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Aula 24

CPCs para Desesperados (Pronunciamentos Contábeis) Com


Videoaulas - 2019
Gabriel Rabelo, Luciano Rosa

05582054707 - Nathália Midões Tavares


Gabriel Rabelo, Luciano Rosa
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SUMÁRIO
1 - CONTINUAÇÃO... .......................................................................................................................................... 2
2 - CONTABILIDADE RURAL ................................................................................................................................ 2
2.1 - INTRODUÇÃO................................................................................................................................................................2
3 - CPC 29 - ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA ........................................................................................ 7
4 - IMPOSTO DE RENDA NA ATIVIDADE AGROPECUÁRIA. .................................................................................. 15
4.1 - IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA .....................................................................................................................15
4.2 - LUCRO PRESUMIDO ....................................................................................................................................................16
4.3 - LUCRO ARBITRADO .....................................................................................................................................................19
4.4 - LUCRO REAL ................................................................................................................................................................22
4.5 - TRATAMENTO DO PREJUÍZO ACUMULADO ...............................................................................................................24
5 - RESUMO GERAL .......................................................................................................................................... 32
6 - QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................................... 36
7 - LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA436893 ....................................................................................... 42
8 - GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA ............................................................................... 46

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1 - CONTINUAÇÃO...
Olá, meus amigos. Como estão?!
Prazer revê-los novamente em mais uma aula Contabilidade.
Hoje, falaremos sobre o seguinte tema: CPC 29 - Ativos biológicos.

Lembramos que o fórum de dúvidas está em pleno funcionamento.


Não fique com dúvidas, recorra ao fórum! Feio é errar na prova.
Vamos à aula?! Então, aos estudos!
Um abraço.
Gabriel Rabelo/Luciano Rosa.
Instagram: @contabilidadefacilitada

2 - CONTABILIDADE RURAL
2.1 - INTRODUÇÃO

“Agro é tech, agro é pop, agro é tudo”, ensina a propaganda. Exagero à parte, o setor agropecuário
é muito forte no Brasil.

Em 2017, o Valor bruto da produção Agropecuária foi de R$ 555,4 bilhões. Para 2018, a estimativa é
de R$ 542 bilhões (resultado um pouco menor, mas ainda muito expressivo).
As atividades agropecuárias apresentam uma grande diversidade de atuação: cultura permanente
(café, laranja), culturas temporárias (cana de açúcar, milho, feijão), pecuária de corte, pecuária
leiteira, avicultura, piscicultura, e outras, cada qual com características próprias. Veremos com mais
detalhes adiante.
Conforme a Lei 6404/76:

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Art. 183, § 4° Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser


avaliados pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica
contábil.

As mercadorias fungíveis são as commodities, ou seja, soja, suco de laranja, café, etc.
As commodities possuem cotação na bolsa de mercadoria. Portanto, normalmente ficam registradas
na contabilidade pela cotação da bolsa. Se uma empresa possui um estoque de, digamos, cem
toneladas de soja, ela conseguirá vender esse estoque pela cotação atual da soja na bolsa de
mercadorias.
Repare que isso tira a necessidade de negociação. E esta é a diferença entre as mercadorias fungíveis
e as outras mercadorias.
Vamos examinar os outros produtos. Uma determinada empresa pode usar aço, borracha, tinta e
outras matérias primas que custaram 10.000 e construir um carro que será vendido por 20.000.
Depois de construído, o carro continua avaliado na contabilidade ao preço de custo de 10.000.
E porque não podemos avaliar o carro em estoque pelo seu preço de venda, no caso, de 20.000?
Afinal, a empresa já finalizou o esforço de fabricação do produto.
Mas falta uma parte essencial, que é a validação do mercado. Se a empresa conseguir vender o carro
por 20.000, irá reconhecer uma receita de venda e um lucro, pois o mercado aceitou esse preço.
Mas se ninguém quiser comprar o carro por 20.000, será necessário negociar e eventualmente
diminuir o preço.
Assim, por prudência, o carro, apesar de já construído, fica registrado pelo custo, até que o mercado
aceite o preço estabelecido pela empresa.
Com as commodities, não há necessidade de negociação. O preço já está estabelecido pela cotação
em bolsa.

(FCC/CVM/Analista /2006) Os estoques de produtos fungíveis são avaliados pelo


A) custo histórico de aquisição atualizado monetariamente.
B) valor de mercado.
C) custo padrão, sem inclusão das variações do padrão.
D) custo padrão, com a inclusão das variações do padrão.
E) valor histórico de formação menos fator de obsolescência.
Comentários:
Conforme a Lei 6404/76:

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Art. 183, § 4° Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser avaliados
pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica contábil.
As mercadorias fungíveis são as commodities, ou seja, soja, suco de laranja, café, etc.
As commodities possuem cotação na bolsa de mercadoria. Portanto, normalmente ficam
registradas na contabilidade pela cotação da bolsa.
Repare que isso tira a necessidade de negociação. E esta é a diferença entre as mercadorias
fungíveis e as outras mercadorias.
Portanto, as mercadorias fungíveis são avaliadas pelo valor de mercado, que é o valor da bolsa
de mercadorias.
Gabarito → B
(CESPE/TJ-ES/2011) As mercadorias devem ser avaliadas pelo custo de aquisição, deduzido de
provisão para ajuste ao valor de mercado, quando este for inferior. O valor de mercado pode
ser utilizado em quaisquer circunstâncias no caso de mercadorias fungíveis, se esse for o
costume mercantil.
Gabarito → Certo
Continuando...
Tudo o que já falamos no curso referente à contabilidade também se aplica à contabilidade rural.
A finalidade da contabilidade rural é fornecer informações úteis para os seus usuários.
Mais especificamente, a contabilidade rural tem como objetivo controlar o patrimônio das empresas
rurais, apurar o resultado e fornecer informações para os diversos usuários (proprietários, credores,
investidores, clientes, etc).

O objeto da Contabilidade Rural é o patrimônio da entidade rural.

O estudo do patrimônio refere-se a dois aspectos: Estático e Dinâmico.


Sob o aspecto estático, o patrimônio da empresa é estudado no Balanço Patrimonial, que é uma
“fotografia” em determinada data.
Sob o aspecto dinâmico, o patrimônio é estudado na Demonstração do Resultado, que evidencia as
alterações ocorridas ao longo do período.
Uma diferença que normalmente surge entre a contabilidade rural e a contabilidade das outras
entidades é a fixação da data do exercício social.
Normalmente, as empresas adotam o ano civil como exercício social, encerrando em 31 de
dezembro.
Na contabilidade rural, o exercício social deve finalizar logo após a colheita. Se uma empresa rural
tem determinada plantação cuja colheita seja, por exemplo, em abril, o exercício social de tal
empresa deve terminar em maio ou junho. Não teria sentido terminar em dezembro, com a colheita
ainda em formação, devido à dificuldade de determinar o valor do produto nesse caso.

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O exercício social das empresas rurais deve levar em conta o ano agrícola específico do produto
agrícola. O ano agrícola compreende a plantação, colheita e normalmente a comercialização da
safra.

Empresas rurais Logo após a colheita

Exercício Social
Normalmente no
Demais empresas final do ano
(31 de dezembro)

As empresas rurais podem ter “cultura permanente” ou “cultura temporária”.

Cultura temporária são aquelas que estão sujeitas ao replantio, ou seja, na colheita são
arrancadas do solo. Possuem vida útil inferior a um ano, depois precisam ser plantadas
novamente. Exemplo: milho, feijão, arroz, soja.

Os gastos com as culturas temporárias são contabilizadas no Ativo Circulante, como se fossem
estoques em andamento nas empresas industriais. A conta pode ser intitulada “Cultura Temporária
em processo” ou “Cultura temporária em formação”, no grupo de Estoques.
Dessa forma, os gastos com sementes, fertilizantes, mão de obra, encargos sociais, energia elétrica,
e outros, vão compor o custo do estoque, na conta “Cultura Temporária em formação”.
Depois da colheita, os custos são transferidos para a conta “Estoque de produto agrícola – milho”,
por exemplo. E passam a ser avaliados pelo valor justo, pois o milho colhido é considerado um
produto agrícola.

Cultura permanente são aquelas que duram (e produzem) durante vários anos. Por
exemplo, um pé de café pode produzir durante cerca de 20 anos. Da mesma forma, as
plantações de laranja também produzem por vários anos, sem precisar de replantio.

No caso das culturas permanentes, os gastos incorridos durante a formação (sementes, adubos,
fertilizantes, pesticidas, mão de obra e encargos, etc) são contabilizados no Ativo Imobilizado. E
devem ser depreciados pelo tempo de sua vida útil.
Atualmente, as culturas permanentes são chamadas também de “Plantas Portadoras”.

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Ativo circulante
Temporária
(estoque)
Cultura
Imobilizado
Permanente
(depreciação)

(CESPE/HEMOBRÁS/2008) As culturas permanentes ou periódicas de árvores ou vegetações


devem ser registradas no ativo permanente imobilizado.
Comentários:
Não existe mais o Ativo Permanente. Agora, deveria contar apenas “Ativo Imobilizado”.
As culturas permanentes ficam no Ativo não circulante – Imobilizado.
Mas as culturas temporárias ficam no Ativo Circulante – Estoque.
Gabarito → Errado
Mais uma...
(CESPE/HEMOBRÁS/2008) As culturas que proporcionam frutos, como cafezais ou laranjais,
sofrem depreciação. A depreciação deve ser registrada porque a árvore perde sua capacidade
produtiva ao longo do tempo.
Comentários:
As culturas permanentes, como cafezais ou laranjais, ficam classificadas no Ativo Imobilizado e
sofrem depreciação de acordo com a sua vida útil.
Gabarito → Certo

Vejamos agora o CPC 29 – Ativos Biológicos.

