.J.B. já hou- vessem ascendido a mundos mais elevados. que este se conservasse velado pela letra. o pensamento. Foi o que eles não puderam e não soube- ram compreender. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 421 eles se verificassem. por se terem purificado. sob o prestígio do milagre. quer encarnados. que se lhes seguiram. portanto. quer errantes. também seriam testemunhas dos mesmos acontecimentos e progressos. para tais ho- mens. Forçoso era. presenciando- os. Jesus se dirigia a homens incapa- zes de lhe compreenderem. sob a capa do mistério. Mas. como não o puderam nem souberam as gerações. sob o império e o véu da letra. aquelas palavras suas. ou das esferas superiores onde se en- contrassem. da era cristã. Assim. segundo o espí- rito. .

Essa a vida. que é a vida normal do Espírito. O pai ressuscita os mortos e lhes dá a vi- da. a vida espírita. ao Espírito encarnado. Pois. O pai ressuscita o Espírito que ele . vida que perdera.J. em conseqüência. 21. tem ele. Jesus alude ao homem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 422 V. foram manda- dos para os tenebrosos lugares da encarna- ção. Esses "os mortos". Isso ele o faz com os Espíritos que fali- ram e que. desde então. Ë as- sim que o Espírito ressuscita e que a vida lhe é restituída. Esses são os que. também o filho dá a vida aos que quer. levam o Espírito à perfeição. de tal maneira. em definitiva. assim como o pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida. porquanto. depois dessas.B. Alude tam- bém à vida espírita. se acham espiritualmente "mortos". falindo. O pai os ressuscita e lhes restitui a vida. fazendo-os galgar a escala do progresso por meio das reencarnações expiatórias e das que. Aqui.

longânime. E o Espírito. e restituí-los à vida espiritual. desde que. pela pureza e pela perfeição conquistadas. não mais sujeito a encarnação al- guma.J. Pois. com a . o pai a ninguém julga. pois que a lei do progresso. pelo progresso realizado. V. o filho dá a vida a quem quer. criado perfectível. ele se tornou puro Espírito. na sua imutabilidade. 22. A vida lhe é restituída. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 423 criara puro e que "morrera" espiritualmente por haver falido. dando-a aos que se tornam capazes e dig- nos de a receberem. E to- dos acabarão certamente por ir a ele. obra da vontade divina. imutável como o pró- prio Deus de quem emana. espera. que pouco a pouco se aproxi- mem os filhos que dele se afastaram. O Senhor. onde tanto se com- prazem. é da essência mesma de tudo o que é. dando-lhe os meios de se purificar. Assim.B. visto que a sua missão tem por objeto fazer que os Espíritos saiam dos sepulcros de carne.

mesmo de requisitório. e. Jesus se coloca no ponto de vista humano. na sua maioria. constitui lei tão imutável como as da gravitação. da alternação do dia e da noite. os desvios. no pon- to de vista donde os homens encaravam. os desvairamentos do seu livre-arbítrio. se for preciso. desde toda a eternidade. de audiência dos Espí- ritos prepostos à defesa dos acusados. e ainda mais imutável do que essas.J. porque. e de deliberação. precedida da exposição das faltas. so- frendo suas revoluções e transformações planetárias. no senti- do de que a Terra pode passar e passa.B. sem que o Espírito retardatário lhe acompanhe a marcha ascensional. considerando o "julgamento" como a decretação de uma sentença. está ineluta- velmente submetido a essa lei. encaram ainda os atos espi- rituais. do fluxo e refluxo. quaisquer que sejam as oscilações. O julgamento de Deus existe. de fato. e no . Dizendo: "O pai a ninguém julga". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 424 consciência do bem e do mal.

por analogia de espé- cies. faltas e delitos.B. conjugando-lhes as . por efeito da influência atrativa dos fluidos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 425 sentido de que a lei a que está sujeito o Es- pírito não passa. O julgamento de Deus. religa todos os mundos no Universo. não passará nunca. lei imutável e eterna como o pró- prio Deus de quem emana e que. desde toda a eternidade. porém. une todos os Espíritos. na lei de atração espiritual. que a si mesmos se a- traem uns aos outros. conforme o pendor de cada um.J. Ë essa a lei que. encarnados ou não. como sentença formulada e apli- cada em conseqüência de julgamentos par- ciais. de natureza. não existe como ato. determina as relações entre os Espíritos. fazendo que formem um único ser. O julgamento e sua aplicação estão. e os auxi- lia a subirem para Deus. proferidos com relação a cada culpado. por meio dos fluidos magnéticos. cons- titui o laço universal que os prende a todos. como sabeis. após acalorados debates sobre seus crimes.

encarnados e errantes. Sob a inspiração e a proteção dos bons Es- píritos. atrai a si as boas influências e se põe em rela- ções com os bons Espíritos. O Espírito tem o livre-arbítrio. dos mesmos sentimentos. com a consciência. ele se adianta e o julgamento de Deus não o atinge. o ajudam a progredir. Cumpre-lhe a ele corrigir e reparar os transviamentos desse livre-arbítrio. É ao próprio Espírito que compete abrir para si o caminho que leva ao progresso e avançar por ele. do bem e do mal.J. Se o anima o firme propósito de renunci- ar ao mal e de entrar na senda do bem. que Deus lhe outorgou. e ao julgamento da qual ele se acha inelutavel- mente submetido. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 426 forças. O Espírito é quem livremente aplica a si mesmo essa lei.B. animados de idênticos pendores. os quais. . principalmente com estes. determinando que os superiores tra- balhem sem descanso pelo progresso dos inferiores.

portanto. em face dessa consciência. animados dos mesmos pendores e sentimentos que ele. cedo ou tarde. Permanece então estacionário. ambas as quais de Deus emanam. essa lei. para o Espírito culpado. com estes sobretudo. inevitá- vel. inconscientemente. é. o Espírito atrai a si as más influências e entra. provocando-lhe o remorso.J. certa. É o tempo que se escoa sem trazer ao Espírito melhora alguma. encarnados e errantes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 427 Se. se compraz no mal e não atende às vozes amigas que o chamam para afastá-lo daí e fazê-lo enveredar pela senda do bem. atinge o culpado. ao contrário. É a lei imutável do sofrimento que. Imutável e. co- mo o são a consciência. sem lhe satisfazer . O juízo de Deus é a ausência de pro- gresso.B. em relações com Espíritos maus. do bem e do mal e. a lei de perfectibilidade. que ele tem. e o juízo de Deus o atinge. porquan- to o Espírito não retrograda.

como conseqüência de seus pendores. finalmente. visto que também tende para o crime. para a preguiça. entre Espíritos inferiores. a intemperança. E o Espírito nem sempre as- pira ao progresso.B. Porque. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 428 às aspirações. aí tendes a condenação que ele a si mesmo inflige. a inveja. o orgu- lho. a avareza. o egoísmo. Pois bem! desde que seus desejos não são satis- feitos. na sua condição de culpado. Eis o que vos podemos dizer acerca do . en- quanto não toma o propósito firme de renun- ciar ao mal e de entrar na senda do bem. para a luxúria.J. não podendo. até que estas o induzam a querer progredir. O juízo de Deus é. até que haja realizado o progresso que isenta o ser espiritual de reencarnar nessas esferas. pela influência atrativa dos fluidos que assimila. a luta sem resultado em que o Espírito permanece. nas esferas de expiação. caminhar para Deus. e constrangido a reno- var suas provas. o Espírito se vê retido. e a sofrer outras. para a malda- de.

B. as mesmas conseqüências que às do vosso mundo. dele procede tudo o que é. esse termo precisa ser man- tido. a fonte de todas as coisas. sendo Deus a origem. por ser o único capaz de lembrar ao Espírito do homem a ação incessante da divindade sobre tudo o que existe. sem razão de ser e talvez sem objetivo. Se bem que impróprio. Guardai-vos de atribuir às coisas do mundo espiritual as mesmas in- tenções. Sem essa expressão — "juízo de Deus" — à maior par- te dos encarnados pareceria uma fatalidade. . Sereis induzidos em erro. Não temos meio de deixar de usar da vossa linguagem para que possais perceber atos que estão muito acima da inteligência do homem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 429 juízo de Deus. a sorte dos Espíritos quando deixam a vida terrena.J. O "juízo" de Deus é uma locução humana que coloca o homem em condições de com- preender que. debaixo de certos pontos de vista. sem causa originária. O "julgamen- to de Deus" assina à sorte de cada um o va- lor que deve ter aos olhos de todos.

O ho- mem é quem.B." Jesus espera." (JOÃO. eu. mas não condena. 23). porém. têm que ser apreciadas juntamente com estas outras: "Vós julgais segundo a carne. o julgamento é seguido de condenação. aquele que não honra o filho não honra o pai que o enviou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 430 Mas deu ao filho todo o poder de julgar (v. a ninguém jul- go.J.) Entre os homens. não o es- queçais. para serem bem compreendidas e completamente expli- cadas. se condena a si mesmo. 15. a fim de que todos honrem o filho como honram o pai. a ninguém julgo. porém. v. eu. Assim. Estas palavras de Jesus. Tudo está em saber colhê-los a . O julgamento é o resultado das o- bras humanas. VIII. do ponto de vista humano foi que Jesus disse: "Vós julgais segundo a carne. por seus atos. sua conseqüência inevitável. Nada há que não produza frutos.

de os ajudar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 431 tempo. mas tão-somente um meio paternal de os recon- duzir à senda do bem. A repressão dos Espíritos culpados não é um julgamento seguido de condenação. conformemente às faculdades e neces- . a fim de que se julguem e se conde- nem a si mesmos. Jesus recebeu do pai o poder de julgar.B. a se adianta- rem. de os salvar de si mesmos." Ele é quem vigia a marcha de cada um. forçando-os a que entrem em ex- piação. Deste ponto de vista foi que ele disse: "Mas o pai deu ao filho o poder de julgar. por todos os meios. isto é: de presidir ao desen- volvimento e ao progresso dos homens.J. Neste sentido é que. quem apressa este. O Espírito culpado é quem livremente se julga a si mesmo e se condena. Jesus apenas aplica a lei. modera o ímpeto aven- turoso daquele e ajuda todas as ovelhas en- tregues aos seus cuidados a trilharem a ve- reda que conduz ao aprisco. como intermediário entre Deus e vós.

Aquele que consegue caminhar com bas- tante pureza pelas sendas de Jesus. e que." Jesus é o tipo da moral que leva a Deus. Não o honra todo aquele que não pratica a moral que a ele conduz. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 432 sidades de cada um. visto que essa moral não é doutrina do filho e sim do pai que o enviou. já passou da morte à vida. Em verdade. pois. em verdade vos digo que o que ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou. esse tem a vida eterna e não incorre em condenação. 24.B. não honra o pai aquele que não hon- ra o filho. ao contrário. O único meio de honrar o pai consiste em lhe seguir a lei. "a fim de que honrem o filho como honram o pai. Esse não se acha sujeito a entrar em . V. Assim sendo. entra numa nova fase de progresso e de prova- ções que o fazem adiantar-se para a perfei- ção.J. praticando a moral que este per- sonifica. obedece aos preceitos que conduzem a Deus. de mo- do a não se desviar.

corpo que. "E já veio. de tomar um . para ele. sob o ponto de vista do pro- gresso e relativamente ao grau de purifica- ção que alcançou.B. em que os mortos ouvirão a voz do filho de Deus e os que a ouvirem viverão. aos Espíritos em missão ou enviados e aos "justos". e já veio. Se o grau de sua purificação o comporta. que haviam encarnado antes da missão terrena do Mestre." Alusão aos profetas e missionários. conforme ao grau de pureza alcançado. os quais já então "viviam". conseguintemente. um sepulcro. no sentido de já estarem bastante purificados para se verem livres das provações materiais na Terra e isentos. Passou.J. figuradamen- te. isto é. da morte "à vida". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 433 expiação. é. pode ele ser libertado das prova- ções materiais no planeta terreno e ficar i- sento de revestir um corpo de carne qual os vossos. V. porquanto não está mais adstrito a permanecer ligado às esferas de expiação. Vem a hora. 25.

houverem trilhado as suas sendas. Eles "vivem". de encarregado do desenvolvimento e do progresso da humani- dade terrena. isto é. que ouvirem a voz do filho de Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 434 çado. de tomar um corpo de carne idêntico aos vossos. Jesus alude à sua posição de Espírito protetor e governa- dor do vosso planeta. os encarnados. Pois. 26. "viverão". assim como o pai tem a vida em si mesmo. também deu ao filho ter a vida em si mesmo. como o fizeram os profetas. os Espíritos em mis- são. .J. Os "mortos". libertarem-se das provações materiais na Terra e do corpo de carne da natureza dos vossos. porque ouviram a voz do fi- lho de Deus. Dizendo isso. desde o tempo de sua missão até ago- ra.B. que o tinham precedido. Jesus prediz e promete aos que. V. os justos. Desse modo. e promete também aos que de futuro caminha- rem por aquelas sendas.

pelo que dissemos acerca do v. Quer is- so dizer: porque.B. dando-lhe a possi- bilidade de adquirir todas as perfeições. se persevera em suas faltas. pois que tem em si todas as perfeições. V. "Deu ao filho ter a vida em si mesmo". se o Espírito trata de se melhorar. o sentido destas palavras. E lhe deu o poder de julgar. O julgamento do Cristo não é coisa diversa da imprescritível aplicação que ele faz da lei a todo Espírito sujeito a humanizar-se: da lei do progresso.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 435 Esta declaração ainda uma vez vos mos- tra a condição relativamente inferior e de- pendente em que Jesus se coloca às vistas de todos. 27. 22. da lei de estagnação. mau grado à superioridade . Já conheceis. "O pai tem a vida em si mesmo". São figuradas estas expressões. Porque ele é o filho do homem. segundo o espírito que vivifica.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 436 que adquiriu pelas suas obras. Tempo vem em que todos os que estão nos sepulcros. ao desempenho das missões que os apóstolos traziam.B. 28. isto é. aos frutos que a sua missão terrena havia de produzir. porém. V. em mente. V. ao cumprimento de suas promessas pelo Espírito da Verdade e à época de sua segunda vinda. ressuscitando para a vida. visto que os vossos corpos de carne são sepulcros para os vossos Espíritos. porquanto vem o tempo em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a voz do filho de Deus.J. ouvirão a voz do filho de Deus. todos os encarnados. 29. ele se acha em relações com os obreiros ainda presos à obra que se executa sob a sua suprema di- reção. Aludia Jesus. os que obraram mal sai- . E os que tiverem feito boas obras sairão dali (dos sepulcros). Não vos admireis disto.

Ainda expressões figuradas. a reencarnação. conforme ao grau alcançado de purificação. de acordo com o grau de culpabilidade que apresen- tem. ou no vosso planeta. A "ressurreição para a vida" é o renascimen- to. a reencarnação. Os culpados endu- recidos.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 437 rão. A "ressurreição para a conde- nação" é o renascimento. pelos quais o Espírito repete suas provas "nos mundos de expiação". verdadeiros sepulcros para o Espírito. com as condições em que devam sofrer a expiação e com as exigências do progres- so que tenham de realizar. mediante os quais o Es- pírito reinicia a marcha ascensional pela via do progresso. ou em mundos superiores. recomeça a obra mal feita. ressuscitando para a condenação. sempre a mesma ordem de idéias. Os que hajam pro- gredido serão chamados a prosseguir na marcha ascensional. esses serão conservados nas esfe- ras inferiores. Os túmulos são sempre os corpos de carne.B. . aí reencarnarão.

porque não busco fazer a mi- nha vontade. o uso que este faz desse livre-arbítrio e classificando o Espírito para o renascimen- to. na condição correspondente às suas faculdades e à sua aptidão para progredir. Jesus nada pode fazer de si mesmo. na condição correspondente à necessidade que tem de reparar e de pro- gredir. a von- tade imutável do pai. 30. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 438 V.J. de acordo com o seu estado fluídico. isto é. porque se limita a aplicar a lei universal e imutável da reencarnação e das provas. Não tomeis a palavra ouvir no sentido . e- xecutando assim os decretos eternos. Assim como ouço julgo e o meu julga- mento é justo. mas a vontade daquele que me enviou. classificando o que venceu a prova. regulando os efeitos e as conseqüências do livre-arbítrio do ho- mem. classificando o culpado. Eu de mim mesmo nada posso fa- zer.B.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 439 que lhe dá a faculdade humana da audição. . executando suas leis universais.J. imutáveis e eternas. mas a vontade daquele que o enviou. sem que ele tenha nenhum sentido material e especial. isto é: fiel à inspiração que recebe diretamente de Deus. porque ouve e vê. ou a do estacionamento. poder-se-ia dizer. porque não busca fazer a sua vontade. Jesus julga. ele só as aplica em conseqüência dos pensamen- tos e dos atos dos encarnados. uma vez que a lei imutável do progresso. só faz a vontade de Deus. cujas sensações e percepções se veri- ficam em todo o seu ser.B. Tais distinções não existem para o Espírito puro. E seu juízo é justo.

J. as obras mesmas que eu faço. — 34. — 33. Enviaste mensageiros a João e ele deu testemunho da verdade. que o enviou. tes- temunho maior eu tenho do que o de João. Outro é o que de mim dá tes- temunho e sei que é verdadeiro o testemu- nho que de mim ele dá. não é de homem que recebo testemunho. 31-38 Jesus tem um testemunho maior do que o de João. — 35. Se sou eu que dou testemunho de mim mesmo. porquanto as obras que meu pai me conce- deu fazer. porém. o meu testemunho não é ver- dadeiro. Ele (João) era uma lâmpada que ardia e alumiava e vós quisestes exultar por algum tempo com a sua luz. . Suas obras é que dão testemunho dele V. Mas. estas coisas a fim de que sejais sal- vos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 440 CAPÍTULO V Vv. entretanto. 31.B. Eu. — 32. digo-vos. Dele deu testemunho o pai. — 36.

E meu pai. nem nada vistes que o representasse. Pela obra é que se reconhece o obreiro e quem o emprega. de modelo servir. Só as obras que pratique. os exemplos que dê podem e devem testificar a seu favor. o meu testemunho não é verdadeiro. Os outros.J. Deve. porque não credes naquele que foi por ele enviado. E a sua palavra em vós não permane- ce.) Jamais deve o homem apresentar-se como modelo. 16. Tal o ensino que decorre destas palavras do Mestre: "Se sou eu que dou testemunho de mim mesmo." . Nunca lhe ouvistes a voz.B. não ele próprio. é que devem dar dele testemunho. Esses os únicos testemunhos verdadeiros que o homem pode dar de si mesmo. sim. — 37. (Vv. 31. — 38. N. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 441 elas são que de mim dão testemunho e de que é meu pai quem me enviou. que me enviou. 32 e 33. ele mesmo deu testemunho de mim.

do ponto de vista da missão que recebeu do pai e que lhe cumpre desempenhar. seu Espírito conserva a independência e a liberdade. e de caminharem pelas suas sendas.) No que disse aos Ju- deus que o foram interpelar. que tem consciência exata da sua origem e certeza do futuro. . João deu tes- temunho da verdade. de lhe ouvirem com confi- ança e fé a palavra.J. De Deus é que Jesus recebe o testemunho da sua mis- são de enviado celeste. assim. 34. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 442 E.B." Atesta. ser apenas seu precursor. Mostra que. os ensinamentos. sob o invólucro corporal que tomou para se tornar visível aos olhares humanos. acrescenta: "E sei que é ver- dadeiro o testemunho que de mim ele dá. declarando não ser o Cristo. tendo dito: "Outro é o que de mim dá testemunho". (Vv. isto é. estas coisas a fim de que sejais salvos." Os que creram na sua missão foram postos em condições de se salvarem. 35 e 36. "Digo-vos. porém.

que me enviou. Esse testemunho dão-no os atos que lhe fora concedido praticar. o poder que lhe foi conferido. pelo Precursor. Mas a sua missão era preparatória e. 36)." Por essas palavras Jesus alude às mani- festações espíritas que se produziram quan- do. os "milagres" que realizou. pouco tempo devia durar. ele foi batizado às mar- . O Pre- cursor tinha que se apagar diante do Cristo.J.B. tinha que ver terminada a missão que trou- xera. ele mesmo deu testemunho de mim. quando Jesus começasse a desempe- nhar publicamente a sua. "E o pai. de um enviado de Deus. Jesus tem um testemunho maior do que o de João (v. Estes testemunharam ser ele o enviado do pai. como tal. Os Judeus lhe escutaram a palavra como sendo a de um profeta. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 443 João era um Espírito superior em missão.

comprovar. assina- lando assim a importância delas. dando um ensinamento.B. que Deus nunca se manifesta pessoalmente aos ho- mens. uma voz se fez ouvir. 37): "Nunca lhe ouvistes a voz. ali então presentes. que não haviam presencia- do essas manifestações espíritas verificadas às margens do Jordão e no Tabor.J." Duplo sentido encerram essas palavras do Mestre e duplo objetivo tinha ele em men- te ao proferi-las: fazer notar aos Judeus. V. nem nada vis- tes que o representasse. Em ambas essas manifestações. e." E Jesus acrescenta (v. além disso. E a sua palavra em vós não per- . em quem hei posto todas as minhas complacências. co- mo sabeis. 38. escutai-o. dizendo: "Este é o meu filho bem-amado. como sabeis e nós temos dito. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 444 gens do Jordão e quando se transfigurou no Tabor. segundo o espírito que vivifica.

porque não credes naquele que foi por ele enviado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 445 manece. Se. houvessem renegado a missão de Jesus. Jesus. repelindo-lhe a moral.J. os vícios e as paixões que os dominavam. sejam quais forem suas crenças. neles não ficava a palavra de Deus. Não crendo os Judeus na sua missão e. os ensinos. perante os homens. São de fato discípulos de Jesus todos aque- les que. por ignorância ou escrúpulo. porém de fato.B. sejam quais fo- . ain- da mais. na moral que ele personificava e praticando-a. mas de boa-fé. como o foram os profetas e os justos em Israel. não de nome. tal qual se cressem na sua missão. entretanto. teriam sido. antes da sua vinda à Terra. sejam Judeus ou Gentios. sua palavra era a palavra de Deus. era o órgão de Deus. os exemplos. seus discípulos. Em seus corações só tinham guarida os preconceitos. crendo. Até aos vossos dias assim foi e ainda é.

J. Ë que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 446 rem as seitas a que pertençam. Dissemos — "na presente encarnação". o fato de ele renegar o nome do Mestre pode ser fruto de preconcei- tos e do meio onde nasceu e vive. lhe reneguem o nome. embora. tem a maneira de proceder como se cresse em Jesus.B. praticando a moral que resume o mandamento divino em que se encerram toda a lei e os profetas. na presente encarnação. tomando para exemplo um Judeu. procedem como se cressem nele. por efeito de precedente encarnação. . na encarnação atual. desde que.

Não julgueis seja eu quem vos acusará perante o Pai. — 44. Mas não quereis vir a mim para terdes a vida. Mas eu vos co- nheço e sei que não tendes em vós o amor de Deus. 39-47 As Escrituras dão testemunho de Jesus. se cresseis em . — 42. 39. recebê-lo-eis. A minha glória não é dos ho- mens que me vem. tendes um acusador. — Aquele que crê em Moisés crê em Jesus V. — 46. vós que requestais a glória que uns aos outros dais e não buscais a glória que só de Deus vem? — 45. que é Moisés em quem esperais. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 447 CAPÍTULO V Vv.B. vós que julgais ter nelas a vida eterna: são elas mesmas que de mim dão testemunho. Vim em nome de meu Pai e não me recebeis. — 41.J. se outro vier em seu pró- prio nome. — 43. Lede atentamente as Escrituras. Como po- deis crer. Porque. — 40.

porém. Dessa forma declara Jesus que lê os pensamentos dos que o ouviam e os conhe- . 17.J. por não ser ele um libertador material. porém. não o procuravam para tê-la. certamente também creríeis em mim. 39. 40 e 41. Mas eu vos conheço e sei que não ten- des em vós o amor de Deus. os Judeus. ele é o Messias prometido aos Hebreus e faz sentir que os Judeus não o recebem por não ser dos homens que lhe vem a glória. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 448 Moisés. de acordo com as interpretações dadas às pa- lavras de Moisés e dos profetas. Viera dar- lhes a vida espiritual. isto é. — 47. Se. não credes no que ele escre- veu.) Mostra Jesus que. como haveis de crer no que vos digo? N.B. pois de mim foi que ele escreveu. Estes versículos são de si mesmos compreensíveis e ainda de mais fácil com- preensão diante das explicações que vos temos dado. (Vv.

se não buscais a glória que só de Deus vem: a vida espiritu- al?" V. portanto. isto é. tanto que Jesus já lhes dissera: "Eu vos conheço e sei que não ten- . Como po- deis crer. Afirma.B. (Vv. aceitar a minha missão. Tinham eles seguido pura e fielmente a lei de Moisés? Não.) Estes versículos se tradu- zem assim: "Sou o enviado de Deus e não me recebeis. a sua natureza e a sua origem também extra- humanas. afirma as su- as faculdades extra-humanas e a consciên- cia que delas tem. recebê-lo-eis. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 449 ce. Não julgueis seja eu quem vos a- cusará perante o pai. e caminhar nas minhas sendas. que é Moisés em quem esperais. Se outro vier em seu próprio nome e se vos apresentar na qualidade de libertador material. 43 e 44. que é toda espiritual. se o que buscais é a independência e a glória na vida material. tendes um acusador. 45. Fazendo essa declaração.J.

B. era obedecer pura e fielmente à lei que o Mestre estende- ra a todos os homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 450 des em vós o amor de Deus.) Se cresseis em Moisés. Proclamara e prescrevera aos Judeus o amor de Deus e do próximo como de si mesmo. também creríeis em mim quando vos digo que sou o Messias." (Vv. co- mo haveis de crer no que vos digo? Moisés anunciara a vinda do Messias. preceituando aquele duplo amor e declaran- do que esse preceito encerra toda a lei e os profetas. 46 e 47. Crer em Moisés e no que ele escrevera era crer na missão de Jesus. do Cristo. porém. Se não .J. — Se. que de mim foi que ele escreveu. que anunciou a minha vinda como Messias. o que implica e compreende a ob- servância do Decálogo. Judeus e Gentios. certamente em mim também creríeis. não credes no que ele escreveu. "Se cresseis em Moisés.

seus atos é que. Judeus ou Gentios. da justiça. e esse foi.B. de lhes ensinar. disse: "E TODAS . isto é. o objetivo com que o Mestre as disse. são de molde a pro- var aos homens. praticando o amor de Deus e do próximo como de si mesmo.J. sejam eles judeus. Moisés. segundo o espírito que vivifica. como se sabe. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 451 acreditais no que ele escreveu. que. guiando-vos para as sendas da luz. de que modo crereis no que vos digo eu. se não obedeceis pura e fielmente à sua lei. tendes um acusador. tes- tificarão pró ou contra eles. sejam quais forem suas crenças. que é Moi- sés em quem esperais". obser- vando o Decálogo. da caridade e da verdade? De que modo haveis de receber a minha palavra e seguir os meus ensinamentos e exempios ?" Estas palavras de Jesus aos Judeus: "Não julgueis seja eu quem vos acusará pe- rante o pai. cristãos ou muçulmanos. seus cultos. perante Deus. que vos venho reconduzir à prática pura e sim- ples dessa lei.

v. no v. até que tenha vindo aquele que há de ser enviado e em quem todas as nações esperarão. 10. aos trechos que vimos de citar.) E disse mais. 18: "Do meio de seus irmãos eu lhes suscitarei um profeta semelhante a ti e na boca lhe porei as minhas palavras e ele lhes dirá tudo o que eu lhe ordenar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 452 AS NAÇÕES DA TERRA SERÃO BENDITAS NAQUELE QUE DE TI SAIRÁ (referindo-se a Abraão). SERÁ ACERTADO entender-se que. porque obedeceste à minha voz. v." E. v. 39. cap.) — "O cetro não será tirado a Judá. É A ELE que escutarás. no Deuteronômio. 18." (Gênese." (Gênese. XXII. da tua nação e dentre teus irmãos.J. XLIX. XVIII. nem o prín- cipe de sua posteridade. 15: "O Senhor teu Deus te sus- citará um profeta como eu." Diante dessas palavras e do que disse Jesus segundo os vv. cap. cap.B. acima transcritos. 45 e 46. Jesus tinha em mente proscrever a divindade que lhe atribu- . mandando se reportassem os Judeus ao que dele escrevera Moisés. portanto.

Porém. Naquelas encontrareis: intencionalmente velada. com as condições e os meios de realização do progresso humano. a revelação feita por inter- médio de Moisés e dos profetas. excluir a possibilidade de suporem ser ele DEUS e que. tanto as da antiga lei. que as interpretações humanas lhe atribuíram? Certamente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 453 íssem." Por Jesus e com Jesus também nós vos dizemos: Lede atentamente as Escrituras. quanto as da lei nova.J. anunciando . de conformidade com as necessi- dades dos tempos. condenou de antemão a divindade que os homens. por ter de servir às interpretações humanas. porquanto o que ele disse foi: "Lede atentamente as Escrituras.B. vós que julgais ter nelas a vida eterna. mas a tudo o que a seu respeito haviam escrito Moisés e todos os profetas. com o estado das inteligências e as aspira- ções da época. notai que Jesus não manda que os Judeus se reportem somente ao que dele escreveu Moisés. são elas mesmas que de mim dão testemunho. ASSIM.

J. preparando o advento de Jesus. tal qual foi desempenhada. a capa do mistério. E vereis que tudo isso tinha de ser preparado e o foi. o prestí- gio do milagre. de um duplo ponto de vista: do da transição. a verificar-se nos tempos da era nova do Cristianismo do Cristo. as bases. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 454 o Messias. dos elementos e dos meios apropriados à revelação futura do Espírito da Verdade. prepa- rando as bases. preparando os caminhos que levariam ao desempenho dessa missão. da era espírita que se . e às conseqüências que havia de produzir. os elementos e os meios de realização da obra da sua mis- são e da continuação dessa obra. segundo o curso dos acontecimentos que a ela presidiram e se- gundo as interpretações humanas. seu aparecimento e o modo por que este viria a dar-se. os elementos e os meios de verificar-se a revelação que havia de ser fei- ta pelo anjo a Maria e a José para o apare- cimento de Jesus. assim como a missão que de- sempenharia. e do aparelhamento das ba- ses.B. que era mister se executasse sob o império e o véu da letra.

uma natureza. com uma ori- gem. Apresentou-o com uma origem e uma natureza humanas. uma origem extra-humanas. milagrosas. que seria um filho de David. Lede com cuidado as Escrituras da lei antiga. mas que também seria "aquele em quem todas as nações da Terra serão benditas". uma natureza ao mesmo tempo huma- nas e extra-humanas. milagrosas." Apresentou-o com uma natureza. dando-o como um prodígio concedido à casa de David. por intermédio de Moisés: "É a ele que escutareis. co- mo concebido e gerado no seio de uma vir- .J. a revelação hebrai- ca apresentou o Messias prometido. reportai-vos a todos os textos que recomendamos em o n. da casa de David. um profeta semelhante a Moisés. aquele de quem Deus disse. que tinha de ser e foi disposta e operada. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 455 inicia. indicando que ele sairia da posteridade de Abraão. com o objetivo dessa transição. o Cris- to. uma origem. ao ver dos ho- mens. como um ser excepcional. divinas.B. divinas. ao ver dos homens. 1 e vereis que.

a revelação he- braica apresentou veladamente o Messias prometido. a produ- zir-se na era nova do Cristianismo do Cristo. con- forme se vê destes tópicos: "Eu te gerei ho- je" — "és meu filho" — "Serei seu pai e ele será meu filho". filho do Altíssimo. filho de Deus.J. como sendo sem pai. na era espírita que se inicia. eram um aces- sório integrante da terra. como não tendo começo de sua . os elementos e as meios da futura revelação do Espírito da Verdade. a fim de que fizesse a sua entrada no mundo. o Cristo. recebendo deste o dízimo de tudo. formado para ele um corpo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 456 gem. para os Hebreus. tendo em vista aparelhar as bases. 1 e verificareis que. como tendo Deus. semelhante nisto a Melquisedec que foi ao encontro de Abra- ão e o abençoou. cumprindo notar que estes.B. como o Senhor de David. sem genealogia. sem mãe. por não haver querido hóstia nem oblata. Lede as Escrituras da lei antiga. dando-o ainda como tendo fundado a terra e os céus. reportai- vos a todos os textos que citamos em o n. gerado por Deus.

não por efeito de uma sucessão carnal. segundo a ordem de Melquisedec. Sob esse aspecto é que. fundou a Terra e tem o encargo de a governar. porém.J. teu Deus". foi anunciado: "És meu filho" — "oh! Deus" — "Deus. mas pelo poder da sua vida imortal. pelo órgão dos profetas." — "Sois Deuses e todos sois filhos do Altíssi- mo". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 457 vida nem termo de seus dias. sacerdote eterno. tal qual os homens. vida que ninguém lhe pode tirar — vitae insolubilis. com . o Deus de Israel. sem mácula. o Deus do monoteísmo e que o filho o é do Deus dos Deuses. inocente. pondo-lhe na boca estas palavras: "Anunciarei teu nome a meus ir- mãos" e registando estas outras dirigidas aos homens: "Deus tomou assento na as- sembléia dos Deuses e julga os Deuses. distinto dos pecadores. Ele. como "Deus" e "filho do Altíssimo".B. como sendo pontífice eterno. mostrando assim que o Deus do filho é o Deus dos Deuses. é santo. Verificareis que o apresentou como sendo aquele a quem. mas que também o apresentou como irmão dos homens. o único eterno.

porque concebido e gerado por obra do Espírito Santo que. a ser fruto de materni- dade milagrosa. o aparecimento de Jesus se deu por maneira que. conforme- mente ao que fora preparado e disposto pela revelação hebraica. enquanto durou aquela missão. passou. era o próprio Deus a se manifes- . paternidade e maternidade humanas. concluída aquela missão. Vereis que. também segundo o modo de ver dos homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 458 relação a vós.J. lhe cabe o título de "filho único do pai". como descendendo de David. aos olhos dos homens. graças à revelação feita pelo anjo a Maria e a José.B. divina. como ficou. em segredo durante todo o tempo da sua mis- são terrena. para os Judeus. em condições e cir- cunstâncias tais que ficasse. e. Lede atentamente as Escrituras da lei nova e vereis Jesus aparecendo na Terra e desempenhando a sua missão. Espíritos falidos e que por isso vos achais nos tenebrosos lugares da encarnação humana. ele teve.

" Vê-lo-eis fazendo tudo o que era neces- sário para que acreditassem na natureza humana que lhe foi atribuída e. pois. de Abraão. filho. entrarem no conhe- cimento da revelação que o anjo fizera a Ma- .J. que és o único Deus verdadeiro. sob o pres- tígio do milagre. chamar-lhe seu pai e ao mesmo tempo chamar seus irmãos aos seus discípulos. concluída a sua missão terrena e quando pudesse ser divulgada com oportunidade e proveito. filho de David. meu Deus e vosso Deus" e dizer. por seus atos e palavras. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 459 tar por um ato qualquer. e o vereis declarar-se profeta e também filho de Deus. dirigindo-se a Deus: "Tu. com relação a Deus: "Meu pai e vosso pai. como um profeta semelhante a Moi- sés. sob a capa do mistério. dizer-lhes.B. ao mesmo tempo. por descendência. Vê-lo-eis. tido pe- los homens como filho de José e de Maria. durante a sua missão. como um homem igual aos outros. preparando pouco a pouco os homens para. sob o véu da letra.

"milagrosas. os elementos e os mei- os da revelação vindoura. de acordo com as necessidades e aspirações da época.B. com as condições e meios de realização do progresso humano e com o estado das inteligências. por maneira a servir àquela época e ao futuro sob o im- pério e o véu da letra. Vê-lo-eis a velar. acerca da sua natureza.J. como obra do Espírito Santo. do "Espírito da Verdade" precur- sora do seu segundo advento. servir de base às interpreta- ções humanas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 460 ria e a José e que até então se conservou secreta. da sua ori- gem extra-humanas. suas palavras e a dispor tudo para que aquela transição se efetuasse. divinas". também propositada- mente. a capa do mistério. que cumpria fosse preparada e executada. Vereis que es- sa revelação. para o fim de operar-se a transição. igualmente predito e prometido. o prestígio do milagre. intencionalmente velada. como condição e meio de progresso. ao mesmo tempo que preparava as bases. por ele predita e prometida. Essa revelação é a atu- . esta- va destinada a.

mas necessário a preparar os homens e a trazê-los aos dias de hoje. o humano. em espírito e verdade. o sentido e o alcance de suas palavras. lhe em- prestaram.B. a natureza e a origem espirituais de Je- sus. ensinos e exemplos. sua natureza extra-humana. para desempenhar a sua missão. de seus atos. a da antiga lei e a da lei nova. que as duas revelações vela- das. visando o progresso do Espírito e tendo por fim ensinar os homens a . sua posição espírita relativamente a Deus e ao planeta terreno. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 461 al revelação da revelação. que ele praticou entre os homens. à aurora do ad- vento "do espírito". quando os homens se tornarem capazes de a supor- tar. que vem substituir a letra pelo espírito que vivifica e fazer que os homens compreendam que o primeiro aspecto. por efeito de humana descendência. todos os fatos qualificados de "milagrosos". que vem explicar. seus poderes e sua missão. era transitório e circunstancial. conforme às leis da natureza. É a nova revelação.J. seu aparecimento na Terra e o modo por que se deu esse aparecimento.

não é de prever que muitos se pre- valeçam destas palavras do Gênese: "Na- quele que de ti sairá". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 462 viverem e a morrerem. não lhes é lícito dividi-la. admiti-la nu- ma parte e rejeitá-la em outra. Ora.B. dessas duas revelações. uma fala do Messias prometido. uma das faces da revelação da lei antiga. a outra apresenta Jesus como a personifica- ção do Messias e fala do seu advento. para contestarem a natureza extra-humana de Jesus. um profeta semelhante a ti". Mas. Mas. intencionalmente veladas. falando de Abraão. repetimos. "divina". "milagrosa". transitória e circunstancial.J. e destas outras do Deuteronômio: "Um profeta como eu. conforme . tal como é agora revelada? Os que assim procedam abrirão exceção na revelação da lei antiga e na da lei nova. atri- buindo-lhe origem ao mesmo tempo humana e extra-humana. As palavras de Moisés no Gênese e no Deuteronômio encerram apenas um dos as- pectos.

B. nem tinha que compreender. Moisés era inspirado. a preparar a reve- lação da lei nova. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 463 o temos dito. nem do ponto de vista da missão que desempenharia. Porém. o próprio Moisés não podia. O mesmo sucedeu com os profetas que surgiram depois de Moisés e que revela- . nem do de seu apare- cimento e do modo por que este se daria na Terra. mas. como condi- ção e meio de progresso. por isso mesmo. A discussão sobre esse ponto tem que se travar e se travará. não há dúvida. um momento de reflexão bastará para compreenderdes que Moisés não podia anunciar aos Hebreus um fato que eles não perceberiam e que. que havia de conduzir os homens aos dias de hoje. Como encarnado. não dizia senão o que convinha que dissesse. Fa- zer o contrário fora desvendar-lhe a missão de Jesus e levá-lo a semear o bom grão em campos onde ainda só ao joio era possível crescer. na condição de encarnado.J. mas necessária. Cada época tem os seus missioná- rios. não tinha consciência do que havia de ser o Messias.

tam- bém não diziam senão o que convinha que dissessem. apropriadas às condições e aos meios de progresso das gerações humanas. como o faz a nova revelação. a cada era. só é dado o que ela pode comportar.J. A cada época. mas. do que havia de ser o Messias.B. nenhuma consciência tendo i- gualmente. Não sabeis que as revelações são su- cessivas e progressivas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 464 ram a natureza extra-humana. Eram inspirados. "milagrosa". "divina". Nem mesmo os que tinham de assistir a esse a- parecimento e ao desempenho daquela mis- são deviam compreender uma e outra coisa. de maneira a guiá-las em sua marcha ascensional? Não sabeis que cada uma prepara a que se lhe há de seguir? Não devendo ser por eles compreendida . por isso mesmo. como encarnados. do Messias. Só nos tempos atuais é que teriam de ser explicadas. nem do modo por que se daria o seu aparecimento na Terra. como Moisés o fora.

Finalmente.B. não devendo a revelação da lei nova ser compreendida pelos "cris- tãos". sujeito à morte. que lhes viria restituir a independência e restaurar a nacio- nalidade. viera. prometido. como os outros. os Hebreus. considerando-o parte destacada. estes. seus elementos e meios nas revelações veladas que a precederam e explicando-as segundo . por efeito das interpretações humanas a que ela deu lugar. atribuindo-lhe a divindade. no Messias que. igual a este. primeiramente um homem revestido do corpo material humano como os demais e. viram no Cristo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 465 a revelação velada da antiga lei. depois. por efeito das interpretações humanas a que a sujeitaram em face da que a precedera. indo buscar sua base.J. do Deus uno. De outro lado. entenderam que o Messias seria um libertador material. o próprio Deus milagrosa- mente encarnado. se bem que inseparável. restabelecer sobre todas as na- ções da Terra o império de Israel. viram nele um Deus.

vem mostrar Je- sus tal qual ele é. em espírito e verdade: Es- pírito que. protetor e governador do planeta terrestre. do mesmo ponto de partida que vós outros. a concepção. fundador. por- tanto. to- . de conformidade com as leis da natureza. a gestação e o parto de Maria. se conservou puro na via do progresso e che- gou à perfeição sideral. que Deus fez reviver. em espíri- to e verdade. sem ja- mais haver falido. vosso irmão. de pureza perfeita e imaculada. em sua origem. fazendo-as res- surgir às vistas de todos. do vosso pro- gresso. conseguintemente.B. a nova revelação. de vos levar à perfeição. se tornou.J. puro Espírito. e graças a tudo o que elas vos têm revelado. como obras do "Espírito Santo". Espírito. encarrega- do do vosso desenvolvimento. Essa nova revelação vos vem explicar ainda. Espíri- to cuja perfeição se perde na noite das eter- nidades. o aparecimento de Jesus na Terra e o modo por que se operou esse aparecimento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 466 o espírito que vivifica. provindo. gra- ças à ciência do magnetismo e à ciência es- pírita. a gravidez e.

J. . não mediante derrogação das leis naturais. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 467 mando ele um corpo fluídico.B. com suas aplicações e apropriações. mas de acordo com essas leis. apa- rentemente igual ao corpo humano. formado. tangível.

Jesus. visse uma grande multidão que com ele vinha ter.B. que é o lago de Tiberíades. Jesus dizia apenas para o ex- . sabendo que dele querem apoderar- se a fim de o fazerem rei. — 2. disse a Filipe: Onde compraremos pão para dar de comer a essa gente? — 6. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 468 CAPÍTULO VI Vv. sozinho V. porque viam os milagres que ele operava nos que se achavam enfermos. — 4. 1. Como. estava pró- ximo o dia da Páscoa. que é a grande festa dos Judeus.J. Seguia-o grande multidão de gente. passou Jesus à outra banda do mar da Galiléia. — 3. levantando os o- lhos. porém. se retira para o monte. Isso. Depois disto. — 5. 1-15 Multiplicação dos cinco pães e dos dois pei- xes. Jesus subiu a um monte e ali se sentou com seus discípulos. Ora.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 469 perimentar. — 11. — 12. . tendo dado graças. Tendo visto o milagre que Jesus fize- ra. lhe disse: — 9. em número aproximado de cinco mil pessoas. toda aquela gente dizia: Este é verdadei- ramente o profeta que tinha de vir ao mundo. a fim de que não se percam. os distribuiu pelos que estavam sentados. Sentaram-se todos. Está aqui um rapazinho que tem cinco pães de cevada e dois peixes. irmão de Simão Pedro. disse Jesus a seus discípu- los: Recolhei os pedaços que sobraram. pois bem sabia o que havia de fazer. Saciados todos. — 13. Um de seus discípulos. — 14. — 8. mas que é isso para tanta gen- te? — 10. e dos peixes lhes deu quanto eles quiseram. — 7. Filipe lhe respondeu: Duzentos denários de pão não bastariam. para que cada um recebesse um pouco.B.J. Os discí- pulos os recolheram e encheram doze ces- tos com os pedaços dos cinco pães de ce- vada que sobraram aos que haviam comido. Disse-lhe Jesus: Fazei que se as- sentem. Jesus tomou então dos pães e. chamado André. Havia naquele lugar muito feno.

Jesus se retirou de novo.J. O fato da multiplicação dos cinco pães e dos dois peixes já vos foi explicado no comentário aos três primeiros Evange- lhos37. para o monte. a sós. 37 Ver: 29 tomo. repetimos o que en- tão dissemos: os discípulos. depois de terem feito o que Jesus mandara. n. se retirou de novo. percebesse que o viri- am arrebatar para o fazerem rei. a sós. dizendo que Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 470 — 15. 18. os deixaram lá e com eles não mais se ocuparam. Não se tratou mais disso. págs. . Como.B. Quanto aos cestos. 373-379. As narrações evangélicas se explicam e completam reciprocamente. Com relação ao que a narração evangéli- ca refere. porém. O que então se vos disse tem inteira aplicação aqui. 173. como perce- besse que a multidão que presenciara o fato qualificado de "milagre" o queria arrebatar para fazê-lo rei. N.

temos a dizer-vos o seguinte: Sabeis a que móvel. entretanto. quando supunham que ele se retirara para o deserto ou para o monte. Jesus. havia dito: "Meu reino por agora não é deste mundo. o que era feito de Jesus quando longe das vistas humanas. a que intento obedeci- am os Judeus que pensavam em fazê-lo rei. Queriam que ele fosse um libertador materi- al. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 471 para o monte.B." Sabeis igualmente.J. . pois também já o te- mos explicado muitas vezes.

J. e ficaram apavorados. que ficara do outro lado do mar. — 19. não te- nhais medo. — 21. Tendo navegado cerca de vinte e cinco ou trinta estádios. — 20. 16. Eles então se dispuse- ram logo a recebê-lo na barca e esta chegou imediatamente ao lugar para onde iam. o povo. — 22. seus discípu- los desceram para o mar.B. Quando veio a tarde. — 17. 16-24 Jesus caminha sobre o mar V. — 18. deram com Jesus que caminhava por sobre o mar. lhes disse: Sou eu. Era já noite e Jesus não tinha ido reunir-se-lhes. No dia seguinte. notou que lá não havia na véspera senão uma só barca e que Jesus não entrara nela com os discípulos. que es- . aproximan- do-se da barca. Jesus. Meteram-se numa barca e atravessaram o mar em dire- ção a Cafarnaum. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 472 CAPÍTULO VI Vv. E o mar se empolava por causa do vento rijo que sopra- va. porém.

B.) Reportai- vos a essas explicações. Quando. 19.J. Ainda aqui. nem seus discípulos. (2° tomo. a multidão viu que Jesus não estava ali. perto do lugar onde comeram o pão. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 473 tes tinham ido sós. entretanto. Outras barcas. as narrações evangélicas. N. depois de o Senhor haver dado graças. como sempre. relativa- mente ao mesmo fato. O fato de Jesus caminhar por so- bre o mar também já vos foi explicado no comentário aos três primeiros Evangelhos. entrou nessas bar- cas e foi para Cafarnaum à sua procura. enfim. n. chegaram de Tiberíades. — 23. 380-386. . págs. 174. se completam umas pelas outras. — 24.

— . mas pela que se con- serva para a vida eterna e que o filho do homem vos dará. Trabalhai. — 28. Per- guntaram-lhe eles: Que havemos de fazer para obrarmos as obras de Deus? — 29. não por causa dos milagres que vistes. Ela conduz à libertação das encarna- ções materiais V. porque nele foi que o Pai. não pela comida que perece. 25-40 A moral que Jesus personifica é a fonte de todo progresso e a senda que leva à perfei- ção. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 474 CAPÍTULO VI Vv. — 27.J. imprimiu o seu selo. quando chegaste aqui? — 26. Respondeu-lhes Jesus: A obra de Deus é esta: que creais naquele que ele enviou. Ao encontrarem-no do outro lado do mar. 25. Jesus respondeu: Em verdade. mas porque comestes dos pães que vos dei e ficastes fartos. perguntaram-lhe: Mestre. em verdade vos digo que me bus- cais. que é Deus.B.

B. os ressuscite a to- .J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 475 30. Jesus lhes respondeu: Eu sou o pão da vida. Porque. — 33. Nossos pais comeram o maná no deserto. Todo aquele que o Pai me dá virá a mim e o que vem a mim eu não o lançarei fora. meu Pai é quem dá o verdadeiro pão do céu. — 35. te creiamos? que de espantoso farás? — 31. — 34. que me enviou. a vontade de meu Pai. vendo-o. mas a vontade daquele que me enviou. — 36. — 38. — 39. conforme está escrito: Deu-lhes de comer o pão do céu. aquele que vem a mim não mais terá fome e aquele que em mim crê nunca mais terá sede. Mas eu já vos disse que vós me tendes visto e não credes. em verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu. não para fazer a minha vontade. Perguntaram-lhe então: Que milagre o- brarás tu para que. ao contrário. — 32. Ora. é que eu não perca nenhum dos que ele me há dado. Disseram-lhe então: Senhor. que. Porque desci do céu. o pão de Deus é a- quele que desceu do céu e dá a vida ao mundo. — 37. dá-nos sempre desse pão. Jesus lhes respondeu: Em verdade.

e eu o ressuscitarei no último dia. se- . A vontade de meu Pai.J. que mais tarde se divulgaria. que me enviou. N. é que todo aquele que vê o filho e nele crê tenha a vida eterna. teria impressionado fortemente a multidão e despertado nela a idéia de se apoderar dele para fazê-lo rei. qualificado de "mila- gre". Esse fato. ao verificar que Jesus passara para o outro lado do mar. Sua missão tinha que ser cumprida. de tornar conhecido o fato de haver caminhado por sobre o mar. pergun- tou-lhe "Quando chegaste aqui?" Jesus se absteve de responder a essa in- terrogação. que. dissera: "Este é verdadeiramente o pro- feta que tinha de vir ao mundo". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 476 dos no último dia. — 40. suspeitando que um novo "milagre" se operara.B. diante desse fato. se naquele momento se espalhara. A turba que presenciara a multipli- cação dos cinco pães e dos dois peixes. 20. sem que nenhuma barca houvesse na qual pudesse ter feito a travessia.

em espírito e verdade. na época atual. quando os ho- mens se acham em vias de ser preparados para a suportar e compreender. do "pão de vida". não só ao alimento do corpo. do "pão de Deus".B. Jesus afirma serem extra-humanas sua na- . Ele se vale então do fato da multiplicação dos pães e dos peixes para. reve- lação e ensinamento que só haviam de ser explicados. o filho do homem. ao mesmo tem- po. afirmando consistir a sua missão em prover. Dizendo que "nele. para os que se esforçam por trilhar as suas sendas. que é Deus. fazer a revelação velada da sua origem e de sua missão e dar um ensinamento.J. pela nova revelação. Assim é que afirmou serem extra-humanas a sua nature- za e a sua origem. que multiplica para os que nele crêem. isto é. foi que o pai. mas sobretudo ao da alma por meio do "verdadeiro pão do céu". imprimiu seu selo". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 477 guindo o seu curso natural. dizendo que "pão de Deus é aquele que desceu do céu e que dá a vida ao mundo".

pensamento e fluido.B. era. o filho do homem. de um corpo. Dá a vida ao mundo. fluídico. ele é. Traz o selo divino porque. Jesus. protetor e governador do planeta terreno. sob aquela aparente cor- poreidade humana. deu vida ao mundo. é a imagem da substância de Deus. Nele. Como enviado. indica qual a sua mis- são e os poderes de que se acha investido como fundador. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 478 tureza e sua origem. como já o temos explicado. para ser visível aos homens. revestido de um corpo celeste. o que quer dizer — um puro Espírito. porquanto ele. revestido de um corpo fluídico tangível. o homem celeste. inteligência. por isso que estabeleceu as bases. imprimiu Deus o seu selo. pelo desempenho da sua missão terrena.J. isto é. os ele- . por sua natureza. por sua natureza. Pois que descera do céu. ao mesmo tempo.

MAS a daquele que me enviou. dirigiu e dirige o seu desenvolvimen- to e o seu progresso. Por essas palavras. do alto dos esplendores celes- tes.J. NÃO para fazer a minha vontade. deu vida ao mundo e. . Como fundador do planeta terrestre. concluída a sua missão terrena. de- pois de haver presidido à formação desse planeta. visto que. Continua a dar vida ao mundo. continua a dar-lha. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 479 mentos e os meios da regeneração humana. de acordo com a sua von- tade. nessa obra de regeneração que a reve- lação nova do Espírito da Verdade vem im- pulsionar e executar. visto que. Jesus declara a sua dependência e a sua inferioridade com rela- ção a Deus e declara nada fazer senão de acordo com as inspirações que recebe dire- tamente de Deus. como seu protetor e go- vernador. na era que diante de vós se abre. DESCI do céu. prosseguiu e prossegue.B.

doutrina que. São também suas estas proposições: "O espírito é que vivifica.) O verdadeiro pão do céu. não é sua.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 480 (Vv. que se esforça por andar nas suas trilhas. mas daquele que o enviou. 34 e 35. o "pão de vida". por pôr em prática sua moral. Saberá dominá- las pelo Espírito e fará delas instrumento e . a carne de nada ser- ve.) O que os homens devem fazer "para obrarem as obras de Deus" é amar a Deus acima de tudo e amar o próxi- mo como a si mesmos. as palavras que vos digo são espírito e vida. jamais terá sede das coisas da matéria. é a sua moral. que Jesus personifi- ca. o "pão de Deus". é caminhar nas suas sendas e aquele que pelas sendas de Jesus caminha pratica esse duplo amor. (Vv. seus ensinos. 32. Obra de Deus é crer em Jesus. jamais terá fome. isto é. é a doutrina que ele pre- gou e exemplificou. que nele crê." Aquele que vai a Jesus. 33. 28 e 29. seus exemplos. que o pai dá aos homens. disse-o.J.

e eu o ressuscitarei no último dia". que me enviou. assim de ordem material. na minha palavra. os ressuscite a todos no último dia. que me enviou. vós me haveis visto e não credes. Submetido à encar- nação material. — A vonta- de de meu pai. é que todo aquele que vê o filho e nele crê tenha a vida eterna. 39 e 40.B. Haveis visto as minhas obras e não cre- des na minha missão. ao contrário. disse Jesus aos Judeus. de progresso pessoal e de progresso coletivo. como de ordem moral e inte- lectual. e eu o ressuscitarei no último dia. Por estas palavras: "que eu os ressuscite a todos no último dia —. que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 481 meio de caridade. é que eu não perca nenhum dos que ele me há dado. Jesus se refere ao termo das encarnações materiais. não está "morto" o Espírito.J. Vv. do ponto de vista da vida espírita? Os esfor- . de amor. A vontade de meu pai. Mas.

de conformidade com a von- tade do pai. significam que. uma mis- são. por devotamento. uma tarefa qualquer que. . isto é. estando na medida de suas forças. tendo-lhe escu- tado a voz. todos os que. quando haja alcançado um grau de pureza que o livrará do contacto do corpo material? Ao proferir aquelas palavras. o seguissem. isto é: com olhar vigilante acompanharia. libertando-os da encarnação material. ajudando-os a avançar. e o futuro. dóceis às ad- vertências. Jesus num só pensamento envolvia o presente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 482 ços empregados para levá-lo à perfeição não o levarão à ressurreição no último dia.B. ele não perderia nenhum dos que o pai lhe dera. durante a sua missão terrena. aos conselhos de seus guias.J. ele os ressuscitari- a. a época em que falava. referia-se aos que o escutavam e às gerações vindouras. Consideradas com relação àquela época. como discípulos. todos os que haviam pedido para agrupar-se ao seu derredor. haviam pedido. lhes seria possível desempenhar. todos os que.

E Jesus os ressuscitará no último dia: — liber- tá-los-á da encarnação material. à perfeição. à vida dos puros Es- píritos. desde que tenham alcançado o necessário grau de puri- ficação. (V.B. vêem a Jesus nas o- bras que o personificam e nele crêem. Consideradas com relação ao futuro. pondo em prática sua moral. que é a vida eterna do Espírito. na época da depu- ração do vosso planeta. . terão a vida eterna. isto é. de ascensão em ascensão. se- jam eles quais forem. Não expul- sará para esses mundos. de progresso em progresso. 37. seus ensinos e exem- plos. os que então já tiverem entra- do e caminharem pela via do progresso. Quer dizer: não expulsa para mundos inferiores os que enveredam pelo caminho da prática da sua moral. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 483 desde que houvessem atingido o necessário grau de purificação. tais palavras significam que todos quantos. da separação do joio e do trigo.J.) Jesus não lança fora os que ve- nham a ele. chegarão.

Tendo sido "chamados". forem expulsos do planeta terreno. não serão escolhidos. não serão "réprobos". eles. pela qual também chegarão a "ressurgir no último dia" e a alcançar "a vida eterna".B. da reparação e do progresso.J. como os outros. Com o exílio para mundos inferiores. nessa época. . mas es- tão destinados a sê-lo. nes- se momento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 484 Contudo. abre-se-lhes a estrada da expiação. os Espíritos culpados e endure- cidos que.

Os Judeus se puseram a murmu- rar dele por haver dito: Eu sou o pão vivo. — Ele é o pão que desceu do céu. exceto aquele que nasceu de Deus. — Nenhum homem jamais viu a Deus. o filho de José.J. — 42. se não for atraído pelo pai que o enviou. — Ele é o pão vivo que desceu cio céu V. — Ninguém pode vir a Jesus. que desci do céu. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 485 CAPÍTULO VI Vv. cujo pai e mãe co- nhecemos? Como é então que ele diz: Desci do céu? — 43. 41-51 Murmurações dos Judeus contra o que Je- sus acabava de dizer. — Palavras veladas de Jesus. E diziam: Este não é Jesus. 41.B. Respondeu-lhes Jesus: Não . — O que nele crê tem a vida eterna.

B. — 47 Em verdade. — 51. Escrito está nos profetas: Serão todos ensinados por Deus. o pão que desceu do céu. pois só aquele que nasceu de Deus tem visto o pai.J. que do pai têm ouvido a voz e aprendido dele. Todos aqueles. — 49. em ver- dade vos digo: Aquele que crê em mim tem a vida eterna. — 45. Eu sou o pão vivo que desci do céu. vêm a mim. se meu pai. o não atrair. — 44. Aqui se vos deparam um exemplo e uma aplicação do que já dissemos: que mesmo aqueles que presenciaram a apari- ção de Jesus na Terra e o desempenho de sua missão não podiam e não deviam com- preender uma e outra coisa. e eu o ressuscitarei no último dia. Vossos pais comeram o maná no de- serto e morreram. Aqui está. — 46. — 48. N. porém. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 486 murmureis entre vós. — 50. 21. a fim de que todo o que dele comer não morra. Eu sou o pão de vida. Ninguém pode vir a mim. que me enviou. Não é que alguém tenha visto o pai. que só nos dias de hoje a nova revelação as havia de expli- .

