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Universidade Federal Fluminense

Instituto de Estudos Estratégicos

Política Internacional Pós-Guerra Fria - Seminário 2018.1

Prof. Eduardo Heleno

Aluna: Ana Carolina Rodrigues de Almeida Azevedo

País escolhido: Venezuela


Histórico de alinhamento venezuelano (antes e depois da Guerra Fria)

A Venezuela é detentora da maior reserva provada de petróleo do mundo, ou seja, a


sua reserva possui um elevado grau de certeza de rápido retorno comercial. E,
sendo este país o mais próximo dos EUA com esta qualidade, houve um
estreitamento na relação entre esses dois países, pois, uma viagem até a América
do Sul é mais rápida, portanto menos custosa que uma reserva no Oriente Médio,
por exemplo.

Assim, essas grandes reservas venezuelanas começaram a ser exploradas no


governo de Juan Vicente Gómez (1908-1935), e a renda gerada pela produção e
exportação majoritária para os EUA de hidrocarbonetos possibilitou a construção de
uma infraestrutura viária e portuária e a implantação no país sul-americano de um
aparelho de Estado centralizado e democrático, porém de raízes fortemente
oligárquicas.

Desta forma, a consolidação do Estado Nacional venezuelano embasou-se na


exportação de petróleo para o mercado norte-americano, o que ocasionou uma
grande dependência da sua política externa, que também carecia de pouca
integração com outros países periféricos.

Na década de 1950, a Venezuela já havia se transformado no segundo produtor e


no primeiro exportador mundial de petróleo.

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Ao contrário de outros países latino-americanos, a Venezuela permaneceu uma
democracia durante a Guerra Fria, em uma condição de "isolacionismo dependente",
já que os EUA era o seu maior comprador de petróleo.

Porém a partir do final da década de 1980, com a diminuição do preço dessa


commodity mais a crise da dívida, a estratégia da política externa venezuelana teve
que se flexibilizar através de uma busca modesta da sua inserção no cenário
externo, todavia sem deixar de lado o seu papel nos interesses estratégicos dos
EUA.

Em 1999 com a chegada de Hugo Chávez ao poder, uma redefinição do modelo


democrático do país foi feita com a convocação de uma Assembleia Constituinte
para redigir uma nova constituição. Este novo modelo enfatizava uma "democracia
participativa e protagonista" que consistia não só na democracia representativa em
si, mas também na representação e participação direta por consultas, referendos e
processos decisórios locais.

A medida que começou a implementar seu projeto, que também incluiu medidas
econômicas tais como reforma agrária e o aumento da participação da estatal
Petroleos de Venezuela SA (PDVSA) na produção do petróleo, a oposição foi se
tornando mais radical e, em 2002, Chávez foi brevemente deposto em um golpe.

O golpe foi largamente criticado por outros países, ainda que os Estados Unidos,
Espanha e Colômbia tenham inicialmente reconhecido o novo governo. Alguns dias
depois, Chávez foi reposto.

Nos anos que se seguiram, a alta do preço do petróleo facilitou a implementação de


uma série de programas sociais, as Missões Bolivarianas (Missiones Bolivarianas).
Nesse contexto, Chávez foi reeleito em 2006 e durante seu segundo mandato, ele
avançou na implementação de reformas econômicas, aonde vários modelos para
substituir a propriedade privada foram experimentados, envolvendo nacionalizações
e expropriações. Com a morte de Chávez em 2013, e a eleição do seu aliado
Nicolas Maduro no mesmo ano, deu-se um novo contexto.

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A crise econômico-financeira iniciada em 2008, que se expandiu para América
Latina estimulada pela queda do preço do petróleo, fomentou o descontentamento
da população e enfraqueceu o governo de Maduro.

Com uma oposição que se fortaleceu em 2015, e com uma série de eventos em
2017, tais como as reações repressivas do governo à manifestações populares, o
aumento de cidadãos pedindo refúgio em outros países como o Brasil e a Colômbia
causando o inchaço das cidades fronteiriças, e a eleição de uma nova Assembleia
Constituinte, fomentaram ainda mais não só a divisão da população, mas a opinião
pública mundial sobre a legitimidade do governo de Maduro.

Além disso, desde 2014 o preço do petróleo caiu pela metade, o que foi uma
situação economicamente benéfica para as empresas e os consumidores no
exterior, porém desastrosa para a economia venezuelana. Pois desta forma, um
cenário de falência do Estado venezuelano, ou mesmo de um embargo na parceria
comercial Venezuela - Estados Unidos, poderia gerar um aumento internacional do
preço do petróleo.

Nos dias de hoje, a proximidade do governo venezuelano com a Rússia, a China, e


o Irã, ocasionou o descontentamento do atual presidente dos EUA Donald Trump,
que se refletiu através das sanções aplicadas recentemente ao seu antigo parceiro.

No que diz respeito à instabilidade regional causada, conforme dito anteriormente a


Venezuela também possui questões com os seus países vizinhos. Fora do contexto
do problema dos refugiados, a desavença com a Colômbia é um ponto a ser
ressaltado, uma vez que apesar desta viver atualmente em um processo de
entendimento com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) - o que
é um fator de atração para os investidores internacionais - os colombianos são ao
mesmo tempo acusados de apoiar a oposição venezuelana.

Assim, a crise interna venezuelana se reflete no contexto internacional. E em


conclusão, apesar da Venezuela que acarretar incertezas e prejuízos ocasionados
pelos seus problemas políticos, econômicos e inclusive de abastecimento, ela não
parece estar perto de uma solução.

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Bibliografia:

HOFFMANN, Andrea R. "O projeto de Chávez e a crise da Venezuela" Correio do


Estado. 28 Maio 2018. 24 Junho 2018.
<https://www.correiodoestado.com.br/opiniao/andrea-ribeiro-hoffmann-o-projeto-de-
chavez-e-a-crise-da-venezuela/328729/>

ZERO, Marcelo. "Para entender a Venezuela" Carta Capital. 10 Agosto 2017. 24


Junho 2018. <https://www.cartacapital.com.br/blogs/brasil-debate/para-entender-a-
venezuela>

Deutsche Welle. 07 Agosto 2017. 24 Junho 2018. <http://www.dw.com/pt-br/cinco-


motivos-por-que-a-crise-da-venezuela-tem-import%C3%A2ncia-internacional/a-
39994544>