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SEGUNDA ETAPA: PRODUÇÃO TEXTUAL


Protocolo: 50.2160.20200930

1 INTRODUÇÃO
O propósito deste ensaio é o de discutir as transformações que a sociologia, enquanto
disciplina comprometida em compreender o mundo moderno, teve ao longo de sua breve e
intensa trajetória. Indo dos “pais fundadores” da disciplina até alguns de seus principais
nomes no final do século XX, busquei realizar tal tarefa tendo como fio argumentativo um
ponto específico: o “indivíduo”. Como a sociologia pensou nossa condição de indivíduos na
modernidade? De que forma ela tem compreendido o dilema entre a autonomia individual e as
imposições da sociedade moderna?
A noção e a condição de “indivíduo”, evidentemente, são construções históricas. A
burguesia, ao se emancipar da visão de mundo teológica do antigo regime e de sua
organização estamental, teve diante de si o problema do indivíduo secular responsável pelo
seu próprio destino que, devido as necessidades da nova ordem econômica emergente, torna-
se sujeito de direito capaz de estabelecer “contratos” por livre e espontânea vontade. A
inteligência liberal teria que produzir uma doutrina social capaz de fazer coexistir uma
concepção radical de liberdade individual com um sistema econômico fundamentado no
colonialismo, escravidão e exploração do trabalho assalariado. Dentre as diferentes
concepções, o resultado foi, evidentemente, o da naturalização das posições individuais na
estrutura de classe, e da mistificação da relação entre indivíduo e estrutura social. Do
“utilitarismo” de Bentham e Stuart Mill até o atual “empreendedorismo” dos “coaches”, o
resultado (ainda que não intencional) tem sido o de falsear os elementos sociais constitutivos
da nossa condição de “indivíduos” na sociedade capitalista.
Como veremos, as reflexões da sociologia, ao longo de sua evolução, têm se
confrontado (intencionalmente ou não) com as concepções “individualistas” do liberalismo.
Através de diferentes métodos e abordagens, a sociologia tem cumprido o papel de nos
reconstituir as reais condições sociais dentro das quais exercemos nossa “autonomia”. Nesse
sentido, o ensaio a seguir procurou, como já foi dito, acompanhar a evolução da sociologia
como disciplina científica da realidade social e suas diferentes abordagens metodológicas,
tendo como ponto de comparação as diferentes concepções e análises sobre o “indivíduo” na
sociedade moderna.
2

2 OS CLÁSSICOS

Dowlais
Os rejeitados e os inúteis! Os
miseráveis, os humilhados, os esquecidos,
Ironworks, todos morrendo no matadouro social. Os
George frutos da prostituição – prostituição de
Childs, homens e mulheres e crianças, de carne e
osso, e fulgor e espírito; enfim, os frutos da
1840.
prostituição do trabalho. Se isso é o melhor
que a civilização pode fazer pelos humanos,
então nos deem a selvageria nua e crua.
Bem melhor ser um povo das vastidões e do
deserto, das tocas e cavernas, do que ser um
povo da máquina e do Abismo.
Jack London

1. Karl Marx, diferentemente de Weber e Durkheim, não estava preocupado em


instituir e delimitar o que viria a ser a “sociologia” – uma disciplina científica com objeto e
método próprio, dedicada a estudar o social. A preocupação intelectual de Marx em relação a
nascente e fumegante modernidade esteve totalmente direcionada para a compreensão (e
transformação radical) de um único “objeto real e determinado”1: o modo de produção
capitalista. Seu método, o materialismo histórico dialético, pressupunha que a realidade
possuía uma existência independente das subjetividades individuais; cujo papel do
pesquisador era o de reproduzir idealmente o seu movimento real2.
Nesse sentido, uma das principais contribuições da análise de Marx para pensarmos
nossa condição como “indivíduos” nesta sociedade de “colecionadores de mercadorias”, foi a
de pensar as relações sociais a partir do modo como elas são determinadas materialmente pela
forma como a sociedade se organiza para produzir os bens necessários para satisfação de suas
necessidades – a mercadoria. Ou seja, a pergunta central aqui seria: que tipo de sociabilidade
o modo de produção capitalista determina que os indivíduos estabeleçam entre si?
Do ponto de vista da análise da mercadoria n’O Capital, os indivíduos assumem, na
sociedade capitalista, o papel de “produtores particulares”. Para que a mercadoria possa se
confrontar com outras mercadorias de forma equivalente como coisa de valor, é necessário
antes que os indivíduos se confrontem entre si como produtores individuais e independentes.
Ou seja, é necessária uma divisão social do trabalho, onde o trabalho humano assuma um
caráter “abstrato”.