Daí o murmu- rarem e dizerem: "Este não é Jesus. que o anjo ou Espírito enviado fizera a Maria e a José. durante a sua missão terrena. mesmo depois de divulgada. Jesus tinha que ser e foi considera- do pelos homens como um homem igual aos outros. que. tinha. como sabeis. À futura revela- ção do Espírito da Verdade estava reservado responder. cujo pai e mãe conhecemos?" Era mister que Jesus se abstivesse de responder a essa interrogação. o filho de José. nos tempos atuais. como filho de José e de Maria. e tinha que ficar incompreendida.J. extra-humana. Estas palavras: "Sou o pão vivo que des- ci do céu" chocaram os Judeus. intencionalmente velada. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 487 car segundo o espírito. Vislumbraram nelas confusamente a afirmação de uma origem celeste. porquanto a revelação. que se conservar secreta. pois que a cada épo- ca não pode ser e não é dado senão o que ela comporte.B. enquanto durasse a missão terrena do Mestre. muito embo- ra não as compreendessem. segundo o .

a tal pergunta. 44: "E eu o ressus- citarei no último dia" e mais as dos vv. explican- do aquela revelação quando os homens houvessem entrado nos caminhos por onde chegariam à condição de a suportar e com- preender.B. repete o que acabara de dizer. também. servi- am para aquele momento e para o futuro e estabeleciam as bases. 48. fortalecendo suas afirmações com o lhes dar aspectos novos que. . 50 e 51. 20 vos colocam em condições de compreendê- las. os elementos e os meios convenientes à nova revelação. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 488 espírito que vivifica. Jesus não responde à observação dos Judeus. 49." Diante das murmurações que suas pala- vras ocasionaram. limita-se a lhes dizer: "Não murmu- reis entre vós. 47. As palavras que Jesus acabara de dizer e repete são estas do v. As explicações que já demos em o n.J.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 489 Cingimo-nos. que tem de regenerar os homens e que lhes trago eu que entre vós apareci vin- do das regiões celestiais. a chamar vossa aten- ção para estas do v. não morram. a fim de que todos os que a pratiquem e sigam meus passos cheguem a libertar-se da encarnação mate- rial. pois. por conseguin- te. "Aqui está. a fim de que todo o que dele comer não morra. 49: Vossos pais comeram o maná no deserto e morreram." . alcancem a perfeição e. Os Espíritos encarnados. porém. o pão que desceu do céu. ignoran- tes e materiais. eram atrasados.B. Precisando ainda purificar-se no cadinho da reencarnação material. Aqui está. foram lançados nele. porém.J. a moral que eu perso- nifico. que comeram o maná no deserto.

podem ir a Jesus. O Senhor nenhuma determinada ação atrativa exerce senão so- bre os Espíritos que se purificaram bastante para poderem senti-la e a ela se submete- rem. Não imagineis que Deus seja um centro espiritual e fluídico que atraia a si diretamen- te qualquer Espírito. ação dos Espíritos junto dos homens e lhes fazer compreender que só os encarnados que atendem às inspi- rações dos bons Espíritos. que me enviou. que lhes são dó- ceis. Sobre os demais. Somente sobre os Espíritos purificados essa ação é direta. é indireta.B. todos os Espíritos teriam que ser igualmente atraídos e não é o que se dá.J. Ninguém pode vir a mim. sobre os encarnados. estas palavras foram ditas para assinalar a. se meu pai. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 490 V. 44. seus ensinos e exemplos. o não atrair. Se assim fora. exercendo-se por intermédio dos Espíritos superiores ou dos . Segundo o espírito. empregando esforços sérios e contínuos por praticar sua moral. enveredar pelas suas sendas e caminhar para ele.

não tinha meio de fazer derivar a ação atrativa. houvera dito: "não poderá vir a mim". naquele momento. sem dúvida alguma. Quanto aos Espíritos inferiores. Sobre o homem.B. em vez de: "não pode". . es- ses. Isso claramente indica que se referia aos graus de adiantamento dos Espíritos encarnados que o rodeavam. Da diversidade desses graus é que se originava o fato de uns o seguirem e de outros o per- seguirem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 491 bons Espíritos.J. alguns dos eflúvios divinos. sem o que." Não sendo oportuno revelar a escala espírita. Disse ele: "Se meu pai o não atrair. as palavras de Jesus. conforme ao grau de eleva- ção daqueles. a ação atrativa de Deus não se pode fazer sentir. lá chegarão a seu tempo pela intervenção dos bons Espíritos que os guiam e impelem para diante. Mas. se dirigiam aos que o cercavam. senão em se tra- tando de um Espírito que já tenha alcançado um grau de purificação que lhe permita as- similar. de certo modo.

se exprimia de ma- neira. V. mais diretamente recebe a inspiração. que tem no Senhor a sua fonte de origem. a ser compreendido e. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 492 senão do seu ponto originário — o pai. sobre eles uma ação direta.B. seus preconceitos e tradições. falando assim. O Espírito em via de progredir e de purifi- car-se experimenta de modo mais direto a impulsão que lhe dão os bons Espíritos. 44 e decorre do que acabamos de di- zer sobre estas. segundo suas idéias. Escrito está nos profetas: Serão todos ensinados de Deus. atendido pelos Judeus. Deus se entretinha diretamente com os homens. Segundo o espírito que vivifica. Deus. o sentido destas palavras do Mestre é idêntico ao das do v. para estes. portanto. exercia. 45. Todos aqueles que do pai têm ouvido a voz e aprendido dele vêm a mim. se comunicava diretamente com eles. Acha- .J. Demais. visto que. principalmente.

como o homem de hoje. Está escrito nos profetas: Serão todos ensinados de Deus.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 493 se. oculto pelo véu da le- tra. pois só aquele que nasceu de Deus tem visto o pai. V. Não é que alguém tenha visto o pai. de seus envia- dos. de seus missionários. disposto a escutar aquele que o Senhor enviou. todos os que agasa- lharam essa inspiração. Segundo o espírito. como qualquer en- carnado na Terra.J. não podia e não pode es- . encar- nados e erráticos. que é "a voz do pai" a se fazer ouvir no íntimo de cada um. Sê-lo-ão pelo órgão de seus enviados. o Espíri- to que então sofria a encarnação material. Assim. todos esses estão dispostos a escutar e seguir a Jesus. e pela inspiração dos bons Espíritos. portanto. estas palavras de Jesus tiveram por fim fazer sentir que o homem de então. todos os que dele receberam o ensino por inter- médio de seus missionários. 46.

em face do vosso planeta e da humanidade terrena. que deste recebe a inspiração. Jesus. Ao dizer. Jesus reafirma sua origem extra- humana. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 494 tar em relação direta com Deus. que ele. é o único.J. . falando de si: "Aquele que nas- ceu de Deus". bem como ao dizer "que desci do céu". puro Espírito.B. que está em relação direta com o pai.

B. Jesus lhes respon- deu: Em verdade. e eu o ressuscitarei no último dia. em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do filho do homem e não beberdes o seu sangue. — 55. O que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eter- na. e o pão que eu darei é a minha carne.J. — 56. que tenho de dar pela vida do mundo. sua carne e seu sangue. Aquele que comer deste pão vive- rá eternamente. chega à perfeição V. isto é. Porque. — Aquele que a pratica tem a vida eterna. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 495 CAPÍTULO VI Vv. — 53. minha carne é verdadeiramente uma comida e meu sangue verdadeiramente . 52. dizendo: Como pode ele dar a sua carne para ser comida? — 54. Os Judeus disputavam entre si. não tereis a vida em vós. 52-59 A moral que Jesus personifica é figurada- mente o pão vivo.

— 59. Todas as que constam destes versículos são figuradas. Aquele que come a mi- nha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele. N. Aqui está o pão que desceu do céu. 22. que me enviou. Aqui. — 57. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 496 uma bebida. . Aquele que come este pão viverá eterna- mente. não é como o maná que vossos pais comeram. os quais. vive e eu vivo por meu pai. São de ordem espiritual todos os pensamentos a que elas servem de vesti- dura.J. como fi- zeram os chefes da Igreja. Jesus alude à moral que ele viera en- sinar. morreram. porquanto ele era a pureza mesma pratican- do em toda a sua extensão o preceito de amor que descera a pregar. Não vos apegueis à letra. esse o seu sangue. Essa a sua carne. assim aquele que me come também viverá por mim. não obstante. — 58.B. como em quase todos os pontos dos Evangelhos. a letra das palavras de Jesus é um envoltório que cobre o espírito. Assim como o pai.

segundo o espírito que vivifi- ca. os que se nutrem desse amor. ao contrário. 286 e 287. material. Os que o proclamaram teriam evitado tão grosseiro erro. nem o que dele usa. e teriam compreendido. tenham errado ao ponto de assimilarem a essência espiritual do Cristo salvador a um alimento sujeito em parte às macerações do estômago e suscetível de ser carreado pela digestão! Pobre humanidade! Acerca do dogma humano da presença real. o fortifica e fará viver eterna- mente na glória do Senhor. É incrível que homens sensatos. oriundo da letra. págs. da transubstanciação. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 497 Ora. instruí- dos.B. Não tendes mais do que vos reportardes a elas (3º tomo. se houvessem meditado proveitosa- mente sobre as seguintes. que o Mestre diri- . já rece- bestes todas as explicações necessárias. as palavras de Jesus.J. figu- radamente se alimentam da carne e do san- gue daquele que é todo amor. Esse alimento não perece. ns. pois que. em espírito e verdade. 396-404).

consubstanci- ados na moral que ele veio pregar pelos seus ensinos e exemplos. perseverando. chegará à perfeição. porque avança pela senda do progresso. só come a car- ne e bebe o sangue de Jesus. Es- sas outras palavras são: "O espírito é que vivifica. no dia em que houver al- cançado um grau de purificação que o isente do contacto do corpo material. em conseqüência dos murmúrios que no meio deles se levan- taram. também dirigidas aos discípulos. certo de que. só come o pão vivo." Sim. pois. A moral de Jesus é verdadeiramente um alimento e é . à vida dos puros Espíritos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 498 giu a seus discípulos por ocasião da Ceia: "Fazei isto em minha memória" e sobre as que daqui a pouco apreciaremos. as palavras que vos digo são espírito e vida.J. aquele. E Jesus "o ressus- citará no último dia": libertá-lo-á das encar- nações materiais.B. que pratica a fraternidade humana. Só esse tem a vida eterna. motivados precisamente pelas que estamos considerando neste momento. a carne de nada serve. aquele que a pra- tica.

permanecerá estacionário. progride e se purifica. à vida dos puros Espíritos. assim. O princípio de amor os une e coloca sob o pálio de um mesmo pensamento. es- sência pura. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 499 verdadeiramente uma bebida para o Espírito que. se des- sedenta na fonte das verdades eternas e. se nutre de amor. tem toda existência em si desde toda a eternidade e assim como Jesus. Quer dizer: não progredirá.J. Viverá e- ternamente: chegará à perfeição.B. Sim. vive pelo pai. só aquele que pratica a moral que Jesus veio pregar fica em Jesus e Jesus fica nele. tam- bém aquele que pratica a moral de Jesus viverá por ele. para o Espíri- . As- sim como Deus. por se achar em relação direta com a essência divina. não se purificará. porquanto a vida. praticando-a. não terá em si a vida. que enviou Jesus à Terra em missão. visto que som ele se achará em relação direta. quando houver alcançado o necessário grau de purificação. Se o homem não praticar a moral de Je- sus.

a purificação.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 500 to.B. é o progresso. Continuará sujeito à encarnação material expiatória. .

— 61. Estas coisas disse-as Jesus ensi- nando na sinagoga de Cafarnaum. Conhecendo. em si mesmo. a carne de nada serve. perguntou-lhes: Isto vos escandaliza? — 63. 60. Jesus. — 65. ouvindo-as.J. as palavras que vos digo são espírito e vida. que seus discípulos murmura- vam do que ele dissera. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 501 CAPÍTULO Vl Vv. dis- seram: É duro este discurso. — Palavras de Jesus referentes a Judas lscariotes V.B. Muitos de seus discípulos. porém. — Resposta de Pedro. motivadas pelo que ele acabava de dizer. Que será então se virdes o filho do homem subir para onde es- tava antes. O espírito é que vivifica. alguns . 60-72 Murmurações e deserção de alguns dos dis- cípulos de Jesus. Mas. — 64. quem o pode ouvir? — 62. — Palavras de Jesus a Pedro.

se bem fosse um dos doze. — 72. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 502 há. um de vós é um demônio. des- de o princípio. que não crêem. — 70. não quereis também retirar-vos? — 69.J. Nós cremos e conhecemos que és o Cristo filho de Deus. perguntou Jesus aos doze: E vós. Desde então mui- tos de seus discípulos voltaram atrás e dei- xaram de o acompanhar. Isto dizia ele de Judas Iscariotes. — 67. se lhe não for con- cedido por meu pai. Continu- ou. 71. A vista do que. dentre vós. Jesus sabia quais os que não criam e qual o que o trairia. Com relação ao que ele disse a respeito . Porque. 23.B. — 68. Alguns dos que ouviam a prédica de Jesus fizeram o que mais tarde fez a Igre- ja: tomaram-lhe as palavras ao pé da letra. pois esse era o que o havia de trair. — 66. Replicou- lhes Jesus: Não vos escolhi em número de doze? Entretanto. Respon- deu Simão Pedro: Senhor. N. para quem ha- vemos de ir? Tu tens as palavras da vida eterna. pois: É por isso que vos tenho dito que ninguém pode vir a mim. filho de Simão.

páginas 389-394). por ambição e não impelido pelo sentimento puro e desinte- ressado do devotamento. não tem a significação que lhe empres- tou a Igreja. n. já vos explicamos. nos comentá- rios aos três primeiros Evangelhos (3° tomo.B. que se encarregara de tare- fa superior às suas forças. Já se vos tem dito várias vezes que o orgulho e o desejo de chegar depressa. Como sabeis. esse "demônio" é hoje um . interpretando-a mal. referentes a esse discípulo. de que usou Je- sus.J. 284. eram os sentimentos que o moviam. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 503 de Judas. A expressão "demônio". Jesus ape- nas mostrou que previa o desfalecimento daquele que tomara sobre os ombros tarefa superior às suas forças. Proferindo-as. de nenhum modo significavam ter sido ele obje- to de uma predestinação. Ele a em- pregou no sentido de "Espírito mau". Assim o qualificou por saber que Judas era um Es- pírito orgulhoso. enfim. nem de uma con- denação prévia. a ambição. que as palavras do Mestre.

Jesus alude ao fato. terminada a sua missão. da. Não tendo sofrido a encarna- ção humana. que se tornou um dos discípulos fiéis de Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 504 Espírito purificado.B. se virdes o filho do ho- mem SUBIR para onde ESTAVA antes? Fazendo essa observação a seus discí- pulos. sua chamada "ascensão". um de seus dedi- cados auxiliares na obra da regeneração humana. ser absolutamente inadmissível a suposição de haver Jesus sofrido encarna- ção material qual a sofreis. por estarem murmurando do que aca- bava ele de dizer. atrai para esse fato a atenção dos discípulos e sobretudo dos apóstolos e mais uma vez afirma serem extra-humanas a sua natureza e sua origem. de haver feito aparições e depois ascendido ao espaço como qual- . Que será.J. comentando os três primeiros Evangelhos. então. de haver sofrido morte real. então vindouro. ele habitava as regiões etéreas e para lá voltaria. humana. Já mostramos.

preciso é se admita igualmente que os discípulos de Jesus fos- sem velhacos ou bastante insensatos. Semelhante a- berração se compreende? A fé viva. esse se agarra às asperezas do terreno e .B. por efeito da morte. Aquele que não se decide a passar da superfície. a fim de acredita- rem. dos apóstolos não se explica muito mais ra- cionalmente pelo fato de se ter realizado a "ressurreição" que lhes fora prometida? Perde-se nas trevas da profundeza aque- le que se abalança a sondar demais. aban- donou seu corpo reduzido ao estado de ca- dáver. sem dúvida eles mesmos. Jesus não podia ser para seus discípu- los senão um impostor. Sim.J. na veracida- de do que ele lhes dissera. Para admitir-se que tal tenha sido a realidade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 505 quer Espírito que. ardente. ao ponto de sacrificarem suas vidas pelos de- vaneios de um que sabiam ser impostor. desde que estes se tivessem visto obrigados a fazer que o corpo do Mestre desaparecesse. Insistimos nisso.

o objeto que tiveram e o fim com que as pronunciou Jesus. a carne de nada serve. por se acharem dema- siadamente presos à matéria. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 506 nelas rasga as carnes. única que poderia tolerar um Espírito da natureza do seu. destas pa- lavras. Que esperem um pouco e. poderão estudar mais seriamente e. desenvolvendo-se-lhes a inteli- gência. então. Compreen- derão. só não querem admitir a encarnação fluídica de Jesus. de um lado. O espírito é que vivifica. de ou- tro. a bondade extrema do Senhor. Facilmente compreensível vos devem ser o sentido.J. sobretudo. Os homens só não compreendem. .B. a ignorância orgu- lhosa em que se achavam imersos e. com mais segurança. que agora lhes parece impos- sível e inútil. a razão de ser e a necessida- de desse fato. e se humilharão. percebendo claramente. em espírito e verdade. as palavras que vos digo SÃO espírito e vida.

B. porém. As palavras de Jesus são espíri- to e vida. em si mesma. porque provêm de uma essência espiritual perfeita. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 507 Foram ditas com o objetivo de fazer compreendessem os homens que não devi- am tomar e entender segundo a letra. Resta-nos explicar estas outras palavras do Mestre: . porque. não passa de matéria inerte. A carne de nada serve. o espírito humano não havia de perceber e explicar. porque não é. mais do que o meio material de que se serve para as manifestações da vida. por ser a causa. mas segundo o espírito. a fonte da vida. senão mediante a nova revelação. as que ele acabava de proferir num sentido figurado e exprimindo pensamentos todos de ordem espiritual. Is- so. da inteligência humana. para o Espírito no estado de encarnação humana. O espírito é que vivifica. da inteligência. não obumbrada pela car- ne material e perecível.J.

haviam de dar maus frutos ou de permanecer estéreis. Deus lha concede. quais os que não criam e qual o que o trairia. que não crêem. 65. dentre vós. quer de- pois de encarnar. Mas.J. só o tendo feito pelo desejo de chegarem mais depressa. que se acercaram de Jesus como discípulos. Em pedindo o Espírito uma missão qual- quer. Conforme já . Ora. debaixo da influência espírita. — Eis porque vos tenho dito que ninguém pode vir a mim. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 508 V. mas o Es- pírito goza sempre do livre-arbítrio. se lhe não for con- cedido por meu pai. porque os Espíritos que as tomaram. a missão concedida aos apóstolos tinha que dar frutos de amor e de fé. da inspi- ração mediúnica) Jesus sabia. desde o prin- cípio.B. não conseguiriam realizar o seu intento. ou por orgulho. embora preveja os resultados que daí advirão. A de Judas e as de tantos outros. A onisciência do Senhor lhe patenteia previamente todos os resultados. É que (disse o evange- lista. alguns há. quer antes.

isto é. os "a quem o pai concedera ir a ele". contrariamen- te aos avisos e conselhos de seus guias. com que pode contar nas provas que solicita. Do mesmo modo sabia quais os "a quem o pai não concedera ir a ele". movidos pelo desejo de chegar mais .B. sob esse aspecto. isto é. portanto. Jesus tinha a presciência dos acontecimen- tos. missão ou prova acima de suas capacida- des. Em relação direta com Deus. tendo pedido e obtido. participan- do. quais. da onisciência divina. Seus guias o previnem mesmo das conseqüências que elas terão. quais os que produziri- am frutos de amor e de fé. Eram os que haviam pedido e obtido missões e provas de acordo com as advertências. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 509 tivemos ocasião de dizer. Fica-lhe a ele o decidir tentá-las ou não. bons e maus. os que. por terem solici- tado encargos cujo desempenho suas forças comportavam. ao Espírito são sempre mostrados todos os êxitos. sabia desde o princípio. desde que os Espíritos pediam as missões ou pro- vas que desejavam. com os conselhos de seus guias.J.

não alcança- riam a meta. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 510 depressa ou por orgulho e fiando-se dema- siado em suas próprias forças. a presciência que o Mestre tinha dessa deserção.J. por maneira que produzissem os frutos que deviam produzir.B. Segundo o que acabamos de dizer é que se explicam: a deserção de muitos dos dis- cípulos que o acompanhavam. . da trai- ção futura de Judas. da fidelidade dos outros apóstolos e do desempenho que dariam às suas missões.

andava Jesus pela Galiléia. — Seu tempo ainda não chegara V. a fim de que teus discípulos também vejam as obras que fazes. — 6. Porque.B. de que são más . — 7. — 3. Depois disso. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 511 CAPÍTULO VII Vv. ninguém obra em segredo quando quer ser conhecido em público. está sempre pronto. o vosso. Já que fazes estas coisas. 1. 1-9 Incredulidade dos parentes de Jesus. seus irmãos lhe disseram: Sai daqui e vai para a Judéia. chamada dos Tabernáculos. mas a mim me odeia. — 4. pois não queria andar pela Judéia. pois que dele dou testemunho. — 5. Disse-lhes então Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo. como estivesse próxima a festa dos Judeus.J. porque os Judeus procuravam matá-lo. O mundo não vos poderia odiar. Mas. po- rém. manifesta-as ao mundo. Isto diziam seus irmãos porque não criam nele. — 2.

Dizendo-lhes: "Meu tempo ainda não é chegado. 311-315. Diz o evangelista que estes não criam nele.B. nem sempre se re- portam ao que seus próprios sentidos testifi- cam. Pertenciam à categoria dos que se ha- viam reunido em torno de Jesus para servi- rem à obra que este viera executar. porém que adormeceram na matéria. Subi vós outros a essa fes- ta. 24. Os parentes de Jesus eram desses Espíritos que. — 8. mas que. Tendo dito isto ficou na Galiléia. No 2º tomo. porque o meu tempo ainda não está cumprido. explicamos quais eram os parentes de Jesus apelidados de seus irmãos. — 9. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 512 suas obras. eu a ela ainda não vou. ainda assim. N. Estes versículos se compreendem perfeitamente.J. porque o meu tempo ainda não está cumpri- . materializados pelo invólucro de carne. precisam tocar e ver para crer. págs. — eu a ela (à festa) ainda não vou.

J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 513 do". de modo a se verifica- rem os acontecimentos que haviam de ocor- rer. . Jesus alude à época em que pregaria e obraria abertamente.B.

25. — Tentativa infrutífera dos prín- cipes dos sacerdotes para conseguirem fosse Je- sus preso pelos archeiros que eles mandaram ao tem- plo para esse fim. — Palavras suas e dos Judeus acerca da sua origem e da sua mis- são. Lá ensina publicamente. porque ainda não chegara a sua hora.J. — Palavras dos Fariseus aos ar- cheiros. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 514 CAPÍTULO VII Vv. As explicações aqui têm que ser dadas segundo a ordem das idéias e dos . 10-53 Jesus vai secretamente à festa dos Taber- náculos. — Nicodemos toma a defesa de Jesus N.B. — Ninguém lhe põe a mão.

antecipadamente. inquiriam: Onde está ele? — 12. — 11. Dividamos. Diziam uns: Ele é bom. antes engana o povo. por medo dos Judeus. — 14. que todos se achassem reunidos no templo para lá surgir e lançar .B. a atenção pú- blica e dispor os escribas. 10. Deveis compreender com que fim proce- deu Jesus daquele modo. os fariseus e os príncipes da Igreja a se prepararem para afrontá-lo.J. diziam: Não. pois. Ora. mas como se quisera o- cultar-se. Os Judeus. não publicamente. procurando-o na festa. Mui- tos eram os murmúrios que corriam entre o povo a seu respeito. V. ousava falar dele abertamente. pois. Outros. Porém. todavia. subiu ele também. indo a festa já em meio. porém. o trecho. — 13. Esperou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 515 fatos. Subir a Jerusalém com todos os que para lá se dirigiam fora despertar. Ninguém. depois de terem seus ir- mãos subido para a festa. Jesus subiu ao templo e se pôs a ensinar.

Jesus lhes res- pondeu: A minha doutrina não é minha. — 19. mas daquele que me enviou. sem as ter estudado? — 16. mas o que busca a glória daquele que o enviou. O que fala por si mesmo busca sua própria glória.B. Os Judeus.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 516 seus ensinos à turba influenciada por im- pressões diversas. 15. esse é verdadeiro. e não há nele injustiça. ou se falo por mim mesmo. — 18. O espanto dos Judeus ao ouvirem os en- sinos de Jesus e isto que disseram: "Como sabe este homem as letras sagradas (as Escrituras) sem as ter estudado?" devem prender-vos a atenção. — 17. diziam os Judeus: Como sabe este homem as letras sagradas. efetivamente estavam muito . Não vos deu Moisés a lei? Entretanto. ne- nhum de vós cumpre a lei. Maravilhados. V. oriundas dos murmúrios que a sua notada ausência provocara. Aquele que se dispuser a fazer a vontade de Deus reco- nhecerá se a minha doutrina é dele.

Concita os Judeus a refletirem sobre o que diz e ensina. por estar em relação direta com aquele que o enviou. comparando. resolve a questão. sem as ter estudado.B. sem que as tenha estudado? A resposta de Jesus. desde que seja en- tendida segundo o espírito: "A minha doutri- na (a doutrina que prego) não é minha. Con- cita-os a que. evasiva segundo a letra.J. reportando-se ao que o homem deve fazer. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 517 bem certos de que Jesus não estudara. não lhe vêm dos ho- mens. pôde jamais. que sabe tudo o que dizem as Escritu- ras. reconheçam que . que sabe tudo o que ensina. sua natureza e sua origem são extra-humanas. ou pode. mas daquele que me enviou. por conseguinte. que a sua ciência e. Co- mo era então que sabia as Escrituras? Que Espírito." Atesta. sofrendo a encarnação ma- terial humana. segundo a lei que Moi- sés lhes outorgou. para obrar de acordo com a vontade de Deus cumprindo essa lei. dessa for- ma. saber as Escrituras.

que não busca a vaidade das glórias humanas. que ele é o órgão direto do Senhor. Replicou Jesus: Porque fiz uma obra em dia de sábado. — 23. por vos haver Moisés dado a lei da circuncisão (muito embora esta não venha de Moisés. A lei es- tava no Decálogo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 518 a sua doutrina é de origem divina. quem é que procura matar-te? — 21. en- tretanto. mesmo no sábado circuncidais. — 22. Moisés. E nenhum dos que o ouviam cumpria a lei. V. para não ser . que suas palavras são palavras de justiça. proclamados no Levítico e no Deuteronômio. No entanto. nenhum de vós a cumpre. vos deu a lei e. 20.B. Ora. todos vos mostrais admirados. mas dos patriarcas). em obediên- cia a essa lei. mas a glória daquele que o enviou. no amor a Deus acima de todas as coisas.J. de amor e de verda- de. no amor ao próximo como a si mesmo. diz o Mestre. Porque procurais matar-me? — Respondeu o povo: Estás possesso do de- mônio. se. que ele é delas a personificação mesma.

porque vos indignais contra mim por haver. mas voluntariamente. 2° tomo. Moisés a tornou obriga- tória. profe- rindo-as. págs. dava Jesus sobre o sábado e o modo de santificar-se esse dia. Não julgueis pela aparência. julgai segundo a reta justiça".) A circuncisão era um uso seguido pelos patriarcas.J. pela aparência. fazendo de sua prática uma lei religio- sa. realizada em dia de sábado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 519 violada a lei de Moisés. em dia de sábado. 2° tomo. 155-156. Do ponto de vista do ensino que. julgai segundo a reta justiça. 259-263. "Não julgueis. tornado inteiramente são um ho- mem?! — 24. pratica um homem a circuncisão em dia de sábado. págs. (Ns.) A cura a que o Mestre alude é a do para- lítico. Na . 265-267. cura que também já vos explicamos. como me- dida de precaução. (N. já vos foi explicado o objetivo dessas palavras. diz Jesus aos Judeus. 157.B.

de ter violado o sábado. De um ponto de vista mais geral. por- que houvera ato e todo ato era proibido no sábado. conformemente à justiça. se algum houvesse. aquelas palavras. com as boas obras que . porque praticara uma boa obra. re- jeitai todas as interpretações literais. Acusar um homem de violar o sábado. "Sede sempre justos com os vossos ir- mãos. a justiça reta forçosamente reconheceria não haver dia algum interdito à prática do bem e que. Para os Judeus havia aparência de violação.J. não é observar a lei. cheio o cora- ção de sinceridade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 520 acusação. Mas. não poderia ser o dia consagrado ao Senhor. encerravam o seguinte ensinamento aos homens: "Não vos deixeis transviar pela letra. que o espírito condena. ha- via apenas aparência de respeito à lei. que lhe lançavam. rejubilando-vos sempre. quando nesse dia pratica uma boa obra.B. segundo o pensamento de Jesus.

quando vier o Cristo. começaram a dizer: Este não é o que eles procuram matar? — 26. Logo. Eis. e da caridade para com todos. há de levar os ho- mens à unidade. ou que sejam obs- táculo ao cumprimento da lei de amor. porém. lei que. Dar-se-á que os senadores hajam reconhecido que verdadeiramente ele é o Cristo? — 27. nós sabemos donde este é. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 521 eles pratiquem e desprendei-vos de todo formalismo. 25.B. ao passo que. nin- guém saberá donde ele é. V. Então. de todo espírito de seita que vos possam entibiar na prática da justiça. pela fraternidade.J. não deveriam espe- . Efetivamente. que eram de Jeru- salém. alguns. con- tavam eles que o Messias sairia da descen- dência de David. atribuindo uma missão humana ao Messias que esperavam. Mas. Tendes aqui mais um testemunho da ori- gem de Jesus e do erro em que caíram os Judeus. que fala publicamente sem que lhe digam coisa alguma.

continuava a ensi- nar no templo. — 29. de Jesus. desde que houvessem aplicado es- sa dedução à origem espiritual extra- humana. humanamente. não vim de mim mesmo. como de fato se aplica inteiramente. como resulta- do. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 522 rar que surgisse no meio deles. em alta voz dizendo: Vós ou- tros me conheceis e sabeis donde eu sou. todavia. Jesus. Eu o conheço porque dele nasci e ele me enviou. Os Judeus conheciam a Jesus do ponto de vista da aparência humana. Todos sabi- . a predição relativa ao Messi- as tivera como conseqüência. Entretanto. V. Por efeito das interpretações humanas a que dera lugar.J. mas aquele que me enviou e que vós não conheceis é verdadei- ro. a crença expressa nesta frase: "Quando o Cristo vier. sem que se soubesse donde vinha." A contradição que assim se patenteia não existiria. ninguém saberá donde ele é.B. assim era. 28.

o conheço. porém. Este fato. entre os homens. porque à sua encarnação nenhuma aplicação tive- ram as leis de reprodução no planeta terre- no. que nada tendo de material a sua missão. não estava ao alcan- ce dos homens daquela época e mesmo dos vossos contemporâneos será mal compre- endido. imaterial era o seu princípio. Ignora- vam.J. .B. só Jesus. disse ele. à sua essência espiritual de envia- do. as quais lhe permitiram ter. 38 Pela sua natureza espiritual. podia conhecer aquele que o enviara. do conheci- 38 Estas palavras foram mediunicamente ditadas em dezembro de 1864." Desse modo aludia à sua natureza extra- humana. porque dele nasci e porque ele me enviou. durante todo o curso da sua missão terrena. consciência exata da sua posição espírita. contudo. "Eu. Era imaterial relativamente aos homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 523 am qual a sua residência material.

porque ainda não chegara a sua hora. Se já houvera chegado a hora. que possuía no máximo grau o poder magnético. V. juntamente com os príncipes dos sacer- . Conheceis a ação da vontade do magne- tizador humano sobre o homem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 524 mento. de Deus e da relação direta em que com este se achava e acha.B. mas. Não chegara ainda a hora do sacrifício. 31. Jesus atua sobre os que o cer- cam. Procuravam. afastando deles a idéia de o prende- rem. não se teria subtraído à perseguição dos que lhe queriam dar a morte. prendê-lo. Mas. pois. V. Ouvindo os fari- seus o que a respeito dele murmurava a tur- ba. o Cristo fará mais mila- gres do que este faz? — 32.J. Deveis ava- liar perfeitamente qual fosse a de Jesus. que possuía. ninguém lhe deitou a mão. muitos do povo creram nele e diziam: Quando vier. Por meio de ação magnética e por ato da sua vontade. 30.

Que significa isso que nos acaba de dizer: Procurar-me-eis e não me achareis e não podeis vir onde estou? Algumas das vossas traduções dizem: "não podeis vir onde eu estiver. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 525 dotes mandaram quadrilheiros para o pren- derem.J. — 34.B. Jesus lhes disse: Ainda por um pouco de tempo estou convosco. serem extra-humanas a natureza e a origem de seu corpo. em espírito e verdade. fossem ex- plicadas a sua origem e a sua natureza ex- tra-humana. Jesus afirmava. que só seriam com- preendidas ao tempo da nova revelação. Pro- curar-me-eis e não me achareis e onde eu estou não podeis vir. quando. Os Judeus então inquiriam uns aos outros: Para onde irá ele que o não poderemos achar? Irá para o meio dos Gentios que se encontram dispersos por todo o mundo? Irá instruir os Gentios? — 36. que era. — 35. — 33. . sob o véu da letra." O texto original reza: "onde estou". Profe- rindo essas palavras. como sabeis. depois vou para aquele que me enviou.

tor- nando-se invisível aos olhares dos homens.B. Nesse sentido. por isso. pois que eram da Terra. quando lhe aprazia. tendo a faculdade de para lá voltar.J. Dizendo: "Não podeis vir onde estou". Essa encarnação. . pela sua origem e natureza extra-humanas. perispirítico e tangível para ser per- cebido pelos olhares humanos. era do céu. era sempre Espírito e. na épo- ca chamada da Ascensão. seu pensamento pode ser as- sim traduzido: "Não podeis vir onde eu esta- rei. encarnação que os retinha na Terra. se achava ele que. retomasse a na- tureza espiritual que lhe era própria. se a- chava sempre nas regiões etéreas." Este é um dos aspectos que apresenta o duplo sentido daquelas suas palavras. que Jesus não sofria. como Espírito. re- feria-se à encarnação humana dos Judeus. Revestido desse corpo. estava fora da humanidade. Referia-se também à sua volta definitiva para essas regiões etéreas quando. sim. os impedia de acompanhá- lo às regiões etéreas onde. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 526 fluídico.

— 39. afastando-se definitiva- mente da Terra. — 38. . depois volto para meu pai". 37. à sua "res- surreição" e ao seu regresso. como dizem as Escrituras.B. clamava: Se alguém tem sede. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 527 Espíritos materiais. Jesus aludia ao que. seria a sua morte. venha a mim e beba. pois o Es- pírito Santo ainda não fora dado. rios d'água viva. eles não compreen- deram que. porque Je- sus ainda não fora glorificado. Isto disse ele referindo-se ao espírito que haviam de receber os que nele cressem. No último e maior dia da festa. aludia. V. dizendo: "estou ainda convosco por um pouco de tempo. Je- sus. à natureza espiritual que lhe era própria. Era sempre figurada a linguagem do Mestre e todos de ordem espiritual seus pensamentos. na época da chamada Ascensão.J. Do íntimo da- quele que em mim crê manarão. atraía a atenção dos que o ouviam. de pé. para os ho- mens. Por meio de imagens materi- ais.

Referia-se aos que. aquelas palavras. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 528 Como narrador. indicando o pensa- mento que o Mestre assim expressara relati- vamente aos homens daquela época. o auxílio. em toda a exten- são do pensamento do Mestre. o "Espírito San- to". João assinala a interpre- tação que. de maneira especial. de modo patente. . a assistência. como sucedeu aos discípu- los que a estes se juntaram. água viva. receberiam. para os quais apelava.B. o amor e a caridade. cami- nhando-lhe nas pegadas e fazendo frutificar a sua missão terrena.J. se devia dar às palavras de Jesus. a lar- gos tragos. exprimem o seguin- te: "Aquele que tiver sede de progresso e de purificação venha à fonte que eu personifico pela moral que tenho pregado e beba. isto é. dos bons Espíri- tos. como se deu com os apóstolos. Segun- do o espírito que vivifica. alcançavam todos os tempos e todos os homens. ou de modo oculto. o concur- so dos Espíritos superiores. Mas.

trabalhará com perseverança e ardor pelo seu progresso pessoal e pelo progresso coletivo de seus irmãos e será assistido. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 529 pura e fresca que dessedenta a alma e dá a vida eterna. dizi- am: Pois quê! da Galiléia é que há de vir o Cristo? — 42. boas obras em abundância. — 41. donde era David? — 43. que caminhar pela estrada que tracei. — 45. produzirá. Outros. porém. "Aquele que seguir a moral que eu per- sonifico pelos meus ensinamentos e exem- plos. diziam: Este homem é realmente um profeta. ten- do ouvido aquelas palavras. mas nenhum lhe pôs a mão.J.B. auxiliado e sustentado." V. 40. Assim é que se produziu entre o povo dissensão a respei- to dele. inspirado. tendo no coração a sinceridade. pelos bons Espíritos. Dentre o povo. Voltaram . alguns. Não diz a Escritura que o Cris- to virá da raça de David e da cidadezinha de Belém. consciente ou inconsciente- mente. Ou- tros diziam: Ë o Cristo. então. Alguns queriam prendê-lo. — 44.

entretanto. a propósito de Jesus.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 530 então os quadrilheiros aos príncipes dos sa- cerdotes e aos fariseus e estes lhes pergun- taram: Porque não o trouxestes? — 46. quanto a essa po- pulaça que não conhece a lei. Quanto ao fato de haverem alguns queri- do prendê-lo. Porven- tura algum dos senadores ou dos fariseus creu nele? — 49. pelos motivos que já vos temos aduzido. ou fora esquecido.B. Mostram também que o fato de ter sido em Belém que Jesus aparecera na Terra era ignorado da maioria dos Judeus. isso é gente amaldiçoada por Deus. — 47. As dissensões que. dividindo-os. Porque. como era preciso que acontecesse. Tudo tinha que concorrer para a realização da obra. Responderam os quadrilheiros: Nunca ne- nhum homem falou como esse homem. alguém . Replicaram os fariseus: Dar-se-á que também vós estejais iludidos? — 48. se produziram entre os Judeus. sem que. mostram que a revelação feita pelo anjo a Maria e a José se conservara secreta.

50. Nicodemos. Não é a de que se servem os fariseus dos tempos atuais? V. A linguagem de que usaram os fariseus falando aos quadrilheiros é a de que se ser- vem sempre os chefes de seitas por ocasião do advento de uma revelação nova. Os fariseus partilhavam da ignorância dos Judeus.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 531 lhe pusesse a mão. interpelou-os assim: — 51. . se expli- cam pelo que dissemos acerca do v. e ao de regressarem os quadrilheiros sem o levarem preso. Responderam-lhe os outros: Acaso és tu também Galileu? Examina aten- tamente as Escrituras e vê que da Galiléia não surge profeta! — 53. o mesmo que fora ter de noite com Jesus.J. que era do número deles. relativamente ao lugar onde se dera o aparecimento de Jesus. E cada um voltou para sua casa. 30. Porventu- ra a nossa lei autoriza que se condene um homem sem primeiro o ouvir e inquirir do que faz? — 52.

no tocante à huma- nidade terrena.J.B. no versículo 39. assim como do ponto de vista do sagrado direito de defesa e de julgamento. — W. . a grande e sublime personalidade de Jesus. aos olhos dos homens. Elas concorreram para fazer ressaltar. NOTA — No original grego não consta a expressão — Espírito Santo. mas apenas — Espírito. do pon- to de vista do vosso progresso social. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 532 As justas palavras de Nicodemos foram de natureza a não ficarem perdidas.

Então os escribas e os fariseus lhe trouxe- ram uma mulher. que dizes? — 6. voltou ao templo e todo o povo veio ter com ele que. e a puseram no meio de toda a gen- te. mandou que as adúl- teras sejam apedrejadas. — 7. na lei. E. tu. experimentando-o. porém. Mas. — 5. E disseram a Jesus: Mestre. — 2. tornando a abaixar-se. Como insistissem na pergunta. — 8. para terem de que o acusar. 1-11 A mulher adúltera V. 1. abai- xando-se.J. esta mulher acaba de ser apanhada em adultério. ele se levantou e lhes disse: Seja o primeiro a lhe atirar pedra aquele de vós que estiver sem pecado. e Moisés. Jesus. . Quanto a Jesus. Diziam-lhe isso. entrou a ensiná-lo. foi para o monte das Oliveiras. ao romper do dia. — 3. que fora apanhada em a- dultério. — 4. pôs-se a escrever no chão com o dedo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 533 CAPÍTULO VIII Vv. sentando-se.B.

Vai e daqui por diante não peques mais. Assim. ao lhe ouvirem a resposta. onde estão os que te acusa- vam? Ninguém te condenou? — 11. Jesus se ergueu e lhe per- guntou: Mulher. esta mulher acaba de ser apanhada em adultério e Moisés. ele se levanta e diz: "Seja o primeiro a lhe atirar pedra aquele dentre vós que estiver sem pecado. 26. Jesus. esta no lugar onde a tinham colocado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 534 continuou a escrever na terra. A estas palavras dos fariseus: "Mestre. Co- mo insistissem na pergunta. se foram retirando um a um. — 9. Res- pondeu ela: Não. que di- zes?". abaixa-se de novo e continua a es- crever no chão.B. Disse-lhe então Jesus: Nem eu tampouco te condenarei. sem responder. Jesus se abaixou duas ve- . acabando por ficarem sós Je- sus e a mulher. — 10. mandou que as adúlteras sejam apedrejadas: tu. na lei." Em se- guida. N. a começar pelos mais velhos. se abaixa e põe-se a escrever no chão com o dedo. pois.J. Senhor. Os que o interrogavam.

J. das duas vezes que se abaixou. respondendo à pergunta que lhe dirigiram. Da primeira vez. sonda o teu coração e interroga a tua consciência. o homem. que inspeciona o seu in- timo. vol- ve o olhar para dentro de ti mesmo. aos que o cerca- vam. As palavras que então traçou encerram e resumem todo o ensinamento que objetivou dar aos ho- mens. Estamos pelo Mestre encarregados de vos dizer o que foi que escreveu no chão. Fê-lo para dar tempo." Da segunda. depois de lhes haver dito: "Seja o primeiro a lhe atirar pedra aquele dentre vós que estiver sem pecado". que sonda o seu coração e interroga a .B." Sim. escreveu: "Não façais aos outros o que não quiserdes que vos façam. escre- veu: "Quando quiseres julgar teu irmão. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 535 zes. de refletirem. evitando que a sua pre- sença os intimidasse ou levasse a tomar uma resolução sem a plena consciência do que faziam.

Abstém-se de fazer aos outros o que não quereria que lhe fizessem. porque se reconhece pecador como este e sente que lhe cumpre perdoar para ser perdoado. não atira pedra contra seu irmão. para os homens.B. O que Jesus disse à adúltera vale. por uma lição e um exemplo de misericórdia e de perdão. Adverte-os também de que todos devem esforçar-se por não re- cair nas faltas já cometidas. que eles devem reciprocamente praticar. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 536 sua consciência.J.

Disseram-lhe então os fariseus: Tu és quem de ti mesmo dá testemunho. assim sendo. o trecho. 12-24 Prédica de Jesus aos Judeus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 537 CAPÍTULO VIII Vv. em espírito e verdade N.B. Também aqui as explicações vos têm que ser dadas de maneira especial. pois. 27. Tomando de novo a palavra. o meu testemunho é verda- deiro. disse- lhes Jesus: Sou a luz do mundo. — Palavras que só pela nova revelação haviam de ser compre- endidas segundo o espírito. Jesus respon- deu: Se bem seja eu quem de mim mesmo dá testemunho. 12.J. ao con- trário. — 14. teu testemu- nho não é verdadeiro. terá a luz da vida. aquele que me segue não caminha nas trevas. o- bedecendo à ordem dos pensamentos. — 13. Divi- damos. V. porque sei donde vim e para onde .

eu a ninguém julgo. o meu testemunho é verdadei- ro. com exatidão. Até hoje ninguém se inteirou. — 15. Jesus era e é realmente a luz que ilumina os homens. "Vós julgais segundo a carne. de sua origem. quais as vossas. porque sei donde venho e para onde vou”. sei quais são a minha natureza. Eu. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 538 vou.B.J. ao passo que vós não sabeis donde venho nem para onde vou. disse ao povo e aos fariseus. Só ele tinha dela ciência. ninguém podia segui-lo aonde ele ia. quer isto dizer: "Vós me atribuís natureza e origem humanas. Em espírito. Só ele conhecia o lu- gar donde descera ao seio da humanidade. a minha origem e a minha missão. É que não co- nheceis a minha natureza extra-humana. a minha origem espiritual e a minha missão. que vos falo. Não sabeis donde vim nem para onde vou”. ." "Se bem seja eu quem de mim mesmo dá testemunho. Só ele podia dar testemunho exato da sua origem. Vós julgais segundo a carne.

conservo a liberdade e a inde- pendência do Espírito”. se eu julgasse. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 539 por isso que. sob este invólucro que me faz visível a vós. 17. que é a verdade absoluta. 16. eu dou testemunho de mim mesmo e meu pai. Assim falando. Quanto a estas palavras: "Eu a ninguém julgo". afirma estar sempre em relação direta com Deus. Dizendo: "julgais segundo a carne". também dá tes- .B. que me enviou. mesmo quando se achava diante dos homens. — 18. Je- sus aludia à humana sentença de condena- ção que dentro em pouco seria contra ele proferida. o meu juízo se- ria verdadeiro. V. Ora. Está escrito na vossa lei que ver- dadeiro é o testemunho de duas pessoas. comigo está o pai que me enviou.J. V. no desempenho da sua missão terrena. porque não estou só. já as explicamos. E.

não de atos hu- manos. Ora. 19. também conheceríeis a meu pai. certa- mente teriam compreendido a relação exis- tente entre o soberano criador e o Espírito enviado em missão para reconduzir ao ca- . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 540 temunho de mim. V.B. tido por todos como homem. dava testemu- nho de que seu Espírito procedia de uma fonte mais pura do que a de qualquer outro e que o Senhor também dava disso testemu- nho pelos atos que a vontade do Espírito podia praticar. Jesus dava testemunho. se me conhecesseis. mas de sua natureza estranha à humanidade e de sua origem espiritual. se tivessem sido capa- zes de perceber a hierarquia espírita. Se os homens houvessem compreendido a origem de Jesus. nem a meu pai.J. Eles então lhe perguntaram: Onde está teu pai? Ao que Jesus respondeu: Não me conheceis a mim.

20. junto do gazofilácio. longe estais ainda de conhecer o pai. V. Mas.B. no sentido de que não sabeis defini-lo. porque ainda não chegara a sua hora. Tal o sentido das palavras do Mestre. grande diferença há entre — definir e conhecer. Não vislumbreis o que quer que seja de fatal nessas palavras. segundo já o explicamos. desviados do seu intento e impedidos de pô-lo em execu- . Domina o espírito dos principais Judeus a idéia de prenderem a Jesus. eram. por influência espírita ou magnética. à senda do progresso. ainda não houvesse soado o momento do sacrifício. Como. eles. porém. Isso disse Jesus ensinando no templo.J. os que se haviam transviado. conforme as circunstâncias. E ninguém o prendeu. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 541 minho da salvação. Mesmo hoje. quando a nova revelação começa a irradiar pelo mundo.

— 22. Com mais forte razão. A ação magnética do pensamento se exercia de Es- pírito a Espírito. porém um sentimento mais pronto do que o pensamento. vós me procurareis e morrereis no vos- so pecado. não tentariam sequer aproximar-se das esferas elevadas para on- de o atraía a sua natureza. não as suas ordens. sentimento esse de que nem a inteligência. Sa- beis igualmente que os Espíritos elevados que o cercavam traduziam em ato. 21. Para onde vou não podeis ir. sobre alguns ho- mens que se encarniçavam contra ele.B. nem as pa- lavras humanas podem dar idéia. Diziam então os Judeus: Dar-se-á que se suicide. portanto. . Sabeis que a ação magnética de Jesus podia influir sobre as massas de povo. Disse-lhes Jesus de novo: Eu me vou. pois diz: Não podeis vir onde vou? Exprimindo-se desse modo. V. portanto. Jesus se di- rigia a Espíritos que ele sabia muito atrasa- dos e que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 542 ção.J.

destruin- do violenta e voluntariamente o corpo. era resultado de deduções. Expressando-nos deste modo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 543 Certo disso. des- pojava de suas prerrogativas o Espírito e o mergulhava no inexistente nada. A crença. eu sou do alto. era a idéia dos Judeus. Não deriva- va de um princípio formalmente estabeleci- do. Para estes. nós nos colocamos no ponto de vista deles. Outra. que os rabinos erudi- tos conhecem em grande parte. porém. o suicídio. quando dizia aquelas coisas. de que o suicídio destruía o corpo e também a alma. . vós o compreendeis. 23. EU NÃO SOU deste mundo. tinha em mente. Ora.J. sendo assim. caso tivera a intenção de se aniquilar. os que ouviam o Mestre não longe estariam de querer imitá-lo. Sois deste mundo.B. V. corrente entre os Judeus. que nenhum Espírito podia alçar-se ao nível em que ele se achava. Disse-lhes também: Vós sois daqui de baixo. tinha origem na sua história e sobretu- do nas suas tradições.

Segundo o espírito. não fareis nenhum progresso. em espírito e verda- de. não crerdes no que digo que sou. morrereis no vosso pecado. ficareis estacionários nas trevas. com efeito.B. para vos ensinar o caminho da vida. declara que a sua natureza e a sua origem estão fora da humanidade e tor- na patente o caráter espiritual da sua pre- sença e da sua missão na Terra. se não a- bandonardes as veredas lamacentas por onde enveredastes e não tomardes a senda luminosa que vos abro. Se." . V. 24. que é o meio único de vos elevardes para Deus. aqui. mas expressamente. vindo das esferas superiores. Jesus.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 544 Sob o véu da letra. eis o que isto quer dizer: "Se não crerdes que sou um enviado de Deus. que desci ao mundo. Por isso eu vos disse que morre- reis nos vossos pecados.

25. Perguntaram-lhe pois: Quem és tu então? Jesus lhes respondeu: O principio. tudo o que na Terra é. sob o influxo superior da vontade divina e sob a ação das leis imutáveis que de toda a eternidade Deus estabeleceu.B. em todos os reinos da na- tureza. . 25-45 Continuação da prédica de Jesus aos Ju- deus N. Assim respondendo. sua posição espírita de funda- dor. 28.J. sob o véu da letra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 545 CAPÍTULO VIII Vv. como sendo aquele de quem procede e depende. Ainda aqui dividamos o trecho. pa- ra que as explicações sejam dadas distinta e especialmente sobre cada ponto. eu que vos falo. proclamou. V. protetor e governador do planeta terre- no.

recebia as impul- sões divinas e obrava debaixo dessa influ- ência suprema. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 546 V.J. Muitas coisas tenho que dizer de vós e que condenar em vós. Como enviado do Senhor. mas aquele que me enviou é verdadeiro e eu só digo no mundo o que dele aprendi. como enviado. E não compreenderam que ele di- zia ser Deus seu pai. V.B. — 28. Jesus baixara ao meio dos homens para desempenhar uma missão de paz e de amor a que bem poucos quiseram associar-se. a influência. Disse-lhes em seguida Jesus: Quando houverdes levantado o filho do homem. que só digo no . 26. então conhecereis quem sou e que nada faço de mim mesmo. 27. teve em mente afirmar a sua inferioridade com relação a Deus e fazer sentir que de Deus recebia diretamente a impulsão. Declarando: "E só digo no mundo o que dele aprendi".

No sentido proféti- co. desprezando-lhe os conselhos e . em espírito e em verdade. o que acabara de dizer sem que os Judeus o houvessem compreendido. então conhecereis quem sou". porque não podi- am e não deviam compreendê-lo segundo o espírito. O próprio João. foram ditas com um duplo senti- do. entretanto. referiam-se à revelação atual. da inspiração mediúnica. Por essa forma quis tornar mais preciso e definido. sob o véu da letra. das quais.J. fazendo-o debaixo da in- fluência espírita. Estas palavras "quando houverdes levan- tado o filho do homem. sempre. qual ele é. quando explicadas pela nova revelação. escrevia palavras cujo alcance e cujo sentido exato não percebia. que vem mostrar aos homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 547 mundo o que aprendi de meu pai. porém. aquele que os homens. No sentido positivo. referiam-se ao suplí- cio que lhe seria infligido. não tinha consciência.B. palavras que só haviam de ser compreendidas nos tempos atuais.

diante de todos. têm erroneamente adorado.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 548 preceitos. quando aceitando a revelação por mim predita e prometida. no cimo do Calvário. me hou- verdes erguido. mas também órgão direto junto dos homens. do Espírito da Verdade. "Quando houverdes levantado o filho do homem". que vos será dada as- sim vos tenhais tornado capazes de a supor- tar. Essa revelação. quando houverdes reconhecido que sou do Alto e não deste mundo.B. me houverdes restituído o lugar que de- vo ocupar. de mim houverdes feito um homem e um Deus. . então conhecereis. quem eu sou e conhecereis que nada faço senão pela vontade de Deus. um Deus milagrosamente encar- nado. sem que a impossibilidade dos dados corra um véu entre o mesmo homem e o seu liberta- dor. por efeito das vossas interpretações huma- nas. pregado à cruz. eleva Jesus no espírito do homem. Quando. em espírito e verdade. um homem Deus. quando. patenteando o lugar que ele ocu- pa. de quem sou apenas instrumento e ministro.

Ouvindo-lhe dizer essas coisas. — 32. durante a sua missão terrena. 30. V. — 31. não me deixou só. e a presciência do futu- ro. Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 549 aos quais só digo o que dele aprendi. aquele que toma a senda . que nunca desmerecera. Espírito puro. pois que dele me vem a perfeição. está sempre em relação com o princípio superior a que. Disse então Je- sus aos Judeus que nele creram: Se perma- necerdes na minha palavra sereis verdadei- ramente meus discípulos." V.J. que adquiri pelas minhas obras. em relação dire- ta com aquele que o enviara. Estando.B. muitos creram nele. E conhece- reis a verdade e a verdade vos fará livres. 29. pela pureza da sua essência espiritual e pela sua natureza extra-humana. na vossa linguagem. E aquele que me enviou está co- migo. Efetivamente. dais o nome de Deus. porque faço sempre o que é do seu agrado.

pela justiça. do desinteresse. não po- de dizer-se seu discípulo. para o homem. achará no progresso e na purificação a liberdade. ou. da abnegação. a verdade é o bem: tudo o que é verdadeiro. mas para logo à entrada. do amor e da caridade. seja — o poder de atuar no físico e no moral. Quer isto dizer: saberá que pelo trabalho. do espírito de solidariedade e de fraternidade. pelo amor e pela caridade é que pode progredir. por- quanto.B. O erro é o mal. justo e bom. depurar-se e avançar pro- gressivamente para o conhecimento das verdades eternas. isto é: tudo o que afasta o homem da humildade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 550 do Cristo. únicas bases reais e duráveis da igualdade e .J. de maneira a libertar-se da escravidão do pecado. Tal só pode ser aquele que o segue tão de perto quanto possível. do devota- mento. Numa palavra: é tudo o que o afasta da justiça. do desejo de progredir pessoalmente e de concorrer para o progresso coletivo de seus irmãos. na prática da vida humana. Só aquele que perseverar conhe- cerá a verdade e pela verdade será liberta- do.

Jesus lhes retrucou: Em verdade. o sentido destas palavras. V. esse caminhou . porém. tem que retomar seus instrumentos para continuá-la até que a termine. Aquele que Jesus liberta. em verdade vos digo que todo a- quele que comete pecado é escravo do pe- cado. porque. nela fica pa- ra sempre. 33. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 551 da liberdade. Deveis compreender.B. lhe prepara o acesso aos mundos supe- riores. Assim. perante Deus e perante os homens. não ha- vendo concluído a tarefa. Como. O escravo não fica para sempre na casa. segundo o espírito. o escravo não fica para sempre na casa. Ora. o filho. sereis VERDADEIRAMENTE livres. e que. Responderam-lhe eles: Somos descendentes de Abraão e nunca fomos es- cravos de ninguém. para todos. libertando pro- gressivamente o Espírito do sepulcro da car- ne. dizes: Se- reis livres? — 34. pois.J. — 35. se o filho vos libertar. — 36. pois.

é necessário que o prepa- reis. não. enquanto . Conquistou a liber- dade e concedido lhe é o direito de gozá-la. Liberdade! Esta palavra.B. Mas.J. Mas. quer sejam lançadas de cima. substituição das mãos que seguram as correntes do abuso. a liberdade vos fugirá. O reino da liberdade. signifi- ca transferência de poder. que importa isso. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 552 pelas sendas do Senhor. Homens. não vades pensar. Não torna mais a descer à Terra da escravi- dão. para vós. desde que as corren- tes existam sempre. Liberdade! Esta palavra vos causa ator- doamento e a vossa inteligência obscura não lhe compreende o sentido. a poderosos e humildes. quer se elevem de baixo! Homens. da liberdade huma- na chegará. que o vosso planeta esteja destinado a servir indefinidamente de morada a senhores e escravos. tomando es- ta figura ao pé da letra.

que é a humanidade inteira. senão quando puder encontrar cora- ções puros que a recebam. à avareza. tanto no terreno físico. não abaterá o vôo. A liberdade é o respeito às leis. formando uma cadeia contínua. tendo por morada o vosso planeta. amparo e apoio recíprocos. como no ter- reno moral e intelectual. mãos puras que a guiem por entre todas as camadas huma- nas. co- mo quiserdes.B. à revolta. à força. à am- bição. A liberdade existirá entre vós quando. a doçura e a justiça da parte dos outros e. A liberdade adeja por cima das vossas cabeças. Esta será então um verdadeiro cordão sanitário.J. uma família unida. no seio da grande família hu- mana. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 553 não achar preparada para recebê-la uma sociedade de irmãos. constituirdes uma associação mútua. a que chamareis pátria ou nacionalidade. ao ódio. à inveja. da parte de todos. Sobre vós. porém. vedando a passagem ao orgulho. . da parte de uns.

Disse-lhes Jesus: Se sois filhos de Abraão. fala do que lhe é próprio. porque. — 44. — 40. porque a minha palavra não cabe em vós. vós me amaríeis.B. Isso Abraão nunca fez.J. 37. — 41. ele foi que me enviou. — 39. Ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade. um pai temos. Responderam eles: Nós não somos bas- tardos. fazei obras de Abraão. a mim que vos tenho dito a verdade que aprendi de Deus. mas procurais tirar-me a vida. Fazeis as obras de vosso pai. Sei que sois filhos de Abraão. porquanto é mentiroso e pai da . — 43. Agora. Porque não compreendeis a minha linguagem? É porque não podeis ouvir a minha palavra. não vim de mim mesmo. porque não há nele verdade. que é Deus. Sois filhos do diabo e quereis cumprir os desejos de vosso pai. Quando diz mentira. Disse-lhes Jesus: Se Deus fosse vosso pai. Eu digo o que vi junto de meu pai e vós fazeis o que vistes junto de vosso pai. procurais tirar-me a vida. pois eu de Deus sai e vim. — 42. Responde- ram-lhe eles: Nosso pai é Abraão. porém. — 38. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 554 V.

então futuros. "Quereis tirar-me a vida". sob o império do espírito. como sabeis. — 45. a letra. em mim. repetindo essas palavras que. De um lado. que vos digo a verdade. Jesus tudo dispunha. do outro. em todas as circunstâncias. E insiste nisso. a fim de contrabalançar sempre a crença na . o espírito. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 555 mentira. pela forma da linguagem. não credes. eram apropriadas. equivaliam a es- tas outras: "Sou homem. fruto das interpreta- ções dadas às tradições. segundo o espírito. objetivando os tempos. Também destas palavras deveis compre- ender. do ponto de vista da atua- lidade e do porvir. Eram também a- propriadas ao fim que Jesus tinha em vista alcançar. ao estado da inteligência deles. a seus pre- conceitos. Entretanto. Se bem que figuradas. da revelação do Espírito da Verdade. disse.B. para o entendimento dos Judeus.J. o sentido. mortal como vós". àqueles a quem se dirigiam. a suas idéias.

J. "Tendo descido das esferas elevadas. tem que desaparecer. como já vos mostramos. . pelos Espíritos superiores e pelos bons Espíritos”. que só ela pode elevar os homens aos pés do Eterno e que.B. es- tando sempre em relação com o Senhor. Fazeis o que VISTES junto de vosso pai. que se apagar diante da nova revelação. sob as radiações luminosas do espírito. mas tinha que ser combatida a seu tempo e. Essa divindade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 556 divindade que lhe havia de ser atribuída den- tro das trevas da letra. é praticada pelos Espíritos pu- ros. naque- las esferas. Eu digo o que vi junto de meu pai. Enveredando por um caminho falso. teve a sua razão de ser. prego a moral pura. incorre na encarnação. Jesus alude à origem do Espírito e à rota que este toma quando lhe é dado escolher seu caminho.

produziu a revolta e determinou a queda do Espírito. sofrendo o castigo. o diabo. conseqüência inevitável do desvio espiritual. encarnados. . figurada. porque. tomou o mau caminho. como estas outras: "Sois filhos do diabo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 557 Esta expressão — "vosso pai" — de que se serve com referência aos Judeus é. aqui. o constituiu filho do pecado. pai deles. da inveja. por vontade e impul- so próprios. o fez falir. E isso se dá por maneira tal que só depois da queda se estabelecem relações similares entre aqueles Espíritos e o que faliu. Assim é que os homens a quem Jesus se dirigia eram "filhos do diabo". por te- rem falido. sendo livre de pre- ferir esta àquela senda.B. quando. originando-se do orgulho. ainda faliam.J." Nessa frase. Eram filhos do pecado por serem filhos da revolta. provindo de sua própria disposição a simpatia que sentiu pelos Espíritos inferiores e que o le- vou a cair. ape- nas personifica simbolicamente o mal que. da pre- sunção.

porquanto é mentiroso e pai da mentira. segundo o seu modo de en- tender. fala do que lhe é próprio. . pois que más continuam a ser as vossas obras. Dizemos — "fato emblemático". Falistes e continuais a falir. "Fazeis as obras de vosso pai. Ele foi homicida desde o principio e não permaneceu na verdade. estas palavras: Ele foi homicida des- de o princípio. Quando diz mentira. porque são emblemáticas as figuras de Caim e de Abel. Aos Judeus. referentes àquele a quem Je- sus aludia. o "diabo". evocavam a lembrança do fato emblemático do assassínio de Abel praticado por seu ir- mão Caim." Persistis no mal. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 558 FAZEIS o que VISTES junto de vosso pai. dizendo: "vosso pai".J.B. como o são as de Adão e Eva. Sois filhos do diabo e quereis cumprir os desejos de vosso pai. porque não há nele verdade.