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3 - CPC 29 - ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA


O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil, e as respectivas divulgações,
relacionados aos ativos biológicos e aos produtos agrícolas.
Este Pronunciamento deve ser aplicado para contabilizar os seguintes itens relacionados com as
atividades agrícolas:

(a) ativos biológicos, exceto plantas portadoras;


(b) produção agrícola no ponto de colheita;
(c) subvenções governamentais relacionadas a um ativo biológico mensurado ao seu valor
justo, exceto plantas portadoras.

As plantas portadoras são aquelas que produzem frutos por diversos anos, sem necessidade de
replantio. Formam a “cultura permanente”. Exemplo: cafezais, laranjeiras, seringueiras, parreiras,
etc.
Esquematizemos:
Ativos biológicos, exceto plantas portadoras
Pronunciamento Produção agrícola no ponto da colheita
29 - aplicado a
Subvenções governamentais, exceto plantas portadoras

2. Este pronunciamento não é aplicável em:


(a) terras relacionadas com atividades agrícolas;
(b) plantas portadoras relacionadas com a atividade agrícola. Contudo, este
pronunciamento aplica-se ao produto dessas plantas portadoras;
(c) subvenção e assistência governamentais relacionadas às plantas portadoras;
(d) ativos intangíveis relacionados com atividades agrícolas.
3. Este Pronunciamento deve ser aplicado para a produção agrícola, assim considerada
aquela obtida no momento e no ponto de colheita dos produtos advindos dos ativos
biológicos da entidade. Após esse momento, o CPC 16 – Estoques, ou outro
Pronunciamento Técnico mais adequado, deve ser aplicado. Portanto, este
Pronunciamento não trata do processamento dos produtos agrícolas após a colheita,
como, por exemplo, o processamento de uvas para a transformação em vinho por
vinícola, mesmo que ela tenha cultivado e colhido a uva. Tais itens são excluídos deste
Pronunciamento, mesmo que seu processamento, após a colheita, possa ser extensão
lógica e natural da atividade agrícola, e os eventos possam ter similaridades.

Comentários:
Vejamos um exemplo com a produção de uva. Trata-se de cultura permanente (planta portadora).
Durante a formação do parreiral, deve ser avaliado ao custo e classificado no Ativo Imobilizado.

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Na colheita, aparece o produto agrícola (uva), classificado no estoque e avaliado pelo preço justo
menos as despesas de venda.
Se a empresa produz vinho, temos o produto resultante do processamento, classificado no estoque
e avaliado conforme o CPC 16 – Estoque.
O vinho é avaliado pelo custo, menos eventuais perdas permanentes. Mas, se o produto processado
for uma mercadoria fungível (commoditie), pode ser avaliado pelo valor de mercado (segundo o CPC
16 - Estoques, pelo valor realizável líquido).
Esquematizemos:

Formação do pomar Colheita da uva Vinho (Produto


(Ativo Permanente, (Estoque - produção processado) -
avaliado ao Custos) agrícola - valor justo) Estoque - CPC 16

A tabela a seguir, copiada do CPC 29, fornece exemplos de ativos biológicos, produto agrícola e
produtos resultantes do processamento depois da colheita:

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Definições relacionadas com a área agrícola

5. Os seguintes termos são usados neste Pronunciamento com significados específicos:

Atividade agrícola é o gerenciamento da transformação biológica e da colheita de ativos


biológicos para venda ou para conversão em produtos agrícolas ou em ativos biológicos
adicionais, pela entidade.

Planta portadora é uma planta viva que:


(a) é utilizada na produção ou no fornecimento de produtos agrícolas;
(b) é cultivada para produzir frutos por mais de um período; e
(c) tem uma probabilidade remota de ser vendida como produto agrícola, exceto para
eventual venda como sucata.

Produção agrícola é o produto colhido de ativo biológico da entidade.

Ativo biológico é um animal e/ou uma planta, vivos.

Transformação biológica compreende o processo de crescimento, degeneração,


produção e procriação que causam mudanças qualitativa e quantitativa no ativo
biológico.

Despesa de venda são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda de ativo,


exceto despesas financeiras e tributos sobre o lucro.

Grupo de ativos biológicos é um conjunto de animais ou plantas vivos semelhantes.

Colheita é a extração do produto de ativo biológico ou a cessação da vida desse ativo


biológico.

Comentários:
Quando o examinador não sabe o que perguntar, pede uma definição. É importante ler várias vezes
as definições acima.
Continuando...

5A. Não são plantas portadoras:


(a) plantas cultivadas para serem colhidas como produto agrícola (por exemplo, árvores
cultivadas para o uso como madeira);
(b) plantas cultivadas para a produção de produtos agrícolas, quando há a possibilidade
maior do que remota de que a entidade também vai colher e vender a planta como
produto agrícola, exceto as vendas de sucata como incidentais (por exemplo, árvores que
são cultivadas por seus frutos e sua madeira); e
(c) culturas anuais (por exemplo, milho e trigo).

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5B. Quando as plantas portadoras não são mais utilizadas para a produção de produtos,
elas podem ser cortadas e vendidas como sucata, por exemplo, para uso como lenha.
Essas vendas de sucata incidentais não impedem a planta de satisfazer à definição de
planta portadora.

Comentário:
Se a planta é cultivada para ser colhida como produto agrícola (seja depois de alguns meses, com
milho e trigo, seja depois de vários anos, como o Mogno, que leva 18 anos para ser cortado como
madeira), então não é planta portadora.
Se a planta é cultivada tanto pelos frutos como pela madeira (existe possibilidade mais que remota
que a entidade vai colher e vender a planta como produto agrícola), também não é planta portadora.
Esquematizemos:

plantas cultivadas para serem colhidas como produto agrícola

plantas cultivadas para a produção de produtos agrícolas, quando há a possibilidade


NÃO SÃO maior do que remota de que a entidade também vai colher e vender a planta como
Plantas Portadoras produto agrícola

culturas anuais (por exemplo, milho e trigo).

Uma plantação de café tem vida útil de 20 anos, aproximadamente. Depois disso, as plantas podem
ser cortadas e vendidas como sucata, para lenha. Essa venda como sucata não impede que o pé de
café seja considerado planta portadora.

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Vamos continuar com o pronunciamento CPC 29 – Ativo Biológico.

5C. Produto em desenvolvimento de planta portadora é ativo biológico.


6. Atividade agrícola compreende uma série de atividades, por exemplo, aumento de
rebanhos, silvicultura, colheita anual ou constante, cultivo de pomares e de plantações,
floricultura e cultura aquática (incluindo criação de peixes). Certas características comuns
existem dentro dessa diversidade:
(a) capacidade de mudança. Animais e plantas vivos são capazes de transformações
biológicas;
(b) gerenciamento de mudança. O gerenciamento facilita a transformação biológica,
promovendo, ou pelo menos estabilizando, as condições necessárias para que o processo
ocorra (por exemplo, nível de nutrientes, umidade, temperatura, fertilidade, luz). Tal
gerenciamento é que distingue as atividades agrícolas de outras atividades. Por exemplo,
colher de fontes não gerenciadas, tais como pesca no oceano ou desflorestamento, não
é atividade agrícola; e
(c) mensuração da mudança. A mudança na qualidade (por exemplo, mérito genético,
densidade, amadurecimento, nível de gordura, conteúdo proteico e resistência da fibra)
ou quantidade (por exemplo, descendência, peso, metros cúbicos, comprimento e/ou
diâmetro da fibra e a quantidade de brotos) causada pela transformação biológica ou
colheita é mensurada e monitorada como uma função rotineira de gerenciamento.
7. Transformação biológica resulta dos seguintes eventos:
(a) mudanças de ativos por meio de
(i) crescimento (aumento em quantidade ou melhoria na qualidade do animal ou planta),
(ii) degeneração (redução na quantidade ou deterioração na qualidade de animal ou
planta) ou
(iii) procriação (geração adicional de animais ou plantas); ou
(b) produção de produtos agrícolas, tais como látex, folhas de chá, lã, leite.

Continuando...

Reconhecimento e mensuração
10. A entidade deve reconhecer um ativo biológico ou produto agrícola quando, e
somente quando:
(a) controla o ativo como resultado de eventos passados;
(b) for provável que benefícios econômicos futuros associados com o ativo fluirão para a
entidade; e
(c) o valor justo ou o custo do ativo puder ser mensurado confiavelmente.

Comentários:
Esta é a definição de ativo, que consta no CPC 00 – Estrutura conceitual:
“Ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do
qual se espera que fluam futuros benefícios econômicos para a entidade.”

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Além disso, o valor justo ou o custo devem ser mensurados confiavelmente. Se não for possível
estimar o valor de forma confiável, a empresa não reconhece (não contabiliza) o ativo.

Continuando...

12. O ativo biológico deve ser mensurado ao valor justo menos a despesa de venda no
momento do reconhecimento inicial e no final de cada período de competência, exceto
para os casos descritos no item 30, em que o valor justo não pode ser mensurado de
forma confiável.
13. O produto agrícola colhido de ativos biológicos da entidade deve ser mensurado ao
valor justo, menos a despesa de venda, no momento da colheita. O valor assim atribuído
representa o custo, no momento da aplicação do Pronunciamento Técnico CPC 16 –
Estoques, ou outro Pronunciamento aplicável.
Comentários:
Estes são os pontos que as bancas mais estão cobrando, então vamos reforçar:

Ativo Biológico

•valor justo menos a despesa de venda

Produto Agrícola

•valor justo, menos a despesa de venda, no momento da colheita.

