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Universidade do Estado do Pará

Departamento de Filosofia e Ciências Sociais


Centro de Ciências Sociais e Educação
Campus XI - Núcleo de São Miguel do Guamá
Licenciatura Plena em Filosofia

Alice Teles

São Miguel do Guamá

2020
Alice Teles

Religião e felicidade em Emanuel Kant segundo o artigo de Adriano


Correia: O conceito de mal radical.

Trabalho apresentado a
disciplina filosofia da religião do
ensino da filosofia, ministrado
pelo Me. Wallace Andrew Lopes

São Miguel do Guamá

2020
Religião e felicidade em Emanuel Kant segundo o artigo de Adriano
Correia: O conceito de mal radical.
Na buscar de entender por que o homem tende a ser propenso para o mal,
Kant percebe a dificuldade de associar a natureza e a liberdade desse termo; apesar
da ambiguidade que pode ter esse mal, ele traz a noção de responsabilidade
conciliável à propensão para o mal. Segundo Correia, o filosofo vem trabalhar com o
conceito de mal radical na sua obra “ A religião dentro dos limites da simples razão”,
mas no artigo o autor utiliza-se também de “Fundamentos da metafisica dos
costumes” para assim esclarecer a ideia do escritor. Mas como o mal pode ser uma
influência para a religião e consequentemente a felicidade?
Antes de mais nada, cabe entender como funciona esse conceito, e para tal, a
noção de mal radical, segundo a filosofia de Kant, opera como conexão e explicação
no elo entre a razão e a vontade e portanto está profundamente relacionado ao
problema da liberdade. E isso acontece porque para ele o homem tende a inclinar e
a ceder-se as suas apetições.
Na sua análise sobre a moral, em especial a moral da religião, averígua-se
um mal característico a natureza do homem, a isto, está se referindo ao fato de que,
para o uso de sua liberdade, o homem sempre admite uma premissa fornecida pelo
desejo e, essas premissas que o tem como qualidade de ser boa ou má são
determinadas pelo seu princípio de aceitação, em si, universalmente a todos os
homens. Então, o que vem definir esse estado de contrários a lei moral é o ato de
escolher que desde o seu nascimento lhe é concebido.
E disto, ele traz como consequência a vontade, livre e boa por sinal, mas
determinada pelo princípio da moral, como forma do querer geral. E tal pode ser livre
e não-livre; livre, pois está sobre o detrimento da moral e não-livre por ser deliberada
pelo um objeto ou algo que esta manifesto. Assim segue uma vontade que pode ser
livre e boa consequente a moral e não-livre, livre, porém fraca e imperfeita por esta
em consonância ao mal.
Essas inclinações determinadas pela vontade não é por tudo motivo
suficiente, pode-se entender também que o mal pode está enraizado na dada
natureza sensível, segundo Kant. A doutrina do mal é uma tentativa de dar uma
fundamentação filosófica a liberdade da moral e também de tornar possível a
concepção da responsabilidade pelos os atos não de acordo com às leis moral, pois
a moral deve conter uma realidade objetiva para que os conceitos morais e a
liberdade a possuam.
A moral consiste em uma ideia de homem como ser livre sem carecer de um
ente que determine o seu dever moral, e esse dever não decorre, contudo, a valer,
do homem ser livre, é, portanto, a liberdade que é conhecida efetivamente, mas
somente pelo fato de que o homem tem deveres e se sente sempre obrigado pela
lei. A obediência à lei é que me torna possível saber que sou livre. Temos uma
relação direta com a lei que define nossa moralidade. Então qual é o papel da
religião?
O ponto é que para a obrigação moral, o dever, a liberdade e até mesmo para
que a vida boa façam sentindo, depende da minha sensibilidade, porque minha
razão não exige objeto, mais pelo fato de sermos um agente sensível e precisar lidar
com objetos, visto que sem eles não se pode agir. A moral é formal, ou seja, só
precisa de lei, não de meta, embora sem objeto, mesmo o homem sabendo como
deve agir, não o sabe para onde. Além do mais, não é somente um agir moralmente
ou não, mas sim, qual o mundo que esse agente sensível elaboraria.