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1
NETTO, J. P. Introdução ao estudo do método de Marx. 1ª ed. São Paulo: Expressão Popular, 2011. P. 27
2
Ibid., p. 53
3

Uma consequência objetiva (e não intencionada) dessa própria organização do


trabalho, é o que Marx chamou de “fetiche da mercadoria”. De modo resumido, o “fetiche”
esconde o caráter social das relações entre os produtores individuais. Ela oculta a essência das
relações sociais de produção que lhe conferem o seu “valor”. Em outras palavras, ela
“esconde” dos seus próprios produtores a natureza (social) do seu “valor”. De modo que o
“valor” da mercadoria aparece como algo intrínseco da própria mercadoria. Daí que o que é
em sua essência uma relação social entre os produtos do trabalho dos produtores particulares,
toma a “forma fantasmagórica de uma relação entre coisas”3. Das consequências para o
“indivíduo” na sociedade capitalista, este aparece aqui, ironicamente, como dominado pela
sua própria criação; as mercadorias, produto do seu próprio trabalho, o confrontam como um
poder hostil que os controla.
2. Agora, seguimos para Max Weber, situado na transição do século XIX para o XX.
Como já foi dito, diferentemente de Marx, Weber estava diretamente preocupado com o
desenvolvimento das ciências sociais, que ganhava seus contornos iniciais. Ele preocupava-se
especialmente em estabelecer o estatuto de “objetividade” particular às ciências sociais –
distinto daquele concebido pelas ciências naturais. As suas reflexões, portanto, buscavam
compreender o caráter particular dos fenômenos sociais e, consequentemente, estabelecer um
método de pesquisa que permitisse conhecer “objetivamente” tais fenômenos. Nesse sentido,
ao buscar um estatuto particular do “social”, Weber se distância radicalmente da concepção
de “objetividade” do garantidas às ciências naturais. Para ele, a realidade social não teria uma
existência intrinsecamente objetiva (como uma “coisa” natural) da qual o pesquisador é capaz
de “reproduz idealmente” em sua totalidade. Ela é infinita e caótica, de modo que o contato
com essa realidade só é possível através da subjetividade, que seleciona dentro da infinidade
caótica aquilo que seja “culturalmente significativo”. Ou seja, o conhecimento do social só é
possível por uma seleção, um “recorte”. Tal “recorte” não é fruto de uma “objetividade”
intrínseca do objeto, mas da subjetividade do pesquisador que seleciona o que lhe é
culturalmente relevante.
Desse ponto de vista, a condição do indivíduo na sociologia weberiana é a de um ser
condenado a produzir sua própria história. Que existe num mundo cujo sentido é atribuído por
ele mesmo através dos seus próprios pressupostos valorativos. Não há um “motor”, leis ou
“espírito” da história, a não ser aqueles subjetivamente pretendidos pelos indivíduos. Isso, por

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3 MARX, K. O Capital: crítica da economia política. Livro I: o processo de produção do capital. São Paulo:
Boitempo, 2017. P. 147.
4