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(CESPE/2013) No reconhecimento inicial, um ativo biológico deve ser mensurado ao valor


justo, subtraindo - se a despesa de venda.
Gabarito → Certo
Vamos em frente...

Incapacidade para mensurar de forma confiável o valor justo


30. Há uma premissa de que o valor justo dos ativos biológicos pode ser mensurado de
forma confiável. Contudo, tal premissa pode ser rejeitada no caso de ativo biológico cujo
valor deveria ser cotado pelo mercado, porém, este não o tem disponível e as alternativas
para mensurá-los não são, claramente, confiáveis. Em tais situações, o ativo biológico
deve ser mensurado ao custo, menos qualquer depreciação e perda por
irrecuperabilidade acumuladas. Quando o valor justo de tal ativo biológico se tornar
mensurável de forma confiável, a entidade deve mensurá-lo ao seu valor justo menos as
despesas de venda. (...)

Comentários:
Os ativos biológicos devem ser avaliados ao valor justo. Mas, se o valor justo não for mensurável de
forma confiável, deve ser usado o valor de custo menos qualquer depreciação e perdas por
irrecuperabilidade.
Quando o valor justo se tornar mensurável de forma confiável, a entidade deve mensurar o ativo
biológico pelo valor justo menos as despesas de venda.
A presunção de que o valor justo dos ativos biológicos pode ser mensurado de forma confiável pode
ser rejeitada somente no reconhecimento inicial. A entidade que tenha mensurado previamente o
ativo biológico ao seu valor justo, menos a despesa de venda, continuará a mensurá-lo assim até
a sua venda.
Em todos os casos, a entidade deve mensurar o produto agrícola no momento da colheita ao seu
valor justo, menos a despesa de venda. O Pronunciamento 29 assume a premissa de que o valor
justo do produto agrícola no momento da colheita pode ser sempre mensurado de forma confiável.
Então ficamos assim:

Ativo biológico: valor justo menos despesas de vendas. Se o valor justo não for
mensurável, usa o custo menos depreciação menos perdas por irrecuperabilidade.

Produto agrícola: Valor justo menos a despesa de venda. Há a premissa de que o valor
justo sempre pode ser calculado no momento da colheita, para o produto agrícola.

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Vejamos uma questão da Fundação Brasileira de Contabilidade para Exame de Suficiência para
Contador edição 2017.2:

(FBC/Exame CFC/2017 – 2) Os ativos biológicos são definidos pela NBC TG 29 (R2) – ATIVO
BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA como “um animal e/ou uma planta, vivos”.
A mesma Norma define produção agrícola como “produto colhido de ativo biológico da
entidade”.
O ponto de colheita ou abate é o momento em que o ativo em questão passará a estar sob o
escopo da NBC TG 16 (R1) – ESTOQUES, deixando de estar sob o escopo da NBC TG 29 (R2) –
ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA. Esse ponto é, portanto, o último em que o elemento
será mensurado de acordo com o critério previsto na NBC TG 29 (R2).
Considerando-se o que dispõe a NBC TG 29 (R2) – ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO
AGRÍCOLA e atendidos os requisitos de reconhecimento, o produto agrícola colhido de
ativos biológicos da entidade deve ser mensurado:
A) alternativamente, ao custo ou ao Valor Realizável Líquido, dos dois o menor.
B) alternativamente, ao custo ou ao Valor Reavaliado, dos dois o maior.
C) obrigatoriamente, ao custo menos a exaustão.
D) obrigatoriamente, ao valor justo, menos a despesa de venda
Comentários:
O ativo biológico deve ser mensurado prioritariamente pelo valor justo menos a despesa de
venda. Se o valor justo não for mensurável confiavelmente, usa o custo menos a depreciação
menos perdas por irrecuperabildade.
Já o produto agrícola deve ser obrigatoriamente mensurado pelo valor justo menos a despesa
de venda. O CPC 29 estabelece que há uma premissa de que o valor justo sempre pode ser
mensurado de forma confiável, para o produto agrícola.
Gabarito → D
Quando o ativo biológico ou o produto agrícola são reconhecidos (contabilizados) pelo valor justo
menos a despesa de venda, pode ocorrer ganho ou perda no valor justo, de um período para o outro.
O ganho ou a perda no valor justo menos a despesa de venda de ativo biológico reconhecido no
momento inicial até o final de cada período deve ser incluído no resultado do exercício em que tiver
origem.
Vejamos mais um texto do pronunciamento CPC 29 – Ativos biológicos:

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25. Ativos biológicos são, muitas vezes, implantados na terra (por exemplo, árvores de
floresta plantada). Pode não existir mercado separado para os referidos ativos, mas pode
existir mercado ativo para a combinação deles, isto é, para os ativos biológicos, terra nua
e terras com melhorias, como um conjunto. A entidade pode usar informações sobre
ativos combinados para mensurar o valor justo dos ativos biológicos. Por exemplo, o valor
justo da terra nua e da terra com melhorias pode ser deduzido do valor justo dos ativos
combinados, visando obter o valor justo do ativo biológico.

Comentários:
Uma empresa possui uma plantação de café com 10 anos. Não existe preço de mercado (preço justo)
para a plantação. Existe preço justo para o produto agrícola (café), mas não para a plantação.
Uma forma de estimar confiavelmente o valor justo da plantação é considerar o conjunto terra +
plantação e comparar com o valor justo da terra nua.
Vamos supor que 10 alqueires de uma plantação de café com 10 anos valham $1.200.000; na
mesma região, 10 alqueires de terra nua valem $1.000.000. Assim, o valor justo da plantação é de
$200.000.
Vejamos agora o tópico

4 - IMPOSTO DE RENDA NA ATIVIDADE AGROPECUÁRIA.


A atividade agropecuária pode ser explorada por uma empresa (pessoa jurídica) ou por um Produtor
Rural (pessoa física).
A tributação do imposto de renda depende da forma jurídica (pessoa jurídica ou pessoa física).
Para as pessoas jurídicas (empresas), as atividades rurais seguem as mesmas regras aplicáveis às
outras pessoas jurídicas, podendo ser tributadas com base no Lucro Real, Lucro Presumido ou
Arbitrado (veremos com mais detalhes adiante).
Já os produtores rurais (pessoas físicas) sujeitam-se à tabela do Imposto de renda (IR) para as
pessoas físicas, com alíquotas de 15% ou de 27,5%, a depender da base de cálculo do IR.

4.1 - IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA

Veremos, a seguir, as regras de imposto de renda aplicáveis às pessoas jurídicas em geral (indústria,
comércio, etc).
E depois veremos as regras que só se aplicam às empresas rurais (as peculiaridades do imposto de
renda das empresas rurais). Vamos lá:
O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza é tributo instituído pela União, no
exercício da competência regular que lhe confere a Constituição Federal (CF, art. 153, III).

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As pessoas jurídicas estão sujeitas a um dos seguintes regimes jurídicos para apuração do imposto
de renda:
a) lucro presumido;
b) lucro arbitrado;
c) lucro real.

Imposto de Renda
das Pessoas Jurídicas

Lucro Lucro
Lucro Real
Presumido Arbitrado

4.2 - LUCRO PRESUMIDO

O lucro presumido pode ser utilizado pelos contribuintes cuja receita bruta total tenha sido igual ou
inferior a R$ 78 milhões, no ano calendário anterior, ou R$ 6,5 milhões por mês se ano calendário
tiver menos de 12 meses.
A receita bruta total, para efeito do lucro presumido, é a receita bruta de vendas somada aos ganhos
de capital e às demais receitas e resultados positivos decorrentes de receitas não compreendidas na
atividade.

Receita bruta total = receita bruta vendas + ganhos de capital + demais receitas.

A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, poderá adotar
o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de
serviços pelo regime de caixa ou de competência.
No lucro presumido o imposto é calculado trimestralmente.
Para achar a base de cálculo, basta que saibamos achá-la por presunção (resultado da receita bruta
total x alíquota da presunção). Uma vez encontrada, procede-se à apuração pela multiplicação com
a respectiva alíquota.
Assim, temos:

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Atividade Alíquota
Indústria e comércio em geral 8%
Serviços em geral 32%
Atividade Rural 8%
Demais serviços de transportes 16%
Revenda de combustíveis para consumo 1,6%
A alíquota do imposto de renda que incidirá sobre a base de cálculo é de 15% (quinze por cento).
O adicional do imposto de renda devido pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro
presumido será calculado mediante a aplicação do percentual de 10% (dez por cento) sobre a parcela
do lucro presumido que exceder ao valor de R$60.000,00 (sessenta mil reais) em cada trimestre.
Ou seja: 15% de alíquota normal. O que exceder $20.000 por mês (ou $60.000, no caso de apuração
trimestral) terá tributação adicional de 10%.
Vamos supor que uma empresa rural apurou receita de $ 1.000.000 no primeiro trimestre do ano
X1. O percentual para a base de cálculo do Imposto de Renda é de 8%.
O cálculo do IR presumido fica assim:

Receita $1.000.000 x 8% = $80.000 (base de cálculo).


IR normal: $80.000 x 15% = $12.000

Para calcular o IR adicional, devemos considerar apenas o valor que exceder $20.000 por mês ($
60.000 no trimestre).

$80.000 - $ 60.000 = $20.000 (base para IR adicional)


$20.000 x 10% = $2.000

Ir “normal” $12.000 + IR adicional $2.000 = $14.000 (IR a recolher).