Foi homicida de seu irmão. com a sua queda e as conseqüên- cias desta. a série de Espíritos culpados. desviando-se da senda que lhe estava indicada. figu- radamente. condenan- do-se à encarnação.B. enveredou pelo mau caminho e com ele firmou relações de afinidade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 559 umas e outras entendendo com a origem do Espírito. visto que por suas próprias mãos se votou à morte espiritual. desde que este. A figura emblemática de Caim repre- senta o Espírito que se tornou culpado logo na sua origem. de Espíritos que faliram e sofrem a encarnação nos mundos materiais de provação e expia- ção. Con- quanto essas relações se tenham estabele- cido por efeito da simpatia que ele inspirou a seu irmão.J. por vontade e impul- so próprios. Tal Espírito foi homicida de si mesmo. simpatia oriunda das disposições 39 Ver ns. o que tudo já explicamos. . 39 A posteridade de Caim representa. 55-56 e seguintes do 1º tomo.

pôr em execução vossos pensamentos.B. uma vez que contribuiu. o sentido das pa- lavras do Mestre é este: "Vós. vossas intenções culposas. quer por atos. falsas doutrinas. que é a verdade ab- soluta.J. pelas suas suges- tões e influências. quer se tra- duzam por palavras. pela perfeição. conquanto o homicídio do se- gundo seja obra da sua vontade livre. Mentira é tudo o que decorre do mal: fal- sidades. a Deus. erros. filhos da revolta. a que Jesus se referia. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 560 deste último." . A verdade. Em espírito e verdade. sois filhos do pecado. é a pureza que o Espírito conserva ao longo do caminho do progresso que o eleva na hie- rarquia espírita. Espíritos fali- dos. nem por isso o primeiro deixou de ser assassino. conduzindo-o à perfeição e. derramando o sangue do justo. é o bem. se- gundo o texto que apreciamos. para que ele também se condenasse à morte espiritual. e quereis. cedendo às inspirações do mal que vos fez falir.

Foi homicida daqueles de seus irmãos que se embrenharam pelo mau ca- minho e com ele estabeleceram relações de afinidade. condenando-se à encarnação. desviando-se da senda que lhe cum- pria trilhar. por vontade e impulso próprios. externa o que. — Porque não compreendeis a mi- . falsas doutrinas. pelas suas sugestões e sua influência. não conser- vando em si a pureza que o Espírito deve guardar na senda do progresso. Foi homicida destes últimos porque. Foi homicida de si mesmo porque se votou à morte espiritual. Procurais tirar-me a vida. vai haurir na impureza de que se encheu. os arrastou à senda do mal. Faliu. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 561 O Espírito se tornou culpado. condenando-se à encarna- ção. erros. porquanto é órgão e autor de tudo o que tem origem no mal: falsidades. Quando de sua boca sai tudo o que deriva do mal: falsi- dades. falsas doutrinas. diz Jesus aos Judeus. que desse modo se votaram à morte espiritual. erros. em sua ori- gem.B.J. porque a minha palavra não cabe em vós.

por- quanto maior afinidade haveria entre os flui- dos deste e os deles e. verdadeiramente filhos de Deus. teriam de fato amado a Jesus. se compraziam no meio iníquo em que se encontravam e procediam constan- temente como Espíritos impuros e atrasa- dos. assim.J. ele foi que me en- viou. por ser perfeita e imaculada a sua pureza. Se eles fossem espiritualmente mais ele- vados e. relação e atração. adstritos. conseguintemente. Jesus procedera de Deus e era de Deus o enviado entre os homens. . não vim de mim mesmo. Se Deus fosse vosso pai. pela opacidade dos fluidos de seus perispíritos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 562 nha linguagem? — É porque não podeis ou- vir a minha palavra. Porque. Aqueles a quem assim falava o Mestre. vós me amarí- eis. pois eu de Deus procedo e vim.B. a permanecerem nas regiões inferiores.

que só ela pode levar os homens aos pés do Eter- no.B. não credes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 563 Entretanto. em mim que vos digo a ver- dade. que vos há de con- duzir à perfeição. . não dais crédito à minha palavra. Ouvindo-me pregar a moral pura.J. nem à minha missão. vendo-me apontar-vos o caminho da pu- rificação e do progresso.

— 50. — 52. alguém há. Disseram-lhe os Judeus: Agora temos a certeza de que estás possesso do demônio. que guardar a minha palavra. Não busco a minha glória. 46-59 Continuação e fim da prédica de Jesus aos Judeus V. em verdade vos digo: Aquele. Abraão morreu e também os profe- . é porque não sois de Deus. 46.B. — 51. Em verdade.J. apenas honro a meu pai. Responderam-lhe então os Judeus: Não te- mos nós razão de dizer que és Samaritano e tens demônio? — 49. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 564 CAPÍTULO VIII Vv. jamais morre- rá. ao passo que vós a mim me desonrais. porque não me credes? — 47. — 48. Replicou-lhes Jesus: Não tenho demônio. Aquele que é de Deus ouve as palavras de Deus. Por isso é que não as ouvis. Quem de vós me argüirá de peca- do? Se vos digo a verdade. porém. que a busca e me fará justiça.

que tam- bém morreram? Quem pretendes tu ser? — 54. Então pegaram os Judeus de pedras para lhe atirarem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 565 tas e tu dizes: Aquele. Objetaram-lhe os Judeus: Ain- da não tens cinqüenta anos e viste a Abraão! — 58. mentiroso. Claramente compreensíveis são estes versículos. quem. Conheço-o e guardo a sua palavra. porventura. N.B. Eu. eu sou. minha glória nada é. — 53. aquele que dizeis ser vosso Deus. em verdade vos digo: Antes que Abraão fos- se.J. entretanto. Vosso pai Abraão dese- jou ardentemente ver o meu dia. porém. se bem não o conheçais. 29. maior do que nosso pai Abraão. Respondeu-lhes Jesus: Em verdade. . me glorifica é meu pai. e do que os profetas. — 55. o conheço e. nunca provará a morte. Jesus lhes respondeu: Se eu a mim mesmo me glorifico. que guardar a minha palavra. que morreu. mas Jesus se encobriu e saiu do templo. — 57. como vós. se dissesse que o não conheço. seria. — 56. viu-o e e- xultou. — 59. És.

a fim de que os homens lhes compreendam o sentido exato. pretendendo dessa forma acusar de estar submetido às piores influências. o divino modelo. injuriosa e desprezivelmente. vazando nessa expressão todo o ódio de que tinham cheios no mais alto grau os corações. eram Espíritos impu- ros e atrasados os daqueles homens a quem Jesus falava. despojado da letra o espírito. seu órgão direto entre os homens. em verdade. Diziam-no possesso do demônio. "Em verdade. de as compreender segundo o espírito.B. in- capazes que eram. Chamavam-lhe samaritano. em verdade vos digo: A- . Chamaremos a vossa atenção tão- somente para aquelas das palavras de Je- sus que exigem explicações. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 566 Como já temos dito. de ser órgão do erro e da menti- ra aquele que era Espírito puro e perfeito. por efeito da impureza e da orgulhosa ignorância que os caracteriza- vam. de modo que suas palavras eles as tomavam sempre ao pé da letra. que era o enviado de Deus.J.

" Para o Espírito que se acha em via de depuração. o permanecer es- tacionário é a morte. avançará sempre para a perfeição. O pensamento de Jesus é de ordem in- teiramente espiritual. porventura.J. jamais morrerá. O progresso é a vida. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 567 quele. purifi- cando-se cada vez mais. Ele não se referia à vida do corpo.B. maior do que nosso pai Abraão. is- to é: que praticar. e do que os profetas. esse "jamais morrerá". sem nunca se afastar dela. És. que morreu. que guardar a minha palavra. Viverá. portanto. "Aquele que guardar a minha palavra". mas à do Espírito. sem nunca parar na sua marcha ascensio- nal. a estagnação. Progredirá constantemente. Seu Espírito jamais ficará estacionário. a moral pura que prego aos homens. que também morreram? Quem pretendes tu ser? .

me glorifica é meu pai. se dissesse que o não conheço. entretanto. como sempre. Eu." Dizendo isso.B. porquan- to a resposta. mentiroso.J. minha glória nada é. ser compreendida pela geração da época. mos- trando não lhes caber o atribuírem-se a si mesmos um valor pessoal. como vós. porém. uma resposta velada pela letra e que não podia. Conheço-o e guardo a sua palavra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 568 A essa interpelação Jesus dá. só a nova revelação havia de dá- Ia nos tempos atuais. aquele que dizeis ser vosso Deus. "Se eu a mim mesmo me glorifico. Jesus dá aos homens um exemplo e uma lição de humildade. nem pelas que a esta imediatamente se sucederiam. seria. o conheço e. se bem não o conheçais. quando os homens se tornaram capazes de apreendê-la. tam- . qualquer superio- ridade sobre seus irmãos. assim como de Deus lhes vem o ser. ensinando que. segundo o espírito. nem devia. em espírito e verdade. quem.

esse advento foi visto com grande . ele que falava aos ho- mens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 569 bém de Deus é que lhes vêm o valor. ao seu aparecimento na Terra. Declarando conhecer a Deus. afirma. sob o véu da letra. Esperado pelos ho- mens. em relação direta com o pai." Jesus alude aqui à sua missão terrena. ser um puro Espírito. receben- do-lhe as inspirações e mantendo-se-lhe fiel às vontades.J. por- quanto. Quando disse — "Eu guardo a sua pala- vra" — afirmou estar. estar próximo do foco da onipo- tência e de toda a vida. aludindo à alegria que causou ao Espírito de Abraão o advento do Messias. "Vosso pai Abraão desejou ardentemente ver o meu dia.B. a ele- vação. no cumprimento da sua mis- são. conhecer a Deus é conhecer-lhe a essência. viu-o e exultou. o que só aos puros Espíritos é dado.

J. como era quando Abraão. imaginando que este se reportava ao dia do seu nasci- mento. do vosso governador. Espírito de criação anterior à do de Abraão. que o era naquele momento. proclama: que não sofrera a encarnação humana. era sempre Espírito independente e livre. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 570 júbilo por todos os Espíritos que trabalhavam então e ainda trabalham. por essas palavras. Espírito. como o deles. sob a direção do vosso protetor. própria do vosso planeta. que." Sempre sob o véu da letra. lhe observaram: "Ainda não tens cinqüenta anos e viste a Abraão!" Ao que Jesus responde: "Em verdade. em verdade vos digo: An- tes que Abraão fosse. que supunham houvesse ocorrido por encarnação humana. EU SOU. o Mestre. pelo desenvolvimento e pelo progresso do vosso planeta e da humanidade que o habita. que sempre tomavam ao pé da letra o que o Mestre dizia. sob o invólucro que revestira para se tornar visível aos olhares humanos.B. Os Judeus. fora criado e ainda .

Minha natureza é extra-humana.B. eu sou. Espírito. na qualidade de Messias. fora criado e ainda como era quando este viu o seu aparecimento na Terra. Antes que Abraão fosse. .J. minha existência entre vós nada tem de comum com a da humanidade a que pertenceis. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 571 Abraão.

B. e lhe disse: Vai e lava-te na piscina de Siloé (que significa: Enviado). 1-12 Cego de nascença. — 5. Dito isso. — 7. sou a luz do mundo. 1. — 2. vem depois a noite e durante ela ninguém pode fazer obras. — Sua cura operada por Jesus V. que pecado cometeu este homem ou cometeram seus pais. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 572 CAPÍTULO IX Vv. — 4. lavou- . que era cego de nascença.J. enquanto é dia. para que nascesse cego? — 3. nem pecaram seus pais. É necessário que eu faça as o- bras daquele que me enviou. cuspiu no chão. Res- pondeu-lhes Jesus: Nem ele pecou. Seus discí- pulos lhe perguntaram: Mestre. E ao passar viu Jesus um homem. — 6. Enquanto eu estou no mundo. O homem foi. isto assim é para que nele se manifestem as obras do poder de Deus. fez lodo com o cuspo e untou com esse lodo os olhos do cego.

O cego de nascença pertencia a esse grupo de Espíritos que encarnaram em torno . — 10. — 12. pois o temos dito muitas vezes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 573 se e voltou enxergando. que tomaram a si a tarefa de auxiliá-lo. quando Jesus teve que desem- penhar a sua missão na Terra. seus vizinhos e os que o tinham visto antes a pe- dir esmolas perguntavam: Este não é o que se sentava e mendigava? Uns diziam: É ele mesmo. Fui. — 9. ungiu-me os olhos e me disse: Vai à piscina de Siloé e lava-te.J. Pergun- taram-lhe: Onde está ele? Respondeu: Não sei. um grupo se formou de Espíritos.B. 30. Outros. Ele. entretanto. Respondeu: Aquele homem que se chama Jesus fez lodo. ou de servir de instrumento à execução da obra que aquela missão visava realizar. é outro que com ele se parece. — 8. N. diziam: Não. lavei-me e vejo. Então. que. porém. dizia: Sou eu mesmo. Sabeis. Perguntaram- lhe então: Como foi que se te abriram os olhos? — 11.

que pe- dira. a reencarnação. o pecado dos pais não mais podia ser a causa daquela cegueira de nascença. já ele houvesse pecado como homem. isto é. que tivesse tido uma existên- cia anterior.J. pôs termo à série das que lhe cumpria suportar. da cegueira. Isso ne- cessariamente supunha a anterioridade. Des- de então. para que um pecado daquele ho- mem fosse causa da sua cegueira de nas- cença. em a qual houvesse cometido o pecado determinante da cegueira. Atentai na pergunta que os discípulos fa- zem a Jesus: "Que pecado cometeu este homem. por conseguinte. ao verificar-se o seu nascimento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 574 do Mestre. preciso era que. nenhum cabi- mento havia para qualquer alternativa. Submetendo-se à prova. a preexistência da alma e. para que nascesse cego ?" Ora.B. E de que modo um pecado dos pais pu- dera ser causa de tal cegueira? Só um pe- cado cometido por eles antes do nascimento . ou cometeram seus pais. Sendo assim.

concebe-se que uma criatura nasça cega por efeito de pecado que seus pais hajam cometido? Concebe-se que al- guém sofra as conseqüências de falta em que outrem incorreu e que de tal falta resulte para esse alguém o nascer cego? Não era isso o que tinham em mente os discípulos. pouco adiantados. seus Espíritos se acha- vam comprimidos pela matéria. não o esqueçais. formulando aquela pergunta da maneira por que o fizeram.J. viria dar às seguintes palavras. Mas. Entretanto. veladas pela letra. Enclau- surados na carne. Essas considerações mos- . explicando-as segun- do o espírito. com que Jesus lhes res- pondeu: "Isto assim é.B. Não se a- venturavam a nenhuma das considerações que acabamos de expender. Nenhuma delas lhes podia acudir às inteligências. para que nele se ma- nifestem as obras do poder de Deus. os discípulos eram." Como encarnados. nem pas- sar pelas idéias. in- conscientemente preparavam a inteligência que a nova revelação. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 575 do filho.

ou por seus pais?" "A causa de este homem haver nascido cego terá sido algum pecado cometido por ele." "É preciso que as obras do poder de . não lhe me- diam o alcance. ou por seus pais?" Jesus respondeu enquadrando a sua resposta no sentido das próprias palavras dos discípulos. ou por seus pais. Assim é que disse: "Nem ele pecou. ele não expia faltas que haja cometido na sua atual encarnação e ainda menos falta em que seu pai ou sua mãe tenham incorrido. o que equi- vale a ter dito: "Não. desde o instante de seu nascimento.J. nem pecaram seus pais". num estado de infância. portanto. Eles não cogitavam senão de um pecado cometido por aquele que nascera cego. De sorte que o que tinham em mente perguntar era o seguinte: "Será isto a conseqüência de um pecado cometido por este homem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 576 tram mesmo que a questão foi proposta por Espíritos que. por se acharem. como encar- nados.B.

acima o dissemos. "É necessário que eu faça as obras da- quele que me enviou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 577 Deus se manifestem nele. sou a luz do mundo. Dessa forma ele ser- ve ao cumprimento da missão do enviado de Deus.B. para servir à execução da obra do Mestre. encarnado em tais condições. era um Espírito devotado que. Tampouco paga por outrem. Vem depois a noite e durante ela ninguém pode fazer obras." . Enquanto estou no mundo. de fal- tas anteriores à sua encarnação atual. A cura da cegueira indica que a sua expiação terminou." Preciso é que a expiação imposta ao Espírito culpado siga o seu curso.J. enquanto é dia. Sua cegueira de nascença re- presenta a expiação. Paga dívida contraída pelo seu pró- prio Espírito. concluía suas provas. É as- sim que as obras do poder de Deus se mani- festam nele. Aquele homem. Este homem não sofre castigo por faltas do presente. que ele buscou.

enquanto durar a minha missão terrena e desempenhando-a. . Ele fez aquilo apenas para dizer em seguida: Vai lavar-te na piscina de Siloé. Aproxima-se o momento em que a minha missão termina- rá. todas as obras que Deus me encarregou de executar. Reportai-vos a elas.B. chegara o momento terminal da sua prova. co- mo bem o compreendeis. Quanto ao cego de nascença. Esta se verificou por efeito da ação magnética. Cabem aqui as explica- ções que demos então.J. págs. uma ação magnética. Sou a luz que alumiará os homens. para curá-lo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 578 É mister que eu faça. enquanto me achar entre eles. 230-231. atuou fluidicamente sobre os órgãos da visão. 152-155 e no 3°. Deveis igualmente compreender que Je- sus nenhuma necessidade tinha de passar lodo nos olhos do cego a fim de lhe operar a cura. Jesus. já explicamos fatos de cura da cegueira. por ato da sua vontade. e- xercendo. No 2° tomo. págs. Ninguém poderá impedir que ela tenha fim.

B. Jesus mandou que o cego curado se fosse lavar naquelas águas para mais divul- gar o fato da cura. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 579 As águas dessa piscina passavam por virtu- osas.J. visto que era muito fre- qüentada a piscina de Siloé.

B. al- guns fariseus disseram: Este homem não é enviado de Deus. era um sábado o dia em que Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos. — Interrogatório a que o submetem e a que também respondem seu pai e sua mãe. — 16. assim. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 580 CAPÍTULO IX Vv. Ouvindo isso. Os fariseus também lhe perguntaram de que modo recobrara a vista. que dizes desse homem que te abriu os olhos? Que é . — 14. Levaram então aos fariseus o que fora cego. 13-34 O cego é levado à presença dos fariseus. disseram: Como pode- ria um homem pecador fazer prodígios tais? Havia. Perguntaram então ao cego: E tu. dissensão entre eles. pois que não guarda o sá- bado. porém. — 17. — Sua expulsão depois de injuriado V. O homem respondeu: Ele me pôs lodo sobre os olhos. Ora. eu me lavei e vejo. Outros. 13. — 15.J.

Interrogai-o. — 24. Seus pais assim falaram. Por isso foi que disseram: Ele já tem idade. e os interrogaram assim: É este o vosso filho. — 21. enquanto não fizeram vir à sua presença os pais dele.B. que fale por si mesmo. já tem idade. Chamaram então pela segunda vez o homem que fora cego e lhe disseram: Rende . — 18. — 22. porque tinham medo dos Judeus. — 19.J. interrogai-o. Como é que agora vê não o sabemos e igualmente não sabemos quem foi que lhe abriu os o- lhos. Os pais do homem responderam: Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego. visto que estes já haviam resolvido que fosse expulso da Sinagoga quem quer que confessasse ser Jesus o Cristo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 581 um profeta. de quem dizeis que nasceu cego? Co- mo é que agora ele vê? — 20. Mas os Ju- deus não acreditaram que ele fora cego e tivesse recuperado a vista. — 23. respondeu.

— 25. — 30. mas se alguém o honra e faz a vontade. . — 31. Sabemos que Deus não ou- ve a pecadores. porque quereis ouvi-lo de novo? Porventura quereis tornar-vos seus discípulos? — 28. — 29. Desde que o mundo existe. mas este não sabemos donde é ele.J.B. Sabemos que Deus falou a Moi- sés. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 582 40 glória a Deus : sabemos que esse homem é um pecador. — 32. O homem replicou: É espantoso que não saibais donde ele é e que me tenha aberto os olhos. jamais se ouviu dizer 40 Fórmula de que usavam os Judeus. não sei. Sobre isto o carregaram de injúrias e lhe disseram: Discípulo dele sejas tu. que nós somos discípulos de Moi- sés. a esse ele ouve. uma só coisa sei e é que era eu cego e agora vejo. — 26. Ele lhes respondeu: Se é um pecador. Respondeu-lhes: Já vo-lo dis- se e o ouvistes. Pergun- taram-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos? — 27. sempre que de alguém queriam o juramento de dizer a verda- de.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 583 que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.J. 31. — 34. Se este homem não fosse enviado de Deus. nada poderia fazer do que tem feito. pretendes dar-nos lições?! E o lançaram fora. N. — 33. Retrucaram-lhe: Tu. Estes versículos não precisam de comentários. Confrontai esses fatos com os que ocorrem presentemente. que és todo pecado desde que nasceste. .B.

crê nele. o adorou.J. Disse ele então: Creio. sendo encontrado por Jesus. Senhor. Ouvindo isto. Até já o viste. encontrando-o. Ele respon- deu: Quem é ele. 35-41 O cego que fora curado.B. — Palavras dos fariseus a Jesus. Jesus lhes respondeu: Se fos- . Jesus ouviu dizer que o haviam expulsado e. — Palavras que Jesus lhe dirige. Acrescentou Jesus: Vim a este mundo para exercer um juízo. 35. para que eu nele creia? — 37. alguns dos fariseus que com ele estavam lhe per- guntaram: Porventura também nós somos cegos? — 41. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 584 CAPÍTULO IX Vv. prostrando-se. Senhor. — 40. E. — Resposta de Jesus V. lhe perguntou: Crês no filho de Deus? — 36. — 39. é ele mesmo quem te fala. — 38. a fim de que os que não vêem vejam e os que vêem se façam cegos. Disse-lhe Jesus.

vós mesmos agora dizeis: Nós vemos. Nenhuma explicação se faz ne- cessária para a inteligência destes versícu- los. palavras e atos. segundo o espírito. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 585 seis cegos. para se absolverem ou condena- rem. Sendo assim. Mas.B." Estas palavras guardam um sentido todo . salvo com relação às palavras que Jesus dirigiu ao que se curara da cegueira. quando se prosternou diante dele. os que não vêem vejam e os que vêem se façam ce- gos. no sentido de ter vindo esclarecer os homens acerca do caminho que devem seguir e pregar-lhes a moral pura que é o código que lhes cabe consultar. em vós permanece o vosso pecado. no foro íntimo de suas consciências. Jesus viera exercer um juízo. e com relação à resposta que deu aos fariseus. "A fim de que. N.J. mediante exame sério e completo de seus pensamentos. disse Jesus. não teríeis culpa. 32.

antes de tudo. Quanto àqueles que assistiam à sua mis- são terrena. uma aplica- ção especial aos que eram testemunhas da sua missão terrena e também têm uma es- pecial aplicação aos que. da revelação da revela- ção. são testemunhas da nova revelação. não à cegueira física. destinadas a causar impressão em homens materiais. resti- tuindo a vista corporal ao cego de nascença. material e. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 586 espiritual. se aplicam a todos os tempos. Elas tinham.J. seus ensinos e exemplos. pois que cumpre ao homem esfor- çar-se por adquirir a vista espiritual. o ato que Jesus praticara. que agora vos é dada.B. a fim de . segundo o pen- samento do Mestre. por ele predita e prometida. na época atual. procu- rando compreender e pôr em prática a moral pura que ele trouxe ao mundo. da re- velação do "Espírito da Verdade". simbolizava o ato que viera realizar desem- penhando a sua missão e praticando todas as obras que praticou. Referem-se à cegueira moral.

e que. por meio da doutrina que pregava. lhe reconhe- ciam a missão. mas que.J. de seus ensinamentos e exemplos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 587 lhes restituir a vista espiritual. admitindo- os. Dizendo: "a fim de que os que vêem se façam cegos". nem lhe reconheciam a missão. recobrando-a. presenci- ando os fatos por ele operados. Esses se afastavam da luz e mergulhavam nas trevas por nada saberem distinguir na luz. Aludia igualmente aos que. Dizendo: "a fim de que os que não vêem vejam". de os curar da cegueira moral. lhe reconheciam a missão e divisavam a luz espiritual que os vinha curar da cegueira de que padeciam. aos quais ele a restituía. aludia aos que. percebiam a luz espiritual que lhes vinha clarear a inteligência e o co- ração. vendo os fa- tos que ele produzia. conquanto gozassem da vista corporal. Aos fariseus que lhe perguntaram: "Por- . aludia a todos os que se achavam privados da vista material. não os queriam admitir. estavam ataca- dos de cegueira moral.B.

J. Daí vem que em vós permanecem as vossas faltas. Sendo assim. Mas. Se- gundo o espírito. Dispondo dessa vis- ta. Espírito devotado. se vos achásseis na situação deste homem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 588 ventura também nós somos cegos? respon- de: Se fosseis cegos não teríeis culpa. Jesus. dizeis que vedes: Dizeis que tendes a vista corporal. "não ferieis culpa". isto é. os vossos vícios. porém não as admitis. observais as obras que eu faço." Mas. agora.B. agora dizeis: Nós vemos. por essa forma. ex- prime um duplo pensamento. "em vós permanece o vosso pecado". as vossas . "Se fosseis cegos" também. terminava suas provas com o ver o fim da expiação que es- colhera. nem reconheceis a minha missão. aludindo à si- tuação do cego de nascença que ele curara e que. Estas palavras são a conseqüência e a apli- cação das que acabara de pronunciar: "Os que vêem se façam cegos. e com o lhe reconhecer a missão. para servir à execução da obra do Mestre.

porque ligavam mais im- portância aos bens da terra do que aos. Não tendes que vos admirar do seu proceder e de seus atos com relação a Jesus. ocorre pergun- tar-vos: Não achais que as condições atuais sejam idênticas às da época em que Jesus desempenhou a sua missão? Os Espíritos do Senhor. quando afrontavam os poderosos? Quanto à aplicação das palavras que es- tamos apreciando à nova revelação e aos homens que a testemunham. do advento da revelação atual não é recebida como o foi a do advento do Messias. não queriam admiti-la.B. entretanto. A história dos Ju- deus não vos relata de que modo eram tra- tados os profetas. do Cris- .J. para eles. não encontram o mesmo acolhimento que teve Jesus? A predição. órgãos do Espírito da Verdade. no seu foro íntimo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 589 más paixões. hipotéticos bens do céu. que são frutos da vossa ce- gueira moral e vos fazem culpados. por este feita. Os fariseus. reconhe- ciam a missão de Jesus.

não reconhecem. órgãos do Espírito da Verdade. reconhecem a missão dos Espíritos do Senhor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 590 to? Não há também os que. com referência a Jesus e aos que lhe reco- nheciam a missão? Não os vedes procuran- do voluntariamente mergulhar nas trevas. como fa- lavam e procediam os fariseus de outrora. aquela missão e o advento da era nova. que falam e procedem com referência à no- va revelação e aos que a aceitam e propa- gam pela palavra e pelo exemplo. testemunhas das manifestações espíritas.B. se afastam da luz e mergulham nas trevas. que vem clarear as inteligências e os corações? Não há os que. testemunhas de tais ma- nifestações. físicas e inteli- gentes. entretanto. assim. por nada também saberem distinguir na luz? Não tendes entre vós os novos fariseus. os que percebem. para salvaguardarem seus mesquinhos inte- resses materiais? .J. e o advento da era nova predita e prometida pelo Mestre. a luz espírita.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 591 A eles se aplica a resposta de Jesus aos daquela época. .J.B.

é rouba- dor e ladrão. Tornou. tendo feito sair as ovelhas que lhe pertencem. Mas eles não entende- ram o de que ele lhes falava. chama as suas ovelhas pelos seus nomes e as tira para fora. mas sobe por outra parte. Jesus a dizer-lhes: Em verdade. O que. — 7. entra pela porta. — 5. 1. — Jesus é a porta V. E. porque não conhe- cem a voz dos estranhos. antes fogem dele. A um estranho não se- guem. A este o porteiro abre e as ovelhas lhe ouvem a voz. vos digo: O que não entra pela porta no aprisco das ovelhas. porém.J. em verdade. pois. em verdade vos digo: Eu sou a porta das ove- . 1-10 Parábola da porta do aprisco das ovelhas. vai adi- ante delas e elas o seguem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 592 CAPÍTULO X Vv. — 3. — 2. — 6.B. — 4. Esta parábo- la lhes propôs Jesus. esse é pastor das ovelhas. Em verdade. porque lhe co- nhecem a voz.

— 9. hão sido "la- drões e roubadores". — 10. os que. Todos quantos têm vindo são roubadores e ladrões. Aquele. à cupidez. vim para que as ovelhas tenham vida e a tenham em abundância. Jesus é a porta do aprisco. as ovelhas não os ouviram. velada pela letra. Jesus. ao orgulho. à vingança. sairá e achará pastagens. visto que não penetra- ram no coração humano pela única porta que dá acesso ao pastor: o amor e a renún- cia. po- rém. Eu. têm des- viado os homens.B. — 8. matar e perder. se dirigiu àquela época e ao futuro. Eu sou a porta. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 593 lhas. O ladrão não vem senão para furtar. pelo contrário. impelindo-os ao ódio. entrará. Os que não têm seguido as veredas por ele abertas. será salvo. N. que entrar por mim.J. Usando . É ele quem abre e ilumina a inteligência e conduz o Espírito à morada do pai: à perfeição. por meio dessa parábola e da ex- plicação que dela oferece. 33.

e os dos pastores verdadeiros. V. pela palavra e pelo exemplo. Pro- clamava a sua autoridade plena e completa sobre o planeta e a humanidade terrenos.B. Aquele que toma o encargo de instruir os homens e que. a salvação dos homens pela prática da sua moral. O que não entra pela porta no a- prisco. é roubador e ladrão. os únicos que devem ser escutados e seguidos. seus discípulos. a grandeza e o objetivo da sua mis- são terrena. 1. Indi- cava os sinais para se reconhecerem esses falsos pastores. chamava a atenção de todos para os falsos pastores de então e a das gerações que se sucederi- am para os falsos pastores que se diriam seus representantes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 594 de uma linguagem apropriada ao momento.J. às inteligências dos que o ouviam e que pre- cisavam ser fortemente abalados. em vez de lhes ensinar. a moral pura que . dos quais todos devem fugir. mas sobe por outra parte.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 595 Jesus personifica e pregou. 2. V. es- se é pastor das ovelhas. e da caridade. A este o porteiro abre e as ovelhas lhe ouvem a voz. E as tira para fora.J. O que. Havia . chama as suas ovelhas pelos seus nomes.B. porém. 3. tira-as do redil em que as meteram e que é antes uma masmorra trevosa. V. do a- mor. que logo o conhecem e se tornam dóceis aos seus chamamentos. O que ensina e pratica aquela moral é verdadeiro pastor. os desvia dos caminhos simples e retos da justiça. A esse abre o Senhor a inteligência e dá luz. é um falso pastor. é ladrão e roubador das almas. Tira-as do caminho traçado pelos falsos pastores. entra pela porta. Seus ensinos penetram no coração dos homens.

ao que se daria com o Cristianismo e ao que ocorreria. os que efetivamente reco- nhecem que acharam o caminho santo do Salvador. . V. praticando a moral que estes lhes ensina pela palavra e pelos exemplos de humildade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 596 nessas palavras uma alusão ao que se dera com a lei de Moisés. Os que caminham nas pegadas do verdadeiro pastor. Compreende-se. seguem com entusiasmo o pastor. tendo feito sair as ovelhas que lhe pertencem. porque lhe conhecem a voz. de amor e de renúncia de si mesmo. vai adiante delas e elas o seguem.B. para que os homens fossem reconduzidos à prá- tica da moral que ele ensinava. 4. antes fogem dele. porque não conhecem a voz dos estranhos.J. A um estranho não seguem. esses não mais se deixam transvi- ar. moral que é a de Jesus. de caridade. V. quer antes da revelação atual. E. 5. quer ao tempo dela.

de acordo com as fa- culdades e necessidades de cada criatura. de cada era. V. . senão praticando a moral do Mestre. seguindo o caminho que ele traçou com os seus ensinamentos e e- xemplos. senão por intermédio dele. cujas almas tenham sido tocadas por essa harmo- nia divina. não se deixarão mais seduzir pe- los sons discordantes das vozes humanas que procurem desencaminhá-los. Não podem alcançar essa meta. 7. purifi- car-se e atingir a perfeição. que abre e ilumi- na a inteligência por todos os meios que a providência de Deus lhe confiou e que ele emprega. ele que é o protetor e o governa- dor do vosso planeta. Em verdade. de cada época. em verdade vos digo: Eu sou a porta das ovelhas. Não podem os homens progredir. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 597 Esforços inúteis serão os dos que quise- rem levar consigo as ovelhas que hajam es- cutado a voz do bom pastor.J.B. Aqueles.

O Mestre alude às diversas missões humanas que. va- lendo-se de uma imagem bastante forte para produzir sensação entre homens que o repe- liam em nome dos profetas e que se recusa- vam a admitir que nele se houvesse verifica- do o advento do Messias esperado. não tiveram a força e o valor da missão divina que ele desempe- nhou." Não é fato que os homens se têm afasta- .J.B. Há aqui uma figura. 8. re- petimos. só ele. estabe- leceu o valor especial dessa autoridade. as ovelhas não os ouvi- ram. autoridade plena e completa. mais ou menos maculadas pela fraqueza inerente à natureza do homem. Todos quantos têm vindo são rou- badores e ladrões. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 598 V. "As ovelhas não os escutaram. Tendo. Jesus se serviu. de uma linguagem figurada. Dizendo: "Todos os que têm vindo são roubadores e ladrões".

Aquele que praticar a minha moral.J. mas foi a- colhido por alguns cujo número de dia para dia aumentou e que agora se multiplicará ao infinito.B. não ha- verá mais na Terra. Aquele que entrar por mim será salvo. pois que chegaram os tempos em que os homens "lhe escutarão a voz" e em que. portanto. pela depuração e transformação do planeta e da humanidade terrenos. 9. se purificará e seguirá uma marcha ascensional que conduz o Espírito à perfei- ção. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 599 do dos princípios que os diversos enviados lhes incutiram? Escutaram-nos no momento. mas pouco a pouco se foram afastando. sairá e achará pastagens. Jesus foi repelido por muitos. que." V. "senão um só rebanho e um só pastor. Eu sou a porta. caminhar nas minhas sendas. . pro- gredirá. Entrará. como ele o predisse.

deveis notar que todas as missões precedentes causaram derramamento de sangue. para que as ovelhas te- nham vida e a tenham em abundância. a fraternidade. vim. em todas as condições. a união. dela sairá e. 10. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 600 Entrará na vida humana. não passavam de lobos vorazes! Orai pelos que ainda não expiaram a sua cegueira sanguinária. dizendo-se seus discípulos. O ladrão não vem senão para fur- tar.J. Se em seu nome se tem derramado san- gue. Sim. matar e perder. V.B. mas o que eleva a alma. porém. Jesus veio mostrar aos homens as sendas e os meios de regeneração." Desempenhando a sua missão terrena. ah! que esse sangue caia sobre a me- mória dos que. enquanto que Jesus sempre pregou a paz. "Eu. constituídos pela . não o que alimenta o corpo. achará o pão.

.B. para a alma. que é. fortifica. proporcionando-lhe abundante alimen- to. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 601 sua moral pura. depura e ele- va. o pão de vida.J. que a engrandece.

ninguém lha tira. do de seu .B. 11-21 Jesus é o bom pastor. — Ele tem o poder de deixar a vida e de a retomar. nem lha pode tirar N. mas que foi apenas aparente. Grande importância têm estes ver- sículos. do de sua morte no Gól- gota. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 602 CAPÍTULO X Vv. — Sua missão consiste em levar todos os homens a prati- cá-la. do ponto de vista da natureza extra- humana de Jesus. a fim de que não haja mais do que um reba- nho e um só pastor. — São suas ovelhas todos os que praticam a sua moral pura. 34. do das condições e do modo por que se deu o seu aparecimento entre os homens. morte que os homens consideraram real.J.

segundo o espírito.J. na época dita da "Ascensão". porém. aos quais as ovelhas não pertencem. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 603 reaparecimento chamado "ressurreição".B. O mercenário. de encarregado do vosso desen- volvimento e progresso e de vos conduzir à perfeição. dada a sua qualidade de protetor e governador do plane- ta terreno. — 13. e o que não é pas- tor. abandonam as ovelhas e fogem. 11. O mercenário foge porque é mercenário e lhe não importam as ovelhas. — 12. Separai-os e vos daremos sobre cada um as explicações especiais que comportam. elevando-se às nuvens. O bom pas- tor dá a própria vida pelas suas ovelhas. vendo vir o lobo. do de suas aparições sucessivas às mulheres e aos discípulos e do de seu desaparecimento definitivo. e o lobo as arrebata e dispersa o re- banho. Eu sou o bom pastor. Também grande impor- tância apresentam do ponto de vista da sua missão e dos resultados desta. V.

. nem fadiga. O bom pastor. Jesus preparava os que o ouviam. o pastor das al- mas vela pelo seu rebanho e constantemen- te o ronda. aos vossos dias. concitando à vigilância. Para o bom pastor não há interesse pes- soal. pela pa- lavra e pelo gesto. os ho- mens da época e as gerações futuras. a estes se entregaram e lhes abandonaram as ovelhas. não se sentindo com forças para combaterem os vícios que os assaltavam. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 604 Estas palavras figuradas se referiam à- quela época e ao futuro. Dizendo: "Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá a própria vida pelas suas ovelhas".B. de cuja guarda se haviam incumbi- do.J. Os que tomaram a si apascentar o rebanho do bom pastor. para atenderem à alusão que ele ia fazer ao sacri- fício do Gólgota e às suas conseqüências. porém. os guardas fiéis com os quais sabe poder contar e que o ajudam a reunir e trazer para o centro as que denotam tendência a desgarrar.

Suas "ovelhas" são todos os Espíritos que.J. Também estas cumpre que eu as traga. pertencem à Terra. aos frutos que ela há de dar. — 16. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 605 V. mas que a ele serão trazidas e lhe escutarão . Tenho ainda outras ovelhas. Aludia Jesus à sua missão terrena.B. elas ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor. 14. Eu sou o bom pastor e conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me co- nhecem. As que não pertencem a este aprisco. resultados que prediz aos homens. Assim como meu Pai me conhece. — 15. assim eu conheço a meu Pai e dou a vida pelas minhas ovelhas. à sua missão espiri- tual como protetor e governador do planeta terrestre e aos resultados que há de produ- zir. As que o conhecem são os que praticam a moral pura por ele pregada e lhe reconhe- cem a missão. que não são deste a- prisco. encarnados ou errantes.

às dos Espíritos em missão. de quem é ele o bom pastor. se mostrarem rebeldes ao progresso. tinham encarnado na Terra antes da sua missão. encarnados e errantes. de purificação em purificação. em via de purifi- cação. Ao proferir aquelas palavras.J. por esse meio. órgãos do Espírito da Verdade. Então é que. à perfeição moral humana. sem. estavam encarnadas quando a desempenhava e nela ainda haviam de en- carnar e que. contudo. sob o império da lei . hão de chegar. são os que ainda não praticam a sua moral. percebendo. não lhe reco- nhecem ainda a missão. São os que virão a praticar a sua moral e a lhe re- conhecer a missão. praticando-a. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 606 a voz. todas as gerações de Espíritos que. a luz e a verdade que ele trouxe aos homens e que a nova revelação vem fazer brilhar com vivo fulgor. ou que. depurando-se continua- mente no cadinho do tempo e da reencarna- ção. Jesus en- volvia no seu pensamento a humanidade inteira. de progresso em progresso.B. dóceis à sua voz de Messias. cada vez melhor.

ao mundo. a tomarem lugar entre os ministros diretos de Deus. Então é que Jesus. entre os seus agentes ativos e devotados. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 607 de amor. de toda a ciência. da vida e da harmonia universais. vosso protetor e governador. V. de toda a verdade. Por isso o Pai me ama. lhes cabe.J. visível para as criaturas purificadas. ao vosso pla- neta igualmente purificado. progredir eter- namente em ciência universal.B. eu por mim mesmo a dei- . — 18. entre os que se consagram à obra do progresso universal. não haverá mais que um único re- banho e um só pastor. como complemento e sanção da verdade. pela pureza que adquiriram. 17. virá. Ninguém ma tira. virá para conduzi-las todas à vida dos puros Espíritos. como so- berano. haurindo esse progresso na fonte infinita de todo o poder. virá mostrá-la. o Espírito da Verdade. porque deixo a minha vida para a retomar. de toda a justiça. sem véu. É então que ele. em todo o seu fulgor espírita. de todo o amor. numa atividade incessante. uma vez que.

tenho o poder de a deixar e tenho o po- der de a retomar." "Pela consumação do sacrifício do Gólgo- ta e pelo que se lhe há de seguir por efeito da minha missão espiritual é que meu pai tem confiança em mim. É desse modo que deixo a vida. — 18. a que se não tem ligado grande importância. disse ele. para reto- má-la. a vida que os homens consideram humana. a que se não tem dado muita atenção. para re- tomar a vida toda espiritual que me é pró- pria. por- que deixo minha vida para a retomar.J. o Pai me ama.B. "É desse modo que eu deixo. Este mandamento recebi de meu Pai. Estas palavras. Ninguém ma tira." . "Por isso. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 608 xo. confirmam o que have- mos dito sobre a natureza e a origem de Je- sus. humana no entender dos homens.

eu por mim mesmo a deixo. embora opaco e tangível o corpo que revestira.J. Sendo.B. teria recebido da mão dos homens a morte. do mesmo modo que um . teria com efeito perdi- do a vida pela ação dos algozes. Mas. porém. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 609 "Ninguém ma tira. mesmo que fora um homem car- nal como vós outros. ele se houvera oferecido como víti- ma." Jesus. Igualmente. deixando o invólucro fluídico que havia tomado. com a aparência do corpo humano. Voluntariamente. sem dúvida. houvesse assimilado seu envoltório fluídico às regiões terrenas. fluídica a sua encarnação. em tal caso. a vida toda espiritual que lhe era própria. Deixa- va-a por si mesmo. nin- guém lha podia tirar. se pudessem tirá-la a um Espírito que. ele deixava espontaneamente a vida que tomara. à vontade. Ninguém lha tirava. de natureza perispirítica. para na Terra aparecer visível e tangível. fluidicamente encarnado em mundo superior. ele retomava. Só a poderiam os ho- mens tirar.

mister se fazia que acreditassem ser o Mes- tre um homem igual a eles. como condição e meio de progredirem. retomaria a vida espiritual que lhe é própria. por aquelas palavras. aparen- temente humano. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 610 Espírito. mortal como eles e que por eles efetivamente morrera às mãos dos seus algozes. que Jesus fora Deus milagro- samente encarnado. visível e tangível. só era passível de uma morte aparente. como era que. E. acreditassem. sendo assim.J. de natureza fluídica. fluidicamente encarnado em um mundo superior. . conforme acreditaram. Era mister que tal sucedesse. à natureza que lhe era peculiar. velada pela letra. mais tarde. pe- rispiritual. mas os homens consideraram real a sua morte. por- que. Assim. abandonando o envoltório fluídico que houvesse assimilado ao meio terreno para.B. afirmava ser de natu- reza extra-humana. fazendo uma alusão. o seu invólucro corporal. aparecer na Terra. Jesus. fora um homem-deus.

e de a retomar para reaparecer entre eles. de suas palavras e bem assim das interpretações humanas a que esses atos. conforme o exija a minha missão terre- na. acontecimentos e palavras deram lugar. e tenho o poder de a retomar para ressuscitar. "Tenho o poder de a deixar e tenho o po- der de a retomar. da revelação que o anjo fizera a Maria. . como protetor e governador do planeta ter- restre. isto é. quando se consumar o sacrifício do Gólgota. tida por humana pelos homens. da vida pura e sem mácula do Mestre. Tenho o poder de deixar a vida que os homens consideram humana.B. para voltar à vida toda espiritual que me é própria. crença que se originou da dupla revela- ção da lei antiga. quando essa revelação se divulgou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 611 que por eles morrera às mãos de seus algo- zes." "Tenho o poder de deixar a vida que to- mei.J. dos atos e acontecimentos verifica- dos durante a sua missão terrena.

Muitos deles diziam: Está possesso do demônio. a fim de retomar definitivamente a vida toda espiritual que me é própria e continuar a minha missão de protetor e governador deste planeta. Estas palavras suscitaram nova discussão entre os Judeus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 612 para reaparecer no mundo e para me afastar da Terra às vistas de todos. Outros. perdeu o juízo. prescrevendo a execução da minha obra.B." V." "É este um mandamento que recebi de meu Pai. diziam: Estas não são pala- vras de quem está possesso do demônio. porque o escutais? — 21. que permitiu me manifestasse eu aos ho- mens. quando estiver terminada a minha missão terrena.J. para o progresso deles. porém. pode acaso o demônio abrir os olhos aos cegos? Eram as mesmas discussões que se tra- ." "Tudo isto corresponde à vontade divina. — 20. 19.

que. ignorantes. se colocam. assume o direito de cidade no seio da humanidade terrena. Pequeno é sempre o número dos que. até que a verdade. sem que tenha antes feito visar seus passaportes pelas au- toridades científicas. passam a fulminar com o seu desprezo os que. não obstante. .J. impelidos pelo sentimento e pela consciên- cia. tendo-se imposto. co- mo simples curiosos.B. Esses serão sempre considerados po- bres de espírito. seja forçosa- mente reconhecida e admitida como tal pe- las corporações doutas. então. do lado da novidade. a que depois se apegam de todo o coração. tida como nova pelos que se julgam possuidores de toda a ciência. loucos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 613 vam sempre que uma verdade. desde o primeiro momento. persistam em não acreditar no que elas afinal consentem em admitir.

lembrando aos Ju- deus o Salmo LXXXI. di- ze-o claramente. — 24. acusado de querer passar por ser Deus. vv. como essência espiritual.B. — 25. — 23. no pórtico de Salomão. e. — Proclama ao mesmo tempo. tendo tido. Rodearam-no os Judeus e lhe perguntaram: Até quando nos terás tu o espírito em suspenso? Se és o Cristo. a mesma origem que todos.J. e era inverno. mas ainda veladamente. Celebrava-se então em Jerusalém a festa da Dedicação. E Jesus perambulava pelo templo. se proclama filho de Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 614 CAPÍTULO X Vv. Respondeu-lhes Je- sus: "Eu vos falo e não me credes. sua missão terrena e sua missão espiritual V. — 26. deus como eles. protesta. 22-42 Jesus. sob o véu da letra. as obras que faço em nome de meu Pai. sua autoridade. 1 e 6. Mas não me cre- . tam- bém sob o véu da letra. 22. essas dão testemunho de mim.

Jesus lhes retrucou: Não está escrito na vossa lei: "Eu disse que sois deu- ses"? — 35. Então os Judeus pega- ram de pedras para o apedrejarem. — 30. sendo homem.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 615 des. — 32. porque. O que meu Pai me deu é maior do que todas as coisas e ninguém o pode arrebatar da mão de meu Pai. mas por causa da tua blas- fêmia. — 27." — 31. Os Judeus lhe responderam: Não te apedrejaremos por causa de qual- quer boa obra. por qual dessas obras me quereis apedre- jar?" — 33.B. E lhes dou a vida eterna e elas nunca perecerão e ninguém as arrebatará de minhas mãos. porque digo . se ela chama deuses à- queles a quem a palavra de Deus é dirigida (e a Escritura não pode falhar) — 36. Meu Pai e eu somos um. eu as conheço e elas me seguem. Ora. Minhas ovelhas ouvem a minha voz. como é que dizeis àquele que o Pai santificou e en- viou ao mundo: Tu blasfemas. Disse-lhes Jesus: "Tenho-vos mostrado mui- tas obras boas feitas pelo poder de meu Pai. porque não sois das minhas ovelhas. — 34. — 28. tu te fazes Deus. — 29.

seus elementos e seus meios. se as faço. mas tudo quanto disse deste era verdadeiro. não me creiais. — 39.J. por ele predita e prometida. E muitos creram nele. Acompanhai com atenção todos os atos e todas as palavras de Jesus e vereis como ele tudo dispõe para que a sua missão siga o seu curso e se complete. — 40. tendo em vista aquela época e o fu- turo e também tendo em vista a revelação atual que. N. para o lugar onde João estivera a principio batizando.B. E lá ficou. mas ele se lhes escapou das mãos. — 38. quando não queirais crer em mim. Tentaram então os Judeus prendê-lo. como tudo dispõe. a fim de que conheçais e creiais que o Pai está em mim e eu no Pai. Mas. assim como a sua sanção prévia. crede nas minhas obras. Se não faço as obras de meu Pai. não fez milagre algum. em . — 41. há de encontrar sua base. Muitos vieram ter com ele e diziam: João. 35. na verda- de. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 616 que sou filho de Deus? — 37. E foi de novo para além Jordão. — 42.

Elas ouvirão a minha voz e não haverá mais que um só rebanho e um só pastor. Pelas explicações que já vos temos da- do. Assim. limitar- nos-emos a chamar a vossa atenção para aquelas das palavras do Mestre que exigem explicações especiais. .B.) As palavras constantes nes- tes versículos não devem ser separadas destas outras. Também estas cumpre que eu as traga. em espírito e verdade. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. podeis compreender. conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas me conhecem. a fim de serem com- preendidas no seu sentido exato e preciso. 24-28.J. também por ele proferidas. (Vv. e que já vos explicamos. o sentido destes versículos. Eu sou o bom pastor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 617 a narração evangélica da sua missão terre- na. segundo o espírito.

Judeus e Gentios. Os Judeus. a lhe reconhecer a missão e. repelin- do-o. Espíritos impuros e atrasados. assim. porque. estas palavras: "As minhas ovelhas ouvem a .J. para a nacionalidade deles. Não eram do aprisco do bom pastor. visto que todos de futuro viriam a praticar a moral pura que ele personifica. não lhe ou- viam a voz. no que lhes dizia respeito. não praticavam os princípios de justiça. Não o eram. porque. de modo egoístico. a ver cumpridas. Não eram suas ovelhas. não e- ram suas ovelhas. por- que recusavam aceitar seus ensinamentos e exemplos. não apenas. repudiavam a moral pura que ele pre- gava. mas para todos os ho- mens. nem o seguiam. sua missão e. de amor e de caridade que lhes ti- nham sido prescritos por intermédio de Moi- sés e dos profetas. a quem ele se dirigia.B. mas haviam de ser todos por ele levados a esse aprisco. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 618 As palavras do Mestre se encadeiam to- das e formam um conjunto harmônico. dessa maneira.

que tiverem sido. depois de lhe ter dado o de o constituir. Trata-se da supe- rioridade que ele tem sobre todos. cada vez melhor. disse Jesus. somos um. assim com relação aos Judeus.J. o sentido dessas . "Meu Pai e eu. estais em condições de compreen- der. (Vv. eu as conheço e elas me se- guem. elas nunca perecerão e ninguém as arrebatará da minha mão." É o que havia e há de suceder na Terra. como a to- dos os outros homens. a luz e a verdade. fo- rem e se tornarem dóceis e perseverantes no caminho do progresso e da purificação.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 619 minha voz. que os farão perceber.) O que Deus deu a Jesus é maior do que todas as coisas e ninguém o pode arrebatar da mão de Deus. pois que se trata do poder que este lhe conferiu relati- vamente à Terra. Dou-lhes a vida eterna. quando o instituiu protetor e governador desse planeta. 29-30. segundo o espírito." Pelas explicações que já recebestes a este respeito.

do Criador incriado. como eles. ao mesmo tempo. na qualidade de princípio espiritual. como os que o acusavam. Há unidade. ser também ele. Não podendo compreender e não compreendendo.B. mas que era superior a todos os da Terra pela sua pureza. o mesmo início. Proclama. 31-36. A resposta que Jesus lhes deu. como eles. por haver dito: Eu e o Pai somos um. que é o úni- co Deus.J. tirara o ser. (Vv. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 620 palavras. a mesma origem divina comum a todos. Há uni- dade de pensamento. afirmando que. o mesmo ponto de partida. que tivera. pelo . do pai. os Ju- deus as tomavam sempre ao pé da letra. entendida esta no sentido da afinidade que existe entre Jesus e o Criador e que permite àquele estar direta- mente em relação fluídica com este. em verdade. entendi- da segundo o espírito. exclui a divindade que eles o acusavam de se atribu- ir. as palavras que o Mestre lhes dirigia. uma criatura de Deus. no verdadeiro sentido.) Os Judeus acusam a Jesus de fazer-se Deus.

era peremptória. pela natureza da sua missão. mas por causa da tua blas- fêmia. de molde a detê-los na atitude acusatória que assumiram e a desvi- . em que a letra se opõe à letra. sendo homem. essa resposta. tu te fazes Deus. Quando os Judeus lhe dizem: Não te apedrejamos por causa de qual- quer boa obra. se ela chama deuses àqueles a quem a palavra de Deus é dirigida (e a Escritura não pode falhar). porque digo que sou filho de Deus? Tendo-se em vista o entendimento dos Judeus e a acusação que haviam feito. Jesus responde: Não está escrito na vossa lei: "Eu disse: sois deuses"? Ora.J. porque. apropriada.B. à inteligência deles. pelos seus termos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 621 seu poder. como é que dizeis àquele que o pai santificou e enviou ao mundo: "Tu blasfemas".

Além disso. a ele vos achais ligados pela infinidade da vossa existência. Sois deuses. havia de dar. quando fala daqueles a quem a palavra de Deus é dirigida. forma- dos. em nome do Espí- rito da Verdade. pela revelação atual. desde que fostes criados. do ponto de vista de que. da prerrogativa de estardes em . tinham por objeto exal- çar os homens a seus próprios olhos. do princípio vital que de Deus emana. que. essa explicação. Estas palavras. encer- rava. em espírito e verdade. quando os homens se tivessem tornado capazes de recebê-la. sob o véu da letra. da di- vindade. Participais. portanto. a base. e que Jesus recordou: "Eu disse: Sois deuses".B. uma vez criados. de que usa a Escritura. vos tornastes eternos como o vosso criador. como o é. Mas. fazen- do-lhes perceber os laços que os prendem à divindade. só ela. no sentido de que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 622 ar a acusação formulada. os elemen- tos e os meios de ser explicada.J. espiritualmente.

se fosse pos- sível a sua eternização no mal. não podeis gozar. tira dele o ser. enquanto a vossa perfeição não vos houver feito dignos disso. pois que emana de Deus. tira o princípio de inteligência e o princípio fluídico que constituirão o Espírito livre. pelo pensamento. isto é. Eis porque aqueles a quem Deus dirige especialmente a sua pala- vra são chamados deuses. e goza da prerrogativa de . destinado a ser conduzido a formar uma individualidade e- terna. Sois deuses. É assim que Jesus se apresenta aos ho- mens como participante da divindade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 623 relação fluídica direta com Deus.J. consciente e responsável. de serdes. se acham em via de ad- quirir aquela perfeição necessária. Ele o é. do mesmo modo que toda e qualquer es- sência espiritual. mais do que outros. indo do infinitamente pequeno ao infi- nitamente grande. no sentido de que a essên- cia espiritual tem por domínio a eternidade. já ele não seria mais divindade.B. porquanto. uno com ele. É que esses.

de ser com ele uno pelo pensamento.J. . A lei. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 624 que se tornou digno." Além de não ser oportuna. por efeito da perfeição que suas obras lhe granjearam. 6). a de estar em relação fluídica direta com Deus.B. defendendo-se da acusação de que era alvo. acrescenta: "e todos sois filhos do Altíssi- mo. v. porém. dado o que ele objetivava alcançar. o sentido do que diz a Escritura e a aplicação que ele lhe daria. se limitou a dizer aos Ju- deus: "Não está escrito na vossa lei: "Eu dis- se: Sois deuses ?" Deveis compreender a razão por que não citou as palavras restantes: "E todos sois filhos do Altíssimo. depois destas palavras: "Eu disse: Sois deuses". a citação dessas outras palavras o arrastaria a uma nova dis- cussão com homens que não podiam com- preender. LXXXI. segundo o espírito." Jesus. a Escritura (S.

constituindo individualidades eternas. Sois filhos culpados. filhos pródigos que regressarão à casa pa- terna onde. que todos são criaturas suas e hão de. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 625 "Sim. cons- tituindo individualidades eternas. com os braços abertos.B. espera por todos vós. o pai de família. em espírito e verdade." Participais da divindade.J. que todos são dele. sois deuses e todos sois filhos do Altíssimo. saís- tes de Deus e estais todos. no limiar. por ouvirem a palavra que ele lhes dirige? — Sendo assim e não podendo a Escritura fa- lhar. eu a quem Deus santificou. Podeis agora apreender. como é que dizeis que blasfemo. porque mereci pelas . destinados a voltar a ele. como suas cria- turas. pela perfeição que houverdes merecido. que participam assim da divindade. conforme acabamos de explicar. o sentido e o alcance da resposta de Jesus. São estes: "Não está escrito na vossa lei que todos os espíritos tiram de Deus o ser. por isso que. mediante a perfeição que hajam merecido. voltar a ele.

37. porque disse que sou filho de Deus. quando não queirais crer em mim. da reve- lação atual. — 38. Jesus proferia essas palavras não só para aquela época. que não quereis crer na mis- são de Jesus. que ele predisse e prometeu. Dirigindo-se aos Judeus. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 626 minhas obras a perfeição. que ainda nele não credes. credes nas minhas obras. Ó homens. Mas. a fim de que conheçais e creiais que o Pai está em mim e eu no Pai. e ainda para os tempos que a esta se seguirão. se as faço. qual de fato sou pela pureza e poder que dele me vêm. e a quem ele fez seu enviado à Terra para vos dirigir a sua palavra. ser uno com ele pelo pensamento?" V.B. mas também para o futuro e especialmente para a época da revelação. visto que sou unia criatura u- nida ao seu Criador pela afinidade que me permite estar com ele em relação fluídica direta. não me creiais. Se não faço as obras de meu Pai. do Espírito da Verdade.J.

mas ele se lhes escapou das mãos: Exivit de manibus eorum. crede nas suas obras. a cuja formação presidiu. 39. porquanto progredireis e vos depurareis e. o Messias que. que é o Espíri- to protetor e governador do vosso planeta. praticai a moral pura que ele pregou pelos seus ensinos e exemplos. Chegareis assim a conhecer e a crer. que foi seu enviado celeste. Este fato vem confirmar a natureza extra- humana de Jesus e a põe em evidência. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 627 quem quer que sejais. a conhecer e a crer que.J. que é uno com este pelo pensamento. desceu ao meio dos homens.B. a fim de chegardes a conhecer o lugar que ele ocupa junto de Deus e suas relações com o pai. Tentaram então os Judeus prendê- lo. isto é. ireis perce- bendo gradualmente a luz e a verdade. V. ele está em relação direta com o Criador. prometido. progredindo e purificando-vos. pela sua pureza. .

B. fazendo desaparecer a tangibilidade do seu corpo fluídico. que já o tinham querido apedrejar.J. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 628 Escapou das mãos dos Judeus. que se achavam tomados de furor e o cercavam. Jesus se lhes escapou das mãos. vós o sabeis. visto que estavam reunidos em torno dele. Já tivemos ocasião de vos falar deste fa- to.

sua irmã. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 629 CAPÍTULO XI Vv. 1. disse Jesus: Esta enfermidade não vai até à morte. que era da aldeia de Betâ- nia. era seu irmão. Ela é apenas para glória de Deus. ouvido que este estava doente. ficou ainda dois dias no lugar onde . suas ir- mãs. — 4. — 6. entretanto. e a Lázaro. "ressuscitado" V. Suas irmãs man- daram dizer a Jesus: Senhor. Jesus amava a Marta. segundo as vistas humanas e. onde residiam Maria e Marta. — 5. eis que se a- cha enfermo aquele a quem amas. 1-45 Lázaro "morto". Ora. para que o filho de Deus seja por ela glorificado. a Maria. Ou- vindo isso. no entender dos homens. — 2. — 3.B. Maria era a que derramara bál- samo sobre o Senhor e lhe enxugara os pés com seus cabelos. o que estava en- fermo. Tendo. Lázaro. Estava então enfermo um homem chamado Lázaro.J.

porque vê a luz deste mundo. Falou-lhes assim e em seguida disse: Nosso amigo Lázaro dorme. disse a seus discípulos: Tornemos para a Judéia. o que an- da de noite tropeça. para morrermos com ele. — 7. porque lhe falta a luz. eles. passado esse tem- po. Mas. chamado Dí- dimo. julgaram que falara do sono ordiná- rio. por vossa causa.B. — 11. Disseram-lhe os discípulos: Mestre. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 630 se achava. se ele dorme. Jesus. — 12. Respon- deu Jesus: Não são doze as horas do dia? Aquele que anda de dia não tropeça. — 10. Observaram- lhe os discípulos: Senhor. pois. mas vou DES- PERTÁ-LO DO SONO. Disse-lhes então Jesus aberta- mente: Lázaro está morto. Disse então Tomé. porém. — 18. — 8. ainda agora queriam os Judeus a- pedrejar-te e voltas para lá? — 9. aos outros discípulos: Vamos também nós. — 17. — 16. — 13. — 15. foi e achou que havia já quatro dias que Lázaro estava no sepulcro. a fim de que creiais. Mas vamos ter com ele.J. e eu folgo. Betâ- . Jesus falara da morte. Depois. de não me haver achado lá. será curado. — 14.

mesmo agora. ficando Ma- ria em casa. tudo o que pedires a Deus.J. Marta. de modo que muitos Judeus tinham vindo ter com Marta e Maria para as consolarem da morte de seu irmão. Crês isto?" — 27. sua irmã. — 20. — 25. assim ouviu dizer que Je- sus vinha. — 19. dizendo-lhe: O Mestre está ai e te chama. tanto que isso ouviu. viverá. Disse então Marta a Je- sus: Senhor. Mas sei que. aquele que em mim crê. — 21. E todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá. meu irmão não estaria morto. — 26. Respondeu-lhe Jesus: Teu irmão ressuscitará. foi-se e falou em voz baixa a Maria. — 29. que vieste a este mundo. Senhor. Maria. Filho de Deus vivo. se houveras estado aqui. creio que tu és o Cristo. Ela respondeu: Sim. entretanto. ainda que tenha morrido. — 28. — 22. Disse- lhe Marta: Bem sei que ele ressuscitará na ressurreição que haverá no último dia.B. — 24. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 631 nia distava de Jerusalém cerca de quinze estádios. saiu-lhe ao encontro. Replicou-lhe Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. E. . Deus te concederá. — 23. tendo dito isso.

porém. disseram: — Não podia ele. Disseram então os Ju- deus: Vejam como ele o amava. quando chegou onde es- tava Jesus. se lhe lançou aos pés.J. Porque. E Jesus chorou. não teria morrido meu irmão. os Ju- deus que estavam com Maria em sua casa e a consolavam. Vendo Jesus que ela chorava e que os Ju- deus que com ela tinham vindo também cho- ravam. permanecia no lugar onde Marta o tinha encontrado. — 31. se estivesses aqui. em ci- . porém. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 632 levantou-se logo e foi ter com ele. Al- guns. — 36. — 32.B. — 35. vem e vê. Entretanto. — 30. assim que o viu. exclamando: Senhor. ao verem-na levantar-se tão apressada e sair. que abriu os olhos ao cego de nascença. — 37. Maria. — 33. di- zendo: Ela vai ao sepulcro para lá chorar. que era uma gruta. — 34. Jesus fremiu de novo dentro de si mesmo e veio ao sepulcro. E perguntou: Onde o pusestes? Res- ponderam-lhe: Senhor. foram-lhe ao encalço. Jesus ainda não havia entrado na aldeia. fremiu em seu Espírito e se turbou. fazer que este outro não morresse ? — 38.