outro lado, não significa que o social seja o resultado de algo completamente pretendido e
previsto pelos indivíduos. Pelo contrário. Como Weber demonstra na sua “Ética protestante”,
as ações sociais podem ter efeitos muito distintos daqueles pretendidos – como uma conduta
religiosa estabelecer as bases para uma conduta racional da vida econômica.
3. Émile Durkheim, tal como Weber, também se dedicou ao longo de sua carreira a
delimitar e institucionalizar a sociologia como uma disciplina científica autônoma, conferindo
a ela um objeto e método específico que lhe garantisse o estatuto de ciência. A “batalha” de
Durkheim, nesse sentido, foi a de “emancipar” a sociologia das outras ciências humanas –
especialmente da psicologia e da filosofia – e estabelecer os princípios da autonomia da
sociologia como a ciência capaz de compreender as leis do “reino social” – o social só se
explicaria pelo social. Apesar disso, o modelo científico da sociologia durkheimiana seguiria
os princípios epistemológicos das ciências naturais, tanto por parte do comportamento do
pesquisador como da delimitação do seu objeto: “A primeira regra e a mais fundamental é
considerar os objetos como coisas”4
Interessante notar como as concepções dos princípios da sociologia de Durkheim e
de Weber, apesar de se desconhecerem mutuamente, parecem terem sido escritas como parte
de um debate entre os dois. Se para Weber a subjetividade do pesquisador é parte inseparável
da construção do objeto da sociologia, para Durkheim é necessário estabelecer regras para o
controle e supressão da subjetividade do pesquisador. Se para Weber o objeto da sociologia
estaria na compreensão do sentido intencionado pelo indivíduo na sua ação social, para
Durkheim o objeto da sociologia existe exteriormente das consciências individuais e se impõe
a elas de maneira coercitiva. Se para Weber “o domínio do trabalho científico não tem por
base as conexões 'objetivas' entre as 'coisas', mas conexões conceituais entre os problemas”5,
para Durkheim, o problema da Sociologia seria a de que ela “tratou mais ou menos
exclusivamente não de coisas, mas de conceitos”6. O mesmo pode ser visto na concepção de
indivíduo. Longe de ser o indivíduo weberiano, que confere sentido ao mundo social, o
indivíduo durkheimiano é determinado pelas “instituições sociais”, cujas regras e normas, que
lhes são impostas exteriormente e coercitivamente, são por este interiorizadas e reproduzidas
em sua consciência individual.

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4
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2014. p. 15.
5
WEBER, M. A “objetividade” do conhecimento nas Ciências Sociais. In: COHN, Gabriel (org.). Max Weber:
Sociologia. São Paulo, Ática, 1979. p. 83.
6
DURKHEIM, Émile. As regras do método sociológico. São Paulo: Martins Fontes, 2014. p. 19.
5

3 OS CONTEMPORÂNEOS
Nighthawks,
Edward
Hopper,
1942.

1. Se podemos dizer que o propósito das reflexões dos clássicos (pelo menos de
Weber e Durkheim) foi a de construir os “muros” que garantissem o estatuto científico
próprio da sociologia em relação às outras ciências, então também podemos dizer que o
propósito das reflexões de Norbert Elias foi no sentido de construir os “portões” que
permitissem à sociologia caminhar para uma maior interdisciplinaridade com as humanidades.
Como ressalta Renato J. Ribeiro, Elias persegue a tese de que “a condição humana é uma
lenta e prolongada construção do próprio homem”7. Daí que para compreender essa
“condição” seja necessário articular a multiplicidade dos conhecimentos que constituem esta
própria “construção humana” – o “indivíduo”. Munido desta perspectiva interdisciplinar,
Elias buscou compreender os efeitos das grandes transformações estruturais sobre condutas e
sentimentos individuais, nos mostrando como certos aspectos comportamentais considerados
como características intrínsecas de uma “natureza humana”, não são, de modo algum,
naturais. Elas são resultantes de transformações – não planejadas e nem pretendidas – na
estrutura social em que se desenvolvem as relações de interdependência entre os indivíduos.
Ou seja, consequência de uma mudança “posta em movimento cegamente e mantida em
movimento pela dinâmica autônoma de uma rede de relacionamentos, por mudanças
específicas na maneira como as pessoas se veem obrigadas a conviver”8. Essa é a lógica social
do “processo civilizador” – “uma mudança na conduta e sentimentos humanos rumo a uma
direção muito específica”9. Portanto, os elementos psicossociais que constituem o “indivíduo”
são resultado de uma construção histórica de longa duração.