Uma questão sobre o assunto:
(CESGRANRIO/Termoaçu/Contador Jr./2008) Uma empresa comercial tributada pelo lucro
presumido apresentou as seguintes receitas ao final do 1o trimestre de 2007:
• Vendas de mercadorias R$ 1.500.000,00
• ICMS sobre vendas R$ 180.000,00
• Ganho na venda de Imobilizado R$ 1.000,00
Informações adicionais para calcular o imposto de renda
• O percentual de presunção na venda de mercadorias é de 8% no Imposto de Renda.
• Empresa não possui escrituração contábil regular, utilizando apenas o livro caixa.
• O ganho na venda de Imobilizado refere-se à venda de um veículo adquirido em abril de 2004
por R$ 18.000,00 e vendido por R$ 19.000,00 em março de 2007.

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• Utilizar a alíquota vigente para o imposto de renda, que é de 15%, além do adicional de 10%
determinado pela legislação tributária.
Considerando a legislação tributária, os números da empresa e as informações prestadas, o
imposto de renda devido no 1o trimestre de 2007, em reais, monta a
(A) 20.650,00
(B) 23.350,00
(C) 24.250,00
(D) 26.950,00
(E) 32.950,00
Comentários:
Cálculo do IR presumido:
Receita bruta x 8% = 1.500.000 x 0,08 = 120.000
Ganho de capital:
Valor compra 18.000
(–) Depreciação acumulada (10.800) ( (18000 / 60) x 36 )
Valor contábil 7.200
Valor venda 19000
(-) Valor contábil (7.200)
Ganho de capital 11.800
Base de cálculo (120.000 + 11.800) = 131.800
Cálculo do imposto (131.800 * 15%) = 19.770,00
Cálculo do adicional ((131.800-60.000) * 10%) = 7.180,00
Total do imposto 26.950,00
Gabarito → D.

Uma dúvida nesta questão refere-se ao fato de não ser utilizado 1000 como ganho de capital, não
é? Bem, deve ser usada a depreciação acumulada para calcular o ganho de capital, mesmo que a
empresa não tenha escrituração contábil regular.
Leia abaixo:

“Art. 521, parágrafo 1o. O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente
e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável corresponderá à diferença
positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil.”

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“Nota 1553 – Determinação do ganho de capital – O ganho de capital de que trata este
parágrafo corresponde à diferença positiva verificada, no mês, entre o valor da alienação
e o respectivo custo de aquisição, diminuído dos encargos de depreciação, amortização
ou exaustão acumulada, ainda que a empresa não mantenha escrituração contábil (
DIPJ/2005, Considerações Adicionais, subitem 18.2.6.3.1) “ Conforme “ Regulamento do
Imposto de Renda 2005”, de Alberto Tebechrani e outros, pg. 1402.

4.3 - LUCRO ARBITRADO

O lucro arbitrado é lançado de ofício pela Secretaria da Receita Federal, por meio de seus auditores
fiscais, geralmente, quando flagradas fraudes, vícios, omissões, inconsistências na escrituração de
sujeito passivo.
==6aa9d==

No entanto, pode também ser usado pelo contribuinte (o chamado “arbitramento voluntário”),
conforme o Regulamento do Imposto de Renda:

Art. 531. Quando conhecida a receita bruta e desde que ocorridas as hipóteses do artigo
anterior, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do imposto correspondente com
base no lucro arbitrado, observadas as seguintes regras:
I - a apuração com base no lucro arbitrado abrangerá todo o ano-calendário, assegurada,
ainda, a tributação com base no lucro real relativa aos trimestres não submetidos ao
arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação
comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangidos por aquela
modalidade de tributação;

Esquematizemos:

Em caso de fraude,
Pelo Fisco vícios e incorreções
na escrituração
Arbitramento do
Lucro
Pelo contribuinte
(arbitramento
voluntário)

A CESPE já cobrou:
(CESPE/FUB/Contador/2011) O arbitramento do lucro para fins de cálculo do imposto de renda
pode ser feito pela autoridade fiscal ou pela própria empresa, sendo, nessa última situação,
denominado arbitramento voluntário.
Gabarito → Certo
Vamos em frente...

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Vejamos o que diz o Regulamento do Imposto de Renda:

HIPÓTESES DE ARBITRAMENTO
Art. 529. A tributação com base no lucro arbitrado obedecerá às disposições previstas
neste Subtítulo.
Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será
determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando:
I - o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração
na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras
exigidas pela legislação fiscal;
II - a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de
fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para:
a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou
b) determinar o lucro real;
III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da
escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art.
527;
IV - o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido;
V - o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de escriturar e
apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro do comitente residente ou
domiciliado no exterior (art. 398);
VI - o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis
recomendadas, Livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou
subconta, os lançamentos efetuados no Diário.

Esquematizemos:

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No caso do arbitramento do lucro, e desde que seja conhecida a receita bruta, a base de cálculo será
o percentual do lucro presumido acrescido de 20%.
Esquematizemos:

Percentual do Lucro
Lucro Arbitrado Receita conhecida
Presumido mais 20%

Uma questão sobre o assunto:


(CESGRANRIO/Transpetro/Contador Jr./2011) Ao ocorrer o arbitramento do lucro, qualquer
que seja a hipótese dentre as previstas no RIR/99, e sendo conhecida a Receita Bruta da
companhia, o Imposto de Renda arbitrado será apurado pela utilização das taxas determinadas
para o Lucro Presumido, acrescidas de
A) 5%
B) 10%
C) 15%
D) 20%
E) 25%
Gabarito → D
Se a receita não for conhecida, o Regulamento do Imposto de Renda estipula diversas hipóteses de
arbitramento:

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(CESGRANRIO/TermoMacaé/Técnico de Contabilidade/2009) A legislação do imposto de


renda estabelece que a base de cálculo do imposto é o lucro real, presumido ou arbitrado,
correspondente ao período de apuração. A apuração do imposto de renda com base no lucro
arbitrado ocorre com o arbitramento do lucro de duas formas diferentes, que são:
A) lucro bruto conhecido e receita bruta conhecida.
B) lucro bruto não conhecido e lucro real não conhecido.
C) lucro real conhecido e lucro real desconhecido.
D) receita bruta conhecida e lucro real não conhecido.
E) receita bruta conhecida e receita bruta não conhecida.
Comentário:
O lucro arbitrado pode ser calculado de duas formas: quando a receita é conhecida (nesse caso,
é o percentual usado para o Lucro Presumido acrescido de 20%) ou quando a Receita não é
conhecida. No último caso, são usadas outras bases de cálculo, como 150% do último lucro real
apurado ou percentuais sobre o ativo, o Patrimônio Líquido ou o Capital Social.
Gabarito → E

4.4 - LUCRO REAL

O lucro real, por seu turno, é o lucro líquido do período ajustado por adições, exclusões e
compensações. Veremos, primeiro, as regras do Lucro Real para as empresas em geral; depois
veremos as peculiaridades das empresas rurais.

Lucro apurado na contabilidade antes do IR (LAIR)


+ Adições
(-) Exclusões
(-) Compensações
Base de cálculo do imposto de renda.

As adições aumentam a base do imposto. Um exemplo clássico são as multas. Na demonstração do


resultado do exercício, as multas reduzem o valor do lucro e, consequentemente, do imposto a ser
apurado. Permitindo-se esta situação, estar-se-ia sendo condescendente com aqueles que cometem
ilícitos, uma vez que teriam sua tributação diminuída.
As exclusões têm por fim reduzir a base de cálculo do imposto, tendo em vista que no resultado
contábil foram considerados resultados que não devem ser tributadas, como as receitas de
dividendos, que são tributadas na empresa que os distribui.

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Professores, não entendi como funcionam as adições e exclusões.


1) Adições são receitas tributáveis que não foram lançadas na DRE, portanto, precisam
ser adicionadas para serem tributadas pelo IR ou que foram diminuídas da DRE mas
devem ser acrescentadas, já que devemos tributar pelo IR. A perda com equivalência
patrimonial, por exemplo, se enquadra nesta última hipótese.
Se por exemplo, a empresa tem uma despesa com multa, por que está violando um pacto
ambiental e está poluindo severamente o meio ambiente, não poderá deduzir este valor
para fins de cálculo do IR. Seria premiá-la por seu próprio desleixo. Você está reduzindo
o resultado, mas não pode fazê-lo. Deve fazer uma adição! As exclusões são justamente
o contrário.
Quando se está apurando o lucro real, podemos ter algumas exclusões, que vão diminuir
a base de cálculo para pagamento do imposto de renda. São valores que a Receita Federal
autoriza sejam diminuídos, resultados positivos, receitas e ganhos que estejam na DRE,
mas não sejam computados no lucro real, e o próprio prejuízo fiscal que for apurado em
exercícios anteriores (limitado a 30% do lucro líquido ajustado – ver explicações abaixo).

Sobre a base de cálculo, incide o imposto de 15%, com adicional de Imposto de Renda de 10%,
quando a base de cálculo ultrapassar $20.000 por mês (considerando-se o período de apuração do
imposto), conforme abaixo:

A parcela do lucro real que exceder ao resultado da multiplicação de R$20.000,00 (vinte


mil reais) pelo número dos meses do respectivo período de apuração sujeita-se à
incidência do adicional, à alíquota de 10% (dez por cento).

Vejamos na prática como é...