36. N. Disse Jesus: Desatai-o e deixai-o ir. para que creiam que tu me enviaste. elevando os olhos para o alto. mas falei assim por causa do povo que me cerca. — 45. Res- pondeu-lhe Marta. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 633 ma da qual tinha sido posta uma pedra. creram nele. Disse-lhes ai Jesus: Tirai a pedra. trazendo os pés e as mãos ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Tendo acreditado na morte real do filho da viúva de Naim e na da filha de Jairo.J. Então. No mesmo instante saiu o que estivera mor- to. pois." — 43. irmã do que morrera: Se- nhor. — 40. Jesus disse: "Pai. já cheira mal.B. pois que já há quatro dias que está aí. Tendo dito isto. Então. eu te rendo graças por me teres ouvido. se creres. sai para fora! — 44. — 39. muitos dentre os Judeus que tinham vindo visitar Maria e Marta e que presenciaram o que fez Jesus. Eu bem sabia que sem- pre me ouves. a pe- dra. — 42. Tiraram. verás a glória de Deus? — 41. Respondeu-lhe Je- sus: Não te disse eu que. . bradou com voz forte: Lázaro.

como não o estavam nem o filho da viúva de Naim. Lázaro estava "morto" para todos. um dos . ao verem-no sair da gruta que lhe servia de sepulcro e onde estivera depositado durante quatro di- as. dadas as circunstâncias que o rodearam. Foi a mesma. dentre os atos praticados por Jesus durante a sua missão terrena.B. não estava morto. como a filha de Jairo.J. menos para Jesus. nos três casos. Jesus não tinha mais do que despertá-lo. o da sua volta para se unir à podridão. O da "ressurreição" de Lázaro. nem a filha de Jairo. porém. Lázaro. os homens tinham que acreditar também na morte real e na "ressurreição" de Lázaro. que os homens conside- raram de morte real. a causa determinante daquele estado de morte aparente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 634 na "ressurreição" de ambos. Ele apenas dormia. Para este a enfermidade de Lázaro não ia até à morte. tomada essa palavra no sentido que lhe davam — o da reentrada do Espírito num cadáver. estava des- tinado a ser.

o Cristo. aos homens. para as gerações que se seguiriam à de en- tão e ainda na época da revelação do Espíri- to da Verdade. faria que sua missão fosse aceita e produzisse os frutos que devia produzir. o enviado de Deus. segundo o espíri- to e em verdade. os ele- mentos e os meios apropriados à atual reve- lação. não só naquela época. Pelas suas palavras. esta- belecendo ao mesmo tempo a base. já nessa oca- sião capazes de as compreenderem. Tudo dispõe por forma a que as opini- ões dos homens de então e as interpreta- ções humanas que em seguida surgiriam seguissem livremente o seu curso até que. por ele predita e prometida. a reve- lação atual viesse explicar. como também no futuro.J.B. bem como a natu- . da revelação atual. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 635 mais consideráveis para os homens. na época determinada pelo Senhor. as pa- lavras por ele proferidas. pela razão de que esse fato os faria reconhecer que ele era o Messias. Jesus tudo dispõe de maneira a atender às necessidades da- quele momento e a preparar o futuro.

fazer que estoutro não morres- se?" A seu turno. visto que esse ato. que abriu os olhos ao cego de nascença. narrando o fa- to. relativamente a Deus e ao planeta terre- no. e viesse também mostrar o lugar que ele Jesus ocu- pa. por sua vez. mostra haver partilhado. A prova é que cada uma delas disse. daquela maneira humana de apreciar o caso. meu irmão não teria morrido. o Evangelista. a Jesus: "Se- nhor. e — "não podia ele. o estado real deste.B. tido por "milagroso"." A prova é igualmente que os Judeus que lá se encontravam tinham ido para as consolar da morte de Lázaro e cho- ravam com elas. foi um dos que serviram de fundamento para a divindade que se lhe atribuiu. que Lázaro se achava morto. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 636 reza e o caráter do ato que praticou com re- lação a Lázaro. daquela humana interpretação que . A prova é ainda que entre si diziam: "Vejam como o amava". se houveras estado aqui.J. Marta e Maria criam. como toda a gente. como todos.

" Os discípulos. Vereis o que é dos homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 637 lhe foi feita. e o que é de Jesus. resultado de suas opiniões. tanto que. para os homens. o que está nas suas palavras veladas pela letra.B.J. para Jesus. de um lado. Lá- zaro se acha morto. — "no mesmo instante saiu o que estivera morto. simplesmente dorme. que iam assistir ao ato. declarando ser aquele um dos atos mais consideráveis da . trazendo os pés e as mãos ligados com ataduras. de outro. Vereis que Jesus. realmente morto e "res- suscita". apreciações e interpretações. fazendo se refletissem na sua narração. com atenção. esses também tinham que crer naquilo em que todos acreditavam. a narração evangélica e vereis. as reproduz. no sentido que davam ao vocábulo "ressurreição". ao passo que. e espírito. Lázaro está morto apenas na aparência. Vereis que. irmã do que morrera". ele o vai despertar e desperta. de acordo com seus precon- ceitos e tradições. a letra. tal qual o fizera ao tratar do filho da viúva de Naim e da filha de Jairo. Segui. quando diz: "Marta.

Ao ouvir dos enviados de Marta e Maria que Lázaro se acha enfermo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 638 sua missão terrena. pode ser dada a explicação. que ele veladamente pratica. ensinamentos também velados para os homens da época e que. Lázaro não tem que morrer. junta a esse ato.B. pois que só hoje. quando já vos encon- trais em condições de compreendê-la. para as gerações que haviam de suceder-se. Precisamente porque assim deve ser e assim vai ser. no entender destes. pre- cisamente porque os homens vão acreditar. diz Jesus: "Es- sa enfermidade não é mortal. para Je- sus. Assim. será apenas aparente. que Lázaro está realmen- te morto e que ressuscita pela ação podero- sa de Jesus e pela volta do Espírito a um . não vai até à morte. como acreditaram." Logo. Sua morte será real para os homens. segundo o espírito e em verdade. até aos dias de hoje. muito embora os homens venham a crer e creiam efetivamente que Lázaro mor- reu daquela doença. mas. velados se conservariam.J. ele na realidade não terá morrido.

a fim de que. diante dos homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 639 cadáver enterrado desde quatro dias. seja posto em evidência.B. ficou ainda dois dias no lugar onde se achava. Tendo ouvido dizer que este estava doente. e a fim de que. depois de ter dito: "Essa enfermi- dade não é mortal. o Cristo. Para os que só vêem a letra. cujo instrumento eu sou.J. para sua glória. amava a Marta. para que o filho de Deus seja por ela glorificado. para os que . assim. não vai até à morte". mediante o ato que vou executar. e a Lázaro. a Maria. enviado de Deus. eu seja glorificado por esse ato. o poder de Deus. a fim de que a missão que de Deus recebi seja reconhecida pelos homens e produza frutos." Quer isto dizer: Ela se manifesta unicamente a fim de que. a fim de que estes creiam que sou o Messias. isto é. é que o Mestre. sua irmã. Jesus. nos corações dos homens se desenvolva a fé que nele devem depositar. a- crescenta: "Ela é apenas para glória de Deus. diz o Evangelho.

J. Pois quê! "Jesus amava a Marta. oriundas da ami- zade. poden- do curá-lo. sabe que este se acha doente e. para junto do enfermo. Amava a Marta. amava-os principal- mente a título de ensino e de exemplo. porquanto ele é. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 640 tudo humanizam na missão de Jesus. Lázaro. a toda pressa. "o bom pastor". sua irmã. e a Láza- ro". assim como com o seu celeste enviado. isto deve parecer estranho.B. conforme sabeis. era um dos Es- píritos devotados que haviam encarnado para trazer o seu concurso ao desempenho da missão terrena do Mestre. do mesmo . é exato. mas. fica ain- da dois dias no lugar onde se encontrava! Jesus amava e ama a todos os homens. e a Lázaro. a Maria. essas re- lações que no seio da humanidade se consi- deram relações especiais. em vez de ir imediatamente. conforme o disse. para mostrar aos homens que os que caminham pelas sendas do Senhor onipotente se apro- ximam dele e com ele estabelecem. sua irmã. a Maria.

por esse motivo e com esse fim. ainda agora queriam os Judeus apedrejar-te e já falas em voltar para o meio deles! Jesus. as condições e o objetivo da missão de Jesus. Depois de.B." Eles. ter passado ainda dois dias no lugar on- de lhe fora comunicada a enfermidade de Lázaro.J. sempre velando o seu pensamen- . Jesus diz a seus discípulos: "Volte- mos para a Judéia. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 641 modo que Marta e Maria eram Espíritos que tinham encarnado para o assistirem e auxili- arem. para que o fato que ele ia produzir se verificasse nas condições previs- tas. que não percebiam as fases. como não compreendiam o motivo oculto que o induzira a demorar a sua partida. lhe disseram: Mestre. todas de molde a mais impressionar os homens. Jesus permaneceu ainda dois dias lá onde se achava.

sob o primeiro aspecto: "A minha missão não está determinada? Cada um dos atos que a ela se prendem não tem que ser praticado? Obrando. Se. segundo o espírito. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 642 to com a letra. responde: Não são doze as horas do dia? Aquele que anda de dia não tropeça. colocar-me-ia fora da minha missão e me afastaria do ca- minho. porque lhe falta a luz. porque vê a luz deste mundo.J. estas palavras figuradas tinham. porém. que é a minha luz. como im- porta que o faça.B. eu atendesse ao que dizeis. Mas. não me afasto do caminho. que é a luz sem a qual . o que anda de noite tropeça. Significavam. De conformidade com o seu pensamento. para que ela se cumpra. porque tenho a me esclarecer e guiar neste mundo a vonta- de de Deus. porque não mais teria a me guiar a vontade de Deus. um duplo sentido: exprimiam o que lhe dizia respeito pessoalmente e encerra- vam um ensinamento para os homens.

suporte as suas provas. seja em prova. tem a assistência dos bons Es- píritos que o Senhor lhe envia e é guiado. consciente ou inconscientemente. o que se afasta da linha das suas provas ou da sua missão cai. Mas. no correr da vida humana." Como ensino dado aos homens. não tem a vida humana seus limites e não é preciso que o homem.J. diz Jesus: "Nosso amigo Lázaro dorme. por efeito das influências más que o transviam. mas vou despertá-lo. por- que caminha nas trevas que lhe obscurecem a consciência. falado a seus discípulos. seja em missão. durante ela. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 643 nada posso fazer para executar a minha o- bra. ou à missão que lhe foi confiada." Depois de haver. ou desempenhe a sua missão? Aquele que.B. seja em expiação. pratica os atos que correspondem às provas que escolheu. "dessa maneira". pela influ- ência deles. queriam dizer: "Para todo e qualquer Espírito encar- nado. do so- .

e que é o seguinte: "Lázaro está morto. por vossa causa. o pensamento que. Jesus formulou a resposta que deu à pergunta dos discípulos. Jesus lhes exprimiu. será curado. visto que estes iam partilhar daquela opinião. como já o haviam feito com relação ao filho da viúva de Naim e à filha de Jairo." Jesus responde: "Lázaro está morto e eu folgo. dessa forma. estava morto e seu corpo já se a- chava depositado na gruta que lhe servia de sepulcro. despojando da letra o espírito.J. para os homens. mas para vós. relati- vamente a Lázaro. em seu nome. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 644 no. de não me haver achado lá. se ele dorme. De acordo com esta idéia.B." Quando ele isso dizia. Observaram-lhe os discípulos: "Senhor. Lázaro. como ." Veladamente. vos vimos tornar patente. a fim de que creiais. com esta opi- nião dos homens.

no sentido que dais a esta palavra. exa- tamente como a filha de Jairo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 645 para os outros homens. estareis todos crentes de que Lázaro morreu. não é mortal. quando che- garmos a Betânia. tomareis por uma ressurreição a volta da alma de Lázaro ao seu corpo. a fim de que creiais. Para mim. pois que. conforme eu já disse. como os outros homens. por efeito da qual crêem os homens que ele morreu. de não me haver achado lá. eu o acabo de dizer. que acreditas- tes achar-se morta. menos para mim." Tanto era esse o pensamento de Jesus que. Dorme. por vossa causa. visto ser neces- sário abalar os homens. de não me haver achado lá e foi para lá me não a- char que demorei dois dias. e ao túmulo. não vai até à morte. Possuídos dessa cren- ça. Está-o para todos. Vou despertá-lo e não ressuscitá-lo. Assim. essa enfermidade. que todos ." "Folgo por vossa causa.B. Não está morto. vós.J. ele dorme. acrescenta: "e eu folgo. logo depois de ter dito: "Lázaro está morto". porquan- to ele não está realmente morto.

e acreditareis que sou o Messias. portanto. a seus discípulos. isto é. julgaram que falara do sono ordinário. quando disse: Jesus falara da sua morte (da de Lázaro). o enviado de Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 646 consideram um cadáver sepultado há quatro dias. incapazes que éramos de encontrar . teve Je- sus por fim dizer e disse. o evangelista.J. o Cristo." Dando tal resposta a esta observação: "Senhor. eu inclusive. "Eu. na que haveis de desempenhar. claramente (se- gundo o espírito). tivesse consciência. como toda a gente. Na condição de encarnados. eles. se ele dorme. sem que destas. sob a influência espírita. porém. os apósto- los. entre- tanto. curar-se-á". exprimi. acreditareis na minha missão terrena e. a interpretação humana que deram àquele pensamento e àquelas palavras. João. sob a ins- piração mediúnica. os discípulos e as pessoas do povo.B. o pensamento que os homens atribuíram a Jesus e a suas palavras. aquilo em que eles iam crer. como cumpria que acon- tecesse.

todos acreditamos na morte real de Lázaro e numa ressurreição. tanto no caso o filho da viúva de Naim. contribu- indo para que a missão de Jesus fosse acei- ta e desse frutos de acordo com as condi- ções e as exigências do progresso da hu- manidade. Tinha que concorrer para a obra.B. . as aspirações e as necessidades de então e do porvir até aos vossos dias em que se abre a era da nova revelação. de modo considerável. E essa crença humana. porque era então necessária. senão como um milagre e que como milagre foi tido. quanto no da filha de Jairo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 647 a explicação da natureza e do caráter daquele ato. que ninguém podia compreender. do mesmo modo que havíamos crido e cría- mos em morte real e em ressurreição. porquanto o Mestre bem- amado tudo dispusera e salvaguardara.J. que Jesus não devia evitar se formasse. re- clamavam-na o estado das inteligências. visto servir àquele momento sem prejudicar o futuro.

conforme acabamos de fazê-lo. não vai até à morte. con- seguintemente. Se Jesus houvesse manifestado aos dis- cípulos todo o seu pensamento que. paten- teando a harmonia das suas palavras. a apreciação dos homens.J. por vossa causa. se destinava a ser interpretada ou segundo a letra. à observação dos discípulos: Se- nhor.B. Mas essa resposta. a fim de que creiais. como acabei de declarar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 648 Sim. e folgo por vossa causa. pois já vos declarei que a sua enfermidade não é mortal. ou se- gundo o espírito e em verdade. como todas as palavras do Mestre. de me não haver achado lá. Jesus res- pondeu: Lázaro está morto e eu folgo. para mim. a fim de que creais na minha missão e. afas- tava toda a aparente contradição entre elas existente. será curado. se ele dorme. na vossa e a desempenheis . dizendo-vos — Lázaro está morto — apenas exprimo a opinião. se houvesse dito: Lázaro está morto para os homens. para mim não o está. ele dorme e vou despertá-lo. o que vós mesmos ides crer. o que eles crêem.

J. por efeito dos estudos e das observa- ções realizados sobre o magnetismo huma- no e o sonambulismo e iniciando-vos na ci- ência espírita e nos segredos de além- túmulo vos tornou aptos a receber. para eles. entre- gue às interpretações humanas. pela revelação especial que vos trazemos em nome dele. Lázaro estava morto e não o estava para ele Jesus. porque e como. serviria à- queles tempos. pelos esforços e lutas do pensamento e com o auxílio do progresso dos Espíritos e da ciência. nem convinha que isso se desse. nem devia revelar os segredos espíritas a homens que ainda não estavam aptos a conhecê-los e a fazer deles bom uso. portanto. não era possível.B. para os homens. a única linguagem que lhes era e seria dado compreender durante séculos e que. pois que os discípulos não deixariam de lhe dirigir essa interpelação. conduzindo- os. ao contrário." Ora. sem prejuízo para o futuro. preparou. que ele. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 649 — teria tido que explicar também. em . Falou-lhes. Jesus não podia. a explicação. até à época da nova revelação que. nosso Mestre.

que lhe prendia o Espírito . em espírito e verdade. porquan- to ninguém mais. a explicação. nosso Mestre. há morte real. Lázaro estava morto para os ho- mens. A Ciência já tem. ou os a quem ele o houvesse dado. o laço que o con- serva preso ao cárcere de carne acaba por se quebrar e o corpo se torna materialmente morto. como sabeis. se o momento do seu regresso se retarda.B. das palavras que pronunciou e dos atos que obrou no curso da sua missão terrena.J. Sim. senão ele. dispunha do poder necessário a deter o Espírito de Lázaro. o Espírito retoma a sua vida primitiva. O laço fluí- dico do perispírito. Lázaro se achava em estado de catalep- sia completa desde muitos dias. o Es- pírito se afasta do corpo e. prestes a desferir o vôo para as regiões eté- reas. Só não o estava para Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 650 dele. compro- vado muitas vezes os efeitos de um estado prolongado de catalepsia. a vida espírita. Durante ele.

como reco- brou. para eles.J. para todos. . em conseqüência de já o não fortalecer a vitalidade da matéria. menos para Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 651 ao corpo. cada vez mais se dilatava e enfraquecia. o Espíri- to de Lázaro estava pronto a voltar ao corpo. pa- ra instantaneamente recobrar. facultando-lhes apreciar a ação poderosa da sua vontade.B. restituin- do-lhe a vida material. a força e a vitalidade que se achavam quase extintas. abandonado como fora. porque o laço que lhe prendia o Espírito ao corpo. graças aos fluidos que o penetraram. estava morto. necessi- tava da ação poderosa da vontade do Mes- tre. Lázaro. da atuação do seu poder magnético. Submisso e devotado. mas este. como o do filho da viúva de Naim e o da filha de Jairo. já era tão fraco que só a ação do Mestre podia reconduzi-lo à prisão. se bem exis- tisse ainda. Jesus aguarda esse limite extremo para mais fortemente impres- sionar os homens.

nem mentira. do estado real de Lázaro. a uma podridão. com estes. naqueles três casos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 652 Os que se agarram à letra não hesitarão talvez em dizer que negar a morte real de Lázaro. qual eles a entendem.B. os discípulos. por eles. acreditando- lhe na palavra. en- tendendo-se por isto a volta do Espírito a um cadáver. os evangelistas e todos os que. é acusar de trapaçaria e de mentira o Mes- tre. no sentido que dão a esta palavra. mas que Jesus nunca lhe deu. Quem ousaria manchar o nome de Jesus com se- melhantes vocábulos? Houve erro da parte dos homens. erro devido à falta de compreensão. como as do filho da viúva de Naim e da filha de Jairo.J. oculto sob as suas palavras. morte real e "ressurreição". do pensamento do Mestre. negar-lhe a "ressurreição". é acusá-lo de haver enganado os após- tolos. a multidão e. devido à incompreensão da natu- reza e do caráter do ato que praticou. Não houve trapaça. creram ter havido. idêntico aos do filho .

quando lhe fizeram esta observação: "Senhor. em virtude da interpretação que deram à respos- ta de Jesus aos discípulos: Lázaro está mor- to e folgo. não vai até à morte. as palavras do Mestre têm que ser apreendidas em seu conjunto. a fim de que creiais". Não perceberam que. nosso amigo Lázaro dorme. Jesus. dizendo: "Esta en- fermidade não é mortal. de não me haver achado lá. para serem devi- damente entendidas. Acreditaram na morte real de Lázaro. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 653 da viúva de Naim e da filha de Jairo. se ele dorme.J. tomando essas palavras ao pé da letra e isolando-as das que já proferira e das que acabava de pronunciar naquele mesmo instante. estabelecia uma limitação à resposta que deu aos discípulos.B. Não perceberam que. por vossa causa." . tendo em vista a inteligên- cia dos homens. por maneira a se conciliarem numa perfeita harmonia e não a se contradizerem. se curará. mas vou des- pertá-lo".

que já externara e acabava. Para mim. Jesus quis exprimir e exprimiu o pensamento." Não compreenderam que. está morto e morto vai ser conside- rado por vós. Os homens o julgam morto. a apreci- ação dos homens e não o seu próprio pen- samento. para os homens. em sentido contrário. sua enfer- midade não é mortal. Não compreenderam o motivo e o fim daquela resposta aos discípulos e das pala- vras que serviriam para torná-la compreen- sível em espírito e verdade. no sentido que os homens emprestam e vós mesmos emprestais a essa palavra. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 654 Foi como se dissera: "Lázaro. não vai até à morte. não mor- rerá desta enfermidade. porém. naquele momento. com o dizer: "Lázaro está morto". o estado das inteligências. Apenas dorme e vou despertá-lo e não ressuscitar. os . mas ele não o está. tendo-se em consideração as necessidades da época. as aspirações.B. ele não tem que morrer. de externar. a opinião.J. Para mim.

as puseram em contradição consigo mesmas. a interpre- tação humana de tais palavras. como falsa . Essa a razão de ser falsa. do Espírito da Verdade. da natureza e do caráter do ato que praticou com Lázaro e do estado real deste. O motivo e o fim que ditaram a Jesus aquela resposta se encontram no fato de que lhe cumpria aten- der àquele momento e preparar o futuro. e no de que lhe cumpria dispor tudo por forma que. que ele predisse e prometeu. chegados os tempos da revelação. os homens se apegaram à resposta de Jesus aos discípulos e. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 655 preconceitos e as tradições dos tempos de então e tendo-se em consideração também os meios e condições apropriados ao pro- gresso das gerações futuras. em espírito e verdade. da revelação atual. fa- zendo que sua missão terrena fosse aceita e frutificasse.J. mas de uma falsidade necessária. o conjunto de suas palavras oferecesse a ba- se. desprezando o conjunto de suas palavras.B. os elementos e os meios para a interpre- tação. Para crerem na morte real de Lázaro.

J. 33 e 34. de comprovada falsidade. XXIV. quando lhes a- cabava de explicar o fim do mundo e os si- nais da sua aproximação. curar-se-á". como não o era que revelasse o das que proferiu acerca do "fim do mundo". vv.) Não era oportuno nem conveniente que Jesus revelasse o sentido oculto de suas palavras na resposta que deu aos discípulos relativamente ao estado de Lázaro e a esta observação por eles formulada: "Senhor. Deixadas às interpretações hu- manas. . a interpretação da resposta que o Mestre deu ao que lhe perguntaram os discípulos." (Ma- teus. essas palavras estavam destinadas a ser entendidas. segundo a letra. primeiro. 3. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 656 foi. se ele dorme. Perguntaram-lhe nessa ocasião os discí- pulos: Dize-nos: "quando sucederá isso e quais serão os sinais do teu advento e do fim do mundo?" Jesus respondeu: "Em verdade vos digo que esta geração não passará sem que to- das essas coisas se tenham cumprido.B.

do ponto de vista da missão que lhes cabia desempenhar. sob a inspiração mediúni- ca. o que deviam dizer. podi- am suportar e do que. não procuravam ir além do ponto a que eram levados. Os e- vangelistas. os fatos. Instrumentos dóceis do Senhor. quando a revelação que ele predisse e pro- meteu as viesse explicar em espírito e ver- dade. Debaixo daquela influência e daquela inspiração. possuíam a fé simples. as manifestações espíritas. sob a influência espírita. como encarnados. como o fazem os vossos médiuns. Médiuns his- toriadores inspirados. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 657 para depois o serem segundo o espírito. dentro do quadro que lhe fora traçado. as que os . impor- tava que conhecessem. temendo transviar-se. compreendessem e ensinassem aos homens da época. empregando. das quais não tinham consciência. as palavras proferidas por Jesus. as palavras de que dispu- nham para relatar os fatos. cada um reproduziu.B. só disseram. Os discípulos não tinham que saber mais do que aquilo que.J. como os apóstolos.

o que diziam e faziam os homens. este: "Desta geração de Espíritos agora encarna- dos. suas opiniões. Fora mister pôr- lhes diante dos olhos a lei natural e imutável . Mas. porque eles não estavam aptos a receber essa reve- lação.J. expressão esta que. a suas palavras e a seus atos. segundo o espírito e em verdade. aos quais me dirijo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 658 homens lhe atribuíam. era.B. os segredos de além- túmulo. apreciações e interpretações relativas à personalidade do Mestre. que o sentido oculto das palavras: "Em verdade vos digo que esta geração não passará sem que todas essas coisas se te- nham cumprido". os atos por ele prati- cados. como também o sabeis. muitos haverá que viverão de novo sobre a Terra nos tempos preditos do fim do mundo". isso não era possível. como sabeis. Para explicar. tinha igualmen- te um sentido oculto que só a nova revela- ção tornaria compreensível em espírito e verdade — fora mister revelar aos homens os segredos espíritas. visto serem incapazes de suportá-la e de fazerem dela bom uso.

para isto. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 659 do renascimento. a fim de que creiais". curar-se-á". Mas. da reencarnação. misté- . contrário às condições e aos meios próprios ao progres- so da humanidade ainda durante longos sé- culos. se ele dorme.B. de não me haver achado lá. em resposta a esta observação dos discípulos: "Senhor. fora necessário que lhes revelasse uma série de mistérios. que eles não estavam aptos a compreender. não vai até à mor- te" e do que acabava de dizer: "Nosso amigo Lázaro dorme e eu vou despertá-lo" — fora preciso que o Mestre lhes explicasse a natu- reza e o caráter do ato que ia praticar e o estado real de Lázaro. por vossa causa. Do mesmo modo. o que então te- ria sido prematuro. resposta essa dada por Jesus em virtude do que antes dissera: "Esta enfermidade não é mortal. conforme já o temos dito e repetimos. que tinham de ignorar. o sentido oculto des- tas palavras: "Lázaro está morto e eu folgo. segundo o espírito e em verdade. em seus princípios e conseqüências.J. inoportuno. para explicar.

B. em virtude dos progressos da ciência. desempe- nhando a sua missão terrena. a revelação atual. conforme também já o dissemos e repetimos. Compreendam que Jesus. horizontes que eram sempre abran- gidos pelos pensamentos que lhe ditavam as palavras e os atos. até que. precursores da ciência espí- rita. dava aos ho- mens da época o que eles podiam suportar. capa- zes de receber e suportar a luz e a revelação espíritas e de receber. Aprendam os que se aferram à letra a conhecer os vastos horizontes do presente e do futuro que os olhares de Jesus descorti- navam. por lon- gos séculos ainda.J. Compreendam que a letra mata e que é o espírito o que vivifica. graças a essa luz e a essa revelação. os Espíritos se houvessem tornado. dos estudos e obser- vações sobre o magnetismo humano e o sonambulismo. no cadinho do tempo e da reencarnação. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 660 rios que deviam permanecer tais. velando-lhes pela letra o que não estavam .

meu irmão não estaria morto. de modo que cada época. Jesus lhe responde: "Teu irmão ressusci- . que tudo dispunha. tendo em vista o tempo da revelação progressiva. o sentido das palavras que o Mestre e Marta trocaram no colóquio que então tiveram. do Espírito da Verdade. que tudo dis- punha. tendo em vista as condições em que deveria efetivar-se o progresso da humanidade naquela ocasião e no futuro.B. Marta lhe saiu ao encontro." Marta crê que seu irmão está morto e tem que ficar nessa crença. pelo mesmo mo- tivo e com o mesmo fim que determinavam a necessidade de partilharem dela os discípu- los e toda a gente.J. diz ela. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 661 aptos a apreender segundo o espírito. segun- do o espírito e em verdade. se houveras estado a- qui. cada era tivesse o que com ela fosse compatível. que ele predisse e prometeu. "Senhor. Cumpre vos expliquemos. Ao chegar a Betânia.

porém. como Lázaro. com as suas impressões." Teu irmão "ressuscitará" no entender dos homens.B. tradições e preconceitos. que não vai até à morte. Nunca. depois de ocorrida a morte real. de acordo . para volver à vida corporal e de relação (já ele o havia dito a seus discípu- los). no sentido que os homens lhes atribuíam. num sentido oculto aos homens e em acepções diversas. no da volta do Espírito a um cadáver. as empregou. "todo aquele que. ou de dar um ensino. que o crêem morto. aos casos. "Teu irmão ressuscitará. conforme aos luga- res." Estas palavras — "ressuscitar" e "ressur- reição" — ele sempre as empregou figura- damente. pode desper- tar. às circunstâncias. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 662 tará. estando apenas a dormir. já o temos dito e repetimos. todo aquele que. do mesmo modo que ressuscita. de acordo com o estado de suas inteligências. conforme se tratava de uma morte aparente. se a- cha atacado de uma enfermidade que não é mortal. a uma podri- dão.J.

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 663
com o sentido que emprestam ao termo
"ressurreição". Também aos teus olhos ele
"ressuscitará", porquanto, como os demais,
tu igualmente o acreditas morto.
Ao espírito de Marta a resposta de Jesus
se apresentou com um duplo sentido, po-
dendo entender-se que ele se referia à "res-
surreição atual de um morto", ou à "ressur-
reição futura", no último dia.
Daí vem que ela hesita e que, não ou-
sando esperar a "ressurreição" atual de Lá-
zaro, que, a seus olhos, está morto, diz:
"Bem sei que ele ressuscitará na ressurrei-
ção que haverá no último dia."
O sentido que, em sua mente, Marta atri-
buía a estas palavras era idêntico ao que
lhes davam as crenças populares dos He-
breus e ao que elas têm, de acordo com a
idéia do juízo final, do ponto de vista católi-
co, que se originou daquelas crenças popu-
lares. Segundo estas, só era admitida, como
ressurreição dos mortos, a ressurreição
completa: do corpo e da alma e, ao que ge-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 664
ralmente se pensava, semelhante ressurrei-
ção não se poderia verificar "senão no fim
dos tempos predeterminados para duração
do planeta."
Era essa idéia que Jesus sem cessar
combatia, lembrando aos Judeus que só a
alma existe aos olhos de Deus; que a alma é
que é a criatura inteligente e responsável,
não passando o corpo de sepulcro onde ela
se encerra temporariamente. Notai ainda
que, muitas vezes, Jesus também fala alego-
ricamente da morte espiritual, aludindo às
encarnações materiais, que eclipsam toda
lembrança para o Espírito que as sofre.
Acabamos de dizer que as palavras de
Marta, as quais implicavam a crença na i-
mortalidade da alma, na sua sobrevivência
ao corpo, se baseavam nas idéias populares
dos Hebreus. Como sabeis, pois que o lem-
bramos ao comentar os três primeiros Evan-
gelhos, a crença na imortalidade da alma
não era geral entre os Judeus. Apenas certo
número deles a admitia, uns como hipótese,

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 665
outros como matéria de fé, outros ainda por
tolerância com as superstições populares.
Tal crença se espalhara, sobretudo, a partir
da época dos Macabeus, que a fizeram revi-
ver e a sustentavam. Mas, não constituía
ponto de fé.
Tendo dito Marta: "Sei que ele ressuscita-
rá na ressurreição que haverá no último dia",
Jesus lhe responde: "Eu sou a ressurreição
e a vida; aquele que em mim crê, ainda que
tenha morrido, viverá." E acrescentou: "E
todo aquele que vive e crê em mim jamais
morrerá. Crês isto?"
Duplo sentido apresentavam as palavras:
um, segundo a letra; outro, segundo o espíri-
to.
Tomando-as ao pé da letra, Marta com-
preendeu que Jesus aludia à ressurreição
atual daquele que, "morto", seria restituído à
vida e aludia também ao poder que, para
ela, ele se atribuía a si mesmo, de operar
uma tal ressurreição". Eis porque, respon-
dendo a esta pergunta do Mestre: "Crês is-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 666
to?" disse: "Sim, Senhor, creio que tu és o
Cristo, filho do Deus vivo, que vieste a este
mundo."
Aqui tendes, segundo o espírito, em espí-
rito e em verdade, o sentido daquelas pala-
vras figuradas, que só haviam de ser expli-
cadas e compreendidas, nos dias de hoje,
pela revelação atual: Jesus é "a ressurreição
e a vida", porque somente pela prática da
moral que ele pregou e da qual seus ensinos
e exemplos o fazem a personificação, é que
o Espírito chega a se libertar da morte espiri-
tual, assim na erraticidade, como na condi-
ção de encarnado.
Aqui tendes agora o que deveis entender
por morte espiritual para o Espírito errante:
O Espírito, quando se separa do corpo, volta
à vida clarividente que tinha antes de a este
se unir. Se, aos olhos de Deus, viveu na Ter-
ra como homem de bem, essa clarividência
se amplia cada vez mais, suas faculdades se
desenvolvem e pode dar-se, tais sejam seus
méritos, que ele se veja dispensado de voltar

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 667
ao vosso planeta, à Terra do esquecimento.
Se, pelo contrário, cada vez mais se atolou
no mal, sofrerá ainda, após a morte material,
a morte espiritual, isto é, sentirá em trevas a
inteligência, não lhe sendo permitido reco-
brar nem a memória do passado, nem a cla-
rividência do futuro, enquanto não adquira
melhores sentimentos.
Assim, na encarnação material, que tira
ao Espírito que a sofre a faculdade da lem-
brança, há para ele morte espiritual e morte
espiritual também há para ele se, ao sepa-
rar-se do seu corpo de carne, imerge nas
trevas da inteligência e fica impossibilitado
de recobrar tanto a memória do passado,
quanto a clarividência do futuro, até que nu-
tra melhores sentimentos.
Aquele que crê em Jesus, isto é, que pra-
tica a moral que ele pregou e da qual todo
homem tem no coração o sentimento instin-
tivo; aquele que crê em Jesus viverá, ainda
que para os homens esteja morto. Não so-
frerá a morte espiritual, pois que seu Espíri-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 668
to, após a do corpo material, volverá à vida
clarividente que tinha antes de encarnar e
essa clarividência cada vez se ampliará
mais, com o se lhe desenvolverem as facul-
dades.
Todo aquele que vive e crê em Jesus, is-
to é, que pratica, sem dela se afastar duran-
te a vida, a moral que ele pregou, não morre-
rá nunca, viverá eternamente. Quer dizer:
não tornará a experimentar a morte espiritu-
al, porquanto seu Espírito, uma vez que se
separe definitivamente do corpo de carne,
retomará a vida clarividente de antes da en-
carnação, recobrando a lembrança do pas-
sado e a visão do futuro. Não mergulhará
nas trevas da inteligência e essa visão se
dilatará cada vez mais, desenvolvendo-se-
lhe as faculdades. Ele se achará assim dis-
pensado de voltar ao planeta terreno, Terra
de esquecimento, e liberto das encarnações
materiais que obumbram a memória dos Es-
píritos que as sofrem.
Mas, repetimos ainda uma vez, por isso

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 669
que nunca será demais insistir neste ponto
capital, que Jesus, dizendo: "Aquele que em
mim crê" — "aquele que vive e crê em mim",
não tinha em mente ferir de "morte" os que
se não houvessem grupado em torno da sua
bandeira, tomando o título de "cristão".
Tal sentença fora uma monstruosidade
na boca do Mestre, que era o tipo de todas
as caridades. Aquelas palavras se subordi-
nam sempre à lei natural de amor, de frater-
nidade, de respeito ao Senhor, lei que toda
criatura traz escrita em seu coração e que se
traduz em atos correspondentes à inteligên-
cia do homem e ao meio em que nasceu.
É "cristão", quaisquer que sejam as suas
crenças, qualquer que seja o culto externo
que pratique, todo aquele que ama os seus
semelhantes, que procura fazer-lhes o maior
bem possível, que envida esforços por pro-
gredir e auxiliar o progresso de seus irmãos.
Esse é "cristão" segundo o Cristo, é "ove-
lha do bom pastor".

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 670
O Cristianismo, propriamente dito, tal
como em geral o ensinam, é um recinto aca-
nhado, ah! muito acanhado, para que possa
conter mais do que uma fração mínima da
humanidade. Tão acanhado ele é, que bem
se poderia dizer estar o universo inteiro con-
denado, se só fossem salvos os chamados
"cristãos".
O Cristianismo de Jesus é o Belo e o
Bem por toda parte onde exista, onde seja
praticado com desinteresse e por amor da
humanidade.
Maria, avisada por sua irmã, foi ter com o
Mestre no mesmo lugar em que esta o en-
contrara. Os Judeus que, em casa dela, lhe
faziam companhia a seguiram. E ela, ao a-
proximar-se de Jesus, disse: "Se estivesses
aqui, não teria morrido meu irmão."
Maria e os Judeus que a acompanharam
acreditavam que Lázaro morrera e por isso
choravam. Diz o texto evangélico que, vendo
as lágrimas que derramavam, Jesus "fremiu
em seu Espírito e se turbou"; que, em segui-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 671
da, inquiriu: "Onde o pusestes?"; que lhe
responderam: "Senhor, vem e vê"; que, en-
tão, ele chorou. Neste ponto a narração e-
vangélica refletiu e reproduziu, como neces-
sariamente havia de suceder, o que entre si
disseram os Judeus. Jesus, modelo de doçu-
ra e de amor, dava aos homens uma prova
da sua ternura e da simpatia que lhe inspira-
vam os sofrimentos humanos.
Não acrediteis que com a ruptura dos la-
ços que vos prendem à carne se quebrem
todos os da simpatia. Não vedes que os
bons Espíritos que vos cercam se afligem
com as vossas dores e rejubilam com as
vossas alegrias, dentro dos limites do que é
puro? Quão mais não se apiedará de vós
aquele que, por assim dizer, vos choca com
o seu amor, a fim de vos fazer divisar a luz
brilhante da pureza?
Jesus deixou ver aos que o cercavam a
parte que tomava na dor que os afligia, para
dar aos homens uma prova palpável da sua
ternura.

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 672
Ele bem sabia onde fora posto Lázaro.
Mas, naquela circunstância, como sempre,
era mister que, tendo em vista sua missão e
as conseqüências que esta devia produzir,
favorecesse a crença em a natureza humana
que lhe atribuíam, do mesmo modo que pre-
ciso era deixasse que todos cressem na
morte de Lázaro.
Foi ao sepulcro e quando disse, diante de
todo o povo que o rodeava: "Tirai a pedra",
Marta lhe observou: "Senhor, já cheira mal,
pois há quatro dias que está ai."
Ela se achava certa de que Lázaro mor-
rera. Não tendo ido à gruta que servia de
sepulcro ao irmão, a opinião que manifesta-
va nascia de uma presunção natural em face
do tempo decorrido desde o momento em
que se dera a morte aparente, mas por ela
considerada real, de Lázaro. Tanto assim
que pudera dizer: "há quatro dias que está
aí."
Atacado de uma enfermidade pútrida,
Lázaro, antes mesmo que seu corpo fosse

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 673
depositado na gruta, já exalava um odor de
putrefação, que naturalmente se conservara,
uma vez que o corpo permanecera no mes-
mo estado até ao momento em que Jesus
exerceu sobre ele a sua ação.
Não cheirava mal, no sentido em que
Marta o dizia, isto é, não tinha o odor pútrido
que se desprende de um cadáver.
Não tendo havido morte real, não havia a
decomposição que lhe é conseqüente. Co-
mo, porém, Lázaro, pela natureza da sua
enfermidade, já cheirava mal, antes mesmo
que para Marta e Maria houvesse morrido,
antes mesmo que lhe depositassem o corpo
na gruta, aquela sua irmã, imaginando qual
fosse o estado deste, atenta a época em que
ocorrera a morte, que para ela era real, de-
duziu naturalmente que já devia haver bas-
tante pronunciado odor de cadáver. Daí o
dizer: "Ele já cheira mal, pois há quatro dias
está aí."
Jesus lhe respondeu: "Não te disse eu
que, se creres, verás a glória de Deus?"

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 674
Como conseqüência das palavras que
ouvira do Mestre, quando antes lhe havia ido
ao encontro, palavras que ela tomou ao pé
da letra, para Marta, isto que Jesus lhe aca-
bava de dizer significava, também segundo a
letra: "Não te disse eu que, se creres na mi-
nha missão e no poder que recebi de Deus,
como seu enviado, verás "ressurgir", pela
ação desse poder, teu irmão que está mor-
to?"
"Segundo o espírito, porém, e em verda-
de”, o pensamento de Jesus, velado pela
letra daquelas palavras dirigidas a Marta e
que importa não sejam separadas das que
dirigiu a seus discípulos antes de partir para
Betânia, era este: Conforme declarei a meus
discípulos, Lázaro dorme, mas vou despertá-
lo. Sua enfermidade não é mortal, não vai
até à morte, Ela é apenas para glória de
Deus, para que seu filho seja por ela glorifi-
cado. Ela é apenas para que, diante dos
homens e mediante o ato que vou praticar,
seja posto em evidência o poder de Deus, de
quem eu sou instrumento. Ela é apenas para

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 675
glória de Deus, para que, desenvolvendo
nos corações humanos a fé nele, os ho-
mens, que crêem estar Lázaro morto e vão
crer que eu o ressuscitei, conforme enten-
dem a ressurreição, também creiam que sou
o Messias, isto é, o Cristo e reconheçam a
minha missão e esta dê frutos. Verás, assim,
a glória de Deus, isto é: verás o ato que vou
praticar e verás que, por efeito desse ato, os
homens que, como tu, crêem estar Lázaro
morto, crê-lo-ão, como tu, ressuscitado e,
como tu, terão fé em Deus e acreditarão,
como tu o acreditas, que sou o Cristo, o filho
do Deus vivo, que vim a este mundo."
Tirada que foi a pedra, Jesus sancionou
o sentido, segundo o espírito, do que dissera
a seus discípulos e proclamou ao mesmo
tempo o motivo e o fim do ato que ia execu-
tar. Volvendo o olhar para o alto disse: "Meu
pai, eu te rendo graças por me teres ouvido,
por se ir realizar este ato da minha missão.
Eu bem sabia que sempre me ouves, que a
minha missão se há de cumprir, em todos os
seus pontos, tal como tu ma deste; mas, falei

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 676
assim por causa do povo que me cerca, para
que todos creiam que tu me enviaste."
Disse depois, em tom enérgico: "Lázaro,
sai para fora." No mesmo instante Lázaro
saiu, trazendo os pés e as mãos ligados por
ataduras e o rosto envolto num lenço. Orde-
nou então Jesus aos que o cercavam: "De-
satai-o e deixai-o ir."
A morte de Lázaro, considerada real pe-
los homens, como a do filho da viúva de Na-
im e a da filha de Jairo, fora apenas aparen-
te.
Certamente, sem a intervenção de Jesus,
ela se houvera tornado completa, em conse-
qüência do esgotamento da força vital no
corpo, por efeito da enfermidade. Porém, até
ao momento em que Jesus interveio, o Espí-
rito não abandonara totalmente o invólucro
material; achava-se ligado a este por um fio
tenuíssimo, que se poderia comparar a uma
tira finíssima de borracha esticada até ao
ponto de estar quase a rebentar. Jesus
chamou o Espírito e este voltou para a sua

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 677
prisão, cheio de alegria, porque dessa forma
servia à grande obra que o Cristo empreen-
dera. Ao mesmo tempo que chamava o pri-
sioneiro, o Mestre reparou o cárcere onde
aquele ia meter-se de novo. Houve, portanto,
ação magnética sobre o corpo, para lhe res-
tabelecer a saúde e, debaixo da influência
magnética, ação espiritual sobre o Espírito
de Lázaro para, pelo encurtamento do cor-
dão fluídico, reconduzi-lo ao envoltório de
carne.
Explicando os fatos ocorridos com o filho
da viúva de Naim e com a filha de Jairo, dis-
semos e aqui repetimos: Deus jamais força o
Espírito a se unir à podridão. Sua vontade
imutável jamais derroga as leis naturais que
a sua sabedoria estabeleceu desde toda a
eternidade. O Espírito que, em conseqüência
de morte real, abandonou inteiramente o
corpo, que se tornou assim um cadáver, por
se haver dele separado o Espírito com o seu
perispírito, não mais pode volver à vida cor-
poral, senão por meio da reencarnação.

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 678

CAPÍTULO XI
Vv. 46-57

Informados do que acabava de passar-se
com relação a Lázaro, os príncipes dos sa-
cerdotes e os fariseus se reúnem em conse-
lho, com o fim de descobrirem maneira de
dar morte a Jesus. — Palavras de Califás

V. 46. Alguns deles, porém, foram ter
com os fariseus e lhes referiram o que fizera
Jesus. — 47. Então os pontífices e os fari-
seus se reuniram em conselho e diziam: Que
faremos nós, visto que este homem opera
muitos milagres? — 48. Se o deixamos con-
tinuar, todos crerão nele e virão os Romanos
e nos tirarão o nosso lugar e a nossa nação.
— 49. Mas, um deles, chamado Caifás, que
era pontífice naquele ano, lhes disse: Nada
sabeis — 50, nem considerais que mais vos
convém morra um só homem pelo povo do
que perecer toda a nação. — 51. Ora, ele
não disse isto de si mesmo; como era pontí-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 679
fice naquele ano, profetizou que Jesus havia
de morrer pela nação dos Judeus; — 52, e
não só por essa nação, mas também para
reunir e unificar os filhos de Deus que esta-
vam dispersos. — 53. E desde aquele dia
não pensaram senão em encontrar meio de
lhe darem a morte. — 54. De sorte que Je-
sus não mais se apresentava em público
entre os Judeus e se retirou para uma terra
vizinha do deserto, para uma cidade chama-
da Efrém e aí ficou com seus discípulos. —
55. Estando, porém, próxima a Páscoa dos
Judeus, muitos daquela região subiram a
Jerusalém antes da Páscoa, para se purifica-
rem. — 56. E procuravam a Jesus, dizendo
uns aos outros no templo: Que pensais de
não ter ele vindo neste dia de festa? — 57.
Mas, os pontífices e os fariseus haviam dado
ordem que, se alguns soubessem onde ele
estava, o denunciassem para que fosse pre-
so.

N. 37. Estes versículos são perfeitamente
compreensíveis.

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 680
Só temos que vos chamar a atenção para
os temores manifestados pelos sumos sa-
cerdotes e pelos fariseus, para as palavras
de Caifás e ainda para as reflexões, para o
comentário que o evangelista expende a
propósito dessas palavras.
Ao ver dos Judeus, se Jesus continuasse
a sua obra, acabaria reunindo sob o seu es-
tandarte todo o povo de Israel e libertando-o
da dominação romana. Essa a opinião cor-
rente. Ora, entendendo, como os Judeus de
mais elevada categoria, que a nação seria
incapaz de levar a efeito a sua libertação,
Caifás propôs que se sacrificasse aquele
pretenso libertador, para salvar o resto do
povo, que corria o risco de ser esmagado
pelas legiões romanas.
Assim foi que, tendo em vista os interes-
ses materiais e de ocasião da nação judia,
ele profetizou, sobre a missão de Jesus e
sobre as conseqüências que ela havia de
produzir, dizendo: "Não considerais que
mais vos convém morra um só homem pelo

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 681
povo, do que perecer toda a nação."
Ora, observa João, ele não dizia isto de
si mesmo. Caifás, com efeito, não pronun-
ciou essas palavras de si mesmo; fê-lo por
inspiração, sem que desta tivesse consciên-
cia. Estava na situação de muitas pessoas
que julgam falar sempre por impulso próprio,
mas que de fato receberam a inspiração e a
esta ficam sujeitas. Para Caifás, Jesus devia
morrer, a fim de que a nação se salvasse, a
fim de que sua morte, do ponto de vista em
que ele, Caifás, se colocara, obstasse a que
o povo corresse para a sua própria perda,
revoltando-se contra a dominação romana.
Segundo o espírito que presidira à inspi-
ração, aquelas palavras de Caifás tinham um
sentido profético e um alcance que João,
debaixo da influência espírita e da inspiração
mediúnica, mas sem ter delas consciência,
põe em relevo, fazendo ressaltar que se a-
plicam à missão do Cristo relativa ao gênero
humano.

— Os Judeus deliberam dar morte a Lázaro V. 1. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 682 CAPÍTULO XII Vv. Maria. Então. onde morrera Lázaro. — 2. Seis dias antes da Páscoa. 1-11 Maria perfuma os pés de Jesus. veio Je- sus a Betânia. Judas Iscariotes. tomando de uma libra de perfume de nardo puro. — 4.B. — 3. mas porque . a quem ele ressuscitara. En- tão. Isto disse ele. e a casa se encheu do cheiro do perfume. observou: — 5. o que o havia de entregar. não porque se preocupasse com os pobres. Porque não se vendeu este perfume por tre- zentos denários e se não deu esta soma aos pobres? — 6. um dos discípulos.J. Deram-lhe aí uma cei- a. ungiu os pés de Jesus e lhos enxugou com seus cabelos. Marta servia e Lázaro era um dos que es- tavam à mesa com ele. muito precioso. — Murmu- ração de Judas.

Pois muitos Judeus. também ao ver . era quem trazia o que nela se deitava. se a- fastavam deles e criam em Jesus. as palavras de Judas e as de Jesus (vv. enquanto que a mim não me tereis sempre. o embalsamamento. em o n. Grande multidão de Judeus logo soube que ele ali estava e lá foram. N. os príncipes dos sacerdotes assen- taram matar igualmente a Lázaro. que ela guar- dou isto para o dia da minha sepultura. Por isso. 1-9). senão também para verem a Lázaro. Já vos demos. que ele ressuscitara dentre os mortos. e à ceia em que. 283. — 10. as explicações neces- sárias sobre o ato de Maria. do 3º tomo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 683 era ladrão e. Je- sus lhe respondeu: Deixai-a. no entender dos homens.J. — 8. que. "morrera" e "res- suscitara".B. — 9. — 11. — 7. por causa deste. págs. Reportai-vos a essas explicações. 38. Pobres sempre os tereis convosco. o perfume. sendo o portador da bolsa. Quanto ao que se vos diz de Lázaro. não só por sua causa. 384-387.

Sendo de ínfima condição na sua maioria. pois. que teriam podido fazer em favor de Jesus? Se houvessem feito uma demonstra- ção qualquer. Seguiram. sem provocarem complicações desastrosas. enquanto teve que recear da cólera imediata dos ini- migos encarniçados do Mestre. dada a intenção que os príncipes dos sacer- dotes haviam manifestado de fazê-lo morrer. por ocasião do sacrifício do Gólgota. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 684 dos homens. mas sem procurarem opor-se ao seu desdobramento. Nada há nisso que vos deva causar es- panto. as peri- pécias daquele drama sublime.B. já recebes- tes igualmente todas as explicações. ele se conservou afastado. teriam aumentado o ódio de que ele era objeto.J. Jesus tomara parte. Há quem tenha dito que. Como a maioria dos que acompanhavam a Jesus. todos os doentes que Jesus curara em tão grande número e todos os que lhe seguiam desapareceram. Perguntareis o que foi feito de Lázaro.

Quanto à história deles.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 685 Esse não era o papel que lhes cabia de- sempenhar. Uma vez. consumado o sacrifício. que necessidade havia de que fosse transmitida à posterida- de? Ela se confundiu e perdeu com a de to- dos os primeiros apóstolos da fé. . quando a doutrina do Mestre co- meçou a formar escola.J. que viviam para e por Deus. porém. ei-los que vieram grupar-se em torno dos discípulos e constitu- ir o núcleo dos primeiros cristãos.

como rei de Israel! — 14. mas. tendo achado um jumentinho. — 13. Os discípulos a princípio não deram atenção a isso.—16. grande multidão de povo. que viera à festa. 12. "Não te- mas. — 17.J. clamando: Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor. tomou ramos de palmas e saiu ao seu encontro. filha de Sião. montou nele. 12-19 Entrada de Jesus em Jerusalém V. tendo ouvido di- zer que Jesus ia a Jerusalém. conforme está escrito: — 15. quando Jesus entrou na sua gló- ria. Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 686 CAPÍTULO XII Vv. E o grande número dos que se achavam com ele quando chamou a Lázaro do sepulcro e o ressuscitou dos mortos dava . então se lembraram de que essas coisas estavam escritas a seu respeito e que o que com ele tinham feito era o cumprimento de- las.". eis que aí vem o teu rei montado num filho de jumenta. No dia seguinte.B.

N.J. os três outros evangelistas. haviam relatado com minúcias. Reportai-vos ao que a esse respeito já vos dissemos (3° tomo. págs. Foi isso também o que fez que o povo lhe viesse ao encontro: é que ouviram dizer que ele operara esse mi- lagre. 235-241)." Estas palavras significam: "Quando Je- sus volveu à natureza espiritual que lhe era própria.B. Eis que todo o mundo o segue. A narrativa de João é um resumo dos fatos que seus irmãos em Deus." As vossas traduções teriam dito melhor: "Voltou à sua glória. Disseram então os fariseus en- tre si: Vedes que nada aproveitamos. quando Jesus entrou na sua glória. — 18. — 19." . relativamente à entrada de Jesus em Jerusalém. 39. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 687 testemunho dele. a propósito destas palavras do v. 16: "Mas. Uma única observação nos cabe aqui fa- zer.

entre os que tinham vindo pa- ra adorar no dia da festa se achavam alguns Gentios.J. a fim de vos dar- mos sobre eles explicações distintas e espe- ciais. obedecendo à ordem dos pensamentos. 40. e lhe fize- ram este pedido: Senhor. na Galiléia. 20. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 688 CAPÍTULO XII Vv. N.B. — 22. de quem aqui se fala como tendo vindo para adorar no dia da fes- ta. 20-26 Alguns Gentios querem ver a Jesus. — Pa- lavras suas nessa ocasião Separai estes versículos. Os Gentios. Filipe foi dizê-lo a André e os dois o disseram a Jesus. — 21. Chamavam-lhes Gentios por se- . Ora. V. que era de Betsaida. os quais se dirigiram a Filipe. quiséramos ver a Jesus. eram estrangeiros recém-convertidos ao Judaísmo.

idólatras. sub- metido a uma ordem de crenças e cultos diferentes dos de que devia partilhar. alegando que o Espíri- to. escolhe o meio onde deva viver. com efeito. as crenças e os cultos a que de- va submeter-se. que não percebiam haver mais mérito em fazer a escolha do bem. ao passo que aquele que se colocou em um meio adiantado e que voluntariamen- te permanece no statu-quo. Mes- mo passados séculos.B. Assim é. esse não cum- . por provação. progredindo ele próprio. os convertidos eram considerados abaixo dos legítimos filhos de Israel. sempre tendo em vista fazê- los progredir. aquele que.J. desde que logre emanci- par-se de tal meio. do que em ado- tá-lo inconscientemente. quando a carne lhe obscurece a visão espiri- tual. Mas. diverso do em que deveria viver. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 689 rem ainda tidos como infiéis. antes de encarnar. tem o mérito da iniciativa. dessas crenças e cultos. Atendamos previamente a uma objeção que se pode formular. procurou encarnar num meio mau.

orientando-vos de modo a não per- derdes jamais de vista a estrela polar — Deus. Buscai sempre o que possa desenvolver e engrandecer a vossa inteligência. As obrigações da humanidade estão sempre em relação com as faculdades humanas. O progresso é proporcionado sempre ao grau da inteligência. Deus não exige que o Caledônio tenha seus Vicente de Paulo. Relativamente à sua condição.B. Entrai com ousadia em todas as sendas que diante de vós se abram.J. mas exige dele que não exagere os sentimentos brutais que o animam. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 690 pre seus deveres e falta às suas obrigações. mas entrai como viajor prudente. sondando o terreno ao vosso der- redor. O selvagem que poupa a vida a um ini- migo faz tanto quanto o homem civilizado que sacrifica vida e fortuna para salvar um irmão. que não seja feroz pelo prazer de o ser. Tudo é proporcionado. meta que deveis atingir. o sa- crifício do primeiro é tão grande. repetimos. senão mai- .

e principalmente nos tempos da era nova que agora se inicia. Jesus lhes respondeu: chegada a hora em que o filho do homem será glorifica- do. mas que os homens considerariam real.B. pelo . e o progresso guarda proporção com o sacrifício. como meio e condição de progresso da humanidade terrena. pelos seus ensinamentos e exemplos. sob a bandeira que tem por exergo — Amor e Caridade — mediante a prática da moral pura que ele pregou e que. Judeus e Gentios. aludia ao sacrifício do Gólgota. personificou. 23. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 691 or que o do segundo. por efeito da sua missão terrena. en- tão e de futuro. fica só. Jesus. Aludia à necessidade da sua morte apa- rente. se o grão de trigo. em verdade vos digo que. se morre. congregando todos os homens. — 24. mas. produz muito fruto.J. não morre. V. cujo momento vinha próximo e aos frutos que daria. que cai na terra. Em verdade. que tinha de ser. com isso.

um privile- . para isso. no Universo. preparada e conduzida à nova revelação. que é a aurora do advento do espírito.J. tem que sofrer as transformações necessárias. se ele não houvesse dado o exemplo dessas virtudes que viera impor aos ho- mens? Se não houvera sofrido. suas exortações à renúncia. por natureza. A semente produz o fruto. todos teriam dito: "Que lhe custava fazer o bem. ao amor. sem uma cau- sa primária. Nada existe. o sacrifício de Jesus não po- dia dar frutos senão depois que se houvesse consumado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 692 reinado da letra.B. se o sacrifício o não comple- tasse? Que força teriam tido suas palavras. ao devota- mento. ser puro e virtuoso? Não era. Então e até aos tempos da revelação a- tual. para o homem. Igualmente. mas. que teria sido o exemplo da sua vida.

o que não se dava com a sua. ó homens. que não compre- endeis nem admitis senão o que afeta a vos- .J. pois que não era da mesma natu- reza destes." Jesus não pode ter sofrido! Que sabeis a esse respeito. e que o homem está adstrito a uma vida que doloroso lhe é deixar. a incerteza da sorte futura. sua morte não são mais do que uma fantasmagoria insultuosa para a humanidade. suas dores. Sua passagem pela Terra. superior a todos os demais ?" A revelação da sua origem não poderá servir de pretexto para que se lhe neguem o sacrifício e os méritos. quando sabe que a ma- téria humana está condenada à sensibilida- de exterior.B. por sua essência. há. suas privações. sofrimento que não era possível expe- rimentar. tanto mais quanto. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 693 giado? Não era. para ele. ainda. que ele convida a lhe seguir as pegadas. além do sofrimento. não e- xistia. embora alguns ou- sem dizer: "Ele não pode ter sofrido como os homens. incerteza que.

naqueles a quem mais amor tendes do que a vós mesmos? Vós todos. o fundo de vossas al- mas. com sinceridade. que recusais valor ao sacrifício de Jesus. que não vos encontrais domi- nados pelo egoísmo. perecível como os vossos. ou suportar o desespero de testemu- nhar a ingratidão. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 694 sa matéria.J. Que preferiríeis: suportar a tortura do corpo. o crime. abri os vossos próprios corações e perscru- tai. mães. quais não são os vossos sofrimentos quando vedes aqueles a quem fizestes objeto do vosso mais terno amor vos repelirem com desprezo e vos atirarem pedras? . a negrura d'alma. pais.B. que tendes por insignificantes os sofrimentos morais. cria- turas humanitárias que considerais todos os homens como vossos irmãos bem-amados. filhos. não obstante alguns de vós os terem rudemente suportado. e que não percebeis até que ponto excedem aos sofrimentos físicos! O vós. por não se achar ele revestido de um corpo de carne.

vítima voluntária do amor que consa- gra aos seus protegidos — os homens da . porque não era da natureza destes! Não. Eis por que vos dizemos que Jesus. inaudita. para vós. sus- cetível de receber impressões exteriores que repercutiam no moral com violência. porque. efetivamente.J. seus sofrimen- tos não terão sido superiores aos da huma- nidade terrena? Seu corpo fluídico. Entretan- to. porém. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 695 Jesus não pode ter sofrido como os ou- tros homens. tangível e visível para os homens. as sensações que recebia nenhuma relação tinham com a im- pressão dolorosa que causam a amputação de um membro.B. não era suscetível de experimentar a dor materi- al. a contusão numa parte qualquer do corpo humano. por serem de outra ordem. de natureza perispirí- tica. a sua natureza não era idêntica à dos outros homens e por isso ele não sofreu da maneira por que sofrem os habitantes materiais do vosso planeta inferior. Era.

levado a certo ponto. ao ponto de causar a sua decompo- sição? Não vedes muitas vezes a intranqüili- dade. Para o avaliardes. sofreu violentamente.J. quando elas vêem os que são objeto da sua mais terna afeição alvo da perseguição ou da calúnia. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 696 Terra. esse sofrimento moral que atinge as proporções materiais do sofrimento do cor- po. a aflição. a profundeza do golpe que rece- bem quando lhes chega uma notícia má. não as ultrapassa até? Não lhe altera os órgãos. as torturas por que as fazem passar a ingrati- dão. esforçai-vos por per- ceber as sensações que certas naturezas de escol experimentam quando as punge uma dor moral. a maldade. no sentido de que produzem nos seus organismos estragos a que elas não podem resistir? E ainda vos recusareis a . a consumição lhes acarreta- rem a morte. se bem não sofresse do ponto de vis- ta carnal. Não prefeririam essas almas sensíveis uma dor material ao contínuo sofrimento mo- ral que as despedaça? E.B.

