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Mário Frota Silveira D V O G A D O

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ FEDERAL 2ª VARA FEDERAL DE SÃO


GONÇALO SEÇÃO JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO.

Processo: 5004426-83.2019.4.02.5117
Recorrente: FLAVIA SOUZA DOS SANTOS NASCIMENTO
Recorrente: LUIZ MAURICIO DO NASCIMENTO
Recorrido: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

FLAVIA SOUZA DOS SANTOS NASCIMENTO E LUIZ MAURICIO DO


NASCIMENTO, ambos já devidamente qualificados nos autos, por meio de
seus procuradores que a esta subscreve, respeitosamente na presença de Vossa
Excelência, apresentar

RECURSO DE APELAÇÃO

Aos termos da Sentença de fls. consoante razões e inconformismo que adiante se


alinham. Desde, já, requer a gratuidade de justiça, uma vez que não dispõe de
recursos para arcar com as custas recursais.

DA TEMPESTIVIDADE

Conforme o evento 46 e 47 dos autos o dies a quo foi no dia 27 de outubro


de 2020 (terça-feira), e o dies ad quem se dará em 18 de novembro de 2020 (quarta-
feira), estando assim, devidamente dentro do prazo.

Termos em que,
Pede deferimento.

Itaboraí, 16 de novembro de 2020.

Mário Frota da Silva Silveira OAB/RJ 175.685


Mário Frota Silveira D V O G A D O
R A Z Õ E S DO R E C U R S O

Processo: 5004426-83.2019.4.02.5117
Juízo: 2ª VARA FEDERAL DE SÃO GONÇALO.
Recorrente: FLAVIA SOUZA DOS SANTOS NASCIMENTO
Recorrente: LUIZ MAURICIO DO NASCIMENTO
Recorrido: CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

Egrégio Tribunal Regional Federal

NOBRES JULGADORES.

Data máxima vênia, sentença não deu solução jurídica


adequada à lide, eis que não deu solução adequada a lide, JULGOU
IMPROCEDENTE o pleito autoral.

Todavia, andou mal a sentença sendo passível de reforma.

DA TEMPESTIVIDADE

Conforme o evento 46 e 47 dos autos o dies a quo foi no dia 27 de outubro de


2020 (terça-feira), e o dies ad quem se dará em 18 de novembro de 2020 (quarta-
feira), estando assim, devidamente dentro do prazo.

I - DA LIDE

Os autores ficaram inadimplentes com as parcelas do imóvel


adquirido com a CEF, porém ao procurar a CEF a mesma se recusou a negociar as
dívidas, alegando para tanto, que o autor deveria pedir o arquivamento da ação
(ação revisional de contrato), informando que a CEF não poderia negociar a dívida
com um processo em andamento.

Excelência, várias foram as vezes que os Autores foram a uma


agência da CEF para tentar negociar a dívida e ficar adimplentes, no entanto a
mesma só negociaria se os Autores pedisse a desistência do processo Revisional,
processo.
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No dia 03 de junho/2019 ao se dirigir, mais uma vez, a uma
agência para tentar novamente fazer um acordo e quitar a dívida, pois soube que
a CEF estava concedendo desconto para quitação de dívida, porém foi informado
pelo Senhor Messias funcionário da agência da CEF que seu imóvel já havia sido
retomado pela CEF, ainda lhe deu um comprovante com a data registrada em
cartório, (documentos em anexo).

E O PIOR – os autores nunca foram intimados ou notificados


pela Caixa Econômica Federal em total desacordo com o DL 70/66, a teor do que
dispõe o artigo 39 da Lei 9.514/97, contrariando os Princípios Constitucionais do
Devido Processo Legal, da Ampla defesa e do Contraditório.

Ora Doutos Magistrados, é sabido que a CEF somente pode


retomar imóvel após notificação pessoal dos mutuários, em obediência ao DL
70/66 e a Lei 9.514/97 – O QUE NÃO OCORREU.

II - DA SENTENÇA

No entanto, quanto a sentença, a mesma foi desanimadora para


os autores, sendo improcedente – O QUE DEIXOU A TOSOS SEM ENTENDER.

Na r. sentença (evento 45), o magistrado fala que os autores


foram devidamente intimados por Edital, nos termos do art. 26, §4º, da Lei
9.514/97 e que a CEF observou o regramento jurídico pertinente, vejamos:

“Caso concreto. As provas dos autos dão conta de que houve tentativa
de notificação da parte autora, em 22/05/2018, no endereço Rua
Tapuias, 943, Jardim Catarina, São Gonçalo/RJ (Evento 11, item 5),
que é o endereço constante no contrato (Rua Tapuias, 943, Jardim
Catarina, São Gonçalo/RJ - Evento 11, item 3, fl. 12). Consta da
Certidão de Notificação:

(...) sendo que, ao chegar ao local, pude verificar e fui impedido de


prosseguir por constar diversas "barricadas" nas ruas de acesso e se
tratar de um local de alta periculosidade. Dado o insucesso em proceder
à notificação da requerida, pelo fato da mesma estar em local ignorado,
incerto ou inacessível, dou por assim dizer encerramento desta
certidão como NEGATIVA.