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7
ELIAS, N. O Processo Civilizador. Vol. 2. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993. p. 9.
8
Ibid., p. 195
9
Ibid., p. 193
6

2. Avançando para a segunda metade do século XX, chegamos em Pierre Bourdieu.


Em seu Esboço de uma Teoria da Prática, há uma retomada da discussão que, em certa
extensão, pode ser vista no centro da oposição entre as concepções sociológicas de Weber e
Durkheim: a oposição entre indivíduo (“agentes”) e estrutura. No texto mencionado, Bourdieu
propõe uma “ruptura” com os dois “modos de conhecimento” até então vigentes nas ciências
sociais e antagônicos entre si. O primeiro, denominado como “fenomenológico”, defendia a
primazia explicativa da experiência prática dos agentes sobre o mundo social. O segundo,
denominado “objetivista”, defendia a primazia explicativa das estruturas sociais sobre o
mundo social. A ruptura de Bourdieu com esses dois modos de conhecimento não se deu no
sentido de uma completa rejeição, mas no de uma reconciliação crítica entre os dois em
direção a um terceiro modo conhecimento, denominado de “praxiológico”.
Esse terceiro modo de conhecimento, na definição de Bourdieu, busca realizar “uma
ciência experimental da dialética da interioridade e da exterioridade, isto é, da interiorização
da exterioridade e da exteriorização da interioridade”10. Ou seja, para Bourdieu, a sociologia
deve ter como objetivo a compreensão da dinâmica da relação dialética entre indivíduo e
estrutura social. É necessário entender sob que condições há autonomia em nossas práticas no
mundo social, e em que condições essas práticas são condicionadas pela estrutura. Daí o
propósito do conceito de habitus.
De modo resumido, o habitus nada mais é que certas “disposições” de conduta, de
sentimentos, de gostos, de estética, de visão de mundo etc., que são interiorizadas
(constantemente) ao longo da vida de acordo com a posição objetiva ocupada na estrutura
social. Evidentemente, como já dissemos, para Bourdieu os indivíduos não são simples
reprodutores da estrutura. Há a possibilidade de agência. Mas o próprio conjunto de
possibilidades de agência que aparecem como sendo “razoáveis” para o indivíduo, são aquelas
condicionadas pelo habitus. Portanto, a agência ocorre nessa tensão dialética entre as
disposições interiorizadas e as regras de determinado “campo” em que o indivíduo está
situado. Como dissemos, há a possibilidade de agência. Mas ela ocorre sob condições
determinadas. O que o habitus nos mostra é que as nossas características individuais e as
possibilidades de agência são muito mais sociais do que o individualismo liberal assevera.
3. Se a “ruptura” operada por Bourdieu se deu no sentido de uma reconciliação
crítica entre o conhecimento “objetivista” e “fenomenológico” que dividia as ciências sociais

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10
BOURDIEU, Pierre. Esboço de uma teoria da prática. In: ORTIZ, Renato. (org). A sociologia de Pierre
Bourdieu. São Paulo: Olho d’Água, 2003. p. 53.
7