Uma empresa possui registrada em seu LALUR prejuízos fiscais no montante de R$ 100.000,00.
Considere os seguintes dados: Em 2010, no primeiro trimestre, o lucro foi de R$ 400.000, sendo
40.000 de provisão para férias e resultado negativo de Método de Equivalência Patrimonial de
R$ 40.000. Calcule o imposto de renda devido ao fim do primeiro trimestre.
Vamos lá! No primeiro trimestre.
Lucro antes do IR = 400.000.
+ Adições (Perda com MEP) 40.000
- Exclusões 0
Lucro ajustado 440.000.
Uma primeira ressalva. A provisão para férias é dedutível, mas como se trata de despesa, já foi
considerada, uma vez que apurada antes do lucro líquido do trimestre. O lucro do trimestre já
considera todas as despesas do período.
O máximo que poderá ser utilizado com as compensações é o montante de 30% deste lucro
ajustado, de R$ 440.000, isto é, R$ 132.000. Mas só temos R$ 100.000, logo, poderemos utilizar
todo o valor.

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Lucro ajustado 440.000


(-) Compensações 100.000
Base de cálculo do IR → Lucro real 340.000
Agora, calcula-se o IR.
A alíquota é de 15%, cobrando-se um adicional de 10% sobre o montante que exceder o
número de meses x R$ 20.000.
Teremos:
Imposto = 15% x 340.000 = 51.000
Adicional = 10% x (340.0000 – (3 x 20.000)) = 28.000
Somando as parcelas, teremos um imposto total de 51.000 + 28.000 = R$ 79.000,00.

4.5 - TRATAMENTO DO PREJUÍZO ACUMULADO

O Prejuízo Acumulado, para efeito do Imposto de Renda das empresas em geral, é apurado no LALUR
(Livro de apuração do Lucro Real). E apresenta a seguinte particularidade, em relação ao Prejuízo
contábil: só pode abater 30% do Lucro Real apurado no exercício (lucro ajustado pelas adições e
exclusões).
Vamos supor que uma empresa tenha prejuízos acumulados no valor de $10.000 (e que tal prejuízo
seja também o prejuízo fiscal, para efeito de IR).
Caso a empresa obtenha lucro de $12.000 no exercício, para a contabilidade ficará assim:
Lucro do exercício $12.000 – prejuízo acumulado $10.000 = $2.000 de lucros acumulados.
A empresa irá constituir reservas e pagar dividendos sobre o valor de $2.000.
Para o Imposto de Renda: só pode compensar 30% do lucro.
Fica assim:

Lucro do Exercício $12.000


Prejuízo fiscal (30%) ($3.600)
Base para IR $8.400
IR (15% x 8400) $1.260

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(FGV/Auditor Fiscal/ISS Cuiabá/2016) Uma empresa apresentava em 31/12/X0 o seguinte


balanço patrimonial:
Caixa 100.000 Capital Social 100.000
No ano X1, a empresa auferiu receitas à vista no valor de R$ 50.000,00 e incorreu em despesas
à vista no valor de R$ 80.000,00. Em 31/12/X1 foi feito um estudo e constatou-se que a
empresa apresentava perspectivas de lucros futuros.
No ano X2, a empresa auferiu receitas à vista no valor de R$ 90.000,00 e incorreu em despesas,
também à vista, no valor de R$ 70.000,00.
Assinale a opção que indica a provisão para o imposto sobre a renda e contribuição social da
empresa em 31/12/X2, considerando alíquota de 34%.
(A) Zero.
(B) R$ 2.040,00.
(C) R$ 3.400,00.
(D) R$ 4.760,00.
(E) R$ 6.800,00
Comentários:
Exercício de X1.
Receita 50.000,00
(-) Despesa (80.000,00)
Prejuízo do exercício (30.000,00)
O prejuízo acumulado, para efeito do Imposto de Renda, é apurado no LALUR (Livro de
apuração do Lucro Real). E apresenta a seguinte particularidade, em relação ao Prejuízo
contábil: só pode abater 30% do Lucro Real apurado no exercício.
Nesse caso, a empresa tinha Prejuízos acumulados no valor de $10.000 (e que tal prejuízo seja
também o prejuízo fiscal, para efeito de IR).
Como em X2 ela teve lucro no exercício, para a contabilidade ficará assim:
Lucro do exercício: 90.000 – 70.000 = 20.000,00 – prejuízo acumulado $30.000 = $10.000 de
prejuízos acumulados.
Como há prejuízo, não há constituição de reserva e pagamento de dividendos. Mas a questão
quer saber o IR.
Para o Imposto de Renda: só pode compensar 30% do lucro.

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Fica assim:
Lucro do Exercício $ 20.000
Prejuízo fiscal (30%) ($ 6.000)
Base para IR $ 14.000
IR (34% x 14000) $ 4.760
Gabarito → D.

Atenção: A limitação de 30% é aplicada para as empresa que não tenham atividades
rurais.
Para as empresas rurais, não há limitação para abater o prejuízo. Ou seja, a empresa
rural pode abater 100% do prejuízo para a base de cálculo do imposto.

Esquematizemos:

Exemplo: Uma empresa rural, com prejuízos fiscais acumulados no valor de $100.000, apurou lucro
real de $120.000.

Base de cálculo do Imposto = Lucro real – prejuízo fiscal acumulado


Base IR = $120.000 - $100.000 = $20.000
IR = $20.000 x 15% = $3.000

Vejamos agora as multas.


As multas podem ser punitivas ou compensatórias.
As multas punitivas são aplicadas para punir inadimplente, e não podem ser deduzidas do Imposto
de Renda.
Já as multas compensatórias tem a função de compensar o Estado pelo prejuízo suportado devido
ao atraso no pagamento do contribuinte.
Além disso, as multas podem ser causadas pela falta de pagamento do imposto (falta de
cumprimento da obrigação principal) ou pelo não cumprimento de obrigação acessória ( atrasar a
entrega da declaração, por exemplo).
As multas compensatórias e as que não são punição pela falta de imposto (as multas originadas por
obrigações assessórias) são dedutíveis para o Imposto de Renda.

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Conforme o Regulamento do Imposto de Renda:

Tributos e Multas por Infrações Fiscais


Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real,
segundo o regime de competência (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41).
§ 5º Não são dedutíveis como custo ou despesas operacionais as multas por infrações
fiscais, salvo as de natureza compensatória e as impostas por infrações de que não
resultem falta ou insuficiência de pagamento de tributo (Lei nº 8.981, de 1995, art. 41,
§ 5º).

(CESPE/PF/Contabilidade/2004) Acerca da legislação específica do imposto de renda de


pessoas jurídicas e legislação complementar, julgue o item subsequente.
As multas fiscais de natureza compensatória e as impostas por descumprimento de obrigações
tributárias, meramente acessórias, são indedutíveis para fins do imposto incidente sobre o
lucro real.
Gabarito → Errado.
(CESGRANRIO/PETROBRAS/Contador/2014) Uma companhia tributada pelo lucro real
apresentou as seguintes informações referentes ao 2o trimestre de 2014:
I. Lucro apurado no 2o trimestre/2014 (abr./mai./jun.) = R$ 30.000,00
II. Valores inclusos no valor do lucro apurado no 2o trimestre/2014 (item I.)
• Multa de INSS, por insuficiência de recolhimento = R$ 2.500,00.
• Multa pelo recolhimento espontâneo do Imposto de Renda, em atraso = R$ 3.500,00.
Considerando exclusivamente as informações da companhia e as normas tributárias vigentes,
o valor da base de cálculo do imposto de renda, em reais, é
(A) 29.000,00
(B) 30.000,00
(C) 32.500,00
(D) 33.500,00
(E) 36.000,00
Comentário:
As multas por insuficiência de recolhimento não são dedutíveis. As multas por atraso de
pagamento são dedutíveis.
Lucro 2º trimestre $30.000 + multa insuficiência recolhimento $2.500

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Base IR = $32.500
Gabarito → C
Voltando ao Imposto de Renda das atividades Rurais...
Segundo a Instrução normativa SRF nº 257, de 11 de dezembro de 2002, são consideradas atividades
rurais:

I - a agricultura;
II - a pecuária;
III - a extração e a exploração vegetal e animal;
IV - a exploração de atividades zootécnicas, tais como apicultura, avicultura, cunicultura,
suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais;
VI - o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou
industrialização;
VII - a venda de rebanho de renda, reprodutores ou matrizes;
VIII - a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam
alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio
agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas
atividades rurais, utilizando exclusivamente matéria-prima produzida na área rural
explorada, tais como:
a) beneficiamento de produtos agrícolas:
1. descasque de arroz e de outros produtos semelhantes;
2. debulha de milho;
3. conserva de frutas;
b) transformação de produtos agrícolas:
1. moagem de trigo e de milho;
2. moagem de cana-de-açúcar para produção de açúcar mascavo, melado, rapadura;
3. grãos em farinha ou farelo;
c) transformação de produtos zootécnicos:
1. produção de mel acondicionado em embalagem de apresentação;
2. laticínio (pasteurização e acondicionamento de leite; transformação de leite em queijo,
manteiga e requeijão);
3. produção de sucos de frutas acondicionados em embalagem de apresentação;
4. produção de adubos orgânicos;
d) transformação de produtos florestais:
1. produção de carvão vegetal;
2. produção de lenha com árvores da propriedade rural;
3. venda de pinheiros e madeira de árvores plantadas na propriedade rural;
e) produção de embriões de rebanho em geral, alevinos e girinos, em propriedade rural,
independentemente de sua destinação (reprodução ou comercialização).
§ 1º A atividade de captura de pescado in natura é considerada extração animal, desde
que a exploração se faça com apetrechos semelhantes aos da pesca artesanal (arrastões
de praia, rede de cerca, etc.), inclusive a exploração em regime de parceria.