E por isso somente a lei moral, para o pensador, não seria suficiente, pois
também irá querer compatibilizar a vivencia do mundo moral a realização do
supremo bem. A vontade quer que o mundo exista e a razão quer fazer um mundo
no qual possa agir. É nesse sentido que a religião tem um papel, o de ser conduzido
pela moral e, por esta poder conceber a ideia de um legislador universal
compatibilizador.
Já que o agente é sensível, ele necessariamente busca a felicidade como
fim último. A felicidade é um princípio que nos fornece uma meta final por nossa
própria natureza sensível; a eudaimonia é fundada numa forte noção de natureza e
harmonia entre o homem e a natureza. O homem, em sua natureza sensível,
esforça-se para buscar e, realizar-se no mundo o seu “bem supremo.
E a religião tem seu sentido na consideração que a razão não pode ficar
indiferente à pergunta da sensibilidade pelas consequências do seguimento da lei
moral, do proceder consonante a ela. Assim sendo, deve-se supor um Bem
Supremo, moral, que seja capaz de juntar os dois momentos: racionalidade e
sensibilidade, moralidade e felicidade. Consequentemente o Bem Supremo é a lei
moral que não agride a sensibilidade, e por tal modo, só pode existir se houver um
criador no mundo.
A propensão para o mal é uma tendência deliberativa, completamente distinta
de um impulso natural ou algo assim. O mal radical é uma espécie de ataque à
própria disposição para o bem, o mal seria essa propensão universal para não
receber respeito pela lei como causa; a modalidade da religião consiste em aliar o
respeito pela lei e uma condição para a realização de uma ação boa. Portanto o mal
é sempre considerado como uma resistência à lei moral que se opõe a obediência
da mesma. O mal moral age contra o bem moral.
Kant ao dizer que a universalização do mal é tomada como um postulado
sintético a priori¸ pois ele não se baseia em um dado empírico, como na observação
de existir vários homens maus, pois a possibilidade do mal e do bem está dado a
escolha. Portanto, é inadmissível atribuir uma exigência para o bem a agentes finitos
que são afetados pela sensibilidade, para se ter o bem seria um ânimo subordinado
pelo egoísmo ao estimulo da moral, ou melhor, preferir a lei moral a satisfação das
necessidades compreendida ao desejo da felicidade intrínseco ao homem como
animal sensível. Com efeito o imperativo, que é as leis morais, é uma formula
aplicada a mente humana para distinguir entre o certo e o errado.
Portanto o mal só é possível, não pela corrupção das leis legislativa, mas a
capacidade em adotar uma outra causa para ação em vez das leis, portanto sem
deixar de reconhecê-la. Embora o filosofo não admita um meio-termo moral entre
bem e mal, admite a noção de estágios e graus para aptidão universal para o mal. O
que faz um homem ser bom ou mal não é o conteúdo de suas premissas mas a
ordem dos motivos que se submete a lei da moral, da lei do amor próprio ou da lei
da felicidade.
Se o caráter não é obra da natureza, devemos supor que o homem seja
capaz de redefini-lo, por uma escolha entre o bem e o mal, e ainda se pensar como
melancolia que a vida é um fardo ou um “tempo de provação” seu temor pelo
autodesprezo é pensar que a meta mais elevada na vida de individuo é tornar-se
digno de uma felicidade inalcançável nessa Terra. A parti daí retomamos a
pergunta: como o mal pode ser uma influência para a religião e consequentemente a
felicidade?
A construção do caráter humano no processo civilizatório regido pelo
princípio da moral tem como fator o individualismo comum a todos de alcançar a
felicidade, este sendo o fim último, é traçados caminhos e escolhas que rege num
todo o comportamento. Essas escolha está vinculada na propensão do homem de
ser bom ou mal. A religião como um instrumento utilizado pela moral, conduz o
homem para o melhor viver possível, e este está entrelaçado a um Bem Supremo.

Referências bibliográficas
Abstract. CORREIA, Adriano. O conceito de mal radical. Trans/Form/Ação [online].
2005, vol.28, n.2, pp.83-94. ISSN 0101-3173. SCIELO. PDF 20 de fevereiro 2020.