Não digais: "Para que serve um sacrifício imaginário?" Seu sacrifício foi real e tanto mais real. tão covardes. A sua solicitude por todos vós não data do momento em que ele surgiu entre os Ju- deus. Os sofrimentos morais de Jesus estão em relação com a carência de esforços da vossa parte. para corresponder aos seus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 697 reconhecer que certos sofrimentos morais são verdadeiramente intoleráveis? Quais não seriam os sentimentos de Je- sus para convosco? Quais não terão sido a sua mágoa. desagregando-se do turbilhão ardente onde se achava integrado. se constituiu mo- . vendo-vos tão ingratos. quanto só o espírito é capaz de sentir sofrimento. O sacrifício a que se votou dura ainda e durará até que haja reu- nido todas as suas ovelhas sob as dobras do seu manto protetor.J. tão culpados? Ele sofria e ainda sofre. a sua tristeza.B. mas do instante em que o globo terrá- queo.

Desde então. impulsionado. tem sempre. apelos instantes. ao arrependi- mento e ao progresso. e sempre a mesma e tal se . o pro- gresso em todos os reinos da natureza. pelo progresso dos princípios espirituais. de Espíritos sempre superiores às massas humanas e incumbidos de dar- lhes o impulso.J. ele os fez progredir até ao ponto de se individualizarem. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 698 rada para essências espirituais destinadas a percorrer as fases do seu desenvolvimento. a todos os que lhe estão confiados. Sua solicitude foi sempre máxima. Desde então.B. sobre toda a superfície do planeta terreno. então em sua origem. cujo grau de culpabilidade lhes impunha essa prova- ção rude. tendo conduzi- do ao mesmo tempo o planeta à condição de uma terra primitiva. apropriada ao apareci- mento do homem e preparada para a encar- nação humana de Espíritos falidos. mas necessária. mediante a encarnação. entre os homens. sem cessar. solidário e em correlação com o da matéria. tem ele feito. Trabalhando sem descanso desde ali. e que cada vez mais se repetirão.

de suas expia- ções. Como se pode dizer: "A matéria humana está adstrita a uma vida que lhe é tanto mais doloroso deixar quanto. ainda há. o meio de um novo progresso? . então.J. mais do que uma veste temporária. de seu progresso? que a morte. a incerteza da sorte futu- ra. rebaixar Jesus ao vosso nível. para o Espírito. o instrumento de suas provas. para ela. é apenas uma libertação. so- frimento que lhe não era possível experimen- tar?" Pretendeis. que ainda vos não permitiu compreender que o corpo não é. para o Es- pírito. além do sofrimento. porquanto lhe restitui a liberdade.B. ó homens. ao nível da vossa infe- rioridade moral. incerteza que para Jesus não existia. enquanto não houverdes atingi- do as regiões superiores a que deveis aspi- rar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 699 conservará. a fonte. tal como é restituída ao prisioneiro para quem se abrem as portas do cárcere onde fora metido? que a morte é ao mesmo tempo o começo.

de natureza perispirítica. Ele tinha a consciência exata da sua origem. Conhecia de antemão os resultados que conseguiria e seus caridosos esforços visa- vam mais as gerações futuras do que as da época.J. sobretudo o homem material. quando vê aproximar-se a morte. Nenhum desfalecimento sentiu no momento do sacrifício do Gólgota. . Não sofreu os terrores e as aflições que assaltam o homem. que de si mesmo a deixava. para Jesus. nenhuma incerteza havia quanto à sorte futura. em cumprimento da missão terrestre que Deus lhe confiara. a certeza do futuro. para tirar-lhe a vida da matéria. sempre Espírito sob o invólucro fluídico. que lhe fora grato a todo transe conservar. que tinha o poder de a deixar e de a retomar. Disse ele que ninguém lhe tirava a vida no Calvário. que tomara e que fizera tangível para ser percebido dos homens. puro Espírito. por- quanto descera ao meio dos homens para lhes ensinar a viver e a morrer com o objeti- vo do progresso do Espírito. Deste ponto de vista foi que ele tudo obrou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 700 Não.B.

de acordo com o uso que do livre-arbítrio façam os homens. dando a cada época. seus desfale- cimentos e suas resistências mesmas. presidin- do ao progresso dos homens. conforme o exi- jam as necessidades e faculdades de cada época. a cada era o que lhe é possível com- portar. conduzindo as gerações humanas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 701 A passagem de Jesus pela Terra teria si- do uma fantasmagoria insultante para a hu- manidade! Reflitam os que se vejam tentados a usar de semelhante linguagem e elevem-se pelo pensamento acima do nível inferior em que ainda se encontram suas inteligências. sen- do sucessivas e sempre progressivas. de cada era. em sua marcha ascensional. obscurecendo-as. e compreenderão os vastos de- sígnios da Providência com relação à huma- nidade e ao planeta terrenos. Compreenderão que as revelações. en- faixadas pela matéria que. as transvia. Compreende- rão a sabedoria infinita do Senhor.B. de acordo com suas oscilações.J. são .

que vem explicar segundo o espírito. incumbidos de as impulsionar. preparando os caminhos para o segundo advento de . que cada uma dessas revelações produz seus frutos. às aspirações da época. superiores às massas humanas. Compreenderão que cada uma das que se têm verificado.J. a era nova que diante de vós se abre vai ter seus primeiros anos messiânicos pela encarnação de Espíritos em missão. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 702 apropriadas. entregue às interpretações humanas sob o império da letra. supe- riores relativamente às massas humanas e encarregados de as impelir. a do Espírito da Ver- dade. em espírito e verdade. tinha que preparar e preparou o advento da que Jesus predisse e prometeu. que as coisas se passam de tal modo que cada revelação prepara a que se lhe há de seguir e é expli- cada pela que se lhe segue. ao estado das inte- ligências. às ne- cessidades dos tempos. assim como as missões e os acontecimentos culminantes nelas. as que a precederam.B. por meio da encarnação de Espíritos. a atual. Assim.

extra-humanas. Obser- vai a marcha dos acontecimentos e as inter- pretações humanas a que eles.B. consultai a História da vossa humanidade e observai o meio em que sur- giu cada uma das revelações que lhe hão sido dadas. as profecias e a revelação moisaica deram lugar. do Cristo. vede como ele foi previsto e preparado por Moisés e pelos profetas. Observai a marcha que seguiu a revelação feita por intermédio de Moisés e dos profetas de Israel. Atentai no advento do Messi- as. o Espírito da Verdade.J. por ele predito e prometido. seu desenvolvimento e suas fases. de Jesus que é. aten- tai na maneira e nas condições em que se verificou o aparecimento do mesmo Messias. por si só. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 703 Jesus. Ó homens. até à . tendo produzido essa dupli- cidade de aspectos o véu da letra com que aquele aparecimento foi anunciado. visto trazer consigo o complemento e a sanção da verdade. notai que apareceu sob duplo aspecto: com uma natureza e uma origem humanas e com uma natureza e uma origem "milagrosas".

como condição e meio indispensáveis ao progresso da huma- . Atentai no advento. os atos. Apreciai a reve- lação que o anjo fez a Maria e a José e que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 704 aparição de Jesus na Terra. apreciai-lhe as palavras. ligando-se à que a precedeu.B. antecede e anuncia aquela aparição.J. predito e prepara- do. Atentai em tu- do isso e compreendereis que o que suce- deu tinha que suceder. sujeita aos esfor- ços e lutas do pensamento e das interpreta- ções humanas. Observai o meio em que Je- sus apareceu para cumprir a sua missão terrena. desen- volvendo-se e percorrendo as suas diferen- tes fases. do "Espírito da Verdade". até ao presente. a marcha dos acontecimentos e das interpre- tações humanas a que estes e aquelas pala- vras e atos deram origem. mesmo enquanto durou a sua missão e depois até aos dias de hoje. Notai que essa revelação se conservou secreta durante a missão terrena de Jesus e até que chegasse o momento oportuno de ser divulgada. de espalhar-se no seio das massas populares. a fim de produzir os devidos frutos.

que é obra sua. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 705 nidade e compreendereis que soou a hora da revelação atual. a sua missão entre Espíritos desen- carnados do vosso planeta. para. progride fora do corpo material. Conseguinte- mente. tem que seguir o seu ca- minho ligado ao corpo terrestre. É uma das condições do seu progresso. em estado de liberdade. purificados e em plena via de progresso.J. os meios que se lhe proporcionam para realizar esse progresso são de nature- za a só poderem ser por ele utilizados na condição de encarnado. é certo. O Espírito. Jesus não podia desempenhar. O Espírito que faliu. É essa uma lei a que não pode esqui- var-se. esse progresso é apenas o resultado do impulso que ele imprimiu a si mesmo para progredir durante a encarna- ção. como Espírito.B. em segui- da. pois não passa de uma conseqüência de seus atos. mas. não o esqueçais. fazê-los baixar a este. desde o momento em que se conde- nou a encarnar até o em que deixar de sentir o peso dessa sentença. .

Esta oposição estava prevista. repetimos. Aos homens materiais daquela época era necessário. primeiramente. pela chamada Ascensão. Depois então o aspecto "milagroso" da revelação velada pela letra e destinada. conforme o grau do seu desenvolvimento moral. tendo o seu livre- arbítrio. úni- cos que para eles tinham valor.B. Eis ainda porque a sua missão não se acha concluída e só terminará com a consumação dos séculos. as boas ou as más influências. únicos que eles podiam compreender. por efeito das inter- pretações dadas às palavras e aos atos do Mestre antes do sacrifício do Gólgota. É que o Espírito. livremente recebe. ele encontrou tanta opo- sição.J. Eis porque a missão de Jesus teve que ser cumprida na Terra. Eis porque. . mas nem por isso o foi menos. o aspecto huma- no da revelação e dos sofrimentos materiais. dadas a este sacrifício e às palavras e atos por ele ditas e praticados desde que reapareceu no mundo até que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 706 Eis porque Jesus tanta oposição encon- trou. era conhecida previamente.

Assim compreendidos. para receberem a nova revelação. sua missão terrena. desse modo. preparar as inteligências para compreenderem os sofrimentos morais. dis- sipando as trevas da letra com a luz do espí- rito.B. encarregado do seu desenvolvimento e do . sua origem e sua natureza espirituais. a cuja formação presidiu. sua posi- ção espírita com relação a Deus e ao plane- ta terrestre. em espírito e verdade. os sofrimentos materi- ais. sujeito como eles à morte e que experimen- tara a morte material. revelação que vem mostrar a cate- goria que ele ocupa como protetor e gover- nador da Terra. a grandeza e o objetivo dessa missão. um homem-Deus.J. a levá-los a ver no enviado celeste um Deus. suas pala- vras e atos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 707 voltou às regiões etéreas. o sacrifício do Gólgota. explicar. o modo por que se verificou e as condições a que obedeceu a aparição de Jesus na Terra. que vem. a missão terrena de Jesus tinham que servir para aquela época e que preparar o futuro. preparar o progresso material e.

tem uma força. significando apenas não fazer da vida objeto de culto. às satisfações da sensuali- dade. servindo-se daquele vocábulo. ao orgulho. assim como dos da humani- dade que o habita e de conduzi-la à perfei- ção. Aquele que ama a sua vida perdê- la-á e o que aborrece a sua vida neste mun- do conservá-la-á para a vida eterna. foi que cumpre ao homem conservar a sua vida es- . um vigor de que carece o termo que lhe corresponde no idioma hebraico e que neste passo foi em- pregado. O que Jesus quis dizer. para o que assim procede. Amar a vida é tudo sacrificar ao bem- estar presente. por importar. em permanecer sujeito à encarnação material.B. não sacrificar o que a honra.J. 25. o respeito e o amor a Deus concitam o homem a ter em conta. na vos- sa linguagem. Isso equivale a perder a vida espiritual. ao egoísmo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 708 seu progresso. Aborrecer é uma expressão que. V.

B. onde eu estiver. Não precisais de explicações. Aquele que me quiser servir. siga- me. Aquele que me serve. V. Todo aquele que a segue é digno de ser um filho de Deus. a esse meu pai honrará. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 709 piritual. para caminhar nas sendas que con- duzem à perfeição. Servir a Jesus é obedecer à lei de amor.J. aí estará também aquele que me serve. 26. e. .

B. Dividi. para que vos demos expli- cações especiais. Veio então uma voz do céu. di- zendo: Já o glorifiquei e ainda o glorificarei. livra-me desta hora.J. que explicamos comentando os três primei- . — 28. glorifica o teu nome. 27-36 Continuação das palavras de Jesus N. (V. — 30. mas por vós outros que esta voz se fez ouvir. Essas suas palavras foram di- tas com o mesmo objetivo destas outras. V. que ali estava e ouvira aquela voz. 27. Jesus respon- deu: Não foi por mim. Agora minha alma está turbada. dizia ter sido um trovão. Outros diziam: Foi um anjo que falou. — 29. Pai. foi para esta hora que vim. Mas. E que direi? Pai. 41. O povo.) Jesus dava assim aos homens um exemplo de submissão aos decretos da Providência. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 710 CAPÍTULO XII Vv. 27.

" O Cristo preparava os que o ouviam para os acontecimentos que se iam dar. que ele era realmente um enviado celeste e que. e sim como tu quiseres. prontos sempre a secundá-lo. pai.J. de modo positivo. Ele se diri- ge ao pai celestial sempre com o fim de atra- ir o Espírito do homem para o seu Criador e de lhe ensinar em que fonte deve a criatura humana haurir força e fé. Estas palavras: "Já o glorifiquei e ainda o . A voz que se fez ouvir. a fim de que. quando lhes voltassem à memória. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 711 ros Evangelhos: "Se é possível. efeito produzido. todas as vezes que o homem eleva com confiança o Espírito para Deus.B. em quem deve depositar confiança para obter o prêmio de seus esforços. de acordo com a vontade divina. não como eu queira. afaste- se de meus lábios este cálice. pelos Espí- ritos que cercavam a Jesus. a potência divina o sustenta e fortifica. teve por fim provar. mas que se faça. su- as palavras dessem frutos de fé.

que esta voz se fez ouvir. "Não foi por minha causa. mas por causa de vós outros. agora o príncipe do mundo vai ser lançado fora. 31. com o fito de impressionar os homens. Linguagem figurada. para estar certo de que a sua voz chegara ao pai celestial. sempre que dele se afas- tarem. Sendo a manifesta- ção messiânica a maior de quantas até en- tão se dera e de quantas se dariam até ao advento. os forçou a lhe renderem homenagem ao nome e ao poder e os forçará a isso. Jesus não precisa- va de manifestações perceptíveis aos ho- mens." Com efeito. sim. significam que Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 712 glorificarei". Agora vai o mundo ser julgado. V. predito e prometido.B. do Espírito da Verdade. O que se fazia pre- ciso. disse Jesus.J. era abalar materialmente homens materiais. era também a que mais positivo . pelas ma- nifestações que já permitira.

completamente. ele . realizada pelos Espíritos do Senhor. por aquela missão.J. pelo afastamento dos Espíri- tos que então ainda se conservem culpados. errantes e encarnados em missão. lançado fora. É. dada sob a direção de Jesus. ao mesmo tempo que a confirmação.B. da obra que ele execu- tou. por contrário a essa lei. que. endurecidos. é a continuação e o desenvolvimento. que se contém toda na lei de amor. que tudo o que é mal há de ser. como de fato o será. na é- poca da purificação do planeta e da humani- dade terrenos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 713 efeito havia de produzir. que o mundo será julgado. Dissemos acima que a manifestação messiânica era a que produziria mais positi- vo efeito. conseguintemente. rebeldes. Foi ela que desdo- brou a lei de amor como um manto destina- do a envolver e abrigar o mundo inteiro. os quais irão para planetas inferiores. desempenhando a sua missão terrena e é também preparatória do segundo advento do vosso protetor e governador. obstinados no mal. porque a manifestação do "Espírito da Verdade".

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 714 próprio. sua "ascensão". uma vez tendo "ressuscitado" e "subido ao céu".J. Dizendo isso. por ser complemento e sanção da verdade. tendendo sempre para a fraternidade e para a unidade. inclusive.B. Deveis compreender que. ao dizer: "Quando eu for levantado da terra. prin- cipalmente à sua "ressurreição" e ao que se lhe seguiria até à sua chamada "ascensão". E eu. . — 33. não tinha em vista apenas os acontecimentos que iam ocorrer: sua "morte". Tudo atrairei a mim. quando for levantado da ter- ra. isto é. seus preceitos cada vez mais se disseminariam. Tinha também em mente o pro- gresso incessante que os homens fariam. sua "ressurreição". V. Isto ele dizia para indicar de que morte havia de morrer. Jesus fazia alusão ao sa- crifício do Gólgota. tudo atrairei a mim. é o Espírito da Verdade. porém. Efetivamente." Referia-se. até à sua volta às regiões etéreas. 32.

Jesus respondeu: Ainda por um pouco de tempo a luz está convosco. 34. enquanto tendes luz. — 36. os ho- mens imaginavam que o Messias que lhes fora prometido teria uma infindável existên- cia terrena e material. Aquele que caminha em trevas não sa- be para onde vai. Quase nada compreendendo do que di- zia respeito à imortalidade da alma. Como é então que dizes que o filho do homem há de ser levantado da ter- ra? Quem é o filho do homem? — 35. Enquanto tendes a luz.J. Respondeu-lhe o povo: Temos a- prendido da Lei que o Cristo permanecerá para sempre. Dito isso. andai. Fora possível que Jesus lhes respondes- se explicando a imortalidade da alma. Jesus se retirou e ocultou de- les. suportado tais re- . para que vos não surpreendam as tre- vas. crede na luz. seus desenvolvimentos e progressos? Tê-lo-iam compreendido? Teriam aquelas inteligên- cias. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 715 V.B. ainda obscurecidas. para que sejais filhos da luz.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 716 velações. tudo o que os rabinos ensinavam era consi- derado como fazendo parte da lei. pairando às maio- res alturas da espiritualidade. na realidade. quando dele desviardes os o- lhos.J. Contem- plai o Sol e. me- lhor do que uma criancinha suportaria defini- ções algébricas? Jesus se contenta com lhes dizer: "Eu sou a luz". Os Judeus disseram a Jesus: "Temos a- prendido da lei que o Cristo permanecerá para sempre. de- senvolvei-vos e podereis. tudo será negro em torno de vós. acerca da natureza espiritual. Crescei." Entre as massas populares. que lhe suavize os raios. Ë preciso que a luz celeste vos seja mostrada através de um vidro opaco. sem o que vossas vistas muito fra- cas não a poderiam suportar. A crença . porque. lhes trazia a luz e não o incêndio. O mesmo se dá com a vossa inteligência. po- rém não para lançá-los nas trevas.B. fitar com lím- pido olhar os esplendores que lá brilham. como sucede após um deslumbramento. Abria-lhes a vista.

que os Judeus dirigiram a Jesus. sobre o que se continha no Antigo Testamento. era fruto dos comentários que os doutores faziam sobre os livros antigos. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 717 popular expressa por aquelas palavras.B.J.

a fim de que se cumprisse esta pala- vra do profeta Isaias: "Senhor. quem acredi- tou no que de nós ouviu? E a quem foi reve- lado o braço do Senhor?" — 39. Mas.B. como disse ainda Isaías: — 40. — 38. Isto disse Isaías quando viu a sua glória e dele falou. — Esses preferiam a glória dos homens à glória de Deus V. "Cegou-lhes os olhos e lhes endureceu o coração. embora tivesse feito tantos milagres na presença deles. Entretan- . mas que o respeito humano. Não podiam crer porque. — 42. 37-43 Incredulidade dos Judeus. — Fé que alguns tinham.J. para que não vejam com os olhos e não entendam no coração e se convertam e eu os cure. nele não criam." — 41. o temor de se- rem expulsos da sinagoga abafavam. 37. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 718 CAPÍTULO XII Vv.

319- 324 e 326-330 do 2° tomo) as palavras do v. entre os que crêem na nova revelação. Não os ve- des negando crédito a esta revelação e aos que são seus órgãos. págs. Reportai-vos a essas explicações. temendo ser expulsos da sinagoga. por causa dos fariseus de . à revelação do "Espírito da Verdade". muitos dos próprios senadores creram nele. que não ou- sam confessá-la. 39. Já explicamos (n. mas. — 43. por ele predita e prometida. O que se passou com Jesus ao tempo da sua missão terrena foi exatamente o que se passa hoje relativamente à nova revelação. Observai a incredulida- de dos homens da época atual. 42. N. É que amaram mais à glória dos homens do que à glória de Deus.B. exatamente como os Judeus o negavam a Jesus e à sua missão? Não vedes.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 719 to. 164. por causa dos fariseus. muitos que não ousam proclamar publicamente a sua fé espírita. não o confessavam publicamente.

para não serem expulsos de "suas sinagogas?" Também esses não prezam mais a glória dos homens do que a glória de Deus? As palavras de Isaías ainda hoje se cum- prem. os sacer- dotes. ou a seus vícios e paixões. o progresso se fará e a luz poderá então brilhar para os que. sobretudo. do mesmo modo que os Judeus. orgulhosos. contra a sua doutrina. como os Judeus. a seus prejuízos e às suas huma- nas tradições. pre- sos às suas ambições. os fariseus e os doutores da lei. aos seus interesses humanos. pois que ainda há Espíritos impuros e atrasados. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 720 agora. com a expiação e a reencarnação. os sacerdotes. que. com o tempo. Mas. quando não se açaimam contra essa revela- ção e esses seus órgãos. rejeitam a revelação do Espírito da Verdade e repelem os que lhes servem de órgãos.J. contra a sua missão. Espíritos ignorantes e. se açaimaram contra ele. segundo a . os fariseus e os doutores da lei repeliram a Jesus e a sua missão.B.

atacados de cegueira moral. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 721 palavra do profeta Isaías. ainda têm a inteligência muito obscurecida pela matéria e suas influ- ências. isto é. .J.B. ainda não podem "ver com os olhos e compreender com o co- ração". para aqueles que.

que sou a luz. — O homem se julga a si mesmo. — Jesus. Ora. eu não o julgo. — 45. mas para o salvar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 722 CAPÍTULO XII Vv. Eu. — 46. mas naquele que me enviou. 44-50 A moral que Jesus pregou não é sua. e sua cons- ciência é quem pronuncia a sentença V.J.B. veio para salvar o mundo. será ela que o jul- . que é a luz. Aquele que me despreza e não recebe as minhas palavras tem por juiz a palavra mesma que hei pregado. vim ao mundo para que os que em mim crêem não fiquem nas trevas. Se alguém ouve as minhas palavras e não as guarda. pois que não vim para julgar o mundo. — 47. E o que me vê a mim vê aquele que me enviou. mas de Deus. — 48. 44. Jesus exclamou: O que em mim crê não é em mim que crê.

não é por mim mesmo que tenho falado. Aquele. por seu mandamento. — 49. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 723 gará no último dia. — 50. Porque. fala do ser espiritual que. 43. E eu sei que seu mandamen- to é a vida eterna. pelas suas inspirações. por seu intermédio. para os homens. digo- o conforme meu pai mo ordenou. meu Pai. era material. estava em conformidade de pensamento com aquele que o enviara. Nunca materiali- . é quem me prescreveu.J. Portanto. N. vem do pró- prio Deus. o que devo dizer e como hei de falar. o que digo. tendes os elementos e os meios para a interpretação e a compreensão destas pala- vras de Jesus. mas a que. que pratica a moral que ele pre- gou e que a personifica pelos seus ensinos e exemplos. não pratica a moral que seja dele. que me enviou. Quando diz: "O que me vê a mim vê a- quele que me enviou" não fala do seu corpo que. Nas explicações que já recebes- tes.B.

por- tanto. quaisquer que sejam. Todos os que a praticam progridem e se depuram. por- quanto. pois que veio para ensinar aos homens como devem viver e morrer. Veio para regenerar a humanidade." — "Eu não julgo . Jesus não veio para julgar o mundo. Jesus veio para salvar o mundo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 724 zeis segundo a letra. Já explicamos o sentido destas palavras: "Meu pai a ninguém julga. ele é a "luz". a justiça e a caridade. procurai sempre o espí- rito. abstração feita de todos os cultos exteriores. ensinando e e- xemplificando-lhe todas as virtudes. traçando para todos os homens. à unidade. pela moral que pregou. avançam no caminho que os libertará das trevas da encarnação material. Judeus ou Gentios. conforme afirmação sua.B. tendo em vista o progresso do Espírito. praticando.J. a estrada que. por esta. os condu- zirá à fraternidade e. das da inteligência e da expiação após a morte. mas para o salvar. obedecendo à lei de amor.

"No último dia" do seu corpo. mas que ele quase nunca quer ou- vir. estão toda a lei e os profetas. se lhe tornará claro e preciso.J. . para a consciência do homem. o critério desse jul- gamento oferece-o a moral pura que Jesus pregou e na qual. pelos seus atos. E. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 725 a ninguém" O homem é julgado por si mes- mo. como ele próprio o disse.B. o julgamento que a sua consciência profere.

Antes da festa da Páscoa. quando tratamos dos três primeiros Evangelhos.J. — 4. 44. para que vos demos. o desígnio de o entregar. — Pala- vras que lhes dirige N. 1-17 Jesus lava os pés a seus apóstolos. de modo especial. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 726 CAPÍTULO XIII Vv. assim os amou até ao fim. filho de Simão. tomando de . depôs as suas vestes e. que saíra de Deus e que para Deus voltava. levantou-se da mesa. que sabia que o pai lhe colocara nas mãos todas as coisas. Acabada a ceia. 1. Jesus. como havia amado os seus que estavam no mundo. tendo o diabo posto no coração de Judas Iscariotes. — 3. as explicações necessá- rias sobre os versículos que não foram obje- to de comentários. Dividi o texto. Jesus.B. — 2. sabendo que chegara a hora de passar deste mundo ao pai. V.

de acreditar que Judas estava "pos- sesso do diabo". entretanto. que reflita pode deduzir daí que Deus predestine criaturas suas a ser presas de potências contrárias. livre e respon- sável pelos seus atos. porém. a fim de que essas criaturas sirvam de instrumentos passivos à execução de seus desígnios. quando resolveu trair a Je- sus. com ela se cingiu.B. "demônio". Não. mais fortes do que elas. tão espalhado entre os que se dizem "cristãos". Certo não cometeis o erro. Deus cri- ou o Espírito. ortodoxos ou não. deitou água numa bacia e começou a lavar os pés a seus discípulos e a enxugá- los na toalha com que se cingira. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 727 uma toalha. a inspiração má. desempe- nhando este o papel de "diabo" ou "demô- nio". ou efeito das más influências . "satanás": a má influência. Em se- guida. que são obra exclusi- vamente sua. O homem. Ninguém. — 5. independente. Sabeis o que se deve entender por "dia- bo". pode ser dirigido pelo seu próprio Espírito.J.

quis Jesus. Conhecendo a sua origem superior. praticando o ato simbólico de lavar os pés a seus apóstolos. porventura. as raposas têm suas tocas e as aves do céu seus ninhos. os que assim preten- dem imitá-lo. Ah! como estão longe daquele que deu tão grandioso exemplo os que hoje praticam a ablução simbólica de que ele se serviu pa- ra dá-lo! São. quando preenchem a formali- dade vã em que transformaram aquele ato. mas o filho do homem .J. dar aos homens. influências que lhe é dado tanto aceitar como repelir. no uso do seu livre-arbítrio. lembram-se os que a praticam da vida hu- milde do que disse: "Meu reino não é deste mundo. assemelhando-se a um escravo.B. pendores. servos dos humildes e dos pe- queninos? E. desempe- nhou aquela função. sentimen- tos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 728 que ele atrai pelos seus instintos. Foi para isso que. privativa dos escravos. aos quais chama seus irmãos. o exemplo da humildade e da renúncia.

J. que de tal forma deu Jesus aos homens. referindo o exemplo de humildade e renún- cia. incumbido do vosso desenvolvimento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 729 não tem onde repousar a cabeça?" Haverá. reproduziu em resumo. para lhe fazer ressaltar a importância e o objetivo. no que fazem. do vosso progresso e de ." Sim. de seus pode- res.B. Sabia ser o Espírito protetor e governa- dor do planeta terreno. debaixo da influência espírita. sobre a sua natureza. a sua ori- gem e a sua missão. uma vez que ocupam um dos reinos da Ter- ra e habitam suntuosos palácios? Nesta parte da sua narrativa evangélica. de sua natureza. "Jesus. que saíra de Deus e que para Deus voltava. mais do que simples paródia. João. que sabia que o pai lhe colocara nas mãos todas as coisas. Jesus tinha consciência exata da sua origem. as palavras ditas pelo Precursor e pelo pró- prio Jesus. da inspiração mediúni- ca. mas sem ter consciência de uma e outra.

Com o ato emblemático do lava-pés. assim como de todos os vícios e paixões que transviam e degradam a humanidade e que são com a- . de Deus. ia. o caminho que abrira e percorrera no meio deles e pelo qual lhes cumpre avançar. purificando- se. o divino modelo. aliada à simplicidade do coração.B. Assim era que saíra de Deus. Sabia ser um Espírito criado. assim. voltarem a Deus pela perfeição adquiri- da. sem descanso nem parada. que se tornara puro Espírito. ele. da renúncia. traduzindo-se esta pela do Espírito. quis mostrar aos homens. para se reerguerem e.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 730 vos levar à perfeição. de pureza perfeita e imaculada. vol- tar para Deus. de quem depois se afasta- ram pela queda no pecado. saídos todos. Esse caminho é o da humildade e da renúncia: da humildade. todos seus irmãos. pois que tiveram todos a mesma origem que ele. expressa pela suplan- tação do orgulho e do egoísmo. por- tanto. que se conservara puro em toda a via do progresso. Ia retomar a natureza espiritual que lhe era própria.

Senhor. cedendo. Respondendo-lhe: "Não sabes agora o que faço. Jesus. embora inconscientemente ainda. A conse- qüência foi que Pedro.B. sem restri- ção alguma. a Simão Pedro. Jesus deixa entrever a posição que teriam de ocu- . da abnegação e do devotamento. tu me lavares os pés!" — 7.J. A oposição de Pedro ao ato de humilda- de de Jesus era efeito natural do respeito que consagrava ao Mestre. conseguintemente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 731 certo denominados "pecados capitais". ex- pressa também pela prática da lei de amor e. Dirigiu-se. lhe fez compreender em que con- dições deve colocar-se aquele que queira apascentar o rebanho do Senhor. insistindo. que lhe disse: "Que. 6. a um impulso de devotamento e de renúncia. Ao que Jesus respondeu: Não sabes agora o que faço. mas sabê-lo-ás depois". sabê-lo-ás depois. da justiça e da caridade. pois. porém. se prontificou a ser purificado da cabeça aos pés. V.

achando-se em condições quaisquer de ensinar.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 732 par Pedro e os que pretendessem ser "os sucessores" deste apóstolo. lavem os . indubitavelmente. a coragem e a fé a toda a parte. o fizerem com o coração e por meio do exem- plo.J. Todo aquele que proceder como Pedro poderá dizer-se e é. com a- mor. levar a consolação. de servir aos homens. se lhe seguissem as pegadas e cumprissem as obrigações que daí lhes resultassem. Desçam de seus tronos os que usam ofi- cialmente desse título. segundo o modo de ver dos homens. com renúncia. humildes e bran- dos. Os que se arvoraram em sucessores de Pedro sê-lo-iam de fato. lança- riam sobre as suas palavras. com humildade. Sucessores de Pedro serão todos os que. Fazia alusão à luz que a sua "morte" e a sua "ressurreição". pobres e dedicados. vão. de pregar. seu sucessor.

mas a todas as horas do dia. Disse-lhe Pedro: Jamais me lavarás os pés. edificando-os ocultamente com as suas virtudes. dêem o exemplo do que pregam. Respeitando o Mestre tanto quanto o amava. Disse então Simão Pedro: Senhor. . de pastores do rebanho de Jesus. façam esmolas em vez de receberem para si.J. porém. não lhe desnaturem as palavras de infi- nito amor.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 733 pés a seus discípulos. do que Jesus pre- gou. preguem a paz em vez de semearem a discórdia. não terás parte comigo. o óbolo destinado aos pobres. reba- nho que é toda a humanidade. mas também as mãos e a cabeça. Jesus lhe respondeu: Se eu te não lavar. e poderão apelidar-se de sucessores de Pe- dro. V. não com pompa dian- te da multidão a se persignar devotamente. como paga de suas preces. 8. — 9. não somente os pés. Pedro se afligiu ao vê-lo pretender executar um ato tão servil. mudando-as em palavras de ódio e de vingança. Jesus.

de um lado. Eis porque pediu que este o lavasse to- do. o que Jesus tinha em mente ao pro- ferir estas palavras. necessária para torná-lo igual ao Mes- tre. para que ele. se o homem não se submeter à lei puri- ficadora que ele lhe trouxe. No primeiro momento. e. que se dirigiam à huma- nidade inteira. de outro lado. julgou tratar-se de uma purificação por ablu- ção. naquela época e no futuro: Se eu te não lavar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 734 insistiu. vendo-o a praticá-lo. sem que previamente . entre os Ju- deus. não terás parte comigo. que. a nin- guém é preciso que se intitule de "cristão" para ser discípulo de Jesus e obedecer à lei de amor. Pedro ainda não compre- endia o objetivo oculto daquele ato e das palavras de Jesus. Não esqueçais que. não atingirá o fim a que se propõe. compreendesse quão necessária é a humil- dade ao homem.J. Mas.B. a ablução era um meio de purificação levado a tais extremos que eles nunca toma- vam uma refeição. era que.

Por isso foi que disse: Não estais todos puros. por inadvertência. está puro quanto ao mais. a uma purificação qualquer. V. Quanto a Judas. esse não estava dispos- to. Vós estais puros. que sua significação e . Disse-lhe Jesus: aquele que já foi lavado não precisa senão de lavar os pés. A lavagem dos pés simbolizava também a maneira por que os discípulos deviam percorrer o novo caminho em que iam entrar. 4 e 5. depois de lhes haver o Mestre limpado os pés de todas as sujidades de que o caminho velho os cobrira. deveis compreendê-lo pelo que acabamos de dizer acerca dos vv. para Jesus. mas não todos. no momento. É que sabia qual o que o havia de trair.B. como ato material. 3. caso. aquele ato exterior nenhum valor tinha em si mesmo.J. a fim de não conspurca- rem os alimentos. — 11. São figuradas essas palavras de Jesus. Bem e de ver-se que. houvessem tocado em alguma coisa impura. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 735 lavassem as mãos. 10.

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 736
seu alcance eram inteiramente emblemáti-
cos, pois que, purificando os outros após-
tolos, ele só não purificava a Judas.
Sabia Jesus que este o havia de trair,
pois sabia, conforme o explicamos ao co-
mentarmos os três primeiros Evangelhos,
que tomara uma tarefa superior às suas for-
ças, que, portanto, faliria. O Mestre lia-lhe o
pensamento.

V. 12. Depois de lhes ter lavado os pés
retomou suas vestes e, sentando-se de novo
à. mesa, lhes disse: Sabeis o que acabo de
fazer? — 13. Vós me chamais Mestre e Se-
nhor e tendes razão, pois que o sou. — 14.
Ora, se, sendo vosso Senhor e vosso Mes-
tre, vos lavei os pés, também vós deveis la-
var-vos os pés uns aos outros. — 15. Por-
que, eu vos dei o exemplo, a fim de que o
que vos fiz o façais também.

Ao mesmo tempo que afirmava, sob o
véu da letra, sua posição e seus poderes
com relação ao planeta e à humanidade ter-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 737
renos, Jesus, dirigindo a seus discípulos es-
sas palavras figuradas, dava aos homens
um ensino, como já o explicamos, e um e-
xemplo de humildade e de renúncia, ensino
e exemplo que, se forem praticados pelos
que lhe queiram caminhar nas pegadas, se-
rão meio de progresso e de depuração para
todos os de boa-vontade.

V. 16. Em verdade, em verdade vos digo.
O servo não é maior do que o seu senhor,
nem o enviado maior do que aquele que o
enviou. — 17. Desde que sabeis estas coi-
sas, bem-aventurados sereis se as praticar-
des.

"O servo não é maior do que o seu Se-
nhor." Todos os Espíritos são iguais diante
do Senhor. Só a virtude estabelece entre
eles hierarquia. Para o Senhor, não existem
as condições sociais.
"Nem o enviado é maior do que aquele
que o enviou." Jesus faz desse modo uma
alusão às idéias que germinavam sobre a

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 738
divindade que lhe havia de ser atribuída. Os
homens, propensos sempre à exaltação,
teriam sido levados a colocá-lo acima de
Deus; dispostos a constituí-lo Soberano dos
céus. Sua figura teria apagado a do Criador!
E, afinal, não a apagou? Regra geral, não o
afastou do pensamento dos homens? O cul-
to principal, as orações, dirigindo-se à "Trin-
dade", não se dirigem especial e nominal-
mente a Jesus? Não vedes, em vossos dias,
Maria ser objeto de um culto, de uma adora-
ção mesmo, que lançam na sombra o Cristo
e aquele que é desde toda a eternidade:
Deus, uno, único, indivisível?
Jesus, que jamais se disse Deus, que, ao
contrário, sempre proclamou ser o pai o úni-
co Deus verdadeiro, teve aqui em vista con-
denar de antemão a exageração humana
que o colocaria acima de Deus.
"Desde que sabeis estas coisas, disse
ele, bem-aventurados sereis, se as praticar-
des." Desde que compreendais a igualdade
entre os homens de boa-vontade e o lugar

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 739
que deveis dar ao Mestre, sereis bem-
aventurados, porquanto praticareis com sin-
ceridade a fraternidade e o amor universal.
O pensamento, que ditou a Jesus essas
palavras, por ele dirigidas a seus discípulos,
se estende a todas as épocas.

NOTA DA EDITORA — A páscoa era a
maior festa dos judeus, recomendada por
Moisés e celebrada pela primeira vez quan-
do deixaram o Egito.
A palavra páscoa significa passagem, ou
seja, a passagem dos judeus pelo Mar Ver-
melho e do anjo que matou os primogênitos
do Egito e poupou os Hebreus, cujas casas
estavam assinaladas com o sangue do cor-
deiro. Páscoa é, pois, para os Judeus, a co-
memoração da passagem de Israel do cati-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 740
veiro para a liberdade. — W.

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 741

CAPÍTULO XIII
Vv. 18-30

Jesus prediz a traição de Judas

V. 18. Não digo isto de todos vós: Sei
quem são os que escolhi; mas, é preciso que
se cumpra esta palavra das Escrituras: A-
quele que comigo come o pão, contra mim
levantará o pé. — 19. Digo-vos isto desde já,
antes que aconteça, a fim de que, quando
acontecer, reconheçais quem eu sou. — 20.
Em verdade, em verdade vos digo: Quem
quer que receba aquele que eu houver envi-
ado, a mim me recebe; e quem me recebe a
mim recebe aquele que me enviou. — 21.
Tendo dito essas coisas, Jesus se turbou em
seu Espírito e falou abertamente, dizendo:
Em verdade, em verdade vos digo: um den-
tre vós me trairá. — 22. Os discípulos se
entreolharam, sem saberem de quem ele
falava. -23. A um deles, porém, a quem Je-
sus amava e que estava reclinado sobre o

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 742
peito de Jesus, — 24, Simão Pedro fez sinal
para que perguntasse qual era o de quem
falava. — 25. Esse discípulo, que repousava
sobre o peito de Jesus, perguntou: Senhor,
quem é esse? — 26. Jesus lhe respondeu: É
aquele a quem eu der o pão molhado e, ten-
do molhado o pão, o deu a Judas Iscoriotes,
filho de Simão. — 27. E assim que este to-
mou do pedaço de pão, Satanás entrou nele
e Jesus lhe disse: O que fazes, faze-o logo.
— 28. Nenhum dos que estavam à mesa
compreendeu porque dissera ele isso. — 29.
Alguns pensavam que, por ser Judas quem
tinha a bolsa, Jesus quisera dizer-lhe: Com-
pra-nos o que é necessário para a festa, ou
que lhe dava ordem de distribuir alguma coi-
sa com os pobres. — 30. Judas, tendo rece-
bido o pedaço de pão, saiu imediatamente.
Era já noite.

N. 45. Já explicamos, comentando os
três primeiros Evangelhos, o fato da traição
de Judas. A narrativa de João explica e
completa as outras.

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 743
Dizendo: "Sei quem são os que escolhi",
Jesus alude aos onze discípulos fiéis, os
quais, capazes de empreender e levar a
termo a missão que haviam solicitado, foram
escolhidos no sentido de que, animados pe-
los seus guias a pedi-la, a tinham obtido,
tendo sido assim aceitos por Jesus.
Predizendo a traição de Judas, teve Je-
sus em vista chamar a atenção dos apósto-
los, a fim de que, quando o fato ocorresse,
ficassem impressionados e reconhecessem,
por essa faculdade extra-humana da presci-
ência do futuro, que ele era realmente o en-
viado de Deus.
Logo em seguida, o Mestre os prepara a
compreender, quando se achassem no de-
sempenho de suas missões e ele se hou-
vesse afastado definitivamente da Terra,
que, como seus enviados, seriam, por isso
mesmo, enviados do Senhor e que aquele
que recebesse os ensinos que iam espalhar
receberia os dele Jesus, do mesmo modo
que os que recebem seus ensinamentos re-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 744
cebem os do Senhor. É assim que diz:

Em verdade, em verdade vos digo: Quem
quer que receba aquele que eu houver envi-
ado a mim me recebe; e quem me recebe a
mim recebe aquele que me enviou.

Mas, assim falando, Jesus se referia i-
gualmente a todas as épocas e a todos os
Espíritos que por ele seriam enviados em
missão entre os homens, para dar impulso
ao progresso, ativá-lo e desenvolvê-lo. Es-
sas palavras se aplicam especialmente aos
apóstolos da revelação, predita e prometida,
do Espírito da verdade, da nova revelação,
incumbidos de explicar e desenvolver, em
espírito e verdade, as suas palavras e os
atos que praticou durante a sua missão ter-
rena, de explicar e desenvolver os princípios
e as conseqüências desta mesma missão,
de preparar e executar a obra da regenera-
ção humana.
Estas palavras figuradas, referentes a
Judas: "Satanás entrou nele", significam,

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 745
bem o compreendeis, que o pensamento da
traição, em gérmen no Espírito de Judas, se
tornou uma resolução, que se ia traduzir em
ato.
Os discípulos, diz a narração evangélica,
não comprenderam porque Jesus dissera a
Judas: "O que fazes, faze-o logo." Eles, com
efeito, se entregaram, conforme também diz
o texto, a suposições. Não podiam imaginar
que Jesus mandara que Judas o fosse trair.
Admitiam a possibilidade de Judas praticar
um ato de tal natureza, mas não naquele
momento.
Os acontecimentos tinham de cumprir-se
e, assim, Judas obedeceu às influências que
lhe dominavam o pensamento. As palavras
de Jesus significavam: "Põe em execução o
que projetas."

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 746

CAPÍTULO XIII
Vv. 31-38

Jesus alude ao sacrifício que se vai consu-
mar no
Gólgota. — Os discípulos do Cristo devem
amar-se
uns aos outros. — Por esse sinal é que se-
rão
reconhecidos. — Predição da negação de
Pedro
N. 46. Dividi o texto. Dar-vos-emos expli-
cações especiais.

V. 31. Depois de haver ele saído, disse
Jesus: Agora, o filho do homem é glorificado
e Deus é glorificado nele. — 32. Se Deus é
glorificado nele, Deus o glorificará também
em si mesmo e o glorificará sem demora.

Estas palavras se referem ao sacrifício
que se ia consumar e aos efeitos, aos resul-
tados que produziria no momento e no futu-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 747
ro, em bem do progresso e da regeneração
da humanidade. A elevação da criatura à
glória eterna é a única maneira de ela glorifi-
car e honrar a Deus e o seu celeste enviado.

V. 33. Meus filhinhos, por pouco tempo
mais estarei convosco. Buscar-me-eis, mas,
assim como disse aos Judeus que eles não
podiam vir aonde vou, o mesmo vos digo
agora.

Jesus, neste passo, alude ao seu desa-
parecimento do sepulcro, após o sacrifício
do Gólgota, à sua volta à natureza espiritual
que lhe era própria, à época da chamada
ascensão, à missão que seus discípulos ti-
nham de desempenhar na Terra, quando a
dele estivesse terminada.

V. 34. Um novo mandamento vos dou:
que vos ameis uns aos outros, como eu vos
amei, para que vos amásseis mutuamente.
— 35. Nisto é que todos reconhecerão que
sois meus discípulos, se vos amardes uns

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 748
aos outros.

Estas palavras não precisam de comen-
tários.
Eram dirigidas especialmente aos discí-
pulos; mas, segundo o pensamento que as
ditou, se aplicam a todos os tempos, por-
quanto, muitas vezes já o temos dito, a mis-
são do Mestre começou com a formação do
vosso planeta, tornou-se manifesta pelo seu
aparecimento entre os homens, continua e
não terminará enquanto ele não vos houver
levado à perfeição, ou seja, à categoria dos
puros Espíritos e, pois, aos pés do Pai.
Todo aquele que pratica a moral pura
que ele pregou é seu discípulo, visto que
pratica a fraternidade e o amor universal.
Amai-vos, portanto, ó homens, uns aos
outros. Pelo amor que uns aos outros vos
consagrardes é que todos reconhecerão que
sois discípulos de Jesus.
Apóstolos da nova revelação, dai aos

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 749
vossos irmãos o exemplo da prática da lei de
amor, amando-vos uns aos outros.

V. 36. Simão Pedro lhe pergunta: Senhor,
para onde vais? Jesus lhe responde: Aonde
vou não me podeis seguir agora; mas seguir-
me-eis depois.

Os apóstolos, na condição de encarna-
dos, eram como crianças; mas eram, con-
forme o temos dito, Espíritos adiantados.
Dizendo a Pedro: "Não me podeis agora
seguir aonde vou", Jesus dá prova da inferi-
oridade do vosso planeta. Deixa, porém, luzir
a esperança do progresso, que faculta a to-
dos os de boa-vontade o se elevarem.
Acrescentando: "Mas, seguir-me-eis de-
pois", alude à elevação do Espírito de Pedro,
bem como à dos outros apóstolos que o ro-
deavam, elevação que, depois de terem eles
cumprido a missão que lhes cabia desempe-
nhar, lhes permitiria ascender às regiões
superiores, para seguirem a Jesus, isto é,

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 750
para continuarem a avançar pela senda do
progresso, debaixo da sua direção.

V. 37. Pedro inquire: Porque não te pos-
so seguir agora? Darei a vida por ti. — 38.
Replicou-lhe Jesus: Darás por mim a vida?
Em verdade, em verdade te digo: Não canta-
rá o galo, antes que me tenhas negado três
vezes.

Pedro não compreendera a resposta de
Jesus. Preocupava-o apenas o perigo que o
Mestre poderia correr, separando-se deles.
Por isso é que disse: Darei por ti a vida; ao
que Jesus respondeu, predizendo que Pedro
o negaria.
Já explicamos, comentando os três pri-
meiros Evangelhos, essa predição da nega-
ção de Pedro.

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 751

CAPÍTULO XIV
Vv. 1-12

Muitas moradas na casa do pai. — Jesus vai
preparar o lugar para seus discípulos. Quan-
do voltar,
os atrairá a si, a fim de que estejam onde ele
estiver. — Ele é o caminho, a verdade, a
vida. —
Ninguém vai ao pai senão por ele. — Suas
relações
com o pai. — Aquele que nele crê fará as
obras
que ele faz e fará outras ainda maiores
N. 47. Estes versículos reclamam expli-
cações especiais; precisam ser explicados
distinta e separadamente.

V. 1. Não se turbe o vosso coração. Cre-
des em Deus, crede também em mim.

Jesus tranqüiliza a Pedro e aos outros
apóstolos. Lembra-lhes a fé em Deus e os

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 752
exorta também a terem fé na sua missão e,
portanto, no que lhes vai dizer, isto é:

V. 2. Há muitas moradas na casa de meu
pai. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito,
porquanto vou preparar-vos o lugar.

Desta forma Jesus afirma positivamente
a habitabilidade que, para os Espíritos que
vegetam no vosso planeta, oferecem os
mundos disseminados pelo espaço e afirma
a hierarquia ascensional desses mundos.
A casa do pai é o Universo, a imensida-
de, o infinito.
As diversas moradas que nela há são to-
dos os mundos, indistintamente, os quais
constituem habitações apropriadas às diver-
sas ordens de Espíritos, pois que a hierar-
quia ascensional dos mundos corresponde à
dos Espíritos que os habitam.
No comentário feito aos três primeiros
Evangelhos e notadamente no que dissemos
acerca da origem do Espírito e da genealo-

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 753
gia espiritual de Jesus (ns. 55, 56 e seguin-
tes do 1° tomo) fizemos entrever as inúme-
ras moradas existentes na casa do pai.
O Espírito muda de morada à medida
que progride. Deixa a em que estava para ir
habitar outra mais adequada ao grau do seu
progresso e ao desenvolvimento de suas
faculdades, assim como às necessidades do
adiantamento e às condições em que este
deva operar-se.
Tão impossível nos é dar-vos notícia exa-
ta e completa de todos os mundos, quanto o
descrever-vos minuciosamente o infinito.
O que podeis saber e compreender e o
que nos é possível e permitido explicar-vos é
o seguinte:
Como não ignorais, a essência espiritual,
para ir do seu ponto de origem ao período
preparatório do estado espiritual de inteli-
gência independente, livre e responsável,
investida de razão e livre-arbítrio, tem que
passar, conforme vos explicamos tratando

J.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 754
da origem do Espírito, pelas fases sucessi-
vas e progressivas da materialização nos
reinos mineral e vegetal e da encarnação no
reino animal. Tem que passar depois por
aquele período preparatório. Transposto es-
se período e uma vez de posse do livre-
arbítrio, ela se acha na condição de Espírito
formado, mas em estado de simplicidade, de
ignorância, de inocência, cumprindo-lhe pas-
sar pela fase da infância e da instrução e
ser, pelos seus guias, colocada em situação
de se servir do livre-arbítrio. Então, no gozo
da sua independência e da sua liberdade,
que de uma e outra decorrem, escolhe o Es-
pírito o caminho que prefere tomar. Se se
conserva puro no do progresso, dócil a seus
guias, seguindo constantemente a estrada
simples e reta que lhe é indicada, chega à
perfeição, tendo progredido no estado fluídi-
co. Torna-se assim puro Espírito, Espírito
que não faliu, de pureza perfeita e imacula-
da, tal como Jesus, protetor e governador do
vosso planeta.
Se, ao contrário, se afasta da estrada

J.B. embora por diferentes caminhos. tratando da origem do Espíri- to. Tam- bém o Espírito que faliu chega à perfeição. os Espíritos de pureza imacu- lada. saídos dos fluidos in- . (E já dissemos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 755 simples e reta que lhe é indicada. às suas faculdades e às necessi- dades da reparação e do progresso. Como seus irmãos. está falido. que teve em sua origem o mesmo ponto de partida que estes. tendo sido dado a cada um de acordo com suas obras. também se torna puro Espírito. chega à mesma finalidade que eles. Depois de se haver depurado completamen- te. ele. ou no início da sua existência livre e independente. Para que tudo venha assim do infinita- mente pequeno ao infinitamente grande é que há as seguintes categorias de mundos: Mundos primitivos.) É então submetido à encarnação humana em condições apropriadas ao grau da sua cul- pabilidade. ou depois de haver atingido um grau mais ou menos ele- vado de desenvolvimento e de progresso. que este pode falir.

os quais.J. livre e responsá- vel. para tais Espíritos. quando o globo tem entrado no período material. sempre em correlação com as de seus habitantes. mundos de provações e de expi- ações. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 756 candescentes.B. pela encarnação de Espíritos que faliram em condições que exijam a encarnação humana primitiva. pela materialização nos reinos mi- neral e vegetal e. Mundos ad-hoc. esses mundos se tornam. . de inteligência independente. passando. onde a essência espiri- tual. depois. elas se desenvolvem e progridem. pela encarnação no reino animal. vegetal e animal. onde. prosseguem na sua mar- cha ascensional. para o estado de espírito formado. progressiva e sucessi- vamente. Em chegando a época pro- pícia ao aparecimento neles do homem. é preparada para o estado espiri- tual. mundos onde se elaboram as essências espirituais que ali são deposita- das. como os Espíritos que os vão habitar. após transpor os reinos mineral. para as humanidades que eles compõem. todavia.

progridem no estado fluídico. Esses mundos tam- bém são apropriados ao estado de desen- volvimento e de progresso dos Espíritos que os habitam. conser- vando-se sempre puros na senda do pro- gresso. mais ou menos superiores uns com relação aos outros. mais ou menos materiais. quando hão chegado. ao estado fluídico puro. Eles se tornam moradas de puros Espíritos. estados que vão desde o de infância e instrução até o de puro Espírito. mundos dessa categoria. Se- guindo também marcha progressiva e hie- rarquicamente ascensional. como tais. há. de maneira progressiva. mais ou menos fluídi- .B. Diversos mundos destinados a habitação de Espíritos falidos e.J. Assim é que são: materiais. nunca faliram e que. desde o estado de infância e de instrução. sujeitos à encarnação humana. em todos os graus da escala. destinados a habitação de Espíritos que. apropriados e correspondendo aos estados de desenvolvimento e de progresso dos Es- píritos que os habitam. mais ou menos inferiores. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 757 Mundos fluídicos.

para seu desenvolvimento e progresso. Servindo. São mundos de transição. Mundos de provações e expiações.B. uns inferiores aos outros. onde os Espíritos continuam e acabam a sua depuração. Mundos regeneradores. através dos tempos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 758 cos. tornando-se capazes de só prati- car o bem e incapazes da prática do mal. até os que servem de habitação a Espíritos prestes a entrar no pe- ríodo de regeneração. havendo-os de todas as gradações ao longo da respectiva escala. destinados a preparar os Espíritos.J. para a encarnação dos Espíri- tos que faliram. também têm que. . tomar lugar entre os mundos celestes ou divinos. das eternidades. que faliram e que ain- da têm o que expiar. para saírem progressi- vamente do período da materialidade. desde os apro- priados ao aparecimento do homem. uns aos outros superio- res. dos séculos. onde domina a justiça. à en- carnação primitiva. dos quais só os puros Espíritos podem apro- ximar-se.

Nos diversos mundos regeneradores. Mundos felizes. há-os em todos os graus da escala. onde. depu- rado de todos os maus pendores. .B. por ocasião da morte. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 759 Também nessa categoria de mundos. Quanto mais o corpo se aperfeiçoa. as matérias e se isentam da decomposição animal. regenerado. em conseqüência do adianta- mento do Espírito. sem contudo ficar de todo livre da decompo- sição da matéria. envolve questões de fisiologia. estra- nhas ao quadro que se vos traçou. inferiores uns aos outros. se torna pouco a pouco mais leve. uns aos outros superiores. tanto mais volatizáveis se fazem. o corpo se liberta pro- gressivamente de uma parte da matéria pu- trescível. se acham no princípio do período de semifluidez. Isto. porém. Aí co- meça a desmaterialização do corpo. como os Espíritos que os habitam. o Espírito só tem que progredir no bem.J. Esses mundos. sem mais ter que lutar contra o mal. preparatórios e intermediários entre os de expiação e os felizes.

voltarei e vos cha- marei a mim. até chegarem à condição de mundos celestes ou divinos. Os discípulos fiéis de Jesus ainda não haviam terminado a missão que lhes cabia desempenhar na Terra. de conformidade com os Espíritos que os habitam.J. E depois que me tenha ido e vos haja preparado o lugar. Mundos celestes ou divinos. estejais vós também. pela sua perfeição.B. tam- bém os há inferiores e superiores uns aos outros. 3. em todos os graus da respectiva es- cala ascensional e progressiva. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 760 Na categoria dos mundos felizes. en- . Não tinham mais que sofrer provas expiatórias e sim apenas que cumprir missões. Dizemos — provas expiatórias. porque. onde eu estiver. V. para o Espírito que ain- da não tomou lugar. os que atin- giram o estado fluídico puro e aos quais só os puros Espíritos podem ter acesso. a fim de que. através da qual eles vão passando por estados cada vez mais fluídicos.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 761 tre os puros Espíritos. incor- . tendo terminado a vossa entre os homens. concluída a minha missão terre- na. há prova nas missões de que se encarregue. cumprido a nova mis- são que vos está destinada no seio da hu- manidade. chamar-vos-ei a mim. sob a minha direção. onde eu estiver. Preparados. pela perfeição que te- reis alcançado e pela pureza perfeita que tereis adquirido.B." Deveis compreender que. como puros Espíritos. disposto o lugar. nos tempos determinados. quando houverdes. quando eu vos tiver.J. voltarei. essas palavras do Mestre significam: "De- pois que eu me tiver afastado definitivamen- te da Terra. continuado o vosso desenvolvimento e o vosso progresso. por melhor dizer. ou. conforme tenho predito. estejais comigo. os Espíritos en- tão encarnados. houverdes. a fim de que. quando vós. desse modo. desempenhado a vossa missão es- piritual. na época do segundo advento de Jesus. Segundo o espírito despojado da letra.

a verda- de. 4. . estarão prestes. Referindo-se ao seu segundo advento. porém. que é a do adven- to do Espírito. pelas palavras que constam dos versículos acima. Para onde vou vós o sabeis e sa- beis o caminho. como podemos saber o caminho? — 6. V. — 5.B. estarão quase a atingir a perfeição. a tornarem-se puros Espíritos. dirigidas aos discípulos. não sabemos para onde vais. Os discípulos. Estais no início dessa era. que nesta se mantiveram e que por ela terão avançado sempre. terá purificado de toda falta o homem. Jesus alude à época em que a fé. Jesus é o caminho. nessa época. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 762 porados no vosso planeta.J. a verdade. Ninguém vem ao pai senão por mim. Respon- deu-lhes Jesus: Eu sou o caminho. a vida. que muito antes de vós entraram na senda do progres- so. longe vos achais ainda de haver dado um passo nesse sentido. escoimada de todo erro. a vida. Disse-lhe Tomé: Se- nhor.

de modo progressi- vo e sucessivamente. A verdade é relativa aos tempos e às ne- cessidades das épocas. como na ordem moral e na intelectual. É a verdade. porém mais ou menos encoberta. não se desenvolvendo aos olhares humanos senão à medida que o homem a pode suportar e compreender. tendo por objetivo o pro- gresso do Espírito. Todo aquele. É o caminho: — pela moral que pregou e que personificou pelos seus ensinamentos e exemplos.J.B. tanto mais se lhe rasgam à vista os véus da verdade. Quanto mais o Espírito se eleva. assim na ordem física. É una. que pratica a sua moral. A verdade é o conhecimento de todo princípio que. conduz a humanidade ao seu aperfeiçoamento. pois que ensinou os homens a viver e a morrer. ao . na medida do que possam receber. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 763 porquanto ele é o emblema da lei de amor. progride e se depura. porque é órgão direto de Deus e preposto por este ao encargo de transmiti-la aos homens. à fraternidade.

Essa também a tarefa que veio pessoalmente executar. o espiritu- alismo conduz ao espiritismo e o espiritismo tem que conduzir à espiritualidade. missionários todos esses que prepararam o seu apareci- mento na Terra. se quiserdes. que ele personifica. até aos vossos dias. constitui a tarefa que Jesus começou a executar desde o apa- recimento do homem no vosso planeta. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 764 amor universal.J. A idéia é a mesma. para o vosso desenvolvimento e progresso. por intermédio dos Espíritos em missão.B. primei- ro. Essa a tarefa que continuou a executar por intermédio dos Espíritos em missão. depois. pa- ra o vosso entendimento humano. mediante sinceras aspira- ções ao espiritualismo. mas. sem interrupção. . desempenhan- do a sua missão terrena. em que prosseguiu. Dar aos homens o conhecimento da ver- dade. à espiritualidade. manifestando-se entre os homens no meio humano de ante- mão preparado e escolhido. por intermédio de Moisés e dos pro- fetas entre os Hebreus e dos Espíritos em missão entre os outros povos. ou.

se encontra liberto da morte espiritual. porque. no qual. liberto da expiação. morte espiritual. por intermédio de messias ou envia- dos. órgãos do Es- pírito da Verdade. progredindo e pu- rificando-se mediante a prática da moral que ele pregou e que personifica pelos seus en- sinamentos e exemplos. ao vosso planeta depura- do. a libertar-se da encarnação material.B. o Espírito. . através dessa era nova. igualmente depuradas. de Espíritos em missão. sendo ele próprio Espírito da Verdade.J. como complemento e sanção da verdade. mas dessa vez em todo o seu fulgor espírita. separan- do-se do corpo material. que apaga toda lem- brança e que é. a era espírita. tarefa cuja exe- cução ele vai continuar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 765 que vêem abrir-se a era nova do Cristianis- mo do Cristo. representada pelas tre- vas da inteligência. mostrar a verdade sem véu às criaturas. pois. Chega assim. finalmente. virá. Jesus é a vida. para o Espírito. até ao dia do seu segundo advento.