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§ 2º Considera-se unidade rural, para fins do imposto de renda, a embarcação para


captura in natura do pescado, e o imóvel, ou qualquer lugar, utilizado para exploração
ininterrupta da atividade rural.

Considera-se receita bruta da atividade rural aquela decorrente da exploração das atividades
relacionadas acima.
A pessoa jurídica rural que explorar outras atividades deverá segregar, contabilmente, as receitas,
os custos e as despesas referentes à atividade rural das demais atividades e demonstrar, no Livro de
Apuração do Lucro Real (Lalur), separadamente, o lucro ou prejuízo contábil e o lucro ou prejuízo
fiscal dessas atividades.
Despesa de custeio
Considera-se despesa de custeio aquela necessária à percepção dos rendimentos da atividade rural
e à manutenção da respectiva fonte produtora, relacionada com a natureza das atividades rurais
exercidas. Exemplo: Gastos com combustíveis, lubrificantes, salários, aluguéis, fertilizantes,
corretivos, defensivos agrícolas, rações, vacinas e medicamentos, etc.
As despesas de custeio são dedutíveis para o Imposto de Renda, mas deverão estar lastreadas em
documentos idôneos, tais como nota fiscal, fatura, duplicata, recibo, contrato de prestação de
serviços, laudo de vistoria de órgão financiador e folha de pagamento de empregados, identificando
claramente a destinação dos recursos.
Investimentos:
São considerados investimentos os gastos com o desenvolvimento da atividade rural, com a melhora
da produtividade e com a expansão da produção: benfeitorias, culturas permanentes, aquisição de
tratores e implementos agrícolas, construção de casas para os trabalhadores, etc.
Conforme o Regulamento do Imposto de Renda:

Art. 314. Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por
pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão
ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição.

Assim, as atividades de investimentos podem ser abatidas integralmente do Imposto de renda, no


ano de sua aquisição.
Lembramos que isso não pode ser abatida do IR a aquisição da terra nua.
Compensação de prejuízos fiscais:
Já mencionamos, mas não custa reforçar (Instrução normativa SRF nº 257):

Compensação de prejuízos fiscais


Art. 17. Não se aplica o limite de trinta por cento de que trata o art. 15 da Lei nº 9.065,
de 20 de junho de 1995, à compensação dos prejuízos fiscais decorrentes da atividade
rural, com lucro real da mesma atividade, observado o disposto no art. 24.

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§ 1º O prejuízo fiscal da atividade rural a ser compensado é o apurado na demonstração


do lucro real transcrita no Lalur.
§ 2º O prejuízo fiscal da atividade rural determinado no período de apuração poderá ser
compensado com o lucro real das demais atividades apurado no mesmo período, sem
limite.
§ 3º Aplicam-se as disposições previstas para as demais pessoas jurídicas à compensação
dos prejuízos fiscais das demais atividades, e os da atividade rural com lucro real de outra
atividade, determinado em período subsequente.
Prejuízos não operacionais
Art. 18. Os prejuízos não operacionais, apurados pelas pessoas jurídicas que exploram
atividade rural, somente poderão ser compensados, nos períodos subsequentes ao de
sua apuração, com lucros de mesma natureza, observado o limite de redução do lucro de,
no máximo, trinta por cento previsto no art. 15 da Lei nº 9.065, de 1995.

Para as atividades rurais, não há limite para a compensação dos prejuízos fiscais.
Para as outras atividades, há o limite de 30% do lucro real.
Os prejuízos não operacionais somente podem ser compensados com lucros não operacionais,
respeitado o limite de 30%.
Vejamos agora a tributação dos Produtores Rurais – pessoa física.
O resultado da atividade rural, apurado pelas pessoas físicas, quando positivo, integra a base de
cálculo do imposto de renda devido no ano-calendário.
A receita bruta da atividade rural é constituída pelo montante das vendas dos produtos oriundos
das atividades rurais.
Despesas de custeio são aquelas necessárias à percepção dos rendimentos da atividade rural e à
manutenção da fonte pagadora, relacionada com a natureza das atividades rurais exercidas.
Investimento é a aplicação de recursos financeiros, durante o ano-calendário, que visem ao
desenvolvimento da atividade rural, à expansão da produção e da melhoria da produtividade.
Exemplo: benfeitorias, compra de tratores, construção de casas para os trabalhadores, etc.
Segundo a Instrução Normativa SRF nº 83/2001:

RESULTADO DA ATIVIDADE RURAL


Art. 11. Considera-se resultado da atividade rural a diferença entre os valores das
receitas recebidas e das despesas de custeio e dos investimentos pagos no ano-
calendário, correspondentes a todas as unidades rurais exploradas pela pessoa física.
§ 1º Se o resultado da atividade rural for negativo (prejuízo), poderá ser compensado nos
anos-calendário posteriores.
§ 2º Do resultado da atividade rural poderá ser excluído o montante de prejuízos
compensáveis de exercícios anteriores.

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À opção do contribuinte, o resultado da atividade rural, quando positivo, poderá ser limitado a vinte
por cento da receita bruta do ano-calendário.
A pessoa física fica obrigada à conservação e guarda do livro Caixa e dos documentos fiscais que
demonstrem a apuração do prejuízo a compensar. A falta da escrituração implica a perda do direito
à compensação do prejuízo acumulado.

FORMA DE APURAÇÃO DO RESULTADO


Art. 22. O resultado da exploração da atividade rural exercida pelas pessoas físicas é
apurado mediante escrituração do livro Caixa, abrangendo as receitas, as despesas de
custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade.
§ 1º O contribuinte deve comprovar a veracidade das receitas e das despesas escrituradas
no livro Caixa, mediante documentação idônea que identifique o adquirente ou o
beneficiário, o valor e a data da operação, a qual é mantida em seu poder à disposição da
fiscalização, enquanto não ocorrer a decadência ou prescrição.
§ 2º A ausência da escrituração prevista no caput implica o arbitramento do resultado à
razão de vinte por cento da receita bruta do ano-calendário.

A escrituração do livro Caixa consiste em assentamentos das receitas, despesas de custeio,


investimentos e demais valores que integram o resultado da atividade rural no livro Caixa, não
contendo intervalos em branco, nem entrelinhas, borraduras, raspaduras ou emendas.
É permitida a escrituração do livro Caixa pelo sistema de processamento eletrônico, em formulários
contínuos, com subdivisões numeradas, em ordem sequencial ou tipograficamente.
Não há necessidade de registro para a utilização do livro Caixa.
A ausência da escrituração regular do livro Caixa implica em arbitramento do resultado em 20% da
receita bruta.

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5 - RESUMO GERAL
Princípio da entidade
Reconhece o patrimônio como objeto da contabilidade
Afirma a autonomia patrimonial
Diferencia o patrimônio particular do patrimônio da sociedade
Patrimônio pertence à entidade. Entidade não pertence ao patrimônio
Soma ou agregação de patrimônios autônomos não resulta em nova entidade, mas unidade de natureza
econômico contábil

A finalidade da contabilidade rural é fornecer informações úteis para os seus usuários.


Uma diferença que normalmente surge entre a contabilidade rural e a contabilidade das outras
entidades é a fixação da data do exercício social. O exercício social das empresas rurais deve levar
em conta o ano agrícola específico do produto agrícola. O ano agrícola compreende a plantação,
colheita e normalmente a comercialização da safra.

Logo após a
Empresas rurais
colheita
Exercício Social
normalmente no
Demais empresas final do ano
(31 de dezembro)

Cultura temporária são aquelas que estão sujeitas ao replantio, ou seja, na colheita são arrancadas
do solo. Possuem vida útil inferior a um ano, depois precisam ser plantadas novamente. Exemplo:
milho, feijão, arroz, soja.
Cultura permanente são aquelas que duram (e produzem) durante vários anos. Por exemplo, um pé
de café pode produzir durante cerca de 20 anos. Da mesma forma, as plantações de laranja também
produzem por vários anos, sem precisar de replantio.

Ativo circulante
Temporária
(estoque)

Cultura
Imobilizado
Permanente
(depreciação))

Formação do pomar Colheita da uva Vinho


(Ativo Permanente, (Estoque - produção (Produto processado)
avaliado ao Custos) agrícola - valor justo) - Estoque - CPC 16

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Atividade agrícola é o gerenciamento da transformação biológica e da colheita de ativos biológicos


para venda ou para conversão em produtos agrícolas ou em ativos biológicos adicionais, pela
entidade.
Planta portadora é uma planta viva que:
(a) é utilizada na produção ou no fornecimento de produtos agrícolas;
(b) é cultivada para produzir frutos por mais de um período; e
(c) tem uma probabilidade remota de ser vendida como produto agrícola, exceto para eventual
venda como sucata.
Produção agrícola é o produto colhido de ativo biológico da entidade.
Ativo biológico é um animal e/ou uma planta, vivos.
Transformação biológica compreende o processo de crescimento, degeneração, produção e
procriação que causam mudanças qualitativa e quantitativa no ativo biológico.
Despesa de venda são despesas incrementais diretamente atribuíveis à venda de ativo, exceto
despesas financeiras e tributos sobre o lucro.
Grupo de ativos biológicos é um conjunto de animais ou plantas vivos semelhantes.

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Colheita é a extração do produto de ativo biológico ou a cessação da vida desse ativo biológico.

Ativo Biológico

•valor justo menos a despesa de venda

Produto Agrícola

•valor justo, menos a despesa de venda, no momento da colheita.