Ante a notificação negativa, a CEF promoveu a notificação por


edital (Evento 11, item 6).
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Ora, a notificação por edital em virtude de o local estar inacessível
encontra previsão legal - art. 26, §4º, da Lei 9.514/97 -, o que significa
dizer que a CEF observou o regramento jurídico pertinente.
DOS MOTIVOS DE REFORMA DA SENTENÇA

A divergência que levou o Magistrado a se equivocar foi no


simples fato de que o endereço do imóvel é Rua Tapuias ser 18 e não 946, senão
vejamos:

a) DA INVALIDADE DA INTIMAÇÃO (endereço errado)

Caros Julgadores, o processo extrajudicial deve obedecer o


devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, sob pena de padecer de
constitucionalidade.

E o devido processo impõe que a Lei 9.514/97 seja devidamente


aplicada no processo extrajudicial de retomada do imóvel pelo agente fiduciário,
ditando em seu artigo 26, §1º, o seguinte:

Art. 26. Vencida e não paga, no todo ou em parte, a dívida e constituído em mora o
fiduciante, consolidar-se-á, nos termos deste artigo, a propriedade do imóvel em nome
do fiduciário.

§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, o fiduciante, ou seu representante legal ou


procurador regularmente constituído, será intimado, a requerimento do fiduciário,
pelo oficial do competente Registro de Imóveis, a satisfazer, no prazo de quinze dias,
a prestação vencida e as que se vencerem até a data do pagamento, os juros
convencionais, as penalidades e os demais encargos contratuais, os encargos legais,
inclusive tributos, as contribuições condominiais imputáveis ao imóvel, além das
despesas de cobrança e de intimação.

Assim, a obrigatoriedade da intimação, e ainda, que a mesma


siga tais ditames, sendo de extrema importância que a referida intimação se dê
no endereço imóvel constante do contrato firmado entre a partes, vejamos:

STJ - AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL AREsp 1259112 RS 2018/0052520-3


(STJ) Jurisprudência • Data de publicação: 03/05/2018 Decisão: Ressalta-se que
não é válida a notificação enviada para endereço diverso daquele constante
no contrato...Friso que a notificação expedida para endereço diverso daquele
constante no contrato, não tem validade...diverso daquele informado no contrato
(fl.09). (...)

TRF-2 - Apelação AC 01163308320154025102 RJ 0116330-83.2015.4.02.5102


(TRF-2) Jurisprudência • Data de publicação: 23/03/2017APELAÇÃO - CIVIL -
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SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO - PEDIDO DE NULIDADE DA
EXECUÇÃO EXTRAJUDICIAL - ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - NECESSÁRIA
NOTIFICAÇÃO PESSOAL DO FIDUCIANTE ENCAMINHADA PARA
ENDEREÇO DIVERSO DO IMÓVEL FINANCIADO - IRREGULARIDADE
DA CONSOLIDAÇÃO DA PROPRIEDADE. I - Observando-se que o mútuo
habitacional em questão encontra-se garantido por alienação fiduciária, apresenta-se
imprescindível a intimação pessoal do fiduciante para a purga da mora através do
oficial do competente Registro de Imóveis ( §§ 1º e 3º do art. 26 da Lei nº 9.514 /97).
II - Reputa-se válida a notificação do devedor quando encaminhada ao
endereço constante no contrato. Precedentes: AgRg no AREsp 715.516/MS,
AgRg no AREsp

Dessa forma, além da obrigatoriedade da notificação do


fiduciante pelo agente fiduciário, tal notificação, nos ditames do STJ, deve ser no
endereço constante no contrato firmado entre as partes. O QUE NÃO HOUVE.

Primeiro – porque A intimação do mutuário LUIZ


MAURÍCIO DO NASCIMENTO – o oficial informa em duas certidão que se
dirigiu ao imóvel no dia 22/05/2018, as 10:35, encontrando “barricadas”. Porém,
a primeira certidão o endereço é na Rua Tapuias 94, e a segunda para Rua Emilio
Fisher, 276, quadra 92.

Já a intimação da mutuária FLAVIA SOUZA DOS SANTOS –


foram juntadas pela Ré duas certidão de intimação, informando que haveria
“barricadas” impossibilitando a intimação, porém, como também se vê, foram
duas certidões com a mesma data, 22/05/2018, às 10:36, no entanto, uma com o
endereço para Rua Tapuias, 946 e outra para Rua Tapuias 264, diferente do
endereço do contrato que é Rua Tapuias, 18, Jardim Catarina.

Segundo - Que a própria Recorrida invalidou a intimação


colocando na notificação como negativa, desistindo da intimação pessoal.