até então, para Boaventura de Sousa Santos, a “ruptura” seria com os próprios fundamentos
da racionalidade constituintes do paradigma da ciência moderna, em cuja base as tradições do
pensamento sociológico se estabeleceram – tanto a de Durkheim quanto a de Weber, ainda
que de formas distintas.
O problema disso, e daí a necessidade de “ruptura”, advém do fato de que a tradição
sociológica, ao se estabelecer sob as bases da racionalidade da ciência moderna, adquire dela
certos pressupostos implícitos. Como por exemplo, a distinção entre humano e natureza, entre
conhecimento científico e senso comum, o domínio do “homem” sobre a natureza etc.
Boaventura argumenta que tais pressupostos não são “naturais”, intrínsecos a uma “razão”
que é “natural” do ser humano. Mas sim, pressupostos arbitrários, históricos e valorativos.
Longe de serem “neutros”, eles integram uma visão de mundo adequada às necessidades do
modo de produção capitalista. A ruptura com a ciência moderna, portanto, deve ser a de uma
transição para um novo paradigma de conhecimento – o paradigma pós-moderno. Um
paradigma que supere as dicotomias que colocam em oposição humano e natureza,
conhecimento científico e senso comum. Um paradigma que supere o “totalitarismo” da
ciência moderna como a única forma de conhecimento capaz de produzir “verdades” sobre o
mundo.
4. Diferentemente de Boaventura – que enxergou na crise do paradigma dominante
da ciência moderna um sintoma irreversível do “esgotamento” da modernidade, onde já
estaria em gestação uma ordem “pós-moderna” –, Giddens constata um processo de
“radicalização” das próprias características da modernidade. Ou seja, a sociedade não estaria
caminhando para “além da modernidade”, mas para um período de “alta-modernidade”, no
qual “as consequências da modernidade estão se tornando mais radicalizadas e
universalizadas do que antes”11. Nesse sentido, a crise do paradigma moderno – ou seja, a
crítica radical dos pressupostos epistemológicos implícitos da razão iluminista – seria ela
própria uma consequência da radicalização do caráter “reflexivo” da modernidade, e não de
sua ruptura.
Aliás, esse caráter reflexivo tem implicações fundamentais para se pensar a própria
condição da sociologia como produtora de conhecimento sobre o social. Giddens argumenta
que um dos aspectos de “descontinuidade” da modernidade com o pré-moderno, é o fato de
que nossas práticas sociais “são constantemente examinadas e reformadas à luz de informação

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11
GIDDENS, Antony. As consequências da modernidade. São Paulo: UNESP, 1993. p. 9.
8

renovada sobre estas próprias práticas”12. A grande consequência desse fenômeno para as
condições de produção sociológica, é que o conhecimento produzido pelas teorias
“continuamente ‘circulam dentro e fora’ daquilo de que tratam. Assim fazendo, eles
reestruturam reflexivamente seu objeto, ele próprio tendo aprendido a pensar
sociologicamente.” Daí a afirmação de Giddens que “a modernidade é ela mesma profunda e
intrinsecamente sociológica”13. Um caso concreto desse fenômeno pôde ser visto no Brasil, ao
longo dos trágicos eventos de 2020, com a visibilidade que o conceito de “racismo estrutural”
ganhou; não só na mídia, mas também no campo jurídico.
Em relação a condição de indivíduo aparece na obra de Giddens, gostaria de focar
em um último ponto: o da noção de “confiança”. Aqui, a análise de Giddens se aproxima
muito daquela realizada por Elias. Os dois, ainda que de formas distintas, analisaram como
certas características institucionais produziram mudanças específicas nos aspectos
psicológicos e comportamentais mais íntimos na estrutura dos relacionamentos individuais.
Na obra de Elias, o caso exemplar é o do “autocontrole” – uma consequência do processo de
intensificação da interdependência social e da monopolização da violência. Na obra de
Giddens, é o de “confiança”. A característica institucional da modernidade de “distanciamento
tempo-espaço” depende que nós, enquanto indivíduos, estabeleçamos relações de “confiança”
através dos mecanismos de desencaixe (as “fichas simbólicas” e os “sistema peritos”). Ou
seja, existir na modernidade nos “demanda” constantemente uma certa atitude mental,
baseada na “confiança”, em relação aos “outros” e às instituições.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Enfim, dentre as inúmeras reflexões possíveis a serem feitas, podemos dizer que a
sociologia tem se tornado mais interdisciplinar e reflexiva. Não só a sociologia nos ensina que
o “individual” é mais social do que imaginamos, como ela mesma passa a perceber,
gradativamente, as condições sociais e implicações da produção e disseminação do seu
próprio conhecimento – como os pós-modernos e pós-estruturalistas demonstraram.
Retomando as perguntas do início desse ensaio, sobre nossa condição de indivíduo,
acredito que a sociologia tenha caminhado em direção à uma concepção mais dialética, tal
como Marx pensou no “18 Brumário”: “os homens fazem sua própria história, mas não a
fazem como querem; não a fazem sob a circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com
que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”
_______________
12
Ibid., p. 39
13
Ibid., p. 43

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