Imposto de Renda
das Pessoas Jurídicas

Lucro Lucro
Lucro Real
Presumido Arbitrado

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O lucro presumido pode ser utilizado pelos contribuintes cuja receita bruta total tenha sido igual ou
inferior a R$ 78 milhões, no ano calendário anterior, ou R$ 6,5 milhões por mês se ano calendário
tiver menos de 12 meses.

Atividade Alíquota
Indústria e comércio em geral 8%
Serviços em geral 32%
Atividade Rural 8%
Demais serviços de transportes 16%
Revenda de combustíveis para consumo 1,6%

Em caso de fraude,
Pelo Fisco vícios e incorreções
na escrituração
Arbitramento do
Lucro
Pelo contribuinte
(arbitramento
voluntário)

Percentual do Lucro
Lucro Arbitrado Receita conhecida
Presumido mais 20%

O lucro real, por seu turno, é o lucro líquido do período ajustado por adições, exclusões e
compensações.

Lucro apurado na contabilidade antes do IR (LAIR)


+ Adições
(-) Exclusões
(-) Compensações
Base de cálculo do imposto de renda.

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Despesa de custeio: Considera-se despesa de custeio aquela necessária à percepção dos


rendimentos da atividade rural e à manutenção da respectiva fonte produtora, relacionada com a
natureza das atividades rurais exercidas. Exemplo: Gastos com combustíveis, lubrificantes, salários,
aluguéis, fertilizantes, corretivos, defensivos agrícolas, rações, vacinas e medicamentos, etc.
As despesas de custeio são dedutíveis para o Imposto de Renda, mas deverão estar lastreadas em
documentos idôneos, tais como nota fiscal, fatura, duplicata, recibo, etc.
Investimentos: São considerados investimentos os gastos com o desenvolvimento da atividade
rural, com a melhora da produtividade e com a expansão da produção: benfeitorias, culturas
permanentes, aquisição de tratores e implementos agrícolas, construção de casas para os
trabalhadores, etc.
Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que
explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente
no próprio ano de aquisição.

6 - QUESTÕES COMENTADAS
1. (FCC/CVM/Analista /2006)
Os estoques de produtos fungíveis são avaliados pelo
A) custo histórico de aquisição atualizado monetariamente.
B) valor de mercado.
C) custo padrão, sem inclusão das variações do padrão.
D) custo padrão, com a inclusão das variações do padrão.
E) valor histórico de formação menos fator de obsolescência.
Comentários:
Conforme a Lei 6404/76:

Art. 183, § 4° Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser


avaliados pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica
contábil.

As mercadorias fungíveis são as commodities, ou seja, soja, suco de laranja, café, etc.
As commodities possuem cotação na bolsa de mercadoria. Portanto, normalmente ficam registradas
na contabilidade pela cotação da bolsa.
Repare que isso tira a necessidade de negociação. E esta é a diferença entre as mercadorias fungíveis
e as outras mercadorias.
Portanto, as mercadorias fungíveis são avaliadas pelo valor de mercado, que é o valor da bolsa de
mercadorias.

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Gabarito → B

2. (CESPE/TJ-ES/2011)
As mercadorias devem ser avaliadas pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para ajuste
ao valor de mercado, quando este for inferior. O valor de mercado pode ser utilizado em
quaisquer circunstâncias no caso de mercadorias fungíveis, se esse for o costume mercantil.
Comentários:
Cópia da lei 6404/76:

Art. 183, § 4° Os estoques de mercadorias fungíveis destinadas à venda poderão ser


avaliados pelo valor de mercado, quando esse for o costume mercantil aceito pela técnica
contábil.

Gabarito → Certo

3. (CESPE/HEMOBRÁS/2008)
As culturas permanentes ou periódicas de árvores ou vegetações devem ser registradas no
ativo permanente imobilizado.
Comentários:
Não existe mais o Ativo Permanente. Agora, deveria contar apenas “Ativo Imobilizado”.
As culturas permanentes ficam no Ativo não circulante – Imobilizado.
Mas as culturas temporárias ficam no Ativo Circulante – Estoque.
Gabarito → Errado

4. (CESPE/HEMOBRÁS/2008)
As culturas que proporcionam frutos, como cafezais ou laranjais, sofrem depreciação. A
depreciação deve ser registrada porque a árvore perde sua capacidade produtiva ao longo do
tempo.
Comentários:
As culturas permanentes, como cafezais ou laranjais, ficam classificadas no Ativo Imobilizado e
sofrem depreciação de acordo com a sua vida útil.
Gabarito → Certo

5. (FBC/Exame CFC/2017 – 2)
Os ativos biológicos são definidos pela NBC TG 29 (R2) – ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO
AGRÍCOLA como “um animal e/ou uma planta, vivos”.
A mesma Norma define produção agrícola como “produto colhido de ativo biológico da
entidade”.

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O ponto de colheita ou abate é o momento em que o ativo em questão passará a estar sob o
escopo da NBC TG 16 (R1) – ESTOQUES, deixando de estar sob o escopo da NBC TG 29 (R2) –
ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA. Esse ponto é, portanto, o último em que o elemento
será mensurado de acordo com o critério previsto na NBC TG 29 (R2).
Considerando-se o que dispõe a NBC TG 29 (R2) – ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA e
atendidos os requisitos de reconhecimento, o produto agrícola colhido de ativos biológicos da
entidade deve ser mensurado:
A) alternativamente, ao custo ou ao Valor Realizável Líquido, dos dois o menor.
B) alternativamente, ao custo ou ao Valor Reavaliado, dos dois o maior.
C) obrigatoriamente, ao custo menos a exaustão.
D) obrigatoriamente, ao valor justo, menos a despesa de venda
Comentários:
O ativo biológico deve ser mensurado prioritariamente pelo valor justo menos a despesa de venda.
Se o valor justo não for mensurável confiavelmente, usa o custo menos a depreciação menos perdas
por irrecuperabilidade.
Já o produto agrícola deve ser obrigatoriamente mensurado pelo valor justo menos a despesa de
venda. O CPC 29 estabelece que há uma premissa de que o valor justo sempre pode ser mensurado
de forma confiável, para o produto agrícola.
Gabarito → D

6. (FEPESE/CIACS/Contador/2017)
Quando o valor justo do ativo biológico não puder ser determinado de forma confiável, o ativo
biológico deve ser mensurado como:
A) Custo menos despesas de vendas.
B) Custo menos a depreciação acumulada e amortização.
C) Custo menos depreciação e perdas por irrecuperabilidade acumuladas.
D) Valor realizável líquido.
E) Valor presente.
Comentário:
Os ativos biológicos devem ser avaliados ao valor justo. Mas, se o valor justo não for mensurável de
forma confiável, deve ser usado o valor de custo menos qualquer depreciação e perdas por
irrecuperabilidade.
Gabarito → C

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7. (CETRO/ANVISA/2013)
Uma empresa pecuária do ramo de produção de laticínios, em dezembro de 2012,
obtém o nascimento de 250 bezerros que serão destinados à venda em período
oportuno. A seguir são apresentadas novas informações:
Custo unitário do gado leiteiro R$2.500,00
Despesa unitária de venda do bezerro recém-nascido R$300,00
Valor de Mercado do gado leiteiro R$3.200,00
Valor Justo do bezerro recém-nascido R$850,00
Despesa unitária de venda do gado leiteiro R$450,00
O correto registro contábil desse novo ativo biológico é
A) D – estoques de bezerros
C – Receitas de valorização de estoques 137.500,00
B) D – estoques de bezerros
C – Ajustes de Avaliação Patrimonial 212.500,00
C) D – intangível - bezerros
C – Reservas de lucros a realizar 175.000,00
D) D – investimentos - bezerros
C – Ajustes de Avaliação Patrimonial 62.500,00
E) D – estoques fungíveis - bezerros
C – Receitas a apropriar com valorização de estoques 100.500,00
Comentários:
Os bezerros ficam avaliados pelo valor justo menos as despesas de vendas.
Valor unitário: $850 - $300 = $550
Valor total = $550 x 250 bezerros = $137.500
Os bezerros ficam classificados no estoque, pois se destinam à venda.

D – Estoques de bezerros
C – Receitas de valorização de estoques......137.500

Gabarito → A

8. (FEPESE/MPE SC/Auditoria/2014)
Assinale a alternativa que contenha apenas ativos biológicos.
A) Carneiros; Árvores de uma plantação; Gado de leite; Videiras; Árvores frutíferas.
B) Carneiros; Tapetes de Lã; Gado de leite; Videiras; Árvores frutíferas.
C) Fio de algodão; Árvores de uma plantação; Gado de leite; Vinho; Árvores frutíferas.
D) Madeira serrada; Árvores de uma plantação; Queijo; Videiras; Árvores frutíferas.

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E) Vinho; Árvores de uma plantação; Gado de leite; Videiras; Frutas processadas.


Comentário:
O CPC 29 – Ativo Biológico possui a seguinte tabela:

A letra A está correta, é o gabarito da questão.


Vejamos o erro das demais alternativas:
B) Tapete de lã = produto resultante do processamento
C) Fio de Algodão = produto resultante do processamento; vinho = produto resultante do
processamento.
D) Madeira serrada = produto resultante do processamento; vinho = produto resultante do
processamento.
E) Vinho = produto resultante do processamento; frutas processadas = produto resultante do
processamento.
Gabarito → A

9. (FEPESE/MPE SC/Auditoria/2014)
Assinale a alternativa que contém apenas produtos agrícolas.

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A) Lã; Madeira; Leite; Uva; Fruta colhida.