E já o tendes visto espiritualmente.J. a não ser adquirindo a perfeição. Tinham-no visto espiritualmente. assim o conhe- cereis. Breve. 8. mostra-nos . também teríeis conhecido espiritualmen- te a meu pai. ao pai. de vos conduzir à perfei- ção. São figuradas estas palavras. Disse-lhe Filipe: Senhor. E. é o único encarregado do vosso desenvolvimento e do vosso progresso. vendo-me a mim que sou a perfeição que a ele conduz. Se tivésseis conhecido a perfeição que leva ao pai e que está em mim personifica- da. V. V. nem vem. Os discípu- los jamais tinham visto o pai — materialmen- te.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 766 Ninguém vem ao pai senão por mim. ninguém pode vir. Se me tivésseis conhecido a mim. 7. também teríeis conhecido a meu pai. vendo em Jesus a perfeição que a ele conduz. mas breve o conhecereis e já o tendes visto. porém. Je- sus. vosso protetor e governador.

Como é então que dizes: Mostra-nos teu pai. Respondeu- lhe Jesus: Há tanto tempo que estou con- vosco e ainda me não conheceis? Filipe. como para as gerações que se sucederiam até à revelação do Espírito da Verdade. Para eles e para os homens da época. A letra é que estava re- servado preparar o advento do espírito. . lhes cumpria dar aos outros ho- mens.J. ainda incapazes de compreenderem segundo o espírito. que o Mestre predissera e prometera. Deveis lem- brar-vos de que. só a letra convinha. aquele que me vê também vê a meu pai. Eles não tinham que sobre si to- mar senão o que. Dava àquelas inteligências pouco desenvolvidas um exem- plo que pudessem apreender. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 767 teu pai e isso nos basta. — 9. conquanto Espíritos adian- tados. desempenhando suas missões. Jesus insiste no mesmo pensamento. os apóstolos sofriam os entraves da matéria de que se haviam revestido.B. re- ferindo-se sempre à perfeição.

as o- bras que eu faço. Não credes que estou em meu pai e que meu pai está em mim? O que vos digo não o digo de mim mesmo. É meu pai. de um lado. em relação com Deus.B. E ele disse: "É o espírito que vivifica. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 768 Aquele que me vê a mim. que sou a per- feição que conduz ao pai. Sempre. ele próprio. minhas palavras são espírito e vida." Mantendo-se sempre. Não credes que es- tou em meu pai e que meu pai está em mim? Crede-o ao menos por causa das obras que faço. naquele momento e no futu- ro.J. 10. Jesus apropria sempre a sua linguagem às inteligências dos homens da época e tudo dispõe tendo em vista as condições e os meios necessários à realização do progresso da humanidade. o espírito velado pela letra. nele está sempre a . V. também vê espiri- tualmente a meu pai. do outro. a letra e. quem faz. — 11. que mora em mim. pela sua pureza.

J. mediante a inspiração que me dá. Não credes que estou em comunicação direta com meu pai. obra em conseqüên- cia desta e suas obras são todas ascensio- . as obras que eu faço. Aquele.B. Meu pai. e que meu pai está em comunicação direta comigo e me inspira? O que vos digo não o digo de mim mesmo: é pela inspiração divina que falo. "Não credes que estou em comunicação direta com meu pai. 12. é quem faz. por causa das obras que faço. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 769 inspiração divina. à qual seus atos corres- pondem continuamente." V. ao me- nos. recebendo dele a inspi- ração. que tem fé. recebendo dele a inspi- ração e que meu pai está em comunicação direta comigo e me inspira? Crede-o. porque vou para meu pai. que está sempre em comunicação direta comigo. Em verdade vos digo: Aquele que crê em mim fará as obras que eu faço e fará ainda maiores.

interpretando-os do ponto de vista em que se achavam coloca- dos.J. que segue zelosamente o caminho. tanto mais que. que ele traçou. do amor e da verdade. Jesus deveria ter mais liberdade de ação para inspirar e guiar os seus verdadeiros e sinceros imitadores. Não vos temos dito já: por muito longe que vos acheis de Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 770 nais. não esperais alcançar a meta? Jesus não praticou. Dizendo — "que eles pudessem compreen- der" — não temos em mente que pudessem inteirar-se das causas. se- não as obras que eles pudessem compreen- der. O mesmo se dará com os atos que che- gareis a realizar. proporcionadas às suas inteligências. voltando à es- fera que lhe era própria.B. queremos significar que podiam apenas a- preender os resultados. isto é. quando o vosso aperfeiço- . entre os homens. se tornará puro como ele e fará atos semelhan- tes aos seus. Aquele que crê firmemente em Jesus. Falando desse modo.

Tendo a inteligência humana pro- gredido. cumpre sejam obras de ordem supe- rior. segundo o espírito que vivifica. da revelação da revela- ção.J. Sois presentemente incapazes de compre- ender isso. de maneira a preparar ao mesmo tempo. a transição que tinha de ser aparelhada e efetivada e. Não peçais explicações a este respeito. . Semelhante questão seria pre- matura neste momento. Notai como Jesus apropria sempre e vela sua linguagem. segundo a letra. para que as vossas obras possam tocá-la.B. Deveis evitar tocar no futuro. os caminhos e os meios próprios à revelação futura do Espírito da Verdade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 771 amento haja atingido um ponto que os torne possíveis.

— Prescreve-lhes que guardem seus mandamentos. que é o Espírito Santo. para que as explicações se- jam dadas de acordo com as diversas or- dens de idéias que estes versículos encer- ram. — Promete conceder-lhes o que eles lhe pedi- rem em seu nome. . — Declara que todos os que guardarem seus mandamentos. E tudo que pedirdes a meu pai. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 772 CAPÍTULO XIV Vv. em meu nome. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome.J. o Espírito da Verdade. sua palavra. eu o farei. a fim de que o pai seja glorificado no filho. tê-lo-ão e ao pai consigo N. 13. V. a fim de que o pai seja glorificado no filho. — 14. 48. eu o farei. 13-24 Jesus promete a seus discípulos que lhes será concedido o que pedirem ao pai.B. — Promete- lhes o Consolador. Dividi.

22. assim como às suas faculdades e às necessidades do seu adiantamento. XXI. porquanto o seu pensamento não tem a limi- tá-lo a duração do tempo.J. no que dissemos. ao comentarmos os três primeiros Evange- lhos. VII. O que glorifica o pai é o progresso que os homens realizam e ao qual Jesus preside como protetor e governador do vosso plane- . aqui. di- ante dos seus apóstolos. v.) Jesus. v. 7. XI. e do po- der da fé. Os meios e condi- ções segundo as quais a súplica deverá ser atendida ficam subordinados sempre aos esforços do livre-arbítrio do encarnado para receber e secundar a impulsão que lhe é dada. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 773 Já tendes a explicação do pensamento que ditou estas palavras." (Mateus. dá mais um testemunho. 24. Ele não diz aos homens em que momento suas súplicas serão atendidas.B. Marcos." (Mateus. relativamente a estas outras: "Pedi e se vos dará. v.) "O que quer que peçais com fé em vossas preces vós o obtereis. da força.

se pedirdes a Jesus alguma coisa em seu nome." As palavras que então ele dirigiu a seus apóstolos se estendem a todos os tempos. sob o impulso. movidos por um pensamento santo e puro. com Jesus e por Jesus. somente por isso. Do mesmo modo. Igualmente. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 774 ta. Aplicavam-se aos que. caminhassem pela senda que ele traçou. seriam seus discípu- los. .J. pois. naquela época. de um pensamento puro e santo. com o objetivo do vosso progresso pessoal e do progresso co- letivo dos vossos irmãos. ele o fará. É assim que "o pai é glorificado no filho. Jesus o fará. objetivando o vosso progresso pessoal e o progresso cole- tivo da humanidade. di- zemos nós aos apóstolos da nova era e a todos os homens: Tudo que pedirdes ao pai em nome de Jesus. os quais to- dos.B. a fim de que o pai seja glorificado no filho. como no futuro. pelo pro- gredir dos homens. praticando a sua moral.

e eu pedirei a meu pai e ele vos dará um outro consolador que fique eternamente convosco: — 17. é a verdade sempre relativa à inteligência dos que a recebem e cujo conhecimento lhes é revelado pelos Espíritos errantes em missão e pelos encarnados que. Assim o é. São figuradas estas palavras. recebem a inspiração divina por inter- médio dos Espíritos superiores que os assis- tem e guiam. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 775 V.B. nos quais começa a nova era. po- rém. em vos- sos dias. porque não o vê e não o conhece. o Espírito da Verdade foi sempre dado por Deus aos homens. porquanto a revelação é permanen- te e progressiva e a verdade sempre foi re- velada na medida da compreensão que dela os homens podiam ter. também em mis- são. que o mundo não pode receber. Vós.J. que Deus dá aos homens. O Espírito da Verdade. Deste ponto de vista. guardai os meus mandamentos. e sê- . porque ficará convosco e estará em vós. o conhecereis. o espírito da verdade. Se me amais. 15. — 16.

eles teriam e têm que avançar.B. o conhecimento da missão de Jesus e da sua autoridade. Para os apóstolos. era o conhecimento da verdade cor- respondente às necessidades da missão que eles iam desempenhar e nas condições que o seu desempenho o reclamava. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 776 lo-á futuramente. pela inspiração dos Espíritos do Senhor encarregados de os inspirar e guiar. O Espírito da Verdade ficaria eternamen- te neles. Espíritos devotados e adi- antados. no conhecimento da verdade. com a assistência e a inspiração dos Espíritos que lhes são . chegaria às gerações futuras. até à época em que o Mes- tre voltará para mostrá-la sem véu. que Deus lhes havia de enviar. pelas narrações evangélicas. cumprida que fosse na Terra a mis- são que lhes coubera. o Espírito da Verdade.J. pela assistên- cia. debaixo da inspiração divina. conhecimento que. porque. como encarnados. isto é. eles teriam. eternamente e cada vez mais. conhe- cimento que lhes incumbia transmitir aos homens da época e que.

os homens não eram capazes nem dignos de receber. há igualdade na pureza. . O mundo não podia receber e conhecer esse Espírito da Verdade. chamados por Jesus para espalharem a boa nova. Não vos deixarei órfãos: virei a vós. conhecereis que es- tou em meu pai e vós em mim e eu em vós. um pouco de tempo e o mundo não mais me verá. vós. porém. Nesse dia. 18. para os Espíritos. não menos certo é que. visto que o Espírito criado jamais poderá igualar a Deus. o conhecimento da verdade sob a inspiração divina. como sabeis. porque. de ter a assistência e a inspiração dos Espíritos superiores. Ainda. como os apóstolos. V. porque eu viverei e vós vivereis tam- bém. pelo que toca à ciência universal. se é certo que.J. me vereis. que Deus daria aos apóstolos.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 777 superiores. — 19. há sempre entre eles hierarquia. — 20. ou materiais e atrasados. impuros. Ficaria eternamente com eles o Espírito da Verdade porque. que haviam de As- sistir e guiar os discípulos.

Adverte-os primeiramente de que não lhes faltará a inspiração superior e de que ele lhes virá espiritualmente. Depois. que só vêem com a vista corporal. Assim era que o mundo. isto é. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 778 Palavras igualmente figuradas e todas de sentido espiritual são estas de Jesus a seus apóstolos. isto é. já então próxima. em que voltaria para a imensidade. pois. à vida espiritual e às relações espirituais que ela estabelece entre os Espíritos e os ho- mens. que seus discípulos o veriam espiritualmente. enviando- lhes os Espíritos superiores com o encargo de os assistir e guiar. que só vêem materialmente com os olhos do corpo. para só ser visível espiritualmente. época a partir da qual deixaria de ser materialmente visível aos olhos carnais.J. ou materiais e atrasados. aos olhos do Espírito. pelo pensamento e pela fé. os ho- mens impuros.B. não mais o veriam. a perfeição que ele na Terra personi- . alude à época. Alude. pelo pensamento e pela fé. vendo.

estavam em comunicação com ele Jesus.B. os discípulos. Ora. — 22. produzida sob a forma de "línguas de fogo". Perguntou-lhe Judas. inspirando-os e guian- do-os. Assim era que conheceriam que ele está em comuni- cação com o pai. 21. estava em co- municação com eles. Quando mesmo não mais o sentiam. reciprocamente. que ele os inspirava. para os apóstolos. confiança que teve a confirmá-la a manifestação espírita doa Espíritos superiores que os haviam de assistir.J. aquele que me ama será amado por meu pai e eu o amarei também e a ele me manifestarei. Aquele que tem os meus manda- mentos e os guarda. por intermédio dos Espíritos supe- riores e que. inspirar e guiar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 779 ficara. os discípulos confiavam nele. . bem como que eles. V. esse é o que me ama. ele viveria espiritualmente e que também eles viveriam a vida espiritual que lhes permitiria vê-lo pelo pensamento e pela fé. Assim era que. que é por este inspirado.

B. durante a sua . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 780 não o Iscariotes: Senhor. é. e Jesus. infinito. Respondeu-lhe Jesus: Aquele que me amar guardará a minha palavra e meu pai o amará e viremos a ele e faremos nele mora- da. para o vosso planeta. mas todos os que — abstração feita de cultos externos — praticam a moral do Cristo e as- sim atraem para si a sua proteção e. Ora. em toda a extensão. Deus e Jesus amam a todos os homens. conse- guintemente. a personificação e o emblema da lei de amor. a palavra que tendes ouvido não é minha. — 24. que participa desse amor.J. Aquele que me não ama não guarda a minha palavra. que me enviou. porquanto Deus tem em si o amor universal. a de Deus. que ensinou e pra- ticou. qual a causa por que te manifestarás a nós e não ao mundo? — 23. O que por essa forma disse Jesus tem alcance muito maior do que o que lhe dão os homens e não atinge unicamente o reduzido número dos que se dizem "cristãos". mas de meu pai.

quan- do eles a atraem. no sen- tido de que lhes enviam. Deus e Jesus vêm aos que guardam es- sa moral. por obedecer àqueles man- damentos. todos enfei- xados na moral pura que o Cristo. de se lhes dar prova de amor. no sentido de que só lhes dispensam sua proteção. esforçando-se por seguir aquela moral. incumbidos de a transmitirem. consiste em obede- cer aos mandamentos de Deus. neste mundo. Mas. estendendo-os e apli- cando-os à humanidade inteira e declarando serem eles toda a lei e os profetas. pois que a única maneira de os amar. porém. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 781 missão terrena.B. seu órgão.J. esses mandamentos. a inspira- . pelos bons Espíri- tos. de que querem o progresso de todos e estão prontos a auxiliar esse pro- gresso. seu enviado. nem todos os homens amam a Deus e a Jesus. Deus e Jesus amam a todos os homens no sentido de que os abrangem a todos no seu amor. pregou. Não os amam. aos que os praticam. E "nesses fazem morada".

quando se mostram perseverantes. auxiliando-lhes o progresso.J. O homem tem o seu livre-arbítrio. desse modo. que é. do belo e do bem. a- fastam a inspiração divina. . portanto. E essa inspiração. inspirado pelo Senhor.B. justo e bom e. a liber- dade de seus pensamentos e atos. Os que não guardam os mandamentos que o Cristo deu e se embrenham pelas sendas do orgu- lho. permanece neles. É pela inspiração. portanto. o adiantamento moral e intelectual. atraem a si as más inspira- ções. dos vícios. as más influências e. a seu turno. que assim lhes vem. ou do egoísmo. sugerindo-lhes o pensamento e o desejo do que é verdadeiro. ou das pai- xões que transviam ou degradam a vossa humanidade. A eles. Deus e Jesus não vêm. como a responsabilidade de uns e outros. que Jesus se manifesta aos homens de boa- vontade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 782 ção de Jesus.

vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar tudo o que vos tenho dito. que meu pai enviará em meu nome. V. 25-31 O Consolador. es- tando ainda convosco.B. — Seu pai é maior do que ele N. ensi- na todas as coisas. in- cumbidos de secundá-los na missão terrena que vão desempenhar. que é o Espírito Santo. — Jesus dá sua paz a seus discí- pulos. 49. Mas o Conso- lador. Dividi o trecho. que é o Espírito Santo. segundo a ordem das idéias. . — 26. Jesus anuncia aos discípulos o amparo que lhes trarão os Espíritos do Senhor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 783 CAPÍTULO XIV Vv. Tenho-vos dito estas coisas. 25.J.

imersos nas tre- vas da letra. do mesmo modo que a geração que os escutava. Quem de outra forma compreendesse essas palavras suas estaria no direito de lhes negar valor.B. os Espíritos superio- res. quer quanto à ciência. aquelas palavras signifi- cam o seguinte: "Mas. Compreendidas de acordo com o pen- samento que as ditou. do mistério e do milagre. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 784 O Mestre não promete que os Espíritos do Senhor lhes vêm trazer o conhecimento da ciência universal. o espí- rito lhes era velado e eles caminhavam. para . fundado em que não tiveram confirmação. De fato. porquanto longe ficaram os apóstolos de conhecer todas as coisas. tomadas estas expressões em sentido geral e absoluto. co- mo tinha que ser. mas apenas que lhes virão ensinar todas as coisas corresponden- tes às necessidades da época. que Deus enviará em meu nome. os bons Espíritos. quer quanto à verda- de na ordem das revelações. entendidas segundo o espírito que vivifica.J.

também pela inspiração. Não se turbe o vosso coração. intelectual sobretudo. rejubilaríeis com o ir-me eu .B. nem se en- cha de sobressalto. como na ordem moral e intelectual. ensinar-vos-ão. Não vo-la dou. V.J. Se me amásseis. por ins- piração. ao de- sempenho da vossa missão e. A paz vos deixo. Também vós tendes aprendido e apren- dereis ainda por muito tempo. todas as coisas que correspondam às necessidades da época presente. como a dá o mundo. Tendes ouvido o que eu vos disse: Vou-me e volto a vós." Em todas as palavras de Jesus achareis sempre a aplicação que têm ao presente e a promessa que encerram para o futuro. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 785 vos inspirar e guiar. 27. — 28. na medida do que vos seja necessário. assim na ordem física. em relação à eternidade. até que estejais em estado de conhecer todas as coisas. vos farão lembrar de tudo o que vos tenho dito. a minha paz vos dou.

a força da fé. mas na das almas. o começo de seu progresso. por- tanto. lhes faz sentir que o verdadeiro amor não deve inspi- rar o egoísmo. Dando a sua paz a seus discípulos. Porque a morte liberta o Espírito da sua prisão terrena. Ora. dos corpos. porque meu pai é maior do que eu. porque meu pai é maior do que eu". o amor verdadeiro não está na união. Je- sus lhes dava a consciência do dever cum- prido. dizendo: "Se me amásseis. sujeito à mor- te. a ventura da esperança.B. o termo de suas provações e. como estes. que subsiste integral e é indestrutível. Para os discípulos e para todos os ho- mens. deveria rejubilar e agradecer a Deus a libertação desse ente. rejubilaríeis com o ir-me eu para meu pai.J. ao invés de lamentar a perda de um ente amado. ele estava. que o homem. que ela desfaz. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 786 para meu pai. mas não constitui uma barreira que o separe dos que ele na Terra deixou. Daí vem que. união esta que a morte não atinge. .

adotado por efei- to das interpretações humanas. E vo-lo digo agora.B. se bem nada haja em mim que lhe pertença. a fim de que. que fizeram de Jesus uma parte da substância do pai. — 31. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 787 Notai como. — 30. Estas palavras: "Meu pai é maior do que eu" deveriam ter prendido a atenção dos que o fizeram." V. . Se ele fosse uma fração da essência mesma de Deus (falamos do ponto de vista "cristão" propriamente dito. quando suceder. participar materialmente de Deus. potencialmente igual a este). Não mais vos falarei.J. Jesus assinala a sua inferioridade com relação ao Criador. porque o príncipe do mundo vai vir. seria igual ao pai e não teria dito: "O pai é maior do que eu. Levantai-vos. em todas as circunstâncias graves. vamo-nos daqui. antes que a- conteça. mas para que o mundo conheça que amo a meu pai e que faço o que meu pai me ordenou. é preciso dizê-lo. firme crença tenhais em mim. 29.

portanto. sujeito à morte humana. vou para meu pai". para os homens. Jesus lhes lembra o que dissera. são figuradas. aludindo ao que os homens considerariam sua "morte". 28). Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 788 Dizendo a seus discípulos (v. que do ho- mem se apoderariam. a predição se cumprisse. ao soar a hora de um sacrifício tal como o do Gólgota. ao seu reaparecimento entre eles. Referem-se às angús- tias e incertezas que se apoderam do ho- mem à aproximação da morte. à sua volta para a imensidade.J. chama-lhes a atenção para a predição que fizera desses aconteci- mentos. na época dita da ascensão. que o consideravam ho- mem e. a fim de que. Pelas palavras constantes do v.B. As palavras: "O príncipe do mundo vai vir. quando se verificas- sem. 29. aludindo à sua "ressurreição". mas. quando. se bem nada haja em mim que lhe per- tença". . pois. eles tivessem fé inabalável na sua missão e desempenhassem a que lhes pertencia. A tais an- gústias e incertezas ele é inacessível. "Ten- des ouvido o que eu vos disse: Vou-me e volto a vós.

por ele predita e prometida. que cumpre a missão que Deus lhe confiou. "a fim de que o mundo conheça que ama o pai e que faz o que o pai lhe or- denou".J. do Espírito da Verdade. igual- mente. a fim. pri- meiramente segundo a letra. a fim de que o mundo conhe- ça. nos tempos da revelação. depois segundo o espírito. . isto é. de que a sua missão seja aceita. produza frutos no momento e no futuro. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 789 vai sofrê-las.B. que lhe obedece com respeito e amor. que ele tem confiança em Deus.

— 2. Assim como a vara não pode dar fruto de si mes- ma. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 790 CAPÍTULO XV Vv. para que dêem mais. Porque. o mesmo vos sucederá. Aquele que não permanecer em mim será lançado fora como a vara inútil. — 7. 1. Ele cortará todas as varas que não derem fruto em mim e monda- rá todas as que dão fruto. Aquele que permanece em mim e em quem eu permaneço dá muito fruto. secará e o enfeixarão e meterão no fogo para ser queimado. — 3. Eu sou a verdadeira videira e meu pai é o vinhateiro. se não permanecer- des em mim. Eu sou a videira e vós as varas. 1-11 Parábola da videira e das varas V. — 6. se não permanecer ligada à videira. — 4. — 5. Já estais limpos em virtude da palavra que vos anunciei.J. sem mim nada podeis fazer.B. Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Se permanecerdes em mim e as minhas pa- .

apropriada às inteligências dos homens da época. N. as únicas condições mediante as . A glória de meu pai está em que deis mui- to fruto e vos torneis meus discípulos. como Espírito fundador. pela letra. Per- manecei no meu amor. por seu intermédio. — 11. Como meu pai me amou. que guardei os mandamentos de meu pai. Se guardardes os meus mandamentos. — 8. eu vos amei. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 791 lavras em vós permanecerem. — 9. protetor e governador do vosso desenvolvimento e progresso. Usando dessa linguagem figurada. Explica os modos e meios de rea- lização desse desenvolvimento e desse pro- gresso.J. e destinada a ser explica- da e compreendida segundo o espírito. Je- sus proclama a superior ação dirigente do Criador sobre a vossa humanidade.B. tudo o que quiserdes pedireis e vos será concedido. permanecereis no meu amor. — 10. Tenho-vos dito estas coisas para que a minha alegria esteja em vós e a vossa alegria seja plena e perfeita. permaneço no seu amor. 50. assim como eu.

(V. (V. que Jesus declarou conter toda a lei e os profetas e cuja obser- vância implica a do Decálogo e a obrigação. 2. para cada um. se desviam das sendas traçadas pelo Mestre e se comprazem no mal. são . Mostra a seus discípulos o laço de amor que a ele os une. de proceder com os outros como quereria que os outros com ele proce- dessem." Quer isto dizer: aqueles que.J.) "O pai corta todas as varas que não dão fruto em Jesus e monda todas as que dão fruto.B. violando o duplo mandamento de Deus. para que dêem mais.) Estas palavras: "Eu sou a verda- deira videira e meu pai é o vinhateiro" encer- ram mais um testemunho da sua natureza inferior com relação ao pai. o meio de cumprirem fielmente a mis- são de que estavam incumbidos. 1. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 792 quais podem um e outro ser obtidos e a ex- piação de que se tornam passíveis os que se afastam do caminho que ele traçou. meio que consiste na observância dos mandamentos que lhes deu.

nada mais produzem senão cinzas. mas com a responsabilidade que decorre da posse e do uso desse dom. As pré- dicas de Jesus lhes auxiliaram o desenvol- vimento das faculdades.J.B. Os que de tal maneira se conduzem são relegados em "condições inferiores". Dá-lhes a faculdade de mais ainda se melhorarem. 3. por meio de provas e missões. O desejo ardente . Submetidos seus maus atos ao fogo da ex- piação. (V. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 793 deixados neste. por virtude da inviolabilidade do livre-arbítrio. Já o dissemos: os discípulos. eram Espíritos adiantados. como a vara inútil queimada. cujas inteligências e faculdades se achavam entorpecidas pelo invólucro material. ainda que em graus diversos de adiantamento.) Os discípulos já estavam limpos por efeito da palavra que Jesus lhes anunci- ara. a fim de que produzam frutos cada vez mais abundantes. O Senhor olha bene- volamente para os que tomam as sendas que o Mestre traçou. Estavam preparados para cumprir fiel- mente a missão que traziam. para aqueles cujas o- bras são boas.

se não permane- cer ligada à videira. que os viriam assistir e guiar. se não permanecerdes em mim. Ele a todos protege e governa e é o único encarregado do desenvolvimento .) Jesus é a cepa da videira e to- dos os homens. fazer boas obras. Nenhum pode dar bons frutos. se referem a todos os tempos e se aplicam. (V. A inspiração dos Espíritos do Se- nhor. como o eram os discípulos. a todos os homens.J. são as varas. 4. o mesmo vos sucederá. desde que se separa da videira. 5-6." Estas pa- lavras figuradas. dirigidas aos apóstolos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 794 de obedecerem ao Mestre.B. (Vv. segundo o pensamento do Mestre. o amor sem limi- tes que lhe consagravam os impeliam a a- vançar cada vez mais pela senda do pro- gresso. Assim como a vara não po- de dar fruto de si mesma. ajudá- los-ia e sustentaria na tarefa que tinham de executar.) "Permanecei em mim e eu perma- necerei em vós. que Jesus personifica e que é o a- mor e a verdade.

nas condições inferiores em que tiver caído. "Aquele que não permanecer em Jesus. moral e intelectualmen- te.J. com o auxílio de novas provas. produz muitos frutos em suas provas ou missões. que lhe fará nascer no íntimo o desejo de reparar e pro- gredir. falindo em provas. Quer dizer: aquele que segue. Quando soar a hora. . secará e o enfeixarão e meterão no fogo para ser queimado": Aquele. como todo Espírito culpado. ficará estacionário. e. avança com rapidez. que ele lhe transmite hierarquicamente por intermé- dio dos Espíritos superiores e dos bons Es- píritos. Queimá-lo-á o fogo do remorso. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 795 e do progresso de todos.B. se engolfa no mal e. ajudado pela inspiração divina. que não segue a moral que Jesus pregou e deixa de praticá-la. O que permanece nele e em quem ele permanece produz mui- tos frutos. será lançado fora como vara inútil. com perseverança e sem se desviar. a moral que ele pregou. esse progride e se depura. a expiação o atingirá.

Do mesmo modo. isto é. como jamais o disse. Está compreendido que os que permane- cem em Jesus. obtido com o auxílio das provas e das missões. E essas palavras não precisam de co- mentários.B. alegria por efeito da paz do coração. compreendido está que Jesus não diz aqui. 7-8-9-10-11. em que momento o pedido será satisfeito. progresso incessante pela práti- ca contínua da lei de amor. também dirigidas por Jesus a seus discípulos. . de futuro. as exortações e promessas que contêm se aplicam igualmente a todos os que. que ele traçou. viriam a tornar-se seus discípulos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 796 (Vv. da pureza e serenidade da consciência. Elas se resumem assim: força e poder da fé. não podem pedir se- não o que é justo e bom e para lhe ser con- cedido no tempo e nas condições que só Deus estabelece e determina. que des- tes versículos constam. caminhando na senda.) As palavras. satisfação do dever cumpri- do. que permanecem na estrada que ele abriu. progresso pessoal e coletivo.J. do amor e da verda- de.

— 16. — 14. 12. — 15. porque vos tenho feito saber tudo o que a- prendi de meu pai. Sois meus amigos. — Sua missão V. O que vos mando é que vos ameis uns aos outros. eu é que vos escolhi para que vades e deis frutos e o vosso fruto per- dure sempre e meu pai vos dê tudo o que lhe pedirdes em meu nome. porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Ninguém pode ter maior amor do que o de dar a vida pelos seus ami- gos.B. Chamei-vos meus amigos. como eu vos te- nho amado. Já vos não chamarei de servos. 12-17 Amarem-se uns aos outros.J. se fazeis o que vos mando. — 17. — 13. os amigos de Jesus. O mandamento que vos dou é que vos ameis uns aos outros. . Não fostes vós que me escolhestes. — Os servos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 797 CAPÍTULO XV Vv.

51. Aplicam-se a todos os homens de boa-vontade. no que diz respeito ao amor universal em o vosso planeta. faz um apelo à fraternidade universal. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 798 N. a base do dever.B. dirigidas aos discí- pulos. Formulando esse mandamento. daquela época e do futuro. o amor puro e abnegado não é a fonte de todas as virtudes. como sempre. o alvo de todas as aspira- ções? Aquele que ama a Deus outra coisa não pode fazer que não seja esforçar-se por . uma aplicação geral. mediante a reciprocidade e a solidariedade no amor. isto é: que pratiquem a lei de amor entre si e com relação a todos os homens.) Jesus manda que seus dis- cípulos se amem uns aos outros como ele os amou. pois que tudo quanto o Mestre disse constitui um ensino para a humanidade. Estas palavras. conforme ele a praticou em toda a sua ex- tensão. 12-13.J. têm. (Vv. Dá aos homens o maior de todos os en- sinamentos que os Evangelhos encerram. Efetivamente.

que lhe tem amor. como os discípulos. Tem que estender esse sen- timento a todos os seres da criação. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 799 cumprir. Esse é seu amigo. (Vv. 14-15. porque todos são obra do Pai. O servo pode ser considerado como o . todos são um hino vivo em sua honra. pois que corres- ponde aos esforços que pelo seu desenvol- vimento e progresso ele fez. Tem que amar a seus irmãos com a abnegação.) É amigo de Jesus todo aque- le que. fazendo-o progredir. os mandamen- tos que dele recebeu. pratica a moral que ele pregou. e prova. pela senda que ele indicou. caminha cumprindo suas provas. o devotamento e a caridade incessante com que o amou aquele que se fez "homem" para ensinar aos ho- mens o amor. dessa maneira.B. Esse estabelece assim uma relação.J. o elevam e aproximam cada vez mais do Mes- tre amado. uma atração fluídicas que o depuram e que. suas missões. todos concorrem para sua glória. com infatigável zelo.

porque vos tenho feito saber tudo o que a- prendi de meu pai. à medida que melhor compreendem as in- tenções e a paternal bondade do soberano a cuja lei amorosamente obedecem. Jesus lhes ensinou tudo o que ele tinha por missão en- sinar naquele momento." Relativamente aos apóstolos.B. sob o véu da letra. qual jugo que lhe é necessário suportar. sem que o possa alijar de si.J. Os a quem Jesus chama amigos são os que. até certo limite. da razão. "Chamei-vos de meus amigos. Os apóstolos esta- vam aptos a apreciar. como os discípulos. a compreender o objetivo da vida humana e a lei que a rege. sen- tem que neste lhes crescem o amor e o zelo. o que ele tinha a missão de lhes ensinar e nas . as vis- tas providenciais do pai. Jesus lhes fizera saber. sem inteligência e sem satisfação. sofrendo-a. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 800 discípulo sujeito à lei material. diz Jesus. para desenvolverem o coração. servindo-se.

não foram os apóstolos que escolheram a Jesus. não foram os Espíritos colocados nes- te ínfimo planeta que escolheram aquele . do qual brotassem galhos carregados de frutos. além dos ensinos ministrados sob o véu da letra aos apóstolos. o objetivo e os segredos da vontade divina. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 801 condições apropriadas a que desempenhas- sem o mandato que lhes era deferido e a que este desse os frutos que devia dar.J.B. Em outros ter- mos: assentou as bases da ciência que nes- te momento desenvolveis e que. 16. pondo-vos. cada vez mais. Faz que no solo germinem as raízes destinadas a dar nasci- mento a um sólido tronco.) Certo. (V. Je- sus. vos dará. Relativamente aos tempos vindouros. direito ao título de amigos do eleito. cada vez melhor. que lhe conferiram a missão terrena que ele desempenhou. põe os elementos básicos dos que haviam de seguir-se àque- les. em condições de compreender a causa de todas as coisas. segundo o espírito. Certo. crescendo sempre.

que prepôs os discípulos. por devotamento. Foi ele. preparado e realizado até aos vossos dias e continuarão a preparar e reali- zar daqui por diante. os dis- cípulos à missão que desempenharam. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 802 que. foi ele. do Deus vivo. de lhes dar direção e. desde o tempo dos apóstolos. por amor. como prepõe todos os homens de boa-vontade. têm. como ponto de partida pa- ra os novos progressos que a falange inume- rável dos Espíritos em missão. a fim de . quem prepôs. de prover ao progresso da inteli- gência e da matéria. Foi ele quem tomou o da missão terrena que desempenhou. do Deus vivo. pela sua pureza. de algum mo- do. também pre- postos do Mestre. pela sua pureza. a vida. filho. Ao contrário.J. filho. aceitou o encargo de conduzi-lo. cujos frutos jamais hão de perecer e se conserva- rão imperecíveis. que espontaneamente tomou sobre si o pesado fardo de tirar do caos ou da imensidade fluí- dica os elementos constitutivos do vosso planeta.B. visando o progresso pessoal deles e o progresso coletivo da humanidade.

Será feito como desejas. como o homem sabe que tem a eternidade diante de si. invo- cando o pensamento sublime do filho. nas provas. . A felicidade de todos os homens. tudo que pedirem em nome dele.B.J. Nada pedirá com propósitos egoístas. nas missões. não como o pai de família que dá ao filho um brinquedo que este quebrará no mesmo ins- tante. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 803 que o pai lhes dê. eis o que lhe inspirará as preces. nem tendo em vista a satisfação de aspirações pessoais. como sabe ser preciso. o progresso de todas as criatu- ras. seus irmãos. mas que pro- gridam e se elevem todos os que o cercam. lhe será concedido. não só que progrida. o desenvolvimento do amor a Deus e da caridade. porque não lhe conhece a fragilidade. mas como o pai previdente que diz a seu filho: "O que pedes é bom e justo. porquanto o homem que compreender a força de tal pedido nada po- de desejar que seja contrário ao bem geral." E. Tudo que o homem pede ao pai. eis o a que o Senhor atende sempre. quando chegar o momento oportuno.

porque tudo o que pede é bom e justo. certo de que tudo o que pede lhe será concedido. a prática do amor era.B.J. o único caminho por onde a huma- nidade pode e tem que passar. de toda elevação. 17. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 804 desde a mônade invisível até o gênio encar- nado. (V. Para os discípu- los. . espera com confiança. na sua mar- cha ascendente para mundos superiores. a única manei- ra de alcançarem êxito nas provas e nas missões. como é para to- dos os homens. a fonte e o meio de todo progresso.) Jesus reitera o mandamento pouco antes dado a seus discípulos — o de se amarem uns aos outros.

Se o mundo vos odeia.B. 52. 18. Facilmente compreensíveis vos devem ser estas palavras. Não tomeis a palavra em sua acepção li- teral. para que cada um tenha a sua explicação especial.J. Separai os versículos. Prediz-lhes o futuro advento do Espírito da Verdade e sua vinda para eles N. Os Espíritos inferiores então encarnados. odiavam aquele que é todo amor. 18-27 Jesus prediz a seus discípulos o ódio e as perseguições que lhes acarretará o desem- penho da missão de que se acham incumbi- dos. no sentido que lhe dão os vossos cos- . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 805 CAPÍTULO XV Vv. V. sabei que me odiou a mim primeiro do que a vós. não obedecendo à lei de amor que existe naturalmente no coração do homem.

o mundo amaria ao que seria seu. Não se trata de um sen- timento de ódio pessoal contra Jesus. com o propósito de secundarem o Mes- tre. Espíritos já adiantados. mas. porque não sois do mundo e eu vos escolhi do seio do mundo. V. por conseguinte. de acordo com o respectivo desenvolvimento e categoria. de trabalharem pelo adiantamento pró- prio. que aceitaram aque- la encarnação. Se fôsseis do mundo. facilitando o de seus irmãos. 19.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 806 tumes e linguagem.J. como temos explicado. O vo- cábulo aqui significa falta de atração para ele e. Tinham naturalmente que suscitar contra si os mes- mos sentimentos que contra o Mestre se houvessem manifestado. sentimentos que . Os apóstolos e a maior parte dos primei- ros discípulos eram. por isso é que o mundo vos odeia. de submissão às inspira- ções que ele e os bons Espíritos prepostos jamais deixaram de transmitir aos homens.

superior. do mundo e o mundo pode amá-lo como a um que lhe pertence. que parecem anunciar uma espécie de pre- destinação. por isso é que o mun- do vos odeia". pelas perseguições físicas e até. en- tretanto.J. ao fazerdes as reflexões a que dão lugar estas palavras. Nada disso. como sucedera relativamente àquele. para a maioria deles. ser. Vede que não há nenhuma idéia de pre- destinação nisto que Jesus diz: "Se fôsseis do mundo. mas pela doutrina. do seio do mundo. pelo suplício. em con- seqüência dessa falibilidade. que. pela violên- cia. não esqueçais que todo Espírito elevado. até certo ponto". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 807 haviam de contra eles externar-se. "Escolhido. porque não sois do mundo e vos esco- lhi do seio do mundo. por essa forma. baixando à Terra em missão. ele pode. Ele se torna de novo falível. não como um Espírito inferior. se reveste de carne corruptível. pela palavra que lhes incumbia espalhar. motivado pelas suas personalida- des. mas. o mundo amaria o que seria seu. de novo se torna falível.B. . Efetivamente.

to- dos esses maus tratos eles vos darão por causa do meu nome. Lembrai-vos do que eu vos disse: "O servo não é maior do que o seu senhor. se guardaram a minha palavra." Se me perseguiram a mim. V. também a vossa guardarão. que aceita uma missão na Terra e não a desempenha inteiramente sem fraqueza. também a vós perseguirão. porque não conhecem aquele que me enviou. 20.B. por efeito daquele ato de devo- tamento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 808 mas relativamente à sua natureza. Corresponderá ao maior ou menor esforço que ele haja empregado contra os desfalecimentos inerentes à humanidade terrena. não. fica sendo o seu progresso. que precisa ser vigiado com perseverança. Mas. Não se segue do que vimos de dizer que um Espírito superior. Mas. Jesus repete o que anteriormente dissera . — 21. possa retrogradar.J. Não olvi- deis que a carne é instrumento ingrato. menos do que devera ser.

" Em o n. pág. segundo a letra. razão não há para que sejam diferentes os seus destinos. não sendo mais do que ele. amplo sentido encer- ram. 16): "O servo não é maior do que o seu Senhor. então. à alma criada para um que será na Terra senhor. o . 412 deste tomo. v. uma vez que ele pró- prio fora perseguido. que era o Senhor. Do ponto de vista católico. pode ser igual. porém. os discípulos não podiam es- capar à perseguição. considera- das do ponto de vista vulgar. aos olhos de Deus.J. a alma. já demos o sentido e a explica- ção dessas palavras. Nesse passo. criada para um que na Terra será servo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 809 (capítulo XIII. ou de qual- quer outro cisma cristão. Se ambos cumprirem seus destinos. 44. também o se- nhor pode abusar da sua força e do seu po- der. Do ponto de vista espírita. Mas. Assim como o servo pode falir no cumprimento da sua tarefa.B. Elas nenhuma aplicação têm. significa- vam que.

devotamento e resigna- ção todos os seus deveres. Porque será este mais recompensado do que o outro? Com que direito receberia mais do que o seu se- nhor? Foi ele quem escolheu a posição ínfi- ma de servo? Com que fundamento o se- nhor lhe ficaria abaixo? Foi ele quem pediu a posição de mando? Responda a isso a Igre- ja. Aquele que. de- sempenhou a sua tarefa. uma desigualdade. co- mo senhor.J. se puserdes de parte a reencarnação — remuneradora do passado. o servo será mais recompensado do que o senhor. o que implica uma preferência. Não venha a Igreja dizer que. Sendo iguais os merecimen- tos. do mesmo modo que desempenhou a sua o servo. agente de progresso para o futuro — caireis . por qualquer lado que en- careis a questão. não há cabida para tal. depois da morte. desde que cumpriu com zelo. Como vedes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 810 senhor terá sido sempre mais favorecido do que o servo. fez todo o bem que podia.B.

Do ponto de vista espírita. agente de pro- gresso para o futuro. o amparo. um poder caprichoso. Da mesma forma. que é. reinando a seu bel-prazer. aquele que é "ho- je" senhor foi servo "ontem" e o será "ama- nhã". com relação aos destinos. Desse modo. conseguir-se a . pois. Não há nem favor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 811 inevitavelmente no arbitrário. Essa desigualdade deriva unicamente do modo por que os Espíritos cumprem a obri- gação de "proceder bem". o sustentáculo do servo e o servo será a consolação. Que este pensamento penetre fundo no coração humano e o senhor será o amigo.B. repetimos. Há. pela violência.J. na desigualdade entre os homens. sem se subverter a ordem social. nem derramar o sangue hu- mano para. nem sorte. e fareis de Deus. igualdade completa em face da lei de reencarnação. aquele que é servo "hoje" foi senhor "ontem" e o será "a- manhã". remuneração do passado. o irmão dedicado de seu senhor. que é a justi- ça perfeita.

J. Ora. Mas todos esses maus tratos e- les vos darão por causa do meu nome. o amor universal. a liber- dade sem limites. diz Jesus. a fraternidade sem restri- ções.B." O nome de Jesus. ver-se-á reinar na Terra a unidade. também guardarão as vossas. apresen- ta ao Espírito e simboliza a lei que ele pre- gou. "Se me perseguiram a mim. fraternidade e igualdade feitas por Jesus. por- que não conhecem aquele que me enviou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 812 realização das doces promessas de liberda- de. como sabeis. repeliam tudo o que . an- teriormente adquirido. ou a intuição da lei de amor que as palavras do Mestre fizeram que despertasse nas inteligências e nos cora- ções. também a vós vos perseguirão. Os que estavam ainda muito atrasados e se compraziam no orgulho e no mal recusa- vam admitir essa lei. se guarda- ram as minhas palavras. os que já haviam realizado um cer- to progresso tinham ou o conhecimento.

no Pai senão um Deus vingativo. Daí. Entre vós. presentemente. não se dá o mesmo? Não tendes ainda aí. egoístas e intolerantes. para a maioria dos homens. é o conjunto . Dai vem que Jesus absorveu e per- sonifica. não vendo. cioso e exclusivista no seu amor? Os homens não conheciam e poucos a- inda conhecem aquele que enviou o seu Messias ao mundo para regenerar a huma- nidade.B. Conservou-se a divinização do Messias e do "Espírito Santo" que. por não compreenderem que Deus é a fonte originá- ria donde dimana todo bem. o culto especial consagrado a Jesus.J. os "filhos de Abraão". sabeis. o Deus senhor e criador dos universos. no infi- nito e na eternidade. o terem-no feito partíci- pe da divindade. a se dizerem únicos her- deiros do reino de Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 813 lhes parecia vir da pessoa de Jesus. nas igrejas e seitas ortodoxas. nesse meio que chamais — "a cristandade". Meio foi este de se concilia- rem as crenças hebraicas com as dos Genti- os. entre- tanto.

encarregados de transmitir aos homens a inspiração divina. estas palavras en- volvem a idéia de predestinação para a cria- tura. Mal compreendidas. porquanto Deus. havia de saber que uma inumerável porção deles não o ad- mitiria e. Foram-lhes assim oferecidas três divindades distintas em uma. da qual duas partes se destacam. mas agora não têm desculpa do seu pecado. a se perderem na unidade indivisível. Oh! inconseqüência humana! . voltan- do depois a se absorverem.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 814 dos Espíritos do Senhor. ao enviar o seu Messias aos homens. para tomarem forma e se circunscreverem no finito. eterna e infinita. nessas condições. na mesma personalidade: uma — indivisível.J. V. a se misturarem. onisciente. lhes teria con- denado as almas — segundo a doutrina ca- tólica — aos suplícios de um inferno eterno. Se eu não tivesse vindo e não lhes houvesse falado. eles não teriam o pecado que têm. 22.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 815 Os Espíritos encarnados naquela época. pois. E- les. Se o Cristo não houvesse descido até e- les. desde que aprendessem a fazer obras de paz. como todos os que revestem um invólucro material. ou atendo-se aos seus maus pen- dores. esquecendo suas resoluções espíritas. por isso. quando fosse tempo. repelindo o "ramo de oliveira" que se lhes estendia e. porém. como fora anunciado. se condenaram. A eles. visto que os encarnados não teriam tido os mesmos meios para se adiantarem. tendo-se feito ouvir a voz do Alto. competia saber servir-se desses meios. Prometidos lhes estavam os meios de o conseguirem. taparam os ouvidos e fecharam os corações. o julgamento seria outro. a permanecer . Assim é que a todos estava facultado ou- virem aquela voz a lhes prometer paz.B. os que voluntariamente taparam os ouvidos se tornaram culpados. eles próprios.J. Mas. tinham que trabalhar pelo seu adi- antamento.

de acordo com o pensamento do Mestre. Todos esses atraem sobre si a condenação. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 816 por muito tempo ainda no lodaçal do vício. por efeito exclusivo da sua vonta- de.B. pois que. por essa lei deveis entender a lei de amor). sob qual- . o pai concede a um de seus filhos.J. com preterição de outro. segundo dizem. Tam- pouco se aplicam as nossas palavras uni- camente aos que repelem a lei de Jesus no vosso continente (sabeis que. E isto que dizemos não se aplica unicamente ao reduzido número de almas que se grupa- ram em torno de Jesus durante a sua mis- são. Chamamos graça aos meios dados ao homem para progredir. Não damos o nome de graça ao favor que. rejeitando a graça. Ainda uma explicação. se fazem precisos sons claros e inconfundíveis. para os ouvidos humanos. a luz que. mas a todos os que não querem ver nem ouvir o que lhes é pregado e mostrado com o objetivo da sua melhoria moral. porém a to- dos os que hão sido postos em condições de se melhorarem e que não o têm querido.

V. não teriam o pecado que têm. 18. obras quais ainda nenhum outro fez.J.B. — 24. 23. a fim de que se cumpra esta palavra que está escrita na lei deles: Odia- ram-me sem nenhum motivo. Se eu não houvesse feito. que Jesus intencionalmente repete. A propósito do v. quando empregado relativamente ao pai. explicamos o senti- do do termo "odiar". Mas agora eles as viram e me odiaram a mim e a meu pai. — 25. debaixo de novo aspecto: "Não teriam o pecado que têm. se eu não houvesse feito. Comentando o v. entre eles. entre eles. 20. A mesma acepção tem esse vocábulo. Aquele que me odeia também o- deia a meu pai. também acabamos de explicar o sentido destas palavras. lhe é enviada e que ele tem a li- berdade de aceitar ou de rejeitar. obras quais ainda nenhum outro fez. com relação a Jesus." . no uso da sua vontade pessoal. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 817 quer forma e seja qual for o nome com que a designem.

num arroubo de reconhecimento e de alegri- a. É senhor. por conseguinte. Não é odiar ou aborrecer o pai negar-se a criatura a se elevar para ele? O amor não é a alavanca que impele o homem a se unir. Porque o Espírito tem o seu livre- arbítrio. ao dispensador de todos os bens? O Espírito posto em condições de pro- gredir e que a isso se recusa acorrenta-se.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 818 Odiar a Deus e o seu enviado é recusar- se a obedecer à lei de Deus. São os próprios fluidos do Espírito inferior que o retêm nas esferas que lhe correspondem. à inferioridade. Não vades supor que uma espécie de força fluí- dica o impeça de elevar-se. à lei de amor que Jesus pregou. uma vez que só o sentimento do amor pode levar o homem a aproximar-se deste. enquanto o desejo de progredir não purifica aqueles flui- dos. por efeito dessa recusa. de ficar estacionário.B. conser- var-se indefinidamente afastado do pai. con- servando-se afastado do seu enviado. ou de . portanto. sua inteligência independente.

como é a da perfectibilidade sob o império da Provi- dência divina.J. instintos e sentimentos. É ele quem. diz Jesus. Eles me odiaram a mim e a meu pai. cujos modos e meios de ação a revelação espírita já vos desvendou até certo ponto. nada se origina do que . à inferioridade. se torna acessível. conforme a na- tureza da atração fluídica espiritual que pro- vocar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 819 avançar. estabelece para si as relações similares a que. por seus pendores. a fim de que se cumpra esta palavra que está escrita na lei deles: Odiaram-me sem nenhum motivo. determina a a- plicação. acorrentando-se. da lei imutável do sofrimento expiatório. repetimos. ou da lei imutável de estagnação. relativamente à humanidade terrena. ou da lei imutável do progresso. Efetivamente. É ele quem. ou elevando-se.B. por seus atos e conforme o uso que faz do seu livre-arbítrio. lei inevitável através dos tempos e dos séculos.

sob a inspiração divi- na. mas sem ter consciência dessa inspira- ção. da- vam a ver o que seria esse povo. o profeta proferiu aquela palavra. um motivo para se conservar afastada do Senhor? Aqueles que assistiram ao aparecimento de Jesus na Terra e ao de- sempenho da sua missão tinham qualquer causa ou motivo para permanecerem afas- tados dele? .B. Existe sempre uma causa. quando. como para vós ínfimas criaturas. O acaso é a vossa ignorância da razão de ser. Tudo está cons- tante e instantaneamente patente às suas vistas. Pode a criatura ter uma causa. passado. da causa do fato que observais.J. na eternidade. uma razão de ser para todas as coi- sas. O estado e as condições de progresso do povo hebreu. não há." Isto é fácil de compreender-se. presente e futuro. “Odiaram-me sem nenhum motivo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 820 chamais — o acaso. por ocasi- ão do aparecimento do Messias e o que ha- via de acontecer. bem o sabeis. Para Deus.

objetivando os tempos então vindouros da era nova que se abre diante de vós e a época para que vos encaminhais. compreendem. o Es- pírito da Verdade.B. trazem aos homens. O Espírito da Verdade. Mas.J. — 27. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 821 V. o Espírito . Relativamente aos apóstolos. a verdade que os Es- píritos. E também vós dareis testemunho. quando o Consolador. segundo o es- pírito que vivifica. Estas palavras de Jesus. os outros por meio da palavra. do ponto de vista do desenvolvimento dos apóstolos e da missão que tinham de desempenhar. a época em que foram pronunciadas e tam- bém o futuro. que procede do pai. é a luz. segundo o pen- samento que as ditou. assim errantes como encarnados. 26. isto é. a ciência. porque estais desde o principio comigo. dará testemunho de mim. vier. que procede do pai e que eu vos enviarei da parte de meu pai. aqueles por meio da inspiração ou da ação mediúnicas.

com esse auxílio e esse concurso. tanto do ponto de vista espiritual. deveis entender por esse Espírito da Verdade. porque estais comigo desde o princípio. é que eles haviam de dar testemunho de Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 822 da Verdade que Jesus lhes enviaria eram os Espíritos do Senhor que os haviam de assis- tir. dos fatos e suces- sos dominantes dessa missão. E Jesus lhes disse: "Também vós dareis testemunho de mim. quer errantes. inspirar e guiar. . Assim. cujo advento Jesus anuncia.J." Tendo encarnado para secundá-lo na Sua missão. supri-los do que lhes faltasse. os Espíritos do Senhor.B. como do da ação magnética. isto é. exercendo sobre eles ação mediúnica. de lhes desenvolver as faculdades pessoais e de. da sua doutrina. os apóstolos es- tavam com ele desde o princípio desta. das palavras que proferira e dos atos que praticara duran- te a sua missão terrena. Com relação ao futuro.

dar testemunho dele. a ciência. quer na erraticidade. ele as virá completar e sancionar. compreender e guardar.B. novos mensageiros seus. que vos tinham de ser enviados ao tempo da era nova que se inicia e que o serão. pela palavra. trazem ao homem o conhecimento da ver- dade compatível com a sua inteligência. pois que as personifica. a verdade. espalhando a caridade e o amor pelo exemplo e.J. quer encarnados. a fim de acabarem de espalhar sobre o mundo as claridades celestes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 823 quer encarnados. que procedem do Senhor onipotente e que o Mestre personifica para o vosso planeta. na é- poca para que vos encaminhais. seus mensagei- ros. mostrando a verdade sem véu. Os Espíritos do Senhor. E. a luz. E a . quando a pureza dos vossos corações e o desenvolvimento das vossas inteligências vos houverem tornado capazes e dignos de a receber. progressivamente. E os novos mensageiros encarnados vi- rão.

esclarecida pelos mensageiros do Senhor. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 824 consciência do homem recebe esse conhe- cimento. ou se fecha.J. O que recebe o Espírito da Verdade é aquele cuja consciência. compreende as coisas que até então lhe estavam ocultas. repelindo-o.B.

Pois que as palavras de Jesus a- brangem. a aceiteis como uma conseqüência inevitável. V.B. . Eu vos tenho dito estas coisas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 825 CAPÍTULO XVI Vv. 1. temos que vos dar sobre elas explicações especiais.J. a fim de que não vos escandalizeis. 53. com relação a essa época. a época em que foram ditas e o futuro. estando prevenidos da sorte que todo missionário deve esperar entre Espíritos atrasados. conforme ao seu pensamento. Quer isso dizer: A fim de que. 1-15 Continuação das predições de Jesus quanto às perseguições de que serão vítimas seus discípulos e quanto ao futuro advento do Espírito da Ver- dade e à sua missão N.

dirigidas por Jesus a seus discípulos. quando vier o tempo. Ora. vos lem- breis de que eu as disse. tenho-vos dito estas coisas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 826 Essas palavras. Eles vos expulsarão das sinagogas e vem o tempo em que aquele que vos der a morte acreditará fazer coisa agradável a Deus. encerravam também uma advertência para todos os que. V. aos apóstolos da nova revelação. Tratar-vos-ão assim porque não conhecem a meu pai. Elas se aplicam igualmen- te. a fim de que. desempenhassem a missão de espalhar a verdade em meio atra- sado e refratário. nos vossos dias e nos tempos vindouros. como apósto- los. nos meios em que houverem de executar a sua tarefa. nem me conhecem a mim. O pensamento de Jesus. — 4. de acordo com o estado de pro- gresso e civilização dos Espíritos a quem se dirigirem.J. — 3. então e de futuro. 2. os quais devem todos aceitar a sorte que os espera. ao falar desse .B.

nem a grandeza e o objetivo da sua missão. como seus discípulos. combatendo os abusos e os vícios. assim procederam porque não conheciam o pai. em todas as épocas. o emblema da lei de amor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 827 modo. o fa- natismo.J. que era o enviado do Senhor. desde o tempo em que os após- tolos desempenharam a sua missão até os vossos dias. pela jus- tiça. pregam e pregarão a verdade. que era a regeneração da humanidade. acreditaram sempre estar pra- ticando atos agradáveis a Deus e assim pro- . abrangia todos os que. que é o Deus de amor. infinito. e porque não conheciam a Jesus. que é o amor universal. conseguin- temente pela fraternidade entre todos os homens. hão pregado. acreditando que faziam coisa agradável a Deus. o fanatismo. têm vertido o san- gue humano. Os que hão praticado a intolerância. a perseguição dos discípulos e lhes deram a morte. pelo amor e pela caridade. Os que. têm praticado a intolerância. a perseguição.B.

porém. agora. trazendo- vos o conhecimento do pai e de Jesus.J. vou para aquele que me enviou e nenhum de vós me pergunta para onde vou. N. nem física. o livre exame e. nem moral. Oh! homens. Quando os conhecerdes. calcando aos pés a lei de amor. Não vo-las disse desde o principio. Não mais derramareis o sangue humano. da consciência. que implica a liberdade do Se- nhor.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 828 cederam porque também não conheciam a Deus nem a Jesus. a liberdade da razão. a senda do progresso. e da qual sabereis servir-vos praticando a tolerância e a caridade. com essa liber- dade que Deus outorgou ao homem. 5. como apanágio do seu livre-arbítrio. Mas. Seguireis. por- . portanto. não repilais a luz e a verda- de que vos traz a nova revelação. a da cons- ciência. Desconheceram a um e a outro e os ultrajaram. impelidos pelo "Espírito da Verda- de". da sua razão. porque estava convosco. a tolerân- cia e a caridade. isto é. — 6. não praticareis mais a perseguição.

digo- vos a verdade. como sabeis.J. no entanto. Se. tinha ela que lhes ser reve- lada. Convém que me vá. a verda- de correspondente às inteligências e às ne- . Os Espíritos do Senhor. a ciência. encheu-se-vos de tristeza o coração. para a época. me for. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 829 que vos disse essas coisas. — 7. o Consolador não vos virá. o Consolador que Jesus lhes enviaria a inspirá-los e guiá-los no desempenho da missão que lhes cabia. Durante a missão de Jesus.B. pois. missionários encarnados para espalha- rem pelos homens a luz. Entretanto. Esse Consolador era. se não me for. eram. seus mensagei- ros. uma personificação do Espírito da Verdade e os apóstolos também o haviam de ser. Somente depois de consumado o sacri- fício do Gólgota. importava que os apóstolos e os outros discípulos se conservassem na incerteza. eu vo-lo enviarei. quanto à natu- reza dessa missão e às suas conseqüên- cias. visto que igualmente eram mensageiros do Se- nhor.

teria. quanto à justiça. como teve na- quela época e o tivera no passado. Os Espíritos encarnados naquela parte do globo onde Jesus desempenhou a sua missão. o Espírito da Verdade. de exe- cutar a sua tarefa por meio dos Espíritos do Senhor. quando ele vier. quanto ao juízo. Mas. E. seus novos mensageiros. V. — 10. para ajudá-la a caminhar e avançar pela senda da verdade.B. quer encarnados. Quanto ao pecado. não tinha sua per- sonificação e sua missão limitadas pelas dos Apóstolos. quer errantes. o Consolador. missionários envi- ados em auxílio do progresso da humanida- de. — 11. que é o Espírito San- to. — 9. onde fez ouvir a sua palavra e prati- . No futuro. porque não creram em mim. quanto à justiça e quanto ao juízo. convencerá o mundo quanto ao pecado.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 830 cessidades de então. porque vou a meu pai e não mais me vereis. porque o prín- cipe do mundo já está julgado. 8.

