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A CÉLULA

2.1 UNIDADE ESTRUTURAL E FUNCIONAL


A célula é a unidade básica estrutural e funcional de todos os seres vivos. É a unidade
mais simples em que existe vida (no caso dos seres unicelulares).

Vários foram os cientistas que ao longo dos séculos contribuíram para um


aperfeiçoamento do conhecimento celular. Desde Zacharias Janssen que inventou o
primeiro microscópio, ainda que muito rudimentar, passando por Robert Hook que foi
o primeiro a utilizar o termo célula, para se referir às cavidades poliédricas de lâminas
de cortiça que visualizou ao microscópio, a Vladimir Zworykin que dirigiu a equipa que
produziu o 1º microscópio eletrónico e, mais recentemente, James Watson e Francis
Crick que propuseram um modelo de estrutura tridimensional do DNA (dupla hélice).

A Teoria Celular defende que:


 A célula é a unidade básica estrutural e funcional dos seres vivos;
 Todas as células têm origem unicamente a partir de outras células pré-
existentes;
 A célula é a unidade de reprodução, desenvolvimento e
hereditariedade dos seres vivos.
 

2.2 CONSTITUINTES BÁSICOS


Do ponto de vista morfológico, existem dois grupos de células, com características
distintas entre si:

 Células Procarióticas: são as células estruturalmente mais simples,


desprovidas de núcleo ou com um número muito reduzido de organelos
intracelulares (apenas ribossomas). O material genético encontra-se,
portanto, disperso no citoplasma, constituindo o nucléolo. Estas células
são típicas de bactérias e cianobactérias (algas azuis).
 Células Eucarióticas: são as células estruturalmente mais complexas,
caracterizadas por possuírem um núcleo individualizado delimitado por um
invólucro celular, assim como outros organelos intracelulares delimitados
por membranas. Estas células constituem os animais, as plantas, os fungos,
os protozoários e a maior parte das algas.
 

As células eucarióticas podem ainda dividir-se em:


 Células animais: distinguem-se das células eucarióticas vegetais por
apresentarem vacúolos em grande número, mas de pequenas dimensões,
não possuírem parede celular nem cloroplastos.
 Células vegetais: distinguem-se das células eucarióticas animais por
apresentaram parede celular de natureza celulósica, vacúolos pouco
numerosos, mas de grandes dimensões e cloroplastos.
 

Constituintes celulares:  
 Núcleo (local delimitado pela membrana nuclear, onde se encontra o
material genético – DNA, sendo o centro de controlo da atividade celular)
 Membrana plasmática ou celular (membrana que delimita exteriormente a
célula e que permite criar uma barreira seletiva separando dois meios
distintos, o meio intracelular e o meio extracelular; é uma superfície de
troca de substâncias, energia e informação entre esses dois meios)
 Citoplasma (é o fluido que se encontra entre a membrana nuclear e a
membrana plasmática, no qual se encontram dispersos os restantes
organelos)
 Mitocôndrias (estruturas envolvidas nos processos de obtenção de energia
(ATP) – respiração celular)
 Retículo endoplasmático (envolvido na síntese de proteínas, lípidos e
hormonas)
 Ribossomas (têm como função a síntese de proteínas)
 Complexo de Golgi (conjunto de sáculos achatados associado a vesículas
esféricas; intervém em fenómenos de secreção e produção de lisossomas)
 Centríolos (formados por microtúbulos, intervêm na divisão celular)
 Lisossomas (pequenas vesículas esféricas que se destacam do complexo de
Golgi e onde se acumulam enzimas digestivas, intervêm no processo de
digestão intracelular)
 Vacúolos (cavidades delimitadas por uma membrana, que contêm água
com substâncias dissolvidas, absorvidas ou elaboradas pela célula; locais
onde ocorre digestão intracelular)
 Cílios e flagelos (são organelos locomotores; podem ser finos e numerosos
– cílios, ou longos e em pequeno número – flagelos)
 Plastos (organelos que apenas se encontram nas células das algas e das
plantas, onde ocorrem diversos tipos de metabolismo; destacam-se
os cloroplastos: organelos que contêm pigmentos fotossintéticos –
clorofila, que lhe confere a cor verde)
 Parede celular (constituinte presente células vegetais, exteriormente à
membrana celular, de natureza celulósica)
 