B) Carneiros; Tapetes de Lã; Gado de Leite; Videiras; Árvores frutíferas.
C) Fio de algodão; Árvores de uma plantação; Gado de Leite; Vinho; Árvores frutíferas.
D) Madeira serrada; Árvores de uma plantação; Queijo; Videiras; Árvores frutíferas.
E) Vinho; Árvores de uma plantação; Gado de Leite; Videiras; Frutas processadas.
Comentários:
A letra A apresenta apenas produtos agrícolas.
Vejamos a classificação das demais alternativas:

Carneiros = ativo biológico;


Tapetes de Lã = produto resultante do processamento;
Gado de Leite = ativo biológico;
Videiras = ativo biológico;
Árvores frutíferas = ativo biológico.
Fio de algodão = produto resultante do processamento;
Árvores de uma plantação;
Vinho = produto resultante do processamento;
Madeira serrada = produto resultante do processamento;
Árvores de uma plantação = ativo biológico.
Queijo = produto resultante do processamento;
Videiras = ativo biológico.

Gabarito → A

10. (FGV/TJ GO/Contador/2014)


A empresa Goiana é a agroindústria brasileira que lidera o mercado de polpa de Pequi em
conserva e se orgulha de ser responsável por toda cadeia produtiva. Além desse produto, a
empresa Goiana desenvolveu a tecnologia para produzir biodiesel a partir do caroço dessa
fruta. De acordo com os dirigentes da empresa Goiana, partindo de mudas preparadas em
laboratório, a produção do pequizeiro inicia-se de 4 a 5 anos após o plantio. Trata-se de uma
árvore que atinge seu ápice de produção aos 200 anos, podendo viver até 1.200 anos. Todavia,
a empresa Goiana registrou a patente de uma modificação genética, gerando o PequiH55.
Trata-se de uma árvore híbrida que inicia sua vida produtiva em nível máximo aos 10 anos,
além de possuir um caroço 3 vezes maior, comparativamente ao pequizeiro encontrado na
natureza.
O biodiesel produzido pela empresa Goiana é:
A) um produto agrícola que passou por transformação e por isso não pode ser mensurado pelo
seu valor justo;
B) registrado na conta de estoques e mensurado ao valor justo;

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C) um ativo biológico que passou por transformação e por isso não pode ser mensurado pelo
seu valor justo;
D) um produto agrícola que passou por transformação e por isso deve ser mensurado pelo seu
valor justo;
E) mensurado ao valor justo, pois é um produto agrícola.
Comentários:
Vamos lá:
Os pequizeiros são plantas portadoras. Ficam classificados no Ativo Permanente e são avaliados pelo
custo, menos depreciação acumulada e eventuais perdas por recuperabilidade.
O pequi (fruto) é um produto agrícola. Fica no estoque e é avaliado pelo valor justo, menos as
despesas de venda.
O biodiesel é um produto agrícola que passou por transformação e deve ser avaliado pelo custo.
Gabarito → A

7 - LISTA DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA


1. (FCC/CVM/Analista /2006)
Os estoques de produtos fungíveis são avaliados pelo
A) custo histórico de aquisição atualizado monetariamente.
B) valor de mercado.
C) custo padrão, sem inclusão das variações do padrão.
D) custo padrão, com a inclusão das variações do padrão.
E) valor histórico de formação menos fator de obsolescência.
2. (CESPE/TJ-ES/2011)
As mercadorias devem ser avaliadas pelo custo de aquisição, deduzido de provisão para ajuste
ao valor de mercado, quando este for inferior. O valor de mercado pode ser utilizado em
quaisquer circunstâncias no caso de mercadorias fungíveis, se esse for o costume mercantil.
3. (CESPE/HEMOBRÁS/2008)
As culturas permanentes ou periódicas de árvores ou vegetações devem ser registradas no
ativo permanente imobilizado.
4. (CESPE/HEMOBRÁS/2008)
As culturas que proporcionam frutos, como cafezais ou laranjais, sofrem depreciação. A
depreciação deve ser registrada porque a árvore perde sua capacidade produtiva ao longo do
tempo.

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5. (FBC/Exame CFC/2017 – 2)
Os ativos biológicos são definidos pela NBC TG 29 (R2) – ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO
AGRÍCOLA como “um animal e/ou uma planta, vivos”.
A mesma Norma define produção agrícola como “produto colhido de ativo biológico da
entidade”.
O ponto de colheita ou abate é o momento em que o ativo em questão passará a estar sob o
escopo da NBC TG 16 (R1) – ESTOQUES, deixando de estar sob o escopo da NBC TG 29 (R2) –
ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA. Esse ponto é, portanto, o último em que o elemento
será mensurado de acordo com o critério previsto na NBC TG 29 (R2).
Considerando-se o que dispõe a NBC TG 29 (R2) – ATIVO BIOLÓGICO E PRODUTO AGRÍCOLA e
atendidos os requisitos de reconhecimento, o produto agrícola colhido de ativos biológicos da
entidade deve ser mensurado:
A) alternativamente, ao custo ou ao Valor Realizável Líquido, dos dois o menor.
B) alternativamente, ao custo ou ao Valor Reavaliado, dos dois o maior.
C) obrigatoriamente, ao custo menos a exaustão.
D) obrigatoriamente, ao valor justo, menos a despesa de venda
6. (FEPESE/CIACS/Contador/2017)
Quando o valor justo do ativo biológico não puder ser determinado de forma confiável, o ativo
biológico deve ser mensurado como:
A) Custo menos despesas de vendas.
B) Custo menos a depreciação acumulada e amortização.
C) Custo menos depreciação e perdas por irrecuperabilidade acumuladas.
D) Valor realizável líquido.
E) Valor presente.
7. (CETRO/ANVISA/2013)
Uma empresa pecuária do ramo de produção de laticínios, em dezembro de 2012,
obtém o nascimento de 250 bezerros que serão destinados à venda em período
oportuno. A seguir são apresentadas novas informações:
Custo unitário do gado leiteiro R$2.500,00
Despesa unitária de venda do bezerro recém-nascido R$300,00
Valor de Mercado do gado leiteiro R$3.200,00
Valor Justo do bezerro recém-nascido R$850,00
Despesa unitária de venda do gado leiteiro R$450,00
O correto registro contábil desse novo ativo biológico é
A) D – estoques de bezerros
C – Receitas de valorização de estoques 137.500,00

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B) D – estoques de bezerros
C – Ajustes de Avaliação Patrimonial 212.500,00
C) D – intangível - bezerros
C – Reservas de lucros a realizar 175.000,00
D) D – investimentos - bezerros
C – Ajustes de Avaliação Patrimonial 62.500,00
E) D – estoques fungíveis - bezerros
C – Receitas a apropriar com valorização de estoques 100.500,00
8. (FEPESE/MPE SC/Auditoria/2014)
Assinale a alternativa que contenha apenas ativos biológicos.
A) Carneiros; Árvores de uma plantação; Gado de leite; Videiras; Árvores frutíferas.
B) Carneiros; Tapetes de Lã; Gado de leite; Videiras; Árvores frutíferas.
C) Fio de algodão; Árvores de uma plantação; Gado de leite; Vinho; Árvores frutíferas.
D) Madeira serrada; Árvores de uma plantação; Queijo; Videiras; Árvores frutíferas.
E) Vinho; Árvores de uma plantação; Gado de leite; Videiras; Frutas processadas.
9. (FEPESE/MPE SC/Auditoria/2014)
Assinale a alternativa que contém apenas produtos agrícolas.
A) Lã; Madeira; Leite; Uva; Fruta colhida.
B) Carneiros; Tapetes de Lã; Gado de Leite; Videiras; Árvores frutíferas.
C) Fio de algodão; Árvores de uma plantação; Gado de Leite; Vinho; Árvores frutíferas.
D) Madeira serrada; Árvores de uma plantação; Queijo; Videiras; Árvores frutíferas.
E) Vinho; Árvores de uma plantação; Gado de Leite; Videiras; Frutas processadas.
10. (FGV/TJ GO/Contador/2014)
A empresa Goiana é a agroindústria brasileira que lidera o mercado de polpa de Pequi em
conserva e se orgulha de ser responsável por toda cadeia produtiva. Além desse produto, a
empresa Goiana desenvolveu a tecnologia para produzir biodiesel a partir do caroço dessa
fruta. De acordo com os dirigentes da empresa Goiana, partindo de mudas preparadas em
laboratório, a produção do pequizeiro inicia-se de 4 a 5 anos após o plantio. Trata-se de uma
árvore que atinge seu ápice de produção aos 200 anos, podendo viver até 1.200 anos. Todavia,
a empresa Goiana registrou a patente de uma modificação genética, gerando o PequiH55.
Trata-se de uma árvore híbrida que inicia sua vida produtiva em nível máximo aos 10 anos,
além de possuir um caroço 3 vezes maior, comparativamente ao pequizeiro encontrado na
natureza.
O biodiesel produzido pela empresa Goiana é:

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A) um produto agrícola que passou por transformação e por isso não pode ser mensurado pelo
seu valor justo;
B) registrado na conta de estoques e mensurado ao valor justo;
C) um ativo biológico que passou por transformação e por isso não pode ser mensurado pelo
seu valor justo;
D) um produto agrícola que passou por transformação e por isso deve ser mensurado pelo seu
valor justo;
E) mensurado ao valor justo, pois é um produto agrícola.

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8 - GABARITO DAS QUESTÕES COMENTADAS NESTA AULA

QUESTÃO GABARITO
1 B
2 CERTO
3 ERRADO
4 CERTO
5 D
6 C
7 A
8 A
9 A
10 A

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