Conclui-se que tais notificações são no todo inconsistente e


irregulares, pois conforme entendimento do STJ acima colacionado, a
notificação deve ser no endereço do imóvel constante no contrato firmado
entre as partes e, conforme se analisa o referido contrato, o endereço do imóvel
é Rua Tapuias, lote 18 e não 946, conforme se prova com o telegrama enviado
ao Mutuário LUIZ MAURÍCIO DO NASCIMENTO ( anexo no evento 12), que
mostra claramente que o número do imóvel é 18.

Assim, equivocou-se o Magistrado ao sentenciar afirmando ser


o imóvel objeto da presente demanda de número 943 (esse número é da
averbação do registro da obra conforme consta no contrato).
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b) DA ILEGALIDADE DA INTIMAÇÃO POR EDITAL

A intimação por edital deve, também, obedecer a critérios


estabelecidos pela lei que a rege, como também o entendimento dos tribunais
pátrios, vejamos:

Artigo 26, § 4o Quando o fiduciante, ou seu cessionário, ou seu representante legal


ou procurador encontrar-se em local ignorado, incerto ou inacessível, o fato
será certificado pelo serventuário encarregado da diligência e informado ao oficial de
Registro de Imóveis, que, à vista da certidão, promoverá a intimação por edital
publicado durante 3 (três) dias, pelo menos, em um dos jornais de maior
circulação local ou noutro de comarca de fácil acesso, se no local não houver
imprensa diária, contado o prazo para purgação da mora da data da última publicação
do edital.

Frisa-se ainda, que somente se deve efetuar a intimação por


edital nos termos do artigo 26, §4º se forem esgotados todas as possibilidades de
notificação do mutuário, conforme entendimento do STJ, senão vejamos:

STJ - RECURSO ESPECIAL REsp 1547130 RN 2015/0194019-2 (STJ)


Jurisprudência • Data de publicação: 15/05/2018 Decisão: AUSÊNCIA DE
NOTIFICAÇÃO PESSOAL DO DEVEDOR. NULIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1.
INTIMAÇÃO POR EDITAL. ESGOTAMENTO DOS MEIOS DE
LOCALIZAÇÃO DO MUTUÁRIO. NECESSIDADE. 1....NOTIFICAÇÃO
POR EDITAL. INVALIDADE, NO CASO. DECRETO-LEI N. 911 /69, ARTS.
2º E 3º

TRF-3 - Inteiro Teor. APELAÇÃO CÍVEL: Ap 27408320074036104 SP


Jurisprudência • Data de publicação: 18/12/2018 Decisão: Neste caso, dada a
indicação de sucessivos endereços errados para citação dos devedores, não
há como...MEIOS DE CITAÇÃO ANTERIORES À CITAÇÃO POR EDITAL
NÃO ESGOTADOS. AGRAVO LEGAL IMPROVIDO. 1....Não foram
esgotados os meios ordinários de citação que ensejariam a citação por
Edital. 6...

Por outro lado, os endereços constantes nos editais, também


estão errado, não sendo tais endereços o mesmo constante do contrato firmado
entre as partes, isto porque:

“Rua Tapuias, 943, Jardim Catarina, São Gonçalo/RJ, CEP:


24715-420”.

Dessarte, o endereço não é o mesmo que consta no contrato, nem


mesmo o CEP informado no Edital refere-se ao endereço do contrato (conforme
comprovantes em anexo que mostra o real CEP dos autores), sendo do imóvel o
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seguinte:

Rua Tapuias, 18, Jardim Catarina, São Gonçalo/RJ, CEP:


24715-051

Conclui-se dessa forma, que tanto a Ré se equivocou com o


endereço do imóvel dos Mutuários, como também o Magistrado de 1º Grau,
pois como as provas dos autos mostram (pelo endereço constante no contrato,
como pelo telegrama enviado a casa do apelante que mostra que o endereço
correto é Rua Tapuias, 18, CEP: 24715-051) sendo o endereço correto.

Assim, o procedimento extrajudicial de retomada do imóvel


objeto da presente demanda está eivado de irregularidades, sendo inválida a
citação dos devedores por ser enviada para endereço diferente do contrato, como
também no próprio edital. Devendo, dessa forma, ser declarado nulo o
procedimento, sendo condenado o Réu nos termos da inicial.

Por todos estes motivos, deve ser DADO PROVIMENTO ao


presente recurso, para que seja REFORMADA A REFERIDA SENTENÇA, uma
vez que a mesma foi prolatada se utilizando de silogismo lógico, sem se atentar
a matéria de fato, e sem levar em conta os princípios norteadores pertinentes, e
o que é pior, com fundamentos diverso do requerido pelas partes e diverso do
objeto da demanda, nos termos acima informado !!!

Assim, e, mais pelas razões, requer o recorrente o


P R O V I M E N T O do recurso interposto, confirmando-se o presente recurso,
conforme razões e pedidos acima, por ser questão única de se promover Justiça
!!!

Pede deferimento.

Rio de janeiro, 10 de novembro de 2020.

Mário Frota da Silva Silveira


OAB/RJ 175.685