Você está na página 1de 4

Conceito de Dumping Socia

l
Ao tratar do conceito de dumping social, a doutrina majoritária se
manifesta nos seguintes temos:
“Dumping social é a expressão para designar a atitude de certos
Estados em praticar salários muito baixos e condições de trabalho precárias,
ingredientes para que seus produtos saiam para o mercado internacional por
preços altamente reduzidos e competitivos”.1
Para Otávio Augusto Custódio de Lima, dumping social “é o translado
de empresas de um Estado para outro, procurando menores custos de mão-de-
obra e ou vantagens tributárias; através de estratégia de um ou mais
participantes de fixação de salários reduzidos e, ainda, pelo translado dos
próprios trabalhadores de Estado ao outro em busca de melhores condições
operacionais e maiores lucros.”2
A conseqüência dessa prática reflete na redução do padrão de vida das
pessoas que habitam o país lesado, seja em função da extinção de empresas e
postos de trabalho, ou em virtude da artificial redução dos preços das
mercadorias.
Essa situação poderá gerar inúmeras distorções na economia do país
importador do produto, inclusive poderá impedir que empresas que tinham
interesse, se estabeleçam nos locais que estão sendo alvo de dumping social.3
Conforme observamos, características essenciais do dumping social

1
CALDAS, Roberto de Figueiredo. Cláusulas Sociais. Congresso Internacional:
Perspectivas das Relações de Trabalho no Brasil e no Mundo, Agosto de 2000. Disponível em:
www.cjf.gov.br/Pages/Sen/eventos/re_trabalho/textos/Roberto%20Caldas. Acessado em
junho/2003.
2
LIMA, Otávio Augusto Custódio de. As multinacionais e as relações trabalhistas no
MERCOSUL. Disponível em: www1.jus.com.br/doutrina/texto. Acessado em abril/2003, p.2.
nos dois conceitos abordados são: alcançar um preço muito baixo do produto a
ser comercializado, sacrificando as relações laborais internas, reduzindo, desta
forma, as condições de trabalho; mudança da sede da empresa visando
incentivos, ou seja, diminuição no custo da mão-de-obra e da carga tributária,
obtendo, conseqüentemente, aumento nos lucros.

4 CLÁUSULAS SOCIAIS ANTIDUMPING NOS CONTRATOS


INTERNACIONAIS DE COMÉRCIO

Objetivando o controle e o combate ao dumping social, organismos


internacionais têm se manifestado no sentido de criar medidas que possam ir
de encontro aos interesses dos trabalhadores, visando a proteção dos mesmos
frente ao mercado internacional.
Os países desenvolvidos lutam para que sejam implantadas cláusulas
sociais nos tratados internacionais, estabelecendo normas supranacionais de
proteção aos trabalhadores que deveriam ser seguidas por todos os países,
indiscriminadamente.
Essas cláusulas sociais antidumping são medidas que visam reunir e
padronizar normas mínimas de proteção ao trabalho assalariado, com o intuito
da não exploração dos trabalhadores, assegurando-lhes que os Princípios
Internacionais dos Direitos Humanos sejam incorporados às suas atividades.
Elas seriam utilizadas de forma a atacar o dumping social, visto que
constariam dos acordos comerciais internacionais, e através das quais se

3
DI SENA JÚNIOR, Roberto. O Dumping e as Práticas Desleais de Comércio
Exterior. Disponível em : www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=768. Acessado em março/2003,
p. 2.
estabeleceriam sanções ao país descumpridor daquelas normas mínimas
exigidas.

REFERENCIA DA AUTORA A “SELO SOCIAL”

Há uma noção geral que condutas abusivas ou lesivas aos


trabalhadores, como é o caso do dumping social, devem ser punidas de alguma
maneira, o que ensejaria a adoção de medidas antidumping por parte do país
lesado.
Acontece que não se sabe como estas sanções poderiam ser aplicadas
aos países descumpridores das normas, quem poderia aplicá-las e como.
Uma forma que foi proposta por Michel Hansenne, diretor geral da
OIT em 1997, é a adoção de uma “etiqueta social”. Ele afirmava que esta seria
uma maneira de identificar se as mercadorias foram produzidas de acordo com
o conjunto de normas básicas trabalhistas. O uso desse selo ou etiqueta social
seria obrigatório, sob pena de os produtos serem rejeitados pelas alfândegas.
Mas acontece que isso não poderia se concretizar, pois a OIT não
tinha (e não tem) poderes coercitivos de controle sobre seus membros.
Por outro lado, a cláusula social proposta pela Organização Mundial
de Comércio (OMC) seria de aplicação obrigatória, e poderia ser invocada por
qualquer país que se sentisse prejudicado pelo nível de salários pagos em um
terceiro país, enquanto que o selo social não teria aplicação compulsória.4

4
CALDAS, Roberto de Figueiredo. Ob. Cit., p. 5.
Ericson Crivelli aponta três grandes linhas de alternativas que poderiam
ser adotadas como solução, que seriam: refortalecimento da OIT e de seus
órgãos de controle de aplicação das convenções internacionais do trabalho; a
inclusão de normas trabalhistas – fundamentais – no conjunto normativo que
vem de quase cinco décadas do GATT, que estão consubstanciadas no
denominado GATT (1994), tratado de criação da OMC e, sobretudo, no anexo
2 (entendimento relativo às normas e procedimentos sobre soluções de
controvérsias); o estabelecimento de vínculos institucionais entre o sistema de
solução de controvérsias da OMC e o sistema de controle de normas da OIT.5

5
CRIVELLI, Ericson. Ob Cit., p. 46.