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Mestrando: Mário dos Santos de Assis


Orientador: Prof. Dr. Sérgio Paulino Abranches

Estudo de Caso
O estudo de caso objetiva apresentar uma narrativa científica, a partir de um
evento particular, que acrescente algo de significativo ao conhecimento existente e seja
tanto quanto possível interessante e iluminativo (STAKE, 1988 apud DA PONTE,
2006), e que possa contribuir com conhecimento dos fenômenos sociais, em contexto de
mundo real, procurando explicar, descrever ou explorar essas situações (YIN, 2015).
Enquanto exploratório, o estudo de caso serve como uma abordagem preliminar
em torno de um respectivo objeto de interesse, visando levantar hipóteses e proposições
pertinentes para posterior investigação. Pode também ter o propósito de descrever a
incidência ou prevalência de um fenômeno dentro de um caso em estudo, enquadrando-
se como sendo descritivo. Já quando a intenção é construir ou desenvolver novas teorias
ou fazer confrontos com as já existentes, o estudo de caso se apresenta como analítico
(YIN, 2015; DA PONTE, 2006).

1 - A natureza do Estudo de Caso


Para Stake (1994), estudo de caso não é uma escolha metodológica, mas uma
escolha do objeto que deve ser estudado. Para Da Ponte (2006), o estudo de caso é um
design de investigação, de natureza empírica e não experimental. Nela o pesquisador
não pretende modificar a situação, apenas compreendê-la com maior profundidade.
Yin (2015) define o estudo de caso como sendo um método de pesquisa de
natureza empírica, que investiga fenômeno contemporâneo, buscando inferências
válidas do evento fora dos limites laboratoriais, em contexto de mundo real. Para o
autor, o percurso rigoroso da pesquisa empreendida, observando inclusive as hipóteses
rivais, enfatiza a natureza de método científico de pesquisa. Na atualidade, a posição
prevalente é no sentido de caracterizar o estudo de caso como uma metodologia de
investigação predominantemente qualitativa (CRESWELL, 2014; DENZIN;
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LINCOLN, 2005; MEIRINHO; OSORIO, 2010; DOOLEY, 2002 apud MEIRINHO;


OSORIO, 2010; GIL, 2010).

2 - A abrangência dos conhecimentos produzidos no Estudo de Caso


Uma indagação muito recorrente para metodologia de investigação por estudo de
caso é quanto à abrangência dos conhecimentos produzidos, especificamente, sobre a
capacidade de generalização, a partir das descobertas oriundas do estudo de caso.
Para Yin (2005, p. 22), “a resposta curta é que os estudos de caso, como os
experimentos, são generalizáveis às proposições teóricas e não às populações ou aos
universos”. O estudo de caso procura encontrar algo de muito universal no mais
particular (DA PONTE, 2006).

3 - Tipos de Estudos de Caso


A doutrina apresenta uma classificação com os seguintes tipos de estudos de
caso (Figura 1): 1 - Quanto à abrangência: (a1) Estudo de Caso Holístico (unidade única
de análise) ou; (b1) Estudo de Caso Integrado (unidades múltiplas de análise); 2 –
quanto ao número de casos: (a2) Caso único; (b2) Casos múltiplos (YIN, 2015).
Figura 1 – Tipos de estudos de caso

Fonte: YIN (2015).


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Referência

CRESWELL, J. W. Investigação qualitativa e projeto de pesquisa: escolhendo entre cinco


abordagens. Tradução Rosa, S. M. 3. ed. Porto Alegre: Penso, 2014.

DENZIN, N. K.; LINCOLN, I. S. The Sage handbook of qualitative research. 3. ed. Thousand
Oaks, CA: Sage, 2005.

GIL, A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2010.

MEIRINHOS, M.; OSÓRIO, A. O estudo de caso como estratégia de investigação em educação.


2016, 2, n. 2, 2016-12-07 2016.

PONTE, J. P. M. d. Estudos de caso em educação matemática. Revista Bolema, n.25, p. 105-


132, 2006.

STAKE, R. E. Case Studies. In: Lincoln, N. K. D. Y. S. (Ed.). Handbook of Qualitative Research.


London: SAGE Publications, 1994. p. 236-247.

YIN, R. K. Estudo de caso: planejamento e métodos. Tradução Herrera, C. M. 5. ed. Porto


Alegre: Bookman, 2015. 290 p. 978-85-8260-232-4