O mesmo se dá com relação a todas as épocas do vosso planeta.B. receber ou repelir a luz que lhes era trazida. repelirem a que lhes for trazida.J. Os que a repeliram faltaram aos seus compromissos. tinham — com prova — de receber ou repelir a luz que lhes era por ele trazida. muito é pe- dido àquele a quem muito foi dado e a res- ponsabilidade do Espírito está sempre na razão dos meios postos a seu alcance para se instruir. do mesmo modo que os que viviam ao tempo daquela missão. ao dirigir a seus discípulos as pa- lavras acima. os que a repeliam faltavam aos seus compromissos e mais pro- fundamente se enterravam no mal. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 831 cou os atos que conheceis. estendia seu pensamento aos . É também o que ocorre com os Espíritos encarnados que. nos dias de hoje. Ora. Os Espíritos en- carnados. Jesus. de futuro. não esqueçais. repelem a que se lhes oferece e com os que. Mas. assim antes como depois da mis- são de Jesus. tiveram por prova.

a repeliram e a todos os que a repelirem na época atual e nas épocas vindouras da era nova que se abre diante de vós. E aquelas palavras se aplicam a todos os que. durante a sua missão terrena. da nova revelação. Os homens foram chamados a reconhe- cer. "O Espírito da Verdade. porque não creram em mim." Quer dizer: quanto à transgressão da lei divina por parte dos que. até aos vossos dias. a todos os que depois. então futuros.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 832 tempos que iam seguir-se e. sobretudo. se torna culpado .J. disse o Mestre. convencerá o mundo quanto ao pecado. repeliram a luz que ele trazia aos homens. não aceitaram nem seguiram a moral que ele pregou e. dessa forma. aos tempos. com o deixar de praticá-la. não lhe dando crédito à missão. faltaram aos seus compromissos e se enterraram mais profun- damente no mal. muitos reconheceram e todos reconhe- cerão que quem quer que não segue a moral que Jesus pregou transgride a lei divina e.

vai continuar. É essa a missão do "Espírito da Verdade". "Convencerá o mundo. o elemento e o meio de o "Espírito da Verdade" convencer o mundo. Estas palavras: "porque vou para meu pai e não mais me vereis".J. depois de suas aparições às mulheres e aos discí- pulos. para que o mundo seja convencido. são os que. Provas foram essas que esclareceram a maior parte dos incrédulos de então e que a revelação atual vem pôr em evidência. tocados pelas provas esplendorosas da missão de Jesus. pe- . porque vou para meu pai e não mais me ve- reis. submetendo-se à lei de amor univer- sal que ele pregou. do Consolador. começada pela dos apósto- los. dirigidas a seus dis- cípulos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 833 e passível de "julgamento".B. à sua volta para a imensida- de na época da chamada ascensão. como sendo a base. se rendem à evidência e crêem." Convencidos. missão que. quanto à justiça. se referem ao sacrifício do Gólgota e à ressurreição. quanto à justiça.

com todas as forças do raciocínio. explicação que a revelação e a ci- ência espíritas apóiam.B. nos Evangelhos. Muitos reconheceram essa missão e todos a reconhecerão. isto é: quanto à fé na missão divina de Jesus e na lei de amor universal que ele pregou. desde que voltou para a imensidade na época dita da ascensão. para que o mundo seja convencido. do Consolador. em espírito e verdade. Os homens eram chamados a reconhe- cer a missão divina de Jesus e a se subme- ter à lei de amor universal que ele pregou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 834 la explicação que delas dá. É isso tam- bém missão do Espírito da Verdade. desapareceu das vistas humanas.J. missão que começou pela dos apóstolos e vai continuar. "ressuscitou". porque ele consu- mou o sacrifício do Gólgota. O Espírito da Verdade convencerá o mundo. Muitos se submeteram àquela lei e todos se lhe submeterão. quanto à justiça. reapareceu e. . depois das aparições às mu- lheres e aos discípulos.

designati- vas dos pendores viciosos contrários à lei divina. confor- memente às leis imutáveis e eternas da jus- tiça divina. que a sua consciência aplica a- pós a morte. Estas outras palavras que Jesus dirige a seus discípulos. inevitáveis do sofrimento. da expiação. são um conjunto de expressões figuradas. para os pendores viciosos. de convencer o mundo: "porque o príncipe do mundo já está julgado". Essas leis.J. O homem o provoca pelos seus pensamentos e pendores e o recebe. Desde . no passado. o elemento e o meio. por efeito de suas palavras e atos. porque o príncipe do mundo já está julgado. bem como para os atos culposos. são as leis imutáveis. sofreram o "julgamento". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 835 "Convencerá o mundo quanto ao julga- mento. para o "Espírito da Ver- dade". contrários à lei divina. da reencarnação.B. e se referem aos atos culposos que. como constituindo a base. meio único de reparação." O juízo é a retribuição de acordo com as obras. de purificação e de progresso. caminho único para a perfeição.

rebel- des. As palavras de Jesus abrangem todas as épocas. quanto à retribui- ção que é devida e feita aos pendores vicio- . na época da depuração do vosso planeta. que germinam e se desenvolvem nos vossos corações.J. desde o aparecimento do homem na Terra. não têm. voluntariamente cegos. desde a primeira encarnação humana até os dias atuais? Não se verificará ainda para os Espíritos culpados? Não se verificará. pois que se aplicam à natureza falível. não têm os atos culposos recebido a retribuição que lhes era devida? E os maus sentimentos. O "juízo" não se verificou já para cada um de vós. se- rão afastados da Terra e mandados para planetas inferiores? O "Espírito da Verdade" convencerá o mundo quanto ao juízo: quanto à retribuição de acordo com as obras. ao mal sob todas as suas formas. que. para os Espíritos culpados. sofrido o julgamento? É assim que o príncipe do mundo já está jul- gado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 836 o princípio. desde o princípio.B. então. isto é.

J. o "juízo". como a inteligência. pela revelação atual. para que o mundo seja convencido. Muitos o reconheceram e todos o reconhecerão. V. tudo tem que . despindo da letra o espírito. esse julgamento. vai continuar. contrários à lei divina. Assim a matéria. ele traz aos homens. contrários à lei divina. aos atos culpo- sos. do Paracleto. em verdade. porquanto. já receberam a retribuição que lhes era devida e os atos culposos já sofrem o "julgamento". Muitas coisas tinha ainda para vos dizer. porém. pois que os maus pendores. Os homens foram chamados a reconhe- cer essa retribuição.B. O progresso é lei da natureza. começada pela dos apóstolos. pela revelação e pela ciência espíritas. a qual. não as podeis compreender agora. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 837 sos. E o mundo será convenci- do. É essa ainda a missão do Espírito da Verdade. o co- nhecimento e a inteligência do que é. 12.

os tempos se sucederam. impe- dindo-lhe a cada passo o caminhar. A ciência que lhes foi dada estava em re- lação com as necessidades da época. Como seus contemporâneos. e lhes deu os conhecimentos de que tinham necessidade. em conseqüên- cia da encarnação humana. para mostrar. os apósto- los. eram. criancinhas que necessitavam de ser ajudadas no seu cami- nhar. o "Espírito Santo" se manifestou. As vestes próprias do adulto em- baraçariam os membros da criança. começou a avançar com e- nergia. Para eles. . e suas quedas se sucederiam continuamente. Mas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 838 progredir. depois. O "Espírito da Verdade" se revelou de tempos a tempos. conquanto mais desenvolvidos espiriti- camente do que eles. de longe. o desenvolvimento intelectual se operou. a princípio com lentidão. acelerando-se. que não podiam ser impelidas para a frente numa carreira rápida que não suporta- riam.J.B. no Pentecostes. que precisavam avançar a passos cur- tos.

seus mensageiros. mas dirá tudo o que houver escutado e vos anunciará as coi- sas que hão de vir.J. Jesus alude à era nova em que entrais e à época em que o homem. receberá . os missionários. a verdade que estavam em relação com as necessidades de cada época. Os Espíritos do Senhor. desde todos os tempos trouxeram aos homens a luz. ensinar-vos-á toda a verdade. abri- rá os olhos dos mais cegos e fará que sua voz penetre nas mais surdas consciências. Quando esse Espírito da Verdade vier. porquan- to não falará de si mesmo. pondo-se ao alcance de todos. V. na medida do que o homem podia compreender. guiado pelos Espíritos superiores. Aqui.B. a ciên- cia. porém." Já o te- mos dito: a verdade há sido sempre revelada aos homens. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 839 a luz que há de guiar a humanidade nas su- as pesquisas e não vem distante o momento em que. assim errantes como encarnados. "Ensinar-vos-á toda a verdade. 13.

Mas. "O Espírito da Verdade vos ensinará toda a verdade. "Ele não falará de si mesmo. progressiva e sucessiva- mente. ainda e sempre e cada vez mais. eles dirão o que. à humanidade a luz que há de guiá-la nas suas pesquisas e ajudá-la a avançar. compreendendo a fonte donde promana essa graça especial e o objetivo com que é concedida. tem que progredir e que se purificar. lhes for hierar- quicamente comunicado para que transmi- tam aos homens. seus mensageiros. pois que a sua tarefa con- siste em mostrar. seus mensageiros. Pelo que respeita aos Espíritos do Se- nhor. para aí chegar. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 840 os ensinos do Senhor em toda a sua exten- são. do Senhor provindo. físico e intelectual.B. mas dirá o que houver escutado." Sim. seus missionários na erraticidade. pela senda do progresso moral.J." Pelo que respeita aos Espíritos do Senhor. com ener- gia. seus missionários . tem o ho- mem ainda que aprender por largo tempo.

" Quanto ao presente. na ordem física e na ordem moral. acerca . houve- rem escutado.J. que é o conhecimento das leis de Deus. dirão o que houverem recebido por inspiração ou por meio da audição. e quanto ao futuro.B. Fá-lo-ão sob a inspiração divina. Trata-se de instruir os homens acerca de seus destinos. "Anunciará as coisas que hão de vir. quanto aos tem- pos atuais. o que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 841 encarnados. a significação dessas pala- vras é quase idêntica. não como o fazem os ledores da "buena-dicha". se bem que de maior alcance com relação ao futuro. isto é. da origem do mundo e da criatura e do fim que uma e outro têm que atingir. esses não falarão por si mes- mos. acerca do conhecimento. acerca da ciência do mundo e da criatura. em que começais a entrar na era nova que se abre para a humanidade. Trata-se de anunciar as coisas que hão de vir. acerca do que podem e devem esperar. portanto. segundo essas leis. mas tornando claras as partes da revelação mes- siânica deixadas na obscuridade do véu da letra.

relati- vamente ao que dela podeis compreender. sobre o conhecimento do mundo e da criatu- ra. porquanto essas coisas. assim da matéria como da inteligência. pois que. Começa- ram a instruir os homens sobre os seus des- tinos. a espalhar a claridade sobre as partes da revelação messiânica deixadas na obscuridade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 842 do conhecimento das obrigações cuja obser- vância conduz a esse fim. sobre o que podem e devem esperar. começaram.J. mediante a luz e a ciência espíritas que vos são reveladas. que é a realização da perfeição e da pureza. A missão do Espírito da Verdade está começada. principiaram a ser a- nunciadas. . Missio- nários.B. sob o véu da letra. cujo anúncio fora predito. pela do progresso. guiando a humanidade em suas pesquisas e ajudando-a no seu adiantamento. Começaram a dar-vos a verdade. conforme já o dissemos. Essa missão do Espírito da Verdade vai continuar. errantes e encarnados. Os Espíritos do Senhor já come- çaram a descer para o meio de vós.

ele confere.B. Como vosso protetor e governador. porque receberá do que é meu e vo-lo anunciará. visto que complemento e sanção da verdade.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 843 a vossa geração não passará sem que veja decorrer os seus primeiros anos messiâni- cos. — 15. Tudo o que meu pai tem é meu. Ele me glorificará. as mis- . 14. Tendes que ser conduzidos e chegar a essa época em que o homem guiado pelos Espíritos superiores. como único encarregado do vosso desenvolvimen- to e do vosso progresso. aos que sob a sua direção trabalham por esse desenvolvimento e esse progresso. que ele mostrará sem véu. Eis porque vos digo que ele receberá do que é meu e vo-lo anunciará. V. Espírito da Verdade. precursores do ad- vento de Jesus. Jesus se exprime desse modo relativa- mente ao planeta e à humanidade terrenos. receberá em toda a sua extensão os ensinos que lhe virão dar os mensageiros do Senhor.

B. constante- mente. tornando-a cada vez mais rápi- da na senda da caridade e do amor. É assim que tudo o que é do pai é de Je- sus e que o Espírito da Verdade recebe do que é dele e vo-lo anuncia.J. senda na qual o "Espírito da Ver- . com quem se acha. A missão dos Espíritos que recebem de Jesus uma dele- gação não consiste em vos fazer compreen- der a lei de Deus e os meios de cumpri-la? A glória de Jesus em que consiste. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 844 sões que lhes caibam desempenhar. sob a inspiração do Senhor onipotente. explicando-a em espírito e ver- dade. O Espírito da Verdade glorifica a Jesus e o glorificará cada vez mais. quer como encar- nados. e determina a natureza e o termo de cada missão. em relação direta. senão no vosso progresso e no desenvolvimento deste pelo praticardes a moral que ele pregou e que o Espírito da Verdade vem e virá incitar- vos a seguir. e pelo acelerardes a vossa marcha progressiva. quer como Espíritos errantes. da luz. da ciência.

J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 845 dade" vem e virá ajudar-vos a avançar? .B.

Em verdade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 846 CAPÍTULO XVI Vv. — 19.J. disse-lhes: Perguntais uns aos ou- tros que é o que vos quis significar quando disse: Ainda um pouco de tempo e não mais me vereis. porque vou para meu pai? — 18. disseram seus discípulos uns para os outros: Que quer ele dizer com isto: Ainda um pouco de tempo e não mais me vereis. — 20. Conhecendo Jesus que eles o queriam interrogar acerca das suas palavras. ainda um pouco de tempo e me vereis. ainda um pouco de tempo e me vereis.B. Ainda um pouco de tempo e não mais me vereis. em verdade vos . ainda um pouco de tempo e me ve- reis. Dizi- am. porque vou para meu pai. Ouvindo isso. então: Que significa o que ele diz: Ainda um pouco de tempo? Não sabemos o que quer dizer. 16. — 17. 16-22 Jesus promete a seus discípulos a alegria após a tristeza V.

A mulher. se acha em aflição. dizendo: "Ainda um pouco de tempo e não mais me vereis. — 21. estareis tristes. quando dá à luz. tal a sua alegria por haver dado um homem ao mundo. o vosso coração se alegrará e a vossa alegria nin- guém vo-la tirará.B. eu.J. porque é che- gada a sua hora. 54. depois de haver dado à luz um filho. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 847 digo: Chorareis e gemereis e o mundo rejubi- lará. na imensidade. N. ainda um pouco de tempo e me ve- reis. à sua reaparição entre os discípulos e ao seu regresso à condição espiritual que lhe era própria. Assim é também que vós outros estais cheios de tris- teza. porque vou para meu pai". porém. mas. na época chamada da ascen- são. — 22. Como deveis perceber. vos tornarei a ver. junto do pai. Jesus alude à sua morte aparente. Não são explícitas as palavras com que respondeu à questão que lhe dirigiram al- . mas a vossa tristeza se mudará em alegria. não mais se lembra dos sofri- mentos passados.

.B.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 848 guns dos discípulos. ocorridos os fatos. É que queria que só depois do seu sacrifício fossem elas com- preendidas e que lhes fizessem viva impres- são no espírito quando. as recordassem.

J. sob o véu da letra. Tenho-vos dito estas coisas por parábolas. 23. Vem a hora em que não mais vos falarei por parábolas.B. pedireis em meu nome. — Predições que lhes faz. Nesse dia. — 27. — 24. — 26. para que a vossa alegria seja plena e perfei- ta. em verdade vos digo: Se alguma coisa pedirdes a meu pai em meu nome. — Declara que venceu o mundo V. Em verdade. pois meu pai vos . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 849 CAPÍTULO XVI Vv. 23-33 Promessas de Jesus a seus discípulos. — 25. sua origem e sua posição espírita. Até agora nada pedistes em meu nome. ele vo-la dará. Pedi e recebereis. em que claramente vos falarei de meu pai. E nesse dia nada mais me pergun- tareis. — Atesta. e não vos digo que rogarei por vós a meu pai.

eu venci o mundo. porque meu pai estará comigo. — 29. Neste momento vemos bem que tudo sabes e que não precisas que ninguém te interrogue. tende confiança. e já veio. porque me amastes e crestes que saí de Deus. Muitas aflições tereis que sofrer no mundo." — 31. Respondeu-lhes Jesus: Credes agora. — 28. — 30. Disse-vos es- tas coisas.B. As explicações que já re- cebestes vos dão a inteligência deles se- gundo o espírito. — 33. Disseram-lhe seus discípu- los: "Eis que agora falas claramente e não usas de nenhuma parábola. 23-24. agora deixo o mundo e volto para meu pai. Sai de meu pai e vim ao mundo. (Vv.J. Por isto cremos que saíste de Deus. a fim de que acheis a paz em mim.) Com o fim de certificá-los do . N. Vem o tempo. não estarei só. — 32. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 850 ama. em que sereis dis- persos cada um para seu lado e me deixa- reis só. Perfeitamente compreensíveis são estes versículos. 55. porém. Eu. mas.

época em que colheriam os frutos do progresso que o feliz desempenho da missão que tomaram sobre si lhes granjearia.J. como os que lhes ele havia dado até então. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 851 poder de que a fé os faria dispor. época em que deixariam de rece- ber ensinos mais ou menos velados. cujo sen- tido já vos fizemos conhecer: "Pedi em meu nome a meu pai alguma coisa e ele vo-la concederá. pedi e recebereis. 25-26. dentro da ordem hierárquica. receberiam a inspiração divina.) Dizendo o que consta destes versículos.B. para recebê-los proporcionados ao grau de eleva- ção que houvessem alcançado. e progrediriam sob a influência e a direção do Mestre. es- ." (Vv. Jesus aludia à época em que os apóstolos se teriam despojado da carne e ao progresso que os aguardava após a desen- carnação. Assim entendidas em espírito e verdade e traduzindo o seu pensamento integral. Voltando à natureza espiritual que lhes era própria. Jesus re- pete mais uma vez estas palavras.

Dizendo: "Saí de Deus. como os discípulos. Jesus. para mais diretamente receber os seus ensinos. saí de meu pai e vim ao mundo.) Os discípulos gozavam da proteção do Senhor. Dando testemunho dessa missão. ao voltar para o espaço. 27-28. porque haviam escuta- do a palavra de Jesus e a tinham guardado para espalhá-la na Terra pela palavra e pelo exemplo. aproxi- mando-se cada vez mais dele. dá testemunho da sua elevação espírita. (Vv. cum- prido dignamente suas obrigações terrenas.B. co- lherá os frutos do seu progresso. agora deixo o mundo e volto para meu pai". o qual também. da sua natureza e da sua origem extra-humanas. porque tinham crido na sua missão divina e na sua origem celeste. ele lhe anuncia o termo e o seu re- .J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 852 sas palavras de Jesus se aplicam a todo Es- pírito que tenha. sob o véu da letra. muito embo- ra não se dessem conta exata dessa origem. da natureza extra-humana de que se revestira nas regiões etéreas para desempenhar sua missão terrena.

as palavras que a narração evangélica menciona. no que se refere à sua origem. de acordo com as vontades do Senhor. às necessidades daquela época e dos tempos que se seguiriam até aos vossos dias.B. de um lado a letra. (Vv. há. embora sem nenhuma idéia assentada acerca da divin- . à sua natureza. à natureza espiritual que lhe era própria e que o põe constantemente em co- municação direta com o pai. em as palavras de Jesus. 29-30-31. de outro o espíri- to. num tom afirmativo. na época chamada da as- censão. Eles não podiam ter noção exata da origem do Mes- tre.J. portanto. em que a nova revelação se tornou necessária e vos é trazida. Foi a letra. apropriada à inteligência deles e a suas faculdades como encarnados.) Aqui. à sua posição e às suas relações com Deus e com o vosso planeta. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 853 gresso àquelas regiões donde descera. como sempre. Criam-no saído de Deus. sua volta. que levou os discípulos a proferi- rem.

tende confiança. Jesus venceu o mundo. Prediz-lhes igualmente as persegui- ções. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 854 dade que lhe viria a ser atribuída. como sendo o que melhor explicava o poder e a virtude do Mestre. " Mas. para conduzir as criaturas. diz-lhes. sob a sua impulsão e direção. eu venci o mundo.B. Só mais tarde se fixaram sobre isso. uma vez que ignoravam o sentido das suas palavras. verdadeiro segundo o espírito e oculto segundo a letra. voltando ao vosso planeta.J.) A seus discípulos prediz Je- sus que. eles se disper- sariam. e por ele próprio. que predisse e prome- teu seria realizada pelo "Espírito da Verda- de". quando depura- do. porquanto estabele- ceu as bases. da sua con- denação e do seu sacrifício. igualmente . (Vv. 32-33. segundo as vontades do Senhor. quando da sua prisão. os elementos e os meios da regeneração humana." Desempenhando a sua missão. as dores físicas e morais que os espe- ravam no cumprimento da missão que iam desempenhar.

à perfeição. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 855 depuradas.J. .B.

B. Depois. do ponto de vista da missão dos discípulos e dos pro- gressos futuros que os aguardam após o cumprimen- to fiel dessa missão e que aguardam a todos os que lhes caminharem nas pegadas V.J. glorifica a teu filho. levantou os olhos ao céu e disse: Meu pai. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 856 CAPÍTULO XVII Vv. da natureza e da importância da missão que lhe foi confiada com relação ao nosso planeta e à sua humanidade. para que teu filho . 1. Assim falou Jesus. 1-26 Palavras que Jesus dirige ao pai — diante de seus discípulos — do ponto de vista da unidade e da indivisibilidade de Deus. é chegada a hora.

— 10.B. — 3. Sabem agora que tudo o que me deste vem de ti. glorifi- ca-me a mim em ti mesmo. ainda estão no mundo. e a Je- sus-Cristo. — 6. Eu te glori- fiquei na terra. porque são teus. acabei a obra de que me en- carregaste. — 7. porém. mas por aqueles que me deste. — 9. — 2. Ora. — 8. Fiz o teu nome conhecido dos homens que me deste separando-os do mundo. assim como lhe deste poder sobre todos os homens a fim de que ele dê a vida eterna aos que lhe deste. eles. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 857 te glorifique a ti. Já não sou mais do mundo. meu pai. tu. porque lhes dei as palavras que me deste e eles as re- ceberam e reconheceram que verdadeira- mente eu sai de ti e creram que tu me envi- aste. antes que o mundo fosse. — 11. É por eles que rogo. e eles guardaram a tua palavra. a vida eterna consiste em te conhecer a ti. que és o único Deus verdadeiro. com aquela gló- ria que tive em ti. que tu enviaste.J. Eles eram teus e tu mos deste. não rogo pelo mundo. Tudo o que é meu é teu e tudo o que é teu é meu e eu sou glorifi- cado com eles. — 4. . — 5. Agora.

mas que os guardes do mal. rogo igualmente por aqueles que hão de crer em mim pela .B. — 17. agora. Mas. como eu mesmo não sou do mundo. Dei-lhes a tua palavra e o mundo os odiou. Guardei os que me deste e nenhum se per- deu. a não ser o que era filho da perdição. Pai santo. Eles não são do mundo. — 14. nenhum se perdeu. Quando estava com eles. — 16. porque eles não são do mundo. Não rogo por eles somente. para que também eles sejam santificados na verdade. E por eles eu me santifico a mim mesmo. — 20. — 19. a fim de que sejam um como nós. a fim de que a Escritura se cumprisse. conserva em teu nome aqueles que me deste. Assim como tu me enviaste ao mundo. A tua palavra é a verdade. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 858 e eu volto a ti. também eu os enviei ao mundo. — 15. para que eles tenham em si a plenitude do meu júbilo. — 18. — 13. Não te peço que os tires do mun- do. eu os conservava em teu nome. Santifica-os na verdade. como eu também não sou do mun- do.J. venho a ti e digo estas coisas estando ainda no mundo. — 12.

a fim de que o mundo creia que tu me enviaste. — 21. que Jesus pronun- ciou em voz alta. o mundo não te conheceu. como nós somos um.J. és em mim e eu em ti. 56.B. meu pai. quero que lá onde estou es- tejam comigo aqueles que me deste. — 24. po- rém. para que o amor com que me tens amado esteja neles e eu mesmo neles esteja. eu. Fiz-lhes conhecer o teu nome e ainda farei que o conheçam. — 25. Dei-lhes a glória que me deste. — 22. — 26. — 23. porque me amaste antes da criação do mundo. Estas palavras. Estou neles e tu estás em mim. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 859 palavra deles. para que vejam a glória que me deste. a fim de que todos se- jam um. para que sejam um. te conheci e estes conheceram que tu me enviaste. Pai justo. . a fim de que sejam do mesmo modo um em nós. N. para que sejam consumados na unida- de e o mundo conheça que me enviaste e que os tens amado como me amaste a mim. Meu pai. foram ditas com o objetivo de tocar a imaginação dos que o escutavam. como tu.

servissem para o cumprimento da missão dos apósto- los e de seus imitadores. que é uma das fases da missão terrena de que ele se encarregou. através dos séculos de séculos. fossem transmitidas às gerações vindouras.) Jesus declara chegada a ho- ra do sacrifício que tem de cumprir-se para o progresso dos homens. a vida dos pu- ros Espíritos. a fim de que. que as vem explicar em espírito e em verdade. Elas são da mais alta importância. e constituíssem um ensinamento para os ho- mens. naquela época e no futuro. a fim de lhes dar a vida eterna. isto é. Dá. para impelir os homens ao arrependimento e ao progresso universal. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 860 pois tinham que se lhes gravar na memória. cuja direção ele a- ceitou desde a origem do mundo. testemunho da unida- . Pede a Deus que permita se cumpra esse sacrifício. do ponto de vista da nova revelação.J. (Vv. 1-2-3.B. mais uma vez. mediante a inspiração que as faria lembradas com exatidão.

de antemão. que consiste em co- nhecer ao pai. para que ele desse a vida eterna aos que o pai lhe dera".B. E acrescenta: "O- ra. estar em co- . testemunho da sua missão relativamente ao vosso plane- ta e à humanidade terrena." Ter a vida eterna. de suas missões e no cumprimento dessas provas. isto é. que és o único Deus verdadeiro". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 861 de individual do pai. a divindade que os homens lhe haviam de atribuir e atribuíram. que só elas permitem que a criatura se aproxime de Deus. dizendo que "po- der lhe foi conferido pelo pai sobre todos os homens. como seus fiéis discípulos. é compreender a essência de Deus. Dá também. a todos os Espíritos que. pela pu- reza perfeita.J. e repele. dessas mis- sões quando encarnados. forem e vierem a ser de boa-vontade na es- colha de suas provas. dizendo: "Tu. a vida eterna consiste em te conhecer a ti — que és o único Deus verdadeiro. é. pela perfeição alcançada. mais uma vez. e em conhecer a Jesus-Cristo. que tu enviaste. assim.

que consiste em co- nhecer ao pai. que o pai enviou. Quer dizer: necessário é que conheça a essência. estar. a nature- za de Jesus. sua missão referente ao plane- ta e à humanidade terrenos e os frutos que ela havia e há de produzir por si mesma e pelo cumprimento das promessas e predi- ções que contém. por efeito dessa pureza e dessa perfeição adquiridas. no objetivo e nos segre- dos da vontade divina. para que o Espírito tenha. cada vez mais. no to- cante ao vosso planeta. a origem.B. vivendo a vida e- terna dos puros Espíritos. É necessário ainda que adquira a pureza e a perfeição. sem as quais não poderá aproximar-se de Jesus. em relação direta com ele e ser por ele conduzido à vida dos puros Espíritos. dessa forma. é. Mas. iniciando-se. a vida eterna.J. progredir eterna- mente em ciência universal. do desenvolvimento . porquanto ele é o único encarregado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 862 municação direta com ele. as- sim. necessário também se faz que previamente conheça a Jesus-Cristo. na atividade incessante das obras e das missões.

com aquela glória que tive em ti antes que o mundo fosse". e à maneira por que esse sacrifício se consumará. que vai consumar- se como coroamento e sanção da sua mis- são pública entre os homens. alude ao sacrifício do Gólgota. de lhes dar a vida eterna. glorifica-me a mim em ti mesmo.B. que hão de conduzir os homens ao pai. Ele glorificou a Deus na terra. Alude à sua morte. (Vv. tra- çando para a humanidade as sendas do progresso.J. pois que isso constituía condição e meio indispensáveis ao progresso deles. da purificação e da regeneração. que consiste em conhecê-lo e em conhecer ao pai.) Jesus declara que chegara ao termo a sua missão pública de ensinar aos homens. tu meu pai. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 863 e do progresso dos homens e de os levar à perfeição. de conformidade com o que o exigiam os tem- pos e o estado das inteligências. mas que não podia ser e não seria senão aparente. que os homens considerariam real. Dizendo: "Agora. 4-5. .

sempre Espírito. antes da formação do vosso planeta: Espírito de pu- reza perfeita e imaculada. na medida correspondente às necessidades da época. em estado de tangibilidade. nin- guém ma tira. o conheci- mento de Deus. vv. e estavam purifi- cados bastante para bem as desempenha- . 17-18. 6-7-8. porque haviam sido dóceis aos conselhos de seus guias na escolha de suas provas. de suas missões.) Jesus comprova que deu a seus discípulos. debaixo de um envoltório fluídico de nature- za perispirítica. Não percais de vista as palavras que an- teriormente dissera e cuja explicação já re- cebestes: "Deixo a vida para a retomar.J. tenho o poder de a deixar e tenho o poder de a retomar. isto é. X." (Cap.B. sou eu que a deixo por mim mesmo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 864 visto que no Gólgota ele era o que já era antes que o mundo fosse. assim como a todos os ho- mens que se conservaram fiéis. Comprova que seus discípulos e todos os que se conserva- ram fiéis.) (Vv. é este o mandamento que recebi de meu pai.

bem o sabeis. 9-10-11. (Vv. em- bora. Do ponto de vista espiritual. por meio da qual amparo e força recebem. segundo o espírito.J. como já temos dito.) É para fortalecê-los que Jesus profere as palavras constantes destes versí- culos e cujo sentido. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 865 rem. ela ressoa como a pro- messa de um amparo. do ponto de vista da expiação. de proteção divina. A palavra "prece" pode e tem que ser considerada de diversos pontos de vista. . re- conheceram a sua qualidade de enviado do pai. a prece é uma emanação dos mais puros fluídos. de provas. sem se darem con- ta exata dessa missão.B. lhe escutaram a palavra e seguiram a moral que ele pregou e os ensinos que Deus o encarregara de transmitir aos homens.) Os discípulos tinham ainda rudes provas a suportar. sua elevação espírita e sua missão. po- deis penetrar. mediante as explicações já dadas sobre textos análogos. Ao ouvido do homem. de uma atração. (Não falamos.

aqueles a favor de quem é ela feita. Compreensí- vel. lhe rasgam novos horizontes ou o mergulham em trevas. é mais . de esclare- cê-la. entretanto. Que ação exerce o magnetiza- dor que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 866 mesmo a seu mau grado. por efeito da sua simples vontade. lhe abrandam as dores. de um ponto de vis- ta mais alto.B. que se opera a distância e da qual muito dificilmente vos podeis inteirar. emite fluidos sutis que envolvem aquele ou aqueles em favor de quem a prece é dirigida ao Senhor. emite fluidos que envolvem um paciente e lhe dão força ou o condenam à inércia. Sua ação. o mesmo princípio em ação. E esses fluidos têm a proprieda- de de fortificar a alma sofredora.J. ou fazem que experimente sofrimentos fictícios? Pois bem! A prece é. A alma. deve ser essa expressão — "magnetização moral" — para os que hão estudado e admitem a ação dos fluidos magnéticos. É uma magnetização mo- ral. de a instruir. porém. por efeito da sua vontade e do seu amor a elevar-se ao trono do Eterno.

o Espírito a- proveita sempre do socorro que lhe foi insu- ficiente durante a encarnação. mas o orgulho o leva- . falando de Judas. 12. com referência a seus discípu- los: "a fim de que sejam um como nós". também pelo pensamento. Uma vez desencarnado. a fim de que a Escritura se cumprisse. a fim de que sejam entre si um pelo pensamento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 867 forte sobre a alma desprendida do que sobre o Espírito encarnado. entretanto. A este a matéria torna difícil experimentar os benéficos efeitos da prece. Dizendo. Sabido era de antemão que Judas não teria forças para resistir à prova que pedira. os quais.) Diz Jesus. a não ser o que era filho da perdição. (V. como ele e o pai são um.B. não ficam perdi- dos. a quem designa pelo apelido de — filho da perdição: "Nenhum deles se perdeu. Fora disso pre- venido por Seus guias.J. Je- sus lhes faz compreender que entre eles deve haver comunhão de pensamento. como entre ele e o pai." Lembrai-vos do que já dissemos a este respeito.

porquanto era Espírito de pureza perfeita e imaculada. pelos seus sentimen- tos.) Antes que se consumasse o sa- crifício do Gólgota. a desempenhar uma missão superior. os discípulos fiéis achassem nas suas palavras mais uma garantia acerca da missão que desempenhara e um apoio nas vicissitudes em que se iam encontrar. lembrando-se do que lhes ele dissera. por serem. Espíritos mais elevados do que os ou- tros então encarnados.B. também e com muito mais forte razão. que já fizera. para que. a fim de que a Escritura se cumprisse". Permitiu-se-lhe então tentar a prova. atentos os frutos que . não por causa de suas personalidades. 13. do Mestre que. e que. os quais. da traição de Judas.) Os apóstolos "não eram do mundo". 14-15-16. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 868 ra a persistir. mais atra- sados do que eles. mas por cau- sa da palavra de Deus que eles haviam re- cebido do Mestre. não era do mundo. os "odiavam". Jesus insiste ainda uma vez na predição. (V.J. (Vv. Eis como ele era "um filho da perdi- ção.

é a verdade. adquirindo o conhecimento da que lhes compete espalhar. de acordo com as épocas. cor- respondendo esta ao grau de adiantamento de cada um. transmitem à humanidade. sempre deu. conforme predisse e prometeu. isto é. quer como Espíritos errantes. a verdade que ele deva conhecer.) Ele pede a Deus que os santifi- que. E o progresso. do que aos homens daquela época. quer como encar- nados. (V. até que o Mestre volte ao vosso planeta. Jesus permitira que os Espíritos fiéis igualmente baixassem em missão a esse planeta. diz Jesus dirigindo-se ao pai. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 869 esta havia de produzir. 18-19. que os faça progredir na verda- de. a santificação . se dirigia mais às gerações futuras e sobretudo ao tempo da era nova que se abre diante de vós. a que os seus mensageiros.) Assim como recebera uma missão a desempenhar na Terra. dá e dará ao homem." A palavra de Deus.J. (Vv. 17.B. "Tua palavra. para mostrar a verdade sem véu.

(V. mesmo para os puros Espíritos.B. relativamente a seus apósto- los. tanto na ordem material. assim com referência à matéria. porque. 20. pelo que já dissemos. ouvindo-lhes a palavra. E o progresso. é o prêmio. em todos os graus. sem que ja- mais possa igualar a Deus. er- rantes e encarnados. para todos. como com relação à inteligência. Di- zemos — para todos. quanto na ordem fluídica e na espiritual. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 870 era. relativa às suas missões e ao modo por que as desempenhavam. mas também pelos que hão de crer em mim pela palavra deles". se aplica a todos os que. os ensinamentos. tem eternamente o que adquirir em ciência universal. feito progredir seus irmãos. como sabeis. o Espírito por mais adiantado que seja.) Dizendo: Não rogo por eles so- mente.J. qualquer que seja a superioridade a que hajam che- gado em ciência universal. a re- compensa das obras e missões mediante as quais tenham. crerem na sua . na imensidade. Jesus faz saber ao mundo que o que acabava de dizer e o que ainda diria.

a fim de que o mundo creia que o Cristo foi o en- viado de Deus e creia.) "A fim de que todos. hierarquicamente. quanto pela palavra. Jesus. e rela- tivamente a cada época. pelas provas e missões fielmente cumpridas." . Deus é um com ele.J. que Jesus recebe diretamente do pai e transmite. unindo-se pelo amor e pela abnegação. até eles. conseguintemente. como. pois. Jesus promete a todos os homens de boa-vontade. a depuração. a fim de que. pregarem o bem.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 871 missão. que aproxima cada vez mais a criatura do seu criador. na sua missão. imitadores de seus discípulos. a verdade que de- vam conhecer e bem assim o progresso. tanto pelo exemplo. (V. do mes- mo modo. sejam um pelo pensamento. a todos os que. pela purificação. pelo pensamento. 21. de futu- ro. aceitarem e seguirem a moral que ele pregou e se tornarem desse modo seus imitadores e. pela inspiração divi- na. sejam um em Deus e nele. como a seus apóstolos.

22. o pensamento que Jesus ex- prime é o de que. para que sejam um. por ele dado a seus discípulos. da proximidade. como o pai e ele são um do mesmo modo.) "Dei-lhes a glória que me deste. Sabeis que ele muitas vezes lhes falou do poder que exerce sobre o planeta terreno. de suas relações com este. Alude também à influência que esse conhecimento há de exercer nas relações dos discípulos entre si.J. a fim de que eles fossem um pelo pensamento. da sua ori- gem e da sua missão. inspirado e guiado pelo . 23. da unidade de pen- samento que existe entre o pai e ele. a fim de que sejam consumados na unidade e que o mundo conheça que tu me enviaste e que os tens amado como me a- maste a mim". em que se acha. do Senhor onipotente." Isto dizendo.B.) Dizendo: "Estou neles e tu estás em mim. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 872 (V. alude Jesus ao conhecimento. Deu aos discípulos o conhecimento da sua origem e da sua missão. como nós somos um. (V.

e a fim também de que o mundo reco- nheça que ele foi o enviado do pai e reco- nheça cada vez melhor a sua missão e que a graça divina. os meios com- patíveis com o grau de purificação que já haviam alcançado. se entende do ponto de vista da purificação do Espírito e em relação ao grau de pureza já por este atingido. cheguem todos ao mesmo grau de purificação. em amor e em de- dicação entre si e aos seus irmãos. que sobre ele se derramou. Assim é que Deus os amou. ou missões. isto é: que o Senhor onipotente os ajudou no desempenho de suas tarefas e lhes conce- deu. para que progredissem. pois a unidade dos Espíritos é a igualdade na pure- za. como estes. se estendeu igualmente aos discípulos. ele inspira e guia seus discípulos e todos os homens que. A graça divina se estende.B. tratando-se do Criador. como amou a Jesus. . no cumprimen- to de suas provas. forem de boa-vontade. a fim de que. e na senda do progresso. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 873 Senhor onipotente.J. unidos pela co- munhão de pensamento. O termo amar.

como estes. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 874 igualmente. a fim de que. V. Jesus a fez em voz alta. de humilda- de. os discípulos e os que. O desejo que expressou com essas palavras significa que quer sustentar os Espíritos de- votados. buscam a luz. Meu pai. de desinteresse e de caridade. sobre todos os Espíritos que chegaram ao mesmo ponto. Não esqueçais que esta prece. Significa que os quer sustentar. possam. cumprida a ta- refa. a fim de encami- nharem os homens para o arrependimento e para o progresso universal. caminhando perseverantemente pela senda que ele traçou com a sua moral. pelas provas e missões. como dis- semos no começo. subir de progresso em progresso até ele. . quanto à sua libertação da matéria e das influências desta. para que contemplem a glória que me deste. seus ensi- nos e seus exemplos de amor. a ciência e a verdade. quero que lá onde estou estejam comigo aqueles que me deste.J.B. 24. por- que me amaste antes da criação do mundo.

que Deus lhe confiara. de protetor do vosso planeta. fazendo-o sair dos fluidos incandescentes. anterior à sua criação e ao tempo desta já se acha investido na confiança do Criador. Dizendo: "A glória que me deste. Je- sus alude à missão. mediante o progresso tanto da matéria como da inteli- gência. aos frutos que há de dar. em chegando às regiões donde Jesus preside ao progresso do plane- ta e da humanidade terrenos. será dado con- templarem a sua glória. Essa missão ele a obtém como recom- pensa dos progressos que realizou em ciên- cia universal e como incentivo para novos progressos nesse campo. até os dias . E todos se esforça- rão cada vez mais por imitá-lo e por se unir no seu amor e no seu devotamento. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 875 Aos Espíritos. às fases dessa missão. porque me amaste antes da criação do mundo".J. O Espírito protetor de um planeta é.B. co- mo sabeis. desde o instante em que ele presidiu à formação do mesmo planeta.

Deus nele confia- va porque. atestando assim. da sua transformação completa e da sua ascensão às regiões fluí- dicas puras. já antes de criar os materiais. sim: "lá onde estou".J. era. protetor e governador do planeta terreno.. porque depositava nele confiança.. a glória que Deus deu a Jesus. sendo um Espírito de pureza per- feita e imaculada. 24: "que lá onde estou este- jam comigo aqueles que me deste. como para todo Espírito protetor de planeta. um incitamento. Concluindo. que constituía para ele. por efeito dos conhe- cimentos que já adquirira. capaz de desempenhar aquela missão. uma recom- pensa." Ele não diz: "lá para onde vou". Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 876 da sua depuração. mais uma . devemos chamar a vossa atenção para estas palavras do Mestre. conforme o temos dito. deferindo-lhe a missão de fundador.B. Tal. em espírito e verdade. constantes do v. mas. dos progressos que realizara em ciência universal. os elementos constitutivos desse globo.

por estar em relação direta com ele. comprova: que os homens não compreenderam a Deus em sua essência. através da missão que lhe confiou. onde tem o trono da sua glória de protetor do planeta terráqueo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 877 vez. eu. que a esta se conserva preso pela encarnação humana material. V. nem compreenderam o objetivo e os desígnios secretos da sua providência. em estado de tangibilidade. que lhe permite. Pai justo. e que seus discípulos compreenderam ser ele o enviado de Deus e lhe reconhece- . te conheci e estes conhece- ram que tu me enviaste. o mundo não te conhe- ceu. o objetivo e os desígnios da sua vontade. por esta forma. ser habi- tante livre das regiões etéreas. que ele conheceu a Deus. sua natureza extra-humana. porém. Jesus.B. de natureza perispi- rítica. sendo sempre Espírito debaixo da- quele invólucro fluídico. e não habitante da Terra. como o homem.J. compreendendo-lhe a essência. 25.

Sim. . a fim de que cheguem progressivamente à perfeição que ele conquistou pelas suas obras e. Fiz-lhes conhecer o teu nome e a- inda farei que o conheçam. à medida que os ho- mens se depuram e progridem. Jesus de- clara que o conhecimento de Deus. para que o amor com que me tens amado esteja neles e eu mesmo neles esteja. por ele dado a seus discípulos. quando se houverem purificado bastante para até a ele subirem.B. Esse conhecimento ele o vai am- pliando cada vez mais. 26. Servindo-se destas palavras. mas in- completo. não estava completo. V. aos homens. pois promete que os fará conhecê-lo ainda mais. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 878 ram a missão. Jesus deu a seus apóstolos e aos homens o conhecimento de Deus. assim.J. a estar com ele em relação direta.

— Palavras que dirige a Pedro. porque Jesus lá fora muitas vezes com seus discí- pulos. quando este. ali veio com lanternas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 879 CAPÍTULO XVIII Vv. para o jar- dim situado além da ribeira do Cedron. Tendo dito essas coisas. — Circunstâncias relativas a es- sa prisão. com seus discípulos. fere a Malco na orelha direi- ta. com seus discípulos. Judas. para além da ribeira do Cedron. no qual entra- ram ele e seus discípulos. — 3.B. Judas. — Palavras que ele dirige aos que acabavam de deitar-lhe a mão.J. 1-14 Jesus vai. — 2. Jesus foi. onde havia um horto. conhecia também esse lugar. 1. pois. — Sua prisão. que o traía. . — Jesus é preso e conduzido a Anás e daí a Caifás V. tendo tomado con- sigo uma coorte de quadrilheiros que os príncipes dos sacerdotes e os fariseus puse- ram à sua disposição. servindo-se da sua espada.

Esse homem se chamava Malco. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 880 archotes e armas. A fim de que se cumprisse esta palavra que por ele fora dita: "Não perdi nenhum dos que me deste. Judas. — 8. — 9. pois.J. que sa- bia de tudo o que havia de acontecer. Jesus lhes replicou: Já vos disse que sou eu. — 7. — 13. Então. — 6. a mim é que buscais. Se. Jesus disse a Pedro: Mete a tua espada na bainha. Então.B. Mas Jesus. Não tenho que beber o cálice que meu pai me deu? — 12. com o tribuno que os comandava e os qua- drilheiros prenderam a Jesus e o amarraram. estava também com eles. . eles recu- aram e caíram por terra. Ora. saiu- lhes ao encontro e lhes disse: A quem bus- cais? — 5. Perguntou- lhes segunda vez: A quem buscais? Res- ponderam: A Jesus de Nazaré. Responderam: A Jesus de Naza- ré. puxou dela e feriu um servo do pontífice e lhe cortou a orelha direi- ta. — 11. que o traía. Levaram-no primeiramente a Anás. que tinha uma espada." — 10. deixai ir estes. os soldados. Simão Pedro. — 4. Jesus lhes disse: Sou eu. Apenas Jesus lhes disse: Sou eu.

Nos comentários feitos aos três primeiros Evangelhos (págs. 424-429.B. que mais convinha morresse um só homem por todo o povo. N. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 881 porque era sogro de Caifás. do 3° tomo) já vos foram dadas as explicações necessárias sobre estes fatos. Reportai-vos a essas explicações. que era o pontí- fice naquele ano. como conselho aos Judeus.J. Caifás era o que havia dito. — 14. . 57.

— Jesus é inter- rogado pelo pontífice. ficou do lado de fora. — Recebe uma bofetada. que era a porteira. — Resposta que lhe dá. Entretanto.J. Com eles estava tam- . — Palavras que dirige ao que o esbofeteou. — 16. — 17. 15. porém. perguntou a Pe- dro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Ele respondeu: Não sou. porque fazia frio. Os servos e os quadrilheiros que prenderam a Jesus estavam junto do lume a se aquece- rem. assim como um outro discípulo que.B. 15-27 Pedro em casa de Caifás. Pedro. sendo conhecido do pontífice. Essa criada. — Negação de Pedro V. entrou com Jesus no pátio da casa do mesmo pontífice. o outro discípulo que era co- nhecido do pontífice saiu e falou à porteira e esta fez que Pedro entrasse. — 18. Então. Simão Pedro seguiu a Jesus. à porta. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 882 CAPÍTULO XVIII Vv.

porque me bates? — 24. mas. Anás o enviara manietado ao pontífice Caifás. — 22. dize em que foi. sempre ensinei na sinagoga e no templo. Jesus lhe respondeu: Se falei mal. para saberes o que lhes disse. — 19. se aquecia. Nada disse às ocultas. de pé junto do lume. onde se reúnem todos os Judeus. pois.J. — 25. dizendo: Não sou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 883 bém Pedro. o pontífice interrogou a Jesus acer- ca de seus discípulos e da sua doutrina. Disseram- lhe então alguns: Não és também dos seus discípulos? Ele negou. dizendo: É assim que respondes ao pontífice? — 23. Enquanto isso. Como ele dissesse isto. a se aquecer. se falei bem. Então. um dos servos do pontífice. Jesus lhe respondeu: Falei publicamente a todo mundo. me interrogas? Interroga os que me ouviram. Eles aí estão os que sabem o que lhes ensinei. de pé. Pedro ainda uma vez negou e logo .B. um dos oficiais ali presentes lhe deu uma bofetada. lhe disse: Não te vi eu no horto com ele? — 27. — 26. pa- rente daquele a quem Pedro cortara a ore- lha. — 20. Simão Pedro. Porque. En- tretanto. — 21.

como todos os que o Mestre lhes deu acerca do perdão das injúrias.B. . é um ensinamento que. Essa resposta. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 884 cantou o galo. a reflexão. Já rece- bestes a explicação destes fatos nos comen- tários sobre os três primeiros Evangelhos (39 tomo. N. calma e digna. 58.J. os homens precisam não perder de vista. que conduzem à prática da justiça e da caridade. A todas as relações que mantenham en- tre si devem presidir sempre a razão. A narrativa de João se explica e completa pelas dos três outros evangelistas. dos mais fundos ultrajes. Nenhuma importância têm as divergências que se notam nas particularidades. págs. das ofensas. 430-433). Temos que chamar a vossa atenção a- penas para a resposta de Jesus ao oficial que o esbofeteou. a pon- deração.

mas os Judeus se opõem e preferem a libertação de Barrabás V. 28. — Ele é rei e por isto é que não veio ao mundo senão para dar testemunho da verdade. Levaram então Jesus da casa de Caifás ao pretório.B. 28-40 Jesus é levado da casa de Caifás à presen- ça de Pilatos. E eles não entraram no pretório para não se macularem e poderem comer a páscoa. — 29. Era manhã. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 885 CAPÍTULO XVIII Vv. Res- ponderam-lhe: Se ele não fosse um malfei- . — Seu reino não é deste mundo. — Pilatos quer livrá-lo. — Seu reino não é agora deste mundo.J. Pilatos veio fora ao encontro deles e lhes disse: De que crime acusais este homem? — 30.

lhe responderam: Não nos é a nós permitido dar a morte a ninguém. — 31. pois. — 32. Respondeu-lhe Jesus: O meu reino não é deste mundo. Mas o meu reino não é agora deste mundo. Se deste mundo fosse o meu reino. entrou novamente para o pretó- rio. certo os meus servidores comba- teriam para que eu não caísse nas mãos dos Judeus. fez vir à sua presença Jesus e lhe per- guntou: És o rei dos Judeus? — 34. Disse-lhes Pilatos: tomai-o vós mesmos e julgai-o se- gundo a vossa lei. ou outros to disseram de mim? — 35. Todo a- . Os Judeus.J. Repli- cou-lhe Pilatos: Sou porventura judeu? Os de tua nação e os príncipes dos sacerdotes te entregaram às minhas mãos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 886 tor. para dar testemunho da verdade. não to entregaríamos. — 33. Para que se cum- prisse o que Jesus havia dito quando desig- nara de que morte havia de morrer. Que fizeste? — 36. — 37. Disse-lhe Pilatos: Então. Pilatos. porém. és rei? Retrucou-lhe Jesus: Tu o dizes. Res- pondeu-lhe Jesus: Dizes isto de ti mesmo. sou rei. É por isso que nasci e vim a este mundo.B.

costume entre vós que se vos solte um criminoso pela festa da páscoa. com relação aos fatos. não deve ser separada das dos três outros evangelistas. Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade? E. Quereis que vos solte o rei dos Judeus? — 40. — 38. dizendo isso. o mesmo. como sabeis. O fundo. — 39.B. É. é. escreveu den- tro do quadro que lhe fora traçado pela inspi- ração mediúnica.J. 59. mas conservando a inde- pendência própria da natureza que lhe era peculiar. Então se puseram todos novamente a clamar: Não este. Cada narrador. Barrabás era um ladrão. como em todos. neste ponto. Ora. por isso que elas se explicam e completam mutuamente. porém. Não temos que vos dar senão algumas . saiu e foi ter outra vez com os Judeus e lhes disse: Não acho neste homem crime algum. N. sim Barrabás. A narrativa de João. quanto às particularidades. em todas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 887 quele que pertence à verdade escuta a mi- nha voz.

que dia virá em que o seu reino será deste mundo. os homens houverem abandonado os atalhos que os extraviam e fazem voltar incessantemente ao mesmo ponto e houverem tomado com decisão a estrada do progresso. estes versículos são perfeitamente compreensíveis. Pilatos lhe ob- serva: "Então. com o servir-se do vocábulo "agora". Dizendo: "O meu reino não é deste mun- do". e é por isso que nasci e vim a este mundo. afirma. és rei?" Ao que responde ele: "Tu o dizes. tendo a ilu- miná-la o facho da verdade sustentado pela fé. quanto ao mais. o meu reino não é deste mundo". inteiramente estranha a interesses materiais.J. Depois de ouvir de Jesus as palavras a que acabamos de nos referir. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 888 explicações especiais. porém. regenerados pela verdade. sou rei. para dar testemunho da . a aspirações materiais. Isso se dará quan- do. põe Jesus em relevo a natureza espiri- tual da sua missão. visto que.B. Dizendo: "Agora.

" Apresentando. na qualidade de seu prote- tor e governador. desse modo. pois. que ele aparecera na Ter- ra. Jesus confirma a autoridade que já dissera ter recebido de seu pai. que para vós se abre. escuta a minha voz. Todo aquele que pertence à verda- de. ministrando aos homens. à pro- porção que este se fosse mostrando capaz de a suportar e compreender. do . rei do vosso planeta. a verdade correspondente àquela época e ao futuro e destinada. antes que a Terra fosse criada. testemunhando a autoridade que recebera do pai. que viera ao mundo. pelo desempenho de sua missão. quer dizer: porque é rei. "É por isso". ao longo do passado até então. conforme às suas promessas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 889 verdade. a se patentear sobretudo na era. com essa resposta. era o- bra de verdade. sancionando com a sua palavra o que. para dar testemunho da verdade. testemunho da sua realeza. à sua autoridade de protetor e governador do vosso planeta.B. antes que a Terra fosse criada. a se patentear aos olhares do homem.J. Refere-se.

26. "Todo aquele que pertence à verdade es- cuta a minha voz. sobre a qual Jesus guardou silêncio. época por ele predita e prometida. 47. para só se ir mostran- do na medida do que o homem possa supor- . 15. Só nos dias de hoje tinha que ser dada. 25-26. n.B. vv. que é una. v. 11. e às que demos (n. Pertence à verdade aquele que sabe que a verdade é relativa aos tempos e às neces- sidades das épocas. 48. 52. Essa resposta o homem não era então capaz de a suportar e compreender. 12 e 13). 53. n. relativamente à missão do Espírito da Ver- dade. vv. vv. porém. 4-5-6). a propósito destas pa- lavras: "Eu sou o caminho. v. a verdade. no passado e nos tempos atuais e fu- turos da nova era. n. a vi- da". Fazei-o e encontrareis a resposta à pergunta de Pilatos. mais ou menos encoberta. 49." E Pilatos lhe pergunta: "Que é a verdade?" Reportai-vos às explicações por nós da- das (n. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 890 "Espírito da Verdade". 8.J.

dando a . ao amor universal. por essa forma. sabe ser a ver- dade. Pertence à verdade a- quele que sabe que. pois que Jesus é "a verdade". pelos Espíritos do Senhor. à fraternidade. quanto mais o Espírito se eleva. à propagação daquilo que. Todo aquele que pertence assim à ver- dade escuta a voz de Jesus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 891 tar e compreender. de ordem física. desde a origem dos tempos. seus mensageiros. mo- ral e intelectual. Pertence à verdade aquele que consagra seus cuidados. à es- piritualidade.B. antes da sua missão terrena. suas faculdades e seus esforços à aquisição. que a levam a despren- der-se da matéria. que conduzem a humanida- de ao seu aperfeiçoamento. que desenvolvem nela sinceras aspirações ao espiritualismo. em todas as épocas. tanto mais os véus da verdade se rasgam às suas vistas. pe- los Espíritos em missão. sempre superiores aos meios humanos onde surgiram. Pertence à verdade aquele que sabe que esta é o conhecimento de todos os princípios. Sua voz sempre se fez ouvir.J.

vem ensinar e ensinará progressiva- mente toda a verdade. como no tocante à or- dem moral e à ordem intelectual. nos tempos atuais e futuros da era nova que se inicia. quando vos houverdes tornado capazes de recebê-la.B.J. nos tempos preditos. quando esta foi ensinada e propagada pelos apóstolos e dis- cípulos e mais tarde por esses Espíritos em missão a quem chamais homens de escol pela inteligência e pelo coração. Aquela voz se fez ouvir por o- casião da sua missão terrena. Aquela voz vai fazer-se ouvida ainda por intermédio do "Espírito da Verdade" que. E. quando ele veio pessoalmente dar testemunho da ver- dade. quando para isso os messias ou enviados vos tiverem preparado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 892 verdade correspondente às necessidades de cada época. à proporção que a puderdes ir compreendendo. . gênios ben- feitores da humanidade. ele virá mostrá-la sem véu. Fez-se ouvir depois. assim no que res- peita à ordem física.

trazendo uma coroa de espinhos e um manto escarlate.B. — 5. Mas. — Eis o homem. — 4. E Pilatos lhes disse: Eis aqui o homem. E lhe vinham dizer: Eu te saú- do.J. — 6. para que saibais que não acho nele crime algum. Pilatos mais uma vez saiu do pretório e disse aos Judeus: Eis que vo-lo trago fora. pois. E os soldados. lha puseram na cabeça e o vestiram com um manto es- carlate. rei dos Judeus. 1-7 Flagelação. — 3. Pilatos tomou então de Jesus e o mandou açoitar. ao vê-lo. — 2. Jesus. — Coroa de espinhos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 893 CAPÍTULO XIX Vv. 1. — Pedido de crucificação por parte dos Ju- deus V. e lhe davam bofetadas. os príncipes dos sacerdotes e a sua gente se puseram a clamar: Crucificai- o! crucificai-o! Disse-lhes Pilatos: Tomai-o . Saiu. tendo tecido uma coroa de espinhos.

o blasfemo incorria na pena de morte por lapi- dação.B. porém. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 894 vós mesmos e crucificai-o. de conformidade com o pensamento daquele que as proferiu. de acordo com a lei hebraica. Responderam-lhe os Judeus: Temos uma lei e. porque se fez filho de Deus. Estes versículos não precisam de comentários. segundo a nossa lei. Temos que vos fazer notar a- penas que. só pela nova re- velação tinha que ser dado. tomando ao pé da letra estas pa- lavras por ele ditas. ele deve morrer. N.J. quando fossem reveladas a origem e a natureza do Mestre e a sua posição espírita com relação a Deus e ao vosso planeta. referindo-se a si mesmo — filho de Deus. Este sentido delas. palavras cujo sentido já muitas vezes explicamos. Os Judeus acusavam a Jesus de blasfemo. 60. pois que nenhum crime acho nele. — 7.

E. Quando ouviu essas palavras. se te não fosse dado do Alto. — Os Judeus persistem em pedir a sua crucificação V. não lhe deu resposta. Mas os Judeus clamavam: Se soltas esse ho- . — Todo poder vem do Alto. Por isso é que aquele que a ti me entregou se tornou culpado de um pecado maior. Respondeu-lhe Jesus: Nenhum poder terias sobre mim.B. Dali por diante. Pila- tos temeu ainda mais. Disse-lhe então Pilatos: Não me respon- des? Não sabes que tenho poder para te mandar pregar numa cruz e que tenho poder para te soltar? — 11. — 9. entrando de novo no pretório. porém. procurava Pilatos um meio de soltá-lo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 895 CAPÍTULO XIX Vv. 8. perguntou a Jesus: Donde és? Jesus. — 12. 8-15 Silêncio de Jesus em face da pergunta que Pilatos lhe dirige.J. — 10.

Crucifica-o. clamavam: Tira-o. Eles.B. não és amigo de César. se te não fosse dado do Alto. no lugar chamado em grego Litóstrotos e em hebraico Gabata. não deve ser insulada das outras três. Disse ele aos Judeus: Eis ai o vos- so rei. Pilatos lhes dis- se: Pois hei de crucificar o vosso rei? Res- ponderam os príncipes dos sacerdotes: Não temos outro rei senão César. como já o temos dito. — 15.J. 61. porém. Chamamos apenas a vossa atenção para esta resposta de Jesus a Pilatos: Nenhum poder terias sobre mim. — 13. Pilatos trou- xe Jesus para fora do pretório e se sentou em seu tribunal. A narrativa de João. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 896 mem. porquanto elas se explicam e completam mutuamente. Ouvindo essas palavras. — 14. Era o dia da preparação da Páscoa. Por isso é que aque- . tira-o do mundo. quase à ho- ra sexta. Também estes versículos não pre- cisam de comentários. N. pois todo a- quele que se faz rei se declara contra César.

ao passo que Pilatos encarnara na ignorân- cia dos acontecimentos que iam ocorrer. portanto. Judas tinha querido. Jesus se refere à posição de Pilatos e à de Judas. por- que pelo Senhor é que lhe fora concedida a posição importante que ele ocupava e em virtude da qual o Mestre se achava em suas . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 897 le que a ti me entregou se tornou culpado de um pecado maior. se o que naquele momento sucedia não estivesse dentro das condições a que tinha de obedecer a missão do Mestre.B. de- sempenhar uma missão em que veio a falir.J. sem haver assumido compromis- sos. feito antes de encarnar. como sabeis. A pedido seu. de seguir as suas ten- dências. Tinha aquele fim a encarnação que escolhera. O poder lhe havia sido dado do Alto. em condições. Certamente que sobre Jesus ele nenhum poder teria tido. fora-lhe concedido ocupar uma posição im- portante.

recomendamos a leitura das obras — Há Dois Mil Anos e 50 Anos Depois. por- que. tendo chegado a hora do sacrifício do Gólgota. com o fazer que os guardas caís- sem por terra. . NOTA DA EDITORA — Sobre os aconte- cimentos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 898 mãos. — W.J.B. testemunhando o seu poder. antes que a prisão se houvesse efetuado. re- cebidas mediunicamente por Francisco Cân- dido Xavier. onde cumpria que se deixasse prender. para que esse sacrifício se consu- masse. E Jesus estava em suas mãos. ele fora voluntariamente para o horto onde sabia que seria preso.

16. pois. um de um lado. Pilatos fez também uma inscrição. em . — Crucificação. Então Pilatos lhes entregou Jesus para ser crucificado.J. — É conduzi- do ao Calvário. — 18.B. porquanto o lugar onde Jesus fora crucificado era próximo da cidade e a inscrição estava escrita em hebreu. — Inscrição feita por Pilatos e colocada no alto da cruz V. rei dos Judeus. — 17. outro de outro lado. carregando a sua cruz. 16-22 Jesus é entregue aos Judeus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 899 CAPÍTULO XIX Vv. o tomaram e levaram. E. e no meio Jesus. Eles. que man- dou colocar no alto da cruz e na qual esta- vam escritas estas palavras: Jesus Nazare- no. Muitos Judeus leram esta inscrição. — 20. onde o crucifica- ram e com ele dois mais. — 19. veio ele ao lugar que se chama Calvário e em hebreu Gólgota.

a significação destes fatos. .B. que compusera por inspiração. Pilatos obedecia a um sentimento de orgulho. — 22. Já explicamos. que lhe não con- sentia retroceder do que decidira. que todas se expli- cam e completam mutuamente. 62. mas — que se disse rei dos Judeus. N.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 900 grego e em latim. com relação aos quais também não deveis isolar a narrativa de João das de Mateus. Recusando modificar a inscrição. comentando os três primeiros Evangelhos. está escrito. se bem que desta não tivesse consciência. Marcos e Lucas. Pilatos lhes res- pondeu: O que escrevi. — 21. Os príncipes dos sacerdotes disseram então a Pilatos: Não ponhas — rei dos Judeus.

tendo-o crucificado. 23-27 As vestes. Jesus. — A Virgem e João ao pé da cruz. disseram entre si: Não a rasgue- mos: deitemos sorte para ver quem a terá. — A túnica. mas. Maria. e Maria Madalena. como não tivesse costura e fosse tecida de alto a bai- xo. Os soldados. — Palavras de Jesus a Maria e a João V. — 25. — 24. a fim de que se cumprisse esta palavra da Es- critura: Repartiram entre si as minhas ves- tes. 23. deitaram sorte sobre a minha túnica. — 26. efetivamente. tomaram de suas vestes e as dividiram em quatro partes.B. mulher de Cleofas.J. os soldados assim fizeram. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 901 CAPÍTULO XIX Vv. E. estavam junto à cruz a mãe de Jesus e a irmã de sua mãe. uma para cada soldado. To- maram também da túnica. vendo sua mãe e ao lado dela o discípulo a . Entretanto.