Do ponto de vista químico, todos os seres vivos são constituídos pelo mesmo tipo de
moléculas (formadas por um reduzido número de elementos químicos,
nomeadamente Carbono, Oxigénio, Hidrogénio, Azoto e, em menor quantidade,
fósforo, cálcio, entre outros):
 Moléculas inorgânicas:
 Água: elemento mais abundante. A forma como as moléculas
de água se ligam entre si, conferem a este líquido as
propriedades únicas tornando-a essencial à vida. É responsável
pelo transporte/difusão de substâncias entre o meio intra e
extracelular; intervém na termorregulação dos seres vivos;
intervém em reações de hidrólise e é considerada o solvente
universal, pois dissolve a maioria das substâncias celulares.
 Sais minerais: como sódio, potássio, cálcio, ferro, magnésio,
iodo, zinco, entre outros.
 Moléculas orgânicas: são macromoléculas, constituídas por vários
monómeros que ao unirem-se entre si, por reações de condensação,
originam polímeros. Por cada ligação de dois monómeros que se
estabelece é removida uma molécula de água. Por outro lado, através de
reações de hidrólise, os monómeros podem separar-se uns dos outros.
 Prótidos: são compostos quaternários, constituídos por C, O, H
e N, podendo conter outros elementos como S, P, Mg, Fe e Cu.
De acordo com a sua complexidade, podem classificar-se em:
 Aminoácidos: são as moléculas unitárias dos
prótidos; constituídos por um grupo amina (NH2),
um grupo carboxilo (COOH), um hidrogénio e um
radical, que confere especificidade ao aminoácido,
ligados ao mesmo carbono.
 Péptidos: resultam da ligação de aminoácidos,
pelo estabelecimento de ligações peptídicas
(ligações entre o grupo carboxilo de um
aminoácido e o grupo amina do outro, com
libertação de uma molécula de água), através de
reações de condensação.
 Proteínas: macromoléculas de elevada massa
molecular, constituídas por uma ou mais cadeias
polipeptídicas. Importância biológica das
proteínas: função estrutural (fazem parte da
estrutura de todos os constituintes celulares),
função enzimática (atuam como biocatalisadores
de reações químicas que ocorrem nos seres vivos),
função de transporte (por ex. a hemoglobina é
uma proteína que transporta o oxigénio); função
hormonal (muitas hormonas têm constituição
proteica); função imunológica (ao anticorpos são
glicoproteínas); função motora (são os
componentes maioritários dos músculos); função
de reserva alimentar. Podem apresentar vários
níveis de organização:
 Estrutura primária: constituída por
uma única cadeia polipeptídica em que
os aminoácidos estão unidos numa
sequência linear.
 Estrutura secundária: cadeia
polipeptídica que apresenta uma
estrutura em hélice devido à interação
entre diversas zonas da molécula ou
ligação paralela entre duas cadeias
polipeptídicas formando uma
estrutura em folha pregueada.
 Estrutura terciária: ocorre quando a
cadeia em hélice se enrola e dobra
sobre si própria, tornando-se globular.
 Estrutura quaternária: ocorre quando
várias cadeias polipeptídicas
globulares se organizam e
estabelecem interligações entre si.
 Ácidos nucleicos: são moléculas que armazenam a
informação genética que caracteriza a identidade
de cada organismo, constituídas por polímeros de
nucleótidos, as suas subunidades estruturais. Estes
são formados por três constituintes: uma pentose
(desoxirribose no caso do DNA, ou ribose no caso
do RNA), um grupo fosfato e uma base azotada (de
anel simples: Timina, Citosina e Uracilo (este
apenas no RNA) ou de anel duplo: Adenina e
Guanina). Importância biológica dos ácidos
nucleicos: o DNA é o suporte universal da
informação hereditária (genética), controlando a
atividade celular. Quer o DNA quer o RNA
intervêm na síntese proteica.
Constituição DNA RNA
Grupo Fosfato Presente Presente
Pentose Desoxirribose Ribose
Bases Azotadas Adenina, Timina, Citosina e Guanina Adenina, Uracilo, Citosina e Guanina
Cadeia polinucleotídica Em dupla hélice Simples
 

o Glícidos ou hidratos de carbono: são compostos ternários,


constituídos por carbono (C), hidrogénio (H) e oxigénio (O), na
proporção 1:2:1, podendo variar das formas mais simples,
os monossacarídeos ou oses (glicose por ex.), às formas mais
complexas como os oligossacarídeos (2 a 10 moléculas de
monossacarídeos) e os polissacarídeos (mais de 10 moléculas
de monossacarídeos, de que são exemplo o glicogénio (reserva
energética nas células animais) e o amido (reserva energética
das células vegetais)). Importância biológica dos
glícidos: função estrutural e função energética (utilizados
diretamente em transferências energéticas).

o Lípidos: são moléculas com fraca solubilidade em água e


solúveis em solventes orgânicos como o éter, o clorofórmio e o
benzeno. Importância biológica dos lípidos: reserva energética;
função estrutural (constituintes das membranas celulares);
função protetora (Ex: ceras que tornam superfícies
impermeáveis); função vitamínica e hormonal (há lípidos que
entram na constituição de vitaminas e fazem parte das
hormonas sexuais)
 Gorduras: constituem um dos principais grupos de
lípidos. Quimicamente, são designadas por
glicerídeos e são constituídas por três ácidos
gordos e um glicerol. Têm funções de reserva.
 Fosfolípidos: os fosfolípidos apresentam uma
estrutura química que resulta da ligação de uma
molécula de glicerol com dois ácidos gordos a uma
molécula de ácido fosfórico com um composto
azotado. São moléculas polares, anfipáticas com
uma zona hidrofílica (solúvel na água e constitui a
zona carregada eletricamente) e uma zona
hidrofóbica (insolúvel na água). Têm função
estrutural, principalmente ao nível das
membranas.

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