— 27. por meio . eis ai teu filho. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 902 quem ele amava.J. N. 63. que os im- pediu de ver as costuras da fazenda. A narração evangélica diz porque isso se deu. era feita de um tecido de fabricação humana. Foi "para que se cumprisse a palavra da Escritura. pelos que entre si repartiram as vestes de Jesus. que devem ligar. segundo o uso. disse a sua mãe: Mulher." O ato de Jesus recomendando João a Maria: "Mulher. disse ao discí- pulo: Eis ai tua mãe. que. foi um último testemunho palpável da sua solicitude pelos encarnados e uma homenagem aos sentimentos que devem animar os filhos com relação aos pais. eis ai teu filho" e recomen- dando Maria a João: "Eis ai tua mãe". Depois. Nenhuma importância tem o fato relativo à túnica. proveio de uma influência magneto-espírita. supon- do-a inconsútil. A singularidade notada nela.B. E desde aquela hora o discípulo a tomou ao seu cuidado.

B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 903 da adoção. os membros da grande família humana. .J.

28-37 Palavras de Jesus. 28. — Lado aberto V. — 31. disse: Tudo está consumado. tendo tomado o vinagre. no en- tender dos homens. pois que estavam na véspera desse dia. — Ossos não quebrados. ataram-na a um hissopo e lha chegaram à boca. Jesus. a fim de que se cumprisse uma outra palavra da Escritura: Tenho sede.B. na preparação para o sábado. para que os corpos não ficassem na cruz em dia de sábado. — Jesus morre. deixando pender a ca- beça. — 30. os soldados ensopa- ram no vinagre uma esponja. rendeu o Espírito. Os Judeus. sabendo Jesus que tudo estava cumprido.J. pediram a . disse. Como estivesse ali um vaso cheio de vinagre. e. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 904 CAPÍTULO XIX Vv. que era dia de grande solenidade. — 29. Em seguida.

porém. Vieram pois sol- dados que quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado. Também tais coisas se de- .J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 905 Pilatos que lhes mandasse quebrar as per- nas e tirá-los de lá.B. não quebrou as de Jesus e um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança. Depois. Para que uma palavra da Escritura se cumprisse. — 36. — 32. E também diz a Escritura nou- tro lugar: Verão o que traspassaram." A- quele. porquanto estas coisas foram feitas para que se cumprisse esta pa- lavra da Escritura: Não lhe quebrareis osso algum. não lhe quebraram as pernas. — 37. Jesus diz: "Tenho sede. 64. lhe abriu o lado com uma lança e logo dali saíram sangue e água. E aquele que o viu dá disso testemunho e o seu testemunho é verdadeiro. Um dos soldados. — 34. — 35. N. tendo vindo fazer o mesmo a Jesus. como vissem que já estava morto. E ele sabe que diz a verdade. — 33. a quem fora ordenado que quebrasse as pernas aos crucificados. para que também vós acrediteis.

demos todas as explica- ções necessárias.J. para que se cumprisse estas outras palavras da Escritura: "Não lhe quebrareis osso algum. necessário . nos acontecimentos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 906 ram." Tudo se encadeia nas revelações suces- sivas e progressivas. bem como nos progressos da humanidade. declara a narração evangélica.B. verão o que traspassaram. quanto ao ensino progressivo e gradual da verdade. sobretudo. Já dissemos. comentando os três primei- ros Evangelhos: Jesus não bebeu o vinagre. Convindo que os homens acreditassem ser realmente humana a natureza que lhe atribuíam e sendo. E. debaixo do véu que a cobre e que se vai rasgando à proporção que o Espírito se eleva. o presente e o futuro. sempre relativa aos tempos e às necessida- des de cada época e dada sempre na medi- da do que o homem pode suportar e com- preender. A Escritura é um laço que liga sempre o passado. a esse respeito.

em espírito e verdade. de efetuar-se. ainda. como foram antes da consumação desse sacrifício e depois de verificado o fato que se chamou a sua "ressurreição". pela nova revela- ção a explicação. Quanto às últimas palavras que ele pro- nunciou do alto da Cruz. muito distan- tes. que. estaria apta a receber. até aos tempos atuais da era nova. então. também já as reve- . cumpria que seus atos e palavras.J. Constituía condição e meio transitórios. Convinha que tal se desse. uma garantia dos frutos que ela havia de produzir naquele momento e no futuro. a capa do mistério e o prestígio do mi- lagre. fossem de molde a justificar essa crença. mas previamente necessá- rios. do que Jesus disse e fez. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 907 que essa crença se mantivesse após o seu reaparecimento. o progresso da humanidade.B. mais não poderia suportar nem compreender e que só nos dias de hoje. sob o império e o véu da letra. por ocasião do sacrifício do Gólgo- ta. porque aquela crença constitu- ía uma condição e um meio de aceitação e de êxito da sua missão terrena.

teria sido desviado da prática do ato infamante. a missão de que fora incumbido. por inútil. portan- to. por impulso próprio. 459-465 do 39 tomo). em um corpo que. no corpo de Jesus. diz a narração evangé- lica. por temor. o que tomou a si essa tarefa e a executou era um admirador de Jesus. Quando mes- mo. porém. que lhe inspiraria o pensamento e a resolução de o não executar. Dentre os soldados que receberam o en- cargo de quebrar os ossos dos supliciados. praticar com o corpo do Mestre. Nada mais temos que acrescentar. Não quis. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 908 lamos nos comentários sobre os três primei- ros Evangelhos (págs.B. aquele soldado não se houvesse abstido. ocultava seus sentimentos.J. a seus olhos. varou o lado do corpo de Jesus com uma lança e logo dali saíram sangue e água. já era cadáver. . Um dos soldados. que ele acreditava estar bem morto. de levar a efei- to. mas que. consideravam infamante. por meio da influência magne- to-espírita. como outros povos da antiguida- de. um ato que os Romanos.

Os homens teriam de vê-lo. Aquele sangue e aquela água que lhe saíram do lado. a vítima voluntária do Gólgota. conservando reunidos. da sua origem e da sua natureza extra-humana. os elementos que o constituíam. na aparência.B. Estas palavras da Escritura: Verão o que traspassaram. estava morto. têm uma acepção geral. esse fato nada tem de espantoso. ao efeito material que o golpe produziria num corpo humano. deixara na cruz o seu corpo fluídico em estado de tangibilidade e com todas as aparências da morte humana. da sua posição espírita com relação a Deus e ao planeta terreno. em espírito e verdade. a ele. pelo pensa- mento. no entender dos homens. pela ação da sua potente vontade. foram um efeito fluídico. O pensamento que encerram é todo de ordem espiritual.J. idêntico. . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 909 Do ponto de vista em que vos mostramos Jesus. logo após o lançaço. fazendo-vos a revelação. Jesus que. para os olhares dos homens.

nas suas apari- ções e nas marcas daquele sacrifício. Todos. não obstante as perseguições e mesmo diante do suplício extremo. após a sua "ressurreição". ou o provoca- ram e fizeram que se consumasse.J.B. que a dolo- rosa lembrança deles se lhes terá atenuado pela reparação. Não creiais que os que condenaram a Jesus sejam tidos por mais culpados do que os que condenaram Sócrates a beber cicuta ou que lapidaram os primeiros mártires. a con- firmação da fé que possuíam e a força ne- cessária para espalhá-la. nos tempos por ele preditos. Essas palavras da Escritura eram tam- bém palavras ditas para ser compreendidas no futuro pelos soldados que haviam sido os instrumentos do sacrifício. Mas. bem como por todos os que a ele assistiram. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 910 Os discípulos. teriam de vê-lo e de haurir. com efeito. O . tantas encarnações terão passado sobre esses fatos. então. são chamados a assistir ao se- gundo advento de Jesus.

diante da nova revelação referente à origem e à natureza de Jesus. acompanharam a cor- rente por ignorância. incapazes de compreender e explicar a reaparição do mesmo Jesus chamada "ressurreição". Se. entre os fariseus. do mes- mo modo que os homens do nosso planeta. também houve muitos que. revestido. de um envoltório hu- mano material. para servir a baixos inte- resses humanos. Nada disto tem objeto nem valor.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 911 crime é proporcional à inteligência daquele que o comete.B. muitos há que. como estes. E a explicação que vimos . pre- tenderam que ele não estava morto no Gól- gota e que a prova disso é o fato de lhe ha- verem saído sangue e água do lado atingido pelo lançaço. os prin- cipais Judeus e os príncipes dos sacerdotes houve muitos que condenaram o Justo conscientemente. Entre os que vivem e ainda discutem sob o domínio da letra e consideram a Jesus como tendo estado sujeito à morte. Espíritos atrasados.

mesmo que fosse sangue humano.B. cheio de vida. perguntamos. A que resultado poderia semelhante opi- nião conduzir. conserva mais calor e.J. conseguintemente. colocados sempre no ponto de vista dos que a susten- tam? Pretenderão que o corpo do Mestre tenha sido depositado. no sepulcro e que. e colocando-vos no seu ponto de vista. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 912 de dar é a única digna de prender a atenção dos homens. de surpreendente haveria em que o sangue. pois. podeis fazer notar que Jesus acabava de exalar o último suspiro e que o golpe de lança foi na região do corpo que. estivesse ainda suficientemente líquido para se apre- sentar nos bordos da ferida. havendo os esforços de alguns homens conseguido facilmente remover a pedra que . vida animal. separando-se das partes aquosas que contém e que dele se dissociam ao dar-se a coagulação. Nada. Aos que tal pretendem. pela sua mesma posição e pelo gênero da morte que se dera.

no Gólgota e. de retirar o corpo. por quem. que havia de exercer-se até ao . os príncipes dos sacerdotes. os maiorais dos Judeus. em torno do sepulcro. da qual Jesus necessaria- mente seria cúmplice? Como é que tais homens. a- nunciada. a que interesses. devia dar-se ao terceiro dia. os fariseus. houveram podido. por que motivo e com que fim teria sido pratica- da essa fraude. esca- par à vigilância ativa que ocultamente exer- ceram. res- surreição que consideravam impossível de verificar-se. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 913 fechava a entrada da gruta. depois. senão como fruto de uma impos- tura. que ninguém diz quais foram. todos sa- bedores de que a ressurreição predita.J. ele haja podido sair de dentro desta? Mas. de chamá-lo à vida. em que momento. obe- decendo a que intuitos. mediante a subtração do corpo por mãos humanas? Como teriam podido escapar àquela vigi- lância oculta. durante a execução do trabalho de remover a pedra. de uma fraude.B.

passado o sábado. um extraordinário conhecimento dos homens. fazer-se cúmplice de uma felonia? Acresce que. esses. sujeito às fraquezas da humanidade. de um lado. daí. pu- dessem os sacerdotes chumbar a pedra e pôr de guarda ao corpo. nem por isso deixam de reconhecer nele um ho- mem superior pela sua inteligência e. podido renunciar à propaganda que empreendera e. a um homem como vós ou- tros. sem educação. no sepulcro assim selado. mas também a ciência. a presciência do fu- turo. destruindo a au- réola que brilhava em torno de Jesus.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 914 momento em que. pela pureza de seus sentimentos. aos preconceitos do seu tempo. não só um grande discernimento. seria necessá- rio. sobre- tudo. ad- mitem que. a um homem do povo. para prever a influência que o seu de- saparecimento exerceria sobre a credulidade dos homens da época e. os soldados romanos? Porventura. que. como homem.B. houvesse ele. de outro. sobre a moral .

seriam seus cúmplices na fraude. em tal caso. para estar certo de que não haveria entre eles um se- gundo Judas. não obstante a avultada re- compensa que qualquer deles seguramente podia esperar dos príncipes dos sacerdotes. se afirmasse e provasse que mãos humanas tinham subtraído o corpo.J. pelas suas palavras e pelos seus exemplos de pureza e de virtude. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 915 das gerações porvindouras. Dado que houvessem podido remover a pedra.B. desde que o ti- vessem reanimado. a sua vida . dos Judeus mais eminentes e dos fariseus. como teriam logrado os que praticas- sem a subtração do corpo. Porque. encerrar com uma fraude a sua missão superior. que. a ninguém é licito admitir que a semelhante felonia se prestassem homens puros e virtuosos. mos- trou ser o modelo divino. preservar a Jesus dos ataques da malevolência? Fora preciso que ele depositasse uma grandíssima confiança nos que. do mesmo modo que não o é aceitar pudesse Jesus.

porém. sobre a natureza do corpo que ele tomou.B. senão conformemente à re- velação que vos foi e é agora enviada por Deus e que vos temos feito em nome e da parte do Mestre. era fluídico. — que o desapa- recimento do corpo. não é possível nem explicável. 473-476 e 493-504 do 3º tomo). tornado tangível. em espírito e verdade e de acor- do com as leis da natureza. a fim de ele aparecer na Terra e estar entre os homens. corpo que. sobre a constituição desse corpo e as condições em que se formou. repetimo-lo mais uma vez. chumbando-a. . por efeito de uma "res- surreição". que o corpo estava na gruta quando os príncipes dos sacerdotes e os fariseus.J. foram selar. sobre a sua origem e a sua natureza estranhas à humanidade do vosso planeta. comentando os três primeiros Evangelhos (págs. com a aparência de um corpo humano. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 916 sem mácula! Já vos mostramos. de natureza perispirítica. a pedra que lhe fechava a entrada. com os soldados romanos destacados para montarem guarda ao se- pulcro.

— àque- les que procuram demolir. a luz e a ciência espíritas. como devia acontecer. aos fluidos nele ambientes e que servem para a formação dos seres hu- manos. a nova revelação. destruir. mas apropriadas essas leis ao vosso planeta. formado segundo as leis que presi- dem à formação dos corpos nos mundos superiores. protetor e governador da Terra e da humanidade terrena. e sabeis já porque e com que fim. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 917 para ser percebido pelos homens. sua origem e natureza espirituais. sem po- . puro Espírito. a natureza do corpo que ele tomou. um corpo também relati- vamente de harmonia com esse planeta. harmônico com a natureza espiritual de Jesus. Era um corpo compa- tível. ilusão completa. em espírito e verdade. que vem explicar e tornar compreensíveis. da parte destes.B. Aqueles que rejeitam a revelação e os fa- tos evangélicos. pois.J. ele. Espírito de pu- reza perfeita e imaculada. para desempe- nhar entre os homens a sua missão superior de Messias. de manei- ra tal que houvesse. Era. as palavras e os atos do Mestre. fundador.

descurando de lhes dar o emprego que elas devem ter em a nova edificação. Que quereis então?" . onde pro- fundas trevas vos envolverão! "Tratai de repelir essa demência que vos ganha e descerrai os olhos.B. cons- truís para vós mesmos um túmulo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 918 derem substituir o que destruam. Trabalhais por apagá-la e mergulhais nas trevas! "Pobres cegos! Amontoais as pedras que arrancais desse edifício que o perpassar do tempo abalou e que se tornou insuficiente. pois que a letra agora mata e soou a hora do espírito que vivifica.J. e não vos apercebeis de que. negais o futuro e des- pedaçais o presente. repetimos o que já tivemos ocasião de dizer: "Pobres cegos! Tínheis uma luz imperfei- ta que vos preparava para uma viva clarida- de. Julgando-vos iludidos pelo passado.

mas às ocultas. onde ainda ninguém tinha sido sepultado. pois. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 919 CAPÍTULO XIX Vv. pediu a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus.J. Ora. por temor dos Judeus. 38. havia no lugar em que Jesus fora crucificado um horto e nesse horto um sepulcro novo. Tomaram. veio também trazendo cerca de cem libras de uma composição de mirra e áloes. 38-42 O corpo de Jesus é depositado no sepulcro V. — 42. que era discípulo de Jesus. o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com aromas. Depois disto. — 39. Aí. segun- do a maneira de sepultar os mortos em uso entre os Judeus. — 41. — 40. Nicodemos. co- mo fosse o dia da preparação do sábado dos Judeus e o sepulcro estivesse perto. aquele que da primeira vez fora ter com Jesus durante a noite. deposi- .B. Tendo- lhe Pilatos concedido. José de Arimatéia. ele veio e tirou o cor- po de Jesus.

João não se refere ao dono do sepulcro. . A narrativa que deles faz João e as dos três outros evangelistas se explicam e com- pletam reciprocamente. como dissemos anteriormente.J. Estes fatos não exigem comentário algum. 65.B. Não vos de- tenhais em particularidades pueris. pertencia a José de Arimatéia. N. O sepulcro. porque isso nenhuma importância tinha e já fora dito quem era ele. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 920 taram a Jesus.

E. — 4. de manhã cedo. tendo-se abaixado. — 3. Cor- reu então e foi ter com Simão Pedro e com o outro discípulo a quem Jesus amava e lhes disse: Tiraram do sepulcro o Senhor e não sabemos onde o puseram. e viu que a pe- dra havia sido tirada do sepulcro. — 2. — A- parição dos anjos e de Jesus a Madalena V. 1-18 Madalena vai ao sepulcro e comunica o que viu a Pedro e João e estes também vão lá. Pedro saiu logo e o outro discípulo também e foram ao sepulcro. quando ainda estava escuro.B. No primeiro dia da semana. — 6. . 1. Maria Madalena veio ao sepulcro. — 5. mas não entrou. mas aquele outro discípulo correu mais depressa do que Pedro e chegou primeiro ao sepulcro. viu os lençóis que estavam no chão. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 921 CAPÍTULO XX Vv.J. Corriam juntos os dois.

e o sudário que haviam posto sobre a cabeça de Jesus. viu e acreditou. que ele havia de ressuscitar dentre os mortos. o outro aos pés. que havia chegado primeiro. mas sem saber que era ele. porém. — 8. a chorar. porém. porque choras? Ela respondeu: Porque levaram o meu Se- nhor e não sei onde o puseram. Viu os lençóis que lá es- tavam. E os dois discípulos volta- ram em seguida para casa. — 7. Maria. o qual. — 9. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 922 Chegou depois Simão Pedro que o seguia e entrou no sepulcro. se conservou do lado de fora. se abaixasse para olhar dentro do sepulcro. — 12. — 14. pois que não sabiam ainda o que a Escritura ensina. — 15. Perguntou-lhe então Jesus: Mulher. perto do sepulcro. entrou também no sepulcro. E como. não estava junto com os lençóis e sim dobrado em um lugar à parte. — 13. Eles lhe perguntaram: Mulher.J. Então o outro dis- cípulo. — 11. porque . senta- dos no lugar onde estivera o corpo de Jesus. voltou-se para trás e viu a Jesus de pé. chorando. um à cabeceira.B. Ten- do dito isso. viu dois anjos vestidos de branco. — 10.

Sobre estes versículos já demos todas as explicações necessárias. Jesus lhe disse: Maria! Ela. lhe disse: Senhor. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 923 choras? a quem procuras? Ela. pois que ainda não subi a meu pai. julgando que fosse o jardineiro. 477-492 do 3° to- mo. mas vai ter com meus irmãos e dize-lhes de minha parte que subo para meu pai e vosso pai. — 17. Disse-lhe Jesus: Não me toques. 66.) . Reportai-vos a es- sas explicações. se foste tu que o tiraste. — 18. — 16. coordenando a narração de João com as de Mateus.B. Marcos e Lucas. Maria Madalena veio então comunicar aos discípulos que vira o Senhor e que ele lhe havia dito estas coisas. voltando-se. (Págs. lhe disse: Raboni. dize-me onde o puseste e eu o levarei. para meu Deus e vosso Deus.J. N. que quer di- zer — Mestre. ao co- mentarmos os três primeiros Evangelhos.

Dito isso. veio Jesus e se pôs no meio deles e lhes disse: A paz seja convosco. 67. Pela tarde.B. — 23. Ditas es- sas palavras. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 924 CAPÍTULO XX Vv. mostrou-lhes as mãos e o lado. também eu vos envio. 19. N. — 22. daquele mesmo dia. 19-23 Aparição de Jesus aos apóstolos V. Pelo que respeita à aparição de .J. Os dis- cípulos muito se alegraram vendo o Senhor. — 20. — 21. porém. de medo dos Judeus. que era o primeiro da semana. estando fechadas as portas do lugar onde se acha- vam reunidos os discípulos. E ele lhes disse segunda vez: A paz seja convosco. Perdoados serão os pecados àqueles a quem os perdo- ardes e retidos àqueles a quem os retiver- des. soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. assim como meu pai me en- viou.

também eu vos envio". fechadas as portas do aposento onde se achavam reunidos e pelo que toca às provas que lhes deu para con- vencê-los da sua "ressurreição".B. Dei-vos uma: ide cumpri-la. Depois de ter soprado sobre eles e de . já recebes- tes.J. 510-514 do 3° tomo). Assim é que receberam o "Espírito Santo". por medo dos Judeus." Humanamente lhes deu um sinal visível da sua influência. Jesus exprime o seguinte pensamento: "Deus me encarregara de uma missão e eu a cumpri. estando. so- prou sobre eles e lhes disse: "Recebei o Es- pírito Santo." "Tendo pronunciado essas palavras. Por estas palavras: "Assim como meu pai me enviou. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 925 Jesus no meio de seus discípulos. Em realidade. outorgando- lhes o amparo e o concurso invisíveis dos Espíritos superiores que haviam de assisti- los em sua missão. as explicações necessárias. nos comentários sobre os três primeiros Evangelhos (págs. comunicou-lhes a inspiração.

eles tinham. 166-170. portanto.B. sob a forma visível de línguas de fogo. quando comentamos os três outros E- vangelhos (págs. no sentido de que se a- chavam em condições de julgar da pureza ou da culpabilidade dos que lhes pediam seus conselhos. já vos foi dado. Justo. com todas as explicações necessá- rias. Dissemos e aqui repetimos: essas palavras se dirigiam especialmente e taxati- vamente aos discípulos. em espírito e verda- de.J. foi que lhes prometeu. conforme vos explica- mos comentando os três primeiros Evange- lhos. destas palavras: "Perdoados serão os pecados àqueles a quem os perdoardes e retidos àqueles a quem os retiverdes". o poder de ligar e de desligar. Animados de um zelo esclarecido. eles. isto é. Quanto ao sentido. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 926 lhes dizer: "Recebei o Espírito Santo". de remitir ou reter os pecados. era o juízo . a manifestação espírita dos Espíritos superio- res incumbidos de assisti-los na sua missão. 428-441 e 443 do 2º tomo). assistidos e inspirados pe- los Espíritos do Senhor. enviar-lhes o "dom do pai".

nenhum deles se arrogou o direito de julgar sem apelação. Nunca.J. de absolver ou de condenar. .B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 927 que formavam. porém.

chamado Dídimo. Tomé. Respondeu Tomé: . — 26. lhes disse: Se eu não vir em su- as mãos a marca dos cravos que as atra- vessaram e não meter o meu dedo nos bu- racos dos cravos e minha mão na chaga do seu lado. mas fiel. Oito dias de- pois. achando-se de novo os discípulos no mesmo lugar e Tomé com eles. — 25. 24. não estava com eles quando Jesus veio. veio Jesus.J. — 27. porém. Ele. — 28. os outros discípulos: Vimos o Senhor. chega aqui a tua mão e mete-a no meu lado. não o crerei. Disseram-lhe. pôs-se no meio deles e lhes disse: A paz seja convosco. pois. um dos doze apóstolos. — Tomé vê e crê V. estando fechadas as portas. 24-31 Aparição de Jesus a Tomé e aos outros discípulos. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 928 CAPÍTULO XX Vv. Disse em seguida a Tomé: Mete aqui o teu dedo e vê as minhas mãos.B. e não sejas incrédulo.

Tomé.J. o filho de Deus. porque me viste. Só se convenceu. Nestas palavras de Tomé: "Meu Senhor e meu Deus" há redundância. tenhais a vida em seu nome. Na presença de seus discípulos fez ainda Jesus muitos outros milagres. em o lugar onde se en- contravam reunidos a portas fechadas. N. porém. Exprimem o respeito.B. bem-aventurados os que não viram e cre- ram. que não estão escritos neste livro. e dar-lhe as provas que ele reclamara para acreditar que seus irmãos em Deus o tinham visto. Tomé não conhecia a tangibilida- de. Do mesmo modo que os outros discípulos. Estes. e para que. para crer na sua "ressurreição". A mesma significação têm ambas as expres- sões. sua existência. crendo. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 929 Meu Senhor e meu Deus! — 29. vendo o Mestre apare- cer no meio deles. Disse-lhe Jesus: Tu creste. sua causa e seus efeitos. a admiração de . — 30. são escritos. 68. a fim de que creiais que Jesus é o Cristo. — 31. pleonasmo.

Reportai-vos ao que dissemos 41 sobre essa divindade que foi atribuída ao Mestre. de quem a revelação atual vos faz conhecer. a divindade. em espírito e verdade. que só ele podia.J. ter operado tal "milagre". 1. Seu pensamento se dirigiu a Deus. os fatos extraordinários. que às suas vistas se produziam. a origem e a natureza espirituais e extra-humanas e a posição es- pírita com relação a Deus e ao vosso plane- 41 Ver n.B. como no de Tomé e dos outros apóstolos. conseguintemente. Desde essa época germinou no Espírito de todos os discípulos. a idéia da divindade de Jesus. para eles "miraculosos". pelos meios conhecidos. Evangelho de João. a lhe atribuir. . Não podendo explicar. os homens foram levados a atri- buir a Jesus um poder que só atribuíam a Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 930 que se viu presa diante do Mestre "ressusci- tado".

Elas encerram um ensinamento. bem-aventurados os que não viram e creram". sem as exigên- cias formuladas pela incredulidade daquele apóstolo e sem terem presenciado a apari- ção do Mestre. sobretu- do para a era nova que começa e em que a fé e a ciência têm que se apoiar uma. Elas objetivavam fazer que os homens de então e as gerações futuras compreendes- sem que deviam prestar fé ao testemunho dos apóstolos. por efeito unicamente das suas pa- lavras e de Seus atos e do testemunho dos que o viram "ressuscitado". explicando-vos todos os fatos chamados "milagres". quando afirmassem a reali- dade da "ressurreição". fé que cumpria fosse cega até que os olhos se tornassem capazes de suportar a luz que a nova revelação faria brilhar.J. To- mé.B. haviam crido na sua "ressur- reição". se aplicavam aos homens daquela época que. porque me viste. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 931 ta. Estas palavras de Jesus: "Tu creste. na .

Esse estudo e esse exame. que é. feitos do duplo ponto de vista teórico e experimental. . sem outro móvel que não seja o amor à humanidade.J. quanto à sua existên- cia como uma das leis da natureza. desinteresse. a comu- nicação do mundo espiritual com o mundo corporal e que. fazendo-lhes revelações sucessi- vas e progressivas. sem idéias preconcebi- das. se obtém. A fé. têm que ser praticados com amor e respeito ao Criador. sólida. como as fez no passado e fará no futuro. materialmente os olhos do corpo. na ordem das coisas provi- denciais. é o modo e o meio pelos quais Deus transmite aos homens a ciência espírita. esclarecida. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 932 outra. a luz e a verdade. forte. porém. durável. com o auxílio do estudo e do exame apro- fundados e suficientes. mas tam- bém pelo que percebam os olhos do Espíri- to. o desejo ardente do progres- so pessoal e coletivo. não só pelo que podem perceber. com humildade. com o auxílio do Espiritismo. esclarecendo a razão os caminhos. divinas. os segredos de além-túmulo. morali- dade.B.

na revelação messiânica. portanto. Aí estão os meios de eles se elevarem e de. verem rasgar-se pouco a pouco os véus que ainda cobrem a verdade. não se reduz à ciência huma- na. A ciência.B. do ponto de vista do progresso espiritual. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 933 Vimos de dizer que a fé e a ciência têm que se apoiar uma na outra. Porque. em conseqüência. Abrange. em espírito e em verdade.J. A ciência. na or- dem física. inseparável da fé. que os apóstolos e os evange- listas tiveram por missão espalhar e transmi- tiram aos homens. dos atos do Mestre e de suas promessas. . inse- parável da fé. pela prática da moral que ele pregou. aplicada unicamente à matéria e aos flu- ídos. na ordem moral e na intelectual. de todo progresso para os homens. aí estão o princí- pio e a fonte de toda depuração. do ponto de vista do progresso materi- al. das palavras. abrange o estudo e o conhecimento das leis naturais que regem o mundo visível e o mundo invisí- vel. Abrange a indagação da verdade. a inteligência. bem como as relações entre um e outro.

tendo em suas mãos o facho da verdade e guiando-os em suas pesquisas. acerca de seus destinos. de ordem espiri- tual.B.J. esclarecidos. Far-vos-emos notar. realizar descobertas novas. que Jo- . nos tempos da era nova que começa. ativar o progresso. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 934 a instrução. do que podem e devem esperar. que os homens precisam adqui- rir. que en- tendem com suas origens. destina- das a conduzir e fazer que os homens avan- cem pelas sendas do progresso e da verda- de. material e fluídica. com as fases de seus desenvolvimentos. conforme o predisse e prometeu o Mestre. com o fim que lhes é assinado e com as obrigações que têm de ser cumpridas para chegar-se a esse fim. por intermédio dos mensageiros do Senhor. ao concluir. Abrange o estudo e o conhecimento da ciên- cia magnética e da ciência espírita. encarnados em missão. pela luz que o Espírito da Ver- dade lhes mostrará. para desenvolver as crenças. Abrange o estudo e o co- nhecimento das leis físicas e morais a que estão sujeitos o mundo e a criatura.

. seus ensinos e exemplos. o Messias predito e prometido.B. che- guem. como sendo o Cristo. aludindo assim às dos três outros evangelistas. mas. vós o sabeis.J. como sendo o filho de Deus. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 935 ão declara não ter ele relatado tudo em a sua narração evangélica. pela sua pureza e pelo seu saber. libertando-os da matéria e de suas influências. e para que os homens. pela depuração e pelo progresso. à vida permanente que só a perfeição lhes pode dar. que o que escreveu foi para firmar a fé dos homens na missão de Jesus. caminhando pela estrada que ele traçou com a sua moral.

Disseram-lhe os outros: Vamos também contigo. — Jesus lhe confia suas ovelhas e lhe prediz seu martírio.J. Ao amanhecer. mas naquela noite nada apa- nharam. sem que seus discípulos co- nhecessem que era ele. Filhos. chamado Dídimo. — Amor de Pedro a Jesus. Mostrou-se deste modo: — 2. que era de Caná da Galiléia. — 4. pois. Simão Pedro e Tomé. — 3. 1-25 Aparição de Jesus à margem do mar de Ti- beríades. Jesus apare- ceu na praia. abs- tendo-se de dizer o que será feito de João V. os filhos de Zebedeu e dois outros de seus discípulos estavam reunidos. e entraram numa barca. Natanael. Partiram. — Pesca chamada "milagrosa". Disse-lhes então Jesus: — 5. tendes alguma coisa pa- . Simão Pedro disse: Vou pescar.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 936 CAPÍTULO XXI Vv. Jesus tornou a mostrar-se depois a seus discípulos às bordas do mar de Tiberí- ades. 1.

E nenhum dos que se puseram a comer ousa- va perguntar-lhe: Quem és tu? pois sabiam que era o Senhor. — 12. peixe em ci- ma delas e pão. — 10. Veio então Jesus. jantai. Disse-lhes Jesus: Trazei alguns desses peixes que acabastes de apanhar. e. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 937 ra comer? Responderam-lhe eles: Não. a rede não se rom- peu. puxaram a rede cheia de peixes. — 13. — 7. — 9.B. . — 11. Os outros discípulos vieram na barca. — 6.J. embora fossem tantos. Então Simão Pedro subiu à barca e arrastou para terra a rede cheia de cento e cinqüenta e três peixes grandes. tendo ouvi- do que era o Senhor. — 8. Então o discípulo a quem Jesus amava disse a Pe- dro: É o Senhor. como não se achavam distantes da terra mais do que uns duzentos côvados. Disse-lhes Jesus: Lançai a rede do lado di- reito da barca e achareis. Eles a lançaram imediatamente e quase a não podiam retirar. tão carregada estava de peixes. Jesus lhes disse: Vinde. E. E Simão Pedro. acharam brasas acesas. Logo que saltaram em terra. vestiu a túnica (pois que estava nu) e atirou-se ao mar.

filho de João. De- pois de terem jantado. Per- guntou-lhe terceira vez: Simão. Jesus lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres. tu me amas? Pedro respondeu: Sim. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 938 tomou do pão e lhes deu e fez o mesmo com o peixe. — 15. Senhor. tu sabes todas as coisas. tu me amas mais do que os outros? Pedro lhe respon- deu: Sim. Perguntou-lhe outra vez: Simão. Jesus lhe disse: Apascenta as mi- nhas ovelhas. tu me amas? Pedro. Jesus lhe disse: Apascenta os meus cordeiros. filho de João. — 17. disse Jesus a Simão Pedro: Simão. — 16. Senhor. ele disse isto para indicar . Ora. — 14.J. sabes que te amo. em verda- de te digo: quando eras mais moço. tu te cingias a ti mesmo e ias aonde querias. filho de João. — 19. após ha- ver ressurgido dentre os mortos. sabes que te amo. Em verdade. Essa foi a terceira vez que Jesus apareceu a seus discípulos.B. tocado por lhe pergun- tar ele terceira vez: tu me amas? respondeu: Senhor. sabes que te amo. mas quando fores velho. — 18.

o rumor de que aquele discípulo não morreria. que te importa? — 24. Jesus. a este propósito.J. E. Senhor. quem é o que te trairá? — 21. se fossem referidas uma por uma. — 20. que será feito dele? — 22. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 939 por que morte havia Pedro de glorificar a Deus. Muitas outras coisas. não dissera: Ele não morrerá. Pedro. mas: Se quero que ele fi- que até que eu venha. . entretanto. — 25. pois. que te importa? Segue-me tu. perguntou a Jesus: E este.B. fez Jesus. viu que o seguia o discípulo a quem Jesus amava e que. Esse mesmo discípulo é o que dá teste- munho destas coisas e que escreveu isto. porém. as quais. disse- lhe: Segue-me. logo. e sabemos que é verdadeiro o seu testemu- nho. Pedro. Correu. estivera recos- tado sobre o seu peito e lhe perguntara: Se- nhor. tendo-o visto. creio que o mundo todo não pode- ria conter os livros que se escrevessem. durante a ceia. Je- sus respondeu: Se quero que ele fique até que eu venha. — 23. entre os irmãos. voltando-se. depois de ter assim falado.

B. Por erro dos tradutores é que no v. 24 a pa- lavra ditado foi substituída pela palavra escri- to. com razão. quan- do a sua avançada idade já lhe não permitia escrever. E um desses discípulos escreveu o que ele ditou. O texto original rezava o seguinte: "Esse mesmo discípulo é o que dá testemunho destas coisas e que ditou isto. Conforme aí se vos diz. Os fatos constantes deste capítulo. 69. ele o ditou a um de seus discípulos. a aparição de Jesus aos discípulos à margem do mar de Tiberíades foi a terceira. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 940 N. são relatados pelo apóstolo João. em vez de escrevê-lo de seu punho. 516- . tais fatos foram colocados em continuação da sua narrativa evangélica e como fazendo parte desta. e sabemos que é verdadeiro o seu testemunho. Nos comentários aos três primeiros Evangelhos (págs. Assim é que. Simplesmente." Os fatos referidos neste capítulo o após- tolo João os contou a seus discípulos.J. como tudo o que forma a sua narrativa e- vangélica.

os elementos e os meios necessários à revelação vindoura. pela revelação atual. tanto a estes como às mulheres. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 941 ° 517 do 3 tomo) explicamos em que circuns- tâncias ela se deu.J. fossem explicadas. da sua origem e da sua natu- reza. sem que ninguém lha tirasse. do poder que tinha de deixar a vida e de a retomar à sua. predita e prometida. assim.B. a sua . o que os homens chamaram a "sua morte". até aos vossos dias. deixando-a ele por si mesmo. o modo por que se deu o seu aparecimento na Terra e. do Espírito da Verdade. tinham que preparar a base. vontade. a "sua ressurreição" e. con- seguintemente. em seu conjunto. A presença de Jesus "ressuscitado" im- pressionava vivamente os discípulos e as aparições. servir àquele momento e ao futuro. em espí- rito e verdade. acerca. e acerca do fato de haver o seu corpo desaparecido do sepulcro. aquelas aparições tinham que servir para que. tinham que. Em face do que veladamente o Mestre dissera acerca.

ouvindo. depois de terem jantado. mas.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 942 origem e a sua natureza extra-humanas. tão carregada estava de peixes. ao ver que quase já não mais a podiam retirar. João.J. ficaram convencidos de que quem ali estava era o Mestre. perturbados." Esse pensamento. disse a Pedro: "É o Senhor. Por isso mesmo Jesus ainda se manifes- tou a seus discípulos sob uma aparência humana que lhes não permitiu a princípio conhecer que era ele. expresso por João. conforme lhes fora prescrito. não podendo atribuir esse fato "miraculoso" senão a Jesus. dominou o Espírito dos discípulos quando foi retirada a rede cheia de cento e cinqüenta e três peixes e Jesus lhes disse: "Vinde e jantai. não ousavam perguntar: Quem és tu ? Só no momento em que tomou do pão e do peixe e os distribuiu com eles foi que Je- sus se lhes apresentou com a figura que lhes era familiar e que eles o reconheceram." Diante daquela pesca "mila- grosa". Uma vez lançada a rede. aquela .

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 943 voz que tanto conheciam. As explicações. que recebestes nos co- mentários aos três primeiros Evangelhos. . seu irmão. que ele tomara para cumprir a sua missão terrena. relativas às aparições aos dois discípulos que iam para a aldeia de Emaús e a Maria Madalena. que exclui a "ressurreição" com um cor- po material humano. A esse respeito já tivestes as ex- plicações necessárias no 1° tomo. filhos de Zebedeu. corpo esse de harmonia com a sua natureza espiritual e em relativa har- monia com o vosso planeta.J. quando o Mestre falou a Pedro. co- mo a primeira em que tomaram parte Pedro e André. Tiago e João.B. bastam. apto a longa tangibili- dade. explica-se naturalmente. qual os vossos. n. Sabeis como se operou essa manifesta- ção. A ciência espírita fornece a explicação desse fenômeno de aparições produzido por Jesus com o corpo fluídico. Quanto à pesca tida por "milagrosa" pe- los discípulos. de natureza perispirítica. 71.

Tudo o que ligares na Terra será ligado no céu e tudo o que desligares na Terra será desligado no céu. Jesus determinou a parte que cabia a esse apóstolo nos trabalhos de guiar os primeiros passos do Cristianismo. Reportai-vos ao que vos dissemos (págs. a Pedro especialmente e não aos que deram." Jesus prediz a Pedro (vv.J. 15. 433-438 do 2º tomo) acerca do verdadeiro sentido destas palavras de Jesus a Pedro: "Tu és pedra e sobre esta pedra edificarei a minha igreja. Pedro tinha de seguir a Jesus. Dirigiu-se. Quanto à resposta que lhe deu o Mestre . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 944 págs.B. à sua missão apostólica o cará- ter de um governo sucessivamente trans- missível. proferindo estas palavras veladas: "Segue- me". Dizendo a Pedro o que consta dos vv. 16 e 17. pois ti- nha que ser crucificado. porém. 382-386. 18-19) seu martírio e o gênero de morte que o espera.

o seu fim. que será feito dele? A sorte futura de cada um dos apóstolos tinha que lhes permanecer oculta. sem cuidar de perscrutar o futuro. Senhor. fez supor — ingenuida- de dos tempos — que João não morreria até que o Mestre voltasse. . enquanto pode. na época predita do "fim do mundo". Daí o cu- nho evasivo dessa resposta. para saber qual será o destino deste ou daquele. segundo o espírito que vivifica. intencionalmente evasi- vas e veladas: "Se quero que ele fique até que eu venha. predizer a Pedro qual a que o esperava e deixar ao mesmo tempo um en- sino para os homens. era. vigiando seus próprios atos e preparan- do. o que ela dava a entender é que cada um tem bastante com que se ocu- par. cujo objetivo. tomada em sentido mate- rial e ao pé da letra. sob o véu da letra. 20-23) e que. com que Jesus respondeu a esta per- gunta de Pedro: E este (referindo-se a João).B. que te importa? Segue-me tu".J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 945 (vv. Tais o sentido e o fim destas palavras.

B. de que se serviu João. falando a seus discípulos. fez Jesus.J. as quais. Não vejais nestas ultimas palavras (v. creio que o mundo todo não poderia conter os livros que se escrevessem". mediante uma figura de linguagem. se fossem referidas uma por uma. 25): "Muitas outras coisas. a grandeza das obras de Jesus. para lhes fazer compreender. . mais do que uma expressão exagerada. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 946 Era também uma lição dada àquele após- tolo. porém.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 947 OS MANDAMENTOS Explicados em espírito e verdade DECÁLOGO Deus. como sabeis. e também de efeitos físicos. Segundo. não se comunica di- retamente com os homens.J. a maneira de ver dos Hebreus. porém.B. a cercar-se de todo mistério e de pompas que . médium. Era preciso que fosse assim. quem falava a Moisés. vidente. sempre Deus. era o próprio Deus. com relação ao povo hebreu. em certas circunstâncias. Espírito elevado. que ele dirigia. para Ihes gravar na memória e nos corações as ordenações e os estatutos que lhes eram indispensáveis naquela época. ou inspira- do. Moisés se viu obrigado. audiente. conforme aos casos e às necessidades da sua missão. para dar força e va- lor aos mandamentos que impunha aos He- breus.

Ele tinha a impressão dessas condições e ante- via o papel que. teria provocado o riso. depois em outros. Mas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 948 os impressionassem. compreendia a a- ção espiritual sobre o homem e as faculda- des materiais necessárias ao desenvolvi- mento dessa ação. verificando-se. Moi- sés vos concita. que a multi- dão desconhecia. para fortemente im- pressionar e abalar homens que ainda por longo tempo tinham de ser conduzidos pelo temor e pelo terror. Guiado por Espíritos que lhe eram supe- riores. Como sabeis. aos olhos dos Hebreus. elas desempenhariam. primeiro. descobria capacidades. é preciso que se ache em determinadas condições fluídicas. foi que no Sinai se . para impor o respeito à lei que lhes era dada.B. isto é. Do mesmo modo.J. se dis- sera aos Hebreus: Moisés vos anuncia. previa alguns fatos que haviam de dar-se. teria sido apupado. nele próprio. Moisés vos ensina. a empregar fórmulas capazes de lhes infundir respeito. para que o médium possa operar.

B. Dessa manifestação podeis inteirar-vos pelo que sabeis relativamente a efeitos semelhantes produzidos em todos os tempos e ainda ago- ra. vv. Esses Espíritos provocaram ruídos medi- ante o choque de fluidos inflamáveis e desse modo fizeram que a multidão reunida no so- pé do monte visse a aparência de um fogo ardente. como consta do Êxodo. os efei- tos físicos que ali se diz terem sido — tro- vões. v. relatadas no Antigo Testamento. relâmpagos e uma caliginosa e densa . do qual se desprendia um vapor inflamado.J. tudo o que a respeito da de que vimos tratando vos é aí referido foi obra dos Espíritos pre- postos à produção de tal efeito. 18. XIX. Assim como as outras manifestações fí- sicas de ordem material e de ordem inteli- gente. acompanhou e se seguiu à promulgação do Decálogo e que o cercou de tanto mistério e de tão grande pompa. e produziram. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 949 produziu aquela formidável manifestação. que precedeu. 16 a 19 e XX.

que alguns poderiam ocasionar. Estas palavras ditas a Moisés (Êxodo. Manejando fluidos sônicos. A proibição aos Hebreus de transporem a barreira foi motivada pelo perigo. 22) . XX. v. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 950 nuvem que cobriu o monte.J. Empregando e combinando fluidos torna- dos opacos. do rompimento das co- lunas de fluidos que se entrechocavam no monte. aludem ao ribombo "dos trovões". que a multidão tomava pela voz do próprio Deus. v. XX. 19): "Fala-nos tu mesmo e nós te es- cutaremos. causaram o efeito físico "do som de trombeta.B. que aumentava pouco a pouco e se tornava mais forte e mais agu- do". os Espíritos prepostos produzi- ram — "aquela obscuridade" em que (se- gundo a expressão bíblica. Êxodo. elevando-se-lhe do alto como se de uma fornalha. para que não morramos". mas que não nos fale Deus. fato que daria lugar a acidentes se- melhantes aos que resultam da passagem do raio.

B. e em que Moisés. seu enviado. após a promulgação do Decálogo. por intermédio do Espírito superior enviado. as quais Deus. foi rece- ber desse enviado as instruções particulares. as ordenações. ele se conservou dessa inspiração. isto é. invisível para Moisés. debaixo da inspi- ração do Espírito superior enviado. ao mesmo tempo que fazia com que ele os escrevesse mecanicamente. com a sua presciência. As segundas tábuas Moisés as escreveu também mecanicamente. os estatutos. obra de Deus. Elas foram. porém. As primeiras tábuas da lei. escreveu-as o próprio Moi- sés. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 951 Deus estava. sabia que se- riam quebradas. que acreditou tê-las escrito "de memória e trazido aos Hebreus. pois. Tão in- consciente.J. indispensáveis aos Hebreus naquela época. sob a impres- são de que provinham do próprio Deus. gravadas e . em que estava o Espíri- to superior. lhe fez ouvir as palavras dos Mandamentos. como médium mecânico e audiente. Espírito que. sob a influência espírita.

J. en- tretanto. as ordena- ções e estatutos que lhe eram então indis- . Lede com atenção. ao es- tado das inteligências e ao fim que se tinha em vista alcançar. Moisés. houvera dito ao povo: "Lembrei-me das palavras gravadas nas primeiras tábuas e as reproduzi". aos povos. teria feito que duvidassem da procedência delas e que desprezassem a lei.B. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 952 tais como se recordava que eram". ao que ocorreu para serem dadas a Moisés as instruções particulares que ele recebeu e àquele povo. inspirado pelos Espíritos superiores que o assistiam na sua missão. as segundas tábuas como escritas. apresentou. acreditava estar em comunicação direta com o Senhor. na linguagem oriental e apropriada aos tempos. no Sinai. crente de ser essa a realidade. semelhantemente às primei- ras. ao que ocor- reu às vistas do povo hebreu relativamente à preparação e ao fato dessa promulgação. Se. "pelo dedo de Deus” conforme à ex- pressão bíblica. por seu intermédio. Para que tal não acontecesse foi que. a narrativa do que se refe- re à promulgação do Decálogo.

J.cap. 43 Êxodo. avisado. 45 Êxodo. pelo Espírito superior. cap. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 953 42 pensáveis . XIX a XXVI e XXVIII a XXXI. se atentardes no que se acha dito acerca dos acontecimentos que prece- deram. cap. cap. 44 Êxodo. XXXIII e XXXIV.B. desde o momento em que ele atirou ao chão e quebrou as primeiras tábuas na falda do monte. II a XIX. . lede a narrativa do que se pas- sou quando Moisés. do que se deu em seguida. até o em que des- te desceu segunda vez trazendo as novas tábuas44. XXXII. desceu do Sinai. e. tendo recebido as duas tábuas da lei. dos atos de idolatria que se praticavam no acampamento43. prepararam e efetivaram a promul- gação do Decálogo e acerca do que suce- deu para que Moisés entrasse no desempe- nho público da sua missão45 e do que se 42 Êxodo.

do Deus forte e cioso. os elemen- tos e os meios apropriados ao desempenho da sua missão terrena e ao da missão dos apóstolos. por inter- médio daquele que os chefiava. a se subtrair à direção do seu en- viado. que exerce vingança contra os que lhe 46 Êxodo. "Senhor acima de todos os deuses. em contacto com o seu Deus. de tendências para a idolatria e no seio do qual se tinham que preparar o advento do Messias. . segundo a sua maneira de entender. único eterno. sempre pronto a esquecer e desconhecer o seu Deus. Compreendereis a necessidade que havia de serem os Hebreus. sob as mãos do próprio Deus. compreendereis a necessidade que havia. do "Eterno". profundamente imbuído dos prejuízos. XXXV a XL. postos. das idéias politeístas. de acordo com a presciência e a sabedoria infinitas de Deus.J.cap. indócil.B. de conduzir-se pelo terror aquele povo atrasado. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 954 46 seguiu .

conformemente à presciência e à sabedoria do Senhor. sob o império da branda e pura lei de amor e caridade que o Cristo veio tra- zer aos homens. que usa de miseri- córdia na sucessão de mil gerações para com os que o amam e guardam seus man- damentos. o motivo e o fim. e da bondade de Deus. que pune a iniqüidade dos pais nos filhos na terceira e quarta gera- ções dos que o odeiam. em espírito e verdade. segundo o espírito.B." Dar-vos-emos. seriam uma enormidade e que. de que. são a expressão sublime da justiça. o verdadeiro sentido destas últimas palavras que. a ignorância. a vertigem do poder e a ambição fizeram uma .J. Há um fato sobre o qual não devemos guardar silêncio e que. dentro em pouco. consti- tui uma monstruosidade. tomadas à letra. o fanatismo. mais tarde. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 955 desconhecem a lei. Esse fato. para os que lhe não sabem compreender nem explicar a neces- sidade. ao ex- plicarmos o segundo Mandamento do Decá- logo. seus preceitos.

diz-se ali. e que cada um mate seu irmão. nas circunstâncias referidas no Êxodo. dentro do acampamento hebreu. consagrado vos- sas mãos ao Senhor. em nome do Senhor.J. disse-lhes ele: Eis o que diz o Senhor. de uma porta à outra. — Então Moisés lhes disse: Tendes.B. — Os filhos de Levi fizeram o que Moisés orde- nara e houve cerca de três mil homens mor- tos esse dia. o Deus de Israel: Ponha cada homem na cintura sua espada. a fim de que a bênção . Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 956 arma e um exemplo. é o do massacre que Moisés ordenou fosse feito. passai e repassai através do campo. E. cada um de vós. capí- tulo XXXII. "Moisés. vendo então que o povo ficara inteiramente nu (pois que Aarão o despojara por aquela abominação vergo- nhosa e o pusera todo nu no meio dos seus inimigos). mesmo matando vosso filho e vosso irmão. parou à porta do acampamento e disse: Junte-se a mim todo aquele que for do Senhor. tendo-se reunido ao seu derredor todos os filhos de Levi. seu amigo e aquele que lhe for mais chegado.

25-29. De sorte que. vv. em a nova existência terrestre. maior talvez do que na época atual era a mistura dos Espíritos que revesti- am o corpo carnal. os preconceitos. com efeito. as tendências da sua precedente encarnação. XXXII. muitos haviam pedido que o curso da existência lhes fosse detido. quando se prepara para outras provas. caso faltassem aos seus compromissos. Mas.J. cap. os pendores. na erra- ticidade. opiniões. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 957 de Deus vos seja dada. que o Espírito. con- ." (Êxodo. conserva por mais ou menos tempo. tem que temer e teme que. sobretudo o Espírito inferior. voltem a dominá-lo esses precon- ceitos.B. sentindo-se demasiado fracos para perseverar.) Quando da encarnação daquela geração de homens. tendências e pendores." Sabeis. as idéias. as opiniões. Vimos de dizer: "Sentindo-se demasiado fracos para perseverar. A maioria deles tomara por missão manter na Terra e popularizar a idéia da unidade de Deus.

ad- quirir a força que ainda lhes faltava. São Es- píritos que pediram lhes fosse detido o curso da vida terrena. apresen- tando indícios de más paixões. Peca mais por fraqueza do que por vontade. havia também uma categoria de Espíritos que tinham de expiar assassínios por eles cometidos (nessa épo- ca grosseira se praticavam tantos!) e que . caso faltassem a seus com- promissos. por meio de re- flexões e estudos feitos na erraticidade. que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 958 tra os quais lhe cumpre lutar como encarna- do.J. Entre os encarnados da geração a que nos estamos referindo. o progresso.B. que eles pe- diram nessas circunstâncias. Essa categoria de Espíritos é menos cul- pada. a fim de que possam. E a morte prematura. Assim é que freqüentemente vedes entre vós mancebos. vêm a ter cortado o fio de suas existên- cias. mesmo em centros de depura- ção. até crianças. lhes auxilia o desenvolvimento. mostrando- se viciosos.

como deveis compreender. im- pelindo os culpados ou dirigindo as espadas dos que acutilavam. pela aplicação da lei de talião. porquanto uns pertenciam à catego- ria dos que haviam tomado por missão man- ter na Terra e popularizar a idéia da unidade de Deus e rogado que o curso da existência terrena lhes fosse detido. caso faltassem aos seus compromissos.J. para que elas se cumprissem. faziam que aqueles re- cebessem o golpe que os prostraria. porque. pre- postos a vigiar as provas e expiações de cada um. Deu-se ali o que se dá com a bala que deve ferir a . tendo de expiar assassínios por eles cometidos anteriormente. em circunstâncias tais. Foi assim e nenhum golpe se perdeu.B. Os que tombaram mortos aos golpes dos levitas tiveram uma sorte prevista e por eles pedida. reparar e progredir. pediram aquela expiação e a sofreram. pertencendo os outros à dos que. os Espíritos protetores. depurar-se. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 959 pediram aquela expiação para conseguirem.

sobre o outro por meio da inspiração e da ação fluídica. impeliam os culpados ou dirigiam as espadas dos que acutilavam. sobre o homem. O que o homem muitas vezes encara como ato de uma vontade arbitrária. ou a preparação . considerando a Providência divi- na e a ação. podeis dizer: "O homem se agita e Deus o conduz. mesmo quando toda a probabilidade era de que se perdesse.J." Nada é sem motivo e sem objetivo. no sentido de que aqueles Espí- ritos. nunca é senão a conseqüência do passado. dos Espíritos prepostos. atuavam sobre o culpado e sobre o que empunhava a espada: sobre um pela ação do magnetismo espiritual. Aqui é que. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 960 este ou àquele e que segue a sua trajetória.B. a obrarem debaixo da direção da presciência e da sabedoria infinitas de Deus. para que as provas e expiações se ve- rificassem. a fim de que elas se cumprissem. Dissemos que os Espíritos prepostos a vigiar as provas e expiações de cada um.

tiveram sorte prevista e pedida. forçá-los a caminhar. pelas sendas que lhes estavam traçadas e a desempenhar a tarefa provi- . inclinados à idolatria. Assim. in- dóceis. sem- pre prontos a esquecer e desconhecer o seu Deus.J. deter o curso da existência terrena de alguns Espíritos. impor. dóceis à voz de seu chefe. pelo terror. porquanto os que pereceram. à revolta. a se subtrair à direção do enviado deste. o massacre que Moisés ordenou em nome do Senhor teve por motivo e por fim: de um lado. e não apenas fazer arbitraria- mente vítimas perdidas. pelo medo. provas e expiações pelas quais todos tinham que passar. fazer-lhes compreender a necessidade dessa submis- são. àqueles homens atrasados.B. de outro lado. absoluta submissão à vontade. conformemente ao que eles pediram. repetimos. aos mandamentos e preceitos divinos. nos termos e nas con- dições das provas escolhidas por uns e das expiações solicitadas por outros. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 961 do futuro.

Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 962 dencial que lhes fora confiada na marcha do progresso da humanidade. aos pre- conceitos. tem seus cos- tumes e necessidades. aos homens.J. portanto. aos tempos. às condições que era indispensável se verificassem para que se executasse a obra que se tinha de executar naquela época e no futuro. E. Cada época. às crenças. o- brava para que fosse detido o curso de pro- vas que haviam falhado e se cumprissem determinadas expiações. pois. Moisés era.B. fazendo que os que caíam aos golpes dos levitas sofressem a sorte por eles mesmos prevista e pedida. do vosso ponto de vista e de acordo com os tempos em que viveis. pre- parava o futuro. sob as inspirações dos Espíritos do Senhor que o assistiam na sua missão. Reportai-vos. Desde aqueles tempos bárbaros e em outros nos quais a civilização e a inteligência . um instrumento huma- no que. com relação aos He- breus. procedendo dessa maneira. Não julgueis. também.

por efeito da ignorância. pelo que toca a coisas de ordem humana. a fim de consagrarem eles suas mãos ao Senhor e atraírem as bênçãos de Deus? matando eles próprios. a dizima- ção de homens. não se hão feito freqüentemente. do abuso do poder. num exército. não há vis- to. a submissão aos chefes incumbidos de comandá-lo? Pelo que respeita às coisas de ordem re- ligiosa. do fanatismo. impelindo os homens a se matarem reciprocamente. massacres em nome de Deus? Para terdes disso alguns dos numerosos exemplos que a história da vossa humanida- de colheu. lembrai-vos das guerras religio- sas. nos autos-de-fé espanhóis.B. em honra do seu . sempre que uma revolta explodiu. da ambição. nas guerras religiosas. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 963 já estavam muito mais apuradas.J. para que. dos autos-de-fé espanhóis e por fim da carnificina do dia de São Bartolomeu. fos- se mantida a disciplina. muito freqüentemente mesmo. Não são sempre os ministros do culto.

para evitar que o poder lhes fosse arrebatado. Uns. estes. qual Moisés . como os católicos. que também excitaram seus rebanhos contra os católicos e igual- mente mataram. e sim a de conservarem o poder. não mais a de se engrandecerem aos olhos de Deus.J. não abrimos exceção a favor dos pa- dres protestantes. estes massacres e guerras religio- sas.B. mata- vam para provar que eram filhos de Deus! Aos outros. como ao tempo dos Hebreus. E então não havia. como os levitas de Moisés. como os protestantes. como nas guerras religiosas. o móvel? A ambição. um enviado de Deus. Recordando estas fases da história do passado. po- rém. aqueles. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 964 Deus e para obterem suas graças? E quais foram os instigadores do massa- cre de São Bartolomeu? Os sacerdotes. matavam para conquistar o poder. os servidores de Deus! Qual foi aí.

que fizeram. o motivo e o fim a que obedecera o ato de Moisés não existiam mais. mas. a necessida- de. Bartolomeu foram obra huma- na da ignorância. em impeli-los para diante. essas guerras religiosas." Não. E porque esses massacres. uma arma e um exemplo. pela senda do progresso. Bartolomeu? Porque os homens da Igreja não quiseram compreender que a sua mis- são não consiste em fazer parar os que lhes estão confiados e obrigá-los a olhar para trás. esses autos- de-fé. esses autos-de-fé. o Deus de Israel". mesmo matando cada um seu filho e seu irmão.B. da ambição. do fanatismo.J. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 965 junto do Sinai. depois de concluída a obra: "Consagrastes vossas mãos ao Senhor. . Esses massa- cres. por ordem de Moisés e pelo braço armado dos levitas. e dizendo. do fato o- corrido ao pé do Sinai. esse S. ao contrário. essas guer- ras religiosas. esse S. a fim de que a bênção de Deus vos seja dada. do abuso de poder. falando em nome do Senhor e dizendo a seus levitas: "Eis o que diz o Se- nhor.

porquanto. na explicação do quinto mandamento. não foram vítimas perdidas. mesmo com relação ao instante da morte de suas criaturas.B. nada ocorre que não seja conseqüência do passado e preparação do futuro. chamais o acaso. em espírito e verdade. por outro la- do. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 966 Se. instigadores culpados de semelhantes carnificinas tiveram que so- frer longa e dolorosa expiação. por um lado. nada espera do que. como já o temos dito e repetimos. sob a influ- ência e a ação dos Espíritos prepostos a vigiar pelas provas e expiações de cada um. na ignorância em que vos achais assim das causas como dos fenôme- nos. . Os que pereceram tiveram a sorte por eles prevista e pedida. o Decálogo. bem como os que tombaram aos golpes dos levitas no campo israelita. acerca do instante da mor- te. Deus. os que nelas pereceram. 47 Vamos agora explicar-vos. Vamos dar-vos uma 47 Ver o que está dito.J.

passível de aplicar-se a todos os povos e a todas as é- pocas. a personalidade.J. Povos da Terra. quem lhe mostrou o cami- nho que o leva para fora da escravidão do pecado e da matéria. iluminando-o com o facho da verdade. aos "Cristãos". levantai os olhos! "A co- luna luminosa"." Deus. tirou do nada o Espírito (daqui a pouco explicaremos o sentido que deveis atribuir a essa palavra tomada à linguagem humana). para ensaiar seus primeiros passos na senda espiritual. mas geral. criador de tudo o que é. Foi por sua vontade onipotente que o homem saiu das faixas da matéria. que vos há de conduzir à . para lhe dar o ser. Roustaing – Os 4 Evangelhos – Volume 4 967 explicação. que vos há de guiar para fora da escravidão. o Senhor teu Deus.